Aluno: Vinícius Mangueira Andrade
Período: 7º
Quais os objetivos da avaliação inicial (primeira etapa do trabalho de parto) da
gestante em trabalho de parto?
Qual a propedêutica recomendada nesta etapa?
E a amniotomia? Deve ser realizada?
A gestante nesta etapa pode se alimentar? Quais as condições?
Devemos utilizar quimioprofilaxia com antibióticos sistêmicos?
O trabalho de parto é um processo fisiológico que envolve modificações
anatômicas e funcionais no organismo materno, com o objetivo de promover o
nascimento do concepto. A avaliação inicial da gestante em trabalho de parto é essencial
para garantir segurança materno-fetal e o adequado planejamento da assistência. Nesta
fase, os principais objetivos são: confirmar se a gestante está realmente em trabalho de
parto ativo, avaliar o bem-estar fetal, identificar fatores de risco ou complicações que
exijam intervenções específicas, e determinar a fase do trabalho de parto (BRASIL, 2021;
OMS, 2018)
A propedêutica recomendada inclui uma anamnese detalhada (avaliando idade
gestacional, padrão das contrações, perda de líquido/amino, presença de sangramento,
movimentos fetais), exame físico geral (sinais vitais, estado geral da gestante), avaliação
obstétrica (altura uterina, dinâmica uterina, ausculta dos batimentos cardíacos fetais) e
toque vaginal para avaliar as condições cervicais (dilatação, apagamento, posição do
colo, apresentação fetal e plano de De Lee) e integridade das membranas. Quando
necessário, a ultrassonografia pode ser útil na avaliação da apresentação fetal e avaliação
do líquido amniótico (BRASIL, 2021; OMS, 2018)
A amniotomia, que consiste na ruptura artificial das membranas amnióticas, é
uma intervenção que pode ser considerada em casos específicos, como para acelerar o
trabalho de parto em situações em que há progressão lenta da dilatação ou como parte do
manejo ativo. No entanto, não deve ser realizada de forma rotineira ou precoce, pois está
associada a riscos como infecção, prolapso de cordão umbilical e sofrimento fetal. A
decisão pela amniotomia deve ser individualizada e baseada na avaliação clínica
criteriosa. (WHO, 2018)
Quanto à alimentação, a recomendação atual é que gestantes em trabalho de parto
sem fatores de risco e com evolução fisiológica podem ingerir líquidos claros e alimentos
leves. A restrição total da ingestão oral não é mais indicada rotineiramente, pois pode
levar à hipoglicemia e aumento do desconforto materno. No entanto, em casos de risco de
intervenção anestésica (ex: cesárea de urgência), a alimentação pode ser restringida,
especialmente alimentos sólidos. (COCHRANE, 2013; FEBRASGO, 2022)
A quimioprofilaxia com antibióticos sistêmicos não é indicada rotineiramente
para todas as gestantes em trabalho de parto. Seu uso é reservado para situações
específicas, como: colonização por Streptococcus do grupo B (SGB), ruptura prolongada
de membranas (>18h), febre intraparto, corioamnionite ou presença de infecção urinária
ativa por germes sensíveis. Nesses casos, a antibioticoterapia visa reduzir o risco de
infecção neonatal e complicações maternas. (CDC, 2021; BRASIL, 2021)
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal.
Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Prevention of
Perinatal Group B Streptococcal Disease: Revised Guidelines from CDC, 2021.
Disponível em: https://www.cdc.gov/groupbstrep/
FEBRASGO. Assistência ao parto normal em gestantes de risco habitual – Manual de
orientação prática. São Paulo: Febrasgo, 2022.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Intrapartum care for a positive childbirth
experience. Geneva: WHO, 2018. Disponível em:
https://www.who.int/publications/i/item/9789241550215
COCHRANE PREGNANCY AND CHILDBIRTH GROUP. Maternal dietary and fluid
restrictions in labour. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2013. DOI:
10.1002/14651858.CD003930.pub3