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TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL 1ºSEMESTRE
Bibliografia Do 1º Semestre: Capelo de Sousa Do 2º Semestre: C.A. Mota Pinto

O conceito de direito civil: o direito divide-se em dois grandes grupos, direito público e direito privado, sendo que o direito civil se integra no direito privado. A distinção entre direito público e direito privado: Critérios de distinção: o I – Um primeiro critério assenta na natureza do interesse protegido pelas normas, a chamada teoria dos interesses (interessentheorie). A norma seria de direito público quando o fim da mesma fosse a tutela de um interesse público, ou seja, um interesse da colectividade. A norma seria de direito privado quando visasse tutelar um mero interesse particular.  Críticas: a maior parte das normas jurídicas tanto de direito privado como de direito público visam proteger simultaneamente interesses públicos e interesses dos particulares. Assim, por exemplo, as normas que regulam o funcionamento e actuação do Estado, embora tutelando interesses gerais da comunidade, visam o bem dos homens concretos dessa comunidade. Por outro lado as normas de direito privado não se dirigem apenas à realização do interesse dos particulares, visando quase sempre interesses públicos (exemplo, art.875º cc.) que sujeita as vendas de imóveis a escritura pública, para além de defender as partes contra a sua precipitação realiza o interesse público de segurança do comércio. Só seria aceitável se exprimisse uma cota tendencial: o direito público tutelaria predominantemente interesses da colectividade e o direito privado tutelaria predominantemente interesses dos particulares (Marcelo Caetano): natureza do interesse prioritariamente tutelado; Ainda assim não seria aceitável porque em muitos casos não se sabe qual o interesse predominante (ex.registo predial). Há normas pacificamente classificadas como de direito privado e que visam predominantemente interesses públicos (normas imperativas).

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II – Um outro critério é o da posição relativa dos sujeitos da relação jurídica (subjektions theorie), o direito público regularia relações entre sujeitos que estão numa posição de supra-ordenação ou supremacia e outros de infra-ordenação ou de subordinação. O direito privado disciplinaria relações entre sujeitos numa posição relativa de igualdade ou coordenação.  Críticas: no direito público pode-nos surgir posições de igualdade ou coordenação (exemplo: relações entre dois municípios membros de uma associação de municípios);  No direito privado encontramos algumas relações jurídicas hierarquizadas (relação no poder paternal entre pai e filho (art. 1878º cc.) ou contrato de trabalho entre entidade patronal e trabalhador (art. 1152º); o III-Um outro critério é o da teoria dos sujeitos (subjektheorie) que assenta na identidade dos sujeitos. Seriam normas de direito público aquelas em que interviesse como sujeito activo ou passivo o Estado ou qualquer ente público. Seria de direito privado as que apenas interviessem particulares.  Críticas: os entes públicos podem intervir como particulares em muitos negócios jurídicos (ex. o Estado compra a um particular uma casa para lá instalar um serviço);  Os particulares podem relacionar-se entre si no âmbito do direito público (ex. concurso de acesso à função pública); o IV – O critério mais aceite é o da qualidade dos sujeitos, que é a versão moderna da teoria dos sujeitos. São normas de direito privado, as que regulam relações jurídicas entre particulares, ou entre particulares e o Estado ou outros entes públicos, ou entre entes públicos sempre que estes ajam despidos de poder de autoridade pública. São normas de direito público as que regulam relações jurídicas do Estado e outros entes públicos entre si, ou com os particulares quando os primeiros ajam munidos de poderes de autoridade pública, de soberania ou de império ius imperi.  Críticas: não dá base de sustentação para a integração no direito público das normas que regulam a organização e funcionamento das pessoas colectivas públicas e que são consideradas pacificamente normas de direito público; Deixa em aberto o que se entende por poder de autoridade pública. Existindo hoje várias funções do Estado, nomeadamente no campo da assistência social que não

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envolvem meios de autoridade, mas que também não mostram o Estado na veste de um particular (ex. rendimento mínimo garantido). O nosso ordenamento jurídico não estabeleceu um critério geral para determinar quais as normas de direito público e quais as de direito privado. Trata-se mais de um produto histórico, em que o ordenamento ao longo dos tempos foi fixando critérios diversos para determinadas relações jurídicas que foi integrando num ou noutro ramo. Noutros casos optou por interpolações mistas de direito público e de direito privado. No entanto há certas normas que nos permitem avançar na definição do critério: art. 501º cc: submete o Estado e demais entes públicos em matéria de responsabilidade civil decorrente do exercício de actividade de gestão privada ao regime do direito privado diferentemente do que acontece com actividade de gestão pública (critério da qualidade dos sujeitos). Artigo 1304º cc, que sujeita o domínio das coisas pertencentes ao Estado ou a outras pessoas colectivas públicas ás regras do código civil, só pertencendo ao domínio público do Estado os bens definidos e regidos por lei excepcional (art.84ºCRP) (critério da qualidade dos sujeitos). Em suma a nossa lei assume o critério da qualidade dos sujeitos da relação jurídica, embora hajam regimes mistos.  Alcance prático da distinção: 1. Satisfaz um interesse de ordem científica na sistematização e agrupamento das normas jurídicas; 2. Serve para determinar as vias judiciais competentes para a solução dos diferentes conflitos. Em casos de conflito de direito privado são competentes os tribunais judiciais e dentro destes os tribunais comuns em matéria civil, salvo quando houver matéria civil especializada (ex. tribunal de trabalho, tribunais de família e menores, tribunais marítimos). Em casos de conflito de direito público são competentes os tribunais administrativos e fiscais (arts. 211º e 212º CRP); 3. Responsabilidade civil, ou seja, a obrigação de indemnizar decorrente de uma actividade de órgãos ou agentes estaduais está sujeita a um regime diverso consoante os danos sejam causados no exercício de uma actividade de gestão pública ou privada. Ora, a actividade de gestão pública é a disciplinada pelo direito público e a de gestão privada pelo direito privado, daí a necessidade prática da distinção. Temos, assim efeitos legais próprios para o direito público distintos do direito privado.  Características do direito público e do direito privado: 1. Direito privado: vigora o princípio da liberdade em que é lícito tudo quanto não é proibido pela lei; Direito público: vigora o principio da competência ou da legalidade, onde só é lícito o que é permitido pela lei;

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Com o evoluir da sociedade foram surgindo direitos especiais (subconjuntos unitários e sistematizados de normas jurídicas aplicáveis a determinados e delimitados sectores da vida humana.atspace. aplicável o direito privado. Em 1888 vamos ter um novo código. prevendo um regime jurídico diverso do regime regra que é o direito civil. menoridade art. 3.1304º cc). no direito privado. só se aplicando o direito público quando a lei o determine. em regra. regulados pelo direito privado. de pendor objectivista: regula os actos de comércio. Ás relações entre o Estado e os particulares é. Direito público: predominância de normas imperativas (não podem ser afastadas pela vontade das partes). Encontramos. nos casos omissos. 4. o código de Veiga Beirão. mas tendo-o como direito subsidiário. só se aplicando o direito público quando a relação é dominada pela ideia de ius imperi. o direito civil é o direito – mãe (“Mutterrech”). 5. O direito comercial: desde cedo surgiram tribunais comerciais para os mercadores. sejam eles praticados ou não por comerciantes. Mas ser o núcleo fundamental não é ser todo o direito privado. em princípio. se deveria aplicar as leis das nações civilizadas. Assim. 6. este regulava um direito dos comerciantes.com/index. Os bens do Estado pertencem.122º). embora admitindo actos praticados apenas por comerciantes. Muitas vezes o direito privado é de aplicação subsidiária face ao direito público. A lei da boa razão (1769) e os estatutos da Universidade de Coimbra (1772) distinguiam já o direito comercial do direito civil. cuja jurisprudência muito contribuiu para a autonomização do direito comercial. assim. Os direitos privados especiais: 1. Direito público: regula um sector mais determinado de relações jurídicas.http://apontamentosdireito.  O direito civil como direito privado geral comum: O direito civil é o núcleo fundamental do direito privado. regras gerais no direito civil que se aplicam a esses ramos especiais do direito privado (ex.html 2. Direito privado: predominância de normas supletivas (regras jurídicas que podem ser afastadas pela vontade das partes em sentido contrário). 7. que ainda se encontra em vigor. dizendo que em matéria comercial. ao domínio privado (art. Os contratos do Estado com os particulares são. as que estão previstas na lei e se especializaram do tronco comum do direito que aparece ligado ao direito privado. Direito privado: é de certo modo um direito geral face ao direito público porque regula a generalidade das relações jurídicas. em regra. Mas a autonomia 4 . Mas a incerteza que daí advinha levou à publicação em 1883 do primeiro código comercial: o código de Ferreira Borges que era de pendor subjectivista.

trabalho de menores. no direito de greve. ou seja. Este ramo tem ainda especialidades de jurisdição. O direito do trabalho: com o avanço civilizacional os trabalhadores começaram a deixar de ser vistos como “criados”. Necessidade de facilidade. bastante alterado depois do 25 de Abril que veio estabelecer modificações na duração do trabalho. como parte económica mais débil. Direito internacional privado: o DIP não regula directamente as questões que dividem as partes. em que os conflitos laborais são resolvidos pelos tribunais de trabalho. ao contrario da fiança civil em que há o beneficio da excussão. Tratamento e tutela do trabalhador. etc. mas pessoas com direitos e deveres.etc. O comerciante precisa também do reforço das suas garantias. Apenas nos indica qual a legislação 5 . Há uma necessidade de maior regulamentação unitária de carácter internacional no direito comercial com a globalização da economia (ex. o fiador é o ultimo a responder pela dívida. regra geral. O nosso código civil declara no artigo 1153º que o contrato de trabalho está sujeito a legislação especial – DL nº 49. 3. sobretudo nas relações colectivas de trabalho. Os actos jurídicos comerciais são. Intervêm ainda ao nível da previdência social. Há uma grande intervenção do Estado na relação laboral. de natureza onerosa. Especialidade ainda de processo com mecanismos processuais próprios com o código de processo do trabalho.com/index. higiene e segurança. b. livranças e cheques).http://apontamentosdireito. c.48 de 24 novembro de 1969 que estabelece o regime jurídico do contrato individual de trabalho. intervindo nos conflitos entre as entidades patronais e os trabalhadores com armas como a requisição civil. senão vejamos: a. igualdade entre homens e mulheres. ao contrário do direito civil onde coabitam os actos onerosos e gratuitos. c. daí o direito comercial ser menos exigente no que respeita à forma negocial. b. leis uniformes para letras. sobretudo nos principais centros urbanos. simplicidade e rapidez na conclusão das transacções. como credor. 2. em que é conciliador.atspace. daí ter nascido grande regulamentação que levou à autonomização deste ramo do direito privado.html do direito comercial justifica-se pelas necessidades próprias do comércio moderno. onde há uma contrapartida económica. exemplo o aval comercial em que se responsabiliza a pessoa que o dá ao mesmo tempo e ao mesmo nível do devedor podendo o credor executar o património de um ou outro. O direito do trabalho compreende sobretudo as seguintes características: a. d. daí prevalecerem as normas que estabeleçam tratamento mais favorável para o trabalhador.

html estadual aplicável para regular um caso concreto em que os elementos da relação jurídica estão em contacto. No entanto. 24º a 47º da CRP que incorporam maioritariamente direitos fundamentais civis  aplicabilidade imediata da Constituição. Consta sobretudo dos ars. Controversa será essa qualificação para o direito agrário. com estrutura e espírito próprios. (a) Leis constitucionais. acepção restrita: designa os actos legislativos da AR). (b) leis ordinárias (da AR). (2) normas corporativas. as leis são tomadas numa concepção lata “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes (acepção latíssima: lei significa direito. daí a sua unidade e autonomia face ao direito civil. Noutros casos há normas programáticas na Constituição que necessitam de desenvolvimento legislativo. princípios fundamentais de direito. 1. 4. As leis: de acordo com o artigo 1º/2 cc. cada Estado tem o seu próprio DIP. o DIP não é um verdadeiro direito internacional. Daí que haja diversas normas constitucionais com aplicação no âmbito de direito civil. Outros ramos especiais do direito privado: constituirão também direitos privados especiais o direito de autor e direitos conexos bem como o direito de propriedade industrial como é patente pelo artigo 1303º. (d) decretos legislativos regionais e os vários regulamentos.http://apontamentosdireito. Essas normas estão a tender para a autonomização.com/index. 14º a 65º cc  é um direito instrumental de “normas sobre normas”. sendo o direito civil direito subsidiário destes ramos. (4) equidade. por 6 . Leis constitucionais: a Constituição é o quadro básico das relações jurídicas da sociedade.  Fontes mediatas (legitimidade depende de outras fontes): (3) usos. abarcando apenas as leis. mas um direito de natureza e fonte interna. Simultaneamente com várias ordens jurídicas estaduais. mas não há ainda um corpo legislativo unitário. emanação do contrato social de Rousseau. (c) decretos lei do governo. Nesta matéria concorrem normas de direito privado e também normas de direito público com o Estado a visar finalidades de justiça social e também com normas provenientes da União Europeia.atspace. Sobretudo por força do artigo 18º CRP são de aplicabilidade directa os arts. a. As fontes de direito civil: Fontes imediatas (operam sem intermediários): (1) leis. Temos assim. decretos-leis e decretos legislativos regionais. normas relativas à estrutura e actividade da agricultura. acepção intermédia: lei contrapõe-se a regulamento. É claramente direito privado porque diz respeito às relações jurídicas privadas ao contrário do direito internacional público que regula fundamentalmente relações entre Estados.

atspace. Veja-se o exemplo das portarias que estabelecem os coeficientes de actualização dos arrendamentos urbanos para habitação. exemplo o artigo 64º da CRP. Se o Estado não desenvolver politicas nesse sentido poderá haver lugar à inconstitucionalidade por omissão  aplicabilidade mediata da Constituição.198º/2 CRP). 2. que está presente no artigo 161º da CRP e uma competência reservada. estas normas deixaram de ser fonte de direito e o facto destas terem permanecido no artigo 1ºcc deve-se ao facto da reforma deste código em 1977 ter tido um carácter meramente parcial. donde sobressai o princípio da liberdade de associação que gera fontes de direito em matéria de estatutos e regulamentos internos. Decretos – lei do governo: têm o mesmo valor das leis ordinárias. adaptando o código à CRP de 1976 e não ter sido feita uma revisão geral do mesmo. Mas salvaguardando a unidade do sistema o artigo 1º/3 afirma que essas normas não podem contrariar disposições legais de carácter imperativo. Temos uma competência exclusiva (art. Por exemplo. uma competência própria (198º1/a) CRP) e uma competência autorizada (198º/1/b) CRP): foi o que se passou aquando da reforma do código civil em 1978 que o adaptou à CRP de 1976. Usos: o artigo 3º considera os usos como fonte de direito mas conferelhes importantes limitações: 7 . As normas corporativas: uma parte da doutrina (Doutor Mota Pinto) entende que com a abolição do regime corporativo com o 25 de Abril. c. Há dois tipos de reserva. que depende das capacidades do Estado para promover esse direito.165º CRP). a representatividade profissional mantém-se. Leis ordinárias: as leis ordinárias são as leis da AR. d. b) não estejam reservados à competência própria dos órgão de soberania.html b. 3. uma reserva absoluta em que cabe exclusivamente à AR não podendo delegar no Governo essas tarefas (art. ainda que noutros moldes. Mas parece que estas continuam a existir.com/index. Esta tem uma competência geral. esse código deontológico não poderá conter normas que violem direitos liberdades e garantias. Regulamentos: no direito civil há ainda zonas periféricas de carácter regulamentar. Daí defender a revogação tácita ou uma interpretação ab-rogante face a estas normas. Exemplo disso é o código deontológico da ordem dos médicos. e. c) estão subordinadas às leis gerais (art.164º CRP) e uma competência relativa. Decretos legislativos regionais: atente-se ao artigo 227º da CRP e às limitações aí presentes: a) matéria de interesse especifico.http://apontamentosdireito. em que ela pode delegar ao governo essas competências (art.112º/4 da CRP bem como o próprio 227º). pois apesar da extinção do regime corporativo. Tornando-se muito mais fácil essa actualização assim do que se a mesma fosse feita por decreto – lei.

mas foi decrescendo de valor devido à sua incerteza e à rapidez das mutações sociais. 4.  A jurisprudência: a jurisprudência  o conjunto de decisões em que se exprime a orientação seguida pelos tribunais na decisão dos casos concretos. Actualmente o costume não é fonte de direito civil. algo que acontece nos países da “common law”). Equidade: o artigo 4º. Só tem lugar quando haja disposição legal que o permita (exemplo art. Quando as partes tenham previamente convencionado nos termos da cláusula compromissória (esta diz respeito à fixação da resolução de litígios através de tribunais arbitrais. aqui tomada numa acepção objectiva. um comportamento honesto. honroso e leal.com/index.html a. não ser contrário à lei (100 anos de existência) sendo que o código de 1867 o excluiu das fontes de direito (o chamado código de Seabra). Não podem ser contrários aos princípios da boa fé.  É a chamada justiça do caso concreto ou solução ex aequo et bono . Começou por ser fonte imediata de direito. Só são juridicamente atendíveis quando a lei o determine. Quando haja acordo das partes e a relação jurídica não seja indisponível. sobretudo no seu nº3 em que assumem especial relevo os regulamentos dos órgãos da EU que vigoram directamente na nossa ordem jurídica interna ao contrário das directivas que necessitam de acto de transposição para o direito nacional. A única excepção que existia até 1995 era a dos assentos do STJ.art. b. ou seja. c. exemplo caso entre a EDP e a TELECOM que pode implicar grande conhecimento tecnológico  elas estabelecem que o processo é resolvido por tribunal arbitral).  As fontes internacionais: a CRP no artigo 8º abre a nossa ordem jurídica a fontes de direito internacional.http://apontamentosdireito. como tal são fonte mediata de direito já que para se aplicarem necessitam da remissão de uma norma jurídica (ex.  Não confundir os usos com o costume (prática social reiterada com a convicção da sua obrigatoriedade jurídica). não é fonte de direito na nossa ordem jurídica. sendo que aqui não são competentes os tribunais comuns.atspace. outra fonte mediata do direito civil já que: a. Não estarem em oposição com as normas corporativas. A lei da Boa razão colocou-lhe enormes restrições: conforme à boa razão.2º e hoje 8 . 494º). c. presentes no art.218º). b. se um juiz de 1ª instancia tem uma interpretação diferente de certa norma da do Supremo deve seguir a sua própria interpretação). Essas decisões não vinculam os mesmos ou outros tribunais no futuro (julgamento do mesmo tipo. devido ao princípio da independência doas magistrados judiciais que julgam apenas segundo a Constituição e a lei (exemplo.

8º nº3 mostra claramente o desejo de uma certa uniformização na aplicação do direito para garantir a segurança e a previsibilidade do direito. é o caso das clausulas gerais e de conceitos indeterminados. cabendolhe uma ponderação na aplicação concreta de muitos comandos legais. Mas de acordo com o artigo 8º nº3 não são apenas objecto de ponderação por parte do juiz os acórdãos do Supremo em julgamento ampliado de revista. em que a função legislativa é atribuída à AR e ao Governo e a função jurisdicional é atribuída aos tribunais. No entanto o art. Para isso. presente no art. Tem um mero valor indicativo. das relações e até sentenças de 1ª instância. capaz de valorações jurídicas. relativamente à mesma questão fundamental de direito. Não parece que o sejam:  O TC não cria nenhuma norma. Só que esse acórdão não tem força obrigatória geral nem mesmo para os tribunais superiores. para os casos concretos o recurso intentado até essa data vale para a resolução do conflito concreto. até porque se o caso tiver valor para subir até ao Supremo o normal é o acórdão ser reafirmado. no plano processual o acórdão em julgamento ampliado de recurso de revista.com/index. mas também outros acórdãos do Supremo.atspace. Existe aqui uma forte dose de valoração apresentando a intervenção judicial um verdadeiro carácter constitutivo (exemplo art. Isto é ainda mais visível no preenchimento das lacunas da lei com os artigos 10º nº1 e 2. Esta revogação baseou-se sobretudo no princípio da separação dos poderes. Daí ser inaceitável a criação. foi criado. a nomeação de um Ministro no DR-I-A tem também força obrigatória geral e não é uma norma jurídica. valendo como preceito geral para o futuro. Em termos gerais vale como mera jurisprudência uniformizada. Cada vez menos o direito recorre a uma jurisprudência de conceitos. No entanto é necessário que haja razões fortes para esse tribunal contrariar tal acórdão.http://apontamentosdireito. O facto dos acórdãos serem publicados no DRI série A e terem força obrigatória geral não é significativo pois. mesmo que com carácter interpretativo. têm um mero valor indicativo. Cada vez o juiz é menos a “boca da lei”. Quando existiam dois acórdãos do Supremo e excepcionalmente da relação. Daí que se fale no desenvolvimento normativo do direito pelo juiz ou mesmo do chamado Richterrrech (direito jurisprudencial). mas a uma jurisprudência atenta aos interesses das partes.111º da CRP. sobretudo com o 10º nº3 em que o juiz elabora uma norma adhoc dentro do espírito do sistema  aqui há uma clara indução do direito. ou seja. por parte destes de normas jurídicas com força obrigatória geral. por exemplo. assentes sob soluções opostas e sejam produzidas no domínio da mesma legislação se recorria para o plenário do Supremo que tiraria um assento que solucionaria o caso concreto. Quanto aos assentos proferidos antes da data da sua revogação (13/12/1995) deixaram de ter força obrigatória geral e têm o valor dos acórdãos de recurso ampliado de revista. em que o plenário das secções cíveis emite um acórdão de forma a assegurar a uniformidade da jurisprudência. positivista e dedutiva. – problema de aplicação de leis no tempo.html revogados. Oliveira Ascensão diz que os acórdãos com força obrigatória geral do TC são fonte de direito.334º). limita-se a formular um juízo de valor. acórdão que é publicado no DR. 9 .

Por isso ele é pessoa. Principio da boa-fé. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios. 5. 3. tem um incondicionável valor em si mesmo. 6. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana. 8. um direito a ser respeitado por ele como pessoa. de se autopropor objectivos e limites para a sua actuação. Principio da autonomia da vontade privada. Principio da liberdade declarativa. 13. Ao seu aprofundamento: 1. 4. Principio da dignidade da pessoa humana: resulta do artigo nº1 da CRP. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas. Vamos proceder à sua enumeração: 1. face a qualquer outro. Principio da tutela geral da personalidade. Principio da não violação da esfera jurídica alheia. o homem é “fim em si mesmo”.282º. dão coerência e unidade ao conjunto do direito civil. não podendo ser empregado simplesmente como meio. Numa fórmula de Kant. Principio do equilíbrio das prestações. 12. Estes princípios podem ter carácter fundamental ou Constitucional se resultam de normas ou princípios Constitucionais. Mas há também princípios gerais emergentes da lei ordinária civil. sendo obrigado a respeitar a outra de modo análogo  princípio do respeito mútuo é fundamental e é a base da convivência numa comunidade jurídica e de toda a relação jurídica e está na origem do próprio direito geral de personalidade (art. Principio da igualdade. 2. 9.70º) Este princípio implica: a.http://apontamentosdireito. 10. Principio da proibição do abuso de direito. Principio da dignidade da pessoa humana. Principio da proibição de negócios usuários: art. Face a esta dignidade Larenz diz que todo o ser humano tem. 7. resultando da natureza do homem deste configurar livre e reciprocamente a sua existência e a sua inserção social. modelam o conteúdo do direito civil. 14.html  Os princípios gerais de direito civil: são princípios de ordenação material ou substancial das normas jurídicas civis que estruturam. 10 . Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana. 11.com/index. Tais princípios são desenvolvidos pelas normas civis e alimentando o espírito do sistema civil a eles se recorrendo na integração de lacunas praeter legem conforme o artigo 10º/3. São a sua ossatura.atspace.

html b.13º CRP que implica que se tratem igualmente situações de interesses iguais e que se tratem diferentemente situações de interesses diversos.http://apontamentosdireito. segundo Castanheira Neves à intenção material especifica do direito. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana: do princípio da dignidade da pessoa humana decorre que todo e qualquer ser humano tem personalidade jurídica  aptidão para ser centro autónomo de relações jurídicas (art. 3.  O direito é ainda concebido tendo como destinatários essa comunidade de pessoas livres e iguais. Exemplo de excepção é um menor com menos de 16 anos. pois este regime apenas visa favorecer o filho já que biologicamente e sociologicamente tem uma maior ligação à mãe e à família desta do que ao pai.36º/4 CRP. se é baseada em fundamentos materiais suficientes e assenta em considerações razoáveis. Principio da igualdade: este princípio decorre do art. que não viola o principio da igualdade do homem e da mulher.70º. 2.atspace. Mas qual o critério a adoptar para sabermos quando estamos perante uma situação de igualdade ou desigualdade? Deve-se atender. um conjunto de 11 . O artigo 13º da CRP diznos que apesar das nossas diferenças especificas. Como exemplo de uma norma razoavelmente discriminatória: temos o artigo 1911 nº2. uma qualidade que pertence a todos os homens sem distinção. vendo.66º nº1). atendendo à sua particularidade. uma razão arbitrária que não é materialmente fundada e não assenta em objectivos razoáveis violará este principio de igualdade. Só não o será face a disposição legal em contrário como decorre do artigo 67º. existe no cerne da natureza humana uma base comum a todos. já seria uma norma que violaria o principio da igualdade a que permitisse um quota hereditária maior para os filhos nascidos dentro do casamento dos que os fora do mesmo. não pode casar. A excepção à regra geral de que todos os homens têm capacidade jurídica é a incapacidade. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana: a dignidade da pessoa humana postula ainda uma plenitude da capacidade jurídica de qualquer homem: aptidão para ser titular de um circulo maior ou menor de relações jurídicas (art. independente do conteúdo (por exemplo promoções de uma real igualização através de diferenciações legais compensatórias). Qualidade que está na base da personalidade físico-moral presente no art. como é o caso do decreto – lei acerca das cláusulas contratuais gerais. Vigência de certos institutos de favorecimento da parte contraente mais fraca. violando assim directamente o art.com/index. 67º). 4. assim. Fala-se cada vez mais de igualdade jurídicomaterial e não de igualdade jurídico-formal.

Esta igualdade que se quer material impõe obrigações legais de diferenciação para compensar a desigualdade de oportunidades que se verificam na prática. sobre a sua própria personalidade humana nos seus elementos físicos e espirituais. ou seja. 81º nº1 (pelo consentimento ser contra a ordem pública devido aos prejuízos irremediáveis que resultariam para a pessoa são ilícitos a mutilação ou a eutanásia). 72º a 80º. Esses direitos especiais encontram-se nos arts. aptidão para se ser centro autónomo de relações jurídicas (regulada no art. espírito (sentimentos inteligência). liberdade. b. bem como a capacidade criadora do homem e as respectivas criações.70º nº2. Relação do homem com o seu ambiente físico e social: a identidade.atspace. Principio da tutela geral da personalidade: quando o artigo 70º nos fala de personalidade física ou moral. 6. segurança. não se trata de personalidade jurídica.com/index. o seu corpo. etc. Certas providências judiciais adequadas às circunstâncias do caso para evitar a consumação da ameaça ou atentar os efeitos da ofensa já cometida – art. a qualidade de também elas serem centros autónomos de relações jurídicas.http://apontamentosdireito. na medida em que todo o homem tem um direito sobre si mesmo. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas: ao lado da personalidade jurídica reconhecida a todas as pessoas singulares o nosso direito civil no artigo 158º atribui. 70º nº2). mediante certos pressupostos personalidade jurídica às pessoas colectivas.66º) mas sim de personalidade humana tomada como objecto jurídico. Segundo o artigo 157º as pessoas colectivas privadas são: 12 .html direitos absolutos que se impõe ao respeito de todos os outros. Esta cláusula geral da tutela da personalidade protege os bens da personalidade ligados: a. ou seja. Relação do homem consigo mesmo: a vida.  Junto desta estrutura normativa existem diversos direitos especiais de personalidade que tutelam aspectos particulares da personalidade aos quais se aplica subsidiariamente o regime do DGP. A violação destes mesmos direitos pode implicar: Responsabilidade civil (art. Pessoas colectivas: são colectividades de pessoas ou complexos patrimoniais / organizados em vista a um fim comum / a que o ordenamento jurídico atribui a qualidade de sujeitos de direitos. 5. honra. Os direitos de personalidade são irrenunciáveis: podendo todavia ser objecto de limitações voluntárias que não sejam contrárias aos princípios da ordem pública – art.

como nos refere o artigo 160º nº1. Sociedades: organização de duas ou mais pessoas / que contribuem com bens ou serviços para o exercício de uma actividade económica / dirigida à obtenção de lucros e à sua distribuição pelos sócios. em que as pessoas colectivas seriam uma realidade idêntica à das pessoas singulares. Não podemos aceitar nenhuma das duas teorias expostas. este principio não se confunde com livre arbítrio. sendo que os seus órgãos devem actuar de acordo com a vontade declarada pelo fundador. ela não é nenhuma ficção legal porque tem a sua natureza e fundamentação na realidade social e na estruturação de interesses humanos. No nº2 do artigo 160º é ainda excepcionado da capacidade jurídica: a) Direitos e obrigações vedados por lei (ex. mas outros fins comuns (recreativos.http://apontamentosdireito. como nos diz Manuel de Andrade “ é a tradução jurídica de um fenómeno empírico”. Por outro lado a teoria organicista é também de rejeitar porque não precisamos de um organismo antropomórfico para justificar a personalidade jurídica. Mas qual a natureza desta personalidade colectiva? Autores como Savigny defendem a teoria da ficção segundo a qual a lei estaria a proceder como se as pessoas colectivas fossem pessoas singulares.atspace. com cada um fazer aquilo que bem entende. a capacidade jurídica das pessoas colectivas não é de carácter geral. c. Ela é sim de natureza funcional ou especifica em razão dos fins de cada uma delas. num claro antropomorfismo. Principio da autonomia da vontade privada: este principio resulta do poder de auto-determinação de cada homem e cresce limitado pelos quadros normativos da ordem jurídica que assentam na vontade popular. Ao contrário da capacidade jurídica das pessoas singulares. e . b. a capacidade jurídica das pessoas colectivas é menor e inferior à das pessoas singulares como resulta da comparação dos artigos 67º e 160º. Por um lado.com/index. Associações: colectividade de pessoas que não têm por fim o lucro económico dos seus associados. capacidade testamentaria) b) Direitos e obrigações que seja inseparável da personalidade singular (os direitos derivados da vida como o casamento ou a filiação) Assim.html a. resultam da natureza das coisas. Fundações: massa de bens afecta pelo seu instituidor a finalidades de interesse social. Autores como Otto Van Gierke defendem a teoria organicista. já que ela é uma criação do direito  Ela é assim uma criação do direito e não uma ficção legal ou organismo natural. culturais. 7. Tudo porque vivemos em 13 . Assim.etc). apesar de ser uma criação do direito.

pela boa fé. Principio da autonomia privada: traduz-se no estabelecimento. 1690º ss. Tutela da liberdade negativa: proíbe que qualquer pessoa possa ser constrangida por outrém a praticar ou não praticar qualquer facto – nemo postest presise coagi ad factum. 1576 e ss. de constituir família e de requerer divórcio – art. Vigoram também diversos regimes imperativos como é o exemplo da matéria de dividas dos conjugues – arts. pelos bons costumes. as formas de testamento. o abuso de direito.html sociedade e as relações jurídicas não visam apenas o bem individual mas também o bem comum. criação de obras literárias). não podendo constituir direitos reais os que não estejam previstos na lei. Vejamos as varias expressões da autonomia privada: a) Nos direitos reais: principio da livre aquisição e transmissão entre vivos e por morte das coisas dominiais privadas – art. Principio que contém restrições de direito público  expropriações por utilidade pública (62ºnº2 CRP) e de direito privado. 1306º que se traduz na regra do numerous clausus ou da tipicidade das figuras reais e dos seus elementos característicos. etc. 1698º. de celebração de testamento e de fixação do seu conteúdo.atspace. as fontes de vocação sucessória. actos que se traduzem num certo resultado material (ex. domínio onde imperam as normas imperativas. 36º CRP. O principio da livre realização de actos reais.No entanto. etc. por exemplo (334º). ou seja.62º CRP. 2030º. Tutela da liberdade positiva: permite a cada um praticar ou não praticar qualquer facto que não seja proibido ou prejudique superiores interesses jurídicos de outrem. b. segundo a sua vontade e dentro dos limites estabelecidos pela ordem jurídica. c) No direito das sucessões: liberdade de transmissão sucessória – artigo 62º nº1 CRP. O nosso direito civil protege o poder de auto-determinação do homem em duas vertentes: a. pela ordem pública e o próprio fim do exercício da liberdade (334º). Artigo 1306º em que se fixa os modos de aquisição do direito de propriedade. 14 .http://apontamentosdireito. Mas estão também tipificados os diferentes objectos de sucessão – art. b) No direito da família: liberdade de celebração de casamento.com/index. também aqui há o principio da tipicidade das figuras familiares e dos seus efeitos – arts. No entanto é uma área com grande incidência de normas imperativas ex.fixação do regime de bens do casamento – art. conformação e extinção autónomos da relações jurídicas privadas por parte de cada homem.

art.atspace. Sendo que a forma.constituindo-as. ii. Há que distinguir entre:  Negócios jurídicos unilaterais: tem apenas uma declaração de vontade (exemplo o testamento).proibição de celebração de contratos com determinadas pessoas (ex. Ninguém pode ser obrigado a contratar contra a sua vontade – nemo potest precise coagi ad factum ou a ninguém podem ser aplicadas sanções pela recusa de contratar.html d) No direito das obrigações: É neste domínio que mais se afirma o princípio da autonomia privada como grande meio de actuação da autonomia privada temos o negócio jurídico: acto pelos quais os particulares ditam a regulamentação das suas relações.  Negócios jurídicos bilaterais ou contratos: com duas ou mais declarações de vontade convergentes.dever jurídico de contratar no que respeita ao seguro de responsabilidade civil automóvel.com/index. Nos negócios jurídicos unilaterais é de olhar com reserva a produção de efeitos na esfera jurídica (conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular) alheia (por vontade unilateral de outra pessoa). modificando-as. Nos negócios jurídicos bilaterais ou contratos. emissão de acções destinadas a subscrição pública).  2.sujeição do contrato a autorização de outrém (ex. b) Liberdade de modelação do conteúdo contratual: faculdade conferida aos contraentes de fixarem livremente o conteúdo dos contratos. Do artigo 405º emerge: a) Liberdade de celebração de contratos: faculdade de livremente realizar contratos ou recusar a sua celebração. os pressupostos e os seus efeitos estão também imperativamente fixados na lei. 3.http://apontamentosdireito. 877º). Daí que nos negócios jurídicos unilaterais vigore o principio da tipicidade ou do numerous clausus.realizar contratos típicos nominados aos quais concertam as 15 . A ninguém pode ser imposta a abstenção de contratar: excepcionalmente o nosso ordenamento apresenta algumas restrições à liberdade de celebração de contratos: 1. sendo que só são juridicamente admitidos os que estiverem especificamente previstos na lei – art. nestes negócios vigora o principio da liberdade contratual  artigo 405º. Esta liberdade subdivide-se em dois predicados: i. tendentes à produção de um resultado jurídico unitário (ex. 2. compra e venda). Isto implica:  1-a possibilidade das partes realizarem os contratos previstos no código civil (exemplo a compra e venda) ou em outras leis (exemplo locação financeira) chamados contratos típicos nominados em que as partes aceitam todo o conteúdo e indicam apenas os pressupostos factuais para a sua produção. 457º. extinguindoas e determinando o seu conteúdo.

os comportamentos das pessoas. (eventualmente conjugando dois ou mais contratos – contratos mistos – art.  3–a possibilidade das partes celebrarem contratos diferentes dos previstos no código. alterado pelo Decreto Lei 220/95 por si alterado pelo Decreto Lei 249/99 de 7 de Julho. Há duas espécies de responsabilidade civil: a. Vem regulada fundamentalmente nos artigos 798º ss e implica a falta culposa do devedor ao cumprimento da obrigação. Essa obrigação de reparar ou compensar os danos causados é a chamada responsabilidade civil : necessidade imposta pela lei. chamados contratos atípicos inominados. desde logo as aludidas no artigo 405º “dentro dos limites da lei”. na obrigação de reparar ou compensar os danos causados. os direitos de personalidade). Para combater isto podemos recorrer às regras da boa fé – artigo 762º. a nulidade do negócio contrário à ordem pública – artigo 280º nº2. injustas. em princípio. sejam eles acções ou omissões violam muitas vezes deveres de abstenção ou de acção. os direitos de crédito). Em tal esfera podemos considerar dois hemisférios: a. Teoricamente não há restrições à liberdade contratual. b. 8. Negocial: resulta da violação de um direito de crédito ou obrigação em sentido técnico. Mas há também poderosas restrições fácticas a este princípio sobretudo nos chamados contratos de adesão (contratos entre produtores ou distribuidores de bens ou serviços em larga escala e consumidores aderentes que são múltiplos e indeterminados. electricidade) e rejeitar o contrato é não satisfazer uma necessidade fundamental. só que na prática não é bem assim. a quem causa prejuízos a outrém. pois muitas das vezes o fornecedor está numa posição de monopólio (ex. Mas.atspace. limitando-se os segundos a aderir ou não a tal contrato). temos mais recentemente o regime das cláusulas contratuais gerais – Decreto Lei 446/85.com/index. muitas delas. o consumidor é livre de rejeitar o contrato. 16 . Pessoal: caracterizado pela sua não avaliabilidade em dinheiro e onde se inserem os direitos pessoais ou não patrimoniais (exemplo. emergente de um negócio ou directamente da lei (exemplo. esta liberdade contratual conhece algumas restrições legais.html cláusulas que lhes aprouver. Patrimonial: definido pela sua avaliabilidade em dinheiro e onde se enquadram os direitos patrimoniais (exemplo. Quando isto acontece a pessoa constitui-se. de colocar o ofendido na situação em que estava sem essa lesão. pelos seus direitos e interesses juridicamente protegidos.http://apontamentosdireito. compra e venda). Na vida social. Principio da não violação da esfera jurídica alheia: cada pessoa tem uma esfera jurídica própria que é composta pelo conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular. 405º nº2. propondo os primeiros todas as cláusulas do contrato. Daí que o consumidor impedido pela necessidade é forçado a aceitar o contrato e todas as cláusulas constantes no mesmo.

sabendo que os empregados têm que passar por prédio alheio e destruir 17 .com/index. Nexo de imputação de tal acção ou omissão ao agente. ilícito porque é contrário aos comandos que lhe são impostos pela ordem jurídica. passiva ou activa. a prestação já não ser possível de se efectuar no todo ou em parte – 801º e 802º. iii. do não cumprir de um dever geral de abstenção ou acção contraposto a um direito absoluto.  Dolo necessário: quando o agente realizou tal facto ilícito prevendo-o como uma consequência reflexa. Voluntário – quer dizer que é dominável ou controlável pela vontade do lesante. no entanto a prestação é ainda possível – artigo 804º. Responsabilidade civil por actos ilícitos ou culposos: regulada no artigo 483º nº1 e pressupõe: 1. ii.http://apontamentosdireito. não efectua a prestação no tempo devido. não quer dizer que seja um facto querido por este.atspace. por causa que lhe seja imputável. A existência de uma acção ou omissão. Extra-negocial. Ela conhece três tipos: i. Mora: o devedor. que envolve uma censura ético-jurídica e que se desdobra em dois elementos: A imputabilidade (ver 488º). ou seja. extra-contratual ou aquiliana: resulta da violação de uma obrigação. A utiliza o nome profissional e B para se fazer passar por ele). voluntária e ilícita que viole um direito subjectivo absoluto ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios. A culpa. que assume as seguintes modalidades: o Dolo: que pode ser:  Dolo directo: o agente quis directa e especificamente realizar o facto ilícito violador do direito de outrém (exemplo. mas necessária de uma conduta (exemplo: A quer transportar produtos de um prédio para o outro. b. Impossibilidade de cumprimento: o incumprimento decorre de uma causa imputável ao devedor. 2. este realiza a prestação mas com vícios ou deficiências que ocasionam prejuízos específicos ao credor – artigo 799º. Ela desdobra-se em três modalidades: i. Cumprimento defeituoso: por causa imputável ao devedor. Vem regulado essencialmente nos artigos 483º a 510º. universal.html sendo a culpa apreciada nos termos aplicáveis à responsabilidade civil extranegocial como decorre do 799º/2.

o condutor ao aproximar-se de um cruzamento. São bens estranhos ao património do lesado.  Inconsciente: o agente por imprudência.  Dolo eventual: quando o agente praticou tal facto ilícito prevendo-o como um efeito apenas possível ou eventual.http://apontamentosdireito. Esta pode ser:  Consciente: quando o agente previu como possível o resultado ilícito mas por precipitação ou desleixo cré na sua não verificação. Aqui o agente procede sem os elementos volitivos do dolo. mas com a omissão de deveres de cuidado. distracção ou inaptidão não teve consciência de que o acto poderia decorrer o resultado ilícito. Verificam-se 18 . vendo pessoas e veículos não abranda a sua velocidade excessiva. perícia e diligência exigíveis para evitar a violação do direito ou interesses alheios. destruir uma coisa). desleixo. apesar disso. resultante de uma hospitalização por agressão física). pois o artigo 494º admite a possibilidade de diminuição equitativa da indemnização. 3. um homem médio. não se preocupando com o atropelar alguém ou embater com outro veiculo o que acaba por acontecer em qualquer dos casos o lesante conhece as circunstâncias de facto que integra a violação do direito e tem consciência da ilicitude do facto. dá ordens nesse sentido. imperícia. o Danos não patrimoniais ou morais: consagrados no artigo 496º. A existência de danos: estes podem ser: o Patrimoniais: traduzem-se numa diminuição ou não aumento do património  Directos: prejuízo imediato sofrido pelo lesado no Dano emergente seu património (exemplo. ou seja.  A culpa em sentido amplo (abrangendo dolo e negligência) deve ser apreciada em abstracto pelo modelo de um bom pai de família (o velho bónus pater famílias romano). mas teria persistido na sua conduta se previsse o facto ilícito como efeito necessário da sua conduta (exemplo. embora este objectivamente fosse previsível se o agente usasse de diligência. perda de salários. +  Indirectos: vantagens que deixaram de entrar no Lucro cessante património do lesado em virtude do acto ilícito (exemplo. com a sua inteligência e perspicácia colocado nas circunstancias e contexto em que o lesante agiu – artigo 487º nº2.html nele certas culturas.com/index.atspace. o Negligência ou mera culpa: é muito importante a diferenciação entre mera culpa e dolo.

terá lugar uma indemnização em dinheiro ou restituição por equivalente. o mesmo é dizer que o autor só está obrigado a reparar aqueles danos que não se teriam verificado sem essa violação. c) A existência de prejuízos. para seu benefício. etc. um empurrão no autocarro). A matéria referida encontra-se nos artigos 500º a 510º. Pressupõe: a) Violação de um direito absoluto. com base no facto desta ter posto em acção. ser uma reconstituição natural. ibi incomoda (onde estão as coisas cómodas estão as incomodas). certas forças que são fontes de riscos e potenciais danos para os outros. Só que aqui estamos perante factos não culposos. Necessidades sociais de segurança impõem que quem crie uma fonte de riscos em seu proveito suporte os efeitos prejudiciais do seu emprego. Responsabilidade civil pelo risco ou objectiva: só tem lugar nos casos tipificados na lei como decorre do artigo 483º nº2. b) Nexo de imputação objectivo entre esse facto e responsável.html quando há sofrimentos físicos ou morais. A verificação de um NEXO DE CAUSALIDADE ADEQUADO: entre os danos produzidos e o acto em causa.http://apontamentosdireito. O artigo 496º nº1 fala de danos que pela sua gravidade mereçam tutela do direito. temos assim uma compensação. Concluindo: esta responsabilidade civil por actos ilícitos é substancialmente culposa ou subjectiva. daí que segundo o artigo 483º nº1 só são indemnizáveis os danos resultantes da violação. em principio. fazer apelo à liberdade moral do homem e apresentar os danos como consequências evitáveis . que é uma hipótese maioritária.com/index. No caso dos danos não patrimoniais não podemos falar de uma indemnização porque não são avaliáveis em dinheiro. O mesmo artigo 566º nº1 diz-nos que quando tal não seja possível pelas razões indicadas.atspace. assim não serão indemnizáveis os pequenos incómodos. consultar. Existem teorias acerca disto. 4. estimulando – se desta forma zelos e cuidados em impedir esses danos. visto raramente o lesado ficar completamente indemnizado com a reconstituição natural. segundo o princípio ubi commoda. como nos diz o artigo 566º nº1 ( “sempre que a reconstituição natural não seja possível”): é a reconstituição da situação em que o lesado estaria sem a infracção.  A reconstituição a que obriga a responsabilidade civil pelos artigos 483º e 562º deve. é como nos diz Mota Pinto. Para além de 19 . que não é um “preço de dor” mas uma compensação mediante satisfações derivadas da utilização do dinheiro. desgostos ou contrariedades embora emergentes de actos ilícitos imputáveis a outrem (exemplo. apenas materialmente imputáveis à pessoa. perda de consideração social. d) Nexo causalidade entre facto e dano.

como por exemplo os negócios usurários – artigo 282º. Boa fé objectiva: aqui trata-se de uma conduta ou comportamento honesto.html prescindir da culpa não pressupõe normalmente um acto ilícito. factos imputáveis ao lesante que deles tira proveito. que leva a lei a dispensar um tratamento de favor a quem actua com este estado de espírito. Expoente máximo desta responsabilidade é o artigo 1367º. mas o cumprimento dessas mesmas regras. algo de psicológico. Contar as quatro características das demais responsabilidades civis extra-contratuais. Principio do equilíbrio das prestações: esta questão coloca-se sobretudo nos contratos onerosos. É assim.http://apontamentosdireito. Mas normalmente o 20 . Boa fé em sentido subjectivo: ignorância não culposa de vícios ou irregularidades do respectivo acto. 10. Só acontece nas circunstâncias e hipóteses especificadas na lei. leal e fiel das partes.atspace. uma convicção de se estar a actuar em conformidade com o direito. Exemplo máximo: 1647º e 1648º que dizem respeito aos efeitos do casamento declarado nulo ou anulado quando celebrado por ambos ou apenas por um dos cônjuges de boa-fé. Responde a um princípio de compensação de vantagens em que aquele que tem de suportar. Aqui é um princípio geral de direito. Não existindo uma unificação legal que preveja um regime jurídico semelhante ao da responsabilidade pelo risco. onde cada uma das partes deve obter pela sua própria prestação uma contraprestação adequada de valor equilibrado. com sacrifício de uma seu direito ou interesse. no interesse de outrem. 9. correcto. Exemplos: 227º nº1 e 762 nº2. Em casos especiais. só que aqui o acto praticado é licito. podendo dimanar de um facto natural. como decorre do artigo 483º nº2. Aqui não está em causa a realidade psicológica da pessoa. Temos a: a. Neste caso ela não é um princípio geral de direito. é sim um pressuposto para a aplicação ou não de uma norma.com/index. Tem um carácter obviamente objectivo pois relaciona-se com regras de conduta. b. uma perturbação ao seu direito possa obter uma indemnização. Responsabilidade civil por acto licito: emergente de fontes que constituem uma intervenção licita na esfera jurídica de outrém. de um acto de terceiros ou de um acto do próprio lesado. ou seja. envolve uma cláusula geral e como tal a mediação do juiz na sua aplicação aos casos concretos. a lei exige uma equivalência medida por parâmetros objectivos. como decorre do artigo 237º. Principio da boa fé: a convivência sócio – jurídica tem de ser alicerçada na confiança recíproca e no recto comportamento e intenção de uns relativamente aos outros. a quem tem a convicção de proceder rectamente seu prejudicar direitos alheios.

Exemplo disso é o artigo 796º. O artigo 294º abrange: a.com/index. ou proíbem determinada conduta – 21 . ou seja. Impedir a invalidade. atingindo o mesmo resultado por outros meios diferentes dos previstos pela lei. estendendo-se até ao direito da família (deveres de respeito e fidelidade recíprocas – 1672º) ou às sucessões (cada herdeiro só responde pelos encargos na proporcionalidade da quota que lhe tenha cabido – artigo 2098º nº1.  Normas imperativas: são aquelas que impõem um certo comportamento – preceptivas. erro ou mesmo coacção. b. 11. celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos.atspace. Com isto visa-se: a. de negócios queridos pelas partes onde não há grande relevância de interesse público a existência de forma. por falta de forma legal devido a ignorância ou mesmo dificuldades económicas. o que não põe em causa as funções das forças de segurança pública como garante imediato dos direitos dos cidadãos cuja violação constitua crime – artigo 272º da CRP. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas: o artigo 294º estabelece o principio pelo qual os negócios jurídicos e também os actos jurídicos. Tutelar a confiança existente entre as partes. em princípio. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios: este princípio decorre da estatuição a contrario dos artigos 336º e 339º. por força do artigo 295º. Este principio leva à consideração de uma distribuição justa dos encargos e dos riscos do contrato. 12. Negócios em fraude à lei: contornam proibições ou actuação. Negócios contra a lei: ofendem frontalmente uma proibição ou uma actuação legalmente determinada. proibindo-se assim a auto-defesa. que ambas as partes considerem as prestações equilibradas. como é estabelecido no artigo 202º CRP. 13. Mas tal principio ultrapassa o âmbito dos contratos. Facilitar e abreviar uma conclusão válida dos negócios jurídicos. Principio da liberdade declarativa: resulta do artigo 219º e alertanos para o facto de os negócios jurídicos poderem. se realizar de um modo consensual. b.html ordenamento contenta-se com a equivalência subjectiva. c. por palavras ou gestos sem sujeição a forma escrita. É aos tribunais que compete o assegurar de direitos e interesses protegidos pela lei e o dirimir dos conflitos.http://apontamentosdireito. limitando-se aqui o direito a assegurar que não houve dolo.

No direito civil assume especial importância o código civil Francês de 1804. uma limitação à autonomia da vontade.  Livro I – das pessoas. a nulidade dos actos ou negócios que colidam com a mesma.  Livro II – dos bens e das diferentes modificações da propriedade. estabilidade e conhecimento das mesmas a todos. algo que resulta do contrato.atspace. não sendo necessária a nulidade do contrato). Sendo que aqui o excesso tenha de ser evitado porque se trata de uma limitação ao direito. Era composto por:  Um titulo preliminar sobre a publicação. mas um contrato de compra e venda feito fora do horário de funcionamento do estabelecimento já é válido pois a proibição legal visa sobretudo não o contrato em si mas uma concorrência leal no comércio. A Codificação do direito civil:  Generalidades: o As colectâneas legais: inicialmente o direito civil estava inteiramente ligado ao costume. as Afonsinas. que obedece a critérios sistemático – científicos. exemplo Lei das XII tábuas que continha grande parte do ius civile romano da época arcaica. em princípio. Principio da proibição do abuso de direito: decorre do 334º. duradouramente.html proibitivas e cuja violação implica. será um diploma legislativo. Tratava-se de um comportamento adoptado pela comunidade com a convicção da sua obrigatoriedade. 22 .com/index. Manuelinas e Filipinas.http://apontamentosdireito. terá de se analisar a ratio dessa mesma norma. um código. efeitos e aplicação das leis. que regula todo um importante sector ou ramo do direito. Assim. 14. bastando para que se cumpra esse objectivo que o lojista pague uma coima. Quando a norma imperativa não é acompanhada de nenhuma sanção. sendo ele a fonte inicial de todo o direito. se o legislador visa atacar as acções ou omissões em si ou situações que decorrem das mesmas. clareza. saber (quais os interesses tutelados pela norma. também chamado de Napoleão que com várias alterações ainda hoje continua em vigor. assim as primeiras compilações de certas fontes diversas abarcando diversas matérias e que conferiam maior certeza. ex – um contrato de trabalho que não respeita o horário legal é nulo porque a proibição que resulta da lei visa o próprio conteúdo do contrato. o Os códigos modernos: a codificação num sentido moderno só aparece a partir dos finais do século XVIII. nascem. ordem. Sobretudo a partir da criação das primeiras cidades multiplicam-se as leis e com elas a necessidade de se saber quais as que se mantinham em vigora e as que seriam revogadas. o posterior Corpus Iuris Civilis mandado elaborar por Justiniano. caso também das nossas ordenações.

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 Livro III – diferentes maneiras pelas quais se adquire a propriedade. Plano muito similar às Institutiones de Gaio e Justiniano, tem um carácter antropocêntrico, tem um baixo grau de abstracção, há separação entre o direito pessoal e o patrimonial, há ausência de uma parte geral  plano de GAIO ou ROMANO – FRANCES. Diferentemente o BGB, ou seja, o código civil Alemão de 1896 utiliza a classificação germânica, pandectistica ou plano de Savigny, tem uma parte geral e 4 partes especiais (obrigações, coisas, família, sucessões). o A questão da Parte Geral do Código Civil: a existência de uma parte geral no BGB foi um problema muito discutido. O argumento principal invocado contra a parte geral é a de que ela não passaria de um mero exercício teorético tornado lei já que a elaboração de uma verdadeira parte geral seria uma tarefa da ciência do direito. Este argumento é falacioso, já que a parte geral tem autonomia própria, tem – se sim, feito trabalho teorético sobre essa parte, algo que é legitimo. Além disso, a parte geral dos códigos e as disposições gerais de títulos, capítulos, etc, resultam de uma exigência técnica jurídica: de evitar repetições, fixando desde logo um conjunto de disposições gerais que teriam de ser repetidas em moldes idênticos em diferentes partes da lei, diz respeito a um catálogo de questões preliminares cuja solução afecta todas as regulamentações particulares que a lei estabeleceu. Acresce ainda o facto destes artigos da parte geral poderem e deverem ser modificados, introduzidos ou removidos pelas transformações da sociedade ou pela evolução do direito, ou seja, não são normas imutáveis. Pelo contrário devem-se adequar à realidade histórico-concreta. A parte geral pode, desta forma, ser mesmo lacunosa, sendo que a aplicação das normas desse parte geral não vale para todos os casos que não estejam comtemplados nas partes especiais, mas apenas para uma casos que caibam na letra e espírito das disposições da parte geral. No entanto, existindo essa parte geral permite enquadrar um numero maior de hipóteses do que um código sem parte geral. Não concordamos pois com Meneses Cordeiro ou Orlando de Carvalho que dizem que a parte geral apenas introduz uma grande abstracção no código e que afasta o código da pessoa humana, que dever ser seu objecto, estes autores não consideram que a própria norma jurídica para o ser verdadeiramente tem que revestir carácter geral e abstracto. Temos, no entanto, que ter um enorme cuidado na coordenação da parte geral com as partes especiais, já que as normas não se dispõem segundo um mero alinhamento ou continuidade, mas segundo uma ordenação (elemento sistemático da interpertaçao). Atendemos à seguinte classificação das normas: a) Gerais: as que correspondem a princípios fundamentais do sistema jurídico e estabelecem o regime regra das relações que disciplinam; b) Especiais: consagram uma disciplina nova para um conjunto de casos mas que não está em directa oposição com a disciplina geral;

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c) Excepcionais: regulam um sector restrito de relações com uma configuração particular, consagram uma disciplina oposta à que vigora para o comum das relações do mesmo tipo. Temos que conjugar as partes gerais com partes e normas especiais e ainda com normas excepcionais , exemplo: em matéria de negócios jurídicos em geral vale o 253º, mas para o casamento encontramos o 1636º, que só tem relevo no contexto do casamento. Ainda como argumento a favor de uma parte geral é o facto de os códigos que a tenham serem susceptíveis de adaptação às diversas mutações Constitucionais radicais, exemplo disto é o nosso código civil face à Constituição de 1976. Ver no livro do doutor Capelo (parte geral do CC) o O Código civil Português de 1867 e as reformas de 1930 e 1940: depois da Restauração foi apresentada ao Rei a ideia de se fazer um código que afastasse as ordenações Filipinas. No entanto, o Rei não acha necessário e as ordenações continuaram a vigorar, sendo o diploma que mais tempo vigorou no nosso País, 200 anos, até ao código de 1867. Com a revolução liberal de 1820 e com a exigência de novos princípios da ordem jurídica que respondessem aos valores nascidos da Revolução, há de novo a necessidade de se elaborar um código civil que possibilite esses valores do liberalismo. Só que à Revolução liberal seguira-se várias guerras civis com mudanças a nível Constitucional que não conferiam a estabilidade e condições para a elaboração de um código civil. Só a partir de 1850 se começa a pensar mais seriamente na elaboração de um código civil, com a participação na 1ª comissão elaboradora, de Coelho da Rocha, jurisconsulto da nossa faculdade, que utilizando o estilo Pandectistico Alemão (uma parte geral e 4 especiais) sistematizou as ideias liberais de Mello Freire. Mas o código de 1867 fica-se a dever a António Luís de Seabra, mais tarde Visconde de Seabra, que chamou a sai redacção do projecto como presidente da comissão. Tal foi o seu contributo para este código que o mesmo é conhecido pelo código de Seabra. Seabra, ao contrário de Coelho da Rocha, vai apresentar um modelo antropocêntrico com grande influência da Revolução Francesa mas também com um carácter original. Esta base antropocêntrica é claramente visível na sistematização: I- capacidade civil; II-aquisiçao de direitos; III- direito de propriedade; IV- ofensa de direitos e sua reparação. O código mostra também claramente a sua influência liberal com a sua visão ampla da liberdade contratual. O código vai posteriormente sofrer as mudanças que se identificam com a passagem a um Estado Republicano, sobretudo no que respeita ao direito da Família e sucessões, sobretudo, numa clara separação entre Estado e Igreja que se manifesta na instituição do casamento civil e também na permissão de divórcio. Estas mudanças não foram, porém, imediatamente integradas no código civil, numa clara preocupação de

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harmonização e sistematização vieram a ser integradas apenas em 1930 com a primeira reforma do código civil. Em 1940, já com o Estado Novo e com Salazar na sua máxima força, realiza-se a concordata entre Portugal e a Santa Sé, que imprimiu grandes mudanças sobretudo no direito da Família, com a admissão do casamento católico com valor jurídico-civil, não havendo necessidade também de se efectuar o casamento civil para que o mesmo tivesse valor jurídico civil. Aboliu-se ainda o divórcio para os casamentos católicos a partir de 1940, cabendo apenas aos tribunais canónicos declarar a anulação ou não de um casamento católico. A única possibilidade era o regime de separação de pessoas e bens, mas sem a possibilidade da pessoa se poder casar novamente. o O Código Civil de 1966: a reforma de 1977 e principais alterações: o primeiro passo tomado em 1944 com a nomeação de uma comissão à qual presidiu o professor Vaz Serra, jurisconsulto da nossa faculdade de direito. Esta elaboração de um novo código justificava-se por: a) Existência de enorme legislação avulsa; b) Inadequação das concepções do código às doutrinas e valores afirmados pelo Estado Novo. Os trabalhos estenderam-se por 22 anos até que o Ministro da Justiça Antunes Varela, o projecto do código civil, sendo o mesmo a ser aprovado em 15 de Novembro de 1966. Como grandes exemplos da modificação em relação ao código anterior no que respeita ao conteúdo, temos por exemplo a exigência das sociedades constituídas serem reconhecidas por uma entidade pública (forma de o Estado Novo controlar a sociedade e impedir a liberdade de expressão), a posição do homem como chefe de família, a posição mais favorável ao filhos nascidos dentro do casamento em relação aos nascidos fora deste. Em termos de estrutura temos a adopção do plano de Savigny ou sistematização Germânica (uma parte geral e 4 partes especiais). Vamos depois ter uma reforma em 1977 com a necessidade de adaptar o código civil à Constituição de 1976, exemplo disto é o da igualdade de direitos entre filhos nascidos dentro e fora do casamento, o princípio da igualdade entre homens e mulheres. No entanto a reforma de 1977 teve também algumas inovações como é o caso: a) Melhoria da posição sucessória do conjugue sobrevivo; b) Extinção da enfiteuse; c) Alterações ao nível do arrendamento, o que fez com que o mesmo saísse do código devido à profundidade do mesmo e também à frequência da sua mudança o que não conferiria estabilidade a esta disciplina, daí a sua remoção do código; d) A maior idade dos 21 anos para os 18 anos; e) Outras mudanças de menor vulto se seguiram visto que o código , embora vise a estabilização das normas não é imutável às transformações sociais, económicas e politicas e às novas descobertas.

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embora bem definidos e determinados por força de um grande trabalho da doutrina e da jurisprudência. desta forma.com/index. Rápida desactualização destas leis por efeitos como a inflação ou a evolução tecnológica.html o Legislação complementar do código civil: quando à legislação complementar há que distinguir dois tipos: as de leis civis e de leis não civis. 297º/2 Se estabelecer um prazo mais longo também se aplica aos prazos em curso. tais como. surge. mas aqui começa-se a contar desde o momento inicial.atspace. Tudo porque as normas se vão sucedendo no tempo. No caso de leis civis temos vários diplomas que complementam o código civil. através de uma hipótese concretizada em casos reais e através de uma estatuição extremamente minuciosa. Estilo típico da jurisprudência dos 26 . Com excepção de se de acordo com a lei antiga faltar menos tempo. A tarefa do julgador é a de subsumir as situações da vida concreta à hipótese legal. Esta formulação era típica do direito romano. 297º/1 Se estabelecer um prazo mais curto aplica-se aos prazos em curso mas só se começa a contar a partir da entrada em vigor da nova lei. Na lei civil temos as partes numa posição de paridade. aparecendo entre nós com as ordenações do Reino. o problema da aplicação das leis no tempo. No entanto so notórias as desvantagens deste estilo: a. podendo hoje uma norma ser substituída por outra. O principio geral (a lei só dispõe para o futuro artigo 12º nº1 e nº2 1ª parte).http://apontamentosdireito. No entanto se a lei dispuser directamente sobre o conteúdo de certas relações jurídicas ela vai abranger as relações já constituídas e que subsistam aquando da sua entrada em vigor – artigo 12º nº2 – 2ª parte. que é regulado pelo artigo 12º do nosso código. não há portanto ius imperi. rege o artigo 297º. o RAU ou mesmo o direito real de habitação periódica. Temos como exemplos o código de registo civil ou o código do notariado. b. Tem na sua base a crença optimista da capacidade de prever todas as situações e assim subtrair ao arbítrio do julgador a decisão do conflito em causa. Temos depois vários códigos que complementam o código civil. Impossibilidade de regular casuisticamente todos os casos relevantes. b) Legal abstracto – generalizador: traduz-se na elaboração de tipos de situação da vida.  A lei interpretativa é integrada na interpretada – artigo 13º. Em relação às alterações de prazos através da lei. o Aplicação das leis civis no tempo: é muito importante saber quais as normas que se vão aplicar para as diversas situações. o O Estilo e a classificação das normas civis: Vejamos os três tipos e formulações legais: a) Casuístico: emissão de normas jurídicas prevendo o maior numero possível de situações da vida real. através de conceitos gerais e abstractos.

Aqui não há subsunção ou dedução mas indução. Cláusulas gerais: recorremos a critérios valorativos de apreciação. mas saber se o sujeito agiu honesta e honradamente depende de várias situações e o juiz tem grande margem discricionária. No entanto poderá levar. de acordo com a jurisprudência dos valores. Conceitos indeterminados: são conceitos imprecisos e maleáveis com características dos pressupostos de facto de uma norma. doseando a necessidade de certeza e segurança com uma preocupação de justiça para todos os casos concretos.http://apontamentosdireito. No entanto. O juiz no acto de aplicação da lei tem uma grande margem de discricionariedade. b. Este estilo assenta na consciência da impossibilidade de prever todas as hipóteses geradas na vida e na necessidade de atribuir algum carácter valorativo na intervenção do decidente aquando da sua aplicação da lei. dotando o nosso código de uma adaptação às várias situações da vida. Como grande exemplo deste estilo temos o código civil Suíço de 1907. Normas imperativas: não podem ser afastadas pela vontade das partes. Normas gerais. É o problema das lacunas. ou seja. b. mas sem uma zona nuclear segura e uma certa indeterminação da sua área e dos seus limites legais. c) Linhas de orientação: aqui o legislador limita-se a estabelecer módulos de apreciação. levar o Juiz a decisões menos rectas para o caso concreto. Normas supletivas: podem ser afastadas pela vontade das partes. em razão de variedade da vida. Este método possibilita um maior grau de segurança e razoabilidade das soluções. este estilo apresenta uma falta de maleabilidade face à multiplicidade e complexidade da vida real por mais que os seus conceitos sejam gerais e abstractos.  O nosso código civil adopta fundamentalmente o tipo de formulação mediante conceitos gerais e abstractos. É um conceito muito indeterminado que faz apelo a critérios valorativos face a cada caso concreto. Existem dois tipos de linhas de orientação: a. especiais e excepcionais (já analisamos ver atrás) 27 .atspace.html conceitos.com/index. Para atenuar isto mesmo foram introduzidas clausulas gerais e mesmo conceitos indeterminados. Aqui a hipótese e a estatuição não estão definidas por caracteres limitados. grande exemplo de uma cláusula geral é a da boa fé presente no artigo 762º nº2 (temos aqui a boa fé em sentido objectivo. conceito que deriva do principio bónus pater famílias romano que caracteriza um homem cujas capacidades são medianas. de situações juridicamente relevantes que não encontram na lei uma solução expressa. c. o Classificação das normas civis:  Existem várias classificações de normas civis: a. Como exemplo de um conceito indeterminado temos o artigo 487º nº2 – a diligência de um bom pai de família.

na posição passiva. Há aqui uma dicotomia entre o poder de exigir e o de pretender: Poder de exigir: na quase totalidade das hipóteses o titular do direito subjectivo. relação pela qual o inquilino deve pagar a renda ao senhorio).atspace. Por outro lado a teoria geral da relação jurídica civil. por exemplo. o credor.com/index. aí estamos perante uma relação jurídica abstracta (ex. a lei trata a situação como se o comportamento lhe tivesse podido ser exigido. o A relação jurídica civil: a. pode recorrer aos tribunais para deles obter as providencias necessárias coercivas aptas a satisfazer o seu interesse. contrapõe-se-lhe. no entanto. paradigma ou esquema contido na lei. São. no caso da contraparte não cumprir o dever jurídico a que está adstrita. Poder de pretender: há um círculo restrito de hipóteses. Conceito e conteúdo: Relação jurídica: é o vínculo normativo. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a um modelo. porque se o sujeito passivo cumprir voluntariamente. concentradas nos artigos 1º a 13º cc. É o caso das obrigações naturais reguladas nos arts. aí estamos perante uma relação jurídica concreta (ex. ou seja. deveres jurídicos. o dever jurídico. que estabelecem vários princípios acerca das normas jurídicas. 402º e 403º. cumprir espontaneamente. mediante a atribuição a uma pessoa de um direito subjectivo propriamente dito. a necessidade de realizar o comportamento a que tem direito o titular activo da acção.html o O âmbito da Teoria geral do direito civil: por um lado. temos a teoria geral do ordenamento jurídico civil: diz respeito às normas gerais do código civil. de uma divida de jogo ilícito – artigo 1245º. Aqui se o devedor. disciplinado e garantido pelo direito civil que une entre si sujeitos de direito. que não podia 28 . de um direito potestativo ou de um poder – dever e imposição a outra pessoa de um dever jurídico ou uma sujeição correspondente. em que o titular do direito não pode reagir contra o adversário se este não adoptar o comportamento que lhe é prescrito. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a uma relação existente na realidade entre pessoas determinadas.http://apontamentosdireito. sobre um objecto determinado e de um facto jurídico determinado.  Conteúdo da relação jurídica: o Direitos subjectivos propriamente ditos ou stricto sensu: é o poder jurídico reconhecido pela ordem jurídica a uma pessoa de livremente exigir ou pretender de outrém um comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão). o senhor A pode exigir do inquilino B a renda de 150 euros pelo arrendamento do quarto x). aplicação do direito em relação com a realidade social que é também objecto de normas jurídicas.

separação judicial de pessoas e bens – art 1795º-A). Os deveres jurídicos podem ser: 1Pendentes sobre uma ou mais pessoas determinadas e. 1773º). um poder que é da vontade e que o seu titular poderá usar livremente e impor aos outros  é a posição defendida por Savigny e pelo Dr. Teoria da vontade e teoria do interesse: ao definirmos direito subjectivo propriamente dito ou direito potestativo definimo-lo como um poder jurídico. então. 29 . Aqui. a uma pessoa de por um acto de livre vontade. Constitutivos: produzem a constituição de uma relação jurídica por acto unilateral do seu titular (exemplo – constituição de servidão de passagem em beneficio de prédio encravado – artº 1550º). Enquanto que o devedor não tem a possibilidade de repetir. goza da soluti retentio. Modificativos: produzem uma simples modificação numa relação jurídica existente e que continuará a existir apesar de modificada (exemplo. o Direitos potestativos: é o poder jurídico. trata-se de uma necessidade inelutável.atspace.  Podem ser: 1.html exigir judicialmente um pagamento. 2No caso de alguns deveres jurídicos de abstenção pendentes sobre todas as pessoas. contrapõe – se – lhe. ou integrado por um acto de uma autoridade pública. só de per si. produzir determinados efeitos jurídicos que inevitavelmente se impõe ao sujeito passivo. a situação de necessidade em que se encontra o sujeito passivo de ver produzir – se forçosamente uma consequência na sua esfera jurídica por efeito do exercício do direito pelo seu titular.http://apontamentosdireito. diversamente do dever jurídico. embora se expondo a sanções.com/index. na posição passiva. reconhecido pela ordem jurídica. então falamos de direitos absolutos – erga omnes. pode conservar a prestação recebida. ou seja. tem a possibilidade prática de não cumprir. a sujeição. Contraposto aos direitos potestativos temos a sujeição. Há uma colaboração do sujeito do dever para que e cumpra esse direito. 2. Extintivos: produzem a extinção de uma relação jurídica existente (exemplo. 3. não podendo o sujeitado violar ou infringir essa situação mesmo que esta vá contra a sua vontade. falamos de direitos relativos. não tem a condictio indebiti. Lado passivo dos direitos subjectivos strictu sensu e dos direitos potestativos: Contraposto aos direitos subjectivos propriamente ditos temos o dever jurídico. Aqui o sujeito do dever.Mota Pinto. o direito de obter o divorcio – art.

Se não forem exercidos quando deviam sê-lo ou forem exercidos de outro modo o seu titular infringe um dever jurídico que é passível de sanções (exemplo. Se existir apenas uma não há relação jurídica. e) outros direitos. Assim. d) modos de ser da própria pessoa. extingue-se por confusão como nos refere o artigo 868º. públicas ou privadas. 1- 3- 30 . Como se desencadeia a energia jurídica contida na lei.  Elementos da relação: Sujeito: são as pessoas entre quem se estabelece o vínculo respectivo: os titulares do direito subjectivo stricto sensu ou do direito potestativo e das posições passivas correspondentes. ou seja. inibição do poder paternal). para haver uma relação jurídica civil é preciso existir mais do que uma pessoa. o dever jurídico e a sujeição. É aquilo sobre que incidem os poderes do titular desse direito subjectivo. fixando o objecto dos direitos das partes e o conteúdo dos mesmos. Podem ser objecto de relações jurídicas: a) outras pessoas.atspace. Estes poderes não podem ser exercidos se o seu titular quiser e como quiser. característica que não pode ser imputada ao nosso sistema jurídico. Os poderes-deveres visam sobretudo a defesa dos interesses do sujeito passivo. Algo com o qual não concordamos devido à estrita funcionalização que faz dos direitos. 2Objecto: aquilo sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica. c) coisas incorpóreas. Orlando de Carvalho dizem que se trata da expressão de interesses juridicamente protegidos. o poder paternal). Não é o conjunto formado pelo direito subjectivo e o correspondente dever jurídico. São pessoas já que a personalidade jurídica é a susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações.com/index. o Poderes – deveres: só há direitos subjectivos quando o exercício do poder jurídico está dependente da vontade do seu titular. Facto jurídico: é todo o facto produtivo de efeitos jurídicos. mas do modo exigido pela função do direito (exemplo.http://apontamentosdireito. estes formam o conteúdo da RJ.html Diversamente Iherny e entre nós o Dr. b) coisas corpóreas. É condição ou pressuposto da sua existência. podendo essas pessoas ser singulares ou colectivas. Tem um papel condicionante no surgimento da relação jurídica. de ser titular de relações jurídicas. ou seja. por falta dessa liberdade de actuação é que os poderes-deveres não são direitos subjectivos. Para além de condicionar a relação jurídica vai modelar o conteúdo da relação jurídica. Há que dizer que só em casos extremos de clamorosa e manifesta contrariedade entre o exercício do direito e o seu fim social ou económico. o exercício desse direito é ilegítimo por força do artigo 334º que consagra a doutrina do abuso do direito.

sendo que sempre que possível se procederá à reconstituição natural. ou seja. o defendente pode lesar interesses superiores aos interesses ameaçados. a legitima defesa é um meio preventivo dirigido a afastar a agressão iminente em inicio de execução mas ainda não consumada. o que está excluído será o recurso à força própria para obter satisfação. o titular não pode reagir e obter ressarcimento pelas vias de facto. e. normalmente.atspace. A garantia da Relação jurídico privada só entra. em movimento sob o impulso do titular do direito subjectivo violado ou ameaçado. O facto ilícito civil. Em princípio. não desencadeia a aplicação de uma pena. Protege-o ainda contra ameaças ou receios legítimos de infracção do dever jurídico como é visível no artigo 619º. uma série de direitos subjectivos propriamente ditos ou direitos potestativos e deveres jurídicos ou sujeições correspondentes. desde que respeite os pressupostos aí presentes. ilícita. Nas obrigações naturais existe igualmente o elemento garantia. Excepcionalmente a auto-defesa dos direitos pode ser lícita. Nos direitos potestativos podemos dizer que há uma garantia mais forte do que nos direitos subjectivos stricto sensu. que esta supressão fosse acompanhada de medidas sucedâneas de tutela. mediante atribuição ao sujeito activo de um direito subjectivo propriamente dito ou de um direito potestativo. no entanto. já que é uma garantia infalível. de forma a obter a satisfação do seu direito. A sua forma mais frequente é a indemnização dos danos causados ao titular do direito. A prisão por dívidas foi suprimida em 77.http://apontamentosdireito. nos termos do artigo 619º. como é patente pelo artigo 336º (acção directa). b) Relação jurídica complexa: trata-se de uma série de relações jurídicas singulares. A justiça privada. assim. Diferentemente é a legitima defesa presente no 337º.html Garantia: é o conjunto de providências coercitivas postas à disposição do titular activo de uma RJ. é. Há que referir que a garantia não protege o titular do direito apenas no caso de violação do seu direito.com/index. sendo que nesta última. ao contrário da acção directa. A relação entre o comprador e o vendedor de uma máquina não contém só o dever 4- 31 . ou seja. lesado por um obrigado que o infringiu ou ameaça infringir. ao sujeito passivo do dever jurídico ou sujeição correspondentes. em que a outra parte não pode infringir esse direito. porque enquanto a acção directa supõe uma acção já consumada e é um meio repressivo. este não poder o obrigado repetir o que haja prestado. como é o caso do arresto de bens. Procurou-se.  Classificação das relações jurídicas: a) Relação jurídica simples ou singular: relação existente entre dois sujeitos. Falamos da solutio redentio. intentará uma acção. conexionadas ou unificadas por um qualquer aspecto (exemplo. Dando-lhe mesmo a possibilidade através de acções de simples apreciação por termo em juízo à situação de dúvida sobre a existência do seu direito. como tal. Para a tutela de um direito o seu titular deve requerer perante os tribunais a providência adequada.

exemplo a fiança.com/index. c) Relações jurídicas principais: são autónomas. É uma situação em que se verifica a possibilidade juridicamente tutelada de aquisição futura de um direito. Trata-se de uma verdadeira expectativa jurídica e não de uma expectativa de facto pois a lei protege a sua posição. mas torna o devedor credor da entrega da máquina. estando já parcialmente verificado o facto jurídico constitutivo desse direito. 32 . f) Relações jurídicas não patrimoniais ou pessoais ou extrapatrimoniais: não são susceptíveis de uma avaliação pecuniária.atspace. ou outros vínculos. d) Relações jurídicas acessórias: estão dependentes da relação jurídica principal. mas se não o praticar não realizará certo interesse. O ordenamento no caso do ónus não desaprova o seu não acatamento. h) Relações jurídicas não dominiais: não há poder do titular activo dispor livremente do objecto. correspondente a um estádio de um processo complexo de formação sucessiva de um direito. Aqui o onerado não deve.  Outras classificações: a) Relações jurídicas perfeitas: têm plena garantia jurídica.html de pagar o preço e o direito ao preço. e) Relações jurídicas patrimoniais: são susceptíveis de avaliação pecuniária. como deveres acessórios de o vendedor guardar a máquina ou deveres laterais do vendedor informar o comprador do modo de funcionamento da máquina. não estando dependentes de outras relações jurídicas. b) Expectativa jurídica: situação activa. ele pode praticar ou não um certo acto. ao contrário do que acontece com o dever jurídico em que há nítida desaprovação. o onerado ao não acatar o ónus não infringe nenhum dever nem a sua conduta é ilícita. exemplo as obrigações naturais. é desta forma diferente do dever jurídico. de serem titulares autónomos de relações jurídicas. g) Relações jurídicas dominiais: há poder do titular activo dispor livremente do objecto jurídico.http://apontamentosdireito. o ónus da prova. b) Relações jurídicas imperfeitas: têm apenas um embrião de garantia jurídica.  Pessoas singulares e pessoas colectivas: personalidade e capacidade: Sujeitos de direito: são os entes susceptíveis de serem titulares autónomos de direitos e obrigações. Exemplo. juridicamente tutelada. mas perde ou deixa de obter uma vantagem. Embora nestas relações possa haver lugar a uma indemnização a título de compensação. exemplo no caso do suicídio. etc)  Outras figuras jurídicas: a) Ónus: necessidade de observância de determinados comportamentos para a realização de um interesse próprio.

por acto próprio e exclusivo ou mediante um representante voluntário ou procurador. um representante escolhido pelo próprio representado. exercendo direitos ou cumprindo deveres. A pessoa dotada de capacidade de exercício actua pessoalmente. A capacidade para o exercício de direitos é reconhecida aos indivíduos que atinjam a maioridade – artigo 130º. que deriva de uma exigência do direito em respeitar a dignidade que deve reconhecer a todos os seres humanos. Ao contrário da capacidade de gozo de direitos. Mas também as pessoas colectivas têm personalidade jurídica como resulta do artigo 158º. sendo-se sempre pessoa. 33 . ele é necessariamente titular de um círculo de direitos de personalidade. Tudo porque esta capacidade para agir supõe uma capacidade de querer e entender. A incapacidade pode ser genérica (refere-se a actos jurídicos em geral) ou específica (refere-se a actos jurídicos em especial). por qualquer representante designado na lei ou em conformidade com ela. Todo o sujeito para além de um círculo mínimo de direitos patrimoniais que só teoricamente poderão faltar. a capacidade jurídica para o exercício de direitos pode faltar a uma pessoa singular. ou seja. nem posterior ao acto. Aptidão que vem regulada no artigo 66º. Assim.http://apontamentosdireito. Há outras incapacidades como a dos interditos – artigo 138º e a dos inabilitados – artigo 152º. Faltando essa aptidão para actuar pessoal e autonomamente teremos uma incapacidade de exercício de direitos que pode ser suprida pela representação legal ou pela assistência. não carece de ser substituída na prática de actos que põem em movimento a sua esfera jurídica. As pessoas singulares têm uma capacidade jurídica mais ampla do que as pessoas colectivas como facilmente se depreende da comparação dos artigos 67º e 160º. A diferença é que essa capacidade pode ser mais ou menos restrita. À personalidade jurídica é inerente a capacidade jurídica ou capacidade de gozo de direitos: é essa aptidão para ser titular de um circulo. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. Esta aptidão é própria das pessoas singulares.atspace. adquirindo direitos ou assumindo obrigações. Nem só os menores são incapazes para o exercício de direitos – artigo 123º.html A personalidade jurídica é essa aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. devem estar desprovidas de capacidade de exercício as pessoas que por várias razões não possam determinar com normal esclarecimento ou liberdade interior os seus interesses. Actua autonomamente já que também não carece de consentimento de ninguém. nem anterior. ou seja.  Capacidade jurídica para o exercício de direitos: Capacidade para o exercício de direitos: é a idoneidade para actuar juridicamente.com/index.

com/index.http://apontamentosdireito. PROBLEMA DA EXISTENCIA DE DIREITOS SEM SUJEITO – LIVRO: Há situações jurídicas em que.atspace. Windscheid afirmava a existência. Manuel de Andrade e Mota Pinto negam a possibilidade lógica da existência de direitos sem sujeito. Pode também haver situações de aparência da falta do sujeito passivo. já que defendendo a teoria da vontade. falta um dos sujeitos jurídicos. assim. já que todo o poder implica necessariamente um titular e todo dever um suporte. ver em baixo segundo o livro) Toda a relação jurídica tem de estar conexionada com um sujeito. consideram que o direito subjectivo se traduz num poder e como tal tem de pertencer a alguém e o mesmo para a obrigação. a seguir está a transcrição do livro do doutor Capelo)  O problema dos direitos sem sujeito: (segundo apontamentos) (passar á frente está confuso. nestes casos. de direitos sem sujeito. sendo um absurdo essa possibilidade. As situações anteriormente descritas seriam estados de vinculação de certos bens em vista do surgimento futuro de uma pessoa. Com um direito sobre eles esse objecto não estaria integrado em nenhuma relação jurídica mas também não seria livre já que estava a ser objecto de uma tutela jurídica que o reservaria para um provável direito futuro. já que o poder pressupõe um titular e o (dever) a vinculação um suporte. É o caso de atribuição de bens por doação ou sucessão “mortis causa” a um nascituro (aquele que já foi gerado mas ainda não nasceu) ou até a um concepturo (aquele que ainda será gerado) em que parece não haver titular activo entre o momento da doação ou morte e do nascimento do beneficiário que fará surgir a pessoa jurídica. Conferir os artigos 952º e 2033º.html (Nota: nesta parte está problema dos direitos sem sujeito segundo uns apontamentos. O mesmo acontece com a situação de direitos que integram a herança entre a morte do cuius e aceitação da herança  período de herança jacente1. o caso da herança jacente constitui um património autónomo em que os credores têm possibilidade processual de executar estes bens. Outros autores falam de relações jurídicas imperfeitas já que é um caso de provisória inexistência do sujeito. No entanto certas situações parecem só poder ser juridicamente enquadradas numa categoria de direitos sem sujeito. pelo menos aparentemente. admitindo. Lehmann. no caso da herança jacente (2046º) até tal aceitação ou declaração (2050º e 2155º). sendo que apenas a herança responde por esta dívida e não os bens pessoais dos herdeiros. sobretudo activo mas também passivo. é o caso das obrigações do de cuius incluídas na herança jacente. Além disso. está confuso. Assim. a inexistência de direitos sem sujeito. 34 . de doação ou sucessão a favor de nascituro não concebido ou concepturo (952º e 1 Herança jacente: herança aberta pela morte de uma pessoa singular mas ainda não aceite pelos seus herdeiros familiares nem declarada vaga para o Estado – 2046º.

a )enquanto este não nascer o não houver posibilidade de nascer. Algo que nas pessoas singulares corresponde a uma exigência do direito. ficar predisposto a ser adquirido por um ser dotado de personalidade jurídica ou a extinguir-se. mecanismos jurídicos cuja melhor construção doutrinaria será a de direitos subjectivos sem sujeito. até ser encontrado ou ter caducado). A concepção que perfilhámos de direito subjectivo consubstancia-se em um poder jurídico distinto do poder material efectivo pelo que não nos parece inseparável da titularidade sempre actual de uma determinada pessoa. a partir dos dados do nosso sistema legal. Entende-se por nascimento a separação do filho do corpo materno. que se encontrem já estruturados o conteúdo e o objecto de determinados poderes jurídicos de exigir ou pretender o comportamento de outra(s) pessoa(s) ou de intervir inelutavelmente na esfera jurídica de outra pessoa. quando a ordem jurídica face a especiais interesses em jogo. em termos de o respectivo poder jurídico. quase clássicas acima referidas. Trata-se de um problema teorético. bem como no caso de abandono de um titulo ao portador (acção de uma sociedade anónima ou bilhete cinema. O sistema pode admitir para certos casos. Castro Mendes e Oliveira Ascensão consideram haver nestes casos direitos subjectivos sem sujeito. na sua exacta configuração. Diferente. Parecem ser essas as situações jurídicas. O nascimento completo dá-se com a separação total do filho relativamente à mãe e 35 . excepcionalmente. PESSOAS SINGULARES  Personalidade jurídica: aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas.com/index. de construção doutrinal.atspace. sendo certo que os sucessíveis aceitantes virão a responder por tal obrigação. por razoes muito especiais.Na linha de Orlando de Carvalho « o núcleo de poderes sobre os bens se encontre definido» ou como cremos melhor. bem como os correlativos deveres ou sujeições jurídicos. a resolver. A personalidade jurídica vai adquirir-se no momento em que a separação se dá com vida e de modo completo. permite manter ou organizar antecipadamente tal estrutura.http://apontamentosdireito.Há que ter muita prudência na analise de outras eventuais eventualmente semelhantes. Doutrina divide-se quanto à existência ou não de direitos sem sujeito: Manuel de Andrade e Mota Pinto entendem que estamos perante «meros estados de vinculação de bens em vista da possível superveniência de titulares para eles» uma vez que o direito subjectivo pressuporia sempre a ligação do direito a uma determinada pessoa. Orlando Carvalho. a) Inicio: começo da personalidade jurídica vem estabelecida no artigo 66º nº1. faltará ou ainda faltará o sujeito passivo de uma obrigação contraída por uma pessoa entretanto falecida e cuja herança se encontra jacente. Por outro lado.html 2033º nº2 al. respeitar a dignidade que se tem de reconhecer a todos os seres humanos.

fora do útero materno. Esse direito não pressupõe uma atribuição de personalidade jurídica ao nascituro. já que só no momento do seu nascimento (completo e com vida) é que o dano se consuma. A nossa lei não exige: o nascimento com figura humana. Assim. o feto agredido no ventre da mãe não chega a nascer com vida. prazo de viabilidade de sobrevivência. Nascimento com vida: quando há respiração do nascido fora do corpo da mãe. apesar da agressão que o desencadeia seja anterior. Assim. Neste caso não há ainda separação completa. nos termos do artigo 66º nº1.atspace. Se no entanto. Para este caso a melhor doutrina será a que nos refere que os nascituros têm uma personalidade jurídica parcial. Sendo que essa morte pode ser natural ou presumida – 36 . um filho pode pedir indemnização pelas deformações físicas ou psíquicas que sofra no ventre da mãe causados. mesmo que pouco tempo à mãe ele é herdeiro desta e se ele morrer de seguida o herdeiro é o pai. ainda que a sua sobrevivência não seja viável. Ver melhor o livro do doutor Capelo de Sousa pagina 265 e ss. basta que a criança nasça completamente e com vida. apesar de não terem ainda PJ e não serem como tal sujeitos de direito.com/index.html ao seu corpo com o corte do cordão umbilical.http://apontamentosdireito. O artigo 66º nº2 diz-nos que os direitos reconhecidos por lei aos nascituros dependem do seu nascimento. Morte: nos termos do artigo 68º nº1 a personalidade cessa com a morte. não terá direito a essa indemnização (Capelo de Sousa diz que os pais têm pois não faria sentido premiar o melhor assassino) (???). por um medicamento. algo que era exigido pelo código de Seabra com o fundamento lendário de que uma mulher poderia gerar monstros. Assim. c) Termo da Personalidade jurídica: a. por exemplo. Há hoje processos médico – legais para determinar se o recém nascido respirou ou não após o parto. que no entanto estão dependentes do seu nascimento completo e com vida. b) Condição jurídica dos nascituros: a lei permite que se façam doações aos nascituros concebidos ou não concebidos (concepturos) – artigo 952º e se definam sucessões quanto aos concebidos – artigo 2033º nº1 e apenas testamentária ou contratual quanto aos não concebidos – artigo 2033º nº2. a nossa lei reconhece aos nascituros direitos. por exemplo este não se enrole à volta do pescoço da criança. já que estão dependentes do seu nascimento. Até ao nascimento estaremos perante a problemática dos direitos sem sujeito. os herdeiros desta são o marido e também os seus pais. Por exemplo se a mãe morre no parto e o filho nasce vivo e sobrevive. Este corte pode ter lugar antes da separação total do corpo materno para que. se a criança pelo contrário nasce morta ou morre antes da mãe. Algo que é bastante importante em matéria sucessória.

casal que tem dois filhos e num acidente morre o casal e um dos filhos. No que diz respeito à morte biológica hoje as modernas técnicas de reanimação levam a pôr em causa o critério tradicional do momento da morte: paragem cardíaca. b. requerer-se-á a invalidação ou rectificação desse assento. Outras ordens jurídicas consagram a presunção de premoniencia. já que se trata de uma protecção de interesses e direitos de pessoas vivas que sejam afectados por actos ofensivos da memória do falecido.http://apontamentosdireito. já que essa recolha e operações de transplante exigem a colheita antes da paragem circulatória e respiratória. por prova em contrário. o conservador lavrará o assento do óbito com base na sentença. extinguindo-se os de natureza pessoal e transmitindo-se para os sucessores os de natureza patrimonial.com/index. No momento da morte a pessoa perde os direitos e deveres da sua esfera jurídica. Tratando-se de uma presunção elidível. Uma portaria de 71 embora não venha a definir legalmente o momento da morte. ou seja. vem determinar regras que permitam concluir a verificação do óbito para efeitos de recolha de tecidos ou órgãos quando há lesão irreversível do sistema nervoso central. mas se provar que o filho morreu algumas horas depois. dando-se hoje relevo à morte cerebral.html artigo 114º. No caso. Sendo julgada a justificação. por exemplo no direito Inglês presume-se a premoniencia do mais velho. a herança é dividida pelos dois filhos. então. Desaparecimento da pessoa: este desaparecimento vem regulado no artigo 68º nº3. Exemplo. Concorda com esta posição o Dr Mota Pinto tendo uma posição contrária os Drs Pires de Lima e Antunes Varela que vêm nesse artigo uma protecção aos direitos de personalidade depois da morte do seu titular. de morte simultânea. circulatória e respiratória. Sendo que o artigo 71º nº1 não é um desvio à cessação da personalidade com a morte. se mais tarde se verificar que terá havido engano. (questão abordada no capitulo dos direitos de personalidade). Se as mortes são simultâneas o outro filho sucede na totalidade da herança. sobretudo no que respeita a efeitos sucessórios. Presunção de conivência: no artigo 68º/2 consagra-se uma presunção de comonivencia.atspace. não se verificando fenómenos de transição entre os comonientes. Aplicando-se a esses casos as regras da morte presumida (artigos 114º ss).  A capacidade jurídica: 37 . de não se encontrar ou não ser possível identificar o cadáver é aberto o processo de justificação judicial do óbito a cargo do MP. passando a quota do filho que veio a morrer para os seus herdeiros. Esta presunção tem grande importância prática. c.

As incapacidades de exercício são excepcionais e são estabelecidas expressamente pela lei. Hoje o instituto da inabilitação é visto como algo do interesse do próprio inabilitado.html I.Capacidade jurídica de gozo: a regra geral é a da capacidade jurídica. Estabelece também a nulidade de certas doações quando feitas a determinadas pessoas. definidos. regra geral a nulidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Pode ser invocada por qualquer interessado. II.  A incapacidade de gozo provoca.atspace. Neste sentido Santono Passanelli e Manuel de Andrade. como a que força do artigo 953º e é estabelecida no artigo 2192º. O interesse determinante das incapacidades é o interesse do próprio incapaz.com/index. os negócios não podem ser concluídos por outra pessoa em nome do incapaz. c) Incapacidade para perfilhar dos menores de 16 anos. No código de 1867 a incapacidade dos interditos por prodigalidade / já que não existia a inabilitação era vista pela doutrina como instituída no interesse de outras pessoas. não pela sua categoria genérica mas em razão de uma certa relação com o objecto do negócio e com a outra parte. nem por este com autorização (……) O nosso código civil estabelece certas proibições no domínio da compra e venda em razão dos sujeitos. Estas situações não são de absoluta incapacidade . isto é. sendo-lhes simplesmente vedada a prática de certos negócios . b) Incapacidade de testar dos menores não emancipados e dos interditos por anomalia psíquica  artigo 2189º.http://apontamentosdireito. como nos refere o artigo 67º.Capacidade jurídica de exercício: a regra geral é a de que todas as pessoas singulares maiores e emancipadas têm plena capacidade de exercício de direitos. A incapacidade de exercício provoca a anulabilidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Só pode ser invocada por aquelas pessoas no interesse das quais a lei estabelece a anulabilidade. b) Não existem prazos para a sua invocação. é assim que o código se refere a estas situações no artigo 953º  as pessoas abrangidas nestas proibições têm plena capacidade para a pratica de quaisquer actos. E é insuprível. como a contida no artigo 877º ou 261º. de interditos por anomalia psíquica e dos notoriamente dementes no momento da perfilhação  artigo 1850º. Sendo que o mesmo artigo nos alerta para algumas restrições: incapacidades de gozo que são excepções a esta regra geral. algo que resulta dos artigos 130º e 133º. c) Pode ser declarada pelo tribunal ex officio. Trata-se de uma indisponibilidade relativa pois há só uma restrição do poder de disposição em certa direcção. Temos as seguintes incapacidade de gozo: a) Incapacidades nupciais: impedimentos dirimentes absolutos e relativos  artigo 1601º e 1602º. embora por reflexo servisse também o interesse do pródigo. 38 .

daí que terão capacidade para administrar os bens que adquirem pelo seu trabalho (salário) e os que adquirem através do salário. nº1 al. mas podendo sê-lo através de meios destinados ao suprimento da incapacidade que cito: a) Representação: é admitida a agir outra pessoa em nome e no interesse do incapaz. se tiver sido operada a modificação da situação factual. b CC). b) Assistência: a lei admite o incapaz a agir. pois é designada pela lei ou em conformidade com esta. Não actua. Existem. 132º e 133º). Por exemplo a compra de uma caneta. salvo se estiver pendente contra o menor ao atingir a maioridade uma acção de interdição ou inabilitação (artigo 131º). Tudo porque os maiores de 14 anos. 39 . caso contrário. impliquem apenas despesas ou disposições de bens de pequena importância (127º. Os menores sofrem de uma incapacidade genérica já que abrange negócios de natureza pessoal ou patrimonial. mas exige o consentimento de certa pessoa ou entidade. e é suprível não podendo os negócios ser realizados pelo incapaz ou por um seu procurador . com autorização dos pais podem trabalhar.atspace. no entanto excepções à incapacidade:  Actos de administração ou disposição de bens que o menor adquiriu pelo seu trabalho (127º.html b) Existem prazos para a sua invocação2. a pessoa é denominada representante legal. c CC).Amplitude: esta incapacidade cessa com:  Maioridade (130º. a oposição dos pais ou do tutor constitui um impedimento impediente e como tal não implica a nulidade do acto (1604º). nº1 al. As pessoas com legitimidade para requerer a anulabilidade são: 2 Esses prazos só funcionam se o negócio estiver cumprido.http://apontamentosdireito. a anulabilidade pode ser requerida sem dependência de prazo – artigo 287º nº2. em vez dele.Incapacidades de exercício: a) Menoridade: 1. 129º.  Podem contrair validamente casamento. ou seja. portanto.Efeitos: os negócios jurídicos praticados pelo menor contrariamente à proibição em que se cifra a incapacidade estão feridos de anulabilidade (125º). que estando ao alcance da sua capacidade natural.  Negócios próprios da vida corrente do menor. III. não é portanto um representante voluntário no sentido em que não é escolhido pelo representado. (ver melhor). 2. desde que tenham idade superior a 16 anos (1601º). mas dá lugar à aplicação de sanções especiais (1649º).  Podem fazer testamento se emancipados (2189º). nº1 al. Aqui há uma autonomização ao incapaz a agir pertencendo a iniciativa ao próprio incapaz. a CC). c) Para o negócio ser anulado tem de haver uma acção intentada não se procedendo ex officio .  Podem perfilhar se tiverem mais de 16 anos (1850º).com/index.  Emancipação que hoje apenas resulta do casamento (arts.  Negócios relativos à profissão e ao seu exercício (127º.

com/index. o artigo 1889º refere-nos actos cuja validade depende de autorização do tribunal.nº1. al. visando a lei proteger essas expectativas. a generalidade da esfera jurídica do menor. à aplicação do princípio da proibição do venire contra factum proprium. deve ser instaurada sempre que se verifique alguma das situações previstas no artigo 1921º. o artigo 1892º estabelece outra proibição. As suas limitações estão presentes nos 40 .c). este domínio reflecte-se relativamente à pessoa dos filhos  1885º e ss e relativamente aos bens do filho 1888º e ss. A doutrina vai divergir em relação aos representantes:  Mota Pinto: diz que os representantes também não podem. al.html  a) Representante do menor dentro de um ano a contar do conhecimento do acto impugnado.http://apontamentosdireito. donde resulta imediatamente o facto do poder paternal pertencer aos pais não atribuindo poderes especiais ao pai ou à mãe. Estão excluídos da administração dos pais certos bens mencionados no artigo 1888º. No entanto. visto que estes são meros continuadores da esfera jurídica do de cuius. O poder paternal pode ser alvo de inibições como se depreende dos artigos 1913º e seguintes. nº1.b). Comuns ao poder paternal pessoal e patrimonial são o poder de representação (1878º e 1881º) e o poder de autoridade que os filhos devem obediência (1878º nº2). como facilmente se depreende do 125º. O exercício do poder paternal vem previsto nos artigos 1901º e ss. pois aqui o que merece relevo é a tutela do interessa da contra-parte que não pode ser prejudicada. abrangendo. al.atspace. mas nunca depois do menor atingir a maioridade ou seja emancipado (125º.  b) Tutela: é o meio normal de suprimento do poder paternal. Aqui a doutrina converge na aceitação de que os herdeiros também não poderão requerer essa anulação. O tutor tem poderes de representação. No entanto. tal como os do pai. As reacções aos artigos referidos geram a anulabilidade dos respectivos actos nos termos do artigo 1893º. o menor não é o único com legitimidade para requerer a anulabilidade. Assiste-se aqui. o poder tutelar é menos amplo que o poder paternal. nº1. em princípio.  c) Qualquer herdeiro num ano a contar da morte sem que ultrapasse um ano da sua maioridade ou emancipação (125º.  Orlando de Carvalho e Antunes Varela: dizem que os representantes poderão requerer essa anulabilidade porque o relevante é a tutela dos interesses do incapaz que são tutelados pelo exercício do poder paternal.a).Suprimento: a incapacidade do menor é suprida pelo instituto da representação sendo os meios de suprimento os seguintes:  a) Poder Paternal: o seu conteúdo está regulado no artigo 1878º. O direito de invocar a anulabilidade é precludido pelo comportamento malicioso do menor no caso de este ter usado de dolo (253º) a fim de ser fazer passar por maior ou emancipado (126º). 3.  b) O próprio menor no prazo de um ano após a maioridade ou emancipação (125º.

nos termos do 1954º cabe vigiar o modo como são desempenhadas as funções do tutor. pois os menores estão sempre protegidos pela incapacidade de menoridade.  Surdez – mudez.com/index. O artigo 139º manda aplicar as disposições que regulam a incapacidade por menoridade e fixam os meios de suprir o poder paternal. A lei permite. Ao conselho de família. não basta. o requerimento e decretamento da interdição dentro de um ano anterior à maioridade  138º nº2.Não faz sentido tratar uma pessoa como maior quando é elevada a possibilidade de vir a ser declarado incapaz.http://apontamentosdireito. no entanto. no entanto.html artigos 1937º e 1938º. As sanções para a infracção das proibições impostas ao tutor constam dos artigos 1939º e 1940º. Quando o menor prefizer 18 anos e correr uma acção de interdição ou inabilitação contra ele o artigo 131º diz-nos que se mantém o poder paternal ou a tutela. o mesmo acontece com a inabilitação por força do artigo 156º. 41 . a existência de “deficiências”. 3. São fundamentos de interdição:  Situações de anomalia psíquica.  A incapacidade do artigo 131º: é possível requerer-se uma interdição no ano anterior à maioridade. equiparando os sujeitos nestas situações aos menores pelas seguintes razões: 1. O protutor será um dos vogais do conselho de família a quem cabe fiscalizar a acção do tutor de forma permanente.  c) Administração de bens: ela terá lugar.No artigo 125º. Os direitos e deveres do administrador estão consagrados no artigo 1971º. só aí existirá interdição. daqui retiramos que o administrador é o representante legal do menor nos actos relativos aos bens cuja administração lhes pertença. não havendo lógica de se aplicar a um maior o regime da representação legal. O tutor pode também ser afastado  1948 e ss. nos termos do artigo 1922º. os seus poderes são idênticos aos do tutor. b) Interdição: quem pode ser interdito: a interdição é apenas aplicável a maiores.atspace. O Dr Carvalho Fernandes diz-nos que se trata de uma incapacidade de exercício autónoma. Aqui existirá um administrador dos bens ao lado dos pais ou do tutor.  Cegeira. para que esta produza efeitos quando o menor se torne maior – 138º nº2. Torna-se necessária uma sentença judicial que no termo de um processo judicial declare a incapacidade.A lei diz que se aplica o regime paternal ou tutorial.  Quando pela sua gravidade tornem o interditando incapaz de reger a sua pessoa e bens 138º nº1 (quando essas anomalias não excluem totalmente a aptidão do sujeito para gerir os seus interesses o incapaz será inabilitado – 152º). durante esse curto espaço de tempo. nº1/a a lei ressalva no prazo do requerimento da anulabilidade. A designação do administrador de bens é regulada nos artigos 1967º e 1968º. 2. Estas “deficiências” devem ser habituais ou duradouras e actuais. o disposto no 131º. coexistindo com a tutela ou com o poder paternal.

utilização do pretérito perfeito. são anuláveis os actos caso: a. que estabelece a excepção do artigo 144º (pais exercem o poder paternal como se ele fosse menor). A competência atribuída ao tribunal de menores no funcionamento da representação legal dos menores é deferida no que refere à capacidade dos interditos ao tribunal comum – artigo 140º. no prazo de um ano a contar do conhecimento do negócio. falta de prejudicabilidade do acto ou desconhecimento pela contra – parte da interdição. neste ultimo caso os negócios não são anuláveis.atspace. 2. eventualmente. Não há qualquer lugar para o instituto da assistência no suprimento de uma incapacidade por interdição. são sempre anuláveis  148º. Quanto ao casamento não há possibilidade de suprimento da incapacidade dos interditos por anomalia psíquica – artigo 1601/b.Depois do registo da sentença definitiva: o artigo 148º mostra-nos que os negócios jurídicos realizados neste período estão feridos de anulabilidade – artigo 148º.Na pendência de processo de interdição: artigo 149º. A interdição venha a ser definitivamente decretada. que se recusariam a contratar com eles já que sobre eles penderia a ameaça de uma 42 .com/index.html 1. b.  2. A sentença de interdição definitiva deve ser registada sob pena de não poder ser invocada contra terceiro de boa-fé – 147º. As razoes que nos levam a afirmar isto são: a) o elemento gramatical de interpretação “causou”. a administração de bens. A anulação não pode ser excluída mediante a alegação de intervalo lúcido do demente.http://apontamentosdireito. b) o próprio interdito no prazo de um ano a contar do levantamento da interdição.Suprimento: a incapacidade é suprida mediante o instituto da representação legal. Poderá ter lugar. Quanto ao prazo para a sua invocação é as pessoas com legitimidade para arguir é aplicável ex vi do artigo 138º com as necessárias adaptações o artigo 125º. Podem assim requerer a anulação: a) representante do interdito durante a vigência da interdição.Valor dos actos praticados: a lei considera três períodos:  1. b) elemento racional ? – pois evita uma quarentena a que os interditos seriam votados por outros indivíduos . o mesmo acontece para a capacidade de testar – artigo 2189º e para perfilhação – artigo 1850º. já que se estabelece uma tutela regulada pelas mesmas normas que regulam a dos menores. O negócio deu prejuízo ao interdito: a apreciação deste prejuízo reporta-se ao momento da prática do acto não se tomando em conta eventualidades ulteriores que poderão vir a tornar desvantajoso para o interdito aquele negócio. c) qualquer herdeiro do interdito no prazo de um ano a contar da morte deste (quando a morte ocorreu ainda era ele interdito ou a interdição tinha sido levantada há menos de um ano antes da morte).

Em relação ao artigo 149º nº2 há quem diga que o momento do registo da sentença a partir da qual começa a contar o prazo é uma salvaguarda para quem conhece antes.http://apontamentosdireito. No entanto no caso de faltar a interdição o acto poderá ser anulado desde que se verifiquem os pressupostos da incapacidade acidental (2199º).  b) Que a incapacidade natural existente seja notória ou conhecida do declaratário.html anulação. 43 .  3.atspace. O artigo 257º nº2 esclarece o requisito da notoriedade. No caso da perfilhação há incapacidade desde que haja demência notória. não se colocando o caso de intervalo lúcido (1850º nº1). qualquer que seja a sua justificação um empobrecimento imediato do doador podendo eventualmente no futuro causar-lhe grave dano. As sanções para a realização destes negócios pelo incapaz são: a) Anulabilidade – no casamento – 1631º. No entanto se o conhecimento é posterior o prazo só começa a correr a partir daí. algo que é muito difícil de se provar. Não basta demonstrar um estado de habitual insanidade de espírito na época do negócio é necessário provar a existência de uma perturbação psíquica no momento em que a declaração de vontade foi proferida. Perigo ainda maior porque estas pessoas podem até acabar por ser reconhecidos como “normais”.Anteriormente à publicidade da acção: o artigo 150º remete-nos para o disposto da incapacidade acidental que está prevista no artigo 257º. no testamento em caso de incapacidade acidental – 2199º. ao contrário do que acontece na pendência do processo. Quanto aos negócios gratuitos como as doações. Quanto aos negócios onerosos haverá prejuízo sempre que um contratante sensato prudente na gestão dos seus bens não teria celebrado o negócio naqueles termos (bónus pater família). Neste momento não é exigível a prova de qualquer prejuízo para o incapaz. No caso de testamento só os interditos são incapazes.com/index. Quanto a alguns autores em especial em que a incapacidade jurídica é insuprível para os interditos com anomalia psíquica (perfilhação. Tudo porque uma doação importa sempre. casamento e testamento) o que é que acontece se existir anomalia e o demente não estiver interdito? No caso do casamento: há incapacidade desde que haja uma demência notória e mesmo que o acto seja praticado durante intervalos lúcidos (1601/b). na perfilhação – 1861º. A notoriedade da sua denuncia não é no mesmo sentido da do artigo 257º. A anulabilidade tem como condições necessárias e cumulativas:  a) Que no momento do acto haja uma incapacidade de entender o sentido da declaração negocial ou falte o livre exercício da vontade. Exige-se também para tutela da boa – fé do declaratario e da segurança jurídica a prova da cognoscibilidade da incapacidade. Manuel de Andrade sustentou com êxito a opinião segundo a qual as doações se devem considerar sempre prejudiciais ao interdito mesmo que as circunstancias concretas tornem razoável a sua prática por uma pessoa normal. porque aqui a tutela do incapaz deve primar sobre a protecção das expectativas do declaratário. mesmo que este não a conheça.

Podem requerer esse levantamento os indicados no artigo 151º.Noção.com/index. Trata-se de despesas desproporcionadas aos rendimentos improdutivas e injustificáveis – aqui atenta-se à finalidade das despesas. b. surdez mudez ou cegueira que provocam fraqueza de espírito mas não uma total inaptidão.http://apontamentosdireito. 4. A incapacidade dos inabilitados não existe só por existirem as circunstâncias previstas no artigo 152º. administração de bens (1970º) São insupríveis. poder paternal (1913º).atspace. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes que provoquem uma alteração de carácter. c.html b) Nulidade – no testamento em caso de interdição – 2190º. no entanto o Juiz na sentença pode especificar alguns ou todos os esses actos para o grupo de actos em que o inabilitado tem incapacidade de exercício  ver melhor o artigo 154 nº1. Normalmente os inabilitados têm capacidade de exercício no que respeita ao actos de mera administração. Torna-se necessário o levantamento da interdição. Existem três categorias: a. 2. Nos três casos basta que se prove a existência de um perigo actual de actos prejudiciais ao património mesmo que ainda não haja um dano concreto. Ainda todos os que forem especificados na sentença.Suprimento: as incapacidades de exercício por inabilitação são supridas pelo instituto da assistência através de um curador (artigo 153º). Habitual prodigalidade – o pródigo será aquele que habitualmente pratica actos de delapidação patrimonial que não se pode confundir com uma administração infeliz ou pouco inteligente. O artigo 152º revela-nos as causas de inabilitação. 3. o testamento. c) Inabilitação: 1. b) Inabilitados por prodigalidade: no que se refere à tutela (1933º nº2). É necessário uma sentença de inabilitação tal como acontece com as interdições. Anomalia psíquica . excluindo-se assim.Cessação: a incapacidade dos interditos não termina com a cessação da incapacidade natural. não sendo pródigo o que pratica actos ruinosos mas com um fim digno ou nobre. causas e instituição: são incapacidades de exercício que impedem a pessoa sujeita de praticar actos jurídicos patrimoniais (quando não autorizados pelo seu representante legal).Extensão: a inabilitação abrangerá os actos de disposição de bens inter vivos: 153º. Existem algumas incapacidades de gozo para: a) Inabilitados por anomalia psíquica: casamento (1601º). No entanto 44 .

carecem de consentimento de ambos os conjugues em qualquer regime de bens o disposto no artigo 1682º.Valor dos actos praticados pelo inabilitado: por força do artigo 156º são aplicáveis as disposições que vigoram para os interditos. como chefe de família.A nº1 e no 1683 nº2. Mota Pinto e também Manuel de Andrade falam em ilegitimidades tal como vem referido no código (trata-se de uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. exige-se um prazo de 5 anos sobre o trânsito em julgado da sentença. a CRP de 1976 e a reforma do código civil em 1977 se pôs fim a um regime que colocava o marido em posição de supremacia. 149º e 150º. 45 .atspace.http://apontamentosdireito. Tendo que se aplicar os artigos 148º. No entanto. Com isto pretende-se sujeitar o inabilitado a uma espécie de período de prova para evitar o risco de dissimulação ou fingimento – Mota Pinto. Insuficiência patrimonial: 3 Anteriormente vistas como incapacidades. o artigo 155º tem um regime particular para o caso de inabilitação por prodigalidade ou abuso de bebidas alcoólicas ou de estupefacientes. continua a ser 3fonte de ilegitimidades conjugais (restrições à livre actuação jurídica derivados do casamento) só que agora em condições de plena igualdade entre marido e mulher. 4. que deve ser especial para cada acto: artigo 1684º nº1. A Posição Familiar: Com o 25 de Abril. Deriva hoje. Por força do artigo 156º é aplicado o regime da interdição presente no artigo 151º.  Incapacidade de facto: existem situações com carácter real que provocam consequências jurídicas.html a administração do seu património pode ser entregue pelo tribunal ao curador e neste caso a forma de suprimento é o instituto da representação. a forma é a exigida para a procuração (no mesmo artigo) podendo ser judicialmente suprido (no mesmo artigo). O casamento. por exemplo e apenas nos regimes de comunhão (geral e adquiridos)o disposto no artigo 1682. Existem outras para alem das conjugais exemplo a venda de coisa alheia 892º). Assim.com/index. temos por exemplo o artigo 1933º nº1/c (…). A pessoa a quem essa administração é entregue chama-se também curador. Por força do artigo 156º e da remissão para o artigo 139º as características da anulabilidade são as do artigo 125º com as necessárias adaptações. 5. do artigo 13º da CRP e do artigo 36º o princípio da igualdade entre os conjugues. sendo a mulher incapaz em várias situações. A ilegitimidade conjugal supre-se pelo consentimento do outro cônjuge. no entanto. As sanções da ilegitimidade conjugal são as previstas no artigo 1687º.Cessação: A incapacidade deixa de existir quando for levantada a inabilitação.

quando e onde não prejudiquem a massa falida. podendo produzir os seus efeitos.html Falência e insolvência continuação da página 1. mas para a salvaguarda dos credores. 2. 5 – outro qualquer procedimento abusivo tendente a colocar-se na situação de não poder cumprir as suas obrigações. mediante apresentação ao tribunal competente com o pedido de convocação de credores.atspace.Falência e insolvência: anterior … O estado do falido ou insolvente civil afecta. ele não é nulo ou anulável mas ineficaz em relação à massa falida – artigo 155º do código das falências – os negócios conservam-se válidos. 4. Pode ter lugar através: a. mas não dispor de dinheiro líquido para as pagar. Consequência sobre os actos: 46 . sob o ponto de vista do exercício de direitos as pessoas que se encontram nessas situações. A cessação de pagamentos é que dará lugar à falência – artigo 8º do código de falências. Pois.http://apontamentosdireito. Efeitos da falência e da insolvência: A falência e a insolvência implicam uma apreensão judicial dos bens do falido e do insolvente a que se chama massa falida ou insolvente e se destina a satisfazer os credores. Se praticar algum acto. pois se os comerciantes pagam aos credores com o dinheiro dos devedores se um comerciante cessa o pagamento pode alastrar esse não pagamento aos seus credores. A inibição do falido e do insolvente não é imposta no seu interesse ao contrário da dos incapazes.fuga de comerciante. tratando-se de uma situação privativa dos não comerciantes. 3.ausência do estabelecimento sem ter provido à sua representação na gerência empresarial. Por pedido ao tribunal feito pelos credores ou do Ministério Público atendendo a certas manifestações: 1.com/index. A impossibilidade de cumprimento das obrigações é distinta de uma situação patrimonial deficitária (activo de valor inferior ao passivo). Interessa é a pontualidade dos pagamentos. Essa situação só se verifica após uma declaração judicial de falência ou insolvência.dissipação e extravio de bens . O falido não pode praticar actos patrimoniais que possam prejudicar a massa falida – artigo 147º código das falências. Falência: impossibilidade de o comerciante cumprir as suas obrigações. conservando legitimidade para os negócios pessoais e para os patrimoniais relativos a bens não apreendidos na massa falida. b. pode haver a hipótese de o comerciante ter bens de valor superior às suas dívidas. Também pode acontecer o comerciante ter um activo inferior ao passivo mas cumprir pontualmente as suas dívidas com o recurso ao crédito. Insolvência: insuficiência do activo patrimonial para cobrir o passivo.cessação de pagamentos. A sua administração é entregue a um administrador. Do reconhecimento do comerciante.

quando esse conhecimento é pressuposto de produção de efeitos jurídicos. Noção: a. Essa equiparação não obsta a aplicação no direito civil das regras de direito internacional privado. Também as quotas de 40% de trabalhadores nacionais vem limitar a capacidade dos estrangeiros. Vamos encontrar excepções quanto à capacidade de gozo no artigo 33º da CRP que prevê a extradição que não é admitida em relação aos portugueses. Domicilio voluntário geral: lugar da residência habitual – artigo 82º.a sucessão por morte abre-se no lugar do ultimo domicilio do seu auto. Tal como o faz o artigo 15º da CRP. Trata-se de um ilegitimidade. b) 47 .atspace. 3. Nacionalidade: Definição: é um vínculo jurídico político que liga certas pessoas ao Estado Português por oposição aos estrangeiros e apátridas. Domicilio: a) Importância da noção: trata-se de uma noção relevante de forma a fazer o ponto de conexão entre a pessoa e um determinado lugar.html No período anterior à declaração de falência há propensão para o devedor tomar medidas altamente prejudiciais para a massa dos credores. nos casos de: 1.com/index.http://apontamentosdireito.o tribunal competente para quaisquer acções. já que supõe uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. 2. b) Quanto aos negócios onerosos é aplicada a impugnação pauliana – artigo 610º. Aqui não se trata de uma verdadeira incapacidade. já que se tem que proteger os interesses de terceiros de boa fé. já que não é a qualidade do sujeito em si mesmo que está em causa. salvo disposição especial é o do domicilio do réu.as obrigações pecuniárias deverão ser efectuadas no domicilio do credor. Assim são resolúveis em benefício da massa: a) Actos celebrados por titulo gratuito que diminuam o património do devedor nos dois anos anteriores à sentença declaratória de falência. 4ai deverão ser praticadas diligências ou efectuadas comunicações dirigidas a dar conhecimento a uma pessoa de um facto. salvo disposição legal em contrário. O artigo 14 do cc vem equiparar os estrangeiros aos nacionais quanto ao direito civil. é um modo de ser para com os outros. delapidar o seu activo ou beneficiando uns credores em detrimento de outros.

atspace.empregados públicos – artigo 87º. um negócio jurídico. por exemplo alguém que passa alternadamente uma semana na sua casa da Régua e uma semana na sua casa em Vila do Conde). 3. Estas têm a ver com a maior ou menor probabilidade de regresso do ausente. Uma pessoa pode ter dois ou mais domicílios se tiver duas ou mais residências habituais. podendo-se desde logo recorrer à morte presumida independentemente de antes se ter instaurado a curadoria definitiva. Nenhuma delas está dependente das anteriores para a sua instauração judicial.desaparecimento de alguém sem noticias 2necessidade de prover acerca da administração dos seus bens 3falta de representante legal ou procurador artigo 89º/1. sem que da pessoa se saiba parte – artigo 89º/1.agentes diplomáticos portugueses – artigo 88º. ou seja. A lei prevê ainda um domicílio profissional que se localiza onde a profissão é exercida – artigo 83º e um domicílio electivo que é estipulado por escrito para determinados negócios – artigo 84º (reveste-se de um negocio jurídico).domicilio dos menores e interditos – artigo 85º (embora não refira inabilitados. pelo facto de aí se residir habitualmente ou de aí se exercer uma profissão. 2. Medidas Legais: a) Curadoria provisória: a. embora. sujeito ao instituto da representação aplicar-se-á este artigo ex vi – artigo 156º). As medidas que se poderão tomar: a) Curadoria provisória. ou seja. independentemente da vontade: 1. Ela não faz surgir um domicílio. 48 .http://apontamentosdireito.html b. O nosso direito conhece alguns casos de domicilio legal. no entanto. na falta do mesmo. Visam sobretudo evitar os prejuízos decorrentes da falta de administração dos bens da pessoa ausente. quando estes têm todo o seu património entregue à administração do curador. c. c) Morte presumida. mas um simples acto jurídico: os efeitos jurídicos realizam-se por força da lei mesmo que as pessoas os não quisessem. Ausência: Noção: desaparecimento sem notícias. Paradeiro: local onde a pessoa se encontra em cada momento – artigo 225º. Pressupostos: 1. Não é. funcione como seu equivalente – artigo 82º/2.com/index. Residência ocasional: lugar onde a pessoa vive temporariamente ou acidentalmente. b) Curadoria definitiva. ou seja. O estabelecimento do domicílio resulta de um acto voluntário. Mas se uma pessoa passar algumas semanas numa casa arrendada não passa a ter aí um segundo domicilio.

por não poder. Aqui a presunção é a de possível regresso do ausente daí que o Ministério Público ou qualquer interessado tenha legitimidade para a requerer artigo 91º. Se o ausente regressar. b) Curadoria definitiva: a. Como é visível pelo artigo 94º o curador funciona como simples administrador – o artigo 98º estabelece os casos do termo da curadoria. os interessados para o efeito do requerimento da curadoria definitiva têm legitimidade para pedirem a declaração de morte presumida  artigo 114º. Dos bens será prestada caução artigo 93º. como é alta a probabilidade de morte física do ausente. Caso o ausente regresse aplica-se o artigo 119º. A curadoria definitiva termina nos casos previstos no artigo 118º. No entanto há atenuantes.html Mesmo que haja representantes.com/index. e como a bigamia é proibida. se a pessoa for menor são necessários cinco anos sobre a data em que completaria a maioridade se fosse vivo  artigo 114º/2. Mas. quer por não querer  artigo 89º/2. b) Subjectivos: dizem respeito à pessoa humana. c) Morte presumida: a.http://apontamentosdireito. O casamento não cessa ipso facto. Após a justificação da ausência. Tratam-se de direitos: a) Gerais: todas as pessoas deles gozam. procedese à abertura de testamentos  artigo 101º. Aqui. Os direitos de Personalidade tratam-se de direitos absolutos que incidem sobre os vários modos de ser físicos ou morais da sua personalidade. Os direitos de Personalidade: GENERALIDADES: A personalidade humana surge como objecto de direitos e deveres. considera-se o primeiro casamento dissolvido por divórcio.atspace. Aqui a probabilidade do não regresso é maior daí que a legitimidade para a requerer seja mais reduzida como se denota pelos artigos 99º e 100º. a curadoria provisória será estabelecida se este não exercer as suas funções. o artigo 115º estatui que a sua declaração produz os mesmos efeitos do que a morte. Pressupostos: dez anos sobre a data das últimas noticias ou cinco anos se o ausente tiver completado 80 anos de idade. 49 . Pressupostos: dois anos sem se saber do ausente ou cinco anos se ele tiver deixado representante legal ou procurador  artigo 99º. à partilha e entrega dos bens aos legatários e herdeiros que são arguidos como curadores definitivos – artigo 104º. O artigo 92 mostra quem deverá ser escolhido para curador. no entanto o cônjuge do ausente pode contrair novo casamento sem necessidade de recorrer ao divórcio  artigos 115º e 116º.

um lutador de boxe que abandona um combate terá que indemnizar o empresário dos prejuízos causados à razoável confiança que este tenha depositado na continuação do consentimento. de uma abstenção por parte dos demais sujeitos (dever geral de abstenção). são oponíveis erga omnes em duas vertentes: a. Poderão ainda haver limitações lícitas ao exercício dos direitos de personalidade como estipula o artigo 81º. d) Intransmissíveis: estes direitos dizem respeito ao ser do seu titular. Trata-se de um non facere. h) Carácter originário ou inato: decorrem do mero reconhecimento da personalidade jurídica. apenas implicam a vertente passiva. A questão doutrinal que se coloca é a de saber se o nosso sistema jurídico (constante nos artigos 70º e ss) tem apenas um direito geral de personalidade. Sendo que o critério utilizado para aferir dessas legítimas expectativas seja o do bónus pater famílias (exemplo. Sobretudo no que diz respeito ao direito à vida quando esta está em perigo. Mas mesmo lícitos são sempre revogáveis. sem. será contrária à ordem pública. se bem com a obrigação de indemnizar os prejuízos causados às legítimas expectativas da outra parte – artigo 81º/2.http://apontamentosdireito. tal não impede que na esfera pessoal do indivíduo se verifiquem mutações juridicamente tuteladas que derivam do seu poder de auto-determinação. não sendo necessário um pressuposto ulterior para a sua existência. Vertente activa: poder de exigir em certas circunstâncias um comportamento positivo dos demais sujeitos. ou seja. g) Extra-patrimoniais: se concluir-mos que os direitos patrimoniais são todos aqueles que são possíveis de serem avaliados em dinheiro. alienação. Diferentemente dos direitos reais. estes não se encontram nessa categoria. Qualquer negócio de cedência. Vertente passiva: poder de exigir aos demais sujeitos o respeito pelos seus direitos de personalidade. etc.com/index. e) Relativamente indisponíveis: eles estão fora do comércio jurídico. a obrigação da prática de certos actos que salvaguardam a personalidade desse sujeito.html c) Absolutos: impõe-se a todos. ou seja. um facere.atspace. que embora absolutos. f) Perenidade e imprescritibilidade: não são vitalícios mas perpétuos já que gozam de protecção mesmo depois da morte – artigo 71º/1. b. 50 . sendo necessário que esta limitação seja: voluntária. No entanto. oneração. não contrária aos princípios da ordem pública. no entanto. ou seja. No que diz respeito à sua sucessão mortis causa esta só parece existir para os direitos especiais de personalidade com um regime muito especial. Também não se extinguem pelo facto de não serem utilizados. utilizar meios que vão ferir a personalidade física da pessoa em risco ou lesem a sua dignidade humana.

caso da legítima defesa. Assim. numa obra artística em que o autor espelha a sua concepção da vida. Capelo de Sousa) que nos parece ser também a posição do nosso código consagrando no artigo 70º uma tutela geral da personalidade contraposta à dos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. onde encontramos causas de justificação da ilicitude. ou existirão conjuntamente um direito geral de personalidade a par de direitos especiais de personalidade (posição adoptada por R.http://apontamentosdireito. Temos. que considerar três aspectos: a) Essencialidade: aquilo que é comum a todos os homens (ex. tornando-o capaz de ser identificado e não confundido com quaisquer outro seres (exemplo. em última análise. impressões digitais. b) Individualidade: algo que torna cada ser humano único e irrepetível com características próprias que particularizam o ser do ponto de vista genético e de adequação ao meio. ao arbítrio do próprio interprete. Ainda no que diz respeito à colisão de direitos. Ainda a palavra “qualquer” do artigo 70º/1 numa interpretação literal implica a defesa desse direito geral de personalidade (DGP). no artigo 70º fala-se de uma tutela geral da personalidade contraposta aos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. neste caso os titulares de direitos deverão ceder na medida do necessário para que 3- 51 .atspace. dignidade da pessoa humana). do mundo. como objecto da relação jurídica. físico. No entanto. então. ou expressa o seu estilo a ponto dessa obra ser identificada – daí a existência de um direito material e moral de autor). isto é. intelecto).com/index. nem todos os aspectos da personalidade humana são protegidos. apenas a personalidade humana juscivilisticamente tutelada. 2O direito geral de personalidade de determinada pessoa “acaba quando começa o de outra”. aquela personalidade que pode ser considerada como bem jurídico. direito à integridade física ou mesmo direito à vida). não se compreenderia como é que do artigo 70º se retirariam direitos especiais de personalidade (exemplo. encontramos limites ao DGP que fazem com que este mesmo não seja determinado: 1A própria natureza do bem da personalidade: cada pessoa tem a sua própria personalidade. Se não se defendesse a existência deste DGP. Ele é constituído pelos DGP das outras pessoas. A ponderação de bens. c) Pessoalidade: traduz a relação de cada homem com aspectos do mundo exterior nos quais é projectada a personalidade (exemplo.html apenas direitos especiais de personalidade. O direito Geral de Personalidade: de facto. Assim desse DGP se desentranham diversos direitos especiais de personalidade. consagrada no artigo 335º. características de inteligência. Estes ficariam. Isto porque vivemos em comunidade onde há uma limitação de recursos.

o Enquadramento sistemático do artigo 496º que cabe ao regime da responsabilidade e não da sucessão. Seria aliás. daí que não seja licito o sacrifício de uma vida humana para salvar outras.atspace.html todos produzam os seus efeitos sem detrimento para qualquer das partes (335º/1). sendo também irrelevante o consentimento do ofendido a esse respeito (a eutanásia também é proibida). O artigo 496º vem dar direito à requisição da indemnização por parte dos legitimados no artigo.http://apontamentosdireito. estaríamos a premiar o assassino mais eficaz. que foi abandonada no texto definitivo.  Antunes Varela:a indemnização cabe por direito próprio aos familiares referidos no artigo 496º/2. Uma vida humana tem o mesmo valor que 5 ou 10.com/index. não só a nível Constitucional mas também a nível civil o nascituro será para todos os efeitos um indivíduo nos termos do artigo 70º/1. 4- Haverá apenas responsabilidade civil nos casos de danos não patrimoniais gravosos (496º/1). Algo que deve ser sistematizado: A) Relação do homem consigo próprio: 1. Sendo ilícito e indemnizável o aniquilamento da sua vida. Com base no artigo 24º da CRP parece inegável a existência de vida humana no nascituro. então a questão: a que titulo se transmite a indemnização?  Vaz Serra: diz que se transmite por sucessão aos previstos no artigo 496º/2.  Galvão Teles: transmite-se por sucessão mas aos sucessores em geral do falecido de acordo com o artigo 2133º. muito estranho só atribuir essa indemnização caso ele nascesse com vida pois. A vida humana não pode ser comparada ou ponderada com a vida de outrem e nem mesmo com uma pluralidade de vidas humanas.Vida humana: sem dúvida que está abrangida pelo artigo 70º e deve ser tomada na sua plenitude não havendo quaisquer direito do titular eliminar a sua própria vida (o suicídio é proibido em Portugal). Parece-nos a melhor solução sobretudo: o Aos trabalhos preparatórios que são da responsabilidade de Vaz Serra em que esteve prevista a aquisição por direito sucessório. Coloca-se. A única excepção admitida é a da legítima defesa. No caso do DGP colidir com um direito desigual deverá prevalecer aquele que se considere superior (335º/2). de uma 52 . devido à proximidade efectiva que existe relativamente a estes familiares. Conteúdo do DGP: ele abrange a unidade e a globalidade da personalidade. o No artigo 496º/2 emprega-se o termo “cabe” que dá a ideia de uma devolução imediata. No entanto.

Corpo: 4 elementos: a) Somático: conjunto organizado e lógico que incorpora várias funções do homem e a sua constituição. b. quer os emergentes quer os cessantes.com/index. Feitas em beneficio alheio ou em beneficio geral: nestes casos a presunção de consentimento não é aplicada. Na sucessão estas expressões não se empregam. 53 . sendo esta não patrimonial. O que seria indemnizável seriam os danos patrimoniais e pessoais sofridos pelos familiares do falecido. O médico deverá elucidar acerca das consequências da intervenção e dos seus riscos. etc. já que a venda vai contra os bons costumes e a ordem pública. sem autorização do próprio e com a devida informação acerca dos riscos). nos termos do artigo 340º. no entanto. c. d) Autodeterminação corporal: capacidade de qualquer ser humano ser livre em relação ao seu próprio corpo. Sémen. ( a indemnizabilidade dos danos não patrimoniais resulta do artigo 496º/1. Durante algum tempo pensava-se que o dano da perda da vida. Quando se trata de uma situação de urgência: numa intervenção em benefício do próprio titular. algumas limitações: 1. 2. quer os futuros. Dever de esclarecimento que é maior nas intervenções estéticas. tendo estes que ser graves (algo medido por padrões objectivos em face das circunstancias entre os quais figura o dano da morte4) 2. Esta teoria tem a grande vantagem de não haver uma subtracção do montante da indemnização à responsabilidade por dívidas de herança. Terá de haver sempre consentimento do lesado (exemplo. Quando a transferência é feita em vida terá de ser gratuita. daí serem ilícitos testes com novos fármacos não aprovados pelo INFARMED. Feitas em beneficio do próprio titular: há a obrigatoriedade de consentimento que tem que ser pedido pelo médico.html transferência por direito próprio. não deveria ser indemnizável. Atente-se que estes também são indemnizáveis – 483º. leite materno.No que diz respeito às intervenções médicas temos que distinguir entre diferentes tipos de intervenção: a. Se a aquisição se desse por direito sucessório essa indemnização juntar-se-ia a à herança e também ela às dividas deixadas pela herança. c) Saúde: estado de equilíbrio entre estes dois elementos (exterior e interior).http://apontamentosdireito. Nesse caso haverá ofensa aos bons costumes  340º/2.atspace. presume-se que o consentimento é dado nos termos do artigo 340º/3. Existem. b) Psique: mecanismos neuro-psíquicos. sangue.elementos que sejam regeneráveis e não insubstituíveis poderão ser alvo de doação5 mortis causa. 4 5 São indemnizáveis quer os danos presentes. O consentimento não será válido no caso de grande desproporção entre o benefício e os riscos da intervenção.

f. Ela pode ser alterada através de uma situação externa (tortura. que tem a ver com o facto de sermos homens. quer num sentido positivo (direito a fazer empreender tudo o que não é vedado pela lei.Liberdade: quer num sentido negativo (ninguém ser obrigado por outrem a adoptar ou não determinado comportamento). Não só uma segurança física (que pode ser garantida pelas forças estaduais) como psicológica (ninguém pode ser vitima de assédio sexual).html 3. a violação pode ser feita por excesso ou por defeito. 1.Segurança: bem necessário ao ser humano para viver. pela sua experiência humana em sociedade. uma liberdade sexual.http://apontamentosdireito.Igualdade: há uma dignidade humana que é igual para todas as pessoas. 3. É possível encarar a liberdade sob varias perspectivas: Física: uma liberdade de movimentos. ou seja. mas toda a estrutura sentimental. algo que não seria juridicamente tutelado. c) Estrutura da vontade: esta pode também ser violentada através de coacção grave. Na identidade há ainda um direito à imagem.atspace. uma igualdade natural. bem como as próprias criações são protegidas pelo DGP. 54 . Daí que haja um conjunto de relações de personalidade na relação do “eu” com o Mundo. Esse poder de criação. Podemos afirmar que há um direito geral de liberdade. etc). à determinação da aparência externa e também à história penal. resguardo de vidro. 2.Nestes casos não se viola apenas os sentimentos. sequestro violento e continuado.Existência: inserção do ser humano na realidade físico e ambiental do Mundo (exemplo. bons costumes ou pela ordem pública. cada ser humano tem o direito a escolher os seus próprios fins e a escolher os meios para os alcançar. 6 Redoma: s. 5. as mãos de um escultor).A capacidade criadora e as respectivas criações: formada por todos os aspectos referentes ao espírito e ainda capacidades físicas (exemplo. Ele está em relação directa com o seu meio e com as outras pessoas que fazem parte desse meio.O espírito e os seus sistemas fundamentais: a) Estrutura sentimental: ela é criada pelo próprio homem. B) Relação do homem com o mundo: o ser humano não subsiste por si próprio.Identidade: a cada ser humano deve-se atribuir os factos que praticou e não suprimir factos praticados ou atribuir-lhe acções que não praticou. b) Inteligência: faz parte da nossa personalidade e poderão existir ataques a ela (através de uma composição química) que alteraria a própria estrutura da nossa inteligência. 4. como se vivesse numa redoma6.com/index. isolado. casos de violação deste direito poderão ser o da coincineradora em Souselas ou do Urânio empobrecido nos Balcãs. 4.

É diferente do sentimento de honra próprio que não tem na comunidade grande expressão. religioso. nudismo).Desenvolvimento da Personalidade: implica a auto-determinação cognitiva. em algumas disposições do código civil  artigos 79º/3 e 484º. financeira (exemplo. Juridica: liberdade de celebrar ou não actos jurídicos. que não varia com o estatuto da pessoa. Esta é formada por quatro elementos: 01Dignidade humana: é a honra propriamente dita. prudência e diligência que geram a confiança financeira. 7. sigilo bancário). 9. Trata-se sim da imagem que adquirimos pelos nossos méritos e desméritos. Trata-se de projecção social das qualidades morais do indivíduo. e dentro destes solteiro ou casado. Engloba ainda o direito de estar sozinho. 02Bom-nome: prestigio da pessoa no plano profissional. 04Decoro: adequação do comportamento pessoal aos padrões de comportamento social (ex. ferimentos e manchas que a pessoa não quer exibir. como se espelho se tratasse. 55 . Os meios de tutela do direito geral de personalidade: segundo o artigo 70º/2 dá lugar: a) Responsabilidade civil  que tem um carácter indemnizatório (podendo ser uma restituição natural ou uma indemnização em dinheiro) b) Medidas preventivas  com vista a evitar a consumação da ameaça ou atenuar os efeitos da ofensa já cometida. Tutela da Personalidade dos concebidos e das pessoas falecidas: Esta tem lugar com fundamento na protecção da vida. desenvolvimento biológico. de associação. não podendo ser revelados). de consciência.Reserva da vida privada: engloba os aspectos gerais da vida familiar doméstica. de opção religiosa. pois está ligada directamente à dignidade humana . da integridade física e da honra. 6.atspace. exemplo: honestidade. rectidão.Honra: aparece referida. 8. Também a liberdade de expressão .Reserva do ser pessoal: algo que a pessoa deseja manter para si (ex. qualidades de honestidade. de reunião e de escolha de profissão ou actividade. de negar quaisquer auxílios. económica. Social: a liberdade de imprensa.http://apontamentosdireito.com/index. 03Crédito: prestigio económico de uma pessoa. liberdade de escolha de vários tipos. de forma expressa.html  Moral: entre as quais se inclui a liberdade de estado civil.

do nome próprio completo ou abreviado .no que respeita à sua publicação esta está sujeita ao consentimento do seu autor – 76º. No que concerne a cartas missivas não confidenciais. iniciais.http://apontamentosdireito. A sua protecção depende da notoriedade que tenha. etc. É diferente da alcunha atribuída por terceiros. b) Direito ao pseudónimo: é também garantido por meio do artigo 74º. reputação ou decoro da pessoa retratada. Os direitos especiais de Personalidade: a) Direito ao nome: previsto no artigo 72º.html O artigo 71º mostra-nos que os direitos de personalidade são protegidos para além da morte do seu titular. No caso de duas pessoas terem o nome total ou parcialmente idêntico. a extensão de reserva é definida de acordo com o caso 56 . É garantida ainda a confidencialidade das memórias familiares e de outros escritos confidenciais 77º. Estatui o artigo 72/2 que nestes casos o tribunal decretará as providencias que melhor concilem os interesses em conflito de acordo com os juízos de equidade. defende uma articulação com o 68º que estatui que a personalidade cessa com a morte. e)Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada: consagrada no artigo 80º. O doutor Capelo de Sousa discorda desta posição já que defende que uma coisa é a ofensa às pessoas mencionadas no 71/2 e outra coisa é a ofensa à própria pessoa falecida.atspace. o seu titular não pode usa-lo com o propósito de prejudicar os interesses de outro. aqui a reserva não é tão grande. Estipula que é necessário o consentimento da pessoa para que o seu retracto possa ser publicado (79º/1 e 2) desse mesmo artigo consagra as excepções à necessidade de consentimento da pessoa. c) Reserva e resguardo de escritos: no que diz respeito a cartas – missivas confidenciais o destinatário deverá guardar reserva no que respeita ao conteúdo das mesmas artigo 75º/1. o nº3 por seu lado é encarado como uma excepção à excepção: o retrato não poderá ser publicitado se do facto resultar prejuízo para a honra. O doutor Mota Pinto defende que o artigo 71/1 tem uma formulação infeliz pois é da opinião que a tutela incide sob os direitos ou interesses mencionados no 71/2 e não sobre os direitos do defunto. do nome artístico. Todos os mencionados no artigo 71/2 têm legitimidade visto que existe uma sucessão de direitos pessoais. o conteúdo e a natureza da carta. deve-se apenas respeitar o autor da carta. que não têm um destinatário concreto). Morto o destinatário pode ser ordenada a restituição ou destruição da carta  artigo 75º/2 .com/index. mas o que se quer tutelar são os direitos de personalidade do falecido. Até porque esta poderá não ter quaisquer herdeiros. consagradas no artigo 78º que dizem respeito apenas ás que têm um destinatário concreto (não se aplicando às cartas abertas. No entanto. d)Direito à imagem: está no artigo 79º.

se o lutador pudesse realizar o combate e por falta de coragem não quisesse combater aí já haverá lugar a indemnização. Existem outros direitos especiais de personalidade previstos expressamente na lei. embora não todo). no entanto.http://apontamentosdireito. um contrato de prostituição) não será admissível já que contraria a ordem pública. A complacência com a publicidade não significa uma renúncia à esfera de intimidade. Isto importa algumas consequências: o direito geral de personalidade aplica-se sempre ás relações de personalidade em que haja disposição especial. uma obrigação de indemnizar a outra parte. neste caso o empresário não pode esperar que ele combata. mas sim um acto de amor (…). Articulações entre o direito geral de personalidade e os direitos especiais de personalidade: Eles estão numa relação de lei geral (DGP) que prevê um conjunto de situações que são o regime regra e lei especial (direitos especiais – vigoram apenas para um numero determinado de casos que não se opõem ao regime regra). Aqui não são todos os danos. o direito de fixar os limites do que pode e não pode ser publicado. essa limitação é sempre revogável artigo 81º/2. o prejuízo é apenas imputável ao empresário. ou seja. Trata-se de situações em que através de determinados actos (ex. Isto apenas é possível quando estes actos ou negócios não contrariem os princípios da ordem pública (ex. se antes do combate o lutador tem dores reumáticas. o regime do DGP aplica-se subsidiariamente. como tal se houver menos assistência. 7 Mesmo o vedetismo ou celebridade não exclui a discrição.atspace. 57 . embora. Diferentemente as normas respeitantes aos direitos especiais aplicam-se apenas relativamente às relações de personalidade especifica. consentimento) ou determinados negócios jurídicos voluntariamente aceites pelo titular dos direitos. No entanto. sendo no entanto contrário à ordem pública se um dos lutadores é contratado já para perder. direito a uma esfera de segredo ou na formula Inglesa “right to be alone”. embora é sempre uma renuncia a uma esfera tão extensa como de outros cidadãos.html concreto e a condição das pessoas7.com/index. Assim. se nos direitos especiais não estiver prevista qualquer sanção se aplica o artigo 70/2. esses mesmos direitos são limitados. que deverá comportar uma parte significativa do prejuízo. porém. Há. uma vez que um acto sexual não deve ser vendável. mas apenas os correspondentes às legítimas expectativas da outra parte. caso do direito moral de autor consagrado no código de direitos de autor e conexos. utilizando-se o conceito do bónus pater famílias (exemplo. já um contrato de pugilismo desde que siga as regras da modalidade é admissível. ou seja. mesmo quando está de acordo com a ordem pública. Só que esta indemnização não é igual à de indemnizar em termos gerais (que segundo o artigo 483º/1 prevê a indemnização de todos os danos resultantes da violação). Limitações voluntárias dos direitos de personalidade: Estão previstas no artigo 81º.

Assim. c)Tem de ser prestado antes da lesão. que uma revogação.html Assim. mas constitui uma simples causa de justificação desta. há apenas um poder factico de agressão que é revogável a todo tempo.atspace. Vejamos sistematicamente: a) Baseiam-se num negócio jurídico lateral ou contrato. Existem três modalidades do consentimento para a limitação voluntária dos direitos de personalidade: a)Vinculante: atribui-se ao lesante um verdadeiro direito de agressão. o consentimento vinculante é o resultado de um negócio jurídico e a outra parte fica com um verdadeiro direito de agressão (exemplo. c)Limitados pelo 81º/1. feitas em benefício próprio. implica o incumprimento do contrato. b)Autorizante: aqui não há um vínculo jurídico. d)Torna licito o acto do lesante com excepção do 340º/2 Quando se tratam de intervenções cirúrgicas. de tal modo. 58 . 81º/2 (ex. c) Tolerante: este não atribui sequer um poder de agressão. doação de um rim).http://apontamentosdireito. Consentimento vinculante / autorizante: a) Baseiam-se num simples acto jurídico lateral. combate de boxe). todos os direitos podem ser agredidos desde que haja o consentimento do lesado com excepção do direito à vida. Consentimento tolerante: b)Têm um carácter integrativo. e desde que não violem a ordem pública. sempre possível. Um dos consentimentos tolerantes é o consentimento presumível  340º/3. tendo como consequência a indemnização das legítimas expectativas que foram frustradas – art. b)Têm um carácter constitutivo: com a celebração de um vinculo jurídico (vinculante) ou compromisso jurídico sui generis (autorizante). b)Esclarecimento das consequências imediatas da intervenção cirúrgica. estes deverão ser os critérios que presidem ao consentimento: a)Esclarecimento do diagnostico da doença.com/index.

Ele é o elemento material. Note-se que quando o consentimento do lesado é nulo ou ilegal. visto que se existissem riscos quase improváveis estes podiam fazer recuar um paciente mais receoso. humanos ou pessoas singulares / agrupadas através de actividades 59 . Elemento pessoal ou patrimonial: será mais correcto referirmos elemento pessoal e . não são pessoas colectivas. Elementos constitutivos: segundo a análise de Manuel de Andrade a PC tem dois elementos constitutivos: o substrato e o reconhecimento: a) Substrato: é o elemento extra – jurídico. d)Terá que descrever um possível efeito letal. tal não faz com que o acto violador do direito deixe de ser ilícito e como tal não isenta o seu autor da obrigação de indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação.html c)Narrar os riscos típicos das intervenções desse tipo. visto existirem outros agrupamentos que realizam determinados fins mas que não têm personalidade jurídica e como tal.Conceito e elementos constitutivos Noção: são as organizações constituídas por uma colectividade de pessoas ou por uma massa de bens que visam a satisfação de interesses comuns ou colectivos às quais a ordem jurídica atribui a personalidade jurídica. Importa o facto da personalidade jurídica. podendo esta ser diminuída ou mesmo excluída. algo que depende da personalidade do doente. mas detêm também um acervo de bens. Elemento pessoal  verifica-se na corporação e é a colectividade de indivíduos. o que por si não exclui a responsabilidade criminal. podemo-nos referir ao predomínio de um dos elementos. a materialidade de um conjunto de pressupostos de facto que servem de base ao reconhecimento da qualidade de sujeito jurídico.com/index. Visam interesses comuns ou colectivos que digam respeito a uma pluralidade de pessoas e geralmente têm carácter duradouro. No entanto. vejamos os seus sub-elementos: a. ↔ 2ºSEMESTRE As pessoas colectivas: 1.http://apontamentosdireito. Todavia poder-se-á muitas vezes invocar o artigo 570º (influencia da culpa do lesado sobre o valor da indemnização. Há. Podem ser organizações constituídas por uma colectividade de pessoas Corporações (Associações e Sociedades) ou por uma massa de bens (Fundações). Se estes pressupostos não existirem não haverá lugar à Personalidade Jurídica. elementos pessoais e patrimoniais. assim. ou patrimonial visto que todas as pc têm uma actividade humana.atspace.

não a projectam para o exterior. os directores. 3. composto por um ou mais indivíduos que exprimem a vontade imputável à pessoa colectiva ou a executam. 2 – a finalidade deve ser comum ou colectiva. Elemento organizatório: conjunto de preceitos disciplinadores das características e do funcionamento da pessoa colectiva (contidos nos estatutos ou no acto de constituição ou instituição) e existência de órgãos (centros institucionalizados de poderes funcionais). c. distinta dos associados.http://apontamentosdireito. d. A sua actividade desenvolve-se apenas no seu interior  são órgãos internos: ex. Elemento teleológico: trata-se da finalidade prosseguida pela pc. mas que pode em qualquer momento pôr termo a essa afectação de bens. Executivos: executam a vontade da pc. ou seja.deve preencher os requisitos gerais do objecto de qualquer negócio jurídico: artigo 280º. para uma viagem de curso) 199º e ss. exemplo operários. por força do 158º . também na proibição de fundações dirigidas a fins privatisticos ou egoísticos do fundador ou da sua família como resulta do 188º/1.com/index. b.pode ter uma finalidade “duradoura ou transitória” (veja – se o caso da sociedades comerciais que podem ter por objecto a pratica de um acto de comércio – artigo 14º CSC. Esta realidade é notória na nulidade do chamado pacto leonino – artigo 994º. As pc podem ainda ter mandatários : realizam um ou mais negócios jurídicos em regime de mandato ou de incumbência dos órgãos.html pessoais e meios materiais para a realização de um fim comum. exemplo. o fim ou causa determinante da formação da colectividade social ou da dotação fundacional. Os órgãos podem ser deliberativos . 2 – falta também o elemento intencional nas fundações de facto: massas patrimoniais não destacadas do património do instituidor que mantem uma obra social. legado a uma câmara municipal para manter uma biblioteca). O fim visado pela pc tem que satisfazer os seguintes requisitos: 1.A. do fundador ou dos beneficiários  1 – por falta deste elemento não têm personalidade jurídica as chamadas comissões especiais (exemplo. Dos órgãos há que distinguir os simples agentes auxiliares (só executam por incumbência ou sob direcção dos órgãos da pc determinadas operações materiais que interessam à Pc. formam a vontade da pc mas não a manifestam. Também nas fundações fiduciárias: liberalidades concedidas a favor de uma: pc já existente para que ela prossiga um certo fim de utilidade publica (exemplo.atspace. assembleia geral de sócios. 60 . vão exteriorizar a vontade da pc  são órgãos externos. elemento patrimonial verifica-se nas fundações e é a massa de bens ou dotação que o fundador afectou à realização de determinados fins. As mesmas disposições são aplicáveis aos chamados patrimónios de oblação  fundos para fins de beneficência e outros. Elemento intencional: trata-se da vontade de constituir uma nova pessoa jurídica – animus personificandi.

São governadas pela vontade dos associados. alteração de estatutos).html Exemplo. São susceptíveis de mutação (entra e saída de novos sócios . Eles dominam. podendo ser ou não altruístico. Normativos: derivado automaticamente da lei ex vi lege – a lei diz que determinados entes materiais caso preencham determinados pressupostos jurídicos obtêm personalidade jurídica. b. Não basta a existência de todos aqueles pressupostos. Sistema da livre constituição das pessoas colectivas (muito raro): condicionado: o reconhecimento faz-se através do preenchimento de determinados pressupostos ou requisitos jurídicos que respeitam aos elementos caracterizadores do substrato e só quando verificados se adquire automaticamente a personalidade jurídica (o mais usual).com/index. ou seja.http://apontamentosdireito. abrangendo as associações e as sociedades. Modalidades: a. ou seja.Corporações (associações e sociedades) e Fundações: a.Classificação das Pessoas Colectivas: 1. tem de haver um reconhecimento por parte da ordem jurídica. Corporações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento pessoal. pelos órgãos a vida e o destino da corporação. Fundações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento patrimonial. são colectividades de pessoas. b) Reconhecimento: é o elemento de direito que confere personalidade jurídica ao substrato das corporações ou das fundações.atspace. a massa de bens ou dotação de um fundador ou de uma pluralidade de fundadores. que assumem o pacto social através de escritura notarial. advogado constituído para um litigio em que a sociedade seja parte. Características: i. Pode ser incondicionado se a ordem jurídica atribui pj a todo o substrato completo da pc sem mais exigências. Características: 61 . iv. Individual ou por concessão: não é de carácter geral e traduz-se num acto individual e discricionário de uma autoridade pública que perante cada caso concreto personificará ou não o substrato. 2. aos associados. Visam um fim próprio. São constituídas e governadas por essa colectividade de pessoas (associados). b. comum. ou da afectação de fundos obtidos por subscrição publica. ii. regidas por uma vontade própria e imanente (vem de dentro) com órgãos dominantes que podem alterar os próprios estatutos “são auto-organizações para um interesse próprio” – Manuel de Andrade. iii.

a. Aplicam-se-lhes directamente os artigos 157º a 194º. instrução. recreio. pois não se tratam de lucros para repartir pelos associados (ex. não económico (ex. os bens que lhe são destinados e as normas disciplinadoras da sua vida e destino. direito de poder público ou função de autoridade Estadual ou autárquica. b) De utilidade particular: o seu fim é de mero interesse particular e como tal têm um fim lucrativo. O fundador estabelece no acto de instituição o fim da fundação. Pessoas colectivas de fim interessado ou egoístico: o fim visado interessa de modo egoístico aos próprios associados. ou seja. 2. por ex) mas sem uma finalidade lucrativa.com/index. Falamos. não tendo quaisquer poderes de autoridade. Pessoas colectivas de fim desinteressado ou altruístico: o interesse a satisfazer é de natureza altruística. ii. Visam um fim estranho às pessoas que entram na organização da fundação. Esse fim pode ser de vária ordem: 1 – de fim ideal: o objectivo egoístico é um interesse de natureza ideal. Pessoas colectivas de direito público e pessoas colectivas de direito privado:  Pessoas colectivas privadas: corporações ou fundações dotadas de personalidade jurídica.atspace.de fim económico não lucrativo.html i.http://apontamentosdireito. daí serem de utilidade pública.sindicatos). São instituídas por acto unilateral do fundador ou fundadores que afectam uma certa massa uma certa massa de bens a uma determinada finalidade ou interesse social. que se impõe à vontade dos órgãos servintes da fundação e ao próprio fundador. Sociedades comerciais: aquelas que têm por objecto a prática de um ou mais actos do comércio. b. ou seja. Nas sociedades comerciais vigora o principio da tipicidade ou do numerous clausus: 62 . Manuel de Andrade chamalhes “hetero-organizações para um interesse alheio”. Ao mesmo tempo que o fim visado por o 1 e 2 interessa de modo egoístico aos associados. daí o nome de associações de beneficência. promovemse interesses de outras pessoas ou beneficiários.etc). pretende conseguir certas vantagens patrimoniais para os seus associados (empréstimos em boas condições. iii. portanto das sociedades: a. iv. São regidos pela vontade inalterável e transcendente do seu fundador. desporto. regidas fundamentalmente por normas de direito privado e que não disfrutam do ius imperi. a) De utilidade pública: embora se dirigindo à satisfação de um interesse dos próprios associados ou do fundador o fim a que se propõe é um interesse público. interessa também a colectividade. mas ao mesmo tempo interessa à comunidade. de natureza social e não egoística. fim que é definido pelo seu fundador.

mas que adoptam um dos tipos de sociedades comerciais para inequivocamente terem personalidade jurídica. c. Daí conterem o nome de limitada para se saber que a responsabilidade não é total.http://apontamentosdireito. no artigo 157º e 188º apenas se atribui personalidade jurídica às fundações cujo fim for de interesse social. A lei distingue no artigo 157º entre Associações.  Pessoas colectivas públicas: são dotadas de personalidade jurídica. iv. Sociedades de direito especial: podem ser de tipo comercial. regidas fundamentalmente por normas de direito público e que prosseguem 63 . cada sócio responde para com a sociedade apenas pelo capital que subscreveu. Por acções  as participações dos sócios comanditários são representadas por acções. solidária e ilimitada dos sócios perante os credores depois de executado o património social. já que cada um só é responsável até ao montante da sua quota. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades em nome colectivo. ii. Sociedades em nome colectivo: há uma responsabilidade pessoal. Às sociedades não se aplicam directamente as disposições do capitulo sobre as pessoas colectivas. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º ss.com/index.html i. pela sua quota. ex. sociedades de advogados  têm um regime especial. sociedade de locação financeira ou de tipo civil. respondendo os sócios solidariamente. Sociedades civis sob forma comercial: têm exclusivamente por objecto a prática de actos não comerciais. iii. Sociedades em comandita: nelas os sócios comanditados assumem responsabilidade ilimitada e os sócios comanditários respondem apenas pela sua entrada no capital social: Simples  não há representação do capital por acções. ou seja. estando os sócios isentos de responsabilidade pessoal pelas dívidas da sociedade. respondendo por elas apenas os bens sociais. Agrupamentos complementares de empresas: associações de pessoas singulares ou colectivas que visam aumentar a rentabilidade das empresas pertencentes às entidades agrupadas. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades anónimas se houver pelo menos 5 sócios comanditários. ex. Sociedades por quotas: só o património social responde perante os credores pelas dívidas da sociedade. Daí o cuidado necessário nos negócios feitos com estas sociedades. b. Fundações e Sociedades. mas apenas pela parte que lhes cabe do capital social.atspace. não visando o lucro do conjunto do agrupamento em si próprio mas o lucro de cada uma das empresas associadas. d. Sociedades anónimas: o capital social é dividido por acções.

reconhecimento.http://apontamentosdireito.Constituição das associações: a. b) Serviços públicos personalizados ou institutos públicos: existem institutos públicos de tipo fundacional como por exemplo: parque natural da Peneda Geres e existem institutos públicos de tipo associativo como por exemplo Universidades públicas.com/index. assim. 168º/1. c) Empresas públicas e nacionalizadas: são expressamente equiparadas pelo legislador às empresas públicas pelo decreto .lei nº 260/76 de 8 de Abril. uma distinção no plano lógico porque o acto constitutivo tem uma maior importância embora esteja compreendido nos estatutos. Há. Quanto à forma – o acto constitutivo. primeiro o decretolei 594/74 que afirma o direito à livre associação e estabelece o 64 . contra a vontade dos que se lhe sujeitam. sendo caso disso.atspace. bem como as suas alterações – artigo 168º/2 e 3. nomeadamente a possibilidade de por via normativa ou através de autoridade directa emitir comandos vinculativos executáveis pela força.  Constituição em concreto das pessoas colectivas privadas: 1. 738º e 744º. Têm um regime particular das relações de trabalho. havendo. Além disso o acto de constituição e os estatutos devem ser publicados no jornal oficial sob pena de ineficácia em relação a terceiros. Subordinam-se à jurisdição dos tribunais administrativos. Regiões autónomas e autarquias locais. embora em alguns dos seus aspectos sejam reguladas pelo direito privado. d) Empresas públicas de regime especial: exploram serviços públicos. cabendo oficiosamente ao notário remeter o respectivo extracto para publicação. Em caso de inobservância desta exigência a sanção é a nulidade por falta de forma  220º. cujos interesses cabe a ela promover exemplo. ou seja. O acto de constituição em regra. Estado Português. b) os estatutos – 167º/2.html primariamente fins de interesse público e que por isso mesmo disfrutam em maior ou menor extensão de ius imperi. Vão desaparecer. Têm um regime tributário específico com plenas isenções fiscais. no entanto. Quanto ao seu reconhecimento o código de 1966 no seu artigo 158º. com os estatutos.b. I-Formação do substracto e II. Estas pessoas colectivas detêm privilégios especiais. no plano cronológico. bem como à autoridade administrativa e ao MP a constituição e estatutos. do poder de autoridade pública ou de direitos de poder público. um controlo administrativo da constituição das associações. asseguram actividades que interessam fundamentalmente à defesa nacional ou exercem actividades em regime de monopólio. há que ter em conta: a) acto de constituição – 167º/1 . vejam-se os artigos 705º/a. a) Pessoas colectivas de população e território: estão sujeitas ao seu poder toda a população de um certo espaço territorial. os estatutos e as suas alterações devem constar de escritura pública – art. é simultâneo. na sua redacção primitiva estabelecia o reconhecimento por concessão.

uma herança são aplicadas as normas da instituição de herdeiro exemplo artigo 2068º (responsabilidade pelas dividas do falecido).atspace. Este acto quando contido num testamento é livremente revogável até ao momento da morte do testador (2311) mas torna-se irrevogável quando o testador faleça (185º/4). depois a CRP de 1976 a afirmar esse mesmo direito. Até ao momento em que é requerido o reconhecimento ou principie o processo oficioso o fundador pode revogar a disposição. Na falta de estatutos lavrados pelo instituidor ou na insuficiência deles. 2. se os executores os não lavrarem dentro de um ano posterior à abertura da sucessão (187º). quando a fundação é instituída por acto inter vivos só se torna irrevogável quando o reconhecimento é requerido ou principia o reconhecimento oficioso (185º/3). como sejam os da verificação se o seu fim está de acordo com o artigo 280º. Se diversamente se atribuírem à fundação apenas bens ou valores determinados.Constituição das Fundações: diferentemente do que acontece com as associações. a partir daí 65 . é a lei que atribui directamente a personalidade jurídica. compete aos executores do testamento elabora-los ou completa-los.html reconhecimento normativo. Requisitos a observar para se erigir a fundação: a. A sua actuação nada tem de discricionário. Já serão discricionários os poderes no que toca ao reconhecimento das fundações do artigo 188º . ou seja.http://apontamentosdireito. aplicam-se as normas do legado – exemplo.com/index. 2301º direito de acrescer entre herdeiros. No caso de instituição por acto inter vivos falamos de um negócio jurídico unilateral de natureza gratuita e não de doação. incumbindo a sua elaboração à própria autoridade competente para o reconhecimento. Hoje o reconhecimento é feito ex lege. um legado. ou seja. Ao contrário. nas fundações o reconhecimento é individual ou por concessão da competência da autoridade administrativa – artigo 158º/2.a) se o fim da fundação não for considerado de interesse social o reconhecimento será negado (188/1). devem os herdeiros ou executores testamentários requerer o reconhecimento que pode ser oficiosamente promovido pela autoridade competente (185º/2). b. 2277º. Se os bens destinados à fundação consistem na totalidade ou numa quota do património do falecido. A autoridade administrativa tem poderes vinculados à lei. devendo apenas respeitar os requisitos legais. No que diz respeito à formação do substrato as fundações podem ser instituídas por acto intervivos ou por testamento – 185º/1. Através da forma há em primeiro controle da legalidade feito pelo notário (artigo 190º/1/a do código do notariado) devendo este recusar violações dos artigos 167º e 280º evitando a posterior extinção judicial destas associações. como resulta da redacção actual do artigo 158. c. b) tal como no caso de insuficiência do património afectado à fundação (188º/2 e 3). Se os estatutos foram formulados pelo testador.

Quanto à publicidade é aplicável o regime das associações com o artigo 185º/5 a remeter para a parte final do artigo 168º (esta “parte final” é lapso do legislador já que o artigo antes da sua nova redacção tinha apenas um numero – os aplicáveis são o nº2 e 3º). 66 . Associações religiosas: têm por fim principal a sustentação do culto. Se entretanto o fundador morrer aplicar-se-á o artigo 185º/4. 4. À primeira vista parecia estarem-lhe negados os direitos de personalidade. Capacidade de gozo8 das pessoas colectivas: enquanto a capacidade de gozo das pessoas singulares é de carácter geral.estão excepcionados do âmbito da capacidade jurídica das pessoas colectivas : a) relações jurídicas vedadas por lei (ex.atspace. a das pessoas colectivas é uma capacidade jurídica específica  artigo 160º. Associações não religiosas: é aplicado o regime regra das pessoas colectivas presente no código civil. 160º/2. o direito à honra que pode-se desentranhar da tutela geral da personalidade  artigo 70º.http://apontamentosdireito. ou por seu legitimo representante ao governador civil competente – 449º e 450º do código administrativo. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º seguintes. 160º/1  resulta do argumento a contrario a exclusão dos direitos e obrigações que não sejam necessários ou convenientes à prossecução dos seus fins. concordata lei 4/71. Associações não religiosas: criadas no âmbito de uma confissão religiosa mas têm um fim diferente – para adquirirem personalidade jurídica basta a participação escrita feita pelo Bispo da Diocese onde tiverem a sua sede. capacidade testamentaria activa – 2182º).com/index. com mais ou menos restrições de relações jurídicas.Constituição das pessoas colectivas eclesiásticas: a. Associações religiosas: através de acto de registo da participação escrita da sua constituição – lei 4/71. b) relações jurídicas inseparáveis da personalidade singular (direitos derivados da vida humana como casamento ou filiação. como resulta do artigo 185º/3. Outras confissões: para adquirirem personalidade jurídica: i. no entanto elas podem ser titulares de pelo menos alguns. O reconhecimento das sociedades comerciais ou civis em forma comercial é o reconhecimento normativo condicionado através de escritura pública. por exemplo). ii. 8 (para não esquecer) Aptidão para ser titular de um circulo.html não o poderá fazer. b. caso do direito ao nome  artigo 72º. ii. Da Igreja Católica: i.Constituição das sociedades: às sociedades não se lhes aplicam directamente as disposições do capítulo sobre as pessoas colectivas. 3.

teremos capacidade para o exercício de direitos. Outros autores são da opinião contrária. deriva ainda do principio da especialidade a incapacidade das sociedades comerciais fazerem doações. agindo o órgão é a própria PC que age. privadas da capacidade para o exercício de direitos. As pessoas colectivas têm capacidade testamentária passiva  2033º/2/b. Manuel de Andrade. as pessoas colectivas só podem agir por intermédio de certas pessoas físicas. mas são eles os formuladores da vontade da pessoa colectiva. pois a relação entre um órgão e o ente em que se integra é de verdadeira identificação. Ora.http://apontamentosdireito. Capacidade para o exercício de direitos das pessoas colectivas: à primeira vista as pessoas colectivas não têm essa capacidade. Ora. Quanto à aceitação de doações podemos aplicar por analogia este mesmo artigo. assim. Devemos seguir o primeiro critério. Se for um vinculo de verdadeira organicidade.atspace. os órgãos superiores (ex. o de um nexo de verdadeira organicidade. estariam. pois ela consiste na aptidão para pôr em movimento a (esfera jurídica) capacidade jurídica por actividade própria sem necessidade de ser representado ou assistido por outrem. o artigo 165º estatui essa responsabilidade civil para as pessoas colectivas. Se for um nexo de mera representação . assembleia geral) não estão numa relação de dependência.  Responsabilidade civil das pessoas colectivas: 67 . adequados ou convenientes ao fim que está previsto nos seus estatutos. devemos rejeitar a tese da capacidade para o exercício de direitos pois há autonomia entre as personalidades jurídica do representante e do representado (é uma relação intersubjectiva entre 2 sujeitos. ou seja. Isto depende da natureza do vínculo entre a pessoa colectiva e as pessoas que procedem em seu nome e no seu interesse. contrario da relação orgânica que é intrasubjectiva). Tal restrição não impede que as pessoas colectivas de fim desinteressado ou fim egoístico ideal possam praticar actos de natureza lucrativa. Ora. daí que digamos que as pessoas colectivas tenham capacidade para o exercício de direitos. ainda que essa proibição não seja total. quando está sujeito a um seu poder de direcção.html O fim estatutário será a medida do âmbito da capacidade. os órgãos não são encarregados de nenhuma comissão. Normalmente não há responsabilidade civil extracontratual dos representados pelos actos dos seus representantes  o artigo 500º abrange um sector da representação: casos em que o procurador pode ser considerado um comissário. Isto defendem alguns autores. Isto só acontece quando está numa relação de dependência com o representado. Vemos isso pelo artigo 162º. serão os actos necessários. em ordem a obter recursos para a prossecução dos seus fins.com/index. não agindo por si mesmas. Isto diz-nos Manuel de Andrade. mas sobretudo pela responsabilidade civil extra – contratual da pessoas colectivas. já que a sociedade pode fazer doações remuneratórias a empregados e clientes – 941º e pode praticar donativos conformes aos usos sociais – 940º/2.

é preciso que a pessoa colectiva tenha encarregado outra pessoa de uma qualquer comissão.com/index.Responsabilidade extracontratual: danos causados a terceiros fora de uma relação contratual entre o lesante e o lesado.http://apontamentosdireito.html 1. a pessoa colectiva emprega determinadas pessoas para vantagem própria. Existe responsabilidade civil por facto ilícito culposo: em que os órgãos deliberativos violam direitos ou interesses legalmente protegidos de terceiros provocando-lhes em termos de causalidade adequada danos: exemplo – deliberação de uma empresa descarregar nas aguas de um rio poluentes que vão danificar culturas – a pessoa colectiva tem que indemnizar as pessoas cujos patrimónios danificou nos termos dos artigos 483º seguintes. civil contratual 798º seguintes. é preciso que tenha havido culpa da pessoa física que praticou o acto ilícito. segundo o principio ubi commoda ibi incommoda (onde estão as coisas cómodas aí estão as coisas incomodas). O artigo 165º remete-nos para a responsabilidade dos comitentes por actos dos seus comissários que consta do artigo 500º. como tal deve suportar os riscos da sua actividade.Responsabilidade contratual: resulta da capacidade da pessoa colectiva contrair obrigações.atspace. 2. Mas a responsabilidade civil mais comum nas pessoas colectivas é a responsabilidade civil objectiva ou pelo risco. ou seja. Mas b) c) 68 . Pressupostos da responsabilidade civil da pessoa colectiva: a) Precisa de haver uma comissão. Embora entendase que basta um nexo de vinculação jurídica entre a pessoa colectiva e o agente (exemplo. ou seja. remetendo-nos para o 800º. Para existir resp. Exige-se que o acto tenha causado danos e que os danos estejam em relação de causalidade adequada com o acto – 500º/1. Precisa que sobre o órgão. Há a necessidade de culpa do órgão ou agente tanto nos casos de falta de cumprimento como nos de cumprimento defeituoso  799º/1. Seria injustificável a exclusão dessa forma de responsabilidade. civil nos termos gerais da resp. contrato de trabalho)500º/1. É preciso que o acto danoso tenha sido praticado pelo órgão. Vem enunciada no artigo 165º. sendo prejudicial para a própria pessoa colectiva visto que ninguém queria contratar com ela. agente ou mandatário no exercício da função que lhe foi confiada – 500º/2. civil contratual das pessoas colectivas é necessário que o contrato donde emerge a obrigação infringida tenha sido celebrado por quem tinha poderes para vincular a pessoa colectiva em causa. agentes ou mandatários que produzam a violação de uma obrigação em sentido técnico. salvo se se tratarem de matérias em que se responde sem culpa ou ainda no caso excepcional de responsabilidade por intervenções licitas. agente ou mandatário recaia a obrigação de indemnizar – artigo 500º/1. Há resp. As pessoas colectivas respondem pelos actos dos seus órgãos.

O agente. Comportamentos causados pelas funções que lhe foram atribuídas. outros. 500) ou solidária? (em que cada um deve os 1000 e o credor tanto se pode dirigir a um como o outro). podendo exigir o reembolso de tudo o que haja pago. 69 . o que acontece é que via da regra o lesado recorre à Pessoa Colectiva.atspace. No que respeita a relações internas:  a) A Pessoa Colectiva que tiver satisfeito a indemnização tem direito de regresso contra o órgão. agente ou mandatário pode exercer acção de regresso contra a pessoa colectiva se não houve da sua parte qualquer culpa no plano das relações internas  497º/2. Actos integrados no quadro geral da competência. Procedimentos levados a cabo pelo agente na qualidade de representante da pessoa colectiva. Ainda nos casos em que o agente visa apensa interesses pessoais e integrado formalmente no quadro geral da sua competência se aproveita de uma aparência social que cria um estado de confiança (boa-fé) do lesado na licitude do comportamento do agente  teoria da aparência jurídica.  c) No caso de indefinição da culpa no plano interno é aplicada a parte final do artigo 497º/2 em que há presunção de igualdade nas culpas. d. órgão ou mandatário fica também obrigado a indemnizar ao lado da pessoa colectiva.http://apontamentosdireito.Trata-se de uma obrigação solidária aplicando-se o 497º ex vi do artigo 499º. mas em que a causa da fadiga se deve às instruções dadas pela entidade patronal para um trabalho sem o necessário repouso) 500º/3 (houve culpa da parte do comitente também!). desde que este tenha culpa no plano das relações internas (exemplo. Mas será uma responsabilidade conjunta? ( a pessoa colectiva deve 500 por exemplo e o agente. b. mesmo que praticados tendo em vista interesses próprios e / ou com a intenção de lesar um terceiro – 500º/2. Estaremos no não exercício das funções quando se prosseguem exclusivamente interesses e objectivos pessoais do agente  nexo de mera ocasionalidade.  b) Também o órgão. desde que esses mesmos actos tenham ou objectivos exclusivamente inerentes aos interesses da pessoa colectiva ou prossigam simultaneamente interesses pessoais e da pessoa colectiva.com/index.html quando podemos considerar um acto como praticado no exercício de funções? a. pode haver externamente mas não internamente como no caso do motorista que adormece e atropela outra pessoa. c. Há um nexo de instrumentalidade entre o acto e a função e os poderes que o agente desfruta no exercício da sua competência. ou poderes que lhe foram confiados. agente ou mandatário.

Esta definição será pouco exacta. iura in se ipsum – direitos sobre a própria pessoa. b) Objecto mediato: aquilo que só de uma forma mediata ou indirecta. 2. Também não acontecerá a legitimação do suicídio ou automutilaçao visto que o artigo 81º diz que toda a limitação voluntária dos direitos de personalidade é nula se for contraria aos princípios da ordem pública. não são direitos de domínio ou soberania sobre a pessoa. ainda que não tenha existência real e presente. como por exemplo os planetas ou então por falta de delimitação ou captura são aproveitados por todos os homens. c. não ferindo a sua dignidade. a própria coisa que deve ser entregue. não de direitos subjectivos mas de poderes-deveres (exemplo. exemplo é o acto de entrega da coisa – a prestação. não o sendo cada uma das suas paredes. é o “quid” sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica (contrário de conteúdo que é o conjunto de poderes ou faculdades que o direito subjectivo comporta). não sendo coisas os bens que escapam ao domínio do homem.html  O Objecto da Relação Jurídica: Generalidades: o objecto é aquilo sobre que incidem os poderes do titular do direito. a) Objecto imediato: aquilo que directamente está submetido aos poderes ideais que integram um direito subjectivo. contrário do que antigamente se pensava com a escravatura. hoje. No entanto a lei concretiza alguns direitos sobre certos aspectos da personalidade – arts. através de um elemento mediador está submetido aqueles poderes. pelo contrário visando o seu beneficio. ou seja.possibilidade de apropriação exclusiva por alguém.aptidão para satisfazer 70 . uma casa é uma coisa. Possíveis objectos da relação jurídica: a) A própria pessoa.http://apontamentosdireito. 70º ss. certas manifestações ou modos de ser físicos ou morais da pessoa. isto é. ou seja. b) A pessoa de outrém – falamos aqui.com/index. Sentido jurídico: tudo aquilo que pode ser objecto de relações jurídicas artigo 202º. b. o certo é que têm de apresentar as seguintes características: 1. Sentido filosófico: tudo o que pode ser pensado. o poder paternal e o poder tutelar) incidem directamente sobre a pessoa do filho ou do pupilo. c) Coisas: a. exemplo.atspace. 3. Autores criticam do ponto de vista lógico (já que levaria a distinguir no homem duas pessoas: uma sujeito e outra objecto dos seus direitos de personalidade) e do ponto de vista moral (legitimaria o suicídio ou a automutilação) este possível objecto.existência autónoma ou separada: exemplo. como por exemplo a luz. Sentido físico: tudo o que tem existência corpórea (quad tanji potest) ou pelo menos é susceptível de ser captado pelos sentidos.

html interesses ou necessidades humanas daí que uma gota de água ou um grão de areia não sejam coisas. Incorpóreas: existem dois tipos: i. Corpóreas ou materiais: têm existência física. chamados passivos. Classificação das coisas: Coisas no comercio e fora do comercio a) o artigo 202º/2 considera fora do comércio as coisas insusceptíveis de serem objecto de direitos privados como: a) as coisas que se encontrem no domínio publico – artigo 84º CRP. exemplo direitos de autor e propriedade industrial (marcas.com/index. b) são por natureza insusceptíveis de apropriação individual – exemplo ar atmosférico. b) Valor de uso: o direito embora não permutável proporciona o gozo de um bem que só se obtém mediante uma despesa (exemplo um bilhete para um espectáculo). podem ser tocadas. podem ser apreendidas pelos sentidos. É 71 . Bens imateriais: podem ser objecto de propriedade intelectual. relações jurídicas susceptíveis de avaliação pecuniária que pode resultar: a) Valor de troca: este é alienável mediante uma contraprestação. ou seja.atspace. b. o interesse de saber se são corpóreas reside no artigo 1302º. os activos que não os deveres e obrigações patrimoniais. exemplo – penhor de direitos e o trespasse de um estabelecimento comercial ou industrial – artigo 115º do RAU. c) Coisas móveis e imóveis: artigo 204º . # Contrário – esfera jurídica – totalidade das relações jurídicas de que uma pessoa é sujeito – património mais direitos e obrigações não avaliáveis em dinheiro. b) Coisas corpóreas e incorpóreas: a. Património activo: abrange apenas os direitos patrimoniais ou seja. É esta a noção que se refere o artigo 2030º/2 . Direitos enquanto objecto de outros direitos: são também coisas incorpóreas. ii.http://apontamentosdireito. patentes) ambos sujeitos a legislação especial – 1303º. (ver a definição de frutos – artigo 212º e de benfeitorias – artigo 216º) Património: Património global: conjunto de relações jurídicas activas e passivas (direitos e obrigações) avaliáveis em dinheiro de que uma pessoa é titular.o código civil enumera um conjunto de coisas que são taxativamente imóveis e no artigo 205º diz que as restantes são móveis.

a um conjunto de pessoas sem possibilidade de cada uma dessas pessoas alienar um quota ou fracção desse património ou 72 .) Património liquido: trata-se da saldo patrimonial: relações jurídicas activas ou direitos – relações jurídicas passíveis ou obrigações. fazendo as suas vezes. (activos – passivos) Património autónomo: conjunto circunscrito de relações patrimoniais sujeito a um regime jurídico particular. Sendo que o ónus da prova de insuficiência do activo hereditário cabe ao herdeiro e não aos credores na aceitação pura e simples (2071º/2) e o ónus da prova da existência de mais bens além dos inventariados cabe aos credores na aceitação a beneficio de inventario (2071º/1)  só a herança responde pelas suas dividas e não os herdeiros. Temos então 2 reflexos: a) património autónomo – só responde por certas dividas e não responde por outras. Património autónomo ou separado será o que responde por dívidas próprias. instituição da substituição de uma coisa que se perdeu por força de um acto ou facto jurídico que simultaneamente implicou a aquisição de um valor ou pondo esse novo valor o lugar do anterior como novo objecto da mesma relação jurídica que já existia. Mas qual o critério do reconhecimento da autonomia ou separação de património? O critério preferível é o da responsabilidade por dívidas. isto é só responde e responde só ele por certas dívidas. um mesmo sujeito é titular de um património global e de um património autónomo. Patrimónios conjuntos: estamos perante um único património pertencendo a vários sujeitos: A) Património colectivo: figura de raiz Germânica.atspace.. por força da morte de um individuo. em principio. b) A herança só responde. ou seja. O caso mais nítido de património autónomo no direito privado Português é o da herança – é o conjunto das relações jurídicas patrimoniais que.html esta a noção de património a que o artigo 225º?? Alude quando fala de fazenda (:. Características da plena autonomia patrimonial: a) Tanto no caso de aceitação a beneficio do inventario (2071º/1) como se no caso de aceitação pura e simples (2071º2) o herdeiro não responde pelas dividas da herança para além das forças dos bens herdados. adquirindo-se outro valor.com/index.http://apontamentosdireito. passam da titularidade deste para os herdeiros e legatários. A isto se chama sub-rogação real . este valor deve substituir-se ao primeiro bem tomando o seu lugar no património autónomo. não responde ultra vires hereditatis. pelas dividas da herança e não por outras dividas (2070º) Se um bem desse património autónomo se perde. ou seja. trata-se da mesma massa patrimonial que pertence em bloco. b) por aquelas dívidas só o património autónomo responde não afectando o património geral do seu titular. globalmente.

# O facto jurídico: Noção: é todo o acto humano ou acontecimento natural juridicamente relevante. um convite para um passeio). ou seja. podendo exigir a divisão da coisa comum – 1412º.com/index. Trata-se de uma comunhão por quotas ideias. ou porque resultam de causas de ordem natural (exemplo. A compropriedade ou propriedade comum: figura de raiz Romanística. morte natural de um animal) ou porque a sua eventual voluntariedade não tem qualquer relevância jurídica (exemplo o nascimento). assim. 73 . Quanto às dívidas da responsabilidade de ambos os conjugues temos o artigo 1695º. quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa – 1403º/1. quanto à responsabilidade de dívidas de um dos cônjuges temos 1696º. o património colectivo é. que o comproprietário não seja obrigado a permanecer na indivisão .html B) requerer a divisão enquanto não terminar a causa geradora do surgimento do património colectivo. O BGB chama-lhe “Bruchteilegemeinschaf” (comunhão segundo quotas). refira-se que a menção mencionada no 1969º só é possível de execução quando se processa à extinção da comunhão conjugal. produtor de efeitos jurídicos / contrario de factos ajuridicos que são factos da vida real irrelevantes ou indiferentes ao qual a ordem jurídica não liga quaisquer consequências (exemplo. o comproprietário possa dispor de toda a sua quota na comunhão ou de parte dela – 1408º. quer a comunhão de adquiridos). em que cada proprietário tem direito a uma quota ideal ou fracção do objecto comum – 1403º/2. Classificação dos factos jurídicos: a) Factos jurídicos voluntários e involuntários: factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos são os factos jurídicos resultantes da manifestação ou actuação da vontade humana enquanto elemento juridicamente relevante. com a extinção do casamento ou através da separação de bens entre os cônjuges.atspace. O BGB chama-lhe “Gemeirsahaft zur gesanten tand”. determinado por uma causa ou fim. A forma que se conhece no nosso direito de um património colectivo é o da comunhão conjugal (quer a comunhão geral de bens. também. Daí que ao contrário do património colectivo. exemplo testamento ou contrato.http://apontamentosdireito. Factos jurídicos involuntários ou naturais: são estranhos a qualquer processo volitivo. Nos artigos 1682º e 1681º . Daí.A temos a necessidade de consentimento dos cônjuges na alienação ou oneração de bens móveis e imóveis de forma a garantir a estabilidade no casamento.

com/index. Ilícito extranegocial: resulta da violação de um dever geral de abstenção que se impunha perante um direito absoluto. Actos jurídicos: são factos voluntários cujos efeitos se produzem mesmo que não tenham sido previstos ou queridos pelos seus autores. Exemplo: ocupação de animais bravos (caça e pesca)ou de animais e coisas moveis perdidas – 1318º. Porquê ilícito negocial ou extranegocial e não contratual ou extracontratual? É mais rigoroso desta forma. ou seja. com intenção de provocar esse resultado. Os efeitos dos simples actos jurídicos produzem-se ex lege. Negócios jurídicos e simples actos jurídicos: estamos no domínio dos factos jurídicos voluntários. visto que o ilícito contratual existe tanto quando não se cumpre uma obrigação resultante de um contrato. com omissão de um dever de cuidado ou diligencia. actos reais (“realakten”) ou actos exteriores. estabelecimento do domicilio – 82ºss. interpelação do devedor – 805º/1. Factos jurídicos ilícitos: facto contrário à ordem jurídica e por ela reprovados e sancionados. ou seja. Quase negócios jurídicos e operações jurídicas: distinção feita dentro dos simples actos jurídicos. Delitos e quase-delitos civis: delito é o mesmo que acto ilícito. exemplo. 74 .atspace. Delito é praticado com dolo. Quase – delitos  é praticado com negligência. Também são designados por actos materiais. perante um certo credor resultante normalmente de um contrato.html b) c) d) e) f) Factos jurídicos lícitos e ilícitos: trata-se de uma classificação dos factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos. embora muitas vezes haja concordância entre a vontade destes e os referidos efeitos. Quase-negócios jurídicos ou actos jurídicos quase negociais: traduzem-se na manifestação exterior de uma vontade (exemplo. contratos. ocupação de animais bravios – 1318º. interpelação do devedor – 805º/1.http://apontamentosdireito. Bastante importante saber para efeitos da responsabilidade civil  artigo 494º. factos jurídicos lícitos: facto conforme a ordem jurídica e por ela tutelado ou garantido. Factos ilícitos negociais e extranegociais: falamos de ilícitos civis: violam interesses particulares / contrário de ilícitos penais que violam interesses gerais da comunidade. como da violação resultante de um negócio unilateral. Ilícito negocial: resulta da violação da parte de um devedor de uma obrigação. Operações jurídicas: traduzem-se na efectivação ou realização de um resultado material ou factual a que a lei liga determinados efeitos jurídicos. Negócios jurídicos: são factos voluntários cujo núcleo essencial é integrado por uma ou mais declarações de vontade tendentes a produzir determinados efeitos jurídicos que coincidem ou tendencialmente coincidem com a vontade das partes os efeitos dos negócios jurídicos produzem-se ex voluntate exemplo.

Existe uma tripla dependência  (1) existência (o direito tem de existir). não dependendo da existência ou da extensão de um direito anterior. b) Aquisição originária e aquisição derivada: Aquisição derivada: aquisição em que o direito que se adquire depende não só do facto aquisitivo mas também do direito anterior. Toda a constituição implica a sua aquisição. constitutiva e restitutiva: Translativa: o direito que se adquire tem exactamente o mesmo conteúdo ou extensão do direito anterior. é a criação de um direito que não existia anteriormente. o proprietário de um prédio constituir um usufruto a favor de outrem. Constitutiva: o direito que se adquire tem um conteúdo ou extensão inferior ao direito anterior. 75 . O direito que se adquire é o mesmo que estava na esfera jurídica do transmitente (compra e venda. ocupação de coisas moveis  1318º seguintes. Aquisição de direitos e constituição de direitos são duas coisas diferentes. a) Noçao: é a ligação de um direito a um determinado sujeito. Exemplo. que poderá até não existir. o direito que se adquire é menos extenso que o direito anterior. modificação ou extinção de relações jurídicas. (3) objecto ou área de incidência (imagine-se que o alienante era apenas comproprietário. c) Modalidades de aquisição derivada: translativa. aquisição de propriedade através do contrato de compra e venda. Aquisição originária: aquisição em que o direito que se adquire depende apenas do facto aquisitivo (facto jurídico que o fez nascer). Constituição de direitos: é o aparecimento de um direito pela primeira vez na ordem jurídica. Diz-se que o sujeito adquire um direito.atspace. Mas nem toda a aquisição envolve a constituição de direitos exemplo. tendo apenas uma fracção.com/index. Exemplo: usucapião  1287º seguintes. visto não haverem direitos sem sujeito.http://apontamentosdireito. exemplo. por exemplo). Aquisição de direitos: pensamos no lado activo da relação jurídica. mas apenas dele. (2) conteúdo (se na compra e venda o vendedor tinha um direito mas apenas o de usufruto este não pode transferir um direito mais amplo que não tem. quando esse direito se a liga a esse sujeito. só poderá transferir essa fracção.html Efeitos dos factos jurídicos: os factos jurídicos desencadeiam determinados efeitos que consistem que consistem fundamentalmente numa aquisição. como tal não pode ter um objecto mais vasto do que o direito anterior). aquisição derivada translativa. no caso de caça e pesca 1319º nem sequer há um direito anterior e em todos eles o direito do adquirente não foi adquirido por causa do direito anterior.

com o fim de lhes dar publicidade os diversos actos inerentes a bens imóveis e outros bens indicados. Quando falamos em sucessão referimo-nos aos direitos e também às dívidas. tal como a sucessão refere-se tanto aos direitos. Podemos utilizar sucessão num sentido amplo (tanto mortis causa como intervivos) e aí o titular anterior do direito designa-se por autor. f)Importância da distinção entre aquisição derivada e aquisição originária: enquanto que na aquisição originária a extensão do direito adquirido depende apenas do facto ou titulo aquisitivo. num sentido amplo pode-se utilizar a expressão transmissão de direitos para qualquer forma de aquisição derivada. passando a ser um direito de propriedade pleno novamente. exemplo. e) A transmissão de direitos: A transmissão de direitos equivale à aquisição derivada translativa. deixando de estar comprimido. segundo a velha máxima nemo pluris iuris in alium transferre potest quam ipse habet (ninguém pode transferir para outrem mais direitos de que o próprio tem). retoma a dimensão inicial. A transmissão.atspace.html Restitutiva: o titular de um direito real limitado demite-se dele. No entanto.http://apontamentosdireito. a destruição de um usufruto.com/index. No entanto. ou seja. Logo se A vende a B uma coisa da qual não era proprietário esse acto é nulo com fundamento legal no artigo 892º e ss  venda de coisa alheia. O nosso registo predial é: 76 . coincide apenas com a aquisição derivada translativa. como às dívidas. na aquisição derivada a extensão do direito do adquirente depende do conteúdo do facto aquisitivo e depende ainda da amplitude do direito do transmitente. não podendo este transmitir mais direitos do que os que tem. d) Distinção entre aquisição derivada e sucessão: Sucessão: é o subingresso de alguém num direito de outrém. antecessor ou causante e o adquirente por sucessor ou causado. a) Instituto do registo predial e registos similares: as pessoas devem inscrever. É esta a regra fundamental da aquisição derivada. As dívidas não se adquirem. mas sim assumem-se daí a epigrafe do artigo 595º. designando apenas a sucessão mortis causa aí o autor da sucessão é designado por hereditando ou de cuius e os sucessores ou causados por herdeiro ou legatário conforme sucedam na totalidade ou numa quota do património ou em bens ou valores determinados. este principio comporta excepções. enquanto a aquisição rigorosamente só diz respeito a direitos. restituindo-se o direito à sua plenitude inicial. situações em que o adquirente pode obter um direito que não pertencia ao transmitente ou é mais amplo do que aquele que pertencia a esse mesmo transmitente. Mas frequentemente utiliza-se sucessão num sentido estrito.

não se aplica a regra da prioridade ou prevalência da transmissão mas a regra da prioridade do registo. é mera condição de eficácia da aquisição e não condição da sua validade como acontece com os registos constitutivos caso do Alemão. há uma excepção ao princípio do nemo plus iuris. quanto aos bens sujeitos a registo. Do registo decorrem três tipos de efeitos: 1Efeito imediato ou automático do registo: é a presunção de titularidade do direito. embora A já não seja proprietário do bem. A aquisição sem registo não deixa de ser válida e enquanto não há registo prevalece inteiramente a primeira aquisição de acordo com a regra prior in tempore. de modo que. e não da aquisição do direito sobre o bem. É facultativo: a sua inobservância não é uma infracção de um dever. art. mas que se viu a partir desses mesmos anos (60) bastante conturbada. Mas quem são os terceiros para efeitos de registo predial? Trata-se de uma noção que até aos anos 60 era bastante pacifica na nossa jurisprudência e na nossa doutrina.atspace. 2Efeitos laterais do registo: todos os previstos na lei independentemente dos outros dois efeitos (ex. É declarativo. ii. estes efeitos não se poderão opôr a terceiros quando não haja tal aquisição sido registada (“os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros depois da data do registo”). se verifica uma situação de aquisição a non domino (aquisição de um bem que já não era titulado por A) – logo. se B adquire um bem sujeito a registo mas não o regista e C adquire o mesmo bem (sendo C terceiro para efeitos de registo).http://apontamentosdireito.html i. aplica-se a regra da prioridade do registo. embora a aquisição produza efeitos inter partes. iii. É a chamada estrutura da aquisição triangular. Assim. só fugindo a isto a constituição de hipoteca em que o registo é constitutivo e como tal condição de validade. 5º e 6º do código de registo predial  enquanto não for registado. mas apenas a inobservância de um simples ónus do adquirente. Quem não fosse o proprietário segundo 77 . já que apenas poderá haver um proprietário. Escola de Coimbra.com/index. Algo que permanece até aos nossos dias. 291º) 3Efeito central do registo: artigo 4º. A--------------B C Assim. defendida por Manuel de Andrade. potior in iure. Mota Pinto e Orlando de Carvalho diz que terceiros para efeitos de registo são os que do mesmo autor ou transmitente adquirem sobre o mesmo bem direitos total ou parcialmente incompatíveis ou conflituantes. e o regista. Um registo de aquisições (não de pessoas como é o caso do registo civil).

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a regra do nemus pluris iuris nada podia transmitir e como tal quem com ele contratou nada poderá obter. Pois quem adquiriu a domino, ainda que não tenha registado é sempre preferido a quem adquire a non domino. Pressupõe-se, assim, que o transmitente é o mesmo, segundo este esquema.

A

B (nr)

C (r) Fora isto, nada mais se exige para a inoponibilidade a terceiros, nem se a aquisição é intervivos ou mortis causa, nem se a aquisição é gratuita ou onerosa, nem se o registo é feito com o conhecimento de aquisição conflituante não inscrita ou com o desconhecimento da mesma. A posição da Escola de Lisboa defendida por Oliveira Ascensão e por Meneses Cordeiro é mais restritiva. Para estes, terceiros para efeitos de registo são apenas os que adquirem a título oneroso e de boa fé, ou seja, com o desconhecimento da aquisição conflituante. Doutor Orlando de Carvalho e Doutor Mota Pinto consideram esta restrição inadmissível e subversiva da função do registo e a segurança que o mesmo trás ao tráfego jurídico. No que diz respeito à boa fé e defendido que tal traria o caos à segurança que se pretende no comércio jurídico, trazendo ao adquirente delongas, incertezas e gastos tendentes a provar que desconhecia uma alienação anterior. Má fé psicológica que é algo, muito difícil de provar. No que diz respeito à onerosidade da aquisição o Doutor Orlando de Carvalho diz-nos que não tem aqui qualquer sentido pois não tem qualquer relevo no quadro da oponibilidade dos direitos. No que diz respeito à jurisprudência acerca deste assunto nos tempos mais próximos, o acórdão de fixação de jurisprudência de 15/ 97 de 4 Julho do STJ veio sustentar a posição de Coimbra, no entanto o acórdão de 8/99 de 10 Julho modificou as coisas e consolidou a posição da escola de Lisboa com a exigência da boa-fé.

b)

Regra geral da protecção de terceiros contra qualquer invalidade (nulidades e anulabilidades) artigo 291º  este artigo estabelece um regime de inoponibilidade da nulidade e anulação de negócios jurídicos anteriores com base nos seguintes pressupostos cumulativos: i. Estejam em causa bens imóveis ou bens móveis sujeitos a registo; ii. Onerosidade da aquisição; iii. Ser terceiro, são terceiros aqueles que inseridos numa mesma cadeia de transmissões linear e sucessiva, vêm a sua aquisição afectada por um vício de um negócio precedente (não pode haver invalidade própria);

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c)

iv. Haja boa fé, sendo a boa fé determinada no nº3 do artigo 291º, como ignorância não culposa das causas de invalidade dos actos anteriores à aquisição do direito pelo terceiro, ou seja, tem de haver um desconhecimento efectivo no momento da sua aquisição; v. Ser um negócio nulo ou anulável – só funciona contra causas de invalidade; vi. A aquisição ter de ser registada antes do registo da acção  efeitos laterais do registo; vii. A posição do terceiro só se consolida após 3 anos (espécie de quarentena) do decurso do negócio inválido 291º/2 (se for numa cadeia9 conta o ultimo negocio invalido) Embora no caso da anulabilidade há sanção pelo decurso do tempo 287º/1. Regra especial de protecção de terceiros contra nulidade decorrente de simulação  artigo 243º, como resulta do artigo 240º os negócios simulados são nulos. No entanto o artigo 243º/1 vem estabelecer um regime de inoponibilidade desta nulidade com base numa simulação, desde que se preencham dois requisitos cumulativos: a. Ser terceiro. Inicialmente o Doutor Orlando de Carvalho defendia a mesma definição de terceiros do artigo 291º. Autores da Escola de Coimbra como o Doutor Manuel de Andrade e como Doutor Mota Pinto defendiam que terceiros não seriam apenas os defendidos por Orlando de Carvalho, mas todos os que vissem a sua posição jurídica afectada pela simulação (a que não sejam os próprios simuladores ou os herdeiros após a morte). O Doutor Orlando de Carvalho, nos últimos escritos, antes da sua morte parece ter evoluído para esta concepção de terceiros para efeitos do artigo 241º defendida pelos restantes autores da Escola de Coimbra; b. Esteja de boa fé  o artigo 243º/2 , este só fala em ignorância da simulação e não em desconhecimento sem culpa como vem no artigo 291º/3, ou seja, haverá boa fé, ainda que com culpa do terceiro, ou seja, se houver possibilidade de ele conhecer. Aqui a má fé superveniente não releva pois o momento considerado é o da aquisição dos direitos 243º/2. Embora se considere sempre má fé a aquisição por parte de terceiro após o registo da acção de simulação  243º/3.

ANEXO: Coloca-se o problema de se saber se a simulação é inoponivel só aos terceiros de boa fé prejudicados com a invalidação do negócio, ou seja, aos que
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No caso: A (vicio)  B (vicio)  C D(boa fé) E (má fé). Orlando de Carvalho entende que se na cadeia um dos adquirentes estivesse protegido os seus sucessivos adquirentes também o estavam, beneficiando derivadamente da protecção  protecção intercorrente de terceiros na cadeia. Dr. Pinto Monteiro tem grandes dúvidas, sobretudo quando o ulterior adquirente está de má fé beneficiando de um mecanismo alheio, apesar da sua convicção psicológica contraria à lei.

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com isso sofriam uma perda, ou também aos terceiros que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Corrente mais ampla defendida por Pires de Lima, Antunes Varela, Castro Mendes, Vaz Serra, dizem que terceiros são também os que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Baseiam-se na letra da lei, visto que o artigo 243º/1 nada diz e num elemento histórico visto o anteprojecto conter essa restrição e o texto definitivo nada dizer. Corrente mais restritiva defendida por Mota Pinto, Manuel de Andrade diz que será apenas inoponivel aos terceiros que, com a invalidação do negócio sofram prejuízos. Invocam para isso o elemento racional, atendendo ao fim do artigo 243º (que é de proteger a confiança de terceiros) optam por uma solução mais justa que será a de impedir a invocação da simulação que causa prejuízos e já não a que origina vantagens ou lucros (exemplo, no caso de uma venda por 100 em que se declarou simuladamente 30, não pode invocar a sua qualidade de terceiro de boa fé para preferir pelo preço declarado é-lhe oponível a nulidade ,sendo admitido a preferir pelo preço real. (ver melhor isto) Modificações de direitos: Noção: tem lugar quando alterado ou mudado um elemento de um direito, permanece a identidade do referido direito apesar da alteração ocorrida. Esta perduração significa que o ordenamento jurídico continua a tratar o direito como se não tivesse existido uma alteração  o direito é o mesmo. Modalidades: Modificação subjectiva: 10 - há uma substituição dos sujeitos na titularidade do direito, permanecendo a identidade objectiva do direito. Há uma sucessão no direito. Exemplo, é o que acontece na cessão e na sub-rogação nos créditos – 577º ss e 589º ss; pode ainda resultar de uma multiplicação dos sujeitos por adjunção (um novo devedor assume a obrigação para com o credor mas o devedor anterior permanece vinculado); Modificação objectiva: há uma modificação no conteúdo ou no objecto do direito permanecendo o direito idêntico. Exemplo, modificação do conteúdo: concedido pelo credor uma prorrogação do prazo para o cumprimento. Modificação do objecto: o devedor não cumprindo culposamente a obrigação o seu dever de prestar é substituído por um dever de indemnizar. Extinção de direitos: Noção: tem lugar quando um direito deixa de existir na esfera jurídica de uma pessoa, extinção subjectiva ou perda de direitos: se o direito sobrevive em si,
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Por substituição: quando o sujeito activo se substitui outro; Multiplicação: a um sujeito activo se substituem vários; Concentração: a vários sujeitos activos sucede um único.

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existem prazos processuais.com/index. mas normalmente tem um carácter substantivo com amplitudes muito variáveis  exemplo. salvo se a lei se referir expressamente à prescrição – artigo 298º/2. ao contrário da prescrição que se suspende e interrompe nos casos previstos na lei  318º ss e 323º ss. e) O prazo ordinário da prescrição 20 anos. Prescrição aquisitiva ou usucapião: ao contrario da prescrição extintiva aqui adquirem-se direitos reais. Extinção objectiva: se o direito desaparece. exemplo a destruição do objecto do direito. a) A prescrição extintiva é inderrogável como resulta do artigo 300º.html apenas mudando a pessoa do seu titular. c) A caducidade. enquanto que a prescrição tem de ser invocada. em princípio. em princípio. pela prática do acto  331. Conceito e importância do negocio jurídico: a. havendo prazos mais curtos para as chamadas prescrições presuntivas. Por seu turno a prescrição se interrompe pela citação ou notificação judicial  323º. a)Modalidades particulares da extinção de direitos:  Prescrição extintiva: extinção de um direito que pode não ser acompanhado pela aquisição correspondente. Enquanto que na caducidade não vem previstos na lei prazos normais. mais do que propriamente com objectivos de justiça. No entanto. enquanto que se admitem estipulações convencionais acerca da caducidade artigo 330º. prevendo a lei para certas hipóteses uma prescrição de cinco anos  art. se fundam numa presunção do cumprimento. Tem a ver com objectivos de conveniência ou oportunidade social e mesmo de segurança e exigibilidade. o artigo 1786º. 319º. não podendo o tribunal oficiosamente supri-la  artigo 303º. ou seja. Negocio jurídico – facto voluntário. a justiça não lhe é estranha já que há a ponderação de uma inércia negligente do titular do direito em exercita-lo o que faz presumir uma renuncia ou pelo menos o torna indigno da certeza e segurança. 310. Diferenças entre prescrição extintiva e caducidade: quando um direito deva ser exercido durante certo prazo aplicam-se as regras da caducidade. b) A caducidade é apreciada oficiosamente pelo tribunal  artigo 333º. o direito extingiu-se para aquele sujeito mas subsiste na esfera jurídica de outrem. deixando de existir para o seu titular ou para qualquer outra pessoa. Conceito e elementos dos negócios jurídicos I. art. Acontece sempre que tem lugar a uma sucessão. cujo conteúdo essencial e constituído por uma ou mais declarações de vontade dirigidas a 81 .atspace. embora o reconhecimento do direito contra quem deve ser exigido também impede a caducidade.http://apontamentosdireito. d) A caducidade só é impedida. licito. não comporta causas de suspensão nem de interrupção artigo 328º.

Critica: tal como esta doutrina define o negócio jurídico este não se distingue de outros actos que não são negócios jurídicos que se fiam na honorabilidade das partes.http://apontamentosdireito. Se esta doutrina fosse verdade só os juristas completamente informados sobre o ordenamento poderiam celebrar negócios jurídicos. c. Quem realiza negócios jurídicos visa certos resultados práticos ou materiais e quere-os realizar por via jurídica. basta uma representação global. mas que estão II. um dos princípios fundamentais do nosso direito civil. Por falta de intenção de efeitos jurídicos temos de distinguir os negócios jurídicos dos chamados negócios de pura obsequiosidade. empréstimo de honra). não bastando provarse que as partes não consideraram o ponto ou até não teriam querido aquele regime. (exemplo. 82 . determinados. em geral em conformidade com a intenção manifestada pelo declarante ou declarantes. Tem. como tal.com/index. As partes dos vários negócios não tem uma ideia completa e exacta de todos os efeitos que o ordenamento jurídico atribui as suas declarações de vontade. Os próprios efeitos derivados de normas supletivas resultariam da tacita vontade das partes. ii. pratica dos efeitos jurídicos imediatos e fundamentais. a. não se dirigindo apenas a efeitos práticos. Natureza jurídica – diz respeito à relação que deve existir entre a vontade dos seus autores e os efeitos produzidos pela ordem jurídica. fazendo a lei corresponder a esses efeitos práticos. Só que aqui não há uma representação completa dos efeitos jurídicos correspondentes aquela vontade de efeitos práticos. Teoria dos efeitos práticos: basta que a declaração se dirija a certos efeitos práticos ou empíricos sem carácter ilícito. também uma vontade de efeitos jurídicos. b.html realização de certos efeitos práticos com a intenção de os alcançar sob tutela do direito e em que o ordenamento jurídico atribui efeitos jurídicos correspondentes. exemplo um convite para jantar. efeitos jurídicos concordantes. exacta e completa correspondência entre o conteúdo da vontade das partes e os efeitos jurídicos produzidos tais como a lei os determina.atspace. As normas supletivas só deixam de se aplicar quando uma vontade real contaria for manifestada. A sua importância prende-se com o facto de ser o instrumento principal de realização do princípio da autonomia da vontade. Por falta de vontade de efeitos jurídicos há ainda que distinguir os negócios jurídicos dos chamados “gentlments agreement´s”  convenções sob matéria que é normalmente objecto de matéria de negócios jurídicos. Teoria dos efeitos jurídicos: deve haver. Teoria dos efeitos práticos jurídicos: trata-se do ponto de vista correcto. Criticas: i.

Falamos da capacidade das partes e da sua legitimidade. exemplo cláusula de juros. no caso de intenção de efeitos jurídicos. procuração feita por duas pessoas a favor de um mesmo advogado). Podemos falar ainda de elementos essenciais no sentido dos elementos essenciais de cada negócio típico ou inominado. dos sujeitos e do conteúdo.html desprovidos. Contratos ou negócios jurídicos bilaterais: há duas ou mais declarações de vontade. 3. Naturais: são os efeitos negociais derivados de disposições legais supletivas. exemplo um empréstimo de honra. b) Vigora o princípio da tipicidade ou do numerus clausus. Características do regime dos negócios unilaterais: a) É desnecessária a anuência da contraparte. que considera essenciais os requisitos ou condições gerais de validade de qualquer negócio. idoneidade do objecto jurídico  artigo 280º. III. Unilaterais e bilaterais: a. sendo apenas admitidos os negócios que estiverem especificamente previstos na lei artigo 457º.Elementos dos negócios jurídicos: 1. Essenciais: podem ser aqueles relativos à existência do negócio jurídico. Classificação dos negócios jurídicos: 1.obrigação da outra parte pagar a correspondente retribuição (diferente do comodato). Não é necessário que as partes configurem qualquer clausula para a produção destes efeitos. uma oferta ou proposta e a aceitação que se concilia num consenso. exemplo locação artigo 1022º ss. Unilaterais: há uma só declaração de vontade (exemplo. b. Elas não caracterizam o tipo negocial em abstracto mas tornam-se imprescindíveis para que o negócio concreto produza os efeitos a que elas tendem. 83 . Ainda. São as características próprias de cada modalidade negocial. de conteúdo oposto mas convergente com a pretensão de um resultado jurídico unitário. A eficácia do negócio não careceu de concordância de outrem. sem os quais o mesmo não chegaria a ter existência material. falamos da declaração. a declaração de vontade sem vícios. em que temos 1. testamento) ou varias declarações de vontade paralelas formando um só grupo (exemplo. exemplo artigo 885º.atspace.obrigação de proporcionar à outra parte o solo de cada coisa 2. 2. segundo a sistematização tradicional. Há.http://apontamentosdireito.gozo esse que é temporário (diferente de compra e venda) 3. Acidentais: são as cláusulas acessórias dos negócios jurídicos.com/index. assim.

Doutrina da expedição: o contrato está perfeito quando o destinatário expediu por qualquer meio a sua aceitação.http://apontamentosdireito. embora o proponente que se retractasse incorresse em responsabilidade pré-contratual. que resulta de lesão do interesse contratual negativo. visto que o mesmo é integrado por duas declarações de vontade: i. iv.com/index.atspace. O artigo 224º vai consagrar no nosso direito a doutrina da recepção. Negócios jurídicos não recepticios – basta a emissão da declaração sem ser necessária comunica-la a quem quer que seja. Doutrina da percepção: o contrato só está perfeito quando o proponente tomou conhecimento efectivo da aceitação. Doutrina da aceitação: o contrato está perfeito quando o destinatário da proposta declarou aceitar a oferta que lhe foi feita. exemplo denuncia do arrendamento. responsabilidade essa ainda hoje admitida no artigo 227º. ii.html c) É importante distinguir entre negócios unilaterais receptícios – a declaração só é eficaz se for e quando for levada ao conhecimento de certa pessoa. Características do regime dos negócios bilaterais: a) Não se trata de dois negócios unilaterais. b) A proposta de contrato é irrevogável depois de chegar ao conhecimento do destinatário artigo 230º. obrigações ligadas entre si por um nexo de causalidade ou correspectividade (exemplo. Dentro dos contratos há que distinguir entre:  Contratos unilaterais: geram obrigações apenas para uma parte (exemplo. devendo-se colocar o lesado na situação em que estaria se não tem chegado a depositar uma confiança que foi frustrada na celebração de um contrato válido e eficaz). iii. Doutrina da recepção: o contrato está perfeito quando a resposta contendo a aceitação chega à esfera de acção do proponente. mantendo-se durante os lapsos de tempo referidos no artigo 228º (diferente do código de 1867) em que a proposta era revogável. Importância: 84 .  Contratos bilaterais ou sinalagmáticos: geram obrigações para ambas as partes. doação). c) Coloca-se o problema de saber qual o momento da sua perfeição. exemplo testamento. compra e venda). (É o chamado dano da confiança. já que cada uma das declarações é emitida em vista do acordo. artigo 1055º.

algo que é típico dos negócios inter vivos – artigo 1701º. Características: 1. as disposições a favor de um dos esposados feitas pelo outro ou por terceiro são negócios híbridos ou mistos já que têm características de negócio mortis causa já que só se verifica transferência de bens depois da morte. ao contrário dos negócios inter vivos em que há uma tutela das expectativas da parte que se encontra em face da declaração negocial. 1140º e 1150º. As doações por morte são.O testamento é claramente um negócio mortis causa. Negócios consensuais ou não solenes e negócios formais ou solenes: Formais ou solenes: aqueles para os quais a lei prescreve a necessidade de observância de determinada forma.html a) Só nos contratos bilaterais há excepção de não cumprimento do contrato. no entanto há uma restrição de poderes feita ao disponente.http://apontamentosdireito. sem o qual o negócio jurídico é invalido – artigo 220º.com/index. trata-se da generalidade dos negócios jurídicos. Autores falam dos contratos bilaterais imperfeitos. Exemplo: mandato e o depósito gratuitos – artigo 1157º e ss e artigos 1185º e ss. em principio nulas – artigo 946º como quaisquer outros pactos ou contratos sucessórios – 2028º/2. Nestes contratos não há excepção de não cumprimento do contrato e também não há condição resolutiva tácita. . Estes são objecto de uma conversão legal em disposições testamentarias – 946º/2. 428º.atspace.Mortis causa: destinam-se a produzir efeitos depois da morte do declarante ou depois da morte de alguma das partes (exemplo. Certos pactos sucessórios contidos em convenções antenupciais são válidos – artigo 1700º. testamento). b) A faculdade de resolução com fundamento em impossibilidade de cumprimento ou mora existe nos contratos bilaterais (condição resolutiva tácita) 801º/2 e pode também ter lugar em alguns contratos unilaterais exemplo arts.Inter vivos: destinam-se a produzir efeitos em vida das partes. em virtude do cumprimento das primeiras e em dados termos. 85 . As disposições a favor de terceiros feitas pelos esposados são negócios mortis causa se o terceiro não interveio na convenção antenupcial – artigo 1704º e serão negócios híbridos se ele interveio como aceitante – artigo 1705º. Negócios inter vivos e mortis causa: . 2. o acatamento de determinados formalismos ou de determinadas solenidades e. surgindo eventualmente mais tarde obrigações para a outra parte. Em relação a estes. nestes há inicialmente apenas obrigações para uma das partes.Nos negócios mortis causa há uma prevalência dos interesses do declarante sobre o interesse na protecção da confiança do declaratário.

modificada ou extinta pelo negócio jurídico. Modalidades: a) Documento autêntico – artigo 363º/2: exemplo venda de imóveis (875º) b) Documento autenticado – artigo 363º/3: em que há confirmação de determinado negócio jurídico através do notário c) Documento particular – artigo 363º/2 (2ª parte) : exemplo contrato promessa (artigo 410º/2) Negócios Reais quanto à constituição e quanto aos efeitos: São aqueles negócios em que se exige. Nos negócios reais o princípio da liberdade contratual sofre considerável limitação derivada do principio da tipicidade ou do numerous clausus – artigo 1306º. além das declarações de vontade das partes a prática anterior ou simultânea de um certo acto material de entrega de uma coisa como elemento da estrutura do negócio jurídico e não como efeito do contrato. podendo os interessados celebrar ou não o negócio mas não podendo fixar-lhe livremente o conteúdo ou celebrar contratos diferentes dos previstos na lei: principio da tipicidade ou do numerous clausus (casamento. adopção).html Não solenes: aqueles em que a validade do negócio jurídico não está dependente de qualquer requisito formal. Nos negócios familiares patrimoniais: existe em maior escala a liberdade de convenção. Forma: determinada figuração exterior permitida pela lei ou pela vontade comum das partes para a respectiva declaração de vontade. podendo ser realizado por qualquer comportamento (…). Negócios obrigacionais. exemplo o depósito ou o mútuo. O principio geral do nosso código em matéria de formalismo negocial é o da liberdade declarativa ou liberdade de forma (artigo 219º). familiares e sucessórios: o critério desta classificação diz respeito à natureza da relação jurídica constituída. Nos negócios obrigacionais: é neste domínio em que mais se afirma o princípio da liberdade negocial quanto aos contratos. Nos negócios sucessórios o princípio da liberdade contratual sofre importantes restrições resultantes de algumas normas imperativas (exemplo. testamento).com/index. 86 . reais. Nos negócios familiares pessoais: a liberdade contratual está praticamente excluída. embora com algumas restrições (exemplo. Quanto nos casos excepcionais em que a lei prescrever uma certa forma e esta não for observada a declaração negocial é nula  artigo 220º.http://apontamentosdireito. convenções antenupciais).atspace. no que respeita aos negócios unilaterais vigora o princípio da tipicidade 457º.

por exemplo em matéria de impugnação pauliana (artigo 612º).atspace. um nexo ou relação de correspectividade entre as atribuições patrimoniais. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter patrimonial. assim. existindo. (artigo 291º. A outra parte age com a consciência e vontade de receber essa vantagem sem proporcionar um sacrifício correspondente. exemplo.  Existem certas figuras negociais que se podem apresentar como onerosas ou gratuitas. mas entre uma prestação contemporânea (entrega do dinheiro para ser utilizado) e uma obrigação (a de restituir o capital e pagar os juros). Cada uma das partes faz. Patrimoniais: resulta a constituição. o chamado animus donandi ou animus beneficiandi exemplo. Negócios onerosos e negócios gratuitos: Importância da distinção: manifesta-se. uma avaliação subjectiva. é que aqui a correspectividade não se estabelece entre duas obrigações. ou seja. Aqui há o predomínio da vontade declarada sobre a vontade real. adopção. também para a protecção do terceiro adquirente de boa fé contra qualquer invalidade de negócio jurídico anterior. mutuo oneroso – artigo 1145º. Há o predomínio do princípio da liberdade contratual. Pessoais: resulta a constituição. cessão de créditos – 577º. a doação e depósitos gratuitos. exemplo. Actua-se. 87 .html Negócios patrimoniais e negócios pessoais: o critério desta classificação é também o da natureza da relação jurídica a que o negócio se refere.http://apontamentosdireito. Há também um predomínio da vontade real. assim. uma atribuição patrimonial que considera retribuída ou contrabalançada pela atribuição da contraparte. é. como por exemplo o valor afectivo de um objecto ex: arrendamento : aluguer . Cada uma das atribuições é a contrapartida da outra. de forma a tutelar a confiança do declaratário e também os interesses do trafico jurídico – artigo 236º/1. sem a pretensão de nenhum equivalente económico. Negócios gratuitos ou a titulo gratuito: uma das partes tem a intenção de efectuar uma atribuição patrimonial a favor de outra sem contrapartida ou correspectivo. avaliáveis em dinheiro. casamento. o que releva é a vontade ou intenção das partes. segundo a perspectiva destas. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter pessoal. psicológica do declarante sobre a vontade declarada. Neste domínio há o predomínio de normas imperativas.etc) A distinção tem como critério o conteúdo e finalidade do negócio Negócios onerosos ou a titulo oneroso: pressupõe atribuições patrimoniais de ambas as partes. Não é necessário um equilíbrio das atribuições patrimoniais consideradas pelo seu valor objectivo. já que objectivamente elas podem não ser equivalentes por várias razões.com/index. assim. É possível a existência de contratos unilaterais onerosos (exemplo. exemplo – compra e venda. com a intenção de proporcionar uma vantagem à outra parte.

dar e recebe (…) Aleatórios: as partes submetem-se a uma álea. Outras vezes a lei concretiza. ou de bens próprios e alheios. Pode haver: a) Uma só prestação dependendo de um facto incerto. a uma sorte. inabilitações). No entanto. seguro de vida). a um risco. 1937º e 1938º. ou até de bens próprios (ex. exceptuando-se as competições desportivas com relação às pessoas que nelas tomarem parte – 1246º e outras excepções previstas em legislação especial – artigo 1247º. Inabilitações – artigo 153º e 154º. de maior montante do que aquele (ex. aposta). Quando a lei não esclarece através de uma definição ou de uma enumeração quais os actos que integram uma dada categoria teremos de nos guiar pelos interesses que estão em jogo e o sentido das normas que espelham esses mesmos interesses11. dos poderes de gestão patrimonial dos administradores de bens alheios. Exemplo. administração de bens – artigos 1922º. 11 Assim. artigos 1889º. a lei muitas vezes restringe os poderes de certas pessoas a actos de ordinária administração sem qualquer especificações. c) Pode haver duas prestações certas na sua existência. a uma possibilidade de ganhar ou perder. fazendo uma enumeração de certos actos que são permitidos ou vedados ao administrador – exemplo. mas uma delas incerta quanto ao momento da sua verificação e ao seu montante (ex. a determinação de quem a realizará (exemplo. No caso de limitação de poderes de alguém sobre o seu próprio património a lei considera deficiências físicas e 88 . b) Pode haver uma prestação certa e outra incerta. seguro de incêndio). Contrato pelo qual uma pessoa promete uma certa prestação em troca de uma participação nos proventos que a contraparte obtenha por força daquela prestação. Comutativos: cada uma das partes sabe que esperar do efeito do contrato.html Contratos comutativos e contratos aleatórios: trata-se de uma subdivisão dentro dos contratos onerosos. Negócios parciários: são uma subespécie dos negócios onerosos. nem constituem fontes de obrigações civis. no entanto quando lícitos são fonte de obrigações naturais – artigo 1245º.atspace. no caso de administradores de bens alheios a lei atende à falta de interesse pessoal do administrador que o pode induzir a correr riscos que não correria se os bens fossem seus. Os contratos de jogo e aposta não são contratos válidos.com/index. por força da lei ou de sentença. Veja-se o caso do artigo 1024º em que a lei qualifica como acto de administração ordinária a locação num prazo inferior a 6 anos. parceria pecuária – 1121º. Por vezes a lei qualifica ela própria certos negócios jurídicos como actos de administração ordinária ou então de disposição.http://apontamentosdireito. 1967º e ss. Negócios de mera administração e negócios de disposição Utilidade desta distinção: há uma restrição. aos actos de mera administração ou de ordinária administração ex.

Constitui a regra geral e contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de gozo – proibição absoluta de titularidade de tais relações.Capacidade e legitimidade: são requisitos gerais de validade dos negócios jurídicos. utrapassando os parâmetros de uma actuação prudente e comedida. b) Actos tendentes a prover à frutificação normal: essa frutificação é a pelo modo habitual para os bens administrados (ex. assim.http://apontamentosdireito. troca). # Elementos essenciais do negócio jurídico: I. 89 . assim. No entanto. assim. e) Doações: tratam-se de liberalidades de alienação sem contrapartida. actos de mera administração: a) Actos de conservação dos bens administrados: actos destinados a fazer quaisquer reparações necessárias nesses bens tentendes a evitar a sua deterioração ou destruição. desde que não sejam feitos com os rendimentos existentes da administração: como é o caso da abertura de um poço ou cercar o muro a um prédio rústico sem qualquer necessidade disso. dirigida a certas pessoas – os incapazes. Gera.com/index. que alteram a forma ou a composição desse capital administrado. que assim se vêm impedidos de realizar determinados negócios jurídicos. b) Actos tendentes a prover ao melhoramento do património administrado. c) As alienações onerosas: actos que envolvem a transferência da propriedade para outrem (compra e venda. Só o são as que afectam a substância dos bens (ex. constituição de uma servidão de passagem).html Assim. nem todas as alienações onerosas são actos de disposição. não é acto de disposição o corte e venda de 20 pinheiros secos que nada estavam a fazer no pinhal). mentais que implicam alta probabilidade de a pessoa concluir negócios muito prejudiciais para os seus próprios interesses. dirigida a manter o património e a aproveitar as suas virtualidades normais de desenvolvimento. Actos de disposição são os actos que afectam a substância da património administrado. São. d) Onerações: trata-se da imposição de um ónus real sobre um determinado prédio (ex. actos de mera administração são os correspondentes a uma gestão concedida e limitada. São. os actos que correspondem a uma actuação prudente. que atingem a raiz dos bens. com exclusão dos actos arriscados (que podem originar grandes lucros e também prejuízos elevados) que afectam a substancia dos bens. actos destinados a prover ao cultivo de uma terra nos termos usuais ao seu arrendamento). São. actos de disposição: a)Actos de frutificação anormal: como é o caso da transformação de um Pinhal em Vinha. Capacidade negocial de gozo: susceptibilidade de um sujeito jurídico ser titular de direitos e obrigações derivados de negócios jurídicos.atspace.

A regra geral é a de que um maior de 18 anos tem capacidade de exercício. ou em todo o caso. sendo a sua nota principal não um elemento interior como a vontade efectiva ou psicológica.com/index. II. por actividade própria ou através de um representante voluntário.http://apontamentosdireito. Haverá ilegitimidade negocial: quando falta essa relação face ao objecto que é detida por terceiro.atspace. conduzindo a sua falta à inexistência material do negócio. A função da declaração negocial consiste em exteriorizar a vontade psicológica do declarante e torná-la cognoscível para o declaratário. Esta vontade real pode decompor-se em três subelementos: 90 . o revela e traduz sendo a vontade negocial: a intenção de realizar certos efeitos práticos com ânimo de que sejam juridicamente tutelados e vinculantes pela ordem jurídica. Gera. Capacidade negocial de exercício: aptidão para celebrar. O código civil regula a declaração negocial nos artigos 217º e ss. convenção dos interessados ou até de disposição legal apareça como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial. uma anulabilidade e é suprível pelos institutos da representação ou assistência.Declaração negocial: A) Noções gerais: é um elemento integrante do negócio jurídico. Dá-se aqui claramente um conceito objectivista de declaração negocial. b) A vontade – elemento interno. hoje o direito civil coloca na sua primeira linha de protecção as expectativas dos declaratários e a segurança do comércio jurídico. daí que a nossa lei dê prioridade ao elemento objectivo – ao comportamento exteriorizado pelo declarante do que a sua vontade psicológica. o Doutor Manuel Andrade e o Doutor Capelo de Sousa. consiste no comportamento declarativo. modificar ou extinguir negócios jurídicos. Legitimidade: relação existente entre o sujeito e o objecto do negócio que justifica que o primeiro se ocupe juridicamente do objecto. mas num elemento exterior no comportamento declarativo.html em regra. em geral por ser titular dos interesses cuja modelação é visada pelo negócio. contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de exercício: impedimento ou proibição não absoluto de realizar determinados negócios jurídicos.  Declaração negocial: é o comportamento de uma pessoa (por palavras escritas ou faladas ou até sinais) que segundo os usos da vida. consiste no querer concreto. na realidade volitiva que normalmente existirá e coincidirá com o sentido objectivo da declaração. Neste sentido claramente o Doutor Mota Pinto. Ora. de tal forma que o sujeito não pode afectar esse direito ou obrigação. cujo interesse a lei protege.  Elementos constitutivos: a) A declaração propriamente dita: elemento externo. em regra. uma nulidade e é insuprível pela representação legal ou pela assistência.

A vontade de acção (Handlugswille) – consiste na consciência e intenção livre de realizar um comportamento declarativo. a declaração negocial destina-se a um certo fim mas implica e torna cognoscível um regulamento sobre outro ponto. mas de uma probabilidade total.html 1. Vimos que pode haver uma falta de vontade de acção. Exemplo: pode haver desvio na vontade negocial quando uma pessoa atribui aos termos da declaração um sentido diverso do que é exteriormente captado . Trata-se de um meio indirecto ou lateral de afirmação de uma determinada vontade. Essa divergência pode ainda resultar de um desvio da vontade de acção: um lapsus lingual ou lapsus calami. trata-se de uma probabilidade. Exemplo: não existe vontade de acção quando uma pessoa por acto reflexo ou distraidamente faz um gesto e este aparece como uma declaração negocial.atspace. 91 .http://apontamentosdireito.Vontade negocial: vontade do conteúdo da declaração ou intenção do resultado (Geschftswille): consiste na vontade de celebrar um negócio jurídico de conteúdo coincidente com o significado exterior da declaração. 957º e 1737º. 2. É uma vontade efectiva correspondente ao negócio concreto que aparece exteriormente declarada. Tácita: quando do seu conteúdo directo se infere? um outro. exemplo: pode faltar vontade da declaração se uma pessoa julgando assinar uma simples ficha para o arquivo de um banco assina uma declaração negocial. Se um individuo num leilão faz um gesto de saudação a um amigo e isso é entendido como oferta de uma certa importância. No entanto. São estes os casos de divergência entre a vontade e a declaração. exemplo a pessoa quer escrever quinta da regaleira.A vontade da declaração: (Erklanvnjswille) ou vontade da relevância negocial da acção (Geltunjswille): consiste em o declarante atribuir ao comportamento querido o significado de uma declaração negocial. uma falta de vontade da declaração e um desvio na vontade negocial. A distinção consagrada na lei no artigo 217º é a proposta pela teoria subjectiva expressa: quando feita por palavras.com/index. ou prédio é o nº20 e por lapso enagana-se a escrever ou falar e sai-lhe quinta da regaleira nº30. exemplo uma pessoa quando quer comprar a quinta da regaleira e erradamente declara que quer comprar a quinta da gusteira pensando erradamente ser este o seu nome (erro no nome). ou seja. Trata-se de uma dedução de facto que com toda a probabilidade revela essa declaração negocial (217º/1). É necessário que os factos sejam inequívocos. sem que a pessoa se aperceba disso. Este subelemento só está presente se o declarante tiver a consciência e a vontade de que o seu comportamento tenha significado negocial vinculativo. como também tácitas – artigo 217º/1. por vezes a lei exige que a declaração negocial seja expressa caso dos artigos 731º.  Declaração negocial expressa e declaração negocial tácita: o principio da liberdade declarativa envolve a possibilidade de se realizarem validamente declarações negociais não só expressas. 3. escrito ou qualquer outro meio directo de expressão da vontade (217º/1 – 1ª parte). ou quando uma pessoa é coagida a realizar um negócio.

convenção negocial ou o uso lho atribuam. para se captarem aceitações negociais. paga dívidas da herança  são factos que com toda a probabilidade fazem com que haja uma declaração de vontade no sentido de aceitação da herança. dando-lhes sempre o ónus de responder a qualquer proposta de contrato. aceitação tácita: a pessoa toma conta dos bens. que não é obrigado a recambia-las. Só tem valor como declaração quando a lei.atspace. paga o imposto sucessivo. Em princípio. mas apenas a verificação de um incumprimento do dever de falar susceptível de incorrer o silenciante na obrigação de reparar os danos causados a outrém pela frustração da sua confiança em receber uma resposta – dano da confiança ou interesse contratual negativo. Poder-se-ia também aproveitar a impossibilidade de responder das pessoas.http://apontamentosdireito. estando na sua conservação apenas obrigado a abster-se de as deteoriar por dolo ou negligencia. Declarações negociais presumidas e declarações negociais fictas: 92 . por diversas razões. o silêncio não vale como declaração negocial. Em conformidade com o critério de interpretação dos negócios jurídicos consagrado no artigo 236º conclui-mos que no que respeita a uma declaração tácita em que dum comportamento se pode concluir um certo sentido negocial. quando remetidas com a proposta. então. No que respeita às mercadorias recebidas pelas pessoas. uso ou convenção. exemplo – testamento em que não há declaração expressa de atribuição de um determinado legado. O artigo 218º dá-nos essa resposta – só vale quando esse valor lhe seja atribuído por lei. há legislação que protege o destinatário. não se deve concluir do silêncio uma certa declaração. O silêncio como meio declarativo: a questão é a de saber se o silêncio entendido não apenas como um nada dizer. tal não exige a consciência subjectiva por parte do autor desse significado implícito (bastando) que objectivamente ele possa ser deduzido do comportamento do declarante.html Exemplo: aceitação expressa da herança feita por palavras ou por escrito. o saber se devia ou não falar não é claro e mesmo se houvesse o dever de falar. Repudia-se o velho princípio do Direito Canónico: qui tacet consentire videtur (quem cala consente)  isto seria inaceitável visto que violaria a autonomia das pessoas.com/index. mas como um nada fazer pode considerar-se uma declaração tácita no sentido de aceitação de propostas negociais. mas por uma declaração de vontade do testador chega-se a essa conclusão. caso do artigo 923º/2. Também é afastada a ideia de que o silêncio vale como declaração quando o silenciante podia e devia falar – qui tacet consentire vidatem ubi loqui potuit ao debuit. A declaração tácita é compatível com a existência de um negócio formal  artigo 217º/2 . devendo apenas restitui-las se o proponente as mandar buscar.

c) Pode levar a eventuais injustiças devido a uma desvinculação de uma das partes do negócio com fundamento em nulidade por vício de forma. Temos como exemplos: os artigos 923º/2 e 1054º. Inconvenientes do formalismo negocial: a) Redução da fluência e celeridade do comércio jurídico. É no fundo uma contradeclaração. O regime regra é o das presunções legais poderem ser ilididas por prova em contrário. Protesto e reserva: Protesto: o autor de um certo comportamento declarativo. com demoras. caso do 875º em que se estabelece a obrigação de celebrar escritura pública. da negociação. d) Dá um maior grau de certeza sobre a celebração do negócio e os seus termos evitando-se a falibilidade da prova por testemunhas. 93 . no entanto. importantes excepções a este principio consagradas no nosso código como regulamentação especial. Reserva: modalidade de protesto em que se especifica que um certo comportamento não significa renúncia a um direito próprio ou reconhecimento de um direito alheio – exemplo. só assim não sendo quando a lei proibir – 350º/2. incómodos e despesas. Existem.http://apontamentosdireito. um certo sentido vai afirmar-se abertamente não ser esse o seu intuito. A forma da declaração negocial: Vantagens do formalismo negocial: a) Assegura uma maior reflexão das partes. c) Permite uma formulação mais precisa e completa da vontade das partes.com/index. e) Dá publicidade ao acto o que é importante para terceiros. I – Modalidades da forma negocial. Nos negócios formais o tempo que vai desde a decisão de concluir o negócio e a sua celebração permite repensar o negócio. apesar de essa mesma parte ter querido o acto negocial. ou seja. por interpretação. a vitima de um acidente recebe do causador uma soma em dinheiro. Principio da liberdade formal: No nosso direito civil vale o princípio da liberdade de forma consagrada no artigo 219º.html Declaração negocial presumida: quando a lei liga a determinado comportamento o significado de exprimir uma determinada vontade negocial. livrando as partes da precipitação e da ligeireza.atspace. podendo ilidir-se tal presunção mediante prova em contrário – artigo 350º/2 – 1ª parte (presunção tantum iuris). mas declara que isso não significa renuncia a receber o montante total dos danos. b) Separa os termos definitivos do negócio da fase pré – contratual . por recear que lhe seja imputado. b) Embaraça a conclusão válida dos negócios.

b) Na forma voluntária: não abrange. pelo que. Forma convencional: quando o formalismo exigível resulta de uma estipulação ou negócio jurídico das partes.Que se trate de cláusulas acessórias. anteriores ou contemporâneas só produzirão efeitos se houver lugar a confissão ou forem provadas por documento. as partes poderão utilizar a forma convencional em negócios que a lei não exige forma ou exige uma solenidade menos forte. carta. Assim. 2. algo que deriva do principio da liberdade contratual – artigo 405º. por acordo. É também inadmissível a prova por testemunhas se tiver por objecto convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documentos autênticos e particulares – artigo 394º. c) Na forma convencional: está prevista no artigo 223º. Forma voluntária: forma adoptada pelas partes sem que a lei ou convenção anterior a isso as obrigasse. que devem completar o documento indo para além do seu conteúdo mas nunca o contradizendo. anteriores ou contemporâneas ao documento exigido desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes condições: 1. II – Âmbito da forma exigida: a) Na forma legal: abrange as cláusulas essenciais do negócio jurídico. (há uma presunção do documento formal ser completo. no entanto. tal não significa que os mesmos possam afastar.com/index. na dúvida sobre a existência de uma estipulação acessória é de decidir pela sua não existência. bem como as cláusulas acessórias anteriores ou contemporâneas. as estipulações acessórias anteriores ou contemporâneas ao escrito.Que se prove que as cláusulas acessórias correspondem à vontade das partes. mesmo que menos solene : exemplo. normas legais que exigem para certos actos requisitos formais já que são normas imperativas.Não sejam abrangidos pela razão de ser da exigência de documento. tal como acontece para as estipulações posteriores ao documento – artigo 222º. Quanto às estipulações posteriores ao documento estão dispensadas de forma legal prescrita para a declaração se as razões da exigência especial da lei não lhes forem aplicáveis – artigo 221º/2.atspace. sob pena de nulidade artigo 221º/1. Assim. uma excepção na segunda parte deste artigo reconhecendo-se a validade de estipulações verbais. em princípio. O facto de os particulares verem as suas estipulações reconhecidas acerca da forma do negócio.html Forma legal: quando o formalismo exigível para certo negócio é imposto pela lei. não devendo ser estipulações essenciais. as estipulações não formalizadas.http://apontamentosdireito. 3. Há. 94 .

arguição da nulidade.Se a convenção foi estipulada antes da conclusão do negócio. quando essa invocação por uma das partes constitua um abuso de direito? Exemplo.http://apontamentosdireito. Poderá parecer injusto a nulidade de uma compra em que o comprador já pagou o preço e o vendedor já o recebeu. gerando a sua falta a nulidade do negócio – artigo 364º/1. afirmando a nulidade dos negócios afectados por vício de forma. presume-se que as partes não quiseram substituir o negócio mas apenas facilitar a prova consolidando o acto ou tornando o conteúdo do 95 . Nos casos em que a lei determine outra consequência. sendo que na primeira hipótese haja fundamento para admitir que as partes se quiseram vincular desde logo. consagra-se uma presunção de essencialidade. compensando a injustiça com a obrigação de indemnizar por parte do autor do abuso. em que as partes apenas se querem vincular através da forma convencionada.atspace. b) Inobservância da forma convencional: a este respeito rege o artigo 223º que se limita a estabelecer presunções que podem ser ilididas mediante prova em contrário – artigo 350º. Essas presunções são duas: 1. são insubstituíveis por outro género de prova. Formalidades ad probationem: são meramente probatórias. acha que as normas imperativas não podem ser postas em causa. deverá admitir-se a invocação de nulidade com fundamento em vicio de forma.html Inobservância de forma legal: Formalidades ad substantiam: exigidas para a validade do negócio. Mota Pinto coloca o valor social da segurança jurídica acima de um critério de justiça de cada caso. Larenz por seu lado. em que este não seria obrigado a restituir a importância recebida ou o primeiro não seria obrigado a restituir a coisa vendida. a nulidade deixará de ser a sanção para a inobservância da forma legal – artigo 220º. mas tal não se verifica.com/index. Manuel de Andrade defende a improcedência da arguição de nulidade nos casos de manifesto abuso de direito. a sua falta pode ser suprida por outros meios de prova mais difíceis de conseguir – ex: confissão – artigo 364º/2. a) Inobservância da forma legal: o código civil liga à inobservância da forma legal a nulidade – artigo 220º. 2. pois uma vez declarado nulo o negócio deverá ser restituído tudo o que tiver sido prestado em virtude do negócio viciado – artigo 289º. sendo que haverá lugar a indemnização ex vi artigo 227º (…). Ela tem carácter constitutivo. ou seja. com fundamento em vicio de forma por um contraente que a provocou ou que criou na contraparte a expectativa de que a nulidade jamais seria arguida. Aquando da sua inobservância Mota Pinto diz que o negócio é ineficaz enquanto que Vaz Serra diz que o negócio não está concluído entre as partes – artigo 223º/1.Se a convenção é contemporânea ou posterior ao negócio. A doutrina tem colocado o problema de saber se a possibilidade de invocação da nulidade por vicio de forma não pode ser excluída por aplicação da cláusula geral de boa-fé ou do abuso de direito – artigo 334º.

Trata-se da posição mais justa. # I – Interpretação dos negócios jurídicos: (não confundir com interpretação das leis artigo 9º). mais os que uma pessoa razoável (normalmente esclarecida. pautam a sua conduta. pela qual. aquele a quem a declaração negocial se destina ou a conhece. mas procura um sentido exteriorizado ou cognoscível através de certos elementos objectivos. acto determinante ou conteúdo da vontade real – fonte geradora de efeitos jurídicos. colocado na posição concreta do real destinatário lhe atribuiria. através das declarações de vontade. Ela não pode ser abandonada ao senso empírico. ou seja. com o sentido querido pelo autor da declaração. Para haver declaração a interpretar temos de estar no domínio da autonomia da vontade privada das partes que tem: a) Elemento subjectivo: acto de vontade. Como tal a sua inobservância não têm quaisquer consequências sobre o negócio. deve ser pautada por regras ou critérios cuja sua formulação é o objecto da teoria da interpretação que tem critérios convertidos em verdadeiras normas jurídicas – 236º ss. Dentre as doutrinas objectivistas merece referência a teoria da impressão do destinatário: declaração deve valer com o sentido que 1 destinatário razoável. b) Elemento objectivo: acto social de comunicação.com/index. teria conhecido e figura-se em raciocínios sobre essas circunstancias. Isto dá origem a posições subjectivistas. rápida e confere maior segurança ao comercio juridico. 96 . trata-se de determinar o sentido e o alcance do conteúdo das declarações de vontade e consequentemente dos efeitos que o negócio visa produzir. Trata-se de uma interpretação normativa e não de uma interpretação psicológica. Interpretação: actividade dirigida a fixar o sentido e o alcance dos negócios. Posições objectivistas: o intérprete não procura a vontade real do declarante.atspace. sendo que o negócio valerá com o sentido subjectivo. c) Inobservância de forma voluntária: a sua inobservância não tem quaisquer consequências. o intérprete deve investigar através de todos os meios adequados a vontade real do declarante. Posição adoptada pelo nosso código no artigo 236º/1. como o teria feito um declaratario razoável. zelosa e sagaz – o bónus pater famílias.html negócio mais claro ou outro qualquer efeito – artigo 223º/2. é também a mais fácil. segundo as respectivas declarações de vontade. as partes. O negócio jurídico contem uma ordem normativa. já que tutela a legitima confiança do declaratário. vai-se considerar o real declaratário nas condições concretas em que se encontra e com os elementos que conhece.http://apontamentosdireito. ou seja.

Considera-se que só seja justificado fazer responder o declarante por um sentido que não deu à declaração. é de acordo com o ultimo que vale a declaração. 97 . Nestes o sentido objectivo corresponde à impressão do destinatário. Outra excepção é a consagrada no artigo 236º/2. Se. Assim. Esta teoria da impressão do destinatário envolve um ónus da adequada manifestação da vontade por parte do declarante. no entanto. Admite-se. defende-se o princípio de que na dúvida deve intrepertar-se contra o emitente das condições gerais pré-ordenadas. A consequência.html Este sentido que corresponde à impressão do destinatário sofre. Não haverá declaração negocial se faltar a vontade de acção – artigo 246º. Tendo em atenção. se o declarante se move em circunstâncias especiais deve tomar a iniciativa de se expressar convenientemente para o sentido ser correctamente apreendido. embora imperfeita. isto é. não pode valer se não tiver um mínimo de correspondência.http://apontamentosdireito. que este pudesse razoavelmente contar com ele – artigo 236º/1 parte final. a duvida for insanável devemos aplicar por analogia o artigo 224º/3. no entanto. Quando a interpretação leve a um resultado duvidoso. Este deve escolher os meios convenientes para exprimir um sentido que não seja reconhecido ou cognoscível pelo declaratario. pois o que temos é um problema de vício de forma (o sentido não está formalizado) cuja sanção correspondente é a nulidade – artigo 220º. no texto do documento – artigo 238º/1. o sentido querido pelo declarante releva mesmo quando a declaração é ambígua ou inexacta se o declaratario conhecer o seu sentido. as limitações para os negócios formais previstos no artigo 238º/2. no entanto uma limitação (defendida por Larenz e Ferrer Correia): para que tal sentido possa relevar.com/index. deveremos atender ao artigo 237º. Assim. prevalecendo nos negócios gratuitos o sentido menos gravoso para o disponente e nos onerosos o que conduzir ao maior equilíbrio das prestações. A doutrina tradicional sofre certos desvios que se traduzem: a) Maior objectivismo: é o que sucede nos negócios formais. que um sentido não traduzido no documento possa valer desde que: Corresponder à vontade real e concordante das partes. Nos contratos de adesão. no entanto. se este sentido lhe era imputável  limitação subjectivista. é a falsa demonstrato non nocet – artigo 238º/2. mesmo no caso de impropriedade das expressões utilizadas. de acordo com a máxima julsa demostratio non nocet estabelece que sempre que o declaratario conheça a vontade real do declarante. torna-se necessário que seja possível a sua imputação ao declarante. sendo a declaração ineficaz.atspace. defende Manuel de Andrade é a nulidade em sede interpretativa.

Admissibilidade das disposições testamentárias tácitas –artigo 217º/2. Exige-se. mas desde que dê a entender por qualquer forma no testamento (com essa expressão entre aspas ou seguida de reticências) ou que se prove que a significação anómala era utilizada habitualmente pelo testador – exemplo: A diz que deixa a sua biblioteca a B. mas exigida pela resolução do litigio entre as partes e que estas deveriam ter previsto aquando do ordenamento negocial das suas relações. a vontade que teriam tido caso tivessem previsto o ponto omisso. ou incorreu em erro na declaração. que a vontade assim reconstituída tenha um mínimo de correspondência. Na sua interpretação consagra-se o sentido subjectivo. Limitação dada pelo teor do documento que manifesta o carácter solene do negócio testamentário – artigo 2187º/2. No entanto.Invalidade de um sentido contrário ao texto do testamento. o juiz dever-seá afastar da vontade hipotética quando a solução que as partes teriam estipulado contrarie os ditames da boa fé. elementos ou circunstâncias estranhas aos termos do testamento. ou seja. anotações pessoais. ou seja. ainda que imperfeita no contexto. foi ele quem a educou durante 15 anos escreveu “ se se apurar que a única pessoa que A educou foi Clara é patente que A queria referir-se a Clara e aí já surgirá efeitos) (o exemplo está meio confuso. Podemos retirar deste artigo as seguintes conclusões: 1. 3. estando esta condicionada pelo contexto do testamento – artigo 2187º o significado decisivo é o que o testador quis dizer. no entanto. 2. etc).html  Não oposição a essa validade das razões determinantes da forma do negócio (certeza e segurança ou interesses de terceiros) – artigo 238º/2 (parte final). fundadas em qualquer dos meios de prova geralmente admitidos (esclarecimentos orais ou escritos. mas dá para perceber). Esta integração deve ser determinada para cada negócio e não para os vários tipos de negócios.atspace. Nestes casos o artigo 239º remete em primeiro lugar para a vontade hipotética das partes. inteiramente fora dos usos gerais da língua. Integração dos negócios jurídicos: o problema é o de saber qual a regulamentação das questões não previstas pelas partes. Com a excepção de no testamento constarem outras referencias que levem a considerar (clarificar) patente o significado extravagante ou o erro (na ultima hipótese rege o artigo 2203º) exemplo: A quis deixar os seus bens a Clara e escreveu (a quem eduquei). Neste caso a declaração deve ser integrada de acordo com as exigências da boa fé (entenda-se boa fé objectiva) –regras de 98 . se se provar que A não tinha biblioteca e que utilizava essa expressão para significar garrafeira é valido esse legado  há aqui um mínimo de correspondência no testamento. nem resultantes de disposição legal imperativa ou supletiva. em que vale a vontade real do testador. ainda que alicerçado noutros meios probatórios.http://apontamentosdireito.O testador pode utilizar no testamento um termo numa acepção pessoal.com/index. b) Maior subjectivismo: é o caso das disposições testamentárias. Já haverá nulidade do testamento se o testador usou termos numa acepção extravagante que estava fora dos seus próprios hábitos de linguagem. Na pesquisa desta vontade do testador é admitido o recurso à prova complementar.

havendo norma supletiva não há verdadeiramente uma lacuna. mesmo que seja evidente a prova da vontade hipotética das partes não podem ser equacionadas e resolvidos em sede de integração. daí o artigo 239º referir “na falta de disposição legal”. As próprias normas supletivas poderão. consciente e livremente uma declaração com um sentido objectivo diverso da sua vontade real b) Não intencional: quando o declarante não se apercebe da divergência ou porque é forçado irresistivelmente a emitir uma declaração diferente da sua vontade real.5 toneladas. Divergência entre a vontade real e a declaração pode ser: a) Intencional: quando o declarante emite. b) Na formação da vontade: a vontade não foi formada livre e esclarecidamente. # Divergência entre a vontade e a declaração: I. ou seja. Certos problemas.atspace.com/index. não se aplicar por contrariarem o comando da boa – fé – artigo 334º. É de referir que há prioridade da aplicação do direito supletivo sobre o problema da integração negocial.html honradez e honestidade que as partes devem pôr na celebração e conclusão dos negócios. em casos excepcionais. mesmo que se prove que no momento do contrato A teria vendido e B teria comprado mais esses 0.http://apontamentosdireito. exemplo: A vende a B uma tonelada de açúcar pelo preço de x. não pode agora pretender-se a entrega de uma tonelada e meia pelo mesmo preço. Assim. se a questão tem sido abordada. Intencional Simulação Reserva mental Declarações não sérias Não intencional Erro. tudo porque o direito supletivo obedece à resolução de interesses gerais e porque esta vontade hipotética não é verdadeiramente manifestada por qualquer das partes. não pode ir contra o que está expressamente no contrato. há uma divergência entre a vontade hipotética e a vontade real. (…) Falta consciência do dec Coação física 99 . A integração não pode conduzir a uma ampliação do objecto negocial que foi pretendido pelas partes.Noções gerais: normalmente há coincidência entre a vontade (elemento interno) e a declaração negocial (elemento externo). No entanto. pode haver dois tipos de vícios: a) Na formulação da vontade (divergência entre a vontade real e a declaração – entre o querido e aquilo que foi declarado.

com as seguintes modalidades: 1. no entanto. mas no caso de dolo ou culpa do declarante . I – A simulação:  Noção e elementos: trata-se da principal divergência entre a vontade real e a declaração negocial. quer do declaratário.atspace. apontando para a invalidade do negócio. limita a doutrina da confiança apenas aos casos em que o declaratario confiou efectivamente nesse sentido (exclui-se os casos em que ele confiou num terceiro sentido) Não há.A doutrina da aparência eficaz. Há a pretensão da protecção das legítimas expectativas. 2.http://apontamentosdireito. Interesses fundamentais para a validade e produção dos efeitos da declaração. Cobre o interesse contratual negativo ou interesse da confiança. b) Teoria da culpa in contrahendo: acrescenta à teoria anterior a obrigação de indemnizar por parte do declarante se houve ou dolo deste e boa fé do declaratario. a divergência só produz a invalidade se for conhecida ou cognoscível do declaratário. para as legitimas expectativas do declaratario. estando o declaratário de boa – fé o negócio é válido. O interesse de terceiros também concorre aqui.com/index. como tal. Releva ainda o interesse geral do comércio jurídico que aponta para a segurança e celeridade no tráfego e. O interesse do declaratário aponta para a tutela da confiança e para a irrelevância da divergência. Tal como para a auto – responsabilidade do declarante.A chamada doutrina da confiança. Teorias que visam resolver o problema: a) Teoria da vontade: defende a invalidade do negócio logo que haja uma divergência entre a vontade e a declaração sem necessidade de mais requisitos – Savigny. Não são idênticas as soluções mais razoáveis específicas de cada uma das várias divergências entre o “querido” e o “declarado”. como se de facto a tivesse querido. repondo o declaratario lesado na situação em que estaria se não tivesse concluído o negócio. terceiros aos quais podem derivar direitos ou que podem ter adquirido direitos quer do declarante. Começa o declarante a responder pela aparência exterior da sua vontade. d) Teoria da declaração: dá relevo fundamental à declaração. 100 . ao que foi exteriormente manifestado. c) Teoria da responsabilidade: assenta na teoria anterior. Ihering. 3. uma teoria que se possa aplicar às várias modalidades de divergência.A mais extrema em que há uma adesão rígida à expressão literal.html Analisemos o aspecto teleológico dos interesses em jogo: O Interesse do declarante reclamando o principio da autonomia da vontade aponta para a sua não vinculação ao sentido objectivo da declaração que não coincide com a sua vontade real.

exemplo: venda efectuada por um devedor a um comprador fictício. No caso da simulação. como também o de os prejudicar ou de contornar uma norma legal imperativa (animus nocendi). A doa a B um faqueiro de prata havendo entre eles acordo de devolução. ainda que a simulação seja fraudulenta como resulta do artigo 242º/1. tudo para crer a C e D. pode ser arguida a todo tempo quer o negócio esteja ou não cumprido.com/index. de forma a enganar os seus credores. Efeitos da simulação absoluta: a simulação importa a nulidade do negócio simulado – artigo 240º/2. seus vizinhos. pode ser deduzida tanto por via de acção como por via de excepção artigo 287º/2. c)Intuito de enganar terceiros. Realizada sobretudo por razões sociais (ex. Modalidades da simulação relativa: 101 . Modalidades e seu regime: Simulação inocente: há apenas um mero intuito de enganar terceiros.atspace. pois o adquirente é um possuidor precário – artigo 1253º/c – com a excepção do artigo 1290º. Há apenas o negócio simulado e por detrás dele nada mais. Simulação absoluta: as partes fingem celebrar um negócio jurídico e na realidade não querem celebrar nenhum negócio jurídico. que A é muito rico)  é rara. Por detrás do negócio simulado há um negócio dissimulado ou oculto.http://apontamentosdireito. usucapião. exemplo 2 – venda de imóvel simulado um preço inferior ao real para prejudicar a fazenda nacional ou simulando um preço superior para prejudicar um preferente. Simulação fraudulenta: há não só o intuito de enganar terceiros. não poderá haver. Apenas os interesses de terceiros de boa fé que tenham confiado na validade do negócio exigem ponderação. Simulação relativa: as partes fingem celebrar um certo negócio jurídico e na realidade querem um outro negócio jurídico de tipo ou conteúdo diverso. até pelos próprios simuladores. sem os prejudicar (animus decipiendi).html Simulação: é a divergência intencional entre a vontade real do declarante e a declaração negocial. Nulidade que pode ser invocada por qualquer interessado. chamado acordo simulatório. de acordo com o artigo 286º. b) Acordo entre declarante e declaratario. Temos três elementos: a) Intencionalidade da divergência. Divergência procedente de acordo entre o declarante e o declaratario e determinada pelo intuito de enganar terceiros – artigo 240º/1. Aqui não há que defender as expectativas do declaratário já que este tem conhecimento e intervém no acordo simulatório. regra geral. etc.

Não confundir com a interposição real: o interposto actua em nome próprio mas no interesse e por conta de outrem. finge-se uma venda e quer-se uma doação). fingiu – se um preço superior ou inferior ao preço real. não há simulação mas um mandato sem representação . mesmo que a outra parte saiba que o interposto não actua em nome próprio – artigo 1180º. Sobre o valor do negócio: há divergência relativa ao quantuum da venda. o negócio simulado está ferido de nulidade – artigo 240º/2. Assim. havendo concluio entre os três. mas também a coisa da sua transmissão. Baseia-se no argumento literal da lei “só é válido se tiver sido observada a forma exigida por lei” nada dizendo para o caso de as razões de formalismo do negócio dissimulado se acharem satisfeitas com a observância de solenidades do negócio simulado e no argumento racional de que a forma legal não visa dar só a conhecer a trasmissao dos bens.html Subjectiva: são simulados os próprios sujeitos do negócio jurídico. Efeitos da simulação relativa: tal como a simulação absoluta. mas para pagar uma só SISA os três sujeitos concordam em documentar numa só escritura uma só venda de A a C. é o que acontece com a interposição fictícia de pessoas: A quer dar um prédio a B. A está interessado num bem que B não lhe vende.com/index. Objectiva: é simulado o conteúdo do negócio e pode ser: Sobre a natureza do negócio: o negócio simulado é de um tipo jurídico diverso ao negócio dissimulado (ex. por força de um acordo entre ele e só um dos sujeitos (ex. Admite-se uma excepção para o caso de as partes fazerem constar das declarações uma contradeclaração – um escrito de reserva com os requisitos formais exigidos para 102 . Quanto ao negócio dissimulado aplica-se o artigo 241º e este será objecto do tratamento jurídico que lhe caberia se tivesse sido concluído sem dissimulação.http://apontamentosdireito. Pode-se fazer isto para fugir aos artigos 953º e 2196º (o interposto aqui é um simples “testa de ferro”)?????? Supressão de um sujeito real: faz – se uma venda de A a B e outra de B a C. Efeitos da simulação quanto aos negócios formais: A lei estabelece um regime especial para os negócios formais no artigo 241º/2.atspace. o negócio dissimulado poderá ser válido e eficaz como poderá ser inválido consoante que aconteceria se o negócio tivesse sido abertamente concluído. Nesta questão a doutrina divide-se. vai acordar com C no sentido deste comprar o bem a A e depois lhos vender) – não havendo concluio entre os três sujeitos. mas finge doar a C para este posteriormente doar a B. quando o negócio dissimulado é de carácter formal: Doutor Mota Pinto defende que o negócio dissimulado será nulo por vicio de forma se este não respeitar o formalismo exigido. mesmo que a sua forma fique satisfeita com as solenidades próprias do negócio simulado.

estando inadmissíveis a prova testemunhal e a prova por presunções em virtude do artigo 351º (julgo).Conflito entre credores comuns do alienante simulado e credores comuns do simulado adquirente : Manuel de Andrade defende que se deve dar preferência aos últimos. por exemplo numa escritura pública tal traria a descoberto o negócio simulado e o notário não celebraria o negócio). Algo que. A nulidade do negócio simulado. Pires de Lima. etc. Doutor Orlando de Carvalho. Conflitos entre terceiros de boa fé: são possíveis conflitos entre terceiros que pretendem arguir a nulidade do negócio e terceiros cujos interesses exigem que o negócio seja considerado como válido.com/index. tal como todas as nulidades. podem ser invocadas por qualquer interessado e declarada ex officio pelo tribunal – artigo 286º. 2. Vejamos algumas hipóteses: 1. no entanto.html esse negócio (algo que nos parece absurdo porque ao fazer isso.prevalece a venda mais antiga ou a que primeiro foi registada. O código não tem normas explícitas sobre estes conflitos. podendo ser feita por qualquer um dos meios admitidos na lei: confissão. Antunes Varela e Manuel de Andrade defendem uma outra posição. documentos. 103 .atspace.Conflito entre subadquirentes do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente: sendo aquisições tidas como válidas. Em vida do hereditando o artigo 242º/2 permite aos herdeiros agir em vida do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com intenção de os prejudicar. presunções.http://apontamentosdireito. 3. defendendo que o negócio dissimulado não deveria ser nulo se as razões que estão na base da exigência da sua forma ficarem satisfeitas com a observância das solenidades próprias do negócio simulado. sofre uma apreciável restrição indirecta por força do artigo 394º/2 onde se estatui a inadmissibilidade da prova testemunhal no acordo simulatório e do negócio dissimulado. Após a morte do de cuius os herdeiros legitimários. trata-se de um problema de incompatibilidades entre direitos reais adquiridos do mesmo transmitente . Há como que um aproveitar da forma do negócio simulado sempre que esta coincidir com a forma do negócio dissimulado. não bastando que provoque graves prejuízos. Prova da simulação: a prova do acordo simulatório e do negócio dissimulado por terceiros é livre.Conflito entre credores comuns do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente : devem prevalecer os interesses dos últimos diz Manuel de Andrade. A prova é quase restringida à prova documental e à confissão. testemunhas. b) os preferentes. como quaisquer outros herdeiros podem arguir a nulidade dos actos simulados praticados pelo de cuiuis. c) os credores (mesmo que não haja insolvência – artigo 605º/1. Só que intervêm como sucessores do simulador e não como terceiros. São terceiros interessados na nulidade: a) fazenda nacional. Legitimidade da invocação da simulação: o artigo 242º/1 atribui legitimidade aos próprios simuladores para a arguição da nulidade mesmo sendo a simulação fraudulenta.

Está prevista no artigo 244º/1. se o declaratário conhecia a falta de seriedade ou pelo menos esta era exteriormente perceptível. Em principio carece de qualquer efeito – artigo 245º/1. didácticas. Aqui aplicar-se-á a cláusula geral do abuso de direito – artigo 334º. cómicas. Terá. A declara comprar a B um automóvel para o enganar. não tendo intenção de fazer qualquer compra. Aqui não há confiança a proteger. sendo necessário o seu efectivo conhecimento.atspace.  Apenas com intuito de enganar: ex.com/index. no caso de ser nulo. 104 . Os efeitos desta figura são determinados pelo artigo 244º/2.http://apontamentosdireito. O negócio será. A declara a B fazer-lhe uma doação. procedendo-se na expectativa de que a falta de seriedade não passe despercebida. Não bastará para a relevância da reserva a sua cognoscibilidade. neste sentido Mota Pinto e Orlando de Carvalho. Existe uma excepção colocada pela doutrina. há ainda intenção de prejudicar (ex. visando enganar este.html Reserva Mental: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. Fraudulenta: para além do intuito de enganar. Podem ser declarações jocosas. Neste caso a declaração também não tem qualquer efeito. salvaguardando. pois visa apenas dissuadir B do suicídio pela sua grave situação económica. tendo feito a declaração por julgar erradamente que a lei exige escritura pública para a venda do automóvel e que depois podia arguir a nulidade). em principio válida. no entanto. etc. publicitárias. São duas as notas que a definem: a) Emissão de uma declaração contrária à vontade real. nulo se o declaratário teve conhecimento da reserva. O artigo 245º/2 estabelece um regime especial no caso da declaração ser feita em circunstâncias que induzem o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade. assim. no entanto há responsabilidade do declarante pelo interesse negativo ou confiança – responsabilidade pré-negocial. b) Intuito de enganar o declaratário. condições de justiça e de segurança do comércio jurídico e da confiança da contraparte. visto que excede os limites da boa fé e dos bons costumes a pretensão do declaratario no sentido da validade dessa declaração. sem que na realidade tenha essa intenção. A declaração negocial emitida com a reserva ocultada ao declaratario é. sem o intuito de enganar qualquer pessoa. Na chamada graça malévola apesar de ter uma finalidade também jocosa ela é reserva mental e não declaração não seria porque se espera que a outra parte caia no engano. sem qualquer concluio com o declaratário. os efeitos da simulação. Declaração não séria: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. porque não chega a haver uma verdadeira declaração. por exemplo nos casos em que se tenta dissuadir de um suicídio ou de um acto patrimonialmente ruinoso.

não através de uma mera ameaça.html Divergências não intencionais entre a vontade e a declaração: I. exigindose para a anulação que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. Distingue-se da coação relativa.Falta de consciência na declaração: o declarante emite uma declaração sem sequer ter a consciência (a vontade de fazer uma declaração negocial. o negócio será no entanto eficaz relativamente ao declarante aparente se este o aprovar – falsa demonstratio non nocet. negócio em estado de sonambulismo. no fim do artigo 246º que se o declarante tiver culpa na falta de consciência da declaração. ex. Estabelece-se. um indivíduo que entra num leilão e faz um gesto para cumprimentar alguém que é tomado como um lance sem que a pessoa se aperceba disso. no entanto. No caso de erro – obstáculo o princípio geral consta do artigo 247º. Não havendo dever de indemnização a cargo do declarante. sacrificando-se em demasia os interesses do 105 . mas pelo emprego de uma força física irresistível que o instrumentaliza e o leva a adoptar o comportamento (ex. ao contrário da coação absoluta em que o coagido não pode combater esse mal. porque não há um comportamento humano consciente e voluntário.Erro na declaração ou erro-obstáculo: o declarante emite a declaração divergente da vontade real. sendo forçado a dizer ou a escrever o que não quer. É diferente das chamadas declarações sob o nome de outrem – nestas.atspace. no caso do leilão se o amigo que ele quer cumprimentar nem sequer estiver virado para ele.Coação física ou coacção absoluta: o declarante é transformado num autómata. A coação física. III. Algo que a doutrina Alemã não aceita calmamente.http://apontamentosdireito. mas ele acena com a mão à mesma e isso é tomado como um lance pelo leiloeiro). II. O artigo 246º estatui que o negócio não produz quaisquer efeitos. o declaratario tem o direito a ser indemnizado pela chamada responsabilidade pré-negocial. nos termos do artigo 246º a ineficácia da declaração negocial. torcer o braço de alguém para o obrigar a assinar um papel).com/index. Mota Pinto critica este requisito dizendo que facilita os interesses do declarante para anular o negócio. mas sim involuntário e mesmo reflexo. podendo até faltar completamente a vontade de agir) – ex. ao contrário do erro – obstáculo não há qualquer comportamento por parte do sujeito a quem a declaração é atribuída (A faz-se passar por B fazendo um negocio e falsificando a sua assinatura) – esta hipótese estará sob o artigo 246º através de uma aplicação analógica . Algo que Larenz e Canaris chamam de responsabilidade por uma aparência jurídica (ex. comporta. mas não completamente excluída. sem ter consciencia dessa falta de coincidência – caso do lapsus lingual ou lapsus calami ou pelo chamado erro in predicando – atribuição às palavras de um significado diverso do seu sentido objectivo. esta não produz quaisquer efeitos. porque nesta a liberdade está cercada.

no entanto. o declarante deve 106 . Mota Pinto defende que nalguns casos. No artigo 248º consagra-se uma excepção no caso do declaratario aceitar o negócio como o declarante queria a anulabilidade fundada em erro não procede. No entanto. Mota Pinto transporta as suas críticas face ao erro – obstáculo nos mesmo termos para este regime. Pode haver o caso em que o declaratário compreendeu um terceiro sentido que não coincide com o querido pelo declarante nem com o sentido declarado. ou seja. Deslocar-se-ia para uma área de validade. Aqui o dissenso tem interesse autónomo. Se o erro é apenas cognoscível o caso será resolvido em sede de erro – obstáculo se for relevante o que tornará o negócio inválido e será resolvido em sede interpretativa se o erro é irrelevante. poder-se-ia obstar à anulação com base em abuso de direito – 334º. em que a aplicação do artigo 247º lese com extrema injustiça os interesses do declaratario. O dissenso pode resultar de uma falta de acordo dos sentidos objectivos (ex. mas em sede interpretativa – artigo 236º/2. No entanto. b) Que é nulo – Castro Mendes. c) Que ele não foi concluído porque não houve acordo nos termos do artigo 232º. ou seja. Pode. se o erro fosse conhecido. o problema não se resolveria em sede de erro – obstáculo. Mota Pinto defende que a declaração é anulável sem a exigência dos requisitos do artigo 247º.html declaratario e os do comércio jurídico.http://apontamentosdireito. Segundo o artigo 249º o erro de cálculo ou escrita revelados no contexto da declaração ou nas circunstâncias que a acompanham não dão lugar à anulabilidade mas apenas à rectificação do negócio. haver acordo dos sentidos objectivos mas desacordo entre as vontades reais: a) Uma só das partes atribuiu à sua declaração um sentido diverso do que tem objectivamente – aplica-se a doutrina do erro – obstáculo. é anulável se o declaratario conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. Erro na transmissão da declaração: hipótese prevista no artigo 250º que o regulamenta o seu nº1 nos mesmos termos do erro – obstáculo. (ver o artigo 248º). Oliveira Ascensão e Carvalho Fernandes. dizendo que se deveria ir mais além exigindo o conhecimento ou a cognoscibilidade do erro. b) Cada uma das partes atribui ao negócio um sentido diverso não coincidente com o seu teor objectivo – hipótese acima transcrita. Falamos neste caso de dissenso. com dolo uma declaração diversa da vontade do declarante.atspace. deixando uma área de invalidade do artigo 247º. A declara vender x e B declara comprar y) como consequência há quem defenda que: a) O negócio é inexistente – Mota Pinto.com/index. Existe uma excepção estabelecida no artigo 250º/2 – admitindo-se a anulação sempre que o intermediário emite intencionalmente.

(ex. face à pequena diferença o negócio deve-se considerar válido e o declarante deve suportar esse risco). Distinção entre erro – vício / e erro obstáculo e / pressuposição: O erro – vicio é um erro na formação da vontade e diz respeito a circunstâncias anteriores ou contemporâneas à conclusão do negócio. de tal forma. O erro obstáculo é um erro na formação da vontade – há divergência entre vontade real e a declaração. É o que os Alemães chamam de erro – motivo “Motivirnt” (ta mal a palavra em alemão!).html suportar o risco de uma transmissão defeituosa ou de uma deturpação ocorrida enquanto a declaração não chega à esfera do declaratario.atspace. (…) Modalidades: a) Erro sobre a pessoa do declaratario: erro sobre a identidade e erro sobre as qualidades (exs. Há divergência entre a vontade real e a vontade hipotética. A contrata com B julgando que o contrato tem os efeitos de locação quando afinal tem os efeitos de uma venda a prestações). a compra de 18.  O erro como vicio da vontade: Ignorância ou representação inexacta por parte do declarante de uma qualquer circunstancia de facto ou de direito que foi determinante na formação da sua vontade negocial de tal modo que se ele estivesse esclarecido acerca dessa circunstancia não teria realizado o negócio ou não o teria realizado nos precisos termos em que o concluiu. A contrata com B porque pensa erradamente que este é filho de um seu amigo) – artigo 251º b) Erro sobre o objecto do negócio: pode incidir sobre o objecto mediato sobre a identidade ou sobre as qualidades (ex. 251º 107 . A contrata com B julgando que este é C. objecto imediato – sobre a natureza do negócio (ex. Se ele conhecesse os termos e circunstâncias do negócio jurídico não tomaria essa decisão mas uma outra ou então nem tomaria decisão nenhuma. A alteração anormal das circunstâncias constitui fundamento de resolução ou modificação do contrato previstos os pressupostos / 437º (não é erro).com/index. # Vícios da vontade: Generalidades: trata-se de perturbações do processo formativo da vontade negocial. embora concorde com a declaração é determinada por motivos considerados como ilegítimos.http://apontamentosdireito. o declarante diz o que queria dizer mas isso está inquinado por uma má formação da vontade. Pressuposição: convicção por parte do declarante de que certa circunstância se verificará no futuro ou de que se manterá um certo estado de coisas. que esta. telegrafista transmite em vez da compra de 20 cavalos. Assim. A compra um terreno julgando erradamente que ele tem água).

no caso de erro culposo. incapacidade do declaratario. os interesses da outra parte estão protegidos pelo artigo 227º . b)Individualidade ou singularidade: quando fosse exclusivamente do errante e não de toda a gente em geral (Manuel de Andrade) afirmava o absurdo deste critério. Face ao novo código este requisito é dispensável.responsabilidade pré – negocial. não anularia o negócio. Na vigência do Código de Seabra a doutrina considerava ainda: a) Escusabilidade: necessidade de ausência de culpa da parte do errante. O erro indesculpável ou grosseiro. embora noutras condições.http://apontamentosdireito. O Doutor Mota Pinto e também Carvalho Fernandes prevêm a redução do negócio segundo os termos da norma geral – artigo 292º. sempre. Caso contrário o erro é incidental – influiu apenas nos termos do negócio pois o errante contrataria. trata-se de um erro que recaia nos motivos determinantes da vontade. capacidade do errante.etc ( no entanto o erro sobre as qualidades da pessoa do declaratario é já erro sobre a pessoa do negócio – ex. pois a situação do contraente não enganado já é tomada em conta ao permitir-se a anulação apenas quando se verifiquem certos requisitos especiais. ou seja. embora houvesse doutrina (Manuel Andrade e Ferrer Correia) que defendesse que a anulabilidade ocorreria mesmo no caso de erro culposo.atspace. b) Propriedade: o erro tem de ser próprio. tem que ter motivado a conclusão do negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído. Para o caso do erro incidental Mota Pinto defende a aplicação analógica do 911º sendo o negócio válido nos termos em que teria sido concluído sem o erro. No entanto. Nele podemos integrar o erro sobre pessoa de terceiros e o erro sobre os fins ou objectivos de natureza subjectiva que motivam o declarante – artigo 252º. já que quando o erro é comum a uma generalidade de pessoas é que mais 108 . O erro tem de ser causa da celebração do negócio e não apenas dos seus termos – o erro é essencial se sem ele não se celebraria o negócio ou se celebraria um negócio com outro objecto ou de outro tipo ou com outra pessoa.com/index. não obstante a anulação. Aqui o fundamento da invalidade não é o erro mas o requisito legal cuja deficiência vicia o negócio. segundo Cabral de Moncada e outros. Este erro não releva tal como não releva o erro indiferente em que mesmo sem ele o negócio teria sido concluído nos mesmos termos em que foi. Ele só é próprio quando incide sobre uma circunstância que não seja a verificação de qualquer elemento legal da validade do negócio.html c) Erro sobre os motivos do negócio: é uma noção residual. O erro será impróprio quando versa sobre os requisitos legais da forma negocial. Condições gerais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade: a) Essencialidade: o erro tem de ser essencial. mas que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio.

desde que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade.ou seja. por exemplo anular o negócio com fundamento no desconhecimento de um preço mais barato noutro local. O artigo 252º/2 estabelece um regime especial para certos casos de erro sobre os motivos. representação mental de uma das partes. Serão. Mota Pinto mantém as suas críticas para este regime. como acontece nos demais erros vicio? Ou haverá lugar à resolução ou modificação do contrato nos termos da alteração superveniente das circunstancias do artigo 437º? . ou seja.atspace. não é uma vicissitude surgida depois do negócio como acontece com a alteração superveniente das circunstâncias. pois seria absurdo. Não basta ou conhecimento ou cognoscibilidade do erro pois tal daria lugar a bastantes litígios que se repercutirão na celeridade e segurança jurídicas.com/index. o estado de coisas erradamente figurado é anterior ou contemporâneo do negócio.http://apontamentosdireito. coloca-se a questão: terá lugar a anulabilidade. está na génese do negócio. Não sendo o artigo autónomo. é necessário uma delimitação. ou a representação comum de vários interessados acerca da existência ou ocorrência de determinadas circunstancias. Nestes casos haverá lugar á anulabilidade nos termos dos artigos 437º a 439º. Em face do nosso código essa exigência é ainda mais indefensável. se o erro incidir sobre as circunstancias que constituem a base negocial. Não se faz qualquer delimitação das qualidades do objecto no artigo. b) 109 . no entanto. erro normalmente bilateral sobre as condições fundamentais do negócio jurídico que determinam ambas as partes. ou determina uma das partes e em que a outra não poderia deixar de aceitar o condicionamento do negócio sem violação dos ditames da boa fé. no sentido de a validade ficar dependente da existência da circunstância sobre que versou o erro. reconhecida pela outra. erro relativamente ao qual se forma a base do negócio. esta remissão é para os pressupostos ou para os pressupostos e para a sanção? Mota Pinto defende que será só para os pressupostos. sendo a sanção a da anulabilidade pois no caso de erro sobre a base negocial. interpretavam à letra). com base no qual as partes fixaram os pressupostos da contratação. Erro sobre o objecto do negócio: o artigo 251º prevê que o negócio será anulável nos termos do artigo 247º. então qualidades do objecto: a) a constituição material do objecto (ex. O erro sobre a base negocial é um vício na formação da vontade e não algo posterior. se é de ouro ou de prata). até porque as pessoas contratam pelos mais diversos motivos. para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro.html justificado se torna que o errante o possa invocar para a anulação do negócio. já que remete para o 437º.  Condições especiais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade Erro sobre os motivos: o artigo 252º/1 permite a anulação desde que haja uma cláusula verbal ou escrita. ou seja. (invocavam o artigo 664º do código de Seabra. expressa ou tácita. sobre a base das quais se funda a vontade do agente. que anteriormente fizera para o erro na declaração.

remetendo a sua anulabilidade para os termos do artigo 247º. coacto ou incapaz. Só é relevante como fundamento de anulabilidade e de responsabilidade o dolus malus. c) pode ser sanada por confirmação (…) Artigos 287º e 288º # O Dolo: A noção de dolo consta do artigo 253º/1. No entanto.html as condições factuais ou jurídicas que pela sua natureza e duração evoluem no valor ou no préstimo desse objecto (ex. se o objecto é usado ou não). há um dever de elucidar por força da lei. A diz a B que o lote de acções vai subir proximamente – é algo que qualquer vendedor diz e se o comprador cai é porque é ingénuo). bem como a dissimulação quando o dever de elucidar o declarante resulta de lei. Trata-se de um erro determinado por um certo comportamento da outra parte. Erro sobre a pessoa do declaratario: está igualmente previsto no artigo 251º. portanto dolo. 110 . Existirá dolo quando se verifique o emprego de qualquer sugestão ou artificio com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração – dolo positivo ou comissivo. Modalidades: Dolus bonus: sugestões ou artifícios usuais e toleráveis (considerados legítimos). enganado. embora com negligência. Não será. Não há dolo no caso de erro provocado por informações inexactas sem intenção ou consciência de enganar. Dolus malus: sugestões ou artifícios que alguém emprega com a intenção ou a consciência de conduzir ou manter em erro. de estipulação negocial ou das concepções dominantes no comércio jurídico. de estipulação negocial das partes ou das concepções dominantes do comercio jurídico e o declaratario ou terceiro não o fazer – dolo negativo ou omissivo. segundo o mesmo artigo as sugestões ou artifícios usuais considerados legítimos segundo as concepções dominantes no comércio jurídico (exemplo. Anulabilidade de todos eles: a) só pode ser invocada pelo errante. Segundo o artigo 253º/2 só haverá dolo quando exista dever de elucidar por força da lei. estipulação negocial ou das concepções dominantes do comércio jurídico. concepções imperantes no comércio jurídico – artigo 253º/2.http://apontamentosdireito. na mesma maneira que o erro sobre o objecto do negócio acima analisado.atspace. ou quando tenha lugar a dissimulação pelo declaratario ou por terceiro do erro do declarante. que não são usuais. b) só pode ser invocada no ano subsequente à cessão do vicio.com/index. no entanto se o negócio não estiver cumprido pode ser invocada a todo tempo. quem provocou o erro poderá incorrer em responsabilidade civil.

html Dolo inocente: não há intuito enganatório. Outros autores falam de responsabilidade extra negocial por factos ilícitos – artigo 483º ss. o negócio é anulável dando lugar também a responsabilidade prénegocial.Se o declaratario conhece ou lhe foi cognoscível o dolo de terceiro o negócio será totalmente anulável – artigo 254º/2 (1ª parte) . Vaz Serra. Antunes Varela.com/index. nem devia conhecer o dolo de terceiro o dolo só releva se ao terceiro adveio. Pires de Lima. com o seu comportamento contrário as regras da boa – fé.http://apontamentosdireito. ele contrataria sempre.Se o declaratário não conheceu. . neste sentido12 Castro Mendes e Carvalho Fernandes. neste sentido Mota Pinto. sem dolo não se teria concluído qualquer negócio. o próprio dolo bilateral pode ser invocado como fundamento de anulação – artigo 254º/1 (parte final). Dolo incidental: o enganado apenas foi influenciado quanto aos termos do negócio. .Dolo do declaratário: a) Tem de ser dolus malus – artigo 255º/2 a contrario sensu. b) Tem de ser essencial ou determinante (o erro é que tem que ser essencial) c) Ser dolo positivo ou negativo (tanto faz) d) Intenção de enganar o declarante de forma a induzi-lo ou a mante-lo na situação de erro – artigo 253º/1. por força do negócio directamente algum direito (clausula a seu favor).se o terceiro beneficiário foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a esse sujeito mas não é anulável face ao declaratario – invalidade parcial. Não conduzirá este dolo necessariamente a anulação como defendeu Mota Pinto anteriormente para o erro – vício. Dolo essencial: o enganado foi induzido pelo dolo a concluir o negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído. durante os preliminares e a formação do negócio – artigo 227º responsabilidade pelo dano da confiança. mas acresce a responsabilidade pré-negocial do autor do dolo por ter dado origem à invalidade.Dolo de terceiro – artigo 254º/2: Aplicam-se todos os outros requisitos e ainda: . Dolo fraudulento: há intuito ou consciência de prejudicar.atspace. 2 – se o terceiro beneficiário não foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a ele se ele conhecia ou não devia ignorar o dolo.  Efeitos: o principal efeito do dolo é a anulabilidade do negócio – artigo 254º/1. 1. 12 Se o dolo é exercido por um representante do declaratario ou por seus agentes a situação será tratada como dolo do declaratário. 111 . Não é necessário que o dolo seja unilateral. Neste caso. mas noutras condições.

o seu conceito. também duma ameaça de exercício abusivo extrajudicial de um direito exemplo: doação por um paralítico a quem ameaça abandona-lo). mesmo no caso de ameaça com arma de fogo ou no caso de emprego da violência física como começo para compelir o negócio estaremos face a coação moral ou relativa. então.atspace. penhora. Assim. receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado com o fim de obter dele a declaração. de morte.receio de desagradar a certa pessoa a quem se deve respeito ou de quem se é dependente.html  A coacção moral: consta do artigo 255º/1. b) Intenção de extorquir a declaração – artigo 255º/1 e que a declaração tenha sido efectivamente extorquida – 256º/1 (1ª parte) c) Ilicitude da ameaça – artigo 255º/1. Só há vicio quando a liberdade do coagido não foi totalmente excluída. embora a submissão à ameaça fosse a única escolha possível. São exigidos para esta coação os requisitos da coacção do declaratario e ainda: 112 . a perturbação da vontade traduzida no medo resultante de ameaça ilícita de um mal com o intuito de extorquir a declaração negocial. só será anulável se: a) Que se trate de uma coação essencial ou principal. para conseguir vantagens indevidas. Só cairemos no âmbito da coacção física ou absoluta quando a liberdade exterior do coagido é totalmente excluída e ele é utilizado como verdadeiro autómato – exemplo assinatura de um documento com a mão a ser conduzida por outrem com força irresistível). esta pode resultar: c1) Ilegitimidade dos meios empregues (ex. A ameaça pode dizer respeito à pessoa.com/index. Coação exercida por terceiro: Provoca a anulabilidade do negócio e põe a cargo do coactor uma obrigação de indemnizar o declarante e o declaratário se este não for cúmplice do terceiro.http://apontamentosdireito. Não há coacção se há apenas a ameaça de um direito para conseguir a satisfação ou garantia de um direito existente – artigo 255º/3. a lei no artigo 255º/1 exclui o chamado temor reverencial . mesmo que o autor da ameaça não pretenda senão a satisfação do seu direito) c2) Ilegitimidade dos fins (ameaça de recurso às vias de direito como participação criminosa. honra ou à fazenda do declarante ou de terceiro – artigo 255º/2 A coacção moral origina a anulabilidade do negócio – artigo 256º. etc. É. Não basta o simples medo ou receio. quando lhe foram deixadas possibilidades de escolha. segundo Mota Pinto a responsabilidade pré – negocial do coactor – artigo 227º Coação exercida pelo declaratário. havendo lugar. ameaça de agressão.

O facto que lhe dá origem pode ser natural ou humano. médico que o é obrigado pelo seu código deontológico). enquanto que no dolo. Na anulabilidade começa a contar o prazo não a partir do momento em que é feita a ameaça. #  O Estado de Necessidade: situação de receio ou temor gerada por um grave perigo que determina o necessitado a celebrar um negócio para superar o perigo em que se encontra. à capacidade de resistência do tipo médio de indivíduo com as condições pessoais do declarante. deve-se atender à viabilidade da sua execução. No caso da pessoa que se aproveita conscientemente da situação de necessidade ter o dever de auxiliar o necessitado (ex.com/index.atspace. que confere à outra parte benefícios excessivos ou injustificados. 113 . sendo que quem se aproveite não provoca essa situação. estado mental ou fraqueza de carácter. alguém que tinha o dever jurídico ex. se este não poder ser invocado. Trata-se de um regime “menos apertado” que o dolo. Há aqui um aproveitar-se da situação. inexperiência . mas em relação aos vários tipos de indivíduos. Requisitos subjectivos:  a) . algo que é apreciado objectivamente. mas a partir do momento em que cessa a ameaça. ao contrário da coacção em que a situação é criada pelo coactor. ligeireza. só o prestando depois de exigir uma retribuição a que não tinha direito). b) – conhecimento da situação de inferioridade e aproveitamento consciente para dela tirar benefícios.html a) (d)Ameaça de um mal grave. Requisitos objectivos:  benefícios excessivos ou injustificados. Neste caso parte da doutrina diz que ao faze-lo ele está a contribuir para a situação de perigo prolongando-a. estará nesse caso a ameaçar daí ser considerado também coacção moral.http://apontamentosdireito. dependência. No caso de ameaça de recorrer a vias judiciais (Capelo de Sousa defende que a ameaça termina a partir da sentença da 1ª instancia). isto porque se o coagido não poder invocar a coacção não poderá invocar outro vício da vontade. desproporção manifesta entre as prestações que ultrapasse o que pode ter alguma justificação. médico.situação de necessidade.  Efeitos: o estado de necessidade deve subsumir-se ao artigo 282º onde se estatui a anulabilidade dos negócios usurários. Confronto com a coação: pode gerar confusão quando o estado de necessidade for ocasionado por um facto humano (ex. b) (e)Justificado receio da consumação do mal. ou um imperativo moral de auxilio. há sempre possibilidade de invocar o erro simples.

Bons costumes – variam com os tempos e lugares.http://apontamentosdireito. # Incapacidade acidental: o artigo 257º prevê duas modalidades: a) Incapacidade de entendimento. no interesse do disponente. correctas.html Mota Pinto defende ainda que tais negócios deverão ser nulos com fundamento em contrariedade à lei ou ofensa aos bons costumes – artigo 280º. o disponente impõe ao beneficiário a obrigação de adoptar um certo comportamento. Existem duas modalidades: condições suspensivas: à verificação da condição fica subordinada a produção dos efeitos do negócio. Noção variável ao longo dos tempos. Saber se uma condição é suspensiva ou resolutiva é um problema de interpretação do negócio jurídico.com/index. Ordem pública – conjunto de princípios fundamentais subjacentes ao sistema jurídico que o Estado e a sociedade estão interessados em que prevaleçam. b) Falta de livre exercício da vontade. de boa – fé num dado ambiente e num dado momento. de terceiro ou do próprio beneficiário – artigos 963º e 2244º. Termo resolutivo: os efeitos produzem-se desde logo. c) O modo: cláusula acidental. a confiança do declaratário. mas cessam a partir de certo tempo. ↔ 114 . Prevê-se a anulabilidade desde que se verifique um requisito: a notoriedade ou o conhecimento da perturbação psíquica. desta forma. Condições resolutivas: a verificação da condição importa a destruição dos efeitos negociais.atspace. abrangendo o conjunto de regras éticas aceites pelas pessoas honestas. b) O termo: subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação certa. Essa notoriedade é avaliada nos termos do artigo 257º/2 pelo princípio do bónus pater famílias. Elementos acidentais dos negócios jurídicos: a) A condição – artigo 270º : subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação incerta. pela qual nas doações e liberalidades testamentárias. tutelando-se. Existem duas modalidades: termo suspensivo: neste caso fica subordinada a própria produção dos efeitos do negócio jurídico nos termos do 278º.

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