Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. e que se encontra acima dos detentores do poder. uma teoria normativa da política. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. no fundo. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. mas também de outros assuntos. um claro juízo de valor. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. em sentido jurídico. É. como sociológica: “em termos jurídicos. Neste sentido. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. 4 . preferindo falar em “movimentos constitucionais”. então. assim. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. e. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. sociologicamente. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. Tem-se utilizado. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. reporta-se a um sistema normativo. como o inglês. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. do estado e das instituições democráticas. em especial limitar o poder arbitrário. Numa vertente mais restrita. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. mas proteger direitos. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. numa terceira acepção possível. Partindo. a defesa da Constituição. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. o local e a época. Kildare Gonçalves Carvalho. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. o americano e o francês. O conceito de constitucionalismo transporta. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. enfeixado na Constituição. Numa segunda acepção. por seu turno. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. E para isso. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. os fins socioeconômicos do Estado.

A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. 1. 2. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. b. Por isso. porém. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. integram-no.surgiu em substituição ao governo dos homens. • Separação dos poderes. d. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Foi uma retrospectiva do direito Grego. em 1791. se contrapõe ao absolutismo. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Garantia jurisdicional. ii. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Grécia antiga: democracia constitucional. em 1787. após a Independência das 13 Colônias. e da França. quem. Estabelece as regras do jogo político. ii. a. • Princípio do governo limitado. a partir da Revolução Francesa. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. desde logo. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Foi a mais avançada forma de governo. b. Roma: idéia de liberdade. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. (Livro do Alexandre de Morais). Como ressaltado por Jorge Miranda. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Governo limitado. Inglaterra: rule of law – governo das leis . fases pelas quais passou a constituição. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Influenciaram o direito francês e americano. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Atribui competências aos três poderes. A democracia é a representação da vontade da maioria. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. como e até onde pode mandar. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. c. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Estado Hebreu: estado teocrático. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Foi a 1ª experiência constitucional. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Hoje.

Novas idéias foram surgindo. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Constituições da democracia marxista ou socialista. Constituições da democracia social. XIX. 4. ligada à idéia de liberdade. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Separação de poderes. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. 3. c. Idéias principais: i.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Segundo a tradição francesa. XX). ou seja. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. os costumes 6 . Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Constituições da democracia racionalizada. sem força vinculante. diretrizes. na época das Revoluções Liberais. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. as constituições tinham caráter mais político. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. A partir dessas novas idéias. direitos fundamentais. aplica-se a analogia. estarão subordinados a ela. Começou a se falar em um direito moral. b. a. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). d. Força normativa da constituição: antes. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. c. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Todos os poderes constituídos (PL. a maioria da nação. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. PE e PJ). algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Ex. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. ii. foi o Abade Sieyès. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Constituições de países subdesenvolvidos. havia regras. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. estabelecendo diretrizes. b. Hoje. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Rússia. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. O ser humano é um fim em si mesmo. Garantia de direitos. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Eram apenas uma diretriz. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. as quais são denominadas por pós-positivismo. estabelecidos pela Constituição. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo.

Os princípios. d. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. b. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Na jurisprudência do STF. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Consenso. e.. f. Integração. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. fidelidade partidária. g. Mas essa é uma posição muito radical. de uma forma geral. Não se aplica diretamente a constituição. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Para Barroso. EUA: nós estamos submetidos à constituição. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais.  Aplicação direta da constituição. Hoje. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. os princípios. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. aplica-se a regra específica. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Participação. Na Itália. demarcação de reservas indígenas. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Entre uma regra específica e um princípio geral. união homoafetiva. Para Paulo Bonavides. Hoje. Quando o legislativo é fraco. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). etc. pois esta é a concretização de um princípio geral. há uma euforia dos princípios. Universalização. tratado internacional tinha status de lei ordinária. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. espuma do chopp.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Ele atua como legislador negativo e positivo. cotas em universidades. Eles são importantes. o judiciário aumenta sua força.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. etc. A aplicação da norma se dá pela subsunção. mas quem dirá o que ela é. c. Teoria Concretista Geral. que é aplicada mais às regras. é o judiciário. Constitucionalismo do futuro. aborto no caso da acrania. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). são aplicados através de ponderação entre os princípios. Verdade. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Continuidade. Solidariedade. verticalização. Ex. é o juiz. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. • • 5. 7 .

II e III. o exercício deste poder. CR) e. com valor igual para todos. Bill of Rights de 1689. então. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. que são os deputados federais (âmbito federal).U. a solidariedade. cujo titular é o povo. Contratos de colonização. Fundamental Orders of Connecticut (1662). O titular do poder é o povo. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. a verdade. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). a participação. Como regra. Podemos falar. caput. referendo e iniciativa popular”. de forma expressa. Vale dizer. por intermédio de seus representantes. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). de soberania popular. do art. 1º. o P. a continuidade. pertinentes. Compact (1620). Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. portanto. Carta outorgada por Carlos II (1662). os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). 46. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. dá-se através dos representantes do povo. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). 14. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). CR). Petition of Rights de 1628. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. concretizando a soberania popular. Habeas Corpus Act de 1679. mediante: plebiscito. Assim. Act of Settlement de 1701. que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . I. de acordo com o art. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa.709/98 (que regulamentou o art. nos termos deste lei e das normas constitucionais. segundo o art. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. CR. verdadeiro sistema híbrido. 1º da Lei 9. nos termos desta Constituição”.

o caráter normativo e vinculante da Constituição. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). ou seja. na política ou na filosofia). têm a mesma forma de elaboração). 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. para ele. é vinculante e obrigatória. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). conforme o prisma de análise. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). Para entender tal concepção. na sociologia. que surgiram com as constituições mais prolixas. Segundo ele. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. PJ. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. Esta é a concepção que hoje prevalece. → Segundo Hans Kelsen. a Constituição é norma pura. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais.: art. Toda a Constituição. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). O art. PL. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. que adota o conceito decisionista de constituição. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . §2º. não passaria de uma simples “folha de papel”. a que Carl Schmitt chama de Constituição. mas apenas leis constitucionais. portanto. A Constituição Escrita. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Essas normas são programáticas. ou seja. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. A conferência realizada por ele. Esta concepção atualmente é inadmissível. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. 242. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Os fins do Estado são diferentes de estrutura.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. caso contrário. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. os direitos fundamentais. o restante. mas materialmente distintas. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. 1°. com exceção do Preâmbulo. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. Constituição e leis constitucionais são. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. como por ex.. quando não corresponde à Real. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. As leis constitucionais são todo o restante. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita.

Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. por isso não tem nenhum expoente específico. a Constituição tem sim fundamento sociológico. não está escrita. mas que trata de todos os aspectos.Território. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. todos os setores da vida social. ao mesmo tempo. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. A CR/88. Ou seja. é uma norma pressuposta. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. e também jurídico. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). define tais elementos estruturais. segundo esta concepção. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. é apenas uma pressuposição. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. Seu único comando. é a Constituição escrita (CR/88). qual seja. quais sejam: .Finalidade. . a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. . neste sentido. . 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. portanto. não introduz nenhuma novidade. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. condicionante desta mesma cultura. Gilmar Mendes). 10 .a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento).Soberania. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. ela não existe na realidade.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. modificando-a. é um elemento conformador.Povo. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . é: todos devem obedecer a Constituição. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. . posta pelo Estado). desde que observadas as regras colocadas pelo Originário.

Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. Ex. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. 1967. promulgada. tem também vários documentos escritos. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição.: as constituições outorgadas recebem. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. 11 . surge em um só momento. a Constituição Inglesa.. há pouco espaço para se ter costumes como regras. quem vota a matéria são as lideranças. . podendo ser: . 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior).não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. como por ex. ou variadas): ex. as constituições outorgadas foram as de 1824. . por alguns estudiosos. . Nesse caso.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. No Brasil. de maneira unilateral. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. Constituição Espanhola/1930. de uma só vez. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). pelo agente revolucionário (grupo ou governante). . como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). 4) *Quanto ao modo de elaboração: . Por isso mesmo. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. trata-se de modalidade anacrônica. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). 1937. consuetudinária (não é escrita).histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. pois toda constituição é escrita e não-escrita. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. não surge de uma só vez em um só momento. .não codificadas (ou legais.outorgada: é a constituição imposta. É uma aprovação simbólica).. o apelido de “Cartas Constitucionais”. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. toda Constituição histórica é costumeira. Obs. a constituição não se torna democrática. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. é fruto das idéias. 3) Quanto à origem: . Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. e como é bastante prolixa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. por ex. .democrática. votada.dogmática: sempre escrita.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina.: art. Constituição Inglesa. passou a haver hierarquia entre as normas. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. . Ex. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais.) .fixas: não poderiam ser modificadas. mas sim o processo mais dificultoso. sendo assim. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. Como se submete a esse tratado internacional.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. sem se preocupar com os detalhes. 1º. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. . E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). como é o caso da CR/88. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 .constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. Ex. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Por este motivo. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Ex. (Obs. Em 2000. ou seja.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). Não existe controle de constitucionalidade das leis. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. portanto muito difícil de serem modificadas. . É uma classificação típica das constituições costumeiras. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . CR).: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) .: a Constituição dos EUA). São chamadas também de clássicas. inclusive a CR/88). sucintas. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. É uma constituição em sentido formal. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. deixou de ser considerada flexível. É uma constituição em sentido material. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. . . mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis.

o Municípios. Característica das constituições clássicas. democrática. como por ex. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Ecléticas. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). e não de apenas uma ideologia. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). costumeiras ou consuetudinárias).: art. União. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. Constituição programática (ou dirigente). a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. Democráticas (populares. Canotilho. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). votadas ou promulgadas). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. o Estados. Rígidas.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. codificada. mas sim uma obrigatoriedade!). (processo legislativo). CR.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. pois valem a todos os entes federados. OBS. Constituição em sentido formal. básicas ou clássicas). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. Fixas. sucintas. Flexíveis (ou plásticas). • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Não-escritas (inorgânicas. 59 e segs. . formal. que surgiram com um objetivo pré-definido. Históricas. o União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 13 . Ex. dogmática. sumárias. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). prolixa. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas.: art. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). o DF. rígida (ou super-rígida). 3º. porque é fruto de várias ideologias. dogmáticas. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Pactuadas (ou pactuais).: a CR/88 é ainda Eclética. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. É a CR/88.

eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. ordinárias e complementares). No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. que existem como complementação dos ANP). obrigatoriamente escrita.: decretos e regulamentos. que a CR/88. CR). O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. tem de ser. direitos fundamentais ou não. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. as derivadas (art. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. Para que exista supremacia formal. estaduais. 59. §3º). DL e Resoluções – ☺art. II a VII). basicamente. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. as leis delegadas. o indireto. MP. para fins de controle de constitucionalidade. distritais e municipais. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. a Constituição tem que ser rígida. Leis Delegadas. 5º. uma Constituição só possui relevância sociológica. LC. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. a Constituição. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. por ser rígida. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. No topo. se tiver também supremacia formal. cujo fundamento de validade são as leis e. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. No entanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. por 3 níveis hierárquicos. princípios ou regras. enquanto as regras são mais específicas. as medidas provisórias. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. 59. Importa dizer.343/SP. porque os princípios têm maior amplitude. encontram-se as normas constitucionais originárias. sejam elas originárias ou derivadas. 59. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO.

Leis delegadas. Quando não exigir LC. No entanto.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. No caso da prisão civil por dívida. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes .☺Art. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 69. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Essa aprovação não é obrigatória. Anotar como complemento posteriormente.☺Art. Reservada pela CR/88. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Cabe controle de legalidade (discussão incidental). Lei ordinária Art. a previsão constitucional exige complementação. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. 47. por uma questão de economia legislativa. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Por ser uma matéria reservada. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). mas somente uma recomendação.status constitucional. MPs. Não varia. é sempre o mesmo número ☺Art. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. 69. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Portanto. que regula a LC. OBS: O art. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Residual. 47 é a regra geral. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição.

Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. Parei aqui. a competência para resolução é do STF. III. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. Hierarquia entre Lei Federal. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). DF). a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. Assim. no caso de repartição vertical. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. conforme previsto no art. 102. 30 (assunto de interesse local). 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. 25. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). 16 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. 21. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. • Estado – ☺Art. pois não está ligada diretamente à Constituição. assim. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar.: lei estadual trata de matéria de competência da União). não cabe ADIN. • União – ☺Arts. E. há hierarquia. CR. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. d. ☺Art. Havendo conflito (ex. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Assim. como o controle exercido será de constitucionalidade.

Assim. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. como para Canotilho. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). mas também o preâmbulo. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. o CDC. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. contudo. Como não tem caráter normativo. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). quando são equivalentes às EC. ou seja.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. . Com a EC/45. . deve estar inserida no texto da CR. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. Tirando o preâmbulo. .Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. seja uma norma de referência para ele. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. visando assegurar a supremacia da constituição. etc. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. é diretriz hermenêutica. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. 17 . b) Parte permanente = normas gerais – arts. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. Não existe. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. Refere-se. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Abrangeria não somente a constituição. os TI de direitos humanos. portanto. tem função interpretativa).

Assim. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). CR). Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). as Súm. 18 . AIO.de princípio institutivo (Obs. não será cabível mandado de injunção.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. aliás. Não Auto-aplicável. Não Auto-executável. . ou seja.: a Súm. se considerar em relação a uma expressão é total. ADC e ADPF. Obs. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. I – que exige LC para instituir impostos residuais). não pode ser suprido pela sua sanção).: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). ocorre. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . 3. e Não Bastante em Si.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. STF não é mais aplicada.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. art. Assim. Aqui. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. A omissão parcial nada mais é que uma ação. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Ex. às vezes.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. o Min. No STF. quando não é respeitada uma norma de competência. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. ADI. ou seja. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial.de princípio programático. há uma divergência na doutrina. 4 e 5. Pode ser: . 5. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. (Obs.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. 61. mas o prof. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. 3. mas caberá ADIN por omissão). Ou seja. 5° a 17). Ex. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). pois. §1º. 3. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. Ex. .2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma.: competência privativa do PR (☺art. MI. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. Dependem do prisma de observação. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. 154. Formas de Inconstitucionalidade: 3.

2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. atos previstos no art. já sendo inconstitucional desde a sua origem. aos Atos Normativos Primários. a inconstitucionalidade será indireta. que se ligam indiretamente à constituição. todo parágrafo. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. decretos regulamentares. ou seja. não se trata de revogação. § 2°). o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração.: a palavra “não”. o decreto se torna inconstitucional.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88).: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. pois. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. Relaciona-se. 66.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. No caso do decreto. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. que só pode atingir todo artigo. Obs. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. refere-se. ou seja. toda alínea ou todo inciso (☺art. ato originariamente constitucional. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. reflexamente (ou de maneira 19 . que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). pode ser questionado. 3. de ofício ou a requerimento da parte. Ex. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Assim. 59. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. Quando se fala em inconstitucionalidade.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. como altera sentido do texto. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). Segundo STF. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. CR. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. não pode ser retirada).4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. Se o decreto é ilegal. Ex. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. No caso da lei. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. Para o prof. b. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. Pode ser: b. no controle concentrado abstrato. a inconstitucionalidade será direta. e grande parte da doutrina.

. segundo o STF. a inconstitucionalidade é indireta. O único legitimado para impetrar esse MS. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. já que de maneira indireta. O veto tem que ser expresso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. . 66. porque o ato não fere diretamente a CR).Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. Art. 84.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. No 1° caso. é excepcional. Trata se de um controle incidental. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. parágrafo. O veto é relativo. o projeto 20 . tem fundamento de validade indireto. OBS: não adianta decorar o nome do ato. Caso contrário. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. embora participe do processo legislativo. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. O chefe do PE. EX:art. porque ele é o único que participa do processo legislativo. CR. IV. se ele entender que o projeto é inconstitucional. por isso ocorre antes da promulgação da lei. como pelo PE e PJ: . mas sim analisar cada caso concreto. ele não precisaria impetrar o MS. quando ele participa do processo legislativo. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. pois pode ser derrubado (☺art. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. mas uma mera análise política. §2º.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. portanto. porque o chefe do PE. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. ela não está violando o direito de ninguém). prevenir que a CR seja violada. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. 60 parag 4. assim. viola o art. IV . por isso aqui não há que se falar em controle). 66. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias).sancionar. a inconstitucionalidade será direta. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. Obs. é fundamento de validade direto e no 2° caso. 84.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo).: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. que se exerce através do veto (☺art.ou concreto. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. . promulgar e fazer publicar as leis. CR). não pode impetrar o MS. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. inciso ou alínea).

um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. Na verdade.. 21 . Leitura do livro do Lenza (pág. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. vinculam os atos e procedimentos legislativos.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. V . o CN poderá editar um outro ato normativo primário. 49. No entanto. que. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. Assim. na qual o projeto esteja tramitando. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. 60. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. V. o voto direto. ADC ou ADPF. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. que entende que “. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. muito embora não sejam formalmente constitucionais. e as normas do RI são questões interna corporis). Se o projeto tramita na CD. somente o Deputado Estadual. ☺art. que é o chamado Decreto Legislativo. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). a separação dos poderes. mas um processo legislativo constitucional. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. Legislativo? Sim.. pois não se trata de ato normativo. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. as cláusulas pétreas. 168): o STF. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. §4º. universal e periódico. não lhe cabendo. por maioria de votos. na linha do voto de Gilmar Mendes. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. se está no Senado. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. pode ajuizar uma ADI. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. já que trata-se de um ato normativo. Ademais. interpretações regimentais. os direitos e garantias individuais” – ou seja. etc. aos direitos fundamentais”. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. desta feita. secreto. a fim de repará-la. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. Questão: o PR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. o PR elaborará então a LD. mormente. CR.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. se na Assembléia Legislativa. o Senador. constituindo-se normas constitucionais interpostas. ou seja. tendo como objeto esse Dec. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. em um primeiro momento. 68. vedando-se. contudo. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos.

Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. tampouco que o PR. é necessário fazer-se um controle repressivo). não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Após a CR/88. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. ao negar cumprimento à lei. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. III) Súmula 347. o chefe do PE teria que. quando. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. CR). estudado de forma detalhada a seguir. Apenas excepcionalmente. ajuizar uma ADI. nesse caso. por ex. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência).. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). CR). 4.. O chefe do PE (e só ele – PR. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. 84. nesse caso o CN pode editar um Dec. No entanto. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. Gilmar Mendes. STF: o Tribunal de Contas. Legislativo para sustar. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. ao fazer um Decreto Regulamentar. Assim. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. exorbita os limites do Poder Regulamentar. pois. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. não é um entendimento consolidado. 71. Desde já. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. ou seja. no exercício de suas atribuições. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. .. clara e evidente – ou seja. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. não havia relevância alguma). pode o PJ analisar tais pressupostos. simultaneamente. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). II) art. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. esse rol foi ampliado. GE. mas segundo o Min. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. IV. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. Ele será. O TC é órgão auxiliar do PL (art. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta).O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. através da edição de um Decreto. Antes da CR/88. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. ela deve ser objeto de controle. porém.084). Como compatibilizar o crime de responsabilidade. . mas tão somente aos prefeitos. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. já no STJ não há qualquer ressalva.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. 62. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . segundo o STF? Resposta: em regra. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. Não se analisa o mérito da MP). Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF.

já na CR/88. em se tratando de lei nacional. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. ao mesmo tempo. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. dentro de sua competência. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. Ex. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). É também chamado de controle aberto. Primeiro caso. se se tratar de lei local. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. isso não é verdade. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. o controle é feito pelo PL. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. Por isso. Obs. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. quem exerce o controle é o PJ.: França – que tem o Conselho Constitucional. 1792 Hayburn s case. com 19 anos de Constituição. difuso e concentrado).Hilton x U. em 1803. em 1920 (bem depois do controle difuso). No Brasil. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). porque significam coisas diferentes!). Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). para não gerar essa confusão. que completa este ano 20. haviam sido feitas apenas 16 EC. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. Segundo caso.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). porque surgiu nos EUA.: na Suíça. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais.S. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. e é adotado pela maioria dos países europeus. interessante: em 1965. ou seja. Por isso. inclusive o STF). mas das espécies de controle. já foram feitas 56 EC! 23 .A. porque surgiu na Áustria. 4.

Gilmar Mendes. mas deve ser estendido ao controle concreto). é proteger as normas da CR. Segundo este instituto. ou seja. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. sendo o controle 24 . corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. e a partir desse antecedente. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. nos EUA chamado de “Binding Effect”. (O STF é o guardião da CR – art. O efeito vertical. 102. Da mesma forma. A finalidade não se confunde com a competência. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. porque em estando revogada. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). A análise da lei sempre será feita em tese.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. No Brasil. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. 97. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. por ser uma relação vertical. mas tão somente de controle concreto. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. já não ameaça mais a supremacia da constituição. Por isso o Min. o principal defensor dessa tendência é o Min. Com base nesse argumento. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). se fala em efeito vertical. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. também não podem ser objeto de controle abstrato. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Este efeito é típico do controle abstrato. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. ou tendência de verticalização. No direito brasileiro. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”.

viola o princípio da igualdade. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. No Acre. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. Por fim. No Legislativo: Mas. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. então não sabemos a posição dos demais ministros. Eros Grau. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. que deu provimento à reclamação. Por fim. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. não permite essa mutação). O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Na decisão do STF. Assim. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. não uma simples mutação. CR. Então. Pois no controle difuso. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. Gilmar Mendes (e também o Min. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. e não erga omnes. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. ou seja. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. ainda.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. do PL. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. Gilmar Mendes.917/SP. em ocorrendo isso. 52. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. ou seja. em seu voto. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Então o Min. segundo ele. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. se assim fosse.335/AC). Não houve reclamação quanto a essa decisão. X. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. tendo efeito apenas inter partes. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. E. pelo menos por parte de alguns ministros. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Gilmar Mendes. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. o direito de greve dos servidores públicos. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. 4. houve decisões proferidas em 3 MI (712. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). ou seja. Outra situação interessante foi o RE 197.959/SP. o Min. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. 25 . um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. O Relator da Reclamação foi o Min. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. Antes. sendo acompanhado pelo Min. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. Assim. ou seja. sem que ocorra modificação no seu texto. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. como a decisão tem efeitos inter partes.

analisado no dispositivo (conseqüente). O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. 102.art. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. O papel do STF não é julgar litígios individuais. por sua vez. é uma questão incidental. atualmente. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. a rigor. político ou jurídico. No controle concreto. julgando-o procedente ou improcedente. não precisam chegar até o STF. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). não tem natureza processual como as súmulas comuns. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . ou seja. eles não se reúnem fisicamente. concorda com isso). já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei.418/06). pois tem o papel de guardião da Constituição. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. 103-A). A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. A súmula vinculante tem natureza constitucional. por estarem mais próximos dos indivíduos. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. é um instrumento de controle concreto e há. o que se dá no “plenário virtual”. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. § 3°. somando-se os votos de todos eles. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. 26 . (☺ Lei 11. Segundo Eduardo Appio. fundamentação e dispositivo. não cabe ao STF analisar. A repercussão geral (art. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. não é o objeto principal do pedido. mas apenas a causa de pedir (antecedente).1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. social. estão os procedimentalistas. O RE. Num segundo momento (conseqüente). Contrários a essa tendência de abstrativização.417/0 e Lei 11.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE.

se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. 5. P. secundárias do julgado. Ademais. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. a chamada eficácia vinculante. questões ditas de passagem. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. . Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . 102. 27 . mas também à fundamentação. 10. ou seja. . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). . há previsão não só na lei como também na CR). . 28. sejam particulares. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.Lei 9.Lei 9.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. art.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos.I. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. sejam poderes públicos. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. Sendo assim.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. Dispositivo L. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. . a razão determinante da decisão.: . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. art. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”.868/99 – Lei da ADI e da ADC. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. mas tão somente a ratio decidendi. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes.erga omnes . ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.EC 45/04: art. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. conforme está previsto no caput do art.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . §2º. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes).vinculante. não determinantes para a decisão) não vinculam. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . 102. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. eles também são vinculantes. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. e ele se encontra no Dispositivo.882/99 – ADPF.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.U.

Por este entendimento. no caso Marbury x Madison). que se quiser. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. mas sim fiscalizatória. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. .Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. mas os sistemas de preclusão processual. se as leis devem ser cumpridas. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. impedida de evoluir). Respeitando o efeito vinculante. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. 28 . .3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. outros dizem ser nulo. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. cuja função não é legislativa. mesmo que não tenham sido impugnadas. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. segundo o prof. estes estarão sim vinculados).) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. a função legislativa). também fica vinculado). (20/03/09) 5. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. já os órgãos fracionários do STF. . pode modificar seu entendimento. por sua vez. pois atinge apenas o dispositivo.o PL (na verdade.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. Só atinge a norma impugnada. . é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. e outros dizem ser um ato anulável. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . até que o PJ a declare inconstitucional. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. É um entendimento que vem desde 1. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. como a coisa julgada. Obs. No entanto. inclusive o Tribunal de Contas. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. estadual e municipal). não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. . suas turmas e seus ministros. inclusive os chefes do PE.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos.

e não no de não-recepção).). porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). com seus normais efeitos ex tunc.868/92 (art. Exs. com inteiro teor). ou 2) excepcional interesse social. decidiu que.)”. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade.Normas anteriores à CR. como os servidores agiram de boa-fé. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min.112/90. Lei 9. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. Mas. o Min. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. Assim. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. não admite a “constitucionalização superveniente”. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto.882/92 (art. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. não precisariam deixar os cargos. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. Neste caso. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). como a Lei 9. O STF. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. que revogou a Lei A. 27. o efeito que produzirá.. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). os efeitos são erga omnes). 27). uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. o STF. assim. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. 11). por questão de segurança jurídica.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo.. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. autor e réu.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. Visto a natureza do ato inconstitucional.” . como regra é retroativo: ex tunc. etc. portanto. ☺RE 197.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. ☺art. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção).917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. poderá o STF. . quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. Ou seja. portanto. porque o ato é nulo desde a sua origem. . no caso do controle abstrato. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato).

Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). com um só sentido). Ex. um significado A e um B.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. quanto . esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva).Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck.Corresponde a um juízo de .1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. à medida que a situação fática for alterada. Ex. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. e a norma já foi recepcionada pela CR e. portanto foi recepcionada. para que este corrija a norma. Segundo o STF. portanto.Corresponde a um juízo de . sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. mas. o resultado será o mesmo. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). com condições de trabalho iguais às do MP. Assim. mas sua interpretação). 134. CR x art. constitucionalidade. Em alguns casos. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. entende-se que a norma (B) é inconstitucional.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. 68. . A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. portanto. ex. ela progressivamente se tornará inconstitucional). Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva.O Tribunal precisaria observar . e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). evitando a inconstitucionalidade progressiva. depois de ter sido recepcionada. CPP. quando todos os Estados tiverem DP. de fato. (A norma já passou pelo crivo da constituição. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). chamada “Apelo ao Legislador”.2: art. . era uma questão “obter dictum”. controle difuso-concreto. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. 5. mas nem sempre. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. pelo MP – a competência é da DP e não do MP.O Tribunal não precisaria 30 . o prof. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca.: a norma x tem dois significados possíveis. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. assim. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. que trata da ação de reparação ex delicto. reproduzida pelo STF). nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. não foram todos os ministros que se manifestaram). em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.

diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. em regra. (*) Para o STF. dentro de uma mesma lei). não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). b.É permitida uma interpretação e. não poderá. 1º ou do art. 2º. desde que não altere o sentido do restante da norma. b) Com redução de texto: b. Há um Decreto que está regulamentando esta lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. são excluídas as demais. 97).Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. se for um dispositivo autônomo. de ofício. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). 1º e 3º e. mesmo que não tenha sido questionado. por arrastamento.É excluída uma determinada interpretação. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). Assim. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. 2º.Não há qualquer modificação no texto da norma. no controle concreto. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. da Lei x. Na declaração com redução de texto. .Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. . 2º for dependente do art. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. em princípio. .2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. . 2º. como ambas são equivalentes. O STF. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. portanto. total ou parcialmente. o juiz pode.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. a cláusula de reserva de plenário. se manifestar de ofício sobre o art. ou todo o artigo. portanto. não podendo. ou seja. o texto da norma. Trata-se de controle abstrato. o juiz não pode. . de ofício. Ocorre que. esta só se faz necessária quando se afasta.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. ser objeto de ADI. no controle abstrato. e são permitidas as demais. . o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. Obs. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 .É uma técnica de decisão judicial. 1º e 3º. no controle concreto. declarar a inconstitucionalidade. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). observar a cláusula da reserva de plenário (*). não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. nem sobre os demais. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. em razão do Princípio da inércia. 3º. se o art. do art. . Ele não pediu a inconstitucionalidade do art.

de ofício. julga também inconstitucional o decreto. No Brasil. O pedido será a proteção de direitos. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. e por arrastamento. julgará procedente ou improcedente o pedido. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. já que o STF pode. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. apesar de sozinho não ter aplicação. Assim. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. Contudo.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. mas apenas a causa de pedir. Ou seja. Ex. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. Sobre o tema: 32 . Mas nem todo controle concreto é difuso. mas é que esta não é necessária. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. pois será uma questão discutida incidentalmente. mas também quando há usurpação da competência do STF). dentre elas a ACP.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. O dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. porque. todo controle difuso é concreto. ACP para fechamento dos bingos. Obs. Neste caso. portanto. ADCe ADPF). Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. neste caso. portanto.

à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha.159. 33 . 294. na prática. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. Assim. porém.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. e no mínimo 11 membros. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes).44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. desde que. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. é função possível de ser delegada. por ex. conseqüentemente. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. o que só se pode obter por meio de ADI. Regra da “full bench”. não pode ser delegada. Segundo esta cláusula. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. STJ ☺ RE 227. ☺art. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). pois. que é função política. em defesa de contribuintes. assim. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. os Tribunais não têm admitido que. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente.022. STJ ☺ Resp. porém. por entendê-la inconstitucional (inter partes). Os juízes singulares podem. por meio da ACP.646. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. no âmbito dos Tribunais. 97. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). No tocante. por exemplo. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. Em outras palavras. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. também não pode ser delegada). O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. as chamadas leis de efeitos concretos. elaboração de Regimento Interno. dotada de caráter de universalidade e abstração”. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. no caso. Assim. porém. que é mais de 50% dos presentes). Nada impede. teremos uma lei material. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.. 97. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. 93. 557. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. que é função legislativa. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. XI – órgão especial: para que seja criado. de efeitos concretos. Assim.: eleição do Presidente do tribunal.

U. Há uma repartição funcional de competências. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. CPC) seria inconstitucional: o art. pela maioria dos seus membros. se existir no Tribunal. 34 . prosseguirá o julgamento. O professor não concorda. P. 481. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. assim..: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. Assim. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. abstratamente. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. ou em caso de interpretação conforme.U. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada.. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. Decidido o antecedente. de acordo com o posicionamento do STF. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. se entender que a lei é inconstitucional. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade.. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. 97. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Há quem critique tais exceções. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). ao órgão especial). podendo decidir o caso concreto. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. 481. Quanto à 2ª exceção. porque para o STF ambas são equivalentes. se for acolhida. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. será lavrado o acórdão. Exceções: P. . no entanto. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. sabe-se que o STF é o guardião da CR. ☺art. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. como guardião da CR. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. sob o argumento de que o dispositivo (art. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. a argüição de inconstitucionalidade (. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição.

não estando vinculado à decisão do STF. art. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. CR – compete privativamente ao SF suspender. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). 52. que não pode ser retroativa. O SF não é obrigado a suspender. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. Outros autores. quando isso ocorre. Efeitos. O STF já admitia essas duas exceções. esta decisão deve ser submetida ao plenário. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. passa a ter efeito erga omnes. A suspensão se dá através de uma Resolução. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). 178. Ademais. Quando o SF suspende a lei. em regra. É o entendimento mais correto. ou seja. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. ela se refere à decisão do STF. se assim o fosse ela já seria vinculante). X. bem como ou STF. a lei deixa de ser aplicada. no todo ou em parte. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. RISTF. trata-se de uma competência exclusiva. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Na verdade. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. 2) Outros autores. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. entendem que se trata de um ato discricionário. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. A cláusula vale também para o controle concentrado. 35 . como se tratasse de uma revogação. a decisão do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. sustentam que o efeito é ex tunc. o SF não pode suspender toda a lei. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. que não comporta delegação. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. por isso o faz dali em diante. O SF apenas suspende a lei. Ou seja. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. portanto. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. A diferença é que o controle difuso tem lei específica.

deve-se recorrer ao entendimento do STF. já que o SF não atua de forma correta. um RE para o STF. ou seja. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. Segundo o STF. se toda a lei foi declarada inconstitucional. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Ressalta que a letra da norma (art. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. e se o STF. CR) não comporta este entendimento. por ser um órgão do PL Federal. RISTF) – e isso é óbvio. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. 59 e segs. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. LC. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Neste caso. requisitos para a criação de CPI. pela simetria deve ser atribuída ao governador. o que. desta decisão proferida pelo TJ. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. se for apenas uma parte. Mas. está fazendo uma análise. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. 52. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. Nas situações em que o TJ julga. esse entendimento é desejável. a partir do momento que resolve fazê-lo. sendo norma de observância obrigatória. a resposta é negativa. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. Gilmar Mendes. CR. Por isso. cujo modelo. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. no controle difuso-concreto. normas referentes ao TCU. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. 61: iniciativa do presidente. já o SF não. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. Na ADPF este fenômeno também é possível. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). não se referem ao âmbito estadual e municipal. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. LO. 57. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. Art. obrigatoriamente. mas. esta norma não é de observância obrigatória. Quando se fala em decisão definitiva do STF. configuraria uma mutação constitucional. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. O SF. segundo o Min. 66. etc. 178. §4°. em razão do princípio da simetria. É uma construção da jurisprudência do STF. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). Segundo o professor. cabe. CR: prevê o escrutínio secreto. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. não havendo a necessidade de suspensão da lei.

Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. pelo Senado Federal. só se aplicando ao âmbito federal).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. retirando a lei do ordenamento jurídico. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal.: Lei 8. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União.: arts.: CTN. o SF teria um número enorme de representantes). quando o SF atua. do DF e até municipais. 37. assim. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. Ex. por não existir uma federação de municípios. É também uma lei emanada do CN. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. no todo ou em parte. ADC ou ADPF). 19. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. art. porém. Assim. São os dispositivos que se referem tanto à União. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição).). por isso pode suspender lei estadual e municipal. distrital e municipal). Quando o SF atua como órgão federal. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). portanto. também. a suspensão. estadual. Ex.” Análise do enunciado pelo prof. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Classificação de Osvaldo Aranha B. etc. se aplicando ao âmbito federal. visto que. mas não trata apenas dos interesses da União. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. não havendo. 58. Ex. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. sendo específica para os servidores públicos civis da União. CR). não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). que deve ser observado no âmbito federal. 52. outros 37 . como aos Estados. 59. X.: art. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. no controle abstrato (ADI. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. §3º. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. Ex.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. estadual e municipal. os que tratam do TCU. Quando o SF suspende os efeitos da lei. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. Sabe-se. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. por isso pode suspender leis também dos Estados. está defendendo interesses apenas da União. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. da organização da União. ele está atuando como órgão de caráter nacional.

2º grupo: . por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. na sua esfera de competência. em decisão definitiva. de fato. não retroativos).346. MS. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. visto que. pró-ativos (ex nunc). porque o seu parâmetro não é a CR. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. RN. Portanto. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. é a AL que suspende a lei. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). o enunciado acima transcrito está corretíssimo. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. por força do referido Decreto nº 2. adotou-se. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). TO. no âmbito da AP Federal. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). Segundo o STF. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. é a Câmara Municipal. de 10/10/1997. Poderá. os dois tipos são constitucionais. SE e AM. da AP Federal direta e indireta. é sempre a AL que suspende a lei. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. então. 38 . . Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. visto que. declarando uma lei inconstitucional. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88.346. Entretanto. Com efeito. Embora não haja consenso.

a ampla defesa. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. ela é meramente jurisprudencial). nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.ADC.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). Como são ações de controle abstrato. deve haver a previsão da legitimidade.ADPF. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. mas sim legitimados. 5) Ação rescisória. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. . 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). Obs.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. em seu art. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). ☺Lei 9. tendo partes – autor e réu. e . salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. 4) Recurso da decisão de mérito. Por se tratar de um processo de índole objetiva. não cabe. 103.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. obviamente. 39 . o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). e não do trânsito em julgado. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. que são a União e os Estados). ou na CR ou na lei. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. a competência é do TJ).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. o duplo grau de jurisdição. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . se concentra em apenas um Tribunal – o STF. de acordo com essas leis. A Constituição. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. onde não existem partes formais (autor e réu).

e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). . ou seja.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). . . Assim.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).Os GE.S. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. Para ter âmbito nacional. . é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Executivo PR GE – GDF P. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).A entidade de classe. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.A norma do art. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. confederação regional: F. Obs. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . segundo a jurisprudência do STF: .. .A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Os demais podem fazê-lo sem advogado.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. . para ter legitimidade. . Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. confederação local: sindicato. CS e ECAN.Confederação sindical significa de âmbito federal. . a partir de então.

☺art. I. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . por isso não é ANP). o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. Lei 9. . é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). já que não existem normas superiores ou inferiores na CR.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais.TIDH (3/5 e 2T) . direitos e garantias fundamentais. a.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). são questões próprias de RI. . geral e abstrato. nas normas que tratam de outra matéria). caso o decreto emane diretamente da CR. todas estão no mesmo nível. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). pois geralmente está abaixo do decreto. I. admite-se o seu controle. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. §3º . questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. 102.Norma formalmente constitucional . Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. Ex. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. decreto regulamentar. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. Não serão objeto de ADI e ADC. ou seja.: decreto regulamentar do PR. ele poderá ser objeto.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. como por ex. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. . 102. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. sem interferência do PJ. 1º. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. Obs. para ser objeto de ADC e ADI. a. 5º. 41 . ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. OBS. o RI pode.

No caso de emenda. Hoje. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. §3º. ainda. não ameaça mais a supremacia constitucional. salvo embargos de declaração. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. Função geral do AGU (art.Súmula. 103. ainda que ele proponha a ação – ou seja. intervenção de terceiros e recursos. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. O PGR atua como “custus constitutionis”. portanto está subordinado ao PR. não pode ser objeto de ADPF: . Atuação do AGU: ☺art. devendo ser de todos eles intimado. 103. § 3° é uma função especial. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. da mesma forma na ADPF. 103. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). o STF admitiu. de defensor legis. Assim. Tem status de ministro de estado. medidas provisórias revogadas. também poderá dar parecer em sentido contrário. como está havendo uma influência de um controle no outro. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. Gilmar Mendes e de um prof. e. . rejeitadas ou havidas por prejudicadas. STF). O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. CR. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. na outra. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. ele vai atuar como fiscal da Constituição. é preciso primeiro ser transformado em EC). se um novo PGR o substituir. A função do art. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. só podendo ser objeto de controle difuso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . por analogia.leis revogadas. 42 . ou seja. pois não produzem mais efeitos. Lembrar que não cabe assistência. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). segundo o STF. Mas. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. posteriores a 5/10/88. se seu entendimento for diverso. Atuação do PGR: ☺art. . pode ser qualquer ato do poder público. leis suspensas pelo SF.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. CR. §1º. sem exceção. Lei do DF não pode objeto de ADC. Obs.

Na ADPF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Mas atenção: existe um outro instituto. Quando o AGU desempenha essa função. em seu art. Tem natureza de auxiliar do juízo. 482. Cabe também na ADPF. de “defensor legis” e. Foi introduzida pela Lei 6. mas não têm nada haver com amicus curiae. seria “amigo do tribunal”. em especial no direito norte-americano. o AGU não será obrigado a defender a lei.884/94 (CADE). não precisará do AGU para defendê-la. 20. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. §2º da Lei 9. A exposição dos motivos da Lei 9. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. não há o que se defender. sendo feita por toda a sociedade. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). nos estados que adotam a commum low. §2º e art. A audiência pública está prevista na Lei 9. É muito comum nos tribunais internacionais. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Mesmo sem previsão legal. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. a Lei 8. só vai contribuir para a decisão do tribunal. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Posteriormente.868. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei.385/73 (☺ art. §3º.868/99 -☺art. art. ☺ art. Ele não é alguém interessado na causa. 7º. §1º. 43 . por analogia. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. 7º. 89. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. por fim. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. “amigo da corte”. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). 7°. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. o das audiências públicas. Está desempenhando uma função especial. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. o AGU até poderia participar. A previsão expressamente contida no art. Ela já existia antes. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. Não há previsão para a ADC e ADPF. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. portanto. §1º e art. §1º. 31). .868. Amicus Curiae: Em uma tradução. Nesse caso. disciplinou a figura. Importante: ainda que como Advogado da União. 6º.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. art.868. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. Na ADI por omissão. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional.868/99 vale só para a ADI. Portanto. 9.

O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. O STF ainda tem exigido pertinência temática. Quando 44 . I. Apesar de que era relevante. Surgiu com a EC/03. É. Gracie).868/99. M. Obs.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Foi uma exceção. Lewandowski. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Marco Aurélio não admitiu. poderia afastar esta presunção. Barbosa e E. por ex. Para o prof. segundo o professor. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo.. J. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. . Somente diz que ele não é intervenção de terceiros.102. “a”. Lei 9. O juiz de primeiro grau.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. ressalta-se que esta é apenas relativa. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. .Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. não tendo partes. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. admitindo ser intervenção de terceiros (C.Com relação à presunção de constitucionalidade. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. em despacho irrecorrível. . porque iria envolver matéria em relação à vida. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . pois admitiu pessoa física em controle concreto. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Aurélio. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). ele diz embora não possível intervenção de terceiros. ou seja. Mello. admitindo prova em contrário. ou seja. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. a mais correta. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. é um equívoco. seria uma exceção). cabe amicus curiae. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. R. autor e réu. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. portanto.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Mas depois que a lei foi feita. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. (Obs.

II. art.Princípios Constitucionais Sensíveis. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. 45 .Cláusulas Pétreas. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. Através do AGU.21. ADPF: ☺ Art. no entanto. III).). . A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. portanto. é mais restrito: somente a violação. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. O parâmetro. . CR e Lei 9.Cláusulas Pétreas. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). Não é uma ação de inconstitucionalidade. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. §1º. Como visto. Cabe prorrogação.102. Segundo a doutrina. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. nas outras ações ela também poderá ocorrer). 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. na ADPF 33: . . para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. P. VII).Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. 34. Gilmar Mendes. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min.882/99. Portanto. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9.Título I: Princípios Fundamentais. O STF admitiu ☺Informativo 518. a Lei 9. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. não há que se declarar uma lei constitucional).Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. o FHC ajuizou ADC. inclusive o Poder Executivo.U.Princípios Constitucionais. os preceitos fundamentais são: .868/99. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. art. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). em seu art. nos quais a lei esteja sendo discutida. . O STF não concordou e mandou juntar mais ações. e . para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. 14.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. .868/99.14. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. e . .869/99. Mas.

“Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. Ex. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. 1º. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. Mas se algum dos legitimados souber da ação. ou seja. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. Características: . dentro do mesmo tribunal. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. ainda.882/99).: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). embora seja bastante difícil existir esse meio). Incluindo-se. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido.: gestante com feto com acrania. 1º. apenas o STF. Aqui.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). O objeto pode ser da esfera federal. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo.U. Um dos legitimados. dentro do órgão judiciário). estadual e municipal. a vinculação é vertical. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. 4°. neste rol. Proposta diretamente no STF. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. Ela vai ao juiz de primeiro grau. na ADPF. art. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. Obs. Art.: surge a partir de um caso concreto. como guardião da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. os legitimados podem levar não todo o processo.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. 196 e ao meio ambiente. leva a questão ao STF através de ADPF. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. 46 . Segundo Neri da Silveira.882/99. P. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. § 1° da lei 9. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. embora lá há uma vinculação horizontal. podendo ser um meio de controle difuso.

§ 2º . . h). 103. 5°. TSE/TER (art. para fazê-lo em trinta dias”. . 47 . É controle abstrato. STJ (art. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. nas CE ou em lei federal). por ex. É controle concreto. em se tratando de órgão administrativo. . à soberania e à cidadania). (O órgão tem que ter competência determinada na CR. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. 5°. Obs. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. à soberania e à cidadania”. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL).Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. I. § 4°.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. q).conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.Admite-se a fungibilidade. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). 105. 129. I. coletivos e individuais indisponíveis (art. É a mesma da ADI. mas a converteu em ADI.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. LXXI . Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). . Assegurar a efetividade de suas normas..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . No entanto. O STF admitiu a ADPF. 121. Ex.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI).CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.CR: STF (art. II e III). Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. 102. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. ADC e ADPF (art. V). o STF transforma a ADPF em ADI.

abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. ou seja. Há.MI Coletivo: o STF o tem admitido. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. Se o PL) e. mas esse prazo era direito. Mas atenção. portanto não podem impetrar MI. organização sindical. em se tratando de órgão da AP. concretize a norma (faça a norma concreta). em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. recentemente. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. LXX: PP c/ CN.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. não pode concretizar a norma. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. não pode fazer a norma para o caso concreto. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. fundamentais em face do Estado. ECAN e associação c/ 1 ano).1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). O efeito da decisão proferida pelo PJ seria.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir.: na ADI 3682 b. público: MI protege dir. competente de sua omissão (em regra. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. Recentemente. O STF. autores que admitem.Órgãos públicos. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. apenas razoável e não peremptório. . ou seja.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. no entanto. 5º. Obs. mudou seu posicionamento. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). é b) Concretista: concretiza a norma. portanto. entes federativos e PJ dir. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores.

Mesmo adotando a corrente concretista. A regra é o principio da não-intervenção. 36. ou seja. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. o PJ. ademais. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. Recentemente. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. 680. O efeito seria apenas inter partes. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. ao mesmo tempo. Ela se subdivide em – geral e individual. nestes casos de omissão parcial. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. porque nem a AIO tem esse poder. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670.040). É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). III. VII). 49 . a intervenção é uma exceção (a União não pode. VI). O STF adotou essa corrente no MI 232. A omissão total não cabe MC. o STF está atuando como legislador positivo. 708 e 712). 2. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. pelo STF. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. No MI. Essa corrente é bastante criticada. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. em um primeiro momento. 34. criando uma norma geral e abstrata. Portanto. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. como regra. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Surge a partir do caso concreto. porque adotava a corrente não concretista). e 2) recusa à execução de lei federal (art. ou seja. intervir nos Estados). a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. não cabe liminar (antes. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. 34. CR (provimento. De acordo com esta concepção. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. 652. ou seja.

mas que surge a partir de um caso concreto. se o STF der provimento à representação do PGR. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. o PR então poderá decretar a intervenção. Esta forma não foi prevista na CR. 36. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. se violados. e sim em face da CR. da ADPF). A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). Isto está previsto no art. que é o pressuposto para a representação interventiva. O STF é o guardião da CR. além. É dispensada a apreciação política pelo PL. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). foi uma criação da jurisprudência do STF. no âmbito federal). A decisão do STF tem natureza político-administrativa. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. 50 . ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). portanto. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). As partes aqui são o Estado e o Município. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. 614. §3º. OBS. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. 125. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. ☺art. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. nem no RISTF. CR). ☺art. STF). ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. CR. §2º. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. 127. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. 35. é claro. mas sim. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. O parâmetro aqui é mais amplo. O RE. CR. CR. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. § 1°. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. IV. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). no âmbito do TJ.

XVIII). que deve observar o direito natural. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. em nome do povo. Assim. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. que é sempre superior aos poderes constituídos. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. Portanto. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. cria o Estado. ou seja. um dos precursores dessa doutrina. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. a vontade do constituinte é a vontade do povo. É ele um titular passivo. Obs. Bonavides. Schmitt). distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. segundo o Abade Sieyès. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Está acima do direito positivo. retira sua força do direito natural. segundo o abade Emmanuel Sieyès. corroborando essa perspectiva. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. que. editando a nova Constituição. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Para os jusnaturalistas. mas jamais é quem o exerce. que formulou esta teoria no fim do Séc. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . por delegação popular. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). porém. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. analisa-se se o poder é legítimo ou não. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. C. o exercício dessa magna prerrogativa. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. Modernamente. é a nação. pois o Estado decorre da soberania popular.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Celso de Mello. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. pode usurpar do povo a titularidade do poder. São apenas órgãos aos quais se atribui. Na 1ª etapa. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. em alguns casos. expressa por meio de seus representantes. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. social e juridicamente organizado. Assim.

Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . 60. 11. ADCT) . 25. ADCT. entende que a expressão “originário” seria uma redundância.Formal . correspondendo aos anseios daquela sociedade.: o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. Portanto. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. art. Espécies Tradicionais: . Obs. que é seu verdadeiro titular. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. se esta correspondência existir o poder será legítimo. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 .Revolucionário . há legitimidade objetiva.Histórico . a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. já que o poder constituinte já é originário.Revisor (art. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Material .Reformador (art. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). 3º. para ser considerado legítimo. CR) . CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. por conseguinte. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. Assim. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte.Decorrente (art. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Dessa forma. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.

a nenhum pré-requisito jurídico. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. 53 . O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. Obs. O Abade Sieyes. Apesar de ser um poder incondicionado. ou seja.: se é um poder autônomo e incondicionado.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição.: este poder tem este nome porque para o Direito. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). b) é um poder inalienável. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas).Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. Obs. através da Constituição. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. foi criado um direito natural). 1967/69. 1946. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. GV). que substituirá a anterior. não perde a titularidade do poder constituinte. 1934. No plano axiológico. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. há alguns valores que são morais. independente e soberano. No caso do Brasil. ex. Ex. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. Obs. ela nunca deixa de ser do povo. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. No caso do Brasil. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. O povo é o titular do PCOM. 1937. . e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). 1988. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). através de normas constitucionais. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. é apenas uma classificação quanto ao momento. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. mas não a primeira e sim uma nova.

Obs. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. 11 do ADCT. mas meta jurídico (fora do direito). por ex. O prof. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). na verdade. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Esta AL. 54 . 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. ficando um pouco relativizada. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. 25. 25. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. mas continua a existir como característica essencial deste poder. Dentro desse limite. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). Fábio Konder Comparato fala. Ex. De acordo esse limite. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). não concorda muito com isso. ele encontra limites no texto da CR. ☺art. no art. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. as constituições estaduais não são recepcionadas. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. contudo. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. A CR/88. na pena de morte. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. por se tratar de uma conquista da sociedade. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. No caso da CR/88.. observados os princípios estabelecidos na CR. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Ainda que o estado seja soberano. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. A partir do momento que a CR surge. Não se trata de um limite jurídico. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. a doutrina deduz deste art. No entanto. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. com os avanços da sociedade. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. Ex. Quando a CR consagra o art.

§4º não é norma de observância obrigatória). §4º. são as normas de auto-organização da União. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. e o STF decidiu que não havia problema. 34. diferente dos extensíveis. 93. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. Mas. por enquanto. composição. CR. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. V ???) I) Expressos na constituição: art.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário.). VII. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. Segundo o STF. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. § 1°. 57. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . não existe um modelo a priori de separação dos poderes. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. 58.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. 58. vedada a recondução. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. §1º . porque o art. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . mas foi uma decisão super apertada (6x5).: ☺art.: presidencialismo x parlamentarismo). 59 e segs. 61. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. 57. Há dois grupos: (art. são essas as normas de repetição obrigatória. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. 27. . §3º – requerimento de pelo menos 1/3. Se subdividem em: 55 . aquilo que é de competência do PR no âmbito federal.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. 75. Obs. . fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. § 3°). que se estendem aos Estados. ou seja. CR. II) Implícitos: CPI (art. Obs. Estão presentes no art. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). processo legislativo (art.

. Ex. é conseqüente.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. .é condicionado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. mas é possível deduzi-las. se for decretado o estado de defesa (art. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. em qualquer estado da Federação (art. 56 .exercício: é pelo CN. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. 60.. . CR. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 37. Trata-se de um poder previsto na CR e. decorre da lei e não da força.normas mandatórias: ex. §1º. . portanto.é um poder jurídico (e não de fato). DF e M.: art. 136).: os arts. cujo procedimento está previsto no art. 19.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados.normas vedatórias: ex.não é inicial. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art.titularidade: é do povo. ou seja. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. .O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. portanto..não é autônomo. 34). Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . CR (é vedado à U. ADCT). se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. no entanto. . .) – contém uma vedação expressa. Ex.. E. . a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. 3°. CR. uma limitação temporal para o poder revisor – art. 137).). . CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. .: art.é limitado.. 60. e se for decretado o estado de sítio (art. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal.

A nossa Constituição é rígida. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). §3º. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). 62. para que. . 61 é a regra geral de iniciativa. o STF e Tribunais Superiores. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. após a iniciativa.).Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. que é o período de 4 anos do mandato do PR. A Sessão legislativa (art. primeiro em uma casa e depois na segunda casa.A última limitação formal objetiva está prevista no art.U. também podem propor projeto de lei o povo.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC.Feita a iniciativa.Discutido e aprovado. 60. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). §5º. §2º). qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). . 44. não veta. ademais. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. . . o PGR. §10). Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. 61. ☺art. no qual há 4 sessões legislativas. §2º). do SF ou do CN. Obs. no âmbito do PJ. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. 57 . No caso de projeto de lei. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. 61. também chamadas de implícitas. sendo o art. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). por fim. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. 67. no entanto. não promulga. apesar de não existir previsão expressa. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. no âmbito do MP. . DF e DE. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. 60 (incisos I. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. b) o entendimento majoritário da doutrina. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. não pode haver emenda de emenda. . A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. a PEC será discutida em cada casa do CN. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). Ex. através da iniciativa popular (art. CR. se a matéria for rejeitada. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. apenas o PR. GE. no âmbito do PE. .Além do PR. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. II e III) uma exceção à regra geral. assim. a PEC vai para a promulgação. ela será chamada de extraordinária. CR). 60. 60. possamos usar o procedimento previsto no art. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. ☺art. 60. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. é o de que o art. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). P. Este art. 61. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. proposta rejeitada no dia 15/01.

A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. São as chamadas cláusulas pétreas. §4º. secreto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. Universal e Periódico: . A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. Curiosamente. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. o voto não é universal. a). O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. na verdade. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. segundo o STF. Ou seja. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. o que é secreto é o escrutínio. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. 58 .O voto obrigatório não é cláusula pétrea. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. c) Voto Direto. . a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. 60. Se elas não existissem. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. CR. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. não é secreto. Secreto. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. VI. o direito de participar das eleições. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. Expressas: ☺art.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. pois. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. 150. . b) Preservar a identidade material da Constituição. mas sim. que é o modo como se realiza o exercício do voto. não podem haver alterações tendentes a aboli-las.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. o que é universal é o direito de sufrágio. ademais. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. As cláusulas pétreas são. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. universal e periódico. c) Assegurar o processo democrático.

o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Assim. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. (23/04/09) 2. §4º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. sendo uma garantia individual. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. como um todo. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. 60 seria CP. Obs. b. que proíbe a pena de morte. Um exemplo. que não é unânime na doutrina. é o art. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. após este plebiscito eles teriam se tornado CP.: primeiro. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. por isso. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. pois. não seriam cláusulas pétreas. pois seria uma forma da fraudar a constituição. inclusive. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. por uma questão lógica. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. comportam diferentes interpretações. mas refere-se a uma reforma. e não em direitos e garantias fundamentais. Os direito fundamentais se encontram. Ex. O prof. 5º.: FGTS. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. para posterior alteração do conteúdo. em princípio. Para ele. Os demais direitos e garantias fundamentais.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. 60. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. e por conseqüência. mas os demais não (ex. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. com a dignidade da pessoa humana. é CP. dispostos do art. são CP. 60. ADCT). encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. Mas o STF já considerou que o art. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). 5º.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. CR).Há quem defenda. ou. 150. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. III. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . . Assim. CR. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. . segundo a qual o art. todo o art. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. CP). que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. O art. posteriormente. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. sistematicamente. não o serem). não alterando-o). 2º. A CR fala em direitos e garantias individuais. CR. Lá estão as limitações ao poder reformador. far-se-ia uma EC revogando o art. não concorda. 60 poderia ser modificado. não tem nada a ver com CP). Chama-se dupla revisão. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal.

c) Máxima: a retroatividade não é automática. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Ex. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. mas ainda não pagas. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). 3º. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. excepcional e transitória de alteração da Constituição. em sentido formal. tem que haver previsão expressa na constituição.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). Ex. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. Revisão é a via extraordinária. portanto. art. ☺art. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. a constituição atinge prestações vencidas. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . A limitação imposta no art. b) Média: a retroatividade não é automática. não abrangendo apenas leis em sentido formal. A retroatividade mínima é automática. contados da promulgação da Constituição. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. não abrange EC. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. mas também emendas à constituição. Antes da CR/88. não sendo um princípio absoluto. Ex. 3º. . CR). O direito adquirido pode ser relativizado. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. 5°. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. esse era o entendimento do STF. Com relação ao assunto acima. mas seus efeitos surgem após a constituição. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. 60. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. 3º. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. o STF tem entendimento unânime. XXXVI. em sessão unicameral. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. O ato ocorreu antes. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. tem que haver previsão expressa na constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional.

ADCT. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. Além disso. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. circunstanciais. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. 60. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. 3º. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. e de forma geralmente mais extensa. especificamente. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. 61 . §§1º e 4º).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

65 . sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Buscam os valores subjacentes à constituição. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). devido à complexidade da interpretação constitucional. 52. só tem alma. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. esse método também é conhecido como método valorativo. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). como início e limite para a interpretação. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. partindo da idéia de sistema. O texto da norma funciona. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Não existe uma norma jurídica sozinha. mas apenas valores: o preâmbulo. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Por isso. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. aqueles desenvolvidos por Savigny. É o início de uma interpretação. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. Nele estão os valores supremos da sociedade. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Imagine a Constituição norte-americana. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. esses elementos são insuficientes. é também o limite para a interpretação. e não isoladamente. O grande problema é que. Por isso. Esse método não é apenas sistemático. para o direito privado. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. para o direito público. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. como todas as demais. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Constituição da República. entra o elemento histórico evolutivo. X. portanto. Ex: princípio da não contradição. b) Histórico: no seu desdobramento. Toda norma está dentro de um sistema. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. eles são suficientes. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. Ela não tem normas jurídicas. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. com algumas peculiaridades. Além disso. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. e os valores fossem o seu espírito.

acaba fazendo com que a interpretação seja variável. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. certa insegurança jurídica. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. Problema é a questão difícil. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. cujo plural é “topoi”. formas de raciocínio. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. ele também é conhecido como método sociológico. ou seja. Assim. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). da jurisprudência dominante. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. como ocorre neste método. mais um 66 . como. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Por ter uma feição mais política do que jurídica. do senso comum. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. lugares comuns. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. os quais são submetidos a várias opiniões. a favor e contra. que é apenas mais um topos. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. Ex.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. vence o argumento que for mais convincente.. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Ex. Esses pontos de vista.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. os operadores do direito servem-se de topoi. → Crítica: feita por Canotilho. de argumentação. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. ou a de que um é mais correto do que o outro). mas sim diante de problemas. que contraria o positivismo jurídico. Assim. 2. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. pois comporta mais de uma solução possível). porque trabalham não com a idéia de sistema. de casos que comportam mais de uma solução possível. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Se se permite interpretações divergentes. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. dos princípios gerais do direito. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. da doutrina. o que geraria uma grande insegurança jurídica). formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. pontos de vista ou lugares comuns. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. Isso gera certa instabilidade. por ex. enfraquece-se a força normativa da constituição. Por isso. Ex. Este problema será solucionado pela argumentação. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Os topoi são esquemas de pensamento. Violação de correspondência de presos. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”.

são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. ao lado de Hans Kelsen. a compreensão prévia do intérprete. e sim na sua concretização. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. como já vimos. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. e o problema concreto a resolver. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. que a questão não seja simples. Assim. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. pois. é bom lembrar. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. na sociedade aberta de intérpretes. diferentemente dos dois primeiros. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. Método concretista. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. A principal diferença. sua aplicação a casos complexos. Ocorre que. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. de única solução possível. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. são coisas diversas. Assim. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. e concretizador à aplicação. não se deve falar em interpretação constitucional. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. devendo-se fazer uso de outro método. Além de serem métodos aporéticos. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. é preciso que haja um problema. Não se pode separar as duas coisas. porém.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Ele parte. por serem métodos concretistas. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. mas em concretização). Os métodos III e IV. quando se fala em hermenêutica. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. este método não poderá ser aplicado. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. se for caso de lacuna. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). Hermenêutica e interpretação não se confundem. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. não podem ser utilizados de forma abstrata. Para este método. são também métodos concretistas. São métodos indissociáveis. ainda que dos mais importantes. ou seja. 67 .

VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . . Fala-se que são utilizados. Quando ele fala em democratização. A democracia deve servir não apenas para a criação. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. é o comando que se extrai da norma interpretativa. por sua vez.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. regulada pela norma. traduzido pelo Min. Ainda que a Corte seja o intérprete final. ele dirige e. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Gilmar Mendes). para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. A norma é o mandamento. bem como a quebra da unidade constitucional. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. pois. Judiciário.Elementos do âmbito da norma . Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. ao mesmo tempo. que têm legitimidade para a interpretação. em regra. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Na prática. O texto tem duas funções muito relevantes. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. é a realidade social tratada pelo texto da norma. Segundo ele. mas refere-se àqueles que podem interpretar. Essas duas figuras podem ser. O texto não tem o comando. Friedrich M. mas também na sua interpretação. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . Segundo o autor. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. mas também para a interpretação da Constituição. O que ele chama de domínio normativo. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. Assim.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). a norma só surgiria após a interpretação do texto. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Paulo Bonavides o tratar como um método. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). limita a interpretação. ele na verdade não o é. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. aberta a toda a sociedade. Não diz respeito aos critérios de interpretação. 68 . Para ele. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. mas a toda a sociedade. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica.

surge o Positivismo Jurídico. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. quando interpretada. bastante discutido nos dias atuais. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. superado o valor da norma). Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. 69 . Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Na verdade. surge a idéia de norma (gênero). No pós-positivismo. A segunda corrente. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. A norma. como a constituição é feita por representantes do povo. Assim. o poder legislativo é claramente fraco. vinculante e obrigatória. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. Em virtude do caráter normativo dos princípios. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Hoje. mas de forma concreta. que corresponde à vontade do constituinte originário. Por isso o judiciário tem ganhado força. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. norma e fato. do povo. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. textualismo e preservacionismo. preocupado com a segurança jurídica. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. sem modificá-la. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Segundo Conrado Hubner. Assim. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. os direitos têm que ser iguais para todos. Também denominado de originalismo. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. que se subdivide em princípios e regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Esta questão está ligada à separação dos poderes. no Brasil. Entende que. 3) Existe uma única resposta correta. Após. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas.

→ Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. 70 . normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. que apontam para o sentido contrário.dimensão que eles ocupam (Alexy) . nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. → Princípios X Regras: . uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. → Regras: são “mandamentos de definição”. . dentro do gênero norma jurídica. será invalidada. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. caso a resolução seja feita com base na hierarquia.Princípios. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. A norma é um gênero e. o que ocorre por meio da ponderação. . Ex. . Princípios são muito mais abstratos do que as regras. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. isto é. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy.Regras. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão).Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça.Postulados. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Segundo Robert Alexy. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. ou seja. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. é preciso saber quais são as normas opostas. Ambos são normas. quando se vai aplicar um princípio. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Para Habermas. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica).Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. Alexy afirma haver exceções. impõem resultados. e . mas a medida do possível. em havendo um conflito no âmbito da validade. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. há uma subsunção lógica. como elementos do sistema normativo constitucional: . imperativa. genérica. As regras possuem aplicação automática. Eles não definem a medida exata. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). que envolvem a aplicação deste princípio. impessoal. Elas se aplicam de acordo com a subsunção.generalidade . Assim. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. peso ou valor. princípios são “mandamentos de otimização”. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja.: aposentadoria compulsória. O grau de abstração é a diferença. bilateral).proximidade da idéia de justiça (Dworkin) .

mas não têm a mesma função dos princípios. nem estabelecem competência ou conduta. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. por isso não são aplicados diretamente. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. também conhecido como antinomia de princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Eles não apontam um fim. Nesse aspecto. 71 . será feita a análise de alguns postulados que. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. É um conflito sempre no caso concreto. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Segundo a LICC. Mas e os postulados? Segundo esse autor. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. como princípios. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. interpretação conforme a Constituição. de modo a realizar os valores nela consagrados. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). pela maioria da doutrina. Ex. Os postulados são denominados. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Não estão na constituição. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. embasados na supremacia da Constituição.: proporcionalidade. cronológico e da especialidade. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. Com base nessas premissas. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão.

presume-se que agiram de acordo com ela. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Essa presunção é relativa (iuris tantum). No Poder Executivo. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. excepcionalmente. significa que ele é unívoco. pode ser exercido através do veto jurídico. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Não se retira a lei do ordenamento. quando entender que uma norma é inconstitucional. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. deve optar pela constitucionalidade. na dúvida. Se a constituição é a norma suprema. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. para ter essa supremacia. não tem como fazer interpretação conforme. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Ou seja. como no âmbito do Poder Executivo e. o Chefe do Poder Executivo. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Se há mais de um significado. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. E. Todo projeto de lei passa por um controle. No Poder Legislativo. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. no Poder Judiciário. pois existe uma presunção de constitucionalidade. e. assim. é necessário que a Constituição seja rígida. se entendê-la inconstitucional. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). No Brasil. Excepcionalmente. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Ele pode negar a aplicação da lei. a lei deve ser declarada constitucional. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. o Princípio da Supremacia da Constituição. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Se o texto tem apenas um significado. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. no controle difuso. Da mesma forma. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. o Poder Judiciário. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. A 72 . O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. significa que as demais leis devem obediência a ela. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. por ser presunção relativa. Toda Constituição tem supremacia material. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. ficam vinculados àquela decisão. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. na dúvida.

de direito previdenciário. Portanto. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. §1º. Ex: Brasília é a capital federal. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. Outro ex. Antes. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. logo é conhecida como corrente “objetivista”. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. . Isso é impossível. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. ao mesmo tempo. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. passando ela pela constituição. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. poderia declarar o art. Obs. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. A segunda corrente. existem. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. mas. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. é necessário observar os valores consagrados na constituição. na constituição. É como se filtrasse a lei. Hoje. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. etc. a norma inferior.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. normas superiores e normas inferiores. Logo. Hoje em dia. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. b) Fim pretendido: . sendo. Em uma sociedade democrática e pluralista. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Busca a vontade do objeto interpretado. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Ao se admitir que essa norma é superior. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. necessário harmonizar esses dois princípios. prevalece a vontade da lei. num estado democrático. há várias tensões entre as normas constitucionais. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Segundo Kruger. 81. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. pois. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. é conhecida como mens legis. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. que busca a vontade da lei. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Na verdade. isso não ocorre. 73 . a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Geralmente. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. para se fazer uma interpretação correta dessa lei.

produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. se ambos estão consagrados na Constituição da República. A ponderação é sopesar os grupos de princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Pode ser usada. no caso concreto. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. bens ou interesses. Assim. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. O que é isso? É semelhante a uma balança. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. pelo legislador. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. qual dos dois grupos tem um peso maior. Quando se tem uma colisão entre bens. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. ou seja. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. e não em abstrato). Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. ele se basearia no princípio da unidade. §1º. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. O relator indeferiu a petição inicial. Eles são muito parecidos. O STF declarou constitucional. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. a integração política e social. Se ele entrasse no mérito da questão. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. que é anterior à Constituição da República. as duas normas têm conflito entre si. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. O que tiver o peso maior irá prevalecer. O STF analisou 02 casos: a) Art. criando um efeito conservador da unidade. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. Segundo este princípio. deve-se buscar essa concordância prática. na hora de se interpretar a Constituição. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Uma existe ao lado da outra. inclusive. interesses. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. valores. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. 45. O Juiz irá ver. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Sempre que possível. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Essa lei. princípios ou valores. é necessário utilizar a ponderação. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. Abstratamente. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Ex: voto direto é a norma geral. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. e voto pelo CN é a exceção. Nesse caso. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. 74 . violava a liberdade de exercício de comércio. aplica-se o princípio da Concordância Prática.

não se aplicando para a interpretação constitucional. ou seja. Deve haver uma cedência recíproca. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Exs. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. 75 . que contribua para o debate de interesse geral. e não princípios. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. para que outros direitos sejam assegurados. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. STF não foi abandonada. da tortura. Ex: Se tiver na praia. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. às vezes. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade.: a proibição da pena de morte. na academia. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . mesmo que a pessoa seja pública e em local público. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. por mais importantes que sejam. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. do trabalho escravo são regras.: a Súm. proporcionando-lhes uma força otimizadora. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. até uma compreensão equivocada. mas também a ratio decidenti. O importante é saber que todos os princípios. poderia fotografar. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. a privacidade deve ser preservada. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. Ex. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. não. Caso contrário. sendo o guardião da constituição. do contrário. eis que ambos se relacionam. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. cabe ação rescisória (obs. 2) relativização da coisa julgada: o STF. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. 343. não.

sobretudo o Tribunal Constitucional. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. é também conhecida como eficácia social. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. .br: download de questões – Hot site do professor Novelino. CR/88 (aplicação imediata). a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. §1º. Este princípio. o desempenho concreto de sua função social. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. . a função social para a qual foi criada.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível.com. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. a qual significa a realização do direito. .335/AC.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. validade é. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. no Brasil. 2) Direito de greve.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. Ver no Site Editora Método. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . pois. 5º. 76 . de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. é também conhecida como eficácia jurídica. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). 4. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. Exs. .

CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. maiores hão 77 . b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. É um princípio implícito. uma densidade semântica que ele não tinha antes. utiliza-se o termo razoabilidade. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). CR. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. à garantia do devido processo legal. Ex. Ex. ou seja. Para Jellinek. será também desproporcional. Alegam que a restrição seria desproporcional. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. 1º. Não é o entendimento mais cobrado em provas. ☺art. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. É uma influência do direito norte-americano. dentre os meios existentes. No Brasil. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. em sua origem. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. utiliza-se o termo proporcionalidade. do Prof. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Na Alemanha. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. não se deve abater pardais com canhões. não está textualmente consagrado. Assim. desproporcional. pois. Se o ato for desnecessário. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. LIV. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. 5º. uma restrição à liberdade só será possível se. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). Ele está ligado. mas apenas como menções. para que o Estado não atue de forma arbitrária. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). É uma influência do direito alemão. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. apto para atingir o fim almejado. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. por isso sua importância. Nos sistemas da commum Law. ele tem que ser adequado. Para que um ato seja considerado proporcional. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. deveria conceder uma autonomia maior.

O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. A face acima exposta do princípio. Nesse caso. pode ser chamada de proibição do excesso. 78 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. o poder público age aquém do que deveria. ou proibição por defeito. Há uma outra face desse princípio. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. que é chamada de proibição de insuficiência.

79 . incidirão na ordem local.. Não contém. não tem relevância jurídica. O min. reproduzidos ou não na Constituição estadual. o Brasil é um país leigo. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. porém. apresentado de forma não articulada. No Brasil. não é norma de repetição obrigatória. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. portanto. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Não tem. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. não existindo. Esses princípios sim. O nome não é o mais apropriado. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. anteposta ao articulado constitucional. pois. laico ou não-confessional. mais ou menos significante. relevância jurídica. refletindo posição ideológica do constituinte. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. Como se sabe. o preâmbulo. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. proclamação mais ou menos solene. com exceção das de 1891 e 1937. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. não tendo força normativa. sendo. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. O que acontece é que o preâmbulo contém. Ocorre que todas as constituições brasileiras. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. qualquer religião oficial da RFB. inscritos na Constituição. mas é a tese por nós adotada. Em âmbito estadual. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. caráter normativo e. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. Assim. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. Situa-se no domínio da história ou da política. É uma corrente intermediária em relação às demais. mas no domínio da política. Para o STF.. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. dado que. de regra. portanto. não é componente necessário de qualquer Constituição. pois.

fundada na harmonia social e comprometida. a liberdade. o desenvolvimento. a segurança. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. com a solução pacífica das controvérsias”. Esta é a sua natureza.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Ao estabelecer os valores supremos. pluralista e sem preconceitos. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). o bem-estar. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. na ordem interna e internacional. 80 . Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais.

(É a mais cobrada em provas). como se poderia imaginar). Quando se fala em aplicabilidade imediata. Uma NEC. O que as difere é o grau desta eficácia. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada.U. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. apenas 81 . A integralidade. imediata e integral. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. enquanto não for restringida por lei. é uma NEP? Não. §5º). Exs. 128. enquanto não for restringida. Ela não depende de lei.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. 95. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. mas admite lei. que “contenha” o seu conteúdo. destaca-se a de José Afonso da Silva. P. no Brasil. → Normas de Eficácia Contida: O prof. §5º). 53). Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. dentre as quais. A NEC.: normas que estabelecem imunidades (art. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . possivelmente restringível ou redutível. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). por sua vez. 184. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). vedações (art. prerrogativas (art. isenções (art. Não são a mesma coisa. Não depende de regulamentação. que poderá variar conforme o seu enunciado. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição).

ofício ou profissão.por outra norma constitucional (ex. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. conforme a lei. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. poderá criar impostos residuais. quais são os efeitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais.: art. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). caracterizadas justamente por este tipo de norma). e mediata porque depende de alguma condição. art. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro.por conceitos de direito público (ex. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. etc. mas. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. É indireta ou mediata. etc. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. Assim. que dirige os rumos do Estado.U.: art. mas pode ser). e não quais são os meios para se atingir o fim. A NEC pode ser restringida: . ☺art. 22. II e III deste mesmo art. O caput do art. 37. Ex. ela nunca poderia ser restringida. 5º. . CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. 37. – ex. . é obrigatória. Neste caso. segurança nacional. e art. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. esclarece que trata-se de uma NEC. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo.: art.: trata de vedações que são impostas aos juízes. se quiser. . 95.U.: art. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. eis que estabelecem o fim a ser atingido. art. ☺art. que a regulamente. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. CR. art. As vedações. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. Indireta porque depende de uma outra vontade. interesse social. Exs. P.Facultativas: ex. 95). Se ela fosse uma NEP. que faz parte da mesma norma. 82 . a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. mas não disse quem pode propor. 3°. etc. que não é norma). Ex. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. 5º.: ordem pública. 9º dá a entender tratar-se de NEP. art. A lei não irá restringir o direito. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. 136 e 137). O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. XXII. Não é apenas um conselho. 37. XII c/c arts. de forma que antes da Lei 9. são NEP (como são as normas dos incisos I. em regra.. A norma constitucional tinha eficácia.). é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. PU: União poderá delegar aos estados. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. art. XXIII e XXIV).por lei (ex. 9º. necessidade ou utilidade pública. 102.Impositivas: ex.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. mas dizer como esse direito será exercido. VII. 154: a União. não há omissão inconstitucional. 5º. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). mas o seu §1º. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. VII. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . VII (direito de greve dos servidores públicos). mas não é uma NEP. XIII. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei).

Elas são criadas para uma determinada finalidade e. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). antes da lei ser feita. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. uma eficácia negativa (e apenas esta. ADCT. ademais. 83 . traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Elabora-se uma norma genérica. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Uma última classificação. Assim. pois. Marcelo Neves critica essa concepção. Ex. Por isso não dependem de outra vontade. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. também conhecidas como normas super-eficazes. 2º. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. mencionada por alguns autores. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. as Cláusulas Pétreas. tem eficácia. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Obs. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). porque ela não tem eficácia positiva). De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática.: art. cumprida a sua finalidade. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo.: As NEP. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Diz que o direito se auto produz. São as normas do ADCT. imediata e integral). dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Para ela. Traduz um sistema fechado. exaurem sua eficácia. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. OBS. não depende de outros sistemas.

art. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada.N. §2º (que fala do Colégio Pedro II. quando do surgimento de uma nova Constituição. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. como normas infraconstitucionais.P → A. sempre que nasce uma nova Constituição. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. § 1°. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. caso compatíveis com a nova Constituição.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. Assim. e sim como normas ordinárias. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. podendo. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo.N. serem recepcionadas pela nova Constituição. não. porém. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. Quando uma nova constituição é criada. Faremos o estudo de alguns institutos. 2°. com o caráter de normas constitucionais. 84 . Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. Ex. parte final). mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. → CR → A. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt.: ☺art. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). ou seja. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. 242. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. por esta teoria.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

desde que haja expressa previsão. c) por outro lado. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. IV. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. as leis infraconstitucionais. por regra. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. diante da aplicação imediata. vale dizer. XXXVI – “lei” em sentido amplo). 88 . ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. Como se percebe. sendo regra a retroatividade mínima. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. Como outro exemplo de retroatividade mínima. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. Ex. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. CR. para tanto. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. 7º. também limitado juridicamente). como é o caso do art. dentre outras. Assim. Assim.: art. 5º. 7º. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. tenha retroatividade média ou máxima. Contudo. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. com pequenas exceções. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. nada impede que a norma constitucional. IV. o STF entendeu que. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. vale dizer. deve existir expresso pedido na Constituição. têm retroatividade mínima. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. 51 do ADCT. que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art.

que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. seja como orientação para progresso da legislação. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. Sob o ponto de vista dogmático. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. ainda não regulamentadas de forma mais específica. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. diverso e opostos. não só das ações dos poderes estatais. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. como também ao exercício abusivo de certos direitos. atuando como um limite. a menos. seja como diretiva na solução de casos concretos. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. Dessa forma. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. é claro. ao elaborar as leis. De uma forma geral. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. 1º).) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. estrutura e fundamento (art. pois servem de critério para o legislador que. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. em um todo sistemático. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. é obvio. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Em situações novas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. a divisão de seus poderes (art. da função positiva que 89 . 2º). deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. sobretudo. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. assim. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. o que os coloca numa posição de superioridade. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. os quais estabelecem a sua forma. Executam. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. por conseqüência. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. Desse modo. 4º).

Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. quanto para o legislador na elaboração das leis. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). CR). o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. esses conceitos foram se esvaziando. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. 1º. que reinava de forma absoluta e irresponsável. Com o passar do tempo. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. A baixa densidade semântica. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. aos entes que compõem a federação. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. 34. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. 90 . a Constituição veda. o direito de secessão. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. DF e Município. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. No tocante ao Poder Executivo. sendo criados novos critérios distintivos da República. I).

Em um Estado de direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. seja diretamente. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. No Estado material de direito. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. a independência dos juízes. a vontade popular representada pelo parlamento. sob as circunstancias transitórias. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. Em um Estado democrático. seja através de representantes. Aqui. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. não apenas os indivíduos. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. a legalidade da Administração. não é absoluta e ilimitada. No que se refere ao princípio democrático. ou. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. ainda. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. à questão perene da Justiça. Sob o aspecto material. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. 91 .

independente. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. uns para com os outros. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. o indivíduo se sente útil e respeitado. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. na ordem internacional. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. Por essa razão. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. A soberania externa se refere à representação dos Estados. por essa razão. No plano externo. Todavia. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. em nenhum momento podem ser colocados de lado. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. Supremo. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. 92 . 6º). o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. por não ter de acatar. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. a soberania migrasse do soberano para o povo. no plano interno. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. na ordem internacional. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence.

independentemente de autorização de órgãos públicos. 1º). cultural (arts. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. a filosófico-religiosa. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. a sexual. a de informação. A escravidão. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. salvo nos casos previstos em lei. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. III). interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. e. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. 170). a sociedade pluralista é. a tortura. 170). com a queda do comunismo. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. dentre elas. a Constituição. justa e solidária (art. a profissional. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. deve constituir o seu objetivo supremo. 215 e 216) e dos meios de informação (art. científica. a partir do início da década de 90. 206. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. 17). de comunicação. de idéias e de instituições de ensino (art. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. artística.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. ainda. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. político (art. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. assim. a de opinião. derradeiramente. de reunião e de associação. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. o que pode levar a divisões irredutíveis. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. Por isso. 3º. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. É ela o valor supremo que irá informar a criação. Mais tarde. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. a intelectual. uma sociedade conflitiva. I). 220). conforme os ditames da justiça social. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. por natureza. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. ao contrário. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. Fruto da concepção liberal. 93 . mas. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. é um princípio básico do liberalismo econômico. de interesses contraditórios e antinômicos. Este fundamento é concretizado. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. Por essa razão. partidário (art. passando a se revestir de normatividade. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário.

vem sendo denominado de “mínimo existencial”. Esta acepção. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. em alguns casos. não apenas por parte do Estado. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). Por outro prisma. independentemente de usa origem. educação fundamental. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. mas um atributo que todo ser humano possui. cada vez mais. à dignidade da pessoa humana. seja por terceiros. possui um caráter negativo. condição social ou qualquer outro requisito. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. em um primeiro momento. e. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). seja pelo próprio Estado. Por isso. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. Assim. dentro dos direitos sociais. ligada ao valor liberdade. mais importante. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. sua existência material. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. mas. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. possui um caráter positivo. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. não como um fim em si mesmo. o acesso aos valores. Todavia. a todo e qualquer cidadão. idade. sexo. na medida em que procura representar um subconjunto. Esta acepção. ou para com a pessoa. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. por outro. por exigir uma abstenção. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. A dignidade da pessoa humana não é um direito. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. econômicos e culturais. Poder-se-ia dizer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. mas também dos particulares. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. o que significa dizer que na criação. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. etc. 94 .) imprescindíveis para uma vida digna. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. Portanto. moradia. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. menor (minimizando o problema dos custos). Portanto. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. ligada ao valor igualdade. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. que seja efetivamente exigível do Estado. mas também a de que o Estado garanta.

uma constitucional e uma doutrinária. consagrados no plano internacional. os direitos sociais (arts. . estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. Em sua maioria. que divide os direitos fundamentais em: . Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. estão consagrados em normas de eficácia limitada.direitos à nacionalidade (art. Já os direitos humanos não possuem essa divisão.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais.direitos sociais (art. . Para que o cidadão participe da vida política do Estado. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. igualdade e dignidade. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. pois surgiram em uma única época. CR/88). portanto. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. devido ao custo de serem prestados. Essa classificação é legislativa. Em termos materiais. consagradas ao longo das constituições. 6° e 7°). Têm um caráter negativo. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. ligados à liberdade.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. 5°. . Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. . CF/88. do qual são espécies: . Visam proteger o valor igualdade.direitos individuais. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. Exigem uma atuação positiva do Estado. basicamente. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. 6º ao 11. devido à escassez de recursos. . Assim. São direitos ligados à cidadania. 12 e seguintes). 95 . Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. 14 e seguintes).direitos prestacionais: são.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Em sua maioria. 6° e seguintes). mas também no art. à participação política. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações.direitos políticos (art. Enfim. 5°. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). a diferença básica se refere ao plano de consagração. são os direitos individuais consagrados no art. Têm caráter positivo e negativo. .

As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. pois. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. 4º. são direitos de caráter negativo. por exigirem uma prestação do Estado. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. os direitos prestacionais. São chamados direitos civis e políticos. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. segundo Jellinek). Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. queria que ele respeitasse suas liberdades. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. e a dele é a mais cobrada em concursos). A 3ª geração. a imprensa livre e o funcionalismo público. Vejamos quais foram as gerações. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. diante da necessidade de cooperação. de 1789: liberdade. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. São considerados basicamente como direitos coletivos. 96 . ao desenvolvimento ou progresso. CR/88). têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. e geralmente em normas auto-aplicáveis. direito de comunicação. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. igualdade e fraternidade (nesta ordem). é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Obs. São basicamente os direitos individuais. diretamente à igualdade material. Exigem uma ação do Estado. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. a autodeterminação dos povos (art. movimento encabeçado pelo proletariado. ao lado da 4ª. já os de 2ª geração não. econômicos e culturais. portanto. enfim. à autodeterminação dos povos. Esta é a sua preocupação principal. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Estão ligados. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. XVIII. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. das gerações. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. da solidariedade entre países ricos e países pobres. por exigirem uma abstenção. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. Ou seja. Não houve substituição de uma geração por outra. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Têm caráter negativo. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Como vimos. então. Por isso. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Tais direitos têm caráter positivo. e estas gerações coexistem atualmente. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. como a família. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Os direitos de defesa. Têm como objetivo. sobretudo de princípio programático). → Igualdade: Direitos Sociais. XX. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. exigindo uma abstenção. Exs: direito ao meio ambiente. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e.

segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). caso violados. o direito a adoção. outros são difusos).I. em defesa dos direitos. ao analisar a Constituição de 1891. mas há divergências na doutrina quanto a isso. que são as que. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. Aquelas instituem os direitos. na mesma disposição constitucional ou legal. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. inclusive das minorias. 1º. Ele abrange um pluralismo religioso. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. conserva nossas identidades. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. com a declaração do direito”. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia.: quanto ao direito à paz. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. CR/88). mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. São também direitos transindividuais (em sua maioria. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. V. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. 97 . Ex. um pluralismo ideológico. Além desse aspecto. Quando se fala em pluralismo político. como os previdenciários. econômico.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. que alguns dizem trazer os direitos à internet. as disposições assecuratórias. e isso acaba por prejudicar as minorias. → Globalização: direito à democracia. etc. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. ocorrendo não raro juntar-se. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. Os argumentos contrários a esta união. que seria a vontade da maioria. Ao lado da vontade da maioria. os direitos de família. à informação e ao pluralismo (D. Ele preserva. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. Por isso o direito à democracia é tão importante. Paulo Bonavides. de conteúdo). hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. Afora esta peculiaridade. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. de ideologias políticas e partidárias. Ou seja. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. Em uma ponderação.P. Esta geração de direitos advém da globalização política. Assim. estas as garantias. as demais características são tratadas pelo prof. quiçá quanto a 5ª. ele tem uma importância muito grande. a fixação da garantia. Porém. um pluralismo cultural. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. esta alteração não foi feita em seu livro. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas.). traz direitos ligados à pluralidade. o prof. ☺ADPF 132. limitam o poder. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. Ou seja. de orientações sexuais. são direitos difusos). Quem tem o papel contra-majoritário. artístico. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração.

VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia).Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. O caput do art. por ex. ou caberá ao intérprete.).direito ao juízo natural (direito) – o art. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. Exemplos: . A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. . sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. como é o caso. ilegalmente preso. ou magistrado. conflito de interesses. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. a todos os seres humanos. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). de modo indiscriminado. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. 98 . .Historicidade: possuem caráter histórico.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. através da interpretação sistemática. XXXVII. Se são sempre exercíveis e exercidos.: direito de propriedade versus desapropriação). que só pode ser proposta pelo cidadão. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. muitas vezes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. . Normas positivas. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. Obs. Nada impediria. coarctando.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). emite uma opinião (direito de opinar). 5º. como é o caso da ação popular.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. Contudo. . os apátridas e as pessoas jurídicas. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. havendo. são indisponíveis. os estrangeiros não residentes. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. Isso porque. no caso concreto. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. 5º. . Deve-se observar. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. nascendo com o Cristianismo. decidir qual direito deverá prevalecer. quando. no caso concreto. .: HC. é claro.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. HD.Universalidade: destinam-se. mas nunca a sua renunciabilidade. conjugando-a com a sua mínima restrição. uma vez consagrado o direito. juntamente. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. . confronto. ainda que não individualistas.. se o direito garantido não possui alguma especificidade. portanto. etc.

seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações.). alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. 5º. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). §1º. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. 5º. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Posteriormente. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. etc. mas. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. fala-se. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. causando uma desfiguração no direito privado. Não se admitiria. Ingo Sarlet afirma que o art. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. pois. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. No entanto. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. ordem pública. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Assim. analisando caso a caso. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. 99 . §1º. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. não dependendo de legislação. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. então. mas o pressuposto do qual ela parte). então. para isso. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. só trazendo relações entre o Estado e o particular. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. fática e juridicamente.

como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. é possível a sua aplicação com base na Constituição. de uma forma geral. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. isso poderia causar uma série de problemas. contrato de adesão. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.RE 160.*RE 161. . . Se houver lei determinando a aplicação dos DF.) .24. esta teoria seria a mais adequada. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. E como os princípios são muito vagos. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. devendo sobre eles prevalecer. Para a realidade brasileira.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.RE 201. Segundo esta teoria. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.: empregado e empregador. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . se exteriorizam. Espanha e Portugal. Os DF são expressados. a proteção tem que ser maior.243/DF. quando há uma relação de igualdade real na relação. Segundo Virgilio da Silva. Se não houver uma previsão expressa na lei. A autonomia da vontade requer tal ponderação. como a segunda. mesmo realizando atividades idênticas.RE 175. para que os princípios pudessem ser concretizados. no entanto.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. . tão somente pela falta de previsão. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares.Resp. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. Determinação de observância do Princípio da isonomia. então. A jurisprudência. e.858. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. . 249. através de princípios. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.700. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . Se. . em geral.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Em contrapartida. Deve-se aplicar tanto esta teoria.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. ainda que esta regulamentação não exista.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). houver uma desigualdade fática.HC 12.RE 158. Ainda se trata de uma questão muito nova. O juiz. Mas. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.☺RE 161. . Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. mas ainda não há decisão quanto a isso. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. mas. a aplicação será indireta. muito abertos. não sendo necessária uma intermediação legislativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. que não adota essa teoria). mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.00 para R$ 86. Assim. etc. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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As pessoas não podem abrir mão destes direitos. 128. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. III e art. II. 1º. XLVII. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. à segurança e à propriedade. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. pois. 170. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. como DF é pressuposto dos demais direitos. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. à igualdade. não há uma renúncia definitiva. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). O direito a vida. Esta questão é bastante clara. Este pode ocorrer. CR/88. Por isso. pois a vida é uma direito irrenunciável. um caso constitucional de violação de direitos. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. abre-se mão temporariamente à privacidade. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. ☺art. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. Nos 78 incisos deste art.: esta segurança que o art. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. caput. Obs. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. 5º. não há que se falar em não exercício). Porque o direito à vida é irrenunciável. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. Há dois entendimentos: 104 . Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. 5º. CP) a questão é um pouco mais polêmica. por óbvio. No caso do big brother. também não pode ser renunciado. A renúncia é definitiva. ☺art. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. à liberdade. CR. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. 5º. um outro direito fundamental. é.

a vida termina com a morte encefálica. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. A questão ainda está sendo discutida no STF. e. mas sim interpretando a CR/88. o STF não estaria legislando. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. por isso. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. ela é a única ação de controle abstrato cabível. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. discutida na ADPF 54. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. sabendo que ela vai morrer. em razão do risco de morte intra-uterina. o art. a morte não decorre do aborto. segundo Canotilho. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. II. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. insuficiente para a proteção do direito. mas de modo geral). O STF. OBS. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). Nos EUA e na França. Se isso fosse possível. 3) dignidade da pessoa humana. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. assegurando a autonomia da vontade. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. Ademais. Para o direito brasileiro.Direito à privacidade: 105 . sem o sistema nervoso central. . deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. mas sim da acrania. entendeu que. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. 128. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. 128). então. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. já que o CP é anterior à CR. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. CP não teria sido recepcionado pela CR. portanto. por 7 votos a 4. o feto não tem a menor chance de sobrevida. Se há dois argumentos defensáveis. não haveria vida. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. é uma forma de tortura psicologia. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. além de colocar em risco a sua própria vida. nas quais não se tem uma opinião moral definida. como todos os outros. já que na época em que foi feito o art. E o direito à vida. 128 (em 1940).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. é relativo. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites.

A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. os princípios da moralidade e da publicidade. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. No entanto. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. 106 . o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. científico ou cultural. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. Questão de Concurso: Gravação clandestina. Proteção da honra e da imagem. sobretudo. Ex: Radares eletrônicos. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. Se tiver gravado um crime. É gênero. na verdade. X. ela é ilícita. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. pois há uma excludente de antijuridicidade. Não há que se falar em colisão. etc. Há decisões judiciais onde muitas vezes. É vedada pelo art. Ex. é a esfera da vida privada. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. O prof. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. vida privada. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. veremos cada um separadamente. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. CR. contra um estelionatário. Numa gravação clandestina. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Será considerada prova lícita. quando pratica um ato na condição de agente público. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). não há violação à privacidade. Então. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. O agente público. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. X. Em regra. em seguida. de uma forma geral. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. 5º. Neste caso. Nesses casos. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Logo. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. CR. no art. 5º. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. maior a proteção a ser dada. Ex: matérias de interesse público. 1. que se subdivide em: intimidade. uma gravação feita clandestinamente. O direito de liberdade é maior. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. por exemplo. a restrição é legítima. contra um chantagista. Mas. Nesses casos é vedada a gravação como prova. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. a imagem pode ser usada num processo. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. o direito à imagem foi violado. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Esta é excludente de ilicitude. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. O direito a privacidade está consagrado. a gravação é considerada lícita. Se filmar uma passeata. quebra de sigilo e interceptação telefônica. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). sobretudo. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. são direitos independentes. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Ao realizar essa ponderação. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. Ex: policial federal recebendo dinheiro. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. não tem privacidade. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. a honra e a imagem das pessoas. Ainda que não afete a honra. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. histórico.

E o Ministério Público? Segundo o STF. por ex. fiscais. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Se ele quiser. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Os jornais publicaram essas declarações. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário.. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. divulgaram todas as declarações na internet. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. em ação cível originária. Quanto às CPIs municipais. Quem pode é só o juiz e a CPI. 5º. informáticos. Essa exceção só confirma a regra. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. X. Dentro do próprio STF há divergência. 107 . a duração da chamada. No entanto. 3. 5º. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. não poderá quebrar sigilos. o BB poderia quebrar o sigilo. 5º. essa decisão foi para um caso específico. Essa declaração. Quando a CR fala em “poder de investigação”. não há decisão do STF. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. ainda que não seja sigilosa. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. fiscal e telefônico.: Podem existir várias outras exceções. outros entendem que não há proteção. Além do juiz. 2°) admite. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. às informações constantes na declaração de imposto de renda. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. como havia verba pública envolvida. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. com base no princípio da simetria. deve ter uma certa salvaguarda. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. Quando se quebra o sigilo telefônico. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. O prof. de um cd room. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. Dentro dela. De acordo com o art. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. que é uma exceção a essa regra. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. São poderes instrutórios. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. Ex: extrato de conta corrente. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei.). O Min. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. já que não existe poder judiciário municipal. Na Itália. 58. por enquanto. está em vigor. etc. 2. A lei. O STF decidiu que. XII. ele não pode requisitar diretamente. mas na decisão acima houve discussão a respeito. XII. outros dizem ser pelo art. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. naquele caso específico. falaremos da interceptação telefônica. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. CR. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. O inciso X impede a gravação clandestina. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Tem uma decisão do STF muito comentada. § 3º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Ele alegou a ilegalidade desse ato. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial.

A interceptação não pode ser uma regra de investigação. mas foi feita por um terceiro. Com relação ao sigilo de dados. No entanto. Nessas hipóteses.. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. em determinadas hipóteses. X. os dados de informática em si não estão protegidos. Ela deve ser usada para situações excepcionais.. o sigilo poderá ser violado. Em relação à comunicação epistolar. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. seja pelo art. abrem-se todas as correspondências. Ela protege 4 formas de comunicações. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. protege-se apenas a liberdade de comunicação. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. não estaria protegido por esse dispositivo. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Na prática. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. será gravação clandestina. neste caso. Em relação a essas. Então. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. por uma terceira pessoa. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. pode haver restrições às comunicações telefônicas. Não são admitidas para outras finalidades. Para o prof. Aliás. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. 5º. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio.. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. sobretudo. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Para o STF. o STF tem um entendimento que. XII. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). 5º. Pois. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. Porém. 5º. Para o prof. protege a liberdade de comunicações. seja pelo art. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. é equivocado. Mas isso não é a posição do STF. XII. O STF entende que com base o art. também protege a privacidade. 5º. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. a Constituição não estabelece qualquer requisito. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Quando se falou do método tópico problemático. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Se um souber. será interceptação telefônica. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Se um souber.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. a liberdade de comunicação. segundo o prof. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Na interceptação. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Além dessas duas hipóteses. O art. já que protege-se a liberdade de comunicação. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. segundo o STF. mas.

a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. XII. Pode ser que com os abusos recentes. Então. Além disso. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. CF/88. Somente o juiz. d) Art. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. 5º. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Essa decisão foi recente (☺MS 27. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. por nenhuma outra autoridade. Se numa situação excepcional. Com o consentimento. se houver o consentimento de um dos moradores. Ex: crime dentro de uma residência. Nem mesmo CPI. Se houver o consentimento. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Nesse artigo. essa lógica tem sido invertida. Segundo o STF. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. 5º. Vejamos as situações: 1. qualquer pessoa pode entrar. a entrada deve ser permitida pela empregada. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. e mais ninguém. devemos analisar 2 situações diferentes. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. • Prestar socorro 109 . Com relação à inviolabilidade do domicílio. imagine numa situação normal. 5º. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. vejamos: a) Art. LX: sigilo imposto a processo judiciário. 5º. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. pode determinar a prática desses atos. a polícia pode entrar. o Min.483 – medida cautelar concedida nesse MS). salvo o flagrante delito. LXI: possibilidade de prisão. nesses casos. nem a CPI. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. Ou seja. XI: violação de domicílio. A Constituição trata de 2 situações distintas. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Art. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Sem consentimento já é diferente. violado. 2. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias.296/96. c) Art. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. prorrogáveis por mais 15). Ela deve ser o último recurso. XII: interceptação telefônica b) Art. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. Durante o estado de defesa. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Recentemente. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. seja durante o dia seja durante a noite. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. e não pelo dono da casa. Como é o meio mais fácil. O professor acha que há certo abuso neste caso. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. 5°. Na jurisprudência do STF. não há falar em violação de domicílio. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico.

Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Se houver o consentimento do morador. Então. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. prevista no dispositivo. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. hoje. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. entre outros aposentos. por serem situações emergenciais. que traz uma conceituação bastante extensiva. quando o sol se põe é noite. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. não só dos moradores daquela casa. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. ☺Art. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. não entra no conceito de casa. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. mais tradicional. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. CP. a prova é lícita. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. entre eles Alexandre de Moraes. É utilizado por JAS. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Alguns autores. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. se estiver vazio. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. seja do dia seja da noite. Ele deve dizer “aqui você não entra”. entra no conceito de casa. porque a noite é o período de descanso. Entra no conceito de casa. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. a prova colhida será considerada ilícita. Segundo o entendimento do STF. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. 2. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Quando o sol nascer é dia. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). onde o caminhoneiro dorme. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. E o carro? O prof. o STF considera as provas lícitas por causa disso. 150. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. 110 . consultórios. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. não poderá mais entrar no domicílio. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. propõem uma utilização conjunta desses critérios. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. compartimentos habitados. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Ex: parte de trás do caminhão. mais adequado. na parte em que o público tem livre acesso. Só que o STF já proferiu decisões. a casa pode ser invadida a qualquer hora. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Segundo ele. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. estabelecimentos comerciais e industriais. compreende escritórios. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. pois se respeitar também o critério cronológico. mas dos vizinhos também. 3. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Se entrar com o uso da força. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. não entra em conceito de casa. Na maioria dos casos.

Ex: critério preconceituoso. 111 . A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Para que o critério seja constitucional. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. é necessário que ele seja: 1. em situações diferentes. Não irá fazer concurso para homens participarem. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Razoável 3. Esse critério não é nenhuma discriminação. Se o critério não for objetivo. CR. pois viola o princípio da isonomia. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. não significa que a lei não possa fazer distinções. Esse critério é razoável. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. XXX. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. discriminatório. XXX.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. justifica-se a altura. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Para esses casos. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. cor e estado civil. 7º. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Quando se fala em princípio da igualdade. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. arbitrário. 7º. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. Uma vez dentro do estabelecimento. Objetivo 2. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. idade. É a que está consagrada no caput do art. CF/88. 2. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Nestes casos. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. razoável e proporcional. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. Mas. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. 5º. da constituição.

pois elas criam uma discriminação reversa. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Visa uma redução das desigualdades fáticas. Ex: Alíquotas de imposto de renda. 5º c/c art. por exemplo. mas na Constituição Indiana em 1947. O prof. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. A tendência é que elas aumentem. Tem autores que entendem ser inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. Segundo JAS. igualdade e fraternidade. seria igualdade material. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. mas reduzir as desigualdades existentes. Então. para tentar reduzir as desigualdades. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. Mas. aconteceu o contrário. essas ações são constitucionais. o critério discriminador seria desproporcional. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Ex: Cotas para pessoas carentes. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. No caso da Índia. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Para outros autores. utiliza-se das ações. ☺art. Isso é igualdade formal. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. Quando se fala em igualdade material. Dificilmente. Em princípio. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. 112 . pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. O prof. Quando se fala em igualdade material.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. Não é uma forma de resolver o problema. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. não haverá uma igualdade real. essas ações deveriam existir por 10 anos. mas é necessário analisar uma série de fatores. que eram desiguais em relação aos seus senhores. e prolongaram as que já existiam. e os desiguais de forma desigual. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Essas ações não surgiram nos EUA. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Para o professor. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. e não à igualdade material. 3º. surge a questão relacionada às ações afirmativas. Criaram-se outras ações afirmativas. A cota deve ser proporcional à população. Porém. disse que está ligada à igualdade material. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. acha que esse argumento não convence. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar.

previsto no art. Juridicamente falando. seja pelo governo. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso.fomenta o racismo e o ódio racial . é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. . seja por particulares. . esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares.favorece negros de classe média alta. Eles foram libertados. 113 . mas eles não tiveram oportunidade de escola. visa compensar uma dívida histórica. No Brasil. pois já faz parte do próprio critério republicano. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. Eles não têm apenas a eficácia vertical. Poder Executivo e Poder Judiciário). Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. .princípio da isonomia (discriminação reversa). quando se fala em destinatários. mas também para quem irá elaborar a lei. miscigenada e multicultural.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.medida imediatista e inapropriada. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. Além dessa eficácia. 208.em uma sociedade pluralista. Apesar de ser uma relação entre particulares. .Poder Legislativo. cientificamente falando. A justificativa parece não ser inconstitucional.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. de saúde. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. tolerante. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . .Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade.fere o mérito. Então. . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. são destinatários do princípio da igualdade. Argumentos contrários: . não sendo necessária essa distinção. aberta.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. CF/88. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. Portanto. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. sem exceção. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. O problema é com relação à subjetividade do critério.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. atinge todos os poderes públicos . Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. . Isso é uma questão de política pública.

que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Para alguns. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. 5º. Isso significa que. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Não é um direito absoluto. ela exerceu o seu direito. Pode defender no plano das idéias. mas apenas para as mulheres. em princípio. Logo. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. para outros teria. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. desde que essas restrições não sejam autoritárias. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Apologia ao crime é diferente disso. ela pressupõe responsabilidade. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. ela pode ser responsabilizada. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. discriminatórias. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. É livre a manifestação de pensamento. o problema é dele. etc. ele deve licitar. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Se o sujeito será responsabilizado ou não. CPC – ação de alimentos. É uma denúncia feita anonimamente. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. O homem não é a parte mais frágil da relação. Por que a Constituição. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. 5º. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. não teria sido recepcionado. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Basta ser um critério objetivo e para todos. Questão de Concurso – Cespe: No art. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. a lei pode estabelecer distinções. É constitucional? Sim. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. Logo em seguida. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. O particular não é obrigado. I.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. sendo vedado o anonimato. Mas. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Protege a mulher. 100. em regra. não deve ser estendida para os homens. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Ex: art. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. ela é constitucional. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Ex: Lei Maria da Penha. segundo o professor. Ex: Passeata para legalização da maconha. Não existem direitos absolutos. desde que seja para atenuar desníveis existentes. As provas 114 . e violou direitos de terceiros. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. é outra questão. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. de expressar o pensamento. IV.

se não há qualquer identificação. desde que não viole o direito de terceiro. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. CR. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. Porém. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. → Alguns temas polêmicos: 115 . Isso significa que. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. 3. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). I. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. há 02 hipóteses em que o STF admite. ela deve ser protegida. pedindo resgate. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. ou de não ter crença em nada. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. houve a total separação entre Estado e Igreja. Os templos recebem uma proteção especial. apesar de a maioria da população ser católica. 5º. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. inclusive em lugar aberto ao público. Esta liberdade está consagrada no art. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. abrangendo a liberdade de crença. Ex: seqüestrador escreve bilhete. 2. e. desde 1989 (advento da República). então. A liberdade de consciência é a mais ampla. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Garantir a simetria da liberdade religiosa. Pode fazer um exame grafotécnico. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. por exemplo. O Estado deve manter-se neutro. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. não é o caso do Estado brasileiro. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Para Habermas. ele não pode ser admitido. o equilíbrio das religiões. deve ocorrer uma “tradução institucional”. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. Vejamos: 1. O culto pode ser exercido em qualquer local. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. 19. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. Quando são produzidos pelo próprio acusado. de crença e de culto. de ter crença. O dever funcional da autoridade é investigar. A religião desempenha um papel fundamental. O Estado brasileiro. No Brasil não há uma religião oficial. Não se pode admitir que o parlamento. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. com o advento da República. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. CR. Em relação ao culto. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. ainda 2. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. VI. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões.

não poderia ser confessional. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. Para o prof. 215. inegavelmente. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. 23. são culturais. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. Neste caso.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. fazendo uma ponderação entre os princípios. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Há um trecho do livro do Dworkin. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. CR). VIII. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. e não à justiça do trabalho – ☺art. . Não teria sentido acabar com esses feriados. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. a neutralidade do Poder Judiciário. a competência é da União. estados e municípios (☺art. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. imagine uma cidade pequena. e o aluno optou a se matricular nessa escola. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Na Alemanha. É importante respeitar o ensino de cada um. a escola não deve impor ao menino. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. 5º. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante..Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF.. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. §1º. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. e cultura é competência comum – da União. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. 210. políticos e religiosos. São feriados puramente religiosos. ocorreu um caso muito semelhante. há algumas ações. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Portanto. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. então. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. . CR. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Segundo o prof. a competência é em relação à cultura. onde se tem poucas escolas boas. logo. Entretanto. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. Pode um ateu. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. §2º. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. que odeia guerra. o argumento supracitado não está correto. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Entretanto. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. O tribunal. O 116 . CR). Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Mas.

CR. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. o argumento deve ser racionalmente justificado. mas a de permanecer associado. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. Liberdade de reunião. de cooperativas. existem 2 semelhanças e 1 diferença. XVI. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Se não houver essa lei. tem o caráter permanente. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. as pessoas se reúnem e. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Para que as pessoas possam se reunir. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. Por que a CR exige prévio aviso. então. A associação. Segundo Jean Rivero. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. CR. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. IV). 5º. Não cumprindo com a obrigação. 4. 5º. na forma da lei. Ex. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Ex: reunião de condomínio. mas os políticos. Criação de partidos políticos. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. Caso não cumpra com a prestação alternativa.) 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. 3. O prof. 5º. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. A pessoa alega imperativo de consciência. terminada a reunião. A República é o governo das razões. Quem fará a tradução não é a Igreja. CR: Não é só a liberdade de se associar. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. XVII e XXI. etc. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. ☺ art. XXI. Há. mas direitos individuais de expressão coletiva. elas vão embora. 15. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. XVI. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). ainda. Criação de sindicatos. essa hipótese é de representação processual. por sua vez. Ex: fazer segurança. não é necessária a autorização estatal. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Criação de associações e. mesmo que em locais abertos ao público. ☺art. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. não são os religiosos. JAS diz que não são direitos coletivos. 2. (Não pode reunir pessoas armadas. desviar o trânsito. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. 5º. conforme portaria da ANVISA. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal.

ilegítimas.. segundo o prof. Segundo o STF. É o entendimento de Daniel Sarmento. Há um outro entendimento que. em seu art. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. 5º. LXX. Se ele tem proteção. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). ☺art. é mais correto. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. Segundo ele. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. mas sim contrárias ao direito e. mas faz parte da estrutura desse direito. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. Segundo JAS. 8º. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. não pode existir mais de uma federação por território. CR) quando ajuíza uma ação. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. do próprio regime desse direito. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. segundo o qual. se não for atendida. Ela só garante o direito de propriedade. ADC e ADPF. não precisando de autorização expressa. não impede que o direito de propriedade seja protegido. 5º. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). a propriedade terá uma proteção menor. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. 118 . Função Social da propriedade: A CR. Ex: Invasões de terra pelo MST. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. Segundo o STF. III. XXII. Segundo o STF. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. portanto. a função social. A associação impetra em nome próprio. garante o direito de propriedade. por exemplo. Em seguida. como a Constituição garante o direito de propriedade. 2. no seu art. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. Só pode representar se houver autorização expressa. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. pode ser dada numa Assembléia Geral. XXIII. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. mas não pode ajuizar ADI. 5º. ter um patrimônio mínimo. segundo o prof. o direito de propriedade pertence ao direito público. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. não são legítimas essas invasões. defendendo direito alheio. A Constituição não garante o direito à propriedade. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. O sindicato (☺art. tendo um menor peso na ponderação. O que acontece é que se não cumprir a função social.

existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. só haverá indenização se houver dano. justa e. CR. etc. XXV) e as militares (☺art. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. normalmente. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. A polícia requisitou determinadas propriedades. em regra. b) ☺ art. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. Sempre que há requisição. que deve ser prévia. na desapropriação. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. como um apartamento. uma escola pública. 5º. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. CR. a indenização será sempre posterior. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. por ser inerente ao direito de propriedade. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. No caso de requisição. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Sempre haverá indenização. a saber: a. IPTU progressivo no tempo. Ex: caso de Eloá. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Para atender a função social. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. 184. A função social. Além do caráter absoluto. indenização por títulos da dívida pública). A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Vejamos abaixo. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. CF/88: Trata-se de imóvel rural. Vejamos: a) ☺art. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto.000 habitantes (§1°). III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. restringe o caráter absoluto. deve haver indenização? Não. por utilidade pública. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. diante de uma emergência. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. ou por interesse social. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Os principais aspectos são 2. §4º. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. o proprietário não tem culpa. Propriedade Rural: ☺art. É um aspecto lógico. Como haverá indenização se houver dano. ele não poderá ser prejudicado. como decorrência do primeiro. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. VII). §2º. 139. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. b. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. mas sobre a propriedade em si. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Desapropriação: Diferentemente da requisição. Propriedade Urbana: ☺art. 182. Logo. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. 182. a saber: por necessidade pública. há uma transferência compulsória da propriedade. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. 186. 2. deverá ser em dinheiro. Na requisição.

243 da CR. parágrafo único. Obs. 3. por ter prazo menor. possuir o imóvel como se fosse seu. CR). . emergências da sociedade. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. §3° e art. prévia e. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Usucapião: Na Constituição da República. Para esse fim. os bens serão confiscados – art. A Constituição não permite – ☺art. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. Se ele tiver outro imóvel. Na CR. 185. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. não precária. sem oposição. o imóvel deve ter. pacífica. O confisco de propriedade está previsto no art. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. ininterrupta. paga em dinheiro). Só que. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. 120 . 2.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. . etc. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). sejam urbanos ou rurais. 191. Só não podem ser para fins de reforma agrária. Confisco: No Brasil.). não há pagamento de indenização. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. Necessidades transitórias.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. precisa recorrer ao judiciário). Como o confisco é uma sanção. Requisição Refere-se a bens e serviços. . PU. não podem ser adquiridos por usucapião. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. em Indenização posterior se houver dano. 183. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. §5º.o morador não pode ter outro imóvel. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. . a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). Necessidades permanentes da sociedade. Nesse caso. é porque ela está cumprindo a sua função social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . CR). 243. no máximo. É sempre indenizável (justa. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Se ela é produtiva. 184. Vejamos: .Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família).: Imóveis públicos.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. São imunes a impostos (☺art. regra. 250 m2. CF/88. 5º. seja urbano ou rural. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). no máximo.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. 50 hectares.

a CR/88 entrou em vigor. 106. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . Em regra. XL. é uma conjugação das duas anteriores. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. a regra também é a não retroatividade (art. inicial. etc. XXXVI. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. 5º e no art. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. na verdade. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. 5º. Em resumo. é necessário diferenciar duas situações. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Esta hipótese é. só que exclusiva para o direito tributário. interpretando a lei da maneira (A). Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. Seria correspondente à primeira hipótese. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. b) Retroatividade benigna. a lei interpretativa retroage. CR). Durante a vigência desse contrato.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. 5º. Alguns a interpretavam de maneira (A). Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. não era muito democrática). As hipóteses mais importantes são: 1. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. desde que seja mais benéfica para o réu. A lei interpretativa retroage. ato jurídico perfeito e coisa julgada. não. Todas as demais o consagraram. a saber: 1. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. mas deve respeitar a coisa julgada. A garantia existe para a proteção desse direito. Para responder a essa questão. média e mínima. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. 2. outros a interpretavam de maneira (B). autônomo. Esse contrato está produzindo os seus efeitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. 3. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. mas que vale especificamente para o direito tributário. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. Retroatividade da Lei Penal. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. No direito penal.

até mesmo. extintas. haverá uma retroatividade máxima. Só que para haver essa retroatividade. .A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. de acordo com a legislação da época. haverá uma retroatividade média. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. coisa julgada e ato jurídico perfeito.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. automaticamente. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. b) Retroatividade média: pode ocorrer. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. e não lei em sentido restrito. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Se mudar o real. interpreta a lei em sentido amplo. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. e não as parcelas que compõem o vencimento.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. e não o ato exaurido. Havendo mudança de regime jurídico. É claro que isso não é desejável. através de norma de eficácia plena. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Só que para haver essa retroatividade. no caso de retroatividade mínima. a Constituição da República entrou em vigor. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. . Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Não pode haver a redução. STF. mas as leis não. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. será necessário que a Constituição diga expressamente. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Após a Constituição de 1988. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. → Coisa julgada: 122 . Somente as parcelas futuras seriam atingidas. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Antes de a prestação ser paga. Ex: Determinada prestação. Não existe direito adquirido em relação a esse regime.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. 654 e Súm. . No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Portanto. inclusive as de ordem pública. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Ex. 5º. não há posição prevalecente. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. ela afeta a todos. mas isso está superado. O prof. em regra. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Na retroatividade máxima. A EC poderia prejudicar direito adquirido. porque geraria uma insegurança jurídica. 2. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. As parcelas podem ser reduzidas e. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. É o ato que está apto a produzir os efeitos. porque geraria uma insegurança jurídica. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Nesse caso. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. portanto. Se a Constituição atingir essa prestação. . ☺Súm. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. 473. É claro que isso não é desejável.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda.

PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. em regra. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. Mas isso não é verdade. em sua maioria.. ou seja. . Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . Os princípios. de sociedades pluralistas. 5º. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. Em cada época. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. §1º. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. e não propriamente como ministro). Dirley Jr. mas é apenas a coisa julgada judicial. para dar decisões concretizando tais direitos. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais.: salário mínimo). . existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. exigem uma atuação positiva do Estado. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. Eficácia: todo direito tem um custo. como doutrinador. Ou seja. consagrados em NEP ou NEC. e isso para muitos é um ponto negativo. 5º. A administrativa não tem essa proteção. Por isso. 7º. são NEL (de princípio programático). Eros Grau. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. independentemente de qualquer fator. pois são mais facilmente implementados. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. 2. No art. Os direitos de defesa são. à medida que a sociedade o determine. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. 5º. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. e pelo Min.☺art. §1º. Direitos Sociais: 1. segundo Robert Alexy. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. nós deveríamos interpretar o art. Já os direitos sociais. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. o que significa que possuem um caráter positivo. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. são mandados de otimização. independentemente da sua natureza. como teórico do direito (ou seja. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. Assim. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. eles o são porque ainda poderão ser consagrados.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. por ex. b) o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. do seu enunciado. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. geralmente consagram seus direitos em textura aberta.

que estamos buscando. só porque recorreram ao PJ. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. Primeiramente. pois. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Norma de direito social não gera direito subjetivo.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. etc. educação. Como têm apenas eficácia negativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). é importante definir tais critérios.). Obs. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos.000. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. pois. lazer. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. por ex. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. Portanto. Por isso. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. todas. Pedro Taques). Quando se fala em direitos sociais. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. assim. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas..Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. Esse entendimento já foi superado. . o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases.000. por ex. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. implicitamente. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. quando foi dado um maior papel ao PJ. Argumentos contrários à intervenção judicial: . previdência. as normas possuem uma textura aberta. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. Esses direitos sociais não teriam. 3ª fase: é a fase desejável. normatividade. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. segurança. A visão do juiz é bilateral. em tese. por ser norma programática. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet.). trabalho. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. Assim. rodovias. O que se busca. Em outros lugares. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. não geram direitos subjetivos. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. doutrinador do RS. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. legítimas (saúde. . O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. essa atuação talvez não seja tão justa.

em 1972. De se ver que quando se fala em direitos sociais. eleições periódicas. . A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. Se um poder se encolhe. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. o outro cresce. . inclusive a minoria. no que diz respeito aos direitos sociais. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). É preciso. .Déficit democrático das instituições representativas. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. eles acabariam sendo inviabilizados. sufrágio universal. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. Ademais. Não é o entendimento que prevalece. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. segundo Ingo Sarlet. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Os direitos sociais estão consagrados em normas. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). entra-se muito nas questões ideológicas. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. Assim. teríamos a maior utilização das ações coletivas. Mas. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. ou seja. pois. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. mas a todos que se encontrem na mesma situação. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. e é muito utilizada no Brasil. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Esses argumentos são os que devem prosperar. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. em razão do Princípio da Igualdade. em razão das limitações orçamentárias existentes. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário.A democracia não é apenas vontade da maioria. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. por isso. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. não se encaixaria na realidade brasileira. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. A reserva do possível. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador.Caráter normativo da constituição. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). saber se a demanda é razoável. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. 125 . Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. Se não se estabelecer os critérios.

No Brasil. etc. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. pelo cumprimento voluntário da constituição. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Segundo Ricardo Lobo Torres. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. maior o risco de não ter efetividade. quando se estabelece o mínimo existencial. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. que a demanda custa y. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. a questão da efetividade será prejudicada. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. da liberdade material e do princípio do estado social. Outros autores já falam apenas em saúde. que existem z pessoas na mesma situação. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Segundo Ana Paula de Barcellos. educação e moradia. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Segundo o prof. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. que é a corte suprema na Alemanha. essa concretização. mas deve também ser provada. é o entendimento mais adequado. em razão de sua textura aberta. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. depende de cada época e de cada sociedade. mas teria um peso maior na ponderação. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Se não definir o conteúdo. A reserva do possível é uma matéria de direito público. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). precisam ser concretizados. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Assim. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Não é o máximo desejado. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. por ser necessária para a 126 . . mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. assistência em caso de necessidade. Ou seja. saúde. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. A efetividade passa pela sociedade. em 1953.. Por que falamos em “mínimo”.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. 2. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Vejamos: 1. é o mínimo existencial. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof.

População está relacionada ao conceito demográfico. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. que significa nação. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. irão concretizar os direitos sociais. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. só ampliado. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). A palavra nacionalidade deriva de “natio”. Pode. costumes. língua.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. JAS. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. segundo ele. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. 2) posicionamento de um autor português. da dignidade da pessoa humana. A partir do momento que um direito social é concretizado. pois. independentemente da nacionalidade. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. Os poderes públicos. e do Estado Democrático e Social de Direito. e. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. 5º. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. Todos que moram no Brasil. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. estatístico. assim. Ex. entre eles: laços culturais. da máxima efetividade (art. Há dois posicionamentos quanto ao tema. 127 . ao estudar as normas de princípios programáticos. não pode haver uma redução dessa concretização. fazem parte da população brasileira. §1º. Segundo ele. fala-se em vedação do retrocesso social. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. haver uma redução do grau de concretização. históricos. CR). a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. o que prejudicaria a sociedade. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. passaria a fazer parte do próprio direito social. consciência coletiva. Ele tem. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. haveria um engessamento do legislador e do PE. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. um pensamento mais flexível sobre o tema. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. Por isso. esse prazo não pode mais ser reduzido. já dizia algo muito semelhante. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. de acordo com a necessidade.

estrangeiros residentes.Quase nacionalidade (art. desde que haja reciprocidade. o filho terá nacionalidade brasileira. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. terá naturalidade brasileira. Neste caso. não haver condenação penal e requerimento do interessado. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. c. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. Quando a pessoa é nascida no Brasil. I. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). não há direito público subjetivo. 112 e 115. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. adquirem a nacionalidade do país onde residem. se não se manifestarem contrariamente. 227. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. §6°. 12. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. CF/88. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art.815/80. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. 12. . Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. Refere-se aos brasileiros natos. Pelo critério funcional. a). É geralmente adotada por países que estão em formação. I. por uma questão de soberania nacional. 12. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. Refere-se aos brasileiros naturalizados. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. Obs. II) Naturalização expressa (art. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. . A EC 54 alterou o art. de acordo com o art. b). os pais têm que ser brasileiros. II) Jus Sanguinis: ascendência. Se o casal estiver a serviço de outro país. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). É o caso do Brasil. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. 12. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). 12. I. considera a nacionalidade dos pais. há direito público subjetivo do estrangeiro. art.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento).Diferenças de tratamento 128 . De acordo com o critério sanguíneo.

Mas. 12. 5°. do território brasileiro. ou que tenha filho brasileiro. . CF/88): 129 . XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art.linha sucessória do presidente da república: PR. 12. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. só poderá ser extraditado: . no entanto. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. . Expulsão: consiste na retirada a forca. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. Os critérios utilizados são: . Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. vice. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. A deportação está mais próxima da expulsão.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil.segurança nacional: oficial das forças armadas. CF/88). XL. . . 12. confundir a súmula acima com a seguinte. . Já na entrega. 5°. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. 65 da lei 6. a ela aplica-se a súmula 1. b) 6 assentos do Conselho da República (art. Na extradição. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. 89. não se poderá invadir esse estado. Importante analisar a Súmula 421.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. Se o estado desrespeita essa regra.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. d) Extradição (art. presidente do SF. dependente da economia paterna. Não se pode.815 (ato nocivo ao interesse nacional). §2°. portanto. 5°. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. Mas. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). . presidente da CD. em razão da soberania nacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art.Perda da nacionalidade (art. No caso de brasileiro naturalizado. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. Princípios relacionados à extradição: .se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. §4°. em razão da superioridade da Constituição. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. cria-se um problema de relação internacional. §3°). todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira.

Características que o voto possui no Brasil: . voto é o exercício desse direito.tem valor igual para todos: “one man. §1º. é o direito político em si. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. Para JAS. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. que exige uma alternância de poder. Servem ao controle do próprio direito. salvo se por meio de ação rescisória. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. one vote” – “one person. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. 14.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. com uma única exceção: art. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. . O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). Só se aplica ao brasileiro naturalizado.é periódico: essa periodicidade do voto. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). §1º). nacionalidade e alistamento. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. 14.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. Além dessas características do voto. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). salvo nos casos das alíneas a e b. caput). e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. . inclusive sendo cláusula pétrea. ou seja. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. São requisitos apenas técnico-formais. 130 . 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. A CR/88 adota o sufrágio universal. com a realização de eleições periódicas. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. 81. . Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. one vote”. o sufrágio censitário (ex. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.é direto: é a regra. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto).: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). e não requisitos preconceituosos. pelo CN. Direitos Políticos: . é o direito de votar (e não de ser votado). tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. perderá a nacionalidade brasileira. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. . na forma da lei (que ainda não existe).

já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. §3º? Segundo o STF. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). ela é adquirida progressivamente. Primeiramente. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. Ex. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. 14. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. filiação partidária. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. que geralmente admitem desincompatibilização. Quando a Constituição fala apenas em lei. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. 14). §7º . São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. os inalistáveis são os estrangeiros. com exceção dos portugueses equiparados. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). §1º). §3º. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. 14. dentistas. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. 14 traz um questionamento. 14. no caso do art.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. etc. Além dessas condições relativas à idade mínima. domicílio eleitoral na circunscrição. é o direito da pessoa ser votada. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . 12. 14. então. trata-se de lei ordinária.☺§3º. . No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. ou seja. 14. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. No Brasil. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. Mas o §9º do art. §5º .Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. §8º). salvo se já titular do cargo.é conhecida como inelegibilidade reflexa. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). no governo de SP).este dispositivo fala em sucessão e em substituição. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. ou seja. se houver reciprocidade (art. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. a inelegibilidade em relação aos militares (art. assim. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. ☺ar. do art. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). Assim. até que se atinja a plena cidadania. em caso de reeleição. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. 14. . a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade).

Com base nessa distinção. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. III e V) são hipóteses de suspensão. Todas as outras hipóteses do art. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. 15. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. seus parentes também poderiam ser candidatos. I. portanto. A doutrina (JAS. nos termos do art. 15. e quanto a isso não há divergência doutrinária. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. 15 (incisos II. o prof. não há como readquirir os direitos políticos). II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. 132 . Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. 5º. mas o prof. VIII). é algo temporário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. Kildare.

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