Você está na página 1de 38

CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA

ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL PROFESSOR APRÍGIO GONZAGA EXTENSÃO CEU QUINTA DO SOL

53

Eliezer Newton de Lima Heleno Aleixo Pereira Júnior Matheus Felipe da Silva Santos Rafael Belmiro Cristovão

O Estado da Arte brasileira sobre Sistemas Biométricos

Trabalho de Conclusão de Curso

SÃO PAULO

2011

CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL PROFESSOR APRÍGIO GONZAGA EXTENSÃO CEU QUINTA DO SOL

Eliezer Newton de Lima Heleno Aleixo Pereira Júnior Matheus Felipe da Silva Santos Rafael Belmiro Cristovão

O Estado da Arte brasileira sobre Sistemas Biométricos

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola Técnica Estadual Professor Aprígio Gonzaga - Extensão CEU Quinta do Sol, mantida pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, como prérequisito para obtenção do nosso Certificado de Técnico em Informática, sob orientação do Professor Ms. Renato Antonio de Souza.

SÃO PAULO

2011

Ficha Catalográfica

CRISTOVÃO, Rafael Belmiro; JÚNIOR, Heleno Aleixo Pereira; LIMA, Eliezer Newton; SANTOS, Matheus Felipe da Silva. O Estado da Arte brasileira sobre Sistemas Biométricos. São Paulo: 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza Escola Técnica Estadual Prof° Aprígio Gonzaga - Extensão CEU Quinta do Sol. Área de Concentração: Informática. Orientador: Profº Ms. Renato Antonio de Souza. Biometria, Sistemas Biométricos, Segurança da Informação, Características Biométricas.

Banca Examinadora

Orientador: Professor Ms. Renato Antonio de Souza

Agradecimentos

Primeiramente a Deus, que é fonte de inspiração e força para que pudéssemos superar nossas dificuldades. A nossa família, que está sempre ao nosso lado nos apoiando e nos incentivando, principalmente naqueles momentos em que pensamos em desistir. Ao nosso orientador, pela paciência, consideração e preocupação com nosso desenvolvimento profissional e pessoal. Por fim, a todos aqueles que participaram direta e indiretamente do desenvolvimento deste projeto.

A mente que se abre

a uma nova idéia

jamais voltará ao seu tamanho original.

Albert Einstein

RESUMO

Essa pesquisa objetivou identificar qual o Estado da Arte dos Sistemas Biométricos e, com isso, projetar novos rumos de pesquisas para que essa temática contribua com o aprimoramento dos sistemas biométricos existentes bem como os em desenvolvimento. Para o escopo desta pesquisa foram utilizadas as conceituações de alguns autores sobre o que é Biometria e Sistemas Biométricos como Liu (2001) e Bolle (2004) respectivamente. Foram levantados alguns artigos, monografias e pesquisas acadêmicas as quais forneceram subsídios para a categorização das informações inerentes ao desenvolvimento do tema em questão. Por fim, com essa metodologia foi possível elucidar as questões que compõem nossa pesquisa e os resultados comprovaram que apesar de ser uma temática ainda desconhecida por muitos, no Brasil existe o interesse em aplicar tecnologias de identificação desde o início do século XX.

Palavras-Chave

Biometria,

Características Biométricas

Sistemas

Biométricos,

Segurança

da

Informação,

ABSTRACT

This research objectified to identify to which the State of the Art of the Biometrics Systems and, with this, to project new routes of research so that this thematic one contributes with the improvement of the existing biometrics systems as well as the ones in development. For the target of this research the conceptualizations of some authors had been used on what it is Biometric and Biometric Systems as Liu (2001) and Bolle (2004) respectively. Some articles, academic monographs and research had been raised which had supplied subsidies to categorize the inherent information to the development of the subject in question. Finally, with this methodology it was possible to elucidate the questions that compose our research and the results had proven that although to be thematic a still unknown one for many, in Brazil the interest in applying these technologies exists since the beginning of twenty century.

Keywords: Biometrics, Biometric Systems, Information Security, Biometrics Features

Lista de Figuras

Figura 1: Fase de coleta de um sistema biométrico baseado em

impressão digital

Figura 2: Fase de coleta de um sistema biométrico baseado na aparência facial pg.8 Figura 3: Fase de coleta de um sistema biométrico baseado na

geometria da mão

Figura 4: Demonstração de um sistema biométrico baseado em

íris

pg.6

pg.9

pg.10

Lista de Tabelas

Tabela : Tabela de comparação entre as características biométricas pg.12

Tabela : Tabela das principais áreas de utilização dos sistemas biométricos pg.17 Tabela : Teste de aceitação de um sistema biométrico baseado

em íris

pg.20

Tabela : Teste do mesmo sistema biométrico com algoritmo

modificado

pg.20

Sumário

INTRODUÇÃO

1

CAPÍTULO I

3

1. Biometria e Sistemas Biométricos

3

1.1.2 Aparência Facial

7

1.1.3 Geometria das Mãos

9

1.2

Comparações entre as características biométricas

11

CAPÍTULO II

13

2.2 Instrumentos de Coletas de Dados

13

2.3 Procedimentos de Análise de Dados

14

CAPÍTULO III

15

3.

Categorizando o Corpus de Análise

15

3.1

Trabalhos Teóricos

16

3.1.1 Conceituação dos Sistemas Biométricos

17

3.1.2 Apresentação de Tecnologias

19

3.1.3 Sistemas Biométricos em Serviços de Web Banking

21

3.2

Desenvolvimentos de Aplicativos

21

CONSIDERAÇÕES FINAIS

24

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

25

1

INTRODUÇÃO

Este trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica cujo objetivo é identificar o Estado da Arte brasileira sobre Sistemas Biométricos. Os Sistemas Biométricos são aqueles que identificam pessoas por meio de características físicas ou comportamentais. Dentre as características utilizadas hoje nos sistemas biométricos, podemos citar: a mão, impressão digital, íris, face, corpo e hábitos comportamentais (maneira de escrever ou teclar). 1 O uso de Sistemas Biométricos para identificação e autenticação de pessoas garante muito mais segurança, pois o próprio indivíduo é sua senha. Muitas empresas já se utilizam de sistemas biométricos como forma de segurança, em contrapartida, outras ainda não fazem o uso dessa ferramenta. Esta pesquisa justifica-se pelo crescimento das atividades comerciais que são realizadas eletronicamente, dispensando o uso de papel e caneta. Esse crescimento rápido do comércio eletrônico tem obrigado o uso de apurados sistemas de identificação e autenticação, como sistemas biométricos. Isso pode ser verificado, por exemplo, nas pesquisas de Andrade (2007), Alves (2007) e Cörner (2006). Justifica-se também por ser pré-requisito para a obtenção do Certificado de Conclusão do curso Técnico em Informática, cursado na Escola Técnica Estadual Professor Aprígio Gonzaga, Extensão CEU Quinta do Sol, mantida pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. Diante disso, apresentamos nossa questão de pesquisa: Qual é o atual Estado da Arte brasileira dos Sistemas Biométricos? Para responder às questões de pesquisa, este trabalho apresenta a seguinte organização:

No capítulo I, apresentaremos a Fundamentação Teórica sobre Sistemas Biométricos. No capítulo II, apresentaremos a Metodologia de Pesquisa utilizada para a realização deste trabalho.

1 Esses tópicos serão apresentados com mais detalhes no Capítulo 1, Fundamentação Teórica.

2

No capítulo III, apresentaremos e discutiremos os resultados encontrados nesta pesquisa. A seguir, apresentaremos as Considerações Finais. As Referências Bibliográficas encerram este trabalho.

3

CAPÍTULO I

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O objetivo deste capítulo é apresentar a teoria sobre a qual nos

debruçamos neste trabalho para a explicação dos fatos aqui abordados. Trataremos especialmente neste item, de abordar a biometria e os sistemas biométricos, principais características utilizadas nos sistemas biométricos e a comparação entre essas características.

1. Biometria e Sistemas Biométricos

A biometria é o estudo das características únicas dos indivíduos,

utilizadas para sua identificação (LIU, 2001). Esse conceito já vem sendo utilizado há séculos, em contrapartida, seu uso em sistemas computacionais é algo atual que tem sido alvo de atenção especial em relação ao seu desenvolvimento, aprimoramento e aplicação. Sistemas Biométricos são sistemas computacionais que utilizam características biométricas para a autenticação de pessoas. Nesses sistemas, existem dois modos de autenticação: a verificação e a identificação (BOLLE, 2004, p.25). Na verificação, segundo Bolle (2004), a característica biométrica é apresentada pelo usuário juntamente com uma identificação alegada, usualmente por meio da digitação de um código de identificação. Já na identificação, Bolle (2004) afirma que o usuário fornece apenas suas características biométricas, competindo aos sistemas identificar o usuário. Qualquer característica fisiológica ou comportamental humana pode ser usada como característica biométrica desde que ela satisfaça alguns requisitos básicos (CLARKE, 1994) como:

satisfaça alguns requisitos básicos (CLARKE, 1994) como: Universalidade : todos a serem autenticados devem possuir a

Universalidade: todos a serem autenticados devem possuir a característica biométrica em questão. O problema do pré-requisito universalidade é que, na prática, há pessoas que não possuem impressões digitais, por exemplo.

4

Unicidade: uma característica biométrica deve ser diferente de um indivíduo para outro, ou seja, não : uma característica biométrica deve ser diferente de um indivíduo para outro, ou seja, não pode existir possibilidade de pessoas diferentes possuírem características iguais. Assim, a altura de uma pessoa não é uma boa característica para autenticação, já que várias pessoas podem possuir a mesma altura. Na prática, as características biométricas podem apresentar maior ou menor grau de unicidade, mas nenhuma delas pode ser considerada absolutamente única para cada indivíduo.

Permanência: a característica biométrica não pode sofrer alterações. Na prática, existem alterações ocasionadas pelo : a característica biométrica não pode sofrer alterações. Na prática, existem alterações ocasionadas pelo envelhecimento, pela mudança das condições de saúde ou mesmo emocionais das pessoas e por mudanças nas condições do ambiente de coleta, que trazem alguns percalços para a característica apresentada.

Coleta: a característica biométrica tem que ser passível de mensuração por meio de um dispositivo. : a característica biométrica tem que ser passível de mensuração por meio de um dispositivo. Na prática, todas as características biométricas utilizadas comercialmente atendem ao pré-requisito coleta.

Aceitação: a coleta da característica biométrica deve ser tolerada pelo indivíduo em questão. Na prática, : a coleta da característica biométrica deve ser tolerada pelo indivíduo em questão. Na prática, existem preocupações com higiene, com privacidade e também questões culturais que diminuem a aceitação da coleta.

5

1.1 Principais características usadas nos Sistemas Biométricos

As principais características estáticas utilizadas hoje nos sistemas biométricos são as impressões digitais, a aparência facial, a geometria das mãos e o padrão da íris. Outras características estáticas também são utilizadas em menor grau ou estão em estágios iniciais de pesquisa, como a impressão palmar (ZHANG; SHU, 1999; LU, 2003), o DNA (BOLLE, 2004, p.52), o formato das orelhas (BURGER, 2000; Victor, 2002), o padrão vascular da retina (HILL, 1999), o odor do corpo (KOROTKAYA, 2003), o padrão da arcada dentária (CHEN; JAIN, 2005) e o padrão de calor do corpo ou de partes dele (PROKOSKI; RIEDEL, 1999).

1.1.1 Impressões Digitais

A impressão digital dos dedos é formada por um padrão de cristas na superfície das pontas dos dedos que apresentam uma geometria peculiar, passível de identificar um indivíduo. Conforme Jain, Hong e Pankanti (2000), as impressões digitais apresentam um bom custo-benefício entre os requisitos de um sistema biométrico, atendendo melhor aos critérios de universalidade, distinção, permanência, desempenho e aceitabilidade. Quanto à universalidade, apenas os que sofrem de alguma deficiência física nas mãos podem vir a não ter os dedos para a identificação. Em relação à distinção, há muitos pontos característicos que qualificam unicamente o indivíduo. em relação à permanência, a impressão digital é formada nos primeiros meses de vida do feto e perdura até a morte e mesmo com o aparecimento de cortes e cicatrizes, ainda existirão pontos únicos suficientes para a identificação. Quanto ao desempenho é pelo fato de necessitar de pouco esforço computacional para armazenar a informação sobre os pontos únicos. Por exemplo, bastam apenas 12 bytes (8 bytes para localização e 4 bytes para ângulo) para guardar a localização de cada ponto, sendo que com 40 pontos

6

iguais duas impressões digitais podem ser consideradas iguais. Por fim, a aceitabilidade parece ser um item fácil de operar, uma vez que os cidadãos já estão acostumados a fornecer suas impressões digitais em casos de comprovação de identidade. As principais críticas em utilizar o sistema de impressões digitais são feitas quanto à dificuldade de coleta e a grande possibilidade de fraudes. A dificuldade de coleta deve-se ao fato de que já que o indivíduo, ao identificar-se, precisa dispor-se a apresentar seus dedos. Essa dificuldade também ocorre pelo fato de a coleta de impressões digitais em cenas de crime gerarem, em alguns casos, uma imagem de baixíssima qualidade. Já a possibilidade de fraudes tem relação com a possibilidade de obtenção de um dedo de uma pessoa morta, por exemplo, ou por uma falha de segurança na conexão com o sensor. Nesses casos, sugere-se a utilização de técnicas de criptografia dos dados trafegados unindo-se com a verificação da vitalidade pela identificação da temperatura corporal (MALTONI, 2005, p.42).

A figura abaixo representa a coleta de impressões digitais de um indivíduo.

a coleta de impressões digitais de um indivíduo. Figura 1: Fase de coleta de um sistema

Figura 1: Fase de coleta de um sistema biométrico baseado em impressão digital

7

1.1.2 Aparência Facial

Costa (2006) ao citar Zhao (2003) afirma que o processo de extração de características da face possui como primeiro passo a detecção, ou seja, descobrir que existe uma ou mais faces em uma determinada imagem. A detecção, também conhecida como segmentação, é um processo crítico para o sucesso do reconhecimento facial. Métodos baseados em distâncias matemáticas e redes neurais alcançam cerca de 85% de taxa de detecção correta. O autor afirma também que existem duas abordagens para a extração de características das imagens da face:

A primeira delas é a abordagem global, que tem relação com a aparência da face. A ideia básica é reduzir uma imagem de milhares de pixels para um conjunto de números. A distintividade da face pode ser capturada, independentemente do ruído produzido pelas variações de luminosidade, textura da pele, reflexos e outros fatores. Outra característica é a abordagem local, que tem relação com a

geometria da face. A ideia é modelar a face em termos de localização geométrica relativa a características particulares tais como olhos, boca, nariz, bochechas, etc. Assim, o reconhecimento de face resume-se a comparar os sistemas geométricos obtidos. O processo de comparação está baseado em três tipos de métodos:

holísticos, estruturais e híbridos (ZHAO, 2003).

1. Métodos holísticos usam toda a região da face. Dentre as várias

técnicas existentes, a PCA, baseada em eigenfaces 2 , é a mais utilizada.

2. Métodos estruturais contêm técnicas mais recentes que se utilizam de

medidas geométricas (ângulos e distâncias) relativas entre diversos pontos notáveis da face, como olhos, nariz, boca e bochechas.

3. Métodos híbridos tentam oferecer o melhor dos dois métodos, na

tentativa de se aproximarem do sistema de percepção humano, que se utiliza tanto da aparência global da face quanto das características locais. Esses métodos podem ser encontrados nos trabalhos de Zhao (2003) no qual o autor mostra os Hidden Markov Models (HMMs) e Support Vector Machines (SVM)

2 São um conjunto de autovetores utilizados em sitemas computacionais para o reconhecimento de rosto humano.

8

que, de acordo com Qiao, (2004), mostra-se mais bem sucedido para o reconhecimento facial do que as outras abordagens. Costa (2006) ao citar Zhao (2003) também menciona alguns pontos

positivos ao utilizar essa característica, segundo os quais:

Existe larga aceitação pública para esse identificador biométrico, já que fotos de faces são usadas rotineiramente em documentos.

Os sistemas de reconhecimento de face são os menos intrusivos e não exige qualquer contato e nem mesmo a colaboração do usuário. Os dispositivos de aquisição de imagens 2D são de baixo custo. Quanto aos pontos negativos, Costa (2006) destaca:

Em sistemas automatizados de autenticação por meio da face, as

condições de iluminação precisam ser controladas. Outros desafios técnicos

ainda precisam ser vencidos.

É uma tecnologia biométrica suficientemente boa para aplicações

de verificação de pequena escala. No entanto, é uma biometria pobre para aplicações de identificação de larga escala.

Uma maneira óbvia e fácil de fraudar o sistema, em aplicações de screening, é a utilização de disfarces.

aplicações de screening , é a utilização de disfarces. Figura 2: Fase de coleta de um

Figura 2: Fase de coleta de um sistema biométrico baseado na aparência facial

9

1.1.3 Geometria das Mãos

Segundo Ross (1999), o reconhecimento da geometria da mão resulta de uma análise das características da mão como a forma, o comprimento dos dedos e as suas linhas características. Há de realçar que a geometria da mão não é uma característica própria de cada indivíduo, mas tem a vantagem de facilmente ser combinada com outras biometrias como, por exemplo, a impressão digital. Por outro lado, a geometria da mão, comparada com outras biometrias, não produz um grande conjunto de dados. Portanto, dado um grande número de registros, a geometria da mão pode não ser capaz de distinguir um indivíduo de outro com características da mão semelhantes (THIAN, 2001). A figura abaixo representa a coleta da geometria da mão de um indivíduo.

representa a coleta da geometria da mão de um indivíduo. Figura 3: Fase de coleta de

Figura 3: Fase de coleta de um sistema biométrico baseado na geometria da mão.

10

1.1.4 Padrão de Íris

Essa tecnologia envolve a análise do anel colorido que cerca a pupila do olho humano e é considerada por muitos a menos intrusiva de todas, funcionando mesmo com óculos postos (LIU, 2001).

A leitura de íris fornece padrões de comparação com eficácia acima da

média e é uma das poucas tecnologias biométricas que pode ser adequada para identificação. No entanto, a dificuldade de utilização e integração com os sistemas existentes são obstáculos a serem superados em relação a sua implementação e utilização (LIU, 2001).

O baixo custo do equipamento necessário é uma vantagem, já que uma

câmera normal pode ser utilizada no processo. No entanto, a qualidade da

imagem é uma questão importante e requer muita atenção (THIAN, 2001). Wang (2003) afirma que essa tecnologia é considerada como uma das tecnologias biométricas mais precisas.

A figura abaixo representa a coleta de informações da íris.

figura abaixo representa a coleta de informações da íris. Figura 4: Demonstração de um sistema biométrico

Figura 4: Demonstração de um sistema biométrico baseado em íris

11

1.2 Comparações entre as características biométricas

Araujo (2007), ao citar Liu e Silverman (2001), afirma que a biometria é uma área de interesse tanto acadêmico quanto comercial, pois a cada dia surgem diversas novas metodologias. Nesta comparação, foram avaliadas a facilidade de uso, a incidência de erros, a precisão, a aceitação dos usuários, o nível de segurança e a estabilidade da característica biométrica durante a vida. Dentre todos esses parâmetros de comparação, a impressão digital apresenta-se como uma das características mais adequadas como técnica de sistema de reconhecimento.

Apresentamos

abaixo

um

quadro

com

a

comparação

entre

características biométricas segundo Liu e Silverman (2001).

12

   

Características Biométricas

 
 

Impressão

Geometria da

Íris

Face

Digital

Mão

Facilidade de

Alta

Alta

Media

Média

uso

Incidência de

Umidade, sujeira e idade

Acidente

e

Iluminação

Iluminaç

erros

idade

ão,

 

idade,

cabelo,

etc.

Precisão

Alta

Alta

Muito alta

Alta

Aceitação

Média

Média

Média

Média

Nível de

Alto

Médio

Muito alta

Médio

Segurança

Estabilidade ao longo do tempo

Alta

Média

Alta

Média

Tabela 1: Comparação entre as características biométricas

13

CAPÍTULO II

METODOLOGIA DE PESQUISA

O objetivo deste capítulo é apresentar informações a respeito da metodologia de pesquisa bibliográfica utilizada para responder a questão de pesquisa deste trabalho, ou seja, os instrumentos utilizados para a coleta de dados, que envolvem consultas a artigos, monografias, sites e livros, enfim, todo o material publicado e que estivesse à disposição para pesquisa.

2.1 Contexto de Pesquisa

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica cujo objetivo é identificar qual o Estado da Arte brasileira dos Sistemas Biométricos e conhecer os principais resultados dessas pesquisas. Esta pesquisa de caráter bibliográfico dá-se ao fato de que a forma de coleta de dados foi feita por meio de trabalhos já concluídos, sendo analisado o conteúdo bem como suas referências.

2.2 Instrumentos de Coletas de Dados

Para coletar os dados presentes nesta pesquisa, foram realizadas buscas nos sites abaixo mencionados, por meio de palavras-chave como Biometria e Sistemas Biométricos.

14

A partir dessa pesquisa, identificamos o corpus de análise deste trabalho, que é composto por diversos artigos, monografias e trabalhos de conclusão de curso, que compreendem o período de 1997 a 2010.

2.3 Procedimentos de Análise de Dados

Para Appolinário (2004), o procedimento de análise denominado análise de conteúdo tem por finalidade básica a busca do significado de materiais textuais, sejam eles artigos de revistas, prontuários de pacientes em hospitais ou, ainda, seja a transcrição de entrevistas realizadas com sujeitos, individual ou coletivamente. Para a análise do material coletado, fizemos uma triagem para verificar os objetivos de pesquisa desses trabalhos que compuseram o corpus inicial desta pesquisa. Nessa triagem, percebemos que vários trabalhos tratavam de questões semelhantes e, em função disso, escolhemos trabalhos que representassem o conteúdo analisado por cada uma dessas pesquisas. Isso resultou em um corpus final para análise, que é composto de nove de trabalhos, que representam o conhecimento atual a respeito da temática aqui pesquisada, sejam eles trabalhos teóricos ou práticos. A partir desse corpus final, dividimos os trabalhos em dois grupos, sendo eles: trabalhos teóricos e trabalhos práticos. Os trabalhos teóricos foram subdivididos em trabalhos que fazem a introdução da temática, trabalhos que se aprofundam em apenas uma das características biométricas e trabalhos que foram direcionados a área de Web Banking 3 . Os trabalhos práticos foram analisados em relação ao desenvolvimento de aplicações.

3 Serviço de transações bancárias online.

15

CAPÍTULO III

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Nesta seção, apresentaremos o conteúdo utilizado para a criação desta pesquisa e discutiremos os resultados a fim de responder à pergunta de pesquisa.

3. Categorizando o Corpus de Análise

O corpus de análise deste trabalho é composto por nove trabalhos, sendo 6 (seis) artigos teóricos e 3 (três) aplicados que utilizam técnicas biométricas, demonstrando que se trata de uma tecnologia que não possui muita popularidade, pois parece que ao se utilizarem dessas tecnologias não existe preocupação com a sua divulgação para garantir a total segurança de seus sistemas. Muitos autores estão preocupados em definir e mostrar as áreas de aplicação dos sistemas biométricos e não focam em desenvolver um sistema que utiliza de características biométricas, pois, além de necessitar de conhecimentos específicos das características biométricas, é necessário também conhecer as ferramentas lógicas para a implementação do sistema e os pré-requisitos do ambiente estrutural no qual será implantado e aplicado o sistema. Dentre os trabalhos analisados entre o período 1997 a 2010, a conceituação apresenta características semelhantes, uma vez que foram definidos de uma forma receptiva, ou seja, não existe a preocupação em contestar a definição existente. Já na parte técnica, há algumas diferenças como, por exemplo, os locais e tipos de aplicação dos sistemas biométricos, pois com relação ao desenvolvimento, sempre existirá preocupação com aprimoramento dos sistemas, uma vez que nenhuma característica biométrica

16

digital consegue atender perfeitamente aos requisitos de uma característica biométrica ideal, fato que impossibilita uma unicidade absoluta sobre qual tecnologia biométrica é a melhor. A seguir, apresentaremos os resultados obtidos a partir dos trabalhos teóricos que compõem o nosso corpus de análise.

3.1 Trabalhos Teóricos

Os trabalhos teóricos têm como principal objetivo informar os leitores sobre os Sistemas Biométricos, suas tecnologias e áreas que estão sendo utilizados, pois trata-se de uma tecnologia que recentemente está popularizando-se com aplicações simples em sistemas computacionais, como por exemplo complementação de senhas bancárias e controle de acesso físico ou lógico. Uma explicação para que os autores busquem fazer a conceituação dos sistemas biométricos é que no final dos anos 80 e início dos 90, tal tecnologia parecia uma realidade muito distante, pois até mesmo em filmes de ficção científica esse assunto era tratado com nuance futurístico e até hoje essa ideia permanece em algumas pessoas. Contrariando essa ideia de atualidade, a biometria não é um conceito novo, inédito, é apenas sua aplicação em sistemas computacionais. Sabe-se, por exemplo, que os faraós do Egito usavam características físicas de pessoas para distingui-las:

utilizavam como informação de identificação de cicatrizes, cor dos olhos, arcada dentária, entre outros. No entanto, somente no século XIX é que a biometria ganhou atenção científica, quando as características físicas das pessoas passaram a ser utilizadas para trabalhos de cunho judicial. No século XX, a biometria passou a ser usada em documentos de identidade, como é o caso do RG (Registro Geral) no Brasil. De um modo não-sofisticado, a biometria já existe há séculos. Partes de nossos corpos e aspectos de nosso comportamento têm sido usados no decorrer da História como um modo de identificação, pois nós sempre lembramos e identificamos uma pessoa pelo seu rosto ou pelo tom de sua voz. Os trabalhos teóricos podem ser divididos em trabalhos que buscam apenas definir o conceito geral dos Sistemas Biométricos, trabalhos que visam

17

a explicar o uso de apenas uma de suas tecnologias, pois atualmente vem desenvolvendo-se novas tecnologias com o uso de outras características biométricas como exemplo a maneira de teclar, e trabalhos que informam as utilizações dos sistemas biométricos em serviços de Web Banking, devido à grande demanda de transações efetuadas nessa área. A seguir, apresentaremos os resultados dos trabalhos que fazem a conceituação dos sistemas biométricos.

3.1.1 Conceituação dos Sistemas Biométricos

Os trabalhos de Costa, Obelheiro e Fraga (2006) e Araújo e Souza (2008) fazem a conceituação de biometria, bem como explicam algumas das tecnologias mais utilizadas. Costa, Obelheiro e Fraga (2006) expõem bem as tecnologias de impressão digital, face, íris, geometria da mão e padrão de voz, e explicam também, de uma forma superficial, conceitos básicos para o desenvolvimento de sistemas. Além disso, explicam a arquitetura, os erros e a utilização de smart-cards nos sistemas biométricos. Fazem também o levantamento de quais áreas mais se utilizam desses sistemas, apresentando o seguinte quadro:

Finalidade

Utilização

Identificação Criminal

28

%

Controle de acesso e atendimento

22

%

Identificação Civil

21

%

Segurança de redes e de computadores

19

%

Autenticação em pontos de vendas, ATM’s 4 e varejo

4

%

Autenticação telefônica e comércio eletrônico

3

%

Vigilância e filtragem

3

%

Tabela 2: Principais áreas de utilização dos sistemas biométricos

4 Automated Teller Machine (caixa eletrônico).

18

As informações descritas nesse quadro foram retiradas da revista BITE (2005), que possui um grande conceito na área Biométrica. Esses dados universais demonstram que os diferentes objetivos das identificações por meio dos sistemas biométricos são os fatores que atribuem maior ou menor grau de importância, fazendo com que determinadas áreas necessitem da utilização desses sistemas mais que outras, por exemplo: a identificação criminal é muito mais relevante do que o colaborador de uma empresa identificar-se através de um sistema biométrico. Podemos dizer também que, baseado no corpus de análise, o sucesso do uso dos sistemas biométricos em identificação criminal justifica-se pelo fato de que uma comparação automática das características físicas de um indivíduo sugere uma maior rapidez e eficiência do que as comparações manuais realizadas antigamente, e esse sucesso foi de grande influência para que outras áreas também começassem a utilizá-los. Costa, Obelheiro e Fraga (2006) realizam uma pesquisa com um grau de informações inversamente proporcionais. Isso significa que, ao passo que fazem rápida abordagem sobre a conceituação da temática biométrica, aprofundam-se nas minúcias técnicas e aplicativas dos sistemas biométricos, utilizando conceitos técnicos. Tratando-se de um trabalho introdutório, existe a necessidade de uma linguagem mais descritiva, ou seja, que explique de uma forma mais simples esses conceitos, tornando-os mais acessíveis. Araújo e Souza (2008) descrevem as tecnologias de retina, íris, voz e dinâmica de digitação. Alem disso, dividem as áreas de atuação da biometria em apenas dois grupos: Controle de Acesso Geral e Comércio Eletrônico. Diferente de Costa, Obelheiro e Fraga (2006), Araújo e Souza (2008) fazem um trabalho mais objetivo e com uma linguagem mais simples, porém não fazem o aprofundamento das tecnologias utilizadas. Davi (2006) faz um trabalho em forma de artigo conceituando os Sistemas Biométricos e também descrevendo o uso das tecnologias de impressão digital, face, íris e geometria da mão. Por fim, explica o uso dos Sistemas Biométricos em diversos campos apresentando alguns casos de uso. Esse trabalho, de uma forma bem dinâmica, faz um apanhado geral sobre a temática biométrica com informações relevantes em relação à utilização de sistemas biométricos na antiguidade.

19

De acordo com a análise geral desses dados, a temática biométrica segue certo padrão, inclusive os mesmos autores são referenciados nas conceituações, indicando que em relação à definição dessa temática não existe preocupação em redefinir os parâmetros conceituais, mas sim propagar a ideia inicial e fazer o desenvolvimento de novas tecnologias.

A seguir faremos uma análise dos trabalhos que abordam as tecnologias

3.1.2 Apresentação de Tecnologias

Dos artigos utilizados para a realização deste trabalho apenas Corner, Vieira e Assis (2006) apresentaram esse tipo de temática. Corner, Vieira e Assis (2006) realizaram um trabalho aprofundado sobre sistemas de identificação biométrica baseados em íris, afirmando que dentre todas as tecnologias de sistemas biométricos, os baseados no reconhecimento de íris têm revelado-se muito mais robustos. Diferentemente dos trabalhos teóricos introdutórios citados anteriormente, esse objetivou em sistemas biométricos baseados em apenas um tipo de característica biométrica, dispensando conceitos primitivos e descrevendo detalhadamente todas as fases de funcionamento de um sistema biométrico baseado em característica da íris.

Esse trabalho é apenas um exemplo de uma grande quantidade de pesquisas que focam em apenas uma tecnologia que está sendo desenvolvida ou aprimorada. Isso demonstra que apesar de os sistemas já existentes satisfazerem a demanda atual, ainda existe a preocupação em aprimorar e tornar esses sistemas mais eficientes e não suscetíveis a falhas. Após esses autores citarem as fases de um sistema biométrico baseado em íris, eles afirmam que nesse procedimento são realizadas cinco etapas:

captura da imagem, segmentação, normalização, codificação e identificação de padrões. Descrevem também como é feita a identificação da pupila e a segmentação de íris. Em seguida, realizam teste de um sistema biométrico utilizando a tecnologia. O resultado para uma população de 160 pessoas,

20

sendo 50% cadastradas e 50% não, cadastradas é demonstrado no quadro abaixo:

   

Impostores

Autênticos

Falsa

Correta

Correta

Falsa

Aceitação

Rejeição

Aceitação

Rejeição

Total

12

68

58

22

Porcentagem

7,5%

42,5%

36,2%

13,8%

Tabela 3: Teste de aceitação de um sistema biométrico baseado em íris.

Esses dados indicam que esse sistema é mais propício a falhas em relação à aceitação de usuários cadastrados do que a rejeição de pessoas não autorizadas tentando forçar a aceitação do sistema, justificando então a realização de pesquisas sobre essa característica e a preocupação em encontrar maneiras de diminuir a possibilidade de erros. Por fim, os autores realizam uma discussão sobre as melhorias no sistema, com a modificação do algoritmo, o que gerou uma nova avaliação do sistema demonstrada no seguinte quadro:

   

Impostores

Autênticos

Falsa Aceitação

Correta Rejeição

Correta Aceitação

Falsa Rejeição

Algoritmo

7,5%

42,5%

36,2%

13,8%

original

Algoritmo

1,9%

48,1%

41,9%

8,1%

Modificado

Tabela 4: Teste de sistema biométrico com algoritmo modificado.

Essa tabela faz a comparação entre o algoritmo original e o modificado, demonstrando que a modificação do algoritmo trouxe melhoras nos resultados da aplicação. Essa análise é de grande relevância, pois os autores utilizaram uma aplicação já existente e apresentaram melhorias significativas, o que nos leva a reafirmar que nenhuma característica biométrica é auto-

21

suficiente, ou seja, são suscetíveis a falhas e que depende diretamente do algoritmo e da lógica utilizada pelo desenvolvedor na criação do sistema.

3.1.3 Sistemas Biométricos em Serviços de Web Banking

Costa, Obelheiro e Fraga (2007) realizaram um artigo em que, por conta da grande utilização dos serviços de web banking e pela sua precária segurança, apresentam a aplicação de sistemas biométricos para a melhoria da segurança nesse serviço. O crescimento da utilização de web banking deve- se ao fato de as pessoas estarem preocupadas em otimizar o tempo de suas atividades podendo assim realizar outras tarefas em seu dia a dia. Tendo em vista a grande demanda de fraudes em transações bancárias on-line, com a atuação de bankers 5 , uma vez que esse serviço atualmente tem um papel fundamental no comercio eletrônico, de modo que transações on-line já ultrapassam as transações em pontos de auto-atendimento, pesquisas mostram a preocupação em aprimorar as técnicas de autenticação de clientes garantindo assim maior segurança e comodidade na utilização desse serviço. Os autores acima descrevem o ambiente computacional bancário dos sistemas de web banking, conceitos básicos das tecnologias biométricas, a tecnologia atual de segurança nos serviços de web banking e por último apresentam e discutem um modelo de autenticação biométrica nos serviços de web banking.

3.2 Desenvolvimentos de Aplicativos

Para realizar o desenvolvimento de aplicativos é necessário unir uma série de pré-requisitos, os quais auxiliam na implementação dos softwares com tecnologia biométrica, ou seja, além de obter o conhecimento técnico específico para a criação de algoritmos e desenvolvimento de uma linguagem de programação, é necessário ter a capacidade de abstrair sobre a infra- estrutura do ambiente em que será implantado o sistema e também conhecer o custo para esse tipo de desenvolvimento, tendo em vista o investimento das

22

empresas que utilizarão essa aplicação, pois elas são responsáveis pelos equipamentos e licenças para utilização de softwares. Como exemplo disso, a empresa que atua no desenvolvimento de sistemas biométricos é a Akiyama Tecnologia, uma empresa que homologou junto ao Departamento de Trânsito do Estado do Paraná (DETRAN-PR) o seu leitor biométrico para digitais, que é o SFR300R. Esse leitor faz a verificação das identidades dos usuários que é realizada de maneira totalmente automática, por meio das impressões digitais cadastradas num servidor central e verificadas em pontos remotos pela rede internet, assim como fazem algumas clínicas médicas e auto-escolas, através de um AFIS 6 . O sistema de cadastro e verificação desenvolvido pelo DETRAN-PR é um dos mais seguros e modernos em utilização no Brasil, enquadrado perfeitamente com as mais exigentes normas internacionais de segurança e confiabilidade. Andrade (1997) reúne vários pré-requisitos necessários para o desenvolvimento e os classifica de modo que, ao obter informações sobre a aplicação, demonstra a modelagem de dados para o sistema ser desenvolvido por meio de um caso de uso. No transcorrer da modelagem, qualifica as ferramentas necessárias para o desenvolvimento do software e, anterior a isso, descreve as minúcias das etapas de coleta de dados inerentes ao tipo de biometria utilizada e também as instituições reguladoras dos padrões de metodologias e testes. Essa aplicação utiliza-se da característica biométrica facial, com o método eingenfaces, desenvolvida na linguagem de programação C++ na qual obteve 97.7% de taxa de acerto. Andrade (1997) faz um trabalho prático com uma linguagem técnica e difícil de ser compreendida, porém justifica-se por ser um trabalho de cunho avançado e necessita dessa prática metodológica. Lopes (2007) também faz uma aplicação que utiliza características faciais, diferentemente de Andrade (1997). Lopes (2007) implementou o sistema na linguagem de programação Java, utilizando um método mais avançado, o SVM., o qual se mostrou mais eficaz nesse tipo de identificação e por isso é alvo de recentes estudos sobre identificação facial.

6 (Automatic Fingerprint Identification System) Sistema de identificação automática de impressões digitais

23

Fazendo a comparação entre os sistemas, percebemos que a linguagem de programação utilizada na aplicação não interfere no nível de precisão do sistema, mas sim o método de comparação entre as características. Isso justifica o trabalho de Lopes (2007) por ter uma maior precisão, pois utiliza um método mais avançado de que o de Andrade (1997). Já Mognon (2008) utiliza metodologia bem semelhante à de Andrade (1997), porém utiliza a característica da impressão digital e faz a validação da aplicação desenvolvida em ambiente real, ou seja, instalou o software em uma empresa na qual o utilizou durante 30 (trinta) dias e ocorreu apenas um problema com identificação da impressão digital. Um funcionário entre 20 cadastrados não estava mais conseguindo realizar as suas marcações, pois o leitor não conseguia mais identificar a sua digital. Após ocorrer esse problema, foi realizado o recadastramento das digitais da pessoa cuja identificação foi problemática e então não apresentou mais problemas. É difícil identificar qual foi o real motivo dessa situação, pois podem ser problemas ambientais ou físicos, ou seja, o indivíduo pode ter sofrido alguma alteração nas suas minúcias, ou a umidade do ambiente pode ter interferido no seu cadastro ou até mesmo uma sujeira em seu dedo ou no leitor no momento do cadastro pode ter interferido na identificação.

24

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho de conclusão de curso deu-nos a oportunidade de conhecer e explorar diversos conteúdos para identificar o Estado da Arte dos Sistemas Biométricos. Mesmo conhecendo as pesquisas em diversos segmentos, encontramos um tema que está em constante transformação. Esta pesquisa sugere que essa temática ainda tem muito a ser explorada e aprimorada, pois, a segurança da informação é um fenômeno recorrente entre as transações comerciais e acesso físico ou lógico de pessoas, por isso, o interesse em encontrar soluções próximas da segurança absoluta deve se renovar a cada possibilidade de aprimoramento. Considerando todos os trabalhos analisados, percebemos que existe muita semelhança entre as características de conceituação e desenvolvimento dos sistemas biométricos, motivo pelo qual não foi foco dessa pesquisa explanar sobre a utilização dos sistemas biométricos em uma área em específico, pois um único sistema pode ser aplicado em campos diferentes desde que satisfaça as necessidades da organização, mas sim o intuito foi ratificar a necessidade que move essa temática que é a segurança, agilidade e conforto aos usuários dos Sistemas Biométricos.

Atentar para as diferenças é um detalhe, atentar aos detalhes faz toda a diferença Heleno A. P. Junior

25

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alves, F.F. (2007). Desenvolvimento de aplicação biométrica para reconhecimento de impressão digital através de um dispositivo móvel. Universidade Federal Da Bahia Instituto de Matemática Departamento de Ciência da Computação, Salvador, BA

Andrade, L. A. N. (1997). Sistemas de Identificação Pessoal Utilizando Técnicas de Reconhecimento e Verificação Facial Automáticas. Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação, Departamento de Comunicações, Campinas, SP

Appolinário, F. (2004). Dicionário de metodologia científica: um guia para a produção de conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2004

Araujo, E. C. J. e Souza V. L. (2008). A Biometria Como Mecanismo Seguro de Identificação e Autenticação de Indivíduos em Sistemas de Informação. Instituto de Educação Superior de João Pessoa PB, João Pessoa, PB, 2008

Barbosa, A. A. J. (2007) Estudo e Desenvolvimento de Aplicação Biométrica Para Ambiente de Larga Escala Reconhecimento de Impressões Digitais. Universidade Federal da Bahia Instituto de Matemática Departamento de Ciência da Computação, Salvador, BA

Bolle, R. M., Connell, J. H., Pankanti, S., Ratha, N. K., and Senior, A. W. (2004). Guide to Biometrics. Springer Professional Computing, 1st edition.

Burge, M. and Burger, W. (2000). Ear biometrics in computer vision. In International Conference on Pattern Recognition, volume 2, pages 28222826, Los Alamitos, CA, USA. IEEE Computer Society.

Clarke, R. (1994). Human identification in information systems: management challenges and public policy issues. Information Technology & People, 7(4):6

37.

Corner, E. W., Vieira J. F. V. e Assis J. T. (2006). Sistemas de Identificação Biométrica Baseada em Íris. IX Encontro de Modelagem Computacional, Belo Horizonte, MG, 2006

26

Costa, L. R., Obelheiro, R. R., and Fraga, J. S. (2006). Introdução são aos sistemas biométricos. In Minicursos do SBSeg 2006, Santos, SP.

Costa, L. R., Obelheiro, R. R. e Fraga, J. S. (2007). Autenticação em Web Banking por Credenciais Biométricas Suportadas pelos Padrões de Serviços Web. Departamento de Automação e Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina Florianópolis, SC

Davi, A. (2006). Sistemas Biométricos: Impressões Digitais, Geometria da Mão, Retina, Íris. Centro Universitário Nove de Julho, São Paulo, Brasil, 2006

Gava, E.A (2006). Sistemas biométricos com ênfase na técnica dinâmica da digitação (Keystroke Dynamics). Monografia - Faculdade de Tecnologia de Americana, Americana.

Hill, R. B. (1999). Retina identification. In Jain, A. K., Bolle, R. M., and Pankanti, S., editors, Biometrics: Personal Identification in Networked Society, chapter 6. Kluwer Academic Publishers, Boston, MA, USA.

Jain, A., Hong, L e Pankanti, S. (2000) Biometric Identification, Comunications of the ACM, Vol. 43, No. 2, 2000.

Korotkaya, Z. (2003). Biometric person authentication: Odor. Inner report in Department of Information Technology, Laboratory of Applied Mathematics, Lappeenranta University of Technology. In “Advanced Topics in Information Processing: Biometric Person Authentication”.

LIU, S.; SILVERMAN, M. (2001). A practical guide to biometric security technology. IT Professional Magazine, IEEE Computer Society, v. 3, n. 1, p. 2732, fev. 2001. ISSN 1520-9202.

Lopes, V. R. (2007). Reconhecimento Facial usando SVM. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Departamento de Informática, Rio de Janeiro

Lu, G., Zhang, D., and Wang, K. (2003). Palmprint recognition using eigenpalms features. Pattern Recognition Letters, 24(9-10):14631467.

Magalhães P. S. e Santos H. D. (2003). Biometria e autenticação. Actas da 4ª Conferência da Associação Portuguesa de Sistemas de Informação, Porto, Portugal, 2003

27

Mognon, F. (2008). Biometria em Sistemas de Informação. Curso de Ciência da Computação Universidade de Passo Fundo (UPF), RS, Brasil

Moraes, A. F. (2006). Método para avaliação da tecnologia biométrica na segurança de aeroportos. São Paulo, 2006

Prokoski, F. J. and Riedel, R. (1999). Infrared identification of faces and body parts. In Jain, A. K., Bolle, R. M., and Pankanti, S., editors, Biometrics: Personal Identification in Networked Society, chapter 9. Kluwer Academic Publishers, Boston, MA, USA.

Ross, A. A., Nandakumar, K., and Jain, A. K. (2006). Handbook of Multibiometrics. International Series on Biometrics. Springer.

Thian, N. (2001) Biometric Authentication System, Tese de mestrado, USM, Penang, Malásia, http://hydria.u-strasbg.fr/~norman/BAS/publications.htm (Fevereiro 2003), 2001.

Victor, B., Bowyer, K., and Sarkar, S. (2002). An evaluation of face and ear biometrics. In International Conference on Pattern Recognition, volume 1, pages 429432, Quebec City, Canada. IEEE Computer Society.

Wang, Y., Tan, T. e Jain, A. K. (2003). Combining Face and Iris Biometrics for Identity Verification, Proc. of 4th Int'l Conf. on Audio- and Video-Based Biometric Person Authentication (AVBPA), Guildford, UK, 2003.

Zhao, W., Chellappa, R., Phillips, P. J., and Rosenfeld, A. (2003). Face recognition: A literature survey. ACM Computing Surveys, 35(4):399458.

Zhang,

verification:

Recognition, 32(4):691702.

D.

and

Shu,

W.

Datum

point

(1999).

invariance

Two

novel

line

and

characteristic

feature

in

palm

print

Pattern

matching.