AVALIAR PARA PROMOVER: As Setas do Caminho Jussara Hoffmann

Para Hoffmann, o trajeto a ser percorrido, quando praticamos a avaliação, é impulsionado pelo inusitado, pelo sonho, pelo desejo de superação, pela vontade de chegar ao objetivo/destino que vai sendo traçado, assim como quando realizamos o caminho a Santiago de Compostela, na Espanha. Da mesma forma, avaliar necessita da conversa uns com os outros, para compartilhar dos sentimentos de conquista, da compreensão das setas. A ousadia do ato de avaliar, neste caminho, tem o sentido de avançar sempre: promover e a autora nos apresenta as setas do caminho. Buscando Caminhos A avaliação, compreendida como a avaliação da aprendizagem escolar, deve servir à promoção, isto é, acesso a um nível superior de aprendizagem por meio de uma educação digna e de direito de todos os seres humanos. Hoffmann é contrária à ideia de que primeiro é preciso mudar a escola e a sociedade para depois mudar a avaliação. Pelo contrário, a avaliação, por ser uma atividade de reflexão sobre os próprios atos, interagidos com o meio físico e social, influi e sofre a influência desse próprio ato de pensar e agir. Assim, é a avaliação reflexiva que pode transformar a realidade avaliada. Para transformar a escola, lugar em que ocorre a gestão educacional de um trabalho coletivo, é necessário que ocorra uma reflexão conjunta de professores, alunos e comunidade, pois a partir disso desencadeiam-se processos de mudança muito mais amplos do que a simples modificação das práticas de ensino. Esse processo, assim como no caminho a Santiago de Compostela, gera inquietação e incertezas para os professores, as quais devem ser respeitadas, por meio de oportunidades de expressão desses sentimentos, de compreensão de outras perspectivas e de reflexão sobre as próprias crenças. É no confronto de ideias que a avaliação vai se construindo para cada um dos professores à medida que discutem, em conjunto, valores, princípios e metodologias.

Rumos da Avaliação neste século O problema da avaliação da aprendizagem tem sido discutido intensamente neste último século. Nas últimas décadas, adquiriu um enfoque político e social, que intensificou a pesquisa sobre o assunto. A tendência, dentre os principais estudiosos do assunto, é a de procurar superar a concepção positivista e classificatória das práticas avaliativas escolares (baseada em verdades absolutas, critérios objetivos, medidas padronizadas e estatísticas) em favor de uma ação consciente e reflexiva sobre o valor do objeto avaliado, as situações avaliadas e do exercício do diálogo entre os envolvidos.

Dessa maneira, assume-se conscientemente o papel do avaliador no processo, dentro de um dado contexto, que confere ao educador uma grande responsabilidade por seu compromisso com o objeto avaliado e com sua própria aprendizagem - a de como ocorre o processo avaliativo. Essa reflexão envolve os próprios princípios da democracia, cidadania e direito à educação, que se contrapõem às concepções avaliativas classificatórias, que se fundamentam na competição, no individualismo, no poder, na arbitrariedade, que acabam enlaçando tanto os professores quanto os alunos em suas relações pessoais verticais e horizontais.

A avaliação a serviço da ação

A contraposição básica estabelecida por este princípio é estabelecida entre uma concepção classificatória de avaliação da aprendizagem escolar e a concepção de avaliação mediadora. A avaliação mediadora, fundada na ação pedagógica reflexiva, implica necessariamente uma ação que promova melhoria na situação avaliada. Em se tratando da avaliação da aprendizagem, sua finalidade não é o registro do desempenho escolar, mas sim a observação contínua das manifestações de aprendizagem para desenvolver ações educativas que visem à promoção, a melhoria das evoluções individuais. Da mesma forma, a avaliação de um curso só terá sentido se for capaz de possibilitar a implementação de programas que resultem em melhorias do curso, da escola ou da instituição avaliada. No entanto, a despeito das inovações propostas pela nova LDB (9394/ 96), observa-se na maioria das escolas brasileiras, de todos os níveis, a dificuldade para incorporar e compreender a concepção de avaliação mediadora. Em seus regimentos escolares enunciam-se objetivos de avaliação contínua, mas, ao mesmo tempo, estabelecem-se normas classificatórias e normativas, o que revela a manutenção das práticas tradicionais e a resistência à implementação de regimes não seriados, ciclos, programas de aceleração, evidenciando o caráter burocrático e seletivo que persiste no país. É a compreensão e definição da finalidade da avaliação da aprendizagem que deve nortear as metodologias e não o inverso, como se tem observado até agora. A autora resume os princípios básicos – as setas do caminho – a seguir, apontando para onde vamos:

DE

PARA

Avaliação para classificação, seleção, seriação.

Avaliação a serviço da aprendizagem promoção da cidadan

Atitude reprodutora, alienadora, normativa

Mobilização em direção à busca de sen ação.

Intenção prognóstica, somativa, explicativa e de desempenho.

Intenção de acompanhamento perman intervenção pedagógica favorável a

Visão centrada no professor e em medidas padronizadas de disciplinas fragmentadas.

Visão dialógica, de negociação, refere objetivos e discussão interdi

Organização homogeneizada, classificação e competição.

Respeito às individualidades, confianç todos, na interação e na soc

A finalidade da avaliação mediadora é subsidiar o professor, como instrumento de acompanhamento do trabalho, e a escola, no processo de melhoria da qualidade de ensino, para que possam compreender os limites e as possibilidades dos alunos e delinear ações que possam favorecer seu desenvolvimento, isto é, a finalidade da avaliação é promover a evolução da aprendizagem dos educandos e a promoção da qualidade do trabalho educativo.

Regimes seriados versus regimes não-seriados Uma das maiores dificuldades de compreensão das propostas educacionais contemporâneas reside no problema da organização do regime escolar em ciclos e outras formas não seriadas. A razão dessa dificuldade reside justamente no apego às ideias tradicionais às quais se vinculam o processo de avaliação classificatória e seletiva.

Os regimes seriados estabelecem oficialmente uma série de obstáculos aos alunos, por meio de critérios pré-definidos arbitrariamente como requisitos para a passagem à série seguinte. Os desempenhos individuais dos alunos são utilizados para se comparar uns com os outros, promovendo os "melhores" e retendo os "piores". As diferenças individuais são reconhecidas, não como riqueza, mas como instrumento de dominação de uns poucos sobre muitos.

Os regimes não seriados, ao contrário, fundamentam-se em concepções desenvolvimentistas e democráticas, focalizando o processo de aprendizagem, e não o produto. O trabalho do aluno, a aprendizagem, é comparado com ele próprio,

sendo possível observar sua evolução de diversas formas ao longo do processo de ensino-aprendizagem, reconhecer suas possibilidades e respeitá-las. Dessa forma, a avaliação contínua adquire o significado de avaliação mediadora do processo de desenvolvimento e da aprendizagem de cada aluno, de acordo com suas possibilidades e da promoção da qualidade na escola.

Isso está longe de ser menos exigente, rigorosa e mais permissiva. Pelo contrário, essa organização de trabalho escolar exige a realização de uma prática pedagógica que assuma a diversidade humana como riqueza, as facilidades e dificuldades de cada um como parte das características humanas, que devem ser respeitadas e, ao fazê-lo, novas formas de relações educativas se constituem a partir da cooperação e não da competição. Deste modo, se torna possível acolher a todos os alunos, porque não há melhores nem piores, sendo que, num processo de avaliação classificatória, estes últimos, "os piores" estarão predestinados ao fracasso e à exclusão.

Provas de recuperação versus estudos paralelos

A ideia de recuperação vem sendo concebida como retrocesso, retomo. As provas de recuperação se confundem com a recuperação das notas já alcançadas, com repetição de conteúdos. Estudos paralelos de recuperação são próprios a uma prática de avaliação mediadora. Neste processo o conhecimento é construído entre descobertas e dúvidas, retomadas, obstáculos e avanços. A progressão da aprendizagem, nos estudos paralelos, está direcionada ao futuro do desenvolvimento do aluno. Os estudos paralelos precisam acompanhar os percursos individuais de formação dos alunos e considerar os princípios da pedagogia diferenciada, para a qual nos chama a atenção Perrenoud (2000), que alerta: “o que caracteriza a individualização dos percursos não é a solidão no trabalho, mas o caráter único da trajetória de cada aluno no conjunto de sua escolaridade”. Nesse sentido, o reforço e a recuperação (nas suas modalidades contínua, paralela ou final) são considerados parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem para atendimento à diversidade das características, das necessidades e dos ritmos dos alunos. Alertamos para o fato de que Hoffman defende que o termo paralelo pressupõe estudos desenvolvidos pelo professor em sua classe e no decorrer natural do processo. Cada professor estabelece uma relação diferenciada de saber com seus alunos. É compromisso seu orientá-los na resolução de dúvidas, no aprofundamento das noções, e a melhor forma de fazê-lo é no dia-a-dia da sala de aula, contando com a cooperação de toda a turma. (1) Conselhos de classe versus "conselhos de classe"

desafiá-los a prosseguir por meio de provocações significativas. por posturas políticas. deliberadora de novas ações que garantam a aquisição de competências necessárias à aprendizagem dos alunos. Não concordamos que deva haver regra única em avaliação. principalmente. fundamentos filosóficos e considerações sociais.se propondo a deferir uma sentença ao aluno. estariam respondendo às dimensões ético-políticas neste contexto avaliativo.projetar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos: confiar.. em grande parte das escolas. Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para dar conta de problemas apresentados para o estudo de uma área de conhecimento ou para resolver questões de determinadas escolas. ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras das reformas educacionais. ética em seu sentido mais original. sugerir e. de caráter interativo e reflexivo. porque está embasada em juízo de valor. por se tratar de uma atividade prática. o privilégio ao passado é evidente. Nestas sessões. . As reformas educacionais Oriundas de posturas políticas que não devem se sobrepujar aos atos educativos. Uma atividade ética Não basta desenvolver a avaliação educacional a serviço de uma ação com perspectiva par o futuro. As práticas educacionais exigem. além de conhecimento. Para Hoffman. trabalho científico. mas torná-la referência para decisões educativas pautadas por valores. Hoffman defende que esta deve ser uma ação voltada para o futuro. metodologia. porque cada situação envolve a singularidade dos participantes do processo educativo. Os momentos do conselho de classe precisam ser repensados pelas escolas e serem utilizados para a ampliação das perspectivas acerca dos diferentes jeitos de ser e de aprender do educando que interage com outros educadores e com outros conhecimentos.. Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a refletir sobre o que fazem e por que fazem. apoiar. As questões atitudinais não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das questões do ensino-aprendizagem. a inclusão da dimensão ética e sensível. orientados por modelos avaliativos classificatórios e com caráter sentencitivo . as novas medidas em avaliação educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos.Os conselhos de classe vem sendo realizados.

a complexidade inerente a tal finalidade. a natureza do envolvimento. mas dos profissionais que atuam nas escolas. A participação das famílias Os pais devem participar da escolaridade de seus filhos. a constituição de suas famílias. nos faz ponderar que as dificuldades de aprendizagem dos alunos não podem ser atribuídas às famílias. (34) Promover o diálogo entre os pais e os professores é função da escola.Não encontramos mecanismos únicos. classificatórios que dêem conta da complexidade do ato avaliativo. a realidade social destes pais. A responsabilidade pelo desenvolvimento da aprendizagem contínua do aluno recai sobre os educadores e sobre a comunidade. às suas dificuldades ou à sua incapacidade. A educação inclusiva Num processo de avaliação mediadora. É compromisso dos pais acompanhar o processo vivido pelos filhos. A. É preciso considerar.. isto é. . Nesse contexto. a promoção se baseia na evolução alcançada pelo aluno. assumir o que lhes é de responsabilidade. entretanto. muito menos o trabalho de superação destas dificuldades não pode recair sob a responsabilidade destes. Dessa compreensão decorre o princípio da educação inclusiva: oferecer ao aluno oportunidade máxima de aprendizagem e de inserção social. suas possibilidades. que não significa atribuir a eles a tarefa da escola. a responsabilidade pelo fracasso não pode ser atribuída ao aluno. dialogar com a escola. oferece ao aluno condições adequadas de aprendizagem de acordo com suas características. considerando. bem como são de sua responsabilidade a aquisição de atitudes e habilidades que favoreçam o enriquecimento das relações interpessoais no ambiente escolar. a luta pela sobrevivência. como alerta Morin. em condições de igualdade educativa. são professores e escolas que precisam adequar-se aos alunos e não os alunos que devem adequar-se às escolas e aos professores. desde que se tenha garantido as melhores oportunidades possíveis à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos e de cada um. etc. Isso significa encontrar meios para favorecer aprendizagem de todos os alunos. Assim. na sua singularidade e de acordo com suas possibilidades. dimensão da exclusão de muitos alunos da escola pode ser medida: • pela constatação das práticas reprovativas baseadas em parâmetros de maturidade e de normalidade.

Os professores do Ensino Médio. no sistema de ensino e na sala de aula. de uma comunidade. no afã de estarem sempre concluindo caminhos que. tanto pelo professor. Se incluir é fundamental e singular. são inconclusos.como no caminho de Santiago. Tendo oportunidade de confrontar suas ideias com as dos colegas. sem pressa. como pela turma. Na última década. as trajetórias da avaliação se propõem a respeitar os tempos e percursos individuais de formação. A trajetória a ser percorrida pela avaliação requer diálogo. é necessário valorizar cada passo do processo. abertura e interação. sem que haja a preparação do professor no desempenho de seu papel. vivendo situações problema. o aluno irá progressivamente compreender e evoluir conceitualmente. membro de uma família. priva os alunos com necessidades especiais de uma escolaridade digna. premidos pelo vestibular. Para Hoffman.• pela ocorrência dos encaminhamentos de alunos para classes e escolas especiais por erros na avaliação pedagógica. um sério compromisso irá mobilizar a escola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão.Outra concepção de tempo em avaliação O tempo é um tema recorrente nas discussões sobre avaliação. o tempo é determinado pelo aprendiz e o conteúdo pode ser proposto e explorado de diversas formas. pois cada participante do processo pode colaborar com a aprendizagem dos outros. Sendo assim. ou em textos. com o qual interage ativa e continuamente. principalmente nas séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. O aprendiz determina o próprio tempo da aprendizagem É preciso conhecer o aluno enquanto aprendiz. . o ensino não está centrado no professor. enquanto pessoa. É preciso respeitar seu tempo de aprender e de ser. não havendo como delimitar tempos fixos. nas aulas frontais. o que implica desagregar-se do tempo determinado para aprender dado conteúdo. desaguam os conteúdos que têm que dar conta. na verdade. O aprendiz é sujeito de sua história. Desta forma. vivendo cada dia o inusitado. Capítulo 2 . A inclusão nas classes regulares de alunos que necessitam de atendimento especializado.

são comuns e o professor precisa compreender que trata-se de: uma resposta incorreta. Todo o aprendiz está sempre a caminho Constatamos. interativamente. desde que haja a clareza de que o aluno aprende na relação com os outros. porque: Notas e conceitos são superficiais e genéricos em relação à qualidade das tarefas e manifestação dos alunos. Essas estratégias são desenhadas por meio de respostas que chamamos de erro.Cada passo é uma grande conquista A autora oferece sugestões e exemplos de oportunidades de aprendizagem que podem ser oferecidas. Superficializam e adulteram a visão da progressão das aprendizagens e do seu conjunto tanto em uma única tarefa. a autora afirma que uma pedagogia diferenciada pode se desenvolver na experiência coletiva da sala de aula. mesmo em condições limitantes (classes superlotadas. dizendo muito sobre "qualidade". Esta variabilidade de manifestações nos aponta que muitas tentativas de acerto são feitas por meio de ensaios e erros. de avanço em relação a uma fase anterior do aprendizado.. Outro problema passa a se constituir aqui. escassez de materiais e outras situações apontadas por muitos como justificativa para a má qualidade do ensino): Avaliação mediadora significa: busca de significado para todas as dimensões do processo por meio de uma investigação séria sobre as características próprias dos aprendizes. mas aprende ao seu tempo e de forma única e singular. conhecer para promover e não para julgar e classificar. quando não se compreende que o processo de aquisição de conhecimentos é não-linear e infinito. no caminho. Sobre isso. mas indicadora de progresso. É preciso reconhecer que nas práticas atuais. . Notas e conceitos classificatórios padronizam o que é diferente. a padronização dos percursos incorre em sérios prejuízos para os alunos. convicção de que as incertezas são parte da educação porque esta é fruto de relações humanas. quanto em um ao letivo. que há um conjunto de variações de respostas dos alunos de todo os níveis de ensino. além de impossível de se determinar a priori: a questão dos conteúdos acadêmicos e do tempo. pelo caráter somativo que anula o processo.. fundamentalmente qualitativas. despersonalizando as dificuldades de avanços de cada aluno.

favorecendo a abordagem interdisciplinar. criação. em sua totalidade. O mesmo processo se aplica aos próprios professores. a ampliação das perspectivas acerca da aprendizagem dos alunos. sobre o seu aprender a aprender. para ampliar suas possibilidades e favorecer a superação de dificuldades. tomada de consciência sobre a própria aprendizagem e sobre a própria conduta. no processo de orientação e apoio de colegas. entre professores e alunos e da escola com os pais. precisamos construir olhares mais profundos. ampliando sua consciência sobre seu próprio fazer e pensar. É importante refletir a cada passo Mediar é aproximar. sua magnitude não pode ser medida em "escalas métricas" ou por recursos de "conversão entre sistema de mensuração". Qualidade significa intensidade. A auto-avaliação como processo contínuo A auto-avaliação é um processo contínuo que só se justifica quando se constitui como oportunidade de reflexão. Como um grande iceberg do qual só se percebem os registros. acompanhar. que podem dividir entre si a tarefa de acompanhar mais de perto um grupo de alunos (tutoria). sem interferir no direito de escolha do aprendiz sobre os rumos de sua trajetória de conhecimento. Reforçam o valor mercadológico das aprendizagens e das relações de autoritarismo em sala de aula. arbitrariamente. implica em prestar atenção aos seus fundamentos. perfeição. Entravam o diálogo entre os professores. o aluno é levado a pensar e explicitar suas próprias estratégias de aprendizagem. O trabalho em equipe de professores envolve o compromisso de compartilhamento das experiências. profundidade. em certos e errados absolutos. Classes numerosas podem dificultar essa aproximação. dialogar. para poder ter acesso às suas dimensões sobre: . em termos de avaliação. a Produzem a ficção de um ensino homogêneo pela impossibilidade de acompanhar a heterogeneidade do grupo. Como tal. Capítulo 3-As múltiplas dimensões do olhar avaliativo Avaliar. mas umas das alternativas é justamente o trabalho em equipe por parte dos professores.Baseiam-se. negando relativização desses parâmetros em diferentes condições de aprendizagem. ajudar. supervisor e demais profissionais de suporte pedagógico. Privilegiam a classificação e a competição em detrimento da aprendizagem. pela superficialidade do acompanhamento. Ao ser solicitado a explicar como chegou a uma dada solução de uma situação.

Entretanto este trabalho se dá em um contexto escolar concreto em que "a escola enfrenta muitos limites nesse sentido: behaviorismo. mas pontos de passagem. delinear o norte. e permanente tensão no ambiente escolar entre os que querem transmitir conhecimentos e os que querem desenvolver práticas sociais". família. 2000). Os valores sociais e éticos. Avaliar segundo esses princípios implica refletir sobre as crenças. quais os benefícios ou prejuízos que podem advir desse processo de controle outorgado à escola e aos professores. os próprios alunos). mesmo vivendo a mesma experiência. até que ponto são claros e transparentes para todas a comunidade (escola. cada um a experimenta de uma forma singular. ideias. Delineando objetivos Definir os rumos.(Perrenoud. . quais os critérios utilizados. No âmbito escolar. quais as condições existentes. O plano epistemológico A intervenção pedagógica é determinada pela compreensão dos processos realizados pelo aprendiz em sua relação com o objeto de conhecimento.Os registros obtidos. excessivo fracionamento dos objetivos. o que implica em aprendizagens diferentes dentro de um mesmo contexto. taxionomias intermináveis. As concepções de avaliação. estratégias. A finalidade do controle deve ser entendida a favor do aluno e não como obrigação imposta pelo sistema. Os trajetos de cada aprendiz são únicos. Isso só tem sentido dentro de uma perspectiva classificatória e seletiva. quais possibilidades e alternativas que pode ser citadas em favor do aprendiz. sociais. educacionais que fundamentam as tomadas de decisões com base nos processos de avaliação realizados. Avaliar para reprovar não é indicador da qualidade da escola ou do professor. o destino essencial das ações educativas precisa ser o compromisso fundamental do educador no processo de avaliação da aprendizagem. novos rumos para a continuidade do trabalho educativo. obedecem a ritmos e interesses diversos. Metas e objetivos não se constituem em pontos de chegada absolutos. isso reverte o compromisso do profissional do educador: quais os princípios e valores morais. Daí o compromisso ético implícito no processo de avaliação mediadora. a quem se destinam. Avaliação é controle. O processo de avaliação. intenções.

repensar. Cada resposta deve suscitar mais perguntas. tanto por parte dos aprendizes . A intervenção pedagógica deve estar comprometida com a superação de desafios que possam ser enfrentados pelos alunos. buscar conhecimentos. que constituirão diversos rumos de prolongamento dos temas em sciplinar. O planejamento pedagógico revela múltiplos direcionamentos e está diretamente vinculado ao processo avaliatório. interdisciplinaridade e transversalidade são inerentes ao processo educativo.Aprender exige engajamento do aprendiz na construção de sentidos o que implica busca de informações pertinentes momentos diversificados de aprendizagem contínua. oferecendo oportunidade para que estabeleçam relações entre conceitos e entre as várias áreas do conhecimento. comprometer-se com seus próprios avanços e dificuldades. engajar-se na solução de problemas. exigindo alterações qualitativas nas formas registro e tomadas de decisão sobre aprovação. Transformar respostas em novas perguntas 1. favorecendo-os avançar sempre. favorecendo aos alunos oportunidades para objetivação de suas ideias e a desenvolvidas. Isso resulta em que o trabalho do professor acerca dos conceitos que pretende ensinar consiste em provocar gradativamente os aprendizes. uma vez que as decisões metodológicas estabelecem as condições de aprendizagem ampliando ou restringindo o processo de conhecimento. propor tarefas desafiadoras em processo consecutivo/contínuo. Assim. oferecendo ao aluno múltiplas oportunidades de pensar. ão do pensamento. A avaliação contínua significa acompanhamento da construção do conhecimento por parte do aprendiz. Perguntar mais do que responder Avaliar é questionar. formular perguntas. Cabe ao professor perguntar mais do que responder. Os conteúdos Cabe ao professor: alunos e seus modos de expressarem-se sobre elas para poder organizar situações de aprendizagem s objetivos traçados inicialmente. e diversificação dos procedimentos de aprendizagem. A compreensão que o aluno tem de uma dada disciplina interfere em sua aprendizagem em outras disciplinas.

(p. atividades que podem ser para todo o grupo. em pequenos grupos ou específicas para determinados alunos). pois resulta da ação do aprendiz sobre o objeto de conhecimento e da interação social.. interesses. são propostas e/ou negociadas com os alunos (explicações do professor. sendo uma interpretação que assume diferentes significados e dimensões ao longo do processo educacional. Para Vygotsky e Piaget. é ao mesmo tempo individual e coletivo. avançados e necessidades dos alunos. no processo de internalização o aluno atribui sentido à informação criando e recriando significados com o uso e a audição/leitura da língua falada e escrita. entendido como construção do conhecimento. enfrentando as mesmas dificuldades e provocando-nos a andar mais depressa. Vygotsky e Piaget. e pode ser . A continuidade da ação pedagógica condiciona-se aos processos vividos. uma vez que o processo de aprendizagem. de confronto. Novas tarefas e/ou atividades são propostas para acompanham o aluno em sua evolução (preferencialmente tarefas avaliativas individuais). os melhores guias são os próprios peregrinos. A dinâmica do processo avaliativo A dinâmica da avaliação é complexa.como do próprio professor.. A avaliação é um processo dinâmico e espiralado que acompanha o processo de construção do conhecimento. que o leva a uma interpretação que necessita. enriquecedoras e complementares. Assim: Experências coletivas resultam em construções individuais (cada aluno aprenderá a seu jeito. articuladas às observações feitas. a seu tempo. pois nela se dará a aprendizagem. conforme conhecimento. A mediação.74) Capítulo 4 .Avaliação e mediação . A interpretação das respostas dos alunos possibilita ao professor perceber necessidades e interesses individuais de múltiplas dimensões (análise qualitativa) Novas experiências educativas. Note-se ainda que a interação social é fundamental. tanto por parte do professor como do aluno. Avaliação mediadora é um processo interativo. de troca de mensagens e de significados. é essencial na construção do Para Vygotsky a reconstrução é importante porque. a linguagem é a mediação do pensamento. responderá a sua maneira). que percorrem o caminho conosco.

sem delimitar. O papel do educador ao desencadear processos de aprendizagem é o de mediador da mobilização para o aprender. para poder fornecerlhes a aprendizagem significativa. mas estes necessitam ser redimensionados continuamente ao longo do processo. consiga questionar e provocar. ampliada progressivamente. Conhecer as concepções prévias do aluno favorece o planejamento em termos de pontos de partida. A avaliação mediadora destina-se a mobilizar. articular novas perguntas a um processo contínuo de construção do conhecimento. o conceito de mobilização implica a ideia do movimento. realizamos a experiência educativa. e os possíveis rumos a seguir. atento. exigindo-lhe manter-se flexível. uma vez que essas atividades são oportunidades de interação em meio ao processo e não pontos de chegada.reformulada. Não há sentido em avaliar tarefas coletivas atribuindo valores individuais ou somar pontos por participação e outras atividades. Conhecer as condições . crítico sobre seu planejamento. Qual o papel do educador/ avaliador? É o papel de mediador. A finalidade da avaliação no que se refere à mobilização é de adequar as propostas e as situações às necessidades e possibilidades dos alunos. que necessita ser aperfeiçoado. Para Charlot. que devem ser conhecidas em favor do alunos e não para fortalecer pré-conceitos sobre ele. favorecer a experiência educativa e a expressão do conhecimento e a abertura a novas possibilidades por parte do aprendiz. sem antecipar respostas prontas. O que o aluno já sabe é baseado em elaborações intuitivas sobre dados da realidade. As condições prévias referem-se a história escolar e de vida de cada aluno. Mediando a mobilização A expressão/construção da "aprendizagem significativa" pode se realizar de múltiplas formas e em diferentes níveis de compreensão. tornando-o capaz de pensar sobre seus próprios pensamentos elaborando seus conceitos e reelaborando outros. É preciso que ele seja propositivo. A investigação de concepções prévias A análise das concepções prévias dos alunos não pode ser confundida com as condições prévias do aluno. o que nos possibilita mobilizar novas competências adquiridas no processo. Pela mobilização chegamos à expressão do conhecimento.

prévias permite planejar tempos de descobertas. Significa oferecer aos aprendizes: experiências necessárias e complementares (diversificadas no tempo). de expressão. e no próprio professor. em pequenos grupos. de encontros.94). de forma individual. criando perguntas mobilizadoras. nos processos simultâneos de busca informações. diferentes graus de compreensão. ao longo do período letivo. em parcerias. refletir sobre si próprio enquanto aprendiz (p. de interação de trocas. ]Mediar a mobilização significa suscitar o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem. levando a refletirem sobre seus entendimentos no diálogo educativo. de diálogos. refletir sobre seus procedimentos de aprendizagem. Os processos de educação e de avaliação exigem do professor a postura investigativa durante todo o percurso educativo. o ao longo de tarefas gradativas e articuladas. em no meio de atividades diversificadas e diferenciadas. Mediando a experiência educativa Mediar as experiências educativas significa acompanhar o aluno em ação-reflexãoação. em grandes grupos para promover confronto de ideias entre aprendizes e entre estes e o professor. Como mediar o desejo e a necessidade de aprender? O trabalho do professor consiste em: aprender. Duas perguntas se tornam essenciais na mediação: Qual a dimensão do envolvimento do aluno com a atividade de aprender? Como ele interage com os outros? As estratégias de aprendizagem Mediar as estratégias de aprendizagem significa intervir no processo de aprendizagem provocando no aprendiz. mesmo que as respostas não sejam ainda corretas. com diversos graus de dificuldades. interagir com os outros. por meio de diversos . experiências interativas e oportunidades de expressão do pensamento individual.

• Mediar o desenvolvimento de aprendizagens coletivas e de atendimento individual. Nesse sentido. mas não deverá dizê-lo assim suas orientações serão sempre incompletas. • Oferecer ajuda específica se discriminar. graus de dificuldade. sem subestimar. de competências necessárias aos Atividades diversificadas ou diferenciadas? Diversificar experiências educativas representa alguns princípios importantes em avaliação mediadora: diversificá-las em tempo. Os desafios propostos durante a atividade educativa são observados por Hoffmann: • Nem sempre o que o professor diz ao estudante é entendido como ele gostaria. por meio de diferentes linguagens.recursos didáticos e de diversas formas de expressão do conhecimento. Mediando a expressão do conhecimento Mediar a expressão do conhecimento implica a reutilização de instrumentos de avaliação como desencadeadores da continuidade da ação pedagógica. . • Ouvir o aluno antes de intervir assegura melhores interpretações sobre suas estratégias. mas apenas relativas ao conjunto de aprendizagens ocorridas em um dado período. notas ou conceitos não podem ser consideradas definitivas. termos de realização individual. • Reconhecer que o processo de conhecimento é qualitativamente diferente. termos dos recursos didáticos e termos da expressão do conhecimento. Implica também refletir sobre as condições oferecidas para que tal conjunto de aprendizagem ocorra. • Valorizar a heterogeneidade os grupo no processo de formação a diversidade. uma vez que "são dúvidas" o professor precisa interpretar perguntas. • O aluno nem sempre expressa suas dúvidas ou as expressa claramente. Esses desafios possibilitam a aquisição professores/profissionais reflexivos. sendo o desempenho do aluno considerado como provisório. só pode ser intuída pelo professor e ajudá-lo ou confundi-lo. • Posturas afetivas. sem desrespeitar. ao fazer algo. Diferenciar experiências educativas atende aos pressupostos básicos da ação docente: • Aprender sobre o aprender. uma vez que está em processo de aprendizagem. • O professor sabe onde o aluno poderá chegar. nessas intervenções. • A estratégia utilizada pelo aluno. minimizam a pressão exercida pelo questionamento do professor.

Isso só ocorre mediante a postura igualmente reflexiva do educador. Na perspectiva mediadora. expressos por ambos. em termos do planejamento e análise. • para o aluno: oportunidade de reorganização e expressão de conhecimentos x elemento de reflexão sobre os conhecimentos construídos e procedimentos de aprendizagem. Os limites no diálogo entre professores e alunos devem ser considerados como positivos na busca de sintonia. favorecera tomada de consciência do aluno sobre limites e possibilidades no processo de conhecimento. mas sua expressão. daí a necessidade do diálogo. Os instrumentos de avaliação devem respeitar as diferentes formas de expressão do aluno. as estratégias que utiliza e sua interação com os outros. A interpretação dos sentidos. indefinições. desde um simples comentário do professor até o uso de instrumentos formais. possibilitando ao educando . Mediar a aprendizagem significa. que também evolui. mas a sua expressão. inseguranças. inseguranças e indefinições. definirão a dimensão do diálogo entre alunos e professor. o que significa muitas tarefas individuais e análise imediata do professor.Tarefas gradativas e articuladas Para Hoffmann. vemos ou lemos não é o pensamento do aluno. que também evolui e se aprimora progressivamente e necessita ser trabalhada. tem por finalidade a evolução do aluno em termos de postura reflexiva sobre o que aprende. ao mesmo tempo em que definem a dimensão do diálogo entre alunos e professor. da troca de ideias que favoreça a convergência de significados. toda avaliação. está sempre sujeita a ambiguidade. O principio fundamental da expressão do conhecimento: o que ouvimos. escreve ou faz não é seu pensamento. O que o aluno fala. A interpretação que o professor faz das expressões do aluno está sempre sujeita a ambiguidades. a avaliação mediadora é mais exigente e rigorosa para alunos e professores porque suscita a permanente análise do pensamento em construção. se aprimora e precisa ser trabalhada. Uma postura reflexiva do aluno e do professor As tarefas avaliativas operam funções de reflexão que possibilitam: • para o professor: elemento de reflexão sobre os conhecimentos expressos pelos alunos x elemento de reflexão sobre o sentido da sua ação pedagógica. Respeito às diferentes formas de expressão Os instrumentos de avaliação.

refletir sobre sua apropria aprendizagem. a partir de ações do cotidiano.. as quais determinam as estratégias metodológicas de ensino. pois o que verdadeiramente importa é a clareza da tarefa para o aluno e a reflexão do professor sobre a interpretação que será dada as expressões dos alunos em termos de encaminhamentos pedagógicos a serem realizados a seguir. A organização de dossiês dos alunos. para não cairmos no erro do esquecimento. Instrumentos a serviço das metodologias Quando a autora se refere a instrumentos de avaliação. de acordo com suas necessidades e possibilidades. escolha de afirmações verdadeiras ou falsas. portfólios. definição de sua finalidade. expressando o seu conhecimento em tarefas. serve como regra geral. em avaliação. registrando e organizando dados da nossa memória. Os registros em avaliação mediadora envolvem desde o uso de instrumentos comumente utilizados. tais como: provas (objetivas e dissertativas) exercícios. relatórios de avaliação envolve meios de registro de um conjunto de aprendizagem do aluno que permitam ao professor. ao próprio aluno e a suas famílias uma visão evolutiva do processo. Os registros escolares precisam refletir com clareza os princípios de avaliação mediadora delineados. de tal forma que registros classificatórios sejam superados em favor de registros que assumam o caráter de experiências em construção. preenchimento de lacunas. Instrumentos de avaliação são registros de diferentes naturezas. em termos de procedimento... Ora é o aluno que é levado a fazer os próprios registros. Esses instrumentos tornam-se mediadores na medida em que contribuem para entender a evolução do aluno e apontar ao professor novos rumos para sua intervenção pedagógica sempre o mais favorável possível à aprendizagem do aluno. itens de múltipla escolha. está falando sobre testes. confiantes em sua perspectiva ética e humanizadora. questões combinadas. Capítulo 5 . desde sua concepção.Registros em avaliação mediadora . ou vale para todas as situações. etc.. precisamos agir como historiadores.. de todos os alunos. originando significativas práticas de auto-avaliação. compreensão do processo de construção está atrelado às concepções sobre a finalidade de educação. Nada.tarefas avaliativas.Se estivermos contando uma história. planejamento de estratégias de intervenção. . O processo de avaliação precisa ser coerente com todo o processo de aprendizagem. trabalhos e todas as formas de expressão do aluno que me permitam acompanhar o seu processo de aprendizagem .

ora é o professor quem registra o que observou do aluno. . numa visão mediadora. e acompanhamento . trabalhos e outros instrumentos. são planejadas tendo como referencia principal a sua finalidade. investigativo. Os registros não necessitam ser genéricos. AVALIAÇÃO ESCOLAR  Avaliar é??? Para Jussara Hoffmann – A avaliação é essencial à educação. para sua superação. no sentido indagativo. sendo necessário. serem entendidos por orientações didáticas de execução de uma tarefa. pré-moldadas e terminais. muito mais do que embasados em normas de elaboração. a clareza de intenções do professor sobre o uso que fará dos seus resultados. Ação essa. etc. fazendo anotações e outros apontamentos. – A avaliação é reflexão transformada em ação. Tarefas avaliativas. desenhos. organização no papel. que nos impulsiona para novas reflexões. por seus aspectos formais: número de páginas. do termo. Reflexão permanente do educador sobre a realidade. a reflexão em ação e a reflexão sobre a ação (trocando ideias com outros colegas). passo a passo do educando.testes. Critérios de correção de tarefas Critérios de avaliação podem. instala sua docência em verdades absolutas. na sua trajetória de construção de conhecimento. nem devem ser centrados em cumprimento de tarefas quantitativos ou organização de cadernos e materiais. Inerente e indissociável enquanto concebida como problematização. objetividade e cientificidade. itens de resposta. reflexão sobre a ação. nem de ordem atitudinal. normas de redação técnica. questionamento. O significado dos registros para os professores A prática classificatória assumiu "status" de precisão. Um professor que não avalia constantemente a ação educativa.

compreender. normas somam-se a LDB e criam múltiplas interpretações. Prática que está por ser delineada. cujo significado revela uma alteração radical de sua finalidade. à superação. julgar. A avaliação mediadora destina-se a conhecer. das medidas padronizadas e das estatísticas. Avaliar para promover As setas do caminho Jussara Hoffmann Organização: Vânia P. influenciar e ser influenciado. valores. que não é mais o aluno que deve estar preparado para a escola. em conjunto.”( Hoffmann. Programas de qualificação passam a exigir o engajamento de cada professor nessa discussão. Para além da investigação e da interpretação da situação. Avaliar para promover (diferentes “leituras”. 7. em primeiro plano. análise e compreensão dos dados obtidos. 2) Objetivo da obra: promoção como acesso a um patamar superior de aprendizagem. analisar. o conscientes das concepções que regem suas ações. Avaliador interativo no processo. explicar uma situação não é avaliá-la. mas a observação permanente das manifestações de aprendizagem para procedera uma ação educativa que otimize os percursos individuais.. É necessário REPENSAR os princípios de avaliação que regem a Escola. visão política.AVALIAÇÃO A SERVIÇO DA AÇÃO Alertam os estudos contemporâneos sobre a diferença entre pesquisar e avaliar em educação. de acesso a um nível qualitativamente superior de conhecimento e de vida.” (Hoffmann. a serviço da melhoria da situação avaliada. por si só. preceitos metodológicos. Oliveira 1) Como “promoção”: atrelado a decisões burocráticas da avaliação tradicional. ativo em termos do processo.comunitária. mas para promover ações em benefício aos educandos. pelo confronto de idéias. Pareceres. que implica o princípio de historicidade: o conhecimento humano visa sempre ao futuro. a partir daí. 6. transforma-se no de partícipe do sucesso ou fracasso dos alunos.” Esse princípio da avaliação funda-se na visão dialética do conhecimento. 8. um processo a ser construído pelo diálogo. pelo confronto. “ Observar. 5. o comprometido com o objeto da avaliação e com a sua própria aprendizagem do processo de avaliar. colocando o conhecimento obtido. Exige retomar concepções de democracia. da amplitude das observações. uma vez que os percursos individuais serão mais ou menos favorecidos a partir de suas decisões pedagógicas que dependerão. uma avaliação a serviço da ação não tem por objetivo a verificação e o registro de dados do desempenho escolar. Observe-se. dos critérios objetivos. influenciando e sofrendo influências do contexto avaliado. mas professores e 3. Esse caminho precisa ser construído por cada um de nós. essas ações são apenas uma parte do processo. não apenas para compreender. a compreensão e a tomada de consciência sobre concepções formativas e mediadoras em avaliação. Coleta de informações. pelo encontro. interagir. de direito à educação Práticas CLASSIFICATÓRIAS em avaliação: competição individualismo poder arbitrariedade nas relações julgamento de resultados Práticas MEDIADORAS em avaliação: interativa intersubjetiva diálogo entre todos os envolvidos no processo ação pedagógica reflexiva relações interpessoais projetos coletivos 1 . para alertar sobre o sentido essencial dos atos avaliativos de interpretação de valor sobre o objeto da avaliação. Diferencial básico do avaliador de uma avaliação mediadora: 9. 2002) Os estudos em avaliação deixam para trás o caminho das verdades absolutas. 13. . pois os ensinamentos teóricos. por pessoas em processo de humanização. entretanto. com os professores. ao invés de delinear. de um agir consciente e reflexivo frente às situações avaliadas e de exercício do diálogo entre os envolvidos.mudanças essenciais em avaliação dizem respeito à finalidade dos procedimentos avaliativos e não. 4. Capacidade única e exclusiva do ser humano = pensar. 14. metodologias. Isso faz desencadear e dinamizar processos de mudanças amplos: reflexão conjunta sobre princípios que fundamentam a avaliação nas escolas (diferentes perspectivas individuais). pela observação ou investigação. Na obra NÃO existe apoio na idéia de que é preciso mudar a escola e a sociedade para mudar a avaliação.Presentation Transcript 1. resoluções.Outro texto de Jussara em forma de slides Avaliar Para Promover . 2. de cidadania. organização curricular. à evolução. 2002) “ Em relação à aprendizagem. a apresentação de novos preceitos metodológicos não irão garantir.” ( Hoffmann. a avaliação envolve necessariamente uma ação que promova a sua melhoria.. “ O papel do avaliador. igualmente. repensando e discutindo. PESQUISA AVALIAÇÃO Está a serviço da ação. AVALIAÇÃO MEDIADORA “ O grande dilema é que não há como ensinar melhores fazeres em avaliação. às universidades. AVALIAÇÃO REFLEXIVA AVALIAÇÃO Reflexão Transformação da realidade avaliada. 12. princípios norteadores de suas práticas. 11. significados): Polêmicas em torno da avaliação: LDB encaminha novas regulamentações sobre a promoção dos estudantes. às escolas. 10. 2002) “ . Sociedade e professores inquietos frente as reformas educacionais (risco a tradicional escola brasileira). Isso exige discuti-la em seu conjunto: valores. que a maioria das escolas e universidades iniciam processos de mudanças alterando normas e práticas avaliativas. princípios. à mudança de tais procedimentos. Pode-se pensar.

A avaliação direciona-se para frente . sabem da vida. onde as relações afetivas são mais importantes do que as aprendizagens construídas. Uma leitura negativa explica o fracasso escolar pelo que o aluno não é.” 15.. Com as exigências da LDB. assim como aqueles que moram em um país têm vaga idéia dos países limítrofes. Toda a resposta e manifestação do aluno é provisória frente à história do seu conhecimento. da formação. sem perder a observação do conjunto e promovendo sempre ações interativas. a maioria dos regimentos escolares são introduzidos por textos que enunciam objetivos ou propósitos de uma avaliação contínua. por ciclos de formação ou por idade. são. 17. 23. em defasagem idade-série. Plástico Flexível Abre-se a várias opções de rumos e tempos aos alunos e a cada turma. 28.... não fez. De uma atitude de reprodução. acrescentalhe dúvidas “sucessivamente”. não para julgar e classificar o caminho percorrido. mas estabelecem normas classificatórias e somativas. De uma avaliação a serviço da classificação. as oportunidades que a escola lhes oferece podem significar barreiras ou melhores caminhos para tal processo. complementa. observações e registros sistemáticos. testes. seleção. de escolas públicas. PONTO NEGATIVO ► Não realizam tarefas. PONTO POSITIVO ► Estabelecem fortes vínculos com os alunos.. AVALIAR PARA PROMOVER finalidade a serviço da aprendizagem Melhoria da ação pedagógica visando à promoção moral e intelectual dos alunos... PLANEJAMENTO 22. da escolaridade básica. 2 . 26. Uma leitura positiva é prestar atenção ao que fazem. deixando de atender os alunos em suas necessidades e dificuldades. VISA Encaminhamento de alternativas de solução e melhoria do “objeto avaliado”. ou registros de observação dos alunos.. tem por finalidade a evolução da aprendizagem dos educandos. à intenção de acompanhamento permanente.UMA AÇÃO QUE SE PROJETA NO FUTURO Avaliação que se projeta e vislumbra o futuro. sejam quais forem seus ritmos. 27. De intenção prognóstica. “ As crianças e jovens estão sempre em processo de aprendizagem. enriquece. reforçando sua auto-estima. mediadora. Professores entendem que regimes não-seriados dispensam tarefas avaliativas. permissiva. As ações avaliativas podem ser exercidas como pontes em seu trajeto ou como pontos fixos de chegada. de explicação e apresentação de resultados finais.escolas é que devem preparar-se para ajustar propostas pedagógicas favorecedoras de sua aprendizagem. se possível. O professor planeja a sua ação. Um grande número de estudantes evadidos e/ou repetentes. Regimes não seriados são coerentes aos princípios de uma avaliação contínua. somativa. Para onde vamos? ao respeito à individualidade. A avaliação volta-se ao passado. de mediação. Ciclos de formação e outras formas de regimes não-seriados. de cumprimento de normas. à mobilização. em termos de formação em alfabetização e pedagogias diferenciadas. As práticas tradicionais privilegiam o caráter comprobatório de uma etapa escolar percorrida pelo aluno. à competição. O verdadeiro desafio é o domínio da totalidade da formação de um ciclo de aprendizagem. o compromisso de agir refletidamente. conseguem. 2002) 24. à confiança na capacidade de todos. e não somente às suas falhas. na busca de sentido e significado para essa ação. de negociação entre os envolvidos e multirreferencial ( objetivos. estratégias pedagógicas. 18. devido a processos avaliativos classificatórios. “ Não basta ter uma idéia aproximados programas dos anos anteriores e posteriores.” (Hoffmann. Jussara Hoffmann cita Charlot ( 2000): avaliar é fazer uma leitura positiva da realidade.. por onde o professor deve prosseguir. de alienação. não tanto para ser capaz de ensinar indiferentemente em qualquer nível ou ciclo. mas acompanhar com atenção e seriedade todas as etapas vividas pelo estudante para ajustar. Uma prática avaliativa direcionada ao futuro não tem por objetivo reunir informações para justificar ou explicar uma etapa de aprendizagem. mas para favorecer a evolução da trajetória do educando. Ajuste de objetivos e atividades permanentes. à interação e à socialização. 2002) 25. pelas suas carências. Da visão unilateral ( centrada no professor) e unidimensional (centrada nas medidas padronizadas e na fragmentação disciplinar). discussão interdisciplinar). 20.. na sua maioria. respeitando ritmos e interesses individuais. “ Regimes não-seriados visam o acompanhamento longitudinal dos alunos. mas para inscrever cada . Prática avaliativa menos exigente. Alternativa para a problemática do regime seriado. seriação. Do privilégio à homogeneidade. revelando a manutenção das práticas tradicionais. criando e recriando alternativas pedagógicas a partir da melhor observação e conhecimento de cada um dos alunos. de intervenção pedagógica para a melhoria da aprendizagem. e. sem deixar de perseguir a aprendizagem máxima possível de todos os alunos. relatando e explicando o presente. Ele a reformula. à visão dialógica.” ( Hoffmann. PROBLEMA ► Qualificação dos professores. que se fundamenta no princípio de provisoriedade do conhecimento. Cada manifestação do aluno é um indício de continuidade. 16. no decorrer de todo o processo. DIFICULDADE ► Efetivação de um trabalho pedagógico que dê conta das diferenças dos alunos.. 19. valores. 21.favorecendo ou interrompendo um processo natural de vida. seus interesses e ou singularidades.. a uma avaliação a serviço da aprendizagem do aluno. à inquietude. reunindo e apresentando resultados obtidos e tecendo considerações atitudinais que servem para explicar ou justificar o alcance desses resultados em determinado espaço de tempo. Entretanto. a sua progressão contínua de uma série para outra. da promoção da cidadania. PROFESSOR o Investigador o Esclarecedor o Organizador de experiências significativas de aprendizagem. à classificação.

“ Promover o diálogo com as famílias não significa compartilhar com elas o compromisso profissional da escola. muito mais os educadores podem contribuir com a transformação da sociedade. 2002: 48) IMPORTANTE : “No que se refere à moralidade.” ( Hoffmann. RECUPERAÇÃO como evolução natural no processo de aprendizagem.” ( Perrenoud. o Tarefas. 2002: 49) 38. com a intenção de subsidiar. o não se trata de repetir explicações ouSão direcionados ao futuro trabalhos. avanços. de forma que interativamente. IMPORTANTE : precisamos aprender a lidar com as diferentes situações que surgem e não há ensinamentos ou metodologias que dêem conta de tal complexidade. 2002) 34.”( Hoffmann. 2000: 46) 29.” ( Hoffmann. COMO INCLUIR ALUNOS QUE . 2002) 36. DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM não são responsabilidade direta das famílias. e a melhor forma de fazê-lo é no dia. dúvidas. questões de relacionamento no interior da escola também devem ser trabalhadas no ambiente escolar. É compromisso seu orientá-los na resolução de dúvidas. As crianças e jovens exercem influências muito fortes no ambiente familiar. A avaliação educacional. Nestas situações se retrocede ao passado ou se tenta paralisar continuidade dos estudos enquanto todos não prosseguem. “ O trabalho pedagógico é organizado para o coletivo. Prossegue-se com novas noções e novos desafios.aprendizagem em uma continuidade a longo prazo. 31. ESTUDOS PARALELOS DE RECUPERAÇÃO o São inerentes a uma prática avaliativa mediadora. 30. investindo na heterogeneidade ao invés de buscar a homogeneidade. de construir sua própria história ( expressão política). compreendendo todos do mesmo jeito. valorizando a multiplicidade de caminhos percorridos. Os conselhos de classe precisam ser momentos de interação. promover a evolução do aluno em todas as áreas do seu desenvolvimento. DE POLÍTICA E FILOSOFIA SOCIAL. ao lidar com a complexidade do ser humano. retomadas. Não há regras gerais em avaliação. À SOCIEDADE? 37. provocar. ao mesmo tempo. Da mesma forma. 35. o olhar para trás deixa de ser explicativo ou comprobatório e transforma-se em ponto de partida para a ação pedagógica. Faz-se necessária a consciência ético-política sobre nossas ações: O QUE ESTAMOS FAZENDO E DECIDINDO É EM BENEFÍCIO AO ALUNO. Toda a situação precisa ser analisada em seu contexto. 2002) O educador deve acompanhar o modo singular de aprender ( no grupo) e agir direcionado ao futuro. 2002) Educador tem o desafio de prosseguir na diversidade. 32. CONSELHOS DE CLASSE VERSUS “CONSELHOS DE CLASSE” Jussara Hoffmann critica o privilégio dado ao passado. Muitas dificuldades dos alunos são de natureza epistêmica e exigem alternativas didáticas. no sentido de complementar. AVALIAÇÃO -> sentido ético -> questionamento permanente do professor sobre sua ação -> sobre as observações que faz do aluno.do que esperarem. “ A aprendizagem tem como objetivo a formação do sujeito capaz de saber o que fazer da vida. 3 . UMA ATIVIDADE ÉTICA AVALIAÇÃO: O que é? -> O que deve ser? Responder à questão ética: O que deveríamos fazer? E à questão empírica: O que podemos fazer? NÃO BASTA DESENVOLVÊ-LA A SERVIÇO DA AÇÃO E COMO UM PROJETO DE FUTURO. voltar atrás. contando com a cooperação de toda a turma. MAS TOMAR DECISÕES EDUCATIVAS EMBASADAS EM CONSIDERAÇÕES DE VALOR. para recuperar. mas dos profissionais que atuam nas escolas.Provas de recuperação versus estudos paralelos RECUPERAÇÃO (tradicionalmente) Repetição. passivos.”(Hoffmann. mas de organizar experiências educativas subseqüentes que desafiem o estudante a avançar em termos do conhecimento. ao caráter constatativo e de proferição sentenças parciais ou finais nesses momentos. obstáculos. respostas e manifestações são analisadas com freqüência pelo professor que propõe novas perguntas e experiências educativas ajustadas às necessidades e interesses percebidos. pelas mudanças sociais e políticas. “ O conhecimento não segue um caminho linear. IMPORTANTE : O termo paralelo pressupõe estudos desenvolvidos pelo professor em sua classe e no decorrer natural do processo.” (Hoffmann. retorno. 33. mas sempre com sentido solidário. Estudos paralelos de recuperação são momentos planejados e articulados ao andamento dos estudos no cotidiano da sala de aula.a –dia da sala de aula.”( Hoffmann. “ À medida que se concebe a avaliação como um compromisso de futuro. pois a ética dessa história se origina no mundo dos valores no qual a educação deve se fundar. reflexão quanto ao FUTURO da aprendizagem dos alunos. se tiverem afeto e respeito. mas prossegue entre descobertas. cuja lógica primordial é contribuir para a construção da competências visadas ao final do ciclo ou da formação. buscando alternativas de superação. mas a partir de múltiplos indicadores individuais. no aprofundamento das noções. a oportunidade do diálogo e a vivência de condutas éticas ao longo de sua escolaridade. deve orientar-se por valores morais e paradigmas científicos. bem como a questão das relações interpessoais no ambiente escolar. retrocesso. o aluno de esteja revendo suas hipóteses permanentemente. INCLUSÃO = EXCLUSÃO= AVALIAÇÃO= CLASSIFICAÇÃO= PARÂMETROS COMPARATIVOS Igualdade de condições educativas tem a ver com a exigência de delinear-se concepções de aprendizagem e formar-se profissionais habilitados que promovam condições de escolaridade e educação a todas as crianças e jovens brasileiros em sua diversidade. Uma turma de estudantes nunca irá prosseguir de forma homogênea em relação a um tema em estudo. utilizando-se das mesmas estratégias cognitivas.

dando-lhe a mão. da abstração reflexionante. É REQUISITO ESSENCIAL DA INCLUSÃO SOCIAL.  Aprendizagem é provisória. o No cotidiano escolar que os alunos revelam tempos e condições necessárias ao processo. arbitrariamente. 44. com rigor e afeto. “ o (Hoffmann. o estão centradas em questões atitudinais. Assim. SEM QUE O PROFESSOR TENHA A FORMAÇÃO OU A CONSCIÊNCIA SOBRE O SEU PAPEL FRENTE A ESSE ALUNO? Não cabe à escola comparar as experiências educativas. o Não há parada ou retrocessos nos caminhos da aprendizagem.. o “ Estender tempos de aprendizagem exige. entre professores e alunos e da escola com os pais. 39. o Uma tarefa igual não é cumprida ao mesmo tempo por todos.  Tem natureza individual. em termos de avaliação. intuitivamente. IMPORTANTE: “É preciso que se preste atenção a algumas situações cotidianas que constituem excelentes exemplos de auto-avaliação por estudantes de todos os níveis: ajuda às tarefas que pedem. o MEDIAÇÃO É : o aproximação o diálogo o acompanhamento do jeito de ser e aprender de cada educando. o baseiam-se.”( Hoffmann. despersonalizando as dificuldades e avanços de cada aluno. ou no entendimento de todos ao mesmo tempo. o são desvinculadas do ato de aprender. o Avaliar para promover suscita anotações significativas sobre o aluno. pelo caráter somativo que anula o processo. o privilegiam a classificação e a competição em detrimento à aprendizagem. o entravam o diálogo entre os professores. tomar consciência das estratégias de pensamento utilizadas. negando a relativização desse parâmetros em diferentes condições de aprendizagem. a . acompanhá-lo. o AUTO-AVALIAÇÃO : o processos de sentenças de atitudes e relações pessoais nas escolas. 2002: 63) 41. o PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO ALUNO o Não segue percursos programados pelo professor. o As tarefas avaliativas são sempre pontos de passagem. o não está ocorrendo verdadeiramente em benefício aos estudantes e professores nas escolas. para que se possa observar e compreender o aluno em atividade e na relação com os outros. o superficializam e adulteram a visão de progressão das aprendizagens e do seu conjunto. tanto em uma única tarefa quanto em um ano letivo. porque não representa o mesmo desafio. da mesma forma. o conhecer o aluno enquanto protagonista de sua história.”(Hoffmann. a formação de turmas menores. 42.  Experiência singular de cada um. 2002: 79) 45. o auto-atribuição de conceitos. o respeito ao tempo do aluno. ajustar os passos ao esforço necessário. CONVIVER COM AS PESSOAS. o Jussara Hoffmann pensa que as notas e conceitos: o padronizam o que é diferente. provocando-o a refletir sobre o que está fazendo. sem deixar de ser planejada. o O processo avaliativo não deve estar centrado no entendimento imediato pelo aluno da noções em estudo. o “ O importante é apontar os rumos do caminho.. o produzem a ficção de um ensino homogêneo pela impossibilidade de acompanhar a heterogeneidade do grupo. sistematizada. o “ Para o aluno auto-avaliar-se é altamente favorável o desafio do professor. o A avaliação mediadora é uma ação sistemática e intuitiva. COMPREENDENDO AS SUAS DIFERENÇAS. o Não há como delimitar tempo fixo para a aprendizagem. retomar passo a passo seus processos. maior oportunidade ao educando de expressão de suas idéias.NECESSITAM DO ATENDIMENTO POR PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS EM CLASSES REGULARES.. promovendo a evolução dos alunos. para ajudá-lo a prosseguir sempre. em certos e errados absolutos. Ela se constitui no cotidiano da sala de aula. o reforçam o valor mercadológico das aprendizagens e as relações de autoritarismo em sala de aula.  Aprendizagem ► processo permanente. tendo ele a opção de escolha de rumos em sua trajetória de conhecimento. mas acompanhar e favorecer.. 2002: 57) 40. é essencial o investimento em pedagogias interativas. pela superficialidade do acompanhamento. torná-lo tão sedutor a ponto de aguçar a curiosidade do aprendiz para o que está por vir. 43.

Os conteúdos não deixam de existir. o O que deve ser questionado é o benefício ou o prejuízo social que se pode acarretar a partir dos princípios éticos-políticos que lhe dão sustentação. conversando. sentindo-lhe as dificuldades. para que os conhecimentos novos estejam relacionados às estruturas cognitivas que o aluno já possui. o AVALIAR É: o questionar o observar o promover experiências educativas que signifiquem provocações intelectuais o formular perguntas o processo permanente de trocas de mensagens e de significados o espaço de encontro e de confronto de idéias entre educador e educando em busca de patamares qualitativamente superiores de saber. se destina. o IMPORTANTE: “O processo avaliativo. reformular suas hipóteses. o Os alicerces da avaliação são os valores construídos por uma Escola: o Que educação pretendemos? o Que sujeito pretendemos formar? o O que significa aprender nesse tempo. normas e fórmulas já não se adequai à finalidade de avaliar para promover. o A estruturação das tarefas de aprendizagem. não há como prever todos os passos e tempos desse processo. Regras. A neutralidade e objetividade do processo avaliativo são postas à prova quando é outra a finalidade do controle. que precisa. sempre. no sentido de favorecer a abertura do aluno a novas possibilidades. de um determinado tempo e assumem o caráter permanente de mobilização. engajar-se na resolução de problemas. investigativa e atrelada a uma dose de humildade do professor. em sua perspectiva mediadora. comprometendo-se com seus avanços e dificuldades. . Precisa ser uma leitura curiosa. o auxílio em classe e extraclasse solicitado a outros colegas. para promover aprendizagens significativas. Metas e objetivos não delineiam pontos de chegada absolutos. 47. nessa escola. Na avaliação mediadora as perguntas deixam o papel de verificar. pois as condições e ritmos diferenciados de aprendizagem irão lhe conferir uma dinâmica própria. sobre caminhos científicos de cada área. A dinâmica da avaliação é complexa. só sendo possível pela ação do sujeito sobre o objeto e pela interação social. a insistência em explicações sobre os porquês dos seus erros em tarefas. assim. com a intenção consciente da reflexão epistemológica: o O que o aluno está entendendo? o Até onde está entendendo? o Que interesses e necessidades está revelando? 50. Quando se desenvolve um processo mediador de avaliação. a reivindicação de tempo e espaço para conversarem sobre questões de ensino e de relacionamento com professores e colegas. COMO SE DÁ A APRENDIZAGEM? Cada momento do aprendiz representa uma possibilidade aberta pelos momentos anteriormente vividos e. 53. se deve partir das concepções espontâneas dos alunos.solicitação de textos complementares ou novas explicações par noções sobre as quais ainda têm dúvidas. de provocação. é necessário percorrê-lo junto. assim como a visão interdisciplinar. Também se dá pela necessidade do enfrentamento a questões bem colocadas do educador. 48. a leitura que o professor faz das inúmeras situações de sala de aula precisa estar embasada em estudos sérios sobre teorias de aprendizagem. quando este é entendido a favor do aluno e não como obrigação do sistema. Para proceder à interpretação das múltiplas dimensões de aprendizagem. em múltiplas e diferenciadas direções. apoiando. Quando se acompanha para ajudar no trajeto. buscar conhecimentos. pois necessita ajustar-se aos percursos individuais de aprendizagem que se dão no coletivo e. 51. mas pontos de passagem. portanto. rumos para a continuidade do processo educativo. a acompanhar.” 46. comprovar o alcance de um objetivo ao final de um estudo. sugerindo rumos adequados a cada aluno. e é compromisso do professor sugerir e disponibilizar variadas fontes de informação. para o grupo de docentes que a constituem? o Qual a natureza ético-política de nossas decisões? o É por aí que a reflexão sempre deveria iniciar. 49. É preciso oferecer aos alunos muitas e diversificadas oportunidades de pensar. 52. 54.de ser consciente de que não percebe muitas coisas do aluno e pode não ver o que deveria. entender. o Avaliação é sinônimo de controle? Sim. para os alunos que acolhemos. condição indispensável da formação dos seguintes. favorecer a contínua progressão do aluno em termos destas etapas: o mobilização o experiência educativa o expressão do conhecimento o Isso alargara o ciclo que se configura a seguir. levar em conta a realidade e o contexto que o influenciam. o Os teóricos do conhecimento são unânimes ao afirmar que.

o Diferenciar atividades em avaliação significa: o planejar atividades de acordo com as necessidades e interesses década aluno de uma classe o fazer encaminhamentos pedagógicos diferentes de acordo com os percursos individuais. 59. É impossível ao educador compreender e otimizar percursos individuais de aprendizagem sem ter tempo e instrumentos adequados para uma leitura atenta e curiosa sobre os sentidos que vão sendo construídos por cada aluno. o . menores. 62. sempre. o Registros sobre o aluno: o recortes de uma história o professor tem o compromisso de atribuir significado o precisam ser relevantes sobre o que observou e pensou para que possam subsidiar a continuidade de sua ação educativa o dados descritivos. concepções metodológicas. faz determinadas associações. Os conhecimentos prévios formam-se a partir de concepções espontâneas e intuitivas acerca de situações e fenômenos da vida cotidiana. sem deixar de dinamizar o grupo e de desenvolver o trabalho coletivo. 61. o A elaboração e o uso dos instrumentos de avaliação revelam. o Princípios importantes em avaliação mediadora na diversificação de experiências: o Diversificá-las em tempo. o Em relação às condições prévias. O mais importante a perceber é que inúmeros momentos de sala de aula não devem ter por intenção de alunos e professores o alcance de respostas finais. o Procure manter a dificuldade de leitura dos itens num nível adequado à compreensão do grupo a que será aplicado o teste. permitindo uma análise abrangente do desenvolvimento do aluno. o Duas perguntas se tornam essenciais no acompanhamento da experiência educativa: o Qual a dimensão do envolvimento do aluno com a atividade de aprender? o Como ele interage com os outros? 56. de construção de idéias. para promover o confronto de pontos de vista entre os alunos e entre alunos e professores. aluno/alunos em sala de aula.” (Hoffmann. é concebê-los. os instrumentos de avaliação serão desencadeadores da pedagógicos necessários. o Diversificá-las em graus de dificuldade. oportunizando experiências sucessivas. o Para o aluno: oportunidade de reorganização e expressão de conhecimentos X elemento de reflexão sobre os conhecimentos construídos e procedimentos de aprendizagem. ampliando o conjunto de portadores de textos a serem pesquisados. gradativas e analisadas imediatamente pelo professor. de representações sociais transmitidas culturalmente e a partir de analogias: quando o aluno não possui imagens concretas para determinado conhecimento. em sua expressão única e singular do conhecimento. em caráter de terminalidade. de finalização de um processo. Evoluem com a evolução dos métodos. 58. mediar a mobilização significa abrir espaço para o encontro professor/aluno. sempre que os estudos de um curso ou o ano letivo estiverem em desenvolvimento. Questionários. textos. o Diversificá-las em termos de recursos didáticos. pequenos grupos. sobre aspectos qualitativos observados. o Diversificá-las em termos de realização individual. o Os melhores instrumentos de avaliação são todas as tarefas e registros feitos pelo professor que o auxiliam a resgatar uma memória significativa do processo.55. 60. permitindo-se observar graus de domínio do estudante. o As tarefas avaliativas são instrumentos de dupla função para professores e alunos: o Para o professor: elemento de reflexão sobre os conhecimentos expressos pelos alunos X elemento de reflexão sobre o sentido da sua ação pedagógica. o “ Numa visão mediadora. portanto. 57. grandes grupos. e outras tarefas escritas são instrumentos indispensáveis em avaliação mediadora. porque suscita a permanente análise do pensamento em construção. A dificuldade de interpretação da questão não deve influir nas respostas do aluno. em parcerias. e complementares. é iniludível a necessidade de oportunização de muitas tarefas. o elaboração de instrumentos de avaliação confiáveis para um acompanhamento também confiável. exercícios.” (Hoffmann. 2002: 162) A avaliação mediadora é mais exigente para alunos e professores. o Orientações gerais para a construção de itens de um teste ou tarefa: o Procure fazer com que as questões sejam claras e isentas de ambigüidades. Organizar situações em que cada aluno se sinta no compromisso de oferecer sua contribuição ao grupo é essencial à efetivação de propostas interativas. o Diversificá-las em termos da expressão do conhecimento a partir de diferentes linguagens. para maior coerência e extensão dos conhecimentos prévios. porque ambos estarão em processo de formulação de hipóteses. IMPORTANTE: “Para acompanhar cada aluno. 2002:158) o O grande equívoco. analíticos. cria modelos para entendê-lo.atribuindo notas e conceitos e calculando médias para responder sobre o desempenho do estudante. em termos da finalidade dos instrumentos de avaliação.

complementação através da leitura de diferentes portadores de texto. “As novas concepções de aprendizagem propõem fundamentalmente situações de busca contínua de novos conhecimentos. apresenta uma visão muito rica de avaliação mediadora. mobilização dos conhecimentos em variadas situações-problema. O uso de questões de tal natureza tende a encorajar a memorização mecânica de materiais de livro de texto. tenha clareza da necessidade de analisá-los em seu conjunto. Separar frases do seu contesto pode alterar-lhes o sentido ou causar ambigüidade.o 63. “ Como adquirir coragem para enfrentar os percalços de um caminho desconhecido?” .perguntam-me muitos. Ele precisa constituir-se em um conjunto de dados que expresse avanços. . RESUMO DO LIVRO: Avaliar para promover: as setas do caminho. 1993). Não há sentido em coletar trabalhos dos alunos para mostrá-los aos pais ou como instrumento burocrático. Reúnem-se expressões de sentido do aluno que servem para subsidiar e complementar a análise de sua progressão. confronta. Jussara Hoffmann. discutindo inúmeros aspectos relacionados à avaliação do ensino e da aprendizagem. a visão do educador / avaliador ultrapassa a concepção de alguém que simplesmente „observa‟ se o aluno acompanhou o processo e alcançou resultados esperados. Não reproduza textualmente frases de livros de texto ou de consulta. 2002:213) o Em seu livro Avaliar para promover: as setas do caminho. nega que tenha valido a pena! Esta. No capítulo 4. Se a resposta a uma questão depende do conhecimento da opinião de um especialista ou de uma autorização. Expressará o valor conferido ao professor a cada um desses momentos. na direção de um educador que propõe ações diversificadas e investiga. exige novas e melhores soluções a cada momento”. o Procure escrever de tal maneira os itens que um deles não forneça indício ou confunda a resposta a outro. Ninguém que tenha feito esse caminho. não há como prever todos os passos e tempos desse processo. a autora afirma: “Quando se desenvolve um processo mediador de avaliação. mudanças conceituais. Não é de bom aviso incluir uma questão que só possa ser respondida corretamente se o foi também uma questão anterior. pois as condições e ritmos diferenciados de aprendizagem irão lhe conferir uma dinâmica própria”. 64. até hoje. Se o fizer. alusivos à progressão do estudante. permitir-se bastante tempo para observar tudo o que se passa ao nosso redor e. sobretudo cuidar de ter tempo para refletir sobre o que está vivendo”. Nesse sentido. Avaliação e Mediação. por enquanto . (Elias Valiña Sampedro. El camino de Santiago. Dossiês/ portfólios Tornam-se significativos pelas intenções de que o organiza. questionamento e crítica sobre as idéias em discussão. expressão diversificada do pensamento do aprendiz. novos jeitos de pensar e de fazer. o Evite a interdependência de itens. dê o nome do especialista ou autor. é a minha resposta!’ (Hoffmann. “É importante não ter pressa.

que resultaram na diminuição da repetência e da evasão escolar no país. Repensar os princípios de avaliação pode ser um primeiro passo para transforma-la. mas mudanças ainda temidas em termos das práticas. Segundo Jussara. . Diante de tal polêmica. pelo encontro. visão política. em conseqüência. Nos últimos anos. principalmente no que se refere às alterações em avaliação que “podem colocar em risco a educação tradicional (elitista e classificatória). embora temidos. pelo confronto. temerosos. porque exige discuti-la em seu conjunto: valores.Ba. com maior números de defensores. são positivos e alentadores”. preceitos metodológicos. burocráticas em muitas instituições educacionais. a autora percebe o avanço em termos de discussão sobre esse tema. por pessoas em processo de humanização. resoluções e normas oficiais somando-se a LDB e provocadas múltiplas e confusas interpretações dos preceitos legais. Tendo.Salvador. inúmeros pareceres. comunitária. houve conquistas importantes em termos de uma maior reflexão e de um maior número de experiências em avaliação mediadora por escolas e professores. que a avaliação mediadora é uma prática que não está por ser delineada. é colocado que avaliar para promover é um título que pode inspirar várias interpretações. significando acesso a outras séries ou graus de ensino. do ser educador e do ser educando. organização curricular. ampliando a compreensão coletiva sobre as dimensões do ser escola. A intenção da autora é de resgatá-lo no seu sentido original de acesso a um patamar superior de aprendizagem. Jussara mantém a percepção após vinte anos de estudos e pesquisas. que permanecem ainda de julgamento. sugerindo a revogação das práticas classificatórias excludentes. um processo a ser construído pelo diálogo. no que se refere ao encaminhamento de novas regulamentações sobre a promoção dos estudantes. hoje. diferentes leituras. que são fundamentos do avaliar para promover. Uma reflexão conjunta sobre princípios que fundamentam a avaliação nas escolas favorece a convivência com diferentes perspectivas individuais. O termo “promoção” sempre esteve atrelado a decisões burocráticas da avaliação tradicional. tendo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) contribuído para isso. partimos para uma mudança impulsionados pelo desejo de alterar o que não nos satisfaz. mas. INTRODUÇÃO Neste livro de Jussara Hoffmann. Os reflexos desses esforços. Há uma grande polêmica em torno da avaliação escolar. 2000. a sociedade e os professores ficam inquietos. Abril. Trabalhando intensamente com a formação de professores.

de juízo consciente de valor. O grande dilema encontrado é que não há como “ensinar melhores fazeres em avaliação”. uma vez que sua reputação está em jogo e a sociedade começa a contestar os parâmetros da avaliação educacional pela arbitrariedade e fragilidade teórica muitas vezes percebida. Tal avanço se dá. Rumos da avaliação neste século. pelo confronto de idéias. após discussões sobre uma escola que parece não dar mais conta dos problemas sociais e corre o risco de educar os alunos até mesmo para uma ultrapassada visão do presente. dos critérios objetivos. Os processos avaliativos tendem a adequar-se aos novos rumos. metodologias. CAPÍTULO 01. para alertar sobre o sentido essencial dos atos avaliativos de interpretação de valor sobre o objeto da avaliação. Com uma educação democrática. das medidas padronizadas e das estatísticas. políticos e da sociedade voltou-se para a avaliação. devido a sua incompatibilidade com a mesma (educação) e a partir daí. os professores devem estar conscientes das concepções que regem suas ações. de cidadania. em conjunto. intensificou-se as pesquisas nessa área. com práticas sendo repensadas pelos professores. repensando e discutindo. Jussara. de compromisso com a aprendizagem para todos e a formação da cidadania. Tendo a certeza que estão buscando novos recursos e que é preciso apontar-lhes algumas direções.Tendo como diferencial básico o papel interativo do avaliador no processo.Após dez anos da publicação do primeiro livro. a atenção dos educadores. elabora e publica este novo texto constituído a partir de estudos e debates sobre a avaliação com muitos professores do país. valores princípios. surgida nas últimas décadas. porque lhes exige retomar concepções de democracia. A compreensão dos novos rumos exige a reflexão conjunta pelos avaliadores e todos os envolvidos. de direito a educação. Os estudiosos em avaliação deixam para trás o caminho das verdades absolutas. sendo que esse caminho precisa ser construído por cada um de nós. Ao inovar suas práticas avaliativas. retomando-as em seu sentido ético. de um agir consciente e reflexivo frente às situações avaliativas e de exercício do diálogo entre os avaliados. de respeito às diferenças. . influenciando e sofrendo influências do contexto avaliado. Na educação brasileira ocorre a preocupação em superar o viés positivista e classificatório das práticas avaliativas escolares. já que não podem ficar engajados em teorias e pré-feitos metodológicos para garantir a compreensão e a tomada de consciência sobre concepções formativas e mediadoras em avaliação.

a avaliação está predominantemente a serviço da ação. As mudanças essenciais em avaliação dizem respeito à finalidade dos procedimentos avaliativos e não. pelos educadores e pela sociedade em geral. transforma-se no de partícipe do sucesso ou fracasso dos alunos. Com as exigências da LDB (Lei de Diretrizes e Base) nº 9394/96. uma vez que os percursos individuais serão mais ou menos favorecidos a partir de suas decisões pedagógicas que dependerão. mas da observação permanente das manifestações de aprendizagem para proceder a uma ação educativa que otimize os percursos individuais. a universidades. Esse primeiro princípio é o mais importante de todos para se compreender as novas tendências.À medida que os estudos apontam para o caráter interativo e intersubjetivo da avaliação. seja da aprendizagem do aluno. de um currículo ou programa. igualmente. às escolas. mas para promover ações em benefícios aos educandos. radicalmente. da melhoria da ação pedagógica visando à promoção moral e intelectual dos alunos. da amplitude das observações. há a enorme dificuldade de avanços no sentido da aceitação. pela observação ou investigação a serviço da melhoria da situação avaliada. a partir daí. Em relação à aprendizagem. O papel do avaliador. O compromisso do professor é o de agir refletidamente. para a importância das relações interpessoais e dos projetos coletivos. a finalidade da avaliação em relação às práticas classificatórias. alertam também para a essencialidade do diálogo entre todos os que fazem parte desse processo. Ainda há um enorme descompasso entre o pretendido e o realizado pela a maioria das instituições educacionais. ativo em termos do processo. Também. em primeiro plano. porque altera. a análise e compreensão dos dados obtidos. sem perda da observação do conjunto e promovendo sempre ações interativas. A avaliação mediadora destina-se a conhecer. colocando o conhecimento obtido. Há sérios entraves em nossas escolas e universidades quanto à efetivação de uma prática avaliativa em consonância ao princípio delineado. mas professores e escolas é que devem preparar-se para ajustar propostas pedagógicas favorecedoras de sua aprendizagem. não apenas para compreender. Os estudiosos contemporâneos alertam sobre a diferença entre pesquisar e avaliar em educação. Enquanto a pesquisa tem por objetivo a coleta de informações. criando e recriando alternativas pedagógicas adequadas a partir da melhor observação e conhecimento de cada um dos alunos. de preceitos estabelecidos na LDB sobre oportunidade de . mas estabelecem normas classificatórias e somativa revelando a manutenção das práticas tradicionais. uma avaliação a serviço da ação não tem por objetivo a verificação e o registro de dados do desempenho escolar. a mudanças de tais procedimentos. a maioria dos regimentos escolares são traduzidos por textos que enunciam objetivos ou propósitos de uma avaliação contínua. que não é mais o aluno que deve estar preparado para a escola. Avaliar para promover significa compreender a finalidade dessa prática a serviço da aprendizagem. Pode-se pensar.

a inquietude. Para que ocorra essa avaliação.. da promoção da cidadania. perseguindo sempre a máxima aprendizagem possível de todos os alunos. a mobilização. da formação.. ajustando-se objetivos e atividades permanentes. de mediação. Avaliação mediadora se projeta e vislumbra o futuro. . não sabendo como lidar com os alunos que não acompanham suas propostas ou ritmo da maioria. No entanto. porque a sua história não é acompanhada de perto pelo coletivo dos educadores de uma escola. tem-se a visão ao acompanhamento longitudinal dos alunos. pois os professores continuam a desenvolver as mesmas práticas do regime seriado. A excessiva preocupação de educadores e leigos com a definição de critérios. sua progressão contínua de uma série para outra. registros finais. na busca de sentido e significado para essa ação. discussão interdisciplinar). por ciclos de formação ou por idade. expressa na sugestão de regimes não seriados. revelam o caráter seletivo e burocrático que continua a prevalecer na avaliação educacional em nosso país. a intenção de acompanhamento permanente. presos a currículos. direciona-se para favorecer a evolução da trajetória do educando. a visão ideológica. quanto às críticas às novas formas de progressão escolar. não tendo por objetivo reunir informações para justificar ou explicar uma etapa da aprendizagem. a interação e socialização. Tanto as normas classificatórias ainda presentes nos regimentos. o professor deve planejar sua ação de forma plástica e flexível. de negociação entre os envolvidos e multirreferencial (objetivos. e também. Outra grande dificuldade que as escolas enfrentam é a efetivação de um trabalho pedagógico que dê conta das diferenças dos alunos. Nesse tipo de educação é natural que a trajetória do aluno se dê de forma fragmentada ou com várias lacunas. para abrir-se a várias opções de rumos e tempos aos alunos de cada turma. programas de aceleração e outros. observa-se que o professor culpa as séries anteriores pelas dificuldades observadas nos alunos.promoção do aluno na escola. Nos regimes seriados (séries anuais) a análise de cada série se dá isoladamente das demais e um ou mais professores responsabilizam-se pela educação do aluno sem conhecer ou ter ligações com o passado ou o futuro dele. de invenção pedagógica para a melhoria da aprendizagem. o respeito à individualidade. Os ciclos de formação e outras formas de regimes não-seriados enfrentam muitas resistências de professores para aceitar e efetivar a mudança. a necessária tomada de consciência por educadores e leigos sobre os obstáculos decorrentes de uma avaliação classificatória à educação de milhares de crianças e jovens do nosso país. tendo por finalidade a evolução da aprendizagem dos educandos. ciclos. mas acompanhar com atenção e seriedade todas as etapas vividas pelo estudante para ajustar estratégias pedagógicas. a confiança na capacidade de todos. Com os regimes não-seriados. apresentação dos resultados e outras questões de caráter burocrático da avaliação revela que os rumos que perseguem precisam ser debatidos e esclarecidos. valores. respeitando ritmos e interesses individuais. uma vez que avaliação. para que todos venham a agir conscientes do reflexo de suas ações e passam promover uma avaliação a serviço da aprendizagem do aluno. pois estão acostumados com o regime anterior com testes finais e apresentação de resultados burocráticos.

com a intenção de subsidiar. tornaram-se sessões de julgamento. precisamos dar-lhe o crédito das tentativas. das inseguranças. . Os estudos paralelos de recuperação são inerentes a uma prática avaliativa mediadora. fica justificado e explicado resultado alcançado em detrimento do objetivo de buscar alternativas pedagógicas à superação (questão de ensino aprendizagem). No entanto o problema está na qualificação dos professores. A avaliação educacional. pois. sofrem severas críticas por parte de professores e supervisores. promover a evolução dos alunos em todas as áreas do seu desenvolvimento. Não estando fundamentado apenas. em termos de alfabetização e pedagogias diferenciadas. Projetar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos fazendo com que prossigam através de provocações significativas. Os estudos paralelos de recuperação devem ser planejados e articulados ao andamento dos estudos no cotidiano da sala de aula. Para fugir do perigo de se resumirem à apresentação de resultados e reclamações sobre atitudes dos alunos. voltando aos estudos do que já fora estudado. alternativas como a participação de alunos. pré-conselhos. muitas críticas aos regimes não-seriados. Os conselhos de classe. enquanto outros esperam. para refletirem sobre a aprendizagem dos alunos. Porém. pais e outras. Torna-se necessário recorrer a princípios de interação e relação social. mas de prosseguir com experiências educativas. Os regimes não-seriados. sendo realizada ao término do semestre ou ano letivo. Ainda temos no regime tradicional a recuperação que é feita de forma repetitiva.Vê-se. deve orientar-se por valores morais e paradigmas científicos. Assim a grande aventura do educador consiste em prosseguir na diversidade. numa análise ético-política das práticas e metodologias da avaliação. regras e critérios de investigação científica e considerações metodológicas. investindo na heterogeneidade ao invés de buscar a homogeneidade. tais como vêm sendo realizados em grande parte das escolas. em princípios. são alternativas válidas por quem entende desenvolvimento como sinônimo de educação e cultura para todos os cidadãos. pois. com réus e culpados. por parte dos professores e leigos pelas dificuldades que os alunos continuam a apresentar. aumentando o problema. A LDB preceitua ações paralelas (estudos paralelos de recuperação) ao longo do ano letivo. ao lidar com a complexidade do ser humano. como toda iniciativa. nesse caso. tendo por objetivo a oportunidade de reunir professores. valorizando a multiplicidade de caminhos percorridos pelos vários alunos. porém professores que possuem turmas numerosas não sabem como parar ou voltar a explicar a alguns ou poucos alunos que não entendem. direcionada ao futuro. Nesse pressuposto não se trata de voltar atrás. provocar. alternativas que provoquem o estudante a refletir sobre conceitos e noções em construção. das reconstruções. foram criadas pela escola.

mas a autoria desses registros é de competência dos educadores. o que se devia fazer não correspondeu ao que se pôde fazer. tem sido motivos de controvérsias e procedimentos por vezes radicais. Sendo esta última. apontada pelos professores. Se as medidas alternativas nem sempre correspondem aos parâmetros de qualidade ideais de ensino. e sim precisam ser claros e compartilhados por todos. do seu desenvolvimento. na concepção ético-política. sem pesquisas e estudos mais sérios. nem pressupõe a sua autoria. definida por alguns. Uma das grandes dificuldades da escola. em nosso país. A educação inclusiva. a cada mudança de governo. Os profissionais em educação defendem o compromisso dos pais em acompanhar o processo vivido pelos filhos. que mal surgiram. A diversidade de determinações em educação. é o de seguir e abrir caminhos à reconstrução de uma escola onde todos os alunos tenham seus direitos respeitados. a finalidade de controle das famílias. programas emergenciais estão sendo adotados embora não correspondam ao ideal de educação na concepção de educadores. como não sendo responsabilidade direta da família. visto que. precocemente. provoca descrédito e insegurança em toda a sociedade sobre os fins perseguidos. a cada jovem. o que pode ocorrer. Em avaliação não há regras gerais. toda a situação deve ser analisada em seu contexto. dialogar com a escola e assumir o que lhes é de responsabilidade. devido a problemas que temos em nossas escolas. Em plena consciência das finalidades em avaliação favorecerá a escolha consciente de estratégias de ação pelos educadores e não à imposição de metodologias. e reflita sobre os benefícios e prejuízos que determinadas decisões venham representar em relação a sua auto-estima. é a ausência dos pais e o seu descomprometimento com questões de formação moral e aprendizagem dos filhos. mas dos profissionais que atuam nas escolas. de toda a sociedade. sem observa-las no seu devido tempo de ajuste e amadurecimento.O compromisso de qualquer estudo avaliativo. elas correspondem a um sentido de justiça e ética frente à seletividade e a exclusão provocada por uma avaliação exigente em nome de uma escola eficaz e de qualidade. . Assim os registros de avaliação da aprendizagem não têm. na qual o correto muitas vezes não correspondeu ao ético. inserida nos programas dos últimos governos. da sua dignidade. bem como em questões de relações interpessoais no ambiente escolar. da mesma forma. é necessário que se refira a cada criança. Hoje. São muitas as tentativas de lidar com os reflexos de uma prática avaliativa excludente. Muitos criticam essas alternativas. Para que educadores não transformem inclusão em exclusão. pois essas caracterizadas de justiça da uniformização acarretam inúmeras injustiças. inserida em um contexto único e singular de vida.

CAPÍTULO 02. Não é suficiente oferecer-se escolas para todos. mas respeitando tempos e percursos individuais. o que nos levará a perseguir novos rumos metodológicos. Outra Concepção de Tempo em Avaliação. no Ensino Médio. A avaliação enquanto mediação. esta ofereça a cada educando a oportunidade máxima possível de alcançar a sua cidadania plena pelo respeito e pela aprendizagem. muitas vezes. . ele existe. “Correm” contra o tempo e acabam por “atropelar” parte do programa de aula (conteúdo disciplinar). Os rumos da avaliação na última década apontam para a organização de experiências educativas desafiadoras. pois estes são para sempre pontos de passagem provisórios. sempre que as decisões levarem em conta parâmetros comparativos. promovendo e favorecendo a evolução dos alunos. e sem dar oportunidade de educação de forma coerente a educandos especiais. Ensino Médio e Ensino Superior estão reunidos. ajustar os passos ao esforço necessário. pois. Próximo a estarem concluindo caminhos que na verdade são inconclusos. sendo importante apontar os rumos do caminho. interação. Jussara fala que tempo é assunto sempre presente nas discussões sobre avaliação. das decisões pedagógicas. e onde professores de Ensino Fundamental.A inclusão pode representar exclusão sempre que a avaliação for para classificar e não para promover. educadores e educandos se desencontram. significa encontrar abertura ao diálogo. não há sentido em valorizar os pontos de chegada. e que uma vez na escola. Uma avaliação contínua irá exigir essencialmente uma outra concepção de tempo em educação. ocorrendo numa trajetória de conhecimento. percorrida num mesmo tempo e cenário por alunos e professores. seguem rumos distintos. seguem na mesma direção. A maior angústia percebida é entre professores do Ensino Médio. torna-lo tão “sedutor” a ponto de aguçar a curiosidade do aprendiz para o que está por vir. caracterizando-se a prática da reprovação. determinante das atividades. é essencial que “todos” não perca a dimensão da individualidade. tais discussões tornam-se mais acirradas. Trajetos que apesar dos desencontros e reencontros. nem dialogar ou dar tempo de parar e refletir sobre a experiência educacional que ambos estão compartilhando. Em avaliação. também no Ensino Fundamental e Educação Infantil sendo. da atenção que se dá às crianças. Embora o problema do tempo seja mais perceptível nas séries mais avançadas. sem se conhecer. devido a sua preocupação com o “vestibular”.

de tempos de execução e ritmo de aprendizagens homogêneas e de explicações ao grande grupo ao invés de atividades diversificadas é um dos grandes entraves ao melhor entendimento dos percursos individuais e características de uma avaliação classificadora. preparação de tarefas adequadas ao grupo e a cada aluno. porque o tempo de envolvimento nas atividades. cada passo do aluno precisa ser observado no seu sentido próprio. exige a quebra de toda essa padronização do acompanhamento do professor. Olhar cada aluno em seu próprio tempo e jeito de aprender e oferecer-lhe orientação e apoio pelo tempo que precisar. Articular propostas pedagógicas ao grupo de estudantes não é tarefa tão simples. pois é no cotidiano escolar que os alunos revelam tempos e condições necessárias ao processo. A ênfase do professor à seqüência programática do conteúdo ou à realização das atividades impede-o de ajustar o seu tempo de ensinar ao processo de conhecimento dos alunos. apoio e orientação permanentes de supervisores e especialistas. Isto provoca insegurança nos professores que tiveram a sua formação embasada no modelo de educação tradicional. “O ideal seria dedicar mais tempo a um pequeno número de situações complexas do que abordar um grande número de assuntos que devem ser percorridos rapidamente”. A autora alerta para o fato de que. que possam ser ensinados ao professor. O que define tal dimensão. são a intenções do educador ao propor a tarefa. Muitas vezes. Sua proposta precisará ser constantemente adequada as possibilidades cognitivas dos alunos e ao contexto escolar. a extensão d um projeto. maior tempo para o planejamento. se tende a considerar determinados procedimentos êxitos e válidos pelo fato de terem sido cumprido conforme o previsto ou pela satisfação e envolvimento dos alunos. mas não se atenta à necessária articulação entre o que o professor ensina ou propõe e o que o aluno aprende ou deseja e necessita aprender. Considerações como essa serão favorecidas pela organização do trabalho pedagógico e pela clareza acerca das finalidades de cada momento. torna-lo flexível. 1998:64). O planejamento do professor é muito importante e. exigindo permanentemente ajuste de propostas. não comprometerá os seus objetivos ou roteiros. o que lhe exigirá uma ampla fundamentação em teorias do conhecimento. o tempo de aprendizagem de uma noção. para a análise das tarefas dos alunos e principalmente. . As tarefas avaliativas são pontos de passagem. bem como sua forma de proceder frente ao que nela observa. O pressuposto de tarefas iguais para todos os alunos. Vemos isso nas aulas expositivas que são muito apreciadas por crianças e adultos. inclusão de novos recursos didáticos.(Perrenoud. não poderão ser estabelecidas de antemão.O processo de aprendizagem do aluno não segue percursos programados a priori pelo professor. A construção de uma pedagogia nessa direção não é uma questão de métodos.

provocando-os a refletir sobre o que está fazendo. retomar passo a passo seus processos. para não serem considerados autoritários. autonomamente. favorecendo a sua superação em termos intelectuais. Algumas escolas estão optando. chega-se ao excesso dos estudantes responderem. levado ao conselho de classe para serem discutidos e serem entregue aos pais em anexo a apresentação dos registros de desempenho final dos filhos. o fator complicador de compreender-se “aspectos qualitativos” como aspectos relacionados às atitudes dos alunos na escola. discute-se avaliação focalizando apenas uma pequena parte da totalidade sem prestar atenção no que lhe dá fundamento. principalmente em classes numerosas. tomando consciência sobre o seu pensar e o seu fazer. O processo de auto-avaliação é tido como auto-sentencivos de atitudes e relações pessoais nas escolas. comentários. tomada de consciência individual sobre suas aprendizagens e condutas cotidianas. Este processo reflexivo se desenvolve no cotidiano da sala de aula pelo exercício do aluno de pensar sobre o seu pensamento. é ainda fator de não entendimento entre muitos que trabalham em educação. os professores expressam a sua tomada de consciência sobre a necessidade de orientação e apoio de colegas. CAPÍTULO 03. As Múltiplas Dimensões do Olhar Avaliativo. Acompanha-lo passo a passo exige conhece-lo enquanto sujeito produtor do seu conhecimento. sendo. sugeridos pela LDB. tomar consciência das estratégias de pensamento utilizadas. Cabe ao professor desafiar os alunos na realização da auto-avaliação para que esta seja altamente favorável. pensar sobre suas atitudes e analisar criticamente idéias definidas contemplando-as e enriquecendo-as. após respondidos. como aspecto intrínseco ao seu desenvolvimento e para ampliar o âmbito de suas possibilidades iniciais.O privilégio dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos. num processo igualmente de auto-avaliação. pela sua aprendizagem. especialistas para o melhor desenvolvimento de suas atividades educativas. É preciso um olhar profundo . Um processo de auto-avaliação só tem significado enquanto reflexões do educando. Da mesma forma que os alunos. o professor também estará refletindo sobre processos didáticos. Acrescenta-se às considerações anteriores. Ao promover tais ações e desafiar os estudantes a refletir. O caminho para a avaliação mediadora não pode ser outro senão a busca de significados para todas as dimensões da relação entre educandos e educadores através de investigação séria acerca das peculiaridades dos aprendizes e das aprendizagens. O tempo do aluno que precisa ser respeitado é o tempo de aprender e o tempo de ser. de forma natural e espontânea. Nas universidades. sobre a adequação de suas perguntas. e não o tempo de “aprender determinado conteúdo”. atribuindo-se conceitos e graus que são aceitos incondicionalmente pelos professores. críticas. supervisores. hoje. por programas de tutoria para tentar adequar-se ao exposto acima. Segundo a autora.

. Avaliação é sinônimo de controle. . em companheirismo. da promoção de situações complexas de aprendizagem. subjetivos. é para o crescimento. Diante de uma avaliação classificatória. Autoritarismo em avaliação é.. este controle é contra o educando. Ao definir os objetivos está se delineando o norte. quando um aluno revela que ainda não compreende uma noção.. também. constituindo. Avaliar para promover cada um dos alunos é um grande compromisso que exige observação longitudinal do processo. sem refletir sobre educação e sociedade. por conta da complexidade inerente ao ser humano. de certificação pelo sistema educacional. desenvolvimento. através de procedimentos diversificados de análise. não é a natureza desse controle e sim o benefício ou prejuízo social que se pode acarretar à partir dos princípios éticos-políticos que lhe dão sustentação. Quando o controle é feito por olhares atentos. do poder público. O controle é inerente a qualquer processo avaliativo que suscite a tomada de decisões sobre a vida de um indivíduo. decorrente do julgamento de condutas e atitude dos alunos. no seu sentido mais amplo. O que se coloca em questão. justamente. com afeto. à revelia de valores e princípios declarados por instituições de ensino. o destino essencial das ações educativas. ao corpo docente de uma escola são conferidas decisões referentes aos alunos. diálogo constante. decisões de promoções. além da reflexão acerca das múltiplas dimensões que encerram cada resposta ou manifestação de um aluno. resta saber qual o sentido da avaliação em sua essência humana. por exemplo. irrefletivamente. olhando. essa situação é tomada como ponto de partida para a reflexão-ação do professor e resultará em novas alternativas didáticas. ou que desenvolve outras estratégias de raciocínio para responde-la.às múltiplas dimensões de aprendizagem que lhe constituem base. Quando se controla para julgar. por demais. Esse controle é a favor do educando. As fragilidades do processo avaliativo ocorrem. tomando consciência da finalidade dos processos avaliativos que. Assim. são exercidos a favor ou contra o educando. uma educação a favor do educando. resulta em respeito. a partir de parâmetros pessoais. Controla-se via avaliação educacional. a qualidade da ação da sociedade. dependendo dos princípios em que se fundam. encadeadas e sucessivas. registrando com sentido de aprovar/ reprovar. do aluno. sempre. geralmente faz-se pela análise superficial das respostas e manifestações dos estudantes. Em avaliação mediadora. As discussões existentes centram-se em instrumentos e metodologias. do professor. feito pelos pais.

o que proporcionará uma melhoria da aprendizagem do aluno. Novas concepções de aprendizagem propõem fundamentalmente situações de busca contínua de novos conhecimentos. de representações das pessoas que convivem no espaço de aprendizagem (educador e educando). Ao interagir com o objeto. por meio dos agentes culturais que atuam como mediadores externos ao resumir. “A mediação se produz. é complexa e multidimensional. Podemos pensar na avaliação mediadora como um processo de permanente troca de mensagens e de significados. para que promova ação educativa necessária às situações que a aprendizagem acarreta. expressão diversificada do pensamento do aprendiz. a mediação se dá pela antítese. um processo interativo. que ocorre na relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Avaliação e Mediação. interesses. Na concepção da autora quando se desenvolve um processo mediador de avaliação não há como prever todos os passos e tempos desse processo. Têm-se discutido muito sobre interdisciplinaridade e temas transversais. A relação pedagógica é constituída por um conjunto de percepções. CAPÍTULO 04. são referências da continuidade da ação pedagógica. espaço de encontro e de confronto de idéias entre educador e educando em busca de patamares qualitativamente superiores de saber. para além da divisão disciplinar. nessa perspectiva. as condições e ritmos diferenciados de aprendizagem irão lhe conferir uma dinâmica própria. A dinâmica da avaliação.A percepção da diversidade de análises que suscitam diferentes situações de aprendizagem é um aspecto essencial no ajuste das intervenções pedagógicas. 1998:117). avanços e necessidades. isto na percepção de Piaget. dialógico. permanentemente. num determinado momento. pelo confronto. mas a análise do desenvolvimento do aluno ainda se dá de forma fragmentada. fora do aluno. pois. O processo vivido pelos alunos. O aluno e o professor precisam de tempo para desenvolver conhecimentos mais profundos acerca de um tema. sobre os alunos. o sujeito recria o seu pensamento. A intervenção pedagógica do professor será mais significativa e consistente a medida que ele questionar. valorizar e interpretar a informação a transmitir. procurando ampliar e completar seu entendimento sobre a trajetória percorrida por cada um e por todo o grupo. mobilização dos conhecimentos em variadas situações problema. Na visão dialética. . complementação através da leitura de diferentes portadores de texto. O aluno capta e interioriza a informação relacionando-a e interpretando-a mediante a utilização de estratégias de pensamento que atuam como mediadores internos. questionamento e crítica sobre as idéias em discussão. (in Minguet. em primeiro lugar.

adequar novas propostas e situaçõesproblema suscitados às necessidades e possibilidades dos alunos. de forma que tenham condições de se engajar na busca de novos conhecimentos porque lhe são significativos. Cada uma das ações contidas nessas dimensões pode desencadear diferentes reações. mas é diversa a natureza da sua intervenção a cada momento do processo. que tais práticas não condizem com o tema “mediando a mobilização”. mas reconhece-las para explicá-las. é constituído por diferentes dimensões de diálogo. Cada aluno irá expressar concepções prévias em tempos e jeitos diferentes. meio e fim – pois. para que os conhecimentos novos estejam relacionados às estruturas cognitivas que o aluno já possui. Pretende-se deixar claro. se deve partir das concepções espontâneas dos alunos. se constituem por momentos contínuos e simultâneos de mobilização. só sendo possível pela ação do sujeito sobre o objeto e pela interação social. com ações diferenciadas e ajustadas à dinâmica da aprendizagem de cada um e do grupo. para promover a aprendizagem significativa. representa essencialmente. nesse texto. Os conhecimentos prévios formam-se a partir de concepções espontâneas intuitivas acerca de situações e fenômenos da vida cotidiana. O processo avaliativo não pode ser determinado em etapas. início. A dinâmica da avaliação é complexa. Valorizar concepções prévias não significa aceita-las como “respostas lógicas e interessantes dos alunos”. de certa forma. muitas vezes. Os teóricos do conhecimento são unânimes ao afirmar que. A finalidade da avaliação. no sentido da mobilização. no seu sentido dialético. manter-se flexível. condição indispensável da formação dos seguintes. o que torna mais complexa a avaliação do professor. O compromisso do professor é de avaliar permanentemente. relacionado ao que já conhece e/ou representam desafios possíveis de serem enfrentados em termos de suas estruturas cognitivas.O cenário da relação entre professores e alunos. Práticas tradicionais de sondagem-diagnóstico e a própria expressão avaliação diagnóstica revelam. de representações sociais transmitidas culturalmente e à partir de analogias. Cada momento do aprendiz representa uma possibilidade aberta pelos momentos anteriores vividos e. ações que se destinam a agrupar alunos por graus de dificuldade em relação as expectativas iniciais dos professores de uma série. pois necessita ajustar-se aos percursos individuais de aprendizagem que se dão no coletivo e. provocando cruzamento dos ciclos. pois a autora considera o termo diagnóstico limitador e contraditório uma vez que tende a ser interpretado como uma ação que deve ocorrer em momentos iniciais e definidos do processo escolar. em múltiplas e diferenciadas direções. . Mediar a mobilização exigirá do professor. atento. portanto. atitudes de receptividade ou de divergência nos alunos. ou seja. portanto. exigindo dos professores um mapeamento de natureza bastante complexa e uma atitude de investigação científica constante. Os percursos de aprendizagem são individuais e as propostas de aprendizagem desencadearão diferentes configurações para cada estudante. então. critico sobre o seu planejamento quanto à aprendizagem dos alunos.

e não sempre visando à verificação de aprendizagens finais. O professor não deve estar atento as concepções prévias dos alunos apenas ao introduzir uma noção nova. mas a escola vem sentindo a necessidade de mudar pela expressão contundente da insatisfação estudantil. A prática classificatória pareceu. Propor tarefas que suscitem diversas formas de representação do conhecimento contribui para a maior tomada de consciência pelo aprendiz das idéias em construção. 2000:33). O autoritarismo em avaliação está em se exigir respostas preestabelecidas. A realidade aprendida por ele é uma representação da realidade objetiva que ele internaliza. As atividades só podem ser analisadas. pois elas estarão sendo expressas pelos educandos. dar conta facilmente da questão avaliativa. mas ocorre. A otimização do espaço de aprendizagem é de natureza avaliativa. Algumas tarefas poderão ser organizadas intencionalmente para tal análise. só encontra sentido em termos de análise do conjunto de aprendizagem do educando e jamais do viés classificatório. O conhecimento que o aluno constrói. muito mais do que pelos estudos teóricos do que. alunos/alunos em sala de aula. de convívio. mas escola é sinônimo de socialização. intensivamente. leis ou outras influências. no que se refere ao conhecimento construído pelo aluno. (Demo. pois é compromisso do professor organizar atividades graduais adequadas ao interesse e possibilidades do grupo. e sim a todo momento. pois exige novas possibilidades de reorganização de conhecimentos internalizados. A construção do conhecimento é de natureza única e singular. em sua interação com o mundo. interativamente. bem como prestar ajuda a cada um dos alunos. de troca. ajustando-a e transformando-a á partir de sua . mediar a mobilização significa abrir espaço para o encontro professor/aluno. tendo no aluno a figura central”. no sentido de mudanças conceituais. tem outras posturas de igual natureza. A análise de concepções prévias. Em relação às condições prévias. mas quem orienta o processo reconstrutivo. por um longo tempo. pela socialização. O auxílio do professor em todos os momentos é louvável. não é uma simples cópia desse mundo. no conjunto de atitudes e respostas que se sucedem por períodos mais longos de aprendizagem. e não em fazer-se exigências acadêmicas. de forma a trabalhar. enquanto ponto real de partida para o planejamento e replanejamento do professor.para confrontá-las com as hipóteses científicas. “O professor “facilitador” não é o quem facilita as coisas. É essencial que se conceba o processo como processo. e pela mediação do outro. em determinar-se o tempo previsto para as construções individuais em corrigir respostas que estão em construção. ajustando suas intervenções ao progresso e obstáculos individuais.

. é preciso que o educador reflita sobre as mensagens que emite. ele cria expectativas e as reconhece quando criadas sobre ele. Além da questão da expressão individual do conhecimento. relação com os outros. menores. Aprendemos e sentimos muito mais e de jeito diferente do que o expressamos.realidade pessoal. direcionando o trabalho pedagógico para esse fim. em um mundo que ele partilha com outros: a relação com o saber é relação com o mundo. pelo educador. ativa e temporal”. O conjunto dos instrumentos analisados favorecerá uma visão processual e complementar dos conhecimentos expressos pelos alunos. Analisar a relação com o saber é analisar uma relação simbólica. as estratégias de que se utiliza e sobre a sua interação com os outros. Tais práticas não se reduzem à processos de autocontrole de condutas em momentos determinados por professores ou escolas. sobre o diálogo que estabelece com o educando. Para acompanhar cada aluno. sugere e acata sugestões de novas direções. Quando o professor estabelece uma relação de confiança com o estudante e roca com ele mensagens pertinentes e significativas sobre seus processos. Práticas de auto-avaliação na perspectiva mediadora tem por finalidade a evolução do aluno em termos de uma postura reflexiva sobre o que aprende. Assim. 2000:79). é a apreciação dos seus valores culturais e lingüísticos e a valorização de sua expressão de forma independente e original. acompanha-os em seus percursos vivendo a magia do inesperado. e não o próprio pensamento. relação consigo mesmo. os conceitos construídos pelo aprendiz acompanham a própria dinâmica do processo de aprendizagem e estão em permanente evolução. Avaliar as respostas construídas pelos alunos acarreta a reflexão sobre a interpretação das condições oferecidas para se obter determinada qualidade e/ou dimensão de respostas. Se bem articulados atuarão como instrumentos avaliativos mediadores da construção de sentido. Para que o aluno seja orientado a um padrão reflexivo de análise de seus processos e tarefas de aprendizagem. Todo estudante é capaz de analisar suas condições de aprendizagem. é preciso analisar as manifestações do aluno absorvendo as dimensões da interpretação dos seus entendimentos e da forma de expressão de tais entendimentos. gradativas e analisadas imediatamente pelo professor. Assim. Duas questões importantes quanto a expressão de conhecimento pelo estudante. “Analisar a relação como saber é estudar o sujeito confrontado à obrigação de aprender. pois. à medida que compartilha com o aluno sentimentos e descobertas. Em sua essência um educador reflexivo é mediador de uma educação reflexiva. os primeiros passos estão dados na direção de uma postura reflexiva de ambos. Não apenas aponta a direção aos alunos. (Charlot. o que ele diz ou escreve é representação do seu pensamento. enfrenta com ele dúvidas e obstáculos. mas também. sobre a evolução do aprendiz. é iniludível a necessidade da oportunização de muitas tarefas.

numa visão mediadora. Apesar que vemos muitas tarefas que são elaboradas pelos professores a partir de intenções pouco claras.CAPÍTULO 05. Essa questão é bastante complexa em educação. fichas de comportamento. portanto. modos de ser e de agir em sala de aula. Isso se dá ao longo do tempo. bem como corrigidas por critérios aleatórios. Assim. o que é bastante grave. Tarefas avaliativas. pois dados quantitativos não permitem analisar em que aspectos o aluno evolui. concepções metodológicas que evoluem com a evolução dos métodos. Critérios de avaliação podem. E. é preciso registrar o que se observa de significativo como um recurso de memória diante da diversidade e um “exercício de prestar atenção ao processo”. serem entendidos por orientações didáticas de execução de uma tarefa. quem planeja e quem se utiliza do instrumento de avaliação elaborado. Registros em Avaliação Mediadora. numa visão mediadora. ao mesmo tempo. porque o instrumento de avaliação representa um ponto de partida. Conforme diz Schön (2000). Registros em avaliação são dados de uma história vivida por educadores com os educandos. analíticos sobre aspectos qualitativos observados. de que estratégias se utiliza e outras questões de igual significado em termos de sua aprendizagem. Existem critérios de qualidade que não podem ser expressos ao aluno. muito mais do que embasadas em normas de elaboração. pois a observação do professor pode centrar-se na análise de tais aspectos. Ao acompanhar vários alunos. pareceres roteirizados. da continuidade do trabalho pedagógico. não existe a preocupação com critérios precisos e definidos. por outro lado. portanto. porque o professor é. devem se constituir em dados descritivos. . um questionamento que se faz à espreita de muitas respostas inéditas. imprevistas. comentários e perguntas em diferentes momentos de aprendizagem e a sua evolução na compreensão das noções. A elaboração e o uso dos instrumentos de avaliação revelam. não se pode antecipar ao estudante objetivos e competências a serem alcançadas. são planejadas tendo como referência principal a sua finalidade. não irá reformula-lo. vagos e comparativos. em diferentes momentos da aprendizagem. que ele só poderá descobrir em ação-reflexão-ação. por seus aspectos formais. porque ele não irá entende-los até que os alcance. É necessário ressaltar que. ou que se possa interpretar as idéias construídas pelo aluno apenas por provas objetivas e corrigidas por gabarito. como graus numéricos. não aceitam mais os estudiosos em avaliação que se possa acompanhar e analisar processos de aprendizagem através de registros classificatórios. se ele não evoluir em suas concepções. diferentes. Tais registros. As anotações do professor precisam contemplar referências significativas sobre a singularidade de cada aluno: sua estratégias de raciocínio na resolução de problemas. através de um conjunto de procedimentos e reflexões. a clareza de intenções do professor sobre o uso que fará dos seus resultados.

São mais utilizadas por professores do Ensino Médio e Ensino Superior. planejados e elaborados pelos professores pra poderem acompanhar a expressão dos sentidos construídos pelos alunos. conhecer processos vividos pelo grupo. É preciso refletir sobre a interpretação destes instrumentos e os encaminhamentos pedagógicos posteriores. por pensarem que pode ser escrita com rapidez e analisada com facilidade. pois permite a análise da compreensão do estudante sobre noções complexas em várias dimensões. portfólios. Para tanto. embora. pois sua formulação exige grande domínio da noção investigada por quem a elabora. relatórios de avaliação. No entanto. disciplina. O item de dissertação recebe o seu nome da maneira como responde o examinado. Consiste ela em vários itens de escolha múltipla. e numa lista de respostas alternativas comuns a todas as premissas. curso é de grande apreciação quando realizada pelos alunos. uma questão de escolha múltipla. a construção de uma questão certo-errado exige muita atenção devido a ambigüidades e aos decorrentes problemas de entendimentos causados aos alunos. geralmente chamados premissas. Dossiês do aluno. para além de sua elaboração. A finalidade das questões de escolha única ou de lacunas é. Quando adequadamente usado. precisam ser coerentes às concepções defendidas.Testes e tarefas são instrumentos de avaliação. são freqüentemente usadas por professores em várias instâncias educativas. Questão combinada ou de acasalamento é. no seu sentido básico. os itens objetivos e de dissertação. são usados pelo professor. são construídas de modo que se possa corrigi-las observando uma única palavra ou frase ou notando qual de várias respostas possíveis foi escolhida. De todas as formas de itens objetivos. de questões objetivas. Esta forma de questão tem se mostrado útil em caso nos quais se deseja testar o conhecimento das relações entre um conjunto de objetos e outro. no sentido de favorecerem uma análise qualitativa. deve ser feito com orientações compatíveis a uma visão mediadora. A análise conjunta de tarefas e testes por professores de uma determinada série. são nomenclaturas que se referem. Questões certo-errado ou falso-verdadeiro. o professor deve colocar-se na posição do aluno e fazer a si mesmo as perguntas. a mais flexível e significativa em termos da interpretação do professor é a de escolha múltipla. em realidade. Comumente. muito utilizados pelos professores. O termo objetivo refere-se mais ao processo de correção do que à maneira como é dada a resposta. a de investigar o conhecimento de fatos específicos. o teste de dissertação auxilia significativamente no acompanhamento do progresso do estudante. Ao escrever cada item. Como tais. nos testes. mas é necessário que se conheça suas características. implica uma resposta escrita cujo tamanho é variado. à organização de uma coletânea de registros sobre aprendizagens . utilizando-se da clareza acerca das noções e dos objetivos que estão sendo investigados. Não são apropriados à análise da compreensão do aluno de conhecimentos complexos.

Dossiês/portfólios tornam-se instrumentos mediadores à medida que contribuem para entender o processo do aluno e apontar ao professor novos rumos. ou vale para todas as situações. Mudar as formas dos registros sobre as aprendizagens dos alunos não significa evoluir quanto aos processos avaliativos. para cada contexto educacional. Por isso. comentários e todas as expressões de natureza qualitativa do professor contribuem para uma outra dimensão da comunicação entre educador e educando e entre todos os envolvidos no contexto avaliativo. em avaliação. Nada. O professor que não realiza tal acompanhamento. Anotações. não tem elementos para configurar registros finais qualitativos e significativos.do aluno que favoreçam ao professor. seve como regra geral. precisamos construir princípios atrelados aos valores éticos e à nossa sensibilidade. . aos próprios alunos e às famílias uma visão evolutiva do processo. é preciso ressignificar a prática avaliativa nas escolas. em termos de procedimentos. Não basta mudar a forma dos registros. porque os registros expressam idéias e concepções e estas é que precisam ser repensadas para que se alterem as práticas educacionais verdadeiramente. que nos permitam sempre seguir na direção do que é mais justo para cada aluno. para cada professor.

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