• Quais os objetivos / propostas da avaliação inicial (primeira etapa do trabalho de
parto) da gestante em trabalho do parto?
O objetivo do bom manejo na fase latente do trabalho de parto é evitar a internação
da mulher até que ela esteja em uma fase ativa do trabalho de parto. Com isso diminuem as
intervenções desnecessárias e complicações decorrentes da “cascata de intervenções”.
• Qual a propedêutica recomendada nesta etapa?
Durante o primeiro período do parto, os sinais vitais maternos devem ser avaliados a
cada 60 minutos. A presença de hipertermia e taquicardia em pacientes com ruptura
prematura de membranas (Rupreme) é sugestiva de infecção ovular. A analgesia peridural
também pode causar hipertermia com repercussão negativa no neonato. Pacientes com
evolução eutócica do TP não necessitam permanecer em jejum. A administração de líquidos
claros, por via oral, tem sido estimulada por ser benéfica e por evitar a desidratação. A
desidratação atrapalha a contratilidade muscular e pode aumentar a duração do TP.
Entretanto, nas pacientes com maior risco de aspiração de conteúdo gástrico (p. ex., obesas,
diabéticas, com via aérea de difícil intubação) ou com maior chance de necessitar de
cesariana, é prudente manter restrição a qualquer ingestão. Nos casos de pacientes que
necessitem de anestesia e que tenham ingerido outros alimentos dentro das últimas oito
horas, deve-se administrar uma ampola de ranitidina e uma ampola de metoclopramida IV,
preferencialmente uma hora antes do procedimento, para profilaxia da aspiração de
conteúdo gástrico.
Em gestantes de risco habitual, deve-se estimular que adotem a posição ou o
comportamento mais confortável, seja deambulação ou repouso ao leito. Caso a paciente
prefira guardar repouso ao leito, deve-se evitar o decúbito dorsal, que pode provocar
compressão aorto-cava pelo útero
• E a amniotomia? Deve ser realizada?
Recomenda-se postergar a amniotomia, como medida de proteção ao pólo cefálico.
Porém essa passa a ser recomendada quando 1h após admissão a gestante não dilatou 1 cm.
• A gestante nesta etapa pode se alimentar? Quais as condições?
A oferta da alimentação à parturiente refere-se a uma conduta que segue os preceitos
da humanização da assistência ao parto e nascimento, dentre o grupo alimentar mais
recomendado para ser ingerido durante o TP, estão alimentos leves e de fácil digestão.
• Devemos utilizar quimioprofilaxia com antibióticos sistêmicos?
A quimioprofilaxia deve ser prescrita após a ocorrência de um episódio de PNA
associada ou não a fatores de risco. O fármaco mais prescrito para profilaxia é nitrofurantoína
(100 mg ao deitar) até duas semanas após o parto. É importante a orientação de medidas de
higiene, hidratação e micção adequadas. Nas pacientes alérgicas à nitrofurantoína, pode-se
utilizar a ampicilina ou uma cefalosporina. Uma opção para a profilaxia é a realização de
uroculturas mensais para identificar precocemente novo episódio de ITU após a negativação
da urocultura.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FRANCISCO, C. E. J.; et al. Protocolos de obstetrícia da Secretaria da Saúde do
Estado do Ceará. Fortaleza: Secretaria da Saúde do Estado do Ceará, 2014.
Disponível em:
https://www.saude.ce.gov.br/wpcontent/uploads/sites/9/2018/06/protocolos_obstetric
ia_sesa_ce_2014_.pdf
MARTINS-COSTA, S. Rotinas em Obstetrícia. Grupo ArtMed, 2017. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714102/.
PINTO, L. M. T. R.; et al. O manejo alimentar durante o parto sob a percepção
da mulher. Revista de Enfermagem da UERJ. Rio de Janeiro, 2017. Disponível em:
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/10/947701/14205- 118973-1-pb.pdf