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Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham (c. 1285-1347) foi um filósofo e teólogo inglês da ordem franciscana. Ele ensinou em Oxford e Avinhão, onde se opôs ao Papa João XXII. Posteriormente, Ockham apoiou o imperador Luís da Baviera em sua disputa com o papado e viveu em Munique, onde escreveu panfletos criticando os papas. Suas obras acadêmicas trataram de lógica e metafísica, enquanto seus escritos posteriores
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Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham (c. 1285-1347) foi um filósofo e teólogo inglês da ordem franciscana. Ele ensinou em Oxford e Avinhão, onde se opôs ao Papa João XXII. Posteriormente, Ockham apoiou o imperador Luís da Baviera em sua disputa com o papado e viveu em Munique, onde escreveu panfletos criticando os papas. Suas obras acadêmicas trataram de lógica e metafísica, enquanto seus escritos posteriores
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Guilherme de Ockham (c.

1285-1347)
26 de Setembro de 2010

John Kilcullen
Universidade de Macquarie, Sydney

Tambm conhecido por Occam; cognomes latinos: Venerabilis Inceptor e Doctor Invincibilis. Telogo e filsofo ingls, e membro da ordem franciscana. Depois de estudar teologia em Oxford lecionou vrios anos numa escola franciscana, provavelmente em Inglaterra. Neste perodo escreveu vrias obras filosficas, incluindo Summa Logicae(Smula de lgica), e fez a reviso das suas disputationes de Oxford sobre as Sentenas de Pedro Lombardo. Em 1324 foi para a corte papal em Avinho, onde as suas disputationes de Oxford foram examinadas por um comit de telogos para determinar se continham heresias. Em 1328, por disposio do director da sua ordem, Miguel de Cesena, leu as constituies que o Papa Joo XXII emitira, numa tentativa de resolver as controvrsias sobre a prtica da pobreza na ordem franciscana. Ockham decidiu que os ensinamentos de Joo XXII nestes documentos eram herticos, deixando Avinho com o irmo Miguel, entre outros, juntando-se a Ludovico da Baviera, que tambm estava em conflito como papa devido sua eleio como imperador. Ockham viveu o resto da vida na capital de Ludovico, Munique, enviando panfletos e livros para mostrar que Joo XXII, e mais tarde o seu sucessor, Bento XII, deveriam ser afastados do papado. Os escritos de Ockham pertencem assim a dois grupos: escritos acadmicos, produzidos antes de 1324, e escritos polmicos, produzidos depois de 1328.

A obra acadmica de Ockham tem um carcter peculiar, explorando temas interligados, mas improvvel que se tenha proposto criar um sistema; como outros acadmicos, seleccionou algumas questes debatidas pelos seus predecessores e contemporneos e tentou responder-lhes mais adequadamente. Os alvos habituais das suas crticas eram Henrique de Gandavo e Duns Escoto. Rejeita a distino formal de Escoto (excepto no caso da divindade), sustentando que as nicas distines so entre coisa e coisa, conceito e conceito, e coisa e conceito. Rejeita tambm a doutrina da individuao de Escoto, segundo a qual um indivduo uma natureza comum que se singulariza contraindo-se em virtude de uma diferena individuadora formalmente distinta de si; segundo Ockham, todo o existente individual em virtude de si mesmo, no precisando de ser individuado. Sobre os universais, Ockham sustenta que um universal um signo (objecto fsico, palavra falada ou conceito) capaz de estar em vez de qualquer um de um nmero infinito de objectos similares; este o seu nominalismo um termo que ele mesmo no usou. Mas Ockham no defendia que a classificao imposta arbitrariamente pela mente humana: parte qualquer acto mental, Scrates e Plato so mais parecidos entre si do que qualquer deles parecido com um burro, razo pela qual um s signo, homem, pode estar em vez de qualquer um deles. Alm de Scrates e Plato, no h qualquer terceira entidade que seja a sua semelhana; excepto na divindade, os termos relativos no significam entidades relativas, mas absolutas, conotando certas proposies sobre elas. De facto, s os termos nas categorias de substncia e qualidade

nomeiam entidades, de modo que todos os termos e conceitos includos nas outras oito das dez categorias de Aristteles so conotativos. Ockham rejeita tambm a espcie (no sentido de uma parecena da coisa transmitida mente atravs do meio e dos sentidos, ou produzida na mente como meio de conhecimento). O desejo evidente de Ockham de ter uma ontologia frugal explica que se lhe tenha atribudo a navalha de Ockham, apesar de no a ter inventado e de raramente a invocar. Desenvolveu argumentos especficos contra cada tipo de entidade que rejeitava. Na teologia natural, Ockham rejeita muitos dos argumentos filosficos que na altura eram apresentados como provas de vrios aspectos da crena crist, mas no retira a concluso geral de que no se pode sustentar o cristianismo por meio de argumentos. Em tica, afirma que os preceitos do direito natural podem ser anulados por um mandamento de Deus, mas isto no implica (ao contrrio do que muitas vezes se pensa) que a moralidade se fundamente nos mandamentos divinos. Em epistemologia, parece antecipar a hiptese do gnio maligno de Descartes ao sustentar que Deus, considerando apenas o seu poder absoluto (i.e., pondo de parte a sua bondade e a sua vontade), pode causar em ns um acto creditivo falso indistinguvel de uma cognio intuitiva; contudo, Ockham no pressupe que o conhecimento seja impossvel a menos que possamos saber que o que parece uma intuio de facto genuna. A sua filosofia no parece conduzir ao cepticismo, em qualquer sentido. Os escritos polmicos de Ockham so habitualmente referidos como escritos polticos porque abordam em pormenor muitas

questes importantes de filosofia poltica. Quanto propriedade, rejeita a doutrina de Joo XXII de que a sua existncia foi estabelecida por lei divina; segundo Ockham, existe por conveno e lei humana, estabelecidas para controlar a cobia e a desavena. Rejeita a tese de Joo de que ningum pode consumir justamente o que no possui; esta discordncia entre ambos referida por Grcio, que tenta harmonizar as duas posies. Quando governao da Igreja, apesar de reconhecer que o papa tem o poder inteiro num certo sentido, rejeita a doutrina de que um papa pode fazer tudo o que no for imoral nem proibido por Deus; os papas tm de respeitar os direitos, incluindo os direitos dos descrentes, sob a lei humana. (Ockham parece ter sido um dos primeiros a introduzir na filosofia e na teologia a noo de direito dos advogados.) Regularmente, o papa no pode ser julgado por quem que lhe seja inferior na igreja, mas ocasionalmente pode s-lo, por exemplo se for suspeito de heresia. Ockham rejeita a doutrina da infalibilidade papal. Um papa suspeito de heresia ou de um crime grave pode ser julgado num tribunal humano; se for culpado de heresia j deixou de ser papa, por essa mesma razo, e se for culpado de um crime pode ser repreendido ou deposto. O contraste regularmente/ocasionalmente caracterstico do pensamento poltico de Ockham: no acredita que qualquer constituio ou outra legislao possa dar conta de toda a situao possvel; os indivduos tm de estar preparados para improvisar meios para lidar com ocasies imprevistas. Quanto ao governo secular, Ockham sustenta que o poder deriva do povo, e no da Igreja; o imperador e os outros governantes no precisam de ver a sua eleio confirmada pelo

papa, nem podem ser depostos pelo papa (excepto que, ocasionalmente, um papa, ou qualquer outra pessoa, actuando pelo povo, pode depor um governante injusto ou sem prstimo). Os governantes tm de respeitar os direitos dos seus sbditos, como o direito propriedade, apesar de, pelo bem geral, se poder anular um direito. Ockham criticou muitas vezes Marsilio, cuja concepo de soberania era alheia ao seu pensamento. Rejeitava, por exemplo, a doutrina de Marsilio de que todo o poder coercivo tem de estar concentrado nas mos de um governante; do ponto de vista de Ockham, os sbditos tm de conseguir, ocasionalmente, mobilizar suficiente poder para corrigir ou depor um governante que se tornou um tirano. Ockham apoiava o imprio (i.e., o Santo Imprio Romano) devido necessidade de se ter um governo mundial para manter a paz; sustentava, contudo, que o imperador tem de respeitar regularmente a independncia estabelecida dos reinados e das cidades livres. Na maior parte destes temas, Ockham estava a reafirmar, a defender e a desenvolver as ideias dos canonistas e telogos mais antigos; foi ele um dos canais atravs dos quais estas ideias chegaram aos pensadores liberais posteriores. Tradues: Oito Termos 1999; Obras
John Kilcullen
Retirado de Dicionrio de Filosofia, dir. de Thomas Mautner (Lisboa: Edies 70, 2010) Termos No reproduza sem citar a fonte de utilizao

Questes Polticas 1999.

sobre

Poder

do

Papa 2002; Brevilquio sobre o Princpio Tirnico 1988; Lgica dos Leitura: The Cambridge Companion to Ockham 1999.

Capturado em 22 de Dezembro de 2011

Fonte: [Link]

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