JÚLIO GABRIEL FERREIRA BATISTA DOS PRAZERES
TICs - Trabalho de Parto
GARANHUNS
2025
1. Quais os objetivos / propostas da avaliação inicial (primeira etapa do
trabalho de parto) da gestante em trabalho do parto?
A primeira fase do trabalho de parto se estende desde o início das contrações
uterinas regulares até a dilatação completa do colo do útero, que corresponde a 10
cm, sendo dividida em duas etapas: a fase latente e a fase ativa. A fase latente é
caracterizada por contrações irregulares que, com o tempo, tornam-se mais
coordenadas. O desconforto nessa fase tende a ser leve, e o colo do útero começa
gradualmente a se apagar e a dilatar, chegando até cerca de 4 cm. A duração dessa
fase é bastante variável, mas, em média, costuma durar aproximadamente 8 horas
em nulíparas e 5 horas em multíparas. Considera-se uma fase latente prolongada
quando ultrapassa 20 horas em nulíparas ou 12 horas em multíparas. Já a fase
ativa se caracteriza por dilatação cervical progressiva até os 10 cm e pela descida
da apresentação fetal. A duração média dessa fase varia de 5 a 7 horas em
nulíparas e de 2 a 4 horas em multíparas. A dilatação esperada é de cerca de 1,2
cm por hora nas nulíparas e 1,5 cm por hora nas multíparas, embora estudos
recentes apontem que uma progressão mais lenta entre 4 e 6 cm pode ser
considerada fisiológica, sem indicar anormalidade (Brasil, 2017; Oliveira et al., 2019;
Leal et al., 2015).
Durante essa primeira fase do trabalho de parto, os objetivos da avaliação
inicial são amplos e essenciais para o manejo seguro da gestante e do feto. No que
diz respeito à avaliação materna, é fundamental monitorar sinais vitais como
pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura, além de
avaliar mucosas, realizar ausculta cardíaca e pulmonar e observar a presença de
varizes ou lesões de pele. Também é importante considerar o estado emocional da
gestante, oferecendo acolhimento e suporte emocional apropriado (Brasil, 2017;
Satye et al., 2019). A avaliação fetal deve incluir a monitorização da frequência
cardíaca fetal (FCF), que pode ser feita de forma contínua ou intermitente, utilizando
Doppler portátil ou cardiotocografia, dependendo da disponibilidade de recursos e
da situação clínica. No exame obstétrico, realizam-se inspeção e palpação
abdominal para avaliar a apresentação, posição fetal e altura uterina. O toque
vaginal, que deve ser feito a cada 2 a 3 horas com parcimônia para evitar infecções,
permite avaliar a dilatação e o apagamento cervical, o estado das membranas, além
do tipo e da altura da apresentação fetal. A internação está indicada quando a
gestante apresenta contrações regulares, com frequência de 3 a 5 minutos,
associadas à dilatação cervical igual ou superior a 4 cm com apagamento e
afinamento do colo. Após a avaliação, é importante comunicar os achados e a
conduta à gestante e aos familiares, registrando todas as informações de forma
detalhada no prontuário.
2. Qual a propedêutica recomendada nesta etapa?
Em relação à propedêutica recomendada no momento da admissão, além da
avaliação clínica já descrita, é indicada a aferição dos sinais vitais e a realização de
testes rápidos para sífilis, HIV, hepatite B e toxoplasmose, como parte dos cuidados
preventivos de rotina durante o trabalho de parto (Brasil, 2017).
3. E a amniotomia? Deve ser realizada?
A amniotomia, ou ruptura artificial das membranas amnióticas, segundo as
Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, não deve ser realizada de
forma rotineira durante essa fase do trabalho de parto, mesmo quando há o uso de
ocitocina, caso o parto esteja evoluindo de maneira satisfatória (Brasil, 2017). Essa
conduta visa reduzir o risco de infecções e outras complicações materno-fetais
desnecessárias.
4. A gestante nesta etapa pode se alimentar? Quais as condições?
Quanto à alimentação da gestante durante essa fase, a recomendação varia
conforme o risco de intervenção cirúrgica (Lopes, 2014; Brasil, 2017). Para
parturientes com maior risco de cesariana, orienta-se jejum de 6 a 8 horas para
alimentos sólidos e de 2 horas para líquidos claros antes da anestesia. Por outro
lado, para aquelas sem fatores de risco iminentes, é possível permitir a ingestão de
líquidos claros até 2 horas antes da anestesia. A FEBRASGO, por sua vez,
recomenda jejum durante o trabalho de parto, sem estabelecer um tempo
específico. Essa precaução se baseia no aumento da incidência de náuseas,
vômitos e esvaziamento gástrico retardado durante o parto, o que eleva o risco de
aspiração pulmonar, especialmente em casos que exijam anestesia geral.
5. Devemos utilizar quimioprofilaxia com antibióticos sistêmicos?
Em relação à quimioprofilaxia com antibióticos sistêmicos, esta está indicada
em casos de cesariana, visto que se trata do principal fator de risco para infecção
puerperal. Nesses casos, a droga de escolha é a cefalosporina de primeira geração,
como a cefazolina (Costa et al., 2018). A dose padrão é de 1 g intravenoso
administrado 1 hora antes da incisão cirúrgica para pacientes com até 80 kg. Para
gestantes com peso acima de 80 kg, recomenda-se ajustar a dose para 2 g, e para
aquelas com mais de 120 kg, a dose recomendada é de 3 g. Doses adicionais
podem ser necessárias se a cirurgia se estender por mais de duas meias-vidas da
droga (por exemplo, mais de 4 horas no caso da cefazolina) ou se houver perda
sanguínea superior a 1500 mL. No entanto, pacientes que já estiverem em uso de
antibiótico de amplo espectro, como nos casos de corioamnionite, não necessitam
de profilaxia adicional (Brasil, 2017).
REFERÊNCIAS
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Assistência ao trabalho de parto e parto: um
guia prático e atualizado. Brasília, DF, 2017.
2. COSTA, H. F.; ÁVILA, I. DE; GONÇALVES, M. M. Antibioticoterapia profilática
em obstetrícia: comparação entre esquemas. Revista Brasileira de
Ginecologia e Obstetrícia, v. 20, n. 9, out. 2018.
3. LEAL, M. DO C. et al. Obstetric interventions during labor and childbirth in
Brazilian low-risk women. Cadernos de Saúde Pública, v. 30, n. 30, p.
S17–S32, 2015.
4. LOPES, B. R. da S. Efeitos da alimentação e jejum no trabalho de parto:
revisão de literatura. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 2014. Disponível em: UFRJ. Acesso em: 20 abr. 2025.
5. OLIVEIRA, M. DE N. J. et al. Avaliação do primeiro período clínico do
trabalho de parto. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 20, p. e378, 3 fev.
2019.
6. SATYE ROCHA PEREIRA et al. BOAS PRÁTICAS DE ASSISTÊNCIA AO
TRABALHO DE PARTO E PARTO: REVISÃO INTEGRATIVA. Revista
Uningá, v. 56, n. S6, p. 123–133, 26 set. 2019.