Garantias do Crédito Tributário no CTN
Garantias do Crédito Tributário no CTN
4 - QUINTA-FEIRA
21/11/2024
Aula 33 de 38
Finalidade:
O artigo 183 reafirma a força do crédito tributário e a amplitude das garantias legais.
Ele:
Exemplo Prático
Imagine que uma pessoa tem débitos de IPTU e o município hipoteque o imóvel como
garantia. A existência dessa hipoteca:
• Não muda o fato de que a dívida é um imposto.
• Não transforma o tributo em uma dívida civil comum.
Por outro lado, o município poderia criar uma lei específica, ampliando as garantias para
incluir a possibilidade de arresto de bens móveis do devedor.
2. (FCC - Adaptada) O parágrafo único do art. 183 do CTN afirma que a natureza das
garantias atribuídas ao crédito tributário:
a) Pode modificar a natureza do crédito.
b) Pode modificar a obrigação tributária.
c) Não altera a natureza do crédito nem da obrigação tributária.
d) Altera a natureza do crédito, mas não da obrigação tributária.
Resposta: c) Não altera a natureza do crédito nem da obrigação tributária.
Finalidade do Artigo
O art. 184 reforça o caráter abrangente da responsabilidade patrimonial no crédito
tributário. O Fisco pode exigir o pagamento do tributo:
• Sobre qualquer bem ou renda do devedor.
• Mesmo quando esses bens estiverem gravados por cláusulas de proteção, como
inalienabilidade, impenhorabilidade ou ônus real, exceto os bens considerados
absolutamente impenhoráveis pela legislação.
3. Privilégios Especiais
o O artigo também menciona os privilégios especiais que podem recair
sobre bens específicos, como o pagamento de débitos fiscais com penhora
prioritária sobre determinados bens (ex.: imóvel vinculado ao IPTU).
Exemplos Práticos:
1. Imóvel com Hipoteca
João tem uma dívida de IPTU de R$ 50.000, mas seu único imóvel está hipotecado para
um banco. O Fisco pode:
o Penhorar o imóvel e vendê-lo para pagar o IPTU, mesmo com a hipoteca.
o O crédito tributário terá preferência sobre o crédito hipotecário.
2. Cláusula de Inalienabilidade
Maria recebeu um imóvel em herança com cláusula de inalienabilidade. Se Maria deve
tributos, o Fisco pode penhorar e vender esse imóvel, pois a cláusula não protege
contra a execução fiscal.
Exemplo Prático
1. João possui uma dívida tributária inscrita como dívida ativa no valor de R$
100.000.
o Se João vender um carro no valor de R$ 50.000 sem deixar bens suficientes
para garantir a dívida, essa venda será presumida fraudulenta.
o Se ele, ao vender o carro, reservar outros bens ou valores para quitar os R$
100.000, não será configurada a presunção de fraude.
Questões de Concurso
1. (Prova fictícia - Direito Tributário)
Assinale a alternativa correta com base no art. 185 do CTN:
a) A alienação de bens por devedor tributário sempre será considerada fraudulenta,
independentemente de inscrição do crédito em dívida ativa.
b) A presunção de fraude aplica-se apenas quando o crédito tributário estiver
regularmente inscrito em dívida ativa.
c) Se o sujeito passivo alienar bens e reservar valores suficientes para quitar o débito, a
alienação ainda será considerada fraudulenta.
d) O artigo 185 do CTN aplica-se aos créditos tributários de qualquer natureza, ainda
que não inscritos em dívida ativa.
Finalidade
O art. 185-A do CTN foi introduzido para fortalecer os mecanismos de cobrança judicial
do crédito tributário, ampliando a proteção ao interesse público.
Ele estabelece que, quando o devedor não quita sua dívida tributária nem apresenta
bens à penhora, o juiz pode determinar a indisponibilidade de seus bens e direitos,
garantindo assim que o Fisco tenha meios de recuperar o crédito devido.
2. Abrangência da Indisponibilidade
o Todos os bens e direitos do devedor podem ser atingidos pela ordem
judicial, desde que respeitado o limite do valor exigível (§1º).
o Órgãos e Entidades Envolvidos:
▪ Registro de imóveis.
▪ Autoridades supervisoras do mercado bancário (ex.: Banco Central).
▪ Autoridades do mercado de capitais (ex.: Comissão de Valores
Mobiliários - CVM).
3. Comunicação Eletrônica
o O artigo prioriza a celeridade na comunicação da indisponibilidade por
meio eletrônico, visando evitar transferências ou alienações que
prejudiquem a recuperação do crédito tributário.
Exemplos Práticos
1. Caso de Indisponibilidade:
o Maria tem uma dívida tributária de R$ 200.000 inscrita em dívida ativa e foi
citada em uma execução fiscal. Após o prazo legal, ela não pagou nem
indicou bens à penhora.
o A Fazenda Pública não localizou bens em nome de Maria.
o Nesse caso, o juiz poderá determinar a indisponibilidade de bens e direitos,
como imóveis, saldos bancários e investimentos, comunicando aos órgãos
responsáveis.
2. Excesso de Indisponibilidade:
o Durante o processo, são encontrados bens indisponíveis no valor de R$
300.000.
o Nesse caso, o juiz deve liberar R$ 100.000, pois a indisponibilidade deve se
limitar ao valor da dívida de R$ 200.000.
Questões de Concurso
1. (CESPE) Sobre a indisponibilidade de bens prevista no art. 185-A do CTN, assinale
a alternativa correta:
a) Independe da citação do devedor.
b) Pode ser aplicada sem limite de valor.
c) Exige que sejam reservados bens suficientes para a dívida.
d) Pode atingir bens gravados com ônus real.
Resposta: d) Pode atingir bens gravados com ônus real.
Finalidade do Artigo
O art. 186 trata da preferência do crédito tributário sobre outros créditos, exceto:
• Créditos trabalhistas (ex.: salários devidos ao trabalhador).
• Créditos de acidentes de trabalho (indenizações ou benefícios).
O objetivo é garantir que o interesse público seja priorizado, assegurando que o
pagamento do crédito tributário tenha precedência na satisfação de dívidas do devedor.
2. Ressalvas à Preferência
o Créditos trabalhistas e acidentários:
o Estes possuem preferência sobre o crédito tributário, devido à proteção
legal conferida aos direitos dos trabalhadores.
Exemplos Práticos
1. Regra Geral:
Uma empresa tem dívidas tributárias e civis. Na execução, o crédito tributário será pago
antes das dívidas civis, mesmo que estas tenham sido constituídas antes.
3. Multa Tributária:
Se houver dívida de tributos e uma multa, o tributo principal terá preferência sobre a
multa, e a multa só será paga após os créditos trabalhistas.
I - União;
ADPF 357
Decisão:
Finalidade
O art. 187 do CTN estabelece que o crédito tributário possui um regime de cobrança
judicial próprio, não devendo ser submetido às regras gerais de:
• Concurso de credores (quando há vários credores disputando o patrimônio do
devedor).
• Falência, recuperação judicial ou inventário.
A norma reforça o princípio de que os créditos tributários, por envolverem interesse
público, têm prioridade na cobrança judicial, ainda que exista uma multiplicidade de
credores.
Exemplos Práticos
1. Empresa em Falência:
o João Ltda. entra em falência com dívidas tributárias e comerciais.
o A União, detentora de crédito tributário, pode cobrar judicialmente fora do
processo falimentar.
2. Conflito Entre Entes Públicos (Antes da ADPF 357):
o Se a União e um Município cobrassem créditos do mesmo devedor, a União
teria preferência, conforme o parágrafo único.
o Após a ADPF 357: Todos os entes têm tratamento igualitário, sem
hierarquia.
Questão de Concurso
1. (CESPE/2023) No âmbito da execução fiscal, como se dá a preferência entre
créditos tributários da União, dos Estados e dos Municípios?
a) União tem preferência, seguida dos Estados e dos Municípios.
b) União e Estados têm igualdade de preferência, mas não os Municípios.
c) Não há hierarquia, devendo ser tratados de forma igualitária.
d) Depende da regulamentação infraconstitucional de cada ente.
3. Aplicação à Concordata
• O § 2º estende a regra também aos processos de concordata, que foi substituída
pelo regime de recuperação judicial na Lei 11.101/2005. Assim, os créditos
tributários gerados durante a recuperação judicial também não se sujeitam à
ordem de classificação e devem ser pagos com prioridade.
Pontos Relevantes
1. Prioridade Absoluta: Os créditos tributários são protegidos em sua totalidade,
mesmo na falência, tendo status de extraconcursais.
2. Intervenção da Fazenda Pública: O artigo reforça o papel ativo da Fazenda
Pública em garantir que bens suficientes sejam reservados para o pagamento do
crédito tributário.
3. Aplicação na Recuperação Judicial: Embora o texto mencione concordata, sua
lógica foi absorvida no regime atual de recuperação judicial.
Exemplos Práticos
• Caso 1: Uma empresa entra em falência em janeiro. Em março, um fato gerador
de ICMS ocorre, gerando um crédito tributário. Esse crédito será tratado como
extraconcursal, com prioridade de pagamento sobre outros débitos da massa
falida.
• Caso 2: Uma empresa em recuperação judicial discorda do valor do crédito
tributário exigido pela Fazenda Pública. Enquanto o litígio é decidido, o juiz reserva
bens suficientes para garantir o pagamento do crédito, evitando prejuízo à
Fazenda Pública.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Procurador) Sobre o tratamento do crédito tributário no curso da
falência, assinale a alternativa correta:
a) É subordinado aos demais créditos concursais.
b) Possui prioridade apenas sobre créditos trabalhistas.
c) É considerado extraconcursal e tem prioridade sobre todos os outros.
d) Só será pago após encerrado o processo falimentar.
Resposta: c)
Resposta: c)
Resposta: a)
2. Âmbito de Aplicação
• Aplica-se ao patrimônio que está sendo inventariado ou arrolado judicialmente.
• Créditos Tributários Vencidos: Tributos que já se tornaram exigíveis antes da
abertura do inventário.
• Créditos Tributários Vincendos: Tributos que se tornaram exigíveis durante o
trâmite do inventário.
4. Impacto Prático
• Os herdeiros só podem receber sua parte no patrimônio após a quitação ou
garantia dos créditos tributários.
• Se o espólio não tiver bens suficientes para pagar os tributos, o inventário poderá
ser prejudicado, e os credores tributários terão prioridade absoluta.
Pontos Relevantes
1. Preferência Absoluta dos Créditos Tributários: Os tributos têm prioridade sobre
quaisquer outras dívidas ou encargos do monte partilhável.
2. Aplicação aos Tributos Vincendos: Mesmo tributos ainda não vencidos, mas
exigíveis durante o inventário, são alcançados por essa regra.
3. Garantia de Pagamento: A lei assegura que o crédito tributário será quitado,
ainda que contestado, por meio da reserva de bens.
4. Herança Líquida: Somente após a quitação dos créditos tributários é que se
define o valor líquido a ser partilhado entre os herdeiros.
Exemplos Práticos
1. Caso 1: João falece deixando bens no valor de R$ 500.000,00. Descobre-se que
ele deixou uma dívida de IPTU vencido no valor de R$ 30.000,00 e o inventário está
em andamento. Esse crédito tributário será quitado antes de qualquer partilha de
bens ou pagamento de outras dívidas, como as de empréstimos bancários.
2. Caso 2: Durante o inventário, surge uma dúvida sobre o valor do ITCMD (Imposto
sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) devido. O valor é contestado pelos
herdeiros. Nesse caso, o juiz determinará a reserva de bens do espólio no valor
estimado do tributo, garantindo o pagamento posterior caso a Fazenda Pública
vença a disputa.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Auditor Fiscal) No processo de inventário ou arrolamento, os créditos
tributários:
a) São pagos após a partilha entre os herdeiros.
b) Têm prioridade sobre quaisquer outros créditos habilitados ou encargos do monte.
c) Não se aplicam aos créditos vincendos.
d) Devem ser contestados diretamente no processo de inventário.
Resposta: b)
Resposta: c)
Resposta: b)
4. Impacto Prático
• Antes de qualquer pagamento a credores trabalhistas, fornecedores ou outros
credores, o responsável pela liquidação deve garantir o pagamento dos tributos
devidos pela pessoa jurídica.
• Caso a liquidação não seja suficiente para quitar todos os débitos, os tributos
serão pagos prioritariamente.
Pontos Relevantes
1. Prioridade Absoluta dos Créditos Tributários: O pagamento dos tributos
prevalece sobre quaisquer outros débitos ou obrigações durante a liquidação da
pessoa jurídica.
2. Abarca Créditos Vincendos: Mesmo os tributos que ainda não estavam vencidos
no início do processo, mas se tornam exigíveis durante a liquidação, são
contemplados por essa regra.
3. Proteção da Fazenda Pública: O artigo reflete o interesse público em assegurar a
arrecadação tributária, essencial ao funcionamento do Estado.
Exemplos Práticos
1. Caso 1: Uma empresa entra em liquidação judicial e possui dívidas de
fornecedores (R$ 300.000) e débitos de ICMS vencidos (R$ 50.000). Além disso,
durante o processo, surgem novas obrigações tributárias (vincendas) no valor de
R$ 10.000. Nesse caso, o total de R$ 60.000 referente aos tributos será pago antes
de qualquer outro credor.
2. Caso 2: Uma empresa decide fechar suas atividades voluntariamente. Durante a
liquidação, identificam-se dívidas tributárias em aberto, como IRPJ e CSLL. Esses
créditos tributários terão prioridade absoluta no pagamento, mesmo que haja
débitos trabalhistas ou com fornecedores.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Procurador) Durante a liquidação judicial ou voluntária de uma pessoa
jurídica de direito privado:
a) Os créditos tributários têm prioridade sobre quaisquer outros.
b) Os créditos trabalhistas prevalecem sobre os tributários.
c) Apenas os créditos tributários vencidos possuem prioridade de pagamento.
d) A prioridade é definida pelo juiz do processo.
Resposta: a)
Resposta: c)
Resposta: b)
O crédito tributário é tratado como uma dívida de natureza pública, fundamental para
o financiamento do Estado. A exigência de sua quitação antes da extinção das
obrigações do falido demonstra como o sistema jurídico protege a arrecadação fiscal
em situações de crise econômica, como na falência.
1. Contexto e Finalidade
• O artigo reforça o privilégio do crédito tributário ao condicionar a extinção das
obrigações do falido à apresentação de comprovação da quitação de todos os
tributos devidos.
• Isso significa que o processo de falência só poderá ser considerado encerrado
após o pagamento integral dos créditos tributários exigíveis pela Fazenda Pública.
Pontos Relevantes
1. Privilégio da Fazenda Pública: Antes que o processo de falência seja encerrado,
a Fazenda Pública deve receber o pagamento dos tributos devidos.
2. Prova de Quitação: A apresentação de certidão negativa de débitos tributários
(CND) ou equivalente é obrigatória para extinguir as obrigações do falido.
3. Proteção ao Erário: A norma evita que créditos tributários sejam prejudicados
pela desorganização ou esgotamento do patrimônio do falido.
Exemplos Práticos
1. Caso 1: Uma empresa entra em falência e, ao final do processo, seus
administradores solicitam a extinção das obrigações. No entanto, há um débito
de ICMS pendente. Nesse caso, o juiz exigirá a quitação desse tributo antes de
extinguir as obrigações da empresa.
2. Caso 2: Durante a falência, os credores trabalhistas e financeiros são pagos com
o patrimônio da empresa. Porém, a Fazenda Pública ainda não recebeu o tributo
devido. A quitação dos tributos será condição indispensável para encerrar
definitivamente o processo.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Auditor Fiscal) No processo de falência, a extinção das obrigações do
falido:
a) Independe da quitação de tributos, bastando o pagamento dos credores trabalhistas.
b) Exige a apresentação de prova de quitação de todos os tributos.
c) É automática após o pagamento dos credores quirografários.
d) Depende de autorização da Fazenda Pública, mesmo sem tributos pendentes.
Resposta: b)
Resposta: c)
Resposta: b)
1. Contexto e Finalidade
• O Art. 191-A reforça a prioridade do crédito tributário ao condicionar a concessão
da recuperação judicial à prova de quitação de todos os tributos.
• O objetivo é proteger os interesses da Fazenda Pública, garantindo que as
empresas que buscam recuperação judicial regularizem sua situação tributária
antes de receberem o benefício.
2. Ligação com a Recuperação Judicial
• Recuperação Judicial: Procedimento previsto na Lei 11.101/2005, que permite a
reestruturação de empresas em dificuldade financeira para evitar a falência.
• Para que o pedido de recuperação judicial seja aceito, a empresa deve comprovar
que está em dia com suas obrigações tributárias.
3. Exceções e Suspensão da Exigibilidade
O artigo faz referência aos arts. 151, 205 e 206 do CTN, que tratam de situações em que
a quitação ou exigibilidade do crédito tributário pode ser relativizada:
• Art. 151: Trata das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário,
como:
o Parcelamento;
o Depósito do montante integral;
o Impugnação ou recurso administrativo;
o Concessão de liminar em mandado de segurança.
• Art. 205: Permite que a Fazenda Pública exija certidão negativa para comprovar
regularidade fiscal.
• Art. 206: Regula a emissão de certidão positiva com efeitos de negativa, que pode
ser emitida quando os débitos tributários estão com a exigibilidade suspensa.
Pontos Relevantes
1. Obrigatoriedade de Regularidade Fiscal: A empresa que busca a recuperação
judicial deve apresentar prova de quitação ou regularidade fiscal, sem a qual seu
pedido será indeferido.
2. Suspensão da Exigibilidade: Débitos tributários com exigibilidade suspensa (ex.:
parcelados ou garantidos) permitem que a empresa apresente certidão positiva
com efeitos de negativa, cumprindo a exigência.
3. Proteção à Fazenda Pública: O dispositivo assegura que as empresas
reestruturadas não se beneficiem da recuperação judicial enquanto mantêm
pendências tributárias.
Exemplos Práticos
1. Caso 1: Uma empresa em crise financeira solicita recuperação judicial. Ao
analisarem o pedido, verifica-se que possui débitos tributários sem parcelamento
ou qualquer medida suspensiva. Nesse caso, o juiz não poderá conceder a
recuperação judicial até que a empresa quite ou regularize seus débitos.
2. Caso 2: Outra empresa na mesma situação solicita recuperação judicial, mas
seus débitos tributários estão incluídos em um programa de parcelamento com a
Receita Federal. Nesse cenário, a empresa pode apresentar a certidão positiva
com efeitos de negativa como prova de regularidade tributária.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Procurador) Sobre a concessão da recuperação judicial, de acordo com
o art. 191-A do CTN, é correto afirmar que:
a) A empresa deve comprovar quitação de todos os créditos tributários, sem exceção.
b) A recuperação judicial será concedida mesmo sem quitação tributária, desde que a
empresa apresente um plano de pagamento futuro.
c) A quitação dos tributos ou a suspensão de sua exigibilidade é condição indispensável
para a concessão da recuperação judicial.
d) O juiz pode dispensar a apresentação de prova de quitação tributária se os credores
aprovarem o plano.
Resposta: c)
Resposta: b)
Resposta: a)
1. Contexto e Finalidade
• O Art. 192 do CTN trata de garantir que todos os tributos relacionados ao espólio
(conjunto de bens, direitos e obrigações deixados por uma pessoa falecida) sejam
quitados antes que a partilha ou adjudicação dos bens seja julgada.
• A norma protege o crédito tributário, impedindo que bens do espólio sejam
transferidos aos herdeiros ou adjudicados (dados a credores) sem que os tributos
devidos sejam pagos.
2. Abrangência
• Tributos sobre os bens do espólio: Refere-se a impostos como IPTU, ITR ou
qualquer outro tributo relacionado à posse, propriedade ou transmissão de bens
imóveis ou móveis.
• Tributos sobre rendas do espólio: Incluem-se aqui tributos incidentes sobre
rendimentos gerados pelos bens do espólio, como aluguel ou ganho de capital.
4. Proteção ao Erário
• A exigência reforça o princípio de que o Estado deve ter garantido o pagamento
dos tributos antes da transferência de bens, evitando que a Fazenda Pública seja
prejudicada por partilhas realizadas sem a devida quitação tributária.
Pontos Relevantes
1. Prioridade dos Créditos Tributários: O artigo garante que tributos pendentes
sejam quitados antes de qualquer transferência de bens.
2. Certidões Fiscais: A emissão de uma CND ou CPEN é indispensável para
comprovar a regularidade fiscal do espólio.
3. Alcance Geral: Aplica-se tanto a tributos incidentes sobre a propriedade (ex.:
IPTU, ITR) quanto sobre rendas provenientes dos bens (ex.: IR sobre aluguel).
4. Interesse Público: A norma reflete o caráter prioritário do crédito tributário na
gestão do patrimônio deixado pelo de cujus.
Exemplos Práticos
1. Caso 1: Durante o inventário de João, descobre-se que há débitos de IPTU sobre
um imóvel incluído no espólio. Antes de o juiz proferir a sentença de partilha, os
herdeiros precisam apresentar a prova de quitação do IPTU devido, garantindo que
o imóvel seja transmitido sem pendências tributárias.
2. Caso 2: Um espólio inclui uma fazenda que gerava rendas de arrendamento
agrícola. O inventariante precisa comprovar o pagamento do IR incidente sobre
essas rendas antes que o juiz possa adjudicar ou partilhar a propriedade.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Auditor Fiscal) No processo de inventário, a sentença de partilha
somente poderá ser proferida:
a) Após a homologação do plano de pagamento de credores.
b) Com a comprovação de quitação de todos os tributos incidentes sobre os bens ou
rendas do espólio.
c) Se todos os herdeiros apresentarem certidões negativas de débitos tributários.
d) Quando os credores autorizarem a partilha dos bens.
Resposta: b)
2. (VUNESP - Procurador) De acordo com o art. 192 do CTN, para que se profira a
sentença de partilha ou adjudicação:
a) É necessário que todos os débitos trabalhistas sejam pagos.
b) Basta a aprovação do plano de pagamento de tributos pelo juiz.
c) Deve-se apresentar prova de quitação de todos os tributos relacionados aos bens ou
rendas do espólio.
d) É suficiente que os herdeiros assumam a responsabilidade pelos débitos tributários.
Resposta: c)
Resposta: c)
Art. 193. Salvo quando expressamente autorizado por lei,
nenhum departamento da administração pública da
União, dos Estados, do Distrito Federal, ou dos
Municípios, ou sua autarquia, celebrará contrato ou
aceitará proposta em concorrência pública sem que o
contratante ou proponente faça prova da quitação de
todos os tributos devidos à Fazenda Pública interessada,
relativos à atividade em cujo exercício contrata ou
concorre.
O artigo 193 visa garantir que a administração pública contrate com empresas
regulares, promovendo a responsabilidade fiscal. Utilize exemplos práticos de
licitações e contratos para demonstrar como a exigência de certidões negativas de
débitos tributários é aplicada no dia a dia.
1. Contexto e Finalidade
• O Art. 193 estabelece que, para contratar com a administração pública ou
participar de licitações públicas, é necessário comprovar a regularidade fiscal
do proponente.
• Essa exigência tem como objetivo assegurar que empresas ou indivíduos que se
relacionam contratualmente com o poder público estejam em dia com suas
obrigações tributárias, promovendo a justiça fiscal e evitando que inadimplentes
sejam beneficiados em contratações públicas.
3. Atividade Vinculada
• A exigência está vinculada à atividade econômica exercida pelo contratante ou
proponente. Isso significa que os tributos a serem regularizados são aqueles
relacionados à atividade que será contratada ou para a qual a empresa concorre
no processo licitatório.
4. Exceções
• Autorização expressa por lei: Em casos excepcionais, uma lei específica pode
permitir que a administração pública celebre contratos ou aceite propostas de
proponentes com pendências tributárias, como em situações de calamidade ou
urgência pública.
Pontos Relevantes
1. Regularidade Fiscal como Condição: A comprovação de quitação dos tributos é
um requisito indispensável para contratar com a administração pública, salvo
exceções previstas em lei.
2. Instrumento de Justiça Fiscal: O artigo incentiva o cumprimento das obrigações
tributárias, impedindo que inadimplentes usufruam de benefícios em
contratações públicas.
3. Exigibilidade Vinculada à Atividade: Apenas os tributos relacionados à atividade
objeto do contrato ou concorrência pública devem ser comprovadamente
quitados.
Exemplos Práticos
1. Caso 1: Uma empresa de construção civil deseja participar de uma licitação
pública para a construção de uma ponte. A administração pública exigirá a
apresentação da CND ou CPEN comprovando a regularidade fiscal da empresa
em relação aos tributos incidentes sobre sua atividade econômica, como ISS, PIS
e Cofins.
2. Caso 2: Um prestador de serviços de TI quer celebrar contrato com uma autarquia
estadual, mas possui débitos de ICMS pendentes. Sem a quitação ou suspensão
da exigibilidade desse tributo, ele não poderá ser contratado, salvo se houver
autorização legal específica.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Auditor Fiscal) De acordo com o art. 193 do CTN, para que uma empresa
celebre contrato com uma autarquia municipal, é necessário:
a) Que todos os tributos devidos em âmbito federal, estadual e municipal estejam
quitados.
b) Que apresente prova da quitação de tributos relacionados à atividade em que
contrata ou concorre.
c) Apenas o pagamento do ISS, se aplicável à atividade.
d) A autorização do prefeito ou do chefe do poder executivo local.
Resposta: b)
Resposta: c)
Resposta: b)