NUTRIÇÃO CLÍNICA
Doenças Crônicas Não Transmissíveis – Obesidade
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DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS – OBESIDADE
Nesta aula, estudaremos a etiologia e a fisiopatologia da doença, antes de abordarmos
as classificações e terapia nutricional.
Referências:
• Diretrizes brasileiras de obesidade 2016/ABESO - Associação Brasileira para o Estudo
da Obesidade e da Síndrome Metabólica. – [Link]. - São Paulo, SP.
Definição de obesidade:
• A obesidade, caracterizada pelo acúmulo excessivo ou anormal de gordura no corpo,
configura-se tanto como uma doença crônica não transmissível (DCNT) por si só
quanto como um fator de risco para outras DCNTs.
• Trata-se de uma preocupação de saúde pública, pois além de ser uma doença, é um
fator de risco para outras doenças.
Vigitel, 2006-2021
ANOTAÇÕES
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Analisando de 2006 até 2021, percebe-se um aumento do índice de obesidade no
Brasil. Isso está muito relacionado com o baixo consumo de alimentos in natura e minima-
mente processados, em paralelo ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e ao
sedentarismo.
As Políticas vêm trabalhando para frear essa curva, para que a população consiga ter um
melhor perfil profissional.
A obesidade é multifatorial. Não é questão unicamente genética, tampouco são somente
fatores do ambiente que interferem na obesidade.
As causas da obesidade englobam uma série complexa de fatores genéticos, individu-
ais, comportamentais e ambientais, em que o principal elemento para o aumento da pre-
valência da obesidade nas populações é o ambiente cada vez mais obesogênico.
O ambiente obesogênico é caracterizado pela dificuldade da adoção e da manutenção
de hábitos alimentares saudáveis e de prática regular de atividade física.
No cenário atual, a famosa “vida moderna” vem atrapalhando os hábitos alimentares ade-
quados. A população, de modo geral, tem feito menos refeições em casa, tem se alimentado
mais na rua, tem menos tempo para preparar a sua própria refeição. Isso tudo interfere nos
índices alarmantes relacionados à obesidade.
Sabe-se que vária fases da vida podem influenciar o ganho de peso. Por exemplo, a
gênese da obesidade pode estar relacionada com o período dos primeiros mil dias (janela
de oportunidades), sendo essa fase suscetível a fatores de risco que influenciarão na com-
posição corporal (adipogênese) e na regulação neuroendócrina.
Quando se estuda, de modo aprofundado, a obesidade infantil, percebe-se que alguns
fatores influenciam a gênese da obesidade.
Uma mulher que, durante a gestação, tem o ganho de peso elevado ou já iniciou a ges-
tação com sobrepeso predispõe a criança a nascer:
• com macrossomia fetal (peso elevado);
• com diabetes;
• alteração corporal.
Há, também, estudos demonstrando que, quando a mãe e o pai são obesos, a chance de
a criança se tornar obesa é de 80%.
5m
ANOTAÇÕES
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Portanto, a infância participa na gênese da obesidade. O ambiente no qual a criança é
inserida interfere muito em como o futuro adulto vai se comportar.
No que tange ao aleitamento materno, faz-se necessário destacar que ele é um fator que
influencia na gênese da obesidade, pois a sua interrupção interfere principalmente na ques-
tão de regulação de apetite.
É por meio do leite materno que há a regulação de leptina, de grelina, que são importan-
tes para controlar o apetite.
À medida que a criança vai procurando o seio materno durante a amamentação, é ela
quem faz o controle de volume, de acordo com a sua saciedade. É ela quem escolhe a frequ-
ência das mamadas – e isso vai auxiliando a regulação do apetite. Então, uma criança que é
amamentada interfere na questão hormonal.
Por sua vez, se a criança usa fórmula infantil, como esta é a mesma para todas as crian-
ças e como o volume é o mesmo em todos os horários de refeição, não há tanta influência de
mecanismo de regulação do apetite.
O tempo de sono, na infância da criança, também é um fator que interfere. Estudos reve-
lam que a manutenção e o tempo adequado de sono mantêm o peso adequado da criança.
Patologia = Doença
A obesidade é uma doença – não é um fator de risco. Isso ocorre porque ela provoca
alterações morfológicas e/ou moleculares nos tecidos, que resultam em alterações fun-
cionais do organismo ou em parte dele, produzindo alterações subjetivas (sintomas) ou obje-
tivas (sinais), ocasionando o sofrimento do paciente.
Vários sistemas são acometidos quando há obesidade. Vejamos.
ANOTAÇÕES
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Figura adaptada de Ebbeling CB. Pawlak DB. Ludwig DS. 2002 e Han JC. Lawlor DA. Kimm
SYS. 2010
Obs.: o fator cardiovascular e endócrino são os mais correlacionados à obesidade.
ETIOLOGIA
Além da obesidade relacionada à gênese na infância, há outras situações/fatores que
levam ao desenvolvimento da obesidade:
1. Balanço energético: trata-se da diferença entre o gasto energético e a quantidade de
calorias adquirida, tornando-se positivo quando o consumo de calorias é maior que o gasto
energético.
ANOTAÇÕES
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• O principal fator que leva ao desenvolvimento da obesidade é o balanço energé-
tico positivo.
• Se o indivíduo tem um menor gasto calórico (se não faz atividade física, por exemplo),
isso também é um fator de atividade levado em consideração.
10m
2. Síndromes genéticas causadoras da obesidade. Há mais de 30 relatadas.
• Cada doença genética tem uma explicação diferente em relação à alteração de algum
mecanismo causador do excesso de peso.
• Exemplo: Prader-Willi.
3. Regulação de apetite, mais especificamente os hormônios leptina, neuropeptí-
deo Y e grelina.
• São hormônios que regulam o apetite, apresentando sinais de saciedade.
• No paciente obeso, a sensibilização e a sinalização desses hormônios também estão
alteradas.
Leptina
ANOTAÇÕES
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A leptina é liberada pelos adipócitos. Ela vai atuar no hipotálamo, apresentando as
seguintes sinalizações:
• Aumenta o gasto energético;
• Diminui a ingestão.
Quando o indivíduo está dentro do peso, a leptina, quando for liberada, o cérebro vai
dar a ordem de parar de comer, promovendo a saciedade e a manutenção de peso – home-
ostase adequada da leptina.
ANOTAÇÕES
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O paciente obeso tem excesso de tecido adiposo, com vários adipócitos circulando. Teo-
ricamente, como a leptina é liberada por aquele tecido, imaginar-se-ia que teria muita leptina
circulando, logo o sinal de saciedade seria efetivo.
Porém, o fato de o paciente estar acima do peso, num contexto inflamatório, o excesso
de tecido adiposo causa uma resistência à leptina.
Então, a resposta dada ao hipotálamo para parar de comer não acontece no paciente
obeso. Há uma alteração na sinalização.
O paciente com excesso de peso libera leptina, mas quando esta vai ao hipotálamo
não é bem entendida. O cérebro dá ordem para continuar a comer. Como consequência, a
fome continua.
Há a chamada resistência à leptina, quando o indivíduo apresenta o excesso de
tecido adiposo.
Neuropeptídeo Y
Trata-se de um hormônio que também faz parte do controle de peso, pois interfere na
ingestão alimentar.
ANOTAÇÕES
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Esse hormônio atua no hipotálamo da mesma forma que a leptina. Ele:
• Dá o comando de ingestão da alimentação;
• Aumenta a concentrações séricas de insulina;
• Reduz a atividade simpática (reduz o gasto energético e aumenta o triglicérides).
15m
O que interrompe esse mecanismo para que não chegue ao contexto de aumento o esto-
que de triglicerídeos e redução de gasto energético? A leptina.
Grelina
Trata-se de outro hormônio que faz parte do controle de fome e de saciedade.
Grande parte da grelina é produzida e liberada pelo estômago, atuando no hipotálamo,
no centro da fome.
Quando a grelina vai ser liberada? Quando se tem episódios de hipoglicemia, longos
períodos em jejum.
ANOTAÇÕES
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Antes das refeições, ela estará elevada, pois leva a mensagem ao cérebro de que o
indivíduo precisa comer, de que ele está com fome, fazendo com que ele tenha iniciativa de
procurar por algum alimento.
Após a alimentação, a grelina cai. Tem-se o efeito pós-prandial de redução da grelina. Em
pacientes obesos, isso também não acontece de forma efetiva.
A atuação da grelina pós-prandial está mais relacionada à qualidade da refeição, ou seja,
à distribuição de nutrientes, do que ao volume da alimentação.
Dessa maneira, quando não há uma boa combinação de caloria-proteína-fibra na refei-
ção, a grelina continua elevada, fazendo com que o indivíduo continue se alimentando prin-
cipalmente de alimentos de alta densidade calórica.
Quando se faz um plano alimentar, tem de se preocupar com a composição das refei-
ções, com a distribuição das refeições, com a ingestão de macro e micronutrientes.
DIRETO DO CONCURSO
1. (FUNDATEC/RESIDÊNCIA EM NUTRIÇÃO/2021) Em relação às orientações do Manual
de Atenção às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade no âmbito da Atenção Primária à
Saúde do Sistema Único de Saúde (Ministério da Saúde), analise as assertivas abaixo,
assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A obesidade é simultaneamente uma doença e um dos fatores de risco mais impor-
tantes para outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão
arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares.
( ) O Manual de Atenção às Pessoas com Obesidade no SUS tem suas ações base-
adas na promoção da saúde do usuário com sobrepeso e obesidade e considera
que a perda de peso é o resultado principal do processo de cuidado das pessoas
com obesidade, sendo descontinuado o acompanhamento caso este não ocorra.
( ) A pesquisa Vigitel Brasil-2019 constatou dados importantes em relação à obesida-
de. As principais DCNT (doenças crônicas não transmissíveis) não se relacionam
com o excesso de peso e a obesidade.
20m
( ) A determinação multifatorial do sobrepeso e da obesidade está relacionada ao
modo de vida das populações modernas. Entre suas causas, estão os fatores bio-
lógicos, históricos, ecológicos, econômicos, sociais, culturais e políticos.
ANOTAÇÕES
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A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
a. F – V – F – F.
b. V – F – V – V.
c. V – F – F – V.
d. F – V – V – F.
COMENTÁRIO
(V) A obesidade é uma doença e também um fator de risco.
(F) Neste caso, não se descontinua o atendimento/cuidado/acompanhamento do paciente
que está com sobrepeso ou obesidade. Há diversas estratégias, no próprio SUS, para au-
xiliar na questão comportamental, inclusive.
(F) Vários sistemas (gastrointestinal, cardiovascular, endócrino, musculoesquelético etc.)
são acometidos se há o contexto de sobrepeso e obesidade.
(V) A obesidade é multifatorial. Há vários fatores que podem levar à incidência da obesidade.
2. (IDCAP/Prefeitura de Fundão/Nutricionista/2020) A obesidade é um agravo de cará-
ter multifatorial envolvendo questões biológicas, históricas, ecológicas, econômicas,
sociais, culturais e políticas.
Com relação a esse assunto, identifique as afirmativas a seguir como verdadeiras (V)
ou falsas (F):
( ) O balanço energético positivo, determinante imediato do aumento de peso, acon-
tece quando a energia gasta nas funções vitais é maior do que a energia ingerida.
( ) As principais causas das altas prevalências de obesidade atualmente estão relacio-
nadas com fatores genéticos e endócrinos.
( ) A ocorrência de obesidade dos pais leva a um risco aumentado de ocorrência de
obesidade, chegando a um risco quase duas vezes maior para indivíduos com pai
e mãe obesos.
( ) A transição nutricional, com aumento da obesidade, está ligada às mudanças nos
padrões de consumo de alimentos e às modificações de ordem demográfica e so-
cial, com destaque para o novo papel da mulher na sociedade.
( ) O consumo de alimentos de baixa densidade energética, ricos em açúcares sim-
ples, gordura insaturada, sódio e conservantes é o responsável pelo aumento da
obesidade no mundo.
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Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
a. V, F, V, V, F.
b. V, V, V, F, F.
c. V, V, F, V, V.
d. F, F, V, V, F.
e. F, V, F, F, V.
COMENTÁRIO
(F) O balanço energético positivo vai levar ao excesso de peso e à obesidade. Contudo,
para tornar esse balanço positivo, a energia gasta é menor do que a ingerida.
(F) O próprio enunciado apresentou vários fatores associados à ocorrência da obesidade.
(V) Chega a ser 80%, quando o pai e a mãe estão com sobrepeso e obesidade.
(V) A nova rotina tem, sim, impactado ao processo de ganho de peso e obesidade, pois as
pessoas têm comido menos em casa e optado por refeições, por vezes, de menor qualida-
de nas ruas.
(F) O consumo de alimentos de alta densidade energética, ricos em açúcares simples,
gordura insaturada, sódio e conservantes é o responsável pelo aumento da obesida-
de no mundo.
3. (QUADRIX/SEDF/PROFESSOR SUBSTITUTO/ÁREA NUTRIÇÃO/2021) A respeito da
síndrome metabólica, julgue o item:
A obesidade é caracterizada pelo excesso de adiposidade e pelo acúmulo de gordura
localizada ou generalizada, comprometendo a saúde do indivíduo. Sua causa é unica-
mente genética.
COMENTÁRIO
A causa não é unicamente genérica. Ela é multifatorial.
25m
4. (FUNDEP/HEVV/RESIDÊNCIA EM NUTRIÇÃO/2022) Diversos hormônios estão rela-
cionados com a obesidade, sendo que o tecido adiposo é responsável pela excreção
do hormônio
a. leptina.
ANOTAÇÕES
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b. grelina.
c. somatomedina.
d. TSH.
COMENTÁRIO
a. O hormônio que o tecido adiposo libera é a leptina.
b. Liberada principalmente pelo estômago.
c. Liberada no fígado. Tem que ver com hormônio GH.
d. Tem que ver com avaliação de tireoide.
5. (INSTITUTO AOCP/SESAB/RESIDÊNCIA EM NUTRIÇÃO/ÁREA: SAÚDE DA
CRIANÇA/2020) Paciente, 23 anos, sexo feminino, IMC 32 kg/m², busca acompanha-
mento nutricional para tratamento da obesidade. Na avaliação do estado nutricional,
além da anamnese, foi solicitada uma série de exames, uma vez que a obesidade é
caracterizada como uma doença multifatorial, ou seja, diversos fatores estão envolvi-
dos em sua gênese, incluindo fatores genéticos, psicológicos, metabólicos e ambien-
tais. Considerando que o adipócito é capaz de sintetizar várias substâncias, foi solici-
tada a dosagem de um peptídeo que desempenha importante papel na regulação da
ingestão alimentar e no gasto energético, gerando um aumento na queima de ener-
gia e diminuindo a ingestão alimentar. Assinale a alternativa que apresenta o peptídeo
em questão.
a. Adiponectina.
b. Leptina.
c. Angiotensina.
d. Grelina.
e. Lecitina.
COMENTÁRIO
A leptina participa da “regulação da ingestão alimentar” e do “gasto energético”. É justa-
mente o adipócito que vai liberar a leptina para que ela possa fazer a sua atuação.
ANOTAÇÕES
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GABARITO
1. c
2. d
3. E
4. a
5. b
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Online, de acordo com a aula prepa-
rada e ministrada pela professora Beatriz Abu Silva.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
ANOTAÇÕES
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