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Instituto de Pesquisas Psicobiofísicas (autores diversos)

Instituto de Pesquisas Psicobiofísicas (autores diversos)

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I In ns st ti it tu ut to o d de e P Ps si ic co ob bi io of fí ís si ic ca a d de e P Pe er rn na am mb bu uc co o

: :
BRASIL
Pernambuco
Pernambuco
Curas por métodos não convencionais
Uma análise sobre o feitiço
Considerações sobre uma teoria e o método científico na Parapsicologia
Aspectos culturais e parapsicológicos das profecias
O caso das irmãs Fox
A influência da Arquitetura nas assombrações
Crença na paranormalidade e os fenômenos psi com estudantes universitários do Brasil
A Parapsicologia e seus opositores
A parceria na pesquisa psi
EQM – uma questão polêmica
A Parapsicologia e suas relações com o Direito
O símbolo e o fenômeno paranormal
Experimento de visão remota entre o Brasil e a Argentina utilizando vários sentidos
Sonhos proféticos
Psicopictografia: uma nova abordagem conceitual e análise de um caso
A Parapsicologia e o transcendental
Paradigma em ciência e em Parapsicologia
Humanizando e simplificando a pesquisa em Parapsicologia
A fotogênese sob o enfoque da teoria quântica
A cura por meios paranormais no contexto médico
Paranormalidade:evolução ou patologia ?
Parapsicologia e hipnose
Proposta de atuação emergencial para a psicocinesia espontânea recorrente
Sono, psicose e transe
Pesquisa em Parapsicologia
Personificações subjetivas: aspectos psiquiátricos, parapsicológicos e transcendentais
Superdotalidade & paranormalidade
Alguns aspectos da paranormalidade no Brasil
A formação de uma comunidade de parapsicólogos em Pernambuco
Etno-sociologia psi
A Parapsicologia e a Mística
Ciência e Religião: indício de Deus no Cérebro
Os fenômenos psicobiofísicos no contexto da teoria do caos
Considerações sobre uma teoria unificada na Parapsicologia
Elementos para um Estudo de Metodologia. AObservação. O Conhecimento
O Problema da Sobrevivência
Parapsicologia. Sistema Complexo-Inconsciente
Parnaso de Além Túmulo. Hipóteses e Discussões
As Experiências Religiosas sob o Enfoque da Hipnose e da Parapsicologia
Parapsicologia e a Alteração de seu Paradigma. Uma Análise Crítica.
A Realidade Transcendental: uma Introdução à Transcendentologia
Experiências Aparicionais - Percepções e Fenômenos em Busca de Explicações. Uma
Análise de Modelos e Pesquisas
Integração dos Estados Modificados de Consciência (EMC) à Realidade
A Questão da Metodologia na Parapsicologia
A Personalidade na Investigação Parapsicológica
O Paranormal e o Transcendental: Fronteiras entre a Parapsicologia e a
Transcendentologia
IPPP - Trinta Anos de História
Fenômeno de voz direta. Uma proposta de classificação
Pré-requisitos para a formulação da hipótese da sobrevivência. Ênfase à memória
extracerebral
Função psi: aspectos éticos e jurídicos
Epistemologia parapsicológica. Uma nova proposta conceitual para o fenômeno de psi-
gama
Demarcação das áreas paranormal e mediúnica: seus aspectos nas religiões e na
Medicina
Paranormalidade e homem primitivo. Hipótese telepática
Simbologia e interpretação analítica do fenômeno paranormal
Teoria Parapsicológica Geral
Psiconeurofisiologia e proposta taxonômica para a psicocinesia espontânea recorrente
As funções psíquicas inibidoras e a natureza da informação no fenômeno paranormal
O universo dos fenômenos paranormais e mediúnicos
Alucinações telepáticas
Baralhos Zener e Soal
Indicadores de Transmissão Telepática. Análise para um Método de Medidas de
Emissão-Recepção com o Baralho Zener
Problemas da Parapsicologia
Paraná
Paraná
Consciência e não-localidade
Curso de Parapsicologia: uma experiência brasileira
Telepatia nos experimentos Ganzfeld da UNIBIO
Um caso sugestivo de precognição
Experiências Fora do Corpo
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
Uma análise crítica de “Born Again! The Indian way”
Teoria do PKMB
Processos de formação e facilitações de psi
Novas considerações sobre link mente-cérebro
Tsunami - O Drama Trágico
Parapsicologia: A primeira lei. Enunciados, discussão e conseqüencias
Controle Psi da Fusão Nuclear
Paradoja EPR, Psicons y Conciencia
Geração Especular de Matéria-Energia através do Vácuo Semântico
Parapsicologia no Brasil
É psíquica a gravitação?
Psicons, Imaginary Tachyons: An Introduction – 1988
Parapsicologia: Desenvolvimentos Teóricos no Brasil
Link Mente – Cérebro ou Caso Neuronal de Psicocinese
São Paulo
São Paulo
Estudo de Três Casos Poltergeist em São Paulo
Aspectos Psicossociais das Experiências Psicológicas Anômalas na Religião:
O Caso do Espiritismo e da Percepção Extra-Sensorial
ARGENTINA
ARGENTINA
Ciencia y Parapsicología
Dimensões da Personalidade e ESP durante sessões de Ganzfeld
Lectura psíquica usando objetos-objetivo y objetivos humanos: reflexiones acerca de la
"psicometria"
Estadística y Parapsicología
Experimento de Visión Remota entre Brasil y Argentina, utilizando los sentidos
corporales
Posible Identidad Topologica entre Figuras Zener, en los Experimentos de Elecction
Forzosa
RÚSSIA
RÚSSIA
O desenvolvimento de formas de esforços sincronizados em grupos para realização de
telecinesia
CURAS POR MÉTODOS NÃO- CONVENCIONAIS
Erivam Felix Vieira
Resumo
Este trabalho é uma síntese e adaptação da última parte de uma
pesquisa em curso sobre “Curandeirismo: a eficácia simbólica das práticas
rituais”.
Pretendemos demonstrar que no fenômeno da cura há vários ângulos de
percepção nem sempre convergentes, já abordados em nosso trabalho “A
mentalidade mágico-supersticiosa no curandeirismo” (1996). O resultado leva a
atitudes de incompreensão diante dessas novas perspectivas postas em
discussão.
Destaca a necessidade de se levar em consideração a natureza simbólica
da vida social, enfatizando que as atividades interativas dos indivíduos
produzem as significações sociais.
Finalizando, adverte para o fato de que não é aconselhável estudar psi
sem um estudo multidisciplinar, que proporcionaria outras visões de sua
realidade, como ocorrências do cotidiano, que seria lastimoso ignorar.
Abstrat
This paper is a synthesis and adaptation of the last part of a on going
research about curanderism: the symbolic efectiveness of ritual pratices.
We intend to show that in the cure phenomena there are several
perception angles, not all convergent, as we have already introduces in our
book “The supertitious and magic mind in curanderism” (1996). It results in
uncomprehensive attitudes before the new perspectives.
It emphasizes the need to consider the symbolic nature of social life,
focusing that the individual interactive activities produce social significance.
The conclusion is that it is not advisable to study psi without a
multidisciplinary, approach in order to show other views of reality, such as in
daily occurrences, that we would regret if they were not considered.
Curas por métodos não convencionais (1)
“A energia curativa natural que existe em cada um de nós é o principal
fator de regeneração”. Hipócrates

1. O enigma da cura
Em um sentido mais abrangente, a cura continua sendo um enigma. Até
estudos realizados no âmbito da medicina moderna têm o seu suporte
fortalecido em observações que, em sua essência, são aparentemente
inexplicáveis. Torna-se, perfeitamente, claro, que muitos médicos empenham-
se, convenientemente, em ignorar tal fato, preferindo acreditar que o “status”
de médico confere para si a supremacia e a plena sapiência. É lamentável que
estejam atraídos pelo “canto das sereias”.
Pensamos que o corpo pode ser curado por uma gama de modalidades
processuais. Não importa de onde e como ocorre a cura, o mais essencial é que
estabeleçamos conexões entre os diversos conhecimentos e técnicas
terapêuticas, para que possamos definir um quadro pluridimencional da cura.
Existem muitas formas de interação entre a mente e o corpo que
desconhecemos completamente e que nos deixam perplexos.
Um outro aspecto que também devemos ter sempre presente para maior
entendimento dos fatos: a religião, por exemplo, que é o maior fato social.
Durkheim (l996), em sua tese antropológica sobre a religião, diz que “no
divino os homens concebem a autoridade moral, à qual se submetem, que lhes
pressiona o comportamento, acarretando-lhes constrangimento, sacrifícios,
além de provocar a sensação de dependência permanente e torná-los
agradecidos”.
Levando em consideração esta perspectiva antropológica predominante,
nunca se deve menosprezar a tendência humana para o metafísico, para o
religioso, porque exporia o caráter humano a inadaptações sociais.
A religião, portanto, é parte do sistema de vida de um povo. Um
compartilhar coletivo de crenças que, por sua vez, é essencial às representações
coletivas.
Certamente os resultados serão bem mais sucedidos, quando cuidamos
dos doentes de acordo com os métodos da sua cultura. Devemos, portanto, levar
em conta a origem cultural do paciente e os dispositivos terapêuticos. Se o
paciente é um religioso, por exemplo, o que nos impede de tratá-lo também de
acordo com suas crenças?
Nossas experiências permitiram-nos constatar que existe uma forte
evidência que a crença que expressamos através da fé espiritual é a responsável
pelas curas denominadas de extraordinárias. Entre a prática de cura e a religião,
existe uma relação, historicamente, estabelecida. De forma incisiva, o “habitus”
que os religiosos incorporam à sua atividade opõe-se ao “habitus” médico.
2. Casos
Caso I (2)
Em l962, um senhor chamado Vitório Michelli foi internado no hospital
militar de Verona, Itália, com um grande tumor canceroso do lado esquerdo do
quadril. Após o diagnosticarem como um caso sem cura, os médicos o
mandaram para casa. Dez meses depois, seu quadril se desintegrou
completamente.
Sem mais esperança de cura através dos meios convencionais, viajou
para Lourdes onde se banhou na fonte. Sentiu uma sensação de calor
percorrendo o seu corpo. Ele se banhou várias vezes, durante alguns dias, e
então voltou para casa. Após um mês, o tumor desapareceu e o seu osso
começou a se regenerar. No segundo mês, ele estava andando e, nos anos
seguintes, seu osso se reconstituiu completamente.
Uma comissão médica do Vaticano, uma equipe internacional de médicos,
fundada para investigar tais assuntos, tem confirmado a autenticidade de
diversas curas na fonte de Lourdes, ao longo dos anos.
Caso II (3)
O Dr. William Tufts Brigham, diretor do Museu Bishop em Honolulu,
dedicado pesquisador dos fenômenos psi, registrou um caso de cura instantânea
de um osso quebrado, efetuada por uma xamã (kahuna) nativa do Havaí.
O caso foi testemunhado por um amigo de Brigham, chamado J. A. K.
Combs. A avó da sua esposa era considerada uma das mulheres kahunas mais
poderosas da ilha.
Certa vez, um determinado senhor escorregou e, ao cair, sofreu uma
fratura exposta em uma das pernas. Pela severidade da fratura, Combs sugeriu
que levassem o homem ao hospital imediatamente, tendo o conselho sido
ignorado pela Kahuna que estava presente ao local. Aproximando-se do homem,
ela endireitou sua perna e fez pressão sobre a área afetada. Depois de rezar e
meditar por alguns minutos, levantou-se e comunicou que o homem estava
curado. Ele se levantou e conseguiu andar. Além de ficar completamente curado,
a sua perna não mostrou nenhum indício de fratura.
Caso III
Este caso ocorreu com o Senhor Samuel (pseudônimo), residente na
cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco.
No ano de l999, teve diagnosticado pelo médico, após vários exames
realizados, um tumor na próstata. Imediatamente realizou os exames pré-
operatórios, visto que a gravidade do caso exigia uma urgente intervenção
cirúrgica. O senhor Samuel, muito preocupado, dirigiu-se ao Centro espírita que
sempre frequentara, à procura de ajuda espiritual. Lá chegando, encontrou uma
jovem senhora a quem se atribui a capacidade de diagnosticar doenças e,
também, a mediunidade de cura (fluidoterapia). Sensibilizada com o caso do
Senhor Samuel, concentrou-se e, conforme ocorre nesses estados alterados de
consciência, sentiu como se estivesse vendo através do corpo do Senhor
Samuel. Descreveu como se fosse um corpo energético escurecido.
Concentrando sua visualização numa determinada região, refere ver o interior
do corpo. Naquela ocasião, visualizou a sua próstata, tendo observado que
pequenas partículas escuras se concentravam sobre a mesma. Imaginou que as
tivesse retirando e transferindo-as para a natureza, até que a próstata obtivesse
uma nova textura e coloração. As sessões de tratamento se repetiram por cinco
vezes, num espaço de quinze (15) dias, sendo utilizado o mesmo procedimento,
acrescido de um forte sentimento, como que de si exalasse algo que selecionava
uma parte para repor, em substituição às partículas “retiradas”. Na última
sessão de tratamento, não mais viu a região escurecida nem o órgão volumoso,
mas com novas texturas e coloração. Naquela oportunidade, a médium sugeriu
ao senhor Samuel que, antes de se submeter à cirurgia, pedisse ao seu médico
que solicitasse novos exames, tendo o mesmo acatado a sugestão. Para
surpresa sua e do médico, constatou-se uma regeneração da próstata, o que
levou o médico a solicitar nova bateria de exames que confirmaram a completa
recuperação do órgão canceroso. (Entrevista concedida pela médium).
Constam, em nosso poder, documentos que comprovam os diagnósticos
médicos, antes e após a cura. Comprovamos, também, que nenhum tratamento
médico regular foi praticado anteriormente ou durante as sessões de
tratamento.
Conforme procedimentos adotados em pesquisas anteriores, verificamos
os conceitos que as pessoas citadas, no caso, tinham da entrevistada, sem
constatarmos discrepâncias entre os relatos, o que muito nos favoreceu para a
complementação dos nossos propósitos.
Apreciando os casos apresentados, observa-se, claramente, que as
pessoas estão sedentas de magia. O sentido mitológico da crença parece
renascer diante da perspectiva de agonia e de sofrimento.
Os relatos revelam, notadamente, não apenas a capacidade que a mente
humana tem para agir sobre o organismo, alterando o sistema endócrino, mas,
sobretudo, curas que se distinguem, por características particulares, das demais
curas, sugerindo tratar-se de experiências de uma nova forma de consciência
que possui uma lógica própria, desafiando a lógica formal.
São as evidências dessas características que mantêm a esperança do
êxito. Mesmo que não conduzam à cura, essa maneira de ser enseja sempre
uma proposta para o enigma da fé que passa a ter um significado bem real e
transparente: Deus já não é mais essa categoria do infinito inatingível e remota
que escapa aos nossos sentidos. Já existe um pacto, através do seu
representante estabelecido. E não pode negar-se a irredutibilidade do mistério
que o homem tem querido penetrar através das portas da religião.
3. A eficácia simbólica da cura
Tradicionalmente, a procura aos centros de cura é considerada de grande
utilidade, apresentando, em alguns casos, resultados satisfatórios de alívio dos
males e até de curas.
Admite-se que toda cura tem uma dimensão de eficácia simbólica. Esta
eficácia consiste, precisamente, numa propriedade indutora garantindo a
harmonia entre mito, rito e cura. Como indica Baczko (l984), “o imaginário
social se expressa por ideologias e utopias, e também por símbolos, alegorias,
rituais e mitos”.
As correlações simbólicas das práticas rituais têm, assim, a base de suas
verosimilhanças, firmadas em padrões muito mais sólidos do que, a princípio,
poder-se-ia pensar.
As experiências cotidianas, e não apenas as religiosas, são permeadas por
ritos. O simbólico se faz presente em toda vida social na situação familiar,
econômica, religiosa, política etc, sem que, às vezes, percebamos.
“A presença de um curador com palavras de encorajamento e atitudes
afetivas provoca um processo sugestivo, motivando a confiança do indivíduo e,
naturalmente, alterando sua condição psíquica, possibilitando readquirir o vigor
normal. O que equivale dizer que a fé no poder curador foi o responsável em
produzir as alterações orgânicas que resultaram na recuperação ou cura” (4).
Nessas circunstâncias, a força mágica do mito é fortalecida: o curador se torna a
encarnação do velho sábio.
O curador investido do papel do velho sábio, “inspirado por Deus”, sempre
simboliza, para quem o procura, a medida de todas as coisas, a representação
do divino.
O risco deste tipo de cura consiste em que, muitas vezes, não existe a cura
real: o paciente apenas sente-se bem pela sugestão. Porém a enfermidade pode
continuar seu curso sem apresentar sinais ou sintomas.
Supondo, também, que exista uma fraude, todo esforço será feito no
sentido de convencer o consulente de que foi ou está sendo curado. Embora
considerando-se curado, em conseqüência de uma aparente melhora dos
sintomas ou desaparecimento dos mesmos, algum tempo após voltará a sentir
as mesmas sintomatologias. E poderá até apresentar uma situação mais grave,
acarretando complicações, onde haja a necessidade de uma correta e ágil
conduta diagnóstica e terapêutica, com alguns casos de intervenção cirúrgica de
urgência.
Precavendo-se contra fatos dessa natureza, em alguns países, entre eles
Alemanha, França e Suíça, determinadas instruções, de natureza acadêmica,
sobre anatomia, histologia, higiene, patologia e diagnóstico, são ministradas
aos curandeiros, podendo ser autorizados como curadores práticos, porém, com
um acompanhamento médico. Recebem, também, orientações, de caráter
rigoroso, sobre a necessidade de encaminhar o paciente ao médico, caso a
enfermidade exceda os limites de sua capacidade.
A teoria holográfica do cérebro pode ser usada para explicar também
esses fenômenos. “Num cérebro que funciona holograficamente a imagem
lembrada de uma coisa pode ter tanto impacto sobre os sentidos quanto a
própria coisa”. (Talbot, 1991).
Michael Talbot (1991) afirma ainda que “na ordem implícita (5), como no
próprio cérebro, a imaginação e a realidade, na verdade, são indistinguíveis e
portanto não deveriam ser nenhuma surpresa para nós que as imagens, na
mente, possam, conseqüentemente, manifestar-se como realidades no corpo
físico”.
Diante do exposto, conclui-se que não apenas a consciência, mas também
o corpo pode responder ao significado. O significado pode, assim, servir como
elo ou ponte entre esses dois lados da realidade, conforme afirma David Bohm ,
considerado um dos maiores físicos especulativos do mundo: “Este elo é
indivisível, no sentido de que a informação contida no pensamento, que
sentimos estar no lado mental, é, ao mesmo tempo, uma atividade física,
química e neurofisiológica, que é claramente o que representa este pensamento
no lado material” (6).
Danah Zohar no seu livro “O ser quântico”, enfatiza: “Embora, sob muitos
aspectos, a consciência seja a coisa mais conhecida e acessível que cada um de
nós possui ela continua como um dos fenômenos menos compreendido deste
mundo”. Enfatiza, também, que “não existe nenhuma anatomia ou fisiologia da
consciência, muito menos uma física” (Zohar, 1990).
Mediante tais evidências, somos motivados a ingressar numa fase de
reavaliação de conceitos e valores, assumindo uma postura pluridimensional da
realidade e, intrinsecamente, dinâmica do universo, em que se constata o
aspecto essencial que representa a mente. Não esqueçamos, pois, que tudo isso
envolve uma abundante seqüência de fatos, valores, idéias, inclinações ou
ocorrências latentes nas profundas e enigmáticas camadas da mente humana.
4. A perspectiva parapsicológica
Os estudos parapsicológicos começam agora a desfrutar um interesse não
usual de círculos, cada vez mais, consideráveis do público.
Em Universidades, Centros de Pesquisas ou Institutos do mundo, há
preconceitos entre técnicas ou conhecimentos mais destacados pela ciência, da
forma como a concebemos, e outras com características diferentes.
O preconceito é tão forte que, de um certo modo, impossibilita reverter a
postura daqueles que rejeitam, mesmo quando são apresentadas todas as
informações que lhes faltavam.
Essa postura, conforme se verifica, é uma conseqüência da ignorância
existente acerca da Parapsicologia, em parte sob influência dos estereótipos da
comunicação.
Por outro lado, esses mesmos críticos de postura negativa (7), em certas
ocasiões, longe do meio acadêmico, quando explicamos que a Parapsicologia
tem como objeto de estudo os fenômenos psi (aqueles em que os
relacionamentos entre o homem e o outro ou entre o homem e o meio ambiente,
ocorrem sem a utilização das funções sensório-motoras convencionais), cedem
um pouco ao radicalismo e até nos relatam algumas experiências por que
passaram, solicitando explicações.
Entretanto, percebe-se claramente, após aquele momento, o receio de
que, alterando a postura, é como se pusesse em risco a reputação acadêmica.
Esquecem esses ilustres pesquisadores que devemos considerar as teorias
dos grandes cientistas, não como descrições de uma verdade absoluta, mas
unicamente como descrições de um protótipo da verdade, o que corresponde a
uma enorme diferenciação.
Os grandes cientistas tentam somente desvendar o conteúdo da “caixa
preta”.
A ciência que se mantiver atrelada a uma lógica dogmática, pagará um
elevado tributo por essa postura que, inevitavelmente, a conduzirá a uma
destruição motivada por suas incoerências internas.
Atualmente há em todo mundo universidades, institutos e centros
dedicados ao estudo da Parapsicologia. No Brasil ainda existem poucas
instituições, entre elas o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas -
I.P.P.P onde, atualmente, diversos trabalhos de estudo e pesquisa têm sido
realizados por sua equipe, cujo propósito visa abrir novas perspectivas no setor
do conhecimento do homem e o entendimento de outros estados de consciência,
até agora, pouco vislumbrados, como é o caso das curas por meios paranormais.
Ronaldo Dantas Lins, médico e parapsicólogo, define cura por meios
paranormais: “como uma ação física da mente sobre os seres vivos, sem a
utilização de qualquer extensão ou instrumento de natureza material,
produzindo o restabelecimento da saúde a este sistema” (Lins, 1995).
É possível, pois, alguém curar por meios paranormais?
Sob o ponto de vista parapsicológico, apesar de muito rara, a cura é
possível em decorrência de uma ação psi-kapa, ou ainda, o agente psi confiável
(paranormal) poderá revitalizar um organismo debilitado através de uma ação
telérgica (exteriorização de energia do agente psi transmitida a uma pessoa).
Esses esforços, sem dúvida, levam o curador a atuar independentemente
do fator psíquico do doente. Ele parece transmitir algo de si, e independe do
conhecimento que tenha sobre o processo.
Outra hipótese é a da sugestão telepática de estimulação e
encorajamento, permitindo que, embora o nível consciente não tome
conhecimento, o doente utilize o seu próprio psiquismo para uma recuperação
ou cura.
Em estado alterado de consciência, o curador consegue um estado de
unidade com o doente, estimulando as suas faculdades auto-restauradoras,
sendo o próprio doente o agente da sua própria cura através da aceleração de
suas próprias faculdades restauradoras orgânicas, que existem em estado
latente.
“Os sinais psigâmicos sendo captados podem não se manifestar em nível
consciente, no entanto, a sugestão telepática positiva pode manifestar-se e
influir de tal forma que o metabolismo da pessoa pode ser inconscientemente
afetado pelos sentimentos captados telepaticamente. A atuação dessas forças
mentais sobre as pessoas está intrinsecamente ligada à sensibilidade do
percipiente. O elemento mágico-religioso está latente à espera de um ambiente
propício que o estimule. Em outras palavras, a confiança no curador e em seus
poderes constitui uma sugestão que já se encontra no psiquismo das pessoas
que o procuram em potencial” (8).
Assim, também, outros fatores ambientais podem produzir e/ou
intensificar, nas pessoas, um estado emocional capaz de inspirar-lhes a
confiança de que serão curados.
Em alguns casos, o doente, por si mesmo, coloca, em atuação, essas
faculdades por ocasião de um choque psicológico (forte emoção) ou fisiológico
(imersão brusca em água fria) etc. Ou, simultaneamente, os dois fatores (como
ocorre em Lourdes e em outros grandes centros de cura do planeta).
O psiquismo desempenha um papel bem definido em nossa vida, mas que,
seguidamente, atua de forma sutil e inconsciente e é utilizado dessa maneira
com o objetivo de buscar informações úteis e satisfazer certas necessidades.
Freqüentemente, certas coincidências que ignoramos completamente,
achando-se incompreensíveis, têm, no entanto, algum significado e fazem com
que acreditemos ser obra da casualidade.
“Embora em determinadas ocasiões não tenhamos como definir certas
curas, aparentemente inexplicáveis, ou apresentar uma explicação plausível no
âmbito da medicina, e concorrendo até para que, hipoteticamente, atribua-se às
forças sobrenaturais, estamos conscientes de que tal fato requer um estímulo
para o aprimoramento da pesquisa, evitando, desta forma, os mesmos erros
cometidos, inconscientemente, por certos pioneiros, pesquisadores que se
enveredaram no emaranhado das evidências culturais do seu tempo, entre seus
correspondentes estereótipos religiosos” (9).
Um fato não podemos negar: o fenômeno psi existe e desafia o rigor
científico. As provas experimentais e inúmeros casos espontâneos registrados
confirmam a sua existência.
5. Considerações finais
Para os pesquisadores que enveredam no campo da fenomenologia psi,
sem o conhecimento da Parapsicologia, é possível que passem despercebidos
alguns aspectos mais complexos da psique humana e das leis da
sugestionabilidade (10).
Acreditamos que o meio mais adequado para captar essa realidade é não
atermos exclusivamente a estudos sob a perspectiva médica unilateral. Não é
aconselhável estudar todos aspectos paranormais dos seres humanos sem um
estudo multidisciplinar.
Convém, portanto, ressaltar que as observações têm revelado a existência
de curas por meios paranormais, que se distinguem por características
particulares das demais. Como pesquisadores, naturalmente, precisamos adotar
uma postura crítica, sem, no entanto, esquecermos que seria uma atitude um
tanto quanto pueril ignorá-las como se não existissem.
Conforme foi evidenciado em trabalho anterior (11): afirmar que apenas
merece a nossa atenção aquilo que é explicitado lógica e racionalmente,
expressa uma visão paupérrima do que seja uma verdadeira investigação
científica. Não menos verdade é que tal procedimento estaria a infringir uma
das regras básicas do método científico, que consiste em observar sem
preconceitos.
Notas
1. Adaptação e resumo do último capítulo do trabalho intitulado
“Curandeirismo: a eficácia simbólica das práticas rituais”, pesquisa
realizada na cidade do Recife, durante os anos de 200l e 2002.
2. Caso I _ Síntese do relato constante do livro “O universo holográfico” de
Michael Talbot, páginas 136 a 139.
3. Caso II – Ibid., página 162.
4. Vieira, Erivam Felix. A mentalidade mágico-supersticiosa no
curandeirismo. In: Anuário Brasileiro de Parapsicologia, nº 1 - 9/36.
5. Ordem implícita – “Realidade mais profunda, em que todas as coisas
estão conectadas” (Lins, Ronaldo. Teoria parapsicológica geral).
6. TALBOT, Michael. (1991), O universo holográfico. São Paulo, Best Seller.
7. Diversos professores de Universidades e membros de outras Instituições
acadêmicas, ao longo do nosso convívio, têm manifestado grande
interesse pelo estudo da fenomenologia paranormal, solicitando,
inclusive, explicações após relatos de algumas experiências que
passaram. Contudo, sempre mantêm uma cuidadosa reserva, como se tal
postura pusesse em risco a reputação acadêmica.
8. Vieira, Erivam Felix. (1994), A feitiçaria: aspectos psigâmicos de um
problema sócio-cultural. Recife, Bagaço.
9. Vieira, Erivam Felix. A mentalidade mágico-supersticiosa no
curandeirismo. In: Anuário Brasileiro de Parapsicologia, nº l - 9/36.
10. Sugestionabilidade – “Refere-se a maior ou menor propensão pelo
hipnotizado de acatar as sugestões” (Lins, 1995).
11. Vieira, Erivam Felix. (1997), Paranormalidade e cultura: uma perspectiva
histórico-social. Olinda. ASPEP.
Bibliografia
1. BACZKO, Bronislaw. (l984), Os imaginários sociais. Memória e esperanças
coletivas. Paris, Payot..
2. DURKHEIM, Émile. (l996), As formas elementares da vida religiosa.
Tradução Paulo Neves. São Paulo, Martins fontes.
3. LINS, Ronaldo Dantas. (1995), Curas por meios paranormais: realidade
ou fantasia? Recife, IPPP.
4. TALBOT, Michael. (1991), O universo holográfico. Tradução Maria de
Fátima S. Marques. São Paulo, Best Seller.
5. VIEIRA, Erivam Felix. (1997), Paranormalidade e cultura: uma
perspectiva histórico-social. Olinda, ASPEP.
6. ________________. (1996), “A mentalidade mágico-supersticiosa no
curandeirismo”. In: Anuário Brasileiro de Parapsicologia, nº 1 - 9/36
7. ________________. Parapsicologia, saúde e curandeirismo. Palestra
apresentada no 1º Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia .
Recife, 0l de novembro de 1997.
8. ______________.”Curandeirismo: a eficácia simbólica das práticas
rituais”. Pesquisa realizada na cidade do Recife, durante os anos de 2001
e 2002.
9. ZOHAR, Danah. (1990), O ser quântico. São Paulo, Best Seller.
UMA ANÁLISE SOBRE O FEITIÇO (*)
Erivam Felix Vieira
Somos sabedores que os feiticeiros exercem uma profissão de fato e seus serviços
podem ser contratados para o bem, ou seja, para afastar espíritos malignos,
quebrar encantos, curar doenças, etc. Por outro lado, também trabalha
secretamente para o mal. Possuem "mau-olhado"; podem "enfeitiçar"; fabricam
imagens das pessoas que desejam matar ou torturar e espetam-nas com alfinetes e
agulhas, espinhos e pregos; reúnem-se, à noite, em cemitérios e proferem
encantamentos profanos. Nossa sociedade é socialmente estratificada, isto é,
dividida em classes, nas quais os meios de comunicação entre dois indivíduos estão
estritamente restringidos e modificados por sua ascendência e posição, surgindo,
dessa forma, os preconceitos e privilégios de classes. É comum os subordinados
apresentarem comportamentos que, com freqüência, demonstram e revelam
submissão à autoridade. Nesse caso, o papel social merece uma atenção especial,
visto que a comunicação não é facilitada ou retardada apenas pela interação das
suas personalidades, mas também pelos papéis que cada um desempenha na
sociedade. Conseqüentemente, esses feiticeiros são temidos e respeitados uma vez
que os papéis por eles desempenhados revestem-se de grande significado para
aqueles que depositam uma fé cega na sua eficiência.
O supersticioso atribui a maior parte dos seus infortúnios à feitiçaria usada contra
ele por alguém que tenha motivo de queixa mais ou menos justificado ou, mesmo,
sem motivo justo. Alguns vivem sempre a consultar o feiticeiro que julgam capaz
de revelar-lhe o futuro ou quando suspeitam que alguém está tentando prejudicá-
los com "feitiço". Se os seus males permanecem, nova consulta é feita sempre com
um único propósito: livrar-se do mal que existe apenas nas suas mentes, criando-se
uma dependência psicológica em relação ao feiticeiro.
Sempre encontramos alguém que levanta a questão sobre a atuação do feitiço
argumentando que uma pessoa, apesar de desconhecer a existência de um feitiço
preparado contra ela, pode, às vezes, ser atingida pela "ação do feiticeiro". Pensa
que, nestes casos, fica comprovado que ninguém está livre de ser atingido por essas
"forças sobrenaturais", desconhecendo que, a nível inconsciente, pode-se captar o
estado psíquico de alguém (telepatia). Assim, a mentalização dirigida de forma
egoísta ou maléfica resulta num bombardeio psíquico de uma eficiência incomum,
quando captada a nível inconsciente por um indivíduo supersticioso. A atuação
desta sugestão telepática sobre as pessoas depende da sensibilidade do percipiente
e do seu grau de crença em superstições. Um Indivíduo supersticioso, com baixa
sensibilidade, poderá somatizar uma sugestão telepática negativa em forma de
indisposição orgânica. Um outro, de maior sensibilidade, poderá Intensificar seu
quadro clínico com sintomas e sinais mais graves, principalmente se ele for um
hipocondríaco, tornando-o predisposto a enfermidades verdadeiras. No caso de um
indivíduo com tendência suicida, a "ação do feiticeiro" poderá complicar a sua
situação psicológica, oferecendo, dessa forma, resistência a qualquer tratamento
psicoterápico e medicamentoso. Na verdade, todos esses indivíduos acreditam na
existência de um poder místico ou espiritual que rege a feitiçaria e, por admitirem
a sua existência, estão expostos a toda sorte de malefícios, frutos da própria
imaginação. O que poderá atingir uma mente supersticiosa, senão doenças,
perseguições, insucessos, ficando altamente vulnerável a qualquer tipo de sugestão,
quer as receba a nível consciente, quer a nível inconsciente, como é o caso da
sugestão telepática?!
Em qualquer dos casos, deve-se ter bem claro o seguinte: a enfermidade só
ocorrerá se a mensagem telepática for acolhida pelo psiquismo inconsciente da
pessoa a ser afetada, ocorrendo, dessa forma, uma telessomatização, que consiste
na conversão de um comunicado telepático em modificação fisiológica no
organismo do percipiente. A informação psigâmica, ao alcançar o inconsciente do
receptor, pode transferir-se para o nível consciente. Conforme consenso entre os
parapsicólogos, essa passagem de informação psigâmica pode ocorrer
instantaneamente ou sofrer retardamentos por bloqueios psicológicos os mais
diversos.
(*) Este Artigo está publicado no livro A Feitiçaria
Considerações Sobre uma Teoria e o Método Científico na Parapsicologia
Ivo Cyro Caruso (*)
I - SUMÁRIO
Um método depende do objeto da pesquisa e requer planejamento, isto é, não
comporta improvisações. Um sistema do conhecimento científico se ocupa com a
expressão total do conhecimento alcançado, referente Á estrutura e
comportamento do objeto estudado. constitui-se de vários sub-sistemas
coerentemente interligados. Um sistema atua como base objetiva do método. 0
método busca novos resultados e tenta explicá-los e, assim, o método e o sistema se
interligam dentro de urna hipótese geral.
A Parapsicologia já detém, ao longo do seu curso, uma série de fatos, muitas
tentativas de explicações descritivas e já desenvolveu métodos adequados a
agrupamentos coerentes de fenômenos. Todavia se ressente de um corpo geral
mais ou menos coerente que reuna os diversos grupos de fenômenos do seu
domínio e apresente urna teoria, ou hipótese geral (sistema), que interligue as
diversas hipóteses (sub-sistemas) de fenômenos, de modo hierarquizado.
Uma tal teoria despertaria o surto de métodos de pesquisa e se submeteria a
urna crítica severa, dentro dos rigores científicos atuais, podendo ser aceita ou
refutada, no todo ou em parte.
Além disso, como ciência, deverá desenvolver a sua utilidade no sentido da sua
consolidação como conhecimento científico a serviço da sociedade humana.
II - HIPÓTESES OUSADAS
Na Astronomia, a teoria do "Big-Bang", ou Grande Explosão inicial, gênese do
Universo observável, uma das teorias cosmológicas atuais, que está em evidência,
não só porque contém um grande conteúdo de observação em seu favor, mas
também porque explica uma cópia de eventos astronômicos. Mesmo assim, Robert
Jastrow, americano, critica que essa teoria descreve como e quando se formou o
hidrogênio e o hélio, mas não esclarece como surgiram os demais elementos da
tabela periódica. Esse é um aspecto crítico, porém a teoria como um todo ainda
não sofreu refutação e subsiste com outras teorias paralelas que tratam também da
gênese do nosso Universo.
A teoria da relatividade esteve a um passo de ser apresentada por Lorentz, ou
mesmo Planck, porém somente A. Einstein a intuiu e ousou apresentar, em que
ainda faltavam meios de comprovação.
Hernani G. Andrade ousou apresentar uma teoria ampla em "A Teoria
Corpuscular do Espírito" (1) e o seu "Modelo Organizador Biológico" também é
um vôo intelectual ousado e o citamos mesmo que alguns de seus conceitos sejam
sujeitos a crítica, porque ainda não verificáveis experimentalmente. Entretanto a
idéia global por ser abrangente merece, ao seu derredor, desenvolver uma
metodologia com o fim de aceitar ou refutar tais hipóteses enquanto não for
experimentada, posta à prova contudo, essas hipóteses não recebem a chancela de
conhecimento científico", porém serio capazes de gerar de pesquisas, a partir de
seu questionamento, quer confirmá-las, quer para refutá-las.
É muito interessante que o Dr. Harold S.Burr tenha realizado diversas
experiências e em 1972 tenha exposto (2) : "Embora quase inconcebivelmtente
complicados, os campos de vida são da mesma natureza que os campos mais
simples conhecidos pela Física moderna e obedecem as mesmas leis. Tal como os
campos da Física, os campos da vida fazem parte da organização do universo e são
influenciados pelas vastas forças cósmicas. E, a semelhança dos campos da Física,
ainda, possuem qualidades organizadoras e direcionais que tem sido reveladas por
muitos milhares de experiências". As conclusões de H.S. Burr (1972) convergem
com aquelas de H.G. Andrade (1959).
Através de citações, temos conhecimento de que R. H. Thouless, psicólogo, e B.
P. Wiesner, bioquímico, (os mesmos que propuseram o termo PSI aceito no I
Congresso Internacional de Parapsicologia) nos idos de 1947 apresentaram a
hipótese de que até as percepções sensoriais comuns são percebidas através das
meios da função psíquica do homem. Sob o enfoque de ambos a percepção normal
ou a paranormal recebem, através dos órgãos sensoriais e do cérebro, os estímulos
vindos do exterior, assim como ação da função psi. A função psi julga e avalia essas
percepções externas. Através da psicocinesia, a função psi interage com o cérebro e
gera a atividade motora do corpo e, assim, o corpo físico obedece a ação diretora
da função psi. O sistema nervoso seria o meio através do qual os impulsos
psíquicos são transmitidos. Esses impulsos são percebidos de modo simbólico. os
símbolos são captados de maneira individual, diferenciadamente, de acordo com o
nível sócio-cultural-afetivo.
Carlos Alberto Tinoco, do Instituto Amazonense de Pesquisas Psicobiofísicas (3)
apresenta uma tese da interação psicocinética como uma das forças de interação
alem daquelas conhecidas pela Física: gravitação, eletromagnética, forças fortes e
forças fracas. A psicocinesia "implica nitidamente na capacidade de interação
entre o psiquismo dos seres vivos e os objetos do mundo físico".
O Modelo organizador Biológico em sua ampla idéia é abrangente e merece um
aprofundamento analítico em face do conhecimento científico e dos métodos
adequados ao seu estudo.
Cabe à Parapsicologia desenvolver e ousar postulados fundamentais da função
psi e do campo psi, em concordância com a sua própria fenomenologia, coerente
com os demais conhecimentos científicos e sem necessidade de confusão semântica.
A função psi atua em um campo, o campo psi, e este, é dito, que não se encontra
sujeito á escala espaço-temporal. O campo psi se interrelaciona com o campo físico
(e, portanto, com o cérebro). Não é científico afirmar-se que o campo psi é um
campo magnético, ou elé
trico, ou eletromagnético, pois esses campos, no domínio da Física, tem uma
conceituação, um processo e característica, bem determinada, qualitativa e
quantitativa, definidos. Os canais de comunicação ou as forças de interação,
conquanto supostas, entre o campo psi e os campos da física não estão bem
definidos e determinados a partir de confirmação experimental.
A função de associação e de conexão entre a função psi e as funções fisiológicas
(neurocerebrais) se daria pela via dos fenômenos associados (ao aspecto psíquico e
ao sistema nevoso) do homem, por um lado, e por outro lado aos fenômenos de
caráter energético por si mesmos. Esse pensamento foi expresso na Conferência de
Parapsicologia, Moscou, 1968, tendo surgido o termo "psicotrônica". Mais incisiva
é a decisão do II Congresso de Psicotrônica, Monte Carlo, 1975, ao definir a
Psicotrônica "uma ciência que de uma forma interdisciplinar, estuda os campos de
interação entre as pessoas e seus ambientes (tanto interno, quanto externo) e os
processos energéticos ali envolvidos". A Psicotrônica reconhece e se fundamenta
que a matéria, a energia e a consciência estão interconectadas de tal maneira que
contribuí para a nova compreensão das potencialidades dos seres humanos, dos
processos biológicos e da matéria em geral.
Parece que a existência de alguns distorcidos aspectos da análise e apreciação da
Parapsologia se explica pela adoção do estudioso por certas opções filosófico-
religiosas prévias. Essa atitude, no entretanto, não é científica.
III - SALTOS PARADIGMÁTICOS
A observaç;ão é a contemplação de um fenômeno, tal como efetivamente ocorre.
Ao observar deve-se permitir que o fenômeno se desenvolva e se apresente tal
como é. Em princípio, o observador não deve alterar ou intervir no curso do
fenômeno, pois, assim, modificaria os resultados. Além da observação, passa-se ao
registro dos fatos e das circunstancias da ocorrência. O fato é descritível e pode ser
submetido a um julgamento, quanto a sua veracidade, se é relatado por outra
pessoa, considerada confiável.
O homem se encontra condicionado pelo espaço-tempo e terá de usar uma
linguagem tanto para a descrição do fenômeno, quanto para a sua explicação.
Apreende o conhecimento da realidade por partes, ou partes da realidade, uma de
cada vez, sucessiva, progressiva e acumuladamente. O conhecimento se desenvolve
no curso do tempo por via árdua, decorrente de fracassos e sucessos. Tal processo
é histórico e coletivo, assimilando-se as conquistas do conhecimento científico,
notadas por futura de uma situação de transito do já conhecido para o
desconhecido, o qual se desnuda permitindo-se a reduzir o campo do desconhecido,
iras, nem por isso, reduzindo-se os novos problemas gerados a partir do
conhecimento novo. Novo conhecimento, novas dúvidas. Esse é o processo
científico consagrado, de aproximações sucessivas em direção à realidade.
A sucessão de registros dos eventos, sem uma ordenação e uma tentativa de
explicação, não encontra apoio científico. Alguns saltos já se configuram
necessários na Parapsicologia, mormente quando se atinge as fronteiras do
conhecimento.
Tal foi o salto na própria Física provocado pelo "princípio da incerteza" de W.
Heisenberg (1927) conhecido na Física e que passou a significar que, para estudar
um fato, o observador deve intervir no seu curso natural, porquanto o pesquisador
não pode ter toda a informação relevante que precise ao mesmo tempo.
O princípio da incerteza tem sido invocado, em Psicologia, nas discussões sobre
assuntos como a introspecção (A.J. Bachrach e outros), porque não é realmente
possível ao homem olhar-se para si mesmo com total clareza.
Se adotarmos a orientação de Mário Bunge(4) de que a metodologia é o separador
de águas no processo da busca da realidade, classificaríamos aí a Parapsicologia
como ciência factual (porque, se preocupa com fatos) e natural (são fatos e
processos da natureza).
Os enunciados parapsicológicos referem-se a fenômenos e a processos naturais. E
até aqui nos atemos aos enunciados do I Congresso Internacional de
Parapsicologia, Utrecht, Holanda, 1953. Desde então, o campo dos fenômenos
paranormais se ampliou.
As ciências factuais necessitam do experimento da observação, para confirmar
(demonstrar) os seus postulados. A metodologia e as técnicas perseguem alterar
deliberadamente os objetos, fenômenos ou processos para verificar até.. :que
situação as hipóteses que lhes serviram de base, se ajustam aos fatos.
Ainda com M. Bunge(4), repetindo-o: "a coerência com um sistema de idéias
previamente admitido é condição necessária, mas não suficiente". Isso significa
que o conhecimento científico não só depende de investigação metódica e
sistemática, mas também deve ser planejada e obedecerá a um método
preestabelecido, que se fundamenta em hipótese. Devemos concluir que os fatos
não falam por si; o observador pode ir vais além, na busca de explicação dos fatos
e as suas correlações, para que os mesmos se transformem em fundamentos
coerentes que sirvam a constatação de uma teoria.
Ainda segundo M. Bunge (obra citada) o método científico merece atenção como
"conjunto de procedimentos por intermédio dos quais (a) se consegue repetir ou
Observar fatos, (b) se propõem problemas científicos, e c) se colocam a prava as
hipóteses científicas". O desenvolvimento dos conceitos de metodologia científica se
encontra difundida por diversos autores.
Cabe ressaltar a posição de Karl Popper(5) que aplicando o seu método da
crítica do conhecimento, cita "o avanço da ciência não se deve ao fato de se
acumularem ao longo do tempo mais e mais experiências", ao criticar que é
impossível atingir o infinito, o conhecimento universal, por maior que seja a
quantidade de fatos observados. A decisão em admitir-se o que seja verdade
depende do grau de confiabilidade, ou da significação probabilística elevada das
leis, postulados e hipóteses explicarem os fatos.
Para Popper quanto mais falseável for o enunciado, mais científico será e mais
falseável será, quanto mais informativo e mais conteúdo empírico contiver. K.
Popper utiliza o método hipotético-dedutivo, que, de 1975 a esta parte, mereceu,
com algumas variantes, o desenvolvimento de seus seguidores (M.Bunge, Irving M.
Copi, Aluisio J. M. de Souza e outros) e não teríamos espaço para resumí-las. Em
suma, para o seguidores de K. Popper, toda hipótese é válida desde que se submeta
ao teste empírico e intersubjetivo de falseamento (6).
Charles A. Tart (7) aponta a via metodológica a ser utilizada ao analisar os
fundamentos científicos para um abrangente estudo de "estados alterados da
consciência", a partir da modificação do paradigma. O paradigma, segundo C. A.
Tart, é um sistema lógico que possui certas hipóteses, objetos e conceitos que não
são questionados, dentro do conjunto dos diversos campos do saber, bem como
regras de trabalho, que se derivam desse sistema. Esse sistema não é fechado. Em
seu interior existem muitos problemas a serem resolvidos. Pela modificação do
paradígma e estrutura "lógica" do raciocínio na construção de hipóteses, pode
alterar-se radicalmente. Poderíamos concluir que se os paradigmas dos
parapsicólogos se aproximam em muitas hipóteses, notar-se-á multo mais difícil o
entendimento (porque se inserem em paradígmas bastante diferenciados) entre
físicos e parapsicólogos. As relações eu-mundo e cosmovisionais entre eles serão
mais divergentes. caberá ao parapsicólogo partir do conhecimento científico aceito,
para o salto paradigmático, utilizando as técnicas e procedimentos das ciências
fronteiras (e ínterdisciplinares) em as adaptando e criando outras técnicas e
procedimentos adequados às novas exigências dos fatos paranormais. O contrário,
seria uma postura ingênua.
IV - ATITUDES INIBITÓRIAS E ATIVADORAS
A configuração da Parapsicologia como ciência se verificou em 30 de dezembro
de 1969, quando a A.A.A.s.(American Association for the Advancement of Science)
aceitou a afilação da "Parapsichological Association". A partir de então, os
parapsicólogos se mantém atentos a uma posição responsável, perante a
comunidade científica, conquanto alguns problemas ainda os inibem.
Um dos problemas é o da replicabilidade, o que não deve preocupar no estágio
atual do conhecimento. Comparadamente, não é a Astronomía uma ciência que se
baseia na observação, conquanto haja no seu sistema maior predictibibidade? As
ciências ditas humanas (sociais na classificação de M. Bunge) também sofrem
dificuldades de réplica e da predição, segundo o maior ou menor grau
informacional dos fatores circunstanciais envolvidos.
O sucesso ou não, que for obtido em face ao fenômeno paranormal, pelo
observador ou pesquisador menos ou mais cético, é outro aspecto inibitório, mas
que se encontra em outras ciências, explicável devido Ás diferenças de paradigma.
Um físico e um psicólogo (ou até mesmo um biólogo) diante de um fato poderão
discordar nos métodos e análises. A atitude do pesquisador científico deve ser de
curiosidade e atento ante o fato. crença ou descrédito não são atitudes científicas.
Porém a dúvida corresponde a uma postura científica.
Não é só a Parapsicologia que obtém resultados diferentes de diversos sujeitos
sob condições experimentais semelhantes. Esta variabili-dade de desempenho
também ocorre com as ciências ditas humanas. cada homem tem uma vivência
distinta, uma historia própria e um acervo sócio cultural que lhe imprimem
respostas diferenciadas.
A expressão paranormal ou extra-sensorial parece escandalizar aqueles que não
são parapsicólogos, país a ciência parte da afirmação básica de que os eventos na
natureza (icluindo o comportamento) sãc ordenados e obedecem a leis e de que o
objetivo de um cientista é buscar a ordem ande existe o caos. A expressão
"percepção extra-sensorial" adquiriu uma conotação de à margem da percepção
sensórial porém bastaria dar atenção aos estudos de A.R.Luria (8), neuropsicólogo
russo (1903-1978) alegando, em suas conclusões, que ainda se sabe "muito pouco a
respeito da natureza interna e da estrutura neurológica". Tratando do pensamento
A. R.Luria (obra citada) se refere a escolha dos métodos e do ato operante mental
que serão adequados e desenvolve: "Nessas operações são mais freqüentes o uso de
algoritmos (lingüísticos, lógicos, numéricos) adequados, já prontos, que se
desenvolveram no curso da historia social e que se prestam bem a representar um
tal esquema ou uma tal hipótese".
Trata-se de uma conceituação cibernética e entro se nota que mesmo os
neurologistas não idealistas "encontraram dificuldades de achar um componente
fundamental do ato intelectual em um subtrato cerebral para idéias abstratas" no
dizer de Goldstein, mencionado por A. R. Luria (obra citada).
Temos aí a noção de uma separação do conceito cérebro como a máquina (o
mecanismo duro - o "hardware") e o pensamento e outros atos intelectuais como o
programa (a lógica - o "software") que opera a máquina, conceitos tomados à
informática.
Quando Hernani G. Andrade (1) estuda o ectoplasma, manifesta o seu
pensamento de maneira aberta, "As teorias podem não corresponder totalmente a
verdadeira natureza dos fatos, mas conseguem proporcionar certa antecipação ao
conhecimento, sugerindo novos meros e métodos de pesquisa da verdade". E
continua logo a seguir que "uma vez enunciada uma hipótese, ela deve ser
imediatamente verificada e não colocada em um pedestal". E concluí: "com essa
advertência e com esse espírito, ousamos expor mais uma teoria sobre o
ectoplasma,..."
O grifo é nosso, exaltando a atitude do autor citado, um dos mestres da
Parapsicologia deste país, mesmo que ousemos discordar e consideremos
dependentes de prova experimental alguns enunciados fundamentais da sua teoria.
Trata-se porém de uma ação ativadora da criação intelectual e de um salto
paradigmático, que estamos defendendo neste trabalho.
O aspecto duplo, hoje defendido pelos físicos na abordagem da natureza da luz e
outras partículas subatômicas, que era aparentemente um beco-sem-saída, passou
a ter enfoques analíticos "complementares" como corpuscular e como
eletromagnética. Isso é uma alteração de paradigma, que surge de urna nova
concepção teórica que passa a explicar o mesmo fenômeno sob maneiras de
enfocar diferentes uma teoria já existente, ou um fenômeno conhecido.
No estágio atual, exigir-se a fenomenologia parapsicológica fundada no
"desconhecido" inconsciente, trata-se de reducionismo aparente, na medida que o
inconsciente não explica, plenamente, todos ou mesmo alguns fatos
parapsicológicos. A abordagem do fenômeno parapsicológico envolve um elevado
grau de complexidade e parece exigir mais de uma hipótese para a
complementação explicativa. Por que não reexaminar-se a hipótese do Modelo
Organizador Biológico, como o fez Carlos A. Tinôco? É outra teoria já existente e
que se pode constituir em fonte de indagações metodológicas, de técnicas de estudo
e de instrumentação e maquinário, antes de passar-se para outras hipóteses. E se
for caso de efetuar-se revisões, iremos à obra! Apresentaríamos a sugestão de os
Institutos de Parapsicologia existentes no país, efetuarem um levantamento de seus
recursos humanos e materiais e coordenar um estudo amplo, em se dividindo as
tarefas e as diversas etapas, num projeto exeqüível, em torno de urna ou de ambas
as hipóteses mais abrangentes da atualidade.
V - METODOLOGIA PRÓPRIA E HUMANA
Sob a perspectiva do homem com suas relações consigo mesmo e com o mundo, a
tarefa do parapsicólogo é sentir a sua presença e observar uma comunicação no
reencontro homem-eu-mundo. Nâo sendo ciência do corpo (se a neurofisiologia não
vier a comprovar o contrário) a Parapsicologia deve considerar a significação do
homem no mundo, compreendendo-se a si próprio. Como tal, a Parapsicologia se
funda como ciência do real-subjetivo. É provável que esse seja um conceito de
difícil compreensão àqueles que não se encontram afeitos à fenomenologia
paranormal.
Desse modo, na Parapsicología não poderá prevalecer os métodos a que se
submetem as ciências físico químico-biológicas (ciências naturais). Se esse sentido
estiver correto, um psicólogo behaviorista terá paradigma conflitante com o do
parapsicólogo e, portanto, este último não deverá utilizar, por princípio, a
metodología positivo-mecanicista-comportamentalista.
Entendemos que o parapsicólogo observa "seres humanos" (que poderá ser
estendido a "seres vivos") e não máquinas, nem autômatos. Seres humanos são
complexos que se expressam, percebem pelos sentidos, pensam, sentem emoções e
manifestam-se através de canais ainda não totalmente identificados. Tais canais
pertencem ao campo da Parapsicologia.
Entendemos que ao parapsicólogo não cabe qualquer constructo económico
reducionista do homem a um autômata infra-humano, descrito por Ludwig von
Bertalanffy (9). Nem mesmo como Jacques Monod ao reduzir o corpo à máquina.
O método introspectivo que pode preocupar o parapsicólogo, não consiste em
uma questão importante, bastando o estudioso aproveitar os ensinamentos da
posição metodológica, na psicologia, de Binet e Ribot, que aplicam os métodos e
suas distinções) introspectivas: introspecção individual e introspecção comparada.
Dentro dessa conceituação, deve-se evitar o homem-rato (o homem de
laboratório comparado dos ratos e macacos) na visto parapsicológica. Ou o método
que reduza o homem ao que se obtém do comportamento do rato de laboratório.
Também não se necessitará sacralizar o homem.
Nem o homem-rato, nem o autômato, nem o homem pecuniário, ou utilitário,
nem o homem divino, nem de qualquer forma marginal a sua própria essência.
Livre de qualquer adjetivo, o parapsicólogo examinará o homem, um ser
complexo, inteligente, lúdico, liberto, mas gregário e que transcende às demais
criações, devido mesmo às suas atividades psíquicas, algumas das quais (ou todas)
a espera de uma teoria explicadora do que se constitui o seu campo psi individual e
por qual modo se interrelaciona com o campo psi universal do qual faz parte.
VI - RECENTRANDO O HOMEM
Outrora os homens participavam do conhecimento. A ciência de que
participavam todos os homens se transforma, com o curso dos séculos, em um
conhecimento deveras difícil e geradora de técnicas que se desenvolveram de
maneira avassaladora tal que força explosiva abalando o homem atual reduzindo-o
a um estranho humilhado.
Analisando que o homem médio desconhece o que se passa na área da ciência e
da tecnologia atual, conclui-se a causa dessa alienante humilhação. Por causa dessa
humilhação da tecnologia predadora, o homem médio moderno aceita as
construções técnicas como algo terrível, porém desconhecido e que no entanto
atende à sua vontade, o que se pode rotular de magia. Daí o homem entregar-se,
como compensação, às suas frustrações em face do incógnito tecnológico, às
superstições, feitiçarias e magias de diferentes graus.
A idéia utópica do autômato, já está ultrapassando Á realidade, alienando o
homem e criando-lhe os conflitos e nova descentralização em sua relação eu-
mundo.
Joseph B. Rhine (10) analisa que as experiências psíquicas não podem ser
explicadas por maneira "não-psíquica", sob pena de perderem a sua significação.
Afirma o autor mencionado que a Parapsicologia "é o primeiro novo mundo da
Ciência além da Física". O grifo é nosso. O conceito de o "novo mundo" traduz-
se por uma ruptura na ciência positivista, pois somente nela não se podem
considerar as manifes-tações introspectivas humanas, próprias de sua natureza.
Geralmente toda descoberta científica implica o uso de temas ou idéias
adaptáveis à ideologia dominante da época. A ruptura com esses temas e idéias
originam um novo discurso, no sentido de urna nova linguagem, que possibilite
revelar-se adequado ao objeto da ciência. Considera-se que uma ciência e sua
respectiva aplicação somente tenha utilidade se servir ao sistema vigente,
globalizante, respondendo aos interesses (não só de um país, mas de conjunto de
povos e nações) ao que se habitua designar-se por complexo industrial-político-
militar dominante. Fora isso, conflitantes interesses ideal-pragmáticos e de
acmodações poderío tornar-se aflitivos ou alienantes. os aspectos conflitantes
poderiam interferir no homem e gerar problemas que o estágio atual da
neurofisiologia, não conseguindo explicar, ativariam reações e respostas
"parapsicológicas" ou consideradas, erroneamente como tais. E aqueles que
efetuam pesquisas parapsicológicas seriam levados àquelas respostas em função do
princípio das "reações reforçadas" tão bem examinadas pela Psicologia.
Na medida em que a Parapsicologia não ofereça interesse ou utilidade ao sistema
dominante, conforme esboçado acima, deixaria de constituir-se em uma força
social, mas apenas em inócua discussio académica. Todavía a Parapsicología
poderá vir a alterar o comportento do homem, em evitando que a imagem do
"homem-autômato" prevaleça. Em recolocando o homem como o centro,
recentrando-o, no universo e nas relações eu-mundo de sua visão. Deveriam ser
feitas avaliações de natureza utilitária, porém de modo a ser ciência aplicada ao
homem e ao seu sistema social. E finalmente ponderar mais intensamente as
avaliações idealistas, para que, como ciência, se proponha ao homem à obtenção
dos seus mais superiores objetivos sem agredir-se a si próprio, nem à humanidade
nem a natureza.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(1) Andrade, Hernani G. A Teoría Corpuscular do Espírito. Ed. Bentivegna, Sio
Paulo, 1959, 2a edição.
(2) Burr, Harold S. Blueprint for Immortality, the Electrical Patterns of Life.
NeAlle Spearman, London, 1972.
(3) Tinoco, Carlos Alberto. Psicocinesia como uma Forma de Interação Física.
Tese apresentada no II Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrénica,
auditorio de Sheraton Hotel, Río de Janeiro, 1979.
(4) Bunge, Mário. La Ciencia su Método y su Filosofia. Siglo Veinte, Buenos Ayres,
1974.
(5) Popper, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. Tradução Ed. Cultrix, São
Paulo, 1975.
(6) Lakatos, Eva M. e Marconi, Marina de A. Metodología científica. Ed. Atlas,
São Paulo, 1982.
(7) Tart, Charles A. Pequeno Tratado de Psicologia Transpessoal. Vol II, Ed.
Vozes, Petrópolis, Río de Janeiro, 1978.
(8) Luria, A. R. Fundamentos de Neuropsicologia. Tradução Ed. da Universidade
de São Paulo, S.Paulo, 1981. do inglês; original russo.
(9) Bertalantty, Ludwig von. Robbots, Men and Mind, 1967.
(l0) Rhine, Joseph Banks. O Novo Mundo do Espírito. Tradução, Ed. Best Seller,
São Paulo, 1966.
(*) Tese apresentada no III Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrônica.
Auditório do Sheraton Hotel, Rio de Janeiro, 25 a 28 de julho de 1982.
ASPECTOS CULTURAIS E PARAPSICOLÓGICOS DAS PROFECIAS
Erivam Felix Vieira (*)
“Cada cultura é um mundo fechado ao entendimento de outras culturas”
Josué de Castro.
Nesta breve exposição, proponho-me a despertar uma reflexão que,
realmente, contribua para a informação daqueles que têm demonstrado um grande
interesse pela Parapsicologia.
Diante da perspectiva dessa realidade, não podemos descartar o uso
simultâneo de um enfoque sociológico e antropológico, quando tecemos
comentários sobre o cultural, o que nos reporta, inevitavelmente, a uma abordagem
sobre o imaginário popular.
Inclui-se como preocupação esclarecer que não significa que o imaginário
represente a rejeição do real, apenas tem como suporte o real para transformá-lo e
deslocá-lo, conferindo-lhe um novo valor. Para Gilbert Durand “não há ruptura
entre o racional e o imaginário, pois o racionalismo não passa de uma estrutura,
dentre muitas outras polarizantes própria do campo das imagens” (DURAND,
1964, 77).
É justamente isto que tentaremos fazer num primeiro momento. E como
fazê-lo senão retrocedendo um pouco no tempo, através dos séculos, e centrando
nossas especulações sobre o que representa a figura do profeta e,
consequentemente as profecias.
O profeta é aquele que anuncia, e as pessoas, em torno do profeta, seguem a
promessa por ele anunciada de algo que está por ocorrer: uma boa nova, uma
catástrofe, um mundo que está prestes a terminar para fazer surgir um novo mundo
livre de sofrimento. Ele profetiza o futuro que será segundo o mito um
ressurgimento do paraíso perdido.
Os mitos, conforme sabemos, carregam mensagens que se traduzem nos
costumes e nas tradições de um povo, são a maneira possível de explicar um modo
de vida. Ao contrário da ciência que explica o mundo através da razão, um mito
explica pela fé (crença sem necessidade de prova). Ver coisas que todos vêm sobre
outra perspectiva.
Antes de explicar o mundo racionalmente, o ser humano sente o meio em
que vive. O mito fez com que o ser humano procurasse entender o mundo através
do sentimento e buscando a ordem das coisas.
Em que consiste, então, a lógica profética?
Quando as pessoas vivem num universo social em decadência, onde não se
encontra mais um referencial que dê sentido à vida, a lógica profética tenderá
sempre a construir o mito de uma sociedade perfeita, sem doenças, males,
injustiça, sofrimento. À medida que surgem, no cenário social, novos fenômenos e
problemas, criam-se novas profecias.
É assim que vemos construído esse imaginário na história de todos os
povos, tendo o seu suporte nas tradições religiosas e socioculturais e a
representação dessas tradições. O simbólico se faz presente no contexto social.
Conforme formula Mircea Eliade “um símbolo revela sempre qualquer que seja o
contexto, a unidade fundamental de várias zonas do real” (ELIADE,1970,585).
Segundo Laplantine, “eles são, no real, toda a idéia que representam:
combate social, virtude heróica, marginalidade social, martírio e violência”,
configurando a promessa e o princípio da esperança no futuro. Eles são, por assim
dizer, antepassados divinizados ou que incorporam o mito do herói
(LAPLANTINE, 1996, 41).
Trazendo esse imaginário para bem mais próximo de nós, encontramos
personagens de existência histórica e mítica como Antônio Conselheiro, Padre
Cícero e tantos outros que são construídos e cultuados a partir da religiosidade
popular.
Através dos nossos avós e nossos pais, muitas dessas histórias chegaram até
nós e continuam a ser relatadas ainda hoje, o que confirma o poder das tradições.
As biografias de certos personagens estão repletas de experiências
inusitadas, questionando o nosso racionalismo cartesiano.
Podemos elucidar esses fatos, recorrendo a exemplos do tipo seguinte:
Júlio Verne - Transgrediu, através do imaginário, a tecnicidade do seu
século e concebeu a possível revolução tecnológica do futuro. O submarino e as
viagens aéreas, entre outras, são grandes exemplos.
Nostradamus - Nos relatos das suas centúrias, apesar de muito
enigmáticos, encontramos também um expressivo número de previsões que
dispensam toda e qualquer necessidade de interpretação, devido a sua clareza.
Conta-se que certa vez, em sua juventude, durante uma viagem à Itália,
conheceu Felix Peretti que se tornara monge.
Encontrava-se Peretti, humildemente, entre outros monges e tão logo
Nostradamus o viu, dirigiu-se a ele como “sua Santidade”, beijando-lhe as mãos.
Tal atitude intrigou muito os presentes e deixou Felix Peretti bastante confuso.
Em 1585, dezenove anos após a morte de Nostradamus, Peretti é eleito Papa
e recebe o nome de Sisto V.
Ora, o espaço dos profetas é um espaço fora do espaço, e o tempo, um
tempo desprovido de uma sequencialidade temporal, ou seja, um tempo mítico. As
profecias rompem os limites do real.
Apesar de serem qualificadas, em geral, de “sobrenatural” ou “absurdas”
são formadas por uma continuidade de significação, tendo a sua própria coerência.
Na reconstituição histórica das profecias, encontramos o absurdo, o
paradoxo e o incrível, mais parecendo uma obra de ficção. O fantástico ultrapassa a
realidade.
Não se trata de narrativas lendárias que são fascinantes e, muitas vezes,
incríveis, mas a própria realidade que vem a se confirmar num futuro contraditório:
longínquo e próximo, assustador e venturoso, mais parecendo um “realismo
mágico” que foge a todo modelo convencional, tornando-se um paradoxo. A
realidade passa a ser o ilusório, e o fictício a realidade.
Muitas dessas profecias não deixam de ser reais, porque não são uma
alucinação, mas uma outra forma de perceber, ou seja, possuem uma lógica própria
que desafia a lógica formal.
No universo racional, no qual fomos educados desde a infância, esses
fenômenos são acontecimentos inexplicáveis que não se enquadram nas leis
naturais que regem a explicação do mundo. Daí o porquê da resistência oferecida
por aqueles que se autodenominam donos da verdade. Não compreendem e nada
fazem para entender.
Ao longo dos tempos, diversas explicações foram apresentadas: dons
sobrenaturais, inspirações divinas, principalmente no tocante aos profetas bíblicos.
Não importa qual nome iremos atribuir, o importante é que o fenômeno não
pode ser negado. Uma previsão com antecedência e com precisão de detalhes sobre
algo que venha a se concretizar no futuro, bem que merece uma investigação
especial.
É o que tem feito a Parapsicologia: uma investigação que consiste em
observar sem preconceitos, o que constitui uma das regras básicas do método
científico.
No Brasil, ainda existem poucas instituições de Parapsicologia, entre elas o
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas – IPPP que é, atualmente,
considerada uma das principais instituições de pesquisa representativa dos que
fazem a Parapsicologia no Brasil, sendo, inclusive, conhecida no exterior. Diversos
trabalhos de estudo e pesquisa têm sido realizados por sua equipe. Os trabalhos
versam sobre diversos temas, com relatos de casos ocorridos em Pernambuco,
durante as últimas décadas, confirmando não constituírem as previsões um dom
exclusivo dos profetas, mas uma capacidade de todo ser humano, podendo emergir
em qualquer época da sua existência. A essas previsões denominamos de
precognição (conhecimento prévio).
Em determinados estados alterados de consciência, o conceito de tempo,
conforme concebemos, perde a sua característica e seqüencialidade temporal,
sugerindo não haver uma separação entre passado, presente e futuro. Conclui-se
que, nesses casos, os personagens obtiveram informações que não tinham como
obter ou serem explicadas pelo funcionamento dos sentidos e faculdades
conhecidas pela Ciência Clássica.
O anúncio precognitivo não se trata de um futuro determinado e, sim, de
uma capacidade que temos de perceber as possibilidades entre os vários
acontecimentos possíveis e que, em estado alterado de consciência, temos acesso a
uma entre as demais possibilidades e não aquilo que se concretizará
obrigatoriamente. Segundo Danah Zahar, “não implica, necessariamente, na
determinação do futuro, apenas sugere haver vários futuros possíveis e que sejamos
capazes de perceber essas possibilidades. Devemos encarar como a previsão de um
possível acontecimento” (ZAHAR, 1998, 180).
Admite-se que o conhecimento científico é limitado e aproximado, não
existindo uma verdade absoluta. Nenhum assunto se esgota, sempre podendo ser
revisado através de um esforço multidisciplinar. A imagem que fazemos de algo se
torna diferente de conformidade com o ângulo de visão do qual contemplamos. É
uma questão de perspectiva.
Freqüentemente registramos apenas uma fração da realidade, aquela que
aprendemos a ver e a determinar através dos nossos condicionamentos culturais.
Entretanto, há outros estados alterados de consciência que tornam possível uma
percepção além desses limites, conforme demonstram os fatos históricos e dados
obtidos mediante pesquisas.
Ampliar o nosso nível de visão constitui, ao que parece, uma condição
necessária para a captação dessa linguagem do inconsciente. Um claro
entendimento de que os componentes culturais, as circunstâncias da vida
individual influenciam, de uma certa forma, o conteúdo da representação simbólica
é de grande valor para as nossas conclusões.
Outro fator que merece um destaque especial: o homem quer atribuir aos
fatos sociais valores idênticos ao do universo físico, equiparando a norma social a
fatos da natureza.
Segundo Rubem Alves, “a consciência ingênua não percebe que a realidade
social é uma construção humana, tão limitada que nos torna cegos para tudo aquilo
que transcende” (ALVES, 1988, 127).
Para ilustrar e apoiar essa afirmação de um sentimento de impotência,
recorremos ao personagem de Franz Kafka no seu livro “O Processo”: Kafka
destaca um personagem que ao acordar para um dia de trabalho, tem o seu
apartamento invadido por funcionários da justiça que o informam estar detido, sem
todavia explicar as razões desta detenção. A partir daí inicia a sua "via crucis",
quando ao apresentar-se perante a corte fica a mercê dos poderes, jogado de um
lado para outro, procurando inutilmente defender-se de uma culpa que desconhece,
perante um tribunal indiferente. Nenhuma resposta é dada às suas perguntas.
É de suma importância que tenhamos a sensibilidade para percebermos que
toda realidade social é precária e que a experiência parapsicológica é a experiência
de uma nova forma de consciência, cujo maior inimigo é o intelecto, que consiste
em discernir o sujeito do objeto.
Concluindo, utilizo-me das palavras do Dr. Rubem Azevedo Alves, autor da
consagrada obra “O Enigma da Religião”:
“Onde está a verdade? É difícil dizer. Qualquer resposta que nos
atrevêssemos a dar poderia ser catalogada como um palpite a mais no rol já
excessivamente extenso das explicações oferecidas”.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ALVES, Rubem Azevedo. O enigma da religião. São Paulo: Papirus, 1988.
2. DURAND, Gilbert. A imaginação simbólica. São Paulo: Cultrix, 1988.
3. ELIADE, Mircea. Tratado de história das religiões. Cosmos, Martins Fontes,
1970.
4. LAPLANTINE, François. Imaginário. São Paulo: Brasiliense, 1996.
5. ZAHAR, Danah. Através da barreira do tempo. São Paulo: Pensamento, 1988.
(*) Tema apresentado no XVII Simpósio Pernambucano de Parapsicologia,
realizado no Recife, em 16 de outubro de 1999.
O CASO DAS IRMÃS FOX (*)
Terezinha Acioli Lins
Hipótese e Discussão
Introdução
A História e a Antropologia nos revela que a humanidade, de há muito tempo,
acredita em espíritos e fantasmas.
O homem primitivo, por sua vez, tinha a crença de que espíritos se encontravam
em tudo, no Universo, havendo no fogo, na água, nas árvores, nas rochas etc. Essas
entidades espirituais tinham poderes direcionados ao bem e direcionados ao mal,
Os homens pediam-lhes ajuda em troca de oferendas e orações.
O caráter mágico surgiu depois e os homens passaram a usar encantamentos e
fórmulas para ter o controle dos espíritos. Surgem várias idéias concernentes aos
espíritos: muitos, por não terem sido vingados, não podiam repousar em seus
túmulos; outros podiam retornar, em especial, aos dos que morreram
violentamente. Casos e mais casos são relatados, cujos lemas compreendem casas
assombradas e fantasmas. Mas continuavam os espíritos temidos e incontroláveis
pelos homens.
Pode-se afirmar que o fenômeno das mesas girantes (ou falantes) deu lugar ao
Espiritismo.
E, por analogia com o fenômeno das batidas, golpes ou pancadas, chamados raps
pelos anglo-saxões, nasceu em Hydesville, pequena aldeia norte-americana, o que
se convencionou chamar "Modern Spiritualism" (neo-espiritualismo) e que a
humilde casa de madeira da família Fox, na qual os fenômenos se verificaram, foi,
algum tempo depois, transportada para a Lily Dale Camp (acampamento espírita
de Lily Dale), no estado de New York e transformada em Monumento Nacional do
Espiritismo.
A respeito desse fenômeno, escreveu o professor Charles Richet, médico ilustre,
autor do "Tratado de Metapsíquica", em seu último livro "La Grand Espérance",
(pág. 221):
“Um dos mais belos fenômenos da Metapsíquíca é o dos raps, mas não é fácil obter
golpes bastantes sonoros para que os percebamos com facilidade. Eis em que
consistem : se, num grupo de experimentadores, entre os que colocam as mãos
sobre uma mesa, se encontra um médium de certa potencialidade física, percebem-
se, às vezes, vibrações sonoras na estrutura da madeira e, muito amiúde, essas
vibrações, que o médium pode produzir todas as ocasiões que as suas mãos se
acham imóveis em cima da mesa, são de natureza inteligente. A história dos raps é
interessante e eu aconselharia um metapsiquista jovem a escrever uma monografia
detalhada acerca dos mesmos."
Surgiu, então, a monografia que teve por título "Breve história dos golpes
mediúnicos", da autoria do professor italiano Ernesto Bozzano. Foi no século
atual, um dos escritores mais conhecidos pelos seus estudos doutrinários e
científicos, publicados em vários idiomas, tais como: italiano, francês, espanhol,
português, inglês e outros, tanto em livros quanto em revistas. Escreveu mais de
cem trabalhos entre artigos e livros (estes mais de trinta). O Espiritismo,
naturalmente, existia antes do famoso Mistério de Hydesville que é, sem dúvida,
um acontecimento-marco da evolução das pesquisas psíquicas no mundo. Muitas
vezes, apresenta-se combatido e deturpado.
NARRATIVA DO FENÔMENO
Entre 1843 e 1844, Hydesville era vilarejo do estado de New York e, num casebre
das proximidades vivia um casal da família Beli. O marido ficou sozinho em casa
por sua mulher ter viajado. Um mascate apareceu e pediu pousada, entrando para
dormir e, para sempre, desapareceu.
Em 1847, o casal Bell tomou rumo desconhecido e a casa foi alugada por um casal
da família Weekmann. Esse casal abandonou a casa por motivo de ocorrências
estranhas, pancadas noturnas no solo e nas paredes, que não os deixavam dormir.
Nesse mesmo ano, o metodista John D. Fox foi morar no local com sua família. 1
Os fenômenos continuaram e as meninas Margaret e Kate, de quinze e onze anos,
respectivamente, envolveram-se com os mesmos. 2 Essa experiência curiosa
despertara um grande interesse nacional e internacional pela comunicação com os
espíritos ".
A família acordava com pancadas ruidosas que não tinham explicação. Mais tarde,
Margaret Fox, esposa de John, assinou uma declaração, narrando o que acontecia:
"Na noite dos primeiros ruídos nós nos levantamos, acendemos uma vela, e
procuramos a razão daquilo pela casa toda... Embora não muito fortes, aquelas
batidas produziam sacudidelas nas camas e nas cadeiras e, quando deitados,
podíamos senti-las, bem como quando estávamos de pé.
Os ruídos voltaram no dia 30 de março de 1848, continuando durante toda a noite.
Os ruídos eram ouvidos em todas as partes da casa... Ouvíamos ruídos de passos
no solo e como que subindo as escadas. Não podíamos descansar. Cheguei, então, à
conclusão de que a casa devia estar assombrada por algum espírito infeliz e
inquieto.
Ouvira falar nessas coisas com freqüência, mas nunca testemunhara nada nesse
gênero que não me fosse possível explicar”.
Na noite seguinte, 31 de março, um fato despertou curiosidade no mundo espírita.
O senhor e a senhora Fox, colocaram as camas de Margaret e Kate em seu próprio
quarto, após o início dos misteriosos ruídos. Os ruídos recomeçaram, quando eles
se deitaram. A noite era de vento, segundo afirmara o congressista Robert Dale
Owen, que entrevistou a senhora Fox e suas duas filhas. John Fox pensou que o
ruído poderia vir dos caixilhos das janelas estremecidas pelo vento e foi à janela
tentar, com as mãos, reproduzir o mesmo ruído. De repente, Kate, então com onze
anos, reparou que, a cada vez que o pai sacudia a janela, as pancadas pareciam
responder. Estalando os dedos, exclamou para espanto de sua irmã: "Vamos,
senhor do Pé Rachado (referia-se ao Diabo) faça o que eu estou fazendo !" As
pancadas repetiram imediatamente o estalo de seus dedos! Kate ficou tão
assustada que enterrou a cabeça sob as cobertas da cama.
Sua irmã de catorze anos, Margaret, aceitou o desafio e disse: "Faça o que faço !"
Bateu palmas quatro vezes e, instantaneamente, quatro pancadas ocas vieram da
parede oposta.
Quando Kate Fox recuperara a coragem, atirou longe as cobertas e gritou para à
mãe: "Amanhã é o dia 1o de abril, dia dos tolos. Alguém está tentando fazer
truques conosco ! "
A senhora Fox não concordou e, nervosa, pediu a quem estava produzindo os
ruídos, um desconhecido, que batesse a número de pancadas correspondentes à
idade das meninas. De imediato, ouvirarn-se catorze pancadas, a idade de
Margaret. Uma pausa, e então se seguiram onze pancadas, a idade de Kate.
Foi, então, que a senhora Fox se certificara de que uma inteligência qualquer
estava por trás dos estranhos ruídos. A família perdeu o medo do início, notando
que o 'espírito batedor' não lhes queria mal, mas apenas, entrar em comunicação.
A 31 de marco de 1848, a menina Kate manteve diálogo com as pancadas
misteriosas, pedindo que elas se repetissem de acordo com certos números. As
conversações foram estabelecidas através de um código convencionado. O
toribismo quando apresenta um caráter inteligente é denominado de tipitologia.
Muitas comunicações inteligentes foram conseguidas através desse processo,
segundo um código previamente estabelecido. Souberam, então, que o espírito
pertencia a um homem de 32 anos, chamado Charles Rosma, vendedor ambulante
que havia sido assassinado no local por latrocínio. E indicou a local em que o corpo
e o seu baú haviam sido enterrados. A escavação foi feita, mas apenas encontraram
restos de um cadáver, com fragmentos de ossos e cabelos. O baú não foi
encontrado.
Em 1904, cinqüenta e seis anos depois, por causa de um temporal, ruiu uma parede
falsa da casa, no cômodo do porão indicado pelas pancadas. Foi construída urna
parede paralela à outra e ninguém sabia de sua existência. Devido a esse fato,
descobriu-se o esqueleto de Rosma e o seu baú de lata, com a alça para carregá-lo
às costas.
A Sra. Fox perguntou se poderia chamar alguns vizinhas para ouvirem as batidas
e o espírito respondeu com duas pancadas. código convencionado para o "sim".
Entre os vizinhos visitantes, havia alguns incrédulos, julgando-se iludidos; outros
aceitaram os ruídos como sendo de um espírito.
Segundo a Sra. Fox de uma vez, houve mais de trezentas pessoas, ou na casa, ou à
espera de entrar nela.
A notícia do Caso de Hydesville espalhou-se por toda nação, com a publicidade dos
jornais. Kate e Margaret, por insistência de Leah Fox Fish, sua irmã mais velha,
iniciaram sessões públicas, nas quais faziam supostamente, contato com espíritos,
que produziam batidas como resposta.
Formaram-se dois grupos: milhares de pessoas vieram e acreditaram; outras
denunciaram as jovens, fazendo-lhes um desafio. Kate não se conteve e começou a
chorar, assustada com aquelas mulheres enraivecidas. As pancadas tomaram-se
mais fortes ainda, convencendo as mulheres de que não provinham das duas irmãs.
Certa ocasião, um grupo de anti-espíritas invadiu a sessão e ameaçou linchar as
apavoradas, acusando-as de cumplicidade demônio.
A publicidade de Hydesville convenceu outras pessoas de que elas também
poderiam conversar com os mortos. Centenas delas apresentaram-se como
médiuns.
Ira Davenport, de nove anos de idade, e seu irmão William Henry Davenport, de
sete, deslumbrados com as meninas de Hydesville, tentaram fazer o mesmo. Com o
passar do tempo, tornaram-se os famosos irmãos Davenport.
Hipótese e Discussão
Considerando-se a teoria espirítica, trata-se da prova da sobrevivência, com a
identificação do espírito comunicante Charles Rosma.
Do ponto de vista parapsicológico, o que interessa é a confirmação da
clarividência, sem possibilidade de implicação telepática. Admitindo-se a tese do
professor Harry Price, de Oxford e do professor Wathely Carington, de
Cambridge, de que a mente sobrevive à morte do corpo físico, agindo sobre a
mente dos vivos, admitir-se-ia o fenômeno telepático, mas, voltando-se à tese
espirítica. Tudo indica que, parapsicologicamente, a menina responderia pelo
inconsciente através de psi-kapa, produzindo o fenôneno de psicocinesia: as
pancadas nas paredes.
A legitimidade da informação do mascate foi comprovada. E, como notou Emma
Hardenge, ao escrever para o Modern American Spiritualism, estava provado que
o esqueleto e o baú tinham sido colocados primeiramente no local indicado pelas
pancadas, sendo depois removidos para outro, quando circularam as notícias do
desaparecimento do mascate, pondo em perigo de suspeita a família Bell.
Sob o ângulo científico, é necessário destacar o fato de que a percepção extra-
sensorial de Kate cometeu engano. Por que ela não viu logo o local verdadeiro em
que se encontravam o esqueleto e o baú de Rosma, mas o primeiro lugar onde
haviam sido colocados anteriormente? A informação viria telepaticamente? A
menina teria captado o episódio no inconsciente dos Bell em algum lugar ou o
inconsciente dos Bell ainda estaria voltado para o local do crime, onde a imagem é
mais forte, pelo estado emocional que vivenciaram naquele momento.
Mas como justificar que essa apreensão fosse limitada ao momento da primeira
inumação? Todo o processo da retirada posterior do esqueleto e do baú do local
primitivo, de seu traslado secreto para o esconderijo, da construção da parede
falsa, teria sido camuflado pela informação ou pela captação telepática? É
admissível que a vontade de livrar-se da prisão fosse tão forte no casal Bell que
apagasse a seqüência culposa na mente de ambos? Declara o professor Stanley de
Brath citado por Ernesto Bozzano no livro "I Morti Ritornano":
“Se a informação fosse de origem subjetiva, presume-se que, o inconsciente da
médium teria de conhecer o local em que realmente estava o cadáver" E concluiu
De Brath, como Bozzano, que a explicação plausível é a espírítica. "Pois é razoável
presumir que o sepultamento no porão devia corresponder à última lembrança
terrena do assassinado."
Parapsicologicamente, tudo leva a acreditar que a teoria da clarividência é mais
lógica do que a telepática, pois a jovem sensitiva poderia ter a sua atenção atraída
para os restos do cadáver que ficaram no local primitivo, e ali se fixado. Até em
experiências de laboratório podem ocorrer casos de fixação dessa natureza. Que se
esclareça desde já, que o agente psi percebe o fato numa indiferenciação do tempo
e dentro do aspecto seletivo.
Há um caso ainda mais enfático, mostrando que é possível no campo das relações
humanas, a manifestação da clarividência pura, ressaltando-se que ninguém sabia
sobre o que se havia passado.
No condado de Sussex, Inglaterra, um pastor foi procurado por um homem que
pediu a sua ajuda num caso de infestação. A esposa do consulente era filha de um
homem muito rico que morrera na paróquia e que agora lhe apareceu em sonhos,
reclamando que tinham construído o seu túmulo sobre a sepultura de outra pessoa.
As aparições eram freqüentes e a mulher estava prestes a enlouquecer. O coveiro,
ao ser interrogado, afirmou ser impossível esse engano. E o caso deu-se por
encerrado. Volta o homem e afirma que a infestação continuava. Diante dessa
situação, uma verificação legal foi providenciada, constatando-se que, na
realidade, o túmulo havia sido construído sobre uma cova vizinha. Corrigido o
erro, desapareceram as manifestações.
Pode auxiliar nessa compreensão, a teoria da duração, de Henri Bergson, e do
tempo corno fracionamento daquela - sucessão de imagens fracionadas da
duração, como as fotos de um filme ern projeção. Se existe uma estrutura do
tempo, que poderia ser o fluir da duração do conceito bergsoniano, é provável que
a mente possa percorrê-la, libertando-se do condicionamento físico "do aqui e do
agora" em que nos encontramos. São momentos furtivos e excepcionais da
liberdade existencial, que, em geral, implicam fenômenos de percepção sincrônica
do tempo.
No recente livro do médico Andija Puharich, o "Cogumelo Sagrado" há um
exemplo interessante. Conta o autor que, no dia 13 de dezembro de 1954, após três
dias de atividade física intensa, sem dormir ou descansar, foi para o quarto e
deitou-se sem trocar a roupa. Adormeceu imediatamente pelo cansaço. Mas, logo
se viu a si mesmo como um espírito livre do corpo, flutuando no espaço. Viu seu
próprio corpo na cama e pensou em visitar alguém nesse estado de libertação.
Dirigiu-se à casa da Sra. Garret, em New York, e em seguida saiu à procura da
Sra. Alice Bouverie, encontrando-a numa ampla sala de uma casa que não
conhecia. Fixou alguma coisa do ambiente para verificação posterior. Chamou a
sua atenção o brocado doirado das paredes e nele fixou-se. Desejou voltar com
urgência ao seu quarto, no Estado de Maryland, acordando com sua filha batendo
na porta.
Puharich fez uma verificação posterior do que vira. Na casa, que lhe era estranha.
a sala fora claramente descrita, mas as paredes eram forradas de branco. Todavia,
há quarenta anos as paredes tinham os brocados doirados excitantes que o médico
vira em seu desprendimento. O que ocorreu? O tempo percebido se mistura com
fragmentos do passado ou do futuro, em sua indiferenciação, à semelhança da
mistura bizarra de certos sonhos.
FENÔMENO PSI: DIFICULDADES DE PESQUISA
Quanto ao fenômeno psi: a própria caracterização desse fenômeno (objeto de
estudo e pesquisa da Ciência Parapsicológica) já constitui um entrave ao bom
andamento e sucesso da pesquisa:
- raridade: por não se deparar comumente, no dia-a-dia com o fenômeno, o
pesquisador deve sempre predispor-se à sua busca constante, onde quer que ele
esteja, o que exige trabalho e gasto financeiro.
- fugacidade: o fenômeno é efêmero, fugaz (exceto em alguns casos, como o de
ideoplastia, em que a "entidade" permaneceu por duas horas), não dando margem
a uma documentação eficiente através de material técnico, através de gravadores,
máquinas fotográficas, filmadoras etc.
- dificuldade de repetir-se à vontade: nem sempre e agente psi está em
disponibilidade de eclosão de fenômeno, sem condições psicológicas (bloqueios,
ruídos subjetivos, falsas interpretações), como o caso de Thomas Green Morton.
- caráter de imprevisível e inesperado: isso deixa o pesquisador em situações difíceis
quanto ao momento exato de eclosão do fenômeno, podendo apanhá-lo
desprevenido.
- imprecisão e insegurança de testemunhos puramente pessoais: principalmente,
quando se quer reproduzir um fenômeno já vivenciado há algum tempo e que
depende muito do problema de memória, da fantasia e interpretação do narrador,
mesmo quando digno de confiança.
Quanto ao pesquisador: que o seu histórico de vida denuncie confiança, idoneidade
e experiência no campo de trabalho; que use do rigor científico, usando métodos e
técnicas de consenso universal; que acredite na probabilidade de erro em sua
pesquisa, assumindo-o e não passando a terceiros; que ame o exercício de sua
profissão, que se atualize, avançando e inovando seus conhecimentos; que, dentro
do rigor científico, atenha-se aos limites do seu campo de trabalho, não misturando
o seu objeto de estudo com religião, esoterismo e misticismo, isto não querendo
dizer que o parapsicólogo desconheça a rica interdisciplinaridade da
Parapsicologia e que ele possa utilizar subsídios de outras ciências para o
enriquecimento próprio de sua área. Deve, portanto, ter uma formação cultural
vasta e atualizada para melhor administrar a sua pesquisa.
Saber que pesquisador (sujeito) e pesquisado (objeto) se interrelacionam,
interferindo, desse modo, no resultado da pesquisa. Daí, evitar a não-rigidez de
julgamento unilateral do pesquisador; selecionar certas aplicações técnicas do
passado e encarar a metodologia como um caminho a seguir do pesquisador,
dependendo de sua personalidade, e que não existe, rigorosamente, uma
metodologia própria, alertando que o fenômeno não deve ser adaptado ao método,
mas este ao fenômeno; e, em se tratando de experiências com crianças, redobrar o
zelo, os cuidados e atenção, sempre procurando obedecer às suas necessidades e
interesses, dentro do acompanhamento de suas fases psicológicas.
Semelhança de certos fenômenos paranormais com acontecimentos puramente
normais: a hiperestesia, o "ínsight", o déjà vu, situação de pânico etc.
Hiperestesia: leitura através de vibrações musculares, da face, mudança da sede
dos órgãos dos sentidos: leitura através dos dedos das mãos, cheiro através do
cotovelo ete. Daí, a necessidade de identificação do conteúdo paranormal, que o
distingue de outros tipos de fenômenos.
Insight: chegada inesperada de uma solução que se busca (entre os artistas,
iluminação).
Déjà vu: podendo ser descrito corno um sonho precognitivo esquecido e, uma vez,
em contato com a cena, surge a familiaridade.
Situação de pânico: a pessoa se encontra em estado emocional intenso, passando
por um processo de auto-hipnose, como o caso do indivíduo que, fugindo de uma
situação de perigo (chega a acidentar-se) toma atitudes que não faria em seu estado
"normal", utilizando-se de reservas energéticas e de certas substâncias analgésicas
lançadas no organismo (ultrapassar certas barreiras consideradas impossíveis,
fora desse estado); acidentar-se, fugindo do perigo, e não perceber e nada sentir,
pelo fato de estar, durante esse processo, anestesiada.
Ação intencional de um agente inteligente, que pode burlar o controle e a vigilância
do pesquisador: temos o caso de telecinesia do final do século passado, em que as
mesas girantes se tornaram moda nos Estados Unidos e na Europa; até o aspecto
lúdico aparecia nessas experiências: quando o indivíduo tentava deter uma mesa,
medindo força com ela, depois de rodopiar, a mesa, inclinando-se, sacudia-lhe de
lado; o caso do piano, na Casa Branca, em que o Presidente Abrahan Lincoln,
pulou em cima para detê-lo e também fora sacudido fora.
O pesquisador ainda desconhece mecanismos e leis que regem esse tipo de fenômeno:
isso constitui uma barreira seríssima, pois tomamos conhecimento da entrada do
fenômeno, a nível inconsciente (inputs) e da saída (outputs), mas desconhecemos
“como” se processa (“modus operandi”), impedindo a realização de uma teoria
geral de fenomenologia psi.
O campo do fenômeno: direcionamento, por parte do pesquisador para o seu
devido campo psicológico, psiquiátrico ou parapsicológico. É neste campo, que o
pesquisador atuará, te que não lhe cabe o papel de terapeuta, mas de orientador
num trabalho de consultoria do fenômeno, tentando familiarizar o agente com sua
modalidade de fenômeno. Deve observar, ainda, o que há de comum nessa
fenomenologia e as circunstâncias em que o fenômeno ocorre.
Preconceito material: opinião de certos pesquisadores ortodoxos que delimitam o
campo de pesquisa ao mundo físico e suas leis e o preconceito religioso - que não
admite especulações sobre o divino, o sobrenatural.
CONCLUSÃO
O Caso das Irmãs Fox, de Hydesville, inclui-se entre as manifestações de
assombramento. Nem sempre essas manifestações apresentam as mesmas
características.
Tudo indica que nessas casas, subsiste alguma coisa de material em conexão com
as pessoas que as habitaram. É o que algumas observações parecem indicar.
Muitos casos não apresentaram autenticidade havendo ilusões, erros, falsas
apresentações e fraudes.
As próprias Irmãs Fox negaram as manifestações de espíritos, afirmando ser tudo
falso e que elas produziam os ruídos com seu próprio corpo, mexendo os dedos dos
pés. Mais tarde, elas falaram em público novamente, dizendo que foram induzidas
por indivíduos que não aceitavam o Espiritismo e as forçaram a dar aquela
primeira declaração. Confirmaram que tudo que ocorreu era verdade e que as
manifestações existiam.
Há casos de casas mal-assombradas que passam ignorados e desprezados por longo
tempo e que vêm a ser abonados por testemunhas idôneas. Os cientistas rigorosos,
capacitados e isentos de preconceitos ainda são em pequeno número para que
constatem os casos
de fraude e que o público seja enganado pelos próprios moradores das casas.
Às vezes, as comunicações nesses casos são feitas por entidades totalmente
desconhecidas do agente psi, o que é aconselhável não dar nenhum valor ás suas
declarações, enquanto o trabalho de averiguação não for completo e satisfatório,
destacando-se como de total importância o conteúdo paranormal que deve
concatenar-se com a realidade.
Há muito tempo que esses fenômenos de assombramento foram reunidos sob o
nome de Espíritos turbulentos, estudados sobretudo na Alemanha e aí
denominados poltergeist (de polter, fazer barulho e geist,espírito). Deve ser
esclarecido que esses fenômenos também são multiformes e, muitas vezes, revelam
ação oculta de pessoas falecidas: outros há inteiramente diferentes com pancadas,
passos, audições variadas produzidas por causas inapreciáveis e que implicam em
um estudo especial para responder á pergunta: Que causa lhes poderemos
atribuir. Animismo, faculdades humanas desconhecidas, fragmentos da alma
terrena? A Parapsicologia recorre à fonte inconsciente, reconhecendo-lhe o seu
grande poder de associação livre, intuição e criatividade, despenhados,
principalmente, pela emoção, considerada acionador por excelência da dinâmica
inconsciente.
Os fenômenos em estudo no campo da Parapsicologia são produtos do dinamismo
universal e que os nossos cinco sentidos ainda nos põem numa relação incompleta
em relação a ele.
As forças psíquicas ainda não são suficientemente observadas.
Essas forças são de ordem superior às analisadas na Mecânica, Física e Química.
Elas têm algo de vital e possuem uma mente que compartilha com o Universo e,
por meio dela os seres podem relacionar-se à distância. Não deixa ela de ter
semelhança com o "Od" de Reichenbach e Du Prel, e com o "Geon" do Dr.
Javorski.
Tudo indica que há no Universo alguma coisa a mais que a pretensa matéria - um
elemento psicodinâmico - tornando-se incompleta a explicação mecânica da
Natureza.
Muito pouco sabemos do Universo que nos rodeia: ou vemos seletivamente, ou não
vemos, ou vemos deformado. E, se antes, a preocupação do pesquisador era o vivo,
hoje a busca do saber já atinge o morto e, ultimamente, um outro elemento que se
agregou aos dois - o elemento estranho. E cada um, em seus devidos espaços e
campos de estudo, são objetos de pesquisa: o terrestre, o extraterrestre e o espírito.
Cabe ao parapsicólogo, diante do exposto, atualizar-se em seus conhecimentos
unindo à pesquisa pura e levantamento de dados, a pesquisa de campo e de
laboratório.
Deve avançar sempre, reciclar-se, tornando-se um pesquisador capacitado,
consciente de seu alto nível de trabalho, de mente aberta e pensamento livre.
O rigor científico deve fazer parte de seu objetivo de trabalho, procurando sempre,
como um pesquisador da atualidade, o que há de comum na fenomenologia psi e as
circunstâncias em que o fenômeno ocorre.
Em suma, conscientizar-se de que a Parapsicologia é ciência como outra qualquer
e, como tal se situa dentro de um processo cumulativo, que compreende verdades
provisórias que dão margem a uma renovação constante e novas descobertas. Daí,
as probabilidades acontecerem com mais freqüência do que a pretensa certeza
absoluta.
NOTAS
(1)A única coisa excepcional na vida de John era o álcool, que ele jurava
abandonar. Na juventude, sustentava a mulher e quatro filhos, trabalhando como
ferreiro, mas o amor pelo álcool destruiu-lhe o trabalho, as finanças e a paciência
da esposa, causando uma duradoura discórdia em seu casamento. Após renunciar
ao álcool, reconciliou-se com a esposa. Abstêmio, tornou-se mal humorado e
taciturno, conseguindo ainda ser pai de mais duas crianças.
(2)Quando Margaret e Catherine - apelidadas de Maggie e Kate nasceram, os pais
já estavam na meia idade. Assim, eram as únicas que moravam com o casal, ao se
mudarem para a cidadezinha de Hydesville, no estado de Nova York, em busca de
uma nova vida. Em dezembro de 1847, a família alugou uma decadente casa de
fazenda e, quando chegou a primavera de 1848, John Fox passou a cultivar
hortelã, estando ele e a esposa na casa dos sessenta anos. Para as duas meninas, a
vida era desolada, porque Hydesville oferecia pouca distração para os jovens e, a
maior parte do tempo, Maggie e Kate ficavam isoladas na casa miserável, apenas
contando com os seus pais. Não dispunham de recursos intelectuais nem primavam
pela boa escolaridade. Maggie tinha olhos castanhos, era uma adolescente vivaz,
embora desprovida de atrativos - "decididamente não era uma beldade", como
disse depois um observador. Kate, menos esperta, porém com olhos cinzentos,
bonita e com uma palidez delicada, era apreciada na época. As meninas viviam
entediadas e inquietas, quando, de repente, o tédio cessou depois que a família se
recolheu, começando os estranhos ruídos que começavam a sacudir a casa.
(3) E. E. Lewis, do estado de Nova York, chegou ao local curioso com as histórias
que ouvira do conturbado morto. Entrevistou a família e os vizinhos e publicou às
pressas um folheto chamado "Relato dos Misteriosos Ruídos Ouvidos na Casa do
Sr. John D. Fox". Lewis não poderia saber, mas seu livreto ocuparia um lugar na
história como a primeira publicação espírita.
(4) As meninas, Margaret e Kate, descobriram que, quando estalavam as juntas
dos dedos dos pés, em especial contra o pé da cama ou contra o chão, conseguiam
fazer, às ocultas, batidas bem satisfatórias. E o vendedor assassinado estava-se
tornando, cada vez mais loquaz. Graças a um novo código começa a expandir seu
vocabulário muito além de um lacónico sim ou não. Leah Fox Fish, a irmã mais
velha das meninas, levou as irmãs para muito além daquela fazenda - para salas
mal iluminadas de sessões espíritas e vastos salões de conferências, para as casas
dos ilustres e poderosos, para um lugar na história. Leah iria prosperar e florescer.
Da mesma forma Maggíe e Kate, por certo tempo. No caminho das irmãs Fox, o
espiritismo desenvolveu-se. E, cinco anos após, os ruídos de Hydesville, havia,
segundo cálculos, aproximadamente trinta mil médiuns, profissionais e amadores,
só nos Estados Unidos.
(5) Em suas "Gregórias Admiráveis" (II, 489) afirmava Virgílio: "Felix qui potent
rerum cognoscere causas” (Feliz o que pode conhecer as causas), destacando a
inteligência que penetra os segredos da Natureza e foge às vulgaridades.
BIBLIOGRAFIA
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SIDMAN, Murray. Táticas de Pesquisa Científica. São Paulo, Editora Brasiliense,
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(*) Este texto foi publicado no ANUÁRIO BRASILEIRO DE PARAPSICOLOGIA
No 3, Edição 1998
A INFLUÊNCIA DA ARQUITETURA NAS ASSOMBRAÇÕES
Maria da Salete Rêgo Barros Melo

I – CONSIDERAÇÕES GERAIS
Essa apresentação pretende ser apenas o pontapé inicial para uma
investigação mais profunda sobre a hipótese das influências que a arquitetura pode
exercer nos popularmente chamados mal-assombros que acontecem em
determinados espaços como casas, castelos, templos, cemitérios, praças, conventos,
sobrados etc.
A maioria das lendas que envolvem aparições, consideradas por muitos,
fruto do imaginário popular, pode ter um fundo de verdade, geralmente
desprezado pelos cientistas.
Relatos de assombrações são encontrados em todos os tempos e em todos os
lugares. Aqui no Recife, o Poço da Panela, é um dos locais de maior incidência
desse tipo de fenomenologia e do descobrimento de botijas. Temos relatos também
na Faculdade de Direito do Recife, no Arquivo Público Estadual, no Teatro Santa
Isabel, Praça Chora Menino, Avenida Malaquias, Hospital da Restauração, Cidade
Alta de Olinda, entre tantos outros.

II - CONCEITUANDO
Assombração: fenômeno produzido por aparições, que são manifestações
telepáticas cujo conteúdo informacional é expresso sob forma alucinatória visual
(Valter da Rosa Borges).
Segundo alguns autores, vivenciando emoções intensas, as pessoas,
enquanto vivas, podem deixar imagens cinéticas impressas no ambiente, que, sob
certas condições especiais, podem revelar-se, em qualquer época, a exemplo das
imagens impressas em película fotográfica.
A assombração pode ainda, vir acompanhada por fenômenos de toribismo,
que são pancadas, rumor de passos, queda de objetos sem que nada saia do lugar
etc.
Há diferenças fundamentais entre assombração e o fenômeno de poltergeist,
por muitas vezes confundidos. Entre eles, no entanto, existe uma característica
comum: a recorrência do fenômeno.

Quanto à:
- duração: a assombração pode durar anos, enquanto que o poltergeist
tem curta duração;
- vinculação: a mesma assombração pode acontecer na presença de
diferentes pessoas e em diferentes épocas, enquanto que o poltergeist só acontece
na presença de um agente causador, geralmente, um adolescente;
- fenomenologia: na assombração não acontece metafanismo de objetos. No
poltergeist há o surgimento de objetos quebrados, queimados, pedras, cacos de
vidro etc.
- intervenção: a intervenção do parapsicólogo diante de uma assombração é
apenas no sentido de esclarecer as pessoas quanto à fenomenologia. No poltergeist,
ela se dá no sentido de diminuir a intensidade do fenômeno até a sua extinção.
Arquitetura: arte de planejar, compor e edificar, integrando a prioridade
teórica do espaço interno, a prioridade plástica da escultura e a continuidade dos
espaços no traçado urbano, objetivando a qualidade de vida e o bem estar físico e
mental do indivíduo.
“Quando uma obra está no ápice da intensidade, de proporções, de qualidade
de execução, produz-se um fenômeno espacial indizível: o conjunto começa a irradiar
fisicamente. É algo que pertence ao domínio do inefável.” Le Corbusier
III - INTERAÇÕES GERANDO EMOÇÕES
Na arquitetura, cristalizam-se não apenas afetos, conceitos e intuição, mas
também determinações de ser e estar (sob esse aspecto o arquiteto nomeia-se
demiurgo, criando espaços que continuam sob o seu controle, moldando o proceder
daqueles que o penetram). Evaldo Coutinho
Uma eterna conexão entre o autor de um edifício e seus moradores e
visitantes existe permanentemente sem que seja percebida, visto ser a edificação
comumente mais perdurável do que o seu idealizador.
Os que percorrem os vãos da arquitetura são condicionados a transitar
pelos caminhos traçados pelo autor da obra, não exercendo totalmente o livre
arbítrio de suas vontades. É, pois, o arquiteto, uma presença constante nos espaços
que criou, eternizando-se e influenciando psiquicamente a todos que por ali
passarem. Falo aqui do arquiteto como idealizador dos espaços e não como o
profissional de arquitetura.
O espaço arquitetônico promove a identificação entre pessoas. Sabendo-se
que em determinado local viveu uma personalidade admirável, a conjuntura de
habitar o mesmo prédio, de refazer suas pegadas, transforma-se em ritual, sem que
entre elas tenha havido qualquer laço de parentesco ou de amizade.
É comum a pessoas sensíveis, ao penetrarem espaços íntimos que abrigaram
indivíduos já falecidos, entrarem em estado alterado de consciência, devido a um
estado emocional intensificado, identificando-se e até mesmo reproduzindo gestos e
atitudes daquelas pessoas, mesmo sem as terem conhecido.
São vários os processos pelos quais pode se obter através da arquitetura a
interação entre pessoas, promovida pelo arquiteto, que, embora anônimo, se fez o
criador de uniformidades que resistiram ao tempo.
Quando alguém retorna ao lugar onde passou sua infância e juventude, por
exemplo, retrocede no tempo ao percorrer os recantos de outrora, na busca de si
mesmo, muitas vezes sem ter consciência de que por ali passaram tantas outras
infâncias e juventudes e que aquele espaço único de residir envolveu e reuniu
tantas outras pessoas numa superposição de imagens que acabam por ser captadas
telepaticamente pela mente dos envolvidos, podendo vir a produzir representações
psíquicas ou físicas, agindo sobre a mente de terceiros sob forma alucinatória ou
mesmo acionando a capacidade ideoplástica do seu próprio organismo.
Em todas as sociedades está sempre presente a preocupação dos vivos com
os mortos e sua participação nas diversas atividades cotidianas. Essa preocupação
não constitui um indicador de que possa existir realmente esse tipo de
interferência, mas, um estimulador da investigação das possíveis interações entre
meio físico - vivos e meio físico - não vivos. Ernesto Bozzano postulou a hipótese de
que a perda do corpo físico não exclui a capacidade da mente sobrevivente de
interagir com o mundo físico.
A arquitetura surgiu naturalmente, quando o homem, para enfrentar as
intempéries da natureza e os animais ferozes, procurou abrigo nas cavernas. A
maior parte da vida, ele passava no campo, ao ar livre, em contato direto com a
natureza. Suas emoções se dissipavam na floresta. A evolução, no entanto, o levou
à sofisticação, e hoje, passamos a maior parte de nossas vidas entre quatro
paredes, um piso e um teto, ou seja: dormimos, discutimos, choramos,
trabalhamos, enfim, confinados nesses espaços enfrentamos grandes momentos de
emoção cotidianamente, sujeitos à influência dos materiais empregados na
construção, objetos de decoração, cuja geometria pode irradiar “ondas de forma”,
da memória das paredes, falha geológica ou cavidade fechada no solo, corrente de
água subterrânea ou jazida natural etc.
As paredes guardam em suas moléculas todo um ambiente vibratório
composto de microvibrações de ondas (comprimentos mensuráveis: unidade
adotada - Angström), deixando cicatrizes de alegrias, tristezas, pensamentos, ódio,
amor etc. como testemunhas de vida, não se limitando apenas a registrar e
conservar essas imagens, mas, também influenciar através de radiações emitidas,
os subseqüentes habitantes e visitantes do espaço arquitetônico.
IV – CONDIÇÕES ESPECIAIS
4.1. DA FORMA
As formas geométricas mantêm relações entre si que, aparentemente, não
nos revelam a sua importância. No entanto, estudos a esse respeito, descobriram
que existem profundas relações entre elas. A relação áurea (divisão de um
segmento em média e extrema grandeza), por exemplo, segundo Wairy Dias
Cardoso, pode estabelecer um significado energético dentro de um parâmetro
geométrico.
Essa relação é intuitivamente escolhida pelos artistas, por ser mais
harmoniosa e, conseqüentemente, esteticamente mais agradável do que as demais.
Ela está presente na anatomia do rosto (a linha da boca divide a distância entre a
base do nariz e o queixo em média e extrema razão), assim como acontece com a
linha dos olhos em relação ao comprimento do rosto. Também os dedos são
divididos pelas falanges em média e extrema razão e o umbigo mantém também a
mesma relação com a altura do indivíduo.
O ponto que assinala essa divisão é o chamado ponto de ouro.
Formas geométricas diversas têm comportamentos diferentes, como por
exemplo, o capacitor, que, com sua geometria diferente, modifica suas condições de
operação. O estudo da teoria dos campos (quando uma região do espaço é
modificada na presença de um determinado elemento), demonstra a importância
da geometria.. A estrela do mar, as flores, as estruturas cristalinas, o favo das
colméias, são exemplos geométricos de equilíbrio e extrema beleza, encontrados na
própria natureza.
Pesquisas apontam que existe um efeito dentro das pirâmides que faz
pensar um tipo de energia com características de um campo magnético dinâmico
com a forma de uma espiral. Foi observado que a manifestação dessa energia
tende, entre outros, a ter características eletromagnéticas.
Mediante testes com diversas formas de modelos reduzidos, estudiosos
chegaram a afirmar que a Grande Pirâmide apresenta o fenômeno apresentado
como A Energia da Forma, tendo sido provada a sua existência através de duas
experiências básicas que são: a cristalização e o crescimento das plantas.
Concordamos com Dias Cardoso quando ele diz: “Podemos concluir que a
Pirâmide de Quéops tem um padrão energético moldado em uma estrutura
geométrica.”
Algumas características da pirâmide de Quéops, no Egito:
1 - dividindo-se o perímetro da base pelo dobro de sua altura, obtém-se o
valor da letra pi (3,1416...);
2 - os lados da pirâmide se orientam para os quatro pontos cardeais;
3 - o meridiano que marca a pirâmide atravessa um máximo de continentes
e um mínimo de mares;
4 - o meridiano que marca a cúspide da pirâmide divide o delta em duas
partes exatamente iguais;
5 - as diagonais prolongadas da pirâmide contêm o delta do Nilo;
6 - as sombras produzidas pelas pirâmides marcam com matemática
exatidão as datas dos equinócios da primavera e do outono e o solstício da
primavera e verão;
7 - a soma das diagonais da base da pirâmide expressa, em polegadas
piramidais, os anos necessários para que os equinócios voltem à idêntica posição e
tenham lugar sobre o mesmo ponto;
8 - cada lado da base da pirâmide marca, em côvados sagrados, a duração
do ano bissexto;
9 - a distância entre a pirâmide e o Pólo Norte é a mesma entre aquela e o
centro da terra;
10 - o resultado da multiplicação da longitude, em polegadas piramidais da
antecâmara real por pi (3,1416) indica a duração exata do ano (365,24 dias).
O perímetro da circunferência (2 π a) tendo como raio a altura da pirâmide,
é igual ao perímetro do quadrado (4 b) formado pela base da mesma.
4 b = 2 π a onde a = altura; b = base; π = 4 b / 2 a = 3,1416
π = perímetro da base / dobro da altura
Sob o ponto de vista esotérico, pode-se dizer que, no plano físico, o iniciando
caminha pelos quatro lados do quadrado, significando as viagens pelos quatro
pontos cardeais, enquanto que, no plano cósmico, ele dá uma volta completa na
circunferência, onde não existe princípio ou fim, e sim, o eterno.
Através de uma verdade matemática, temos uma verdade hermética, onde o
microcosmo e o macrocosmo interagem.
No interior das pirâmides, no ponto exato que coincide mais ou menos com
o centro de gravidade, foram observados fenômenos de mumificação (a substância
viva não sofre necrose alguma), que só podem ser explicados pelo efeito de ondas,
fazendo com que as substâncias químicas degradantes não atuem.
4.2. DOS MATERIAIS EXISTENTES NA CONSTRUÇÃO
4.2.1. vegetais
4.2.1.1. madeira
Largamente utilizada na construção civil e em
mobiliário, tem propriedades diversas, estando sujeita a deformações causadas
pelas condições atmosféricas.
- pinho: madeira mole, mas, com bastante resistência;
- peroba: para locais sujeitos a alterações na umidade relativa do ar;
- cedro: mole e leve, resiste bem à dilatação;
- imbuia: dura;
- marfim: utilizada em móveis;
- pau de água: muito elástica;
- jacarandá: muito dura e resistente às mudanças de temperatura.

4.2.2. minerais metálicos: ferro, manganês, alumínio, ouro, prata, chumbo etc.
4.2.3. minerais não metálicos: cimento, areia, cascalho, gesso, amianto etc.

Ouro, prata e cobre, são da mesma família na classificação periódica por
peso atômico e número, têm propriedades cristalográficas, químicas e físicas
similares: todos são moles, maleáveis e dúcteis. São os melhores condutores de
calor e eletricidade de todos os elementos conhecidos. O ouro é o mais durável,
virtualmente indestrutível. Usado como dinheiro, jóias, objetos finos, na indústria
eletrônica, na medicina, nos instrumentos musicais etc.
De acordo com textos sumérios e acádios, os Nefilim vieram à Terra, vindos
de Marduk (o décimo segundo planeta) a procura do ouro e dos metais
relacionados, criando uma espécie de escravatura "com trabalhadores primitivos
idealizados pelos próprios Nefilim" para que fundissem e refinassem os minérios,
moldando-os em forma de lingotes para que fossem levados para o seu planeta. Os
deuses da suméria exigiam que sua comida fosse servida em travessas de ouro,
água e vinho em taças de ouro e vestidos em trajes dourados.
As antigas tradições aceitavam a seqüência ouro-prata-cobre-ferro para
listar as atividades do homem na terra. O profeta Daniel teve uma visão de "uma
grande imagem" com cabeça de ouro fino, peito e braços de prata, abdome de
bronze, pernas de ferro e pés de barro.
Todas essas referências dos textos antigos sugerem a familiaridade do
homem com a metalurgia desde os tempos mais remotos.
Não é a toa que a grande preocupação da maioria dos homens estivesse
ligada diretamente à aquisição e conservação de seus bens em forma de metais
preciosos, com especialidade o ouro, que, sendo indestrutível constituía a sua
grande paixão. Para isso, se serviam de esconderijos entre paredes ou enterrados,
popularmente conhecidos como "botijas". Esse costume teve início na Europa, na
Idade Média e perpetuou-se até meados do século XIX.
A avareza levava muitas vezes o proprietário da fortuna a guardar consigo
esse segredo até o seu leito de morte, fato esse, avaliado como sendo um fator
gerador de grandes emoções.
A Igreja Católica, por sua vez, também cultivando o gosto pelos metais
preciosos, possivelmente a exemplo dos Nefilim que pareciam ser profundos
conhecedores de suas propriedades físicas, construiu seus suntuosos templos com
esculturas em ouro e prata, que, além da demonstração de poder e da conseqüente
imposição de respeito, simbolizavam a eternidade do espírito, através da utilização
de materiais indestrutíveis.
As necessidades religiosas parecem ser as mesmas em todos os tempos e
lugares, onde existe a urgência do espaço adequado ao exercício da fé, na maioria
das pessoas condicionadas ao ato litúrgico.
Além de exercer as funções de casa de oração, vários templos possuem
túmulos onde é enterrada parte do clero em todo o mundo e, sabe-se, que algumas
catedrais, também são depositárias de muitos segredos esotéricos que ali
permanecem até hoje.
Supõe-se que os valores arquitetônicos utilizados nessas construções
reúnam um grande número de funções relacionadas com a Astronomia, a
Matemática e a Ciência Hermética, a exemplo dos utilizados na Grande Pirâmide.
4.3. DOS FATORES PSICOLÓGICOS
Não poderemos deixar de destacar aqui a influência que fatores como o
medo, a insegurança, as superstições, o folclore, as crendices populares etc. podem
causar, ocasionando uma fenomenologia subjetiva, não caracterizando, portanto,
fenômenos de natureza paranormal, ou mesmo espiritual, como afirma a doutrina
espírita.
A título de ilustração, contava meu avô que no início do século, viajando
pelo sertão como vendedor de jóias, costumava pedir pousada todas as noites em
sítios e fazendas, prosseguindo viagem na manhã seguinte.
Em certa ocasião, deram-lhe para dormir um pequeno quarto cheio de
entulho nos fundos de uma casa grande de engenho.
Armou sua rede, trancou bem a porta, apagou o candeeiro e deitou-se para
dormir. O silêncio era total. Após algum tempo, escutou um arrastar de chinelos
dentro do quarto e, gelado de medo, aguardou os acontecimentos. A rede começou
então a balançar suavemente e, gradualmente foi aumentando o balanço até que
tocasse o telhado e, da mesma forma foi diminuindo até que parou por completo.
O pavor tomou conta dele, que, sem coragem de levantar e acender o
candeeiro, esperou o dia amanhecer.
Intrigado, resolver ficar mais uma noite para enfrentar a tal situação. Tudo
se repetiu igual à noite anterior, até a falta de coragem em tomar qualquer atitude.
No dia seguinte conversou com algumas pessoas da fazenda com o objetivo de
colher alguma informação que esclarecesse a situação, mas, não obteve sucesso.
Tomou então uma decisão drástica: enfrentaria a situação de qualquer
forma. Armou-se de um revólver, uma vela e uma caixa de fósforos, trancou bem a
porta, deitou e esperou até que tudo começasse outra vez. Quando os passos foram
ouvidos e a rede iniciou o balanço, riscou um fósforo, acendeu a vela e pulou a rede
de revólver em punho. Qual não foi a sua surpresa quando viu que ratinhos
corriam pelo chão espalhando papéis velhos e um deles roia tranqüilamente o
punho de sua rede.
4.4. LOCALIZAÇÃO
Nas regiões tropicais, de uma maneira geral, muito quentes, a presença de
serras, chapadas e planaltos amenizam a temperatura, estabilizando os efeitos de
dilatação nos materiais de construção.
G. Lakhovsky defende a tese que fala da influência do terreno na vida dos
moradores de uma casa (Contribuição à Etiologia do Câncer): o câncer é “uma
reação do organismo contra uma modificação de seu equilíbrio vibratório sob o efeito
das radiações cósmicas. Quer essas radiações aumentem ou diminuam em
intensidade, quer aumentem ou diminuam seu comprimento de onda, o equilíbrio
oscilatório de nossas células modifica-se. Pois bem, as radiações cósmicas que sulcam
o éter são em parte captadas pelo solo, posto que essas ondas penetram nele até uma
profundidade apreciável. É indiscutível que as condições desta absorção modificam
mais ou menos o campo eletromagnético dessas radiações na superfície do solo, que
reemite nova radiação. Essas ditas radiações modificam, pois, as condições de vida da
célula viva que vibra neste campo.”
Uma casa saudável, isenta de enfermidades físicas e mentais, é bem
provável, não servirá de palco para as assombrações.
4.5. ORIENTAÇÃO
Como já observamos, no caso da pirâmide de Quéops, os
quatro lados se orientam para os quatro pontos cardeais. Isso deve significar
alguma interferência no que se refere ao magnetismo da terra.
4.6. ASPECTOS GEOGRÁFICOS

4.6.1. abalos sísmicos
São registrados anualmente cerca de 1 milhão, dos
quais cerca de 5000 são perceptíveis pelo homem e 20 a 30 são de efeitos danosos.
Na calada da noite, esses abalos podem concorrer para o deslocamento de objetos,
gerando ruídos estranhos.
4.6.2. composição geológica do terreno
Nos terrenos impermeáveis as “radiações refletidas,
refratadas e difundidas misturam-se com as primitivas para produzir um campo
interferente e ondas estacionárias”, enquanto que nos permeáveis, o campo
superficial não é modificado, servindo para uma construção saudável.
A radiestesia percebe as radiações próximas ou
distantes, através do observador hipersensível ou através de instrumentos
(forquilha ou varinha e o pêndulo), na terra e no organismo humano (minas de
água, minério, petróleo, diagnósticos ou pré diagnósticos de doenças).
4.6.3. corrente de água subterrânea ou jazida natural
4.6.4. falha geológica ou cavidade fechada

4.7. CONDIÇÕES ATMOSFÉRICAS
4.7.1. temperatura
4.7.2. chuvas
4.7.3. umidade
4.7.4. ventos etc.
Esses fatores também podem vir a provocar uma fenomenologia ilusória nas
pessoas, gerando boatos de assombrações.
V - CASAS MAL-ASSOMBRADAS
Não poderia falar em casas mal-assombradas sem me reportar ao mestre
Gilberto Freyre em "Assombrações do Recife Velho".
O sobrado da Estrela, aonde vultos chegavam à janela chamando quem
passasse na rua, luzes que se acendiam nos dois andares da casa vazia, louças que
se quebravam na sala de jantar. Na casa da esquina do Beco do Marisco, depois
que todos dormiam, ouvia-se queda de móveis, correntes arrastadas pelo soalho,
portas se abrindo. Era um sobrado de três pavimentos, construído em 1865 e um
dos mais novos entre os sobrados velhos da cidade. Na frente, cinco janelas e no
oitão, oito. Passou vários anos desocupado e o boato que corria era que ali
vagavam espíritos, até que um dia, um português surdo que não se importava com
os ruídos das almas penadas, o alugou. Logo a partir da primeira noite, seus
familiares começaram a ouvir barulho estranho na escada, vultos entrando e
saindo dos quartos. O surdo acordava no meio da noite para ver o que estava
quebrando dentro de casa, mas, encontrava tudo em ordem, até que um dia
resolveu desocupar a casa depois de ter encontrado um dos seus empregados
enforcado no primeiro andar. A polícia ao fazer as investigações, subindo as
escadas, logo no terceiro lance, recebeu um punhado de areia nos olhos. O
proprietário resolveu então vender o casarão, que foi adaptado para um dos
primeiros cinemas do Recife, perdendo desta forma o seu encantamento.
No início do século, com a demolição de algumas casas antigas, de arcos e da
Igreja do Corpo Santo, encontrou-se muita moeda enterrada, ouro do tempo
colonial.
Tudo leva a crer que tanto as assombrações, como as pessoas, são
condicionadas a transitar nos espaços com desenvoltura, ou seja: as assombrações
entram e saem pelas portas, aparecem em janelas, utilizam-se das escadas, enfim,
agem como se estivessem vivas. Não ouvimos relatos de aparições andando com os
pés no teto ou passando por buracos de fechadura. Raciocinando desta forma e
levando em consideração que a experiência telepática não vem pura, ou seja, sofre
influência dos condicionamentos do emissor e do receptor, "poderemos argumentar
que psiquicamente os mortos podem perceber o mundo físico, mas, o que os vivos
percebem desta presença não física é apenas uma representação alucinatória dela.
Assim, a aparição de uma pessoa morta, não é a percepção do espírito da mesma, mas
a sua representação psíquica, decorrente de uma experiência telepática sob forma de
alucinação visual." (Valter da Rosa Borges)
Um dos casos de casa mal-assombrada mais peculiar aconteceu na Espanha,
em 1971, quando estranhos rostos começaram a aparecer em um casebre no
pequeno povoado de Bélmez.
Maria Pereira, dona de casa do lugarejo, descobriu que "se formara" um
rosto feminino na pedra do fogão a lenha de sua cozinha. Ela tentou raspá-lo, mas
ele parecia emergir diretamente da pedra. Maria chegou até a cobrir o rosto com
uma camada de argamassa, porém, mesmo assim, a imagem persistiu ali. Então
começaram a surgir rostos no chão da cozinha, que, algumas vezes, desapareciam
com o correr do dia ou mudavam de expressão.
Não demorou para que a casa se transformasse em um ponto turístico
local, e Maria Pereira começou a cobrar ingresso das pessoas que queriam ver os
rostos. Centenas de turistas começaram a afluir à casa, até que autoridades
políticas e religiosas do local ordenaram o término daquela visitação pública.
Felizmente, nessa altura, o dr. Hans Bender, da Universidade de Freiburg, na
Alemanha, tomou conhecimento do caso. Bender, um dos mais famosos
parapsicólogos germânicos, decidiu investigar o estranho fenômeno, em
colaboração com o dr. Germán de Argumosa, da Espanha. Para testar os rostos, os
dois pesquisadores prenderam uma chapa de plástico no chão da cozinha. Ela foi
deixada ali durante várias semanas, sendo retirada apenas quando a água ficou
condensada embaixo dela. Os rostos continuaram a se formar, mesmo nessas
condições de controle. Apareceram de forma consistente durante todo o ano de
1974, e, embora a sra. Maria Pereira construísse nova
cozinha na casa, não demorou para que os rostos começassem a aparecer também
ali.
O professor Argumosa testemunhou pessoalmente a materialização de um
rosto, no dia 9 de abril de 1974. Conseguiu fotografá-lo, apesar de a imagem
desaparecer logo em seguida. O emprego de documentação fotográfica elimina
qualquer possibilidade de insinuar que os
rostos tenham sido alucinações, ou mesmo configurações ocasionais formadas na
pedra.
Com o objetivo de realizar novos testes para evitar fraudes, Argumosa e colegas
verificaram se os rostos podiam ser feitos com tintas artificiais. Os resultados de
seus estudos químicos foram mostrados na edição de novembro de 1976 da
Schweizerisches Buletin für Parapsychologie, publicação suíça especializada em
casos de parapsicologia, e não foi descoberto nada de suspeito.
O motivo do curioso fenômeno jamais veio a ser definitivamente
esclarecido. Alguns dos moradores do povoado cavaram o chão da cozinha da sra.
Maria Pereira e encontraram alguns velhos ossos enterrados ali. Correu o boato de
que a casa teria sido construída sobre um antigo cemitério, a última morada de
mártires cristãos assassinados por mouros no século 11.
Em 1847, num vilarejo no estado de Nova Iorque, a família Fox certa noite
acordou com diversas pancadas sem causa aparente que provocavam sacudidelas
nas camas e nas cadeiras. Em 30/03/1848 os ruídos voltaram, continuando durante
toda a noite.
Eram ouvidos passos no solo e subindo as escadas. Na noite seguinte,
ventava muito e o Sr. Fox pensou que os ruídos poderiam vir dos caixilhos das
janelas estremecidas pelo vento e foi à janela tentar, com as mãos, reproduzir os
ruídos. Sua filha de onze anos reparou, então, que a cada vez que o pai sacudia a
janela, as pancadas pareciam responder. Eram portanto, pancadas inteligentes.
Através de um código pré estabelecido, kate e Margareth travaram uma
conversação com o suposto espírito que declarou ser um homem de 32 anos,
chamado Charles Rosma, vendedor ambulante que havia sido assassinado naquele
local. Seu corpo e o baú estariam ali enterrados. A escavação foi feita, mas apenas
encontraram restos de um cadáver com fragmentos de ossos e cabelos. O baú não
foi encontrado.
Cinqüenta e seis anos depois, por causa de um temporal, ruiu uma parede
da casa que revelou-se falsa, tendo sido construída paralela à outra, sem que
ninguém soubesse de sua existência. Descobriu-se aí o esqueleto de Rosma e o seu
baú de lata com a alça para carrega-lo às costas.
VI - CONCLUSÕES
a) A especulação em torno da hipótese da influência exercida pela arquitetura
nas assombrações, deve ser orientada no sentido de estabelecer relações quanto aos
valores arquitetônicos, tendo em vista as condições especiais aqui apresentadas e
outras mais que possam contribuir para o estudo em questão;
b) Esses valores deverão ser minuciosamente investigados pelo pesquisador,
visto que alguns deles poderão ocasionar uma fenomenologia ilusória, levando as
pessoas, tomadas pelo pânico ou influenciadas por superstições, a escutarem
ruídos, ouvirem vozes, verem vultos etc., provenientes apenas da dilatação de
materiais utilizados na construção, pequenos abalos sísmicos, acumulação de ar
dentro das tubulações, animais noturnos, efeitos visuais provocados pela
luminosidade etc. O parapsicólogo poderá ser solicitado a dar parecer técnico
sobre a existência ou não do fenômeno, na hipótese da extinção de locação
imobiliária. O nosso código civil prevê no artigo 1.101: “A coisa recebida em virtude
de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos que a tornem
imprópria ao uso a que é destinada ou lhe diminua o valor.”;
c) Pela argumentação utilizada nesse trabalho, a arquitetura não parece exercer
influência direta nas assombrações, mas, a interação do indivíduo com
determinados valores arquitetônicos, podem promover o surgimento de emoções,
levando o indivíduo a um estado alterado de consciência, que por sua vez provoca
o transe hipnótico ou mediúnico. Esse estado traz repercussões em nível de córtex
cerebral, evidenciando um mecanismo psicofisiológico especial, tornando o
indivíduo mais eficiente do que em seu estado normal, por ser o conhecimento
inconsciente acionado, despertando informações armazenadas básicas ou
adquiridas (criptomnésia), que são exteriorizadas através de uma fenomenologia
sob forma alucinatória visual individual ou coletivamente induzida. Essa é a
hipótese parapsicológica.
d) Hoje, estudiosos pesquisam acerca das interações mente-organismos-
ambiente. Essas interações existem e se fazem presentes no cotidiano. Se a mente
de um vivo pode interagir com a de outro ser vivo e com o meio ambiente,
poderemos imaginar que a mente de um morto também possa interagir com a
mente de um vivo e com o meio físico, como asseguram os espíritas, já que, o que
morreu foi a matéria. Daí a possibilidade de telepaticamente haver uma interação
morto / vivo, causando a alucinação visual, auditiva, olfativa etc.
e) As edificações de uma forma geral não são os únicos locais onde são
percebidas as assombrações, mas também em praças (a praça “Chora Menino”,
em Recife, por exemplo), nas ruas desertas do Poço da Panela, no Açude do Prata
etc. elas podem ser vistas e ouvidas por diferentes pessoas durante longos anos, até
que os espectadores atendam ao pedido das almas penadas, ou seja, a celebração
de missas, a retiradas de botijas, o pagamento de dívidas etc., segundo a crendice
popular.
f) Sabemos que o átomo, antes definido pelos físicos newtonianos como
indestrutível e o mais elementar bloco-construtor do mundo material, era, na
realidade, composto de partes ainda menores e mais elementares: prótons,
eléctrons e nêutrons, que, por sua vez, apresentavam um comportamento estranho
que desafiava os princípios newtonianos. Em determinados experimentos
comportavam-se como entidades materiais e, em outros, como se tivessem
propriedades ondulatórias (paradoxo onda-partícula). Diante desse novo contexto
de relações e eventos unificados, deduziu-se que a consciência não reflete o mundo
material objetivo de maneira apenas passiva: ela tem papel ativo na criação da
própria realidade. Segundo Price, “a aparição é constituída de imagens persistentes
e dinâmicas, criadas pela mente humana, mas, dela se separando para adquirir
existência autônoma”.
g) Quando pudermos repetir, em laboratório, as condições especiais que levam
as imagens cinéticas gravadas, das pessoas enquanto vivas, a serem reveladas,
talvez possamos voltar às cenas de épocas passadas, fazendo a tão sonhada viagem
no “túnel do tempo”.
VII – BIBLIOGRAFIA
BORGES, Valter da Rosa. Manual de Parapsicologia. Edição Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas.
Recife, 1992.
________ Aparição e Personificação Objetiva. . Anais do XIV Simpósio Pernambucano de Parapsicologia. Recife, 1996.
________ Anuário Brasileiro de Parapsicologia Ano 2000. A Parapsicologia e suas Relações com o Direito. Edição
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. Recife, 2000.
CARDOSO, Wairy Dias. Revelações da Grande Pirâmide. Editora Tecnoprint S. A . Rio de Janeiro, 1988.
COUTINHO, Evaldo. O Espaço da Arquitetura. Edição Universidade Federal de
Pernambuco. Recife,1970.
FREYRE, Gilberto. Assombrações do Recife Velho. Editora Record. Rio de
Janeiro, 1987.
LAFFOREST, Roger de. Casas que Matam. Editora Ground. São Paulo, 1991.
MELO, Salete Rêgo Barros. Interações Mente-Organismos-Ambiente. Edição
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. Recife, 1996.
SITCHIN, Zecharia. O 12º Planeta. Editora Best Seller. São Paulo, 1978.
CRENÇA NA PARANORMALIDADE E OS FENÔMENOS PSI COM
ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NO BRASIL
Jalmir Freire Brelaz de Castro
ABSTRACT
Neste trabalho apresentamos os primeiros resultados de uma pesquisa realizada
com estudantes universitários. O fenômeno paranormal é muito comentado mas
sua aceitação na sociedade é apenas presumida. Pretendemos descobrir a extensão
da crença no paranormal em uma população universitária e se as pessoas que
aceitam psi também se consideram capazes de passar por experiências
paranormais.
Os 77% de aceitação de psi foi mais alto do esperávamos, porém não foi derivado,
em sua maioria, da própria experiência com psi que foi relatada por 21% dos
estudantes e sim, ao que nos parece, de um contexto social favorável a aceitação
dos fenômenos paranormais.
Também pretendíamos descobrir as características dos fenômenos paranormais
apresentados. Procuramos pela ocorrência de PES, PK, Cura Psíquica,
Desempenho Fora do Comum ou Conhecimento Extraordinário em estado
alterado de consciência e também a ocorrência de experiências fora do corpo
(EFC) e experiências de quase morte (EQM). A pesquisa também verificou a
maneira como a informação paranormal foi expressada, tais como, sonhos,
alucinação, alteração da personalidade, comparando os resultados com outras
pesquisas.
Envolveu 363 estudantes de duas áreas diferentes - ciências biológicas (estudos
orientados para seres humanos e sistemas vivos) e tecnologia (estudos orientados a
hardware e software) pois pretendíamos saber se havia diferenças nos resultados.
Os resultados avaliados até então mostraram algumas diferenças entre os
estudantes de ciências biológicas e tecnologia, os últimos compostos 2/3 de homens
( enquanto os estudantes de biológicas eram 2/3 mulheres) tendiam a acreditar
menos em psi, consideraram-se menos capazes de produzir psi. Mas, os
percentuais de experiências paranormais foi quase o mesmo para ambas as áreas.
A pesquisa foi baseada no ponto de vista do sujeito (fenomenológico), e o
questionário utilizado continha uma breve definição do que pudesse ser
considerado uma experiência paranormal
1. Introdução
Procuramos nesta pesquisa conhecer psi em relação a uma comunidade
universitária brasileira. Para essas pessoas seria psi uma realidade ou apenas
ficção, chamando atenção somente no momento que algum tipo de informação ou
interação anômala ocorre, na qual as habituais noções de tempo, espaço e energia
parecem ser quebradas, mas depois sendo relegada ao sem sentido e aparte da vida
cotidiana. Pretendemos saber se a função psi faz parte da realidade das pessoas a
ponto de nela acreditarem, bem como acreditarem ser capazes de produzi-la e até
mesmo já terem passado por essas experiências.
Tencionamos descobrir a extensão dessas pessoas que acredita em psi, e como a
idéia de "fenômeno paranormal " é aceita. Também quisemos saber se os próprios
alunos se consideram capazes de produzir um fenômeno paranormal.
Pretendemos ainda descobrir a extensão dos estudantes que consideram ter
passado por experiências paranormais e obter informações a respeito de suas
características. Procuramos descobrir a ocorrência de PES, PK , Curas Psíquicas
ou Desempenhos Notáveis ou Conhecimentos Extraordinários em estados alterados
de consciência e também a ocorrência de EFCs (experiência fora do corpo) e
EQMs (experiência de quase morte).
A pesquisa também verificou a maneira como a informação paranormal foi
expressada , tais como, sonhos, fortes impressões, alucinações (nas formas visual,
auditiva, tátil e olfativa), e em que processo ocorreu , em que circunstâncias,
comparando algum dos resultados obtidos com outras pesquisas, bem como
algumas de suas características como duração, há quanto tempo ocorreu e se foi
repetida.
Utilizamos da abordagem fenomenológica , referida por Krippner (1995) e Zangari
(1995), este citando Rhea White (1990), que é centrada no sujeito significância da
experiência para o mesmo, e não apenas nos resultados.
A crença na paranormalidade e como ela pode alterar os resultados tem sido
estudado de várias formas há bastante tempo. Desde os estudos de Gertrude
Schmeidler in 1942, na Universidade de City Hall em Nova Iorque, os termos
"ovelha" e "cabra" tem sido utilizado (em contexto de testes) para se referir
àqueles que acreditam na realidade de psi e tem em testes um desvio significativo
acima do acaso, daqueles que não acreditam e tem um desvio significativo para
baixo. No nosso caso, como veremos adiante em Discussões, os percentuais de
pessoas que passaram por psi não se correlaciona fortemente com a crença na
paranormalidade.
Esta pesquisa também pretende correlacionar nos próximos meses (com os dados
que já dispomos mas não processados nesta etapa) se as pessoas das áreas de
ciências biológicas (cujos estudos são direcionados a sistemas vivos ou lida
diretamente com o ser humano ou seres vivos), apresentam resultados
significativamente diferentes dos alunos de tecnologia (cujos estudos são centrados
em sistemas informacionais e software e equipamentos e hardware)
2. Método
Participantes
- Todos os participantes, N=363, eram alunos da Universidade Federal de
Pernambuco. Como mostrado nos gráficos em anexo, os alunos foram 54%
mulheres e 46% homens, essas proporções se invertiam a depender da área de
formação. Em ciências biológicas 63% eram mulheres e 37% homens enquanto em
tecnologia 69% eram homens e 31% mulheres. Ou seja, para biológicas cerca de
2/3 eram do sexo feminino enquanto para tecnologia cerca de 2/3 eram do sexo
masculino.
- 91% dos estudantes tinham mais de 25 anos, 4% estavam entre 25-29 anos e 5%
acima de 34 anos, não houve estudantes entre 30-33 anos Os alunos de ciências
biológicas 96% tinham menos de 24 anos, 3% entre 25-29 anos e 1% acima de 34
anos. Por sua vez, os alunos de tecnologia 77% tinham menos de 24 anos, 8%
tinham entre 24-29 anos e 15% acima de 34 anos.
- Os formulários foram aplicados em maio e junho de 1997.
Questionário
Para evitar má interpretação nos resultados, o questionário teve uma breve
definição do que deveria ser uma experiência paranormal, para que os alunos não
deixassem de entender as perguntas e pudessem dar respostas objetivas.
Algumas hipóteses consideram a interação entre o experimentador e o sujeito
(neste caso, aquele que está aplicando os formulários) pode afetar os resultados.
Nesta pesquisa nenhuma das pessoas que aplicaram o formulário era
parapsicóloga, embora a maioria fossem simpáticos a parapsicologia, até porque se
propuseram a ajudar na pesquisa, bem como não tinham conhecimento prévio
sobre o assunto não podendo, portanto, encorajar os estudantes nas respostas. Isto
significa, que uma suposta influência que o experimentador (quem aplicou os
formulários) possa ter tido foi diminuída.
O questionário foi dividido em duas partes. Na primeira, todos os estudantes
participaram respondendo sua crença ou não em psi e se acreditavam que podiam
produzi-lo, além de dados de curso, sexo e idade. A segunda parte foi respondida
apenas por aqueles que diziam ter passado por experiências paranormais. O
formulário na sua integridade é mostrado no anexo.
Procedimento
Contatamos com a Coordenadora dos Cursos Básicos ( primeiro e segundo anos)
da Área de Ciências Biológicas e com um professor dos curso de graduação e pós-
graduação do curso de Ciência da Computação, onde expusemos a natureza da
pesquisa e constatamos a sua disposição em ajudar-nos.. Estes então aplicaram os
formulários, bem como pediram outros professores para fazê-lo. Na área de
ciência biológicas, alguns monitores (alunos que auxiliam o professor) aplicaram os
formulários. A todos os alunos das salas de aula foram solicitados a participar,
mesmo aqueles que não acreditavam em psi, neste caso só deveriam responder a
primeira parte do questionário, desta forma teríamos uma amostragem completa
de cada sala de aula.
Análise
Estes são os resultados preliminares da pesquisa, nem todos os dados puderam ser
ainda processados e correlacionados. Basicamente utilizamos Microsoft Excel para
ajudar na análise dos resultados e gerar os gráficos, os resultados nesta etapa são
estatisticamente descritivos do que analíticos.
TABELA 1
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE
ÁREA CURSO No ALUNOS CRENÇA EM PSI- % CRENÇA NA
CAPACIDADE EM PRODUZIR PSI- % PASSARAM POR EXPERIÊNCIAS
PARANORMAIS - %
CIÊN-CIAS Biologia, Fsioterapia, Enfermagem 45
BIO Educação Física 19
LÓ Medicina e Odontologia 87 81 26 23
GI Nutrição 20
CAS Psicologia 26
SUBTOTAL 268
TEC-NOLO Ciência da computação 78
GIA Pós-graduação em Ciência da Computação 17 66 27 16
SUBTOTAL 95
TOTAL GERAL 363 77 26 21
3. Resultados Parciais
Acreditam na Paranormalidade e Se Consideraram Capazes de Produzir Psi
- 77% é o resultado total de estudantes que acreditam em psi (54% mulheres e
46% homens). 81 % devido a ciências biológicas (63% mulheres) e 65% relativo a
tecnologia (69% homens);
- No total 26% dos estudantes se consideraram eles próprios capazes de produzir
psi, 26% para ciências biológicas 27% para tecnologia;
Passaram por Experiências Paranormais
- 21% dos estudantes consideraram já ter passado uma experiência paranormal ou
psíquica (23%ciências biológicas e 16% estudantes de tecnologia);
- Entre os estudante que acreditavam em psi e também acreditavam ser capazes de
produzir psi, 20% afirmaram ter tido experiências paranormais (19% ciências
biológicas e 23% alunos de tecnologia);
- Uma descoberta interessante foi que entre as pessoas que acreditavam em psi mas
não acreditavam ser capaz de produzi-la, de fato 10% relataram que produziram.,
(13% ciências biológicas e 1% estudantes de tecnologia);
- 0% das pessoas que disseram não acreditar em psi relataram experiências
paranormais.
- Entre os alunos que tiveram experiências paranormais 48% disseram que
tiveram a informação confirmada por outra pessoa.- PES - Percepção
Extrasensorial (48% ciências biológica e 47 estudantes de tecnologia);
Maneira de Obter a Informação Paranormal e Características das Experiências
Paranormais
- 39% dos estudantes reportaram sua experiência paranormal ao presente ou
passado e 61% ao futuro (para o último 63% ciências biológicas e 53% estudantes
de tecnologia)
- As experiências foram relatadas 52% a própria pessoa (47% ciências biológicas e
75% estudantes de tecnologia) e 48% a pessoas conhecidas , tais como pais,
namorado ou namorada (53% ciências e 25% a estudantes de tecnologia), entre as
experiências relatadas a pessoas conhecidas.
Experiências PK
- 9% relatam experiências PK (11% biológicas e 0% tecnologia);
- 8% relataram que a experiência PK foi confirmada por outra pessoa (9%
biológicas 0% tecnologia).
Passaram por EQM
- 5% daqueles que passaram por experiências paranormais relataram experiências
NDE (5% biológicas e 7% tecnologia).
Passaram por EFC
- 9% do total dos estudantes relataram EFCs (10% % biológicas e 6% tecnologia);
- 44% entre as pessoas que tiveram PES relataram EFC com (45% biológicas e
40% tecnologia)
- 8% daqueles que passaram por experiências psi relataram EFC com PES
confirmada por outra pessoa (8% biológicas e 7% tecnologia);
- 6% das pessoas que vivenciaram psi relataram EFC com PK (8% biológicas e
0% tecnologia);
- 2% das pessoas que passaram por psi relataram EFC com PK confirmada por
outra pessoa. (3% biológicas e 0% tecnologia);
Cura Psíquica
- Entre aqueles que disseram ter passado por experiências psi , 21% relataram ter
sido curados psiquicamente por alguém (21% biológicas e 20% tecnologia);
- Também 21% consideraram ter curado psiquicamente alguém (21% biológicas e
20% tecnologia);
- A forma mais freqüente que as pessoas consideraram ter sido curadas foi através
da imposição de mãos, xxx%, oração xxx%, xx% cirurgia psíquica e outras xx%.
Mostraram Desempenho ou Conhecimento Extraordinário em Estados Alterado
de Consciência
- 11% disseram ter apresentado desempenho ou conhecimento extraordinário em
estado alterado de consciência. (11% biológicas e 13% tecnologia);
Outras Características
- 11% repetiram PES, PK, EFC and Cura Psíquica mais do que uma vez (11%
biológicas and 13% tecnologia);
- A última experiência ocorreu em 29% dos casos hxxxxx, 22% em menos de 1
mês, 24% em menos de 1 ano e os restantes 25% há mais de 1 ano.
- As pessoas estavam 39% despertas, 46% dormindo and 6% outros;
- 63% das pessoas não sabem o que causou a experiência, enquanto 8%
consideraram que foram induzidos por outra pessoa, 10% foram auto-induzidos e
18% disseram que uma forte emoção deflagrou a experiência.
- 25% dos alunos consideraram que a experiência levou segundos, 32% minutos,
`13% horas e 30% não souberam.
4. Discussão
Esperamos ao realizar essas pesquisas que possamos ter contribuído para uma
melhor compreensão sobre experiências paranormais vividas no contexto da
sociedade brasileira, embora, é importante salientar, esta amostragem não seja
representativa da população em geral.
CRENÇA NA PARANORMALIDADE
- Os 77% de crença na realidade dos fenômenos paranormais foi muito mais alto
do que esperávamos . Procuramos aplicar os questionários da forma mais neutra
possível como já descrito em método. Porém consideramos que dois fatores podem
ter melhorado esta percentagem, primeiro, os meios de comunicação no Brasil,
especialmente a TV têm constantemente abordado os fenômenos paranormais, se
bem que na maioria das vezes de uma maneira fantasmagórica, como o mostrado
nas novelas televisivas e transmitida para todo o país, isso faz freqüentemente a
idéia do paranormal mais perto das pessoas. O segundo fator, foi a idade dos
participantes, 91% tinham menos de 24 anos de idade, e pessoas jovens parecem
estar mais abertas a aceitar idéias novas e contraditórias, tal como a existência de
fenômenos paranormais que parecem contradizer a visão mecanicista do mundo.
- Mario Varvoglis (1996) cita uma pesquisa, aplicada no início da década de 70,
entre os leitores da revista científica interdisciplinar New Scientist ( na sua maioria
cientistas e tecnólogos), para determinar o que a comunidade científica pensava a
respeito da parapsicologia, mostrou em 1500 respostas que 88% pensavam que a
parapsicologia é uma disciplina científica legítima e 67% consideram de ESP como
uma "provável possibilidade" ou um " fato estabelecido" (Evan, C -1973.
Parapsychology. What the questionnaire revealed. New Scientist, 57, 209). Este
último percentual 67% aproxima-se do por nós encontrado.
- Não foi objetivo dessa pesquisa abordar a profundidade do comprometimento
com a crença no paranormal nem suas conseqüências comportamentais, neste
sentido é mais um indicador de aquiescência com o fenômeno, mas como veremos
adiante a crença na paranormalidade não parece ter sido originada na sua
maioria.
- Os estudantes de tecnologia (ciência da computação) mostraram menor tendência
a acreditar em psi - 65% ( destes a maioria eram homens - 69%., pois
tradicionalmente essa área é mais procurado por homens) comparado aos 81% de
ciências biológicas (a maioria mulheres - 63%, pois muitos dos cursos aí
abrangidos, tais como nutrição, fisioterapia e enfermagem são tradicionalmente
escolhidos por mulheres). Esses resultados podem sugerir que indivíduos
dedicados a área tecnológica, e intrinsecamente seus paradigmas mecanicistas,
tendem a acreditar menos em psi, porque o paranormal parece contradizer esses
paradigmas.
CRENÇA NA PARANORMALIDAE E EXPERIÊNCIAS PARANORMAIS
- No total 21% das pessoas (23% em biológicas e 16 % em tecnologia)
consideraram ter passado por experiência paranormal (1 entre 5)., ou 33% se
considerarmos entre aquelas pessoas que acreditam em psi ( 1 entre 3) parece
indicar, como se era de esperar, que a crença no paranormal foi aumentada por
aqueles que passaram por experiências psi. Apesar de considerar o resultado
expressivo , 1 entre 5 pessoas afirmaram ter passado por experiências psi, este
resultado mostra-se bem diferente dos resultados apresentados em pesquisa com
universitários brasileiros conduzida por Zangari e Machado (1994), 89,5 % , e por
Palmer (1979), 60%, em uma pequena cidade americana. Não conhecemos os
detalhes da pesquisa de Zangari e Machado, para comparar se a abordagem foi a
mesma, mas o percentual de 89,5% nos parece elevado mesmo para a crença em
psi. A abordagem de Palmer foi por correio, ou seja, precisava haver uma
motivação especial que levassem as pessoas a preencher e devolver os formulários,
o que sugere elevar o percentual de aceitação e de relatos.
- Zingrone e Alvarado (1997) em pesquisa realizada na Espanha, Estados Unidos e
Porto Rico com leitores de revista estilo New Age, estudantes universitários e
estudantes de parapsicologia, respectivamente, estabeleceu:
Tabela 2
Incidência de Experiências Psi
Experiência Estudo 1 (Espanha)N=492 Estudo 2 (EUA)N=308 Estudo (Porto
Rico)N=120
PES em sonho 78% 76% 59%
PES sonhando 73% 71% 53%
Aparições 83% 39% 46%
EFC 82% 30% 35%
Auras 46% 16% 15%
- Esses percentuais encontram bem acima do por nós encontrados para psi em
geral , se bem que Aparições, EFCs e Visão de auras em princípio não podem ser
consideradas em si experiências paranormais.
- Correlacionando o percentual de 77% de crença na paranormalidade e 21% de
experiências paranormais evidenciam que basicamente a crença na
paranormalidade não deriva diretamente da própria experiência, pois
aproximadamente só 1 em cada 4 pessoas que crêem no paranormal passou por
esse tipo de experiência. Esses percentuais sugerem que o contexto favorável a
divulgação do paranormal, em especial os meios de comunicação, já citados,
mesmo de uma forma equivocada, contribui para grande aceitação de psi. O fator
se uma doutrina, crença ou religião influiu sobre a crença na paranormalidade não
foi abordado na pesquisa.
- Chris. Roe (1997), em pesquisa pelo correio, numa amostragem de 1000
residentes de Edimburgo, na Escócia, sobre a Crença na Paranormalidade e
Atendimento a Consultas Psíquicas, relata que dos 29,5% que já foram atendidos
psiquicamente alguma vez, utilizou um escore para pontuação da crença que ia de
6 a 36, com valor médio em 21, obteve na média das respostas o valor 18.81, ou seja
abaixo do citado valor médio (Wilcoxon Z = -1.3992, p=0,1618). Roe cita ainda,
pesquisas de :
¨ McClenon (1982- A Survey of Elite Scientists. Their attitudes toward ESP and
Parapsychology Journal of Parapsychology) encontrou que 54% de pessoas que
expressaram atitude favorável a respeito da realidade de psi o foram influenciados
pela experiência pessoal .
¨ Blackmore (1984 - A postal survey of OBE), entre a população em geral, relatou
que dos 36% que acreditavam em ESP, 44% citaram sua própria experiência
como a razão principal.
Não perguntamos a questão se a crença no paranormal deriva da experiência
diretaessa questão mas 28% dos que acreditam em psi (ou seja 1/4) passaram por
experiências paranormais.
- Parece óbvio que o resto dos 23% dos alunos que não acreditam em psi nenhum
deles, ou seja 0%, relataram experiências paranormais, mas isso pode refletir
também dificuldades em reconhecer uma forma diferente de informação, ou
interpretar a informação paranormal com não possível, coincidência ou apenas
desconsiderando-as.
- Esta pesquisa mostrou que alguém se considerar capaz de produzir psi não
parece afetar os resultados de se ter passado por psi. Considerando-se todos os
estudantes, 21% (25% em biológicas e 16%) relataram ter passado por psi , quase
a mesma percentagem se considerarmos apenas entre aqueles que acreditam que
podem produzir psi- 20%.. Mais uma vez os estudantes de tecnologia tenderam a
acreditar menos que eles podiam produzir psi mas isso não afetou os resultados.
- Um achado interessante foi entre as pessoas que acreditavam em psi mas não
acreditavam ser capazes de produzir psi, de fato, 10% produziram (13% em
biológicas e 1.5% em tecnologia) psi, de acordo com suas respostas no
questionário. Novamente os estudantes de tecnologia não parecem ter tido dúvidas
se passaram por uma experiência paranormal. Esses percentuais parecem mostrar
que os fenômenos paranormais contradizem a percepção das pessoas a respeito da
realidade mas somente 1% dos estudantes de tecnologia se permitiram expressar
essa contradição em comparação com os 10% de biologia.Para tecnologia isso está
de alguma forma correlacionado com os 35% de descrença no paranormal, essas 2
percentagens parecem indicar que quase não há espaço para dúvida do que é
paranormal e do que não é.
CARACTERÍSTICAS DE ALGUNS FENÔMENOS PSI
- Os percentuais encontrados para EFC - 9% (10% % biológicas e 6% tecnologia),
foram um pouco inferiores aos 12% (Castro-1993) por nós anteriormente
encontrados em uma pesquisa anterior com estudantes universitários, específica
sobre EFC, outros pesquisadores também em contextos universitários
encontraram 13-14%. Blackmore (1980), 25 e 33% Hart (1954) e 19% e 34%
Green (1967), 30% Alvarado (1997).
- Quisemos apenas auferir a incidência de EQMs, naquela comunidade, pois
dentro do espírito da pesquisa procuramos saber o tipo de pesquisas psíquicas
vividos por essas pessoas. pois não trata-se de uma amostra adequada , haja visto
serem pessoas jovens e de boa saúde, sendo pouco provável que relatassem esse
tipo de experiência. Em pesquisa por nós conduzida sobre EFC (Castro-1993) não
obtivemos nenhum caso, aqui para nossa surpresa o percentual relatado foi de 5%.
- Faz-se necessário comentar que a EFC e as EQM sem si não são experiências
paranormais em si. Para o caso das EFCs podemos averiguar nesta pesquisa em
em pesquisa especifica anterior (Castro - 1993), que as ESP e mais ainda PK são a
minoria, não atingindo 25%, isso do ponto de vista do sujeito, pois se for tomada
uma análise mais apurada os percentuais certamente seriam bem menores.
A MANEIRA DE SE OBTER A INFORMAÇÃO PARANORMAL
Os 44% que obtiveram psi através de sonho, se aproxima dos 46% que
consideraram que estavam dormindo, estando esses valores estão entre as margens
citadas por Varvoglis ao se referir ao pesquisador Robert Van de Castle que
através de meta-análise mostrou a importância dos sonhos na psi do cotidiano,
constatou que entre 1/3 e 2/3 do número total de experiências relatadas foram
mediadas por sonhos. Os outros 10% vem da zona entre o despertar e o sono.
Ao apresentar esses resultados fazemos votos que os mesmos possam ser
aprofundados por outros pesquisadores, pois acreditamos firmemente que a
pesquisa não só a de laboratório, como também a de campo, é o meio possível mais
eficaz para uma compreensão abrangente de psi.
Bibliografia
Alvarado, Carlos s. & Zingrone. (1997). Out-of-Body Experiences and Dissotiation.
Trabalho apresentado na 40a Convenção da Parapsychologycal Association,
Brighton, Inglaterra.
Blackmore, Susan J. Experiências Fora do Corpo (traduzido do Beyond the Body -
An Investigation of Out-of-The Body Experiences). 1986. Editora Pensamento SP.
Brasil
Borges, Valter da Rosa. Manual de Parapsicologia. 1992. Edição do Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. Recife-PE. Brasil
Castro, Jalmir F. Brelaz de (1997). Out-of-Body Experiences with College Students
in Brazil. Trabalho apresentado na 40a Convenção da Parapsychologycal
Association, Brighton, Inglaterra.
Machado, Fátima Regina (1995). Considerações sobre Ética e Educação em
Parapsicologia no Brasil. Trabalho apresentado no XIII Simpósio Pernambucano
de Parapsicologia, Recife - PE. 1995
Roe, Chris A..(1997) Belief in the Paraformal and Attendance at Psychic Readings.
Trabalho apresentado na 40a Convenção da Parapsychologycal Association,
Brighton, Inglaterra.
Kripner, Stanley . Advances in Parapsychologycal Research 7
Varglovis, Mario (1996). Psi Explorer - A Voyage into the Universe of Pshychic
Phenomena . PC CD-ROM 1996. UGM_IGK Multimédia.
Zingrone, Nancy & Alvarado, Carlos (1997). "Broken" Marital Relations and
Claims of Parapsychological Experiences. Trabalho apresentado na 40a
Convenção da Parapsychologycal Association, Brighton, Inglaterra.
Zingrone, Nancy & Alvarado, Carlos (1997). Correlates of Aura Vision: The Role
of Psi Experiences, Dissotiation, Absortion and Synesthesia-Like Experiences.
Trabalho apresentado na 40a Convenção da Parapsychologycal Association,
Brighton, Inglaterra.
Zangari, Wellington (1995). Avanços e Desafios da Parapsicologia Atual: O papel
dos Pesquisadores Brasileiros. Trabalho apresentado no XIII Simpósio
Pernambucano de Parapsicologia, Recife-PE. 1995.
Agradecimentos: Gostaríamos de agradecer aos professores da UFPE Sonia
Pereira Leite Jaelson F.B. Castro, pelo empenho e pela aplicação dos questionários
sem os quais essa pesquisa não seria realizada.
Anexos
A Questionnaire
B Graphics and Tables
QUESTIONARIO - 1a. PARTE (A SER PREENCHIDA POR TODOS)
1) Você acredita em fenômeno paranormal? SIMo NÃO o 2) Você acredita que é
capaz de produzi-lo? SIMo NÃO o
3) Por favor informe alguns dos seus dados? Idade___ Sexo: masculino o feminino
o Curso:___________
Nota: O fenômeno paranormal pode ser entendido como um conhecimento
(informação) que não se origina dos sentidos ou da razão e nem resulta do
aprendizado prévio estruturado a nível consciente.O fenômeno paranormal pode
ser ainda uma ação extraordinária da mente humana sobre seres vivos, objetos ou
o meio ambiente. Ação esta que não envolve os meios físicos conhecidos.
2a. PARTE (A SER PREENCHIDA SOMENTE POR AQUELES QUE
CONSIDERAM QUE PASSARAM POR EXPERIÊNCIA PARANORMAL)
4) Você já passou por alguma experiência que considere paranormal ou
"psíquica", i.e., obteve alguma informação que não pudesse ser obtida através dos
sentidos ou da razão? SIMo NÃOo
5) Essa informação deu-se a evento que aconteceu no presente ou passado, ou foi
conhecimento antecipado de fato que aconteceu no futuro? (lembre-se se essa
informação não pode ser deduzida de outras informações nem obtida através dos
sentidos) Presente ou passadoo Futuroo Ambaso
7) Como você obteve essa informação?oAtravés de sonhos. oAtravés de forte
impressão ou sentimento. oPor alucinação ou aparição visual oPor alucinação
auditiva oPor alucinação tátil oPor alucinação olfativa oAtravés de alteração de
personalidade, ou seja, falava, escrevia ou agia de qualquer outra forma, como se
fosse outra pessoa. Por favor especifique_______ oAtravés de meios eletrônicos,
tais como, telefone, fax, e-mail, fotografia, imagem de vídeo, imagem de TV,
imagem de monitor de computador, sem que ninguém pudesse dizer sua origem.
Por favor, especifique________ oOutro meio. Por favor, especifique________
8) Essa experiência estava relacionada a quem ou a o que?oA você mesmo. .oA
pessoa conhecida. Por favor, Quem?_____ oA algum local. Qual?____________ oA
algum acontecimento futuro? Qual________
9) Alguma vez já afetou fisicamente à distância seres vivos ou objetos ou o
ambiente em que se encontrava, sem o uso de meios físicos conhecidos? oNÃO
oSIM Por favor especifique o que afetou___________
10) Esse evento pode ser comprovado por outra pessoa? oNÃO oSIM
Quem?__________________
11) Você já passou por alguma Experiência de Quase Morte (EQM), em que foi
considerado clinicamente morto? oNÃO oSIM (neste caso peça ao pesquisador um
formulário em anexo)
12) Você já passou por alguma experiência em que se considerou fora do corpo
(EFC)? oNÃO oSIM
13) Na experiência Fora do Corpo (EFC), obteve alguma informação que não
pudesse ser obtida através dos sentidos ou da razão? ?oNÃO oSIM
14) Essa informação obtida na EFC pode ser comprovado por outra pessoa?
oNÃO oSIM Quem_______
15) Na EFC afetou fisicamente à distância seres vivos ou objetos ou o meio em que
se encontrava?
oNÃO oSIM Por favor especifique o que _____________________________
17) Já foi curado por alguém de doença ou mal físico que não pode ser explicado
por meios convencionais, sem uso de ervas ou medicamentos? oNÃO oSIM por
imposições de mãos o oraçãoo cirurgia psíquica o outras o favor especificar____
18) Já sentiu que você curou alguém por meios não convencionais?
o NÃO oSIM por imposição de mãoso mediante oração o por cirurgia psíquica o
outras o favor especificar___________________
19) Em estado alterado de consciência, ou seja, diferente do que considera seu
estado de atenção usual, já apresentou desempenho ou conhecimento
extraordinário, na arte (pintura, escultura, dança, música etc), literatura ou outra
área do conhecimento? NÃOo oSIM Indique o que_________________________
20) Teve qualquer desse tipo dessas experiências anteriores (tais como, as das
perguntas números 9, 12 e 18) mais de uma vez? oNÃO oSIM Quantas
vezes___________ oFreqüentemente (mensalmente pelo menos durante algum
período da sua vida) Qual experiência?_____________________________
21) Quando foi sua última experiência? oHá um mês ohá seis meses
oHá um ano Para período acima de um ano, por favor especificar_______________
22) Qual o seu estado de consciência durante a experiência? o Acordado o
dormindo o Outro. Por favor especifique_____
23) Para você o que causou a experiência? oNão sabe o Induzida por terceiros o
Induzida por mim mesmo oForte emoção (ex.: morte, doença, acidente etc)
relacionada a alguma pessoa. Dizer qual pessoa e a emoção associada_________
Por favor indique a experiência que se referiu nos item acima_________
24) Quanto tempo durou qualquer uma dessas experiências? oSegundos ominutos
oHoras onão sabe
A PARAPSICOLOGIA E SEUS OPOSITORES (*)
VALTER DA ROSA BORGES
“A new scientific truth does not triumph by convincing its opponents and
making them see the truth: but rather because its opponents eventually die and a new
generation grows up that is familiar with it”.
Max Planck
Razões da oposição
Por que a Parapsicologia é tão combatida por cientistas de outras áreas e
por religiosos, esotéricos e ocultistas?
Os motivos dessa obstinada ojeriza me parecem claros e simples.
A Parapsicologia, na condição de ciência, investiga fenômenos que antes
eram privativos do universo religioso, dando-lhes uma interpretação naturalista.
Tal atitude desagrada profundamente os líderes religiosos, por questionar as
causas transcendentais de tais fenômenos, parecendo-lhes enfraquecer dogmas e
práticas ritualísticas e abalar a fé dos seus adeptos. Ao mesmo tempo, constitui
uma ingerência indébita em território tradicionalmente privativo do universo
religioso.
Por outro lado, ao investigar fenômenos então tidos como estranhos à
investigação científica, a Parapsicologia comprovou, experimentalmente, a sua
realidade e a sua natureza não transcendental, atingindo em cheio o paradigma
científico vigente. Compreensível, portanto, que a comunidade científica reagisse
imediatamente a esta agressão que revelava a existência de lacunas gnosiológicas,
exigindo, assim, uma nova interpretação da realidade. Não se tratava de um
homem, propondo um novo modelo revolucionário num determinado campo
científico, mas do surgimento de uma nova ciência cujo objeto constituía uma
revolução na cosmovisão científica da realidade.
Se antes, estes fenômenos eram ignorados por pertencerem ao mundo da
religião, da magia, do ocultismo, da superstição, agora que foram trazidos à
investigação científica pela Parapsicologia deveriam ser negados a todo custo,
levantando-se suspeitas quanto a integridade moral e/ou psíquica dos
pesquisadores, assim como dos procedimentos metodológicos, tidos por
inadequados ou insuficientes, dando ensejo, portanto, às mais diversas formas de
fraude. À medida que a investigação parapsicológica ia se aprimorando,
constatando a realidade dos fenômenos paranormais, a exigência dos adversários
da Parapsicologia também aumentava, principalmente de um grupo de cientistas
denominados céticos, sempre dispostos a refutar, numa obstinação inquisitorial,
qualquer experimento parapsicológico.
Tal atitude, porém, teve e tem seu lado positivo. De tanto se verem atacados
em suas pesquisas, os parapsicólogos, de formação científica, vêm se tornando
excelentes epistemólogos, preocupados com a excelência da metodologia científica e
cada vez mais críticos no controle das condições experimentais.
Mas, há um lado obscuro da questão. Em virtude de se encontrar numa
área divisória entre a ciência e a religião, a Parapsicologia se ressente do assédio de
representantes destas duas áreas. De um lado, cientistas que, informados dos êxitos
da investigação parapsicológica, buscam integrar a Parapsicologia dentro de seu
campo científico, lutando, veladamente, para despojá-la de sua autonomia. De
outro lado, religiosos, que se proclamando parapsicólogos, utilizam esta ciência
para servir aos propósitos de sua fé e ao mesmo tempo investir contra as outras
religiões.
Há cientista que, fascinados pela fenomenologia paranormal, se tornaram
religiosos e religiosos que, embevecidos pela Parapsicologia, se tornaram
parapsicólogos. Em ambos os casos, em virtude deste entusiasmo, esqueceram de
fazer uma separação entre a postura de cientista, no trato destes fenômenos, de sua
convicção religiosa, na interpretação dos mesmos.
Porque os fenômenos paranormais originariamente pertenciam ao universo
religioso, a sua laicização não foi inteiramente bem sucedida. Permaneceram, na
sua investigação, certos ranços transcendentalistas no que concerne a sua
hermenêutica. Então facilmente se explica por que a Parapsicologia, ao ignorar
explicações metafísicas para os fenômenos paranormais, passou a ser considerada,
mais do que qualquer outra, uma ciência materialista. Ora, sob este ingênuo e
simplório ponto de vista, todas as demais ciências são também materialistas,
porque não cogitam de hipóteses sobrenaturalistas para os seus fenômenos.
Acontece, porém, que o estigma maior ficou com a Parapsicologia por ter ousado,
tal como Prometeu, trazer o fogo dos deuses olímpicos para o domínio dos homens.
Imigrante do céu e rejeitada, inicialmente, na terra, a Parapsicologia teve
de amargar uma dolorosa, mas necessária decantação, de seu procedimento
metodológico a fim de renunciar a sua fisionomia celestial e adquirir as feições
telúricas de suas desconfiadas irmãs científicas, assumindo o incômodo papel de
“patinho feio” de sua nova família. Hoje, este “patinho feio” da literatura infantil
começa a se tornar o esplendoroso cisne da investigação científica, aumentando
cada vez mais a compreensão das potencialidades do homem e, por conseqüência,
da própria realidade. Somente os obstinadamente cegos não querem e, por isso,
não podem ver a importância da Parapsicologia, porque, afinal, esta cegueira os
protege, permitindo que continuem apenas percebendo os seus próprios
preconceitos.
A questão da fraude
A Parapsicologia é uma ciência cujos pesquisadores se preocupam
exageradamente com o problema da fraude.
O parapsicólogo é um fraudófobo em permanente litígio com os fraudófilos,
ou seja, aquelas pessoas que, obstinadamente, sob a cômoda sigla de ceticismo,
negam a realidade dos fenômenos paranormais.
O fenômeno paranormal, por contrariar o paradigma científico da
realidade, suscitou e ainda suscita compreensíveis reações de suspeita e hostilidade.
E a atitude mais cômoda e eficaz para invalidar o fenômeno paranormal é
simplesmente negá-lo, sob o fundamento de que tudo não passou de fraude,
alucinações ou deficiências da metodologia, mesmo se tratando de um pesquisador
qualificado.
Fraudes houve, não há o que negar. Pesquisadores foram ludibriados pelos
paranor-mais mais famosos. Porém, nem todos os paranormais fraudaram, como
afirmou leviana-mente certo parapsicólogo e mesmo os que foram pegos em fraude
não fraudaram sempre. Aliás, a bem da verdade, há mais alegações do que provas
concretas de fraude.
Geralmente os que afirmam a existência de fraude se baseiam em meras
suposições. E quem alega um fato cabe o ônus de prová-lo. No entanto, em relação
à investigação parapsicológica, tem-se invertido o ônus da prova, exigindo-se do
pesquisador apresentar provas para refutar as suposições levantadas contra a sua
pesquisa. E o mais impressionante é que as suposições, por mais estapafúrdias que
sejam, têm a força de por em dúvida as melhores pesquisas realizadas por
pesquisadores qualificados. Infelizmente, porém, alguns destes contestadores são
parapsicólogos, que invalidam experimentos de seus colegas, louvando-se também
em suposições. Eles assim procedem, sob a alegação de não terem conseguido obter
os mesmos resultados satisfatórios com o mesmo agente psi. Ou seja: eles não
admitem o seu insucesso e, por isso, afirmam que a seriedade de seus experimentos
demonstrou o equívoco das experiências que eles não conseguiram reproduzir.
Quem é parapsicólogo sabe que o agente psi não apresenta o mesmo
desempenho com o mesmo pesquisador nas mesmas condições experimentais. Nem
tampouco pode replicar com outro pesquisador, nas mesmas condições
experimentais, o desempenho que tivera com o pesquisador anterior. Não se pode
medir o desempenho paranormal de um agente psi como se faz com uma reação
química ou um fenômeno físico. Cada ato humano é essencialmente irrepetível por
muito que se assemelhe a outro ato humano em condições semelhantes, visto que, a
rigor, não existem situações iguais, por mais semelhantes que pareçam. Isto é o que
os adversários da Parapsicologia não querem ou não podem entender,
transformando suas suposições em evidências e certezas, esquecidos de que quem
alega cabe o ônus da prova. Quando muito, eles demonstram como os fenômenos
podem ser fraudados, mas não apresentam provas de que aqueles fenômenos
foram produzidos mediante fraude.
Trabalhar com um ser humano não é o mesmo que trabalhar com um rato
ou com a matéria bruta. O ser humano é um fenômeno extremamente complexo e
não pode ser simplificado a um número limitado e às vezes arbitrário de variáveis.
A pesquisa, em Parapsicologia, é fundamentalmente uma parceria entre o
parapsicólogo e o agente psi, visando criar as condições favoráveis para a
manifestação do fenômeno. No entanto, há parapsicólogos que fazem justamente o
contrário. Eles lidam com o agente psi como se fosse um mero objeto de pesquisa,
um rato de laboratório, uma pessoa suspeita e, quando muito, o tratam com
artificial cortesia. Consciente ou inconscientemente, tudo fazem para dificultar a
produção do fenômeno e, paradoxalmente, se sentem contrariados quando
realizam este propósito. Na verdade, é muito fácil inibir o agente psi: qualquer
pessoa pode fazê-lo, principalmente aquelas que são céticas ou mesmo hostis em
relação à paranormalidade. Tais pessoas jamais deveriam ser admitidas numa
pesquisa, porque, além de não serem parapsicólogas e, portanto qualificadas para
isso, ainda são fatores que podem impedir a manifestação do fenômeno. Afinal, é
uma tremenda infantilidade se discutir com alguém que, por preconceito ou
ignorância, se opõe a uma ciência. Parapsicólogo só deve discutir com
parapsicólogo e não com leigos de outra área científica. Se não opinamos sobre
pesquisas realizadas em outro campo científico, por que nos permitimos que
cientistas de outras áreas, por mais respeitáveis que sejam, venham contestar
nossas experiências, como se fossem autoridades no assunto? Isto sempre me
pareceu uma atitude de subserviência intelectual, como se a Parapsicologia, para
ser ciência, necessitasse da aprovação de cientistas de outras áreas. Toda ciência se
constrói por si mesma, definindo seu objeto e, utilizando sua própria metodologia,
a qual deve adequar-se aos princípios gerais do método científico.
A atitude hostil e/ou cética do pesquisador influi poderosamente sobre o
desempe-nho do agente psi e, assim, de tanto querer provar que o fenômeno
inexiste ou ansiosamente evitar a possibilidade de fraude, ele cria condições que
impedem a manifestação do referido fenômeno.
A paranormalidade não é algo mais para ser provado, mas para ser
investigado de maneira mais ampla e audaciosa. A utilização do baralho Zener já
teve a sua época de ouro e seu inquestionável papel e valor para dar à
Parapsicologia o seu status de ciência. É a hora de se retornar ao método
qualitativo, à pesquisa com as pessoas verdadeiramente dotadas de aptidão
paranormal e com um melhor e mais profundo relacionamento entre os
parapsicólogos e os agentes psi confiáveis ou APCs. O baralho Zener pode
pobremente constatar que uma pessoa é dotada de um talento paranormal, mas em
nada pode ajudá-la a se familiarizar com esta sua aptidão, conhecer as
peculiaridades e as condições que favorecem ou dificultam a sua manifestação e,
principalmente, o que fazer com a sua paranormalidade.
Paradoxalmente, certos pesquisadores, para investigar a paranormalidade
do agente psi, se esmeram em criar os mais diversos artifícios e estratégias, os
quais redundam, em alguns casos, no impedimento da manifestação do fenômeno.
A sua obsessão pela fraude é tão grande ou a sua hostilidade é tão míope e, até às
vezes, cega, que eles, ao lançar fora a água da banheira também o faz com a
criança que nela se encontra. E, depois, ingenuamen-te, ou hipocritamente, alegam
não ter encontrado a criança na banheira.
Para se pesquisar a paranormalidade de alguém é preciso descobrir as
condições que
favorecem a sua manifestação e todo trabalho de pesquisa consistirá em
proporcionar ao APC todas ou, ao menos, a maioria destas condições. O APC
precisa ser treinado para se familiarizar com estas condições e criar
condicionamentos cada vez mais eficazes para funcionar nestas condições.
Precisamos ajudar o APC a administrar a sua paranormalidade e não criar
empecilhos que o dificultem a se familiarizar com o seu talento. É como se alguém
quisesse treinar um atleta criando dificuldades para o seu condicionamento
corporal. Tal procedimento seria uma arrematada tolice e é isto justamente o que
fazem estes parapsicólogos pesquisadores que mais parecem leigos, e os céticos
obstinados que mais parecem cegos.
A oposição dos céticos
Os céticos profissionais inicialmente etiquetaram a Parapsicologia como
“pseudo-ciência” e estigmatizaram os parapsicólogos como pesquisadores
incompetentes e fraudu-lentos. Significativa parte destes céticos é oriunda da
Psicologia, o que evidencia um flagrante preconceito contra um possível
concorrente em sua área profissional.
Durante décadas, os céticos investiram contra a Parapsicologia,
argumentando que os fenômenos psi eram impossíveis porque violavam algumas
leis da física ou porque seus efeitos não eram repetíveis. Com base nesta premissa,
concluíram que os experimentos bem sucedidos deveriam ser atribuídos a fraude,
a experimentos mal feitos, a técnicas inadequadas ou ao mero acaso. E alegavam
ainda que, se os experimentos fossem bem conduzidos, os fenômenos psi não
apareceriam, porque, na verdade, eles não existem.
Estes argumentos, atualmente, perderam a sua validade.
Os céticos bem informados não mais alegam que os resultados da
experimentação psi são devidos ao acaso, e um deles, Ray Hyman reconheceu
explicitamente que estes resultados eram “astronomicamente significantes”. Isto
implica, conforme observa Dean Radin, na mudança do enfoque do debate da
mera existência de efeitos interessantes para a sua própria interpretação.
Charles Honorton argumentou que os céticos criticam a imperfeição dos
experimen-tos parapsicológicos, quando nada é perfeito nas ciências empíricas. Na
verdade, diz Dean Radin, todas as medições contêm algum erro e assevera que as
meta-análises suprem as falhas dos experimentos pelo sucesso cumulativo de suas
taxas.
Os céticos modernos tentaram mostrar que as experiências realmente não
eram in-teressantes e que os estudos aparentemente exitosos se baseavam em
experimentos falhos. Uma vez, porém, superadas essas objeções, eles se viram
obrigados a admitir que simplesmente esgotaram as explicações plausíveis.
Apesar disto, os céticos argumentam que ainda não existe evidência
convincente dos fenômenos paranormais em mais de um século de pesquisa.
A Psicologia, que é anterior à Parapsicologia, jamais conseguiu um modelo
explica-tivo para a consciência e até mesmo chegou a negar a sua existência, como
o fez o Behaviorismo. Por isso, tem razão Dean Radin ao afirmar: “se adotarmos
os arrazoados dos céticos, muitos dos quais são psicólogos, então a Psicologia
convencional é também um triste fracasso.”
Observa Honorton que, embora os céticos discutam sobre a plausibilidade
de várias hipóteses alternativas, eles quase nunca testam as suas próprias
hipóteses.
Alguns céticos aduziram que se os fenômenos psi fossem autênticos, mesmo
assim seriam fracos e desinteressantes. Outros, embora relutantemente,
aceitassem que efeitos de psi possam ser genuínos, tentaram minimizar este
reconhecimento, alegando que eles eram simplesmente muito fracos para serem
interessantes.
O Comitê para a Investigação Científica de Alegações do Paranormal
(Committee for the Scientific Investigation and Claims of the Paranormal -
CSICOP) ‚ é uma organização bem conhecida por seu compromisso apaixonado
contra a Parapsicologia.
Observa, com razão, Dean Radin que comumente se pensa, de maneira
equivocada, que todas as críticas em ciência são iguais. As críticas têm que ter duas
propriedades para serem consideradas válidas. Primeiro, a crítica deve ser
controlada, significando que ela também não pode aplicar-se a disciplinas
científicas bem-aceitas. Ou em outras palavras: não podemos usar um duplo
padrão e aplicar um conjunto de críticas a tópicos insipientes e um outro
completamente diferente para disciplinas estabelecidas. Se o fizermos, nada de
novo poderia ser aceito como legítimo. Segundo, uma crítica deve ser testável,
significando que um crítico tem de especificar as condições sob as quais a pesquisa
poderia evitar a crítica, pois em caso contrário, a objeção é apenas um argumento
filosófico que está fora do reino de ciência.
Lembra Radin uma afirmação popular, segundo a qual “muitos fenômenos
que, uma vez, foram tidos por paranormal, se revelaram como tendo uma
explicação normal”. Esta, diz ele, é uma crítica inválida, porque não é controlável,
pois esta mesma crítica pode ser aplicada a muitas descobertas em outras
disciplinas científicas bem-aceitas. Mesmo se originalmente pensássemos que a psi
fosse uma coisa e mais tarde descobríssemos que ela era outra coisa, isto não
poderia invalidar a existência do efeito. Teríamos apenas de redefinir o que
pensamos acerca disto.
Outra crítica proclama que ficou demonstrado que alguns efeitos
paranormais foram
resultado de fraude ou erro e, por isso assim podemos ignorar com segurança
qualquer resultado bem sucedido. Tal alegação, argumenta Radin, não tem
validade‚ porque se nós fôssemos forçados a descartar alegações científicas em
todos os campos onde ocorreram alguns casos de fraude do experimentador,
teríamos de jogar fora virtualmente cada reino da ciência, visto que a fraude existe
em todos os empreendimentos humanos.
Ressalta Radin que outra crítica favorita dos céticos é que não há teorias de
psi. Esta crítica também é insustentável porque o termo psi poderia ser substituído
por "consciência”, "gravidade", "anestesia" ou ainda por dúzias de outros
conceitos bem-aceitos ou fenômenos. O fato de que os cientistas não entendem
muito bem alguns fenômenos não reduz o seu interesse científico por eles.
Os céticos, diz Radin, também argumentam que “a Psi não pode ser ligada
e desligada e as variáveis que a afetam não podem ser controladas". E assevera
que esta é outra crítica inválida, porque há todos os tipos de efeitos sobre quais
não temos qualquer controle direto e nisto incluímos a maioria dos aspectos
realmente interessantes do comportamento humano. Contudo esta circunstância
não os desqualifica como objetos legítimos de estudo. Em todo caso, a psi é algo
controlável no sentido que podemos causar efeitos previsíveis em sua manifestação
pela solicitação às pessoas para que façam alguma coisa em suas próprias mentes.
Radin assinala que alguns céticos alegam ser "impossível distinguir entre
psi e efeitos de chance mesmo numa experiência bem sucedida sem o uso de
estatísticas". E argumenta que esta crítica é igualmente inválida, porque o mesmo
pode ser dito para quase todas as experiências em biologia, psicologia, sociologia, e
biomedicina. Obviamente, se houvesse algum modo de separar claramente um
sinal de ruído fortuito antes da experiência ser conduzida, então as estatísticas não
teriam sido usadas em primeiro lugar.
Finalizando, conclui Radin, a maioria das alegações contra a pesquisa psi é
improcedente porque se aplicam igualmente a disciplinas convencionais bem
sucedidas e também porque estas alegações são também não-testáveis.
O perfil do cético
Ora, o cético é uma pessoa que não admite a realidade do fenômeno psi e,
por isso, não quer e nem pode entender o que, para ele, é inadmissível. Há um
bloqueio cognitivo em seus processos de raciocínio assentados na premissa
denegatória da experiência paranormal. É quase impossível fazer alguém
compreender aquilo que obstinadamente nega. Ceticismo e fanatismo são cegueira
psíquica, embora de origens diferentes. Por isso, é pura perda de tempo e até
mesmo sandice discutir com cegos a respeito da realidade da luz. E isto,
infelizmente, o que ainda está acontecendo com grande número de parapsicólogos
que, ao invés de se dedicarem à pesquisa intensiva da fenomenologia paranormal,
buscam convencer os céticos da realidade da psi, como se a anuência destes fosse
imprescindível para validar a investigação parapsicológica. E isto me parece a
evidência de uma lastimável insegurança epistemológica ou de uma reprovável
subserviência intelectual.
Não precisamos de céticos, mas de parapsicólogos dotados de competência e
de agudo espírito crítico. Somos os únicos cientistas que ouvem a opinião
necessariamente leiga de cientistas de outras áreas a respeito de questões
fundamentais da investigação e da natureza da fenomenologia paranormal.
Queremos que os outros nos aceitem como cientistas e não nos impomos como
cientistas pela qualidade dos nossos estudos e pesquisas. Afinal, há algumas
ciências lecionadas em Universidades e Faculdades, cuja cientificidade é discutível
e apenas têm respeitabilidade em virtude de seu status acadêmico.
Uma lição a aprender
O psicólogo britânico Kenneth Batcheldor fundou, em 1966, na Inglaterra,
um grupo que se propunha a investigar os efeitos "massivos" de psicocinese. Para
isso, os componentes do grupo se sentavam ao redor de uma mesa de madeira,
colocavam as mãos sobre ela, e se comportavam como se estivessem numa sessão
espírita. Eles queriam demonstrar que a mesa se moveria como conseqüência da
influência da mente sobre a matéria e não em razão da intervenção de espíritos.
Afirma-se que os resultados foram espantosos e, no decorrer dos anos, mesas de
vários tamanhos moveram-se e levitaram.
Eles observaram que, para induzir fenômenos de psi-kapa, era necessária a
observância de certas condições, como a forte crença na possibilidade do sucesso
da experiência, pois observaram que o ceticismo inibia a manifestação
paranormal. Assim, em algumas ocasiões, o grupo começava a rir, a cantar e
conversar animadamente, para evitar pensamentos negativos.
Quando, a despeito de tudo isso, nada acontecia, Batcheldor simulava
propositadamente um fenômeno de psi-kapa. Este procedimento psicológico de
indução produziu resultados positivos e foram obtidas algumas telecinesias
genuínas.
O grupo observou, ainda, que o desenvolvimento de uma mente grupal
resultava na obtenção dos melhores resultados com o mínimo de esforço. No
entanto, sempre que se introduzia alguma forma de controle ou teste, o efeito
diminuía ou até mesmo desaparecia.
Dez anos depois, em Toronto, Canada, outro grupo, liderado pelo físico
George Owen e sua esposa Iris, decidiu repetir a experiência de Batcheldor e,
seguindo o seu modelo, criou um fantasma, denominado "Philip", inventando
para ele uma história completa com detalhes pessoais, nomes de contemporâneos,
uma esposa e até uma amante. "Philip" teria vivido durante a época de Oliver
Cromwell, no solar Didington e, a fim de dar maior realismo à história, Owen usou
uma casa que ainda existe e mostrou fotografias dela para estimular o grupo.
Convencionou-se também um código de comunicação, mediante o qual
"Philip" revelava sua presença dando uma batida para "sim" e duas para "não".
No curso das experiências, ele não só respondeu a perguntas sobre sua vida fictícia,
mas também corrigiu certas informações errôneas, dadas pelo grupo, sobre um dos
dignitários da corte daquela época.
Depois de um certo tempo, “Philip” começou a produzir autênticos
fenômenos de telecinesia.
De modo exatamente contrário procedem os céticos, procurando criar
situações que tornem inviável a manifestação dos fenômenos paranormais e
argumentam, vitoriosamente que eles não existem, porque não foram produzidos
em tais condições.
Há ingredientes psicológicos no êxito de uma experiência psi. A falta de um
deles pode influir parcial ou totalmente nos resultados, reduzindo a quantidade de
acertos ou redundando em fracasso.
Ora, o mesmo se dará numa experiência química: a falta de um dos
elementos essenciais para a produção de uma determinada reação resultará
necessariamente no seu malogro.
Se o clima físico favorece, dificulta ou mesmo impede a manifestação de
fenôme-nos das mais diversas naturezas, o clima psicológico (e também físico) de
uma experimen-tação parapsicológica tem decisiva importância em seu êxito ou
fracasso. A hostilidade, o ceticismo, a ironia, a suspeição constituem elementos
desfavoráveis à manifestação psi. Enquanto a amistosidade, a confiança, a
empatia, a colaboração, a compreensão, a afetividade constituem elementos que
favorecem a ocorrência do fenômeno. Por isso costuma-se dizer que cada
pesquisador encontra sempre aquilo que procura, o que é, parcialmente,
verdadeiro. Há casos em que o fenômeno psi se manifesta apesar da má vontade do
pesquisador (e a literatura paranormal apresenta vários desses casos), o qual,
assim mesmo, não se convence do sucedido e se socorre das mais esdrúxulas
explicações para negá-lo. Como também há casos em que o fenômeno não acontece
apesar da melhor boa vontade do pesquisador. Ora, se o fenômeno psi pode se
frustrar mesmo nas condições favoráveis, por que, com mais razão, não deixaria de
ocorrer em condições adversas? É porque, em algumas situações, o APC não se
encontra em boas condições físicas e/ou psicológicas para produzir o fenômeno
esperado. É nestas ocasiões que ele pode ser tentado à prática da fraude, podendo
até cometê-la.
Ademais, uma experiência parapsicológica não é uma experiência física, a
qual se assenta em fatores determinísticos. A experiência parapsicológica é
essencialmente probabilística.
Em experiência de laboratório, o êxito de um experimento quase nunca
depende exclusivamente do APC, mas de uma parceria resultante entre ele e os
pesquisadores, na construção de um ambiente propício à manifestação do
fenômeno psi. Favorecer o fenômeno não é favorecer a possibilidade da fraude.
Sabe-se que, em algumas experiências do passado, a atitude inquisitorial do
pesquisador ou inibiu o fenômeno ou provocou a fraude ou a sua tentativa.
Pressionado, psicologicamente, a produzir o fenômeno para provar a sua
paranormalidade, alguns APCs famosos foram induzidos, consciente ou
inconscientemente, a fraudar para o gáudio do pesquisador hostil. Aliás, diga-se de
passagem, muitas alegações de fraude jamais foram provadas. E por causa disto,
inverteu-se o ônus da prova: em vez de se exigir do pesquisador hostil a prova de
suas alegações de fraude, transferiu-se ao APC a responsabilidade de provar que
não fraudou. É lastimável constatar que há parapsicólogos que se deixaram
seduzir por esta inversão da comprovação experimental: uns, por insegurança
decorrente de sua falta de tirocínio epistemológico e outros em benefício de suas
crenças pessoais.
Temos de concordar com Max Planck e aplicar o seu conselho na
investigação parapsicológica. A Parapsicologia, ainda, por algum tempo, será
combatida veementemente por seus obstinados adversá-rios, que simplesmente não
podem compreender a nova realidade que ela pesquisa, porque estão aprisionados
nas malhas de seu paradigma científico. Acontece, porém, que eles enfim
morrerão, cedendo seu lugar à nova geração de cientistas já familiarizada com os
avanços da Parapsicologia e, por conseguinte, mais receptiva à investigação da
fenomenologia paranormal.
Os céticos já esgotaram todo o seu arsenal de críticas, de certo modo
valioso, porque nos permitiu aprofundar, cada vez mais, no estudo da metodologia
científica e da epistemologia aplicados a Parapsicologia. Tudo o que eles dizem
agora não passa de monótona repetição de argumentação já cediça e
definitivamente superada. Cabe-nos retomar, com mais entusiasmo e vigor, o
estudo e a investigação dos fenômenos parapsicológicos, permutando experiências
e discutindo hipóteses e experimentos com os nossos colegas, na consolidação cada
vez maior de uma comunidade científica de parapsicólogos, sem necessidade de
angariar apoio e aprovação de cientistas de outra áreas a não a ser a título de
colaboração no interesse de todos.
Parapsicólogos afobados ou desiludidos
Como se não bastassem as críticas quase sempre fanáticas dos céticos, os
parapsicó-logos ainda se vêem às voltas com alguns colegas que, por questões
pragmáticas ou desilusão quanto ao futuro da Parapsicologia, procuram, por
meios diretos ou indiretos, integrá-la no domínio de outra ciência, notadamente da
Psicologia. Tais parapsicólogos deveriam, de uma vez por todas, declinar desta
condição e integrar, de maneira clara e inequívoca, o bloco dos opositores da
Parapsicologia, visto que a sua postura é contrária e prejudicial ao movimento
parapsicológico a nível nacional e internacional.
Dizendo-se desmotivados pelo progresso extremamente lento e pouco
significativo da Parapsicologia, estes afobados parapsicólogos argumentam que a
falta de aceitação da Parapsicologia nas Universidades, a quase impossibilidade de
obtenção de fundos para pesquisas parapsicológicas, a inexistência de mercado de
trabalho, demonstram a inviabilidade da Parapsicologia como ciência e sugerem
que a melhor solução é torná-la uma especialidade de outra área científica.
Estamos vivendo uma época de extrema especialização do conhecimento, o
que resulta no surgimento, cada vez mais crescente, de outras disciplinas
científicas, resultantes de desmembramentos de domínios mais amplos do
conhecimento. Por isso, não vemos porque privar a Parapsicologia de manter a sua
autonomia, mesmo a custa dos mais ingentes sacrifícios. Na verdade, no momento
atual, a Parapsicologia é mais vocação do que profissão e aqueles que pretendem
ganhar dinheiro como parapsicólogos devem, naturalmente, procurar outra
atividade que lhes permita o seu sustento material. Por que deve a Parapsicologia,
para se desenvolver como ciência, estar atrelada ao mercado de trabalho? Por que
devem os parapsicólogos, açodadamente, tentar estabelecer frágeis vínculos com as
Universidades, a fim de obter discutíveis verbas para pesquisas?
É preciso que nos conscientizemos que a Parapsicologia ainda se encontra
na fase da semeadura e não da colheita. Estamos, lenta mas gradualmente, criando
uma mentalida-de parapsicológica no Brasil e no Exterior e isto demanda tempo,
sacrifício, paciência e abnegação. O parapsicólogo que não souber conviver com
estas condições é melhor arrumar as suas malas e procurar uma área científica que
possa facultar-lhe um vasto campo de pesquisa e também um salário condigno. E
esquecer a Parapsicologia, porque, assim procedendo, estará beneficiando a si
próprio e a quixotesca comunidade de parapsicólogos da qual o Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - I.P.P.P. - é um dos seus mais
obstinados guardiões.
* Publicado no ANUÁRIO BRASILEIRO DE PARAPSICOLOGIA – 1999.
PARCERIA NA PESQUISA PSI (*)
Valter da Rosa Borges
A pesquisa psi na Metapsíquica
A pesquisa parapsicológica, na época da Metapsíquica, sempre foi
centrada exclusivamente nas aptidões do agente psi, então considerado o
único responsável pelo êxito ou fracasso das experiências. O
experimentador, por sua vez, se colocava como um elemento neutro,
objetivo, cético, preocupado exclusivamente com a eficiência e segurança
dos experimentos, visando evitar a possibilidade de fraude. O agente psi,
então denominado de médium, era submetido às mais rigorosas (e até
humilhantes) formas de controle como se fosse um perigoso delinqüente,
sem qualquer respeito à sua dignidade e aos seus sentimentos pessoais.
O pesquisador não queria assumir riscos e por isso se distanciava do
agente psi, mantendo uma atitude de reserva e até mesmo de hostilidade.
Se houvesse fracasso, a culpa seria sempre do agente psi, jamais do
pesquisador, que se julgava e se comportava como elemento neutro na
experiência, quando, na verdade, na maioria das vezes, funcionava como
um fator inibidor do fenômeno. Se houvesse êxito, permanecia, no
entanto, a dúvida sobre a eficácia do controle sobre o agente psi e a
especulação sobre a possibilidade de fraude.
Os metapsiquistas, em sua quase totalidade, estavam desatentos
aos fatores psicológicos da manifestação parapsicológica, e submetia o
agente psi a constrangimentos físicos e emocionais, fazendo-o sentir-se
tratado como uma pessoa indigna de confiança. Charles Richet
categoricamente assinalou:
“Façamos experiências com os médiuns, seres raros,
privilegiados, e convençamo-nos de que eles têm direito ao nosso
integral respeito, mas que também são passíveis da nossa desconfiança
integral.”
Disse mais:
“Deve-se proceder constantemente como se os médiuns fossem
conhecidos fraudadores.”
E assegurou ainda:
“Os médiuns são as mais das vezes de tal instabilidade mental,
que as suas afirmações, positivas ou negativas, não têm lá grande valor.”
É evidente que tal procedimento resultava em desastrosas
conseqüências psicológicas para o agente psi, afetando o seu equilíbrio
emocional.
Gustave Geley foi quem primeiro se preocupou com a atenção que
se deve dar ao agente psi. As suas recomendações se revelaram de
fundamental importância para a pesquisa parapsicológica. Ele advertia
que, para se obter um bom rendimento de um agente psi, é mister que ele
esteja saudável, de bom humor, sinta-se à vontade e tenha confiança nos
pesquisadores. E, com argúcia, observou que um controle
excessivamente rígido sobre ele poderia resultar no fracasso da
experiência. Recomendava que a vigilância sobre o agente psi não
deveria ser idêntica em todos os casos, mas inteligente, adaptada às
circunstâncias, flexível e racional.
Geley advertiu ainda que o agente psi é suscetível de sofrer a
influência psíquica do pesquisador e, inconscientemente, ser levado a
praticar uma ação fraudulenta desejada por aquele. Por isso, afirmava que
“quando um médium frauda, os experimentadores são culpados”. Porém
advertia que “a fraude consciente é sempre fruto da negligência ou
incompetência dos experimentadores”.
Certas experiências, na época da Metapsíquica, se assemelhavam
a verdadeiras sessões de tortura e de atentado à dignidade do agente psi.
Alguns deles eram obrigados a se despir na frente dos pesquisadores,
ser minuciosamente examinado em seus orifícios naturais, amarrados e
ostensivamente fiscalizados em seus menores movimentos.
Em um dos nossos livros (1976), já tínhamos observado que o êxito
de qualquer pesquisa, no campo da paranormalidade, estava na
observância de determinadas regras e que o seu insucesso devia-se, não
raras vezes, à incompetência ou à inabilidade do pesquisado do que na
aptidão do agente psi. Essas regras são as seguintes:
a) a) não exigir do agente psi aquilo que ele não está habituado a produzir
ou que, por circunstâncias diversas, não pode realizá-lo de maneira
satisfatória, numa determinada sessão;
b) b) promover um clima de bom relacionamento entre o agente psi e os
pesquisadores;
c) c) evitar toda e qualquer forma de coação sobre o agente psi, exercendo,
no entanto, sobre ele, uma fiscalização eficiente, mas discreta;
d) d) estimular a autoconfiança do agente psi em sua aptidão
parapsicológica, mantendo elevada a sua motivação pela pesquisa;
e) e) realizar, sempre que possível, as experiências em ambiente tranqüilo
e confortável.
A pesquisa psi como parceria
É preciso reconhecer que a pesquisa, em Parapsicologia, é
fundamentalmente uma parceria entre o parapsicólogo e o agente psi,
visando criar as condições favoráveis para a manifestação do fenômeno
paranormal. As leis gerais para o êxito desse experimento já são
conhecidas. E a crença na realidade da psi é uma das condições mais
importantes para a sua manifestação.
É preciso ainda reconhecer que essa parceria varia de resultados
com a troca de parceiros. Ou seja: o resultado obtido por um pesquisador
com um agente psi jamais será idêntico ao obtido com outro pesquisador.
Logo, a repetibilidade do fenômeno poderá ser qualitativa, jamais
quantitativa. Porque, em sua essência, o fenômeno psi é a resultante de
uma relação interpessoal entre o pesquisador e o agente psi. Não é uma
relação pessoa-coisa, mas uma relação pessoa-pessoa. É a relação
positiva entre o pesquisador e o agente psi que determina a exuberância
da manifestação parapsicológica. Quanto mais essa relação for de afeto e
simpatia, maiores as probabilidades do êxito da experiência.
Aliás já havíamos comentado:
Quem é parapsicólogo sabe que o agente psi não apresenta o
mesmo desempenho com o mesmo pesquisador nas mesmas condições
experimentais. Nem tampouco pode replicar com outro pesquisador, nas
mesmas condições experimentais, o desempenho que tivera com o
pesquisador anterior. Não se pode medir o desempenho de um agente psi
como se faz com uma reação química ou um fenômeno físico. Cada ato
humano é essencialmente irrepetível por muito que se assemelhe a outro
ato humano em condições semelhantes. Porque, a rigor, não existem
situações iguais, por mais semelhantes que pareçam. Isto é o que os
adversários da Parapsicologia não querem ou não podem entender,
transformando suas suposições em evidências e certezas, esquecidos de
que quem alega cabe o ônus da prova. Quando muito, eles demonstram
como os fenômenos podem ser fraudados, mas não apresentam provas
de que aqueles fenômenos foram produzidos mediante fraude.
Trabalhar com um ser humano não é o mesmo que trabalhar com
um rato ou com a matéria bruta. O ser humano é um fenômeno
extremamente complexo e não pode ser simplificado a um número
limitado e às vezes arbitrário de variáveis.
Há ingredientes psicológicos no êxito de uma experiência psi. A
falta de um deles pode influir parcial ou totalmente nos resultados,
reduzindo a quantidade de acertos ou redundando em fracasso.
Ora, o mesmo se dará em uma experiência química: a falta de um
dos elementos essenciais para a produção de determinada reação
resultará necessariamente no seu malogro. Nenhum cético teria a
petulância de afirmar que só admitiria uma determinada reação química,
se ela acontecesse nas condições que ele estabelecesse. Ademais, uma
experiência parapsicológica não é uma experiência física, a qual se
assenta em fatores determinísticos. Ela é essencialmente probabilística.
A pesquisa, mais do que neutra e fria observação, é,
principalmente, afetiva e confiante participação. O efeito que se espera de
um experimento físico não é o mesmo de um experimento com um ser
humano. As condições são fundamentalmente diferentes. Se um químico
emprega todas as condições para produzir uma determinada reação
química, o mesmo deve fazer um parapsicólogo para conseguir do agente
psi o fenômeno desejado. O cético, além de deliberadamente não atender
essas regras, espera absurdamente que o fenômeno paranormal ocorra à
revelia das mesmas. Ora, se ele empregar este mesmo método em
experimento químico, por certo jamais obterá o resultado desejado.
Se o clima físico favorece, dificulta ou mesmo impede a
manifestação de fenômenos das mais diversas naturezas, o clima
psicológico (e também físico) de uma experimentação parapsicológica
tem decisiva importância em seu êxito ou fracasso. A hostilidade, o
ceticismo, a ironia, a suspeição constituem elementos desfavoráveis à
manifestação psi. Enquanto a amistosidade, a confiança, a empatia, a
colaboração, a compreensão, a afetividade são elementos que favorecem
a ocorrência do fenômeno. Por isso costuma-se dizer que cada
pesquisador encontra sempre aquilo que procura, o que é, parcialmente,
verdadeiro.
Há casos em que o fenômeno psi se manifesta apesar da má
vontade do pesquisador (e a literatura paranormal apresenta vários
desses casos), o qual, assim mesmo, não se convence do sucedido e se
socorre das mais esdrúxulas explicações para negá-lo. Como também há
casos em que o fenômeno não acontece apesar da melhor boa vontade
do pesquisador. Ora, se o fenômeno psi pode se frustrar mesmo nas
condições favoráveis, por que, com mais razão, não deixaria de ocorrer
em condições adversas? É porque, em algumas situações, o agente psi
não se encontra em boas condições físicas e/ou psicológicas para
produzir o fenômeno esperado. É nessas ocasiões que ele pode ser
tentado à prática da fraude, podendo até cometê-la.
Favorecer o fenômeno não é favorecer a possibilidade da fraude.
Sabe-se que, em algumas experiências do passado, a atitude inquisitorial
do pesquisador ou inibiu o fenômeno ou provocou a fraude ou a sua
tentativa. Pressionado, psicologicamente, a produzir o fenômeno para
provar a sua paranormalidade, alguns agentes psi famosos foram
induzidos, consciente ou inconscientemente, a fraudar para o gáudio do
pesquisador hostil.
A experiência psi também tem as suas regras e até de maior
complexidade do que aquelas que presidem a uma reação química. Há
uma multiplicidade de fatores que influem na experiência e que variam de
um agente psi para outro. Apesar disso, no entanto, já observamos a
existência de regras genéricas que podem ser observadas e que facilitam
a manifestação do fenômeno. São as estas regras que os céticos não
querem se submeter.
Personalidade e psi
A Dra. Gertrude Schmeidler estabeleceu uma lúcida divisão entre
pessoas propensas ou refratárias à experiência psi, denominando as
primeiras de carneiros e as últimas de bodes. Na Índia, B. K. Kanthamani
e K. Ramakrishna Rao fizeram um estudo sobre esses tipos de pessoas e
chegaram ao seguinte resultado sobre as suas características
psicológicas. As pessoas propensas a obter resultados positivos em
experiências psi eram afetuosas, sociáveis, calmas, autoconfiantes,
persistentes, loquazes, joviais, vivazes, impulsivas, emocionais,
despreocupadas, realísticas, práticas, relaxadas e tranqüilas. As pessoas
propensas a obter resultados negativos eram tensas, excitáveis,
frustradas, questionadoras, impacientes, dependentes, sensíveis, tímidas,
sensíveis à ameaça, retraídas, submissas, desconfiadas, tendentes à
depressão.
Estes testes também deveriam ser aplicados aos pesquisadores,
afastando das experiência psi aqueles que demonstrassem pertencer à
categoria dos bodes, ou seja, propensos a influir no resultado negativo
dos experimentos. Cuidamos, assim, de determinar as características
psicológicas do agente psi e descuidamos das do pesquisador.
Podemos então teorizar que se colocássemos, num experimento,
um pesquisado bode com um pesquisador bode a possibilidade de
manifestação da psi seria praticamente nula, o que reforçaria a crença
dos dois parceiros de que a psi não existe.
Se, ao contrário, colocássemos, noutro experimento, um
pesquisado carneiro com um pesquisador carneiro a possibilidade de
ocorrer a manifestação psi seria muito alto, o que reforçaria a crença dos
dois parceiros na realidade da psi.
Finalmente, se reunirmos num experimento psi um pesquisador
bode com um pesquisado carneiro, a manifestação psi seria afetada pelo
desempenho do primeiro, podendo até abalar seriamente a crença do
último em sua aptidão parapsicológica.
Poderíamos ainda lembrar que uma experiência psi entre um
pesquisador carneiro e um pesquisado bode alcançaria o mesmo
resultado, pois a crença do pesquisador na realidade da psi de modo
algum influiria na crença do pesquisado de que a psi não existe.
O “efeito do experimentador”
O conhecido “efeito do experimentador” pode ter conseqüências
não apenas psicológicas, mas também parapsicológicas, nas pesquisas
com o agente psi.
As conseqüências psicológicas já são bem conhecidas. A atitude
de hostilidade, de ceticismo, o tratamento desdenhoso e antipático
podem causar inibição no agente psi, diminuindo a intensidade dos
fenômenos, ou, como acontece na maioria dos casos, impedindo a sua
manifestação. Além disso, o experimentador sedento de observar o
fenômeno, pode coagir psicologicamente o agente psi a produzi-lo ou
sentir-se na obrigação de provar que ele é capaz de fazê-lo sempre que
for solicitado.
Certa ocasião havíamos comentado:
Há parapsicólogos que lidam com o agente psi como se fosse um mero
objeto de pesquisa, um rato de laboratório, uma pessoa suspeita e,
quando muito, o tratam com artificial cortesia. Consciente ou
inconscientemente, tudo fazem para dificultar a produção do fenômeno e,
paradoxalmente, se sentem contrariados quando realizam este propósito.
Contrariamente, a atitude compreensiva, afetuosa e estimulante do
pesquisador po-de, muitas vezes, favorecer o fenômeno, porque cria uma
relação de confiança participativa entre o parapsicólogo e o agente psi.
Estas mesmas condições psicológicas, em algumas ocasiões,
geram, por sua vez, conseqüências parapsicológicas, porque a mente do
experimentador pode influir diretamente sobre o fenômeno, favorecendo
a sua manifestação ou aumentando a sua intensidade. O pesquisador que
acredita na realidade da psi pode, inconsciente e involuntariamente,
ajudar o agente psi, tornando-se, assim, o seu parceiro parapsicológico. É
impossível evitar o “efeito do experimentador” na experiência psi, e
metapsiquistas, como César Lombroso, já admitiam que o pensamento
dos assistentes exerce certa influência sobre a produção de fenômenos
paranormais.
Recentemente, Charles Honorton demonstrou que os efeitos
psicocinéticos produzidos nos geradores de números aleatórios eram
devidos mais a ele mesmo do que às pessoas por ele pesquisadas.
Observou que elas só produziam fenômenos quando ele se encontrava
presente, mas que o mesmo não acontecia na sua ausência, quando
então eram testadas por outro pesquisador. Helmudt Schmidt, o inventor
de um gerador aleatório de números, também observou que obtinha bons
resultados quando realizava experimentos com ele próprio.
A simulação na experiência psi
Em 1966, o psicólogo britânico Kenneth Batcheldor fundou, na
Inglaterra, um grupo que se propunha a investigar os efeitos "massivos"
de psicocinese. Para isso, os componentes do grupo se sentavam ao
redor de uma mesa de madeira, colocavam as mãos sobre ela, e se
comportavam como se estivessem em uma sessão espírita. Eles queriam
demonstrar que a mesa se moveria como conseqüência da influência da
mente sobre a matéria e não em razão da intervenção de espíritos. Afirma-
se que os resultados foram espantosos e, no decorrer dos anos, mesas
de vários tamanhos moveram-se e levitaram.
Eles observaram que, para induzir fenômenos de psi-kapa, era
necessária a observância de certas condições, como a forte crença na
possibilidade do sucesso da experiência, pois constataram que o
ceticismo inibia a manifestação paranormal. Assim, em algumas
ocasiões, o grupo começava a rir, a cantar e conversar animadamente,
para evitar pensamentos negativos.
Quando, a despeito de tudo isso, nada acontecia, Batcheldor
simulava propositadamente um fenômeno de psi-kapa. Este procedimento
psicológico de indução, que ele denominou de “indução de artefato”
produziu resultados positivos e foram obtidas algumas telecinesias
genuínas.
O grupo observou, ainda, que o desenvolvimento de uma mente
grupal resultava na obtenção dos melhores resultados com o mínimo de
esforço. No entanto, sempre que se introduzia alguma forma de controle
ou teste, o efeito diminuía ou até mesmo desaparecia.
Segundo Lyall Watson, Batcheldor e o seu grupo “foram capazes
de provocar a levitação de mesas pesadas, e até de um piano, sem tocá-
los sequer."
A simulação, como um sucedâneo da realidade, é, hoje, bastante
empregada em jogos de computadores para treinamento de pessoas. A
realidade virtual constitui uma forma de condicionar indivíduos para, um
dia, enfrentar, com eficiência, um fato real análogo. O como se pode
transforma-se numa atitude de extrema confiança para a realização
daquilo que se pretende alcançar.
Cremos não ser necessário "ajudar" o fenômeno, simulando-o sem
que ninguém o saiba. Tudo pode ser feito com o conhecimento dos
participantes da experiência. Neste caso, todos deverão simular
conscientemente o fenômeno desejado até que se crie a emoção e o
envolvimento necessários à sua realização.
Em 1972, vários membros da Toronto Society for Psychical
Research, no Canadá, liderado pelo físico George Owen e sua esposa Iris,
decidiu repetir a experiência de Batcheldor e, seguindo o seu modelo,
criou um fantasma, denominado "Philip", inventando para ele uma
história completa com detalhes pessoais, nomes de contemporâneos,
uma esposa e até uma amante. "Philip" teria vivido durante a época de
Oliver Cromwell, no solar Didington e, a fim de dar maior realismo à
história, Owen usou uma casa que ainda existe e mostrou fotografias dela
para estimular o grupo.
Convencionou-se também um código de comunicação, mediante o
qual "Philip" revelava sua presença dando uma batida para "sim" e duas
para "não". No curso das experiências, ele não só respondeu a perguntas
sobre sua vida fictícia, mas também corrigiu certas informações errôneas,
dadas pelo grupo, sobre um dos dignitários da corte daquela época.
Depois de um certo tempo, “Philip” começou a produzir autênticos
fenômenos de telecinesia.
De modo exatamente contrário dos grupos britânico e canadense
procedem os céticos, que por má fé, ignorância ou preconceito criam
situações que inviabilizam a manifestação dos fenômenos
parapsicológicos, mediante desafios, oferta de prêmios, suspeições e
todos os tipos de coação psicológica que desestabilizam o agente psi.
O treinamento psi
Já havíamos comentado:
Para se pesquisar a paranormalidade de alguém, é preciso
descobrir as condições que favorecem a sua manifestação e todo
trabalho de pesquisa consistirá em proporcionar ao agente psi um
treinamento adequado para ele se familiarizar com as características de
sua aptidão e criar condicionamentos que facilitem o seu exercício. É
preciso ajudá-lo a administrar a sua paranormalidade e não criar
empecilhos que o dificultem exercitar o seu talento. É como se alguém
quisesse treinar um atleta inventando dificuldades para o seu
condicionamento corporal. Tal procedimento seria uma arrematada tolice
e é isto justamente o que fazem estes parapsicólogos pesquisadores que
mais parecem leigos tal o desconhecimento que demonstram dos fatores
psicológicos que influem na pesquisa.
É preciso, portanto, mudar esse estado de coisas e dar um
enfoque diferente na investigação parapsicológica. Propomos, assim, a
criação de uma nova abordagem da fenomenologia psi centrada no
agente psi e no experimentador como parceiros psi. Essa nova estratégia
experimental proclama a necessidade de prepará-los para o
enfrentamento do fenômeno parapsicológico, estabelecendo que o êxito
na sua investigação decorre da parceria entre ambos.
No passado, como já vimos, o pesquisador criava todas as
condições psicológicas contrárias à manifestação do fenômeno e este,
em alguns casos acontecia, apesar de todas as dificuldades. Agora, ele
deve colaborar na manifestação do fenômeno, ajudando
psicologicamente o agente psi a produzi-lo. É preciso que o
parapsicólogo se conscientize de que a motivação do agente psi é um
dos fatores mais importantes - talvez o mais importante - para o êxito do
experimento.
Com essa estratégia, podemos reverter esse quadro,
principalmente com fundamento no chamado "efeito do experimentador".
O parapsicólogo se reconhece como participante e não mero observador
do fenômeno psi, consciente de que o seu comportamento poderá influir
no êxito ou no fracasso da experiência.
É de fundamental importância que o parapsicólogo aceite o
fenômeno psi e nele invista todo o seu entusiasmo, motivando
sinceramente o agente psi a produzi-lo. É importante que o parapsicólogo
confie no agente psi e que este confie naquele e que ambos acreditem
que o fenômeno possa ser produzido em razão de sua parceria. O agente
psi confiando na competência do parapsicólogo e o parapsicólogo, na
aptidão psi do agente psi. Melhor, ainda, será se o parapsicólogo já tiver
passado por alguma experiência psi, pois estará convicto da realidade e
do significado do fenômeno psi.
Tem razão Naum Kreiman, quando enfatiza a necessidade do
treinamento do parapsicólogo pesquisador, tal como acontece com o
médico e com o psicanalista que, durante anos de aprendizado, se
preparam para lidar com os seus pacientes. Com base nessa observação,
podemos concluir que como o médico e o psicanalista são treinados para
ajudar os seus pacientes a resolver seus problemas orgânicos e
psicológicos, o parapsicólogo também deve ser treinado para ajudar o
agente psi a lidar com os seus fenômenos psi.
A metodologia parapsicológica deve residir na observação
controlada do fenômeno psi e no registro de como cada agente psi se
comporta na produção do mesmo. Por isso, é mister que se faça com ele
uma entrevista prévia, que repetirá a cada sessão experimental. Isso fará
com que ele se torne cada vez mais consciente de sua aptidão e das
condições em que o fenômeno se produz. E o pesquisador, por sua vez,
se enriquecerá com uma compreensão cada vez maior do fenômeno, a
qual se ampliará se ele tiver a felicidade de realizar parcerias com outros
agentes psi.
Seja nos experimentos de escolhas livres, seja nos experimentos
de escolhas forçadas, o parapsicólogo deve sempre manter o agente psi
no mais alto grau possível de motivação. Mesmo que alguns resultados
não sejam satisfatórios, o parapsicólogo deve incentivá-lo a confiar no
seu talento psi, fazendo-o conscientizar-se de que o fenômeno é
caprichoso, instável e independente da volição consciente. E mais ainda:
que a observância das condições favoráveis à gênese do fenômeno
aumenta as chances de sua manifestação, mas não a determinam.
Conhecendo o estilo fenomenológico do agente psi, o pesquisador não
vai direcionar a pesquisa para fenômenos que ele não está habituado a
produzir.
A relação entre parapsicólogo e agente psi deve ser fundamentada
na confiança recíproca. A confiança do parapsicólogo na sinceridade do
agente psi e a confiança deste na competência do parapsicólogo. Não
mais a velha atitude de desconfiança do parapsicólogo em relação ao
agente psi, na expectativa - às vezes paranóica - de que ele estaria
fraudando ou poderá fraudar. Nem a compulsão do agente psi de
demonstrar, em qualquer circunstância, a sua aptidão psi, o que, em
alguns casos, levou alguns deles à prática consciente ou inconsciente da
fraude.
É claro que a confiança recíproca não exclui as necessárias
medidas de segurança na experimentação em laboratório. Porém, fica
evidentemente claro para o agente psi que não se trata de suspeição à
sua pessoa, mas de garantia de credibilidade da experiência.
Já havíamos advertido que nem todos os agentes psi famosos
fraudaram e o que fraudaram nem sempre o fizeram todas as vezes, pois
se fraudassem sempre não seria agente psi.
De agora em diante, o agente psi não se submeterá a reptos e nem
se deixará pesquisar por leigos ou pessoas céticas, preconceituosas,
pois são incompetentes para lidar com o fenômeno, ainda que sejam
cientistas, mas não parapsicólogos. Seria o mesmo que se admitir que
alguém, com problemas orgânicos, fosse orientado por um físico ou,
apresentando distúrbios psicológicos se dirigisse a um botânico. Só um
parapsicólogo de formação tem competência para investigar fenômenos
paranormais e prestar a assistência necessária ao agente psi.
Se o parapsicólogo deve ser treinado para lidar com questões
parapsicológicas, o agente psi deve ser conscientizado de que,
enganando o parapsicólogo, ele estará, na realidade, enganando a si
mesmo. É como se um paciente procurasse enganar ao seu médico,
alegando doenças imaginárias ou camuflando sintomas, o que resultaria
em prejuízo financeiro e/ou orgânico para ele próprio.
Retorno do método qualitativo
Atualmente, a investigação parapsicológica tem dado uma ênfase
exagerada ao método quantitativo-estatístico-matemático, trabalhando
com pessoas que não apresentam ma-nifestamente fenômenos psi. Ou
seja: trabalha-se com números, esquecendo-se das pessoas. Assim, da
atitude de hostilidade contra o agente psi se passou a tratá-lo como
número, visando simplesmente um resultado estatístico.
A utilização do baralho Zener já teve a sua época de ouro e seu
inquestionável papel e valor para dar à Parapsicologia o seu status de
ciência. É a hora de se retornar ao método qualitativo, à pesquisa com as
pessoas verdadeiramente dotadas de aptidão paranormal e promover um
melhor e mais profundo relacionamento entre os parapsicólogos e os
agentes psi.
O baralho Zener pode pobremente constatar que uma pessoa é
dotada de um talento paranormal, mas em nada pode ajudá-la a se
familiarizar com esta sua aptidão, conhecer as peculiaridades e as
condições que favorecem ou dificultam a sua manifestação e,
principalmente, o que fazer com a sua paranormalidade.
O parapsicólogo Willem Tenhaeff e Gerard Croiset, um dos mais
testados agentes psi de todos os tempos, constituem um dos raros e bem
sucedidos casos de parceria na investigação qualitativa dos fenômenos
paranormais.
Desde 1946, Croiset submeteu-se a numerosos testes com
Tenhaeff e outros parapsicólogos de diversos países. Também ajudou a
polícia, não só da Holanda, mas de outros países da Europa, assim como
dos Estados Unidos, na solução de crimes misteriosos, empregando a
sua aptidão psi.
Croiset preferia ser consultado por telefone, porque, segundo ele,
este procedimento eliminava influências estranhas e reduzia a confusão
ou sobreposição de impressões. E não aceitava pagamento pelos seus
serviços, ainda mesmo quando consultado pela Polícia, alegando que
utilizava seus poderes em benefício da humanidade. Por isso, disse uma
vez:
“Eu tenho um dom de Deus que não compreendo. Eu não posso
usá-lo para fazer dinheiro em meu benefício. Se eu o fizer, eu posso
perdê-lo.”
Croiset visualizava imagens, colhidas da memória das pessoas
que o consultavam. Algumas vezes essas imagens surgiam ante a sua
visão em grande velocidade. Por isso, ele não pensava com palavras,
mas com imagens. Como já observara H. H. Price, os métodos
educacionais modernos desencorajaram o pensamento por imagens,
substituindo-o pelo pensamento por palavras.
Croiset descrevia, com assombrosa precisão, os locais onde as
pessoas desaparecidas tinham passado e onde naquele momento se
encontravam, as roupas que trajavam, onde, em caso de morte, os seus
corpos se achavam ou seriam achados. Também com idêntica precisão,
localizava animais e objetos perdidos. Em algumas ocasiões, Croiset se
equivocava, mas quase sempre isso ocorria nos pequenos detalhes.
Em maio de 1951, J. B. Rhine visitou a Holanda e Tenhaeff o
apresentou a Croiset. Rhine, então, o convidou para testá-lo, utilizando o
baralho Zener, mas Croiset recusou o convite, alegando:
“Eu respeito muito o seu trabalho, Dr. Rhine. Mas eu não gosto
mesmo de adivinhar cartas. Eu tenho de estar emocionalmente envolvido
num caso de criança desaparecida ou de alguém em dificuldade.”
Trata-se de uma demonstração inequívoca de quem conhece o seu
estilo psi e não se permite contrariá-lo para atender aos caprichos
metodológicos de outro pesquisador, por mais qualificado que ele seja.
Em virtude disto, seu biógrafo Jack Harrison Pollack lhe perguntou,
por que ele não se submeteu a testes com J. B. Rhine. E Croiset
esclareceu:
“Os testes estatísticos de Dr. Rhine poderiam somente provar que
eu tenho uma habilidade paragnóstica. Eu sei disso! Eu estou muito
ocupado para fazer jogos como cartas de adivinhação como uma criança!
Os testes qualitativos do Dr. Tenhaeff são muito mais profundos do que
os quantitativos do Dr. Rhine. Eles mostram o valor daquilo que estou
tentando fazer - como eu posso ajudar pessoas. Isto é mais importante
para mim do que descobrir quantas cartas eu posso adivinhar.”
Pollack apresentou, no seu livro, quase uma centena de casos que
demonstram convincentemente a extraordinária paranormalidade de
Gerard Croiset. O índice de acertos é tão impressionante que os seus
pequenos equívocos contribuem para ressaltar a natureza extremamente
complexa de sua aptidão paranormal.
Observou Pollack que, como quase todo grande agente psi,
Croiset era também narcisista e tinha seus momentos de megalomania.
Disse ainda que o Prof. Tenhaeff também achava que Croiset tinha uma
grande vaidade, agressividade, uma sede forte pelo poder e falta de trato
social, o que lhe causou ocasionalmente alguns conflitos. Aliás, Tenhaeff
já havia observado que uma pessoa dotada de aptidão paranormal não
tem uma personalidade harmoniosa.
Apesar disso, conta Pollack que Croiset uma vez admitiu que
“mesmo um bom paragnóstico seria de pouca utilidade para a polícia sem
a ajuda de um parapsicólogo experiente como o Professor Tenhaeff”.
Tenhaeff observou que Croiset tinha um bloqueio mental quando
usava sua habilidade psi para descobrir ladrões. Por sua vez, Pollack
acha que essa inibição, em parte, decorreu do fato de que um seu amigo
íntimo foi injustamente acusado de furto e preso, conforme confessou o
próprio Croiset:
“Imagine se eu acusasse a pessoa errada e ajudasse a por um
inocente na cadeia como aconteceu com o meu amigo”.
Croiset via facilmente o passado das pessoas, quando ele tinha
semelhança com a sua própria experiência de vida. É uma espécie de
empatia temática e, por isto, de forte conteúdo emocional, o que constitui
um poderoso fator facilitador da experiência psigâmica. É uma empatia
situacional e não pessoal, visto que, em muitos casos, Croiset não
conhecia a pessoa com a qual entrava em relacionamento psi. É possível,
assim, que uma empatia temática associada a uma empatia pessoal
produza um resultado psigâmico altamente satisfatório.
Os maiores êxitos obtidos por Croiset se referiam à localização de
pessoas desaparecidas, notadamente de crianças. Por isso, muitos pais
dessas crianças preferiam telefonar para Croiset antes de procurar a
Polícia.
Informa Pollack que os pais, como sinal de agradecimento,
ofereciam dinheiro a Croiset pelos seus serviços. Mas ele sempre lhes
respondia:
“A única recompensa que eu quero é que, por obséquio, enviem
um relato completo para o Professor Tenhaeff”.
Infelizmente, comenta Pollack, poucos foram os que atenderam a
este pedido.
Quando criança, Croiset quase se afogou. Por isso, tinha uma
estranha associação com água e afogamento conforme confessou:
“Quando eu tenho de encontrar com os pais de crianças afogadas,
eu algumas vezes me sinto tão mal que não posso dizer-lhes o que
aconteceu.”
Em relação à localização de objetos perdidos, Croiset tinha uma
posição definida. Ele só se interessava em localizá-los, quando sentia que
se tratava de um serviço realmente útil.
Um dos casos mais interessantes no campo da diagnose por
clarividência apresenta-dos por Croiset ocorreu quando ele foi procurado,
em novembro de 1953, pelo senhor F. Wolle, de Colônia, Alemanha, o qual
não tinha tido sucesso no tratamento médico de suas dores abdominais.
Em desespero, foi a Holanda consultar-se com Croiset que, logo ao
examiná-lo, exclamou:
“Que estranho! Eu vejo uma linha ao redor de sua bexiga. Eu
nunca vi alguma coisa igual antes em minha vida. É como se existissem
duas bexigas! Como isto é possível? Tudo o que sei é que elas estão
cheias e pressionando juntas, e eu vejo a uma grande linha entre elas. Vá
e diga ao seu médico o que eu acabei de declarar”.
Relutantemente, o senhor Wolle concordou em fazer um raio X e o
resultado demonstrou a existência de duas bexigas, resultantes de um
defeito congênito.
Essa clarividência diagnóstica, porém, afetava emocionalmente
Croiset, porque, conforme afirmou certa ocasião, isso lhe fazia mal,
embrulhando o seu estômago.
Croiset também descobria, por clarividência, defeitos em
máquinas, como aconteceu no dia 30 de junho de 1958, ao receber um
telefonema do Capitão Willem Jansen, pedindo, desesperado, a sua ajuda
e contando-lhe o problema.
“Nosso navio está preso no porto e nós não podemos movê-lo.
Alguma coisa está errada com a máquina embora ela seja nova em folha.
Estamos ancorados aqui a três semanas e temos experimentado tudo. Os
engenheiros não encontraram o defeito. Nossa carga está se estragando.
Se não partirmos logo, perderemos a maior parte do nosso lucro. Por
favor, pode ajudar-nos, sr. Croiset?”
Croiset, de imediato, respondeu:
“Eu vejo duas máquinas. Elas estão colocadas com as pontas em
direção ao navio, com suas cabeças face a face a frente da embarcação.
Está correto?”
Ante a afirmativa, continuou:
“Desça para a casa de máquinas onde as duas máquinas estão.
Olhe para a máquina da direita ao fundo. Você encontrará um tubo que
me faz lembrar o sifão da bacia sanitária. Naquele pequeno tubo está uma
pequena fenda. Você pode encontrá-la só pela partida do motor. Então ela
escoa ali. Experimente isto e me telefone de volta.”
Dois dias depois, Jansen telefonou para Croiset, agradecendo-lhe
a ajuda e dizendo que o motor estava funcionando perfeitamente. A fenda
que ele tinha visto fora encontrada exatamente no lugar que designara.
Com a espessura de um fio de cabelo, ela era imperceptível, a menos que
o óleo fosse forçado a sair mediante uma grande pressão. Ela havia sido
encontrada no buraco da lingüeta pelo tubo que Croiset tinha descrito.
Em testes de psicometria, o êxito de Croiset foi extraordinário. Em
um dos testes relatados por Pollack, ele não só descreveu o conteúdo de
uma carta fechada, mas também a personalidade de quem a escrevera, o
seu estado de saúde e uma cirurgia a que se submeteu para a extração da
vesícula biliar. Este experimento aconteceu em 20 de junho de 1950.
Croiset também obteve êxito na investigação paranormal de
fósseis e manuscritos.
Em 1947, o prof. Tenhaeff começou a fazer com Croiset testes de
precognição, utilizando a idéia do Dr. Eugene Osty, que, em 1926, no
Instituto Metapsíquico Internacional, em Paris, solicitava ao agente psi
Pascal Forthuny que descrevesse a pessoa que se sentaria em
determinada cadeira. Tenhaeff transformou essas tentativas esporádicas
de Osty em um experimento sistematizado e realizou, com Croiset, cerca
de 400 experiências, sob rígido controle de cientistas na Holanda, Itália,
Áustria, Alemanha e Suiça. O número de uma cadeira num evento público
futuro era escolhido ao acaso e Croiset convidado a descrever, com
detalhes, a pessoa que nela se sentaria em um prazo de uma hora a vinte
seis dias. Os resultados foram impressionantes e Pollack descreve
algumas dessas experiências. Ele relata, ainda, outros testes de cadeira
vazia realizados na Holanda, Alemanha e Itália, cuja precisão dos
resultados surpreendeu a outros pesquisadores presentes.
Durante cerca de duas décadas estes experimentos de precognição
em laboratório validaram a imensa coletânea de casos espontâneos do
gênero, numa demonstração científica solidamente fundamentada de que
a mente humana possui uma capacidade cognitiva de se relacionar com
padrões de virtualidades no seu processo de conversão em
acontecimentos da realidade física.
Está na hora, portanto, de voltarmos a utilizar a método
qualitativo e trabalhar com agentes psi por mais raros que eles sejam.
Poucos parapsicólogos terão essa sorte. Mas, paciência! Estamos
lidando com um talento especial e que pouquíssimas pessoas o
possuem em grau significativo. William James encontrou o seu "cisne
branco" na pessoa de Eleonore Piper. E Richard Hodgson, então
cético, confirmou essa descoberta. Franek Kluski deslumbrou o
experiente pesquisador Gustave Geley. William Crookes se convenceu
da aptidão psi de Daniel Dunglas Home. E Rudy Schneider,
severamente investigado por Harry Price, comprovou a autenticidade
dos fenômenos que produzia.
Teste da cadeira ocupada -TCO
Com o propósito de enfatizar a relação pessoa-pessoa na
experiência parapsicológica, concebemos o teste da cadeira ocupada –
TCO -, inspirado no experimento da cadeira vazia, que foi inventado por
Willem Tenhaeff e realizado com êxito por Gerard Croiset. Tratava-se de
uma experiência de precognição, utilizando-se o método qualitativo.
Diferentemente do teste da cadeira vazia, o TCO é uma experiência
de telepatia e clarividência e que utiliza o método quantitativo-estatístico-
matemático.
O experimento substitui as cinco cartas do baralho Zener por
cinco pessoas e consiste na tentativa do percipiente de identificar a
pessoa que se encontra sentada em determinada cadeira.
Cada pessoa, designada de pessoa-alvo, corresponde a uma carta
do baralho Zener, e se senta na cadeira à medida que sua carta é retirada
do maço após o embaralhamento. Cada experiência consta de 25
tentativas e as cartas do baralho Zener são utilizadas apenas com a
finalidade de tornar aleatória a escolha das pessoas. Em lugar desses
símbolos podem também ser usados números - 1, 2, 3, 4 e 5 – onde cada
pessoa corresponda a um deles.
As pessoas-alvo são, geralmente, conhecidas do percipiente o
qual, se quiser, poderá, previamente, indicar com qual delas parece
afinar-se melhor.
O percipiente fica confinado em outro aposento, à porta fechada, e
é informado por um sinal luminoso, que o experimento começou e que a
cadeira já se encontra ocupada por uma das cinco pessoas. Em seguida,
aciona o sinal luminoso, comunicando ao experimentador que já
escreveu, no papel do teste, o nome da pessoa que imagina estar sentada
na cadeira. Este procedimento se repete até perfazer o total de vinte e
cinco tentativas.
Nesse teste, não há preocupação de se estabelecer distinção entre
telepatia e clarividência, admitindo-se a possibilidade de convergência
dos dois fenômenos.
A sua grande vantagem consiste na substituição de símbolos,
emocionalmente inertes, por pessoas, o que, possivelmente, influirá na
motivação do experimento e nos seus resultados.
Duas abordagens estatísticas distintas resultarão do experimento:
a) a) índice de acerto do total das vinte e cinco tentativas;
b) b) índice de acerto em relação a cada pessoa-alvo.
Nesse experimento, o efeito de declínio é minimizado, embora
devamos observar o efeito de deslocamento, principalmente em relação à
pessoa preferida pelo percipiente.
Por outro lado, não há o inconveniente da semelhança topológica,
observada por Ronaldo Dantas, na sua crítica bem fundamentada ao
baralho Zener.
O alvo humano não tem a frieza e a artificialidade dos símbolos das
cartas Zener. Pelo contrário, é um alvo que interage com o percipiente e
colabora com o seu esforço de adivinhação, principalmente se agente e
percipiente estiverem ligados por fortes laços afetivos. O ponto forte do
experimento é o seu envolvimento emocional e ausência de neutralidade.
É a criação de uma situação humana real em laboratório e não um seu
sucedâneo artificial nem sempre bem sucedido.
O experimento é feito com cinco pessoas conhecidas do
percipiente, com cinco pessoas desconhecidas, porém apresentadas a
ele antes do experimento e ainda com a mistura de pessoas conhecidas e
desconhecidas. Assim, é possível avaliar se o percipiente obtém ou não
melhor resultado com pessoas conhecidas do que com pessoas que
apenas conheceram momentos antes da experiência.
Poder-se-ia argüir que os participantes pudessem influenciar o
percipiente além daquele que se encontra sentado na cadeira. A hipótese
é viável, mas só os resultados da pesquisa poderão constatar essa
influência. Por exemplo: por que o percipiente, numa série de
experimentos com determinado grupo de pessoas, anota, com mais
freqüência, o nome de uma delas? Será que essa circunstância indica que
a pessoa referida, independente de estar sentada na cadeira, continua
influenciando o perceptor?
Por outro lado, seria interessante observar o contrário: por que
determinada pessoa é, numa série de experimentos, a menos anotada
pelo percipiente? É por que a sua influência sobre o percipiente é irrisória
ou por que existe um bloqueio psicológico entre eles, impedindo o
intercâmbio telepático.
A explicação para os dois tipos de influência pode ser de natureza
psicológica, mas também parapsicológica.
O TCO pode ser também de natureza qualitativa, quando dele
participam pessoas desconhecidas do percipiente.
Depois que o percipiente se recolhe à cabina, o pesquisador
convida os participantes a se sentarem, sucessivamente, na cadeira, a fim
de que possam ser analisados psiquicamente pelo percipiente. Assim que
cada pessoa se senta na cadeira, o percipiente recebe um sinal luminoso
e procura descrevê-la física e psicologicamente, anotando as suas
impressões nas folhas do teste.
Terminada a experiência, o pesquisador convida o percipiente para
sair da cabina e, em seguida, o apresenta às pessoas que participaram do
experimento. Elas receberão as descrições do percipiente e se
pronunciarão, por escrito, sobre elas.
Os experimentos com o TCO já foram iniciados no Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas e seus resultados serão
publicados na próxima edição do Anuário Brasileiro de Parapsicologia.
(*) Publicado no ANUÁRIO BRASILEIRO DE PARAPSICOLOGIA - 2002
BIBLIOGRAFIA
BORGES, Valter da Rosa – Introdução ao Paranormal. Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. Recife, 1976.
BORGES, Valter da Rosa – A Parapsicologia e seus Opositores. Anuário
Brasileiro de Parapsicologia-1999.
GELEY, Gustavo – Del Inconsciente al Consciente. Constancia. Buenos
Aires, 1947.
GELEY, Gustavo – La Ectoplasmia y la Clarividencia. Aguilar. Madri.
POLLACK, Jack Harrison – Croiset the Clairvoyant. Doubleday &
Company Inc, Garden City, New York. 1964.
RICHET, Charles – Tratado de Metapsíquica. Lake. São Paulo. S/d.
EQM – UMA QUESTÃO POLÊMICA
Valter da Rosa Borges
Podemos denominar de consciência extracorpórea a percepção que uma
pessoa tem do que ocorre no mundo exterior a partir de um referencial que não é o
seu corpo. Ou seja: ele se percebe como se estivesse “fora” do corpo e a sua
percepção é verídica.
Essa “experiência fora-do-corpo” ou EFC, ocorre, na quase totalidade dos
casos, de maneira espontânea e pelas mais diversas causas, embora haja pessoas
que afirmam obtê-la voluntariamente, mediante a utilização de certas técnicas.
Quando a EFC ocorre em situações nas quais uma pessoa é considerada
clinicamente morta, ela passa a se denominar de “experiência de quase morte” ou
EQM. Em conseqüência, a EQM não é indício de sobrevivência post-mortem,
porque se houvesse realmente morte estaríamos perante um caso de ressurreição.
No entanto, todos os que passaram por essa experiência têm a certeza absoluta de
que estiveram no mundo espiritual e que a morte não existe.
A EQM só é uma experiência psi na sua fase inicial, enquanto a pessoa se vê
fora do corpo e percebe o que ocorre ao seu redor. A partir da sua entrada no
“túnel”, ela passa a ser uma experiência que pode ser psicológica ou
transcendental.
Embora Raymond Jr. tenha elaborado um padrão geral para as EQMs
nenhuma delas é igual.
Diferentemente das EFCs, que podem ser voluntárias, as EQMs sempre são
involuntárias.
A EQM é uma experiência única. No entanto, há exceções: Helen Wambach
“morreu” duas vezes e, na terceira, não voltou. P.M.H. Atwater já "morreu" três
vezes e continua viva.
Segundo uma pesquisa feita, nos Estados Unidos, pela Gallup, de 1980 a
1981, vinte e dois milhões de norte-americanos passaram por uma EQM,
significando que uma pessoa em cada onze relataram essa experiência.
Atwater informa que 1/3 dos adultos que “morrem” passam por uma EQM.
E que em crianças esse número é mais de 75%, conforme as pesquisas de Melvin
Morse e Kimberly Clark Sharp, em Seattle, Washington. Por que essa experiência
ocorre mais com crianças?
Melvin Morse constatou que mais de 25% de adultos que, quando crianças,
sobreviveram a uma EQM, afirmam não poder usar relógios, porque eles não
funcionam. Ele está convencido que a EQM “modifica as forças eletromagnéticas
que cercam os nossos corpos e cada uma de suas células” e que este campo
eletromagnético sutil e poderoso fica permanentemente alterado pela experiência
de quase-morte”.
É importante ressaltar a coincidência entre os relatos de adultos e crianças.
Hipóteses
Há varias hipóteses para a EQM, todas elas, no entanto, insatisfatórias,
porque incompletas. As principais são: a) efeitos de drogas; b) falta de oxigênio no
cérebro; c) sonho; d) alucinação; e) memória do nascimento; f) fatores culturais e
religiosos; g) mecanismo psicológico de defesa contra o medo de morrer; h)
excitação do lobo temporal.
Em estudo publicado em novembro de 1986 no American Journal of
Diseases of Children, o jornal pediátrico da Associação Médica Americana, Melvin
Morse observou que uma pessoa precisa estar na iminência da morte para ter os
sintomas de uma EQM. Segundo ele, essas descobertas eliminaram a teoria que as
EQMs são o resultado das drogas ou da privação do sono ou que são meramente
sonhos maus ou a conscientização subconsciente da cirurgia.
Diz ele:
“Dos 121 pacientes entrevistados que tinham sobrevivido a uma doença grave,
mas que não se aproximaram da morte, 118 não tiveram nenhuma experiência. Os
três remanescentes tiveram sonhos de monstros cobertos com uma roupa branca e
coisas semelhantes.
Enquanto isto, oito dos doze sobreviventes de ataques de coração tiveram
visões onde deixavam o corpo e viajavam para outros reinos. Isto significa quase
setenta por cento, percentagem tão alta que elimina o elemento da casualidade ou do
erro estatístico. Além disso, não permiti voluntários na pesquisa. Pelo contrário, eu
entrevistei por um período de mais de dez anos os sobreviventes de parada cardíaca.
Ao agir assim, evitei que crianças que pudessem ter montado uma história somente
para serem incluídas na pesquisa.
Também revi por completo os registros médicos de todos os pacientes
estudados, documentei cuidadosamente drogas usadas, a anestesia, a quantidade de
oxigênio no sangue e os resultados de vários testes de laboratório. Misturei com
cuidado os meus pacientes de controle com os do grupo de estudo para assegurar que
tinham a mesma idade. Cuidei também para que em ambos os grupos tivesse havido
intubação, ou ligação com um pulmão artificial.
A razão para esta mistura foi verificar se as experiências de quase-morte são
alucinações provocadas por drogas ou falta de oxigênio no sangue, como muitos
médicos acreditam. A resposta é não. Muitos pacientes que tiveram uma experiência
de quase-morte completa não tinham sido tratados com nenhuma medicação
alucinógena. O grupo de controle não teve nenhuma experiência que lembrasse a
quase-morte, a despeito de ter sido tratado com drogas como morfina, Valium e
Torazina, e agentes anestésicos como o Dilantin, fenobarbitol, manitol e codeína. Os
pacientes também ficavam hipóxicos, apresentavam desequilíbrio ácido-base e altos
níveis de CO
2
, e com todas as combinações que podemos imaginar, embora nada que
pudéssemos chamar de uma EQM.”
Kenneth Ring teceu considerações sobre a influência das crenças religiosas
e do conhecimento prévio das pessoas sobre EQM na manifestação desse
fenômeno:
“Quando chegamos à área de crenças pessoais, no entanto, poderíamos
esperar encontrar algumas correlações definidas com EQMs. Pessoas com forte
orientação religiosa (o que é bem diferente de freqüência à igreja) ou profunda
convicção em uma vida após a morte poderiam aparentemente ter mais
probabilidades do que, digamos, agnósticos ou ateus, de passar por EQMs.
Apesar da sensatez dessa suposição, as descobertas de vários estudos
diferentes demonstram que isso não acontece. Na verdade, não existe diferença nem
no tipo nem na incidência de EQMs devido à orientação religiosa da pessoa — ou
falta de orientação. Certamente, um agnóstico ou um ateu pode — e realmente parece
— ter mais dificuldade de aceitar a experiência e pode ser menos inclinado a
interpretá-la em termos convencionais do que um crente, mas a forma e o conteúdo
da EQM não mudam. Uma EQM é uma EQM para qualquer pessoa que passe por
ela.
Finalmente, podemos nos perguntar se ler ou ouvir falar de EQMs antes do
próprio incidente de quase morte pode tomar a pessoa mais inclinada a ter uma
EQM. Embora essa hipótese também pareça razoável, mais uma vez os dados
mostram que ela está errada.
Tanto Sabom quanto eu, em nossos estudos; examinamos especificamente
nossos dados para esse tipo de relação e descobrimos que, ao contrário do que
temíamos, pessoas que possuíam um conhecimento anterior de EQMs apresentavam,
na verdade, menos probabilidades de passar por uma. Num grande estudo
metodologicamente sofisticado sobre EQMs, conduzido por Audette e Gulley,
simplesmente não existe relação entre essas duas variáveis. Assim, o conhecimento
anterior de EQMs definitivamente não parece induzi-las ou torná-las mais freqüentes
para os pesquisadores.
Em resumo, não existe nenhuma prova convincente até agora de que fatores sociais
ou pessoais possam ter algum efeito decisivo sobre EQMs.”
Diz Raymond Mood Jr. que muitos neurologistas lhe disseram que as
EQMs “apresentam uma certa semelhança com insultos apopléticos,
particularmente no lobo temporal”.
E afirma ainda que “poder-se-ia postular que a impressão de luz intensa
relatada por essas pessoas é simplesmente o resultado de eventos causados por
uma interferência no suprimento de oxigênio aos lobos frontais”.
Wilder Penfield descobriu que, estimulando o lobo temporal de alguns
pacientes, durante uma cirurgia cerebral, eles tiveram a sensação de estarem
deixando seus corpos. Se apenas alguns dos pacientes tiveram essa sensação, a
estimulação do lobo temporal não é a causa orgânica inconteste da EFC.
Melvin Morse observou que a estimulação elétrica do lado direito do lobo
temporal do cérebro, especificamente no sulco de Silvius, pode produzir visões
místicas, audição de música sublime, imagens de anjos e de parentes falecidos e a
retrospectiva panorâmica da vida. Porém não explicitou se isso aconteceu em todos
os casos por ele observados.
Segundo Melvin Morse, o Dr. Joseph Atkinson, gastroenterologista, em
Illinois, com a ajuda de um professor de farmacologia, criou uma mistura de gases
composta de dióxido de carbono e oxigênio, denominando-a de Meduna, como
homenagem a L. J. Meduna, médico húngaro que foi o primeiro a desenvolvê-la
para tratamento de problemas como a gagueira. O tratamento consistia em várias
sessões, nas quais os pacientes inalavam o gás durante alguns segundos de cada
vez. Eles relatavam, freqüentemente, que tinham a impressão de estarem
morrendo, atravessando um túnel e avistando uma luz intensa, tal como ocorre
numa EQM.
Informa Raymond Moody Jr. que as sensações de ser levado através de um
túnel escuro são reveladas com freqüência por pacientes submetidos à anestesia -
em especial com éter.
Segundo alguns pesquisadores, a experiência do túnel é provocada por uma
reação do cérebro à presença de níveis cada vez mais elevados de dióxido de
carbono (CO2) na corrente sangüínea.
Michael Sabom demonstrou a falsidade dessa afirmativa, quando mediu os
níveis de oxigênio no sangue de um paciente, no exato momento em que ele
experimentava uma poderosa EQM, e verificou que estavam acima do normal.
Para Raymond Moody Jr., impressão de luz intensa relatada por essas
pessoas pode ser o resultado de eventos causados por uma interferência no
suprimento de oxigênio aos lobos temporais.
Segundo Melvin Morse, os organismos agonizantes emitem uma intensa
quantidade de energia eletromagnética, ou luz. Diz ele:
“Quando as células morrem e o material genético começa a se expandir como
o faz no momento da morte uma poderosa carga de energia eletromagnética é
liberada. Esta luz é algo que as pessoas que tiveram EQM realmente vêem, não é
uma alucinação. Em raras ocasiões, outras pessoas relataram ver esta luz irradiando
das pessoas agonizantes.
Tal carga teria um grande efeito sobre todo o corpo, incluindo o lobo temporal
direito do cérebro, a área exatamente acima do ouvido direito, à qual chama de "a
sede da alma". Em pesquisa anterior, descobrimos que esta parte do cérebro é
geneticamente codificada pela experiência de quase-morte. Outros pesquisadores
descobriram que esta é a área onde ocorrem as experiências místicas. Isto pode
explicar por que, quando o resto do cérebro está morrendo, esta área tem energia
para funcionar a um nível mais elevado do que em qualquer outra época.”
Os neurocientistas documentaram a existência dos circuitos do misticismo
dentro do lobo temporal. É através deste mecanismo neurológico que possuímos a
capacidade de ter experiências fora do corpo; vermos pessoas de branco, algumas
das quais parecidas com parentes falecidos; ouvirmos música celestial; passarmos
por uma recapitulação tridimensional da vida - todos os elementos de uma
experiência de quase-morte, exceto a experiência transformadora de luz. A
experiência de luz não pode ser ativada artificialmente, mas somente no momento
da morte ou durante algumas visões espirituais muito especiais.
Morse assinala que a experiência da luz não tem origem conhecida no
cérebro. Numerosos pesquisadores científicos têm documentado que cada elemento
da EQM - a experiência fora do corpo, a viagem pelo túnel, a visão de parentes
mortos, a recapitulação da vida, visões do céu - pode ser localizado no lobo
temporal direito.
Carl Sagan, entre outros, questiona a possibilidade da criança guardar
recordação do momento do parto, o que explicaria a causa da EQM. Tal hipótese,
porém, é inverificável.
Carl Becker, professor de filosofia de uma universidade em Illinois
argumenta que as crianças não se lembram de terem nascido e não dispõem de
recursos para reter a experiência no cérebro porque:
a) percepção da criança é pobre demais para ver o que acontece durante o
nascimento;
b) os recém-nascidos não podem distinguir figuras;
c) os recém-nascidos não reagem diante da luz, a menos que haja, no mínimo, 70% de
contraste entre a luz e a escuridão;
d) eles raramente conseguem focalizar ou fixar-se em um objeto, e, mesmo quando o
conseguem, somente podem examinar uma pequena parte dele por um curto
período de tempo;
e) os recém-nascidos têm uma “focalização distorcida”, o que significa que mesmo
quando conseguem focalizar, fazem-no apenas sobre um segmento próximo e
altamente contrastante do objeto e não sobre o objeto por inteiro;
f) metade de todos os recém-nascidos não consegue coordenar sua visão sobre objetos
que estejam a mais de um metro de distância. E nenhuma criança com menos de
um mês pode focalizar internamente um objeto a um metro e meio de distancia;
Alega-se que a EQM é um mecanismo psicológico de defesa contra o medo
de morrer. Raymond Mood Jr. se insurge contra essa hipótese, alegando que “as
EQM em crianças refutam essa teoria, pois elas possuem percepções da morte
bastante diferentes das dos adultos.”
E, mais adiante:
“As crianças ainda não têm nenhum desses condicionamentos culturais. E,
geralmente, aquelas que passaram por uma EQM não conhecem esses temores mais
tarde. Elas sentem pouco medo da morte e com freqüência falam com carinho de suas
experiências. Algumas das crianças com quem conversei expressaram o desejo de
"retornar para a luz.”
Se a EQM é um mecanismo de defesa contra a morte, como explicar por
que as pessoas, intimadas a retornar à vida física, quando no Além, advertidas de
que a hora de sua morte ainda não chegara, relutam em obedecer ao comando e o
fazem a contra-gosto?
Efeitos orgânicos da EQM
Melvin Morse reconhece que P.M.H. Atwater foi a primeira pessoa a
afirmar que a EQM modifica a fisiologia cerebral. E também quem primeiro
observou que a EQM modifica significativamente os campos eletromagnéticos que
circundam a pessoa humana.
Morse constatou que mais de 25% de todos os adultos que sobreviveram a
EQM, quando criança, afirmam não poderem usar relógios.
Atwater observou modificações fisiológicas nas mais de três mil com que teve
contato e que passaram por uma EQM. Do seu relato, destacamos as seguintes
alterações mais importantes no comportamento fisiológico daquelas pessoas: a)
mudanças substanciais nos níveis de energia; b) maior sensibilidade à luz,
especialmente à luz do sol como também ao som e ao volume dos sons; c)
mudanças no funcionamento de seus cérebros; d) mudanças no seu metabolismo,
com melhora nos processos digestivos; e) melhoria da saúde em geral, porém com
aumento de alergias para os remédios alopáticos; f) queda da pressão sangüínea e
diminuição do ritmo do pulso; g) hiperestesia táctil, gustativa e olfativa; h)
sensibilidade para a eletricidade e campos geomagnéticos; i) maior sensibilidade a
fatores meteorológicos, tais como temperatura, pressão, movimentos do ar e
umidade; desabrochamento ou aumento de aptidões parapsicológicas e atividades
curativas por imposição de mão.
EQM e curas espontâneas.
Atwater afirma que curas espontâneas podem acontecer depois que a
pessoa volta à vida. Diz ela:
“Existem pessoas que, repentinamente, ficaram livres do câncer; tumores
cerebrais desapareceram; um homem com AIDS emergiu da experiência sem um
sinal da doença no corpo. A comunidade médica está totalmente confusa tentando
explicar isso. A verdade é que os sobreviventes da Experiência de Quase-Morte
passam por uma transformação tão grande que ficam parecendo estranhos para
aqueles que os conheciam antes; até as fotografias tiradas antes e depois podem
mostrar essa diferença.”
Sensibilidade anormal à luz e ao som.
Atwater constatou, em sua pesquisa, que entre os sobreviventes de uma
EQM, 73% apresentaram uma sensibilidade anormal à luz e ao som.
Desenvolveram maior capacidade de perceber campos elétricos e magnéticos,
afetando equipamentos eletrônicos, computadores, gravadores, aumentando ou
diminuindo a intensidade luminosa de lâmpadas elétricas e queimando-as em
alguns casos. Seus relógios não funcionam, e objetos metálicos se movimentam
sozinhos na proximidade deles.
Efeitos psicológico
A EQM produz efeitos psicológicos, entre os quais: a) redução ou extinção
do medo da morte e maior gosto pela vida; b) conscientização da importância do
amor; c) sensação de união com todas as coisas; d) valorização do conhecimento; e)
maior responsabilidade pela própria vida; f) ampliação do vigor e da atividade
mental e física; g) aparente rejuvenescimento; h) reavaliação das coisas materiais
da vida; i) profundo senso de missão; j) mudança carismática na personalidade; l)
desenvolvimento súbito ou gradual de aptidões psi; m) prazer pelo conhecimento
enciclopédico.
Kenneth Ring constatou que, depois desta experiência, os “sobreviventes da EQM
gostam mais de si mesmos”. Ele afirma que “as EQMs tendem a conferir nova
identidade pessoal ao sobrevivente, assim como causar grandes mudanças em seu
comportamento.”
E, mais adiante:
“Após a EQM, os indivíduos tendem a mostrar uma apreciação maior da vida
e preocupação e amor maiores pelos outros seres humanos, enquanto diminui seu
interesse em status pessoal e posses materiais. A maioria dos sobreviventes também
declara que vive depois com um sentido de finalidade espiritual ampliado e, em
alguns casos, que procura um entendimento maior do significado essencial da vida.”
Kenneth Ring observou que “os sobreviventes da EQM tendem a passar
para uma orientação espiritual geral - em vez de religiosa - quanto à vida” e que
ele denominou de “orientação espiritual universalista”, a qual é constituída por
sete elementos essenciais: a) uma tendência a se caracterizar como pessoa
espiritual em vez de religiosa; b) uma sensação de estar interiormente próximo de
Deus; c) uma perda de ênfase nos aspectos formais da vida e da adoração religiosa;
d) uma convicção de que existe vida após a morte, apesar de crenças religiosas; e)
uma abertura à doutrina da reencarnação (e uma simpatia geral pelas religiões
orientais); f) uma crença na unidade essencial por trás de todas as religiões; g) um
desejo de uma religião universal abraçando toda a humanidade.
Diz Atwater:
“Alguns sobreviventes da Experiência de Quase-Morte sentem-se como se
tivessem sido “expulsos do paraíso”, tendo revivido, quando na verdade prefeririam lá
ficar. A maioria deles sabe que não é tão perfeita como parece que eles deveriam ser,
considerando onde estiveram. Nenhum deles afirma que é santo. Os estados de
depressão podem ser longos, a experiência pode tanto parecer uma bênção quanto
uma maldição. No entanto, muitos também planam suavemente pelos efeitos
posteriores, com pouco ou nenhum desgaste, ou choro, que evidencie algum tipo de
conflito, como se estivessem sobre “um tapete mágico voador”. O apoio da família é
um fator muito importante.”
Observa, ainda que os sobreviventes da EQM, embora continuem a sentir
raiva, medo, ciúmes e impaciência, não permanecem assim por muito tempo. São
mais maleáveis e ponderados, predispostos a aceitar a responsabilidade pessoal e
buscar soluções justas.
Nas crianças, porém, Atwater observou um comportamento diferente do
adulto.
“As crianças e aqueles que vivenciam o fenômeno durante a infância
simplesmente crescem sendo o tipo diferente de pessoas que são, tentando entender
por que todos não são como eles. Mas as crianças que já eram crescidas o bastante
para comparar suas vidas anteriores com o que elas são agora tornam-se em geral
rebeldes ou excessivamente retraídas na escola. São elas que enfrentam o maior
desafio, pois raramente seus conselheiros acreditam no que dizem.”
EQM & kundalini
Kenneth Ring diz ter encontrado relações entre a EQM e o despertar da kundalini.
E Atwater assegurou que “a maior parte dos pesquisadores pensam que a
Experiência de Quase-Morte é uma irrupção da Kundalini e, constantemente,
crescem as evidências que apóiam suas teorias”.
EQM e alienígenas
Atwater informa que, depois de uma EQM, vinte por cento das pessoas
começaram a ter “memórias” da chegada ao planeta Terra como imigrantes
vindos de um outro mundo. Eles descobriram que eles é que eram os alienígenas!
Ela própria tem memórias alienígenas.
Esse efeito da EQM pode ser interpretado como um distúrbio psicológico de
“falsa memória”.
EQMs negativas
Maurice Rawlings relatou vários casos de EQMs em que os pacientes se
viram precipitados em regiões infernais. Afirmou que quase todos os casos de
EQMs por ele atendidos e outros de que teve conhecimento oriundos de tentativas
de suicídio tiveram como resultado experiências em ambientes que os pacientes
descreveram como sendo o Inferno.
Scott Rogo fez uma comparação sumária dos elementos principais de uma
EQM assustadora ou infernal com a de conteúdo eufórico:
Fase 1: A pessoa sente medo e experimenta sentimentos de pânico ao invés
de paz e alegria.
Fase 2: Assim com na mais clássica EQM, ele passa pela experiência de
deixar o corpo.
Fase 3: Similarmente a EQM clássica, a pessoa morta entra numa região
escura ou vazia.
Fase 4: Em vez de experimentar a presença reconfortante e figuras
religiosas, de amigáveis familiares falecidos ou uma grande luz, ela é subjugada
por uma sensação de pressentimento e da presença de um força maligna.
Fase 5: A pessoa finalmente entra num ambiente infernal, diferente da
beleza e paz do Elísio da EQM clássica.
Segundo pesquisa de Atwater, uma em cada sete pessoas passa por uma
EQM infernal. Observou, porém, que nenhuma criança passou por esse tipo de
EQM.
Ainda não se encontrou no cérebro uma região que, estimulada, produza
uma experiência similar a de uma EQM assustadora e infernal.
As pessoas que tentam o suicídio e têm uma EQM seja ela positiva ou
negativa raramente o tentam de novo.
EQM e relações interpessoais
Raymond Mood Jr. diz que, desde 1985, vem lidando, na sua prática
psiquiátrica, com problemas de dificuldade nas relações interpessoais das pessoas
que passaram por uma EQM.
“Comecei em 1985, com o que chamo de“prática espiritual”, quando percebi que
muitas pessoas que passam por experiências espirituais incomuns têm dificuldade
para integrá-las em suas vidas.
E prossegue:
“Como elas estão perturbadas pela experiência, muitos recusam-se a ouvi-las,
talvez até imaginando que são loucas. Mas, na perspectiva de quem passou por uma
EQM, algo de muito importante aconteceu, alterando-lhe a vida, e ninguém parece
disposto a escutá-la com simpatia. Precisam, portanto, de alguém que compreenda a
experiência para ouvi-las.
Surpreendentemente, elas recebem muito pouco apoio de seus familiares,
quando começam a explanar sua experiência. Com freqüência, as acentuadas
mudanças de personalidade que acompanham uma EQM causam tensão na família.
Por exemplo, pessoas que, durante anos, reprimiram suas emoções tornam-se, de
súbito, mais abertas, depois de uma EQM. Isto pode ser muito embaraçoso quando
são casadas. Para seus parceiros, é quase como se, agora. estivessem casados com
uma pessoa diferente.”
E esclarece a sua postura perante o problema:
“Para aliviar essas tensões, ocasionalmente formo grupos de pessoas que
passaram por uma EQM, para que elas possam, juntamente com seus maridos e
esposas, compartilhar os efeitos da experiência em suas vidas familiares. Elas
descobrem que outras famílias estão tendo os mesmos problemas e tentam aprender a
lidar com a nova pessoa.”
Mas, reconhece:
“Os pesquisadores mostraram que a freqüente ocorrência do divórcio após uma
EQM é devida às transformações na personalidade da pessoa.”
Reações negativas.
Atwater lista as reações negativas e positivas mais comuns entre os sobreviventes
da EQM.
Reações negativas: a) raiva, por terem sido revividos e forçados a sair de
onde quer que estivessem; b) culpa, por não sentirem falta nem se preocuparem
com as pessoas que lhes são caras; c) desapontamento, pela descoberta de que
estão novamente revestidos pelos seus corpos físicos e que terão novamente de
respirar, comer e ir ao banheiro; d) horror, se suas experiências foram
assustadoras ou infernais ou desagradáveis; e) embaraço, quando querem falar
mas não conseguem ou têm medo; f) depressão, quando percebem que agora
devem retomar suas vidas anteriores e têm de encontrar um meio de levar adiante
suas vidas comuns, independentemente do que aconteceu com eles.
Reações positivas: a) êxtase, devido ao milagre, beleza e glória da
experiência; b) excitação, porque se sentem muito privilegiados por terem passado
por essa experiência transformadora; c) gratidão, porque algo tão incrível tenha
acontecido com eles; d) admiração, porque se sentem impossibilitados de falar ou
de achar as palavras para se expressar; e) evangelização, um desejo imediato de
contar aos outros as boas novas sobre a morte, Deus e o poder do amor; f)
humildade, pela grandeza do episódio e do que ele pode acarretar
Tempo para a integração da consciência.
Atwater descobriu que são necessários sete anos para que o sobrevivente da
EQM comece a integrar a sua experiência. Os três primeiros anos são os mais
desafiadores, porque durante essa fase o sobrevivente está mais desorientado e as
pessoas que lhe estão próximas não entendem o que está ocorrendo.
Transcorridos os sete anos, de conformidade com o bom êxito dos reajustes
feitos pelo sobrevivente, a vida se torna mais fácil, pois ele entra em sintonia com o
ritmo da vida
Conclusão
Melvin Morse propõe a hipótese de que a sede da alma é nos lobos
temporais, porque, virtualmente, todas as experiências mediúnicas e místicas
começam neles. Diz ele:
“A experiência de quase-morte provavelmente acontece no lobo temporal
direito, um ponto no cérebro logo acima do ouvido direito. Minha pesquisa e a de
outros cientistas feita a cinqüenta anos confirmam este ponto como sendo a
localização da EQM”.
E mais adiante:
“Os neurocientistas documentaram a existência dos circuitos do misticismo
dentro do lobo temporal. É através deste mecanismo neurológico que possuímos a
capacidade de ter experiências fora do corpo; vermos pessoas de branco, algumas das
quais parecidas com parentes falecidos; ouvirmos música celestial; passarmos por
uma recapitulação tridimensional da vida – todos o elementos de uma experiência de
quase-morte, exceto a experiência transformadora de luz.”
A respeito da experiência da luz, Melvin Morse faz o seguinte comentário:
“A experiência de luz não pode ser ativada artificialmente. Ela só é ativada no
momento da morte ou durante algumas visões espirituais muito especiais. A visão
espiritual da luz amorosa resulta em transformações na personalidade que
verificamos em nosso grupo de estudo. As transformações mais intensas e duradouras
foram verificadas em pessoas que viram a luz”.
Melvin Morse chegou a seguinte conclusão:
“As experiências de quase-morte são um exemplo de uma experiência
psicológica que pode ser anatomicamente localizada no cérebro”.
E mais:
“Deus está em cada um de nós, e a capacidade de percebê-lo está localizada
no lobo temporal direito, dentro da cissura de Sílvio.”
Essa síntese que fizemos dos mais diversos aspectos da EQM é apenas uma
tentativa de mapeamento e visão panorâmica dessa singular experiência humana.
O aprofundamento de cada um desses aspectos demandaria a produção de vários
livros específicos para uma compreensão mais ampla da complexidade da EQM,
dos problemas que ela suscita e de novos questionamentos que possam ser
levantados com a evolução das pesquisas sobre essa fascinante experiência
psíquica.
BIBLIOGRAFIA
Atwater, P.M.H. Muito Além da Luz. Nova Era. Rio de Janeiro. 1998.
Mood J., Raymond A. Reflexões sobre Vida depois da Vida. Nórdica. Rio de
Janeiro. 1983.
__________________ A Luz do Além. Nórdica. Rio de Janeiro. 1989.
Morse, Melvin & Perry, Paul. Transformados pela Luz. Nova Era. Rio de Janeiro.
1998.
_________________________ Do Outro Lado da Vida. Editora Objetiva. Rio de Janeiro.1992
_________________________ Visões do Espírito. Nova Era. Rio de Janeiro. 1998.
Ring, Kenneth. Rumo ao Ponto Omega. Rocco. Rio de Janeiro. 1996.
A PARAPSICOLOGIA E SUAS RELAÇÕES COM O DIREITO
Valter da Rosa Borges
Situando o problema
Podem alguns fenômenos paranormais produzir conseqüências jurídicas? O nosso
intento é demonstrar a possibilidade dessa indagação e estabelecer, assim, as
relações interdisciplinares entre o Direito e a Parapsicologia.
Embora existam casos concretos de fenômenos paranormais influindo no campo
do Direito, conforme veremos mais adiante, quase toda matéria abordada nesse
trabalho constitui simples especulação teórica com pretensão a tornar-se um dia
em norma jurídica. Afinal, o Direito que tem, por conteúdo, o dever ser, é um
constructo de situações possíveis nas relações sociais e merecedoras de
disciplinação legal, definindo responsabilidades e determinando direitos e
obrigações. Pouco importa que a situação jurídica possível raramente se factize. A
simples possibilidade de sua ocorrência é suficiente para legitimar a sua existência
preservando de logo a tutela jurídica na hipótese de sua ocorrência.
No Brasil, onde a fenomenologia parapsicológica tem apresentado altíssimos
índices de incidência, chamando a atenção de pesquisadores de outros países, faz-
se mister suscitar a discussão do problema no mundo jurídico, conscientizando
juristas e legisladores para a necessidade de elaborar leis que disciplinem os efeitos
de certos fenômenos paranormais nas relações entre as pessoas. Um evento
paranormal pode, em certas circunstâncias, ser capaz de produzir efeitos jurídicos
e é a ocorrência de casos dessa natureza que iremos discutir no presente trabalho.
A paranormalidade na Justiça brasileira
O primeiro caso em que a Justiça brasileira foi chamada a decidir ocorreu no
campo do Direito Civil, em 1944, quando a Sra. Catarina Vergolino de Campos,
viúva do escritor Humberto de Campos, ingressou em juízo com uma ação
declaratória contra a Federação Espírita Brasileira e o médium Francisco Cândido
Xavier, exigindo o pagamento de direitos autorais sobre as obras psicografadas
por aquele médium e atribuídas a seu falecido esposo. Pretendia a suplicante que
se declarasse judicialmente se as obras eram da lavra do espírito de Humberto de
Campos e, em caso afirmativo, a quem pertenciam os direitos autorais. Na hipótese
contrária a Federação Espírita Brasileira e Francisco Cândido Xavier deveriam
ser passíveis de sanção penal e proibidos de usar o nome de Humberto de Campos
em qualquer publicação literária estando ainda sujeitos ao pagamento por perdas
e danos.
Como era de se esperar, a ação foi julgada improcedente por sentença prolatada
pelo Juiz de Direito, Dr. João Frederico Mourão Russel, sob fundamento de que o
Poder Judiciário não é órgão de consulta para decidir sobre a existência ou não de
um fato e, na hipótese dos autos, sobre a atividade intelectual de um morto.
Inconformada a autora agravou da decisão, a qual, no entanto, foi mantida por
seus jurídicos fundamentos, pelo Tribunal de Apelação do antigo Distrito Federal,
tendo sido relator o Ministro Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa.
O nosso Direito Civil, no seu Artigo 10, estabelece que "a existência da pessoa
natural termina com a morte" e, por conseguinte, não cogita da continuidade da
pessoa física após a morte e praticando atos que gerem conseqüências jurídicas.
Ainda que, um dia se prove, cientificamente, a sobrevivência post-mortem, terá o
legislador que decidir se os atos
praticados pelo espírito tenham ou não repercussão no mundo jurídico.
À luz da Parapsicologia e do Direito, a atividade literária ou artística de um agente
psi no campo da psicografia, psicopictografia e psicomusicografia, é a ele atribuída
embora, em razão de sua crença espirita, declare que seus autores sejam escritores,
pintores e músicos falecidos.
No Brasil, Francisco Cândido Xavier psicografou obras literárias no estilo de mais
de uma centena de escritores e poetas brasileiros e portugueses já falecidos,
podendo-se destacar, entre eles, Olavo Bilac, Cruz e Souza, Alphonsus de
Guimarães, Augusto dos Anjos, Casimiro de Abreu, Emílio de Menezes, Guerra
Junqueiro, João de Deus e Bocage.
Outro brasileiro, o psicólogo Luiz Antônio Gasparetto, psicopictografou quadros
no estilo de Renoir, Touluse Lautrec, Gauguin, Degas, entre tantos outros pintores.
Nesses casos, não há que se falar de plágio, pois não se trata de reprodução integral
da obra dos intelectuais e artistas falecidos e nem também de adaptação da mesma.
O fenômeno é um pastiche inconsciente, demonstrando a extraordinária
capacidade criativa do agente psi de imitar os mais variados estilos, reproduzindo-
os, de maneira vertiginosa, mediante processo de automatismo motor. O pastiche,
por ser imitação de estilo, não é plagio e, com mais razão, se o pastiche é
inconsciente. Não há plágio de estilo.
No Brasil, psicógrafos e psicopictógrafos, em razão de sua crença espírita,
acreditam que as suas produções se originam de intelectuais e artistas
desencarnados. Por isso, a eles não se aplica o disposto no Art. 185 do Código
Penal, que define, como crime, "atribuir falsamente a alguém, mediante uso de
nome, pseudônimo ou sinal por ele adotado para designar seus trabalhos, a autoria
de obra literária científica ou artística".
No nosso Direito Penal, há três casos cuja decisão judicial que se fundamentaram
em comunicações mediúnicas psicografadas por Francisco Cândido Xavier nas
quais os pretensos espíritos das vítimas de homicídio inocentaram os respectivos
réus. Os casos são os seguintes:
a) crime de homicídio, ocorrido em Goiânia de Campina, Goiás, no dia 8 de maio
de 1976, praticado por José Divino Gomes contra Maurício Garcez Henriques.
b) crime de homicídio, acorrido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 1º
de março de 1980, praticado por José Francisco Marcondes de Deus contra a sua
esposa Cleide Maria, ex-miss Campo Grande;
c) crime de homicídio, ocorrido na localidade de Mandaguari, Paraná, no dia 21 de
outubro de 1982, praticado pelo soldado da Polícia Militar, Aparecido Andrade
Branco, vulgo "Branquinho" contra o deputado federal Heitor Cavalcante de
Alencar Furtado.
No primeiro caso, o Juiz de Direito da 6ª. Vara Criminal de Goiana, Dr. Orimar de
Bastos, absolveu o réu, sob fundamento de que a mensagem psicografada de
Francisco Cândido Xavier, anexada aos autos, merece credibilidade e nela "a
vítima relata o fato e isenta de culpa o acusado".
Trata-se de uma sentença equivocada à luz do Direito e sem qualquer respaldo na
Parapsicologia, por fundar-se numa hipótese extrajurídica e não-científica, visto
que a existência do espírito e sua pretensa interferência no mundo dos vivos não
constitui matéria atinente a estas duas ciências.
No segundo caso, o advogado do réu, devidamente autorizado pelo Juiz, entregou
aos jurados cópias de três mensagens psicografadas por Francisco Cândido Xavier,
onde o espírito da vítima afirmava que o seu esposo a matara acidentalmente. Por
unanimidade, o tribunal do júri absolveu o réu, o qual, em nova julgamento, após
cinco anos, foi, mais uma vez, absolvido.
No terceiro e último caso, embora admitida como prova a mensagem psicografada
por Francisco Cândido Xavier, na qual o espírito da vítima inocentava o réu pelo
tiro que deste recebera, o tribunal do júri, por cinco votos a dois, o considerou
culpado, tendo o Juiz de Direito, Dr. Miguel Tomás Pessoa Filho, condenado o réu
a oito anos e vinte dias de reclusão.
Em face desses três casos, a questão que se levanta é a seguinte: é juridicamente
admissível, como prova judicial, mensagens psicografadas que digam respeito à
determinação de responsabilidade penal ou de direitos e obrigações civis? A
resposta é afirmativa, desde que se trate de prova subsidiária e em harmonia com
o conjunto de outras provas em direito admitidas. Fica, porém, claro que, em
hipótese alguma, a autoria da mensagem psicografada seja atribuída à pessoa
falecida, mas, sim ao inconsciente do psicógrafo. No julgamento do caso, poderia
ser admitida a hipótese parapsicológica de que o agente psi, por telepatia, recolheu
informações sobre o crime do inconsciente da vítima, ainda quando ela estava viva.
Segundo a hipótese da latência psigâmica, a informação telepática pode
permanecer no inconsciente do agente psi, durante dias ou meses após o
falecimento da pessoa de onde se originou, sendo afinal conscientizada sob forma
de "mensagem mediúnica", como se fosse produzida por aquela pessoa na
condição de espírito. Assim, a mensagem mediúnica, trazida como prova
subsidiária em juízo, constituiria testemunho de pessoa enquanto viva, e não
depois de sua morte.
Poder-se-ia, no caso, argumentar que a vítima, no momento dramático de sua
morte, percebeu, de seu ponto de vista, a inocência do réu na prática do ato que lhe
tirou a existência. Esta experiência traumática foi captada telepaticamente por um
agente psi e, posteriormente, explicitada sob forma de psicografia. Dentro dessa
perspectiva parapsicológica, a mensagem psicografada poderia servir como prova
subsidiária, desde que em harmonia com as demais provas dos autos, podendo,
inclusive, trazer novas subsídios para uma melhor compreensão do fato delituoso.
Nos três casos decididos pela Justiça brasileira, a prova psicográfica apresentada
em juízo deveria ter sido apreciada à luz da Parapsicologia e não do Espiritismo.
Curas por meios paranormais
A atividade curativa por meios paranormais é extremamente desenvolvida no
Brasil e, em alguns casos, tem trazido dissabores legais para aqueles que a
exercitam.
O caso, por certo, mais famoso, foi o de José Pedro de Freitas, conhecido por
"Arigó". Em 1957, ele foi processado e condenado por prática ilegal da Medicina,
crime previsto no Art. 282 do Código Penal, mas não chegou a cumprir pena em
virtude de perdão que lhe foi concedido pelo então Presidente da República
Juscelino Kubitschek. Porém, em 1961, foi processado e condenado por prática de
curandeirismo, conforme Art. 284, do Código Penal, a 16 meses de prisão.
Cumpriu sete meses de prisão e foi posto, temporariamente, em liberdade,
voltando, porém, dois meses depois, à cadeia. Cumprido mais este tempo, houve
revisão do processo e ele foi julgado inocente.
Outro curandeiro, também processado por infração ao Art. 282, do Código Penal,
foi Oscar Wilde, que teve a sorte de ser julgado e absolvido pelo Dr. Eliezer Rosa,
Juiz de Direito da 8ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, sob fundamento de não
encontrar crime a punir, visto que, no caso vertente, "faltam elementos que
formariam a figura do curandeiro". Igualmente com Oscar Wilde, foi absolvida a
sua auxiliar, Danacé Gehrke.
Inconformado, o Ministério Público recorreu da decisão e a 1ª. Câmara Criminal
do Tribunal de Alçada do Rio de Janeiro, à unanimidade, deu provimento parcial
ao recurso, condenando Danacé Gehrke à pena de seis meses de detenção, com
base no Art. 282, do Código Penal, e decretando a extinção da punibilidade de
Oscar Wilde em virtude de seu falecimento.
Finalmente, podemos reportar-nos ao rumoroso caso do médico e médium Edson
Queiroz, que, indiciado em inquérito policial em São Paulo, no ano de 1983, como
infrator dos Arts. 283 e 284, do Código Penal, teve o seu processo arquivado em
virtude de parecer do Dr. Alberto de Oliveira Andrade Neto, Promotor de Justiça,
o qual argumentou não existirem "provas seguras e demonstrativas de fraude por
ele praticada".
A cura por meios paranormais já é um fato exaustivamente comprovado. Cumpre,
assim, ao legislador brasileiro dar-lhe reconhecimento legal, disciplinando a sua
prática.
O paciente tem o direito de ser curado por qualquer meio que não apenas o
prescrito pela Medicina. A lei deve preserválo de ser vítima de charlatães que, não
possuindo qualquer aptidão paranormal curativa, devidamente comprovada por
instituição credenciada e constituída de parapsicólogos e médicos, exerça
fraudulentamente esse tipo de atividade.
A esse respeito, O Promotor de Justiça do Estado de São Paulo, Dr. Djalma Lúcio
Gabriel Barreto, em seu livro "Parapsicologia, Curandeirismo e Lei", assim se
posicionou:
"Desde o momento em que alguém pretendesse afirmar-se paranormalmente
dotado, deveria submeter-se a testes formulados por comissão composta de
médicos e parapsicólogos, no sentido de ser constatada a real existência de seus
dotes. Para essa faixa de suas faculdades extraordinárias, se confirmadas, ser-lhe-
ia então permitido o exercício, até profissional, das provadas potencialidades,
sempre em colaboração com médico habilitado."
A terapêutica por meios paranormais deve ter sempre um caráter subsidiário e,
por conseguinte, jamais ser um sucedâneo do tratamento médico convencional. O
curador é um auxiliar do médico e, em hipótese alguma, o seu substituto.
Diz O Art. 284 do Código Penal que constitui crime de curandeirismo: a)
prescrever, ministrar ou aplicar, habitualmente, qualquer substância. b) usar
gestos, palavras ou qualquer outro meio; c) fazer diagnóstico.
O crime de curandeirismo é de natureza formal e, por conseguinte, de simples
atividade, consumando-se pela mera violação da lei. Trata-se, portanto, de um
crime de perigo e sua presunção é juris et de jure, não sendo necessário o ato
material de efetiva lesão à saúde da vítima.
Por outro lado, é irrelevante a circunstância do meio empregado ter tido, por
resultado, a cura do paciente.
O crime de curandeirismo não existe na legislação de qualquer outro país. Somente
as da Argentina e do Peru contêm dispositivo que se assemelha ao típico penal
brasileiro.
Nos Estados Unidos da América do Norte e em vários países europeus, os
curadores exercem livremente a sua profissão, notadamente na Inglaterra onde
existe, há mais de vinte anos, a famosa Federação Nacional de Curandeiros
Espirituais, onde todo tratamento consiste na imposição de mãos e na cura à
distância. Em muitos hospitais da Inglaterra, médicos e curadores trabalham
juntos, sem que qualquer deles interfira na atividade do outro.
Não é considerado tratamento por meio paranormal a utilização de objetos
materiais capazes de produzir lesões físicas no paciente. Se, utilizando esse recurso,
o curador produzir lesões corporais ou mesmo a morte do paciente, ele
responderá, como já vimos, por crime culposo, ainda que alegue que se encontrava
sob a direção de um "espírito" ao praticar o pretenso "ato cirúrgico". O Direito
não cogita de causas transcendentais e, por isso, não estende a co-autoria de crimes
a entidades abstratas como o "espirito". O único autor do crime é o curador,
pouco importando que, ao cometer o ato delituoso, estivesse em estado alterado de
consciência.
O médium curador que habitualmente "incorpora" um "espirito" para realizar
intervenções cirúrgicas, é penalmente responsável pelas conseqüências de seus
atos, pois, nessa hipótese, se aplica o principio do actio libera in causa. Isto quer
dizer que o curador, por entrar voluntariamente, em estado alterado de
consciência para praticar um ato cirúrgico para o qual não está legalmente
habilitado, responde, portanto, pelos seus resultados. Pouco importa, no caso, a
alegação de sua crença no "espírito cirurgião" e na sua competência para, por seu
intermédio, realizar tais cirurgias. E a gravidade do delito ainda é maior se o
curador for médico por permitir-se entrar em estado alterado de consciência, e
praticar atos cirúrgicos sem a observância de regras técnicas.
Alguns parapsicólogos informam que Juan Blanche e David Oligani, das
Filipinas,realizam incisões corporais por ação psi-kapa, com finalidade
terapêutica. Trata-se de uma questão controvertida, pois a lesão produzida foi por
meio paranormal. Tudo dependerá de como o legislador enfrentar a questão,
reconhecendo a ação psi-kapa e as suas conseqüencias jurídicas.
Há informações de que o filipino Tony Agpaoa fazia extração dentária de molares,
utilizando os seus dedos. A lei penal brasileira define como crime o exercício ilegal
da odontologia. Porém, até o momento, não apareceu, em nosso país, nenhum
curador exercendo essa especialidade.
No Brasil, alguns curadores espíritas, dizendo-se "incorporados" pelo "espírito do
Dr. Fritz", realizam atos cirúrgicos grosseiros, em flagrante desacordo com a
ciência médica, pondo em risco a saúde de seus pacientes. Diga-se, de passagem,
que essas "cirurgias do Além" são de um estarrecedor primarismo, numa
demonstração de que a "medicina espiritual" está bastante atrasada em relação à
medicina acadêmica. Esse procedimento aventureiro dos médiuns cirurgiões sem
habilitação médica os sujeita às penas do Art. 132, do Código Penal, que define
como crime "expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto ou iminente".
Ainda que o médium seja médico e até mesmo cirurgião, a sua atitude de realizar
operações em estado alterado de consciência, sob o comando de um hipotético
cirurgião espiritual, se constitui uma aberração profissional notoriamente quando
os atos cirúrgicos se processam ao arrepio dos mais elementares princípios da
Medicina. Num caso ou no outro, o médium cirurgião é passível de responder por
infração ao Art. 132, do Código Penal.
Se da "cirurgia espiritual" resultar lesão corporal ou até morte do paciente (como
já ocorreu em alguns casos) responsabilidade penal será do médium cirurgião,
principalmente se for médico pois, voluntariamente, entrou em estado alterado de
consciência para praticar atos que exigem consciência lúcida e domínio técnico.
Assim, é irrelevante a alegação de sua crença na existência de um cirurgião do
Além que dirige as suas mãos durante a atividade cirúrgica. Afinal, o médium
cirurgião não está praticando um ato de fé, um ritual religioso, mas um ato que
exige uma tecnologia específica e a necessária habilitação profissional de quem o
pratica. Por conseguinte, o médium cirurgião responderá por crime culposo, em
caso de lesão corporal ou morte de seu paciente.
No Recife, em 1983, entrevistado pelo Diário de Pernambuco, em suas edições de
13 e 24 de abril, a respeito das cirurgias do Dr. Édison Queiroz, médium-médico,
que se dizia "incorporado" pelo espírito famoso conhecido por "Dr. Fritz"
tecemos o seguinte comentário:
"Mesmo que o médium seja médico, ele age, ainda que em estado alterado de
consciência, na condição de médico. Ou, em outras palavras: ele não deixa de ser
médico, quando pratica uma ação médica, mesmo que não esteja consciente do que
faz. A medicina não está obrigada a aceitar de um espírito "incorporado" num
médico, agindo em seu lugar e com o seu consentimento. O Código Penal não
cogita da responsabilidade penal do espírito. E a própria parapsicologia ainda
encara o problema da sobrevivência pessoal como respeitável hipótese de trabalho.
Logo, se o médium-médico age inconscientemente, porque acredita estar sob o
controle de um espírito, a sua fé particular não modifica a perspectiva médica e
jurídica da questão. A sua ação inconsciente permitida se configura como
negligência e imprudência. Portanto, se ocasionar lesão corporal ou mesmo a
morte de um paciente, responderá por crime culposo."
E, mais adiante, prosseguimos:
"Com isso, não me estou opondo à atividade dos médiuns cirurgiões, mas
alertando-os sobre os possíveis erros que possam cometer e das conseqüências que
deles resultarão à luz do Código Penal. Assim, para preservar-se da possibilidade
de erro, deve o médium ser supervisionado por um médico que, em última
instância, decidirá acerca do tratamento espiritual recomendado pelo espírito
"incorporado", por mais respeitável que seja o nome do médico do Além. Se o
médico da Terra, por qualquer motivo de ordem pessoal, concordar com o seu
colega do Além, estará, sozinho, assumindo a responsabilidade do tratamento
indicado."
O atendimento terapêutico por meios não convencionais, tais como a prece a
imposição de mãos, a "água fluidificada" e outros recursos sugestivos não
constituem infração penal, desde que não substituam o tratamento médico do
paciente, Afinal, o famoso "efeito placebo" é um recurso sugestivo episodicamente
adotado pelos médicos e importa no reconhecimento explícito da cura por processo
sugestivo e, portanto, puramente psíquico.
As curas por meios paranormais ou decorrentes da fé não podem ser confundidas
com a prática de curandeirismo.
O renomado jurista Bento de Faria entendia que não devem ser considerados
sujeitos do crime de curandeirismo: a) os Ministros da Igreja, quando praticam
atos de exorcismo, porque são admitidos pelos seus cânones; b) quem pratica atos
de qualquer religião ou doutrina, inclusive o espiritismo, desde que não ofenda a
moral, os bons costumes ou faça perigar a saúde pública, ou apenas busque
demonstrações em proveito da ciência.
O Art. 284 do Código Penal está obsoleto face à realidade da fenomenologia
paranormal. Faz-se, assim, mister sugerir ao legislador brasileiro substituir o
crime de curandeirismo por uma nova figura penal: o crime de exercício ilegal da
paranormalidade curativa, o qual, além de reconhecer, juridicamente, a existência
desse tipo de aptidão, veda o seu exercício àqueles que não estejam habilitados
para o mesmo.
Outros fenômenos paranormais jurígenos
Além desses fenômenos paranormais (ou aparentemente paranormais), que
provocaram a manifestação da justiça, poderemos especular sobre outros, que
poderão gerar responsabilidade no campo penal ou direitos e obrigações na órbita
civil.
Poltergeist
O poltergeist é uma modalidade de fenômeno de psi-kapa, que pode resultar em
danos materiais para terceiros. Como, via de regra, o agente psi eventual é uma
pessoa de menor idade não pode ser responsabilizada civilmente, por seus atos,
embora os seus pais ou responsáveis possam responder pelos mesmos.
A responsabilidade civil por atos ilícitos, nesse caso, só é constituída a partir do
momento em que o representante legal do menor, uma vez informado e orientado
por um parapsicólogo a respeito do fenômeno, não adote as providências
recomendadas por aquele profissional, permitindo a continuidade do fenômeno e
conseqüente deterioração do patrimônio alheio.
E se o poltergeist viesse a produzir lesões corporais e até morte em outra pessoa?
Embora se trate de uma simples especulação, não se pode negar a sua possibilidade
teórica. Nesse caso, se trataria, na pior das hipóteses, de crime culposo, porém em
se tratando de menor, inexistiria a responsabilidade penal.
Casa mal-assombrada ou assombração
Na Inglaterra, a justiça tem apreciado casos de assombração(haunting) como
causa de extinção de locação imobiliária.
Segundo César Lombroso, mais de 150 casas, na Inglaterra, foram abandonadas
porque eram mal-assombradas.
Camilo Flammarion relata os seguintes casos:
a) "O Sr. Maxwell, advogado nos auditórios de Bordéus, encontrou, nos arquivos
da Corte de Apelação dessa cidade, diversos julgados do século XVIII
concernentes à rescisão de contratos de aluguel por motivo de assombração."
b) Em Nápoles, no ano de 1907, o advogado Zingarapoli, patrocinando a causa da
Duquesa de Castelpoto contra a Baronesa Laura Englen, defendeu, em juízo, a
hipótese de que o locatário de uma casa infestada por espíritos tem o direito de
pleitear a rescisão do contrato.
Diz ainda Flammarion:
"Grimaldi Ginésio, na Istoria delle leggi e magistrati del regno di Napoli (vol. IX,
pag. 4) comentário à Pragmática, de locato et conducto, publicado pelo Conde de
Miranda em Dezembro de 1857, escreve o seguinte: "Sucedendo que, na casa
alugada, o locatário, levado pelo terror pânico, se julgue assaltado por espíritos
malignos, chamados em Nápoles de Monacelli, permite-se-lhe a mudança isento de
qualquer indenização." Os mais célebres comentaristas do Direito francês tratam
longamente dessa questão, mencionando a jurisprudência dos antigos Tribunais de
Bordéus e de Paris.
Troplong, tratando Da permuta e da locação (art. 1702 do Código Civil de
Napoleão, correspondente ao 1577 do Código Italiano, § 197) assinala "este vício
redibitório": a aparição de espectros e fantasmas nas casas alugadas."
E conclui:
"As casas mal-assombradas foram reconhecidas de muitos séculos pela
jurisprudência européia".
Diz o Art. 1.101, do nosso Código Civil:
"A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios
ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinação ou lhe
diminuam o valor."
Esses vícios ou defeitos ocultos são os chamados vícios redibitórios, permitindo ao
locatário ou comprador promover a extinção do contrato. Mas, para exercer esse
direito, é necessário que a parte prejudicada não tivesse conhecimento desse
inconveniente, pouco importando que a outra parte também o ignorasse.
Não se pode negar que um imóvel, onde ocorram assombrações, torna-se
impróprio ao uso a que é destinado. E, em se tratando de alienação imobiliária esse
fenômeno paranormal lhe diminui o valor. Em tal caso, o comprador tem duas
opções: ou promove a extinção do contrato, ou propõe a redução do preço do
imóvel.
Paranormalidade e divórcio
A paranormalidade de uma pessoa pode trazer distúrbios na vida conjugal,
afetando o equilíbrio emocional do outro cônjuge, podendo comprometer sua
saúde. Um agente psi confiável pode, por meios paranormais, embora
involuntariamente, agredir seu cônjuge, causando-lhe enfermidades e devassar a
sua vida privada, causando-lhe desconforto e constrangimento. Pode, ainda, por
aqueles meios, destruir seus objetos de uso pessoal ou fazê-los desaparecer.
A Lei no. 6.515, de 26.12.77, no seu Art. 50, preceitua:
"A separação judicial pode ser pedida por um só dos cônjuges quando imputar ao
outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos
deveres do casamento e torne insuportável a vida em comum."
Ora, a paranormalidade de uma pessoa que provoque tais distúrbios na saúde
física e mental de outro cônjuge é fator que torna insuportável a vida em comum, o
que pode legitimar o pedido de separação judicial.
Sugestão telepática
A sugestão telepática obedece aos mesmos princípios da sugestão por meios
convencionais. Assim, mediante esse recurso, ninguém poderá ser induzido à
prática de atos que contrariem as estruturas basilares de sua personalidade. Só
somos influenciados pelo que amamos ou tememos ou em razão de apelo a nossos
procedimentos habituais.
Poderemos, assim, especular-se, por sugestão telepática alguém leve outrem a
cometer suicídio.
O Código Penal, no seu Art. 122, define como crime "induzir ou instigar alguém a
suicidar-se ou prestar-lhe auxilio para que o faça."
Ora, para que alguém possa ser levado ao suicídio, é mister que ele seja um suicida
em potencial ou esteja sob insuportável pressão emocional capaz de abolir o
instinto de conservação, que é uma estrutura arquetipal, inerente a todos os seres
vivos, protegendo a sua incolumidade individual. Todavia, em certas
circunstâncias, a solução autodestrutiva parece ser a única opção possível para a
angústia e os impasses existenciais. Em face desta desestruturação interior, o
indivíduo se fragiliza na defesa de sua vida e se torna facilmente propenso à
prática de atos que, mesmo atentatórios à sua sobrevivência, constituam um alívio
aos seus sofrimentos.
Já foram realizados experimentos de hipnose telepática à distância, com resultados
satisfatórios. Assim, teoricamente, é possível que a hipnose telepática possa ser
utilizada nos crime de indução ao suicídio, tendo por vítima uma pessoa que
alimente sentimentos autodestrutivos ou se encontre em estado de severa
depressão. No entanto, a prova desse crime seria praticamente impossível.
Poderia alguém, por sugestão telepática, induzir outra pessoa a praticar um ato
jurídico, influindo na sua decisão? Para o Direito, o ato jurídico só é legítimo, se
houver livre manifestação da vontade e a vontade é uma decisão a nível consciente.
Ao ignorar a influência do inconsciente em nossa volição, a nossa legislação
desconhece os progressos das ciências psíquicas e, por isso, não cogita da
possibilidade de anulação de um contrato por manipulação da vontade a nível
inconsciente, o que, aliás, na prática, seria muito difícil de provar. Assim, como
teoricamente uma pessoa possa ser manipulada, por sugestão telepática a praticar
um ato jurídico, no qual realmente tem interesse, embora ainda estivesse em
dúvida quanto à sua oportunidade, o vício do consentimento estaria caracterizado,
ensejando a anulabilidade do mesmo, em que pese a extrema dificuldade de se
provar este fato.
Clarividência
Diz o Art. 151 do Código Penal que constitui crime "devassar indevidamente o
conteúdo de correspondência fechada dirigida a outrem."
Alguns agentes psi são capazes de ler o conteúdo de cartas fechadas, às vezes até de
maneira literal. Um dos mais famosos do gênero foi o polonês Stephan Ossowieck,
o qual, segundo informou René Sudre, sempre foi bem sucedido nas suas
experiências com Gustave Geley e Charles Richet nessa modalidade de
clarividência.
A constatação dessa aptidão paranormal e seu uso indevido pelo agente psi, com o
propósito de violar correspondência alheia, pode sujeitá-lo às penas do Art. 151 do
Código Penal. É preciso, no entanto, que se prove que a violação foi de natureza
dolosa, ou seja, que o agente psi deliberadamente utilizou os recursos da
clarividência para devassar o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a
outrem.
Ação psi-kapa sobre o organismo
O biólogo Lyall Watson presenciou, na residência do curador José Mercado, na
planície de Pangasinan, perto de Manilha, nas Filipinas, um interessante fenômeno
de psi-kapa.
Eis o seu relato:
"José Mercado inicia suas consultas todas as manhãs, enfileirando os pacientes
junto ao muro de tijolos do edifício onde trabalha. Em seguida vai caminhando ao
longo da fila e, com o dedo indicador estendido, aplica no braço que lhe é oferecido
uma de suas "injeções espíritas". Em nenhuma ocasião ele se aproxima do paciente
mais do que alguns centímetros, contudo cada um por sua vez sente uma picada na
pele, sendo que aproximadamente 80% produzem uma pequenina mancha de
sangue num determinado ponto.
Eu entrei na fila. Quando ele apontou seu dedo para meus bíceps e fez um
movimento como se apertasse o êmbolo de uma seringa, senti uma dor penetrante
localizada. Ao enrolar a manga para cima, notei um pequeno ferimento, igual ao
que é habitualmente produzido por uma agulha, e uma gota de sangue. A camisa
parecia estar completamente intacta."
Lyall Watson, ainda não satisfeito, resolveu, no dia seguinte, fazer nova
experiência.
Diz ele:
"Voltei na manhã seguinte, munido de um equipamento muito simples destinado a
testar algumas das possibilidades inerentes à situação. Coloquei uma folha de
polietileno dobrada quatro vezes sobre meu bíceps, amarrando-a com uma tira de
borracha por baixo da minha camisa de algodão. Tornei a entrar na fila.
Mercado fez seu gesto habitual em minha direção a uma distância de uns cinco pés.
Não senti nada e avisei-o, pedindo para tentar de novo. Repetiu o processo a uma
distância de cerca de três pés. Desta vez senti a picada, e ao retirar o enchimento
que colocara, descobri o furo habitual e uma gota de sangue, a qual recolhi numa
lâmina de microscópio. Cinco minutos depois, espremi uma outra gota para fazer a
comparação.
Descobri também que a folha de polietileno fora atravessada, como que por uma
agulha de ponta aguçada, nas quatro camadas de plástico. Uma polegada adiante
daquele ponto, provavelmente na área correspondente à primeira "injeção" de
Mercado, havia um outro orifício no plástico, que, porém, atravessara apenas duas
das quatro camadas, como se a força a uma distância de cinco pés não fosse
suficiente para penetrar a minha barreira experimental. Contudo, foram as duas
camadas de baixo, as mais próximas à minha pele, que foram perfuradas".
A mente humana, portanto, em ocasiões especiais, pode agir não apenas sobre
organismos vivos como também sobre a matéria em geral. O fenômeno
paranormal conhecido por dobragem psicocinética de metais ou "efeito Geller",
porque inicialmente apresentado pelo agente psi Uri Geller, é a evidência de que a
mente é capaz de afetar estruturas moleculares.
Para obter o fenômeno, não é necessário que o agente psi estabeleça contato físico
com os objetos metálicos, para que garfos, colheres e chaves comecem a entortar.
Se a mente humana exerce uma ação tão poderosa sobre o mundo exterior, parece-
nos teoricamente possível que, por esse processo, uma pessoa possa influir sobre o
organismo de outra, produzindo-lhe enfermidades e mesmo a morte.
Pode o agente psi produzir, por ação psi-kapa voluntária, lesão corporal ou morte
de outra pessoa? A possibilidade deste fato é inquestionável, pois está
demonstrado, em Parapsicologia, que a mente pode agir sobre a matéria,
alterando-lhe as propriedades físicas e a sua morfologia, como também sobre os
seres vivos, afetando-lhe equilíbrio orgânico.
Henry Gris e William Dick informaram que, em 10 de março de 1970, um
psiquiatra de Leningrado, tendo ouvido falar nas experiências de Nina Kulagina
de influir psiquicamente no coração de um sapo, registradas pela
eletrocardiografia, desafiou-a, por intermédio do Dr. Genady Sergeyev, a tentar a
mesma experiência com ele.
Sergeyev organizou a experiência, colocando Kulagina e o psiquiatra sentados e
afastados um do outro a uma distância de três metros, ligados a eletrocardiógrafos
e devidamente observados por uma equipe médica.
Aproximadamente após dois minutos, o psiquiatra começou a apresentar sérias
alterações cardíacas, evidenciando grande tensão emocional. A pulsação de
Kulagina também se acelerou, mas a do psiquiatra subiu de maneira assustadora,
apresentando risco de vida. Isso levou Sergeyev a interromper a experiência cinco
minutos depois de seu início, teme-roso de que o psiquiatra viesse a falecer.
Se é possível, por meio paranormal, produzir uma alteração cardíaca capaz de
levar à morte uma pessoa, também é possível lesionar outros órgãos, produzir
distúrbios fisiológicos e desencadear ou agravar patologias.
Portanto, se a lesão corporal ou a morte de uma pessoa decorrer de uma ação psi-
kapa voluntária do agente psi o crime por ele cometido será de natureza dolosa,
uma vez que o Direito reconheça a realidade da interação mente-matéria e
estabeleça esse novo típico penal. Em caso de morte, o agente psi responderia por
homicídio qualificado, previsto no Art. 121 § 20, IV do Código Penal, pois teria
utilizado de "recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido".
Metafanismo
O crime de furto está previsto no Art. 155 do Código Penal e consiste em "subtrair,
para si ou para outrem, coisa alheia móvel."
O metafanismo, mais conhecido pelo nome de transporte, consiste geralmente no
desaparecimento ou aparecimento de objetos, por meios paranormais. Vários
agentes psi obtiveram esse fenômeno, fazendo aparecer, no local das experiências,
os mais diversos objetos, inclusive plantas e animais, quer espontaneamente, quer
a pedido de alguma pesso-a. Quase sempre o metafanismo é de objetos sem valor,
mas nas raras ocasiões em que ocorreu o aparecimento de objetos preciosos, eles
apenas permaneciam o tempo necessário para ser examinado pelas pessoas
presentes, desaparecendo, depois, em caráter definitivo. É como se um elemento
moral, a nível inconsciente, interditasse a posse definitiva dos obje-tos valiosos
metafanizados.
Há apenas uma exceção a essa regra.
Conta-se que William Stainton Moses, por metafanismo, recebeu, de parte de seu
"guia espiritual", denominado "Rector", como presente, uma pepita de rubi, que
posteriormente mandou engastar. O "espírito" explicou a Moses que o rubi não
pertencia a ninguém, mas que fora resultante de uma "criação espiritual".
D. Scotto Rogo se refere a casos de pessoas que, por um ato de vontade, fizerem a-
parecer objetos desejados. A questão que se impõe, então, é a seguinte: os objetos
foram materializados ou teletransportados de outro lugar? No último caso, eles
foram subtraídos de seus legítimos proprietários, os quais, por certo, ficaram
perplexos com o seu inexplicável desaparecimento.
Pode-se, assim, suscitar a hipótese de que um agente psi, desprovido de senso ético,
obtivesse, por metafanismo, a subtração de objetos valiosos pertencentes a outras
pessoas. Em tais circunstâncias, o agente psi cometerá crime de furto, embora seja
extremamente difícil determinar quem é o proprietário dos bens metafanizados.
Ação psi-kapa destrutiva
Art. 163, do Código Penal, define, como crime de dano, "destruir, inutilizar ou
dete-
riorar coisa alheia."
Certos paranormais, em momento de descontrole emocional, podem,
involuntariamente, destruir objetos ao seu redor. Eusápia Paladino, certa ocasião,
num momento de súbita ira, reduziu a pedaços, por ação psi-kapa, uma cadeira.
Para ser responsabilizado pelo crime previsto no Artigo mencionado, é mister que
o agente psi tenha, voluntariamente, criado as condições necessárias para
deflagrar um fenômeno de psi-kapa, com a firme intenção de causar dano a
terceiro.
Poder-se-ia ainda discutir a demissão por justa causa, na Justiça Trabalhista, de
funcionário que, voluntariamente, destruísse arquivos, documentos, máquinas e
outros acessórios da firma onde trabalha, utilizando sua aptidão paranormal.
Além da demissão, ele poderia responder a inquérito policial por crime de dano.
A paranormalidade a serviço da Polícia
Se em alguns países se utiliza a paranormalidade na investigação policial
alternativa para desvendamento de crimes misteriosos e localização do paradeiro
de pessoas desaparecidas, por que não se fazer o mesmo no Brasil?
Foi com esse propósito que, em 25 de maio de 1988, atendendo a convite da
Academia de Polícia, fizemos, no auditório da Celpe, uma conferência para
delegados, médicos e peritos da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco
sobre as implicações práticas da paranormalidade nas investigações policiais. E, no
dia 1º de agosto do mesmo ano, juntamente com o Dr. Ivo Cyro Caruso,
apresentamos um painel sobre técnicas de pesquisa em Parapsicologia, no I Curso
de Aperfeiçoamento Técnico Policial, promovido pela Secretaria de Segurança
Pública de Pernambuco.
No ano seguinte, em 1989, o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas,
em virtude do interesse demonstrado pelo então Secretário de Segurança Pública,
Gal. Evilásio Gondim, apresentou àquela Secretaria um Projeto de Investigação e
Treinamento em Parapsicologia nas Atividades de Polícia, objetivando descobrir e
treinar policiais dotados de aptidões parapsicológicas com a finalidade de ampliar
os recursos dos procedimentos investigatórios. Infelizmente, com a exoneração, a
pedido, do Gal. Gondim, o novo titular da Secretaria de Segurança Pública não se
interessou pelo projeto e, conseqüentemente, pela assinatura do convênio para a
sua execução.
A paranormalidade a serviço da Justiça
Poderemos cogitar também da utilização da paranormalidade em perícias judiciais
a fim de subsidiar informações existentes nos autos ou pertinentes ao processo,
auxiliando a Magistratura e o Ministério Público na aplicação correta da justiça
em cada caso concreto. Assim, no elenco dos procedimentais periciais e até mesmo
nas provas admitidas em direito, poder-se-á, ad futurum, incluir os recursos da
paranormalidade.
O paranormal na Constituição de Pernambuco
Como conseqüência do trabalho realizado pelo Instituto Pernambucano de
Pesquisas Psicobiofisicas - I.P.P.P. - , no campo da Parapsicologia, em nosso
Estado, a Constituição de Pernambuco, promulgada em 5 de outubro de 1989,
obrigou-se a prestar assistência à pessoa dotada aptidão paranormal, conforme
determina o seu Art. 174:
"O Estado e os Municípios, diretamente ou através de auxilio de entidades
privadas de caráter assistencial, regularmente constituídas, em funcionamento e
sem fins lucrativos, prestarão assistência aos necessitados, ao menor abandonado
ou desvalido, ao superdotado, ao paranormal e à velhice desamparada."
Diga-se, de passagem, que a Constituição de Pernambuco é a única no mundo a
reconhecer expressamente a paranormalidade, obrigando o Estado e os
Municípios, assim como as entidades privadas que satisfizerem às exigências da
norma constitucional a prestar assistência à pessoa dotada desse talento. Assim, ad
futurum, os fenômenos paranormais que produzam conseqüências jurídicas
poderão fundamentar decisões judiciais em qualquer área do Direito, com a
admissão, inclusive, da utilização da paranormalidade nos trâmites processuais.
Paranormalidade e Mestrado de Direito
Em 1993, a Dra. Lana Maria Bazílio Ferreira apresentou, na Faculdade de Direito
da Universidade Federal de Pernambuco, a tese "A Paranormalidade em Face da
Lei e do Direito", no Curso de Pós-Graduação em Direito, para a obtenção do seu
Grau de Mestre.
Embora esteja em desacordo com a Dra. Lana Maria em alguns aspectos de suas
interpretações parapsicológicas, contaminadas de ranço espirita, temos de
reconhecer o alto valor de seu volumoso trabalho, assim como do seu pioneirismo
em levar o tema ao domínio universitário, tornando-o familiar aos profissionais do
Direito.
Conclusões
Não restam dúvidas, portanto, da concreta existência de relações interdisciplinares
entre a Parapsicologia e o Direito. Parapsicólogos e juristas poderão discutir
proveitosamente as questões científicas e legais da fenomenologia paranormal,
definindo a utilização prática da paranormalidade nas atividades forenses e na
elaboração de legislação específica para a sua disciplinação.
Em Pernambuco, já encetamos os primeiros passos.
(*) Trabalho apresentado no XIII Simpósio Pernambucano de Parapsicologia,
realizado, em 1995, no Hotel Palace Lucsim, Boa Viagem, Recife.
BIBLIOGRAFIA
BARRETO, Djalma Lúcio Gabriel - Parapsicologia, Curandeirismo e Lei. Editora:
Vozes. Petrópolis. 1972.
BORGES, Valter da Rosa - Função Psi: Aspectos Éticos e Jurídicos. No livro
Parapsicologia: um Novo Modelo (e outras Teses). Editora: Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. Recife. 1986.
FLAMMARION, Camilo - As Casas Mal-Assombradas. Editora: FEB. Rio de
Janeiro.
GRIS, Henry e DICK, William - Novas Descobertas Parapsicológicas: a
Experiência Soviética. Editora: Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 1980.
MEEK, George W. - As Curas Paranormais. Editora: Record. Rio de Janeiro.
SUDRE, René - Tratado de Parapsicologia. Editora: Zahar. Rio de Janeiro. 1966.
TIMPONI, Miguel - A Psicografia ante os Tribunais. Editora: FEB. Rio de
Janeiro. 4ª ed.
XAVIER - Francisco Cândido - Parnaso do Além Túmulo. Editora: FEB. Rio de
Janeiro. 8ª edição.
O SÍMBOLO E O FENÔMENO PARANORMAL
Silvino Alves da Silva Neto
1. Introdução
O Símbolo é tão antigo quanto o próprio homem, pois deve ter surgido
quando os humanóides pré-históricos tiveram seu primeiro lampejo de
autoconsciência e esboçaram os primeiros pensamentos abstratos.
O Símbolo tornou-se essencial no desenvolvimento da linguagem escrita e
verbal. É fato conhecido de todos os lingüistas que a sonoridade de muitas palavras
guardam relação com as qualidades ou características do objeto que representam.
Também, o conhecimento dos ideogramas chineses permitem a compreensão de
qualquer texto, ainda que a pessoa não saiba pronunciar uma palavra sequer desse
idioma.
A simbolização é uma capacidade essencialmente humana. A memória, a
imaginação e as impressões psíquicas empregam essa função. Os animais
aprendem a utilizar os Símbolos, mas são incapazes de simbolizar. Uma grande
parte do conhecimento nos chega através dos Símbolos. As religiões os utilizam, a
Ciência, o misticismo, a mitologia, bem como os sonhos, as alegorias, os contos de
fadas e os rituais. Assim, por exemplo, um livro pode representar o conhecimento,
uma escada, ascensão intelectual, profissional ou social, e uma cruz, a morte.
2. Conceito de Símbolo
O Símbolo é um objeto, uma idéia, uma emoção ou um ato usado para
representar um outro objeto ou uma outra idéia.
O mesmo se compõe de forma e significado. A forma é o seu componente
objetivo, material ou perceptivo. O significado é o fator inconsciente, conceptual e
emocional que é representado pela forma.
A verdadeira simbolização é um processo automático e inconsciente, mas os
Símbolos psíquicos devem ser expressos em termos de fenômenos objetivos, para
que possamos tomar consciência dos mesmos e compreendê-los.
A forma de um objeto é percebida, apreendida objetivamente, e se torna
parte da memória individual. Esta memória é, então, associada ao significado ou à
parte inconsciente do Símbolo. Este se forma, portanto, mediante tal função que
integra ou unifica a forma e o significado num todo.
2.1.Diferença entre Símbolo, signo e sinal
Um Símbolo representa alguma outra coisa, enquanto que um signo identifica ou
indica algo. Um rótulo numa garrafa, por exemplo, é um signo que indica o seu
conteúdo.
Um sinal implica uma reação por parte do usuário ou observador. Bons
exemplos disso são os sinais usados no trânsito.
Um signo, portanto, pode ser definido como um Símbolo que indica ou
identifica algo percebido ou concebido, enquanto um sinal seria um signo usado
para sugerir ou induzir uma dada reação em quem o percebe.
Um signo pode resultar de uma degeneração de um Símbolo original. No
início, ele realmente representava algo diferente dele próprio mas, pelo uso
constante e habitual, teria perdido seu caráter representativo e se transformado
num signo que apenas faça referência a alguma coisa. É o que tem ocorrido, por
exemplo, com muitos Símbolos religiosos.
De um modo geral, um signo é conscientemente apreendido e usado,
enquanto um Símbolo é total ou parcialmente inconsciente.
Um Símbolo é também um agente de transmutação de nossas idéias e
emoções. E tanto mais ele é transmutador quanto mais possua do elemento
inconsciente. O psiquiatra C. G. Jung afirmava que os Símbolos atuam como
transformadores, conduzindo a libido de uma forma “inferior” para uma forma
superior.
2.2. Relação entre forma e significado de um Símbolo.
A forma e o significado de um Símbolo estão relacionados de três maneiras:
por associação, por sugestão, ou pela lei das correspondências.
A relação por associação se dá quando existe alguma semelhança entre a
forma e o significado. Por exemplo: a montanha é associada a altura e ascensão.
A associação pode ocorrer também por dessemelhança. Por exemplo: luz e
trevas estão associados, porque são opostos.
Os atributos naturais podem promover a associação entre a forma e o
significado. Por exemplo: o leão e sua força; a raposa e sua astúcia.
Uma coisa pode se tornar Símbolo de outra desde que ocorram no mesmo
lugar. O local onde ocorreu algo desagradável, como um crime ou um acidente,
torna-se representativo do ocorrido e das emoções a eles associadas.
A relação entre a forma e o significado podem depender do tempo, ou seja,
podem estar relacionados à forma cíclica como ocorrem. Assim é que, a ceia com
peru e farofa doce, regada a champanhe, está associada à passagem do Ano Novo.
Muitos Símbolos são formados por sugestão. Nossos pais e professores nos
ensinam que determinada bandeira representa o nosso país, e nós aceitamos.
Finalmente, o terceiro modo de relação entre a forma e o significado é pela
correspondência (analogia). A rosa e o lótus são Símbolos do sol, porque são tidos
como correspondentes a esse astro, no reino das flores.
Resumindo, na formação do Símbolo a forma e o significado estão
relacionados por:
[ Semelhança
[ Dessemelhança
1. Associação { Atributos
[ Espaço
[ Tempo
2. Sugestão
3. Correspondência (analogia)
2.3. Símbolos individuais, culturais e arquetípicos
Símbolos individuais ou pessoais são aqueles que têm significado especial
para um indivíduo. Uma jóia pode tornar-se um Símbolo da pessoa que a usa.
Símbolos culturais são aqueles comuns a um grupo familiar, religioso, social
ou político.
Símbolos arquetípicos são aqueles que têm um padrão básico, primordial,
característico do pensamento e da criatividade do homem. Sua forma e seu
significado básicos são comuns a toda a humanidade. Embora possa se verificar
certa variação em sua forma e em seu significado, entre diversos povos, ambos têm
elementos comuns, onde quer que sejam encontrados. Jung mostrou que os
mesmos aparecem nos sonhos, nas fantasias e nas obras de arte.
3. A Simbolização em Psicologia e Psiquiatria
Um dos mecanismos de defesa utilizados pelo ego para alívio da ansiedade é
a Simbolização.
Nos transtornos dissociativos conversivos, os sintomas representam o
conflito que lhe deu origem. A cegueira pode significar a negativa do paciente em
querer “enxergar” determinada situação. A paralisia pode indicar incapacidade de
enfrentar as dificuldades da vida, ou de assumir os próprios atos. A surdez sugere
resistência em aceitar certas “verdades”. As dormências apontam para o desejo de
tornar-se insensível aos acontecimentos que lhe afligem.
Os sintomas fóbicos são formados a partir dos mecanismos de deslocamento
e simbolização. Por exemplo: pessoas que têm medo de sapo, aranha, barata. Na
verdade, o objeto real de seu medo encontra-se em nível inconsciente e está
relacionado à sexualidade. Esses animais representam o órgão sexual feminino.
Por outro lado, a serpente representa o falo e sonhar com esse animal geralmente
significa conflito na área sexual.
4. A importância do Símbolo na Parapsicologia
Uma característica dos fenômenos paranormais expontâneos é a sua ligação
com os conteúdos inconscientes, ensejando que os mesmos, não raras vezes, se
apresentem como formas simbólicas de tais conteúdos. Observamos que isso ocorre
tanto com os fenômenos de psi-gama como com os de psi-kapa.
No caso das precognições de morte, por exemplo, é comum o agente psi ter
visão ou sonho com caixão de defunto. Relata-se que o Presidente Abraham
Lincoln previu sua morte ao sonhar com um caixão na sala do palácio. Sentir
cheiro de velas também é considerado prenúncio de morte. Tomei conhecimento de
mais de um caso, em que o relógio de alguém pára exatamente no momento da
morte de um conhecido. O simbolismo é claro: para aquela pessoa, “seu tempo
terminou”.
A cruz também pode significar a morte, mas é por excelência o símbolo do
Cristianismo. Como símbolo de morte, vale citar que alguns parapsicólogos
perceberam que, durante aplicações de testes com o baralho Zener, os indivíduos
submetidos indicavam menos a figura da cruz do que as outras. Foi cogitado que a
mesma seja evitada em vista de se identificar com o medo da morte, latente em
todos os indivíduos. (Não seria o caso de se trocar essa figura por uma outra, mais
“neutra”?) Mas surge uma outra questão: os indivíduos não teriam, em
contrapartida, uma “preferência” inconsciente por uma outra carta? O círculo,
por exemplo, é uma figura muito forte. Representa a Totalidade, o Universo, o Si-
mesmo, Deus. Não seria natural que essa carta fosse mais sugerida? É preciso se
fazer um estudo sobre isso. As outras figuras não são menos importantes. O
quadrado aparece com freqüência nas mandalas e também representa o Si-mesmo.
As ondas representam a água, o mar, a origem da vida. Pode significar também a
energia e, por extensão, a libido. A estrela significa nascimento, início, renovação.
Perguntamos: estando o indivíduo, em certo momento, sob influência de
determinado arquétipo, não terá ele tendência a indicar determinada figura em
detrimento das outras? O próprio idealizador do método, ao fazer a escolha das
figuras para as cartas, o teria feito por acaso?
Voltemos aos fenômenos. Como símbolo cristão, a cruz apareceu no braço
de um “endemoniado” em Maryland – U.S.A. O demônio é um símbolo clássico da
libido. A dermografia em forma de cruz nos dá a chave do conflito: O indivíduo
estava com a libido excessivamente reprimida pelos conceitos cristãos assimilados.
A revolta contra a opressão religiosa e moral muitas vezes é representada
por fenômenos paranormais e extranormais. Certa vez, um “endemoniado”
transformou em cinzas um livro religioso usado por um sacerdote durante sessão
de exorcismo (transmutação). Um outro “endemoniado” transformava em cinzas
suas roupas, cada vez que o vestiam. Este último apresentava episódios de
levitação, que era interrompida após ato masturbatório. Nesse caso, a levitação
simboliza o prazer sexual, ou o orgasmo.
Alguns indivíduos manifestaram revolta contra os preceitos religiosos
através do Sansonismo, quando quebraram crucifixos de metal ou rasgaram
Bíblias, utilizando apenas suas próprias mãos.
Uma coisa que notamos, estudando relatos de casos espontâneos, foi que
geralmente sentimentos de ódio e agressividade não manifestos são expressos pelo
agente psi sob forma de parapirogenia.
Alguns tipos de aparições podem ser representações simbólicas de conflitos
inconscientes. É interessante o seguinte caso relatado pelo parapsicólogo Edvino
Friderichs:
“Primeiro apresentou-se um vulto branco à Sra. D. Leonor e à sua filha; a
seguir o próprio Satanás com rabo e chifres. De outra feita, o diabo estava com os
pés em cima dos pés de José Mário e as mãos de Satã sobre os joelhos dele...
fenômenos esses vistos pela mãe e Maria Helena.
‘Rezei a São Miguel e mais alguns santos de minha especial devoção’, disse
Dona Leonor, ‘foi quando o demônio pulou em cima de minhas pernas, em cima da
cama de Maria Helena, ameaçando-a, fez ainda uma horrível carranca e
desapareceu’...
‘O Bom Jesus da Lapa me socorreu, pois deste jeito eu o vi e senti duas
vezes, sempre pelas três horas da madrugada.’
Desse tipo D. Leonor teve diversas visões, enxergando ora um homem
branco, baixinho, de capuz esquisito, ora uma figura preta, um demônio de
quejanda aparição apavorante, mas sua oração perseverante sempre fazia
desaparecer tudo.”
O conteúdo dessas aparições sugere que pelo menos que uma das pessoas
que as vivenciou estava com conflitos na área sexual. Como já vimos, o diabo é um
Símbolo da libido. Ademais, Sigmund Freud afirma que, figuras que surgem nos
sonhos usando capa ou capuz representam o pênis, visto como tais apetrechos têm
analogia com o prepúcio.
Finalmente, enfatizamos a importância dos Símbolos individuais e do
processo de simbolização por associação a determinado lugar, nos fenômenos de
Psicometria por contato direto com objetos e Psicometria ambiental,
respectivamente. Mesmo se considerando haver alguma ação energética sobre os
objetos ou o meio ambiente, admite-se que o agente psi receba as informações por
telepatia ou clarividência. Nesse caso, o fator de ligação entre o agente psi e a fonte
de informação logicamente seria o caráter simbólico do objeto ou do lugar.
Pelo exposto, torna-se evidente a importância do estudo da Simbologia pelos
parapsicólogos, não só para entender melhor os fenômenos, como também o Ser
Humano em toda sua plenitude.
Bibliografia
1. Friderichs, EdvinoA. Casas mal-assombradas. São Paulo. Edições Loyola. 1980.
2. Quevedo, Oscar G. Antes que os demônios voltem. São Paulo. Edições Loyola.
1993.
3. Jung, C.G. Símbolos da transformação. Petrópolis. Vozes. 1986. Vol. V
4. Freud, Sigmund. A interpretação dos sonhos. 2ª Edição.Rio de Janeiro. Imago.
1987. Vol. IV
5. Introdução à simbologia. 3ª Edição. Curitiba. Biblioteca Rosacruz. 1995.
Experimento de Visão Remota entre o Brasil e a Argentina utilizando
vários sentidos
Jalmir Freire Brelaz de Castro, MA
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP
&
Naum Kreiman
Instituto Argentino de Parapsicología
Este trabalho foi feito em conjunto com o Prof. Naum Kreiman que faleceu
em agosto de 2003, impedindo a continuade conjunta de outros
experimentos associados.
O Prof. Kreiman foi um dos mais importantes pesquisadores da
parapsicologia na Ibero América, tanto pelo volume quanto pela qualidade
das suas publicações. Foi co-fundador e mais tarde presidente do Instituto
Argentino de Parapsicología, tendo publicado Manual de Procedimientos
Experimentales y Estadísticos en Parapsicologia, . Investigaciones
Experimentales en Parapsicologia Tomos I e II, e Elementos Descriptivos y
Conceptuales de Parapsicología, foi editor por décadas do Caduernos de
Parapsicología.
RESUMO
O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas
costumeiramente utiliza diversos tipos de testes tanto orientados a prova
quanto os orientados a processo, todos de baixo custo, procurando
descobrir e explorar condições psi condutivas e pesquisar pessoas que
declarem aptidões psi ou que apenas desejem passar por experiências
paranormais. Complementamos essas pesquisas com outras de campo, sob
o aspecto fenomenológico, onde procuramos descobrir e correlacionar
características de diversos tipos experiências psi.
Este trabalho relata uma série de 7 experimentos de “visão
remota”, realizados entre as cidades de Recife no Brasil, e Buenos Aires na
Argentina, entre maio e junho de 2001, pelo IPPP conjuntamente com o
Instituto Argentino de Parapsicología.
Há diversas formas de experimentos de visão remota. Nos testes
usuais, os alvos são escolhidos previamente apenas pelo experimentador e
o receptor tem a possibilidade de associar livremente, ou seja, o
experimentador vai a local geograficamente remoto e o receptor tenta,
livremente, descrever ou desenhar esse local.
No nosso caso, os alvos foram pré-escolhidos com a participação
do receptor. Mantivemos o termo visão remota para este experimento
devido à similaridade com os testes convencionais, por se realizarem em
países distintos e, por envolver alvos dinâmicos e diversos sentidos.
Embora os testes de visão remota pareçam em princípio, testes de
clarividência, na realidade busca-se através do uso indistinto da
clarividência e da telepatia, também denominado de GESP (do inglês
General Extra Sensory Perception), o acerto de alvos à distância.
Foram selecionados alvos envolvendo os 4 sentidos: visão,
audição, gosto e olfato, tornando o experimento mais próximo da realidade
sensorial das pessoas. Esses alvos foram tanto estáticos quanto dinâmicos e
tiveram por objetivo:
+ Procurar acertar o alvo de uma maneira estimulante
envolvendo vários sentidos;
+ Verificar se alguma categoria de alvo, dentro as 5 existentes,
mostrava-se mais favorável/desfavorável ao fenômeno;
+ Verificar a ocorrência do efeito declínio, com a diminuição e
aumento do número de acertos ao final do experimento;
+ Verificar a ocorrência, ou não, do efeito deslocamento, no
mesmo dia, ou em dia posterior ou anterior;
+ Qualquer que fosse o resultado discutir sobre o experimento,
tendo vista que todos os resultados devam ser comentados e divulgados.
Os resultados obtidos foram significativos, p = 0 .00002.
Acreditamos que no estágio atual do conhecimento científico,
notadamente nas ciências cognitivas e as ligadas as tecnologias da
informação, ainda não se permite incorporar psi ao seu campo de
pesquisa. Nossa expectativa é a de que este século será promissor à
inclusão das anomalias chamadas psi ao arcabouço científico.
Remote Viewing Experiment between Brazil and Argentina using several
physical senses
ABSTRACT
The Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas
customarily uses several types of tests such as proof oriented and process
oriented tests, all at very low costs, to explore psi conductive conditions
and to research people who claim to usually undergo psi experiences or
just want to undergo a paranormal experience. These tests are
complemented by surveys, under the phenomenological approach to find
out and to correlate characteristics of several types of psi experiences.
This paper relates a series of 7 “remote viewing” experiments
held between the cities of Recife, in Brazil, and Buenos Aires, in
Argentina, amongst May and June of 2001, by IPPP in conjunction with the
Instituto Argentino de Parapsicología.
There are several types of remote viewing tests. On the usual
ones the targets are previously chosen by the researcher and the receptor
can freely associate them, i.e, the experimenter goes to a geographically
remote place and the receptor tries freely to describe or to stretch some
drawings of the place. On this case, the targets were pre-selected with the
participation of the receptor.
We maintained the name remote viewing for this case due to the
similarity with the typical remote viewing tests, for being held in different
countries and for involving dynamic targets and several senses. Although
remote viewing tests appear to be, at first, a clairvoyance test, as a matter
of fact we search for the indistinct use of clairvoyance and telephaty, also
denominated GESP (General Extra Sensory Perception) to hit remote
targets.
We consider that in a typical remote view test, as well as this
case, we search for the indistinct use of clairvoyance and also telepathy,
also denominated as GESP (General Extra Sensory Perception), to hit
distant targets
It were selected targets involving four physical senses: vision,
hearing, taste and smell, turning the experiment closer to people sensorial
reality. There were static and dynamic targets, the objective was:
+ To try to hit the target through a stimulating way involving
several physical senses;
+ To verify if any target category, among the 5 existing ones,
were more favorable/ unfavorable to the phenomenon;
+ To verify the occurrence of the decline effect, with the
decreasing and emergence of the hits at the end of the experiment;
+ To verify the occurrence of the side effect, at the same day
or in previous or latter experiments;
+ Whatever the result should be we ought to discuss the
experiment due to the fact that all results need to be commented and
published.
The outcome was significant, p = 0,00002.
We believe that on the present time the scientific knowledge,
specially in cognitive sciences and those related to information
technologies, still does not allow to incorporate psi to their fields of
research. We expect this century will be promising to including such
anomalies called psi in mainstream science.
INTRODUÇÃO
A existência, ou a possibilidade da existência da função psi é intrigante e
ao mesmo tempo fascinante, pois choca-se com a compreensão do que
usualmente entendemos como realidade, além de questionar seriamente
os paradigmas nos quais a ciência se baseia.
O físico Amit Goswami (2003: 22-23) coloca que o sucesso da ciência se
deve a uma série de seis concepções metafísicas da realidade, chamada de
realismo materialista, realismo físico ou realismo científico, ou seja, 1) a
objetividade forte - a realidade é independente de nós; 2) o monismo
materialista e seu corolário, o reducionismo – todas as coisas são
redutíveis a matéria e suas partículas elementares e às interações entre
elas; 3) o determinismo causal - o movimento das coisas é determinado de
modo causal e não há lugar para a vontade divina; 4) a continuidade - todo
movimento é contínuo; 5) a localidade – todas as causas e efeitos são
locais; e 6) o epifenomenismo - todos os fenômenos subjetivos são
fenômenos secundários da matéria.
Em uma série de experimentos de visão remota qualquer, a obtenção de
resultados significativos p< 0,01 (neste ponto somos mais rigorosos que
outras abordagens científicas que consideram significativo p = 0,05),
podem levantar questionamentos referentes a limitação do realismo físico
para se entender a realidade, em particular as questões referentes a
localidade e objetividade.
Alguns parapsicólogos, como Stanley Krippner (1997: 289) entendem
que psi pode ser considerada uma função complexa com limites muito
amplos, não podendo ser explicada através de modelos reducionistas. Os
fenômenos psi parecem transcender os limites de espaço, tempo e
energia, necessitando de abordagens holísticas. Se isso for correto, os
experimentos de visão remota parecem evidenciar que psi independe
dos limites do espaço e tempo e altera nosso entendimento usual de
objetividade.
Ainda dentro das considerações de psi como função complexa, portanto
suscetível a diversos tipos de interações, tais como variáveis
ambientais, os pesquisadores Spottiswoode & May (1997: 399-409)
colocam que a cognição anômala (outra denominação para psi) pode ser
afetada pelas variações do campo geomagnético da terra (observada
através da medida az) e pelos campos estrelares (tempo sideral local –
do inglês LST). Outros parapsicólogos como Sterlund & Dalkvist (1999:
415-422) contestam essas influências, através de estudos relacionados a
acidentes de tráfego na Suécia, onde procuram relacionar a aplicação de
psi a situações de detectar perigos iminentes.
O fenômeno psi, de acordo com Krippner (1990: 9) diz respeito as
interações organismo-ambiente (incluindo aquelas entre organismos),
nas quais parece que a informação ou a influencia ocorre e não pode ser
explicada através do nosso atual entendimento dos canais sensórios-
motores.
Alguns postulados gerais são necessários, como os colocados por Valter
da Rosa Borges (1992: 23), tais como: o ser humano, na condição de
Agente Psi Confiável (APC – pessoa que habitualmente passa por
experiências psi), pensa e age, ao menos aparentemente, na plenitude
de suas potencialidades, ultrapassando, assim, a atividade seletiva e
setorizada do psiquismo consciente e a probabilidade do evento
paranormal varia segundo as características pessoais do APC e de outros
fatores circunstanciais, e quanto mais poderoso for o APC maiores as
probabilidades da ocorrência de psi.
O Modelo Geral para a Parapsicologia, proposto por Valter da Rosa
Borges e Ivo Cyro Caruso (1986: 256-260) é um exemplo de um bom
modelo descritivo para o entendimento de experimentos de visão
remota. Nesse modelo, há três elementos circunstanciais para se
produzir psi: o agente psi (AP), o meio psi (MP) e o fluxo psi (FP), sendo
a função psi f(psi) = { (AP) , (MP), (FP)}, o resultado da interação entre
esses elementos.
Ronaldo Dantas Lins Filgueira (2000: 89) refletindo sobre o modelo
anterior apresentado por Borges e Caruso, considera que a abordagem
dos fenômenos psi sob a ótica da teoria do campo é promissora e
possibilita a percepção de detalhes importantes para a compreensão dos
mesmos, propondo o conceito de DDP (diferença de potencial) psíquico,
a exemplo do utilizado para campos gravitacionais e elétricos.
Caso essa hipótese anterior seja verdadeira, o estabelecimento de
rapport seria o equivalente a existência de uma DDP. O receptor, no
experimento de visão remota, escolhido por ser aparente de maior
potencial psíquico, estabeleceria essa DDP, possibilitando o fluxo psi.
Ivo Cyro Caruso (2003: 297-298) coloca que o paradigma atual da
Parapsicologia se encontra sob variadas descrições, pouco coerentes,
sob a designação genérica de hipótese psi. O objeto central de
investigação dentro desse paradigma é a psiquê, na qual alguns ramos de
seus estudos destacam-se mais ou menos de contextos psicossociais,
quer inter-sujeitos, quer inter-grupos e que no paradigma atual da
parapsicologia, não conhecemos nenhuma explicação envolvendo
qualquer processo neuronal do sistema nervoso central (SNC).
Pesquisadores como William Roll e Michael Persinger (1998: 199),
baseado nos estudos neurofisiológicos realizados com Sean Harribance,
sugerem que a ESP (do inglês Extra Sensory Perception) é
primariamente uma função do lado direito do cérebro. Sean mostrou
significativas habilidades psi em testes, controlados em laboratório, e
apresentou dificuldades no desenvolvimento da linguagem quando
criança, um deficit que o desenvolvimento da ESP pode ter compensado,
pois passou de lerdo a primeiro da turma, até o momento que precisou
aprender francês e latim, línguas nas quais não tinha nenhuma
memória, deixando a escola após a sexta série.
Ao comentar as bases para uma epistemologia da parapsicologia, Carlos
Alberto Tinoco (1993: 175-182 ) afirma que as diversas escolas
filosóficas abordaram a questão da origem do conhecimento de modo
incompleto, e que foi necessário o aparecimento da mecânica quântica
para que fosse evidenciado a participação da consciência. A motivação
produz uma intenção , que é um elemento participante da estruturação
do conhecimento. O seu humano possui vários níveis de consciência e o
nível de consciência afeta a maneira de estruturar o conhecimento. Há
dois tipos principais de consciência coexistindo no homem: a
consciência sensorial (CS), que fornece a sensação de individualidade e
de separação, e a consciência fundamental (CF), que não está submetida
às limitações espaço-temporais, estando associada as forças básicas da
vida. Tinoco propõe que o conhecimento paranormal tem por fonte a
CF, manifestando-se como expressão final da CS.
Dean Radin (1997: 13) alerta que nomes e conceitos utilizados para
descrever psi dizem mais a respeito de situações nos quais os fenômenos
são observados do que propriedade fundamental dos fenômenos em si.
Este parece ser o caso dos fenômenos e experimentos de visão remota.
Um aspecto importante é o papel desempenhado pelo agente (receptor),
considerado por muitos pesquisadores e tais como Beloff (1993). Neste
experimento foi valorizado o papel do receptor que participou inclusive
da seleção dos alvos. Embora se saiba do papel desempenhado pelo
sujeito (emissor) há poucos estudos demonstrando sua importância (Roe
& Sherwood, 2001: 415).
As observações feitas por Ronaldo Dantas Lins Filgueira (2000: 73-81),
em relação ao baralho Zener, em relação as figuras do quadrado “” e do
círculo“O” ; bem como, da cruz “+“ e estrela “L”, constatou que
teoricamente essas duplas são topologicamente idênticos. Se psi for
topologicamente compatível, os citados alvos não podem ser
considerados como diferentes, alterando consideravelmente os
resultados computados, uma observação importante para a escolha de
alvos estáticos em visão remota. Filgueira propôs a substituição do “” e
do “O” pelo símbolo do infinito, e a “+“ e “L” pelo símbolo da
interrogação “?”. Essa hipótese foi testada por Naum Kreiman que, em
correspondência à Filgueira, informou que obteve diferenças
significativas em testes de comparação desses dois baralhos. Pensamos
que as observações topológicas apresentadas por Filgueira sejam levadas
em consideração no caso da escolha de alvos estáticos em testes de
visão remota.
No IPPP costumamos realizar experimentos de baixo custo, que com um
pouco de criatividade estimulam o seu lado lúdico dos participantes e
fazem com que melhor se aproximem da demonstração de possíveis
habilidades psi, cujos resultados estimulem o debate sobre o
conhecimento paranormal. Além do baralho Zener tradicional, com as
restrições acima mencionadas, também realizamos:
+ teste da cadeira ocupada, no qual as cartas são substituídas
por 5 pessoas, que se reversam aleatoriamente ocupando uma cadeira
alvo. Procura-se verificar se a simpatia/antipatia entre o receptor e as
pessoas alvo afetam o resultado.
+ O baralho do IPPP substitui as cartas Zener por figuras
arquetipais;.
+ Teste de psicometria, com a entrega de carta selada, escrita
a mão por determinada pessoa, baseado no polonês Ossowiecki (Foldor,
1966: 269). Nesse o agente psi procurará dizer informações sobre o
autor da grafia.
+ Da cabine psicomântica nos moldes descritos por Moody Jr
(1996). Com a construção de uma cabine (pode ser simplesmente uma
cortina que isole o participante do ambiente e um espelho no qual não
veja a própria imagem), iluminação vermelha de fundo, a exemplo da
cor utilizada nos testes de Ganzfeld) que induza a um estado alterado de
consciência e redução das referências ambientais. Essas condições
seriam possivelmente psi condutivas.
+ Teste de psicopictografia e a aplicação da escala IPPP
(Filgueira, 2000: 199-222) e Lima (1998: 45);
+ Teste de sondagem telepática, teste Edgar Cayce em vigília,
entre outros.
Em resumo, os estudos sobre psi ainda envolvem muita controvérsia e se
configuram incipientes. Os experimentos de visão remota são apenas
uma forma metodologicamente simples de se investigar psi. Este
experimento de visão remota, enquadra-se nos considerados de simples
concepção praticados no IPPP. Inicialmente foi proposto por Naum
Kreiman um experimento de livre associação, primeiramente sem a
intenção inicial de publicação. Posteriormente Castro propôs a
utilização além de alvos visuais também alvos auditivos, gustativos e
olfativos (Kreiman, 2003: 18).
Por seu baixo custo e pela alta motivação envolvida pelos agentes
emissor e receptor, o experimento foi posto em prática, após alguns
meses de intensa troca de correspondências para a definição dos alvos e
planejamento das sessões. A motivação tornou-se maior por se tratar de
dois locais geograficamente distantes, e por envolver dois países
diferentes.
Algumas considerações gerais sobre experimentos de visão remota
O termo visão remota foi cunhado por Ingo Swann e Janet
Mitchell na Associação Americana de Pesquisas Psíquicas - ASPR no início
dos anos 70.
Na visão remota o receptor descreve ou dá detalhes sobre um
alvo que está inacessível aos sentidos normais devido a distância, tempo ou
blindagem. Os tipos de alvo normalmente diferem dos usualmente usados,
pois incluem localizações geográficas, objetos escondidos, ou mesmo sites
arqueológicos ou objetos diversos. A despeito do termo “visão” também
envolve impressões mentais pertinentes aos outros sentidos, como sons,
gostos, cheiros e texturas, bem como efeitos telepáticos e clarividentes.
Em um experimento de visão remota, não é necessário entrar
em um estado alterado de consciência e também pode não ser requerido
um emissor. São diversas as formas de execução. Por exemplo: pode-se
criar uma centena de fotografias, sendo 7 delas escolhidas aleatoriamente
e então colocadas em uma localização remota. O(s) participante(s)
tenta(m) então desenhar ou descrever o alvo. As respostas são enviados
para juizes independentes para que verifiquem o grau de proximidade
entre as mesmas.
Os primeiros experimentos de visão remota são atribuídos a Hal
Puthoff and Russell Targ a partir de 1972 até 1986, inicialmente com Ingo
Swan, no SRI (Stanford Research Institute hoje SRI International). A pessoa
testada ficava residente no laboratório, acompanhada por um pesquisador,
enquanto externamente, outro pesquisador, a partir de uma série de
lugares, selecionava um deles que passava então a ser o alvo. Depois da
escolha, o pesquisador passava 15 minutos examinando cuidadosamente
esse local, após o qual a pessoa no laboratório passava a tentar descobrir,
através de notas e desenhos, onde o pesquisador estava. Em seguida,
fotografias do elenco de alvos eram mostradas a pessoa, das quais
selecionava uma. Posteriormente a pessoa visitava o local escolhido. O
resultado do teste e dos desenhos eram enviados a juizes, que visitavam
todos os lugares da série de alvos e então atribuíam uma nota a partir da
qual a localização se aproximaria mais ou menos das descrições da pessoa
testada. O experimento era bem sucedido quando os juizes, a partir das
descrições da pessoa testada, podiam indicar o alvo correto.
A primeira publicação foi feita em 1976, pelos pesquisadores
anteriormente citados, no IEEE (Institute of Electrocnics and Electrical
Engineers) sob o título “A Perceptual Channel for Information Transfer
over Kilometer Distances” que pode ser traduzido como: Um canal
perceptual para transferência de informação a quilômetros de distância.
O PEAR (Princeton Engineering Anomalies Research) efetuou
entre 1983 e 1989 (Hansen & Utts & Markwick, 1992: 97-113) extensas
pesquisas de visão remota – 411 experimentos dos quais 336 foram
considerados formais, através dos pesquisadores Dunne, Jahn, e Nelson,
além de, de Dobyns e Intner.
Nos testes realizados pelo PEAR o receptor (sujeito) tentava
descrever a localização geográfica desconhecida onde um emissor (agente)
estava, ou estaria, numa determinada hora (também denominados de visão
remota precognitiva). As datas e horas da visitação do alvo eram
especificadas antecipadamente. O receptor e o emissor se conheciam. No
modo “volitivo” (211 testes) o agente era livre para escolher o alvo, no
modo “instruído” (125 testes) o alvo era aleatoriamente selecionado de
uma série de alvos potenciais. Séries diferentes geralmente usavam
diferentes conjuntos de alvos. Durante o teste, o agente passava 15
minutos imerso em uma cena, conscientemente alerta do intento do
experimento. O agente, não monitorado, usualmente selecionava um
horário conveniente, algumas vezes diversos dias antes ou depois da
visitação do alvo específico registrava as percepções através da escrita,
desenhos ou ocasionalmente por gravação a fita. A maioria dos testes (277)
o primeiro passo da análise era o emissor e o receptor darem uma
resposta sim/não a um “descritor” de 30 questões. A resposta a essas
perguntas responde a localização do alvo. Os outros 59 testes foram
realizados antes que a lista tivesse sido elaborada e foram codificados por
juizes independentes (ex post facto). De forma a garantir a qualidade do
comparação entre o alvo e a resposta, um escore era calculado para cada
teste.
O PEAR desenvolveu 5 diferentes tipos de escores, o método B
foi mais utilizado. Neste, eram usados fatores de pesos (alfas), onde cada
alfa era proporcional as localizações alvo as quais o questão do descritor
fosse afirmativamente respondida. O numerador do escore foi criado pela
adição de 1/alfa(i) se a questão i fosse respondida corretamente como
“sim” pelo receptor e 1/(1-alfa(i)) se a questão i fosse respondida
corretamente “não” pelo receptor. O denominador foi calculado pela
adição desses termos como se todas as 30 questões tivessem sido
corretamente respondidas.
Em outras pesquisas efetuadas, como as realizadas por Schlitz e
Gruber em 1980, o pesquisador e o pesquisado situavam-se em continentes
diferentes, cujo resultado p= 0,00005 foi bastante significativo.
Em novembro de1995, foi divulgado pela um CIA relatório,
depois conhecido como relatório Star Gate, sobre 24 anos de investigações
ESP conduzida com recursos governamentais americanos, onde se concluiu
que efeitos estatisticamente significativos foram demonstrados em
laboratório, mas em nenhum caso ESP proveu informação que fosse alguma
vez utilizada para nortear as operações da Inteligência. Alguns
pesquisadores, como Edwin May (1996: 3-23) que sucedeu Targ na direção
do SRI em 1985, criticaram veementemente esse relatório.
De uma forma geral, nos testes de visão remota, o receptor pode ser
solicitado a descrever uma localidade do outro lado do mundo, a qual
nunca tenha visitado, ou a descrever um evento acontecido há bastante
tempo, ou a descrever um objeto selado em um recipiente em uma sala
trancada, ou descrever uma pessoa em atividade, tudo sem nada ser dito
sobre o alvo, seja o nome ou a designação.
Há diversos outros tipos de testes, tais como: os denominados de visão
remota coordenada (coordinate remote viewing, originalmente usada no
SRI) nos quais usando números aleatórios e coordenadas geográficas, o
sujeito (tais como, Ingo Swan) identificaria as localizações geográficas
remotas, ou visão remota extendida (extended remote viewing – ERV,
híbrido de relaxação e meditação)) nos quais se tentaria informação sobre
alvos escondidos usando estado alterado de consciência; ou ainda visão
remota associada (associative remote viewing - ARV) utilizada para
predizer uma situação com múltiplas possibilidades (2 ou 3 respostas),
podendo ser usado na previsão do mercado de ações.
Em outras variedades, os receptores seguem determinados formatos
específicos, concebidos para aumentar a performance do receptor de
várias maneiras, tais como, lidar melhor com o “ruído” (pensamentos
perdidos, imaginações, análises, etc., que degradem o “sinal” psíquico”)
ou permitam o ingresso de dados a serem melhor lidados. Outros métodos
são mais pessoais onde um indivíduo pode, através de tentativa e erro,
desenvolver seu própria abordagem personalizada.
A seguir descrevermos o método aqui empregado cuja motivação
principal foi: “vamos fazer algo simples, metodologicamente fácil, e
verificar o que acontece”.
MÉTODO
O experimento consistiu de sete sessões, realizadas
semanalmente, com uma hora de duração cada, das 20:00 as 21:00,
sempre às quintas-feiras, entre maio e junho de 2001, conforme indicado
no anexo I. O emissor (agente) situou-se em Buenos Aires, Argentina e o
receptor (sujeito) situou-se em Recife, Brasil. Não houve diferença de fuso
horário durante as sessões.
Cada sessão teve quatro alvos emitidos, cada qual por quinze
minutos, logo N = 7 x 4 = 28.
O objetivo do experimento foi:
+ O receptor procurar acertar o alvo através de uma maneira
estimulante envolvendo quatro sentidos;
+ Verificar se alguma categoria de alvo, dentro as 5 existentes,
mostrava-se mais favorável/desfavorável ao fenômeno;
+ Verificar a ocorrência do efeito declínio, com a diminuição e
aumento do número de acertos ao final do experimento;
+ Verificar a ocorrência, ou não, do efeito deslocamento, na
mesma sessão, ou em sessão posterior ou anterior;
+ Qualquer que fosse o resultado discutir sobre o experimento,
tendo vista que todos os resultados devam ser divulgados e comentados
Ao contrário do procedimento geralmente utilizado nos testes de
escolhas livres, em que os alvos são escolhidos previamente apenas pelo
experimentados, neste estudo os alvos foram escolhidos com a
participação do receptor. Na série tomou-se como premissa o maior papel
desempenhado pelo receptor. Acreditamos que isso facilitaria o
experimento tanto pelo conhecimento prévio dos alvos como por
estabelecer um rapport sujeito e alvo, pois haveria significado dos alvos
para o receptor. Utilizou-se ainda o modelo emissor/ receptor. Trata-se de
uma simplificação, pois a parapsicologia utiliza prioritariamente o método
estatístico matemático em detrimento de outros procedimentos
metodológicos que poderiam proporcionar um substancioso
enriquecimento da pesquisa (Rosa Borges & Caruso, 1986 : 256). Esse
modelo evita abordar a relação mente-cérebro, investiga o ser humano na
condição de sistema aberto e facilita a operacionalização dos testes, pois
define o papel do agente e sujeito.
Poder-se-ia ter se utilizado vários receptores (sujeitos), isolados
ambientalmente para se evitar influencias comuns, e participantes em
todas as sessões, bem como a utilização de mais de um emissor, e
comparar se haveria alteração do resultado. Por simplificação, optou-se
por a se utilizar apenas um receptor.
O receptor enviou sua fotografia ao emissor e vice-versa com a
finalidade de se estabelecer rapport entre eles. Tanto o emissor (agente)
quanto o receptor (sujeito) estariam localizados nas suas próprias
residências.
Inicialmente foi pensado nos alvos como: um feito que estivesse ocorrendo
ou uma ação em que o agente estivesse realizando, porém durante o
transcorrer do planejamento optou-se por se escolher alvos utilizando
quatro sentidos, tornando os alvos mais próximos da realidade sensorial,
possibilitando o agente “ver” e sentir a distância. Cabe ressaltar que não
só os experimentos de visão remota lidam com o uso de diversos sentidos.
Outras pesquisas psi, tais como os experimentos pioneiros, relacionando os
efeitos psi em sonhos, realizados por Montague Ulmann, Stanley Krippner e
A. Vaughan, no Hospital Maimonades (hoje Maimonades Medical Center)
cujos resultados foram divulgados no livro Dream Telephaty (Ulmann,
1998: 32-33), também o fazem.
Assim sendo, foram escolhidos alvos: visuais estáticos e
dinâmicos, bem como alvos olfativos, gustativos e auditivos.
Foram esses os alvos selecionados:
+ 4 fotografias (alvo visual estáticos): paisagem, com árvores;
animal urso: animal girafa; espaço sideral com planetas;
+ 4 cenas de filmes (alvo visual e auditivo dinâmico);
+ 4 músicas (alvo auditivo dinâmico);
+ 4 sabores (alvo estático gustativo): açúcar, sal, limão,
pimenta;
+ 4 aromas ou odores (alvo estático olfativo): lavanda
(alfazema); amoníaco; café forte, acetona;
Consideramos alvos estáticos aqueles que contivessem um só tipo de
informação que não variasse com o tempo, tais como: as 4 fotografias,
os sabores e os aromas. Os alvos compostos pelas músicas e cenas de
filmes, uma vez que continham mais de uma informação (tais como
diferentes tipos de sons e ritmos e imagens e cores que variavam no
tempo proposto de quinze minutos), foram tidos como dinâmicos
Foram dadas instruções para o emissor e receptor, para que
alguns minutos antes de se iniciar a sessão, fizessem um breve exercício
de relaxação física e tranquilização mental e se conscientizarem que vão
ter uma visão ou uma idéia ou sentimento do que uma pessoa está
emitindo imagens, cheiros, músicas ou sabores em uma cidade distante
(Buenos Aires ). Foi utilizado o embaralhamento simples dos alvos (cartão
com o nome dos mesmo).
Tarefas dos coordenadores, emissor, receptor e juiz
Foi escolhido um juiz independente situado em Recife, não pertencente
a nenhuma das duas instituições envolvidas. Tanto o receptor quanto o
emissor entregaram imediatamente ao término de cada sessão duas
cópias do resultado do experimento para seu respectivo coordenador,
bem como por correspondência eletrônica. Cada coordenador só pôde
fazer avaliação as cegas do seu coordenado.
Cada coordenador enviou os resultados, imediatamente após cada
sessão, via correspondência eletrônica ao juiz independente.
O resultado do teste só foi divulgado ao emissor e receptor ao final da
série, como forma de reforçar nem positivamente nem negativamente
qualquer bom ou mal resultado esperado.
O juiz independente fez uma avaliação entre os registros e os alvos. Para
cada sessão verificou o registo de cada sujeito e os comparou com o
registo do agente, marcando certo ou errado. Ao final, foi registrado o
numero de acertos por sessão e o total. Foram computados pontos para
os alvos na mesma ordem, mas também verificou-se se ocorreu algum
efeito deslocamento tanto a mesma sessão quanto para sessões
anteriores e posteriores.
Ao final das 7 sessões e após o resultado final divulgado pelo juiz aos
coordenadores que trocaram correspondências, divulgando o resultado
entre si..
RESULTADO E DISCUSSÕES
Os resultados obtidos estão explicitados no anexo I. Em cada
sessão foram computadas as seguintes probabilidades de acerto de cada
alvo, o primeiro foi de 1/20, o segundo 1/19, o terceiro 1/18 e o quarto
alvo 1/17, a soma das probabilidades para os 4 alvos é 0,217, sendo a
média 0,217/ 4 = 0,054.
O número de ensaios realizados foi 28 (4x7), 8 foram os acertos
pontuais. Temos a probabilidade p = 0.054, e a esperança matemática n.p
= 28 x 0,054 = 1,52. O desvio padrão é igual a raiz quadrada de n.p.q =28
x 0,054 x 0,946 que é igual a raiz quadrada de 1,43, ou seja, 1,196.
O valor de z = [ (8-1,52) – 0,5] / 1,196 = 5, por conseguinte p=
0,00002, ou seja, 1 em 50.000, amplamente significativo.
Muito embora o objeto do experimento foi o acerto por alvo, se
quisermos avaliar os acertos em função das categorias (cinco classes de
alvos) teremos:
p= 5/20 = 0,25, n.p = 0,25 x 8 = 7 acertos. O desvio padrão (∂) é
raiz quadrada de n.p.q = √ 28 x 0,25 x 0,75 = 2,29. A quantidade de
acertos por classe foi 12 , logo: z = (12 – 7) – 0,5 = 4,50 / 2,29 = 1,96,
portanto, p = 0,025 (tabela de Gauss), ou seja não significativo..
Rhine (1965: 47) relatou estudos divulgados em 1939 por Pratt
e Woodruff em que a percentagem de sucessos baixava notadamente para
o sujeito médio sem qualquer alteração das condições da experiência.
Considerava que o efeito declínio é característico de ESP, encontrando
também declínio semelhante em outras atividades, tais como, na
clarividência pura, memória e no ato de aprender (1965: 169-170),
considerava que o efeito declínio se apresenta em curvas na forma de U.
Hernani Guimarães de Andrade (1967: 111) refere-se a curva U para
descrever um maior número de acertos no início da operação, mas à
medida que se desenvolve a série de tentativas a freqüência dos acertos
tende a cair (declinação), quando se aproxima o fim da série ocorre ligeira
reação na freqüência dos acertos (ascensão ou emergência).
Segundo Rhine (1965: 146), referindo-se novamente a Pratt e Woodruff, o
tamanho das experiências ESP não tinham importância, pois cada vez que
se introduzia noutro tamanho a marcação se elevava e durante algum
tempo vindo depois a declinar novamente. A repetição desse nosso
experimento com maior número de sessões poderia confirmar as
observações de Pratt e Woodruff.
No nosso caso, não ocorreu nenhum acerto no primeira sessão. Na
penúltima sessão (sexta semana) também não houve nenhum acerto,
porém na última sessão (sétima semana) houve 3 acertos, possivelmente
caracterizando o efeito declínio e ascensão (queda e subida ao final do
experimento), visualizado através do gráfico mostrado no anexo II, que
mostra uma curva U parcial.
Uma das finalidades do experimento pode sugerir o modus operandi do
agente. Dos oito alvos acertados, 6 foram estáticos (4 fotografias, 1 gosto
e 1 aroma) e dois dinâmicos (cenas de filmes). O acerto de alvos estáticos
foi proporcionalmente maior que os de alvos dinâmicos, mesmo sabendo
que havia 1,5 mais alvos estáticos (12) que dinâmicos (8), pois o acerto
de estáticos (6) foi o triplo dos dinâmicos (2). Isso parece confirmar os
relatos da receptora que informou que se conscientizava dos alvos
olfativos e gustativos através de imagens visuais estáticas ao invés de
sensações, daí possivelmente o maior número de acertos de alvos
estáticos. Em testes futuros, a medida que fosse sendo estabelecido o
melhor modus operandi entre agente e receptor, poder-se-ia tornar mais
rígido o controle do experimento.
A questão ligada a sensação e consciência tem sido levantada por Nicholas
Humphey, que em sua obra “Uma história da mente: a evolução e a gênese
da consciência,” focaliza a consciência como uma sensação em estado
natural, bem como as relações entre sensação e percepção (1992: 29-36).
O papel da percepção em psi também é salientado por Roll e Persinger
(1988: 199) quando associa ESP a formas clássicas de percepção (como a
visão), sendo respostas a objetos no tempo e espaço, incorporando
memória implícita, e ambos enfocam objetos importantes para a
sobrevivência e bem estar.
Psi também estaria relacionada a percepção subliminar pois é mais
associativa do que representacional e, mais multi-modal do que modo
específica (por exemplo, um alvo visual pode ser representado por
impressões visuais). A ESP tem uma dinâmica organizacional, porque o
percebido por ESP tende a ser reconstruído na consciência. (Kreiman,
2003: 11).
Pesquisadores como Dean Radin (2003:141) sugerem que as sensações do
sistema nervoso autônomo possam inconscientemente responder a
determinados eventos aleatórios futuros, como figuras calmas ou
emocionais, conforme verificado através atividade eletrodérmica da pele.
Da mesma forma, May e Spootiswoode (2003:98) sugerem que as sensações
relacionadas à condutividade da pele respondem a estímulos 2-3 segundos
antes da sua apresentação, como verificado em experimentos com
diferentes respostas entre fotografias com alta e baixa afetividade
(violência, erotismo, etc.). Bierman e Sholte (2002: 25) sugerem que
respostas antecipatórias que precedem estímulos emocionais (fotografias)
são maiores que as respostas antecipatórias que precederiam estímulos
neutros, quando analisadas através de ressonância magnética (fMRI).
O emissor foi considerado de papel secundário. Poderá ser testado que a participação do
receptor na construção dos alvos, melhore o rapport da dupla emissor-receptor e com isso, influencie os
resultados advindos dos testes. A continuidade dos testes poderia ter levado também a participação do
emissor na seleção dos alvos e com isso verificar se haveria alguma alteração nos resultados, bem como o
receptor não saber se haverá emissor ou não para os alvos.
Deixamos de verificar se a variação entrópica das cores dos alvos conforme
proposto por Edwin May (1997: 61-63) afetaria os resultados. Também não
verificamos a influência dos campos geomagnéticos e estrelares ao longo
do experimento, porém estão identificadas as datas horas e locais
(cidades) dos mesmos. Pretendemos oportunamente fazer essas
verificações, através de material gentilmente cedido por Edwin May.
Qualquer série de experimentos, em princípio, precisa responder as
seguintes questões há tempo levantadas por L. Irwin Child (1987: 190-
191):
a. A pesquisa sugere a ocorrência de anomalias psi? A aparente
transferência de informação ou influências sob condições que não tenham
uma explicação pronta e consistente com o entendimento cientifico
normal do mundo?
b. Em que extensão a inferência impressão de anomalia se
sustenta, para que se possa inferir alguma base para um processo psi
subjacente como a mais provável explicação dos fatos observados?
c. Com psi sendo entendida tanto de uma forma descritiva ou
explicativa em que extensão a pesquisa vai além da demonstração de psi e
contribui para o conhecimento científico de psi.
Ainda segundo L. I. Child (1987), a investigação psi? dos fenômenos
considerados evidentes feita pelos pesquisadores tem levado, a exemplo
de outros campos científicos, a crítica de seus próprios trabalhos e de
outros pesquisadores, na esperança que essa crítica melhore a eficácia das
futuras pesquisas e contribuas para o entendimento de psi.
Acreditamos que devido a probalidade de acaso encontrada (1 em 50.000)
possam sugerir a existência de psi. Porém, as questões a e b colocadas por
Child, para serem efetivamente respondidas necessitariam do
prolongamento do experimento de modo a evidenciar psi de forma
consistente. Caso isso seja demonstrado, e as evidências e o conhecimento
sobre a operação do receptor sejam gradualmente desvendados poder-se-
ia contribuir para a questão c colocada por Child.
Kreiman (2003: 10) coloca que a parapsicologia deveria responder os
seguintes temas entre outros: como funciona a ESP; qual o mecanismo ou
dinamismo por qual o inconsciente ascende a consciência, o que favorece
a ESP, o que a perturba, de que maneira ESP pode impulsionar nossa
conduta e qual a medida de receptibilidade da ESP.
Dean Radin (1997: 42 e 48) observa a dificuldade da replicação dos
experimentos psi devido a característica inerentemente estocástica dos
mesmos, ou seja o fenômeno varia com o tempo, além do mais, o
fenômeno pode reagir com a situação experimental alterando suas
características por causa do experimento. Sendo um problema relativo as
ciências sociais e do comportamento, pois é virtualmente impossível
garantir que o indivíduo testado é exatamente será exatamente o mesmo
quando testado novamente.
A parapsicologia por utilizar métodos convencionais (Krippner & Hovelman,
1986: 385-8) não provocará uma revolução no sentido empregado por
Kuhn, (1972: IX), de alteração da perspectiva histórica da comunidade que
a vivencia.
Entendemos que o trabalho aqui proposto somente lançou uma variável
metodológica, em termos de Ibero América, já que desconhecemos outros
trabalhos nesta linha, ao usar quatro sentidos, e estimulou a necessidade
dos experimentos psi amoldarem-se às características do sujeito, pois caso
o pesquisador psi deseje verificar seus múltiplos aspectos faz-se necessário
adaptar-se ao modus operandi dos pesquisados, e não o contrário.
Esperamos que as críticas a este trabalho possam contribuir para a
realização de outras pesquisas na Ibero América, carente de investigações
psi .
Psi trás a tona, como um problema pertencente ao campo científico, a
questão do link entre subjetividade (significado) e objetividade (de um
paradigma de forças para outro cuja informação e o significado sejam
dominantes), da interconectividade entre mentes, da não-localidade da
mente, da independência do efeito psi no espaço e no tempo e do papel
essencial que a consciência possa ter na dita realidade objetiva (Castro,
1998, 40).
O estágio atual do conhecimento científico não é favorável, em diversas
ciências, notadamente nas ciências cognitivas e às ligadas as tecnologias da
informação, a aceitação de fatores como psi e consciência, e que estas
posam interagir com a com a realidade física, como os experimentos de
visão remota parecem sugerir. Nosso entendimento é o de que a
metodologia em uso na parapsicologia, por mais estatisticamente
significativa que seja, e amplamente replicável e metodologicamente
perfeita, mesmo assim, por chocar-se com o paradigma em curso, não será
considerada evidência que psi possa operar através de mentes e do espaço
e tempo. Acreditamos que este século será promissor à inclusão das
anomalias chamadas de psi ao arcabouço científico.
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ANEXO I
RESULTADOS DOS EXPERIMENTOS DE VISÃO REMOTA
Squência
dos ALVOS
Agente: Julia Kreiman
(Buenos Aires)
Sujeito: Simone
Wanderley (Recife)
OBS
EXP. 1 1 - 19:30-
19:45
Estático Auditivo:
Rock
Estático Olfativo:
Café*
Data 2 – 19:46-
20:00
Dinâmico: Filme Amor
e Sexo
Dinâmico: Filme
horror
Ficou
indecisa
entre
Rock
17.05.01 3 – 20:01-
20:15
Estático Olfativo:
Café*
Dinâmico Auditivo:
Música Piazzola
4 – 20:16-
20:30
Estático: Planetas Estático: Árvore
EXP. 2 1 - 19:30-
19:45
Estático Olfativo:
Lavanda*
Gustativo: Sal
Data 2 – 19:46-
20:00
Dinâmico Auditivo:
música Piazzola
Dinâmico
Auditivo:Tema
Paganini
24.05.01 3 – 20:01-
20:15
Estático: Girafa Estático: Girafa
4 – 20:16-
20:30
Estático Gustativo:
Açúcar Estático Olfativo:
Lavanda *
EXP. 3 1 - 19:30-
19:45
Estático Gustativo:
Limão
Estático Gustativo:
Pimenta
Data 2 – 19:46-
20:00
Estático: Oceano Visual Estático:
Oceano
31.05.01 3 – 20:01-
20:15
Visual Dinâmico:
Filme Ben Hur
Visual Dinâmico:
Filme Ben Hur
4 – 20:16-
20:30
Estático: Planetas Dinâmico Auditivo:
Música Roda da
Fortuna
EXP. 4 1 - 19:30-
19:45
Dinâmico Auditivo:
Música Conquista do
Paraíso*
Estático Olfativo:
Amoníaco
Simone
estava
com dor
de cabeça
Data 2 – 19:46-
20:00
Visual Dinâmico:
Filme Horror
Visual Dinâmico:
Filme Horror
07.06.01 3 – 20:01-
20:15
Estático: Bosque com
árvores
Estático: Urso**
4 – 20:16-
20:30
Estático: Urso**
Dinâmico Auditivo:
Música Conquista
do Paraíso*
EXP. 5 1 - 19:30-
19:45
Estático Auditivo:
Música de Paganini
Estático Olfativo:
Lavanda
Data 2 – 19:46-
20:00
Estático: Urso Estático: Urso
14.06.01 3 – 20:01-
20:15
Estático Olfativo:
Acetona
Estático Auditivo:
Música de Piazzola
4 – 20:16-
20:30
Dinâmico: Filme
fundo do mar
Dinâmico: Filme
Amor e Sexo
EXP. 6 1 - 19:30-
19:45
Estático Gustativo:
Sal*
Estático: Visão dos
planetas
Simone
estava
com dor
de cabeça
e não
conseguiu
relaxar
Data 2 – 19:46-
20:00
Estático: Girafa Dinâmico: Filme
Amor e Sexo**
21.06.01 3 – 20:01-
20:15
Dinâmico: Ben Hur Olfativo: Amoníaco
4 – 20:16-
20:30
Dinâmico: Filme
Amor e Sexo**
Estático
Gustativo: Sal*
EXP. 7 1 - 19:30-
19:45
Gustativo: Limão Estático: Árvore Simone
estava
relaxada e
com bem
estar
Data 2 – 19:46-
20:00
Estático: Árvore Estático: Árvore
28.06.01 3 – 20:01-
20:15
Estático Olfativo:
Café
Estático Olfativo:
Café
4 – 20:16-
20:30
Estático Gustativo:
Pimenta
Estático Gustativo:
Pimenta
ALVOS COINCIDENTES
* , ** ALVOS COM DESLOCAMENTO NO MESMO EXPERIMENTO, como não
estabeleceram um padrão que fosse repetido em outra sessão não foram
considerados
ANEXO II
ANÁLISE DE UM POSSÍVEL EFEITO DECLÍNIO E ASCENSÃO
EIXO Y –
No de
Acertos
EIXO X –
No da
Sessão
SONHOS PROFÉTICOS
Terezinha Acioli Lins
PROFETA E PROFECIA
É temática polêmica, nos dias atuais, a que se refere a profeta e
profecia. Ganha espaço o Apocalipse e suas profecias. O povo repete de maneira
enfática: “O mundo não chegará ao ano 2000”. E as previsões do Fim do Mundo”
conseguiram adeptos entre profetas, místicos, cientistas que divulgaram as suas
idéias e pesquisaram sobre o assunto. Esse estado eufórico, conhecido como
“síndrome do milênio” contagiou a todos, baseando-se, principalmente na previsão
do astrólogo e médico francês Nostradamus, em uma das quadras das centúrias e
que se costuma atribuir ao fim do mundo. Por toda a parte, espalhou-se a idéia de
que esse final teria data marcada para 11 de agosto de 1999, por ocasião da
passagem do último eclipse total do Sol deste século.
E esse fascinante e complexo tema do Apocalipse, com a profecia do
final dos tempos, já está viajando via Internet, sendo discussão constante de
religiosos, fanáticos, cépticos, pesquisadores e até leigos. Não faltaram seitas que se
prepararam para tão esperado momento, apresentando rituais, entremeados de
cânticos e orações. (1)
O termo profecia (do latim prophetiam) é o mesmo que metagnomia
profética, pré-conhecimento, premonição, precognição, presciência, previsão.
E profeta (do latim prophetam) é aquele que possui o dom paranormal
da presciência, do conhecimento do futuro.
No sentido evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação.
Diz-se de todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes
revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida transcendental. Pode um homem,
pois, ser profeta, sem fazer predições. Aquela era a idéia dos judeus, ao tempo de
Jesus. Daí, o fato de que, quando o levaram à presença do sumo sacerdote Caifás,
os escribas e os Anciães, reunidos lhe cuspiram no rosto, deram-lhes socos e
bofetadas, dizendo: “Cristo, profetiza para nós e dizem quem foi que te bateu”.
Entretanto, deu-se o caso de haver profetas que tiveram a presciência do futuro,
quer por intuição, quer por providencial revelação, a fim de transmitirem avisos
aos homens. Tendo-se realizado os acontecimentos preditos, o Dom de predizer o
futuro foi considerado como um dos atributos da qualidade de profeta.
Entre os hebreus, de acordo com os estudiosos, havia duas espécies de
profetas: os nebriim, que eram os profetas propriamente ditos, ou seja, aqueles
cuja missão era a de instruir os homens no conhecimento religioso, e os rôim, isto
é, aqueles que tinham o dom da presciência.
Em suma, no sentido bíblico, profeta é líder religioso de Israel,
sobretudo na época dos reis e do cativeiro da Babilônia.
Houve dois grupos de profetas: maiores e menores. Os maiores são
Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os menores são: Oséias, Joel, Amós, Abdias,
Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Eram
reformadores e purificadores dos costumes do povo e grande parte de seus
ensinamentos consiste em interpretar o sentido religiosos da História.
Progressivamente interiorizavam a religião, até alcançar a doutrina de Jesus. É o
que se depreende, principalmente, de Isaías e Ezequiel.
Fora do Cristianismo, destaca-se a figura de Maomé, como sendo o
último dos profetas, na ordem cronológica.
HISTÓRICO
Em todas as épocas e em todos os povos, acreditou-se na adivinhação do futuro.
Toda a história de Israel, conforme a narrativa do Velho Testamento,
está tão ligada ao espírito dos profetas que os casos narrados são numerosos
demais para serem citados. Dezoito dos trinta e nove livros do Antigo Testamento
são conhecidos pelo subtítulo “O Livro do Profeta”. Realmente, há pouquíssimos
momentos na história de Israel que não comecem com as palavras: “E o Senhor
falou através de seus servos, os profetas, dizendo...” e não terminam com: “... e assim
foi.”
Em I Reis, é sabido que a rainha Jezebel mantinha nada menos que 850
profetas à sua mesa, enquanto o rei Davi escolheu, como profetas oficiais da corte,
Gad e Natan. No Êxodo, Moisés é servido por um profeta, seu irmão Aarão,
através do qual Deus advertiu o Faraó sobre as Sete Pragas que Ele iria enviar ao
Egito, caso os filhos de Israel não fossem libertados de sua escravidão.
É o Gênesis que proporciona, talvez, o exemplo mais claro dos tempos
bíblicos dos reis e, certamente um dos mais citados hoje, quando se aborda a
precognição: o de José e seus sonhos. José que atribuía seu dom à providência
divina, como outros profetas de Israel, interpretou com exatidão o simbolismo dos
sonhos do Faraó (as sete vacas gordas, devoradas por sete vacas magras, as sete
espigas de milho boas devoradas por sete espigas de milho ruins), predizendo que
sete anos de fome se seguiriam a sete anos de abundância.
Com sua previsão, José salvou da ruína o reino do Faraó e obteve, junto
à família, uma posição de grande poder e influência como havia previsto (em
sonhos) tidos na infância, quando junto à família.
Ouvi, peço-vos, este sonho que tenho sonhado: eis que estávamos
juntando feixes no campo e meu feixe elevou-se e manteve-se ereto, e vossos feixes
se puseram em torno e prestaram obediência ao meu.(Gênesis 37:6, 7)”
Foi para evitar que isso acontecesse que os irmãos de José, enciumados,
venderam-no à escravidão do Egito, um gesto que, mais tarde os levou ao destino
ao qual haviam pretendido escapar. (2)
Na Antigüidade Clássica, destaca-se o caso de Sócrates. Ele se dizia
acompanhado de um intermediário entre Deus e o homem: “oráculo familiar
dentro de mim” ou voz interior, a que, cientificamente, chamamos telepatia,
clarividência, precognição. Freqüentemente, em público, ele parava, ouvia, e
obedecia à voz ou transmitia seus avisos. Certa vez o oráculo interno instou para
que Sócrates avisasse o jovem Cármides de que não deveria participar de certa
competição esportiva. Cármides desprezou a advertência e acabou ferido.
Em outra ocasião, Sócrates e Timarco bebiam juntos e, antes de este
partir para executar um plano assassino, o “oráculo dentro de Sócrates avisou
Timarco de que não deveria ir, mas não mereceu atenção: Timarco foi morto”.
É outro exemplo de experiência premonitória espontânea na Antigüidade, o sonho
de Calpúrnia na noite que antecedeu ao assassinato de César. Calpúrnia via a
estátua de seu marido jorrando sangue, sendo um sonho precognitivo de
significado tão óbvio que nenhuma interpretação exigia.
Um exemplo registrado por Heródoto e que envolve Creso, o rei da
Lídia, é interessante e merece ser mencionado:
Preocupado com a crescente militarização da Pérsia, Creso planejou
consultar um oráculo, mas sendo um tanto céptico, resolveu “testar” diversos
oráculos a título de experiência (provavelmente, como observou Whately
Carington, trata-se do primeiro exemplo concreto e documentado de pesquisa
psíquica). Creso enviou sete mensagens a sete oráculos diferentes, instruindo cada
um deles para que, no centésimo dia, a contar de sua partida, fosse perguntado ao
oráculo: “O que está fazendo agora o rei Creso, o filho de Alíates?” Os mensageiros
deveriam, então, trazer a resposta por escrito.
A resposta vinda de Delfos e a única correta, dizia:
Posso contar os grãos de areia, posso medir os mares;
Escuto o silêncio e posse dizer o que o mundo falou;
Oh! surpreendo-me com o cheiro de uma tartaruga coberta com uma carapaça;
E cozinhando agora num fogo com a carne de um carneiro emcaldeirão;
Há bronze na panela por baixo, e bronze na tampa em cima.
Foi tão preciso o oráculo que dispensou qualquer interpretação. (3)
No século XIII, são Tomás de Aquino, em sua discussão do instinto
profético, observou que ele não era necessariamente miraculoso. Seu
contemporâneo, Santo Alberto Magno, julgava-o mais comum a mulheres que os
homens. Quinhentos anos depois, Próspero Lambertini, ao escrever seu longo,
culto e cuidadoso estudo “De Canonizationi”, distinguiu entre o miraculoso e o
insólito e reconheceu o último como ocorrendo entre os homens e animais
(inclusive insetos e peixes). Afirmou que a profecia natural entre os homens
parecia emergir mais freqüentemente durante o sonho que em vigília, e que era
rara entre pessoas instruídas e mais comum entre os iletrados e aquelas mentes
“não inteiramente absorvidas em paixões e ocupações externas”, recorda-nos Renée
Haynes, da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres.
AS PROFECIAS DE NOSTRADAMUS
Médico e astrólogo francês, nasceu em Saint-Rémy (Provença), sendo o
mais associado a profecias e previsões que qualquer outro na mente popular.
Astrólogo, médico e profundamente enraizado na tradição mística judaica (era um
judeu convertido), entre suas profecias perturbadoras estão algumas que parecem
haver previsto: a Revolução Francesa, a ascensão de Napoleão e, talvez, o domínio
de Hitler. (4)
Quando coincidiu cumprir-se sua predição sobre a morte trágica de
Henrique II (que morreu em um torneio), sua fama não conheceu limites, e muitos
lhe atribuíram o dom profético.
Por volta de 1547, começou a fazer predições, publicando, em 1555, um
livro de profecias em rimas, intitulado “Os Séculos” (Centúrias). Republicou a
obra em 1558, aumentando-a e dedicando-a a Henrique II.
Compunham-se de quadras grupadas às centenas, cada uma delas
formando um século. Famoso em todo o mundo por suas Centúrias, escritas em
verso e de sentido cabalístico.
A maioria das predições de Nostradamus chegou até nós com a
publicação de suas Centúrias, mas há uma história que se refere a algo ocorrido
em sua juventude. Durante uma viagem a Itália, teve a oportunidade de encontrar
um guardador de porcos que se havia tornado monge, chamado Felix Peretti.
Nostradamus imediatamente caiu de joelhos e dirigiu-se a Peretti como “Sua
Santidade”. Anos depois da morte de Nostradamus, Peretti se tornou o Papa Sixto
V.
As Centúrias são quadras agrupadas em centenas e prefazem um total
de 966. Atribui-se a cada uma dessas quadras a visão de algum acontecimento
futuro. Estão escritas de maneira estranha, muitas vezes cheias de um obscuro
simbolismo enigmático. Seu caráter extremamente vago deixa-as abertas a
interpretações mais amplas. Esta é a principal acusação contra as predições de
Nostradamus, vinda de pessoas que supõem que um intérprete bastante hábil seria
capaz de ler qualquer coisa nelas. Por outro lado, Colin Wilam em The Occult
chama a atenção para o fato de que, considerando-se as Centúrias como um todo, a
grande quantidade de acertos diretos confirmados em suas predições à luz de
acontecimentos históricos posteriores é impressionante.
Nostradamus era um francês de boa educação, versado nos caprichos
da política de seu país e bem situado na sociedade de seu tempo, não é de
surpreender que entre as mais obviamente significativas e exatas de suas previsões
estejam visões de fatos ocorridas posteriormente na história da França. Várias
falam diretamente sobre a Revolução – embora esta só tenha acontecido dois
séculos depois da morte de Nostradamus.
Duas quadras costumam ser citadas freqüentemente como presságios
da Revolução. Uma diz:
Os líderes da cidade em revolta,
Em nome da liberdade,
Trucidarão seus habitantes sem distinguir idade ou sexo
E haverá gritos, choros e tristes visões em Nantes.
Os estudiosos de Nostradamus são quase unânimes em opinar que essa quadra é, com toda probabilidade, uma previsão
do sádico derramamento de sangue e dos afogamentos que o louco Carrier ordenou em Nantes em 1793, sob os auspícios
do Comitê Revolucionário de Segurança Pública. Entre as vítimas de Carrier, estavam mulheres e crianças de colo e,
quando os pescoços dos bebês se mostraram muito pequenos para a guilhotina e o instrumento se tornou por demais
lento para o massacre, Carrier mandou que os infelizes condenados fossem colocados às centenas em barcos que então
eram deliberadamente afundados.
A Segunda “quadra Revolucionária”, aceita em geral como a previsão
das mortes de Luís XV e Maria Antonieta é sinistra em seu detalhamento.
Pela noite virão através da floresta de Reines
Duas pessoas casadas, por indireta via; Herne, a pedra branca.
O monge negro em cinza entraram em Varennes;
Eleito capeto, causa tempestade, fogo, sangue e cortes.
Em junho de 1791, Luís XVI e Maria Antonieta tentaram fugir de Paris
disfarçando-se – ele com uma roupa cinza, ela de branco e escapando pelos
apartamentos da rainha. Chegaram até Chalon, antes de serem reconhecidos pelo
chefe dos correios da aldeia. Foram levados presos a Varennes, mantidos ali
durante a noite e devolvidos a Paris para serem decapitados. Luís XVI costuma ser
descrito como um homem de aparência monacal e foi o primeiro rei francês a ser
eleito pela Assembléia Constituinte em vez de valer-se da lei do Direito Divino.
Nostradamus escreveu três quadras que são atribuídas à profecia da
ascensão de Hitler e todo o derramamento de sangue que seu governo determinou.
A mais citada talvez seja esta:
Bestas famintas enlouquecidas farão as correntes tremer;
A maior parte da Terra estará sob Hister.
Numa gaiola de ferro o grande será arrastado,
Quando o filho da Alemanha observa o nada.
Embora pareçam próximas da verdade, suas quadras de Hister estão
sujeitas a controvérsias.
Muitas das profecias de Nostradamus parecem referir-se a
acontecimentos que ainda estão por se realizar, em um tom perturbador. Uma, à
qual se costuma atribuir a previsão do “Fim do Mundo”, é assim:
Como o grande rei de Angoulême,
no ano de 1999, no sétimo mês,
e Grande Rei do Terror irá descer do céu,
e, nessa época, Marte reinará pela boa causa.
Enquanto inúmeros estudiosos acreditam que o Grande Rei de
Angoulême deve referir-se a Genges Khan, pois Nostradamus aponta
freqüentemente os mongóis como os de Angoulême, as opiniões se dividem entre os
que consideram que a quadra em seu todo seja a previsão de uma grande guerra
com bombas de hidrogêneo, a tomada do mundo pelos orientais ou uma invasão de
Marte. Até o momento, ainda não presenciamos isso.
A maioria dos pesquisadores de Nostradamus procuram demonstrar
que suas profecias estão relacionadas aos acontecimentos da Revolução Francesa
ou à Segunda Guerra Mundial ou ainda a um futuro distante. Daí, forçou o
aparecimento de uma nova e importante tradução (para o inglês) crítica das
Centúrias, questionando toda essa abordagem ao trabalho de Nostradamus.
Em seu The Profhecies and Enigmas of Nostradamus, o historiador
francês Liberté Le Vert sugere que, na verdade, muitos dos acontecimentos a que
se referem as quadras das Centúrias sejam alusões a fatos que ocorreram durante
o período de vida do próprio Nostradamus: a retirada do Imperador Carlos V (em
vez do exílio de Napoleão em Elba), as rebeliões políticas na Bretanha do século
XVI (em vez dos graves acontecimentos que envolveram a posterior execução de
Carlos I na Bretanha) ou acontecimento ligados ao rio Danúbio (o Hister, a que se
atribuem as quadras de Hitler). Le Vert argumenta que sempre que Nostradamus
tentou profetizar acontecimentos mais distantes “ele geralmente esteve
equivocado.”
De acordo com a notável estudiosa, senhora Franceyates, o novo trabalho de Le Vert prestou uma grande colaboração à
história e a Nostradamus, ao proporcionar pela primeira vez um texto e uma tradução confiáveis das poesias de
Nostradamus, varrendo as desprezíveis interpretações que séculos de exploração de baixo nível haviam deixado
encobertas. Ela acredita que só Le Vert conseguiu desvendar o verdadeira Nostradamus.
SONHO
O sonho é a linguagem, por excelência, do insconsciente.
Para Sigmund Freud, a sua função é a da guardo do sono e de
realização dos desejos.
Na concepção de Carl Gustave Jung, o Sonho é a uma auto-
representação, uma forma espontânea e simbólica, da situação atual do
inconsciente”, incluindo entre seus fatores determinantes, a telepatia. (5)
Os sonhos são mensagens criptomnésicos e telepáticas que, durante a
vigília, não tinham alcançado o nível da consciência.
É o sonho a expressão típica da vida inconsciente. Nele não temos o
relacionamento de tempo e espaço, da vida psíquica vigílica. A sua manifestação é
freqüentemente simbólica e fortemente emocional, irracional, com relações pré-
lógicas e mágicas.
Morfeu faz desaparecer todas as dimensões que se conhecem,
substituindo-as por outras, em que as coisas mais absurdas se tornam naturais e,
dentro dos limites dessas novas dimensões, as pessoas conseguem desdobrar-se,
multiplicar-se e encontrar-se a si próprias.
No sonho, os mortos revivem e os vivos podem passar por uma morte
efêmera. Pode-se voar, entender os animais e as coisas e comunicar-se com eles,
conseguindo até efeito extraordinário, praticando crimes e atos estranhos ao
cotidiano de vida. O mesmo indivíduo, em estado de hipnose não o faria, se fosse
contrário à sua programação básica. Na hipnose, verifica-se uma ação, enquanto
que no sonho, ocorre uma representação simbólica.
Extremamente significativo e alucinante é o sonho de um jovem autor
teatral que se viu sentado na platéia, assistindo à apresentação de uma peça. Ao
mesmo tempo, ele via-se no palco representando todos os papéis. De repente,
levantou-se olhando para trás, percebeu que o teatro estava repleto de centenas e
centenas de pessoas idênticas a ele.
Os pesquisadores chegaram à conclusão de que, mesmo que não
recordemos nossos sonhos, produzimo-los várias vezes por noite, em média três ou
quatro vezes. Mas é muito pouco ou nada, o que se recorda ao acordar. Alguns,
todavia, lembram-se de todos os sonhos e sonham o que desejam. Alguns exercícios
podem ser úteis para a memória e controle dos sonhos.
Experiências com sonhos começaram a ser realizadas. Na década de 50,
Nathaniel Kleitman, trabalhando no laboratório da Universidade de Chicago,
conseguiu registrar estranhos movimentos oculares que eram produzidos durante
certa etapas. Seu ajudante, William Demet, batizou este período de “Rapideye
Moviments”, abreviado como REM. Acrescentam-se a essas descobertas,
experiências vivenciadas por exploradores em contato com tribos chamadas
primitivas que, segundo foi observado, podem controlar seus sonhos conforme suas
vontades.
São características dos sonhos: o raciocínio integral não se manifesta
com facilidade; a faculdade crítica fica diminuída; muitas imagens não
correspondem ao real, podendo aparecer deformadas; dificuldade de o sonhador
lembrar-se das seqüências das imagens; dificilmente o enredo de um sonho é
continuação do sonho anterior; as excitações sensoriais podem agir na produção da
fantasias; as imagens dos sonhos podem refletir-se no mundo real; as figuras são
vistas com intensidade inferior à da vigília; as lembranças das imagens não são tão
fortes; as imagens são lógicas, vagas e cambiantes; os sonhos não vivenciam cheiros
ou sabores, já que as células nervosas enviam estímulos apenas à visão e à audição.
SONHO PRECOGNITIVO
As referências ao futuro e que perturbam nosso conceito usual de
tempo, ocorrem ao dormir, quando as barreiras entre consciência e inconsciência
são enfraquecidas. Na cultura da Índia, a ESP é mais aceita e menos inibida,
portanto, que na cultural Ocidental.
Na linguagem descritiva dos percipientes, os sonhos são relatados como vívidos e
realistas; freqüentemente lembrados em seu encadeamento; podem não acontecer
certos detalhes; alguns aspectos considerados insignificantes aparecem idênticos,
quando a experiência ocorre; o sonhador pode ficar fortemente impressionado,
perdendo, às vezes, o sono pelo resto da noite; parecem uma fotografia
impressionante do fato, quando este vem a ocorrer (forma pictórica, sem
disfarces); fica gravado na mente do sonhador; a recorrência que, em algumas
pessoas força a credibilidade no sonho.
Se o ser humano pode modificar o fato, retardá-lo ou antecipá-lo para
seu bem, da família e da comunidade. Ele é um ser livre, podendo programar o
inconsciente para que mova a realidade, segundo suas necessidades e interesses. (6)
Se o ser humano é capaz de desenvolver a capacidade de precognição
ou premonição é porque ela deverá ter uma finalidade construtiva para o
indivíduo e a espécie. O consciente, a mente racional torna o ser humano livre e
dono do seu destino. Daí, o nível inconsciente trabalhar mais com probabilidades
que com o destino.
O fenômeno de premonição é um anteprojeto programado a nível
inconsciente, não ainda em fase de execução, mas em estado potencial, podendo o
agente psi reforçar a programação, alterá-la parcialmente, invertê-lo.
Alguém sonha várias vezes que perdeu a pedra do anel. Ao despertar,
sente-se aliviado, por constatar ser apenas um sonho. Tempos depois, perde a
pedra do anel. A dinâmica inconsciente avisara do anteprojeto da perda do anel.
Não sabendo ouvir ou interpretar a informação, perdeu a oportunidade de evitar a
perda.
O agente psi sonha e acontece; sente e acontece; vê e acontece. O
processo inconsciente pode programar a intuição, reforçar a previsão, alterar a
previsão e modificar as previsões negativas. Às vezes, o precógnito não pode fugir
do evento. (7)
Quando se percebe algo que, para os outros pode ainda ser futuro, para
quem o percebe, já se fez presente. Daí, poder-se agir sobre ele, poder-se modificá-
lo: relatividade do tempo e adaptação do ser humano a ritmos temporais
diferentes.
O anúncio precognitivo pode ser transmitido de várias maneiras, tais
como intuições, vozes, aparições, sendo os sonhos a sua mais freqüente
manifestação, segundo dados estatísticos do Society por Psaychical Resecarch
(SPR). Em 1951, a pesquisa estabeleceu um percentual de 68%. (8)
Há sonhos premonitórios sobre mortes, acidentes, doenças, tragédias,
prêmios em jogos, incidentes triviais etc. Pode ser anunciado por pessoa viva ou
por pessoa morta. Freqüentemente o evento precognitivo é comunicado sob forma
de símbolos. Daí, tornar-se difícil a interpretação. Uma censura do ego pode
amenizar e disfarçar uma informação traumática, vinda do inconsciente. O evento
precognitivo pode referir-se a eventos próximos ou remotos. Pode repetir-se, como
ocorreu com o naufrágio do Titanic, em que O’Connor sonhou duas vezes com o
acidente.
Os sonhos precognitivos mais freqüentes se referem a crises pessoais,
seguindo-se de parentes e amigos. Há, todavia, temas agradáveis, como a felicidade
de ganhar em jogos; a concretização de uma viagem desejada; melhoria de
emprego etc.
Quanto ao intervalo de tempo entre precognição e eventos
confirmatórios, as experiências precognitivas não compreendem grandes extensões
de tempo, como décadas ou séculos (segundo se dá com a profecia tradicional.
Muitas se cumprem dentro de minutos, horas ou dias. O fato é que não se conhece
nenhum limite para essa forma de psi.
A verdadeira precognição refere-se a acontecimentos surpreendentes,
triviais ou trágicos, que nenhuma inferência permitiria prever. Detalhes exatos e
objetivos eliminam o acaso ou diminuem a probabilidade de sua ocorrência.
Registro por escrito, com data, corroborado por testemunhas idôneas, ou relato
oral a uma ou várias pessoas, garante a autenticidade do precognição. Daí
documentos e testemunhas idôneas são importantes no reconhecimento do
fenômeno extra-sensorial espontâneo. (9)
Segundo Charles Richet, a precognição é inesperada e imprevista para o próprio
paragnóstico.
O parapsicólogo holandês Willem Tenhaeff, primeiro professor titular
de Parapsicologia numa universidade, em seu livro Telepatia e Clarividência,
chamou aos videntes do futuro de proscopistas e à precognição, proscopia
(memória do futuro).
Em suma, quanto mais vaga e quanto mais geral é a predição, tanto
mais probabilidade tem de vir a ser cumprida. Outrossim, precognições
confirmadas são extremamente raras, esporádicas e excepcionais.
PRECOGNIÇÃO E LIVRE-ESCOLHA
A precognição e a livre-escolha coexistem naturalmente. Não há 100% de precisão na adivinhação do futuro, pois se isso
ocorresse, teríamos acentuadas implicações em nossa filosofia de vida. Não haveria a liberdade de escolha e mesmo que
uma pessoa fosse informada que iria sofrer um desastre de trem, por exemplo, ela não poderia evitá-lo. A precognição,
nesse caso, perderia o sentido.
Nos estudos de precognição, até hoje, quer em casos espontâneos já
registrados, quer em qualquer dado escolhido em experiências de laboratório
houve indício de precisão. Ao contrário, é uma faculdade tão imprevisível que dá
aos cépticos boas razões para questionar a sua existência.
PRECOGNIÇÃO E TEMPO
As noções de tempo e espaço constituem uma criação da mente
humana. São apriorísticas, segundo o filósofo Immanuel Kant. Não são uma
propriedade das coisas, nem se originam de nossa observação do mundo exterior.
Ao contrário, o mundo exterior tem o tempo e o espaço como pré-requisitos. O fato
de que as coisas sejam simultâneas ou sucessivas já supõe o tempo como algo pré-
existente, assim como o espaço já está implicado na justaposição ou separação das
coisas. Não podemos eliminar o tempo e o espaço das coisas, porque todos os
objetos da nossa experiência existem sob o domínio dessas duas formas de
percepção. Mas nada indica que essas duas formas sejam necessárias para além do
mundo mental dos seres humanos.
HIPÓTESES DA PRECOGNIÇÃO
Eterno Presente: a existência total da Terra é um fenômeno espontâneo.
O nosso “EU” limitado vê como fenômeno sucessivo, enquanto o “EU”
transcendental pode sintonizar-se com a instantaneidade. Daí, os clarividentes
verem, por assim dizer, indiferentemente, o passado, o presente e o futuro.
Eterno Retorno: hipótese lançado por Leon Perom e aceita por Nietsche
e pelos estóicas. Segundo os defensores dessa hipótese, as combinações do
Universo, não sendo ilimitados, teriam que se repetir um dia. Desse modo, o futuro
não é mais do que um passado que se vai repetir.
Sioncronismo de Jung: a precognição seria uma coincidência
significativa acausal entre um conteúdo psíquico e um fato físico. Sua teoria não
pode ser testada em laboratório de parapsicologa, porque elimina a causalidade e
favorece a coincidência, o acaso significativo.
Hipótese do Dr. Wasserman: o futuro já se encontra latente no presente
como padrões potenciais de todos os acontecimentos possíveis. Discorda de
Bergson que diz que o futuro está sendo criado em cada momento. Para ele, os
padrões de todos os acontecimentos possíveis se situam fora do tempo e nem todos
sairão de seu estado potencial, convertendo-se em fatos físicos.
Hipótese da liberdade de escolha (da autora). Toma-se por base a
interação entre os elementos de um arranjo qualquer. A nível inconsciente, os fatos
do mundo físico são captados sob forma simbólica, reúnem-se livremente, tendo
muitas possibilidades para conduzir o futuro. Tudo indica que a liberdade de
escolha se verifica pelo processo de interação entre os dados na formação dos
arranjos psíquicos. É uma previsão, em que os fatores se encontram em estado
potencial, podendo caminhar para atualizar-se. O percipiente tem o sonho
precognitivo que se realizará ou não, tudo dependendo do seu curso não ser
interrompido por algum fator circunstancial. Caso o seja, o sonho precognitivo,
não acontecerá, resultando daí a sua imprecisão, que tanta polêmica causa entre os
cépticos. A liberdade de escolha anula o determinismo, o que vem corroborar que,
na precognição, nada existe determinado, mas se trata de um futuro em formação,
podendo concretizar-se ou não, na realidade. Caso os arranjos psíquicos passem de
potência a ato, o fato previsto ocorre. Caso contrário, permanece, em estado
latente.
PRECOGNIÇÃO E EXPERIÊNCIA CIENTÍFICA
O Dr. Joseph Bank Rhine comprovou, em 1933, a evidência da
precogniação através da experiência científica. Rhine não é apenas um
pesquisador, é também um pensador. E um pensador capaz de tratar os resultados
de suas experiências, não apenas de maneira matemática e lógica, mas também
emocional. Em “The Reach of the Mind”, sua primeira frase é socrática: “Vós e eu
os seres humanos, o que somos? E ele mesmo responde: “Ninguém o sabe”.
O professor Soal que sempre teve de lutar muito para conseguir êxito no terreno das pesquisas, havia concluída de
maneira negativa o rigoroso exame de seus experimentos com 160 sujeitos, em que obtivera 128.350 respostas sem que
pudesse ultrapassar a barreira do acaso. Carington adverte-o quanto aos desvios e Soal resolve cuidar do problema,
verificando que dois sensitivos, Mrs. Stewart e Mr. Shackleton, eram precognitivos. Shackleton colocou-se à disposição
de Soal e as experiências se realizaram durante a guerra de 39 – 45. Destaque-se que o sensitivo não era apenas
precognitivo, mas também retrocognitivo. Nos desvios examinados por Soal, ele havia adivinhado ora a carta anterior
ora a posterior, não acertando nunca no alvo. Era um sensitivo deslocado no tempo e, por isso mesmo, mais valioso.
As experiências de Soal não eram feitas com as cartas Zener, mas com
as suas próprias, constando de uma série zoológica: E-Elefante; G-Girafa; P-
Pelicano; Z-Zebra e L-Leão. Havia-se cansado de lidar com as figuras geométricas
e criou cartas coloridas, pois Soal se enfartara das figuras negras e geométricas de
Zener, atirando no mar os seus maços. Elas reagem à frieza geométrica e à
severidade da cor negra.
Mais tarde, Soal conseguiu realizar algumas experiências com Mrs.
Stewart, sendo bem sucedido. Depois da guerra, ela realizou novas experiências
com Soal, quando se verificou que a sensitiva havia perdido o dom da premonição.
Não adivinhava mais a carta seguinte, mas a chamada carta O, que corresponde ao
presente, a carta objetivo. Com essas experiências, Soal doutorou-se pela
Universidade de Londres.
Um caso típico de precognição é o de Wathely Carington. Ele abria um
dicionário, tomava a primeira palavra utilizável para o caso, fazia um desenho e o
afixava em seu gabinete. O sensitivo captava a distância, não aquele desenho, mas
o que seria feito no dia seguinte. Entretanto, nem o próprio Carington sabia qual
iria ser esse novo desenho que dependeria da palavra a ser-lhe novamente
oferecida pelo dicionário.
Carington explica essa ocorrência através da hipótese do
associacionismo paranormal. Havia um sistema de relações inconscientes que
permitiu o processo de precognição telepática, como uma forma de comunhão
mental.

PREGNOSE NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA GRECO-LATINA
Sócrates dizia-se acompanhado de um intermediário entre Deus e o
homem: “Oráculo familiar dentro de mim” ou voz interior, a que cientificamente
chamamos telepatia, clarividência, precognição. Freqüentemente, em público, ele
parava, ouvia e obedecia à voz ou transmitia seus avisos. Certa vez, o oráculo
interno instou para que Sócrates avisasse o jovem Cármides de que não deveria
participar de certa competição esportiva. Cárides despregou a advertência e
acabou ferido.
Em outra ocasião, Sócrates e Timarco bebiam juntos, antes de este
partir para executar plano assassino, o “oráculo” dentro de Sócrates avisou
Timarco de que não deveria ir, mas não mereceu atenção: Timarco foi morto.
Em Roma, o sonho de Calpúnia, na noite que antecedeu ao assassinato
de César, é um exemplo de experiência premonitória espontânea na Antigüidade,
Calfúnia viu a estátua de se marido jorrando sangue, um sonho precognitivo de
significado tão óbvio que nenhuma interpretação exigia.
Predições astrológicas não são pregnoses, pois têm por base as
coordenadas do lugar e hora exata de nascimento, conhecimento de signos, casas
de horóscopo e outros cálculos. A verdadeira precognição, porém, não é calculada,
não é discursiva, não é inferencial. Acontece imprevistamente.
Antigas técnicas de pregnose ainda sobrevivem. Os gregos usavam o
sufixo mantéia para derivar o dom do adivinho. Entre outras, destacam-se:
1. Quiromancia: adivinhação pelas linhas das mãos.
2. Cartomancia: vaticínio pela disposição de cartas em
jogos de baralhos.
3. Cristalomancia: vaticínio pela leitura da bola de cristal
(também substituída por copo d’água).
4. Numerologia: vaticínio pelo significado oculto dos
números e suas influência no caráter e no destino dos indivíduos.
5. Oniromancia: vaticínio pela interpretação dos sonhos.
6. Radiestesia: vaticínio, usando-se forquilha ou varetas de
mental, localizando fontes de água mineral, poços etc.
O homem arcaico recorreu a tudo que se possa conceber para atingir o conhecimento do futuro: fenômenos da natureza,
eventos sociais, objetos, pedras, plantas e animais.
Ao indivíduo céptico, alguns desses recursos ou todos eles, parecem
ingênuos, cômicos, superstições absurdas. Contudo, encarados como focos de
concentração da mente, como norma de aquietar o cérebro em ondas alfa, trazem
à tona da consciência processos subliminares.
CONCLUSÃO
A precognição tem sua incidência maior através do sonho, sendo este a linguagem simbólica do inconsciente.
Carl Gustavo Jung demonstrou a importância da mente inconsciente de
cada indivíduo (como Sigmund Freud), cujos impulsos sombrios moldam a
conduta, mas só acessíveis por meio das saídas criativas, como sonhos, fantasias ou
obras de arte e, assim mesmo, em termos simbólicos. A análise que fez de seus
próprios sonhos, levou-o a afirmar a existência de outro tipo mais amplo de
inconsciente, a que denominou de inconsciente coletivo Para Jung, o inconsciente
coletivo pertence a toda a humanidade, sendo expresso em arquétipos ou símbolos
primitivos, mitos ou histórias folclóricas com temas e formas comuns, encontrados
em todas as culturas, em qualquer época. Essas imagens e história não foram
concebidas por experiência individual, mas constituem herança comum de toda a
humanidade.
Às vezes, Jung conferia ao inconsciente coletivo um poder paranormal
de previsão dos acontecimentos. Acreditava, por exemplo, que uma série de sonhos
que teve no final de 1913, cheios de imagens de corpos esfolados, mergulhados em
mares de sangue, fora um presságio do conflito que irrompeu na Europa em 1914 –
A Primeira Guerra Mundial.
A definição da mente, em suas interpretações atingiu uma compreensão
nova que transcendia o escopo da discussão entre materialistas e dualistas.
E o que dizer dos cépticos e crentes na fenomenologia psi?
Rhine acentua o aspecto contraditório do nosso tempo: enquanto nas
Faculdades de Teologia preparam-se jovens pregadores instruídos em velhos
princípios de fé, nas Faculdades de Medicina, a poucos metros de distância das
primeiras, formam-se jovens médicos instruídos nos princípios das descrença. E
ambos, o sacerdote e o médico vão operar no meio social, muitas vezes
encontrando-se aos pés do mesmo leito, cada um com sua verdade particular,
oposta e irredutível à verdade do outro. O mesmo enfermo, todavia, aceita e ajusta
as duas verdades, diante dos dois perigos que enfrenta: o da morte e da
sobrevivência.
E afirmou, ainda: as experiências de ESP e PK demonstram que a
mente está livre das leis físicas. E acrescentava: “Estas investigações oferecem a
única comprovação indiscutível que pode contribuir para a solução do problema
da liberdade moral”.
Charles Richet propôs no Traité de Metapsychique a teoria do condicionamento da percepção extra-sensorial à crença.
Soal comprovou em experiências de voz direta, realizadas em Cambridge, a importância desse possível
condicionamento. O sensitivo católico, ao perceber uma visão extrafísica luminosa, empresta-lhe as características do
santo de sua devoção ou o sensitivo espírita que lhe dá a forma de um espírito de pessoa sua conhecida estão
condicionados pela crença.
A precognição oferece dois problemas ainda não solucionados: a) a
inacongruência no tempo, efeito antes da causa: o homem conhece um fato que
ainda não aconteceu, logo o efeito acontece antes da causa; b) o conflito entre
determinismo e livre-arbítrio: o homem é livre, podendo interferir para evitar uma
pregnose indesejável, como se explica a pregnose que se confirma contra a vontade
e o esforço do homem.
Formou-se um paradoxo: ou é valida e acontecerá de todo jeito; ou é
inválida, não havendo necessidade de interferir, nem de fugir ao destino e
liberdade.
A pregnose não é conhecimento absoluto do futuro, mas de futuros
optativos, ainda em formação. As situações prováveis permitem que, um futuro
condicional seja predito, mas podendo haver lugar para a intervenção para que se
altere o indesejável, sem haver contradição lógica.
Atualmente os psicólogos concordam que todos os sonhos são
simbólicos, não proféticos e que representam pessoas, lugares e coisas significativas
para os problemas e conflitos emocionais da vida real. Concordam também que as
imagens criadas nos sonhos, sendo um produto da própria mente do indivíduo,
assumem uma forma condicionada, não só pelo seu passado como também pela sua
personalidade. Entretanto dessa e de inúmeras outras teorias, ainda não são
desconhecidos todos os motivos que nos levam a dormir e a sonhar. Os sonhos
continuam a ser um mistério para quem os estuda e os pesquisas.
Todavia, profecia, precognição, premonição ou presciência constituem
uma evidência, percorrendo o tempo desde a Antigüidade até os nossos dias,
mesmo que ainda não saibamos os mecanismos e leis que regem esse fenômeno
para a elaboração de uma teoria geral da fenomenologia psi.
NOTAS
1) Entre os escritos proféticos, há páginas consideras obras-primas da literatura universal, como os
capítulos 52 e 53 de Isaías, 36 e 37 de Ezequiel. Apresentavam-se como defensores do povo e freqüentemente se
opunham às classes dominantes, criticando a prepotência e exploração dos sacerdotes (Ez. XXXIV). O seu tema central
pode ser considerado o da aliança entre Deus e Isrrael, que propunham restaurar pela purificação espiritual. Os
profetas, dada a íntima ligação entre religião e estrutura social no judaísmo teocrático, foram igualmente reformadores
sociais. O Messias que anunciavam, evoluiu em sua figura de guerreira e rei vencedor temporal para a imagem de um
salvador espiritual que vem revelar o verdadeiro culto e que consiste em fazer a vontade de Deus. Foram ainda os
defensores intransigentes do monoteísmo, lutando contra os chamados profetas de Baal, deus pagão. Os cristãos
admitem que os profetas foram inspirados pelo Espírito Santo (Concílio de Nicéia) e isso se fundamenta nas epístolas de
São Paulo e nos próprios Evangelhos, que procuram justificar os atos de Jesus com citações deles. Essa tendência levou
alguns grupos cristãos a confundir misticismo e profetismo: anabatistas, quapers. São Paulo (I. Cor. XIV) procurou
disciplinar os abusos que podiam surgir do dom da profecia nas comunidades primitivas.
2) Para o livro do Gênesis, o sonho era profético. Todavia, para
surpresa dos estudiosos contemporâneos, os irmãos de José interpretaram seus
sonhos de acordo com a psicologia moderna: viram nele um jovem ambicioso que
se deixava levar por fantasias de poder, pretendendo que seus irmãos o
reconhecessem como chefe.
3) Na tradição grega, o Oráculo de Delfos foi o mais famoso local
da profecia, situado na base do monte Parnaso, no lugar que Zeus havia indicado
ser o centro da Terra, esse oráculo dominou a vida política e religiosa da Grécia,
desde os tempos dos povos minoanos até o advento da cristandade.
Poucos gregos daquela época tomariam qualquer decisão importante sem antes
fazer uma peregrinação a Delfos, em busca da orientação do Oráculo.
Os oráculos eram dados por uma jovem sacerdotisa – Pítia – em estado de transe,
graças à indução de alguns vapores que saíam de uma fenda na rocha, sobre a qual
ela se sentava. Outros dizem tratar-se de auto-sugestão. De acordo com os dados
modernos sobre percepções precognitivas, evidencia-se o fato de que as visões em
Delfos ocorriam num estado alterado de consciência. Durante o estado de transe de
Pítia, Apolo, o Deus da Verdade, concedia-lhe uma visão do futuro do peregrino.
Tudo leva a crer que muitas das “profecias” fossem, verdadeiramente, pequenos
conselhos oferecidos por sacerdotes que, muitas vezes, atuavam como
intermediários na interpretação das mensagens da sacerdotisa.
4) Nostradamus nasceu em Saint Rémy, em 1503 e faleceu em 1566.
Estudou filosofia em Avignon e Medicina em Montpellier, graduando em 1529. Fez
fortuna como médico, exercendo a profissão com rara magnanimidade e coragem,
especialmente por ocasião de epidemias. Conquistou desde cedo uma grande
reputação, graças a seus brilhantes trabalhos médicos durante a eclosão da praga
no sul da França. O êxito no tratamento da praga deveu-se amplamente à sua
insistência sobre a importância do ar fresco e do desinfetante no combate à doença,
embora nenhum dos dois (e nem mesmo a existência dos germes) tenha sido
reconhecido de maneira generalizada até o século XIX.
Eficaz em suas medidas higiênicas contra várias epidemias, foi
invejado e atacado por seus rivais de profissão diante do êxito popular, retirando-
se à vida solitária de estudo, a fórmulas farmacêuticas. Publica-as, atribuindo-lhes
propriedades ocultas. Foi médico de Carlos IX e alcançou grande aceitação na
corte.
Dedicando-se à astrologia, fez prognósticos que foram
apreciados no seu tempo, sendo admirado e protegido por Catarina de Médicis.
Compilou almanaques com anúncios meteorológicos certos (série que começou no
ano de 1550).
Parece que algumas de suas profecias vieram a confirmar-se e
sua fama atingiu tal elevação que passou a ser requisitado por reis e príncipes
europeus. O significado das adivinhações, todavia, sempre foi motivo de
controvérsia, em razão de que algumas delas prediziam acontecimentos de um
futuro muito distante. É célebre sua profecia dos afogamentos de suspeitos em
Nantes, levado a efeito, em 1793, pelo Comitê de Segurança Pública, e que se acha
na 33ª quadra do V “Século”, Les Prophéties, muito imitadas na França e Itália e
que na Espanha (já no século XVIII, influenciaram, de algum modo, Torres
Villarroel.
Mesmo em nossos dias, diversos autores tem-se aplicado
seriamente em interpretar os tenebrosos oráculos do profeta. Em 1781, as
predições de Nostradamus, foram condenadas pela Congregação do Índex.
Havendo sido um homem generoso e realmente doutor é, nos dias de hoje, difícil
discernir entre o charlatanismo deliberado de sua parte e o fanatismo de seus
numerosos admiradores.
5) Carl Gustave Jung, dento do campo psíquico, destaca-se como
um dos principais investigadores da vida mental. Rompeu com Sigmund Freud por
este não dar uma explicação completa da mente. As apreensões da mente humana,
segundo Freud, teriam a sua causa na repressão dos instintos sexuais Jung foi
mais adiante, entendendo a mente como não-localizada na psique. E muitas de
suas idéias foram fruto de suas experiências pessoais, particularmente de seus
sonhos. “Dia após dia vivemos bem além dos limites da nossa consciência”. “Sem
sabermos, a vida do inconsciente também se desdobra de nós... comunicando-nos
coisas... fenômenos sincronisticas, premonições e sonhos”. Para ele, o homem
possui uma herança psíquica definida como também física. São expressões
necessárias à vida que se manifestam tanto psíquica como fisicamente. São
“disposições universais da mente”, correspondendo a categorias da imaginação e
não da razão. Jung chamou-as de arquétipos. Estes se traduzem em família em
sonhos, mitos, fantasias espontâneas e visões. Ao conjunto dessas formas universais
em pleno dinamismo, Jung chamou de inconsciente coletivo.
6) Sonho em que a pessoa conseguiu escapar. É o caso de um
homem que planejava viajar de trem um certo dia. Na noite que antecedeu a
viagem, ele teve um sonho em que via seu trem sofrendo um acidente e via a si
mesmo gravemente ferido. O sonho fez com que ele mudasse os seus planos de
viagem e não se feriu. Mais tarde, leu no jornal que o trem em que pretendia viajar
havia, realmente, sofrido acidente. Esse caso ilustra um dos principais paradoxos
que se levantam nas imprecisões da precognização imaginária.
7) Sonho precognitivo em que o protagonista não pode fugir do
evento.
Um ferreiro, trabalhando em uma fábrica, deixou-se apanhar por uma roda
hidráulica. Sabia ele, que a roda hidráulica necessitava de reparo e uma noite,
sonhou que, ao se encerrarem as atividades do dia seguinte, o gerente o deteve
para fazer o conserto e que seu pé escorregou e se prendeu na engrenagem, sendo
gravemente ferido e mais tarde, amputado. Pela manhã contou o sonho a sua
mulher e resolveu que estaria ausente, quando fosse procurado para consertar a
roda. Durante o dia, anunciou o gerente que a roda entraria em reparo, logo após
a saída dos operários, à tarde.
O ferreiro, entretanto, resolveu afastar-se antes da hora. Foi
para um bosque situado na vizinhança e ali tencionava esconder-se. Ao chegar a
um local onde havia certa quantidade de madeira pertencente à fábrica,
surpreendeu um sujeito que furtava algumas peças de pilhas. Partiu ao seu
encalço, com o intuito de apanhá-lo, mas ficou de tal maneira excitado que chegou
a esquecer-se inteiramente da resolução anterior. E, sem que se desse conta disso,
regressou à fábrica justamente na hora em que os trabalhadores se retiravam. Não
poderia esquivar-se à recomendação recebida. E, sendo o ferreiro mais
categorizado da fábrica, cabia-lhe o trabalho na roda. Decidiu, enfim, que o faria
com especial cuidado. Apesar de todas as precauções, seu pé escorregou e foi
apanhado pela engrenagem, tal como no sonho, com tanta infelicidade que ficou
esmagado, obrigando-o a ser conduzido para a enfermaria de Bradford, onde a
perna foi amputada acima do joelho. Dessa forma, cumpriu-se, integralmente, o
sonho profético.
8) Sonho Precognitivo de Morte da Própria Pessoa (ocorrência
rara) – É o caso do sonho do Presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln que
assim o descreve:
“Parecia haver um silêncio mortal à minha volta... e então ouvi soluções contidos,
como se muitas pessoas estivessem chorando. Achei que tinha saído, de minha cama e
estava andando no andar térreo. Ali o silêncio era rompido pelos mesmos soluços
contidos, mas as pessoas enlutadas não podiam ser vistas. Fui a todos os cômodos;
não havia ninguém dentro de nenhum deles, mas o mesmo som lastimoso de aflição
chegava até mim, enquanto eu ia passando... Fiquei intringado e alarmado. O que
poderia significar tudo isso? Cheguei à Sala Leste, onde entrei. A surpresa pelo que
havia ali, me fez passar mal. Diante de mim estava o catafalco sobre o qual repousava
um corpo envolto em roupas de funeral. Ao redor, havia soldados portados em
guarda; um grande número de pessoas encontrava-se na sala, algumas olhavam
enlutadas para o corpo, cujo rosto estava coberto, outras choravam penalizadas.
Perguntei: ‘Quem morreu na Casa Branca?’ ‘O presidente... ele foi assassinado...’
Essas, foram as palavras de Abraham Lincoln a seu biógrafo Ward Will Lamar, em
março de 1865. Disse o Presidente: ‘Não consegui mais dormir naquela noite e, desde
então, fiquei estranhamente incomodado’. Algumas semanas mais tarde, o Presidente
foi assassinado por John Booth.
É importante destacar que, nos momentos que precederam à morte do Presidente
Lincoln, o seu cachorro teria começado a correr por dentro da Casa Branca ‘como
que em delírio e uivando continuamente de modo fúnebre’.”
9) Sonho Precognitivo de Acidente com a Comunidade (ocorre a recorrência). O
Titanic, um navio de declarada insubmergibilidade (departamento estranque),
naufragou, tragicamente, na noite de 14 para 15 de abril de 1912, matando 1502
pessoas. O Sr. J. O’Connor tinha reserva de passagem para si e para a família
nesta viagem. Mas, uns dez dias antes da data destinada à saída do navio,
O’Connor sonhou que via o navio com a quilha ao ar e a bagagem e os passageiros
flutuando ao redor”.
O’Connor para não assustar seus familiares e amigos, não contou nada. O sonho se
repetiu na noite seguinte. Ainda assim, ocultou-o. Tendo então, recebido notícias
da América que se poderia retardar sua viagem, decidiu prestar ouvido ao sonho e
mandou cancelar sua reserva no “Titanic”. Pôde, então, contar o sonho a seus
amigos, como explicação do motivo de não viajar. Não queria correr riscos, uma
vez que a viagem não era urgente.
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PSICOPICTOGRAFIA: UMA NOVA ABORDAGEM CONCEITUAL E
ANÁLISE DE UM CASO
Ronaldo Dantas Lins
1.CONSIDERAÇÕES GERAIS:
A criatividade pode estar presente na produção de alguns fenômenos
paranormais tanto da categoria psi-gama como da psi-kapa. Algumas formas de
expressão dos fenômenos psi apresentam esta qualidade com uma intensidade
maior do que outras, destacando-se entre os fenômenos de psi-gama, a psicografia,
a psicomusicografia, e a psicopictografia.
Neste trabalho, iremos nos ater basicamente na psicopictografia, ou pintura
paranormal, que pode ser entendida como uma forma de manifestação paranormal,
caracterizada pela produção de pintura ou desenho, sem que o agente produtor
tenha esta capacidade no estado vígil. Este material pictográfico pode se apresentar
em vários estilos e escolas, muitas vezes assinado por nomes de pintores famosos,
já falecidos.
As tensões psicossociais podem reprimir o potencial artístico do ser
humano, bloqueando sua atualização. Alterações no nível de consciência podem
fazer com que estas faculdades sejam exteriorizadas, permitindo que informações
gravadas no inconsciente, adquiridas de forma usual ou paranormal, atinjam o
inconsciente, passando a demonstrar uma capacidade criadora superior a
apresentada no estado vígil.
O cerne de nossa proposta é uma reinterpretação da psicopictografia sob o
contexto da teoria parapsicológica geral e a elaboração da escala IPPP de
caracterização da psicopictografia, permitindo uma abordagem mais ampla e
precisa desta importante forma de manifestação paranormal.
2.VISÃO SINTÉTICA DE ALGUNS AGENTES DA PINTURA PARANORMAL
Margaret Bevan, em Londres, pintava retratos de pessoas falecidas e
desconhecidas; em noventa por cento dos casos há correspondência desses retratos
com fotografias de pessoas reais, falecidas. Na Itália, temos casos similares a este
como o de Iric Canti, em Milão, e Maria Lambertini, Bolonha, (1) bem como o
agente Raphael Schermann.
O operário quase analfabeto Augustin Lesage realizava pinturas
extraordinárias. Elisa Muller (mais conhecida como Helena Smith) realizou
pinturas sobre possíveis habitantes de Marte, executando suas obras também com
os dedos e unhas.
Victor Spencer pintava seus quadros ao avesso e os endireitava apenas ao
final. O polonês Marjan Gruzewski realizou, em cinco minutos e na ausência de
luz, o seu primeiro desenho. Desde menino foi julgado inapto a receber instruções
porque pintava por conta própria, alheio às instruções dos mestres. Com o curtidor
de pele Machner também aconteceu o mesmo. O italiano Franco Lowley desenhava
com velocidade fulminante a partir de 1913, gastando de vinte segundos a um
minuto e meio para executar as suas obras. Mesmo de olhos vendados, ou na
escuridão, desenhava e chegou a produzir pinturas precognitivas (como a guerra da
Abissínia e o bombardeio de Roma).
Victorien Sardou, dramaturgo francês, realizou pinturas sob transe
psicautônomo.
Em 1953, Talamonti observou o menino Gianinni Cavalcoli, de Ravena, com
seis anos, produzir desenhos com velocidade vertiginosa. Em três anos, produziu
vinte mil obras. David Duguid e John Ballou Newbrough psicopictografavam
no escuro, e este também o fazia com as duas mãos simultaneamente.
Outros psicopictógrafos famosos foram William Howit e Catherine Berry.
No Brasil, temos Luiz Antônio Gasparetto, que pinta com velocidade
vertiginosa, inclusive com as duas mãos, simultaneamente, e com os dedos dos pés,
no estilo de pintores famosos falecidos como Renoir, Van Gogh e Cezanne. (2)
Eurico de Goes, em seu livro "Prodígios da Biofísica obtidos com o Médium
Mirabelli" (3), relata entre outros fenômenos realizados por este agente psi, a
produção de pinturas, em poucos minutos, às vezes cantando e declamando
poesias.
3.O PROCESSO DE PINTAR E O MECANISMO PSÍQUICO
O cérebro é constituído de uma região central, o diencéfalo, e do telencéfalo
que é formado pelos dois hemisférios cerebrais, estes encontram-se conectados
pelo corpo caloso e outras comissuras, sendo funcionalmente assimétrico no ser
humano. Grande parte das fibras nervosas decussam antes de alcançarem e após
saírem do cérebro, de forma que cada hemisfério, de forma simplificada, é
responsável pelo lado contralateral do corpo ( é importante lembrar que algumas
fibras não decussam, permanecendo ipsilateralmente). A área do cérebro humano
responsável pela linguagem situa-se no hemisfério esquerdo. A modalidade de
funcionamento do hemisfério direito é não verbal, global, rápida, completa,
configuracional, espacial, atemporal e perceptiva.(4)
A aptidão para desenhar, pintar, parece está relacionada às atividades do
hemisfério direito, de maneira que, este processo de informações visuais pela qual
devemos ver para podermos desenhar, se encontra nesta estrutura neurológica.
O fato de uma pessoa destra desenhar com a mão esquerda não o ajuda a ter
acesso aos processos do hemisfério direito, haja vista que a troca de mãos faz com
que os desenhos saiam defeituosos.
"Uma pessoa que desenha bem pode desenhar com a mão direita, a mão
esquerda, ou aprender a desenhar com o lápis preso entre os dentes ou entre os
dedos dos pés, se necessário, porquanto é uma pessoa que aprendeu a ver".(5)
Desta forma o fato de uma pessoa pintar ou desenhar com a mão
correspondente ao hemisfério não dominante, ou mesmo fazê-lo através dos pés,
pode dever-se a um mecanismo psíquico de compensação ou de desvio de função e
não a uma atividade de natureza paranormal.
Na grande maioria das pessoas o hemisfério dominante é o esquerdo, o
verbal. Quando desenhamos ou pintamos usando este hemisfério (modalidade E),
nomeamos cada parte. No caso de usarmos o hemisfério direito (modalidade D),
não damos nome as partes. Ao visualizarmos uma imagem de cabeça para baixo o
hemisfério esquerdo fica confuso, não consegue dar nome as partes ou o faz com
dificuldade. Quanto mais complicada for a imagem, mais difícil será para o
hemisfério esquerdo compreendê-la. Como o hemisfério direito não nomeia, não
trabalha com partes, mas com o todo, não tem dificuldades em apreender e
desenhar a imagem invertida. Esta deficiência do hemisfério esquerdo faz com que
o hemisfério direito assuma a atividade.
O estado de consciência da modalidade D é qualitativamente diferente da
modalidade E. Na modalidade D estamos em um certo grau de devaneio, a pessoa
sente-se integrada ao que faz (sentindo-se uma com sua tarefa), há uma menor
consciência do fluxo de tempo com um certo "desligamento" em relação aos que
estão em sua volta, ocorre um relaxamento com uma sensação de bem estar. De
maneira inversa, atitudes que favorecem o surgimento de um torpor do hemisfério
esquerdo e predomínio do direito, como a relaxação, a meditação, o silêncio, uma
música suave, possibilitam a execução de tarefas como a confecção de um quadro
invertido, sem maiores dificuldades, sem que o fenômeno seja paranormal, bem
como, a relativa dimensão do fluxo do tempo faz com que o agente passe muito
tempo executando as pinturas sem cansar, sem se aperceber da passagem do
mesmo, não necessitando se tratar de um fenômeno de psi-gama.
Grasset propôs um esquema em que a mente é concebida como uma
pirâmide de base poligonal. Ao ápice corresponde o centro O - a consciência; aos
ângulos do polígono da base correspondem as várias atividades do psiquismo
executadas de modo automático ou inconsciente. - centro dos movimentos e dos
diversos sentidos (6). O centro << O>> localiza-se nos lobos frontais
correspondendo ao segundo sistema de sinalização característico do homem. Os
hábitos, automatismos e os registros subliminares são atividades poligonais (7).
A corticalidade cerebral pode funcionar em nível subliminar (automatismo
global) e os centros poligonais de Grasset, desligando-se do comando frontal,
constituem os automatismos segmentares.
O processo paranormal parece vincular-se a atividades subcorticais.
Segundo Myers o agente psi parece ter o limiar da consciência mais baixo do que
os outros homens, sendo de certa forma mais primitivo atingindo níveis mais
profundos do psiquismo.
Neste contexto a psicopictografia pode ser entendida como uma forma de
automatismo motor acionada por mecanismos subcorticais juntamente com uma
tomada de conhecimento por meio criptomnésico.
A proporção da folha de papel, principalmente a utilizada em desenho, bem
como, as telas, segue um padrão, senão idêntico, muito próximo da proporção
áurea; ou seja, o lado menor é o segmento áureo do lado maior. O retângulo pode
ser percebido como dividido por um segmento horizontal passando pelos pontos de
ouro dos outros dois lados.
O processo criativo, sob qualquer forma de expressão, se efetiva através das
seguintes etapas: concepção, materialização, interpretação e reinterpretação. (8)
A concepção, a produção de idéias, é função de uma postura crítica da
realidade, de conformidade com a inteligência, cultura e sensibilidade do artista.
Comumente, nesta fase, sabe-se que se quer pintar, embora não se saiba como
expressar. Esta sensação de impotência pode ser frustrante, desesperadora para
quem exerce o ato criador. A solução, após penosa busca, surge repentinamente.
De certa forma o artista sofre durante o processo criativo.
A materialização é a etapa em que a idéia começa a tomar forma, sendo
necessários estudos e reflexões. O planejamento não significa falta de
espontaneidade, já que esta surge no ato da execução; planejar consiste em estudar
a luz e a sombra. De regra geral o artista registra inicialmente sua idéia no papel ou
tela, da forma que lhe vier espontaneamente, fazendo posteriormente vários
esboços.
Deve-se procurar fazer estudos de cor e o uso de várias técnicas.
A interpretação consiste na execução da obra; conforme afirmou Philip
Hallowell "nas artes plásticas, o artista é compositor e intérprete, mas, em outras
artes, a dramática e a musical, por exemplo, o compositor registra a idéia que o
intérprete executa. Assim como o intérprete/ator adiciona sua sensibilidade e sua
experiência à obra do autor/compositor, o artista plástico adiciona muito a sua
idéia original quando a executa."(9)
A reinterpretação é a interpretação da obra pelo expositor, estimulando este
a pensar, refletir e sentir. O espectador chega a temática através da forma.
É importante destacarmos que os naïfs (artistas sem formação regular)
apresentam a fase de concepção artística sem o componente "Cultural-Intelectual"
das formas acadêmicas, bem como, no que se refere a materialização de uma idéia
surrealista, ocorre sem planejamento. Nestas obras, incluindo as telas abstratas
expressionistas, o artista procura transferir para sua criação o que se encontra em
seu subconsciente ou inconsciente, sem interferência do consciente. Desta
maneira, toda forma de planejamento seria um entrave.
Como ficará todo este processo criativo na Psicopictografia?
A concepção e a materialização devem ser elaboradas a nível inconsciente
ou no substrato matriz (referido no item 6 deste trabalho); sendo assim, as
alterações da luminosidade não devem interagir na elaboração dos contornos e no
jogo de cores. Esta afirmação não é totalmente correta porque na
execução(interpretação), o artista também cria e improvisa. A interpretação sofre
influência a nível consciente, sendo moldada por este e pelo automatismo motor.
4. A PINTURA PSI E O AUTOMATISMO MOTOR
Entende-se como dissociação a fragmentação psíquica (patológica ou não)
do psiquismo, podendo ser de natureza cognitiva, sensorial ou motora. Neste
trabalho, estamos interessados nas dissociações motoras e em particular, naquelas
em que são produzidas imagens pictográficas. Quando a dissociação for auto-
induzida, podemos denominá-la de transe psicautônomo; neste caso, ocorre uma
inibição importante do córtex cerebral com supressão dos estímulos mais recentes
e a conseqüente expressão de estereótipos antigos. Devido a amnésia lacunar
espontânea que ocorre após estes transes, os agentes acreditam terem sido tomados
por uma força externa , não levando em consideração as potencialidades da mente.
É importante lembrar que esta inibição cortical é decorrente de uma forte liberação
emocional de origem subcortical.
A agente psi Helen Smith, sob transe psicautônomo produziu pinturas que
foram posteriormente expostas em Genebra e Paris; ela conhecia pintura porém,
em estado de transe, utilizava os dedos, e não pincéis, trabalhando aparentemente
sem coerência, fazendo surgir olhos, pés, árvores, e diversos objetos depois sobre a
tela, sem que seja percebida ligação entre eles. Só posteriormente ocorria a fusão e
a percepção harmoniosa da obra (10).
Na produção da pintura automática temos uma atividade hiperimaginativa
automática (Janet), subliminal (Myers), poligonal (Grasset). Nestas condições o
estado alterado de consciência apresenta (11):
1 - Uma etapa de ausência (distração) ou autoconcentração, com
estreitamento do campo da consciência;
2 - Presença de uma atividade ideatória inconsciente, com uma intensidade
extremamente aumentada;
3 - Propensão a hiperimaginação subliminal (idéias em profusão,
extraordinárias, fantásticas);
4 - Exteriorização das idéias na forma de automatismos motores e, em
particular, de pintura automática.
De certa forma, a córtex cerebral funcionando subliminarmente pode
deflagrar mecanismos que acionem os automatismos segmentares.
Fernando Palmés relata o seguinte caso que pode nos fornecer subsídios
para compreensão da natureza das assinaturas em várias psicografias e
psicopictografias:
"Numa visita que fiz ao reformatório de G., o seu ilustrado diretor médico, o
Dr. G. M., fez a seguinte experiência perante uns trinta estudantes de medicina da
universidade de V., que, presidido por um de seus professores, o Dr. P. visitavam o
mesmo estabelecimento em visita de estudo.
O diretor-médico do estabelecimento chamou um dos meninos nele
asilados, menino de uns 9 anos, e, por meio de sugestão... deixou-o hipnotizado... .
O Dr. G. M. pediu ao Dr. P. que escrevesse o seu nome e sobrenome num papel, e,
mostrando um escrito ao menino hipnotizado... mandou-lhe que reparasse nele e
reproduzisse depois com toda exatidão aquele escrito... depois... sem olhar o escrito
que antes lhe haviam mostrado, nem tampouco o papel em que devia escrever...
escreveu com decisão e sem vacilações o nome e o sobrenome do Dr. P. , com um
caráter de letra sumamente parecido com o original..." (12)
Apesar desta possibilidade de mimetismo gráfico de natureza puramente
psicológica é necessário aventar para os seguintes aspectos:
a) Por uma coincidência pode ter sido escolhida uma criança que tenha esta
capacidade artística, de replicação, mais intensificada;
b) Faz-se necessário analisar o grau de dificuldade de elaboração da referida
assinatura, que pode ser bastante elementar, facilitando o trabalho de replicação;
c) É importantíssima a análise grafoscópica da assinatura para constatar sua
fidedignidade e não ser apenas uma pseudo-replicação.
5. ALGUNS MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E SUA CORRELAÇÃO COM A
PARAPSICOLOGIA.
A pintura pré-histórica, também denominada arte rupestre, foi produzida
quase exclusivamente em paredes de pedra, no interior de cavernas, passando por
um processo evolutivo análogo à pintura histórica. Inicialmente de caráter
naturalista evoluiu até atingir formas abstratas. O homem pré-histórico parece ter
utilizado inicialmente os dedos e posteriormente pincéis, espátulas e caniço oco
(que servia para soprar tinta na parede). Os pigmentos coloridos eram esfregados
na parede com as mãos. Por volta do ano 2000 A.C. a pintura alcançava um certo
nível de abstração. (13).
Como vimos em parágrafos anteriores, podemos visualizar os fenômenos
paranormais, e consequentemente a psicopictografia, como um processo de
natureza primitiva. Desta forma a psicopictografia parece ser uma atividade
caracterizada pela dissociação dos centros motores da palavra escrita - segunda
circunvolução frontal esquerda e de uma hiperatividade do hemisfério direito (14).
Assim, a atividade paranormal se comporta, de certa forma, como um
processo de regressão psicofisiológica em que o organismo passa a retomar
procedimentos de natureza primitiva.
Alguns psicopictógrafos como Luiz Antônio Gasparetto (15) e Helen Smith
também utilizaram a palma das mãos e os dedos na realização de suas pinturas.
Estas ocorrências podem ser interpretadas como uma regressão ao estado
primitivo, semelhantemente a uma filogênese psíquica, produzindo pinturas por
um processo análogo ao homem primitivo.
Observamos também que nas produções psicopictográficas há um grande
número de obras que vêm assinadas por supostos nomes do impressionismo (16).
Como sabemos, este movimento artístico, embora apresentando matizes muito
variadas, de uma forma genérica, caracteriza-se por uma reação às convenções
acadêmicas e arraigadas; rejeição a temas idealizados e emotivos; criticava a
pintura no ateliê, procurando a pintura ao ar livre, e buscava captar os efeitos
fugazes da luz dando a real impressão de transitoriedade; tinha o caráter pessoal e
não social; buscava mais a "vivência" que a "vida"; desprezo ao acabamento
refinado; uso de cores fortes para explorar os contrastes ásperos; uso de pinceladas
abruptas e presença de aparência viçosa; uso de imagens com "proporções
erradas"; procurava-se os efeitos da luz; rompe com a crença na verdade objetiva da
natureza (17).
Devido a presença de traços abruptos e imagens de contornos indefinidos,
presentes em alguns movimentos artísticos, como o impressionismo e o
expressionismo, era de se esperar que as pinturas obtidas nas psicopictografias
(que comumente são executadas com velocidade vertiginosa e algumas vezes
através de unhas, palmas das mãos ou dedos) pertencessem em grande parte a
estas escolas, como realmente acontece. Esta característica, entretanto, não garante
sozinha o enquadramento da pintura em determinada escola; no caso em apreço é
comum encontrarmos quadros em que a imagem pictográfica se encontra de
conformidade com os pontos áureos (ver apêndice 3), indicando a forte influência
do psiquismo do pintor e não uma ação paranormal, já que os componentes destas
escolas evitavam as regras predeterminadas.
Um outro movimento intimamente relacionado com a Parapsicologia é o
Surrealismo, que se caracteriza pelo desprezo a toda a preocupação lógica sendo
um apelo às capacidades do nível inconsciente, incluída a paranormalidade.
André Breton ao repudiar o comportamento lógico não está defendendo a
entrega cega aos modos primitivos de comunicação e de ação, que são
representados na Parapsicologia pelas categorias fenomenológicas psi-gama e psi-
kapa, respectivamente.
A vivência surrealista é a experiência do paranormal, pois este pertence
àquele sem que o inverso seja obrigatoriamente verdadeiro. Robert Amadou já
afirmou que "se casos aparentes de premonição ou de telepatia se manifestam no
surrealismo, não é certo que esses casos procedam do exercício de uma faculdade
paranormal, nem que todas as correspondências cuja experiência é dada aos seus
adeptos pela prática surrealista, provenham de uma percepção metagnômica... O
surrealismo, mais que um regresso a um estado infraconsciente da evolução,
convida-nos sem dúvida a uma aceitação mais completa, desta, mas também dos
fatores e das realidades conscientes e supraconscientes"(18)
6. A PSICOPICTOGRAFIA NO CONTEXTO DA TEORIA PARAPSICOLÓGICA
GERAL (TPG).
No I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia, realizado no
Recife, em 1997, apresentamos uma proposta de uma teoria geral da parapsicologia,
na busca de um modelo descritivo para esta ciência. Na ocasião traçamos uma
taxonomia do paranormal defendendo a idéia de que numa nova maneira de
perceber o universo concebemos que os objetos não têm existência em separado,
havendo em sua essência interrelações profundas. Da mesma forma que não há
objetos separados, também não estamos separados do mundo, não havendo razão
para separar o objeto pesquisado do pesquisador, pois formam eles um
"continuum" (19).
Parece haver um nível de realidade mais profundo em que há uma completa
conexão entre as partes. A este estrato, segundo David Bohm, podemos denominar
ordem ou realidade implícita (20). Consequentemente, haverá uma ordem ou nível
de realidade na qual comumente vivemos, que é uma transformada do primeiro,
onde há entes distintos, separados. A este estrato podemos denominar ordem ou
realidade explícita.
"Denominamos de substrato matriz a substância e a informação, termos
primitivos da realidade, como são em essência, sem modificações. Por outro lado,
podemos também definir projeção holográfica como a representação, a nível de
ordem explícita, através de individualizações, do substrato matriz.
A partir dos conceitos até aqui analisados, definiremos interações como: o
processo pelo qual modificações no estado de uma projeção holográfica A
(extremidade modificadora ou indutora) implica em modificações correspondentes
no estado de uma outra projeção holográfica B (extremidade modificada ou
induzida). Vemos assim que o conceito de interação surge em nível de ordem
explícita.
Concebemos, então, dois tipos de interações:
a) Interação épsilon(c)- É a que se efetua através do espaço-tempo que
separa duas individuações em nível de ordem explícita (desdobrada). É carreada
por um sinal;
b) Interação iota(i) - É a que se efetua através da conexão universal, em
nível de ordem implícita (dobrada).
Toda interação implica em tomada de informação pela projeção holográfica
da extremidade induzida, podendo manifestar-se (expressar-se) através de duas
formas:
a) Cinética intrínseca - Quando da deflagração da interação não ocorrer
variação espacial de toda ou de partes da projeção holográfica induzida;
b) Cinética extrínseca - Quando da deflagração da interação ocorrer variação
espacial de toda ou de partes da projeção holográfica induzida (21).
J. J. Horta Santos propõe a existência de uma função psíquica inibidora
rô(µ) que teria como finalidade impedir que as informações universais que se
direcionam para a psiquê, alcancem o nível consciente (22). Esta função
juntamente com a função inibidora tau(t)(23) (que bloqueia o "link" mente-
matéria, impedindo uma interação não local), proposta por nós em 1995, quando
bloqueadas, produzem respectivamente os fenômenos de psi-gama e de psi-kapa.
O fenômeno de psi-gama pode ser compreendido como decorrente de uma
interação iota que apresenta ao menos uma mente, em ao menos uma de suas
extremidades e que se expressa na forma de uma cinética intrínseca.
Rosa Borges propõe uma modificação no conceito de criptomnésia, dando-
lhes um significado estritamente parapsicológico, referindo o seguinte: " Segundo
o nosso conceito, a criptomnésia é o conhecimento paranormal que não é obtido do
mundo exterior, mas que já existe no inconsciente do Agente Psi. Este
conhecimento é constituído de informações que não passaram previamente pelo
nível consciente do Agente Psi e não foram obtidos por telepatia ou por
clarividência. E se constitui, ainda de aptidões especiais que não resultaram de
aprendizado anterior.
Enquanto a telepatia e a clarividência são fontes externas do conhecimento
psigâmico, a criptomnésia constitui a fonte interna deste conhecimento.
...Assim, segundo a nossa óptica pessoal, os fenômenos psi-gama se
originam de duas fontes:
a) uma fonte externa, constituída pela telepatia e pela clarividência:
b) uma fonte interna, constituída pela criptomnésia." (24).
Analisando esta questão sob o prisma do modelo em pauta, podemos
reinterpretar a polêmica das fontes de conhecimento paranormal do seguinte modo
(25):
Em nível da ordem implícita as mentes a os seres encontram-se conectados,
constituindo um todo indivisível. Em nível de ordem explícita surgem as
individuações (projeções holográficas), decorrentes da atuação das funções
inibidoras µ e t, mencionadas anteriormente. Desta maneira, numa interação iota
do tipo paranormal com cinética intrínseca, a constatação do fenômeno é feita
através de uma correspondência entre o conteúdo manifesto e um evento psíquico
(telepatia) ou físico (clarividência) correlacionado, presente em uma projeção
holográfica. Temos a dita fonte externa do conhecimento paranormal.
Quando o conteúdo manifesto não for detectável, em uma projeção
holográfica, vindo diretamente do substrato matriz, teremos uma fonte interna do
conhecimento paranormal (criptomnésia).
Assim, no primeiro caso temos uma seletividade expressa e no segundo caso
uma seletividade não expressa (oculta). Porém, em ambos os casos o conteúdo
provém, em essência, do substrato matriz, sendo a distinção entre fonte externa e
fonte interna do conhecimento paranormal puramente aparente.
Temos, assim, que a informação criptomnésica, não vem do nada, mas tem
origem em uma fonte bem caracterizada.
A psicopictografia, ou pintura paranormal, pode ser entendida como uma
forma de manifestação do fenômeno paranormal, de natureza criptomnésica,
caracterizada pela produção de pintura ou desenho, sem que o Agente Psi
apresente esta aptidão nas condições normais de vigília (26).
Uma outra possibilidade seria a ocorrência do efeito Myers (latência
psigâmica). Este efeito pode ser entendido de conformidade com sua ampliação e
comentário tecido pelo Prof. Valter da Rosa Borges consistindo em que:
"O conhecimento paranormal só se explicita, quando a informação
psigâmica, alcançando o inconsciente do Agente Psi, se transfere para o nível
consciente. Essa passagem de informação psigâmica pode ocorrer
instantaneamente ou sofrer retardamento por bloqueios psicológicos os mais
diversos. A permanência da informação psigâmica a nível inconsciente foi
denominada por Myers de latência telepática e ele teorizou, arbitrariamente, a sua
duração máxima em 17 horas. Preferimos adotar a expressão latência psigâmica,
visto que a informação retida no inconsciente do Agente Psi pode ter sido captada
também por clarividência e não apenas por telepatia. Por outro lado, entendemos
que a permanência da informação psigâmica a nível inconsciente é de duração
indeterminada como acontece com qualquer impressão mnemônica. Por
conseguinte, a passagem da informação psigâmica do nível inconsciente para o
nível consciente não só pode ocorrer instantaneamente como demorar horas, dias,
meses e anos."
De uma maneira geral podemos reconceituar efeito Myers do seguinte
modo: O conteúdo psigâmico que alcançou o nível inconsciente de uma projeção
holográfica necessita de um intervalo de tempo "t" para ser transferido ao nível
consciente (cinética intrínseca, com produção de um fenômeno de Psi-gama) ou
converter-se em ação (cinética extrínseca, com produção de um fenômeno Psi-
kapa). Essa transferência ocorre sob a ação do efeituador transformativo, podendo
muitas vezes se expressar de forma simbólica, tanto em estado de vigília como em
estado onírico.
Desta forma, conteúdos sobre arte obtidos por telepatia ou clarividência
poderiam permanecer latente por tempo indeterminado e, juntamente com
conhecimentos outros obtidos posteriormente, poderem eclodir mediante a
presença de fatores deflagradores na forma de pintura ou desenho. Entendamos
que a produção artística obtida por este mecanismo é de nível inferior ao obtido por
criptomnésia, que pode ser considerada a psicopictografia propriamente dita. (27).
7. RECONCEITUANDO A PSICOPICTOGRAFIA.
Propomos uma nova abordagem conceitual da psicopictografia em que, ao
invés de utilizarmos uma correlação direta de termos elementares, fazemos uso de
critérios definidores e da idéia de escala, possibilitando uma concepção através de
um espectro de matizes e o uso de componentes de natureza quantitativa.
Num primeiro momento idealizamos o que denominamos de critérios do
IPPP para conceituação da psicopictografia, de maneira análoga aos critérios de
Jones (ver apêndice 1), utilizado na medicina para elaboração do diagnóstico da
doença reumática, que consiste no seguinte:
Critérios maiores:
- Nível de produção significativamente maior que o do estado vígil;
- Obras produzidas em mais de duas escolas de pintura;
- Sem acesso visual do Agente à tela, papel ou equivalente.
Critérios menores
- Tempo de produção da obra significativamente menor que o esperado em estado
de vigília, comumente inferior a 10 (dez) minutos;
- Utilização de formas peculiares: invariante com a modulação luminosa, ambidestrismo simultâneo ou uso de dedos dos
pés ou mãos;
- Assinatura da obra referida a pessoa real (viva ou falecida) e grafoscopicamente
idêntica.
A presença de ao menos dois critérios maiores ou um critério maior e pelo
menos dois critérios menores, indicam a ocorrência da psicopictografia.
Em reunião realizada em setembro de 1996 com o autor, a profa. Isa
Wanessa e o prof. George Jimenez, em que se discutiu o problema da conceituação
da psicopictografia, o prof. George propôs o uso de uma escala, semelhante a
escala de coma de Glasgow (ver apêndice 1), para abordar o referido fenômeno.
Baseado nessa sugestão verificamos que a melhor maneira de realizar uma
abordagem deste tipo seria utilizar uma escala semelhante a escala de APGAR (ver
apêndice 1) para determinação da viabilidade do concepto. Desta forma elaborei a
escala a seguir, que denominei de escala IPPP de conceituação da psicopictografia
(EICAP). Posteriormente a escala foi encaminhada para discussão pela equipe do
IPPP, tendo recebido sugestões e aprovação, sendo descrita a seguir:
Escala IPPP de Caracterização da Parapsicologia (EICAP)
Sinal Pontuação
0 1 2
Nível de
produção
artística
Inferior ou igual
ao estado vígil
Superior ao estado
vígil
Significativamente
superior ao estado
vígil
Diversificação
(número de
escolas
apresentadas)
Menos que duas Duas escolas Mais de duas
Tempo de
confecção da
obra
Esperado para o
nível da obra
Inferior ao
esperado para o
nível da obra
Significativamente
inferior ao esperado
para o nível da obra
Formas
peculiares de
apresentação
Sem
peculiaridades
Invariante com a
modulação
luminosa ou
ambidestrismo
simultâneo ou uso
de dedos dos pés
ou mãos para
confecção das
obras
Sem acesso visual à
obra
Assinatura
Sem assinatura
ou com
assinatura de
personalidade
fictícia ou
atribuída a
pessoas reais
(vivas ou
falecidas)
distintas do
original ou
parecida, porém,
conhecida do
produtor da obra
Assinatura referida
a pessoa real (viva
ou falecida)
parecida, mas
grafoscopicamente
diferente e
desconhecida do
produtor da tela
Assinatura referida a
pessoa real (viva ou
falecida) e
grafoscopicamente
idêntica.
Além da determinação destes sinais deveremos levar em consideração os
seguintes aspectos:
a) Variabilidade da temática - Mesmo apresentando um nível de produção
significativa, a repetição da temática empobrece o nível da obra, por isso é
importante que a natureza do tema varie;
b) Anamnese - É importante antes de qualquer abordagem, realizar uma
entrevista com o candidato a agente psi, verificando entre outras coisas se o mesmo
possui algum conhecimento teórico ou prático sobre pinturas ou desenhos, ou
mesmo se já freqüentou algum curso sobre pintura.
c) Parecer técnico - É fundamental a apreciação das obras produzidas, por
um crítico de artes com a finalidade de aferir o nível técnico das mesmas, avaliando
se está ou não ao alcance das capacidades normais do pesquisado;
d) Replicabilidade - É fundamental observar se é comum a replicação de
quadros que pode mascarar tão somente um automatismo motor.
Após a quantificação dos sinais é feito o somatório dos escores parciais,
cabendo a seguinte análise dos resultados:
EICAP menor que quatro - Não é psicopictografia;
EICAP maior ou igual a quatro e menor ou igual a seis - Provavelmente é
psicopictografia;
EICAP igual ou maior que sete - É psicopictografia.
Analisando os critérios de avaliação de paranormalidade da escala, teremos
que:
a) EICAP menor que quatro;
O somatório dos escores parciais é 0, 1, 2 ou 3.
Observando-se o quadro de combinações possíveis de escores do
apêndice 2, constatamos facilmente que teremos no máximo um sinal com o
valor máximo 2, podendo talvez responder por isto uma capacidade artística
inerente ao próprio indivíduo, sem ser paranormalidade.
b) EICAP entre quatro e seis (incluindo estes)
Na sua grande totalidade teremos no mínimo um sinal com valor 2, podendo
chegar a três valores máximos. Ainda não temos a certeza da paranormalidade por
podermos estar tratando de uma pessoa com desempenho regular em cada sinal,
porém, não suficientemente significativo.
Se as probabilidades de ocorrência de cada variante individual (combinação
de cinco sinais) fossem idênticas, teríamos os seguintes percentuais
(arredondados), adotando os mesmos cinco critérios de escalonamento:
1) EICAP=4. É psicopictografia em 22% dos casos e não o é em 78% dos
casos.
2) EICAP=5. É psicopictografia em 59% dos casos e não o é em 41% dos
casos.
3) EICAP=6. É psicopictografia em 89% dos casos e não o é em 11% dos
casos.
Porém, como o fenômeno paranormal é raro, estes valores de probabilidade
de ser paranormal devem ser interpretados como limites superiores e as
probabilidades de não ser paranormal como limites inferiores.
c) EICAP maior do que 6.
Na sua grande totalidade, teremos no mínimo três sinais com valor 2,
podendo chegar a 5 valores máximos. Neste caso, temos a certeza de que o
indivíduo é um psicopictógrafo.
8. O CASO JACQUES ANDRADE
No ano de 1995 o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas
pesquisou o Sr. Jacques Andrade em relação a possível produção de
psicopictografia, analisando 107 quadros (esta pesquisa foi publicada no Anuário
Brasileiro de Parapsicologia nº 03, ano 1998). O número de pretensos autores
reproduzidos chega a marca de 296, considerando toda a produção artística
produzida por Jacques. Os motivos das telas são predominantemente de paisagens
e figuras humanas, sendo que estas apresentam, comumente, uma precária
condição de profundidade e sem as nuances importantes da estrutura muscular,
que seria esperado encontrar em, por exemplo, um da Vinci.
A profa. Isa Wanessa destaca alguns padrões encontrados na pesquisa (28).
"- Quando o motivo é uma paisagem, na grande maioria das telas há a
presença de cercas, que pode estar representando a restrição auditiva do autor;
- A letra "h" é sempre truncada, independentemente do "autor" atribuído;
- Antes de começar as pinturas, Jacques alisa seu ventre: qual o significado
de tal ato ?...
- Jacques usa preferencialmente a mão direita, embora alguns quadros sejam
executados com o uso simultâneo das duas mãos. Outras vezes pinta com o dorso
das mãos e dedos. Arranha a tela com as unhas para fazer os cabelos das figuras e
bate o pulso com força para imprimir a imagem de folhagens;
- Antes de iniciar as pinturas, concentra-se por 20 ou 30 segundos;
- A estratégia empregada para a reprodução da pintura, principalmente para
aquelas pintadas sob a assinatura de determinados "autores", como Miró e Dali,
apresentava curiosa semelhança: os quadros eram iniciados com a formação de um
círculo central, empregando-se cores variadas, de onde, uma vez definido o "pano
de Fundo", eram pintadas figuras de rostos masculinos ou femininos, definidos
muitas vezes de forma implícita."
Em duas sessões a temperatura axilar de Jacques elevou-se em dois graus
Célsius pouco antes da confecção das telas. A temperatura permaneceu subindo até
o instante em que o agente referiu ter saído do transe, descendo, abruptamente, em
cinco graus Célsius.
Em nove telas atribuídas a Miró, analisou-se a distribuição das imagens em
relação ao retângulo áureo (ver apêndice 3). Descobriu-se que os componentes
principais da pintura situavam-se sobre os mesmos pontos áureos. Lembremos que
Joan Miró (1893-1983) pertenceu ao movimento surrealista, rejeitando as imagens e
os artistas tradicionais (29), sendo avesso as formas preconcebidas. Desta maneira
a utilização dos pontos áureos indica uma ação do psiquismo de Jacques como
elemento causal da obra.
Em experimento de manipulação da luminosidade ambiente, em que
ocorreu uma variação de luz branca para a vermelha, Jacques utilizou-se de cores
claras para executar os contornos do vaso de flores, iniciados com cores de
tonalidade escuras. Quando do retorno da luminosidade normal, Jacques produziu
outro quadro, com o mesmo motivo, com outro padrão de contraste de cores,
atribuído ao referido autor da pintura precedente. Era de se esperar que "se os
motivos já estivessem previamente definidos em
Jacques, ou se a fonte doadora fornecesse a informação totalmente
decodificada, não haveria razão para que o mesmo mudasse de atitude, no
momento da definição dos contornos da figura. Também não justificaria a
necessidade de pintar um novo quadro com o mesmo motivo, agora em condições
de iluminação novamente normal" (30).
Levando em consideração 86 telas, produzidas em 9 (nove) sessões, a média
de tempo para a execução de cada tela foi de 6 (seis) minutos e 28 (vinte e oito)
segundos.
Após a realização desta 1a. fase da pesquisa, faz-se necessário:
a) A determinação do olho dominante de Jacques, que pode produzir
mudanças na perspectiva da pintura;
b) Parecer técnico de especialistas em arte e de artistas plásticos;
c) Avaliação audiométrica (Jacques é deficiente auditivo), neurológica e
psicológica;
d) Reanálise da variação térmica corporal, modulação luminosa e estudo do
retângulo áureo;
e) anamnese mais aprofundada dos conhecimentos e aptidões artísticas de
Jacques;
f) análise grafoscópica da assinatura dos pretensos autores das obras
g) verificar a possibilidade de execução de pinturas sem acesso visual à
obra;
h) após a obtenção destes elementos, aplicar a escala IPPP de
caracterização da psicopictografia.
9. CONCLUSÃO.
Devido a sua natureza interdisciplinar o estudo da parapsicologia requer um
conhecimento abrangente e diversificado de várias partes do conhecimento
humano; a arte, e em particular a pintura, está inserida neste conjunto tendo
merecido aqui um tratamento mais particularizado. De tudo o que foi analisado
neste trabalho, podemos sintetizar nos seguintes tópicos:
a) a aptidão para desenhar, pintar, parece estar relacionada às atividades do
hemisfério cerebral direito do homem;
b) a corticalidade cerebral pode funcionar em nível subliminar e os centros
poligonais de Grasset, desligando-se do comando frontal constituem os
automatismos segmentares. Assim, a psicopictografia pode ser entendida
como uma forma de automatismo motor deflagrada por mecanismos
subcorticais adaptado a uma forma de conhecimento criptomnésico;
c) na psicopictografia, de regra geral, a concepção e a materialização devem
ser elaboradas a um nível inconsciente ou no .substrato matriz. A
interpretação sofre influência do nível consciente;
d) a psicopictografia com as mãos e dedos pode ser interpretada como uma
regressão ao estado primitivo, produzindo pinturas por mecanismos
análogos a arte rupestre;
e) devido a velocidade com que é produzida a psicopictografia, assim como,
o uso dos pés, mãos e dedos para a produção de pintura paranormal,
era de se esperar, como realmente acontece, que grande parte destas
obras pertencessem a escola impressionista ou expressionista, que se
caracterizam, entre outros elementos, pela presença de traços abruptos e
imagens de contornos indefinidos.
f) quando o conteúdo manifesto não foi detectável, em uma projeção
holográfica, vindo diretamente do substrato matriz, teremos uma fonte
interna do conhecimento (criptomnésia);
g) propomos uma nova abordagem conceitual da psicopictografia, através do
uso de uma escala, recebendo os escores 0, 1, 2, conforme o grau de
especificação e complexidade dos seguintes sinais: nível de produção,
diversificação da escala, tempo de confecção, formas peculiares e
existência de assinatura. Somatório da EICAP menor que quatro, indica
ausência do fenômeno paranormal, e superior a seis, indica existência da
psicopictografia. EICAP maior ou igual a quatro e menor ou igual a seis,
apresenta diversos graus de variabilidade pró ou contra a presença da
psicopictografia.
APÊNDICE 1
CRITÉRIOS DE JONES (31)
A febre reumática (atualmente denominada doença reumática) é uma
doença inflamatória que ocorre como seqüela tardia de uma infecção faríngea
produzida por estreptococos do grupo “A”. A infecção atinge principalmente o
coração e as articulações, como também o sistema nervoso e a pele (nódulos
subcutâneos e eritema marginado). Nenhum sintoma, sinal ou exame laboratorial é
sozinho fator determinante do diagnóstico da doença, sendo necessário uma
combinação desses.
A American Heart Association adotou e modificou um conjunto de critérios,
descrito abaixo, denominado critérios de Jones.
Manifestações primárias (critérios maiores) - cardite, poliartrite, Coréia de
Sydenhan, eritema marginado e nódulos subcutâneos.
Manifestações secundárias (critérios menores) - febre, artralgia, história
anterior de febre reumática ou cardiopatia reumática, VHS elevado ou PCR positiva
e intervalo PR prolongado.
O achado de dois critérios principais, ou de um primário e dois secundários,
indica alta probabilidade da presença de febre reumática, quando há evidência de
infecção estreptocócica anterior.
ESCALA DE COMA GLASGOW (32).
Posto que a consciência é o conjunto de funções encefálicas que faculta a
reação aos estímulos externos, o coma é o estado em que um estímulo intenso,
como o doloroso, não produz reação no indivíduo ou só produz reações
automáticas.
Uma das classificações mais utilizadas para determinação do nível do coma
é a escala de coma de Glasgow, descrita a seguir.
Espontânea
4
Ao comando verbal
3
Abertura ocular
A dor 2
Olhos
Sem resposta 1
Ao comando verbal Obedece 6
Ao estímulo doloroso Localiza a dor
5
Se o paciente estiver totalmente lúcido receberá nota 15. Se receber nota 3, estará
em coma irreversível.
ÍNDICE DE APGAR (33)
Este índice serve para avaliar a vitabilidade do recém-nascido, fornecendo
informações sobre seu estado de saúde e suas condições futuras.
As contagens são realizadas no 1
o
. e no 5
o
. minuto, vindo discriminados a
seguir:
Sinal 0 1 2
Freqüência
(bat/min)
Ausente < 100 > 100
Respiração Ausente Fraca,irregular
(choro débil)
Forte, regular
(choro
vigoroso)
Tono muscular Flacidez Flexão
pequena das
extremidades
Movimentos
ativos
generalizados
Irritabilidade
reflexa
(aspiração
oro-naso-
faríngea ou
estímulo
plantar)
Ausente Caretas Choro
Cor Azul, pálido Corpo róseo,
extremidades
azuis
Corpo róseo
Os neonatos com índice de 7 a 10 são considerados sadios, vigorosos, enquanto que
os escores de 0 a 6 indicam uma criança deprimida.
APÊNDICE 2
Menor
resposta
motora
(aplicar estímulo no esterno.
Observar movimentos dos
braços)
Sem resposta
Flexão com retirada
4
Flexão anormal
3
(post de descortificação)
Extensão
2
(post de decerebração)

1
Orientado e
contactuando 5
Desorientado e
contactuando4
Palavras inapropriadas
3
Sons incompreensíveis
2
Melhor
resposta verbal
Sem resposta 1
Para facilitar a distribuição de escores (0, 1 ou 2), de conformidade com os
sinais da EICAP, vamos utilizar, por convenção, um número com cinco algarismos,
sendo atribuído os seguintes significados:
Unidade – Assinatura
Dezena - Formas Peculiares
Centena - Tempo de Confecção
Milhar - Diversificação de Escolas
Dezena de Milhar - Nível de Produção
Denominando de S o somatório dos escores e de T o total de combinações
para cada somatório teremos, num cômputo geral de 243 combinações possíveis, a
seguinte distribuição:
1. (S=0 e T=1)
00000.
2. (S=1 e T=5)
00001;00010;00100;01000;10000.
3. (S=2 e T=15)
00002;00020;00200;02000;20000;10001;01001;00101;
00011;00010;01010;00110;10100;01100;11000.
4. (S=3 e T=30)
10002;01002;00102;00012;10020;01020;00120;00021;
10200;01200;00210;00201;12000;02100;02010;02001;21000;
20100;20010;20001;11001;10101;10011;01101;01011;00111;
01110;10110;11010;11100.
5. (S=4 e T=45
20002;02002;00202;00022;20020;02020;00220;20200;02200;
22000;11110;11101;11011;10111;01111;21001;21010;21100;
20101;20110;20011;12001;12010;12100;02101;02110;02011;
10201;10210;11200;01201;01210;00211;10021;10120;11020;
01021;01120;00121;10012;10102;11002;01012;01102;00112.
6. (S=5 e T=51
21002;20102;20012;12002;02102;02012;10202;01202;00212;
10022;01022;00122;21020;20120;20021;12020;02120;02021;
10220;01220;00221;21200;20210;20201;12200;02210;02201;
22100;22010;22001;20111;21011;21101;21110;02111;12011;
12101;12110;01211;10211;11201;11210;01121;10121;11021;
11120;01112;10112;11012;11102;11111.
7. (S=6 e T=45)
22002;20202;20022;02202;02022;00222;02220;20220;22020;
22200;20112;21012;21102;02112;12012;12102;01212;10212;
11202;11122;10122;11022;20121;21021;21120;02121;12021;
12120;01221;10221;11220;20211;21201;21210;02211;12201;
12210;22011;22101;22110;21111;12111;11211;11121;11112.
8. (S=7 e T=30)
10222;12022;12202;12220;01222;21022;21202;21220;02122;
20122;22102;22120;02212;20212;22012;22210;02221;20221;
22021;22201;11221;12121;12211;20121;21211;22111;21112;
12112;11212;11122;12221.
9. (S=8 e T=15)
22220;22202;22022;20222;02222;12221;21221;22121;22211;
12212;21212;22112;12122;21122;11222.
10. (S==9 e T=5)
22221;22212;22122;21222;122222
11. (S=10 e T=1
22222.
APÊNDICE 3
DIVISÃO ÁUREA
Dividir o segmento AB em média e extrema razão (Divisão Áurea)
consiste em dividir o segmento em dois segmentos tais que a razão entre o
segmento menor e o maior seja igual a razão entre o segmento maior e o segmento
total (34).

A B
x C a-x
CB/AC = AC/AB => (a – x)/x = x/a => x
2
= a(a - x) => x
2
=
a
2
- ax => x
2
+ax = a
2
Aplicando o método de completar o quadrado, isto é, somando
(a/2)
2
a ambos os membros da equação anterior, teremos:
x
2
+ax+(a/2)
2
= a
2
+(a/2)
2
=> (x+a/2)
2
= a
2
+(a/2)
Desta forma x+a/2 é a hipotenusa de um triângulo retângulo cujos catetos são a e
a/2. Consequentemente, o processo para conseguir dividir geometricamente um
segmento em média e extrema razão consiste em:
1. Tomemos AB como um segmento fornecido, constituindo o cateto maior e base
de um triangulo retângulo (a);
2. Tracemos BD perpendicular a AB e BD com dimensão igual a metade de AB,
isto é, valendo a/2;
3. Com o centro do compasso em D e raio DB, obteremos os pontos E e E’ sobre a
reta suporte de AD;
4. Com centro do compasso em A e raios AE e AE’, obtemos respectivamente os
pontos C e C’ sobre a reta suporte de AB, que constituem as respostas do
problema proposto
Resolvendo a equação x
2
+ax=a
2
pela fórmula Báskara vem;
O número 1, 618 é o número de ouro |
Lucas Pacioli (1445 - 1514) descobriu que entre todas as maneiras de
se dividir um segmento em duas partes, existe uma que aparenta ser mais
harmoniosa, mais agradável do que as outras e, intuitivamente, é a escolhida pelos
artistas, arquitetos, escultores e pintores, sendo esta a divisão em média e extrema
razão. O ponto que assinala esta divisão é o ponto de ouro (35).
O título posto na lombada de um livro, comumente, situa-se sobre
uma linha que divide o comprimento do livro em média e extrema razão, sendo esta
a posição esteticamente mais agradável. Num indivíduo que apresenta uma bela
estética, perceberemos que a linha da boca divide a distância entre a base do nariz
e o queixo em média e extrema razão, o mesmo acontecendo com a linha dos olhos
em relação ao comprimento do rosto.
Observamos também que os dedos são divididos pelas falanges em
média e extrema razão, assim como a cicatriz umbilical o faz com a altura do
indivíduo.
Leonardo de Pisa (1175 - 1250), também denominado Fibonacci, é
conhecido, entre outras descobertas, pela sucessão que leva o seu nome e que é
obtida a partir do 1 e do 2; o termo seguinte da sucessão é sempre determinado pela
soma dos dois termos anteriores. Assim, a sucessão de Fibonacci é:
1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, ...
Algumas observações sobre esta sucessão seria:
- Tomando-se três termos consecutivos, o quadrado do termo médio excede de
uma unidade o produto dos outros dois.
- As frações obtidas sucessivas entre um termo da sucessão e o seu
subseqüente se aproximam cada vez mais do inverso de |.
agradável do que as outras e, intuitivamente, é a escolhida pelos artistas, arquitetos,
escultores e pintores, sendo esta a divisão em média e extrema razão. O ponto que
assinala esta divisão é o ponto de ouro (35).
O título posto na lombada de um livro, comumente, situa-se sobre
uma linha que divide o comprimento do livro em média e extrema razão, sendo esta
a posição esteticamente mais agradável. Num indivíduo que apresenta uma bela
estética, perceberemos que a linha da boca divide a distância entre a base do nariz
e o queixo em média e extrema razão, o mesmo acontecendo com a linha dos olhos
em relação ao comprimento do rosto.
Observamos também que os dedos são divididos pelas falanges em
média e extrema razão, assim como a cicatriz umbilical o faz com a altura do
indivíduo.
Leonardo de Pisa (1175 - 1250), também denominado Fibonacci, é
conhecido, entre outras descobertas, pela sucessão que leva o seu nome e que é
obtida a partir do 1 e do 2; o termo seguinte da sucessão é sempre determinado pela
soma dos dois termos anteriores. Assim, a sucessão de Fibonacci é:
1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, ...
Algumas observações sobre esta sucessão seria:
- Tomando-se três termos consecutivos, o quadrado do termo médio
excede de uma unidade o produto dos outros dois.
- As frações obtidas sucessivas entre um termo da sucessão e o seu
subseqüente se aproximam cada vez mais do inverso de |.
A série de Fibonacci, e consequentemente |, surge em botânica na
ramificação de uma árvore em solo fértil: do tronco surgem dois ramos, desses
surgem três; desses três surgem cinco e assim sucessivamente, conforme a série de
Fibonacci.
Os galhos de um arbusto devem se dispor de forma que as folhas
recebam o máximo de exposição à luz do sol; o ângulo formado pelos galhos é 360
o
dividido pelo quadrado de |.
Ainda sobre | temos as seguintes propriedades:
1 + | = |
2
e | - 1 = 1/|
Para que um retângulo seja harmonioso é necessário que a altura seja
o segmento áureo da base, sendo denominado retângulo áureo. Desta forma uma
linha passando pelos pontos de ouro dos lados menores (ou maiores) do retângulo
o divide em duas regiões, uma leve e uma pesada.
D E F

x
Leve x 1/2x

G Y x 1/2x H
Pesado
x
C B A
Para se tornar harmoniosa a imagem pictórica, deve ter sua base situada, em
grande parte, na região pesada; se posta na região leve, será transmitida uma
sensação de flutuação, como no caso de se pintar pássaros (36).
Em paisagens marinhas a linha do horizonte deve estar na parte pesada.
Quando a paisagem constituir um fundo, tendo como figura principal, objetos
ou a imagem humana, os objetos devem ser postos na parte pesada.
BIBLIOGRAFIA
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Universo. Espaço e Tempo Editora. RJ. p. 1455.
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Urgências em Pronto-Socorro. Editora Médica e Científica. RJ. pp. 537 e
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. Edição. RJ. 203.
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Nobel. 27
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35.TAHAN, Malba (1976). As Maravilhas da Matemática. Edições Bloch. 4
a
.
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36.HALLAWELL,...;À Mão..., op. ct. 14 Editora Guanabara Koogan. 11
a
. Edição RJ.
pp. 886 a 888.
32.ERAZO, Guillermo A Cuellar & Pires, Marco Túlio Baclarini (1990). Manual de
Urgências em Pronto-Socorro. Editora Médica e Científica. RJ. pp. 537 e
538.
33.REZENDE, Jorge de & Montenegro, Carlos Antônio Barbosa (1992). Obstetrícia
Fundamental. Editora Guanabara Koogan. 6
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. Edição. RJ. 203.
34.GIONGO, Affonso Rocha (1975). Curso de Desenho Geométrico. Livraria
Nobel. 27
a
. Edição. SP. 13 - 14.
35.TAHAN, Malba (1976). As Maravilhas da Matemática. Edições Bloch. 4
a
.
Edição. RJ. pp. 227 a 249..
36.HALLAWELL,...;À Mão..., op. ct. 14
A PARAPSICOLOGIA E O TRANSCENDENTAL. Ênfase à Memória
Extracerebral
Terezinha Acioli Lins
ABSTRACT
É chegado o momento de ultrapassar as fronteiras do mundo físico e o
parapsicólogo já busca o transcendental, dando continuidade às suas pesquisas e
procurando resposta para perguntas do tipo: “Existe vida após a morte?”
Mesmo com a delimitação de seu campo de trabalho – estudo e pesquisa do
fenômeno paranormal – e, tendo como postulado básico – atribuir à mente de uma
pessoa viva a causa desse tipo de fenômeno – o estudioso da ciência
parapsicológica, de maneira ousada, desafia o tradicionalismo científico, sendo
impelido para uma nova visão da realidade humana e seu espaço no Universo. E,
para reforçar os seus conhecimentos, lança mão da riqueza interdisciplinar da
Parapsicologia, explorando idéias novas fornecidas pela Física, Biologia, Filosofia,
Religião etc.
A pesquisa da sobrevivência post-mortem do ser humano não implica na
evidência de sua imortalidade. É um pré-requisito para esse estudo a compreensão
da mente e, obviamente, do cérebro.
A mente não é um produto do cérebro, embora possa agir por seu
intermédio. É algo mais que um simples receptor e intérprete de “mensagens”
sensoriais. A sua versatilidade é imensa, sendo capaz de agir sobre a matéria
exercendo uma ação livre. Tudo indica que a mente não seja afetada pela morte do
corpo físico, todavia, trata-se de um processo hipotético, porque a consciência não
é atingida pela observação direta, mas, apenas, pode ser inferida. Deduzimos sua
existência pelos “rastros” deixados por ela em certos fenômenos paranormais.
E essa “realidade” que transcende ao tempo e espaço físicos foi pesquisada
pela Filosofia, Misticismo e, hoje, por cientistas.
DISCUSSÃO INTRODUTÓRIA

Há fenômenos que são aceitos por estudiosos da ciência parapsicológica,
mas que apresentam acentuado índice em favor da sobrevivência. Entre eles,
temos a Experiência Fora do Corpo (EFC), a Experiência de Quase Morte (EQM)
e a Memória Extracerebral (MEC).
A Projeção da Consciência pode ser definida como uma clarividência
exoscópica em que uma pessoa, , em certas circunstâncias, como morte clínica
aparente, debilidade orgânica, anestesia cirúrgica, percebe-se, de repente, como se
estivesse fora de seu corpo. Esse fenômeno é também conhecido por projeção do
corpo astral, viagem astral, desdobramento, bicorporeidade, bilocação e
experiência fora do corpo.
Em vários casos, um anestésico foi a causa provável da expulsão de um
corpo astral, segundo Sylvan Muldoon e Hereward Carrington. Cite-se o exemplo
de um bedel de escola, um certo Sr. Landa, que teve de fazer uma operação, em
conseqüência de um acidente. Ele descreve seu nervosismo antes da operação e
conta que ficou inconsciente quando lhe aplicaram a anestesia. Mas, não ficou em
estado inconsciente por muito tempo. Sentiu-se como se estivesse sendo separado
do corpo por uma brusca e violenta reação. Depois, tão repentinamente como
antes, a calma lhe voltou. Eis o resto da história contada com suas próprias
palavras:
“Eu me vi - ou melhor, eu vi o meu ser físico - deitado ali. Tive uma visão
nítida dos detalhes da mesa de operação. Solto no ar e olhando para baixo, me vi
deitado na mesa de operação. Podia ver a incisão cirúrgica no lado direito do meu
corpo e pude ainda perceber o médico segurando um instrumento que agora não
consigo mais descrever com precisão.”
Observei tudo com muita clareza. Tentei impedir que me operassem. Era
uma coisa tão real! Ainda ouço meus gritos: “Parem com isso! O que vocês estão
fazendo aí?”
O Sr. Landa termina dizendo, como tantos outros que, jamais esquecerá
essa experiência. É a primeira grande compilação feita por Muldoon e
Carrington, publicada em em 1951 ( 97b, p.p. 56-7).
A Projeção da Consciência dá margem a que se discuta sobre a possível
existência de um corpo de natureza não física, como se fosse uma réplica do corpo
físico. Ele é chamado de corpo astral, perispírito, psicossoma, corpo espiritual,
corpo bioplasmático. Sob o ponto de vista científico, entretanto, a questão
abordada se encontra no campo da especulação metafísica.
Não há qualquer experiência confiável e conclusiva que tenha determinado
a existência deste “algo” que se separa do corpo físico no momento da experiência
extracorpórea.
A Experiência de Quase Morte, em alguns casos, pode dar lugar a uma
experiência de projeção da consciência. Muitas pessoas, consideradas clinicamente,
mortas, viram-se, de repente, fora de seus corpos, observando com clareza, tudo o
que acontecia, ao seu redor. Alguns até se deslocaram para lugares mais distantes,
presenciando cenas que ali aconteciam.
Raymond Mood Jr. (MOOD Jr. – G. Luz do Além) informa que, através de
pesquisa realizada pela Gallup, constatou-se que, nos Estados Unidos, oito milhões
de adultos tinham passado por uma EQM. Ele chegou a entrevistar, até o
momento, mais de mil pessoas que vivenciaram esse fenômeno.
Raymond Mood Jr. relata, em seu livro “A Luz do Além”, um caso
impressionante de Projeção da Consciência por ocasião do Estado de Quase
Morte:
“Em Long Island, uma mulher de setenta anos, cega desde os dezoito, foi
capaz de descrever, com detalhes vívidos, o que aconteceu, enquanto os médicos
tentavam ressuscitá-la de um ataque do coração.
Ela conseguiu dar uma boa descrição dos instrumentos que foram
utilizados, e até mesmo de suas cores.
E o mais surpreendente para mim é que a maioria daqueles instrumentos
sequer fora concebida na época em que ela ainda podia ver, havia cerca de
cinqüenta anos. Além de tudo isso, ela ainda disse ao médico que ele usava um
jaleco azul, quando começou a ressuscita-la”.
Relatos de pessoas que foram declaradas clinicamente mortas constatam
que elas continuavam lúcidas durante aquele estado, tomando conhecimento de
tudo que se passava ao seu redor. Apenas não se comunicavam com o mundo
exterior, em virtude do seu estado físico. Tudo indica que a falta de comunicação
entre uma pessoa em estado de coma e o mundo externo, não constitui
comprovação de que a mesma se encontre em estado de inconsciência. (1)
MEC é a sigla da Memória Extracerebral, expressão que surgiu,
simultaneamente, com outros, como Paramemórias e Reencarnações Sugestivas. A
designação Memória Extracerebral foi dada em 1973 por Hamendras Nat
Banerjee, quando começou a investigar o fenômeno.
É um fenômeno que, na nossa opinião, apresenta acentuado indício em
favor da Reencarnação, tratando-se de uma hipótese não científica e investigada
no campo religioso.
Embora se trate de uma modalidade especial de personificação subjetiva. O
paranormal, geralmente uma criança, na faixa de dois a oito anos, assume, em
algumas ocasiões, a personalidade de alguém que já falecera e que ela não
conhecera, dizendo-se ser a reencarnação daquela. Há uma identificação do “eu”
da criança com o “eu” da pessoa falecida, personalidade preexistente em seu
psiquismo inconsciente. Distingue-se, entretanto, da personalidade secundária,
porque, neste fenômeno , há um desempenho de papel e não uma identificação
entre a criança e a falecida.
Destacam-se como pesquisadores desse fenômeno, o professor Dr.
Hamondras Nat Banerjee, da Universidade do Jaipur na Índia e o professor Dr.
Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia nos Estados Unidos. Esses estudiosos
preferem o exame dos casos espontâneos de lembranças de vidas anteriores
reveladas por crianças. Segundo esses dois cientistas, os casos espontâneos têm a
vantagem da naturalidade, enquanto o processo de Regressão da Memória pela
hipnose é artificial e o mais sujeito a suspeita de fabulações inconscientes pelo
paciente. O próprio professor Albert de Rochas que, em 1924, lançava o seu livro
“As Vidas Sucessivas”, concluiu que não tinha chegado a resultados positivos, em
suas pesquisas hipnóticas sobre a Reencarnação. Sua técnica foi desenvolvida pelo
Dr. Wlademir Raikav, na Universidade de Moscou, em suas experiências de
“reencarnações sugestivas”, estruturada no materialismo oficial da Rússia.
Entre vários casos de Memória Extracerebral, destaca-se o extraordinário
Caso de Shanti, (Publicação – Revista Italiana “L’Europeo”, em 1958).
Aos quatro anos, a menina Shanti, que nasceu em Delhi, em 1926, denotava
acentuada atração pelos alimentos e costumes bramânicos, referindo-se, com
freqüência a uma vida anterior. Citou depois o nome de Kedar Nath que teria sido
o seu marido em outra existência. Em 1935, tendo ciência de fato, o “ex-esposo”
visitou-a e fez inúmeras perguntas relativas ao passado e a vários aspectos da vida
conjugal. Convenceu-se estar diante de Lugdi Davi, sua primeira mulher que
faleceu em 1925 ao da à luz um menino.
Shanti, visitando Malhura, identificou as residências de Lugdi ao tempo de
solteira e depois de casada, estranhando a mudança da cor da pintura externa
desta última. Procurou 150 rúpias na casa em que teria vivido como esposa de
Kedar Nath e que teria escondido antes do parto, para doar a determinado templo,
se o nascituro fosse menino. Queria pagar a promessa, mas não encontrou o
dinheiro. Kedar, de fato, achara a quantia, após a morte de sua mulher, porém,
desconhecendo a finalidade, gastou-a.
A menina Shanti, em nenhum momento, parece ter caído em contradição ou
decepcionado seus pretensos familiares.
Em suma, tanto o fenômeno da EFC, o de EQM e de MEC compreendem
uma área de investigação interdisciplinar para os estudiosos da Parapsicologia.
EXISTE VIDA APÓS A MORTE?
É chegado o momento de ultrapassar as fronteiras do mundo físico e,
alguns parapsicólogos, dentro do campo da interdisciplinaridade, já buscam o
transcendental, dando continuidade às suas pesquisas e procurando respostas
para perguntas do tipo: “Existe vida após a morte?” Considerando o enfoque
social, as respostas a esse respeito são as mais diversas.
Mesmo com a delimitação de seu campo de trabalho – estudo e pesquisa do
fenômeno paranormal – e, tendo como postulado básico – atribuir à mente de uma
pessoa viva a causa desse tipo de fenômeno –, alguns estudiosos da ciência
parapsicológica, de maneira ousada, desafiam o tradicionalismo científico, sendo
impelidos para uma nova visão da realidade humana e seu espaço no Universo. E,
para reforçar os seus conhecimentos, lançam mão da riqueza interdisciplinar da
Parapsicologia. (2)
Inicialmente o estudo se depara com uma dificuldade: partir do mundo
físico para explicar o físico já é complexo e, mais complicado é, ainda, partir do
físico para explicar um suposto mundo não-físico. Acrescente-se, também, que a
visão do mundo físico para o homem, ora é seletiva, ora uma visão errônea e ora
não vê ou não é despertado para fenômenos que já existem. E, para extrapolar o
seu campo de pesquisa, há parapsicólogos que, muitas vezes, além do vivo, é
impelido, naturalmente, para o estudo do morto e do elemento estranho. Para
esclarecer o morto, procura subsídios no Espiritismo e para o estranho, apóia-se
na astrobiologia.
Esse estudo do transcendental implica, antes de tudo, na compreensão da
mente e, obviamente, do cérebro. Tudo indica que mente e cérebro agem de
maneira sincrônica, de modo que, alguma lesão cerebral pode atingir a mente.
Todavia, necessariamente, ela não depende do cérebro para agir. É como se num
computador, o cérebro fosse o “hardware” e a mente o “software”, isto é, a
máquina propriamente dita e a programação, respectivamente. Entretanto, para
funcionar o computador, não precisa o programador estar nele, mas o seu
programa, a sua criação. (3)
A mente é algo mais que um simples receptor e intérprete de “mensagens”
sensoriais. A sua versatilidade é imensa, o que explica, em parte, os problemas
enfrentados pelos pesquisadores que procuram desvendar os segredos de seu
funcionamento. Ainda não foi comprovada a existência física da mente ou a sua
autonomia através de experiências. Torna-se, assim, impossível a tentativa de
averiguar a sua existência extracorpórea através do uso de aparelhagem física.
Tudo leva a crer que a mente é capaz de criar um campo informacional e
energético, interagindo com elementos situados nesse campo.Teoricamente, torna-
se possível, o exercício de sua atividade perceptual, não, apenas, partindo do corpo
físico, mas de qualquer parte desse campo.
Mente e matéria estão, intimamente, ligadas. Não se pode pensar numa sem a
outra. A mente é a força ou movimento dominante no Universo.Não pode ter tido
princípio nem poderá ter fim. (4)
Possibilidade de Pesquisa Científica sobre a Sobrevivência
Os objetivos da Parapsicologia sofreram grande ampliação.Dedica-se, já há
algum tempo, ao estudo da natureza do homem e do seu relacionamento com seus
semelhantes, com o meio ambiente e o próprio cosmo. Seus limites extravasaram as
áreas iniciais de investigação, abrangendo fenômenos de amplo aspecto que
chegam a tocar as fronteiras das outras ciências, como a Física e a Biologia. Isso se
deve ao extraordinário impulso dado pelos pesquisadores americanos, em que se
destaca Dr. Joseph Banks Rhine (que está para a Parapsicologia, como Freud está
para a Psicanálise), considerado o “Pai da Parapsicologia Ocidental, e soviéticos,
entre os quais, Leonid Vasiliev, considerado o “Pai da Parapsicologia na Rússia”.
Foi na Universidade de Duke que o casal Rhine (Joseph Banks Rhine e
Louisa Rhine) iniciou os estudos que tenderiam à criação de uma nova ciência : a
Parapsicologia. Preocupados com a questão da sobrevivência, eles adentraram
num campo que trouxe o extrafísico para a pesquisa das faculdades humanas.
Rhine despertou para a Parapsicologia depois de ouvir o médico inglês , famoso
no mundo, Oliver Lodge, falar a respeito da sobrevivência após a morte e da
possibilidade de comunicação com o mundo espiritual. Resolveu, assim, verificar se
a sobrevivência poderia ser pesquisada de forma científica.
Rhine, até a sua morte, a 20 de fevereiro de 1980, sempre aceitou a
existência de poderes naturais, porém desconhecidos. Com seu trabalho pioneiro
nessa área –Extrasensory Perception -, prefaciado pelo Dr. Mc Dougall, ele
converteu o que era considerado “sobrenatural”, em extrafísico. A mente seria um
elemento não-físico no indivíduo? Tudo indica que a Parapsicologia é a ciência
apropriada a fornecer, experimentalmente, uma resposta .
A sobrevivência do homem não é objeto de estudo da Parapsicologia . Isso
não implica, todavia, que os fenômenos paranormais não possam constituir
subsídio para a elaboração de uma hipótese científica da sobrevivência humana,
após a morte do corpo físico.
Para Rhine, a “prova de ESP seria mais do que suficiente para estabelecer a
hipótese da sobrevivência sobre bases lógicas.” Já Milan Rizl, indo de encontro ao
pensamento de Rhine, afirma que a prova da sobrevivência não pode ser
fornecida pelas manifestações paranormais, porque “até o momento não se
encontram limitações à percepção extra-sensorial. Assim, esta continua sendo
uma hipótese, suficientemente, satisfatória sobre a sobrevivência post-mortem”,
Se não há limite dos fenômenos paranormais, não se pode provar ou refutar.
Com a comprovação das faculdades de telepatia, clarividência, precognição e
psicocinésia, a Parapsicologia demonstrou que a natureza do homem não é,
exclusivamente, material. Tudo indica haver no homem e, possivelmente, nos
demais seres vivos, uma parte extrafísica, ou seja, o fator psi.
Goldstein, parapsicólogo paulista, opina que, por enquanto, os
parapsicólogos, ainda impregnados de filosofia positivista, relutam em identificar
o fator psi com o espírito, alegando que o conceito de espírito ainda contém uma
conotação metafísica que o torna inaceitável pela ciência. O que não se pode negar
é que, em toda a fenomenologia paranormal, há forte indício de preponderar a
“ação intencional de um agente inteligente”. Tudo indica que o espírito é um
inobservável, todavia, ele deixa, em certos fenômenos paranormais, “rastros”
através dos quais se detecta a sua existência.
Mente universal: subsídios para a compreensão da Mente Superior
Dentro da riqueza interdisciplinar da Parapsicologia, o pesquisador deve
explorar idéias novas fornecidas pela Física Quântica e uma delas é a “Mente
Universal”, de Henry Margenau.
Nessa Mente Universal, tomariam parte todos os seres conscientes e talvez
todas as entidades que compõem o mundo. Para Margenau, o fato de percebermos
o mesmo mundo evidencia a existência da Mente Universal. Torna-se necessária
uma única consciência para se fazer uma única imagem do mundo. Tudo leva a
crer que essa Mente está operante, moldando a grande quantidade de dados
sensoriais, processados a cada momento, formando imagens do mundo inter-
relacionadas e comunicáveis.
Essa Mente Universal e Una é, em sua expressão mais abrangente, Divina. É
provável que, em algum nível, somos essa Mente, revelando-se em determinada
freqüência, com limitações que, certamente, não obscurecem uma pequena fração
de suas propriedades. A existência de uma alma coletiva não exclui a existência de
almas individuais que nela irão desintegrar-se ou desaparecer ou sofrerão longa
evolução, a fim de, no final, nela se integrarem, constituindo a unidade do “Eu e
meu pai somos um...”
Os fenômenos parapsicológicos, há muito tempo, são considerados funções
da personalidade integral inconsciente. Todavia, não se devem conceder à
dinâmica inconsciente atributos divinos, o que se extrapola a sua capacidade
cognitiva. Não se pode defender o poder ilimitado do processo inconsciente, porque
esse juízo incide no campo da Metafísica. Há aptidões desconhecidas do psiquismo
inconsciente, sendo o seu conceito, ainda hoje, vago, nos campos psico-
parapsicológicos. Tudo leva a crer que o psiquismo inconsciente não é apenas
automático, comandado pelos instintos e
Rhine, em suas experiências de Parapsicologia, chega a uma conclusão
idêntica a Karl Gustav Jung: “Se a mente humana é não-física, é possível
formular uma descrição hipotética de um sistema-mundo não físico, formado por
todas as mentes que existem, em uma espécie de vinculação recíproca, que conduz
a concepções especulativas de uma espécie de superalma psíquica, um reservatório
contínuo, universal, com seu próprio sistema de luz , propriedades e poderes.
Pode-se conceber essa grande totalidade com um caráter único e transcendental,
mais além e acima da natureza de suas partes, a que alguns poderiam chamar
divindade.” (Rhine - “The Leach of the Mind”)

Pesquisas Parapsicológicas no Campo da Transcendentologia
Há muito tempo (cerca de cento e cinqüenta anos) que o homem se dedica à
Transcendentologia , constituindo complexo objeto de pesquisa. Entre outras,
destacam-se as seguintes investigações:
1 – Pesquisa dos fenômenos relacionados com a morte pelo grupo do Professor
Pratt, da Duke University, dando origem à classificação de um novo tipo de
fenômeno paranormal, denominado “theta” (oitava letra do alfabeto grego), que
se origina de thanatos (morte).
2 – Pesquisa dos fenômenos relacionados com a teoria da reencarnação, como o
provam o livro já famoso do professor Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia,
Estados Unidos, e os trabalhos do professor Banerjee, da Universidade de Jaipur,
na Índia , embora cercado de reservas e cautelas.
3 – Pesquisa, no mesmo sentido, através da hipnose, por psiquiatras russos,
como o caso do professor Vlademir Raikov e suas experiências de
“reencarnações sugestivas”, embora consideradas puramente do ponto de vista
da sugestão hipnótica.
4 – Pesquisa sobre gravação de comunicações espirituais em fitas magnéticas,
iniciadas por Friederich Jürgenson, de Möelbo, Suécia e desenvolvidas pelo
cientista Konstantin Raudive e outros na Alemanha, entre os quais Hans Geisler.
O primeiro livro de transcomunicação “Telefone para o Além” é de Jürgenson.
Quanto aos registros diretos de vozes paranormais em fitas magnéticas,
constituem pesquisa no campo da parapsicologia sobre um fenômeno que ainda
não encontrou explicação científica – a Transcomunicação Instrumental. Trata-se
de retenção de vozes gravadas diretamente em fitas magnéticas, cuja origem, até
agora, é desconhecida. Os trabalhos de Sônia Rinaldi têm apresentado
considerável contribuição nesse campo de pesquisa.
Jürgenson assinalou o fenômeno, quando tentava gravar vozes de
pássaros. Surpreendeu-se, notando que as fitas magnéticas estavam sendo
impressionadas por vozes “humanas”, desconhecidas. Raudive (já falecido)
organizou uma verdadeira estação de escuta, onde obteve 80.000 mensagens por
esse processo e transcreveu essas gravações em seu livro “O Inaudível torna-se
Audível”. (O original é em alemão “Unhörbases, Ubard Horbar”).
Na Europa, em particular, há dezenas de cientistas que se dedicam ao
registro e interpretação de tais vozes. Há muitos que opinam tratar-se de
comunicações de pessoas já “falecidas”.
5 – Físicos e biólogos soviéticos descobrem o corpo bioplasmático do homem,
que se retira do corpo no momento da morte, sendo a verificação experimental
feita através de câmeras fotográficas especiais. E cujas pesquisas podem ser
conhecidas através do livro “Descobertas Psíquicas Atrás da Cortina de Ferro”,
de Lyn Schroeder e Scheila Ostrander, Estados Unidos, atualmente com
tradução no Brasil.
6 – No Brasil – o IBPP possui, em seus registros, mais de 50 casos que sugerem
reencarnação e que ocorreram no Brasil. Essa equipe trabalhou em mútua
colaboração com a de Ian Stevenson. Em nosso país, destacam-se as pesquisas
realizadas pelo engenheiro Hernari Guimarães Andrade e outros.
7 – Em agosto de 1960, foi fundada em Durham, Carolina do Norte, Estados
Unidos, a “Psychical Research Foundation”, a qual entrou em atividade em
janeiro de 1961. A sua finalidade exclusiva é a promoção de pesquisas científicas
em torno do problema da sobrevivência da personalidade após a morte. Publica
um boletim trimestral – Theta. A Fundação e o seu boletim não assumem nenhuma
posição ante o problema da sobrevivência, salvo a crença de que a observação e a
experimentação científica podem conduzir a uma solução do mesmo. Os seus
componentes escolheram a designação “Theta”, que é a primeira letra da palavra
grega “Thanatos” (a morte) e com ela, querem significar qualquer relação com a
questão da sobrevivência da personalidade após a morte do corpo físico:
“fenômeno theta”, “evidência theta” (positiva ou negativa).
8 – Pesquisa dos cientistas norte-americanos da equipe do professor Puhariche
sobre médiuns curadores (destacando-se as realizadas com Arigó) e da Fundação
Edgar Cayce, no mesmo sentido. Uma equipe dessa fundação esteve em São Paulo,
fazendo observações em 1969.
A Mente Superior: Caracterização
Tudo leva a crer que a mente atua por meio do cérebro, embora,
necessariamente, não seja um produto dele ou esteja a ele limitada. Seria, desse
modo, uma Mente Superior, da qual se deriva o Ego que tem o seu conteúdo e um
determinado nível de percepção consciente: pensamentos, sensações, emoções.
Há, todavia, dificuldades que aparecem, tais como: Onde, na realidade ,
localiza-se a mente? Poderia a mente juntar-se ao corpo físico de um indivíduo no
nosso espaço-tempo, sem ser atingida pelos limites desta nossa realidade imediata?
Estaria, assim, aqui e ali, ao mesmo tempo, conectando-se com todos os seres do
Universo numa velocidade maior que a da luz. (5)
Que espécie de mundo seria necessário para suportar uma mente Não
Localizada? Talvez a espécie de mundo que temos – um mundo que, em si mesmo,
é não –localizado. Isso desafia a Física desde Newton. Segundo Herbert , uma
interação não-local é não – medida, não-atenuada e imediata. E o físico irlandês
John Stewart Bell demonstrou que o mundo não-localizado de fato existe. Apesar
de todas as forças conhecidas serem , incontestavelmente, localizadas, as conexões
não localizadas estão em toda parte, porque a própria realidade é não-localizada.
Uma mente não localizada é uma mente ligada a todos os outros momentos,
lugares e pessoas. (6)
Se a mente é Não Localizada, ela grita sua independência em relação ao
corpo e cérebro que são estritamente localizados. Desse modo, ela goza do livre-
arbítrio, até certo grau, uma vez que poderia escapar dos constrangimentos
determinísticos das leis físicas que comandam o corpo. É o ponto de apoio para
explicar-se a sobrevivência após a morte do corpo físico, transcendendo o tempo e
o espaço. Isso seria uma das maiores descobertas sobre o organismo humano em
todos os tempos. Seria o objetivo do homem moderno em sua inquietação,
buscando conseguir vida a qualquer custo.
Desse modo, a mente pode ser considerada dentro do cérebro, fora do
cérebro, percorrendo o próprio corpo e fora do cérebro e do corpo. No cérebro, faz
um trabalho sincrônico: uma lesão cerebral pode atingir a consciência. Disse Dr.
Wilder Penfield eminente neurocirurgião canadense, autor do livro “O Mistério
da Mente”, antes de morrer: “a consciência do homem, a mente, é algo que não
pode ser reduzido aos mecanismos do cérebro”. (7)
Em um controvertido livro publicado em 1977 “A Mente e seu Cérebro”,
Eccles e o filósofo Sir. Karl Popper, seu conterrâneo, defendem que, além dos
estados cerebrais determinados pelas leis físicas, há também estados mentais que
estão fora dos limites do mundo material,mas, mesmo assim, interagem com ele.
Karl Gustav Jung não concordava com a definição física da realidade.
Investigando a mente, Jung deu uma maior atenção às zonas além do alcance da
consciência desperta. Como Sigmund Freud, ele demonstrou a importância da
mente inconsciente de cada indivíduo, cujos impulsos sombrios moldam a
conduta, mas só acessíveis por meio das saídas criativas, como sonhos, fantasias
ou obras de arte e, assim mesmo, em termos simbólicos. A análise que fez de seus
próprios sonhos, levou-o a afirmar a existência de outro tipo mais amplo de nível
inconsciente, a que determinou de inconsciente coletivo.
Segundo Jung o inconsciente coletivo pertencia a toda humanidade, sendo
expresso em arquétipos ou símbolos primitivos, mitos ou histórias folclóricas com
temas e formas comuns, encontradas em todas as culturas, em qualquer
época.Essas imagens e histórias não foram concebidas por experiência
individual, mas constituem o comum de toda a humanidade.
Às vezes, Jung conferia ao inconsciente coletivo um poder paranormal de
previsão dos acontecimentos. Acreditava, por exemplo, que uma série de sonhos
que teve no final de 1913, cheios de imagens de corpos esfolados, mergulhados em
mares de sangue, fora uma premonição do conflito que irrompeu na Europa, em
1914 (a Primeira Guerra Mundial, 1914 –1918). A definição da morte, em suas
interpretações, atingiu uma compreensão nova, que transcendia o escopo da
discussão entre materialistas e dualistas.
O processo inconsciente possui uma extensão que alcança qualquer lugar.
Não temos condições de estabelecer uma fronteira definida. Assim como não
podemos dizer onde o mundo acaba, também não podemos afirmar onde termina
o inconsciente, ou mesmo se termina em algum lugar. É um processo hipotético,
porque o nível inconsciente não é atingido pela observação direta, mas, apenas,
pode ser inferido.
Segundo o renomado matemático e filósofo britânico Alfred North
Whitehead, nenhum aspecto isolado existiria por si só. “Não há verdades
completas”, a todas as verdades são meias verdades. A mente humana apreende
o maior número possível de entidades vigentes, transformando-as em memórias
que, no conjunto, formam para a pessoa o sentido de si mesma.
A difícil filosofia de Whitehead se assemelha com alguns aspectos da religião
do Oriente: o mundo do corpo e dos objetos é ilusório. Assim a verdadeira
realidade é acessível à contemplação, não podendo ser sondada por meios físicos.
(8)
O MISTICISMO ANTIGO E A FÍSICA MODERNA.
Fritjof Capra foi um dos primeiros cientistas ocidentais a explorar os
implausíveis paralelos entre o misticismo antigo e a física moderna. Em 1975, ele
escreveu “O Tao da Física”. A unicidade básica do Universo não é apenas a
característica central da experiência mística, mas também uma das mais
importantes revelações da física moderna. Ela se torna aparente no nível atômico
e manifesta-se mais e mais à medida que mergulhamos mais fundo na matéria,
até o domínio das partículas sub-atômicas. (9)
James Jeans, em “The Mysterious Universe”, afirmou: “A mente já não se
apresenta como acidental intruso no reino da natureza; começamos a suspeitar
que, a devemos saudar como a criadora e a governadora desse reino.”
Matéria é movimento e movimento é matéria. Esta está em toda a parte no
Universo, nunca teve começo e nunca terá fim, achando-se em contínuo
movimento. Não há, portanto, espaço vazio, matéria e energia e vice-versa. Se a
matéria é energia concentrada, a energia seria a liberação da matéria. Tudo indica
que a mente é a energia que, estando na matéria, tem a liberdade de liberar-se
dela, quando se fizer necessário.
Sem a mente, nada existe. Só quando ela está presente, há qualquer
realização da matéria, física ou etérea. Só entendemos a mente, atuando sobre a
matéria. A mente é ativa, a matéria passiva, sendo correlatas. Desse modo, mente e
matéria estão intimamente ligadas. A mente é o movimento dominante no
Universo, sem princípio nem fim, dá causa ao movimento, formando-se dentro dos
objetos vistos ou imaginados.
Haverá mente numa pedra? Uma pedra pode tornar-se habitação de uma
mente. Há mente em todos os graus de desenvolvimento, desde o do mais humilde
fungo até a que guiou a mão que escreveu a maior tragédia de que o homem já
compôs: Rei Lear.
A mente é infinita e eterna, a mudar sempre, a desenvolver-se, a criar formas
novas, tirando-as das velhas, nunca em repouso. Poderemos por limites à mente?
Existirá uma mente individual, e nos seria possível compreendê-la? Não, porque o
finito não pode compreender o infinito e essa mente infinita deve existir. Tudo que
a mente individual abrange tem que ser produto da mente universal. Aquela pode
compreender tudo, mas não controla tudo.
Cada um de nós tem a sua parte dessa mente universal e a que nível de
sabedoria, podem as nossas mentes individuais chegar, ainda ninguém esteja apto
a dizer. Não chegamos ao mesmo nível dessa mente, porque morremos e,
conseqüentemente não somos eternos, mas finitos. Entretanto, o homem cria até o
dia de sua morte.
Em suma, para existir matéria, tem que haver mente, mas para existir
mente, não tem que haver matéria. Tudo indica ser esse um dos caminhos para a
formulação de uma hipótese da sobrevivência. (10)
EXPERIÊNCIA CÓSMICA
A Física chega nos confins da matéria e constata na energia sua
relatividade. O tempo é uma ilusão, função do movimento num espaço cuja
natureza tridimensional é totalmente posta em questionamento.
A visão de uma realidade mais ampla do que a nossa apresenta efeitos
terapêuticos, aspecto que se torna, para alguns, o objetivo mesmo de toda
psicoterapia. Talvez, a psicose
seja uma espécie de acidente, um aborto da experiência cósmica. Com o uso da
mescalina e do LSD, a psicofarmacologia colocou em evidência a possibilidade de
obter, experimentalmente, estados de consciência que lembram, em todos os
pontos, a experiência mística. Atrás da droga, encontra-se uma experiência
transcendental terapêutica. Cancerosos, por exemplo, perdem o medo de morrer
depois dessa experiência.
A Biofísica nos coloca, progressivamente, diante da evidência de um
contínuo entre a matéria orgânica e inorgânica.
Características da experiência mística:
a) Unidade: desaparece a dualidade eu / não-eu - as pessoas vivem a
unidade cósmica e se sentem fazendo parte de uma totalidade indissolúvel.
b) Inefável: a experiência é tão diferente de tudo aquilo que vive no mundo
submisso aos cinco sentidos que não há palavras para descrevê-la.
c) Realidade: a experiência é sentida como real e essa convicção se mantém
após seu desaparecimento. Daí o termo noética criado por William James, para
caracterizar esse aspecto da experiência mística.
d) Estado positivo de humor, sentimentos de paz, êxtase, graça, amor
universal, alegria pura etc.
e) Sentido do Sagrado: as pessoas sentem um profundo respeito e uma
humildade incondicional e majestade do vivido.
f) Desaparecimento do medo da morte: o fato de pertencer à energia
cósmica dá às pessoas a certeza de sua própria eternidade, depois da
desagregação do corpo. (11)
g) Mudança posterior de comportamento e de sistemas de valores:
inúmeras pessoas que viveram essa experiência, geralmente, são objetos de
mudanças radicais e progressivas, após uma experiência cósmica. Há ainda outras:
visões de seres protetores, ameaçadores ou neutros, fenômenos parapsicológicas
de telepatia, clarividência, precognição, psicocinésia etc.
VIAS DA EXPERIÊNCIA CÓSMICA
São vias da experiência cósmica: Ioga, Rosa Cruz, Maçonaria, os apóstolos
do Cristo e o próprio Cristo.
Todos descrevem as oceânicas de Freud, as místicas religiosas de São João
da Cruz ou de Santa Teresa de Ávila, o Estado Alterado de Consciência.
1) Inexistência do tempo como ele é vivido por nós.
2) Tempo relativo ao espaço: o tempo é percebido como inexistente.
3) A matéria é ilusão, ela é energia densa.
4) Vivência numa dimensão fora do tempo e do espaço.
5) Percepção algumas vezes, de uma gigantesca pulsação cósmica,
harmonizando-se com ritmos individuais e audição de sons cósmicos que são,
paradoxalmente , percebidos como sendo inaudíveis. O Cosmo se comporta como
um ser vivo, dotado de inteligência, constituindo uma unidade estrutural. O eu e o
objeto (compreendendo o mundo inanimado) fazem parte de uma mesma
energia e tudo indica que essa energia tem uma fonte única.
Cabe aqui uma comparação budista: há as ondas e o mar. Nós somos as
ondas. Cada um de nós é uma onda que olha para outra onda. Resulta disso a
ilusão de sermos separados um dos outros. As ondas nascem, existem e morrem.
Elas voltam ao mar. Assim, nossa percepção da dualidade e da multiplicidade da
vida cotidiana é, no plano da microfísica, uma ilusão.
O sentimento auto-oceânico de Freud corresponderia a uma percepção
direta da realidade, acima dos cinco sentidos. O obstáculo principal que Freud
havia pressentido , com sua lucidez habitual, foi a impossibilidade de demonstrar
a existência de uma memória, de um registro dessa experiência “oceânica”.
A psicologia transpessoal se ocupa, especialmente, da consciência cósmica.
Quando o físico se acaba, a centelha volta ao Eu-Essencial e, quando o
atinge, é parte dessa centelha. (12) No momento da morte – o maior trauma do
ser humano, os mesmos mecanismos de defesa entram em ação e sua função
primeira é bloquear a memória imediata da morte. Mas, ao fazer isso, também
apagam as lembranças de toda uma vida. Os psicólogos já observaram que o ser
humano apresenta tendência a esquecer as ocorrências desagradáveis de sua
vida.
Os dois grandes traumas do nascimento: a perda da segurança do útero
materno e a primeira experiência de dor (as palmadas do médico para fazer a
criança respirar) ativam um mecanismo ainda não explicado, que inibe todas as
lembranças da vida anterior.
No Oriente, o verdadeiro caminho para a sabedoria é a meditação. Essa
idéia baseia-se na premissa de que todo o conhecimento real deve residir,
basicamente no interior do ser humano. As técnicas adotadas são de origem
hindu e conferem aos que a praticam poderes mágicos , como a capacidade de
tornar-se invisível ou levitar. Para nós, ocidentais, a meditação é considerada
ainda algo misterioso e difícil de aprender. Segundo os orientais, a inesperada
solução para algo pendente, através da meditação, é tida como uma espécie de
iluminação.
HIPÓTESE DA FONTE SUPERIOR
Chegamos à Terra.
Nascemos inconscientes, pois é ativado um mecanismo, ainda sem explicação
e que inibe todas as lembranças anteriores.
Pouco a pouco, vão-se desenvolvendo os órgãos dos sentidos, que captam as
sensações do mundo físico e, em seguida, surge a fala , através da linguagem,
responsável pela atitude racional do homem. O processo de codificação e
decodificação de mensagens através das interações humanas, enriquece o
repertório de cada um.
Tudo leva a crer que voltamos inconscientes. Os mesmos mecanismos de
defesa entram em ação, bloqueando a memória imediata da morte, ao mesmo
tempo em que apagam as lembranças de toda uma vida.
Pessoas entrevistadas pelo Dr. Raymond Mood Jr. (“Vida depois da Vida”)
revelaram um conjunto significativo de fatos coincidentes, entre eles, uma
recapitulação panorâmica e instantânea dos principais acontecimentos de sua
vida. É como se fosse rebobinando uma fita de videocassete, após assistir a uma
filmagem completa. As fitas vão voltando e, do fim para o começo, apresentam
uma retrospectiva das cenas, a fim de que a filmagem possa ser vista novamente,
do início. O movimento de volta da fita e parada da imagem, também podem
ocorrer, quando se necessita ver melhor qualquer cena. Numa rebobinagem
completa, a fita atinge o ponto O da matemática e, assim, prossegue tantas vezes
quanto se queira ver o filme. É como se a fita “morresse” e tivesse de retroceder
para “viver” de novo. Esse processo tecnológico nos lembra o EQM com
algumas ressalvas: algumas pessoas retornam à vida em casos de morte clínica,
aparente, anestesia cirúrgica, choque emocional, debilidade orgânica, porque não
atingiram o ponto 0, onde se dá o desenlace – a morte. Quem não tem
oportunidade de volta, automaticamente, cai no transcendental, do eixo O para a
esquerda (-1-2-3...). Salta-se do físico para o não-físico, caindo numa dimensão em
que mecanismos e leis, tudo indica, sejam diferentes do mundo físico. Tudo leva a
crer que se volta à fonte Una e Superior.
Essa retrospectiva de vida informa a proximidade da morte, limpando a
mente (no caso da fita, ela renasce, voltando-a e, se não volta, não existirá o
filme). Com a retrospectiva e, nesse estado de inconsciência atinge o eixo 0,
acabando a vida física. Em síntese: acabando o físico, resta uma centelha que
retorna ao “Eu Essencial” – a Fonte Superior. – E, quando sai dessa Fonte, torna-
se parte dela. A saída é para a Terra ou para outra dimensão?
Tudo levar a crer que, se há necessidade de esquecer fatos da vida física,
numa retrospectiva até o 0, “logicamente” é para começar de novo em estado de
inconsciência. Caso contrário, para que existe esse fato comum de recapitulação da
vida para a morte, num processo retrospectivo?
Desse modo, esquece-se a vida passada, a terrena, entrando-se num estado
de inconsciência, numa volta ao ponto de partida – a Fonte Superior. A transição
morte, vida se torna complexa pelas implicações de tempo, espaço, causalidade,
o não-físico (ainda desconhecido) etc. Poderá existir a probabilidade do
transcendental, não-físico, espiritual, mas o “como” desse estado ainda não
encontrou uma explicação científica.
O transcendentalismo deve confrontar-se com a sobrevivência , sem
compromissos outros, tais como, a comunicação dos mortos com os vivos e a
reencarnação, que, segundo os espíritas, compreende o retorno do espírito à vida
terrena através do outro corpo. Deve ser observado que a sobrevivência não
implica em comunicação mediúnica ou em reencarnação. A comunicação
mediúnica implica em sobrevivência, mas não em reencarnação e a reencarnação
implica em sobrevivência, mas não em comunicação mediúnica.
Em se tratando de vida terrena, observa-se que, ao sair-se da Fonte,
trazemos aptidões dela e vamos formando outra personalidade que nada sabe
sobre a vida conjunta anterior. Cabe aqui, a comparação das ondas e do mar. As
ondas nascem e morrem, mas voltam ao mar. A problemática está em saber, nesse
ciclo dinâmico e contínuo, que tipo de vida se assume após a morte.
E se volta à vida terrena, pergunta-se: Será que só existe a Terra para viver-
se? O fato de voltar à Terra, não seria um retrocesso, uma repetição que escapam
à Criação Divina ou Mente Superior?
Os reencarnacionistas (mundo espírita) acreditam numa só alma,
prosseguindo em vários corpos, para educar-se espiritualmente.
Os católicos acreditam que há uma só vida e que, após a morte, o corpo
repousa, esperando o julgamento final, para uma gloriosa ressurreição. Eles
aguardam tudo isso, baseando-se na fé.
A Parapsicologia explica a lembrança de outra vida, no caso da Memória
Extracerebral, partindo do psiquismo inconsciente.
A HIPÓTESE DA FONTE SUPERIOR: DISCUSSÃO
Ao sair da Fonte Superior, a pessoa traz algo dela, formando outra
personalidade que nada sabe sobre a vida anterior, pela inconsciência do
nascimento . Ainda não se sabe o processo de saída da fonte, o seu “modus
operandi”.
As crianças sensitivas, paranormais, na faixa de 2 a 8 anos, por estarem
menos bloqueadas pelas aquisições sociais, com os canais de comunicação mais
limpos de informações e mais próximos à saída da Fonte, podem rememorar
conteúdos inconscientes em determinada freqüência, tão vívidos e reais que elas
pensam tratar-se dessa própria pessoa em vida anterior. Eram como ondas
separadas ilusoriamente e retornaram a ser mar. Nesse caso, voltam-se à
unificação, misturando-se à Fonte Superior.
Segundo essa hipótese, como a Mente Superior é una, obviamente, a criança
paranormal, tendo participado dela, traz consigo lembranças de outras vidas que,
dessa mesma fonte, participaram.
O psiquismo inconsciente da criança extravasa intensa confabulação e
fantasia, aptidão de dramatizar, criar, imitar. Ela diz “ser a pessoa falecida em
vida anterior”, usando, enfaticamente, a primeira pessoa: “Eu sou...”. Essa
lembrança oculta, criptomnésica, globaliza a sabedoria da espécie, em estado
latente, podendo sair desse estado para atualizar-se, refletindo uma necessidade
profunda do nível inconsciente.
Essas informações criptomnésicas não passaram antes pelo psiquismo
consciente da criança e não foram obtidas por telepatia ou por clarividência. Daí,
a confusão com existências pretéritas.
Caso o conteúdo psíquico conscientizado não faça parte da vivência ou da
formação intelectual de uma pessoa, a criptomnésia passa a ser um fenômeno de
natureza parapsicológica. Se fizer parte, passa a ser uma dramatização de
natureza psicológica.

Com a Hipótese da Fonte Superior, desaparece a dualidade eu / não-eu e as
pessoas atingem a unidade cósmica, fazendo parte de uma totalidade indissolúvel.
Em suma, tudo leva a crer que a vida e a morte atuam sincronicamente
como elementos de um mesmo sistema ou fenômeno cíclico, dentro de um
processo dinâmico e ininterrupto. É como “um dormir e um acordar”,
respectivamente “inconsciência e vigília”, dois níveis de uma mesma consciência.
Quando o corpo se acaba, resta uma energia vital que se une ao Todo, ao
Universo, ao Cosmo, a uma Mente Superior, a Deus. E essa energia , ou seja alma,
espírito, sopro vital traz em si tudo que adquiriu em vida, que não se perde, mas
que se mistura à Fonte Divina. E a vida prossegue em outra dimensão que ainda
não detectamos qual é nem tampouco sabemos o processo que a determina. (13)
A ênfase sobre essa idéia encontra-se nas Escrituras Sagradas (Evangelho de
São João) ... “o espírito sopra onde quer e ouvis sua voz, mas não sabeis de onde
vem nem para onde vai.”
CONCLUSÃO
Pelo exposto, tudo indica que a MEC é um tipo de memória que não é
adquirida , mas já se nasce com ela estando fora das aquisições posteriores do
mundo físico.
A mente humana é tão fértil que, em situações especiais, é capaz de criar
réplicas psíquicas de si mesma e elaborar o que Théodore Flournoy denominou
“romances subliminares”, sobretudo quando a personalidade vigílica é inidônea
para utilizar adequadamente o material excedente de suas forças criadoras.
O caso Bridy Murphy é pertinente ao assunto:
A senhora Virgínia Tighe, passando por uma “regressão de memória”,
através da hipnose feita por Morey, conseguiu a revelação de dados minuciosos
sobre uma pretensa vida anterior, vivida no século XIX na Irlanda, com o nome de
Bridey Murphy: “lembrar que raspará a pintura da cama, o sotaque irlandês e o
fato de ter declamado poesias irlandesas etc., pareciam confirmar a veracidade das
revelações. Comprovou-se, porém, que ela, quando criança, viveu num bairro
irlandês, vizinha de Bridey Murphy; que em criança aprendera poesias irlandesas;
que raspara a pintura da cama, quando tinha sete anos e por isso foi castigada.
Desse modo, detalhes da vida de Virgínia vieram coincidir com os pormenores
atribuídos à suposta vida anterior. Pela hipnose, a pessoa é levada através de
sugestões, ao próprio psiquismo inconsciente e revive o que tem armazenado lá,
como se fosse arquivo de conhecimentos de toda a humanidade. O psiquiatra suíço
Karl Gustave Jung opina que não há, na criatura humana, apenas um repositório
de suas experiências pessoais. O homem traz, latentes e concentradas em si, todas
as experiências pretéritas de seus ancestrais. Não é somente a experiência
individual que o homem encerra, mas toda a sabedoria da espécie, a qual
permanece latente, à espera da oportunidade para revelar-se.
Quanto a certas terapias regressivas, notadamente TVP (Terapia de Vidas
Passadas), imaginada e utilizada pelo Dr. Nedherton, podem servir de ajuda para a
investigação da hipótese reencarnacionista, desde que devidamente afastadas as
possibilidades extremamente elevadas de uma dramatização do inconsciente,
quando emergem, de maneira espontânea, personalidades secundárias,
simbolizando conflitos existenciais profundos e não adequadamente resolvidos e,
evidentemente, de natureza psicológica. Para um esclarecimento maior do assunto,
faz-se necessário conhecer a variedade das ondas cerebrais e seu relacionamento
com os estados alterados de consciência.
A religião traz subsídios para o esclarecimento do fenômeno da Memória
Extracerebral (não considerado por certos parapsicólogos), uma vez que ele traz
indícios para se chegar à reencarnação espírita.
Partindo do princípio de que a reencarnação só pode ser justificada
partindo da sobrevivência, como explicá-la, se ainda não existe uma teoria da
sobrevivência?
O caminho mais curto (navalha de Occam) é, antes de tudo, tentar a
comprovação da sobrevivência e, em seguida, a da reencarnação. Alexandre
Aksakof foi o primeiro entre os estudiosos do Espiritismo, que se deu conta da
extrema dificuldade de se comprovar a realidade de comunicação entre vivos e
mortos, uma vez que grande parte das manifestações espíritas poderia ser
atribuída à ação do processo inconsciente do médium. Essa é a razão pela qual ele
denominou esses fenômenos de anímicos. Essa opinião do pesquisador enfatiza a
dinâmica inconsciente como fonte da paranormalidade.
Ernesto Bozzano, enfatizando Alexandre Aksakof, recomendou que “para
resolver o grande problema do espírito humano desencarnado, o melhor é o de
estudar os poderes do espírito humano encarnado. Ou ainda:“O Animismo e o
Espiritismo são complementares um do outro”.
Tudo indica que é chegado o momento de inquietação do homem, quando
ele descobre que nem tudo encontra explicação científica, que a ciência não é o
único caminho que o conduz à verdade. É como se o cientista necessitasse de algo
mais, além das fronteiras do mundo físico e desse um passo ginástico para o
transcendental, tentando unir ciência e religião.
O físico inglês Stephen Hawking, ocupante da cadeira que foi de Isaac
Newton na Universidade de Cambridge e um dos principais teóricos dos buracos
negros, em seu tratado de cosmologia e astrofísica, Uma Breve História do Tempo
(1988), deixou no parágrafo final uma insinuação do casamento entre ciência e
religião: “Se chegarmos a uma teoria completa, com o tempo, ela deveria ser
compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então,
toda a gente poderia tomar parte na discussão sobre por que nós e o universo
existimos... Nesse momento, conheceríamos a mente de Deus.” Não deixa de ser
uma idéia metafísica do conhecimento total do Universo.
Tudo indica que a religião se situa no campo do indizível, abandonando a
razão, baseando-se na fé, na inspiração divina. A ciência depende da linguagem,
entretanto, pode existir conhecimento sem linguagem, o que acarreta uma
limitação da ciência.
Em síntese: os casos bem comprovados de memória extracerebral poderão
fornecer os subsídios necessários para o estabelecimento de um conteúdo
criptomnésico inato, possivelmente atribuíveis a existências pretéritas. E a
investigação da dinâmica inconsciente é o que mais facilmente poderá conduzir o
homem à constatação científica de sua sobrevivência. Enquanto isso, o modelo
da criptomnésia apresentado neste trabalho, não se compromete com a evidência
da reencarnação, dentro das convicções espiríticas.
E tudo leva a crer que o Fator de Sobrevivência (FS) é a chave para o
levantamento de hipóteses.
NOTAS
(1) São constatadas a morte clínica, a real e a aparente. À luz dos atuais
conhecimentos científicos, o critério que define a morte clínica é a constatação
(durante um determinado lapso de tempo) de um electroencefalograma plano ou
linear, em conseqüência de uma deficiente oxigenação cerebral. Não há técnicos
que interpretem o EEG, podendo haver, ainda, atividade cortical.
Por precisar de tanta energia, bastam apenas alguns minutos sem oxigênio
para a temida morte cerebral – o momento em que a família tem que decidir sobre
a doação dos órgãos do paciente. Mesmo que a medicina possa um dia
transplantar qualquer órgão do corpo,não faria sentido receber o cérebro de
outra pessoa. Se isso fosse possível, seria mais correto afirmar que foi o cérebro
transplantado que recebeu um novo corpo. É que, para os neurologistas, o cérebro
guarda o que a pessoa é, incluindo a sua personalidade.
A morte clínica constitui um estado, cientificamente, irreversível, diante do
qual o médico nada pode fazer.
A morte real coincide com a aniquilação da última célula do corpo, sendo o
culminar do processo de mortificação celular e o início da transformação do
cadáver em corpo glorioso para a vida em outra dimensão.
A morte aparente, também denominada de biostase, é o estado limite, vida
suspensa com paragem de todas as funções biológicas (respiração, ritmo cardíaco).
A atividade do sujeito parece nula (silêncio elétrico e coma ultrapassado). Opõe-se,
simetricamente, à morte real (tanatose) e é morte clínica, porque se trata de um
processo reversível, com retorno à vida.
(2) A ciência mudou o modo de pensar. Albert Einstein mudou a
concepção do tempo. Foi um cientista que fez o que era função dos filósofos:
transformar os conceitos básicos sobre o mundo.
A Física Quântica contribuiu para a mudança filosófica. O Marxismo é
uma filosofia materialista . Com a Física Quântica , ser materialista torna-se
impossível. Não se pode mais acreditar que o elemento básico da realidade seja a
matéria. Hoje se sabe que a própria matéria é redutível à energia e que a energia
é imaterial. É como se a matéria fosse a energia condensada e a energia, a
liberação da matéria.
Na maior parte do século XX, acreditou-se que o ser humano era produto do
ambiente. Assim, transformando o mundo, transformar-se-ia a geração, o nosso
filho. Hoje, ocorre maior ênfase no que está escrito nos genes e,
conseqüentemente, à genética. Tudo indica que a queda do muro de Berlim
(1989) está ligada à genética. Foi um reconhecimento de que nosso poder de
moldar a nós mesmos não é tão grande quanto pensávamos.
Os filósofos discutem se é possível reproduzir o cérebro em computador.
Enquanto isso, o funcionamento da mente é um campo que se desenvolve muito
rápido.
(3) Para René Descartes, o filósofo francês que, no século XVI, provou que
existimos pela consciência “penso, logo existo”, o cérebro era uma máquina
comandada pela alma. Descartes chegou a propor que a alma estava alojada na
glândula pineal, que os cientistas atribuem ao sono.
(4) Perguntou-se à antropóloga Margaret Mead, pesquisadora
contemporânea da psique, segundo relato de Jean Houston, onde estava
localizada sua consciência e ela respondeu: “Ora, está em toda parte!”
E essa mente não-localizada implica que nossa mente individual faz parte
de algo maior, algo que não é de nossa propriedade. Ela é partilhada por outras
pessoas, por outros seres vivos também, em suma, por toda a criação de Deus. E o
próprio Universo seria não-localizado. O conselho de Chianga Fernão Capelo
Gaivota esclarece bem essa idéia:
“Para voar tão rápido quanto o pensamento, para qualquer lugar que se
queira... você deve começar sabendo que já chegou. É o mesmo que dizer: não
importa aonde você vá, lá está você.”
(5) São evidentes as conexões mentais não-localizadas de ser humano para
ser humano e de ser humano para animal. Alguns cientistas demonstraram que
golfinhos de uma determinada região podem desenvolver , repentinamente, um
comportamento específico depois que outros golfinhos, numa área remota, já o
tiveram demonstrado.
O pesquisador Wayne Doak descreve uma experiência extraordinária ,
envolvendo um sonho. Neste, tomou conhecimento de que, quando estivesse
trabalhando com os golfinhos, desempenhasse uma certa atividade e repetisse
uma palavra que, na língua Maori, significa “o som que o golfinho faz com seu
espiráculo”, os golfinhos iriam manifestar um comportamento específico,
revelava o sonho. Na próxima vez em que foi nadar com os golfinhos, Doak fez o
que o sonho lhe revelara e os golfinhos apresentaram a mesma conduta que o
sonho havia previsto. Ele mais se admirou com o fato de que um amigo,
trabalhando com golfinhos a 5000 quilômetros de distância , relatou no dia
seguinte a mesma experiência, com a mesma palavra e o mesmo comportamento,
por parte de seus golfinhos.
(6) Trata-se de uma Mente Superior ou Dinâmica Inconsciente, como se
fosse uma ação intencional de um agente inteligente. Não se sabe os limites dessa
inconsciência subcortical, todavia não se deve afirmar que ela detém a sabedoria
total, o conhecimento de tudo, pois escaparia aos propósitos da investigação
científica. Seria, antes de tudo, um processo inconsciente, instintivo, fisiológico,
emocional, memônico e parapsíquico.
(07) Em 1973, Wilder Penfield, eminente neurocirurgião canadense de 82
anos, aposentado e escrevendo aquele que seria o seu último livro, “O Mistério da
Mente”, na encosta da colina (Montreal Canadá, atrás da casa de sua fazenda),
carregando latas de tinta, começou a fazer uma série de imagens na superfície da
rocha. Escreveu a palavra pneuma, que significa “alma” em grego e, de outro
lado, pintou uma cabeça humana com um cérebro dentro e, no centro deste uma
interrogação. Em seguida, uniu as figuras com uma linha grossa.
O Mistério da Mente tratava do relacionamento entre a mente, o cérebro e a
ciência e os estranhos desenhos que ele pintou na rocha expressavam sua
convicção de que, com o tempo, o estudo científico do cérebro acabaria por
desvendar todos os segredos da mente. Desenvolveu diversos tratamentos
neurocirúrgicos para os danos cerebrais, em especial para a epilepsia. No fim de
sua carreira estava convicto de que todas as reações da mente humana
(pensamentos, sonhos, percepções) eram causadas por interações químicas e
elétricas entre bilhões de minúsculas células nervosas (os neurônios).
Entretanto, seis meses antes de morrer, Penfield revisou sua obra, ele
retornou ao topo da rocha, com tinta e pincel, ilustrando um princípio diferente
do original: no lugar da sólida linha grossa que ligava as imagens nos lados da
rocha, havia agora uma linha intermitente de incerteza. Ele havia mudado de
opinião. Com aquela linha pontilhada, duvidava que uma abordagem física
rigorosa pudesse chegar a explicar , algum dia, de maneira plena, a consciência.
Para ele, a mente seria muito mais, do que um subproduto da capacidade do
cérebro físico para processar informações.
De modo geral, ele traçou uma linha entre dois campos: de um lado, os
materialistas, que acreditam que os processos mentais são apenas resultado do
trabalho dos neurônios (os monistas); do outro lado, os dualistas que opinam que
o corpo é uma entidade física e a mente, uma entidade espiritual: as duas existindo
separadamente com pouca ou nenhuma interação recíproca.
(8) Acrescenta Schrödinger: “quando chegamos às partículas elementares
que constituem a matéria, parece que não haverá lugar para concebê-las como
formadas por qualquer matéria. É como se fosse forma pura e nada mais que
forma; aquilo que se repete uma ou outra vez nas observações sucessivas é essa
forma, e não uma posição individual de matéria.”
(9) O pensamento da física atual é invadido por outro conceito moderno: o
da unidade de todas as manifestações da nossa realidade cósmica. Como diz
Curtis Gowan: “A ciência materialista positivista do século X!X, que via as
coisas como independentes e separadas, foi sendo modificada em virtude das
descobertas dos próprios cientistas em direção à totalidade, ao místico e ao
cósmico.”
(10) Há uma realidade , além do tempo e do espaço físico? Embora,
altamente, polêmico, é assunto que já fora intuído por místicos, filósofos e, nos
dias atuais, por cientistas. Para Platão, trata-se do mundo das “Idéias”. David
Bohm a denominou de ordem implícita ou implicada e Rupert Sheldrake de
campos morfogenéticos.
Werner Heisenberg advertiu que a Física Moderna acolhe a “Idéia”
platônica porque as mais elementares partes da matéria revelam-se como
“Formas” (e não objetos físicos), podendo ser discretas, sem ambigüidade na
linguagem matemática.
E escreve Arthur Koestler:
“Todo um corpo de laureados do Prêmio Nobel da Física ergue sua voz
para nos anunciar a morte da matéria , a morte da causalidade, a morte do
determinismo.”
Henri Margenau postula que a matéria é apenas um constructo da mente.
Simulações da realidade que constituem a realidade virtual, criada por
programas de computadores, poderão, no futuro, tornar-se concretas. Trata-se de
uma concorrência para o real físico, podendo controlá-lo até certa medida.
A realidade transcendental pode ser encontrada no estudo de certos
fenômenos paranormais que transgridem as leis da realidade física, levando o ser
humano a especular sobre a existência da realidade transcendental que, tudo
indica, atingir outro nível de realidade.
Há, todavia, nesses fenômenos extraordinários e insólitos, como uma ação
intencional de um agente inteligente, que tem recebido denominações várias, tais
como : anjos, demônios, espíritos dos mortos, psiquismo inconsciente, mente
superior, Deus ...
Pela metodologia científica, certos fenômenos parapsicológicos encontram-
se em abordagem, uma vez que se mantém ainda insatisfatória a explicação por
aptidões desconhecidas, do processo inconsciente , ainda de conceito vago e não,
totalmente, esclarecido o seu “modus operandi”, tanto na Psicologia, quanto na
Parapsicologia. Deduzimo-lo pelas inferências, pelos efeitos.
(11) O tema da imortalidade do ser humano, que difere da sua
sobrevivência post-mortem, sempre será conteúdo de especulação filosófica e
religiosa. Entretanto, em se tratando da imortalidade do Todo, já pode constituir
assunto de investigação científica. É uma pertinente “metafísica científica”, a
afirmação de Lavoisier: “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”
O cérebro morre com a morte do corpo, não implicando que, com sua
morte, morra também a mente. Se a ligação mente-cérebro não é substancial,
impõe-se a idéia de independência cérebro – mente.
Já dizia Lawerence Leshan:
“Aquilo que é absolutamente corriqueiro em um domínio da experiência
pode não existir em outro.”
A pessoa, em estado de coma, por não se comunicar com pessoas presentes
ou não reagir a estímulos físicos, não significa, necessariamente , que esteja
inconsciente. E, por estar ausente, não quer dizer que não existe. Há até casos em
que, a pessoa revelou ao sair do estado comatoso, que não perdeu a consciência e
tendo consciência de tudo que aconteceu ao seu redor.
E observou Milan Rizl: “Determinar os limites da percepção extra-sensorial
seria também importante para a pesquisa sobre a sobrevivência post-mortem
(...)”.
(12) O Eu-Essencial ou Eu-Verdadeiro já existe em sua plenitude, no
espaço-tempo antes do nascimento. Esse Ego, em sua essência, existe de fato em
outras dimensões não materiais. Para vivenciar experiências, durante certo
período, o Eu-Verdadeiro procura um vínculo adequado, que precisa constituir-se
de matéria extraída do universo físico (já que irá viver no mesmo). Esse veículo é o
corpo humano. Como o Eu-Verdadeiro não pode incorporar-se em um corpo
humano nem tampouco introduzir-se no universo físico de forma direta, cria
estruturas intermediárias de matéria e energia sutis que permitem a formação de
um elo de comunicação entre si mesmo e o veículo que deseja utilizar.
(13) O Eu-Verdadeiro jamais encarna em sua totalidade. O veículo físico é
submetido às leis do universo material e envelhece com o passar dos anos. Quando
o corpo físico morre, a centelha do Eu-Essencial volta à sua origem, onde as
experiências a que foi submetido são integradas em sua estrutura essencial como
uma etapa de sua evolução total. E, assim, por séculos após séculos, numa
seqüência ou encarnações através do Eu-Essencial, de forma a vivenciar as leis do
universo físico. Tudo indica haver uma ação intencional de um agente inteligente,
provocando recordações de vidas passadas de forma a tornar mais eficiente o
processo de aprendizagem. Nessa vinda e nessa volta, existe a inconsciência.
Somos indivíduos aqui, enquanto corpo físico da Parapsicologia, que estuda os
poderes que resultam dessa experiência; da Microfísica, que se refere, sem
embargo, a um movimento constante de “potencialização” e de “atualização” da
energia. Em síntese, de um mundo fora de nossa dimensão espaço-temporal (como
é percebido pelos cinco sentidos), de um mundo que ultrapassa a razão cartesiana
para se ligar ao da intuição bergsoniana e ao da relatividade de Einstein.

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PARADIGMA EM CIÊNCIA E EM PARAPSICOLOGIA
Jalmir Brelaz
PARADIGMA EM CIÊNCIA E EM PARAPSICOLOGIA
1. OBJETIVO
Este trabalho pretende levantar questões sobre o paradigma que direciona a
ciência no estágio atual do conhecimento, e indicar suas relações com a
Parapsicologia, questionando até que ponto, o estudo dos fenômenos
parapsicológicos pode ser afetado e afetar, as alterações de paradigmas que estão
acontecendo no contexto social em geral e no campo científico em particular.
2. COMPREENSÃO DE PARADIGMA
Paradigma, pode ser entendido como os parâmetros, que norteiam as atividades,
valores e a cultura exercida no universo da ciência. É originário do grego modelo.
Thomas Kuhn a ele refere-se como uma constelação de crenças, valores, e técnicas
compartilhadas a priori por uma comunidade científica . Sendo tão vital para a
ciência quanto a observação e a experimentação com seus métodos e suas técnicas.
Apesar de Kuhn referir-se às ciências, a expressão é amplamente adotada, tais
como paradigmas em educação, economia, medicina, e movimentos de qualidade
total. O paradigma científico não está de modo algum separado desses outros
paradigmas, sendo também a utilidade e necessidade social importantes para sua
aceitação.
É mister salientar que uma mudança nos enfoques de um paradigma, como o
renascentista, o industrial e hoje o que poderíamos chamar de ecológico ou
epistêmico(mais adiante abordaremos esse termo), é antes de mais nada, uma
ampla mudança cultural, uma alteração de ver o mundo, inclusive uma mudança
de linguagem para expressar certos fenômenos sob uma nova ótica,
incompreendida ou mesmo não aceita pelas crenças vigentes, e em moldes
científicos atuais, até tida como não-conformidade, ou má pesquisa, como é o caso
da pesquisa psi.
Sabe-se que o paradigma é vital para o desenvolvimento e solidificação das ciências
, maximizando e otimizando os seus resultados. determinando o que é, mas
também, e especialmente o que não pode ser aceito como integrante dele. Sua
influência é tanto normativa quanto cognitiva, contendo afirmações a respeito da
natureza e da realidade, definindo, inclusive, também o campo de problemas
permissíveis, os métodos e técnicas de abordagens, e os critérios padrão de solução.
Isso garante o sucesso rápido
da ciência normal, reduzindo o problema a uma escala trabalhável, sendo sua
seleção guiada pelo paradigma vigente.
De acordo com Stanislav Grof (A Natureza da realidade: O Alvorecer de um Novo
Paradigma) o fato científico e um paradigma nunca podem ser separados com
absoluta clareza. Neste caso o mapa é confundido com o territórios. Também os
dados puros de observação estão longe de representar a percepção pura, os
estímulos não devem ser confundidos com percepção e sensações, pois estas estão
condicionados pela experiência, educação, linguagem e cultura. Não existindo uma
independência científica nos moldes defendidos por Popper. Também não existe
uma linguagem neutra de observação, que tenha por base unicamente as
impressões fixadas pela retina. A compreensão da natureza do estímulo dos órgãos
sensoriais e das suas múltiplas inter-relações reflete a existência de uma tendência
de uma teoria da percepção e da mente humana.
Ou seja a objetividade científica não é tão "objetiva". O que observamos não é o
mundo que existe "objetivamente" e em seguida é representado, mas um mundo
que é criado no processo do conhecimento. O que vemos depende da maneira como
olhamos. Numa analogia que Capra considera como se fosse num teste de
Rorschach, utilizado na psicologia, ou seja, organizamos nossa própria realidade.
Thomas Matus complementa afirmando que há uma imanência em todo
conhecimento, ele é sempre o conhecimento do objeto a partir de dentro do sujeito.
Ainda Grof, citando Paul Fayeband (Against Method: Outline of an Anarchistic
Theory of Knowledge) , destaca que a ciência é essencialmente um
empreendimento anárquico, com as pesquisas bem sucedidas jamais seguindo o
método racional e que a condição de consistência - que exige que uma nova
hipótese esteja de acordo com as hipóteses já aceitas, é irracional e
contraproducente, pois elimina a própria hipótese, não porque esteja em
desacordo com os fatos, mas porque está em conflito com outra teoria.
Exemplo desse anarquismo são as descobertas serendípticas, que se avolumam em
toda a história até os dias de hoje. Encontrando-se acidentalmente uma descoberta
científica, que não se estava procurando, na presença de circunstâncias favoráveis
para que determinado fenômeno ocorresse. Exemplos bem conhecidos como o caso
da coroa do rei Herão e Arquimedes (300 a.C), onde este descobriu de maneira,
fortuita a relação entre a densidade de dois metais (ouro e prata) o seu volume, a
maçã de Newton e a lei da gravidade , a descoberta da dinamite por Nobel , da
penicilina por Flemming , da radiação de fundo provocada pelo Big Bang, da lua
de Plutão. Fazer a coisa certa na hora certa (saber o que poderia ou não poderia
ocorrer) e estar de certo modo preparado para a descoberta ,o acaso favorece
apenas as mentes preparadas. Uma mistura de relações não causais
(sincronicidade) - estar no momento certo, e a partir disso causais (fazer a coisa
certa por estar preparado para a descoberta).
Refere-se que Philip Frank (Philosophy of Science) expõe que cada sistema
científico baseai-se num pequeno número de afirmações acerca da realidade, ou
axiomas, que são considerados auto-evidentes. Afirma que a verdade dos axiomas é
descoberta não pela razão, mas por intuição direta, são muito mais faculdades
imaginativas da mente do que da lógica. O que queremos mostrar é que fatos
,observações e até critérios são paradigmas dependentes, as propriedades formais
mais importantes de uma teoria são relevantes pelo contraste, não pela análise. -
Em ciência a razão não pode ser universal, e o irracional não pode ser inteiramente
excluído.
O entendimento do que é paradigma , suas inter-relações e limitações, mostra a sua
própria condição de mutabilidade e constante adaptação ajuda-nos a situar a
parapsicologia na atualidade.
3. PRINCIPAIS PARADIGMAS ATUAIS
Vivemos sob a ótica do paradigma mecanicisca, acreditamos em uma objetividade
absoluta, sem referência a um observador humano, onde a epistomologia é
separada do método e das técnicas. Todo o tremendo progresso tecnológico e
material alcançado, e seus problemas inerentes, foram resultados da
potencialização do atual paradigma.
Essa perspectiva de entender e interagir com o mundo, controlando-o, predizendo-
o sob a ótica que hoje chamamos de científica, sempre houve, basta ver a história
da ciência da qual fazem parte as contribuições das antigas civilizações egípcias
(3.100 a.C.-332 a.C. na matemática, astronomia), da mesopotâmia (matemática,
astronomia), as culturas meso-americanas (300 a.C.-900- maias, toltecas, astecas,
chavins, incas), a grega (tão orientadora do nosso paradigma atual , na dualidade
de nossas relações, com a natureza tal como sujeito e objeto), passando pela
civilização romana ( com seus aspectos práticos e tecnológicos) até o século XV,
com o advento da Renascença na Itália, que mudou a forma de encarar a natureza
com um forte redicionamento cultural gerando a moderna concepção científica,
que culminou com a revolução industrial.
O paradigma científico atual começa com o advento da revolução industrial , tendo
suas sementes sido plantadas por Isaac Newton e René Descartes e sua realidade
objetiva, tendo o primeiro a exemplo de Galileu, , utilizado modelos de
compreensão da realidade distanciados do senso comum, ou seja, modelos
matemáticos. Trezentos anos depois Einstein ainda se maravilhava por formas
matemáticas abstratas se ajustassem de forma de maneira tão precisa que se pode
descrever as coisa que se observa no mundo exterior em termos de coisas que
elaboramos interiormente. Esse tipo de abordagem matemática contribuiu para se
firmar a crença de leis absolutas, do universo máquina, sincronizado, da percepção
dual sujeito-objeto.
Nos dizeres de Alvin Tofler, esse período de consolidação da cultura newtoniana
foi chamado de onda industrial, em substituição a onda agrícola e agora , estando
nós vivenciando a terceira onda - a da informação, que a nosso ver ainda é
fortemente cartesiana pois levada pela informatização, vem se solidificando,
potencializando e sendo culturamente largamente difundida no mais alto grau
valores introduzidos pela revolução industrial, ou seja, a padronização (hoje tão
perseguida pela qualidade total e os seguidores da ISO 9000), especialização (basta
ver a medicina que está reduzindo o ser humano cada vez mais a um órgão),
sincronização( o padrão de tempo mundial já e uma realidade, e o tempo é cada
vez mais um padrão em si próprio), concentração, maximização e centralização
.
A tudo isso se soma a crença a ela associada que o novo é melhor e substitui o
velho, e que a tecnologia suprirá todas as nossas carências. A ênfase é na técnica,
no conhecimento, no poder sobre a natureza, na manipulação, não na harmonia,
muito menos na sabedoria que ficou deslocada a algum lugar no passado. O
conhecimento ficou intrinsecamente ligado ao poder. Daí a crença e tentativa de
manipular o fenômeno paranormal
Esse conjunto de crenças mecanicistas está longe de se exaurir, haja vista a onda
da informação que está apenas começando - com toda a teoria das informação que
constitui o seu arcabouço eminente quantitativo , o direcionamento atual é na
crença de que é possível quantificar tudo, na postura auto-afirmativa , que o
conhecimento científico pode alcançar a certeza absoluta e final. Tudo ocorre
precisamente de acordo com a lei, universo compacto, organizado, todo futuro
depende estritamente do passado tal qual critica Nobert Wiener .
Essa ênfase na busca da objetividade levou a procura de mecanismos, leis básicas,
estruturas e propriedades fundamentais. A dinâmica como conseqüência da
propriedade das partes tais como: "Blocos de construção básicos", "equações
fundamentais" e "princípios fundamentais" .
Essas forças e mecanismos interagiam dando nascimento ao processo. mecanismos
levam a constituição do todo, que resulta de tais leis básicas. O todo resulta do
mecanismo das partes. Fragmenta-se o mundo.
Acreditamos na valoração do domínio e do controle , e ênfase na manipulação. O
que gerou toda a ênfase no paradigma do "quanto mais tecnológico melhor" o que
implica na crença do novo como superior ao antigo, e como direção a seguir.
O parapsicólogo tem de estar consciente, que o paradigma "quantitativo" em
detrimento da qualidade, o que implica na crença de que tudo é possível
quantificar, inclusive as funções-psi, é uma onda ainda distante da fase de
exaustão, haja visto a força crescente do seu elemento mais destacado ,a
informatização generalizada em todas as áreas da vida e do conhecimento. Ainda o
sempre superior ao velho, numa "rosca sem-fim" e nos problema existenciais dele
decorrente. Gerando desconfiança em fenômenos paranormais, que são
tipicamente qualitativos e "chocantes a razão".
A aderência a um paradigma específico é um pré-requisito absolutamente
indispensável a qualquer empreendimento científico sério. Porém a parapsicologia
tem se agarrado demais a questão da verificabilidade e repitibilidade, em oposição
ao caráter expontâneo e aleatório dos seus fenômenos, bem como o caráter da
"experiência direta", onde seja vencida a dualidade sujeito-objeto.
No nosso entendimento, só conseguiremos elaborar Modelo Geral para a
parapsicologia, a partir que ampliemos nossas concepções sobre o paradigma
vigente, o qual discutiremos nos itens a seguir. O paradigma científico atual terá de
adaptar-se a mudanças de uma sociedade preocupada com ecologia, com a
dinâmica do todo, e não mais na crença de do ser humano como um sistema
individualista, destacado do mundo
O que parece evidenciado é que os parapsicólogos ao se amoldarem exclusivamente
ao paradigma quantitativo vigente, faz da parapsicologia inatacável, do ponto de
vista metodológico, ao utilizar de rigorosos métodos empregados por outras
ciências, , utilizando o método estatístico-matemático, e sua variáveis como
microcomputadores-PK, Bio-PK, porém limitada do ponto de vista de contribuição
à uma teoria da paranormalidade.
Pouco terá se avançado em direção a uma Teoria Geral da Parapsicologia por
nossa ênfase tem sido no método - na técnica ( ou seja no paradigma vigente) . As
pesquisas parapsicológicas tem sido escassas e assim como a formulação de
hipóteses falseáveis, que levem a ampliação de novos paradigmas, tais como o
elaborado pelo IPPP, em 1986, na proposição de um modelo cibernético para a
parapsicologia.
Temos como resultado, temos trilhado o mesmo enfoque quantitativo, estatístico-
matemático iniciado por Rhine, da década de 30 e que resultou quarenta anos
depois (final de 1969), no reconhecimento da Parapsichological Association como
membro da American Association for the The Development of Science, aceitando-a
pelo rigor dos seus métodos, no "clube da ciência", apesar da inexistência de uma
teoria. Desta forma, pouco contribuiremos para uma mudança de paradigma.
4. POSSÍVEIS TENDÊNCIAS DE MUDANÇAS DE PARADIGMAS
O mundo hoje em dia passa por mudanças profundas impulsionadas pela
tecnologia em alta escala e a conseqüente mudança de valores a ela associada. O
maravilhoso já é realidade, imagem e voz a distância, realidade virtual,
comunicação global via rede de computadores e via satélite, a parafernália de
equipamentos eletrônicos invadindo as empresas, governos e lares, faz dos mais
fantasiosos sonhos uma realidade acessível às crianças de hoje.
Sob esse aspecto os fenômenos paranormais, já não são tão maravilhosos assim. De
uma certa forma, a analogia tecnológica, até ajuda-nos a aceitar a fenomenologia
psi como algo comum.
Nesse contexto tecnológico de acelerada mutação, Fritjot Capra aponta as
mudanças paradigmáticas que eclodem na atualidade, que a nosso ver contribuem
bastante para a "percepção-psi":
· Mudança da Parte para o Todo. As propriedades da partes só podem ser
entendidas a partir da dinâmica do todo. Ou seja, a ênfase está no Todo não mais
nas partes, numa inversão de perspectiva. Deixar de ver as coisas com suas
propriedades e a seguir mecanismos e forças que as interligam, para ver que essas
coisas não possuem propriedades intrínsecas, todas as propriedades fluem das
relações num paradigma holístico, no qual as relações e não as partes é que seriam
destacadas, havendo não mais objetos e sim relações. Sendo assim possível
introduzir contexto e significação. Não haveria mais emissor nem receptor em
telepatia, nem interação em sujeito-ambiente em clarividência, mas uma relação
entre seres humanos e o ambiente, a partir de outras perspectivas, entre as quais
possivelmente uma perspectiva parapsicológica.
· Mudança de estrutura para processo.. É o processo que cria a estrutura e não a
estrutura que cria o processo. Não há mais estruturas fundamentais e a seguir
mecanismos, por cujo intermédio essas forças interagem, dando nascimentos a
processos. Inverte-se o enfoque, Cada estrutura é vista como a manifestação de um
processo subjacente, numa teia de relações intrinsecamente dinâmicas e
interdependentes, num paradigma ecológico. O processo é a totalidade das
relações. Esse é o paradigma sistêmico. Capra exemplifica que no caso da biologia,
o erro que se comete atualmente é trabalhar no nível da estrutura e acreditar que
conhecendo mais a respeito, finalmente se conhecerá a vida, que, contudo não está
limitada aos seus aspectos estruturais.
Esse modelo sistêmico, Ilya Prigogine nos dá o exemplo de sistemas vivos, como
auto-organizaveis, autônomos, que por essas capacidade podem até certo ponto, ,
escapar a entropia, por uma ordem superior não predizível, do beco sem saída que
é o caos, de., "estruturas dispersivas" que permitem o surgimento de inovações
mesmo quando a entropia as impede.Como resultante desse enfoque podemos
entender o constructo "mente" não como uma coisa em si, mas um processo.
· Mudança de ciência objetiva para ciência epistêmica, o entendimento do processo
do conhecimento, tem de ser explicitamente incluído na descrição dos fenômenos
naturais. Não há leis fundamentais. Os métodos de observação e técnicas têm de
"entrar" na teoria. Esse é o paradigma epistêmico. Os fenômenos psi tem de ser
em função de relações e não objetivamente entendidos. O que tem sido feito é no
sentido de se verificar fenômenos paranormais são independentes do observador
humano e tenta-se provar estatisticamente que ele existe. O fenômeno psi viria a
ser descrito em função de suas relações, em outras linguagens, tais como a
metafórica.
· Mudança de construção para rede enquanto metáfora de conhecimento. Não há
algo que seja mais fundamental que qualquer outra coisa. Não há dentro ou fora,
nem acima nem abaixo mas uma rede ao qual tudo está interligado. As teorias
holográficas são um passo nessa direção. Voltando ao exemplo biológico, o biólogo
pensaria que o código genético do DNA, é o nível básico que determina tudo o
mais. No novo paradigma há coisas fundamentais em cada modelo científico,
depende de uma estratégia científica, do cientista e não é permanente.
Pesquisadores como Stanislav Grof e Pierre Weil abordam esse erro
epistemológico do modelo newton-cartesiano em psiquiatria, de considerar como
"psicótico" qualquer desvio de sua congruência perceptual, o próprio termo estado
alterado da consciência, insinua uma visão distorcida da "realidade objetiva",
incapaz de abordar certos fenômenos socio-culturais, tais como ritos de passagem,
xamanismo, ritos de cura e dos fenômenos parapsicológicos. Os estados
trasnspessoasis por eles estudados sugerem uma transcendência de tempo e espaço,
desconsiderando o continum linear entre microcosmo e macrocosmo, incentivando
novas formas de pesquisas que possam a contribuir com a parapsicologia.
Novas atitudes em relação a formação de um novos paradigmas, representa um
autêntica revolução cultural, o que numa visão de Capra apresenta as seguintes
tendências e posturas:
AUTO-AFIRMAÇÃO INTEGRAÇÃO
RACIONAL INTUITIVO
ANÁLISE SÍNTESE
REDUCIONISMO HOLISMO
PENSAMENTO LINEAR PENSAMENTO NÃO LINEAR
COMPETIÇÃO, CONTROLE COOPERAÇÃO
EXPANSÃO CONSERVAÇÃO
QUANTIDADE QUALIDADE
DOMINAÇÃO PARTICIPAÇÃO
SIST. PATRIARCAL DE VALORES FEMINISMO
OBJETO RELAÇÕES
Essas atitudes e posturas refletem-se amplamente na pesquisa parapsicológica e na
interação pesquisador e pesquisado.
Está ocorrendo uma mudanças dos métodos utilizados:
do racional analítico reducionista linear (Popperiano)
para o intuitivo sintético holístico não linear (sistêmico, ecológico)
Do conhecimento:
Do racional conceitual afirmativo, que categoriza, divide, desmonta, delineia.
Para o intuitivo não conceitual síntese de um padrão não linear, percepção
imediata de um todo (Gestalt). O que não quer dizer irracional, que tanto apavora
os cientistas.
5.0 RELAÇÃO DOS PARADIGMAS COM A PARAPSICOLOGIA
O paradigma dominante privilegia o conhecimento do mecanismo do fenômeno
paranormal, em especial quantitativamente, o seu lado "analítico-racional"
quando talvez ele se adeque a outros tipos de abordagens, sistêmicas, gestálticas,
relacionais.
Ainda percebemos os fenômenos parapsicológicos , de acordo com o modelo
vigente, como "causados" por alguma força de "fora", do conhecido modelo
emissor-receptor utilizado na telepatia , separadodo mundo, ao invés de integrante
do mundo. Temos a postura de que ainda somos incapazes de entender e controlar
os fenômenos paranormais, mas
através de alguma nova técnica algum a fenomenologia psi será colocada em
condições controláveis, um dia será domada.
Temos inclusive a crença que a física descobrirá novas forças que darão suporte a
uma teoria parapsicológica, isso parece estar de acordo com o paradigma de o
conhecimento como construção, implicando o modelo que a física é o ideal por cujo
intermédio todas as outras ciências são modeladas e julgadas, sendo a principal
fonte para de metáforas para descrições científicas.
Porém, parece que as ciências, a sociedade e as organizações estão num ponto de
inflexão paradimático com nova visão do mundo e de nossa relação com ele, em
que intrínsicamente fazemos parte do processo, num novo paradigma holístico,
ecológico e até cibernético, por ser esta a ciência que espelha de forma mais cabal a
consciência eminente tecnológica do homem contemporâneo.
Essas mudanças de crenças, e de mentalidades se reflete não só nas ciências mas na
sociedade como um tudo, inclusive nas organizações empresariais, como apregoa
Peter Senge e sua quinta disciplina, a partir de uma mudança radical de
mentalidade - Metanóia, que dizeres dos gregos significava literalmente
transcendência, em direção de um modelo mais profundo do ser humano. Onde
certos fenômenos "são".
Talvez a nossa maior dificuldade paradimática, seja reconhecer o racional como
limitado, pois o postulamos como com capacidade infinita de entendimento sobre
tudo, se não é possível o conhecimento no modelo de agora racionalmente o será
em um modelo no futuro. Vivenciamos a superestimação da racionalidade do
homem. Concordamos, nos termos de Prigogine, que a idéia de uma racionalidade
limitada exprima melhor nossa condição. Vivemos num mundo pluralístico e
devemos aceitá-lo com uma racionalidade limitada .
Deste modo, o estudo da parapsicologia pode ser feito por métodos quantitativos
estatísticos-matemáticos e também por métodos qualitativos (reconhecer os caos
em que não é possível nem é indicado quantificar), apesar de termos nos agarrado
tremendamente a verificabilidade e repetibilidade, em oposição ao caráter
expontâneo e aleatório de psi bem como não sabermos ainda lidar com os aspectos
da "experiência direta", onde não existe sujeito nem objeto.
Certos parapsicólogos, como Ramakrishna Rao, considera a existência de duas
linha básicas de modelos em parapsicologia, que nos dá um raio-X, da mudança de
percepção que estamos atravessando:
CAUSAIS(INTERACIONISTAS) IndependênciaSujeito-AlvoInteraçãoSujeito-
Alvo MODELOSFÍSICOS (limites-psi) ENTIDADES TRANSCENDEM ESPAÇO
TEMPO (Psicons de Sarti e Psitrons de Dobbs) NOVOS MEIOS (Hiperespaço)
MODELOSNÃO-FÍSICOS PROCESSO DE SELEÇÃO EM PSIHIPÓTESES DE
PROJEÇÃO(Postula entidades como mente,princípio de operação e sua fonte
energética no indivíduo e não no alvo)
ACAUSAIS ou INTUISTAS IdentificaçãoSujeito-Alvo (nem distância nem tempo
p/atravessar) SUJEITO COMO MICROCOSMO POTENCIALMENTECAPAZ
DE REFLETIR TODO O COSMOONISCIÊNCIA INERENTE AO
VERDADEIRO SER
Rao afirma que em ambos modelos estamos provendo uma mudança de paradigma
com relação ao homem e seu lugar natureza.
Estamos ainda no turbilhão das mudanças que estão por vir.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Qual o norte a seguir no estudo e pesquisa da paraspsicologia? Será que existira
algum dia um paradigma parapsicológico para o conhecimento humano?, ou tudo
continuará a ser "emprestado" de outras ciências?
As pesquisas em parapsicologia tem sido escassas, e de base eminente quantitativa.
Não esta engajada com a sociedade de consumo e na produção de bens , nem está
embasada em teorias, e praticamente não recebe recursos financeiros para
pesquisas, como se esperar dela alguma contribuição significativa?
Há parapsicólogos como de Krippner e Hovelman (Parapsychology Review,17
(6),1-5,1986) que afirmam que por utilizar metodologia científica ortodoxa, a
parapsicologia não levará a descobertas revolucionárias, ainda que as pesquisas
produzidas proporcionem dados que impliquem revisão de paradigmas; sua
proposta para o futuro da parapsicologia, indica trilhas por caminhos conhecidos e
que isso leve paulatinamente a revisão de paradigmas. Acreditam que as diversas
propostas de interpretação sobre Psi, tais como interação de campos de natureza
ignorada, enganos na interpretação de dos dados estatísticos, efeitos de
expectativas interpessoais etc, podem genuinamente contribuir para o
conhecimento científico. É posição bastante cautelosa e segura.
A medida que a sociedade passe a adotar valores mais qualitativos, humanísticos,
poderemos ter mais recursos para o estudo das potencialidades humanas, dentro
de modelos que não sejam nitidamente organicistas, e daí se possa avançar a
respeito da independência psi sobre espaço e tempo, da mente extrapolar o
cérebro, da psi existir nos processos básicos de organização dos seres vivos, se há
nova força da natureza no PK, qual a fonte energética, quais os fatores que afetam
a intencionalidade e a seletividade dos fenômenos paranormais.
O modelo intuista abordado por Rao, parece ser o mais adequado como o
paradigma epistêmico anteriormente citado, por remover a relação dual (sujeito-
objeto) majoritária abordada nos fenômenos parapsicológicos.
Não devemos deixar de estar atentos para os novos modelos que rompam nossas
crenças atuais sobre o universo, talvez levando a consciência como variável
interativa importante , tais como:
· universo holográfico e ordem implícita de Pribam e Bohm
· paradigma sistêmico, ecológico, epistêmico de Capra
· Campos-M (bioelétricos) e campos-M
· Sincronicidade (coincidências significativas) e arquétipos de Carl Jung
Nossa expectativa é que esses novos fatos,modelos e hipóteses verifiquem a
vialibilidade da inclusão de um paradigma psi no conhecimento científico.
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HUMANIZANDO E SIMPLIFICANDO A PESQUISA EM PARAPSICOLOGIA
(*)
Valter da Rosa Borges
RESUMO
Neste trabalho nos propomos a rediscutir as relações entre parapsicólogos e
agentes psi, e o procedimento metodológico que possa facilitar as manifestações
paranormais em laboratório.
Alertamos para a necessidade de unir a experiência dos pesquisadores da
Metapsíquica com as investigações da Parapsicologia, adotando estratégias que
possam humanizar e simplificar a experimentação científica.
Esquecer os trabalhos dos nossos antecessores e/ou subestimá-los é uma
inadmissível postura de arrogância intelectual que em nada contribui para o
desenvolvimento da Parapsicologia.
Propomos também a utilização de testes para a simplificação e redução de
custos da pesquisa em laboratório com a desejável segurança de controle, em clima
de descontração e confiança, sem constrangimento para o pesquisado, visando a
melhoria de resultados.
Enfatizamos a adoção do método quantitativo-estatístico-matemático e do
método qualitativo de conformidade com a natureza do fenômeno observado e
sempre diversificando os alvos do experimento.
E, finalmente, informamos o que o IPPP fez e continua fazendo no campo
da pesquisa, apesar dos parcos recursos financeiros de que dispõe.
ABSTRACT
We propose, in this paper, to discus, one more, the relationship between
parapsychologist and psy agents, as the methodological behavior that can facilitate
paranormal manifestations at laboratory.
We alert to necessity of joining the experience of Metapsychics researchers
with Parapsychology investigations by using strategies that can humanize and
simplify scientific experimentation.
Forget the works of our antecessors and/or to undervalue them is an
inadmissible position of intellectual arrogance that it does not help the
development of Parapsychology.
We also propose the make use of tests to simplify and reduce the costs for
research at laboratory with desirable safety of control, within of spontaneous and
confidential context in order to assurance the best outcomes.
We emphasize the utilization of quantitative-statistic-mathematic method
and qualitative method according the nature of observed phenomena and always
diversifying the experimental goals.
And, finally, we inform what our IPPP does and remains doing in research
field, in spite of little financial resources that it has.

A nossa inteligência rotineira está de tal maneira ordenada, que se recusa admitir o
que é inabitual.
Charles Richet
Introdução
Durante mais de três décadas de pesquisas, temos observado que as relações
entre parapsicólogos e agentes psi, desde a época da Metapsíquica, praticamente
não evoluíram. Em regra geral, a atitude é a mesma: atenção voltada mais para o
fenômeno do que para o seu agente, e a constante, quase obsessiva, preocupação
pela fraude até mesmo nos experimentos mais simples.
Os casos espontâneos, que constituem a quase totalidade da fenomenologia
psi, sempre parecem suspeitos, pouco se levando em conta a seriedade das
testemunhas e do agente psi eventual. Se o fenômeno parapsicológico espontâneo
não foi presenciado por um parapsicólogo, ele é tido como suspeito ou inexistente.
E mesmo que o pesquisador estivesse presente, o seu testemunho nem sempre é
aceito por seus colegas.
A pesquisa dos casos espontâneos é mais freqüente com os fenômenos de
“poltergeist” que é visto com certa benevolência, principalmente quando chama a
atenção pública e a da imprensa, e são investigados por um pesquisador
qualificado.
Investigamos quase duas dezenas de “poltergeist” nas cidade do Recife e de
Olinda e sempre procuramos orientar as pessoas envolvidas, orientando-as acerca
da natureza do fenômeno e do comportamento a ser adotado nas suas
manifestações. Em primeiro lugar, procuramos ajudar as pessoas, mesmo em
detrimento da pesquisa e assegurar o seu direito ã privacidade, poupando-as de
entrevistas por escrito, fotografias, filmagem e publicação de seus nomes. O último
deles foi transformado em livro pelos nossos companheiros Renato Barros e Isa
Wanessa, porque as pessoas envolvidas permitiram fossem feitas sem quaisquer
restrições.
Sabe-se que o fenômeno psi se caracteriza por sua espontaneidade e, em
muitos casos, dentro de um contexto emocional. Este fator emocional não pode ser
reproduzido artificialmente e, por isso, na experimentação em laboratório, deve
ser substituído pela motivação do pesquisado em relação ao experimento, o que,
em raras ocasiões, pode resultar em uma manifestação psi. Acontece, porém, que
poucos são os parapsicólogos que conseguem despertar a motivação do pesquisado,
mantendo um bom “rapport” com ele.
Humanização da pesquisa
É preciso humanizar a pesquisa parapsicológica, criando condições
favoráveis para que o fenômeno psi possa ocorrer e, não, provocar situações que
tornem difícil e até mesmo impossível produzi-lo. A pesquisa psi é uma parceria e o
pesquisado deve ser conscientizado de que ele é um pesquisador especial porque,
apoiado pela equipe de parapsicólogos, pode deflagrar a manifestação paranormal.
Muitas vezes, o agente psi não se sente confortável na pesquisa e, de certo
modo, se vê coagido a produzir fenômenos que não dependem de sua vontade.
Pode ainda sentir-se como alguém que não merece confiança ou na condição
aviltante de cobaia em experiência de laboratório. Essa impressão lhe é causada
pela postura impessoal do pesquisador, principalmente se ele parte da premissa de
que todo agente psi, em princípio, não merece confiança e, por isso, deve ser
rigorosamente vigiado como um fraudador em potencial. Por outro lado, um
laboratório sofisticado pode ser um fator inibitório no desempenho do possível
agente psi, não acostumado ao clima emocionalmente asséptico da pesquisas.
Com razão afirmava Gustavo Geley:
“El manejo de un instrumento humano, el médium, es bastante más
complicado y difícil que el manejo acostumbrado de los instrumentos de física o de
las substancias químicas”.
Isto é o que parece ignorar certos parapsicólogos, cépticos e mágicos, na
descabida pretensão de que a natureza humana seja regida pelas rígidas leis da
física.
Advertiu Geley que o “problema del a experimentación mediumnica
consiste en la creación de un ambiente favorable. Si esta condición esencial no se
realiza, no hay, por decirlo así, posibilidad de éxito.”
E proseguiu:
“Por esta razón es absurdo y vano esperar resultado alguno de “concursos”,
“desafíos” u “oferta de premios” a los médiums. Aun siendo muy poderosos, los
médiums, aislados y, además, contrariados por las voluntades divergente su
hostiles de un “jurado” quedan reducidos a la impotencia.
Por análoga razón el “examen” de un médium por un “Comité de estudios”,
compuesto de sabios mal preparados para el trabajo que emprenden, es de los más
aleatorios. Si ese Comité no se interesa activamente en ese trabajo, si no
experimenta en simpatía con el médium, no obtendrá sino resultados mediocres o
nulos.”
Entendia, ainda Geley que, para as condições de um bom rendimento de um
experimento, o médium (agente psi) deve desfrutar boa saúde, estar de bom
humor, ter confiança nos pesquisadores e se sentir confortavelmente.

Por outro lado, devemos estar atentos ao “estrelismo” de “médiuns”
consagrados e daquelas pessoas que fazem exibições de paranormalidade em
programas de televisão e costumam aparecer, com muito alarde, na mídia.
Brad Steiger transcreve uma opinião de Olof Johnson sobre o assunto.
“En primer lugar, son demasiados los parapsicólogos que hacen creer al
sensitivo que les interesa más lo que pueden sacar de él que lo que hay en él de ser
humano. Algunos de ellos dan la impresión - aunque sé que no es esto lo que en su
interior piensan - de que sacrificarían de buena gana todas las energías del sujeto,
e incluso su vida, en aras de la ciencia.”
E mais adiante:
“En mi opinión, los parapsicólogos deberían celebrar ciertas reuniones
informales con el médium antes de iniciar las pruebas propiamente dichas.
Tendrían que contar con que se requiere un período de tiempo más o menos largo
para que se creen las condiciones adecuadas, antes de iniciar cualquier clase de
experimento. Tal como van las cosas ahora, con demasiada frecuencia el
parapsicólogo entre como una tromba, charla animadamente durante tres
minutos, y acto seguido pasa a realizar el experimento. Sencillamente, así no hay
tiempo de que se establezca alguna clase de relación entre el sujeto y el
experimentador.”
René Sudre recomendava, para o êxito da experiência parapsicológica, que
o médium deve “respirar a benevolência e a confiança”, pois ele percebe, por
telepatia, os sentimentos hostis dos presentes e fica improdutivo. Por isso, Sudre
critica as famosas comissões oficiais para a investigação de médiuns, “composta de
pessoas cépticas, algumas vezes maliciosas e brutais”, as quais pouco ou nada
obtém dos fenômenos que pesquisam. Esses investigadores “podem mesmo, por
sugestão mental, propiciar a fraude num médium muito receptivo”. Assim, ele
recomenda, nas experimentações, a presença de pessoas com as quais o médium
simpatize, seja por amor ou por atração sexual, pois isso favorece a manifestação
do fenômeno.
J.B. Rhine teceu interessantes considerações sobre certas regras a serem
observadas na pesquisa:
“Quanto mais puder o pesquisador transmitir entusiasmo sadio, confiança e
estímulo aos pacientes, tanto melhores as suas possibilidades de êxito. Alguns
pacientes exigem atitude desafiadora, outros, simpatia. Alguns necessitarão que
sua atenção fique impedida de concentrar-se demasiado nos resultados e na técnica
de seu trabalho; outros deverão ter a plena confiança do investigador.”
Recomendou também que o pesquisador “deve manter alto nível de
interesse por parte do paciente durante todas as experiências”, porque “se houver
uma situação que distraia fortemente o paciente - como a presença de certo
número de testemunhas, ou ser ele “colocado em maus lençóis” - é certo haver
malogro.”
É possível que, por deformação profissional, quem lida com a matéria e com
máquinas não tem, geralmente, habilidade para lidar com pessoas. Do mesmo
modo, certos mágicos procuram explicar os fenômenos psi como resultados de
manipulações de sua arte. Assim, a cada fenômeno imitado por prestidigitação,
fica provada a sua inautenticidade. Para eles, em conclusão, todo e qualquer
agente psi é um mágico disfarçado ou um charlatão. E parecem sugerir,
veladamente, que, por sua habilidade na arte do ilusionismo, podem investigar os
alegados e pretensos fenômenos psi com mais competência do que os cientistas.
Porque, afinal, sob a sua óptica, tais fenômenos não existem.
Vê-se, de logo, que certos mágicos, cépticos e parapsicólogos ignoram (ou
fingem ignorar) esses princípios basilares da pesquisa parapsicológica e se
comportam de maneira contrária aos mesmos, propondo desafios e prêmios aos
agentes psi para provarem a sua paranormalidade. Presunçoso e ignorante é o
agente psi que aceitar o desafio, pois correrá o enorme risco de ser desmoralizado.
Se, por acaso, conseguir êxito, o desafiante vai sempre alegar a possibilidade de
fraude, apesar de todas as evidências em contrário. Ou seja: trata-se de um jogo de
cartas marcadas no qual haverá sempre um vencedor – o desafiante.
O fenômeno psi é sempre probabilístico. Assim, dado a, provavelmente b.
Ou em outras palavras: dadas certas circunstâncias, a aptidão do APC poderá ser
ativada. Acontece, porém, que essas circunstâncias variam entre os APCs e, assim,
é necessária uma observação cuidadosa dos pesquisadores para detectar as
circunstâncias que favorecem a manifestação psi em cada APC pesquisado. Por
isso, é fundamental o papel do parapsicólogo na orientação do APC para
familiarizá-lo com as características de sua paranormalidade, favorecer a
deflagração da psi e talvez melhorar o seu desempenho.
O problema da fraude
Em certa ocasião, tecemos comentários sobre a postura de certos
parapsicólogos em relação ao agente psi. O mais extremado deles, o Pe. Oscar
Quevedo, afirmou enfaticamente:
“Quem nunca frauda não é sensitivo. Não é sensitivo quem domina seu
inconsciente até tal ponto que não se veja impelido a fraudar, ao menos
inconscientemente, quando o fenômeno que se espera não sai autêntico”.
Por isso, comentamos:
“O Pe. Quevedo foi radical na sua premissa: só é sensitivo quem frauda, ao
menos inconscientemente. Logo, todo fenômeno paranormal é sempre suspeito,
porque todo e qualquer médium frauda, ainda que nunca tenha sido pego em
fraude.”
Todavia, em outra obra, Quevedo fez um pequeno reparo em sua afirmação
anterior. Disse ele:
“A fraude em si mesma, e mais claramente, o intento de fraude, por si
mesmo não prova que um médium fraude sempre. Todos os dotados são levados
irresistivelmente a fraudar quando estão desejosos de realizar um fenômeno
parapsicológico que não acaba de surgir. O inconsciente dos dotados está “à flor
da pele”; o inconsciente é irresponsável.”
Ora, se todos os médiuns são levados irresistivelmente a fraudar, eles
fraudam sempre, ou, ao menos, tentam sempre fraudar, pois ninguém pode resistir
ao irresistível. A emenda resultou em novo paradoxo.”
Robert Amadou foi menos radical:
“Conservemos, portanto, uma extrema prudência: quase todos os grandes
médiuns fraudaram – raramente, às vezes, freqüentemente – sendo muito provável
que todos que todos fraudaram em qualquer momento de sua carreira.”
Ele não afirmou peremptoriamente que todos os grandes médiuns
fraudaram, mas que é “muito provável” que, em alguma ocasião, praticaram
fraude. Tal afirmativa nos leva à melancólica conclusão de que todo agente psi é
um fraudador em potencial. Será que aos pequenos “médiuns” se aplica a mesma
premissa? Em caso afirmativo, por que perdemos nosso valioso tempo lidando com
essa espécie de indivíduos em razão dos quais se estruturou a pesquisa psi? Será
que os parapsicólogos são ingênuos ou inclinados a um singular masoquismo
intelectual?
Charles Richet também não confiava nos “grandes médiuns de efeitos
físicos”, sob o argumento de que eles têm “uma quase invencível tendência para a
fraude, o que torna ainda mais difícil uma constatação irrepreensível”. Aliás,
Richet confessou que tinha “pavor de ser enganado”.
Finalmente, Richet fez uma afirmação da qual parcialmente concordamos:
“Façamos experiências com os médiuns, seres raros, privilegiados,
admiráveis, e convençamo-nos de que eles têm direito ao nosso integral respeito,
mas que também são passíveis da nossa desconfiança integral”.
Concordamos que o agente psi, como toda pessoa humana, merece o nosso
integral respeito e, mais ainda, se possível, a nossa estima, mas discordamos de que
eles são” passíveis da nossa desconfiança integral”. Até prova em contrário, toda
pessoa é honesta e essa atitude de desconfiança explícita ou não, é um fator que
pode prejudicar o desempenho do agente psi. Ninguém se sente à vontade em um
ambiente onde as pessoas desconfiam da seriedade de seu trabalho, mesmo que,
aparentemente, seja respeitado.
Ora, se todo agente psi frauda ou é inclinado a fraude, por que se tenta
validar cientificamente a Parapsicologia se o seu objeto não é uma realidade, mas
produto da velhacaria do pesquisado e da ingenuidade e incompetência dos
pesquisadores, alguns dos quais de grande respeitabilidade científica tanto no
passado quanto no presente?
A participação do pesquisador
Já na época da Metapsíquica, Gustave Geley reconheceu o papel
desempenhado pelo pesquisador no êxito ou fracasso da experiência psi:
“Conceder exclusivamente al médium el mérito de una sesión feliz o la
responsabilidad de un fracaso es un erró absoluto.
Mérito y responsabilidad son siempre colectivos, como lo son las experiencias
mismas.
Cuando se emprende el estudio de la mediumnidad, es indispensable
considerar por igual al médium y a los experimentadores, puesto que (nunca
insistiremos demasiado sobre el-lo) el médium y los experimentadores tienen una
parte igual en éxito y en el fracaso.”
A observação de Geley ficou experimentalmente constatada, quando, em
1972, vários membros da Toronto Society for Psychical Research, obtiveram
fenômenos de psicocinese após tê-los simulados várias vezes. A simulação, assim,
serviu de indutor da manifestação psi, que resultou, assim, de um trabalho de
grupo, sem que nenhum deles assumisse a função de agente psi.
Milan Rizl afirmou que o fenômeno metapsíquico não deve ser considerado
como produção isolada de um médium, mas, sim, do médium e do grupo que o
cerca: é uma função coletiva.
Devemos ver o agente psi como pessoa e não simplesmente como objeto de
pesquisa. Como poderemos compreendê-lo se não nos interessamos por ele, mas
sim pelo fenômeno? Estudamos as manifestações psi e tentamos submetê-las à
metodologia científica, mas descuramos da pessoa que as produz. Conhecer a
personalidade do agente psi, o seu modo de ser, a sua visão da realidade é de
fundamental importância para o entendimento das características de sua
paranormalidade. Por isso, no IPPP, antes de iniciarmos a pesquisa com a pessoa
que pensa ser dotada de aptidão psi, nós a entrevistamos e, em seguida, explicamos
o objetivo de cada teste da experimentação.

Os fenômenos psi acontecem, apesar da oposição fanática e delirante dos
céticos e de alguns mágicos, estes mais preocupados com a sua promoção pessoal.
Daí, a sua ânsia incontrolável de aparecerem na mídia para invalidar fenômenos
paranormais, imitando-os e lançando esdrúxulos desafios para a sua comprovação.
Se eles não sabem que fenômenos psi dificilmente ocorrem em situações
coercitivas, são ignorantes e, portanto, incompetentes para criticar a pesquisa
parapsicológica. Porém, se sabem, agem de má fé, cegos pelo seu fanatismo ou pelo
desejo de promoção pessoal. A postura do IPPP é não perder tempo precioso
debatendo com tais pessoas. Não precisamos defender a Parapsicologia, como se
fosse uma cruzada, mas fortalecê-la na pesquisa científica, adotando métodos
compatíveis com os fenômenos apresentados e, principalmente, estabelecendo um
excelente "rapport" entre pesquisadores e agentes psi para que os fenômenos que,
em regra geral, ocorrem espontâneamente, possam também, pelo clima da
pesquisa, ser reproduzidos experimentalmente com o concurso de todos os
participantes.
O parapsicólogo poderá, como profissional, orientar as pessoas estão
passando por experiências aparentemente paranormais e, segundo o caso, enviá-
las a outros profissionais se se tratar de problemas emocionais ou de saúde. Se se
tratar, porém, de um agente psi, o parapsicólogo deve orientá-lo quanto às
características da sua paranormalidade e realizar experimentos para que ele se
familiarize com seu talento.
O efeito do observador
O parapsicólogo, por mais que queira ser isento, é um “observador”, e,
nessa condição, altera sempre o estado psicossomático do agente psi, influindo no
seu desempenho. Na verdade, ele é também um participante da experiência por
mais neutro que se imagine ser no seu relacionamento com o agente psi. Portanto,
o fenômeno parapsicológico é uma experiência compartilhada ocorrerá ou não, de
conformidade com a natureza da relação entre os pesquisadores e o pesquisado.
Robert H. Thouless observou que “hay evidencias considerables de que la
personalidad del experimentador es también un factor importante que influye
sobre los resultados de un experimento parapsicológico”.
É sabido que cada pessoa se comporta diferentemente na presença de
pessoas diferentes e também se comporta de maneira diferente com a mesma
pessoa em ocasiões diferentes em decorrência de fatores físicos e psicológicos. Ora,
como então se esperar que o agente psi apresente o mesmo desempenho com
pesquisadores diferentes? Assim, não prospera o argumento de que se um
pesquisador obteve êxito com determinado agente psi e outro pesquisador não, a
experimentação do primeiro deve ser considerada inválida ou insatisfatória. Ou
seja: o pesquisador mal-sucedido é que tem razão, porque foi o outro que se
mostrou incompetente na direção da pesquisa. Esse argumento é esdrúxulo e
insustentável até para quem conhece um pouco sobre a complexidade do ser
humano.
Milan Rizl também ressaltou o efeito do observador na experiência psi.
Disse ele:
“Sin embargo, la tarea de conseguir una repetibilidad completa será difícil,
a causa de una característica especial de los experimentos parapsicológicos. En las
demás ciencias, el investigador se siente como un observador imparcial del
fenómeno - como si lo mirase desde cierta distancia o a través de un cristal -, e
intenta evitar cualquier interferencia personal con el mismo. En parapsicología, el
experimentador influye directamente sobre el fenómeno observado, y el mismo
sujeto puede actuar de un modo completamente diferente según los diferentes
observadores. También en psicología es posible que el sujeto reaccione de diferente
modo, por ejemplo, dependiendo de si el observador lo hace sentirse tranquilo o
nervioso. Sin embargo, en parapsicología la influencia del observador es mucho
más fuerte, y el efecto mucho más delicado. El experimentador puede influir sobre
el sujeto no sólo a través de la comunicación normal (palabras, gestos, lenguaje
corporal, etc.), sino también telepáticamente”.
Observou, ainda, que embora a percepção extra-sensorial seja
“independiente de las condiciones físicas o biológicas, en cambio es muy sensible a
las condiciones psicológicas (en particular condiciones tales como el cambio de
humor de perceptor)”. Assim, reconheceu que “las condiciones que afectan a la
PES son de naturaleza psicológica”.
A experimentação psi em laboratório, para obter melhores resultados, deve
seguir uma orientação lúdica e, não, desafiadora. O provável agente psi não deve
pressionado para obter resultados. Nem se sentir responsável pelo êxito ou
fracasso dos experimentos. O importante é que ele passe a confiar nos
pesquisadores e perceba que tem a confiança deles. Ele não pode ser tratado como
uma cobaia ou como alguém com propensão à fraude. Lidar com pessoas é um
talento que poucos pesquisadores possuem, principalmente aqueles especializados
em ciências da natureza. Lidar com o psiquismo humano, complexo e imprevisível,
um sistema de múltiplas variáveis, muitas das quais desconhecidas, é
extremamente difícil. As atividades psíquicas, principalmente as de natureza psi,
não são passíveis de controle experimental rígido, porque são imprevisíveis e
irrepetíveis, podendo ser apenas observadas em satisfatórias condições
experimentais. O agente psi não é uma coisa que pode ser manipulada à vontade
pelos pesquisadores, como a matéria, porque não está sujeito às leis da física. Além
disso, o ser humano tem o direito de ser tratado com respeito e dignidade e não
deve satisfazer aos caprichos de pesquisadores impacientes e imediatistas apenas
interessados na obtenção dos fenômenos.
É de uma lastimável irracionalidade exigir a obtenção de um fenômeno psi,
criando os mais diversos obstáculos à sua manifestação. Certos pesquisadores
querem que os fenômenos aconteçam do jeito que eles querem e não do jeito como
eles acontecem. Exigem a submissão dos fenômenos às regras que estabelecem, e
alguns se julgam mais atilados do que os pesquisadores do passado. É uma
petulância digna de comiseração e apenas reflete o narcisismo de quem se julga o
dono da verdade.
Simplificação da pesquisa
Toda pesquisa científica é muito onerosa. E raras são as instituições de
pesquisa que podem arcar com os seus custos e obter os recursos necessários para
sua execução. O IPPP é uma dessas instituições de pesquisa que se incluem na
regra geral e, por isso, padece de uma compulsória e crônica franciscanidade. Mas
isto não é fator impeditivo da nossa atuação no campo do magistério e da
investigação em Parapsicologia.
Uma das características básicas das atividades do IPPP é o exercício da
criatividade na pesquisa psi. Sempre valorizamos a experiência dos nossos
antecessores e procuramos enriquecê-las com novas variáveis. Algumas dessas
variáveis não surtiram os resultados espe-rados e outras que estão sendo testadas,
já se revelam, inicialmente, promissoras.
a) Baralho IPPP
Concebido, à luz da topologia, por Ronaldo Dantas Lins, foi utilizado, com
resultados satisfatórios pelo falecido parapsicólogo argentino Naun Kreiman, com
resultados melhores do que o tradicional baralho Zener. A descrição deste teste se
encontra no último livro que Ronaldo publicou.
b) Teste da cadeira ocupada
Ele nos foi inspirado no experimento do teste da cadeira vazia, utilizado por
Willem Tenhaeff com o agente psi Gerard Croiset.
Com o concurso de seis pessoas (uma das quais na função de Agente Psi) e
utilizando o baralho Zener, transformamos o teste da cadeira vazia, de natureza
qualitativa, em um experimento quantitativo-estatístico-matemático, onde cada
símbolo - quadrado, círculo, ondas, cruz e estrela - é substituído e representado
por uma pessoa. Ao lançamento de cada carta, a pessoa que a representa vai
ocupar a cadeira vazia e, assim, lance após lance, o Agente Psi procura adivinhar
qual dos cinco participantes nela se encontra, perfazendo um total de vinte cinco
tentativas.
Esse experimento centrado em pessoas e não em símbolos vem respaldado
na experiência de alguns agentes psi, que repudiaram o teste realizado com o
baralho Zener.
Eileen Garret declarou que “os símbolos de papelão não fizeram qualquer
apelo emocional direto para os impulsos mediúnicos da minha própria natureza e
nem revelaram quais- quer novos fatores inconscientes, dentro de minha estrutura
mental”.
Lilian Bailey, em entrevista concedida a W. F. Neech, confessou a sua
grande dificuldade em lidar com as cartas Zener. Disse ela:
“Fiz experiências com as cinco cartas usadas nos testes do Prof. J. B. Rhine.
Nunca consegui sucesso algum.”
Harold Sherman também manifestou a mesma queixa:
“Nunca pude obter resultado sempre elevado nas provas de cartas do PES,
porque falta às mesmas o fator emocional”.
Oliver Lodge constatou que Eleonora Piper fracassou muitas vezes na
leitura de cartas fechadas, demonstrando, porém, um extraordinário índice de
acertos, quando se punha, por telepatia, em contato com pessoas desconhecidas e,
por psicometria, com pessoas ausentes.
Em maio de 1951, J. B. Rhine esteve na Holanda e foi apresentado a Gerard
Croiset, por Willem Tenhaeff. Na ocasião, Rhine convidou Croiset para testá-lo
com o baralho Zener. Croiset recusou o convite, alegando:
“Eu respeito muito o seu trabalho, Dr. Rhine. Mas eu não gosto mesmo de
adivinhar cartas. Eu tenho de estar emocionalmente envolvido num caso de
criança desaparecida ou de alguém em dificuldade.”
c) Teste de sondagem telepática
Inventamos este experimento que se desdobra em duas modalidade: com
pessoa desconhecida e presente; com pessoa desconhecida e ausente.
Na primeira modalidade, o pesquisado procura descrever, por escrito, em
documento apropriado, as suas impressões sobre a pessoa-alvo que está à sua
frente, anotando o que ela pensa ou sente naquele momento, assim como fatos
importantes de sua vida. Durante o experimento, o pesquisador não permite que o
pesquisado e a pessoa-alvo se comuniquem. Assim que o pesquisado conclui as suas
impressões, entrega o documento ao pesquisador e este faz a leitura do que foi
escrito para avaliação da pessoa-alvo, cujos comentários são devidamente
registrados em outro papel para a formação do protocolo de pesquisa.
Na segunda modalidade, a única diferença é que a pessoa-alvo desconhecida
se encontra oculta em outro aposento. O procedimento é o mesmo da modalidade
anterior.
d) Teste Ossowiecki
O nome do teste representa uma homenagem a Stephan Ossowiecki, um dos
grandes médiuns da época da Metapsíquica, pesquisado por Gustave Geley e
Charles Richet. Nos testes de clarividência, ele revelava o conteúdo de envelopes
fechados, que continham frases ou imagens. Segundo René Sudre, essas
experiências “jamais tiveram insucesso”.
No IPPP, estamos repetindo esse experimento. É um teste de alvo
desconhecido, tipo duplo cego, porque o pesquisador responsável pelo experimento
ignora o conteúdo do envelope lacrado, que lhe é entregue por outro pesquisador.
A escolha do objeto-alvo entre os vários envelopes fechados é aleatória. O envelope
escolhido recebe a assinatura do pesquisador, e o pesquisado escreve, em
documento apropriado, as suas impressões sobre o conteúdo do envelope. Ao
término do experimento, e entregue o documento ao pesquisador, faz-se a abertura
do envelope, comparando-se o que foi escrito com o objeto alvo. A abertura é feita
na presença do pesquisado, do pesquisador e de outros parapsicólogos presentes,
convidados para testemunhar o ato.
e) Teste Cayce em vigília
Edgar Cayce, outro notável agente psi, visitava, enquanto dormia, a
residência da pessoa, objeto da consulta e que ele desconhecia. Nessa situação,
Cayce descrevia o estado de saúde do visitado e revelava outros detalhes a respeito
de sua vida.
No IPPP, esse teste é realizado com o pesquisado em estado de vigília e a
descrição da pessoa-alvo é feita em documento apropriado. O documento é levado,
posteriormente, à pessoa-alvo para conferência do mesmo. Embora as pessoas-
alvos que participam do experimento sejam conhecidas dos pesquisadores, os seus
nomes e endereços serão colocados em envelopes fechados, depois misturados, e
um deles será escolhido pelo próprio pesquisado.
Outros testes
No IPPP, também realizamos testes de psicometria, visão remota, cabina
psicomântica e transcomunicação instrumental ou TCI.
Os testes de psicometria não estão sendo satisfatórios. Porém os testes de
visão remota Recife-Buenos Aires, realizados, em 2001, por Jalmir Brelaz de
Castro e Naun Kreiman, apresentaram resultados significativos. O agente psi foi a
nossa colega Simone Wanderley.
A cabina psicomântica, concebida por Raymond Mood Jr. se encontra em
fase experimental, e as pesquisas com TCI apresentaram alguns dados
interessantes que ainda estão sendo cuidadosamente analisados.
Pesquisa com médiuns
A época rhineana da pesquisa parapsicológica com pessoas comuns obteve
resultados estatísticos convincentes, evidenciando que psi faz parte das
potencialidades do ser humano.
Já havíamos observado:
“Agente Psi é o homem na situação de deflagrador do fenômeno
paranormal. Qualquer pessoa pode, eventualmente, passar por experiências
paranormais. Ou seja: funcionar como Agente Psi, visto que, potencialmente, todo
ser humano é dotado desta aptidão.”
Na verdade, raras são as pessoas que apresentam essa aptidão de forma
expressiva e habitual. Por isso, nós a denominamos de agente psi confiável (APC),
reservando às pessoas que, esporadicamente, manifestam esse potencial, o nome de
agentes psi eventuais.
O nosso critério, na definição, do APC, é quantitativo, operacional,
pragmático. O APC é a pessoa que, habitualmente, apresenta fenômenos psi e por
isso, na sua presença, há uma alta probabilidade de ocorrerem tais fenômenos.
Em mais de três décadas de pesquisa, constatamos a aptidão psi em algumas
pessoas como Manoel Rabelo Pereira (“Pai Eli”), o falecido José Macedo de
Arruda (“Irmão Macedo”), Arismar Lobo, Mônica Alecrim, Ana Cláudia de
Albuquerque Lopes e Jacques Andrade. As pesquisas com Mônica e Ana Cláudia
foram registradas em livros por seus pesquisadores mais assíduos, os nossos
colegas do IPPP Maria da Salete Rego Barros e Erivan Félix Vieira,
respectivamente. Infelizmente, não concluímos a pesquisa com o médico e médium
espírita Edison Queiroz, porque o “espírito” “Dr. Fritz” que, inicialmente havia
proposto ser pesquisado pelo IPPP, de súbito mudou de idéia, alegando discordar
da metodologia que lhe foi apresentada para a investigação de suas “cirurgias
mediúnicas”. O fato causou repercussão na imprensa, e o Diário de Pernambuco
publicou, em algumas edições, a polêmica entre a Federação Espírita de
Pernambuco e o IPPP.
Também é preciso ressaltar que vários parapsicólogos do nosso Instituto já
passaram (e alguns ainda passam) por experiências paranormais. Daí, facilidade
com que eles se relacionam com as pessoas que alegam estar passando por essas
experiências, criando, de logo, um clima de confiança entre pesquisador e
pesquisado, o que facilita a motivação para a pesquisa.
Pretendemos, no próximo semestre, lançar um livro com os depoimentos
dos nossos colegas, relatando e comentando as suas experiências psi.
Este ano, retomamos alguns experimentos da velha Metapsíquica e nos
voltamos para a pesquisa com pessoas que desempenham o papel de médium nos
centros espíritas e nos terreiros de Umbanda. Estamos, desde o início de janeiro,
fazendo experiências com médiuns de Umbanda nas dependências do IPPP. Para
isso, conseguimos convencê-los de que as pessoas podem obter os mesmos
fenômenos que os médiuns obtêm sob a influência dos “espíritos”. E também os
convencemos de que a sua mediunidade não seria afetada se eles também
possuíssem aptidões parapsicológicas. “Pai Eli”, um dos mais famosos babalorixás
do Brasil, e meu amigo de mais de trinta anos, concordou, de boa vontade, em
permitir que seus médiuns fossem pesquisados, não no seu centro, denominado de
“Lar de Ita”, mas no IPPP. Assim, até agora, estamos realizando experimentos
com seis de seus médiuns, que de logo se adaptaram à metodologia cientifica e
tentam realizar fenômenos sem a assistência dos seus Orixás.
A experimentação controlada é sempre uma simulação para predispor o
agente psi ao fenômeno paranormal. Assim, procura-se substituir a emoção pela
motivação e são poucos os pesquisadores capazes de obter essa motivação. É
necessário que o parapsicólogo, além do seu preparo em metodologia científica,
tenham também habilidade para lidar com o objeto de sua pesquisa, no caso o
agente psi. Cada área científica é mais bem sucedida quanto menos complexo for o
objeto de sua investigação. Por isso, a sua metodologia não é aplicável ao
experimento de fenômenos mais complexos como os parapsicológicos.
É de fundamental importância que o parapsicólogo convença o pesquisado
de que os procedimentos metodológicos empregados na pesquisa não importam em
falta de confiança ou proteção contra a fraude, mas, sim, como garantia para a
confiabilidade científica da experimentação. A confiança entre o pesquisado e os
pesquisadores é o ponto de honra do experimento.
Também é necessário desmistificar o talento psi e advertir o pesquisado de
que não se trata de um “dom de Deus”, nem algo que torna uma pessoa especial.
Há pessoas têm talento para a música, as artes plásticas, a literatura, os esportes,
etc, e isto não é um indicativo de que são pessoas especiais. O narcisismo
mediúnico é fruto de uma atenção exagerada, e até mesmo de uma veneração, às
pessoas que manifestam fenômenos psi. Este “estrelismo” é perigoso e pode levar
os chamados “médiuns” a fraudar para manter em alta o seu prestígio.
Conclusão
A ciência é uma aventura. O verdadeiro cientista, um aventureiro. O
método é apenas o seu modo de viajar, mas que pode mudar segundo as
circunstâncias da viagem. Se o método não é capaz de enfrentar fatos
desconhecidos, deve-me mudar o método e não preconceituosamente negá-los. O
espírito crítico investe contra o dogmatismo e o conservadorismo, que
transformam a pesquisa científica num engessamento intelectual. A essência da
ciência é a provisoriedade do conhecimento, porque jamais existirá uma ciência
acabada, porém cientistas acabados, definitivamente impermeáveis aos desafios do
novo. Atingidos pela invalidez da rotina intelectual, acastelam-se em suas certezas,
tornam-se senilmente sedentários e esclerosados no seu saber ultrapassado.
A fenomenologia psi não pode ser tratada como um exotismo, mas como um
desafio que poderá redundar no conhecimento mais profundo das potencialidades
humanas. Não podemos observar as coisas com olhos míopes e reduzir a realidade
à nossa dimensão cognitiva. Assim, sob esse aspecto, as nossas limitações passam a
ser o limite de tudo.
A grande força da Parapsicologia consiste na interdisciplinaridade com as
mais diversas áreas do conhecimento. É de suma importância estudar os aspectos
fisiológicos da experiência psi, as influências culturais, a personalidade do agente
psi e os resultados práticos dessa fenomenologia para a melhoria do ser humano e
a compreensão do psiquismo como um todo.
O futuro da Parapsicologia depende exclusivamente dos parapsicólogos,
com a prática de uma metodologia científica adequada à natureza de cada
fenômeno psi e da criatividade do pesquisador em humanizar e simplificar
experimentos, observando as condições que favoreçam a manifestação psi.
(*) Trabalho publicado nos Anais do II Encontro Psi, realizado em abril de 2004,
em Curitiba, Paraná.
BIBLIOGRAFIA
Amadou, Robert. Os Grandes Médiuns. Edições Loyola. São Paulo, 1966.
Barros, Renato & Lima, Wanessa. O poltergeist de Beberibe. Instituto
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Pesquisas Psicobiofísicas. Recife, 1976.
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Rogo, D. Scott. A Mente e a matéria. Ibrasa. São Paulo, 1992.
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Vieira, Erivam Félix. Paranormalidade e Cultura: uma Perspectiva Histórico-Social.
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. Recife, 1997.
A FOTOGÊNESE SOB O ENFOQUE DA TEORIA QUÂNTICA
Ronaldo Dantas Lins (*)
RESUMO
O fenômeno designado fotogênese é descrito neste artigo como
resultante do retomo de um elétron de uma camada energética maior para
outra com teor energético inferior e a conseqüente emissão de um
quantum energético (na forma de luz). Postulamos que o elétron poderá
chegar a essa camada devido à sua interação com a mente, produzida
pelo bloqueio da função inibidora tau; este bloqueio permite uma
interação de natureza psicocinética sobre o elétron.
Além disso, propomos uma alteração na abordagem taxonômica da
parapirogenia, devendo esta ser compreendida como uma modalidade de
fotogênese com produção de chama e não como um fenômeno totalmente
independente.
Finalmente, o modelo prevê a existência de um efeito, denominado
ionizante, devido ao processo descrito poder ocorrer nos elétrons das
camadas mais internas, quando tivermos um Agente Psi Confiável
potente, com a conseqüente produção de raios X.
1. CONSIDERAÇÕES GERAIS
A fenomenologia parapsicológica é rica em eventos de natureza
física como produção de som (toribismo), movimento (psicocinesia) e luz
(fotogênese). Este pode ser interpretado como um caso particular de
psicocinesia a nível de partículas subatômicas, decorrente do bloqueio da
função inibidora tau, sem a necessidade de supor-se a existência da
telergia como suporte inexorável para sua descrição.
A fotogênese é passível de ser simulada tanto por fenômenos
naturais (fogo-fátuo, fogo de Santelmo) como artificiais (devido a fraude
utilizando-se substâncias como ferro-cerium, hidrogênio fosforado, etc.),
por isso a atenção deve ser redobrada quando da observação dos
eventos.
A fotogênese (fotós = luz e gênesis = geração, produção) possui
várias sinonímias, entre as quais destacamos: telepirótica (tele = longe e
pyros = fogo); telefania (tele = longe e thino = brilllar); fotoforia (fotós =
luz e forás = produção, ação de levar).( l )
Para que fenômenos biofísicos não sejam confundidos com este
fenômeno paranormal, faz-se necessário que o especialista da área tenha
conhecimento dos seus mecanismos de produção para que possa emitir
laudos e pareceres com segurança e conhecimento de causa. Podemos
conceituar o fogo fátuo como o fenômeno luminescente proveniente da
emissão de gases de matéria orgânica em decomposição.
O hidrogênio proto-carbono é o gás mais comumente encontrado
nos fogos-fátuos produzidos nos pântanos, consistindo de uma chama
azulada e pouco brilhante. Nos cemitérios, os gases emitidos dos corpos
em putrefação é o hidrogênio fosforado. Os fogos-fátuos se deslocam
rapidamente com o movimento do ar, dando uma idéia de perseguição
àqueles que correm assustados com a sua presença.
O fogo de santelmo consiste no acúmulo de eletricidade estática do
meio ambiente. Pode ser visto na extremidade de diversas estruturas
como mastros de navios, pico de igrejas, copas de árvores, pára-raios,
etc.
Algumas pessoas têm a particular condição de acumular
eletricidade estática em seus corpos, principalmente em dias secos,
produzindo descargas elétricas quando se aproximam de determinados
objetos.
Dentre os paranormais que apresentaram o fenômeno da
fotogênese podemos destacar Ana Burton, Eusàpia Palladino, Thomas
Green Morton e Pasquale Erto.
2. CONCEITO E PROPOSTA EPISTEMOLÓGICA
Podemos entender fenômeno de psi-kapa como o evento incomum
da mente humana em que ocorre uma ação física de uma pessoa sobre
seres vivos ou a matéria em geral, sem a utilização de qualquer extensão
ou instrumento de natureza energético/material. ( 2 )
Uma das evidências a favor da interação mente-matéria (
psicocinesia) são as pesquisas com micro-psicocinesia ( ação da mente
sobre partículas subatômicas ); estas de- correram da observação de que
a mente parece influenciar mais facilmente objetos de pequeno porte e
em movimento, principalmente quando efetuado de maneira caótica.( 3 )
Denomina-se fotogênese o fenômeno de psi-kapa pelo qual ocorre
a produção de luzes, de luminescência, pelo Agente Psi. Por ser um
fenômeno de psi-kapa, trata-se de um evento objetivo, perceptível a todos
que se encontram no local da manifestação, bem como, apresenta a
propriedade de ser fotografável ou filmável. Se apenas algumas pessoas
referem observar a luminescência, poderá tratar-se de um caso de
alucinação, distúrbio do aparelho visual, hiperestesia ou um fenômeno de
psi-gama como a aparição, clarividência, etc.
Propomos, aqui, uma nova abordagem epistemológica, em que a
luminescência produzida pode vir acompanhada ou não por uma chama.
Desta feita, teremos que a fotogênese pode ser subdividida conforme o
esquema a seguir:
1. Parapirogenia
1.1. Autoparapirogenia - sobre o próprio AP
1.2. Heteroparapirogenia
1.2.1. Sobre objetos inanimados
1.2.2. Sobre outros seres vivos
2. Fotogênese Estrita
2.1. Sobre o meio ambiente
2.2. Sobre o AP ( Autofotogênese)
2.3. Ectoplásmica
Parapirogenia - Combustão espontânea de objetos mediante a ação
paranor-
mal do agente Psi( 4 ). Pode ocorrer sobre o próprio agente psi
(autoparapirogenia) ou sobre outros seres ( heteroparapirogenia ).
Fotogênese estrita - Consiste na luminescência obtida
paranormalmente, sem ter sido acompanhado de chama. Pode operar-se
sobre o AP ( autofotogênese ) ou o meio ambiente.
3. UMA HIPÓTESE PARA A FOTOGÊNESE
Uma das teorias existentes para descrever o fenômeno da
fotogênese utiliza-se dos mecanismos deflagradores da bioluminescência
observada em vaga-lumes, pirilampos, peixes abissais, algas, bactérias,
etc. O fósforo existente no organismo poderia se tornar luminescente na
urina ou suor. O jejum prolongado pode produzir um excesso de enxofre
no organismo que pode se fazer luminoso sob a ação de irradiações
ultravioletas. Este modelo, entretanto, só responderia pelos fenômenos
de autofotogênese e fotogênese ectoplasmática, não servindo para
descrever a fotogênese ambiente. Necessitamos assim de um modelo
abrangente que possa também incluir esta modalidade. Propomos aqui
um modelo para a fotogênese estrita, deixando para uma abordagem
posterior os fenômenos de parapirogenia.
Parece existir um princípio denominado de não-localidade pelo qual
alguma coisa pode ser feita na ausência de qualquer causa local. Baseia-
se no Teorema de Bell e concebe a realidade como sendo de natureza
indeterminada. Para a teoria qüântica não há partes separadas da
realidade, mas fenômenos intimamente relacionados, inseparáveis, como
ilustra o paradoxo Einstein - Podolsk - Rosen.(5)
SARTI definiu como "link" ao acoplamento de um pensamento a um
sistema nervoso ou a outro objeto físico. Na morte tal acoplamento deixa
de existir. No paranormal parece haver um desacoplamento parcial.
Quando há a disjunção mente-sistema nervoso, o pensamento poderá
estabelecer um "link" externo e provocar os fenômenos psicobiofisicos.(
6)
Postulamos a existência de duas funções psíquicas efetoras: a
função pi e a função tau. A primeira bloqueia os impulsos eferentes,
principalmente da formação reticular facilitadora e inibidora, impedindo a
rigidez, a espasticidade e a hiperatividade glandular.
A função tau bloqueia o "link" mente-matéria ( conforme o princípio
da não-localidade ) e conseqüentemente sua inibição produzirá os
fenômenos de psicocinesia. ( 7 )
Horta Santos ( 8 ) propõe que, na Dobragem Psicocinética de Metais
(DPM), mais conhecido como efeito Geller, há uma diminuição da
dendidade da nuvem eletrônica, promovendo o amolecimento do metal.
Em termos da função tau podemos conceber que o bloqueio da mesma
faculta a explicitação do “link” mente-mundo físico através das seguintes
etapas:
1 - Conexão mente-lépton, especificamente elétron da nuvem
eletrônica do metal, e o seu conseqüente deslocamento para um estado
qüântico de baixa probabilidade. Isto equivale ao regresso de grande
número de elétrons aos níveis de energia mais baixos, correspondendo a
última camada.
2 - Ocorre o amolecimento do metal devido a diminuição da
capacidade coesiva das ligações metálicas, decorrente da rarefação da
nuvem eletrônica.
3 - Deformação plástica devido a :
a) Ação de forças mecânicas (peso, tensões, etc. ).
b) Explicitação do “link” mente-bárions (psicocinesia hadrônica)
4 - Retorno do metal à consistência original, conservando a nova
forma.
Vemos assim que existe dois momentos de explicitação do
“link”, isto é, de manifestação psicocinética:
1º Mente-lépton (elétron da nuvem eletrônica).
2° Mente-bárion ( nêutron, prótron ).
Como veremos adiante, na fotogênese a explicitação do "link" se
efetua apenas através da interação mente-elétron, porém dos elétrons
situados no interior do átomo e em suas camadas mais externas.
4. ESTADOS EXCITADOS DOS ÁTOMOS
No ano de 1901 o físico Max Planck enunciou o seguinte princípio
conhecido como postulado de Planck: "A energia total de qualquer
entidade física cuja única"coordenada" execute oscilações harmônicas
simples ( expressa em função sinusoidal do tempo ), pode assumir tão-
somente valores que satisfaçam a relação:
E = nhv, n = 0, 1, 2, 3, ...
Onde v é a freqüência de oscilação e h uma constante fundamental.
-17
h=6,63x10 erg-s ( constante de Planck )".
Por outro lado Niels Bohr, em 1913, elaborou uma teoria atômica
baseado em quatro postulados, dos quais o quarto é de grande
importância para o tema aqui desenvolvido que consiste no seguinte: ( 9 )
"A radiação eletromagnética é emitida se um elétron, inicialmente
movendo-se numa órbita de energia total Ei, muda descontinuamente seu
movimento, de modo que passa a mover-se numa órbita de energia total
Ef. A freqüência de radiação emitida v é igual a quantidade ( Ei - Ef ) /h.".
Outro princípio de grande importância para nossa discussão,
conhecido como postulado de Einstein, baseia-se no fato do Postulado de
Planck implicar em que uma fonte ao modificar seu estado de energia
nhv para ( n - 1) hv ( isto corresponde ao retorno de um elétron ao orbital
que ocupava no estado fundamental após sua excitação ), emitiria uma
porção de energia eletromagnética igual a hv .
Além das subcamadas ocupadas no estado fundamental, existem
também no átomo, níveis de energia mais altas ainda não ocupados. Num
estado excitado, haverá baixíssima probabilidade que isto ocorra em mais
de dois elétrons.
De maneira geral há dois tipos de excitação: (10).
1. Tipo um - Excitação de um elétron das subcamadas de maior
energia (elétron de uma subcamada externa).
2. Tipo dois - Excitação de um elétron das subcamadas de menor
energia (elétron de uma subcamada interna).
No primeiro caso ocorre uma transição para um dos níveis de
energia de uma partícula discretos ou contínuos de maior energia do que
o nível inicial.
Exceto o nível 3d, todos os níveis até o nível 4s ( ls, 2s, 2p, 3s e 3p)
estão completos. Existe um princípio enunciado por Wolfgang Pauling em
1925 conhecido como princípio de exclusão(11) em que num átomo de
muitos elétrons não pode haver mais do que um elétron no mesmo estado
quântico" ou equivalentemente "um sistema contendo vários elétrons
pode ser descrito por uma autofunção anti-simétrica". Por este princípio,
o elétron excitado deve deslocar-se para um nível acima de 4s ou
eventualmente 3d.
Desta maneira, a energia necessária para que ocorra uma excitação
do tipo dois é maior que a necessária para a produção de uma excitação
do tipo um.

-8
O elétron excitado tende a retornar rapidamente ( aproximadamente
em 10s) ( 12) a sua subcamada original com a conseqüente emissão de
um quantum de energia. Quando ocorre uma excitação do tipo dois este
quanta de energia produz um espectro de raios X e no caso da excitação
do tipo um, esse quanta de energia produz um espectro óptico ou numa
região circunvizinha.
A energia total de um elétron movendo-se em uma das órbitas
permitidas pode ser fornecida pela equação: 2 4 2
_ _
E = - mZ e / 2 n h , n = 1, 2, 3, ..., onde Z é o número atômico e
h = h/2t
A freqüência da radiação eletromagnética emitida quando o elétron
sofre uma transição do estado quântico n i para o estado quântico n f
pode ser obtida usando a equação anterior e o quarto postulado de Bohr ,
resultando em:
2 4 _
v = + mZ e / 4t h ( 1 / 2 n - 1/ 2n )
i f
Nestes termos podemos argumentar:
1. O estado fundamental do átomo é aquele de menor energia, ou
seja n = 1.
2. Quando um átomo absorve energia isto implica em que o elétron
deve passar para uma subcamada de maior energia, i.e, passa de um
estado em que n = 1 para um estado excitado, em que n > 1.
3. O átomo nesta condição emitirá seu excesso de energia e voltará
a seu estado fundamental, conforme o postulado de Einstein. Isto é
conseguido através de transições em que o elétron excitado retornará a
subcamada que ocupava no estado fundamental. Cada transição
corresponde a emissão eletromagnética na freqüência dada pela fórmula
anterior. Teremos espectro óptico (emissão de luz) se v estiver
compreendido entre:
14 14
3,7.10 e 7,5.10
5. CONCLUSÃO
Após refletirmos sobre os temas abordados podemos concluir que:
1 - A parapirogenia deve ser compreendida como uma modalidade
de fotogênese com produção de chama e não como um fenômeno
totalmente independente.
2 - Não devemos confundir fotogênese com fogo-fátuo, fogo de
santelmo ou fenômenos correlatos, que de nenhuma forma pertencem ao
campo paranormal.
3 - O modelo da bioluminescência devido a substâncias orgânicas
fosforescentes ou fluorescentes para descrição da fotogênese, não é
compatível com a fotogênese ambiente.
4 - A inibição da função t (tau) desbloqueia o "link" mente-mundo
físico e produz, conseqüentemente, um fenômeno de psicocinesia.
5 - Na DPM ocorre inicialmente a explicitação do "link" mente-
elétron (elétrons da nuvem eletrônica) e posteriormente se constata a
interação mente-bárion (nêutron, próton).
6 - Quando um elétron se desloca (salta) de uma camada de maior
energia para outra de menor energia emite um quantum de radiação
eletromagnética. Se estas camadas são exteriores a emissão será de
natureza óptica.
7 - Na fotogênese tudo se passa como se a inibição da função
t (tau) permitisse a interação mente-elétron do átomo, com o seu
conseqüente deslocamento para uma camada mais externa (de maior
energia), o fenômeno paranormal (psicocinesia) ocorre tão somente neste
instante. Posteriormente este elétron retorna ao estado fundamental, com
a conseqüente emissão de um quantum de energia (comumente na forma
de luz).
8 - A energia necessária para o deslocamento de elétrons nas
camadas mais externas é menor do que aquelas para produzir o
deslocamento de elétrons em camadas mais internas (com produçào de
raios X).
Pelo princípio do caminho mais econômico é de se esperar que
ocorra mais o primeiro fenômeno em detrimento do segundo.
9 - Se tivermos um Agente Psi Confiável (APC) potente, poderá
ocorrer do salto quântico efetuar-se nas camadas mais internas e
posteriormente o seu retomo ao estado fundamental produz raios X. É
importante utilizarmos meios para a detecção de raios X na presença de
APC potente, para podermos flagrar este fenômeno previsto pela teoria.
BIBLIOGRAFIA
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Edições Loyola, São Paulo, 1983, pág. 62.
( 2 ) - BORGES, Valter da Rosa e CARUSO, Ivo Cyro: "Parapsicologia: Um
Novo Mode- lo (e outras teses)", Instituto Pernambucano de Pesquisas
Psicobiofisicas - I.P.P.P, Recife,1986, pág. 257.
(3)-ROGO,D. Scott : "A Mente e a Matéria" - Parapsicologia - Vol. 13,
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( 4 ) - BORGES, Valter da Rosa : "Manual de Parapsicologia", Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - I.P.P.P, Recife, 1992, pág.
214.
( 5 ) - TINOCO, Carlos Alberto : "Parapsicologia e Ciência", Biblioteca de
Parapsicologia -Vol 16, IBRASA, São Paulo, 1993, pág. 142.
( 6 ) - SARTI, Geraldo dos Santos : "Psicons - do Real ao Imaginário",
ABRAP, Rio de Janeiro, 1991, pág. 04 s.
( 7 ) - LINS, Ronaldo Dantas : "Curas por Meios Paranormais: Realidade
ou Fantasia ?", Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas -
I.P.P.P / Associação dos Parapsicólogos de Pernambuco - A.S.P.E.P,
Recife, 1995, pág. 70.
( 8 ) - SANTOS, Horta : " Ponte Mente - Matéria na dobragem psicocinética
de metais (conexão Informacional - Quântica no PKMB)", tese
apresentada no XIII Simpósio Pernambucano de Parapsicologia, Recife,
1995.
( 9 ) - DUQUESNE, Maurice : "Matéria e Antimatéria", Edições 70, São
Paulo, pág. 34.
(10) - EISBERG, Robert Martin : "Fundamentos da Física Moderna",
Guanabara Dois, Rio de Janeiro, 1979, pág. 378.
(11) - MOORE, Walter John : "Físico - Química", Editora da Universidade
de São Paulo, São Paulo, 1976, pág. 579s.
(12) - CARNEIRO, Moacir de A. : "Princípios de Biofísica", - Guanabara
Koogan, Rio de Janeiro, 1982, pág.170
(*) Trabalho apresentado no Primer Encuentro Iberoamericano de
Parapsicologia , de 15 a 17 de novembro de 1996, Buenos Aires, Argrntina
A CURA POR MEIOS PARANORMAIS NO CONTEXTO MÉDICO
Ronaldo Dantas Lins Filgueira
1 CONCEITO E EVIDÊNCIAS DA CURA POR MEIOS PARANORMAIS
Para compreendermos o conceito de cura paranormal, é necessário
definirmos fenômeno paranormal. Denominamos de psi ou paranormal a todo o
fenômeno que, tendo o homem como elemento deflagrador, apresenta as seguintes
características:
a) uma modalidade de conhecimento que uma pessoa demonstra de fatos
físicos e/ou psíquicos, relativos ao passado, presente ou futuro, sem a utilização
(aparente) dos sentidos e da razão, assim como de habilidades que não resultem de
prévio aprendizado.
b) uma ação física que uma pessoa exerce sobre seres vivos e a matéria em
geral, sem a utilização de qualquer extensão ou instrumento de natureza material.
Postulamos a existência de duas funções psíquicas eferentes: a função pi e a
função tau (2).
A função pi é um mecanismo psíquico pelo qual impulsos eferentes do
organismo são inibidos. Estes podem ser de natureza endógena (secreção
glandular, impulsos eferentes para a musculatura lisa, etc.) ou exógena (atividade
motora estriada). Sem esta função inibidora estaríamos em permanente estado de
espasticidade, secreção endógena etc. A função pi seleciona as atividades efetoras
que devem ser exercidas pelo organismo.
A função pi apresenta as seguintes características:
a) Controla ou suprime a atividade eferente excitatória.
b) Age nas vias eferentes do sistema nervoso.
c) É desempenhada pelo córtex motor, gânglios da base, cerebelo,
hipotálamo e sistema límbico.
Outrossim, o sistema nervoso também possui uma tonicidade intrínseca que
deve ser bloqueada por algum mecanismo, que denominamos de função tau. Esta
função inibe a atividade efetora paranormal. Desta maneira, parece existir um
"link" entre a mente e a matéria, promovendo a produção de uma interação não
local. O bloqueio deste "link", exercido pela função tau, interrompe esta interação,
impedindo a consecução da psicocinesia.
Quando a extremidade receptora do fluxo psi energético for um organismo
vivo, poderemos observar um fenômeno de cura por meios paranormais, desde que
ocorra um "efeito psicocinético sobre o tecido ou matéria orgânica, que a ajude a
recuperar-se de doença ou lesão biológica. Se psicocinesia pode mover um objeto
ou perturbar um processo quântico, parece lógico presumir que seja capaz de
rearrumar células e tecidos ou apressar as capacidades regenerativas do próprio
corpo (3)".
A função de repressão tau apresenta as seguintes características:
A - É de natureza neurológica ou psíquica.
B - Impede a atualização das interações universais existentes entre o
psiquismo e o mundo físico.
C - É exercida pela própria atividade eferente, através de estruturas neurais
superiores.
Podemos definir cura por meios paranormais como uma ação física da
mente sobre os seres vivos, sem a utilização de qualquer extensão ou instrumento
de natureza material, produzindo o restabelecimento da saúde a este sistema.
O Dr. Bernard Grad, do McGill University's Allem Memorial Institute, em
1916, realizou uma experiência que afasta a possibilidade da ação curativa ocorrer,
em alguns casos, por um fator sugestivo, sendo necessário acrescentar a hipótese
de um fenômeno de natureza paranormal. Nesta experiência, em que o "sujeito"
foi o coronel Oskar Estebany, utilizou-se como objeto experimental um conjunto
de camundongos. Deste foram retirados (com anestesia) montes de pele, sendo
mensurados os tamanhos das feridas. As 48 fêmeas foram divididas em três
grupos; o primeiro sofreu a ação do coronel. O segundo grupo foi submetido a
atuação de uma outra pessoa. Finalmente o terceiro grupo, foi aquecido a uma
temperatura análoga a que foi submetido os camundongos dos outros dois grupos.
As feridas eram medidas de 20 em 20 dias. Observou-se que as feridas dos animais
submetidos a ação do curandeiro são muito menores do que as apresentadas pelos
outros grupos (4).
Inúmeras experiências foram realizadas, por este e por outros
pesquisadores bem como com outros paranormais, que levaram a conclusão que
parece existir uma interação curandeiro-ser vivo, de natureza paranormal.
2 CIRURGIAS PSÍQUICAS
Curandeiros que se utilizam de instrumentos materiais, ou das próprias
mãos, praticam sugestão dramatizada. Por se utilizarem de objetos cortantes para
realizarem suas cirurgias, a expressão "cirurgião psíquico" é inadequada. Caso
fossem paranormais, promoveriam a extração de tumores, corpos estranhos,
cálculos, etc., através de metafanismo, sem que fosse necessária a realização de
incisões (5).
O material retirado é víscera de animal, cabelo, sangue não-humano, entre
outros, demonstrando a natureza fraudulenta da maioria destas intervenções.
Comumente estas cirurgias limitam-se a lesões superficiais e apresentam uma
técnica primitiva.
Três elementos são geralmente indicados como demonstrativos da natureza
paranormal destas intervenções: ausência de dor, ausência de infecção e
hemostasia.
A dor nem sempre está ausente e, quando isto ocorre, podemos interpretar
como um efeito de natureza hipnótica. A hipnose pode ser compreendida como um
estado emocional intensificado, sendo do tipo trofotropa (emoção tranqüilizadora,
calmante) ou ergotropa (emoção desestabilizadora, irritante). As sugestões
hipnóticas podem ser implícitas. Assim, o desejo, a crença em curar-se mediante o
toque ou a presença do curandeiro, é fator suficiente para mobilizar o organismo
no sentido da cura.
Quanto a ausência de infecção pós-cirúrgica podemos argumentar que o
sistema imunológico tem sua atividade exacerbada por influência do psiquismo,
podendo desta maneira debelar ou diminuir a disseminação da infecção. As
"cirurgias psíquicas" são comumente potencialmente contaminadas (risco de
infecção de 10%) e contaminadas (risco de 20%). A informação de que não ocorre
a prescrição de antibióticos é falsa. Além disto é conhecido o fato de que não
devemos utilizar antibioticoterapia profilática em feridas potencialmente
contaminadas, que é o caso de grande parte das intervenções deste tipo.
A tudo isto, acrescentamos que a maioria das complicações pós-cirúrgicas
só ocorrem dias após a intervenções, sendo necessário um acompanhamento
minucioso do paciente após o mesmo ter alta, durante vários dias, para podermos
garantir a ausência de complicações. Este é um problema bastante comum,
comumente esquecido também pela medicina acadêmica.
Finalmente, lembremos que as feridas podem cicatrizar-se por segunda
intenção, onde não é realizada a sutura, deixando-se a ferida aberta. Neste caso, há
uma intensificação da epitelização e contração da ferida, bem como, apresenta
uma maior resistência a instalação de infecção (6).
As "cirurgias psíquicas" cicatrizam-se por segunda intenção e, desta
maneira, são menos propensas a sofrerem infecções.
Por sua vez, a hemostasia pode ser obtida por processos hipnóticos, em que
a ação do psiquismo promove uma vasoconstricção diferenciada, impedindo desta
maneira a hemorragia?. Assim, a presença de hemostasia também não é um
indício contundente da natureza paranormal do fenômeno.
Concluímos, assim, que as chamadas "cirurgias psíquicas" não são de
natureza paranormal, além de apresentarem resultados muito inferiores ao da
medicina tradicional.
3. ABORDAGEM MÉDICO-LEGAL
Qualquer pessoa pode dedicar-se a uma profissão, desde que tenha obtido
capacidade e habilidade legal para exercê-la (8).
A profissão médica no Brasil é regulada pelo Decreto nº 20.931, de 11 de
janeiro de 1932, ainda em vigor, que exige uma habilitação profissional e outra
legal. Essa é obtida nas Universidades, através dos currículos das escolas médicas
reconhecidas; esta, pela posse e registro de título idôneo no Conselho Regional de
Medicina correspondente.
As pessoas não-formadas em Medicina não podem exercer a profissão
médica, salvo em situações inadiáveis e imprescindíveis, que o estado de
necessidade reconhece como lícito. O que se tenta impedir é a ameaça da saúde
pública por indivíduos não qualificados.
O Código Penal pune, com detenção de no máximo dois anos, e o pagamento
de cinco a quinze dias-multa se praticado com fim lucrativo, o indivíduo que
"exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, de dentista ou de
farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites".
O charlatanismo pode ser entendido como cura inculcada ou anunciada,
através de meios infalíveis e secretos, de tratamento simulado, diagnóstico e
prognóstico falhos, ou curas sensacionais e extraordinárias.
Entendemos que o charlatanismo é privativo dos médicos.
Inculcar significa aconselhar, recomendar, elogiar, apregoar, enquanto
anunciar é a maneira de divulgar e divulgar e disseminar por qualquer meio
(rádio, televisão, jornais, etc.). Não se faz necessário a habitualidade nem a
factualidade, bastando a possibilidade de enganar.
O Decreto Lei nº 4.l13, de 14 de janeiro de 1942, em seu artigo lº, disciplina
a propaganda dos médicos, dentistas e farmacêuticos, proibindo que seja
anunciada cura de doenças atualmente sem tratamento adequado pela ciência
oficial.
O médico não pode anunciar atendimento gratuito, pois que caracteriza
uma pseudo-caridade, com a finalidade de obter clientela.
O curandeirismo, por sua vez, também é um crime de perigo abstrato,
bastando que haja risco, para caracterizá-lo, mesmo sem a concreta produção de
dano ao indivíduo. Não são usados procedimentos médicos mas informações
empíricas e condutas que suponham o sobrenatural. José Duarte (9) comenta: "É,
pois, uma prevenção moral e higiênica porque, muitas vezes, as bruxarias, os
sortilégios, a magia negra e práticas semelhantes produzem nos espíritos fracos
impressões nocivas que perturbam a própria mente e comprometem a saúde. São,
às vezes, pequenas fraudes, mistificações ridículas, revestindo um caráter
aparentemente inofensivo, sem visos de chantagem. Mas contêm a ameaça de um
grande perigo, dada a influência que exercem na gente inculta, simplória e
crédula".
O curandeiro, não tendo capacitação nem habilitação legal, exerce suas
atividades de pretensas curas, que podem se enquadrar em um dos grupos
seguintes:
a) prescrever, ministrar ou aplicar habitualmente qualquer substância;
b) usar gestos, palavras ou qualquer outro meio (benzeduras, rezas,etc.);
c) realização de diagnóstico.
Observamos que a habitualidade é um fator necessário para a
caracterização deste crime. Quando ocorrer mediante pagamento, a penalidade é
maior. Entretanto, é importante destacarmos que muitos curandeiros utilizam-se
de meios indiretos de ganho, seja através de recebimento de presentes, muitos de
alto valor, seja através de uma rede comercial constituída de farmácias, hotéis,
etc., montados na região, comumente por familiares que, indiretamente,
promovem uma confluência de riquezas para o curandeiro.
Há quem defenda a legalização do curandeirismo, como o professor de
Direito e Promotor Público Djalma Gabriel Barreto, baseado na possibilidade de
ocorrência da interação mente-organismo vivo e, conseqüentemente, o retorno a
condição de hígido. Admite seu exercício, desde que acompanhado por profissional
médico (10). Esta é uma questão bastante polêmica, merecendo por parte de todo o
médico, uma reflexão profunda para que não ocorra agressão, prejuízo da
população.
A "cirurgia psíquica", já comentada anteriormente, requer uma maior
atenção, haja vista que:
a) apresentam técnica primitivas;
b) não é feito um acompanhamento adequado das complicações pós-
cirúrgicas;
c) não são realmente psíquicas, já que se utilizam de instrumentos
materiais;
d) colocam em risco a integridade física, e até mesmo psíquica, do paciente;
e) apresentam resultados muito aquém da medicina tradicional;
f) não possuem nenhum embasamento de natureza científica.
Como vemos, este é um campo altamente complexo, necessitando de
bastante cuidado e precauções na sua abordagem.
4. CONCLUSÃO
A ciência sendo incapaz de lidar diretamente com a realidade, busca a
elaboração de representações, de modelos, que mais fielmente explicitem a
dinâmica dos fenômenos da natureza. Dentro de sua metodologia, procura
trabalhar com modelos mais simples, com a menor quantidade de suposições
possíveis.
A mente humana parece possuir o potencial de agir sobre o seu próprio
organismo, bem como, sobre objetos externos. Através de sugestões, de uma crença
em determinado fato, somos capazes de mobilizar reservas internas que
incrementam nossas defesas contra agentes agressores; além disto, podemos
provocar alterações fisiológicas que permitem o desaparecimento ou diminuição
das sensações nociceptivas e a produção de hemostasia. Todos estes fenômenos
favorecem o restabelecimento da saúde, sem que se faça necessária a utilização de
hipóteses mais complexas.
Em alguns casos, a ação do psiquismo sobre o próprio organismo do
indivíduo não é suficiente para explicar o conjunto de fenômenos observados,
sendo necessário acrescentarmos a hipótese do fenômeno paranormal. É o que
ocorre, por exemplo, na ação de curandeiros sobre animais e plantas, que
teoricamente não são sugestionáveis.
É importante, também, que destaquemos o aspecto do exercício legal da
profissão médica, tanto no que se refere a capacitação como ao registro em órgão
oficial de regulamentação do exercício da Medicina.
A prática do curandeirismo, principalmente no caso das chamadas
"cirurgias psíquicas", deve ser desestimulado, pelo risco que envolve e por um
resultado inferior, ou no máximo igual, ao das terapêuticas convencionais.
BIBLIOGRAFIA
(1) BORGES, Valter da Rosa e CARUSO, lvo Cyro. "Parapsicologia: um novo
Modelo (e outras teses)", Recife, Instituto Pernambucano de Pesquisas
Psicobiofísicas, 1986.
(2) FILGUEIRA, Ronaldo Dantas Lins. "Cura por meios paranormais: realidade
ou
fantasia?". Recife, Associação Pernambucana dos Parapsicólogos, 1995.
(3) ROGO, D. Scott. "A mente e a matéria", São Paulo, IBRASA, 1992.
(4) MEEK, George W. "As curas paranormais - como se processam", São Paulo, O
Pensamento, 1990.
(5) BORGES, Valter da Rosa. "Manual de parapsicologia", Recife, Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, 1992.
(6) GOLDENBERG, Saul e BEVILACQUA, Ruy G. "Bases da cirurgia", São
Paulo, EPU, 1981.
(7) ANDRADE, Osmard. "Manual de Hipnose médica e odontológica", Rio de
Janeiro, Livraria Atheneu, 1979.
(8) FRANÇA, Genival Veloso de. "Medicina Legal", Rio de Janeiro, Guanabara
Koogan, 1995.
(9) DUARTE, José. "Comentários à Lei das Contravenções Penais", Rio de
Janeiro FORENSE, 1944.
(10) QUEVEDO, Oscar G. "O poder da mente na cura e na doença", Edições
Loyola, São Paulo, 1992.
PARANORMALIDADE: EVOLUÇÃO OU PATOLOGIA ?
Ronaldo Dantas Lins
INTRODUÇÃO
A abordagem que iremos realizar não tem como fim fornecer
soluções mas, antes, fazer-nos refletir sobre inúmeras interrogações
que envolvem a fenomenologia paranormal.
Será que a paranormalidade é comum a todos os indivíduos ou
apenas alguns a teriam? Será que todos os homens são
potencialmente paranormais e apenas alguns, devido a fatores
ambientais ou orgânicos, atualizariam esta capacidade latente?
Alguns vêm a paranormalidade como uma obtenção do ser que
evolui devido a uma modificação cada vez mais acentuada do
sistema nervoso. No caso de ser realmente decorrente de um
processo evolutivo, este será de natureza telefinalista? Qual seja,
existirá o homem, o paranormal padrão, apriorístico, para o qual
todos nós tendemos? Ou este, simplesmente, vai formando-se com
as experiências do homem, sendo a posteriori?
Há aqueles que defendem a idéia de que a paranormalidade
produz em muitas pessoas a alienação, a loucura, ou seja, é fonte
para a produção de distúrbios mentais, enquanto outros chegam
mesmo a dizer que a paranormalidade é, em si, um estado
patológico.
Inúmeras hipóteses têm surgido para responderem a estas
indagações, hipóteses estas, que serão aqui analisadas com a
finalidade de, ao menos, termos uma visão de conjunto e através de
nossas elucubrações, buscarmos uma melhor compreensão do
imenso e obscuro campo da paranormalidade.
DA NATUREZA DO FENÔMENO PARANORMAL
De imediato, o parapsicólogo se vê ante um grande problema:
o de conhecer a verdadeira natureza do fenômeno paranormal.
Fundamentalmente temos duas hipóteses: a de que o
fenômeno paranormal seja de origem física (orgânica) ou que seja de
origem extrafísica (não orgânica).
Muitos pesquisadores alegam que vários fatores parecem
concorrer para a hipótese organicista, quais sejam:
1. A constatação de que a utilização de determinadas
substâncias podem inibir (como o amital sódico) ou estimular (como
o álcool, cafeína, ácido ascórbico) a produção do fenômeno
paranormal.
2. A má condição de saúde parece inibir, na maioria das vezes,
a deflagração do fenômeno psi.
3. Conforme o Dr. Sergeyev, o aumento da atividade magnética
nos astros vizinhos, bem como, no próprio campo magnético da
Terra, parecem facilitar a ocorrência do fenômeno paranormal.
4. Parecem existir indícios, entretanto, ainda fracos, de que os
fenômenos paranormais sejam hereditários.
5. Na obra "A Morte Não é o Fim" de Horace Leaf, o autor
menciona que pôde constatar em si , o fato de que a sua
clarividência era melhor em regiões de alta quantidade de
eletricidade estática existente na atmosfera.
6. Os parapsicólogos russos puderam verificar que a
ocorrência de mau tempo implicaria em declínio do fenômeno
paranormal.
7. Dificuldades na produção de determinados fenômenos psi,
notadamente de psi-gama, em locais de alta densidade demográfica.
Em verdade, os dois últimos itens referentes ao mau tempo e a
densidade demográfica não apontam tão fortemente para a hipótese
organicista, pois, estes fatores influem psicologicamente no
indivíduo, embora tendo repercussão orgânica.
A hipótese extra-física baseia-se principalmente nos seguintes
itens, que são observados nos fenômenos de psi-gama.
1. Obstáculos físicos não afetam a ocorrência do fenômeno
paranormal.
2. Observou-se em experiências que a gaiola de Faraday não
impedia a migração de informações de natureza paranormal, não
podendo ser, desta forma, uma onda eletromagnética.
3. O psi-gama parece não obedecer ao princípio do inverso do
quadrado da distância.
A hipótese organicista parece ser possuidora de uma maior
fundamentação científica, haja vista, de início, a dificuldade de
apreender o que vem a ser algo extrafísico, por já termos nós,
dificuldade em conceituar o que vem a ser algo físico.
Refletindo um pouco sobre os fatores indicados como
fortalecedores da hipótese extrafísica, temos que:
As ondas hertzianas propagam-se no espaço e os obstáculos
materiais não impedem sua propagação, podendo o fenômeno psi,
por conseguinte, ser produzido por uma onda eletromagnética.
Entretanto, argumentam os defensores desta hipótese, que a gaiola
de Faraday é uma barreira intransponível para esse tipo de onda e
que, em experiências de laboratório, constatou-se que o paranormal,
embora estando no interior do dito aparelho, poderia receber ou
emitir comunicações paranormais sem impedimento algum. No
entanto, é do conhecimento dos físicos atuais que as ondas
eletromagnéticas de grande comprimento conseguem atravessar a
gaiola de Faraday. Não seria o fenômeno psi, ao menos o de psi-
gama, produzido por uma onda eletromagnética de grande
comprimento?
Quanto a contrariar o princípio do inverso do quadrado das
distâncias, pode-se contra-argumentar que os experimentos
conhecidos, ocorreram, talvez, a pequenas distâncias, em detrimento
da altíssima velocidade de propagação da referida onda.
Posto tudo isso, vejamos mais detalhadamente as hipóteses
existentes, para tentar apreender a natureza do fenômeno
paranormal.
HIPÓTESE DA EVOLUÇÃO
Por muito tempo vigorou no pensamento humano a idéia
fixista, segundo a qual o número das espécies é sempre o mesmo;
contrapondo-se a esta maneira de pensar surgiu a noção de que os
seres vivos se modificam através dos tempos, explicando a grande
diversidade dos seres viventes e questionando sobre o modo pelo
qual esta evolução ocorreria.
O biólogo francês Jean Lamarck, em 1809, publicou sua obra
"Philosophie Zoologique", onde apresentou suas idéias sobre o
fenômeno da evolução. Como base para a formulação de sua
hipótese, Lamarck afirmava que uma mudança no meio ambiente
acarretaria por parte do ser vivo uma necessária modificação para se
adequar a esta mudança. Fundamentado neste pensamento e em
suas observações, o biólogo francês elaborou uma teoria
evolucionista cujos pilares são, primordialmente, os seguintes:
1. Lei do uso e desuso, pelo qual parte de um organismo tende
a se atrofiar ou a se hipertrofiar de acordo com o seu grau de
utilização.
2. Lei da herança dos caracteres adquiridos, que consiste na
transmissão aos descendentes daquelas características que pelo
uso ou desuso vieram a ser obtidas.
A experiência trouxe ao homem elementos que derrubaram o
segundo princípio bem como, pesquisas realizadas por Charles
Darwin levaram-no a elaboração de uma nova teoria evolucionista,
que consistiu basicamente no seguinte:
1 - A população dos organismos tende a aumentar em
progressão geométrica.
2 - Apesar disso, o número de indivíduos de uma mesma
espécie permanece constante a cada geração.
3 - Em vista dos itens 1 e 2, conclui-se que deve haver
competição entre os indivíduos.
4 - Os indivíduos de uma mesma espécie possuem diferenças
entre si, diferenças estas que podem ser herdadas.
5 - Variações favoráveis são preservadas e as desfavoráveis
são destruídas (Seleção Natural).
Teríamos assim, segundo Darwin, que os seres vivos
passariam por um processo de seleção natural, o qual diferenciaria
determinados indivíduos, por possuírem caracteres que os permitam
ter uma maior estabilidade estrutural e/ou funcional, em detrimento
de outros. Estas qualidades específicas seriam transmitidas através
dos genes aos seus descendentes, fazendo com que, em um certo
intervalo de tempo,tornem-se elementos caracterizados da espécie e
não apenas um mero acidente.
Pesquisadores evolucionistas postulam que a espécie humana
segue um processo de transformação, notadamente, no sistema
nervoso, que a levaria a uma maior ampliação no campo de atuação
do mesmo.
No decorrer de sua existência o homem estaria passando por
um processo de refinamento dos sentidos, proposto pelo meio e por
algumas necessidades individuais que aprimorariam os órgãos
responsáveis pela receptividade das transformações ou estímulos
do meio e de si próprio. Esta transformação provocaria o surgimento
de faculdades que são conhecidas como paranormais.
É de opinião de alguns parapsicólogos que a função psi seria
conseqüência de uma evolução biológica do homem, que vem se
desenvolvendo gradativamente e que chegará a plenitude de suas
potencialidades com um maior desenvolvimento do homem num
futuro desconhecido. Estabelecem um esquema, à luz da
Antropologia Cultural, que mostra o processo evolutivo do homem
através de uma seqüência de tipos, tendo assim: o homem biológico,
o homem gregário, o homem pré-civilizado, o homem teológico, o
homem racional, o homem metafísico, o homem positivo da era
científica e o homem psicológico da era tecnológica. Teríamos,
seguindo este esquema, o surgimento de um novo homem, que
alguns denominam homem psi que, em razão de possuir faculdades
outras, alcançaria uma condição de maior relevo em relação aos
tipos anteriores.
Em tempos modernos a ênfase à questão, cujas fronteiras
assumem uma postura de superioridade da criatura humana em sua
totalidade, é a variante de uma necessidade de auto-conhecimento e,
conseqüentemente, auto-desenvolvimento. Esses elementos
parecem ser indícios do surgimento do homem psi.
A filtragem dos sentidos do homem vem eliminando de sua
existência funções desnecessárias à sua condição atual, ao mesmo
tempo em que esta condição lhe força um desenvolvimento de
outras potencialidades ou a abertura de novas fronteiras já
existentes, em substituição à parte privada.
John Murphy em seu livro "Origem e História das Religiões"
afirma que " o desenvolvimento das faculdades paranormais seguem
o ritmo da civilização".
Esta descoberta da mente humana à percepção extra-sensorial
só se efetiva quando o conjunto de fatores do meio ambiente permite
a concretização de tal fato.
A hipótese evolucionista tem suas bases abaladas pelas leis
da probabilidade e pelo Princípio de Carnot-Clausius ou Segundo
Princípio da Termodinâmica. Conforme este princípio, os sistemas
tendem a aumentar a sua entropia, ou seja, o seu estado de
desordem. O fenômeno vida denota uma alta organização sofrendo,
segundo os evolucionistas, um processo de aprimoramento. Isto se
insurge diretamente contra as leis ora aludidas.
Como um subconjunto da teoria geral da evolução, temos esta
aplicada a paranormalidade, que vê essa como um processo de
especialização das faculdades humanas com a concomitante
sensibilização do sistema nervoso.
HIPÓTESE DA FACULDADE ANCESTRAL (INVOLUÇÃO)
Não se trataria propriamente de uma hipótese à parte, mas de
uma variante da hipótese evolucionista, apenas, seguindo uma
direção deferente daquela.
Aqueles que defendem a hipótese da Faculdade Ancestral
entendem que a faculdade paranormal já foi de extrema importância,
num passado longínquo, à sobrevivência da espécie humana,
atrofiando-se, desde então, rumo a mais completa extinção pelo seu
desuso, de acordo com o primeiro princípio lamarckiano. Os adeptos
da hipótese da Faculdade Ancestral se baseiam principalmente no
que diz respeito ao "senso de orientação" e em determinadas
maneiras de intercâmbio de informações em algumas espécies
humanas.
De acordo com algumas experiências realizadas com o
homem, encontrou-se indícios da existência de um "senso
orientador" espacial inerente à criatura humana, visto que tais
indivíduos, quando vendados os olhos e encaminhados a lugares
desconhecidos, encontraram, sem auxílio, o caminho de volta.
Neste caso teríamos uma possível utilização do fenômeno
paranormal em épocas remotas, que serviria como uma maneira de
orientação nos ambientes desprovidos de referenciais. Entre esses
podemos citar florestas, interior de labirintos e desertos, que
constituíam o habitat do homem primitivo.
Em relação a determinadas comunicações existentes no reino
animal, têm-se observado, em alguns casos, a efetivação de
fenômenos desta natureza. Em experiência realizada com uma
coelha, logo após esta ter dado cria, tiraram-lhe os filhotes e
sacrificaram-nos pari passu, notando-se, simultaneamente,
alterações nos registros eletroencefálicos da genitora, como se esta
vivenciasse o sofrimento de sua prole. Mas, recentemente,
comunicações desta natureza têm sido observadas também no reino
vegetal, sendo bom ressaltar sua ocorrência não só entre vegetais
da mesma espécie como também entre espécies distintas, como foi
observado na experiência realizada por Backster, em que se
observou alterações no registro de um polígrafo, que estava
acoplado a um vegetal pluricelular, no instante em que um caldo de
bactérias sofria a intervenção de água fervente, alteração esta que se
assemelhava a de um indivíduo que estivesse tendo sensações de
dor. Além dessa, realizou outras experiências, nas quais constatou a
existência de uma interação semelhante a relatada, desta feita entre
o homem e o vegetal.
É necessário, entretanto, deixar bem claro que podemos
contrapor, neste caso, a existência da hiperestesia.
Devemos ter cuidado ao penetrarmos em terreno difícil como
este. A An-Psi e a Filo-Psi (produção de fenômenos paranormais nos
animais e nas plantas, respectivamente) são hipóteses um pouco
audaciosas porque se já a psi humana é complexa e difícil de
trabalhar, permanecendo ainda com a maior parte de seu território
encoberta, imagine-se o que dizer da psi animal ou vegetal.
HIPÓTESE DA CATÁSTROFE
O filósofo Platão acreditava que a perfeição era um estado
latente do homem, ou seja, que este guardaria dentro de si a
plenitude outrora vivenciada. Assim, não haveria, em realidade, um
processo evolutivo, no sentido de aparecimento de qualidades antes
não possuídas pelo homem porque estas ele já as teriam em
potencial. Teríamos assim, o telefinalismo aristotélico, em que
existiria , a priori, um homem padrão, para o qual tenderia o homem
atual. Em assim ocorrendo, que fatores produziram o
encrudescimento destas suas potencialidades? Não estaria incluída
nestas potencialidades a faculdade paranormal?
A esta última interrogação alguns respondem defendendo a
idéia de que o homem, originalmente, possuía, em estado de
exteriorização, todas as faculdades paranormais e que, devido a uma
mudança de natureza ambiental, com reflexo no indivíduo, ocorreu
um embotamento das mesmas, porém, o homem permaneceu com
estas qualidades em estado de latência. Fatores outros estariam
como que provocando um processo de desobstrução, com o
conseqüente ressurgimento destas faculdades. Assim sendo,
teríamos que esta hipótese seria uma maneira de explicar o
processo de diferenciação dos seres para atingir um estado otimal
como na teoria da evolução, com a diferença básica de que, naquela,
o ser é a posteriori.
HIPÓTESE DA PATOLOGIA
Para falar-se em patologia, faz-se necessário definir
claramente o que vem a ser normalidade.
Algumas pessoas pregam uma normalidade mediana, ou de
natureza puramente sócio-cultural, confundindo objeto com suas
indexações. Desta feita, seria normal aquele que possuísse um
comportamento comum, demonstrado pela maioria das pessoas em
um determinado contexto. Finalmente, é ele normal? A idéia de
normal como média nos leva a esta bipolaridade e a conseqüentes
contradições. Se em uma determinada cidade faltasse energia, os
aparelhos de televisão deixariam de funcionar; assim, seria comum o
fato de que aparelhos de televisão não produziriam som nem
imagem, logo um televisor que assim se comportasse seria
considerado normal.
Todos sabem que a maioria das pessoas, se não todas, é
possuidora de alguma enfermidade, notadamente, devido à poluição,
bem como as próprias interações sociais inadequadas que
produziriam transtornos psíquicos; fundamentado neste conceito de
normalidade, qual seja, é normal todo aquele que se confunde com a
média dos indivíduos semelhantes a si, chegaríamos a conclusão
que a saúde é uma anormalidade, que seria normal, tão somente, o
estado de doença.
Estas e outras elucubrações nos levam a rever o conceito de
normalidade como é hoje vulgarmente divulgado e, em refletindo
sobre ele, buscar efetivamente uma idéia mais condizente e menos
contraditória que a exposta anteriormente. Devemos, nos casos
adequados, buscar uma idéia em que o critério seja qualitativo e não
quantitativo; isto nos leva a pensar num funcionamento adequado
em cada situação concreta e variável que se apresente. Utilizamos a
definição exposta pelo Prof. Lamartine de Holanda Júnior, num
trabalho apresentado no 2º Congresso Católico Brasileiro de
Medicina, em São Paulo, no ano de 1967, em que: " Normal é aquilo
que é e ESTÁ SENDO , estrutural e funcionalmente de acordo com
seus fins próximos (por exemplo, o fígado estar do lado direito do
corpo, participando de sua função metabólica, etc. ) em harmonia
com seus fins mais altos e últimos (no caso do fígado, a saúde do
organismo).
É até certo ponto fácil detectar os fins próximos do homem,
através de observações, de cogitações; mas qual será o seu fim
último? Saímos aí, indiscutivelmente, do campo científico e caímos
no campo filosófico. Entretanto, podemos apreender o homem
normal como sendo aquele possuidor de experiências e de um
funcionalismo estrutural que lhe permita ter o máximo de liberdade
para obter constantemente uma Vivência Coerente de uma
Cosmovisão adequada ".
Afora o uso inadequado do termo normal, visto este como
uma média, alguns defensores da hipótese patológica, que vêm a
paranormalidade como uma doença, utilizam o argumento de que
observam nos indivíduos paranormais elementos de natureza
patológica. É necessário, entretanto, deixar clara a idéia de
fenomenologia como sendo um conjunto em si e o indivíduo como
possuidor ou não de elementos pertencentes a estes conjuntos.
Temos na fenomenologia psíquica, basicamente, fenômenos
de três ordens: os psicológicos ( aprendizagem, percepção,
raciocínio, criatividade, etc. ), os paranormais ( telepatia,
clarividência e telecinesia ) e os patológicos ( alucinações, delírios,
etc ). Estes conjuntos de fenômenos são por sua própria essência
disjuntos dois a dois. Um mesmo indivíduo, entretanto, pode
apresentar fenômenos pertencentes apenas ao conjunto dos
fenômenos psicológicos, bem como, deste e fenômenos
paranormais e/ou patológicos.
Teremos assim que alguns paranormais possuem elementos
patológicos, entretanto, isto não nos faculta desprezar o restante
dos indivíduos paranormais que não se interseccionam com o
conjunto dos indivíduos patológicos. Agindo assim, cometeríamos
erro análogo ao do anatomista e neurologista Jean Martin Charcot,
que chegou a conclusão de ser a hipnose característica dos
histéricos (nomenclatura psicopatológica antiga), devido a ter
utilizado, como afirma Bachet, uma amostra não representativa.
Além disto, algumas observações feitas pelo Profº Osmard
Andrade Faria em sua obra PARAPSICOLOGIA - Panorama Atual das
Funções Psi, levaram-no a concluir que quanto mais saudável
mentalmente for o agente paranormal, mais intensamente se
processa a Função Psi, onde o equilíbrio psicológico dá uma maior
margem de segurança e solidez aos indivíduos que,
conseqüentemente, não teria bloqueios em relação ao uso de suas
faculdades.
Quando determinado fenômeno apresenta pelo homem tem
inerente suas características e qualidades na condição humana,
biológica, fisiológica e psíquica, para manifestar-se, sem que para
isso suponha-se a intervenção de agentes ou forças estranhas à
natureza, chamamo-lo de paranormal.
Dentro de tal horizonte. o da naturalidade, estaria a Função
Psi, visto que o fato de não ser uma função habitual do homem de
hoje, não quer dizer que esta extrapole os limites de sua
potencialidade.
CONCLUSÃO
Faz-se mister notar que o tema aqui discutido parece tocar de
perto a filosofia, por assemelhar-se ao questionamento da existência
do paranormal. Entretanto, é necessário ficar claro que não é a
essência do fenômeno paranormal que se discute, não é a sua causa
última; trata-se, sim, de uma análise de um conjunto de fatos, até
agora observados, e da enumeração de hipóteses que procuram
adequar-se a estes fatos. Esta extrapolação faz-se necessária para
que possamos melhor apreender e , ao menos, dentro de
determinados limites, inferir e procurar controlar os fenômenos psi.
O caminho que deveremos seguir no emaranhado destas
variáveis, só o futuro o dirá. Cabe a cada um de nós refletirmos
sobre o que foi exposto, em busca de respostas e, nesta busca, é
certo, surgirão inúmeras indagações.
Essa preocupação com referência aos fenômenos psi não é
recente. As questões relacionadas com a natureza do fenômeno
paranormal têm intrigado aos pesquisadores deste campo e várias
hipóteses, como vimos, têm surgido.
Devemos refletir sobre as hipóteses existentes e verificar ou
não suas viabilidades, analisando os aspectos prós e contra de cada
uma, bem como, procurar melhores modelos.
PARAPSICOLOGIA E HIPNOSE
Ronaldo Dantas Lins Filgueira
INTRODUÇÃO
A estrutura e dinâmica da mente são os componentes de um
campo fértil de investigação para aqueles que a ela se dedicam,
podendo a mente ser analisada sob variados aspectos, dando origem
a diversos ramos do conhecimento, entre os quais se encontram a
Parapsicologia e a Hipnologia. Desde as suas origens, tanto uma
como a outra, vêm sendo alvo de inúmeras controvérsias, tabus, e
preconceitos, por aqueles que, desconhecendo a verdadeira natureza
destes campos de estudos, os confundem com práticas e
desenvolvimentos teóricos que a eles não pertencem, bem como, por
parte daqueles que, por não possuírem uma formação cientifica, não
discernem corretamente o que pertence ao campo da ciência,
filosofia ou religião, aventurando-se nesses estudos, tentando
impor-lhes suas concepções, desvirtuando, assim, as características
fundamentais que lhes são pertinentes.
A abordagem, aqui, desenvolvida tem como finalidade delinear
quando um fenômeno é de natureza paranormal ou hipnótico, assim
como evidenciar os aspectos comuns a estes dois grupos
fenomelógicos, permitindo uma melhor compreensão e controle
destes processos.
Uma primeira questão pode ser levantada em decorrência do
próprio título deste trabalho: para que um parapsicólogo deve saber
hipnose?
A resposta a esta e outras indagações, tentaremos obter ao
longo de nossa análise, procurando enfatizar alguns aspectos que
poderão nos levar a uma formulação mais adequada dos fenômenos
em estudo.
O QUE É PARAPSICOLOGIA E O QUE É HIPNOSE
Antigamente, o fenômeno paranormal era definido como o
evento de natureza física, biológica ou psicológica ainda não
explicáveis pelas ciências em geral(1), ou, como um fenômeno cujo
mecanismo é desconhecido pela ciência em seu atual estágio de
desenvolvimento(2); a Parapsicologia, por sua vez, seria a ciência
que estudaria os fenômenos paranormais.
Como vemos, esta definição torna efêmera a existência da
Parapsicologia; ela falha, basicamente em dois pontos importantes:
a) é uma definição negativa e estas devem ser evitadas,
preferindo-se as que são afirmativas.
b) quando um fenômeno de mecanismo desconhecido passasse
a ser compreendido, este sairia do rol dos fenômenos paranormais
e, assim, seria de se esperar que a Parapsicologia fosse absorvida
pelas demais ciências.
Por isso, este conceito foi alterado e substituído por outro que
é afirmativo e demarca, claramente, o campo de ação da ciência do
paranormal.
“De maneira sintética, podemos denominar de paranormal ou
psi todo o fenômeno que, tendo o homem como seu provável
epicentro, apresenta as seguintes características:
1.Uma modalidade de conhecimento que uma pessoa
demonstra de fatos físicos e/ou psíquicos, relativos ao passado,
presente ou futuro, sem a utilização (aparente) dos sentidos e da
razão, assim como de habilidade que não resultem de prévio
aprendizado.
2.Uma ação física que uma pessoa exerce sobre seres vivos e a
matéria em geral, sem a utilização de qualquer extensão ou
instrumento de natureza material.
Parapsicologia é a ciência que tem por objetivo o estudo e a
pesquisa do fenômeno paranormal.”(3)
A mente, entretanto, também é objeto de estudo de outras
ciências, por isso, faz-se necessário delimitar, precisamente, as
fronteiras das ciências psíquicas, o Prof. Valter da Rosa Borges
propôs a seguinte demarcação:
Psicologia: estuda os fenômenos comuns da mente
humana.
Psiquiatria: estuda os fenômenos patológicos da mente
humana.
Parapsicologia: estuda os fenômenos incomuns da
mente humana.
Posto isso, qual o espaço ocupado pela Hipnologia ?
A Hipnologia é o ramo do conhecimento que estuda e pesquisa
os fenômenos hipnóticos, estes, por sua vez, são os obtidos quando o
indivíduo se encontra em estado emocional intensificado, ou seja,
hipnose é o mesmo que emoção.
Como as emoções são leves, médias ou profundas, os estados
hipnóticos também são leves, médios ou profundos.
Do mesmo modo, há duas formas de estados emocionais:
emoção alteradora (pavor, raiva), com predomínio do sistema
nervoso simpático (controlado pela zona ergotropa de Hess) e
emoção estabilizadora (calma, tranqüilidade), com predomínio do
sistema nervoso parassimpático (controlado pela zona trofotropa de
Hess). A estas formas correspondem os estados hipnóticos
ergotropa e trofotropa. Assim, as pessoas, de um modo geral, são
hipnotizáveis e hipnotizadoras, haja vista serem emocionáveis e
induzirem emoções.(4)
Faz-se necessário destacar que hipnose não é sono.
Experiências realizadas com pessoas sob hipnose, utilizando o
eletroencefalógrafo, mostram que estas não se encontram
dormindo, pois o traçado de seu eletroencefalograma é análogo ao
de uma pessoa desperta. O hipnotizado está sempre ouvindo tudo
em seu derredor, podendo intervir no processo quando achar
conveniente; o que pode ocorrer é que o indivíduo poderá esquecer
do ocorrido durante uma hipnose profunda, porém, durante o
desenvolvimento do processo, ele estava desperto.
Além disso, o hipnotizado não fica sob o domínio do
hipnotizador, revelando segredos ou fazendo o que este lhe ordenar;
em realidade, esse não fará nada que vá de encontro aos seus
programas básicos ou adquiridos que alcançaram o “status” de
básicos.
Sendo a hipnose, emoção, é fácil perceber que a
encontraremos nas mais diversas atividades humanas e, em
particular, quando da deflagração de um fenômeno paranormal.
FENÔMENOS HIPNÓTICOS QUE SIMULAM OS FENÔMENOS
PARANORMAIS
Passemos a analisar alguns fenômenos obtidos no estado
hipnótico que muito se assemelham a fenômenos paranormais
sendo, assim, importante o seu conhecimento por parte do
parapsicólogo.
1.Pseudoxenoglossia:
Xenoglossia foi o termo proposto por Richet para indicar o
fenômeno paranormal pelo qual o agente psi se expressa em idioma
que ele ignora totalmente e, às vezes, ignorada de todos os
presentes.(5)
É sabido que o indivíduo em hipnose apresenta uma
intensificação de sua capacidade mnemônica, nesta condição poderá
emergir a nível consciente o que o indivíduo viu ou ouviu tempos
atrás, mesmo sem entedê-lo, bem como do que houvera aprendido e
não mais se recordara, produzindo assim uma
pseudoxenoglossia.(6).
2. Automotismo motor (7)
Pode apresentar-se na forma de escrita, fala ou pintura
automática e exprime, basicamente, uma dissociação, podendo vir
acompanhado de aumento na velocidade e nas características do
falar, escrever ou pintar.
Segundo Anita Muhl, com o uso da escrita automática, se pode
descobrir fatos esquecidos da memória.
O automotismo motor parece ser uma manifestação de reações
representadas em algumas ocasiões, como aptidões ou tendências
artísticas e que podem, em determinadas condições, se expressarem,
simulando as formas de psi-gama conhecidas como psicografia,
psicofonia e psicopictografia; nestes fenômenos, entretanto, o
conteúdo, o nível da mensagem, ultrapassa a capacidade do agente e
no puro automatismo motor não.
3.Cura por sugestão:
A cura por meios paranormais consiste no restabelecimento
físico ou psíquico de um indivíduo, com o concurso de um agente
psi, apresentando como característica fundamental a
instantaneidade de certas curas, ou a modificação ou regressão de
processos patológicos considerados irreversíveis ou de discutível
terapêutica pela medicina atual,(8) bem como a retirada de corpo
estranho sem produzir solução de continuidade na pele.
A hipnose é usada não apenas nos transtornos funcionais tais
como nos neurológicos, hipocondríacos, etc., mas também, nas
enfermidades ditas orgânicas, que têm componente emocional,
como a síndrome ulcerosa funcional (dor abdominal, acidez,
espasmo do piloro), colite ulcerosa crônica, muitos sintomas
cardíacos (palpitações, dores precordiais), hipertensão, micções
involuntárias, impotência, ejaculação precoce, enfermidades
alérgicas, obesidade, dores de cabeça, enxaquecas, paralisias,
tremores, cegueira, surdez, 50% dos casos de epilepsia, tartamudez,
afecções dermatológicas, hemorragias, menstruações dolorosas,
irregularidade da menstruação, esterilidade psicógena (devido a
espasmo das trompas), náuseas e vômitos dos primeiros meses da
gravidez (Platonov curou 84% de 593 casos), problemas de lactância,
bem como, no pré e pós-operatório, pseudociese, eliminação do
sofrimento e favorecimento do processo de parto, produção de
anestesia (tratamento odontológico, colocação de sonda, cirurgias,
etc.).(9)
Assim, muitas das ditas curas paranormais são, em realidade,
o resultado de uma relação hipnótica estabelecida entre o suposto
agente psi e o enfermo, mesmo sem o conhecimento destes, relação
esta que ao produzir uma autohipnose no paciente, lhe faculta,
através de uma sugestão explícita, curar-se da enfermidade que o
atinge. Portanto, caso não se caracterize a instantaneidade da cura,
modificação ou regressão de patologias consideradas irreversíveis
ou de terapêutica discutível, a cura não será paranormal.
4.Hiperestesia:
Define-se como hiperestesia a exaltação da sensação, isto é, a
captação de estímulos mínimos.(10) Assim, temos hiperestesia da
linguagem corporal, visual, auditiva (hiperacusia), tátil sem contato
ou com contato (cumberlandismo), gustativa, olfativa e aparente
transposição dos sentidos.(11) Através desta exacerbação dos
sentidos o indivíduo é capaz de, por exemplo, detectar mínimos
detalhes entre as diversas cartas do baralho ESP e acertar a
seqüência de figuras do maço embaralhado, sem haver, entretanto,
produção de fenômeno paranormal.
A hiperestesia ocorre em indivíduos especialmente dotados,
em algumas patologias e em estado hipnótico.
Todos os indivíduos são mais ou menos hiperestésicos
podendo, esta capacidade, acentuar-se durante o processo hipnótico
como, por exemplo, nos relata o doutor Hereward Carrington:
“Introduzida uma pessoa numa sala na qual nunca tinha
estado, damos-lhe somente uns quatro ou cinco segundos para que
observe tudo, o mais que puder. Após sair da sala, poderá dar conta
de uns 10 ou 15 objetos. Mas se o hipnotizarmos em seguida... poderá
enumerar... mais uns 40 ou 50 objetos que estavam na sala...”(12)
Para se eliminar a possibilidade de transmissão
hiperestésica faz-se necessário o Iiolamento visual, auditivo, etc., do
transmissor em relação ao percepiente.e)
5.Dermografismo e estigmatização:(13)
Dermografismo é a formação de sinais, letras ou palavras na
epiderme do indivíduo, elaborado por um processo de irritação
cutânea.
A estigmatização é um caso particular de dermografismo,
consistindo no aparecimento de chagas sanguinolentas em
determinadas regiões do corpo (é comum entre os santos e místicos
do cristianismo).
Emoções como medo, angústia e outras atuam sobre o
organismo (como hipnose é emoção, em realidade, o indivíduo
encontra-se hipnotizado).
Os neurologistas Hacke e Tuke, Trossaint e Bartheleny,
relatam o caso de uma mãe que ao ver um portão de ferro cair no
momento em que seu filho passava nas suas proximidades, teve
medo que os pés dele houvessem sido atingidos e, no corpo dela,
surgiram marcas no local correspondente, isto é, riscas vermelhas.
Através da hipnose experimental foi obtido o dermografismo,
bem como a estigmatização, pelos doutores Bouru, Burot, Libaut e
Focacaen, entre outros.
Estes fenômenos podem vir acoplados a um fenômeno
paranormal, como por exemplo, no caso de sugerir-se mentalmente
o aparecimento de determinada palavra ou sinal, como no caso do
Dr. Osty que ,em reunião do dia 29 de outubro de 1927, sugeriu
mentalmente a senhora Olga Kahl que escrevesse em sua pele a
palavra “ROSA”, após o que surgiram em seu braço as letras R e O e
Kahl não conseguindo dar continuidade ao restante da palavra,
devido ao cansaço, afirmou que a palavra pensada por Osty era
“ROSA”.
RELAÇÕES ENTRE HIPNOSE E O FENÔMENO PARANORMAL
Algumas evidências indicam que o fator emocional (e
conseqüentemente hipnótico) está relacionado com a produção dos
fenômenos paranormais.
A observação demonstrou que a adoção de determinadas
medidas, é de fundamental importância para a deflagração dos
fenômenos paranormais, como(14).
1.O Agente Psi(AP) e os pesquisadores são solidariamente
responsáveis pelo êxito ou fracasso das experiências.
2.Não exigir do AP aquilo que ele não está habituado a
produzir ou que, por circunstâncias várias, não pode realiza-lo, de
maneira satisfatória, numa determinada sessão. Gustav Geley(15) já
observara que: “Toda indisposição, mesmo passageira, atenua ou
suprime momentaneamente suas faculdades. Tendo visto um
médium tão poderoso como Kluski, completamente paralisado por
uma coriza ou por uma dor de dente”
3.Promover um clima de bom relacionamento entre o AP e os
pesquisadores, assim como entre os próprios pesquisadores.
4.Evitar toda e qualquer forma de coação sobre o sensitivo,
exercendo sobre o mesmo uma fiscalização eficiente, mas discreta.
5.Estimular a autoconfiança do AP em suas faculdades,
mantendo elevada a sua motivação pelas pesquisas.
6.Realizar, sempre que possível, as experiências em ambiente
tranqüilo e confortável.
Como podemos perceber, o estabelecimento de um “rapport
psi”, entre o agente psi e o meio psi (destacando-se neste o
pesquisador), semelhantemente ao “rapport” na hipnose, é
fundamental para a consecução dos fenômenos paranormais.
Outras observações nos esclarecem sobre a importância do
estado emocional do agente psi.
“SOUKLAREDSK, psiquiatra, concluiu que a telepatia
espontânea resulta da grande tensão emocional, praticamente
impossível de ser conseguida em laboratório.) (16)
“SOAL e GOLONEY verificaram que os intuitivos, mais
emocionais que intelectuais, eram melhores pacientes psi”(17)
“...Pensamos que as experiências quantitativas falham com os
instáveis, porque estes são afetados pela rigidez, a monotonia, o
formalismo e a desconfiança sistemática, peculiares à
experimentação de laboratório, com o qual se ajustam melhor os
calmos. Para aqueles é preciso um ambiente emocional
favorável.”(18)
“HEREDIA achou que os estados especiais de ânimo
(inspiração poética, artística, musical, etc.) e excitantes aromáticos
em doses infinitesimais (gotas de éter, fumaça de cigarro) parecem
favorecer a ESP”.(19)
“JOHN GRELA, da Universidade de St. Laurent, notou que, sob
hipnose, os resultados eram notavelmente maiores.
AMADOU diz que a hipnose não influi nas provas quantitativa
e constitui fator importante nas qualitativas.”(20)
“Tudo parece indicar que a telepatia não é um fenômeno
comum entre todas as mentes.
Muito pelo contrário.
Há mister um sintonia psíquica entre o agente e o percepiente.
Esta sintonia resulta do grau de simpatia, afetividade ou afinidade
entre eles.
Quanto maior simpatia, melhor sintonia.”
Por isto, René Warcollier e Gilbert Murray assinalam que a
simpatia é fundamento casual do evento telepático.
Robert Amadou, a seu termo, sugeriu que a antipatia também
pode ser condição suficiente à manifestação telepática. Tal hipótese,
conquanto à primeira vista conflitante com a anterior, é no entanto,
a sua complementaridade.
É possível, ainda, que o medo favoreça o intercâmbio
psíquico.”(21)
No modelo da psicocinesia espontânea recorrente - PER
(“Poltergeist”), identificamos uma pessoa (dita epicentro),
comumente uma criança na fase da puberdade(na maioria das vezes
uma menina) ou, mais raramente, uma mulher no climatério, que é
o agente psi gerador do fenômeno. Este epicentro encontra-se sob
forte tensão emocional.
Adicionamos a todas estas observações, a constatação de que
na maioria dos casos de telepatia, o agente psi emissor encontra-se
em um estado emocional intensificado, alterador, isto é em hipnose
ergotropa, enquanto o AP receptor encontra-se em um estado
emocional estabilizador ou seja em hipnose trofotropa. (22)
CONCLUSÃO
Respondendo a indagação: Para que o parapsicólogo deve
saber hipnose? Podemos afirmar que é para:
1.Buscar através da hipnose, uma melhor compreensão dos
mecanismos do processo paranormal.
2.Verificar a possibilidade de, através da hipnose, obtermos os
fenômenos paranormais. Alguns autores afirmam que isto é possível
enquanto outros pensam o contrário, sendo, portanto, um ponto
polêmico.(23)
3.Verificamos que a hipnose favorece a deflagração do
fenômeno paranormal apenas nos AP confiáveis ou nos fronteiriços.
4.Diferenciar fenômenos paranormais, hipnóticos e
hiperestésicos, evitando assim, interpretações errôneas dos
processos fenomênicos estudados.
Ademais a observação nos permitiu levantar a hipótese de que
na interação telepática, uma das pessoas envolvidas encontra-se em
hipnose trofotropa e a outra em hipnose ergotropa. Sugerimos assim
realizar em laboratório, um experimento de telepatia em que esta
condição ocorra, comparando-se os resultados com um grupo
controle.
BIBLIOGRAFIA
1. Valter da Rosa Borges: Introdução ao Paranormal, pág. 09
2. J. B. Rhine e J. G. Pratt: Parapsicologia (fronteira científica da
mente)
3. Valter da Rosa Borges e Ivo Cyro Caruso: Parapsicologia: Um
novo modelo(e outras teses), pág. 257
4. Lamartine Hollanda Júnior e Anatol Milechnin: Cibernética
dos Estados Emocionais (hipnose moderna)
5. Ernesto Bozzano: Xenoglossia, pág. 07
6. Oscar G. Quevedo: A face Oculta da Mente, pág. 122 e 131
7. David Akstein: Hipnologia, volume 1, pág. 190 a 194
8. Valter da Rosa Borges: Introdução ao Paranormal, pág. 08
9. Lamartine Hollanda Júnior e Anatol Milechnin: Cibernética
dos Estados emocionais (hipnose moderna) pág. 167 a 176
10. Oscar G. Quevedo: A face Oculta da Mente, pág. 41
11. Valter da Rosa Borges: Introdução ao Paranormal, pág. 144
12. Hereward Carrington: A primer of Psychal Research, pág. 28
13. Valter da Rosa Borges: Introdução ao Paranormal, pág. 76 e 77
14. Valter da Rosa Borges: Introdução ao Paranormal, pág. 25 e 26
15. Gustav Gelev: La Ectoplasmia y la Clarividencia, pág. 17
16. Alberto Lyra: Parapsicologia e Inconsciente Coletivo, pág. 21
17. Alberto Lyra: Parapsicologia e Inconsciente Coletivo, pág. 11
18. Alberto Lyra: Parapsicologia e Inconsciente Coletivo, pág. 12
19. Alberto Lyra: Parapsicologia e Inconsciente Coletivo, pág. 22
20. Alberto Lyra: Parapsicologia e Inconsciente Coletivo, pág. 25
21. Valter da Rosa Borges: Introdução ao Paranormal, pág. 32
22. Ernesto Bozzano: Comunicações Mediúnicas entre vivos, pág.
110-116
23. César Lombroso: Hipnostismo e Mediunidade, pág. 69 a 118
Proposta de Atuação Emergencial para a Psicocinesia Espontânea
Recorrente – PER (*)
Isa Wanessa Rocha Lima
RESUMO
O objetivo do presente trabalho é apresentar uma proposta de atuação
emergencial, realizada através de ação conjunta de um parapsicólogo e um
psicólogo, no período de ocorrência da PER, com o intuito de ajudar o agente psi
a redirecionar a energia utilizada na deflagração dos fenômenos, reduzindo o nível
de tensão e, conseqüentemente, cessando a PER.
Tal proposta parece-nos adequada para os casos em que a PER possa
ser caracterizada como mecanismo de defesa paranormal, sendo deflagrada por
agente psi na fase de puberdade ou climatério.
A atuação visa possibilitar o agente psi contatar com formas de
harmonização, de acordo com seu tipo de caráter, fundamentado na
Bioenergética, e, usufruindo de técnicas neo-reichianas, suspender a deflagração
da PER.
Os dados necessários deverão ser obtidos através de anamnese, na qual
se estabelecerá a história psicanalítica do agente psi e se realizará sua leitura
corporal, seguidos oportunamente de aplicação de testes psicológicos. Para tanto,
é mister que o psicólogo envolvido tenha formação em terapia corporal neo-
reichiana.
Considerando os dados coletados acerca dos traços psicológicos
característicos do agente psi deflagrador da PER, aventamos a hipótese de que
seu padrão de caráter corresponde ao esquizóide, tendo suas couraças se formado
em tenra idade, referindo-se a traumas arcaicos oriundos das fases uterina e oral
e não podendo contatar com os sentimentos ameaçadores daí decorrentes, atua
através de mecanismo de defesa paranormal.
Proposta de Atuação Emergencial para a Psicocinesia Espontânea Recorrente -
PER
Partindo-se do pressuposto que a PER pode ser considerada como
mecanismo de defesa paranormal, nos casos em que tal proposta se adequar,
concordamos com Nandor Fodor quando afirmou que não via o "poltergeist"
apenas como válvula de escape de hostilidades reprimidas, mas sim como uma
representação de algo muito mais profundo e traumático
(1)
.
Evidentemente, o mecanismo de deslocamento usado pelo agente psi,
doravante chamado de AP, atende ao objetivo a que se propõe: compensar a
energia reprimida oriunda da raiva, de forma catártica, além de, como ganho
secundário, chamar a atenção do grupo familiar envolvido, como já foi largamente
explanado em outro trabalho nosso
í2)
, assim como por outros autores em
Parapsicologia. A época havíamos observado também a questão da necessidade
do AP em anunciar a aflição pela qual estaria passando, se colocarmos a PER
como uma forma de comunicação, do que não temos dúvida. Completando a
seqüência lógica, veio o questionamento acerca da ocorrência da PER na
puberdade e, em menor número, no climatério, fases opostas se vistas do
ponto de referência hormonal, mas semelhantes, quando consideramos tais
fases como recapitulações do período sexual infantil.
Rogo sabiamente afirma que "se pudermos determinar o quê
exatamente o poltergeist está tentando expressar, então seremos capazes de
vencê-lo resolvendo o conflito que forçou a liberação da PK"
( }
.
Dando continuidade à explanação psicanalítica como base para a
compreensão da PER, e enriquecendo-a com a bioenergética enquanto suporte
teórico-prático, acreditamos ter encontrado a resposta adequada ao
questionamento de Rogo.
Observando os traços psicológicos do AP deflagrador da PER, listados
nas avaliações de vários casos citados por diversos autores, tais como Ullman,
Bender, Rao, Tinoco, Palmer, Roll, Rogo, Pércia de Carvalho e outros,
verificamos que há um padrão que parece apontar para um perfil psicológico.
Dizemos que parece, porque não tivemos acesso às análises psicológicas
realizadas e sim ao amplo estudo de casos constante da bibliografia especializada.
Os traços característicos são: apresenta sentimentos de hostilidade e
frustração; postura diante da vida é passiva e submissa; ao confrontar-se com
sentimentos de agressão, tende a negá-los, evitá-los e fugir; forte sentimento de
rejeição; emprego significativo de mecanismo de defesa; infância traumática; raiva
intensa subjacente; sentimentos reprimidos de culpa e inutilidade; dificuldade em
expressar sentimentos de infelicidade e agressão; tendência à autodestruição;
carência afetiva; ansiedade; introversão; agressões projetadas sobre figuras de
autoridade; conflitos sexuais e surgimento de maturidade sexual. Em alguns,
conflitos religiosos intensos e criatividade bloqueada por sentimento de
autodesvalorização.
Sob a ótica da bioenergética, que significado têm tais dados? Alexander
Lowen, partindo dos estudos realizados por Wilhelm Reich acerca do caráter,
sendo este sinônimo de padrão fixo de comportamento acompanhado de
couraças musculares, chegou à definição de estrutura de caráter e suas nuanças,
de acordo com a fase de desenvolvimento na qual encontra-se fixado o indivíduo.
Assim, podemos ter o caráter esquizóide, oral, psicopático, masoquista e rígido ou
genital, nesta disposição, para acompanhar a fase a que se refere. Portanto, o
caráter esquizóide é oriundo de traumas que ocorreram nas fases uterina e oral,
em princípio, assim como o caráter rígido teve sua origem na fase genital.
O caráter estrutura-se a nível corporal na forma de tensões musculares, em
geral inconscientes e crônicas, chamadas por Reich de couraças, as quais
bloqueiam ou limitam os impulsos em seu trajeto até o objeto ou fonte de desejo.
A proposta de Lowen integra uma das mais destacadas psicoterapias
corporais surgidas a partir da teoria reichiana, ao lado da biossíntese, da
biodinâmica e da vegetoterapia, entre outras.
A identidade do caráter psíquico com a estrutura corporal, ou atitude
muscular correspondente, é a chave da compreensão da personalidade, vez que
nos permite ler o caráter a partir do corpo e explicar uma atitude corporal por
meio de seus representantes psíquicos e vice-versa. Ou seja, ao determinarmos a
estrutura do caráter, poderemos encarar a problemática mais profunda do
indivíduo em questão, e assim ajudá-lo a se soltar das amarras impostas pelas
experiências de sua vida passada.
Ao estudarmos os diversos tipos de caráter, observamos que a
correlação psicológica do caráter esquizóide pontuada por Lowen, aponta para
indícios de uma possível identificação do caráter do AP envolvido na deflagração
da PER.
Apesar da bioenergética incluir apropriadamente uma caracterização física
de cada tipo de caráter, ainda não dispomos de dados a esse nível, que pudessem
ser utilizados neste momento para enriquecer nossa fundamentação. Não nos
furtaremos no entanto a apresentar tal caracterização, no intuito de que possa ser
aproveitada em novas pesquisas e suas subseqüentes publicações.
Vejamos então os padrões de comportamento do indivíduo de caráter
esquizóide, segundo Alexander Lowen em seu livro O Corpo Traído:
" - A tendência a evitar quaisquer relações próximas com pessoas,
timidez, isolamento, acanhamento, sentimentos de inferioridade.
- Incapacidade de exprimir diretamente hostilidades e sentimentos
agressivos -
sensibilidade a críticas, suspeição, necessidade de aprovação, tendências a
negar ou
a distorcer os fatos.
- Atitudes autistas - introversão, devaneios excessivos.
- Incapacidade de se concentrar, sensação de estar tonto ou dopado,
sensações de
irrealidade.
- Explosões histéricas com ou sem provocação aparente, tais como berros,
gritos e
acessos de raiva.
- Incapacidade de sentir emoções, especialmente prazer, e falta de
receptividade
emocional a outras pessoas, ou ainda reações exageradas de
hiperexcitamento e
mania."
(4)
Lowen esclarece que, de acordo com a fase de desenvolvimento em que se
encontra, o indivíduo terá sentimentos diferenciados diante das dificuldades
vivenciadas. Assim, teremos:
a) Na criança => insegurança: sensação de ser diferente e de não-
pertinência;
b) No adolescente => ansiedade: à beira do pânico, podendo terminar em
terror;
c) No adulto => sentimento interior de frustração/fracasso: núcleo
subjacente de
desespero,
Agora, se nos reportarmos à casuística da PER e observarmos
atentamente as descrições dos agentes psi envolvidos, conforme ratificamos no
presente trabalho, e compararmos com o perfil rastreado através da
bioenergética, constataremos quão semelhantes são.
Mas, que experiências pode ter vivenciado um indivíduo, para que
apresente hoje tais dificuldades?
Explanando a caracterização dos fatores históricos e etiológicos, Lowen fala
sobre a evidência inequívoca de ter a pessoa deste caráter sofrido uma rejeição
logo no início de sua vida, rejeição efetivada pela mãe e que teria sido sentida
como ameaça a sua vida. Tal rejeição acompanha-se de uma hostilidade encoberta
e, muitas vezes, manifesta por parte da mãe. Assim, rejeição e hostilidade -
encoberta ou declarada - criam o medo de que toda busca ou tentativa de auto-
afirmação, conduzirão a este aniquilamento. Quando a mãe hostiliza a criança,
inconscientemente, o efeito será o medo de que qualquer exigência possa levá-la
ao abandono e à destruição. A criança em contrapartida desenvolverá uma raiva
assassina contra o pai ou a mãe, sendo igualmente aterradora. O terror sentido
está relacionado portanto, com o medo de perder o controle ou sair de si,
deixando aflorar impulsos reprimidos, o que nos parece familiar, quando
visualizamos a PER em plena atividade. O efeito disto é a inibição da
agressividade, a restrição de atividades e a necessidade de controle, que impõem
então rigidez sobre o corpo, provocando a limitação de gestos auto-afirmativos.
Lowen prossegue afirmando que são típicos a conduta não-emocional e
retraimento e as crises de raiva, que, a nosso ver, também são características do
AP envolvido na PER. Aliás, "raiva assassina" é uma expressão usada por
Lowen, na bioenergética, mas que traduz as explanações de Rogo, na
parapsicología, quando se refere ao tipo II do "poltergeist", o tipo mais
violento, chegando inclusive a propor uma explicação baseada em experiências
fora do corpo, quando o AP parece "sair de si*', ao citar Nandor Fodor, sobre sua
análise acerca do caso do "Bruxo Bell". Fodor chegou a se perguntar se um
choque devastador não poderia produzir um rompimento a nível mental tão forte
que viesse a organizar-se como se fosse uma entidade desencarnada, porém
incapaz de funcionar como uma personalidade autônoma
(5)
. Mais adiante, Rogo
nos fala da teoria do elo duplo, de Gregory Bateson, fazendo uma sutil conexão
entre a explanação do citado autor, que fundamenta a origem da esquizoidia na
atitude ambivalente da mãe, e a origem da PER na raiva reprimida que é
direcionada, via de regra, às pessoas emocionalmente ligadas ao AP
(6)
. Rogo
também apresenta interessante correlação entre o "poltergeist do tipo II" e a
aparente independência dos fenômenos em relação ao AP, e a idéia central
explorada no filme Planeta Proibido (Forbidden Planet), onde "as criaturas do id"
são mais que imaginárias, estando livres para atuar, assim como o AP "está
imbuído da habilidade de criar um ente-PK partindo da culpa, do ódio e da
repressão, e que acaba assumindo vida própria para causar destruição"*
7
*. Tais
colocações nos remetem, mais uma vez, ao caráter esquizóide. Lowen diz que o
indivíduo esquizóide não se sente conectado nem integrado, com tendência à
dissociação, que tem sua representação a nível corporal na falta de conexão
somática entre a cabeça e o restante do corpo. Esta tendência produz uma
divisão na personalidade, na forma de atitudes antagônicas. Ora, o AP da
PER, retraído, aparentemente passivo, apresenta sentimentos de hostilidade,
quebra objetos, move-os, agride: expande-se, tomando conta do ambiente.
É importante esclarecer que quando Lowen fala em agressividade, não
está se referindo a ação que envolva agressão, mas à capacidade do indivíduo de
lutar por seus objetivos, mover-se, mobilizar-se para alcançá-los. E esta função
está prejudicada no caráter esquizóide. O corpo do indivíduo esquizóide
demonstra tal limitação. O retraimento da realidade manifesta-se pela ausência de
vividez e falta de responsividade emocional do corpo. Os olhos são vazios,
distantes ou apresenta olhar de perplexidade e medo. Há ausência de expressão
facial. O andar é mecânico ou parece de um fantasma. O corpo é rijo e há falta de
espontaneidade. Tudo isto faz parte da defesa esquizóide contra o sentimento.
Outro dado importante é que se houve um excesso de proteção na fase
edípica, por motivos sexuais - como por exemplo a mãe proibir a filha de sentar no
colo do pai, pode-se acrescer um elemento paranóico à personalidade, o que daria
margem a um pouco de "acting-out" ou atuação, ato de se chamar a atenção
exageradamente, no final da meninice e durante a fase adulta. Mas não é o que faz
o AP nas deflagrações da PER? Melhor forma de chamar a atenção é difícil de
visualizar.
Em trabalho anterior
(8)
, explanamos a correlação entre a onipotência vivida
pela criança e o manejo ou controle de objetos via telecinesia, na PER, o que
reforça a hipótese do caráter do AP ser esquizóide, oriundo que é das fases iniciais
da vida de um indivíduo, quando tem lugar, naturalmente, a onipotência.
Explanando a questão da onipotência, temos que, quando originária, reflete o
poder ilimitado sobre tudo, decorrente da falta de limite que acomete a criança.
Ao passo que, quando está deslocada, opera de forma distorcida, através da
auto-estima baixa representada, no entanto, pelo sentimento de ser especial ou
superior aos demais. Em outras palavras, por trás do narcisista, há o rejeitado,
com sentimento de menor valia: retrato de caráter esquizóide e do AP
responsável pela PER.
Lowen prossegue: "o caráter esquizóide apresenta-se hipersensível devido
a um limite precário em torno do ego, o qual é a contrapartida psicológica da falta
de carga periférica. Esta fraqueza reduz a resistência a pressões vindas de fora,
forçando a pessoa a refugiar-se nas autodefesas"
í9)
. Ou seja, uma vez reduzida a
resistência à pressão, teremos as condições para a instalação de um mecanismo
de defesa. Lowen diz ainda que tal indivíduo apresenta pronunciada tendência a
evitar relacionamentos íntimos e afetuosos, que, completando nosso raciocínio,
estaria em contrapartida, reprimindo emoções e afetos. Por isso, desenvolve formas
de pseudo-contatos: palavras, em lugar do toque; interpretação de papéis, ao invés
do envolvimento emocional em uma determinada situação e, acrescentamos,
deflagra uma psicocinesia espontânea recorrente, onde atua sua raiva, porque
não a contata. O indivíduo esquizóide tem consciência daquilo que o cerca, mas a
nível físico ou emocional está fora de contato com a situação. E aí, não
contatando, atua, através do mecanismo de defesa paranormal, quando AP, mesmo
que eventual.
O esquizóide é incapaz de focalizar seu olhar porque teme que este
exprima ativamente medo ou raiva, o que o tornaria consciente desses
sentimentos. Suas pernas e pés apresentam distúrbios: os joelhos são rijos, os
tornozelos congelados, os pés retraídos, reduzindo a flexibilidade das pernas. Os
pés podem ainda se apresentar invertidos, voltados para dentro, o que ocasiona o
peso do corpo passar para a parte externa dos pés, entortando ligeiramente as
pernas. Os músculos dos pés estão contraídos de forma crônica, para sustentar o
peso do corpo. Tal posição sugere a condição pré-natal, onde os pés se voltam um
de frente para o outro, tratando-se portanto de uma falha no desenvolvimento,
indicando fixação a um nível infantil. Na mulher esquizóide não há rotação da
pelve para baixo, junto com alargamento parcial dos quadris. A pelve mantém
sua inclinação para frente e há visível separação entre as coxas. Lowen chama a
atenção para a presença de traços que são do sexo oposto. É importante ressaltar
que algumas dessas características só poderão ser observadas após a puberdade,
não sendo possível portanto, subsidiar o estudo de agentes psi que estejam nessa
fase de desenvolvimento. No entanto, a caracterização física possível, aliada ao
perfil psicológico traçado na anamnese, através da história psicanalítica do AP,
assim como a leitura corporal que deve ser feita, trará subsídios relevantes para a
compreensão da psicodinâmica da fenomenologia parapsicológica da PER.
Partindo da conjunção de tais dados, achamos adequado supor que os
mesmos nos fornecem fortes indícios de que nossa proposição está correta. Ou
sej a, uma vez caracterizado o tipo de estrutura de caráter predominante do AP
deflagrador da PER, estaremos nos aproximando mais das necessidades
implícitas em sua ocorrência, quando considerada como mecanismo de defesa
paranormal. Diante disto, poderemos encontrar sugestões alternativas para
quebrar tal mecanismo e oferecer uma possibilidade sadia de compensação de tais
impulsos reprimidos, viabilizadas através de atividades que subsidiem o
redirecionamento da energia aí aplicada.
As terapias corporais são muitas, mas as linhas de atuação são basicamente
duas: catártica e harmonizadora. Considerando a PER como atividade catártica, e
a hipótese de que o caráter dominante do AP é do tipo esquizóide, optamos por
sugerir atividades harmonizadoras para subsidiar o AP a sair da crise.
Diversos pesquisadores em parapsicologia já tentaram redirecionar a
"força do poltergeist" sem, no entanto, obterem êxito. Achamos que os
resultados infrutíferos decorreram das formas propostas para alcançar tal
objetivo. Assim, manipular a PK sob condições controladas, levando o AP para
um laboratório, colocando-o em foco, não
funcionaram e nem poderiam; porque incitar a ocorrência da PK, no caso da PER,
é tentar induzir nova catarse. Acontece que, se a PER funciona como um
mecanismo de defesa paranormal, o AP atua sua raiva, quando da ocorrência da
PER, não contatando portanto com o sentimento que a originou e nem devemos
instá-lo a contatar, sem que antes alcance estrutura para suportar tal peso afetivo
aí contido.
A questão de colocar o AP em um laboratório, também não funciona
porque, se ele usa a PER como mecanismo de defesa, significa que tal prática é
fruto de seu inconsciente, porque permanecendo incógnito, poderá "...expressar
involuntariamente sua hostilidade sem culpa e sem ameaça de punição ou
represália", como coloca Rogo oportunamente, quando se refere à adequação da
PER às necessidades do AP
(1OÍ
.
A nosso ver, Nandor Fodor estava certo quando disse: "encontre o talento
criativo frustrado, levante um ego destruído, dê amor e confiança, e o poltergeist
cessará"
11)
, acreditando que, se encontrarmos uma forma de redirecionar a
energia usada na PER, sua manifestação se extinguira.
Apesar de apropriada, a proposta de Fodor traz uma dificuldade inicial:
nem sempre é fácil identificar qual o talento criativo que está frustrado. Há
também o perigo de sugerirmos atividades tão elaboradas sem verificar antes a
estrutura de caráter do AP envolvido, vez que podemos com tal proposta, suscitar
outros núcleos afetivos conflituosos e, ao invés de ajudar o AP a sair desta crise,
induzi-lo a outra talvez mais ameaçadora, a nível psicológico.
Então, a atividade a ser proposta, para ser adequada, deverá, além de
não ser catártica, estar fundamentada nas necessidades contidas na dinâmica do
caráter esquizóide, de forma que não apenas substitua a PER, mas quebrando a
violência contida em tal deflagração, ajude o AP a se reestruturar.
Evidentemente que, mesmo com os subsídios obtidos através da leitura
corporal, temos que considerar que a tensão presente no AP será encontrada
também no núcleo familiar e que a coleta de dados (história psicanalítica), nem
sempre será obtida facilmente, inclusos os testes psicológicos.
Junte-se a isso, a necessidade de fazer cessar a crise, porque, como nos
lembra Rogo, as pessoas que estão envolvidas na ocorrência da PER, precisam é
de ajuda e não de investigação, quando questiona se sabemos o suficiente sobre o
"poltergeist" ao ponto de conseguir efetivar tal socorro * \
É Rogo ainda que, quando se refere ao fato de que "nossas faculdades
psíquicas são parte normal de nossa constituição biológica e psicológica"'
13
',
alerta-nos que estas podem ser tanto destrutivas quanto altruístas. Sua
preocupação é genuína, porquanto se refira à hostilidade e subseqüente
manifestação de violência constante da PER, devendo portanto ser estancada,
antes que cause maiores danos.
Rogo coloca que o pesquisador deva "...também tentar chegar às raízes
psicológicas do problema e fazer tudo o que estiver ao seu alcance para 'curá-
lo"'
tl4)
.
Diante então da necessidade premente de cessar a crise ocasionada pela
PER, só uma atuação emergencial é que a atenderá. É a nossa expectativa.
Nossa proposta para tal atuação emergencial é, uma vez confirmada a
hipótese do caráter do AP ser do tipo esquizóide, iniciarmos uma intervenção
composta por atividades simples que visem primordialmente reduzir-lhe a carga
envolvida, tirando o AP da crise caracterizada pela deflagração da PER. Tais
atividades estarão de acordo com as necessidades primordiais do caráter
esquizóide, visando proporcionar-lhe o mínimo suporte necessário para aliviar-se a
tensão.
Analisando o caráter esquizóide, podemos dizer que sua maior necessidade
é de reestruturação do ego, na qual possa o indivíduo resgatar seus direitos de
existir, ter segurança nas próprias necessidades, ser autônomo e independente e
de ter desejos e agir para satisfazê-los.
Evidentemente que tais objetivos não poderão ser alcançados em curto
prazo, muito menos em uma atuação emergencial. A bioenergética, associada a
outras técnicas neo-reichianas, parece-nos adequada para, após a atuação
emergencial, ser aplicada em favor do resgate de tais direitos, através de
acompanhamento psicoterapêutico do AP.
Mas, o que fazer então para constituir de fato uma atuação emergencial
que seja eficaz, dentro da hipótese da PER como mecanismo de defesa
paranormal deflagrada por AP caraterizado como esquizóide?
A bioenergética, assim como as demais terapias neo-reichianas, partem do
princípio de que o indivíduo, seja qual for sua problemática, só contatará com
suas dificuldades, quando tiver estrutura para tal. Para tanto, desenvolveu uma série
de técnicas que visam dar "grounding" - ou estrutura - e centramento, para que
possa o indivíduo ir contatando com seus núcleos, de acordo com seu tipo de
caráter, para resolvê-los, refazendo sua história de vida.
No caso da PER, sugerimos a prática de tais exercícios e de atividades
que igualmente subsidiem "grounding" e centramento, ou seja, ter estrutura,
estar em contato com o chão, com o mundo e estar centrado, situado em relação a
si e ao mundo.
Um exemplo de atividade simples é o caminhar, bastante adequado para o
caráter esquizóide, que tem dificuldade em situar-se, em manter "os pés no
chão", como popularmente se diz.
Outra atividade, da mesma forma apropriada, é a hidroginástica, onde o
contato com a água, de forma harmonizadora, poderá atuar como elemento
terapêutico facilitador, na reparação de vivências de experiências traumáticas
oriundas da fase uterina. Esclarecemos que a natação, apesar de manter o
indivíduo em contato com a água, é uma atividade de performance, não sendo
portanto adequada para o caráter esquizóide e para o AP.
Os exercícios para desenvolver "grounding" são inúmeros. A título de
ilustração, citaremos dois exemplos:
a) técnica da bioenergética: indivíduo fica em pé, mantém os joelhos
dobrados
(posição para "grounding"), para amolecer a rigidez das pernas e
proporcionar
melhor contato com o solo, o que vai contrariar a tendência do esquizóide
em ficar
em pé com os joelhos travados e pernas rijas
(15)
.
b) técnica da biossíntese: indivíduo em "grounding", de frente para outro
na mesma
posição, vai esticar lentamente os braços, enquanto o outro faz o mesmo,
até atingir
o estiramento completo dos braços e ficar assim durante o tempo que
suportar. Este
exercício visa desenvolver a precária noção de limite, bem como
possibilitar que o
AP entre em contato direto com um confronto que não seja destruidor.
Há que se fazer uma observação importante: a questão do "grounding"
aborda a dificuldade que o indivíduo tem de agüentar-se sobre os seus próprios
pés, expressão que reflete a capacidade de ter coragem de contatar com seus
sentimentos. Ou seja, agüentar-se sobre seus próprios pés e agüentar o sentimento
parecem estar bastante relacionados ''
CONCLUSÕES
Observamos que, a partir da fundamentação obtida através da
bioenergética, pudemos caracterizar o agente psí deflagrador da psicocinesia
espontânea recorrente, enquanto mecanismo de defesa paranormal, como tendo
sua estrutura de caráter do tipo esquizóide, coincidindo com o perfil psicológico
apontado pelo estudo de casos relatado na vasta bibliografia especializada em
parapsicologia.
Observamos também que as propostas aventadas por diversos
parapsicólogos para cessar a deflagração da PER, foram infrutíferas quando
tentaram conduzir o AP, em laboratório, a realizar novas ocorrências de PK. No
entanto, outras proposições obtiveram êxito, porque foram direcionadas para
tirar o AP da crise, através de atividades harmonizadoras condizentes com suas
necessidades.
Chegamos então a uma proposta de atuação emergencial onde o AP
realizaria exercícios e atividades que lhe proporcionassem "groundíng"
necessário para abdicar da deflagração da PER, como forma de compensar
sua energia reprimida, enquanto mecanismo de defesa paranormal. Tal é a
nossa expectativa, diante desta proposta de trabalho: há que ser testada para
averiguarmos se logrará êxito.
Os dados necessários para comprovar tal hipótese, do caráter esquizóide
do AP, serão obtidos através de anamnese, na qual se estabelecerá a história
psicanalítica do AP e sua leitura corporal, além de aplicação de testes psicológicos.
Há que se fazer uma ressalva quanto a apresentação da teoria
bioenergética neste trabalho, que apenas enfocou alguns aspectos considerados
indispensáveis â fundamentação proposta, sem no entanto, esgotar-lhe as
possibilidades.
BIBLIOGRAFIA
(1). ROGO, D.Scott. A Inteligência do Poltergeist, IBRASA, 1995 SP Brasil,
pág.228.
(2).LIMA, Isa Wanessa Rocha. A Interpretação do Poltergeist como
Mecanismo de Defesa Paranormal, Bagaço, 1994 PE Brasil.
(3). ROGO, D.Scott. A Inteligência do Poltergeist, IBRASA, 1995 SP Brasil, pág.
244.
(4). LOWEN, Alexander. O Corpo Traído, Summus Editorial, 1979 SP Brasil, pág.
42.
(5). ROGO, D.Scott. A Inteligência do Poltergeist, IBRASA, 1995 SP Brasil,
pág. 214/215.
(6). ROGO, D.Scott. IDEM, pág.243.
(7). ROGO, D.Scott. IDEM, pág.224.
(8). LIMA, Isa Wanessa Rocha. A Interpretação do Poltergeist como Mecanismo
de Defesa Paranormal, Bagaço, 1994 PE Brasil, págs. 35,36 e 56.
(9). LOWEN, Alexander. Bioenergética, Summus Editorial, 1982 SP Brasil,
págs. 134/135
(10). ROGO, D.Scott. A Mente e Matéria, IBRASA, 1992 SP Brasil, pág.44.
(11). ROGO, D.Scott. A Inteligência do Poltergeist, IBRASA, 1995 SP Brasil,
pág.238.
(12). ROGO, D.Scott. IDEM, pág.226.
(13). ROGO, D.Scott. IDEM, pág.252.
(14). ROGO, D.Scott. IDEM, pág.243.
(15). LOWEN, Alexander. O Corpo Traído, Summus Editorial, 1979 SP Brasil,
pág.75
(16). LOWEN, Alexander. IDEM, pág.75.
(*) Trabalho apresentado no I Congresso Internacional e Brasileiro de
Parapsicologia, realizado em 1997, no Recife - PE
SONO, PSICOSE E TRANSE
Silvino Alves da Silva Neto
“O paranormal realiza
o que o indivíduo comum sonha
e o louco imagina.”
1. Introdução
Quando analisamos o ser humano em seus aspectos psíquicos,
percebemos que o mesmo funciona como um conjunto complexo de
funções que, apesar de aparentemente diferentes quanto à sua natureza,
guardam entre si certas relações e analogias. Assim parece ocorrer com o
sono, o funcionamento psicótico e os estados de transe.
2. O que é o sono
O sono é um estado de abaixamento do nível de consciência que
ocorre com todos indivíduos normais, geralmente durante o período
noturno. O seu grau de profundidade pode inclusive ser medido através
do E.E.G. Um indivíduo desperto e de olhos abertos apresenta no traçado
uma freqüência de 14-30 Hertz, o que constitui as ondas | (beta). Ao
fechar os olhos, o traçado evidencia uma freqüência de 8-13 Hertz, que
caracteriza as ondas o (alfa). Ainda não é o sono, mas o indivíduo se
encontra em um estado mais ou menos subjetivo. O sono propriamente
dito ocorre quando a freqüência cai abaixo de 8 Hertz. A freqüência entre
04 e 07 Hertz constitui o sono , (teta). O nível mais profundo é alcançado
com a freqüência de 0,3-3,5 Hertz, o que caracteriza o sono o (delta).
A profundidade do sono, porém, não se mantém estável durante
toda a noite. A freqüência volta então a crescer, até chegar novamente ao
nível o. O indivíduo, entretanto, não desperta, razão porque esta fase é
chamada de sono paradoxal. Observou-se que, durante este período, o
indivíduo apresenta movimentos rápidos dos olhos, sendo por isto
chamado de sono REM (Rapid eyes movements).Este processo se repete
de 3-5 vezes durante a noite, sendo que, a cada vez, o período de sono
não-REM se torna mais curto e o de sono REM mais longo.
Pesquisas demonstraram que o nível de consciência varia de
acordo com os impulsos enviados ao córtex cerebral pelo sistema
reticular ascendente.
No limiar entre a vigília e o sono, o indivíduo pode apresentar
alucinações visuais ou auditivas. As alucinações que ocorrem ao
adormecer são chamadas de hipnagógicas, enquanto que, as que se
apresentam ao despertar se denominam de hipnopômpicas. Nesse
estado, o indivíduo pode vivenciar experiências místicas ou
parapsicológicas. Não é muito incomum, nesses casos, se escutar uma
voz alertando contra algo, dando algum conselho ou orientação, ou
citando alguma frase de conteúdo moral ou filosófico. Do ponto de vista
psicológico, pode-se dizer que o ego está identificado com o “Self” ou Si-
mesmo, arquétipo que representa a totalidade do psiquismo, ou com a
Anima/Animus que representam, respectivamente, a natureza
inconsciente feminina do homem e a natureza inconsciente masculina da
mulher (Jung).
No estado intermediário, o indivíduo pode apresentar também
experiências que venha a constatar como sendo de natureza telepática,
clarividente ou precognitiva.
3. Considerações sobre o sonho
O sonho é um tipo especial de alucinação de natureza não
patológica que ocorre com todos os indivíduos, quando os mesmos se
encontram em um estado de abaixamento do nível de consciência, ou
seja, durante o sono. Uma característica desse fenômeno é que o
indivíduo que sonha sempre está presente em seu conteúdo.
Experimentos demonstraram que os sonhos ocorrem nos períodos
intermitentes do sono conhecidos como sono REM.
Para Freud, o sonho é a realização disfarçada de um desejo
reprimido, e apresenta dois conteúdos: o manifesto e o latente.
Segundo o mesmo autor, os elementos mais importantes no
processo onírico são os impulsos instintivos reprimidos, provenientes do
ID, impedidos pelo superego de atingirem a consciência.
Na elaboração dos sonhos, Freud identificou os seguintes
processos:
Condensação - vários significados podem estar combinados em
um único elemento onírico.
Deslocamento - transferência de energia de um elemento
importante do sonho, para outro sem importância.
Simbolização - uso de elementos simbólicos para representar
pensamentos oníricos latentes.
Censura - é uma função da estrutura do superego. Atua tanto na
vida desperta, controlando as ações do indivíduo, quanto durante o sono,
promovendo distorções nos sonhos, controlando a expressão dos
desejos inconscientes e impedindo que o indivíduo desperte.
Para Jung, o sonho teria principalmente uma função
compensatória e a finalidade de impulsionar as qualidades do ego. Essa
função compensadora funciona como reação de autoregulação e aparece
quando o ego está inclinado para um extremo ou quando alguma
necessidade específica é negligenciada.
Os parapsicólogos já verificaram que os fenômenos psigâmicos
podem se manifestar através dos sonhos. A parapsicóloga Terezinha
Acioly defende a hipótese de que neles ocorre a incidência maior de
precognição. São encontradas também referências na literatura sobre
sonhos telepáticos, clarividentes e criativos.
4. O que é a psicose
A psicose é uma forma de funcionamento mental considerada
patológica, que se caracteriza pela presença de alucinações, delírios ou
alterações grosseiras da psicomotricidade.
A alucinação consiste na percepção de um objeto, sem a presença
física do mesmo.
O delírio é uma crença falsa, firmemente mantida, contrariando
toda argumentação lógica.
Uma característica essencial do quadro delirante-alucinatório é o
caráter realista que apresenta para o doente.
5. O que é o transe
O transe é um estado de estreitamento do nível de consciência no
qual o indivíduo permanece desperto, porém age de forma diferente de
seu estado normal e encontra-se sob influência de forte estado
emocional. Pode se apresentar como um êxtase religioso, um estado
hipnótico ou um transtorno dissociativo.
Freqüentemente, os fenômenos paranormais ocorrem nos estados
de transe.
6. Analogias entre o sonho, a psicose e o transe
Um professor nosso de Psicoterapia Analítica, Dr. Rubens Molina,
falava que “os psicóticos não sonham, só alucinam”. Citou um paciente
seu que durante o dia via constantemente uma serpente a se mover em
seu ambiente imediato e, durante a noite, enquanto dormia, continuava a
“ver” a mesma serpente.
Diversos autores encontraram certa analogia entre os estados
oníricos e as psicoses. Freud refere alguns deles e suas respectivas
citações: Kant escreve que “o louco é um sonhador acordado”. Krause
declara que “a insanidade é um sonho sonhado enquanto os sentidos
estão despertos”. Shopenhauer chama os sonhos de loucura breve e a
loucura de sonho longo”. Hagen descreve o delírio como uma vida onírica
que é induzida não pelo sono, mas pela doença. Wundt escreve: “Nós
mesmos, de fato, podemos experimentar nos sonhos quase todos os
fenômenos encontrados nos manicômios”.
Tanto o sonho quanto o fenômeno paranormal estão vinculados às
atividades inconscientes. Dessa forma, se verifica que na elaboração dos
fenômenos paranormais espontâneos pode-se identificar os mesmos
processos que Freud encontrou nos sonhos, ou seja, a censura, o
deslocamento e a simbolização ( para maiores detalhes vide “Simbologia
e Interpretação Analítica do Fenômeno Paranormal” - Anais do I
Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia - 1997). No mesmo
trabalho, também demonstramos que os conteúdos arquetípicos além de
se manifestarem nos sonhos e nos conteúdos psicóticos, como afirmava
Jung, podem se expressar também através dos fenômenos paranormais.
Freud concorda com Scheirmacher, quando este afirma que o
estado de vigília é caracterizado pela atividade de pensar por meio de
conceitos, enquanto o sonho pensa essencialmente através de imagens.
Freud cita também Silberer, que verificou, nos estados de sonolência,
serem os pensamentos abstratos transformados em imagens plásticas
pictóricas.
Fato similar observamos com os fenômenos paranormais, quando
os conteúdos psigâmicos são expressos em experiências oníricas ou são
captados por um paranormal, ou ainda, quando os conflitos
inconscientes se manifestam nos fenômenos de psi-kapa, como na RSPK.
As criações ideoplásticas também são bons exemplos de conteúdos
inconscientes transformados em imagens plásticas, no mundo objetivo,
às custas do ectoplasma. Portanto, não é incoerente afirmarmos que os
fenômenos paranormais de efeito físico são sonhos materializados.
No funcionamento psicótico, a atividade de pensar também se
encontra modificada. Grinberg, Sor e Bianchedi em sua “Introdução às
Idéias de Bion” falam sobre o postulado da chamada função alfa, que
opera sobre as impressões sensoriais e as experiências emocionais
percebidas, transformando-as em elementos alfa. Estes são utilizados
para a formação de pensamentos oníricos, o pensar inconsciente de
vigília, sonhos e recordações. Bion chamava de elementos beta às
experiências sensoriais e emocionais não transformadas. Tais elementos
não são apropriados para pensar, sonhar, recordar ou exercer funções
intelectuais. Esses elementos são vividos como “coisas-em-si”(Kant), e
são utilizados no mecanismo de projeção.
Bion criou a expressão “objeto bizarro” ao se referir ao tipo de
objetos de que o psicótico se sente rodeado. O objeto bizarro, portanto,
seria formado por elementos beta, mais restos do ego, do superego e de
objetos externos.
Para Bion, o psicótico se move “não em um mundo de sonhos”,
mas em um outro formado por objetos bizarros no qual se sente
encerrado, visto como deve utilizar esses objetos bizarros, em vez de
usar o que para a personalidade não-psicótica seriam pensamentos.
Nos fenômenos paranormais de psi-kapa espontâneos, os objetos
que se movem, se transmutam, se transportam, se queimam, se quebram,
se entortam, não parecem se comportar tais como os “objetos bizarros”
dos psicóticos?
Comentando sobre as características da vida onírica, Freud faz a
seguinte citação de Burdach: “O sono significa um fim da autoridade do
eu. Daí o adormecimento trazer consigo certo grau de passividade. (...) As
imagens que acompanham o sono só podem ocorrer sob a condição de
que a autoridade do eu seja reduzida”.
Em nosso trabalho “O Fenômeno Paranormal como Manifestação
de Distúrbios Psíquicos” defendemos que, dentre os distúrbios mentais,
os transtornos dissociativos são os que mais propiciam o surgimento dos
fenômenos paranormais.
Os parapsicólogos, de um modo geral, perceberam que também os
estados hipnóticos facilitam a produção dos ditos fenômenos, bem como
os chamados transes mediúnicos. Aliás, o parapsicólogo Ronaldo Dantas
Lins em seu trabalho “Umbanda e Espiritismo: Versões da Hipnose?”
demonstrou existir uma similaridade entre esses dois tipos de
fenomenologia.
A dissociação, de natureza patológica ou não, propicia o
surgimento de personalidades secundárias (ou personificações
subjetivas) a partir dos complexos autônomos do inconsciente, através
das quais se manifestam os fenômenos paranormais.
Verificamos então, como fator comum em todas essas
fenomenologias psíquicas, como o sono, o transtorno dissociativo, o
transe hipnótico e o transe mediúnico, o fato de que o eu encontra-se
fragmentado, e portanto enfraquecido, carente de autoridade. ( Na
Esquizofrenia, que é uma psicose grave, o eu também se encontra
fragmentado e enfraquecido.)
Uma outra característica que identifica o sonho com o fenômeno
paranormal é a independência que ambos apresentam do complexo
espaço-tempo. Não nos referimos, aqui, à questão defendida por autores
antigos de que um sonho pode conter, em certo período de tempo, uma
quantidade de representações muito maior do que a que poderia
apresentar a nossa mente em vigília, durante o mesmo período. Muito já
foi debatido sobre o assunto, sem se chegar a uma solução definitiva.
Antes, nos referimos ao fato de uma representação encontrar-se
abstraída da posição ocupada pelo indivíduo na ordem espacial e
temporal dos acontecimentos. É justamente esse aspecto que confere ao
conteúdo do sonho um caráter de absurdo. Quando sonhamos, podemos
pular de grandes alturas sem nos machucarmos, transportar-nos para
locais distantes de forma instantânea, ou para longíquo período de nossa
juventude, falar com pessoas falecidas como se sempre tivessem estado
vivas, e tudo nos parece absolutamente normal. Só quando despertamos
e comparamos os conteúdos oníricos com a vida de vigília é que
percebemos o quanto eram inverossímeis.
O psicótico também não sabe que os conteúdos de seus delírios e
alucinações não são verdadeiros. Curiosamente, um psicótico após a
regressão de seus delírios por ocasião do tratamento, relatava que
recordava o surto “como se fosse um sonho”.
Sabemos que não ocorre de forma diferente com o fenômeno
paranormal. José Silva, autor do Programa “Silva Mind Control”, sugeria
às pessoas que pretendessem desenvolver a clarividência, que
começassem a imaginar coisas absurdas, tais como “penetrar” em uma
parede e tentar visualizar sua estrutura, contextura, resistência,
temperatura, etc. Em outras palavras, ele quis dizer que para produzir
fenômenos paranormais, o indivíduo precisaria assumir, antes que tudo,
uma atitude mental equivalente à do sonhador ou do louco.
O sonho, portanto, está para o sono, assim como o delírio e a
alucinação estão para a psicose, e o fenômeno paranormal está para o
transe.
Bibliografia
1. SCHMIDT, Robert F.& col. Neurofisiologia (Grundriss der
Neurophysiologie) Tradução do Dr. José Franco Altenfelder Silva da 4ª
edição. 3ª reimpressão. São Paulo, E.P.U., 1979.
2. FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos. 2ª Edição. Rio de Janeiro.
Imago. 1987. Vol. IV.
3. Anais do I Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia -
Recife - 1987. “Simbologia e Interpretação Analítica do Fenômeno
Paranormal”.
4. GRINBERG, Leon, SOR, Dario e BIANCHEDI, Elizabeth Tabak. Introdução
às idéias de Bion. Rio de Janeiro. Imago. 1973.
5. SILVA NETO, Silvino Alves da. Paranormalidade e doença mental. Olinda.
ASPEP. 1996.
6. BORGES, Valter da Rosa, e CARUSO, Ivo Cyro. Parapsicologia: um novo
modelo. Recife. Edição do IPPP.1986. “Umbanda e espiritismo: versões da
hipnose?” - Ronaldo Dantas Lins.
PESQUISA EM PARAPSICOLOGIA
Proposta para um modelo de pesquisa experimental grupal ou individual
Salete Rêgo Barros Melo
RESUMO
A necessidade desta publicação surgiu decorrente das dificuldades
encontradas em se manter um APC (Agente-Psi Confiável) disposto a ser
submetido a uma série de testes quantitativos, na sua quase totalidade, cansativos,
geradores de uma significativa queda na produção da fenomenologia.
Os laboratórios de pesquisa pecam pelo excesso de técnicas, desprezando a
informalidade e espontaneidade, características apreciadas pelos paranormais.
Medir é limitante e os resultados obtidos através de pesquisa, dependem do
grau de motivação do pesquisado e da atitude do pesquisador.
O método quantitativo-estatístico-matemático não representa
satisfatoriamente o fenômeno paranormal, pois, gráficos e equações não
demonstram o que existe de específico em cada fenômeno estudado que, além do
mais, está sendo permanentemente influenciado por fatores externos e internos.
A fenomenologia parapsicológica não pode ainda ser definida por um
comprimento de onda, determinado com rigorosa precisão, como no caso das cores
e dos sons, por exemplo. Inicialmente, só o aspecto qualitativo tem condições de ser
avaliado, levando-se em conta uma variada gama de fatores modificadores da
fenomenologia.
Propomos aqui uma pesquisa direcionada ao paranormal como indivíduo,
não mais como uma peça de laboratório. Quantificar o fenômeno, seria a etapa
final da pesquisa, alicerçada no conhecimento do agente psi como parte integrante
de uma sociedade, respeitando seus limites, preferências, crenças e costumes.
É necessário que se estabeleçam novos parâmetros para o enriquecimento
do paradigma científico vigente.
Segundo Einstein, “Por mais que as proposições da matemática se refiram
à realidade, elas não são certas, e por mais que sejam certas, elas não se
referem à realidade”.
ABSTRACT
The need of this publishing appeared in consequence of the difficulties in
maintaining a Reliable Psi Agent that agrees to be submitted to a series of
quantitative tests, tiresome almost always, engender of a significant lowering in the
production of the phaenomenology.
The researching laboratories fail by the excess of techniques, paying low
attention to informality and spontaniety, caracteristics oppreciated by
paranormals.
Measuring is limitant and the results obtained from research depend on the
degree of motivation of the patient under research and in the attitude of the
researcher.
The quantitative-statistic-mathematical method does not represent
satisfactorily the paranormal phaenomenon for graphics and statistics are not able
to demonstrate what is specific in each studied phaenomenon, that besides, is
permanently influenciated by internal and external factors.
The parapsichological fenomenology can not yet be defined by a length of
wave, determined with accurate precision, as in the case of colors and sounds, for
example. Inicially, only the qualitative aspect offers conditions to be evaluated,
taking in account a varied range of modifiing factors of the phaenomenology.
We propose here a research aiming the paranormal as an individual, no
more as a part of a laboratory. Quantifying the phaenomena would be the final
period of the research, based on the knowledge of the psi agent as an integrant
part of the society, taking in account his limitations, preferences, beliefs and uses.
It is necessary that new parameters be estabilished for the enrichment of the
vigent scientific paradigma.
According to Einstein, “For most the mathematical propositions refer to
reality, they are not right, and for most they are right, they do not refer to reality”.
PESQUISA
Finalidades:
- Identificar o APC
- tentar conhecer e explicar os fenômenos paranormais, ou seja, como e por que
ocorrem, quais as suas funções e até que ponto podem sofrer influências e
serem controlados.
Característica:
- o interesse prático, sendo os seus resultados aplicados ou utilizados na
tentativa de solucionar os problemas que se apresentam decorrentes da
fenomenologia parapsicológica (pesquisa aplicada, na classificação de Ander-
Egg).
Classificação:
Considerando alguns dos aspectos abordados por Perseu Abramo em seu
esquema tipológico, a pesquisa em Parapsicologia será classificada quanto:
1 – aos campos da atividade humana ou setores do conhecimento:
a) multidisciplinar
b) interdisciplinar
2 – à utilização dos resultados
a) aplicada
3 – aos processos de estudo
a) histórico
b) comparativo
4 – à natureza dos dados
a) pesquisa de dados objetivos ou de fatos
5 – às técnicas e instrumentos de observação
a) observação direta (constatação do fenômeno)
· pesquisa de campo – observação do fenômeno tal qual ocorre espontaneamente;
· pesquisa de laboratório – analise do fenômeno em situações controladas, através
de instrumental específico e ambiente adequado.
b) observação indireta (consulta bibliográfica e documental, questionários e
formulários, entrevistas, testes, história de vida, biografias).
· Ajudam o pesquisador a identificar e obter dados sobre os quais o suposto
agente-psi não tem consciência, mas que orientam o seu comportamento.
b) observação informal
· Consiste em recolher e registrar os fatos sem que sejam utilizados meios
técnicos especiais ou precise fazer perguntas diretas. O êxito da utilização dessa
técnica vai depender do observador, de estar atento ao fenômeno, de sua
perspicácia, discernimento, preparo e treino. Apresenta perigo quando o
pesquisador se deixa envolver emocionalmente, ou pensa que sabe mais do que
realmente aconteceu. A fidelidade, no registro dos dados é fator
importantíssimo na pesquisa.
6 – aos métodos de análise
a) construção de modelos
7 – ao nível de interpretação
A escolha do tema:
O tema selecionado será enquadrado dentro das aptidões e tendências do
pesquisador, assim como o objeto de estudo deverá ser merecedor da investigação
e apresentar condições de ser delimitado em função da pesquisa.
Inicialmente, o pesquisador deverá analisar todas as probabilidades,
identificando as fontes documentais e bibliográficas que servirão de suporte e os
contatos diretos, pesquisa de campo e laboratório a serem realizadas.
O pesquisador
A pesquisa parapsicológica pode ser realizada individualmente ou em grupo
constituído por uma equipe formada por especialistas nas áreas do conhecimento
que se fizerem necessárias.
O êxito de uma pesquisa deve-se, principalmente, à maneira como e por
quem é conduzida. É necessário que se faça aqui uma distinção entre
parapsicólogos com vocação teórica e parapsicólogos pesquisadores. Esses, além do
conhecimento teórico, deverão:
- ser possuidores de um perfil fundamentado nas áreas das ciências humanas e
sociais;
- ter disponibilidade;
- ter tolerância;
- não ter preconceitos;
- ter bons conhecimentos de psicologia, sociologia e religião;
- arcar com as responsabilidades éticas advindas da pesquisa.
IDENTIFICAÇÃO DE AGENTES-PSI CONFIÁVEIS NA REDE PÚBLICA DE
ENSINO
Inicialmente, a instituição (Instituto Pernambucano de Pesquisas
Psicobiofísicas) fará contato com a Secretaria de Educação e Cultura do Estado,
apresentando projeto detalhado, com a finalidade de obter credenciamento para
que seja feito o contato direto com a diretoria das escolas.
Projeto de Pesquisa
I - Curso Básico de Parapsicologia a ser ministrado nas escolas públicas da rede
estadual e municipal, dirigido aos professores, pais e demais interessados no
assunto, esclarecendo quanto:
1 - ao caráter de utilidade pública da instituição;
2 - à fenomenologia paranormal (uma visão panorâmica);
3 - à necessidade da identificação do APC na rede pública de ensino,
preferencialmente, pela condição sócio-cultural da quase totalidade dos alunos,
sendo este um dos elementos facilitadores no surgimento da fenomenologia
paranormal, aliado à faixa etária em que se encontram;
4 – à reintegração do jovem na família e na sociedade de maneira satisfatória,
assim como a possível melhoria do seu rendimento escolar, após identificação e
aconselhamento aos paranormais por profissionais competentes.
II - Passos a serem seguidos:
1. aplicação do 1º questionário com os alunos e seleção;
2. aplicação do 2º questionário com os alunos selecionados;
3. aplicação do teste sociométrico;
4. anamnese e coleta de outras fontes;
5. aplicação de testes de laboratório;
6. análise e interpretação dos dados;
7. elaboração de relatórios;
8. início de treinamento e aconselhamento adequados.
III - Aplicação dos questionários
O 1º questionário será aplicado indistintamente a todos os alunos de 1º e 2º
graus. Os primeiros contatos serão feitos através dos professores, inicialmente,
conscientizando os alunos da natureza da pesquisa, sua importância e a
necessidade de se obter respostas verdadeiras.
QUESTIONÁRIO I
IDENTIFICAÇÃO DE APC NAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA DE ENSINO
ESCOLA_________________________________
Nome do aluno____________________________
Endereço_________________________________
Idade______________ Sexo__________________
Estado conjugal ________________(solteiro, casado, amigado, separado, viúvo,
divorciado ou desquitado)
Profissão_________________
Religião__________________ Praticante?______________
1. Com quem mora?_____________
2. Idade das pessoas que moram com você:____________________________
3. Tem ou já teve alguma doença séria?_____ Qual?_____________________
4. Já foi internado(a) em hospital alguma vez?_____ Por que?______________
5. Toma ou já tomou algum medicamento por tempo prolongado?______ Qual?
__________________Por quanto tempo? __________________
6. Costuma lembrar dos seus sonhos?____________(sempre, às vezes, nunca)
7. Algum sonho seu já se tornou realidade?________
8. Já teve a impressão de saber o que outra pessoa está pensando ou sentindo?
______
9. Já teve a impressão de ver e/ou ouvir pessoas já falecidas ou ausentes?______
10. Já percebeu pancadas, pedradas, objetos pegando fogo ou vidros quebrando
sem causa física aparente?_______
11. Já previu algum fato antes do seu acontecimento? _______ Contou a
experiência a alguém? _______
Observação: Se a sua resposta foi afirmativa em algum dos itens de 7 a 11, relate a
sua experiência na folha em anexo.
O 2º questionário será aplicado com os alunos selecionados no anterior,
contendo um maior detalhamento nas questões, enfocando os interesses pessoais,
complexos, repressões, motivações e problemas emocionais, assim como o
surgimento dos fenômenos descritos no 1º questionário. Será elaborado levando em
consideração as respostas obtidas no anterior, no que diz respeito aos aspectos de
conduta, traços ou tendências da personalidade de cada um.
IV - Sociometria
Técnica quantitativa criada por Moreno, a fim de estudar grupos, revelando as posições de cada indivíduo em
relação aos demais, que poderá ser adaptada à pesquisa parapsicológica, levando os indivíduos dos grupos pesquisados a
demonstrarem um melhor desempenho, desde que, sejam descobertas as atrações, indiferenças ou repulsas intergrupais.
Cabe ao pesquisador trabalhar essas relações, integrando da melhor forma o grupo pesquisado. É importante a presença dos
professores na aplicação do teste sociométrico.
Depois de obtidas as respostas, os resultados serão representados graficamente através de um diagrama
(sociograma), cujo objetivo é identificar as relações entre os membros e a posição de cada um no grupo.
Para a sua construção, os indivíduos são representados no papel por números ou letras e unidos por linhas
contínuas. Os indivíduos do sexo masculino poderão ser representados por uma cruz e os do sexo feminino, por um círculo.
Os mais votados recebem o nome de “estrelas” e os menos votados, de “quadrados” (lembrando os símbolos do Baralho
Zener).
Apesar das limitações do emprego dessa técnica – o receio das pessoas em saber a sua posição no grupo, por
exemplo -, ela se adapta bem quanto à sua finalidade, ou seja, identifica o “rapport” estabelecido (mesmo que
temporariamente), entre pesquisadores, professores e alunos e possibilita antecipadamente selecionar as “estrelas” e os
“quadrados”, dado que poderá auxiliar na identificação do agente-psi, na fase de análise e interpretação dos dados.
V - Anamnese
Feitas as escolhas (quem trabalha com quem), serão realizadas as entrevistas individuais para que se possa
elaborar as histórias de vida – técnica de pesquisa social utilizada por antropólogos, médicos, psicólogos e outros estudiosos -
.
A história de vida tenta obter dados importantes relativos às experiências dos indivíduos que possam ter
significado importante para o conhecimento da fenomenologia.
O pesquisador, através de várias entrevistas, tenta reconstruir a vida do indivíduo, identificando os fenômenos e
conhecendo o seu objeto de estudo, ao evidenciar os aspectos do seu maior interesse. O sucesso do emprego dessa técnica
deve-se, principalmente, ao “rapport” estabelecido pesquisador-pesquisado, onde este, deve sentir-se livre para poder se
expressar, sem receio da desaprovação ou censura do pesquisador. Daí a importância da elaboração prévia do sociograma.
As entrevistas também serão padronizadas, onde o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido
(utilizando formulário). O motivo da padronização é obter dos entrevistados, respostas às mesmas perguntas para que sejam
comparadas e seja feito o tratamento estatístico dentro do grupo selecionado de amostragem (alunos de 1º e 2º graus da rede
pública de ensino).
Algumas vantagens e limitações que poderão advir da entrevista:
- fornecimento das respostas a partir da conduta do pesquisador;
- formulação diferenciada das perguntas direcionadas a cada tipo de indivíduo;
- avaliação das reações e atitudes do entrevistado;
- possibilidade da influência consciente ou inconsciente do pesquisador, pelo seu
aspecto físico, atitudes, idéias etc.;
- disposição do entrevistado em dar informações necessárias;
- omissão de dados importantes;
- dificuldade de expressão de ambas as partes.
VI - Outras fontes
Documentos íntimos (diários, cartas etc.), expressões artísticas (poesia, desenho, pintura, escultura etc.) poderão
acrescentar informações valiosas, na medida em que revelam traços de personalidade do autor, que, se bem analisados,
trarão subsídios para o desenvolvimento da pesquisa.
VII – Participação dos pesquisadores
O pesquisador deverá tentar uma participação real na vida dos pesquisados. A observação participante torna o
observador um membro do grupo, vivenciando e trabalhando dentro do referencial do observado. É o trabalho qualitativo,
onde a espontaneidade surge com a convivência, tornando a pesquisa mais natural. É a partir daí que surgem os melhores
resultados e a melhor ocasião para os registros, que são a hora e o local onde as coisas acontecem, sem o perigo da
deturpação na evocação dos fatos.
VIII - Laboratório
A observação em laboratório, que, até certo ponto pode ter um caráter artificial, poderá, dependendo da
habilidade do pesquisador, passar a ter um caráter espontâneo, desde que as condições de teste tenham uma conotação
lúdica, principalmente quando a pesquisa é realizada com jovens ou adultos com espírito jovial.
IX - Testes de aptidão parapsicológica
Formulados após a integração pesquisador-pesquisado, os testes serão feitos a partir do Baralho Zener
tradicional, com modificações feitas pelo pesquisador, adequando o teste ao pesquisado, baseando-se nos dados identificados
anteriormente, referentes à conduta, preferências ou aptidões do agente psi.
Outros tipos de teste serão aplicados, desde os convencionais, até os improvisados, de acordo com a situação que
se apresenta. Para efeito quantitativo, será analisado também o aspecto qualitativo, pois, a partir de um determinado
número de acertos, a qualidade do pesquisado passa de agente psi para agente psi confiável. Pode-se estimar esta quantidade
através de critérios estabelecidos pelo próprio pesquisador, de acordo com o tipo de pesquisa.
É dada ao pesquisador a liberdade de criar e improvisar dentro da pesquisa. Visto ser o caráter da fenomenologia
paranormal espontâneo, resultante em muitas vezes de uma catarse, cabe ao parapsicólogo antever a natureza do fenômeno
e, com criatividade, conduzir a pesquisa da maneira o mais condizente possível com a realidade do pesquisado.
X – Relatório Final
Com a finalidade de descrever a pesquisa em todos os seus aspectos, o relatório, além de informar sobre as
técnicas utilizadas, apresentará dados, fatos, resultados, recomendações e conclusões.
XI - Propostas
Identificados os alunos possuidores de aptidão paranormal manifesta, a proposta é:
- fazer um trabalho individual em nível de aconselhamento parapsicológico;
- fazer a reintegração do aluno no grupo familiar e social, quando necessário;
- trabalhar o grupo na troca de experiências psi, com assessoramento
terapêutico;
- cadastrar os APC, de acordo com as suas tendências, com a finalidade de inseri-
los em um possível mercado de trabalho.
XII – Consultas
CERVO, Amado Luiz & BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. Ed.
McGraw-Hill do Brasil, Ltda., S. Paulo, 1975.
MARCONI, Marina de Andrade & LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa. Ed. Atlas S. A., S. Paulo, 1985.
PERSONIFICAÇÕES SUBJETIVAS: ASPECTOS PSIQUIÁTRICOS,
PARAPSICOLÓGICOS E TRANSCENDENTAIS
Silvino Alves da Silva Neto
1. Introdução
A questão das personalidades secundárias, ou seja, do fenômeno pelo
qual um mesmo individuo evidencia uma ou mais personalidades além da
principal, tem despertado a curiosidade de estudiosos das mais diversas áreas
do conhecimento, tais como filósofos, líderes religiosos, antropólogos,
sociólogos, psicólogos, psiquiatras, psicanalistas e neurofisiologistas. O tema
tem sido largamente explorado pelo cinema, a televisão e a literatura. Todos
conhecem ou ouviram falar do famoso romance “O Médico e o Monstro”, onde o
personagem principal durante o dia era o pacato médico Dr. Jeckyl e à noite se
transformava no frio e cruel assassino Mr Hide.
Em vista de as personificações se constituírem em facilitadores das
ocorrências de fenômenos paranormais, acabaram sendo objeto de estudo
também dos parapsicólogos. Neste trabalho, será abordado o fenômeno das
personificações do ponto de vista das ciências e da transcendentologia.
II. Conceito de personalidade
Termo derivado da palavra latina “persona” que significa “máscara”. Na
verdade, nenhuma das definições dadas por autores diversos são
suficientemente abrangentes. A definição de Allport, entretanto, parece ser
pertinente: “A personalidade é a organização dinâmica, no individuo, dos
sistemas psicofísicos que determinam seu comportamento e pensamento
característicos.”
III. Abordagem psiquiátrica das personificações
Em Psiquiatria, as personificações se incluem entre os chamados
transtornos dissociativos. Estes se constituem em uma perda, psicologicamente
induzida, da consciência, da identidade, da memória, das funções motoras ou
sensoriais. Para o presente estudo, interessa apenas duas modalidades: o
transtorno de personalidades múltiplas e o transtorno de transe e possessão.
No transtorno de personalidades múltiplas, o individuo evidencia duas ou
mais personalidades bem definidas, sendo que cada personalidade tem seu
próprio nome, idade, sexo, memórias, comportamento e preferências. Já se
constatou o caso de uma moça que evidenciava cerca de oitocentas
personalidades diferentes!
Quando ocorre a forma comum, com duas personalidades, uma delas
geralmente domina sobre a outra e ambas desconhecem a existência uma da
outra.
Testes psicométricos revelaram diferenças de QI entre diferentes
personalidades de um mesmo indivíduo, bem como exames oftalmológicos
demonstraram haver variações na acuidade visual. Foi constatado que algumas
personalidades chegam até a apresentar transtornos de humor associados, tais
como depressão! Exames realizados através da Tomografia por Emissão de
Pósitrons (TEP) e Fluxo Sangüíneo Cerebral Regional evidenciaram diferenças
no funcionamento cerebral nas diversas personalidades verificadas em um
mesmo individuo.
Estudos da curva de vida de indivíduos portadores do transtorno
revelaram que, na sua maior parte, sofreram mal-tratos na infância,
principalmente de natureza sexual.
O diagnóstico pode ser feito mediante entrevista com Amital ou hipnose.
O tratamento é feito com psicoterapia, tentando-se conciliar os afetos em
conflito. O prognóstico é reservado.
No transtorno de transe e possessão, o individuo evidencia uma perda da
identidade e da consciência do ambiente. O mesmo pode agir como se estivesse
tomado por uma outra personalidade, espírito, divindade ou “força”.
Antigamente esse transtorno tomava o aspecto de “possessões
demoníacas”. Hoje, são mais encontradiças as “possessões” pelo “Espírito
Santo”, “obsessores”, “exus” e “pomba-giras” (o conteúdo varia com a época e a
cultura). Esse transtorno também deriva de conflitos internos não resolvidos.
O transtorno de transe e possessão interessa aos parapsicólogos, visto
como, em alguns casos, o individuo evidencia fenômenos paranormais, além dos
sintomas psicológicos que caracterizam o processo. De acordo com diversos
relatos, o “endemoniado” adivinhava os pecados das pessoas, levitava, movia
objetos sem tocá-los, falava de fatos ocorridos à distância, se expressava em
idiomas estrangeiros ou arcaicos, além de evidenciar outros fenômenos. Até o
início do século passado, esses fenômenos eram tidos pela Igreja Católica como
“comprovação” da influência demoníaca sobre as pessoas e condição sine qua
non para que o bispo autorizasse o exorcismo.
Estudos da personalidade de indivíduos predispostos à dissociação
revelaram que os mesmos apresentam imaturidade e instabilidade afetivas,
tendências ao egocentrismo e à possessão, e sugestionabilidade.
Vale salientar que transtornos de transe podem surgir no curso de
psicoses esquizofrênicas, ou em decorrência de algum tipo de injúria cerebral,
tais como no traumatismo craniano, na epilepsia do lobo temporal ou nas
intoxicações por substâncias psicoativas.
IV. Personificações subjetivas
As personalidades secundárias que se verificam em ambiente religioso
não devem ser consideradas patológicas. Tais personificações, entretanto, têm a
característica de facilitar a ocorrência de fenômenos paranormais, notadamente
os psigâmicos. Daí a conceituação do parapsicólogo Valter da Rosa Borges de
personificação subjetiva como “a modificação, espontânea ou provocada, da
personalidade do agente psi, mediante a qual ele se comporta como se fosse
outra pessoa, fictícia ou real, neste caso quase sempre já falecida, e, sob essa
condição, apresenta fenômenos de psi-gama.”
De acordo com o mesmo autor, as personiflcações subjetivas apresentam
as seguintes modalidades:
a) Perspersonificação subjetiva espontânea de pessoa fictícia.
b) Perspersonificação subjetiva provocada de pessoa fictícia.
e) Perspersonificação subjetiva espontânea de pessoa real já falecida.
d) Perspersonificação subjetiva provocada de pessoa real já falecida.
e) Psicppsicografia personificativa Personificação em alfabeto Braille
f) Personificação pelo alfabeto dos surdos-mudos
g) Memória extracerebral
A memória extracerebral é uma modalidade especial de personificação
subjetiva em que o indivíduo, geralmente uma criança de 2-8 anos, se comporta
como se fosse uma outra pessoa, já falecida, afirmando ser a própria
reencarnação daquela outra.
V. Como surgem as personalidades secundárias
O psiquiatra C. G. Jung, em sua tese de doutorado “Sobre a Psicologia e
Patologia dos Fenômenos chamados Ocultos” abordou o caso da Srta. S.W., uma
médium que, entre outras personificações de menor importância, apresentava
duas que se destacavam além da principal. Uma era uma adolescente de nome
Ulrich von Gerbenstein, e a outra seria o suposto avô da médium que ela sequer
conhecera, que só produzia “coisas religioso-pietistas” e “prescrições morais
edificantes”, semelhantes aos sermões que ela ouvira de um piedoso sacerdote.
Jung apercebeu-se de que “a variedade de nomes parecia inesgotável, mas a
diferença entre as respectivas personalidades cedo se esgotou e ficou patente
que todas as personalidades podiam ser classificadas em dois tipos: o sério-
religioso e o alegre-brincalhâo. Na verdade tratava-se apenas de duas
personalidades subconscientemente diversas que se manifestavam com
diferentes nomes que, no entanto, tinham pouca importância”.
Continuando a análise do caso, Jung escreve: “Temos aqui personificados
os principais caracteres do passado: de um lado, o educador coercitivo e pietista
e, de outro, o total expansionismo de uma garota de quinze anos que, às vezes,
ultrapassa os limites. Na própria paciente encontramos os dois traços numa
mistura peculiar: às vezes é tímida, esquiva, excessivamente retraída e às vezes
é tão expansiva que chega ao limite do permitido. Ela própria sente este
contraste muitas vezes de modo doloroso. Isto nos dá a chave da origem das
duas personalidades subconscientes. É óbvio que a paciente procura um meio
termo entre esses extremos; esforça-se por reprimi-los e alcançar um estado
mais ideal.”
De acordo com Jung, tais personalidades surgem como decorrência da
dominação do consciente por complexos autônomos do inconsciente, quando
estes se encontram imbuídos de uma certa quantidade de energia (psíquica)
que lhes permite ultrapassar a barreira que separa o consciente do inconsciente.
Tanto Freud quanto Jung concordam em que o inconsciente não é uma
tabula rasa, mas é formado por idéias e afetos que se aglomeram por afinidade,
formando os chamados complexos. Diz-se que são autônomos pelo fato de
evidenciarem certa independência com relação aos outros complexos e ao ego.
São esses complexos que fornecem material para os sonhos, as fantasias e os
sintomas neuróticos. Muitas vezes, fazem o indivíduo agir de forma contrária
aos comandos conscientes, constituindo os fenômenos conhecidos como “atos
falhos”. (Para Jung, além do Inconsciente Individual, formado pelos complexos,
existe o Inconsciente Coletivo, formado pelos arquétipos).
Baseado em suas observações, Jung chegou à conclusão que os chamados
“espíritos” são complexos autônomos do inconsciente, que por não terem
associações diretas com o ego se apresentam de forma projetiva.
VI. As personificações subjetivas à luz da Transcendentologia
Os adeptos das religiões mediúnicas acreditam que as personificações,
no mais das vezes, são “espíritos”, ou as almas das pessoas falecidas, que dessa
maneira encontram um meio de se comunicarem com os vivos. Quando não,
constituem manifestações do espírito do próprio médium (fenômenos
animistas).
Por outro lado, existem aqueles que adotam uma posição oposta,
acreditando serem os fenômenos de natureza psicológica, isto se não se tratar
de franca simulação, visando ganhos secundários.
Afinal, com quem está a verdade? Talvez, como em outras áreas do
conhecimento, a verdade esteja no meio, jamais nos extremos.
Uma coisa que podemos afirmar com certeza é que sabemos que uma
grande parte das personificações não são espíritos ou Seres Transcendentais
(ST), na conceituação de Rosa Borges. Isto por três motivos: primeiro, porque a
análise do individuo, em vários casos, revela os motivos psicológicos que
induzem à dissociação (ou simulação). Segundo, certas informações
surpreendentes prestadas pelo agente psi podem ser explicadas como fe-
nômenos paranormais, tais como a telepatia e a clarividência. Terceiro, porque
as personalidades secundárias podem ser auto-induzidas ou induzidas por outra
pessoa. Há relatos em que um assistente induz uma personalidade em um
agente psi, e a “entidade” passa então a fazer parte do seu “acervo”. E quarto,
porque já se verificou que alguns médiuns são capazes de “incorporar” a
personalidade de uma pessoa viva, ou personificar um conflito inconsciente de
outrem, esteja este presente ou em local distante.
Há fenômenos, entretanto, ainda de difícil explicação pelos critérios
científicos vigentes. Qual a origem das informações criptomnésicas? Como
explicar o surgimento de uma personificação subjetiva espontânea de pessoa
real falecida, sendo esta desconhecida do médium e dos presentes? Como se
justifica a “psicografia cruzada”, em que dois agentes psi que não se conhecem
recebem, cada qual, uma metade de uma mensagem que se complementam no
sentido? No caso da psicografia personificativa, é realmente possível um agente
psi imitar a caligrafia e assinatura de um falecido, principalmente não o tendo
conhecido, a ponto de serem legitimadas mediante exame grafoscópico? E o que
dizer da memória extracerebral? Admitir a telepatia e a clarividência para
explicar todos esses casos não seria “forçar demais a barra”?
De qualquer forma, a hipótese da sobrevivência para a explicação desses
tipos de fenômenos permanece apenas como uma possibilidade, até mesmo
porque esta não pode ser pesquisada cientificamente, pelo menos dentro dos
paradigmas atuais. A questão, na verdade, deve ficar em aberto, pois com o
avanço do conhecimento, principalmente na área da fisiologia cerebral e dos
estudos da consciência, esses casos podem ter uma explicação muito diversa
das hipóteses transcendentológicas.
VII. Conclusão
Como vimos, o fenômeno das personificações é de grande complexidade
e envolve aspectos psicológicos, sociológicos, neurofisiológicos,
parapsicológicos e transcendentais.
Uma abordagem unilateral nos leva, no máximo, a entender um dos
aspectos da questão. A personificação, entretanto, não parece se constituir em
um fenômeno único, e sim, em um conjunto de fenômenos de diferentes
naturezas que se manifestam de forma mais ou menos comum.
Em vista disso, deduz-se logicamente que seria errôneo pretender-se
adotar uma atitude radical e unificada frente aos fenômenos de personificação.
Saibamos usar o nosso bom-senso, o nosso conhecimento e a nossa intuição.
Precisamos saber ser psicólogos, psiquiatras, parapsicólogos, filósofos e até
mesmo místicos, na circunstância adequada. Agindo desta forma, com certeza,
deixaremos de incorrer em sérios erros de julgamento e atitude, no trato com
aqueles envolvidos no processo.
Bibliografia
1. JUNG, C. G. Estudos psiquiátricos.(Psychgiatrische Studien) Tradução de Lúcia
Mathilde Endlich Orth. Petrópolis. Vozes. 1994. Vol. 1.
2. BORGES, Valter da Rosa. Manual de Parapsicologia. Recife. IPPP. 1992.
3. QUEVEDO, Oscar González. Antes que os demônios voltem. 3ª Edição. São Paulo.
Loyola. 1993
4. KAPLAN, Harold I. e SADOCK, Benjamim J. Manual de Psiquiatria Clínica.
(Pocket Handbook of Clinical Psychiatry) Tradução de Miguel Chalub. Rio de
Janeiro. MEDSI. 1992.
5. BORGES, Márcia Duarte da Rosa. Personificação: uma forma de expressão do
fenômeno paranormal. Tese apresentada ao IPPP em 1992.
SUPERDOTALIDADE & PARANORMALIDADE
Valter da Rosa Borges
Poderia um paranormal ou agente psi ser também um
superdotado?
Caberia, de logo, estabelecer o conceito de superdotado,
abrangendo não somente as manifestações superiores da inteligência nas
pessoas em estado de vigília, mas também as atividades extraordinárias
da mente humana que se verificam nos estados alterados de consciência
em indivíduos denominados de paranormais.
Denomina-se de superdotado o indivíduo que demonstra uma
inteligência acima da normal, em desempenhos de natureza física e
intelectual, em determinada área específica da atividade humana. Um
atleta, um escritor, um artista plástico, um filósofo ou um cientista pode
ser um superdotado e até tido por um gênio, embora não haja um
entendimento preciso do que seja genialidade. Poder-se-ia, no entanto,
conceituar o gênio como o indivíduo que, além de superdotado, possua
uma visão abrangente e profunda de seu tempo, da realidade e das
possibilidades do futuro.
Certas pessoas, dotadas de aptidão psi, podem ser consideradas
também como superdotadas. Trata-se de um talento sui generis, mediante
o qual uma pessoa é capaz de escrever sobre assuntos que não conhece,
fazer poesias, compor músicas ou pintar quadros, demonstrando, assim,
aptidões que não possui em estado normal.
A título de exemplo, faremos um rápido comentário sobre a
psicografia literária do famoso médium brasileiro Francisco Cândido
Xavier.
Em 1932, com apenas 22 anos de idade, Francisco Cândido Xavier
publicou sua primeira obra psicografada com o título de "Parnaso do
Além Túmulo", constituído de poesias inéditas atribuídas a poetas
brasileiro e portugueses já falecidos, como Castro Alves, Olavo Bilac,
Cruz e Souza, Emílio de Menezes, Augusto dos Anjos, Casimiro de Abreu,
Alberto de Oliveira, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, entre outros.
No mesmo ano, o escritor e crítico literário Humberto de Campos,
em sua crônica "Poetas do outro mundo", publicada no Diário Carioca, no
dia 10 de julho, assim se pronunciou sobre o livro do médium mineiro:
"Eu faltaria ao dever que me é imposto pela consciência, se não
confessasse que, fazendo versos pela pena do Sr. Francisco Cândido
Xavier, os poetas de que ele é intérprete apresentam as mesmas
características de inspiração e expressão que os identificavam neste
planeta".
E, incisivamente, declara:
"Os temas que abordam são os mesmos que os preocupavam em
vida. O gosto é o mesmo e o verso, em geral, obedece ao mesmo ritmo
musical: fácil e ingênuo em Casimiro de Abreu, amplo e sonoro em Castro
Alves, sarcástico e variado em Guerra Junqueiro, funéreo e severo em
Antero de Quental e filosófico e profundo em Augusto dos Anjos".
Anos mais tarde, em 1939, o crítico literário Agrippino Grieco teve
a oportunidade de presenciar a elaboração de mensagens psicografada
por Francisco Cândido Xavier, assinadas pelos falecidos Augusto dos
Anjos e Humberto de Campos. Entrevistado, no dia 31 de julho, pelo
Diário da Tarde sobre aquele fenômeno psicográfico, assim se expressou:
"Mas o certo é que, como crítico literário, não pude deixar de
impressionar-me com o que realmente existe no pensamento e na forma
daqueles dois autores patrícios, nos versos de um e na prosa do outro.
Se é mistificação, parece-me muito conduzida. Tendo lido as paródias de
Albert Sorel, Paul Reboux e Charles Muller, julgo ser difícil (isso o digo
com a maior lealdade) levar tão longe a técnica do "pastiche".
No dia 5 de agosto do mesmo ano, Agrippino Grieco, entrevistado
sobre o mesmo assunto pelo Diário Mercantil, em certo trecho asseverou:
O que não me deixou dúvidas, sob o ponto de vista literário, foi a
constatação fácil da linguagem inconfundível de Humberto de Campos na
página que li. Como crítico, se, sem que eu conhecesse sua procedência,
me houvessem apresentado, tê-la-ia atribuído ao autor de "Sombras que
sofrem", "Crônicas", "Memórias", e outras inúmeras preciosidades das
nossas letras contemporâneas".
Em nova entrevista, desta vez concedida ao Diário da Noite, no dia
21 de setembro, disse Agrippino Grieco:
"Quanto a mim, não podendo aceitar sem maior exame a certeza de
um "pastiche", de uma paródia, tive, como crítico literário que há trinta
estuda a mecânica dos estilos, a sensação espontânea de percorrer um
manuscrito glorioso. Eram em tudo os processos de Humberto de
Campos, a sua amenidade, a sua vontade de parece austero, o seu tom
entre ligeiro e conselheiral. Alusões à Grécia e ao Egito, à Acrópole, a
Tirésias, ao véu de Ísis muito ao agrado do autor dos "Carvalhos e
Roseirais". Uma referência a Saint-Beuve, crítico predileto de nós ambos,
mestre do gosto e clareza que Humberto não se cansava de exaltar em
suas palestras, que não me canso de exaltar em minhas palestras.
Conjunto bem articulado. Uma crônica, em suma, que, dada a ler a
qualquer leitor de mediana instrução, logo lhe arrancaria este comentário:
"É Humberto puro!"
Em 1944, quando ainda corria a ação declaratória, promovida pela
Sra. Catharina Vergolino Campos, viúva de Humberto de Campos, contra
a Federação Espírita Brasileira e o médium Francisco Cândido Xavier,
pleiteando os direitos autorais das obras psicografadas por este último e
atribuídas ao Espírito do referido escritor, assim se exprimiu sobre o caso
o poeta e crítico literário Afonso Schmidt, em artigo publicado em "O
Estado de São Paulo", cujo texto, na íntegra, é o seguinte:
"As pessoas que do berço trazem vocação para as letras
caracterizam-se, geralmente, por estas faculdades: fantasia, compreensão
e bom gosto. Com tais elementos apenas, elas produzem os primeiros
trabalhos que, quando publicados, tornam-se, no mais das vezes, em
trambolhos para os seus apressados autores.
Só com os anos e acurados estudos, os homens de letras
alcançam a cultura, a correção, a clareza, a sua maneira particular de
sentir, de escrever, de comunicar-se com o leitor. Enfim, a personalidade,
o estilo, algumas vezes, a escola.
Dois escritores são tão diferentes entre si como dois pintores, ou
dois músicos. Talvez mais. É verdade que, por mera ginástica, tem havido
casos de um escritor procurar imitar outro. Para isso, estuda a sua obra,
anota as palavras preferidas, os assuntos habituais, constrói as frases
mais ou menos de acordo com o modelo e, desse modo, a obra concluída
chega a dar, mais ou menos, a impressão do autor arremedado. É o
pastiche. Não passa de uma caricatura. Nesse gênero, certo escritor
francês publicou uma obra "À la manière de..." com arremedos de
escritores em voga, sem, contudo, transmitir uma emoção artística.
Há pouco, esteve em juízo no Rio de Janeiro, uma questão assaz
curiosa. Os herdeiros de Humberto de Campos pleiteavam junto a certa
casa editora o pagamento dos direitos autorais que, após a sua morte,
teriam sido "escritos" pelo nosso ilustre patrício através de um chamado
"médium" de Minas Gerais. Muito se discutiu a tal respeito.
Fui sempre leitor de Humberto de Campos. Há anos, atraído pelo
rumor que fazia, procurei ler, igualmente, uma das crônicas a ele
atribuídas por Francisco Cândido Xavier, esse jovem, modesto e iletrado
caixeiro de loja de uma cidadezinha de Minas. Observei o seguinte: a
fantasia, a compreensão fraternal da vida e do bom gosto na composição
são os mesmos que caracterizam a obra do nosso ilustrado patrício. Até
aí, trata-se de faculdades inatas que, por um acaso qualquer, poderiam
ser trazidas do berço por Francisco Cândido Xavier.
O mesmo, porém, não poderia dar-se com a cultura, a correção, a
maneira particular de sentir, de escrever, de comunicar a sua impressão
ao leitor. Enfim, a sua personalidade, a sua atitude perante a vida, os seus
silêncios, elementos de êxito que Humberto de Campos conseguiu em
quarenta anos de incessante prática da literatura. E o rapazinho de Minas
Gerais, apresentando tais virtudes, não poderia improvisar aquilo que em
todas as artes os artistas não trazem do berço e que é o mais difícil de
conseguir.
Não quero discutir a questão, mas, no meu pobre entender, o
Tribunal só teria dois caminhos a seguir: ou declarar que Humberto de
Campos é autor de tais obras, mandando o editor entrar com os direitos
para os herdeiros, ou negar a autoria do nosso grande escritor. Neste
último caso, teria de pedir a Academia Brasileira de Letras uma poltrona
para o rapazinho que principiou por onde nem todos acabam, isto é,
escrevendo páginas que puderam ser atribuídas a quem tão
formosamente escreveu".
A ação declaratória, proposta pela viúva de Humberto de Campos
contra a Federação Espírita Brasileira e Francisco Cândido Xavier, não
logrou êxito, tendo o Juiz julgado a autora carente de ação. O recurso
impetrado teve o mesmo destino, pois a sentença recorrida foi
confirmada na Superior Instância.
Anos depois, o escritor Monteiro Lobato, repetindo o que dissera
Afonso Schmidt, afirmou o seguinte a respeito da obra psicográfica de
Francisco Cândido Xavier:
"Se o homem produziu tudo isso da própria cabeça, pode ocupar
quantas cadeiras quiser na Academia".
Sob o ponto de vista exclusivamente literário, as judiciosas
observações de críticos do porte de Humberto de Campos, Agrippino
Grieco e Afonso Schmidt dispensam comentários. A identidade de estilos
entre as obras mediúnicas atribuídas aos poetas e escritores falecidos e
as suas obras escritas em vida foi unanimemente comprovada.
Os espíritas não têm qualquer dúvida de que as poesias publicadas
em "Parnaso do Além Túmulo" e as obras mediúnicas atribuídas a
Humberto de Campos foram escritas são de autoria de seus autores
falecidos.
Sem discutir a questão da sobrevivência, por não ser objeto da
Parapsicologia, temos de admitir que Francisco Cândido Xavier é o autor
das obras literárias psicografadas e, em conseqüência, reconhecer que
ele é um superdotado. O mesmo se diga dos quadros pintados por Luiz
Antônio Gasparetto e atribuídos a notáveis artistas falecidos, para
restringir o nosso exemplo apenas aos agentes psi brasileiros.
ALGUNS ASPECTOS DA PARANORMALIDADE NO BRASIL
VALTER DA ROSA BORGES
RESUMO
O presente trabalho visa apresentar a descrição de alguns fenômenos psi de
personificação objetiva que, embora ocorridos em ambiente religioso espírita, sem
os procedimentos da metodologia científica, podem servir de matéria para
reflexão, apesar do seu empirismo.
Não nos preocupamos com as costumeiras e cediças alegações de fraude,
que partem da insustentável premissa de que todos os agentes psi são hábeis
prestidigitadores e que as testemunhas são desprovidas de credenciais científicas
para investigar fenômenos parapsicológicos. A única conseqüência desta falha
metodológica é a impossibilidade da admissão dos relatos como investigação
científica o que não importa na rejeição preliminar da autenticidade dos
fenômenos pela simples suspeição de fraude, facilitada pela ingenuidade das
testemunhas e sua crença religiosa.
Introdução
A pesquisa dos agentes psi brasileiros não foi desenvolvida segundo
procedimentos científicos, e a totalidade dos fenômenos paranormais, que iremos
aqui analisar, ocorreu em ambiente religioso espírita, porém presenciado, em
algumas ocasiões, por pessoas de formação científica e de indiscutível
respeitabilidade moral. Não vamos, portanto, nos deter em questionamentos que
revelam mais a preocupação sectária do que a investigação simplesmente factual
dos relatos oferecidos.
Selecionamos, para o nosso estudo, os fenômenos de personificação objetiva
(mais conhecidos pelo nome de “materialização”) e outros a eles relacionados,
apresentados por alguns agentes psi brasileiros e comparados aos produzidos por
agentes psi de outros países. Também ressaltamos aspectos da fenomenologia de
psi-kapa apenas encontráveis na paranormalidade brasileira.
Personificações de pessoas desconhecidas
As personificações de pessoas desconhecidas (ou fictícias) são a regra geral
entre os agentes psi que manifestaram esse fenômeno.
Francisco Peixoto Lins, mais conhecido por “Peixotinho” foi talvez o maior
agente psi em fenômenos de personificação objetiva no Brasil. As personificações
eram completas, ou seja, de corpo inteiro. Nas suas sessões, também ocorriam
fenômenos de metafanismo, voz direta, modelagens de flores e mãos em parafina.
Entre as personificações de pessoas desconhecidas, que se apresentavam nas
sessões de “Peixotinho” se destacaram “Scheilla”, “Jesuíno”, “Zé Grosso” (quase
dois metros de altura), “André Luiz” (um dos “espíritos” que ditou vários livros
pela psicografia de Chico Xavier), “Ana”, “Fidelinho” e o japonês “Tongo”.
Em três dessas sessões, “Jesuíno” tocou safona (11 de novembro de 1939),
fez quadrinhas (9 de dezembro de 1939) e executou algumas músicas em uma gaita
(9 de março de 1940).
Informou Guy Playfair que, em uma sessão realizada em 1948, na casa de
Jair Soares, em Belo Horizonte, o Dr.Rubens Romanelli apertou a mão de
“Sheilla”, “sentindo a resistência de um corpo carnal, o calor de uma mão
humana”.
Disse Romanelli:
“Notei que seus olhos não tinham brilho e perguntei-lhe o motivo. Explicou-
me que isto era perfeitamente normal durante a materialização, porque não era
possível reproduzir o brilho dos olhos humanos. Notei também uma mancha escura
entre o seu braço e o seu tórax e ela explicou que, desde que o médium estava atacado
de um resfriado, não lhe era possível materializar-se completamente. Disse que isso
era prova de que ela era realmente um espírito e pediu-me que pegasse a capa de um
álbum de discos e passasse entre seu braço e seu tórax, o que fiz sem qualquer
dificuldade, apurando que não havia ligação material entre ambos. O braço me deu a
impressão de estar solto. Não havia ligação material para os nossos olhos, mas havia
um dinamismo espiritual que iludia o olho material, e esse dinamismo permitia a
articulação do braço.”
Este depoimento de Romanelli é coincidente com o que aconteceu com a
personificação de “Katie King” que se apresentava nas sessões da agente psi
Florence Cook.
O príncipe Emílio de Sayn Wittgenstein também observou que os olhos de
“Katie King” lhe davam a aparência de espectro. Eram formosos, porém olhavam
“de um modo esquivo, fixo, glacial”.
O Dr. Georges H. de Tapp relatou que, certa ocasião, ao segurar,
involuntariamente, o pulso direito de “Katie King” observou que “ele cedeu sob a
pressão como se fosse de cera”.
“Scheilla” explicou a Romanelli que o fenômeno de “materialização”
apresenta o mesmo processo do ferromagnetismo, onde o ectoplasma, à
semelhança da limalha de ferro atraída pelo eletroímã, é orientado em direção ao
espírito.
Informou Rafael Américo Ranieri que o agente psi Fábio Machado,
integrante do grupo espírita de Jair Soares, de Belo Horizonte, não conhecera
“Peixotinho” e não assistira qualquer de suas sessões. No entanto, as
personificações, que se apresentavam no Grupo de Jair, eram as mesmas do Grupo
Espírita André Luiz, do Rio de Janeiro, tais como “Zé Grosso”, “Scheilla” e
“Fidelinho”.
Personificações de pessoas falecidas conhecidas
O primeiro fenômeno deste gênero foi produzido por Kate Fox na
residência do banqueiro Livermore, na Inglaterra, em 300 sessões realizadas de
1861 a 1866, onde se apresentava a personificação da sua falecida esposa chamada
Estela. A personificação deixou mensagens escritas em papel marcado por
Livermore, com a grafia de Estela, e em francês, idioma desconhecido de Kate Fox.
César Lombroso afirmou que, uma vez, viu a personificação de sua genitora
falecida. Ernesto Bozzano, de sua esposa com a qual não foi feliz. Vassalo, de seu
filho Noraldino. O Professor Porro, de sua filha Elza. Em todos esses casos de
personificação de pessoa morta, o agente psi era Eusápia Paladino.
Contou Florence Marryat que, em várias ocasiões e com “médiuns”
diferentes, manteve diálogos com a personificação de sua filha falecida, também
chamada Florence, como se fosse uma pessoa viva e observou “distintamente aquela
particularidade defeituosa do seu lábio com que nasceu e que médicos experientes
tinham declarado que era tão rara que nunca tinham visto antes nenhuma
semelhante”.
Nenhum outro agente psi no mundo excedeu “Peixotinho” em número de
personificações de pessoas falecidas, que apareceram em suas sessões mediúnicas e
foram reconhecidas por parentes e amigos. Eram elas: Júlio Olivier (médico
falecido em Macaé, RJ), João Passos (cientista brasileiro, falecido em Caxambu,
MG), Nina Arueira (noiva de Clóvis Tavares e falecida aos 19 anos de idade),
Neuza Magaldi, Abel Gomes, David Pais dos Santos (pai do Dr. Amadeu Santos),
Aracy (filha falecida de “Peixotinho” aos três anos de idade), “Mãe Iza” (sogra do
Prof. Leopoldo Machado), Ilka dos Santos (filha falecida de Vitorino e Alina
Ferreira dos Santos) e o Dr. João Passos.
Neusa Magaldi manteve um rápido diálogo com o seu pai, Aleixo Victor
Magaldi. “Mãe Iza” conversou com a sua filha Marília Barbosa Machado e sua
neta Ilza Chaves de Almeida. Em outra ocasião, palestrou animadamente com
Vitorino Elói dos Santos de quem era muito amiga quando em vida. E Ilka dos
Santos conversou com os seus pais Vitorino e Alina Ferreira dos Santos.
Amadeu Santos descreveu, na ata da reunião de 23 de janeiro de 1947 do
Grupo Espírita André Luiz, a aparição de Batuíra, que, em vida, fora um grande
divulgador da doutrina espírita.
A personificação do Dr. Bezerra de Menezes, notável líder espírita,
apresentou-se apenas uma vez.
Em sessão realizada em Fortaleza, em 1952, surgiu a personificação de
Maria Gonçalves Duarte, que, quando viva, fora esposa do conferencista espírita
português, Isidoro Duarte Santos. Uma cópia da fotografia da personificação foi
enviada ao seu marido em Portugal. Por causa disso, Isidoro Duarte Santos veio ao
Brasil e conseguiu participar de uma sessão com “Peixotinho”, onde, mais uma
vez, ocorreu a aparição de sua esposa. A personificação, no entanto, não foi total e
nem apresentou a mesma nitidez da vez anterior. Isidoro, então, pediu-lhe uma
prova contundente de sua identidade. Um perfume invadiu o aposento e Isidoro
reconheceu que se tratava do mesmo perfume que o casal costumeiramente usava.
É preciso ressaltar que Maria Gonçalves Duarte jamais esteve no Brasil.
Em uma das sessões de “Peixotinho”, a personificação de Heleninha, filha
de Rafael Américo Ranieri, falecida aos dois anos de idade, sentou-se no colo do
pai.
No ano de 1921, em Belém do Pará, nas sessões de Ana Prado, ocorreu, em
várias ocasiões, a personificação da falecida Raquel Figner, na presença de seus
familiares. Em uma dessas sessões, a personificação durou duas horas
consecutivas, mantendo contato físico com a sua mãe e suas irmãs.
Personificação duradoura
A personificação geralmente dura poucos minutos. No entanto,
excepcionalmente, pode assim permanecer durante quase duas horas, como a de
“Katie King”, produzida por Florence Cook e a de Rachel Figner, por Ana Prado.
Desmaterialização do agente psi
A desmaterialização de parte do corpo do agente psi aconteceu algumas
vezes no passado.
Dr. Vezzano, em certa ocasião, notou o desaparecimento dos membros
inferiores de Eusápia Paladino.
Aksakof, em 11 de dezembro de 1985, em Helsingfors, observou a parcial
desmate-rialização do corpo de Elisabeth D’Esperance.
Leadbeater testemunhou um impressionante fenômeno de
desmaterialização.
Disse ele:
"Vi, pessoalmente, fenômeno destes, em que o corpo físico do médium perdeu peso consideravelmente; murchou e se
encolheu tão horrivelmente que seu rosto desapareceu na gola de seu paletó quando sentado".
O Reverendo Haraldur Nielson, da Universidade de Reykjavick, Islândia,
presenciou algumas desmaterializações de Indridi Indridasson.
Assim, ele relatou a sua experiência:
"Três vezes obtivemos um fenômeno que parecia incrível à maior parte da gente: o braço esquerdo do médium foi
completamente desmaterializado, desapareceu e foi impossível achá-lo, ainda que iluminássemos o local e,
minuciosamente, examinássemos o médium".
Finda a experiência, Indridi Indridasson recuperou o braço desaparecido.
No Brasil, Ana Prado foi fotografada, quando se encontrava parcialmente
desmaterializada.
Segundo Eurico de Góes, o agente psi Carlo Mirabelli, em São Paulo, teve
os seus dois braços desmaterializados. Ele foi fotografado, nesse estado, no meio
dos pesquisadores.
A pesagem do agente psi, após os fenômenos de personificação objetiva, foi
utilizada com a finalidade de se constatar que o ectoplasma era matéria orgânica,
originada de seu corpo.
Observou-se que o agente psi nem sempre recuperava o peso anterior após
uma experiência de desmaterialização.
Para René Sudré "pode-se admitir, teoricamente, que a desmaterialização
recai sobre partes não vitais do corpo, ou que se efetua uniformemente à custa dos
tecidos musculares".
A Srtª Fairlamb chegava a perder metade do seu peso por ocasião de um
fenômeno de ideoplastia.
W. J. Crawford observou que Kathleen Goligher, em uma das sessões, apresentou
uma diminuição de 24 quilos em seu peso normal, com sensível desmaterialização
de pequena parte de seu corpo, onde a carne estava amolecida. O corpo de
Kathleen recuperou seu volume e consistência ao término da reunião.
Henry Ollcott constatou a perda de 35 quilos da Srª Compton, que pesava
55 quilos, por ocasião de um fenômeno de ideoplastia. A personificação, subindo à
balança, acusou o peso de 35 quilos.
Wilson de Oliveira contou que “Peixotinho”, em uma de suas sessões, ficou
sem as pernas e os “espíritos” passaram mais de uma hora para recompô-las.
Em 6 de dezembro de 1946, o Dr. Amadeu Santos, após o término da reunião,
pesou “Peixotinho” e outras pessoas e constatou que ele havia perdido 4,5 quilos e
os outros participantes, de 1,5 a 2 quilos. Estranhamente, Laís Teixeira Dias, que
recebera assistência espiritual nesta sessão, teve o seu peso aumentado em 2 quilos.
Jair Soares, em uma sessão do Grupo Scheilla, em 7 de novembro de 1949,
assistiu à desmaterialização das pernas do agente psi Fábio Machado.
Rafael Américo Ranieri assim descreveu o acontecimento:
"Logo em seguida, nota-se que o médium Fábio está gemendo muito e, entre o
barulho da música do canto que se fazia, ouve-se a voz de José Grosso, fraca,
arrastada, que chama dolorosamente o Jair, dizendo-lhe que a porta da cozinha
(onde estava o médium) tinha se aberto...
A notícia é recebida com um choque tremendo e o Jair fica um pouco
aturdido. . . Imediatamente corre em direção à cabina-cozinha e verifica que pela
porta aberta num espaço de um palmo entrava uma forte luz de luar.
Perto do médium uma luz forte e na altura de sua garganta saía um tubo
ectoplásmico em cuja ponta havia uma luz e por aí se ouvia a voz da irmã Scheilla,
dizendo da gravidade da situação e pedindo a mais viva cooperação para tão doloroso
momento.
Preces suplicantes são dirigidas ao Pai, a Jesus, pedindo pelo médium. O
mesmo continua gemendo dolorosamente. Ansiosa expectativa toma os nossos
espíritos que, todavia, se mantêm confiantes e firmes, tudo depositando no amor de
Jesus.
Ouve-se novamente a voz da querida Scheilla que chama à cabina os irmãos
Jair e Dante. Pede que eles segurem na calça do médium mantendo-a esticada. Nesse
momento, ao assim fazerem, verificam com assombro que ambas as pernas das calças
estão vazias e que os sapatos estão também vazios. Dante segura em uma das pernas e
Jair na outra. Assim permanecem ajoelhados, por quase meia hora.
Recebem ordem para retornarem. Músicas, cantos e preces continuam subindo
para o céu. Decorrem muitos minutos e, silenciosamente, a querida Scheilla vem até
ao Jair e lhe diz, magoadamente, que, infelizmente, não conseguiam formar as
pernas do médium e que já haviam empregado todos os recursos possíveis e que o
único recurso agora era Jesus.
Vai até a sala e pede a cooperação vibracional de todos.
Então, em voz extraordinariamente sentida, dirige-se ao Pai, a Jesus, pedindo-
lhes o necessário socorro para o médium e que, a sofrer, sofresse ela porquanto o
médium não tinha culpa alguma, era inocente, e não lhe fosse tirada a oportunidade
de continuar em condições de trabalhar na tarefa da qual ele tanto tinha necessidade.
Lágrimas confiantes rolam dos olhos presentes.
Que súplica, que prece!
Retorno da Scheilla para a cabina do médium. Há irmãos que mentalmente
pedem que as suas pernas sejam dadas ao médium.
Continuamos pedindo e suplicando ao Pai!
E minutos e mais minutos passam sem darmos conta do tempo e cada vez mais
fervorosos nas nossas súplicas e nas nossas esperanças. Uma entidade aproxima-se
do Jair e lhe aperta a barriga. Jair identifica o irmão José Grosso e, ansiosamente,
lhe pergunta pelo médium: "GRAÇAS A DEUS ESTÁ SALVO! . . ."
Meus Deus! Que alegria para as nossas almas! Lágrimas de contentamento,
de satisfação íntima inundam os nossos olhos.
E então o irmão José vai até a sala e faz uma nova aplicação no Atílio Pena Filho. Diz a este para dizer ao seu pai que
antes de bater-lhe venha falar com ele (José) primeiro . . . Recomenda que evite umidade. Despede-se de todos
informando ao Jair que tinha deixado as quadras pedidas pelos diretores do Abrigo Jesus. Pede ao Dante para tocar
uma música e em seguida faça a prece de encerramento.
Quando o Dante fazia a prece o José retorna ate junto ao Jair e diz que mande
ainda tocar mais duas músicas porque o Joseph iria ainda preparar remédios.
Antes da partida do José perguntamos se o médium não ia sentir alguma coisa
das pernas, respondeu: não e que ao contrário iria ter pernas melhores porquanto
eram novas, tendo sido feitas com fluidos dos presentes, parte, e o restante trouxeram
da espiritualidade.
Terminada a reunião, a uma hora de terça-feira, encontraram-se diversos
remédios preparados e quadras por escritas diretas".
Foi feito um suplemento da ata do dia 7, que recebeu a seguinte redação:
“Em conseqüência dos acontecimentos de ontem a queimadura da
radioatividade sofrida pelo médium na reunião da Fazenda Cachoeira, Esmeraldas,
voltou, estando o local novamente vermelho e dolorido. O mesmo sente igualmente as
pernas doloridas, como se ainda não estivessem ajustadas.
É ainda interessante anotar-se que uma cicatriz que o mesmo tinha na perna
esquerda, altura da canela, já não existe mais.
O médium deu as suas impressões dizendo: no momento do perigo voltou para junto do seu corpo e estava até achando
bom a dispersão molecular do seu organismo porém quando notou que essa dispersão paralisou com a perca, de seus
membros inferiores e pensou na possibilidade de viver aleijado, mostrou-se aflito e sofregamente procurou apanhar os
fluidos que estavam dispersos do lado de fora. Enchia as mãos com os mesmos, como se pegasse uma quantidade grande
de algodão, mas quando chegava no interior do cômodo os mesmos já tinham desaparecido novamente. Fizeram então
compreender que estava se esfalfando à toa porquanto aqueles fluidos já estavam inutilizados. Sempre aflito
acompanhou o trabalho insano dos inumeráveis amigos espirituais que ali acorreram. Mencionou que assim que a porta
foi fechada, o irmão José Grosso partiu no aparelho costumeiro e daí a pouco retornava em um
aparelho maior que pousou em cima do telhado do barracão em frente e do aparelho
à porta da cozinha uma espécie de sanfona ligando o aparelho ao cômodo e por onde
transportaram para dentro da cabina diversas máquinas. Disse nunca ter visto tantos
aparelhos-máquinas de formas tão diferentes. Um dos aparelhos tinha muitos tubos
de borracha (1) (deve ser um gigantesco aspirador de fluidos) e cujas pontas foram
levadas para o ambiente onde estavam os assistentes. Disse que a atuação do Jair e
Dante junto às pernas de sua calça vazia era impedir que o restante do seu corpo
continuasse se desmaterializando até que chegasse uma espécie de aparelho-tampão
que ali colocaram. Diz que entre os irmãos espirituais estava André Luiz, todo grave e
preocupado."
O impacto da luz sobre o ectoplasma
Alguns agentes psi passaram pela dolorosa experiência do impacto de luz,
acesa repentina durante a exteriorização do ectoplasma.
Kluski sofreu uma ferida aberta como resultado de um violento retorno do
ectoplasma.
Arthur Conan Doyle contou o caso de um agente psi que exibia uma
contusão, do peito para o ombro, causado pelo recuo do ectoplasma.
Evan Powell, em sessão realizada no British College of Psychic Science,
sofreu um grave ferimento no peito, devido a um movimento violento, mas não
intencional, de uma das pessoas presentes, quando tocada por um braço
ectoplásmico.
Hemorragias podem resultar de uma súbita exposição à luz do ectoplasma.
Dennis Bradley se reportou a uma sessão onde George Valiantine ficou com
uma contusão escura, medindo alguns centímetros, na região estomacal, como
conseqüência de um choque produzido pelo retorno do ectoplasma, quando alguém
subitamente acendeu uma luz.
Wilson Oliveira relatou que, em uma das reuniões de materialização, a luz
foi acesa involuntariamente por um dos assistentes. A personificação se
desmaterializou e “Peixotinho” “tomou um choque tão grande que quase chegou a
morrer”.
Provas físicas deixadas pelas personificações
Algumas personificações deixaram provas físicas de sua presença.
Conta-se que "Katie King" costumava escrever bilhetes.
Em algumas sessões de Kate Fox, como já vimos, a personificação de Estela,
a falecida esposa do banqueiro Livermore, escreveu-lhe bilhetes em francês.
“Nephente”, personificação que se apresentava nas sessões de Elisabeth D'
Esperance, escreveu, certa vez, em grego da época clássica.
“Peixotinho” também apresentou esse fenômeno. A personificação de um
japonês conhecida por “Tongo”, por ocasião de sua primeira aparição, no dia 10
de dezembro de 1947, escreveu, em sua língua, uma poesia de Casimiro Cunha.
“Tongo”, nas sessões subseqüentes, passou a fazer desenhos de pessoas falecidas.
Na reunião de 3 de janeiro de 1948, do Grupo Espírita André Luiz, foi
produzida, por escrita direta, uma mensagem em japonês, assinada por “Tongo” e
Nina Arueira.
Nenhum dos presentes, inclusive “Peixotinho”, conhecia o idioma japonês. As
mensagens foram posteriormente traduzidas.
Ideografia literária
Em algumas sessões de “Peixotinho”, as personificações de Batuíra, Aracy,
“Zé Grosso” e “Scheilla” escreveram versos por escrita direta, pneumatografia.
Trata-se de um fenômeno singular que nenhum outro agente psi, no mundo,
apresentou. Por isso, o denominamos de ideografia literária.
Ideofonia
Alguns agentes psi, como Daniel Dunglas Home, George Valiantine e John
Sloan, entre outros, apresentaram fenômenos de voz direta ou pneumatofonia e
que nós o renomeamos para ideofonia. Em uma das sessões de “Peixotinho”, a Sra.
Margarida, esposa falecida de Afonso Pinto da Fonseca, conversou com o marido
por meio deste processo.
Na sessão de 27 de maio de 1947, as personificações de “Zé Grosso”, “André
Luiz”, Caírbar Schutel, “Scheilla”, Abel Gomes, Garcez, João de Deus e Auta de
Souza sae expressaram, por esse meio, ora em prosa, ora em verso. E em junho
deste ano, Osório Pacheco identificou a voz de sua filha falecida, quando esta lhe
falou por ideofonia.
Modelagens
Um dos mais famosos agentes psi, Franek Kluski , pesquisado por Gustave
Geley, obteve fenômenos de modelagens.
"Peixotinho" e Ana Prado também conseguiram, algumas vezes, realizar
esse fenômeno.
Personificações oriundas de obras mediúnicas
Certa ocasião, em uma das sessões de “Peixotinho”, surgiu a personificação
de “Clarêncio”, personagem de uma das obras psicografadas por Francisco
Cândido Xavier e atribuída ao “espírito” André Luiz. Ela foi saudada, por voz
direta vinda da cabine, que exclamava “Senhor Ministro”. A personificação,
intensamente iluminada, foi vista conduzindo um bastão também luminoso. O
próprio “André Luiz” se apresentou em sessão de “Peixotinho”, do Grupo Espírita
André Luiz, em 28 de janeiro de 1947. O fato foi registrado em ata por Amadeu
Santos, onde relatou que “depois de se terem materializado os espíritos bondosos de
Scheilla e Batuíra, os quais vieram ao recinto, tocando vários assistentes,
materializou-se pela primeira vez o patrono do Grupo, o preclaro espírito de André
Luiz, discorrendo sobre o Evangelho, com segurança e sabedoria, trazendo a
assistência em suspenso com a sua voz firme, forte e penetrante provocando
fortíssimas emoções nos presentes que, contagiados por um sentimento afetuoso e
fraterno, chegaram a banhar suas faces de lágrimas consoladoras.”
Personificações cantoras
Esse fenômeno singular ocorreu em sessão de “Peixotinho”, de 27 de dezembro de
1947, quando as personificações de Nina Arueira e de “Scheilla” cantaram para os
presentes.
Aparelhos trazidos pelas personificações
Outro fenômeno singular da paranormalidade de psi-kapa no Brasil
ocorreu nas sessões de “Peixotinho” e de Fábio Machado quando as
personificações traziam aparelhos exóticos, utilizados para os mais diversos fins, e
que eram examinados pelas pessoas presentes.
Rafael Américo Ranieri descreveu um deles, como "um bolo feito numa
forma semelhante à concavidade de um prato fundo, portanto quase um disco,
gelatinoso, de cor verde-clara transparente.”
Ele contou que uma das personificações colocou aquele aparelho no peito de
uma senhora e “como por um passe de mágica pudemos ver-lhe o interior do corpo
como se contemplássemos peixes em um aquário: lá dentro palpitava o coração,
viviam os pulmões e corria o sangue nas artérias e nas veias.”
E, mais adiante:
“Ainda não voltáramos de nosso assombro, quando a entidade mergulhou uma das mãos através do aparelho, ficando
parte da mão no interior do corpo da senhora e o resto de fora. Em gestos compassados, o espírito retirava a mão e
tornava a mergulhá-la. De cada vez que retirava trazia nos dedos certa matéria escura que lançava no ambiente e se
dissolvia.”
O médico Dr. Júlio Capilé estava presente na reunião em que a
personificação de “Dr. Fritz” usou um destes equipamentos para fazer aplicações
em um dos doentes. Disse ele:
"O equipamento, à medida que era utilizado, produzia um ruído semelhante ao de uma catraca, e, a cada estágio, emitia
uma luz irradiante".
Umbelino Pacheco Vitola afirmou que os “Espíritos” traziam aparelhos, e
um deles emitia uma luz azulada intensa nas mãos da personificação de Júlio
Olivier.
Segundo Ranieri, as personificações que se apresentavam nas sessões de
Fábio Machado, carregavam aparelhos iguais ou semelhantes àqueles utilizados
pelas personificações que compareciam às sessões de “Peixotinho”.
Agentes psi e personificações vistos juntos
Em algumas ocasiões, o agente psi e a personificação foram vistos
simultaneamente. William Crookes assegurou que, algumas vezes, observou, ao
mesmo tempo, Florence Cook e “Katie King”, em experiências realizadas em seu
laboratório. Elisabeth D' Esperance, em algumas oportunidades, foi vista ao lado
de suas personificações. O mesmo aconteceu com o agente psi Indridi Indridasson.
Umbelino Pacheco Vitola declarou que, em algumas sessões, viu
“Peixotinho” e as personificações ao mesmo tempo.
Fotogênese do agente psi
Contou Raniéri que, um dia, ele a sra. Lenice Teixeira Dias foram
convidados por um dos “espíritos” para ir a cabine onde estava “Peixotinho”. Eis o
seu relato:
“Ao penetramos nela quedamos admirados diante de um espetáculo
grandioso. Deitado na cama em nossa frente estava o médium Peixotinho como se
estivesse morto.
O seu corpo porém estava todo iluminado interiormente: Víamos a superfície
de suas mãos, braços e barriga, embora estivesse vestido de pijama, como se fosse de
vidro e dois ou três centímetros abaixo, interiormente, dessa superfície, luminosidade
igual à do vaga-lume, saindo de dentro para fora.
Na região do plexo solar a luz era intensíssima e nas mãos notavam-se os
clarões verdes interiores. Transformara-se a cabina numa doce claridade de luar.”
Painéis luminosos
Essa é mais outra singularidade da paranormalidade brasileira de psi-kapa.
Na sessão de “Peixotinho”, de 13 de abril de 1948, no Grupo Espírita André Luiz,
surgiram painéis luminosos, onde eram escritas frases evangélicas solicitadas pelos
presentes.
Os “espíritos” pediam aos presentes que dissessem uma frase e, em seguida,
ela aparecia escrita no painel em letras luminosas.
Personificação coletiva
Pouquíssimos agentes psi apresentaram esse fenômeno: o aparecimento
simultâneo de duas ou mais personificações.
Bozzano contou que, no “Círculo Científico Minerva”, de Gênova, na "mais
extraordinária sessão de toda a carreira de Eusápia”, num aposento iluminado por
um bico de gás, se apresentaram, diante dos experimentadores, entre os quais o
Professor Morselli, o Dr. Venzano e minha pessoa, seis formas materializadas e
perfeitamente formadas. Entre elas havia uma forma de mulher idosa, que trazia nos
braços uma criança de tenra idade, cujos bracinhos envolviam a cabeça da forma
feminina que beijou três vezes na fronte. Tudo isto, repito, em plena luz, com a
médium visível através da abertura das cortinas, solidamente ligados os pés, as mãos
e a cintura (pelo Prof. MORSELLI) e deitada em uma maca".
“Peixotinho” apresentou o mesmo fenômeno. Na sessão de 10 de dezembro
de 1946, as personificações de “Sheilla” e de Abel Gomes foram vistas ao mesmo
tempo, movimentando-se sem tocar no solo.
Na sessão de 3 de janeiro de 1948, “Sheilla” e “Fidelinho” foram vistos
simultaneamente.
Umbelino Pacheco Vitola disse que viu “vários espíritos materializados ao
mesmo tempo”.
Transfiguração
Um inusitado fenômeno de transfiguração foi relatado por Luciano dos
Anjos. Disse ele que, na cabine onde se encontrava “Peixotinho”, o seu corpo
diminuiu tanto de tamanho, que se assemelhava ao de uma criança.
Dr. Talvani Sanfim Cardoso e Dr. Albano Seixas, convidados a ir a cabine,
presenciaram o fenômeno.
Dona Laís Teixeira Capilé e sua irmã Lenice também foram convidadas,
por ideofonia, a ir até a cabina onde se encontrava “Peixotinho”. Dona Laís contou
assim o que presenciou:
“Vi Peixotinho na cabine com cerca de apenas meio metro”.
E mais adiante:
“O corpo do médium assim reduzido apresentava uma característica nunca
antes testemunhada: Estava transparente.”
Várias pessoas, em outras ocasiões, viram “Peixotinho” transparente. Não
há notícias de que tal fenômeno tenha acontecido com outro agente psi.
Lenice Dias Campos, sua irmã Laís e Antônio Alves Ferreira, atendendo a um
“convite da espiritualidade”, também tiveram acesso à cabina de “Peixotinho” e o
encontraram com o corpo em tamanho muito reduzido e transparente.
Personificações luminosas
Haraldur Nielson observou o aparecimento de personificações luminosas
nas sessões de Indridi Indridasson.
O Prof. Pawlosky disse que teve a oportunidade de ver, por duas vezes, nas
sessões de Kluski, a personificação da figura solene de um velho, completamente
luminoso.
Alberto Barajas e Gutierre Tibón afirmaram ter presenciado a aparição de
pequenas entidades luminosas que eram chamadas de “crianças”, nas sessões do
Luís Martinez, conhecido por “Don Luisito”.
No Brasil, o fenômeno aconteceu diversas vezes com “Peixotinho”.
Ranieri teve uma filha de nome Helena, que, em 1945, aos dois anos de
idade, morreu subitamente.
Decorridos três anos do fato, Ranieri conheceu “Peixotinho”, mas não lhe
falou sobre o caso. Dias depois, em uma sessão com aquele agente psi, entre outras
personificações luminosas que se apresentaram, surgiu a de Helena, que trouxe
para Ranieri uma flor ainda úmida de orvalho e lhe disse algumas palavras.
Ranieri assim descreveu o fenômeno das materializações luminosas:
“Diversos espíritos apresentaram-se materializados. Todavia se apresentaram
totalmente iluminados, por luz que saía de dentro para fora, tornando o ambiente
antes às escuras, num suave crepúsculo. A impressão exata que se tinha era de que
um globo de luz fluorescente em forma humana caminhava pela sala.”
Um destes espíritos luminosos impressionou vivamente Ranieri. Eis a sua
descrição:
“Tudo escuro. De repente, na entrada da cabina, surgiu uma figura luminosa
de beleza sem igual. Posso declarar que durante todo o tempo que freqüentei o André
Luiz jamais vi alguém que se lhe assemelhasse em luminosidade. O seu corpo
espiritual se apresentava todo cheio de ondulações como se fosse a pele de um
carneiro. Lembrava a roupa com que o Dante nos é apresentado: túnica e a cabeça
envolvida por uma espécie de turbante. A luz irradiante era intensa e de uma
grandiosidade fora do comum. Sabíamos que diante de nós estava uma elevadíssima
figura espiritual.”
E mais adiante:
“Estava pertinho de mim. Tomei o papel e o lápis. Aproximei-me um pouco
mais e comecei a escrever à claridade que do espírito se irradiava. O papel iluminado
pela “luz do luar” que se desprendia do espírito me permitiu anotar tudo o que
desejava. O espírito afastou-se, penetrou na cabina e nós voltamos a nos mergulhar
em completa escuridão”.
Na sessão de 27 de março de 1948, várias personificações luminosas se
apresentaram, entre elas as de Nina, Neuza e “Fidelinho”.
Segundo Luciano dos Santos, as personificações disseram a “Peixotinho”
que o fosfato de lecitina era usada para produzir as materializações luminosas e,
por isso, os agentes psi dessa modalidade deveriam comer muito peixe.
Personificações fotografadas
William Crookes, em sua pesquisa com Florence Cook, obteve quarenta e
quatro fotografias de “Katie King”, algumas de excelente qualidade para os
padrões técnicos da época.
Em três ocasiões, em sessões de “Peixotinho”, realizadas na residência de
Francisco Cândido Xavier, foram obtidas fotografias de personificações. Em abril
de 1953, a personificação de Camerino, (quando vivo, residia em Macaé, RJ, tendo
ali falecido) foi fotografada, surgindo em uma massa ectoplásmica, ao lado de
“Peixotinho” deitado em uma cama.
Meses depois, no dia 15 de setembro, em outra fotografia, apareceu o rosto
de Ana, (que viveu e faleceu em Campos, no então Estado do Rio) no ectoplasma
exteriorizado de “Peixotinho”.
E, no ano seguinte, em 13 de dezembro de 1954, uma personificação, em
fase de materialização, foi fotografada. Tratava-se de uma pessoa que, em vida, era
conhecida pelo nome de Pinheiros, e que viveu e morreu em Macaé, RJ.
Nas sessões de Mirabelli, em algumas ocasiões, ele e as personificações
foram fotografados juntos.

Personificação brincalhona
Ranieri relata que, nas sessões de Fábio Machado, uma personificação
brincalhona que se dizia chamar “Palminha”, gostava de falar de se agarrar com
as pessoas, caindo com elas no chão, dando-lhes tapas e empurrões, fazendo-lhes
cócegas, arrastando-as para o meio da sala e causando um grande alvoroço no
recinto.
Personificação de “Peixotinho”
Outro fenômeno singular da paranormalidade brasileira foi a
personificação de um agente psi após a sua morte.
Segundo depoimento de Adete Ferreira Vianna, viúva de Ramiro Martins
Vianna, a personificação de “Peixotinho”, após quatro anos de seu falecimento,
apareceu numa sessão em Caratinga, na presença de cerca de sessenta pessoas, e
abraçou comovidamente a todos os presentes, entre os quais a sua viúva Dona
Baby. A depoente se encontrava presente com o seu esposo e também foram
abraçados Pelo “espírito”de “Peixotinho”.
Radioatividade?
Disse Ranieri que, certa noite, em sessão de Fábio Machado, a
personificação de “Zé Grosso” anunciou que os “espíritos” iam fazer uma
experiência nova, saturando o ambiente com radioatividade.
Indagado sobre os riscos da experiência para as pessoas presentes, “Zé
Grosso” respondeu que os “espíritos” iriam derramar no ambiente um outro
elemento ainda desconhecido pelos homens e que neutralizaria a ação do rádium.
Ranieri assim descreveu o fato:
“De repente, o Márcio Cattôni deu um grito de alegria e de espanto ao mesmo
tempo:
- Olhem, olhem para a minha roupa, para o meu suspensório! Está saindo luz!
Todos nos voltamos imediatamente para o Márcio e contemplamos um
fenômeno notável: à medida que o Márcio passava as mãos na roupa ou no
suspensório, dele saía luz, luz fosforescente, luz de luar, luz igual à que os espíritos,
pelo Peixotinho, apresentavam nos seus tecidos do outro mundo.
Imediatamente, o César Burnier, uma das pessoas presentes, advogado e fiscal
do Estado de Minas Gerais, experimentou fazer a mesma coisa e o fenômeno se
reproduziu com ele.
Todos nós tentamos realizar o mesmo fenômeno e o fenômeno se revelou com
todos que o tentaram. Alguns passavam as mãos nos cabelos e os cabelos
derramavam luz fosforescente. Eu passei as mãos na minha roupa, nos meus
suspensórios e nos meus cabelos e via a luz desprender-se deles.
Eram quase trinta pessoas a realizar o mesmo fenômeno, a reproduzir a
mesma experiência.
Tempos depois, o Zé Grosso disse que iam retirar a radioatividade do
ambiente. Retirada a radioatividade, todos tentaram continuar realizando o
fenômeno, esfregando as roupas, os suspensórios e os cabelos, mas apenas a
escuridão respondia ao apelo. Nada mais acontecia. Como por encanto, a luz
fosforescente desaparecera do ambiente como um anjo de luz que houvesse
desaparecido nas trevas.”
Infelizmente, Ranieri omitiu a época em que ele participou das sessões de
Fábio Machado, mas tudo leva a evidência que foi entre os anos de 1949 e 1950.
Conclusão
Várias hipóteses foram formuladas para explicar as personificações
objetivas.
Enrico Morselli sustentava que o inconsciente do médium (agente psi) pode
estabelecer comunicação telepática com o das pessoas presentes e modelar as
formas ectoplásmicas na conformidade dos seus pensamentos e desejos. Ou pode
acontecer que ele transmita suas forças psicodinâmicas ao espectador e este, por
uma espécie de ação catalítica, objetive seus complexos emocionais.
Ernesto Bozzano afirmava que o ectoplasma obedece à vontade inconsciente
do médium, produzindo as personificações objetivas, as quais podem também
resultar da interferência da vontade inconsciente de outras pessoas presentes.
Para Gustavo Geley, nas materializações (personificações objetivas), as
capacidades ideoplásticas não dependem da consciência, mas surgem das
profundezas de um inconsciente misterioso e impenetrável. Por isso, a vontade
consciente e diretora do ser não tem ação sobre as grandes funções orgânicas e não
intervém na produção das materializações.
Von Hartmann afirmava que, durante o fenômeno de “materialização”, o médium
dorme e sonha e os assistentes partilham de seus sonhos, mas sem dormir.
René Sudre asseverava que as personificações objetivas são “sonhos
objetivados” e, por conseguinte, todas as formas materializadas espontâneas ou
experimentais não passam de criações inconscientes do médium.
Para Robert Tocquet, o médium vive uma espécie de sonho, onde os seus
fantasmas, ao invés de permanecerem subjetivos, se objetivam.
Leo Talamonti , em concordância com Hartmann, Sudre e Tocquet,
acreditava que esse material onírico é constituído não só de conteúdos
dramatizados do psiquismo inconsciente do agente, mas também da mente de
terceiros. Assim, a mente do médium "pode, em certos casos, funcionar como
projetor cinematográfico, com a vantagem de dar lugar a projeções tridimensionais
que não são simples imagens, mas possuem, mesmo, uma consistência material".
Dizia ainda:
"O certo é que no sono mediúnico, o "estado do sonho" alcança o máximo de potência criadora com esse poder que ele
tem de dissolver, pelo menos parcialmente, a matéria protoplasmática, de que é feito o corpo do médium, e de replasmá-
la de criação, dotada de certa autonomia aparente".
Vê-se, de logo, que essas hipóteses são insuficientes para explicar as
personificações e, principalmente, as suas características especias, como as
apresentadas pelos agentes psi brasileiros.
Alguns críticos podem, legitimamente, alegar que os fenômenos relatados
ocorreram em ambiente religioso, não foram submetidos a rígido controle
experimental, nem investigados por pesquisadores competentes, sendo, por
conseguinte, destituídos de validade científica. Outros podem argüir a hipótese da
fraude cometida pelos agentes psi em seu benefício e/ou da militância religiosa,
com ou sem o concurso de seus companheiros de crença.
A ausência de procedimentos metodológicos confiáveis não importa
necessariamente na negação da autenticidade dos fenômenos, mas na
impossibilidade de sua chancela científica.
Por outro lado, a mera alegação de fraude, desde que não comprovada, é
destituída de seriedade. Nem tampouco o argumento de que se trata de
propaganda religiosa pelo fato de que os fenômenos ocorreram em ambiente
espírita.
Se não temos a obrigação de confiar no testemunho dos outros, do mesmo
modo não temos o direito de levantar suspeitas infundadas sobre a honestidade de
quem quer que seja. Se os religiosos espíritas não têm qualificação científica para
investigar fenômenos psi e seus testemunhos são suspeitos, o mesmo pode ser dito
em relação aos evangélicos e católicos. Com base em tão esdrúxulo raciocínio,
teremos de considerar igualmente suspeito o testemunho de fenômenos
paranormais, místicos, milagrosos, observados por pastores, sacerdotes e fiéis de
qualquer religião, no âmbito de seus templos e igrejas, porque, além de
desprovidos de autenticação científica, ainda seriam contaminados pela
possibilidade de fraude.
O cientificismo, o ceticismo radical e o fanatismo religioso não devem constituir
obstáculo à investigação dos casos espontâneos de aparentes fenômenos psi onde quer
que tenham ocorrido, as condições em que foram observados e a confiabilidade das
pessoas que os testemunharam.
BIBLIOGRAFIA
Bozzano, Ernesto. O Espiritismo e as Manifestações Psíquicas. Editora Eco. Rio de
Janeiro.
Crawford, W. J. Mecânica Psíquica. Lake. São Paulo.
Góes, Eurico de. Prodígios da Biopsychica obtidos com o Médium Mirabelli.
Typographia Cupolo. São Paulo. 1937.
Hemmert, Danielle & Roudene, Alex. Aparições, Fantasmas e Desdobramentos.
Publicações Europa-América. Portugal.
Leadbeater, C. W. O que há além da Morte. Editora Pensamento. São Paulo. 1974.
Nielson, Haraldur. O Espiritismo e a Igreja. Edicel. São Paulo. 3ª edição.
Nogueira de Faria. O Trabalho dos Mortos. (O Livro de João). FEB. Rio de Janeiro.
3ª edição.
Palhano Júnior, Lamartine. Mirabelli, um Médium Extraordinário. Edições Celd.
Rio de Janeiro. 1994.
Palhano Júnior, Lamartine & Neves, Wallace Fernando. Dossiê Peixotinho –
Francisco Peixoto Lins – Uma Biografia do Mais Famoso Médium de
Materializações do Brasil. Publicações Lachâtre. Niterói, RJ.1997.
Playfair, Guy. A Força Desconhecida. Editora Record. Rio de Janeiro.
Ranieri, R. A. Materializações Luminosas. Editora Lake. São Paulo. 2ª edição.
Ranieri, R. A. Forças Libertadoras. Fenômenos Espíritas. Editora Eco. Rio de
Janeiro. 2ª edição.
Sudre, René. Tratado da Parapsicologia.Zahar. Rio de Janeiro. 1966.
Talamonti, Leo. O Universo Proibido. Record. Rio de Janeiro.
Vasconcelos, Humberto. Materialização do Amor. Fraternidade Espírita Francisco
Peixoto Lins. Recife. 1994.
A FORMAÇÃO DE UMA COMUNIDADE DE PARAPSICÓLOGOS EM
PERNAMBUCO
Jalmir Brelaz de Castro
RESUMO
O objetivo desde artigo é divulgar de forma sucinta a experiência bem sucedida do
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas – IPPP, na formação de uma
comunidade de parapsicólogos em Pernambuco, que tomou vulto a partir da criação em
1988, do curso pós-graduação em Parapsicologia, lato sensu, nos moldes utilizado pelo
MEC Ministério da Educação e Cultura - MEC, e sob orientação da sua delegacia
regional.
Até o ano de 2001 foram constituídas 14 turmas ininterruptas desse curso,
demonstrando o sucesso do empreendimento, que resultou na execução de diversas
pesquisas, publicação de artigos e livros e do reconhecimento da parapsicologia como
ocupação pelo Ministério do Trabalho. Fruto desses resultados o IPPP tem sido
considerado por diversos parapsicólogos ao longo do tempo como a instituição mais
produtiva no país.
Ao ministrar esse curso de pós-graduação concentramo-nos no pensar global e agir
local, ou seja em sintonia com o desenvolvimento da parapsicologia no mundo, porém
com nossas próprias características, recursos e potencialidades.
Esperamos que ao expor o modelo de formação de parapsicólogos posto em prática pelo
IPPP que este possa eventualmente servir de exemplo mas também de críticas por parte
de outras instituições de parapsicologia.
I - INTRODUÇÃO
O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP, desde a sua fundação em
1973, tem tido sucesso no estudo divulgação e pesquisa dos fenômenos psi, devido
principalmente a metodologia científica que emprega. Essa forma de abordagem tem-
lhe rendido dividendos nos meios acadêmicos e intelectuais do estado e pela sociedade
de uma forma geral, mas também críticas por parte de alguns movimentos religiosos
que esperavam o uso da parapsicologia para a confirmação de suas crenças.
Esses bons resultados do IPPP devem-se principalmente a criação de uma “massa
crítica” quase toda formada a partir de 1988, nos Cursos de Pós-graduação lato sensu
em Parapsicologia, elaborado nos moldes exigidos pelo Ministério da Educação e
Cultura - MEC, e sob orientação da sua delegacia regional do MEC.
Essa comunidade é constituída de profissionais de nível universitário das mais diversas
áreas do conhecimento, desde as ciências humanas e sociais, passando pelas de áreas
das ciências da saúde às áreas tecnológicas. Essa formação superior anterior permitiu
“queimar etapas” na construção de um espírito crítico, indispensável ao pesquisador Psi.
A participação de público com formação específica e com faixa etária já madura (a
maioria dos participantes apresenta 30 ou mais anos) contribuiu para a maturidade do
curso de pós-graduação e para freqüência daqueles que estivessem realmente motivados
e sobretudo vocacionados para a área.
II- AMPLIANDO A COMUNIDADE DE PARAPSICÓLOGOS
O pós-graduação foi um divisor de águas na ampliação da diminuta comunidade de
parapsicólogos existente.
A formação de um número suficiente de indivíduos que possam discutir, efetuar
pesquisas e publicações e tratar parapsicologia dentro de uma abordagem científica é
uma empreitada de difícil sucesso na iberoamérica. Faz-se necessário o uso adequado de
terminologia de uso internacional (sem criação de termos próprios que muito atrasam a
entendimento e o intercâmbio na parapsicologia) e o emprego do método científico na
investigação psi e publicação dos resultados de pesquisas, sem imiscuir-se em
mistificações e crendices.
Infelizmente a início da parapsicologia brasileira foi de forma “polarizada” (e
conseqüentemente isolada do resto do mundo), atrelada a movimentos religiosos, com
o propósito explicito de que apoiar ou combater o espiritismo. Hoje ainda há resquícios
dessa abordagem que desvirtua a credibilidade e isenção do estudo da fenomenologia.
O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, desde a sua fundação em 1973,
tem obtido crescente sucesso no estudo divulgação e pesquisa dos fenômenos psi,
exatamente pela isenção com que trata essa ampla fenomenologia, sem combater nem
agredir as crenças alheias, acolhendo em seu meio, pessoas das mais diversas tendências
religiosas e filosóficas. Damos ampla ênfase na formação metodológica científica sem
esquecer na abordagem humanística imprescindível ao pesquisador psi.
Podemos afirmar sem exagero que o aluno do curso de pós-graduação do IPPP, aprende
a delimitar o que pertence ou não ao campo da parapsicologia, e o que é
internacionalmente aceito, sem deixar-se levar por suas crenças ou preferências
religiosas.
Essa apreensão do que é considerado ciência, pelos paradigmas atuais, e da delimitação
do estudo das funções psi dentro de uma abordagem científica, é a base fundamental do
edifício da comunidade de parapsicólogos que formamos. A partir dessa delimitação é
possível desenvolver toda uma base conceitual e experimental aos nossos alunos.
Damos ênfase também a formação da parapsicologia como profissão, enfatizando
porém que o parapsicólogo não faz terapia.
A exigência de uma monografia com defesa pública perante banca examinadora, é
diferencial para a formação de parapsicólogos com capacidade crítica e científica
suficientes para lidar com a complexa fenomenologia psi.
Embora não seja um curso de pós-graduação reconhecimento formal pelo MEC, seu
certificado de conclusão já foi utilizado para pontuação em concurso público para
professor de psicologia da Faculdade do Ensino Superior de Pernambuco, hoje
Universidade de Pernambuco, no qual obteve aprovação o então recém concluinte
Luciano Fonseca Lins.
Pequena se comparada a outras categorias de profissionais tradicionais, pois o Conselho
Regional de Parapsicologia possui pouco mais de 50 profissionais registrados, esse
número deu densidade ao estudo, pesquisa e divulgação de psi permitiu-nos caminhar
com “as próprias pernas” sem dependermos da participação de profissionais de outras
áreas sem conhecimento da parapsicologia.
III- CRIAÇÃO DE SINERGIAS E OS PRIMEIROS
RESULTADOS
Para a obtenção dos primeiros resultados foi preciso que o ambiente estivesse propício a
colheita dos frutos. A soma de diversos vetores levaram a criação de um ambiente
sinérgico propício ao desenvolvimento da parapsicologia que impulsionaram.
A realização em Pernambuco em 1986 do V Congresso de Parapsicologia e
Psicotrônica, com participação de aproximadamente 900 pessoas, além de ampla
divulgação nos meios de comunicação, criando interesse e demanda por cursos de
parapsicologia, que não pode ser satisfeita apenas por cursos básicos de curta duração.
Desde 1986, tinha sido instalado o Conselho Regional de Parapsicologia em
Pernambuco, fruto do movimento parapsicológico brasileiro na década de 70 e 80, que
levou na criação da Federação Brasileira de Parapsicologia – FEBRAB, a qual estariam
vinculadas as instituições de parapsicologia, e os Conselhos Regionais concebidos para
funcionar em 10 regiões, abrangendo todo o território nacional. Infelizmente a FEBRAP
e os demais CONREPs não conseguiram sobrevier e atualmente só o Conselho Regional
de Parapsicologia instalado em Pernambuco continua a funcionar.
A existência de um Conselho Regional de Parapsicologia, instalado desde 1986, foi
decisivo para uma conscientização profissional por parte dos pós-graduados.
A Associação Pernambucana de Parapsicólogos – ASPEP, fundada em 1995, é também
fruto dessa sinergia.
As pesquisas de laboratório e de campo ao mesmo tempo foram produto e semente da
formação dos novos parapsicólogos. Pois essas pesquisas ocorrem em decorrência dessa
“nova safra” e ao mesmo tempo serviram de estímulo para a formação desses
parapsicólogos.
O reconhecimento político e social do trabalho desenvolvido pelo IPPP, que é uma
instituição científica sem fins lucrativos, traduziu-se também pelo seu reconhecido
como de utilidade pública estadual (lei 14.840 de 1986) e municipal (lei 9.714 de 1985).
A Constituição do Estado de Pernambuco, de 1989, no seu artigo 174 reconheceu que é
dever do estado a assistência social ao superdotado e ao paranormal. Todos esses fatos
contribuíram para atrair o interesse da opinião pública sobre a parapsicologia e
conseqüentemente do curso de pós-graduação.
Os Simpósios Pernambucanos de Parapsicologia, que ocorrem ininterruptamente desde
1983, estando atualmente na sua 19a promoção, torna-se “laboratório” ideal para os
alunos iniciarem seus primeiros passos científicos, sendo também palco (após seu
encerramento) das defesas das monografias.
Os primeiros professores do curso de pós-graduação foram Valter da Rosa Borges
(fundador do IPPP), Ivo Cyro Caruso (Diretor do Departamento Científico do IPPP) e
Ronaldo Dantas Lins Filgueira (atual presidente do IPPP), além de professores
convidados para disciplinas específicas.
As primeiras monografias defendidas em 1989, após a conclusão do VII Simpósio
Pernambucano de Parapsicologia, perante banca examinadora formada por Valter da
Rosa Borges, Ivo Cyro Caruso e Ronaldo Dantas Lins Filgueira, Geraldo Sarti e Pe
Oscar González-Quevedo, foram a do engenheiro Jalmir Freire Brelaz de Castro
(Experiências Paranormais na Proximidade da Morte: uma Mecanismo de Apego à
Vida) e a do médico Luiz Carlos Diniz (Curas Paranormais) ambas aprovadas com
distinção, abriram caminho para uma seqüência de estudos e pesquisas na
fenomenologia psi.
Os cursos básicos e avançados de parapsicologia promovidos pelo IPPP servem também
de estimulo aos concluintes de aprimorarem seus conhecimentos através do ensino da
parapsicologia.
O número médio de 10 alunos por turma ao longo de mais de uma década, permitiu
formar dezenas de parapsicólogos, com boa bagagem cultural, e oriundo nas mais
diversas áreas do conhecimento, contribuindo para uma formação multidisciplinar a
comunidade pernambucana de parapsicologia. Ou seja, temos hoje público interno que
permite a elaboração de seminários e de publicações de forma permanente.
IV- DIFICULDADES ENCONTRADAS
Um dos problemas das instituições de parapsicologia no Brasil e também no mundo é a
duração das atividades das mesmas está relacionada diretamente a participação (e até
longevidade) do(s) seus fundadores, dificilmente perpetuando-se para uma outra
geração. Ou seja, a instituição termina quando cessa a participação dos seus
fundadores, sem a formação de “forças gravitacionais” que permitam a sobrevivência
da instituição.
No caso do IPPP o pós-graduação permitiu massa crítica suficiente para a continuidade
e desenvolvimento das pesquisas e ensino de psi.
A divulgação nos meios de comunicação, basicamente feita de forma gratuita através
de colunas especializadas (religião, misticismo e culturais) e dos próprios alunos e
professores. Como crítica, a exemplo dos livros de parapsicologia em uma livraria, não
conseguimos sair de uma categorizarão ligada a religião, auto-ajuda ou misticismo.
Cerca de 50% dos nossos alunos possuem um acentuado interesse religioso ou místico,
e as desistências ocorridas durante a realização do curso são decorridas pela “decepção”
com a parapsicologia, por contrariar as expectativas místicas de determinado alunado.
Felizmente, o grau de maturidade da maioria dos participantes, aliado ao nível cultural.
O fato do requisito de graduação em qualquer curso superior reconhecido, coloca as
pessoas que freqüentam o curso numa faixa etária adulta e com nível cultural
diferenciado, minimiza essas “decepções”, as quais consideramos naturais.
Também o fato do mercado de trabalho em parapsicologia ser praticamente inexistente,
mostra o alto grau de motivação daqueles se propõem passar de 1 a 1 ano e meio
estudando parapsicologia (a depender do ano a duração foi de 12 a 18 meses) dentro do
padrão estabelecido pelo IPPP.
Estamos mais interessados na qualificação dos alunos em parapsicologia que na
quantidade de concluintes. Inclusive tivemos algumas ocasiões que nenhum aluno
atingiu os requisitos mínimos estabelecidos nas avaliações para o que consideramos ser
uma boa formação parapsicológica.
Em que pese o grande potencial humano o IPPP, como instituição privada sem fins
lucrativos, enfrenta dificuldade de recursos financeiros, carência de infra-estrutura
básica, e de equipamentos específicos, muitos dos quais construídos individualmente,
como máquinas Kirlian (ainda na década de 80), dados eletrônicos e medidor de
resistência galvânica da pele.
As pesquisas tem sido focada em casos espontâneos, e em testes os mais diversos de
escolha forçada. Apesar de possuirmos suas salas de testes, com relativo isolamento
sensorial, ainda se mostram insuficientes para testes ganzfeld.
A não-vinculação do IPPP a uma universidade ou faculdade apresenta duas faces. Uma
negativa pois não permite a vinculação da estrutura e dos recursos de instituição
universitária para pesquisa e ensino da parapsicologia. Por outro lado, como aspecto
positivo permite mais independência ao IPPP, que não ficar atrelado a outros
interesses que não os da parapsicologia. Já fomos procurados por instituições do ensino
superior no estado mas não evoluímos para uma proposta que considerássemos viável
ao desenvolvimento da parapsicologia.
Outra dificuldade, são as lacunas de intercâmbio com outras instituições e outros
parapsicólogos. Basta lembrar que o penúltimo Congresso Nacional de Parapsicologia
foi em 1986, no Recife, tendo sido promovido pelo IPPP e depois em 1987, em Belém
do Pará (VI Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica, último evento da
série), e em âmbito regional as Conferências Eclipsy (hoje Interpsi) promovidas por
Wellington Zangari e Fátima Machado, em São Paulo, em 1990. A geração atual de
parapsicólogos necessita de fórum permanente para discussão dos seus trabalhos e suas
pesquisas.
V - ESTRUTURAÇÃO ATUAL DO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
PARAPSICOLOGIA
OBJETIVO
Formação do parapsicólogo.
PÚBLICO ALVO
Portadores de diploma de curso superior em qualquer área acadêmica
independência ao IPPP, que não ficar atrelado a outros interesses que não os da
parapsicologia. Já fomos procurados por instituições do ensino superior no Estado mas
não evoluímos para uma proposta que considerássemos viável ao desenvolvimento da
parapsicologia.
AULAS
Sábados, de 8:00 às 13:00h. Aulas teóricas.
Quintas-feiras, de 20:00 às 22:00h. Aulas práticas
AULAS TEÓRICAS
Aulas expositivas. Seminários. Avaliações.
CARGA HORÁRIA
405 h
CORPO DOCENTE 2000/2001
§ Erivam Félix Vieira. Parapsicólogo e Sociólogo.
§ Fernando Lins. Parapsicólogo, Médico e Antropólogo.
§ Isa Wanessa Rocha Lima. Parapsicóloga e Psicóloga.
§ Jalmir Freire Brelaz de Castro. Parapsicólogo e Engenheiro.
§ Maria da Salete Rêgo Barros Melo. Parapsicóloga e Arquiteta.
§ Ronaldo Dantas Lins Filgueira. Parapsicólogo, Matemático e Médico
§ Silvino Alves da Silva Neto. Parapsicólogo e Psiquiatra.
§ Terezinha Acioli Lins de Lima. Parapsicóloga e Pedagoga
§ Valter da Rosa Borges. Parapsicólogo e Procurador de Justiça
AULAS PRÁTICAS
Testes e experimentos. Testes de escolha forçada e testes orientados a processo.
Técnicas de pesquisa. Como montar um experimento.
Pesquisa de campo. Abordagem Fenomenológica
Exibição de vídeos e comentários.
Noções de prestidigitação e medidas contra fraude.
A hipnose na experimentação parapsicológica.
Treinamento do parapsicólogo
Visitas a centros espiritas e de umbanda.
PROGRAMA
01 - Panorama geral da Parapsicologia. A Parapsicologia como ciência. Conceitos
gerais. Objeto. Demarcação. Agente psi e agente psi confiável. Classificação dos
fenômenos psi. Natureza da psi. Postulados gerais.
02 - Psigama: conceito e nova classificação. Diferenças entre o conhecimento normal e
a psi. ESP. O comunicado psi: conteúdo, forma, decodificações e limites. Telepatia.
Clarividência. Precognição. Criptomnésia. Aparição. Esperiência Fora do Corpo.
Psicometria. Radiestesia. Xenoglossia. Criatividade psi (psicofonia, psicografia,
psicopictografia, psicomusicografia). Personificação subjetiva. Memória extracerebral.
03 - Psikapa: Ideoplastia. Dermografismo. Estigmatização. Incombustibilidade.
Parapirogenia e autoparapirogenia. Fotogênese. Osmogênese. Metafanismo.
Personificação objetiva. Transfiguração. Levitação. Barontismo. Cura por meios
paranormais. Pneumatografia. Efeito Geller. Fenômenos inominados. Pneumatofonia.
Toribismo Telecinesia. Psicocinesia espontânea recorrente (PER) ou “poltergeist”.
Transcomunicação instrumental (TCI)
04 - História da Parapsicologia. Os grandes agentes psi e os mais destacados
pesquisadores.
A Parapsicologia no mundo, no Brasil e em Pernambuco O agente psi na Constituição
de Pernambuco.
05. Metodologia científica em Parapsicologia. Técnicas em pesquisa. Pesquisa em
Parapsicologia. Pesquisas orientadas a prova e orientadas a processo, abordagem
fenomenológica, variáveis ambientais aspectos geomagnéticos, solares e variação
entropia e topológica dos alvos. Relação entre parapsicólogos e Agentes Psi.
Parapsicologia e epistemologia. Didática. Técnica em monografia.
06. Relações da Parapsicologia com as demais ciências, a filosofia, a religião, a
literatura e as artes. Teoria da informação. Aspectos fisiológicos da percepção,
memória, emoção e sonhos. Hiperestesia. Aspectos psicológicos da percepção,
memória, emoção, motivação e sonho. O inconsciente. Aspectos psicológicos da
percepção, memória, emoção, motivação e sonho. Psi e psicopatias. Psicossomatização.
Estados alterados de consciência: transe farmacológico, hipnótico e paranormal. Sonho
e vigília. Hipnose.
07 – A Parapsicologia como profissão. Deontologia da Parapsicologia. O perfil do
parapsicólogo. O Código de Ética. O mercado de trabalho do parapsicólogo. As
atividades profissionais do parapsicólogo. A FEBRAP e os Conselhos de Parapsicologia
- CONREP.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pretendemos com a divulgação do modelo de formação de parapsicólogos praticado
pelo IPPP seja objeto de análises, críticas e de também de motivação a outras
instituições de parapsicologia.
A síntese aqui exposta exemplifica o envolvimento e o comprometimento daqueles que
fazem o IPPP para a compreensão de psi. Movidos por um genuíno interesse pela
fenomenologia paranormal e permanente soma de esforços, independente de diferenças
de crenças e opiniões, sem bairrismo nem regionalismos, constituem a abordagem
epistemológica que denominamos de escola pernambucana de parapsicologia, sem
isolarmo-nos no que acontece em outros centros de parapsicologia no mundo,
permitindo-nos inovar e lançar luz nos modelos empregados no estudo de psi, tais
como um modelo informacional proposto para o entendimento de psi, crítica topológica
ao baralho Zener, a telepatia e a clarividência como fonte de conhecimento ao invés de
modalidade entre outros. Todas essas abordagens são sujeitas a replicação e são
falseáveis.
Torcemos para que a lacuna na troca de experiências sobre o ensino da parapsicologia
no Brasil possa ser diminuída nos próximos anos, e para o entendimento de uma grade
curricular e experimentos mínimos necessários a formação do parapsicólogo. Este artigo
representa uma tentativa da divulgação dos acertos e erros que cometemos há 14 anos
na prática e ensino da parapsicologia no Estado de Pernambuco.
Bibliografia
BORGES, Valter da Rosa. A Parapsicologia em Pernambuco. Recife. Edição do
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. 2000

A PARAPSICOLOGIA E A MÍSTICA
Silvino Alves da Silva Neto
Estamos comemorando os trinta anos de existência do IPPP e uma reflexão
sobre como a Parapsicologia tem contribuído para o bem-estar da humanidade
bem como sobre o papel representado por esta Instituição, em épocas pregressas e
futuras, torna-se bem a propósito.
Nós, que temos nos dedicado à Parapsicologia neste período de transição
entre os séculos XX e XXI, sabemos das dificuldades encontradas por esta para
afirmar-se como ciência. E temos convicção de que tais dificuldades ainda hão de
perdurar por bastante tempo. Isto, não apenas devido ao fato de que os fenômenos
paranormais, no passado, tenham estado associados a crenças e práticas
supersticiosas, como também pelo motivo de que os ditos fenômenos são de tal
natureza que sua pesquisa pelos métodos das ciências ortodoxas torna-se
extremamente dificultosa.
Somos de opinião que a Parapsicologia ocupa uma posição sui-generis entre
todas as ciências, visto como seu objeto de estudo se tratar de fatos incomuns e
funcionarem de forma aparentemente contrária às leis naturais conhecidas,
colocando-a, assim, nas fronteiras da Filosofia e da Mística. Esta posição peculiar
tem criado dificuldades para o seu desenvolvimento, pois constitui-se em empecilho
para sua aceitação pelas Universidades, e para a captação de recursos com fins de
pesquisa, através dos órgãos governamentais.
Um outro fator que impede o desenvolvimento da Parapsicologia é a falta
de reconhecimento de sua importância, pela população geral e pelo setor
empresarial. Em geral, as ciências que progridem são aquelas que se relacionam
com atividades lucrativas, ou que, pelo menos são reconhecidas como utilitárias de
alguma forma prática.
A ação do parapsicólogo é exercida sobre o depositário - digamos assim - do
fenômeno, que é o agente psi, ou paranormal, já que, na ausência deste último não
ocorre o outro. O fato é que temos observado que o paranormal tem seus dons
utilizados, no
mais das vezes em instituições religiosas. Quando não, o mesmo se utiliza de
práticas adivinhatórias que encantam a imaginação popular, como a quiromancia, a
cartomancia e outras, quase sempre com fins lucrativos, o que provoca a
transformação da prática da paranormalidade em mistificação, muitas vezes com
conseqüências funestas. Isto pode ser bem ilustrado pela novela de televisão que foi
exibida há vários anos atrás, intitulada “O Profeta”, na qual o personagem
principal, interpretado pelo ator Carlos Augusto Strazzer, tinha o dom da
precognição e resolvera explorá-lo. Foi então que percebeu que nem sempre
conseguia fazer suas predições e começou a mistificar. Aconteceu que um de seus
clientes, se sentindo prejudicado, voltou armado ao seu consultório e quase o
matou, fazendo com que tivesse que encerrar sua “promissora” carreira.
Uma prática ainda pior que a do nosso “profeta”, e que contribui ainda
mais para o ceticismo da população e dos cientistas, é aquela adotada por pessoas
que sequer possuem qualquer dom paranormal, mas se atribuem “poderes”
especiais, mediante o uso de bolas de cristal, búzios, cartas, leitura de mão, etc.
com que pretendem iludir os leigos e incautos, com a finalidade única de meio de
vida.
Ao lado destes, temos ainda os que se utilizam de práticas fraudulentas
para demonstrarem supostas habilidades paranormais de efeitos físicos.
Por outro lado, temos o caso daqueles que apresentam fenômenos
paranormais espontâneos, que geralmente procuram um líder religioso em busca
de orientação, ao invés do parapsicólogo, principalmente quando se trata de
“Poltergeist”.
É verdade que muitos paranormais utilizam seus dons fora do âmbito
religioso, como os radiestesistas, os psicômetras e os clarividentes que localizam
objetos e pessoas desaparecidas. Esses, porém, em termos relativos são muito
poucos e recebem quase nenhum incentivo para exercerem suas atividades. Mesmo
assim, essas pessoas não deixam de ser envolvidas em uma aura de “mistério” e
misticismo, quando não são encaradas com desconfiança e ceticismo.
Com relação à paranormalidade de cura, a coisa não é muito diferente.
Quem já viu um paranormal curador atuando em um hospital ou ambulatório
médico?
A verdade é que a fenomenologia paranormal ainda está por demais
associada à religião e ao misticismo, e achamos improvável que essa situação
mude, pelo menos nos próximos anos (ou décadas). Constatamos que tais
fenômenos estão muito próximos das experiências mais profundas do psiquismo
humano, das vivências arquetípicas, principalmente as relacionadas com o Self (Si-
mesmo) e com a Anima/Animus, a que Jung se referiu como experiências
“numinosas”. E não é incomum indivíduos apresentarem fenômenos ditos
paranormais juntamente com outras experiências sujeitas a interpretação
transcendental.
Já observamos um rapaz que tem a habilidade de descrever certa
residência que nunca visitou, desde que alguém que resida na mesma a mentalize
em seus detalhes. Acontece freqüentemente que, ao descrever aquilo que “vê” em
sua mente, os cômodos e objetos da casa, o agente psi faz referência à presença, no
interior da mesma, de uma ou mais imagens de pessoas, supostamente do “plano
espiritual”.
Por outro lado, algumas pessoas afirmaram terem perdido seus “dons”
pelo simples motivo de terem relatado suas experiências para outras pessoas.
O Espiritismo sempre vinculou a produção dos fenômenos paranormais à
interferência dos chamados “espíritos”, ou seja, às almas das pessoas falecidas que
estariam vivendo em um outro plano, chamado de “espiritual”, “cósmico” ou
“astral”.
As escolas de Misticismo, por sua vez, defendem que os dons paranormais
podem ser desenvolvidos mediante certos exercícios psíquicos e vinculam a
proficiência na produção dos ditos fenômenos ao grau de desenvolvimento
“psíquico” ou “espiritual” alcançado pelos adeptos.
Nas religiões mediúnicas como o Candomblé e a Umbanda, existe a
crença de que esses dons são concedidos pelos “guias” espirituais, mediante a
participação em rituais de iniciação (Ebori), nos quais os adeptos chegam a passar
dias recolhidos ao “quarto de santo” (Roncó).
A verdade é que os conhecimentos científicos atuais não permitem a
demonstração da sobrevivência humana após a morte corporal. Entretanto,
indagamos se esta posição epistemológica da Parapsicologia de considerar como
objeto de estudo apenas os fenômenos incomuns da mente do ser humano vivo,
está de fato contribuindo para o seu progresso, ou se, ao contrário, não estaria
retardando os seus passos. (Há uma corrente de parapsicólogos, inclusive, que vem
tentando inserir a Parapsicologia no corpo da Psicologia, com a finalidade de torná-
la mais aceitável pelas instituições de pesquisa, inclusive as Universidades).
Há uma tendência atual no sentido de explicar-se a fenomenologia
paranormal de acordo com os postulados da Física Quântica. E achamos que uma
abordagem quântica da realidade admite a possibilidade da existência de Seres
Transcendentais, os quais poderiam ser responsáveis pela produção da dita
fenomenologia. Se analisarmos, por exemplo, certos fenômenos como a
Clarividência e a Experiência Fora do Corpo (EFC), fica difícil aceitarmos a idéia
de que a Consciência e a Percepção estejam limitadas à função de cadeias
neuronais.
Estamos no início do III milênio e assistimos a uma tendência das
diversas áreas do conhecimento em convergirem para um ponto comum, de forma
que as arestas existentes entre a Ciência e a Religião tenderão a desaparecer.
Quando esse tempo chegar, cremos que a Parapsicologia encontrará seu merecido
lugar de destaque no corpo geral de conhecimentos e terá sua importância
reconhecida para o entendimento do homem acerca de si mesmo e do universo
onde vive.
Talvez essa obstinação em afirmar-se junto às ciências ortodoxas não seja
o melhor caminho a ser seguido pela Parapsicologia, uma vez que seu
desenvolvimento poderá ser “engessado” por paradigmas e métodos de pesquisa
inadequados, como pelo preconceito, condenando-a, assim, a ser sempre o
“patinho feio” das ciências.
A nossa proposta pessoal é que a mesma procure manter-se em “campo
neutro”, em posição equidistante da Ciência e da Religião, embora mantendo seus
laços com ambos os ramos do conhecimento.
Queremos aqui enfatizar uma das atividades da Ordem Rosacruz,
organização mística e fraternal, que é o Departamento de Pesquisas da
Universidade Rosecroix, onde eminentes cientistas das mais diversas áreas
realizam importantes experiências no Âmbito da paranormalidade. Vários dos
resultados dessas pesquisas foram publicados na obra “O Homem: Alfa e Ômega
da Criação”, em quatro tomos, que poderão ser adquiridos pelos que se
interessarem.
Com relação ao IPPP, propomos uma nova postura para o futuro,
incorporando a Transcendentologia ao seu campo de pesquisa, tornando assim, a
questão da sobrevivência como mais um objeto de estudo da Parapsicologia.
Acreditamos que essa aproximação da Parapsicologia com a Mística só irá
engrandecê-la, ao contrário do que muitos possam pensar. O Homem foi, é e será
sempre religioso, porque, como afirmou Jung, “a alma já é, por natureza, religiosa”.
E o ser humano precisa de uma Parapsicologia que possa atender, de fato, aos seus
mais legítimos anseios.
CIÊNCIA E RELIGIÃO
Indício de Deus no Cérebro
Terezinha Acioli Lins de Lima
Introdução
Deus existe? É a pergunta que fazem os cientistas no início deste milênio.
O assunto é complexo, polêmico mesmo, mas tudo indica que é chegado o
momento de inquietação do homem, quando ele verifica que nem tudo encontra
explicação científica. Desse modo, a ciência não seria o único caminho que o levaria
à verdade.
É como se o cientista necessitasse de algo mais além das fronteiras do
mundo físico e desse um passo ginástico na busca do transcendental, na tentativa
de unir ciência e religião. (1)
O físico Inglês Stephen Hawking, ocupante da cadeira que foi de Isaac
Newton na Universidade de Cambridge e um dos principais teóricos dos buracos
negros, em sua obra “Uma Breve História do Tempo”, 1988, deixou no parágrafo
final uma insinuação do casamento entre ciência e religião. Diz o seguinte: “Se
chegarmos a uma teoria completa, com o tempo, ela deveria ser compreensível
para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então, toda a gente
poderia tomar parte na discussão sobre por que nós e o Universo existimos... Nesse
momento, conheceríamos a mente de Deus”.(2)
O conhecimento científico depende da linguagem, enquanto a religião, não.
O religioso atua no campo do indizível, abandona a razão, restando-lhe a fé. Pode
existir, portanto, conhecimento sem linguagem e, nesse aspecto, a ciência fica
limitada. A criatividade presente nas artes e nas grandes descobertas cientificas
considera-se um exemplo de conhecimento sem linguagem.
Albert Einstein, tudo indica, não deve ter chegado à relatividade por pura
dedução matemática. As idéias científicas precisam ser formuladas no contexto
matemático, mas, mesmo assim, surgem muitas vezes, de um “estalo”, de uma
“iluminação”. E de onde vem o caráter mágico da intuição e inspiração? O
processo inconsciente apresenta-se como hipótese.
É provável existir a ação intencional de um agente inteligente (causa) na
criação da ordem (efeito) universal. O principio antrópico, defendido por vários
cientistas, enfatiza essa idéia. Vejamos: como o caos gera ordem e como todo o
cosmo conspira a favor da existência da vida, revelam atitudes diversas, como
consciência e interação. Essa consciência seleciona uma realidade concreta entre
todas as probabilidades quânticas. A teoria batizada de Big Bang (explosão de uma
bola de energia) pelo astrônomo Inglês Fred Hoyle, para explicar a origem do
Universo, pode ser aceita como sinal de uma criação intencional e inteligente,
geradora da ordem universal.(3)
O acaso não favoreceria a ordem do Universo. Será que se conseguiria
ordem, harmonia e equilíbrio extremados, como uma Gioconda, de Leonardo da
Vinci, jogando-se tinta aleatoriamente sobre uma tela? O mundo microscópico de
matéria orgânica e inorgânica – o mundo das células e dos átomos – possui ordem.
Toda estrutura do átomo deve ter a sua origem numa força poderosa e
absoluta que foi capaz de desenvolvê-lo, combiná-lo com outros átomos, a fim de
formar moléculas, substância diversas, as galáxias, o todo Cósmico. Os foguetes
espaciais nunca poderiam chegar à Lua ou a outros planetas, se as leis que
comandam todos os corpos celestes não fossem harmoniosas.
Se há uma ordem prodigiosa regendo o Universo, desde os espaços cósmicos
à energia atômica, tudo leva a crer que exista um “Criador Supremo”, uma
“Força”, uma “Energia”, uma “Mente Inteligente” (qualquer que seja o seu nome
ou o idioma em que se expresse), como causa primeira dessa ordem tão
complexa.(4)
Em suma: parece mais difícil provar-se a não-existência de Deus do que a
sua própria existência.
Metodologia Científica e Pesquisa Religiosa
A ciência não se configura como um entrave para a religião, mas seria uma
luz da razão ao lado da luz da fé, ou ainda, o acasalamento entre o que é dito
através da racionalização, que usa a linguagem, e o indizível da intuição, que usa a
fé religiosa.
Hoje já se começa a pesquisar a religiosidade com metodologia cientifica,
em várias áreas de estudo, o que denuncia a mudança de mentalidade dos
pesquisadores, que acompanham a evolução dos tempos. Afirma o médico
brasileiro Mário Peres que, até os anos 80, nas principais revistas científicas do
mundo, era uma raridade encontrar-se um artigo que abordasse algo relacionado
à religião.
Existem, atualmente, mais de 6.000 textos, contendo a palavra religião e
acima de 20.000 com o termo prece no site do Instituto Nacional de Saúde dos
Estados Unidos.(5)
A busca de indícios que comprovem ou contestem a história contada na
Bíblia já se encontra em diversos trabalhos de pesquisadores da arqueologia.
Robert Ballard vasculhou o fundo do Mar Negro (há poucos anos) e encontrou
sinais de que teria havido um dilúvio naquela região, nas mesmas proporções
narradas no Velho Testamento. Ballard, o explorador de oceanos, tornou-se
famoso por descobrir os restos do famoso navio Titanic.(6)
No campo da medicina, as descobertas são do mesmo modo estimulantes.
Pesquisas recentes revelam que pessoas com alguma crença vivem mais, estando
menos propensas aos males dos nossos dias, como o estresse, a depressão,
conseguindo, ainda, recuperação rápida nas cirurgias a que se submetem. Isso se
explica, porque são pacientes que têm a auto-estima elevada por crer numa força
superior e dedicar-se à prática da meditação ou da oração.(7)
Há novas técnicas que levam o pesquisador a detectar a cadeia de reações
provocadas no organismo durante uma prece. Essa experiência aciona no cérebro
circuitos elétricos responsáveis pela sensação de transcendência espiritual.
O Experimento da Irmã Celeste
A irmã Celeste, uma freira americana, depois de uma prece que durou 45
minutos, apresentou o seguinte depoimento:
“No momento mais sublime, tive uma sensação de paz interior e elevação
espiritual. Havia uma onisciência da presença de Deus ao meu redor, um aquietar
da mente. E também um sentimento de plenitude, como se a presença do Criador
estivesse permeando o meu ser”. Esse trabalho foi realizado na Universidade de
Pensilvânia, nos Estados Unidos, e seus resultados foram publicados em 2001, pelo
médico radiologia Andrew Newberg. Nos estudos científicos já realizados a
respeito da revelação entre Deus e a mente, o relato da religiosa posiciona-se como
um dos mais importantes.
Um tomógrafo de última geração, avaliado em dez milhões de dólares
registrou as reações no organismo da freira, durante a oração. A máquina tem a
capacidade de mostrar, numa tela de computador, as áreas do cérebro que ficam
mais ou menos ativas a cada estímulo externo.
Newberg realizou o exame de tomografia em membros de dois grupos
religiosos: freiras franciscanas (o caso da irmã Celeste) e budistas tibetanos.
O Circuito Espiritual
A mente reage aos estímulos da fé de maneira impressionante. De acordo
com sua função específica (o reconhecimento de sons, o processamento de
imagens), as áreas cerebrais são ativadas. O trabalho cerebral de diversas áreas
termina bloqueando a chegada de sinais elétricos a uma porção do cérebro
chamada de lobo parietal, que tem a função de distinguir os limites entre o
indivíduo e o mundo. Quando ela deixa de receber estímulos e pára, o indivíduo se
sente parte do infinito e intimamente conectado com todos os seres e coisas do
Universo.(8)
Alguns especialistas já batizaram essa pesquisa de “circuito espiritual”,
tratando, através de estudos recentes aprofundar o seu significado.
Mesmo sem trabalho conclusivo, as pesquisas abriram um novo caminho
para a compreensão da fé e para um fenômeno de alta complexidade – o da
aproximação entre Deus e a ciência. Experiências de transe profundo ou relatos de
sensação de transcendência espiritual eram, por vezes, encarados como
manifestação de fanatismo e até de doenças psíquicas num passado não muito
distante. O psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, do Hospital das Clínicas de
São Paulo, afirma que a medicina considerava o espiritismo, até os meados do
século XIX, uma das principais causas de loucura.
Em relação a esse polêmico assunto – Deus e religião – os pesquisadores
mudaram a postura tradicionalmente cética que adotavam. Dificilmente, numa
palestra de cunho cientifico, ouvia-se a palavra Deus. Hoje já se fala de “circuito
espiritual” e da palavra Deus com plena naturalidade.
A Presença de Deus no Cérebro
O estudo do cérebro tem sido considerada a área mais adequada e
promissora para os trabalhos científicos no campo da religião. Isso se deve às
primeiras descobertas do radiologista Newberg. Através dele, já é possível
esquematizar um quadro completo com algumas alterações neurológicas ativadas
por experiência místicas. (vide quadro, Revista Tudo, dezembro, 2002, página 30).
(9)
O Experimento de Michael Persinger
Há pouco tempo, o canadense Michael Persinger, da Universidade
Laurentiana, em Ontário, realizou um experimento com a finalidade de produzir,
de modo artificial, uma sensação de transcendência espiritual. Construiu um
capacete especial, com a capacidade de gerar um campo magnético de baixa
intensidade em torno da cabeça, utilizando-o em vários voluntários. Muito deles
afirmaram sentir sensações ligadas à espiritualidade, como saída do corpo e
contato com algo divino. Persinger suspeitou que o campo magnético tenha gerado
curtos-circuitos em áreas cerebrais associadas à religiosidade, ativando-as. E
acrescenta: males como ansiedade, estresse, fadiga, falta de oxigênio ou baixa
concentração de açúcar no sangue podem produzir descargas elétricas
semelhantes no cérebro. E arrisca: “Talvez isso explique por que muitas pessoas
encontram Deus em momentos de dor”.
Postura Cientifica e Religião
A ciência relegou a religião por muitos anos e, somente, agora, resolveu
estudá-la. Os cientistas conduzem-se com mais humildade, devido a uma mudança
de mentalidade. Perceberam que o lado religioso de cada um dificilmente deixará
de ter um papel fundamental em sua vida, por maior que seja o seu grau de
instrução (ao contrário do que previam grandes pensadores, tais como Sigmund
Freud, Karl Marx e outros). É bastante oportuno e significativo o resumo da
filósofa americana Dona Zohar, autora do livro Inteligência Espiritual: “O
interesse crescente pela espiritualidade é uma das formas de o mundo moderno
resolver seus problemas existenciais, já que muitas certezas que as sociedades
antes possuíam foram perdidas”.
A área cerebral pode ser ativada por circuitos elétricos em vários momentos
de prática religiosa, que envolve seus fiéis e inibe uma área do cérebro que isola o
individuo do mundo. É quando a pessoa vai sentindo-se mais próxima de Deus.
Entre outros, citam-se: budistas em meditação; muçulmanos reunidos em
mesquita; adoração à imagem de Nossa Senhora Aparecida; católicos na igreja de
Fátima, em Portugal; judeus no muro das lamentações, em Israel; o ritual da
caminhada sobre fogo; cerimônia de exorcismo em Igreja Evangélica; o espetáculo
da celebração de uma missa na Catedral da Sé, em São Paulo, com a ajuda de
aparelhos, como tomógrafos e outros equipamentos de última geração.
Conclusão
O objetivo dessas novas pesquisas cientificas não é só o de entender como o
cérebro humano processa a experiência religiosa, mas, principalmente, o de ver
nesses trabalhos uma possibilidade de provar a existência de Deus. Até os
pesquisadores que estudam o Big Bang estão de acordo que sua ocorrência poderia
ter sido promovida por uma força maior e desconhecida. Aqueles que se envolvem
no esquadrinhamento da mente percorrem o mesmo caminho.
Destacam-se duas etapas nessas pesquisas: a primeira foi a constatação da
existência de um circuito espiritual e a próxima será a investigação minuciosa do
que provoca na mente, de modo exato, essa cadeia de reações. Isso não é fruto
apenas de sugestionamento da pessoa envolvida num ambiente místico (como uma
igreja e seus ícones sagrados) ou de uma situação de isolamento que a leve a um
profundo estado de meditação.
Os cientistas, pesquisadores dessa área de conhecimento, já começam a
levantar a hipótese de que algo maior seria a fonte de tais fenômenos. E essa fonte
pode ser Deus. (10)
Em síntese: entre os grandes cientistas da historia, poucos renunciaram à
idéia de Deus. Charles Darwin segurou por duas décadas a publicação de sua
teoria da evolução, que contrariava a Bíblia. Albert Einstein gostaria de saber se
Deus “teve escolha”, quando decidiu fazer o Universo da maneira que ele é. O
inglês Stephen Howking considerou a hipótese religiosa e, quando lhe perguntam
se Deus teve um papel no Universo antes do Big Bang, ele admite que sim. “Acho
que só Ele pode responder por que o Universo existe”, diz o famoso astrofísico.

Notas
1. O ponto de partida para essa complexa discussão é reconhecer que,
quanto maior o conhecimento, mais os cientistas terão uma riqueza instrumental
em suas mãos, para desvendar a idéia de Deus. Com Pitágoras, começou a idéia de
combinar teologia e matemática, o que caracterizou a filosofia religiosa na Grécia
Antiga, na Idade Média, chegando à Modernidade com Immanuel Kant. E essa
ligação íntima entre religião e razão há em Platão, São Tomás de Aquino, Santo
Agustinho, Descartes, Spinoza e Leibniz.
2. A Bíblia, o primeiro livro impresso no mundo (escolhido por Gutenberg)
e, segundo as estatísticas, o mais lido e o mais vendido, enfatiza esse pensamento,
quando nos revela que, há milênios, Deus criou o Universo. Por outro lado, a
ciência tenta dizer como Ele o criou e discutir o motivo pelo qual nós e o Universo
existimos. Estão, portanto, de mãos dadas ciência e religião.
3. Enfatiza Fred Hoyle: “Uma explosão num depósito de ferro velho não faz
com que pedaços de metal se juntem numa máquina útil e funcional”.
4. A simbologia de Deus como pessoa, hoje, é, praticamente, refutada.
Entretanto, se nos referimos a um conjunto de leis físicas que regem o Universo,
então, claramente, existe um Deus. Desse modo, até Carl Sagan, ateu convicto,
aceita a divindade. Observa Sagan: “Só que Ele é emocionalmente frustrante:
afinal não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade”. O melhor retrato de
Deus está nas fractais – aquelas imagens geradas por equações matemáticas que se
incluem entre as mais incríveis descobertas relacionadas à Teoria do Caos. O que
as fractais mostram e que para alguns adquirem um caráter de revelação divina é
que processos, aparentemente, irregulares, como a ramificação de uma árvore ou o
recorte geográfico de um litoral, seguem um desenho padrão que, por sua vez,
obedece a uma fórmula matemática que pode ser deduzida.
5. A fé era, há bem pouco tempo, uma ocorrência considerada fora do
objeto da ciência. A pessoa tinha fé em Deus, sem necessitar de demonstração de
laboratório.
E o que é um milagre? Certamente um cientista responderá que é algum
acontecimento que não se explica pelos mecanismos de funcionamento das leis
naturais.
Nos últimos anos, um número considerável de pesquisadores estão tentando
aplicar o método científico para explicar eventos antes rotulados de sobrenaturais.
6. Cientistas de renome aceitaram trabalhar com religiosos do Vaticano,
para tentar provar a autenticidade do Santo Sudário, o manto de linho que teria
sido usado para cobrir o rosto de Jesus depois da crucificação.
7. O cardiologista americano Herbert Benson, da respeitada Universidade
de Harvard, estudou, durante cinco anos, pacientes que aprenderam técnicas de
meditação na tentativa de controlar suas doenças coronárias crônicas. Ao cabo de
cinco anos, Benson notou que os pacientes que meditavam com disciplina, todos
os dias, apresentaram taxas de recuperação superiores às do grupo de doentes que
nunca levaram a sério a meditação. O médico americano ouviu, repetidamente, dos
pacientes a afirmação de que eles se sentiram na presença de um “ser superior”.
Benson sugeriu até mesmo a existência do que alguns de seus colegas chamaram de
“hormônios da fé”. Nesse caso, trata-se de um supressor de outros hormônios cuja
concentração no organismo cresce quando a pessoa passa por muitas e
prolongadas experiência estressantes. O cardiologista de Harvard chegou à
conclusão de que a meditação profunda pode auxiliar a baixar a concentração
dessas substâncias.
8. Um programa investiga como as experiências espirituais afetam
fisicamente a química e a estrutura cerebral humana no centro de Estudos da
Ciência e da Religião da Universidade de Colúmbia. Em dezembro de 2000, o
Jornal de Estudos da Consciência dedicou sua edição para assuntos religiosos que
abordavam desde visões cristãs até “estados xamânicos da consciência”.
9. Newberg e seu colaborador Eugene de Aquili recrutaram freiras
franciscanas e budistas que aceitaram ser cobaias de um experimento. As
alterações físicas do cérebro das freiras nos momentos de êxtase religioso foram
submetidas a exames de tomografia computadorizada (o caso da irmã Celeste, por
exemplo). As imagens dos cérebros dos budistas mostraram que o córtex, a área de
atenção cerebral, foi especialmente ativada naqueles instantes. Outrossim, os
neurônios do lobo superior parietal, região conhecida como a área que controla as
funções visuais e motoras, foram desligados. É considerado pelos cientistas um
enorme avanço conseguir numa tela de tomógrafo “as impressões digitais químicas
e elétricas da fé”, como descreveu Newberg.
10. Diz Stephen Jay Gould, pesquisador e ensaísta americano, que seria o
último ser vivo da terra a ser acusado de misticismo: “Fizemos assombrosos
avanços, mas temos de reconhecer que a ciência não respondeu a alguns dos
enigmas básicos, como a origem da vida e do universo”.
Colega e eminente adversário intelectual de Gould, o biólogo Ernst Mayr,
da Universidade de Harvard, concorda também que apenas o desenrolar das leis
naturais, talvez, explique o surgimento da vida na terra. Mayr não fala em milagre
e isso se justifica, porque ele é considerado o maior neodarwinista vivo.
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Edição nº 29, 20, dezembro, 2002.
OS FENÔMENOS PSICOBIOFÍSICOS NO CONTEXTO DA TEORIA DO CAOS
Ronaldo Dantas Lins
RESUMO
Muitos fenômenos da natureza apresentam resultados cada vez mais divergentes
quando produzimos pequenas alterações iniciais. Esses são denominados de
dependência hipersensível das condições iniciais (DCI), sendo o pano de fundo dos
fenômenos caóticos. Os eventos paranormais apresentam inúmeras variáveis, muitas das
quais desconhecidas, que apresentam valores diferentes nas novas situações de vida de
um indivíduo, podendo bloquear a deflagração destes fenômenos, haja vista dependerem
hipersensivelmente das condições iniciais. Este novo paradigma (o do caos), coloca a
Parapsicologia em seu devido lugar (dentro do conhecimento científico), por demonstrar
que a não replicabilidade é inerente aos eventos passíveis de uma investigação
científica.
Por detrás do universo observável, parece existir uma realidade implícita, pela
qual todas as coisas se interconectam, mostrando que eventos distintos estão, em um
determinado nível, relacionados. Dois indivíduos, por exemplo, podem se comunicar
telepaticamente, independente do espaço-tempo, por representarem, em nível de uma
ordem desdobrada, o mesmo objeto.
O autor propõe que o fenômeno paranormal deve se efetuar pelo bloqueio das
funções inibidoras r (rô), na produção de psi-gama e t (tau) , na produção de psi-kapa.
1. DEPENDÊNCIA HIPERSENSÍVEL DAS CONDIÇÕES INICIAIS E A TEORIA
DO CAOS
Muitos fenômenos na natureza apresentam uma evolução muito rápida, dita
exponencial, como por exemplo, a reprodução de determinados micro-organismos. Esta
transformação rápida permite, em certos casos, que mudanças significativas ocorram em
um intervalo de tempo relativamente pequeno, se a ele estiverem associadas outras
características da transformação.
No Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em 1961, o pesquisador Edward
Lorenz, buscando estudar uma determinada seqüência de eventos metereológicos
(expresso em números que indicavam velocidade do vento, umidade do ar etc.),
procurou seguir um caminho mais curto, digitando os valores diretamente da listagem
anterior. Depois de aproximadamente uma hora, retornou para examinar a listagem
impressa pelo computador que, esperava ele, fosse idêntica a anterior. Percebeu,
entretanto, que estes a partir de determinado instante, divergiam cada vez mais. Em
princípio imaginou que alguma coisa estivesse errada com o seu computador.
Entretanto, depois de reexaminar sua aparelhagem, verificou que nada estava errado
com ela. Foi então que percebeu que havia cometido um pequeno engano (1). Na
listagem anterior os números apresentavam seis casas decimais, enquanto havia digitado
apenas três algarismos na nova listagem. Era um erro de um para mil que, esperava ele,
não trouxesse grandes repercussões, porém, foi exatamente o contrário que aconteceu.
Em outros fenômenos esta mesma característica é observada. Analisemos, por exemplo,
um jogo de bilhar com obstáculos redondos (convexos) descritos abaixo:
Suponha que tenhamos sobre uma mesa de bilhar uma bola real e uma bola
imaginária, inicialmente no mesmo local (2). Impulsionemos as duas bolas
simultaneamente, porém com direções ligeiramente distintas, em que o ângulo entre elas
seja quase imperceptível. Observa-se, com o tempo, que as trajetórias das duas bolas
divergem cada vez mais. O fenômeno é determinístico no sentido de sermos capazes de
descrever a trajetória da bola se soubermos exatamente o ângulo inicial com a qual ela
foi impulsionada. Entretanto, existe certa indeterminação das condições iniciais que não
permite saber com precisão este ângulo, que produzirá uma indeterminação no futuro
evolutivo do sistema. O fenômeno é caótico, porém guarda em si um certo grau de
determinismo. Eventos que se comportam da maneira descrita anteriormente são
denominados de dependência hipersensível das condições iniciais.
Poincaré já afirmou (3): "Uma causa muito pequena, que nos passa
despercebida, determina um efeito considerável que não podemos deixar de ver, e então
dizemos que o efeito é devido ao acaso. Se conhecêssemos exatamente as leis da
natureza e a situação do universo no momento inicial, poderíamos prever exatamente a
situação desse mesmo universo no momento seguinte. Contudo, mesmo que as leis
naturais já não tivessem segredo para nós, ainda assim, poderíamos conhecer a situação
aproximadamente. Se isso nos permitisse prever a situação seguinte com a mesma
aproximação, seria tudo o que precisaríamos, e diríamos que o fenômeno tinha sido
previsto, que é governado por leis. Mas nem sempre é assim: pode acontecer que
pequenas diferenças nas condições iniciais produzam diferenças muito grandes nos
fenômenos finais. Um pequeno erro nas primeiras produzirá um erro enorme nas
últimas".
A dependência hipersensível das condições iniciais (DCI)*, também chamada
efeito borboleta (4), nos diz que pequenas alterações em algum ponto do universo pode
provocar grandes alterações em outro ponto, estando intimamente relacionado com os
fenômenos caóticos.
O caos é hoje compreendido não como um processo sem nexo, mas sim como
um evento com estrutura interna que apresenta DCI.
Outros exemplos de fenômenos caóticos são: processo de convecção,
distribuição de buracos no cinturão de asteróides, a roda d'água lorenziana, metereologia
etc.

2. PARADIGMA CIENTÍFICO: CAOS E PARAPSICOLOGIA
A delimitação precisa do que é ciência, separando-a das demais fontes do
conhecimento (filosófico, religioso, empírico) não é um tema de concordância entre os
autores (5). Cada um procura dar uma definição de ciência, destacando as características
que entendem sejam da maior relevância para caracterizar este tipo de conhecimento.
Entre as inúmeras definições existentes, destacamos a de Trujillo: "A ciência é todo um
conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com
objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação".
Por muito tempo a verificabilidade foi considerada o principal critério de
cientificidade de uma hipótese. Um enunciado é verificável quando possibilita
identificar o experimento que o torne verdadeiro. Este principio permite incluir como
cientifico mitos e idéias metafísicas, sendo portanto inapropriado. Tentando suprir esta
falha, Popper (7) propôs um novo critério de cientificidade, a falseabilidade. Por este
princípio, para um enunciado ser cientifico terá que ser refutado. Baseado nisto, idéias
metafísicas seriam científicas, conseqüentemente, este critério também é falho (8).
Se os próprios cientistas não se entendem entre si sobre o que vem a ser em
essência o conhecimento científico, por que alguns não aceitam a Parapsicologia como
uma ciência?
Em primeiro lugar isto decorre desta dificuldade de conceituação, que vem a
permitir ser a Parapsicologia considerada ciência por uns critérios e por outros não. Em
segundo lugar a não replicabilidade dos fenômenos paranormais é considerado o fator
mais importante para a existência desta reatividade.
Em relação a esta questão, temos a considerar que este argumento pode ser em
parte válido para os fenômenos espontâneos, não se aplicando àqueles realizados em
laboratório, onde bem se adaptam os modelos da estatística. Mesmo para os fenômenos
espontâneos, faz-se necessário uma reflexão mais profunda.
Como vimos anteriormente, a ciência está passando por um processo de
transformação importante, em que um novo paradigma, o caos, vem ganhando espaço a
cada dia. Os fenômenos caóticos, irregulares, não replicáveis, passam a ter um destaque
maior, permitindo que entremos em contato com novas realidades, com novos
princípios, antes não percebidos, comandando os fenômenos da natureza. Como vimos,
condições iniciais muito próximas podem levar a resultados totalmente diferentes,
devido a DCI (9). Assim, um experimento que func