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GOVERNADOR DE SÃO PAULO
JOÃO DORIA
SECRETÁRIA DE ESTADO DOS DIREITOS DA PESSOA
COM DEFICIÊNCIA
CÉLIA LEÃO
CHEFE DE GABINETE DA SEDPcD
RICARDO GECIAUSKAS
COORDENADOR DA SEDPcD
LUIZ OBERDAN LIPORONI
ASSESSORA TÉCNICA DA SEDPcD
SILVIA SABANOVAITE
SECRETARIA DE ESTADO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIENCIA
2
COORDENAÇÃO:
Profa. Silvia Sabanovaite
ELABORAÇÃO DE CONTEÚDO:
Profa. Silvia Sabanovaite
Prof. Fábio Alves de
Miranda
Prof. Monique Cristina Pinto
Catalano Prof. Patrick Henrique da
Silva
REVISÃO e ADAPTAÇÃO
Intérprete. Edilson Andrade
As imagens foram retiradas do Dicionário Enciclopédico
Trilíngue da Língua Brasileira de Sinais, e seu uso é
exclusivamente para fins didáticos.
CAPOVILLA, F.C.; RAPHAEL, W.D. Dicionário Enciclopédico
Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira. São Paulo,
SP: Edusp, Fapesp, Fundação Vitae, Feneis, Brasil Telecom,
2001.
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3
PREFÁCIO
Quando tais anseios são colocados em uma simples roda de
conversa, as soluções chegam quase que naturalmente.
Existem várias formas de se fazer entender.
Com respeito, boa vontade e dedicação, encontramos caminhos
e alternativas.
A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, além da
obrigação de fazer, tem grande preocupação em implementar o curso
de LIBRAS e fazê-lo chegar a todos que tenham interesse em interagir
com milhares de pessoas com Deficiência Auditiva.
Assim, iniciamos na atual gestão estadual o curso de Libras,
com a meta a ser cumprida na medida exata do Estado.
Em um primeiro momento, o objetivo do curso é capacitar
servidores de todas as Secretarias de Estado e empresas estatais
paulistas para garantir acessibilidade de comunicação nas repartições
públicas.
Na filosofia de trabalho da atual gestão estadual, a
comunicação é uma importante ferramenta de inclusão social.
Com este propósito, iniciamos em maio de 2019 mais um
grande passo rumo à universalização dos serviços públicos em São
Paulo.
Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Governo de São Paulo
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COMUNICANDO COM SURDOS
Orientações aos alunos:
Evite falar oralmente durante as aulas;
Use a datilologia ou expressão corporal para se expressar;
Não tenha receio de errar;
Se esforce para despertar a atenção e memória visuais;
Sempre fixe o olhar na face do emissor da mensagem;
Atente-se para tudo que está acontecendo durante a aula;
Comunique-se com seus colegas de classe em LIBRAS;
Mantenha seu celular desligado.
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OBJETIVOS GERAIS
Ao final desse curso, o professor interagindo com o aluno, no
processo de ensino-aprendizagem, fará com que o aluno se torne
apto a:
Compreender a diferença entre Cultura e Comunidade Surda;
Aprender e utilizar as saudações em LIBRAS;
Utilizar adequadamente os pronomes pessoais e os
possessivos e alguns pronomes e expressões
interrogativas;
Utilizar adequadamente os advérbios de lugar e os
pronomes demonstrativos;
Reconhecer os numerais de 1 até 100 e a diferença da
utilização para a quantidade;
Reconhecer as configurações de mãos utilizadas para a
datilologia e a diferença entre essa e o sinal soletrado;
Compreender construir pequenos diálogos em LIBRAS;
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APRESENTAÇÃO
A LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais – é a língua através da
qual o surdo se comunica, se expressa e compreende mensagens. É
uma língua que tem ganhado espaço na sociedade por conta dos
movimentos surdos em prol dos seus direitos, é uma luta de muitos
anos que caracteriza o povo surdo como um povo com cultura e
língua própria que é oprimido pela sociedade majoritária impondo um
padrão de cidadão sem levar em conta as especificidades linguísticas,
sociais e culturais dos surdos.
Sendo assim, através de anos de luta o povo surdo conquistou o
direito de usar sua língua que possibilita não só a comunicação, mas
também sua efetiva participação na sociedade.
Apresentamos nesta apostila, módulo I, a Proposta
metodológica em que O curso se desdobrará a partir de eixos
temáticos apresentados dentro de uma sequência na qual o aluno é
exposto as situações comunicativas que abrangem os contextos do
cotidiano, da escola, da família, da comunidade e do ambiente de
trabalho.
Durante as aulas, os alunos serão estimulados a desenvolver
sua comunicação a partir de simulações de situações vivenciadas no
seu dia a dia, utilizando vocabulário genuíno e valorizando seu
conhecimento de mundo e informações acerca do idioma estudado.
Dentro desta constará o Programa que mostrará:
- Aprofundamento dos aspectos gramaticais da Libras de forma
contextualizada;
- A utilização dos elementos intrínsecos da Língua Brasileira de Sinais
(Libras) e sua diferenciação da Língua Portuguesa;
- Interpretação de histórias metafóricas, seus classificadores entre
outros.
No entanto, para que esta participação seja efetiva é preciso
difundir a língua, a cultura, as histórias e a concepção de mundo dos
surdos.
E para isso a SEDPCD – SECRETARIA DE ESTADO DOS DIREITOS DA
PESSOA COM DEFICIÊNCIA elaborou este material com
conteúdos fundamentais para aprendizagem desta segunda
língua.
Esperamos despertar em você o desejo de conhecer, a vontade de
aprender e compreender uma nova língua, a Língua Brasileira de
Sinais.
Os autores.
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Sumário
INTRODUÇÃO GERAL À GRAMÁTICA DA LIBRAS...................................8
ASSOCIAÇÕES DE SURDOS...................................................................9
MARTHA’S VINEYARD..............................................................................................12
A LINGUÍSTICA DAS LÍNGUAS DE SINAIS.............................................14
LÍNGUA PORTUGUESA X LIBRAS.........................................................16
SISTEMA DE TRANSCRIÇÃO PARA A LIBRAS........................................17
CONFIGURAÇÕES DE MÃOS................................................................23
ADJETIVOS NA LIBRAS.........................................................................26
EXPRESSÃO FACIAL E/OU CORPORAL.................................................30
TIPOS DE FRASES NA LIBRAS..............................................................31
VERBOS AFIRMATIVOS E NEGATIVOS..................................................32
O VERBO IR E SUAS VARIAÇÕES.........................................................36
VERBOS RELACIONADOS....................................................................37
VERBOS QUE POSSUEM MARCAS DE CONCORDÂNCIA.......................40
VERBOS QUE NÃO POSSUEM MARCAS DE CONCORDÂNCIA...............42
ADVÉRBIOS DE MODO INCORPORADOS AOS VERBOS........................44
EXPRESSÕES E ADVÉRBIOS DE TEMPO/FREQUÊNCIA.........................46
A FORMA CONDICIONAL ‘S-I’ (SE)......................................................................49
PRIMEIRA ESCOLA DE SURDOS NO BRASIL.........................................50
OS SINAIS PARA "MAIS........................................................................53
COMPARATIVOS EM LIBRAS................................................................56
OS VALORES MONETÁRIOS.................................................................58
ALIMENTOS.........................................................................................61
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................67
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INTRODUÇÃO GERAL À GRAMÁTICA DA LIBRAS
O QUE É LINGUÍSTICA?
O estudo da linguagem humana tem como objeto as línguas humanas
com o objetivo de compreender e analisar como estas línguas se
constituem para garantir a interação entre as pessoas por seu meio.
Dependendo da corrente teórica, o enfoque dos estudos linguísticos
aborda diferentes aspectos da linguagem compreendendo desde as
suas especificidades humanas, a sua forma (estrutura) e todas as
possibilidades de combinações e significados que permitem
diferentes funcionalidades de acordo com os seus usos. A linguística
não se limita ao estudo de uma língua específica, nem ao estudo de
uma família de línguas. Ela não é nem o estudo isolado do português,
do japonês, do árabe, da língua de sinais americana (ASL) e nem da
língua brasileira de sinais (LIBRAS).
O QUE É LÍNGUA?
Línguas são sistemas complexos de comunicação com vocabulário
constituído de símbolos convencionais e regras gramaticais que são
compartilhadas pelos membros de uma comunidade. As línguas
também se caracterizam por serem passadas de geração para
geração, por mudarem com o passar do tempo e por serem usadas
para a troca de uma enorme gama de ideias, emoções e intenções.
MITOS SOBRE AS LÍNGUAS DE SINAIS:
A língua de sinais não é universal, cada país possui sua própria
língua de sinais;
As línguas de sinais não são baseadas nas línguas orais, cada língua
possui sua própria estrutura e não há uma relação de dependência
entre elas;
As línguas de sinais não se resumem a mímicas e gestos;
As línguas de sinais têm a mesma capacidade expressiva que as
línguas orais, isto é, qualquer assunto ou conceito, concreto ou
abstrato, pode ser expresso pela língua de sinais.
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ASSOCIAÇÕES DE SURDOS
As associações de surdos são espaços onde a comunidade surda local
promove encontros sociais, esportivos e políticos. No Brasil, as
primeiras associações fundadas exclusivamente por surdos data da
década de 50. Porém antes disso, algumas tentativas de criação de
associações foram feitas por ouvintes que de alguma maneira
estavam ligados a causa surda.
A primeira destas tentativas se deu no Rio de Janeiro, no início do Séc
XX, segundo a revista Ephphatha (1915), o professor ouvinte Dr.
Brasil Silvado Júnior trouxe da Europa a ideia de fundar a primeira
associação de surdos do Brasil. A primeira reunião para a organização
dessa associação de surdos, em 24 de maio de 1913, foi registrada a
presença de quase todos os surdos residentes no Rio. Dessa forma,
iniciou a estruturação da Associação Brasileira de Surdos-Mudos.
Nesse período, ao mesmo tempo em que os surdos se organizavam,
também surgia, no Distrito Federal (atualmente o Estado de Rio de
Janeiro), com sua força avassaladora, as ideias do oralismo, cujo
resultado final culminou com o controle dessa associação pelos
ouvintes.
Na década de 50, na cidade de São Paulo, alguns surdos que
tinham liderança e ex-alunos do INES, costumavam encontrar-se para
um bate-papo na praça da Matriz ou em alguma rua-ponto,
independentemente de sua classe social. Essa prática teve sua
origem com os alunos do INES, que se reuniam para conversar
quando saíam das aulas. Tal comportamento se justificava
principalmente pela possibilidade de trocarem informações na sua
própria língua, sem o controle dos ouvintes e, também, pelo prazer de
estarem juntos. Sempre que um surdo tinha tempo disponível, ele
procurava se reunir com outros surdos em algum ponto de encontro.
Naquele período, também existiam as atividades de esporte,
porém elas eram realizadas em conjunto com ouvintes devido à
dificuldade que tinham para encontrar espaços para praticarem
esportes entre si. Esses grupos, apesar de se reunirem
permanentemente para um bom "bate-papo", não tinham ideia da
existência das Associações de Surdos.
Essa reunião de surdos nas ruas de São Paulo não está distante
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10
da história dos surdos de todas as capitais e cidades brasileiras.
Quase todas as Associações de Surdos, nos dias de hoje, têm o início
de sua história nas reuniões em algum ponto de encontro, tanto nas
ruas quanto nas praças. São raras as Associações de Surdos que
iniciaram suas atividades na casa de surdos ou de algum ouvinte.
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11
O início da Associação de Surdos de São Paulo deu-se devido a
uma viagem de passeio a Buenos Aires realizada por um surdo
(Armando Melloni) que participava de um desses grupos de encontro
em Campinas/SP. Nessa viagem, ele conheceu surdos da Argentina
que participavam de uma Associação (Associocion dos Sordosmudos
Ayuda Mútua, primeira associação fundada da América Latina,
originada nas comunidades surdas da França) que funcionava
naquela capital argentina. Convidado a conhecê-la, constatou que os
surdos tinham um espaço próprio para a associação. No retorno de
sua viagem, esse surdo de Campinas relatou a sua experiência para
os grupos de surdos que se encontravam nas ruas. Ao mesmo tempo
em que ficaram admirados com a notícia, também tomaram a
iniciativa de fazer contato com a diretoria dessa Associação, trazendo
para o Brasil a sua forma de ver a organização dos surdos. Assim, os
surdos de São Paulo fundaram a primeira Associação realmente de
surdos no Brasil.
Fonte: Acervo da Associação de Surdos de São Paulo – Memorial da Inclusão
Ao ser fundada, em 19 de março de 1954, a Associação de Surdos de
São Paulo passou a ter como meta, criar novas associações, nos
mesmos moldes, em outros Estados do país. Dessa forma, em janeiro
de 1955, foi fundada a Associação dos Surdos do Rio de Janeiro e, em
30 de abril de 1956, a Associação dos Surdos de Minas Gerais.
Engajado nesse novo projeto de construção de Associações de
surdos pelo Brasil afora, estava o professor Francisco de Lima Júnior,
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12
de Santa Catarina que, a exemplo dos outros surdos, fundou, em
1955, o Círculo dos Surdos em
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13
Florianópolis, além de colaborar com Salomão Watnick na fundação
da Associação dos Surdos de Porto Alegre.
Segundo o surdo Dellatore, "as Associações de Surdos, além de
funcionarem como ponto para encontro esportivo dos surdos,
funcionavam também como divulgadoras da língua de sinais e como
identificadoras da capacidade do surdo como cidadão", apud
FENEIS,2002.
A Comunidade Surda Brasileira comemora, 26 de setembro, o
Dia Nacional do Surdo, data em que são relembradas as lutas
históricas vividas por melhores condições de vida, trabalho,
educação, saúde, dignidade e cidadania, bem como pelo pleno
reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais e da cultura surda em
todas as instâncias sociais. Esse dia é sugerida devido ao fato desta
data lembrar a inauguração da primeira escola para Surdos no
país em 1857, com o nome de Instituto Nacional de Surdos Mudos do
Rio de Janeiro, atual INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos.
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14
MARTHA’S VINEYARD
Martha's Vineyard é uma ilha localizada em Massachusetts, nos
Estados Unidos. A Língua de Sinais de Martha's Vineyard (MVSL) era
uma língua de sinais de vilarejo que foi amplamente usada na ilha de
Martha's Vineyard do início do século 18 até 1952. Ela foi usada tanto
por surdos quanto por ouvintes na comunidade, consequentemente, a
surdez não se tornou uma barreira à participação na vida pública. Os
surdos que usavam a língua de sinais de Martha's Vineyard eram
extremamente independentes. Eles participavam da sociedade como
cidadãos típicos, embora houvesse incidentes de discriminação e
barreiras linguísticas.
A língua foi capaz de prosperar por causa da porcentagem
excepcionalmente alta de surdos e porque a surdez era uma
característica recessiva, o que significava que quase qualquer pessoa
da ilha poderia ter irmãos surdos e ouvintes. Em 1854, quando a
população surda da ilha atingiu o pico, uma média de uma pessoa a
155 era surda, enquanto a média nacional dos Estados Unidos era de
uma em cerca de 5.730. Na cidade de Chilmark, que tinha a maior
concentração de surdos da ilha, a média era de 1 em 25.
A língua de sinais na ilha diminuiu quando a população migrou para o
continente. Não há pessoas fluentes da MVSL hoje. Katie West, a
última pessoa surda nascida na tradição da língua de sinais da ilha,
morreu em 1952.
Embora as pessoas Surdas que dependiam da MVSL fossem
diferentes, elas ainda faziam as mesmas atividades que o típico
residente de Martha's Vineyard faria. Os surdos trabalhavam em
trabalhos complexos e simples, participariam de eventos da ilha e
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15
participariam da comunidade. Em contraste com algumas outras
comunidades surdas ao redor do mundo, eles eram tratados como
pessoas típicas. Outras comunidades surdas são frequentemente
isoladas da
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16
população ouvinte; mas a comunidade surda de Martha's Vineyard
daquele período era excepcionalmente integrada à população em
geral.
Os usuários surdos da MVSL não foram excluídos pelo resto da
sociedade em Martha's Vineyard, mas certamente enfrentaram
desafios devido à sua surdez. O casamento entre uma pessoa surda e
uma pessoa ouvinte era extremamente difícil de manter, embora
ambos pudessem usar MVSL. Por esta razão, os surdos geralmente se
casavam com os surdos, elevando o grau de endogamia até mesmo
além do da população geral de Martha's Vineyard. Esses casamentos
surdos-surdos contribuíram para o aumento da população surda
nessa comunidade. Os usuários surdos da MVSL muitas vezes se
associavam, ajudando e trabalhando uns com os outros para superar
outros problemas causados pela surdez. Eles se divertiram em
eventos comunitários, ensinando a língua de sinais aos jovens
ouvintes. A língua de sinais era falada e ensinada a crianças ouvintes
desde os primeiros anos, a fim de se comunicar com os muitos surdos
que encontrariam na escola. Movimento labial, gestos com as mãos,
maneirismos e expressões faciais foram todos estudados. Havia até
escolas separadas especificamente para aprender MVSL. As pessoas
ouvintes às vezes sinalizavam mesmo quando não havia surdos
presentes.
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17
A LINGUÍSTICA DAS LÍNGUAS DE SINAIS:
Os estudos linguísticos das línguas de sinais iniciaram com Stokoe
no ano de 1960. Este autor apresentou uma análise descritiva da
língua de sinais americana revolucionando a linguística na época, pois
até então, todos os estudos linguísticos concentravam-se nas análises
de línguas faladas. Pela primeira vez, um linguista estava
apresentando os elementos linguísticos de uma
língua de sinais. Assim, as línguas de sinais passaram a serem
vistas como
línguas de fato. Stokoe apresenta uma análise no nível fonológico e
morfológico. Aos poucos, os próprios surdos começaram a participar
como pesquisadores das línguas de sinais. No entanto, ainda temos
poucos linguistas surdos investigando a língua de sinais de seu país.
Morfologia na língua de sinais:
Morfologia é o estudo da estrutura interna das palavras ou dos sinais e
dos processos de formação de novas palavras ou sinais.
Morfema = unidade mínima de uma palavra ou sinal que contém
significado.
Exemplos: MENINA MENINAS MENININHAS
Estas palavras podem ser divididas em partes
menores: Menin a
Menin a s
Menin inh
a s
Na LIBRAS nem sempre os morfemas que formam os sinais são
iguais aos do português. Exemplos:
MORFEMA LEXICAL MORFEMA GRAMATICAL
Sentar Repetição de movimentos
Bonito Expressão facial
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18
Em LIBRAS o sinal de "CADEIRA" tem um movimento e "SENTAR"
têm uma ou duas vezes a repetição de movimentos.
Fonologia das línguas de sinais:
A Fonologia faz parte da linguística que identifica a estrutura e a
organização dos sons como elemento de um sistema articulatório, no
caso da Libras, a fonologia estuda os elementos distintivos entre os
sinais da Libras.
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19
LÍNGUA PORTUGUESA X LIBRAS
A Libras é a primeira língua da comunidade surda brasileira, é através
dela que os surdos participam da sociedade, interagem entre si e
constroem relações. A Língua Portuguesa é introduzida aos Surdos na
fase de alfabetização escolar, porém apenas na modalidade escrita.
Como os Surdos interagem com o Português apenas na forma escrita,
e essa interação não acontece o tempo todo, muitos Surdos podem
apresentar muitas dificuldades no acesso a essa língua.
Na década de 60, os trabalhos de reabilitação dos surdos numa linha
oralista não atendiam a mais a expectativa educacional. Assim, os
questionamentos sobre a eficácia do método oralista não tardaram, já
que o desenvolvimento esperado da fala, da leitura orofacial, de
linguagens e de leitura não estava sendo alcançado.
A comunicação total inclui um ponto de vista filosófico, pois
reconhece as necessidades das crianças surdas, nela são previstas
diversas possibilidades comunicacionais: uso da língua de sinais,
alfabeto manual, gestos criados pela criança, amplificação da audição
residual, fala, leitura orofacial, leitura e escrita. O que de fato importa
na comunicação total é a criança e todas as formas possíveis de se
chegar até ela.
O Português Sinalizado, ou Bimodalismo, é uma prática que foi muito
difundida durante o período da Comunicação Total. Ela acontece
quando se traduz, literalmente, cada palavra do português pelo seu
sinal correspondente em Libras. Esta forma de se comunicar não
obedece às regras semânticas e sintáticas da Língua de Sinais, e isto
pode resultar em uma produção incompreensível para a pessoa
Surda.
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20
SISTEMA DE TRANSCRIÇÃO PARA A LIBRAS
As Línguas de Sinais foram entendidas como ágrafas por muito
tempo, hoje, devido ao desenvolvimento tecnológico e a facilidade de
acesso a esses recursos, a língua de sinais vem sendo registrada
através de vídeos. Porém, alguns sistemas de transcrição da Libras
para um formato escrito utilizando recursos da Língua Portuguesa
estão à disposição, aqui nós veremos um deles.
Este sistema, que vem sendo adotado por pesquisadores de línguas
de sinais em outros países e aqui no Brasil, tem este nome porque as
palavras de uma língua oral-auditiva são utilizadas para representar
aproximadamente os sinais.
Assim, a LIBRAS será representada a partir das seguintes convenções:
1. Os sinais da LIBRAS, para efeito de simplificação, serão
representados por itens lexicais da Língua Portuguesa (LP) em letras
maiúsculas.
Exemplos: CASA, TELEVISÃO ETC.
CASA TELEVISÃO
2. Um sinal, que é traduzido por duas ou mais palavras em língua
portuguesa, será representado pelas palavras correspondentes
separadas por hífen. Exemplos:
CORTAR-COM-FACA ABRIR-DE-LATA
"Cortar" "Abridor de lata"
ENTENDER-NÃO-NADA ENTENDER-NÃO
"Não entender nada" "Não entender"
SABER-NÃO-NADA
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"Não saber de nada"
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3. Um sinal composto, formado por dois ou mais sinais, que será
representado por duas ou mais palavras, mas com a ideia de uma
única coisa, serão separados pelo símbolo ^.
Exemplos:
CAMA^BEBÊ = "Berço" MULHER^BENÇÃO = "Mãe"
HOMEM^BENÇÃO^SEGUND@ = "Padrasto"
4. A datilologia (alfabeto manual), que é usada para expressar nome
de pessoas, de localidades e outras palavras que não possuem um
sinal, está representada pela palavra separada, letra por letra por
hífen.
Exemplos: F-O-R-D, A-B-E-L-H-A;
F-O-R-D
A-B-E-L-H-A
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5. O sinal soletrado, ou seja, uma palavra da língua portuguesa que,
por empréstimo, passou a pertencer à LIBRAS por ser expressa pelo
alfabeto manual com uma incorporação de movimento próprio desta
língua, está sendo representado pela soletração ou parte da
soletração do sinal em itálico. Exemplos: B-A-R "bar", I-L-H-A "ilha", D-
I-A "dia".
B-A-R I-L-H-A
D-I-A
6. Na LIBRAS não há desinências para gêneros (masculino e feminino)
e número (plural), o sinal, representado por palavra da língua
portuguesa que possui estas marcas, está terminado com o símbolo
@ para reforçar a ideia de ausência e não haver confusão.
Exemplos: POUC@ "pouca(s) ou pouco(s)", AMIG@ "amiga(s) ou
amigo(s)", MUIT@ "muita(s) ou muito(s)", TOD@, "toda(s) ou todo(s)",
EL@ "ela(s), ele(s)", ME@ "minha(s) ou meu(s)";
POUC@ AMIG@
MUIT@ TOD@
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EL@ ME@
7. Os traços não-manuais: as expressões facial e corporal, que são
feitas simultaneamente com um sinal, estão representadas acima do
sinal ao qual está acrescentando alguma ideia, que pode ser em
relação ao:
a) tipo de frase: interrogativa ou ... i ... negativa ou ... neg ...
negativa interrogativa
PODER-NÃO PRECISAR
Para simplificação, serão utilizados, para a representação de frases
nas formas exclamativas e interrogativas, os sinais de pontuação
utilizados na escrita das línguas orais-auditivas, ou seja: !, ? e ?!
b) advérbio de modo ou um intensificador: muito rapidamente exp.f
"espantado";
muito rapidamente muito
Exemplos: ADMIRAR ANDAR LONGE
muito rapidamente
ADMIRAR ANDAR
muito
LONGE
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25
8. Os verbos que possuem concordância de gênero (pessoa, coisa,
animal), através de classificadores, estão sendo representados com o
tipo de classificador em subscrito.
Exemplos: pessoaMOVER, veículoMOVER, animalMOVER;
pessoaMOVER veículoMOVER
animalMOVER
9. Os verbos que possuem com concordância de lugar ou número-
pessoal, através do movimento direcionado, estão representados pela
palavra correspondente com uma letra em subscrito que indicará:
a) as pessoas gramaticais: 1s, 2s, 3s = 1a, 2a e 3a pessoas do singular;
1p, 2p, 3p = 1a, 2a e 3a pessoas do plural;
Exemplos: 1s DAR2s "eu dou para você",
2sPERGUNTAR3p "você pergunta para eles/elas",
1sACONSELHAR3s 1sFALAR2s
"Eu aconselho para ele/ela" "Eu falo para você"
Pode substituir para: "Eu o (a) aconselho" "Eu te falo"
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26
10. Às vezes há uma marca de plural pela repetição do sinal. Esta
marca será representada por uma cruz no lado direto acima do sinal
que está sendo repetido:
Exemplo: ÁRVORE+ "árvores"
ÁRVORE "árvore"
ÁRVORE+ "árvores"
11. Quando um sinal, que geralmente é feito somente com uma das
mãos, ou dois sinais estão sendo feitos pelas duas mãos
simultaneamente, serão representados um abaixo do outro com
indicação das mãos: direita (md) e esquerda (me).
Exemplos: IGUAL (md) muitas-pessoasANDAR
(md) IGUAL (me) muitas-
pessoasANDAR (me)
IGUAL (md) muitas-pessoasANDAR (md)
IGUAL (me) muitas-pessoasANDAR (me)
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CONFIGURAÇÕES DE MÃOS
A configuração de mão é a forma que a mão assume no momento de
execução do sinal. A pesquisadora Tanya Felipe catalogou 64
configurações de mão que são usadas na Libras.
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EXERCÍCIO 01
Enumere o sinal de acordo com à configuração de mão:
( 1 ) ( 2 ) ( 3 )
a) ( ) MAU b) ( ) OI c) ( ) LEMBRAR
d) ( ) ME@ e) ( ) TUDO BEM f) ( ) VER
g) ( ) COMEÇAR h) ( ) PRESO i) ( ) BEBER
j) ( ) FUMAR k) ( ) HOJE l) ( ) OLHAR
m) ( ) MULHER n) ( ) BEM o) ( ) ESTUDAR
p) ( ) 2ª-FEIRA q) ( ) QUAL r) ( ) PASSADO
EXERCÍCIO 02 ( https://youtu.be/cEwWt_wvnTg )
Preencham as lacunas abaixo com os sinais de soletração rítmica
apresentados no vídeo.
1. 2. 3.
4. 5. 6.
7. 8. 9.
10.
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29
EXERCÍCIO 03 ( https://youtu.be/eAfX9cQTnBo )
Complete o texto escrevendo o sinal que está faltando de acordo
com as frases sinalizadas pelo professor apresentado no vídeo.
CURSO SEDPEcD LÁ AULA VOCÊ
CONHECER SEDPEcD? SINAIS: SECRETARIA ESTADO
PESSOA COM DEFICIÊNCIA. EU-GOSTAR
, PROFESSOR@ LIBRAS APRENDER.
CASA, GRAVAR-VÍDEO, SINAIS:
1 ,2 , QUERER-NÃO-SABER, ENTENDER-
NÃO; 3 LEÃO^LISTRA-PELO-CORPO, CAVALO^LISTRA-PELO-
CORPO,
, 4 L-I-N-D-O
, 5 EXPRESSÃO-FACIAL EXEMPLO: ,
CARRO veículoMOVERrápido, ANDARlentamente , MAIS 6
EXEMPLO: , CRIANÇA+, ÁRVORE+. ESS@
GRUPO LIBRAS. BO@muito! EL@
3sAJUDAR1s APRENDER !
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30
ADJETIVOS NA LIBRAS
Os adjetivos formam uma classe específica na Libras, eles
sempre são marcados de forma neutra, não variando com relação a
gênero ou número. Muitos adjetivos são descritivos e apresentam
iconicamente a qualidade ou forma de um objeto ou pessoa. Estes
são normalmente desenhados no ar ou mostrados a partir do corpo
do emissor da mensagem.
Exemplos:
1) EU PASSAD@ GORD@ PORQUE COMER-MUIT@, AGORA EU
EMAGRECER PORQUE EU COMER POUC@ COMER EVITAR.
2) CARRO ME@ BONIT@ 1sVER3s CARRO veículoMOVER FEI@.
3) 1sVER3s MULHER BONIT@ CABELO-CRESP@ MAS ESPOS@ ME@
CABELO-LIS@ LIS@.
4) LEÃO ENORME CORPO AMAREL@ É PERIGOS@!
5) RAT@ PEQUEN@, PRET@, ESPERT@!
BONIT@ FEI@
FIN@ (1) FIN@ (2)
FIN@ (3) GROSS@ (1)
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31
GROSS@ (2)
ALT@ (1) ALT@ (2)
BAIX@
GRANDE (1)
GRANDE (2) GRANDE (3)
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32
PEQUEN@ (1) PEQUEN@ (2) PEQUEN@ (3)
GORD@ (1) GORD@ (2) / GORD@muito
MAGR@
USAD@ (1) USAD@ (2)
VELH@ (coisa) VELH@ (pessoa)
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33
NOV@ (coisa) NOV@
(jovem) NOV@ (jovem)
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34
EXPRESSÃO FACIAL E/OU CORPORAL
A expressão facial e corporal é um dos parâmetros de formação dos
sinais, ela não é opcional no momento da sinalização. As expressões
correspondem ao tom da mensagem. Não é possível fazer o sinal de
TRISTE e utilizar a expressão facial de FELIZ. As expressões devem
ser correspondentes aos sinais executados.
As expressões facial e corporal são responsáveis
também por diferenciar os tipos de frases na Libras.
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35
TIPOS DE FRASES NA LIBRAS
A Língua de Sinais utiliza as expressões faciais e corporais para
estabelecer tipos de frases, como as entonações na língua
portuguesa, por isso para perceber se uma frase em Libras está na
forma afirmativa, interrogativa exclamativa, imperativa ou negativa
precisa-se estar atento às expressões facial e corporal que são feitas
simultaneamente com certos sinais ou com toda a frase.
Apresentamos abaixo as principais características de cada tipo de
frase em relação as expressões:
AFIRMATIVA: Expressão facial neutra ou ligeiro movimento com a
cabeça para cima e para baixo.
INTERROGATIVA: Sobrancelhas franzidas e ligeiro movimento da
cabeça para cima.
EXCLAMATIVA: Sobrancelhas levantadas, e ligeiro movimento da
cabeça para cima e para baixo.
IMPERATIVA: Sobrancelhas franzidas, movimento firme da cabeça para
baixo.
NEGATIVA: Caracterizada pelo movimento lateral da cabeça para um
lado e para o outro, curiosamente existem pelo menos 4 formas de ser
efetuada:
1 - Simultaneamente ao sinal, movimento negativo com a
cabeça. Recomenda do para a maioria dos casos de
verbos invariáveis. Exemplo: conhecer, entender, fazer.
2 - Sinal com movimento contrário marcado pela orientação das
mãos.
Exemplo: gostar, querer e aceitar.
3 - Sinal próprio de
negação. Exemplo:
poder, ter, saber.
4 - Acréscimo do “NÃO” após o verbo, geralmente em casos de
ênfase.
Ocorre principalmente com verbos invariáveis e direcionais, e
jamais nos casos 2 e 3.
Exemplo: viver, aprender, ajudar.
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36
VERBOS AFIRMATIVOS E NEGATIVOS
CONCORDAR CONCORDAR-NÃO
COMBINAR COMBINAR-NÃO
TER TER-NÃO
QUERER
QUERER-NÃO
ENTENDER
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37
ENTENDER-NÃO
(NÃO) ENTENDER NADA
PRECISAR
PRECISAR-NÃO
GOSTAR
GOSTAR-NÃO
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CONSEGUIR
CONSEGUIR-NÃO (1)
CONHECER-NÃO (2)
CONHECER
CONHECER-NÃO
PODER PODER-NÃO
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39
SABER SABER-NÃO
EXEMPLOS:
ROUPA BLUSA SHOT SE@ CONCORDAR-NÃO.
CURSO AULA INGLÊS ENTENDER-NÃO.
COMPUTADOR CLICARcontinua CONSEGUIR-
NÃO. CONHECER-NÃO GRAMÁTICA LIBRAS.
EL@ SABER GRUPO TRANSCREVER LIBRAS.
ESS@ VARANDA PODER FUMAR.
EL@ PRECISAR MAIS ESTUDAR PORQUE PRÓXIMO CURSO AVANÇADO.
MONOTRILHO N-U-N-C-A QUERER IR.
VIZINH@ AMIG@ ARMA TER CUIDADO.
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40
O VERBO IR E SUAS VARIAÇÕES
Na LIBRAS, o verbo “IR” possui uma forma neutra, como a
maioria dos verbos na LIBRAS, mas possui também formas que
marcam reflexões pessoais que podem ser empréstimos da forma
verbal em português, representadas através de sinais soletrados ou
do uso do parâmetro - direcionalidade para: V-A- I e V-O-U; 1sIR2s e
2sIR1s:
IR V-A-I
V-O-U
2sIR1s (vamos) 1sIR2s (vou)
IR (Vamos) 1sIR2s
IR-JUNTO
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VERBOS RELACIONADOS
ENVIAR
ENVIAR-MENSAGEM ENVIAR-CARTA ENVIAR-EMAIL
EU MENSAGEM ENVIAR ANTEONTEM JAPÃO AMIG@ ME@ ENVIAR-EMAIL JÁ
JÁ TI@, MAS VOCÊ CARTA-ENVIAR JÁ? RECEBER ME@?
3Sresponder1s.
Eu enviei mensagem Anteontem você enviou uma carta Recebeu o meu
ao meu tio, mas ele ao meu amigo no Japão? e- mail que eu
não me respondeu. enviei?
PASSAR
Objeto-
pessoaPASSAR PASSAR-FAX grandePASSAR
AMIG@ ME@ pessoaPASSAR ONTEM VOCÊ PASSAR- SE@ CASA ÔNIBUS Nº
1Sver3s 3Sver1s NÃO! FAX AMIG@ JÁ? EL@ 583 PASSAR.
ESPERAR VOCÊ.
Vi, agora mesmo, a minha Ontem você já Ônibus número 583
amiga passar, mas ela não passou o fax para PASSA na sua casa.
me viu! seu amigo? Ele
estava te
aguardando.
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42
ACABAR
ÁGUAR ACABAR
PRECISAR COMPRAR QUERER-NÃO-SABER ACABAR! EL@-2
OUTRA-VEZ. NAMORO-
ACABAR.
A água acabou. É O namoro
preciso Não quero saber! Acabou! deles
comprar acabou.
novamente.
DEMITIR
VOCÊ FALTAR-UMAS-VEZES CHEFE
DEMISSÃO EU-PEDIR PODER 3Sdemitir2s.
Você faltou algumas vezes, o chefe
Eu pedi demissão. pode demiti-lo.
RECEBER
EL@ RECEBER-SALÁRIO VOCÊ RECEBER CARTA ME@ JÁ?
Ele recebeu o Você já recebeu a minha carta?
pagamento
(salário)
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INFORMAR/ INFORMAÇÃO
DIRETORIA INFORMAR SEDPcD CURSO LIBRAS EU PROCURAR
AMANHÃ CASA^ESTUDO INFORMAR.
FECHAD@.
A diretoria informou que a escola Vou procurar informações sobre o Curso
vai ficar fechada amanhã. de Libras na SEDPcD
ESPERAR
EU ESPERAR VOCÊ. ESPERAR POUC@!
Estou esperando por você Espere só um pouquinho!
CINEMA EU ESPERAR VOCÊ 2-HORA.
Esperei por você no cinema durante duas horas.
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VERBOS QUE POSSUEM MARCAS DE CONCORDÂNCIA
Os Verbos que possuem concordância número pessoa, a
orientação do movimento marca as pessoas do discurso. O Ponto
inicial concorda com o sujeito e o final com o objeto. Com já se pode
conhecer as pessoas do discurso a partir da orientação, geralmente
não se utiliza os pronomes pessoas com esse tipo de verbo.
Exemplos:
1sPERGUNTAR2s 2sPERGUNTAR1s
Eu pergunto a você Você me pergunta
3sPERGUNTAR3s 3sPERGUNTAR3p
Ele/ela pergunta para ele Ele/ela pergunta para eles
1sAVISAR2s
Eu aviso para você
2sAVISAR1s
Você me avisará
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1SABANDONAR2s 2SABANDONAR1s
Eu abandono você Você me abandonará
1sAJUDAR2s
Eu ajudo você
2sAJUDAR1s
Me ajudar
1sENSINAR2s 2sENSINAR1s
Ensino você Você me ensinar
2sEMPRESTAR1s 1sEMPRESTAR2s
Me emprestar Eu te emprestarei
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46
1sENGANAR2s
Engano você
2sENGANAR1s
Engana me
EXEMPLOS:
AMANHÃ FLOR+ 1sDAR2s 1sAMAR2s.
CANETA 2sDAR1s AINDA-NÃO.
PASTA V-A-I 3sDAR3s PROFESSOR@.
FILH@ ME@ 3pDAR-PRESENTEARmuito3s EU FELIZMUITO!
VERBOS QUE NÃO POSSUEM MARCAS DE CONCORDÂNCIA
COMER APRENDER
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47
DESEJAR TRABALHAR
ENTENDER
BEBER
BISBILHOTAR
EXEMPLOS:
PROFESSOR@ FEBRE ACONTECER?
CURSO LIBRAS VOCÊ DESISTIR NÃO, POR FAVOR.
FACULDADE VOCÊ QUERER? VESTIBULAR PROVA TENTAR
V-A-I?
BOLO EU FAZER DELICIOS@ VOCÊ-QUER EXPERIMENTAR?
PARTICIPAR OFICINA LINGUÍSTICA VOCÊ INTERESSAR? V-A-I GOSTAR!
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48
ADVÉRBIOS DE MODO INCORPORADOS AOS VERBOS
Alguns verbos na Libras podem incorporar, através de uma
mudança no seu movimento, um advérbio de modo e/ou um aspecto
verbal que acrescenta essa informação à ação verbal. exemplos:
DEVAGAR
LENTAMENTE
VELOZ/VELOZMENTE/PRECIPITADAMENTE (1)
VELOZ/VELOZMENTE/PRECIPITADAMENTE (2)
VELOZ/VELOZMENTE/PRECIPITADAMENTE (3)
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49
RÁPID@ ANDARnormal
ANDARrápido ANDARrapidamente
ANDARdevagar ANDARlentamente
EXEMPLOS:
1.
EL@ PÃO COMERdevagar.
2.
HOMEM LIVRO LERrápido.
3.
MULHER ESCOVAR-DENTElentamente
4.
EL@ PENTEAR-CABELOnormal.
5.
MENINA PAPEL RASGARrapidamente.
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50
EXPRESSÕES E ADVÉRBIOS DE TEMPO/FREQUÊNCIA
Na Libras, existem algumas expressões especificas para
representar frequência de uma ação e algumas são expressões
idiomáticas:
- NUNCA, N-U-N-C-A, NUNCA-VI,
- FREQUENTE e FREQUENTEMENTE possuem a mesma configuração
de mão, mas para a segunda ideia que tem o aspecto contínuo, o
sinal é feito repetidamente;
- SEMPRE (CONTIUNAR) E MESM@ possuem a mesma configuração de
mão, mas para o primeiro há um movimento para frente do
enunciador, enquanto o segundo fica no mesmo ponto de articulação
inicial;
- MESM@^IGUAL é um sinal composto formado pelo sinal MESM@
mais o sinal IGUAL, com o sentido de “sempre”, “mesa coisa”.
N-U-N-C-A (1)
N-U-N-C-A (2)
NUNCA-MAIS (1) NUNCA-MAIS (2)
NUNCA-VER (1)
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51
NUNCA-VER (2)
COM-FREQUENCIA SEMPRE
CONTINUAR/ AINDA
FREQUENTEMENTE (1) FREQUENTEMENTE (2)
FREQUENTAR (1) FREQUENTAR (1)
AINDA (FALTA MAIS)
MESM@-LUGAR MESM@/ MESM@-COISA (1)
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52
MESM@-COISA (2)
MESM@-IGUAL
EXERCÍCIO 04 ( https://youtu.be/mIU37QgMrBk )
Complete as lacunas nas frases abaixo com os sinais que o
professor está apresentando no vídeo:
a. COMO PORQUE
b. EU ASSOCIAÇÃO EU-IR. !
c. CASA .
d. SURD@ TRABALHAR !
e. VIAJAR .
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53
A FORMA CONDICIONAL ‘S-I’ (SE)
Na Libras, a frase na forma condicional é iniciada por um sinal
soletrado S-I que estabelece essa relação de condição:
S-I ( SE )
a) PRAIA VOCÊ IR HOJE?
b) S-I CHOVER NÃO, EU IR.
a) VOCÊ QUER COMPRAR CARRO ME@?
b) S-I DINHEIRO CONSEGUIR, 1sAVISAR2s.
a) EU-CASAR QUERER VOCÊ?
b) S-I VOCÊ DINHEIRO TER MUIT@, V-O-U CASAR.
a) VAMOS APOSTA CORRER?
b) S-I VOCÊ CORRER GANHAR, V-O-U MATAR!
a) PASSEAR VAMOS?
b) S-I VOCÊ PAGAR SORVETE PARA-MIM, V-O-U.
a) SE@ BOCA LIND@, PODER ME-AJUDAR?
b) S-I VOCÊ ESCOVAR-DENTES JÁ. EU PODER BEIJAR.
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54
PRIMEIRA ESCOLA DE SURDOS NO BRASIL
Fachada do INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos
O atual Instituto Nacional de Educação de Surdos foi criado em meados
do século XIX por iniciativa do surdo francês E. Huet, tendo como
primeira denominação Collégio Nacional para Surdos-Mudos, de
ambos os sexos.
Em junho de 1855, E. Huet apresentou ao Imperador D. Pedro II um
relatório cujo conteúdo revelava a intenção de fundar uma escola
para surdos no Brasil. Neste documento, também informou sobre a
sua experiência anterior como diretor de uma instituição para surdos
na França: o Instituto dos Surdos-Mudos de Bourges.
Era comum que surdos formados pelos institutos especializados
europeus fossem contratados a fim de ajudar a fundar
estabelecimentos para a educação de seus semelhantes. Em 1815,
por exemplo, o norte-americano Thomas Hopkins Gallaudet (1781-
1851) realizou estudos no Instituto Nacional dos Surdos de Paris. Ao
concluí-los, convidou o ex-aluno Laurent Clérc, surdo, que já atuava
como professor, para fundar o que seria a primeira escola para surdos
na América. A proposta de Huet correspondia a essa tendência. O
governo imperial apoiou a iniciativa de Huet e destacou o Marquês de
Abrantes para acompanhar de perto o processo de criação da
primeira escola para surdos no Brasil.
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55
O novo estabelecimento começou a funcionar em 1º de janeiro de
1856, mesma data em que foi publicada a proposta de ensino
apresentada por Huet. Essa proposta continha as disciplinas de
Língua Portuguesa, Aritmética, Geografia, História do Brasil,
Escrituração Mercantil, Linguagem Articulada, Doutrina Cristã e
Leitura sobre os Lábios.
No seu percurso de quase dois séculos, o Instituto respondeu por
outras denominações, sendo que a mudança mais significativa deu-se
no ano de 1957, que foi a substituição da palavra “Mudo” pela
palavra “Educação”. Essa mudança refletia o ideário de modernização
da década de 1950, no Brasil, no qual o Instituto, e suas discussões
sobre educação de surdos, também estava inscrito.
Em razão de ser a única instituição de educação de surdos em
território brasileiro e mesmo em países vizinhos, por muito tempo o
INES recebeu alunos de todo o Brasil e do exterior, tornando-se
referência para os assuntos de educação, profissionalização e
socialização de surdos.
A língua de sinais praticada pelos surdos no Instituto – de forte
influência francesa, em função da nacionalidade de Huet – foi
espalhada por todo Brasil pelos alunos que regressavam aos seus
Estados ao término do curso. Nas décadas iniciais do século XX, o
Instituto oferecia, além da instrução literária, o ensino
profissionalizante. A conclusão dos estudos estava condicionada à
aprendizagem de um ofício. Os alunos frequentavam, de acordo com
suas aptidões, oficinas de sapataria, alfaiataria, gráfica, marcenaria e
artes plásticas. As oficinas de bordado eram oferecidas às meninas
que frequentavam a instituição em regime de externato.
Na década de 1960, nos EUA, com apoio de pesquisas realizadas na
área da linguística, foi conferido status de língua à comunicação
gestual entre surdos. No Brasil, já no final dos anos 1980, os surdos
lideraram o movimento de oficialização da Língua Brasileira de Sinais
– LIBRAS. Em 1993, um projeto de Lei deu início a uma longa batalha
de legalização e regulamentação em âmbito federal, culminando com
a criação da Lei nº 10.436 de 24 de abril de 2002, que reconhece a
Língua Brasileira de Sinais, seguida pelo Decreto nº 5.626, de 22 de
dezembro de 2005, que a regulamenta. Este Decreto contém nove
capítulos dispondo sobre os seguintes temas: a LIBRAS como
disciplina curricular; o ensino da língua portuguesa oferecida aos
alunos surdos como segunda língua; a formação de profissionais
bilíngues; e também a regulamentação do uso e difusão dessa língua
em ambientes públicos e privados.
Vai se consolidando, portanto, a proposta de educação bilíngue.
Nesse sentido, alguns desafios vão sendo postos, como, por exemplo,
promover o ensino bilíngue para sujeitos surdos, que demandam
ensino público de massa, no Instituto Nacional de Educação de Surdos
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56
e nas escolas regulares brasileiras.
O INES tem como uma de suas atribuições regimentais subsidiar a
formulação da política nacional de Educação de Surdos, em
conformidade com a Portaria MEC nº 323, de 08 de abril de 2009,
publicada no Diário Oficial da União de 09
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57
de abril de 2009, e com o Decreto nº 7.690, de 02 de março de 2012,
publicado no Diário Oficial da União de 06 de março de 2012.
Único em âmbito federal, o INES ocupa importante centralidade,
promovendo fóruns, publicações, seminários, pesquisas e assessorias
em todo o território nacional. Possui uma vasta produção de material
pedagógico, fonoaudiológico e de vídeos em língua de sinais,
distribuídos para os sistemas de ensino.
Além de oferecer, no seu Colégio de Aplicação, Educação Precoce e
Ensinos Fundamental e Médio, o Instituto também forma profissionais
surdos e ouvintes no Curso Bilíngue de Pedagogia, experiência
pioneira no Brasil e em toda América Latina.
(texto disponível em https://www.ines.gov.br/conheca-o-ines)
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58
OS SINAIS PARA "MAIS"
São vários os sinais, a partir dos contextos diferentes
acontece o uso dos sinais em Libras para a palavra: "MAIS".
MAIS
MAIS (acréscimo) MAIS (soma)
MAIS (quantidade) MAIS (superlativo)
MAIS (superlativo) MAIS (mais pra lá)
MAIS (exagero) MAIS (falta mais)
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59
EXEMPLOS:
a) SAÚDE NÓS MAIS IMPORTANTE.
"A saúde é para nós a mais importante".
b) SEMANA PASSADA, TRABALHARMUITO, DINHEIRO MAIS CONSEGUIR.
"Na semana passada, trabalhei muito e conseguir mais dinheiro".
c) VOVO ME@ SABER 2 + 2?
"Meu avô sabe quantos são dois mais dois?"
d) SORVETE COMBINAR CALOR. EL@ QUERER MAIS!
"Tomar sorvete combinar com o calor. Ele quer mais!".
e) QUE-ISSO? SAIA CURTA MAIS!
"O que é isso? Sua saia está mais curta!"
f) VOCE MAIS VELH@
"Você é a mais velh@".
g) SAPATO ME@ VELH@ MAIS DO-QUE BOTA.
"Meu sapato é mais velho do que a bota".
h) RUA VOCE ANDAR MAIS-LÁ, VIRAR-DIREITA ANDARcontinua.
"Você anda mais lá na rua e vira para a direita e continua a andar".
i) PÃO ACABAR! PRECISA MAIS FAZER.
"O pão acabou! Precisa fazer mais".
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60
EXERCÍCIO 05
Os alunos deverão observar o texto transcrito por notação de
palavras e realizar a sinalização em Libras (os mais).
PRÁTICAR MAIS... DIA DOS SURDOS
HOJE 7H00 MANHÃ, EU ACORDAR FELIZ MUIT@ POR-QUE HOJE MAIS
IMPORTANTE O-QUE MÊS SETEMBRO AZUL COMEMORAR D-I-A SURD@
DIA 26.
EU IR ARRUMAR-PELO-CORPO-ROUPA MAIS BONIT@, CAMISETA COR
AZUL, CALÇA JEAN AZUL, MEIA AZUL, MAIS TÊNIS AZUL.
ENTÃO
EU IR TOMAR-CAFÉ JUNT@ MULHER^BENÇÃO ME@. PÃO QUEIJO TI@
ME@ FAZER DELICIOS@MUIT@ EU QUERER COMER MAIS.
MASP-TRIANON EU IR ENCONTRAR+ AMIG@ LUGAR EST@ MAIS
TAMBÉM FESTA DIA SURD@ MAS IDADE MAIS 16 PODER PARTICIPAR
IDADE MENOS PAI MÃE RESPONSÁVEL PRECISAR IR-JUNT@.
EU 1SVER3S PONTO-DE-ONIBUS AQUEL@ MAIS MULHER SOZINH@
TRISTE.
EU ANDARMOVER, 1SPERGUNTAR3S POR-QUE VOCÊ TRISTE SOZINH@.
3SRESPONDER1S NAMORAD@ DEL@ QUERER-NÃO FESTA VIR-JUNT@.
ENTÃO
EU 1SFALAR3S 2SIR1S pessoaANDAR
(md)
pessoaANDAR (me)
OLHAR ESS@+ SURD@ TAMBÉM TER MAIS V-A-I SURD@ OUVINTE
VIR+. EL@-VOLTAR FESTA FELIZ.
DE-REPENDE MÚSICA ALT@ FORTE MUIT@ MAIS EU-OUVIDOS-
DORMUITO PARAR NÃO, AH NÃO!
TCHAU+!!! CASA EU IR-EMBORA.
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61
COMPARATIVOS EM LIBRAS
Os Comparativos: Igualdade, Superioridade e Inferioridade
A relação de comparação na Libras pode acontecer em três variações:
superioridade, inferioridade e igualdade.
Para os comparativos de superioridade e inferioridade se usam sinais
específicos para este fim, eles tem a função semântica de estabelecer
a relação comparativa.
Para o comparativo de igualdade, normalmente se faz uso do sinal de
IGUAL ou alguma variação.
VOCÊ MAIS VELH@ DO-QUE EL@
VOCÊ MENOS VELH@ DO-QUE
EL@ VOCÊ-2 BONIT@ IGUAL
IGUAL (1) IGUAL / IGUALDADE (2)
SUPERIORIDADE (1) SUPERIORIDADE (2)
INFERIORIDADE 2sDO-QUE1s / 1sDO-QUE2s
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62
EXEMPLOS:
EL@ MAIS FUMAR 3sDO-QUE2s.
CARNE SABOROS@ DO-QUE FRANGO.
PROFESSOR@ SALÁRIO MAIOR 3sDO-QUE1s.
SOGR@ MAIS GORD@ 3sDO-QUE3s P-A-I.
IRM@ ME@ MAGR@ GENRO IGUAL.
EL@ EMPRESA DIRETOR@ SUPERIOR P-A-I ME@ TRABALHAR
INFERIOR.
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63
OS VALORES MONETÁRIOS
A representação dos valores monetários em Libras pode
acontecer com o acréscimo do sinal referente à moeda após o valor,
ou ainda com a incorporação de movimento em valores baixos.
DINHEIRO REAL UM-REAL
CINCO-REAIS DEZ REAL/REAIS
CINQUENTA REAL/REAIS
CEM REAL/ REAIS
QUINHENTOS REAL/ REAIS
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64
MIL CINCO-MIL DEZ MIL
UM-MILHÃO MOEDA/CENTAVO BANCO
CHEQUE CARTÃO
DINHEIRO-BARAT@ DINHEIRO-CAR@ (1)
"muito barato " "muito caro"
DINHEIRO-CAR@ (2)
"muito caro"
DEPOSITAR SAQUE
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65
EMPRÉSTIMO DESCONTO
JUROS (J-U-R-O) AUMENTO
PORCENTAGEM PAGAR
PAGAR- Á-VISTA PAGAR-A-PRAZO / ALUGUEL
PROMOÇÃO PRESTAÇÃO
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ALIMENTOS
ARROZ FEIJÃO (1)
FEIJÃO (2)
CARNE FRANGO
PEIXE LINGUIÇA
PERU
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67
LEGUMES
VERDURAS
MANDIOCA ALFACE
BERINJELA
BRÓCOLIS ALCACHOFRA
MILHO
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68
ABOBORA
ABÓBORA MORANGA
AGRIÃO
ALHO
CEBOLA
REPOLHO TOMATE
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69
COGUMELO BETERRABA QUIABO
CHUCHU
ERVILHA ESPINAFRE
BATATA PALMITO
PIMENTA PIMENTÃO
FRUTAS = MAÇÃ^VÁRI@
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70
ABACAXI ABACATE
MAÇA BANANA
MAMÃO CARAMBOLA
MORANGO MANGA
CAJU UVA
ACEROLA AMEIXA
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71
EXEMPLOS:
CASA EU COMPRAR EU PAGAR-À-VISTA JÁ.
EU QUERER CONHECER LOJA QUALQUER VENDER ROUPA
DINHEIRO^POUC@?
DIRETOR@ ME@ ZANGAD@muito EU FALTAR TRABALHAR SALÁRIO
ME@ DESCONTAR.
ESPERAR POUC@ BANCO EU IR DINHEIRO DEPOSITAR SOBRINH@ ME@.
CARNE VOCÊ COMER?
CHURRASCO VOCÊ GOSTAR?
COZINHAR SE@ ESPOS@ SABER?
ONTEM VOCÊ FAZER COZINHAR O-
QUE?
VOCÊ BEBER ALCOÓLICA, S-U-C-O OU REFRIGERANTE?
ARROZ FEIJÃO VOCÊ COMER? VOCÊ COMER^MEIO-DIA COMER^NOITE?
EU PRECISAR ARROZ, FEIJÃO, MILHO, BATATA, CENOURA, A-L-H-O,
CARNE, FRANGO, O-V-O, MANTEIGA. VOCÊ COMPRAR O-QUÊ?
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72
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002.
CAPOVILLA, F.C.; RAPHAEL, W.D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado
Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira. Volume I: Sinais de A a L.
EDUSP. São Paulo, 2001.
CAPOVILLA, F.C.; RAPHAEL, W.D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado
Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira. Volume II: Sinais de M a Z.
EDUSP. São Paulo, 2001.
CAPOVILLA. F.C.; RAPHAEL, W.D.; MAURICIO, A.C.L. NOVO DEIT-
LIBRAS:
Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais
Brasileira (libras) Baseado em Linguística e Neurociências Cognitivas.
2 vol. Editora EDUSP, 2013
FELIPE, Tanya A; MONTEIRO, Myrna S. Libras em Contexto: curso
básico, livro do professor instrutor – Brasília: Programa Nacional de
Apoio à Educação dos Surdos, MEC: SEESP, 2001
Fonologia da língua de sinais: Livro Base: Língua de Sinais Brasileira -
Ronice Muller de Quadros e Lodenir Becker Karnopp.
FELIPE, T. A. Introdução À Gramática de LIBRAS - Rio de Janeiro: 1997.
FELIPE, T.A. O Signo Gestual-Visual e sua Estrutura Frasal na Língua dos
Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros. Dissertação de Mestrado, UFPE,
PE, 1988.
FRAZÃO, N. F. Associação de Surdos de São Paulo: Identidade Coletiva e
Lutas Sociais na cidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado, USP.
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