SUJEITO PASSIVO:
De acordo com o Art 13º nº1, a/o ___ é uma pessoa singular, solteira e
residente fiscal em Portugal – Art 15º nº1 e Art 16º, logo, o IRS incidirá sobre a
totalidade de rendimentos que auferir, sejam estes obtidos dentro ou fora do
território português.
CATEGORIA A – RENDIMENTO DO TRABALHO DEPENDENTE
1. Qualificação do Rendimento
ART 2º – rendimentos pagos ou colocados à disposição do titular, por razão
do trabalho prestado, sob a direção de outrem – existindo um contrato – ou
em conexão com o trabalho prestado - gratificações. É tudo aquilo que o titular
receba em razão do seu trabalho, em dinheiro ou espécie, ou sob a forma de
qualquer outra vantagem.
ART 2º – A – excluí os rendimentos que poderiam ser aqui considerados.
2. Apuramento do Rendimento Líquido
RL = RB – Deduções Específicas (ART 25º)
Apura-se o RL da categoria A, deduzindo ao RB as deduções específicas
previstas no ART 25º.
Segundo o ART 25º, Nº1, AL. a) aplica-se a dedução específica de
quantitativo fixo de €4104. Porém, caso o montante das contribuições
obrigatórias à SS (11% do RB) seja superior a €4104, a dedução será pelo
montante total dessas contribuições. Caso o contribuinte aufira rendimentos da
Categoria A inferiores a €4104, então há isenção total do pagamento do IRS.
Desta forma:
- os rendimentos mais baixos são considerados isentos, há isenção total –
RL = 0;
- os rendimentos baixos e médios beneficiam de uma dedução que não
depende da comprovação de custos ou gastos – DE = €4104;
- os rendimentos mais elevados deixam de ter qualquer benefício, porque
o indivíduo para a deduzir o que efetivamente gastou ( contribuições SS) – DE =
11% do RB.
3. Fase Sintética
Nesta categoria, o englobamento é obrigatório – ART 22º, pelo que segue a
regra geral o CIRS e após a soma de todos os rendimentos, das diferentes
categorias, aplicam-se as taxas progressivas que constam na tabela do ART 68º.
E são considerados rendimentos tributáveis quando estes são pagos ou
efetivamente colocados à disposição do titular.
CATEGORIA B – RENDIMENTOS EMPRESARIAIS E PROFISSIONAIS
1. Qualificação do Rendimento
ART 3º, Nº1 – os rendimentos resultantes do exercício da atividade
mencionada enquadram-se na categoria B, ART 3º, nº1, al. E ainda o ART 4º que
vem dar tipicidade ao ART 3º, Nº1, AL. a).
ART 3º, Nº2 – são rendimentos prediais – gestão empresarial, de capitais e
mais-valias que são atraídos – princípio da atração – para a categoria B,
quando obtidos em conexão com a atividade de natureza empresarial ou
profissional.
2. Apuramento do Rendimento Líquido
RL = Lucro (ART 28º)
Segundo o ART 28º, o RL pode ser apurado de duas formas:
- pelo regime simplificado ART 31º – regime residual que espelha a
estrutura de custos típica das diversas atividades – sujeitos passivos que
obtenham rendimentos da categoria B que não exceda o valor de €200.000 ficam
sujeitos a este regime, salvo se optarem pelo regime da contabilidade
organizada;
RL = Lucro Presumido (os gastos são presumidos – segundo os coeficientes)
- pelo regime da contabilidade organizada ART 32º e ART 104º CRP – é
opcional quando o sujeito passivo exercer essa opção, ou é obrigatório quando
em dois exercícios consecutivos o titular ultrapassar o limite de rendimentos
previsto no ART 28º, Nº2 – 200.000 – ou se num só exercício ultrapassar mais de
25%, ART 28º, Nº6 – 250.000;
RL = Lucro Real = Proveitos – Gastos + Variações patrimoniais
positivas
Nota: se acredito que os meus custos são superiores à presunção de custos
da minha atividade – coeficiente, então vou preferir optar pelo regime da
contabilidade, porém tenho de ter em consideração que vou ter o custo
associado do ROC.
Regime simplificado híbrido – ART 31º, Nº13 os rendimentos das alíneas
b) e c), para poderem beneficiar totalmente do coeficiente, têm de demonstrar
que suportam custos de pelo menos 15% do valor dos rendimentos.
3. Fase Sintética
Nesta categoria, o englobamento é obrigatório – ART 22º, pelo que segue a
regra geral o CIRS e após a soma de todos os rendimentos, das diferentes
categorias, aplicam-se as taxas progressivas que constam na tabela do ART 68º.
E são considerados rendimentos tributáveis quando é obrigatória a emissão de
fatura, ou, quando esta não é obrigatória, quando o rendimento é pago ou
colocado à disposição do titular.
CATEGORIA E – RENDIMENTOS DE CAPITAL
1. Qualificação do Rendimento
ART 5º – os rendimentos de capital dizem respeito a rendimentos derivados
da aplicação do capital – juros, dividendos (que resultam de investimento a risco)
e outros rendimentos.
2. Apuramento do RL
RL = RB, em regra
Os rendimentos de capitais, quando são colocados à disposição do titular, já
foram tributados em retenção na fonte, uma vez que são sujeitos a taxas
liberatórias – ART 71º, que apresentam caráter liberatório – os titulares já se
encontram livres do pagamento, da declaração dos rendimentos e do
englobamento. Pelo que não existem, em regra, deduções.
A única exceção ocorre nos dividendos, pois se o titular optar pelo
englobamento, este irá considerar apenas 50% do rendimento, de forma a
atenuar a dupla tributação, uma vez que incidem sobre os dividendos dois
impostos – o IRC (uma vez que os dividendos são fruto do lucro da pessoa
coletiva) e o IRS – ART 40º – A.
3. Fase Sintética
Os rendimentos desta categoria encontram-se sujeitos a taxas liberatórias
– ART 71º, tipicamente a 28% – que funcionam por retenção na fonte a título
definitivo – substituição fiscal total, e onde o efeito liberatório é total – o
titular encontra-se livre do pagamento, da declaração do rendimento e do
englobamento.
Porém o titular pode optar pelo englobamento – ART 71º, Nº 9 – regra que
apresenta vantagem no caso dos dividendos. Optando pelo englobamento, o
titular é obrigado a englobar todos os rendimentos da categoria – ART 22º, Nº5 –
o valor a englobar corresponde ao rendimento antes de sujeito à taxa liberatória,
e tem como consequência a alteração da natureza da retenção na fonte – ART
71º, Nº10 que passa a ter natureza de pagamento por conta do imposto devido a
final.
E são considerados rendimentos tributáveis, normalmente, quando ocorre o
vencimento do direito ao rendimento. Porém, no caso dos dividendos – que só
acontecem caso a AG assim o decida – estes estão sujeitos a tributação quando
são colocados à disposição do titular.
Nota: nesta categoria não há reporte de prejuízos
CATEGORIA F – RENDIMENTOS PREDIAIS
1. Qualificação do Rendimento
ART 8º – as rendas provenientes do arrendamento são tributadas na categoria
F.
Contudo o Nº1 afirma que o titular pode optar pela empresarialização –
arrendamento como atividade empresarial – princípio da atração –, pelo que os
rendimentos passam a ser considerados na categoria B – ART 4º, Nº1, AL. n). A
única desvantagem é a sujeição desses rendimentos ao englobamento e às taxas
progressivas previstas no ART 68º.
2. Apuramento do RL
RL = RB – Deduções Específicas (ART 41º)
Qualquer gasto efetivamente suportado para obter os rendimentos é
dedutível, exceto – gastos de natureza financeira, depreciações, e os relativos a
mobiliário, eletrodomésticos, de conforte e decoração – pela dificuldade de
controlo do destino – ART 41º, Nº1.
São ainda dedutíveis o IMI, com o objetivo de forma a atenuar a sua dupla
tributação – IMI e IRS, bem como os gastos de conservação e manutenção nos 24
meses anteriores ao arrendamento, desde que não tenha existido outra utilização
que não o arrendamento.
Mas se optar pela categoria B:
RL = Lucro (ART 28º)
Será apurado pelo regime da contabilidade – lucro real – opcional ou
obrigatório – ou pelo regime simplificado – ART 31º, Nº1, AL. b) e Nº4 – 0,95 *
resultado positivo de F (ART 41º).
Notas: normalmente, quando se opta pela empresarialização, muito
provavelmente irão optar pelo da contabilidade, porque o simplificado apresenta
gastos presumidos de apenas 5%.
E deixo de ser senhorio e passo a ser empresário, pelo que quando vender
esse imóvel, as mais valias vão ser qualificadas na categoria B – rendimento
empresarial. Pelo que se penso em vender o imóvel num futuro próximo, então é
melhor manter-me na categoria F – onde a mais valia é considerada na categoria
G.
3. Fase Sintética
Os rendimentos da categoria F são sujeitos a uma taxa especial – ART 72º,
habitualmente 28% – mas se habitacionais 25%, podendo ainda diminuir em
função do contrato de arrendamento. Estas taxas não funcionam por RF, pelo que
não liberam da declaração, nem do pagamento, apenas liberam do
englobamento.
Porém o titular pode optar pelo englobamento – ART 72º, Nº 13.
CATEGORIA G – INCREMENTOS PATRIMONIAIS
1. Qualificação do Rendimento
ART 9º é uma norma residual - os incrementos patrimoniais são mais
valias, indemnizações de reparação de danos não patrimoniais, ou acréscimos
patrimoniais não justificados.
Onde existem dois tipos de mais valias:
- mais valias imobiliárias – ART 10º, Nº1, AL. a)
- mais valias mobiliárias – ART 10º, Nº1, AL. b) – como partes sociais,
ações, obrigações ou instrumentos financeiros.
2. Apuramento do RL
Mais-valia = valor de realização – (valor de aquisição * coeficiente de
correção monetária) + despesas com aquisição e com a alienação +
encargo de valorização (ART 43º)
Valor de realização – ART 44º
Valor de aquisição – ART 46º
Correção monetária – ART 50º - ajustar a desvalorização da moeda
Despesas e encargos – ART 51º
3. Fase Sintética
As mais valias imobiliárias – ART 10º, Nº1, AL. a), c) e d) – vão
obrigatoriamente ao englobamento, mas apenas 50% é sujeita a imposto -
ART 43º, Nº2, AL. b);
As mais valias mobiliárias – ART 72º são tributadas à taxa especial de 28%,
que não funciona por retenção na fonte, pelo que não liberam o contribuinte da
declaração, nem do pagamento, apenas liberam do englobamento.
Porém o titular pode optar pelo englobamento – ART 72º, Nº 13, mas nas
micro e pequenas empresas não cotadas na bolsa de valores são apenas
considerados em 50% - ART 43º, Nº3.
Nota: Princípio da realização - as mais valias apenas são tributadas quando
no momento da alienação, isto é quando são realizadas.
Este princípio gera o efeito da concentração – no ano da realização a taxa
progressiva tende a disparar e o sujeito passivo pagará mais imposto do que
aquele que pagaria se a tributação acontecesse anualmente por exemplo.
E o efeito de imobilização – sabendo que vão ser sujeitos a uma tributação
elevada os sujeitos tendem a não alienar os bens.
CATEGORIA H – PENSÕES
1. Qualificação do Rendimento
ART 11º – a categoria H corresponde a prestações a título de pensões de
reforma, velhice, invalidez ou sobrevivência.
2. Apuramento do RL
RL = RB – Deduções Específicas
ART 53º prevê uma dedução de €4104 ao valor anual de rendimentos, desta
forma as pensões mais reduzidas não ficarão sujeitas ao pagamento do imposto,
enquanto as restantes pensões vão ser sujeitas ao imposto apenas parcialmente
– pelo que à medida que o valor da pensão aumenta, menor é o benefício fiscal
aplicado ao contribuinte.
3. Fase Sintética
As pensões estão sujeitas ao englobamento obrigatório. Salvo as pensões
de alimentos, que são tributadas à taxa especial de 20%, porém apresentam a
opção pelo englobamento.
Alojamento Local é, caracteristicamente, uma atividade empresarial pelo
que o lucro obtido é tributado pelas regras da categoria B. Porém o legislador
aceitou que estes rendimentos possam ser tributados segundo as regras da
categoria F, caso o titular assim o opte – ART 28º, Nº14.
Assim, serão aplicados dois regimes relativo à mais valia:
- categoria G relativamente à valorização do prédio desde o momento de
aquisição até à data em que foi afeto à atividade empresarial;
- categoria B desde a data que foi afeto à atividade empresarial até à data de
desafetação – momento em que deixa de ser colocado no mercado de
arrendamento.