Tecnologia De: Produtos Florestais
Tecnologia De: Produtos Florestais
TECNOLOGIA DE
PRODUTOS FLORESTAIS
pesquisas e desenvolvimento
editora
científica digital
1ª EDIÇÃO
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2022 - GUARUJÁ - SP
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Internacional (CC BY-NC-ND 4.0).
T255 Tecnologia de produtos florestais: pesquisas e desenvolvimento / Raquel Marchesan (Organizadora), Vanessa Coelho Almeida
(Organizadora), Morgana Cristina França (Organizadora). – Guarujá-SP: Científica Digital, 2022.
Outro organizador: Pedro Lício Loiola
E-BOOK
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Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5360-232-8
DOI 10.37885/978-65-5360-232-8
1. Engenharia Florestal. I. Marchesan, Raquel (Organizadora). II. Almeida, Vanessa Coelho (Organizadora). III. França,
Morgana Cristina (Organizadora). IV. Título.
2022
CDD 634.928
Índice para catálogo sistemático: I. Engenharia Florestal
Elaborado por Janaina Ramos – CRB-8/9166
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Esta obra constitui-se de uma coletânea de trabalhos voltados para pesquisas
APRESENTAÇÃO
Raquel Marchesan
Vanessa Coelho Almeida
Morgana Cristina França
Pedro Lício Loiola
SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
Avaliação tecnológica da madeira e do carvão vegetal de Myracrodruon urundeuva Fr. All.
Renata Carvalho da Silva; Wendel Marciano Freitas Lima dos Santos; Raquel Marchesan; Karolayne Ferreira Saraiva; Vanessa
Coelho Almeida; Carla Jovania Gomes Colares; José Fernando Pereira; Priscila Bezerra de Souza; Fernando Augusto Ferraz; Dimas
Agostinho da Silva
' 10.37885/221010435.......................................................................................................................................................................... 11
CAPÍTULO 02
Anatomia e condutividade hidráulica da madeira de Nectandra oppositifolia (Lauraceae): subsídios para o manejo
silvicultural
João Carlos Ferreira de Melo Júnior; Gustavo Borba de Oliveira; Bruna Brodbeck; Heloisa Fagundes Salvador; Deivid Correia
' 10.37885/221010487.......................................................................................................................................................................... 28
CAPÍTULO 03
Efeito da idade na qualidade energética da madeira e do carvão vegetal em clone de Eucalyptus sp.
Renata Carvalho da Silva; Amanda Martins Cardoso; Raquel Marchesan; Karolayne Ferreira Saraiva; Guilherme Miranda Fernandes Reis;
Wagner Ferreira Coelho de Oliveira; Pedro Lício Loiola; Fernando Augusto Ferraz; Priscila Bezerra de Souza; Dimas Agostinho da Silva
' 10.37885/221010689.......................................................................................................................................................................... 44
CAPÍTULO 04
Maderas tropicales de la Amazonía suroriental del Perú y su identificación anatómica macroscópica
Leif Armando Portal-Cahuana
' 10.37885/220909915......................................................................................................................................................................... 59
CAPÍTULO 05
Avaliação dos índices de qualidade energética do fuste e do galho do clone de Eucalyptus spp.
Renata Carvalho da Silva; Raquel Marchesan; Valéria Cardoso Lopes; Bruna Karollyne Santana Gomes; Thatiele Pereira
Eufrazio; Sergisclei Ferreira Alvarez; Bruno Souza Rodrigues; Júlia Gabriela do Nascimento Mendes; Karolayne Ferreira Saraiva;
Bruno Barros Farias
' 10.37885/221010666......................................................................................................................................................................... 69
CAPÍTULO 06
Avaliação da qualidade energética do carvão vegetal de três espécies do cerrado Sensu stricto
Sorane Moraes de Souza; Renata Carvalho da Silva; Raquel Marchesan; Thatiele Pereira Eufrazio; Karolayne Ferreira Saraiva; Júlia
Gabriela do Nascimento Mendes; Michelle Pereira de Menezes; Bruna Karollyne Santana Gomes; Carla Jovania Gomes Colares;
Priscila Bezerra de Souza
' 10.37885/220910323......................................................................................................................................................................... 82
SUMÁRIO
CAPÍTULO 07
Diospyros hispida, Xylopia aromatica e Mouriri pusa como alternativa bioenergética na região Sul do Tocantins
Renata Carvalho da Silva; Kerolla Morgana Oliveira Cunha; Raquel Marchesan; Sorane Moraes de Sousa; Manoel Moraes da Silva
Neto; Guilherme Miranda Fernandes Reis; Karolayne Ferreira Saraiva; Carla Jovania Gomes Colares; Vanessa Coelho Almeida;
Morgana Cristina França
' 10.37885/221010685.......................................................................................................................................................................... 96
CAPÍTULO 08
Resíduos florestais de área de substituição de uso do solo como alternativa bioenergética
Renata Carvalho da Silva; Matheus Ximenes Leão Vieira; Raquel Marchesan; Karolayne Ferreira Saraiva; Guilherme Henrique Carvalho
Vieira; Thatiele Pereira Eufrazio; Wagner Ferreira Coelho de Oliveira; Carla Jovania Gomes Colares; Priscila Bezerra de Souza; Dimas
Agostinho da Silva
'10.37885/221010435
RESUMO
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o desempenho energético, tais como densidade básica, teor de materiais voláteis, carbono
fixo, cinzas e poder calorífico superior (SANTOS et al., 2016).
A Myracrodruon urundeuva Fr. All. (aroeira-do-sertão) é uma espécie nativa do Cerrado,
de relevante valor socioeconômico, não somente como planta medicinal ou madeireira,
mas também, como fonte de energia (lenha) nas indústrias e nas propriedades rurais
(MEDEIROS et al., 2000).
Mediante a importância do carvão vegetal e a necessidade de se estudar o potencial
energético de Myracrodruon urundeuva, o objetivo deste estudo foi caracterizar e avaliar o
potencial energético, tanto da madeira como do carvão vegetal.
MÉTODOS
Amostragem
Foram selecionadas três árvores pelo método de amostragem aleatória simples confor-
me Wastowski (2018). As toras coletadas em campo foram processadas para a confecção
de corpos de prova selecionados de forma homogênea com dimensões aproximadas de 2,0
x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento) para a produção do carvão vegetal. Para
o estudo foram realizados três tratamentos sendo dez corpos de prova para cada marcha de
carbonização (400, 500 e 600°C), respectivamente. Já, para a análise química da madeira
(teor de extrativos, teor de lignina e holocelulose) e para análise química imediata (teor de
materiais voláteis, carbono fixo e cinzas) a madeira foi transformada em palitos, posterior-
mente em partículas com granulometria que passaram na peneira de 40 mesh e ficaram
retidas na peneira de 60 mesh..
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A análise da química imediata baseou-se nas normas ASTM D 1762-84 (ASTM, 2007)
e ABNT NBR 8112/83 (ABNT, 1983), em que foram determinados os percentuais de mate-
riais voláteis (MV), carbono fixo (CF) e cinzas (CZ). O poder calorífico superior da madeira
foi estimado conforme Channiwala e Parikh (2002). A densidade energética da madeira foi
obtida seguindo a metodologia proposta por Jesus et al. (2017). O estoque de carbono da
madeira por unidade de volume foi calculado de acordo com Protásio et al. (2015).
Para a produção do carvão vegetal foram utilizados 10 corpos de prova para cada tra-
tamento de carbonização (400°C, 500°C e 600°C). Inicialmente, os corpos de prova foram
secos à temperatura ambiente até atingir a umidade de equilíbrio. Em seguida foram secos
em estufa com temperatura de 103 ± 2°C, até atingir a massa constante . As amostras foram
carbonizadas em forno elétrico tipo mufla, com controle da temperatura final programada e
adaptado para recuperar os gases condensáveis e não condensáveis.
Temperatura (°C)
Marcha T. A.°C/m T. Total
150 200 250 350 400 450 500 550 600
1 1h 1h 30m 1h 1h - - - - 5 4h30
2 1h 1h 30m 1h 30m 30m 1h - - 5 5h30
3 1h 1h 30m 1h 30m 30m 30m 30m 1h 5 6h30
Nota: T. A.: Taxa de aquecimento; T.: Tempo.
A recuperação dos gases condensáveis foi realizada através de uma adaptação ao forno
mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los em um
composto chamado licor pirolenhoso. Por meio da diferença entre o rendimento gravimé-
trico total em carvão e o rendimento total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total
em gases não condensáveis. O rendimento total em carvão vegetal é a relação percentual
entre a massa seca do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem
em balança analítica. A densidade aparente do carvão foi determinada com base a norma
da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 9156 (1985).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) em que determinou-se os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. Foram calculados o poder calorífico superior baseando-se na metodologia de Vale
et al. (2002), densidade energética, estoque de carbono fixo e rendimento da carbonização
do carvão vegetal de acordo com Protásio et al. (2015).
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Análises estatísticas dos dados
RESULTADOS
Tabela 2. Médias do teor de umidade (TU) e densidade básica (Db) da madeira Myracrodruon urundeuva.
Tabela 3. Valores médios dos teores de extrativos totais, lignina e holocelulose da madeira de Myracrodruon urundeuva.
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coeficiente de variação obtidos para os parâmetros avaliados apresentaram-se inferior a 7%
comprovando assim a homogeneidade dos dados.
Tabela 4. Valores médios de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF), cinzas (CZ), poder calorífico superior (PCS), poder
calorífico inferior (PCI), poder calorífico líquido (PCL), densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) da madeira
de Myracrodruon urundeuva.
Tabela 5. Valores totais do rendimento gravimétrico em carvão (RGTotal carvão), rendimento em gases condensáveis
(RGC) e rendimento em gases não condensáveis (RGNC) para o carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva.
Marchas de carbonização
Rendimentos da carbonização
400°C 500°C 600°C
RGTotal carvão (%) 43,96 40,72 39,67
RGC (%) 37,76 35,11 31,95
RGNC (%) 18,28 24,17 28,38
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Tabela 6. Valores médios de densidade aparente (Da), densidade energética (De), materiais voláteis (MV), carbono fixo
(CF), cinzas (CZ) e poder calorífico superior (PCS) do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva.
Marchas de carboni- Da De MV CF Cz
PCS (kcal kg-¹)
zação (kg m-³) (kcal m-³) (%) (%) (%)
400 511,10 a (10,85) 3073,57 c (12,14) 65,65 a (9,20) 32,33 c (18,56) 2,03 c (3,86) 6009,88 c (3,32)
500 489,32 a (5,37) 3479,11 b (5,27) 31,51 b (7,07) 65,41 b (2,89) 3,07 b (18,15) 7110,74 b (0,89)
600 502,27 a (9,94) 3733,05 a (9,99) 20,74 c (12,58) 75,08 a (3,30) 4,18 a (7,61) 7432,18 a (1,11)
Pr>Fc ns * * * * *
Nota: ns: não significativo. Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey – P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).
Tabela 7. Valores médios de estoque de carbono (EC), Rendimento em carbono fixo (RCF), e Rendimento energético da
carbonização (REPCS) do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva.
EC RFC REPCS
Marchas de carbonização
(kg m-³) (%) (%)
400 165,80 c (24,35) 12,16 b (19,76) 24,20 a (12,34)
500 319,99 b (5,55) 21,82 a (22,07) 27,64 a (22,38)
600 377,11 a (10,48) 24,01 a (12,92) 26,62 a (11,91)
Pr>Fc * * ns
Nota: ns: não significativo. Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste
de Tukey – P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).
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Tabela 8. Análise da correlação de Pearson entre as variáveis estudas para Myracrodruon urundeuva.
DISCUSSÃO
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de carvão vegetal devido sua degradação em baixas temperaturas, entretanto, dependendo
de sua natureza química e da degradação térmica do extrativos da madeira, a porcentagem
de extrativos poderá colaborar para o aumento do PCS e teor de carbono fixo do carvão
(PEREIRA et al., 2012).
Costa et al. (2014) determinaram o teor de extrativos de cinco espécies do bioma
Cerrado e encontram valores variando de 5,26 a 7,76 %, respectivamente. Vale et al. (2010)
avaliaram cinco espécies do Cerrado e obtiveram valores médios para o teor de extrativos
totais da madeira entre 6,14 e 8,54%. O valor médio obtido nesta pesquisa foi considerado
superior aos observados pelos autores supracitados.
O teor de lignina observado para Myracrodruon urundeuva encontra-se próximo aos
relatados em outras pesquisas com espécies nativas do Cerrado e foram considerados sa-
tisfatórios para a produção de carvão vegetal (Tabela 3). Costa et al. (2014) obtiveram um
teor de de lignina entre 19,88 a 26,87,enquanto Vale et al. (2010) relataram valores médios
variando de 25,16 a 32,21%. O carvão vegetal procedente de uma madeira com alto teor
de lignina terá um rendimento elevado (PROTÁSIO et al., 2012). Santos et al. (2016) afir-
maram que maiores percentagens de lignina na madeira proporcionam um carvão vegetal
com maior teor de carbono fixo.
O teor de holocelulose observado nesta pesquisa encontra-se próximo ao encontrado
por Costa et al. (2014) que caracterizaram as propriedades químicas da madeira de cinco
espécies do Cerrado com teores médios de holocelulose de 73,18 a 69,61%, e próximos
aos obtidos por Vale et al. (2010) que estudaram madeiras provenientes de espécies do
cerrado e encontraram teores variando de 67,69 a 74,84%. Quando a madeira é destina a
produção de carvão vegetal, altas porcentagens não são desejáveis pois a degradação da
holocelulose resulta em um menor rendimento em carvão e maiores porcentagens de gases
condensáveis e não condensáveis (SANTOS et al., 2016).
O teor de carbono fixo está diretamente relacionado ao teor de materiais voláteis,
sendo assim, madeiras que tem maior teor de materiais voláteis apresentam menor teor de
carbono fixo. Os valores encontrados nesta pesquisa seguem essa afirmativa (Tabela 4) e
foram superiores àqueles encontrados por Chaves et al. (2013) que trabalhou com clones
de Eucalyptus spp. e cujo teor médio de carbono fixo foi de 15,85%. De acordo com Silva
et al. (2015) combustíveis com maior teor de carbono fixo e menor teor de materiais voláteis
possuem propriedades energéticas melhores.
O teor de cinzas da madeira de Myracrodruon urundeuva encontra-se com valor médio
aceitável para geração de energia, pois o mesmo apresentou média inferior a 5%, respecti-
vamente (Tabela 4). Conforme Brand (2010) o teor de cinzas da madeira deve ser inferior a
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5% para uso na indústria siderúrgica. Costa et al. (2014) observaram para o teor de cinzas
da madeira de espécies do Cerrado valores médios entre 2,4 à 5,2%, respectivamente.
O poder calorífico superior na madeira da espécie avaliada foi considerado baixo (Tabela
4). Uma possível explicação para este fato é o alto teor de materiais voláteis, que acarretou
baixo carbono fixo e estas variáveis afetam diretamente o poder calorífico superior. Jesus
et al. (2017) ao trabalhar com diferentes espécies de Eucalyptus spp. encontraram valores
médios próximos ao deste trabalho variando entre 4538 e 4669 kcal kg-1. O poder calorífico
superior é a quantidade de energia liberada pela madeira durante a queima direta e por isso
é considerado umas das variáveis mais importantes na seleção de espécies destinadas a
fins energéticos (CARNEIRO et al., 2014).
Com relação a densidade energética, os valores encontrados nesta pesquisa foram
superiores ao encontrados por Jesus et al. (2017) que avaliaram madeiras de Eucalyptus
spp. no qual obtiveram valores médios entre 1400 e 1800 kcal m-3. A densidade energética
está diretamente relacionada com a densidade básica da madeira. O fato de a densidade
energética ter sido superior ao relatado na literatura pode ser explicado pela madeira de
Myracrodruon urundeuva ter sido classificada como de alta densidade, respectivamente.
Nota-se para o estoque de carbono da madeira de Myracrodruon urundeuva valor médio
inferior aos obtidos na literatura (Tabela 4). Este fato pode ser explicado pelo baixo teor de
carbono fixo obtido para madeira da espécie avaliada. Protásio et al. (2014) encontraram
valores médios para estoque de carbono da madeira de clones Eucalyptus spp. entre 506
e 230 kcal m-3, respectivamente.
O estoque de carbono da madeira Myracrodruon urundeuva foi inferior ao observado
na literatura (Tabela 4). Isto pode ser explicado pelo baixo teor de carbono fixo. Os valores
obtidos neste trabalho foram inferiores ao encontrado por Protásio et al. (2014) ao avaliar
clones de Eucalyptus spp.
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O rendimento gravimétrico do carvão vegetal da madeira da espécie avaliada nas três
temperaturas finais de carbonização estudadas apresentou valor aceitável para produção
de energia na indústria siderúrgica (Tabela 5). A normativa COPAM 217 cita que o rendi-
mento gravimétrico do carvão vegetal para uso na indústria siderúrgica deve ser superior
30% (COPAM, 2018).
Costa et al. (2014) estudaram o carvão vegetal proveniente da madeira de cinco es-
pécies do Cerrado e denotaram valores médios para o rendimento gravimétrico em carvão
vegetal entre 30,88 à 34,39%. Protásio et al. (2011) obtiveram em estudo sobre a qualidade
do carvão vegetal de Qualea parviflora espécie do Cerrado valor médio em rendimento do
carvão de 34,60%. Os valores descritos pelos autores foram próximos aos encontrados
neste estudo para as três espécies do bioma Cerrado.
Pode-se observar para rendimento em gases condensáveis e os não condensáveis
que com o aumento da temperatura final de carbonização, ocasionou decréscimo dos gases
condensáveis e um acréscimo em gases não condensáveis (Tabela 5). Uma explicação para
isto é que essas variáveis são inversamente proporcionais. Silva et al. (2020) obtiveram em
estudo realizado para determinar o efeito da temperatura final de carbonização em cinco
espécies nativas do cerrado sensu stricto rendimento em gases condensáveis entre 53,64
e 41,57% e o rendimento em gases não condensáveis variando de 23,94% a 24,01% na
marcha de carbonização de 500°C. Na marcha de carbonização de 550°C os valores médios
foram de 54,69 a 43,30% para rendimento em licor e de 24,01 a 18,74% para o rendimento
em gases não condensáveis. Os valores para rendimento em gases condensáveis e não
condensáveis foram próximos ao observado neste estudo.
Com relação a densidade aparente, pode-se observar que com o aumento da tem-
peratura final de carbonização houve um decréscimo na densidade (Tabela 6). Marchesan
et al. (2020) também observaram um decréscimo na densidade aparente do carvão com o
aumento da temperatura final de carbonização e afirmaram que este fato está relacionado
à degradação dos constituintes químicos da madeira (perda de massa), além da redução
nas dimensões do carvão, impactando na densidade aparente.
Segundo Silva et al. (2020) a qualidade do carvão vegetal depende da densidade apa-
rente do carvão. O carvão vegetal da espécie avaliada nesta pesquisa apresentou potencial
para produção de energia, pois foi considerado de média densidade aparente.
Os valores obtidos para os teores de materiais voláteis nas marchas de carbonização de
400 e 500°C não se encontram dentro da média indicada pelo Selo Premium que determina
um valor abaixo de 23,5% para material volátil. Apenas as amostras submetidas à pirolise a
600 °C foram consideradas adequadas tendo apresentado um teor médio de 20,74%. Com
o aumento da temperatura final de carbonização houve um decréscimo no teor de materiais
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voláteis (Tabela 6). Esta mesma relação foi encontrada por Oliveira et al. (2010) ao testar
diferentes marchas de carbonização. Brand (2010) afirmou que baixos de teores de voláteis
acarretam altos teores de carbono fixo.
Os teores de carbono fixo também ficaram abaixo do recomendado nas marchas de
carbonização de 400 e 500°C por serem baixos (Tabela 6). O Selo Premium determina va-
lores acima de 73% para um carvão de qualidade. Observou-se que apenas as amostras
submetidas à pirólise a 600°C foram consideradas adequadas tendo apresentado um teor
médio de 75% (Tabela 6). O carbono fixo é o componente principal no carvão vegetal, logo
quanto maior o seu valor, maior será seu poder calórico. Com o aumento da temperatura
final de carbonização houve aumento do teor de carbono fixo. A mesma tendência foi ob-
servada por Silva et al. (2018).
Os teores de cinzas do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva neste
estudo foram considerados inadequados para as três temperaturas finais de carbonização
(Tabela 6), conforme a Resolução SAA-40, onde é determinado que o valor aceitável para
teor de cinzas é inferior a 1,5% (SÃO PAULO, 2015). O teor de cinzas influi diretamente no
poder calorífico do combustível, apresentando correlação negativa, visto que as cinzas não
participam do processo de combustão (BRAND, 2010).
O poder calorífico também aumentou com o aumento da temperatura final de carboniza-
ção (Tabela 6). Uma provável explicação para este fato é que com o aumento da temperatura
final de carbonização ocorreu um aumento no teor de carbono fixo. De acordo com Protásio
et al. (2013) o aumento do poder calorífico superior com o incremento da temperatura final
está relacionado com o acréscimo de carbono fixo e saída de oxigênio.
Silva et al. (2020) caracterizaram o carvão vegetal proveniente da madeira de cinco
espécies do Cerrado e observaram para o poder calorífico superior do carvão vegetal valores
médios entre 7438,21 e 6904,62 kcal/kg-¹ para temperatura final de carbonização de 500°C
para a marcha de carbonização de 550°C. Costa et al. (2014), encontraram valores médios
de poder calorifico entre 7135 à 7730 kcal/kg-¹ para cinco espécies do Cerrado. Valores pró-
ximos ao obtido nesta pesquisa para o carvão vegetal da madeira Myracrodruon urundeuva.
A densidade energética se relaciona diretamente com a energia contida em determinado
volume de madeira. Nesta pesquisa, os valores médios observados foram maiores confor-
me houve o aumento da temperatura final de carbonização (Tabela 6). A mesma tendência
observada para a densidade aparente do carvão vegetal. Quanto maior a densidade básica
da madeira, maior será a densidade aparente e, logo, maior será a densidade energética
e estoque de carbono fixo (COSTA et al., 2014). Os resultados apresentados neste estudo
corroboram com a afirmação destes autores.
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Observa-se que com o aumento da temperatura final de carbonização houve um aumen-
to no estoque de carbono fixo e rendimento em carbono fixo e energético da carbonização
do carvão vegetal da madeira estudada nesta pesquisa (Tabela 7). Isto pode ter ocorrido
dado ao fato que o teor de carbono fixo aumentou com o acréscimo na temperatura final
de carbonização.
O coeficiente de correlação de Pearson (r) varia de -1 a 1 e expressa o grau de relação
entre duas variáveis. A correlação da densidade aparente do carvão em relação a densidade
energética foi positiva (Tabela 8). Portanto, materiais mais densos, tendem a apresentar
maior quantidade de energia disponível. Tais resultados corroboram com os apresentados
por Jesus et al. (2017).
Observou-se uma correlação positiva entre o teor de carbono fixo em relação ao poder
calorífico, sendo o contrário também observado em relação ao teor de materiais voláteis
(Tabela 8). Assis et al. (2012) também observaram que os teores de carbono fixo estão
relacionados positivamente com os valores de poder calorífico.
Por fim, há uma correlação negativa entre os teores de materiais voláteis com os teores
de cinzas, poder calorífico e densidade energética (Tabela 8). Nones et al. (2015) também
obtiveram a mesma correlação ao trabalhar com Eucalyptus benthamii. Silva et al. (2015)
afirmaram que a biomassa com maior teor de materiais voláteis e menor teor de cinzas
apresenta menor poder calorífico superior.
CONCLUSÃO
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REFERÊNCIAS
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test methods for specific gravity of wood and wood-based materials. Philadelphia, p.8,
2005.
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14. COSTA, G. T.; BIANCHI, M. L.; DE PROTÁSIO, P. T.; TRUGILHO, P. F.; PEREIRA, A.
J. Qualidade da madeira de cinco espécies de ocorrência no cerrado para produção
de carvão vegetal. Cerne, v. 20, n. 1, 2014.
16. CHANNIWALA, S.A; PARIKH, P.P. (2002) A Unified Correlation for Estimating HHV of
Solid, Liquid and Gaseous Fuels. Fuel, 81, 1051-1063, 2002.
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18. INTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECUSROSOS NATURAIS
RENOVAVEIS (IBAMA). Documento de Origem Florestal (DOF). <https://www.ibama.
gov.br/cadastros/dof> Acesso em: 18 mar. 2019.
19. International Energy Agency – IEA. CO2 emissions from fuel combustion highlights
[online]. 2013. [citado 2014 jun 12]. Disponível em: <www.iea. org/publications/freepu-
blications/publication/CO2EmissionsFromFuelCombustionHighlights2013.pdf> Acesso
em: 28 de setembro de 2022.
21. MARCHESAN, R. et al. Quality of charcoal from three species of the Eucalyptus and
the Corymbia citriodora species planted in the South of Tocantins. Floresta, v. 50, n.
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31. SILVA, R. C. et al. Effect of the final carbonization temperature on the quality of five
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do carvão vegetal de espécies tropicais. Pesquisa Florestal Brasileira, 2018. v. 38.
p. 1-10, dez. 2018.
35. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.
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02
Anatomia e condutividade hidráulica
da madeira de Nectandra oppositifolia
(Lauraceae): subsídios para o manejo
silvicultural
Bruna Brodbeck
Universidade da Região de Joinville - Univille
Deivid Correia
Universidade da Região de Joinville - Univille
'10.37885/221010487
RESUMO
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Compreendendo que tanto a estrutura anatômica quanto a condutividade hidráulica
da madeira estão intimamente associadas às condições do ambiente físico, associa-se a
ideia de que as maiores taxas de crescimento da planta serão observadas em ambientes
mais favoráveis ao desenvolvimento de determinada espécie dentro do seu espectro total
de distribuição geográfica impresso por sua capacidade plástica. Tal conhecimento pode
auxiliar na seleção de espécies a serem empregadas, por meio de ações coordenadas de
manejo da flora, em atividades silviculturais, tendo por base a melhor performance da planta
em termos de condutividade hidráulica, além de atenuar o impacto do plantio comercial de
espécies exóticas.
MÉTODOS
A espécie estudada
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Tabela 1. Áreas de ocorrência natural de Nectandra oppositifolia (Lauraceae) amostradas no Estado de Santa Catarina.
Coordenada Geo- Precipitação Temperatura mé- Registro
Formação Fitogeográfica Município Altitude (m)
gráfica média anual dia anual JOIw
26°16’58.1” S
Floresta de Restinga São Francisco do Sul 18 1976 mm 21,1 ºC 991
48°02’14.7” W
Floresta Ombrófila Densa 26° 15’ 7” S
Joinville 10 1976 mm 20,9 ºC 1123
de Terras Baixas 48° 51’ 30” W
Floresta Ombrófila Densa 26° 15’ 52” S
Joinville 100 1976 mm 20,9 ºC 1121
Submontana 48° 50’ 9” W
Floresta Ombrófila Densa 26° 15’ 19” S
Joinville 640 1976 mm 20,9 ºC 1122
Montana 49° 5’ 59” W
Floresta Ombrófila Densa 26°19’ S
São Bento do Sul 838 822 mm 16,6 ºC 936
Altomontana 49°18’ W
Fonte: autores; dados climatológicos: CLIMATE-DATA.ORG (2022).
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vulnerabilidade (IV) dado pela razão entre o diâmetro e a frequência de vasos (CARLQUIST,
1977); resistência teórica à implosão de vasos, determinado através razão entre a espessu-
ra da parede de dois vasos contíguos e o diâmetro máximo do lume do elemento de vaso
(SCHOLZ et al, 2013); e mesomorfia dado pela razão entre índice de vulnerabilidade e
comprimento do elemento de vaso (CARLQUIST, 1977).
Análise estatística
RESULTADOS
Anatomia da madeira
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Figura 1. Aspectos anatômicos da madeira de Nectandra oppositifolia (Lauraceae). A – porosidade difusa em sessão
transversal. B – raios 2-3 seriados em sessão longitudinal tangencial. C – raios heterogêneos em sessão longitudinal radial.
Caracterização hidráulica
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Tabela 2. Média e respectivo desvios-padrão de atributos do xilema secundário de Nectandra oppositifolia (Lauraceae)
amostradas no Estado de Santa Catarina. Legenda: FV – frequencia de vasos; DTV – diâmetro tangencial do vaso; CV –
comprimento de vaso; CF – comprimento de fibra; EPD – espessura da parede de dois vasos contíguos; REST – floresta
de restinga; FODTB – floresta ombrófila densa de terras baixas; FODSM - floresta ombrófila densa submontana; FODM
- floresta ombrófila densa montana; FODAM - floresta ombrófila densa altomontana; F – valor da estatística F. Letras
diferentes na mesma coluna indicam diferença estatística significativa.
Tabela 3. Condutividade hidráulica de Nectandra oppositifolia (Lauraceae) amostradas no Estado de Santa Catarina.
Tabela 4. Índice de plasticidade fenotípica (IPF) dos atributos qualitativos do lenho de Nectandra oppositifolia (Lauraceae)
amostradas no Estado de Santa Catarina.
Atributo IPF
Frequência de vaso 0,67
Diâmetro tangencial do vaso 0,51
Comprimento de vaso 0,36
Comprimento de fibra 0,27
Espessura da parede de dois vasos contíguos 0,50
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Figura 2. Análise de componentes principais dos atributos qualitativos da madeira de Nectandra oppositifolia (Lauraceae)
amostradas no Estado de Santa Catarina.
DISCUSSÃO
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relação, resulta o fenômeno chamado de trade-off (BAAS et al., 2004). Tal fenômeno impli-
ca diretamente na eficiência da condutividade hidráulica de espécies lenhosas, em que o
aumento no diâmetro dos elementos de vasos acarreta a diminuição da segurança do trans-
porte hídrico, uma vez que este confere maior vulnerabilidade ao embolismo e à cavitação
(TYREE & SPERRY, 1989; TYREE & EWERS, 1991) e, consequentemente, leva à redução
na condução hídrica, o que pode implicar na taxa de crescimento da planta de maneira geral
(JACOBSEN et al., 2005).
Em comparação às espécies com poucos vasos, porém de maior diâmetro, nota-se
uma maior capacidade de condução (MELO JÚNIOR et al., 2017). Desse modo, o fato das
espécies apresentarem vasos de maior diâmetro indica maior disponibilidade hídrica no am-
biente e, portanto, maior investimento em condução do que em segurança (MELO JÚNIOR
et al., 2017). Os índices de condutividade e de vulnerabilidade em N. oppositifolia estiveram
diretamente relacionados à maior eficiência no transporte e à menor segurança, sendo os
maiores valores obtidos na FODSM e FODAM.
Maiores diâmetros de vaso acompanhados por menores frequências de vaso das es-
pécies lenhosas florestais representam uma resposta à maior disponibilidade hídrica no solo
hidromórficos quando comparados com solos espodossólicos (MELO JÚNIOR & BOEGER,
2017). Dentre os valores obtidos para a condutividade hidráulica (Tabela 3) destaca-se o
menor índice de vulnerabilidade (4,06) obtido para a formação Floresta Ombrófila Densa
de Terras Baixas. Conforme os índices pluviométricos demonstrados, não houve grande
variação para as diferentes formações da região, em que geralmente se registram grandes
volumes de água principalmente nos verões. Tal parâmetro observado para as diferentes
formações poderia implicar em uma maior homogeneidade em relação aos atributos hidráu-
licos avaliados, fato este observado no índice de mesomorfia obtido, não havendo distinção
na madeira desenvolvida nas distintas formações estudadas. Por outro lado, o aumento na
frequência dos vasos de menor diâmetro constitui uma estratégia para manter uma con-
dutividade suficiente e segura (BAAS et al., 2004), como foi observado nas formações de
FODAM e na Floresta de REST.
As características hidráulicas de N. oppostififolia podem ser consideradas como atribu-
tos ecológicos pertinentes ao emprego silvicultural da espécie em consonância com a sua
área de distribuição geográfica, direcionando, assim, o ambiente que promove o transporte
hídrico mais seguro e a tendência esperada de maior taxa de crescimento da espécie em
condições naturais. Conforme o Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina - IFFSC,
a espécie N. oppositifolia encontra-se em quinto lugar para a fitofisionomia da Floresta
Ombrófila Densa de Terras Baixas conforme resultados significativos pela análise de espécies
indicadoras (ISA). Índice este não significativo observado para a espécie nas fitofisionomias
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Submontana e Montana (LINGNER et al., 2013). Apesar de não ser mencionada nas forma-
ções de Restinga levantadas pelo IFFSC, a espécie é registrada para o litoral nordeste do
estado de Santa Catarina em formações de restinga no município de São Francisco do Sul
(MELO JÚNIOR & BOEGER, 2015).
Bechara et al. (2009), ao avaliarem o complexo ferrugíneo Nectandra (CFN) desen-
volvido na Floresta Nacional (FLONA), no município de Ibirama, porção nordeste do Estado
de Santa Catarina, descrevem a potencialidade do complexo formado por três espécies do
gênero Nectandra, sendo elas: N. lanceolata Nees, N. oppositifolia Nees & Mart. e N. rigida
(Kunth) Nees. Os autores apontaram um expressivo potencial silvicultural em função das
características de desenvolvimento semelhantes para as três espécies, que se apresentam
entre as principais espécies madeireiras que abundam nas formações de florestas secun-
dárias na região Sul do país (BECHARA et al., 2009).
Além da potencial aplicabilidade de N. oppositifolia em atividades silviculturais, desta-
cada pela relação estabelecida entre a condutividade hidráulica e o crescimento do corpo
vegetal, é ainda possível atribuir outros usos à espécie. Assim, entende-se que a prerrogativa
de um maior crescimento, condicionado pela eficiência no transporte hídrico, pode ser um
atributo relevante no uso da espécie com função paisagística em ambientes urbanos. A ca-
nela ferrugem tem sido utilizada na arborização urbana, principalmente na implementação
em calçadas, pois consegue entregar com qualidade benefícios ecológicos e estéticos, além
auxiliar na melhoria microclimática onde está inserida (LORENZI, 2000; BAITELLO, 2003;
QUINET, 2006; QUINET et al., 2013). Por ser uma árvore com copa volumosa que consegue
diminuir a velocidade dos ventos, contribui com grandes áreas de sombreamento auxiliando
diretamente na mitigação do efeito da elevada radiação solar, ajuda na proteção do solo e
seus frutos servem para manter o ciclo ecológico nos ambientes onde se encontram, prin-
cipalmente contribuindo como alimento para aves, pequenos roedores e outros mamíferos.
Em suas composições em calçadas urbanas, a canela ferrugem pode exercer impor-
tante função estética exercida tanto por sua copa de coloração ferrugínea quanto por sua
floração branca em grande concentração na ramagem externa (LORENZI, 2000; BAITELLO,
2003; QUINET, 2006; QUINET et al., 2013).
Tais fatores quebram o padrão urbano monocromático, causando um contraste com
as áreas das cidades onde se encontram. Entretanto, por ser uma árvore de grande porte é
importante planejar o seu plantio urbano, evitando sua colocação embaixo de fiação elétrica
e em pequenas calçadas. A canela ferrugem bem instalada, usando-se mudas de no mínimo
2,5 metros de tronco, terá poucas podas em seu crescimento, evitando-se assim grandes
custos com a manutenção da planta em vias públicas e também o estresse causado à planta
(LORENZI, 2000).
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CONCLUSÃO
Agradecimentos
REFERÊNCIAS
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03
Efeito da idade na qualidade energética da
madeira e do carvão vegetal em clone de
Eucalyptus sp.
'10.37885/221010689
RESUMO
O objetivo desta pesquisa foi determinar o efeito da idade da madeira do clone de Eucalytus
sp. na qualidade energética da madeira e do carvão vegetal. O experimento foi conduzido no
laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais da UFT, Campus Gurupi-TO
em que foram determinadas as propriedades físicas, químicas e energéticas da madeira e
do carvão vegetal do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e aos 10 anos de idade. A madeira
do clone de Eucalyptus sp. aos 10 anos apresentou valores médios aceitáveis para queima
direta com teor de umidade inferior a 11%, densidade energética de 1601,486 kcal/cm3, es-
toque de carbono de 57,236 kcal/cm3, materiais voláteis de 84,038%, carbono fixo de 16,032
%, cinzas de 0,114 % e poder calorífico superior de 4485,955 Kcal/Kg. O carvão vegetal da
madeira aos 10 anos de idade apresentou os teores de MV de 23,284 %, CF de 76,276 %
e Cz de 0,444 % com valores médios dentro do recomendado pelo Selo Premium. O PCS
do carvão também apresentou valor médio satisfatório para a produção de energia. Portanto
a madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 10 anos de idade e o carvão vegetal produzido
são recomendados para fins energéticos.
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2006) além dos seus altos índices de produtividade e características energéticas (densidade
da madeira e poder calorífico) (SANTOS, 2010).
Considerando os plantios florestais, o gênero Eucalyptus sp. representam 77% das
florestas plantadas do Brasil (IBÁ, 2021). Atualmente, o cultivo do Eucalyptus sp. abrange
regiões além daquelas tradicionais, como o Sul e o Sudeste, o que levanta a necessidade
de se obter informações sobre a produção esperada desses novos plantios, ou seja, estudos
relacionados ao material genético, silvicultura e aspectos relacionados a toda sua cadeia
produtiva (SANTANA et al., 2008).
A partir da percepção de que o Eucalyptus pode configurar uma eficiente fonte de
biomassa para produção de energia, fica evidente a necessidade de conhecer com mais
profundidade a dinâmica de produção da cadeia produtiva da lenha de Eucalyptus sp., bem
como os clones da espécie com o intuito de potencializar seu uso para finalidades ener-
géticas e identificar os fatores que são limitantes ao seu melhor desempenho competitivo
(SIMIONI et al., 2018).
A região norte do Tocantins destaca-se no setor florestal devido à grandes empresas
desta área estarem situadas nesta região ou em estados vizinhos, e com isso há aumento
na demanda por madeira para fins energéticos e para a produção de celulose.
Pelas características edafoclimáticas, ainda não há uma espécie ou clone do gênero
Eucalyptus desenvolvido com as características ideais para produção de energia ou adap-
tados para o estado, sendo utilizados clones e espécies de outras regiões do Brasil.
Devido a essas demandas crescentes, torna-se necessário desenvolver pesquisas re-
lacionadas ao comportamento silvicultural de espécies e clones de Eucalyptus e a qualidade
do material obtido após atingir a idade técnica de corte, buscando correlacioná-las com a
destinação final de sua biomassa.
Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi determinar o efeito da idade da madeira
do clone de Eucalyptus sp. na qualidade energética da madeira e do carvão vegetal.
MÉTODOS
Neste trabalho foram utilizadas madeiras de clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos
de idade, as quais foram coletadas no pátio de estocagem de uma empresa produtora de
carvão vegetal localizada na região norte do estado do Tocantins, no município de São
Bento do Tocantins. A madeira encontrava-se no pátio de estocagem há três meses para a
secagem e posterior utilização na produção de carvão vegetal.
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O experimento foi conduzido no Laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos
Florestais da Universidade Federal do Tocantins - UFT campus de Gurupi-TO.
Amostragem
Para a preparação das amostras, primeiramente foram selecionadas cinco toras por
idade (10 e 12 anos), de cada tora foram retirados dois discos, totalizando 10 discos por
idade do clone para o estudo.
Os discos foram transformados em cavacos e partículas (passadas em peneira de 40
mesh e retidas em peneira de 60 mesh) para a caracterização física, química e energética
da madeira e para a produção do carvão vegetal e sua caracterização energética.
A densidade a granel da madeira foi determinada de acordo com a norma DIN EN 15103
(DIN, 2010). Os teores de umidade, de extrativos totais, lignina total, holocelulose e a solubili-
dade em hidróxido de sódio (NaOH) foram obtidos baseando-se na metodologia apresentada
por Wastowski (2018) e Gomide e Demuner (1986).
A análise química imediata foi determinada de acordo com as normas ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) e ABNT NBR 8112/83 (ABNT, 1983), em que foram determinados os percen-
tuais de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF) e cinzas (CZ). O poder calorífico superior
da madeira foi estimado conforme Channiwala e Parikh (2002). A densidade energética da
madeira foi obtida seguindo a metodologia proposta por Jesus et al. (2017). O estoque de
carbono da madeira por unidade de volume foi calculado de acordo com Protásio et al. (2015).
As amostras foram carbonizadas em forno elétrico tipo mufla com controle da tempe-
ratura final programada e adaptada para recuperar materiais voláteis condensáveis. A tem-
peratura inicial da carbonização utilizada foi de 150°C e a temperatura final de 500°C, con-
siderando-se uma taxa de aquecimento de 5°C/min e tempo total de 5h30min.
A recuperação dos gases condensáveis foi realizada através de uma adaptação ao forno
mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los em um
composto chamado licor pirolenhoso. Por meio da diferença entre o rendimento gravimétrico
total em carvão vegetal e o rendimento total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total
em gases não condensáveis. O rendimento total em carvão vegetal é a relação percentual
entre a massa seca do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem
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em balança analítica. A densidade a granel do carvão vegetal foi determinada pela relação
entre o peso do carvão vegetal e o seu volume, respectivamente (DIN, 2010).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) em que se determinou os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. O poder calorífico do carvão foi estimado de acordo com Vale te al. (2002).
A densidade energética do carvão vegetal foi obtida seguindo a metodologia proposta
por Jesus et al. (2017). O estoque de carbono por unidade de volume foi calculado de acordo
com Protásio et al. (2015).
RESULTADOS
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Tabela 1. Propriedades físicas e químicas da madeira do clone de Eucalyptus sp. com 12 e 10 anos de idade.
Clones Eucalyptus sp. DG (g/cm³) TU (%) ET (%) LT (%) Holo. (%) Sol. NaOH (%)
3,967 b 4,710 a 27,443 b 12,590 b
12 anos 0,315 67,713 a (1,63)
(6,51) (6,43) (3,66) (5,79)
5,347 a 4,493 a 32,793 a 62,840 b 15,550 a
10 anos 0,357
(2,21) (6,39) (6,11) (3,30) (1,54)
Nota: As médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey
(5%). * significativo ao nível de 5% de probabilidade (01 =< p < 0.05). Os valores entre parênteses correspondem respec-
tivamente coeficiente de variação (%).
Tabela 2. Valores médios de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF), cinzas (CZ), poder calorífico superior (PCS),
densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) da madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade.
AQI
Clone Eucalyptus sp. PCS (kcal/kg) De (kcal/cm³) EC (kg/m³)
MV(%) CF (%) Cz (%)
0,164 a 4243,881 b 1111,896 b
12 anos 88,832 a (1,07) 11,058 b (8,74) 28,996 b (8,74)
(26,52) (1,09) (1,10)
84,038 b 0,114 a 4485,955 a 1601,486 a
10 anos 16,032 a (6,98) 57,236 a (6,98)
(1,46) (13,74) (1,09) (1,09)
Nota: As médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (5%).
* significativo ao nível de 5% de probabilidade (01 =< p < 0.05). Os valores entre parênteses correspondem respectivamente
coeficiente de variação (%).
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Tabela 3. Valores totais do rendimento gravimétrico em carvão (RGTcarvão), rendimento em gases condensáveis (RGC),
rendimento em gases não condensáveis (RGNC) e rendimento energético da carbonização (REC) para o carvão vegetal
do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade.
Rendimentos da carbonização
Tabela 4. Valores médios de densidade a granel (Dg), materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF), cinzas (CZ), poder
calorífico superior (PCS), densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) do carvão vegetal da madeira do clone de
Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade.
Propriedades energéticas do carvão vegetal
AQI
Clone Eucalyptus sp. Dg (g/cm³) PCS (kcal/kg) De (kcal/cm³) EC (kg/m³)
MV(%) CF (%) Cz (%)
32,126 a 67,166 b 0,710 a 7169,040 b 1154,215 b 108,137 b
12 anos 0,157
(3,67) (1,60) (15,64) (0,50) (0,49) (1,60)
23,284 b 0,444 b 7472,143 a 1173, 126 a 119,753 a
10 anos 0,161 76,276 a (1,04)
(3,39) (11,07) (0,35) (0,35) (1,04)
Nota: As médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (5%).
* significativo ao nível de 5% de probabilidade (01 =< p < 0.05). Os valores entre parênteses correspondem respectivamente
coeficiente de variação (%).
DISCUSSÃO
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Dessa forma, faz-se importante enfatizar que o aumento da densidade da madeira é
vantajoso ao ponto que maximiza a densidade energética do carvão e aumenta a resistência
da carga no alto-forno (NEVES et al., 2011).
Para o teor de umidade da madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos
pode-se notar valores médios baixos (3,967 e 5,347%, respectivamente). Tais valores en-
contram-se dentro do recomendado pela literatura, em que o teor de umidade da biomassa
para queima direta deve ser inferior a 20% (BRAND, 2010). Brand et al. (2013) relatam que
quanto maior a quantidade de água na madeira, menor a taxa de carbonização, aumentando
o tempo necessário para a produção de carvão.
Para a análise química dos componentes da madeira do clone de Eucalyptus aos 12 e
10 anos de idade, observa-se que os valores médios se encontram dentro do recomendado
para fins energéticos, apresentando baixos teores de extrativos (4,710 e 4,493%, respec-
tivamente) e altos teores de lignina total (27,443 e 32,793%, respectivamente) (Tabela 1).
A presença de altos teores de extrativos não é desejável em madeiras destinadas
para a produção de carvão vegetal devido sua degradação rápida em baixas temperatu-
ras (PEREIRA et al., 2012). Soares et al. (2012) ao estudarem madeiras de híbridos de
Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla, em três idades diferentes, encontraram médias
de 8,26% de extrativos aos 3 anos, 9,44% aos 5 anos e 9,43% para o mesmo clone aos 7
anos de idade. Os valores obtidos nesta pesquisa encontram-se inferiores aos encontrados
na literatura, sendo assim considerados adequados para fins energéticos.
O teor de lignina para a madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 10 anos apresentou
maior valor médio quando comparado com a madeira aos 12 anos de idade (Tabela 1), ou
seja, possui maior potencial para a queima direta da madeira e para a produção de carvão
vegetal, pois consequentemente apresentará maior teor de carbono fixo e maior poder
calorífico. Santos et al. (2016) afirmaram que maiores percentagens de lignina na madeira
proporcionam um carvão vegetal com maior teor de carbono fixo, o que pode ser confirmado
no presente estudo.
Vale (2008) avaliou clones de Eucalyptus sp. entre 12 e 48 meses de idade e observou
que com o aumento da idade, aumenta-se gradativamente a densidade e consequentemente
o teor de holocelulose, e ocorre um decréscimo no teor de lignina. Este fato foi observado
nesta pesquisa pois a madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 anos apresentou menor
teor de lignina.
O teor de holocelulose nesta pesquisa encontra-se com maior valor médio para madei-
ra do clone de Eucalyptus sp. aos 12 anos quando comparado com a de 10 anos de idade
(Tabela 1). Uma possível explicação para este fato é que com o aumento da idade pode
ocorrer um acréscimo no teor de holocelulose. Quando a madeira é destinada a produção de
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carvão vegetal, altas porcentagens não são desejáveis, pois, a degradação da holocelulose
resulta em um menor rendimento em carvão e maiores porcentagens de gases condensáveis
e não condensáveis (SANTOS et al., 2016).
Nota-se que, com aumento da idade da madeira do clone de Eucalyptus sp., houve
um decréscimo no valor médio da solubilidade em NaOH (Tabela 1), esse comportamento
indica que o clone com 10 anos de idade sofreu maior ataque (podridão branca ou parda) no
tempo em que ficou estocada no pátio. No estágio inicial da podridão, os carboidratos são
rapidamente despolimerizados. Quando apenas 10% da massa é consumida, a celulose já
está fortemente fragmentada. Isso explica a razão pela qual a madeira atacada por podridão
parda é muito solúvel em solução de 1% NaOH (NILSSON, 2009).
Para os teores de materiais voláteis a madeira do clone aos 10 anos de idade apresen-
tou valores médios menores e, para carbono fixo, valores médios maiores quando comparada
com a madeira aos 12 anos de idade (Tabela 2). Uma possível explicação para este fato é
que a madeira aos 10 anos também apresentou maiores teores de lignina e menores teores
de holocelulose e, consequentemente, tendeu a apresentar maior teores de carbono fixo.
Essa característica implica diretamente no aumento da qualidade energética, tanto para a
madeira como para o carvão vegetal.
Os teores de cinzas da madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade
encontram-se com valores médios dentro do recomendado para geração de energia, pois
os mesmos encontraram-se inferiores a 5%, respectivamente (0,164 e 0,114 %, respectiva-
mente) (Tabela 2). Conforme Brand (2010) o teor de cinzas da madeira deve ser inferior a
5% para uso na indústria siderúrgica, pois haverá menor geração de resíduos da queima e
menos manutenção dos altos-fornos.
Observa-se para o poder calorífico superior da madeira aos 10 anos maior valor médio
quando comparado com a madeira aos 12 anos (4485,955 e 4243,881 Kcal/Kg, respecti-
vamente) (Tabela 2). O poder calorífico superior da madeira está diretamente relacionado
aos teores de lignina total e carbono fixo, ou seja, quanto maior esses teores, maior será
o poder calorífico da madeira, que, juntamente com a maior densidade, apresentará maior
densidade energética.
Jesus et al. (2017) ao trabalhar com diferentes espécies de Eucalyptus spp. encontra-
ram valores médios próximos ao deste trabalho variando entre 4538,000 e 4669,000 kcal/kg.
Nota-se que a densidade energética da madeira do clone de Eucalyptus sp. apresentou
maior valor médio para madeira aos 10 anos de idade (Tabela 2) e esta característica está
diretamente ligada com a maior densidade a granel e o maior poder calorífico obtidos para
a madeira nesta idade.
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Com relação a densidade energética, os valores encontrados nesta pesquisa foram
próximos ao encontrados por Jesus et al. (2017) que avaliaram madeiras de Eucalyptus spp.
no qual obtiveram valores médios entre 1400 e 1800 kcal/cm3.
Observa-se para o estoque de carbono da madeira aos 12 anos de idade menor valor
médio e inferior aos obtidos na literatura (Tabela 2). Este fato pode ser explicado pelo baixo
teor de carbono fixo obtido, respectivamente. Protásio et al. (2014) encontraram valores mé-
dios para estoque de carbono da madeira de clones Eucalyptus spp. entre 506 e 230 kcal/m3.
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de carbono, haja vista que estes paramentos estão diretamente relacionados. Santos et al.
(2016) afirmaram que maiores percentagens de lignina na madeira proporcionam um carvão
vegetal com maior teor de carbono fixo e, consequentemente, maior qualidade energética.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
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47. SOARES, V.C. et al. Correlações entre as propriedades da madeira e do carvão ve-
getal de híbridos de eucalipto. Revista Árvore, Viçosa, v. 38, n. 3, p. 543-549, 2014
48. SOARES, T. S. et al. Uso da biomassa florestal na geração de energia. Revista Cien-
tífica Eletrônica de Engenharia Florestal, Garça, n. 8, p. 1-9, 2006.
49. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madei-
ras de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de materiais
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04
Maderas tropicales de la Amazonía
suroriental del Perú y su identificación
anatómica macroscópica
'10.37885/220909915
RESUMEN
Los bosques tropicales presentan una mega diversidad, entre ella la flora que requiere
investigaciones que ayuden a conocer su diversidad, pero sobre todo que ayuden a la con-
servación de los recursos (Ulloa-Ulloa et al., 2017).
El Perú posee ~70 millones de hectáreas de bosques tropicales que representa el
13% del mundo, de estos ~26 millones son bosques de producción permanente (Brack,
2004). La extracción de las especies forestales comerciales se centran principalmente en
las tres regiones Amazónicas Loreto, Ucayali, Madre de Dios (Vásquez et al., 2018).
Realizar el control y vigilancia de la madera, así como el transporte de la madera de las
zonas de extracción hacia los centros de consumo, es un trabajo complejo teniendo pocos
puestos de control forestal y de fauna silvestre en las carreteras del interior del país, con
poco personal y escasos recursos e instrumentos para realizar las funciones que la ley exige
(Ley Forestal y de Fauna Silvestre N° 29763 y sus reglamentos, 2015).
La región de Madre de Dios en el extremo suroriental del Perú en la frontera con Brasil
y Bolivia, carece de personal capacitado para la identificación correcta de las maderas
comerciales. Lo que se ve agravado con la minería ilegal que se realiza en la región y que
está provocando diversos estragos al bosque, con cambios de cobertura del suelo (Román-
Dañobeytia et al., 2015; Sánchez-Cuervo et al., 2020).
En este contexto se propone como objetivo principal de esta investigación describir la
anatomía de cuatro especies comerciales de la región Amazónica de Madre de Dios en el sur
oriente del Perú, para aporta al conocimiento técnico y científico de las maderas tropicales
y que ayude a combatir el comercio ilegal de las maderas tropicales.
MÉTODOS
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Fig. 1. Mapa de ubicación del área de estudio. Climatograma de la región de Madre de Dios (Zepner et al., 2021). Foto
del acceso al bosque tropical.
Especies estudiadas
Análisis anatómico
Fue cortado un árbol por especie y se obtuvo muestras de la base del árbol como: una
rodaja, y un tablón central de la primera troza, posteriormente se transportó a una carpintería
donde se obtuvieron dos muestras una con orientación radial y la otra con orientación tan-
gencial (10x15x2.5 cm) por troza, de la base del árbol, para la conformación de una xiloteca y
cubos de grano de 5x5x5 cm. (Fig. 2) La rodaja se lijo con lijas de diferentes granulometrías
para visualizar la superficie transversal (Aragão et al., 2019; Marcelo-Peña et al., 2020).
Una vez con las muestras dimensionadas se analizó las características macroscópi-
cas de las cuatro especies, se realizaron fotos macroscópicas de la sección transversal y
se escanearon las muestras en los cortes tangencial y radial a una resolución de 1200 dpi
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(Ferreira et al., 2021; Portal et al., 2021). La caracterización anatómica estuvo en base a
normas internacionales (COPANT, 1974; IAWA, 1989). Finalmente se realizó una pequeña
clave de identificación macroscópica utilizando los parámetros del IPT (2012).
Fig. 2. Muestra de madera en 3D de la especie Copaifera officinalis para análisis macroscópico, resaltando algunas
características anatómicas.
RESULTADOS
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Tabla 2. Identificación de las especies arbóreas por sus características generales y macroscópicas.
Calophyllum brasiliense
Copaifera officinalis
Guazuma crinita
Cordia alliodora
Especies
Color Blanco
Amarillo
Rojo
Características generales
Marrón
Textura Fina
Media
Gruesa
Resistencia manual al corte Blanda
Dura
Anillos de crecimiento No visible con lupa de 10 X
Visible con lupa de 10 X
Parénquima Visibilidad No visible con lupa de 10 X
Visible con lupa de 10 X
Apotraqueal Difuso
Difuso en agregado
Paratraqueal Vasicéntrico
Aliforme
Confluente
Características Macroscópicas
Bandas Marginal
Finas
Anchas
Reticulado
Escaleriforme
Radios Visibilidad Finos
Medios
Anchos
Estratificados
No estratificados
Inclusiones Gomas
Sílice
Tilosis
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Fig. 3. Imágenes macroscópicas de las cuatro especies de la región de Madre de Dios. A) Guazuma crinita. B) Copaifera
officinalis. C) Cordia alliodora. D) Calophyllum brasiliense. (A1, B1, C1, D1) Cortes transversales. (A2, B2, C2, D2) Cortes
tangenciales. (A3, B3, C3, D3) Cortes radiales. Barra de 1000 µm.
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Clave de identificación macroscópica para cuatro especies forestales.
1a. Madera de densidad baja (leve), con parénquima difuso en agregado, de coloración
blanca, anillos de crecimiento visible con lupa de 10x, no estratificados y sin inclusiones
en los vasos ……………………………………………………..................…. Guazuma crinita
1b. Madera de densidad media (moderadamente pesada)……………………….......…....…2
2a. Con parénquima en bandas finas, con textura media, radios no estratificados, duramen
de color rojo……………...………………..………………........…… Calophyllum brasiliense
2b. Con otro tipo de parénquima...........................................................................................3
3a. Parénquima marginal, con canales axiales en disposición tangencial, con textura media,
radios no estratificados, duramen de color rojo……….....…............... Copaifera officinalis
3b. Parénquima marginal, sin canales axiales, anillos de crecimiento visibles con lupa de
10x, madera de coloración roja, no estratificados………..………....…..…..Cordia alliodora
DISCUSIÓN
Sobre las descripciones macroscópicas de las cuatro especies forestales coinciden con
la literatura científica (Acevedo y Kikata, 1994; Chavesta, 2005; Portal, 2010). Las cuatro
especies forestales que pertenecen a cuatro familias botánicas diferentes, coinciden macros-
cópicamente en textura media, resistencia al corte con cuchilla blanda, tanto la visibilidad de
los anillos de crecimiento como la visibilidad del parénquima axial son visibles con lupa de
10x y finalmente radios medios no estratificados. Sin embargo, existen diferencias claramente
destacadas por ejemplo: el veteado jaspeado en el corte radial para la especie G. crinita,
canales intercelulares presentes en disposición tangencial para la especie C. officinalis,
anillos de crecimiento bien definidos con porosidad semicircular para la especie C. alliodora
y finalmente poros dispuestos diagonalmente para la especie C. brasiliense (Borges, 2020;
Santini et al., 2021).
Una de las principales barreras para reducir el tráfico ilegal de maderas tropicales
es que los funcionarios que se dediquen al control y vigilancia de los recursos naturales,
estén capacitados con conocimientos en anatomía e identificación de maderas, que estén
equipados con herramientas prácticas y sencillas para identificar las maderas y que tengan
permanencia en sus puestos de trabajo (de Palacios et al., 2020), por ejemplo en la región
de Madre de Dios en el Perú (Gerencia Regional Forestal y de Fauna Silvestre), existe cam-
bio de personal cada 4 a 6 meses y todos los esfuerzos que se hacen en capacitar, formar,
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utilizar herramientas, manual, claves de identificación, etc., simplemente se pierden y esto
da las condiciones ideales para el tráfico ilegal de maderas tropicales en esta parte del país.
CONCLUSIÓN
Se pudo identificar a nivel anatómico macroscópico las maderas de las cuatro espe-
cies arbóreas de la región de Madre de Dios. La clave de identificación más los registros
fotográficos son complementos importantes para auxiliar en la identificación de estas espe-
cies, siendo una ayuda contra el tráfico ilegal y en el control de los productos forestales de
las maderas en esta parte del Perú. Finalmente, las cuatro especies estudiadas presentan
características anatómicas que posibilita su identificación a nivel macroscópico.
REFERENCIAS
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tware]. UNALM – Universidad de Nagoya. 1994.
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TENO, T. B., VÉLEZ, A., GAMARRA, D., & TOMAZELLO-FILHO, M. Identification of
Tree Species from the Peruvian Tropical Amazon “Selva Central” Forests According
to Wood Anatomy. 19. 2021.
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ved zone of southeastern Perú: A biological assessment. Conservation International,
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cronología de Jacaranda copaia que contiene registro ENSO en Madre de Dios, Perú.
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85, 39-46. https://doi.org/10.1016/j.ecoleng.2015.09.075. 2015.
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NAL, R., BERRY, P. E., BRAKO, L., CELIS, M., DAVIDSE, G., FORZZA, R. C., GRADS-
TEIN, S. R., HOKCHE, O., LEÓN, B., LEÓN-YÁNEZ, S., MAGILL, R. E., NEILL, D. A.,
NEE, M., RAVEN, P. H., STIMMEL, H., … JØRGENSEN, P. M. An integrated assess-
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338-356. https://doi.org/10.1080/17538947.2020.1829112. 2021.
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05
Avaliação dos índices de qualidade
energética do fuste e do galho do clone
de Eucalyptus spp.
'10.37885/221010666
RESUMO
Os plantios florestais do gênero Eucalyptus spp. representam 78% das florestas plan-
tadas do Brasil (IBÁ, 2021). Atualmente, o cultivo de espécies e clones de Eucalyptus spp.
abrangem regiões além daquelas tradicionais, como o Sul e o Sudeste, o que levanta a
necessidade de se obter informações sobre a produção esperada desses novos plantios,
ou seja, estudos relacionados ao material genético, silvicultura e sobre qualidade energética
(SIMIONI et al., 2018).
O estado do Tocantins também foi considerado o segundo maior produtor de lenha
da região norte, produzindo 805.512 m³ em madeira de extração e 28.470 m³ em madeira
oriunda da silvicultura (MARCHESAN et al., 2020). Dentre as espécies e clones que são
utilizados em florestas plantas no estado, o clone E. urophylla x E. grandis se destaca em
diversas regiões (SEMADES, 2014). A mesorregião de Gurupi, situado na porção sul do
estado possui 27% da área plantada com espécies e clones de Eucalyptus spp., valor in-
ferior apenas para as mesorregiões de Araguaína e Bico do Papagaio, inserida na porção
norte, representando 44% de área cultivada, demostrando grande potencial para atender
as siderúrgicas do estado do Maranhão e Pará (COLLICCHIO, 2020).
A partir da percepção de que o gênero Eucalyptus spp. pode configurar uma eficiente
fonte de biomassa para produção de energia, fica evidente a necessidade de conhecer com
mais profundidade as propriedades energéticas (SIMIONI et al., 2018), haja vista que para
o estado do Tocantins não há uma espécie definida para plantio de florestas energéticas.
Diante do aumento do consumo de carvão vegetal de florestas plantadas e consequen-
temente das áreas plantadas, torna-se necessário considerar um melhor aproveitamento
deste recurso. De acordo com Costa (2019), além do fuste, as raízes e os galhos das árvo-
res também são utilizados para a produção de carvão vegetal. No entanto, existem poucos
estudos sobre as características energéticas deste material.
Na produção do carvão vegetal as características das madeiras podem influenciar de
vários modos no rendimento e na qualidade do carvão, que consequentemente podem afetar
diretamente o potencial energético, tais como a quantidade de matéria seca, densidade básica
e aparente, teor de cinzas, teor de materiais voláteis, carbono fixo, poder calorífico, teor de
lignina e fibras da parede celular, que são variáveis fundamentais para se obter resultados
desejáveis para a produção de energia (SILVA et al., 2018).
Mediante a importância deste contexto, esta pesquisa teve por objetivo caracterizar e
avaliar as propriedades energéticas da madeira e do carvão vegetal do fuste e do galho de
Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, podendo assim determinar o seu potencial para
implantação de florestas energéticas.
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MÉTODOS
Localização
O teor de umidade na base seca foi determinado conforme Wastowski (2018). A den-
sidade básica da madeira foi determinada pelo método da balança hidrostática, baseado na
norma ASTM D-2395 (ASTM, 2005). A densidade a granel da madeira foi determinada pela
norma DIN EN 15103 (DIN, 2010).
A análise da AQI baseou-se nas normas ASTM D 1762-84 (ASTM, 2007) e ABNT NBR
8112/83 (ABNT, 1983), em que foram determinados os percentuais de materiais voláteis
(MV), carbono fixo (CF) e cinzas (CZ). O poder calorífico superior da madeira foi estimado
conforme Channiwala & Parikh (2002) e o poder colorífico inferior e útil foram calculados
de acordo com Brand (2010). A densidade energética da madeira, estoque de carbono da
madeira foram calculados conforme Protásio et al. (2015). O carbono, hidrogênio e oxigênio
elementar foram estimados de acordo Parikh et al. (2007).
As amostras foram carbonizadas em forno elétrico tipo mufla com controle da tempe-
ratura final programada e adaptada para recuperar materiais voláteis condensáveis. A tem-
peratura inicial da carbonização utilizada foi de 150°C e a temperatura final de 500°C, con-
siderando-se uma taxa de aquecimento de 5°C/min e tempo total de 5h30min.
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A recuperação dos gases condensáveis foi realizada através de uma adaptação ao forno
mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los em um
composto chamado licor pirolenhoso. Por meio da diferença entre o rendimento gravimé-
trico total em carvão e o rendimento total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total
em gases não condensáveis. O rendimento total em carvão vegetal é a relação percentual
entre a massa seca do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem
em balança analítica. A densidade a granel do carvão vegetal foi determinada pela relação
entre o peso do carvão vegetal e o seu volume, respectivamente (DIN, 2010).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) em que se determinou os teores de material voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. O poder calorífico do carvão, foi estimado de acordo com Vale te al. (2002).
A densidade energética do carvão vegetal foi obtida seguindo a metodologia proposta
por Jesus et al. (2017). O estoque de carbono e rendimento energético do carvão vegetal
por unidade de volume foram calculados de acordo com Protásio et al. (2015).
RESULTADOS
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Observa-se para os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas da madeira do
clone avaliado que a madeira do fuste apresentou valores médios de 83,11, 16,95 e 0,10%
e para a madeira do galho os valores médios foram de 87,58, 12,19 e 0,23% (Tabela 1).
Pode-se observar para poder calorífico superior da madeira de E. urophylla x E. gradis
valores médios de 4529,13 kcal/kg para madeira do fuste e de 4295,81 kcal/kg para madei-
ra do galho respectivamente (Tabela 1). Foram obtidos valores médios de poder calorífico
inferior da madeira do fuste de 4205,13 kcal/kg e para madeira do galho de 3968,81 kcal/
kg (Tabela 1). Para o poder calorífico útil foram obtidos valores médios de 2496,43 kcal/kg
para madeira do fuste e de 2344,14 kcal/kg para madeira do galho (Tabela 1).
As médias para o carbono, hidrogênio e oxigênio da madeira do fuste foram de
48,61, 6,03 e 44,71 % e de 47,61, 6,06 e 45,39% para madeira do galho de E. urophylla
x E. gradis (Tabela 1).
Foram obtidos valores médios para estoque de carbono da madeira do fuste de 276,57
kg/m³ e da madeira do galho de 223,58 kg/m³ de E. urophylla x E. gradis, respectiva-
mente (Tabela 1).
Tabela 1. Propriedades energéticas das madeiras do fuste e do galho de E. urophylla x E. gradis aos 13 anos de idade.
Biomassa
Propriedades energéticas da madeira CV (%) Pr>Fc
Fuste Galho
TU (%) 10,00 a 8,36 b 1,42 *
Db (g/cm³) 0,57 a 0,47 b 8,04 *
Dg (g/cm³) 0,33 0,31 - -
MV (%) 83,11 b 87,58 a 1,10 *
CF(%) 16,95 a 12,19 b 5,99 *
CZ (%) 0,10 b 0,23 a 17,40 *
PCS (kcal/kg) 4529,13 a 4295,81 b 0,90 *
PCI (kcal/kg) 4205,13 a 3968,81 b 0,97 *
Pcu (kcal/kg) 2496,43 a 2344,14 b 1,05 *
De (kcal/cm³) 2576,99 a 2017,05 b 8,70 *
C (%) 48,61 a 47,61 b 1,13 *
H (%) 6,03 a 6,06 a 0,24 ns
O (%) 44,71 b 45,39 a 0,41 *
EC (kg/m³) 276,57 a 223,58 b 8,32 *
Nota: TU: Teor de umidade; Db: Densidade básica; Dg: Densidade a granel; MV: Teor de materiais voláteis; CF: Teor
de carbono fixo; CZ: Teor de cinzas; PCS: Poder calorífico superior; PCI: Poder calorífico inferior; Pcu: De: Densidade
energética; C, H e O: Carbono, Hidrogênio e Oxigênio (Análise química Elementar estimada); EC: Estoque de carbono.
Médias seguidas pela mesma letra minúscula não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de proba-
bilidade. CV (%): Coeficiente de variação.
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densidade energética, estoque de carbono fixo e rendimento energético em carvão vegetal
da madeira do fuste e do galho de E. urophylla x E. gradis.
Nota-se pelo teste de Tukey efeito significativo entre o carvão vegetal do fuste e galho
(p≥0,05) para os parâmetros avaliados. Os coeficientes de variação obtidos foram conside-
rados baixos e inferiores a 7% demonstrando com isto a precisão do experimento.
A densidade a granel do carvão vegetal do fuste apresentou valor médio de 0,18 g/
cm³ e do galho de 0,15 g/cm³ (Tabela 2). Foram encontrados para densidade energética do
carvão vegetal do fuste valor médio de 1307,67 kcal/kg e de 1074,25 kcal/kg do galho do
clone de E. urophylla x E. gradis (Tabela 2).
Observa-se para rendimento total em carvão, gases condensáveis e não condessáveis
valores totais para o fuste de 32,83, 32,84 e 34,33% e de 28,14, 31,84 e 40,01% para o
galho (Tabela 2).
Pode-se observar que para os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas do
carvão vegetal do fuste os valores médios foram de 25,49, 74,44 e 0,07% e para o carvão do
galho os valores médios foram de 28,43, 70,13 e 1,44%, respectivamente (Tabela 2). Pode-
se observar para o poder calorífico superior do carvão vegetal de E. urophylla x E. gradis
valores médios de 7411,01 kcal/kg para o fuste e de 7267,65 kcal/kg para o galho, respec-
tivamente (Tabela 2).
Foram obtidos valores médios para estoque de carbono do carvão vegetal do fuste de
131,35 kg/m³ e do galho de 103,66 kg/m³, respectivamente (Tabela 2). Observa-se para os
valores médios de rendimento energético em carvão vegetal do fuste 53,72% e do carvão
vegetal do galho de 47,65% (Tabela 2).
Tabela 2. Propriedades energéticas do carvão vegetal do fuste e do galho de E. urophylla x E. gradis aos 13 anos de idade.
Pirólise 500°C
Propriedades energéticas do carvão vegetal CV (%) Pr>Fc
Fuste Galho
Dg (g/cm³) 0,18 0,15 - -
RGTC (%) 32,83 28,14 - -
RGC (%) 32,84 31,84 - -
RGNC (%) 34,33 40,01 - -
MV (%) 25,49 b 28,43 a 3,4 *
CF (%) 74,44 b 70,13 c 1,17 *
CZ (%) 0,07 c 1,44 a 6,97 *
PCS (kcal/kg) 7411,01 b 7267,65 c 0,39 *
De (kcal/cm³) 1307,67 b 1074,25 c 0,35 *
ECF (kg/m³) 131,35 b 103,66 c 1,06 *
REP (%) 53,72 a 47,65 b 0,92 *
Nota: Dg: Densidade a granel; RGTC: Rendimento gravimétrico total em carvão vegetal; RGC: Rendimento em gases
condensáveis; RGNC: Rendimento em gases não condensáveis; MV: Teor de materiais voláteis; CF: Teor de carbono
fixo; CZ: Teor de cinzas; PCS: Poder calorifico supeior; De: Densidade energética; ECF:; REP:. Médias seguidas pela
mesma letra minúscula não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. CV (%): Coe-
ficiente de variação.
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DISCUSSÃO
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respectivamente (Tabela 1). Segundo Brand (2013) o teor de cinzas inferior a 5% é consi-
derado um ponto positivo para o uso energético da madeira, tanto na forma de lenha como
para a produção de carvão vegetal.
Nones et al. (2014) estudaram a qualidade energética da madeira para o clone
de E. benthamii em plantios da empresa Floko Florestadora Koeche com 5 anos e plantios
de 13 anos da empresa Klabin, observou-se teores de materiais voláteis de 81,47 e 82,74%,
carbono fixo de18,28 e 16,83% e cinzas de 0,25 e 0,43%, respectivamente. Os valores foram
considerados próximos ao observado para as variáveis estudadas da madeira do fuste e do
galho de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis.
Observa-se que poder calorífico superior, inferior e útil da madeira do fuste de Eucalyptus
urophylla x Eucalyptus grandis encontram-se dentro do recomendado para produção de
energia, o que pode ter ocorrido devido ao baixo teor de cinzas e maior média para o teor
de carbono fixo quando comparado com a madeira do galho. Quanto maior o teor de carbo-
no fixo, maior o poder calorífico. De acordo com Ferreira et al. (2014) o poder calorífico da
madeira varia entre 4312 à 5085 kcal kg-1.
Os componentes químicos elementares apresentaram valores conforme o recomendado
pela literatura para madeira do fuste e do galho (Tabela 1). As pesquisas demonstram que
para madeiras de espécies do gênero Eucalyptus spp., a composição química elementar da
madeira, em base seca, é de aproximadamente 48% de carbono, 6% de hidrogênio e 45%
de oxigênio (NEVES et al., 2011; PROTÁSIO et al., 2014; PROTÁSIO et al., 2015).
A utilização da madeira como biocombustível para fornecimento energético requer a
sua caracterização elementar, pois madeiras destinadas a energia devem conter menores
quantidades de oxigênio e elevados teores de carbono e hidrogênio, pois estes componentes
elementares apresentam correlações diretas com o poder calorífico da biomassa vegetal
(NEVES et al., 2011; PROTÁSIO et al., 2014; PROTÁSIO et al., 2015).
O poder calorífico superior da madeira do fuste apresentou maior valor médio quando
comparado com o galho (Tabela 1). Uma possível explicação para este fato é que o teor de
carbono e hidrogênio apresentaram maiores porcentagens para a madeira do fuste. De acor-
do com a literatura maiores teores de carbono e hidrogênio afetaram diretamente o poder
calorífico da madeira (PROTASIO et al., 2011).
O estoque de carbono da madeira do fuste apresentou maior média e valor dentro
do aceitável quando comparado com a madeira do galho (Tabela 1). Protásio et al. (2015)
observaram para os clones de Eucalyptus urophylla altos valores de estoque de carbono
chegando em média a 297 kg m-3.
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Avaliação tecnológica do carvão vegetal produzido do fuste e do galho do clone de
Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis.
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Assemelhando-se as tendências observadas para o teor de carbono fixo, o carvão
vegetal do fuste, quando comparado com o carvão vegetal do galho, possui maior teor de
carbono elementar e baixo teor de oxigênio e, consequentemente, o seu poder calorífico
superior foi mais elevado.
O rendimento energético da carbonização apresentou maior média para o carvão ve-
getal proveniente da madeira do fuste quando comparado com o carvão obtido da madeira
do galho (Tabela 2). O rendimento energético da conversão de madeira em carvão vegetal
também provavelmente não foi influenciado pelo material genético, haja vista que, esse pa-
râmetro do processo e consideravelmente alterado pela temperatura final de carbonização
(PROTÁSIO et al., 2014) e, neste trabalho, os carvões vegetais foram obtidos consideran-
do-se temperatura final de carbonização próxima a estudada pelos autores supracitados.
Resultados similares foram observados por Protásio et al. (2014) para a pirólise lenta da
madeira de clones de Eucalyptus aos 58 meses de idade. Os autores observaram rendi-
mento energético médio de 52,4%, ou seja, similar ao encontrado neste trabalho (53,72 %)
para o carvão vegetal obtido da madeira do fuste do clone de E. urophylla x E. gradis aos
13 anos de idade.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: Standard
Test Methods for Specific Gravity of Wood and Wood-Based. 2005.
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5. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 8112: Carvão
vegetal: análise imediata. Rio de Janeiro: Abnt Editora, 5 p. 1986.
11. CHANNIWALA, S.A; PARIKH, P.P. A Unified Correlation for Estimating HHV of Solid,
Liquid and Gaseous Fuels. Fuel, 81, 1051-1063, 2002.
14. DEUTSCHES INSTITUT FÜR NORMUNG - DIN EN 15103. Solid biofuels - determi-
nation of bulk density 2010 Edition, April 2010.
16. IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores. Relatório 2020. Brasília, p. 66, 2020. Disponível
em: https://iba.org/datafiles/publicacoes/relatorios relatorio-iba-2020.pdf. Acesso em:
22 fev. 2021.
20. MARCHESAN, R. et al. Quality of Eucalyptus urograndis charcoal produced in the sou-
thern region of Tocantins. Revista Floresta, Curitiba, PR, v. 49, n. 4, p. 691-700, 2019.
21. MARCHESAN, R. et al. Quality of charcoal from three species of the Eucalyptus AND
THE Corymbia citriodora species planted in the south of Tocantins. Revista Floresta,
Curitiba, PR, v. 50, n. 3, p. 1643 -1652, 2020.
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22. PARIKH, J. Et al. A correlation for calculating elemental composition from proximate
analysis of biomass materials. Fuel, v. 86, p.710–1719, 2007.
29. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.
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06
Avaliação da qualidade energética do
carvão vegetal de três espécies do cerrado
Sensu stricto
'10.37885/220910323
RESUMO
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Devido à importância da produção bioenergética por meio do carvão vegetal, do rea-
proveitamento de florestas nativas que serão desmatadas para substituição do uso de solo
e da necessidade de estudar a qualidade e o potencial energético de espécies do Cerrado,
esta pesquisa teve por objetivo avaliar a qualidade energética do carvão vegetal produzido
a partir da madeira de três espécies do cerrado sensu stricto.
MÉTODOS
Amostragem
Foram selecionadas três árvores de cada espécies pelo método de amostragem alea-
tória simples conforme Wastowski (2018). As toras coletadas em campo foram processadas
para a confecção de doze corpos de prova selecionados de forma homogênea para cada uma
das três espécies em estudo, totalizando 36 corpos de prova com dimensões aproximadas de
2,0 x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento). Para o estudo foram realizados dois
tratamentos sendo doze corpos de prova para cada espécie avaliada, com seis repetições
para cada marcha de carbonização (500 e 550°C), respectivamente. Os mesmos corpos de
provas foram utilizados para todos os testes realizados neste estudo.
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Propriedades energéticas do carvão vegetal
A recuperação dos gases condensáveis foi realizada por meio de uma adaptação ao
forno mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los
em um composto de ácido acético, fórmico, metanol e alcatrão chamado licor pirolenhoso.
Pela diferença entre o rendimento gravimétrico total em carvão e o rendimento total
em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total em gases não condensáveis (NICOLINI
et al., 2013). O rendimento gravimétrico total é a relação percentual entre a massa seca
do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem em balança analítica
(NICOLINI et al., 2013). A densidade aparente do carvão foi determinada com base a norma
da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT NBR 9156 (ABNT, 1985).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) em que se determinaram os teores de material voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. O poder calorífico foi calculado segundo Vale et al. (2002).
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RESULTADOS
Tabela 2. Valore médios de densidade básica da madeira das espécies S. aureum, A. fraxinifolium e H. ochraceus.
Espécies Db (g/cm³) F
S. aureum 0,472 c (2,39)
A. fraxinifolium 0,577 b (1,82) 239,62*
Handroanthus ochraceus 0,643 a (4,13)
Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste
de Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação
(%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.
O maior rendimento gravimétrico total em carvão foi para a espécie S. aureum (27,74%)
e o menor foi para a H. ochraceus (27,17%) na marcha de carbonização de 500°C. Na marcha
de carbonização de 550°C, o maior valor total foi para a espécie A. fraxinifolium (29,53%),
e o menor valor foi para a S. aureum (27,84%) (Tabela 3).
Em relação ao rendimento em gases condensáveis, foi observado entre as três espécies
o maior valor total para a S. aureum (53,64% e 46,80%) e o menor valor para A. fraxinifolium
(43,11% e 44,55%), nas marchas de carbonização de 500°C e 550°C, respectivamente.
Observa-se que entre as três espécies, a que apresentou maior rendimento total em
gases não condensáveis foi a A. fraxinifolium (29,34% e 25,91%) e o menor foi a S. aureum
(26,51% e 25,16%), para as marchas com temperatura final de 500°C e 550°C.
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Tabela 3. Valores totais de rendimento gravimétrico total em carvão vegetal (RG carvão), rendimento de gases condensáveis
(RGC) e gases não condensáveis (RGNC) das madeiras de A. fraxinifolium, S. aureum e H. ochraceus.
Marchas de carbonização
Espécies Parâmetros
500°C 550°C
RG carvão (%) 27,54 29,53
A. fraxinifolium RGC (%) 43,11 44,55
RGNC (%) 29,34 25,91
RG carvão (%) 27,74 27,84
S. aureum RGC (%) 45,75 46,8
RGNC (%) 26,51 25,16
RG carvão (%) 27,17 28,31
H. ochraceus RGC (%) 45,18 46,59
RGNC (%) 27,65 25,18
Nota-se diferenças estatísticas significativas entre as espécies, mas não houve dife-
renças significativas entre as marchas de carbonização e não houve interação entre os dois
fatores ao nível de probabilidade de 5% em relação à densidade aparente do carvão vegetal.
Entre as três espécies, a maior média foi a da H. ochraceus (0,491 g/cm-3) e a menor foi
para S. aureum (0,314 g/cm-3) (Tabela 4).
Tabela 4. Valores médios de densidade aparente do carvão vegetal da madeira de S. aureum, A. fraxinifolium, e H.
ochraceus.
Espécies Da (g/cm³) F
S. aureum 0,314 c (3,80)
A. fraxinifolium 0,405 b (4,36) 78,91*
H. ochraceus 0,491 a (11,43)
Marchas de carbonização Da (g/cm³) F
500°C 0,403 a (20,31)
0,02ns
550°C 0,403 a (19,83)
Interação Da (g/cm³) F
Espécies x Bateria - 0,090ns
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Sig-
nificativo ao nível de 5% de probabilidade. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade.
Em relação ao teor de matérias voláteis pode-se observar que houve diferenças signi-
ficativas entre as três espécies e as marchas de carbonização, porém não houve interação
entre os dois fatores uma vez que o teste F não se apresentou significativo ao nível de 5%
de probabilidade. A maior média encontrada foi para a A. fraxinifolium (43,03%) e a menor foi
para a S. aureum (24,23%). A marcha de carbonização de 500°C apresentou a maior média
(32,49%) quando comparada com a marcha de carbonização de 550°C (28,87%) (Tabela 5).
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Tabela 5. Valores médios de materiais voláteis do carvão vegetal das madeiras de S. aureum, H. ochraceus e A. fraxinifolium.
Espécies MV (%) F
S. aureum 24,23 b (10,03)
H. ochraceus 24,79 b (9,18) 529,67*
A. fraxinifolium 43,03 a (6,04)
Marchas de carbonização MV (%) F
500°C 32,49 a (28,67)
45,77*
550°C 28,87 b (30,93)
Interação MV (%) F
Espécies x Bateria - 1,54ns
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Sig-
nificativo ao nível de 5% de probabilidade. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade.
Tabela 6. Valores médios de carbono fixo do carvão vegetal das madeiras de A. fraxinifolium, S. aureum e H. ochraceus.
Espécies CF (%) F
A. fraxinifolium 53,89 b (4,71)
637,00*
S. aureum 73,54 a (3,04)
H. ochraceus 74,16 a (3,08)
Marchas de carbonização CF (%) F
500°C 65,43 b (15,36)
44,61*
550°C 68,96 a (13,86)
Interação CF (%) F
Espécies x Marcha - 1,28 ns
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Sig-
nificativo ao nível de 5% de probabilidade. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade.
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Tabela 7. Valor médio para o teor de cinzas do carvão vegetal das madeiras de H. ochraceus, S. aureum e A. fraxinifolium.
Tabela 8. Valores médios de poder calorífico superior do carvão vegetal das madeiras de A. fraxinifolium, S. aureum e
H. ochraceus.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
A. fraxinifolium 6588,29 bB (1,29) 6797,43 bA (0,94)
PCS (kcal/kg) S. aureum 7314,22 aB (0,67) 7447,81 aA (0,60) 3,34*
H. ochraceus 7362,89 aB (092) 7440,63 aA (0,74)
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05). Valores
entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade. Ns Não
significativo ao nível de 5% de probabilidade.”
DISCUSSÃO
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a finalidade. Segundo Santos et al. (2016) a densidade básica da madeira é um parâmetro
referencial para a seleção de espécies florestais indicadas para produção de energia por
queima direta e para a produção de carvão vegetal.
Nota-se que para o rendimento gravimétrico total em carvão vegetal ocorreu um acrés-
cimo com o aumento da temperatura final de carbonização para as três espécies avaliadas
(Tabela 2). Silva et al. (2020) observaram que com o aumento da temperatura final de car-
bonização houve um decréscimo no rendimento gravimétrico total em carvão vegetal. Vieira
et al. (2013) e Silva et al. (2020) relataram que o rendimento gravimétrico é influenciado por
parâmetros de processo como a temperatura e quanto maior a temperatura final, menor o
rendimento em massa. As espécies avaliadas nesta pesquisa apresentaram um comporta-
mento inesperado em relação à espécies já estudadas por outros autores.
O rendimento total em carvão vegetal não se encontra dentro do recomendado para
carvões provenientes das madeiras das três espécies estudadas (Tabela 3), pois o mesmo
está abaixo de 30% (COPAM, 2018).
Silva et al. (2020) estudaram carvão vegetal proveniente da madeira de cinco espécies
nativas da fitofisionomia de cerrado sensu stricto e obtiveram valores médios para o rendi-
mento gravimétrico total em carvão vegetal variando entre 28,84 a 36,25%, respectivamente.
Costa et al. (2014) caracterizaram cinco espécies do Cerrado e observaram valores médios
para o rendimento gravimétrico variando de 30,88 a 34,39%.
O rendimento total em licor pirolenhoso aumentou com o acréscimo da temperatura
final de carbonização e o rendimento total em gases não condensáveis diminuiu para as
três espécies estudadas (Tabela 3). Conforme Silva et al. (2020) o aumento da tempera-
tura final de carbonização causa acréscimo no rendimento total em líquido pirolenhoso e
diminuí o rendimento total em gases não condensáveis, pois os mesmos são diretamente
correlacionados.
Silva et al. (2020) obtiveram em estudo realizado para avaliar o efeito da temperatura
final de carbonização na qualidade do carvão vegetal da madeira de cinco espécies nativas
do cerrado sensu stricto valores médios entre 41,74 a 53,54% para o rendimento em gases
condensáveis e para gases não condensáveis valores médios variando de 16,95 a 23,95%
na marcha de carbonização de 500°C. Para temperatura final de carbonização de 550°C
os valores médios foram de 43,30 a 52,69% para rendimento em licor e de 17,78 a 24,01%
para o rendimento em gases não condensáveis. Os valores para rendimento em licor foram
superiores e o rendimento em gases não condensáveis foi inferior ao observado neste estudo
para as marchas de carbonização de 500 e de 550°C .
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Pode-se observar para a densidade aparente do carvão vegetal da madeira de H. ochra-
ceus maior valor médio quando comparado com as demais espécies avaliadas (Tabela
4). De modo geral, madeiras de alta densidade também apresentam maior densidade apa-
rente do carvão vegetal (SANTOS et al., 2016 e SILVA et al., 2020). Esta relação também
foi constatada nesta pesquisa.
Costa et al. (2014) avaliaram espécies do Cerrado na temperatura final de carbonização
de 450 ºC e observaram variação de 0,255 a 0,475 g/cm-3 de densidade aparente do carvão
vegetal. Silva et al. (2020) obtiveram valores médios na temperatura final de carbonização
500 e 550°C variando entre 0,51 a 0,53 g/cm-3 para densidade aparente do carvão vegetal da
madeira cinco espécies nativas do cerrado sensu stricto. Valores próximos aos observados
neste estudo para as três espécies nativas avaliadas.
Nota-se que com o aumento da temperatura final de carbonização houve um decrés-
cimo no teor de materiais voláteis do carvão vegetal (Tabela 5). Fato este observado por
Figueiredo et al. (2018) e Silva et al. (2020) em que os autores afirmam que a temperatura
e a taxa de aquecimento são parâmetros que interferem diretamente no percentual de vo-
láteis nos materiais.
O teor de materiais voláteis do carvão vegetal das madeiras de S. aureum e H. ochra-
ceus encontram-se dentro do recomendado para uso na indústria siderúrgica. Santos et al.
(2016) citam que os valores médios ideais para o teor de materiais voláteis do carvão vegetal
devem variar entre 20 e 25% e que porcentagens inferiores a 25% são desejadas para o
uso siderúrgico.
Observa-se que com o aumento da temperatura final de carbonização houve um acrés-
cimo no teor de carbono fixo (Tabela 6). Uma possível explicação para este fato ter ocorrido
é devido o teor de materiais voláteis ter diminuído com o aumento da temperatura final de
carbonização. O teor de carbono fixo está diretamente relacionado ao teor de material volátil,
desta forma, carvões vegetais que apresentam menores teores de materiais voláteis tendem
a apresentar menores teores de carbono fixo (SILVA et al., 2020).
Os teores de carbono fixo do carvão vegetal das madeiras de S. aureum e H. ochraceus
apresentaram os maiores valores médios (Tabela 6), assim sendo as mais indicadas para
produção de energia. Combustíveis com teores elevados de carbono fixo são preferíveis
para o uso siderúrgico, devido à estabilidade térmica e elevado poder energético (NEVES
et al., 2011 e SILVA et al., 2020).
Em relação ao teor de cinzas do carvão vegetal a madeira de H. ochraceus apresen-
tou uma redução de 53,12% quando comparada com a espécie S. aureum, e redução de
66,02% quando comparada com a espécie A. fraxinifolium (Tabela 7). Observa-se para o teor
de cinzas do carvão vegetal da madeira das três espécies avaliadas, que o carvão vegetal
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de H. ochraceus apresentou valor médio dentro do recomendado pela literatura para uso
na indústria siderúrgica.
Silva et al. (2020) estudando cinco espécies nativas do cerrado sensu stricto observaram
para o teor de cinzas do carvão vegetal valores médios entre 0,55% à11,6%, respectivamente.
Observa-se que com acréscimo na temperatura final de carbonização houve um au-
mento no poder calorífico superior devido ter ocorrido redução de voláteis e aumento no
carbono fixo (Tabela 8). Este mesmo fato foi observado por Silva et al. (2020) que estudaram
cinco espécies provenientes da fitofisionomia de cerrado sensu stricto. Os mesmos autores
relataram que uma possível explicação para este fato ter ocorrido é devido ao teor carbono
fixo aumentar com aumento da temperatura final de carbonização (SILVA et al., 2018).
Costa et al. (2014) encontraram valores médios de poder calorífico entre 7135 a 7730
kcal/kg-1 para cinco espécies do Cerrado. Silva et al. (2020) observaram para o poder calo-
rifico superior do carvão vegetal de cinco espécies do cerrado sensu stricto valores médios
entre 6904,62 à 7438,21 kcal/kg-1 para temperatura final de carbonização de 500°C e, de
7224,82 a 7542,66 kcal/kg-1, na marcha de carbonização de 550°C, respectivamente. Estes
valores foram próximos ao observado para S. aureum e H. ochraceus.
CONCLUSÃO
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REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-1762-84: standard
method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia, 2007. 2 p.
2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: standard test
methods for specific gravity of wood and wood-based materials. Philadelphia, 2005. 8 p.
11. MATA NATIVA. Madeira Para Geração de Energia Verde. Disponível em: < https://
matanativa.com.br/madeira-para-geracao-de-energia-verde/>Acesso em: 29 de se-
tembro de 2022.
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94
15. SANTOS, R. C. S. et al. Influência das propriedades químicas e da relação siringil/
guaiacil da madeira de eucalipto na produção de carvão vegetal. Ciência Florestal,
v. 26, n. 2, p. 657-669, 2016.
16. SILVA, R. C. et al. Effect of the final carbonization temperature on the quality of five
species of cerrado. Floresta, v. 50, n. 4, p. 1902-1911, 2020.
20. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.
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07
Diospyros hispida, Xylopia aromatica e
Mouriri pusa como alternativa bioenergética
na região Sul do Tocantins
'10.37885/221010685
RESUMO
O presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade do carvão vegetal de três espécies
nativas do Cerrado, visando a produção de energia na região Sul do estado do Tocantins.
Para o estudo foram selecionadas as madeiras de Xylopia aromatica (Lam.) Mart., Mouriri
pusa Gardner e Diospyros hispida A.DC. No preparo do material foram confeccionados 10
corpos de prova de cada espécie com as dimensões de 2,0 x 2,0 x 5,0 cm, sendo 5 repe-
tições para cada marcha de carbonização com diferentes temperaturas finais e taxas de
aquecimento. Foi determinada a densidade básica da madeira, rendimento gravimétrico total,
rendimentos totais em gases condensáveis e não condensáveis, análise química imediata
(AQI) e poder calorífico superior. A madeira de Mouriri pusa apresentou maiores valores
médios para a densidade básica (0,74 g/cm-³) e o carvão vegetal da madeira de Diospyros
hispida a maior média de densidade aparente do carvão (0,59 g/cm-³). Na análise química
imediata as espécies Xylopia aromatica e Diospyros hispida apresentaram as melhores
medias dentre todas as espécies. O poder calorífico variou de 7332,24 a 7566,89 (kcal/kg),
sendo considerado um valor aceitável para a produção energética. Recomenda-se a marcha
de carbonização final de 550°C e as madeiras de Xylopia aromatica e Diospyros hispida que
apresentaram as melhores propriedades para a produção de carvão vegetal de boa qualidade.
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MÉTODOS
Amostragem
Foram selecionadas três árvores de cada espécies pelo método de amostragem alea-
tória simples conforme Wastowski (2018). As toras coletadas em campo foram processadas
para a confecção de dez corpos de prova selecionados de forma homogênea em cada uma
das três espécies em estudo, totalizando 30 corpos de prova com dimensões aproximadas
de 2,0 x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento). Para o estudo foram realizados
dois tratamentos sendo dez corpos de prova para cada espécie avaliada com cinco repetições
para cada marcha de carbonização (500 e 550°C), respectivamente. Os mesmos corpos de
provas foram utilizados para todos os testes realizados neste estudo.
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Tabela 1. Temperatura e tempo de carbonização em função da marcha de carbonização.
RESULTADOS
Densidade básica
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Tabela 2. Valores médios de densidade básica da madeira de Xylopia aromatica, Mouriri pusa e Diospyros hispida.
Espécies Db (g/cm³) F
Xylopia aromatica 0,64 (3,32) b
Mouriri pusa 0,74 (4,54) a 45,41*
Diospyros hispida 0,64 (3,97) b
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * significativo ao nível de 5% de probabilidade
(p<0.05).
Tabela 3. Valores totais em rendimento gravimétrico do carvão vegetal, gases condensáveis e em gases não condensáveis
do processo de pirólise da madeira de Xylopia aromatica, Mouriri pusa e Diospyros hispida nas temperaturas finais de
carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Aquecimento
Espécies Parâmetros
500°C 550°C
RG carvão (%) 31,15 30,16
Xylopia aromatica RGC (%) 43,47 40,68
RGNC (%) 25,37 29,15
RG carvão (%) 35,13 32,05
Mouriri pusa RGC (%) 35,85 41,94
RGNC (%) 25,00 26,01
RG carvão (%) 29,23 31,06
Diospyros hispida
RGC (%) 50,15 48,44
RGNC (%) 20,61 20,49
Nota: RG carvão: rendimento gravimétrico em carvão vegetal, RGC: Rendimento em gases con-
densáveis e RGNC: rendimento em gases não condensáveis.
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Tabela 4. Valores médios de densidade aparente e cinzas do carvão vegetal das madeiras de Xylopia aromatica, Mouriri
pusa, Diospyros hispida e para marchas de carbonização com temperatura final de 500 e 550°C.
Espécies DA (g/cm³) F Cinzas (%) F
Xylopia aromatica 0,49 b (4,74) 0,50 c (13,85)
Mouriri pusa 0,46 c (3,00) 118,75* 1,85 a (12,06) 282,14*
Diospyros hispida 0,59 a (4,71) 0,72 b (13,56)
Marchas de carbonização DA (g/cm³) F Cinzas (%) F
500°C 0,51 a (12,22) 1,04 a (92,96)
1,04ns 0,29ns
550°C 0,52 a (11,51) 1,01 a (84,73)
Interação DA (g/cm³) F Cinzas (%) F
Espécies x Bateria - 0,48ns - 0,71ns
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * significativo ao nível de 5% de probabilidade
(p<0.05).
Os valores médios dos teores de materiais voláteis, carbono fixo e poder calorífico
superior do carvão vegetal das madeiras das três espécies avaliadas e para marchas de
carbonização de 500 e 550ºC encontram-se na Tabela 5. Pode-se observar diferenças esta-
tísticas significativas entre as três espécies, as marchas de carbonização e a interação entre
os dois fatores pelo fato de as espécies terem sido afetadas pelas marchas de carbonização
para os teores de materiais voláteis, carbono fixo e para poder calorífico do carvão vegetal
ao nível de 5% de probabilidade.
Tabela 5. Valores médios dos teores de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF) e poder calorífico superior (PCS) do
carvão vegetal das madeiras de Xylopia aromatica, Mouriri pusa, Diospyros hispida e para marchas de carbonização de
500 e 550°C.
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Figura 1. A: Correlação de Pearson (r) entre variáveis densidade básica da madeira (Db) e densidade aparente (Da). B:
Correlação de Pearson (r) entre variáveis: carbono fixo (%) e materiais voláteis (%); C: Correlação de Pearson (r) entre
as variáveis: poder calorífico superior (kcal/kg) e carbono fixo (%) do carvão vegetal das madeiras de Xylopia aromatica,
Mouriri pusa, Diospyros hispida e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
DISCUSSÃO
Densidade básica
Pode-se observar que a madeira de Mouriri pusa apresentou alta densidade básica
enquanto a madeira das demais espécies avaliadas apresentaram-se de média densidade
básica (Tabela 2). Conforme Silveira et al. (2013) as madeiras são classificadas como sen-
do de média densidade básica quando se encontram entre 0,550 e 0,720 g/cm-3 e de alta
densidade básica quando apresentam-se com valores superiores a 0,730 g/cm-3.
Conforme Pereira et al. (2016) o desejável para a produção de carvão vegetal é a
madeira apresentar um valor considerável de densidade básica pois, uma vez que, quanto
maior a densidade básica da madeira, maior a massa de carvão vegetal produzido para um
determinado volume.
Silva et al. (2020) estudaram cinco espécies provenientes do cerrado sensu stricto
e obtiveram valores médios para densidade básica da madeira entre 0,54 à 0,74 g/cm-3.
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Valores próximos ao observado nesta pesquisa para madeiras das três espécies proveniente
da fitofisionomia de cerrado sensu stricto.
Nota-se redução nos valores totais em rendimento gravimétrico do carvão vegetal com
o aumento da temperatura final para Xylopia aromatica e Mouriri pusa (Tabela 3). Foi cons-
tatado para o rendimento gravimétrico do carvão vegetal da madeira de Diospyros hispida
um comportamento inesperado, pois devido a decomposição dos constituintes químicos
da madeira esperava-se a diminuição do rendimento gravimétrico em carvão vegetal. Silva
et al. (2020) avaliaram o carvão vegetal da madeira de cinco espécies do cerrado sensu
stricto, obtido pelo processo de pirólise utilizando as marchas de carbonização de 500 e
550°C e observaram que com o acréscimo da temperatura final de carbonização houve um
decréscimo no valor total em rendimento gravimétrico do carvão vegetal.
Costa et al. (2014) estudaram o carvão vegetal proveniente da madeira de cinco es-
pécies do Cerrado e denotaram valores médios para o rendimento gravimétrico em carvão
vegetal entre 30,88 e 34,39%. Protásio et al. (2011) observaram em estudo sobre a qualidade
do carvão vegetal de Qualea parviflora, espécie do Cerrado, e obtiveram valor médio em
rendimento do carvão de 34,60%. Os valores descritos pelos autores foram próximos aos
encontrados neste estudo para as três espécies do bioma Cerrado.
Em relação ao rendimento em gases condensáveis observa-se uma diminuição ao
aumentar a temperatura final de carbonização (Tabela 3), o que pode ter ocorrido devido
o rendimento gravimétrico do carvão vegetal ter diminuído, pois este parâmetro é afetado
pelo processo como a temperatura final e taxa de aquecimento assim sendo quanto maior
a temperatura final, menor o rendimento em massa, que resulta em acréscimo nos rendi-
mentos em gases condessáveis.
Pode-se observar que, com o aumento da temperatura final de carbonização, hou-
ve um decréscimo para o rendimento em gases não condensáveis para as três espécies
avaliadas nesta pesquisa (Tabela 3). Conforme Vieira et al. (2013) e Jesus et al. (2017)
quanto maior o grau de degradação da madeira no processo de carbonização menor é o
rendimento em carvão vegetal, maior será o rendimento em licor e menor rendimento em
gases não condensáveis.
Silva et al. (2020) estudaram o efeito da temperatura final de carbonização em cinco
espécies nativas do cerrado sensu stricto e obtiveram rendimento em gases condensáveis
entre 53,64 e 41,57% e rendimento em gases não condensáveis variando de 23,94% a
24,01% na marcha de carbonização de 500°C. Na marcha de carbonização de 550°C os
valores médios foram de 54,69 a 43,30% para rendimento em licor e de 24,01 a 18,74% para
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o rendimento em gases não condensáveis. Os valores para rendimento em gases conden-
sáveis e não condensáveis foram próximos ao observado neste estudado para as marchas
de carbonização de 500 e de 550°C, respectivamente.
Nota-se para densidade aparente na marcha de carbonização de 500°C o valor médio
de 0,51 g/cm-3 e na marcha de carbonização de 550°C o valor médio de 0,52 g/cm-3 para o
carvão vegetal das madeiras das três espécies avaliadas (Tabela 5). O carvão vegetal das
madeiras de Xylopia aromatica, Mouriri pusa e Diospyros hispida foram considerados de
média densidade aparente (Tabela 5).
A densidade aparente do carvão apresentou correlação positiva com a densidade
básica da madeira (Figura 1-A). Vale et al. (2010) afirmam que a densidade aparente do
carvão é diretamente proporcional a densidade básica da madeira, ou seja, quanto menor
a densidade básica da madeira consequente menor será a densidade aparente do carvão.
Esta correlação entre densidade básica da madeira e densidade aparente do carvão vegetal
concede uma base sólida e importante para a escolha de espécies destinadas a produção
de carvão (SANTOS et al., 2016).
Segundo Silva et al. (2020) a qualidade do carvão vegetal depende da densidade
aparente do carvão. As três espécies avaliadas neste estudo apresentaram potencial para
produção de carvão vegetal ao observar a densidade aparente do carvão vegetal proveniente
da madeira das mesmas, pois foram consideradas médias.
Observa-se que os teores de materiais voláteis e carbono fixo na marcha de carboni-
zação de 500°C não apresentaram valores médios recomendados para o carvão vegetal da
madeira de Mouriri pusa (Tabela 5). A temperatura final de carbonização de 550°C apresentou
valores aceitáveis para produção de energia para o teor de materiais voláteis e carbono fixo
para o carvão vegetal da madeira das três espécies avaliadas (Tabela 5). Combustíveis com
teores elevados de carbono fixo são preferíveis para o uso siderúrgico, devido à estabilidade
térmica e elevado poder energético (NEVES et al., 2011). Para os teores de cinzas em am-
bas as marchas de carbonização, foram observados valores médios aceitáveis (Tabela 4).
Nota-se correlação positiva entre o teor de materiais voláteis e carbono fixo (Figura
1-B), o que explica o fato de o teor de carbono fixo ter sido baixo para o carvão vegetal das
três espécies avaliadas na marcha de carbonização de 500°C, pois quanto maior for o teor
de materiais voláteis menor será o teor de carbono fixo do carvão vegetal.
Os teores de materiais voláteis e cinzas para o carvão vegetal das três espécies estu-
dadas (Tabela 4 e 5) foram considerados inferiores aos observados por Costas et al. (2014),
em estudo realizado para caracterizar o carvão de cinco espécies do Cerrado, os valores
médios variaram de 18 a 14,4% para o teor de materiais voláteis, de 77,2 a 81% para o teor
de carbono fixo e de 2,4 a 5,2 para o teor de cinzas.
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Pode-se notar acréscimo do poder calorífico superior do carvão vegetal obtido da ma-
deira de Xylopia aromatica, Mouriri pusa e Diospyros hispida com o aumento da temperatura
final de carbonização, isto ocorreu devido o teor de carbono fixo ter sido maior e o teor de
materiais voláteis menor na marcha de carbonização de 550°C. De acordo com Brand (2010)
o poder calorífico é afetado pelos teores de carbono fixo e voláteis.
Silva et al. (2020) caracterizaram o carvão vegetal proveniente da madeira de cinco
espécies do Cerrado e observaram para o poder calorífico superior do carvão vegetal valores
médios entre 7438,21 e 6904,62 kcal/kg-¹ para temperatura final de carbonização de 500°C
e de 7542,66 a 7224,82 kcal/kg-¹ para a temperatura final de 550°C. Os valores médios para
o poder calorífico superior do carvão vegetal obtidos nesta pesquisa para a madeira das três
espécies foram considerados próximos aos observados pelos autores supracitados.
Observa-se na Figura 1-C correlação positiva entre o poder calorífico superior e o teor
de carbono fixo. Segundo Silva et al. (2018) existe uma correlação positiva entre o teor de
carbono fixo e o poder calorífico superior do carvão vegetal, o que comprova a correlação
entre estes parâmetros nesta pesquisa para carvão vegetal da madeira das três espécies e
respectivas marchas de carbonização.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-1762-84: standard
method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia, 2007. 2 p.
2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: standard test
methods for specific gravity of wood and wood-based materials. Philadelphia, 2005. 8 p.
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106
3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9156: determinação da
densidade relativa aparente, relativa verdadeira e porosidade: método de ensaio. Rio
de Janeiro, 1985. 8 p.
14. SILVA, R. C. et al. Effect of the final carbonization temperature on the quality of five
species of cerrado. Floresta, v. 50, n. 4, p. 1902-1911, 2020.
18. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.
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107
19. WASTOWSKI, A. D. Química da madeira.1 ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência,
2018. 566p.
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08
Resíduos florestais de área de substituição
de uso do solo como alternativa
bioenergética
'10.37885/221010687
RESUMO
O objetivo desse estudo foi produzir e avaliar o carvão vegetal de três espécies nativas do
Cerrado provenientes de resíduos da prática de substituição de uso do solo para implantação
de pastagem na região sul do estado do Tocantins. As madeiras obtidas foram das espécies
Heliocarpus popayanensis Kunth (pau-jangada), Pterodon emarginatus Vogel. (sucupira-
-branca) e Jacaranda mimosifolia D.Don. (jacarandá), respectivamente. Primeiramente foi
determinada a densidade básica da madeira, calculada pelo método da balança hidrostá-
tica. O carvão vegetal foi produzido por meio do processo de pirólise da madeira em um
forno tipo mufla adaptado para captação do licor pirolenhoso, em que foram utilizadas duas
marchas com temperaturas finais de 500°C e 550°C. Determinou-se a densidade aparente,
a análise química imediata (AQI) do carvão vegetal, e por fim calculou-se o poder calorífico
superior. Os teores de materiais voláteis das espécies Pterodon emarginatus (21,46%) e
Jacaranda mimosifolia (22,45%) encontraram-se dentro do recomendado pela literatura
para carvão de boa qualidade. Os teores de carbono fixo e cinzas e o poder calorífico
superior também foram considerados satisfatórios para Pterodon emarginatus (77,71%,
0,43% e 7519,68 kcal/kg) e Jacaranda mimosifolia (76,34%, 1,15% e 7474,32 kcal/kg),
com potencial para geração de energia. Recomenda-se para produção de carvão vegetal
as madeiras de Pterodon emarginatus e Jacaranda mimosifolia na temperatura final de
carbonização de 550°C.
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Mediante a importância de estudar carvão vegetal com intuito de maior aproveitamento
das florestas nativas que serão suprimidas no bioma Cerrado, esta pesquisa teve por objeti-
vo produzir e avaliar o carvão vegetal de três espécies nativas do Cerrado provenientes de
resíduos da prática de substituição de uso do solo para implantação de pastagem na região
sul do estado do Tocantins.
MÉTODOS
Amostragem
Foram selecionadas três árvores de cada espécie pelo método de amostragem aleatória
simples conforme Wastowski (2018). As toras coletadas em campo foram processadas para
a confecção de doze corpos de prova selecionados de forma homogênea para cada uma das
três espécies em estudo, totalizando 36 corpos de prova com dimensões aproximadas de
2,0 x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento). Para o estudo foram realizados dois
tratamentos sendo doze corpos de prova para cada espécie avaliada, com seis repetições
para cada marcha de carbonização (500 e 550°C), respectivamente. Os mesmos corpos de
provas foram utilizados para todos os testes realizados neste estudo.
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112
Propriedades energéticas do carvão vegetal
Temperatura (°C)
Marcha T. A. (°C/min) Tempo Total
150 200 250 350 450 500 550
1 1h 1h 1h30 1h30 1h 1h - 1,2 7h
2 1h 1h 1h30 1h30 30min 30min 30min 1,4 6h30
Nota: T. A.: Taxa de aquecimento.
Fonte: Silva et al. (2020).
A densidade aparente do carvão foi determinada com base a norma NBR 9156 (ABNT,
1985). A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma D 1762-84
(ASTM, 2007) em que se determinou os teores de material voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. O poder calorífico foi calculado segundo Vale et al. (2002).
RESULTADOS
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Tabela 2. Valore médios de densidade básica da madeira das espécies Heliocarpus popayanensis, Jacaranda mimosifolia
e Pterodon emarginatus.
Tabela 3. Valores médios de densidade aparente (Da) do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis
Pterodon emarginatus, Jacaranda mimosifolia e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
Heliocarpus popayanensis 0,25 aA (4,58) 0,25 aA (4,21)
Da (g/cm³) Pterodon emarginatus 0,55 cB (1,31) 0,53 cA (2,07) 11,38*
Jacaranda mimosifolia 0,49 bA (2,86) 0,51 bB (2,67)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.
Os valores médios dos teores de materiais voláteis do carvão vegetal das madeiras
das três espécies avaliadas e para marchas de carbonização de 500 e 550ºC encontram-se
na Tabela 4. Pode-se observar diferenças estatísticas significativas entre as três espécies,
as marchas de carbonização e a interação entre os dois fatores pelo fato de as espécies
terem sido afetadas pelas marchas de carbonização para os teores de materiais voláteis do
carvão vegetal ao nível de 5% de probabilidade.
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Tabela 4. Valores médios do teor de materiais voláteis (MV) do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis
Pterodon emarginatus, Jacaranda mimosifolia. e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
Heliocarpus popayanensis 29,34 cB (5,65) 22,8 aA (12,71)
MV (%) Pterodon emarginatus 25,47 bB (9,15) 21,46 aA (14,10) 14,94*
Jacaranda mimosifolia 21,78 aA (4,37) 22,45 aA (1,96)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.
Tabela 5. Valores médios do teor de carbono fixo (CF) do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis
Pterodon emarginatus, Jacaranda mimosifolia e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
Heliocarpus popayanensis 64,22 aA (2,29) 69,25 aB (4,19)
CF (%) Pterodon emarginatus 73,71 bA (3,16) 77,71 cB (3,88) 12,28*
Jacaranda mimosifolia 77,21 cA (1,30) 76,34 bA (0,62)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.
Tabela 6. Valores médios do teor de cinzas do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis Pterodon
emarginatus, Jacaranda mimosifolia e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Espécie Cinzas (%) F
Heliocarpus popayanensis 4,30 c (20,32)
Pterodon emarginatus 0,43 a (27,31) 188,29*
Jacaranda mimosifolia 1,15 b (22,70)
Temperatura (°C) Cinzas (%) F
500 1,91 a (47,46)
0,32ns
550 2,01 a (49,0)
Interação Cinzas (%) F
Espécie x Temperatura - 0,27 ns
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.
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Na Tabela 7 observa-se os valores médios para o poder calorífico superior do carvão
vegetal das madeiras das três espécies avaliadas e para marchas de carbonização de 500
e 550ºC, respectivamente.
Nota-se diferenças estatísticas significativas entre as três espécies, entre as marchas
de carbonização e a interação entre os dois fatores pelo fato de as espécies terem sido
afetadas pelas marchas de carbonização para o poder calorífico do carvão ao nível de 5%
de probabilidade.
Tabela 7. Valores médios de poder calorífico superior (PCS) do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis
Pterodon emarginatus, Jacaranda mimosifolia e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
Heliocarpus popayanensis 7070,94 aA (0,69) 7238,39 aB (1,33)
PCS (kcal/kg) Pterodon emarginatus 7386,79 bA (1,05) 7519,68 cB (1,33) 16,2*
Jacaranda mimosifolia 7503,15 cB (0,44) 7474,32 bA (0,21)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.
DISCUSSÃO
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Segundo Silva et al. (2020) a qualidade do carvão vegetal depende da densidade
aparente do carvão. O carvão vegetal da madeira de Pterodon emarginatus neste estudo
apresentou potencial para produção de energia ao se observar sua densidade aparente,
pois foi considerada média.
Costa et al. (2014) avaliaram espécies do Cerrado na temperatura final de carboniza-
ção de 450ºC e observaram variação de 0,26 a 0,48 g/cm-3 para a densidade aparente do
carvão vegetal. Silva et al. (2020) obtiveram valores médios na temperatura final de carboni-
zação a 500 e 550°C variando entre 0,51 a 0,53 g/cm-3 para densidade aparente do carvão
vegetal da madeira de cinco espécies nativas do cerrado sensu stricto. Valores próximos
aos observados neste estudo para o carvão vegetal da madeira de Pterodon emarginatus.
Nota-se que com o aumento da temperatura final de carbonização houve um decrés-
cimo no teor de materiais voláteis do carvão vegetal (Tabela 4). Fato este observado por
Figueiredo et al. (2018) e Silva et al. (2020) em que os autores afirmam que a temperatura
e a taxa de aquecimento são parâmetros que interferem diretamente no percentual de vo-
láteis nos materiais.
O teor de materiais voláteis do carvão vegetal das madeiras de Pterodon emargina-
tus e Jacaranda mimosifolia encontram-se dentro do recomendado para uso na indústria
siderúrgica na marcha de carbonização de 550°C (Tabela 4). Santos et al. (2016) cita que
os valores médios ideais para o teor de materiais voláteis do carvão vegetal devem variar
entre 20 e 25% e que porcentagens inferiores a 25% são desejadas para o uso siderúrgico.
Observa-se que o teor de carbono fixo na marcha de carbonização de 500°C não
apresentou valores médios recomendados para o carvão vegetal da madeira de Heliocarpus
popayanensis (Tabela 5). A temperatura final de carbonização de 550°C apresentou valo-
res aceitáveis para o teor de carbono fixo do carvão vegetal de Pterodon emarginatus e
Jacaranda mimosifolia (Tabela 5). Combustíveis com teores elevados de carbono fixo são
preferíveis para o uso siderúrgico, devido à estabilidade térmica e elevado poder energético
(NEVES et al., 2011).
Para os teores de cinzas, foram observados valores médios aceitáveis para o carvão
vegetal de Pterodon emarginatus e Jacaranda mimosifolia (Tabela 6). Silva et al. (2020)
estudaram cinco espécies nativas do cerrado sensu stricto e observaram para o teor de
cinzas do carvão vegetal médias entre 0,55% a 11,61%, respectivamente.
Observa-se que com acréscimo na temperatura final de carbonização houve um aumen-
to no poder calorífico superior devido ter ocorrido redução de voláteis e aumento no carbono
fixo (Tabela 7). Este mesmo fato foi observado por Silva et al. (2020). Os mesmos autores
relataram que uma possível explicação para este fato ter ocorrido é devido ao teor carbono
fixo aumentar com aumento da temperatura final de carbonização (SILVA et al., 2018).
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Costa et al. (2014) encontraram valores médios de poder calorífico entre 7135 à 7730
kcal/kg para cinco espécies do Cerrado. Silva et al. (2020) observaram para o poder calorífico
superior do carvão vegetal de cinco espécies do cerrado sensu stricto valores médios entre
6904,62 a 7438,21 kcal/kg para temperatura final de carbonização de 500°C e de 7224,82
a 7542,66 kcal/kg na marcha de carbonização de 550°C, respectivamente. Estes valores
foram próximos ao observado para de Pterodon emarginatus e Jacaranda mimosifolia.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-1762-84: standard
method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia, 2007. 2 p.
2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: standard test
methods for specific gravity of wood and wood-based materials. Philadelphia, 2005. 8 p.
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8. FAO. Wood energy. 2017. Avaliable from: <http://www.fao.org/ forestry/energy/en/>.
Access on: 30 outubro 2022.
10. FERREIRA, R. Q. S.; CAMARGO, M. O.; TEIXEIRA, P. R.; DE SOUZA, P. B.; DE SOU-
ZA, D. J. Diversidade florística do estrato arbustivo arbóreo de três áreas de cerrado
sensu stricto, Tocantins. DESAFIOS, v. 4, n. 2, p. 69-82, 2017.
11. MATA NATIVA. Madeira Para Geração de Energia Verde. Disponível em: < https://
matanativa.com.br/madeira-para-geracao-de-energia-verde/>Acesso em: 29 de se-
tembro de 2022.
14. SILVA, R. C. et al. Effect of the final carbonization temperature on the quality of five
species of cerrado. Floresta, v. 50, n. 4, p. 1902-1911, 2020.
17. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.
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09
Clone de Eucalyptus spp. como alternativa
para florestas energéticas na região Sul
do Tocantins
'10.37885/220910334
RESUMO
O objetivo desta pesquisa foi avaliar a qualidade energética da madeira e do carvão vegetal do
clone de E. urophylla x E. grandis, de um plantio na região Sul do Tocantins. Para a caracte-
rização da madeira foram utilizadas árvores com 11 anos de idade, seccionadas em toras da
base, diâmetros a altura do peito e topo. A madeira de E. urophylla x E. grandis apresentou
potencial para produção de energia, pois a densidade básica média, embora considerada bai-
xa (482,00 kg m-3) está próxima à recomendada pela literatura para sua utilização. Os valores
médios de De (2123,86 kcal m-3), Ec (71,61 kg m-3), MV (84,71%), CF (14,89%), Cz (0,41%)
e PCS (4413,68 kcal kg-1) da madeira apresentaram médias dentro do recomendado para
a utilização da madeira na geração de energia. O carvão de E. urophylla x E. grandis
apresentou Da (331,14 kg m-3) e De (2086,68 kcal m-3) dentro do recomendado na marcha
de carbonização de 500°C. Já, os teores de MV (37,71 %), CF (61,70%), Cz (0,60%) e o
poder calorífico superior (6988,39 kcal kg-1) do carvão apresentaram-se satisfatórios para a
produção de energia na marcha de carbonização de 600°C. Assim sendo, tanto a madeira
quanto o carvão vegetal da espécie E. urophylla x E. grandis na marcha de carbonização
de 600°C apresentaram potencial para geração de energia.
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combustíveis fósseis, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa e exploração intensiva
dos recursos naturais (SIEBENEICHLER et al., 2017).
O gênero Eucalyptus, possui ampla variabilidade genética, com mais de 600 espécies,
em que a maioria é adaptada as distintas condições edafoclimáticas, além de técnicas de
manejo em tratos silviculturais e controles de pragas. A madeira (matéria-prima) é destinada
para diversas finalidades como, carvão vegetal, celulose, reflorestamento, estacas, lenha,
painéis de madeira, dentre outros usos (DUARTE et al., 2020).
Na produção do carvão vegetal as características da madeira podem influenciar de
várias formas no rendimento e na qualidade do carvão, que consequentemente podem afe-
tar diretamente o potencial energético, tais como a quantidade de matéria seca, densidade
básica e aparente, teor de cinzas, teor de materiais voláteis, carbono fixo, poder calorífico,
teor de lignina e fibras da parede celular, são variáveis fundamentais para se obter resultados
desejáveis para a produção de energia (NEVES et al., 2011).
Destacam-se alguns parâmetros de importância para análise energética da madeira
e produção de carvão vegetal. A quantidade de calor liberado na queima é expressa pelo
poder calorífico e os teores de lignina e extrativos influenciam diretamente no processo de
combustão. O carbono fixo presente em grande quantidade irá indicar uma queima mais
lenta e, quanto maior o teor de matérias voláteis, a degradação do material será mais acele-
rada. Os materiais inorgânicos formarão as cinzas e não contribuem para ganhos no poder
calorífico (BRUN et al. 2018).
A temperatura final é outro fator de extrema importância no processo de carbonização
e ganhos energéticos, pois os parâmetros de carbonização (tempo, temperatura e taxa de
aquecimento) são essenciais e podem influenciar no rendimento em distintas composições
(sólida, líquida e gasosa), assim, apresentando efeitos nas propriedades químicas, físicas,
mecânicas e anatômicas do carvão vegetal (ARAÚJO et al. 2018).
Portanto, o presente trabalho, teve como objetivo avaliar a qualidade energética da
madeira e do carvão vegetal do clone de E. urophylla x E. grandis, de um plantio na região
Sul do Tocantins, visando o seu potencial para fins energéticos tanto na queima direta como
na produção de carvão.
MÉTODOS
Localização da área
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coordenadas geográficas latitude: 11°46’19,89” Sul e longitude: 49°03’03,12” Oeste de acordo
com a Figura 1, com base nos dados SIGCAR-TO.
Figura 1. Mapa de localização do plantio de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, em Gurupi – TO.
Amostragem
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As toras coletadas em campo foram processadas para a confecção de dez corpos de
prova selecionados de forma homogênea, totalizando 50 corpos de prova com dimensões
aproximadas de 2,0 x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento). Para o estudo foram
realizados cinco tratamentos sendo dez corpos de prova para cada marcha de carboniza-
ção (400, 450, 500, 550 e 600°C), respectivamente. Os mesmos corpos de provas foram
utilizados para todos os testes realizados neste estudo.
Para a determinação do teor de umidade em base seca pela NBR 7190 (ABNT, 1997),
os corpos de prova foram acondicionados à temperatura ambiente. A densidade básica da
madeira foi determinada pelo método da balança hidrostática, baseado na norma ASTM
D-2395 (ASTM, 2005).
A análise da química imediata baseou-se nas normas ASTM D 1762-84 (ASTM, 2007) e
ABNT NBR 8112/83 (ABNT, 1983), em que foram determinados os percentuais de materiais
voláteis (MV), carbono fixo (CF) e cinzas (CZ). O poder calorífico superior da madeira foi es-
timado conforme Ferreira et al. (2014); Channiwala e Parikh (2002). A densidade energética
da madeira foi obtida seguindo a metodologia proposta por Jesus et al. (2017). O estoque de
carbono da madeira por unidade de volume foi calculado de acordo com Protásio et al. (2015).
Para a produção do carvão vegetal foram utilizados 10 corpos de prova para cada tra-
tamento sendo este as marchas de carbonização (400, 450, 500, 550 e 600°C), totalizando
50 corpos de prova. Inicialmente, os corpos de prova foram secos em temperatura ambiente
até atingir a umidade de equilíbrio. Em seguida foram secos em estufa com temperatura de
103 ± 2°C, até atingir a massa constante. As amostras foram carbonizadas em forno elétri-
co tipo mufla, com controle da temperatura final programada e adaptado para recuperar os
gases condensáveis e não condensáveis.
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Tabela 1. Temperatura e tempo de carbonização em relação as distintas marchas de carbonização.
A recuperação dos gases condensáveis foi realizada através de uma adaptação ao forno
mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los em um
composto chamado licor pirolenhoso. Por meio da diferença entre o rendimento gravimé-
trico total em carvão e o rendimento total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total
em gases não condensáveis. O rendimento total em carvão vegetal é a relação percentual
entre a massa seca do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem
em balança analítica. A densidade aparente do carvão foi determinada com base a norma
da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 9156 (1985).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-
84 (ASTM, 2007) em que foram determinados os teores de material voláteis, carbono fixo
e cinzas do carvão. Foram calculados o poder calorífico superior baseando-se na metodo-
logia de Vale et al. (2002), densidade energética, estoque de carbono fixo, rendimento em
carbono fixo, rendimento da carbonização e produtividade do carvão vegetal de acordo com
Protásio et al. (2015).
RESULTADOS
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base seca e densidade básica. Em relação aos coeficientes de variação, eles apresentaram-
-se baixos indicando baixa variação e maior homogeneidade dos dados (Tabela 2).
Tabela 2. Valores médios do teor de umidade (TU) e densidade básica (Db) da madeira de E. urophylla x E. gradis aos
11 anos de idade.
Tabela 3. Valores médios dos teores de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF), teor de cinzas (CZ), poder calorifico
superior (PCS), densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) da madeira de E. urophylla x E. gradis aos 11 anos
de idade.
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Tabela 4. Valores totais em rendimento carvão (RGTotal carvão), em gases condensáveis (RGC) e em gases não condensáveis
(RGNC) do processo de pirólise da madeira de E. urophylla x E. gradis aos 11 anos de idade.
Marchas de carbonização
Rendimentos da carbonização
400°C 450°C 500°C 550°C 600°C
RGTotal carvão (%) 34,51 29,56 29,40 25,08 26,78
RGC (%) 46,57 45,46 45,04 47,19 47,82
RGNC (%) 18,92 24,97 25,56 27,72 25,40
Tabela 5. Médias dos valores de densidade aparente (Da), densidade energética (De), teores de materiais voláteis (MV),
carbono fixo (CF), cinzas (CZ) e poder calorífico superior (PCS) do carvão vegetal da madeira de E. urophylla x E. gradis
aos 11 anos de idade.
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Eucalyptus grandis ao nível de 5% de probabilidade. O maior valor médio obtido para o teor
de materiais voláteis do carvão vegetal entre as cinco marchas de carbonização foi para
temperatura final de 450°C (65,93%) e o menor valor médio para temperatura final de 600°C
(37,71%) (Tabela 5).
Constatou-se diferenças significativas (p≥0,05) entre as cinco marchas de carbonização
estudadas para o teor de carbono fixo do carvão vegetal da madeira de Eucalyptus urophylla
x Eucalyptus grandis. Dentre as cinco temperaturas finais de carbonização a maior média
apresentada para o teor de carbono fixo do carvão vegetal avaliado nesta pesquisa foi a
de 600°C (61,70%) e a menor média foi para 400°C (33,43%), respectivamente (Tabela 5).
O teor de cinzas do carvão vegetal apresentou diferenças significativas (p≥0,05) entre
as marchas de carbonização avaliadas nesta pesquisa. Observa-se que a maior média obtida
para o teor de cinzas foi para marcha de carbonização de 400°C (0,64%) e a menor média
foi para a marcha de carbonização com temperatura final de 500°C (0,41%) (Tabela 5).
Foram observadas diferenças estatísticas significativas entre marchas de carboniza-
ção ao nível de probabilidade de 5% em relação ao poder calorífico do carvão vegetal da
madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis. Nota-se que entre as cinco marchas
de carbonização avaliadas a que apresentou a maior média de poder calorífico superior foi
a de 600°C (6988,39 kcal kg-¹) e a menor média foi para a de 400°C (6043,63 kcal kg-¹),
respectivamente (Tabela 5).
Na Tabela 6, encontram-se os valores médios de estoque de carbono, rendimento em
carbono fixo, rendimento gravimétrico unitário, rendimento energético da carbonização e
produtividade em carvão vegetal de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis nas marchas
de carbonização de 400, 450, 500, 550 e 600°C, respectivamente.
Tabela 6. Valore médios de estoque de carbono (EC), rendimento em carbono fixo (RCF), rendimento gravimétrico unitário
(RGunitário), rendimento energético da carbonização (REC) e produtividade em carvão (PC) em carvão vegetal da madeira
de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis aos 11 anos de idade.
Ec RCF RGunitário REC PC
Marchas de carbonização
(kg m-³) (%) (%) (%) (kg m-³)
81,24 c 11,91 c 35,63 a 48,81 a 171,82 a
400
(13,63) (2,81) (0,71) (1,03) (1,99)
103,6 b 13,07 b 33,46 b 47,27 a 163,41 a
450
(5,71) (3,46) (0,49) (0,77) (2,03)
136,06 a 11,97 c 29,11 c 41,56 b 141,88 b
500
(7,79) (3,38) (2,70) (2,80) (2,41)
124,93 a 12,71 b 27,70 d 40,55 b 130,24 c
550
(9,75) (1,99) (2,13) (1,99) (5,75)
140,13 a 15,89 a 25,76 e 40,79 b 125,29 c
600
(4,12) (4,40) (3,76) (3,75) (3,39)
Pr>Fc * * * * *
Legenda: Médias seguidas pela mesma letra minúscula não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05). CV = coeficiente de variação.
* significativo a nível de 5%. ns não significativo.
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entre as temperaturas finas de carbonização a maior média para o estoque de carbono do
carvão vegetal foi a da marcha de carbonização de 500°C (136,06 kg m-3) e a menor foi para
a marcha de carbonização de 400°C (81,24 kg m-3) (Tabela 6).
Em relação ao rendimento em carbono fixo do carvão vegetal pode-se observar que
houve diferenças significativas entre as cinco marchas de carbonização uma vez que o
teste F apresentou-se significativo ao nível de 5% de probabilidade. Nota-se que entre as
cinco marchas de carbonização a maior média para o rendimento em carbono fixo do carvão
vegetal da madeira da espécie avaliada foi a da temperatura final de 600°C (15,89%) e a
menor foi para a temperatura final de 400°C (11,91%) (Tabela 6).
Observam-se diferenças estatísticas significativas entre as marchas de carbonização
para o rendimento gravimétrico unitário do carvão vegetal ao nível de 5% de probabilida-
de. O maior valor médio obtido para o rendimento gravimétrico unitário entre as cinco mar-
chas de carbonização foi para temperatura final de 400°C (35,63%) e o menor valor médio
para temperatura final de 600°C (25,76%) (Tabela 6).
Constataram-se diferenças significativas (p≥0,05) entre as cinco marchas de carbo-
nização estudadas para o rendimento energético da carbonização do carvão vegetal de
Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis. Dentre as cinco temperaturas finais de carbo-
nização a que apresentou maior média para o rendimento energético da carbonização foi a
de 400°C (48,81%) e a menor média foi para 550°C (40,55%), respectivamente (Tabela 6).
A produtividade em carvão vegetal apresentou diferenças significativas (p≥0,05) entre
as marchas de carbonização avaliadas nesta pesquisa. Observa-se que a maior média obtida
para produtividade em carvão vegetal de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis foi para
marcha de carbonização de 400°C (171,82 kcal m-3) e a menor média foi para a marcha de
carbonização com temperatura final de 500°C (125,29 kcal m-3) (Tabela 6).
DISCUSSÃO
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densidade e, aquelas com valores superiores a 700 kg m-3, são consideradas madeiras duras
ou pesadas. A madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis foi classificada como
sendo de baixa densidade básica (Tabela 2). Sendo assim, a capacidade de uma carvoaria
relacionada a ganhos em produção está inteiramente relacionada a densidade da madeira,
pois um determinado volume de forno, irá depender de madeira mais densa resultando em
maior produção (FORTALEZA et al., 2019).
De acordo com Pereira (2012), a densidade básica da madeira é uma propriedade
fundamental na produção de carvão vegetal, devendo possuir média superior a 500 kg m-³.
Neste sentido, a madeira do clone de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, foi clas-
sificada de baixa densidade, porém, apresentou valor médio próximo ao determinado pelo
autor supracitado (482 kg m-³) podendo ser recomendada para a produção em carvão vegetal.
Marchesan et al. (2019) estudaram madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus
grandis aos 8 anos de idade plantados na região sul do Tocantins e observaram valores de
densidade básica da madeira entre 500 e 440 Kg cm-³, respectivamente. Valores próximos
aos obtidos nesta pesquisa para a madeira do clone avaliado aos 11 anos de idade.
Em relação à análise química imediata da madeira, pode-se observar o valor médio de
84,71% em teor de materiais voláteis, Isto indica a facilidade de queima do clone quando
for submetido à altas temperaturas, ou seja, quanto maior for o teor de MV%, mais rápido
é a queima durante o processo de carbonização, podendo diminuir a eficiência energética
da madeira de acordo com (BRAND, 2010).
O valor médio para teor de carbono fixo foi de 14,89%, este dado é muito importante,
pois refere-se a queima da fração sólida do material, espécies que apresentam altos per-
centuais de carbono são preferenciais para produção de carvão de uso siderúrgico, por
apresentar estabilidade térmica e ganhos energéticos. Isso significa que quanto maior o teor
de carbono fixo, maior será os ganhos em tempo de resistência na queima do combustível,
assim, aumentando o poder calorífico da madeira (NEVES et al., 2011).
O teor de cinzas médio encontrado foi de 0,41%, percentual este que representa a
matéria inorgânica que se origina após o processo de queima da madeira, ou seja, é uma
substância residual que fica na forma sólida e tem relação contrária ao poder calorífico su-
perior. Conforme Chaves et al. (2013), em geral para as espécies do gênero Eucalyptus os
teores de cinzas são abaixo de 1%, a madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus gran-
dis apresentou-se inferior ao recomendado pela literatura podendo ser recomendada para
produção de energia. As cinzas estão ligadas ao desenvolvimento e atividades fisiológicas
do vegetal, principalmente nos estágios jovens para juvenis, possuindo diretamente relação
com a quantidade de alburno no material lenhoso (CHAVES et al., 2013).
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O poder calorífico superior médio da madeira foi de 4.413,68 kcal k-3 (Tabela 3). De modo
geral, o poder calorífico representa a quantidade de calorias liberadas durante a queima
de determinada massa ou volume, sendo que a temperatura de carbonização é um dos
fatores que influenciam neste parâmetro. O PCS é caracterizado quando a combustão se
dá a volume constante, na qual durante o processo de combustão a água é condensada
e o calor (energia) derivado da vaporização da água não é perdido, ou seja, é recuperado
(QUIRINO et al., 2005).
Nones et al. (2014) em estudo sobre análise química imediata da madeira para espécie
de E. benthamii em plantios da empresa Floko Florestadora Koeche com 5 anos e plantios
de 13 anos da empresa Klabin, observaram teores de materiais voláteis de (81,47 e 82,74%),
carbono fixo (18,28 e 16,83%), cinzas (0,25 e 0,43%) e poder calorífico superior de (4.067
e 4.194 kcal kg-3), respectivamente. Os valores foram considerados próximos ao observado
para as variáveis estudadas da madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis.
Chaves et al. (2013) avaliaram os valores médios dos teores de materiais voláteis, car-
bono fixo e cinzas da madeira de Eucalyptus urophylla e Eucalyptus grandis, e observaram
teores de materiais voláteis de 83,72%, carbono fixo de 15,90% e cinzas 0,40%, e para o
poder calorífico superior de 4.441 Kcal kg-3. Valores próximos ao observado neste estudo,
podendo assim recomendar a madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis para
geração de energia.
A densidade energética proveniente da madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus
grandis foi de 2.123,86 kcal m-3 (Tabela 4). A densidade energética é um parâmetro muito
importante para quantificar o desempenho da biomassa e analisar o rendimento de queima,
pois demonstra a quantidade de energia em determinado volume de madeira, sendo bas-
tante influenciada por algumas propriedades como lignina, densidade básica, extrativos e
cinzas (BARROS, 2019).
Analisando os resultados encontrados por Jesus et al. (2017) utilizando o híbrido de
Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 6 anos de idade, o valor médio encontrado
pelos autores para a densidade energética de foi de 1.402 kcal m-³, ou seja, relativamente
abaixo do clone em estudo.”.
Deste modo, como mencionado por autores anteriormente, a diferença entre idades
e fatores edafoclimáticos podem ser considerados relevantes para algumas caracterís-
ticas energéticas
O valor médio para estoque de carbono da madeira do clone de Eucalyptus grandis x
Eucalyptus urophylla foi de 71,61 kg m-³ (Tabela 4). Comparando-se este dado com clones
jovens de E. urophylla S. T. Blake e E. grandis W. Hill ex Maiden oriundo de plantios de 4,5
anos da Arcelor Mittal Bioenergia, visando produção em carvão vegetal, Protásio et al. (2015)
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observaram para os clones de Eucalyptus urophylla altos valores de estoque de carbono,
chegando em média a 297 kg m-3.
Embora os autores relatem que a madeira das espécies tem potencial para geração
de bioenergia, destaca-se que a densidade básica e estoque de carbono da madeira não
são parâmetros exclusivos para produção e qualidade do carvão vegetal, visto que fatores
como a produtividade em massa seca, quantidade de lignina e materiais genéticos jovens
também podem influenciar.
Através dos resultados obtidos foi observada uma diminuição no rendimento total em
carvão vegetal à medida que houve o aumento na temperatura final de carbonização (Tabela
4), e aumento no rendimento em gases condensáveis. De acordo com Vieira et al. (2013), o
rendimento gravimétrico é bastante afetado por parâmetros de processo como a temperatura.
Quanto maior a temperatura final, maior o grau de volatilização da matéria orgânica resultando
em um menor rendimento em massa, ocasionando menor rendimento em carvão vegetal,
aumentando assim os rendimentos em líquido pirolenhoso e gases não condensáveis.
O rendimento gravimétrico do carvão vegetal do clone avaliado apresentou valor aceitá-
vel para produção de energia na indústria siderúrgica para temperatura final de carbonização
de 400°C (Tabela 5). De acordo com a norma COPAM 217 (2018) o rendimento gravimétrico
do carvão vegetal para uso na indústria siderúrgica deve ser superior a 30%.
Marchesan et al. (2019) estudaram o carvão vegetal da madeira de Eucalyptus uro-
phylla x Eucalyptus grandis aos 8 anos de idade plantados na região sul do Tocantins e
observaram valores de rendimento total em carvão entre 32,93 e 33,33%, respectivamente.
Valores próximos aos obtidos nesta pesquisa para o carvão vegetal produzido na marcha
de carbonização de 400°C.
Observa-se para rendimento em gases condensáveis e os não condensáveis que com
o aumento da temperatura final de carbonização, ocasionou acréscimo dos gases condes-
sáveis e um aumento em gases não condensáveis (Tabela 5). Uma explicação para isto é
que houve um decréscimo no rendimento em carvão vegetal e consequentemente ocorreu
um aumento nestas variáveis pois estes parâmetros são diretamente relacionados.
Marchesan et al. (2019) avaliaram o carvão vegetal da madeira de Eucalyptus uro-
phylla x Eucalyptus grandis aos 8 anos de idade plantados na região sul do Tocantins e
observaram valores de rendimento em gases condensáveis entre 44,50 e 50% e de gases
não condensáveis variando de 19,05 a 23,58%.
Os rendimentos energéticos da pirólise do clone de Eucalyptus grandis x Eucalyptus
urophylla foram considerados aceitáveis para geração de energia em baixas temperaturas,
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visto que o material genético demostrou rendimento em carvão vegetal acima de 30%,
rendimento em licor próximo a 50% e baixo rendimento em gases não condensáveis na
marcha de carbonização de 400°C (Tabela 5). Os teores em gases condensáveis e não
condensáveis mantiveram-se próximos a média de outras espécies do gênero Eucalyptus.
Para Protásio et al. (2013) é uma vantagem pois evita emissões de gases na atmosfera,
reduzindo a poluição do ar.
As porcentagens de materiais voláteis variaram de 37,71 a 65,93%, em que o menor
valor foi na marcha de temperatura de 600°C (Tabela 6). Os valores corroboram com Santiago
et al. (2005) no estudo sobre o gênero Eucalyptus em diferentes faixas de temperatura, no
qual, eles perceberam que a temperatura de 600°C foi a que obteve um menor percentual
de materiais voláteis. A explicação para este comportamento é que durante o processo de
carbonização, quanto maior a exposição da madeira a elevadas temperaturas, maior será
a intensidade com que as substâncias voláteis se soltam do carvão, afetando diretamente
na sua redução (OLIVEIRA et al. 2010).
Os resultados de densidade aparente para carvão vegetal do presente estudo variaram
de 227,06 a 331,14 kg m-³, sendo que o maior valor ocorreu na marcha de carbonização
com temperatura de 500°C (Tabela 6). Estes valores foram menores que os encontrados
por Oliveira et al. (2010) para Eucalyptus pellita F. Muell. em diferentes marchas de carbo-
nização, sendo de 353 a 385 kg m-³, porém o maior valor também ocorreu na marcha de
carbonização de 500°C.
Analisando características energéticas do carvão vegetal, foi possível observar em tra-
balhos de Vale et al. (2010) e Costa et al. (2014) que clones que apresentaram valores altos
de densidade básica da madeira geraram elevados valores médios de densidade aparente
do carvão vegetal, ocorrendo correlação positivas nestas propriedades.
Os valores de densidade energética variaram de 1.467,08 a 2.086,68 kcal m-³, no qual
o maior ocorreu na marcha de 500°C, aproximando-se ao encontrado por Lima et al. (2011)
para E. benthamii que para a mesma temperatura foi de 2.222 kcal m-³. Através destes re-
sultados foi possível perceber que ocorreu a mesma tendência observada para a densidade
aparente do carvão vegetal.
Em pesquisa de Protásio et al. (2015), verifica-se que a espécie pode colaborar em
ganhos ou perdas nestas propriedades, como é o caso do clone de E. urophylla que se
sobressaiu em comparações aos clones de E. grandis nas propriedades energéticas, como
estoque de carbono fixo, densidade aparente e densidade energética. Essas propriedades
vão otimizar a redução dos minérios de ferro nos altos fornos das siderúrgicas, reduzindo
custos em transportes e aumentando a produção de carvão.
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Os teores de carbono fixo variaram de 33,43 a 61,60%, sendo o maior valor em 600°C
(Tabela 6). Assim, como no trabalho de Santiago et al. (2005) para o mesmo gênero, o carbo-
no fixo apresentou o maior valor na temperatura de 600°C. O estudo mostra que o aumento
temperatura final da pirólise eleva o teor de carbono fixo do carvão vegetal. Oliveira et al.
(2010) e Vieira et al. (2013) observaram o mesmo comportamento no carvão produzido a
partir de diferentes temperaturas finais de carbonização.
Através dos resultados de materiais voláteis e carbono fixo, constatou-se que o teor
de materiais voláteis diminuiu com o aumento da temperatura final e o teor de carbono fixo
apresentou situação oposta. De acordo com Brand (2010) baixos teores de materiais voláteis
tendem a altos teores de carbono fixo no carvão vegetal, ou seja, eles poderão requerer
longo tempo de residência na fornalha para queima total.
Os teores de cinzas variaram de 0,41 a 0,64%, sendo o menor valor na marcha de tem-
peratura a 500°C (Tabela 6). Valores estes que são inferiores ao encontrados por Azevedo
et al. (2013), para Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis em diferentes marchas de
temperatura, que variaram de 0,95 a 1,46 %, sendo que o menor valor foi para a marcha
de 450°C. Os valores encontrados no trabalho são considerados aceitáveis, pois diversos
estudos, apresentam teores de cinzas inferiores a 1% para o carvão vegetal de clones e
espécies de Eucalyptus (OLIVEIRA et al., 2010; NEVES et al., 2011; SANTOS et al., 2011).
Assim, menores quantidades de cinzas são desejadas no consumo de carvão vegetal, pois
os minerais não sofrem o processo de combustão e, consequentemente, diminuem o valor
calórico do combustível (BRAND, 2010; REIS et al., 2012).
Além disso, grandes quantidades de cinzas aumentam a corrosão dos equipamen-
tos utilizados na conversão energética, principalmente em sistemas termoquímicos (TAN
e LAGERKVIST, 2011). O alto teor deste material inorgânico poderá contribuir em menor
rendimento energético, pois absorve parte da energia que é liberada na combustão, pode
provocar o acúmulo de impurezas no centro das peças do metal solidificado, promovendo
variações nas propriedades do ferro-gusa (NEVES et al., 2011; ASSIS et al., 2012).
Os valores encontrados para poder calorífico superior variaram entre 6.043,63 a
6.988,39 kcal kg-¹, sendo que o maior valor foi encontrado na marcha de carbonização de
600°C, valor este que foi inferior ao encontrado por Oliveira et al. (2010) para Eucalyptus
pellita F. Muell na mesma marcha de carbonização, com valor de 8.172 kcal kg-¹. Pode-se
observar que houve um aumento dos valores médios do poder calorífico superior com o
aumento da temperatura final de carbonização do carvão. Este fato pode ter ocorrido devi-
do ao teor de carbono fixo aumentar de acordo com o aumento da temperatura. O teor de
carbono fixo, juntamente com o teor de materiais voláteis, são as principais características
que determinam o poder calorífico superior do carvão, nota-se também que a correlação foi
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oposta entre materiais voláteis e carbono fixo em função da elevada temperatura. Este resul-
tado para o PCS do carvão está de acordo com o encontrado por Marchesan et al. (2019).
Por meio dos parâmetros encontrados na análise química imediata e do poder calorífico
superior do carvão vegetal de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, foi possível notar
que a marcha de carbonização de 600°C se destacou, apresentando os menores valores de
materiais voláteis, maiores valores para carbono fixo e poder calorífico superiores (Tabela
6). Santiago et al. (2005), encontraram os maiores teores de carbono fixo e menores teores
de matérias voláteis, nesta marcha de carbonização. Quanto maiores os teores de carbono
fixo e menores os teores de materiais voláteis e cinzas, maior será o poder calorífico superior
do combustível (PAULA et al., 2011).
Observa-se na Tabela 6 que o estoque de carbono aumentou (de 81,24 a 140,13 kg
m-³) de acordo com o aumento da temperatura. É possível nota que o rendimento em carbono
fixo aumentou com a temperatura final de carbonização, pelo fato de que o carvão vegetal
apresentou grande quantidade de carbono em sua composição (Tabela 6).
Cabe ressaltar que o rendimento em carbono fixo expressa a quantidade de carbono
presente na madeira e que ficou retida no carvão vegetal, consequentemente, é influenciada
pela quantidade dos demais componentes da biomassa vegetal (ASSIS et al., 2012; REIS
et al., 2012). De acordo com Protásio et al. (2013) em pesquisa com clones de Eucalyptus
spp. os valores variaram de 23,62 a 27,06% em rendimento de carbono fixo.
Os autores relatam também que a densidade aparente do carvão tem correlação posi-
tiva com a densidade básica da madeira, assim, destacam que quanto maior a densidade do
carvão, maior serão os estoques energéticos, resistência mecânica e teores de carbono fixo.
Neste estudo o carvão vegetal do clone de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus gran-
dis não apresentou valores satisfatórios em termos de rendimento gravimétrico unitário e
rendimento energético da carbonização com valores abaixo de 50% conforme o aumento
da temperatura, no entanto, a produtividade em carvão por unidade de volume apresentou
valor superior (171, 82 kg m-³) a 400°C e inferior (125,29 kg m-³) a 600°C, sendo que a pro-
dutividade tendeu a reduzir em altas temperaturas (Tabela 6). Desta forma, a redução do
rendimento gravimétrico, em temperaturas mais elevadas, é prontamente contrabalanceada
com o aumento o teor de carbono fixo, não alterando o valor do rendimento em carbono fixo.
Em termos de rendimentos em função do aumento da temperatura o comportamento da
madeira do clone estudado não foi satisfatório, visto que rendimento gravimétrico unitário e
o rendimento energético da carbonização sofreram tendência de baixa constante à medida
que a temperatura aumentava, consequentemente afetando a produção em carvão.
De modo geral, Protásio et al. (2013) ressalta que para os clones do gênero Eucalyptus
a temperatura final de carbonização é o parâmetro que mais apresenta influências no
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rendimento. O mesmo foi observado nesta pesquisa para o clone de Eucalyptus urophylla
x Eucalyptus grandis.
É importante salientar que o estudo com temperaturas finais vem ao encontro de novas
tecnologias que estão sendo estudadas para a produção de carvão, as quais, os fornos man-
têm as temperaturas acima de 500ºC. Mas cabe destacar que nestas condições controladas
para produção de carvão vegetal o mesmo tende a apresentar rendimentos satisfatórios, com
boa qualidade quanto sua resistência e granulometria, as faixas dos valores para as proprie-
dades energéticas satisfazem e são desejáveis para aplicações como fonte de bioenergia e
os qualifica para uso nas caldeiras, gaseificadores e dentre outros sistemas de conversão
enérgicas, principalmente como biorredutor em indústrias siderúrgicas.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
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Test Methods for Specific Gravity of Wood and Wood-Based. 2005.
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SOBRE OS ORGANIZADORES
Raquel Marchesan
Possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná (2008), Mestrado
e Doutorado (2012 e 2016) em Engenharia Florestal com ênfase em Tecnologia e utilização de
produtos florestais pela Universidade Federal do Paraná (2016). Foi Professora substituta na
Universidade Estadual do Centro Oeste no curso de Engenharia Florestal atuando nas disciplinas
de Tecnologia e utilização de produtos florestais e Operações Florestais. Atualmente é professora
de magistério superior do Curso de Engenharia Florestal da Fundação Universidade Federal do
Tocantins e professora colaboradora do Programa de Pós Graduação em Ciências Florestais e
Ambientais da Universidade Federal do Tocantins. Atua na área de Tecnologia e Utilização de
Produtos Florestais em Energia da Biomassa Florestal, Processamento mecânico da madeira,
Mecânica da madeira e Painéis de madeira.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8418109777627234
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SOBRE OS ORGANIZADORES
Prof. Ricardo J. Klitzke. Foi Bolsista de Iniciação Científica UFES e FAPES sob orientação do Prof.
Dr. Marcos Oliveira de Paula, participou como voluntário à pesquisa sob a orientação do Prof. Dr.
Juarez Benigno Paes do grupo de pesquisa em Ciência Florestal/UFES, atuando nas seguintes
linhas de pesquisa: Construções Rurais e Instalações Agrícolas - Estruturas de Madeira orientação
do Prof. Dr. Marcos Oliveira de Paula e Biodeterioração e Preservação da Madeira orientação do
Prof. Dr. Juarez Benigno Paes. Atuando principalmente nos seguintes temas: Estruturas de Madeira
Submetidas a Incêndios e da Madeira Biodeterioração e Preservação de Madeiras, Propriedades
Físico-Mecânicas da Madeira.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/0378424942058925
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ÍNDICE REMISSIVO
A Q
Análise Química Imediata: 97 Queima Direta: 45
Anatomia da Madeira: 33 R
Arborização: 41 Rendimento em Carbono Fixo: 18, 121
Carvão Vegetal: 25, 55, 70, 79, 80, 94, 110, 138
Cerrado: 13, 14, 19, 20, 21, 22, 23, 26, 84, 85, 91,
92, 93, 97, 98, 104, 105, 106, 110, 111, 112, 117,
118, 122, 140
Clave de Identificación: 66
D
Densidade Energética: 12, 74, 75
E
Espécies Nativas: 83
F
Fins Energéticos: 45
M
Marchas de Carbonização: 12, 17, 18, 88, 89, 90,
102, 128, 129
P
Pirólise da Madeira: 110
Produção de Energia: 70
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