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Fisiopato Endocrino 59 63

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FISIOPATOLOGIA ENDÓCRINA

OBESIDADE
• A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de • Diminuição da capacidade de oxidar gordura
gordura corporal no indivíduo.
• É decorrente de uma ingestão excessiva de calorias em AUMENTO DA INGESTÃO ALIMENTAR
relação ao gasto energético por um longo período de tempo. • Pequenos aumentos na ingestão alimentar por períodos
• Para o diagnóstico, o parâmetro utilizado mais comumente é prolongados são suficientes para provocar um ganho
o do índice de massa corporal (IMC). significativo de massa adiposa.
• A obesidade é a mais comum das alterações nutricionais nos • Em 1 ano, o consumo calórico 5% maior do que o gasto
EUA energético promove um ganho de 5 Kg de gordura corporal.
• O IMC continua sendo o meio recomendado para categorizar • Nas últimas décadas, houve um aumento significativo no
o peso com relação à altura, tendo-se os seguintes valores consumo de calorias da população mundial, e alterações
de referência: qualitativas na dieta, com adição de gorduras e açúcares e
• IMC = peso (em kg) / altura² (em m²) diminuição nas carnes e laticínios.
o < 18,5 = abaixo do peso
o 18,5-24,9 = normal MECANISMOS FISIOLÓGICOS QUE DETERMINAM A INGESTÃO
o 25-29,9 = sobrepeso ALIMENTAR
o 30-34,9 = obesidade grau I (leve) • Sensação de Fome: estímulo que leva um animal a procurar
o 35-39,9 = obesidade grau II (moderado) alimentos e ingeri-los.
• > ou igual 40 = obesidade grau III (grave) • A sensação de prazer com a alimentação leva um animal a
continuar com a refeição até que surja a saciedade, que é o
estímulo para interromper a refeição.
• Saciedade: é a sensação que leva o animal a adiar a próxima
refeição.
• Qualquer fator que interfira nesses mecanismos pode
interferir no padrão de ingestão alimentar.

OBESIDADE: GENÉTICA OU AMBIENTE?


• A fisiopatologia é complexa
• É consequência do desequilíbrio energético aonde fatores
genéticos, ambientais e comportamentais influenciam o
BE e, assim, o aumento de peso corporal.
• A obesidade comum é uma doença poligênica, com
exceção de raros casos de obesidade monogênica (5%).
• A epidemia mundial de que se fala é resultado principalmente
de mudanças ambientais, ou seja, aumento de consumo de
alimentos altamente calóricos com diminuição do gasto
• A obesidade é um problema de saúde pública. calórico pela atividade física.
• 2,1 bilhões de pessoas (quase 1/3 da população mundial) • Por outro lado, atualmente, sabe-se que, de fato, existem
estão com sobrepeso ou obesos. indivíduos altamente susceptíveis e outros altamente
• Nas últimas três décadas, ocorreu um aumento resistentes ao ganho de peso.
surpreendente nas taxas, de 857 milhões (20%) de indivíduos • A chance de uma pessoa tornar se um obeso adulto é
em 1980 para 2,1 bilhões (30%) em 2013 influenciado pelo fato de ter sido uma criança obesa ou ter
• A obesidade está associada com o aumento das taxas de tido pais obesos.
mortalidade e morbidade. Ainda, parece diminuir • O risco de ser obeso dos 21 aos 30 anos é de 8% para quem
significativamente a esperança de vida. foi obeso de 1 a 2 anos de idade com pais magros.
• Estima-se que o tempo de vida de indivíduos com obesidade • E será 79% para obesos dos 10 a 14anos com pelo menos
mórbida é diminuído em 5-20 anos em função do sexo, idade um dos pais obesos.
e etnia. • A partir de estudos de gêmeos monozigóticos e dizigóticos,
sabe-se, que, nos humanos, a carga genética explica 40 a
BALANÇO ENERGÉTICO 70% da diferença de peso corporal entre os indivíduos.
• A manutenção do peso é resultado de um sistema de • Nem todos indivíduos ganham a mesma quantidade de peso
regulação da homeostase energética, que atua por meio da quando expostos a dietas hipercalóricas.
integração de sinais periféricos a centros reguladores • Um estudo dinamarquês com indivíduos adotados, mostrou
hipotalâmicos. uma forte correlação de seu IMC com o dos pais biológicos e
fraca com os adotivos, mostrando a influência da genética (e
QUAL OBJETIVO DESSE SISTEMA HOMEOSTÁTICO? ambiente intrauterino) na determinação do peso corporal.
• Garantir a disponibilidade de energia mesmo em situações • É clássico o estudo com os índios Pima, oriundos do norte do
de privação de alimentação. México e do sul do Arizona.
• Mas o ser humano também se alimenta a partir de um • Os últimos tiveram a partir da primeira metade do século XX,
sistema adicional ligado as sensações de prazer e a incorporação de um estilo de vida ocidentalizado pela
recompensa-sistema hedônico. doação de cestas de alimentos doados pelo governo
• E esse interfere na sinalização do sistema homeostático. americano (dietas ricas em gordura) e sedentarismo, o que
• Conforme o peso aumenta, aumenta o gasto energético total, levou a uma epidemia de obesidade e diabetes que hoje afeta
em função do aumento da taxa metabólica de repouso e do mais de 80% dos Pima do Arizona.
custo energético dos movimentos. Enquanto a população do México, isolados desse ambiente
• O desequilíbrio crônico leva a resistência insulínica, que leva obesogênico, exibe uma incidência muito menor dessa
ao aumento da lipólise, diminuição da oxidação (queima) de doença.
glicose e o consequente aumento na oxidação das gorduras, • Está claro, então, que indivíduos expostos a um mesmo
acabando por limitar o ganho de peso adicional. ambiente, alguns são muito mais propensos a ganhar peso
• Tornar-se obeso possibilita um reajuste do BE, mas nivelado que outros.
em um peso maior. • Isso ocorre, por diferenças em múltiplos genes envolvidos
com aspectos do BE, como a capacidade de formar tecido
DETERMINANTES DO DESEQUILÍBRIO ENERGÉTICO adiposo (lipogênese) e de utilizar gordura como substrato
• Aumento da ingestão alimentar energético.
• Diminuição do gasto energético • Em situações raras, ocorrem mutações específicas de genes
• Aumento da capacidade de armazenar gordura relacionadas com o controle hipotalâmico do apetite e do

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FISIOPATOLOGIA ENDÓCRINA

gasto energético, com pouca influência do ambiente, e que HORMÔNIOS PANCREÁTICOS DA SACIEDADE
causam obesidade grave= são os casos de obesidade • O pâncreas produz hormônios que levam à diminuição da
monogenética. ingesta alimentar em resposta às refeições
• Em situações raras, ocorrem mutações específicas de genes o Insulina: efeitos relacionados à manutenção do
relacionadas com o controle do apetite, com pouca influência tecido adiposo a longo prazo
do ambiente, e que causam obesidade grave= são os casos o Amilina: funciona como sinalizador rápido que
de obesidade monogenética. acaba por reduzir o tamanho das refeições
• Considera-se, portanto, que a obesidade, na grande maioria o Glucagon: age limitando o tamanho da refeição
dos casos, seja consequência de um ambiente
¨obesogênico¨ em um indivíduo geneticamente SINALIZADORES DO TECIDO ADIPOSO (DA ADIPOSIDADE)
predisposto. • O organismo deve dispor de sinalizadores a longo prazo que
informam ao SNC o estado energético já armazenado no
REGULAÇÃO NORMAL DA FOME E DA SACIEDADE- organismo
REGULAÇÃO NEUROENDÓCRINA • Os principais sinalizadores nesse aspecto são:
• O hipotálamo é a área mais importante do controle da ingesta o Insulina e Leptina: produzidos pelos adipócitos
de alimentos. nesse caso -> são produzidos proporcionalmente à
Para ele convergem inúmeras informações que afetam a quantidade de gordura corporal e levam a
regulação central da ingestão, as quais tem origem tanto na informação ao hipotálamo (estimulando a redução
periferia quanto em outras áreas do SNC. da ingesta alimentar)
• O hipotálamo integra todas aferências e então comanda as
eferências que inibirão ou estimularão a ingestão. LEPTINA
• Do grego leptos= magro, produto do gene ob, possui 167 aa
• É produzido pelo tecido adiposo branco e circula pelo sangue
em concentrações proporcionais à quantidade de tecido
adiposo.
• Roedores com deleção do gene (“ob/ob”) apresentam
fenótipo de obesidade grave e hiperfagia. Embora rara em
humanos, a deficiência congênita de leptina leva ao mesmo
fenótipo.

GRELINA
• Produzido e secretado pelas células do epitélio gástrico, é um
agonista endógeno do receptor do hormônio liberador do
hormônio de crescimento (GHRH), e até o momento, é o
único peptídeo gastrintestinal identificado que participa da via
orexígena sendo chamado de ¨hormônio da fome¨.
• A grelina aumenta com o jejum com níveis máximos nos
momentos que antecedem as refeições, e declina após a
ingesta de CHO e proteínas.
• Atua no hipotálamo, promovendo a produção de NPY e
AgRP, que estimulam a alimentação.

REGULAÇÃO CENTRAL
• Regiões do hipotálamo:
o Hipotálamo lateral
o Hipotálamo ventromedial
o Núcleo paraventricular
o Núcleo arqueado

• Os fatores que comunicam ao SNC aspectos relacionados


aos estados agudos de fome e saciedade incluem:
o Comunicação desses sinais ao SNC pode
acontecer diretamente por meio do núcleo
arqueado ou por meio do nervo vago, que leva a
informação até o TE, conectando –se ao núcleo do
trato solitário.
o As fibras nervosas que partem do NTS comunicam
os sinais de saciedade ao núcleo arqueado
o Assim o ARC integra os sinais de adiposidade ao
de saciedade
o Exceto a grelina, todos os outros sinalizadores
participam da via anorexígena.

SINALIZADORES GASTROINTESTINAIS DE SACIEDADE


NÚCLEOS HIPOTALÂMICOS E SEUS NEUROPEPTÍDEOS
Colecistocinina (CKK):
• É o sinalizador da saciedade mais conhecido, sendo um • Núcleo arqueado
octapeptídeo liberado no duodeno e íleo em resposta a • Chegando ao hipotálamo pela circulação, os sinais
presença de nutrientes. periféricos, principalmente de adiposidade, e os de
• O CKK age tanto localmente quanto via nervo vago, fome/saciedade, atuam sobre os diferentes núcleos
produzindo a redução do tempo de esvaziamento gástrico e neuronais que participam do controle da ingestão alimentar.
da ingesta alimentar • Estes produzem neuropeptídeos, catabólicos ou anabólicos,
• Após isso, o alimento avança para o tubo digestivo, onde será que atuam como efetores.
secretado o peptídeo YY (PYY), o GLP-1 e a apolipoproteína • O núcleo arqueado é o principal local de interação desses
A-IV (Apo-IV) em resposta a absorção intestinal de gordura sinais.
• Nele existem 2 populações interconectadas de neurônios que
são os efetores de primeira ordem (primeiros alvos dos sinais
circulantes) e os de segunda ordem.

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FISIOPATOLOGIA ENDÓCRINA

EFETORES DE 1°ORDEM • A obesidade é o resultado de alterações complexas e não


• Primeira população de neurônios: totalmente conhecidas em quaisquer componentes da
• Coexpressa: NPY e AgRP (proteína relacionada ao agouti), cadeia, aonde prevaleceram os mecanismos que estimulam
além de antagonista do receptor de melacortina -> constitui o apetite e retardam à saciedade, bem como os
uma via orexígena ou anabólica mecanismos que diminuem o gasto energético.
• Assim, a privação de alimentos aumenta a expressão dos
genes da 1ª população (NPY, AgRP) e diminui a expressão
de genes da segunda população (envolvendo POMC e INFLUÊNCIA DA COMPOSIÇÃO DA DIETA
CART) • Além dos hormônios, o conteúdo nutricional da dieta é capaz
• A hiperexpressão de AgRP leva a hiperfagia e obesidade, da de regular a ingestão alimentar.
mesma forma que a eliminação dos genes da POMC, CART • As proteínas são potentes inibidores do apetite, por ação
e do receptor 4 da melanocortina (MC4R) direta dos aminoácidos circulantes no SNC e através de
• Em humanos, a mutação do MC4R é causa de obesidade sinalizadores periféricos.
monogênica. • A presença ou ausência de glicose no hipotálamo, e a taxa
de utilização celular regulam a alimentação, tanto que a
VIA OREXÍGENA hipoglicemia estimula a ingestão alimentar.
1) NPY • A dieta rica em gordura, aumenta os AGL, e levam a
• Altamente expresso no SNC, sendo um dos mais potentes resistência hipotalâmica à leptina e insulina (que são
estimuladores da alimentação sinalizadores da saciedade).
• A ação hipotalâmica dele leva a hiperfagia, redução da • A composição da dieta influencia o tipo de substrato que o
termogênese, resistência à insulina nos tecidos esqueléticos organismo oxida preferencialmente.
• Seus níveis aumentam durante o jejum e em diversas • Quem ingere muito carboidrato oxida de forma MENOS
condições crônicas eficiente as gorduras e podem ter mais dificuldade de perder
peso.
2) Agouti-related protein (proteína relacionada ao agouti) • Nas últimas décadas as populações consomem mais gordura
• É um antagonista endógeno de diversos subtipos de e açúcar refinado em alimentos com alta densidade calórica,
receptores da melanocortina, ou seja, a sua ligação impede alta palatabilidade, baixo poder sacietógeno e de fácil
a ação de outros ligantes como o MSH-α, que é um dos mais absorção e digestão, o que leva ao aumento da ingestão
potentes anorexígenos conhecidos alimentar, originando um desiquilíbrio energético.

3) Opioides endógenos: FATORES SÓCIO COMPORTAMENTAIS


• Possui pouca intensidade e atua em curto prazo/ pouca • As mudanças de comportamento da população levaram a um
duração, associado aos mecanismos de recompensa e aumento do conteúdo calórico de cada refeição.
prazer após a ingesta alimentar • Os fatores que ocasionaram são:
• A beta-endorfina é um exemplo, sendo produzida nos • < do número de refeições realizadas em casa
neurônios POMC no núcleo arqueado • > compensatório da alimentação em redes de fast food
• Aumento do tamanho das porções *normais*
EFETORES DE 2°ORDEM • Ainda citamos: refeições realizadas em curto espaço de
• Os neurônios do núcleo arqueado se projetam para outras tempo, privação do sono, privação das atividades de lazer,
áreas do hipotálamo, onde são sintetizados outros peptídeos podem resultar em alterações comportamentais relacionadas
relacionados ao controle da ingestão alimentar e do peso ao hábito alimentar
corporal.
• Ex: hormônio concentrador de melanina (MCH) e as orexinas SISTEMA DE PRAZER E RECOMPENSA X SISTEMA
A e B. HOMEOSTÁTICO:
• Seres humanos se alimentam em resposta ao sistema
VIA ANOREXÍGENA homeostático do balanço energético e por influência de um
sistema de prazer e recompensa (sistema hedônico), que se
1) Hormônio estimulador de melanócitos-α (MSH-α) comporta, muitas vezes, de forma semelhante ao vício. E
• O sistema da melanocortina está muito relacionado no este interage com o sistema homeostático.
controle do apetite e na homeostase energética o Sistema Cabidinoide -> seus receptores e seus
• As melanocortinas são derivadas da clivagem da molécula ligantes endógenos (CB1 e CB2) estão implicados
precursora POMC, exercem seus efeitos por meio da ligação no sistema de recompensa. Sua ativação causa
à sua família de receptores (MC1-R a MC5-R) aumento de apetite em roedores e aumento do
• O MSH-alfa age como agonista de MC1-R e MC4-R (sendo desejo por alimentos mais palatáveis
esses 2 os +importantes receptores de melanocortina • A maconha (Cannabis sativa) estimula receptores
relacionados ao controle da ingestão alimentar) canabinoides no hipotálamo (CB1R), aumenta o apetite,
• Ação: inibir a ingestão de alimentos e aumentar o gasto especialmente para alimentos doces.
energético • Na obesidade há aumento dos endocanabióides endógenos
com maior ingestão alimentar e ganho de peso.
2) Transcrito regulado por cocaína e anfetamina (CART): • Antagonistas do receptor canabinoide 1 (CB1R), rimonabant,
• Está em diversas áreas do SNC e exerce efeitos foi comercializado no Brasil entre 2006-2008 e suspenso no
antagonizando as ações do NPY, tendo potente ação mundo todo por complicações psiquiátricas.
anorexígena o Sistema de prazer e recompensa versus
sistema homeostático
Efetores de segunda ordem: • A sinalização dopaminérgica no núcleo acumbens também
• No núcleo paraventricular, ocorre a síntese e a liberação interfere na ingestão alimentar, tanto que lesões no núcleo
destes efetores, que são o CRH (hormônio liberador da levam à diminuição da ingestão alimentar.
corticotropina), TRH (hormônio liberador da tireotropina) e a • Camundongos que não produzem dopamina normalmente
ocitocina morrem de inanição.
• As 2 populações neuronais do n. arqueado (via orexígena e o Grelina e a leptina podem exercer seus efeitos
anorexígena) expressam receptores para leptina e insulina, no sistema dopaminérgico, além dos efeitos
ou seja, recebem sinais periféricos do tecido adiposo, clássicos no hipotálamo.
informando sobre os estoques energéticos, e respondem, o Opióides endógenos são associados ao efeito
alterando a ingestão alimentar para mais ou para menos, reforçador da alimentação.
conforme a demanda. • A ingestão de alimentos altamente palatáveis é capaz de
• A leptina e a insulina cruzam a barreira hematoencefálica, “desligar” a regulação normal (homeostática) do apetite. A
tendo ação central: aumentando a expressão hipotalâmica da sinalização do sabor é transmitida ao sistema de recompensa
POMC, ou seja, estimulando a via anorexígena. levando a liberação de mediadores como: dopamina,
• A grelina age centralmente, com ação oposta, estimulando a serotonina, endocanabinóides e opiódes.
produção de AgRP e NPY, ativando a via orexígena.

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FISIOPATOLOGIA ENDÓCRINA

• O circuito de recompensa conecta-se com o hipotálamo, e é • Esteroides gonadais:


capaz de aumentar a expressão dos peptídeos orexígenos, e o Receptores expressos no núcleo arqueado do
bloquear a sinalização os peptídeos da saciedade, e a hipotálamo, com ação nos neurônios POMC e
ingestão passa a ser mediada por necessidades hedônicas NPY/AgRP.
em vez das necessidades biológicas. o Diminuem (-)ingestão alimentar e controlam gasto
energético.
DIMINUIÇÃO DO GASTO ENERGÉTICO
• GET tem 3 componentes: GLICOSE
GER (gasto energético em repouso): corresponde de • Alterações nos níveis sanguíneos de glicose são percebidas
60-75% por sensores de glicose do hipotálamo e tronco cerebral:
• [Link] energético pela atividade física (GEAF):15-30% levando a alterações no comportamento alimentar e
• [Link]ênese alimentar (TA):10% produção de glicose.
• ↓ de glicose → ↑ atividade de neurônios orexígenos.
GASTO ENERGÉTICO • ↑ de glicose → ↑ atividade dos neurônios POMC. Esse é
• GER: energia necessária para as funções vitais, no estado um dos motivos para se alimentar de 3/3h, no intuito de
pós absortivos, em vigíla. Inclui a atividade física voluntária e diminuir as quedas dos níveis de glicose.
as involuntárias (por ex, contrações musculares para manter
a postura) MICROBIOTA INTESTINAL
• TA: representa a energia utilizada na digestão, absorção e • O trato gastrointestinal (TGI) humano é o sítio orgânico mais
ativação do SNS (sistema nervoso simpático) após a densamente povoado por microorganismos comensais e
ingestão alimentar. Estudos em indivíduos obesos mostram simbióticos, na maioria bactérias.
uma pequena e significativa redução da TA. Essa redução • Indivíduos magros e obesos apresentam diferente
pode ser por resistência insulínica e menor ativação do SNS. composição de microbiota.
• As mudanças socio comportamentais dos últimos anos • Diferentes composições da microbiota, especialmente
relacionam se basicamente ao componente do GEAF (gasto relacionadas à alimentação, podem aumentar a produção de
energético pela atividade física), aonde os avanços na citocinas pró-inflamatórias, induzindo estado patogênico
tecnologia diminuíram muito a necessidade do ser humano capaz de facilitar o desenvolvimento de doenças crônicas
se esforçar fisicamente . (DM, DLP).
• A mudança no perfil de trabalho também é importante, pois • Ainda não estão esclarecidas as implicações dessa
relata-se o aumento de + de 80% no número de indivíduos compreensão no controle da obesidade.
empregados em atividades sedentárias. • Se alterações da composição da microbiota são fatores
causais de obesidade ou resultado dela, tem sido motivo de
Gasto energético de repouso discussões na literatura.
• O principal fator determinante é a massa de tecido magro • Em alguns estudos, obesos apresentaram maior proporção
presente, tem uma variação interdividual de 40-50. de Firmicutes em relação a Bacteroidetes, quando
• O segundo fator é a quantidade de massa gorda. comparados a controles eutróficos, reforçando a hipótese da
• Mulheres apresentam GER menor do que os homens, e participação de certos filos de bactérias na regulação do
diminui com a idade. balanço energético.
• Mas 2 pessoas com a mesma idade e a mesma quantidade • No entanto, não é universalmente constante esse padrão de
de tecido magro e adiposos podem apresentar GER distribuição de filos entre indivíduos obesos e magros.
significativamente diferentes, e os motivos não estão • Numerosas evidências apontam que a qualidade da dieta tem
esclarecidos. importante potencial modulador da composição da microbiota
intestinal, principalmente no que se refere ao teor de
• LEMBRAR gorduras, que, quando excessivo, pode afetar a integridade
o Indivíduos obesos apresentam GER maior que os da mucosa e prejudicar sua permeabilidade.
magros, pois tem maior massa celular (tanto magra • Estudos em roedores mostraram que a composição dietética
quanto adiposa). tem papel determinante na modulação da microbiota
o Provavelmente os obesos que apresentam menor intestinal.
GET, tenham menor atividade física ou mesmo
diferença na termogênese alimentar TECIDO ADIPOSO
• O tecido adiposo é formado pelos tecidos visceral (TAV) e
AUMENTO DA CAPACIDADE DE ARMAZENAR GORDURA subcutâneo (TAS), os quais, possuem características
• O tecido adiposo é um mecanismo eficaz de armazenamento metabólicas diferentes.
de combustível. • O TAV, localizado na região abdominal, é mais ativo
• Triglicerídeos (TG) armazenados no tecido adiposo metabolicamente, promove mais lipólise e liberação de
constituem a maior reserva energética do organismo. ácidos graxos, possui mais resistência à insulina e secreta
• A maior parte dos triglicerídeos se origina dos quilomícrons uma maior quantidade de adipocinas pró-inflamatórias
(fonte dietética) e VLDL (fonte hepática). (resistina, angiotensina I, resistina, PAI-1, PCR e IL-6).
• O equilíbrio entre o armazenamento de TG e a lipólise é feito • O TAS, situado na região glúteo-femural e abdominal, produz
por complexos mecanismos hormonais e neuronais. maior quantidade de adipocinas pró-inflamatórias, como a
• Para se tornarem substrato energético, TG armazenados leptina.
dentro dos adipócitos devem ser hidrolisados pela lipase • Tecido adiposo marrom (TAM), após estudos recentes, que
hormônio-sensível (LPL). sua expressão está aumentada após a exposição a baixas
• A lipase lipoproteica (LPL) sintetizada pelos adipócitos temperaturas.
interage com quilomícrons e VLDL do plasma, liberando • O tecido adiposo marrom é um importante produtor de calor
ácidos graxos dos TG plasmáticos, que serão captados por no organismo, participando ativamente da regulação da
adipócitos locais. temperatura corpórea.
• Insulina → Estimula atividade da LPL no tecido adiposo, inibe • As células do tecido adiposo bege são definidas como um
a lipólise, estimula diferenciação dos adipócitos, aumenta “escurecimento” do tecido adiposo branco, possuem um
captação de glicose, levando a um maior armazenamento de padrão de expressão gênica diferente.
TG nos adipócitos. • O tecido adiposo bege possui uma especial sensibilidade ao
• Cortisol → Estimula atividade da LPL no tecido adiposo. hormônio irisina, liberado durante a prática de atividade física
• Testosterona, GH, catecolaminas e citocinas →Inibem LPL, pelo músculo.
estimulam a lipólise. • A obesidade está associada a um aumento do número de
adipócitos.
GLICOCORTICOIDES E ESTEROIDES GONADAIS • O ponto principal do tratamento da obesidade é aumentar a
• Glicocorticoides: utilização dos estoques da gordura endógena como
o Receptores amplamente distribuídos no SNC. combustível, pela redução da ingestão energética abaixo do
o Estimulam(+) ingestão alimentar e ganho ponderal. gasto energético.
o Críticos no tônus dos circuitos produtores de
obesidade (NYP).

CAROL TEZOLIN 62
FISIOPATOLOGIA ENDÓCRINA

• Uma diminuição no tamanho do adipócito preexistente


(conteúdo de triglicerídeo) é responsável pela maior parte da
perda de gordura (se não toda).

CAUSAS POLIGÊNICAS
• Variações na sequência de DNA de vários genes humanos
podem contribuir para a obesidade.
• Mais de 600 genes e regiões cromossômicas já foram
relacionados.
• Interação dos genes entre si e com fatores ambientais.
• A obesidade comum tem origem poligênica e
multifatorial.

CAUSAS MONOGÊNICAS
• Correspondem a causas raras de obesidade.
• Mutação do gene da leptina ou do receptor de leptina:
• Mutação do gene Pró-hormônio convertase 1:
• Mutação no gene da Pró-opiomelanocortina (POMC):
• Mutação do gene do receptor da melanocortina tipo 4 (MC4-
R): é a causa monogênica mais comum de obesidade (50%
dos 5%),
• Obesidade causada por genes que afetam o
desenvolvimento neural: SIM1, BDNF e seu receptor NTRK2.
Manifestam-se com hiperfagia e obesidade precoce.
• Síndrome de Prader-Willi (PWS): causa sindrômica mais
comum de obesidade, 1:15.000 nascimentos.
o A síndrome se deve a uma perda de material
genético no braço longo do cromossomo 15
paterno. Inicia-se, logo ao nascimento, com uma
extrema hipotonia, levando há dificuldade de
deglutição (as vezes necessita SNG).

SÍNDROMES RELACIONADAS À OBESIDADE


• Síndrome de Prader-Willi (PWS): A partir dos 3-4 anos de
vida, a hipotonia já desapareceu, e inicia-se um apetite voraz,
que leva a enorme ganho de peso. A grelina basal está mais
elevada nesses pacientes. Baixa estatura, retardo mental de
grau variável, hipogonadismo e hipogonadotrófico são outras
características.

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