FAHESP - Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e da Saúde do Piauí.
IESVAP - Instituto de Educação Superior do Vale do Parnaíba LTDA.
Curso: Medicina
Disciplina/Módulo: Tic’s
Professora: Ana Rachel
Período: 4º
Nome: Maria Daniele Oliveira de Moraes
1. Como é feita a avaliação inicial (primeira etapa do trabalho de parto) da gestante em trabalho de
parto?
AVALIAÇÃO INICIAL:
1. Determinar se a paciente está ou não em fase ativa de trabalho de parto (TP), usando os seguintes
critérios:
• contrações uterinas regulares de 1 a 3 em 5 minutos;
• dilatação cervical >= a 3 cm com colo fino e apagado.
• O uso de critérios claros para o diagnóstico de fase ativa de TP reduz o uso de ocitocina (OR=0,45
com IC95% de 0,25 a 0,8) e analgesia (OR= 0,36 com IC95% de 0,16 a 0,78)1 (A).
ASSISTÊNCIA AO PRIMEIRO PERÍODO:
1. Controle de sinais vitais maternos: no momento da admissão e a cada 60 minutos2
(D).
2. Realização de enema glicerinado: não deve ser realizado de rotina, pois não se mostrou capaz de reduzir
infecção materna ou fetal e traz desconforto à paciente e aumenta o custo do procedimento3,4(A).
3. NPO: as pacientes devem ser mantidas em jejum durante este período, uma vez que sempre pode haver
a necessidade de procedimentos que envolvam anestesia geral, com seu possível risco de aspiração do
conteúdo gástrico(D).
4. Punção venosa e infusão de líquidos: não deve ser rotineiramente empregada, uma vez que cerca de
80% das pacientes admitidas em TP terão tido parto dentro de 8 horas. É recomendado o uso de fluidos
endovenosos somente naquelas que tiverem parto prolongado ou que necessitarem de uso de medicação
endovenosa.
5. Avaliação fetal: deve ser feita pela ausculta intermitente dos batimentos cardíacos fetais a cada 30 minutos
com sonar Doppler ou estetoscópio de Pinard. A ausculta deve ser feita principalmente durante e logo após
as contrações com o objetivo de detectar possíveis desacelerações. O uso rotineiro da cardiotocografia em
gestações de baixo risco está formalmente contraindicado, devido ao alto índice de resultados falso-
positivos.
6. Analgesia: deve ser feita, quando necessário, sempre que a paciente estiver em fase ativa de TP.
(PEREIRA,2019)
2. Qual a propedêutica recomendada nesta etapa?
CONDUTA
PERÍODO PREMONITÓRIO
Exame clínico e obstétrico.
Orientar a paciente quanto aos sinais e sintomas do trabalho de parto.
Prescrição de medicação antiespasmódica se indicado.
Orientação para retorno.
FASE LATENTE
Após exame clínico e obstétrico detalhado, manter a paciente em observação por algumas horas
para avaliar a evolução para trabalho de parto.
INÍCIO DO TRABALHO DE PARTO
Internação.
Tricotomia – não há evidência de que traga benefícios para o parto ou puerpério. Preferencialmente,
realizar a tonsura dos pêlos pubianos.
Acesso venoso – por ocasião da coleta dos exames laboratoriais na internação, é aconselhável manter o
acesso por meio de jelco®, no 18 ou 16, salinizado.
Enema – desnecessário na conduta rotineira.
Sinais vitais: pressão arterial, pulso, temperatura.
Exame obstétrico detalhado
o Palpação abdominal.
o Ausculta fetal.
o Exame especular.
o Toque vaginal
Características do colo uterino (orientação, dilatação, apagamento).
Diagnóstico da apresentação fetal: tipo, altura, atitude (flexão e sinclitismo), variedade de
posição.
Arquitetura da pelve.
Avaliação laboratorial: VDRL, se necessário, teste rápido para HIV (se desconhecido e se autorizado
pela parturiente), grupo sangüíneo e fator Rh.
Admission test: As pacientes admitidas em trabalho de parto devem ser submetidas à cardiotocografia na
sala de admissão ou logo que entrarem no CO. Um resultado anormal indica risco de mau resultado
neonatal.
PERÍODO DE DILATAÇÃO
Cuidados com a Mãe
Alimentação – optar por líquidos claros durante o trabalho de parto. Evitar alimentos sólidos.
Atividade e posição materna – caminhar durante o primeiro estágio do trabalho de parto é frequentemente
recomendado e pode reduzir o desconforto materno. Não interfere na duração do trabalho de parto, na dose
de ocitocina, no uso da analgesia e no índice de cesariana. Banhos de chuveiro também aumentam o
conforto da paciente. Essas atividades dependem do status materno-fetal, da preferência pessoal e da
necessidade de monitoração.
Controle do pulso e da pressão arterial.
Corrigir prontamente a hipotensão, a hipovolemia, a hipoglicemia e os distúrbios da contratilidade uterina.
Hidratação – se necessária:
o Perfusão venosa de solução glicosada alternada com Ringer lactato.
o Prescrever glicose hipertônica parenteral caso o trabalho de parto se prolongue.
Analgesia peridural contínua, sempre que possível, após certificar-se da adequada evolução do trabalho
de parto (atividade uterina coordenada e evolução da dilatação cervical). Instalado o bloqueio, avaliar amiúde
a atividade uterina e prescrever infusão venosa de ocitocina, se necessário.
3. Devemos utilizar quimioprofilaxia com antibióticos sistêmicos?
O uso racional da profilaxia antibiótica propõe-se a diminuir os riscos de infecção no sítio da cirurgia, não
tendo como finalidade a sua redução em outros locais. Além disso, a profilaxia antimicrobiana não funciona
como substituta da antissepsia e da técnica operatória adequadas, e o espectro de ação do antibiótico deve
estar relacionado com a microbiota do sítio cirúrgico. Em Obstetrícia, discute-se a utilização da profilaxia
antibiótica nos diferentes tipos de parto e, quando indicada, analisa-se a medicação mais apropriada, o início
de sua administração e a duração do uso. A antibioticoprofilaxia nos diversos tipos de parto visa reduzir a
ocorrência de complicações infecciosas, cujo risco, segundo Burrows et al., é maior para as pacientes
submetidas à cesariana quando comparadas com aquelas que evoluíram para parto vaginal. (COSTA,2022)
Referências:
PEREIRA, Luana Rocha et al. Parto normal e intervenções ocorridas em uma maternidade pública. Revista Baiana de
Enfermagem, v. 33, 2019.
COSTA, Cinthia Figueiredo Córdova da; EUFRÁSIO, Sanayara Leite. Combinação de recursos não-farmacológicos
para o alívio de dor durante o trabalho de parto: uma revisão sistemática. 2022.