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Arte-Tradição Apolínea e Dionisiáca

O documento aborda a história da arte, destacando a relação entre a arte e a sociedade, bem como a evolução dos estilos artísticos ao longo do tempo. Discute a visão de filósofos como Aristóteles e Platão sobre a representação artística e a busca pela verdade, além de explorar a dualidade entre as tradições apolínea e dionisíaca na arte, conforme analisado por Nietzsche. A arte é apresentada como um fenômeno cultural que reflete as mudanças sociais e a complexidade do gosto estético.

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Gilson Vedoin
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Arte-Tradição Apolínea e Dionisiáca

O documento aborda a história da arte, destacando a relação entre a arte e a sociedade, bem como a evolução dos estilos artísticos ao longo do tempo. Discute a visão de filósofos como Aristóteles e Platão sobre a representação artística e a busca pela verdade, além de explorar a dualidade entre as tradições apolínea e dionisíaca na arte, conforme analisado por Nietzsche. A arte é apresentada como um fenômeno cultural que reflete as mudanças sociais e a complexidade do gosto estético.

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HISTÓRIA DA ARTE

PROFESSOR: GILSON VEDOIN


gilsonvedoin@[Link]
HISTÓRIA DA ARTE

Não depende dos artistas que haja ou não crise no mundo.


Mas depende deles saber utilizar essa crise de maneira que
lhe seja favorável e sirva à arte. Depende dos artistas mostrar
quanto de liberdade eles são capazes de encontrar na
necessidade inelutável e em que medida podem utilizá-la
livremente de modo fecundo para eles mesmos e para a arte.
Georg Lukács . Arte livre ou arte dirigida?
HISTÓRIA DA ARTE
Arte (Latim Ars, significando técnica e/ou habilidade)

• Geralmente é entendida como a atividade humana ligada a


manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de
percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas
instâncias de consciência em um ou mais espectadores, dando um
significado único e diferente para cada obra de arte;
• Arte é um fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não
sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou
cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno;
• Pode ser sinônimo de beleza, ou de uma beleza transcendente. Dessa
forma, o termo passa a ter um caráter subjetivo, qualquer coisa pode
ser chamada de arte, desde que alguém a considere assim, não
precisando ser limitada à produção feita por um artista;
E. H. Gombrich. Sobre arte e artistas. In_ A História da
Arte

Cumpre reconhecer que, em arte, o gosto é algo infinitamente


mais complexo do que o paladar no caso de alimentos e bebidas.
Não se trata de uma questão de descobrir vários e sutis sabores; é
algo mais sério e mais importante. Em última análise, nessas
obras, os grandes mestres entregaram-se por inteiro, sofreram por
elas, sobre elas suaram sangue e, no mínimo, tem o direito de nos
pedir que tentemos compreender o que quiseram realizar. Nunca
se acaba de aprender no campo da arte. Há sempre novas coisas a
descobrir. As grandes obras artísticas parecem ter um aspecto
diferente cada vez que nos colocamos diante delas. Parecem ser
tão inexauríveis e imprevisíveis quanto seres humanos de carne e
osso. É um mundo excitante, com suas próprias e estranhas leis,
suas próprias aventuras.
- Os historiadores de arte buscam determinar os períodos
que empregam certo estilo estético, denominando-os por
'movimentos artísticos'. A arte registra as ideias e os ideais
das culturas e etnias, sendo assim, importante para a
compreensão da história do Homem e do mundo;

- Também pode ser definida, mais genericamente, como o


campo do conhecimento humano relacionado à criação e
crítica de obras que evocam a vivência e interpretação
sensorial, emocional e intelectual da vida em todos os
seus aspectos.
Arte – Representação - Propósito

- Conceito que vem sendo trabalhado ao longo


dos séculos;
- Gregos – Pós-Modernos;
- Mundo Grego – Aristóteles e Platão.
Poética –Aristóteles
Aristóteles
Poética –Aristóteles

- Representação – Invenção – Conceito de


Mimesis;
- Visão estética da arte; universalizante;
- Arte como representação das ações de homens
de caráter elevado – Tragédia e epopéia;
- Verossimilhança – Não o real, mas o que parece
sê-lo;
- Catarse – Purificação das emoções através da
arte.
- Aristóteles rebate o argumento socrático de
desvalorização da poesia, a mimesis pode ser
usada, sim, a favor da educação. Saindo nesta
defesa, Aristóteles, sem rebaixar a Filosofia,
postula sobre a possibilidade de atribuir valor
didático à representação poética, ao elevar o
papel da imitação:
• Parece, de modo geral, darem origem à poesia duas causas,
ambas naturais. Imitar é natural do homem desde a infância –
e nisso difere dos outros animais, em ser o mais capaz de
imitar e de adquirir os primeiros conhecimentos por meio da
imitação – e todos têm prazer em imitar […] Outra razão é que
aprender é sumamente agradável não só aos filósofos, mas
igualmente aos demais homens [...]. Se a vista das imagens
proporciona prazer é porque acontece a quem as contempla
aprender e identificar cada original. (2005, 1448b 5- 20)
Livro X, da República – Platão
Platão
Livro X, da República – Platão

- Visão ontológica da arte – Não invenção, mas


verdade;
- A arte deve estar a serviço da verdade, porém,
como imita seres e coisas existentes, imitação
de um mundo ideal, ela está distante três
graus da verdade;
- MUNDO DAS IDÉIAS – MUNDO REAL –
IMITAÇÃO ARTÍSTICA;
- Sócrates diz que os poetas, quando compõem
suas obras, não miram as Ideias ou os conceitos
das coisas, mas sim suas representações
sensíveis, que já são fruto do trabalho artífice dos
artesãos. E, sendo a poesia a representação de
uma representação, o poeta se encontraria
“afastado três pontos da verdade” (PLATÃO, 2008,
599d). É isso que Sócrates deseja esclarecer
através do exemplo da cama e da pintura,
também no livro X da República:
- Por saber, julgo eu, é que Deus, querendo ser o autor de uma cama real, e não de
uma qualquer, nem um marceneiro qualquer, criou-a, na sua natureza essencial,
una.
- Assim parece.
- Queres então que o intitulemos artífice natural da cama, ou algo semelhante?
- É justo, já que foi ele o criador disso e de tudo o mais na natureza essencial.
- E quanto ao marceneiro? Acaso não lhe chamaremos de artífice da cama?
- Chamaremos.
- E do pintor, diremos também que é o artífice e autor de tal móvel?
- De modo algum.
- Então que dirás que ele é, em relação è cama?
- O título que me parece que lhe se lhe ajusta melhor é o de imitador daquilo de que
os outros são artífices. (PLATÃO, 2008, 598d-e)
- Arte: imitação da imitação;
- Não imita as virtudes, mas sim os vícios (dores,
paixões);
- A arte não é útil ao estado, sua aparência de
verdade, acaba por corromper a verdade;
- A verdade é vista como salvação da alma,
vinculada à justiça, à razão e à lei.
Funcionamento da Arte

Nenhuma “regulamentação”, nenhuma “direção institucionalizada” podem dar uma nova


tendência à evolução da arte. Só os próprios artistas são capazes de fazê-lo; mas sem serem,
naturalmente, independentes da transformação da vida, da sociedade. Tudo isso não
constitui um problema interno da arte, um problema de atelier. Tudo isso concerne a uma
transformação ideológica. O problema da liberdade da arte, sem ser meramente idêntico ao
problema geral, social, filosófico da liberdade, não é, contudo, independente dele. [...] As
questões de estilo não são reguladas por decisões exteriores e sim pela dialética interna da
evolução dos artistas. O artista, porém, vive em sociedade; e – queira ou não – se apóia
numa determinada concepção do mundo que ele exprime igualmente em seu estilo. [...] O
conjunto da vida social está em transformação. Como toda transformação social
fundamental, estão mudando, ao mesmo tempo, a forma e conteúdo [...]. Seria uma ilusão
para os artistas a crença de que isso não lhes diz respeito, a suposição de que a mudança do
mundo poderia não deixar neles traço algum, sendo eles, do mundo, precisamente a
matéria mais sensível. Para ser fecunda, no entanto, uma transformação deve ser voluntária,
livre, fundada numa convicção profunda.

Georg Lukács. Arte Livre ou Arte Dirigida?


• Evolução social – Representação artística;
• A arte funciona como um pêndulo, buscando
sua sustentação no futuro mas também no
acervo de sugestões do passado;
• Artístico/social – unificados;
• Interno/externo;
• Forma/conteúdo.
Gosto e Estilo

• A mudança de gosto e estilo depende da:


• evolução das técnicas, da iniciativa pessoal
extravagante e das grandes mudanças da vida
social(revolução industrial e social-política);
• natural inconformismo humano, fator
essencialmente espiritual (não depende de
fora, mas de dentro do homem. (ora rebelde e
desregrado, ora se mostra correto e
ponderado).
TRADIÇÃO APOLÍNEA X TRADIÇÃO
DIONISÍACA

• Teoria de Schelling
• Schelling filósofo alemão que pela primeira vez percebeu esse
fenômeno;
• Outro filósofo – de um geração mais nova – desenvolveu a teoria
de Schelling, representada pelos dois deuses antagônicos;
• Nietzsche
• No teatro dos gregos, gênero trágico, além de equilibrado e bem
feitinho era cheio de horrores, superstições e mistérios. No teatro
grego, portanto, Apolo e Dioniso se misturavam. O primeiro
corrigindo o segundo, em direção à ordem – e o segundo
superando o primeiro, em direção ao brutal e ao doloroso.
NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia
ou helenismo e pessimismo.
• Nietzsche notou que o esquema Apolo-Dioníso
poderia explicar toda a evolução das artes em
todos os tempos;
• Termo Zeitgeist – palavra alemã formada de
duas outras (Zeit=“tempo”, e Geist=“espírito”´)
• “O espírito de um tempo, a alma de uma época”.
• Ideia central : Toda época tem seu modo de ser,
que se pode inclinar para o apolíneo ou para o
dionisíaco.
Apolo
• Apolo é apresentado por Nietzsche como o deus do
sonho, das formas, das regras, das medidas, dos limites
individuais. O apolíneo é a aparência, a
individualidade, o jogo das figuras bem delineadas.
Apolo representa domínio da imagem, da metáfora,
isto é, da dissimulação. Esta categorização identifica a
conceptualização com a aparência. Mas Apolo
representa também o equilíbrio, a moderação dos
sentidos e, num certo sentido, a própria civilidade, ou
melhor, o modo como esta é ordinariamente
compreendida.
NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia
ou helenismo e pessimismo.
O sonho é a força artística que se projeta em imagens e produz o cenário das
formas e figuras. Apolo é o nome grego para a faculdade de sonhar; é o
princípio de luz, que faz surgir o mundo a partir do caos originário; é o princípio
ordenador que, tendo domado as forças cegas da natureza, submete-as a uma
regra. Símbolo de toda aparência, de toda energia plástica, que se expressa em
formas individuais, Apolo é o “magnífico quadro divino do principium
individuationis. Dá forma às coisas, delimitando-as com contornos precisos,
fixando seu caráter distintivo e determinando, no conjunto, sua função, seu
sentido individual. Modelando o movimento de todo elemento vital, imprimindo
a cada um a cadência – a forma do tempo – ele impõe ao devir uma lei, uma
medida. Apolo é também o deus da serenidade que, tendo superado o terror
instintivo em face da vida, domina-a com um olhar lúcido e sereno: “Esse é o
verdadeiro propósito estético de Apolo, sob cujo nome reunimos todas aquelas
inumeráveis ilusões da bela aparência que a cada instante tornam a existência
digna de ser vivida e nos incitam a viver o instante seguinte.
Dionísio
• Dionísio é apresentado como o gênio ou impulso do
exagero, da fruição, da embriaguez extática, do
sentido místico do Universo, da libertação dos
instintos. É o deus do vinho, da dança, da música e ao
qual as representações de tragédias eram dedicadas.
Dionísio representa, portanto, o irracional, a quebra
das barreiras impostas pela civilização, à dissolução
dos limites dos indivíduos e o eterno devirem.
Dioniso é o princípio metafísico do ser que é assim,
paradoxalmente, compreendido como eterno fluir.
NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia
ou helenismo e pessimismo.
• Segundo Nietzsche, a essência de tal estado é trazida a nós
“pela analogia da embriaguez”, um estado proporcionado pelo
deus do vinho e, ao mesmo tempo, marcadamente presente
em suas passagens pelo mundo dos homens. Haja vista que

• Dioniso experimenta (...), desde o nascimento, a embriaguez


trágica do desespero; produz o inebriamento alegre do álcool,
mas espalha também o surdo êxtase da crueldade. Era o deus
da embriaguez feliz e do amor extático, mas ainda o
Perseguido, o Sofredor e o Moribundo... Deus do êxtase e do
pavor, da selvageria e da feliz libertação, deus louco cuja
aparição deixa os homens em delírio.
REALISMO

“Se quereis que eu pinte anjos, mostrai-me.”

Gustave Courbet
Os quebradores de pedra, Gustave Courbet, 1849.

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