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O DESENVOLVIMENTO DO

PROCESSO DE TREINAMENTO DAS


AÇÕES TÁTICAS OFENSIVAS NO
FUTEBOL NA CATEGORIA INFANTIL
Resumo
O presente estudo relaciona-se com os pressupostos teórico-científicos do processo didático-metodológico no
ensino-aprendizagem-treinamento dos componentes táticos no futebol na categoria infantil. Objetivou-se analisar o
desenvolvimento das ações táticas do futebol na categoria infantil. A tática é o aspecto central da estrutura de
rendimento no treinamento esportivo, portanto, componente imprescindível para o alcance de sucesso na modalidade.
Conseqüentemente, os componentes táticos devem ser trabalhados desde cedo nas categorias de base, aqui tratadas
especificamente como "categoria infantil". Devido à sua complexidade em conter uma grande exigência cognitiva,
processos didático-pedagógicos são utilizados no sentido de facilitar a sua compreensão. Contudo, o ensino dos tipos de
tática, de suas divisões, aplicações e treinamento devem ser passados aos atletas com objetivos claros, para torná-los
mais seguros, conscientes e capacitados taticamente para o jogo.
INTRODUÇÃO
• Nos últimos anos o futebol se caracterizou pelo salto qualitativo na área do treinamento e, conseqüentemente,
na performance dos atletas e das equipes. Concepções táticas variadas, didáticas e modelos de treinos
diferenciados e a interdisciplinaridade de tratamento dos atletas são algumas mudanças no futebol atual.
• Este futebol moderno requer que os atletas estejam em constantes deslocamentos com ou sem a posse de bola,
e esse aumento considerável de suas funções lhes rendeu inclusive a denominação de jogadores "universais"
(Godik, 1996; Barros et. al., 2001; Leal, 2001). Isso transformou a preparação tática numa área de crescente
interesse e a prova disso são os diversos sistemas de jogo e ações táticas que surgiram e estão surgindo com a
evolução do esporte.
• A tática de acordo com Greco (1992) envolve processos cognitivos e exige uma capacidade de raciocínio muito
apurada por parte dos aprendizes-atletas. A todo o momento, durante a partida, o atleta é colocado em situação
de reflexão, avaliação e tomada de decisão, onde o componente tático é imprescindível.
• De acordo com Paoli (2000), nos primeiros anos da categoria infantil, 13-14 anos, torna-se necessário que os
atletas-aprendizes experimentem, vivenciem situações de padrões táticos ofensivos e defensivos que os habilitem
para aplicações durante o jogo.
• Greco (1992) estabelece que o desenvolvimento das capacidades táticas permita oferecer ao atleta subsídios na
busca de soluções às tarefas problemas que a situação de jogo, competitivo ou não, impõe. Para isto, é necessária
uma programação consciente, metódica, progressiva e planificada de fatores para desenvolver a capacidade de
percepção, antecipação e tomada de decisão, assim como da análise do resultado, gesto empregado e na tomada
de consciência (nova percepção), que são os pilares básicos na estrutura do treinamento (Greco e Benda, 1998).
• No entanto, para que os atletas iniciantes tenham uma compreensão mais facilitada, deve-se lançar mão do uso
de métodos e processos pedagógicos que estarão ligados diretamente na execução das ações e padrões táticos,
onde é de fundamental importância a atuação de profissionais capacitados e aprendizes predispostos para o
alcance das metas e objetivos traçados.
• O presente estudo tem como objetivo analisar o processo de desenvolvimento do treinamento das ações táticas
ofensivas do futebol na categoria infantil.
APRENDIZAGEM E
TREINAMENTO DA TÁTICA
• Desde os anos 60 que a didática dos jogos desportivos repousa numa análise formal e mecanicista.
Os processos de ensino e treino têm consistido em fazer adquirir aos praticantes sucessões de
gestos técnicos, empregando-se muito tempo no ensino da técnica e muito pouco ou nenhum no
ensino do jogo propriamente dito (Gréhaigne e Guillon, 1992).
• Paoli (2005) ao abordar a aprendizagem e o treinamento da tática preconiza que este
componente deva passar por um processo de treinamento metodológico semelhante ao
condicionamento físico e técnico. Porém dois momentos são importantes neste processo: executar
e treinar um repertório amplo de opções táticas e a exercitação isolada e em diferentes tipos de
ação em jogo.
• A flexibilidade do comportamento tático na atividade competitiva é condicionada pelo nível de
capacidade técnica, das habilidades motoras e da preparação psicológica. Assim, os requisitos para
uma flexibilidade tática durante um jogo, de acordo com Paoli (2000) devem estar voltados para um
conhecimento teórico das capacidades do adversário, dos companheiros de equipe, levando-se em
consideração uma veloz adaptação e compreensão da situação, o que exige do atleta um repertório
amplo de opções táticas.
• Grosser (1988), Godik (1996) e Drubscky (2003) ressaltam que a tática de uma equipe se
consolida e se melhora em exercícios que impõe a necessidade de criação de ações coletivas. Desta
forma, todas as situações possíveis de ocorrer numa determinada competição e/ou jogo devem ser
treinadas, oferecendo um maior número de opções no momento da tomada de decisão para o
atleta.
• Weineck (1989) referenda estas afirmações quando estabelece que a formação tática pode ser
subdividida em duas fases: formação teórica e prática.
1. FORMAÇÃO TEÓRICA
• Weineck (1989) estabelece que a formação teórica é a instrução das capacidades
intelectuais necessárias ao esportista para conduzir com êxito a competição, sendo
composta de instruções para:
– capacidade de aprendizagem: permite assimilação, classificação e atualização sobre os
conhecimentos específicos da modalidade (regulamentos e condução da competição);
– capacidade de refletir a modalidade: deve permitir pensamento lógico, flexível, original e
crítico, que garanta o desenvolvimento ótimo das habilidades táticas e que permita
modificações autônomas da ação conforme as circunstâncias;
– capacidade de antecipação: coloca à disposição soluções potenciais de alternativas;
– tomada de informação e de tratamento por atenção dirigida e apurada: a ação e a reação
coroadas de sucesso, impõem que o maior número possível de sinais importantes para o
desenvolvimento da competição sejam percebidos. Uma concentração explorada sobre
pontos essenciais da conduta da competição permite evitar uma sobrecarga de informação
que induz freqüentemente, no principiante, atos falhos;
– qualidades emotivo-volitivas: busca o desenvolvimento de ações como o domínio de si,
capacidade de resistir, resolução e gosto pela decisão, que podem influenciar fortemente a
aptidão e a capacidade de ação tática.
2. FORMAÇÃO PRÁTICA
• Quanto à formação prática, Weineck (1989) afirma que "esta fase abrange a assimilação de
habilidades e comportamentos táticos através da repetição e esquemas comportamentais táticos
que induz uma automatização dos componentes do ato consciente". Isto, segundo o autor, leva o
jogador a voltar sua atenção para outros elementos da ação. A formação prática também instrui a
auto-avaliação do jogador, permitindo-lhe conhecer suas possibilidades e limites e desenvolver
oportunamente suas forças existentes.
• Segundo Paoli (2005), os métodos mais utilizados para a formação prática no treinamento da
tática são: treinamento de ações táticas específicas, treinamento em forma de jogo e treinamento
situacional. No treinamento das ações táticas específicas, que ocorrem durante o jogo, as mesmas
devem ser trabalhadas isoladamente, como exemplo a saída de bola, triangulações, inversões,
entre outras. Já o treinamento situacional trabalha ações específicas que acontecerão na partida de
forma fragmentada dentro de uma seqüência pedagógica.
• No treinamento em forma de jogo, segundo Tiegel (1994), "a grande vantagem em utilizar tais
exercícios no treino de futebol consiste na presença de elementos cognitivos emocionais e de
determinação pessoal inerentes ao jogo em si. Neles existe sempre um jogo com bola e em torno
dela, com a presença de um adversário, mantendo-se assim, um limiar de motivação e disposição
para o rendimento".
• Segundo Garganta (1996) e Garganta (2002), o jogo deverá estar presente em todas as fases do
ensino-aprendizado, pelo fato de ser simultaneamente o maior fator de motivação e o melhor
indicador da evolução das limitações que os praticantes vão revelando.
TREINAMENTO TÁTICO NA INFÂNCIA E
NA ADOLESCÊNCIA
• No que se refere ao componente tático na infância e adolescência, Weineck (1989) estabelece que
a instrução tática em ligação constante com a técnica, deve ser iniciada o mais cedo possível.
Segundo ele "a idade de aprendizagem motora que coincide com a segunda idade escolar (dos dez
anos ao início da puberdade) presta-se particularmente a uma formação técnico-tática polivalente
de base e da assimilação de um repertório vasto".
• Também Roth citado por Greco (1992) afirma que a fase de iniciação aos esportes coletivos
deveria começar entre os dez e doze anos e deve ser considerada de iniciação técnica e tática, visto
que a facilidade encontra-se no interesse das crianças desta faixa etária pela prática do esporte
formal.
• Especificamente, em se tratando da categoria infantil, compreende, segundo o autor, as fases de
orientação (12-14 anos) e direção (14-16 anos). Na fase de orientação, deve-se procurar o
desenvolvimento e aperfeiçoamento das capacidades físicas (motoras e coordenativas) e se iniciar
o processo de fixação e aprimoramento das técnicas e o aprendizado inicial da tática.
• Na fase de direção, com base na fase anterior, pode-se começar com aperfeiçoamento e a
especialização técnica da modalidade esportiva em questão. Trabalhos de situações que tenham na
sua forma, exercícios mais complexos, que apresentem exigências de execução com o tipo de
técnica a ser aplicada e incluam os parâmetros necessários para o êxito da ação, assim como
exercícios que impliquem uma tomada de decisão no sentido tático são bem vindos.
• Porém, Roth citado por Greco (1992) afirma que os processos cognitivos, inerentes aos
conhecimentos táticos e necessários ao comportamento tático, devem ser desenvolvidos no
confronto com a situação de jogo, assim como o aperfeiçoamento dos mecanismos de regulação da
ação é conseguido através do treinamento técnico. Para o autor, a faixa etária compreendida entre
os doze e quatorze anos é a ideal para iniciar este processo.
SEQÜÊNCIA PEDAGÓGICA PARA O
ENSINO DA TÁTICA
• O futebol, ao contrário do que muitos pensam e vêem, é uma modalidade bastante complexa no que diz respeito às suas diversas
variáveis de controle para seu ensinamento e aprendizado.
• Uma de suas variáveis, e talvez atualmente a de maior importância e dificuldade de controle é a tática, que deve ser parte integrante
do treinamento já nas categorias inferiores, aqui tratadas especificamente como categorias infantis.
• Devido à sua complexidade, principalmente os cognitivos (onde os jovens ainda estão em fase de maturação), a proposta de uma
seqüência pedagógica será importante na orientação e repasse de conhecimentos táticos que virão fragmentados e progressivamente
crescentes, facilitando o entendimento e a aquisição dos conhecimentos desses jovens atletas (Garganta, 2002).
• Drubscky (2003) ao analisar o treinamento tático afirma que a didática é um fator importante, pois é a arte de criar, organizar e
desenvolver os conteúdos práticos e teóricos inerentes aos esportes. Os treinamentos no futebol, como de resto nos esportes coletivos,
seguem uma didática simples na aplicação dos conteúdos. Assim, o autor estabelece que a didática pode ser utilizada nos treinamentos
da seguinte forma:
• Aplicando idéias de jogo compatíveis ao nível de assimilação do grupo;
• Ministrando treinamentos condizentes com a idéia de jogo proposta;
• Introduzindo seqüencialmente os elementos técnicos e táticos do sistema;
• Distribuindo, quantitativa e qualitativamente, os treinamentos nos vários períodos e ciclos de atividades;
• Elaborando sessões de treinos motivantes e eficazes, e;
• Conciliando os treinamentos em busca dos objetivos propostos para os diversos ciclos das competições.
• Salles (2004) sugere uma seqüência pedagógica para o desenvolvimento da tática que se divide em seis fases:
– 1a fase: Explicação das ações gerais (verbal em forma de gráficos e situações práticas).
– 2a fase: Explicação das ações e funções de cada jogador.
– 3a fase: Solicitação de explicações individualizadas das ações e funções que cada atleta deverá desenvolver.
– 4a fase: Execução da tática sem interferência contrária.
– 5a fase: Execução da tática com interferência do oponente.
– 6a fase: Apresentação de variáveis de intervenção.
Ações táticas a serem trabalhadas
• O componente tático no futebol é composto por ações táticas ofensivas e defensivas que
caracterizam o jogo e são dependentes de ações individuais e coletivas por parte dos atletas.
• São consideradas ações táticas defensivas os tipos de marcação tais como: pressão, espera
(expectativa), por zona, roubadas de bola, as coberturas, a recuperação, o sentido tático de
marcação, ou seja, como marcar. Já o que se refere às ações táticas ofensivas, o foco central deste
trabalho, elas são divididas em: saídas de bola, triangulações, inversões de bola, ultrapassagens e as
jogadas de bola parada.
• No treinamento tático das ações ofensivas, torna-se necessário levar em consideração alguns
fatores que são imprescindíveis para a eficácia do treino. Para efeito de uma proposta didático-
metodológica, se faz necessário que o professor, como é demonstrado na Figura 1, dividir o campo
em três setores - defesa, armação e ataque. Além disso, é necessário, como é demonstrado na
Figura 2, dividir o campo em dois lados - direito e esquerdo.
Ações táticas a serem trabalhadas
(CONTINUAÇÃO)
• Uma divisão como apontado na Figura 3 proporcionará
um melhor entendimento das funções, que o atleta irá
desempenhar durante a partida, de acordo com o
posicionamento da bola, dos companheiros de equipe
e dos adversários.
Ações táticas a serem trabalhadas
(CONTINUAÇÃO)
• Entretanto, alguns princípios são de fundamental importância destacar:
– Parte metodológica e didática, a forma como o técnico vai conduzir o processo como sugerido por Weineck (1989), onde a tática deve ser
trabalhada e construída em processos progressivos, por exemplo, realizando exercícios sem a presença dos adversários, com os adversários
passivos, com participação ativa dos adversários em situações reais da partida.
– A compactação e a aproximação dos setores pelos jogadores.
– A distribuição correta nos setores e lados.
– A prioridade é passar a bola para o jogador mais próximo, evitando passes longos.
– Sentido de triangulação - ajuda mútua.
– Enfatizar e conscientizar sobre o "padrão" e não jogada.
– Envolver todos os jogadores no treinamento de uma ação tática, no qual cada um terá uma função e movimentação, independente do setor
ou lado que estiver se desenvolvendo a ação.
– Proporcionar um amplo repertório de ações, pois no futebol, por mais que se treine uma determinada ação, durante o jogo, a probabilidade
de ela acontecer da mesma forma é pequena. Tudo aquilo que o atleta vivencia nos treinamentos, faz com que ele, durante a partida, esteja
mais seguro e preparado para tomar decisões mais consistentes, mediante a situação exigida.
• Um princípio básico que não se pode deixar de mencionar é o das triangulações. Pois estas ações ocorrerão-nos diversos setores e
lados do campo e a todo o momento. Elas se caracterizam por agrupamentos de três jogadores com a posse de bola no sentido de
envolver a marcação da equipe adversária. Quando forem realizadas, as triangulações devem ocorrer com a aproximação e
compactação de jogadores de setores e lados mais próximos, como exemplo: ZD (zagueiro direito) - LD (lateral direito) - VO (volante);
VO (volante) - LE (Lateral esquerdo) - MAT (meia-atacante), e outros.
• É importante ressaltar que estas ações táticas devem ser realizadas com superioridade numérica de jogadores, contando com um
bom nível técnico aliado às constantes movimentações e troca de posições entre os jogadores.
• Apesar de o futebol ser uma modalidade onde se joga mais sem a bola do que a posse desta torna-se imprescindível que todas as
ações táticas defensivas e ofensivas, sejam trabalhadas em função do setor ou lado que está a bola.
• Desta forma, este aspecto reforça a importância dos atletas dominarem o sentido de formação tática, ou seja, posicionamento dos
jogadores em campo procurando ocupar os espaços de forma consciente em função da bola dos companheiros de equipe e dos
adversários.
• Este sentido de formação tática deve ser trabalhado e reforçado desde a categoria pré-infantil, possibilitando que o atleta possa, nas
categorias subseqüentes, inclusive na categoria profissional, ter um melhor desenvolvimento e plena segurança na ocupação dos
espaços (Gréhaigne e Guillon. 1992).
1. SAÍDAS DE BOLA
• Uma boa saída de bola, segura e de forma mais rápida pode proporcionar a uma equipe maior solidez no
desenvolvimento inicial das jogadas ofensivas, buscando o gol adversário com relativo sucesso.
• Para isso torna-se necessário um bom nível dos atletas e que sejam conhecedores de processos pedagógicos
para o conhecimento tático, e assim, que possam executar com êxito as ações que encontrarão ou lhes serão
determinadas ao decorrer da partida. Portanto, cada jogador envolvido a partir dos conhecimentos adquiridos
possa conscientemente realizar as jogadas independentemente das dificuldades que os adversários lhe imputarão,
podendo encontrar suas próprias soluções e tomar decisões mais acertadas.
• Têm-se basicamente dois tipos de saída de bola, uma pelo alto e outra por baixo. O importante é ressaltar o
passe tecnicamente eficiente, correto e adequado, que tem que ser executado com máxima precisão, e os
jogadores procurando cada um seu espaço dentro de campo, facilitando a saída de bola.
• A primeira opção, pelo alto, que se origina na reposição da bola pelo tiro de meta, o goleiro e outro jogador
podem optar podendo sair jogando por baixo com um jogador mais próximo, com o passe em profundidade.
• No caso de ser com as mãos ou com os pés, e procurando passar a bola para o jogador mais próximo, o goleiro
pode executar esta situação quando da cobrança de uma falta, escanteio ou cruzamento para a área; assim o
goleiro faz defesa e sai jogando rapidamente e com atenção com um de seus jogadores , principalmente pelas
extremidades do campo.
• Na segunda alternativa, por baixo, tem-se duas opções: o goleiro passa a bola para o lateral esquerdo ou direito;
este então teria três opções: a primeira passar para o zagueiro mais próximo, a segunda para o volante, a terceira
progredir com a bola e passar para o meia mais avançado.
• Na segunda variação, o goleiro passa a bola para um dos zagueiros; este teria três opções: a primeira passar
para o volante, a segunda para o lateral que já estaria mais próximo da linha do meio-campo, a terceira, porém
perigosa, passar a bola para o outro zagueiro que neste caso faria a inversão de bola.
1. SAÍDAS DE BOLA
(CONTINUAÇÃO)
• Princípios de saída de bola por baixo
– A forma como a equipe sairá jogando dependerá do tipo de marcação a ser executada pelo adversário. Em qualquer
setor ou lado do campo, a partir do momento em que se rouba ou recupera ou intercepta uma bola, uma nova saída
está caracterizada.
– Para o processo ensino-aprendizagem-treinamento, é recomendável que se respeite uma seqüência pedagógica de
saída a partir do campo de defesa. Desta forma o atleta se conscientiza da importância da compactação e aproximação
dos setores, da distribuição correta nos setores e nos lados, do sentido da triangulação e que esta saída poderá
acontecer em qualquer um dos setores ou lados do campo.
– Será utilizado para exemplificação da proposta metodológica, em todas as situações táticas, o sistema 4-4-2 com: um
goleiro, dois zagueiros (um pelo lado direito e outro pelo lado esquerdo), dois laterais (um pelo lado direito e outro pelo
lado esquerdo), dois volantes (um pelo lado direito e outro pelo lado esquerdo), um meia-de-armação pela direita e
meia-atacante pela esquerda, um atacante pelo meio e um atacante aberto pela direita. Abaixo, nas Figuras 4 e 5 estão
exemplos de como podem acontecer estas saídas.
1.SAÍDAS DE BOLA
(CONTINUAÇÃO)
1. SAÍDAS DE BOLA
(CONTINUAÇÃO)
2. INVERSÕES DE BOLA
• A todo o momento esta ação acontece numa partida, tanto pelo chão quanto pelo alto. Esta jogada caracteriza-se
pela mudança ou transferência da bola em relação ao lado do campo onde ela se encontra. É um ótimo recurso
técnico e tático usado para normalmente descongestionar um setor do campo, onde os jogadores encontram
dificuldades em sair com a bola dominada ou trocando passes.
• É de fundamental importância a realização de um trabalho com as categorias de base em relação a esta ação
específica, tanto técnica quanto taticamente, procurando elevar o nível do executante.
• Preferencialmente, as inversões mais seguras são feitas pelo solo e em distâncias mais curtas, mas toda equipe
deverá trabalhar seus jogadores para realizarem estas jogadas de todas as formas possíveis, tanto por baixo
quanto por cima.
• Na maioria das vezes as equipes dispõem de um ou dois jogadores especialistas nesta jogada. São jogadores
com um ótimo nível técnico em relação ao fundamento do "passe", seja ele por baixo ou pelo alto (lançamento).
• Princípios básicos da inversão de bola

– A transição da bola para o jogador mais próximo.


– O jogador que receberá a bola tem que dominá-la, executando simultaneamente o giro.
– A equipe deverá realizar as inversões quantas vezes forem necessárias, até que encontre uma situação que permita a progressão
e/ou finalização para o gol.
– Os jogadores que estão sem a bola terão que se deslocar, procurando sempre um espaço, e se coloquem em boas condições
para receber este passe, requisito importante para a realização desta ação tática específica.
– Ressalta-se a importância no trabalho das inversões de bola a aproximação dos jogadores e a compactação dos setores.
– O trabalho de inversão e virada de jogo faz com que a equipe adversária perca o sentido da aproximação dos jogadores e a
descompactação dos setores.
2. INVERSÕES DE BOLA
(CONTINUAÇÃO)
• Na Figura 7 abaixo se encontram exemplos de
inversões de bola com suas possíveis variações.
3. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA
ULTRAPASSAGEM

• Prioritariamente estas ações acontecem no setor de armação


e no setor de ataque, com maior freqüência no setor de
ataque.
• Esta ação deverá envolver, no mínimo, três jogadores.
• Elas deverão ocorrer pelas laterais do campo, o que não
impossibilita a ocorrência de tal ação pelo meio.
Na Figura 8, 9 e 10 abaixo se encontram
exemplos de ultrapassagens.
4. JOGADAS DE BOLA PARADA
• Atualmente são consideradas por muitos como jogadas decisivas, devido ao
grande equilíbrio em uma partida, em razão do nível de equivalência da
preparação em todos os seus aspectos. O que mais importa na realização e
execução destas jogadas é o estabelecimento de um padrão de jogo,
diferentemente de jogadas ensaiadas, pois diversas variáveis poderão intervir na
exatidão desta ação.
• Um treinamento de grande volume, com posicionamento de jogadores,
demarcações dos setores, variações de jogadas em cada setor da área ou fora dela,
com a seqüência pedagógica - sem marcações, com marcações, diretas, indiretas,
com infiltrações e a possibilidade de contar com jogadores de um bom nível
técnico, será primordial para o êxito das ações.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DAS JOGADAS DE
BOLA PARADA
– Um bom aperfeiçoamento técnico dos atletas que vão executar as ações - fundamento do
passe.
– Distribuição dos jogadores nos três setores da área - setor direito, meio e esquerdo - onde
possivelmente essa bola será colocada.
– Movimentações e deslocamentos constantes dos jogadores que irão receber a bola para
conclusão e bom sentido de desmarcação.
– Posicionar os jogadores com maior estatura em setores estratégicos da área.
– Cuidar do rebote ofensivo, posicionando os jogadores para conclusão e atenção ao balanço
defensivo em função de um contra-ataque do adversário.
– Posicionar os jogadores na área em locais que dificultem a visão do goleiro.
– Em todas essas ações, os jogadores que possivelmente receberão esta bola, estrategicamente
posicionados, devem acompanhar a trajetória da bola e a movimentação do adversário.
– Variações das ações táticas nos escanteios e faltas, considerando o deslocamento e o
posicionamento dos jogadores que receberam a bola.
– Igualdade ou superioridade numérica de jogadores na área ou próximo dela, no momento da
execução da ação.
Três exemplos e possibilidades de jogadas
de bola parada encontra-se na Figura 11.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
• Esta revisão bibliográfica veio oferecer subsídios didático-metodológicos aos técnicos e
responsáveis pelo planejamento e condução do processo ensino-aprendizagem-treinamento do
futebol, em relação ao componente tático. E também demonstrar a necessidade de estudos nesta
área, pois este componente, apesar de ser considerado por Garganta (1996), essencial para garantir
maior sucesso no futebol, ainda é pouco investigado. Dada esta relevância na estrutura do
treinamento, a tática necessita de mais estudos científicos onde, por conseqüência, o empirismo
deve se distanciar cada vez mais.
• O componente tático, por estar diretamente relacionado com os processos cognitivos, se torna
mais complexo. A resolução de problemas e a tomada de decisão em uma partida são de
fundamental importância. Portanto deve ser trabalhada cada vez mais cedo, que aqui foram
tratados na categoria infantil.
• No processo ensino-aprendizagem do treinamento da tática necessita-se de um aprendizado
teórico, didático, metodológico, pedagógico dentro de uma progressão e graduação conforme a sua
complexidade.
• A metodologia apresentada, através de conceitos, princípios teóricos e práticos e processos
pedagógicos da tática, visam desenvolver uma consciência nos atletas de todos os aspectos táticos.
• Na busca desta conscientização, ações táticas específicas devem ser realizadas de variadas
formas, dentro de uma situação real de jogo, para que os atletas busquem e conheçam um
"padrão" de jogo, e não simplesmente, jogadas ensaiadas.
• O sentido de formação tática deve ser o cerne da questão, ou seja, os atletas deverão ser
trabalhados para a obtenção de uma alta capacidade tática, a qual lhes ajudará na fundamentação
do seu processo de formação desportiva.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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• Garganta, J. Competências no ensino e treino de jovens futebolistas. Lecturas Educación Física y Deportes, Revista Digital, Año 8, n° 45, 2002.
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• _________. Treinamento Tático no Futebol - Vídeo-curso dos Sistemas de Jogo 4x4x2 e 3x5x2. BD Empreendimentos - Canal Quatro - Universidade
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• Silva, M.A.F. Tática científica para o futebol total. Revista Sprint, Ano VII (40): 1988.
• Tiegel, G. Curso de futebol. Material Didático do Curso de Mestrado em Ciências do Esporte. Escola de Educação Física da UFMG. Belo
Horizonte:1994.
• Weineck, J. Manual de Treinamento Esportivo. 2a ed. São Paulo: Manole, 1989.
COLUNA TÁTICA – MARCAÇÃO POR ZONA

ACESSE O SITE

http://www.youtube.com/watch?v=W8bRqcYAuHo
COLUNA TÁTICA – COMPACTAÇÃO OFENSIVA

ACESSE O SITE

http://www.youtube.com/watch?v=n94f_lF80Xk
ESTUDO DE CASO:
FILOSOFIA DE JOGO DO BARCELONA

Acesse o site:
http://www.youtube.com/watch?v=yJ4BzY2eN8U
TÁTICAS DE MOURINHO

Acesse o site:

http://www.youtube.com/watch?v=cB0DDgLuKJg

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