Universidade Federal de Pernambuco
Centro de Tecnologia e Geociência
Departamento de Engenharia Química
Curso de Engenharia de Alimentos
Prática N°3
Volumetria de Precipitação – Método de Mohr
Discente: Barbara Freire de Oliveira.
Docente: Monique Adelina Cabral da Silva.
Recife - PE
2022
1. Introdução
Na volumetria utiliza-se uma solução padrão, com a concentração conhecida,
preparada para evitar os erros maiores na análise. Esta solução será utilizada para
titular, por um volume conhecido da concentração da concentração que deseja-se
descobrir. Uma das metodologias de análise analítica mais antigas é a volumetria de
precipitação, que fundamenta-se em reações que formam compostos de baixa
solubilidade e a velocidade de formação de muitos precipitados limita o uso de
reagentes que podem ser usados nas titulações desse método de precipitação. Com
isso, é uma técnica limitada porque muitas reações de precipitação não obedecem a
alguns requisitos primordiais para o sucesso de uma titulação, como por exemplo
estequiometria, a velocidade de reação e visualização do ponto final.
É necessário que a reação ocorra em um período de tempo rápido e que o
precipitado seja consideravelmente insolúvel, para garantir uma menor chance de
erros. Esse método é utilizado para quantificar, na maioria das vezes, os teores de
haletos, que são: cloretos, brometos; bem como o tiocianato e cianeto entre outros.
A volumetria de precipitação também é conhecida como argentimetria ou método
argentométrico pois os seus três principais métodos (método de Mohr, método de
Volhard e método de Fajans) utilizam o AgNO3 como solução padrão.
O ponto final da titulação, da mesma forma que na volumetria de
neutralização, utiliza-a indicadores para evidenciar a mudança na coloração do
titulado indicando o final da titulação. A reação entre o indicador e titulante deve
resultar em uma mudança de cor significativa com o consumo de uma quantidade
desprezível do titulante, e para que isso aconteça, o produto da reação
indicador/titulante deve ser constituído com uma baixa concentração do titulante e o
mesmo deve se apresentar intensamente colorido para que possa ser observado
nesta mínima concentração.
Nesse experimento, foi utilizado o Método de Morh, que é um método
utilizado para determinação de haletos (Cl-, Br e I-), utilizando como titulante o nitrato
de prata (AgNO3) e como indicador solução de cromato de potássio, K2CrO4.
Durante a titulação dos íons Ag+ (do titulante) reagem com os íons do Cl- (da
solução que será titulada) formando o AgCl (cloreto de prata) e o AgCl precipita
primeiro. Quando é chegado o ponto de viragem, o número de equivalência é exato,
então, isso significa que o cloreto reagiu o cátion de prata e qualquer outro excesso
de Ag+ reage com íon CrO2-4 formando o precipitado de Ag2CrO4 evidenciando o
término da titulação. Essa precipitação do AgCl e a do Ag2CrO4 ocorrem em
momentos diferentes, gaças a diferença de Kps entre sólidos. As equações que
representam as reações são:
Ag+(aq) + Cl-(aq) → AgCl(s)
2Ag+(aq) + CrO2-4 (aq) → Ag2CrO4 (s)
Uma das aplicações bastante comuns do Método de Mohr é a determinação
de cloro em água. Logo para esta determinação foi analisado o teor de cloro na
água do prédio de engenharia de alimentos da UFPE, a determinação dos íons de
cloreto nesta água a fim de verificar se encontra-se dentro do teor máximo de
cloreto permitido, que em águas de abastecimento, segundo a OMS é de 250 ppm.
2. Objetivo
Determinar o teor de cloreto na água do abastecimento do prédio de
engenharia de alimento por volumetria de precipitação utilizando o Método de Mohr.
3. Materiais e Métodos
3.1 Materiais
1. Erlenmeyer 125 mL;
2. Erlenmeyer 250 mL (2);
3. Pipeta volumétrica de 10 mL;
4. Pipeta volumétrica de 100 mL;
5. Béquer;
6. Bureta;
7. Balão volumétrico;
8. Pisseta;
9. Solução de NaCl 0,1 mol/L;
10.Solução de K2CrO4 a 5%;
11.Solução de AgNO3 0,1 mol/L.
3.2 Métodos
Inicialmente, pipetou-se 10 mL de da solução de NaCl e depositou-se em um
erlenmeyer de 250 mL, logo depois transferiu-se 100 mL de água destilada para
este mesmo recipiente e adicionou-se 5 gotas do indicador, o cromato de potássio
(K2CrO4). Leva-se essa solução para ser titulada com uma solução de nitrato de
prata (AgNO3) até atingir-se a mudança de coloração, que deve sair de um amarelo
para um vermelho-amarronzado. Em seguida, adicionou-se 100mL da água que se
deseja analisar e as 5 gotas do indicador (cromato de potássio) em um novo
erlenmeyer de 250 mL. Titulou-se essa mistura também com a solução de nitrato de
prata, até a formação do precipitado e a mudança de coloração. Com o objetivo de
minimizar os erros, foi realizado um teste em branco, no qual preparou-se uma
solução de 100 mL de água destilada com 5 gotas do mesmo indicador utilizado
anteriormente, em um erlenmeyer de 150 mL, o mesmo foi titulado com o mesmo
titulante (nitrato de prata) até evidenciar-se a mudança de coloração. Com a
realização desses procedimentos, calcula-se o teor de cloro na amostra analisada.
4. Resultados e Discussão
Realizado os procedimentos para os seguinte métodos mencionados acima,
realizou-se três titulações distintas (branco, padrão e amostra) em triplicata,
realizou-se um média entre os valores e obteve-se os seguintes resultados:
Tabela 1- Médias dos valores obtidos
Padrão 10,1 mL
Branco 0,25 mL
Amostra 3,5 mL
Fonte: Autoria própria
Com esses valores, pode-se realizar os cálculos.
● Cálculo da padronização (1):
C1V1 = C2V2 , sendo 1→ AgNO3 e o 2 → NaCl
C1 x 9,85 = 10 x 0,1
CAgNO3 = 0,102 mol/L
Para calcular o volume de AgNO3, tendo em vista que já descobrimos sua
concentração através dos cálculos anteriores (1), para encontrar seu volume basta
realizar uma subtração entre o volume do branco e o volume da amostra, que é
igual a 3,25 mL. Com esses resultados, pode-se encontrar a concentração da
amostra (Cl-).
● Cálculo da concentração da amostra (2):
C1V1 = C2V2 , sendo 1→ AgNO3 e o 2 → Cl-
0,102 x 3,25 = 100 x CCl-
CCl-= 0,003315 mol/L
● Cálculo da concentração em mol/L para miligramas por litro, já que 1 ppm 1
ppm equivale a 1 mg de soluto por litro de solução aquosa.
m = C x V x MM
m = 0,003315 mol/L x 0,1 L x 35,5 g/mol
m = 0,0118 g para cada 100 mL da amostra.
Em gramas a cada um litro temos:
x = 0,0118 x 1/ 0,1
x = 0,118 g/L, convertendo para mg/L
x = 118,21 mg/L
Com esses resultados pode-se classificar que a amostra de água analisada
apresenta-se dentro dos padrões que a OMS exige, visto que o seu valor foi >250
ppm, que é o valor máximo de cloreto presente na água de abastecimento.
5. Conclusão
Através da realização dos procedimentos da aula prática, pode-se contemplar
como a volumetria de precipitação funciona e porque ela é tão utilizada, devido a
sua facilidade e variedade de íons que pode-se determinar as concentrações.
Observou-se como funciona o Método de Mohr e que através dele, pôde-se
determinar a concentração de íon cloreto na amostra de água e validar que a
mesma estava dentro dos padrões instituídos pela OMS.
6. Bibliografia
BASSET, J.; DENNEY, R. [Link], G. H.;MENDHAN,J.;[Link]álise
Inorgânica Quantitativa. Editora Guanabara S.A.: Rio de Janeiro, 1992.
MENDHAM, J., DENNEY, RC., BARNES, J. D.,THOMAS,M. Análise Química
Quantitativa. 6ª Ed . 2002.
Determinação gravimétrica do Cloreto. Disponível em:
<[Link]
>. Acesso em: 13 de setembro de 2022.
Método de Mohr. Disponível em: <[Link]
Acesso em: 13 de setembro de 2022.
ATKINS, Peter. Princípios básicos de química: Questionando a vida moderna e o
meio ambiente. 3 ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.