CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Por Francis Rajzman
1. CONCEITOS
Crédito significa o direito que tem uma pessoa de exigir de outra o
cumprimento da obrigação. Esta, por sua vez, pode ser da dar, fazer ou
não fazer.
Tributário emana da palavra tributo, que se trata de expressão
generalista referente a diversas espécies abarcadas em nosso
ordenamento jurídico. Conforme as decisões da Corte Suprema do
Brasil são 5 essas espécies: Impostos, Taxas, Contribuições de
Melhoria, Empréstimos Compulsórios e Contribuições parafiscais ou
especiais.
Crédito Tributário pode ser conceituado como o direito da Fazenda
Pública de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação
tributária.
Crédito Fiscal X Crédito Tributário:
O termo “fiscal” origina-se ou significa Erário, Tesouro, Fazenda Pública.
Numa concepção extensiva, a expressão crédito fiscal pode-se ligar à
execução fiscal, aos casos de tributos pagos indevidamente e aos
impostos indiretos, tais como o IPI e ICMS, dentre outros.
Nas execuções fiscais, o crédito fiscal deve ser entendido como aquilo
que é devido a Fazenda Pública, compreendendo os créditos tributários
e os não-tributários.
Obrigação Tributária e Crédito Tributário – vínculo jurídico
Art.139, CTN.
Crédito decorre da obrigação e tem a mesma natureza desta.
Ao contrário, do que se dá no direito civil que adota a teoria monista da
obrigação, segundo a qual obrigação e crédito representam a mesma
coisa, como se fosse duas faces da mesma moeda; no direito tributário
adota-se a teoria dualista da obrigação, conforme a qual somente
haverá obrigação com a ocorrência do fato gerador e só encontraremos
o crédito a partir do lançamento. Assim com o fato gerador nasce a
obrigação tributária, tal como, com o lançamento surge o crédito
tributário, o que significa dizer que obrigação e crédito surgem em
momentos diversos.
Artigo 140 do CTN: os erros, defeitos, nulidades, ou seja, as
vicissitudes do crédito tributário não afetam a obrigação
tributária.
O Prof Ricardo Lobo Torres ensina que, em verdade, não há que
se fazer essa distinção entre obrigação e crédito tributários,
posto que da obrigação tributária exsurgem um direito subjetivo
de crédito para o sujeito ativo e uma dívida para o sujeito
passivo, com base no artigo 139 do CTN. Pois se a obrigação
tem conteúdo patrimonial não pode se distinguir do crédito
tributário.
E ainda, explica que a distinção prevista no CTN deve ser
entendida no sentido didático. Pois o crédito tributário perpassa
por diversos momentos de eficácia desde a mais simples com a
ocorrência do fato gerador até a sua plena exiquibilidade em
que se demonstra plenamente eficaz e concreto.
2. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO
2.1 CONCEITOS
Artigos 142 a 150 do CTN; 146, III, b, da CRFB.
Análise do Artigo 142 do CTN:
a. Compete privativamente a autoridade administrativa.
Artigo 2º., Lei 4717/65 – a competência se caracteriza nos casos em
que o ato se inclui nas atribuições legais do agente que o praticou. A
outorga de certa quantidade de poder a determinado agente, denomina-
se competência, em termos jurídicos.
A lei 9784/99 em seu artigo 1º., parágrafo 2º., III, define autoridade o
servidor ou agente público dotado de poder de decisão. Autoridade
administrativa, para fins de lançamento, é o fiscal de tributos, chamado
de Auditor Fiscal ou fiscal de rendas.
Assim, somente o fiscal de tributos é competente para promover o
lançamento, caso contrário, o ato será nulo de pleno direito, artigo 59,
Lei 70.235/72.
A aferição da competência é realizada com base em três elementos: em
razão da matéria, em razão do lugar e em razão do tempo.
Verifica-se se a matéria versada no ato administrativo do agente se
encontra incluída na sua esfera de competência ou atribuições. Por
exemplo, importa considerar o nível hierárquico do agente e a
possibilidade de delegação de poderes, destacando-se que o
Lançamento é ato privativo e, portanto indelegável, conforme dispõe o
artigo 7º. do CTN.
Cabe ainda explicitar quanto ao elemento territorial do exercício da
competência do agente público, atentando-se aos limites geográficos a
que está circunscrita sua competência, ou seja, o lugar do ato.
E por último insta destacar o aspecto temporal segundo o qual o agente
deve estar em pleno exercício de suas atribuições, ou seja, é necessário
que esteja investido no cargo público e no desempenho ativo de suas
funções.
b. Constituir o crédito tributário pelo lançamento.
O CTN adota a teoria que o lançamento é ato constitutivo do crédito
tributário, e não, meramente a declaração de existência do mesmo.
c. Procedimento administrativo.
Procedimento é a sucessão ordenada de operações que propiciam a
formação de um ato final objetivado pela Administração.
A sucessão de operações no lançamento consiste em:
1- determinar a matéria tributável
2- identificar o sujeito passivo
3- calcular o montante devido
4- notificar o devedor para cumprir a obrigação
d. Verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação.
Artigo 113, par. 1º., CTN.
O lançamento nesse aspecto possui natureza declaratória da obrigação,
pois reconhece a existência de uma situação já ocorrida que é o fato
gerador.
e. Determinar a matéria tributável.
Quer dizer identificar qual é o tributo devido, que se realiza pela
constatação da conduta à norma, isto é, a adequação do fato ocorrido,
com a hipótese de incidência prevista em lei. É a própria tipicidade.
f. calcular o montante devido.
Consiste em transformar a obrigação ilíquida em líquida, tornando-a
exeqüível. Fixa-se o quantum debeatur, ou seja, o valor devido a título
de tributo.
g. Identificar o sujeito passivo.
Quer dizer personalizar o devedor. O lançamento dirá quem terá o dever
jurídico de pagar o tributo.
h. Propor a aplicação da penalidade cabível.
Trata-se de imposição de sanção pelo descumprimento da lei tributária.
E neste caso será lavrado o auto de infração em que é verificado o fato
contendo ainda a disposição legal infringida e a sanção cabível.
O auto de infração constitui nesse caso o crédito tributário.
i. Atividade vinculada.
Trata-se o lançamento de ato vinculado, não dispondo o fiscal de rendas
de faculdade de agir, mas sim de dever jurídico de constituir o crédito
tributário.
EFEITOS DO LANÇAMENTO
São diversas as conseqüências do lançamento, destacamos no entanto
algumas:
- constituir o crédito
- conferir exigibilidade a obrigação
- fixação da quantia devida
- personalizar o sujeito passivo
- impedir a ocorrência da decadência.
MODALIDADES DE LANÇAMENTO
O CTN trata das espécies de lançamento nos artigos 147 a 150.
- Lançamento por Declaração – 147
- Lançamento por Arbitramento – 148
- Lançamento de Ofício – 149
- Lançamento por Homologação – 150
Declaração: se dá nos casos em que o sujeito passivo declara ao
sujeito ativo a ocorrência de fato gerador, apresentando informações
para a constituição do crédito tributário.
Também chamado de lançamento Misto.
Exemplo: II.
De Ofício: realizado pelo Fisco, independentemente de informações
prestadas pelo sujeito passivo.
Também conhecido como lançamento Unilateral, pois não há intervenção
do sujeito passivo.
Exemplo: IR em razão da ausência de declarações e cumprimento das
obrigações tributárias.
Por Homologação: Neste o contribuinte não somente presta as
informações como ainda efetua o cálculo do montante devido e antecipa
o pagamento.
Também denominado Autolançamento.
Exemplos: IR, IPI e ICMS.
Há necessidade de homologação do crédito pelo Fisco, assim, o
pagamento é realizado sob condição resolutória.
Por Arbitramento: trata-se de verdadeiro lançamento de ofício. Sendo
considerado uma espécie de lançamento de ofício.
Exemplo: ICMS, ITBI, IR.
3. CAUSAS DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO
Artigo 151 a 155-a do CTN.
Tratam-se de seis causas que têm o objetivo de suspender a
exigibilidade do crédito tributário, obstando a prática de atos materiais
de cobrança.
Essas causas podem ser postas antes mesmo da realização do
lançamento, ou seja, independentemente da existência do crédito
tributário exigível.
Exemplo ilustrativo é a possibilidade de em sede de mandado de
segurança preventivo o juiz conceder liminar em proveito do impetrante
com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário,
mesmo antes da prática do lançamento.
O que realmente é suspensa é a obrigação ou o dever de cumpri-la por
parte do sujeito passivo.
A causa suspensiva qualquer que seja opera diversos efeitos relativos a
esfera jurídica do sujeito passivo que lhe interessam e inibem a
ocorrência de prejuízos iminentes, tais como a impossibilidade de
inscrição do devedor em cadastro de inadimplentes, ou ainda, a
inscrição do débito em dívida ativa, conseqüentemente a propositura de
ação executiva fiscal. Ademais, a Fazenda caso seja requerida tem por
dever o fornecimento ao sujeito passivo da certidão de regularidade
fiscal, conforme artigo 206 do CTN.
Relativamente ao sujeito ativo do crédito haverá também resguardo dos
seus direitos e interesses, visto que na vigência de causa suspensiva
não transcorrerá o prazo prescricional.
CAUSAS SUSPENSIVAS EM ESPÉCIE:
1- MORATÓRIA: é definido como a dilação do prazo de vencimento
do tributo através de lei, favorecendo o sujeito passivo ao permitir
o pagamento das dívidas em um prazo mais flexível do que o
anteriormente previsto na lei tributária.
Exemplos: calamidade pública, estado de emergência, ou mesmo pelo
reconhecimento pelo Fisco da impossibilidade ou dificuldade do
contribuinte em cumprir a obrigação.
2- DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL
Trata-se do depósito integral do crédito que pode ser efetuado na via
judicial ou na via administrativa, nas hipóteses em que o sujeito passivo
pretende questionar a legitimidade de sua cobrança.
É importante que o depósito compreenda o valor total incluindo a
correção monetária e juros por acaso cabíveis.
E ainda que seja realizado em dinheiro.
3- RECLAMAÇÕES E RECURSOS ADMINISTRATIVOS.
Refere-se aos instrumentos postos à disposição do contribuinte para
questionar a legitimidade dos tributos ou de sua cobrança na esfera
administrativa, normalmente, após a notificação realizada pela
autoridade fazendária.
Decreto 70.235/72 – PAF.
4- PARCELAMENTO.
Lc 104/01.
4. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
DIREITO REAL X DIREITO OBRIGACIONAL:
Enquanto no direito real surge uma pessoa titular do direito que, em
conseqüência, pode alegá-lo ou exercê-lo erga omnes ou contra todos,
ou seja, contra qualquer pessoa que o infringe, o desconheça ou
pretenda direito igual sobre a mesma coisa, no direito obrigacional, ao
menos, há duas pessoas, o titular do direito, denominado sujeito ativo
ou credor, e a pessoa obrigada à prestação que constitui objeto do
direito, que é o sujeito passivo ou devedor. O direito obrigacional, ao
contrário do real, somente será invocado ou exercido contra o devedor,
ou seja, contra a pessoa legalmente obrigada à prestação que constitui
seu objeto.
O direito real é permanente, persistindo e perdurando enquanto durar a
coisa que constitui seu objeto, o direito obrigacional extingue-se pelo
seu exercício, pois cumprida a obrigação, desaparece o direito do credor,
ficando liberado o devedor.
Nesse aspecto, a obrigação tributária é uma espécie do gênero
obrigação, embora contenha características próprias que a distingam da
obrigação privada.
O crédito tributário pode ser entendido como espécie de obrigação,
classificada como obrigação stricto sensu, cujo objeto da relação
obrigacional, relação jurídico-tributária especificamente, constitui-se em
uma prestação pecuniária em que o credor pode exigir do devedor.
Sendo adimplida a obrigação por parte do devedor há extinção da
mesma com a liberação do devedor da relação jurídico-tributária.
MODALIDADES DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Artigo 156 do CTN.
- Pagamento
- Compensação
- Transação
- Remissão
- Prescrição e Decadência
- Conversão do depósito em renda
- Pagamento antecipado com homologação
- Consignação em pagamento
- Decisão administrativa irreformável
- Decisão judicial transitada em julgado
- dação em pagamento
Taxatividade ou não do artigo 156, CTN:
O artigo 146, III, b, CF trata das normas gerais de direito tributário,
matéria esta que inclui a disciplina do crédito tributário e,
conseqüentemente, das formas de sua extinção. Tais normas gerais são
normas-quadro, ou seja, orientação, jamais supressão de competência
aos legisladores dos entes federativos. Assim, cabe a própria lei da
pessoa federativa competente para instituição de determinado tributo
dispor, de forma exaustiva, sob de que forma o crédito tributário pode
ser extinto.
Com isso, não é forçoso concluir que o rol de causas extintivas dispostas
pelo legislador no artigo 156 do CTN não é taxativo ou exaustivo, ao
contrário, é possível que os entes federativos dentro de suas esferas de
poder disponham ou criem outras formas de extinção do crédito
tributário.
Exemplo: Confusão – que é a extinção de uma obrigação em virtude de
virem a se confundir na mesma pessoa as condições de credor e
devedor da obrigação. Aplica-se no direito tributário quando ocorre, por
exemplo, a herança jacente e os bens arrecadados possuem dívidas
tributárias. Ainda ocorre com as empresas incorporadas pelo patrimônio
público, por exemplo, quando desapropria ações de uma sociedade
anônima devedora de impostos. E ainda, quando o Município
desapropria imóvel que possui débitos de IPTU.
1- Pagamento
O pagamento deve ser interpretado no seu sentido estrito, por se tratar
a obrigação tributária de obrigação pecuniária.
Prova do Pagamento – artigo 158, CTN
O artigo quer significar que o pagamento da última parcela ou de uma
importa na presunção de pagamento das prestações anteriores,
inversamente portanto do que ocorre no Direito Privado (art. 322, CC).
Exemplo: IPTU – o pagamento da última parcela não faz presunção da
quitação das anteriores.
O inciso II do artigo 158 dispõe sobre a impossibilidade de se
considerarem quitados outros créditos referentes a um tributo pela só
quitação ou cumprimento de uma de suas obrigações pecuniárias.
Exemplo: Pode o contribuinte do IR pagar somente o valor principal,
sem quitar as demais como a relativa a correção monetária e multas.
LUGAR DO PAGAMENTO – Art. 159, CTN
No direito privado a obrigação é quesível ou quérable, assim o credor
deve receber a obrigação no domicílio do devedor, necessitando
interpelá-lo para constituí-lo em mora (art. 327, CC).
Já no direito tributário o pagamento é portable ou portável. O sujeito
passivo deve comparecer à repartição competente situada em seu
domicílio fiscal para pagar o crédito tributário.
Imposta salientar que a regra em análise não possui natureza absoluta,
dessa maneira é possível ao legislador dispor de forma diversa,
determinando o pagamento em outra repartição ou por intermédio da
rede bancária. Deve-se ressaltar que a iniciativa deve ser sempre do
contribuinte em diligenciar para pagar a obrigação tributária,
independentemente de cobrança.
PRAZO DE PAGAMENTO – ART. 160, CTN
Na lacuna da legislação quanto ao tempo de pagamento do tributo este
deve se dar no lapso temporal de 30 dias após a notificação do
lançamento tributário.
2- COMPENSAÇÃO – ART. 170, CTN
Artigo 368 do CC – regulação no direito privado.
Trata-se de modalidade de pagamento compulsório e anômala da dívida,
pois não havendo acordo de vontades, o devedor pode forçar o credor a
açeitá-la, retendo o pagamento ou opondo o próprio crédito como
defesa à ação de cobrança.
No direito tributário, a compensação necessita de integração legislação,
não sendo bastante a sua mera previsão na norma geral tributária,
devendo o ente competente para determinado tributo dispor sobre o seu
exercício e requisitos essenciais.
Há que se atentar que não espaço para o poder de discricionariedade da
Fazenda, pois preenchidos os requisitos legais configura-se ao
contribuinte um direito subjetivo à compensação.
Espécies de Compensação:
- realizada pelo contribuinte no regime de lançamento por homologação,
art. 66 da Lei 8383/91;
- a pleiteada pelo contribuinte à Administração e por esta efetuada, art.
74 da Lei 9430/96;
- realizada de ofício pela Administração no seu interesse, DL 2287/86
c/c art. 73 da Lei 9430/96.
3- TRANSAÇÃO – ART. 171, CTN
No direito privado é regulada no art. 840 do CC, que se trata de meio de
prevenir ou terminar litígios mediante concessões mútuas dos
obrigados.
As vozes nessa matéria são discordantes quanto a viabilidade ou não de
seu emprego em se tratando de lides administrativas e judiciais. Autores
como Luiz Emygdio somente aceitam-na em se tratando de lides
judiciais, não a admitindo nos litígios administrativos.
Autores da linha de Paulo de Barros afirmam ser cabível tanto na via
judicial como na administrativa, por a lei se referir a litígio que pode ser
entendido de forma ampla e não restritamente.
Cabe ainda expor que a transação somente ocorrerá se estiver
expressamente determinada em lei a sua efetividade em razão de
determinado tributo e obrigação tributária, caso contrário, não será
possível o seu exercício pelas partes.
4- REMISSÃO – ART. 172, CTN.
Significa remir, perdoar a dívida por parte do credor que renuncia a
direito.
Uma vez reconhecida a remissão de um crédito tributário este não mais
será objeto de cobrança pelo credor; a remissão atinge o crédito em
qualquer fase de cobrança, ou seja, antes do lançamento, após o
lançamento, na fase de cobrança executiva ou mesmo após o trânsito
em julgado de decisão administrativa ou judicial.
Considera-se como a dispensa do pagamento do tributo devido.
4- PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA – ART. 173, CTN
Em linha de princípio, há que se atentar que existe mais de uma forma
de ser contado o prazo dependendo do tipo de lançamento levado a
efeito.
Em se tratando do art. 173 do CTN este presta-se aos lançamentos por
Declaração e de Ofício. Já o art. 150, par.4º., destina-se aos
lançamentos por homologação.
DISTINÇÃO ENTRE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA:
Ambos os institutos são formas de perecimento, caducidade ou extinção
do direito. Fulminam o direito daquele que se quedou inerte, pois o
direito não socorre aos que dormem. Tanto um como o outro
pressupõem dois fatores essenciais: a INÉRCIA do titular e o DECURSO
de um prazo fixado em lei. Com isso traça-se as seguintes distinções
básicas:
- a decadência fulmina o direito material da Fazenda lançar o tributo no
prazo estipulado em lei sem que tenha havido nenhuma resistência ou
violação ao direito;
- a prescrição da ação supõe uma lesão ao direito de crédito do Fisco já
formalizado pelo lançamento, da qual decorre a ação destinada a
repará-la;
- a decadência só pode ocorrer da inércia da fazenda em implementar o
lançamento;
- a prescrição só pode ocorrer após exercido o direito subjetivo de a
fazenda efetivar o lançamento regularmente notificado.
- a decadência fulmina o direito de crédito, extinguindo-o, podendo ser
declarada de ofício pelo juiz;
- a prescrição, por atingir o direito de ação, é renunciável, devendo ser
alegada pela parte a quem aproveita, art. 219, 5º., CPC.
- no direito tributário o prazo decadencial segue regra anômala
relativamente ao direito privado, pois é possível a sua interrupção ou
suspensão, ex vi do art. 173, II c/c 109 e 110, CTN.
EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – ARTS. 175 A 182, CTN
Trata-se de forma de renúncia fiscal, que se expressa de duas formas:
Isenção e Anistia.
ISENÇÃO – ART. 176, CTN.
Forma de não-incidência ou de desoneração tributária.
Na hipótese a obrigação tributária surgiria, em razão de lei isentante,
mas não haveria crédito tributário a ser exigido pelo sujeito ativo. Com
isso, verifica-se que a lei isentante refere-se a obrigação pecuniária
principal, não havendo portanto qualquer reflexo ou efeito da lei isentiva
sobre as obrigações acessórias que permanecem sob a responsabilidade
do contribuinte em cumpri-las.
A isenção opera no plano da norma e não no plano fático, razão pela
qual o que ocorre com a lei isentiva é a derrogação da lei de incidência
fiscal.
A isenção somente será possível se for estipulada através de lei, sendo
cabível a legislação tributária dispor sobre a sua regulamentação,
exercício e efetividade.
Espécies: gratuitas e onerosas.
ANISTIA – ART. 180, CTN.
Consiste no perdão ou dispensa do pagamento do crédito oriundo de
sanção pelo descumprimento da obrigação tributária principal ou
acessória.
Somente está afeta a incidência de encargos tributários, porém nunca
sobre o valor do crédito tributário originário.
Assim como a isenção, a anistia deve ser instituída por lei e extinta por
lei. Devendo ainda ser instituída pela entidade federativa competente
para determinado tributo.
Espécies: geral, limitada ou condicional.