FD-UCP Direito Fiscal
COMO CALCULAR O IRS
Lições do Prof. Dr. Sérgio Vasques
IAS (valor transitório devido ao OE 2010) = € 475
Arredondamentos: não fazer, considerar apenas 2 casas decimais.
1. Apurar a incidência subjectiva: quem é o contribuinte/sujeito passivo. Ver a
incidência pessoal (art. 13 e ss. do CodIRS).
1.1. aferir se o contribuinte é ou não residente em Portugal; quer os residentes
quer os não residentes podem estar obrigados ao pagamento de IRS.
1.1.1. O IRS dos residentes incide sobre a totalidade do rendimento (world-
wide income). A dupla tributação é possível, e resolve-se com acordos de
dupla tributação.
1.1.2. O IRS dos não residentes: o não residente apenas paga imposto pelo
que recebe em Portugal.
1.2. aferir qual é o agregado familiar do contribuinte (art. 13/3 do CodIRS).
1.2.1. o agregado pode não existir.
1.2.2. o agregado pode existir e ser constituído nos termos do art. 13/3.
2. Apurar a incidência objectiva: quais os rendimentos sujeitos a tributação? Art. 1 e
ss. do CodIRS.
2.1. que categorias de rendimentos é que o contribuinte ou o agregado auferem?
São as categorias contidas no art. 1.º do CodIRS.
2.1.1. Categoria A: Rendimentos de trabalho dependente (art. 2.º):
trabalhadores por conta de outrem, administradores de empresas,
rendimentos que não sejam salário (prémios, bónus).
2.1.2. Categoria B: Rendimentos empresariais e profissionais (art. 3.º):
rendimentos de trabalhadores independentes e de empresários –
nomeadamente comerciantes –, de agricultores.
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2.1.3. Categoria E: Rendimentos de capitais (art. 5.º): a técnica legislativa foi
de adoptar uma definição flexível e elástica. Os mais importantes são os
juros (nomeadamente, de depósitos bancários) e os lucros distribuídos aos
sócios.
2.1.4. Categoria F: Rendimentos prediais (art. 8.º): o rendimento predial
típico são as rendas.
2.1.5. Categoria G: Incrementos patrimoniais (art. 9.º): o mais importante
são as mais valias (art. 10.º) e os incrementos patrimoniais não justificados
nos termos da LGT (art. 89-A da LGT).
2.1.6. Categoria H: Pensões (art. 11.º): a forma prototípica de pensão são as
pensões de reforma.
2.2. o rendimento tributável é o líquido, por força do princípio da capacidade
contributiva. É preciso por isso proceder às deduções específicas (antes
deduziam-se os abatimentos, que deixaram de existir):
2.2.1. deduções específicas da categoria A (art. 25.º). Os trabalhadores
dependentes, via de regra, não têm despesas necessárias para angariar o
seu rendimento. Apesar disso, o CodIRS admite sempre a dedução prevista
no n.º 1/a, de 72%de12*IAS (€4104)
2.2.2. deduções específicas da categoria B (art. 28.º). A tributação pode ser
feita com base na contabilidade organizada (em que se aplica o CodIRC) –
art. 28/1/b; ou com base no regime simplificado, melhor para os pequenos
contribuintes – art. 28/1/a, e art. 31.
2.2.2.1. o regime simplificado funciona com base em dois coeficientes.
Aos rendimentos provenientes das vendas de mercadorias e de
produtos, o coeficiente de 0,20. Aos restantes rendimentos, aplica-se o
coeficiente de 0,70.
2.2.3. rendimentos da categoria E (art. 40): não existem deduções
específicas para os rendimentos desta categoria, pois não existem despesas
para este tipo de rendimentos – são rendimentos passivos.
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2.2.4. deduções específicas da categoria F (art. 41): deduz-se os impostos
sobre imóveis e as despesas de conservação.
2.2.5. categoria G (art. 42), por princípio não há deduções específicas. Pode
haver dedução nas mais-valias (art. 43). As mais-valias estão sujeitas a uma
taxa especial (art. 72/4), pelo que só se fazem as deduções se houver opção
pelo englobamento.
2.2.6. dedução das pensões, categoria H (art. 53): existe uma dedução
padronizada. Se o rendimento anual for inferior ou igual a 72%de12*IAS
(até €4104), não há rendimento líquido.
2.3. depois de ter os rendimentos líquidos, é preciso proceder ao englobamento
(art. 22). Há rendimentos que ficam fora do englobamento (art. 22/3), os dos
artigos 71 e 72. Essencialmente, são rendimento de capitais, rendimentos de
mais-valias e rendimentos auferidos por não residentes. É possível englobar esses
rendimentos (p.ex., art. 71/6). Chega-se ao rendimento líquido global, que é igual
ao rendimento colectável (excçpão do art. 56º-A).
2.4. ao rendimento colectável é aplicada a taxa geral (art. 68), e daí resulta a
colecta.
2.4.1. pode haver necessidade de aplicar o quociente conjugal (art. 69).
Divide-se, antes da aplicação da taxa, o rendimento em duas partes, aplica-
se a taxa e, do produto, multiplicado por dois, resulta a colecta.
2.4.2. o rendimento colectável, quando superior a € 4898, é dividido em
duas partes (e não a meio!): uma igual ao limite do maior dos escalões que
nele (rendimento) couber, à qual se aplica a taxa da coluna B
correspondente a esse escalão; outra, igual ao excedente (remanescente), a
que se aplica a taxa da coluna A do escalão imediatamente superior (em
valor) – taxa marginal.
2.4.3. pode haver recurso ao mínimo de existência (art. 70). Para os
rendimentos das categorias A e H não pode resultar, da aplicação das taxas
do art. 68, a disponibilidade de um rendimento líquido de imposto inferior
ao valor anual da retribuição mínima mensal acrescida de 20% (€ 7.139,20),
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nem qualquer imposto para os mesmos rendimentos, cuja matéria
colectável, após a aplicação do quociente conjugal, seja igual ou inferior a €
1911.
2.5. depois de apurada a colecta, procede-se às deduções à colecta (art. 78). As
deduções nunca dão origem a reembolso de imposto, pelo que não pode resultar
um valor negativo.
2.5.1. deduções com sujeitos passivos – deduções personalizantes (art. 79):
as deduções com sujeitos passivos não depende de despesa efectiva. Visam
adequar o imposto à estrutura do agregado familiar. Fazem-se sempre.
2.5.2. despesas de saúde (art. 82), despesas com educação (art. 83),
despesas com imóveis (art. 85), etc.
2.5.3. por força do art. 78/7, as deduções dos artigos 82 a 85 estão
limitadas.
2.5.4. podem existir deduções com base em benefícios fiscais (artigos 61 e
ss. do EBF, em especial o art. 63). As deduções de benefícios fiscais estão
limitadas pelo art. 88/2 do CodIRS.
Havendo a aplicação do quociente conjugal, as tabelas dos artigos 78 e
88 contemplam apenas 50% do rendimento líquido global, à semelhança
da tabela do art. 68.
2.6. depois das deduções à colecta, apura-se o imposto devido.
3. é preciso subtrair ao imposto devido as retenções na fonte e os pagamentos por
conta.
3.1. a retenção na fonte é um fenómeno através do qual a fonte dos rendimentos
retém o imposto. É um fenómeno de substituição com retenção. Ver os art. 99 e
ss e o Regime Jurídico da Retenção na Fonte, e ainda as Tabelas.
3.1.1. Há excepções das retenção na fonte, no entanto, a regra é subtrair-se
tudo o que se tenha retido na fonte das categorias A e H. Subtrai-se ao
imposto devido tudo o que tiver sido retido na fonte.
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3.1.2. Nem sempre há retenção na fonte da categoria B (rendimentos
empresariais e profissionais). Para que haja retenção na categoria B, a fonte
que paga tem de ter contabilidade organizada.
3.2. no pagamento por conta, não há um fenómeno de substituição, mas é o
contribuinte que antecipa o pagamento do imposto devido. Art. 103.
3.2.1. nos casos, apenas se subtrai ao imposto devido os pagamentos por
conta quando estes sejam indicados (nunca será preciso calculá-los).
4. está calculado o imposto devido a final, ou o montante a haver pelo
contribuinte.
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