Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

br

Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

3

do estado e das instituições democráticas. e que se encontra acima dos detentores do poder. numa terceira acepção possível. mas também de outros assuntos. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. os fins socioeconômicos do Estado. como o inglês. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. o local e a época. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. enfeixado na Constituição. Tem-se utilizado. Kildare Gonçalves Carvalho. um claro juízo de valor. 4 . Neste sentido. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. a defesa da Constituição. o americano e o francês. assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. em especial limitar o poder arbitrário. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. por seu turno. É. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Numa segunda acepção. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. reporta-se a um sistema normativo. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. então. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. O conceito de constitucionalismo transporta. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. E para isso. Numa vertente mais restrita. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Partindo. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. e. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. mas proteger direitos. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. em sentido jurídico. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. uma teoria normativa da política. no fundo. como sociológica: “em termos jurídicos. sociologicamente.

A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. 1. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). b. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791).surgiu em substituição ao governo dos homens. (Livro do Alexandre de Morais). • Princípio do governo limitado. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Foi uma retrospectiva do direito Grego. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. a partir da Revolução Francesa. Governo limitado. ii. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. em 1791. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Como ressaltado por Jorge Miranda. a. porém. • Separação dos poderes. d. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Grécia antiga: democracia constitucional. Roma: idéia de liberdade. ii. após a Independência das 13 Colônias. desde logo. quem. b. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Foi a mais avançada forma de governo. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Garantia jurisdicional. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. integram-no. como e até onde pode mandar. Estado Hebreu: estado teocrático. A democracia é a representação da vontade da maioria. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Inglaterra: rule of law – governo das leis . a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Hoje. Influenciaram o direito francês e americano. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. se contrapõe ao absolutismo. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. em 1787. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Foi a 1ª experiência constitucional. fases pelas quais passou a constituição. e da França. Por isso. 2. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Atribui competências aos três poderes. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Estabelece as regras do jogo político. c. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais.

Não há diferença de dignidade entre as pessoas. 4. ou seja. estabelecidos pela Constituição. Separação de poderes. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. ii. Constituições da democracia marxista ou socialista. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. as quais são denominadas por pós-positivismo. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. na época das Revoluções Liberais. direitos fundamentais. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). havia regras. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. aplica-se a analogia. as constituições tinham caráter mais político. Constituições de países subdesenvolvidos. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Idéias principais: i. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Todos os poderes constituídos (PL. foi o Abade Sieyès. O ser humano é um fim em si mesmo. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. XX). Força normativa da constituição: antes. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Segundo a tradição francesa. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. PE e PJ). algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. sem força vinculante. b. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Constituições da democracia racionalizada. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. A partir dessas novas idéias. Rússia. Ex. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. d. c. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Eram apenas uma diretriz. estarão subordinados a ela. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Hoje. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. c. Novas idéias foram surgindo. diretrizes. b. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. 3. Começou a se falar em um direito moral. a. Constituições da democracia social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. estabelecendo diretrizes. os costumes 6 . Garantia de direitos. ligada à idéia de liberdade. a maioria da nação. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. XIX. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo.

espuma do chopp. união homoafetiva. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Teoria Concretista Geral. f. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. 7 . Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. aborto no caso da acrania. Mas essa é uma posição muito radical. • • 5. fidelidade partidária. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Entre uma regra específica e um princípio geral. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. verticalização. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. g. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). b. etc. que é aplicada mais às regras. aplica-se a regra específica. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Solidariedade. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila).. e. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. c. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Hoje. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Na Itália. é o juiz. etc. Ex. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Consenso. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Eles são importantes. tratado internacional tinha status de lei ordinária. é o judiciário. Participação. cotas em universidades. os princípios. d. Não se aplica diretamente a constituição. Hoje. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Constitucionalismo do futuro. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Continuidade. Para Paulo Bonavides. o judiciário aumenta sua força. de uma forma geral.  Aplicação direta da constituição. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Os princípios. Verdade. Para Barroso. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Na jurisprudência do STF. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Ele atua como legislador negativo e positivo. mas quem dirá o que ela é. pois esta é a concretização de um princípio geral. Quando o legislativo é fraco.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro).  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Universalização. são aplicados através de ponderação entre os princípios. demarcação de reservas indígenas. Integração. há uma euforia dos princípios.

Fundamental Orders of Connecticut (1662). verdadeiro sistema híbrido. a continuidade. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. 14. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. dá-se através dos representantes do povo. o exercício deste poder. Contratos de colonização. portanto. nos termos deste lei e das normas constitucionais. Carta outorgada por Carlos II (1662). Como regra. referendo e iniciativa popular”. do art. Assim. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. que são os deputados federais (âmbito federal). a solidariedade. O titular do poder é o povo. a participação. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776).U. de forma expressa. cujo titular é o povo. mediante: plebiscito. Vale dizer. então. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). caput. o P.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. II e III. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). Act of Settlement de 1701. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. de acordo com o art. CR) e. Podemos falar. Compact (1620). pertinentes. nos termos desta Constituição”. a verdade. que. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. de soberania popular.709/98 (que regulamentou o art. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . segundo o art. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Petition of Rights de 1628. com valor igual para todos. Bill of Rights de 1689. Habeas Corpus Act de 1679. 1º da Lei 9. CR. concretizando a soberania popular. 46. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). CR). a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. por intermédio de seus representantes. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. 1º. I.

e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. → Segundo Hans Kelsen.. PL. Para entender tal concepção. Essas normas são programáticas. portanto. conforme o prisma de análise. a Constituição é norma pura. não passaria de uma simples “folha de papel”. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). na política ou na filosofia). 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. Esta concepção atualmente é inadmissível. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. mas apenas leis constitucionais. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. é vinculante e obrigatória. ou seja. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. As leis constitucionais são todo o restante. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. têm a mesma forma de elaboração). §2º. PJ. para ele. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. 242. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. 1°. A Constituição Escrita. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. O art. Toda a Constituição. o restante. na sociologia. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. os direitos fundamentais. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). o caráter normativo e vinculante da Constituição. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). com exceção do Preâmbulo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. Constituição e leis constitucionais são. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. que surgiram com as constituições mais prolixas. Esta é a concepção que hoje prevalece. caso contrário. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. ou seja. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real.: art. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. quando não corresponde à Real. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. A conferência realizada por ele. mas materialmente distintas. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. a que Carl Schmitt chama de Constituição. como por ex. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. Segundo ele. que adota o conceito decisionista de constituição. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade).

a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. ao mesmo tempo. Gilmar Mendes). modificando-a. por isso não tem nenhum expoente específico. todos os setores da vida social. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade.Povo.Finalidade. . define tais elementos estruturais. 10 . é a Constituição escrita (CR/88). Seu único comando. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. . Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e.Soberania. portanto. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). mas que trata de todos os aspectos. qual seja. Ou seja. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. ela não existe na realidade. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). é apenas uma pressuposição. e também jurídico. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). neste sentido. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. é: todos devem obedecer a Constituição. A CR/88. quais sejam: .a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. não introduz nenhuma novidade. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”.Território. não está escrita. a Constituição tem sim fundamento sociológico. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. é uma norma pressuposta. é um elemento conformador. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. . . segundo esta concepção. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. condicionante desta mesma cultura. posta pelo Estado).

não surge de uma só vez em um só momento. 3) Quanto à origem: . a constituição não se torna democrática. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . de uma só vez. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. . . Nesse caso. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). ou variadas): ex. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. pois toda constituição é escrita e não-escrita.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. votada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. Constituição Espanhola/1930. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição.outorgada: é a constituição imposta. Ex. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. o apelido de “Cartas Constitucionais”. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. de maneira unilateral. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar..pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. . surge em um só momento.. toda Constituição histórica é costumeira.dogmática: sempre escrita.não codificadas (ou legais. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. as constituições outorgadas foram as de 1824. dos dogmas predominantes naquele momento histórico.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. a Constituição Inglesa. Por isso mesmo. .codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. É uma aprovação simbólica). 11 . há pouco espaço para se ter costumes como regras. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). 1967. quem vota a matéria são as lideranças. tem também vários documentos escritos. Obs. No Brasil. é fruto das idéias. 1937. trata-se de modalidade anacrônica. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. consuetudinária (não é escrita).: as constituições outorgadas recebem. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. como por ex. . e como é bastante prolixa. promulgada. por ex. por alguns estudiosos.democrática. podendo ser: . .

Por este motivo. sucintas. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. mas sim o processo mais dificultoso. sem se preocupar com os detalhes. Ex. Não existe controle de constitucionalidade das leis. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). portanto muito difícil de serem modificadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. (Obs.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. Ex. CR).flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). deixou de ser considerada flexível. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. sendo assim. Como se submete a esse tratado internacional.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. passou a haver hierarquia entre as normas.: art. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. Constituição Inglesa. .fixas: não poderiam ser modificadas. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). ou seja. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . inclusive a CR/88). Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . Ex. É uma classificação típica das constituições costumeiras. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. É uma constituição em sentido material. . 1º. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO).: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . . São chamadas também de clássicas. como é o caso da CR/88. . mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. .) .: a Constituição dos EUA). É uma constituição em sentido formal. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Em 2000. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988.

59 e segs. Ecléticas. sumárias. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. democrática. Ex. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Característica das constituições clássicas. prolixa. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). Democráticas (populares. → Considerando algumas das espécies supramencionadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. porque é fruto de várias ideologias. codificada. Históricas. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional.: a CR/88 é ainda Eclética. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. União. o Municípios. Constituição programática (ou dirigente). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais).: art. formal. (processo legislativo). dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Fixas. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. . OBS. dogmáticas. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. Não-escritas (inorgânicas. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). É a CR/88. como por ex. Pactuadas (ou pactuais). votadas ou promulgadas). básicas ou clássicas). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. o União. e não de apenas uma ideologia. dogmática.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. 3º. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. CR. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Canotilho. mas sim uma obrigatoriedade!). QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. Flexíveis (ou plásticas). Rígidas. o DF. sucintas. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. o Estados. 13 . Constituição em sentido formal. rígida (ou super-rígida). que surgiram com um objetivo pré-definido. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais).: art. costumeiras ou consuetudinárias). pois valem a todos os entes federados.

as derivadas (art. o indireto. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. uma Constituição só possui relevância sociológica. que existem como complementação dos ANP). ordinárias e complementares). Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . por 3 níveis hierárquicos. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. encontram-se as normas constitucionais originárias. No entanto. tem de ser. Para que exista supremacia formal. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. as medidas provisórias. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. 59. por ser rígida. LC. 59. MP. 5º. direitos fundamentais ou não. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. obrigatoriamente escrita. DL e Resoluções – ☺art. que a CR/88. No topo. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. basicamente. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. princípios ou regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. porque os princípios têm maior amplitude. para fins de controle de constitucionalidade. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. sejam elas originárias ou derivadas. a Constituição. a Constituição tem que ser rígida. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. Leis Delegadas. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. se tiver também supremacia formal. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. cujo fundamento de validade são as leis e. distritais e municipais. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. CR). as leis delegadas.343/SP.: decretos e regulamentos. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. estaduais. enquanto as regras são mais específicas. §3º). 59. II a VII). Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. Importa dizer.

status constitucional. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Anotar como complemento posteriormente. Leis delegadas. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). No caso da prisão civil por dívida. por uma questão de economia legislativa. a previsão constitucional exige complementação.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária.☺Art. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Não varia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . OBS: O art. Reservada pela CR/88. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. MPs. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art.☺Art. Residual. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. 69. é sempre o mesmo número ☺Art. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. No entanto. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . mas somente uma recomendação. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). que regula a LC. 47. Lei ordinária Art. Por ser uma matéria reservada. Quando não exigir LC. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 47 é a regra geral. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. 69. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Portanto. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Essa aprovação não é obrigatória. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Cabe controle de legalidade (discussão incidental).

se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). • Estado – ☺Art. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Assim. assim. no caso de repartição vertical. CR. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. • União – ☺Arts. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). pois não está ligada diretamente à Constituição. d. Hierarquia entre Lei Federal. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. como o controle exercido será de constitucionalidade. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas.: lei estadual trata de matéria de competência da União). § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. 16 . E. Havendo conflito (ex. 21. ☺Art. DF). 30 (assunto de interesse local). conforme previsto no art. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. a competência para resolução é do STF. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Parei aqui. III. não cabe ADIN. 102. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). há hierarquia. 25.

a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. é diretriz hermenêutica. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Como não tem caráter normativo. Com a EC/45.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. o CDC. seja uma norma de referência para ele. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. Abrangeria não somente a constituição. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). mas também o preâmbulo. Não existe.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. Refere-se.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). contudo. etc. deve estar inserida no texto da CR.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. tem função interpretativa). 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). . A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. visando assegurar a supremacia da constituição. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. os TI de direitos humanos. quando são equivalentes às EC. portanto. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. b) Parte permanente = normas gerais – arts. ou seja. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. Tirando o preâmbulo. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. 17 . como para Canotilho. . . Assim. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco.

Formas de Inconstitucionalidade: 3. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. 69 – desrespeito a quorum de aprovação.de princípio institutivo (Obs. A omissão parcial nada mais é que uma ação.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). se considerar em relação a uma expressão é total. Ex. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. Não Auto-aplicável. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. . não será cabível mandado de injunção. MI.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Não Auto-executável. aliás. 18 . mas caberá ADIN por omissão). 5° a 17). ocorre.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. 154. ou seja. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). as Súm. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. não pode ser suprido pela sua sanção). Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). ADC e ADPF. Obs. Pode ser: . §1º. 4 e 5. No STF. 3. STF não é mais aplicada.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. Assim.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. Ex. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . Aqui. pois. ADI. AIO. quando não é respeitada uma norma de competência. ou seja. I – que exige LC para instituir impostos residuais). 61. Ex. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . há uma divergência na doutrina. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Dependem do prisma de observação. CR). 5.de princípio programático. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. e Não Bastante em Si. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex.: a Súm. Assim. mas o prof. art.: competência privativa do PR (☺art. Ou seja. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 3. (Obs. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. o Min. às vezes. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. . 3.

: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). No caso do decreto. reflexamente (ou de maneira 19 .: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. Segundo STF. 66. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. como altera sentido do texto. No caso da lei. Pode ser: b. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. que se ligam indiretamente à constituição. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. o que houve foi um desrespeito à Constituição. já sendo inconstitucional desde a sua origem. todo parágrafo. pode ser questionado. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. Ex. ato originariamente constitucional. desde que estes estejam diretamente ligados à CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. a inconstitucionalidade será direta. CR. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. que só pode atingir todo artigo. atos previstos no art. pois. não se trata de revogação. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. e grande parte da doutrina. Relaciona-se. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. refere-se. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. 59. não pode ser retirada). § 2°). aos Atos Normativos Primários. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. a inconstitucionalidade será indireta. b.: a palavra “não”.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. Para o prof. ou seja. Quando se fala em inconstitucionalidade. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. Se o decreto é ilegal. Obs. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. o decreto se torna inconstitucional. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. de ofício ou a requerimento da parte. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. toda alínea ou todo inciso (☺art. 3. Ex. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. no controle concentrado abstrato.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. decretos regulamentares. Assim.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. ou seja.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88).

§2º. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. ela não está violando o direito de ninguém). mas sim analisar cada caso concreto. Art. Trata se de um controle incidental. porque o chefe do PE. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. é excepcional. 66. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. se ele entender que o projeto é inconstitucional. O chefe do PE. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. é fundamento de validade direto e no 2° caso. 60 parag 4. por isso aqui não há que se falar em controle). tem fundamento de validade indireto. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4.ou concreto. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). IV .sancionar. Obs. inciso ou alínea). A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. No 1° caso. a inconstitucionalidade é indireta. CR). ele não precisaria impetrar o MS. OBS: não adianta decorar o nome do ato. O veto é relativo. não pode impetrar o MS. quando ele participa do processo legislativo.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. 84. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). 84. O único legitimado para impetrar esse MS. mas uma mera análise política. EX:art. parágrafo. pois pode ser derrubado (☺art. como pelo PE e PJ: . a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. por isso ocorre antes da promulgação da lei. CR. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. . viola o art.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). o projeto 20 . segundo o STF.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. assim. O veto tem que ser expresso. Caso contrário. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade.. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. porque ele é o único que participa do processo legislativo. promulgar e fazer publicar as leis. já que de maneira indireta. embora participe do processo legislativo.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. a inconstitucionalidade será direta. 66. IV. . porque o ato não fere diretamente a CR). portanto. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. que se exerce através do veto (☺art. prevenir que a CR seja violada. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

quem tem legitimidade é apenas o Deputado. pois não se trata de ato normativo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. aos direitos fundamentais”. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. mas um processo legislativo constitucional. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo.. Ademais. CR. V. desta feita. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. se está no Senado. as cláusulas pétreas. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. a separação dos poderes. etc. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. constituindo-se normas constitucionais interpostas. que entende que “. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. §4º. mormente. contudo. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. e as normas do RI são questões interna corporis). em um primeiro momento. na linha do voto de Gilmar Mendes. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. interpretações regimentais. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. não lhe cabendo. a fim de repará-la. já que trata-se de um ato normativo. No entanto.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. 60. 21 . vinculam os atos e procedimentos legislativos. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. os direitos e garantias individuais” – ou seja. se na Assembléia Legislativa. que. que é o chamado Decreto Legislativo. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. pode ajuizar uma ADI. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. por maioria de votos. universal e periódico. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR).. ADC ou ADPF. o voto direto. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. V . somente o Deputado Estadual. ☺art. ou seja. vedando-se. 168): o STF. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. 68. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). 49. o PR elaborará então a LD. Questão: o PR. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. Se o projeto tramita na CD. muito embora não sejam formalmente constitucionais. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). o Senador. Leitura do livro do Lenza (pág. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. secreto. Na verdade. na qual o projeto esteja tramitando. tendo como objeto esse Dec. Legislativo? Sim. Assim.

o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). simultaneamente. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta).. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. CR). O TC é órgão auxiliar do PL (art. no exercício de suas atribuições. ao negar cumprimento à lei. CR). só havia um legitimado para propor ADI (PGR). estudado de forma detalhada a seguir. quando. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. ao fazer um Decreto Regulamentar. Assim. 4.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. tampouco que o PR. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei.. ela deve ser objeto de controle. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. 62. Antes da CR/88. Após a CR/88. é necessário fazer-se um controle repressivo). mas segundo o Min. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). . esse rol foi ampliado. Gilmar Mendes. Desde já. GE. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). IV. nesse caso o CN pode editar um Dec. O chefe do PE (e só ele – PR. II) art. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. Apenas excepcionalmente. pois.. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. Ele será. exorbita os limites do Poder Regulamentar. . os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. não havia relevância alguma). Não se analisa o mérito da MP).O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . segundo o STF? Resposta: em regra.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. não é um entendimento consolidado. 84. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. pode o PJ analisar tais pressupostos. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. porém. ajuizar uma ADI. o chefe do PE teria que. Legislativo para sustar. ou seja.084). no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. 71. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. nesse caso. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. III) Súmula 347. já no STJ não há qualquer ressalva. clara e evidente – ou seja. mas tão somente aos prefeitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. STF: o Tribunal de Contas. No entanto. por ex. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. através da edição de um Decreto. Obs. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art.

o controle é feito pelo PL. interessante: em 1965. porque surgiu nos EUA. quem exerce o controle é o PJ. e é adotado pela maioria dos países europeus.Hilton x U. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. inclusive o STF). Por isso. em 1803. que completa este ano 20. com 19 anos de Constituição. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. ao mesmo tempo. 4. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). porque significam coisas diferentes!). 1792 Hayburn s case. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. em se tratando de lei nacional. Primeiro caso. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. dentro de sua competência. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. já na CR/88. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). É também chamado de controle aberto. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. para não gerar essa confusão. isso não é verdade. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade).3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs.A. É conhecido como Sistema norte-americano de controle.S. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). se se tratar de lei local. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. No Brasil. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. Ex.: na Suíça. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. Segundo caso. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. em 1920 (bem depois do controle difuso).: França – que tem o Conselho Constitucional. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. difuso e concentrado). mas das espécies de controle. haviam sido feitas apenas 16 EC. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). Por isso. Obs. já foram feitas 56 EC! 23 . ou seja. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. porque surgiu na Áustria. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana).: O controle concentrado surgiu através da EC 16. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão.

nos EUA chamado de “Binding Effect”. Da mesma forma. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. Segundo este instituto. mas deve ser estendido ao controle concreto). CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. Por isso o Min. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. o principal defensor dessa tendência é o Min. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. já não ameaça mais a supremacia da constituição. No direito brasileiro. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. ou tendência de verticalização. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. Com base nesse argumento. é proteger as normas da CR. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. porque em estando revogada.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. também não podem ser objeto de controle abstrato. Gilmar Mendes. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. O efeito vertical. Este efeito é típico do controle abstrato. ou seja. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). A finalidade não se confunde com a competência. mas tão somente de controle concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. 102. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. sendo o controle 24 . Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. A análise da lei sempre será feita em tese. (O STF é o guardião da CR – art. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. por ser uma relação vertical. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. e a partir desse antecedente. 97. se fala em efeito vertical. No Brasil.

Eros Grau. Por fim. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. o Min. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. 4. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. então não sabemos a posição dos demais ministros. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. X. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. em seu voto. sendo acompanhado pelo Min. pelo menos por parte de alguns ministros. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. Então. segundo ele. Na decisão do STF. não há necessidade da suspensão pelo Senado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. 25 . Não houve reclamação quanto a essa decisão. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento.335/AC). CR. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. 52. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. E. Antes. Outra situação interessante foi o RE 197. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. ainda. Assim. e não erga omnes. sem que ocorra modificação no seu texto.959/SP. No Acre. o direito de greve dos servidores públicos. ou seja. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). ou seja. Assim. como a decisão tem efeitos inter partes. viola o princípio da igualdade. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. No Legislativo: Mas. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. em ocorrendo isso. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. ou seja. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. do PL. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. tendo efeito apenas inter partes. Então o Min. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). houve decisões proferidas em 3 MI (712. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. não permite essa mutação). Gilmar Mendes (e também o Min. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. Por fim. que deu provimento à reclamação. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Gilmar Mendes. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. se assim fosse. O Relator da Reclamação foi o Min. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Pois no controle difuso.917/SP. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. não uma simples mutação. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. ou seja. Gilmar Mendes.

por sua vez. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido.417/0 e Lei 11. estão os procedimentalistas. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. ou seja. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei.art. não tem natureza processual como as súmulas comuns. é um instrumento de controle concreto e há. (☺ Lei 11. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. não cabe ao STF analisar. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. A repercussão geral (art. mas apenas a causa de pedir (antecedente). político ou jurídico. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. pois tem o papel de guardião da Constituição. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. Num segundo momento (conseqüente). julgando-o procedente ou improcedente. a rigor. O papel do STF não é julgar litígios individuais. Segundo Eduardo Appio. concorda com isso). atualmente.418/06). O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. social. por estarem mais próximos dos indivíduos. 26 . somando-se os votos de todos eles. O RE. fundamentação e dispositivo. é uma questão incidental. 102. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. não é o objeto principal do pedido. o que se dá no “plenário virtual”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. 103-A). Caso contrário o STF não vai admitir o RE. No controle concreto. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). Contrários a essa tendência de abstrativização. não precisam chegar até o STF. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. § 3°. eles não se reúnem fisicamente. A súmula vinculante tem natureza constitucional. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. analisado no dispositivo (conseqüente).

U.: . 28. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. questões ditas de passagem. art. e ele se encontra no Dispositivo. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . ou seja. 27 . O próprio STF já proferiu decisões divergentes. 102. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. eles também são vinculantes. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. 102. Ademais. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. 10.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.868/99 – Lei da ADI e da ADC. mas também à fundamentação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. .Lei 9. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. conforme está previsto no caput do art.I.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante).882/99 – ADPF. . O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante.erga omnes . P. art.vinculante.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.EC 45/04: art. não determinantes para a decisão) não vinculam. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. .efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. há previsão não só na lei como também na CR). O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. sejam poderes públicos. Sendo assim. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. §2º. .Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. mas tão somente a ratio decidendi. secundárias do julgado. a razão determinante da decisão. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . 5. Dispositivo L. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. sejam particulares.Lei 9. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. a chamada eficácia vinculante.

803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. inclusive o Tribunal de Contas. no caso Marbury x Madison). Respeitando o efeito vinculante. impedida de evoluir).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . também fica vinculado).Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. Por este entendimento. .o PL (na verdade.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. pois atinge apenas o dispositivo. a função legislativa). o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. estadual e municipal). mesmo que não tenham sido impugnadas. cuja função não é legislativa. e outros dizem ser um ato anulável. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. . Obs. até que o PJ a declare inconstitucional. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. No entanto. outros dizem ser nulo. já os órgãos fracionários do STF. por sua vez. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. segundo o prof. . Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. (20/03/09) 5. mas sim fiscalizatória. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. mas os sistemas de preclusão processual. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Só atinge a norma impugnada. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. . se as leis devem ser cumpridas. pode modificar seu entendimento. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. É um entendimento que vem desde 1. como a coisa julgada.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. . que se quiser. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. 28 . é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. suas turmas e seus ministros. estes estarão sim vinculados).: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). inclusive os chefes do PE.

É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. ☺RE 197. Assim. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. 27.868/92 (art. Exs.112/90. Neste caso. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. Visto a natureza do ato inconstitucional. como regra é retroativo: ex tunc. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. Ou seja. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. portanto. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. com inteiro teor). Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (.). é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação.. por questão de segurança jurídica. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. . os efeitos são erga omnes). como os servidores agiram de boa-fé. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. 27). o efeito que produzirá. assim.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 .882/92 (art.. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. ☺art. como a Lei 9. etc. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros.Normas anteriores à CR. decidiu que. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. o Min.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. no caso do controle abstrato. Lei 9.)”. portanto. . e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). porque o ato é nulo desde a sua origem. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. Mas. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. que revogou a Lei A. O STF. poderá o STF. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). o STF. 11). A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. com seus normais efeitos ex tunc. não admite a “constitucionalização superveniente”. e não no de não-recepção). autor e réu. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). não precisariam deixar os cargos.” .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. ou 2) excepcional interesse social.

Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). portanto. era uma questão “obter dictum”.Corresponde a um juízo de . Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. ex.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. de fato. evitando a inconstitucionalidade progressiva. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. um significado A e um B.Corresponde a um juízo de . nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.O Tribunal não precisaria 30 . Em alguns casos. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). mas. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). depois de ter sido recepcionada. constitucionalidade. Segundo o STF. mas sua interpretação). (A norma já passou pelo crivo da constituição. Ex. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009.2: art. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. Ex.: a norma x tem dois significados possíveis.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. ela progressivamente se tornará inconstitucional). Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. CR x art. o resultado será o mesmo. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. CPP.O Tribunal precisaria observar . com um só sentido). Assim. reproduzida pelo STF). . portanto foi recepcionada. assim. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). o prof. portanto. 5. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. 134. . quando todos os Estados tiverem DP. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. controle difuso-concreto. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. não foram todos os ministros que se manifestaram). para que este corrija a norma. e a norma já foi recepcionada pela CR e. que trata da ação de reparação ex delicto. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. mas nem sempre. chamada “Apelo ao Legislador”. 68. com condições de trabalho iguais às do MP. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). quanto . à medida que a situação fática for alterada. pelo MP – a competência é da DP e não do MP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck.

o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. 3º. no controle concreto. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. a cláusula de reserva de plenário. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . o juiz pode. se manifestar de ofício sobre o art. da Lei x. b) Com redução de texto: b. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode).É permitida uma interpretação e. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. observar a cláusula da reserva de plenário (*). portanto. ou todo o artigo. não podendo. 97). Na declaração com redução de texto. . . em princípio. 2º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. dentro de uma mesma lei). Há um Decreto que está regulamentando esta lei. .1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. Assim. não poderá. por arrastamento. desde que não altere o sentido do restante da norma. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. 1º e 3º e. O STF. nem sobre os demais. em regra.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. 2º. portanto.É uma técnica de decisão judicial. ou seja. se for um dispositivo autônomo. . 2º for dependente do art. Ocorre que. 2º. no controle abstrato. são excluídas as demais. total ou parcialmente. . esta só se faz necessária quando se afasta. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). mesmo que não tenha sido questionado. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. e são permitidas as demais. do art. Obs. declarar a inconstitucionalidade. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. 1º ou do art. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. 1º e 3º. . de ofício.É excluída uma determinada interpretação. ser objeto de ADI. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. o juiz não pode. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. Trata-se de controle abstrato. o texto da norma. como ambas são equivalentes. b. se o art. .Não há qualquer modificação no texto da norma. no controle concreto. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). de ofício. em razão do Princípio da inércia.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. (*) Para o STF.

Contudo. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. neste caso. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. de ofício. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. ACP para fechamento dos bingos. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. porque. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. No Brasil. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. todo controle difuso é concreto. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. Obs. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. mas apenas a causa de pedir. Neste caso. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. mas também quando há usurpação da competência do STF). portanto. Sobre o tema: 32 . dentre elas a ACP. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). já que o STF pode. Assim. julga também inconstitucional o decreto. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. O pedido será a proteção de direitos. mas é que esta não é necessária.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. O dispositivo. e por arrastamento. julgará procedente ou improcedente o pedido. Ou seja. Mas nem todo controle concreto é difuso. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). portanto. apesar de sozinho não ter aplicação. ADCe ADPF). analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. pois será uma questão discutida incidentalmente. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical.

não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei.: eleição do Presidente do tribunal. 557. Assim. 97. é função possível de ser delegada. Em outras palavras. por entendê-la inconstitucional (inter partes). teremos uma lei material. 97. porém. No tocante. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. que é mais de 50% dos presentes). assim. XI – órgão especial: para que seja criado. STJ ☺ Resp. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. desde que. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. também não pode ser delegada). os Tribunais não têm admitido que. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. Assim.. conseqüentemente. 294. STJ ☺ RE 227. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. em defesa de contribuintes. de efeitos concretos. no âmbito dos Tribunais. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. Regra da “full bench”. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. por ex. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI.646. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. 33 . que é função legislativa. as chamadas leis de efeitos concretos. Nada impede. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. o que só se pode obter por meio de ADI. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). que é função política. por meio da ACP. Os juízes singulares podem.159. 93. dotada de caráter de universalidade e abstração”. e no mínimo 11 membros. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. no caso. ☺art. pois. Segundo esta cláusula. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. na prática.022. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. elaboração de Regimento Interno. não pode ser delegada. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. porém. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). porém. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. Assim. por exemplo. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei.

prosseguirá o julgamento. 97. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. Decidido o antecedente. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. será lavrado o acórdão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. P. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). CR é uma NEP (norma de eficácia plena).. Assim. CPC) seria inconstitucional: o art. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF.U. Há quem critique tais exceções. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). a argüição de inconstitucionalidade (.U. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. sabe-se que o STF é o guardião da CR. Há uma repartição funcional de competências. se for acolhida. abstratamente. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. podendo decidir o caso concreto. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). 34 .. se existir no Tribunal. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. no entanto. assim. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. 481. se entender que a lei é inconstitucional.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. . como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. ao órgão especial).)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. O professor não concorda. Quanto à 2ª exceção. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof.. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. de acordo com o posicionamento do STF. ☺art. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. como guardião da CR. porque para o STF ambas são equivalentes. Exceções: P. 481. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. pela maioria dos seus membros. sob o argumento de que o dispositivo (art. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). ou em caso de interpretação conforme. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. analisando se a lei é ou não compatível com a CR.

de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. 178. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. não estando vinculado à decisão do STF. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. Na verdade. o SF não pode suspender toda a lei. portanto. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. É o entendimento mais correto. como se tratasse de uma revogação. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. esta decisão deve ser submetida ao plenário. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. X. Ademais. entendem que se trata de um ato discricionário. Quando o SF suspende a lei. 2) Outros autores. a lei deixa de ser aplicada. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. que não pode ser retroativa. A cláusula vale também para o controle concentrado. Ou seja. trata-se de uma competência exclusiva. A suspensão se dá através de uma Resolução. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. em regra. O SF apenas suspende a lei. bem como ou STF. ela se refere à decisão do STF. O STF já admitia essas duas exceções. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. art. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. 35 . a decisão do STF. CR – compete privativamente ao SF suspender. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. que não comporta delegação. sustentam que o efeito é ex tunc. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. passa a ter efeito erga omnes. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. Outros autores. ou seja. quando isso ocorre. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. 52. O SF não é obrigado a suspender. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. RISTF. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. por isso o faz dali em diante. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. no todo ou em parte. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. se assim o fosse ela já seria vinculante). Efeitos.

RISTF) – e isso é óbvio. Quando se fala em decisão definitiva do STF. §4°. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. Mas. CR) não comporta este entendimento. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. e se o STF. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. LC. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. 178. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. a partir do momento que resolve fazê-lo. por ser um órgão do PL Federal. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. 57. 52. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. o que. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. Art. CR: prevê o escrutínio secreto. Por isso. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. 66. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). desta decisão proferida pelo TJ. não se referem ao âmbito estadual e municipal. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. sendo norma de observância obrigatória. já que o SF não atua de forma correta. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. Nas situações em que o TJ julga. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. O SF. deve-se recorrer ao entendimento do STF. LO. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. Ressalta que a letra da norma (art. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. ou seja. em razão do princípio da simetria. obrigatoriamente. Na ADPF este fenômeno também é possível. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). se for apenas uma parte. Gilmar Mendes. 61: iniciativa do presidente. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). configuraria uma mutação constitucional. esta norma não é de observância obrigatória. É uma construção da jurisprudência do STF. etc. já o SF não. um RE para o STF. está fazendo uma análise. não havendo a necessidade de suspensão da lei. esse entendimento é desejável. Segundo o professor. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. Neste caso. se toda a lei foi declarada inconstitucional. Segundo o STF. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. segundo o Min. normas referentes ao TCU. cabe. mas. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. 59 e segs. a resposta é negativa. pela simetria deve ser atribuída ao governador. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. cujo modelo. Art. requisitos para a criação de CPI. no controle difuso-concreto. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”.

não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). pelo Senado Federal. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. que deve ser observado no âmbito federal. por isso pode suspender lei estadual e municipal. outros 37 . que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). também. visto que. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. por não existir uma federação de municípios. 58. porém. se aplicando ao âmbito federal. 37. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira.: arts. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. estadual e municipal. só se aplicando ao âmbito federal). 19. Ex. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Quando o SF suspende os efeitos da lei. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. É também uma lei emanada do CN. ele está atuando como órgão de caráter nacional. no controle abstrato (ADI.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. do DF e até municipais. 59. mas não trata apenas dos interesses da União. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. X. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc.” Análise do enunciado pelo prof. da organização da União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. etc. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. retirando a lei do ordenamento jurídico. Classificação de Osvaldo Aranha B. por isso pode suspender leis também dos Estados. art. está defendendo interesses apenas da União. Ex. 52.). mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. Ex. CR). distrital e municipal). sendo específica para os servidores públicos civis da União. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. §3º. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF.: CTN. São os dispositivos que se referem tanto à União. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. os que tratam do TCU. estadual. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. Ex. portanto. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). assim. no todo ou em parte.: Lei 8. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. como aos Estados. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). não havendo. Quando o SF atua como órgão federal. quando o SF atua. Sabe-se.: art. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. ADC ou ADPF). o SF teria um número enorme de representantes). Assim. a suspensão.

346. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). pró-ativos (ex nunc). Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. Segundo o STF. Portanto. 38 . de 10/10/1997. é a AL que suspende a lei. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . de fato. os dois tipos são constitucionais. por força do referido Decreto nº 2. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. no âmbito da AP Federal. o enunciado acima transcrito está corretíssimo.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual.346. é sempre a AL que suspende a lei. adotou-se. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). da AP Federal direta e indireta. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). Entretanto. 2º grupo: . Poderá. é a Câmara Municipal. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. declarando uma lei inconstitucional. visto que. TO. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. Embora não haja consenso. em decisão definitiva. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. RN. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. . por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. MS. porque o seu parâmetro não é a CR. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). Com efeito. então.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. não retroativos). De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). SE e AM. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. visto que. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. na sua esfera de competência.

São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . a ampla defesa. que são a União e os Estados). em seu art. a competência é do TJ). .ADC. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado.ADPF. de acordo com essas leis. e . tendo partes – autor e réu. deve haver a previsão da legitimidade. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. 5) Ação rescisória. 103.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. mas sim legitimados. Por se tratar de um processo de índole objetiva. 39 . 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). ou na CR ou na lei. o duplo grau de jurisdição.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). Como são ações de controle abstrato. não cabe. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. onde não existem partes formais (autor e réu). Obs.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. ela é meramente jurisprudencial). Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. 4) Recurso da decisão de mérito. obviamente. . A Constituição. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. ☺Lei 9.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). e não do trânsito em julgado. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma).2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.

. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.. . Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. CS e ECAN. Obs. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). Executivo PR GE – GDF P.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. Para ter âmbito nacional. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. a partir de então. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). . . . para ter legitimidade. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).Os GE. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . segundo a jurisprudência do STF: .A entidade de classe.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Os demais podem fazê-lo sem advogado.S.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. . confederação local: sindicato. .A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.Confederação sindical significa de âmbito federal. confederação regional: F.A norma do art. . ou seja. Assim. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).

Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. para ser objeto de ADC e ADI. ele poderá ser objeto. I.TIDH (3/5 e 2T) . §3º . I. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). 5º. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. por isso não é ANP). ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.Norma formalmente constitucional . 102. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). Lei 9. pois geralmente está abaixo do decreto.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. 102. geral e abstrato. direitos e garantias fundamentais. admite-se o seu controle. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!).882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. decreto regulamentar. Obs. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .☺art. são questões próprias de RI. caso o decreto emane diretamente da CR. . mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. Ex.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. nas normas que tratam de outra matéria).normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações.: decreto regulamentar do PR. 41 . (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. . em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. como por ex. o RI pode. Não serão objeto de ADI e ADC. OBS. a. sem interferência do PJ. todas estão no mesmo nível. ou seja. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). 1º. a.

§3º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 103. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Gilmar Mendes e de um prof. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. . Atuação do AGU: ☺art. §1º. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. é preciso primeiro ser transformado em EC). Mas. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. de defensor legis.leis revogadas. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. CR. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. Obs. . 103. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. ainda que ele proponha a ação – ou seja. devendo ser de todos eles intimado. ainda. não ameaça mais a supremacia constitucional. O PGR atua como “custus constitutionis”. se um novo PGR o substituir. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). Assim. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. intervenção de terceiros e recursos. sem exceção. pode ser qualquer ato do poder público. da mesma forma na ADPF. por analogia.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. Hoje. leis suspensas pelo SF. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. STF). § 3° é uma função especial. também poderá dar parecer em sentido contrário. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. se seu entendimento for diverso. medidas provisórias revogadas.Súmula. segundo o STF. portanto está subordinado ao PR. pois não produzem mais efeitos. No caso de emenda. ele vai atuar como fiscal da Constituição. CR. 42 . não pode ser objeto de ADPF: . rejeitadas ou havidas por prejudicadas. salvo embargos de declaração. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. Atuação do PGR: ☺art. só podendo ser objeto de controle difuso. e. A função do art. como está havendo uma influência de um controle no outro. Função geral do AGU (art. Lembrar que não cabe assistência. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. ou seja.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. na outra. Tem status de ministro de estado. posteriores a 5/10/88. 103. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. o STF admitiu. Lei do DF não pode objeto de ADC.

Na ADPF. Importante: ainda que como Advogado da União. Posteriormente.884/94 (CADE). Ela já existia antes. §2º da Lei 9. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). em especial no direito norte-americano. Portanto. A previsão expressamente contida no art. Está desempenhando uma função especial. portanto. 43 . o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. Mas atenção: existe um outro instituto. A audiência pública está prevista na Lei 9. A exposição dos motivos da Lei 9. o AGU até poderia participar. 89. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. disciplinou a figura. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. Quando o AGU desempenha essa função. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Ele não é alguém interessado na causa.868. §1º. 7º. “amigo da corte”. 31). Na ADI por omissão. mas não têm nada haver com amicus curiae. ☺ art. seria “amigo do tribunal”. não precisará do AGU para defendê-la. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. o das audiências públicas. §1º e art. por fim. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. 482. só vai contribuir para a decisão do tribunal. o AGU não será obrigado a defender a lei. Não há previsão para a ADC e ADPF. a Lei 8. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. por analogia. É muito comum nos tribunais internacionais. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). Mesmo sem previsão legal. 7º. em seu art. Tem natureza de auxiliar do juízo. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. art. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Amicus Curiae: Em uma tradução. . sendo feita por toda a sociedade. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Cabe também na ADPF. nos estados que adotam a commum low. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. §2º e art. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. de “defensor legis” e.868/99 -☺art. Nesse caso. 20. não há o que se defender.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato).868/99 vale só para a ADI. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). Foi introduzida pela Lei 6. 9. §1º. art. 7°. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei.385/73 (☺ art. §3º.868.868. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. 6º.

porque iria envolver matéria em relação à vida. Obs. R. ou seja. Lewandowski. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. . . mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Aurélio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. pois admitiu pessoa física em controle concreto. seria uma exceção). Lei 9. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. poderia afastar esta presunção. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Apesar de que era relevante. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator.102. não tendo partes. portanto.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Surgiu com a EC/03. cabe amicus curiae. por ex. . Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Barbosa e E. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. admitindo prova em contrário.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. admitindo ser intervenção de terceiros (C. Gracie). “a”. (Obs. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. I. ressalta-se que esta é apenas relativa. a mais correta. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. Para o prof. M. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. segundo o professor. É. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. J. Mello. O STF ainda tem exigido pertinência temática.. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . ou seja. Mas depois que a lei foi feita. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. autor e réu. é um equívoco. em despacho irrecorrível.868/99. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Quando 44 . O juiz de primeiro grau.Com relação à presunção de constitucionalidade. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. Marco Aurélio não admitiu. Foi uma exceção.

3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. e . VII). Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. 34. ADPF: ☺ Art. na ADPF 33: . Portanto. . Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. e . Gilmar Mendes. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.Cláusulas Pétreas. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. 14. art. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. a Lei 9. o FHC ajuizou ADC.U. no entanto.). O parâmetro. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. . . mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia).Princípios Constitucionais Sensíveis.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). em seu art.868/99. II. .Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.882/99.21. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. inclusive o Poder Executivo. Não é uma ação de inconstitucionalidade. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.14. . O STF admitiu ☺Informativo 518. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). Segundo a doutrina.Título I: Princípios Fundamentais. nas outras ações ela também poderá ocorrer).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. Cabe prorrogação. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. III). é mais restrito: somente a violação. art. P. Mas.869/99. Como visto. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. . mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.Princípios Constitucionais. os preceitos fundamentais são: . nos quais a lei esteja sendo discutida. §1º. portanto. Através do AGU.868/99.Cláusulas Pétreas. não há que se declarar uma lei constitucional).102. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. 45 . CR e Lei 9.

ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. como guardião da CR. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. na ADPF. P. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. O objeto pode ser da esfera federal. a vinculação é vertical. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). 1º. 4°. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. embora seja bastante difícil existir esse meio). que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Art.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. podendo ser um meio de controle difuso. Características: . art. leva a questão ao STF através de ADPF. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo.882/99). Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. ou seja. Obs. apenas o STF.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Um dos legitimados. dentro do órgão judiciário).882/99.U. Mas se algum dos legitimados souber da ação. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. embora lá há uma vinculação horizontal. Segundo Neri da Silveira. 1º. Proposta diretamente no STF. estadual e municipal. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. 196 e ao meio ambiente. Ex. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. dentro do mesmo tribunal. Aqui. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex.: gestante com feto com acrania. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. os legitimados podem levar não todo o processo. Ela vai ao juiz de primeiro grau. ainda. 46 . O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. Incluindo-se. neste rol.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico).: surge a partir de um caso concreto. § 1° da lei 9. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição.

Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). mas a converteu em ADI. nas CE ou em lei federal). I.Admite-se a fungibilidade. § 4°. à soberania e à cidadania”. q).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria.. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . É controle abstrato. . É controle concreto. 5°. STJ (art. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL).MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. por ex. à soberania e à cidadania). II e III). em se tratando de órgão administrativo. TSE/TER (art.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. No entanto. É a mesma da ADI. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. 103. 129. 5°. 105. Obs. 102. Assegurar a efetividade de suas normas. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. .O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. coletivos e individuais indisponíveis (art. § 2º . I. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). . V). 121. h).: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. 47 . para fazê-lo em trinta dias”. O STF admitiu a ADPF.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). Ex.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. ADC e ADPF (art. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. o STF transforma a ADPF em ADI. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. . LXXI .CR: STF (art.

ECAN e associação c/ 1 ano). abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . Obs. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. mudou seu posicionamento.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. Recentemente. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. em se tratando de órgão da AP. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. concretize a norma (faça a norma concreta). Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). .Órgãos públicos. é b) Concretista: concretiza a norma. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. ou seja. portanto. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. não pode concretizar a norma. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. ou seja. entes federativos e PJ dir. LXX: PP c/ CN. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. O STF. competente de sua omissão (em regra.: na ADI 3682 b. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. fundamentais em face do Estado. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. autores que admitem.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. mas esse prazo era direito. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir.MI Coletivo: o STF o tem admitido. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. portanto não podem impetrar MI. 5º. recentemente. apenas razoável e não peremptório. no entanto. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. público: MI protege dir. Se o PL) e. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). Mas atenção. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. não pode fazer a norma para o caso concreto. Há. organização sindical.

Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). A omissão total não cabe MC. 36. O efeito seria apenas inter partes. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. 34. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. Portanto. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. A regra é o principio da não-intervenção. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. ou seja. e 2) recusa à execução de lei federal (art. ao mesmo tempo. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. ou seja. ou seja. Surge a partir do caso concreto. como regra. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. O STF adotou essa corrente no MI 232. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. porque nem a AIO tem esse poder. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. No MI. 680. em um primeiro momento. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. Mesmo adotando a corrente concretista. Recentemente. não cabe liminar (antes. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. porque adotava a corrente não concretista). criando uma norma geral e abstrata. Essa corrente é bastante criticada. VII). mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. CR (provimento. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil.040). Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Ela se subdivide em – geral e individual. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. a intervenção é uma exceção (a União não pode. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. o STF está atuando como legislador positivo. De acordo com esta concepção. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). nestes casos de omissão parcial. III.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. pelo STF. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. 652. 49 . Não pode haver intervenção federal em município de Estado. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. 2. o PJ. VI). intervir nos Estados). 34. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. 708 e 712). ademais.

não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). A decisão do STF tem natureza político-administrativa. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). no âmbito federal). nem no RISTF. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. 127. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). §2º. mas sim. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). Esta forma não foi prevista na CR. se o STF der provimento à representação do PGR. CR). Isto está previsto no art. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. portanto. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. se violados. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. CR. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). já que o TJ não estará julgando um caso concreto. §3º. 50 . 125. ☺art. O STF é o guardião da CR. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. no âmbito do TJ. As partes aqui são o Estado e o Município. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. é claro. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). 35. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. o PR então poderá decretar a intervenção. foi uma criação da jurisprudência do STF. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. e sim em face da CR. que é o pressuposto para a representação interventiva. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. É dispensada a apreciação política pelo PL. IV. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. ☺art. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. STF). Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. 614. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. CR. O RE. CR. OBS. além. O parâmetro aqui é mais amplo. da ADPF). mas que surge a partir de um caso concreto. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. 36. § 1°. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado).

o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. um dos precursores dessa doutrina. São apenas órgãos aos quais se atribui. analisa-se se o poder é legítimo ou não. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Para os jusnaturalistas. Portanto. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. corroborando essa perspectiva. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. Modernamente. expressa por meio de seus representantes. Schmitt). em alguns casos. por delegação popular. que formulou esta teoria no fim do Séc. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. social e juridicamente organizado. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. que é sempre superior aos poderes constituídos. a vontade do constituinte é a vontade do povo. que. pois o Estado decorre da soberania popular. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. C. retira sua força do direito natural. Na 1ª etapa. editando a nova Constituição. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. cria o Estado. Assim. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. mas jamais é quem o exerce. pode usurpar do povo a titularidade do poder. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. em nome do povo. segundo o Abade Sieyès. XVIII). Bonavides. que deve observar o direito natural. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. é a nação. É ele um titular passivo. Assim. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. segundo o abade Emmanuel Sieyès. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. ou seja. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. o exercício dessa magna prerrogativa. Está acima do direito positivo. Celso de Mello. porém.

a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. que é seu verdadeiro titular. CR) . para ser considerado legítimo.: o prof. Portanto. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado.Decorrente (art. ADCT.Material . 3º. 60.Histórico . 11. 25.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. Obs. Dessa forma. Assim. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Formal . Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Espécies Tradicionais: .Revisor (art. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. correspondendo aos anseios daquela sociedade.Reformador (art. art. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. há legitimidade objetiva. ADCT) . já que o poder constituinte já é originário.Revolucionário . por conseguinte. se esta correspondência existir o poder será legítimo.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) .

: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). há alguns valores que são morais. b) é um poder inalienável. GV). → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. No caso do Brasil. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. 1946. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. Obs. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). através de normas constitucionais. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido.: este poder tem este nome porque para o Direito. 53 . Obs. Obs. No caso do Brasil. O povo é o titular do PCOM. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. 1967/69. 1937.: se é um poder autônomo e incondicionado.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. que substituirá a anterior. independente e soberano.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). ela nunca deixa de ser do povo. 1934. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. a nenhum pré-requisito jurídico. ou seja. No plano axiológico. foi criado um direito natural). esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. Ex. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. através da Constituição. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. . não perde a titularidade do poder constituinte. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. mas não a primeira e sim uma nova. Apesar de ser um poder incondicionado. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). 1988. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. é apenas uma classificação quanto ao momento. O Abade Sieyes. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). ex. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição.

afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. ☺art. não concorda muito com isso. no art. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. mas continua a existir como característica essencial deste poder. 25. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. com os avanços da sociedade. Esta AL. 25. Não se trata de um limite jurídico. mas meta jurídico (fora do direito). Dentro desse limite. Ex. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). contudo. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). 54 . por se tratar de uma conquista da sociedade. as constituições estaduais não são recepcionadas. Obs. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. na verdade.. Ainda que o estado seja soberano. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. No caso da CR/88. De acordo esse limite. a doutrina deduz deste art. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Ex. ficando um pouco relativizada. A CR/88. por ex. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. ele encontra limites no texto da CR. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). O prof. na pena de morte. No entanto. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. Quando a CR consagra o art. Fábio Konder Comparato fala. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. 11 do ADCT. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. A partir do momento que a CR surge. observados os princípios estabelecidos na CR.

para apuração de fato determinado e prazo certo de duração.: ☺art.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. 34.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . 27. VII. composição. Estão presentes no art. são as normas de auto-organização da União. mas foi uma decisão super apertada (6x5).: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. 57. Se subdividem em: 55 . 93. §4º. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. Mas.). V ???) I) Expressos na constituição: art. 57. e o STF decidiu que não havia problema. que se estendem aos Estados. diferente dos extensíveis. são essas as normas de repetição obrigatória. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). por enquanto. . . Há dois grupos: (art. §1º . §4º não é norma de observância obrigatória). mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. § 3°). que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. Obs. CR. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. 58. § 1°.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. Obs. ou seja. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. 59 e segs. porque o art. Segundo o STF. vedada a recondução. 61. 75. 58. II) Implícitos: CPI (art. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art.: presidencialismo x parlamentarismo). no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. CR. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. processo legislativo (art.

: art. no entanto. 19. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. 3°. Ex.é limitado. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. e se for decretado o estado de sítio (art. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. . . de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR.normas vedatórias: ex. . se for decretado o estado de defesa (art. §1º.não é inicial.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada..Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . Trata-se de um poder previsto na CR e.exercício: é pelo CN. portanto. ADCT). CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. . . A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. . 34). em qualquer estado da Federação (art. uma limitação temporal para o poder revisor – art.é um poder jurídico (e não de fato). é conseqüente. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. 37. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. . CR. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. cujo procedimento está previsto no art. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.) – contém uma vedação expressa. CR. DF e M.é condicionado. .normas mandatórias: ex. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas.. . se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. 60. ou seja. 60. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada.: os arts.. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . decorre da lei e não da força. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. portanto.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional.). mas é possível deduzi-las.não é autônomo. E. 136).. 56 . A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. CR (é vedado à U.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. 137).titularidade: é do povo.: art. Ex.

ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. 67. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. No caso de projeto de lei.). 61. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. Obs. 60. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR).Feita a iniciativa. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. no âmbito do PJ. no entanto. apenas o PR. CR. o PGR. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. assim. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). no âmbito do PE. 61.Discutido e aprovado. Este art. se a matéria for rejeitada. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. §2º). §10). pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. . 60 (incisos I. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). primeiro em uma casa e depois na segunda casa. CR). não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. também podem propor projeto de lei o povo. ☺art. A Sessão legislativa (art. para que. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa.A última limitação formal objetiva está prevista no art. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. §5º. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art.A nossa Constituição é rígida.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. P.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. ela será chamada de extraordinária. a PEC será discutida em cada casa do CN.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. não promulga. por fim. apesar de não existir previsão expressa. . poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. §2º). . 60. II e III) uma exceção à regra geral. sendo o art. . que é o período de 4 anos do mandato do PR. através da iniciativa popular (art. também chamadas de implícitas. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). a PEC vai para a promulgação. após a iniciativa. GE. 44. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. 60. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. DF e DE. Ex. é o de que o art. ☺art. o STF e Tribunais Superiores.U. no qual há 4 sessões legislativas. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. ademais. . O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. 60. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. . no âmbito do MP. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). proposta rejeitada no dia 15/01. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. possamos usar o procedimento previsto no art. 61. não pode haver emenda de emenda. §3º. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). 57 . O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. 62. . Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. não veta.Além do PR. 61 é a regra geral de iniciativa. do SF ou do CN. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. b) o entendimento majoritário da doutrina.

A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. universal e periódico. Se elas não existissem. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. a). não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Secreto. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. §4º. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. na verdade. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. 150. o voto não é universal. o que é secreto é o escrutínio. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. Universal e Periódico: . mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. c) Voto Direto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. 60. mas sim. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. São as chamadas cláusulas pétreas. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. c) Assegurar o processo democrático. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. 58 . O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. . não é secreto. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Ou seja. Expressas: ☺art. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. b) Preservar a identidade material da Constituição. que é o modo como se realiza o exercício do voto. cláusulas que exteriorizam limitações materiais.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. Curiosamente. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. segundo o STF. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. As cláusulas pétreas são. . CR. ademais. pois. secreto. VI. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. o direito de participar das eleições. o que é universal é o direito de sufrágio.

todo o art. sistematicamente.Há quem defenda. não concorda. O prof. inclusive. 60. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides).: FGTS. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. far-se-ia uma EC revogando o art. (23/04/09) 2. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. Mas o STF já considerou que o art. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. pois seria uma forma da fraudar a constituição. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. é o art. CR. ou. 2º. é CP. e não em direitos e garantias fundamentais. com a dignidade da pessoa humana. posteriormente. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. III. 5º. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . não o serem). dispostos do art. 5º. ADCT). Os demais direitos e garantias fundamentais. Os direito fundamentais se encontram. pois. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. mas os demais não (ex. CP). como um todo. 60. que não é unânime na doutrina. por isso. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. Para ele. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. sendo uma garantia individual. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. 150. 60 seria CP.: primeiro. A CR fala em direitos e garantias individuais. para posterior alteração do conteúdo. são CP. O art. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. em princípio. por uma questão lógica. mas refere-se a uma reforma. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Lá estão as limitações ao poder reformador. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. Assim.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. . Chama-se dupla revisão. segundo a qual o art. Um exemplo. b. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). não alterando-o).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. comportam diferentes interpretações. Obs. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. não seriam cláusulas pétreas. e por conseqüência. . que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. Ex. 60 poderia ser modificado. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. CR). os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. §4º. que proíbe a pena de morte. CR. Assim. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. não tem nada a ver com CP).

a constituição atinge prestações vencidas. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. mas também emendas à constituição. art. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. A limitação imposta no art. Revisão é a via extraordinária. O ato ocorreu antes. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. A retroatividade mínima é automática. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. Antes da CR/88. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. Ex. c) Máxima: a retroatividade não é automática.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. não abrangendo apenas leis em sentido formal. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. b) Média: a retroatividade não é automática. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. ☺art. portanto. 5°. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. em sentido formal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. o STF tem entendimento unânime. 3º. 60. mas ainda não pagas. contados da promulgação da Constituição. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. 3º. esse era o entendimento do STF. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). . não abrange EC. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. tem que haver previsão expressa na constituição. Ex. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. excepcional e transitória de alteração da Constituição. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. em sessão unicameral. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . mas seus efeitos surgem após a constituição. Com relação ao assunto acima. Ex. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). 3º. CR). não sendo um princípio absoluto. XXXVI. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. O direito adquirido pode ser relativizado. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. tem que haver previsão expressa na constituição.

3º. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. Além disso. 60. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. especificamente. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. e de forma geralmente mais extensa. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. §§1º e 4º). ADCT. 61 . Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. circunstanciais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

62

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

63

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Buscam os valores subjacentes à constituição. Constituição da República. O grande problema é que. esse método também é conhecido como método valorativo. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Por isso. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. portanto. para o direito público. aqueles desenvolvidos por Savigny. eles são suficientes. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. é também o limite para a interpretação. e não isoladamente. X. O texto da norma funciona. só tem alma. devido à complexidade da interpretação constitucional. Ela não tem normas jurídicas. Nele estão os valores supremos da sociedade. É como se a norma fosse o corpo da constituição. mas apenas valores: o preâmbulo. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Além disso. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. e os valores fossem o seu espírito. Por isso. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Toda norma está dentro de um sistema. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. 65 . partindo da idéia de sistema. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. 52. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Imagine a Constituição norte-americana. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. entra o elemento histórico evolutivo. É o início de uma interpretação. Esse método não é apenas sistemático. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). para o direito privado. como todas as demais. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. Ex: princípio da não contradição. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. esses elementos são insuficientes. com algumas peculiaridades. b) Histórico: no seu desdobramento. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). como início e limite para a interpretação. Não existe uma norma jurídica sozinha.

Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. os operadores do direito servem-se de topoi. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). de casos que comportam mais de uma solução possível. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. por ex. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. cujo plural é “topoi”. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Por isso. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. que é apenas mais um topos. acaba fazendo com que a interpretação seja variável.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. porque trabalham não com a idéia de sistema. ou a de que um é mais correto do que o outro). Assim. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. → Crítica: feita por Canotilho. certa insegurança jurídica. lugares comuns. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. da jurisprudência dominante. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). como ocorre neste método. ou seja. enfraquece-se a força normativa da constituição. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). mais um 66 . da doutrina. 2. como. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Assim. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. dos princípios gerais do direito. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Se se permite interpretações divergentes. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. pontos de vista ou lugares comuns. Por ter uma feição mais política do que jurídica. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. Ex. Os topoi são esquemas de pensamento. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Este problema será solucionado pela argumentação. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. a favor e contra. o que geraria uma grande insegurança jurídica). O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Ex. vence o argumento que for mais convincente. de argumentação. que contraria o positivismo jurídico.. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. ele também é conhecido como método sociológico. os quais são submetidos a várias opiniões. do senso comum. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. mas sim diante de problemas. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. formas de raciocínio. Esses pontos de vista.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Isso gera certa instabilidade. Problema é a questão difícil. Ex. pois comporta mais de uma solução possível). Violação de correspondência de presos. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma.

a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. sua aplicação a casos complexos. este método não poderá ser aplicado. não se deve falar em interpretação constitucional. se for caso de lacuna. são coisas diversas. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. Os métodos III e IV. quando se fala em hermenêutica. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. Ocorre que. 67 . Hermenêutica e interpretação não se confundem. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Não se pode separar as duas coisas. como já vimos. diferentemente dos dois primeiros. a compreensão prévia do intérprete. São métodos indissociáveis. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. Além de serem métodos aporéticos. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. ou seja. que a questão não seja simples. mas em concretização). e o problema concreto a resolver. e sim na sua concretização. de única solução possível. porém. devendo-se fazer uso de outro método. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). não podem ser utilizados de forma abstrata. Assim. ainda que dos mais importantes. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. por serem métodos concretistas. Método concretista. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. são também métodos concretistas. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. A principal diferença. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). Assim. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. e concretizador à aplicação. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. Ele parte. na sociedade aberta de intérpretes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. ao lado de Hans Kelsen. pois. é bom lembrar. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. Para este método. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). é preciso que haja um problema.

Essas duas figuras podem ser.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Quando ele fala em democratização. a norma só surgiria após a interpretação do texto. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. pois. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Ainda que a Corte seja o intérprete final. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. aberta a toda a sociedade. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. O que ele chama de domínio normativo. ele na verdade não o é. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Assim.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . Friedrich M.Elementos do âmbito da norma . em regra.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). que têm legitimidade para a interpretação. Segundo o autor. ele dirige e. Fala-se que são utilizados. mas a toda a sociedade. . Gilmar Mendes). faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. Não diz respeito aos critérios de interpretação. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. Judiciário. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. bem como a quebra da unidade constitucional. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. A democracia deve servir não apenas para a criação. é a realidade social tratada pelo texto da norma. regulada pela norma. mas refere-se àqueles que podem interpretar.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). ao mesmo tempo. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. O texto tem duas funções muito relevantes. 68 . Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Segundo ele. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. mas também para a interpretação da Constituição. por sua vez. A norma é o mandamento. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. Paulo Bonavides o tratar como um método. traduzido pelo Min. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). Na prática. O texto não tem o comando. limita a interpretação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Para ele. mas também na sua interpretação. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). esse comando (a norma) só surge depois da interpretação.

a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. surge a idéia de norma (gênero). não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. 3) Existe uma única resposta correta. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. No pós-positivismo. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. que se subdivide em princípios e regras. 69 . Segundo Conrado Hubner. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Após. o poder legislativo é claramente fraco. mas de forma concreta. vinculante e obrigatória. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. do povo. no Brasil. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. que corresponde à vontade do constituinte originário. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. textualismo e preservacionismo. superado o valor da norma). a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. os direitos têm que ser iguais para todos. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. A segunda corrente. surge o Positivismo Jurídico. preocupado com a segurança jurídica. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. bastante discutido nos dias atuais. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Esta questão está ligada à separação dos poderes. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Assim. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Também denominado de originalismo. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. Assim. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Entende que. norma e fato. Na verdade. Hoje.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. quando interpretada. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. A norma. sem modificá-la. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Por isso o judiciário tem ganhado força. como a constituição é feita por representantes do povo. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas).

impõem resultados. 70 . Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. mas a medida do possível. Princípios são muito mais abstratos do que as regras.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. ou seja. Assim. que apontam para o sentido contrário. ou seja.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. → Regras: são “mandamentos de definição”. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). → Princípios X Regras: . quando se vai aplicar um princípio. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. impessoal. Segundo Robert Alexy. o que ocorre por meio da ponderação. Para Habermas. genérica. imperativa.dimensão que eles ocupam (Alexy) . como elementos do sistema normativo constitucional: . normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. O grau de abstração é a diferença. há uma subsunção lógica. em havendo um conflito no âmbito da validade. princípios são “mandamentos de otimização”. Alexy afirma haver exceções. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto.generalidade . dentro do gênero norma jurídica. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. As regras possuem aplicação automática.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial.: aposentadoria compulsória. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. que envolvem a aplicação deste princípio. isto é. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). Elas se aplicam de acordo com a subsunção. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. peso ou valor.Postulados.Regras. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. Ambos são normas. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. Ex. será invalidada. A norma é um gênero e. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. e .Princípios. Eles não definem a medida exata. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. . bilateral). Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. é preciso saber quais são as normas opostas. . .

os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. por isso não são aplicados diretamente. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. 71 . mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. mas não têm a mesma função dos princípios. Com base nessas premissas. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. será feita a análise de alguns postulados que. como princípios. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. nem estabelecem competência ou conduta. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Ex. embasados na supremacia da Constituição. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. interpretação conforme a Constituição. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional.: proporcionalidade. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. pela maioria da doutrina. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Segundo a LICC. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. de modo a realizar os valores nela consagrados. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Não estão na constituição. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Os postulados são denominados. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Mas e os postulados? Segundo esse autor. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Nesse aspecto. também conhecido como antinomia de princípios. Eles não apontam um fim. É um conflito sempre no caso concreto. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. cronológico e da especialidade.

mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. No Poder Legislativo. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. assim. na dúvida. significa que ele é unívoco. Toda Constituição tem supremacia material. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Excepcionalmente. é necessário que a Constituição seja rígida. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. se entendê-la inconstitucional. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. o Poder Judiciário. pode deixar de aplicar a norma de ofício. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. o Chefe do Poder Executivo. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. E. Da mesma forma. Essa presunção é relativa (iuris tantum). por ser presunção relativa. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. excepcionalmente. o Princípio da Supremacia da Constituição. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. não tem como fazer interpretação conforme. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. significa que as demais leis devem obediência a ela.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. na dúvida. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. ficam vinculados àquela decisão. deve optar pela constitucionalidade. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. como no âmbito do Poder Executivo e. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). pode ser exercido através do veto jurídico. Se há mais de um significado. pois existe uma presunção de constitucionalidade. quando entender que uma norma é inconstitucional. Se o texto tem apenas um significado. no controle difuso. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Se a constituição é a norma suprema. Ele pode negar a aplicação da lei. No Poder Executivo. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. e. a lei deve ser declarada constitucional. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. para ter essa supremacia. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. A 72 . O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. Não se retira a lei do ordenamento. No Brasil. no Poder Judiciário. Todo projeto de lei passa por um controle. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Ou seja. presume-se que agiram de acordo com ela.

• Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. logo é conhecida como corrente “objetivista”. A segunda corrente. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. para se fazer uma interpretação correta dessa lei.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. poderia declarar o art. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. necessário harmonizar esses dois princípios. é necessário observar os valores consagrados na constituição. num estado democrático. Portanto. Segundo Kruger. 81. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. que busca a vontade da lei.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Antes. É como se filtrasse a lei. prevalece a vontade da lei. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Isso é impossível. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). é conhecida como mens legis. isso não ocorre. Busca a vontade do objeto interpretado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Temos o voto direto como cláusula pétrea. pois. existem. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. na constituição. a norma inferior. normas superiores e normas inferiores. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Geralmente. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Ao se admitir que essa norma é superior.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Em uma sociedade democrática e pluralista. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. etc. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. há várias tensões entre as normas constitucionais. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. Hoje em dia. de direito previdenciário. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. 73 . Obs. Ex: Brasília é a capital federal. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. sendo. mas. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. passando ela pela constituição. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Outro ex. Logo. ao mesmo tempo. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. b) Fim pretendido: . Hoje. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. . Na verdade. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. §1º.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos.

Segundo este princípio. aplica-se o princípio da Concordância Prática. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. bens ou interesses. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Uma existe ao lado da outra. 74 . se ambos estão consagrados na Constituição da República. O Juiz irá ver. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. criando um efeito conservador da unidade. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Nesse caso. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. O que tiver o peso maior irá prevalecer. qual dos dois grupos tem um peso maior. pelo legislador. e não em abstrato). no caso concreto. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Ex: voto direto é a norma geral. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. O STF declarou constitucional. as duas normas têm conflito entre si. §1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. valores. Sempre que possível. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. ele se basearia no princípio da unidade. Abstratamente. a integração política e social. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. na hora de se interpretar a Constituição. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. que é anterior à Constituição da República. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. interesses. Eles são muito parecidos. Assim. inclusive. Quando se tem uma colisão entre bens. 45. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. violava a liberdade de exercício de comércio. é necessário utilizar a ponderação. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. deve-se buscar essa concordância prática. princípios ou valores. ou seja. O STF analisou 02 casos: a) Art. O relator indeferiu a petição inicial. Pode ser usada. Essa lei. e voto pelo CN é a exceção. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. O que é isso? É semelhante a uma balança. Se ele entrasse no mérito da questão.

pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. Deve haver uma cedência recíproca. às vezes. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. Ex: Se tiver na praia. até uma compreensão equivocada. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. O importante é saber que todos os princípios. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. não se aplicando para a interpretação constitucional. não. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. poderia fotografar. na academia. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. STF não foi abandonada. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. 2) relativização da coisa julgada: o STF. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. da tortura. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Exs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas.: a proibição da pena de morte. 343. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. do trabalho escravo são regras. não. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante.: a Súm. e não princípios. que contribua para o debate de interesse geral. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . a privacidade deve ser preservada. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. sendo o guardião da constituição. mas também a ratio decidenti. para que outros direitos sejam assegurados. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. cabe ação rescisória (obs. Caso contrário. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. do contrário. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. ou seja. eis que ambos se relacionam. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Ex. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. por mais importantes que sejam. proporcionando-lhes uma força otimizadora. 75 .

de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. Ver no Site Editora Método. CR/88 (aplicação imediata). . Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. validade é. 76 .br: download de questões – Hot site do professor Novelino. é também conhecida como eficácia jurídica. .335/AC. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. §1º. a função social para a qual foi criada. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. . 2) Direito de greve. 4. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. 5º. . Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. é também conhecida como eficácia social.com. o desempenho concreto de sua função social. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. Exs. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Este princípio. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. pois.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. sobretudo o Tribunal Constitucional. a qual significa a realização do direito. no Brasil. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição).

1º. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. Para Jellinek. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. ☺art. É uma influência do direito alemão. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. para que o Estado não atue de forma arbitrária. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. CR. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. utiliza-se o termo razoabilidade. não está textualmente consagrado. Nos sistemas da commum Law. deveria conceder uma autonomia maior. Se o ato for desnecessário. pois. utiliza-se o termo proporcionalidade. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. É uma influência do direito norte-americano. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Ele está ligado. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. Ex. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. No Brasil. uma densidade semântica que ele não tinha antes. Assim. 5º. Na Alemanha. não se deve abater pardais com canhões. Alegam que a restrição seria desproporcional. mas apenas como menções. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. É um princípio implícito. maiores hão 77 . Não é o entendimento mais cobrado em provas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. será também desproporcional. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. do Prof. ele tem que ser adequado. desproporcional. LIV. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. Ex. por isso sua importância. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. à garantia do devido processo legal. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. apto para atingir o fim almejado. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. ou seja. dentre os meios existentes. uma restrição à liberdade só será possível se. em sua origem. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Para que um ato seja considerado proporcional.

ou proibição por defeito. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. pode ser chamada de proibição do excesso. o poder público age aquém do que deveria. que é chamada de proibição de insuficiência. A face acima exposta do princípio. 78 . Há uma outra face desse princípio. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Nesse caso. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção.

. não existindo. sendo. O nome não é o mais apropriado. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. mas é a tese por nós adotada. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. o preâmbulo. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. pois. portanto. de regra. com exceção das de 1891 e 1937. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. É uma corrente intermediária em relação às demais. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Assim. Situa-se no domínio da história ou da política. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. Ocorre que todas as constituições brasileiras. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. porém. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. caráter normativo e. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. anteposta ao articulado constitucional. 79 . apresentado de forma não articulada. mas no domínio da política. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. não é norma de repetição obrigatória. Como se sabe. dado que. qualquer religião oficial da RFB. refletindo posição ideológica do constituinte. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. portanto. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). o Brasil é um país leigo. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Não contém. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. reproduzidos ou não na Constituição estadual. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. não tendo força normativa. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. laico ou não-confessional. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. relevância jurídica. Não tem. não é componente necessário de qualquer Constituição. Esses princípios sim. O que acontece é que o preâmbulo contém. No Brasil. O min. proclamação mais ou menos solene. inscritos na Constituição. Em âmbito estadual. Para o STF. mais ou menos significante. incidirão na ordem local. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. pois.. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. não tem relevância jurídica.

Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. na ordem interna e internacional. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. a liberdade. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. o bem-estar. Ao estabelecer os valores supremos. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). o desenvolvimento. fundada na harmonia social e comprometida. Esta é a sua natureza. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. com a solução pacífica das controvérsias”. pluralista e sem preconceitos. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. 80 . a segurança. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira.

A NEC.: normas que estabelecem imunidades (art. §5º). possivelmente restringível ou redutível. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. que “contenha” o seu conteúdo. no Brasil. → Normas de Eficácia Contida: O prof. (É a mais cobrada em provas). Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. enquanto não for restringida. é uma NEP? Não. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. imediata e integral. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). 184. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. como se poderia imaginar). mas admite lei. vedações (art. Exs.U.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). Não são a mesma coisa. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. isenções (art. 53). O que as difere é o grau desta eficácia. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. 95.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. dentre as quais. enquanto não for restringida por lei. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. 128. apenas 81 . se refere à impossibilidade de sofrer restrição. prerrogativas (art. Quando se fala em aplicabilidade imediata. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). destaca-se a de José Afonso da Silva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. P. Não depende de regulamentação. Ela não depende de lei. §5º). A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. Uma NEC. A integralidade. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. que poderá variar conforme o seu enunciado. por sua vez.

VII (direito de greve dos servidores públicos). ofício ou profissão. 82 .: art. são NEP (como são as normas dos incisos I. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. e art. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. e não quais são os meios para se atingir o fim. mas não é uma NEP.).: art.: ordem pública. 9º dá a entender tratar-se de NEP. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar.: art.U. A NEC pode ser restringida: . XXIII e XXIV). 37. ☺art.: art. mas não disse quem pode propor. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). 22. Ex.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. A lei não irá restringir o direito. É indireta ou mediata. Neste caso. de forma que antes da Lei 9. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. P.por lei (ex. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. conforme a lei. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. que faz parte da mesma norma. mas pode ser). As vedações.por outra norma constitucional (ex. 95. 95). XXII. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho.. 136 e 137). Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. 154: a União. esclarece que trata-se de uma NEC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. necessidade ou utilidade pública. Assim. segurança nacional. art. . 102. mas. não há omissão inconstitucional. etc.Impositivas: ex. 5º. 9º. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. eis que estabelecem o fim a ser atingido. XIII. . art. etc. 5º. que a regulamente. VII. art. XII c/c arts. ela nunca poderia ser restringida. ☺art. e mediata porque depende de alguma condição. PU: União poderá delegar aos estados. 37. que não é norma).Facultativas: ex. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. etc. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. Indireta porque depende de uma outra vontade. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. é obrigatória. 3°. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. art. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. interesse social. 5º. A norma constitucional tinha eficácia. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente.por conceitos de direito público (ex. mas dizer como esse direito será exercido. Exs.U. se quiser. Se ela fosse uma NEP. quais são os efeitos. VII. que dirige os rumos do Estado. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. mas o seu §1º. . CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. O caput do art. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. Não é apenas um conselho. – ex. II e III deste mesmo art. art. Ex. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. caracterizadas justamente por este tipo de norma).: trata de vedações que são impostas aos juízes. 37. em regra. poderá criar impostos residuais. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). CR.

mencionada por alguns autores.: As NEP. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. não depende de outros sistemas. a NEL produz efeitos: ela exige lei. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. São as normas do ADCT. porque ela não tem eficácia positiva). Marcelo Neves critica essa concepção. cumprida a sua finalidade. Obs.: art. Por isso não dependem de outra vontade. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). antes da lei ser feita. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. uma eficácia negativa (e apenas esta. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). também conhecidas como normas super-eficazes. imediata e integral). Assim. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Ex. Diz que o direito se auto produz. 83 . ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. pois. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). as Cláusulas Pétreas. Uma última classificação. Para ela. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Elabora-se uma norma genérica. ADCT. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. exaurem sua eficácia. tem eficácia. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. OBS. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. 2º. ademais. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. Traduz um sistema fechado. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica.

84 . Faremos o estudo de alguns institutos. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. não. porém. 242. por esta teoria. parte final). quando do surgimento de uma nova Constituição.N. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição.: ☺art. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela.N. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. § 1°. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. caso compatíveis com a nova Constituição. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). serem recepcionadas pela nova Constituição. sempre que nasce uma nova Constituição. 2°. → CR → A. Assim. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. Ex. Quando uma nova constituição é criada. como normas infraconstitucionais. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. podendo. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. e sim como normas ordinárias.P → A. ou seja. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. com o caráter de normas constitucionais. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. art. §2º (que fala do Colégio Pedro II.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. IV. XXXVI – “lei” em sentido amplo). deve existir expresso pedido na Constituição. também limitado juridicamente).: art. por regra. o STF entendeu que. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. Assim. tenha retroatividade média ou máxima. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. vale dizer. CR. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. Como se percebe. Contudo. 7º. que. nada impede que a norma constitucional. têm retroatividade mínima. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. com pequenas exceções. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. desde que haja expressa previsão. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. como é o caso do art. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. c) por outro lado. 51 do ADCT. vale dizer. dentre outras. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. Assim. 5º. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. 7º. Ex. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). 88 . sendo regra a retroatividade mínima. IV. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. as leis infraconstitucionais. diante da aplicação imediata. para tanto. Como outro exemplo de retroatividade mínima.

3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. ainda não regulamentadas de forma mais específica. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. atuando como um limite. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. a menos. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. os quais estabelecem a sua forma. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. pois servem de critério para o legislador que. é obvio. em um todo sistemático. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. Desse modo. Dessa forma. 1º). os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. ao elaborar as leis. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. sobretudo. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. por conseqüência. Sob o ponto de vista dogmático. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. De uma forma geral. estrutura e fundamento (art. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. seja como diretiva na solução de casos concretos. da função positiva que 89 . assim. 2º). como também ao exercício abusivo de certos direitos. diverso e opostos. o que os coloca numa posição de superioridade. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. 4º). não só das ações dos poderes estatais. a divisão de seus poderes (art. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. Executam. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. seja como orientação para progresso da legislação. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. é claro. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. Em situações novas.

90 . quanto para o legislador na elaboração das leis. I). Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. 34. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. que reinava de forma absoluta e irresponsável. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. sendo criados novos critérios distintivos da República. a Constituição veda. esses conceitos foram se esvaziando. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. A baixa densidade semântica. No tocante ao Poder Executivo. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. o direito de secessão. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. Com o passar do tempo. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. CR). Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. aos entes que compõem a federação. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). 1º. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. DF e Município.

Aqui. Em um Estado de direito. a vontade popular representada pelo parlamento. não apenas os indivíduos. No que se refere ao princípio democrático. seja diretamente. não é absoluta e ilimitada. a independência dos juízes. à questão perene da Justiça. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. Em um Estado democrático. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. ou. Sob o aspecto material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. sob as circunstancias transitórias. No Estado material de direito. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. 91 . Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. ainda. a legalidade da Administração. seja através de representantes.

conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. independente.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. Supremo. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. A soberania externa se refere à representação dos Estados. uns para com os outros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. na ordem internacional. 92 . por essa razão. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. o indivíduo se sente útil e respeitado. Todavia. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. No plano externo. 6º). a soberania migrasse do soberano para o povo. na ordem internacional. por não ter de acatar. em nenhum momento podem ser colocados de lado. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. Por essa razão. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. no plano interno. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. com a queda do comunismo. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. partidário (art. 215 e 216) e dos meios de informação (art. assim. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. conforme os ditames da justiça social. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. 3º. dentre elas. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. 170). a filosófico-religiosa. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. I). Por isso. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. a intelectual. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. 170). a tortura. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. é um princípio básico do liberalismo econômico. 17). a de informação. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. uma sociedade conflitiva. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. a sociedade pluralista é. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. ao contrário. É ela o valor supremo que irá informar a criação. a de opinião. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. de idéias e de instituições de ensino (art. 93 . III). de reunião e de associação. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. 220). passando a se revestir de normatividade. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. científica. Este fundamento é concretizado. derradeiramente. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. deve constituir o seu objetivo supremo. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. Mais tarde. por natureza. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. a sexual. 1º). de comunicação. cultural (arts. a partir do início da década de 90. independentemente de autorização de órgãos públicos. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. o que pode levar a divisões irredutíveis. 206. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. político (art. justa e solidária (art. A escravidão. mas. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). de interesses contraditórios e antinômicos. e. artística. a Constituição. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. ainda. a profissional. Fruto da concepção liberal. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. Por essa razão. salvo nos casos previstos em lei.

94 . não apenas por parte do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. em alguns casos. dentro dos direitos sociais. educação fundamental. Por isso. idade. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. seja pelo próprio Estado. seja por terceiros. etc. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. possui um caráter positivo. por outro. Esta acepção. ligada ao valor liberdade. mais importante. Esta acepção. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. à dignidade da pessoa humana. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. por exigir uma abstenção. Assim. moradia. menor (minimizando o problema dos custos). mas também dos particulares. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. Todavia. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. sua existência material. e. ligada ao valor igualdade. em um primeiro momento. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. Portanto. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação.) imprescindíveis para uma vida digna. o acesso aos valores. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. a todo e qualquer cidadão. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. sexo. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. mas um atributo que todo ser humano possui. Poder-se-ia dizer. na medida em que procura representar um subconjunto. A dignidade da pessoa humana não é um direito. ou para com a pessoa. econômicos e culturais. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. Portanto. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. Por outro prisma. o que significa dizer que na criação. mas também a de que o Estado garanta. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. independentemente de usa origem. que seja efetivamente exigível do Estado. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. cada vez mais. possui um caráter negativo. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). mas. condição social ou qualquer outro requisito. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. não como um fim em si mesmo. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional.

95 . mas também no art. os direitos sociais (arts.direitos prestacionais: são. Assim. uma constitucional e uma doutrinária. 6º ao 11. 6° e 7°). estão consagrados em normas de eficácia limitada. Têm um caráter negativo.direitos individuais. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. . . CF/88. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. consagrados no plano internacional. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. portanto. O Estado deve fazer escolhas trágicas. . Enfim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Em sua maioria. consagradas ao longo das constituições. pois surgiram em uma única época. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. Em sua maioria.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. igualdade e dignidade. Têm caráter positivo e negativo. Em termos materiais. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. Visam proteger o valor igualdade. ligados à liberdade. a diferença básica se refere ao plano de consagração. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. devido à escassez de recursos. basicamente. 5°. Exigem uma atuação positiva do Estado. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek.direitos à nacionalidade (art. 6° e seguintes). . São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). do qual são espécies: . estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. que divide os direitos fundamentais em: . 12 e seguintes). pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. . Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. 5°. São direitos ligados à cidadania. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. Essa classificação é legislativa. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. à participação política. são os direitos individuais consagrados no art. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. devido ao custo de serem prestados. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. 14 e seguintes). CR/88). Para que o cidadão participe da vida política do Estado. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno.direitos sociais (art.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. .direitos políticos (art.

Esta é a sua preocupação principal. de 1789: liberdade. a autodeterminação dos povos (art. diretamente à igualdade material. e geralmente em normas auto-aplicáveis. XVIII. São chamados direitos civis e políticos. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. e estas gerações coexistem atualmente. sobretudo de princípio programático). Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. pois. da solidariedade entre países ricos e países pobres. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. São basicamente os direitos individuais. os direitos prestacionais. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. Como vimos. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. A 3ª geração. ao lado da 4ª. Têm como objetivo. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. são direitos de caráter negativo. 96 . Eles foram surgindo com o passar do tempo. já os de 2ª geração não. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. então. Têm caráter negativo. por exigirem uma abstenção. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. segundo Jellinek). e a dele é a mais cobrada em concursos). econômicos e culturais. enfim. → Igualdade: Direitos Sociais. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Exs: direito ao meio ambiente. à autodeterminação dos povos. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. exigindo uma abstenção. queria que ele respeitasse suas liberdades. Estão ligados. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Exigem uma ação do Estado. a imprensa livre e o funcionalismo público. ao desenvolvimento ou progresso. CR/88). igualdade e fraternidade (nesta ordem). Por isso. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. portanto. XX. Tais direitos têm caráter positivo. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Obs. Vejamos quais foram as gerações. movimento encabeçado pelo proletariado. diante da necessidade de cooperação. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Os direitos de defesa. como a família.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. 4º. por exigirem uma prestação do Estado. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. direito de comunicação. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Ou seja. das gerações. São considerados basicamente como direitos coletivos. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. Não houve substituição de uma geração por outra. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL.

mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. 1º. na mesma disposição constitucional ou legal. Ele preserva. Ou seja. Ele abrange um pluralismo religioso. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. que são as que. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Além desse aspecto.I. em defesa dos direitos. os direitos de família. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art.: quanto ao direito à paz. são direitos difusos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. Quando se fala em pluralismo político. como os previdenciários. de conteúdo). Paulo Bonavides. V. caso violados. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). econômico. Os argumentos contrários a esta união. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). um pluralismo ideológico.P. à informação e ao pluralismo (D. que seria a vontade da maioria. limitam o poder. 97 . O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. ocorrendo não raro juntar-se. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. a fixação da garantia. Afora esta peculiaridade. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. o prof. Ex. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. inclusive das minorias. Em uma ponderação. as demais características são tratadas pelo prof. Aquelas instituem os direitos. → Globalização: direito à democracia. Ao lado da vontade da maioria. Esta geração de direitos advém da globalização política. mas há divergências na doutrina quanto a isso. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. artístico. esta alteração não foi feita em seu livro. Porém. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. CR/88). Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. ele tem uma importância muito grande. conserva nossas identidades. as disposições assecuratórias. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. Por isso o direito à democracia é tão importante. Ou seja. o direito a adoção. que alguns dizem trazer os direitos à internet. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. Quem tem o papel contra-majoritário. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. estas as garantias. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. traz direitos ligados à pluralidade. de ideologias políticas e partidárias. de orientações sexuais. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. etc. ☺ADPF 132. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais.). quiçá quanto a 5ª. ao analisar a Constituição de 1891.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. São também direitos transindividuais (em sua maioria. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. outros são difusos). Assim. com a declaração do direito”. um pluralismo cultural. e isso acaba por prejudicar as minorias.

5º.direito ao juízo natural (direito) – o art. nascendo com o Cristianismo. ilegalmente preso. ou magistrado. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. conflito de interesses. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . Normas positivas. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. se o direito garantido não possui alguma especificidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. ainda que não individualistas. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.). conjugando-a com a sua mínima restrição. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. são indisponíveis. como é o caso. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.: HC. 5º. emite uma opinião (direito de opinar). havendo. a todos os seres humanos. . 98 . mas nunca a sua renunciabilidade. confronto.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. . por ex. HD. Exemplos: .Universalidade: destinam-se. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. O caput do art. que só pode ser proposta pelo cidadão. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. de modo indiscriminado. etc. . já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. .é inviolável a liberdade de consciência e de crença. Nada impediria. uma vez consagrado o direito. ou caberá ao intérprete. é claro.: direito de propriedade versus desapropriação). a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. quando. os estrangeiros não residentes. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. Se são sempre exercíveis e exercidos. Obs.Historicidade: possuem caráter histórico. XXXVII.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). . no caso concreto. muitas vezes. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). . veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. através da interpretação sistemática. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. Contudo. portanto. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. no caso concreto. decidir qual direito deverá prevalecer. juntamente. coarctando.. como é o caso da ação popular. os apátridas e as pessoas jurídicas. . Isso porque. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. Deve-se observar.

em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. 99 . causando uma desfiguração no direito privado. 5º. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. então. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. mas o pressuposto do qual ela parte). §1º. ordem pública. fala-se. pois. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. Assim. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. não dependendo de legislação. então. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. analisando caso a caso. No entanto. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. fática e juridicamente. para isso. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. mas. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. Não se admitiria. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares.). §1º. 5º. Posteriormente. só trazendo relações entre o Estado e o particular. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. etc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). Ingo Sarlet afirma que o art. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787).

com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).RE 158. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. em geral. Assim.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . mas ainda não há decisão quanto a isso.24.RE 201. Segundo esta teoria. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. houver uma desigualdade fática. 249. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. a proteção tem que ser maior.243/DF. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.RE 175. e.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. etc. para que os princípios pudessem ser concretizados. se exteriorizam. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.☺RE 161. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . como a segunda. . em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. . Espanha e Portugal. então.700. . Ainda se trata de uma questão muito nova. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. Se houver lei determinando a aplicação dos DF.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. no entanto.) . quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. Os DF são expressados. Se.Resp. Em contrapartida. . devendo sobre eles prevalecer. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. isso poderia causar uma série de problemas. Deve-se aplicar tanto esta teoria. contrato de adesão.858. A autonomia da vontade requer tal ponderação. mas. Determinação de observância do Princípio da isonomia. não sendo necessária uma intermediação legislativa. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.00 para R$ 86. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. através de princípios.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. O juiz. ainda que esta regulamentação não exista.HC 12. a aplicação será indireta. esta teoria seria a mais adequada. Segundo Virgilio da Silva. tão somente pela falta de previsão. Para a realidade brasileira.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. quando há uma relação de igualdade real na relação. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. é possível a sua aplicação com base na Constituição. E como os princípios são muito vagos. muito abertos. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos.RE 160. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. mesmo realizando atividades idênticas.: empregado e empregador. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. Mas.*RE 161. A jurisprudência. . Se não houver uma previsão expressa na lei. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. de uma forma geral. que não adota essa teoria).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

103

traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Quanto ao caso do aborto sentimental (art. 5º. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito.: esta segurança que o art. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. é. 170. não há uma renúncia definitiva. não há que se falar em não exercício). Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. II. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. pois. caput. ☺art. como DF é pressuposto dos demais direitos. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. Este pode ocorrer. um outro direito fundamental. Obs. ☺art. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. III e art. Há dois entendimentos: 104 . XLVII. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. CP) a questão é um pouco mais polêmica. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. Porque o direito à vida é irrenunciável. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. No caso do big brother. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. 5º. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. por óbvio. à igualdade. 128. A renúncia é definitiva. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. O direito a vida. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. à liberdade. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. CR/88. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. à segurança e à propriedade. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Por isso. também não pode ser renunciado. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. 1º. 5º. Esta questão é bastante clara. pois a vida é uma direito irrenunciável. Nos 78 incisos deste art. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. um caso constitucional de violação de direitos. abre-se mão temporariamente à privacidade.

o art. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. Para o direito brasileiro. por 7 votos a 4. insuficiente para a proteção do direito. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. nas quais não se tem uma opinião moral definida. como todos os outros. O STF. mas de modo geral).Direito à privacidade: 105 . II. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. segundo Canotilho. sabendo que ela vai morrer. A questão ainda está sendo discutida no STF. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. em razão do risco de morte intra-uterina. entendeu que. . E o direito à vida. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. sem o sistema nervoso central. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. além de colocar em risco a sua própria vida. CP não teria sido recepcionado pela CR. Nos EUA e na França. discutida na ADPF 54. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. já que na época em que foi feito o art. mas sim interpretando a CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. Ademais. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. 128 (em 1940). e. assegurando a autonomia da vontade. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. mas sim da acrania. portanto. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. o STF não estaria legislando. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. por isso. Se há dois argumentos defensáveis. OBS. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. 3) dignidade da pessoa humana. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. já que o CP é anterior à CR. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. 128). deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. o feto não tem a menor chance de sobrevida. a vida termina com a morte encefálica. é relativo. ela é a única ação de controle abstrato cabível. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. então. Se isso fosse possível. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. 128. a morte não decorre do aborto. é uma forma de tortura psicologia. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). não haveria vida.

Ao realizar essa ponderação. O agente público. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. Esta é excludente de ilicitude. Questão de Concurso: Gravação clandestina. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. histórico. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Mas. contra um estelionatário. 106 . O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. O direito a privacidade está consagrado. quando pratica um ato na condição de agente público. maior a proteção a ser dada. veremos cada um separadamente. Em regra. os princípios da moralidade e da publicidade. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. 5º. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Ex: gravação feita contra um seqüestrador. contra um chantagista. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. É vedada pelo art. de uma forma geral. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. em seguida. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Há decisões judiciais onde muitas vezes. não há violação à privacidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. a restrição é legítima. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. 5º. é a esfera da vida privada. Ex: Radares eletrônicos. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. a gravação é considerada lícita. científico ou cultural. Proteção da honra e da imagem. são direitos independentes. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. quebra de sigilo e interceptação telefônica. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. uma gravação feita clandestinamente. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. sobretudo. etc. na verdade. pois há uma excludente de antijuridicidade. ela é ilícita. CR. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. O prof. É gênero. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Numa gravação clandestina. X. o direito à imagem foi violado. vida privada. Neste caso. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. CR. a imagem pode ser usada num processo. X. Então. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Ainda que não afete a honra. não tem privacidade. 1. por exemplo. a honra e a imagem das pessoas. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Nesses casos. Não há que se falar em colisão. que se subdivide em: intimidade. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. Ex: matérias de interesse público. No entanto. Se filmar uma passeata. sobretudo. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). no art. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. O direito de liberdade é maior. Ex. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Logo. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Se tiver gravado um crime. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. Será considerada prova lícita. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público.

: Podem existir várias outras exceções. o BB poderia quebrar o sigilo. Dentro dela. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. 5º. de um cd room. Ex: extrato de conta corrente. mas na decisão acima houve discussão a respeito. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. O prof. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. 5º. etc. XII. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. não poderá quebrar sigilos. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. 2°) admite. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. fiscais. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. naquele caso específico. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. outros entendem que não há proteção. E o Ministério Público? Segundo o STF. 58. que é uma exceção a essa regra. Quanto às CPIs municipais. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra.). § 3º. A lei. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Ele alegou a ilegalidade desse ato. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. a duração da chamada. ainda que não seja sigilosa. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. O inciso X impede a gravação clandestina. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. 107 . como havia verba pública envolvida. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. 2. XII. Os jornais publicaram essas declarações. outros dizem ser pelo art. Se ele quiser. por enquanto. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. X. No entanto. Essa declaração. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. não há decisão do STF. O Min. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. falaremos da interceptação telefônica. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Quem pode é só o juiz e a CPI. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. deve ter uma certa salvaguarda. O STF decidiu que. às informações constantes na declaração de imposto de renda. divulgaram todas as declarações na internet. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. ele não pode requisitar diretamente. 5º. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. São poderes instrutórios. Quando a CR fala em “poder de investigação”. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. em ação cível originária. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. 3. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Na Itália. Quando se quebra o sigilo telefônico. já que não existe poder judiciário municipal. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. por ex. Além do juiz. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. está em vigor. informáticos. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. essa decisão foi para um caso específico. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. De acordo com o art. com base no princípio da simetria. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada.. fiscal e telefônico. Dentro do próprio STF há divergência. Essa exceção só confirma a regra. Tem uma decisão do STF muito comentada. CR.

Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. pode haver restrições às comunicações telefônicas. é equivocado. os dados de informática em si não estão protegidos. Mas isso não é a posição do STF. Então. Porém. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. por uma terceira pessoa. mas. a liberdade de comunicação. também protege a privacidade. 5º. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Na interceptação. X. Nessas hipóteses. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Se um souber. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso.. Se um souber. Com relação ao sigilo de dados. XII. segundo o prof. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Pois. Para o prof. Ela deve ser usada para situações excepcionais. Em relação a essas. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados.. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. neste caso. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. abrem-se todas as correspondências. o sigilo poderá ser violado. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. será gravação clandestina. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Ela protege 4 formas de comunicações. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. 5º. em determinadas hipóteses. já que protege-se a liberdade de comunicação. não estaria protegido por esse dispositivo. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. Na prática.. XII. protege a liberdade de comunicações. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Em relação à comunicação epistolar. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. o STF tem um entendimento que. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Para o prof. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . será interceptação telefônica. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. No entanto. O STF entende que com base o art. mas foi feita por um terceiro. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. sobretudo. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Além dessas duas hipóteses. seja pelo art. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Não são admitidas para outras finalidades. Aliás. 5º. segundo o STF. Quando se falou do método tópico problemático. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Para o STF. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. 5º. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. seja pelo art. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. O art.

Recentemente. nesses casos. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. XI: violação de domicílio. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. Como é o meio mais fácil. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. pode determinar a prática desses atos. não há falar em violação de domicílio. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. imagine numa situação normal. por nenhuma outra autoridade. prorrogáveis por mais 15). Sem consentimento já é diferente. c) Art. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Ela deve ser o último recurso. violado. 5º. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. qualquer pessoa pode entrar. • Prestar socorro 109 . seja durante o dia seja durante a noite. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. LX: sigilo imposto a processo judiciário. se houver o consentimento de um dos moradores. vejamos: a) Art. O professor acha que há certo abuso neste caso. XII. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. Essa decisão foi recente (☺MS 27. d) Art. Ex: crime dentro de uma residência. Se numa situação excepcional. 5º. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. o Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Com relação à inviolabilidade do domicílio. salvo o flagrante delito. a polícia pode entrar. e não pelo dono da casa. 2. LXI: possibilidade de prisão.483 – medida cautelar concedida nesse MS). essa lógica tem sido invertida. Então. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. A Constituição trata de 2 situações distintas. nem a CPI. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. e mais ninguém. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Além disso. Art. devemos analisar 2 situações diferentes. 5º. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. Com o consentimento. Segundo o STF.296/96. 5°. CF/88. Ou seja. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. Vejamos as situações: 1. Se houver o consentimento. Nesse artigo. Durante o estado de defesa. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. XII: interceptação telefônica b) Art. Pode ser que com os abusos recentes. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Nem mesmo CPI. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Na jurisprudência do STF. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. Somente o juiz. 5º. a entrada deve ser permitida pela empregada.

Então. compartimentos habitados. mais tradicional. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. que traz uma conceituação bastante extensiva. Se houver o consentimento do morador. Entra no conceito de casa. prevista no dispositivo. estabelecimentos comerciais e industriais. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. a prova colhida será considerada ilícita. compreende escritórios. Ele deve dizer “aqui você não entra”. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. se estiver vazio. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. É utilizado por JAS. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. CP. não só dos moradores daquela casa. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. Segundo o entendimento do STF. mais adequado. consultórios. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. 110 . porque a noite é o período de descanso. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. onde o caminhoneiro dorme. quando o sol se põe é noite. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). entra no conceito de casa. pois se respeitar também o critério cronológico. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Quando o sol nascer é dia. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Segundo ele. seja do dia seja da noite. não entra no conceito de casa. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. 2. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Só que o STF já proferiu decisões. hoje. Alguns autores. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. E o carro? O prof. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. não poderá mais entrar no domicílio. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Na maioria dos casos. 3. entre eles Alexandre de Moraes. a prova é lícita. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. entre outros aposentos. não entra em conceito de casa. ☺Art. por serem situações emergenciais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. na parte em que o público tem livre acesso. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Se entrar com o uso da força. a casa pode ser invadida a qualquer hora. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. mas dos vizinhos também. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Ex: parte de trás do caminhão. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. 150.

Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. justifica-se a altura. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. é necessário que ele seja: 1. razoável e proporcional. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Razoável 3. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Mas. Ex: critério preconceituoso. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. cor e estado civil. da constituição. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Quando se fala em princípio da igualdade. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. 111 . 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. ele não estará de acordo com o fim consagrado. 7º. É a que está consagrada no caput do art. Objetivo 2. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Nestes casos. arbitrário. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. 7º. 2. XXX. Não irá fazer concurso para homens participarem. discriminatório. pois viola o princípio da isonomia. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. Esse critério é razoável. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Esse critério não é nenhuma discriminação. idade. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. CF/88. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Para que o critério seja constitucional. Para esses casos. 5º. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. em situações diferentes. não significa que a lei não possa fazer distinções. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. XXX. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. CR. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Se o critério não for objetivo. Uma vez dentro do estabelecimento. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado.

o critério discriminador seria desproporcional. Essas ações não surgiram nos EUA. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. que eram desiguais em relação aos seus senhores. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. No caso da Índia. mas é necessário analisar uma série de fatores. Não é uma forma de resolver o problema. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. utiliza-se das ações. Em princípio. Visa uma redução das desigualdades fáticas. O prof. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Para outros autores.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . essas ações deveriam existir por 10 anos. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. e prolongaram as que já existiam. Dificilmente. pois elas criam uma discriminação reversa. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. Para o professor. acha que esse argumento não convence. surge a questão relacionada às ações afirmativas. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. igualdade e fraternidade. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. Ex: Cotas para pessoas carentes. disse que está ligada à igualdade material. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. ☺art. seria igualdade material. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Então. e não à igualdade material. não haverá uma igualdade real. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. mas na Constituição Indiana em 1947. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Isso é igualdade formal. Quando se fala em igualdade material. para tentar reduzir as desigualdades. essas ações são constitucionais. Mas. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. 5º c/c art. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. mas reduzir as desigualdades existentes. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. O prof. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Segundo JAS. aconteceu o contrário. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. e os desiguais de forma desigual. 112 . Tem autores que entendem ser inconstitucional. Porém. 3º. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Criaram-se outras ações afirmativas. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. A tendência é que elas aumentem. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Ex: Alíquotas de imposto de renda. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. A cota deve ser proporcional à população. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Quando se fala em igualdade material. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). por exemplo. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas.

a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. Além dessa eficácia. cientificamente falando. seja por particulares. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. .favorece negros de classe média alta. mas também para quem irá elaborar a lei. previsto no art. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. Poder Executivo e Poder Judiciário). . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. visa compensar uma dívida histórica. . Argumentos contrários: .Eficácia vertical: todos os poderes públicos. são destinatários do princípio da igualdade. .medida imediatista e inapropriada. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. de saúde. .Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . miscigenada e multicultural. mas eles não tiveram oportunidade de escola. aberta. A justificativa parece não ser inconstitucional. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. 208. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. pois já faz parte do próprio critério republicano. Então. atinge todos os poderes públicos . sem exceção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros.fomenta o racismo e o ódio racial . tolerante. quando se fala em destinatários. Portanto. Isso é uma questão de política pública. 113 . O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. O problema é com relação à subjetividade do critério. Apesar de ser uma relação entre particulares. . Juridicamente falando. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. .Poder Legislativo.princípio da isonomia (discriminação reversa). No Brasil.em uma sociedade pluralista. CF/88. não sendo necessária essa distinção. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. Eles foram libertados. Eles não têm apenas a eficácia vertical. seja pelo governo.fere o mérito. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado.

100. segundo o professor. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Logo em seguida. CPC – ação de alimentos. ele deve licitar. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. Mas. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. discriminatórias. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. mas apenas para as mulheres. etc. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. ela pressupõe responsabilidade. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Pode defender no plano das idéias. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Por que a Constituição. Logo. em princípio. de expressar o pensamento. Se a pessoa agiu de forma abusiva. a lei pode estabelecer distinções. o problema é dele. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Para alguns. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. não deve ser estendida para os homens. Questão de Concurso – Cespe: No art. O particular não é obrigado. não teria sido recepcionado. desde que essas restrições não sejam autoritárias. 5º. I. Protege a mulher. É uma denúncia feita anonimamente. Isso significa que. ela pode ser responsabilizada. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Não é um direito absoluto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. As provas 114 . Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. O homem não é a parte mais frágil da relação. Ex: Passeata para legalização da maconha. em regra. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Ex: Lei Maria da Penha. é outra questão. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Basta ser um critério objetivo e para todos. IV. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. Apologia ao crime é diferente disso. Ex: art. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. ela é constitucional. e violou direitos de terceiros. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Não existem direitos absolutos. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. 5º. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. desde que seja para atenuar desníveis existentes. ela exerceu o seu direito. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. sendo vedado o anonimato. para outros teria. É livre a manifestação de pensamento. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. É constitucional? Sim.

Ex: seqüestrador escreve bilhete. A religião desempenha um papel fundamental. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. Porém. com o advento da República. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. houve a total separação entre Estado e Igreja. Esta liberdade está consagrada no art. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. O culto pode ser exercido em qualquer local. não é o caso do Estado brasileiro. Para Habermas. e. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. No Brasil não há uma religião oficial. Os templos recebem uma proteção especial. ainda 2. Isso significa que. 2. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. 3. pedindo resgate. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Em relação ao culto. então. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. apesar de a maioria da população ser católica. O Estado brasileiro. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. de crença e de culto. CR. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. 2. abrangendo a liberdade de crença. VI. Pode fazer um exame grafotécnico. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. O dever funcional da autoridade é investigar. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. há 02 hipóteses em que o STF admite. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. desde que não viole o direito de terceiro. Não se pode admitir que o parlamento. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. O Estado deve manter-se neutro. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. desde 1989 (advento da República). Vejamos: 1. ela deve ser protegida. ou de não ter crença em nada. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. de ter crença. 19. se não há qualquer identificação. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. deve ocorrer uma “tradução institucional”. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. → Alguns temas polêmicos: 115 . a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. I. Quando são produzidos pelo próprio acusado. A liberdade de consciência é a mais ampla. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. inclusive em lugar aberto ao público. 5º. o equilíbrio das religiões. por exemplo. ele não pode ser admitido. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Garantir a simetria da liberdade religiosa. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. CR.

→ Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. a competência é em relação à cultura. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. Pode um ateu.. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. 210. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Não teria sentido acabar com esses feriados. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. §2º. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. não poderia ser confessional.. a competência é da União.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. CR. Para o prof. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. Mas. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. inegavelmente. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. 23. são culturais. . logo. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. São feriados puramente religiosos. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Na Alemanha. o argumento supracitado não está correto. Portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. estados e municípios (☺art. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. . VIII. e o aluno optou a se matricular nessa escola. Há um trecho do livro do Dworkin. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. 5º. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. fazendo uma ponderação entre os princípios. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. onde se tem poucas escolas boas. e cultura é competência comum – da União. que odeia guerra. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. há algumas ações. O 116 . O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. Entretanto. então. 215. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. a escola não deve impor ao menino. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. políticos e religiosos. Segundo o prof. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. §1º. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. e não à justiça do trabalho – ☺art. O tribunal. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Entretanto. É importante respeitar o ensino de cada um.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. CR). CR). Sendo o Estado brasileiro um estado laico. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Neste caso. imagine uma cidade pequena. a neutralidade do Poder Judiciário. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. ocorreu um caso muito semelhante. Os feriados são de competência do Direito do trabalho.

o argumento deve ser racionalmente justificado. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. JAS diz que não são direitos coletivos. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Ex: fazer segurança. A associação. Segundo Jean Rivero. XVII e XXI. Criação de sindicatos. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. terminada a reunião. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Ex. tem o caráter permanente. existem 2 semelhanças e 1 diferença. (Não pode reunir pessoas armadas. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. 5º. Criação de associações e. Há. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. Criação de partidos políticos. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos.) 2. XVI. então. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). CR. CR. Se não houver essa lei. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. não é necessária a autorização estatal. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. 15. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. Liberdade de reunião. ainda. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. A República é o governo das razões. mesmo que em locais abertos ao público. na forma da lei. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. mas os políticos. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). essa hipótese é de representação processual. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Não cumprindo com a obrigação. O prof. desviar o trânsito. por sua vez. ☺art. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. CR: Não é só a liberdade de se associar. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . XXI. conforme portaria da ANVISA. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. de cooperativas. 5º. Para que as pessoas possam se reunir. 5º. A pessoa alega imperativo de consciência. Representação das associações no que se refere aos seus filiados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. 5º. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. 3. Quem fará a tradução não é a Igreja. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Por que a CR exige prévio aviso. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. 2. etc. elas vão embora. Ex: reunião de condomínio. mas a de permanecer associado. Caso não cumpra com a prestação alternativa. XVI. não são os religiosos. as pessoas se reúnem e. mas direitos individuais de expressão coletiva. ☺ art. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. 4. IV).

porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). em seu art. segundo o qual. se não for atendida. segundo o prof. 8º. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Segundo o STF. a propriedade terá uma proteção menor. XXII. III. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. A associação impetra em nome próprio. não são legítimas essas invasões. Se ele tem proteção. É o entendimento de Daniel Sarmento. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. 5º. no seu art. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. ADC e ADPF. não impede que o direito de propriedade seja protegido. não pode existir mais de uma federação por território. Ela só garante o direito de propriedade. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Segundo JAS. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. mas não pode ajuizar ADI. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). tendo um menor peso na ponderação. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. O que acontece é que se não cumprir a função social. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. como a Constituição garante o direito de propriedade. o direito de propriedade pertence ao direito público. 5º. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. Função Social da propriedade: A CR. XXIII. 118 . garante o direito de propriedade. portanto. O sindicato (☺art. a função social. defendendo direito alheio. não precisando de autorização expressa.. Segundo o STF. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. pode ser dada numa Assembléia Geral. 5º. LXX. mas sim contrárias ao direito e. 2. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. ilegítimas. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. A Constituição não garante o direito à propriedade. Só pode representar se houver autorização expressa. Em seguida. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. é mais correto. CR) quando ajuíza uma ação. Segundo o STF. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. mas faz parte da estrutura desse direito. segundo o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. por exemplo. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). ☺art. Ex: Invasões de terra pelo MST. ter um patrimônio mínimo. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. do próprio regime desse direito. Há um outro entendimento que. Segundo ele. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida.

ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. Propriedade Urbana: ☺art. em regra. Propriedade Rural: ☺art. No caso de requisição. Ex: caso de Eloá. 139. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. §2º. XXV) e as militares (☺art. por ser inerente ao direito de propriedade. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. uma escola pública. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. só haverá indenização se houver dano. diante de uma emergência. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. a saber: por necessidade pública. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. 182. etc. mas sobre a propriedade em si. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. deverá ser em dinheiro. CF/88: Trata-se de imóvel rural. VII). CR. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. IPTU progressivo no tempo. Além do caráter absoluto. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. indenização por títulos da dívida pública). deve haver indenização? Não. A função social. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. como um apartamento. justa e. Para atender a função social. há uma transferência compulsória da propriedade. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória.000 habitantes (§1°). o proprietário não tem culpa. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Vejamos: a) ☺art. 2. Na requisição. Logo. Sempre que há requisição. Desapropriação: Diferentemente da requisição. O título deve ser entregue antes da desapropriação. restringe o caráter absoluto. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. A polícia requisitou determinadas propriedades. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Sempre haverá indenização. normalmente. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. CR. b) ☺ art. a saber: a. por utilidade pública. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. como decorrência do primeiro. 184. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. na desapropriação. Os principais aspectos são 2. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. 186. É um aspecto lógico. 182. Como haverá indenização se houver dano. Vejamos abaixo. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. 5º. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. ele não poderá ser prejudicado. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. a indenização será sempre posterior. ou por interesse social. b. §4º. que deve ser prévia.

Requisição Refere-se a bens e serviços. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art.). Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Obs. emergências da sociedade. A Constituição não permite – ☺art.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. Vejamos: . Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). ininterrupta. 5º.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. . 183. Necessidades permanentes da sociedade. sem oposição. Nesse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Na CR. possuir o imóvel como se fosse seu. PU. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). 250 m2. É sempre indenizável (justa. por ter prazo menor. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). é porque ela está cumprindo a sua função social. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). . paga em dinheiro). 3. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. §5º. o imóvel deve ter.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. no máximo. . CR). a propriedade não pode estar cumprindo a função social. 120 . parágrafo único. precisa recorrer ao judiciário). Só que. no máximo. 243 da CR. não precária. Usucapião: Na Constituição da República. não há pagamento de indenização.o morador não pode ter outro imóvel. pacífica.: Imóveis públicos. sejam urbanos ou rurais. Confisco: No Brasil. CF/88. Se ele tiver outro imóvel. regra. O confisco de propriedade está previsto no art. CR). 243. 2. 184. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. . 185. Se ela é produtiva. prévia e. Como o confisco é uma sanção. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. Necessidades transitórias. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. Só não podem ser para fins de reforma agrária.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. Para esse fim. etc. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). São imunes a impostos (☺art. os bens serão confiscados – art.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. não podem ser adquiridos por usucapião. em Indenização posterior se houver dano. 50 hectares. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. seja urbano ou rural. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. §3° e art. 191.

XL. etc. mas deve respeitar a coisa julgada. 5º. 5º. Retroatividade da Lei Penal. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. não. No direito penal. desde que seja mais benéfica para o réu. a CR/88 entrou em vigor. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). CR). Seria correspondente à primeira hipótese. 3. Esta hipótese é. Durante a vigência desse contrato. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. é uma conjugação das duas anteriores. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. As hipóteses mais importantes são: 1. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Para responder a essa questão. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. Todas as demais o consagraram. autônomo. ato jurídico perfeito e coisa julgada. interpretando a lei da maneira (A). média e mínima. b) Retroatividade benigna. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . a saber: 1. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. não era muito democrática). Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. A garantia existe para a proteção desse direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. inicial. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Em regra. mas que vale especificamente para o direito tributário. Alguns a interpretavam de maneira (A). 2. outros a interpretavam de maneira (B). 106. a lei interpretativa retroage. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. só que exclusiva para o direito tributário. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. na verdade. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. 5º e no art. a regra também é a não retroatividade (art. Em resumo. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. XXXVI. A lei interpretativa retroage. é necessário diferenciar duas situações.

Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. haverá uma retroatividade média. . automaticamente. através de norma de eficácia plena. interpreta a lei em sentido amplo. STF. mas isso está superado. e não o ato exaurido. Só que para haver essa retroatividade. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. 654 e Súm. 2. Não pode haver a redução. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. a Constituição da República entrou em vigor. mas as leis não. . dirige-se apenas ao legislador ordinário. É claro que isso não é desejável. 473. O prof. Se a Constituição atingir essa prestação. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. coisa julgada e ato jurídico perfeito. É claro que isso não é desejável.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. no caso de retroatividade mínima. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. será necessário que a Constituição diga expressamente. Portanto. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. . não há posição prevalecente. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. b) Retroatividade média: pode ocorrer. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. até mesmo. XXXVI) é lei em sentido estrito e. As parcelas podem ser reduzidas e. inclusive as de ordem pública. haverá uma retroatividade máxima. ela afeta a todos. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Ex: Determinada prestação. → Coisa julgada: 122 .: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. ☺Súm. É o ato que está apto a produzir os efeitos. em regra. Antes de a prestação ser paga. Nesse caso. A EC poderia prejudicar direito adquirido. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. 5º. porque geraria uma insegurança jurídica. e não lei em sentido restrito. e não as parcelas que compõem o vencimento. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. Ex. . A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Só que para haver essa retroatividade. Havendo mudança de regime jurídico. de acordo com a legislação da época. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. porque geraria uma insegurança jurídica. Após a Constituição de 1988. Se mudar o real. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. extintas.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Na retroatividade máxima.

ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. pois são mais facilmente implementados. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. . Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. o que significa que possuem um caráter positivo. Já os direitos sociais.: salário mínimo). em regra. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. Mas isso não é verdade. à medida que a sociedade o determine. segundo Robert Alexy. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . geralmente consagram seus direitos em textura aberta. §1º. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. e isso para muitos é um ponto negativo. Assim. Os princípios. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. nós deveríamos interpretar o art. §1º. são mandados de otimização. independentemente da sua natureza. Em cada época. eles o são porque ainda poderão ser consagrados.. No art. por ex. b) o art. consagrados em NEP ou NEC. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. 5º. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. exigem uma atuação positiva do Estado. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. mas é apenas a coisa julgada judicial. são NEL (de princípio programático). ambos eleitos pelo povo de forma democrática. em sua maioria. do seu enunciado. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria.☺art. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Ou seja. 2. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. 7º. Eficácia: todo direito tem um custo. 5º. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. 5º. . Direitos Sociais: 1. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. independentemente de qualquer fator. Os direitos de defesa são. Dirley Jr. Por isso. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. ou seja. e pelo Min. Eros Grau. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. A administrativa não tem essa proteção. como doutrinador. de sociedades pluralistas. como teórico do direito (ou seja. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. e não propriamente como ministro). para dar decisões concretizando tais direitos. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa.

as normas possuem uma textura aberta. todas. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também.000. Esses direitos sociais não teriam. assim. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. doutrinador do RS. essa atuação talvez não seja tão justa. etc. segurança. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. pois.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. em tese. implicitamente. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. trabalho.000. 3ª fase: é a fase desejável. só porque recorreram ao PJ. Como têm apenas eficácia negativa.). O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. não geram direitos subjetivos. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. Portanto. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. por ex.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. . Primeiramente. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. Em outros lugares. O que se busca. Por isso. Esse entendimento já foi superado. Obs.). atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. pois. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. lazer. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . A visão do juiz é bilateral. por ex. que estamos buscando. é importante definir tais critérios. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. por ser norma programática. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Quando se fala em direitos sociais. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. . é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. quando foi dado um maior papel ao PJ. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Norma de direito social não gera direito subjetivo. rodovias. Argumentos contrários à intervenção judicial: . Assim. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos.. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. legítimas (saúde. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. previdência. educação.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. Pedro Taques). normatividade.

Mas. no que diz respeito aos direitos sociais. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. em 1972. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. Assim. eleições periódicas. . deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. A reserva do possível. pois. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. em razão das limitações orçamentárias existentes. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. Não é o entendimento que prevalece. eles acabariam sendo inviabilizados. Esses argumentos são os que devem prosperar. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. É preciso. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. saber se a demanda é razoável. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos).“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. em razão do Princípio da Igualdade. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. 125 . e é muito utilizada no Brasil. segundo Ingo Sarlet. Os direitos sociais estão consagrados em normas. entra-se muito nas questões ideológicas. ou seja. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. De se ver que quando se fala em direitos sociais. . .Caráter normativo da constituição. Ademais. Se não se estabelecer os critérios.A democracia não é apenas vontade da maioria. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. por isso. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. sufrágio universal. inclusive a minoria. o outro cresce.Déficit democrático das instituições representativas. Se um poder se encolhe. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. não se encaixaria na realidade brasileira. teríamos a maior utilização das ações coletivas. mas a todos que se encontrem na mesma situação. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado.

O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Segundo o prof. é o mínimo existencial. maior o risco de não ter efetividade. é o entendimento mais adequado. etc. Outros autores já falam apenas em saúde. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. . Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. 2. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. A reserva do possível é uma matéria de direito público.. depende de cada época e de cada sociedade. A efetividade passa pela sociedade. assistência em caso de necessidade. Se não definir o conteúdo. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Ou seja. a questão da efetividade será prejudicada. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Segundo Ana Paula de Barcellos. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. precisam ser concretizados. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. que é a corte suprema na Alemanha. saúde. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. Assim. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. essa concretização. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. que a demanda custa y. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. educação e moradia. No Brasil. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. em 1953. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). Por que falamos em “mínimo”. que existem z pessoas na mesma situação. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. por ser necessária para a 126 . mas deve também ser provada.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. Segundo Ricardo Lobo Torres. em razão de sua textura aberta. Vejamos: 1. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. quando se estabelece o mínimo existencial. mas teria um peso maior na ponderação. pelo cumprimento voluntário da constituição. Não é o máximo desejado. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. da liberdade material e do princípio do estado social. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna.

Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. entre eles: laços culturais. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. esse prazo não pode mais ser reduzido. Ex. 2) posicionamento de um autor português. fala-se em vedação do retrocesso social. irão concretizar os direitos sociais. pois. fazem parte da população brasileira. já dizia algo muito semelhante. que significa nação. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. não pode haver uma redução dessa concretização. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. JAS. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. independentemente da nacionalidade. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). um pensamento mais flexível sobre o tema. haver uma redução do grau de concretização. A partir do momento que um direito social é concretizado. Segundo ele. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. CR). da máxima efetividade (art. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. ao estudar as normas de princípios programáticos. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. Todos que moram no Brasil. 127 . haveria um engessamento do legislador e do PE. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. Ele tem. 5º. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. Pode. População está relacionada ao conceito demográfico. língua. Por isso. e do Estado Democrático e Social de Direito. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. consciência coletiva. da dignidade da pessoa humana. costumes. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. o que prejudicaria a sociedade. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. de acordo com a necessidade. passaria a fazer parte do próprio direito social. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. segundo ele. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. e. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. históricos. estatístico. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. Os poderes públicos. assim. Há dois posicionamentos quanto ao tema. só ampliado. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. §1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos.

há direito público subjetivo do estrangeiro. se não se manifestarem contrariamente. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério.815/80. CF/88. 12. É geralmente adotada por países que estão em formação. 12. Se o casal estiver a serviço de outro país. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. Neste caso. . estrangeiros residentes.Diferenças de tratamento 128 . Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. Pelo critério funcional. por uma questão de soberania nacional. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. considera a nacionalidade dos pais. os pais têm que ser brasileiros. b). III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. . É o caso do Brasil. II) Jus Sanguinis: ascendência. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. II) Naturalização expressa (art. Refere-se aos brasileiros natos. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. não há direito público subjetivo. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Obs. não haver condenação penal e requerimento do interessado. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. 12. 112 e 115. c. 12. desde que haja reciprocidade. a). adquirem a nacionalidade do país onde residem. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). §6°. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. A EC 54 alterou o art. 227. Quando a pessoa é nascida no Brasil. terá naturalidade brasileira. de acordo com o art. o filho terá nacionalidade brasileira. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. 12. I. Refere-se aos brasileiros naturalizados. De acordo com o critério sanguíneo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Quase nacionalidade (art. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. I. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. art. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. I.

pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. 5°. A deportação está mais próxima da expulsão. 12. Já na entrega.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. §4°. §2°. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Mas. presidente da CD. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. . Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. 12. Importante analisar a Súmula 421.linha sucessória do presidente da república: PR. .se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). Mas. 5°. No caso de brasileiro naturalizado. 12. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. em razão da superioridade da Constituição. cria-se um problema de relação internacional. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. só poderá ser extraditado: . CF/88). o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. XL. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. Os critérios utilizados são: . membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. do território brasileiro. 65 da lei 6. no entanto. ou que tenha filho brasileiro. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. §3°). de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. CF/88): 129 . . O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. Expulsão: consiste na retirada a forca. Princípios relacionados à extradição: . b) 6 assentos do Conselho da República (art. d) Extradição (art. vice. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. 5°. portanto.Perda da nacionalidade (art. Na extradição. . STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. . não se poderá invadir esse estado.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos.815 (ato nocivo ao interesse nacional). Não se pode. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos.segurança nacional: oficial das forças armadas. em razão da soberania nacional. a ela aplica-se a súmula 1. 89.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. confundir a súmula acima com a seguinte.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. dependente da economia paterna. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. Se o estado desrespeita essa regra. presidente do SF.

há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. é o direito de votar (e não de ser votado). pelo CN. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. §1º). na forma da lei (que ainda não existe). é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. . Para JAS. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. one vote”. São requisitos apenas técnico-formais. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente.é periódico: essa periodicidade do voto. §1º. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. A CR/88 adota o sufrágio universal. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). e não requisitos preconceituosos. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). Servem ao controle do próprio direito. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. . Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. voto é o exercício desse direito.tem valor igual para todos: “one man. com uma única exceção: art. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. .é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. nacionalidade e alistamento. salvo se por meio de ação rescisória. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país.é direto: é a regra. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Características que o voto possui no Brasil: . Direitos Políticos: . readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. perderá a nacionalidade brasileira. 130 .é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. 81. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. one vote” – “one person. com a realização de eleições periódicas. caput). inclusive sendo cláusula pétrea. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). é o direito político em si. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. que exige uma alternância de poder. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. o sufrágio censitário (ex. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. .: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824).Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. 14. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. salvo nos casos das alíneas a e b. 14. ou seja. Além dessas características do voto.

A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). §8º). filiação partidária. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. 12. Primeiramente. Quando a Constituição fala apenas em lei. 14. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. até que se atinja a plena cidadania. Ex.é conhecida como inelegibilidade reflexa. ou seja.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. a inelegibilidade em relação aos militares (art. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). no caso do art. §3º. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. assim. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). Além dessas condições relativas à idade mínima. salvo se já titular do cargo. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). ☺ar. etc. ou seja. 14. No Brasil. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). Assim. que geralmente admitem desincompatibilização. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 .Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. no governo de SP). . do art. se houver reciprocidade (art. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. . b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. 14. §3º? Segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. 14). §7º . mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco.☺§3º. os inalistáveis são os estrangeiros. 14. dentistas. 14. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). trata-se de lei ordinária. domicílio eleitoral na circunscrição. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. então. com exceção dos portugueses equiparados. em caso de reeleição. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. §1º).Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. ela é adquirida progressivamente. é o direito da pessoa ser votada. 14. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. Mas o §9º do art. §5º .: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. 14 traz um questionamento.

nos termos do art. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. 132 . A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. VIII). não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. mas o prof. I. Todas as outras hipóteses do art. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. é algo temporário. o prof. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. 15. Com base nessa distinção. não há como readquirir os direitos políticos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). seus parentes também poderiam ser candidatos. portanto. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. 5º. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. III e V) são hipóteses de suspensão. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. Kildare. A doutrina (JAS. 15. e quanto a isso não há divergência doutrinária. 15 (incisos II. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful