Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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em especial limitar o poder arbitrário. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. em sentido jurídico. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. o local e a época. assim. Numa segunda acepção. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. por seu turno. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. Neste sentido. 4 . representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. a defesa da Constituição. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. E para isso. no fundo. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. numa terceira acepção possível. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. Numa vertente mais restrita. É. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. Kildare Gonçalves Carvalho. enfeixado na Constituição. e que se encontra acima dos detentores do poder. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. mas também de outros assuntos. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. como o inglês. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. o americano e o francês. então. O conceito de constitucionalismo transporta. reporta-se a um sistema normativo. sociologicamente. e. mas proteger direitos. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. Partindo. um claro juízo de valor. como sociológica: “em termos jurídicos. Tem-se utilizado. os fins socioeconômicos do Estado. do estado e das instituições democráticas. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. uma teoria normativa da política. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade.

Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. • Princípio do governo limitado. porém. Por isso. ii. se contrapõe ao absolutismo. Influenciaram o direito francês e americano. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. desde logo. como e até onde pode mandar. quem. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. • Separação dos poderes. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. em 1791. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. c. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Grécia antiga: democracia constitucional. Estabelece as regras do jogo político. b. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Igualdade (dos cidadãos perante a lei).surgiu em substituição ao governo dos homens. A democracia é a representação da vontade da maioria. b. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. 2. d. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Atribui competências aos três poderes. ii. Como ressaltado por Jorge Miranda. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Estado Hebreu: estado teocrático. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. após a Independência das 13 Colônias. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Foi a mais avançada forma de governo. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). em 1787. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. a. a partir da Revolução Francesa. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Foi a 1ª experiência constitucional. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. fases pelas quais passou a constituição. Hoje. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. (Livro do Alexandre de Morais). Governo limitado. 1. integram-no. Garantia jurisdicional. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. e da França.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. Roma: idéia de liberdade. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Foi uma retrospectiva do direito Grego. Inglaterra: rule of law – governo das leis .

ii. d. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. diretrizes. havia regras. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. c. ligada à idéia de liberdade. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Constituições da democracia marxista ou socialista. Hoje. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). b. 3. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. aplica-se a analogia. as quais são denominadas por pós-positivismo. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. foi o Abade Sieyès. Eram apenas uma diretriz. na época das Revoluções Liberais. XIX. Novas idéias foram surgindo. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. os costumes 6 . A partir dessas novas idéias. O ser humano é um fim em si mesmo. sem força vinculante. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. estarão subordinados a ela. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. a maioria da nação. c. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Ex. Constituições da democracia social. Segundo a tradição francesa. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. estabelecidos pela Constituição. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. PE e PJ). Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. 4. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Separação de poderes. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. as constituições tinham caráter mais político. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Constituições da democracia racionalizada. estabelecendo diretrizes. Força normativa da constituição: antes. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Todos os poderes constituídos (PL. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Garantia de direitos. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Constituições de países subdesenvolvidos. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. a. ou seja. b. XX). Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Rússia. Começou a se falar em um direito moral. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Idéias principais: i.

Na Itália. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais.. Na jurisprudência do STF. mas quem dirá o que ela é. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Solidariedade. 7 . Não se aplica diretamente a constituição. verticalização. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Entre uma regra específica e um princípio geral. de uma forma geral. etc. Consenso. pois esta é a concretização de um princípio geral. cotas em universidades. g. Mas essa é uma posição muito radical. tratado internacional tinha status de lei ordinária. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). EUA: nós estamos submetidos à constituição. união homoafetiva. os princípios. Universalização. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. o judiciário aumenta sua força. b. espuma do chopp. aborto no caso da acrania. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Quando o legislativo é fraco. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Continuidade. Ex. fidelidade partidária. Constitucionalismo do futuro. Para Paulo Bonavides. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. são aplicados através de ponderação entre os princípios. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Verdade. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. d. demarcação de reservas indígenas. é o juiz. c. Participação. Hoje. Hoje.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. etc. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. há uma euforia dos princípios. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Ele atua como legislador negativo e positivo.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Integração. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Para Barroso. • • 5. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário.  Aplicação direta da constituição. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. f. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. aplica-se a regra específica. Eles são importantes. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. é o judiciário. que é aplicada mais às regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Teoria Concretista Geral. e. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Os princípios.

Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. então. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Fundamental Orders of Connecticut (1662). Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. verdadeiro sistema híbrido. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. I. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. de forma expressa. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. portanto. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . segundo o art. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. nos termos desta Constituição”. Vale dizer. Podemos falar.709/98 (que regulamentou o art. a solidariedade. Contratos de colonização. Como regra.U. com valor igual para todos. a participação. de acordo com o art. referendo e iniciativa popular”. CR). nos termos deste lei e das normas constitucionais. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. dá-se através dos representantes do povo. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). a continuidade. Bill of Rights de 1689. CR. por intermédio de seus representantes. O titular do poder é o povo. o exercício deste poder. o P. Compact (1620). Carta outorgada por Carlos II (1662). 1º da Lei 9. pertinentes. Habeas Corpus Act de 1679. Assim. do art. caput. Act of Settlement de 1701.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). concretizando a soberania popular. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). II e III. 1º. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). mediante: plebiscito. a verdade. 14. de soberania popular. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). Petition of Rights de 1628. cujo titular é o povo. que. que são os deputados federais (âmbito federal). CR) e. 46.

foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. Objetivos fundamentais também são normas programáticas.: art. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. como por ex. 1°. o restante. o caráter normativo e vinculante da Constituição. O art. os direitos fundamentais. 242. Esta concepção atualmente é inadmissível. mas materialmente distintas. Segundo ele. A Constituição Escrita. ou seja. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. As leis constitucionais são todo o restante. ou seja. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. que surgiram com as constituições mais prolixas. Essas normas são programáticas. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. que adota o conceito decisionista de constituição. na sociologia. conforme o prisma de análise. Constituição e leis constitucionais são. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . têm a mesma forma de elaboração). Toda a Constituição. quando não corresponde à Real. com exceção do Preâmbulo.. mas apenas leis constitucionais. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. a que Carl Schmitt chama de Constituição. é vinculante e obrigatória. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. para ele. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. a Constituição é norma pura. caso contrário. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). não passaria de uma simples “folha de papel”. portanto. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. → Segundo Hans Kelsen. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. PL. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). PJ. na política ou na filosofia). formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. Esta é a concepção que hoje prevalece. Para entender tal concepção. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. §2º. A conferência realizada por ele. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale).

é: todos devem obedecer a Constituição. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. não introduz nenhuma novidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . é a Constituição escrita (CR/88). a Constituição tem sim fundamento sociológico. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. mas que trata de todos os aspectos. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro).a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. todos os setores da vida social. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. .Povo. e também jurídico. é um elemento conformador. . a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. A CR/88.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. modificando-a. portanto. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Ou seja. Gilmar Mendes). tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho.Território. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. por isso não tem nenhum expoente específico. segundo esta concepção. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. . que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. define tais elementos estruturais. condicionante desta mesma cultura. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). seja pela introdução de novos elementos através de emendas. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”.Soberania. Seu único comando. qual seja. ao mesmo tempo. quais sejam: .Finalidade. posta pelo Estado). → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. 10 . só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. . neste sentido. não está escrita. é apenas uma pressuposição. é uma norma pressuposta. ela não existe na realidade.

É uma aprovação simbólica). por ex. 1937.outorgada: é a constituição imposta. consuetudinária (não é escrita). e como é bastante prolixa. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). quem vota a matéria são as lideranças.democrática. . que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. Por isso mesmo. de uma só vez.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. as constituições outorgadas foram as de 1824. não surge de uma só vez em um só momento. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . toda Constituição histórica é costumeira.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte.. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. Ex. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. a Constituição Inglesa. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). a constituição não se torna democrática. de maneira unilateral.dogmática: sempre escrita.não codificadas (ou legais. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. é fruto das idéias. ou variadas): ex. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. No Brasil.: as constituições outorgadas recebem.. surge em um só momento. pois toda constituição é escrita e não-escrita. . . Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). Nesse caso. por alguns estudiosos. 1967.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. votada. há pouco espaço para se ter costumes como regras. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. como por ex. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. Constituição Espanhola/1930. . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). promulgada. podendo ser: .não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. o apelido de “Cartas Constitucionais”. trata-se de modalidade anacrônica. . 11 . pelo agente revolucionário (grupo ou governante). como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. 3) Quanto à origem: . . tem também vários documentos escritos.

É uma classificação típica das constituições costumeiras. . inclusive a CR/88). Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. CR).constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . Ex. . a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. (Obs. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. ou seja. sendo assim. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Ex. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. É uma constituição em sentido formal.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. sucintas. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Não existe controle de constitucionalidade das leis.: art. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. 1º.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material.) . passou a haver hierarquia entre as normas. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. deixou de ser considerada flexível. mas sim o processo mais dificultoso.fixas: não poderiam ser modificadas. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). São chamadas também de clássicas. É uma constituição em sentido material. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. portanto muito difícil de serem modificadas. Ex. sem se preocupar com os detalhes. Constituição Inglesa. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. . Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. como é o caso da CR/88. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. . Em 2000.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . .: a Constituição dos EUA). Por este motivo.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. Como se submete a esse tratado internacional.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo.

o Municípios. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. dogmática. 59 e segs. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . (processo legislativo). Ex. 3º. prolixa. Democráticas (populares. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). . Constituição programática (ou dirigente). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. costumeiras ou consuetudinárias). QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). dogmáticas. mas sim uma obrigatoriedade!). Não-escritas (inorgânicas.: art. o DF.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. sumárias. Rígidas. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. Flexíveis (ou plásticas). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. democrática. Canotilho. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. Pactuadas (ou pactuais). É a CR/88. codificada. sucintas. Fixas. Históricas. básicas ou clássicas). que surgiram com um objetivo pré-definido. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves.: art. pois valem a todos os entes federados. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). porque é fruto de várias ideologias. rígida (ou super-rígida). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Ecléticas. Característica das constituições clássicas. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. 13 . como por ex. Constituição em sentido formal. CR. o União. e não de apenas uma ideologia. votadas ou promulgadas). formal.: a CR/88 é ainda Eclética. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. OBS. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). o Estados. União.

encontram-se as normas constitucionais originárias. Importa dizer. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. direitos fundamentais ou não.: decretos e regulamentos. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. Leis Delegadas. MP. 59. ordinárias e complementares). → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. cujo fundamento de validade são as leis e. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. 5º. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. II a VII). eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. por ser rígida. No entanto. distritais e municipais. uma Constituição só possui relevância sociológica. o indireto. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. as medidas provisórias. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. DL e Resoluções – ☺art. tem de ser. basicamente. §3º). enquanto as regras são mais específicas. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. as leis delegadas. LC. que existem como complementação dos ANP). 59. 59. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. princípios ou regras. sejam elas originárias ou derivadas. CR). a Constituição. para fins de controle de constitucionalidade. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. as derivadas (art. obrigatoriamente escrita. que a CR/88. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. porque os princípios têm maior amplitude. Para que exista supremacia formal. a Constituição tem que ser rígida. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. estaduais. por 3 níveis hierárquicos.343/SP. se tiver também supremacia formal. No topo.

☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Por ser uma matéria reservada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . por uma questão de economia legislativa. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. No entanto. 69. 47. Portanto. Reservada pela CR/88. Lei ordinária Art. 69. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Anotar como complemento posteriormente. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Leis delegadas. 47 é a regra geral. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). No caso da prisão civil por dívida.☺Art. Não varia. OBS: O art. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. é sempre o mesmo número ☺Art. a previsão constitucional exige complementação.status constitucional.☺Art. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). mas somente uma recomendação. Quando não exigir LC. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. Residual. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Essa aprovação não é obrigatória. MPs. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. que regula a LC.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade.

DF). III. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. pois não está ligada diretamente à Constituição. 21. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. Havendo conflito (ex.: lei estadual trata de matéria de competência da União). A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. Parei aqui. há hierarquia. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. d. • Estado – ☺Art. não cabe ADIN. ☺Art. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. 30 (assunto de interesse local). Assim. a competência para resolução é do STF. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. como o controle exercido será de constitucionalidade. 102. CR. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Hierarquia entre Lei Federal. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). no caso de repartição vertical. E. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). • União – ☺Arts. conforme previsto no art. 25. 16 . pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. Assim. assim.

Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. Com a EC/45. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. ou seja. . todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. Tirando o preâmbulo. como para Canotilho. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. visando assegurar a supremacia da constituição. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. etc. Abrangeria não somente a constituição. tem função interpretativa). . 17 . b) Parte permanente = normas gerais – arts. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. contudo. o CDC. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. Não existe.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). deve estar inserida no texto da CR. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). quando são equivalentes às EC. Refere-se. portanto. mas também o preâmbulo. . os TI de direitos humanos. Como não tem caráter normativo. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. Assim. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. seja uma norma de referência para ele. é diretriz hermenêutica. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo.

61. ADC e ADPF. §1º. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento.de princípio institutivo (Obs. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. STF não é mais aplicada. Ex. ou seja. 18 . mas o prof.de princípio programático. I – que exige LC para instituir impostos residuais). . Obs. não pode ser suprido pela sua sanção).3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 3. mas caberá ADIN por omissão). b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). 3. Ex. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. 154.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. não será cabível mandado de injunção.: competência privativa do PR (☺art. se considerar em relação a uma expressão é total. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. MI. (Obs. Dependem do prisma de observação.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. pois. . Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. as Súm. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. 3. Ex. No STF. Não Auto-executável. Assim. Assim. Aqui. ADI. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato).: a Súm. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). Ou seja. o Min. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. ocorre. art.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. Formas de Inconstitucionalidade: 3. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . A omissão parcial nada mais é que uma ação. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. quando não é respeitada uma norma de competência. Pode ser: . às vezes. ou seja. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. 4 e 5. 5° a 17). 5. AIO. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. Não Auto-aplicável. CR). aliás.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. há uma divergência na doutrina.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. e Não Bastante em Si. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts.

ou seja. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. refere-se. a inconstitucionalidade será direta. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. de ofício ou a requerimento da parte. já sendo inconstitucional desde a sua origem. todo parágrafo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. não pode ser retirada). Ex. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim.: a palavra “não”. Para o prof. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. aos Atos Normativos Primários. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. que se ligam indiretamente à constituição. que só pode atingir todo artigo. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. 66. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). decretos regulamentares. atos previstos no art. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. ato originariamente constitucional. Segundo STF. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. e grande parte da doutrina. CR.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. No caso do decreto.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). não se trata de revogação. § 2°). Pode ser: b. Quando se fala em inconstitucionalidade. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. toda alínea ou todo inciso (☺art. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. Assim. ou seja. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. como altera sentido do texto. Obs. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. pois. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. pode ser questionado. 3. Ex. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. b. Se o decreto é ilegal. No caso da lei. a inconstitucionalidade será indireta. 59. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. no controle concentrado abstrato. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. o decreto se torna inconstitucional. reflexamente (ou de maneira 19 . Relaciona-se.

quando ele participa do processo legislativo.. inciso ou alínea). tem fundamento de validade indireto. que se exerce através do veto (☺art. embora participe do processo legislativo. portanto. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. como pelo PE e PJ: . . EX:art. segundo o STF.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. . já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. Trata se de um controle incidental. porque o chefe do PE. Art. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). 84.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. a inconstitucionalidade é indireta. CR). ela não está violando o direito de ninguém). promulgar e fazer publicar as leis. prevenir que a CR seja violada. O veto é relativo. O chefe do PE. 66. a inconstitucionalidade será direta. porque ele é o único que participa do processo legislativo. é excepcional. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Caso contrário. por isso ocorre antes da promulgação da lei. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. porque o ato não fere diretamente a CR). 84. 60 parag 4. OBS: não adianta decorar o nome do ato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. mas uma mera análise política. 66. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. viola o art. §2º. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). No 1° caso. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. se ele entender que o projeto é inconstitucional. pois pode ser derrubado (☺art. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. assim. IV. Obs. por isso aqui não há que se falar em controle).sancionar. já que de maneira indireta. o projeto 20 .Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. mas sim analisar cada caso concreto. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. O veto tem que ser expresso. ele não precisaria impetrar o MS. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. é fundamento de validade direto e no 2° caso. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo).ou concreto. IV . Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. parágrafo. O único legitimado para impetrar esse MS. não pode impetrar o MS. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. CR.

60. a fim de repará-la. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. vedando-se. 168): o STF. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. na qual o projeto esteja tramitando. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. secreto. se está no Senado. Legislativo? Sim. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo.. ADC ou ADPF. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. CR. Assim. quem tem legitimidade é apenas o Deputado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. que entende que “. Leitura do livro do Lenza (pág.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. em um primeiro momento.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. Na verdade. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. que é o chamado Decreto Legislativo. interpretações regimentais. §4º. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. a separação dos poderes. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. pode ajuizar uma ADI. ou seja. o Senador. constituindo-se normas constitucionais interpostas. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. por maioria de votos. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. que. contudo.. Questão: o PR. desta feita. se na Assembléia Legislativa. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). na linha do voto de Gilmar Mendes. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). pois não se trata de ato normativo. 21 . não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. vinculam os atos e procedimentos legislativos. as cláusulas pétreas. o voto direto. V. muito embora não sejam formalmente constitucionais. No entanto. ☺art. aos direitos fundamentais”. etc. o PR elaborará então a LD. e as normas do RI são questões interna corporis). CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. não lhe cabendo. mormente. os direitos e garantias individuais” – ou seja. 49. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. Ademais. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. V . mas um processo legislativo constitucional. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . somente o Deputado Estadual. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). já que trata-se de um ato normativo. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. tendo como objeto esse Dec. 68. Se o projeto tramita na CD.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. universal e periódico.

no exercício de suas atribuições. Gilmar Mendes. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Desde já.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). 4. O TC é órgão auxiliar do PL (art. Ele será. III) Súmula 347. esse rol foi ampliado. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. por ex. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . No entanto.. é necessário fazer-se um controle repressivo). o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). só havia um legitimado para propor ADI (PGR). pois. ao fazer um Decreto Regulamentar. Não se analisa o mérito da MP). que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. GE. mas segundo o Min. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). não é um entendimento consolidado.. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. Obs.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. simultaneamente. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. o chefe do PE teria que. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. pode o PJ analisar tais pressupostos.084). O chefe do PE (e só ele – PR. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). porém. 84.. CR). Assim. Antes da CR/88. estudado de forma detalhada a seguir. IV. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. ajuizar uma ADI. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. Apenas excepcionalmente. clara e evidente – ou seja. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. através da edição de um Decreto. segundo o STF? Resposta: em regra.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. STF: o Tribunal de Contas. nesse caso. . já no STJ não há qualquer ressalva. Após a CR/88. nesse caso o CN pode editar um Dec. Legislativo para sustar. 62.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. exorbita os limites do Poder Regulamentar. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. ou seja. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. ao negar cumprimento à lei. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. quando. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. 71. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. mas tão somente aos prefeitos. não havia relevância alguma). ela deve ser objeto de controle. CR). tampouco que o PR. II) art. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante.

porque surgiu na Áustria. que completa este ano 20. com 19 anos de Constituição. para não gerar essa confusão. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. 4. No Brasil.S. e é adotado pela maioria dos países europeus. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. o controle é feito pelo PL. inclusive o STF). ao mesmo tempo.: França – que tem o Conselho Constitucional. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). difuso e concentrado). Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. dentro de sua competência. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. 1792 Hayburn s case. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual).: na Suíça. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. Obs. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. isso não é verdade. em 1803. já na CR/88. haviam sido feitas apenas 16 EC. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. ou seja. quem exerce o controle é o PJ. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). mas das espécies de controle. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. em 1920 (bem depois do controle difuso).A. se se tratar de lei local. Primeiro caso. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. já foram feitas 56 EC! 23 . em se tratando de lei nacional. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). Segundo caso. porque significam coisas diferentes!). interessante: em 1965. Por isso. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. porque surgiu nos EUA. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). Ex. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle.Hilton x U. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. Por isso. É também chamado de controle aberto. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). porque pode ser tanto difuso quanto concentrado.

Segundo este instituto. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. porque em estando revogada. ou tendência de verticalização. por ser uma relação vertical. ou seja. (O STF é o guardião da CR – art. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. 97. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. também não podem ser objeto de controle abstrato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. já não ameaça mais a supremacia da constituição. nos EUA chamado de “Binding Effect”. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Este efeito é típico do controle abstrato. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). mas deve ser estendido ao controle concreto). → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Com base nesse argumento. o principal defensor dessa tendência é o Min. O efeito vertical. A análise da lei sempre será feita em tese. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. No direito brasileiro. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. Da mesma forma. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). Gilmar Mendes. e a partir desse antecedente. No Brasil. se fala em efeito vertical. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. 102. Por isso o Min. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). sendo o controle 24 . uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. A finalidade não se confunde com a competência. mas tão somente de controle concreto. é proteger as normas da CR.

o Min. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. Gilmar Mendes (e também o Min. E. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Na decisão do STF. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. Por fim. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. O Relator da Reclamação foi o Min. segundo ele. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. 4. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). viola o princípio da igualdade. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. Por fim. Então o Min. não permite essa mutação). há essa tendência de abstrativização do controle concreto. tendo efeito apenas inter partes. em seu voto. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. pelo menos por parte de alguns ministros. 25 . surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. se assim fosse. CR. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. ou seja. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Assim. Eros Grau. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. não há necessidade da suspensão pelo Senado. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. ainda. X. Assim. Gilmar Mendes. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. Gilmar Mendes. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Antes. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Não houve reclamação quanto a essa decisão. ou seja.917/SP. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. que deu provimento à reclamação. em ocorrendo isso. não uma simples mutação. Outra situação interessante foi o RE 197.959/SP. Então. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). sendo acompanhado pelo Min. o direito de greve dos servidores públicos.335/AC). 52. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. sem que ocorra modificação no seu texto. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Pois no controle difuso. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. e não erga omnes. No Acre. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. ou seja. houve decisões proferidas em 3 MI (712. No Legislativo: Mas. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. ou seja. do PL. como a decisão tem efeitos inter partes. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. então não sabemos a posição dos demais ministros. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. disse que apesar de ser um controle difuso concreto.

não é o objeto principal do pedido. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais.art. fundamentação e dispositivo. por sua vez. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . social. mas apenas a causa de pedir (antecedente). é um instrumento de controle concreto e há. O papel do STF não é julgar litígios individuais. é uma questão incidental. § 3°. não cabe ao STF analisar. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. 103-A).1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. eles não se reúnem fisicamente. o que se dá no “plenário virtual”. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. O RE. No controle concreto. somando-se os votos de todos eles. Segundo Eduardo Appio. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. a rigor. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. político ou jurídico. Num segundo momento (conseqüente). (☺ Lei 11. analisado no dispositivo (conseqüente). não tem natureza processual como as súmulas comuns. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. 102. ou seja. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. julgando-o procedente ou improcedente. Contrários a essa tendência de abstrativização. pois tem o papel de guardião da Constituição.417/0 e Lei 11. atualmente. não precisam chegar até o STF. 26 . Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. concorda com isso). O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. por estarem mais próximos dos indivíduos.418/06). A repercussão geral (art. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). estão os procedimentalistas. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes.

vinculante. 102. . os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. a razão determinante da decisão. mas também à fundamentação.I. art. mas tão somente a ratio decidendi. 102. . 5.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. Mas não é tudo da fundamentação que vincula.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. Dispositivo L. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica.882/99 – ADPF. 28. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. . . §2º. eles também são vinculantes. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. sejam poderes públicos. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. Ademais. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .Lei 9.EC 45/04: art. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.: .CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). . a chamada eficácia vinculante. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante.erga omnes . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. há previsão não só na lei como também na CR). A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. secundárias do julgado. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . 10. questões ditas de passagem. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. e ele se encontra no Dispositivo.Lei 9.U. conforme está previsto no caput do art. não determinantes para a decisão) não vinculam. P.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. ou seja. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. art.868/99 – Lei da ADI e da ADC. Sendo assim. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. 27 . sejam particulares.

se as leis devem ser cumpridas. que se quiser. outros dizem ser nulo. até que o PJ a declare inconstitucional. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. Respeitando o efeito vinculante. como a coisa julgada. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. No entanto. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. suas turmas e seus ministros. também fica vinculado). para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. mas sim fiscalizatória. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. inclusive o Tribunal de Contas.o PL (na verdade.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. . pode modificar seu entendimento. mas os sistemas de preclusão processual. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. 28 . inclusive os chefes do PE.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. pois atinge apenas o dispositivo. . a função legislativa). É um entendimento que vem desde 1. impedida de evoluir). . Por este entendimento.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. por sua vez.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. . segundo o prof. Só atinge a norma impugnada. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. . cuja função não é legislativa. Obs. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. estes estarão sim vinculados). não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. já os órgãos fracionários do STF. (20/03/09) 5. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. no caso Marbury x Madison). mesmo que não tenham sido impugnadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . estadual e municipal). é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. e outros dizem ser um ato anulável. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis.

e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. que revogou a Lei A. no caso do controle abstrato. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. como os servidores agiram de boa-fé.. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. . uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. 11). Exs. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). . assim. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos.. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. Visto a natureza do ato inconstitucional. como regra é retroativo: ex tunc. como a Lei 9. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. Mas. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). ou 2) excepcional interesse social. 27. com seus normais efeitos ex tunc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF.868/92 (art.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8.Normas anteriores à CR. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). por questão de segurança jurídica. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. portanto. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. O STF. o efeito que produzirá.)”. ☺art. não admite a “constitucionalização superveniente”. Ou seja. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. e não no de não-recepção). e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. ☺RE 197. o Min. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B).). A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro.882/92 (art. decidiu que. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade.112/90.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. poderá o STF. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários.” . porque o ato é nulo desde a sua origem. os efeitos são erga omnes). autor e réu. portanto. com inteiro teor). poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . Assim. o STF. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. etc. 27). de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. Neste caso. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. não precisariam deixar os cargos. Lei 9.

1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. um significado A e um B. portanto. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. à medida que a situação fática for alterada. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. ex. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. Assim. . nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. Em alguns casos. para que este corrija a norma. Ex. e a norma já foi recepcionada pela CR e.Corresponde a um juízo de .4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.: a norma x tem dois significados possíveis. chamada “Apelo ao Legislador”. depois de ter sido recepcionada. portanto foi recepcionada. 134. com um só sentido). Segundo o STF.O Tribunal precisaria observar .Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. quanto . reproduzida pelo STF). com condições de trabalho iguais às do MP. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. (A norma já passou pelo crivo da constituição. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). o resultado será o mesmo. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. 68. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. quando todos os Estados tiverem DP. CR x art. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. evitando a inconstitucionalidade progressiva. . era uma questão “obter dictum”. assim.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita).2: art. o prof. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. ela progressivamente se tornará inconstitucional). mas. portanto. 5.Corresponde a um juízo de . desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. mas nem sempre. CPP. controle difuso-concreto. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . Ex.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida.O Tribunal não precisaria 30 . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. não foram todos os ministros que se manifestaram). que trata da ação de reparação ex delicto. constitucionalidade. mas sua interpretação). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. de fato.

se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. b. (*) Para o STF. de ofício. . declarar a inconstitucionalidade. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato.Não há qualquer modificação no texto da norma. em princípio. não poderá. Trata-se de controle abstrato. observar a cláusula da reserva de plenário (*). não podendo. a cláusula de reserva de plenário. o juiz não pode. em razão do Princípio da inércia. ou todo o artigo. dentro de uma mesma lei). 2º. 2º. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. o juiz pode. como ambas são equivalentes.É excluída uma determinada interpretação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. e são permitidas as demais. total ou parcialmente. por arrastamento. no controle concreto. mesmo que não tenha sido questionado. ser objeto de ADI.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional.É permitida uma interpretação e. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. Ocorre que. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. O STF. são excluídas as demais. esta só se faz necessária quando se afasta. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. . nem sobre os demais. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). 2º for dependente do art. . . 3º. b) Com redução de texto: b. o texto da norma. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. Obs. 2º. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . do art. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. 1º e 3º e. 1º ou do art. da Lei x. se for um dispositivo autônomo. portanto. em regra. desde que não altere o sentido do restante da norma.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. Assim. se o art. Na declaração com redução de texto.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. 1º e 3º. ou seja.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). . . portanto.É uma técnica de decisão judicial. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). se manifestar de ofício sobre o art. no controle abstrato. 97). . Há um Decreto que está regulamentando esta lei. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). de ofício.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. no controle concreto.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional.

podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. já que o STF pode. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. No Brasil. O pedido será a proteção de direitos. Contudo. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. Neste caso. O dispositivo. ACP para fechamento dos bingos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. todo controle difuso é concreto. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). pois será uma questão discutida incidentalmente. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. mas também quando há usurpação da competência do STF). portanto. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. julga também inconstitucional o decreto. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. apesar de sozinho não ter aplicação. ADCe ADPF). A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Obs. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. e por arrastamento. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. julgará procedente ou improcedente o pedido. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. mas apenas a causa de pedir. porque.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. de ofício. neste caso. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). portanto. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). Assim. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. dentre elas a ACP. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. mas é que esta não é necessária. Ex. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. Ou seja. Sobre o tema: 32 . Mas nem todo controle concreto é difuso. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas.

É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. 93. 33 . por entendê-la inconstitucional (inter partes). conseqüentemente. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. não pode ser delegada.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. Assim. as chamadas leis de efeitos concretos. no âmbito dos Tribunais. Em outras palavras. que é função legislativa. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 97.: eleição do Presidente do tribunal. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. em defesa de contribuintes. porém. os Tribunais não têm admitido que. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. por ex. STJ ☺ RE 227. STJ ☺ Resp. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. No tocante. XI – órgão especial: para que seja criado. desde que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. por exemplo. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. também não pode ser delegada).022. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). e no mínimo 11 membros. porém. 557. teremos uma lei material. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. na prática. ☺art. Regra da “full bench”. assim. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. 97. dotada de caráter de universalidade e abstração”. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. porém. que é função política. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. Os juízes singulares podem. é função possível de ser delegada. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. elaboração de Regimento Interno. por meio da ACP. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). Assim. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). que é mais de 50% dos presentes). o que só se pode obter por meio de ADI. 294. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. Assim. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional.. Nada impede. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. Segundo esta cláusula. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. pois. de efeitos concretos. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. no caso. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI.646.159.

Assim. a argüição de inconstitucionalidade (. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). analisando se a lei é ou não compatível com a CR. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. será lavrado o acórdão. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. Há uma repartição funcional de competências. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. Exceções: P. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. como guardião da CR. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. se for acolhida.. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão).U. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. porque para o STF ambas são equivalentes. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. ao órgão especial). Quanto à 2ª exceção. 481. se entender que a lei é inconstitucional. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. pela maioria dos seus membros. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. sabe-se que o STF é o guardião da CR. P. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. O professor não concorda. 97. Decidido o antecedente. no entanto. CPC) seria inconstitucional: o art. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade.. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. assim.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. 34 . Há quem critique tais exceções. podendo decidir o caso concreto. prosseguirá o julgamento. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. sob o argumento de que o dispositivo (art. se existir no Tribunal. ou em caso de interpretação conforme. .: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. 481. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. ☺art. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada).. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. de acordo com o posicionamento do STF.U. abstratamente.

sustentam que o efeito é ex tunc. art. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. O SF não é obrigado a suspender. Efeitos. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. A suspensão se dá através de uma Resolução. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Na verdade. O SF apenas suspende a lei. ela se refere à decisão do STF. passa a ter efeito erga omnes. esta decisão deve ser submetida ao plenário. não estando vinculado à decisão do STF. como se tratasse de uma revogação. por isso o faz dali em diante. que não pode ser retroativa. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. A cláusula vale também para o controle concentrado. RISTF. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. quando isso ocorre. Quando o SF suspende a lei. X. portanto. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. O STF já admitia essas duas exceções. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). 52. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. trata-se de uma competência exclusiva. CR – compete privativamente ao SF suspender.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. a lei deixa de ser aplicada. bem como ou STF. 35 . em regra. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). que não comporta delegação. ou seja. Ademais. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. Ou seja. se assim o fosse ela já seria vinculante). cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. É o entendimento mais correto. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. entendem que se trata de um ato discricionário. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. Outros autores. no todo ou em parte. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. 2) Outros autores. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. a decisão do STF. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. o SF não pode suspender toda a lei. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. 178. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que.

se for apenas uma parte. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). normas referentes ao TCU. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. CR: prevê o escrutínio secreto. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. a resposta é negativa. desta decisão proferida pelo TJ. deve-se recorrer ao entendimento do STF. no controle difuso-concreto. pela simetria deve ser atribuída ao governador. um RE para o STF. cujo modelo. Na ADPF este fenômeno também é possível. esta norma não é de observância obrigatória. 66. LO.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. O SF. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. segundo o Min. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. por ser um órgão do PL Federal. RISTF) – e isso é óbvio. a partir do momento que resolve fazê-lo. sendo norma de observância obrigatória. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. configuraria uma mutação constitucional. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. está fazendo uma análise. CR) não comporta este entendimento. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. 57. Art. Segundo o STF. o que. É uma construção da jurisprudência do STF. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. 178. Neste caso. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). mas. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. §4°. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. ou seja. CR. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). etc. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. Por isso. obrigatoriamente. não havendo a necessidade de suspensão da lei. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. Ressalta que a letra da norma (art. e se o STF. se toda a lei foi declarada inconstitucional. Segundo o professor. LC. já que o SF não atua de forma correta. Mas. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. requisitos para a criação de CPI. esse entendimento é desejável. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. Art. 59 e segs. 61: iniciativa do presidente. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Gilmar Mendes. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. cabe. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Quando se fala em decisão definitiva do STF. não se referem ao âmbito estadual e municipal. Nas situações em que o TJ julga. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. 52. em razão do princípio da simetria. já o SF não.

do DF e até municipais. São os dispositivos que se referem tanto à União. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. os que tratam do TCU. visto que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira.). por isso pode suspender leis também dos Estados. se aplicando ao âmbito federal. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. está defendendo interesses apenas da União. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). estadual. sendo específica para os servidores públicos civis da União. assim. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). art. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. estadual e municipal. Ex. Ex. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. Ex. outros 37 . Quando o SF atua como órgão federal. não havendo. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. a suspensão. o SF teria um número enorme de representantes). Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. X. 37. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). 58. por não existir uma federação de municípios. porém. Sabe-se. §3º. 52.: arts. como aos Estados. 19. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. também. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. pelo Senado Federal. distrital e municipal). mas não trata apenas dos interesses da União. ele está atuando como órgão de caráter nacional. Classificação de Osvaldo Aranha B. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. etc. ADC ou ADPF). no todo ou em parte. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc).: CTN. portanto. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). quando o SF atua. Assim. retirando a lei do ordenamento jurídico. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. que dispõem sobre o processo legislativo (arts.” Análise do enunciado pelo prof.: art. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. por isso pode suspender lei estadual e municipal. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal.: Lei 8. CR). Ex. só se aplicando ao âmbito federal). Quando o SF suspende os efeitos da lei. que deve ser observado no âmbito federal. É também uma lei emanada do CN. 59. da organização da União. no controle abstrato (ADI.

2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). não retroativos). é sempre a AL que suspende a lei. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. os dois tipos são constitucionais. RN. no âmbito da AP Federal. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. visto que. na sua esfera de competência. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. pró-ativos (ex nunc).346. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). então. MS. SE e AM. Embora não haja consenso. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2.346. 2º grupo: . é a Câmara Municipal. visto que. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. é a AL que suspende a lei. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. . adotou-se. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. de 10/10/1997. TO. porque o seu parâmetro não é a CR.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. em decisão definitiva. Entretanto. 38 . ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. Portanto. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). por força do referido Decreto nº 2. declarando uma lei inconstitucional. Segundo o STF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). da AP Federal direta e indireta. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). Poderá. Com efeito. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. de fato.

onde não existem partes formais (autor e réu). Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. não cabe. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. Obs. que são a União e os Estados).ADPF. o duplo grau de jurisdição. e não do trânsito em julgado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. de acordo com essas leis. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). a ampla defesa. Por se tratar de um processo de índole objetiva. deve haver a previsão da legitimidade. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. a competência é do TJ).ADC.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. A Constituição.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. ela é meramente jurisprudencial). A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . . obviamente. e . 4) Recurso da decisão de mérito. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. 5) Ação rescisória. ☺Lei 9. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). Como são ações de controle abstrato. . a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. em seu art. ou na CR ou na lei. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). 39 .2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. tendo partes – autor e réu.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. mas sim legitimados. 103. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção.

: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados).Os GE. Executivo PR GE – GDF P. . para ter legitimidade.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). a partir de então.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. CS e ECAN. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). . Assim.A norma do art. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. Os demais podem fazê-lo sem advogado. ou seja.Confederação sindical significa de âmbito federal.A entidade de classe. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). . . confederação regional: F. . A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 ..Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. Para ter âmbito nacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. . o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. confederação local: sindicato. Obs.S. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. . Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). . segundo a jurisprudência do STF: .

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. todas estão no mesmo nível. admite-se o seu controle. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). o RI pode.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). 102. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. salvo se envolver violação a direitos fundamentais.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. para ser objeto de ADC e ADI. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . a. Lei 9. caso o decreto emane diretamente da CR. I.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. são questões próprias de RI.TIDH (3/5 e 2T) .normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. I. ou seja. decreto regulamentar.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. por isso não é ANP).: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. pois geralmente está abaixo do decreto. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. Obs. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). Ex. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. . 41 .Norma formalmente constitucional . ele poderá ser objeto. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. 102. sem interferência do PJ.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. a. como por ex. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). . OBS. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. direitos e garantias fundamentais. nas normas que tratam de outra matéria).☺art. geral e abstrato. §3º .: decreto regulamentar do PR. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. 1º. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. 5º. Não serão objeto de ADI e ADC. . CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93.

se um novo PGR o substituir. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 103. e. Atuação do AGU: ☺art. CR. só podendo ser objeto de controle difuso. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. não ameaça mais a supremacia constitucional. medidas provisórias revogadas. §1º. Obs. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. Hoje. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. 103. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. de defensor legis. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. pode ser qualquer ato do poder público. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. o STF admitiu. A função do art. 103. intervenção de terceiros e recursos. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal).PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. sem exceção. Função geral do AGU (art.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. ainda que ele proponha a ação – ou seja. STF). CR. Atuação do PGR: ☺art. também poderá dar parecer em sentido contrário. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. . Lembrar que não cabe assistência. Mas. Lei do DF não pode objeto de ADC. Tem status de ministro de estado. portanto está subordinado ao PR. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. na outra. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. 42 . Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. é preciso primeiro ser transformado em EC). não pode ser objeto de ADPF: . como está havendo uma influência de um controle no outro. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. poder-se-ia admitir o veto jurídico. §3º.Súmula. da mesma forma na ADPF. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. Gilmar Mendes e de um prof. No caso de emenda. ele vai atuar como fiscal da Constituição. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. segundo o STF. pois não produzem mais efeitos. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. salvo embargos de declaração. devendo ser de todos eles intimado. O PGR atua como “custus constitutionis”. Assim.leis revogadas. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. leis suspensas pelo SF. se seu entendimento for diverso. . ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. por analogia. posteriores a 5/10/88. ou seja. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. § 3° é uma função especial. ainda.

§1º. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. art. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Quando o AGU desempenha essa função. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. A audiência pública está prevista na Lei 9. “amigo da corte”. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. a Lei 8. 7º. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). só vai contribuir para a decisão do tribunal. Mesmo sem previsão legal. em especial no direito norte-americano. Amicus Curiae: Em uma tradução. não precisará do AGU para defendê-la. A previsão expressamente contida no art.868/99 vale só para a ADI. Ela já existia antes. por analogia.868. 7º. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. 43 . 7°.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). não há o que se defender. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. o das audiências públicas. §3º. Mas atenção: existe um outro instituto. Nesse caso. art. nos estados que adotam a commum low. 6º. Na ADPF. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. Portanto. É muito comum nos tribunais internacionais. o AGU até poderia participar. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Posteriormente. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito).868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. §1º e art.385/73 (☺ art. A exposição dos motivos da Lei 9. de “defensor legis” e. 31). ☺ art. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Não há previsão para a ADC e ADPF. em seu art. Está desempenhando uma função especial. Cabe também na ADPF. §2º e art. Na ADI por omissão. §1º. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis.868. mas não têm nada haver com amicus curiae.884/94 (CADE). §2º da Lei 9. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. 20. 482. Tem natureza de auxiliar do juízo. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). por fim. seria “amigo do tribunal”. o AGU não será obrigado a defender a lei. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Foi introduzida pela Lei 6.868. portanto. Importante: ainda que como Advogado da União. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. 9. Ele não é alguém interessado na causa.868/99 -☺art. . O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. disciplinou a figura. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. sendo feita por toda a sociedade. 89.

é um equívoco. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Barbosa e E. não tendo partes. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. Obs. Para o prof.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Apesar de que era relevante. ressalta-se que esta é apenas relativa. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Quando 44 .: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. É. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. (Obs. O juiz de primeiro grau. por ex. ou seja. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. R. autor e réu. Lei 9. a mais correta.. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). porque iria envolver matéria em relação à vida. Lewandowski.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. cabe amicus curiae. seria uma exceção).Com relação à presunção de constitucionalidade. O STF ainda tem exigido pertinência temática. portanto.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. em despacho irrecorrível. . Somente diz que ele não é intervenção de terceiros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso.868/99. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. segundo o professor. . Foi uma exceção. Surgiu com a EC/03. “a”. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. . O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Marco Aurélio não admitiu. pois admitiu pessoa física em controle concreto. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. admitindo ser intervenção de terceiros (C.102. Gracie). Mas depois que a lei foi feita. admitindo prova em contrário. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. I. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. poderia afastar esta presunção. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. ou seja. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. M. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. J. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Aurélio. Mello.

). A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. e . 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos.Título I: Princípios Fundamentais. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. . VII). O parâmetro. é mais restrito: somente a violação. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. inclusive o Poder Executivo.868/99. II. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. Gilmar Mendes.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). §1º. os preceitos fundamentais são: . Como visto. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. art. Não é uma ação de inconstitucionalidade. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). 14. III). mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim.U.Cláusulas Pétreas. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min.Cláusulas Pétreas. P. 34.21. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. CR e Lei 9.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. . em seu art. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”.868/99. O STF admitiu ☺Informativo 518. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. na ADPF 33: . para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena.Princípios Constitucionais Sensíveis. Cabe prorrogação. nos quais a lei esteja sendo discutida. portanto. nas outras ações ela também poderá ocorrer). o FHC ajuizou ADC. art. . no entanto. 45 .14.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. ADPF: ☺ Art. Através do AGU. Mas. O STF não concordou e mandou juntar mais ações.882/99.Princípios Constitucionais. Segundo a doutrina.869/99. . e . Portanto.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. a Lei 9. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. não há que se declarar uma lei constitucional).102. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. .

os legitimados podem levar não todo o processo. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. art. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). 196 e ao meio ambiente. Obs.: surge a partir de um caso concreto. apenas o STF.882/99. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Ela vai ao juiz de primeiro grau. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. ou seja. Art. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. leva a questão ao STF através de ADPF. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. O ato pode ser anterior ou posterior à CR.882/99). O objeto pode ser da esfera federal. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. P.U. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. Um dos legitimados. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. na ADPF. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. embora seja bastante difícil existir esse meio). A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. 4°. podendo ser um meio de controle difuso. neste rol. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. embora lá há uma vinculação horizontal. a vinculação é vertical. Proposta diretamente no STF. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. Características: . que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. Incluindo-se. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Mas se algum dos legitimados souber da ação.: gestante com feto com acrania. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. Ex. § 1° da lei 9.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). 46 . Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. dentro do mesmo tribunal. 1º. ainda.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. estadual e municipal. Aqui. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. como guardião da CR. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. Segundo Neri da Silveira. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. 1º.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. dentro do órgão judiciário).

o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro.CR: STF (art. Ex. 129.. 103. O STF admitiu a ADPF. coletivos e individuais indisponíveis (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Admite-se a fungibilidade. mas a converteu em ADI. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. V).O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. No entanto.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 102. nas CE ou em lei federal). LXXI . . § 2º . o STF transforma a ADPF em ADI. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. por ex. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. II e III). 121. à soberania e à cidadania). I. para fazê-lo em trinta dias”. É a mesma da ADI. à soberania e à cidadania”.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. 5°.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. § 4°. 47 . q). É controle abstrato. ADC e ADPF (art. . I.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. . Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). TSE/TER (art. STJ (art. Obs. . 5°. 105. É controle concreto.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. em se tratando de órgão administrativo. Assegurar a efetividade de suas normas. h).

sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. Há. mas esse prazo era direito. organização sindical. . ECAN e associação c/ 1 ano). fundamentais em face do Estado. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. Obs. não pode concretizar a norma. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. em se tratando de órgão da AP.Órgãos públicos.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora.: na ADI 3682 b. público: MI protege dir. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . não pode fazer a norma para o caso concreto. Recentemente. LXX: PP c/ CN. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma).3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. é b) Concretista: concretiza a norma. ou seja. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. no entanto. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. entes federativos e PJ dir. portanto. 5º. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. mudou seu posicionamento. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). concretize a norma (faça a norma concreta). competente de sua omissão (em regra. apenas razoável e não peremptório. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. Mas atenção. Se o PL) e. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. recentemente. portanto não podem impetrar MI. ou seja. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. O STF. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. autores que admitem.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .MI Coletivo: o STF o tem admitido. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria.

não cabe liminar (antes. ao mesmo tempo. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. o PJ. No MI. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. 49 . ou seja. III. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. 680. O STF adotou essa corrente no MI 232. ou seja. porque nem a AIO tem esse poder. VI). VII). c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. pelo STF. 36. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). Ela se subdivide em – geral e individual. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. 708 e 712). 2. De acordo com esta concepção. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Portanto. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF.040). Surge a partir do caso concreto. Recentemente. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. intervir nos Estados). Essa corrente é bastante criticada. A omissão total não cabe MC. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). 34. 34. A regra é o principio da não-intervenção. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. ademais. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. CR (provimento. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. O efeito seria apenas inter partes. criando uma norma geral e abstrata. e 2) recusa à execução de lei federal (art. a intervenção é uma exceção (a União não pode. ou seja. em um primeiro momento. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). 652. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. Mesmo adotando a corrente concretista. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. o STF está atuando como legislador positivo. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. nestes casos de omissão parcial. porque adotava a corrente não concretista). mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. como regra.

A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). 125. 50 . As partes aqui são o Estado e o Município. Isto está previsto no art. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. CR. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. O parâmetro aqui é mais amplo. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. mas sim. §3º. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. STF). IV. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. §2º. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. da ADPF). OBS. O STF é o guardião da CR. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. CR. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. § 1°. 35. que é o pressuposto para a representação interventiva. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. se o STF der provimento à representação do PGR. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. além. mas que surge a partir de um caso concreto. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. Esta forma não foi prevista na CR. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. CR). mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. e sim em face da CR. 614. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. nem no RISTF. no âmbito federal). é claro. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. ☺art. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. ☺art. CR. É dispensada a apreciação política pelo PL. O RE. 127. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. no âmbito do TJ. o PR então poderá decretar a intervenção. 36. foi uma criação da jurisprudência do STF. portanto. se violados. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte).

deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. XVIII). o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. São apenas órgãos aos quais se atribui. Na 1ª etapa. C. em nome do povo. o exercício dessa magna prerrogativa. Assim. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. cria o Estado. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. que formulou esta teoria no fim do Séc. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. corroborando essa perspectiva. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. por delegação popular. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. Para os jusnaturalistas. social e juridicamente organizado. que deve observar o direito natural. em alguns casos. editando a nova Constituição. que é sempre superior aos poderes constituídos. a vontade do constituinte é a vontade do povo. porém. pois o Estado decorre da soberania popular. mas jamais é quem o exerce. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Schmitt). É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. segundo o Abade Sieyès. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Está acima do direito positivo. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. retira sua força do direito natural. ou seja. Portanto. expressa por meio de seus representantes. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. É ele um titular passivo. que. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. um dos precursores dessa doutrina. pode usurpar do povo a titularidade do poder. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Celso de Mello. segundo o abade Emmanuel Sieyès. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Bonavides. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. é a nação. Assim. Obs. Modernamente.

art. Dessa forma. CR) .Formal . Espécies Tradicionais: .Histórico . Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte).Decorrente (art. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. que é seu verdadeiro titular. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. correspondendo aos anseios daquela sociedade.Revisor (art. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. para ser considerado legítimo. já que o poder constituinte já é originário. Portanto.Revolucionário . 3º. Obs. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo.Reformador (art. há legitimidade objetiva. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. se esta correspondência existir o poder será legítimo.: o prof. 60. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . ADCT) . Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . Assim. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. 11. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).Material . ADCT. 25. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. por conseguinte. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando.

c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. é apenas uma classificação quanto ao momento. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. há alguns valores que são morais.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. 53 . é ele que dá início ao ordenamento jurídico. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. independente e soberano. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). No caso do Brasil. foi criado um direito natural). 1937.: se é um poder autônomo e incondicionado. Apesar de ser um poder incondicionado. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. que substituirá a anterior. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição.: este poder tem este nome porque para o Direito. ela nunca deixa de ser do povo. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. 1988. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. Obs. O Abade Sieyes. No plano axiológico. No caso do Brasil. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). Obs. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. através de normas constitucionais. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. não perde a titularidade do poder constituinte. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. a nenhum pré-requisito jurídico. O povo é o titular do PCOM. 1946. 1934. Obs. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. 1967/69. b) é um poder inalienável. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. ou seja. Ex. mas não a primeira e sim uma nova. através da Constituição. ex. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). . c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. GV).

Obs. De acordo esse limite. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados.. 11 do ADCT. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. No caso da CR/88. mas continua a existir como característica essencial deste poder. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. ele encontra limites no texto da CR. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. mas meta jurídico (fora do direito). contudo. 25. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. não concorda muito com isso. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. por se tratar de uma conquista da sociedade. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). observados os princípios estabelecidos na CR. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). por ex. Dentro desse limite. O prof. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Quando a CR consagra o art. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. Fábio Konder Comparato fala. Ex. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. na verdade. A CR/88. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. 25. as constituições estaduais não são recepcionadas. ficando um pouco relativizada. ☺art. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. com os avanços da sociedade. Ainda que o estado seja soberano.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. 54 . 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Não se trata de um limite jurídico. Esta AL. A partir do momento que a CR surge. No entanto. no art. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. na pena de morte. Ex. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. a doutrina deduz deste art.

fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. § 1°. 27. Mas. ou seja. 34. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . . Se subdividem em: 55 . não existe um modelo a priori de separação dos poderes. 93. 57. §4º não é norma de observância obrigatória). CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). Segundo o STF. CR. são essas as normas de repetição obrigatória. 58. II) Implícitos: CPI (art. 58.: ☺art.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. que se estendem aos Estados. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal.). A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. Obs. porque o art. 75. VII. por enquanto. mas foi uma decisão super apertada (6x5). . §1º .: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. V ???) I) Expressos na constituição: art. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. diferente dos extensíveis. 61.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. são as normas de auto-organização da União. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. 59 e segs. Há dois grupos: (art. § 3°). Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. vedada a recondução. processo legislativo (art. Estão presentes no art. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. §4º. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. 57. e o STF decidiu que não havia problema. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. composição. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. CR.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização.: presidencialismo x parlamentarismo).

O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .) – contém uma vedação expressa.normas mandatórias: ex. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . 137). 3°. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. 34). decorre da lei e não da força. CR (é vedado à U. mas é possível deduzi-las. . Ex.não é inicial. DF e M. ou seja.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. Ex. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. é conseqüente.). CR. portanto.normas vedatórias: ex. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. ADCT).: art. em qualquer estado da Federação (art. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios.é um poder jurídico (e não de fato). .: art. . . 60.. . CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. CR. 136). E..é condicionado. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. se for decretado o estado de defesa (art. . . portanto. 56 . . uma limitação temporal para o poder revisor – art. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. e se for decretado o estado de sítio (art. §1º.: os arts.exercício: é pelo CN. Trata-se de um poder previsto na CR e.não é autônomo. 19. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada.titularidade: é do povo. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. 60.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município.é limitado.. no entanto. 37. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. cujo procedimento está previsto no art. ..

A Sessão legislativa (art. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. Obs. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. sendo o art. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. no âmbito do PE. no qual há 4 sessões legislativas. no entanto.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). 44. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. do SF ou do CN. possamos usar o procedimento previsto no art.). CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. DF e DE. o STF e Tribunais Superiores. . que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto.Feita a iniciativa. 61 é a regra geral de iniciativa. CR). que é o período de 4 anos do mandato do PR. . a PEC será discutida em cada casa do CN. 67. a PEC vai para a promulgação. b) o entendimento majoritário da doutrina. ☺art. . por fim. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. II e III) uma exceção à regra geral. apesar de não existir previsão expressa.A nossa Constituição é rígida. 57 . Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. é o de que o art. P. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. §3º. . §10). . Ex. CR. GE. proposta rejeitada no dia 15/01. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. 60. através da iniciativa popular (art. 60 (incisos I.Discutido e aprovado. Este art. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). não promulga. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. no âmbito do PJ. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). 61. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. também podem propor projeto de lei o povo. o PGR. ☺art. . §5º. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12.U. não veta. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. 61. 61. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. 60. não pode haver emenda de emenda. também chamadas de implícitas. ademais. 62. No caso de projeto de lei. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. para que. §2º). se a matéria for rejeitada. 60. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. no âmbito do MP. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. 60. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. ela será chamada de extraordinária. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis.Além do PR. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. assim. após a iniciativa. §2º).A última limitação formal objetiva está prevista no art. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. . *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. apenas o PR.

São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. o direito de participar das eleições. 60. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. o voto não é universal. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. São as chamadas cláusulas pétreas. universal e periódico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. ademais. o que é secreto é o escrutínio. c) Voto Direto. CR. . a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. secreto. Curiosamente. pois. As cláusulas pétreas são. VI. mas sim. 58 .O voto obrigatório não é cláusula pétrea. b) Preservar a identidade material da Constituição. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. c) Assegurar o processo democrático. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. Secreto. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. que é o modo como se realiza o exercício do voto. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. Ou seja. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. não é secreto.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. o que é universal é o direito de sufrágio. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. a). As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. §4º. Se elas não existissem. 150. Expressas: ☺art. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. . O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. Universal e Periódico: .Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). na verdade. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. segundo o STF.

e por conseqüência. ADCT). com a dignidade da pessoa humana. O prof. 5º. não alterando-o). No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. O art. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. não o serem). pois seria uma forma da fraudar a constituição. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. CR. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art.: FGTS. são CP. todo o art. ou. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. sendo uma garantia individual. dispostos do art. CR. comportam diferentes interpretações. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. Os demais direitos e garantias fundamentais. por isso. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). Chama-se dupla revisão. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. é o art. 60 poderia ser modificado. Para ele. Mas o STF já considerou que o art. Ex. não concorda. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta.: primeiro. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Obs. 2º. (23/04/09) 2. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. far-se-ia uma EC revogando o art. inclusive. não seriam cláusulas pétreas. . 60 seria CP. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. por uma questão lógica. para posterior alteração do conteúdo. segundo a qual o art. mas refere-se a uma reforma. que proíbe a pena de morte. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. e não em direitos e garantias fundamentais. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. em princípio. Um exemplo. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. posteriormente. como um todo. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. Os direito fundamentais se encontram. é CP. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. Assim. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. sistematicamente. não tem nada a ver com CP). §4º. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . . desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. 5º. pois. Assim. 60. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. 60. CP). Lá estão as limitações ao poder reformador. 150. A CR fala em direitos e garantias individuais. III.Há quem defenda. b. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. que não é unânime na doutrina. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). mas os demais não (ex. CR).

Antes da CR/88. em sentido formal. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. não abrange EC. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. . O ato ocorreu antes. b) Média: a retroatividade não é automática. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. em sessão unicameral. esse era o entendimento do STF. Com relação ao assunto acima. portanto. excepcional e transitória de alteração da Constituição. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. não abrangendo apenas leis em sentido formal. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). contados da promulgação da Constituição. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. XXXVI. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. a constituição atinge prestações vencidas. mas ainda não pagas. tem que haver previsão expressa na constituição. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. 3º. O direito adquirido pode ser relativizado. 3º. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. o STF tem entendimento unânime.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. A retroatividade mínima é automática. A limitação imposta no art. mas também emendas à constituição. tem que haver previsão expressa na constituição. CR). a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. ☺art.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. Revisão é a via extraordinária. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. Ex. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. mas seus efeitos surgem após a constituição. art. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). 3º. não sendo um princípio absoluto. Ex. 60. c) Máxima: a retroatividade não é automática. 5°.

§§1º e 4º). 60. circunstanciais. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. 3º. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). ADCT. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. Além disso. e de forma geralmente mais extensa. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. 61 . Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. especificamente. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

b) Histórico: no seu desdobramento. Não existe uma norma jurídica sozinha. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Por isso. Ex: princípio da não contradição. Toda norma está dentro de um sistema. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. para o direito privado. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. com algumas peculiaridades. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Por isso. Nele estão os valores supremos da sociedade. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. eles são suficientes. e os valores fossem o seu espírito. é também o limite para a interpretação. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). partindo da idéia de sistema. Constituição da República. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. aqueles desenvolvidos por Savigny. esse método também é conhecido como método valorativo. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. O texto da norma funciona. como todas as demais. devido à complexidade da interpretação constitucional. Imagine a Constituição norte-americana. para o direito público. Ela não tem normas jurídicas. X. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. Além disso. 65 . são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. esses elementos são insuficientes. 52. Buscam os valores subjacentes à constituição. O grande problema é que. Esse método não é apenas sistemático. como início e limite para a interpretação. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. só tem alma. É o início de uma interpretação. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. entra o elemento histórico evolutivo. e não isoladamente. mas apenas valores: o preâmbulo. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. portanto. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos.

vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. certa insegurança jurídica. Ex. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. mas sim diante de problemas. mais um 66 . ou seja. dos princípios gerais do direito. enfraquece-se a força normativa da constituição. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. porque trabalham não com a idéia de sistema. pontos de vista ou lugares comuns. → Crítica: feita por Canotilho. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). do senso comum. a favor e contra. cujo plural é “topoi”. os quais são submetidos a várias opiniões.. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Isso gera certa instabilidade. de argumentação. Assim. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. ele também é conhecido como método sociológico. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. que contraria o positivismo jurídico.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. os operadores do direito servem-se de topoi. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. de casos que comportam mais de uma solução possível. da doutrina. Problema é a questão difícil. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. que é apenas mais um topos. vence o argumento que for mais convincente. da jurisprudência dominante. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Este problema será solucionado pela argumentação. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. 2. por ex. Os topoi são esquemas de pensamento. Ex. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. como. Por isso. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. lugares comuns. Violação de correspondência de presos. Esses pontos de vista. o que geraria uma grande insegurança jurídica). Ex. ou a de que um é mais correto do que o outro). O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. pois comporta mais de uma solução possível). Se se permite interpretações divergentes. como ocorre neste método. Por ter uma feição mais política do que jurídica. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). formas de raciocínio.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente.

interpretação e aplicação constituem um processo unitário. este método não poderá ser aplicado. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. ao lado de Hans Kelsen. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. e o problema concreto a resolver. mas em concretização). Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Para este método. são coisas diversas. é bom lembrar. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. é preciso que haja um problema. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. porém. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. se for caso de lacuna. ainda que dos mais importantes. não se deve falar em interpretação constitucional. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. pois. e concretizador à aplicação. quando se fala em hermenêutica. Ele parte. ou seja. de única solução possível. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. a compreensão prévia do intérprete. como já vimos. Método concretista. por serem métodos concretistas. São métodos indissociáveis. não podem ser utilizados de forma abstrata. Além de serem métodos aporéticos. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. 67 . Assim. são também métodos concretistas. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. sua aplicação a casos complexos. diferentemente dos dois primeiros. que a questão não seja simples. Não se pode separar as duas coisas. e sim na sua concretização. Hermenêutica e interpretação não se confundem. na sociedade aberta de intérpretes. Assim. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. Ocorre que. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). Os métodos III e IV. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. A principal diferença. devendo-se fazer uso de outro método. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição.

é o comando que se extrai da norma interpretativa. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete).Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . O que ele chama de domínio normativo. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. A norma é o mandamento. Para ele. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. Segundo ele. Na prática. Judiciário. mas refere-se àqueles que podem interpretar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. em regra.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). Não diz respeito aos critérios de interpretação. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. mas também para a interpretação da Constituição. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. Assim. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. mas também na sua interpretação. aberta a toda a sociedade.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . Friedrich M. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. Ainda que a Corte seja o intérprete final. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Gilmar Mendes). ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. Segundo o autor. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. 68 . O texto tem duas funções muito relevantes. O texto não tem o comando. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Paulo Bonavides o tratar como um método. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral).Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. ao mesmo tempo. pois. que têm legitimidade para a interpretação. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). Essas duas figuras podem ser. limita a interpretação. ele na verdade não o é. . mas a toda a sociedade. ele dirige e. por sua vez. A democracia deve servir não apenas para a criação. Quando ele fala em democratização.Elementos do âmbito da norma . traduzido pelo Min. a norma só surgiria após a interpretação do texto. Fala-se que são utilizados. bem como a quebra da unidade constitucional. regulada pela norma. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). é a realidade social tratada pelo texto da norma. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: .

deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. sem modificá-la. A segunda corrente. mas de forma concreta. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. surge a idéia de norma (gênero). Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. No pós-positivismo. como a constituição é feita por representantes do povo. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. Após. Também denominado de originalismo. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Assim. 69 . os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. preocupado com a segurança jurídica. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Na verdade. surge o Positivismo Jurídico. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. A norma. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Entende que. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Em virtude do caráter normativo dos princípios. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). que corresponde à vontade do constituinte originário. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. 3) Existe uma única resposta correta. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. que se subdivide em princípios e regras. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. do povo. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. quando interpretada. no Brasil. bastante discutido nos dias atuais. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Segundo Conrado Hubner. os direitos têm que ser iguais para todos. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. textualismo e preservacionismo. superado o valor da norma). Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. o poder legislativo é claramente fraco. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. Esta questão está ligada à separação dos poderes. Assim. vinculante e obrigatória. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Por isso o judiciário tem ganhado força. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. norma e fato. Hoje.

. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. Referem-se à abstração (a norma é abstrata.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . impessoal. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. Para Habermas. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. mas a medida do possível. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). Ex. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. ou seja. é preciso saber quais são as normas opostas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. há uma subsunção lógica. princípios são “mandamentos de otimização”. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas.: aposentadoria compulsória. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. Segundo Robert Alexy. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. → Regras: são “mandamentos de definição”. bilateral). . isto é. apenas os princípios possuem a dimensão da importância.Regras.dimensão que eles ocupam (Alexy) . o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. genérica. . ou seja. Assim. quando se vai aplicar um princípio.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. o que ocorre por meio da ponderação. → Princípios X Regras: . Ambos são normas.Postulados. será invalidada. dentro do gênero norma jurídica. Alexy afirma haver exceções. 70 .generalidade . e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. A norma é um gênero e. como elementos do sistema normativo constitucional: . caso a resolução seja feita com base na hierarquia. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). que apontam para o sentido contrário. Eles não definem a medida exata. em havendo um conflito no âmbito da validade. As regras possuem aplicação automática.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. impõem resultados. e . Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”.Princípios. que envolvem a aplicação deste princípio. peso ou valor. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. imperativa. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. O grau de abstração é a diferença.

será feita a análise de alguns postulados que. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. de modo a realizar os valores nela consagrados. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. também conhecido como antinomia de princípios. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Eles não apontam um fim. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. nem estabelecem competência ou conduta. Ex. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. embasados na supremacia da Constituição. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Segundo a LICC. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. É um conflito sempre no caso concreto. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . cronológico e da especialidade. Mas e os postulados? Segundo esse autor. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. como princípios. 71 . Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. pela maioria da doutrina. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. interpretação conforme a Constituição. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais).: proporcionalidade. por isso não são aplicados diretamente. mas não têm a mesma função dos princípios. Os postulados são denominados. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. Com base nessas premissas. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Não estão na constituição. Nesse aspecto.

Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Toda Constituição tem supremacia material. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. no Poder Judiciário. Todo projeto de lei passa por um controle. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. Se a constituição é a norma suprema. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. Da mesma forma. e. No Poder Executivo. o Poder Judiciário. significa que ele é unívoco. como no âmbito do Poder Executivo e. na dúvida. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. se entendê-la inconstitucional. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. No Brasil. significa que as demais leis devem obediência a ela. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. A 72 . por ser presunção relativa. Não se retira a lei do ordenamento. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. excepcionalmente. deve optar pela constitucionalidade. Excepcionalmente. Se o texto tem apenas um significado. ficam vinculados àquela decisão. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. o Chefe do Poder Executivo. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Ele pode negar a aplicação da lei. pode ser exercido através do veto jurídico. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. assim. quando entender que uma norma é inconstitucional. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. o Princípio da Supremacia da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. No Poder Legislativo. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. não tem como fazer interpretação conforme. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Se há mais de um significado. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. no controle difuso. é necessário que a Constituição seja rígida. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. para ter essa supremacia. presume-se que agiram de acordo com ela. a lei deve ser declarada constitucional. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. na dúvida. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Essa presunção é relativa (iuris tantum). E. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Ou seja. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição).

essa corrente é chamada de “subjetivista”. 73 . Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. mas. b) Fim pretendido: . passando ela pela constituição. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. pois. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. a norma inferior. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. 81. etc. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. prevalece a vontade da lei. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Hoje em dia. necessário harmonizar esses dois princípios. A segunda corrente. Geralmente. que busca a vontade da lei. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. ao mesmo tempo. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Logo.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. Isso é impossível. Portanto. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Na verdade. Segundo Kruger. Ao se admitir que essa norma é superior. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. Busca a vontade do objeto interpretado. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. sendo. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. é necessário observar os valores consagrados na constituição. normas superiores e normas inferiores. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. existem. num estado democrático. . Ex: Brasília é a capital federal. Temos o voto direto como cláusula pétrea.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Obs. Em uma sociedade democrática e pluralista. Outro ex. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. §1º. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. É como se filtrasse a lei. logo é conhecida como corrente “objetivista”. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. de direito previdenciário. isso não ocorre. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. na constituição. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. poderia declarar o art.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. é conhecida como mens legis. Hoje. há várias tensões entre as normas constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Antes. defender uma corrente subjetivista é muito difícil.

45. que é anterior à Constituição da República. pelo legislador. as duas normas têm conflito entre si. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. é necessário utilizar a ponderação. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. inclusive. O STF declarou constitucional. Pode ser usada. Essa lei. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Uma existe ao lado da outra. violava a liberdade de exercício de comércio. O STF analisou 02 casos: a) Art. Quando se tem uma colisão entre bens. O que é isso? É semelhante a uma balança. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. e não em abstrato). II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. princípios ou valores. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. aplica-se o princípio da Concordância Prática. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. Assim. O Juiz irá ver. Nesse caso. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. deve-se buscar essa concordância prática. 74 . valores. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. Abstratamente. §1º. na hora de se interpretar a Constituição. O relator indeferiu a petição inicial. Sempre que possível. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Eles são muito parecidos. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. se ambos estão consagrados na Constituição da República. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O que tiver o peso maior irá prevalecer. Se ele entrasse no mérito da questão. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. bens ou interesses. a integração política e social. interesses. Ex: voto direto é a norma geral. ele se basearia no princípio da unidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. e voto pelo CN é a exceção. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. criando um efeito conservador da unidade. ou seja. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. no caso concreto. qual dos dois grupos tem um peso maior. Segundo este princípio.

O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. poderia fotografar. eis que ambos se relacionam. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Deve haver uma cedência recíproca. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. 75 . STF não foi abandonada. até uma compreensão equivocada. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. mesmo que a pessoa seja pública e em local público.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. Exs. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. mas também a ratio decidenti. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. Ex.: a Súm. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. 2) relativização da coisa julgada: o STF. não. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. e não princípios. não se aplicando para a interpretação constitucional. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Ex: Se tiver na praia. não. na academia.: a proibição da pena de morte. a privacidade deve ser preservada. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . ou seja. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Caso contrário. por mais importantes que sejam. da tortura. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. para que outros direitos sejam assegurados. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. O importante é saber que todos os princípios. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. 343. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. sendo o guardião da constituição. do trabalho escravo são regras. do contrário. cabe ação rescisória (obs.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. às vezes. que contribua para o debate de interesse geral. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe.

. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. sobretudo o Tribunal Constitucional.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. a função social para a qual foi criada. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. 76 .335/AC.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. o desempenho concreto de sua função social. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). 4.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. pois. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . CR/88 (aplicação imediata).com. é também conhecida como eficácia jurídica. . Exs. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. Este princípio. . Ver no Site Editora Método.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. 5º. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. 2) Direito de greve. a qual significa a realização do direito.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. no Brasil. §1º.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. é também conhecida como eficácia social. validade é.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. . Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl.

pois. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. utiliza-se o termo razoabilidade. Ex. 5º. 1º. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. Não é o entendimento mais cobrado em provas. para que o Estado não atue de forma arbitrária.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. à garantia do devido processo legal. deveria conceder uma autonomia maior. ele tem que ser adequado. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. não se deve abater pardais com canhões. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. É uma influência do direito norte-americano. É um princípio implícito. desproporcional. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. CR. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. do Prof. dentre os meios existentes. Assim. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. utiliza-se o termo proporcionalidade. não está textualmente consagrado. apto para atingir o fim almejado. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. Ele está ligado. É uma influência do direito alemão. Na Alemanha. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). LIV. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. por isso sua importância. uma densidade semântica que ele não tinha antes. será também desproporcional. mas apenas como menções. Para Jellinek. Para que um ato seja considerado proporcional. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. Alegam que a restrição seria desproporcional. Ex. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. ou seja. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. uma restrição à liberdade só será possível se. Se o ato for desnecessário. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. Nos sistemas da commum Law. No Brasil. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. em sua origem. ☺art. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. maiores hão 77 .

ou proibição por defeito. pode ser chamada de proibição do excesso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Há uma outra face desse princípio. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. que é chamada de proibição de insuficiência. 78 . o poder público age aquém do que deveria. A face acima exposta do princípio. Nesse caso.

nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. portanto. pois. O min. Ocorre que todas as constituições brasileiras. Em âmbito estadual. É uma corrente intermediária em relação às demais. reproduzidos ou não na Constituição estadual. não existindo. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. não tendo força normativa. pois. não tem relevância jurídica. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. sendo. O nome não é o mais apropriado. qualquer religião oficial da RFB.. relevância jurídica. o preâmbulo. mas no domínio da política. refletindo posição ideológica do constituinte. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição.. Como se sabe. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. 79 . apresentado de forma não articulada. não é componente necessário de qualquer Constituição. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. dado que. de regra. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. anteposta ao articulado constitucional. laico ou não-confessional. No Brasil. mas é a tese por nós adotada. não é norma de repetição obrigatória. inscritos na Constituição. portanto. incidirão na ordem local. porém. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Não contém. com exceção das de 1891 e 1937. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). mais ou menos significante. Situa-se no domínio da história ou da política. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. proclamação mais ou menos solene. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. Assim. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. o Brasil é um país leigo. O que acontece é que o preâmbulo contém. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. Esses princípios sim. Não tem. Para o STF. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. caráter normativo e. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados.

Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. o bem-estar. a liberdade. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. fundada na harmonia social e comprometida. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. na ordem interna e internacional. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. a segurança. Ao estabelecer os valores supremos. o desenvolvimento. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. 80 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. pluralista e sem preconceitos. Esta é a sua natureza. com a solução pacífica das controvérsias”. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna.

Não são a mesma coisa. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. §5º). Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). vedações (art. dentre as quais. como se poderia imaginar).JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. imediata e integral. que “contenha” o seu conteúdo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. O que as difere é o grau desta eficácia. A NEC. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. 184. Exs. P. possivelmente restringível ou redutível. apenas 81 . por sua vez. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. 128. 95. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. destaca-se a de José Afonso da Silva. mas admite lei. (É a mais cobrada em provas). A integralidade. §5º).U. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. Não depende de regulamentação.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. enquanto não for restringida. que poderá variar conforme o seu enunciado. Quando se fala em aplicabilidade imediata.: normas que estabelecem imunidades (art. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). enquanto não for restringida por lei. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . isenções (art. Uma NEC. prerrogativas (art. 53). é uma NEP? Não. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). → Normas de Eficácia Contida: O prof. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. Ela não depende de lei. no Brasil.

: art. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). Assim. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. A NEC pode ser restringida: . são NEP (como são as normas dos incisos I. quais são os efeitos. poderá criar impostos residuais. 82 . precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. VII (direito de greve dos servidores públicos). em regra.Facultativas: ex. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.: trata de vedações que são impostas aos juízes. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. Se ela fosse uma NEP. . ☺art. 9º. mas não é uma NEP. mas o seu §1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. ☺art. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. conforme a lei. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). 95.U.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. XXIII e XXIV). Neste caso. 102. . não há omissão inconstitucional. e mediata porque depende de alguma condição. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. VII. Ex. segurança nacional.por lei (ex. O caput do art. 136 e 137).. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. Não é apenas um conselho. XXII. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. mas não disse quem pode propor. Exs. Ex. 5º.: ordem pública. 37. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . art. art. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. necessidade ou utilidade pública. II e III deste mesmo art. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. – ex. 37. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). 95). de forma que antes da Lei 9. 22.: art. CR.U. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. Indireta porque depende de uma outra vontade. 37. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. P.: art.por outra norma constitucional (ex. etc. que dirige os rumos do Estado. a CR não tem conselhos e sim mandamentos.por conceitos de direito público (ex. caracterizadas justamente por este tipo de norma). esclarece que trata-se de uma NEC. art. art.: art. As vedações. ela nunca poderia ser restringida. eis que estabelecem o fim a ser atingido. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. se quiser. que faz parte da mesma norma. A lei não irá restringir o direito. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. XIII. 9º dá a entender tratar-se de NEP. mas pode ser). etc. e art. XII c/c arts. art. VII. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. é obrigatória. 5º. A norma constitucional tinha eficácia. ofício ou profissão. e não quais são os meios para se atingir o fim. que não é norma). 3°.). . interesse social. É indireta ou mediata.Impositivas: ex. 5º. 154: a União. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. mas dizer como esse direito será exercido. etc. que a regulamente. mas. PU: União poderá delegar aos estados.

2º. São as normas do ADCT. antes da lei ser feita. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma.: art. pois. Uma última classificação. mencionada por alguns autores. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. Obs. Para ela. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia.: As NEP. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). 83 . Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. porque ela não tem eficácia positiva). exaurem sua eficácia. também conhecidas como normas super-eficazes. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Ex. uma eficácia negativa (e apenas esta. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. Traduz um sistema fechado. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. cumprida a sua finalidade. as Cláusulas Pétreas. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. OBS. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. Diz que o direito se auto produz. ademais. Marcelo Neves critica essa concepção. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. imediata e integral). Assim. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. tem eficácia. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Elabora-se uma norma genérica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. não depende de outros sistemas. Por isso não dependem de outra vontade. ADCT. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída.

Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. art. Faremos o estudo de alguns institutos. não. caso compatíveis com a nova Constituição.N. sempre que nasce uma nova Constituição.N. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria.P → A. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. parte final). como normas infraconstitucionais. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). § 1°. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. → CR → A. §2º (que fala do Colégio Pedro II.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. com o caráter de normas constitucionais. serem recepcionadas pela nova Constituição. Ex. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. 242. podendo. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. ou seja. quando do surgimento de uma nova Constituição. Quando uma nova constituição é criada. 84 . esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. Assim. 2°.: ☺art. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. porém. por esta teoria. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. e sim como normas ordinárias. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

sendo regra a retroatividade mínima. 88 . já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. têm retroatividade mínima. também limitado juridicamente). para tanto. Contudo. IV. Como se percebe. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. Assim.: art. como é o caso do art. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. 7º. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. vale dizer. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. com pequenas exceções. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. por regra. nada impede que a norma constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. desde que haja expressa previsão. 7º. o STF entendeu que. 5º. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. c) por outro lado. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. tenha retroatividade média ou máxima. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. XXXVI – “lei” em sentido amplo). dentre outras. as leis infraconstitucionais. Ex. 51 do ADCT. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. diante da aplicação imediata. deve existir expresso pedido na Constituição. Como outro exemplo de retroatividade mínima. CR. vale dizer. que. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. IV. Assim.

É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. diverso e opostos. pois servem de critério para o legislador que. a divisão de seus poderes (art. ao elaborar as leis. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. ainda não regulamentadas de forma mais específica. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. Desse modo. Sob o ponto de vista dogmático. como também ao exercício abusivo de certos direitos. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. estrutura e fundamento (art. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. sobretudo. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. em um todo sistemático.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. Dessa forma. é claro. os quais estabelecem a sua forma. atuando como um limite. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. seja como orientação para progresso da legislação. De uma forma geral. não só das ações dos poderes estatais. Executam. 2º). é obvio. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. a menos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. 1º). por conseqüência. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. o que os coloca numa posição de superioridade. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. 4º). Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. Em situações novas. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. da função positiva que 89 . como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. seja como diretiva na solução de casos concretos. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. assim.

Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. A baixa densidade semântica. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. 1º. quanto para o legislador na elaboração das leis. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. sendo criados novos critérios distintivos da República. CR). os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. Com o passar do tempo. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. esses conceitos foram se esvaziando. No tocante ao Poder Executivo. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. o direito de secessão. aos entes que compõem a federação. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. DF e Município. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. 90 . 34. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). a Constituição veda. que reinava de forma absoluta e irresponsável. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. I).

não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. não apenas os indivíduos. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. Em um Estado de direito. No Estado material de direito. ou. Sob o aspecto material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. seja diretamente. a legalidade da Administração. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. No que se refere ao princípio democrático. sob as circunstancias transitórias. a vontade popular representada pelo parlamento. ainda. à questão perene da Justiça. 91 . Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. a independência dos juízes. Aqui. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. não é absoluta e ilimitada. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. seja através de representantes. Em um Estado democrático. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado.

6º). Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. 92 . O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. uns para com os outros. independente. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). o indivíduo se sente útil e respeitado. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. Todavia. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. a soberania migrasse do soberano para o povo. A soberania externa se refere à representação dos Estados. no plano interno. Supremo. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. No plano externo. na ordem internacional. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. por não ter de acatar. Por essa razão. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. por essa razão. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. em nenhum momento podem ser colocados de lado. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. na ordem internacional.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que.

a sexual. a filosófico-religiosa. de idéias e de instituições de ensino (art. a tortura. de comunicação. 170).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. Por isso. Este fundamento é concretizado. ao contrário. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. de reunião e de associação. a Constituição. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. 93 . sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. I). A escravidão. artística. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. 215 e 216) e dos meios de informação (art. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. assim. derradeiramente. a de opinião. de interesses contraditórios e antinômicos. e. É ela o valor supremo que irá informar a criação. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. 206. ainda. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. Fruto da concepção liberal. é um princípio básico do liberalismo econômico. salvo nos casos previstos em lei. deve constituir o seu objetivo supremo. a intelectual. passando a se revestir de normatividade. III). diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. cultural (arts. a de informação. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. 3º. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. Por essa razão. independentemente de autorização de órgãos públicos. 1º). com a queda do comunismo. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. Mais tarde. por natureza. o que pode levar a divisões irredutíveis. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. a sociedade pluralista é. conforme os ditames da justiça social. mas. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. 170). A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. partidário (art. 17). 220). Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. a profissional. justa e solidária (art. político (art. a partir do início da década de 90. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. dentre elas. uma sociedade conflitiva. científica.

Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. sua existência material. ligada ao valor igualdade. etc. Portanto. cada vez mais. mas também dos particulares. Esta acepção. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. que seja efetivamente exigível do Estado. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. Por outro prisma. o acesso aos valores. por outro. mais importante. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. seja pelo próprio Estado. Assim. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. e. na medida em que procura representar um subconjunto. sexo. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. Esta acepção. menor (minimizando o problema dos custos). O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. ou para com a pessoa. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. a todo e qualquer cidadão. ligada ao valor liberdade. Poder-se-ia dizer. Todavia. condição social ou qualquer outro requisito. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. dentro dos direitos sociais. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. educação fundamental. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. independentemente de usa origem. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. o que significa dizer que na criação. mas um atributo que todo ser humano possui. não como um fim em si mesmo. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). seja por terceiros. por exigir uma abstenção. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. em um primeiro momento. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. idade. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. possui um caráter positivo. 94 . moradia. mas também a de que o Estado garanta. econômicos e culturais. Por isso. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. mas.) imprescindíveis para uma vida digna. à dignidade da pessoa humana. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. possui um caráter negativo. Portanto. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. não apenas por parte do Estado. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. A dignidade da pessoa humana não é um direito. em alguns casos.

devido à escassez de recursos. Têm caráter positivo e negativo. Têm um caráter negativo. são os direitos individuais consagrados no art. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. uma constitucional e uma doutrinária. Em sua maioria.direitos prestacionais: são.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. CF/88. igualdade e dignidade. ligados à liberdade. 5°.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art.direitos sociais (art. . à participação política. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. portanto. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. 5°. pois surgiram em uma única época. Em sua maioria. basicamente. consagradas ao longo das constituições. 14 e seguintes). Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). .direitos individuais. Exigem uma atuação positiva do Estado. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. CR/88). os direitos sociais (arts. 6º ao 11. Assim. . A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. do qual são espécies: . consagrados no plano internacional. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. a diferença básica se refere ao plano de consagração. 6° e seguintes). devido ao custo de serem prestados. 12 e seguintes). . Visam proteger o valor igualdade. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. que divide os direitos fundamentais em: . pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. Enfim. .direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Essa classificação é legislativa. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida.direitos à nacionalidade (art. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. 95 . São direitos ligados à cidadania. 6° e 7°). estão consagrados em normas de eficácia limitada. mas também no art. Em termos materiais.direitos políticos (art. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes.

econômicos e culturais. Têm como objetivo. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. enfim. já os de 2ª geração não. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. A 3ª geração. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. igualdade e fraternidade (nesta ordem). São chamados direitos civis e políticos. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. segundo Jellinek). e estas gerações coexistem atualmente. são direitos de caráter negativo. e geralmente em normas auto-aplicáveis. ao lado da 4ª. ao desenvolvimento ou progresso. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. São considerados basicamente como direitos coletivos. Exigem uma ação do Estado. das gerações. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Ou seja. de 1789: liberdade. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. por exigirem uma prestação do Estado. Vejamos quais foram as gerações. Tais direitos têm caráter positivo. da solidariedade entre países ricos e países pobres. pois. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. a imprensa livre e o funcionalismo público. diante da necessidade de cooperação. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. exigindo uma abstenção. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. São basicamente os direitos individuais. e a dele é a mais cobrada em concursos). os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. queria que ele respeitasse suas liberdades. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. à autodeterminação dos povos. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Como vimos. XX. movimento encabeçado pelo proletariado. 4º. Esta é a sua preocupação principal. portanto. então. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Não houve substituição de uma geração por outra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. como a família. Obs. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Têm caráter negativo. 96 .: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. os direitos prestacionais. Os direitos de defesa. XVIII. Por isso. sobretudo de princípio programático). diretamente à igualdade material. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. Exs: direito ao meio ambiente. → Igualdade: Direitos Sociais. por exigirem uma abstenção. Estão ligados. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. direito de comunicação. a autodeterminação dos povos (art. CR/88).

ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico.). as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. são direitos difusos). esta alteração não foi feita em seu livro. Paulo Bonavides.: quanto ao direito à paz. de conteúdo). Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. um pluralismo cultural. mas há divergências na doutrina quanto a isso. como os previdenciários. um pluralismo ideológico. Porém. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. Quem tem o papel contra-majoritário. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. Esta geração de direitos advém da globalização política. na mesma disposição constitucional ou legal. Afora esta peculiaridade. as disposições assecuratórias. Quando se fala em pluralismo político. de orientações sexuais. São também direitos transindividuais (em sua maioria. caso violados. Além desse aspecto. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. V. que seria a vontade da maioria.I. em defesa dos direitos.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. econômico. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. ele tem uma importância muito grande. CR/88). segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). que alguns dizem trazer os direitos à internet. com a declaração do direito”. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. Aquelas instituem os direitos. os direitos de família. Os argumentos contrários a esta união. → Globalização: direito à democracia. ao analisar a Constituição de 1891. Ex. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. inclusive das minorias. a fixação da garantia. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. Ou seja. e isso acaba por prejudicar as minorias. Em uma ponderação. o direito a adoção. Ele preserva. 1º. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Assim. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. Por isso o direito à democracia é tão importante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. limitam o poder. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. Ou seja. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. estas as garantias. conserva nossas identidades. etc. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. artístico. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. Ele abrange um pluralismo religioso. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). 97 . outros são difusos). não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. de ideologias políticas e partidárias. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. ☺ADPF 132. Ao lado da vontade da maioria.P. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. que são as que. traz direitos ligados à pluralidade. quiçá quanto a 5ª. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. o prof. à informação e ao pluralismo (D. as demais características são tratadas pelo prof. ocorrendo não raro juntar-se. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração.

Inalienabilidade: como são conferidos a todos. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). mas nunca a sua renunciabilidade. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . . quando. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia.). . . A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex.Universalidade: destinam-se. XXXVII. 5º. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. 5º. . Normas positivas. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. se o direito garantido não possui alguma especificidade. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. uma vez consagrado o direito. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. . veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). é claro. através da interpretação sistemática.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. 98 .: direito de propriedade versus desapropriação). emite uma opinião (direito de opinar).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. confronto. portanto. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. Exemplos: . por ex. no caso concreto.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). os apátridas e as pessoas jurídicas. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. ou magistrado. ainda que não individualistas.. a todos os seres humanos. como é o caso da ação popular. Obs. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito.direito ao juízo natural (direito) – o art. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. . decidir qual direito deverá prevalecer. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. são indisponíveis. coarctando. nascendo com o Cristianismo. de modo indiscriminado.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. conjugando-a com a sua mínima restrição.: HC. havendo. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. os estrangeiros não residentes. no caso concreto.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. conflito de interesses. HD. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. Deve-se observar. muitas vezes. Se são sempre exercíveis e exercidos. Contudo. Nada impediria. O caput do art.Historicidade: possuem caráter histórico. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. etc. juntamente. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. que só pode ser proposta pelo cidadão.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. como é o caso. . ou caberá ao intérprete. ilegalmente preso. Isso porque.

ordem pública. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. No entanto. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. Assim. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. 5º. fática e juridicamente. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. mas o pressuposto do qual ela parte). De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. para isso. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria).). Ingo Sarlet afirma que o art. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. §1º. Não se admitiria. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. fala-se. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. pois. 99 . Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. então. então. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. 5º. §1º. Posteriormente. etc. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). causando uma desfiguração no direito privado. mas. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. só trazendo relações entre o Estado e o particular. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. analisando caso a caso. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). não dependendo de legislação. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração.

Ainda se trata de uma questão muito nova. tão somente pela falta de previsão. no entanto. . Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. e. mesmo realizando atividades idênticas. quando há uma relação de igualdade real na relação. Espanha e Portugal.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.243/DF. Deve-se aplicar tanto esta teoria. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. de uma forma geral. a aplicação será indireta.HC 12. Em contrapartida. etc. A jurisprudência. é possível a sua aplicação com base na Constituição.) . se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. .700. O juiz.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente.24. . então.*RE 161. Segundo Virgilio da Silva. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.00 para R$ 86. Os DF são expressados. Assim. isso poderia causar uma série de problemas.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie.RE 158.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). muito abertos. E como os princípios são muito vagos. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. . para que os princípios pudessem ser concretizados. contrato de adesão.Resp.☺RE 161. como a segunda. esta teoria seria a mais adequada.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . que não adota essa teoria). 249.RE 160. ainda que esta regulamentação não exista. . através de princípios. devendo sobre eles prevalecer. mas. Segundo esta teoria. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”.858. Para a realidade brasileira. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. houver uma desigualdade fática. não sendo necessária uma intermediação legislativa. . mas ainda não há decisão quanto a isso. Mas. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares.RE 175. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. A autonomia da vontade requer tal ponderação. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Se não houver uma previsão expressa na lei. a proteção tem que ser maior.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.RE 201. Determinação de observância do Princípio da isonomia. em geral. Se. se exteriorizam. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares.: empregado e empregador. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. aplica diretamente os DF às relações entre particulares.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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1º. por óbvio. pois. não há que se falar em não exercício). à segurança e à propriedade. 128. II. Este pode ocorrer. XLVII. Há dois entendimentos: 104 . abre-se mão temporariamente à privacidade. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. 5º. pois a vida é uma direito irrenunciável. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. como DF é pressuposto dos demais direitos. No caso do big brother. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. CP) a questão é um pouco mais polêmica. não há uma renúncia definitiva. também não pode ser renunciado. ☺art. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. 170.: esta segurança que o art. Esta questão é bastante clara. CR/88. à liberdade. Nos 78 incisos deste art. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). um outro direito fundamental. 5º. O direito a vida. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. A renúncia é definitiva. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Por isso. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. caput. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Porque o direito à vida é irrenunciável. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. III e art. 5º. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. um caso constitucional de violação de direitos. à igualdade. CR. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). é. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. ☺art. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Obs.

é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. discutida na ADPF 54. não haveria vida. Se isso fosse possível. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. mas sim interpretando a CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. é uma forma de tortura psicologia. por isso. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Para o direito brasileiro. e. o art. 3) dignidade da pessoa humana. a vida termina com a morte encefálica. assegurando a autonomia da vontade. é relativo. como todos os outros. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. mas sim da acrania. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. . Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. 128). O STF. em razão do risco de morte intra-uterina. Nos EUA e na França. já que o CP é anterior à CR. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. E o direito à vida. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. sem o sistema nervoso central. insuficiente para a proteção do direito. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. então. CP não teria sido recepcionado pela CR. sabendo que ela vai morrer. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. Ademais. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. OBS. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. entendeu que. 128 (em 1940). o STF não estaria legislando. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. ela é a única ação de controle abstrato cabível. portanto. o feto não tem a menor chance de sobrevida. nas quais não se tem uma opinião moral definida. além de colocar em risco a sua própria vida. mas de modo geral). deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. já que na época em que foi feito o art. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). II. 128. por 7 votos a 4. a morte não decorre do aborto. segundo Canotilho. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. A questão ainda está sendo discutida no STF.Direito à privacidade: 105 . Se há dois argumentos defensáveis. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal.

106 . o direito à imagem foi violado. É gênero. contra um estelionatário. CR. quebra de sigilo e interceptação telefônica. que se subdivide em: intimidade. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. 5º. 1. X. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Não há que se falar em colisão. no art. Questão de Concurso: Gravação clandestina. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Neste caso. Mas. CR. Então. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Logo. vida privada. No entanto. Em regra. pois há uma excludente de antijuridicidade. Se tiver gravado um crime. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. na verdade. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. 5º. a gravação é considerada lícita. O prof. O agente público. Numa gravação clandestina. é a esfera da vida privada. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. a honra e a imagem das pessoas. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. por exemplo. Ex: Radares eletrônicos. uma gravação feita clandestinamente. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Ainda que não afete a honra. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Ex. Nesses casos. Proteção da honra e da imagem. não tem privacidade. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Será considerada prova lícita. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. os princípios da moralidade e da publicidade. Se filmar uma passeata. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). X. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. a imagem pode ser usada num processo. sobretudo. são direitos independentes. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. a restrição é legítima. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). É vedada pelo art. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. veremos cada um separadamente. contra um chantagista. ela é ilícita. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. histórico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. de uma forma geral. Nesses casos é vedada a gravação como prova. etc. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. sobretudo. científico ou cultural. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Ao realizar essa ponderação. maior a proteção a ser dada. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. em seguida. quando pratica um ato na condição de agente público. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. O direito de liberdade é maior. Esta é excludente de ilicitude. Ex: matérias de interesse público. O direito a privacidade está consagrado. não há violação à privacidade. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança).

Quanto às CPIs municipais. outros entendem que não há proteção. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica.). Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Quando a CR fala em “poder de investigação”. de um cd room.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. 5º. 5º. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. De acordo com o art. Essa exceção só confirma a regra. divulgaram todas as declarações na internet. X. 107 . Ex: extrato de conta corrente. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. que é uma exceção a essa regra. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. E o Ministério Público? Segundo o STF. Quem pode é só o juiz e a CPI. fiscais. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. XII. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Tem uma decisão do STF muito comentada. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Se ele quiser. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. Ele alegou a ilegalidade desse ato. deve ter uma certa salvaguarda. por enquanto. Além do juiz. fiscal e telefônico. 5º. Dentro do próprio STF há divergência. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. O Min. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. O inciso X impede a gravação clandestina. A lei. XII. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. ainda que não seja sigilosa. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. 2. Os jornais publicaram essas declarações. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Essa declaração.. Quando se quebra o sigilo telefônico. outros dizem ser pelo art. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. informáticos. § 3º. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. está em vigor. como havia verba pública envolvida. mas na decisão acima houve discussão a respeito. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. em ação cível originária. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Dentro dela.: Podem existir várias outras exceções. já que não existe poder judiciário municipal. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. O STF decidiu que. não poderá quebrar sigilos. o BB poderia quebrar o sigilo. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. 2°) admite. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. com base no princípio da simetria. CR. naquele caso específico. O prof. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. a duração da chamada. não há decisão do STF. 58. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). São poderes instrutórios. por ex. No entanto. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. falaremos da interceptação telefônica. Na Itália. às informações constantes na declaração de imposto de renda. ele não pode requisitar diretamente. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. 3. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. essa decisão foi para um caso específico. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. etc.

Além dessas duas hipóteses. não estaria protegido por esse dispositivo. Na prática. XII. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Para o prof. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. protege a liberdade de comunicações. o STF tem um entendimento que. sobretudo. Ela deve ser usada para situações excepcionais. já que protege-se a liberdade de comunicação. X. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Ela protege 4 formas de comunicações. ela também está protegendo o conteúdo desses dados.. Mas isso não é a posição do STF. é equivocado. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. também protege a privacidade. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. será gravação clandestina. protege-se apenas a liberdade de comunicação. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. Então. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Aliás. No entanto. mas foi feita por um terceiro. Com relação ao sigilo de dados. seja pelo art. 5º. a liberdade de comunicação. Não são admitidas para outras finalidades. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. neste caso. em determinadas hipóteses. pode haver restrições às comunicações telefônicas. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. será interceptação telefônica. Para o STF. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. O art. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. 5º. 5º. Em relação a essas. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. mas. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. segundo o prof. 5º. Se um souber.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. os dados de informática em si não estão protegidos. Pois. Em relação à comunicação epistolar. o sigilo poderá ser violado. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. abrem-se todas as correspondências. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. seja pelo art. O STF entende que com base o art. Nessas hipóteses. durante o estado de defesa e o estado de sítio. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. por uma terceira pessoa. Na interceptação. Se um souber. segundo o STF. XII.. Para o prof. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. Quando se falou do método tópico problemático. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Porém. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 ..

LXI: possibilidade de prisão. prorrogáveis por mais 15). O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. essa lógica tem sido invertida. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Se houver o consentimento. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. imagine numa situação normal. Somente o juiz. XII. Como é o meio mais fácil. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. Ou seja. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. e mais ninguém. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. O professor acha que há certo abuso neste caso. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. 5°. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. • Prestar socorro 109 . A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. seja durante o dia seja durante a noite. Pode ser que com os abusos recentes. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. 5º. violado. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. Além disso. devemos analisar 2 situações diferentes. o Min. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. por nenhuma outra autoridade. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Ela deve ser o último recurso. 5º. Essa decisão foi recente (☺MS 27. CF/88. Se numa situação excepcional. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. Vejamos as situações: 1. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica.483 – medida cautelar concedida nesse MS). salvo o flagrante delito. se houver o consentimento de um dos moradores. a polícia pode entrar. qualquer pessoa pode entrar. vejamos: a) Art. Na jurisprudência do STF. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. Recentemente. e não pelo dono da casa. Com relação à inviolabilidade do domicílio. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Nesse artigo. A Constituição trata de 2 situações distintas. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Ex: crime dentro de uma residência. Então. Nem mesmo CPI. d) Art. 2. Com o consentimento.296/96. 5º. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. LX: sigilo imposto a processo judiciário. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. XII: interceptação telefônica b) Art. Art. não há falar em violação de domicílio. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. c) Art. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Segundo o STF. a entrada deve ser permitida pela empregada. nesses casos. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. XI: violação de domicílio. Sem consentimento já é diferente. 5º. Durante o estado de defesa. pode determinar a prática desses atos. nem a CPI. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição.

os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. 3. 150. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. Alguns autores. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Entra no conceito de casa. Quando o sol nascer é dia. não só dos moradores daquela casa. seja do dia seja da noite. a casa pode ser invadida a qualquer hora. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). prevista no dispositivo. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. CP. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. É utilizado por JAS. a prova é lícita. hoje. consultórios. Ex: parte de trás do caminhão. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. compartimentos habitados. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. pois se respeitar também o critério cronológico. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. E o carro? O prof. onde o caminhoneiro dorme. Só que o STF já proferiu decisões. Segundo ele. Se entrar com o uso da força. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. o STF considera as provas lícitas por causa disso. a prova colhida será considerada ilícita. se estiver vazio. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. Na maioria dos casos. estabelecimentos comerciais e industriais. não poderá mais entrar no domicílio. que traz uma conceituação bastante extensiva. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. 2. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. compreende escritórios. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Então. ☺Art. mais tradicional. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. mais adequado. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. 110 . entra no conceito de casa. Ele deve dizer “aqui você não entra”. mas dos vizinhos também. entre outros aposentos. entre eles Alexandre de Moraes. na parte em que o público tem livre acesso. não entra no conceito de casa. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. porque a noite é o período de descanso. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Se houver o consentimento do morador. não entra em conceito de casa. por serem situações emergenciais. quando o sol se põe é noite.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Segundo o entendimento do STF.

Quando se fala em princípio da igualdade. Não irá fazer concurso para homens participarem. XXX. XXX. Ex: critério preconceituoso. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Esse critério não é nenhuma discriminação. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. arbitrário. razoável e proporcional. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. 5º. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. 7º. é necessário que ele seja: 1. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Esse critério é razoável.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. É a que está consagrada no caput do art. Para que o critério seja constitucional. Se o critério não for objetivo. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. 7º. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. 111 . Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Razoável 3. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. 2. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. da constituição. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. discriminatório. Para esses casos. em situações diferentes. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. idade. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. CR. cor e estado civil. Objetivo 2. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. pois viola o princípio da isonomia. Mas. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Nestes casos. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. não significa que a lei não possa fazer distinções. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Uma vez dentro do estabelecimento. CF/88. justifica-se a altura.

mas é necessário analisar uma série de fatores. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. Não é uma forma de resolver o problema. O prof. aconteceu o contrário. Segundo JAS. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Porém. que eram desiguais em relação aos seus senhores. disse que está ligada à igualdade material. e não à igualdade material. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. essas ações são constitucionais. Visa uma redução das desigualdades fáticas. e os desiguais de forma desigual. Quando se fala em igualdade material. por exemplo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Então. 5º c/c art. acha que esse argumento não convence. o critério discriminador seria desproporcional. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. ☺art. Dificilmente. 112 . Isso é igualdade formal. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. A cota deve ser proporcional à população. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. A tendência é que elas aumentem. e prolongaram as que já existiam. mas na Constituição Indiana em 1947. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. pois elas criam uma discriminação reversa. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. O prof. Para outros autores. utiliza-se das ações. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. seria igualdade material. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Criaram-se outras ações afirmativas. para tentar reduzir as desigualdades. Se o Estado não proporcionar esses direitos. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Para o professor. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. não haverá uma igualdade real. Ex: Cotas para pessoas carentes. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. Quando se fala em igualdade material. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. Em princípio. igualdade e fraternidade. essas ações deveriam existir por 10 anos. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. mas reduzir as desigualdades existentes. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. No caso da Índia. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Essas ações não surgiram nos EUA. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. surge a questão relacionada às ações afirmativas. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. 3º. Mas. Ex: Alíquotas de imposto de renda. Tem autores que entendem ser inconstitucional. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente.

fomenta o racismo e o ódio racial . O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. são destinatários do princípio da igualdade. Eles não têm apenas a eficácia vertical. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. Portanto. Eles foram libertados. O problema é com relação à subjetividade do critério. atinge todos os poderes públicos . alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares.fere o mérito. Isso é uma questão de política pública. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. . miscigenada e multicultural. . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. 113 . Juridicamente falando. mas também para quem irá elaborar a lei.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. sem exceção.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .em uma sociedade pluralista. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. Então. . Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. aberta. visa compensar uma dívida histórica. tolerante. previsto no art. de saúde.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. Poder Executivo e Poder Judiciário). . O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. CF/88. pois já faz parte do próprio critério republicano. seja pelo governo.Poder Legislativo. A justificativa parece não ser inconstitucional. seja por particulares.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. . cientificamente falando. mas eles não tiveram oportunidade de escola.princípio da isonomia (discriminação reversa). . . não sendo necessária essa distinção. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. No Brasil.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. 208.favorece negros de classe média alta. quando se fala em destinatários. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. (18/06/09) Argumentos favoráveis: .medida imediatista e inapropriada. Argumentos contrários: . Apesar de ser uma relação entre particulares. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. Além dessa eficácia.

Ex: Passeata para legalização da maconha. a lei pode estabelecer distinções. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. ele deve licitar. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. e violou direitos de terceiros. 5º. Isso significa que. É livre a manifestação de pensamento. em princípio. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. O particular não é obrigado. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. ela é constitucional. Não existem direitos absolutos. não teria sido recepcionado. Não é um direito absoluto. para outros teria. em regra. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. ela pode ser responsabilizada. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. IV. o problema é dele. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. Apologia ao crime é diferente disso. Basta ser um critério objetivo e para todos. Por que a Constituição. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. etc. É constitucional? Sim. Ex: art. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Logo em seguida. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. Questão de Concurso – Cespe: No art. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Protege a mulher. discriminatórias. ela pressupõe responsabilidade. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. É uma denúncia feita anonimamente. Logo. ela exerceu o seu direito. de expressar o pensamento. As provas 114 . desde que essas restrições não sejam autoritárias. I. Para alguns. mas apenas para as mulheres. Se o sujeito será responsabilizado ou não. segundo o professor. 5º. Pode defender no plano das idéias. desde que seja para atenuar desníveis existentes. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. O homem não é a parte mais frágil da relação. é outra questão. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. que é uma das principais vítimas da violência doméstica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. sendo vedado o anonimato. CPC – ação de alimentos. não deve ser estendida para os homens. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Ex: Lei Maria da Penha. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. 100. Mas. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres.

tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. O culto pode ser exercido em qualquer local. Isso significa que. desde que não viole o direito de terceiro. abrangendo a liberdade de crença. apesar de a maioria da população ser católica. ainda 2. deve ocorrer uma “tradução institucional”. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. desde 1989 (advento da República). e. Esta liberdade está consagrada no art. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. Para Habermas. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. 5º. 19. Os templos recebem uma proteção especial. CR. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. o equilíbrio das religiões. então. Vejamos: 1. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. ela deve ser protegida. No Brasil não há uma religião oficial. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. Ex: seqüestrador escreve bilhete. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. de ter crença. há 02 hipóteses em que o STF admite. I. → Alguns temas polêmicos: 115 . Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. inclusive em lugar aberto ao público. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. Quando são produzidos pelo próprio acusado. ou de não ter crença em nada. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. houve a total separação entre Estado e Igreja. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. Em relação ao culto. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. por exemplo. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. CR. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. não é o caso do Estado brasileiro. A religião desempenha um papel fundamental. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. com o advento da República. 2. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. O dever funcional da autoridade é investigar. Garantir a simetria da liberdade religiosa. A liberdade de consciência é a mais ampla. O Estado deve manter-se neutro. Porém. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. 3. VI. Pode fazer um exame grafotécnico. de crença e de culto. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. pedindo resgate. 2. ele não pode ser admitido. se não há qualquer identificação. Não se pode admitir que o parlamento. O Estado brasileiro.

estados e municípios (☺art. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. O 116 . a competência é em relação à cultura. . O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. que odeia guerra. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. imagine uma cidade pequena. fazendo uma ponderação entre os princípios.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. o argumento supracitado não está correto. a competência é da União. então. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. VIII. Não teria sentido acabar com esses feriados. 210. inegavelmente. e não à justiça do trabalho – ☺art. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. e cultura é competência comum – da União. Entretanto.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. CR). CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. O tribunal. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. 23. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Portanto. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. onde se tem poucas escolas boas. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. CR). não poderia ser confessional. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. Para o prof. há algumas ações. políticos e religiosos. §2º. os argumentos religiosos não fazem parte da política. são culturais. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. Neste caso. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. e o aluno optou a se matricular nessa escola. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. ocorreu um caso muito semelhante. Pode um ateu. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. . no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. É importante respeitar o ensino de cada um. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. São feriados puramente religiosos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Na Alemanha.. Mas. logo. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. a neutralidade do Poder Judiciário. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Segundo o prof. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. 215. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Entretanto. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões.. §1º. CR. a escola não deve impor ao menino. Há um trecho do livro do Dworkin. 5º. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião.

Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. Ex: fazer segurança. ☺art. JAS diz que não são direitos coletivos. Criação de sindicatos. elas vão embora. ☺ art. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1.) 2. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. 5º. XVI. essa hipótese é de representação processual. 5º. CR. tem o caráter permanente. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Segundo Jean Rivero. mas os políticos. A República é o governo das razões. Ex: reunião de condomínio. (Não pode reunir pessoas armadas. na forma da lei. ainda. Para que as pessoas possam se reunir. Se não houver essa lei. mas a de permanecer associado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. IV). XVI. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. XVII e XXI. etc. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. 4. mesmo que em locais abertos ao público. Liberdade de reunião. então. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. 5º. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Há. 2. por sua vez. de cooperativas. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. não são os religiosos. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. terminada a reunião. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. CR: Não é só a liberdade de se associar. Não cumprindo com a obrigação. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. CR. conforme portaria da ANVISA. XXI. A associação. 5º. Por que a CR exige prévio aviso. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. desviar o trânsito. Ex. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. A pessoa alega imperativo de consciência. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Quem fará a tradução não é a Igreja. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . o argumento deve ser racionalmente justificado. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. as pessoas se reúnem e. Criação de partidos políticos. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). 3. O prof. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). Criação de associações e. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. não é necessária a autorização estatal. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. 15. existem 2 semelhanças e 1 diferença. mas direitos individuais de expressão coletiva. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair.

É o entendimento de Daniel Sarmento. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. O sindicato (☺art. Função Social da propriedade: A CR. tendo um menor peso na ponderação. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. pode ser dada numa Assembléia Geral. não são legítimas essas invasões. ter um patrimônio mínimo. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. A Constituição não garante o direito à propriedade. ADC e ADPF. segundo o prof. 8º. Ex: Invasões de terra pelo MST. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. no seu art. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. 5º. por exemplo. A associação impetra em nome próprio. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. garante o direito de propriedade. Segundo o STF. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. Segundo JAS. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). Segundo ele. mas faz parte da estrutura desse direito. a propriedade terá uma proteção menor. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Em seguida. do próprio regime desse direito. segundo o qual. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. defendendo direito alheio. Ela só garante o direito de propriedade. segundo o prof.. 5º. O que acontece é que se não cumprir a função social. XXII. ☺art. mas não pode ajuizar ADI. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. como a Constituição garante o direito de propriedade. CR) quando ajuíza uma ação. Há um outro entendimento que. XXIII. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. 2. a função social. ilegítimas. se não for atendida. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. Segundo o STF. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. o direito de propriedade pertence ao direito público. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. portanto. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. em seu art. Só pode representar se houver autorização expressa. Se ele tem proteção. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. LXX. mas sim contrárias ao direito e. não precisando de autorização expressa. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. 118 . essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). 5º. III. é mais correto. não impede que o direito de propriedade seja protegido. Segundo o STF. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). não pode existir mais de uma federação por território. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo.

há uma transferência compulsória da propriedade. por utilidade pública. Propriedade Rural: ☺art. ou por interesse social. Na requisição. normalmente. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Além do caráter absoluto. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. deverá ser em dinheiro. §2º. b. A polícia requisitou determinadas propriedades. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Os principais aspectos são 2. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. 182. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. na desapropriação. por ser inerente ao direito de propriedade. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. XXV) e as militares (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Vejamos: a) ☺art. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. CR. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. 139. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. 2. b) ☺ art. a saber: a. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Sempre haverá indenização. restringe o caráter absoluto. ele não poderá ser prejudicado. Vejamos abaixo. O título deve ser entregue antes da desapropriação.000 habitantes (§1°). Propriedade Urbana: ☺art. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. VII). Logo. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. como decorrência do primeiro. Desapropriação: Diferentemente da requisição. diante de uma emergência. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. indenização por títulos da dívida pública). §4º. justa e. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. em regra. só haverá indenização se houver dano. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. a saber: por necessidade pública. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. CR. 5º. A função social. a indenização será sempre posterior. etc. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Sempre que há requisição. 184. que deve ser prévia. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. deve haver indenização? Não. Como haverá indenização se houver dano. mas sobre a propriedade em si. 182. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Ex: caso de Eloá. o proprietário não tem culpa. É um aspecto lógico. como um apartamento. Para atender a função social. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. No caso de requisição. IPTU progressivo no tempo. CF/88: Trata-se de imóvel rural. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. 186. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. uma escola pública.

Como o confisco é uma sanção. sem oposição. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. o imóvel deve ter. Só que. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. não podem ser adquiridos por usucapião. ininterrupta. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. Nesse caso. Vejamos: . Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. precisa recorrer ao judiciário). os bens serão confiscados – art. possuir o imóvel como se fosse seu. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. pacífica. CR). no máximo. §3° e art. .Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário).).o morador não pode ter outro imóvel.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Usucapião: Na Constituição da República. em Indenização posterior se houver dano. Se ela é produtiva. parágrafo único. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. . 183. Necessidades permanentes da sociedade. não precária. . 184.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. CF/88. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. Necessidades transitórias. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). 191. 50 hectares. 120 . É sempre indenizável (justa. 243.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). paga em dinheiro). Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. 243 da CR. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. é porque ela está cumprindo a sua função social. . 2. por ter prazo menor. emergências da sociedade. 250 m2. seja urbano ou rural. regra. 185. Obs.: Imóveis públicos. Na CR. no máximo. A Constituição não permite – ☺art. etc. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. 3. §5º. Requisição Refere-se a bens e serviços.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. Para esse fim. O confisco de propriedade está previsto no art. CR). Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). sejam urbanos ou rurais. Se ele tiver outro imóvel. prévia e. não há pagamento de indenização. Confisco: No Brasil. Só não podem ser para fins de reforma agrária. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 5º. PU. São imunes a impostos (☺art. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC.

Todas as demais o consagraram. só que exclusiva para o direito tributário. a CR/88 entrou em vigor. desde que seja mais benéfica para o réu. Para responder a essa questão. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. 5º e no art. não era muito democrática). etc. Durante a vigência desse contrato. média e mínima. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. Em resumo. XXXVI. outros a interpretavam de maneira (B).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. a regra também é a não retroatividade (art. autônomo. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. 3. 106. é uma conjugação das duas anteriores. No direito penal. Esta hipótese é. interpretando a lei da maneira (A). Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. ato jurídico perfeito e coisa julgada. a lei interpretativa retroage. CR). O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. na verdade. Seria correspondente à primeira hipótese. 2. a saber: 1. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. As hipóteses mais importantes são: 1. A garantia existe para a proteção desse direito. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. 5º.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Em regra. não. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. 5º. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. mas deve respeitar a coisa julgada. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). b) Retroatividade benigna. XL. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . Alguns a interpretavam de maneira (A). Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. A lei interpretativa retroage. é necessário diferenciar duas situações. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Retroatividade da Lei Penal. mas que vale especificamente para o direito tributário. inicial.

já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. e não o ato exaurido. automaticamente. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. → Coisa julgada: 122 . não há posição prevalecente. Se a Constituição atingir essa prestação. . A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Só que para haver essa retroatividade. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. dirige-se apenas ao legislador ordinário.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. 5º. em regra. Na retroatividade máxima. e não as parcelas que compõem o vencimento. Após a Constituição de 1988. Havendo mudança de regime jurídico. Só que para haver essa retroatividade. As parcelas podem ser reduzidas e. Ex.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. mas isso está superado. extintas. será necessário que a Constituição diga expressamente. de acordo com a legislação da época. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. a Constituição da República entrou em vigor. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. interpreta a lei em sentido amplo. . É claro que isso não é desejável.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. b) Retroatividade média: pode ocorrer. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. XXXVI) é lei em sentido estrito e. haverá uma retroatividade média. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. O prof. Se mudar o real. 654 e Súm. ☺Súm. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. inclusive as de ordem pública. mas as leis não. STF. e não lei em sentido restrito. 473. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. portanto. até mesmo. Não pode haver a redução. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. no caso de retroatividade mínima. 2. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. . A EC poderia prejudicar direito adquirido. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Portanto. através de norma de eficácia plena. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. É o ato que está apto a produzir os efeitos. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. Antes de a prestação ser paga. Nesse caso. É claro que isso não é desejável. coisa julgada e ato jurídico perfeito. ela afeta a todos. porque geraria uma insegurança jurídica. Ex: Determinada prestação. porque geraria uma insegurança jurídica. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. . haverá uma retroatividade máxima.

em sua maioria. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. Eficácia: todo direito tem um custo. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. Dirley Jr. Os princípios.: salário mínimo). §1º. Por isso. Assim. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. por ex. o que significa que possuem um caráter positivo. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. Ou seja. . os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . pois são mais facilmente implementados. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. segundo Robert Alexy. 2. 5º. mas é apenas a coisa julgada judicial. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Os direitos de defesa são. à medida que a sociedade o determine. como doutrinador. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. §1º. exigem uma atuação positiva do Estado. nós deveríamos interpretar o art. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. independentemente da sua natureza. são NEL (de princípio programático). Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. No art. . Direitos Sociais: 1. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. Mas isso não é verdade. para dar decisões concretizando tais direitos. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. independentemente de qualquer fator. Já os direitos sociais. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. e não propriamente como ministro). são mandados de otimização. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. 7º. 5º. A administrativa não tem essa proteção. 5º. consagrados em NEP ou NEC. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. eles o são porque ainda poderão ser consagrados.☺art.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. como teórico do direito (ou seja. e pelo Min. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. e isso para muitos é um ponto negativo. b) o art. Eros Grau.. ou seja. Em cada época. em regra. do seu enunciado. de sociedades pluralistas. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais.

000. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. educação. Em outros lugares.). E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. A visão do juiz é bilateral. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. Pedro Taques). As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Argumentos contrários à intervenção judicial: . só porque recorreram ao PJ. trabalho. segurança. rodovias. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. Norma de direito social não gera direito subjetivo. Primeiramente. por ex. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. por ex. Assim.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. é importante definir tais critérios.. pois. doutrinador do RS. não geram direitos subjetivos. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. . é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). em tese. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. previdência. 3ª fase: é a fase desejável. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . essa atuação talvez não seja tão justa. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. implicitamente. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. Por isso. etc. Esse entendimento já foi superado.000. por ser norma programática.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. legítimas (saúde. normatividade.). O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. . Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. quando foi dado um maior papel ao PJ. todas. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Obs. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. pois. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. que estamos buscando. Portanto. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. assim. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. Como têm apenas eficácia negativa. as normas possuem uma textura aberta. O que se busca. Esses direitos sociais não teriam. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. Quando se fala em direitos sociais. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. lazer.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. pois. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. . são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. eleições periódicas. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). sufrágio universal.Caráter normativo da constituição. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Os direitos sociais estão consagrados em normas. em 1972. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. É preciso. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. Esses argumentos são os que devem prosperar. no que diz respeito aos direitos sociais. e é muito utilizada no Brasil. por isso.A democracia não é apenas vontade da maioria. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). entra-se muito nas questões ideológicas. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. em razão das limitações orçamentárias existentes. Se um poder se encolhe. segundo Ingo Sarlet. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal.Déficit democrático das instituições representativas. Assim. eles acabariam sendo inviabilizados. Não é o entendimento que prevalece. inclusive a minoria. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. Se não se estabelecer os critérios. Ademais. De se ver que quando se fala em direitos sociais. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. mas a todos que se encontrem na mesma situação. . Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. em razão do Princípio da Igualdade. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. teríamos a maior utilização das ações coletivas. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). 125 . Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . ou seja. .“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Mas. saber se a demanda é razoável. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. o outro cresce. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. A reserva do possível. não se encaixaria na realidade brasileira. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática.

que a demanda custa y. assistência em caso de necessidade. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. por ser necessária para a 126 . é o entendimento mais adequado. da liberdade material e do princípio do estado social. A reserva do possível é uma matéria de direito público.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. educação e moradia. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. . quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Segundo Ricardo Lobo Torres. Vejamos: 1. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. etc. essa concretização. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Não é o máximo desejado. Segundo o prof. A efetividade passa pela sociedade. é o mínimo existencial. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. que é a corte suprema na Alemanha. No Brasil. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). em 1953. Por que falamos em “mínimo”. depende de cada época e de cada sociedade. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. . a questão da efetividade será prejudicada. que existem z pessoas na mesma situação. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. mas teria um peso maior na ponderação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. em razão de sua textura aberta. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. quando se estabelece o mínimo existencial. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. precisam ser concretizados. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Outros autores já falam apenas em saúde. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Ou seja. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. Assim. saúde. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. 2. mas deve também ser provada. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. maior o risco de não ter efetividade. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não.. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. Segundo Ana Paula de Barcellos. pelo cumprimento voluntário da constituição. Se não definir o conteúdo. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais.

José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. consciência coletiva. haveria um engessamento do legislador e do PE. o que prejudicaria a sociedade. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. 2) posicionamento de um autor português. pois. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Ele tem. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. e. da dignidade da pessoa humana. entre eles: laços culturais. estatístico. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. não pode haver uma redução dessa concretização. esse prazo não pode mais ser reduzido. assim. só ampliado. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. língua. que significa nação. A partir do momento que um direito social é concretizado. e do Estado Democrático e Social de Direito. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. População está relacionada ao conceito demográfico. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. 5º. Há dois posicionamentos quanto ao tema. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). Pode. segundo ele.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. da máxima efetividade (art. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. de acordo com a necessidade. Todos que moram no Brasil. CR). A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. passaria a fazer parte do próprio direito social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. irão concretizar os direitos sociais. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. fazem parte da população brasileira. Por isso. fala-se em vedação do retrocesso social. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. Segundo ele. 127 . JAS. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. haver uma redução do grau de concretização. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. ao estudar as normas de princípios programáticos. um pensamento mais flexível sobre o tema. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. Os poderes públicos. §1º. já dizia algo muito semelhante. Ex. costumes. independentemente da nacionalidade. históricos.

o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. I. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei.Quase nacionalidade (art. os pais têm que ser brasileiros. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. A EC 54 alterou o art. se não se manifestarem contrariamente. 12. há direito público subjetivo do estrangeiro.Diferenças de tratamento 128 . considera a nacionalidade dos pais. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. de acordo com o art. I. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. II) Jus Sanguinis: ascendência. CF/88. estrangeiros residentes. b). A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. não haver condenação penal e requerimento do interessado. É o caso do Brasil. adquirem a nacionalidade do país onde residem. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. c. Pelo critério funcional. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. 227. É geralmente adotada por países que estão em formação.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). art. a). Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). De acordo com o critério sanguíneo. por uma questão de soberania nacional. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. Refere-se aos brasileiros natos. desde que haja reciprocidade. §6°. Se o casal estiver a serviço de outro país. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil.815/80. 12. . 12. 12. . As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. não há direito público subjetivo. Neste caso. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 12. Obs. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. o filho terá nacionalidade brasileira. 112 e 115. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. I. Refere-se aos brasileiros naturalizados. Quando a pessoa é nascida no Brasil. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. II) Naturalização expressa (art. terá naturalidade brasileira.

Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. em razão da soberania nacional. Princípios relacionados à extradição: . §4°. confundir a súmula acima com a seguinte. . A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. Na extradição. . mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. Não se pode. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. Os critérios utilizados são: .Perda da nacionalidade (art. 12. dependente da economia paterna. vice. . presidente do SF. 12.815 (ato nocivo ao interesse nacional). Se o estado desrespeita essa regra. 5°. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. em razão da superioridade da Constituição. do território brasileiro. Importante analisar a Súmula 421. 89. §3°).Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. §2°. XL. cria-se um problema de relação internacional. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. 5°. 12.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. Mas. Expulsão: consiste na retirada a forca.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. d) Extradição (art. Já na entrega. presidente da CD. no entanto. só poderá ser extraditado: . 65 da lei 6. 5°. CF/88). o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. não se poderá invadir esse estado. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. A deportação está mais próxima da expulsão. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira.linha sucessória do presidente da república: PR. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). portanto. a ela aplica-se a súmula 1. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). No caso de brasileiro naturalizado. CF/88): 129 .segurança nacional: oficial das forças armadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. ou que tenha filho brasileiro.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. . pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. . . b) 6 assentos do Conselho da República (art. Mas.

inclusive sendo cláusula pétrea. na forma da lei (que ainda não existe). Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. São requisitos apenas técnico-formais. o sufrágio censitário (ex.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. é o direito de votar (e não de ser votado).Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. one vote”. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. caput). é o direito político em si. salvo se por meio de ação rescisória. §1º. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. voto é o exercício desse direito. 14. pelo CN. e não requisitos preconceituosos. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. com uma única exceção: art. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). ou seja. salvo nos casos das alíneas a e b. . 130 .é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). A CR/88 adota o sufrágio universal.é direto: é a regra. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. . a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. one vote” – “one person. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. 81. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. perderá a nacionalidade brasileira. Características que o voto possui no Brasil: .é periódico: essa periodicidade do voto. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). Só se aplica ao brasileiro naturalizado. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. nacionalidade e alistamento. Para JAS. §1º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Servem ao controle do próprio direito. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. que exige uma alternância de poder. Além dessas características do voto. Direitos Políticos: . é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. com a realização de eleições periódicas. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos.tem valor igual para todos: “one man. 14. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). . . Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade.

parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. até que se atinja a plena cidadania. Mas o §9º do art. 14. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). 14.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. Assim. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). do art. §3º. etc. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. no governo de SP). salvo se já titular do cargo. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. ela é adquirida progressivamente. se houver reciprocidade (art.é conhecida como inelegibilidade reflexa. ☺ar. filiação partidária. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. que geralmente admitem desincompatibilização. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. os inalistáveis são os estrangeiros. a inelegibilidade em relação aos militares (art. §5º . São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. ou seja. 14 traz um questionamento. com exceção dos portugueses equiparados. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). §8º). já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. Quando a Constituição fala apenas em lei. §1º). e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). dentistas. No Brasil. 12. é o direito da pessoa ser votada.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. 14.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. assim. então. . 14. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos).☺§3º. em caso de reeleição. 14). e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. Ex. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. Além dessas condições relativas à idade mínima. no caso do art. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. domicílio eleitoral na circunscrição. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . . Primeiramente. ou seja. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. 14. §7º . o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. §3º? Segundo o STF. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. trata-se de lei ordinária.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. 14. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art.

Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. portanto. 15. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. nos termos do art. Com base nessa distinção. III e V) são hipóteses de suspensão. A doutrina (JAS.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. mas o prof. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. seus parentes também poderiam ser candidatos. Kildare. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. é algo temporário. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. 5º. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. não há como readquirir os direitos políticos). 132 . 15 (incisos II. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. o prof. 15. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. e quanto a isso não há divergência doutrinária. Todas as outras hipóteses do art. VIII). I. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos.

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