Embargos à execução fiscal.
Luana Barroso Lins Silvano
LINHA DO TEMPO
HI FG OT LANÇAMENTO PGTO CDA EF
Contribuinte x Fisco
HI – Hipótese de Incidência PGTO- pagamento
FG – Fato gerador CDA- certidão da dívida ativa
OT- obrigação tributária EF- execução fiscal
LINHA DO TEMPO
DECLARATÓRIA ANULATÓRIA
Rep. de Indébito
Consignação
Cm
c
em Pgto.
HI FG OT LANÇAMENTO PGTO CDA EF
EMBARGOS e EPE
Cm
Cm
MS PREVENTIVO MS REPRESSIVO
Execução Fiscal
É a ação de que dispõe a Fazenda Pública para a cobrança de
seus créditos, de natureza tributária ou não.
- Procedimento: Lei 6.830/80 – LEF, subsidiariamente o CPC.
- Exequente: art.1º , da LEF.
- Executado: art.4º , da LEF.
Título executivo
CDA- Certidão da dívida ativa, ”serasa do fisco”.
A CDA é um título exigível, líquido e certo.
- art.202 do CTN: requisitos para validade da CDA.
- art. 203 do CTN: omissão dos requisitos são causas de nulidade da
inscrição e do processo de cobrança dela decorrente. A nulidade
poderá ser sanada até a decisão de primeira instância.
DO PROCESSO DE EXECUÇÃO FISCAL
ü Petição Inicial da fazenda - art. 6º, LEF;
ü Despacho de Citação -art. 7º, LEF ;
ü Citação do executado para pagar ou garantir a execução;
Art. 8º - O executado será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, pagar a
dívida com os juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de
Dívida Ativa, ou garantir a execução.
Após a citação, o contribuinte devedor tem três opções:
1) PAGA O DÉBITO E O CRÉDITO É EXTINTO PELO PAGAMENTO.
2) NÃO PAGA E NÃO GARANTE A EXECUÇÃO.
- Iniciam-se os atos executórios.
- Art. 185-A, do CTN- Na hipótese de o devedor tributário,
devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora
no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz
determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos,
comunicando a decisão, preferencialmente por meio eletrônico,
aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência
de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às
autoridades supervisoras do mercado bancário e do mercado de
capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam
cumprir a ordem judicial.
Súmula 560-STJ: A decretação da indisponibilidade de bens e direitos, na forma
do art. 185-A do CTN, pressupõe o exaurimento das diligências na busca por bens
penhoráveis, o qual fica caracterizado quando infrutíferos o pedido de constrição
sobre ativos financeiros e a expedição de ofícios aos registros públicos do
domicílio do executado, ao Denatran ou Detran.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015.
A indisponibilidade de bens e direitos autorizada pelo art. 185-A do CTN depende
da observância dos seguintes requisitos: (i) citação do devedor tributário; (ii)
inexistência de pagamento ou apresentação de bens à penhora no prazo legal;
e (iii) a não localização de bens penhoráveis após esgotamento das diligências
realizadas pela Fazenda, caracterizado quando houver nos autos: a) pedido de
acionamento do Bacen Jud e consequente determinação pelo magistrado e b)
a expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do executado e ao
Departamento Nacional ou Estadual de Trânsito - DENATRAN ou DETRAN. STJ. 1ª
Seção. REsp 1.377.507-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 26/11/2014 (recurso
repetitivo) (Info 552).
O fisco poderá executar o contribuinte ad eternum ?
Súmula 314 STJ.
Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo
por um ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição quinquenal intercorrente.
STJ define sistemática para a contagem da prescrição intercorrente em
execução fiscal.
12 de setembro 2018 | REsp 1.340.553/RS (Repetitivo) – Temas 566, 567,
568, 569, 570 e 571| 1ª Seção do STJ.
“...o prazo de um ano de suspensão previsto no art. 40, §§ 1º e 2º, da
Lei nº 6.830/1980 tem início automaticamente na data da ciência da
Fazenda Pública a respeito da não localização do devedor ou da
inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido...”
3) GARANTE A EXECUÇÃO PARA OPOR EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL
Como garantir a execução ?
artigo 9º da LEF.
ü Depósito em dinheiro
ü Fiança bancária ou seguro garantia
ü Penhora de bens (próprios ou de terceiros),
-STF já se manifestou pela legitimidade da obrigação de garantia do juízo pela
lei de execuções fiscais, apesar dos preceitos constitucionais que vedam
quaisquer exigências para a defesa do contribuinte (art. 5º, XXXV, LV da CF).
- STJ entende pela necessidade da garantia do juízo em observância ao
princípio da especialidade.
Novo posicionamento do STJ: “deve ser afastada a exigência da garantia do juízo para a oposição de embargos à
execução fiscal, caso comprovado inequivocadamente, que o devedor não possui patrimônio para garantia do
crédito exequendo”. (REsp 1487772/SE, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/05/2019, DJe
12/06/2019).
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DO DEVEDOR. EXECUTADO. BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA.
PATRIMÔNIO. INEXISTÊNCIA. HIPOSSUFICIÊNCIA. EXAME. GARANTIA DO JUÍZO. AFASTAMENTO. POSSIBILIDADE.
“Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016)
devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até então,
pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça” (Enunciado Administrativo n. 2 – STJ).
Os embargos são o meio de defesa do executado contra a cobrança da dívida tributária ou não tributária da
Fazenda Pública, mas que “não serão admissíveis … antes de garantida a execução” (art. 16, § 1º, da Lei n. 6.830/80).
No julgamento do recurso especial n.1.272.827/PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, submetido ao rito dos recursos
repetitivos, a Primeira Seção sedimentou orientação segunda a qual, “em atenção ao princípio da especialidade da
LEF, mantido com a reforma do CPC/73, a nova redação do art. 736 do CPC dada pela Lei n. 11.382/2006 – artigo que
dispensa a garantia como condicionante dos embargos – não se aplica às execuções fiscais diante da presença de
dispositivo específico, qual seja o art. 16, § 1º, da Lei n. 6.830/80, que exige expressamente a garantia para a
apresentação dos embargos à execução fiscal.”
A Constituição Federal de 1988, por sua vez, resguarda a todos os cidadãos o direito de acesso ao Poder Judiciário, ao
contraditório e à ampla defesa (art. 5º, CF/88), tendo esta Corte Superior, com base em tais princípios constitucionais,
mitigado a obrigatoriedade de garantia integral do crédito executado para o recebimento dos embargos à execução
fiscal, restando o tema, mutatis mutandis, também definido na Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.127.815/SP, na
sistemática dos recursos repetitivos.
Nessa linha de interpretação, deve ser afastada a exigência da garantia do juízo para a oposição de embargos à
execução fiscal, caso comprovado inequivocadamente que o devedor não possui patrimônio para garantia do crédito
exequendo.
Nada impede que, no curso do processo de embargos à execução, a Fazenda Nacional diligencie à procura de bens
de propriedade do embargante aptos à penhora, garantindo-se posteriormente a execução.
Na hipótese dos autos, o executado é beneficiário da assistência judiciária gratuita e os embargos por ele opostos não
foram recebidos, culminando com a extinção do processo sem julgamento de mérito, ao fundamento de inexistência
de segurança do juízo.
Num raciocínio sistemático da legislação federal aplicada, pelo simples fato do executado ser amparado pela
gratuidade judicial, não há previsão expressa autorizando a oposição dos embargos sem a garantia do juízo.
In casu, a controvérsia deve ser resolvida não sob esse ângulo (do executado ser beneficiário, ou não, da justiça
gratuita), mas sim, pelo lado da sua hipossuficiência, pois, adotando-se tese contrária, “tal implicaria em garantir o
direito de defesa ao “rico”, que dispõe de patrimônio suficiente para segurar o Juízo, e negar o direito de defesa ao
“pobre”.
Não tendo a hipossuficiência do executado sido enfrentada pelas instâncias ordinárias, premissa fática indispensável
para a solução do litígio, é de rigor a devolução dos autos à origem para que defina tal circunstância, mostrando-se
necessária a investigação da existência de bens ou direitos penhoráveis, ainda que sejam insuficientes à garantia do
débito e, por óbvio, com observância das limitações legais.
Recurso especial provido, em parte, para cassar o acórdão recorrido”.
(REsp 1487772/SE, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/05/2019, DJe 12/06/2019).
O inicio da contagem do prazo para opor Embargos à execução
depende da garantia oferecida, conforme prevê o artigo 16 da LEF:
O executado oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados:
I- do depósito;
II- da juntada da prova da fiança bancária ou do seguro garantia;
III- da intimação da penhora.
Assim, temos que observar dois requisitos cumulativos para opor
Embargos à execução:
Garantia do juízo - a garantia do juízo é condição de admissibilidade
dos embargos.
Prazo - a partir do momento em que o executado apresentar a
garantia, começa a correr o prazo de 30 dias para opor embargos.
Embargos à execução Fiscal
Os embargos à execução, também conhecidos como embargos do
devedor, tem fundamento legal no artigo 16 da Lei 6.830/80, discorrem sobre
ação autônoma, distribuída por dependência aos autos de execução fiscal,
que visa desconstituir o título executivo fiscal.
- Constituem uma peça inicial, que discute matéria de defesa.
- Objeto amplo: toda e qualquer matéria pode ser levantada.
- Comporta dilação probatória.
EFEITO SUSPENSIVO
A mera oposição dos Embargos não suspende a execução fiscal, é necessário
pleitear o efeito suspensivo, com fundamentado no artigo 919, §1º CPC,
demonstrando os requisitos da tutela provisória (art.300 CPC) e garantia do juízo.
- Atenção: pedimos a suspensão de todo o processo de execução fiscal e não
apenas da exigibilidade do crédito, tendo em vista que o crédito já está sendo
exigido, então não utilizamos o art.151 CTN
Estrutura dos Embargos à Execução Fiscal
Endereçamento: verificar se há vara específica para execução fiscal.
Ao juízo da ____vara de Execuções fiscais da Seção Judiciária de ...
Ao juízo da ____vara de Execuções fiscais da Comarca de...
Ao juízo da ____vara de Execuções fiscais do Distrito Federal
- Se o enunciado não especificar o local da execução fiscal, utilizar a regra do artigo
46, §5º CPC: a execução fiscal será proposta no foro do domicílio do réu, no de sua
residência ou no lugar onde for encontrado
Distribuição por dependência à execução fiscal nº
Qualificar o embargante
Verbo: opor
Fundamento: arts. 1º, 8º, 9º e 16, §1º, da LEF , art. 319 e 919 §1º, do CPC.
Nome da peça: embargos à execução fiscal com pedido de efeito suspensivo
Qualificar o embargado
1) Dos fatos
2) Cabimento: artigos 9º e 16, §1º, da LEF.
3 )Tempestividade: artigo 16 ,da LEF.
4) Do direito
- teses de defesa
5) Da suspensão da execução fiscal
- Requisitos de admissibilidade do 919 §1º, do CPC.
- - Garantia do juízo- artigo 9º , da LEF.
6) Do pedido
1) A distribuição por dependência a Execução Fiscal nº...,
2) Seja concedido o efeito suspensivo imediato aos Embargos, nos termos do art. art.919
§ 1º do CPC;
3) Sejam conhecidos e recebidos os embargos;
4) A procedência do pedido, para a desconstituição do título executivo e a
consequente extinção da execução fiscal. (o pedido pode variar a depender das teses
de direito).
5) O levantamento do valor penhorado ou depositado;
6) A intimação da embargada para, querendo, oferecer impugnação nos moldes do
art.17 da Lei 6.830-80.
7)Condenação do embargado ao ressarcimento das custas processuais e ao
pagamento dos honorários advocatícios nos termos do Art. 85,§ 3º, do CPC;
8) Protesta pela não realização de audiência de conciliação e mediação, nos termos
do art. 319, VII, do CPC OU Dispensa da audiência de conciliação e mediação em razão
do não cabimento, nos termos do Art. 334 § 4º, inciso II do CPC/15;
9) A produção de provas por todos os meios em direito admitidos, nos termos do art. 319,
VI, CPC.
Valor da causa
Encerramento
Peça Prático- profissional
Caio era empregado da pessoa jurídica X há mais de 10 anos. No entanto, seu chefe o demitiu
de forma vexatória, diante de outros empregados, sem o devido pagamento das verbas
trabalhistas. Inconformado, Caio ajuizou medida judicial visando à cobrança de verbas
trabalhistas e, ainda, danos morais. A decisão transitada em julgado deu provimento aos
pedidos de Caio, condenando a pessoa jurídica X ao pagamento de valores a título de (I) férias
proporcionais não gozadas e respectivo terço constitucional e, ainda, (II) danos morais. Os
valores foram efetivamente pagos a Caio em 2020.
Em junho de 2021, a Fazenda Nacional ajuizou execução fiscal visando à cobrança de Imposto
sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF incidente sobre as férias proporcionais não gozadas, o
respectivo terço constitucional e os danos morais. No entanto, a Certidão de Dívida Ativa que
ampara a execução fiscal deixou de indicar a quantia a ser executada.
A ação executiva foi distribuída à 3ª Vara de Execuções Fiscais da Seção Judiciária de M, do
Estado E.
Caio foi citado na execução e há 10 (dez) dias foi intimado da penhora de seu único imóvel,
local onde reside com sua família.
Diante do exposto, redija, como advogado(a) de Caio, a peça prático-profissional pertinente
para a defesa dos interesses de seu cliente, indicando o prazo, seus requisitos e os seus
fundamentos, nos termos da legislação vigente.