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Obesidade

A obesidade é uma doença caracterizada pelo acúmulo EPIDEMIOLOGIA


excessivo de gordura corporal, que produz efeitos
deletérios à saúde. • Desordem nutricional mais impotante nos
países desenvolvidos e em desenvolvimento,
Obs: Prejuízos tais como alterações metabólicas, devido a aumento da sua incidência
dificuldades respiratórias e do aparelho locomotor • Nos Estados Unidos, 60% dos adultos estão
acima do peso ou são obesos. O mesmo perfil
Além de se constituir enquanto fator de risco para atinge 13% das crianças. (2012)
enfermidades tais como dislipidemias, doenças
cardiovasculares, diabetes melito tipo II e alguns tipos Brasil
de câncer.
• Dados recentes da POF 2002/0312 revelaram
A corpulência não é apenas uma enfermidade em si, que cerca de 40% dos adultos no Brasil estão
mas o prenúncio de outras. A morte súbita é mais com excesso de peso, e que 8,9% dos homens
comum naqueles que são naturalmente gordos do que e 13,1% das mulheres são obesos. Nas
nos magros. Hipócrates (460 a.C.-370 a.C.)* mulheres, a ocorrência mais elevada de
excesso de peso é encontrada nos estratos de
O diagnóstico da obesidade é realizado a partir do menor renda. Observando-se ainda
parâmetro estipulado pela Organização Mundial de estabilidade e tendência de declínio nos
Saúde1 - o body mass index (BMI) ou índice de massa segmentos de elevada renda, com exceção da
corporal (IMC), obtido a partir da relação entre peso região Nordeste, na qual a obesidade continua
corpóreo (kg) e estatura (m)² dos indivíduos. Através emergindo.
deste parâmetro, são considerados obesos os indivíduos
cujo IMC encontra-se num valor igual ou superior a 30 Por que estudar obesidade?
kg/m².
A compreensão do comportamento da obesidade no
Brasil mostra-se essencial para a definição de
prioridades e estratégias de ações em saúde pública.
Dessa forma, é necessário que sejam incorporadas
ações direcionadas para a prevenção e controle desse
agravo, assumindo destaque as medidas de educação
em saúde e nutrição em âmbito nacional, assim como
em todos os segmentos da sociedade.

Neste sentido, a garantia dos principais mecanismos de


prevenção/ intervenção da obesidade deve ser
assegurada a todos os indivíduos, incluindo a aquisição
de uma dieta digna sob o ponto de vista qualitativo e
quantitativo, a prática de atividade física de lazer
Na literatura, existe um consenso de que a etiologia da orientada e a assistência multiprofissional para todos os
obesidade é bastante complexa, apresentando um indivíduos
caráter multifatorial. Envolve, portanto, uma gama de
fatores, incluindo os históricos, ecológicos, políticos, MULTIFATORIAL
socioeconômicos, psicossociais, biológicos e culturais8-
10. Ainda assim, nota-se que, em geral, os fatores mais Etiologia e classificação
estudados da obesidade são os biológicos relacionados
ao estilo de vida, especialmente no que diz respeito ao Primaria ou exógena: corresponde a 95% das causas e
binômio dieta e atividade física. tem origem multifatorial e acontece pela interação de
fatores genéticos e ambientais
Tais investigações se concentram nas questões
relacionadas ao maior aporte energético da dieta e na Secundaria: é responsável por cerca de 02 a 05% das
redução da prática da atividade física com a causas, e decorre de alterações genéticas especificas,
incorporação do sedentarismo, configurando o endócrinas, disfunções neurológicas ou ingestão de
denominado estilo de vida ocidental contemporâneo. medicamentos.
Influências históricas e ecológicas Essa adaptação leva o organismo a um novo ponto de
equilíbrio, em que o gasto e a ingestão energética são
A ascensão da obesidade no mundo pode ser inferiores ao normal. Este novo equilíbrio, contudo,
compreendida enquanto resultante do fenômeno da revela-se frágil, e um aumento na ingestão de alimentos
transição nutricional: passagem da desnutrição para a pode levar a um ganho de peso, consequência do
obesidade. Esse processo tem como determinantes as aumento da eficiência metabólica adquirida
mudanças que vêm ocorrendo nos padrões de
há forte influência genética no desenvolvimento da
alimentação e de atividade física das populações se
obesidade, mas seus mecanismos ainda não estão
correlacionam com mudanças econômicas, sociais,
totalmente esclarecidos. Mas já se reconhece que o
demográficas e relacionadas à saúde decorrentes do
apetite e o comportamento alimentar sofrem influência
processo de modernização mundial.
genética e há indícios de que o componente genético
Para Fischler, a modernização das sociedades atue sobre o gasto energético, notadamente sobre a
desencadeou a reordenação do contexto de vida do taxa metabólica basal (TMB). Desordens endócrinas
homem contemporâneo e fez emergir um novo modo como o hipotireoidismo e problemas no hipotálamo,
de vida, no qual a oferta e o consumo de alimentos alterações no metabolismo de corticosteróides,
aumentaram expressivamente e todo tipo de gênero hipogonadismo em homens e ovariectomia em
tornou-se acessível, notadamente devido ao mulheres, síndrome de Cushing e síndrome dos ovários
desenvolvimento de tecnologia alimentar. As policísticos podem ainda conduzir à obesidade.
modificações na alimentação referem-se à crescente
Mutações nos genes de hormônios e neuropeptídeos,
incorporação pela população da denominada “dieta
de seus receptores ou de seus ele mentos regulatórios,
ocidental” ou “dieta moderna”. Esta pode ser
têm sido associadas à obesidade, embora não
caracterizada como uma dieta rica em gordura
explicando as formas mais comuns dessa patologia e os
(principalmente as de origem animal), açúcares e
genes intervêm na manutenção de peso e gordura
alimentos refinados. E, em contrapartida, pela
corporal estáveis ao longo do tempo. Essa influência
quantidade reduzida de fibras e outros carboidratos
advém da participação desses no controle de vias
complexo
eferentes (leptina, nutrientes, sinais nervosos, entre
Por outro lado, a redução da atividade física e a adesão outros), de mecanismos centrais (neurotransmissores
ao estilo de vida sedentário devem-se a alterações na hipotalâmicos) e de vias aferentes (insulina,
esfera do trabalho, do lazer e do modo de vida catecolaminas, sistema nervoso autônomo).
moderno.
A leptina é um hormônio secretado pelo tecido adiposo
No Brasil, também verificaram-se mudanças na dieta e subcutâneo em resposta ao armazenamento de gordura
na atividade física da população. O estudo de Mondini e ou ao excesso de ingestão alimentar, sendo um
Monteiro constatou modificações no padrão de importante marcador da quantidade de teci do
alimentação da população brasileira entre os anos de adiposo.
1961/63, 1975/76 e 1987/88.
A leptina reduz o apetite por inibir a formação de
As modificações observadas referem-se ao menor neuropeptídeos relacionados ao apetite, como o
aporte de carboidratos no consumo energético total e neuropeptídeo Y, e por promover o aumento da
sua substituição por gorduras, principalmente as de expressão de neuropeptídeos anorexígenos, como o
origem vegetal em detrimento das gorduras de origem hormônio estimulante de a-melanócito (a-MSH) e o
animal, o consumo excessivo de açúcar e insuficiente de hormônio liberador de corticotropina (CRH). A
carboidratos complexos e fibras. deficiência congênita desse hormônio é responsável por
1 a 2% dos casos de obesidade mórbida precoce
Fatores genéticos e metabólicos da obesidade Outros fatores envolvidos na gênese da obesidade são a
colecistocinina (CCK), a ghrelina, o neuropeptídeo Y
Nesta direção, a teoria da economia energética vem (NPY) e o peptídeo YY, que são sustâncias envolvidas no
sendo apontada como possível contribuinte para o controle da ingestão alimentar. A CCK e o peptídeo YY
desenvolvimento da obesidade. Segundo esta, em
são liberados pelo trato gastrointestinal e ao nível
situações de adversidades biológicas e sociais em que há cerebral inibem a ingestão alimentar, promovendo a
déficit de energia, o organismo aciona uma série de saciedade após uma refeição. O NPY é sintetizado no
mecanismos metabólicos adaptativos, que visa SNC e estimula a ingestão. A redução nos níveis de
promover a redução no gasto energético como
insulina e leptina ativa os neurônios produtores de NPY
estratégia de sobrevivência.
no hipotálamo, e a leptina inibe sua síntese.
A ghrelina é um hormônio gastrointestinal estimulador Os aspectos genéticos e metabólicos abordados são
do apetite e faz parte dos sistemas de regulação do peso apenas uma parcela diminuta da ampla variedade
corporal. A produção excessiva de ghrelina pode levar à desses aspectos que exercem influência na etiologia da
obesidade. Alterações no controle da liberação dessas e obesidade
de outras sustâncias envolvidas na regulação do balanço
energético, assim provocando disfunções nos sistemas
de regulação do peso corporal por retroalimentação,
podem ocasionar a obesidade.

Aspectos socioculturais e simbólicos Um ambiente competitivo, com altas expectativas da


adequação a um corpo perfeito, pode criar diversos
Em geral, observa-se que dentro da esfera social a problemas de realização pessoal para um indivíduo. As
obesidade recebe duas definições: a de um estado sociedades contemporâneas têm seu comportamento
desviante dos padrões de normalidade na cultura. progressivamente modulado pela mídia, que impõe
Assim, o corpo gordo é considerado fora da norma social ideais de saúde e juventude, difunde conselhos
vigente porque contrapõe o modelo de corpo magro dietéticos, estéticos, desportivos, eróticos e
e/ou musculoso tido como socialmente aceitável. psicológicos. E que, apesar das diferenças raciais e
étnicas, persiste em impor um padrão idealizado e
A outra definição compreende a obesidade enquanto homogêneo de beleza.
um estado patológico, uma doença, em função dos
inúmeros sinais e sintomas da enfermidade, da sua alta Entretanto, o que se vê na mídia enquanto imposição de
relação com outras comorbidades e ainda por valores pode gerar equívocos, já que está nos dispõe
comprometer a qualidade de vida do indivíduo no seu imagens e padrões pouco prováveis de serem
ambiente alcançados, e que desrespeitam as necessidades
singulares de cada indivíduo, distanciando-o do seu
Os fatores psíquicos da obesidade corpo singular, capaz e saudável a seu modo. A postura
atual é a de que a população geral de obesos não
apresenta maiores níveis de psicopatologia, quando
e dentre os prejuízos diversos à saúde associados à
comparada à população geral não obesa.
obesidade estão os aspectos psicológicos, como aqueles
relacionados à imagem corporal que envolve diversos
fatores que se interrelacionam, como os emocionais, de
atitude e perceptuais.
Entretanto, obesos em tratamento apresentam maiores A relação da ascensão da obesidade com a redução do
níveis de sintomas depressivos, ansiedade, transtornos nível de atividade física refere-se às mudanças na
alimentares, de personalidade e distúrbios da imagem distribuição das ocupações por setores e nos processos
corporal. de trabalho com redução do esforço físico ocupacional;
modificações nas atividades de lazer, que passaram de
Existem subgrupos de indivíduos obesos que possuem atividades de elevado gasto energético, como práticas
padrões anormais de alimentação: aqueles que têm o esportivas, para prolongados períodos diante da
transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) e televisão ou computador; da utilização crescente de
os com a síndrome do comer noturno (SCN). O TCAP é equipamentos domésticos com redução do gasto
definido como episódios de compulsão alimentar, com energético da atividade, como, por exemplo, lavar
ingestão de grandes quantidades de alimentos num roupa à máquina no lugar de fazê-lo manualmente; e do
curto espaço de tempo, não seguidos de método uso do automóvel, veículo automotivo para
compensatório. A compulsão alimentar é acompanhada deslocamento
de sentimentos de desconforto físico, angústia,
vergonha e culpa. Esse transtorno ocorre em maior Todas essas modificações contribuem para o aumento
proporção na população obesa, embora esteja presente do comportamento sedentário que desempenha uma
na população com peso normal. Os indivíduos obesos função importante no desenvolvimento da obesidade.
com esse transtorno frequentemente apresentam
imagem corporal negativa, sofrem de angústia Reconhecidamente, dieta e atividade física são
psicológica como baixa auto-estima, depressão, elementos envolvidos na etiologia da obesidade. Nesta
ansiedade, síndrome do pânico e transtornos de direção, para a Organização Mundial de Saúde e o
personalidade Ministério da Saúde no Brasil, a dieta ocidental e o
sedentarismo são os principais fatores de risco para o
A SCN é um transtorno com três características básica: desenvolvimento da obesidade atualmente nas
anorexia matutina, hiperfagia vespertina ou noturna e sociedades modernas.
insônia. Esta síndrome ocorre em resposta a um
estresse circadiano que ocorre primariamente em Outros fatores na etiologia da obesidade
indivíduos obesos, mas também pode ser verificada em
indivíduos com elevado nível de estresse, que quando • Efeitos do estresse no apetite
reduzido acarreta melhoria nos sintomas da síndrome. • Iatrogenia farmaceutica
Esse transtorno está associado à obesidade, depressão, • Redução de sono e produção de melatonina
baixa auto-estima e redução da fome diurna • Disruptores endócrinos
• Aumenta da idade de gravidez
Frente a isso, a inclusão dos profissionais da área da • Obesidade de origem infecciosa
psicologia e da psiquiatria na terapêutica da obesidade • Poluição
mostra-se de fundamental importância
FALANDO MAIS DA FISIOPATOLOGIA
Obesidade e estilo de vida moderno: as implicações da
Embora o cérebro regule primariamente a ingestão de
dieta e da atividade física alimentos como um comportamento, ele baseia-se em
informação do resto do corpo e do ambiente para tomar
O quadro de balanço energético positivo, que favorece a decisão de comer ou não.
o excesso de peso, tem sido relacionado às mudanças
no consumo alimentar, com aumento do fornecimento Estudos seminais estabeleceram o hipotálamo como
de energia pela dieta, e redução da atividade física (foi uma chave para a detecção da fome e organização do
falado antes) comportamento da alimentação. Uma função-chave do
hipotálamo basomedial é a detecção de falhas na
O aumento da ingestão energética pode ser suplementação nutricional, tanto a curto como a longo
consequência da elevação quantitativa do consumo de prazo, e a tradução das mesmas em comportamento.
alimentos46-48 ou de mudanças qualitativas na dieta, Com esse fim, grupos separados de neurônios
no que concerne ao maior consumo de alimentos com quimicamente distintossão sensíveis aos metabólitos e
elevada densidade energética, associados ao hábito hormônios circulantes que sinalizam a disponibi lidade
cada vez mais frequente de comer fora da casa de energia, tais como a leptina, grelina, insulina e
glicose, além dos sinais neurológicos que refletem o
Do gasto energético de um indivíduo, faz parte a
estado nutricional intestinal através do nervo vago e do
atividade física realizada por este, que compreende
tronco cerebral.
todas as atividades voluntárias, como as ocupacionais,
de lazer, domésticas e de deslocamento.
Embora todos os tecidos e células tenham o seu próprio O rombencéfalo preocupa-se principalmente com o
sensor energético evolutivamente conservado e muitas controle da dimensão da refeição, porque possui todos
das necessidades energéticas possam ser cobertas por os elementos necessários para detectar informação
reflexos periféricos, celulares e teciduais autônomos sensorial mediada por aferentes vagais e fatores
sem envolver o cérebro, o hipotálamo deve assim ser circulantes, e gera débito motor associado com a
considerado como um sensor energético máximo que ingestão, digestão e absorção de comida. O sistema
integra as necessidades passadas, atuais e futuras de corticolímbico, consistindo em grandes áreas corticais,
todo o corpo às condições ambientais presentes ou gânglios basais, hipocampo e amígdala, está
esperadas. intimamente conectado ao hipotálamo e tronco
cerebral, e fornece o suporte emocional, cognitivo e
É cada vez mais evidente que a capacidade integrativa executivo para o comportamento alimentar. O
do hipotálamo também é enriquecida pela hipotálamo, através das suas conexões com as outras
intercomunicação com outras zonas do cérebro, como o áreas, é central para a motivação para comer e pode
córtex e o sistema límbico, que se preocupam com o potencialmente modular os órgãos periféricos através
processamento da informação sensorial externa, de fluxo autonômico e endócrino.
controle cognitivo e emocional, e tomada de decisão
com base em recompensas. Mesmo antes de ser IMC, FORMA E COMPOSIÇÃO CORPORAL, E
provada e absorvida, a comida pode ter efeitos RISCO DE DOENÇA
poderosos no cérebro, através de estímulos visuais e
olfativos. Isso é particularmente importante para O tamanho e a forma do paciente podem ser usados
humanos que vivem em um ambiente com elevada para estimar o seu risco de desenvolver doenças
disponibilidade de alimentos e lembretes constantes de crônicas cardiovasculares e outras não transmissíveis.
comida apetitosa através de estímulos condicionados As duas medidas mais disponíveis do tamanho corporal
pela mídia. são a altura e o peso → anteriormente foi dito que o
diagnostico de obesidade é pelo IMC
Além das áreas obviamente envolvidas no
processamento de estímulos visuais, percebeu-se que A adiposidade, definida como a porcentagem de
uma rede de saliência, associada à motivação, desejo e gordura, aumenta como uma função curvilínea do IMC.
anseio por comida, particular mente comida de A massa gorda livre, incluindo a massa dos músculos
elevado teor energético e com bom sabor (também esqueléticos e órgãos viscerais, também aumenta em
referido como “desejo”), consistindo de áreas no córtex relação ao IMC.
frontal, ventral e dorsal estriado, e amígdala, é mais
ativada em indivíduos obesos versus magros A massa ventricular esquerda (VE), incluindo a
espessura da parede do VE e dimensões internas, é
maior com o aumento da adiposidade, particularmente
para um IMC ≥30 kg/m2. Os riscos de hipertrofia VE,
hipertensão, DCV, fibrilação atrial e insuficiência
cardíaca (IC), todos aumentam de acordo com o IMC

O IMC como medida de adiposidade e consequências


para a saúde ao nível individual é frequentemente
desafiado porque a porcentagem de gordura e risco
para qualquer IMC pode ser altamente variável em
relação à idade, sexo, raça/etnia, níveis de condição
cardiovascular e muitos outros fatores do paciente. O
IMC deve ser avaliado como parte da avaliação inicial do
paciente, mas interpretado com o conhecimento de que
a história adicional, exame físico e estudos laboratoriais
são importantes para chegar a uma avaliação do risco e
plano de tratamento precisos

Nem todos os depósitos de tecido adiposo estão


associados com a mesma magnitude de risco de doença
crônica, uma observação que lançou uma busca pela
dimensão corporal e medições da forma com valor
preditivo além do IMC.
A circunferência da cintura é uma medida de tamanho A obesidade e a inflamação crônica
corporal que engloba tecido adiposo subcutâneo e
visceral, alguns órgãos viscerais, músculo esquelético e
osso. Embora altamente correlacionadas com o IMC, as
medições da circunferência da cintura em alguns
estudos adicionam ou excedem o valor preditivo de
risco de doença do IMC isoladamente

Estão disponíveis vários índices de forma adicionais que


incluem medições da circunferência da cintura, os quais
mostram associações melhoradas a partir da
porcentagem de gordura corporal, adiposidade visceral,
riscos de saúde e taxas de mortalidade em relação ao
IMC ou à circunferência da cintura isoladamente. Estes
incluem um “índice de forma corporal” e o “índice de
curvatura corporal”. Outras medidas como a relação
cintura-quadril, cintura-altura e índice de adiposidade
corporal também foram reportados como estando
associados a fatores de risco cardiovascular em alguns
estudos, mas não em outros.
• Hipoxia → modificação da estrutura e • Hipoxia + Resistencia á leptina decorrente da
funcionalidade do tecido adiposo hiperalimentação resultam em hiperleptinemia, que
• Baixa oxigenação → alteração de constituição de induz hiperfagia, redução de gastos energéticos e
macrófagos → sinalizam a produção de adipocinas e ganho de peso
citocinas

• Gordura aumenta A obesidade na infância pode ser considerada de acordo


• Alteração dos ac graxos – aumenta ac portais com o número e tamanho dos tecidos adipócitos
(sistema porta) (hiperplasia e hipertrofia). Na infância é basicamente
• Aumenta açúcar > altera cél beta > diabetes hiperplásica, e no adulto, hipertrófica (ACCIOLY, 2009).
• Aumenta sistema renina, angiotensina,
aumentando aldosterona, retendo sal> Os métodos mais comumente utilizados para
hipertensão diagnosticar sobrepeso e obesidade em crianças são o
• Estado pro trombótico> aumenta coagulação> Índice de Massa Corpórea (IMC) e a idade, pois o IMC
trombose muda respectivamente com a infância, e são
determinados nos gráficos de crescimento de acordo
com os percentis.
OBESIDADE INFANTIL
O aumento descompensado do peso pode levar ao risco
Atualmente a obesidade infantil e considerada um
de desenvolvimento uma série de doenças como:
importante problema de saúde pública, tanto em países
Hipertensão, Diabetes, Problemas Cardiovasculares,
subdesenvolvidos e desenvolvidos. Segundo dados do
sendo que Hipercolesterolêmias e Hiperinsulinismos
Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico (IBGE)
são mais observados em crianças
aferem que no Brasil cerca de três milhões de crianças
menores de 10 anos apresentam excesso de peso. Epidemiologia
Somente 5% são decorrentes de fatores endógenos os
outros 95% vêm da má alimentação (IBGE, 2002-2003). Existiam no Brasil em 1989 cerca de um milhão e meio
A obesidade infantil na criança em sua grande maioria de crianças obesas, sendo que a prevalência era pouco
não está relacionada ao consumo excessivo de maior entre meninas do que entre meninos (5% e 4,8%).
alimentos, mais sim com a ingestão de alimentos
hipercalóricos, ligados ainda ao sedentarismo,
principalmente nas populações urbanas.
Confirmando as teorias ambientalistas da determinação
da obesidade, verifica-se que ela é mais freqüente nas
regiões mais desenvolvidas do país, onde está mais
adiantado o processo de modernização industrial e,
portanto, as mudanças de hábitos que o acompanham.
De forma concordante com tais teorias, evidencia-se
ainda que a obesidade é mais freqüente durante os
primeiros anos de vida, associada a práticas de
desmame precoce e difusão de normas de dietética
infantil incorretas, que estimulam a superalimentação,
chegando a premiar bebês obesos.

Etiologia

A gênese da obesidade infantil e influenciada por


diversos fatores (fisiológicos, genéticos e metabólicos),
mas existe ainda uma inclusão entre obesidade e fatores
ambientais
PIG- pequeno
Fatores de risco
Com estresse intraútero (mae com anorexia, que
• Desmame precoce e alimentação fumava, desnutrida...) → Aumenta cortisol →
complementar inadequada resistência a Gh, insulina e IGF1
• Filho único
• Baixa condição socioeconômica e nível de Os distúrbios da dinâmica familiar, especialmente
escolaridade materna alterações do vínculo mãe–filho, são de grande
• Reduzidas horas de sono relevância para a instalação da obesidade na infância. A
• Ganho de peso da mae durante a gestação e adolescência é um período crítico para iniciar ou agravar
peso antes da gestação obesidade preexistente, devido ao aumento fisiológico
• PIG do tecido adiposo que ocorre principalmente no sexo
• GIG feminino, maior consumo de fast-food com alto teor
calórico e também por instabilidades emocionais
• Maior preocupação dos pais com o fato de a
freqüentes neste período.
criança estar abaixo do peso
• Uso inadequado dos alimentos O fator de risco mais importante para a criança tornar-
se obesa é a freqüência de obesidade entre os
O desmame precoce com a introdução inadequada de
familiares, pela soma da influência genética e dos
alimentos, pode levar ao início da obesidade já no
fatores ambientais, como os hábitos alimentares, que
primeiro ano de vida em indivíduos predispostos.
determinam os níveis de ingestão de energia, o estilo de
OBS: Os Mil dias → começa desde a concepção e segue vida da família, relacionado ao gasto energético e todo
por 1000 dias (ate 2 anos de vida) o contexto familiar. O risco de uma criança ser obesa
aumenta em função da obesidade dos pais. É baixo
Aquelas que começaram a receber outros alimentos quando nenhum dos pais é obeso, alto quando apenas
antes dos 6 meses de idade. um é obeso e muito alto quando ambos são obesos.
Sabe-se que a obesidade na infância e na adolescência
Acumulo se da muito mais intraútero tende a continuar na fase adulta, se não for
convenientemente controlada, levando ao aumento da
Quanto mais cedo consumiam papinhas, sucos e outros morbimortalidade e diminuição da expectativa de vida.
tipos de leite mais gordura concentravam, o que eleva o Dessa forma, cabe ao pediatra detectar precocemente
riscos de problemas no coração e acidente vascular as crianças com maior risco para o desenvolvimento de
cerebral → que são 30% das mortes no mundo. obesidade, com a tomada de medidas efetivas de
controle para que o prognóstico seja mais favorável a
longo prazo.

Esses bebes chegam a consumir ate 50% mais calorias


que o ideal
Catch up → ganha muito peso muito rápido>>
programação poupadora

A microbiota

Dierentes indivíduos tem diferentes microbiotas e o


perfil pode ser modificado por uso de drogas, fármacos
e ate dietaass

OBS: precisa ganhar peso gradativamente

Sono e a obesidade
Fatores genéticos:

• Nenhum pai obeso → chance de obesidade 9%


• 1 pai obeso → 50%
• 2 pais obesos → 80%

A chance de obesidade aumenta se pais forem de idade


mais avançada, se for filho caçula e nos filhos únicos

Fatores ambientais

Liquidos doces!!! Atenção


MANEJO DA OBESIDADE

Referencias

Wanderley, E. N., Ferreira, V. A. Obesidade: uma perspectiva plural. Ciência & Saúde Coletiva, 15(1):185-
194, 2010

Gadde, K. M., et al. Fisiopatologia e Manejo da Obesidade. Journal of the american college of cardiology,
VOL. 71, N.° 1, 2018

Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica Diretrizes brasileiras de


obesidade 2016 / ABESO - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.
– [Link]. - São Paulo, SP

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