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Análise da Violência Contra a Mulher

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o problema da violência contra a mulher não depende apenas da análise do

comportamento dos dois indivíduos que se relacionam, mas do ambiente mais


abrangente que está presente, como os contextos sociais, políticos, históricos e
econômicos vigentes, uma vez que eles podem oferecem condições para que as
violências sejam naturalizadas e/ou reforçadas.
https://boletimbehaviorista.wordpress.com/2017/03/29/auxiliando-vitimas-de-violencia-
domestica-a-partir-de-uma-abordagem-contextual/
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Uma questão é que não é apenas a violência per se que é abominável em
tais relacionamentos, é também a natureza geralmente abusiva e controladora dos
relacionamentos. Até quando a violência física não ocorre, o comportamento, a fala e
o pensamento da mulher são controlados
pelo homem. mudar a violência doméstica requer a inclusão das mudanças mais
amplas propostas nos escritos feministas e ativismo. Isso inclui desafiar o papel do
patriarcado geral na formação comportamento individual. Isso pode ser colocado em
análises através da inclusão de tais políticas sociais mais amplas. contextos políticos e
políticos, como as próprias condições ou eventos que permitem o comportamento e
padrões de consequência sejam funcionais em primeiro lugar. Não é que os homens
"pensem" verbalmente patriarcado e siga suas instruções quando eles se
comportarem. Pelo contrário, o patriarcado já está construído nos contextos sociais
que moldam a todos nós, e os comportamentos dos homens "funcionam melhor" a
menos que possamos trabalhar ativamente contra essas condições. Ou seja, o papel
do patriarcado no comportamento individual é uma estrutura cultural ocidental que
permite que algumas pessoas (homens) se envolvam em privilégios funcionais
contingências de outra forma não possíveis e que não estão disponíveis para
terceiros.
Para a análise do comportamento, o ponto importante que podemos aprender é que as
análises sociais não podem ser satisfeitas em analisar apenas como os indivíduos se
envolvem com contingências, mas também deve observar e descrever as estruturas
das relações de contingência social e como elas são mantidas para ser utilizado. A
estruturação das relações de contingência em ambientes experimentais é controlada
poro pesquisador, para que os analistas de comportamento não explorem esse
contexto, pois apenas o impõem. Mas
no mundo real do comportamento social humano, a própria estruturação das relações
de contingência, que determina explicitamente o que as pessoas fazem, geralmente
existe antes de nascermos e precisa ser descrito antes que possamos entender
adequadamente o comportamento humano. Embora possa parecer paradoxal, para
analisar o comportamento dos indivíduos, devemos ir além do comportamento
daqueles indivíduos.
https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&tl=pt&u=https%3A%2F
%2Fjournals.uic.edu%2Fojs%2Findex.php%2Fbsi%2Farticle%2Fdownload
%2F6804%2F5923
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Sob a perspectiva da Análise do Comportamento, Skinner (2003) enfatiza que
toda contingência em que estiver operando alguma forma de evento aversivo
será chamada de contingência coercitiva.
Guilhardi (2005) denomina esse contexto como coercitivo, sendo qualquer
condição em que as relações entre os indivíduos e o ambiente forem
tipicamente de natureza coercitiva.
Em tais contextos, o controle aversivo se dá basicamente por reforçamento
negativo e punição (negativa e positiva).
Sidman (2009) relata violência como coerção e a define como uso da punição,
ameaça de punição e reforçamento negativo na relação entre as pessoas e entre
elas e o ambiente. Para Catania (1999), a punição é uma relação funcional na qual
certas consequências que seguem o responder o tornam menos provável de ocorrer
no futuro. Sendo assim, é tradicionalmente usada para eliminar comportamentos
classificados como indesejáveis por quem a aplica.

Moreira e Medeiros (2007) esclarecem dizendo que os reforçadores possuem


duas características importantes: o reforçador deve seguir uma ação; o reforçador
deve fazer com que essa ação tenha mais probabilidade de se repetir. Portanto,
quando o comportamento é reforçado positivamente, o sentimento correspondente
geralmente é de bem-estar; quando reforçado negativamente, remove-se, foge-se ou
esquiva-se de algum estímulo aversivo.
Segundo Catania (1999), um padrão agressivo pode ser produzido ou controlado por
contingências em vigor ou também pode ser aprendido por meio do ambiente social,
de imitação e controle por regras.
Andery e Sério (1997) afirmam que na sociedade o controle aversivo é predominante
nas relações humanas e que essa mesma sociedade incentiva seus membros a
fazerem uso da estimulação aversiva como punição. Segundo as autoras, o uso da
violência acarreta mais violência e nos torna impotentes, pois, em um ambiente com
muitos estímulos aversivos, a esquiva e a fuga são as alternativas mais prováveis,
produzindo pessoas passivas ou agressivas.
Além disso, Martins e Guilhardi (2006) esclarecem que punições severas dificultam o
contracontrole: a agência controladora que maneja os eventos
aversivos inibe e inviabiliza qualquer comportamento de oposição. Uma longa história
de contato com contingências coercitivas intensas produz déficits importantes de
repertório, um deles é a ausência de iniciativa, contribuindo para o surgimento de um
padrão submisso. Pesquisas indicam haver um histórico de experiência de
violência na vida individual das mulheres vítimas de alguma forma de abuso que é
transmitido ao longo das gerações (Carrasco, 2003; Cecconello, 2003; Narvaz, 2005).
Insistir em um relacionamento após sucessivos episódios de violência ou retornar à
relação após a separação é uma constante na vida de mulheres que sofrem violência
conjugal. Quando, no entanto, a mulher consegue enfrentar o medo e separa-se do
marido, inicia-se um jogo emocional no qual ocorre uma suposta mudança de
comportamento do companheiro, o que a faz sentir-se mais confiante e dedicar-se
mais a preservação desse relacionamento, reiniciando o ciclo da violência (Cardoso,
1997).
Esse ciclo vai do espancamento da mulher, arrependimento e pedido de
perdão do agressor até uma nova agressão (Brito, 1999).

Essa atitude do parceiro de ser afetivo após a agressão tende a reforçar o


comportamento da
mulher em se submeter ao agressor, pois, segundo a definição do reforço intermitente
proposto pela abordagem da análise do comportamento, um comportamento (perdoar
o agressor) tende a aumentar de frequência quando é reforçado intercaladamente.
Ou seja, a mudança não precisa ser permanente ou constante; pequenos episódios de
trocas afetivas já seriam suficientes para manter a relação, tornando-a mais resistente
à extinção (Moreira & Medeiros, 2007).
Os esquemas intermitentes, segundo Moreira e Medeiros (2007), são ideais para a
manutenção da resposta. Outro fator que contribui para a permanência das mulheres
nos relacionamentos abusivos é a dependência financeira. Destaca-se que, em
alguns casos, a dependência financeira não foi confirmada como um fator para
permanência no relacionamento abusivo, pois há mulheres que permanecem em um
relacionamento violento e sustentam os filhos e até mesmo o companheiro agressor
(De Souza & Da Ros, 2006).
A dependência emocional do companheiro e a necessidade de ter alguém como
“referênciaˮ levam a mulher à submissão e à sujeição às agressões, que
vão da emocional à física e, muitas vezes, intercalam-se. A criação dos
filhos é outro fator importante, pois, muitas vezes, as mulheres
acreditam ser necessária a presença da “figura paternaˮ na educação. A falta de
apoio de amigos e parentes também contribui para que as mulheres não denunciem
seus companheiros (De Souza & Da Ros, 2006).
Outra variável que pode manter a mulher no relacionamento abusivo é a
religião. Quando a religião ensina que as mulheres devem ser obedientes,
passivas e submissas, acaba contribuindo para a produção e reprodução das
diversas formas de violência que as acometem.
Caballo (1999) afirma que o indivíduo passivo não produz respostas adaptativas
em favor do que acredita e, caso isso seja um acontecimento frequente, os efeitos
podem ser o rebaixamento de humor, autoimagem empobrecida, sensação de
ineficácia, perda de oportunidades, ansiedade, sensação de falta de controle
da situação e de si, sentimento de solidão, baixa autoestima, entre outros.
Sendo assim, a mulher com comportamentos passivos favorece o domínio do agressor
sobre ela, visto que esse tende a apresentar um repertório controlador.
Conclui-se sobre a existência de variáveis que condicionam a permanência de
uma mulher vítima de alguma forma de abuso em um relacionamento afetivo,
sendo elas: um padrão de comportamento resistente à extinção mantido por reforço
intermitente no ciclo da violência e cuja justificação é descrita como “esperança”;
um repertório empobrecido e com pouca variabilidade comportamental que
contribui para o desenvolvimento de um padrão comportamental inapto a solucionar
problemas e criar alternativas, que, neste trabalho, apresenta-se nas formas da
dependência financeira, dependência emocional e passividade; um
comportamento modelado pela regra da “figura paterna” na criação dos filhos e outro
modelado pela regra de uma crença religiosa, que revelam-se, respectivamente,
nas variáveis da preocupação da vítima quanto à criação dos filhos e na religião;
além da falta de rede de apoio.
As contingências presentes nas relações averiguadas foram de esquemas de
reforçamento positivo, negativo e intermitente e punição positiva e negativa.
http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/view/1026/588
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Na perspectiva da Análise do Comportamento, referencial usado nessa pesquisa, o
fenômeno da violência é analisado como sinônimo de coerção, tal como propuseram
Andery e Sério (2001). Coerção, por sua vez, de acordo com Sidman (1989/2003), diz
respeito às ações que são controladas por reforçamento negativo ou punição. O
reforçamento negativo está presente quando “nos livramos, diminuímos, fugimos, ou
nos esquivamos de eventos perturbadores, perigosos ou ameaçadores” (Sidman,
1989/2003, p. 56). Enquanto a punição, segunda categoria de controle aversivo
definida por Sidman, corresponde ao término ou retirada do que comumente seria um
reforçador positivo ou à produção de algo que normalmente seria um reforçador
negativo.
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rbtcc/v15n3/v15n3a03.pdf
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analisa-se os três níveis de seleção do comportamento: a filogênese, comportamentos
selecionados de acordo com a história da espécie, a ontogênese, experiências
particulares da vítima com o meio analisando sua história de vida, a relação conjugal,
o ambiente em que estava inserida, e a ontogênese sociocultural, estudando o contato
da mesma com a cultura que a envolve, pois podem ter papéis importantes na
manutenção ou diminuição de comportamentos. Nogueira (2007) afirma citando Silva
e cols. (2007) “violência se inicia de modo sutil e que o abuso psicológico é condição
para que ocorra uma agressão física. Assim, a mulher agredida fisicamente ou mesmo
de modo psicológico que a levou a realizar a denúncia, já está em uma relação que
contém abuso emocional há certo tempo”.
A base estrutural que compõem as culturas ocidentais é pautada no patriarcado e no
machismo, colocando assim a mulher numa posição de valor social inferior à do
homem, colocando-a em uma condição de vulnerabilidade onde se torna aceitável
socialmente que as mulheres sejam violentadas das mais diferentes formas existentes.
Pode-se dizer, dessa forma, que a violência doméstica se trata de uma prática cultural
em que há a presença de uma classe de comportamentos cuja função é a
subordinação de uma mulher ao homem, ou seja, ter e manter uma mulher como seu
objeto de prazer por meio de forças coercitivas. (NOGUEIRA, 2017)
Essas práticas agressivas envolvem violências psicológicas e físicas, as quais
impactam a vida da mulher para além do momento em que ocorrem, logo, livres das
condições temporais, espaciais e mecânicas, podem estar controlando diretamente o
comportamento da mulher, de submissão por medo de ser punida, inclusive por
questões de dependência financeira. Esse controle do agente potencialmente punidor
é desenvolvido constantemente através do comportamento verbal.
De acordo com Romariz Barros (2003) “o comportamento verbal, é portanto,
comportamento operante, e é mantido por consequências mediadas por um ouvinte
que foi especialmente treinado pela comunidade verbal para operar como tal”. Dessa
forma, quanto mais poder de submissão e obediência o falante, nesse caso agressor,
apresentar sobre a mulher, mais reforçador será para ele produzir todo e qualquer tipo
de conteúdo de baixo calão, ameaças e termos pejorativos. Os sentimentos para a
análise do comportamento são comportamentos respondentes subprodutos de
contingências operantes, ou seja, promovem alterações fisiológicas no indivíduo.
https://even3.blob.core.windows.net/anais/158172.pdf
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A partir do referencial teórico da análise do comportamento, Laurenti e Lopes (2009)
esclarecem que apesar do ciúme ser tratado como causa dos comportamentos
violentos dos agressores, para a filosofia behaviorista radical os sentimentos não são
considerados as causas do comportamento, mas sim outros comportamentos a serem
explicados (Skinner, 2000). Logo, explicações causais são rejeitadas e explicações
baseadas em relações funcionais entre eventos ambientais e respostas do organismo
são utilizadas (ver Azrin, 1959; Neto, Alves & Baptista, 2007 para exemplos de
análises funcionais em situações de violência).
A definição da violência contra a mulher pressupõe um destaque em relação ao
gênero, o qual é definido por Sant’Ana (2003) como um conjunto de padrões
comportamentais que, em uma dada cultura e momento histórico, são socialmente
aprovados para cada sexo. A partir da análise do comportamento, os referidos
padrões comportamentais fornecidos estão relacionados a diversas formas de
aprendizagem operante, incluindo a aprendizagem por modelação e o controle
instrucional (por regras).
De acordo com Catania (1999), como as pessoas se comportam, algumas vezes,
depende daquilo que lhes foi instruído a fazer, de modo que, constantemente, as
pessoas estão seguindo instruções (regras). Regras podem evocar comportamentos
independentemente de suas consequências imediatas – determinando a sua forma e
probabilidade de ocorrência - ou estabelecer as funções de estímulos como
reforçador, aversivo ou discriminativo (Albuquerque & Paracampo, 2010).
Segundo Paracampo, Albuquerque, Carvalló e Torres (2009), regras prescritivas
especificam o comportamento que será emitido pelo ouvinte, enquanto que regras
descritivas não especificam tal comportamento. No que tange às regras que podem
estar relacionadas à violência contra a mulher, um exemplo de regra prescritiva seria
“Agrida sua esposa, se ela o trair”; enquanto que uma regra descritiva, as quais são
foco do presente trabalho, um exemplo seria “A mulher que trai merece ser agredida”.
Além da presença do controle instrucional, a Análise do Comportamento entende o
fenômeno da violência como sinônimo de coerção (Andery & Sério, 1997). Este
conceito é apontado por Sidman (1989/2003) como o “uso da punição e da ameaça de
punição para conseguir que os outros ajam como nós gostaríamos e a nossa prática
de recompensar pessoas deixando-as escapar de nossas punições e ameaças”
(Sidman, 1989/2003, p.17).
Em consonância com esse resultado, frequentemente, as pessoas não consideram
comportamentos agressivos, quer sejam insultos ou humilhações, como uma das
formas de violência. Este fato é assinalado por Santos et al. (2014), ao afirmar que a
violência psicológica possui difícil identificação por ser camuflada por comportamentos
que podem não aparentar relação com a violência em outras modalidades, pela
presença de laços afetivos com o agressor ou porque muitos apenas consideram
como violência doméstica a modalidade física No entanto, comportamentos definidos
como violência psicológica, quando analisados funcionalmente, encaixam-se na
definição de coerção de Sidman (1989; 2003). No que diz respeito à ocorrência desse
fenômeno na sociedade, o estudo de Schraiber et al. (2007) indicou que a maior taxa
da forma exclusiva de violência sofrida pela amostra investigada foi a psicológica. A
pesquisa de Silva, Coelho e Njaine (2014), que investigou as motivações da violência
por parceiro íntimo a partir de depoimentos de homens e mulheres registrados em
inquéritos policiais de uma delegacia da mulher, encontrou que o homem tem
diferentes percepções sobre a situação, negando sua conduta, culpando a mulher e
desqualificando-a. As autoras enfatizam que alguns comportamentos violentos não
são enxergados como tal, banalizando o fenômeno, facilitando o aumento de sua
ocorrência e tornando difícil sua identificação.
Skinner (2007) propõe que comportamentos de corte, acasalamento, agressão
intraespecífica e defesa do território são comportamentos sociais, e que a imitação
complementa repertórios sociais inatos. Para ele, um repertório de imitação que coloca
o imitador sob controle de novas contingências surge diante “do fato de que
contingências de reforçamento que induzem um organismo a se comportar de
determinada maneira afetarão frequentemente outro organismo quando ele se
comporta da mesma forma” (Skinner, 2007, p.130). Esse raciocínio é facilmente
aplicado para contextos em que comportamentos agressivos são aprendidos.
Além da aprendizagem por imitação mencionada por Skinner (2007), Neto et al. (2007)
afirmam que parte importante dos determinantes ontogenéticos do comportamento
humano é posta e executada por meio do grupo e estaria relacionada ao
comportamento verbal. Essa ideia se encontra em consonância com os achados do
presente estudo no que se refere ao controle instrucional do comportamento violento
direcionado à mulher.
Regras descritivas ocidentais e violência contra a mulher por parceiro íntimo;
Isabella C. Callou – PDF
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Assim como gera agressão, a coerção gera também o contracontrole, na forma de um


ataque à possível fonte agressora, ou outra estratégia qualquer que venha a reduzir a
probabilidade do aversivo ou préaversivo ser apresentado (Sidman, 1989 /1995). O
contracontrole caracteriza-se, então, por uma reação por parte do controlado, que
consiste numa tentativa de evitar e/ou fugir de punições ou ameaças de punição, “(...)
aprendendo como controlar seus controladores” (Sidman, 1989/1995, p. 224).

O contracontrole é assim um outro elemento a ser considerado numa análise do


fenômeno da violência. Em uma sociedade na qual o controle coercitivo prevalece,
tende-se, então, a esperar que o contracontrole ocorra. Em alguns lugares mais, em
outros menos acentuadamente. De qualquer forma, sua probabilidade é grandemente
aumentada nesse contexto coercitivo.

A violência poderia ser vista assim como um sinônimo de coerção.

Coerção, por sua vez, é definida por Sidman (1989/1995), como o uso da punição,
ameaça de punição e reforçamento negativo na interação entre pessoas e destas com
o ambiente físico não-social. A punição é uma relação funcional na qual certas
conseqüências que seguem o responder o tornam menos provável de ocorrer no
futuro (Catania, 1999). Sendo assim, é tradicional e largamente usada para eliminar
comportamentos classificados como indesejáveis por quem a aplica. É chamada
popularmente de castigo para uma conduta considerada má (Skinner, 1953/1998).

A ameaça de punição, por sua vez, é a sinalização ou aviso de uma contingência


aversiva (um pré-aversivo ou aversivo condicionado). Ela é geralmente associada a
comportamentos de esquiva ou evitação.

O reforçamento negativo caracterizase pela retirada de um estímulo aversivo


incondicional ou condicional, produzida por uma determinada classe de resposta,
ocasionando, então, um aumento na freqüência de membros desta mesma classe. Ou
seja, “(...) se a apresentação de um estímulo aversivo pune uma resposta, remover
ou prevenir tal estímulo deve reforçar a resposta” (Catania, 1999, p. 117).

A prevenção (ou evitação) de uma estimulação aversiva é denominada de esquiva. O


responder, nesse caso, elimina ou adia a apresentação de um evento aversivo
condicional. A eliminação de um evento aversivo incondicional, por sua vez,
caracterizaria a resposta de fuga (Catania, 1999).
Segundo Sidman (1989/1995), a coerção seria encontrada presente nas relações dos
seres humanos com a própria natureza, seriam conseqüências aversivas naturais
estabelecidas de maneira mecânica, como no caso de algumas enchentes, estiagens,
escassez de alimentos, incêndios, etc.

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
55452007000100004
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O controle aversivo pode ser identificado quando existe coerção na interação
homem/natureza. (Sidman 1995/1989) . Controle aversivo envolve punição,
reforçamento negativo (fuga e esquiva) e privações socialmente impostas. De acordo
com Andery & Sério (1997), violência é sinônimo de coerção, muito embora seja
discutível igualar violência ao termo coerção, porque nem toda coerção é um exemplo
de violência. O termo violência é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
como o uso de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra
pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em
sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação. É
abordada, também, como um problema de saúde pública em todo o mundo e
destacada pela importância da visibilidade das diferentes categorizações, incluindo a
violência intrafamiliar, que muitas vezes é deixada em segundo plano, principalmente
o mau trato infantil (OMS, 2012). A violência intrafamiliar é considerada aquela que
acontece dentro da família ou até mesmo no lar onde a vítima reside, sendo
caracterizada por diferentes formas – física, psicológica, sexual e negligência
(Williams, 2004). . Muitas vezes a agressão sexual, por exemplo, pode vir
acompanhada de agressão física e também psicológica, além da negligência.
O conceito de liberdade Skinneriana e o contracontrole

Uma das maiores buscas do ser humano é a conquista de sua “liberdade” para
evitar/fugir de situações ou pessoas com função aversiva. Assim, é possível entender
que a sensação de ser livre está relacionada à fuga ou à esquiva de estímulos
aversivos. As pessoas nem sempre fazem o que querem e muitas vezes se
comportam simplesmente para evitar a punição ou escapar dela. Quando Skinner fala
sobre liberdade, é possível entender que esta só existe quando o individuo discrimina
seus comportamentos e as variáveis que os controlam, ou seja, a liberdade depende
do autoconhecimento. No entanto, a limitação para o autoconhecimento e a liberdade
se tornarem efetivos integralmente, está na comunidade, visto que não é possível
modelar a discriminação precisa de todos os comportamentos encobertos. Para a
Análise do Comportamento, o conceito de liberdade propagado pelas doutrinas
psicológicas não existe (Skinner, 2007/1953). Isto se justifique porque, se o conceito
está ligado à extrema falta de controle (livre arbítrio total), ausência de controle
impossível, sabendo-se que o comportamento é fruto dos três níveis de seleção
(filogenética, ontogenética e cultura) e, portanto, determinado (Skinner 2007/1953).

A liberdade pode ser explicada também como “estímulo discriminativo verbal, que
aumenta a probabilidade do homem operar sobre seu ambiente social, em função da
consequência de gerar-lhe bem-estar e, ao mesmo tempo, transformar a sociedade
em uma organização mais favorável ao desenvolvimento de todos”(Figueirêdo, s.d. ).
O autoconhecimento oferece condições ao indivíduo para que este possa planejar sua
vida e ter liberdade em determinadas situações – embora a liberdade não seja
conquistada de forma integral, o individuo tem a possibilidade de manipular as
variáveis de seu ambiente, substituindo a coerção por estímulos menos aversivos
(Carvalho Neto, 2000).
https://www.comportese.com/2014/11/uma-breve-analise-da-violencia-intrafamiliar-
como-controle-aversivo-e-do-conceito-de-liberdade-skinneriana-no-filme-preciosa-
uma-historia-de-esperanca
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Mas o que seria um relacionamento abusivo? Segundo Miller (1999) o exercício do
controle adquire papel central dentro desse tipo de relacionamento. Os homens
recorreriam ao abuso como método de solucionar problemas e eliminar irritações.
Enfraquecendo a parceira, fortalecem-se e têm suas demandas supridas. A autora
ainda cita um estudo no qual foi identificado oito grupos de perfis de agressores.
Homens que: 1- não controlam seus impulsos; 2- exigem obediência à regras impostas
por eles, aplicando castigos quando essas são infringidas; 3- hostis, rebeldes e com
baixa auto-estima; 4- agressivos e antissociais; 5- mudanças de humor; 6-
externamente agradáveis; 7- excessivamente dependentes, ansiosos e deprimidos; 8-
apresentam poucas características dos outros sete grupos e não tem nenhuma
psicopatologia.
A Análise do Comportamento considera que toda contingência em que esteja operante
algum evento aversivo, será classificada como uma contingência coercitiva (Skinner,
2003). Nesses contextos, o controle aversivo atua através de: reforçamento negativo;
e punição positiva e negativa (Guilhardi, 2005).Ainda, Catania (1999) relata que um
padrão agressivo pode ser produzido pelas contingências em vigor, mas também pode
ser aprendido, por meio do ambiente social, através da imitação ou do controle por
regras.
Na sociedade o controle aversivo é estimulado nas relações humanas e é
predominante. Sendo assim, em um ambiente com muitos estímulos aversivos, a
esquiva e a fuga são as alternativas com maior probabilidade de acontecer, o que
pode produzir indivíduos com padrões passivos ou agressivos (Andery & Sério, 1997).
Algumas pesquisas (Carrasco, 2003; Cecconelli, 2003; Narvaz, 2005) trazem a
indicação da existência de um histórico de experiência de violência na vida individual
de mulheres vítimas de algum tipo de abuso, e esse seria transmitido ao longo das
gerações. Navaz (2005) também aponta a ausência de um modelo de família protetiva
na vida dessas mulheres. Assim, uma mulher vítima de violência pode já possuir um
repertório de vivências violentas, o que facilitaria seu assujeitamento.
Quais fatores contribuiriam para permanência no relacionamento abusivo? Os
aspectos culturais são relevantes. A socialização feminina tradicional coloca para a
mulher que sua completude só será atingida através de um relacionamento
permanente. Motivo esse que aumenta a resistência em um relacionamento, mesmo
após episódios de violência. Além disso, de acordo com o ciclo da violência, quando a
mulher por fim decide pela separação do parceiro íntimo, esse começa a demonstrar
uma possível nuance de mudança em seu comportamento, o que faz com que a
mulher sinta-se novamente confiante e a impulsiona a dedicar-se mais ao
relacionamento (Cardoso, 1997). Reiniciando assim o ciclo, que vai do espancamento,
ao arrependimento e o pedido de perdão do agressor (Brito, 1999).
De forma geral, o parceiro se torna mais afetivo após a agressão, o que tende a
reforçar o comportamento da mulher em se submeter ao agressor. Segundo Pereira,
Camargo e Aoyama (2018), essa situação traz consigo a definição de reforço
intermitente, a mudança (maior afetividade) não precisa ser permanente ou constante,
episódios intermitentes seriam suficientes para manter a relação e torná-la mais
resistente à extinção.
A dependência emocional (De Souza & Da Ros, 2006) e financeira (Paiva, 1999)
atuam como fatores que influenciam na permanência no relacionamento abusivo. A
religião (Gree, 2015) também influencia, de forma que uma mulher mais religiosa teria
uma menor probabilidade de tomar atitudes que confronte os ideais religiosos.
Como reforçadores foram colocados a questão emocional, o auxílio prestado pelo
parceiro e a satisfação sexual. No que tange o quesito emocional e a satisfação, é
possível notar que as participantes estavam sob um manejo de reforçamento positivo.
Já referente ao aspecto financeiro, é confirmada a afirmação de Grossi (1998), que a
dependência financeira aumenta a probabilidade da vítima permanecer em situação de
abuso, comportando-se em esquema de reforçamento negativo. Na avaliação dos
pontos negativos da relação, a punição positiva (agressão) aparece diretamente ligada
à característica nociva da relação.
Em relação aos sentimentos eliciados no momento da violência na relação, a maioria
das participantes relataram que a violência foi prejudicial à autoestima. Confirmando
assim o que diz Miller (1999), que para tentar suportar a violência vivida, a mulher
abdica dos sentimentos e da sua vontade, passando a desenvolver um sentimento de
incapacidade, inutilidade e baixa autoestima.
Os dados coletados comprovam o afirmado por Lins (2017), que a dependência
emocional e o amor podem se confundir, levando as pessoas a continuarem juntas,
acomodadas. Posto isso, a dependência emocional caracteriza-se como o reforço
negativo, pelo medo da perda do afeto do companheiro. Já o amor é reforçador
positivo, considerando o acréscimo da afetividade.
https://boletimcontexto.wordpress.com/2018/08/24/artigo-permanencia-das-mulheres-
em-relacionamentos-abusivos-uma-analise-funcional/
artigo: http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/view/1026/588
---------------------------
http://www.uel.br/pos/pgac/wp-content/uploads/2014/03/Posicionamentos-
Skinnerianos-quanto-ao-uso-do-controle-aversivo-pelas-ag%C3%AAncias-de-
controle.pdf

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