0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações37 páginas

Garantias do Crédito Tributário no CTN

Enviado por

carolinaocassis
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações37 páginas

Garantias do Crédito Tributário no CTN

Enviado por

carolinaocassis
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

DIREITO TRIBUTÁRIO

4 - QUINTA-FEIRA
21/11/2024
Aula 33 de 38

UNIDADE IX - Garantias e Privilégios do Crédito


Tributário
Base Legal: CTN, Capítulo VI (artigos de 183 até 193).

Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste


Capítulo ao crédito tributário não exclui outras que sejam
expressamente previstas em lei, em função da natureza
ou das características do tributo a que se refiram.

Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao


crédito tributário não altera a natureza dêste nem a da
obrigação tributária a que corresponda.

Finalidade:
O artigo 183 reafirma a força do crédito tributário e a amplitude das garantias legais.
Ele:

• Estabelece que as garantias listadas no Capítulo são exemplificativas, ou seja,


não exaurem todas as possibilidades previstas na legislação.

• Deixa claro que essas garantias não transformam a natureza jurídica do


crédito tributário (tributo devido pelo contribuinte) nem da obrigação
tributária (o dever de pagar o tributo).

Explicação dos Principais Pontos


1. Garantias do Crédito Tributário
o As garantias são instrumentos legais que asseguram a cobrança do tributo,
aumentando a segurança jurídica para o Fisco.
o Exemplos incluem:
▪ Penhora de bens.
▪ Hipoteca legal.
▪ Preferência do crédito tributário em relação a outros créditos (art. 186
do CTN).
▪ Arrolamento de bens.

2. Caráter Não-Exclusivo das Garantias


o O artigo reforça que as garantias previstas no CTN não limitam a criação de
novas garantias por leis específicas.
o Exemplo: Uma lei municipal pode prever que determinados imóveis são
vinculados como garantia em casos de IPTU atrasado.

3. Parágrafo Único: Natureza do Crédito e da Obrigação Tributária


o As garantias são acessórias, ou seja, servem apenas para proteger o
cumprimento da obrigação tributária.
o Elas não alteram a essência do tributo (natureza pública, compulsória) nem
do dever de pagá-lo.

Exemplo Prático
Imagine que uma pessoa tem débitos de IPTU e o município hipoteque o imóvel como
garantia. A existência dessa hipoteca:
• Não muda o fato de que a dívida é um imposto.
• Não transforma o tributo em uma dívida civil comum.
Por outro lado, o município poderia criar uma lei específica, ampliando as garantias para
incluir a possibilidade de arresto de bens móveis do devedor.

Questões Relevantes para Concursos Públicos


1. (CESPE - Adaptada) As garantias do crédito tributário previstas no CTN são
taxativas e não podem ser alteradas por outras leis. Verdadeiro ou Falso?

Resposta: Falso. O artigo 183 estabelece que as garantias não excluem


outras previstas em lei.

2. (FCC - Adaptada) O parágrafo único do art. 183 do CTN afirma que a natureza das
garantias atribuídas ao crédito tributário:
a) Pode modificar a natureza do crédito.
b) Pode modificar a obrigação tributária.
c) Não altera a natureza do crédito nem da obrigação tributária.
d) Altera a natureza do crédito, mas não da obrigação tributária.
Resposta: c) Não altera a natureza do crédito nem da obrigação tributária.

3. (Vunesp) De acordo com o art. 183 do CTN, a natureza do crédito tributário:


a) Pode ser definida pela garantia que lhe foi atribuída.
b) É modificada quando se adicionam garantias legais.
c) Não se altera, independentemente das garantias previstas.
d) Depende das garantias expressamente listadas no CTN.

Resposta: c) Não se altera, independentemente das garantias previstas.

Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sôbre


determinados bens, que sejam previstos em lei, responde
pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos
bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do
sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive
os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade
ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição
do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens
e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis.

Finalidade do Artigo
O art. 184 reforça o caráter abrangente da responsabilidade patrimonial no crédito
tributário. O Fisco pode exigir o pagamento do tributo:
• Sobre qualquer bem ou renda do devedor.
• Mesmo quando esses bens estiverem gravados por cláusulas de proteção, como
inalienabilidade, impenhorabilidade ou ônus real, exceto os bens considerados
absolutamente impenhoráveis pela legislação.

Explicação dos Pontos-Chave


1. Abrangência do Patrimônio
o Todos os bens e rendas do devedor podem ser usados para quitar o crédito
tributário, independentemente de sua origem ou natureza.
o Isso inclui bens do:
▪ Sujeito passivo (devedor).
▪ Espólio (herança do devedor falecido).
▪ Massa falida (bens do devedor em processo de falência).

2. Ônus Real e Cláusulas de Proteção


o Mesmo que o bem esteja gravado por um ônus real (ex.: hipoteca) ou
protegido por cláusulas como inalienabilidade (não pode ser vendido) ou
impenhorabilidade (não pode ser penhorado), ele poderá ser usado para
satisfazer o crédito tributário.
o Exceção: Bens considerados absolutamente impenhoráveis por lei (art.
833 do CPC).

3. Privilégios Especiais
o O artigo também menciona os privilégios especiais que podem recair
sobre bens específicos, como o pagamento de débitos fiscais com penhora
prioritária sobre determinados bens (ex.: imóvel vinculado ao IPTU).

Exemplos Práticos:
1. Imóvel com Hipoteca
João tem uma dívida de IPTU de R$ 50.000, mas seu único imóvel está hipotecado para
um banco. O Fisco pode:
o Penhorar o imóvel e vendê-lo para pagar o IPTU, mesmo com a hipoteca.
o O crédito tributário terá preferência sobre o crédito hipotecário.

2. Cláusula de Inalienabilidade
Maria recebeu um imóvel em herança com cláusula de inalienabilidade. Se Maria deve
tributos, o Fisco pode penhorar e vender esse imóvel, pois a cláusula não protege
contra a execução fiscal.

3. Bens Absolutamente Impenhoráveis


o O salário de um trabalhador, nos limites previstos no art. 833 do CPC, não
pode ser penhorado para quitar dívidas tributárias.

Pontos Relevantes para Concursos Públicos


1. Preferência do Crédito Tributário
o Questões costumam abordar como o crédito tributário supera ônus reais e
outras garantias em execução fiscal.
2. Impenhorabilidade Absoluta
o Muitos concursos perguntam sobre quais bens são absolutamente
impenhoráveis (ex.: salários, pensões alimentícias, equipamentos de
trabalho).
3. Responsabilidade Patrimonial
o A abrangência dos bens do sujeito passivo, espólio ou massa falida é tema
frequente.

Questões de Concurso (Simuladas)


1. (CESPE/2023) Sobre as garantias do crédito tributário, assinale a alternativa
correta:
a) O crédito tributário não pode recair sobre bens gravados por cláusula de
impenhorabilidade.
b) O crédito tributário é preferencial em relação a ônus reais sobre o bem.
c) Todos os bens são penhoráveis, independentemente de previsão legal.
d) O crédito tributário não atinge bens pertencentes à massa falida.

Resposta: b) O crédito tributário tem preferência sobre ônus reais.

Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou


oneração de bens ou rendas, ou seu comêço, por sujeito
passivo em débito para com a Fazenda Pública, por
crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa.

Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na


hipótese de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou
rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita.
Finalidade
O artigo 185 protege o interesse público no recebimento do crédito tributário. Ele cria
uma presunção de fraude para alienações ou onerações de bens feitas pelo devedor,
quando este tem débitos tributários inscritos em dívida ativa, salvo se forem reservados
bens suficientes para a quitação da dívida.

Explicação dos Pontos-Chave


1. Presunção de Fraude
o Se o contribuinte alienar (vender, doar, transferir) ou onerar (colocar como
garantia, hipotecar, penhorar) bens ou rendas enquanto está em débito com
a Fazenda Pública, presume-se que ele está agindo para fraudar o
pagamento do crédito tributário.
o Essa presunção é relativa, ou seja, o devedor pode provar que a alienação
ou oneração não teve a intenção de prejudicar o Fisco.

2. Requisito: Inscrição em Dívida Ativa


o Para que a presunção de fraude seja válida, o crédito tributário deve estar:
▪ Regularmente constituído (com lançamento realizado e notificação
do contribuinte).
▪ Inscrito em dívida ativa, ou seja, com registro formal no órgão
competente para cobrança.

3. Parágrafo Único: Reserva de Bens ou Rendas


o A presunção de fraude não se aplica se o devedor reservar bens ou rendas
suficientes para pagar integralmente o crédito tributário inscrito.
o Exemplo: O devedor vende um imóvel, mas deixa em depósito judicial um
valor equivalente à dívida tributária.

Exemplo Prático
1. João possui uma dívida tributária inscrita como dívida ativa no valor de R$
100.000.
o Se João vender um carro no valor de R$ 50.000 sem deixar bens suficientes
para garantir a dívida, essa venda será presumida fraudulenta.
o Se ele, ao vender o carro, reservar outros bens ou valores para quitar os R$
100.000, não será configurada a presunção de fraude.

Pontos Relevantes para Concursos


1. A presunção de fraude é relativa (pode ser afastada mediante prova em contrário).
2. Apenas se aplica se o crédito estiver regularmente inscrito como dívida ativa.
3. Alienações e onerações de bens ou rendas realizadas antes da inscrição em
dívida ativa não são presumidas fraudulentas com base neste artigo.

Questões de Concurso
1. (Prova fictícia - Direito Tributário)
Assinale a alternativa correta com base no art. 185 do CTN:
a) A alienação de bens por devedor tributário sempre será considerada fraudulenta,
independentemente de inscrição do crédito em dívida ativa.
b) A presunção de fraude aplica-se apenas quando o crédito tributário estiver
regularmente inscrito em dívida ativa.
c) Se o sujeito passivo alienar bens e reservar valores suficientes para quitar o débito, a
alienação ainda será considerada fraudulenta.
d) O artigo 185 do CTN aplica-se aos créditos tributários de qualquer natureza, ainda
que não inscritos em dívida ativa.

Resposta: b) A presunção de fraude aplica-se apenas quando o crédito


tributário estiver regularmente inscrito em dívida ativa.

2. (Prova fictícia - Simulado)


Em relação ao disposto no parágrafo único do art. 185 do CTN, é correto afirmar que:
a) A reserva de bens ou rendas suficientes ao pagamento do débito tributário não afasta
a presunção de fraude.
b) A reserva de bens ou rendas suficientes ao pagamento do débito é suficiente para
afastar a presunção de fraude.
c) Apenas valores depositados em conta bancária afastam a presunção de fraude.
d) A presunção de fraude é absoluta e não admite exceções.

Resposta: b) A reserva de bens ou rendas suficientes ao pagamento do


débito é suficiente para afastar a presunção de fraude.

Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário,


devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à
penhora no prazo legal e não forem encontrados bens
penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de
seus bens e direitos, comunicando a decisão,
preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e
entidades que promovem registros de transferência de
bens, especialmente ao registro público de imóveis e às
autoridades supervisoras do mercado bancário e do
mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas
atribuições, façam cumprir a ordem judicial.

§ 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo


limitar-se-á ao valor total exigível, devendo o juiz
determinar o imediato levantamento da indisponibilidade
dos bens ou valores que excederem esse limite.

§ 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a


comunicação de que trata o caput deste artigo enviarão
imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e
direitos cuja indisponibilidade houverem promovido.

Finalidade
O art. 185-A do CTN foi introduzido para fortalecer os mecanismos de cobrança judicial
do crédito tributário, ampliando a proteção ao interesse público.
Ele estabelece que, quando o devedor não quita sua dívida tributária nem apresenta
bens à penhora, o juiz pode determinar a indisponibilidade de seus bens e direitos,
garantindo assim que o Fisco tenha meios de recuperar o crédito devido.

Explicação dos Pontos-Chave


1. Condições para a Indisponibilidade de Bens
o Para que o juiz determine a indisponibilidade, é necessário:
▪ O devedor ter sido citado no processo de execução fiscal.
▪ Não ter efetuado o pagamento da dívida.
▪ Não ter apresentado bens para penhora.
▪ Não haver sido encontrados bens passíveis de penhora.

2. Abrangência da Indisponibilidade
o Todos os bens e direitos do devedor podem ser atingidos pela ordem
judicial, desde que respeitado o limite do valor exigível (§1º).
o Órgãos e Entidades Envolvidos:
▪ Registro de imóveis.
▪ Autoridades supervisoras do mercado bancário (ex.: Banco Central).
▪ Autoridades do mercado de capitais (ex.: Comissão de Valores
Mobiliários - CVM).

3. Comunicação Eletrônica
o O artigo prioriza a celeridade na comunicação da indisponibilidade por
meio eletrônico, visando evitar transferências ou alienações que
prejudiquem a recuperação do crédito tributário.

4. Relatório dos Bens Indisponíveis


o Os órgãos que promovem a indisponibilidade devem enviar ao juízo uma
relação detalhada dos bens e direitos indisponíveis (§2º).

Exemplos Práticos
1. Caso de Indisponibilidade:
o Maria tem uma dívida tributária de R$ 200.000 inscrita em dívida ativa e foi
citada em uma execução fiscal. Após o prazo legal, ela não pagou nem
indicou bens à penhora.
o A Fazenda Pública não localizou bens em nome de Maria.
o Nesse caso, o juiz poderá determinar a indisponibilidade de bens e direitos,
como imóveis, saldos bancários e investimentos, comunicando aos órgãos
responsáveis.

2. Excesso de Indisponibilidade:
o Durante o processo, são encontrados bens indisponíveis no valor de R$
300.000.
o Nesse caso, o juiz deve liberar R$ 100.000, pois a indisponibilidade deve se
limitar ao valor da dívida de R$ 200.000.

Pontos Relevantes para Concursos Públicos


1. Quais são os requisitos para que o juiz determine a indisponibilidade de bens?
o Citação válida do devedor.
o Não pagamento nem indicação de bens à penhora.
o Ausência de bens penhoráveis.

2. A indisponibilidade pode exceder o valor da dívida tributária?


o Não. Deve ser limitada ao valor total exigível (§1º).

3. Qual é o meio preferencial para a comunicação da indisponibilidade aos


órgãos competentes?
o Por meio eletrônico, para maior celeridade e eficiência.

Questões de Concurso
1. (CESPE) Sobre a indisponibilidade de bens prevista no art. 185-A do CTN, assinale
a alternativa correta:
a) Independe da citação do devedor.
b) Pode ser aplicada sem limite de valor.
c) Exige que sejam reservados bens suficientes para a dívida.
d) Pode atingir bens gravados com ônus real.
Resposta: d) Pode atingir bens gravados com ônus real.

2. (FCC) O juiz poderá determinar a indisponibilidade de bens do devedor tributário


nas seguintes hipóteses, exceto:
a) Quando o devedor não for citado no processo de execução fiscal.
b) Quando o devedor não pagar a dívida no prazo legal.
c) Quando não forem encontrados bens penhoráveis.
d) Quando o valor indisponibilizado exceder o total da dívida.

Resposta: a) Quando o devedor não for citado no processo de execução


fiscal.

Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja


qual for sua natureza ou o tempo de sua constituição,
ressalvados os créditos decorrentes da legislação do
trabalho ou do acidente de trabalho.

Parágrafo único. Na falência:

I – o crédito tributário não prefere aos créditos


extraconcursais ou às importâncias passíveis de
restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos
créditos com garantia real, no limite do valor do bem
gravado;

II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a


preferência dos créditos decorrentes da legislação do
trabalho; e

III – a multa tributária prefere apenas aos créditos


subordinados.

Finalidade do Artigo
O art. 186 trata da preferência do crédito tributário sobre outros créditos, exceto:
• Créditos trabalhistas (ex.: salários devidos ao trabalhador).
• Créditos de acidentes de trabalho (indenizações ou benefícios).
O objetivo é garantir que o interesse público seja priorizado, assegurando que o
pagamento do crédito tributário tenha precedência na satisfação de dívidas do devedor.

Explicação dos Pontos-Chave


1. Regra Geral de Preferência
o O crédito tributário prefere a qualquer outro crédito, independentemente
de:
▪ A natureza do crédito concorrente (civil, comercial, etc.).
▪ O momento em que o crédito foi constituído (mesmo se o outro
crédito for anterior).

2. Ressalvas à Preferência
o Créditos trabalhistas e acidentários:
o Estes possuem preferência sobre o crédito tributário, devido à proteção
legal conferida aos direitos dos trabalhadores.

3. Tratamento do Crédito Tributário na Falência (Parágrafo Único)


o O parágrafo único ajusta a regra de preferência no contexto da falência,
seguindo a Lei de Falências e Recuperação de Empresas (Lei nº
11.101/2005):

I – Créditos que prevalecem sobre o crédito tributário:


▪ Créditos extraconcursais (ex.: despesas essenciais para a
continuidade da empresa em falência).
▪ Importâncias passíveis de restituição, como bens de terceiros
indevidamente incorporados ao patrimônio do devedor.
▪ Créditos com garantia real, até o valor do bem gravado (ex.: imóvel
hipotecado).
II – Créditos trabalhistas:
▪ A lei pode limitar ou condicionar a preferência dos créditos
trabalhistas para evitar abusos ou distorções.

III – Multas tributárias:


▪ Multas tributárias (de caráter punitivo) têm menor preferência,
ficando atrás dos créditos trabalhistas e dos créditos tributários
principais.
▪ Preferem apenas aos créditos subordinados (ex.: empréstimos de
sócios à empresa).

Exemplos Práticos
1. Regra Geral:
Uma empresa tem dívidas tributárias e civis. Na execução, o crédito tributário será pago
antes das dívidas civis, mesmo que estas tenham sido constituídas antes.

2. Falência com Garantia Real:


Uma empresa falida tem um imóvel hipotecado como garantia para um banco. O banco
terá direito ao valor do imóvel até o limite da dívida garantida antes de o Fisco receber
os valores referentes ao crédito tributário.

3. Multa Tributária:
Se houver dívida de tributos e uma multa, o tributo principal terá preferência sobre a
multa, e a multa só será paga após os créditos trabalhistas.

Pontos Relevantes para Concursos


1. Ordem de Preferência (Falência):
o Créditos extraconcursais > Créditos com garantia real > Créditos
trabalhistas > Créditos tributários > Multas tributárias > Créditos
subordinados.

2. Diferença entre Tributo e Multa:


o Tributo: Preferência elevada.
o Multa: Preferência inferior (art. 186, parágrafo único, inciso III).

3. Princípio da Preferência Tributária:


o Sempre aparece em questões sobre execução fiscal e falência.

Questão de Concurso (Simulada)


(CESPE/Adaptada)
No caso de falência, o crédito tributário:
a) Prefere a qualquer outro, inclusive créditos trabalhistas.
b) Prefere apenas aos créditos subordinados e trabalhistas.
c) Prefere aos créditos subordinados e às multas tributárias.
d) Não prefere aos créditos extraconcursais nem aos créditos com garantia real no limite
do bem gravado.

Resposta: d) Não prefere aos créditos extraconcursais nem aos créditos


com garantia real no limite do bem gravado.

Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é


sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência,
recuperação judicial, concordata, inventário ou
arrolamento.

Parágrafo único. O concurso de preferência somente se


verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na
seguinte ordem:

I - União;

II - Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e


pró rata;
III - Municípios, conjuntamente e pró rata.

ADPF 357

Decisão:

O Tribunal, por maioria, conheceu da arguição de descumprimento de preceito


fundamental, julgou procedente o pedido formulado para declarar a não
recepção pela Constituição da República de 1988 das normas previstas no
parágrafo único do art. 187 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) e do
parágrafo único do art. 29 da Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais), e
cancelou a Súmula n. 563 do Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto da
Relatora, vencidos o Ministro Dias Toffoli, que julgava improcedente a ação, e o
Ministro Gilmar Mendes, que julgava parcialmente procedente a ação, para dar
interpretação conforme a Constituição.

Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 24.06.2021 (Sessão realizada por


videoconferência - Resolução 672/2020/STF).

Finalidade
O art. 187 do CTN estabelece que o crédito tributário possui um regime de cobrança
judicial próprio, não devendo ser submetido às regras gerais de:
• Concurso de credores (quando há vários credores disputando o patrimônio do
devedor).
• Falência, recuperação judicial ou inventário.
A norma reforça o princípio de que os créditos tributários, por envolverem interesse
público, têm prioridade na cobrança judicial, ainda que exista uma multiplicidade de
credores.

Pontos Relevantes do Artigo


1. Autonomia na Cobrança Judicial
o A Fazenda Pública não precisa habilitar seu crédito tributário em processos
de falência, recuperação judicial ou inventário.
o Exemplo: Se uma empresa em recuperação judicial tiver tributos a pagar, a
Fazenda Pública pode cobrar judicialmente esses valores em separado,
sem concorrer com outros credores.

2. Concurso de Preferência Entre Entes Públicos (Parágrafo Único)


o Quando mais de uma pessoa jurídica de direito público (União, Estados ou
Municípios) tem créditos tributários a receber do mesmo devedor, a
preferência segue a seguinte ordem:
▪ 1º: União.
▪ 2º: Estados, Distrito Federal e Territórios (proporcionalmente ao
valor).
▪ 3º: Municípios (proporcionalmente ao valor).

Decisão na ADPF 357 (2021)


O parágrafo único do art. 187 foi declarado não recepcionado pela Constituição
Federal de 1988 pelo STF, em julgamento da ADPF 357 (24/06/2021).
Razão: A Constituição não prevê hierarquia entre entes da federação em matéria
tributária. Logo:
• União, Estados, DF e Municípios têm igualdade de tratamento em disputas sobre
créditos tributários.

Exemplos Práticos
1. Empresa em Falência:
o João Ltda. entra em falência com dívidas tributárias e comerciais.
o A União, detentora de crédito tributário, pode cobrar judicialmente fora do
processo falimentar.
2. Conflito Entre Entes Públicos (Antes da ADPF 357):
o Se a União e um Município cobrassem créditos do mesmo devedor, a União
teria preferência, conforme o parágrafo único.
o Após a ADPF 357: Todos os entes têm tratamento igualitário, sem
hierarquia.

Pontos Importantes para Concursos


1. Cobrança Judicial Independente:
o O crédito tributário não se submete ao concurso de credores (art. 187,
caput).
2. Mudança Pós-ADPF 357:
o A hierarquia do parágrafo único foi invalidada pelo STF.
3. Preferência Tributária:
o A prioridade do crédito tributário se mantém, mas entre entes públicos, não
há mais distinção hierárquica.

Questão de Concurso
1. (CESPE/2023) No âmbito da execução fiscal, como se dá a preferência entre
créditos tributários da União, dos Estados e dos Municípios?
a) União tem preferência, seguida dos Estados e dos Municípios.
b) União e Estados têm igualdade de preferência, mas não os Municípios.
c) Não há hierarquia, devendo ser tratados de forma igualitária.
d) Depende da regulamentação infraconstitucional de cada ente.

Gabarito: c) (igualdade entre entes públicos, decisão da ADPF 357).

Art. 188. São extraconcursais os créditos tributários


decorrentes de fatos geradores ocorridos no curso do
processo de falência.

§ 1º Contestado o crédito tributário, o juiz remeterá as


partes ao processo competente, mandando reservar bens
suficientes à extinção total do crédito e seus acrescidos,
se a massa não puder efetuar a garantia da instância por
outra forma, ouvido, quanto à natureza e valor dos bens
reservados, o representante da Fazenda Pública
interessada.

§ 2º O disposto neste artigo aplica-se aos processos de


concordata.
1. Crédito Tributário Extraconcursal
• Definição: Crédito extraconcursal é aquele que não se sujeita à ordem de
classificação dos credores na falência (arts. 83 e 84 da Lei de Falências – Lei
11.101/2005).
• Aplicação no Art. 188: Créditos tributários oriundos de fatos geradores que
ocorrerem durante o curso do processo de falência têm prioridade máxima no
pagamento e não precisam respeitar a ordem de classificação dos credores.

2. Garantia do Crédito Tributário em Caso de Controvérsia


• Quando há contestação do crédito tributário (ex.: questionamento administrativo
ou judicial), o juiz deverá:
o Encaminhar as partes ao foro competente para decidir sobre o crédito.
o Determinar a reserva de bens suficientes para garantir o pagamento do
crédito e seus acréscimos legais (juros, multas, etc.), caso a massa falida
não tenha outra forma de assegurar a instância.
• Essa reserva de bens será feita após ouvir o representante da Fazenda Pública,
que avaliará a suficiência dos bens.

3. Aplicação à Concordata
• O § 2º estende a regra também aos processos de concordata, que foi substituída
pelo regime de recuperação judicial na Lei 11.101/2005. Assim, os créditos
tributários gerados durante a recuperação judicial também não se sujeitam à
ordem de classificação e devem ser pagos com prioridade.

Pontos Relevantes
1. Prioridade Absoluta: Os créditos tributários são protegidos em sua totalidade,
mesmo na falência, tendo status de extraconcursais.
2. Intervenção da Fazenda Pública: O artigo reforça o papel ativo da Fazenda
Pública em garantir que bens suficientes sejam reservados para o pagamento do
crédito tributário.
3. Aplicação na Recuperação Judicial: Embora o texto mencione concordata, sua
lógica foi absorvida no regime atual de recuperação judicial.
Exemplos Práticos
• Caso 1: Uma empresa entra em falência em janeiro. Em março, um fato gerador
de ICMS ocorre, gerando um crédito tributário. Esse crédito será tratado como
extraconcursal, com prioridade de pagamento sobre outros débitos da massa
falida.
• Caso 2: Uma empresa em recuperação judicial discorda do valor do crédito
tributário exigido pela Fazenda Pública. Enquanto o litígio é decidido, o juiz reserva
bens suficientes para garantir o pagamento do crédito, evitando prejuízo à
Fazenda Pública.

Questões de Concurso
1. (CESPE - Procurador) Sobre o tratamento do crédito tributário no curso da
falência, assinale a alternativa correta:
a) É subordinado aos demais créditos concursais.
b) Possui prioridade apenas sobre créditos trabalhistas.
c) É considerado extraconcursal e tem prioridade sobre todos os outros.
d) Só será pago após encerrado o processo falimentar.

Resposta: c)

2. (FGV - Juiz) Em caso de controvérsia sobre crédito tributário no curso da falência,


o juiz deverá:
a) Determinar o pagamento imediato do crédito.
b) Julgar a controvérsia no âmbito da falência.
c) Encaminhar as partes ao processo competente, reservando bens para garantir o
crédito.
d) Priorizar os demais créditos concursais.

Resposta: c)

3. (VUNESP - Analista Tributário) O art. 188 do CTN se aplica a:


a) Processos de falência e recuperação judicial.
b) Somente processos de falência.
c) Processos de execução fiscal.
d) Apenas a créditos tributários constituídos antes da falência.

Resposta: a)

Art. 189. São pagos preferencialmente a quaisquer


créditos habilitados em inventário ou arrolamento, ou a
outros encargos do monte, os créditos tributários
vencidos ou vincendos, a cargo do de cujus ou de seu
espólio, exigíveis no decurso do processo de inventário ou
arrolamento.

Parágrafo único. Contestado o crédito tributário,


proceder-se-á na forma do disposto no § 1º do artigo
anterior.

1. Privilégio dos Créditos Tributários no Inventário


• Princípio Básico: Durante o processo de inventário ou arrolamento, os créditos
tributários vencidos ou vincendos (ainda não vencidos, mas com vencimento
próximo) têm preferência sobre qualquer outro crédito ou encargo relacionado ao
patrimônio deixado pelo falecido (de cujus).
• Garantia do Crédito Tributário: Essa preferência visa proteger os interesses da
Fazenda Pública, garantindo que os tributos sejam quitados antes de qualquer
distribuição do patrimônio entre os herdeiros ou credores do falecido.

2. Âmbito de Aplicação
• Aplica-se ao patrimônio que está sendo inventariado ou arrolado judicialmente.
• Créditos Tributários Vencidos: Tributos que já se tornaram exigíveis antes da
abertura do inventário.
• Créditos Tributários Vincendos: Tributos que se tornaram exigíveis durante o
trâmite do inventário.

3. Procedimento em Caso de Controvérsia


• Caso o valor ou a própria existência do crédito tributário seja contestado, o juiz
seguirá o procedimento previsto no § 1º do art. 188:
o Remeter as partes ao processo competente para apurar o crédito.
o Reservar bens do espólio suficientes para garantir o pagamento do crédito
e seus acréscimos (juros, multa, etc.).
o Ouvir o representante da Fazenda Pública para avaliar a suficiência e a
natureza dos bens reservados.

4. Impacto Prático
• Os herdeiros só podem receber sua parte no patrimônio após a quitação ou
garantia dos créditos tributários.
• Se o espólio não tiver bens suficientes para pagar os tributos, o inventário poderá
ser prejudicado, e os credores tributários terão prioridade absoluta.

Pontos Relevantes
1. Preferência Absoluta dos Créditos Tributários: Os tributos têm prioridade sobre
quaisquer outras dívidas ou encargos do monte partilhável.
2. Aplicação aos Tributos Vincendos: Mesmo tributos ainda não vencidos, mas
exigíveis durante o inventário, são alcançados por essa regra.
3. Garantia de Pagamento: A lei assegura que o crédito tributário será quitado,
ainda que contestado, por meio da reserva de bens.
4. Herança Líquida: Somente após a quitação dos créditos tributários é que se
define o valor líquido a ser partilhado entre os herdeiros.

Exemplos Práticos
1. Caso 1: João falece deixando bens no valor de R$ 500.000,00. Descobre-se que
ele deixou uma dívida de IPTU vencido no valor de R$ 30.000,00 e o inventário está
em andamento. Esse crédito tributário será quitado antes de qualquer partilha de
bens ou pagamento de outras dívidas, como as de empréstimos bancários.
2. Caso 2: Durante o inventário, surge uma dúvida sobre o valor do ITCMD (Imposto
sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) devido. O valor é contestado pelos
herdeiros. Nesse caso, o juiz determinará a reserva de bens do espólio no valor
estimado do tributo, garantindo o pagamento posterior caso a Fazenda Pública
vença a disputa.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Auditor Fiscal) No processo de inventário ou arrolamento, os créditos
tributários:
a) São pagos após a partilha entre os herdeiros.
b) Têm prioridade sobre quaisquer outros créditos habilitados ou encargos do monte.
c) Não se aplicam aos créditos vincendos.
d) Devem ser contestados diretamente no processo de inventário.

Resposta: b)

2. (VUNESP - Procurador) Durante o inventário, descobre-se um crédito tributário


contestado. Nesse caso, o juiz deverá:
a) Julgar o crédito no próprio inventário.
b) Determinar o pagamento imediato do crédito.
c) Remeter a questão ao processo competente e reservar bens suficientes para garantir
o crédito.
d) Suspender o inventário até a decisão final sobre o crédito.

Resposta: c)

3. (FGV - Juiz) No caso de créditos tributários vinculados ao espólio:


a) Somente créditos vencidos têm prioridade de pagamento no inventário.
b) Os créditos tributários vencidos e vincendos têm preferência sobre qualquer outro
crédito habilitado.
c) A Fazenda Pública deve abrir novo processo para cobrar o crédito.
d) Não há privilégio em relação a outros credores.

Resposta: b)

Art. 190. São pagos preferencialmente a quaisquer outros


os créditos tributários vencidos ou vincendos, a cargo de
pessoas jurídicas de direito privado em liquidação judicial
ou voluntária, exigíveis no decurso da liquidação.
1. Preferência do Crédito Tributário em Liquidação
• O artigo garante que os créditos tributários vencidos ou vincendos devidos por
pessoas jurídicas de direito privado em processo de liquidação judicial ou
voluntária tenham prioridade absoluta no pagamento sobre quaisquer outros
créditos.
• Liquidação Judicial: Processo judicial que visa encerrar as atividades de uma
pessoa jurídica, apurando seu passivo e realizando o ativo para satisfazer as
dívidas.
• Liquidação Voluntária: Encerramento espontâneo das atividades de uma pessoa
jurídica por decisão de seus sócios ou acionistas, com o mesmo objetivo de quitar
débitos.

2. Créditos Vencidos e Vincendos


• Vencidos: São os créditos tributários já exigíveis antes da abertura do processo
de liquidação.
• Vincendos: Referem-se aos créditos tributários que se tornarem exigíveis durante
o processo de liquidação.

3. Privilégio do Crédito Tributário


• A preferência decorre do privilégio legal do crédito tributário, que é protegido
pelo Código Tributário Nacional em diversos dispositivos (arts. 186 a 193).
• Essa proteção visa assegurar a arrecadação tributária, que é fundamental para o
funcionamento do Estado e o financiamento de serviços públicos essenciais.

4. Impacto Prático
• Antes de qualquer pagamento a credores trabalhistas, fornecedores ou outros
credores, o responsável pela liquidação deve garantir o pagamento dos tributos
devidos pela pessoa jurídica.
• Caso a liquidação não seja suficiente para quitar todos os débitos, os tributos
serão pagos prioritariamente.

Pontos Relevantes
1. Prioridade Absoluta dos Créditos Tributários: O pagamento dos tributos
prevalece sobre quaisquer outros débitos ou obrigações durante a liquidação da
pessoa jurídica.
2. Abarca Créditos Vincendos: Mesmo os tributos que ainda não estavam vencidos
no início do processo, mas se tornam exigíveis durante a liquidação, são
contemplados por essa regra.
3. Proteção da Fazenda Pública: O artigo reflete o interesse público em assegurar a
arrecadação tributária, essencial ao funcionamento do Estado.

Exemplos Práticos
1. Caso 1: Uma empresa entra em liquidação judicial e possui dívidas de
fornecedores (R$ 300.000) e débitos de ICMS vencidos (R$ 50.000). Além disso,
durante o processo, surgem novas obrigações tributárias (vincendas) no valor de
R$ 10.000. Nesse caso, o total de R$ 60.000 referente aos tributos será pago antes
de qualquer outro credor.
2. Caso 2: Uma empresa decide fechar suas atividades voluntariamente. Durante a
liquidação, identificam-se dívidas tributárias em aberto, como IRPJ e CSLL. Esses
créditos tributários terão prioridade absoluta no pagamento, mesmo que haja
débitos trabalhistas ou com fornecedores.

Questões de Concurso
1. (CESPE - Procurador) Durante a liquidação judicial ou voluntária de uma pessoa
jurídica de direito privado:
a) Os créditos tributários têm prioridade sobre quaisquer outros.
b) Os créditos trabalhistas prevalecem sobre os tributários.
c) Apenas os créditos tributários vencidos possuem prioridade de pagamento.
d) A prioridade é definida pelo juiz do processo.

Resposta: a)

2. (FGV - Auditor Fiscal) De acordo com o art. 190 do CTN, no processo de


liquidação judicial ou voluntária, os créditos tributários:
a) Têm prioridade somente se forem vinculados a tributos diretos.
b) São subordinados a créditos trabalhistas e garantias reais.
c) Devem ser pagos preferencialmente a quaisquer outros créditos.
d) Podem ser contestados diretamente no processo de liquidação.

Resposta: c)

3. (VUNESP - Juiz) Durante a liquidação voluntária de uma empresa, são


identificados créditos tributários vincendos. Nesse caso:
a) Os créditos vincendos não têm preferência.
b) Tanto os créditos vencidos quanto os vincendos devem ser pagos com prioridade
sobre quaisquer outros.
c) O pagamento dos tributos vincendos depende de decisão judicial.
d) Os créditos vincendos não se aplicam a liquidações voluntárias.

Resposta: b)

Art. 191. A extinção das obrigações do falido requer prova


de quitação de todos os tributos.

O crédito tributário é tratado como uma dívida de natureza pública, fundamental para
o financiamento do Estado. A exigência de sua quitação antes da extinção das
obrigações do falido demonstra como o sistema jurídico protege a arrecadação fiscal
em situações de crise econômica, como na falência.

1. Contexto e Finalidade
• O artigo reforça o privilégio do crédito tributário ao condicionar a extinção das
obrigações do falido à apresentação de comprovação da quitação de todos os
tributos devidos.
• Isso significa que o processo de falência só poderá ser considerado encerrado
após o pagamento integral dos créditos tributários exigíveis pela Fazenda Pública.

2. Ligação com a Lei de Falências


• O dispositivo complementa a Lei 11.101/2005 (Lei de Falências e Recuperação
Judicial), que também trata do pagamento de créditos tributários durante a
falência.
• Enquanto a Lei de Falências disciplina a ordem de pagamento dos credores, o CTN
estabelece a obrigação de quitação dos tributos como condição indispensável
para extinguir as obrigações do falido.

3. Quais Tributos Devem Ser Quitados?


• Todos os tributos, sejam eles federais, estaduais ou municipais, que tenham
incidido antes ou durante o processo de falência.
• Não importa se o crédito tributário é vencido ou vincendo: ele precisa estar
quitado para que as obrigações do falido sejam consideradas extintas.

4. Extinção da Personalidade Jurídica


• Este artigo impede que uma pessoa jurídica encerre definitivamente sua
existência sem garantir o pagamento de tributos. Assim, protege a arrecadação
fiscal e evita que créditos tributários sejam "esquecidos" em processos
falimentares.

Pontos Relevantes
1. Privilégio da Fazenda Pública: Antes que o processo de falência seja encerrado,
a Fazenda Pública deve receber o pagamento dos tributos devidos.
2. Prova de Quitação: A apresentação de certidão negativa de débitos tributários
(CND) ou equivalente é obrigatória para extinguir as obrigações do falido.
3. Proteção ao Erário: A norma evita que créditos tributários sejam prejudicados
pela desorganização ou esgotamento do patrimônio do falido.

Exemplos Práticos
1. Caso 1: Uma empresa entra em falência e, ao final do processo, seus
administradores solicitam a extinção das obrigações. No entanto, há um débito
de ICMS pendente. Nesse caso, o juiz exigirá a quitação desse tributo antes de
extinguir as obrigações da empresa.
2. Caso 2: Durante a falência, os credores trabalhistas e financeiros são pagos com
o patrimônio da empresa. Porém, a Fazenda Pública ainda não recebeu o tributo
devido. A quitação dos tributos será condição indispensável para encerrar
definitivamente o processo.
Questões de Concurso
1. (CESPE - Auditor Fiscal) No processo de falência, a extinção das obrigações do
falido:
a) Independe da quitação de tributos, bastando o pagamento dos credores trabalhistas.
b) Exige a apresentação de prova de quitação de todos os tributos.
c) É automática após o pagamento dos credores quirografários.
d) Depende de autorização da Fazenda Pública, mesmo sem tributos pendentes.

Resposta: b)

2. (VUNESP - Procurador) Para que a falência de uma pessoa jurídica seja


definitivamente encerrada, é necessário:
a) O pagamento proporcional a todos os credores.
b) A aprovação de todos os credores, inclusive trabalhistas.
c) A comprovação de quitação de todos os tributos devidos.
d) Que a empresa demonstre patrimônio líquido positivo.

Resposta: c)

3. (FGV - Juiz) A exigência de prova de quitação de tributos no processo de falência


visa:
a) Garantir que os credores prioritários sejam pagos.
b) Proteger a Fazenda Pública e assegurar a arrecadação tributária.
c) Impedir que a empresa volte a operar após a falência.
d) Garantir que apenas créditos vincendos sejam quitados.

Resposta: b)

Art. 191-A. A concessão de recuperação judicial depende


da apresentação da prova de quitação de todos os
tributos, observado o disposto nos arts. 151, 205 e 206
desta Lei.
A recuperação judicial é um benefício que permite a reestruturação da empresa, mas
que o Estado, como credor, também tem seus direitos garantidos.

1. Contexto e Finalidade
• O Art. 191-A reforça a prioridade do crédito tributário ao condicionar a concessão
da recuperação judicial à prova de quitação de todos os tributos.
• O objetivo é proteger os interesses da Fazenda Pública, garantindo que as
empresas que buscam recuperação judicial regularizem sua situação tributária
antes de receberem o benefício.
2. Ligação com a Recuperação Judicial
• Recuperação Judicial: Procedimento previsto na Lei 11.101/2005, que permite a
reestruturação de empresas em dificuldade financeira para evitar a falência.
• Para que o pedido de recuperação judicial seja aceito, a empresa deve comprovar
que está em dia com suas obrigações tributárias.
3. Exceções e Suspensão da Exigibilidade
O artigo faz referência aos arts. 151, 205 e 206 do CTN, que tratam de situações em que
a quitação ou exigibilidade do crédito tributário pode ser relativizada:
• Art. 151: Trata das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário,
como:
o Parcelamento;
o Depósito do montante integral;
o Impugnação ou recurso administrativo;
o Concessão de liminar em mandado de segurança.
• Art. 205: Permite que a Fazenda Pública exija certidão negativa para comprovar
regularidade fiscal.
• Art. 206: Regula a emissão de certidão positiva com efeitos de negativa, que pode
ser emitida quando os débitos tributários estão com a exigibilidade suspensa.

Pontos Relevantes
1. Obrigatoriedade de Regularidade Fiscal: A empresa que busca a recuperação
judicial deve apresentar prova de quitação ou regularidade fiscal, sem a qual seu
pedido será indeferido.
2. Suspensão da Exigibilidade: Débitos tributários com exigibilidade suspensa (ex.:
parcelados ou garantidos) permitem que a empresa apresente certidão positiva
com efeitos de negativa, cumprindo a exigência.
3. Proteção à Fazenda Pública: O dispositivo assegura que as empresas
reestruturadas não se beneficiem da recuperação judicial enquanto mantêm
pendências tributárias.

Exemplos Práticos
1. Caso 1: Uma empresa em crise financeira solicita recuperação judicial. Ao
analisarem o pedido, verifica-se que possui débitos tributários sem parcelamento
ou qualquer medida suspensiva. Nesse caso, o juiz não poderá conceder a
recuperação judicial até que a empresa quite ou regularize seus débitos.
2. Caso 2: Outra empresa na mesma situação solicita recuperação judicial, mas
seus débitos tributários estão incluídos em um programa de parcelamento com a
Receita Federal. Nesse cenário, a empresa pode apresentar a certidão positiva
com efeitos de negativa como prova de regularidade tributária.

Questões de Concurso
1. (CESPE - Procurador) Sobre a concessão da recuperação judicial, de acordo com
o art. 191-A do CTN, é correto afirmar que:
a) A empresa deve comprovar quitação de todos os créditos tributários, sem exceção.
b) A recuperação judicial será concedida mesmo sem quitação tributária, desde que a
empresa apresente um plano de pagamento futuro.
c) A quitação dos tributos ou a suspensão de sua exigibilidade é condição indispensável
para a concessão da recuperação judicial.
d) O juiz pode dispensar a apresentação de prova de quitação tributária se os credores
aprovarem o plano.

Resposta: c)

2. (FGV - Auditor Fiscal) A recuperação judicial poderá ser concedida a uma


empresa que:
a) Tenha débitos tributários sem parcelamento ou garantia.
b) Possua débitos tributários cuja exigibilidade esteja suspensa.
c) Apresente apenas a intenção de quitar seus débitos em prazo razoável.
d) Não possua regularidade fiscal, mas comprometa-se a pagar os tributos após a
recuperação.

Resposta: b)

3. (VUNESP - Juiz) O art. 191-A do CTN exige, para a concessão da recuperação


judicial:
a) A regularidade fiscal comprovada mediante certidão negativa ou certidão positiva
com efeitos de negativa.
b) Apenas a quitação dos tributos federais, sendo dispensados os estaduais e
municipais.
c) A aprovação prévia da Fazenda Pública para o plano de recuperação.
d) Que todos os credores concordem com o parcelamento dos tributos.

Resposta: a)

Art. 192. Nenhuma sentença de julgamento de partilha ou


adjudicação será proferida sem prova da quitação de
todos os tributos relativos aos bens do espólio, ou às suas
rendas.

A partilha e adjudicação de bens representam o encerramento formal do processo de


inventário, mas que, para garantir os direitos da Fazenda Pública, é necessário primeiro
assegurar que os tributos relativos ao espólio sejam pagos.

1. Contexto e Finalidade
• O Art. 192 do CTN trata de garantir que todos os tributos relacionados ao espólio
(conjunto de bens, direitos e obrigações deixados por uma pessoa falecida) sejam
quitados antes que a partilha ou adjudicação dos bens seja julgada.
• A norma protege o crédito tributário, impedindo que bens do espólio sejam
transferidos aos herdeiros ou adjudicados (dados a credores) sem que os tributos
devidos sejam pagos.

2. Abrangência
• Tributos sobre os bens do espólio: Refere-se a impostos como IPTU, ITR ou
qualquer outro tributo relacionado à posse, propriedade ou transmissão de bens
imóveis ou móveis.
• Tributos sobre rendas do espólio: Incluem-se aqui tributos incidentes sobre
rendimentos gerados pelos bens do espólio, como aluguel ou ganho de capital.

3. Condição para Julgamento


• A sentença de partilha (distribuição dos bens entre os herdeiros) ou adjudicação
(destinação dos bens a credores) somente será proferida se houver prova da
quitação dos tributos.
• A comprovação geralmente é feita por meio da Certidão Negativa de Débitos
(CND) ou Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (CPEN), caso haja débitos
cuja exigibilidade esteja suspensa.

4. Proteção ao Erário
• A exigência reforça o princípio de que o Estado deve ter garantido o pagamento
dos tributos antes da transferência de bens, evitando que a Fazenda Pública seja
prejudicada por partilhas realizadas sem a devida quitação tributária.

Pontos Relevantes
1. Prioridade dos Créditos Tributários: O artigo garante que tributos pendentes
sejam quitados antes de qualquer transferência de bens.
2. Certidões Fiscais: A emissão de uma CND ou CPEN é indispensável para
comprovar a regularidade fiscal do espólio.
3. Alcance Geral: Aplica-se tanto a tributos incidentes sobre a propriedade (ex.:
IPTU, ITR) quanto sobre rendas provenientes dos bens (ex.: IR sobre aluguel).
4. Interesse Público: A norma reflete o caráter prioritário do crédito tributário na
gestão do patrimônio deixado pelo de cujus.

Exemplos Práticos
1. Caso 1: Durante o inventário de João, descobre-se que há débitos de IPTU sobre
um imóvel incluído no espólio. Antes de o juiz proferir a sentença de partilha, os
herdeiros precisam apresentar a prova de quitação do IPTU devido, garantindo que
o imóvel seja transmitido sem pendências tributárias.
2. Caso 2: Um espólio inclui uma fazenda que gerava rendas de arrendamento
agrícola. O inventariante precisa comprovar o pagamento do IR incidente sobre
essas rendas antes que o juiz possa adjudicar ou partilhar a propriedade.

Questões de Concurso
1. (CESPE - Auditor Fiscal) No processo de inventário, a sentença de partilha
somente poderá ser proferida:
a) Após a homologação do plano de pagamento de credores.
b) Com a comprovação de quitação de todos os tributos incidentes sobre os bens ou
rendas do espólio.
c) Se todos os herdeiros apresentarem certidões negativas de débitos tributários.
d) Quando os credores autorizarem a partilha dos bens.

Resposta: b)

2. (VUNESP - Procurador) De acordo com o art. 192 do CTN, para que se profira a
sentença de partilha ou adjudicação:
a) É necessário que todos os débitos trabalhistas sejam pagos.
b) Basta a aprovação do plano de pagamento de tributos pelo juiz.
c) Deve-se apresentar prova de quitação de todos os tributos relacionados aos bens ou
rendas do espólio.
d) É suficiente que os herdeiros assumam a responsabilidade pelos débitos tributários.

Resposta: c)

3. (FGV - Juiz) No julgamento de partilha, a comprovação de quitação de tributos:


a) Não é necessária, pois a responsabilidade recai sobre os herdeiros.
b) É dispensada se os bens forem adjudicados a credores.
c) É indispensável e deve abranger tributos sobre os bens e rendas do espólio.
d) Só se aplica aos tributos estaduais e municipais.

Resposta: c)
Art. 193. Salvo quando expressamente autorizado por lei,
nenhum departamento da administração pública da
União, dos Estados, do Distrito Federal, ou dos
Municípios, ou sua autarquia, celebrará contrato ou
aceitará proposta em concorrência pública sem que o
contratante ou proponente faça prova da quitação de
todos os tributos devidos à Fazenda Pública interessada,
relativos à atividade em cujo exercício contrata ou
concorre.

O artigo 193 visa garantir que a administração pública contrate com empresas
regulares, promovendo a responsabilidade fiscal. Utilize exemplos práticos de
licitações e contratos para demonstrar como a exigência de certidões negativas de
débitos tributários é aplicada no dia a dia.

1. Contexto e Finalidade
• O Art. 193 estabelece que, para contratar com a administração pública ou
participar de licitações públicas, é necessário comprovar a regularidade fiscal
do proponente.
• Essa exigência tem como objetivo assegurar que empresas ou indivíduos que se
relacionam contratualmente com o poder público estejam em dia com suas
obrigações tributárias, promovendo a justiça fiscal e evitando que inadimplentes
sejam beneficiados em contratações públicas.

2. Exigência de Quitação Tributária


• Abrangência: Aplica-se a todos os entes da federação — União, Estados, Distrito
Federal e Municípios — e às suas autarquias.
• Certidão de Regularidade Fiscal: O instrumento utilizado para comprovar a
quitação é a Certidão Negativa de Débitos (CND) ou, caso existam débitos com
exigibilidade suspensa, a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (CPEN).

3. Atividade Vinculada
• A exigência está vinculada à atividade econômica exercida pelo contratante ou
proponente. Isso significa que os tributos a serem regularizados são aqueles
relacionados à atividade que será contratada ou para a qual a empresa concorre
no processo licitatório.
4. Exceções
• Autorização expressa por lei: Em casos excepcionais, uma lei específica pode
permitir que a administração pública celebre contratos ou aceite propostas de
proponentes com pendências tributárias, como em situações de calamidade ou
urgência pública.

Pontos Relevantes
1. Regularidade Fiscal como Condição: A comprovação de quitação dos tributos é
um requisito indispensável para contratar com a administração pública, salvo
exceções previstas em lei.
2. Instrumento de Justiça Fiscal: O artigo incentiva o cumprimento das obrigações
tributárias, impedindo que inadimplentes usufruam de benefícios em
contratações públicas.
3. Exigibilidade Vinculada à Atividade: Apenas os tributos relacionados à atividade
objeto do contrato ou concorrência pública devem ser comprovadamente
quitados.

Exemplos Práticos
1. Caso 1: Uma empresa de construção civil deseja participar de uma licitação
pública para a construção de uma ponte. A administração pública exigirá a
apresentação da CND ou CPEN comprovando a regularidade fiscal da empresa
em relação aos tributos incidentes sobre sua atividade econômica, como ISS, PIS
e Cofins.
2. Caso 2: Um prestador de serviços de TI quer celebrar contrato com uma autarquia
estadual, mas possui débitos de ICMS pendentes. Sem a quitação ou suspensão
da exigibilidade desse tributo, ele não poderá ser contratado, salvo se houver
autorização legal específica.

Questões de Concurso
1. (CESPE - Auditor Fiscal) De acordo com o art. 193 do CTN, para que uma empresa
celebre contrato com uma autarquia municipal, é necessário:
a) Que todos os tributos devidos em âmbito federal, estadual e municipal estejam
quitados.
b) Que apresente prova da quitação de tributos relacionados à atividade em que
contrata ou concorre.
c) Apenas o pagamento do ISS, se aplicável à atividade.
d) A autorização do prefeito ou do chefe do poder executivo local.

Resposta: b)

2. (VUNESP - Procurador) Sobre a exigência de quitação de tributos para a


celebração de contratos com a administração pública:
a) Aplica-se apenas a contratos celebrados no âmbito federal.
b) Pode ser dispensada por ato administrativo da autoridade responsável pelo contrato.
c) Pode ser excepcionada apenas por lei expressa.
d) Exige a regularidade de todos os tributos federais, independentemente da atividade
objeto do contrato.

Resposta: c)

3. (FGV - Juiz) No contexto de contratações públicas, o art. 193 do CTN exige:


a) A regularidade fiscal de todas as atividades do proponente.
b) Prova de quitação de tributos apenas relacionados à atividade objeto do contrato.
c) A apresentação de certidões de débitos estaduais e federais em qualquer caso.
d) A comprovação de quitação tributária apenas no encerramento do contrato.

Resposta: b)

Você também pode gostar