0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações144 páginas

Tecnologia De: Produtos Florestais

Tecnologias de produtos florestais
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações144 páginas

Tecnologia De: Produtos Florestais

Tecnologias de produtos florestais
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Raquel Marchesan

Vanessa Coelho Almeida


Morgana Cristina França
Pedro Lício Loiola
(Orgs.)

TECNOLOGIA DE
PRODUTOS FLORESTAIS
pesquisas e desenvolvimento

editora

científica digital
1ª EDIÇÃO

editora

científica digital

2022 - GUARUJÁ - SP
editora

científica digital

EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL LTDA


Guarujá - São Paulo - Brasil
www.editoracientifica.org - contato@editoracientifica.org

Diagramação e arte 2022 by Editora Científica Digital


Equipe editorial Copyright© 2022 Editora Científica Digital
Imagens da capa Copyright do Texto © 2022 Autores e Autoras
Adobe Stock - licensed by Editora Científica Digital - 2022 Copyright da Edição © 2022 Editora Científica Digital
Revisão
Acesso Livre - Open Access
Autores e Autoras

Parecer e revisão por pares


Os textos que compõem esta obra foram submetidos para avaliação do Conselho Editorial da Editora
Científica Digital, bem como revisados por pares, sendo indicados para a publicação.

O conteúdo dos capítulos e seus dados e sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade
exclusiva dos autores e autoras.

É permitido o download e compartilhamento desta obra desde que pela origem da publicação e no formato
Acesso Livre (Open Access), com os créditos atribuídos aos autores e autoras, mas sem a possibilidade
de alteração de nenhuma forma, catalogação em plataformas de acesso restrito e utilização para fins
comerciais.
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0
Internacional (CC BY-NC-ND 4.0).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

T255 Tecnologia de produtos florestais: pesquisas e desenvolvimento / Raquel Marchesan (Organizadora), Vanessa Coelho Almeida
(Organizadora), Morgana Cristina França (Organizadora). – Guarujá-SP: Científica Digital, 2022.
Outro organizador: Pedro Lício Loiola
E-BOOK
ACESSO LIVRE ON LINE - IMPRESSÃO PROIBIDA

Formato: PDF
Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader
Modo de acesso: World Wide Web
Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5360-232-8
DOI 10.37885/978-65-5360-232-8
1. Engenharia Florestal. I. Marchesan, Raquel (Organizadora). II. Almeida, Vanessa Coelho (Organizadora). III. França,
Morgana Cristina (Organizadora). IV. Título.

2022
CDD 634.928
Índice para catálogo sistemático: I. Engenharia Florestal
Elaborado por Janaina Ramos – CRB-8/9166
Direção Editorial
CORPO EDITORIAL

Reinaldo Cardoso
João Batista Quintela

Assistentes Editoriais
Erick Braga Freire
Bianca Moreira
Sandra Cardoso

Bibliotecários
Maurício Amormino Júnior - CRB-6/2422
Janaina Ramos - CRB-8/9166

Jurídico
Dr. Alandelon Cardoso Lima - OAB/SP-307852

editora

científica digital
Prof. Dr. Carlos Alberto Martins Cordeiro Prof. Dr. Daniel Luciano Gevehr Prof. Me. Mauro Luiz Costa Campello
Universidade Federal do Pará Faculdades Integradas de Taquara Universidade Paulista
Prof. Dr. Rogério de Melo Grillo Prof. Me. Silvio Almeida Junior Profª. Ma. Livia Fernandes dos Santos
Universidade Estadual de Campinas Universidade de Franca Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre
Profª. Ma. Eloisa Rosotti Navarro Profª. Ma. Juliana Campos Pinheiro Profª. Dra. Sonia Aparecida Cabral
Universidade Federal de São Carlos Universidade Federal do Rio Grande do Norte Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Prof. Dr. Ernane Rosa Martins Prof. Dr. Raimundo Nonato Ferreira Do Nascimento Profª. Dra. Camila de Moura Vogt
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Universidade Federal do Piaui Universidade Federal do Pará
Goiás Prof. Me. José Martins Juliano Eustaquio
Prof. Dr. Antônio Marcos Mota Miranda
Prof. Dr. Rossano Sartori Dal Molin Instituto Evandro Chagas Universidade de Uberaba
FSG Centro Universitário Prof. Me. Walmir Fernandes Pereira
Profª. Dra. Maria Cristina Zago
Prof. Dr. Carlos Alexandre Oelke Centro Universitário UNIFAAT Miami University of Science and Technology
Universidade Federal do Pampa Profª. Dra. Liege Coutinho Goulart Dornellas
Profª. Dra. Samylla Maira Costa Siqueira
Prof. Esp. Domingos Bombo Damião Universidade Federal da Bahia Universidade Presidente Antônio Carlos
Universidade Agostinho Neto - Angola Prof. Me. Ticiano Azevedo Bastos
Profª. Ma. Gloria Maria de Franca
Prof. Me. Reinaldo Eduardo da Silva Sales Centro Universitário CESMAC Secretaria de Estado da Educação de MG
Instituto Federal do Pará Profª. Dra. Carla da Silva Sousa Prof. Dr. Jónata Ferreira De Moura
Profª. Ma. Auristela Correa Castro Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano Universidade Federal do Maranhão
Universidade Federal do Pará Prof. Me. Dennys Ramon de Melo Fernandes Almeida Profª. Ma. Daniela Remião de Macedo
CONSELHO EDITORIAL
Mestres, Mestras, Doutores e Doutoras

Profª. Dra. Dalízia Amaral Cruz Universidade Federal do Rio Grande do Norte Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa
Universidade Federal do Pará Prof. Me. Mário Celso Neves De Andrade Prof. Dr. Francisco Carlos Alberto Fonteles Holanda
Profª. Ma. Susana Jorge Ferreira Universidade de São Paulo Universidade Federal do Pará
Universidade de Évora, Portugal Prof. Me. Julianno Pizzano Ayoub Profª. Dra. Bruna Almeida da Silva
Prof. Dr. Fabricio Gomes Gonçalves Universidade Estadual do Centro-Oeste Universidade do Estado do Pará
Universidade Federal do Espírito Santo Prof. Dr. Ricardo Pereira Sepini Profª. Ma. Adriana Leite de Andrade
Universidade Federal de São João Del-Rei Universidade Católica de Petrópolis
Prof. Me. Erival Gonçalves Prata
Universidade Federal do Pará Profª. Dra. Maria do Carmo de Sousa Profª. Dra. Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco
Universidade Federal de São Carlos Instituto Federal do Sertão Pernambucano,
Prof. Me. Gevair Campos
Faculdade CNEC Unaí Prof. Me. Flávio Campos de Morais Prof. Dr. Claudiomir da Silva Santos
Universidade Federal de Pernambuco Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Prof. Me. Flávio Aparecido De Almeida
Sul de Minas
Faculdade Unida de Vitória Prof. Me. Jonatas Brito de Alencar Neto
Universidade Federal do Ceará Prof. Dr. Fabrício dos Santos Ritá
Prof. Me. Mauro Vinicius Dutra Girão
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul
Centro Universitário Inta Prof. Me. Reginaldo da Silva Sales de Minas, Brasil
Prof. Esp. Clóvis Luciano Giacomet Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará
Prof. Me. Ronei Aparecido Barbosa
Universidade Federal do Amapá Prof. Me. Moisés de Souza Mendonça Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Profª. Dra. Giovanna Faria de Moraes Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará Sul de Minas
Universidade Federal de Uberlândia Prof. Me. Patrício Francisco da Silva Prof. Dr. Julio Onésio Ferreira Melo
Prof. Dr. André Cutrim Carvalho Universidade de Taubaté Universidade Federal de São João Del Rei
Universidade Federal do Pará Profª. Esp. Bianca Anacleto Araújo de Sousa Prof. Dr. Juliano José Corbi
Prof. Esp. Dennis Soares Leite Universidade Federal Rural de Pernambuco Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo Prof. Dr. Pedro Afonso Cortez Profª. Dra. Alessandra de Souza Martins
Profª. Dra. Silvani Verruck Universidade Metodista de São Paulo Universidade Estadual de Ponta Grossa
Universidade Federal de Santa Catarina Profª. Ma. Bianca Cerqueira Martins Prof. Dr. Francisco Sérgio Lopes Vasconcelos Filho
Prof. Me. Osvaldo Contador Junior Universidade Federal do Acre Universidade Federal do Cariri
Faculdade de Tecnologia de Jahu Prof. Dr. Vitor Afonso Hoeflich Prof. Dr. Thadeu Borges Souza Santos
Profª. Dra. Claudia Maria Rinhel-Silva Universidade Federal do Paraná Universidade do Estado da Bahia
Universidade Paulista Prof. Dr. Francisco de Sousa Lima Profª. Dra. Francine Náthalie Ferraresi Rodriguess Queluz
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano Universidade São Francisco
Profª. Dra. Silvana Lima Vieira
Universidade do Estado da Bahia Profª. Dra. Sayonara Cotrim Sabioni Profª. Dra. Maria Luzete Costa Cavalcante
Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Baiano Universidade Federal do Ceará
Profª. Dra. Cristina Berger Fadel
Universidade Estadual de Ponta Grossa Profª. Dra. Thais Ranielle Souza de Oliveira Profª. Dra. Luciane Martins de Oliveira Matos
Centro Universitário Euroamericano Faculdade do Ensino Superior de Linhares
Profª. Ma. Graciete Barros Silva
Universidade Estadual de Roraima Profª. Dra. Rosemary Laís Galati Profª. Dra. Rosenery Pimentel Nascimento
Universidade Federal de Mato Grosso Universidade Federal do Espírito Santo
Prof. Dr. Carlos Roberto de Lima
Universidade Federal de Campina Grande Profª. Dra. Maria Fernanda Soares Queiroz Profª. Esp. Lívia Silveira Duarte Aquino
Universidade Federal de Mato Grosso Universidade Federal do Cariri
Prof. Dr. Wescley Viana Evangelista
Universidade do Estado de Mato Grosso Prof. Dr. Dioniso de Souza Sampaio Profª. Dra. Irlane Maia de Oliveira
Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Amazonas
Prof. Dr. Cristiano Marins
Universidade Federal Fluminense Prof. Dr. Leonardo Augusto Couto Finelli Profª. Dra. Xaene Maria Fernandes Mendonça
Universidade Estadual de Montes Claros Universidade Federal do Pará
Prof. Me. Marcelo da Fonseca Ferreira da Silva
Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia Profª. Ma. Danielly de Sousa Nóbrega Profª. Ma. Thaís de Oliveira Carvalho Granado Santos
de Vitória Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre Universidade Federal do Pará
CONSELHO EDITORIAL
Prof. Me. Fábio Ferreira de Carvalho Junior Profª. Dra. Adriana Cristina Bordignon Profª. Dra. Rosana Barbosa Castro
Fundação Getúlio Vargas Universidade Federal do Maranhão Universidade Federal de Amazonas
Prof. Me. Anderson Nunes Lopes Profª. Dra. Norma Suely Evangelista-Barreto Prof. Dr. Wilson José Oliveira de Souza
Universidade Luterana do Brasil Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Profª. Dra. Iara Margolis Ribeiro Prof. Me. Larry Oscar Chañi Paucar Prof. Dr. Eduardo Nardini Gomes
Universidade do Minho Universidad Nacional Autónoma Altoandina de Tarma, Peru Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Prof. Dr. Carlos Alberto da Silva Prof. Dr. Pedro Andrés Chira Oliva Prof. Dr. José de Souza Rodrigues
Universidade Federal do Ceara Universidade Federal do Pará Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Profª. Dra. Keila de Souza Silva Prof. Dr. Daniel Augusto da Silva Prof. Dr. Willian Carboni Viana
Universidade Estadual de Maringá Fundação Educacional do Município de Assis Universidade do Porto
Prof. Dr. Francisco das Chagas Alves do Nascimento Profª. Dra. Aleteia Hummes Thaines Prof. Dr. Diogo da Silva Cardoso
Universidade Federal do Pará Faculdades Integradas de Taquara Prefeitura Municipal de Santos
Profª. Dra. Réia Sílvia Lemos da Costa e Silva Gomes Profª. Dra. Elisangela Lima Andrade Prof. Me. Guilherme Fernando Ribeiro
Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Pará Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Prof. Dr. Evaldo Martins da Silva Prof. Me. Reinaldo Pacheco Santos Profª. Dra. Jaisa Klauss
Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Vale do São Francisco Associação Vitoriana de Ensino Superior
Prof. Dr. António Bernardo Mendes de Seiça da Providência Santarém Profª. Ma. Cláudia Catarina Agostinho Prof. Dr. Jeferson Falcão do Amaral
Universidade do Minho, Portugal Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-
Hospital Lusíadas Lisboa, Portugal
Profª. Dra. Miriam Aparecida Rosa Brasileira
Profª. Dra. Carla Cristina Bauermann Brasil
Instituto Federal do Sul de Minas Profª. Ma. Ana Carla Mendes Coelho
Universidade Federal de Santa Maria
Prof. Dr. Biano Alves de Melo Neto Universidade Federal do Vale do São Francisco
Prof. Dr. Humberto Costa
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano Prof. Dr. Octávio Barbosa Neto
Universidade Federal do Paraná
Profª. Dra. Priscyla Lima de Andrade Universidade Federal do Ceará
Centro Universitário UniFBV
Profª. Ma. Ana Paula Felipe Ferreira da Silva
Universidade Potiguar
Profª. Dra. Carolina de Moraes Da Trindade
Prof. Dr. Gabriel Jesus Alves de Melo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia Prof. Dr. Ernane José Xavier Costa
Universidade de São Paulo
Prof. Me. Ronison Oliveira da Silva
Prof. Esp. Marcel Ricardo Nogueira de Oliveira Instituto Federal do Amazonas
Universidade Estadual do Centro Oeste Profª. Ma. Fabricia Zanelato Bertolde
Prof. Dr. Alex Guimarães Sanches
Universidade Estadual de Santa Cruz
Prof. Dr. Andre Muniz Afonso Universidade Estadual Paulista
Universidade Federal do Paraná Prof. Me. Eliomar Viana Amorim
Profa. Esp. Vanderlene Pinto Brandão
Universidade Estadual de Santa Cruz
Profª. Dr. Laís Conceição Tavares Faculdade de Ciências da Saúde de Unaí
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará Profª. Esp. Nássarah Jabur Lot Rodrigues
Profa. Ma. Maria Das Neves Martins
Universidade Estadual Paulista
Prof. Me. Rayme Tiago Rodrigues Costa Faculdade de Ciências da Saúde de Unaí
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará Prof. Dr. José Aderval Aragão
Prof. Dr. Joachin Melo Azevedo Neto
Universidade Federal de Sergipe
Prof. Dr. Willian Douglas Guilherme Universidade de Pernambuco
Universidade Federal do Tocatins Profª. Ma. Caroline Muñoz Cevada Jeronymo Prof. Dr. André Luís Assunção de Farias
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba
Prof. Me. Valdemir Pereira de Sousa Universidade Federal do Pará
Universidade Federal do Espírito Santo Profª. Dra. Aline Silva De Aguiar Profª. Dra. Danielle Mariam Araujo Santos
Universidade Federal de Juiz de Fora Universidade do Estado do Amazonas
Profª. Dra. Sheylla Susan Moreira da Silva de Almeida
Universidade Federal do Amapá Prof. Dr. Renato Moreira Nunes Profª. Dra. Raquel Marchesan
Universidade Federal de Juiz de Fora Universidade Federal do Tocantins
Prof. Dr. Arinaldo Pereira Silva
Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará Prof. Me. Júlio Nonato Silva Nascimento Profª. Dra. Thays Zigante Furlan Ribeiro
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará Universidade Estadual de Maringá
Profª. Dra. Ana Maria Aguiar Frias
Universidade de Évora, Portugal Profª. Dra. Cybelle Pereira de Oliveira Prof. Dr. Norbert Fenzl
Profª. Dra. Deise Keller Cavalcante Universidade Federal da Paraíba Universidade Federal do Pará
Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro Profª. Ma. Cristianne Kalinne Santos Medeiros Prof. Me. Arleson Eduardo Monte Palma Lopes
Profª. Esp. Larissa Carvalho de Sousa Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Federal do Pará
Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal Profª. Dra. Fernanda Rezende Profa. Ma. Iná Camila Ramos Favacho de Miranda
Esp. Daniel dos Reis Pedrosa Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Estudo em Educação Ambiental Universidade Federal do Pará
Instituto Federal de Minas Gerais Profª. Dra. Clara Mockdece Neves Profª. Ma. Ana Lise Costa de Oliveira Santos
Prof. Dr. Wiaslan Figueiredo Martins Universidade Federal de Juiz de Fora Secretaria de Educação do Estado da Bahia
Instituto Federal Goiano Profª. Ma. Danielle Galdino de Souza Prof. Me. Diego Vieira Ramos
Prof. Dr. Lênio José Guerreiro de Faria Universidade de Brasília Centro Universitário Ingá
Universidade Federal do Pará Prof. Me. Thyago José Arruda Pacheco Prof. Dr. Janaildo Soares de Sousa
Profª. Dra. Tamara Rocha dos Santos Universidade de Brasília Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal de Goiás
Profª. Dra. Flora Magdaline Benitez Romero Prof. Dr. Mário Henrique Gomes
Prof. Dr. Marcos Vinicius Winckler Caldeira Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais,
Universidade Federal do Espírito Santo Portugal
Profª. Dra. Carline Santos Borges
Prof. Dr. Gustavo Soares de Souza Governo do Estado do Espírito Santo, Secretaria de Estado de Direitos Profª. Dra. Maria da Luz Ferreira Barros
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo Humanos. Universidade de Évora, Portugal
CONSELHO EDITORIAL
Profª. Ma. Eliaidina Wagna Oliveira da Silva Profª. Ma. Aline Maria Gonzaga Ruas
Caixa de Assistência dos advogados da OAB-ES Universidade Estadual de Montes Claros
Profª. Ma. Maria José Coelho dos Santos Profª. Dra. Alessandra Knoll
Prefeitura Municipal de Serra Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
Profª. Tais Muller Profª. Ma. Carla Cristina Sordi
Universidade Estadual de Maringá Universidade Estadual do Ceará
Prof. Me. Eduardo Cesar Amancio Profª. Dra. Caroline Lourenço de Almeida
Centro Universitário de Tecnologia de Curitiba Fundação Educacional do Município de Assis
Profª. Dra. Janine Nicolosi Corrêa Profª. Dra. Rosângela Gonçalves da Silva
Universidade Tecnológica Federal do Paraná Fundação Educacional do Município de Assis
Profª. Dra. Tatiana Maria Cecy Gadda Prof. Dr. Marcus Fernando da Silva Praxedes
Universidade Tecnológica Federal do Paraná Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Profª. Gabriela da Costa Bonetti Prof. Dr. Cleberton Correia Santos
Universidade Tecnológica Federal do Paraná Universidade Federal da Grande Dourados
Prof. Me. Thales do Rosário De Oliveira Prof. Dr. Leonardo de Carvalho Vidal
Universidade de Brasília Instituto Federal do Rio de Janeiro
Profª. Dra. Maisa Sales Gama Tobias Profª. Dra. Mônica Aparecida Bortolotti
Universidade Federal do Pará Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná
Prof. Dr. Pedro Igor Dias Lameira Profª. Dra. Lucieny Almohalha
Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Profª. Dra. Geuciane Felipe Guerim Fernandes Prof. Esp. Layane Caroline Silva Lima Braun
Universidade Estadual do Norte do Paraná Universidade Federal do Pará
Prof. Me. Teonis Batista da Silva Profª. Ma. Michelle Cristina Boaventura França
Universidade do Estado da Bahia Universidade Federal do Pará
Esta obra constitui-se de uma coletânea de trabalhos voltados para pesquisas
APRESENTAÇÃO

científicas contemporâneas com espécies nativas e plantadas, realizadas por professores,


alunos, pesquisadores e empresas que atuam nas áreas relacionadas à Tecnologia e
Utilização de Produtos Florestais. São abordados temas como anatomia, propriedades
físicas, químicas e energéticas da madeira e do carvão vegetal, com enfoque principal
na utilização da madeira como fonte de energia renovável. Temos o intuito de ampliar
os conhecimentos do público-alvo e abrir novos horizontes para futuras pesquisas.
Agradecemos aos autores pela disponibilidade, dedicação e empenho para a conclusão
dessa obra.

Raquel Marchesan
Vanessa Coelho Almeida
Morgana Cristina França
Pedro Lício Loiola
SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
Avaliação tecnológica da madeira e do carvão vegetal de Myracrodruon urundeuva Fr. All.
Renata Carvalho da Silva; Wendel Marciano Freitas Lima dos Santos; Raquel Marchesan; Karolayne Ferreira Saraiva; Vanessa
Coelho Almeida; Carla Jovania Gomes Colares; José Fernando Pereira; Priscila Bezerra de Souza; Fernando Augusto Ferraz; Dimas
Agostinho da Silva

' 10.37885/221010435.......................................................................................................................................................................... 11

CAPÍTULO 02
Anatomia e condutividade hidráulica da madeira de Nectandra oppositifolia (Lauraceae): subsídios para o manejo
silvicultural
João Carlos Ferreira de Melo Júnior; Gustavo Borba de Oliveira; Bruna Brodbeck; Heloisa Fagundes Salvador; Deivid Correia

' 10.37885/221010487.......................................................................................................................................................................... 28

CAPÍTULO 03
Efeito da idade na qualidade energética da madeira e do carvão vegetal em clone de Eucalyptus sp.
Renata Carvalho da Silva; Amanda Martins Cardoso; Raquel Marchesan; Karolayne Ferreira Saraiva; Guilherme Miranda Fernandes Reis;
Wagner Ferreira Coelho de Oliveira; Pedro Lício Loiola; Fernando Augusto Ferraz; Priscila Bezerra de Souza; Dimas Agostinho da Silva

' 10.37885/221010689.......................................................................................................................................................................... 44

CAPÍTULO 04
Maderas tropicales de la Amazonía suroriental del Perú y su identificación anatómica macroscópica
Leif Armando Portal-Cahuana

' 10.37885/220909915......................................................................................................................................................................... 59

CAPÍTULO 05
Avaliação dos índices de qualidade energética do fuste e do galho do clone de Eucalyptus spp.
Renata Carvalho da Silva; Raquel Marchesan; Valéria Cardoso Lopes; Bruna Karollyne Santana Gomes; Thatiele Pereira
Eufrazio; Sergisclei Ferreira Alvarez; Bruno Souza Rodrigues; Júlia Gabriela do Nascimento Mendes; Karolayne Ferreira Saraiva;
Bruno Barros Farias
' 10.37885/221010666......................................................................................................................................................................... 69

CAPÍTULO 06
Avaliação da qualidade energética do carvão vegetal de três espécies do cerrado Sensu stricto
Sorane Moraes de Souza; Renata Carvalho da Silva; Raquel Marchesan; Thatiele Pereira Eufrazio; Karolayne Ferreira Saraiva; Júlia
Gabriela do Nascimento Mendes; Michelle Pereira de Menezes; Bruna Karollyne Santana Gomes; Carla Jovania Gomes Colares;
Priscila Bezerra de Souza
' 10.37885/220910323......................................................................................................................................................................... 82
SUMÁRIO

CAPÍTULO 07
Diospyros hispida, Xylopia aromatica e Mouriri pusa como alternativa bioenergética na região Sul do Tocantins
Renata Carvalho da Silva; Kerolla Morgana Oliveira Cunha; Raquel Marchesan; Sorane Moraes de Sousa; Manoel Moraes da Silva
Neto; Guilherme Miranda Fernandes Reis; Karolayne Ferreira Saraiva; Carla Jovania Gomes Colares; Vanessa Coelho Almeida;
Morgana Cristina França

' 10.37885/221010685.......................................................................................................................................................................... 96
CAPÍTULO 08
Resíduos florestais de área de substituição de uso do solo como alternativa bioenergética
Renata Carvalho da Silva; Matheus Ximenes Leão Vieira; Raquel Marchesan; Karolayne Ferreira Saraiva; Guilherme Henrique Carvalho
Vieira; Thatiele Pereira Eufrazio; Wagner Ferreira Coelho de Oliveira; Carla Jovania Gomes Colares; Priscila Bezerra de Souza; Dimas
Agostinho da Silva

' 10.37885/221010687.......................................................................................................................................................................... 109


CAPÍTULO 09
Clone de Eucalyptus spp. como alternativa para florestas energéticas na região Sul do Tocantins
Bruno Ferreira Chaves; Renata Carvalho da Silva; Raquel Marchesan; Karolayne Ferreira Saraiva; Wagner Ferreira Coelho de Oliveira;
Guilherme Miranda Fernandes Reis; Pedro Licio Loiola; Morgana Cristina França; Vanessa Coelho Almeida; Carla Jovania Gomes Colares

' 10.37885/220910334......................................................................................................................................................................... 120

SOBRE OS ORGANIZADORES.............................................................................................................................. 141

ÍNDICE REMISSIVO.............................................................................................................................................. 143


01
Avaliação tecnológica da madeira e do
carvão vegetal de Myracrodruon urundeuva
Fr. All.

Renata Carvalho da Silva Carla Jovania Gomes Colares


Universidade Federal do Paraná - UFPR Universidade Federal do Tocantins - UFT

Wendel Marciano Freitas Lima dos José Fernando Pereira


Santos Universidade Federal do Tocantins - UFT
Universidade Federal do Tocantins - UFT

Priscila Bezerra de Souza


Raquel Marchesan Universidade Federal do Tocantins - UFT
Universidade Federal do Tocantins - UFT

Fernando Augusto Ferraz


Karolayne Ferreira Saraiva Universidade Federal do Paraná - UFPR
Universidade Federal do Tocantins - UFT

Dimas Agostinho da Silva


Vanessa Coelho Almeida Universidade Federal do Paraná - UFPR
Universidade Federal do Tocantins - UFT

'10.37885/221010435
RESUMO

O objetivo deste estudo foi caracterizar e avaliar o potencial energético de Myracrodruon


urundeuva advinda de floresta nativa, tanto da madeira como do carvão vegetal. Para a
caracterização da madeira foram utilizados corpos de prova com dimensões de 2,5 x 2,5
x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento) e partículas selecionadas em peneira de 60
mesh. A madeira de M. urundeuva apresentou potencial para produção de energia, pois foi
classificada como sendo de alta densidade básica. Os valores médios de De (3662,26 kcal
m-3), Ec (135,98 kg m-3), MV (82,25%), CF (16,58%), Cz (1,17%) e PCS (4463,61 kcal kg-1)
encontraram-se dentro do recomendado para produção de energia. O carvão de M. urun-
deuva apresentou Da (573,99 kg m-3) dentro do recomendado, assim como De (4353,17 kcal
m-3). Os teores de MV(17,96%) e CF(79,81%) encontram-se com valores médios dentro do
aceitável, apenas o teor de cinzas (2,23%) não atendeu aos valores recomendados pelo Selo
Premium. o PCS do carvão apresentou valor médio satisfatório para a produção de energia.
Assim sendo tanto a madeira quanto o carvão vegetal produzido da espécie M. urundeuva na
marcha de carbonização de 600°C apresentaram grande potencial para geração de energia.

Palavras-chave: Densidade Energética, Estoque de Carbono, Marchas de Carbonização.


INTRODUÇÃO

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, 2013) o consumo mundial de insu-


mos energéticos crescerá 40% até 2035 . A madeira participa de forma importante na matriz
energética mundial, com maior ou menor intensidade, dependendo da região considerada
(PROTÁSIO et al., 2014). Seu uso é afetado por variáveis como: nível de desenvolvimento
do país, disponibilidade de florestas, questões ambientais e competição econômica com
outras fontes energéticas.
O setor siderúrgico brasileiro ainda utiliza cerca de 35% a 50% de carvão vegetal pro-
veniente de florestas nativas (MMA, 2011; ABRAF, 2012). As indústrias que usam carvão
vegetal tiveram prazo até 2020 para aumentar o uso desse combustível oriundo de fontes
sustentáveis, como as florestas plantadas e a madeira nativa oriunda do plano de manejo
florestal sustentável (COSTA et al., 2014). Essa medida consta no plano de ação para pre-
venção e controle do desmatamento e das queimadas no cerrado (MMA, 2011). Um dos
pontos abordados nesse plano (PPCerrado) é a necessidade de aumento e melhoria do
manejo florestal sustentável neste bioma, principalmente para fins energéticos.
O Tocantins é um dos estados brasileiros com maior área coberta pelo bioma Cerrado
(182.640 km²), tendo 72% de cobertura com vegetação nativa preservada, constituindo um
dos maiores remanescentes desse bioma (MMA, 2015). De acordo com Silva et al. (2020)
no estado Tocantins ainda são muito utilizadas madeiras de espécies nativas do Cerrado
para produção de carvão vegetal, devido a supressão de florestas por meio de licenciamento
ambiental para áreas de substituição de uso do solo e por meio do Documento de Origem
Florestal (DOF), instituído pela Portaria n° 253, de 18 de agosto de 2006, permite que o
carvão nativo seja produzido, armazenado e transportado de forma legal (IBAMA, 2018).
O estado de Minas Gerais esteve posicionado hegemonicamente como o maior mercado
consumidor de carvão vegetal do Tocantins, correspondendo a 77,01% de toda a produção
nos oito anos avaliados (CHOEIRA et al., 2019). O maior consumo de carvão vegetal por
parte de Minas Gerais está estritamente ligado a maior parte do polo siderúrgico do país,
concentrada no estado. Uma vez que os principais destinos do carvão vegetal nativo do
Tocantins foram as indústrias siderúrgicas, em especial no polo mineiro, em que o incre-
mento da produção de ferro gusa até 2012 foi sustentado, em parte, pelo carvão oriundo de
florestas nativas (CHOEIRA et al., 2019).
Conforme Costa et al. (2014) existe a necessidade de fomentar pesquisas científicas
com espécies nativas do Cerrado e a avaliação da qualidade da madeira e do carvão para
averiguação do potencial do material a ser utilizado como insumo energético, uma vez que
esse produto sofre influência da madeira que lhe deu origem e do sistema de produção.
Assim, é indispensável determinar as propriedades físicas e químicas que se relacionam com

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
13
o desempenho energético, tais como densidade básica, teor de materiais voláteis, carbono
fixo, cinzas e poder calorífico superior (SANTOS et al., 2016).
A Myracrodruon urundeuva Fr. All. (aroeira-do-sertão) é uma espécie nativa do Cerrado,
de relevante valor socioeconômico, não somente como planta medicinal ou madeireira,
mas também, como fonte de energia (lenha) nas indústrias e nas propriedades rurais
(MEDEIROS et al., 2000).
Mediante a importância do carvão vegetal e a necessidade de se estudar o potencial
energético de Myracrodruon urundeuva, o objetivo deste estudo foi caracterizar e avaliar o
potencial energético, tanto da madeira como do carvão vegetal.

MÉTODOS

Localização da coleta do material

Neste trabalho foi utilizada madeira de Myracrodruon urundeuva, conhecida comumente


como aroeira-do-sertão. Para o estudo foram coletadas árvores provenientes de fitofisionomia
de cerrado sensu stricto na região sul do Estado do Tocantins.

Amostragem

Foram selecionadas três árvores pelo método de amostragem aleatória simples confor-
me Wastowski (2018). As toras coletadas em campo foram processadas para a confecção
de corpos de prova selecionados de forma homogênea com dimensões aproximadas de 2,0
x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento) para a produção do carvão vegetal. Para
o estudo foram realizados três tratamentos sendo dez corpos de prova para cada marcha de
carbonização (400, 500 e 600°C), respectivamente. Já, para a análise química da madeira
(teor de extrativos, teor de lignina e holocelulose) e para análise química imediata (teor de
materiais voláteis, carbono fixo e cinzas) a madeira foi transformada em palitos, posterior-
mente em partículas com granulometria que passaram na peneira de 40 mesh e ficaram
retidas na peneira de 60 mesh..

Propriedades químicas e energéticas da madeira de Myracrodruon urundeuva

A densidade básica da madeira foi determinada pelo método da balança hidrostática,


baseado na norma ASTM D-2395 (ASTM, 2005).
Os teores de umidade, de extrativos, lignina e holocelulose foram obtidos de basean-
do-se na metodologia apresentada por Wastowski (2018) e Gomide e Demuner (1986).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
14
A análise da química imediata baseou-se nas normas ASTM D 1762-84 (ASTM, 2007)
e ABNT NBR 8112/83 (ABNT, 1983), em que foram determinados os percentuais de mate-
riais voláteis (MV), carbono fixo (CF) e cinzas (CZ). O poder calorífico superior da madeira
foi estimado conforme Channiwala e Parikh (2002). A densidade energética da madeira foi
obtida seguindo a metodologia proposta por Jesus et al. (2017). O estoque de carbono da
madeira por unidade de volume foi calculado de acordo com Protásio et al. (2015).

Propriedades energéticas do carvão vegetal de Myracrodruon urundeuva

Para a produção do carvão vegetal foram utilizados 10 corpos de prova para cada tra-
tamento de carbonização (400°C, 500°C e 600°C). Inicialmente, os corpos de prova foram
secos à temperatura ambiente até atingir a umidade de equilíbrio. Em seguida foram secos
em estufa com temperatura de 103 ± 2°C, até atingir a massa constante . As amostras foram
carbonizadas em forno elétrico tipo mufla, com controle da temperatura final programada e
adaptado para recuperar os gases condensáveis e não condensáveis.

Tabela 1. Temperatura e tempo de carbonização em função da marcha de carbonização.

Temperatura (°C)
Marcha T. A.°C/m T. Total
150 200 250 350 400 450 500 550 600
1 1h 1h 30m 1h 1h - - - - 5 4h30
2 1h 1h 30m 1h 30m 30m 1h - - 5 5h30
3 1h 1h 30m 1h 30m 30m 30m 30m 1h 5 6h30
Nota: T. A.: Taxa de aquecimento; T.: Tempo.

A recuperação dos gases condensáveis foi realizada através de uma adaptação ao forno
mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los em um
composto chamado licor pirolenhoso. Por meio da diferença entre o rendimento gravimé-
trico total em carvão e o rendimento total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total
em gases não condensáveis. O rendimento total em carvão vegetal é a relação percentual
entre a massa seca do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem
em balança analítica. A densidade aparente do carvão foi determinada com base a norma
da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 9156 (1985).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) em que determinou-se os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. Foram calculados o poder calorífico superior baseando-se na metodologia de Vale
et al. (2002), densidade energética, estoque de carbono fixo e rendimento da carbonização
do carvão vegetal de acordo com Protásio et al. (2015).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
15
Análises estatísticas dos dados

Os dados obtidos foram avaliados estatisticamente seguindo o delineamento inteira-


mente casualisado (DIC) e estatística descritiva para a madeira. Primeiramente foi realizado
o teste de normalidade que, depois de constatada prosseguiu-se a análise das variâncias
(ANOVA). Observando diferenças significativas entre os tratamentos utilizou-se o teste de
Tukey para comparação das médias ao nível de 5% de probabilidade e a análise de corre-
lação linear de Person (r) foi calculada utilizado o programa Excel 2007®.

RESULTADOS

Propriedades energéticas da madeira de Myracrodruon urundeuva

Na Tabela 2 observa-se a análise descritiva da madeira de Myracrodruon urundeuva,


para os valores médios do teor de umidade e densidade básica da madeira. Os coeficientes
de variação para o teor de umidade e densidade básica da madeira apresentaram-se baixos,
indicando a homogeneidade dos dados.

Tabela 2. Médias do teor de umidade (TU) e densidade básica (Db) da madeira Myracrodruon urundeuva.

Propriedades Físicas da madeira


Análise descritiva da madeira
TU (%) Db (kg m-³)
Média 8,70 820,54
Desvio Padrão 0,06 54,33
Coeficiente de variação 0,66 6,62

Na Tabela 3 encontram-se os valores médios dos teores de extrativos totais, lignina e


holocelulose da madeira de Myracrodruon urundeuva.
Os coeficientes de variação para os teores de extrativos, lignina e holocelulose da ma-
deira também se apresentaram baixos, o que significa que os dados coletados para análise
são homogêneos.

Tabela 3. Valores médios dos teores de extrativos totais, lignina e holocelulose da madeira de Myracrodruon urundeuva.

Propriedades Químicas da madeira


Análise descritiva da madeira
Extrativos totais (%) Lignina Total (%) Holocelulose (%)
Média 11,77 20,37 67,02
Desvio Padrão 0,46 0,14 0,28
Coeficiente de variação (%) 3,89 0,69 0,41

Na Tabela 4 encontram-se apresentados os resultados dos valores médios dos mate-


riais voláteis, carbono fixo, cinzas, poder calorífico superior, densidade energética e estoque
de carbono da madeira de Myracrodruon urundeuva. Em relação a estatística descritiva o

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
16
coeficiente de variação obtidos para os parâmetros avaliados apresentaram-se inferior a 7%
comprovando assim a homogeneidade dos dados.

Tabela 4. Valores médios de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF), cinzas (CZ), poder calorífico superior (PCS), poder
calorífico inferior (PCI), poder calorífico líquido (PCL), densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) da madeira
de Myracrodruon urundeuva.

AQI da madeira (%)


Análise descritiva da
madeira PCS De Ec
MV (%) CF (%) CZ (%)
(kcal kg-³) (kcal m-³) (kg m-³)
Média 82,25 16,58 1,17 4463,61 3662,26 135,98
DP 0,64 0,63 0,03 29,38 237,79 9,3
CV (%) 0,78 3,81 2,53 0,66 6,49 6,84
Nota: CV (%): Coeficiente de variação.

Propriedades energéticas do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva

Na Tabela 5 são apresentados os valores do rendimento total em carvão e o rendimen-


to em gases condensáveis e não condensáveis para madeira de Myracrodruon urundeuva
nas marchas de carbonização de 400°C, 500°C e 600°C para o carvão vegetal obtido pelo
processo de pirólise da madeira.

Tabela 5. Valores totais do rendimento gravimétrico em carvão (RGTotal carvão), rendimento em gases condensáveis
(RGC) e rendimento em gases não condensáveis (RGNC) para o carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva.

Marchas de carbonização
Rendimentos da carbonização
400°C 500°C 600°C
RGTotal carvão (%) 43,96 40,72 39,67
RGC (%) 37,76 35,11 31,95
RGNC (%) 18,28 24,17 28,38

Na Tabela 6 são apresentados os valores médios das densidades aparente e energé-


tica, análise química imediata e poder calorífico superior do carvão vegetal nas marchas de
carbonização de 400, 500 e 600°C , para Myracrodruon urundeuva.
Pode-se observar diferenças estatísticas significativas entre marchas de carboniza-
ção para os valores médios de densidade energética, teores de materiais voláteis, carbo-
no fixo, cinzas e poder calorífico superior do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon
urundeuva ao nível de 5% de probabilidade , exceto para a densidade aparente do carvão
vegetal (Tabela 6).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
17
Tabela 6. Valores médios de densidade aparente (Da), densidade energética (De), materiais voláteis (MV), carbono fixo
(CF), cinzas (CZ) e poder calorífico superior (PCS) do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva.
Marchas de carboni- Da De MV CF Cz
PCS (kcal kg-¹)
zação (kg m-³) (kcal m-³) (%) (%) (%)
400 511,10 a (10,85) 3073,57 c (12,14) 65,65 a (9,20) 32,33 c (18,56) 2,03 c (3,86) 6009,88 c (3,32)
500 489,32 a (5,37) 3479,11 b (5,27) 31,51 b (7,07) 65,41 b (2,89) 3,07 b (18,15) 7110,74 b (0,89)
600 502,27 a (9,94) 3733,05 a (9,99) 20,74 c (12,58) 75,08 a (3,30) 4,18 a (7,61) 7432,18 a (1,11)
Pr>Fc ns * * * * *
Nota: ns: não significativo. Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey – P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).

Na Tabela 7, encontram-se os valores médios para o estoque de carbono, rendimento


em carbono fixo e rendimento energético da carbonização para o carvão vegetal da ma-
deira de Myracrodruon urundeuva nas marchas de carbonização de 400, 500 e 600°C,
respectivamente.
Em relação ao estoque de carbono e rendimento em carbono fixo do carvão vegetal
é possível observar diferenças estatísticas significativas entre as marchas de carbonização
avaliadas, porém não houve diferenças significativas para o rendimento energético da car-
bonização do carvão vegetal de Myracrodruon urundeuva (Tabela 7).

Tabela 7. Valores médios de estoque de carbono (EC), Rendimento em carbono fixo (RCF), e Rendimento energético da
carbonização (REPCS) do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva.
EC RFC REPCS
Marchas de carbonização
(kg m-³) (%) (%)
400 165,80 c (24,35) 12,16 b (19,76) 24,20 a (12,34)
500 319,99 b (5,55) 21,82 a (22,07) 27,64 a (22,38)
600 377,11 a (10,48) 24,01 a (12,92) 26,62 a (11,91)
Pr>Fc * * ns
Nota: ns: não significativo. Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste
de Tukey – P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).

Na Tabela 8 encontram-se a análise da correlação de Pearson entre as variáveis


estudas para Myracrodruon urundeuva. Quanto mais próximo a 1, significa que há uma
correlação diretamente proporcional entre as variáveis. Já, quanto mais próximo a -1, indica
que as variáveis são inversamente proporcionais.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
18
Tabela 8. Análise da correlação de Pearson entre as variáveis estudas para Myracrodruon urundeuva.

Correlações de Pearson RGcarvão Dacarvão MV CF Cz PCS De


RGcarvão 1,00
Dacarvão 0,31 1,00
MV 0,45 0,11 1,00
CF -0,45 -0,11 -1,00 1,00
Cz -0,48 -0,11 -0,89 - 1,00
PCS -0,45 -0,11 -1,00 1,00 - 1,00
De -0,11 0,64 -0,69 0,69 - 0,69 1,00
Nota: Da é a densidade aparente do carvão (kg cm-3); CF é o teor de carbono fixo (%); MV é o teor de materiais voláteis
(%); CZ é o teor de cinzas (%); PCS é o poder calorífico superior (kcal kg-1); De é a densidade energética (kcal m-3).

DISCUSSÃO

Propriedades energéticas da madeira de Myracrodruon urundeuva

Em relação ao teor de umidade da madeira de Myracrodruon urundeuva observa-se


valores médios aproximados de 11%. Tais valores encontram-se dentro do recomendado
pela literatura que cita que o teor de umidade da biomassa para queima direta deve ser
inferior a 20% (Brand, 2010). Brand et al. (2013) relatam que quanto maior a quantidade de
água na madeira, menor a taxa de carbonização, aumentando o tempo necessário para a
produção de carvão.
A densidade básica da madeira está diretamente relacionada com a produção de
energia sendo uma variável muito importante para a determinação de espécies para queima
direta. Uma madeira com densidade elevada, consequentemente, resultará em um carvão
vegetal de maior densidade e resistência mecânica (CARNEIRO et al., 2014). Analisando
a Tabela 2 verificou-se que a madeira de Myracrodruon urundeuva apresentou-se como
sendo de alta densidade. O valor obtido nesta pesquisa para densidade básica da madeira
de Myracrodruon urundeuva foi superior aos valores médios encontrados por Silva et al.
(2020) que estudaram a densidade básica da madeira de cinco espécies nativas do Cerrado
e encontraram valores entre 0,74 a 0,54 g.cm-³.
Marchesan et al. (2020) estudaram madeira de espécies do gênero Eucalyptus spp.
plantados em área de cerrado sensu stricto e observaram valores de densidade básica da
madeira entre 0,53 e 0,46 g/cm-³, respectivamente. Desta forma a madeira de Myracrodruon
urundeuva proveniente de cerrado sensu stricto apresenta potencial energético para produção
de carvão vegetal, tendo em vista que quanto maior for a densidade da madeira utilizada na
produção de carvão, tende a ser maior o teor carbono fixo e poder calorífico.
Na análise química, o valor médio apresentado pela madeira de Myracrodruon urundeu-
va apresentou valores dentro do recomendado para produção de energia (Tabela 3). A pre-
sença de altos teores de extrativos não é desejável em madeiras destinadas para a produção

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
19
de carvão vegetal devido sua degradação em baixas temperaturas, entretanto, dependendo
de sua natureza química e da degradação térmica do extrativos da madeira, a porcentagem
de extrativos poderá colaborar para o aumento do PCS e teor de carbono fixo do carvão
(PEREIRA et al., 2012).
Costa et al. (2014) determinaram o teor de extrativos de cinco espécies do bioma
Cerrado e encontram valores variando de 5,26 a 7,76 %, respectivamente. Vale et al. (2010)
avaliaram cinco espécies do Cerrado e obtiveram valores médios para o teor de extrativos
totais da madeira entre 6,14 e 8,54%. O valor médio obtido nesta pesquisa foi considerado
superior aos observados pelos autores supracitados.
O teor de lignina observado para Myracrodruon urundeuva encontra-se próximo aos
relatados em outras pesquisas com espécies nativas do Cerrado e foram considerados sa-
tisfatórios para a produção de carvão vegetal (Tabela 3). Costa et al. (2014) obtiveram um
teor de de lignina entre 19,88 a 26,87,enquanto Vale et al. (2010) relataram valores médios
variando de 25,16 a 32,21%. O carvão vegetal procedente de uma madeira com alto teor
de lignina terá um rendimento elevado (PROTÁSIO et al., 2012). Santos et al. (2016) afir-
maram que maiores percentagens de lignina na madeira proporcionam um carvão vegetal
com maior teor de carbono fixo.
O teor de holocelulose observado nesta pesquisa encontra-se próximo ao encontrado
por Costa et al. (2014) que caracterizaram as propriedades químicas da madeira de cinco
espécies do Cerrado com teores médios de holocelulose de 73,18 a 69,61%, e próximos
aos obtidos por Vale et al. (2010) que estudaram madeiras provenientes de espécies do
cerrado e encontraram teores variando de 67,69 a 74,84%. Quando a madeira é destina a
produção de carvão vegetal, altas porcentagens não são desejáveis pois a degradação da
holocelulose resulta em um menor rendimento em carvão e maiores porcentagens de gases
condensáveis e não condensáveis (SANTOS et al., 2016).
O teor de carbono fixo está diretamente relacionado ao teor de materiais voláteis,
sendo assim, madeiras que tem maior teor de materiais voláteis apresentam menor teor de
carbono fixo. Os valores encontrados nesta pesquisa seguem essa afirmativa (Tabela 4) e
foram superiores àqueles encontrados por Chaves et al. (2013) que trabalhou com clones
de Eucalyptus spp. e cujo teor médio de carbono fixo foi de 15,85%. De acordo com Silva
et al. (2015) combustíveis com maior teor de carbono fixo e menor teor de materiais voláteis
possuem propriedades energéticas melhores.
O teor de cinzas da madeira de Myracrodruon urundeuva encontra-se com valor médio
aceitável para geração de energia, pois o mesmo apresentou média inferior a 5%, respecti-
vamente (Tabela 4). Conforme Brand (2010) o teor de cinzas da madeira deve ser inferior a

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
20
5% para uso na indústria siderúrgica. Costa et al. (2014) observaram para o teor de cinzas
da madeira de espécies do Cerrado valores médios entre 2,4 à 5,2%, respectivamente.
O poder calorífico superior na madeira da espécie avaliada foi considerado baixo (Tabela
4). Uma possível explicação para este fato é o alto teor de materiais voláteis, que acarretou
baixo carbono fixo e estas variáveis afetam diretamente o poder calorífico superior. Jesus
et al. (2017) ao trabalhar com diferentes espécies de Eucalyptus spp. encontraram valores
médios próximos ao deste trabalho variando entre 4538 e 4669 kcal kg-1. O poder calorífico
superior é a quantidade de energia liberada pela madeira durante a queima direta e por isso
é considerado umas das variáveis mais importantes na seleção de espécies destinadas a
fins energéticos (CARNEIRO et al., 2014).
Com relação a densidade energética, os valores encontrados nesta pesquisa foram
superiores ao encontrados por Jesus et al. (2017) que avaliaram madeiras de Eucalyptus
spp. no qual obtiveram valores médios entre 1400 e 1800 kcal m-3. A densidade energética
está diretamente relacionada com a densidade básica da madeira. O fato de a densidade
energética ter sido superior ao relatado na literatura pode ser explicado pela madeira de
Myracrodruon urundeuva ter sido classificada como de alta densidade, respectivamente.
Nota-se para o estoque de carbono da madeira de Myracrodruon urundeuva valor médio
inferior aos obtidos na literatura (Tabela 4). Este fato pode ser explicado pelo baixo teor de
carbono fixo obtido para madeira da espécie avaliada. Protásio et al. (2014) encontraram
valores médios para estoque de carbono da madeira de clones Eucalyptus spp. entre 506
e 230 kcal m-3, respectivamente.
O estoque de carbono da madeira Myracrodruon urundeuva foi inferior ao observado
na literatura (Tabela 4). Isto pode ser explicado pelo baixo teor de carbono fixo. Os valores
obtidos neste trabalho foram inferiores ao encontrado por Protásio et al. (2014) ao avaliar
clones de Eucalyptus spp.

Propriedades energéticas do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva

O rendimento gravimétrico é fortemente influenciado pela temperatura e neste estudo,


quanto maior a temperatura final de carbonização, menor foi o rendimento em massa (Tabela
5). Observa-se que o incremento em 200ºC de temperatura final de carbonização propor-
cionou redução de 10%, respectivamente no rendimento em carvão vegetal proveniente da
madeira Myracrodruon urundeuva (Tabela 5). A redução do rendimento de carvão se deve
principalmente à termo de composição da hemicelulose e da celulose. Já nas temperaturas
superiores, predominaram as reações de termo de composição da lignina e dos resíduos
sólidos da celulose e hemicelulose (CORRÊA et al., 2020).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
21
O rendimento gravimétrico do carvão vegetal da madeira da espécie avaliada nas três
temperaturas finais de carbonização estudadas apresentou valor aceitável para produção
de energia na indústria siderúrgica (Tabela 5). A normativa COPAM 217 cita que o rendi-
mento gravimétrico do carvão vegetal para uso na indústria siderúrgica deve ser superior
30% (COPAM, 2018).
Costa et al. (2014) estudaram o carvão vegetal proveniente da madeira de cinco es-
pécies do Cerrado e denotaram valores médios para o rendimento gravimétrico em carvão
vegetal entre 30,88 à 34,39%. Protásio et al. (2011) obtiveram em estudo sobre a qualidade
do carvão vegetal de Qualea parviflora espécie do Cerrado valor médio em rendimento do
carvão de 34,60%. Os valores descritos pelos autores foram próximos aos encontrados
neste estudo para as três espécies do bioma Cerrado.
Pode-se observar para rendimento em gases condensáveis e os não condensáveis
que com o aumento da temperatura final de carbonização, ocasionou decréscimo dos gases
condensáveis e um acréscimo em gases não condensáveis (Tabela 5). Uma explicação para
isto é que essas variáveis são inversamente proporcionais. Silva et al. (2020) obtiveram em
estudo realizado para determinar o efeito da temperatura final de carbonização em cinco
espécies nativas do cerrado sensu stricto rendimento em gases condensáveis entre 53,64
e 41,57% e o rendimento em gases não condensáveis variando de 23,94% a 24,01% na
marcha de carbonização de 500°C. Na marcha de carbonização de 550°C os valores médios
foram de 54,69 a 43,30% para rendimento em licor e de 24,01 a 18,74% para o rendimento
em gases não condensáveis. Os valores para rendimento em gases condensáveis e não
condensáveis foram próximos ao observado neste estudo.
Com relação a densidade aparente, pode-se observar que com o aumento da tem-
peratura final de carbonização houve um decréscimo na densidade (Tabela 6). Marchesan
et al. (2020) também observaram um decréscimo na densidade aparente do carvão com o
aumento da temperatura final de carbonização e afirmaram que este fato está relacionado
à degradação dos constituintes químicos da madeira (perda de massa), além da redução
nas dimensões do carvão, impactando na densidade aparente.
Segundo Silva et al. (2020) a qualidade do carvão vegetal depende da densidade apa-
rente do carvão. O carvão vegetal da espécie avaliada nesta pesquisa apresentou potencial
para produção de energia, pois foi considerado de média densidade aparente.
Os valores obtidos para os teores de materiais voláteis nas marchas de carbonização de
400 e 500°C não se encontram dentro da média indicada pelo Selo Premium que determina
um valor abaixo de 23,5% para material volátil. Apenas as amostras submetidas à pirolise a
600 °C foram consideradas adequadas tendo apresentado um teor médio de 20,74%. Com
o aumento da temperatura final de carbonização houve um decréscimo no teor de materiais

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
22
voláteis (Tabela 6). Esta mesma relação foi encontrada por Oliveira et al. (2010) ao testar
diferentes marchas de carbonização. Brand (2010) afirmou que baixos de teores de voláteis
acarretam altos teores de carbono fixo.
Os teores de carbono fixo também ficaram abaixo do recomendado nas marchas de
carbonização de 400 e 500°C por serem baixos (Tabela 6). O Selo Premium determina va-
lores acima de 73% para um carvão de qualidade. Observou-se que apenas as amostras
submetidas à pirólise a 600°C foram consideradas adequadas tendo apresentado um teor
médio de 75% (Tabela 6). O carbono fixo é o componente principal no carvão vegetal, logo
quanto maior o seu valor, maior será seu poder calórico. Com o aumento da temperatura
final de carbonização houve aumento do teor de carbono fixo. A mesma tendência foi ob-
servada por Silva et al. (2018).
Os teores de cinzas do carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva neste
estudo foram considerados inadequados para as três temperaturas finais de carbonização
(Tabela 6), conforme a Resolução SAA-40, onde é determinado que o valor aceitável para
teor de cinzas é inferior a 1,5% (SÃO PAULO, 2015). O teor de cinzas influi diretamente no
poder calorífico do combustível, apresentando correlação negativa, visto que as cinzas não
participam do processo de combustão (BRAND, 2010).
O poder calorífico também aumentou com o aumento da temperatura final de carboniza-
ção (Tabela 6). Uma provável explicação para este fato é que com o aumento da temperatura
final de carbonização ocorreu um aumento no teor de carbono fixo. De acordo com Protásio
et al. (2013) o aumento do poder calorífico superior com o incremento da temperatura final
está relacionado com o acréscimo de carbono fixo e saída de oxigênio.
Silva et al. (2020) caracterizaram o carvão vegetal proveniente da madeira de cinco
espécies do Cerrado e observaram para o poder calorífico superior do carvão vegetal valores
médios entre 7438,21 e 6904,62 kcal/kg-¹ para temperatura final de carbonização de 500°C
para a marcha de carbonização de 550°C. Costa et al. (2014), encontraram valores médios
de poder calorifico entre 7135 à 7730 kcal/kg-¹ para cinco espécies do Cerrado. Valores pró-
ximos ao obtido nesta pesquisa para o carvão vegetal da madeira Myracrodruon urundeuva.
A densidade energética se relaciona diretamente com a energia contida em determinado
volume de madeira. Nesta pesquisa, os valores médios observados foram maiores confor-
me houve o aumento da temperatura final de carbonização (Tabela 6). A mesma tendência
observada para a densidade aparente do carvão vegetal. Quanto maior a densidade básica
da madeira, maior será a densidade aparente e, logo, maior será a densidade energética
e estoque de carbono fixo (COSTA et al., 2014). Os resultados apresentados neste estudo
corroboram com a afirmação destes autores.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
23
Observa-se que com o aumento da temperatura final de carbonização houve um aumen-
to no estoque de carbono fixo e rendimento em carbono fixo e energético da carbonização
do carvão vegetal da madeira estudada nesta pesquisa (Tabela 7). Isto pode ter ocorrido
dado ao fato que o teor de carbono fixo aumentou com o acréscimo na temperatura final
de carbonização.
O coeficiente de correlação de Pearson (r) varia de -1 a 1 e expressa o grau de relação
entre duas variáveis. A correlação da densidade aparente do carvão em relação a densidade
energética foi positiva (Tabela 8). Portanto, materiais mais densos, tendem a apresentar
maior quantidade de energia disponível. Tais resultados corroboram com os apresentados
por Jesus et al. (2017).
Observou-se uma correlação positiva entre o teor de carbono fixo em relação ao poder
calorífico, sendo o contrário também observado em relação ao teor de materiais voláteis
(Tabela 8). Assis et al. (2012) também observaram que os teores de carbono fixo estão
relacionados positivamente com os valores de poder calorífico.
Por fim, há uma correlação negativa entre os teores de materiais voláteis com os teores
de cinzas, poder calorífico e densidade energética (Tabela 8). Nones et al. (2015) também
obtiveram a mesma correlação ao trabalhar com Eucalyptus benthamii. Silva et al. (2015)
afirmaram que a biomassa com maior teor de materiais voláteis e menor teor de cinzas
apresenta menor poder calorífico superior.

CONCLUSÃO

A madeira de Myracrodruon urundeuva apresentou características satisfatórias tanto


para queima direta quanto para produção de carvão vegetal.
O carvão vegetal proveniente da madeira de Myracrodruon urundeuva apresenta po-
tencial energético. De maneira geral, foi constatada influência da temperatura final de car-
bonização da madeira de Myracrodruon urundeuva na qualidade do carvão vegetal.
Observaram-se correlações positivas entre a densidade aparente em relação a densi-
dade energética do carvão vegetal e correlações negativas entre teores de materiais voláteis
com os teores de cinzas, poder calorífico e densidade energética
Recomenda-se a produção de carvão vegetal da madeira de Myracrodruon urundeuva
na marcha de carbonização de 600°C, pois a essa temperatura final de carbonização foi
possível obter maior densidade aparente, densidade energética, carbono fixo e poder calo-
rífico superior do carvão vegetal.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
24
REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS – ASTM. D-2395: standard
test methods for specific gravity of wood and wood-based materials. Philadelphia, p.8,
2005.

2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING MATERIALS - ASTM - D 1762-84: Standard


method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia: ASTM International,
p.2, 2007.

3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7190: Projetos de estru-


turas de madeira - Rio de Janeiro, 1997. 107p.

4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8112: Carvão vegetal –


Análise imediata. Brasília, 1983. 5p.

5. ANUÁRIO estatístico da ABRAF 2012: ano base 2011. Brasília, DF: ABRAF, 2012.
150 p.

6. ASSIS, M. R. D. et al. Qualidade e rendimento do carvão vegetal de um clone híbrido


de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo,
v. 32, n. 71, p. 291-302, 2012

7. BRAND, M. A. Energia de Biomassa Florestal. Ed. Interciência. Rio de janeiro, 2010.

8. BRAND, M. A. et al. (De Candolle) Naudin (Jacatirão-açu) na agricultura familiar. Bi-


guaçu, Santa Catarina. Scientia Forestalis, v. 41, n. 99, p. 401-410, 2013.

9. CACHOEIRA, J. N. et al. Mercado interestadual de carvão vegetal no estado do To-


cantins. Revista Verde, Pombal, Paraíba, v. 14, n.2, abr.-jun, p.258-265, 2019.

10. CONTIERO, M. I; MAGOSSI, D.C. Comparação do poder calorífico da madeira de


Eucalyptus dunni Maiden (Myrtaceae) e do híbrido Eucalyptus urograndis (Myrtaceae).
Revista da União Latino-americana de Tecnologia, Jaguariaíva, n.4, p. 34-48, 2016.

11. CARNEIRO, A. C. O. et al. Potencial energético da madeira de Eucalyptus sp. em função


da idade e de diferentes materiais genéticos. Revista Árvore, v. 38, p. 375-381, 2014.

12. COPAM – Conselho Estadual de Política Ambiental – MG. Deliberação Normativa


COPAM n° 227, Minas Gerais, 2018.

13. CORRÊA, A. G. et al. Biomassa: estrutura, propriedades e aplicações. EdUFSCar,


2020.

14. COSTA, G. T.; BIANCHI, M. L.; DE PROTÁSIO, P. T.; TRUGILHO, P. F.; PEREIRA, A.
J. Qualidade da madeira de cinco espécies de ocorrência no cerrado para produção
de carvão vegetal. Cerne, v. 20, n. 1, 2014.

15. CHAVES, A. et al. Características energéticas da madeira e carvão vegetal de clones


de Eucalyptus spp. Enciclopédia biosfera, v. 9, n. 17, 2013.

16. CHANNIWALA, S.A; PARIKH, P.P. (2002) A Unified Correlation for Estimating HHV of
Solid, Liquid and Gaseous Fuels. Fuel, 81, 1051-1063, 2002.

17. GOMIDE, J. L.; DEMUNER, B. J. O Papel, v. 47, p. 36-38, 1986.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
25
18. INTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECUSROSOS NATURAIS
RENOVAVEIS (IBAMA). Documento de Origem Florestal (DOF). <https://www.ibama.
gov.br/cadastros/dof> Acesso em: 18 mar. 2019.

19. International Energy Agency – IEA. CO2 emissions from fuel combustion highlights
[online]. 2013. [citado 2014 jun 12]. Disponível em: <www.iea. org/publications/freepu-
blications/publication/CO2EmissionsFromFuelCombustionHighlights2013.pdf> Acesso
em: 28 de setembro de 2022.

20. JESUS, M. S. D. et al. Caracterização energética de diferentes espécies de Eucalyptus.


Floresta, Curitiba, PR. v. 47, n. 1, p. 11-16, jan./mar. 2017.

21. MARCHESAN, R. et al. Quality of charcoal from three species of the Eucalyptus and
the Corymbia citriodora species planted in the South of Tocantins. Floresta, v. 50, n.
3, p. 1643-1652, 2020.

22. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Plano de ação para prevenção e controle do


desmatamento e das queimadas: Cerrado. Brasília: MMA, 2011. 200 p.

23. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA). Mapeamento do Uso e Cobertura do


Cerrado: Projeto TerraClass Cerrado 2013. Brasília: MMA, 2015. 42-47 p.

24. NONES, D. L. et al. Determinação das propriedades energéticas da madeira e do car-


vão vegetal produzido a partir de Eucalyptus benthamii. Floresta. Curitiba, PR. v. 45,
n. 1, p. 57-64, jan./mar. 2015.

25. PEREIRA, B. L. C., OLIVEIRA, A. C., CARVALHO, A. M. M. L., CARNEIRO, A. D.


C. O., SANTOS, L. C., & VITAL, B. R. Quality of wood and charcoal from Eucalyptus
clones for iron master use. International Journal of Forestry Research, New York,
v. 2012, p. 1-8, 2012.

26. PROTÁSIO, T. P. et al. Análise de correlação canônica entre características da ma-


deira e do carvão vegetal de Eucalyptus. Scientia Forestalis, Piracicaba, v. 40, n. 95,
p. 317-326, 2012.

27. PROTÁSIO, T. P. et al. Potencial siderurgico e energético do carvão vegetal de clones


de Eucalyptus spp. aos 42 meses de idade. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo,
v. 33, n. 74, p. 137-149, 2013.

28. PROTÁSIO, T. P. et al. Qualidade da madeira e do carvão vegetal oriundos de floresta


plantada em Minas Gerais. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 34, n. 78, p.
111-123, 2014.

29. PROTÁSIO, T. P. et al. Avaliação tecnológica do carvão vegetal da madeira de clones


jovens de Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla. Scientia Forestalis, v. 43, n.
108, p. 801-816, 2015.

30. SANTOS, R. C. S. et al. Influência das propriedades químicas e da relação siringil/


guaiacil da madeira de eucalipto na produção de carvão vegetal. Ciência Florestal,
v. 26, n. 2, p. 657-669, 2016.

31. SILVA, R. C. et al. Effect of the final carbonization temperature on the quality of five
species of cerrado. Floresta, v. 50, n. 4, p. 1902-1911, 2020.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
26
32. SILVA, R. C. et al. Influência da temperatura final de carbonização nas características
do carvão vegetal de espécies tropicais. Pesquisa Florestal Brasileira, 2018. v. 38.
p. 1-10, dez. 2018.

33. SILVA, D. A. et al. Propriedades da madeira de Eucalyptus benthamii para produção


de energia. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 35, n. 84, p. 481–486, 2015.

34. SÃO PAULO (Estado). Resolução SAA-40 de 14 de dezembro de 2015. Norma de


Padrões Mínimos de Qualidade para Carvão Vegetal. São Paulo, 2015.

35. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.

36. WASTOWSKI, A. D. Química da madeira.1 ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência,


2018. 566p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
27
02
Anatomia e condutividade hidráulica
da madeira de Nectandra oppositifolia
(Lauraceae): subsídios para o manejo
silvicultural

João Carlos Ferreira de Melo Júnior


Universidade da Região de Joinville - Univille

Gustavo Borba de Oliveira


Universidade da Região de Joinville - Univille

Bruna Brodbeck
Universidade da Região de Joinville - Univille

Heloisa Fagundes Salvador


Universidade da Região de Joinville - Univille

Deivid Correia
Universidade da Região de Joinville - Univille

'10.37885/221010487
RESUMO

Objetivo: Este trabalho objetivou, por meio da estrutura anatômica e da condutividade


hidráulica da madeira associadas às condições do ambiente, auxiliar na seleção de popula-
ções de Nectandra oppositifolia (Lauraceae) em atividades silviculturais baseadas em ações
coordenadas de manejo da flora. Métodos: A espécie estudada foi coleta em diferentes for-
mações do bioma atlântico em Santa Catarina. Amostras de madeira foram retiradas à altura
do peito e preparadas para a obtenção de lâminas histológicas nas secções convencionais
para anatomia da madeira e material dissociado. Atributos quantitativos de lenho foram me-
didos e comparados por teste multivariado e análise de componentes principais. Índices de
condutividade hidráulica e de plasticidade foram calculados. Resultados: A caracterização
hidráulica de N. oppositifolia, com populações distribuídas em Restinga e nas subforma-
ções da Floresta Ombrófila Densa, aponta a FOD de Terras Baixas como o ambiente mais
propício ao desenvolvimento de ações de manejo da espécie para fins de aproveitamento
silvicultural, tanto no uso da madeira quanto na arborização pública, uma vez que nesta
condição a madeira apresenta maior segurança no transporte hídrico e, consequentemente,
com reflexo positivo no crescimento do corpo vegetal.

Palavras-chave: Anatomia da Madeira, Silvicultura, Arborização, Mata Atlântica,


Canela-Ferrugem.
INTRODUÇÃO

A anatomia da madeira mostra-se como importante ferramenta para interpretações


ecológicas funcionais sobre o efeito da heterogeneidade ambiental na estrutura do lenho e
em suas propriedades físicas, com destaque aos atributos mais relacionados à condutividade
hidráulica, pois se trata de um tecido diretamente associado ao transporte hídrico em espé-
cies fanerogâmicas. Muitas características do lenho, como o comprimento do elemento de
vaso, o diâmetro tangencial do vaso, a frequência de vasos, o comprimento e a espessura
das fibras e a distribuição do parênquima axial são tidas como plásticas, uma vez que são
fortemente influenciadas pelas condições físicas do ambiente de desenvolvimento. Relações
entre condições ambientais e a anatomia da madeira tem sido alvo crescente de estudos
ecológicos desde a década de 1980 (BARAJAS-MORALES, 1985), culminando no reconheci-
mento de padrões anatômicos para a flora brasileira (ALVES & ANGYALOSSY, 2000; 2002).
Características como vasos longos e de grande diâmetro são mais eficientes na condu-
ção (TYREE & ZIMMERMAN, 2002). Por outro lado, vasos de lúmen reduzido e em grande
número por unidade de área, elementos de vasos curtos e com pontoações intervasculares
pequenas são estratégias funcionais da madeira associadas à maior segurança na conduti-
vidade hidráulica (SPERRY et al., 2006). A eficiência da condutividade hidráulica da madeira
é inversamente relacionada à segurança no transporte, representada pela vulnerabilidade do
lenho ao embolismo e à cavitação (BAAS et al., 2004). No transporte de água pelos elemen-
tos condutores do xilema, a coluna de água está sujeita à pressões negativas que podem
acarretar embolismos (TYREE & SPERRY, 1989) e implosão dos elementos condutores
(BRODRIBB & HOLBROOK, 2005), com consequente cavitação e vulnerabilidade hidráulica
dada pela perda/diminuição da capacidade de condução (JACOBSEN et al., 2005), o que
em tese implica nas taxas de crescimento da planta.
Em estudos acerca da plasticidade estrutural e hidráulica da madeira, observa-se
que as estratégias ecológicas podem ser pensadas a partir do trade-off entre os atributos
funcionais da planta e os fatores ambientais. O trade-off da evolução do xilema reflete o
mecanismo adaptativo entre segurança e eficiência no transporte de água (BHASKAR et al.,
2007), que implica no transporte hídrico seguro, buscando minimizar os efeitos do estresse
mecânico associado à formação de bolhas dentro dos vasos, que bloqueiam o transporte de
água (BAAS et al., 2004). Este princípio, embora controverso (GLEASON et al., 2016), tem
sido corroborado por estudos realizados com diversas espécies e floras da região tropical
do globo, incluindo trabalhos com espécies florestais dos biomas brasileiros que têm sinali-
zado a interdependência entre estrutura do xilema e o aporto hídrico do ambiente (ALVES
& ANGYALOSSY-ALFONSO, 2000; BARROS et al., 2006; LEÓN, 2014; SOFFIATTI et al.,
2016; MELO JÚNIOR & BOEGER, 2017).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
30
Compreendendo que tanto a estrutura anatômica quanto a condutividade hidráulica
da madeira estão intimamente associadas às condições do ambiente físico, associa-se a
ideia de que as maiores taxas de crescimento da planta serão observadas em ambientes
mais favoráveis ao desenvolvimento de determinada espécie dentro do seu espectro total
de distribuição geográfica impresso por sua capacidade plástica. Tal conhecimento pode
auxiliar na seleção de espécies a serem empregadas, por meio de ações coordenadas de
manejo da flora, em atividades silviculturais, tendo por base a melhor performance da planta
em termos de condutividade hidráulica, além de atenuar o impacto do plantio comercial de
espécies exóticas.

MÉTODOS

A espécie estudada

A espécie Nectandra oppositifolia Nees & Mart. (Lauraceae), conhecida popularmente


como canela-ferrugem, é uma árvore perene, monóica, que atinge 20 m de altura e 50 a 70
cm de diâmetro à altura do peito. Possui filotaxia alterna a suboposta, com folhas simples,
ferrugíneo-pubescentes na superfície abaxial, com 10-15 cm de comprimento e 1-5 cm de
largura. Durante a floração, a copa destaca-se pela coloração ferrugínea de suas folhas e
ramos jovens. Fruto do tipo glande, monospérmico. É nativa, não endêmica do Brasil. Ocorre
em florestas de planície até florestas de altitude até 800 m. Nordeste (Bahia, Ceará), Sudeste
(Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul,
Santa Catarina) (REFLORA, 2020).

Áreas de ocorrência natural amostradas

Foram contempladas diferentes formações fitogeográficas do bioma atlântico com


cobertura no Estado de Santa Catarina de forma a acompanhar a distribuição geográfica
natural da espécie selecionada (Tabela 1).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
31
Tabela 1. Áreas de ocorrência natural de Nectandra oppositifolia (Lauraceae) amostradas no Estado de Santa Catarina.
Coordenada Geo- Precipitação Temperatura mé- Registro
Formação Fitogeográfica Município Altitude (m)
gráfica média anual dia anual JOIw
26°16’58.1” S
Floresta de Restinga São Francisco do Sul 18 1976 mm 21,1 ºC 991
48°02’14.7” W
Floresta Ombrófila Densa 26° 15’ 7” S
Joinville 10 1976 mm 20,9 ºC 1123
de Terras Baixas 48° 51’ 30” W
Floresta Ombrófila Densa 26° 15’ 52” S
Joinville 100 1976 mm 20,9 ºC 1121
Submontana 48° 50’ 9” W
Floresta Ombrófila Densa 26° 15’ 19” S
Joinville 640 1976 mm 20,9 ºC 1122
Montana 49° 5’ 59” W
Floresta Ombrófila Densa 26°19’ S
São Bento do Sul 838 822 mm 16,6 ºC 936
Altomontana 49°18’ W
Fonte: autores; dados climatológicos: CLIMATE-DATA.ORG (2022).

Coleta, tratamento e análise do lenho de N. oppositifolia

A coleta de madeira foi realizada em indivíduos amostrais selecionados em cada for-


mação fitogeográfica, tendo-se por base a fase adulta de desenvolvimento da planta como
critério de inclusão. A amostra de madeira foi retirada à altura do peito, com auxílio de ser-
rote, formão e martelo, em dimensão nunca superior a 20% do DAP. Todas as amostras
foram tombadas na coleção de referência da Xiloetca JOIw (MELO JÚNIOR et al., 2014),
pertencente à Universidade da Região de Joinville.
Corpos de prova de aproximadamente 2 cm³ foram produzidos e amolecidos por cozi-
mento em água glicerinada. Secções anatômicas transversais, longitudinais tangenciais e
longitudinais radiais foram obtidas em micrótomo de deslize com navalha C para posterior
montagem de lâminas histológicas permanentes. Os cortes foram clarificados em hipoclorito
de sódio, corados em safranina aquosa, desidratados em série alcoólico crescente, fixados
em acetato de butila e montados em resina sintética (KRAUS & ARDUIN, 1997; PAIVA
et al., 2006). Material dissociado foi obtido por inclusão da madeira em solução de Franklin
aquecida em estufa por 72h (KRAUS & ARDUIN, 1997).
A caracterização da anatomia da madeira seguiu a nomenclatura exibida por IAWA
(1989). Foram realizadas mensurações (n = 30) de atributos do lenho (frequência de vasos
por mm², diâmetro tangencial do vaso, comprimento do elemento de vaso e da fibra, espes-
sura da parede da fibra e da parede dupla de vasos contíguos) em microscópio Opticam
600. Microfotografias foram obtidas no mesmo equipamento.
A plasticidade de cada atributo quantitativo do lenho foi medida por meio do Índice de
Plasticidade Fenotípica (IPF) (VALLADARES et al., 2007), dado pela fórmula: IPF = (média
máxima – média mínima) / média máxima. Como forma de verificar a influência do ambiente
no tocante à eficiência no transporte de água e à suscetibilidade à cavitação durante a con-
dução hídrica, calcularam-se os seguintes índices: condutividade (IC) dado pela razão entre
o raio do vaso elevado à quarta potência e a frequência de vasos (ZIMMERMANN, 1983);

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
32
vulnerabilidade (IV) dado pela razão entre o diâmetro e a frequência de vasos (CARLQUIST,
1977); resistência teórica à implosão de vasos, determinado através razão entre a espessu-
ra da parede de dois vasos contíguos e o diâmetro máximo do lume do elemento de vaso
(SCHOLZ et al, 2013); e mesomorfia dado pela razão entre índice de vulnerabilidade e
comprimento do elemento de vaso (CARLQUIST, 1977).

Análise estatística

Médias e respectivos desvios-padrão foram calculados para todos os atributos quantita-


tivos. Para a comparação entre as médias dos atributos analisados foi realizada a análise de
variância (ANOVA), post hoc Tukey, com α = 0,05, após o teste de normalidade de resíduos
e homoestaticidade das variâncias. Utilizou-se a análise dos componentes principais (PCA)
para determinar a maior variância entre os atributos selecionados. Os resultados obtidos
foram avaliados estatisticamente com o auxílio do software R (CRAWLEY, 2007).

RESULTADOS

Anatomia da madeira

A caracterização anatômica do lenho de N. oppositifolia revelou a ocorrência de ca-


madas de crescimento distintas, demarcadas por espessamento radial da parede de fibras.
Vasos com porosidade difusa, sem arranjo definido; múltiplos de 2-5, raros solitários; placa
de perfuração simples e escalariforme com poucas barras; pontoações intervasculares alter-
nas, areoladas, diminutas; pontoações radiovasculares semelhante em forma e tamanho às
intervasculares. Fibras com pontoações simples a diminutas areoladas com borda reduzida
(vista longitudinal tangencial); espessura da parede das fibras fina. Parênquima axial para-
traqueal escasso e vasicêntrico; séries parenquimáticas compostas por 5-8 células. Raios
1-5 seriados, heterogêneos, com corpo formado por células procumbentes e margens por
4 ou mais camadas de células quadradas ou eretas. Inclusão mineral: ráfides nas células
eretas do raio. Presença de óleo/resina nos vasos. A figura 1 mostras algumas dessas ca-
racterísticas estruturais.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
33
Figura 1. Aspectos anatômicos da madeira de Nectandra oppositifolia (Lauraceae). A – porosidade difusa em sessão
transversal. B – raios 2-3 seriados em sessão longitudinal tangencial. C – raios heterogêneos em sessão longitudinal radial.

Caracterização hidráulica

A análise de variância evidenciou diferenças significativas para os atributos quantitativos


da madeira de N. oppositifolia entre as formações fitogeográficas estudadas, porém sem a
formação de um gradiente nítido considerando as diferenças de temperatura e precipitação
entre as mesmas (Tabela 2). A maior frequência de vasos por área foi observada na FOD de
terras baixas. Todos os demais atributos apresentaram maiores médias na FOD submonta-
na. A maior eficiência no transporte de água é alcançada na FOD submontana, porém com
maior risco ao embolismo. A condução mais baixa, porém com maior segurança, ocorre na
FOD de terras baixas. O maior risco à implosão de vasos durante o transporte ocorre na
floresta em REST. O índice de mesomorfia obtido não diferiu a condição entre a madeira
desenvolvida nas distintas formações fitogeográficas indicando maior adaptabilidade ao
xerofitismo (Tabela 3). Dentre os atributos hidráulicos estudados, a frequência de vasos foi
considerada o mais plástico, enquanto o comprimento de fibras o mais canalizado (Tabela 4).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
34
Tabela 2. Média e respectivo desvios-padrão de atributos do xilema secundário de Nectandra oppositifolia (Lauraceae)
amostradas no Estado de Santa Catarina. Legenda: FV – frequencia de vasos; DTV – diâmetro tangencial do vaso; CV –
comprimento de vaso; CF – comprimento de fibra; EPD – espessura da parede de dois vasos contíguos; REST – floresta
de restinga; FODTB – floresta ombrófila densa de terras baixas; FODSM - floresta ombrófila densa submontana; FODM
- floresta ombrófila densa montana; FODAM - floresta ombrófila densa altomontana; F – valor da estatística F. Letras
diferentes na mesma coluna indicam diferença estatística significativa.

Ambiente FV DTV CV CF EPD


REST 11,46 (± 2,33)b 82,64 (± 18,96)a 576,35 (± 133,18)a 322,02 (± 91,20)ab 11,19 (± 3,95)b
FODTB 23,00 (± 5,07)d 93,45 (± 20,70)ab 521,06 (± 109,79)a 320,58 (± 90,23)ab 6,48 (± 3,11)a
FODSM 7,50 (± 1,41)a 167,45 (± 39,31)d 777,66 (± 188,07)c 400,28 (± 104,73)c 12,99 (± 3,63)b
FODM 15,67 (± 4,15)c 102,59 (± 27,06)bc 499,77 (± 102,62)a 291,19 (± 78,22)a 12,07 (± 5,30)b
FODAM 9,37 (± 1,84)ac 117,96 (± 20,14)c 682,41 (± 111,81)b 384,00 (± 145,96)bc 11,31 (± 4,38)b
F 105,09 47,53 23,19 5,87 9,73
p < 0,0001 < 0,0001 < 0,0001 < 0,0001 < 0,0001
Comp1 0,51 0,50 0,51 0,29 0,37
Comp2 0,06 0,37 0,26 0,84 0,29

Tabela 3. Condutividade hidráulica de Nectandra oppositifolia (Lauraceae) amostradas no Estado de Santa Catarina.

Ambiente REST FODTB FODSM FODM FODAM


Índice de condutividade 254.364,58 207.238,01 6.551.780,84 441.805,52 1.291.455,61
Índice de vulnerabilidade 7,21 4,06 22,33 6,55 12,59
Resistência à implosão de vasos 0,09 0,05 0,05 0,08 0,07
Índice de mesomorfia 0,01 0,01 0,03 0,01 0,02

Tabela 4. Índice de plasticidade fenotípica (IPF) dos atributos qualitativos do lenho de Nectandra oppositifolia (Lauraceae)
amostradas no Estado de Santa Catarina.

Atributo IPF
Frequência de vaso 0,67
Diâmetro tangencial do vaso 0,51
Comprimento de vaso 0,36
Comprimento de fibra 0,27
Espessura da parede de dois vasos contíguos 0,50

A análise de componentes principais (PCA) explicou 60,21% da variação de dados ana-


tômicos da madeira de N. oppositifolia nos dois eixos principais (Tabela 2, Figura 2). Os atri-
butos de frequência de vasos, diâmetro tangencial do vaso e comprimento do elemento de
vaso apresentaram maior importância para diferenciar o desenvolvimento do lenho entre as
formações fitogeográficas no eixo 1 (41,41%). O segundo eixo principal explicou 18,79% de
variância dos dados, sendo o atributo de comprimento de fibra mais importante para este eixo.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
35
Figura 2. Análise de componentes principais dos atributos qualitativos da madeira de Nectandra oppositifolia (Lauraceae)
amostradas no Estado de Santa Catarina.

DISCUSSÃO

Espécies do gênero Nectandra são caracterizadas por possuírem rápido crescimento


monopodial e formar fustes de alto valor e interesse comercial, tendo grande potencial em
projetos de manejo (BECHARA et al., 2009) por suas características de dispersão e plastici-
dade (TODOROVSKI et al., 2015). Conforme verificado na literatura, o gênero se beneficia
em momentos de entrada de luminosidade na formação florestal, acelerando a produção
de madeira em seu crescimento (REITZ et al., 1983; BECHARA et al., 2009). Outro fato
evidenciado por Bechara et al. (2009), é a ocorrência de um banco de plântulas em curva
exponencial negativa, o que também corrobora sua aplicação manejada. Cruzando os dados
apresentados por Lingner et al. (2015) e os obtidos neste trabalho, podemos identificar que
os ambientes estudados, a espécie N. oppositifolia mostra condução hídrica mais segura
(menor índice de vulnerabilidade) e, por conseguinte, com maior reflexo sobre o investimento
em crescimento secundário, quando localizada em FOD de Terras Baixas, mesmo que neste
ambiente não tenha o maior potencial de condução expresso pelo índice de condutividade.
O aumento na eficiência da condutividade hidráulica por meio do aumento no diâmetro
dos elementos condutores acarreta uma diminuição na segurança do transporte hídrico, o
que faz as plantas sofrerem ajustes funcionais na estrutura da madeira que mantenham
a relação entre a eficiência da condutividade e a segurança (BAAS et al., 2004). Desta

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
36
relação, resulta o fenômeno chamado de trade-off (BAAS et al., 2004). Tal fenômeno impli-
ca diretamente na eficiência da condutividade hidráulica de espécies lenhosas, em que o
aumento no diâmetro dos elementos de vasos acarreta a diminuição da segurança do trans-
porte hídrico, uma vez que este confere maior vulnerabilidade ao embolismo e à cavitação
(TYREE & SPERRY, 1989; TYREE & EWERS, 1991) e, consequentemente, leva à redução
na condução hídrica, o que pode implicar na taxa de crescimento da planta de maneira geral
(JACOBSEN et al., 2005).
Em comparação às espécies com poucos vasos, porém de maior diâmetro, nota-se
uma maior capacidade de condução (MELO JÚNIOR et al., 2017). Desse modo, o fato das
espécies apresentarem vasos de maior diâmetro indica maior disponibilidade hídrica no am-
biente e, portanto, maior investimento em condução do que em segurança (MELO JÚNIOR
et al., 2017). Os índices de condutividade e de vulnerabilidade em N. oppositifolia estiveram
diretamente relacionados à maior eficiência no transporte e à menor segurança, sendo os
maiores valores obtidos na FODSM e FODAM.
Maiores diâmetros de vaso acompanhados por menores frequências de vaso das es-
pécies lenhosas florestais representam uma resposta à maior disponibilidade hídrica no solo
hidromórficos quando comparados com solos espodossólicos (MELO JÚNIOR & BOEGER,
2017). Dentre os valores obtidos para a condutividade hidráulica (Tabela 3) destaca-se o
menor índice de vulnerabilidade (4,06) obtido para a formação Floresta Ombrófila Densa
de Terras Baixas. Conforme os índices pluviométricos demonstrados, não houve grande
variação para as diferentes formações da região, em que geralmente se registram grandes
volumes de água principalmente nos verões. Tal parâmetro observado para as diferentes
formações poderia implicar em uma maior homogeneidade em relação aos atributos hidráu-
licos avaliados, fato este observado no índice de mesomorfia obtido, não havendo distinção
na madeira desenvolvida nas distintas formações estudadas. Por outro lado, o aumento na
frequência dos vasos de menor diâmetro constitui uma estratégia para manter uma con-
dutividade suficiente e segura (BAAS et al., 2004), como foi observado nas formações de
FODAM e na Floresta de REST.
As características hidráulicas de N. oppostififolia podem ser consideradas como atribu-
tos ecológicos pertinentes ao emprego silvicultural da espécie em consonância com a sua
área de distribuição geográfica, direcionando, assim, o ambiente que promove o transporte
hídrico mais seguro e a tendência esperada de maior taxa de crescimento da espécie em
condições naturais. Conforme o Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina - IFFSC,
a espécie N. oppositifolia encontra-se em quinto lugar para a fitofisionomia da Floresta
Ombrófila Densa de Terras Baixas conforme resultados significativos pela análise de espécies
indicadoras (ISA). Índice este não significativo observado para a espécie nas fitofisionomias

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
37
Submontana e Montana (LINGNER et al., 2013). Apesar de não ser mencionada nas forma-
ções de Restinga levantadas pelo IFFSC, a espécie é registrada para o litoral nordeste do
estado de Santa Catarina em formações de restinga no município de São Francisco do Sul
(MELO JÚNIOR & BOEGER, 2015).
Bechara et al. (2009), ao avaliarem o complexo ferrugíneo Nectandra (CFN) desen-
volvido na Floresta Nacional (FLONA), no município de Ibirama, porção nordeste do Estado
de Santa Catarina, descrevem a potencialidade do complexo formado por três espécies do
gênero Nectandra, sendo elas: N. lanceolata Nees, N. oppositifolia Nees & Mart. e N. rigida
(Kunth) Nees. Os autores apontaram um expressivo potencial silvicultural em função das
características de desenvolvimento semelhantes para as três espécies, que se apresentam
entre as principais espécies madeireiras que abundam nas formações de florestas secun-
dárias na região Sul do país (BECHARA et al., 2009).
Além da potencial aplicabilidade de N. oppositifolia em atividades silviculturais, desta-
cada pela relação estabelecida entre a condutividade hidráulica e o crescimento do corpo
vegetal, é ainda possível atribuir outros usos à espécie. Assim, entende-se que a prerrogativa
de um maior crescimento, condicionado pela eficiência no transporte hídrico, pode ser um
atributo relevante no uso da espécie com função paisagística em ambientes urbanos. A ca-
nela ferrugem tem sido utilizada na arborização urbana, principalmente na implementação
em calçadas, pois consegue entregar com qualidade benefícios ecológicos e estéticos, além
auxiliar na melhoria microclimática onde está inserida (LORENZI, 2000; BAITELLO, 2003;
QUINET, 2006; QUINET et al., 2013). Por ser uma árvore com copa volumosa que consegue
diminuir a velocidade dos ventos, contribui com grandes áreas de sombreamento auxiliando
diretamente na mitigação do efeito da elevada radiação solar, ajuda na proteção do solo e
seus frutos servem para manter o ciclo ecológico nos ambientes onde se encontram, prin-
cipalmente contribuindo como alimento para aves, pequenos roedores e outros mamíferos.
Em suas composições em calçadas urbanas, a canela ferrugem pode exercer impor-
tante função estética exercida tanto por sua copa de coloração ferrugínea quanto por sua
floração branca em grande concentração na ramagem externa (LORENZI, 2000; BAITELLO,
2003; QUINET, 2006; QUINET et al., 2013).
Tais fatores quebram o padrão urbano monocromático, causando um contraste com
as áreas das cidades onde se encontram. Entretanto, por ser uma árvore de grande porte é
importante planejar o seu plantio urbano, evitando sua colocação embaixo de fiação elétrica
e em pequenas calçadas. A canela ferrugem bem instalada, usando-se mudas de no mínimo
2,5 metros de tronco, terá poucas podas em seu crescimento, evitando-se assim grandes
custos com a manutenção da planta em vias públicas e também o estresse causado à planta
(LORENZI, 2000).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
38
CONCLUSÃO

A caracterização hidráulica de N. oppositifolia, com populações distribuídas em Restinga


e nas subformações da Floresta Ombrófila Densa, aponta a FOD de Terras Baixas como
o ambiente mais propício ao desenvolvimento de ações de manejo da espécie para fins de
aproveitamento silvicultural, tanto no uso da madeira quanto na arborização pública.

Agradecimentos

Ao Fundo de Amparo à Pesquisa da Universidade da Região de Joinville pelo provi-


mento de recurso ao primeiro autor.

REFERÊNCIAS
1. ABNT. 2003. Madeira – determinação da densidade básica. Rio de Janeiro: ABNT.

2. ALVES, E.S.; ANGYALOSSY-ALFONSO, V. Ecological trends in the wood anatomy


of some Brazilian species. 1. Growth rings and vessels. IAWA Journal, v. 21, n. 1, p.
3-30, 2000.

3. ALVES, E.S.; ANGYALOSSY-ALFONSO, V. Ecological trends in the wood anatomy of


some Brazilian species. 1. Axial parenchyma, rays and fibres. IAWA Journal, v. 23,
p. 391 - 418, 2002.

4. BAAS, P.; EWERS, F. W.; DAVIS, S. D.; WHEELER, E. A. Evolution of xylem physiology.
In: HEMSLEY, A. R.; POOLE, I. The evolution of plant physiology. Londres: Elsevier
Academic Press, 2004. p. 273-295.

5. BACKES, P.; IRGANG, B. Mata Atlântica: as árvores e a paisagem. Porto Alegre: Pai-
sagem do Sul, 2004. 396p.

6. BAITELLO, J. B. Nectandra. In: WANDERLEY, M. das G. L.; SHEPHERD, G. J.; GIU-


LIETTI, A. M.; MELHEM, T. S. (Ed.). Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo.
São Paulo: FAPESP: RiMa, 2003. v. 3, p. 167-179.

7. BARAJAS-MORALES, J. Wood structural differences between trees of two tropical


forests in Mexico. IAWA Bulletin, v. 6, n. 4, p. 355-364, 1985.

8. BARROS, C. F.; MARCON-FERREIRA, M. L.; CALLADO, C. H.; LIMA, H. R. P.; CUNHA,


M.; MARQUETE, O.; COSTA, C. G. Tendências ecológicas na anatomia da madeira
de espécies da comunidade arbórea da reserva biológica de Poço das Antas, Rio de
Janeiro, Brasil. Rodriguésia, v. 57, n. 3, p. 443-460, 2006.

9. BECHARA, F. C.; TIEPO, E. N.; REIS, A. Contribuição ao manejo sustentável do com-


plexo ferruginoso nectandra na floresta nacional de Ibirama, SC. Revista Árvore, v.
33, p. 125-132, 2009.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
39
10. BHASKAR, Radika; VALIENTE‐BANUET, Alfonso; ACKERLY, David D. Evolution of
hydraulic traits in closely related species pairs from mediterranean and nonmediterra-
nean environments of North America. New Phytologist, v. 176, n. 3, p. 718-726, 2007.

11. BRODRIBB, Tim J. et al. Leaf hydraulic capacity in ferns, conifers and angiosperms:
impacts on photosynthetic maxima. New phytologist, v. 165, n. 3, p. 839-846, 2005.

12. CARLQUIST, S. Comparative wood anatomy: systematic, ecological, and evolutionary


aspects of dicotyledon wood. 2 ed. New York: Springer, 2001. 448 p.

13. CARLQUIST, S. Ecological factors in wood evolution: a floristic approach. American


Journal of Botany, v. 64, n. 7, p. 887-896, 1977.

14. CARVALHO, Fabrício Alvim; NASCIMENTO, Marcelo Trindade; BRAGA, João Marcelo
Alvarenga. Composição e riqueza florística do componente arbóreo da Floresta Atlân-
tica submontana na região de Imbaú, Município de Silva Jardim, RJ. Acta Botanica
Brasilica, v. 20, p. 727-740, 2006.

15. CARVALHO, L. R. de. Conservação de sementes de espécies dos gêneros Nectandra,


Ocotea e Persea (Lauraceae). 2006. 75 f. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal),
Universidade Federal de Lavras, Lavras. 2006.

16. CATHARINO, E. L. M.; BERNACCI, L. C.; FRANCO, G. A. D. C.; DURIGAN, G.; METZ-
GER, J. P. Aspectos da composição e diversidade do componente arbóreo das florestas
da Reserva Florestal do Morro Grande, Cotia, SP. Biota Neotropica, Campinas, v. 6,
n. 2, 2006.

17. CRAWLEY MJ. 2007. The R book. Chichester: John Wiley and Sons. DE MELLO, Yara;
KOEHNTOPP, Paulo Ivo; DE OLIVEIRA, Therezinha Maria Novais. DISTRIBUIÇÃO
PLUVIOMÉTRICA NA REGIÃO DE JOINVILLE (SC). Estudos Geográficos: Revista
Eletrônica de Geografia, v. 13, n. 1, p. 78-93, 2015.

18. GANDOLFI, S.; LEITÃO-FILHO, H. F.; BEZERRA, C. L. F. Levantamento florístico e


caráter sucessional das espécies arbustivo-arbóreas de uma floresta mesófila semi-
decídua no município de Guarulhos, SP. Revista Brasileira de Botânica, São Paulo,
v. 55, n. 4, p. 753-767, 1995.

19. GLEASON, S. M. et al. Weak tradeoff between xylem safety and xylem‐specific hy-
draulic efficiency across the world’s woody plant species. New Phytologist, v. 209, n.
1, p. 123-136, 2016.

20. HIGUCHI, P.; REIS, M. G. F.; REIS, G. G.; PINHEIRO, A. L.; SILVA, C.T.; OLIVEIRA,
C. H. R. Composição florística da regeneração natural de espécies arbóreas ao longo
de oito anos em um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual, em Viçosa, MG.
Revista Árvore, Viçosa, v. 30, n. 6, p. 893-904, 2006.

21. IAWA Committee. List of microscopic features for hardwood identification. IAWA Bull
v:10, p:219-332, 1989.

22. JACOBSEN, A. L. et al. Do xylem fibers affect vessel cavitation resistance?. Plant
physiology, v. 139, n. 1, p. 546-556, 2005.

23. KRAUS, J.; ARDUIN, M. Manual básico de métodos em morfologia vegetal. 1997.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
40
24. LEON H., W.J. Anatomia de la madera de 26 especies del género Aspidosperma Mart.
(Apocynaceae). Acta Botanica Venezuelica, v. 34, n. 1, p. 127-151. 2011.

25. LEON H., W.J. Anatomía de maderas de 108 especies de Venezuela, Venezuela.
Pitteria, n. 1, p. 1-267, 2014.

26. LINGNER, D. V., SEVEGNANI, L., GASPER, A. D., UHLMANN, A., VIBRANS, A. C.,
VIBRANS, A. C. & LINGNER, D. V.. Grupos florísticos estruturais da Floresta Ombrófila
Densa em Santa Catarina. Inventário florestal de Santa Catarina, 4, p. 143-157, 2013.

27. LINGNER, D. V.; SCHORN, L. A.; SEVEGNANI, L.; GASPER, A. L.; MEYER, L.; VI-
BRANS, A. C. Floresta Ombrófila Densa de Santa Catarina - Brasil: Agrupamento e
Ordenação Baseados em Amostragem Sistemática. Ciência Florestal, Santa Maria,
v. 25, n. 4, p. 933-946, out.- dez., 2015.

28. LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas


do Brasil. 4 ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2002. v.1, 368 p.

29. Manual Técnico de Arborização Urbana. São Paulo, 2015. SÃO PAULO, Prefeitura
Municipal de. Jan. de 2018.

30. MARKUS, E., MORAS, A., FREITAS, E., & REMPEL, C. Análise estrutural da comuni-
dade arbórea da mata ciliar de três cursos d’água em propriedades produtoras de leite
do Vale do Taquari, RS. RS. Pesquisas. Botânica, São Leopoldo, v. 71, p. 63-76, 2018.

31. MELO JÚNIOR, J. C. F.; AMORIM, M. W.; SILVEIRA, E. R. A xiloteca (coleção Joinvil-
lea-JOIw) da Universidade da Região de Joinville. Rodriguésia, v. 65, p. 1057-1060,
2014.

32. MELO JÚNIOR, J.C.F; BOEGER, M.R.T.; AMORIM, M.W.; HEERDT, S.T.; SILVA,
M.M.; SILVA, K.R.; SOFFIATTI, P. Anatomia funcional da madeira e condutividade
hidráulica de espécies lenhosas de restinga. In: MELO JÚNIOR, J.C.F; BOEGER,
M.R.T. (Org.). Patrimônio natural, cultura e biodiversidade da restinga do Parque
Estadual Acaraí. Joinville: Univille, v. 1, p. 201-253. 2017b.

33. MELO JÚNIOR, João Carlos Ferreira de; BOEGER, Maria Regina Torres. Riqueza,
estrutura e interações edáficas em um gradiente de restinga do Parque Estadual do
Acaraí, Estado de Santa Catarina, Brasil. Hoehnea, v. 42, p. 207-232, 2015.

34. PAIVA, J.G.A.; FANK-DE-CARVALHO, S.M.; MAGALHÃES, M.P.; GRACIANO-RIBEI-


RO, D. Verniz vitral incolor 500: uma alternativa de meio de montagem economicamente
viável. Acta Botanica Brasilica, v. 20, p. 257-264, 2006.

35. PINTO SOBRINHO, F. de A.; CHRISTO, A. G.; GUEDES-BRUNI, R. R.; SILVA, A. F.


Composição florística e estrutura de um fragmento de floresta estacional semidecidual
Aluvial em Viçosa (MG). Revista Floresta, Curitiba, v. 39, n. 4, p. 793-805, out./dez.
2009.

36. QUINET, A. Lauraceae na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de
Janeiro, Brasil. Rodriguésia, Rio de Janeiro, v. 57, n. 3, p. 543-568, 2006.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
41
37. QUINET, A.; BAITELLO, J. B.; MORAES, P. L. R. de; ALVES, F. M.; ASSIS, L. Lau-
raceae. In: Lista de Espécies da Flora do Brasil. Rio de Janeiro: Jardim Botânico do
Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/
FB8434>. Acesso em: 19 jul. 2013.

38. REITZ, R.; KLEIN, R. M.; REIS, A. Projeto Madeira do Rio Grande do Sul. Sellowia,
n.34-35, p. 1-525, 1983.

39. ROSSETO, V.; SAMPAIO, T. M.; OLIVEIRA, R.; GRALA, K. O ALGARROBO. Disponível
em: <https://sites.unipampa.edu.br/programaarborizacao/canela-ferrugem/>. Acesso
em: 18 de outubro de 2022.

40. SCHOLZ, A.; KLEPSCH, M.; KARIMI, Z.; STEVEN, J. How to quantify conduits in wood?
Frontiers in Plant Science, v. 4, n. 56, p. 1-10. 2013.

41. SOFFIATTI, P.; BOEGER, M.R.T.; NISGOSKI, S.; KAUAI, F. Wood anatomical traits
of the Araucaria Forest, Southern Brazil. Bosque (Valdivia), v. 37, n.1, p. 21-31, 2016.

42. SPERRY, J. S, HACKE, G & PITTERMANN, J. Size and function in conifer tracheids
and angiosperm vessels. American journal of botany, v. 93, n. 10, p. 1490-1500, 2006.

43. SPERRY, J.S.; NICHOLS, K.L.; SULLIVAN, J.E.M.; EASTLACK, S.E. Xylem Embolism
in Ring-Porous, Diffuse-Porous, and Coniferous Trees of Northern Utah and Interior
Alaska. Ecology, v. 75, p. 1736–1752, 1994.

44. TALORA, D. C.; MORELLATO, P. C. Fenologia de espécies arbóreas em floresta de


planície litorânea do sudeste do Brasil. Revista Brasileira de Botânica, São Paulo,
v. 23, n. 1, p. 13-26, mar. 2000.

45. TILMANN, D. Plant strategies and the structure and dynamics of plant communities.
Nova Jersey: Princeton University Press, 1988.

46. TODOROVSKI, E. C. D.; MELO JR., J. C. F.; AMORIM, M. W.; SILVA, M. M. Potencial
plástico de Nectandra oppositifolia Nees. (Lauraceae) em fisionomias de floresta om-
brófila densa e restinga. Natureza on line 13 (2): 70-76. 7p. 2015.

47. TYREE, M. T.; EWERS, F. W. The hydraulic architecture of trees and other woody
plants. New Phytologist, v. 119, p. 345-360, 1991.

48. TYREE, M. T.; SPERRY, J. S. Vulnerability of xylem to cavitation and embolism. Annual
Review of Plant Physiology and Molecular Biology, v. 40, p. 19-38, 1989.

49. TYREE, M. T.; ZIMMERMANN, M. H. Xylem structure and the ascent of sap. 2. ed.
Nova York: Springer -Verlag, 2002. 284 p

50. VALLADARES F, GIANOLI E, GÓMEZ JM. 2007. Ecological limits to plant phenotypic
plasticity. New Phytologist 176:749-763.

51. WERNECK, M. de S.; FRANCESCHINELLI, E. V.; TAMEIRÃO NETO, E. Mudanças


na florística e estrutura de uma floresta decídua durante um período de quatro anos
(1994-1998), na região do Triângulo Mineiro, MG. Revista Brasileira de Botânica,
São Paulo, v. 23, n. 4, p. 401-413, dez. 2000.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
42
52. ZANNON, M. M. F., GOLDENBERG, R., & MORAES, P. L. R. O gênero Nectandra Rol.
ex Rottb.(Lauraceae) no Estado do Paraná, Brasil. Acta Botanica Brasilica. 2009,
23: 22-35.

53. ZIMMERMANN MH. 1983. Xylem structure and the ascent of sap. Berlin: Springer-
-Verlag.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
43
03
Efeito da idade na qualidade energética da
madeira e do carvão vegetal em clone de
Eucalyptus sp.

Renata Carvalho da Silva Wagner Ferreira Coelho de Oliveira


Universidade Federal do Paraná - UFPR Universidade Federal do Tocantins - UFT

Amanda Martins Cardoso Pedro Lício Loiola


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Raquel Marchesan Fernando Augusto Ferraz


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Karolayne Ferreira Saraiva Priscila Bezerra de Souza


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Guilherme Miranda Fernandes Reis Dimas Agostinho da Silva


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Paraná - UFPR

'10.37885/221010689
RESUMO

O objetivo desta pesquisa foi determinar o efeito da idade da madeira do clone de Eucalytus
sp. na qualidade energética da madeira e do carvão vegetal. O experimento foi conduzido no
laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais da UFT, Campus Gurupi-TO
em que foram determinadas as propriedades físicas, químicas e energéticas da madeira e
do carvão vegetal do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e aos 10 anos de idade. A madeira
do clone de Eucalyptus sp. aos 10 anos apresentou valores médios aceitáveis para queima
direta com teor de umidade inferior a 11%, densidade energética de 1601,486 kcal/cm3, es-
toque de carbono de 57,236 kcal/cm3, materiais voláteis de 84,038%, carbono fixo de 16,032
%, cinzas de 0,114 % e poder calorífico superior de 4485,955 Kcal/Kg. O carvão vegetal da
madeira aos 10 anos de idade apresentou os teores de MV de 23,284 %, CF de 76,276 %
e Cz de 0,444 % com valores médios dentro do recomendado pelo Selo Premium. O PCS
do carvão também apresentou valor médio satisfatório para a produção de energia. Portanto
a madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 10 anos de idade e o carvão vegetal produzido
são recomendados para fins energéticos.

Palavras-chave: Fins Energéticos, Queima Direta, Teor de Umidade.


INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas o Brasil vem apresentando uma considerável competitividade no


mercado (interno e externo) de produtos de origem florestal, em decorrência não somente
de suas características edafoclimáticas (solo e clima), mas também, do desenvolvimento
tecnológico que tem sido obtido nas áreas de silvicultura e manejo florestal (OLIVEIRA;
OLIVEIRA, 2017).
Em decorrência disso, o setor florestal do país tem enorme destaque no cenário mundial,
devido à sua biodiversidade, responsável pelas inúmeras espécies de importância econômica
oriundas das florestas nativas e pelo excelente desempenho de suas florestas comerciais
plantadas contando com algumas espécies de uso específico, que estão diretamente ligadas
com a economia do país (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2017).
No decorrer dos séculos e juntamente com a evolução da humanidade, a utilização do
carvão vegetal foi se tornando mais intensa. Substituído por combustíveis fósseis em alguns
casos, em muitos lares de países subdesenvolvidos ainda é um combustível imprescindível,
seja por motivos econômicos ou financeiros (GUARDABASSI, 2006).
O homem moderno procura aliar crescimento ao desenvolvimento sustentável desde
a utilização da energia a vapor no século XVIII, fato marcante que abriu caminho para a
consolidação do uso da energia em escala crescente para a modernidade, passando, nessa
busca, pela utilização de fontes como o petróleo e a eletricidade, entre outras. A demanda
pelo crescimento sustentável tem levado cada vez mais à necessidade da utilização de
energias alternativas e renováveis (SANTOS; HATAKEYAMA, 2012).
Não obstante, o Brasil tem se consolidado como líder mundial no setor de carvão
vegetal, representando cerca de 12% da produção, e dessa forma as florestas plantadas
mantêm constância e registram 5,1 milhões de toneladas consumidas, em que apenas 0,3
milhões de toneladas são de florestas nativas, crescimento de 3,7% no total em relação ao
ano de 2019 (IBÁ, 2020).
Dessa forma, em escala global, a produção do carvão vegetal no Brasil responde por
cerca de 1/3 da produção, em relação a utilização no próprio país, aqui o mesmo é utilizado
em sua quase totalidade para a siderurgia, mas produzida ainda, em sua grande maioria,
como há um século, sem as preocupações básicas com a preservação do meio ambiente e
com as condições de trabalho inadequadas (PINHEIRO et al., 2006).
Para suprir as demandas crescentes de energia em decorrência da atividade indus-
trial surge a necessidade pela biomassa de origem florestal para o uso energético, a fim de
atender os diversos segmentos industriais. Nesse contexto, o gênero Eucalyptus é o mais
utilizado para a implantação de florestas para fins energéticos pois se apresenta como po-
tencial alternativa a ser utilizada como fonte de energia limpa e renovável (SOARES et al.,

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
46
2006) além dos seus altos índices de produtividade e características energéticas (densidade
da madeira e poder calorífico) (SANTOS, 2010).
Considerando os plantios florestais, o gênero Eucalyptus sp. representam 77% das
florestas plantadas do Brasil (IBÁ, 2021). Atualmente, o cultivo do Eucalyptus sp. abrange
regiões além daquelas tradicionais, como o Sul e o Sudeste, o que levanta a necessidade
de se obter informações sobre a produção esperada desses novos plantios, ou seja, estudos
relacionados ao material genético, silvicultura e aspectos relacionados a toda sua cadeia
produtiva (SANTANA et al., 2008).
A partir da percepção de que o Eucalyptus pode configurar uma eficiente fonte de
biomassa para produção de energia, fica evidente a necessidade de conhecer com mais
profundidade a dinâmica de produção da cadeia produtiva da lenha de Eucalyptus sp., bem
como os clones da espécie com o intuito de potencializar seu uso para finalidades ener-
géticas e identificar os fatores que são limitantes ao seu melhor desempenho competitivo
(SIMIONI et al., 2018).
A região norte do Tocantins destaca-se no setor florestal devido à grandes empresas
desta área estarem situadas nesta região ou em estados vizinhos, e com isso há aumento
na demanda por madeira para fins energéticos e para a produção de celulose.
Pelas características edafoclimáticas, ainda não há uma espécie ou clone do gênero
Eucalyptus desenvolvido com as características ideais para produção de energia ou adap-
tados para o estado, sendo utilizados clones e espécies de outras regiões do Brasil.
Devido a essas demandas crescentes, torna-se necessário desenvolver pesquisas re-
lacionadas ao comportamento silvicultural de espécies e clones de Eucalyptus e a qualidade
do material obtido após atingir a idade técnica de corte, buscando correlacioná-las com a
destinação final de sua biomassa.
Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi determinar o efeito da idade da madeira
do clone de Eucalyptus sp. na qualidade energética da madeira e do carvão vegetal.

MÉTODOS

Localização da coleta do material

Neste trabalho foram utilizadas madeiras de clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos
de idade, as quais foram coletadas no pátio de estocagem de uma empresa produtora de
carvão vegetal localizada na região norte do estado do Tocantins, no município de São
Bento do Tocantins. A madeira encontrava-se no pátio de estocagem há três meses para a
secagem e posterior utilização na produção de carvão vegetal.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
47
O experimento foi conduzido no Laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos
Florestais da Universidade Federal do Tocantins - UFT campus de Gurupi-TO.

Amostragem

Para a preparação das amostras, primeiramente foram selecionadas cinco toras por
idade (10 e 12 anos), de cada tora foram retirados dois discos, totalizando 10 discos por
idade do clone para o estudo.
Os discos foram transformados em cavacos e partículas (passadas em peneira de 40
mesh e retidas em peneira de 60 mesh) para a caracterização física, química e energética
da madeira e para a produção do carvão vegetal e sua caracterização energética.

Propriedades da madeira do clone de Eucalyptus sp.

A densidade a granel da madeira foi determinada de acordo com a norma DIN EN 15103
(DIN, 2010). Os teores de umidade, de extrativos totais, lignina total, holocelulose e a solubili-
dade em hidróxido de sódio (NaOH) foram obtidos baseando-se na metodologia apresentada
por Wastowski (2018) e Gomide e Demuner (1986).
A análise química imediata foi determinada de acordo com as normas ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) e ABNT NBR 8112/83 (ABNT, 1983), em que foram determinados os percen-
tuais de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF) e cinzas (CZ). O poder calorífico superior
da madeira foi estimado conforme Channiwala e Parikh (2002). A densidade energética da
madeira foi obtida seguindo a metodologia proposta por Jesus et al. (2017). O estoque de
carbono da madeira por unidade de volume foi calculado de acordo com Protásio et al. (2015).

Propriedades energéticas do carvão vegetal do clone de Eucalyptus sp.

As amostras foram carbonizadas em forno elétrico tipo mufla com controle da tempe-
ratura final programada e adaptada para recuperar materiais voláteis condensáveis. A tem-
peratura inicial da carbonização utilizada foi de 150°C e a temperatura final de 500°C, con-
siderando-se uma taxa de aquecimento de 5°C/min e tempo total de 5h30min.
A recuperação dos gases condensáveis foi realizada através de uma adaptação ao forno
mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los em um
composto chamado licor pirolenhoso. Por meio da diferença entre o rendimento gravimétrico
total em carvão vegetal e o rendimento total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total
em gases não condensáveis. O rendimento total em carvão vegetal é a relação percentual
entre a massa seca do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
48
em balança analítica. A densidade a granel do carvão vegetal foi determinada pela relação
entre o peso do carvão vegetal e o seu volume, respectivamente (DIN, 2010).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) em que se determinou os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. O poder calorífico do carvão foi estimado de acordo com Vale te al. (2002).
A densidade energética do carvão vegetal foi obtida seguindo a metodologia proposta
por Jesus et al. (2017). O estoque de carbono por unidade de volume foi calculado de acordo
com Protásio et al. (2015).

Análise estatística dos dados

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, considerando as


idades para dos clones (12 e 10 anos) para a temperatura final de carbonização de 500°C.
Foi realizado o teste de normalidade e análise de variância (ANOVA). O teste de Tukey
foi realizado para a comparação das médias a nível de 5% de probabilidade, no programa
estatístico Sisvar.

RESULTADOS

Propriedades da madeira do clone de Eucalyptus sp.

Na Tabela 1 é possível observar os valores médios de densidade a granel, teor de umi-


dade, teor de extrativos totais, lignina, holocelulose e solubilidade em NaOH para madeira
de clones de Eucalyptus sp. com 12 e 10 anos, respectivamente.
Observa-se que para a densidade a granel e para o teor de lignina total a madeira do
clone com 10 anos de idade apresentou maiores médias (0,357 g/cm³ e 32,793%). Pode-se
observar diferenças estatísticas significativas entre as diferentes idades avaliadas para o
clone de Eucalyptus sp. para o teor de umidade da madeira, sendo a maior média (5,347%)
obtida para a madeira com 10 anos de idade.
Em relação aos teores de extrativos totais, lignina total, holocelulose e solubilidade em
NaOH é possível observar diferenças estatísticas significativas ao nível de 5% de probabili-
dade para o clone de Eucalyptus sp. nas idades de 12 e 10 anos, respetivamente.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
49
Tabela 1. Propriedades físicas e químicas da madeira do clone de Eucalyptus sp. com 12 e 10 anos de idade.

Propriedades físicas e químicas da madeira

Clones Eucalyptus sp. DG (g/cm³) TU (%) ET (%) LT (%) Holo. (%) Sol. NaOH (%)
3,967 b 4,710 a 27,443 b 12,590 b
12 anos 0,315 67,713 a (1,63)
(6,51) (6,43) (3,66) (5,79)
5,347 a 4,493 a 32,793 a 62,840 b 15,550 a
10 anos 0,357
(2,21) (6,39) (6,11) (3,30) (1,54)
Nota: As médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey
(5%). * significativo ao nível de 5% de probabilidade (01 =< p < 0.05). Os valores entre parênteses correspondem respec-
tivamente coeficiente de variação (%).

Na Tabela 2 são apresentadas as médias para as propriedades energéticas da madei-


ra por meio da análise química imediata (AQI), poder calorífico superior (PCS), densidade
energética (De) e estoque de carbono (EC) da madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12
e 10 anos de idade.
Em relação a análise dos dados, observa-se diferenças estatísticas ao nível de 5% de
probabilidade e os coeficientes de variação obtidos para os parâmetros avaliados apresen-
taram-se baixo, comprovando assim a homogeneidade dos dados.

Tabela 2. Valores médios de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF), cinzas (CZ), poder calorífico superior (PCS),
densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) da madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade.

Propriedades Energéticas da madeira

AQI
Clone Eucalyptus sp. PCS (kcal/kg) De (kcal/cm³) EC (kg/m³)
MV(%) CF (%) Cz (%)
0,164 a 4243,881 b 1111,896 b
12 anos 88,832 a (1,07) 11,058 b (8,74) 28,996 b (8,74)
(26,52) (1,09) (1,10)
84,038 b 0,114 a 4485,955 a 1601,486 a
10 anos 16,032 a (6,98) 57,236 a (6,98)
(1,46) (13,74) (1,09) (1,09)
Nota: As médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (5%).
* significativo ao nível de 5% de probabilidade (01 =< p < 0.05). Os valores entre parênteses correspondem respectivamente
coeficiente de variação (%).

Propriedades energéticas do carvão vegetal do clone de Eucalyptus sp.

Na Tabela 3 são apresentados os valores do rendimento total em carvão e os rendi-


mentos em gases condensáveis e não condensáveis para madeira do clone de Eucalyptus
sp. aos 12 e 10 anos de idade, para o carvão vegetal produzido na marcha de carbonização
500°C, respectivamente.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
50
Tabela 3. Valores totais do rendimento gravimétrico em carvão (RGTcarvão), rendimento em gases condensáveis (RGC),
rendimento em gases não condensáveis (RGNC) e rendimento energético da carbonização (REC) para o carvão vegetal
do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade.

Rendimentos da carbonização

Clone Eucalyptus sp. RGTcarvão (%) RGC (%) RGNC (%)


12 anos 30,138 40,143 29,718
10 anos 31,576 41,019 27,406

Na Tabela 4 encontra-se os valores médios das propriedades energéticas do carvão


vegetal por meio da densidade a granel (Dg), análise química imediata (AQI), poder calorífico
superior (PCS), densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) do carvão vegetal da
madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade, produzido na temperatura
final de carbonização de 500°C, respectivamente.
Pode-se observar em relação a análise dos dados diferenças a estatística ao nível de
5% de probabilidade e os coeficientes de variação obtidos para os parâmetros avaliados
apresentaram-se baixos, comprovando assim a homogeneidade dos dados.

Tabela 4. Valores médios de densidade a granel (Dg), materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF), cinzas (CZ), poder
calorífico superior (PCS), densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) do carvão vegetal da madeira do clone de
Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade.
Propriedades energéticas do carvão vegetal

AQI
Clone Eucalyptus sp. Dg (g/cm³) PCS (kcal/kg) De (kcal/cm³) EC (kg/m³)
MV(%) CF (%) Cz (%)
32,126 a 67,166 b 0,710 a 7169,040 b 1154,215 b 108,137 b
12 anos 0,157
(3,67) (1,60) (15,64) (0,50) (0,49) (1,60)
23,284 b 0,444 b 7472,143 a 1173, 126 a 119,753 a
10 anos 0,161 76,276 a (1,04)
(3,39) (11,07) (0,35) (0,35) (1,04)
Nota: As médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (5%).
* significativo ao nível de 5% de probabilidade (01 =< p < 0.05). Os valores entre parênteses correspondem respectivamente
coeficiente de variação (%).

DISCUSSÃO

Propriedades da madeira do clone de Eucalyptus sp.

Analisando os valores médios de densidade a granel da madeira do clone de Eucalyptus


sp. aos 12 e aos 10 anos (Tabela 1) nota-se que os mesmos apresentaram maiores valores
(0,315 e 0,357 g/cm³, respectivamente) quando comparados ao estudo realizado por Grande
(2012) em que os autores encontraram médias para cavacos de Eucalyptus saligna em
tamanhos variados de 0,111 a 0,183 g/cm³.
O clone estudado apresentou densidades à granel bem próximas, aos 12 e aos 10
anos de idade, o que indica que, em relação à densidade, as duas idades apresenta-se
adequadas para a utilização na produção de energia por queima direta e de carvão vegetal.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
51
Dessa forma, faz-se importante enfatizar que o aumento da densidade da madeira é
vantajoso ao ponto que maximiza a densidade energética do carvão e aumenta a resistência
da carga no alto-forno (NEVES et al., 2011).
Para o teor de umidade da madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos
pode-se notar valores médios baixos (3,967 e 5,347%, respectivamente). Tais valores en-
contram-se dentro do recomendado pela literatura, em que o teor de umidade da biomassa
para queima direta deve ser inferior a 20% (BRAND, 2010). Brand et al. (2013) relatam que
quanto maior a quantidade de água na madeira, menor a taxa de carbonização, aumentando
o tempo necessário para a produção de carvão.
Para a análise química dos componentes da madeira do clone de Eucalyptus aos 12 e
10 anos de idade, observa-se que os valores médios se encontram dentro do recomendado
para fins energéticos, apresentando baixos teores de extrativos (4,710 e 4,493%, respec-
tivamente) e altos teores de lignina total (27,443 e 32,793%, respectivamente) (Tabela 1).
A presença de altos teores de extrativos não é desejável em madeiras destinadas
para a produção de carvão vegetal devido sua degradação rápida em baixas temperatu-
ras (PEREIRA et al., 2012). Soares et al. (2012) ao estudarem madeiras de híbridos de
Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla, em três idades diferentes, encontraram médias
de 8,26% de extrativos aos 3 anos, 9,44% aos 5 anos e 9,43% para o mesmo clone aos 7
anos de idade. Os valores obtidos nesta pesquisa encontram-se inferiores aos encontrados
na literatura, sendo assim considerados adequados para fins energéticos.
O teor de lignina para a madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 10 anos apresentou
maior valor médio quando comparado com a madeira aos 12 anos de idade (Tabela 1), ou
seja, possui maior potencial para a queima direta da madeira e para a produção de carvão
vegetal, pois consequentemente apresentará maior teor de carbono fixo e maior poder
calorífico. Santos et al. (2016) afirmaram que maiores percentagens de lignina na madeira
proporcionam um carvão vegetal com maior teor de carbono fixo, o que pode ser confirmado
no presente estudo.
Vale (2008) avaliou clones de Eucalyptus sp. entre 12 e 48 meses de idade e observou
que com o aumento da idade, aumenta-se gradativamente a densidade e consequentemente
o teor de holocelulose, e ocorre um decréscimo no teor de lignina. Este fato foi observado
nesta pesquisa pois a madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 anos apresentou menor
teor de lignina.
O teor de holocelulose nesta pesquisa encontra-se com maior valor médio para madei-
ra do clone de Eucalyptus sp. aos 12 anos quando comparado com a de 10 anos de idade
(Tabela 1). Uma possível explicação para este fato é que com o aumento da idade pode
ocorrer um acréscimo no teor de holocelulose. Quando a madeira é destinada a produção de

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
52
carvão vegetal, altas porcentagens não são desejáveis, pois, a degradação da holocelulose
resulta em um menor rendimento em carvão e maiores porcentagens de gases condensáveis
e não condensáveis (SANTOS et al., 2016).
Nota-se que, com aumento da idade da madeira do clone de Eucalyptus sp., houve
um decréscimo no valor médio da solubilidade em NaOH (Tabela 1), esse comportamento
indica que o clone com 10 anos de idade sofreu maior ataque (podridão branca ou parda) no
tempo em que ficou estocada no pátio. No estágio inicial da podridão, os carboidratos são
rapidamente despolimerizados. Quando apenas 10% da massa é consumida, a celulose já
está fortemente fragmentada. Isso explica a razão pela qual a madeira atacada por podridão
parda é muito solúvel em solução de 1% NaOH (NILSSON, 2009).
Para os teores de materiais voláteis a madeira do clone aos 10 anos de idade apresen-
tou valores médios menores e, para carbono fixo, valores médios maiores quando comparada
com a madeira aos 12 anos de idade (Tabela 2). Uma possível explicação para este fato é
que a madeira aos 10 anos também apresentou maiores teores de lignina e menores teores
de holocelulose e, consequentemente, tendeu a apresentar maior teores de carbono fixo.
Essa característica implica diretamente no aumento da qualidade energética, tanto para a
madeira como para o carvão vegetal.
Os teores de cinzas da madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 12 e 10 anos de idade
encontram-se com valores médios dentro do recomendado para geração de energia, pois
os mesmos encontraram-se inferiores a 5%, respectivamente (0,164 e 0,114 %, respectiva-
mente) (Tabela 2). Conforme Brand (2010) o teor de cinzas da madeira deve ser inferior a
5% para uso na indústria siderúrgica, pois haverá menor geração de resíduos da queima e
menos manutenção dos altos-fornos.
Observa-se para o poder calorífico superior da madeira aos 10 anos maior valor médio
quando comparado com a madeira aos 12 anos (4485,955 e 4243,881 Kcal/Kg, respecti-
vamente) (Tabela 2). O poder calorífico superior da madeira está diretamente relacionado
aos teores de lignina total e carbono fixo, ou seja, quanto maior esses teores, maior será
o poder calorífico da madeira, que, juntamente com a maior densidade, apresentará maior
densidade energética.
Jesus et al. (2017) ao trabalhar com diferentes espécies de Eucalyptus spp. encontra-
ram valores médios próximos ao deste trabalho variando entre 4538,000 e 4669,000 kcal/kg.
Nota-se que a densidade energética da madeira do clone de Eucalyptus sp. apresentou
maior valor médio para madeira aos 10 anos de idade (Tabela 2) e esta característica está
diretamente ligada com a maior densidade a granel e o maior poder calorífico obtidos para
a madeira nesta idade.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
53
Com relação a densidade energética, os valores encontrados nesta pesquisa foram
próximos ao encontrados por Jesus et al. (2017) que avaliaram madeiras de Eucalyptus spp.
no qual obtiveram valores médios entre 1400 e 1800 kcal/cm3.
Observa-se para o estoque de carbono da madeira aos 12 anos de idade menor valor
médio e inferior aos obtidos na literatura (Tabela 2). Este fato pode ser explicado pelo baixo
teor de carbono fixo obtido, respectivamente. Protásio et al. (2014) encontraram valores mé-
dios para estoque de carbono da madeira de clones Eucalyptus spp. entre 506 e 230 kcal/m3.

Propriedades energéticas do carvão vegetal do clone de Eucalyptus sp.

Os rendimentos gravimétricos do carvão vegetal da madeira do clone de Eucalyptus sp.


aos 12 e 10 anos de idade apresentaram valores dentro do recomendado para produção de
energia (Tabela 3). A normativa COPAM 217 cita que o rendimento gravimétrico do carvão
vegetal para uso na indústria siderúrgica deve ser superior 30% (COPAM, 2018).
Soares et al. (2012) estudaram clone de Eucalyptus aos 7 anos de idade e obtiveram
rendimento gravimétrico de 33,06%. Os valores médios observados nesta pesquisa para o
rendimento em carvão vegetal foram próximos ao observado na literatura.
Santiago e Andrade (2005) analisando o processo de carbonização para madeira de clo-
nes de Eucalyptus spp. encontraram resultados para rendimento de gases condensáveis de
47,37% e em gases não condensáveis 26,85%. Valores próximos aos obtidos nesta pesquisa.
Para a densidade a granel do carvão vegetal, as madeiras com 12 e 10 anos de idade
apresentaram valores próximos e considerados adequados para um carvão vegetal de boa
qualidade (0,157 e 0,161 g/cm3, respectivamente) (Tabela 4). Em estudo feito por Figueiró
et al. (2019) avaliando clones de Eucalyptus spp. para produção de carvão vegetal, os autores
encontraram resultados médios para densidade a granel do carvão variando entre 0,179 e
0,205 g/cm3. A densidade do carvão é uma propriedade física que está ligada à densidade da
madeira, à temperatura e à velocidade de carbonização, devendo esta ser a maior possível.
O teor de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas do carvão vegetal da madeira aos 10
anos de idade apresentaram valores médios dentro do recomendado para fins energéticos
(Tabela 4) conforme a Resolução SAA-40, onde é determinado que o valor aceitável para
teor de materiais voláteis deve ser inferior a 23%, carbono fixo superior a 73% e o teor de
cinzas é inferior a 1,5% (SÃO PAULO, 2015).
O poder calorifico superior, densidade energética e estoque em carbono fixo apresenta-
ram maiores valores médios para o carvão vegetal obtido da madeira do clone de Eucalyptus
sp. aos 10 anos de idade (Tabela 4). Este fato ocorreu, pois a madeira aos 10 anos de idade
apresentou maiores teores de lignina e, consequentemente, maiores teores de carbono fixo,
com isto acarretou aumento no poder calorífico superior, na densidade enérgica e no estoque

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
54
de carbono, haja vista que estes paramentos estão diretamente relacionados. Santos et al.
(2016) afirmaram que maiores percentagens de lignina na madeira proporcionam um carvão
vegetal com maior teor de carbono fixo e, consequentemente, maior qualidade energética.

CONCLUSÃO

Diante do exposto conclui-se que:


A madeira do clone de Eucalyptus sp. aos 10 anos de idade apresentou valores médios
para as propriedades físicas, químicas e energéticas da madeira, dentro recomendado para
queima direita e para produção de carvão vegetal.
De madeira geral foi observado o efeito da idade da madeira na qualidade do carvão
vegetal, pois o carvão vegetal obtido da madeira aos 10 anos de idade apresentou maior
rendimento gravimétrico total, maior teor de carbono fixo e , consequentemente, maior poder
calorífico superior e maior densidade energética.

REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS - ASTM. ASTM D 1762-84:
Standard method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia: ASTM Inter-
national, p.2, 2007.

2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. ABNT NBR 11941:De-


terminação da densidade básica. Rio de Janeiro: Abnt Editora, 6 p. 2003.

3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 9165: carvão


vegetal. Determinação da densidade relativa aparente, relativa verdadeira e po-
rosidade. Rio de Janeiro; 1985.

4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 8112: Carvão


vegetal: análise imediata. Rio de Janeiro: Abnt Editora, 5 p. 1986.

5. ARRUDA, T. P. M. Avaliação de duas rotinas de carbonização em fornos retangulares.


Revista Árvore, Viçosa, v. 35, n. 4, p. 949-955, 2011.

6. AROLA, R. A. Wood Fuels, how do they stack up. Forest Products Research Society,
Atlanta, Georgia, 1976. 12p.

7. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8112: Carvão


vegetal: análise imediata. Rio de Janeiro: ABNT, 1983a. 6p.

8. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8633: Carvão


vegetal: determinação do poder calorífico. Rio de Janeiro: ABNT, 1983b. 13p

9. BARCELLOS, D. C. Caracterização do carvão vegetal através do uso de espec-


troscopia no infravermelho próximo [dissertação]. Viçosa: Universidade Federal de
Viçosa; 2007

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
55
10. BRAND, M. A. Energia de Biomassa Florestal. Ed. Interciência. Rio de janeiro, 2010.

11. BRAND, M. A. et al. (De Candolle) Naudin (Jacatirão-açu) na agricultura familiar. Bi-
guaçu, Santa Catarina. Scientia Forestalis, v. 41, n. 99, p. 401-410, 2013.

12. BRITO, J. O. et al. Correlações entre características físicas e químicas da madeira e


a produção de carvão vegetal: I. densidade e teor de lignina da madeira de eucalip-
to. IPEF, Piracicaba, v. 14, n. 14, p. 9-20, 1977.

13. BRITO, J. O. et al. Análise da produção energética e de carvão vegetal de espécies


de eucalipto. IPEF, n.23, p.53-56, abr.1983

14. CASTRO, A. F. N. M. et al. Análise multivariada para seleção de clones de eucalipto


destinados a produção de carvão vegetal. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília,
v. 48, n. 6, p. 627635, jun. 2013.

15. CAVINATO, C. D. Avaliação da estabilidade térmica e da cinética de degradação


de espécies de madeiras provenientes da região amazônica. 2018. 49 f. Trabalho
de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Química) - Universidade de
Caxias do Sul, Caxias do Sul, 2018.

16. COPAM – Conselho Estadual de Política Ambiental – MG. Deliberação Normativa


COPAM n° 227, Minas Gerais, 2018.

17. CHAVES, A. M. B. et al. Características energéticas da madeira e carvão vegetal de


clones de Eucalyptus spp. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer. 2013.

18. DEUTSCHES INSTITUT FÜR NORMUNG - DIN EN 15103. Solid biofuels - determi-
nation of bulk density 2010 Edition, April 2010.

19. FIGUEIRÓ, C. G. et al. Caracterização do carvão vegetal produzido em fornos


retangulares industriais. Rev. Bras. Cienc. Agrar. Recife, v.14, n.3, e5659, 2019

20. FIGUEROA, M. J. M. et al. Comportamento da madeira a temperaturas elevadas. Am-


biente Construído, Porto Alegre, v. 9, n. 4, p. 157-174, out./dez. 2009.

21. GRANDE, J. P. Dimensões de cavacos industriais de eucalipto e relações com


polpação, resistência e morfologia de fibras na polpa. Botucatu, SP [Dissertação
apresentada à Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP], 2012.

22. IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores. Relatório 2020. Brasília, p. 66, 2020.

23. IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores. Relatório 2020. Brasília, p. 66, 2021.

24. MARCHESAN, R. et al. Quality of charcoal from three species of the Eucalyptus and
the Corymbia citriodora species planted in the South of Tocantins. Floresta, v. 50, n.
3, p. 1643-1652, 2020.

25. MENDES, M. G. et al. O processo de carbonização continua da madeira. Propriedades


e controle de qualidade do carvão vegetal. Belo Horizonte: CETEC, 1982.

26. MIRANDA, G. Potencial energético de três espécies florestais da Região Semi-Á-


rida do Nordeste do Brasil. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1989.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
56
27. NEVES, T. A. et al. Avaliação de clones Eucalyptus em diferentes locais visando à
produção de carvão vegetal. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 31, n. 68, p.
319-330, 2011.

28. NILSSON T. Biological wood degradation In: EK, M.; GELLERSTEDT, G.; HENRI-
KSSON, G. Pulp and paper chemistry and technology, vol 1. Estocolmo: De Gruyter,
2009. 219-244p.

29. PINHEIRO, P. C. D. C. et al. A produção de carvão vegetal: teoria e prática. Belo


Horizonte, 2006.

30. QUIRINO, W. F. et al. Poder calorífico da madeira e de materiais ligno-celulósicos. Re-


vista da madeira, v. 89, n. 100, p. 100-106, 2005.

31. SÃO PAULO (Estado). Resolução SAA-40 de 14 de dezembro de 2015. Norma de


Padrões Mínimos de Qualidade para Carvão Vegetal. São Paulo, 2015.

32. SOARES, L. F. Avaliação da interferência da umidade em modelos de discrimi-


nação de madeira por PLS-DA e de métodos para sua correção. Universidade de
Brasília, Brasília, p. 83, 2018.

33. OLIVEIRA, E. Características anatômicas, químicas e térmicas da madeira de três


espécies de maior ocorrência no semiárido nordestino. Universidade Federal de
Viçosa, Viçosa, MG, 2003.

34. OLIVEIRA, E. Características anatômicas, químicas e térmicas da madeira de três


espécies de maior ocorrência no Semi-Árido Nordestino. Universidade Federal de
Viçosa, Viçosa, 2003.

35. OLIVEIRA, A.C. et al. Parâmetros de qualidade da madeira e do carvão vegetal de


Eucalyptus pellita F. Muell. Scientia Forestalis. 2010.
36. OLIVEIRA, E. Correlações entre parâmetros de qualidade da madeira e do carvão
de Eucalyptus grandis (W. Hill ex Maiden). 1988. 47 f. Dissertação (Mestrado em
Ciência Florestal) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 1988.

37. SANTIAGO, A. R. et al Carbonização de resíduos do processamento mecânico da


madeira de eucalipto. Ciência Florestal, Ciência Florestal, Santa Maria, v. 15, n. 1,
p. 1-7, 2005.

38. SANTANA, R. C. et al. Estimativa de biomassa de plantios de eucalipto no Brasil. Re-


vista Árvore, Viçosa, MG, v. 32, n. 4, p. 697-706, 2008.

39. SANTOS, R. C. Parâmetros de qualidade da madeira e do carvão vegetal de clones


de eucalipto. 2010. 173 f. Tese (Doutorado em Ciência e Tecnologia da Madeira) –
Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2010.

40. SANTOS, R. C. et al. Correlações entre os parâmetros de qualidade da madeira e do


carvão vegetal de clones de eucalipto. Scientia Forestalis, Piracicaba, v.39, n.90,
p.221-230, 2011.

41. SANTOS, S. F. O. M. et al. Processo sustentável de produção de carvão vegetal


quanto aos aspectos: ambiental, econômico, social e cultural. Produção, v.22, n.2,
p.309-321, 2012

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
57
42. SANTOS, R. C. et al. Influência das propriedades químicas e da relação siringil/guaia-
cil da madeira de eucalipto na produção de carvão vegetal. Ciência Florestal, Santa
Maria, v. 26, n. 2, p. 657-669, abr.-jun., 2016.

43. SILVA, B. G. Propriedades energéticas em clones de eucalipto. 2019. Monografia


(graduação em Engenharia Florestal) - Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto
de Ciências Agrárias e Ambientais, Sinop, 2019.

44. SILVA, D. A. et al. Propriedades da madeira de Eucalyptus benthamii para produção


de energia. Pesq. flor. bras., Colombo, v. 35, n. 84, p. 481-485, out./dez. 2015.

45. SILVA, J. O. Características dendrológicas e anatômicas da madeira de dez es-


pécies ocorrentes no Nordeste semi-árido. 1988. Universidade Federal de Viçosa,
Viçosa, 1988.

46. SIMIONI, F.J. et al. Cadeia produtiva de energia de bio-massa florestal: o caso da
lenha de eucalipto no polo produtivo de Itapeva – SP. Ciência Florestal, vol. 28, n. 1,
p. 310-323, 2018.

47. SOARES, V.C. et al. Correlações entre as propriedades da madeira e do carvão ve-
getal de híbridos de eucalipto. Revista Árvore, Viçosa, v. 38, n. 3, p. 543-549, 2014

48. SOARES, T. S. et al. Uso da biomassa florestal na geração de energia. Revista Cien-
tífica Eletrônica de Engenharia Florestal, Garça, n. 8, p. 1-9, 2006.

49. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madei-
ras de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de materiais
voláteis. Brasil Florestal, v. 21, n. 73, p.47-52, 2002.

50. VALE, A. T. et al. Relações entre densidade básica da madeira e a qualidade do


carvão vegetal de espécies do cerrado. Revista Árvore, v.25, n. 1, p.89-95, 2008.

51. WASTOWSKI, A. D. Química da madeira.1 ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência,


2018. 566p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
58
04
Maderas tropicales de la Amazonía
suroriental del Perú y su identificación
anatómica macroscópica

Leif Armando Portal-Cahuana


Universidade de São Paulo - USP
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ

'10.37885/220909915
RESUMEN

Objetivo: Describir la anatomía de cuatro especies comerciales de la región Amazónica


de Madre de Dios en el sur oriente del Perú. Métodos: Para ello se utilizaron muestras de
madera de un árbol por especies (Guazuma crinita, Copaifera officinalis, Cordia alliodora
y Calophyllum brasiliense) y se siguieron las normas internacionales para describir las ca-
racterísticas generales y macroscópicas de las especies. Resultados: muestran que las
cuatro especies se diferencian principalmente a nivel macroscópico por el parénquima axial,
característica importante en el proceso de identificación y por características peculiares de
cada especie como canales axiales en disposición tangencial para el caso de Copaifera
officinalis. Conclusiones: Se pudo identificar a nivel anatómico macroscópico las maderas
de las cuatro especies arbóreas de la región de Madre de Dios elaborando una clave de
identificación con registros fotográficos

Palabras-Clave: Anatomía de la Madera, Clave de Identificación, Especies Nativas, Bosque


Húmedo Tropical.
INTRODUCCIÓN

Los bosques tropicales presentan una mega diversidad, entre ella la flora que requiere
investigaciones que ayuden a conocer su diversidad, pero sobre todo que ayuden a la con-
servación de los recursos (Ulloa-Ulloa et al., 2017).
El Perú posee ~70 millones de hectáreas de bosques tropicales que representa el
13% del mundo, de estos ~26 millones son bosques de producción permanente (Brack,
2004). La extracción de las especies forestales comerciales se centran principalmente en
las tres regiones Amazónicas Loreto, Ucayali, Madre de Dios (Vásquez et al., 2018).
Realizar el control y vigilancia de la madera, así como el transporte de la madera de las
zonas de extracción hacia los centros de consumo, es un trabajo complejo teniendo pocos
puestos de control forestal y de fauna silvestre en las carreteras del interior del país, con
poco personal y escasos recursos e instrumentos para realizar las funciones que la ley exige
(Ley Forestal y de Fauna Silvestre N° 29763 y sus reglamentos, 2015).
La región de Madre de Dios en el extremo suroriental del Perú en la frontera con Brasil
y Bolivia, carece de personal capacitado para la identificación correcta de las maderas
comerciales. Lo que se ve agravado con la minería ilegal que se realiza en la región y que
está provocando diversos estragos al bosque, con cambios de cobertura del suelo (Román-
Dañobeytia et al., 2015; Sánchez-Cuervo et al., 2020).
En este contexto se propone como objetivo principal de esta investigación describir la
anatomía de cuatro especies comerciales de la región Amazónica de Madre de Dios en el sur
oriente del Perú, para aporta al conocimiento técnico y científico de las maderas tropicales
y que ayude a combatir el comercio ilegal de las maderas tropicales.

MÉTODOS

Área del estudio

La investigación se realizó en la Amazonía suroriental del Perú, en el departamento de


Madre de Dios, trifrontera con Brasil y Bolivia. Madre de Dios se caracteriza por presentar
varias zonas de vida desde bosque húmedo tropical, subtropical húmedo, muy húmedo y
lluvioso hasta páramos premontanos, montanos y subalpinos (Sánchez-Cuervo et al., 2020),
contiene mucha biodiversidad, razón por la cual es considerada capital de la biodiversidad
del Perú (Foster et al., 1994), presenta un clima estacional con una estación seca de tres
meses y una estación lluviosa (Portal et al., 2020).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
61
Fig. 1. Mapa de ubicación del área de estudio. Climatograma de la región de Madre de Dios (Zepner et al., 2021). Foto
del acceso al bosque tropical.

Fuente: elaboración propia.

Especies estudiadas

Se seleccionaron cuatro especies forestales nativas de los bosques tropicales de la


región de Madre de Dios, dichas especies son comerciales y se colectaron por los alumnos
del curso de Anatomía de la Madera – semestre 2019-I de la Universidad Nacional Amazónica
de Madre de Dios y corresponden a un árbol por especie.

Tabla 1. Lista de las cuatro especies analizadas.

Código Nombre común Nombre científico Familia


GUAC-001 Bolaina Guazuma crinita Mart. Malvaceae
COPO-002 Copaiba Copaifera officinalis (Jacp.) L. Fabaceae
CORA-003 Laurel Cordia alliodora (Ruiz & Pav.) Cham. Cordiaceae
CALB-004 Lagarto caspi Calophyllum brasiliense Cambess. Calophyllaceae

Fuente: elaboración propia.

Análisis anatómico

Fue cortado un árbol por especie y se obtuvo muestras de la base del árbol como: una
rodaja, y un tablón central de la primera troza, posteriormente se transportó a una carpintería
donde se obtuvieron dos muestras una con orientación radial y la otra con orientación tan-
gencial (10x15x2.5 cm) por troza, de la base del árbol, para la conformación de una xiloteca y
cubos de grano de 5x5x5 cm. (Fig. 2) La rodaja se lijo con lijas de diferentes granulometrías
para visualizar la superficie transversal (Aragão et al., 2019; Marcelo-Peña et al., 2020).
Una vez con las muestras dimensionadas se analizó las características macroscópi-
cas de las cuatro especies, se realizaron fotos macroscópicas de la sección transversal y
se escanearon las muestras en los cortes tangencial y radial a una resolución de 1200 dpi

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
62
(Ferreira et al., 2021; Portal et al., 2021). La caracterización anatómica estuvo en base a
normas internacionales (COPANT, 1974; IAWA, 1989). Finalmente se realizó una pequeña
clave de identificación macroscópica utilizando los parámetros del IPT (2012).

Fig. 2. Muestra de madera en 3D de la especie Copaifera officinalis para análisis macroscópico, resaltando algunas
características anatómicas.

Fuente: elaboración propia.

RESULTADOS

A continuación de se presentan los resultados del análisis anatómico a nivel macros-


cópico (Tabla 2) de las cuatro especies estudiadas acompañado de macrofotografías en sus
diferentes planos de corte (Fig. 3).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
63
Tabla 2. Identificación de las especies arbóreas por sus características generales y macroscópicas.

Calophyllum brasiliense
Copaifera officinalis
Guazuma crinita

Cordia alliodora
Especies

Color Blanco
Amarillo
Rojo
Características generales

Marrón
Textura Fina
Media
Gruesa
Resistencia manual al corte Blanda
Dura
Anillos de crecimiento No visible con lupa de 10 X
Visible con lupa de 10 X
Parénquima Visibilidad No visible con lupa de 10 X
Visible con lupa de 10 X
Apotraqueal Difuso
Difuso en agregado
Paratraqueal Vasicéntrico
Aliforme
Confluente
Características Macroscópicas

Bandas Marginal
Finas
Anchas
Reticulado
Escaleriforme
Radios Visibilidad Finos
Medios
Anchos
Estratificados
No estratificados
Inclusiones Gomas
Sílice
Tilosis

Fuente: elaboración propia.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
64
Fig. 3. Imágenes macroscópicas de las cuatro especies de la región de Madre de Dios. A) Guazuma crinita. B) Copaifera
officinalis. C) Cordia alliodora. D) Calophyllum brasiliense. (A1, B1, C1, D1) Cortes transversales. (A2, B2, C2, D2) Cortes
tangenciales. (A3, B3, C3, D3) Cortes radiales. Barra de 1000 µm.

Fuente: elaboración propia.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
65
Clave de identificación macroscópica para cuatro especies forestales.

Maderas con vasos con parénquima axial distinto

1a. Madera de densidad baja (leve), con parénquima difuso en agregado, de coloración
blanca, anillos de crecimiento visible con lupa de 10x, no estratificados y sin inclusiones
en los vasos ……………………………………………………..................…. Guazuma crinita
1b. Madera de densidad media (moderadamente pesada)……………………….......…....…2
2a. Con parénquima en bandas finas, con textura media, radios no estratificados, duramen
de color rojo……………...………………..………………........…… Calophyllum brasiliense
2b. Con otro tipo de parénquima...........................................................................................3
3a. Parénquima marginal, con canales axiales en disposición tangencial, con textura media,
radios no estratificados, duramen de color rojo……….....…............... Copaifera officinalis
3b. Parénquima marginal, sin canales axiales, anillos de crecimiento visibles con lupa de
10x, madera de coloración roja, no estratificados………..………....…..…..Cordia alliodora

DISCUSIÓN

Sobre las descripciones macroscópicas de las cuatro especies forestales coinciden con
la literatura científica (Acevedo y Kikata, 1994; Chavesta, 2005; Portal, 2010). Las cuatro
especies forestales que pertenecen a cuatro familias botánicas diferentes, coinciden macros-
cópicamente en textura media, resistencia al corte con cuchilla blanda, tanto la visibilidad de
los anillos de crecimiento como la visibilidad del parénquima axial son visibles con lupa de
10x y finalmente radios medios no estratificados. Sin embargo, existen diferencias claramente
destacadas por ejemplo: el veteado jaspeado en el corte radial para la especie G. crinita,
canales intercelulares presentes en disposición tangencial para la especie C. officinalis,
anillos de crecimiento bien definidos con porosidad semicircular para la especie C. alliodora
y finalmente poros dispuestos diagonalmente para la especie C. brasiliense (Borges, 2020;
Santini et al., 2021).
Una de las principales barreras para reducir el tráfico ilegal de maderas tropicales
es que los funcionarios que se dediquen al control y vigilancia de los recursos naturales,
estén capacitados con conocimientos en anatomía e identificación de maderas, que estén
equipados con herramientas prácticas y sencillas para identificar las maderas y que tengan
permanencia en sus puestos de trabajo (de Palacios et al., 2020), por ejemplo en la región
de Madre de Dios en el Perú (Gerencia Regional Forestal y de Fauna Silvestre), existe cam-
bio de personal cada 4 a 6 meses y todos los esfuerzos que se hacen en capacitar, formar,

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
66
utilizar herramientas, manual, claves de identificación, etc., simplemente se pierden y esto
da las condiciones ideales para el tráfico ilegal de maderas tropicales en esta parte del país.

CONCLUSIÓN

Se pudo identificar a nivel anatómico macroscópico las maderas de las cuatro espe-
cies arbóreas de la región de Madre de Dios. La clave de identificación más los registros
fotográficos son complementos importantes para auxiliar en la identificación de estas espe-
cies, siendo una ayuda contra el tráfico ilegal y en el control de los productos forestales de
las maderas en esta parte del Perú. Finalmente, las cuatro especies estudiadas presentan
características anatómicas que posibilita su identificación a nivel macroscópico.

REFERENCIAS
1. ACEVEDO, M., & KIKATA, Y. Atlas de Maderas del Perú.: Vol. I (I, I) [Computer sof-
tware]. UNALM – Universidad de Nagoya. 1994.

2. ARAGÃO, J. R., GROENENDIJK, P., & LISI, C. Dendrochronological potential of four


neotropical dry-forest tree species: Climate-growth correlations in northeast Brazil.
Dendrochronologia, 53, 5-16. https://doi.org/10.1016/j.dendro.2018.10.011. 2019.

3. BORGES, S. Identificação macroscópica de madeiras comerciais do estado de São


Paulo (Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, Instituto Florestal). 2020.

4. BRACK, A. BIODIVERSIDAD Y DESARROLLO SOSTENIBLE. 2004.

5. CHAVESTA, M. Maderas para Pisos. 2005.

6. COPANT. Maderas: Método para la descripción de las características generales, ma-


croscópicas y microscópicas de las maderas angiospermas y dicotiledóneas: Ante-
proyecto de Norma. (p. 25). COPANT 30: 1 – 019. 1974.

7. DE PALACIOS, P., G. ESTEBAN, L., GASSON, P., GARCÍA-FERNÁNDEZ, F., DE


MARCO, A., GARCÍA-IRUELA, A., GARCÍA-ESTEBAN, L., & GONZÁLEZ-DE-VEGA,
D. Using Lenses Attached to a Smartphone as a Macroscopic Early Warning Tool in
the Illegal Timber Trade, in Particular for CITES-Listed Species. Forests, 11(11), 1147.
https://doi.org/10.3390/f11111147. 2020.

8. FERREIRA, C. A., INGA, J. G., VIDAL, O. D., GOYTENDIA, W. E., MOYA, S. M., CEN-
TENO, T. B., VÉLEZ, A., GAMARRA, D., & TOMAZELLO-FILHO, M. Identification of
Tree Species from the Peruvian Tropical Amazon “Selva Central” Forests According
to Wood Anatomy. 19. 2021.

9. FOSTER, R., PARKER, T., & GENTRY, A. (EDS.). The Tambopata-Candamo reser-
ved zone of southeastern Perú: A biological assessment. Conservation International,
Department of Conservation Biology. 1994.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
67
10. IAWA. IAWA list of microscopic features for hardwood identification (Vol. 10). IAWA
Bull. 1989.

11. IPT. Identificação macroscópica de madeiras Chave de identificação de madeiras co-


merciais. Instituto de Pesquisas Tecnológicas. https://lrfl.paginas.ufsc.br/files/2016/05/
Chave-madeiras-comerciais-IPT-abril-2012.pdf 2012.

12. MARCELO-PEÑA, J., ROIG, F., GOODWIN, Z., & TOMAZELLO, M. Characterizing
growth rings in the trees of Perú: A wood anatomical overview for potential applications
in dendroecological-related fields. Dendrochronologia, 125728. https://doi.org/10.1016/j.
dendro.2020.125728. 2020.

13. PORTAL, L. A. Características macroscópicas de 20 maderas comerciales del Perú.


Perú. 2010.

14. PORTAL, L. A., HUAMÁN, B. A., MAMANI, E. M., PALERMO, P. DE M., & LATORRA-
CA, J. V. Dendrochronology of two forest species in the urban area of the city of Puerto
Maldonado, Peru. 51(3), 10. https://doi.org/10.5380/rf.v51 i3. 72410. 2021.

15. PORTAL, L., CARDOZO, J., SANTOS, L., SAAVEDRA, G., & HUAMÁN, B. Dendro-
cronología de Jacaranda copaia que contiene registro ENSO en Madre de Dios, Perú.
Nativa, 8(4), 572-578. https://doi.org/10.31413/nativa.v8i4.10082. 2020.
16. ROMÁN-DAÑOBEYTIA, F., HUAYLLANI, M., MICHI, A., IBARRA, F., LOAYZA-MURO,
R., VÁZQUEZ, T., RODRÍGUEZ, L., & GARCÍA, M. Reforestation with four native tree
species after abandoned gold mining in the Peruvian Amazon. Ecological Engineering,
85, 39-46. https://doi.org/10.1016/j.ecoleng.2015.09.075. 2015.
17. SÁNCHEZ-CUERVO, A. M., DE LIMA, L. S., DALLMEIER, F., GARATE, P., BRAVO, A.,
& VANTHOMME, H. Twenty years of land cover change in the southeastern Peruvian
Amazon: Implications for biodiversity conservation. Regional Environmental Change,
20(1), 8. https://doi.org/10.1007/s10113-020-01603-y. 2020.
18. SANTINI, L., BORGES, S., & TOMMASIELLO, M. Anatomia e identificação da madeira
de 90 espécies tropicais comercializadas em São Paulo (Atena editora, Vol. 1-231).
Atena. 2021.

19. LEY FORESTAL Y DE FAUNA SILVESTRE N° 29763 y sus reglamentos, Pub. L. No.
29763, 345 (2015).

20. ULLOA-ULLOA, C., ACEVEDO-RODRÍGUEZ, P., BECK, S., BELGRANO, M. J., BER-
NAL, R., BERRY, P. E., BRAKO, L., CELIS, M., DAVIDSE, G., FORZZA, R. C., GRADS-
TEIN, S. R., HOKCHE, O., LEÓN, B., LEÓN-YÁNEZ, S., MAGILL, R. E., NEILL, D. A.,
NEE, M., RAVEN, P. H., STIMMEL, H., … JØRGENSEN, P. M. An integrated assess-
ment of the vascular plant species of the Americas. Science, 358(6370), 1614-1617.
https://doi.org/10.1126/science.aao0398. 2017.

21. VÁSQUEZ, R., ROJAS, R., MONTEAGUDO, A., VALENZUELA, L., & HUAMANTUPA,
I. Catálogo de los árboles del Perú (Vol. 9). Q´EUÑA. 2018.

22. ZEPNER, L., KARRASCH, P., WIEMANN, F., & BERNARD, L. ClimateCharts.net – an
interactive climate analysis web platform. International Journal of Digital Earth, 14(3),
338-356. https://doi.org/10.1080/17538947.2020.1829112. 2021.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
68
05
Avaliação dos índices de qualidade
energética do fuste e do galho do clone
de Eucalyptus spp.

Renata Carvalho da Silva Sergisclei Ferreira Alvarez


Universidade Federal do Paraná - UFPR Universidade Federal do Tocantins - UFT

Raquel Marchesan Bruno Souza Rodrigues


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Valéria Cardoso Lopes Júlia Gabriela do Nascimento Mendes


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Bruna Karollyne Santana Gomes Karolayne Ferreira Saraiva


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Thatiele Pereira Eufrazio Bruno Barros Farias


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

'10.37885/221010666
RESUMO

O objetivo desta pesquisa foi avaliar as propriedades energéticas da madeira e do carvão


vegetal do fuste e do galho de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus gradis. Para a caracteriza-
ção da madeira do fuste e do galho foram selecionadas três árvores pelo método aleatório
simples, de onde foram obtidos discos com espessura de 5 cm (base, meio e topo), destas
mesmas árvores foram obtidas amostras do galho. A madeira do fuste de Eucalyptus uro-
phylla x Eucalyptus gradis apresentou potencial para produção de energia quando compa-
rado com a madeira do galho, pois apresentou-se de média densidade básica da madeira
(0,57 g/cm³) e com valores médios satisfatórios de densidade energética (22576,99 kcal/m³)
e estoque de carbono (276,57 kg/m³). O poder calorífico superior da madeira apresentou
média de 4529,13 kcal/kg, que foi influenciado pelo carbono elementar (48,61%), respec-
tivamente. Recomenda-se o carvão vegetal da madeira do fuste de Eucalyptus urophylla
x Eucalyptus gradis, pois o mesmo apresentou maior rendimento total em carvão vegetal
(32,83%) e carbono fixo (74,44%), além alto do poder calorífico superior (7411,01 kcal/kg)
quando comparado com o carvão vegetal obtido da madeira do galho. Porém, a madeira
obtida dos galhos também possui potencial como biomassa para a queima direta e para
produção de carvão vegetal.

Palavras-chave: Carvão Vegetal, Caracterização da Madeira, Produção de Energia.


INTRODUÇÃO

Os plantios florestais do gênero Eucalyptus spp. representam 78% das florestas plan-
tadas do Brasil (IBÁ, 2021). Atualmente, o cultivo de espécies e clones de Eucalyptus spp.
abrangem regiões além daquelas tradicionais, como o Sul e o Sudeste, o que levanta a
necessidade de se obter informações sobre a produção esperada desses novos plantios,
ou seja, estudos relacionados ao material genético, silvicultura e sobre qualidade energética
(SIMIONI et al., 2018).
O estado do Tocantins também foi considerado o segundo maior produtor de lenha
da região norte, produzindo 805.512 m³ em madeira de extração e 28.470 m³ em madeira
oriunda da silvicultura (MARCHESAN et al., 2020). Dentre as espécies e clones que são
utilizados em florestas plantas no estado, o clone E. urophylla x E. grandis se destaca em
diversas regiões (SEMADES, 2014). A mesorregião de Gurupi, situado na porção sul do
estado possui 27% da área plantada com espécies e clones de Eucalyptus spp., valor in-
ferior apenas para as mesorregiões de Araguaína e Bico do Papagaio, inserida na porção
norte, representando 44% de área cultivada, demostrando grande potencial para atender
as siderúrgicas do estado do Maranhão e Pará (COLLICCHIO, 2020).
A partir da percepção de que o gênero Eucalyptus spp. pode configurar uma eficiente
fonte de biomassa para produção de energia, fica evidente a necessidade de conhecer com
mais profundidade as propriedades energéticas (SIMIONI et al., 2018), haja vista que para
o estado do Tocantins não há uma espécie definida para plantio de florestas energéticas.
Diante do aumento do consumo de carvão vegetal de florestas plantadas e consequen-
temente das áreas plantadas, torna-se necessário considerar um melhor aproveitamento
deste recurso. De acordo com Costa (2019), além do fuste, as raízes e os galhos das árvo-
res também são utilizados para a produção de carvão vegetal. No entanto, existem poucos
estudos sobre as características energéticas deste material.
Na produção do carvão vegetal as características das madeiras podem influenciar de
vários modos no rendimento e na qualidade do carvão, que consequentemente podem afetar
diretamente o potencial energético, tais como a quantidade de matéria seca, densidade básica
e aparente, teor de cinzas, teor de materiais voláteis, carbono fixo, poder calorífico, teor de
lignina e fibras da parede celular, que são variáveis fundamentais para se obter resultados
desejáveis para a produção de energia (SILVA et al., 2018).
Mediante a importância deste contexto, esta pesquisa teve por objetivo caracterizar e
avaliar as propriedades energéticas da madeira e do carvão vegetal do fuste e do galho de
Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, podendo assim determinar o seu potencial para
implantação de florestas energéticas.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
71
MÉTODOS

Localização

O estudo foi realizado no município de Gurupi no estado do Tocantins. As madeiras do


fuste e do galho foram coletadas no povoamento florestal da Fazenda Água Franca (Fazenda
Experimental da UFT) com área total de 137,8906 hectares, localizada na porção Sul do
estado sob as coordenadas geográficas latitude: 11°46’19,89” Sul e longitude: 49°03’03,12”
Oeste de acordo com base nos dados SIGCAR-TO.
Para as análises foram selecionadas três árvores do clone Eucalyptus urophylla x
Eucalyptus grandis com 13 anos de idade pelo método de amostragem aleatória simples
conforme Wastowski (2018) dos quais foram obtidos três discos por árvore com espessura
de 5 cm (da base, meio e topo). Destas mesmas árvores foram selecionados os galhos, os
quais passaram pelo processo de desfolha e posteriormente foram obtidos pequenos discos
de 5 cm de espessura. Para realização das análises da madeira e para a produção do carvão
vegetal, os discos foram transformados em cavacos e partículas.

Avaliação tecnológica da madeira do fuste e galho do clone de Eucalyptus urophylla x


Eucalyptus grandis

O teor de umidade na base seca foi determinado conforme Wastowski (2018). A den-
sidade básica da madeira foi determinada pelo método da balança hidrostática, baseado na
norma ASTM D-2395 (ASTM, 2005). A densidade a granel da madeira foi determinada pela
norma DIN EN 15103 (DIN, 2010).
A análise da AQI baseou-se nas normas ASTM D 1762-84 (ASTM, 2007) e ABNT NBR
8112/83 (ABNT, 1983), em que foram determinados os percentuais de materiais voláteis
(MV), carbono fixo (CF) e cinzas (CZ). O poder calorífico superior da madeira foi estimado
conforme Channiwala & Parikh (2002) e o poder colorífico inferior e útil foram calculados
de acordo com Brand (2010). A densidade energética da madeira, estoque de carbono da
madeira foram calculados conforme Protásio et al. (2015). O carbono, hidrogênio e oxigênio
elementar foram estimados de acordo Parikh et al. (2007).

Avaliação do carvão vegetal da madeira do fuste e do galho do clone de Eucalyptus


urophylla x Eucalyptus grandis

As amostras foram carbonizadas em forno elétrico tipo mufla com controle da tempe-
ratura final programada e adaptada para recuperar materiais voláteis condensáveis. A tem-
peratura inicial da carbonização utilizada foi de 150°C e a temperatura final de 500°C, con-
siderando-se uma taxa de aquecimento de 5°C/min e tempo total de 5h30min.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
72
A recuperação dos gases condensáveis foi realizada através de uma adaptação ao forno
mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los em um
composto chamado licor pirolenhoso. Por meio da diferença entre o rendimento gravimé-
trico total em carvão e o rendimento total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total
em gases não condensáveis. O rendimento total em carvão vegetal é a relação percentual
entre a massa seca do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem
em balança analítica. A densidade a granel do carvão vegetal foi determinada pela relação
entre o peso do carvão vegetal e o seu volume, respectivamente (DIN, 2010).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) em que se determinou os teores de material voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. O poder calorífico do carvão, foi estimado de acordo com Vale te al. (2002).
A densidade energética do carvão vegetal foi obtida seguindo a metodologia proposta
por Jesus et al. (2017). O estoque de carbono e rendimento energético do carvão vegetal
por unidade de volume foram calculados de acordo com Protásio et al. (2015).

Análise estatística dos dados

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente causalizado, considerando-se


fuste e o galho para temperatura final de carbonização de 500°C. Foi realizado o teste de
normalidade e análise de variância (ANOVA). O teste de Tukey foi realizado para a compa-
ração das médias a nível de 5% de probabilidade, no programa estatístico Sisvar.

RESULTADOS

Avaliação tecnológica da madeira do fuste e galho do clone de Eucalyptus urophylla x


Eucalyptus grandis

Na Tabela 1 encontram-se os valores médios para as propriedades energéticas das


madeiras do fuste e do galho de E. urophylla x E. gradis, respectivamente. Observa-se
pelo teste de Tukey efeito significativo entre a madeira do fuste e galho (p≥0,05) para os
parâmetros avaliados.
Nota-se para o teor de umidade da madeira de E. urophylla x E. gradis valor médio de
10% para a madeira do fuste e 8,36% para madeira do galho (Tabela 1).
A densidade básica da madeira do fuste foi de 0,57 g/cm³ e da madeira do galho de
0,47 g/cm³ respectivamente (Tabela 1). Foi encontrado para densidade energética da ma-
deira do fuste valor médio de 2576,99 kcal/kg e de 2344,14 kcal/kg para madeira do galho
do clone de Eucalyptus spp. (Tabela 1).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
73
Observa-se para os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas da madeira do
clone avaliado que a madeira do fuste apresentou valores médios de 83,11, 16,95 e 0,10%
e para a madeira do galho os valores médios foram de 87,58, 12,19 e 0,23% (Tabela 1).
Pode-se observar para poder calorífico superior da madeira de E. urophylla x E. gradis
valores médios de 4529,13 kcal/kg para madeira do fuste e de 4295,81 kcal/kg para madei-
ra do galho respectivamente (Tabela 1). Foram obtidos valores médios de poder calorífico
inferior da madeira do fuste de 4205,13 kcal/kg e para madeira do galho de 3968,81 kcal/
kg (Tabela 1). Para o poder calorífico útil foram obtidos valores médios de 2496,43 kcal/kg
para madeira do fuste e de 2344,14 kcal/kg para madeira do galho (Tabela 1).
As médias para o carbono, hidrogênio e oxigênio da madeira do fuste foram de
48,61, 6,03 e 44,71 % e de 47,61, 6,06 e 45,39% para madeira do galho de E. urophylla
x E. gradis (Tabela 1).
Foram obtidos valores médios para estoque de carbono da madeira do fuste de 276,57
kg/m³ e da madeira do galho de 223,58 kg/m³ de E. urophylla x E. gradis, respectiva-
mente (Tabela 1).

Tabela 1. Propriedades energéticas das madeiras do fuste e do galho de E. urophylla x E. gradis aos 13 anos de idade.

Biomassa
Propriedades energéticas da madeira CV (%) Pr>Fc
Fuste Galho
TU (%) 10,00 a 8,36 b 1,42 *
Db (g/cm³) 0,57 a 0,47 b 8,04 *
Dg (g/cm³) 0,33 0,31 - -
MV (%) 83,11 b 87,58 a 1,10 *
CF(%) 16,95 a 12,19 b 5,99 *
CZ (%) 0,10 b 0,23 a 17,40 *
PCS (kcal/kg) 4529,13 a 4295,81 b 0,90 *
PCI (kcal/kg) 4205,13 a 3968,81 b 0,97 *
Pcu (kcal/kg) 2496,43 a 2344,14 b 1,05 *
De (kcal/cm³) 2576,99 a 2017,05 b 8,70 *
C (%) 48,61 a 47,61 b 1,13 *
H (%) 6,03 a 6,06 a 0,24 ns
O (%) 44,71 b 45,39 a 0,41 *
EC (kg/m³) 276,57 a 223,58 b 8,32 *
Nota: TU: Teor de umidade; Db: Densidade básica; Dg: Densidade a granel; MV: Teor de materiais voláteis; CF: Teor
de carbono fixo; CZ: Teor de cinzas; PCS: Poder calorífico superior; PCI: Poder calorífico inferior; Pcu: De: Densidade
energética; C, H e O: Carbono, Hidrogênio e Oxigênio (Análise química Elementar estimada); EC: Estoque de carbono.
Médias seguidas pela mesma letra minúscula não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de proba-
bilidade. CV (%): Coeficiente de variação.

Avaliação do carvão vegetal da madeira do fuste e do galho do clone de Eucalyptus


urophylla x Eucalyptus grandis

Observa-se na Tabela 2 os valores médios de densidade a granel, rendimento gravi-


métrico total em carvão vegetal, rendimento em gases condensáveis, rendimento em gases
não condensáveis, teor de materiais voláteis, carbono fixo, cinzas, poder calorífico superior,

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
74
densidade energética, estoque de carbono fixo e rendimento energético em carvão vegetal
da madeira do fuste e do galho de E. urophylla x E. gradis.
Nota-se pelo teste de Tukey efeito significativo entre o carvão vegetal do fuste e galho
(p≥0,05) para os parâmetros avaliados. Os coeficientes de variação obtidos foram conside-
rados baixos e inferiores a 7% demonstrando com isto a precisão do experimento.
A densidade a granel do carvão vegetal do fuste apresentou valor médio de 0,18 g/
cm³ e do galho de 0,15 g/cm³ (Tabela 2). Foram encontrados para densidade energética do
carvão vegetal do fuste valor médio de 1307,67 kcal/kg e de 1074,25 kcal/kg do galho do
clone de E. urophylla x E. gradis (Tabela 2).
Observa-se para rendimento total em carvão, gases condensáveis e não condessáveis
valores totais para o fuste de 32,83, 32,84 e 34,33% e de 28,14, 31,84 e 40,01% para o
galho (Tabela 2).
Pode-se observar que para os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas do
carvão vegetal do fuste os valores médios foram de 25,49, 74,44 e 0,07% e para o carvão do
galho os valores médios foram de 28,43, 70,13 e 1,44%, respectivamente (Tabela 2). Pode-
se observar para o poder calorífico superior do carvão vegetal de E. urophylla x E. gradis
valores médios de 7411,01 kcal/kg para o fuste e de 7267,65 kcal/kg para o galho, respec-
tivamente (Tabela 2).
Foram obtidos valores médios para estoque de carbono do carvão vegetal do fuste de
131,35 kg/m³ e do galho de 103,66 kg/m³, respectivamente (Tabela 2). Observa-se para os
valores médios de rendimento energético em carvão vegetal do fuste 53,72% e do carvão
vegetal do galho de 47,65% (Tabela 2).

Tabela 2. Propriedades energéticas do carvão vegetal do fuste e do galho de E. urophylla x E. gradis aos 13 anos de idade.

Pirólise 500°C
Propriedades energéticas do carvão vegetal CV (%) Pr>Fc
Fuste Galho
Dg (g/cm³) 0,18 0,15 - -
RGTC (%) 32,83 28,14 - -
RGC (%) 32,84 31,84 - -
RGNC (%) 34,33 40,01 - -
MV (%) 25,49 b 28,43 a 3,4 *
CF (%) 74,44 b 70,13 c 1,17 *
CZ (%) 0,07 c 1,44 a 6,97 *
PCS (kcal/kg) 7411,01 b 7267,65 c 0,39 *
De (kcal/cm³) 1307,67 b 1074,25 c 0,35 *
ECF (kg/m³) 131,35 b 103,66 c 1,06 *
REP (%) 53,72 a 47,65 b 0,92 *
Nota: Dg: Densidade a granel; RGTC: Rendimento gravimétrico total em carvão vegetal; RGC: Rendimento em gases
condensáveis; RGNC: Rendimento em gases não condensáveis; MV: Teor de materiais voláteis; CF: Teor de carbono
fixo; CZ: Teor de cinzas; PCS: Poder calorifico supeior; De: Densidade energética; ECF:; REP:. Médias seguidas pela
mesma letra minúscula não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. CV (%): Coe-
ficiente de variação.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
75
DISCUSSÃO

Avaliação tecnológica da madeira do fuste e galho do clone de Eucalyptus urophylla x


Eucalyptus grandis

Para o teor de umidade os valores apresentaram-se aceitáveis para produção de ener-


gia, tanto para madeira do fuste quanto para madeira do galho, pois os mesmos apresentaram
valores médios inferiores à 40%. A normativa COPAM 227 (2018) determina que o teor de
umidade da biomassa para queima direta deve ser inferior a 40%. Esta normativa é definida
pelo estado de Minas Gerais, o maior produtor e consumidor de carvão vegetal do Brasil.
Nota-se que para a densidade básica e estoque de carbono a madeira do fuste apre-
sentou as maiores médias quando comparada com a madeira do galho. Assim sendo, ob-
jetivando obter carvão mais denso, com maior densidade energética, maior quantidade de
carbono fixo por volume e maior resistência nos fornos siderúrgicos é mais recomendada a
carbonização da madeira do fuste.
Analisando a Tabela 1 verificou-se que a madeira do fuste apresentou média densidade
e a madeira do galho baixa densidade básica. Marchesan et al. (2019) estudaram madeira de
Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis aos 8 anos de idade plantados na região sul do
Tocantins e observaram valores de densidade básica da madeira entre 0,50 e 0,44 g.cm-³, res-
pectivamente. Valores próximos aos obtidos nesta pesquisa para a madeira do clone avaliado
aos 13 anos de idade tanto para madeira do fuste quanto para madeira do galho.
A densidade básica da madeira está diretamente relacionada com a produção de
energia sendo uma variável muito importante para a determinação de espécies para queima
direta. Uma madeira com densidade elevada, consequentemente, resultará em um carvão
vegetal de maior densidade e resistência mecânica (CARNEIRO et al., 2014).
A madeira do fuste e do galho apresentaram altos teores de materiais voláteis o que
influenciou em baixo teor de carbono fixo (Tabela 1). O teor de material volátil está direta-
mente relacionado a qualidade da madeira por ser inversamente proporcional ao teor de
carbono fixo, ou seja, quanto menor o teor de material volátil maior será o rendimento de
em carbono fixo. Segundo Protásio et al. (2015) com relação a análise química imediata,
quanto maior o teor de matérias voláteis, menor será teor de carbono fixo.
O teor de carbono fixo da madeira do fuste apresentou maior valor médio quando
comparado com a madeira do galho (Tabela 1). Isso significa que quanto maior o teor de
carbono fixo, maior serão os ganhos em tempo de resistência na queima do combustível,
assim, aumentando o poder calorífico da madeira (NEVES et al., 2011).
O teor de cinzas da madeira neste estudo, tanto para o fuste como para o galho, en-
contra-se com médias aceitáveis, pois os mesmos apresentaram médias inferiores à 5%,

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
76
respectivamente (Tabela 1). Segundo Brand (2013) o teor de cinzas inferior a 5% é consi-
derado um ponto positivo para o uso energético da madeira, tanto na forma de lenha como
para a produção de carvão vegetal.
Nones et al. (2014) estudaram a qualidade energética da madeira para o clone
de E. benthamii em plantios da empresa Floko Florestadora Koeche com 5 anos e plantios
de 13 anos da empresa Klabin, observou-se teores de materiais voláteis de 81,47 e 82,74%,
carbono fixo de18,28 e 16,83% e cinzas de 0,25 e 0,43%, respectivamente. Os valores foram
considerados próximos ao observado para as variáveis estudadas da madeira do fuste e do
galho de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis.
Observa-se que poder calorífico superior, inferior e útil da madeira do fuste de Eucalyptus
urophylla x Eucalyptus grandis encontram-se dentro do recomendado para produção de
energia, o que pode ter ocorrido devido ao baixo teor de cinzas e maior média para o teor
de carbono fixo quando comparado com a madeira do galho. Quanto maior o teor de carbo-
no fixo, maior o poder calorífico. De acordo com Ferreira et al. (2014) o poder calorífico da
madeira varia entre 4312 à 5085 kcal kg-1.
Os componentes químicos elementares apresentaram valores conforme o recomendado
pela literatura para madeira do fuste e do galho (Tabela 1). As pesquisas demonstram que
para madeiras de espécies do gênero Eucalyptus spp., a composição química elementar da
madeira, em base seca, é de aproximadamente 48% de carbono, 6% de hidrogênio e 45%
de oxigênio (NEVES et al., 2011; PROTÁSIO et al., 2014; PROTÁSIO et al., 2015).
A utilização da madeira como biocombustível para fornecimento energético requer a
sua caracterização elementar, pois madeiras destinadas a energia devem conter menores
quantidades de oxigênio e elevados teores de carbono e hidrogênio, pois estes componentes
elementares apresentam correlações diretas com o poder calorífico da biomassa vegetal
(NEVES et al., 2011; PROTÁSIO et al., 2014; PROTÁSIO et al., 2015).
O poder calorífico superior da madeira do fuste apresentou maior valor médio quando
comparado com o galho (Tabela 1). Uma possível explicação para este fato é que o teor de
carbono e hidrogênio apresentaram maiores porcentagens para a madeira do fuste. De acor-
do com a literatura maiores teores de carbono e hidrogênio afetaram diretamente o poder
calorífico da madeira (PROTASIO et al., 2011).
O estoque de carbono da madeira do fuste apresentou maior média e valor dentro
do aceitável quando comparado com a madeira do galho (Tabela 1). Protásio et al. (2015)
observaram para os clones de Eucalyptus urophylla altos valores de estoque de carbono
chegando em média a 297 kg m-3.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
77
Avaliação tecnológica do carvão vegetal produzido do fuste e do galho do clone de
Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis.

A densidade a granel do carvão vegetal do fuste e do galho apresentaram valores


médios baixos (Tabela 2). A densidade energética do carvão vegetal proveniente do fuste
apresentou maior valor médio quando comparado com a madeira do galho e o mesmo foi
observado para o estoque em carbono fixo (Tabela 2).
O rendimento total em carvão vegetal encontra-se dentro do recomendado para o car-
vão vegetal proveniente da madeira do fuste (Tabela 2), pois conforme a normativa COPAM
217 (2018) determina-se que o rendimento gravimétrico seja a partir de 30%.
Em relação os rendimentos totais da pirólise da madeira do fuste e do galho, os rendi-
mentos em gases condensáveis foram considerados baixos (Tabela 2), o que pode ter ocorri-
do devido aos altos rendimentos em carvão vegetal e em gases não condensáveis. De acordo
com Marchesan et al. (2019) quanto maior o grau degradação da madeira no processo de
carbonização menor é o rendimento em carvão vegetal, maior será o rendimento em licor e
menor rendimento em gases não condensáveis.
Nota-se para o teor de materiais voláteis que o mesmo apresentou-se alto para o carvão
obtido do galho quando comparado com o carvão produzido do fuste e que, consequente-
mente, o teor carbono fixo do carvão vegetal proveniente do fuste apresentou maior valor
médio (Tabela 2). O mesmo fato foi observado para o teor de cinzas dos carvões vegetais
oriundos da madeira do fuste e do galho. O teor de materiais voláteis e carbono fixo são
inversamente proporcionais, devido a isto quanto menor o teor de materiais voláteis, maior
o carbono fixo do carvão vegetal (SILVA et al., 2018).
Comparando-se os resultados encontrados para os teores de carbono fixo e cinzas
com àqueles estabelecidos pela norma PMQ 3 - 03 (SÃO PAULO, 2003) pode-se afirmar
que o carvão vegetal produzido a partir da madeira do fuste atende as especificações para
comercialização e, consequentemente, pode ser destinado ao consumo doméstico e indus-
trial, pois o teor de carbono fixo supera 75% e o teor de cinza foi inferior a 1,5%.
O carvão vegetal do fuste apresentou valor médio de poder calorífico maior do que
o carvão vegetal do galho (Tabela 2). Este fato pode ter ocorrido devido ao baixo teor de
materiais voláteis e alto teor de carbono fixo. O teor de carbono fixo, juntamente com o teor
de materiais voláteis, são as principais características que determinam o poder calorífico do
carvão (PROTÁSIO et al., 2015).
De acordo com a metodologia de Vale et al. (2002), levando em consideração o teor
carbono fixo recomendado pela Resolução SAA, o valor ideal de poder calorífico é de 7363,74
kcal.kg-¹. O carvão vegetal do fuste apresentou valor aceitável para produção de energia
em relação poder calorífico superior (Tabela 2) (SÃO PAULO, 2003).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
78
Assemelhando-se as tendências observadas para o teor de carbono fixo, o carvão
vegetal do fuste, quando comparado com o carvão vegetal do galho, possui maior teor de
carbono elementar e baixo teor de oxigênio e, consequentemente, o seu poder calorífico
superior foi mais elevado.
O rendimento energético da carbonização apresentou maior média para o carvão ve-
getal proveniente da madeira do fuste quando comparado com o carvão obtido da madeira
do galho (Tabela 2). O rendimento energético da conversão de madeira em carvão vegetal
também provavelmente não foi influenciado pelo material genético, haja vista que, esse pa-
râmetro do processo e consideravelmente alterado pela temperatura final de carbonização
(PROTÁSIO et al., 2014) e, neste trabalho, os carvões vegetais foram obtidos consideran-
do-se temperatura final de carbonização próxima a estudada pelos autores supracitados.
Resultados similares foram observados por Protásio et al. (2014) para a pirólise lenta da
madeira de clones de Eucalyptus aos 58 meses de idade. Os autores observaram rendi-
mento energético médio de 52,4%, ou seja, similar ao encontrado neste trabalho (53,72 %)
para o carvão vegetal obtido da madeira do fuste do clone de E. urophylla x E. gradis aos
13 anos de idade.

CONCLUSÃO

A madeira do fuste de E. urophylla x E. gradis aos 13 anos de idade apresentou ca-


racterísticas satisfatórias tanto para queima direta quanto para produção de carvão vege-
tal. O carvão vegetal obtido do fuste apresentou maior rendimento total em carvão vegetal
e carbono fixo, além de alto poder calorífico superior e maior rendimento energético da
carbonização. Deste modo a madeira do fuste foi considerada com maior potencial para
produção de energia por queima direta e para a produção de carvão vegetal.

REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: Standard
Test Methods for Specific Gravity of Wood and Wood-Based. 2005.

2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS - ASTM. ASTM D 1762-84:


Standard method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia: ASTM Inter-
national, p.2, 2007.

3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. ABNT NBR 11941:


Determinação da densidade básica. Rio de Janeiro: Abnt Editora, 6 p. 2003.

4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 6923: Carvão


vegetal - Amostragem e preparação da amostra. Rio de Janeiro, 15 P. 1981.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
79
5. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 8112: Carvão
vegetal: análise imediata. Rio de Janeiro: Abnt Editora, 5 p. 1986.

6. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 8112: Carvão


vegetal - Análise imediata. Rio de Janeiro, p. 5, 1986.

7. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 9165: carvão ve-


getal. Determinação da densidade relativa aparente, relativa verdadeira e porosidade.
Rio de Janeiro; 1985.

8. BRAND, M. A. Energia de Biomassa Florestal. Ed. Interciência. Rio de janeiro, 2010.

9. BRAND, M. A. et al. (De Candolle) Naudin (Jacatirão-açu) na agricultura familiar. Bi-


guaçu, Santa Catarina. Scientia Forestalis, v. 41, n. 99, p. 401-410, 2013.

10. CARNEIRO, A. C. O. et al. Potencial energético da madeira de Eucalyptus sp. em função


da idade e de diferentes materiais genéticos. Revista Árvore, v. 38, p. 375-381, 2014.

11. CHANNIWALA, S.A; PARIKH, P.P. A Unified Correlation for Estimating HHV of Solid,
Liquid and Gaseous Fuels. Fuel, 81, 1051-1063, 2002.

12. COSTA, A. C. L. A. Caracterização físico-química da biomassa de tocos e raízes


de clones de eucalipto para fins energéticos. 2019.

13. COPAM – Conselho Estadual de Política Ambiental – MG. Deliberação Normativa


COPAM n° 227, Minas Gerais, 2018.

14. DEUTSCHES INSTITUT FÜR NORMUNG - DIN EN 15103. Solid biofuels - determi-
nation of bulk density 2010 Edition, April 2010.

15. FERREIRA, I. T. et al. Estimativa do potencial energético de resíduos celulósicos de


fabricação de papel através de análise imediata. Revista Brasileira de Energias Re-
nováveis, v. 3, n. 4, 2014.

16. IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores. Relatório 2020. Brasília, p. 66, 2020. Disponível
em: https://iba.org/datafiles/publicacoes/relatorios relatorio-iba-2020.pdf. Acesso em:
22 fev. 2021.

17. JESUS, M. S. et al. Caracterização energética de diferentes espécies de Eucalyp-


tus. Floresta, v. 47, n. 1, p. 11-16, 2017.
18. NEVES, T. A.et al. Avaliação de clones de Eucalyptus em diferentes locais visando à
produção de carvão vegetal. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 31, n. 68, p. 319, 2011.

19. NONES, D. L. et al. Determinação das propriedades energéticas da madeira e do carvão


vegetal produzido a partir de Eucalyptus benthamii. Floresta, v. 45, n. 1, p. 57-64, 2014.

20. MARCHESAN, R. et al. Quality of Eucalyptus urograndis charcoal produced in the sou-
thern region of Tocantins. Revista Floresta, Curitiba, PR, v. 49, n. 4, p. 691-700, 2019.

21. MARCHESAN, R. et al. Quality of charcoal from three species of the Eucalyptus AND
THE Corymbia citriodora species planted in the south of Tocantins. Revista Floresta,
Curitiba, PR, v. 50, n. 3, p. 1643 -1652, 2020.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
80
22. PARIKH, J. Et al. A correlation for calculating elemental composition from proximate
analysis of biomass materials. Fuel, v. 86, p.710–1719, 2007.

23. PROTÁSIO, T. P. et al. Qualidade da madeira e do carvão vegetal oriundos de floresta


plantada em Minas Gerais. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 34, n. 78, p.
111-123, 2014.

24. PROTÁSIO, T. D. P. et al. Avaliação tecnológica do carvão vegetal da madeira de clones


jovens de Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla. Scientia Forestalis. Piracicaba,
v. 43, n. 108, p. 801-816, 2015.

25. SAO PAULO (Estado). Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Resolucao SAA -


10, de 11-7-2003. Norma de padrões mínimos de qualidade para carvão vegetal, como
base para certificação de produtos pelo Sistema de Qualidade de Produtos Agricolas,
Pecuários e Agroindustriais do Estado de São Paulo, instituído pela Lei 10.481-9. Diário
Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, v. 113, n. 129, jul. 2003.

26. SEMADES - Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Tocan-


tins. Reformulação da política estadual de florestas e elaboração do plano estadual
de florestas do Tocantins (PEF/TO) – produto 11 – Relatório Técnico Final. Palmas:
TO, p. 175. 2014.

27. SILVA, R. C. et al. Influência da temperatura final de carbonização nas características


do carvão vegetal de espécies tropicais. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 38, 2018.

28. SIMIONI, F. J. et al., Cadeia produtiva de energia de bio-massa florestal: o caso da


lenha de eucalipto no polo produtivo de Itapeva – SP. Ciência Florestal, 1(28): 310-
323 2018.

29. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.

30. WASTOWSKI, A. D. Química da madeira.1 ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência,


2018. 566p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
81
06
Avaliação da qualidade energética do
carvão vegetal de três espécies do cerrado
Sensu stricto

Sorane Moraes de Souza Júlia Gabriela do Nascimento Mendes


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Renata Carvalho da Silva Michelle Pereira de Menezes


Universidade Federal do Paraná - UFPR Universidade Federal do Tocantins - UFT

Raquel Marchesan Bruna Karollyne Santana Gomes


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Thatiele Pereira Eufrazio Carla Jovania Gomes Colares


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Karolayne Ferreira Saraiva Priscila Bezerra de Souza


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

'10.37885/220910323
RESUMO

O objetivo desta pesquisa é avaliar a qualidade energética do carvão vegetal produzido a


partir da madeira de três espécies do cerrado sensu stricto. Foram selecionadas madeiras das
espécies: Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. (gonçalo alves), Sclerolobium aureum
(Tul.) Benth. (pau-bosta), Handroanthus ochraceus (Cham.) Mattos (ipê-amarelo-do-cerra-
do). A densidade básica da madeira foi calculada pelo método da balança hidrostática. O car-
vão vegetal foi produzido por meio do processo de pirólise da madeira em um forno tipo
mufla adaptado para captação do licor pirolenhoso, em que foram utilizadas duas marchas
com temperaturas finais de 500°C e 550°C. Por meio do processo de pirólise foram obtidos
os valores de rendimento gravimétrico total do carvão, rendimento em gás condensável e
em gás não condensável. Determinou-se a densidade aparente, a análise química imediata
(AQI) do carvão vegetal, e por fim calculou-se o poder calorífico. O rendimento gravimétrico
total em carvão apresentou valores dentro da faixa recomendada para carvão de qualidade
para as espécies A. fraxinifolium (29,53%) e H. ochraceus (28,31%). Os teores de mate-
riais voláteis das espécies S. aureum (24,23%) e H. ochraceus (24,79%) apresentaram-se
satisfatórios. Os teores de carbono fixo e de cinzas e o poder calorífico também foram con-
siderados aceitáveis para S. aureum (73,54 %, 2,24 % 7447,81 kcal/kg-1) e H. ochraceus
(74,16%, 1,05% e 7440,63 kcal/kg-1), apresentando alto potencial energético. Recomenda-se
para produção de carvão vegetal as espécies S. aureum e H. ochraceus na temperatura
final de carbonização de 550°C .

Palavras-chave: Bioenergia, Carbonização, Espécies Nativas.


INTRODUÇÃO

A produção de carvão vegetal a partir da biomassa proveniente da madeira posiciona a


lenha como a quarta fonte primária de energia mais utilizada na matriz energética brasileira
(AGEITEC, 2020). O Brasil lidera em absoluto a produção de aço utilizando o carvão vegetal
como agente biorredutor, resultando no aço verde. As maiores produtoras de médio e grande
porte de ferro-gusa, ferro liga e de aço utilizam o carvão vegetal em seus processos produti-
vos, consumindo aproximadamente 90% de toda produção nacional (MATA NATIVA, 2022).
Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia (EPE, 2018), estima-se que as
fontes renováveis terão uma maior representatividade na matriz brasileira (43,7%) em 2024,
sendo 19,2% hidroeletricidade e 24,5% energia de biomassa (lenha, carvão, bagaço de cana,
etanol e biodiesel), comprovando a importância da bioenergia em relação às hidrelétricas
(PEDROSO et al., 2018).
Nas atividades madeireiras a geração de resíduos florestais se diferencia de acordo com
a espécie e a exploração utilizada. Em florestas submetidas ao manejo florestal, durante o
desenvolvimento das atividades pré exploratórias, uma quantidade expressiva de biomassa
é deixada na floresta (CORDEIRO, 2018).
Apesar do rendimento da silvicultura, as plantações florestais homogêneas não são
capazes de suprir toda a demanda das empresas, havendo um déficit anual médio de apro-
ximadamente 47%, que é suprido com florestas naturais, sendo o Cerrado um dos principais
biomas fornecedores do carvão vegetal (CACHOEIRA et al., 2019).
Há, portanto, a necessidade de se buscar conhecimentos sobre o comportamento na
carbonização de madeiras de espécies nativas, permitindo assim caracterizar as proprie-
dades do carvão vegetal, oriundo de resíduos de exploração florestal e resíduos de indús-
trias madeireiras, considerando o baixo aproveitamento e desperdício desses materiais
(SILVA et al., 2018).
No estado do Tocantins uma pequena parte das madeiras provenientes de substituição
de uso do solo são reutilizadas. A supressão das florestas nativas ocorre por meio do licen-
ciamento ambiental e essas áreas são desmatadas para implantação de pastagem, gerando
uma grande quantidade de resíduos e uma das formas de destinação desses resíduos é a
produção de carvão vegetal (SILVA et al., 2020).
Os autores, afirmam que existe a necessidade de fomentar pesquisas científicas com
espécies florestais do Cerrado para avaliar as características energéticas do carvão vegetal.
Diante deste contexto, o conhecimento da qualidade energética do carvão vegetal proveniente
de madeiras do Cerrado é de fundamental importância para que ocorra o maior reaprovei-
tamento dessas florestas que serão desmatadas por meio de licenciamento ambiental para
implementação de bovinocultura e sojicultura, por exemplo.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
84
Devido à importância da produção bioenergética por meio do carvão vegetal, do rea-
proveitamento de florestas nativas que serão desmatadas para substituição do uso de solo
e da necessidade de estudar a qualidade e o potencial energético de espécies do Cerrado,
esta pesquisa teve por objetivo avaliar a qualidade energética do carvão vegetal produzido
a partir da madeira de três espécies do cerrado sensu stricto.

MÉTODOS

Localização e características da região de coleta da madeira

As amostras de madeiras nativas do cerrado sensu stricto utilizadas neste trabalho


foram coletadas de árvores derrubadas em área de substituição do uso do solo no município
de Dueré, estado do Tocantins, localizado nas coordenadas geográficas 11° 11’01.7’’ Sul,
49° 22’05.6’’ Oeste.
A área de coleta possui licenciamento ambiental e Documento de origem Florestal (DOF)
e a floresta substituída por pastagem foi reaproveitada para a produção de carvão vegetal.
As espécies avaliadas foram: Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. (gonçalo al-
ves), Sclerolobium aureum (Tul.) Benth. (pau-bosta), Handroanthus ochraceus (Cham.)
Mattos (ipê-amarelo-do-cerrado). A escolha das espécies foi definida de acordo com a distri-
buição residual das mesmas na área de coleta. O experimento foi desenvolvido no Laboratório
de Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais I da Universidade Federal do Tocantins,
campus de Gurupi.

Amostragem

Foram selecionadas três árvores de cada espécies pelo método de amostragem alea-
tória simples conforme Wastowski (2018). As toras coletadas em campo foram processadas
para a confecção de doze corpos de prova selecionados de forma homogênea para cada uma
das três espécies em estudo, totalizando 36 corpos de prova com dimensões aproximadas de
2,0 x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento). Para o estudo foram realizados dois
tratamentos sendo doze corpos de prova para cada espécie avaliada, com seis repetições
para cada marcha de carbonização (500 e 550°C), respectivamente. Os mesmos corpos de
provas foram utilizados para todos os testes realizados neste estudo.

Propriedade energética da madeira

A densidade básica da madeira foi determinada pelo método da balança hidrostática,


conforme a norma ASTM D-2395 (ASTM, 2005).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
85
Propriedades energéticas do carvão vegetal

Antes do processo de carbonização os corpos de prova foram secos em estufa a 103°C


± 2°C. As amostras foram carbonizadas em forno tipo mufla com controle da temperatura
final programada e adaptada para recuperar materiais voláteis condensáveis. O controle de
temperatura foi realizado em duas diferentes marchas de carbonização (Tabela 1).

Tabela 1. Temperatura e tempo em função da marcha de carbonização.

Temperatura (°C) T. A. Tempo


Marcha
150 200 250 350 450 500 550 (°C/min) Total

1 1h 1h 1h30 1h30 1h 1h - 1,2 7h


2 1h 1h 1h30 1h30 30min 30min 30min 1,4 6h30
Nota: T. A.: Taxa de aquecimento.
Fonte: Silva et al. (2020).

A recuperação dos gases condensáveis foi realizada por meio de uma adaptação ao
forno mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los
em um composto de ácido acético, fórmico, metanol e alcatrão chamado licor pirolenhoso.
Pela diferença entre o rendimento gravimétrico total em carvão e o rendimento total
em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total em gases não condensáveis (NICOLINI
et al., 2013). O rendimento gravimétrico total é a relação percentual entre a massa seca
do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem em balança analítica
(NICOLINI et al., 2013). A densidade aparente do carvão foi determinada com base a norma
da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT NBR 9156 (ABNT, 1985).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-84
(ASTM, 2007) em que se determinaram os teores de material voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. O poder calorífico foi calculado segundo Vale et al. (2002).

Análises estatísticas dos dados

Os dados obtidos foram avaliados estatisticamente seguindo o delineamento inteira-


mente casualisado (DIC) com arranjo em fatorial 3 x 2, três espécies e duas marchas de
carbonização. Primeiramente foi realizado o teste de normalidade que, depois de constata-
da prosseguiu-se a análise das variâncias (ANOVA). Observando diferenças significativas
entre os tratamentos utilizou-se o teste de Tukey para comparação das médias ao nível de
5% de probabilidade.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
86
RESULTADOS

Propriedade energética da madeira

Na Tabela 2 encontram-se os valores médios de densidade básica da madeira das


espécies S. aureum, A. fraxinifolium e H. ochraceus.
Observa-se diferenças significativas (p≥0,05) entre as espécies, em que a H. ochraceus
apresentou o maior valor médio (0,643 g/cm-3) e a espécie S. aureum o menor valor (0,472
g/cm-3) para densidade básica da madeira (Tabela 2).

Tabela 2. Valore médios de densidade básica da madeira das espécies S. aureum, A. fraxinifolium e H. ochraceus.

Espécies Db (g/cm³) F
S. aureum 0,472 c (2,39)
A. fraxinifolium 0,577 b (1,82) 239,62*
Handroanthus ochraceus 0,643 a (4,13)
Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste
de Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação
(%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Propriedades energéticas do carvão vegetal

O maior rendimento gravimétrico total em carvão foi para a espécie S. aureum (27,74%)
e o menor foi para a H. ochraceus (27,17%) na marcha de carbonização de 500°C. Na marcha
de carbonização de 550°C, o maior valor total foi para a espécie A. fraxinifolium (29,53%),
e o menor valor foi para a S. aureum (27,84%) (Tabela 3).
Em relação ao rendimento em gases condensáveis, foi observado entre as três espécies
o maior valor total para a S. aureum (53,64% e 46,80%) e o menor valor para A. fraxinifolium
(43,11% e 44,55%), nas marchas de carbonização de 500°C e 550°C, respectivamente.
Observa-se que entre as três espécies, a que apresentou maior rendimento total em
gases não condensáveis foi a A. fraxinifolium (29,34% e 25,91%) e o menor foi a S. aureum
(26,51% e 25,16%), para as marchas com temperatura final de 500°C e 550°C.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
87
Tabela 3. Valores totais de rendimento gravimétrico total em carvão vegetal (RG carvão), rendimento de gases condensáveis
(RGC) e gases não condensáveis (RGNC) das madeiras de A. fraxinifolium, S. aureum e H. ochraceus.

Marchas de carbonização
Espécies Parâmetros
500°C 550°C
RG carvão (%) 27,54 29,53
A.     fraxinifolium RGC (%) 43,11 44,55
RGNC (%) 29,34 25,91
RG carvão (%) 27,74 27,84
S. aureum RGC (%) 45,75 46,8
RGNC (%) 26,51 25,16
RG carvão (%) 27,17 28,31
H. ochraceus RGC (%) 45,18 46,59
RGNC (%) 27,65 25,18

Nota-se diferenças estatísticas significativas entre as espécies, mas não houve dife-
renças significativas entre as marchas de carbonização e não houve interação entre os dois
fatores ao nível de probabilidade de 5% em relação à densidade aparente do carvão vegetal.
Entre as três espécies, a maior média foi a da H. ochraceus (0,491 g/cm-3) e a menor foi
para S. aureum (0,314 g/cm-3) (Tabela 4).

Tabela 4. Valores médios de densidade aparente do carvão vegetal da madeira de S. aureum, A. fraxinifolium, e H.
ochraceus.
Espécies Da (g/cm³) F
S. aureum 0,314 c (3,80)
A. fraxinifolium 0,405 b (4,36) 78,91*
H. ochraceus 0,491 a (11,43)
Marchas de carbonização Da (g/cm³) F
500°C 0,403 a (20,31)
0,02ns
550°C 0,403 a (19,83)
Interação Da (g/cm³) F
Espécies x Bateria - 0,090ns
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Sig-
nificativo ao nível de 5% de probabilidade. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Em relação ao teor de matérias voláteis pode-se observar que houve diferenças signi-
ficativas entre as três espécies e as marchas de carbonização, porém não houve interação
entre os dois fatores uma vez que o teste F não se apresentou significativo ao nível de 5%
de probabilidade. A maior média encontrada foi para a A. fraxinifolium (43,03%) e a menor foi
para a S. aureum (24,23%). A marcha de carbonização de 500°C apresentou a maior média
(32,49%) quando comparada com a marcha de carbonização de 550°C (28,87%) (Tabela 5).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
88
Tabela 5. Valores médios de materiais voláteis do carvão vegetal das madeiras de S. aureum, H. ochraceus e A. fraxinifolium.

Espécies MV (%) F
S. aureum 24,23 b (10,03)
H. ochraceus 24,79 b (9,18) 529,67*
A. fraxinifolium 43,03 a (6,04)
Marchas de carbonização MV (%) F
500°C 32,49 a (28,67)
45,77*
550°C 28,87 b (30,93)
Interação MV (%) F
Espécies x Bateria - 1,54ns
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Sig-
nificativo ao nível de 5% de probabilidade. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Foram observadas diferenças estatísticas significativas (p≥0,05), entre as espécies e


as marchas de carbonização, porém não houve interação entre os dois fatores devido as
espécies terem sofrido o efeito da temperatura final de carbonização para o teor de carbono
fixo. O maior valor médio observado foi para a H. ochraceus (74,16%) e o menor valor médio
foi para a A. fraxinifolium (53,89%). A marcha de carbonização de 550°C apresentou a maior
média (68,96%) seguida da temperatura final de 500°C (65,43%) (Tabela 6).

Tabela 6. Valores médios de carbono fixo do carvão vegetal das madeiras de A. fraxinifolium, S. aureum e H. ochraceus.

Espécies CF (%) F
A. fraxinifolium 53,89 b (4,71)
637,00*
S. aureum 73,54 a (3,04)
H. ochraceus 74,16 a (3,08)
Marchas de carbonização CF (%) F
500°C 65,43 b (15,36)
44,61*
550°C 68,96 a (13,86)
Interação CF (%) F
Espécies x Marcha - 1,28 ns
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Sig-
nificativo ao nível de 5% de probabilidade. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Em relação ao teor de cinzas é possível observar diferenças estatísticas significativas


entre as espécies estudadas e entre as marchas de carbonização, não havendo interação
entre os fatores. A maior média obtida foi para a espécie A. fraxinifolium (3,09%) e a menor
média foi para a H. ochraceus (1,05%). A marcha de carbonização que apresentou maior
média foi a de 550°C (2,18%) (Tabela 7).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
89
Tabela 7. Valor médio para o teor de cinzas do carvão vegetal das madeiras de H. ochraceus, S. aureum e A. fraxinifolium.

Espécies Cinzas (%) F


H. ochraceus 1,05 c (15,47)
S. aureum 2,24 b (7,09) 103,82*
A. fraxinifolium 3,09 a (18,82)
Marchas de carbonização Cinzas (%) F
500°C 2,07 a (43,34)
0,827ns
550°C 2,18 a (43,60)
Interação Cinzas (%) F
Espécies x Bateria - 0,941ns
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de
Tukey - P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Sig-
nificativo ao nível de 5% de probabilidade. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Pode-se observar diferenças estatísticas significativas entre as três espécies, entre as


marchas de carbonização e a interação entre os dois fatores pelo fato de as espécies terem
sido afetadas pelas marchas de carbonização para o poder calorífico do carvão ao nível de
5% de probabilidade. A maior média obtida foi para a H. ochraceus (7362,89 kcal/kg-1) e
a menor média foi para a A. fraxinifolium (6588,29 kcal/kg-1), na marcha com temperatura
final de carbonização de 500°C. Na marcha de carbonização de 550°C, o maior valor mé-
dio encontrado foi para a S. aureum (7447,81 kcal/kg-1) e o menor valor médio foi também
para A. fraxinifolium (6797,43 kcal/kg-¹) (Tabela 8).

Tabela 8. Valores médios de poder calorífico superior do carvão vegetal das madeiras de A. fraxinifolium, S. aureum e
H. ochraceus.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
A. fraxinifolium 6588,29 bB (1,29) 6797,43 bA (0,94)
PCS (kcal/kg) S. aureum 7314,22 aB (0,67) 7447,81 aA (0,60) 3,34*
H. ochraceus 7362,89 aB (092) 7440,63 aA (0,74)
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05). Valores
entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade. Ns Não
significativo ao nível de 5% de probabilidade.”

DISCUSSÃO

Propriedade energética da madeira

Observa-se que a madeira da S. aureum apresentou-se como sendo de baixa densi-


dade (< 0,55 g/cm-3), já a madeira de A. fraxinifolium e H. ochraceus de média densidade
(> 0,55 e < 0,73 g/cm-3). De acordo com Silveira et al. (2013), as madeiras são classificadas
em: madeiras leves ou de baixa densidade (<0,55 g/cm-3), média densidade (entre 0,55 e
0,72 g/cm-3), e madeiras pesadas ou de alta densidade (>0,73 g/cm-3).
A densidade da madeira é um dos índices mais importantes a ser avaliado, devido à
interferência em diversas propriedades da madeira, podendo até limitar o seu uso, conforme

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
90
a finalidade. Segundo Santos et al. (2016) a densidade básica da madeira é um parâmetro
referencial para a seleção de espécies florestais indicadas para produção de energia por
queima direta e para a produção de carvão vegetal.

Propriedades energéticas do carvão vegetal

Nota-se que para o rendimento gravimétrico total em carvão vegetal ocorreu um acrés-
cimo com o aumento da temperatura final de carbonização para as três espécies avaliadas
(Tabela 2). Silva et al. (2020) observaram que com o aumento da temperatura final de car-
bonização houve um decréscimo no rendimento gravimétrico total em carvão vegetal. Vieira
et al. (2013) e Silva et al. (2020) relataram que o rendimento gravimétrico é influenciado por
parâmetros de processo como a temperatura e quanto maior a temperatura final, menor o
rendimento em massa. As espécies avaliadas nesta pesquisa apresentaram um comporta-
mento inesperado em relação à espécies já estudadas por outros autores.
O rendimento total em carvão vegetal não se encontra dentro do recomendado para
carvões provenientes das madeiras das três espécies estudadas (Tabela 3), pois o mesmo
está abaixo de 30% (COPAM, 2018).
Silva et al. (2020) estudaram carvão vegetal proveniente da madeira de cinco espécies
nativas da fitofisionomia de cerrado sensu stricto e obtiveram valores médios para o rendi-
mento gravimétrico total em carvão vegetal variando entre 28,84 a 36,25%, respectivamente.
Costa et al. (2014) caracterizaram cinco espécies do Cerrado e observaram valores médios
para o rendimento gravimétrico variando de 30,88 a 34,39%.
O rendimento total em licor pirolenhoso aumentou com o acréscimo da temperatura
final de carbonização e o rendimento total em gases não condensáveis diminuiu para as
três espécies estudadas (Tabela 3). Conforme Silva et al. (2020) o aumento da tempera-
tura final de carbonização causa acréscimo no rendimento total em líquido pirolenhoso e
diminuí o rendimento total em gases não condensáveis, pois os mesmos são diretamente
correlacionados.
Silva et al. (2020) obtiveram em estudo realizado para avaliar o efeito da temperatura
final de carbonização na qualidade do carvão vegetal da madeira de cinco espécies nativas
do cerrado sensu stricto valores médios entre 41,74 a 53,54% para o rendimento em gases
condensáveis e para gases não condensáveis valores médios variando de 16,95 a 23,95%
na marcha de carbonização de 500°C. Para temperatura final de carbonização de 550°C
os valores médios foram de 43,30 a 52,69% para rendimento em licor e de 17,78 a 24,01%
para o rendimento em gases não condensáveis. Os valores para rendimento em licor foram
superiores e o rendimento em gases não condensáveis foi inferior ao observado neste estudo
para as marchas de carbonização de 500 e de 550°C .

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
91
Pode-se observar para a densidade aparente do carvão vegetal da madeira de H. ochra-
ceus maior valor médio quando comparado com as demais espécies avaliadas (Tabela
4). De modo geral, madeiras de alta densidade também apresentam maior densidade apa-
rente do carvão vegetal (SANTOS et al., 2016 e SILVA et al., 2020). Esta relação também
foi constatada nesta pesquisa.
Costa et al. (2014) avaliaram espécies do Cerrado na temperatura final de carbonização
de 450 ºC e observaram variação de 0,255 a 0,475 g/cm-3 de densidade aparente do carvão
vegetal. Silva et al. (2020) obtiveram valores médios na temperatura final de carbonização
500 e 550°C variando entre 0,51 a 0,53 g/cm-3 para densidade aparente do carvão vegetal da
madeira cinco espécies nativas do cerrado sensu stricto. Valores próximos aos observados
neste estudo para as três espécies nativas avaliadas.
Nota-se que com o aumento da temperatura final de carbonização houve um decrés-
cimo no teor de materiais voláteis do carvão vegetal (Tabela 5). Fato este observado por
Figueiredo et al. (2018) e Silva et al. (2020) em que os autores afirmam que a temperatura
e a taxa de aquecimento são parâmetros que interferem diretamente no percentual de vo-
láteis nos materiais.
O teor de materiais voláteis do carvão vegetal das madeiras de S. aureum e H. ochra-
ceus encontram-se dentro do recomendado para uso na indústria siderúrgica. Santos et al.
(2016) citam que os valores médios ideais para o teor de materiais voláteis do carvão vegetal
devem variar entre 20 e 25% e que porcentagens inferiores a 25% são desejadas para o
uso siderúrgico.
Observa-se que com o aumento da temperatura final de carbonização houve um acrés-
cimo no teor de carbono fixo (Tabela 6). Uma possível explicação para este fato ter ocorrido
é devido o teor de materiais voláteis ter diminuído com o aumento da temperatura final de
carbonização. O teor de carbono fixo está diretamente relacionado ao teor de material volátil,
desta forma, carvões vegetais que apresentam menores teores de materiais voláteis tendem
a apresentar menores teores de carbono fixo (SILVA et al., 2020).
Os teores de carbono fixo do carvão vegetal das madeiras de S. aureum e H. ochraceus
apresentaram os maiores valores médios (Tabela 6), assim sendo as mais indicadas para
produção de energia. Combustíveis com teores elevados de carbono fixo são preferíveis
para o uso siderúrgico, devido à estabilidade térmica e elevado poder energético (NEVES
et al., 2011 e SILVA et al., 2020).
Em relação ao teor de cinzas do carvão vegetal a madeira de H. ochraceus apresen-
tou uma redução de 53,12% quando comparada com a espécie S. aureum, e redução de
66,02% quando comparada com a espécie A. fraxinifolium (Tabela 7). Observa-se para o teor
de cinzas do carvão vegetal da madeira das três espécies avaliadas, que o carvão vegetal

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
92
de H. ochraceus apresentou valor médio dentro do recomendado pela literatura para uso
na indústria siderúrgica.
Silva et al. (2020) estudando cinco espécies nativas do cerrado sensu stricto observaram
para o teor de cinzas do carvão vegetal valores médios entre 0,55% à11,6%, respectivamente.
Observa-se que com acréscimo na temperatura final de carbonização houve um au-
mento no poder calorífico superior devido ter ocorrido redução de voláteis e aumento no
carbono fixo (Tabela 8). Este mesmo fato foi observado por Silva et al. (2020) que estudaram
cinco espécies provenientes da fitofisionomia de cerrado sensu stricto. Os mesmos autores
relataram que uma possível explicação para este fato ter ocorrido é devido ao teor carbono
fixo aumentar com aumento da temperatura final de carbonização (SILVA et al., 2018).
Costa et al. (2014) encontraram valores médios de poder calorífico entre 7135 a 7730
kcal/kg-1 para cinco espécies do Cerrado. Silva et al. (2020) observaram para o poder calo-
rifico superior do carvão vegetal de cinco espécies do cerrado sensu stricto valores médios
entre 6904,62 à 7438,21 kcal/kg-1 para temperatura final de carbonização de 500°C e, de
7224,82 a 7542,66 kcal/kg-1, na marcha de carbonização de 550°C, respectivamente. Estes
valores foram próximos ao observado para S. aureum e H. ochraceus.

CONCLUSÃO

Diante do exposto conclui-se que:


A densidade básica da madeira da madeira, o rendimento gravimétrico do carvão e
densidade aparente do carvão produzido a partir da madeiras de A. fraxinifolium e H. ochra-
ceus. apresentaram valores médios dentro do recomendado para produção de carvão vegetal
de boa qualidade.
O rendimento em gases condensáveis e o rendimento em gases não condensáveis
sofreram influência das marchas de carbonização, assim como o teor de materiais voláteis,
carbono fixo e poder colorífico superior do carvão vegetal.
O teor de materiais voláteis para as espécies S. aureum e H. ochraceus apresen-
taram valores médios admissíveis para produção de carvão vegetal para uso na indus-
tria siderúrgica.
O teor de carbono fixo, de cinzas e o poder calorífico superior do carvão vegetal das
madeiras de S. aureum e H. ochraceus apresentaram valores médios aceitáveis para a
produção de carvão vegetal.
Recomenda-se para produção de carvão vegetal de boa qualidade as espécies S. au-
reum e H. ochraceus na temperatura final de carbonização de 550°C, pois nesta temperatura
foi encontrado o menor teor de materiais voláteis, maior poder calorífico e maior teor de
carbono fixo do carvão vegetal.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
93
REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-1762-84: standard
method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia, 2007. 2 p.

2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: standard test
methods for specific gravity of wood and wood-based materials. Philadelphia, 2005. 8 p.

3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9156: determinação da


densidade relativa aparente, relativa verdadeira e porosidade: método de ensaio. Rio
de Janeiro, 1985. 8 p.

4. AGEITEC; Carvão vegetal 2020. Diaponível em :<https://www.agencia.cnptia.embrapa.


br/gestor/agroenergia/arvore/CONT000gc6fompl02wx5ok01dx9lc67w62o0.html>acesso
em : 30 de abril de 2020.

5. CACHOEIRA, J. N. et al. Mercado interestadual de carvão vegetal no estado do To-


cantins. Revista Verde, Pombal, Paraíba, v. 14, n.2, abr.-jun, p.258-265, 2019.

6. COPAM – Conselho Estadual de Política Ambiental – MG. Deliberação Normativa


COPAM n° 227, Minas Gerais, 2018.

7. COSTA, G. T. et al. Qualidade da madeira de cinco espécies de ocorrência no cerrado


para produção de carvão vegetal. Cerne, v. 20, n. 1, 2014.

8. CORDEIRO, I. M. C. C. et al. Aproveitamento dos resíduos lenhosos: uma alternativa


sustentável para projetos de manejo florestal. 9° Fórum Internacional de Resíduos
Sólidos. Porto Alegre, 2018.

9. EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Balanço energético Nacional 2018.


Ano base 2017. Disponível em: <http://epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publi-
cacoes/balanco-energetico-nacional-2018> Acesso em: 22 ago. de 2022.

10. FIGUEIREDO, M. E. O. et al. Potencial da madeira de pterogyne nitens tul. (madeira-


-nova) para produção de carvão vegetal. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 28, n. 1,
p. 420-431, jan.- mar., 2018.

11. MATA NATIVA. Madeira Para Geração de Energia Verde. Disponível em: < https://
matanativa.com.br/madeira-para-geracao-de-energia-verde/>Acesso em: 29 de se-
tembro de 2022.

12. NEVES, T. A. et al. Avaliação de clones de Eucalyptus em diferentes locais visando


à produção de carvão vegetal. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 31, n. 68,
p. 319 – 330, 2011.

13. NICOLINI, K. P. et al. Pirólise de biomassas em baixas temperaturas. Editora Átomo,


Campinas-SP. 2013. 94p.

14. PEDROSO, L. L. A. et al. Demandas atuais e futuras da biomassa e da energia reno-


vável no Brasil e no mundo/Current and future demands for biomass and renewable
energy in Brazil and worldwide. Brazilian Journal of Development, v. 4, n. 5, p. 1980-
1996, 2018.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
94
15. SANTOS, R. C. S. et al. Influência das propriedades químicas e da relação siringil/
guaiacil da madeira de eucalipto na produção de carvão vegetal. Ciência Florestal,
v. 26, n. 2, p. 657-669, 2016.

16. SILVA, R. C. et al. Effect of the final carbonization temperature on the quality of five
species of cerrado. Floresta, v. 50, n. 4, p. 1902-1911, 2020.

17. SILVA, R. C. et al. Influência da temperatura final de carbonização nas características


do carvão vegetal de espécies tropicais. Pesquisa Florestal Brasileira, 2018. v. 38.
p. 1-10, dez. 2018.

18. SILVEIRA, L. H. C. et al. Teor de umidade e densidade básica da madeira de nove


espécies comerciais amazônicas. Acta Amazônica, Manaus, v. 43, n. 2, p.179 – 184,
2013.

19. VIEIRA, R. S. et al.. Influência da temperatura no rendimento dos produtos da carboni-


zação de Eucalyptus microcorys. Revista Cerne, Lavras, v. 19, n. 1, p. 59-64, set. 2013.

20. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.

21. WASTOWSKI, A. D. Química da madeira.1 ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência,


2018. 566p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
95
07
Diospyros hispida, Xylopia aromatica e
Mouriri pusa como alternativa bioenergética
na região Sul do Tocantins

Renata Carvalho da Silva Guilherme Miranda Fernandes Reis


Universidade Federal do Paraná - UFPR Universidade Federal do Tocantins - UFT

Kerolla Morgana Oliveira Cunha Karolayne Ferreira Saraiva


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Raquel Marchesan Carla Jovania Gomes Colares


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Sorane Moraes de Sousa Vanessa Coelho Almeida


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Manoel Moraes da Silva Neto Morgana Cristina França


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Paraná - UFPR

'10.37885/221010685
RESUMO

O presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade do carvão vegetal de três espécies
nativas do Cerrado, visando a produção de energia na região Sul do estado do Tocantins.
Para o estudo foram selecionadas as madeiras de Xylopia aromatica (Lam.) Mart., Mouriri
pusa Gardner e Diospyros hispida A.DC. No preparo do material foram confeccionados 10
corpos de prova de cada espécie com as dimensões de 2,0 x 2,0 x 5,0 cm, sendo 5 repe-
tições para cada marcha de carbonização com diferentes temperaturas finais e taxas de
aquecimento. Foi determinada a densidade básica da madeira, rendimento gravimétrico total,
rendimentos totais em gases condensáveis e não condensáveis, análise química imediata
(AQI) e poder calorífico superior. A madeira de Mouriri pusa apresentou maiores valores
médios para a densidade básica (0,74 g/cm-³) e o carvão vegetal da madeira de Diospyros
hispida a maior média de densidade aparente do carvão (0,59 g/cm-³). Na análise química
imediata as espécies Xylopia aromatica e Diospyros hispida apresentaram as melhores
medias dentre todas as espécies. O poder calorífico variou de 7332,24 a 7566,89 (kcal/kg),
sendo considerado um valor aceitável para a produção energética. Recomenda-se a marcha
de carbonização final de 550°C e as madeiras de Xylopia aromatica e Diospyros hispida que
apresentaram as melhores propriedades para a produção de carvão vegetal de boa qualidade.

Palavras-chave: Análise Química Imediata, Rendimentos da Carbonização, Taxa


de Aquecimento.
INTRODUÇÃO

A madeira participa de forma importante na matriz energética mundial, com maior ou


menor intensidade, dependendo da região considerada. Seu uso é afetado por variáveis
como: nível de desenvolvimento do país, disponibilidade de florestas, questões ambientais e
competição econômica com outras fontes energéticas, como petróleo, gás natural, hidroele-
tricidade e energia nuclear (PROTÁSIO et al., 2011).
O setor florestal representa 19,06% das 516 termelétricas movidas à biomassa, sendo
inferior apenas ao setor agroindustrial (80,33%), mas superior ao setor de resíduos em ater-
ros sanitários ou dejetos de animais (0,58%) e em termoelétricas movidas à óleos vegetais
(0,03%) (PEDROSO et al., 2018).
De acordo com IBÁ (2019) em 2018 cerca de 91% do carvão consumido foi produzido
a partir de madeiras de florestas plantadas. Segundo IBGE (2014), o estado do Tocantins foi
considerado um dos maiores produtores de carvão vegetal no norte do país, com 106.718
toneladas por extração e 300 toneladas por silvicultura no ano de 2014, encontrando-se
ainda como o segundo produtor de lenha com 1.028.540 m³ em madeira de extração.
De acordo com Silva et al. (2020) no estado Tocantins ainda são muito utilizadas
madeiras de espécies nativas para produção de carvão vegetal, devido a supressão de
florestas por meio de licenciamento ambiental para áreas de substituição de uso do solo.
Existe a necessidade de fomentar pesquisas científicas com espécies nativas do Cerrado
para averiguação do potencial do material que está sendo utilizado como insumo energético
visando o melhor reaproveitamento dessas florestas (SILVA et al., 2020) e maior agregação
de valor ao produto final.
Brand (2010), Protásio et al. (2011) e Silva et al. (2018) afirmam em estudos que
dentre as principais características de qualidade para a seleção de carvão vegetal estão a
densidade básica, rendimento gravimétrico, teores de matérias voláteis, carbono fixo, cinzas,
poder calorífico, constituição química e umidade da madeira. Diante disso a qualidade da
madeira é um fator importante na produção de carvão vegetal com alto rendimento, baixo
custo e elevada qualidade.
Mediante a importância de fomentar pesquisas relacionadas da produção de carvão
vegetal e visando o potencial das espécies nativas no Tocantins, esta pesquisa teve por
objetivo avaliar a qualidade do carvão vegetal de três espécies nativas do Cerrado, para a
produção na região Sul do estado do Tocantins.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
98
MÉTODOS

Localização e características da região de coleta da madeira

As amostras de madeiras nativas do cerrado sensu stricto utilizadas neste trabalho


foram coletadas de árvores abatidas em área de substituição do uso do solo no município de
Dueré, estado do Tocantins, localizado de acordo as coordenadas geográficas 11° 11’01.7’’
Sul, 49° 22’05.6’’ Oeste.
A área de coleta possui licenciamento ambiental e Documento de origem Florestal
(DOF), pois a floresta que está sendo substituída por pastagem é reaproveitada para a
produção de carvão vegetal nativo.
As espécies avaliadas foram: Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (pimenta-de-macaco),
Mouriri pusa Gardner (puçá-preto) e Diospyros hispida A.DC. (caqui-do-cerrado). A escolha
das espécies foi definida de acordo com a distribuição residual das mesmas na área de co-
leta. O experimento foi desenvolvido no Laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos
Florestais da Universidade Federal do Tocantins, campus de Gurupi.

Amostragem

Foram selecionadas três árvores de cada espécies pelo método de amostragem alea-
tória simples conforme Wastowski (2018). As toras coletadas em campo foram processadas
para a confecção de dez corpos de prova selecionados de forma homogênea em cada uma
das três espécies em estudo, totalizando 30 corpos de prova com dimensões aproximadas
de 2,0 x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento). Para o estudo foram realizados
dois tratamentos sendo dez corpos de prova para cada espécie avaliada com cinco repetições
para cada marcha de carbonização (500 e 550°C), respectivamente. Os mesmos corpos de
provas foram utilizados para todos os testes realizados neste estudo.

Propriedade energética da madeira

A densidade básica da madeira foi determinada pelo método da balança hidrostática,


conforme a norma ASTM D-2395 (ASTM, 2005).

Propriedades energéticas do carvão vegetal

Antes do processo de carbonização os corpos de prova foram secos em estufa a 103°C


± 2°C. As amostras foram carbonizadas em forno elétrico tipo mufla com controle da tempe-
ratura final programada e adaptada para recuperar materiais voláteis condensáveis. O con-
trole de temperatura foi realizado em duas diferentes marchas de carbonização (Tabela 1).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
99
Tabela 1. Temperatura e tempo de carbonização em função da marcha de carbonização.

Temperatura (°C) Taxa de Aquecimento


Marcha Tempo Total
150 200 250 350 450 500 550 (°C/min)

1 1h 1h 1h30 1h30 1h 1h - 1,2 7h


2 1h 1h 1h30 1h30 30min 30min 30min 1,4 6h30
Fonte: Silva et al. (2020).

Por meio da diferença entre o rendimento gravimétrico total em carvão e o rendimento


total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total em gases não condensáveis. O ren-
dimento gravimétrico total é a relação percentual entre a massa seca do carvão e a massa
seca da madeira, obtidos por meio da pesagem em balança analítica. A densidade aparente
do carvão foi determinada com base a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas
- NBR 9156 (ABNT, 1985).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-
84 (ASTM, 2007) em que determinou-se os teores de material voláteis, carbono fixo e
cinzas do carvão. O poder calorífico do carvão foi calculado seguindo a metodologia de
Vale et al. (2002).

Análises estatísticas dos dados

Os dados obtidos foram avaliados estatisticamente seguindo o delineamento inteira-


mente casualisado (DIC) com arranjo em fatorial 3 x 2, três espécies e duas marchas de
carbonização. Primeiramente foi realizado o teste de normalidade que, depois de constata-
da prosseguiu-se a análise das variâncias (ANAVA). Observando diferenças significativas
entre os tratamentos utilizou-se o teste de Tukey para comparação das médias ao nível de
5% de probabilidade e a análise de correlação linear de Person (r) foi calculada utilizado o
programa Excel 2007 ®.

RESULTADOS

Propriedade energética da madeira

Densidade básica

Os valores de densidade básica da madeira estão apresentados na Tabela 2. Observou-


se que os valores médios diferiram estatisticamente (p≤0,05) entre as espécies estudadas
e, que a Mouriri pusa Gardner apresentou o maior valor médio (0,74 g/cm-3) e a Xylopia
aromatica o menor valor (0,64 g/cm-3).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
100
Tabela 2. Valores médios de densidade básica da madeira de Xylopia aromatica, Mouriri pusa e Diospyros hispida.

Espécies Db (g/cm³) F
Xylopia aromatica 0,64 (3,32) b
Mouriri pusa 0,74 (4,54) a 45,41*
Diospyros hispida 0,64 (3,97) b
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * significativo ao nível de 5% de probabilidade
(p<0.05).

Processo de pirólise da madeira e avaliação da qualidade energética do carvão vegetal

Os valores totais em rendimento gravimétrico do carvão vegetal, gases condensáveis


e não condensáveis provenientes do processo de pirólise da madeira das três espécies
avaliadas e para as marchas de carbonização com temperaturas finais de 500 e 550ºC
encontram-se na Tabela 3, respectivamente.

Tabela 3. Valores totais em rendimento gravimétrico do carvão vegetal, gases condensáveis e em gases não condensáveis
do processo de pirólise da madeira de Xylopia aromatica, Mouriri pusa e Diospyros hispida nas temperaturas finais de
carbonização de 500 e 550°C.

Marchas de Aquecimento
Espécies Parâmetros
500°C 550°C
RG carvão (%) 31,15 30,16
Xylopia aromatica RGC (%) 43,47 40,68
RGNC (%) 25,37 29,15
RG carvão (%) 35,13 32,05
Mouriri pusa RGC (%) 35,85 41,94
RGNC (%) 25,00 26,01
RG carvão (%) 29,23 31,06
Diospyros hispida
RGC (%) 50,15 48,44
RGNC (%) 20,61 20,49
Nota: RG carvão: rendimento gravimétrico em carvão vegetal, RGC: Rendimento em gases con-
densáveis e RGNC: rendimento em gases não condensáveis.

Os valores médios de densidade aparente e teor de cinzas do carvão vegetal das


madeiras de Xylopia aromatica, Mouriri pusa, Diospyros hispida e para marchas de carbo-
nização com temperatura final de 500 e 550°C encontram-se apresentados na Tabela 4.
Foram observadas diferenças estatísticas significativas entre as espécies, mas não houve
diferenças significativas entre as marchas de carbonização e não houve interação entre os
dois fatores ao nível de probabilidade de 5% em relação à densidade aparente e cinzas do
carvão vegetal da madeira das três espécies avaliadas.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
101
Tabela 4. Valores médios de densidade aparente e cinzas do carvão vegetal das madeiras de Xylopia aromatica, Mouriri
pusa, Diospyros hispida e para marchas de carbonização com temperatura final de 500 e 550°C.
Espécies DA (g/cm³) F Cinzas (%) F
Xylopia aromatica 0,49 b (4,74) 0,50 c (13,85)
Mouriri pusa 0,46 c (3,00) 118,75* 1,85 a (12,06) 282,14*
Diospyros hispida 0,59 a (4,71) 0,72 b (13,56)
Marchas de carbonização DA (g/cm³) F Cinzas (%) F
500°C 0,51 a (12,22) 1,04 a (92,96)
1,04ns 0,29ns
550°C 0,52 a (11,51) 1,01 a (84,73)
Interação DA (g/cm³) F Cinzas (%) F
Espécies x Bateria - 0,48ns - 0,71ns
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * significativo ao nível de 5% de probabilidade
(p<0.05).

Os valores médios dos teores de materiais voláteis, carbono fixo e poder calorífico
superior do carvão vegetal das madeiras das três espécies avaliadas e para marchas de
carbonização de 500 e 550ºC encontram-se na Tabela 5. Pode-se observar diferenças esta-
tísticas significativas entre as três espécies, as marchas de carbonização e a interação entre
os dois fatores pelo fato de as espécies terem sido afetadas pelas marchas de carbonização
para os teores de materiais voláteis, carbono fixo e para poder calorífico do carvão vegetal
ao nível de 5% de probabilidade.

Tabela 5. Valores médios dos teores de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF) e poder calorífico superior (PCS) do
carvão vegetal das madeiras de Xylopia aromatica, Mouriri pusa, Diospyros hispida e para marchas de carbonização de
500 e 550°C.

Parâmetros Espécies 500°C 550°C F


Xylopia aromatica 23,60 bA (2,22) 22,04 aB (5,48)
26,02 aA
MV (%) Mouriri pusa Gardne 19,97 bB (4,45) 11,97*
(5,41)
Diospyros hispida 24,89 abA (6,69) 20,13 bB (4,28)
Xylopia aromatica 75,93 aB (0,62) 77,46 bA (1,59)
CF (%) Mouriri pusa 72,07 bB (1,95) 78,23 aA (1,20) 12,47*
Diospyros hispida 74,39 aB (2,19) 79,12 aA (1,70)
Xylopia aromatica 7460,66 aB (0,21) 7511,38 bA (0,54)
PCS (kcal/kg) Mouriri pusa 7332,24 bB (0,64) 7537,29 abA (0,41) 12,45*
Diospyros hispida 7409,45 aB (0,33) 7566,89 aA (0,40)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e mesma letra maiúscula na coluna não diferem estatisti-
camente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de
variação (%).

Na Figura 1 encontram-se os gráficos referentes as correlações entre variáveis densi-


dade básica da madeira e densidade aparente do carvão vegetal; entre os teores de carbono
fixo e materiais voláteis, por fim entre o poder calorífico superior e o teor de carbono fixo
do carvão vegetal das madeiras das três espécies avaliadas nas respectivas machas de
carbonização de 500 e 550°C.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
102
Figura 1. A: Correlação de Pearson (r) entre variáveis densidade básica da madeira (Db) e densidade aparente (Da). B:
Correlação de Pearson (r) entre variáveis: carbono fixo (%) e materiais voláteis (%); C: Correlação de Pearson (r) entre
as variáveis: poder calorífico superior (kcal/kg) e carbono fixo (%) do carvão vegetal das madeiras de Xylopia aromatica,
Mouriri pusa, Diospyros hispida e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.

DISCUSSÃO

Propriedade energética da madeira

Densidade básica

Pode-se observar que a madeira de Mouriri pusa apresentou alta densidade básica
enquanto a madeira das demais espécies avaliadas apresentaram-se de média densidade
básica (Tabela 2). Conforme Silveira et al. (2013) as madeiras são classificadas como sen-
do de média densidade básica quando se encontram entre 0,550 e 0,720 g/cm-3 e de alta
densidade básica quando apresentam-se com valores superiores a 0,730 g/cm-3.
Conforme Pereira et al. (2016) o desejável para a produção de carvão vegetal é a
madeira apresentar um valor considerável de densidade básica pois, uma vez que, quanto
maior a densidade básica da madeira, maior a massa de carvão vegetal produzido para um
determinado volume.
Silva et al. (2020) estudaram cinco espécies provenientes do cerrado sensu stricto
e obtiveram valores médios para densidade básica da madeira entre 0,54 à 0,74 g/cm-3.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
103
Valores próximos ao observado nesta pesquisa para madeiras das três espécies proveniente
da fitofisionomia de cerrado sensu stricto.

Processo de pirólise da madeira e avaliação da qualidade energética do carvão vegetal

Nota-se redução nos valores totais em rendimento gravimétrico do carvão vegetal com
o aumento da temperatura final para Xylopia aromatica e Mouriri pusa (Tabela 3). Foi cons-
tatado para o rendimento gravimétrico do carvão vegetal da madeira de Diospyros hispida
um comportamento inesperado, pois devido a decomposição dos constituintes químicos
da madeira esperava-se a diminuição do rendimento gravimétrico em carvão vegetal. Silva
et al. (2020) avaliaram o carvão vegetal da madeira de cinco espécies do cerrado sensu
stricto, obtido pelo processo de pirólise utilizando as marchas de carbonização de 500 e
550°C e observaram que com o acréscimo da temperatura final de carbonização houve um
decréscimo no valor total em rendimento gravimétrico do carvão vegetal.
Costa et al. (2014) estudaram o carvão vegetal proveniente da madeira de cinco es-
pécies do Cerrado e denotaram valores médios para o rendimento gravimétrico em carvão
vegetal entre 30,88 e 34,39%. Protásio et al. (2011) observaram em estudo sobre a qualidade
do carvão vegetal de Qualea parviflora, espécie do Cerrado, e obtiveram valor médio em
rendimento do carvão de 34,60%. Os valores descritos pelos autores foram próximos aos
encontrados neste estudo para as três espécies do bioma Cerrado.
Em relação ao rendimento em gases condensáveis observa-se uma diminuição ao
aumentar a temperatura final de carbonização (Tabela 3), o que pode ter ocorrido devido
o rendimento gravimétrico do carvão vegetal ter diminuído, pois este parâmetro é afetado
pelo processo como a temperatura final e taxa de aquecimento assim sendo quanto maior
a temperatura final, menor o rendimento em massa, que resulta em acréscimo nos rendi-
mentos em gases condessáveis.
Pode-se observar que, com o aumento da temperatura final de carbonização, hou-
ve um decréscimo para o rendimento em gases não condensáveis para as três espécies
avaliadas nesta pesquisa (Tabela 3). Conforme Vieira et al. (2013) e Jesus et al. (2017)
quanto maior o grau de degradação da madeira no processo de carbonização menor é o
rendimento em carvão vegetal, maior será o rendimento em licor e menor rendimento em
gases não condensáveis.
Silva et al. (2020) estudaram o efeito da temperatura final de carbonização em cinco
espécies nativas do cerrado sensu stricto e obtiveram rendimento em gases condensáveis
entre 53,64 e 41,57% e rendimento em gases não condensáveis variando de 23,94% a
24,01% na marcha de carbonização de 500°C. Na marcha de carbonização de 550°C os
valores médios foram de 54,69 a 43,30% para rendimento em licor e de 24,01 a 18,74% para

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
104
o rendimento em gases não condensáveis. Os valores para rendimento em gases conden-
sáveis e não condensáveis foram próximos ao observado neste estudado para as marchas
de carbonização de 500 e de 550°C, respectivamente.
Nota-se para densidade aparente na marcha de carbonização de 500°C o valor médio
de 0,51 g/cm-3 e na marcha de carbonização de 550°C o valor médio de 0,52 g/cm-3 para o
carvão vegetal das madeiras das três espécies avaliadas (Tabela 5). O carvão vegetal das
madeiras de Xylopia aromatica, Mouriri pusa e Diospyros hispida foram considerados de
média densidade aparente (Tabela 5).
A densidade aparente do carvão apresentou correlação positiva com a densidade
básica da madeira (Figura 1-A). Vale et al. (2010) afirmam que a densidade aparente do
carvão é diretamente proporcional a densidade básica da madeira, ou seja, quanto menor
a densidade básica da madeira consequente menor será a densidade aparente do carvão.
Esta correlação entre densidade básica da madeira e densidade aparente do carvão vegetal
concede uma base sólida e importante para a escolha de espécies destinadas a produção
de carvão (SANTOS et al., 2016).
Segundo Silva et al. (2020) a qualidade do carvão vegetal depende da densidade
aparente do carvão. As três espécies avaliadas neste estudo apresentaram potencial para
produção de carvão vegetal ao observar a densidade aparente do carvão vegetal proveniente
da madeira das mesmas, pois foram consideradas médias.
Observa-se que os teores de materiais voláteis e carbono fixo na marcha de carboni-
zação de 500°C não apresentaram valores médios recomendados para o carvão vegetal da
madeira de Mouriri pusa (Tabela 5). A temperatura final de carbonização de 550°C apresentou
valores aceitáveis para produção de energia para o teor de materiais voláteis e carbono fixo
para o carvão vegetal da madeira das três espécies avaliadas (Tabela 5). Combustíveis com
teores elevados de carbono fixo são preferíveis para o uso siderúrgico, devido à estabilidade
térmica e elevado poder energético (NEVES et al., 2011). Para os teores de cinzas em am-
bas as marchas de carbonização, foram observados valores médios aceitáveis (Tabela 4).
Nota-se correlação positiva entre o teor de materiais voláteis e carbono fixo (Figura
1-B), o que explica o fato de o teor de carbono fixo ter sido baixo para o carvão vegetal das
três espécies avaliadas na marcha de carbonização de 500°C, pois quanto maior for o teor
de materiais voláteis menor será o teor de carbono fixo do carvão vegetal.
Os teores de materiais voláteis e cinzas para o carvão vegetal das três espécies estu-
dadas (Tabela 4 e 5) foram considerados inferiores aos observados por Costas et al. (2014),
em estudo realizado para caracterizar o carvão de cinco espécies do Cerrado, os valores
médios variaram de 18 a 14,4% para o teor de materiais voláteis, de 77,2 a 81% para o teor
de carbono fixo e de 2,4 a 5,2 para o teor de cinzas.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
105
Pode-se notar acréscimo do poder calorífico superior do carvão vegetal obtido da ma-
deira de Xylopia aromatica, Mouriri pusa e Diospyros hispida com o aumento da temperatura
final de carbonização, isto ocorreu devido o teor de carbono fixo ter sido maior e o teor de
materiais voláteis menor na marcha de carbonização de 550°C. De acordo com Brand (2010)
o poder calorífico é afetado pelos teores de carbono fixo e voláteis.
Silva et al. (2020) caracterizaram o carvão vegetal proveniente da madeira de cinco
espécies do Cerrado e observaram para o poder calorífico superior do carvão vegetal valores
médios entre 7438,21 e 6904,62 kcal/kg-¹ para temperatura final de carbonização de 500°C
e de 7542,66 a 7224,82 kcal/kg-¹ para a temperatura final de 550°C. Os valores médios para
o poder calorífico superior do carvão vegetal obtidos nesta pesquisa para a madeira das três
espécies foram considerados próximos aos observados pelos autores supracitados.
Observa-se na Figura 1-C correlação positiva entre o poder calorífico superior e o teor
de carbono fixo. Segundo Silva et al. (2018) existe uma correlação positiva entre o teor de
carbono fixo e o poder calorífico superior do carvão vegetal, o que comprova a correlação
entre estes parâmetros nesta pesquisa para carvão vegetal da madeira das três espécies e
respectivas marchas de carbonização.

CONCLUSÃO

O carvão vegetal proveniente da madeira de Xylopia aromatica e Diospyros hispida


apresenta grande potencial energético. De maneira geral, foi constatada influência signifi-
cativa da temperatura final de carbonização na qualidade energética carvão vegetal.
Observaram-se correlações positivas entre as características de densidade básica da
madeira e densidade aparente do carvão vegetal; teores de materiais voláteis e carbono fixo
e por fim entre o poder calorífico superior e carbono fixo do carvão vegetal.
Ao considerar o teor de carbono fixo, o rendimento gravimétrico e o teor de materiais
voláteis como as principais características relacionadas ao poder calorífico superior do car-
vão vegetal de Xylopia aromatica e Diospyros hispida, define-se como mais apropriada a
marcha de carbonização de 550°C.

REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-1762-84: standard
method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia, 2007. 2 p.

2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: standard test
methods for specific gravity of wood and wood-based materials. Philadelphia, 2005. 8 p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
106
3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9156: determinação da
densidade relativa aparente, relativa verdadeira e porosidade: método de ensaio. Rio
de Janeiro, 1985. 8 p.

4. BRAND, M. A. Energia de Biomassa Florestal. Ed. Interciência. Rio de janeiro, 2010.

5. COSTA, G. T.; BIANCHI, M. L.; DE PROTÁSIO, P. T.; TRUGILHO, P. F.; PEREIRA, A.


J. Qualidade da madeira de cinco espécies de ocorrência no cerrado para produção
de carvão vegetal. Cerne, v. 20, n. 1, 2014.

6. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍTISCA – IBGE. Produção da


extração vegetal e da silvicultura. V. 29, 54p., Brasil, 2014.

7. INDÚSTRIA BRASILEITA DE ÁRVOES – IBÁ. Relatório 2019. Brasília. v.80p. 2019.

8. JESUS, M. S. D. et al. Caracterização energética de diferentes espécies de Eucalyptus.


Floresta, Curitiba, PR. v. 47, n. 1, p. 11-16, jan./mar. 2017.

9. NEVES, T. A. et al. Avaliação de clones de Eucalyptus em diferentes locais visando


à produção de carvão vegetal. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 31, n. 68,
p. 319 – 330, 2011.

10. PEDROSO, L. L. A. et al. Demandas atuais e futuras da biomassa e da energia reno-


vável no Brasil e no mundo/Current and future demands for biomass and renewable
energy in Brazil and worldwide. Brazilian Journal of Development, v. 4, n. 5, p. 1980-
1996, 2018.

11. PEREIRA, B. L. C. et al. Efeito da carbonização da madeira na estrutura anatômica


e densidade do carvão vegetal de Eucalyptus. Ciência Florestal, v. 26, n. 2, p. 545-
557, 2016.

12. PROTÁSIO, P. T. et al. Avaliação da qualidade do carvão vegetal de Qualea parviflora.


Pesquisa Florestal Brasileira, v. 31, n. 68, p. 295-307, 2011.

13. SANTOS, R. C. S. et al. Influência das propriedades químicas e da relação siringil/


guaiacil da madeira de eucalipto na produção de carvão vegetal. Ciência Florestal,
v. 26, n. 2, p. 657-669, 2016.

14. SILVA, R. C. et al. Effect of the final carbonization temperature on the quality of five
species of cerrado. Floresta, v. 50, n. 4, p. 1902-1911, 2020.

15. SILVA, R. C. et al. Influência da temperatura final de carbonização nas características


do carvão vegetal de espécies tropicais. Pesquisa Florestal Brasileira, 2018. v. 38.
p. 1-10, dez. 2018.

16. SILVEIRA, L. H. C. et al. Teor de umidade e densidade básica da madeira de nove


espécies comerciais amazônicas. Acta Amazônica, Manaus, v. 43, n. 2, p.179 – 184,
2013.

17. VIEIRA, R. S. et al.. Influência da temperatura no rendimento dos produtos da carboni-


zação de Eucalyptus microcorys. Revista Cerne, Lavras, v. 19, n. 1, p. 59-64, set. 2013.

18. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
107
19. WASTOWSKI, A. D. Química da madeira.1 ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência,
2018. 566p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
108
08
Resíduos florestais de área de substituição
de uso do solo como alternativa
bioenergética

Renata Carvalho da Silva Thatiele Pereira Eufrazio


Universidade Federal do Paraná - UFPR Universidade Federal do Tocantins - UFT

Matheus Ximenes Leão Vieira Wagner Ferreira Coelho de Oliveira


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Raquel Marchesan Carla Jovania Gomes Colares


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Karolayne Ferreira Saraiva Priscila Bezerra de Souza


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Guilherme Henrique Carvalho Vieira Dimas Agostinho da Silva


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Paraná - UFPR

'10.37885/221010687
RESUMO

O objetivo desse estudo foi produzir e avaliar o carvão vegetal de três espécies nativas do
Cerrado provenientes de resíduos da prática de substituição de uso do solo para implantação
de pastagem na região sul do estado do Tocantins. As madeiras obtidas foram das espécies
Heliocarpus popayanensis Kunth (pau-jangada), Pterodon emarginatus Vogel. (sucupira-
-branca) e Jacaranda mimosifolia D.Don. (jacarandá), respectivamente. Primeiramente foi
determinada a densidade básica da madeira, calculada pelo método da balança hidrostá-
tica. O carvão vegetal foi produzido por meio do processo de pirólise da madeira em um
forno tipo mufla adaptado para captação do licor pirolenhoso, em que foram utilizadas duas
marchas com temperaturas finais de 500°C e 550°C. Determinou-se a densidade aparente,
a análise química imediata (AQI) do carvão vegetal, e por fim calculou-se o poder calorífico
superior. Os teores de materiais voláteis das espécies Pterodon emarginatus (21,46%) e
Jacaranda mimosifolia (22,45%) encontraram-se dentro do recomendado pela literatura
para carvão de boa qualidade. Os teores de carbono fixo e cinzas e o poder calorífico
superior também foram considerados satisfatórios para Pterodon emarginatus (77,71%,
0,43% e 7519,68 kcal/kg) e Jacaranda mimosifolia (76,34%, 1,15% e 7474,32 kcal/kg),
com potencial para geração de energia. Recomenda-se para produção de carvão vegetal
as madeiras de Pterodon emarginatus e Jacaranda mimosifolia na temperatura final de
carbonização de 550°C.

Palavras-chave: Carvão Vegetal, Cerrado, Pirólise da Madeira.


INTRODUÇÃO

A madeira ainda é o produto de maior comercialização da floresta e dentre os produtos,


o carvão vegetal possui uma posição de destaque na geração de energia (SILVA et al., 2018).
Dados da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) (2017), apontam
a madeira como a mais importante fonte de energia renovável, respondendo por cerca de
6% da oferta global de energia primária.
O Brasil lidera em absoluto a produção de aço utilizando o carvão vegetal como agente
biorredutor, resultando no aço verde. As maiores produtoras de médio e grande porte de
ferro-gusa, ferro liga e de aço no Brasil utilizam o carvão vegetal em seus processos produti-
vos, consumindo aproximadamente 90% de toda produção nacional (MATA NATIVA, 2022).
O Tocantins é um dos estados brasileiros com maior área coberta pelo domínio Cerrado
com 182.640 km², cerca de 72% de cobertura com vegetação nativa preservada, constituin-
do um dos maiores remanescentes desse domínio (MMA, 2015). A forma mais extensa, o
cerrado sensu stricto, ocupa aproximadamente 65% da área geográfica do Bioma e caracte-
riza-se pela presença de árvores baixas, inclinadas, tortuosas, com ramificações irregulares
e retorcidas (CANDIDO et al., 2019).
As formações savânicas, onde estão inseridas as áreas de cerrado sensu stricto ge-
ralmente ocupam terrenos planos de solos profundos ideais à agricultura mecanizada que
propícia a conversão de áreas naturais em lavouras e pastagens (FERREIRA et al.,2017).
Resultado disso, é que essas formações perderam 64 milhões de hectares representando
47,84% de sua cobertura vegetal original, tal cenário é a maior taxa de desmatamento anual
dentre todos os biomas brasileiros, liderados pelos estados do Maranhão, Bahia e Tocantins
(FERREIRA et al., 2017). Nas atividades madeireiras a geração de resíduos florestais se
diferencia de acordo com a espécie e a exploração utilizada. Em florestas submetidas ao
manejo florestal, durante o desenvolvimento das atividades pré-exploratórias, uma quan-
tidade expressiva de biomassa é deixada na floresta (CORDEIRO, 2018). De acordo com
Silva et al. (2020) no estado do Tocantins ainda são muito utilizadas madeiras de espécies
nativas para produção de carvão vegetal, devido ao aproveitamento de resíduos gerados
na supressão de florestas por meio de licenciamento ambiental para áreas de substituição
de uso do solo.
No estado apenas 11% das florestas que são suprimidas por meio de licenciamento
ambiental são aproveitadas e, em sua grande maioria, para produção de carvão vegetal.
Devido a este fato é necessário fomentar pesquisas científicas com espécies florestais do
Cerrado para avaliar as características energéticas do carvão vegetal e assim aumentar o
percentual de reaproveitamento destas florestas que irão se tornar resíduos inutilizados.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
111
Mediante a importância de estudar carvão vegetal com intuito de maior aproveitamento
das florestas nativas que serão suprimidas no bioma Cerrado, esta pesquisa teve por objeti-
vo produzir e avaliar o carvão vegetal de três espécies nativas do Cerrado provenientes de
resíduos da prática de substituição de uso do solo para implantação de pastagem na região
sul do estado do Tocantins.

MÉTODOS

Localização e características da região de coleta da madeira

As amostras de madeiras nativas do cerrado sensu stricto utilizadas neste trabalho


foram coletadas de árvores abatidas em área de substituição do uso do solo na Fazenda da
Universidade Federal do Tocantins campus de Gurupi, TO, que se encontra nas coordenadas
geográficas: 11º43’45’’ Sul, S e 49º04’07’’ Oeste, respectivamente.
As espécies avaliadas foram: Heliocarpus popayanensis Kunth (pau-jangada), Pterodon
emarginatus Vogel. (sucupira-branca) e Jacaranda mimosifolia D.Don. (jacarandá). A escolha
das espécies foi definida de acordo com a distribuição residual das mesmas na área de co-
leta. O experimento foi desenvolvido no Laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos
Florestais I da Universidade Federal do Tocantins, campus de Gurupi.

Amostragem

Foram selecionadas três árvores de cada espécie pelo método de amostragem aleatória
simples conforme Wastowski (2018). As toras coletadas em campo foram processadas para
a confecção de doze corpos de prova selecionados de forma homogênea para cada uma das
três espécies em estudo, totalizando 36 corpos de prova com dimensões aproximadas de
2,0 x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento). Para o estudo foram realizados dois
tratamentos sendo doze corpos de prova para cada espécie avaliada, com seis repetições
para cada marcha de carbonização (500 e 550°C), respectivamente. Os mesmos corpos de
provas foram utilizados para todos os testes realizados neste estudo.

Propriedade física da madeira

A densidade básica da madeira foi determinada pelo método da balança hidrostática,


conforme a norma ASTM D-2395 (ASTM,2005).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
112
Propriedades energéticas do carvão vegetal

Antes do processo de carbonização os corpos de prova foram secos em estufa a 103°C


± 2°C até o peso constante. As amostras foram carbonizadas em forno elétrico tipo mufla
com controle da temperatura final programada e o controle de temperatura foi realizado em
duas diferentes marchas de carbonização (Tabela 1).

Tabela 1. Temperatura e tempo em função da marcha de carbonização.

Temperatura (°C)
Marcha T. A. (°C/min) Tempo Total
150 200 250 350 450 500 550
1 1h 1h 1h30 1h30 1h 1h - 1,2 7h
2 1h 1h 1h30 1h30 30min 30min 30min 1,4 6h30
Nota: T. A.: Taxa de aquecimento.
Fonte: Silva et al. (2020).

A densidade aparente do carvão foi determinada com base a norma NBR 9156 (ABNT,
1985). A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma D 1762-84
(ASTM, 2007) em que se determinou os teores de material voláteis, carbono fixo e cinzas
do carvão. O poder calorífico foi calculado segundo Vale et al. (2002).

Análises estatísticas dos dados

Os dados obtidos foram avaliados estatisticamente seguindo o delineamento inteira-


mente casualisado (DIC) com arranjo em fatorial 3 x 2, três espécies e duas marchas de
carbonização. Primeiramente foi realizado o teste de normalidade que, depois de constatada,
prosseguiu-se para a análise das variâncias (ANOVA). Observando diferenças significativas
entre os tratamentos utilizou-se o teste de Tukey para comparação das médias ao nível de
5% de probabilidade.

RESULTADOS

Propriedade energética da madeira

Na Tabela 2 encontram-se os valores médios de densidade básica da madeira das


espécies Heliocarpus popayanensis, Jacaranda mimosifolia e Pterodon emarginatus.
Observa-se diferenças significativas (p≥0,05) entre as espécies, em que a Pterodon
emarginatus apresentou o maior valor médio (0,73 g/cm3) e a espécie Heliocarpus popaya-
nensis o menor valor (0,31 g/cm3) para densidade básica da madeira (Tabela 2).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
113
Tabela 2. Valore médios de densidade básica da madeira das espécies Heliocarpus popayanensis, Jacaranda mimosifolia
e Pterodon emarginatus.

Espécies Densidade básica (g/cm³) P


Heliocarpus popayanensis 0,31a (3,51)
Jacaranda mimosifolia 0,64 b (6,11) 239,62*
Pterodon emarginatus 0,73 c (7,13)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05). Va-
lores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Propriedades energéticas do carvão vegetal

Na Tabela 3 estão apresentados os valores médios para densidade aparente do car-


vão vegetal da madeira de Heliocarpus popayanensis, Jacaranda mimosifolia e Pterodon
emarginatus e para marchas de carbonização com temperatura final de 500 e 550°C,
respectivamente.
Pode-se observar diferenças estatísticas significativas entre as três espécies, entre as
marchas de carbonização e a interação entre os dois fatores pelo fato de as espécies terem
sido afetadas pelas marchas de carbonização para a densidade aparente do carvão vegetal
ao nível de 5% de probabilidade. A maior média obtida foi para a Pterodon emarginatus
(0,55 g/cm³) e a menor média foi para a Heliocarpus popayanensis (0,25 g/cm³), na marcha
com temperatura final de carbonização de 500°C. Na marcha de carbonização de 550°C, o
maior valor médio encontrado foi para a Pterodon emarginatus (0,53 g/cm³) e o menor valor
médio foi também para Heliocarpus popayanensis (0,25 g/cm³) (Tabela 3).

Tabela 3. Valores médios de densidade aparente (Da) do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis
Pterodon emarginatus, Jacaranda mimosifolia e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
Heliocarpus popayanensis 0,25 aA (4,58) 0,25 aA (4,21)
Da (g/cm³) Pterodon emarginatus 0,55 cB (1,31) 0,53 cA (2,07) 11,38*
Jacaranda mimosifolia 0,49 bA (2,86) 0,51 bB (2,67)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Os valores médios dos teores de materiais voláteis do carvão vegetal das madeiras
das três espécies avaliadas e para marchas de carbonização de 500 e 550ºC encontram-se
na Tabela 4. Pode-se observar diferenças estatísticas significativas entre as três espécies,
as marchas de carbonização e a interação entre os dois fatores pelo fato de as espécies
terem sido afetadas pelas marchas de carbonização para os teores de materiais voláteis do
carvão vegetal ao nível de 5% de probabilidade.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
114
Tabela 4. Valores médios do teor de materiais voláteis (MV) do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis
Pterodon emarginatus, Jacaranda mimosifolia. e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
Heliocarpus popayanensis 29,34 cB (5,65) 22,8 aA (12,71)
MV (%) Pterodon emarginatus 25,47 bB (9,15) 21,46 aA (14,10) 14,94*
Jacaranda mimosifolia 21,78 aA (4,37) 22,45 aA (1,96)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Na Tabela 5 pode-se observar os valores médios para o teor de carbono fixo do


carvão vegetal das madeiras das três espécies avaliadas e para marchas de carboniza-
ção de 500 e 550ºC.
Em relação ao teor de carbono fixo pode-se observar que houve diferenças significativas
entre as três espécies, marchas de carbonização e interação entre os dois fatores uma vez
que o teste F apresentou-se significativo ao nível de 5% de probabilidade. Os coeficientes
de variação encontram-se abaixo de 7% evidenciando assim a homogeneidade dos dados.

Tabela 5. Valores médios do teor de carbono fixo (CF) do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis
Pterodon emarginatus, Jacaranda mimosifolia e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
Heliocarpus popayanensis 64,22 aA (2,29) 69,25 aB (4,19)
CF (%) Pterodon emarginatus 73,71 bA (3,16) 77,71 cB (3,88) 12,28*
Jacaranda mimosifolia 77,21 cA (1,30) 76,34 bA (0,62)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Na Tabela 6 encontram-se os valores médios para o teor de cinzas do carvão vegetal


das madeiras das três espécies avaliadas e para marchas de carbonização de 500 e 550ºC.
Nota-se em relação ao teor de cinzas que houve diferenças significativas entre as três
espécies, porém não houve para marchas de carbonização e a interação entre os dois fato-
res, uma vez que o teste F não apresentou-se significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Tabela 6. Valores médios do teor de cinzas do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis Pterodon
emarginatus, Jacaranda mimosifolia e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Espécie Cinzas (%) F
Heliocarpus popayanensis 4,30 c (20,32)
Pterodon emarginatus 0,43 a (27,31) 188,29*
Jacaranda mimosifolia 1,15 b (22,70)
Temperatura (°C) Cinzas (%) F
500 1,91 a (47,46)
0,32ns
550 2,01 a (49,0)
Interação Cinzas (%) F
Espécie x Temperatura - 0,27 ns
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
115
Na Tabela 7 observa-se os valores médios para o poder calorífico superior do carvão
vegetal das madeiras das três espécies avaliadas e para marchas de carbonização de 500
e 550ºC, respectivamente.
Nota-se diferenças estatísticas significativas entre as três espécies, entre as marchas
de carbonização e a interação entre os dois fatores pelo fato de as espécies terem sido
afetadas pelas marchas de carbonização para o poder calorífico do carvão ao nível de 5%
de probabilidade.

Tabela 7. Valores médios de poder calorífico superior (PCS) do carvão vegetal das madeiras de Heliocarpus popayanensis
Pterodon emarginatus, Jacaranda mimosifolia e para marchas de carbonização de 500 e 550°C.
Marchas de Carbonização
Parâmetros Espécies F
500°C 550°C
Heliocarpus popayanensis 7070,94 aA (0,69) 7238,39 aB (1,33)
PCS (kcal/kg) Pterodon emarginatus 7386,79 bA (1,05) 7519,68 cB (1,33) 16,2*
Jacaranda mimosifolia 7503,15 cB (0,44) 7474,32 bA (0,21)
Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula coluna não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05).
Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). * Significativo ao nível de 5% de probabilidade.

DISCUSSÃO

Propriedade física da madeira

Corrigir para: “Pode-se observar que a madeira de Heliocarpus popayanensis e


Jacaranda mimo-sifolia apresentaram-se como sendo de baixa densidade (< 0,55 g/cm³),
já a madeira de Pterodon emarginatus foi classificada como sendo de média densidade (>
0,55 e < 0,73 g/cm³). De acordo com Silveira et al. (2013), as madeiras são classificadas
em: madeiras eves ou de baixa densidade (<0,55 g/cm³), média densidade (entre 0,55 e
0,72 g/cm³) e madeiras pesadas ou de alta densidade (>0,73 g/cm³).
A densidade da madeira é um dos índices mais importantes a ser avaliado, devido a
interferência em diversas propriedades da madeira, podendo até limitar o seu uso, conforme
a finalidade. Segundo Santos et al. (2016) a densidade básica da madeira é um parâmetro
referencial para a seleção de espécies florestais indicadas para produção de energia por
queima direta e para a produção de carvão vegetal.

Propriedades energéticas do carvão vegetal

Nota-se para a densidade aparente do carvão vegetal da madeira de Pterodon emar-


ginatus maior valor médio quando comparado com as demais espécies avaliadas (Tabela
3). De modo geral, madeiras de alta densidade também apresentam maior densidade apa-
rente do carvão vegetal (SANTOS et al., 2016 e SILVA et al., 2020). Esta relação também
foi observada nesta pesquisa.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
116
Segundo Silva et al. (2020) a qualidade do carvão vegetal depende da densidade
aparente do carvão. O carvão vegetal da madeira de Pterodon emarginatus neste estudo
apresentou potencial para produção de energia ao se observar sua densidade aparente,
pois foi considerada média.
Costa et al. (2014) avaliaram espécies do Cerrado na temperatura final de carboniza-
ção de 450ºC e observaram variação de 0,26 a 0,48 g/cm-3 para a densidade aparente do
carvão vegetal. Silva et al. (2020) obtiveram valores médios na temperatura final de carboni-
zação a 500 e 550°C variando entre 0,51 a 0,53 g/cm-3 para densidade aparente do carvão
vegetal da madeira de cinco espécies nativas do cerrado sensu stricto. Valores próximos
aos observados neste estudo para o carvão vegetal da madeira de Pterodon emarginatus.
Nota-se que com o aumento da temperatura final de carbonização houve um decrés-
cimo no teor de materiais voláteis do carvão vegetal (Tabela 4). Fato este observado por
Figueiredo et al. (2018) e Silva et al. (2020) em que os autores afirmam que a temperatura
e a taxa de aquecimento são parâmetros que interferem diretamente no percentual de vo-
láteis nos materiais.
O teor de materiais voláteis do carvão vegetal das madeiras de Pterodon emargina-
tus e Jacaranda mimosifolia encontram-se dentro do recomendado para uso na indústria
siderúrgica na marcha de carbonização de 550°C (Tabela 4). Santos et al. (2016) cita que
os valores médios ideais para o teor de materiais voláteis do carvão vegetal devem variar
entre 20 e 25% e que porcentagens inferiores a 25% são desejadas para o uso siderúrgico.
Observa-se que o teor de carbono fixo na marcha de carbonização de 500°C não
apresentou valores médios recomendados para o carvão vegetal da madeira de Heliocarpus
popayanensis (Tabela 5). A temperatura final de carbonização de 550°C apresentou valo-
res aceitáveis para o teor de carbono fixo do carvão vegetal de Pterodon emarginatus e
Jacaranda mimosifolia (Tabela 5). Combustíveis com teores elevados de carbono fixo são
preferíveis para o uso siderúrgico, devido à estabilidade térmica e elevado poder energético
(NEVES et al., 2011).
Para os teores de cinzas, foram observados valores médios aceitáveis para o carvão
vegetal de Pterodon emarginatus e Jacaranda mimosifolia (Tabela 6). Silva et al. (2020)
estudaram cinco espécies nativas do cerrado sensu stricto e observaram para o teor de
cinzas do carvão vegetal médias entre 0,55% a 11,61%, respectivamente.
Observa-se que com acréscimo na temperatura final de carbonização houve um aumen-
to no poder calorífico superior devido ter ocorrido redução de voláteis e aumento no carbono
fixo (Tabela 7). Este mesmo fato foi observado por Silva et al. (2020). Os mesmos autores
relataram que uma possível explicação para este fato ter ocorrido é devido ao teor carbono
fixo aumentar com aumento da temperatura final de carbonização (SILVA et al., 2018).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
117
Costa et al. (2014) encontraram valores médios de poder calorífico entre 7135 à 7730
kcal/kg para cinco espécies do Cerrado. Silva et al. (2020) observaram para o poder calorífico
superior do carvão vegetal de cinco espécies do cerrado sensu stricto valores médios entre
6904,62 a 7438,21 kcal/kg para temperatura final de carbonização de 500°C e de 7224,82
a 7542,66 kcal/kg na marcha de carbonização de 550°C, respectivamente. Estes valores
foram próximos ao observado para de Pterodon emarginatus e Jacaranda mimosifolia.

CONCLUSÃO

Diante do exposto conclui-se que:


Os carvões vegetais provenientes da madeira de Pterodon emarginatus e Jacaranda
mimosifolia apresentam potencial para fins energéticos. De maneira geral, foi constata-
da influência significativa da temperatura final de carbonização na qualidade energética
carvão vegetal.
Ao considerar o teor de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas como os principais
parâmetros relacionados ao poder calorífico superior do carvão vegetal, recomenda-se as
madeiras de Pterodon emarginatus e Jacaranda mimosifolia para produção de carvão ve-
getal na marcha de carbonização de 550°C.

REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-1762-84: standard
method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia, 2007. 2 p.

2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: standard test
methods for specific gravity of wood and wood-based materials. Philadelphia, 2005. 8 p.

3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9156: determinação da


densidade relativa aparente, relativa verdadeira e porosidade: método de ensaio. Rio
de Janeiro, 1985. 8 p

4. CACHOEIRA, J. N. et al. Mercado interestadual de carvão vegetal no estado do To-


cantins. Revista Verde, Pombal, Paraíba, v. 14, n.2, abr.-jun, p.258-265, 2019.

5. COSTA, G. T. et al. Qualidade da madeira de cinco espécies de ocorrência no cerrado


para produção de carvão vegetal. Cerne, v. 20, n. 1, 2014.

6. CORDEIRO, I. M. C. C. et al. Aproveitamento dos resíduos lenhosos: uma alternativa


sustentável para projetos de manejo florestal. 9° Fórum Internacional de Resíduos
Sólidos. Porto Alegre, 2018.

7. EPE - Empresa de Pesquisa Energética (Brasil). Balanço Energético Nacional (BEN)


2019: Ano base 2018 / Empresa de Pesquisa Energética. – Rio de Janeiro: EPE,
2019. 292 p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
118
8. FAO. Wood energy. 2017. Avaliable from: <http://www.fao.org/ forestry/energy/en/>.
Access on: 30 outubro 2022.

9. FIGUEIREDO, M. E. O. et al. Potencial da madeira de Pterogyne nitens tul. (madeira-


-nova) para produção de carvão vegetal. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 28, n. 1,
p. 420-431, jan.- mar., 2018.

10. FERREIRA, R. Q. S.; CAMARGO, M. O.; TEIXEIRA, P. R.; DE SOUZA, P. B.; DE SOU-
ZA, D. J. Diversidade florística do estrato arbustivo arbóreo de três áreas de cerrado
sensu stricto, Tocantins. DESAFIOS, v. 4, n. 2, p. 69-82, 2017.

11. MATA NATIVA. Madeira Para Geração de Energia Verde. Disponível em: < https://
matanativa.com.br/madeira-para-geracao-de-energia-verde/>Acesso em: 29 de se-
tembro de 2022.

12. NEVES, T. A. et al. Avaliação de clones de Eucalyptus em diferentes locais visando


à produção de carvão vegetal. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 31, n. 68,
p. 319 – 330, 2011.

13. SANTOS, R. C. S. et al. Influência das propriedades químicas e da relação siringil/


guaiacil da madeira de eucalipto na produção de carvão vegetal. Ciência Florestal,
v. 26, n. 2, p. 657-669, 2016.

14. SILVA, R. C. et al. Effect of the final carbonization temperature on the quality of five
species of cerrado. Floresta, v. 50, n. 4, p. 1902-1911, 2020.

15. SILVA, R. C. et al. Influência da temperatura final de carbonização nas características


do carvão vegetal de espécies tropicais. Pesquisa florestal brasileira Colombo, v.
38, e201801573, p. 1-10, 2018.

16. SILVEIRA, L. H. C. et al. Teor de umidade e densidade básica da madeira de nove


espécies comerciais amazônicas. Acta Amazônica, Manaus, v. 43, n. 2, p.179 – 184,
2013.

17. VALE, A. T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de material volátil.
Revista Brasil Florestal, n. 73, 2002.

18. WASTOWSKI, A. D. Química da madeira.1 ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência,


2018. 566p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
119
09
Clone de Eucalyptus spp. como alternativa
para florestas energéticas na região Sul
do Tocantins

Bruno Ferreira Chaves Guilherme Miranda Fernandes Reis


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Renata Carvalho da Silva Pedro Licio Loiola


Universidade Federal do Paraná - UFPR Universidade Federal do Tocantins - UFT

Raquel Marchesan Morgana Cristina França


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Karolayne Ferreira Saraiva Vanessa Coelho Almeida


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

Wagner Ferreira Coelho de Oliveira Carla Jovania Gomes Colares


Universidade Federal do Tocantins - UFT Universidade Federal do Tocantins - UFT

'10.37885/220910334
RESUMO

O objetivo desta pesquisa foi avaliar a qualidade energética da madeira e do carvão vegetal do
clone de E. urophylla x E. grandis, de um plantio na região Sul do Tocantins. Para a caracte-
rização da madeira foram utilizadas árvores com 11 anos de idade, seccionadas em toras da
base, diâmetros a altura do peito e topo. A madeira de E. urophylla x E. grandis apresentou
potencial para produção de energia, pois a densidade básica média, embora considerada bai-
xa (482,00 kg m-3) está próxima à recomendada pela literatura para sua utilização. Os valores
médios de De (2123,86 kcal m-3), Ec (71,61 kg m-3), MV (84,71%), CF (14,89%), Cz (0,41%)
e PCS (4413,68 kcal kg-1) da madeira apresentaram médias dentro do recomendado para
a utilização da madeira na geração de energia. O carvão de E. urophylla x E. grandis
apresentou Da (331,14 kg m-3) e De (2086,68 kcal m-3) dentro do recomendado na marcha
de carbonização de 500°C. Já, os teores de MV (37,71 %), CF (61,70%), Cz (0,60%) e o
poder calorífico superior (6988,39 kcal kg-1) do carvão apresentaram-se satisfatórios para a
produção de energia na marcha de carbonização de 600°C. Assim sendo, tanto a madeira
quanto o carvão vegetal da espécie E. urophylla x E. grandis na marcha de carbonização
de 600°C apresentaram potencial para geração de energia.

Palavras-chave: Poder Calorífico Superior, Rendimento em Carbono Fixo, Taxa de Aquecimento.


INTRODUÇÃO

O Brasil atualmente é líder mundial no setor de carvão vegetal sendo representado


em cerca de 12% da produção por florestas plantadas, que mantém constância e registram
5,1 milhões de toneladas consumidas apresentando crescimento de 3,7% no total no ano
de 2019 (IBÁ, 2020). Os principais polos consumidores no Brasil estão na região sudeste,
nordeste e centro-oeste. Atualmente, das 180 unidades produtoras de aço, ferro-gusa e ferro
liga que utilizam o carvão vegetal em seus fornos para o processo de produção, o estado
de Minas Gerais se destaca com mais de 40% das empresas consumidoras (IBÁ, 2020).
O Cerrado é o segundo bioma que mais sofreu alterações em suas fitofisionomias na-
turais, ficando atrás da Mata Atlântica, no qual vem se degradando por expansão agrícola,
pastagens e exploração do material lenhoso para produção de carvão vegetal. Estima-se que
o Cerrado possui em torno de 20% a menos da sua composição original, comprometendo fun-
ções ecológicas e levando a extinção de espécies endêmicas da região (ZEFERINO, 2018).
Apesar da grande expansão agrícola no Tocantins, ainda existem áreas consideradas
passíveis de desmatamento no estado, com isto, pressupõe que o extrativismo madeireiro
é vigoroso, podendo causar alterações significativas na composição do bioma Cerrado
(SEMADES, 2014).
Dentre as espécies e clones que são utilizadas em florestas plantas no estado do
Tocantins, o clone E. urophylla x E. grandis se destaca em diversas regiões (DUARTE
et al., 2020). A mesorregião de Gurupi, situado na porção sul do estado possui 27% da
área plantada de Eucalyptus, valor inferior apenas para as mesorregiões de Araguaína e
Bico do Papagaio, inserida na porção norte, representando 44% de área cultivada, demos-
trando grande potencial para atender as siderúrgicas do estado do Maranhão e Pará, além
de suprimir a demanda de madeira abastecendo a indústria de celulose do município de
Imperatriz – MA (DUARTE et al., 2020).
Diante deste contexto, o Tocantins é um potencial produtor de carvão vegetal e existem
oportunidades a serem implementadas para suprir demandas e preço da matéria prima em
cenário nacional, apesar de não ter grande polo siderúrgico e indústria de papel e celulose
no estado, o aumento da fiscalização pelos órgãos ambientais sobre os recursos florestais
tende a diminuir a extração ilegal e a extensão territorial tende a fomentar os plantios co-
merciais (DUARTE et al., 2020).
Dentro deste cenário e suas perspectivas, uma alternativa promissora é a composição
de florestas plantadas com espécies que tenham potencial para produção da biomassa
energética, afim de aproveitamentos de resíduos orgânicos, fontes de energias renováveis,
produtos e subprodutos sustentáveis, possibilitando novas formas para a substituição dos

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
122
combustíveis fósseis, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa e exploração intensiva
dos recursos naturais (SIEBENEICHLER et al., 2017).
O gênero Eucalyptus, possui ampla variabilidade genética, com mais de 600 espécies,
em que a maioria é adaptada as distintas condições edafoclimáticas, além de técnicas de
manejo em tratos silviculturais e controles de pragas. A madeira (matéria-prima) é destinada
para diversas finalidades como, carvão vegetal, celulose, reflorestamento, estacas, lenha,
painéis de madeira, dentre outros usos (DUARTE et al., 2020).
Na produção do carvão vegetal as características da madeira podem influenciar de
várias formas no rendimento e na qualidade do carvão, que consequentemente podem afe-
tar diretamente o potencial energético, tais como a quantidade de matéria seca, densidade
básica e aparente, teor de cinzas, teor de materiais voláteis, carbono fixo, poder calorífico,
teor de lignina e fibras da parede celular, são variáveis fundamentais para se obter resultados
desejáveis para a produção de energia (NEVES et al., 2011).
Destacam-se alguns parâmetros de importância para análise energética da madeira
e produção de carvão vegetal. A quantidade de calor liberado na queima é expressa pelo
poder calorífico e os teores de lignina e extrativos influenciam diretamente no processo de
combustão. O carbono fixo presente em grande quantidade irá indicar uma queima mais
lenta e, quanto maior o teor de matérias voláteis, a degradação do material será mais acele-
rada. Os materiais inorgânicos formarão as cinzas e não contribuem para ganhos no poder
calorífico (BRUN et al. 2018).
A temperatura final é outro fator de extrema importância no processo de carbonização
e ganhos energéticos, pois os parâmetros de carbonização (tempo, temperatura e taxa de
aquecimento) são essenciais e podem influenciar no rendimento em distintas composições
(sólida, líquida e gasosa), assim, apresentando efeitos nas propriedades químicas, físicas,
mecânicas e anatômicas do carvão vegetal (ARAÚJO et al. 2018).
Portanto, o presente trabalho, teve como objetivo avaliar a qualidade energética da
madeira e do carvão vegetal do clone de E. urophylla x E. grandis, de um plantio na região
Sul do Tocantins, visando o seu potencial para fins energéticos tanto na queima direta como
na produção de carvão.

MÉTODOS

Localização da área

O estudo foi realizado no município de Gurupi no estado do Tocantins. As árvores


foram coletadas no povoamento florestal da Fazenda Água Franca (Fazenda Experimental
da UFT) com área total de 137,8906 hectares, localizada na porção Sul do estado sob as

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
123
coordenadas geográficas latitude: 11°46’19,89” Sul e longitude: 49°03’03,12” Oeste de acordo
com a Figura 1, com base nos dados SIGCAR-TO.

Figura 1. Mapa de localização do plantio de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, em Gurupi – TO.

Ao consultar a base de dados vetoriais contínuos do Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística - (IBGE), referente ao mapeamento na escala de 1:250,000, foi possível identificar
que na região situada do imóvel rural há 01 (uma) tipologia de solo, classificada de ordem
Latossolo, subordem Vermelho-Amarelo, apresenta textura argilosa/argilosa cascalhenta e o
relevo caracteriza-se na maior parte da região como suave ondulado. No local há fragmentos
de vegetação nativas, mas com predominância de pecuária (pastagens) no entorno do talhão
experimental (IBGE, 2020). A precipitação média anual no Tocantins varia de 1.300 mm a
2.100 mm, a temperatura média varia de 25 ºC a 27 ºC. O clima predominante na região no
qual o imóvel está inserido é classificado como (Aw) Semiúmido (SEPLAN, 2012).
O experimento foi conduzido no Laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos
Florestais da Universidade Federal do Tocantins - UFT campus de Gurupi.

Amostragem

As árvores foram coletadas no talhão experimental de um povoamento florestal do


clone de E. urophila x E. grandis com aproximadamente 11 anos de idade e espaçamento
3x2 metros. Foram selecionadas três árvores pelo método de amostragem aleatória simples
conforme Wastowski (2018).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
124
As toras coletadas em campo foram processadas para a confecção de dez corpos de
prova selecionados de forma homogênea, totalizando 50 corpos de prova com dimensões
aproximadas de 2,0 x 2,0 x 5,0 cm (largura x espessura x comprimento). Para o estudo foram
realizados cinco tratamentos sendo dez corpos de prova para cada marcha de carboniza-
ção (400, 450, 500, 550 e 600°C), respectivamente. Os mesmos corpos de provas foram
utilizados para todos os testes realizados neste estudo.

Propriedades energéticas da madeira

Para a determinação do teor de umidade em base seca pela NBR 7190 (ABNT, 1997),
os corpos de prova foram acondicionados à temperatura ambiente. A densidade básica da
madeira foi determinada pelo método da balança hidrostática, baseado na norma ASTM
D-2395 (ASTM, 2005).
A análise da química imediata baseou-se nas normas ASTM D 1762-84 (ASTM, 2007) e
ABNT NBR 8112/83 (ABNT, 1983), em que foram determinados os percentuais de materiais
voláteis (MV), carbono fixo (CF) e cinzas (CZ). O poder calorífico superior da madeira foi es-
timado conforme Ferreira et al. (2014); Channiwala e Parikh (2002). A densidade energética
da madeira foi obtida seguindo a metodologia proposta por Jesus et al. (2017). O estoque de
carbono da madeira por unidade de volume foi calculado de acordo com Protásio et al. (2015).

Propriedades energéticas do carvão vegetal

Para a produção do carvão vegetal foram utilizados 10 corpos de prova para cada tra-
tamento sendo este as marchas de carbonização (400, 450, 500, 550 e 600°C), totalizando
50 corpos de prova. Inicialmente, os corpos de prova foram secos em temperatura ambiente
até atingir a umidade de equilíbrio. Em seguida foram secos em estufa com temperatura de
103 ± 2°C, até atingir a massa constante. As amostras foram carbonizadas em forno elétri-
co tipo mufla, com controle da temperatura final programada e adaptado para recuperar os
gases condensáveis e não condensáveis.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
125
Tabela 1. Temperatura e tempo de carbonização em relação as distintas marchas de carbonização.

Marcha de Temperatura°C T. A. (°C/min) Tempo total


carbonização 150 200 250 350 400 450 500 550 600
1 1h 1h 30min 1h 1h 5 4h30min
2 1h 1h 30min 1h 30min 1h 5 5h
3 1h 1h 30min 1h 30min 30min 1h 5 5h30min
4 1h 1h 30min 1h 30min 30min 30min 1h 5 6h
5 1h 1h 30min 1h 30min 30min 30min 30min 1h 5 6h30min

A recuperação dos gases condensáveis foi realizada através de uma adaptação ao forno
mufla que permite a passagem dos gases por um condensador afim de liquefazê-los em um
composto chamado licor pirolenhoso. Por meio da diferença entre o rendimento gravimé-
trico total em carvão e o rendimento total em licor pirolenhoso foi obtido o rendimento total
em gases não condensáveis. O rendimento total em carvão vegetal é a relação percentual
entre a massa seca do carvão e a massa seca da madeira, obtidos por meio da pesagem
em balança analítica. A densidade aparente do carvão foi determinada com base a norma
da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 9156 (1985).
A composição química imediata foi realizada de acordo com a norma ASTM D 1762-
84 (ASTM, 2007) em que foram determinados os teores de material voláteis, carbono fixo
e cinzas do carvão. Foram calculados o poder calorífico superior baseando-se na metodo-
logia de Vale et al. (2002), densidade energética, estoque de carbono fixo, rendimento em
carbono fixo, rendimento da carbonização e produtividade do carvão vegetal de acordo com
Protásio et al. (2015).

Análises estatísticas dos dados

Os dados obtidos foram avaliados estatisticamente seguindo o delineamento inteira-


mente casualisado (DIC) para o carvão e foi realizada a estatística descritiva para a madeira.
Primeiramente foi realizado o teste de normalidade que, depois de constatada prosseguiu-se
a análise das variâncias (ANOVA). Observando diferenças significativas entre os tratamentos
utilizou-se o teste de Tukey para comparação das médias ao nível de 5% de probabilidade.

RESULTADOS

Propriedades físicas e energéticas da madeira

Na Tabela 2 observa-se a análise descritiva da madeira de Eucalyptus urophylla x


Eucalyptus grandis, onde estão apresentados os valores médios para teor de umidade na

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
126
base seca e densidade básica. Em relação aos coeficientes de variação, eles apresentaram-
-se baixos indicando baixa variação e maior homogeneidade dos dados (Tabela 2).

Tabela 2. Valores médios do teor de umidade (TU) e densidade básica (Db) da madeira de E. urophylla x E. gradis aos
11 anos de idade.

Propriedades físicas da madeira


Análise descritiva da madeira
TU (%) Db (kg m-³)
Média 98,92 482,00
Desvio Padrão 15,19 0,01
Coeficiente de variação (%) 15,36 2,65

Na Tabela 3 encontram-se os valores médios para as análises descritivas dos teores


de materiais voláteis, carbono fixo, cinzas, poder calorífico superior, densidade energética
e estoque de carbono da madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis. Os coe-
ficientes de variação também se encontram baixos para todos os parâmetros, indicando
baixa variabilidade dos dados.

Tabela 3. Valores médios dos teores de materiais voláteis (MV), carbono fixo (CF), teor de cinzas (CZ), poder calorifico
superior (PCS), densidade energética (De) e estoque de carbono (EC) da madeira de E. urophylla x E. gradis aos 11 anos
de idade.

Propriedades energeticas da madeira


Análise descritiva da madeira PCS De Ec
MV (%) CF (%) CZ (%)
(kg m-³) (kg m-³) (kg m-³)
Média 84,71 14,89 0,41 4413,68 2123,86 71,61
Desvio Padrão 1,25 1,24 0,03 58,74 43,92 5,73
Coeficiente de variação (%) 1,47 8,36 6,19 1,33 2,07 8,00

Propriedades energéticas do carvão vegetal

Na Tabela 4 são apresentados os valores do rendimento total em carvão vegetal,


em gases condensáveis e não condensáveis para madeira de E. urophylla x E. gradis nas
marchas de carbonização de 400, 450, 500, 550 e 600°C para o carvão vegetal obtido pelo
processo de pirólise da madeira.
Observa-se para o rendimento total em carvão vegetal o maior valor (34,51%) na
temperatura final de carbonização de 400°C e o menor valor total para temperatura final de
carbonização de 550°C, respectivamente (Tabela 4).
Nota-se para o rendimento total em gases condensáveis que o maior valor (47,82%)
obtido foi na marcha de carbonização de 600°C e o menor valor total (45,05%) foi na marcha
de carbonização de 500°C (Tabela 4). Para o rendimento em gases não condensáveis o
maior valor total (27,72%) observado foi para temperatura final de carbonização de 550°C e a
temperatura final de carbonização de 400°C foi a que apresentou menor valor total (18,92%),
respectivamente (Tabela 4).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
127
Tabela 4. Valores totais em rendimento carvão (RGTotal carvão), em gases condensáveis (RGC) e em gases não condensáveis
(RGNC) do processo de pirólise da madeira de E. urophylla x E. gradis aos 11 anos de idade.

Marchas de carbonização
Rendimentos da carbonização
400°C 450°C 500°C 550°C 600°C
RGTotal carvão (%) 34,51 29,56 29,40 25,08 26,78
RGC (%) 46,57 45,46 45,04 47,19 47,82
RGNC (%) 18,92 24,97 25,56 27,72 25,40

Na Tabela 5, encontram-se os valores médios de densidade aparente, energética, teo-


res de materiais voláteis, carbono fixo, cinzas e poder calorifico superior do carvão vegetal
da madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis nas marchas de carbonização de
400, 450, 500, 550 e 600°C, respectivamente.

Tabela 5. Médias dos valores de densidade aparente (Da), densidade energética (De), teores de materiais voláteis (MV),
carbono fixo (CF), cinzas (CZ) e poder calorífico superior (PCS) do carvão vegetal da madeira de E. urophylla x E. gradis
aos 11 anos de idade.

Propriedades energéticas do carvão vegetal


Marchas de carbonização Da De MV CF Cz PCS
(kg m-³) (kcal m-³) (%) (%) (%) (kcal kg-¹)
242,54 bc 1467,80 c 65,93 a 33,43 e 0,64 a 6043,63 d
400oC
(11,48) (11,87) (1,18) (2,32) (3,65) (0,43)
265,02 bc 1652,75 bc 60,30 b 39,07 d 0,63 ab 6235,65 c
450oC
(2,68) (3,23) (2,32) (3,55) (4,02) (0,73)
331,14 a 2086,68 a ( 58,47 c 41,12 c 0,41 c 6302,35 c
500oC
(8,67) 8,47) (1,00) (1,46) (7,95) (0,31)
272,31 b 53,59 d 45,89 b 0,56 b 6461,15 b
550oC 1759,35 b (9,84)
(9,89) (1,42) (1,57) (7,33) (0,37)
227,06 c 1586,92 bc 37,71 e 61,70 a 0,60 ab 6988,39 a
600oC
(1,90) (2,47) (4,24) (2,52) (10,58) (0,73)
Pr>Fc * * * * *
Legenda: Médias seguidas pela mesma letra minúscula não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05). CV =
coeficiente de variação. * significativo a nível de 5%. ns não significativo.

Foram observadas diferenças estatísticas significativas entre marchas de carboniza-


ção ao nível de probabilidade de 5% em relação à densidade aparente do carvão vegetal
de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis (Tabela 5). Pode-se observar que entre as
temperaturas finais de carbonização a maior média para a densidade aparente do carvão
vegetal foi a da marcha de carbonização de 500°C (331,14 kg m-3) e a menor foi para a
marcha de carbonização de 600°C (227,06 kg m-3) (Tabela 5).
Em relação a densidade energética do carvão vegetal, pode-se observar que houve
diferenças significativas entre as cinco marchas de carbonização uma vez que o teste F apre-
sentou-se significativo ao nível de 5% de probabilidade. Nota-se que entre as cinco marchas
de carbonização a maior média para a densidade energética do carvão vegetal da madeira
da espécie avaliada foi a da temperatura final de 500°C (2086,68 kcal m-3) e a menor foi
para a temperatura final de 400°C (1467,80 kcal m-3) (Tabela 5).
Observam-se diferenças estatísticas significativas entre as marchas de carbonização
para o teor de materiais voláteis do carvão vegetal da madeira de Eucalyptus urophylla x

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
128
Eucalyptus grandis ao nível de 5% de probabilidade. O maior valor médio obtido para o teor
de materiais voláteis do carvão vegetal entre as cinco marchas de carbonização foi para
temperatura final de 450°C (65,93%) e o menor valor médio para temperatura final de 600°C
(37,71%) (Tabela 5).
Constatou-se diferenças significativas (p≥0,05) entre as cinco marchas de carbonização
estudadas para o teor de carbono fixo do carvão vegetal da madeira de Eucalyptus urophylla
x Eucalyptus grandis. Dentre as cinco temperaturas finais de carbonização a maior média
apresentada para o teor de carbono fixo do carvão vegetal avaliado nesta pesquisa foi a
de 600°C (61,70%) e a menor média foi para 400°C (33,43%), respectivamente (Tabela 5).
O teor de cinzas do carvão vegetal apresentou diferenças significativas (p≥0,05) entre
as marchas de carbonização avaliadas nesta pesquisa. Observa-se que a maior média obtida
para o teor de cinzas foi para marcha de carbonização de 400°C (0,64%) e a menor média
foi para a marcha de carbonização com temperatura final de 500°C (0,41%) (Tabela 5).
Foram observadas diferenças estatísticas significativas entre marchas de carboniza-
ção ao nível de probabilidade de 5% em relação ao poder calorífico do carvão vegetal da
madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis. Nota-se que entre as cinco marchas
de carbonização avaliadas a que apresentou a maior média de poder calorífico superior foi
a de 600°C (6988,39 kcal kg-¹) e a menor média foi para a de 400°C (6043,63 kcal kg-¹),
respectivamente (Tabela 5).
Na Tabela 6, encontram-se os valores médios de estoque de carbono, rendimento em
carbono fixo, rendimento gravimétrico unitário, rendimento energético da carbonização e
produtividade em carvão vegetal de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis nas marchas
de carbonização de 400, 450, 500, 550 e 600°C, respectivamente.

Tabela 6. Valore médios de estoque de carbono (EC), rendimento em carbono fixo (RCF), rendimento gravimétrico unitário
(RGunitário), rendimento energético da carbonização (REC) e produtividade em carvão (PC) em carvão vegetal da madeira
de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis aos 11 anos de idade.
Ec RCF RGunitário REC PC
Marchas de carbonização
(kg m-³) (%) (%) (%) (kg m-³)
81,24 c 11,91 c 35,63 a 48,81 a 171,82 a
400
(13,63) (2,81) (0,71) (1,03) (1,99)
103,6 b 13,07 b 33,46 b 47,27 a 163,41 a
450
(5,71) (3,46) (0,49) (0,77) (2,03)
136,06 a 11,97 c 29,11 c 41,56 b 141,88 b
500
(7,79) (3,38) (2,70) (2,80) (2,41)
124,93 a 12,71 b 27,70 d 40,55 b 130,24 c
550
(9,75) (1,99) (2,13) (1,99) (5,75)
140,13 a 15,89 a 25,76 e 40,79 b 125,29 c
600
(4,12) (4,40) (3,76) (3,75) (3,39)
Pr>Fc * * * * *
Legenda: Médias seguidas pela mesma letra minúscula não diferem estatisticamente (Teste de Tukey - P≥0,05). CV = coeficiente de variação.
* significativo a nível de 5%. ns não significativo.

Foram observadas diferenças estatísticas significativas entre marchas de carbonização


ao nível de probabilidade de 5% em relação à estoque de carbono. Pode-se observar que

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
129
entre as temperaturas finas de carbonização a maior média para o estoque de carbono do
carvão vegetal foi a da marcha de carbonização de 500°C (136,06 kg m-3) e a menor foi para
a marcha de carbonização de 400°C (81,24 kg m-3) (Tabela 6).
Em relação ao rendimento em carbono fixo do carvão vegetal pode-se observar que
houve diferenças significativas entre as cinco marchas de carbonização uma vez que o
teste F apresentou-se significativo ao nível de 5% de probabilidade. Nota-se que entre as
cinco marchas de carbonização a maior média para o rendimento em carbono fixo do carvão
vegetal da madeira da espécie avaliada foi a da temperatura final de 600°C (15,89%) e a
menor foi para a temperatura final de 400°C (11,91%) (Tabela 6).
Observam-se diferenças estatísticas significativas entre as marchas de carbonização
para o rendimento gravimétrico unitário do carvão vegetal ao nível de 5% de probabilida-
de. O maior valor médio obtido para o rendimento gravimétrico unitário entre as cinco mar-
chas de carbonização foi para temperatura final de 400°C (35,63%) e o menor valor médio
para temperatura final de 600°C (25,76%) (Tabela 6).
Constataram-se diferenças significativas (p≥0,05) entre as cinco marchas de carbo-
nização estudadas para o rendimento energético da carbonização do carvão vegetal de
Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis. Dentre as cinco temperaturas finais de carbo-
nização a que apresentou maior média para o rendimento energético da carbonização foi a
de 400°C (48,81%) e a menor média foi para 550°C (40,55%), respectivamente (Tabela 6).
A produtividade em carvão vegetal apresentou diferenças significativas (p≥0,05) entre
as marchas de carbonização avaliadas nesta pesquisa. Observa-se que a maior média obtida
para produtividade em carvão vegetal de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis foi para
marcha de carbonização de 400°C (171,82 kcal m-3) e a menor média foi para a marcha de
carbonização com temperatura final de 500°C (125,29 kcal m-3) (Tabela 6).

DISCUSSÃO

Propriedades físicas e energéticas da madeira

Em relação ao teor de umidade inicial da madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus


grandis observa-se valores médios aproximados de 98%. Tais valores encontram-se superio-
res ao recomendado pela literatura que cita que o teor de umidade da biomassa para queima
direta deve ser inferior a 20% (BRAND, 2010). Brand et al. (2013) relatam que quanto maior
a quantidade de água na madeira, menor a taxa de carbonização, aumentando o tempo
necessário para a produção de carvão.
A madeira apresenta classificações em relação a densidade básica, nas quais valores
menores que 500 kg m-3 são consideradas de baixa densidade, entre 500 e 700 kg m-3 médias

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
130
densidade e, aquelas com valores superiores a 700 kg m-3, são consideradas madeiras duras
ou pesadas. A madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis foi classificada como
sendo de baixa densidade básica (Tabela 2). Sendo assim, a capacidade de uma carvoaria
relacionada a ganhos em produção está inteiramente relacionada a densidade da madeira,
pois um determinado volume de forno, irá depender de madeira mais densa resultando em
maior produção (FORTALEZA et al., 2019).
De acordo com Pereira (2012), a densidade básica da madeira é uma propriedade
fundamental na produção de carvão vegetal, devendo possuir média superior a 500 kg m-³.
Neste sentido, a madeira do clone de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, foi clas-
sificada de baixa densidade, porém, apresentou valor médio próximo ao determinado pelo
autor supracitado (482 kg m-³) podendo ser recomendada para a produção em carvão vegetal.
Marchesan et al. (2019) estudaram madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus
grandis aos 8 anos de idade plantados na região sul do Tocantins e observaram valores de
densidade básica da madeira entre 500 e 440 Kg cm-³, respectivamente. Valores próximos
aos obtidos nesta pesquisa para a madeira do clone avaliado aos 11 anos de idade.
Em relação à análise química imediata da madeira, pode-se observar o valor médio de
84,71% em teor de materiais voláteis, Isto indica a facilidade de queima do clone quando
for submetido à altas temperaturas, ou seja, quanto maior for o teor de MV%, mais rápido
é a queima durante o processo de carbonização, podendo diminuir a eficiência energética
da madeira de acordo com (BRAND, 2010).
O valor médio para teor de carbono fixo foi de 14,89%, este dado é muito importante,
pois refere-se a queima da fração sólida do material, espécies que apresentam altos per-
centuais de carbono são preferenciais para produção de carvão de uso siderúrgico, por
apresentar estabilidade térmica e ganhos energéticos. Isso significa que quanto maior o teor
de carbono fixo, maior será os ganhos em tempo de resistência na queima do combustível,
assim, aumentando o poder calorífico da madeira (NEVES et al., 2011).
O teor de cinzas médio encontrado foi de 0,41%, percentual este que representa a
matéria inorgânica que se origina após o processo de queima da madeira, ou seja, é uma
substância residual que fica na forma sólida e tem relação contrária ao poder calorífico su-
perior. Conforme Chaves et al. (2013), em geral para as espécies do gênero Eucalyptus os
teores de cinzas são abaixo de 1%, a madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus gran-
dis apresentou-se inferior ao recomendado pela literatura podendo ser recomendada para
produção de energia. As cinzas estão ligadas ao desenvolvimento e atividades fisiológicas
do vegetal, principalmente nos estágios jovens para juvenis, possuindo diretamente relação
com a quantidade de alburno no material lenhoso (CHAVES et al., 2013).

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
131
O poder calorífico superior médio da madeira foi de 4.413,68 kcal k-3 (Tabela 3). De modo
geral, o poder calorífico representa a quantidade de calorias liberadas durante a queima
de determinada massa ou volume, sendo que a temperatura de carbonização é um dos
fatores que influenciam neste parâmetro. O PCS é caracterizado quando a combustão se
dá a volume constante, na qual durante o processo de combustão a água é condensada
e o calor (energia) derivado da vaporização da água não é perdido, ou seja, é recuperado
(QUIRINO et al., 2005).
Nones et al. (2014) em estudo sobre análise química imediata da madeira para espécie
de E. benthamii em plantios da empresa Floko Florestadora Koeche com 5 anos e plantios
de 13 anos da empresa Klabin, observaram teores de materiais voláteis de (81,47 e 82,74%),
carbono fixo (18,28 e 16,83%), cinzas (0,25 e 0,43%) e poder calorífico superior de (4.067
e 4.194 kcal kg-3), respectivamente. Os valores foram considerados próximos ao observado
para as variáveis estudadas da madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis.
Chaves et al. (2013) avaliaram os valores médios dos teores de materiais voláteis, car-
bono fixo e cinzas da madeira de Eucalyptus urophylla e Eucalyptus grandis, e observaram
teores de materiais voláteis de 83,72%, carbono fixo de 15,90% e cinzas 0,40%, e para o
poder calorífico superior de 4.441 Kcal kg-3. Valores próximos ao observado neste estudo,
podendo assim recomendar a madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis para
geração de energia.
A densidade energética proveniente da madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus
grandis foi de 2.123,86 kcal m-3 (Tabela 4). A densidade energética é um parâmetro muito
importante para quantificar o desempenho da biomassa e analisar o rendimento de queima,
pois demonstra a quantidade de energia em determinado volume de madeira, sendo bas-
tante influenciada por algumas propriedades como lignina, densidade básica, extrativos e
cinzas (BARROS, 2019).
Analisando os resultados encontrados por Jesus et al. (2017) utilizando o híbrido de
Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 6 anos de idade, o valor médio encontrado
pelos autores para a densidade energética de foi de 1.402 kcal m-³, ou seja, relativamente
abaixo do clone em estudo.”.
Deste modo, como mencionado por autores anteriormente, a diferença entre idades
e fatores edafoclimáticos podem ser considerados relevantes para algumas caracterís-
ticas energéticas
O valor médio para estoque de carbono da madeira do clone de Eucalyptus grandis x
Eucalyptus urophylla foi de 71,61 kg m-³ (Tabela 4). Comparando-se este dado com clones
jovens de E. urophylla S. T. Blake e E. grandis W. Hill ex Maiden oriundo de plantios de 4,5
anos da Arcelor Mittal Bioenergia, visando produção em carvão vegetal, Protásio et al. (2015)

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
132
observaram para os clones de Eucalyptus urophylla altos valores de estoque de carbono,
chegando em média a 297 kg m-3.
Embora os autores relatem que a madeira das espécies tem potencial para geração
de bioenergia, destaca-se que a densidade básica e estoque de carbono da madeira não
são parâmetros exclusivos para produção e qualidade do carvão vegetal, visto que fatores
como a produtividade em massa seca, quantidade de lignina e materiais genéticos jovens
também podem influenciar.

Propriedades energéticas do carvão vegetal

Através dos resultados obtidos foi observada uma diminuição no rendimento total em
carvão vegetal à medida que houve o aumento na temperatura final de carbonização (Tabela
4), e aumento no rendimento em gases condensáveis. De acordo com Vieira et al. (2013), o
rendimento gravimétrico é bastante afetado por parâmetros de processo como a temperatura.
Quanto maior a temperatura final, maior o grau de volatilização da matéria orgânica resultando
em um menor rendimento em massa, ocasionando menor rendimento em carvão vegetal,
aumentando assim os rendimentos em líquido pirolenhoso e gases não condensáveis.
O rendimento gravimétrico do carvão vegetal do clone avaliado apresentou valor aceitá-
vel para produção de energia na indústria siderúrgica para temperatura final de carbonização
de 400°C (Tabela 5). De acordo com a norma COPAM 217 (2018) o rendimento gravimétrico
do carvão vegetal para uso na indústria siderúrgica deve ser superior a 30%.
Marchesan et al. (2019) estudaram o carvão vegetal da madeira de Eucalyptus uro-
phylla x Eucalyptus grandis aos 8 anos de idade plantados na região sul do Tocantins e
observaram valores de rendimento total em carvão entre 32,93 e 33,33%, respectivamente.
Valores próximos aos obtidos nesta pesquisa para o carvão vegetal produzido na marcha
de carbonização de 400°C.
Observa-se para rendimento em gases condensáveis e os não condensáveis que com
o aumento da temperatura final de carbonização, ocasionou acréscimo dos gases condes-
sáveis e um aumento em gases não condensáveis (Tabela 5). Uma explicação para isto é
que houve um decréscimo no rendimento em carvão vegetal e consequentemente ocorreu
um aumento nestas variáveis pois estes parâmetros são diretamente relacionados.
Marchesan et al. (2019) avaliaram o carvão vegetal da madeira de Eucalyptus uro-
phylla x Eucalyptus grandis aos 8 anos de idade plantados na região sul do Tocantins e
observaram valores de rendimento em gases condensáveis entre 44,50 e 50% e de gases
não condensáveis variando de 19,05 a 23,58%.
Os rendimentos energéticos da pirólise do clone de Eucalyptus grandis x Eucalyptus
urophylla foram considerados aceitáveis para geração de energia em baixas temperaturas,

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
133
visto que o material genético demostrou rendimento em carvão vegetal acima de 30%,
rendimento em licor próximo a 50% e baixo rendimento em gases não condensáveis na
marcha de carbonização de 400°C (Tabela 5). Os teores em gases condensáveis e não
condensáveis mantiveram-se próximos a média de outras espécies do gênero Eucalyptus.
Para Protásio et al. (2013) é uma vantagem pois evita emissões de gases na atmosfera,
reduzindo a poluição do ar.
As porcentagens de materiais voláteis variaram de 37,71 a 65,93%, em que o menor
valor foi na marcha de temperatura de 600°C (Tabela 6). Os valores corroboram com Santiago
et al. (2005) no estudo sobre o gênero Eucalyptus em diferentes faixas de temperatura, no
qual, eles perceberam que a temperatura de 600°C foi a que obteve um menor percentual
de materiais voláteis. A explicação para este comportamento é que durante o processo de
carbonização, quanto maior a exposição da madeira a elevadas temperaturas, maior será
a intensidade com que as substâncias voláteis se soltam do carvão, afetando diretamente
na sua redução (OLIVEIRA et al. 2010).
Os resultados de densidade aparente para carvão vegetal do presente estudo variaram
de 227,06 a 331,14 kg m-³, sendo que o maior valor ocorreu na marcha de carbonização
com temperatura de 500°C (Tabela 6). Estes valores foram menores que os encontrados
por Oliveira et al. (2010) para Eucalyptus pellita F. Muell. em diferentes marchas de carbo-
nização, sendo de 353 a 385 kg m-³, porém o maior valor também ocorreu na marcha de
carbonização de 500°C.
Analisando características energéticas do carvão vegetal, foi possível observar em tra-
balhos de Vale et al. (2010) e Costa et al. (2014) que clones que apresentaram valores altos
de densidade básica da madeira geraram elevados valores médios de densidade aparente
do carvão vegetal, ocorrendo correlação positivas nestas propriedades.
Os valores de densidade energética variaram de 1.467,08 a 2.086,68 kcal m-³, no qual
o maior ocorreu na marcha de 500°C, aproximando-se ao encontrado por Lima et al. (2011)
para E. benthamii que para a mesma temperatura foi de 2.222 kcal m-³. Através destes re-
sultados foi possível perceber que ocorreu a mesma tendência observada para a densidade
aparente do carvão vegetal.
Em pesquisa de Protásio et al. (2015), verifica-se que a espécie pode colaborar em
ganhos ou perdas nestas propriedades, como é o caso do clone de E. urophylla que se
sobressaiu em comparações aos clones de E. grandis nas propriedades energéticas, como
estoque de carbono fixo, densidade aparente e densidade energética. Essas propriedades
vão otimizar a redução dos minérios de ferro nos altos fornos das siderúrgicas, reduzindo
custos em transportes e aumentando a produção de carvão.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
134
Os teores de carbono fixo variaram de 33,43 a 61,60%, sendo o maior valor em 600°C
(Tabela 6). Assim, como no trabalho de Santiago et al. (2005) para o mesmo gênero, o carbo-
no fixo apresentou o maior valor na temperatura de 600°C. O estudo mostra que o aumento
temperatura final da pirólise eleva o teor de carbono fixo do carvão vegetal. Oliveira et al.
(2010) e Vieira et al. (2013) observaram o mesmo comportamento no carvão produzido a
partir de diferentes temperaturas finais de carbonização.
Através dos resultados de materiais voláteis e carbono fixo, constatou-se que o teor
de materiais voláteis diminuiu com o aumento da temperatura final e o teor de carbono fixo
apresentou situação oposta. De acordo com Brand (2010) baixos teores de materiais voláteis
tendem a altos teores de carbono fixo no carvão vegetal, ou seja, eles poderão requerer
longo tempo de residência na fornalha para queima total.
Os teores de cinzas variaram de 0,41 a 0,64%, sendo o menor valor na marcha de tem-
peratura a 500°C (Tabela 6). Valores estes que são inferiores ao encontrados por Azevedo
et al. (2013), para Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis em diferentes marchas de
temperatura, que variaram de 0,95 a 1,46 %, sendo que o menor valor foi para a marcha
de 450°C. Os valores encontrados no trabalho são considerados aceitáveis, pois diversos
estudos, apresentam teores de cinzas inferiores a 1% para o carvão vegetal de clones e
espécies de Eucalyptus (OLIVEIRA et al., 2010; NEVES et al., 2011; SANTOS et al., 2011).
Assim, menores quantidades de cinzas são desejadas no consumo de carvão vegetal, pois
os minerais não sofrem o processo de combustão e, consequentemente, diminuem o valor
calórico do combustível (BRAND, 2010; REIS et al., 2012).
Além disso, grandes quantidades de cinzas aumentam a corrosão dos equipamen-
tos utilizados na conversão energética, principalmente em sistemas termoquímicos (TAN
e LAGERKVIST, 2011). O alto teor deste material inorgânico poderá contribuir em menor
rendimento energético, pois absorve parte da energia que é liberada na combustão, pode
provocar o acúmulo de impurezas no centro das peças do metal solidificado, promovendo
variações nas propriedades do ferro-gusa (NEVES et al., 2011; ASSIS et al., 2012).
Os valores encontrados para poder calorífico superior variaram entre 6.043,63 a
6.988,39 kcal kg-¹, sendo que o maior valor foi encontrado na marcha de carbonização de
600°C, valor este que foi inferior ao encontrado por Oliveira et al. (2010) para Eucalyptus
pellita F. Muell na mesma marcha de carbonização, com valor de 8.172 kcal kg-¹. Pode-se
observar que houve um aumento dos valores médios do poder calorífico superior com o
aumento da temperatura final de carbonização do carvão. Este fato pode ter ocorrido devi-
do ao teor de carbono fixo aumentar de acordo com o aumento da temperatura. O teor de
carbono fixo, juntamente com o teor de materiais voláteis, são as principais características
que determinam o poder calorífico superior do carvão, nota-se também que a correlação foi

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
135
oposta entre materiais voláteis e carbono fixo em função da elevada temperatura. Este resul-
tado para o PCS do carvão está de acordo com o encontrado por Marchesan et al. (2019).
Por meio dos parâmetros encontrados na análise química imediata e do poder calorífico
superior do carvão vegetal de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, foi possível notar
que a marcha de carbonização de 600°C se destacou, apresentando os menores valores de
materiais voláteis, maiores valores para carbono fixo e poder calorífico superiores (Tabela
6). Santiago et al. (2005), encontraram os maiores teores de carbono fixo e menores teores
de matérias voláteis, nesta marcha de carbonização. Quanto maiores os teores de carbono
fixo e menores os teores de materiais voláteis e cinzas, maior será o poder calorífico superior
do combustível (PAULA et al., 2011).
Observa-se na Tabela 6 que o estoque de carbono aumentou (de 81,24 a 140,13 kg
m-³) de acordo com o aumento da temperatura. É possível nota que o rendimento em carbono
fixo aumentou com a temperatura final de carbonização, pelo fato de que o carvão vegetal
apresentou grande quantidade de carbono em sua composição (Tabela 6).
Cabe ressaltar que o rendimento em carbono fixo expressa a quantidade de carbono
presente na madeira e que ficou retida no carvão vegetal, consequentemente, é influenciada
pela quantidade dos demais componentes da biomassa vegetal (ASSIS et al., 2012; REIS
et al., 2012). De acordo com Protásio et al. (2013) em pesquisa com clones de Eucalyptus
spp. os valores variaram de 23,62 a 27,06% em rendimento de carbono fixo.
Os autores relatam também que a densidade aparente do carvão tem correlação posi-
tiva com a densidade básica da madeira, assim, destacam que quanto maior a densidade do
carvão, maior serão os estoques energéticos, resistência mecânica e teores de carbono fixo.
Neste estudo o carvão vegetal do clone de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus gran-
dis não apresentou valores satisfatórios em termos de rendimento gravimétrico unitário e
rendimento energético da carbonização com valores abaixo de 50% conforme o aumento
da temperatura, no entanto, a produtividade em carvão por unidade de volume apresentou
valor superior (171, 82 kg m-³) a 400°C e inferior (125,29 kg m-³) a 600°C, sendo que a pro-
dutividade tendeu a reduzir em altas temperaturas (Tabela 6). Desta forma, a redução do
rendimento gravimétrico, em temperaturas mais elevadas, é prontamente contrabalanceada
com o aumento o teor de carbono fixo, não alterando o valor do rendimento em carbono fixo.
Em termos de rendimentos em função do aumento da temperatura o comportamento da
madeira do clone estudado não foi satisfatório, visto que rendimento gravimétrico unitário e
o rendimento energético da carbonização sofreram tendência de baixa constante à medida
que a temperatura aumentava, consequentemente afetando a produção em carvão.
De modo geral, Protásio et al. (2013) ressalta que para os clones do gênero Eucalyptus
a temperatura final de carbonização é o parâmetro que mais apresenta influências no

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
136
rendimento. O mesmo foi observado nesta pesquisa para o clone de Eucalyptus urophylla
x Eucalyptus grandis.
É importante salientar que o estudo com temperaturas finais vem ao encontro de novas
tecnologias que estão sendo estudadas para a produção de carvão, as quais, os fornos man-
têm as temperaturas acima de 500ºC. Mas cabe destacar que nestas condições controladas
para produção de carvão vegetal o mesmo tende a apresentar rendimentos satisfatórios, com
boa qualidade quanto sua resistência e granulometria, as faixas dos valores para as proprie-
dades energéticas satisfazem e são desejáveis para aplicações como fonte de bioenergia e
os qualifica para uso nas caldeiras, gaseificadores e dentre outros sistemas de conversão
enérgicas, principalmente como biorredutor em indústrias siderúrgicas.

CONCLUSÃO

Diante do exposto conclui-se que:


A madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis apresentou características
satisfatórias tanto para queima direta quanto para produção de carvão vegetal.
O carvão vegetal proveniente da madeira de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis
apresenta potencial energético.
Foi constatada influência da temperatura final de carbonização da madeira de Eucalyptus
urophylla x Eucalyptus grandis na qualidade do carvão vegetal.
A densidade aparente e a densidade energética do carvão apresentaram valores sa-
tisfatórios na temperatura final de carbonização de 500ºC.
Recomenda-se a produção de carvão vegetal da madeira de Eucalyptus urophylla x
Eucalyptus grandis na marcha de carbonização de 600°C, pois a essa temperatura final de
carbonização foi possível observar qualidade do material e potencial para ganhos energéticos.

REFERÊNCIAS
1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D-2395: Standard
Test Methods for Specific Gravity of Wood and Wood-Based. 2005.

2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS - ASTM. ASTM D 1762-84:


Standard method for chemical analyses of wood charcoal. Philadelphia: ASTM Inter-
national, p.2, 2007.

3. ARAÚJO, A. C. C. et al. Propriedades energéticas da madeira e do carvão vegetal de


Cenostigma macrophyllum: subsídios ao uso sustentável. Pesquisa Florestal Brasi-
leira, v. 38, 2018.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
137
4. ASSIS, M. R. et al. Qualidade e rendimento do carvão vegetal de um clone híbrido de
Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 32, n.
71, p. 291, 2012.

5. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. ABNT NBR 11941:


Determinação da densidade básica. Rio de Janeiro: Abnt Editora, 6 p. 2003.

6. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 6923: Carvão


vegetal - Amostragem e preparação da amostra. Rio de Janeiro, 15 P. 1981.

7. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 8112: Carvão


vegetal: análise imediata. Rio de Janeiro: Abnt Editora, 5 p. 1986.

8. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 8112: Carvão


vegetal - Análise imediata. Rio de Janeiro, p. 5, 1986.

9. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 9165: carvão ve-


getal. Determinação da densidade relativa aparente, relativa verdadeira e porosidade.
Rio de Janeiro; 1985.

10. BARROS, M. L. et al. Caracterização energética de Eucalyptus sp. provenientes de dois


tratamentos do solo em alagoas. IV Congresso Brasileiro de Eucalipto, Salvador/
BA, ano 2019, p. 4 – 7, 2019.

11. BRAND, M. A. Energia de Biomassa Florestal. Ed. Interciência. Rio de janeiro, 2010.

12. BRAND, M. A. et al. (De Candolle) Naudin (Jacatirão-açu) na agricultura familiar. Bi-
guaçu, Santa Catarina. Scientia Forestalis, v. 41, n. 99, p. 401-410, 2013.

13. BRUN, E. J. et al. Caracterização energética da madeira de três materiais genéticos


de Eucalyptus sp. Revista Floresta, Curitiba, PR, v. 48, n. 1, p. 87-92, jan. 2018.

14. CHAVES, A. et al. Características energéticas da madeira e carvão vegetal de clones


de Eucalyptus spp. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer. Goiânia, v.9,
n.17, 2013.

15. CHANNIWALA, S.A; PARIKH, P.P. (2002) A Unified Correlation for Estimating HHV of
Solid, Liquid and Gaseous Fuels. Fuel, 81, 1051-1063, 2002.

16. COPAM – Conselho Estadual de Política Ambiental – MG. Deliberação Normativa


COPAM n° 227, Minas Gerais, 2018.

17. COSTA, T. G. et al. Qualidade da madeira de cinco espécies de ocorrência no cerrado


para produção de carvão vegetal. Cerne, Lavras, v. 20, n. 1, p. 37-46, 2014.

18. DUARTE, F. A. et al. Desafios e perspectivas do cultivo do Eucalyptus, para fins ener-
géticos no estado do Tocantins. Revista Liberato, Novo Hamburgo, v. 21, n. 35, p.
1-100, jan. 2020.

19. FORTALEZA, A. P. et al. Biomassa de espécies florestais para produção de carvão


vegetal. Ciência Florestal, v. 29, n. 3, p. 1436-1451, 2019.

20. IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores. Relatório 2020. Brasília, p. 66, 2020. Disponível
em: https://iba.org/datafiles/publicacoes/relatorios relatorio-iba-2020.pdf. Acesso em:
22 fev. 2021.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
138
21. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Banco de informações ambientais.
2020. Disponível em: https://bdiaweb.ibge.gov.br/#/home. Acesso em: 22 fev. 2021.

22. JESUS, M. S. et al. Caracterização energética de diferentes espécies de Eucalyp-


tus. Floresta, v. 47, n. 1, p. 11-16, 2017.
23. LIMA, E. A. et al. Caracterização individual de árvores de Eucalyptus benthamii para
uso energético. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Colombo,
n. 35, p. 26, 2007.

24. MARCHESAN, R. et al. Quality of Eucalyptus urograndis charcoal produced in the sou-
thern region of Tocantins. Revista Floresta, Curitiba, PR, v. 49, n. 4, p. 691-700, 2019.

25. NEVES, T. A. et al. Avaliação de clones de Eucalyptus em diferentes locais visando à


produção de carvão vegetal. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 31, n. 68, p. 319, 2011.

26. NONES, D. L. et al. Determinação das propriedades energéticas da madeira e do carvão


vegetal produzido a partir de Eucalyptus benthamii. Floresta, v. 45, n. 1, p. 57-64, 2014.

27. OLIVEIRA, J. T. D. S.; et al. Avaliação da retratibilidade da madeira de sete espécies


de Eucalyptus. Revista Árvore, v. 34, n. 5, p. 929-936, 2010.

28. PAULA, L. E. R.; TRUGILHO, P. F.; NAPOLI, A.; BIANCHI, M. L. Characterization of


residues from plant biomass for use in energy generation. Cerne, Lavras, MG, v. 17,
n. 2, p. 237-246, 2011.

29. PEREIRA, B. L. C. Qualidade da madeira de Eucalyptus para a produção de carvão


vegetal. Dissertação (Qualidade da madeira de Eucalyptus para a produção de carvão
vegetal), Viçosa – MG, p. 103, 2012.

30. PROTÁSIO, P. T. et al. Potencial siderúrgico e energético do carvão vegetal de clones


de Eucalyptus spp aos 42 meses de idade. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 33, n.
74, p. 137-149, 2013.

31. PROTÁSIO, T. D. P. et al.. Avaliação tecnológica do carvão vegetal da madeira de


clones jovens de Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla. Scientia Forestalis. Pi-
racicaba, v. 43, n. 108, p. 801-816, 2015.

32. QUIRINO, W. F. et al. Poder calorífico da madeira e de materiais ligno-celulósicos. Re-


vista da madeira, v. 89, n. 100, p. 106, 2005.

33. REIS, A. A. et al. da madeira e do carvão vegetal de Eucalyptus urophylla em diferentes


locais de plantio. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 32, n. 71, p. 277-290, 2012.

34. SANTIAGO, A. R. et al. Carbonização de resíduos do processamento mecânico da


madeira de eucalipto. Ciência Florestal, v. 15, n. 1, p. 1-7, 2005.

35. SANTOS, R. C. et al. Correlações entre os parâmetros de qualidade da madeira e do


carvão vegetal de clones de eucalipto. Scientia Forestalis, Piracicaba, v. 39, n.90, p.
221-230, 2011.

36. SEMADES - Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Tocan-


tins. Reformulação da política estadual de florestas e elaboração do plano estadual
de florestas do Tocantins (PEF/TO) – produto 11 – Relatório Técnico Final. Palmas:
TO, p. 175. 2014.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
139
37. (SEPLAN). Atlas do Tocantins: subsídios ao planejamento da gestão territorial. In:
(Org.). rev. Palmas: SEPLAN, 6.ed. p. 80, 2012.

38. SIEBENEICHLER, E. A. et al. Influência de temperatura e taxas de aquecimento na


resistência mecânica, densidade e rendimento do carvão da madeira de Eucalyptus
cloeziana. Revista Ciência da Madeira (Brazilian Journal of Wood Science), v. 8,
n. 2, 2017.

39. TAN, Z. et al. Phosphorous recovery from the biomass ash: a review. Renewable and
Sustainable Energy Reviews, v. 15, n. 8, p. 3588-3602, 2011.
40. VALE A.T. et al. Estimativa do poder calorífico superior do carvão vegetal de madeiras
de Eucalyptus grandis em função do teor de carbono fixo e do teor de materiais volá-
teis. Brasil Florestal, v. 21, n. 73, p.47-52, 2002.

41. VALE, A. T. et al. Relação entre as propriedades químicas, físicas e energéticas da


madeira de cinco espécies do cerrado. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 20, n. 1, p.
137- 145, 2010.

42. VIEIRA, R. D. S. et al. Influência da temperatura no rendimento dos produtos da car-


bonização de Eucalyptus microcorys. Cerne, v. 19, n. 1, p. 59-64, 2013.

43. ZEFERINO, M C. O Desmatamento e o Inventário Florestal no Cerrado Brasileiro.


Mata Nativa, p. 1, 22. Maio, 2018. Disponível em: https://www.matanativa.com.br/blog/
inventario-florestal-no-cerrado-brasileiro/. Acesso em: 22 jul. 2020.

44. WASTOWSKI, A. D. Química da madeira.1 ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência,


2018. 566p.

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
140
SOBRE OS ORGANIZADORES

Raquel Marchesan
Possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná (2008), Mestrado
e Doutorado (2012 e 2016) em Engenharia Florestal com ênfase em Tecnologia e utilização de
produtos florestais pela Universidade Federal do Paraná (2016). Foi Professora substituta na
Universidade Estadual do Centro Oeste no curso de Engenharia Florestal atuando nas disciplinas
de Tecnologia e utilização de produtos florestais e Operações Florestais. Atualmente é professora
de magistério superior do Curso de Engenharia Florestal da Fundação Universidade Federal do
Tocantins e professora colaboradora do Programa de Pós Graduação em Ciências Florestais e
Ambientais da Universidade Federal do Tocantins. Atua na área de Tecnologia e Utilização de
Produtos Florestais em Energia da Biomassa Florestal, Processamento mecânico da madeira,
Mecânica da madeira e Painéis de madeira.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8418109777627234

Vanessa Coelho Almeida


Possui doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná (2013), mestrado
em Ciências Florestais pela Universidade Federal de Viçosa (2009) e graduação em Engenharia
Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2006). Atualmente é professora de
magistério superior da Fundação Universidade Federal do Tocantins. Tem experiência na área de
Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em Tecnologia e Utilização de Produtos
Florestais.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8062854966924483

Morgana Cristina França


Possui graduação em Engenharia Florestal (2012); Mestrado em Engenharia Florestal (2015)
pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) na área de Tecnologia e Utilização de
Produtos Florestais, com ênfase na produção de painéis aglomerados utilizando fibras oversize
(descartadas) de uma indústria de MDF e Doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade
Federal do Paraná (UFPR), na área de Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais, com ênfase
em serrarias, secagem de madeira, propriedades físicas e mecânicas da madeira, resistência da
madeira a ser utilizada como piso e qualidade de superfície da madeira. Apresenta conhecimento
na área de assessoria ambiental, organização e otimização de empresa de tratamento de
madeira, manejo de áreas reflorestadas de pinus e eucalipto, além de funções que condizem
a um responsável técnico de usinas de tratamento de madeira. Também já ministrou aulas de
Estruturas de madeiras e Impactos ambientais e gestão de resíduos sólidos na Unidavi - Centro
Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí - para o curso de Engenharia Civil.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/6303955248415511

Pedro Lício Loiola


Engenheiro Industrial Madeireiro pela Universidade Federal do Espírito Santo, UFES. Doutor em
Engenharia Florestal, pela Universidade Federal do Paraná. Atua na linha de pesquisa: Tecnologia
e Utilização de Produtos Florestais, com atuação em Secagem de Madeiras, sob orientação do

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
141
SOBRE OS ORGANIZADORES
Prof. Ricardo J. Klitzke. Foi Bolsista de Iniciação Científica UFES e FAPES sob orientação do Prof.
Dr. Marcos Oliveira de Paula, participou como voluntário à pesquisa sob a orientação do Prof. Dr.
Juarez Benigno Paes do grupo de pesquisa em Ciência Florestal/UFES, atuando nas seguintes
linhas de pesquisa: Construções Rurais e Instalações Agrícolas - Estruturas de Madeira orientação
do Prof. Dr. Marcos Oliveira de Paula e Biodeterioração e Preservação da Madeira orientação do
Prof. Dr. Juarez Benigno Paes. Atuando principalmente nos seguintes temas: Estruturas de Madeira
Submetidas a Incêndios e da Madeira Biodeterioração e Preservação de Madeiras, Propriedades
Físico-Mecânicas da Madeira.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/0378424942058925

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
142
ÍNDICE REMISSIVO

A Q
Análise Química Imediata: 97 Queima Direta: 45

Anatomia da Madeira: 33 R
Arborização: 41 Rendimento em Carbono Fixo: 18, 121

B Rendimentos da Carbonização: 17, 51, 97, 128

Bioenergia: 83, 132 T


C Taxa de Aquecimento: 15, 86, 97, 113, 121

Caracterização da Madeira: 70 Teor de Umidade: 45, 74, 95, 107, 119

Carbonização: 57, 83, 90, 114, 115, 116, 139

Carvão Vegetal: 25, 55, 70, 79, 80, 94, 110, 138

Cerrado: 13, 14, 19, 20, 21, 22, 23, 26, 84, 85, 91,
92, 93, 97, 98, 104, 105, 106, 110, 111, 112, 117,
118, 122, 140
Clave de Identificación: 66

D
Densidade Energética: 12, 74, 75

E
Espécies Nativas: 83

Estoque de Carbono: 12, 74

F
Fins Energéticos: 45

M
Marchas de Carbonização: 12, 17, 18, 88, 89, 90,
102, 128, 129

Mata Atlântica: 29, 39, 122

P
Pirólise da Madeira: 110

Poder Calorífico Superior: 74, 121

Produção de Energia: 70

Tecnologia de Produtos Florestais: pesquisas e desenvolvimento - ISBN 978-65-5360-232-8 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br
143
editora

científica digital

VENDA PROIBIDA - acesso livre - OPEN ACCESS

www.editoracientifica.org | contato@editoracientifica.org

Você também pode gostar