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Marcelo Novelino. Direito Constitucional

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  • Objeto:
  • Constitucionalismo:
  • Evolução do Constitucionalismo:
  • Constitucionalismo e Soberania Popular:
  • CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:
  • Concepções de Constituição:
  • Aspectos conclusivos:
  • Classificações das Constituições:
  • HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Supremacia da Constituição:
  • Hierarquia dos Tratados Internacionais:
  • Lei Ordinária X Lei Complementar:
  • Lei complementar Lei ordinária
  • Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:
  • CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:
  • Conceito:
  • Parâmetro ( normas de referência):
  • Formas de Inconstitucionalidade:
  • Formas de Controle de Constitucionalidade :
  • 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:
  • a) Preventivo:
  • b) Repressivo:
  • 4.2) Quanto à natureza do órgão:
  • 4.3) Quanto à competência:
  • a) Difuso:
  • b) Concentrado:
  • 4.4) Quanto à finalidade:
  • a) Concreto:
  • b) Abstrato:
  • e concreto
  • Formas de Declaração da Inconstitucionalidade:
  • 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:
  • 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:
  • 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:
  • 5.4) Quanto à extensão da declaração:
  • Exercício do Controle Jurisdicional:
  • 6.1) Controle difuso-concreto:
  • d) ADI no STF e ADI no TJ:
  • 6.2) Controle concentrado-abstrato:
  • Atuação do PGR:
  • Atuação do AGU:
  • Amicus Curiae:
  • Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:
  • Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:
  • Efeitos da decisão de mérito no MI:
  • Controle Concentrado-Concreto:
  • RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:
  • PODER CONSTITUINTE
  • PODER CONSTITUINTE ::
  • Conceito e finalidade:
  • Natureza:
  • Titularidade do Poder Constituinte:
  • Poder Constituinte Supranacional:
  • Espécies Tradicionais:
  • A) Poder Constituinte (Originário):
  • B) Poder Constituinte Decorrente:
  • C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):
  • Direito Adquirido:
  • Reforma x Revisão:
  • HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:
  • Introdução:
  • Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:
  • (hermenêutica constitucional)
  • Métodos de Interpretação da Constituição:
  • I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):
  • II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):
  • III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):
  • IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):
  • V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller):
  • VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):
  • Interpretativismo e não interpretativismo:
  • Elementos do Sistema Normativo Constitucional:
  • Postulados Normativos de Interpretação:
  • Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:
  • Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:
  • PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:
  • Natureza Jurídica:
  • Preâmbulo como diretriz hermenêutica:
  • APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Classificação das Normas Constitucionais - JAS:
  • Classificação de outros autores:
  • NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:
  • Revogação:
  • Teoria da Desconstitucionalização:
  • Teoria da Recepção:
  • Constitucionalização Superveniente:
  • Repristinação:
  • Mutação Constitucional:
  • Graus de retroatividade da norma constitucional:
  • PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:
  • Funções dos Princípios Constitucionais:
  • Princípios Estruturantes:
  • Princípio Republicano:
  • Princípio Federativo:
  • Princípio do Estado Democrático de Direito:
  • FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:
  • Soberania:
  • Cidadania:
  • Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:
  • Pluralismo Político:
  • Dignidade da pessoa humana:
  • DIREITOS FUNDAMENTAIS:
  • Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:
  • Classificação dos Direitos Fundamentais:
  • Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:
  • Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:
  • Natureza dos Direitos Fundamentais:
  • Características dos Direitos Fundamentais:
  • Eficácia e Aplicabilidade:
  • Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:
  • Limite dos limites:
  • Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:
  • DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:
  • Direito à vida:
  • - Direito à privacidade:
  • Princípio da Igualdade:
  • Direitos ligados à liberdade:
  • Direito de propriedade:
  • Direito de segurança jurídica:
  • Direitos Sociais:
  • Direitos da Nacionalidade:
  • Direitos Políticos:

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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uma teoria normativa da política. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. no fundo. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. em sentido jurídico. o local e a época. enfeixado na Constituição. a defesa da Constituição. assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. sociologicamente. e que se encontra acima dos detentores do poder. Partindo. O conceito de constitucionalismo transporta. por seu turno. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. É. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. reporta-se a um sistema normativo. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. mas também de outros assuntos. Neste sentido. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. 4 . Numa vertente mais restrita. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. como sociológica: “em termos jurídicos. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. em especial limitar o poder arbitrário. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. Tem-se utilizado. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. e. Kildare Gonçalves Carvalho. mas proteger direitos. numa terceira acepção possível. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. como o inglês. os fins socioeconômicos do Estado. E para isso. Numa segunda acepção. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. o americano e o francês. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. do estado e das instituições democráticas. um claro juízo de valor. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. então.

Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Garantia jurisdicional. • Separação dos poderes. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Hoje. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Influenciaram o direito francês e americano. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Grécia antiga: democracia constitucional. a partir da Revolução Francesa. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. se contrapõe ao absolutismo. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. em 1787. Por isso. porém. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. 1. Foi a mais avançada forma de governo. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. b. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Foi a 1ª experiência constitucional. c. integram-no. desde logo. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Governo limitado. ii. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. e da França. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. fases pelas quais passou a constituição. A democracia é a representação da vontade da maioria. (Livro do Alexandre de Morais). no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Foi uma retrospectiva do direito Grego. ii. Roma: idéia de liberdade. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. após a Independência das 13 Colônias. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. • Princípio do governo limitado. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. b. Como ressaltado por Jorge Miranda. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. a. em 1791. Atribui competências aos três poderes.surgiu em substituição ao governo dos homens. como e até onde pode mandar. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Estabelece as regras do jogo político. quem. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). d. Estado Hebreu: estado teocrático. 2.

d. Rússia. Novas idéias foram surgindo. b. XX). direitos fundamentais. estabelecidos pela Constituição. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. c. Ex. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. b. Eram apenas uma diretriz. Segundo a tradição francesa. XIX. os costumes 6 . PE e PJ). ii. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. sem força vinculante. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Começou a se falar em um direito moral. aplica-se a analogia. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Garantia de direitos. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Força normativa da constituição: antes. Constituições da democracia racionalizada. c. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. ligada à idéia de liberdade. 4. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. 3. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Hoje. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Constituições de países subdesenvolvidos. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. as constituições tinham caráter mais político. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. as quais são denominadas por pós-positivismo. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Constituições da democracia marxista ou socialista. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. a. ou seja. Separação de poderes. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Todos os poderes constituídos (PL. havia regras. a maioria da nação. Idéias principais: i. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. foi o Abade Sieyès. estarão subordinados a ela. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. na época das Revoluções Liberais. diretrizes. A partir dessas novas idéias. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Constituições da democracia social. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. estabelecendo diretrizes. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. O ser humano é um fim em si mesmo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa.

EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. união homoafetiva. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Ex. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. g. fidelidade partidária. e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Verdade. 7 . A aplicação da norma se dá pela subsunção. Constitucionalismo do futuro. Para Barroso. etc. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Entre uma regra específica e um princípio geral. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. etc.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Na Itália. Hoje. Mas essa é uma posição muito radical. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. os princípios. Participação. Os princípios. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Hoje. cotas em universidades.  Aplicação direta da constituição. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. tratado internacional tinha status de lei ordinária. Para Paulo Bonavides. Quando o legislativo é fraco. Consenso. o judiciário aumenta sua força. Continuidade. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. demarcação de reservas indígenas. Universalização. Eles são importantes. b. aplica-se a regra específica. f. • • 5. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões.. mas quem dirá o que ela é. Integração. espuma do chopp. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Solidariedade. é o judiciário. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Não se aplica diretamente a constituição. que é aplicada mais às regras. c. de uma forma geral. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). EUA: nós estamos submetidos à constituição. é o juiz. Na jurisprudência do STF. aborto no caso da acrania. d. verticalização. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Ele atua como legislador negativo e positivo. há uma euforia dos princípios. Teoria Concretista Geral.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). pois esta é a concretização de um princípio geral. são aplicados através de ponderação entre os princípios.

de soberania popular. nos termos desta Constituição”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Habeas Corpus Act de 1679. Carta outorgada por Carlos II (1662). caput. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. de forma expressa. CR. segundo o art. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). nos termos deste lei e das normas constitucionais. a continuidade. Assim. a verdade. 1º da Lei 9. Fundamental Orders of Connecticut (1662).U. por intermédio de seus representantes. o P. mediante: plebiscito. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). com valor igual para todos. Bill of Rights de 1689. de acordo com o art. Como regra. o exercício deste poder. O titular do poder é o povo. Vale dizer. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. referendo e iniciativa popular”. 1º. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. II e III. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). concretizando a soberania popular. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Act of Settlement de 1701.709/98 (que regulamentou o art. a solidariedade. I. Contratos de colonização. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). verdadeiro sistema híbrido. Podemos falar. então. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. Petition of Rights de 1628. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. 14. CR). dá-se através dos representantes do povo. pertinentes. Compact (1620). Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). que são os deputados federais (âmbito federal). 46. CR) e. do art. cujo titular é o povo. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. a participação. que. portanto. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro.

a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. mas materialmente distintas. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. o caráter normativo e vinculante da Constituição. para ele. Esta é a concepção que hoje prevalece. Segundo ele. mas apenas leis constitucionais. portanto. o restante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. ou seja. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Constituição e leis constitucionais são. ou seja. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. quando não corresponde à Real. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. A conferência realizada por ele. §2º. → Segundo Hans Kelsen. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). têm a mesma forma de elaboração). com exceção do Preâmbulo. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. na sociologia. como por ex. é vinculante e obrigatória. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. Para entender tal concepção. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. Essas normas são programáticas. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM.. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. a que Carl Schmitt chama de Constituição. O art. 242. A Constituição Escrita. Esta concepção atualmente é inadmissível. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. PJ. 1°. conforme o prisma de análise. caso contrário. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. a Constituição é norma pura. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). que surgiram com as constituições mais prolixas. PL. As leis constitucionais são todo o restante.: art. os direitos fundamentais. que adota o conceito decisionista de constituição. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Toda a Constituição. na política ou na filosofia). O fundamento da constituição está nos fatores sociais. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). não passaria de uma simples “folha de papel”.

é uma norma pressuposta. não introduz nenhuma novidade.Soberania. é a Constituição escrita (CR/88). desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. e também jurídico. Seu único comando. . A CR/88. Ou seja. posta pelo Estado). condicionante desta mesma cultura. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. neste sentido. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. . portanto. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. é apenas uma pressuposição. . por isso não tem nenhum expoente específico. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. . segundo esta concepção. é um elemento conformador. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. não está escrita.Território. a Constituição tem sim fundamento sociológico. é: todos devem obedecer a Constituição. define tais elementos estruturais.Povo. modificando-a.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. 10 .a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos.Finalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Gilmar Mendes). ela não existe na realidade. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. qual seja. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. mas que trata de todos os aspectos. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). ao mesmo tempo. quais sejam: . todos os setores da vida social.

. É uma aprovação simbólica).escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. há pouco espaço para se ter costumes como regras. Ex.democrática. de maneira unilateral.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. a Constituição Inglesa. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. o apelido de “Cartas Constitucionais”. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). de uma só vez. surge em um só momento. . . 11 .. Obs. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. como por ex. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. por ex.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. promulgada. toda Constituição histórica é costumeira. não surge de uma só vez em um só momento. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . dos dogmas predominantes naquele momento histórico. Nesse caso. No Brasil. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). 1967. . ou variadas): ex. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). 3) Quanto à origem: .: as constituições outorgadas recebem. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada).histórica: a Constituição que vai se formando lentamente.outorgada: é a constituição imposta. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). a constituição não se torna democrática. quem vota a matéria são as lideranças.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. . . consuetudinária (não é escrita). votada. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. podendo ser: . são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. por alguns estudiosos.não codificadas (ou legais. pois toda constituição é escrita e não-escrita. Constituição Espanhola/1930. tem também vários documentos escritos. as constituições outorgadas foram as de 1824. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. e como é bastante prolixa. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso.dogmática: sempre escrita. é fruto das idéias. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. trata-se de modalidade anacrônica. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. Por isso mesmo. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar.. 1937.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade.

: art. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. São chamadas também de clássicas.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais.) .: a Constituição dos EUA).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). inclusive a CR/88). É uma constituição em sentido formal. mas sim o processo mais dificultoso. Constituição Inglesa. passou a haver hierarquia entre as normas. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. Ex. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Por este motivo. sendo assim. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. . É uma classificação típica das constituições costumeiras. 1º. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. ou seja. Ex. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador).constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). (Obs.fixas: não poderiam ser modificadas. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . É uma constituição em sentido material.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. como é o caso da CR/88. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. deixou de ser considerada flexível. Em 2000. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. portanto muito difícil de serem modificadas. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. sucintas.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. sem se preocupar com os detalhes. . . Não existe controle de constitucionalidade das leis. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. Como se submete a esse tratado internacional. CR). . Ex.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. . O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos.

Fixas. (processo legislativo).: art. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. o União. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. básicas ou clássicas). Democráticas (populares. votadas ou promulgadas). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida.: art. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. União. costumeiras ou consuetudinárias). Pactuadas (ou pactuais). Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). pois valem a todos os entes federados. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita.: a CR/88 é ainda Eclética. sumárias. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). formal. Constituição em sentido formal. prolixa. dogmáticas. Flexíveis (ou plásticas). codificada. Rígidas. É a CR/88. e não de apenas uma ideologia. Constituição programática (ou dirigente). OBS. 13 . QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . o Municípios. Ex.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). . porque é fruto de várias ideologias. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais).dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. Característica das constituições clássicas. sucintas. que surgiram com um objetivo pré-definido. Não-escritas (inorgânicas. Ecléticas. o Estados. Canotilho. 3º. mas sim uma obrigatoriedade!). o DF. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Históricas. CR. 59 e segs. democrática. rígida (ou super-rígida). como por ex. dogmática. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional.

do Senado e do Congresso Nacional (☺art. ordinárias e complementares). §3º). uma Constituição só possui relevância sociológica. a Constituição. o indireto. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. No entanto. 59. DL e Resoluções – ☺art. por ser rígida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. sejam elas originárias ou derivadas. as medidas provisórias. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. basicamente. direitos fundamentais ou não. tem de ser. a Constituição tem que ser rígida. distritais e municipais. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. 5º. se tiver também supremacia formal. para fins de controle de constitucionalidade. porque os princípios têm maior amplitude. 59. II a VII). princípios ou regras. enquanto as regras são mais específicas. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. as derivadas (art. LC. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. No topo. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . por 3 níveis hierárquicos. as leis delegadas. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. que existem como complementação dos ANP). obrigatoriamente escrita. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários.343/SP. 59. CR). Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. encontram-se as normas constitucionais originárias. Leis Delegadas. Para que exista supremacia formal. estaduais. Importa dizer. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. cujo fundamento de validade são as leis e. MP. que a CR/88.: decretos e regulamentos. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466.

Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. a previsão constitucional exige complementação. No caso da prisão civil por dívida. 47 é a regra geral. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. No entanto. Lei ordinária Art. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . mas somente uma recomendação.☺Art. Anotar como complemento posteriormente.status constitucional. que regula a LC. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Quando não exigir LC. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Portanto. Não varia. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. 47. Leis delegadas. MPs. Reservada pela CR/88. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. OBS: O art. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. 69. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Residual. é sempre o mesmo número ☺Art. Essa aprovação não é obrigatória. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária.☺Art. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. 69. Por ser uma matéria reservada. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). por uma questão de economia legislativa. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . É variável porque depende do n° de parlamentares presentes .

pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional).: lei estadual trata de matéria de competência da União). Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). 25. 30 (assunto de interesse local). não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Assim. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. no caso de repartição vertical. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. 21. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. Hierarquia entre Lei Federal. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. III. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Assim. CR. há hierarquia. a competência para resolução é do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Havendo conflito (ex. • União – ☺Arts. • Estado – ☺Art. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. ☺Art. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. Parei aqui. pois não está ligada diretamente à Constituição. assim. conforme previsto no art. 102. d. como o controle exercido será de constitucionalidade. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). não cabe ADIN. 16 . DF). a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. E.

mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. Não existe. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). inclusive os princípios implícitos também podem – ex. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. ou seja. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. seja uma norma de referência para ele.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. etc. quando são equivalentes às EC. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. Com a EC/45. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. como para Canotilho. os TI de direitos humanos. mas também o preâmbulo. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. deve estar inserida no texto da CR. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. . . é diretriz hermenêutica. b) Parte permanente = normas gerais – arts. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. Tirando o preâmbulo. Refere-se. portanto. . contudo. Assim. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. 17 . normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. Como não tem caráter normativo. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. visando assegurar a supremacia da constituição. Abrangeria não somente a constituição. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. o CDC. tem função interpretativa).

não pode ser suprido pela sua sanção). as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . CR). Assim. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. (Obs.: a Súm. quando não é respeitada uma norma de competência.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. as Súm. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. aliás. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. não será cabível mandado de injunção. Assim. Dependem do prisma de observação. e Não Bastante em Si.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. Não Auto-executável. STF não é mais aplicada. I – que exige LC para instituir impostos residuais).3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. ou seja. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental).: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. No STF. 154.de princípio programático. ocorre. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. Ou seja.de princípio institutivo (Obs. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. 5. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). ou seja.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. §1º. AIO. Ex. 61. Formas de Inconstitucionalidade: 3. Não Auto-aplicável. Ex. 4 e 5. 3. MI. 18 . ADI. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. Pode ser: . diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. A omissão parcial nada mais é que uma ação.: competência privativa do PR (☺art. Obs. . o Min. Ex.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. . b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. 3. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. pois.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. ADC e ADPF. 5° a 17). art. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. às vezes. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. Aqui. há uma divergência na doutrina. mas caberá ADIN por omissão). mas o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 3. se considerar em relação a uma expressão é total.

decretos regulamentares. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. Ex. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei.: a palavra “não”. § 2°).: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Obs. b. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. ato originariamente constitucional. reflexamente (ou de maneira 19 . que só pode atingir todo artigo.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. refere-se. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. ou seja. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. a inconstitucionalidade será direta. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. todo parágrafo. Relaciona-se. atos previstos no art. pode ser questionado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. o decreto se torna inconstitucional. CR. como altera sentido do texto. não se trata de revogação. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. que se ligam indiretamente à constituição. 66. 59. o que houve foi um desrespeito à Constituição.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. no controle concentrado abstrato. ou seja. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). Se o decreto é ilegal. a inconstitucionalidade será indireta. Para o prof. No caso da lei. 3. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. Quando se fala em inconstitucionalidade. Segundo STF. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Assim. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. Pode ser: b. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. não pode ser retirada). aos Atos Normativos Primários. Ex. já sendo inconstitucional desde a sua origem. toda alínea ou todo inciso (☺art. de ofício ou a requerimento da parte. pois.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). e grande parte da doutrina. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. No caso do decreto. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88).

por isso ocorre antes da promulgação da lei. inciso ou alínea). ela não está violando o direito de ninguém). promulgar e fazer publicar as leis. embora participe do processo legislativo. que se exerce através do veto (☺art. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.sancionar. CR). quando ele participa do processo legislativo. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. O chefe do PE. a inconstitucionalidade é indireta.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. OBS: não adianta decorar o nome do ato. . Trata se de um controle incidental. ele não precisaria impetrar o MS. porque ele é o único que participa do processo legislativo. por isso aqui não há que se falar em controle). pois pode ser derrubado (☺art. porque o ato não fere diretamente a CR). já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). mas sim analisar cada caso concreto. 84. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. Art. Obs. 84. prevenir que a CR seja violada. portanto. é fundamento de validade direto e no 2° caso. EX:art. 66. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). parágrafo.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. é excepcional. porque o chefe do PE. como pelo PE e PJ: . O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. 60 parag 4. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar.. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. Caso contrário. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. não pode impetrar o MS. segundo o STF. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional.ou concreto. §2º. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. IV . O veto é relativo. assim. O único legitimado para impetrar esse MS. IV. tem fundamento de validade indireto.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. 66. . Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. o projeto 20 .Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). No 1° caso. CR. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. mas uma mera análise política. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. a inconstitucionalidade será direta. já que de maneira indireta. viola o art. O veto tem que ser expresso. se ele entender que o projeto é inconstitucional.

os direitos e garantias individuais” – ou seja. as cláusulas pétreas. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. 68. a fim de repará-la. mas um processo legislativo constitucional. vedando-se. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. na qual o projeto esteja tramitando. muito embora não sejam formalmente constitucionais. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. o PR elaborará então a LD. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. que é o chamado Decreto Legislativo. interpretações regimentais. 60. pode ajuizar uma ADI. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. o voto direto. contudo. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. secreto. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. ☺art. já que trata-se de um ato normativo. desta feita. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. se na Assembléia Legislativa. ou seja. que entende que “. na linha do voto de Gilmar Mendes.. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. V .se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. Legislativo? Sim. V. No entanto. Na verdade. Se o projeto tramita na CD. somente o Deputado Estadual. ADC ou ADPF. Assim. Ademais. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. o Senador. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. e as normas do RI são questões interna corporis). Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . a separação dos poderes. se está no Senado. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). constituindo-se normas constitucionais interpostas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. 168): o STF. Questão: o PR. 49. Leitura do livro do Lenza (pág. que. tendo como objeto esse Dec. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. em um primeiro momento. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). por maioria de votos.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. não lhe cabendo. mormente. 21 . a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação.. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. pois não se trata de ato normativo. CR. aos direitos fundamentais”. vinculam os atos e procedimentos legislativos. etc. §4º. universal e periódico.

CR). clara e evidente – ou seja. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. por ex. . estendendo-se inclusive ao PR e Gov.084). não havia relevância alguma). suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. através da edição de um Decreto. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). Legislativo para sustar. ao fazer um Decreto Regulamentar. 62. GE. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). mas tão somente aos prefeitos. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. pode o PJ analisar tais pressupostos. II) art.. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. 4. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). exorbita os limites do Poder Regulamentar. ela deve ser objeto de controle. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. pois. CR). segundo o STF? Resposta: em regra. Gilmar Mendes. quando. O TC é órgão auxiliar do PL (art. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei).Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. nesse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. simultaneamente. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). Como compatibilizar o crime de responsabilidade. é necessário fazer-se um controle repressivo). Após a CR/88. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). ajuizar uma ADI. IV. Desde já. porém. mas segundo o Min. estudado de forma detalhada a seguir. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. 71. ao negar cumprimento à lei. Apenas excepcionalmente. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. ou seja. nesse caso o CN pode editar um Dec. tampouco que o PR. o chefe do PE teria que. Ele será. não é um entendimento consolidado. Assim. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência).. . 84. III) Súmula 347.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. O chefe do PE (e só ele – PR. esse rol foi ampliado. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. já no STJ não há qualquer ressalva. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . Obs..: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. Antes da CR/88. no exercício de suas atribuições.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. STF: o Tribunal de Contas. Não se analisa o mérito da MP). No entanto. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado.

S. É também chamado de controle aberto. Segundo caso. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). dentro de sua competência. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. difuso e concentrado). b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). quem exerce o controle é o PJ. em 1803. já foram feitas 56 EC! 23 . que completa este ano 20. já na CR/88. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. Primeiro caso.A. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). isso não é verdade. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ).Hilton x U.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. para não gerar essa confusão. Por isso. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. No Brasil. 1792 Hayburn s case. se se tratar de lei local. e é adotado pela maioria dos países europeus. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. interessante: em 1965. mas das espécies de controle. porque surgiu na Áustria. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. porque surgiu nos EUA. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. com 19 anos de Constituição. Obs. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado.: na Suíça.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. o controle é feito pelo PL. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). ao mesmo tempo.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. Ex. ou seja. porque significam coisas diferentes!).: França – que tem o Conselho Constitucional. Por isso. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). 4. em se tratando de lei nacional. em 1920 (bem depois do controle difuso). haviam sido feitas apenas 16 EC. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. inclusive o STF).

Da mesma forma. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. Por isso o Min. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. Este efeito é típico do controle abstrato. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. porque em estando revogada. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. mas deve ser estendido ao controle concreto). A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). No direito brasileiro. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). ou seja. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. 102. Gilmar Mendes. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). A análise da lei sempre será feita em tese. mas tão somente de controle concreto. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). O efeito vertical. é proteger as normas da CR. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. se fala em efeito vertical. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. (O STF é o guardião da CR – art. 97. A finalidade não se confunde com a competência. Com base nesse argumento. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. ou tendência de verticalização. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. No Brasil. o principal defensor dessa tendência é o Min. já não ameaça mais a supremacia da constituição. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. por ser uma relação vertical. e a partir desse antecedente. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. também não podem ser objeto de controle abstrato. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. sendo o controle 24 . bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. nos EUA chamado de “Binding Effect”. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. Segundo este instituto.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto.

No Acre. No Legislativo: Mas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. há essa tendência de abstrativização do controle concreto.335/AC). disse que apesar de ser um controle difuso concreto. pelo menos por parte de alguns ministros. se assim fosse. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Não houve reclamação quanto a essa decisão. Por fim. X. segundo ele. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. ainda. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional.917/SP. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. 4. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. O Relator da Reclamação foi o Min. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. como fica o papel do Senado Federal? ☺art.959/SP. como a decisão tem efeitos inter partes. viola o princípio da igualdade. Assim. ou seja. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Pois no controle difuso. Gilmar Mendes (e também o Min. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. que deu provimento à reclamação. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. Assim. então não sabemos a posição dos demais ministros. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. 25 . A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. ou seja. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. o direito de greve dos servidores públicos. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Então o Min. não permite essa mutação). Então. 52. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. Outra situação interessante foi o RE 197. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. CR. Antes. Eros Grau. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. E. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). o Min. e não erga omnes. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Gilmar Mendes. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). houve decisões proferidas em 3 MI (712. tendo efeito apenas inter partes. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. Gilmar Mendes. ou seja. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. ou seja. sem que ocorra modificação no seu texto. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. não uma simples mutação. Por fim. do PL. Na decisão do STF. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. em seu voto. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). sendo acompanhado pelo Min. em ocorrendo isso.

por sua vez. A repercussão geral (art. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. não é o objeto principal do pedido. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. O RE. político ou jurídico. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. é uma questão incidental. somando-se os votos de todos eles. 102. (☺ Lei 11. § 3°. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. o que se dá no “plenário virtual”. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). mas apenas a causa de pedir (antecedente). por estarem mais próximos dos indivíduos. Segundo Eduardo Appio. não tem natureza processual como as súmulas comuns.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. a rigor. pois tem o papel de guardião da Constituição. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5.417/0 e Lei 11. Contrários a essa tendência de abstrativização. é um instrumento de controle concreto e há. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. estão os procedimentalistas. 26 . o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. social. Num segundo momento (conseqüente). Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. julgando-o procedente ou improcedente. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. O papel do STF não é julgar litígios individuais. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. analisado no dispositivo (conseqüente). cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. concorda com isso). atualmente. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. No controle concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . eles não se reúnem fisicamente. não cabe ao STF analisar. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. ou seja. fundamentação e dispositivo. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. não precisam chegar até o STF.418/06). 103-A).art.

não determinantes para a decisão) não vinculam.EC 45/04: art. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica.Lei 9. §2º. art. Ademais. . ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. 102. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. mas tão somente a ratio decidendi.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. 5. sejam particulares. mas também à fundamentação. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. conforme está previsto no caput do art. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). sejam poderes públicos.Lei 9. 102. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. 28. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.I. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.882/99 – ADPF. art. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. secundárias do julgado. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. e ele se encontra no Dispositivo. O próprio STF já proferiu decisões divergentes.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.U.868/99 – Lei da ADI e da ADC.: . 10. a chamada eficácia vinculante.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. Mas não é tudo da fundamentação que vincula.erga omnes . 27 . Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. há previsão não só na lei como também na CR).efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. .vinculante. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. . cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. a razão determinante da decisão. eles também são vinculantes. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. P. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. Dispositivo L. ou seja. questões ditas de passagem. Sendo assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI.

) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. até que o PJ a declare inconstitucional.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. . o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. No entanto.o PL (na verdade. pois atinge apenas o dispositivo. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. . a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. no caso Marbury x Madison). como a coisa julgada. pode modificar seu entendimento. É um entendimento que vem desde 1. Só atinge a norma impugnada. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. Respeitando o efeito vinculante. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. mesmo que não tenham sido impugnadas. inclusive os chefes do PE. impedida de evoluir). mas os sistemas de preclusão processual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . cuja função não é legislativa. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. e outros dizem ser um ato anulável. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. estes estarão sim vinculados). 28 . com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. Por este entendimento. .3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. . Obs. (20/03/09) 5. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. que se quiser. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. se as leis devem ser cumpridas.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. outros dizem ser nulo. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. suas turmas e seus ministros. estadual e municipal). já os órgãos fracionários do STF. a função legislativa). segundo o prof. .803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. mas sim fiscalizatória.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. por sua vez. também fica vinculado). inclusive o Tribunal de Contas.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos.

. Neste caso. como a Lei 9. o STF. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. Mas. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. não admite a “constitucionalização superveniente”. portanto. .. porque o ato é nulo desde a sua origem. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. Assim. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. 11). Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. não precisariam deixar os cargos. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. assim.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. portanto. o Min. por questão de segurança jurídica.882/92 (art. decidiu que. Exs. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. que revogou a Lei A. ☺art. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442.)”. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. e não no de não-recepção). o efeito que produzirá. Lei 9. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B.). com inteiro teor). autor e réu.” . como regra é retroativo: ex tunc. ou 2) excepcional interesse social. 27. ☺RE 197.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. Ou seja. 27). decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. os efeitos são erga omnes).112/90. . poderá o STF. Visto a natureza do ato inconstitucional. como os servidores agiram de boa-fé. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.Normas anteriores à CR. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 .868/92 (art. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. O STF. etc. com seus normais efeitos ex tunc. no caso do controle abstrato. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade.

Segundo o STF. mas. e a norma já foi recepcionada pela CR e. com um só sentido). ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional.2: art. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). constitucionalidade.Corresponde a um juízo de .Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). Ex. evitando a inconstitucionalidade progressiva. um significado A e um B. . que trata da ação de reparação ex delicto. quando todos os Estados tiverem DP. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). Ex. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. controle difuso-concreto. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva.: a norma x tem dois significados possíveis. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. reproduzida pelo STF). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. portanto foi recepcionada.O Tribunal não precisaria 30 . 134. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. ex. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. mas sua interpretação). CR x art. chamada “Apelo ao Legislador”. o resultado será o mesmo. quanto . o prof. assim. . ela progressivamente se tornará inconstitucional). portanto. para que este corrija a norma. Em alguns casos. 5. depois de ter sido recepcionada. com condições de trabalho iguais às do MP. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). portanto.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. à medida que a situação fática for alterada. 68. (A norma já passou pelo crivo da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . mas nem sempre. era uma questão “obter dictum”. de fato.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. Assim. não foram todos os ministros que se manifestaram). entende-se que a norma (B) é inconstitucional. CPP. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.Corresponde a um juízo de . mais de um significado – é o oposto de norma unívoca.O Tribunal precisaria observar .

como ambas são equivalentes. . Trata-se de controle abstrato. .É permitida uma interpretação e. o texto da norma. não poderá. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. 1º ou do art. Obs. 97). da Lei x. Ocorre que.É uma técnica de decisão judicial. observar a cláusula da reserva de plenário (*). não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. no controle abstrato. em razão do Princípio da inércia. Na declaração com redução de texto. . Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). . 2º. Assim. se for um dispositivo autônomo. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. desde que não altere o sentido do restante da norma. esta só se faz necessária quando se afasta. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. a cláusula de reserva de plenário. em regra. ou todo o artigo. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. 2º for dependente do art. o juiz pode. ser objeto de ADI.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. se o art. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. portanto. do art. . . 2º. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). no controle concreto. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir).Não há qualquer modificação no texto da norma. em princípio. no controle concreto. (*) Para o STF. de ofício. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. de ofício. 3º. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. o juiz não pode. 1º e 3º e. e são permitidas as demais.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. portanto.É excluída uma determinada interpretação. dentro de uma mesma lei). .Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. b. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. nem sobre os demais. ou seja. 1º e 3º. não podendo. são excluídas as demais. b) Com redução de texto: b.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. se manifestar de ofício sobre o art. total ou parcialmente. mesmo que não tenha sido questionado. por arrastamento. O STF. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode).1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. 2º. declarar a inconstitucionalidade.

: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva).1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. No Brasil. já que o STF pode. Obs. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. O dispositivo. Ex. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. neste caso. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. Contudo. pois será uma questão discutida incidentalmente. portanto. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. e por arrastamento. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. todo controle difuso é concreto. mas apenas a causa de pedir. julga também inconstitucional o decreto. portanto. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. julgará procedente ou improcedente o pedido. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. Mas nem todo controle concreto é difuso. Sobre o tema: 32 . Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). apesar de sozinho não ter aplicação. ADCe ADPF). se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Neste caso. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. mas é que esta não é necessária. O pedido será a proteção de direitos. mas também quando há usurpação da competência do STF). o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. ACP para fechamento dos bingos. Ou seja. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). porque. de ofício. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. dentre elas a ACP. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral.

a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF).: eleição do Presidente do tribunal.022. de efeitos concretos. os Tribunais não têm admitido que. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). 33 . não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. por entendê-la inconstitucional (inter partes). por exemplo. STJ ☺ Resp. em defesa de contribuintes. Nada impede. STJ ☺ RE 227. 557. XI – órgão especial: para que seja criado. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. Os juízes singulares podem. as chamadas leis de efeitos concretos. porém. assim. Segundo esta cláusula. no caso. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. Em outras palavras. 294. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. que é função legislativa. na prática. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI.646. que é mais de 50% dos presentes). no âmbito dos Tribunais. 93. desde que. que é função política. não pode ser delegada. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. conseqüentemente. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). por ex. e no mínimo 11 membros. elaboração de Regimento Interno. dotada de caráter de universalidade e abstração”.. Assim. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. teremos uma lei material. Assim. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). é função possível de ser delegada. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. pois. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. Regra da “full bench”.159. também não pode ser delegada). nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. No tocante. porém. Assim. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). por meio da ACP. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. 97. 97. ☺art. porém. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. o que só se pode obter por meio de ADI.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp.

ou em caso de interpretação conforme. se for acolhida. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. Quanto à 2ª exceção. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. assim. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. sob o argumento de que o dispositivo (art. Exceções: P. porque para o STF ambas são equivalentes. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. como guardião da CR. se existir no Tribunal. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo).. de acordo com o posicionamento do STF. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. . chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). será lavrado o acórdão. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. P. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. O professor não concorda. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. a argüição de inconstitucionalidade (. ao órgão especial). Há uma repartição funcional de competências. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade.U. no entanto. Há quem critique tais exceções.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. Decidido o antecedente. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. CPC) seria inconstitucional: o art. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. 481. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. Assim..U. 481. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. sabe-se que o STF é o guardião da CR. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau.. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. abstratamente. podendo decidir o caso concreto. 34 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. 97. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. ☺art. prosseguirá o julgamento. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. se entender que a lei é inconstitucional. pela maioria dos seus membros.

ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. por isso o faz dali em diante. Ademais. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. quando isso ocorre. O SF apenas suspende a lei. 178. A suspensão se dá através de uma Resolução. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. entendem que se trata de um ato discricionário. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. em regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. como se tratasse de uma revogação. não estando vinculado à decisão do STF. portanto. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). passa a ter efeito erga omnes. esta decisão deve ser submetida ao plenário. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. bem como ou STF. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. O SF não é obrigado a suspender. que não comporta delegação. RISTF. a decisão do STF. CR – compete privativamente ao SF suspender. ela se refere à decisão do STF. ou seja. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. art. o SF não pode suspender toda a lei. sustentam que o efeito é ex tunc. Na verdade. Efeitos. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. X. a lei deixa de ser aplicada. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). Outros autores. se assim o fosse ela já seria vinculante). Esta suspensão só ocorre no controle difuso. É o entendimento mais correto. no todo ou em parte. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. 52. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). 35 . O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. Quando o SF suspende a lei. O STF já admitia essas duas exceções. 2) Outros autores. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. que não pode ser retroativa. A cláusula vale também para o controle concentrado. Ou seja. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. trata-se de uma competência exclusiva.

Por isso. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. normas referentes ao TCU. Nas situações em que o TJ julga.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. ou seja. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. §4°. sendo norma de observância obrigatória. etc. É uma construção da jurisprudência do STF. RISTF) – e isso é óbvio. Na ADPF este fenômeno também é possível. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. Neste caso. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Segundo o STF. CR. desta decisão proferida pelo TJ. se for apenas uma parte. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. Mas. requisitos para a criação de CPI. 66. 61: iniciativa do presidente. está fazendo uma análise. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. um RE para o STF. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. segundo o Min. cabe. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). a partir do momento que resolve fazê-lo. deve-se recorrer ao entendimento do STF. Ressalta que a letra da norma (art. não havendo a necessidade de suspensão da lei. CR) não comporta este entendimento. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. 59 e segs. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. já que o SF não atua de forma correta. Art. LO. não se referem ao âmbito estadual e municipal. esta norma não é de observância obrigatória. se toda a lei foi declarada inconstitucional. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. cujo modelo. LC. 178. e se o STF. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. CR: prevê o escrutínio secreto. mas. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. o que. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. O SF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. configuraria uma mutação constitucional. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. obrigatoriamente. no controle difuso-concreto. pela simetria deve ser atribuída ao governador. a resposta é negativa. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. Gilmar Mendes. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. em razão do princípio da simetria. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. 52. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Art. Segundo o professor. esse entendimento é desejável. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. por ser um órgão do PL Federal. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. já o SF não. 57.

). Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. §3º. o SF teria um número enorme de representantes). que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. se aplicando ao âmbito federal. Assim. no controle abstrato (ADI. Sabe-se. estadual e municipal. Ex. mas não trata apenas dos interesses da União. por não existir uma federação de municípios. por isso pode suspender leis também dos Estados.: CTN. CR). 19. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. São os dispositivos que se referem tanto à União.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União.: Lei 8. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). só se aplicando ao âmbito federal). é como se os Estados e DF também estivessem atuando. retirando a lei do ordenamento jurídico. do DF e até municipais. quando o SF atua. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. visto que. estadual. Quando o SF suspende os efeitos da lei. art. Ex. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. 52. 58. da organização da União. ele está atuando como órgão de caráter nacional. ADC ou ADPF).: arts. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. Ex. pelo Senado Federal. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF.: art. está defendendo interesses apenas da União. 37. outros 37 . etc. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). que deve ser observado no âmbito federal.” Análise do enunciado pelo prof. 59. também. Ex. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). portanto. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. distrital e municipal). da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). como aos Estados. Classificação de Osvaldo Aranha B. assim. não havendo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. por isso pode suspender lei estadual e municipal. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. a suspensão. Quando o SF atua como órgão federal. no todo ou em parte. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. porém. É também uma lei emanada do CN. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). X. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. os que tratam do TCU. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. sendo específica para os servidores públicos civis da União.

na sua esfera de competência. em decisão definitiva. Portanto. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. Segundo o STF. adotou-se.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. RN. TO. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). por força do referido Decreto nº 2. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). porque o seu parâmetro não é a CR. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. Entretanto. da AP Federal direta e indireta. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). é a Câmara Municipal. 38 . é sempre a AL que suspende a lei. é a AL que suspende a lei. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. os dois tipos são constitucionais. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). de fato. no âmbito da AP Federal. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. declarando uma lei inconstitucional. MS. 2º grupo: . Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. de 10/10/1997. Com efeito. não retroativos). então. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs.346.346. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . visto que. visto que. Embora não haja consenso. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). SE e AM. Poderá. pró-ativos (ex nunc). Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). .

ADPF. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). A Constituição.ADC. e . de acordo com essas leis. ou na CR ou na lei. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). 5) Ação rescisória. a ampla defesa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . . Como são ações de controle abstrato. .AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). 4) Recurso da decisão de mérito. 103. em seu art.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. e não do trânsito em julgado. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. que são a União e os Estados). (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. obviamente. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). mas sim legitimados. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. tendo partes – autor e réu.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. onde não existem partes formais (autor e réu). O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. a competência é do TJ). traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. não cabe. ☺Lei 9. ela é meramente jurisprudencial). deve haver a previsão da legitimidade.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. Por se tratar de um processo de índole objetiva. o duplo grau de jurisdição. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. 39 . Obs. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU.

passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). Assim. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.A entidade de classe. . ou seja. confederação regional: F.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. . Para ter âmbito nacional. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .S. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. Os demais podem fazê-lo sem advogado.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. . 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. a partir de então.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN.Confederação sindical significa de âmbito federal. CS e ECAN. . . o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. segundo a jurisprudência do STF: . .A norma do art. .A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. para ter legitimidade. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. Executivo PR GE – GDF P.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. confederação local: sindicato. .Os GE. Obs. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). mas a tem perante o TJ (âmbito estadual).. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).

1º. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . 41 . salvo se envolver violação a direitos fundamentais. Não serão objeto de ADI e ADC. todas estão no mesmo nível. a.Norma formalmente constitucional . o RI pode. §3º .normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. direitos e garantias fundamentais. pois geralmente está abaixo do decreto. I.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).TIDH (3/5 e 2T) . ou seja. por isso não é ANP). CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. sem interferência do PJ. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . para ser objeto de ADC e ADI. . 102. decreto regulamentar. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. a.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal.☺art. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. I. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). geral e abstrato. . mas caso a portaria regulamente diretamente a CR.: decreto regulamentar do PR. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. OBS. ele poderá ser objeto. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. nas normas que tratam de outra matéria). em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. Ex. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. admite-se o seu controle. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. como por ex. . 102. são questões próprias de RI. Lei 9. caso o decreto emane diretamente da CR.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. Obs. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder.

na outra. sem exceção. se um novo PGR o substituir. salvo embargos de declaração. de defensor legis. CR. Tem status de ministro de estado. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. . O PGR atua como “custus constitutionis”. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. o STF admitiu. Assim. também poderá dar parecer em sentido contrário.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. é preciso primeiro ser transformado em EC). Obs. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. intervenção de terceiros e recursos. se seu entendimento for diverso. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. §1º. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. Hoje. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. §3º. ou seja. só podendo ser objeto de controle difuso. da mesma forma na ADPF. leis suspensas pelo SF. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. ainda. Atuação do PGR: ☺art. ele vai atuar como fiscal da Constituição. por analogia. Função geral do AGU (art. A função do art.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. pode ser qualquer ato do poder público. Lei do DF não pode objeto de ADC. Mas. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. ainda que ele proponha a ação – ou seja. Atuação do AGU: ☺art. portanto está subordinado ao PR. 42 . Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Súmula. CR.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. 103. não ameaça mais a supremacia constitucional. 103. . posteriores a 5/10/88. § 3° é uma função especial. segundo o STF.leis revogadas. 103. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. não pode ser objeto de ADPF: . medidas provisórias revogadas. No caso de emenda. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. STF). 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). pois não produzem mais efeitos. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. devendo ser de todos eles intimado. como está havendo uma influência de um controle no outro. Gilmar Mendes e de um prof. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. Lembrar que não cabe assistência. poder-se-ia admitir o veto jurídico. e.

9.868. 6º. de “defensor legis” e. §1º. só vai contribuir para a decisão do tribunal. Na ADI por omissão.868. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). a Lei 8. §1º. É muito comum nos tribunais internacionais. nos estados que adotam a commum low.868.385/73 (☺ art. 43 .868/99 vale só para a ADI. 482. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). mas não têm nada haver com amicus curiae. Posteriormente. Mas atenção: existe um outro instituto. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. 7º.868/99 -☺art. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. em seu art. Amicus Curiae: Em uma tradução. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. o AGU não será obrigado a defender a lei. seria “amigo do tribunal”. por fim. Ela já existia antes. art. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. disciplinou a figura. A exposição dos motivos da Lei 9. sendo feita por toda a sociedade. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. “amigo da corte”. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito).868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. o AGU até poderia participar. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. ☺ art. Quando o AGU desempenha essa função. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Não há previsão para a ADC e ADPF. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. §3º. não precisará do AGU para defendê-la. art. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Portanto. A audiência pública está prevista na Lei 9. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. A previsão expressamente contida no art. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. por analogia. Mesmo sem previsão legal. . que também representam uma abertura à interpretação da constituição. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). §1º e art. não há o que se defender. Está desempenhando uma função especial. Nesse caso. 7°.884/94 (CADE). §2º e art. 20. Foi introduzida pela Lei 6. Cabe também na ADPF. o das audiências públicas. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. Ele não é alguém interessado na causa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). §2º da Lei 9. 7º. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. 89. portanto. Na ADPF. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. 31). em especial no direito norte-americano. Tem natureza de auxiliar do juízo. Importante: ainda que como Advogado da União. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Barbosa e E. “a”. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). ou seja. . o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. porque iria envolver matéria em relação à vida. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. Surgiu com a EC/03. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. J. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. poderia afastar esta presunção. Mas depois que a lei foi feita. . .102. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. Lei 9. admitindo ser intervenção de terceiros (C. Quando 44 . elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). portanto. seria uma exceção). Lewandowski.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. I. M. (Obs.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Apesar de que era relevante. Obs. O juiz de primeiro grau. ressalta-se que esta é apenas relativa. segundo o professor. O STF ainda tem exigido pertinência temática. cabe amicus curiae.Com relação à presunção de constitucionalidade. é um equívoco. não tendo partes. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. Marco Aurélio não admitiu.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. a mais correta. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Para o prof. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). em despacho irrecorrível. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. R. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. Aurélio.868/99. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: .Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). pois admitiu pessoa física em controle concreto. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Foi uma exceção. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. Mello. Gracie). É. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos.. autor e réu. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. admitindo prova em contrário. ou seja. por ex.

34. nos quais a lei esteja sendo discutida. art. .Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). O STF admitiu ☺Informativo 518.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. Segundo a doutrina. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. é mais restrito: somente a violação. Portanto.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. . A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. 14. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). .U. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. o FHC ajuizou ADC. os preceitos fundamentais são: . para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. II.Título I: Princípios Fundamentais. a Lei 9.Cláusulas Pétreas. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.Princípios Constitucionais Sensíveis. Não é uma ação de inconstitucionalidade. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. e . III). Mas. art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. Como visto. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). . mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art.21.868/99. nas outras ações ela também poderá ocorrer). exige como requisito para o ajuizamento da ADC. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. em seu art. . 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. Cabe prorrogação. ADPF: ☺ Art.Princípios Constitucionais. Gilmar Mendes. VII). O parâmetro.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). no entanto. portanto. Através do AGU.).Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.14.869/99. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. P. na ADPF 33: . Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. e . mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional.882/99.868/99. inclusive o Poder Executivo. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos.Cláusulas Pétreas. CR e Lei 9. . não há que se declarar uma lei constitucional). §1º.102. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. 45 .

a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. 1º. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). § 1° da lei 9. Art. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo.: gestante com feto com acrania. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. 1º. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. embora seja bastante difícil existir esse meio). os legitimados podem levar não todo o processo. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Aqui. P. 46 . as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. dentro do mesmo tribunal. a vinculação é vertical.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. embora lá há uma vinculação horizontal. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. estadual e municipal. como guardião da CR.: surge a partir de um caso concreto. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Segundo Neri da Silveira.882/99. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. 196 e ao meio ambiente. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. art. O objeto pode ser da esfera federal. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. 4°. na ADPF.U. neste rol. Incluindo-se. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. dentro do órgão judiciário). Proposta diretamente no STF.882/99). ainda.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). leva a questão ao STF através de ADPF. Ex. apenas o STF. Obs. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Mas se algum dos legitimados souber da ação.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. ou seja. podendo ser um meio de controle difuso. Um dos legitimados.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. Características: .

governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). 103. 102. II e III). ADC e ADPF (art.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. coletivos e individuais indisponíveis (art. q). à soberania e à cidadania).CR: STF (art. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). 5°.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). § 4°. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. mas a converteu em ADI. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. h). O STF admitiu a ADPF. 105. STJ (art.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 129. I.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. para fazê-lo em trinta dias”. o STF transforma a ADPF em ADI. à soberania e à cidadania”. . É controle concreto. § 2º . Ex. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. I. 5°. No entanto. Assegurar a efetividade de suas normas.Admite-se a fungibilidade. V).MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. É a mesma da ADI. nas CE ou em lei federal). Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 121. 47 . TSE/TER (art. Obs.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. LXXI . É controle abstrato. . será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e.. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL).CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. . por ex. . Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. em se tratando de órgão administrativo.

recentemente. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. mas esse prazo era direito. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. autores que admitem. Mas atenção. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. entes federativos e PJ dir. competente de sua omissão (em regra.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. . 5º. Há. LXX: PP c/ CN. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). no entanto. organização sindical. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. em se tratando de órgão da AP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. fundamentais em face do Estado. portanto. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. Recentemente. ou seja. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. Se o PL) e. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. não pode fazer a norma para o caso concreto. O STF. portanto não podem impetrar MI.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. apenas razoável e não peremptório. ou seja. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. Obs. concretize a norma (faça a norma concreta). ECAN e associação c/ 1 ano). não pode concretizar a norma. público: MI protege dir.MI Coletivo: o STF o tem admitido.Órgãos públicos. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. mudou seu posicionamento. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. é b) Concretista: concretiza a norma. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente.: na ADI 3682 b. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI.

c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. a intervenção é uma exceção (a União não pode. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. 36. porque adotava a corrente não concretista). Surge a partir do caso concreto.040). se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. nestes casos de omissão parcial. e 2) recusa à execução de lei federal (art. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. VII). Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. pelo STF. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. III. 708 e 712). em um primeiro momento. 34. o PJ. criando uma norma geral e abstrata. intervir nos Estados). As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. Essa corrente é bastante criticada. Portanto. Recentemente. No MI. como regra. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. A omissão total não cabe MC. porque nem a AIO tem esse poder. 652. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. ao mesmo tempo. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. O STF adotou essa corrente no MI 232. CR (provimento. VI). ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. Ela se subdivide em – geral e individual. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. Mesmo adotando a corrente concretista. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. O efeito seria apenas inter partes. De acordo com esta concepção. 680. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). o STF está atuando como legislador positivo. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. A regra é o principio da não-intervenção. 2. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). não cabe liminar (antes. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. 49 . Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. ademais. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. 34. ou seja. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. ou seja. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito.

STF). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. é claro. CR). 36. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. 614. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. IV. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. O STF é o guardião da CR. foi uma criação da jurisprudência do STF. se o STF der provimento à representação do PGR. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. 125. É dispensada a apreciação política pelo PL. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. mas sim. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. CR. CR. 35. mas que surge a partir de um caso concreto. §2º. ☺art. O RE. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. Esta forma não foi prevista na CR. portanto. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. no âmbito federal). se violados. OBS. nem no RISTF. o PR então poderá decretar a intervenção. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). §3º. Isto está previsto no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. § 1°. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). As partes aqui são o Estado e o Município. que é o pressuposto para a representação interventiva. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). além. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. 50 . CR. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). Trata-se de um controle concentrado e abstrato. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). O parâmetro aqui é mais amplo. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. e sim em face da CR. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. no âmbito do TJ. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. ☺art. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. 127. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). da ADPF). da decisão do TJ caberá um RE para o STF. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal.

que deve observar o direito natural. mas jamais é quem o exerce. retira sua força do direito natural. por delegação popular. analisa-se se o poder é legítimo ou não. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. Obs. em alguns casos. Schmitt). que é sempre superior aos poderes constituídos. segundo o abade Emmanuel Sieyès. porém. que formulou esta teoria no fim do Séc. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. que. pois o Estado decorre da soberania popular. Modernamente. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. o exercício dessa magna prerrogativa. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. corroborando essa perspectiva. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. cria o Estado. Assim. C. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. São apenas órgãos aos quais se atribui. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. pode usurpar do povo a titularidade do poder. É ele um titular passivo. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. editando a nova Constituição. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. XVIII). A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. em nome do povo. expressa por meio de seus representantes. Bonavides. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). ou seja. um dos precursores dessa doutrina. Celso de Mello. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. Assim. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. é a nação. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. Para os jusnaturalistas. Está acima do direito positivo. Portanto. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. social e juridicamente organizado. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. a vontade do constituinte é a vontade do povo. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. segundo o Abade Sieyès. Na 1ª etapa.

Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. Portanto. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. há legitimidade objetiva.Revolucionário . que é seu verdadeiro titular. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Obs.Histórico .Decorrente (art. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. 11. 25. art. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). 3º.Formal . 60. ADCT) . no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. por conseguinte. já que o poder constituinte já é originário. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. ADCT. Espécies Tradicionais: . Ele pode ser classificado em três espécies: 52 .Revisor (art. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. CR) .: o prof. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. Dessa forma. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . Assim.Reformador (art.Material . correspondendo aos anseios daquela sociedade. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. para ser considerado legítimo. se esta correspondência existir o poder será legítimo. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando.

ela nunca deixa de ser do povo. 1937. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. O Abade Sieyes. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. b) é um poder inalienável. 53 . é a Constituição que vai dar origem ao Estado. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. 1967/69.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. ex. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). mas não a primeira e sim uma nova. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. O povo é o titular do PCOM. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. através de normas constitucionais.: este poder tem este nome porque para o Direito. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. a nenhum pré-requisito jurídico. independente e soberano. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. ou seja. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. Ex. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. 1946. 1988. No plano axiológico. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). Obs. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). No caso do Brasil. através da Constituição. Obs. que substituirá a anterior. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. Apesar de ser um poder incondicionado.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor.: se é um poder autônomo e incondicionado. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). GV). há alguns valores que são morais. Obs. não perde a titularidade do poder constituinte. é apenas uma classificação quanto ao momento. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). é ele que dá início ao ordenamento jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. 1934. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). . não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. No caso do Brasil. foi criado um direito natural).

Ex. A CR/88. 25. por se tratar de uma conquista da sociedade. no art. Obs. Esta AL. De acordo esse limite. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. Ex. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). as constituições estaduais não são recepcionadas. ele encontra limites no texto da CR. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. por ex. contudo. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. na pena de morte. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. 25. com os avanços da sociedade. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE).. ☺art. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. O prof. a doutrina deduz deste art. ficando um pouco relativizada. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. Ainda que o estado seja soberano. 54 . Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. Quando a CR consagra o art. não concorda muito com isso. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. No entanto. observados os princípios estabelecidos na CR. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. No caso da CR/88. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. 11 do ADCT. Fábio Konder Comparato fala. na verdade. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. mas continua a existir como característica essencial deste poder. Não se trata de um limite jurídico. A partir do momento que a CR surge. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. Dentro desse limite. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. mas meta jurídico (fora do direito).

que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. CR. §4º. 61. §4º não é norma de observância obrigatória). ou seja. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . Obs. CR. processo legislativo (art. Obs. 59 e segs. Mas. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. composição. são essas as normas de repetição obrigatória. .: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. 57.: presidencialismo x parlamentarismo). não existe um modelo a priori de separação dos poderes. 58.Requisitos para a criação de CPI: ☺art.). b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. vedada a recondução. 34. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . Estão presentes no art. Há dois grupos: (art.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. Segundo o STF. II) Implícitos: CPI (art. por enquanto. 93. V ???) I) Expressos na constituição: art. . § 3°). Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. que se estendem aos Estados. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. 27.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. 75. são as normas de auto-organização da União. porque o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. diferente dos extensíveis. VII. 57. Se subdividem em: 55 . §1º . e o STF decidiu que não havia problema. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE.: ☺art. mas foi uma decisão super apertada (6x5). mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. § 1°. 58. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização.

que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. . nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. CR.normas mandatórias: ex. decorre da lei e não da força.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . .)..: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas.. .: art. .O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. 137). A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. E.exercício: é pelo CN. Ex.não é autônomo.: os arts. ou seja. CR. portanto. . 60.: art. DF e M. 3°. 19. . é conseqüente. Trata-se de um poder previsto na CR e. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. no entanto.é condicionado. uma limitação temporal para o poder revisor – art.) – contém uma vedação expressa. e se for decretado o estado de sítio (art. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. CR (é vedado à U. 60. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. mas é possível deduzi-las.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada..é um poder jurídico (e não de fato).normas vedatórias: ex. 37. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 34). portanto. se for decretado o estado de defesa (art. 136). .não é inicial. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. Ex. em qualquer estado da Federação (art. . §1º..é limitado. . 56 . ADCT). cujo procedimento está previsto no art. .titularidade: é do povo. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.

o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. que é o período de 4 anos do mandato do PR. §2º). vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. 60. . não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. CR). no âmbito do MP. no âmbito do PJ. . para que. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. 61 é a regra geral de iniciativa. apesar de não existir previsão expressa. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. No caso de projeto de lei. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). A Sessão legislativa (art. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art.A última limitação formal objetiva está prevista no art. 67.U. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito).Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. §2º). ☺art. GE. .A nossa Constituição é rígida. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. b) o entendimento majoritário da doutrina. se a matéria for rejeitada.Discutido e aprovado. não pode haver emenda de emenda. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. também chamadas de implícitas. 57 . não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC.Feita a iniciativa. 61. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. no entanto. por fim. ademais. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. 62. §5º. . 60 (incisos I. do SF ou do CN. Obs. ela será chamada de extraordinária. 61. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). P. 60. possamos usar o procedimento previsto no art. o PGR. . não promulga. 61. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. Este art. Ex. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. . é o de que o art. a PEC vai para a promulgação. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. o STF e Tribunais Superiores. a PEC será discutida em cada casa do CN. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. assim. DF e DE. 60. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). no qual há 4 sessões legislativas. proposta rejeitada no dia 15/01. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. 44. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. não veta. II e III) uma exceção à regra geral. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. no âmbito do PE.). §10). através da iniciativa popular (art. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. CR.Além do PR. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. sendo o art. . apenas o PR. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). também podem propor projeto de lei o povo. 60. §3º. após a iniciativa. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). ☺art. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD.

votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Secreto. VI. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. o direito de participar das eleições. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. não é secreto. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. segundo o STF. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. São as chamadas cláusulas pétreas. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Se elas não existissem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. 60. §4º. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. o voto não é universal. Expressas: ☺art. Ou seja. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. pois. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível.O voto obrigatório não é cláusula pétrea.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. 150. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. que é o modo como se realiza o exercício do voto. As cláusulas pétreas são. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. Curiosamente. a). A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. na verdade. .A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. o que é universal é o direito de sufrágio. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. mas sim. secreto. CR. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. b) Preservar a identidade material da Constituição. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. o que é secreto é o escrutínio. . c) Assegurar o processo democrático. c) Voto Direto. ademais. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. 58 . universal e periódico. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. Universal e Periódico: .

Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . segundo a qual o art. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. 60 poderia ser modificado. que não é unânime na doutrina. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. CR. sistematicamente. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. III. e não em direitos e garantias fundamentais. pois. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. . que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). §4º. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. mas os demais não (ex. Para ele. 60. dispostos do art. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. Ex. não seriam cláusulas pétreas. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. CR. Mas o STF já considerou que o art. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. em princípio. 2º. sendo uma garantia individual. Assim. comportam diferentes interpretações. Assim. . encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. (23/04/09) 2. Os demais direitos e garantias fundamentais. CP). por uma questão lógica. b. e por conseqüência. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. 150. é CP. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. 5º. todo o art. são CP. não tem nada a ver com CP). A CR fala em direitos e garantias individuais. ADCT). que proíbe a pena de morte. como um todo. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. por isso. far-se-ia uma EC revogando o art. ou. Lá estão as limitações ao poder reformador. Chama-se dupla revisão. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial.: primeiro. CR). Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. inclusive. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. 5º. posteriormente. não alterando-o). No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. Um exemplo. 60 seria CP. não concorda. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. Os direito fundamentais se encontram.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR.: FGTS. para posterior alteração do conteúdo. com a dignidade da pessoa humana. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. pois seria uma forma da fraudar a constituição. Obs. é o art. 60.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. mas refere-se a uma reforma. O art.Há quem defenda. não o serem). O prof. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político.

Ex. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. não abrangendo apenas leis em sentido formal. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. A retroatividade mínima é automática. 5°. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). 3º. tem que haver previsão expressa na constituição. não abrange EC. b) Média: a retroatividade não é automática. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. esse era o entendimento do STF. mas seus efeitos surgem após a constituição. 60. portanto. art. tem que haver previsão expressa na constituição. O direito adquirido pode ser relativizado. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . A limitação imposta no art. Ex. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. a constituição atinge prestações vencidas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. CR). mas também emendas à constituição. O ato ocorreu antes. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. Antes da CR/88. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. em sessão unicameral. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. c) Máxima: a retroatividade não é automática. . Ex. contados da promulgação da Constituição. 3º. excepcional e transitória de alteração da Constituição. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. em sentido formal. Com relação ao assunto acima. o STF tem entendimento unânime. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. Revisão é a via extraordinária. 3º. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. ☺art. mas ainda não pagas. não sendo um princípio absoluto. XXXVI. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade).

Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. 3º. Além disso. ADCT. 60. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. circunstanciais. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. especificamente. §§1º e 4º). 61 . (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. e de forma geralmente mais extensa. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. X. devido à complexidade da interpretação constitucional. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Toda norma está dentro de um sistema. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Ela não tem normas jurídicas. e não isoladamente. É o início de uma interpretação. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). partindo da idéia de sistema. Nele estão os valores supremos da sociedade. só tem alma. 65 . A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). esse método também é conhecido como método valorativo. como todas as demais. Imagine a Constituição norte-americana. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. É como se a norma fosse o corpo da constituição. para o direito privado. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Ex: princípio da não contradição. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. para o direito público. Buscam os valores subjacentes à constituição. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. esses elementos são insuficientes. Constituição da República. Não existe uma norma jurídica sozinha. mas apenas valores: o preâmbulo. Esse método não é apenas sistemático. entra o elemento histórico evolutivo. Por isso. 52. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. b) Histórico: no seu desdobramento. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. eles são suficientes. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. portanto. Além disso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. O grande problema é que. e os valores fossem o seu espírito. como início e limite para a interpretação. é também o limite para a interpretação. O texto da norma funciona. com algumas peculiaridades. Por isso. aqueles desenvolvidos por Savigny.

da doutrina. de casos que comportam mais de uma solução possível. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. → Crítica: feita por Canotilho. Ex. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. certa insegurança jurídica. mas sim diante de problemas. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. do senso comum. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. ou a de que um é mais correto do que o outro). que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. os quais são submetidos a várias opiniões. porque trabalham não com a idéia de sistema. Assim. os operadores do direito servem-se de topoi. mais um 66 . como. a favor e contra. como ocorre neste método. lugares comuns. que é apenas mais um topos. dos princípios gerais do direito. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Assim. Problema é a questão difícil. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Por isso. Este problema será solucionado pela argumentação. 2. que contraria o positivismo jurídico. formas de raciocínio. Se se permite interpretações divergentes. de argumentação. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. da jurisprudência dominante. o que geraria uma grande insegurança jurídica). vence o argumento que for mais convincente. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Violação de correspondência de presos.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Isso gera certa instabilidade. Ex. ou seja. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Esses pontos de vista. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. cujo plural é “topoi”. por ex. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. enfraquece-se a força normativa da constituição. Ex. pois comporta mais de uma solução possível). vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados.. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. ele também é conhecido como método sociológico. Os topoi são esquemas de pensamento. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). pontos de vista ou lugares comuns.

A principal diferença. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Hermenêutica e interpretação não se confundem. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. ou seja. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). devendo-se fazer uso de outro método. não podem ser utilizados de forma abstrata. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. é bom lembrar. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. sua aplicação a casos complexos. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. mas em concretização). são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. este método não poderá ser aplicado. Ele parte. quando se fala em hermenêutica. e o problema concreto a resolver. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. Os métodos III e IV. Não se pode separar as duas coisas. e sim na sua concretização. Além de serem métodos aporéticos. são coisas diversas. Assim. Ocorre que. Para este método. ao lado de Hans Kelsen. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. são também métodos concretistas. como já vimos. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. de única solução possível. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. é preciso que haja um problema. São métodos indissociáveis. pois. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. diferentemente dos dois primeiros. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. e concretizador à aplicação. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). porém. não se deve falar em interpretação constitucional. que a questão não seja simples. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. por serem métodos concretistas. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. ainda que dos mais importantes. se for caso de lacuna. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. 67 . a compreensão prévia do intérprete. na sociedade aberta de intérpretes. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. Método concretista. Assim. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia.

Gilmar Mendes). em regra. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Segundo o autor. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. pois. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). O texto não tem o comando.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. que têm legitimidade para a interpretação. A democracia deve servir não apenas para a criação. Para ele. A norma é o mandamento. Ainda que a Corte seja o intérprete final. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. limita a interpretação. Friedrich M.Elementos do âmbito da norma . Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. Na prática. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Essas duas figuras podem ser. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). Segundo ele. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. bem como a quebra da unidade constitucional. a norma só surgiria após a interpretação do texto. regulada pela norma. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Paulo Bonavides o tratar como um método. ele dirige e. Não diz respeito aos critérios de interpretação. Quando ele fala em democratização. 68 .Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Judiciário. O texto tem duas funções muito relevantes. mas também na sua interpretação. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. mas também para a interpretação da Constituição. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. . principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). por sua vez. é a realidade social tratada pelo texto da norma. ele na verdade não o é. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. aberta a toda a sociedade. Fala-se que são utilizados. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. O que ele chama de domínio normativo. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. ao mesmo tempo. mas refere-se àqueles que podem interpretar. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . Assim. mas a toda a sociedade.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. traduzido pelo Min.

vinculante e obrigatória. Assim. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. textualismo e preservacionismo. Por isso o judiciário tem ganhado força. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Após. No pós-positivismo. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. Esta questão está ligada à separação dos poderes. que corresponde à vontade do constituinte originário. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. surge a idéia de norma (gênero). Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. Entende que. Hoje. sem modificá-la. 3) Existe uma única resposta correta. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). Na verdade. 69 . como a constituição é feita por representantes do povo. A segunda corrente. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. surge o Positivismo Jurídico. os direitos têm que ser iguais para todos. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. superado o valor da norma). Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Segundo Conrado Hubner. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Assim. o poder legislativo é claramente fraco. que se subdivide em princípios e regras. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Também denominado de originalismo. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. A norma. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). quando interpretada. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. do povo. no Brasil. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Em virtude do caráter normativo dos princípios. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. bastante discutido nos dias atuais. mas de forma concreta. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. norma e fato. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. preocupado com a segurança jurídica. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública.

isto é. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Assim. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. o que ocorre por meio da ponderação. A norma é um gênero e. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. .generalidade . que apontam para o sentido contrário. impessoal. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. impõem resultados.Princípios. ou seja. Eles não definem a medida exata. → Princípios X Regras: . e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. 70 . Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. . A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. é preciso saber quais são as normas opostas. que envolvem a aplicação deste princípio. .: aposentadoria compulsória. em havendo um conflito no âmbito da validade. O grau de abstração é a diferença.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. imperativa.Regras. → Regras: são “mandamentos de definição”. Alexy afirma haver exceções. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. quando se vai aplicar um princípio. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. As regras possuem aplicação automática. há uma subsunção lógica. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. Para Habermas. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. Segundo Robert Alexy. Ambos são normas. Ex. princípios são “mandamentos de otimização”. mas a medida do possível. dentro do gênero norma jurídica. será invalidada. bilateral). É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão).Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas.Postulados. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. peso ou valor. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . ou seja. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). genérica.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras.dimensão que eles ocupam (Alexy) . como elementos do sistema normativo constitucional: . e .

por isso não são aplicados diretamente. Eles não apontam um fim. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. nem estabelecem competência ou conduta. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. cronológico e da especialidade. Mas e os postulados? Segundo esse autor. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . também conhecido como antinomia de princípios. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. É um conflito sempre no caso concreto. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. Com base nessas premissas. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Segundo a LICC. Ex. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. será feita a análise de alguns postulados que. 71 . como princípios. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Os postulados são denominados. Nesse aspecto. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. embasados na supremacia da Constituição. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional.: proporcionalidade. interpretação conforme a Constituição. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. mas não têm a mesma função dos princípios. pela maioria da doutrina. Não estão na constituição. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. de modo a realizar os valores nela consagrados. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição.

Se há mais de um significado. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. o Poder Judiciário. na dúvida. Se o texto tem apenas um significado. se entendê-la inconstitucional. pois existe uma presunção de constitucionalidade. No Poder Legislativo. significa que as demais leis devem obediência a ela. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. ficam vinculados àquela decisão. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. para ter essa supremacia. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. E. pode ser exercido através do veto jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. presume-se que agiram de acordo com ela. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. é necessário que a Constituição seja rígida. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. quando entender que uma norma é inconstitucional. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. excepcionalmente. no Poder Judiciário. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. significa que ele é unívoco. como no âmbito do Poder Executivo e. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Não se retira a lei do ordenamento. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Da mesma forma. e. por ser presunção relativa. Ou seja. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. No Poder Executivo. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. o Chefe do Poder Executivo. na dúvida. Todo projeto de lei passa por um controle. a lei deve ser declarada constitucional. A 72 . assim. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Toda Constituição tem supremacia material. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Ele pode negar a aplicação da lei. não tem como fazer interpretação conforme. no controle difuso. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. o Princípio da Supremacia da Constituição. Excepcionalmente. No Brasil. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. deve optar pela constitucionalidade. Se a constituição é a norma suprema. Tanto no âmbito do Poder Legislativo.

§1º. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. ao mesmo tempo. Ex: Brasília é a capital federal. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. b) Fim pretendido: .Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Busca a vontade do objeto interpretado.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Hoje em dia. sendo. etc. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Antes. passando ela pela constituição. Obs. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. 81. que busca a vontade da lei. poderia declarar o art. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Em uma sociedade democrática e pluralista. Geralmente. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. É como se filtrasse a lei. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. de direito previdenciário. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. A segunda corrente. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. existem. Isso é impossível. logo é conhecida como corrente “objetivista”. é conhecida como mens legis. Ao se admitir que essa norma é superior. mas. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. a norma inferior. é necessário observar os valores consagrados na constituição.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. normas superiores e normas inferiores. Hoje. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Na verdade. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Outro ex. prevalece a vontade da lei. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Logo. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. isso não ocorre. num estado democrático. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. . 73 . a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. necessário harmonizar esses dois princípios. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. essa corrente é chamada de “subjetivista”. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). Portanto. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. na constituição. pois. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. há várias tensões entre as normas constitucionais. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. Segundo Kruger.

deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. qual dos dois grupos tem um peso maior. valores. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. O STF analisou 02 casos: a) Art. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Pode ser usada. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. O Juiz irá ver. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. princípios ou valores. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. violava a liberdade de exercício de comércio. Segundo este princípio. e voto pelo CN é a exceção. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. Essa lei. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Uma existe ao lado da outra. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. criando um efeito conservador da unidade. é necessário utilizar a ponderação. que é anterior à Constituição da República. pelo legislador. Ex: voto direto é a norma geral. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. 74 . aplica-se o princípio da Concordância Prática. ou seja. ele se basearia no princípio da unidade. se ambos estão consagrados na Constituição da República. e não em abstrato). Assim. interesses. O relator indeferiu a petição inicial. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Nesse caso. Eles são muito parecidos. Sempre que possível. inclusive. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Quando se tem uma colisão entre bens. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. na hora de se interpretar a Constituição. O STF declarou constitucional. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. 45. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. O que tiver o peso maior irá prevalecer. bens ou interesses. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. a integração política e social. as duas normas têm conflito entre si. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Se ele entrasse no mérito da questão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Abstratamente. deve-se buscar essa concordância prática. no caso concreto. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. O que é isso? É semelhante a uma balança. §1º.

mesmo que a pessoa seja pública e em local público. 75 . Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Exs. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. ou seja. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. não. que contribua para o debate de interesse geral. para que outros direitos sejam assegurados. Deve haver uma cedência recíproca. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. Ex: Se tiver na praia. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. O importante é saber que todos os princípios. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. e não princípios. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. da tortura.: a Súm. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. sendo o guardião da constituição. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha.: a proibição da pena de morte. mas também a ratio decidenti. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. na academia. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . 343. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Ex. cabe ação rescisória (obs. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. Caso contrário. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. do contrário. eis que ambos se relacionam. 2) relativização da coisa julgada: o STF. não. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. do trabalho escravo são regras. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). dizendo que a ponderação é muito subjetiva. não se aplicando para a interpretação constitucional. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. às vezes. proporcionando-lhes uma força otimizadora. até uma compreensão equivocada. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. STF não foi abandonada. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. por mais importantes que sejam. poderia fotografar. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. a privacidade deve ser preservada.

Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. é também conhecida como eficácia social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência.com. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. o desempenho concreto de sua função social. a função social para a qual foi criada. a qual significa a realização do direito.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. . 2) Direito de greve. 5º. . sobretudo o Tribunal Constitucional. CR/88 (aplicação imediata). (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. Exs. pois. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. é também conhecida como eficácia jurídica. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . . Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição).Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. . Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. 4.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. validade é.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Ver no Site Editora Método. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. 76 . §1º. Este princípio.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos.335/AC. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. no Brasil. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl.

dentre os meios existentes. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Para Jellinek. Para que um ato seja considerado proporcional. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. em sua origem. maiores hão 77 . É um princípio implícito. É uma influência do direito alemão. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. do Prof. não se deve abater pardais com canhões. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). pois. Na Alemanha. Alegam que a restrição seria desproporcional. mas apenas como menções. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. Não é o entendimento mais cobrado em provas. Nos sistemas da commum Law. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. para que o Estado não atue de forma arbitrária. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. uma restrição à liberdade só será possível se. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. ele tem que ser adequado. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. utiliza-se o termo razoabilidade. não está textualmente consagrado. à garantia do devido processo legal. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. LIV. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. deveria conceder uma autonomia maior. Assim. ☺art. utiliza-se o termo proporcionalidade. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. CR. No Brasil. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Ele está ligado. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). É uma influência do direito norte-americano. por isso sua importância. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Ex. desproporcional. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. Ex. será também desproporcional. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. apto para atingir o fim almejado. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. uma densidade semântica que ele não tinha antes. ou seja. 1º. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. Se o ato for desnecessário. 5º.

Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. Nesse caso. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. 78 . que é chamada de proibição de insuficiência. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. ou proibição por defeito. Há uma outra face desse princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. o poder público age aquém do que deveria. pode ser chamada de proibição do excesso. A face acima exposta do princípio.

o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. pois. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. dado que. apresentado de forma não articulada. não é componente necessário de qualquer Constituição. inscritos na Constituição. mas no domínio da política. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. não existindo. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. não tendo força normativa. mais ou menos significante. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Para o STF. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. portanto. O que acontece é que o preâmbulo contém. É uma corrente intermediária em relação às demais. refletindo posição ideológica do constituinte. incidirão na ordem local. 79 . 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. anteposta ao articulado constitucional. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Como se sabe. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle.. não tem relevância jurídica. laico ou não-confessional. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. com exceção das de 1891 e 1937. qualquer religião oficial da RFB. reproduzidos ou não na Constituição estadual. portanto. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. o Brasil é um país leigo. pois. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. Esses princípios sim. o preâmbulo. No Brasil. caráter normativo e. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. de regra. Não contém. Em âmbito estadual. proclamação mais ou menos solene. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. mas é a tese por nós adotada. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo.. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. Assim. Não tem. Situa-se no domínio da história ou da política. relevância jurídica. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. não é norma de repetição obrigatória. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. porém. O nome não é o mais apropriado. sendo. O min. Ocorre que todas as constituições brasileiras.

fundada na harmonia social e comprometida. o desenvolvimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. o bem-estar. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. 80 . O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. a segurança. na ordem interna e internacional. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. pluralista e sem preconceitos. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. com a solução pacífica das controvérsias”. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Ao estabelecer os valores supremos. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Esta é a sua natureza. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. a liberdade.

Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). prerrogativas (art. Exs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. mas admite lei. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Ela não depende de lei.: normas que estabelecem imunidades (art. → Normas de Eficácia Contida: O prof. destaca-se a de José Afonso da Silva. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. isenções (art.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Uma NEC. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. que poderá variar conforme o seu enunciado. vedações (art. Não depende de regulamentação. 128. §5º). se refere à impossibilidade de sofrer restrição. imediata e integral. enquanto não for restringida por lei. 95. por sua vez. Quando se fala em aplicabilidade imediata. Não são a mesma coisa. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. P. é uma NEP? Não. §5º). Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). enquanto não for restringida. apenas 81 . A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. possivelmente restringível ou redutível. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto.U. dentre as quais. como se poderia imaginar). O que as difere é o grau desta eficácia. no Brasil. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. A NEC. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). 53). (É a mais cobrada em provas). Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). que “contenha” o seu conteúdo. A integralidade. 184.

37. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. É indireta ou mediata. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. A NEC pode ser restringida: . e mediata porque depende de alguma condição. é obrigatória. art. XIII. interesse social. VII (direito de greve dos servidores públicos). Indireta porque depende de uma outra vontade. XII c/c arts. 102. não há omissão inconstitucional.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. mas dizer como esse direito será exercido. que dirige os rumos do Estado. VII. que não é norma). 136 e 137). caracterizadas justamente por este tipo de norma). E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). art. VII. esclarece que trata-se de uma NEC. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. – ex. II e III deste mesmo art. O caput do art. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. 9º dá a entender tratar-se de NEP. Assim. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. mas não disse quem pode propor.Impositivas: ex. PU: União poderá delegar aos estados.por lei (ex. mas pode ser).: art. art. Neste caso. etc. Ex.). em regra.: trata de vedações que são impostas aos juízes. . ☺art. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. ela nunca poderia ser restringida. . necessidade ou utilidade pública. eis que estabelecem o fim a ser atingido. . Se ela fosse uma NEP. As vedações. que faz parte da mesma norma. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. de forma que antes da Lei 9.: ordem pública. 82 . 5º. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. 37. ofício ou profissão. 9º. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: .U. P. 5º. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição.: art. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. etc. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. e não quais são os meios para se atingir o fim. 95). Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. CR. XXII. 37. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. 154: a União. 95. mas não é uma NEP. 22. Exs. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos.U. e art. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.Facultativas: ex.: art.. A lei não irá restringir o direito. Não é apenas um conselho. poderá criar impostos residuais. XXIII e XXIV). Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. 5º. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. ☺art. Ex. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. art. que a regulamente. quais são os efeitos.por outra norma constitucional (ex. conforme a lei. mas o seu §1º. mas. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro.: art. segurança nacional. se quiser. 3°. art. etc.por conceitos de direito público (ex. A norma constitucional tinha eficácia. são NEP (como são as normas dos incisos I.

ADCT. as Cláusulas Pétreas. imediata e integral). exaurem sua eficácia.: As NEP. Para ela. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Elabora-se uma norma genérica. não depende de outros sistemas. porque ela não tem eficácia positiva). ademais.: art. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Por isso não dependem de outra vontade. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Obs. cumprida a sua finalidade. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). Elas são criadas para uma determinada finalidade e. uma eficácia negativa (e apenas esta. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. mencionada por alguns autores. antes da lei ser feita. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. tem eficácia. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Marcelo Neves critica essa concepção. Uma última classificação. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. 83 . traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. São as normas do ADCT. Assim. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. 2º. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. OBS. Ex. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. também conhecidas como normas super-eficazes. pois. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. Diz que o direito se auto produz. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Traduz um sistema fechado.

com o caráter de normas constitucionais. art. parte final). localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. → CR → A. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. 2°. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. por esta teoria. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais.P → A. 242. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). não. ou seja. Faremos o estudo de alguns institutos. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. §2º (que fala do Colégio Pedro II. e sim como normas ordinárias. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. caso compatíveis com a nova Constituição.: ☺art. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. porém. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior.N. serem recepcionadas pela nova Constituição. Quando uma nova constituição é criada.N. Assim. Ex. quando do surgimento de uma nova Constituição. podendo. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. como normas infraconstitucionais. § 1°. sempre que nasce uma nova Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. 84 . mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

Ex. tenha retroatividade média ou máxima. as leis infraconstitucionais. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. diante da aplicação imediata. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. por regra. Contudo. nada impede que a norma constitucional. para tanto. dentre outras. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). 7º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. que. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. CR. Assim. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. 51 do ADCT. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. vale dizer. desde que haja expressa previsão. com pequenas exceções. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. IV. 5º. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. sendo regra a retroatividade mínima. 88 . o STF entendeu que. Assim. deve existir expresso pedido na Constituição. têm retroatividade mínima. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. também limitado juridicamente). IV. XXXVI – “lei” em sentido amplo). 7º. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. Como se percebe.: art. vale dizer. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. Como outro exemplo de retroatividade mínima. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. como é o caso do art. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. c) por outro lado.

estrutura e fundamento (art. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. Desse modo. é claro. o que os coloca numa posição de superioridade. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. da função positiva que 89 . não só das ações dos poderes estatais. é obvio. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. diverso e opostos. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. seja como diretiva na solução de casos concretos.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. 1º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. seja como orientação para progresso da legislação. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. assim. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. atuando como um limite. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. em um todo sistemático. a menos. como também ao exercício abusivo de certos direitos. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. 2º). devido à função negativa que desempenham em alguns casos. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. os quais estabelecem a sua forma. Dessa forma. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. sobretudo. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. Em situações novas. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. 4º). por conseqüência. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. Executam. ao elaborar as leis. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. Sob o ponto de vista dogmático. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. ainda não regulamentadas de forma mais específica. pois servem de critério para o legislador que. a divisão de seus poderes (art. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. De uma forma geral. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. Essa supremacia é essencialmente material e decorre.

A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). a Constituição veda. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. que reinava de forma absoluta e irresponsável. Com o passar do tempo. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. 90 . quanto para o legislador na elaboração das leis. CR). 1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. No tocante ao Poder Executivo. DF e Município. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. I). o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. A baixa densidade semântica. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. 34. aos entes que compõem a federação. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. sendo criados novos critérios distintivos da República. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. o direito de secessão. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. esses conceitos foram se esvaziando. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art.

a vontade popular representada pelo parlamento. a independência dos juízes. não apenas os indivíduos. No que se refere ao princípio democrático. à questão perene da Justiça. Em um Estado democrático. Aqui. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. sob as circunstancias transitórias. Em um Estado de direito. No Estado material de direito. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. a legalidade da Administração. 91 . é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. não é absoluta e ilimitada. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. ou. seja diretamente. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. Sob o aspecto material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. seja através de representantes. ainda. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. mas também o próprio Estado está submetido ao direito.

São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. por essa razão. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. Supremo. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. Por essa razão. o indivíduo se sente útil e respeitado. No plano externo. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. 6º). por não ter de acatar. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. no plano interno. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. A soberania externa se refere à representação dos Estados. Todavia. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. a soberania migrasse do soberano para o povo. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. em nenhum momento podem ser colocados de lado. uns para com os outros. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). na ordem internacional. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. independente. 92 . regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. na ordem internacional. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna.

a tortura. de interesses contraditórios e antinômicos. é um princípio básico do liberalismo econômico. 170). estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. salvo nos casos previstos em lei. a Constituição. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. 17). político (art. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. Por essa razão. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. a partir do início da década de 90.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. a sexual. 170). dentre elas. a profissional. de reunião e de associação. Mais tarde. e. justa e solidária (art. passando a se revestir de normatividade. 1º). por natureza. ao contrário. de comunicação. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. a filosófico-religiosa. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. 93 . A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. A escravidão. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. É ela o valor supremo que irá informar a criação. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. o que pode levar a divisões irredutíveis. 3º. a intelectual. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. Fruto da concepção liberal. com a queda do comunismo. científica. ainda. III). uma sociedade conflitiva. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. a de informação. partidário (art. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. conforme os ditames da justiça social. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. 206. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. Por isso. a sociedade pluralista é. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. assim. 220). o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. de idéias e de instituições de ensino (art. a de opinião. Este fundamento é concretizado. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. I). derradeiramente. independentemente de autorização de órgãos públicos. deve constituir o seu objetivo supremo. 215 e 216) e dos meios de informação (art. mas. artística. cultural (arts. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica.

na medida em que procura representar um subconjunto. mas. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. ou para com a pessoa. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Por outro prisma. Por isso. Todavia. não como um fim em si mesmo. ligada ao valor igualdade. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). 94 .) imprescindíveis para uma vida digna. Poder-se-ia dizer. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. condição social ou qualquer outro requisito. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. mas um atributo que todo ser humano possui. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. educação fundamental. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. a todo e qualquer cidadão. que seja efetivamente exigível do Estado. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. mais importante. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. Portanto. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). em um primeiro momento. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). sua existência material. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. ligada ao valor liberdade. menor (minimizando o problema dos custos). mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. independentemente de usa origem. mas também a de que o Estado garanta. econômicos e culturais. à dignidade da pessoa humana. sexo. e. Portanto. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. não apenas por parte do Estado. Assim. o acesso aos valores. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. por outro. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. etc. por exigir uma abstenção. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. seja por terceiros. o que significa dizer que na criação. idade. A dignidade da pessoa humana não é um direito. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). dentro dos direitos sociais. em alguns casos. Esta acepção. moradia. mas também dos particulares. possui um caráter positivo. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. Esta acepção. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. possui um caráter negativo. seja pelo próprio Estado. cada vez mais. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”.

CR/88). . Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. 5°. 95 . devido ao custo de serem prestados. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. estão consagrados em normas de eficácia limitada. Essa classificação é legislativa. 12 e seguintes). Já os direitos humanos não possuem essa divisão. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Têm um caráter negativo. uma constitucional e uma doutrinária. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. devido à escassez de recursos.direitos políticos (art. 6° e seguintes). O Estado deve fazer escolhas trágicas. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. ligados à liberdade. os direitos sociais (arts. basicamente. mas também no art. . consagrados no plano internacional. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. Exigem uma atuação positiva do Estado. São direitos ligados à cidadania.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. igualdade e dignidade. Assim. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. . Em sua maioria. CF/88. 6° e 7°). A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. pois surgiram em uma única época. 6º ao 11. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. Em sua maioria. são os direitos individuais consagrados no art.direitos prestacionais: são. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. a diferença básica se refere ao plano de consagração. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Têm caráter positivo e negativo. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. Em termos materiais.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art.direitos individuais. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. 14 e seguintes).direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Para que o cidadão participe da vida política do Estado.direitos à nacionalidade (art. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. 5°. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. que divide os direitos fundamentais em: . . . Enfim.direitos sociais (art. Visam proteger o valor igualdade. à participação política. . do qual são espécies: . portanto. consagradas ao longo das constituições.

Têm caráter negativo. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. das gerações. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. sobretudo de princípio programático). 4º. Exs: direito ao meio ambiente. igualdade e fraternidade (nesta ordem). enfim. Ou seja. Exigem uma ação do Estado. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. direito de comunicação. → Igualdade: Direitos Sociais. CR/88). Tais direitos têm caráter positivo. Estão ligados. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. São basicamente os direitos individuais. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. são direitos de caráter negativo. Eles foram surgindo com o passar do tempo. ao lado da 4ª. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. pois. queria que ele respeitasse suas liberdades. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. e a dele é a mais cobrada em concursos). São considerados basicamente como direitos coletivos. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. Os direitos de defesa. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. por exigirem uma prestação do Estado. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. diretamente à igualdade material. a autodeterminação dos povos (art. movimento encabeçado pelo proletariado. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. XVIII. diante da necessidade de cooperação. Não houve substituição de uma geração por outra. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. já os de 2ª geração não. da solidariedade entre países ricos e países pobres. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. portanto. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. à autodeterminação dos povos. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Têm como objetivo. e estas gerações coexistem atualmente. Por isso. São chamados direitos civis e políticos. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. como a família. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Como vimos. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. exigindo uma abstenção. segundo Jellinek). Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. a imprensa livre e o funcionalismo público. por exigirem uma abstenção. ao desenvolvimento ou progresso. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. A 3ª geração. de 1789: liberdade. 96 . Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. os direitos prestacionais. XX. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Esta é a sua preocupação principal. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Vejamos quais foram as gerações. econômicos e culturais. Obs. então.

de conteúdo). de orientações sexuais. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. Porém. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. com a declaração do direito”. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. Em uma ponderação. que alguns dizem trazer os direitos à internet. outros são difusos). limitam o poder. Ou seja. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. etc. quiçá quanto a 5ª. Quem tem o papel contra-majoritário. Paulo Bonavides. na mesma disposição constitucional ou legal. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. Esta geração de direitos advém da globalização política. Ex. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos.). este direito teria um peso mais elevado do que os demais. ☺ADPF 132. ao analisar a Constituição de 1891. os direitos de família. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). as disposições assecuratórias. inclusive das minorias. conserva nossas identidades. como os previdenciários. → Globalização: direito à democracia. em defesa dos direitos. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. econômico. a fixação da garantia. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. o prof. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. Por isso o direito à democracia é tão importante. um pluralismo ideológico. Ele abrange um pluralismo religioso. de ideologias políticas e partidárias. as demais características são tratadas pelo prof. Ou seja. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. Afora esta peculiaridade.P. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. Os argumentos contrários a esta união. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. Assim. e isso acaba por prejudicar as minorias. São também direitos transindividuais (em sua maioria. artístico. mas há divergências na doutrina quanto a isso. Além desse aspecto. que seria a vontade da maioria. Quando se fala em pluralismo político. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. Aquelas instituem os direitos. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores.I. ele tem uma importância muito grande. à informação e ao pluralismo (D. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. Ao lado da vontade da maioria. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. um pluralismo cultural. estas as garantias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). 1º. ocorrendo não raro juntar-se. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art.: quanto ao direito à paz. CR/88). 97 . Ele preserva. esta alteração não foi feita em seu livro. traz direitos ligados à pluralidade. V. são direitos difusos). caso violados. que são as que. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. o direito a adoção.

: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. coarctando. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . é claro. Isso porque. muitas vezes. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). mas nunca a sua renunciabilidade.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). 5º. como é o caso.: direito de propriedade versus desapropriação). de modo indiscriminado. nascendo com o Cristianismo. uma vez consagrado o direito. Deve-se observar. XXXVII. . a todos os seres humanos.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. no caso concreto. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. juntamente. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. . veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). . já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. os estrangeiros não residentes. no caso concreto. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. através da interpretação sistemática. se o direito garantido não possui alguma especificidade. conjugando-a com a sua mínima restrição.Universalidade: destinam-se. decidir qual direito deverá prevalecer. emite uma opinião (direito de opinar). a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. ainda que não individualistas. ilegalmente preso. ou caberá ao intérprete. Nada impediria. Contudo. etc. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. por ex.. 98 . que um estrangeiro de passagem pelo território nacional.Historicidade: possuem caráter histórico. O caput do art. conflito de interesses. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. .). confronto. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. Obs. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. havendo. Se são sempre exercíveis e exercidos. . HD. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. os apátridas e as pessoas jurídicas. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. são indisponíveis.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. como é o caso da ação popular.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. portanto. 5º. . impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. que só pode ser proposta pelo cidadão.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. Exemplos: . quando. . Normas positivas.direito ao juízo natural (direito) – o art.: HC. ou magistrado.

Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. §1º. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Posteriormente. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. etc. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. mas. Assim. Não se admitiria. só trazendo relações entre o Estado e o particular. ordem pública. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Ingo Sarlet afirma que o art. não dependendo de legislação. analisando caso a caso. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. No entanto. pois. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais.). então. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. então. fala-se. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. causando uma desfiguração no direito privado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. 5º. fática e juridicamente. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. 99 . verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). mas o pressuposto do qual ela parte). Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. §1º. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. 5º. para isso. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade.

se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.) . 249. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. que não adota essa teoria). a aplicação será indireta. E como os princípios são muito vagos. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. houver uma desigualdade fática. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. como a segunda. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . A autonomia da vontade requer tal ponderação. . . a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares.243/DF. mas. Se não houver uma previsão expressa na lei. Deve-se aplicar tanto esta teoria.700. quando há uma relação de igualdade real na relação. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. mesmo realizando atividades idênticas. isso poderia causar uma série de problemas.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). Se houver lei determinando a aplicação dos DF.HC 12. Em contrapartida. .☺RE 161. Espanha e Portugal. Segundo esta teoria. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. através de princípios.*RE 161. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. Mas. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. não sendo necessária uma intermediação legislativa. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação.: empregado e empregador. de uma forma geral. e.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie.24. .858. etc. esta teoria seria a mais adequada. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. tão somente pela falta de previsão.RE 175. no entanto. Os DF são expressados. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.RE 158. se exteriorizam. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.00 para R$ 86. em geral.Resp. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. é possível a sua aplicação com base na Constituição. O juiz. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. devendo sobre eles prevalecer.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.RE 160. contrato de adesão.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .RE 201. Se. ainda que esta regulamentação não exista. mas ainda não há decisão quanto a isso. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Para a realidade brasileira. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. Assim. então. a proteção tem que ser maior. Determinação de observância do Princípio da isonomia. muito abertos. para que os princípios pudessem ser concretizados. A jurisprudência.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. Segundo Virgilio da Silva. Ainda se trata de uma questão muito nova. .

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. é. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Nos 78 incisos deste art. não há que se falar em não exercício). Obs. por óbvio. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. 1º. à igualdade. pois. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. como DF é pressuposto dos demais direitos. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. não há uma renúncia definitiva. XLVII. CP) a questão é um pouco mais polêmica. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. 128. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. No caso do big brother. CR. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. pois a vida é uma direito irrenunciável. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. ☺art. também não pode ser renunciado. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. III e art. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Há dois entendimentos: 104 .: esta segurança que o art. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Porque o direito à vida é irrenunciável. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. ☺art. CR/88. 5º. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. caput. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. Esta questão é bastante clara. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. 5º. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Por isso. à liberdade. A renúncia é definitiva. Este pode ocorrer. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. abre-se mão temporariamente à privacidade. II. um outro direito fundamental. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). à segurança e à propriedade. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. 170. O direito a vida. 5º. um caso constitucional de violação de direitos.

discutida na ADPF 54. a vida termina com a morte encefálica. entendeu que. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção.Direito à privacidade: 105 . a morte não decorre do aborto. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. então. 128. mas de modo geral). quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. mas sim interpretando a CR/88. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. o STF não estaria legislando. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. é uma forma de tortura psicologia. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Se isso fosse possível. sabendo que ela vai morrer. E o direito à vida. segundo Canotilho. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. 128). OBS. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. nas quais não se tem uma opinião moral definida. 128 (em 1940). portanto. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. A questão ainda está sendo discutida no STF. assegurando a autonomia da vontade. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. O STF. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. ela é a única ação de controle abstrato cabível. Ademais. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. . Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. já que o CP é anterior à CR. insuficiente para a proteção do direito. Para o direito brasileiro. é relativo. em razão do risco de morte intra-uterina. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. Nos EUA e na França. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. não haveria vida. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. como todos os outros. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). além de colocar em risco a sua própria vida. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. II. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. Se há dois argumentos defensáveis. 3) dignidade da pessoa humana. por 7 votos a 4. e. CP não teria sido recepcionado pela CR. o art. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. já que na época em que foi feito o art. sem o sistema nervoso central. o feto não tem a menor chance de sobrevida. por isso. mas sim da acrania.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art.

veremos cada um separadamente. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. a honra e a imagem das pessoas. Ex. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Ex: Radares eletrônicos. X. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. O direito de liberdade é maior. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. Neste caso. não há violação à privacidade. os princípios da moralidade e da publicidade. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Será considerada prova lícita. contra um chantagista. 106 . É vedada pelo art. em seguida. 5º. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. etc. Se filmar uma passeata. na verdade. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Então. histórico. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. É gênero. no art. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. O direito a privacidade está consagrado. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. O agente público. por exemplo. Não há que se falar em colisão. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. vida privada. Ao realizar essa ponderação. não tem privacidade. pois há uma excludente de antijuridicidade. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. o direito à imagem foi violado. que se subdivide em: intimidade. Logo. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Mas. O prof. Em regra. científico ou cultural. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. contra um estelionatário. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. é a esfera da vida privada. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. ela é ilícita. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Nesses casos. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. a restrição é legítima. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. maior a proteção a ser dada. quando pratica um ato na condição de agente público. Numa gravação clandestina. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. a imagem pode ser usada num processo. X. CR. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. sobretudo. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. CR. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Esta é excludente de ilicitude. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. são direitos independentes. Ex: policial federal recebendo dinheiro. 5º. quebra de sigilo e interceptação telefônica. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. uma gravação feita clandestinamente. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Ex: matérias de interesse público. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Proteção da honra e da imagem. sobretudo. Ainda que não afete a honra. 1. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). Se tiver gravado um crime. de uma forma geral. a gravação é considerada lícita. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Questão de Concurso: Gravação clandestina. No entanto. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade.

pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). A interceptação das comunicações é vedada pelo art. o BB poderia quebrar o sigilo. não poderá quebrar sigilos. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Dentro do próprio STF há divergência. Dentro dela. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Os jornais publicaram essas declarações. outros dizem ser pelo art. Quem pode é só o juiz e a CPI. Tem uma decisão do STF muito comentada. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. outros entendem que não há proteção. 58. divulgaram todas as declarações na internet. XII. às informações constantes na declaração de imposto de renda. Na Itália. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Essa exceção só confirma a regra. já que não existe poder judiciário municipal. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. naquele caso específico. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. 107 . só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Quando se quebra o sigilo telefônico. etc. Quando a CR fala em “poder de investigação”. como havia verba pública envolvida. 5º. O prof. Ele alegou a ilegalidade desse ato. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art.). Isso é uma violação clara do direito de privacidade. São poderes instrutórios. informáticos. mas na decisão acima houve discussão a respeito. XII. X. Ex: extrato de conta corrente. em ação cível originária. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. a duração da chamada. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. não há decisão do STF. § 3º. O Min. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. que é uma exceção a essa regra. deve ter uma certa salvaguarda. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. fiscal e telefônico. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. No entanto. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. fiscais. por ex. Essa declaração. O STF decidiu que. 3. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD.. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. O inciso X impede a gravação clandestina. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar.: Podem existir várias outras exceções. Além do juiz. por enquanto. com base no princípio da simetria. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. ainda que não seja sigilosa. 5º. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. ele não pode requisitar diretamente. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. E o Ministério Público? Segundo o STF. está em vigor. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. 2. De acordo com o art. falaremos da interceptação telefônica. CR. Quanto às CPIs municipais. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. Se ele quiser. de um cd room. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. A lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. 5º. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. 2°) admite. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. essa decisão foi para um caso específico.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. em determinadas hipóteses. Para o prof. sobretudo. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Ela deve ser usada para situações excepcionais. a liberdade de comunicação. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. Na prática. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. XII. será gravação clandestina. O art. segundo o prof. uma terceira pessoa se intromete na comunicação.. Para o prof. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. abrem-se todas as correspondências. não estaria protegido por esse dispositivo. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . 5º. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. X. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Além dessas duas hipóteses. Nessas hipóteses. Na interceptação. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. No entanto. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. pode haver restrições às comunicações telefônicas. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. seja pelo art. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Porém. Então. 5º. já que protege-se a liberdade de comunicação. o sigilo poderá ser violado. Mas isso não é a posição do STF. Em relação a essas. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. também protege a privacidade. Quando se falou do método tópico problemático. seja pelo art.. por uma terceira pessoa. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Ela protege 4 formas de comunicações. segundo o STF. Não são admitidas para outras finalidades. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. protege a liberdade de comunicações. Se um souber.. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. será interceptação telefônica. o STF tem um entendimento que. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. os dados de informática em si não estão protegidos. Para o STF. Aliás. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. O STF entende que com base o art. Em relação à comunicação epistolar. protege-se apenas a liberdade de comunicação. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. mas foi feita por um terceiro. 5º. Pois. XII. 5º. neste caso. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. é equivocado. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. durante o estado de defesa e o estado de sítio. mas. Com relação ao sigilo de dados. Se um souber.

a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. vejamos: a) Art. 2. Se houver o consentimento.296/96. 5º. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. qualquer pessoa pode entrar. O professor acha que há certo abuso neste caso. Recentemente. imagine numa situação normal. Se numa situação excepcional. 5º. nem a CPI. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. e mais ninguém. salvo o flagrante delito. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. o Min. Essa decisão foi recente (☺MS 27. 5º. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). • Prestar socorro 109 . a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Vejamos as situações: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. d) Art. Na jurisprudência do STF. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Somente o juiz. Art. seja durante o dia seja durante a noite. a entrada deve ser permitida pela empregada. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. por nenhuma outra autoridade. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. XI: violação de domicílio. Ela deve ser o último recurso. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Então. CF/88. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. a polícia pode entrar. Ex: crime dentro de uma residência. pode determinar a prática desses atos. Como é o meio mais fácil. XII: interceptação telefônica b) Art. A Constituição trata de 2 situações distintas. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. LX: sigilo imposto a processo judiciário. 5º. Com o consentimento. Nem mesmo CPI. Com relação à inviolabilidade do domicílio. e não pelo dono da casa. Além disso. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. Sem consentimento já é diferente. nesses casos. c) Art. não há falar em violação de domicílio. 5°. essa lógica tem sido invertida. violado. prorrogáveis por mais 15). A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. XII. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Segundo o STF. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. Durante o estado de defesa. LXI: possibilidade de prisão. Nesse artigo. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Ou seja. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. devemos analisar 2 situações diferentes. se houver o consentimento de um dos moradores. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Pode ser que com os abusos recentes.

Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. CP. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. não entra no conceito de casa. Se houver o consentimento do morador. compreende escritórios. Entra no conceito de casa. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. não poderá mais entrar no domicílio. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. mais tradicional. Ex: parte de trás do caminhão. entre eles Alexandre de Moraes. onde o caminhoneiro dorme. 110 . b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. na parte em que o público tem livre acesso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. mais adequado. Quando o sol nascer é dia. o STF considera as provas lícitas por causa disso. se estiver vazio. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. compartimentos habitados. Só que o STF já proferiu decisões. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. Então. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. não só dos moradores daquela casa. por serem situações emergenciais. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Segundo o entendimento do STF. pois se respeitar também o critério cronológico. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. a prova colhida será considerada ilícita. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. É utilizado por JAS. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. entre outros aposentos. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Na maioria dos casos. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Se entrar com o uso da força. seja do dia seja da noite. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. E o carro? O prof. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. 150. que traz uma conceituação bastante extensiva. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. estabelecimentos comerciais e industriais. Segundo ele. mas dos vizinhos também. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. 2. não entra em conceito de casa. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. ☺Art. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. 3. Ele deve dizer “aqui você não entra”. hoje. Alguns autores. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. a prova é lícita. propõem uma utilização conjunta desses critérios. prevista no dispositivo. consultórios. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. porque a noite é o período de descanso. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. quando o sol se põe é noite. entra no conceito de casa. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. a casa pode ser invadida a qualquer hora.

São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. cor e estado civil. da constituição. CF/88. idade. Esse critério é razoável. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Nestes casos. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. discriminatório. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Esse critério não é nenhuma discriminação. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. XXX. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. CR. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. 111 . É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. justifica-se a altura. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. não significa que a lei não possa fazer distinções. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. Razoável 3. Para que o critério seja constitucional. é necessário que ele seja: 1. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. arbitrário. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Uma vez dentro do estabelecimento. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. pois viola o princípio da isonomia. Para esses casos. Objetivo 2. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Quando se fala em princípio da igualdade. 2. razoável e proporcional. em situações diferentes. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Se o critério não for objetivo. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Ex: critério preconceituoso. Não irá fazer concurso para homens participarem. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. 7º. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. 7º. 5º. Mas. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. XXX. É a que está consagrada no caput do art. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa.

Ex: Alíquotas de imposto de renda. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. 112 . Visa uma redução das desigualdades fáticas. Quando se fala em igualdade material.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. surge a questão relacionada às ações afirmativas. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. Para outros autores. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. o critério discriminador seria desproporcional. ☺art. não haverá uma igualdade real. O prof. A tendência é que elas aumentem. e prolongaram as que já existiam. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Então. e os desiguais de forma desigual. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. seria igualdade material. Segundo JAS. Isso é igualdade formal. No caso da Índia. Ex: Cotas para pessoas carentes. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. mas reduzir as desigualdades existentes. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. essas ações deveriam existir por 10 anos. e não à igualdade material. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Para o professor. para tentar reduzir as desigualdades. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Não é uma forma de resolver o problema. 3º. Se o Estado não proporcionar esses direitos. acha que esse argumento não convence. O prof. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Porém. Em princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Tem autores que entendem ser inconstitucional. disse que está ligada à igualdade material. aconteceu o contrário. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Dificilmente. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. A cota deve ser proporcional à população. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. utiliza-se das ações. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. por exemplo. Quando se fala em igualdade material. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. igualdade e fraternidade. Criaram-se outras ações afirmativas. Essas ações não surgiram nos EUA. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. mas é necessário analisar uma série de fatores. 5º c/c art. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Mas. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. mas na Constituição Indiana em 1947. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. pois elas criam uma discriminação reversa. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. essas ações são constitucionais.

.favorece negros de classe média alta. . . previsto no art. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. seja por particulares. Então. No Brasil.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Eles foram libertados.fomenta o racismo e o ódio racial . O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. miscigenada e multicultural. Apesar de ser uma relação entre particulares. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. Juridicamente falando. visa compensar uma dívida histórica. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. seja pelo governo. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. pois já faz parte do próprio critério republicano. sem exceção. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.Poder Legislativo. aberta. Portanto. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. (18/06/09) Argumentos favoráveis: .Eficácia vertical: todos os poderes públicos. Argumentos contrários: . 113 . O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. não sendo necessária essa distinção. A justificativa parece não ser inconstitucional. cientificamente falando. 208. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . .medida imediatista e inapropriada.princípio da isonomia (discriminação reversa). Eles não têm apenas a eficácia vertical. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. são destinatários do princípio da igualdade. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. .em uma sociedade pluralista. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . mas eles não tiveram oportunidade de escola.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. mas também para quem irá elaborar a lei. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. tolerante. Além dessa eficácia. Poder Executivo e Poder Judiciário). de saúde. quando se fala em destinatários. atinge todos os poderes públicos . O problema é com relação à subjetividade do critério. . Isso é uma questão de política pública.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. CF/88. .fere o mérito. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso.

ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. Logo em seguida. Questão de Concurso – Cespe: No art. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Não é um direito absoluto. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. em regra. Pode defender no plano das idéias. ela exerceu o seu direito. é outra questão. ela é constitucional. Protege a mulher. O particular não é obrigado. Se o sujeito será responsabilizado ou não. não deve ser estendida para os homens. 5º. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. o problema é dele. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Apologia ao crime é diferente disso. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. É constitucional? Sim. segundo o professor. em princípio. a lei pode estabelecer distinções. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. ela pode ser responsabilizada. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. Ex: Passeata para legalização da maconha. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. não teria sido recepcionado. de expressar o pensamento. É livre a manifestação de pensamento. O homem não é a parte mais frágil da relação. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. I. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. ele deve licitar. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Ex: art. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Mas. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. IV. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Ex: Lei Maria da Penha. Isso significa que. Não existem direitos absolutos. Logo. Por que a Constituição. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. É uma denúncia feita anonimamente. 100. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. desde que seja para atenuar desníveis existentes. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. ela pressupõe responsabilidade. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Basta ser um critério objetivo e para todos. As provas 114 . discriminatórias. sendo vedado o anonimato. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Para alguns. mas apenas para as mulheres. e violou direitos de terceiros. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. etc. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. CPC – ação de alimentos. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. para outros teria. 5º.

Não se pode admitir que o parlamento. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. ainda 2. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. No Brasil não há uma religião oficial. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. 2. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. O dever funcional da autoridade é investigar. se não há qualquer identificação. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. Porém. o equilíbrio das religiões. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Os templos recebem uma proteção especial. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. Em relação ao culto. com o advento da República. Esta liberdade está consagrada no art. VI. → Alguns temas polêmicos: 115 . A religião desempenha um papel fundamental.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. ela deve ser protegida. Para Habermas. ou de não ter crença em nada. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. 5º. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. apesar de a maioria da população ser católica. houve a total separação entre Estado e Igreja. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. não é o caso do Estado brasileiro. abrangendo a liberdade de crença. Isso significa que. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. CR. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Quando são produzidos pelo próprio acusado. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. deve ocorrer uma “tradução institucional”. Ex: seqüestrador escreve bilhete. de ter crença. A liberdade de consciência é a mais ampla. então. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. pedindo resgate. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Pode fazer um exame grafotécnico. Vejamos: 1. O Estado deve manter-se neutro. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. ele não pode ser admitido. 19. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. desde 1989 (advento da República). por exemplo. há 02 hipóteses em que o STF admite. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. O culto pode ser exercido em qualquer local. I. O Estado brasileiro. inclusive em lugar aberto ao público. Garantir a simetria da liberdade religiosa. CR. e. 2. de crença e de culto. 3. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. desde que não viole o direito de terceiro.

210. Entretanto. 215. §1º. e não à justiça do trabalho – ☺art. Na Alemanha. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. CR). . §2º. há algumas ações. a competência é em relação à cultura. Neste caso. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. a competência é da União. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. e cultura é competência comum – da União. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. 5º. Há um trecho do livro do Dworkin. a neutralidade do Poder Judiciário. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. CR. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. políticos e religiosos. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. onde se tem poucas escolas boas. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Para o prof. são culturais. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. Não teria sentido acabar com esses feriados.. a escola não deve impor ao menino. O tribunal. Portanto. 23. e o aluno optou a se matricular nessa escola. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. VIII. então. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Segundo o prof. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. não poderia ser confessional. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. O 116 . Sendo o Estado brasileiro um estado laico. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”.. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. estados e municípios (☺art. o argumento supracitado não está correto.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. ocorreu um caso muito semelhante. São feriados puramente religiosos. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. que odeia guerra. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Mas. fazendo uma ponderação entre os princípios. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. CR). Entretanto. inegavelmente. logo. imagine uma cidade pequena. Pode um ateu. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. É importante respeitar o ensino de cada um. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa.

ainda. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. 2. A associação. Ex: reunião de condomínio. Quem fará a tradução não é a Igreja. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. Não cumprindo com a obrigação. Há. Criação de partidos políticos. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Liberdade de reunião. Se não houver essa lei. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. ☺art. 5º. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). por sua vez. mas a de permanecer associado. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. CR: Não é só a liberdade de se associar. 5º. IV). A pessoa alega imperativo de consciência. as pessoas se reúnem e. elas vão embora. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Para que as pessoas possam se reunir. A República é o governo das razões. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). 3. o argumento deve ser racionalmente justificado. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). XVI.) 2. Ex: fazer segurança. 5º. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Criação de sindicatos. desviar o trânsito. então. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. CR. de cooperativas. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. CR. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. 15. JAS diz que não são direitos coletivos. XVI. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. não são os religiosos. tem o caráter permanente. Ex. O prof. Segundo Jean Rivero. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. etc. mas os políticos. Por que a CR exige prévio aviso. conforme portaria da ANVISA. XVII e XXI. na forma da lei. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. XXI. mas direitos individuais de expressão coletiva. essa hipótese é de representação processual. 4. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. terminada a reunião. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. não é necessária a autorização estatal. (Não pode reunir pessoas armadas. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. 5º. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. mesmo que em locais abertos ao público. ☺ art. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Criação de associações e. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal.

CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. Segundo o STF. ter um patrimônio mínimo. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). é mais correto. A associação impetra em nome próprio. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). em seu art. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. por exemplo. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. Só pode representar se houver autorização expressa. a função social.. Se ele tem proteção. ☺art. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. ilegítimas. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. como a Constituição garante o direito de propriedade. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. CR) quando ajuíza uma ação. 118 . XXIII. segundo o prof. 8º. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. não pode existir mais de uma federação por território. pode ser dada numa Assembléia Geral. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. mas não pode ajuizar ADI. Ex: Invasões de terra pelo MST. a propriedade terá uma proteção menor. ADC e ADPF. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. LXX. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. tendo um menor peso na ponderação. III. 2. mas faz parte da estrutura desse direito. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. Função Social da propriedade: A CR. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. garante o direito de propriedade. não precisando de autorização expressa. se não for atendida. Segundo JAS. O sindicato (☺art. 5º. Há um outro entendimento que. segundo o qual. segundo o prof. o direito de propriedade pertence ao direito público. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). O Sindicato pode impetrar MS coletivo. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. mas sim contrárias ao direito e. do próprio regime desse direito. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. É o entendimento de Daniel Sarmento. 5º. Segundo o STF. no seu art. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. defendendo direito alheio. XXII. A Constituição não garante o direito à propriedade. Ela só garante o direito de propriedade. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. portanto. Segundo o STF. 5º. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. Em seguida. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Segundo ele. não são legítimas essas invasões. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. O que acontece é que se não cumprir a função social. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. não impede que o direito de propriedade seja protegido.

VII). Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. §2º. o proprietário não tem culpa. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. §4º. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. Os principais aspectos são 2. na desapropriação. No caso de requisição. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Ela faz parte do regime do direito de propriedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. 5º. etc. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. como decorrência do primeiro. XXV) e as militares (☺art. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. ou por interesse social. 2. normalmente. A polícia requisitou determinadas propriedades. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. a indenização será sempre posterior. Vejamos abaixo. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. só haverá indenização se houver dano. Na requisição. indenização por títulos da dívida pública). Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. restringe o caráter absoluto. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. b. CR. A função social. que deve ser prévia. Sempre haverá indenização. 182. deve haver indenização? Não. a saber: a. Propriedade Rural: ☺art. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. O título deve ser entregue antes da desapropriação. em regra. b) ☺ art. por ser inerente ao direito de propriedade. diante de uma emergência. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. como um apartamento. 184. mas sobre a propriedade em si. Como haverá indenização se houver dano. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Além do caráter absoluto. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. 139. Para atender a função social. 186. Vejamos: a) ☺art. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. CR. Ex: caso de Eloá. ela acaba restringindo uma característica da propriedade.000 habitantes (§1°). justa e. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Desapropriação: Diferentemente da requisição. 182. ele não poderá ser prejudicado. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. uma escola pública. há uma transferência compulsória da propriedade. Propriedade Urbana: ☺art. É um aspecto lógico. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. IPTU progressivo no tempo. a saber: por necessidade pública. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. por utilidade pública. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). Logo. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. deverá ser em dinheiro. CF/88: Trata-se de imóvel rural. Sempre que há requisição.

Se ela é produtiva. . CF/88.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Para esse fim. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. não precária. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família).Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. Nesse caso. PU. precisa recorrer ao judiciário). Se ele tiver outro imóvel. Como o confisco é uma sanção. 2. São imunes a impostos (☺art. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. etc. CR). A Constituição não permite – ☺art. 50 hectares. não podem ser adquiridos por usucapião. Na CR. 191.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Só que. Obs. . ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. em Indenização posterior se houver dano. 5º. CR). . ininterrupta. 185. paga em dinheiro). Confisco: No Brasil. Só não podem ser para fins de reforma agrária. É sempre indenizável (justa. 120 . . no máximo. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. possuir o imóvel como se fosse seu. §3° e art. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). 3. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. Necessidades permanentes da sociedade. 184. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). por ter prazo menor. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. emergências da sociedade. no máximo. não há pagamento de indenização.: Imóveis públicos. 243 da CR. 183. Vejamos: . sem oposição. §5º. 243. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. regra. O confisco de propriedade está previsto no art.o morador não pode ter outro imóvel. seja urbano ou rural. Requisição Refere-se a bens e serviços.). o imóvel deve ter. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. pacífica. 250 m2. Usucapião: Na Constituição da República. prévia e. sejam urbanos ou rurais. parágrafo único. os bens serão confiscados – art. é porque ela está cumprindo a sua função social. Necessidades transitórias. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. a propriedade não pode estar cumprindo a função social.

a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. 3. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. mas deve respeitar a coisa julgada. Em resumo. é uma conjugação das duas anteriores. inicial. não era muito democrática). XL. No direito penal. As hipóteses mais importantes são: 1. só que exclusiva para o direito tributário. na verdade. 2. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. não. Durante a vigência desse contrato. etc. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. a lei interpretativa retroage. ato jurídico perfeito e coisa julgada. desde que seja mais benéfica para o réu. outros a interpretavam de maneira (B). autônomo. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Em regra. XXXVI. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. interpretando a lei da maneira (A). CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Alguns a interpretavam de maneira (A). mas que vale especificamente para o direito tributário. Para responder a essa questão. Seria correspondente à primeira hipótese. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Todas as demais o consagraram. média e mínima. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . 5º e no art. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. A garantia existe para a proteção desse direito. b) Retroatividade benigna. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. Retroatividade da Lei Penal. Esta hipótese é. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. 106.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. é necessário diferenciar duas situações. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. a regra também é a não retroatividade (art. A lei interpretativa retroage. a CR/88 entrou em vigor. CR). 5º. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. 5º. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. a saber: 1. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980.

As parcelas podem ser reduzidas e. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. A EC poderia prejudicar direito adquirido. haverá uma retroatividade média. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. b) Retroatividade média: pode ocorrer. ☺Súm. coisa julgada e ato jurídico perfeito.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. mas as leis não. e não as parcelas que compõem o vencimento. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. de acordo com a legislação da época. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. . Portanto. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. ela afeta a todos. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. porque geraria uma insegurança jurídica. até mesmo. . no caso de retroatividade mínima. através de norma de eficácia plena. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Nesse caso. 473. porque geraria uma insegurança jurídica. haverá uma retroatividade máxima. 2. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Não pode haver a redução. É o ato que está apto a produzir os efeitos. É claro que isso não é desejável. Antes de a prestação ser paga. Só que para haver essa retroatividade. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. Após a Constituição de 1988. É claro que isso não é desejável. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. extintas. Se mudar o real.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. Na retroatividade máxima. Havendo mudança de regime jurídico. e não lei em sentido restrito. e não o ato exaurido. portanto. 654 e Súm. automaticamente. Só que para haver essa retroatividade.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. STF. 5º. inclusive as de ordem pública. não há posição prevalecente. Ex: Determinada prestação.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. a Constituição da República entrou em vigor. → Coisa julgada: 122 . Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. interpreta a lei em sentido amplo. será necessário que a Constituição diga expressamente. Ex. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. . Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. mas isso está superado. . O prof. Se a Constituição atingir essa prestação. em regra. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano.

geralmente consagram seus direitos em textura aberta. exigem uma atuação positiva do Estado. por ex. Mas isso não é verdade.☺art. de sociedades pluralistas. 2. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. b) o art. §1º. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. consagrados em NEP ou NEC. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. Dirley Jr. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. como teórico do direito (ou seja. e isso para muitos é um ponto negativo. §1º. são NEL (de princípio programático). Em cada época. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. independentemente da sua natureza.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Assim. o que significa que possuem um caráter positivo. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. como doutrinador. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material.: salário mínimo). Direitos Sociais: 1. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. para dar decisões concretizando tais direitos. mas é apenas a coisa julgada judicial. 5º. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. segundo Robert Alexy. No art. 7º. em regra. 5º. independentemente de qualquer fator. e pelo Min. A administrativa não tem essa proteção. Eficácia: todo direito tem um custo. Eros Grau. Por isso. . Os princípios. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria.. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. nós deveríamos interpretar o art. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. em sua maioria. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. ou seja. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. à medida que a sociedade o determine. e não propriamente como ministro). Já os direitos sociais. são mandados de otimização. . a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. do seu enunciado. Os direitos de defesa são. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. pois são mais facilmente implementados. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. 5º. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Ou seja. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada.

. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. As NEL têm apenas uma eficácia negativa.). legítimas (saúde. por ex. por ex. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. não geram direitos subjetivos. que estamos buscando. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. A visão do juiz é bilateral. implicitamente. . previdência.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. as normas possuem uma textura aberta. pois. etc. Por isso.. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . segurança. Esses direitos sociais não teriam. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. só porque recorreram ao PJ. em tese. Assim. Obs. rodovias. Em outros lugares. Norma de direito social não gera direito subjetivo.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. por ser norma programática. Portanto. Como têm apenas eficácia negativa. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. 3ª fase: é a fase desejável. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. essa atuação talvez não seja tão justa. trabalho. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. educação. lazer. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. normatividade. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. Pedro Taques).). quando foi dado um maior papel ao PJ. é importante definir tais critérios. Primeiramente. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. Esse entendimento já foi superado. todas. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. doutrinador do RS. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. pois. assim. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. Quando se fala em direitos sociais. O que se busca. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ.000. Argumentos contrários à intervenção judicial: . A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática.000.

Assim. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. . Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). pois. inclusive a minoria. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. A reserva do possível. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. no que diz respeito aos direitos sociais. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. segundo Ingo Sarlet.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. De se ver que quando se fala em direitos sociais. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. Não é o entendimento que prevalece. eleições periódicas. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Os direitos sociais estão consagrados em normas. Se não se estabelecer os critérios. . entra-se muito nas questões ideológicas. ou seja. teríamos a maior utilização das ações coletivas. não se encaixaria na realidade brasileira. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). saber se a demanda é razoável. sufrágio universal. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. em 1972. eles acabariam sendo inviabilizados. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado).Caráter normativo da constituição. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Mas. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. É preciso. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. 125 . . Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. em razão do Princípio da Igualdade. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. Ademais. em razão das limitações orçamentárias existentes. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. por isso. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. e é muito utilizada no Brasil.A democracia não é apenas vontade da maioria.Déficit democrático das instituições representativas. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. Esses argumentos são os que devem prosperar. mas a todos que se encontrem na mesma situação. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Se um poder se encolhe. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. o outro cresce.

É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Outros autores já falam apenas em saúde. depende de cada época e de cada sociedade. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. A efetividade passa pela sociedade. . essa concretização. quando se estabelece o mínimo existencial. é o entendimento mais adequado. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. que é a corte suprema na Alemanha. da liberdade material e do princípio do estado social. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. maior o risco de não ter efetividade. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. educação e moradia. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. . Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. No Brasil. saúde. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. precisam ser concretizados. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. A reserva do possível é uma matéria de direito público. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. em razão de sua textura aberta. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. etc. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. Se não definir o conteúdo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. que existem z pessoas na mesma situação. Segundo o prof. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. mas deve também ser provada. pelo cumprimento voluntário da constituição. mas teria um peso maior na ponderação. por ser necessária para a 126 . II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. que a demanda custa y. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Assim.. é o mínimo existencial. Segundo Ricardo Lobo Torres. a questão da efetividade será prejudicada. Vejamos: 1. Ou seja. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Por que falamos em “mínimo”. Segundo Ana Paula de Barcellos. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. em 1953.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Não é o máximo desejado. 2. assistência em caso de necessidade.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais.

estatístico. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. haver uma redução do grau de concretização. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. Ele tem. JAS. e do Estado Democrático e Social de Direito. §1º. independentemente da nacionalidade.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. e. Há dois posicionamentos quanto ao tema. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. históricos. 2) posicionamento de um autor português. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. irão concretizar os direitos sociais. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. 5º. assim. População está relacionada ao conceito demográfico. costumes. que significa nação. Todos que moram no Brasil. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. A partir do momento que um direito social é concretizado. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. da máxima efetividade (art. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. Ex. Pode. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. o que prejudicaria a sociedade. língua. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. passaria a fazer parte do próprio direito social. já dizia algo muito semelhante. Os poderes públicos. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. fala-se em vedação do retrocesso social. Segundo ele. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. ao estudar as normas de princípios programáticos. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. Por isso. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. segundo ele. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. um pensamento mais flexível sobre o tema. da dignidade da pessoa humana. consciência coletiva. esse prazo não pode mais ser reduzido. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. de acordo com a necessidade. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. pois. só ampliado. CR). que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). haveria um engessamento do legislador e do PE. fazem parte da população brasileira. 127 . entre eles: laços culturais. não pode haver uma redução dessa concretização.

considera a nacionalidade dos pais. 12. II) Jus Sanguinis: ascendência. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 12. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. I. b). De acordo com o critério sanguíneo.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. I. desde que haja reciprocidade. art. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). Pelo critério funcional. estrangeiros residentes. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Refere-se aos brasileiros natos. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. A EC 54 alterou o art. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. II) Naturalização expressa (art. É geralmente adotada por países que estão em formação. por uma questão de soberania nacional. a).Quase nacionalidade (art. 227. Refere-se aos brasileiros naturalizados.Diferenças de tratamento 128 . Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. 12. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. I. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. 12. . não há direito público subjetivo. o filho terá nacionalidade brasileira.815/80. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. É o caso do Brasil. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). há direito público subjetivo do estrangeiro. os pais têm que ser brasileiros. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. se não se manifestarem contrariamente. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. CF/88. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). 12. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. . As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. de acordo com o art. 112 e 115. Quando a pessoa é nascida no Brasil. terá naturalidade brasileira. Obs. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. não haver condenação penal e requerimento do interessado. §6°. c. Neste caso. adquirem a nacionalidade do país onde residem. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. Se o casal estiver a serviço de outro país. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros.

Mas. Se o estado desrespeita essa regra. §4°. . a ela aplica-se a súmula 1. vice. CF/88). 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. 12. No caso de brasileiro naturalizado.Perda da nacionalidade (art. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. 5°. . Princípios relacionados à extradição: .Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. portanto. não se poderá invadir esse estado. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. ou que tenha filho brasileiro. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. Já na entrega. Mas. d) Extradição (art. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. 12. dependente da economia paterna. §3°).linha sucessória do presidente da república: PR. XL. Na extradição. A deportação está mais próxima da expulsão. . em razão da soberania nacional. 12. 65 da lei 6. CF/88): 129 . STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. . presidente do SF. no entanto. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional.segurança nacional: oficial das forças armadas. Os critérios utilizados são: .815 (ato nocivo ao interesse nacional). b) 6 assentos do Conselho da República (art. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Importante analisar a Súmula 421. §2°. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. 5°. 89. em razão da superioridade da Constituição. 5°. presidente da CD. Não se pode.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. cria-se um problema de relação internacional. . Expulsão: consiste na retirada a forca. do território brasileiro.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. só poderá ser extraditado: . confundir a súmula acima com a seguinte. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art.

e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. 130 . 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. e não requisitos preconceituosos. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. §1º).: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824).é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. Servem ao controle do próprio direito. 81. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos.tem valor igual para todos: “one man. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). Só se aplica ao brasileiro naturalizado. . Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. one vote”. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???).é periódico: essa periodicidade do voto. 14. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. perderá a nacionalidade brasileira. salvo se por meio de ação rescisória. na forma da lei (que ainda não existe). . é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). nacionalidade e alistamento. 14. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. inclusive sendo cláusula pétrea. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. Características que o voto possui no Brasil: . Além dessas características do voto. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. A CR/88 adota o sufrágio universal. o sufrágio censitário (ex. ou seja. voto é o exercício desse direito.é direto: é a regra. é o direito político em si. . readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. caput).é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. Direitos Políticos: . que exige uma alternância de poder. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. Para JAS. salvo nos casos das alíneas a e b. §1º. São requisitos apenas técnico-formais. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. com uma única exceção: art. pelo CN. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. é o direito de votar (e não de ser votado). com a realização de eleições periódicas. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. one vote” – “one person.

14. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). §7º . São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . 14. 14. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. assim. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. etc. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. §8º). 14.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. Quando a Constituição fala apenas em lei. 12. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. 14 traz um questionamento. até que se atinja a plena cidadania. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). Ex. ela é adquirida progressivamente. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. os inalistáveis são os estrangeiros. que geralmente admitem desincompatibilização.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. Mas o §9º do art. salvo se já titular do cargo. a inelegibilidade em relação aos militares (art. 14). ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). No Brasil. §3º? Segundo o STF. §3º. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. ☺ar. ou seja. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. §1º). . é o direito da pessoa ser votada. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. então. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. com exceção dos portugueses equiparados. no governo de SP). dentistas. . Além dessas condições relativas à idade mínima. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. ou seja. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. do art.☺§3º.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). domicílio eleitoral na circunscrição. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . trata-se de lei ordinária. em caso de reeleição. §5º . filiação partidária.é conhecida como inelegibilidade reflexa. 14. no caso do art. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. 14. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. se houver reciprocidade (art. Assim. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). Primeiramente. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva).

seus parentes também poderiam ser candidatos. 132 . 5º. VIII). nos termos do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. III e V) são hipóteses de suspensão. mas o prof. o prof. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. 15. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. não há como readquirir os direitos políticos). CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. 15. portanto. I. A doutrina (JAS. Kildare. Todas as outras hipóteses do art. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. 15 (incisos II. e quanto a isso não há divergência doutrinária. é algo temporário. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. Com base nessa distinção.

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