Direito econômico - aulas e resumo

DIREITO ECONÔMICO AULA – 11/02/2011 A RELAÇÃO ENTRE DIREITO E ECONOMIA Atualmente o direito econômico tem sido utilizado para

designar a ciência que estuda, explica e regula a produção, o consumo e a distribuição de bens e serviços. Logo, podemos dizer que as atividades econômicas são nitidamente humanas e buscam satisfazer as necessidades materiais da sociedade e dos indivíduos que a compõem. • • Não existe produtor se não houver consumidor e vice-versa. A economia procura equacionar os recursos e trabalha no campo da escassez

AULA – 18/02/2011 ESTUDO DA ECONOMIA PRODUÇÃO CONSUMO P – C = DISTRIBUIÇÃO • • O direito vai resolver o conflito de interesses entre produção e consumo; O que a economia estuda é a satisfação (subjetivo);

Mais lucro P C Utilidade

D Empresário art. 966, CC RELAÇÃO DA ECONOMIA COM OUTROS CAMPOS DO CONHECIMENTO:

A economia debruça o seu olhar sobre um objeto rico cujas relações interdisciplinares vão abranger: 1. A filosofia; 2. A sociologia; 3. A política e o 4. Direito. Adam Smith, Karl Marx (filosofia); Comportamento humano (psicologia); 1

assim como a sua repercussão política: Desta maneira estudaremos os três pólos diferentes de produção e consumo: 1. 3. A macroeconomia. A diferença entre uma e outra é primordialmente uma questão de enfoque.Estudo psicológico de como convencer o consumidor a comprar. AULA 25/02/2011 MICROECONOMIA E MACROECONOMIA Divisão da economia em duas grandes áreas de estudo: • • Microeconomia e Macroeconomia A economia possui duas áreas principais de concentração de seu estudo: são elas. ou teoria dos preços analisa como a empresa e o consumidor interagem e decidem qual o preço e a quantidade de determinado bem ou serviço em mercados específicos. 2. a microeconomia e a macroeconomia. automóveis) e de fatores de produção (salários. em regra. alugueis. torna-se necessário dividir o estudo econômico. setorizada. Na microeconomia o direito estabelece relações privadas que. lucros) em mercados específicos. A atividade econômica de toda uma sociedade como produtora e/ou consumidora de bens e serviços. Macroeconomia. taxa de câmbio. regionalizada. o preço obtido pela interação do conjunto de consumidores com o conjunto de empresas que fabricam um dado bem ou serviço. O direito econômico cuida das políticas de mercado como um todo. 2 . isto é. Pois a microeconomia estuda o funcionamento da oferta e da demanda na formação de preço no mercado. É . taxa de juros. interessarão mais ao direito civil e ao direito empresarial. emprego e desemprego. estuda a economia como um todo. tais como: renda e produtos nacionais. Para melhor compreender o campo de intersecção do direito com a política. a consumir – marketing (psicologia). inflação. soja. de ênfase. (distribuidora) É possível encontrar que o estudo da economia terá duas áreas especiais de concentração: Microeconomia. portanto. A unidade de consumo (as famílias). A microeconomia. A unidade de produção (a empresa ou empresário). por sua vez. Essa teoria microeconômica não deve ser confundida com a economia das empresas. analisando a determinação e o comportamento de grandes agregados. A análise microeconômica preocupa-se com a formação de preços de bens e serviços (ex.

a macroeconomia estará voltada ao todo. Conceito de microeconomia: É o ramo da economia que estuda as formas com as quais as unidades individuais (empresas.Já no caso da macroeconomia. com o direito administrativo e com o direito tributário. é microeconomia. ou seja. uma relação de poder. A microeconomia estará. quando se setoriza já não se fala mais em macro. Assim. se fala em microeconomia. Direito do consumidor (macroeconomia) produtor e consumidor. consenso (acordo entre as partes). A regra básica é que as famílias escolham o que comprar visando aumentar a utilidade. consumidores e os proprietários dos fatores de produção) interagem visando a satisfação das necessidades econômicas da sociedade. portanto. todos os produtores do Brasil (microeconomia). quando se fala em redução de IPI para veículos. as relações serão mais pertinentes ao direito público. (é por isso que as pessoas se sentem tão atraídas por promoção. 3 . Por exemplo. é macroeconomia. das vendas. trata-se de microeconomia. o interesse social não se choca com o interesse particular. imposição (IUS IMPERIUM). se interessa pelos agregados: produção. O Estado pode ou não ser parte. Os índices de preços. Direito público O Estado é parte necessária (pólo ativo). índices de emprego. Todos os produtores de cana do Brasil (microeconomia). e sim. em microeconomia. dos preços e do trabalho. deve-se observar os efeitos. por outro lado. equilíbrio. se o Estado entre Direito privado também haverá equilíbrio na relação. avaliando as leis econômicas incidentes sobre as atividades da sociedade como um todo. Contextualizando que o estudo da nossa disciplina será dentro do estudo da macroeconomia. portanto mais voltada ao direito privado. DIREITO ECONÔMICO é o ramo do direito público que mantém relações íntimas com o direito constitucional. pois estas aumentam a utilidade do dinheiro gerando SATISFAÇÃO) Já as empresas visam aumentar o que produzir visando maximizar os LUCROS. mas o direito de um grupo de consumidores. Desse modo. caso seja para apenas uma parte. Desta maneira estuda como os consumidores tomam decisões de compra e de que forma sua sescolhas são influenciadas pela variação de preços das vendas. Conceito de macroeconomia: Estuda o funcionamento da economia como um todo (100%). interesse social X interesse particular – prevalece. renda e consumo. Se for para todo mundo (100%). o interesse social. índices de capacitação profissional. ao procurar mensurar o volume total da produção.

Com o avanço do mercantilismo. tendo como finalidade. no sentido de limitar e cercear os direitos e liberdades individuais. difuso e coletivo. O direito público é o que disciplina as relações jurídicas de cunho transindividual. O direito econômico .normatização das relações dos detentores dos fatores de produção com o Estado . o estudo. CF) ? DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO O direito privado é aquele que regula as relações jurídicas entre membros da sociedade civil. detentores dos fatores de produção. nos limites estabelecidos para a intervenção do Estado na Ordem Econômica. que acreditavam. tão somente. tendo como marcos históricos a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais. originalmente. a disputa por mercados econômicos bem como o exercício abusivo das liberdades e direitos individuais levaram à derrocada do modelo liberal econômico. O mercantilismo foi o marco inicial para o Estado Liberal que caracterizava-se pela primazia da liberdade individual nas relações jurídicas. 4 . Todavia. focando-se nos interesses público. cuidando dos interesses individuais de forma reflexa. constituição ou execução de relações interindividuais. tendo em vista o interesse particular dos indivíduos ou a ordem privada. Tem por objeto de estudo a manifestação de vontade humana individual e as conseqüências jurídicas oriundas destas. isto é. atuando. no que tange à declaração. para disciplinar o uso racional dos fatores de produção com a finalidade de regular a Ordem Econômica.situa-se no direito público. os fisiocratas passaram a interessar-se por outros fatores de produção. os interesses sociais e estatais. que todo fator de produção se originava na terra e seu cultivo. intermediando e compondo o ajuste de interesses entre os detentores do poder econômico privado e os entes públicos. DIREITO ECONÔMICO – CONCEITO: Ramo do Direito Público que disciplina a condução da vida econômica da Nação. CONCEITO SUBJETIVO: O ramo jurídico que disciplina a concentração ou coletivização dos bens de produção e a organização da economia. fatos que motivaram o Estado a repensar o seu papel diante da Ordem Econômica interna e internacional.Qual a importância da Constituição para o Direito? Por que o direito econômico precisa ser tratado pela Constituição (art. sejam pessoas naturais ou jurídicas. o disciplinamento e a harmonização das relações jurídicas entre os entes públicos e os agentes privados. inclusive. 170 e SS. DIREITO ECONÔMICO O estudo da economia foi estabelecido como ciência pelos fisiocratas. CONCEITO OBJETIVO: O conjunto normativo que rege as medidas de política econômica concebidas pelo Estado.

integrando-os em um ciclo econômico. Destarte. produtores) e sua interação com o 5 . definindo juridicamente o sistema e o regime econômico a serem adotados pelo Estado. 3º da CF/88. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I . II .promover o bem de todos. uma vez que estabelece o regime das relações ou equilíbrio de poderes entre o Estado e os detentores dos fatores de produção. Essa interferência do Poder Público na vida econômica da Nação somente se justifica quando visa alcançar fins maiores de interesse coletivo. tão somente. a INTERFERÊNCIA DO PODER PÚBLICO. baseada nas unidades individuais da economia (liberdade individual nas relações jurídico-econômicas). raça.construir uma sociedade livre. justa e solidária. sem preconceitos de origem. IV . Estuda. podemos identificar que estes objetivos são efetuados por parte do Poder Público norteando os agentes econômicos. em cada agente econômico. na economia da Nação somente se JUSTIFICA quando OBJETIVAR a persecução de INTERESSES SOCIAIS maiores. principalmente o atendimento das necessidades da população. Art. b) A CONDUÇÃO. Por óbvio. sexo. focando-se. cor. idade e quaisquer outras formas de discriminação RELAÇÃO DO DIREITO ECONÔMICO COM A ECONOMIA Economia é a ciência que estuda a forma pela qual os indivíduos e a sociedade interagem com os fatores de produção. uma vez que a República do Brasil adota a livre-iniciativa como princípio fundamental e valor da ordem econômica.OBJETIVOS DO DIREITO ECONÔMICO Partindo do conceito podemos identificar que o direito econômico é o sistema de normas ou a disciplina jurídica que objetiva: a) A ORGANIZAÇÃO da economia. o comportamento dos agentes econômicos individuais (consumidores. tais como os objetivos fundamentais positivados nos incisos do art. ou controle superior da economia pelo Estado. c) O DISCIPLINAMENTO dos centros de decisão econômica não estatais. Trata os fenômenos relativos à PRODUÇÃO.garantir o desenvolvimento nacional. MICROECONOMIA é a teoria clássica econômica. III . portanto.erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. enquadrando macroeconomicamente a atividade e as relações inerentes à vida econômica. DISTRIBUIÇÃO E CONSUMO de bens.

que exerciam seus direitos individuais de forma irrestrita. do “Espírito das leis” de Aristóteles (1748). resultam na satisfação dos interesses coletivos da sociedade. taxa de juros e balanço de pagamentos.) Os negócios jurídicos realizados no mercado. em interesse individual próprio. 1 6 . Contudo. que caracterizase pela plena garantia das liberdades individuais. como a história não dá saltos. na Inglaterra em 1215. Evolução histórica da ordem econômica internacional. que reunia todos os poderes na mão do rei. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO DIREITO ECONÔMICO 1. dado os seu caráter individualista. nível de emprego. Estuda o funcionamento do sistema econômico com um todo. tão somente. O DIREITO ECONÔMICO interessa-se pelos fenômenos MACROECONÔMICOS. nível geral de preços. o declínio absolutista consolidou-se ideologicamente com a teoria da separação dos poderes desenvolvida por Montesquieu. bem como na manutenção da Ordem Externa. observa-se que os fenômenos microeconômicos. O declínio ideológico do Absolutismo se deu com a necessidade da sociedade em estabelecer direitos e garantias individuais que protegessem os súditos dos abusos perpetrados pelo Soberano. especialmente. O Estado Absolutista deu lugar ao Estado Liberal no século XIX. cuja concentração de força impedia o desenvolvimento de qualquer teoria que objetivasse o reconhecimento aos súditos direitos em oposição às ordens do monarca. com a condução da política econômica. que com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão marcou a origem dos direitos de 1ª geração – direitos individuais. alcançar e realizar os interesses coletivos e transindividuais objetivados pelo Estado. tão somente.mercado. Por conseguinte. Como marco histórico. Essa clássica doutrina é fortemente permeada no pensamento de Adam Smith e a teoria da mão invisível1.. (. na garantia da segurança pública interna. focando seus esforços. tem-se a Constituição do Rei João Sem-Terra. focando seu estudo nas relações jurídicas oriundas da intervenção do estado no controle e condução da utilização racional dos fatores de produção por parte de seus detentores. O Estado deixava a condução dos negócios jurídicos ao livre-arbítrio das partes interessadas. culminando com a Revolução Francesa (1789).. em condições perfeitas de competição. as variações do produto. são disciplinadas juridicamente por outros ramos oriundos do Direito Privado. mesmo que os agentes ajam. A evolução histórica do pensamento econômico tem como ponto de partida o declínio do Estado Absolutista. que trouxe o princípio da legalidade limitando a atuação do Estado no campo tributário. MACROECONOMIA ou economia política é a moderna teoria econômica que teve origem no processo de intervenção do Estado na economia com o foco no funcionamento do fenômeno econômico em caráter coletivo. Assim o direito econômico visa.

Surge o intervencionismo estatal cuja característica era a forte interferência do Poder Público na Ordem Econômica. bem como por conflitos bélicos em escala mundial. as imperfeições do Regime Liberal Clássico não tardaram a aparecer. tais como o direito do trabalhador e o direito à seguridade social. Outrossim. Adotou-se diferentes formas e aspectos intervencionistas. houve a crise do liberalismo. Assim. uma vez que gerou práticas abusivas prejudicando e eliminando a livre-concorrência necessária à manutenção saudável dos mercados. tendo caráter nitidamente coletivo e transindividual (meio ambiente. se alcançasse os interesses coletivos. O agravamento da questão social interna. Na América do Norte. Todavia. para que através da competição equilibrada entre os agentes. caracterizada por sucessivas depressões econômicas. 7 . é mitigada pelo direcionismo estatal. O exercício indiscriminado dos direitos e liberdades individuais sem um aparato jurídico que lhe impusesse limites preestabelecidos. cada qual influenciado pelo ideário político da corrente partidária que se encontrava no poder. teve conseqüências nefastas para a sociedade. com a derrocada do modelo Liberal. presencia-se então o surgimento do Estado Intervencionista e o nascimento das primeiras normas de caráter jurídico-econômico. isto é. fim do século XIX. desequilíbrios internacionais acirramento das desigualdades sociais. nas quais a autonomia de vontade das partes na atividade econômica. defesa da concorrência) 2 Aquecimento das relações comerciais e aparecimento de novos fatores de produção (capital). o que deu sustentação ao surgimento do Estado Liberal foi o mercantilismo2 e a ascensão da classe burguesa. gerando lutas de classes e injustiças sociais. presencia-se o aparecimento dos primeiros blocos econômicos internacionais e o nascimento dos direitos de 3ª geração – que são os direitos cuja titularidade pertence a toda sociedade. os direitos de cunho social. CONCENTROU DEMASIADAMENTE OS FATORES DE PRODUÇÃO E RIQUEZAS NAS MÃOS DE POUCOS. Destarte. sob duas vertentes dominantes: O Estado Socialista e o Estado do Bem-Estar social (democracias ocidentais após a 2ª Grande Guerra ). defesa do consumidor. houve a ascensão de uma nova forma de posicionamento do Poder Público em face da Ordem Econômica e dos Mercados. Isso porque o funcionamento desse pressupunha uma certa igualdade e um ambiente concorrencialmente perfeito. dando origem à ciência econômica e sua teoria clássica da microeconomia. nasce as primeiras leis de intervenção no mercado (Antitruste). no campo interno. sobrepondo os interesses coletivos e transindividuais aos interesses individuais. Como tais pressupostos nunca foram efetivados. uma vez que. Na campo externo acirrou as disputas por mercados econômicos que culminou na 1ª guerra mundial e se desdobrou na 2ª Grande Guerra. a concentração de riquezas e dos fatores de produção nas mãos de poucos se mostrou lesiva ao mercado econômico. após tudo isso. fez surgir os direitos de 2ª geração. Em decorrência desses fatos acima.Economicamente.

Não atendia com eficiência à demanda dos cidadãos. paternalista e incompetente. O Estado passa a atuar como agente regulador da atividade econômica e apresenta-se como a forma de posicionamento econômico estatal adotado em decorrência da crise gerada pelo fracasso da experiência liberal. agora. abandonar a necessidade de sociabilidade dos bens essenciais a fim de se GARANTIR A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA bem como os ditames de justiça social. Outrossim. também chamado de Estado Neoliberal. 8 . o progresso e a transformação social. Esse novo direcionamento do Estado.O modelo socialista caracterizou pela absorção total d atividade econômica por parte do Estado. de forma eficaz. sem. pela presença do Estado. Isso porque o Estado Interventor se mostrou ineficiente. Levando o cidadão a achar-se no direito de ficar no ócio e clamar do Poder Público (Estado-pai) a resposta de todo e qualquer anseio da sociedade. Assim. ou como preferem alguns. na qualidade de agente normatizador e regulador de sua Ordem Econômica. que se desenvolveu à iniciativa particular as atividades que estavam sendo insatisfatoriamente prestadas pela máquina estatal. Enquanto no modelo social. No que tange a sua relação com os indivíduos. gerando déficit público. cedeu lugar ao Estado Neoliberal. à LIVRE-INICIATIVA e à DEFESA DO MERCADO. fato que contribuía. permeados e aliados. desviar a atenção do poder público da contextualização social focando seus esforços nas atividades coletivas essenciais. em virtude do superdimensionamento da máquina estatal. para prover os notadamente hipossuficientes nas suas necessidades básicas. em demasia. além de ser responsável por vultosos endividamentos e déficits nas contas públicas. que volta a basear-se na livre iniciativa e na liberdade de mercado. Consiste numa nova concepção para a presença do Estado na economia. bem como pela inoperância do Estado Socialista cuja experiência histórica mostrou igualmente mal sucedida. Estado Regulador. a intervenção na atividade econômica apresenta-se mais moderada. agora como ente garantidor e regulador da atividade econômica. revelou-se igualmente pernicioso. agora. as políticas publicas concebidas para efetivação dos ditames de justiça social apresentavam-se de cunho muito mais demagogo. contudo. permeado. que tem com objetivo garantir que sejam efetivadas políticas de caráter assistencialistas na sociedade. bem como nas privatizações das atividades econômicas e redução sistemática dos encargos sociais. O Estado intervencionista. para o processo de ócio coletivo. A iniciativa privada volta à cena como protagonista da sociedade dando-se um retorno controlado ao ideário Liberal. tem por fim garantir o equilíbrio das contas públicas. busca-se com esse modelo um retorno comedido aos ideais do liberalismo. do que social. no intuito de reduzir o tamanho da máquina burocrática. todavia. sem. foi a partir do descrédito no potencial empresário e provedor do Estado como instrumento para atingir. Destarte. pelo superdimensionamento da área de atuação estatal pregado pelo Estado Social.

: Durante esse período de intervenção contundente não devemos falar da existência do interesse econômico. ao determinar as atividades econômicas que deveriam ser empreendidas. surgindo como um ramo jurídico concebido para disciplinar as diversas formas de interferência estatal no processo de geração rendas e riquezas da Nação. AULA DIA 11/03/2011 e dia 25/03/2011 CONSTITUIÇÃO DO ESTADO (DIREITO) (FICÇÃO LEGAL) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO Toda pessoa jurídica é uma ficção legal e a lei dá atributos a uma pessoa jurídica. Desde a idade antiga até a idade contemporânea. pois é da produção de riquezas que o Estado arrecada recursos para os cofres públicos. OBS. quando o direito econômico surge. Desta maneira. limitado e delineado pelas formas estabelecidas na própria Lei Maior para legitimar a intervenção do Estado no domínio privado econômico. na medida em que pode mudar o governante. Deixava a condução dos negócios jurídicos ao livre-arbítrio das 9 . após a Revolução Francesa. fixando a política cambiária. regulando-as. o que a Constituição interfere sobre a economia? Dá segurança. Com o passar dos anos o Direito econômico se modifica e passa a interferir mais sistematicamente sobre as atividades econômicas.O DIREITO ECONÔMICO é fruto de todas essas mudanças socioeconômicas ao longo do século XX. Anotações: O Estado de Direito é aquele que cria normas para a sociedade e se pauta por aquilo que é permitido pela ordem jurídica. CONCEITO DE ORDEM ECONÔMICA É o tratamento jurídico disciplinado pela Constituição para a condução da vida econômica da Nação. procurando adequar a produção de riquezas ao interesse do estado. a quase completa ausência de interferência). caracterizava-se como um ramo apto a sistematizar as normas que vão disciplinar a intervenção do Estado na economia (neste caso. criando monopólio e lançando mão de outras formas de atuação. Intervenção: Direta: produtos Indireta: regulador O interesse coletivo é questão de segurança. Quando o direito econômico surge. só podemos falar em direito econômico após a Revolução Francesa quando se consolidam o constitucionalismo e conseqüente ligação dos Estados de Direito. permitindo a concretização de seus fins. Ao longo da história o Estado sempre manteve uma atividade de intervenção no domínio econômico. Nesse sentido. dentro do modelo liberal. o Estado se fez presente no domínio econômico. o Estado não interferia na economia. Pois as relações estabelecidas entre o Estado e as atividades produtivas eram baseadas na imposição do poder dos governantes: Dessa forma. mas todos os que entrarem e assumirem o País deveram se pautar nas diretrizes constitucionais. geralmente agressivas.

Diante dessas observações. mas pautada sob os limites da Constituição Federal) A CONDUÇÃO. neoliberal. tornando-o uma ferramenta de combate às desigualdades sociais. Portanto. b) A CONDUÇÃO. na tentativa de se buscar o equilíbrio dos poderes dos agentes econômicos alem de limitar a própria atuação do Estado. Ex: capitalista.partes interessadas. Estabelece o regime das relações ou equilíbrio de poderes entre o Estado e os detentores dos fatores de produção. ESTABILIDADE ECONÔMICA. 2. interesses sociais maiores e coletivos. 3. O excesso de liberdade conferido pelo Estado aos agentes econômicos surtiu um efeito indesejado. Tornando o pobre cada vez mais pobre e o rico cada vez mais abastardo. no caso do Brasil. etc. OBJETIVOS PRINCIPAIS DA POLÍTICA ECONÔMICA 1. bem como na manutenção da ordem externa. 10 . Assim. observa-se que a política econômica não limita-se tão somente ao plano interno. Ex. na garantia da segurança pública interna. Definitivamente. A organização da economia pressupõe a condução de um determinado sujeito. com um conjunto de medidas desenvolvidas pelo governo para buscar ajustar a atividade econômica aos fins estabelecidos pela norma. a escravidão. socialista. ou controle superior da economia pelo Estado. a idéia de liberdade se tornou. os meios para realização de tais objetivos. portanto. esta condução é feita pelo Estado. revelando-se como uma forma cruel de alargamento das abismos entre as classes sociais. A realização dos objetivos do direito econômico depende. o Estado precisava reformular o Direito Econômico. ao passo que estabelece limites para a interferência do Estado na esfera econômica. tão somente. A ORGANIZAÇÃO da economia. Sendo assim. ou controle superior da economia pelo Estado. do ponto de vista econômico. podemos entender a POLÍTICA ECONÔMICA como um conjunto de decisões relativas aos objetivos que um país ou um grupo de países (MERCOSUL. JUSTIÇA ECONÔMICA. Diz respeito ao sistema e ao regime econômico a serem adotados. aos mais pobres. PROGRESSO ECONÔMICO. na prática. O Estado. c) O DISCIPLINAMENTO dos centros de decisão econômica não estatais. podemos entender como objetivos principais do Direito Econômico: a) A ORGANIZAÇÃO da economia. assim como. tais decisões acerca de política econômica se dão tanto no cenário interno quanto externo. Logo. ALCA) se propõem a atingir no domínio econômico. ela estende-se também ao plano externo na persecução de objetivos econômicos comuns. da instituição e do desenvolvimento de uma política econômica estatal. por sua vez. focava seus negócios. A Bolsa Ed Valores (conduzida por particulares.

Nem sempre significa uma coisa boa. a livre iniciativa do empresariado. Para que se tenha progresso é necessário ter justiça econômica. Privado. AULA 01/04/2011 MODELOS ESTATAIS 1789 ABSOLUTISTA (nobres) LIBERAL (produtores) SOCIAL (consumidores /trabalhadores) NEOLIBERAL (1º a operar com um meio termo entre consumidores e produtores) - . o Estado deve se preocupar com o desenvolvimento da industrialização e em políticas compensatórias para os menos favorecidos. 3. Está relacionado com a manutenção do poder aquisitivo.Constituições de Estados de Direito Público/Privado. . Púbico.4. .sem limites. . ou seja.D. Sendo assim. Tentativa equacionar desigualdades. ter a capacidade de tomar decisões quanto ao uso dos recursos com o mínimo de interferência do Poder Público. tentando evitar ou extinguir uma desigualdade extrema. 2. de 11 .direito do rei. LIBERDADE ECONÔMICA. . dentro de certos limites. JUSTIÇA ECONÔMICA: Se estabelece a partir da preocupação com a distribuição de renda e a desigualdade que possa ser provocada pelo mercado. 1. propriedade privada. PROGRESSO ECONÔMICO: Significa capacidade de ampliar a atividade produtiva do país.D. LIBERDADE ECONÔMICA: Através da qual o Estado terá que promover condições que permitam. 4. tendo em vista a manutenção do poder de compra da moeda e o conseqüente controle da inflação diante dos efeitos perversos da economia incidentes sobre a distribuição de renda e o déficit público. ESTABILIDADE ECONÔMICA: Refere-se ao ideal de eliminar as flutuações entre os níveis de renda e emprego.

Público passa a incidir sobre vários aspectos da vida privada. Anotações: O povo estava cansado do Poder do Monarca. houve uma concentração de poder nas mãos dos burgueses. O Estado não deve se interferir no Direito econômico. Foram os burgueses que financiaram a queda do absolutismo. LIBERAL: Propriedade privada. pois os interesses da coletividade seriam supostamente realizados de forma espontânea através do livre juro de mercado. b) Predomina a autonomia da vontade privada na esfera econômica. Foi dada muita força a quem já tinha bastante. O excesso de liberdade dada pelo liberalismo econômico não funcionou. o D. Por isso. admite a propriedade privada. b) Criação de um sistema de normas voltadas para a intervenção social e econômica do Estado. ou seja. O Estado deixava a economia ser conduzida pela mão invisível. tira-se o absolutismo do Poder e nasce o Estado Liberal. Para os liberais Direito Público não pode intervir na esfera privada na atividade econômica. Constituição. O modelo de Estado Social é um produto da crise do Estado Liberal e sofre as influências dos ideais socialistas. 12 . mas de forma fragilizada. tentando minimizar as desigualdades sociais e econômicas provocadas pela concentração das seguintes perspectivas: a) Relativização da dicotomia entre Direito Público e Direito Privado. a ordem jurídica sobre as atividades econômicas só se daria no âmbito do Direito Privado. não havia leis para condução e interferência na economia ESTADO SOCIAL: O modelo de Estado Social é marcado pela oposição ao sistema anterior. no final do século XVIII após a Revolução Francesa. não interfere na economia do Estado. Divisão do Direito. O Direito Econômico surge no Estado Liberal. Modelo de Estado Liberal é o tipo de modelo interventivo utilizado na Europa por desencadear da crise do absolutismo.ESTADO LIBERAL: Modelo de intervenção liberal tem como postulados principais: a) Separação absoluta entre Direito Público e Direito privado. Neste contexto. dentro dos Estados que não adotam o padrão marxista de administração pública. criando regras que disciplinam a atividade econômica e procuram gerar um campo próspero para o desenvolvimento social.

5 Defesa do consumidor e do meio ambiente. não foi forçado). dumping. a regulamentação da concorrência consiste em evitar a prática de monopólio. são estas as crises do capitalismo liberal. A concorrência é a atividade de competição. podemos afirmar que a intervenção do Estado na economia contemporaneamente dá-se em função dos seguintes aspectos: 1 Regulamentação jurídica da concorrência. cartel. 3. 4 Concentração de empresas. 3 Política econômica. Podemos identificar dois aspectos essenciais nesse tipo de intervenção: a) Diminuição do aparato administrativo do Estado com a privatização dos serviços públicos que possam ser tarifados. Portanto. 2. mas especificamente o modelo neoliberal. deve ser resolvida pelo neoliberalismo. altos níveis de desemprego. Uma estrutura estatal muito grande. As desigualdades sociais. O Estado. media a concorrência. AULA 08/04/2011 Observando os últimos modelos de Estado. pois não tem com eliminá-la. Crises do capitalismo liberal. 177 e do monopólio natural (acontece naturalmente. embora restrinja o seu campo de atuação. diminuindo o seu aparato administrativo de prestação de serviços públicos ao focalizar na intervenção do Estado no exercício do poder regulador.ESTADO NEOLIBERAL: O modelo de intervenção neoliberal não nega a interferência do Estado na economia. por exemplo. procurando fazer com que não haja monopólios. os produtores mais fortes terão mais força para retirar os produtores mais fracos do mercado. de disputa na qual os produtores disputam uma fatia do mercado. obs: Trata-se mais de uma questão de política do que de economia. 2 Crises do capitalismo liberal nos Estados Sociais. Política econômica: 13 . então. Acontece que. b) Criação de instituições voltadas para a regulação das atividades públicas transferidas para o setor privado (agências reguladoras). Só havendo monopólio nos casos do art. O modelo de Estado neoliberal representa uma espécie de meio termo entre os dois modelos anteriores e surge como resposta ao alto endividamento e cargas tributárias gerado pelo modelo de intervenção social ao desincentivar a produção. em regra. 1 Regulamentação jurídica da concorrência.

Concentração de empresas O efeito negativo da concentração empresarial caracteriza-se pela ocorrência do denominado "trust". ou constituem novo grupo econômico. A mesma intervenção ocorre com o meio ambiente uma vez que os problemas só surgem por causa da produção. Política Agrícola crescimento. pela imposição de preços arbitrários. automaticamente. estão correlacionadas com os 5 aspectos mencionados acima. dentre outros. não construir da maneira ou com querem. ao se constatar que “a mão invisível do mercado” não é capaz de promover o bem-estar social. o disciplinamento da Ordem Econômica se dá entre os arts. ou ainda. posto que ao se deixar que o mercado se autoconduza. Devem respeitar a ordem o governo dirá quais as áreas em que ele vai incentivar o 14 . é que o Estado deve defender os pólos mais fracos da relação econômica. Na Constituição Federal de 1988. 170 a 181 que estabelecem os princípios gerais da atividade econômica. o disciplinamento da Ordem Econômica se inicia com a Constituição de 1934 que dedica um capítulo especial a essa matéria. pois os consumidores são considerados hipossuficientes quando na relação com as empresas. As razões que motivam a intervenção do Estado na economia. que consiste na concentração de empresas visando a dominação do mercado através da eliminação da concorrência. as diretrizes básicas para as políticas: urbana. conduzindo a economia. motiva e incentiva o aprofundamento do abismo social e econômico entre os detentores do capital e os detentores da força de trabalho. nas fusões e incorporações). Numa analogia crua seria o mesmo que dizer que esta “mão invisível” acaba por proteger o mais forte em detrimento do mais fraco. que continua sendo prestigiada nas Constituições seguintes. Defesa do consumidor O Estado precisa intervir nas relações de consumo. a justiça e a liberdade econômica que irão orientar as políticas econômicas de cada lugar de acordo com as características de consumo de cada um. as de reforma agrária e para manutenção do sistema financeiro.O Estado precisa se preocupar o progresso econômico. uma vez que eles acabam. por si só. geralmente envolve situações em que no mínimo um dos agentes perde sua autonomia (por exemplo. Anotação Conforme a teoria da “mão invisível” não há necessidade de interferência do Estado. quando uma empresa adquire o ativo ou parcela do patrimônio da outra. atualmente. fundiária. dar-se-á mais poder para que ele se sobressaia ainda mais. bem como. agrícola. 4. a estabilidade econômica. Por tal motivo. Pelo contrário. conseqüentemente. No Brasil. e. 5. Política Urbana social.

Significa a liberdade de entrar. Todavia.Política Fundiária e Reforma agrária quando se fala em reforma agrária se fala também em reforma econômica e não em social (. sem interferências externas. no qual o ser humano atua. Os valores sociais do trabalho são um dos fundamentos da República. mediante uma série de condutas positivas na Ordem Social Livre-iniciativa Significa dizer que o Estado não deve restringir o exercício da atividade econômica. por si só. o Estado deve intervir para regulá-lo. o Estado deve atuar de maneira a garantir que o produto do labor do homem. o governo acaba.) Desse modo. com o produto da remuneração do seu labor. Para tanto. Este é o perfil do Estado neoliberal. não há mais espaço para o excesso de liberdade do liberalismo clássico. Contudo. posto que o Estado atua como agente normativo e regulador de sua Ordem econômica. porém de forma bastante mitigada. Os PILARES E ALICERCES QUE SUSTENTAM A ORDEM ECONÔMICA DO BRASIL (ART.. uma gama de direitos sociais. Desse modo. resolveu-se dar atenção aos dois lados.. mantendo-se o equilíbrio de mercado. o mercado se autorregulará 15 . Diferentemente do Estado Liberal e do Estado Social que valorizavam um só lado. a fim de garantir que todos tenham acesso e condições dignas de emprego. A preocupação do Estado é ver que a economia não é só consumidor e nem só produtor. incentivando a utilização econômica e social da terra.170) Valorização do trabalho humano e a Livre-iniciativa... de forma sensata e adequada. tão somente.) terras improdutivas (. salvo nos casos em que se fizer necessário para fins de proteção ao consumidor e de toda sociedade. lhe garanta o acesso (compra) a todos os bens de consumos essenciais para se viver dignamente na sociedade. Valorização do trabalho humano Significa dizer que o Poder Público deve garantir que o homem possa sobreviver dignamente. Trata-se de se primar pela proteção ao fator de produção mão de obra. por reflexo. e sem interferências externas. a finalidade é econômica com resultados sociais. Uma vez que trabalho é fator de produção. com base no princípio da subsidiariedade. permanecer e sair do mercado. Nos nichos de nossa economia onde não se fizer necessária a interferência estatal. A livre-iniciativa é corolário do liberalismo econômico de Adam Smith. garantido-lhe para tanto. a intervenção estatal somente se fará presente onde for necessária.

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