Aluno: Vinícius Mangueira Andrade
Período: 7º
Quais as orientações para o paciente candidato à PreEP?
1. Quanto ao tempo para se alçançar a proteção (mucosa anal e vaginal)?
2. Após quanto tempo podemos considerar como interrupção?
3. Quanto ao uso simultâneo de álcool e drogas.
4. É seguro o uso na gestação e durante amamentação?
5. O que fazer caso esquecer do uso do medicamento em um ou dois dias?
6. O que orientar a um paciente portador de Hepatite B?
Primeiramente, é importante entender que a infecção pelo vírus da imunodeficiência
humana (HIV) continua um problema de saúde pública mundial. Nos últimos anos, emergiram
novas estratégias de prevenção ao HIV, sendo a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) considerada um
dos mais importantes avanços biomédicos recentes na prevenção do HIV. O esquema com um
comprimido combinado, contendo emtricitabina oral/tenofovir disoproxil fumarato (FTC/TDF),
tem sido comprovado como estratégia de prevenção altamente eficaz para mulheres e homens,
com proteção contra o HIV superior a 90% entre aqueles com altas taxas de adesão à
medicação (Antonini, M. et al., 2023).
Diante disso, a proteção oferecida pela PrEP varia de acordo com a via de exposição.
Estudos indicam que, para a mucosa anal, a proteção é alcançada após 7 dias de uso contínuo do
medicamento. Já para a mucosa vaginal, o tempo necessário é maior, sendo recomendado 20 dias
de uso contínuo para atingir níveis adequados de proteção. Essa diferença ocorre devido à
variação na concentração do fármaco nos tecidos das mucosas. (GRANT et al., 2010; CDC,
2021).
A interrupção da PrEP pode comprometer sua eficácia. Considera-se como interrupção o
uso irregular ou a suspensão do medicamento por mais de 7 dias para exposição anal ou mais de
20 dias para exposição vaginal. Nesses casos, a proteção não é mais garantida, e o paciente deve
ser reorientado sobre a necessidade de retomar o uso regular ou adotar outras medidas
preventivas, como o uso de preservativos (WHO, 2020).
O uso de álcool e drogas não interfere diretamente na eficácia da PrEP. No entanto, o
consumo excessivo de álcool ou o uso de drogas recreativas pode levar ao esquecimento da
medicação ou a comportamentos de risco, como sexo desprotegido. Portanto, é fundamental
orientar o paciente a manter a adesão ao tratamento e a adotar práticas sexuais seguras,
independentemente do uso dessas substâncias (CDC, 2021).
A PrEP é considerada segura para gestantes e lactantes. Estudos demonstram que o uso
de tenofovir e entricitabina não está associado a malformações congênitas ou efeitos adversos
significativos no feto ou no recém-nascido. Além disso, a PrEP pode ser uma estratégia
importante para prevenir a transmissão vertical do HIV em gestantes com risco de exposição ao
vírus (WHO, 2020; CDC, 2021).
Caso o paciente esqueça de tomar a PrEP em um ou dois dias, ele deve tomar a dose
esquecida assim que possível e continuar o tratamento normalmente. No entanto, é importante
reforçar que a adesão diária é crucial para manter a proteção. Se o esquecimento for frequente, o
paciente deve ser reavaliado quanto à sua motivação e à necessidade de suporte adicional para a
adesão (CDC, 2021).
Pacientes portadores de Hepatite B devem ser avaliados cuidadosamente antes de iniciar
a PrEP, pois os medicamentos utilizados também atuam contra o vírus da hepatite B (HBV). A
interrupção abrupta da PrEP pode levar a uma reativação do HBV, com risco de hepatite aguda
grave. Portanto, é essencial monitorar a função hepática e, se necessário, continuar o tratamento
antiviral específico para hepatite B após a suspensão da PrEP (WHO, 2020; CDC, 2021).
Referências Bibliográficas:
ANTONINI, M. et al. Barreiras para o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV: uma
revisão integrativa Barriers to Pre-Exposure Prophylaxis (PrEP) use for HIV: an integrative
review Barreras para el uso de la Profilaxis Previa a la Exposición (PrEP) para el VIH: una
revisión integradora REVISÃO Ingred Evangelista da Silva. Rev Bras Enferm, [s. l.], v. 76, n. 3,
p. 20210963, 2023. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/reben/a/LQDHpct6QysL9m9ZQyRR7zS/?format=pdf&lang=pt.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Preexposure Prophylaxis
for the Prevention of HIV Infection in the United States – 2021 Update. Disponível
em: https://www.cdc.gov/hiv/pdf/risk/prep/cdc-hiv-prep-guidelines-2021.pdf. Acesso em: 10 out.
2023.
GRANT, R. M. et al. Preexposure Chemoprophylaxis for HIV Prevention in Men Who Have
Sex with Men. The New England Journal of Medicine, v. 363, n. 27, p. 2587-2599, 2010. DOI:
10.1056/NEJMoa1011205.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guideline on When to Start Antiretroviral
Therapy and on Pre-Exposure Prophylaxis for HIV. Genebra: WHO, 2020. Disponível
em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241509565. Acesso em: 10 out. 2023.