Você está na página 1de 69

3

1

INTRODUÇÃO

Sempre me interessei pela área da gestão pública, almejando inclusive trabalhar no setor público, de modo a contribuir para a melhoria da sociedade. A partir desse interesse e da percepção de que o Pelourinho passava por um processo de abandono e que os comerciantes locais enfrentavam sérias dificuldades financeiras, fiquei curioso por entender por quais razões o Pelourinho atravessava essa tormenta. Em virtude disso, realizei estudos sobre o local e as políticas públicas relacionadas ao mesmo, especialmente os projetos relacionados à Revitalização do Pelourinho.

Outra razão que me impulsionou a realizar esse trabalho foi o fato de que o Pelourinho, situado no Centro Histórico de Salvador, é um local de extremo valor histórico e cultural para os baianos e brasileiros, em razão de seu passado e também do fato de ser um espaço bastante propício a manifestações culturais da população baiana que são amplamente admiradas por turistas do Brasil e do mundo; merecendo, portanto, muito respeito e cuidados por parte da população e das autoridades responsáveis. Além disso, há também a minha identificação pessoal com o Pelourinho, uma vez que esse é um local pelo qual eu tenho muito apreço e prazer em freqüentar, pois ele desperta em mim um sentimento de “baianidade” sem igual. Por fim, esta é uma forma de tentar contribuir com o social, uma vez que, por estudar numa universidade pública, é pertinente que, ao fim dos meus estudos, eu apresente alguma contribuição à sociedade que pagou pelos mesmos.

Esta região já foi local de moradia do clero e da antiga aristocracia da cidade do Salvador, no qual era concentrado o poder político da cidade, abrigando Prefeitura, Câmara Municipal, Assembléia Legislativa e a sede do Governo do Estado, contando ainda com as casas de ricos comerciantes no seu entorno. Entretanto, este local sofreu muitas transformações ao longo de sua história, especialmente de cunho econômico-social. A partir da década de 60 do século XX, o Pelourinho começou a sofrer um grave processo de degradação política, social e econômica, uma vez que a cidade passava por um intenso processo de modernização econômica que transformou sensivelmente a sua estrutura, ganhando novos centros comerciais e industriais, e novos bairros. Em razão disso, o Pelourinho foi sendo

4

deixado de lado e se tornando um local cada vez mais abandonando, com monumentos em ruínas habitados pela parte marginalizada da população. Tal situação dificultou e adiou o reconhecimento do Pelourinho, pela UNESCO, como patrimônio da humanidade, ocorrido apenas em 1985.

A partir da década de 90, o Pelourinho passou a receber investimentos no intuito de

revitalizar o local. Entretanto, apesar de se mostrar um ambiente com um fluxo razoável de pessoas e de dinheiro nas épocas de alta estação, os efeitos das políticas públicas adotadas no local não se mostraram suficientes para manter um padrão mínimo de consumo no local e a consecutiva auto-sustentabilidade do “Pelô”.

Em razão dos fatos expostos acima, o tema a ser trabalhado nesta monografia será

a “Revitalização do Pelourinho”, tendo como problema central a ser estudado a

discussão acerca da eficiência da política de alocação de recursos no programa de

Revitalização do Pelourinho. Entretanto, este trabalho não tem a pretensão de promover intervenções diretas no local, ele se propõe a fazer uma reflexão ampla que permita apontar as falhas encontradas na gestão pública e a propor algumas possíveis soluções para os problemas identificados.

De acordo com entrevistas realizadas com comerciantes do local e de análises reportagens e de dados coletados, há um pressuposto de que os investimentos realizados pelo governo no Pelourinho – visando a revitalização do mesmo – se fizeram até então ineficientes e não garantiram uma auto-sustentabilidade do aspecto sócio-econômico local. Foi observado também que os empreendimentos locais têm ficado dependentes da receita gerada durante a alta estação - graças ao fluxo de turistas e do maior número de eventos realizados nessa época que atraem

os soteropolitanos -, uma vez que, durante a baixa estação, há poucos atrativos para

a população local e há também uma diminuição acentuada do número de turistas,

fazendo com que a vendagem seja extremamente inferior, chegando a dar prejuízos

para alguns e resultando em fechamento para outros.

Dessa forma, pretendo oferecer como contribuição deste trabalho à sociedade uma reflexão a cerca do Pelourinho e sua situação atual, bem como averiguar e alertar aos gestores públicos responsáveis quais pontos ainda podem ser melhorados nas

5

políticas públicas relacionadas a este local. Buscando, dessa forma, tornar o Pelourinho novamente um lugar atrativo para os turistas e, principalmente, para os soteropolitanos.

Acredito que este estudo seja de significativa relevância, por diversos fatores. A começar pelo fato de que o Pelourinho foi reconhecido com patrimônio da humanidade e, por isso, deve ser preservado como tal. Em segundo lugar, porque é um ambiente que transpira cultura e beleza e que deve ser digno de orgulho dos baianos, pois é um dos principais cartões postais de Salvador; todo turista quando vem a Salvador quer visitar o Pelourinho, pela beleza e pela riqueza da diversidade étnica e cultural encontrada no local. Por último, tem como importância também vislumbrar o potencial de promover um novo local de entretenimento para os soteropolitanos que possua uma raiz mais forte com os traços culturais dos baianos, com sua identidade cultural.

Deve-se fazer uma ressalva de que, apesar deste trabalho ter se iniciado já no segundo semestre de 2007 – com coletas de dados para realização de um trabalho em outra disciplina –, houve um período de 6 meses de intervalo na coleta de dados, em razão de eu ter me ausentado do país num programa de intercâmbio. Dessa forma, tive de retomar as pesquisas referentes aos esses 6 meses de ausência e verifiquei que algumas das propostas de solução apresentadas no decorrer deste trabalho – confeccionadas antes de agosto de 2008 –, já vem sendo trabalhadas pelo governo. Entretanto, as mesmas continuam presentes aqui, uma vez que tais ações do governo ainda estão sendo discutidas e/ou implementadas, mas ainda não finalizadas.

Antes de adentrar o conteúdo mais denso deste trabalho, vale destacar que, em razão de limitações de tempo para um estudo mais amplo da região do Pelourinho, optou-se por trabalhar a questão da sustentabilidade dando maior ênfase às suas dimensões social e econômica.

6

2

CONTEXTO

2.1

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

O termo “pelourinho” se refere a uma coluna de pedra, localizada normalmente ao centro de uma praça, onde criminosos eram expostos e castigados. No Brasil Colônia era principalmente usado pelos senhores de engenho para castigar escravos com chicotadas, sendo usualmente construído nos engenhos, afastado da cidade. Entretanto, a fim de demonstrar à população sua força e poder, os senhores de engenho resolveram construir um "pelourinho" no centro da cidade, instalando-o no largo central, hoje área localizada em frente à casa de Jorge Amado e atualmente conhecido como Praça José de Alencar ou simplesmente Largo do Pelourinho. A partir daí os escravos eram castigados em praça pública para que todos pudessem assistir tal demonstração de poder. Devido a esse fato o "pelourinho" virou ponto de referência da cidade, dando nome ao antigo centro da cidade, e hoje Centro Histórico de Salvador, área do conjunto arquitetônico barroco-português compreendida entre o Terreiro de Jesus e a Igreja do Passo.

A história do Pelourinho se inicia juntamente com a história da cidade de Salvador, fundada em 1549 por Tomé de Souza, primeiro Governador Geral do Brasil. Esse veio com ordens expressas do rei de Portugal, D. João III, para construir uma "cidade fortaleza". Tal ordem vinha com caráter de urgência e preocupação, em razão da constante invasão das terras da colônia portuguesa por corsários que vinham para retirar as riquezas naturais, como o pau-brasil e a cana-de-açúcar. Dessa forma, a escolha de Salvador como a sede de governo se deu em virtude de sua excelente localização geográfica e sua estratégica posição econômica, como principal porto de carga e descarga de mercadorias de todo o Nordeste.

Uma vez que era pretendida a criação de uma “cidade fortaleza”, o Pelourinho mostrou-se como a melhor opção para se tornar o centro da mesma. As razões que levaram a essa escolha do Pelourinho são bastante claras. Essa é a parte mais alta da cidade, em frente ao porto, perto do comércio e naturalmente fortificada pela grande depressão existente que forma uma muralha, de quase noventa metros de

7

altura, por quinze quilômetros de extensão, o que facilitaria a defesa de qualquer ameaça vinda do mar.

Em poucos anos, Tomé de Souza construiu uma série de casarões e sobrados, na parte superior dessa muralha, todas inspiradas, evidentemente, na arquitetura barroca portuguesa e erguidos com mão de obra escrava negra e indígena. A região do Pelourinho era um bairro eminentemente residencial, onde, até o início do século XX, se concentravam as melhores moradias, o clero e o poder político da cidade, abrigando Prefeitura, Câmara Municipal, Assembléia Legislativa e a sede do Governo do Estado.

Entretanto, a partir da década de 60 do século XX, em função do surgimento de novos centros comerciais e industriais e de novos bairros, houve uma migração do centro econômico da cidade para esses novos locais. Tal fato fez com que o Pelourinho fosse deixado de lado e passasse a sofrer um processo de degradação política e sócio-econômica tamanho, que o mesmo ficou num estado de abandono quase absoluto, o que resultou na permanência apenas das sedes da Câmara e da Prefeitura no local. Em virtude de tal abandono, a marginalidade e a prostituição passaram a imperar no local, aliadas à má conservação do local e aos resultantes desabamentos de monumentos e outros tantos monumentos em ruína, ocupados por pessoas exiladas do novo centro da cidade. Esse descaso adiou o reconhecimento do Pelourinho, pela UNESCO, como patrimônio da humanidade; o que só veio ocorrer em 5 de novembro de 1985.

Como já relatado, até o período referido acima, o Pelourinho era um local abandonado e freqüentado por traficantes, prostitutas e mendigos, e as casas do local se encontravam em más condições de habitação, precisando realmente de manutenção. Mas, em razão do reconhecimento do Pelourinho como patrimônio da humanidade pela UNESCO, a partir da década de noventa, este lugar passou por um processo intenso de mudanças e recebeu diversos investimentos, numa proposta de revitalizar o local. Para isso, contou com recursos financeiros de uma linha de crédito chamada PRODETUR (Programa de Desenvolvimento Turístico) e com o auxílio dos projetos Rememorar (que visa recuperar fachadas de imóveis do centro histórico de Salvador, incluindo também um componente habitacional nesse

8

projeto) e Monumenta (que visa promover a preservação sustentável do patrimônio histórico, cultural e urbano de Salvador, contando com o apoio do governo estadual e do governo municipal). Com isso, muitas casas do Pelourinho foram recuperadas e se tornaram empreendimentos de cultura e lazer, e o local passou a contar também com uma programação cultural financiada pelo governo – com shows diários nas praças do “Pelô” durante a alta estação –, atraindo principalmente o público de turistas para essa região. Entretanto, com a troca de governo estadual em 2007, após a vitória da esquerda, o Pelourinho passou a não receber mais os mesmos cuidados, acarretando numa diminuição acentuada do público que ali freqüentava, num conseqüente fechamento de muitos empreendimentos locais e num quadro de quase abandono do Pelourinho novamente.

Algo que reafirma a constatação de abandono do Pelourinho é a entrevista realizada em meados de setembro de 2007 com um membro do Acopelô – Associação dos Comerciantes do Pelourinho. Segundo o entrevistado, antigamente o comércio só fechava entre as 22 e as 23 horas; entretanto, atualmente (2007), por conta do medo da violência, as atividades têm sido encerradas até as 19 horas. Em razão da queda do movimento, durante a época de baixa estação, cerca de 20% das lojas tiveram que fechar. Segundo o entrevistado, da época em que Imbassaí era prefeito até a atual gestão de João Henrique o faturamento das lojas diminuiu em torno de 70%, porque a demanda por seus produtos foi reduzida substancialmente. Por último, uma questão que dificulta ainda mais a sobrevivência do comércio é a falta de força política do Acopelô. De acordo com a entrevista de um comerciante local, e também um dos membros da referida associação, as decisões tomadas pelas reuniões deliberativas dos comerciantes não são ouvidas com o devido apreço pelo governo, em razão da associação não conseguir exercer pressão sobre as decisões do governo.

A partir da observação do Pelourinho, nesse mesmo período de 2007, pôde-se notar que o local decaiu significativamente em relação aos anos anteriores. Pois, no período observado, havia uma quantidade considerável de pedintes na rua, muitos empreendimentos antigos tiveram de fechar as portas e a população residente no Pelourinho e no entorno continuava à margem da economia local. Tais moradores, em sua maioria, não participavam das atividades econômicas dessa região, os

9

mesmos continuavam sem receber um apoio mais efetivo do governo, a exemplo de políticas que estimulassem a criação de oficinas profissionalizantes e cia. Além disso, um grande número de empreendimentos presentes no Pelourinho pertence a estrangeiros, especialmente os hotéis, pousadas e restaurantes, e os seus contratados também não costumam pertencer àquela comunidade.

Ainda referente às entrevistas realizadas em 2007 no local, com relação ao Pelourinho e os cuidados despendidos pelo governo, foi dito que houve uma diminuição do número de festas (ensaios de bandas, terça da benção, Pelourinho Dia e Noite – este último havia sido encerrado –, entre outros). Além disso, naquele ano, a divulgação dos eventos por parte do governo havia sido bastante insignificante, fato que acarretou, por exemplo, no fraco desempenho do São João do Pelô nesse período. Em adição a isso, em dias não festivos, os horários de término dos shows que ainda restavam haviam mudado de 1h da manhã para 23h30min, em razão da segurança que havia se precarizado, aumentando a violência e o medo de sofrer assaltos. Foi dito ainda que muitos meninos de rua abordam os turistas para pedir dinheiro e alguns deles chegam a, até mesmo, roubá- los para, segundo entrevistados, comprar drogas. Os entrevistados relataram também que já houve projetos para retirar os meninos da rua, mas que esses não deram certo porque eles não eram efetivos, dizendo inclusive que em diversos casos os meninos de rua que realmente precisam não eram atendidos. Além disso, os comerciantes disseram também que os governantes cuidavam apenas das vias principais do Pelourinho, das “vitrines”, deixando o restante da região sem esses cuidados, e que os próprios moradores têm medo de andar em determinadas ruas. Segundo alguns representantes de hotéis da região, o fluxo de turistas era maior anteriormente, mas, como causas principais dessa redução, os mesmos apontavam a cotação do dólar que deixou o real bastante valorizado e, portanto, mais caro para o público estrangeiro; e o problema ocorrido na malha aeroviária brasileira daquele ano que dificultou tanto o turismo interno como também a vinda dos turistas estrangeiros. Um dos representantes de hotel chegou a dizer, inclusive, que havia 30% a menos de hóspedes naquela época em relação ao mesmo período do ano anterior.

10

Mais recentemente, a deficiência do governo em ouvir os comerciantes e moradores da região aparentou uma princípio de melhora. Pois o decreto de numero 10.478 de 02 de outubro de 2007, institui o Conselho Gestor e o Escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador e cria também o Escritório de Referência do Centro Antigo. Desde então, os problemas do Pelourinho têm sido debatidos através do Fórum para o Desenvolvimento Sustentável do Centro da Cidade e de, até o presente momento, três Encontros das Câmaras Temáticas 1 . Tais câmaras vêm fazendo diversos questionamentos a cerca do Pelourinho, tais como: “Quais ações prioritárias seriam necessárias para garantir a sustentabilidade do Centro Antigo de Salvador (CAS) em 2009?”. Isso denota o surgimento do interesse do governo em retomar as ações de revitalização no local e, mais do que isso, na inclusão dos diversos atores envolvidos nessa construção. Entretanto, segundo entrevista realizada no mês de maio deste ano com o atual presidente da Acopelô, apesar dos aparentes avanços quanto a esse diálogo do Estado com moradores e comerciantes, o relacionamento entre as partes é insatisfatório. Segundo o entrevistado, as vozes das associações dos moradores e dos comerciantes não recebem o devido apreço e há uma profunda dificuldade em se comunicar com a Secretaria da Cultura. Além disso, ele afirma ainda que não há uma divulgação adequada desses Fóruns e Câmaras, o que tem contribuído para uma presença extremamente insignificante da comunidade do Pelourinho, praticamente nunca contando com moradores da região nesses eventos – salvo o representante da respectiva associação –, o que acaba por diminuir a expressão dos moradores e comerciantes e dificulta que o Pelourinho possa ter a sua “voz” de fato escutada e respeitada. Como conseqüência, o presidente do Acopelô afirma ainda que o Pelourinho vem piorando ano após ano, especialmente depois da troca de governos do estado da Bahia. Ele afirma ainda que era mais fácil se comunicar com o governo na administração anterior, em razão do prestígio dado por ACM à região. Por fim, com a constante piora relatada, o entrevistado afirma também que aproximadamente 39% dos bares e restaurantes e 27% das pousadas fecharam as suas portas desde o início do projeto de revitalização.

1 Para mais informações, vide o endereço eletrônico: http://centroantigo.blogspot.com

11

2.2

IMAGEM DO PELOURINHO

2.2.1

Imagem do Pelourinho Após Investimentos da Década de 90

Entre a década de 90 e o ano de 2006, o Pelourinho, em virtude das intervenções

realizadas no mesmo, ganhou nova vida e uma programação cultural, deixando a imagem de abandono e marginalidade para trás e se tornando um local atrativo para se freqüentar, especialmente pelos turistas, tornando-se inclusive um dos cartões postais mais importantes da Bahia. Os baianos freqüentavam esse ambiente em razão dos eventos que nele eram realizados nessa época, sobretudo nos períodos

de verão, entretanto isso não foi suficiente para manter a assiduidade desse público

no local, pois, nos períodos de baixa estação, o Pelourinho possuía uma

programação cultural extremamente mais reduzida do que a vigente na alta estação, o que causava uma diminuição acentuada do fluxo de pessoas. Tal fato fazia com que os comerciantes locais faturassem pouco na baixa estação, tendo de compensar tais perdas através do faturamento atingido na alta estação. Dessa forma, pode-se dizer que as medidas adotadas no Pelourinho tinham como pilar a atração dos turistas nas épocas de alta estação e não da manutenção da presença

do público local, dos baianos.

2.2.2 Imagem Atual do Pelourinho

A imagem do Pelourinho perante os seus freqüentadores mudou bastante nos

últimos anos. Até 2006 este era um lugar altamente “badalado” e bem freqüentado, contando com atrações diárias em sua programação cultural. Entretanto, com a mudança de governo, mudaram-se as prioridades e também a administração das medidas e dos recursos empreendidos no Pelourinho – bem como o investimento na segurança pública do local –, fato que resultou numa grande baixa no fluxo de pessoas no local e, posteriormente, culminou num estado de abandono e marginalização do Pelourinho. Em alguns casos, ocorre de turistas e de baianos serem, inclusive, desaconselhados a visitar o local – alegando um baixo nível de segurança, decorrente do pequeno efetivo de policiais aliado à pequena concentração de pessoas e à quantidade de pedintes e de ladrões no local. Entretanto, muitos dizem que há certo exagero nessas colocações e que é possível

12

andar nas ruas do Pelourinho com relativa tranqüilidade, desde que não se ande nos becos estreitos e poucos movimentados da região. Segundo policiais da área, o Pelourinho é uma região tranqüila de se andar durante o dia, devendo-se apenas tomar cuidado com seus pertences de valor, pois em caso de distração os mesmos podem ser furtados; entretanto, durante a noite, os policiais disseram não ser seguro entrar nos becos, em razão da marginalidade existente, desde a prostituição ao tráfico e o roubo.

Em conversas informais com turistas, especialmente turistas estrangeiros, muito foi dito sobre o incômodo causado pelos pedintes, que são demasiadamente insistentes. Os visitantes de outras cidades/países são logo identificados como turistas no Pelourinho e em seguida são abordados por pedintes, vendedores e meninos de rua, assim que saiam de uma das lojas de lembranças. Ao questionar uma turista alemã sobre o que mais lhe incomodava no Brasil, obtive como resposta que o seu maior incômodo residia na questão da pobreza tão presente e visível nas ruas – não só do Pelourinho, mas de Salvador como um todo –, remetendo à situação dos mendigos e meninos de rua que são bastante insistentes; realidade diferente da vivida por ela na Alemanha. O comerciante e ex-líder comunitário da região, Clarindo Silva, ratifica a visão da turista na medida em que afirma ser o assédio dos ambulantes e pedintes o principal problema do Centro Histórico. Para ele, o local é seguro, mas a questão social é latente, “Precisamos de projetos, mas precisamos, urgentemente, de ações concretas”. O atual presidente da associação dos comerciantes, Lenner Cunha, também afirma que o principal problema da região reside nos ambulantes e pedintes; entretanto, para ele, o mal preparo e a má educação dos ambulantes ao abordar os turistas representam um incomodo ainda maior para os turistas do que a própria situação de mendicância presente no local.

Em uma matéria de jornal realizada por MENDES (2007), foram encontradas várias declarações de comerciantes e representantes de outras organizações que demonstram a clara insatisfação com as condições atuais do Pelourinho. A presidente do Sindicato dos Guias de Turismo da Bahia (Singtur-Ba), Cristina Baumgarten, afirma que é comum encontrar, no Pelourinho, jovens com idade entre 7 a 14 anos, envolvidos com drogas, no uso ou tráfico, com furtos e prostituição. Para ela esses problemas se tornam cada vez mais expostos e visíveis. Uma

13

vendedora de uma loja de artesanato complementa a visão negativa do local ao relatar que os turistas costumam criticar a abordagem dos meninos de rua e que as crianças costumam ficar pedindo dinheiro, ou realizam furtos. Ela afirma, ainda, ter presenciado essa situação diversas vezes na frente de sua loja e que ultimamente tem aumentado o número de crianças de rua na região. De acordo com Cristina Baumgarten, esse tipo de assédio sobre turistas e visitantes, relatado pela vendedora, contribui negativamente para a imagem do Pelourinho. O presidente da Federação das Pequenas e Microempresas do Estado da Bahia (Femicro-BA), Moacir Vidal, compartilha da opinião da presidente do Singtur-Ba ao afirmar que, além de se constituir num problema social grave, a situação das crianças também prejudica a imagem e a economia da cidade. A seguir, são mostrados alguns comentários a esse respeito realizados pela vendedora citada, pela presidente do Singtur-Ba e pelo presidente da Femicro-BA. Segundo a vendedora, “o governo tem que cobrar que essas crianças estejam nas escolas. Além disso, colocá-las em algum curso, para que aprendam alguma coisa que as façam tirar um lucro próprio, dando um novo sentido à vida delas”, ela estaria sugerindo, portanto, uma espécie de curso de jovens aprendizes. De acordo com Cristina Baumgarten, “o turismo na Bahia caiu muito com o caos aéreo entre outros problemas, e uma realidade decadente de menores abandonados só contribui para cair ainda mais”. Moacir Vidal, por sua vez, afirma que “o Pelourinho é uma grande atração turística do Estado, é preciso cobrar dos governantes uma solução para esse tipo de problema”.

No filme “Ó Pai, Ó” (2007) há uma excelente representação do que ocorre nos arredores do Pelourinho, pois ele critica o governo local ao mostrar as mazelas vividas pela população que ali habita. Esse filme passa uma imagem nada favorável do local, muito pelo contrário, ele evidencia a presença das drogas, as condições precárias de moradia de seus habitantes e também a facilidade existente para que muitas pessoas sejam alvos de furtos, especialmente turistas estrangeiros, que são facilmente reconhecidos e são pegos de surpresa por desconhecerem tal realidade. Segundo o atual presidente do Acopelô, a exibição desse filme fez com que a imagem do Pelourinho, que já era ruim, se tornasse ainda pior. No entanto, o referido presidente afirma que, em linhas gerais, esse filme faz uma apresentação fidedigna do que ocorre na região.

14

3 ASPECTOS METODOLÓGICOS

3.1 PROBLEMA DE PESQUISA

De acordo com o contexto apresentado e os pressupostos gerados a partir da pesquisa realizada, surgiu o problema a ser tratado neste trabalho: a política de alocação de recursos do governo para a revitalização do Pelourinho tem sido eficiente?

3.2

OBJETIVOS

3.2.1

Objetivo Geral

Analisar se a política de alocação de recursos do governo para a revitalização do Pelourinho tem sido eficiente e suficiente para dar sustentação à economia local e promovido melhorias às condições sociais da população que ali reside.

3.2.2 Objetivos Específicos

Analisar a proposta de Revitalização do Pelourinho;

Identificar as possíveis causas que levaram o Pelourinho ao seu atual estado de abandono

Verificar se realmente existe a exclusão dos moradores da região na economia local;

Identificar quais foram as falhas das políticas de investimento do governo no Pelourinho até então;

Identificar que motivos levaram à baixa do movimento de baianos e turistas no Pelourinho e como isso influencia/afeta a economia local;

Compreender a fragilidade e o impacto sofrido pelos empreendimentos locais com os períodos de baixa do turismo;

Averiguar o que é necessário para promover o crescimento do fluxo de pessoas no Pelourinho, especialmente das pessoas residentes em Salvador;

15

Demonstrar a importância do investimento em projetos que atraiam o público soteropolitano ao Pelourinho;

A partir das análises realizadas, sugerir propostas de mudanças que possam solucionar os problemas identificados.

3.3 MÉTODO

Diante das questões levantadas, dos pressupostos delineados, do tema proposto e de seu caráter social, e dado grau de profundidade que esta pesquisa pretende atingir, pretendia-se utilizar, do ponto de vista teórico-metodológico, o método da pesquisa-ação. Entretanto, em razão das limitações de tempo e do grau de aproximação necessário para a utilização de tal método, foi definido que essa pesquisa deveria seguir os moldes de uma entrevista em profundidade, uma das variações da pesquisa qualitativa.

De acordo com VIEIRA & TIBOLA (2005), Pode se dizer que a entrevista de profundidade é definida como uma entrevista não-estruturada, direta, pessoal, em que um respondente de cada vez é instado por um entrevistador altamente qualificado a revelar motivações, crenças, atitudes e sentimentos sobre determinado tópico. Neste processo o entrevistador inicia com uma pergunta genérica, e posteriormente incentiva o entrevistado a falar livremente sobre o tema (ex. O senhor poderia falar sobre fazer compras no Supermercado Carrefour?). A duração da entrevista, por sua vez, pode variar de 30 a 60 minutos, embora possa chegar a horas em determinados casos, dada a natureza do problema.

Quando aplicada, a entrevista individual pode ser classificada em três categorias distintas, em função do grau de estruturação do guia de entrevista utilizado pelo entrevistador: entrevista não-estruturada; entrevista semi-estruturada e entrevista estruturada. O fator comum nestas três categorias de guia encontra-se em incorporar perguntas abertas, permitindo a quem está respondendo fazê-lo a partir de suas opiniões e motivações. Devido a esse tipo de questão, as perguntas são mais reveladoras, pois não se limitam às respostas dos entrevistados (KOTLER,

2000).

16

Neste trabalho, optou-se por utilizar a entrevista semi-estruturada para estudar os problemas percebidos pela população envolvida, uma vez que o objeto da investigação não pode se limitar apenas à busca de informações de terceiros, mas sim na busca dos anseios dos moradores e comerciantes locais, bem como dos policiais e freqüentadores (locais e turistas). Dessa forma, esse método assume um caráter mais psicológico da coleta de informações e identificação dos problemas percebidos pelos envolvidos.

A pesquisa foi realizada entre os períodos de setembro de 2007 e junho de 2009, a

partir de coletas de dados em revistas, artigos, livros, sites e órgãos do governo

federal, estadual e municipal, bem como de instituições que financiam os projetos públicos. Em seguida, foram coletados dados primários a partir de entrevistas com

comerciantes do Pelourinho. Num terceiro momento, foram realizadas novas entrevistas com outros comerciantes, com turistas, com policiais que atuam no local

e com pessoas residentes em Salvador. Não foram realizadas entrevistas com os

moradores, entretanto foram coletadas informações em artigos e jornais que continham as opiniões dos mesmos. Posteriormente, foram colhidos dados sobre as políticas públicas efetuadas em São Luís do Maranhão, uma vez que as mesmas também se trataram de um projeto de revitalização e foram bem sucedidas enquanto estavam sendo implementadas, mas se mostraram ineficazes sem a conclusão do projeto. Semelhança que foi um aspecto importante a ser considerando ao discutir o presente e as perspectivas de futuro do Pelourinho. Dessa forma foi possível entender como se deu o processo de Revitalização do Pelourinho e quais foram os principais empecilhos a um melhor aproveitamento dos recursos aplicados, bem como averiguar os aspectos positivos da implantação de tais políticas e vislumbrar possibilidades de melhorias nesse processo. Outros dados secundários foram colhidos a partir de outros trabalhos monográficos e institutos de pesquisa, a exemplo do IBGE.

Como pesquisas adicionais à monografia, possuo as minhas observações pessoais quanto à preservação dos centros históricos na Europa. Isso se deve ao fato de eu ter residido na Suécia por um período de cinco meses e meio, entre agosto de 2008

e janeiro de 2009, num intercâmbio universitário, e ter viajado por diversos países

europeus nesse período, onze ao todo. Dessa forma, aproveitei a oportunidade para

17

visualizar como são tratados os centros históricos e seus patrimônios. Creio que as observações realizadas nesse período foram fundamentais para me conscientizar da importância e, principalmente, de que é possível melhorar e manter a qualidade do nosso centro histórico em Salvador, aumentando a quantidade de turistas e influenciando o aumento da receita, haja vista que a cultura e o patrimônio histórico são extremamente bem cuidados pelos povos e pelos governos dos países em que passei – especialmente Suécia, Noruega, Estônia, República Tcheca, França, Escócia e Inglaterra.

De volta ao Brasil, os dados pesquisados anteriormente foram atualizados e novos dados foram pesquisados e incorporados, de forma a não deixar a pesquisa defasada. Nesse processo, houve espaço para novas entrevistas com os comerciantes, com turistas e com pessoas residentes em Salvador, a fim de averiguar se houve alterações nas percepções dos mesmos com relação ao local.

18

4 ANTECEDENTES CONCEITUAIS

Abaixo serão apresentados conceitos-chaves para a compreensão do tema exposto, possibilitando uma maior reflexão a cerca do conteúdo e das propostas apresentados neste trabalho.

Ressaltando que, como este se trata de um trabalho que aborda as políticas públicas, o contexto do valor cutural, patrimonial e histórico do Pelouinho, e também o caráter de análise da questão social do ambiente, todos esses conceitos se encontram inter-relacionados e não podem ser dissociados, sob prejuízo da correta compreensão do que será discutido adiante.

4.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: de acordo com a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD), da ONU: desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades atuais sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atender suas próprias necessidades. (Dicionário de Cidadania, Fundação Bunge, 2009)

Segundo SACHS (2004), o Desenvolvimento Sustentável é uma alternativa desejável, e possível, para promover a inclusão social, o bem-estar econômico e a preservação dos recursos naturais.

Nesse sentido, Sachs afirma que, a adjetivação Desenvolvimento Sustentável, a rigor, deveria ser desdobrada em socialmente includente, ambientalmente sustentável e economicamente sustentado no tempo. (DA VEIGA, 2005)

4.2 AUTO-SUSTENTABILIDADE: é um conceito em ecologia que define a exploração de recursos naturais em base não-predatória. Isto significa a implementação ou a racionalização de projetos de exploração de modo que:

Causem mínimo impacto sobre o meio-ambiente circundante, e sobre os recursos que não são diretamente utilizados pelo projeto;

Dêem tempo à natureza de recompor os recursos renováveis de interesse do projeto;

19

Tenham retorno monetário suficiente para o sustento das pessoas envolvidas e suas famílias com dignidade (sem carestia), de modo que não precisem super-explorar o meio, ou recorrer a outras práticas predatórias, para complementarem sua renda.

Tendo estes três componentes, o projeto é considerado auto-sustentável, porque, deste modo, a exploração de dados recursos pode se prolongar indefinidamente, ao menos em teoria. A atividade sustenta a si mesma, sem necessidade de recorrer a recursos externos para sua manutenção. (Wikipédia, 2009)

Estado alcançado por uma organização quando consegue gerar - por meio de suas próprias atividades - as receitas necessárias para garantir o financiamento de todos os seus programas e projetos. (Dicionário de Cidadania, Fundação Bunge, 2009)

Dessa forma, este trabalho entende que a auto-sustentabilidade de um local é alcançada quando os membros de sua comunidade consegem se manter sem a necessidade de intervenções modificadoras externas, exceto as de políticas públicas comuns à toda a sociedade, a exemplo do do serviço de iluminação e segurança pública. Vale ressaltar que a questão “auto” de auto-sustentabilidade não deve ser entendida como um sustentabilidade isolada do restante da cidade e das ações do governo, ela apenas tem a intenção de apontar o caráter de não haver uma não dependência excessiva dos mesmos, de forma a alcançar o tempo em que o social e o econômico possam ser gerenciados pela própria comunidade, sem interferências externas.

4.3 POLÍTICAS PÚBLICAS: Não existe consenso sobre o aspecto conceitual de políticas públicas. Política pública é um conceito de Política e da Economia que designa certo tipo de orientação para a tomada de decisões em assuntos públicos, políticos ou coletivos. Entende-se por Políticas Públicas, portanto:

“O conjunto de ações coletivas voltadas para a garantia dos direitos sociais, configurando um compromisso público que visa dar conta de determinada demanda, em diversas áreas. Expressa a transformação daquilo que é do âmbito privado em ações coletivas no espaço público” (Guareschi, Comunello, Nardini & Hoenisch, 2004, pág. 180).

20

Para José-Matias Pereira, professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília, política pública compreende um elenco de ações e procedimentos que visam à resolução pacífica de conflitos em torno da alocação de bens e recursos públicos, sendo que os personagens envolvidos nestes conflitos são denominados “atores políticos”. (Wikipédia, 2009)

4.4 PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE: também conhecido fora do Brasil como Patrimônio Mundial, é um local, como por exemplo, florestas, cordilheiras, lagos, desertos, edifícios, complexos ou cidades, especificamente classificado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação). Tal programa de classificação visa a catalogar e preservar locais de excepcional importância cultural ou natural, como patrimônio comum da humanidade (veja critérios). Os locais contidos nessa lista podem obter fundos do World Heritage Fund sob determinadas condições. (Wikipédia, 2009)

4.5 PATRIMÔNIO HISTÓRICO: refere-se a um bem móvel, imóvel ou natural, que possua valor significativo para uma sociedade, podendo ser estético, artístico, documental, científico, social, espiritual ou ecológico. (Wikipédia, 2009)

4.6 PATRIMÔNIO CULTURAL: é o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devam ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo. O patrimônio é a nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e que passamos às gerações vindouras. Do patrimônio cultural fazem parte bens imóveis tais como castelos, igrejas, casas, praças, conjuntos urbanos, e ainda locais dotados de expressivo valor para a história, a arqueologia, a paleontologia e a ciência em geral. Nos bens móveis incluem-se, por exemplo, pinturas, esculturas e artesanato. Nos bens imateriais considera-se a literatura, a música, o folclore, a linguagem e os costumes. (Wikipédia, 2009)

21

4.7 EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: HORTA 2 (2003) apresenta a seguinte definição para o que é e como funciona a Educação Patrimonial: “O princípio básico da

Educação Patrimonial é a experiência direta dos bens e fenômenos culturais, para se chegar à sua compreensão e valorização, num processo contínuo de descoberta.

). (

centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. Isto significa tomar os objetos e expressões do Patrimônio Cultural como ponto de partida para a atividade pedagógica, observando- os, questionando-os e explorando todos os seus aspectos, que podem ser traduzidos em conceitos e conhecimentos. Só após esta exploração direta dos fenômenos culturais, tomados como ‘pistas’ ou ‘indícios’ para a investigação, se recorrerá então às chamadas ‘fontes secundárias’, isto é, os livros e textos que poderão ampliar esse conhecimento e os dados observados e investigados diretamente. A partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados, o trabalho da Educação Patrimonial busca levar as crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de criação

A Educação Patrimonial pode ser assim um instrumento de

‘alfabetização cultural’ que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o

cultural.

Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional

(

).

rodeia, levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórico- temporal em que está inserido. Este processo leva ao desenvolvimento da auto- estima dos indivíduos e comunidades, e à valorização de sua cultura, como propõe Paulo Freire em sua idéia de ‘empowerment’ 3 , de reforço e capacitação para o exercício da auto-afirmação”.

4.8 REVITALIZAÇÃO: Segundo o Dicionário Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, este termo pode ser definido como “tornar a vitalizar; insuflar nova vida em”. Entretanto, trabalhando-se no contexto das cidades, esse termo pode significar também renovação; regeneração; reabilitação; reconstrução;

2 Museóloga, Doutora em Museologia pela Universidade de Leicester, Reino Unido. Diretora do Museu Imperial, IPHAN, Ministério da Cultura. 3 O empowerment parte da idéia de dar às pessoas o poder, a liberdade e a informação que lhes permitem tomar decisões e participar ativamente da organização.

22

requalificação; criação de centralidades; promoção. “O termo revitalização remete a um conjunto de medidas que visam a criar nova vitalidade, a dar novo grau de eficiência a alguma coisa, em suma, reabilitar” (OLIVEIRA, 2008). Nesse sentido:

“Revitalização significa buscar uma ‘nova vida’ para as áreas urbanas em seus conteúdos sociais e econômicos, culturais e físico-ambientais. Distancia-se, portanto, de práticas renovadoras e de práticas excessivamente conservadoras, incorporando tanto a renovação seletiva de conjuntos deteriorados, como a preservação de interesse histórico e cultural, a reciclagem de imóveis históricos para novas atividades e o desenvolvimento de áreas desocupadas ou subutilizadas” (SANTANA, 2003).

4.9 EXCLUSÃO SOCIAL: Processo que marginaliza indivíduos e grupos sociais no exercício de sua cidadania (Dicionário de Cidadania, Fundação Bunge, 2009). Nesse sentido, pode-se dizer que esse termo se refere a:

" um processo (apartação social) pelo qual denomina-se o outro como um ser "à

parte", ou seja, o fenômeno de separar o outro, não apenas como um desigual, mas

como um "não-semelhante", um ser expulso não somente dos meios de consumo, dos bens, serviços, etc., mas do gênero humano. É uma forma contundente de intolerância "

(Cristóvão Buarque, professor, ex-reitor da Universidade de Brasília, ex-

governador do Distrito Federal e atual Ministro da Educação).

social

O que, segundo Martine Xiberras, permite concluir que "excluídos são todos aqueles que são rejeitados de nossos mercados materiais ou simbólicos, de nossos

valores

".

(CONTEUDOESCOLA, 2009)

23

5 DEFINIÇÃO DA BASE TEÓRICO-ANALÍTICA

5.1 POLÍTICAS PÚBLICAS

5.1.1 Políticas Públicas Adotadas e a Efetividade das Mesmas

Na década de 90, as obras de recuperação do Centro Histórico foram iniciadas pelo governo estadual, na gestão do governador Antônio Carlos Magalhães. Desde então, foram implementadas seis das dez etapas previstas, cujos investimentos totalizaram R$ 99 milhões, apenas de recursos do tesouro estadual. Com o lançamento do Projeto Monumenta – voltado para recuperação de casarões do Centro Histórico –, o governo federal passou a participar também das ações na parte de recuperação de monumentos, contando com um convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O total de recursos liberados até o final de 2005 pelo governo federal foi de, aproximadamente, R$ 3 milhões. Ao longo do projeto de revitalização do Centro Histórico, mais de 500 imóveis foram recuperados. Apenas nas duas primeiras etapas, mais de 600 moradores foram retirados do local.

A referida retirada – ou “expulsão” – dos referidos moradores do Pelourinho gerou uma significativa insatisfação entre os residentes no local e alguns moradores se organizaram para criar a Associação dos Moradores e Amigos do Centro Histórico (AMACH). Em busca de reparação da injustiça social sofrida, a AMACH – através de uma ação pública, movida em conjunto com o Ministério Público, que alegava prejuízos para os moradores do local – conseguiu gerar um impasse e conseqüente suspensão de recursos por parte do Ministério da Cultura, paralisando, assim, as obras da sétima etapa por cerca de três anos.

De forma a resolver esse o problema entre as famílias e o governo, acabando com o impasse, houve a intervenção do Ministério da Cultura que intermediou um acordo – utilizando os recursos do Programa Habitacional de Interesse Social do Ministério das Cidades – para, não apenas recuperar os imóveis, mas também destiná-los à moradia dos antigos habitantes. Assim a permanência dos reclamantes – após um ano e meio de luta – foi garantida em 1º de junho de 2005, com a assinatura de um

24

Termo de Ajustamento da Conduta 4 (TAC) entre as partes envolvidas. Com a solução deste impasse, as obras foram retomadas no final do ano. Pelo acordo, o governo federal deveria repassar na ocasião R$1,7 milhão. O Estado, por sua vez, aplicaria já de início R$ 3,8 milhões só nesta fase.

Entretanto, a despeito do que constava no trecho transcrito do documento: “

processo não deve ser deixado de lado o elemento humano que ali vive e trabalha, exercendo as mais diversas atividades, como artistas, artesãos, grupos afro e capoeiristas que caracterizam a área", a postura estabelecida no projeto foi deixada de lado na hora de colocá-lo em prática, o que causou preocupação ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (Crea-BA). "A preservação do patrimônio é fundamental, mas não pode se sobrepor à preservação da vida", defende o presidente do Conselho, Marco Amigo, afirmando que a solução para garantir a manutenção dos benefícios obtidos com a reforma deve ser discutida com a população.

neste

Houve uma saída acelerada dos moradores tradicionais do Centro Histórico para o início das obras da sétima etapa da revitalização, fato que também chamou a atenção do Ministério Público, que instaurou um inquérito para apurar a condução do processo. "Detectamos que, na verdade, estavam pressionando as pessoas para receberem indenização ou serem relocadas para Coutos", explica o promotor de Justiça e Cidadania, Lidivaldo Brito. Segundo o atual presidente da Acopelô, o Estado informou que as obras da sétima etapa de Revitalização do Pelourinho já foram finalizadas, entretanto as casas ainda não foram entregues à população. Segundo ele, tal fato pode ser em conseqüência de motivos políticos – aguardando um momento mais próximo das eleições –, como pode ser também em razão dessas casas estarem localizadas próximas a zonas de tráfico de drogas e prostituição.

Em 2007 houve uma troca de governos, passando de um partido de direita (PFL) para um partido de esquerda (PT). Como parte do projeto de revitalização do Pelourinho, até fevereiro de 2007, o governo também financiava uma programação

4 A Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER) ficou responsável por garantir a remoção das 103 famílias que resistiram até o referido momento, para uma área no próprio centro histórico, com aluguel pago pelo Estado, sob caráter provisório até que os imóveis atuais estivessem recuperados, cujo prazo para o final das obras desta etapa seria dezembro de 2006, mas ao que consta isso ainda não ocorreu.

25

cultural – com shows diários de cantores populares –, que servia de atrativo para turistas e visitantes. Porém, o governador Jaques Wagner (PT), alegando não haver dotação orçamentária para tal, reduziu drasticamente os espetáculos, medida que contribuiu para fazer o público deixar de freqüentar as ruas históricas do Pelourinho. (Jornal Correio da Bahia, 2007)

Os referidos problemas citados acima, aliados a outros problemas não atendidos ou agravados pelas ações anteriores do governo, levam a crer que, num contexto geral, houve uma ineficiência do conjunto de medidas adotas pela administração pública.

Entretanto, o governo parece estar tentando mudar seu modo de ação e tornar suas medidas mais efetivas, pois o governo da Bahia e o Ministério das Cidades inauguraram no dia 03 de outubro de 2007 a sétima etapa das obras de recuperação do centro histórico de Salvador. Na oportunidade, foram entregues aos moradores dois dos 76 casarões em processo de restauração, que no conjunto deverão abrigar 337 apartamentos e 55 pontos comerciais no Pelourinho. O custo total do projeto, que inclui ainda a recuperação de outros sete monumentos, será de R$ 25,9 milhões – recursos advindos dos governos federal e estadual. Nota-se nessa ação uma diferença primordial em relação às etapas anteriores do programa: a inclusão dos moradores nos planos do governo, na medida em que agora visa-se a manutenção dos mesmos no Pelourinho.

Uma intervenção bastante benéfica foi a re-inauguração do Plano Inclinado do Pilar – que liga o Comércio (Rua do Pilar), ao Santo Antônio (Largo da Cruz do Pascoal). Ocorrida em 29 de março de 2006, após ficar parado por 22 anos, a volta desse serviço foi de grande importância para facilitar o deslocamento dos moradores dessa região ao Comércio e vice-versa, possuindo um baixo custo de tarifa e servindo também como mais um atrativo para o turista. Dessa forma, esse Plano em conjunto com o Plano Inclinado do Gonçalves (que liga a Rua Conselheiro Lafayette à Praça da Sé) e o Plano da Liberdade (que liga a Calçada à Liberdade), transportam diariamente cerca de 20.800 pessoas para as Cidades Alta e Baixa e geram economia e comodidade aos soteropolitanos e turistas. Os Planos Inclinados do Centro Histórico de Salvador, juntamente com o Elevador Lacerda são essenciais à revitalização efetiva do Pelourinho, uma vez que as formas de acesso ao local ainda

26

são relativamente precárias. Em notícia publicada pela SECOM (2009), uma estudante e usuária diária do Plano Inclinado Pilar, enfatizou os benefícios do transporte: "Um percurso que faria em pelo menos 20 minutos faço em dois vindo por aqui. Sem contar a economia; são pelo menos R$ 10 por semana que deixo de gastar com transporte".

5.1.2 Equívoco das Políticas Públicas

5.1.2.1 A Visão Errônea do Governo Quanto aos Problemas do Pelourinho

Em 29 de março de 1992, data de aniversário de Salvador, houve o lançamento do Programa de Recuperação do Centro Histórico de Salvador. Entretanto, o cunho original do termo de referência “Plano de Ação Integrada do Centro Histórico de Salvador”, criado pelo IPAC em 1991 e apresentado ao governo no início de 1992, havia sofrido um deslocamento rápido e progressivo do discurso por parte do governo. Pois tal termo tinha como ponto chave a integração da população com o ambiente em que estava instalada. Segundo o texto do documento confeccionado pelo IPAC:

“O termo quer demonstrar mudança de metodologia no trabalho técnico. Tem a intenção de compreender o Centro Histórico de Salvador como parte especial da cidade – testemunho do início de sua história – necessitando trato especial para consolidação de suas velhas estruturas e também atenção com seus serviços urbanos básicos e especializados e, sobretudo, a atenção com o habitante do Centro Histórico de Salvador, com seu desenvolvimento sócio-econômico e cultural” (IPAC, 1991 apud VIEIRA, 2000, p. 174).

Entretanto, o desvio da finalidade inicialmente pretendida pelo referido termo pode ser percebido no documento da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER) que, já em janeiro de 1992, explicitava o caminho da realização do projeto em direção a uma solução pelo mercado, que resolveria, sem qualquer cunho social, o problema de seus moradores. O uso habitacional para qualquer faixa de renda estava praticamente excluído do projeto.

Analisando-se as ações do governo nas últimas duas décadas, pode-se perceber nitidamente que as políticas públicas do governo têm sido voltadas quase que exclusivamente à atração de turistas. Tal fato pode ser comprovado a partir do

27

momento em que diversas famílias foram deslocadas das residências situadas nas vias centrais do Pelourinho para subúrbios distantes, de forma a reformar essas construções, para que ficassem vistosas, e transformá-las em locais de comércio. Segundo DA FONSECA (17 set. 2002), ao citar uma entrevistada – uma moradora do Pelourinho, que também é baiana profissional no local –, afirma que o bairro está sendo projetado só para turistas.

“Moradores foram mandados embora, receberam indenização pequena, e hoje moram em bairros piores, sem emprego. A decadência é grande. Morar aqui é bom porque, pelo menos, tem muito turista, dá pra sobreviver” (DA FONSECA, 17 set. 2002).

As referidas ações realmente atraíram mais a atenção dos turistas, uma vez que a “vitrine” do local ficou mais bonita e convidativa – numa espécie de shopping a céu aberto –, entretanto não foram suficientes para manter o fluxo de pessoas durante todo o ano, dada a acentuada queda de visitantes nos períodos do inverno. Além disso – como se pôde perceber através de entrevistas e conversas informais realizadas com os comerciantes locais – não foram oferecidas oportunidades de inclusão da sociedade dos arredores às atividades econômicas desenvolvidas na região, assim como também não foram oferecidos cursos profissionalizantes a essa população.

Em matéria do Jornal A Tarde (2007), foram relatadas opiniões de diversos deputados baianos quanto à revitalização do Centro Histórico de Salvador, dentre os quais alguns discordaram da forma como forram conduzidas as ações do governo. Segundo Walter Pinheiro, deputado do Partido dos Trabalhadores (PT), “as ações do governo não podem atender apenas ao setor turístico, nem só aos interesses empresariais privados. Devem contemplar também os moradores e os artesãos, aqueles que dão vida ao local durante 24 horas, ao longo de 365 dias do ano”. O também deputado do PT, Nelson Pelegrino, afirmou que “houve erro na concepção inicial deste projeto de reforma. O Pelourinho precisa ser auto-sustentável. Mas o governo ainda deve interferir em questões de segurança, habitação e sociocultural. Ou seja, nem tanto (como antes), nem tão pouco”.

28

É sabido que tanto turistas quanto locais necessitam da inclusão dessa comunidade para que possam se sentir atraídos a freqüentar a localidade, uma vez que ela é a perpetuadora da identidade do local. Dessa forma, os turistas a visitariam para conhecerem uma cultura diferente e o seu povo; enquanto os baianos a visitariam para se identificar com sua própria cultura, para voltarem às suas raízes. Segundo DOS REIS 5 (2002), pertencer a uma identidade cultural significa descobrir-se, ser diferente dos comportamentos globais. Em razão disso, patrimônios culturais intangíveis, como as formas de manifestações lingüísticas, de relacionamento, de trabalho com a terra e a tipificidade da culinária, os passos das danças, entre outros, tornaram-se patrimônios da cultura e demonstram a riqueza da relação entre identidade e diversidade da cultura brasileira.

BARRETO 6 (2000, p.44), por sua vez, defende a “recriação de espaços revitalizados”, como um dos fatores que podem “desencadear o processo de identificação do cidadão com sua história e cultura.

Foram exatamente essas as visões que ficaram faltando para o governo ao implementar seu programa de revitalização do Pelourinho. Pois, a meu ver, não se tentou preservar em nada o patrimônio cultural do local, apenas o conjunto arquitetônico do mesmo, não percebendo, no entanto, que não há cultura se o povo responsável por ela está ausente. Faltou também perceber que o turista, quando visita outra cidade ou país, não está interessado apenas no patrimônio arquitetônico, mas sim, e principalmente, no seu povo e sua cultura – tanto é que o Brasil é conhecido pelos turistas estrangeiros pelas suas belas paisagens e principalmente pelo caráter hospitaleiro, carismático e amistoso de seu povo; o que os mesmos apontam como um diferencial brasileiro, mesmo quando comparado a outros países latinos. A presidente da AMACH, Sandra Regina, compartilha da mesma opinião defendida acima por mim e afirma ainda que o governo se equivoca quanto aos pontos de interesse dos turistas que freqüentam o lugar. Segundo Sandra, "eles (turistas) querem ver o suingue, o suor, a raiz do povo que está aqui, não querem

5 Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), atualmente professor e diretor acadêmico do Centro UNISAL Lorena 6 Doutora em Educação, pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente professora na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e na Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB).

29

ver aquela coisinha padronizada, a cultura é tudo aquilo que podemos ser". (CREA- BA, 2004)

Novamente segundo DOS REIS, as comunidades que se organizam para revelar seu patrimônio, que assumem sua identidade e que recuperam formas tradicionais de culinária, danças e festas estão tendo oportunidade de revelar para a sociedade globalizada suas diferenças, peculiaridades e modos de comportamento. Segundo ele, está justamente no ser diferente que reside a geração de renda, emprego e visualização de que a tradição cultural deve ser encarada como identidade da comunidade, fazendo com que as pessoas não necessitem ser como todos são. Entretanto, DOS REIS afirma que a cultura globalizada e que o comportamento tipicamente consumista e capitalista geram impactos, interferem nos comportamentos tradicionais, transformando bens culturais em produtos de consumo. É exatamente em razão disso que ele afirma que a revitalização e os estudos sobre as formas de uso e interação com o patrimônio devem ter profissionais capazes de pensar nestas questões, de apontarem alternativas; assim como as pesquisas e debates devem ser multidisciplinares e terem como referência a comunidade e seu patrimônio – fato que não ocorria nas seis primeiras etapas do programa Rememorar, nas quais os moradores eram excluídos do processo decisório e ainda retirados do local, promovendo uma espécie de “limpeza da pobreza”, em vez de uma ação reparadora das carências da população residente. Concordo, portanto, com BARRETO ao escrever sobre os equívocos da revitalização, no qual a autora defende a realização de estudos que proporcionem a manutenção da identidade. Uma vez que, segundo ela, a recuperação da memória fortalece a cidadania e a valorização do patrimônio.

Dessa forma, concordo também e apoio a opinião de DOS REIS quanto ao fato de que, acima de tudo, o processo de revitalização tem que ser benéfico para a sociedade, ao transformar o lugar em um espaço agradável para os cidadãos e para os turistas. Devendo também respeitar as características culturais da população e da arquitetura das construções, não podendo distorcer o seu significado artístico. Nesse sentido, ainda citando o mesmo autor, o uso adequado do patrimônio tem que exercer duas funções: 1) garantir o respeito à cultura, inclusive no que se refere aos estilos artísticos e garantir o significado histórico, e à comunidade, que não pode ser

30

excluída do processo de decisão sobre o uso do patrimônio ou mesmo dos benefícios econômicos advindos da atividade turística; 2) o desenvolvimento tem de representar a inserção social, pois a participação é essencial para que os impactos não degradem o lugar e os confrontos entre comunidade e turistas não se estabeleçam; além disso, o lugar deve gerar empregos para a comunidade, oportunidade de comercialização do artesanato e de prestação de serviços. Essas são premissas básicas para que seja possível haver um desenvolvimento sustentável em qualquer lugar, pois, assim como afirma Ignacy Sachs (DA VEIGA, 2005), tal espécie de desenvolvimento pode ser compreendido como socialmente includente, ambientalmente sustentável e economicamente sustentado no tempo. Dessa forma, acredito que ao realizar tais afirmações, DOS REIS sinaliza onde residem os pontos falhos dos programas do governo adotados no Pelourinho. Pois, como pude notar após observações do local, grande parte da mão-de-obra empregada no Pelourinho não possui raízes com o local, sendo constituída primordialmente de moradores externos a essa região. Nesse sentido, pode-se concluir que os incentivos dados à geração de atividades rentáveis no local não contemplaram, e ainda não contemplam, os seus moradores – fato que gera um déficit de oportunidades significativo à comunidade residente. Da mesma forma, tais moradores não tiveram a possibilidade de participar das decisões sobre as mudanças às quais foram submetidos. DOS REIS afirma ainda que, paralelamente à inserção social e ao respeito à cultura e à comunidade, as escolas necessitam fortalecer os estudos sobre a história e cultura local. Em outras palavras, o autor aponta a necessidade do incentivo à Educação Patrimonial nas escolas; algo que poderia ser realizado ao menos, e em especial, nas escolas que se situam próximas ao Pelourinho.

Por fim, DOS REIS comenta que países europeus como Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, França, República Tcheca e outros perceberam que investir na restauração e preservação dos bens culturais, trouxe o benefício da dinamização do turismo, ao mesmo tempo em que fortaleceu a identidade nacional. Consequentemente, empresários e sociedade organizada se beneficiaram com o aumento da riqueza interna, pois o turismo gerou negócios e empregos. Os patrimônios possuem a estrutura necessária para receber os turistas, que encontram sinalização adequada, folhetos, guias e uma série de serviços para a visitação do

31

bem cultural. Nota-se no comentário de DOS REIS, portanto, o quanto se está perdendo em visitação e arrecadação no local ao permanecerem as visões errôneas do governo quanto à forma que vêem sendo conduzidas as medidas de revitalização.

Outra falha do governo, advinda do fato de não contar com a participação dos moradores, foi o fato de não serem dadas melhorias às condições de vida dos mesmos. Uma vez que, mesmo com as melhorias infra-estruturais realizadas no Pelourinho (Anexo 06), um levantamento sócio econômico realizado pela equipe da CONDER – divulgado em seu site em abril de 2003 – indicou que 75,6% das famílias usavam banheiro coletivo nos prédios, sendo que 57,2 % usavam banheiro na parte externa da casa, em precárias condições de higiene. 43,5% abasteciam-se de água de torneira coletiva, 42,6% recorriam a ligações clandestinas e de extremo risco de energia elétrica e 41,1% recorriam à fossa negra rudimentar para o escoamento do esgoto. Dessa forma, fica extremamente difícil compreender como é possível pensar uma revitalização do local sem que sejam oferecidas melhorias nas condições de vida das pessoas que o habitam, desde a própria habitação até a inclusão social das mesmas. Acredito que mais uma vez tal fato recaia sobre a preocupação excessiva com o que verão os turistas, em manter a “vitrine” apresentável, e pouca ou nenhuma preocupação com o contexto daqueles que residem no Pelourinho.

5.1.2.2

Tratados?

Sustentabilidade

da

Economia

Local

é

Afetada

pelos

Problemas

não

Guiando-se pelos exemplos de Olinda e São Luís, pode-se dizer que sim. Pois é possível observar que, em Olinda, os moradores vivem em meio aos estabelecimentos comerciais e culturais, estando incluídos no cotidiano do local; fato que tende a provocar um sentimento de “pertencimento” da comunidade ao ambiente em que habita, criando vínculos com o local em que ela está inserida e facilitando a movimentação da economia local. Tal realidade torna mais fácil a existência de pressão dessa sociedade – além de conferir-lhe um maior peso – para cobrar ao poder público ações referentes à segurança, infra-estrutura, entre outros.

32

De acordo com o trabalho monográfico de PEREIRA (1997), pode-se crer que o referido ambiente favorável à sustentabilidade, discutido acima, foi iniciado no Centro Histórico de São Luís do Maranhão após o processo de revitalização sofrido, chamado Projeto Reviver. Esse projeto, contrariamente ao do Pelourinho, sempre teve um caráter de incluir a comunidade residente no local, pois, dentre as diversas

políticas orientadoras de suas atividades, ela possuía: a) propiciar a permanência da população residente no centro histórico; e b) contribuir para a evolução de associativismo e para a consolidação das entidades de classe e demais associações existentes, de forma a garantir uma participação efetiva da comunidade no processo

de preservação e revitalização do Centro Histórico. Num primeiro momento, de 1987

a 1989, esse projeto buscou recuperar e revitalizar o conjunto arquitetônico,

dedicando-se às obras que foram consideradas prioritárias ou emergenciais naquele contexto. Posteriormente, foram beneficiadas 15 quadras e 200 imóveis, nos quais as redes de água, esgoto e drenagem foram renovadas, e a fiação de telefonia e

energia elétrica retiradas do local e substituídas por novas instalações subterrâneas, além de ser proibido o tráfego de veículos. A partir de 1993, graças ao antigo anseio desse projeto de propiciar a permanência da população residente no centro histórico e ao desdobramento desse projeto de revitalização, foi inaugurado um projeto piloto de habitação 7 – Sub-Programa Social e Habitação no Centro Histórico de São Luís

–, dando início à promoção da fixação de famílias na área da Praia Grande, através

da ocupação de parte dos casarões restaurados, distribuindo as famílias em dez apartamentos, englobando uma população de cinqüenta antigos moradores da Praia Grande. Com isso, conservar os imóveis passou a contar com a valiosa ajuda dos novos moradores. De acordo com ABRAHÃO (2009), em São Luís, a revitalização ocorreu de forma cuidadosa, pois, utilizando-se de fotografias do início do século XX, engenheiros e urbanistas desse projeto tiveram o cuidado de preservar ao máximo a unidade do conjunto arquitetônico da Praia Grande, restaurando-lhe o aspecto original descaracterizado ao longo dos anos. Nos locais em que os casarões em ruínas não puderam ser restaurados em seu traçado original, surgiram praças; as calçadas foram alargadas e receberam pedras de cantaria; becos e escadarias sofreram amplas reformas; a camada de asfalto das ruas foi removida, dando lugar aos paralelepípedos.

7 Ainda em 1993, o então Secretário de Cultura do Estado do Maranhão e antigo Coordenador do Projeto Praia Grande, Luís Phelipe Andrés afirmava que o Governo precisava fazer a urbanização, aproveitando o que se tinha de positivo.

33

Dessa forma, pode-se dizer que no caso de São Luís, o projeto foi realizado de forma a integrar a restauração adequada do patrimônio histórico à inclusão da população. Entretanto, assim como ocorrido no Pelourinho, após a paralisação das obras, ainda em 1993 – em razão dos altos custos e da não efetivação do fechamento da negociação com o BID, que financiaria uma etapa do projeto, os recursos não chegaram e o projeto foi paralisado – o Centro Histórico do Maranhão entrou em estado de abandono (PEREIRA, 1997), sofrendo um processo de descaracterização e correndo o risco da cidade, inclusive, perder o título de Patrimônio da Humanidade, como relatado pelo ex-governador do Maranhão e atual senador Epitácio Cafeteira (PTB – MA) em sessão da Câmara dos Senadores do dia 8 de agosto de 2008 (BRASIL, 2008).

No caso do Pelourinho, por outro lado, em razão de tamanha exclusão e marginalização de seus moradores – que jamais se pretendeu resolver nas seis primeiras etapas da revitalização – e da fraca união dos comerciantes (representada pela Acopelô), o seu poder político local fica comprometido. Entretanto, em virtude da contínua expulsão dos moradores dos locais recuperados durante as seis primeiras etapas do programa de revitalização (Anexos 01 a 05), os moradores conseguiram enfim se unir e criar sua associação (AMACH) para lutarem por seus direitos. Como fruto dessa luta, a associação conseguiu alterar o teor excludente do projeto de revitalização, ao menos o que consta no texto do mesmo, cabendo-lhes agora fiscalizar e acionar a justiça no caso de haver desvios na prática do governo.

Ao não seguir os exemplos de Olinda e de São Luís, o Pelourinho tem encontrado dificuldades em manter um fluxo adequado de pessoas no local, o que acaba impactando o faturamento dos empreendimentos locais e tem culminado no fechamento de diversas empresas.

Outro indicador que aponta o insucesso do projeto quanto à sustentabilidade da economia local refere-se à gestão patrimonial realizada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) – órgão que atualmente é proprietário de 181 imóveis dos 226 existentes no centro e administra a concessão de 403 unidades imobiliárias. Tais concessões, que deveriam gerar renda para a sua

34

sustentabilidade, acabam na realidade contribuindo para onerar os cofres públicos, visto que cerca de 70% dos concessionários comerciais estão inadimplentes (FÉLIX,

2008).

Além disso, em razão da exclusão dos moradores do Pelourinho nas medidas do governo anterior – comentada anteriormente –, aliada a diminuição do sentimento de segurança e também da redução da quantidade e qualidade dos eventos no Pelourinho – que resultaram colaborando à manutenção de um baixo fluxo de pessoas –, os problemas do Pelourinho não só deixaram de ser resolvidos, como ficaram camuflados em meio à beleza do local, graças às ações paliativas adotadas. Entretanto, como averiguado nas entrevistas e pesquisas realizadas, essa situação resultou em cenas constantes de furtos e de mendicância, fato que acaba tendo o efeito de repelir e afugentar turistas e locais.

5.1.3 Influência da Política nos Cuidados com o Pelourinho

5.1.3.1 Diferença no Trato com o Pelourinho

É sabido que na época em que ACM estava à frente da política baiana, o Pelourinho era a sua “Menina dos Olhos”, recebendo diversos investimentos, de forma que o local passou a ser bem freqüentado e famoso no Brasil e fora dele. Apesar da efetividade de suas medidas terem um caráter duvidável, é notório que houve uma melhoria no local. Entretanto, ao se alternar o governo, o Pelourinho deixou de receber o mesmo tratamento, quer seja por falta de recursos disponíveis ou por uma mudança generalizada das medidas a serem adotadas por lá.

Enquanto, no governo anterior, a desapropriação das casas e sua respectiva entrega ao comércio e movimentos culturais eram vistas como a única forma de conservar esse patrimônio tombado pela Unesco, no governo atual essa visão foi alterada. Mas vale ressaltar que tal mudança não partiu de uma iniciativa do governo, elas ocorreram em razão da ação popular vinda dos moradores da região, movida pela Associação dos Moradores e Amigos do Centro Histórico (AMACH) em conjunto com o Ministério Público, que interrompeu as obras e forçou – através do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) – a mudança do teor excludente dos moradores,

35

existente nas etapas anteriores do programa de revitalização, e passando a haver a inclusão dos moradores no processo decisório e nas áreas recuperadas.

5.1.3.2 Descontinuidade das Políticas Públicas

O descontinuísmo de Políticas Públicas é um problema enfrentado frequentemente no Brasil, sendo geralmente muito nocivo ao desenvolvimento das regiões que deveriam ser beneficiadas. Resultando muitas vezes em desperdício de dinheiro público, uma vez que diversas políticas públicas não têm resultado sustentável se não forem realizadas até a última etapa. No Pelourinho, com a troca de governo, houve também a descontinuidade das políticas da gestão anterior. Apesar da maneira com que o projeto vinha sendo conduzido não fosse plenamente positivo, o mesmo trazia algumas melhorias e a sua descontinuação abrupta – e aparentemente com baixo nível de reflexão – trouxe efeitos negativos, discutidos anteriormente, que geraram uma sensação de desconforto e medo aos que iam ao Pelourinho, resultando num baixo fluxo de freqüentadores, num estado de abandono do local, numa deteriorização de monumentos e, por conseqüência, numa série de dificuldades ao comerciantes locais.

Entretanto, a descontinuidade aparenta não ter sido de toda ruim para a melhoria do Pelourinho. Uma vez que houve algumas mudanças significativas nesse percurso, como a criação do Conselho Gestor citado anteriormente, a discussão sobre o pelourinho em Fóruns e Câmaras Temáticas também citadas anteriormente, bem como a inclusão dos moradores no processo. Nesse sentido, a descontinuidade pode ser encarada como algo positivo no longo prazo, uma vez que as medidas tomadas daqui para frente terão maior embasamento e adequação à realidade do local.

36

6 SOLUÇÕES PROPOSTAS

Como possíveis soluções, poderiam ser implementadas políticas voltadas a 1) Programação cultural constante; 2) Educação Patrimonial; 3) Infra-estrutura; 4) Parcerias com ONGs, cooperativas e empresas para tirar os meninos de rua; 5) Criar oficinas profissionalizantes para atender os moradores da região; 6) Retomar as etapas restantes do plano de restauração do Centro Histórico; 7) Promover a capacitação dos comerciantes da região. Através de tais medidas, acredito que seja possível o alcance dos ideais de se construir um Pelourinho mais seguro, atrativo, “vivo” e auto-sustentável, do qual todos os soteropolitanos possam se orgulhar e freqüentar com prazer.

Algumas das propostas abaixo já foram parcialmente abordadas pelas Câmaras Temáticas sobre o Centro Antigo de Salvador.

6.1 PROGRAMAÇÃO CULTURAL CONSTANTE

O

Pelourinho deve contar com uma programação cultural diversificada durante todo

o

ano para que a população de Salvador se sinta recorrentemente atraída a

freqüentar a região. Assim, tal oferta contínua de opções de lazer no local, favorecerá a manutenção de um fluxo relativamente constante de pessoas durante todo o ano, amenizando os problemas da sazonalidade. A não realização de políticas públicas para combater os efeitos da sazonalidade no Pelourinho foi apontada pelo presidente da Acopelô como um fator significativo para o crescente aumento do número de falências no local.

A programação referida deve ser composta por, entre outros eventos, shows de

artistas já consagrados e também daqueles que estão surgindo no cenário local ou nacional e que ainda estão buscando seu espaço na mídia. Sendo que esses shows deveriam ser, preferencialmente, gratuitos ou mesmo disponibilizados a preços

populares, com palcos armados nos locais de grande espaço.

Eventos ligados à cultura afro-brasileira também são muito importantes, com a realização de rodas e oficinas de capoeira, shows afro: como Filhos de Gandhy,

37

Olodum, entre outros. A Terça da Benção é um evento muito importante e de grande identidade no local, que atrai muitas pessoas para esse espaço.

Os museus, cinemas e teatros devem estar também realizando eventos com artistas já consagrados, como também dando oportunidades para os novos talentos. Assim companhias de teatro amador e profissional realizariam peças nos diversos teatros da região. Artistas plásticos demonstrariam suas exposições nos museus do Pelourinho e o cinema local proporcionaria oportunidades para o cinema alternativo, aderindo ao Circuito de Cinema Saladearte. Algo já acontece nesse sentido no local, entretanto a divulgação ainda é ineficiente.

Poderia ser adotado também um sistema adotado em diversas cidades da Europa, a exemplo de Gotemburgo, no qual aqueles que tivessem interesse em adentrar diversos museus, parques e centros de cultura poderiam adquirir um cartão válido por 24 horas que os permite visitar todos os locais conveniados pagando apenas o valor do referido cartão. Esse tipo de sistema é especialmente interessante aos turistas que vêm aqui e desejam conhecer o máximo possível de nossa cultura. No caso de Gotemburgo, esse cartão inclui também os serviços de transporte terrestre, ônibus e bondes, mas não acredito que incluir o sistema de transporte em Salvador pudesse ser feito com eficácia, dado que a qualidade, facilidade e pontualidade do transporte da referida cidade é extremamente melhor do que em Salvador. Além do referido sistema, poderia ser instituído também um dia no mês, ou ano, em que todos esses serviços relativos à cultura seriam gratuitos ou com a metade do preço, algo como “Dia da Cultura de Salvador”, a exemplo da França, em que a entrada no Museu do Louvre é gratuita uma vez por mês. Tal medida necessitaria, no entanto, do apoio do governo, promovendo sua divulgação na mídia. Assim, os cidadãos soteropolitanos se sentiriam mais estimulados a visitar essas organizações.

Vale ressaltar que os artistas baianos devem ter prioridade na realização desses eventos culturais, de forma a proporcionar uma maior identidade cultural, fortalecendo o sentimento de “baianidade”.

Quanto à auto-sustentabilidade do Pelourinho, a questão é que atualmente, ele é bastante dependente das ações do governo. Pois, se o governo deixar de bancar as

38

atividades que lá ocorrem ou mesmo deixar de dar qualquer espécie de incentivos, a economia local fica altamente comprometida. No entanto, esta é uma região de grande potencial turístico e cultural, o que pode dar a ela a oportunidade de auferir a renda que lhe seja necessária para que os comerciantes possam manter a região atrativa sem maiores benefícios do governo num médio a longo prazo. Para isso, torna-se necessário estabelecer parcerias entre o Estado e o capital privado para promover os eventos no local, de forma a desonerar o Estado e diminuir a dependência de recursos do Pelourinho frente aos recursos daquele.

Além das parcerias entre o público e o privado, através da Lei de Parcerias Público- Privadas 8 (Lei nº 11.079), há ainda a possibilidade das empresas que quiserem cooperar com estes projetos culturais se utilizarem da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313), mais conhecida como Lei Rouanet 9 . Esta é uma lei brasileira de 23 de dezembro de 1991, que prevê incentivos a empresas e indivíduos que desejem financiar projetos culturais. Entre outras medidas, a norma permite deduzir do imposto de renda de 60% a 100% do valor investido em um projeto cultural, de acordo com o enquadramento. Dessa forma, não só os comerciantes são incentivados a investir em cultura, beneficiando o local, como os mesmos poderão se beneficiar de uma redução de seus tributos. Para os empreendimentos instalados no Pelourinho, o incentivo à cultura com o apoio dessa lei tem dupla vantagem, pois, além dos benefícios fiscais, a empresa que realizar tal ato poderá também se beneficiar dos impactos positivos causados pelo seu apoio à organização escolhida, no momento em que esta tenderá a ter uma maior atuação e visibilidade – atraindo mais gente ao local – e aquela poderá também se utilizar do apoio realizado a tal instituição de cultura como uma afirmação do marketing social de sua empresa.

6.2 EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

8 Entende-se como parceria público-privada um contrato de prestação de serviços de médio e longo prazo (de 5 a 35 anos) firmado pela Administração Pública, cujo valor não seja inferior a vinte milhões de reais, sendo vedada a celebração de contratos que tenham por objeto único o fornecimento de mão-de-obra, equipamentos ou execução de obra pública. Na PPP, a implantação da infra-estrutura necessária para a prestação do serviço contratado pela Administração dependerá de iniciativas de financiamento do setor privado e a remuneração do particular será fixada com base em padrões de performance e será devida somente quando o serviço estiver à disposição do Estado ou dos usuários. Essa lei traz a possibilidade de combinar a remuneração tarifária com o pagamento de contraprestações públicas e define PPP como contrato administrativo de concessão, na modalidade patrocinada ou administrativa.

9 Esta é uma lei brasileira de 23 de dezembro de 1991, que prevê incentivos a empresas e indivíduos que desejem financiar projetos culturais. Entre outras medidas, a norma permite deduzir do imposto de renda de 60% a 100% do valor investido em um projeto cultural, de acordo com o enquadramento.

39

De nada adiantarão as demais medidas propostas anteriormente se não forem conscientizados os moradores dessa região, bem como dos demais soteropolitanos; e para isso, deverá ser realizada uma efetiva educação patrimonial dos mesmos.

“É uma proposta metodológica e um tipo de ação social, de ‘microação’, como diria Habermas, que procura tomar os bens culturais como fonte primária de um trabalho

de ativação da memória social, recuperando conexões e tramas perdidas, provocando

a afetividade bloqueada, promovendo a apropriação pelas comunidades de sua

herança cultural, resgatando ou reforçando a auto-estima e a capacidade de identificação dos valores culturais, ameaçados de extinção”. (HORTA, 1979, p. 35)

Como forma de uma promoção efetiva da educação patrimonial, acredito que deveria ser incluído nas escolas de ensino fundamental e médio, quando do estudo da história do Brasil, um estudo sobre a própria história de Salvador e de seus pontos históricos; de forma a criar uma identificação mais forte desses com a sua cidade e, mais especificamente, nesse caso, com o Pelourinho. Para isso, deveria ser acordada com o MEC a inclusão obrigatória do referido tema nessas escolas. Segundo o atual presidente da Acopelô, a introdução da Educação Patrimonial também é uma das medidas requisitadas pela associação, como uma medida capaz de aumentar o nível de responsabilidade social dos próprios moradores com o ambiente em que vivem; entretanto, ainda sem sucesso, esse pedido não foi atendido pelo governo. Outra medida que também deveria ser tomada seria a realização de excursões dos colégios municipais e estaduais com seus estudantes dos níveis fundamental e médio para o Pelourinho, a fim de que os mesmos possam interagir com o local e descobrirem ainda mais sobre a sua história e importância que este tem para a cidade. Para atingir esse objetivo, no entanto, deveriam ser implementadas ou mesmo incentivadas pelo governo a contratação de guias que conduzissem esses jovens aos museus e os mais diversos centros culturais dessa região. Vale ressaltar que tais guias não trabalhariam exclusivamente em função das excursões dos colégios públicos, mas também de excursões promovidas por colégios particulares e de turistas. A participação das instituições de ensino públicos em tais excursões deveriam ser gratuitas e evidentemente deveria ser realizada uma filtragem de quais escolas deveriam participar dessas excursões em cada ano, uma vez que isso ficaria demasiadamente oneroso para o Estado ou Município se todas as escolas fossem levadas num mesmo ano, já que representariam gastos

40

adicionais no orçamento. Quanto aos colégios particulares, poderia ser realizada uma espécie de convênio, no qual estes pagariam um valor reduzido para participar das excursões, ou até mesmo ser-lhes também concedida a gratuidade do serviço, por também se tratarem de instituições de ensino. Entretanto, tais excursões escolares deveriam ser agendadas com um período de antecedência mínima – como dois meses, por exemplo –, de forma a não haver um número excessivo de estudantes no local, no caso de dois colégios decidirem participar no mesmo momento; além disso, de forma a também atender aos turistas, tais excursões escolares deveriam ser agendadas para os momentos de menor fluxo turístico nos ambientes a serem visitados – aos turistas deveriam ser cobradas taxas para os serviços, podendo ser concedidos descontos a estudantes e pesquisadores.

Dessa forma, devem ser oferecidas atividades culturais e pedagógicas acerca do conhecimento do Centro Histórico, possibilitando a formação identitária e pluriétnica,

e elaborar materiais didáticos relacionados à história da cidade do Salvador,

enfocando os locais de maior peso histórico, a exemplo do Pelourinho. Tal proposta de programa de educação patrimonial nas escolas públicas, enfocando as do Centro Antigo de Salvador (CAS), podem ser articuladas com o Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), as Universidades, entre outros.

6.3 INFRAESTRUTURA

6.3.1 Melhoria da habitação na localidade

Moradores enfrentam dificuldades de moradia, com prédios mal conservados, cujas estruturas estão arruinadas, com fiações antigas e correndo risco de incêndio. Estas pessoas não possuem um local para onde ir e, por isso, se submetem a correr risco de morte cotidianamente.

É necessário que o Governo Estadual realize a construção de casas populares na

região, possivelmente com recursos provenientes do Programa Habitacional de Interesse Social do Ministério das Cidades – advindo do acordo intermediado pelo

41

Ministério da Cultura que acabou com o impasse gerado pela ação pública movida pela Associação dos Moradores do Centro Histórico – ou mesmo do programa Viver Melhor (com recursos da Caixa Econômica Federal), garantindo uma moradia digna, para muitas famílias que ali estão alojadas. Seguindo, assim, o exemplo do que se buscou fazer em São Luís do Maranhão, no desdobramento habitacional do Projeto Reviver.

A partir da realização efetiva de um projeto como o citado acima, e considerando-se que são os moradores do local que primeiramente se preocupam com as condições do ambiente em que vivem e que se esforçam para cuidar do mesmo, instala-se aí um círculo virtuoso do sentimento de posse e de identificação com o lugar habitado. Tal situação gera uma tendência de manutenção do patrimônio, uma vez que haveria um maior empenho de seus moradores para cuidar do local e “lutar” pela preservação e melhoria de seu espaço, valorizando ainda mais o Pelourinho.

Além disso, deve-se realizar análise de risco das ruínas, identificadas via inspeção e relatórios emitidos pela SUCOM e Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura - CREA, para a implementação de sinalização e alerta como forma preventiva, antes da implementação das reformas. Dessa forma, será garantida a segurança dos moradores e transeuntes, uma vez que diversos imóveis podem estar com suas estruturas comprometidas, colocando em risco a vida dos que passam perto dos mesmos, especialmente nos períodos de chuva – quando o perigo se torna mais evidente e as ocorrências mais freqüentes.

6.3.2

Acessibilidade

Atualmente, o Pelourinho conta com uma acessibilidade deficitária, apresentando problemas com relação ao acesso e à mobilidade dos transportes para essa região, bem como do trânsito de pessoas portadoras de deficiências locomotivas e visuais. Esse local conta ainda com a falta de sinalizações verticais e horizontais mais eficientes, especialmente importante para aqueles que são turistas ou que não tem o hábito de freqüentar a região, ficando por vezes desorientados e tendo de recorrer a ajuda de terceiros para se localizar.

42

Como forma de mitigar o problema referente ao transporte e o trânsito nessa região, têm-se a possibilidade de implementação de um plano de mobilidade que inclua um serviço de transporte circular exclusivo do Centro Histórico, a exemplo de bondes – assim como ocorrido em São Luís do Maranhão. Ao mesmo tempo, dever-se-ia viabilizar estacionamento periférico, integrado com o sistema de transporte do centro. De forma a diminuir o trânsito e o estacionamento de veículos no Centro Histórico, especialmente no Pelourinho. Entretanto, conhecendo a realidade política de Salvador dos últimos anos, é possível que surjam conflitos de ordem política e de recursos para a implementação dessa medida.

Com relação ao problema referente às sinalizações do local, deve-se identificar e sinalizar adequadamente os monumentos. Além disso, dever-se-ia colocar pontos de referência em locais estratégicos da região, contando com um mapa e a indicação “Você está aqui”, ou algo do gênero, bem como adicionar o telefone das instituições mais relevantes e procuradas da região, como a polícia, órgãos de turismo, entre outros.

6.3.3 Segurança Pública

Algumas medidas importantes podem ser tomadas com relação ao problema da segurança pública, a exemplo da promoção de um aumento do efetivo de policiais no local; a implantação do sistema de Polícia Comunitária, juntamente com a requalificação dos policiais do local; a oferta de curso de línguas para os policiais que atuam no local – parte do efetivo já passou por tais cursos –, de forma a atender melhor aos turistas estrangeiros; o re-aparelhamento dos policiais; a realização de um policiamento ostensivo nas áreas de maior ocorrência, principalmente aos finais de semana; a efetiva repressão ao tráfico de drogas no local; a ampliação do monitoramento por câmeras de segurança; e a eficientização da Iluminação pública.

O aumento do efetivo policial, bem como as diversas medidas supracitadas são fatores importantes para a promoção do aumento do fluxo de pessoas no Pelourinho, pois a imagem de insegurança e de marginalidade afugentou muitas pessoas que freqüentavam o local. Segundo declaração do presidente da Acopelô, esse aumento do efetivo torna-se ainda mais importante, uma vez que a região

43

contava com um efetivo de 618 policiais antes da troca do governo estadual, ao passo que hoje conta com apenas 380, havendo ainda a possibilidade de redução de metade desse número para suprir eventos de maior magnitude na cidade – sendo citado o exemplo de quando há jogos do Esporte Clube Bahia em Pituaçu. É importante frisar que o simples aumento do efetivo de policiais, ameniza, mas não resolverá, os problemas da região, pois, assim como afirmaram os dois policiais entrevistados, além dessa medida é necessário também que se invista em educação e trabalho para o povo do local.

Dessa forma, mais policiais devem ser alocados nas ruas do Centro Histórico para, com isso, coibir possíveis atos criminosos no local no curto prazo; e investir em educação e renda para os moradores para tratar o problema no médio a longo prazos. Vale ressaltar que o local possui algumas câmeras de segurança, mas que, por falta de um maior efetivo, a segurança do local continua deficitária. Além disso, ao longo da confecção deste trabalho, o governo estadual realizou investimentos na área de iluminação pública, melhora ocorrida aparentemente já em função das discussões realizadas nas Câmaras Temáticas sobre o Centro Antigo de Salvador. Entretanto, vale ressaltar que se torna necessário realizar uma manutenção constante da qualidade da iluminação, uma vez que esta tem como uma de suas funções vitais – além da promoção de uma melhoria da visibilidade – o aumento do nível de segurança no local.

Nesse sentido, a implantação do sistema de Polícia Comunitária nessa região

poderia ser considerada uma solução eficiente para um médio a

vez que sua implantação é algo que exige bastante planejamento, treinamento e apoio da comunidade, mas que, quando consolidada, se torna uma forma eficiente de sanar os problemas de segurança do local em que atua. Além de auxiliar na resolução dos problemas relativos à segurança pública, o ideal da Polícia Comunitária não se restringe apenas a isso, a mesma teria como função também promover uma aproximação entre a comunidade envolvida e o Estado, uma vez que a partir dessa polícia, tendem a ser discutidos outros problemas que não sejam diretamente relacionados a segurança, mas que auxiliem na melhoria da mesma, a exemplo dos problemas referentes ao transporte, à educação e à saúde. Assim, tal polícia serviria como uma espécie de intermediador entre os anseios da população e

prazos. Uma

curto
curto

44

as decisões do Estado, podendo ser ainda mais eficiente do que as próprias associações e outros grupos, dada a dificuldade de comunicação presente no Estado brasileiro entre o povo e as instituições públicas e uma vez que a polícia faz parte do Estado. Sobre a Polícia Comunitária, Lee Brown, Ex-Chefe de Polícia de Nova Iorque e um dos precursores dessa nova abordagem, afirmou: "Queremos que o patrulheiro seja um organizador, um ativista comunitário, um solucionador de problemas

No Brasil, a partir do decreto nº 23.455, de 10 de maio de 1985, foram criados os Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEGs). Os CONSEGs são entidades, compostas por líderes comunitários do mesmo bairro ou município que se reúnem para discutir e analisar os problemas comunitários de segurança, planejar e acompanhar a solução desses problemas, desenvolver campanhas educativas que estimulem a auto-proteção comunitária – evitando a ocorrência de infrações e acidentes que possam ser evitados – e estreitar laços de entendimento e cooperação entre as várias lideranças locais. Cabe a um Conselho Comunitário de Segurança ativo difundir o conceito da parceria em uma comunidade, cooperando para restaurar, manter e desenvolver fortes vínculos de solidariedade e compreensão, auxiliar a Polícia a estabelecer prioridades no atendimento à população e realizar as referidas campanhas educativas, bem como promover o reconhecimento de valores culturais e a compreensão entre líderes dos mais diversos segmentos da comunidade. Dessa forma os CONSEGs atuam como um vetor de integração de lideranças étnicas e de diferentes segmentos sócio- econômicos de uma comunidade., superando conflitos a partir do diálogo, atuando como instituição de difusão e defesa dos conceitos dos direitos humanos na sociedade. Além disso, em razão do CONSEG conseguir reunir representantes dos diversos segmentos da sociedade, ele pode ser capaz de corrigir ou auxiliar o Estado na correção de problemas ambientais que, embora não sejam da competência da Polícia resolvê-los, trazem reflexo à atividade policial, onerando seus recursos. Tais problemas podem ser de origem humana, como os menores abandonados, os moradores de rua e a migração desordenada; ou material, a exemplo de buracos nas vias públicas, má iluminação, terrenos baldios, imóveis abandonados, entre outros.

45

De forma a atender parte das medidas referidas acima, o Governo Estadual e Municipal podem recorrer ao auxílio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI). Esse é um programa do governo que visa realizar investimentos na segurança do Brasil, sendo esta uma excelente oportunidade para o Governo da Bahia realizar as ações de aumento do efetivo policial, de sua requalificação e de seu re-aparelhamento, juntamente com a implantação da Polícia Comunitária no local. Uma vez que esse programa, também chamado de “PAC da Segurança”, articula políticas de segurança com ações sociais; prioriza a prevenção e busca atingir as causas que levam à violência, sem abrir mão das estratégias de ordenamento social e repressão qualificadas. O PRONASCI tem como alguns de seus eixos centrais – que podem ser aproveitados no Pelourinho – a importância da formação e da valorização dos profissionais de segurança pública, o que tende a melhorar a qualidade dos serviços prestados, e o envolvimento da comunidade na prevenção da violência; a exemplo do Projeto Mãe da Paz, que propõe o apoio à organização coletiva das mães de adolescentes em risco como forma de ajudá-las a mantê-los longe do tráfico de drogas.

6.3.4

Limpeza

Como forma de tentar solucionar esse problema, torna-se necessário realizar a instalação de sanitários públicos distribuídos em pontos estratégicos do Pelourinho, de forma a tornar esse serviço visível e facilmente encontrado. Outra medida que deve ser tomada é a maior distribuição de cestos coletores de lixo, haja vista que os mesmos não se encontram com facilidade no local.

6.4 PARCERIAS COM ONGS, COOPERATIVAS E EMPRESAS PARA TIRAR OS MENINOS DE RUA

Um problema freqüente, enfrentado por comerciantes e visitantes, são os meninos de rua mendigando em busca de esmola na região, sendo esta uma situação desconfortável para turistas e locais. Esse fato, por sua vez, contribui para a geração de uma imagem negativa, o que conseqüentemente acaba contribuindo para afugentar os visitantes do Pelourinho.

46

O governo Estadual e Prefeitura devem realizar parcerias com ONGs, cooperativas e empresas privadas, para oferecerem atividades de lazer e educação a esses meninos, evitando que estes vaguem mendigando pelas ruas, cometam furtos ou mesmo se tornem usuários de drogas. É importante ressaltar que estas não devem ser medidas pontuais e paliativas, que ocasionem o retorno desses meninos para a rua. Dessa forma, os projetos implementados por tais organizações devem possuir um caráter de continuidade e de estímulo aos estudos para essas crianças. Incluindo-se aí a questão da Educação Patrimonial e da inserção desses meninos em oficinas profissionalizantes. Alguns trabalhos já vêm sendo realizados no local, a exemplo do Grupo Cultural Olodum que, desde 1984, vem desempenhando um papel importante para a inclusão social dos meninos do local, originalmente com o projeto Rufar dos Tambores e atualmente com o projeto Escola Olodum. Entretanto, segundo dois entrevistados, tais ONGs não atingem exatamente aqueles que mais precisariam; vale ressaltar que esta foi uma opinião não confirmada, mas, em todo caso, é possível afirmar que as mesmas não são capazes de resolver o problema sozinhas, apenas atenuá-los.

Vale ressaltar que o problema da mendicância infantil – e também adulta – se trata de um problema estrutural da cidade de Salvador e não apenas de um caso isolado do Pelourinho. Dessa forma, deve-se fazer esse mesmo trabalho também nas demais regiões afetadas de Salvador, uma vez que os mendigos de outros locais podem vir a migrar para o Pelourinho, uma vez que a “concorrência” estaria menor em razão da efetividade da ação proposta para o local.

Assim como citado na solução proposta 6.1 (Programação Cultural Constante), neste caso, as empresas que desejem se engajar nesse processo também podem se utilizar da Lei Rouanet, ou até mesmo recorrer à Lei de Parcerias Público- Privadas – a depender da atividade a ser desenvolvida.

47

6.5 CRIAR OFICINAS PROFISSIONALIZANTES PARA ATENDER OS MORADORES DA REGIÃO

A criação de oficinas profissionalizantes voltada aos moradores da região, seria com

certeza uma medida interessante para o local, uma vez que muitos dos residentes

no Pelourinho estão à margem da economia local, especialmente do trabalho formal

– tanto policiais, quanto comerciantes e o presidente da Acopelô afirmaram que a

maioria dos que trabalham no Pelourinho não residem no mesmo. Com a promoção de tais oficinas seria possível introduzir essa população no mercado e melhorar as condições de vida das pessoas da região.

Deve-se citar ainda que Salvador foi confirmada como uma das sub-sedes da Copa do Mundo do Brasil de 2014 10 . Tal fato atrairá mais turistas à cidade e, consequentemente, ao Centro Histórico. Com isso, devem ser disponibilizados mais recursos para ajudar a financiar a revitalização do Pelourinho, sendo uma oportunidade interessante para a expansão de parcerias com ONGs, cooperativas e empresas para criar oficinas profissionalizantes. Como contrapartida a essas organizações, além dos incentivos fiscais concedidos às mesmas, elas terão a oportunidade de divulgar ainda mais os seus nomes a nível local e global, podendo se tornar uma ação vistosa para empresas grandes, funcionando como um excelente marketing social e geração de trabalho e renda ao local.

6.6 RETOMAR AS ETAPAS RESTANTES DO PLANO DE RESTAURAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO

Das dez etapas previstas no plano de restauração do Centro Histórico, somente seis foram realizadas até o momento, a sétima ainda não foi concluída. Segundo Maria Palácios 11 , os investimentos em restauração, na parte física, e aqueles oriundos do Desenbanco e do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDS) 12 nas empresas que foram atraídas para a área, estão ameaçados. Ela afirma ainda que, de acordo com a pesquisa requisitada pela CONDER – em período anterior à quinta

10 O anúncio foi realizado no dia 20 de maio de 2009 pelo deputado federal José Rocha, do PR (Partido da República). Entretanto a confirmação oficial só será divulgada às 15h30min do dia 31 de maio de 2009.

11 Maria Palácios é socióloga pela Universidade de Liverpool, Professora de Sociologia do Curso de Urbanismo da UNEB, moradora do Centro Histórico e jornalista profissional.

12 Atualmente Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

48

etapa –, o perigo de retrocesso é muito grande caso não se mantenha uma dinâmica de transformação de todo o centro e que, nessa hipótese, poderemos ter em breve o Pelourinho degradado de até bem pouco – significando a perda dos investimentos públicos e privados feitos até o momento.

A avaliação encomendada pela CONDER – referida acima – prevê três tipos de cenários. O primeiro prevê o prosseguimento e a conclusão dos trabalhos nas suas dez etapas. Neste caso a área assumiria definitivamente o seu papel de centro cultural da cidade; se estabeleceria um perfil estável de uso do solo do Centro Histórico; ocorreria a valorização do estoque imobiliário e sua equiparação ao do resto da cidade; a extensão da revitalização chegaria ao Comércio e à Baixa dos Sapateiros; o Centro Histórico passaria a exercer maior atração elevando o número de turistas para Salvador. O Estado gradualmente reduziria sua intervenção na área que eventualmente seria co-gerida pelos usuários, particularmente os comerciantes, cabendo ao Estado apenas a regulamentação. O nível de renda da população envolvida com o Centro Histórico se elevaria, o número de empregos criados cresceria e a Bahia daria o exemplo a vários outros centros históricos do Brasil. Note-se que, apesar dos benefícios citados, nesta época ainda não havia o caráter social do projeto, de inclusão dos moradores; nesse sentido, o governo deixaria a responsabilidade pela melhoria das condições sociais dos moradores à “mão invisível” do mercado, fato contestável. No entanto, com as modificações ocorridas no projeto original – que passa agora a incluir os moradores no processo decisório e no ambiente do Pelourinho –, acredito que, ao fim do projeto, tais benefícios acima poderão ser alcançados.

Num segundo cenário, de forte redução do volume de recursos, o documento previa

o seguinte: "A transferência da responsabilidade de gestão do Centro Histórico para

seus usuários ou co-gestão torna-se difícil; a possibilidade da marginalidade retornar

a área é muito grande como já está acontecendo na área da Sé e do Passo; a

diminuição do turismo de massa na área; a redução do uso do Centro Histórico pela própria população de Salvador hoje sua maior usuária; a substituição do comércio de melhor nível que se transfere da área por outro de cunho mais popular; a possibilidade do bairro se transformar em gueto cultural e o descrédito da ação pública perante a população, reforçando a baixa imagem das instituições". Tal

49

realidade chegou a ocorrer em maior ou menor grau nas áreas do Centro Histórico no período em que houve a paralisação das obras da sétima etapa.

Num terceiro cenário, no qual as obras permanecessem na quarta etapa, a previsão era a seguinte: "Risco de perda do investimento até agora despendido pelo estado e pela empresa privada; retorno da marginalidade à área de forma mais violenta e rápida; expulsão dos comerciantes e prestadores de serviços que chegaram após a revitalização; ocupação do Centro Histórico pelo comércio informal; perda de um grande estoque imobiliário pela sua rápida degradação e perda de valor; falências em cascata dos comerciantes instalados na área; aumento do desemprego; perda de confiabilidade do setor público em investimentos sócio-cultural e perda de um patrimônio cultural local, nacional e da humanidade". Tal situação ainda não chegou a ocorrer no local; no entanto, é importante ter em mente que esta é uma possibilidade real e que deve ser evitada. Nesse sentido, as obras devem ser continuadas até o final, de modo a garantir a tão esperada sustentabilidade do local; para isso, o projeto não deve sofrer interferências de conflitos de cunho meramente políticos, sendo paradas apenas quando for necessário e melhor para o sucesso do projeto – a exemplo da ação pública dos moradores do Pelourinho.

6.7 PROMOVER A CAPACITAÇÃO DOS COMERCIANTES DA REGIÃO

De acordo com uma pesquisa realizada em 2004 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), sobre os fatores condicionantes e a taxa de mortalidade de empresas no Brasil (tabela 07), encontram-se em primeiro lugar entre as causas do fracasso questões relacionadas a falhas gerenciais na condução dos negócios, como a falta de capital de giro (indicando descontrole de fluxo de caixa), problemas financeiros (situação de alto endividamento), o ponto inadequado (falhas no planejamento inicial) e a falta de conhecimentos gerenciais. Em seguida, em segundo lugar, predominam as causas econômicas conjunturais, como a falta de clientes, os maus pagadores e a recessão econômica no País. Outra causa indicada, com 14% de citações, refere-se à falta de crédito bancário.

Com os dados coletados na pesquisa referida acima, os pesquisadores chegaram à conclusão de que as causas da alta mortalidade das empresas no Brasil estão

50

fortemente relacionadas, primeiramente a falhas gerenciais na condução dos negócios, seguida de causas econômicas conjunturais e tributação. As falhas gerenciais, por sua vez, podem ser relacionadas à falta de planejamento na abertura do negócio, levando o empresário a não avaliar de forma correta, previamente, dados importantes para o sucesso do empreendimento, como a existência de concorrência nas proximidades do ponto escolhido, a presença potencial de consumidores, dentre outros fatores.

Nesse sentido, além da educação patrimonial a ser realizada na região do Centro Histórico, torna-se vital também a capacitação dos comerciantes locais, uma vez que a administração incorreta dos negócios pode gerar a insustentabilidade do empreendimento e culminar em sua falência, comprometendo o comércio do local. Para realizar tal capacitação, poderia ser estabelecida uma parceria entre o SEBRAE e a Associação dos Comerciantes do Pelourinho, de forma que as duas instituições ficassem responsáveis por orientar os comerciantes locais, auxiliando-os principalmente na abertura dos novos negócios e na requalificação dos empreendimentos atualmente presentes no local. Assim, ambas estariam responsáveis por realizar um treinamento dos micro e pequenos empresários da área no sentido de fazê-los administrar seus negócios de forma eficiente, competitiva e com qualidade. Poderiam ser instauradas parcerias também com instituições financeiras e escolas de nível superior, assim como também com as empresas juniores destas escolas.

Além da orientação técnica, deveriam ser oferecidas também opções especiais de linha de crédito aos empresários locais, uma vez que estes estão inseridos num contexto de reabilitação do local. Tais financiamentos especiais deveriam ser destinados à promoção da revitalização econômica do comércio varejista, especialmente de gêneros alimentícios regionais, artesanato e das atividades relacionadas ao turismo cultural; e a equipamentos âncoras, como centro de serviços. Dessa forma, poderia ser criada uma agência de financiamento para comerciantes do Pelourinho. Essa agência funcionaria como uma fonte de micro- crédito voltado para profissionais da área de cultura e comércio, que moram ou trabalham no Pelourinho e adjacências, visando dinamizar a economia da região. Esta iniciativa, em conjunto com as instruções do SEBRAE e do Acopelô, visa

51

proporcionar autonomia e auto-suficiência dos comerciantes, para que estes adquiram a capacidade de auto-gestão do seu negócio. A agência funcionaria, portanto, como um meio do comércio do Pelourinho não depender da boa vontade dos governantes em oferecer financiamentos e investimentos para a região; ficando assim esses recursos disponíveis e acessíveis à população local, para que esta tenha a capacidade de promover o seu próprio desenvolvimento e o do Pelourinho através de suas iniciativas empreendedoras.

Outra medida que pode ajudar a capacitar os empreendedores do Pelourinho é a realização da renegociação de dívidas dos mesmos, uma vez que muitos deles, comerciantes e artistas, sofrem com dívidas de impostos e empréstimos. Ao realizar refinanciamentos dessas dívidas e oferecer orientações técnicas a esses empreendedores, amplia-se a possibilidade de auto-sustentação dos mesmos. Tal proposta de renegociação teria como objetivo auxiliar a manutenção e o desenvolvimento desses comerciantes e artistas, de modo que o sucesso destes representariam também o sucesso do próprio Pelourinho. Pois estaria sendo mantida a renda no local, na medida em que isso tenderia a incorrer num menor índice de desemprego de seus residentes. Ao expor as idéias de refinanciamento e a criação de uma agência de fomento para os comerciantes locais ao presidente da Acopelô, Lenner afirmou que tais medidas ajudariam significativamente na manutenção dos empreendimentos locais, uma vez que diversos deles se encontram em dificuldades financeiras e muitos acabam entrando na ilegalidade em razão dessas dificuldades. Vale ressaltar que a Acopelô atualmente conta com a associação de apenas 50 dos 390 comerciantes locais, em virtude das referidas dificuldades e situação de ilegalidade, não podendo, assim, se vincular à associação.

52

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com o pressuposto levantado no começo deste trabalho e com o resultado das pesquisas e análises realizadas, foi possível chegar à conclusão de que houve uma ineficiência da política de alocação de recursos no programa de Revitalização do Pelourinho. Uma vez que o espaço foi reformado, mas a população envolvida não foi incorporada a esse processo de revitalização, não tendo o seu aspecto social atendido e ficando, inclusive, fora do contexto econômico do local. Dessa forma, o que houve no Pelourinho não deve ser chamado de Revitalização, mas sim de “Reformo-exclusão”, ou Reformulação Excludente.

No decorrer deste trabalho, houve problemas quanto à acessibilidade dos dados sobre o Pelourinho, havendo uma dificuldade muito grande em encontrar diversas informações sobre o local, uma vez que as mesmas se encontram pulverizadas em diversos sites governamentais distintos e com poucas, ou mesmo sem, referências para os mesmos no site oficial do governo sobre o Pelourinho ou outros sites correlatos, como o da Secretaria da Cultura, do IPHAN e cia. Além disso, houve informações que simplesmente não puderam ser encontradas, a exemplo de mais detalhes quanto ao andamento da sétima etapa do programa de revitalização do Pelourinho e a previsão para as demais etapas restantes. Dessa forma, nota-se a necessidade de uma maior transparência e acessibilidade a esses dados. Acredito que essa realidade possa ser contornada a partir de uma divulgação maior do que vem acontecendo no Pelourinho – através da mídia, entre outros – e também possibilitando um acesso mais eficiente às informações relativas ao Pelourinho, a exemplo da divulgação de referências que apontem para reportagens e publicações importantes sobre o mesmo numa sessão do referido site oficial do Pelourinho. Entretanto, não parece ser do interesse do governo tornar essas informações mais transparentes e acessíveis ao público.

Com relação a todo o conteúdo abordado neste trabalho monográfico, pode-se concluir que o nosso patrimônio cultural é o que nos torna diferente e que tanto admira e atrai os turistas, bem como perceber que as falhas se encontraram na visão errônea do projeto original do governo. Dessa forma, percebe-se que a abordagem utilizada no Pelourinho foi falha no momento em que os responsáveis

53

não se preocuparam em manter as raízes culturais da população e gerar empregos para a população residente no local. Em vez disso, foram pagas indenizações e retirados os seus moradores das ruas principais de modo a criar comércios em seu lugar, não se preocupando inclusive em melhorar as condições de habitação dos moradores dos arredores; fator que contribuiu para a marginalização dos mesmos e também à manutenção da violência e dos furtos no Pelourinho. Nesse sentido, esse local é, ao mesmo tempo – paradoxalmente –, uma área nobre, pela riqueza de sua cultura, acervo arquitetônico e a presença de diversos comércios de valor relativamente elevado; e favelada, na medida em que a população de seus arredores é extremamente pobre e marginalizada.

Nesse sentido, a Educação Patrimônio assume um papel essencial ao sucesso do programa de revitalização. Pois, assim como disse Lana Lourdes Pereira em sua monografia de 1997 sobre a Praia Grande (São Luís), nós temos que ter em mente que não basta a UNESCO tombar um local como Patrimônio da Humanidade, se a comunidade local continuar a encarar os nossos bens culturais passados como algo sem valor, que nada tem haver com a nossa realidade, e os nossos governantes releguem a cultura para segundo plano. Assim, torna-se óbvio que a conscientização da comunidade envolvida, bem como a dos governantes, torna-se uma premissa necessária à efetividade da revitalização.

Para garantir tal conscientização, entretanto, é vital que haja uma interação entre o setor público e a comunidade envolvida, de modo que esta última tenha uma voz ativa sobre as mudanças que devem ser realizadas em sua região; incluindo, portanto, os moradores no processo decisório e garantindo-lhes a permanência no local. Tal interação poderia ser realizada através das já mencionadas Câmaras Temáticas e dos Fóruns para o Desenvolvimento Sustentável do Centro da Cidade, entretanto realizados de forma a efetivamente escutar as reivindicações da população e dos comerciantes. Outra forma de interação poderia surgir a partir da implantação da polícia comunitária, como já mencionado anteriormente. A partir dessa interação, será possível a compreensão de que o turismo só pode ser atendido na sua plenitude, com eficiência e sustentabilidade, na medida em que sejam atendidas primeiramente as necessidades da população que a cerca. De modo que “a ação conjunta (dos poderes públicos e da comunidade local) não deve

54

visar apenas o turista. Para ser bom para o turista, precisa ser bom para nós (baianos)” (Clarindo Silva, comerciante e líder comunitário do Pelourinho). Reiterando a importância da decisão conjunta do Estado com os moradores, recorro à citação de José Júnior, presidente do grupo Cultural AfroReggae, em uma entrevista dada ao Programa Roda Viva sobre a Narcocultura:

“Existem dois tipos de instrução, a instrução da academia, que é válida; mas tem um saber popular que você pode ler quinhentos mil livros, mas a sabedoria orgânica só

Você pode botar o PhD que for para discutir com a gente

aquilo que a gente entende, com todo respeito, ele vai levar “surra”, ele não vai saber. Porque tudo que ele sabe ele leu, a gente viveu”.

quem está ali vai ter. (

)

Com base na interação referida acima, o governo deve deixar de focar os seus esforços baseados exclusivamente no turismo e passar a investir mais em políticas que beneficiem o sócio-cultural da região – como as condições de habitação dos moradores e a inserção desses em cursos profissionalizantes de acordo com a dotação cultural do local – e que também atraiam a população residente em Salvador ao local, a exemplo da promoção de eventos culturais (em parcerias com o setor privado, de modo a desonerar o Estado, assim como a parceria realizada entre o governo e o capital privado para o Carnavais de Salvador de 2008 e 2009). Além disso, devem ser promovidas oficinas profissionalizantes para a população que mora nas imediações do Pelourinho, pois, a exemplo de Olinda e São Luís, quanto mais enraizada for a relação da população com o local, mais este terá condições de se auto-sustentar.

Com relação à parceria entre o público e o privado, em um debate sobre a Sustentabilidade do Pelourinho Restaurado 13 , a Parceria Público Privada (PPP) foi apontada por seus participantes como a solução para que o Centro Histórico de Salvador possa apresentar sustentabilidade.

DOS REIS (2002) comenta que diversos países europeus, como Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, França e República Tcheca, se beneficiaram significativamente com investimentos na restauração e preservação dos bens culturais, pois estes aumentaram o dinamismo de seus turismos, aumentando a geração de riqueza e

13 Debate realizado em 31 de março deste ano, na Comissão Especial de Promoção da Igualdade da Assembléia Legislativa da Bahia.

55

empregos, bem como também a arrecadação desses países, além de ter fortalecido a identidade nacional. Podendo-se perceber que nós só temos a perder em não investir no Pelourinho e outros lugares de riqueza histórica e cultural do Brasil.

Apesar de todas as críticas apresentadas quanto à visão e às políticas adotadas pelo governo no Pelourinho, foi possível verificar que a preocupação com o estado do Pelourinho têm aumentado ao longo dos anos e que aparentemente esta preocupação tem ganhado mais relevância, haja vista as diversas discussões com os inúmeros atores sociais presentes no local, a exemplo da realização das Câmaras Temáticas e dos Fóruns. Pode-se perceber também que, algumas das ações propostas neste trabalho também já vêm sendo debatidas, inclusive pelo governo. Muito me agradou o material elaborado pelo II Encontro das Câmaras Temáticas do Centro Antigo de Salvador. A despeito da descrença demonstrada pelo presidente da Acopelô, acredito que, se as propostas apresentadas forem implementadas – com algumas adições e ajustes –, esse será um grande passo para a real Revitalização do Pelourinho e a promoção de sua auto-sustentabilidade.

A percepção de tal preocupação referida acima nos devolve a esperança de que dias melhores estão por vir ao Pelourinho, uma vez que finalmente nota-se a vontade do estado em agir sobre os reais e notórios problemas dessa região que possui valores cultural, social e histórico inestimáveis, bem como um potencial cultural e turístico extremamente elevado, não podendo o mesmo ficar “às moscas”, como tem ficado nos últimos tempos.

Vale advertir que, caso nada seja feito pelo Pelourinho agora, ele pode voltar a seu estado decadente que presenciamos até o início da década de 90, desperdiçando os investimentos já realizados e podendo inclusive ficar ameaçado de perder o título de Patrimônio da Humanidade, concedido pela UNESCO. Entretanto, deve-se ressaltar que algo já vem sendo realizado no sentido de requalificar o Pelourinho. Pois, como iniciativas mais urgentes, a Secretaria Estadual de Cultura foi transferida para o Pelourinho; foi feita uma parceria com a rede hoteleira, UFBA e UNEB para qualificar os ambulantes; a iluminação está sendo readequada; a Rocinha passa por obras de requalificação; e as fachadas das lojas da Baixa dos Sapateiros estão sendo

56

requalificadas, em troca dos comerciantes e funcionários participarem de cursos do SEBRAE.

Reiterando as conclusões expostas até aqui, a solução para o Centro Antigo de Salvador e em particular para o Pelourinho passa pela implantação de projeto com sustentabilidade econômica e social, que possibilite a implantação de habitação e de interesse social, atividades comercias para atender a população fixa e os visitantes, programas de inclusão social e geração de renda para a população residente. De forma que num médio a longo prazo o Pelourinho possa se auto-sustentar e não mais depender do governo, ao menos não com tanta intensidade. Atingindo o sucesso com as políticas aplicadas no Pelourinho, este pode vir a se tornar o epicentro de revitalização de todo o centro da cidade, irradiando esse processo de renovação e se estendendo do à Baixa dos Sapateiros, à Barroquinha, ao Santo Antônio, à Gamboa, à Contorno, o Comércio, à Saúde, ao Barbalho e aos mais diversos locais no entorno do Pelô.

Para que este epicentro de revitalização se torne realidade, é necessário que fiscalizemos e cobremos do governo que ele cumpra com a parte que lhe cabe. De forma a estimular a cuidarmos do que é nosso, deixo aqui registrado que foi anunciado por Beatriz Lima, do Escritório de Referência do Centro Antigo, que em outubro deste ano será apresentado um projeto de requalificação, levando em conta os aspectos sociais, culturais, ambientais e de mobilidade. O projeto está sendo discutido e apreciado por representantes dos governos federal, estadual, municipal e da comunidade, com base em uma consultoria da Unesco.

Vale destacar que este trabalho representa o início de uma discussão acadêmica e de uma reflexão a cerca da preservação do Patrimônio Cultural em Salvador, não devendo o mesmo se esgotar neste trabalho e nem mesmo apenas na minha pessoa, pois o Pelourinho pertence a todos nós, baianos e brasileiros. Dessa forma, encerro este trabalho com a mesma citação com que o iniciei: “Seja a diferença que você quer ver no mundo” (Mahatma Gandhi).

57

REFERÊNCIAS

em:

<http://www.patrimonioslz.com.br/pagina104.htm>. Acessado em 21 de maio de

2009

ABRAHÃO, Eduardo.

Projeto

reviver.

Disponível

AGECOM. Parceria Público Privada dará sustentabilidade ao Centro Histórico. Disponível em: <http://pensargrandeilheus.blogspot.com/2009_03_01_archive.html>. Acessado em 26 de maio de 2009

ALMEIDA, Pedro; MIZUSHIMA, Henrique; MODESTO, Francisco; TAJIMA, Fabiana. Redesenhando o Pelourinho: Aumento de fluxo de pessoas no Pelourinho. 2008. Artigo realizado na disciplina Elaboração e Análise de Programas e Projetos, Escola de Administração, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, 2008. Orientadora: Profª. Siegrid Guillaumon.

BAHIATURSA, Empresa de Turismo da Bahia S/A. Disponível em:

<www.bahiatursa.ba.gov.br>. Acessado em 10 de outubro de 2007

BARRETO, Margarita. Turismo e legado cultural. Campinas: Papirus, 2000. 96 p. ISBN ISBN: 8530805771.

BRASIL, Agência Senado. São Luís pode perder título de Patrimônio Histórico da Humanidade, lamenta Epitácio Cafeteira. Publicado em 07 ago. 2008. Disponível em: <http://www.direito2.com.br/asen/2008/ago/7/sao-luis-pode-perder- titulo-de-patrimonio-historico-da-humanidade>. Acessado em 21 de maio de 2009

BRASIL. Sessão do dia 8 de agosto de 2008. Diário do Senado Federal. Brasília,

DF,

<http://www.senado.gov.br/sf/publicacoes/diarios/pdf/sf/2008/08/07082008/29557.pdf

>. Acessado em: 21 de maio de 2009

p.

29557-29559,

ago.

2008.

Disponível

em:

58

BUNGE, Fundação. Dicionário de cidadania. Disponível em:

<http://www.fundacaobunge.org.br/site/dicionario_de_cidadania>. Acessado em 2 de maio de 2009.

CÂMARAS TEMÁTICAS - CENTRO ANTIGO DE SALVADOR. Disponível em:

<http://centroantigo.blogspot.com>. Acessado em 24 de março de 2009

CARNEIRO, Raphael. Ambulantes prejudicam turismo no Pelourinho. 29 de

em:

Novembro

<http://raphacarneiro.blogspot.com/2007/11/ambulantes-prejudicam-turismo-

no.html>. Acessado em 12 de maio de 2009

de

2007.

Disponível

Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia. Disponível em:

<www.conder.ba.gov.br>. Acessado em 5 de novembro de 2007

CONDER, Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia. Conder dá mais um passo na recuperação do Centro Histórico. Disponível em:

<http://www.conder.ba.gov.br/webnews/news/noticia.asp?NewsID=145>. Acessado em 19 de maio de 2009

Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil. Relatório de

em

<http://www.sebrae.com.br/br/mortalidade_empresas/index.asp>. Acesso em 04 de abril de 2007

Pesquisa, Brasília, ago. 2004. Disponível

CONSEG-SP. Segurança pública, polícia comunitária. Disponível em:

<http://www.conseg.sp.gov.br/conseg/downloads/Informativo%20Institucional.doc>.

Acessado em 24 de maio de 2009

CONTEÚDOESCOLA, o portal do educador. Exclusão Social. Que bicho é esse? Disponível em: <http://www.conteudoescola.com.br/site/content/view/95/27/1/5/>. Acessado em 16 de maio de 2009

CREA-BA, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia. Longe dos olhos: Sétima etapa de revitalização é marcada pela polêmica retirada

59

de

Engenharia,Arquitetura e Agronomia da Bahia. v. 07, abr./mai/jun 2004. Salvador:

CREA-BA,

em:

<http://www.creaba.org.br/Revista/Edicao_07/longe_dos_olhos_Pelourinho.asp>.

Acessado em 16 de maio de 2009

dos moradores do Pelourinho.

Revista

CREA-BA

/

Conselho

Regional

2004.

Disponível

DA FONSECA, André Azevedo. A vida que ferve nas ladeiras. Revelação: jornal- laboratório do curso de Comunicação Social da Uniube, Uberaba, v. 220, p. 6 - 7, 14 set. 2002. Disponível em: <http://azevedodafonseca.sites.uol.com.br/0917pelo.html>. Acessado em 3 de maio de 2009

DA FONSECA, André Azevedo. Patrimônio cultural dá sentido à vida da cidade.

Revelação: jornal-laboratório do curso de Comunicação Social da Uniube, Uberaba,

em:

<http://azevedodafonseca.sites.uol.com.br/1008pc1.html>. Acessado em 3 de maio de 2009

v.

223,

p.

6

7,

08

out.

2002.

Disponível

-

DA FONSECA, André Azevedo. Pelourinho é patrimônio mundial. Revelação:

jornal-laboratório do curso de Comunicação Social da Uniube, Uberaba, v.195, 17 set. 2002. Disponível em: <http://azevedodafonseca.sites.uol.com.br/0917pp.html>. Acessado em 3 de maio de 2009 DA VEIGA, José Eli. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2005. 220 p. ISBN 8576170515. Disponível em:

<http://books.google.com.br/books?id=hEjcruYfChQC&printsec=frontcover>. Acessado em: 15 de junho de 2009

DE CARVALHO, Jailton. Lula lança PRONASCI, o PAC da segurança. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/pais/mat/2007/08/20/297336969.asp> Acessado em 8 de novembro de 2007

DE SÁ, Raquel Mello Salimeno. O multiculturalismo na educação patrimonial:

conceitos

<http://www.nupea.fafcs.ufu.br/atividades/5ERAEA/5ERAEA%20(7).pdf>. Acessado

em:

e

métodos.

Disponível

em 2 de maio de 2009.

60

DOS REIS, Fábio José Garcia. Patrimônio cultural: revitalização e utilização.

em:

<http://www.valedoparaiba.com/terragente/estudos/fabioestudo.doc>. Acessado em 15 de maio de 2009

Publicado em agosto de 2002. Disponível

EMTURSA, Empresa

<http://www.emtursa.ba.gov.br>. Acessado em 10 de outubro de 2007

de

Turismo

S/A.

Disponível

em:

FÉLIX, Ubiratan. Habitação de interesse social: uma nova centralidade para o centro antigo de Salvador. Artigo publicado no sítio eletrônico da FISENGE (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros) em 11 de março de 2008.

Disponível em: <http://fisenge.org.br/2008/03/11/habitacao-de-interesse-social-uma- nova-centralidade-para-o-centro-antigo-de-salvador/>. Acessado em 26 de maio de

2009

FERNANDES, Ana. Projeto pelourinho: operação deportação x ampliação do

direito. Disponível em: <http://www.cidades.gov.br/secretarias-nacionais/programas-

urbanos/biblioteca/reabilitacao-de-areas-urbanas-centrais/materiais-de-

capacitacao/curso-de-capacitacao-programas-de-reabilitacao-de-areas-urbanas-

centrais-lab-hab/textos/T_Ana_Fernandes.pdf>. Acessado em 22 de maio de 2009

GARDENBERG, Monique - Ó paí ó. Europa Filmes, 2007. DVD. 98 min.

HORTA, Maria de Lourdes Parreiras. O que é educação patrimonial. Publicação

em:

<http://www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2003/ep/tetxt1.htm>. Acessado em 2 de maio de 2009.

eletrônica,

2003.

Disponível

IPAC, Assessoria de Comunicação. IPAC e Ufba fazem diagnóstico de imóveis no Centro Histórico. Disponível em: <http://www.cidades.gov.br/secretarias-

nacionais/programas-urbanos/Imprensa/reabilitacao-de-areas-urbanas-

centrais/2007/dezembro/ipac-e-ufba-fazem-diagnostico-de-imoveis-no-centro-

historico>. Acessado em 26 de maio de 2009

61

IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Moradores do Pelourinho recebem imóveis restaurados. Publicado em: 11 nov. 2007. Disponível em: <http://www.monumenta.gov.br/site/?p=53>. Acessado em 16 de maio de 2009

Jornal A Tarde. Pelourinho sob olhar petista. Publicado em 27 de agosto de 2007. Disponível em: <http://www.cultura.ba.gov.br/noticias/na-midia/impresso/pelourinho- sob-olhar-petista>. Acessado em 15 de setembro de 2007

Jornal Correio da Bahia. Governo entrega Pelourinho a mendigos e prostitutas. Publicado em 16 de julho de 2007. Disponível em:

<http://www.radiocidadeam870.com.br/noticias.php?id=379>. Acessado em 16 de setembro de 2007

KOTLER, P. Administração de Marketing: a edição do novo milênio. 10. ed. São Paulo: Prentice-Hall, 2000. p. 764.

MENDES, Mariana. Manifestação cobra soluções para crianças de Salvador. Matéria do A Tarde On Line, publicada em 25 de outubro de 2007. Disponível em:

<http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=800788>. Acessado em 12 de maio de 2009

MÉRCURI, Rômulo. Guia Pelourinho: História. Disponível em:

<http://www.mercuri.com.br/historia2.html>. Acessado em 3 de maio de 2009.

Ministério da Cultura. Tema: Programa Monumenta. Disponível em:

<http://www.cultura.gov.br/programas_e_acoes/index.php? p=458&more=1&c=1&tb=1&pb=1>. Acessado em 05 de novembro de 2007

NETO, Liderico. “Pelourinho é lugar mais seguro de salvador”. 29 de Novembro

de

em:

<http://noticiasdosemestre.blogspot.com/2007/11/pelourinho-lugar-mais-seguro-

de.html>. Acessado em 12 de maio de 2009

2007.

Disponível

62

OLIVEIRA, Raquel Diniz. Revitalização patrimonial. Revista Eletrônica Patrimônio:

Lazer & Turismo, v. 03, Jul-Ago-Set 2008. Disponível em:

<http://www.unisantos.br/pos/revistapatrimonio/images/artigos/Ensaio1_JulAgoSet08

.pdf>. Acessado em 15 de maio de 2009

OLODUM.

<http://www2.uol.com.br/olodum/escola.htm>. Acessado em 24 de maio de 2009

A

escola

Olodum

mirim.

Disponível

em:

PALÁCIOS, Maria. Consolidação do pelourinho visivelmente ameaçada. Disponível em: <http://www.unb.br/ics/sol/itinerancias/salv/palacios_pelourinho.pdf>. Acessado em 12 de maio de 2009

PEREIRA, Lana Lourdes. Praia Grande: uma história de resistência. 1997.

Monografia apresentada ao Curso de História da UEMA para a obtenção do grau de

Disponível em:

<http://www.geocities.com/Paris/Louvre/4343/saoluis.html>. Acessado em 21 de maio de 2009

Licenciatura Plena em História.

Portal do Pelourinho. Disponível em: <www.portaldopelourinho.com.br>. Acessado em 23 de outubro de 2007

Prefeitura Municipal de Salvador. Disponível em: <www.salvador.ba.gov.br>. Acessado em 23 de outubro de 2007

Programa Monumenta do Ministério da Cultura. Disponível <www.monumenta.gov.br>. Acessado em 5 de outubro de 2007

em:

Roda Viva. São Paulo: TV Cultura, 21 maio 2007. 1 videocassete: VHS, son., color.

SACHS, Ignacy. Desenvolvimento: includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2004. 152 p. ISBN 857617040X. Disponível em:

<http://books.google.com.br/books?id=VnVyEI6jt2YC&printsec=frontcover>.

Acessado em: 15 de junho de 2009

63

SANTANA, Lídia. Revitalização de áreas portuárias: referências para Salvador. BAHIA ANÁLISE & DADOS Salvador, v. 13, n. 2, p. 225-238, set. 2003. Disponível em: <http://www.bahiainvest.com.br/port/pq_investir/download/25.pdf>. Acessado em 2 de maio de 2009

SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Fatores SECOM, Secretaria de Comunicação. Planos inclinados garantem comodidade e economia. Publicado em 20 de maio de 2009. Disponível em:

<http://www.secom.salvador.ba.gov.br/index.php? option=com_content&task=view&id=16785&Itemid=42>. Acessado em 21 de maio de 2009.

Secretaria do Planejamento. Disponível em: <http://www.seplan.ba.gov.br>. Acessado em 25 de outubro de 2007 SECULT, Secretária da Cultura da Bahia. Pelourinho sob olhar petista. Disponível em: <http://www.cultura.ba.gov.br/noticias/na-midia/impresso/pelourinho-sob-olhar- petista>. Acessado em 8 de novembro de 2007

SEPLANTEC, Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia. Governo inicia nova fase de recuperação do Pelourinho. Disponível em:

<http://www.seplantec.ba.gov.br/conder/webnews/news/noticia.asp?NewsID=1198>.

Acessado em 05 de novembro de 2007

SEPLANTEC, Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia. RemeMorar leva vida nova ao Centro Histórico. Disponível em:

<http://www.seplantec.ba.gov.br/conder/webnews/news/noticia.asp?NewsID=705>.

Acessado em 05 de novembro de 2007

UCSAL, PCC USP & UFRJ. Relatório técnico parcial - Manual de reabilitação de

edificações em áreas centrais para habitação de interesse social: São Paulo /

em:

<http://reabilita.pcc.usp.br/Textos_tecnicos/Relatorio_Tecnico_Parcial.pdf>.

Salvador

/

Rio

de

Janeiro.

Disponível

Acessado em 19 de maio de 2009

64

VIEIRA, Valter Afonso & TIBOLA, Fernando. Pesquisa qualitativa em marketing e suas variações: trilhas para pesquisas futuras. Revista de Administração Contemporânea, Curitiba, vol.9, v.2, apr.-jun. 2005. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-

65552005000200002&script=sci_arttext>. Acessado em 16 de junho de 2009.

Visiteabahia. Salvador:

<www.visiteabahia.com.br/visite/salvador/pelourinho/index.php>.Acessado em 10 de novembro de 2007

em:

Pelourinho.

Disponível

WIKIPÉDIA. Pelourinho (Salvador).

<pt.wikipedia.org/wiki/Pelourinho_(Salvador)>. Acessado em 3 de maio de 2009

Disponível

em:

WIKIPÉDIA. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org>. Acessado em 8 de maio de 2009.

65

ANEXOS

ANEXO 01:

Tabela contendo a variação da população pelos perímetros escolhidos (%)

65 ANEXOS ANEXO 01: Tabela contendo a variação da população pelos perímetros escolhidos (%) Fonte: Censos

Fonte: Censos do IBGE

66

ANEXO 02:

Tabela contendo a variação da faixa etária da população total residente pelos perímetros escolhidos (% - ano)

a variação da faixa etária da população total residente pelos perímetros escolhidos (% - ano) Fonte:

Fonte: Censos do IBGE

67

ANEXO 03:

Tabela contendo a variação da renda dos responsáveis pelos domicílios particulares permanentes pelos perímetros escolhidos (%)

renda dos responsáveis pelos domicílios particulares permanentes pelos perímetros escolhidos (%) Fonte: Censos do IBGE

Fonte: Censos do IBGE

68

ANEXO 04:

Tabela contendo a variação do nível de instrução do responsável pelo domicílio particular permanente pelos perímetros escolhidos (%)

instrução do responsável pelo domicílio particular permanente pelos perímetros escolhidos (%) Fonte: Censos do IBGE

Fonte: Censos do IBGE

69

ANEXO 05:

Tabela contendo a variação da propriedade dos domicílios particulares permanentes entre 1991 e 2000 pelos perímetros escolhidos (%)

dos domicílios particulares permanentes entre 1991 e 2000 pelos perímetros escolhidos (%) Fonte: Censos do IBGE

Fonte: Censos do IBGE

ANEXO 06:

70

Tabela contendo o número de domicílios particulares permanentes com infra- estrutura pelos perímetros escolhidos (%)

de domicílios particulares permanentes com infra- estrutura pelos perímetros escolhidos (%) Fonte: Censos do IBGE

Fonte: Censos do IBGE

ANEXO 07:

71

Tabela contendo as causas das dificuldades e as razões para o fechamento das empresas

contendo as causas das dificuldades e as razões para o fechamento das empresas Fonte: Relatório de

Fonte: Relatório de Pesquisa do SEBRAE