Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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um claro juízo de valor. do estado e das instituições democráticas. Numa vertente mais restrita. Partindo. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. O conceito de constitucionalismo transporta. É. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. a defesa da Constituição. Kildare Gonçalves Carvalho. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. Tem-se utilizado. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. o americano e o francês. mas também de outros assuntos. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. enfeixado na Constituição. e que se encontra acima dos detentores do poder. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. numa terceira acepção possível. como o inglês. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. no fundo. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. os fins socioeconômicos do Estado. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. como sociológica: “em termos jurídicos. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. assim. em sentido jurídico. e. 4 . muitas vezes é necessário ir contra a democracia. uma teoria normativa da política. E para isso. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. por seu turno. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. Numa segunda acepção. o local e a época. em especial limitar o poder arbitrário. Neste sentido. sociologicamente. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. então. mas proteger direitos. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. reporta-se a um sistema normativo.

O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). porém. após a Independência das 13 Colônias. a. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . c. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Hoje. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. em 1787. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. ii. Atribui competências aos três poderes. Garantia jurisdicional. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. e da França. Roma: idéia de liberdade. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. • Separação dos poderes. se contrapõe ao absolutismo. Inglaterra: rule of law – governo das leis . desde logo. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. • Princípio do governo limitado. b. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). (Livro do Alexandre de Morais). a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Influenciaram o direito francês e americano. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. b. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. Foi a 1ª experiência constitucional. como e até onde pode mandar. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Governo limitado. Por isso. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). integram-no. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Foi a mais avançada forma de governo. em 1791. a partir da Revolução Francesa. Estabelece as regras do jogo político. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Estado Hebreu: estado teocrático. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. ii. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. 1. Foi uma retrospectiva do direito Grego. quem. Grécia antiga: democracia constitucional. fases pelas quais passou a constituição. Como ressaltado por Jorge Miranda. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. d. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais.surgiu em substituição ao governo dos homens. A democracia é a representação da vontade da maioria.

direitos fundamentais. sem força vinculante. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. havia regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Ex. Separação de poderes. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Constituições da democracia social. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. XX). O ser humano é um fim em si mesmo. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. as constituições tinham caráter mais político. as quais são denominadas por pós-positivismo. Segundo a tradição francesa. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. os costumes 6 . Constituições de países subdesenvolvidos. Rússia. na época das Revoluções Liberais. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. foi o Abade Sieyès. d. estabelecendo diretrizes. ou seja. ligada à idéia de liberdade. ii. Eram apenas uma diretriz. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. a. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. estabelecidos pela Constituição. Idéias principais: i. PE e PJ). Hoje. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Garantia de direitos. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Força normativa da constituição: antes. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. A partir dessas novas idéias. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. estarão subordinados a ela. Constituições da democracia marxista ou socialista. c. c. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. b. Começou a se falar em um direito moral. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). b. XIX. Todos os poderes constituídos (PL. a maioria da nação. Novas idéias foram surgindo. Constituições da democracia racionalizada. aplica-se a analogia. diretrizes. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. 3. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). 4.

EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. aplica-se a regra específica. Verdade. mas quem dirá o que ela é. Continuidade.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). etc. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. demarcação de reservas indígenas. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Hoje. e. Quando o legislativo é fraco. Ex. Constitucionalismo do futuro. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). os princípios. • • 5. Solidariedade. união homoafetiva. é o judiciário. Eles são importantes. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Mas essa é uma posição muito radical. Hoje. Ele atua como legislador negativo e positivo. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo.. tratado internacional tinha status de lei ordinária. g. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Os princípios. 7 . d. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. c. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. verticalização. o judiciário aumenta sua força. etc. Universalização. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. de uma forma geral. Participação. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Não se aplica diretamente a constituição. EUA: nós estamos submetidos à constituição. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. que é aplicada mais às regras. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Consenso. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Teoria Concretista Geral. Na Itália. Integração. espuma do chopp. f. cotas em universidades.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). há uma euforia dos princípios. Na jurisprudência do STF. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a.  Aplicação direta da constituição. b. aborto no caso da acrania. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. é o juiz. pois esta é a concretização de um princípio geral. fidelidade partidária.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Entre uma regra específica e um princípio geral. Para Paulo Bonavides. Para Barroso. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito.

Bill of Rights de 1689. Habeas Corpus Act de 1679. portanto. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. referendo e iniciativa popular”. nos termos desta Constituição”. 14.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. pertinentes. II e III. o P. Contratos de colonização. Fundamental Orders of Connecticut (1662). a participação. cujo titular é o povo. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). de acordo com o art. dá-se através dos representantes do povo. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 .U. Carta outorgada por Carlos II (1662). que são os deputados federais (âmbito federal). Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). CR) e. a continuidade. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). que. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. de soberania popular. CR. 1º. 46. a verdade. verdadeiro sistema híbrido. do art. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. segundo o art. O titular do poder é o povo. mediante: plebiscito. então. por intermédio de seus representantes. caput. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Act of Settlement de 1701. Vale dizer. Podemos falar. Petition of Rights de 1628. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. a solidariedade. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). CR). I. com valor igual para todos. nos termos deste lei e das normas constitucionais.709/98 (que regulamentou o art. Assim. de forma expressa. Como regra. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). Compact (1620). concretizando a soberania popular. o exercício deste poder. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. 1º da Lei 9. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro.

As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. A conferência realizada por ele. é vinculante e obrigatória. Esta concepção atualmente é inadmissível. que adota o conceito decisionista de constituição. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional.. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). a Constituição é norma pura. que surgiram com as constituições mais prolixas. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. A Constituição Escrita.: art. os direitos fundamentais. 242. conforme o prisma de análise. não passaria de uma simples “folha de papel”. Toda a Constituição. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . na sociologia. ou seja. PL. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). As leis constitucionais são todo o restante. o caráter normativo e vinculante da Constituição. Segundo ele. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). Objetivos fundamentais também são normas programáticas. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. como por ex. ou seja. com exceção do Preâmbulo. quando não corresponde à Real. mas materialmente distintas. Essas normas são programáticas. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. portanto. o restante. Para entender tal concepção. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). O art. mas apenas leis constitucionais. a que Carl Schmitt chama de Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. Esta é a concepção que hoje prevalece. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). PJ. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. na política ou na filosofia). para ele. §2º. têm a mesma forma de elaboração). 1°. → Segundo Hans Kelsen. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. caso contrário. Constituição e leis constitucionais são.

Ou seja. ao mesmo tempo. . é uma norma pressuposta. Gilmar Mendes). Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. . É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ela não existe na realidade.Finalidade. seja pela introdução de novos elementos através de emendas.Povo. a Constituição tem sim fundamento sociológico. segundo esta concepção. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário.Território. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. qual seja. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro).a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. Seu único comando. 10 .a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. posta pelo Estado). Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. define tais elementos estruturais. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. mas que trata de todos os aspectos.Soberania. não introduz nenhuma novidade. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. e também jurídico. modificando-a. A CR/88. todos os setores da vida social. neste sentido. é: todos devem obedecer a Constituição. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. condicionante desta mesma cultura. quais sejam: . portanto. . não está escrita. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. . a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). é apenas uma pressuposição. por isso não tem nenhum expoente específico. é um elemento conformador. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. é a Constituição escrita (CR/88).

Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). Constituição Cezarista é uma constituição outorgada.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). quem vota a matéria são as lideranças. 11 .outorgada: é a constituição imposta. . votada. Ex. por ex. podendo ser: . . Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. e como é bastante prolixa. como por ex. de uma só vez. trata-se de modalidade anacrônica. não surge de uma só vez em um só momento. Por isso mesmo. É uma aprovação simbólica). de maneira unilateral. . Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. a Constituição Inglesa. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . . é fruto das idéias. . a constituição não se torna democrática. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. as constituições outorgadas foram as de 1824.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior).. pois toda constituição é escrita e não-escrita.não codificadas (ou legais.: as constituições outorgadas recebem. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). tem também vários documentos escritos. 1967. No Brasil. ou variadas): ex. surge em um só momento.dogmática: sempre escrita. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. 3) Quanto à origem: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade.. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. . Constituição Espanhola/1930. promulgada. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. toda Constituição histórica é costumeira. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). o apelido de “Cartas Constitucionais”. por alguns estudiosos. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição.democrática. Obs. consuetudinária (não é escrita).não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. Nesse caso. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. 1937. há pouco espaço para se ter costumes como regras.

por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. inclusive a CR/88).: a Constituição dos EUA).prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . CR). portanto muito difícil de serem modificadas. . O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. como é o caso da CR/88. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Ex. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário.fixas: não poderiam ser modificadas.) . sucintas. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO).constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).: art. São chamadas também de clássicas. É uma constituição em sentido formal. 1º. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. Constituição Inglesa. deixou de ser considerada flexível. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. ou seja. (Obs. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. passou a haver hierarquia entre as normas. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). sem se preocupar com os detalhes. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. É uma constituição em sentido material.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. . .concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. Como se submete a esse tratado internacional.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. Em 2000. Não existe controle de constitucionalidade das leis. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Ex. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. É uma classificação típica das constituições costumeiras. mas sim o processo mais dificultoso. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. Por este motivo. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. .: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . sendo assim. .

dogmática. o Municípios. . o Estados. o União. codificada. Fixas. dogmáticas. rígida (ou super-rígida).: art. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais).dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. e não de apenas uma ideologia. que surgiram com um objetivo pré-definido. democrática. sumárias. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). formal. 59 e segs. 13 . Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). porque é fruto de várias ideologias. Ecléticas. prolixa. OBS. É a CR/88. Pactuadas (ou pactuais). pois valem a todos os entes federados. Constituição programática (ou dirigente). o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. votadas ou promulgadas). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material.: art. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. como por ex. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. União. costumeiras ou consuetudinárias).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 3º. CR. básicas ou clássicas).: a CR/88 é ainda Eclética. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. mas sim uma obrigatoriedade!). → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Rígidas. Democráticas (populares. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Não-escritas (inorgânicas. Canotilho.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Flexíveis (ou plásticas). (processo legislativo). a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. o DF. Históricas. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). Característica das constituições clássicas. sucintas. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Ex. Constituição em sentido formal.

MP. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. princípios ou regras. cujo fundamento de validade são as leis e. enquanto as regras são mais específicas. sejam elas originárias ou derivadas. ordinárias e complementares). obrigatoriamente escrita. encontram-se as normas constitucionais originárias. uma Constituição só possui relevância sociológica. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. por ser rígida. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. Para que exista supremacia formal. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. Leis Delegadas. a Constituição tem que ser rígida. 59. LC. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. tem de ser. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. Importa dizer. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . estaduais. DL e Resoluções – ☺art. direitos fundamentais ou não. 5º.343/SP. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. distritais e municipais. basicamente. se tiver também supremacia formal. a Constituição. as derivadas (art. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. 59. §3º). aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. 59. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. II a VII). porque os princípios têm maior amplitude. as medidas provisórias. o indireto. CR). Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. No entanto. para fins de controle de constitucionalidade. por 3 níveis hierárquicos.: decretos e regulamentos. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. as leis delegadas. No topo. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. que existem como complementação dos ANP). ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. que a CR/88. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466.

só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. No caso da prisão civil por dívida. MPs. 47. ela não pode ser tratada por leis ordinárias.☺Art. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. que regula a LC. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . No entanto. Por ser uma matéria reservada.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. é sempre o mesmo número ☺Art. Quando não exigir LC. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Lei ordinária Art. 69. por uma questão de economia legislativa. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Leis delegadas. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. OBS: O art. Essa aprovação não é obrigatória. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) .☺Art. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Reservada pela CR/88. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. mas somente uma recomendação. 47 é a regra geral.status constitucional. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Não varia. Residual. Anotar como complemento posteriormente. Portanto. 69. a previsão constitucional exige complementação.

Parei aqui. conforme previsto no art. Hierarquia entre Lei Federal. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. d. Assim. 16 . 25. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. • Estado – ☺Art. Assim. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). como o controle exercido será de constitucionalidade. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). Havendo conflito (ex. 21. ☺Art. 102. assim. há hierarquia. III. 30 (assunto de interesse local). • União – ☺Arts. CR. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ).: lei estadual trata de matéria de competência da União). deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. pois não está ligada diretamente à Constituição. não cabe ADIN. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. DF). pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. E. a competência para resolução é do STF. no caso de repartição vertical. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U.

deve estar inserida no texto da CR. . como para Canotilho. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. mas também o preâmbulo. . A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). Não existe. Refere-se. os TI de direitos humanos. Assim. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. Tirando o preâmbulo. o CDC. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. quando são equivalentes às EC. tem função interpretativa). mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. visando assegurar a supremacia da constituição. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. Com a EC/45. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. é diretriz hermenêutica. Abrangeria não somente a constituição. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). inclusive os princípios implícitos também podem – ex. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. seja uma norma de referência para ele. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. etc. b) Parte permanente = normas gerais – arts. portanto. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. . Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. ou seja. Como não tem caráter normativo. 17 . contudo.

e Não Bastante em Si. Obs. Ex. Assim. pois. Ou seja.de princípio institutivo (Obs. art. Ex.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. AIO. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. quando não é respeitada uma norma de competência. 3. Pode ser: . Assim. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. se considerar em relação a uma expressão é total. Não Auto-aplicável. 18 . No STF. ADC e ADPF.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). §1º. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). mas o prof. 4 e 5. Formas de Inconstitucionalidade: 3. Não Auto-executável. . b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. STF não é mais aplicada. às vezes. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. 5° a 17). há uma divergência na doutrina.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. mas caberá ADIN por omissão). atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. ou seja. . 154.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. (Obs. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). MI. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. 5. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 61. 3.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. 3. ou seja. não será cabível mandado de injunção. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. ocorre. as Súm. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação.: competência privativa do PR (☺art. A omissão parcial nada mais é que uma ação. o Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .: a Súm. Aqui.de princípio programático. não pode ser suprido pela sua sanção). Dependem do prisma de observação.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Ex.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. ADI. aliás. I – que exige LC para instituir impostos residuais). STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. CR).

não se trata de revogação. pois. ato originariamente constitucional. atos previstos no art.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. Relaciona-se. reflexamente (ou de maneira 19 . Pode ser: b. Ex. Se o decreto é ilegal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. 66. a inconstitucionalidade será direta. todo parágrafo. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. ou seja. Obs. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. e grande parte da doutrina. decretos regulamentares. Quando se fala em inconstitucionalidade. que só pode atingir todo artigo. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). como altera sentido do texto. Assim. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. aos Atos Normativos Primários.: a palavra “não”. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. b. No caso da lei. já sendo inconstitucional desde a sua origem. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. refere-se. no controle concentrado abstrato. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. que se ligam indiretamente à constituição. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. No caso do decreto. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. Para o prof. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. toda alínea ou todo inciso (☺art. CR.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Ex. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. o decreto se torna inconstitucional. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. ou seja.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. a inconstitucionalidade será indireta. § 2°). 3.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. 59. de ofício ou a requerimento da parte. não pode ser retirada). Segundo STF. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. pode ser questionado. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex.

ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. Trata se de um controle incidental. §2º.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo.sancionar. a inconstitucionalidade será direta. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). Caso contrário. pois pode ser derrubado (☺art. porque o chefe do PE. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. O veto é relativo. . Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. a inconstitucionalidade é indireta. não pode impetrar o MS. 84. mas sim analisar cada caso concreto. 66. .: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. ela não está violando o direito de ninguém). porque o ato não fere diretamente a CR). O chefe do PE. CR. CR). promulgar e fazer publicar as leis. EX:art. ele não precisaria impetrar o MS. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. por isso aqui não há que se falar em controle). mas uma mera análise política. inciso ou alínea). é excepcional. 66. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). já que de maneira indireta. No 1° caso.ou concreto. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. tem fundamento de validade indireto. quando ele participa do processo legislativo. IV. assim. porque ele é o único que participa do processo legislativo. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. O veto tem que ser expresso. IV . Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). por isso ocorre antes da promulgação da lei. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. O único legitimado para impetrar esse MS. 60 parag 4. se ele entender que o projeto é inconstitucional. 84. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). Obs. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. Art. parágrafo. embora participe do processo legislativo. viola o art. que se exerce através do veto (☺art. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. segundo o STF.. portanto.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. como pelo PE e PJ: . é fundamento de validade direto e no 2° caso.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. OBS: não adianta decorar o nome do ato. o projeto 20 . prevenir que a CR seja violada.

em um primeiro momento. na qual o projeto esteja tramitando.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. as cláusulas pétreas. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. CR. mormente. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. que. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. por maioria de votos. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. e as normas do RI são questões interna corporis). desta feita. 21 . o voto direto. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). constituindo-se normas constitucionais interpostas.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. Assim. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. que entende que “. 68. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. pode ajuizar uma ADI. 49. que é o chamado Decreto Legislativo. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . 60. somente o Deputado Estadual. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. vedando-se. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. ou seja. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. não lhe cabendo. pois não se trata de ato normativo. etc. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. 168): o STF. Questão: o PR.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. interpretações regimentais. Ademais. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. Legislativo? Sim. se está no Senado. vinculam os atos e procedimentos legislativos. ADC ou ADPF. §4º. na linha do voto de Gilmar Mendes. a fim de repará-la.. se na Assembléia Legislativa. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. V . o PR elaborará então a LD. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. universal e periódico. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). o Senador. contudo. já que trata-se de um ato normativo. Leitura do livro do Lenza (pág. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. ☺art.. tendo como objeto esse Dec. V. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. Na verdade. a separação dos poderes. secreto. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. muito embora não sejam formalmente constitucionais. mas um processo legislativo constitucional. No entanto. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. aos direitos fundamentais”. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. os direitos e garantias individuais” – ou seja. Se o projeto tramita na CD.

o chefe do PE teria que. Legislativo para sustar. CR). quando. pois. não é um entendimento consolidado. Ele será. esse rol foi ampliado. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). Mas isso não pode ocorrer indefinidamente.. por ex. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. porém. nesse caso. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante.. Após a CR/88. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. ao negar cumprimento à lei. . ela deve ser objeto de controle. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). mas segundo o Min. IV. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. O TC é órgão auxiliar do PL (art. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. STF: o Tribunal de Contas. Antes da CR/88. nesse caso o CN pode editar um Dec.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência.084). CR). O chefe do PE (e só ele – PR. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. Obs. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. segundo o STF? Resposta: em regra. No entanto. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. Gilmar Mendes. Desde já. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”.. GE. é necessário fazer-se um controle repressivo). 84. simultaneamente. III) Súmula 347. pode o PJ analisar tais pressupostos. ao fazer um Decreto Regulamentar. ajuizar uma ADI. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. estudado de forma detalhada a seguir. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. no exercício de suas atribuições. clara e evidente – ou seja. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. . 4.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). Apenas excepcionalmente.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. II) art. ou seja. não havia relevância alguma). 62.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. exorbita os limites do Poder Regulamentar. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. através da edição de um Decreto. mas tão somente aos prefeitos. já no STJ não há qualquer ressalva. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). 71. Assim. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. tampouco que o PR. Não se analisa o mérito da MP). suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência).

a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. difuso e concentrado). ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual).S. em 1920 (bem depois do controle difuso). c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. Segundo caso. se se tratar de lei local. 1792 Hayburn s case. para não gerar essa confusão. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. É também chamado de controle aberto. e é adotado pela maioria dos países europeus. ou seja. 4. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. No Brasil. quem exerce o controle é o PJ. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). porque surgiu na Áustria. isso não é verdade. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. com 19 anos de Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. ao mesmo tempo. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade).: na Suíça. Obs.A. em se tratando de lei nacional. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). em 1803. haviam sido feitas apenas 16 EC. dentro de sua competência. mas das espécies de controle. inclusive o STF). porque significam coisas diferentes!). É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ).: O controle concentrado surgiu através da EC 16. já foram feitas 56 EC! 23 . Por isso.Hilton x U. Por isso.: França – que tem o Conselho Constitucional. Ex. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. que completa este ano 20. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. o controle é feito pelo PL. interessante: em 1965. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. já na CR/88. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. porque surgiu nos EUA. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). Primeiro caso.

bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. No Brasil. nos EUA chamado de “Binding Effect”. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. (O STF é o guardião da CR – art. A finalidade não se confunde com a competência. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Por isso o Min. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. se fala em efeito vertical. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Gilmar Mendes. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. 102. o principal defensor dessa tendência é o Min. Segundo este instituto. mas tão somente de controle concreto. por ser uma relação vertical. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). mas deve ser estendido ao controle concreto). A análise da lei sempre será feita em tese. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. Com base nesse argumento. porque em estando revogada. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). ou tendência de verticalização. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. No direito brasileiro. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. sendo o controle 24 . pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. 97. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. O efeito vertical. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. também não podem ser objeto de controle abstrato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. ou seja. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. e a partir desse antecedente. é proteger as normas da CR. Da mesma forma. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Este efeito é típico do controle abstrato. já não ameaça mais a supremacia da constituição. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência.

segundo ele. ou seja.335/AC). Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. Eros Grau. Então. ou seja. Na decisão do STF. X. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. não há necessidade da suspensão pelo Senado. em seu voto. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. 25 .917/SP. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. No Legislativo: Mas. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. Gilmar Mendes. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Antes. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. ainda. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. ou seja. houve decisões proferidas em 3 MI (712. o Min. Gilmar Mendes. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). ou seja. em ocorrendo isso. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). viola o princípio da igualdade. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. 4. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Gilmar Mendes (e também o Min. que deu provimento à reclamação. e não erga omnes. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. sendo acompanhado pelo Min. então não sabemos a posição dos demais ministros. Não houve reclamação quanto a essa decisão. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. No Acre. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. se assim fosse. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. Por fim. Por fim. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). CR. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. como a decisão tem efeitos inter partes. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes.959/SP. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. pelo menos por parte de alguns ministros. Outra situação interessante foi o RE 197. o direito de greve dos servidores públicos. O Relator da Reclamação foi o Min. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. 52. Assim. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. não uma simples mutação. sem que ocorra modificação no seu texto. Então o Min. E. do PL. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Pois no controle difuso. Assim. tendo efeito apenas inter partes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. não permite essa mutação). O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional.

art. analisado no dispositivo (conseqüente). ou seja. não é o objeto principal do pedido. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido.417/0 e Lei 11. 102. é uma questão incidental. a rigor. A repercussão geral (art. por sua vez. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. concorda com isso). Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. pois tem o papel de guardião da Constituição. No controle concreto. § 3°. não tem natureza processual como as súmulas comuns. somando-se os votos de todos eles. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. 26 .1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. o que se dá no “plenário virtual”. social. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. político ou jurídico. A súmula vinculante tem natureza constitucional. atualmente. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. por estarem mais próximos dos indivíduos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. eles não se reúnem fisicamente. Segundo Eduardo Appio. 103-A). Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório.418/06). O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. é um instrumento de controle concreto e há. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. Contrários a essa tendência de abstrativização. (☺ Lei 11. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. não precisam chegar até o STF. não cabe ao STF analisar. fundamentação e dispositivo. O papel do STF não é julgar litígios individuais. Num segundo momento (conseqüente). cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. estão os procedimentalistas. mas apenas a causa de pedir (antecedente). julgando-o procedente ou improcedente. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. O RE. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 .

mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. 28.Lei 9. . questões ditas de passagem.I. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional.882/99 – ADPF.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. art. 5. .Obter Dicta: não tem efeito vinculante. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. 102. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. mas tão somente a ratio decidendi. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. não determinantes para a decisão) não vinculam. conforme está previsto no caput do art. a chamada eficácia vinculante. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. Dispositivo L.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.EC 45/04: art. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .vinculante.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. a razão determinante da decisão. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. . cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada.Lei 9. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. ou seja. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. . sejam particulares. secundárias do julgado. há previsão não só na lei como também na CR).868/99 – Lei da ADI e da ADC. e ele se encontra no Dispositivo. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.U.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. 102. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. . Ademais. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. art.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . §2º. 27 . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.erga omnes . Mas não é tudo da fundamentação que vincula. 10. mas também à fundamentação. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . Sendo assim. eles também são vinculantes. sejam poderes públicos. P.: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI.

Só atinge a norma impugnada. como a coisa julgada. outros dizem ser nulo. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. até que o PJ a declare inconstitucional. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. Atinge a norma impugnada + normas paralelas.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. mesmo que não tenham sido impugnadas. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. .Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. Respeitando o efeito vinculante.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). já os órgãos fracionários do STF.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. Obs. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. 28 . Por este entendimento. estes estarão sim vinculados). . a função legislativa). se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. inclusive os chefes do PE. se as leis devem ser cumpridas. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: .803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. estadual e municipal). mas sim fiscalizatória. No entanto.o PL (na verdade. É um entendimento que vem desde 1. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. . inclusive o Tribunal de Contas. por sua vez. impedida de evoluir).o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. pode modificar seu entendimento. .Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. segundo o prof. cuja função não é legislativa. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. suas turmas e seus ministros. também fica vinculado). Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. pois atinge apenas o dispositivo. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. (20/03/09) 5. mas os sistemas de preclusão processual. no caso Marbury x Madison).) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. que se quiser. e outros dizem ser um ato anulável. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes.

☺RE 197.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. 27). não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. com seus normais efeitos ex tunc. 27. como a Lei 9.). o STF. por questão de segurança jurídica. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Mas.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.Normas anteriores à CR. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min.. como os servidores agiram de boa-fé.. portanto. o Min.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. decidiu que. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. com inteiro teor). ☺art. Ou seja. O STF. Visto a natureza do ato inconstitucional. e não no de não-recepção). Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. etc. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . Assim. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). 11). assim. não admite a “constitucionalização superveniente”. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. Lei 9.868/92 (art. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. .” . como regra é retroativo: ex tunc. os efeitos são erga omnes). ou 2) excepcional interesse social. Neste caso.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. portanto.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. não precisariam deixar os cargos. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. no caso do controle abstrato.112/90.882/92 (art. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. Exs. o efeito que produzirá. que revogou a Lei A. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. autor e réu. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). porque o ato é nulo desde a sua origem. . poderá o STF.)”. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento).

portanto.O Tribunal não precisaria 30 . . Em alguns casos. chamada “Apelo ao Legislador”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. o resultado será o mesmo. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. quanto . com um só sentido). Ex. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. 5. mas nem sempre. Assim. assim.: a norma x tem dois significados possíveis. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. quando todos os Estados tiverem DP.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. portanto. 134. reproduzida pelo STF). constitucionalidade. não foram todos os ministros que se manifestaram). mas sua interpretação). mas. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). para que este corrija a norma.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. Ex.Corresponde a um juízo de . controle difuso-concreto. com condições de trabalho iguais às do MP. que trata da ação de reparação ex delicto. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). um significado A e um B. 68. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. o prof.2: art. Segundo o STF. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca.O Tribunal precisaria observar .Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). de fato. . ela progressivamente se tornará inconstitucional).4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. evitando a inconstitucionalidade progressiva. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. (A norma já passou pelo crivo da constituição. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. depois de ter sido recepcionada. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. e a norma já foi recepcionada pela CR e. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. portanto foi recepcionada. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x.Corresponde a um juízo de . Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. era uma questão “obter dictum”. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . ex. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. à medida que a situação fática for alterada. CPP. CR x art.

total ou parcialmente. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. 2º. . analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. declarar a inconstitucionalidade. Na declaração com redução de texto.Não há qualquer modificação no texto da norma. em razão do Princípio da inércia. Ocorre que. não podendo. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. . Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. portanto. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. de ofício. 1º ou do art. são excluídas as demais. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. se for um dispositivo autônomo. esta só se faz necessária quando se afasta. se manifestar de ofício sobre o art. em regra. Obs.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. . . mesmo que não tenha sido questionado. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir).1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. 97). portanto.É excluída uma determinada interpretação. no controle abstrato. Assim. 1º e 3º e. 1º e 3º. desde que não altere o sentido do restante da norma. por arrastamento. O STF.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. ou seja. não poderá. 2º for dependente do art. Trata-se de controle abstrato. 2º. a cláusula de reserva de plenário. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. . como ambas são equivalentes.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. nem sobre os demais. b) Com redução de texto: b. observar a cláusula da reserva de plenário (*).É permitida uma interpretação e. o juiz não pode. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. o juiz pode. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. b. 3º. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. em princípio. o texto da norma. de ofício.É uma técnica de decisão judicial. e são permitidas as demais. . no controle concreto. da Lei x.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. ou todo o artigo.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). ser objeto de ADI. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . (*) Para o STF. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. do art. dentro de uma mesma lei). . 2º. no controle concreto. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. se o art.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. Mas nem todo controle concreto é difuso. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. mas é que esta não é necessária. pois será uma questão discutida incidentalmente. julgará procedente ou improcedente o pedido. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. Ex. Ou seja. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. mas apenas a causa de pedir. neste caso. julga também inconstitucional o decreto. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. de ofício. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. mas também quando há usurpação da competência do STF). apesar de sozinho não ter aplicação. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. portanto. Obs. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). No Brasil. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. ADCe ADPF). porque seu conteúdo é incompatível com a CR. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. dentre elas a ACP. já que o STF pode. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). O dispositivo. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. ACP para fechamento dos bingos. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. Assim. porque. Sobre o tema: 32 . caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). portanto. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. Neste caso. e por arrastamento. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. O pedido será a proteção de direitos. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. todo controle difuso é concreto. Contudo.

no caso. pois. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. STJ ☺ Resp. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). elaboração de Regimento Interno. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. 33 . Segundo esta cláusula. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. também não pode ser delegada). porém. STJ ☺ RE 227. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. que é mais de 50% dos presentes). ☺art. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). que é função legislativa. é função possível de ser delegada. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. No tocante. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. por ex. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. teremos uma lei material. assim. Em outras palavras. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. 557. 93. por exemplo. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI.022. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. não pode ser delegada. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. Os juízes singulares podem. porém. Regra da “full bench”. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. XI – órgão especial: para que seja criado. porém. desde que. que é função política. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. no âmbito dos Tribunais. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. os Tribunais não têm admitido que. conseqüentemente. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). em defesa de contribuintes. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. 97.: eleição do Presidente do tribunal. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir.. Assim. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. por entendê-la inconstitucional (inter partes). Nada impede. e no mínimo 11 membros. Assim. 294. na prática.646. por meio da ACP. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. o que só se pode obter por meio de ADI. dotada de caráter de universalidade e abstração”. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. de efeitos concretos. 97. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. as chamadas leis de efeitos concretos. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo.159.

Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada).U. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. P. ao órgão especial). 97. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. ☺art. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. Decidido o antecedente. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes).)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). como guardião da CR. CR é uma NEP (norma de eficácia plena).: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. 481. . podendo decidir o caso concreto. pela maioria dos seus membros.U. 481. abstratamente. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição.. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. O professor não concorda.. ou em caso de interpretação conforme. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. Há quem critique tais exceções. a argüição de inconstitucionalidade (. assim.. sob o argumento de que o dispositivo (art. se existir no Tribunal. Há uma repartição funcional de competências. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. se for acolhida. CPC) seria inconstitucional: o art. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. Assim. no entanto. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. será lavrado o acórdão. porque para o STF ambas são equivalentes. sabe-se que o STF é o guardião da CR. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. 34 . A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). prosseguirá o julgamento. Quanto à 2ª exceção. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. se entender que a lei é inconstitucional. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. de acordo com o posicionamento do STF. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. Exceções: P. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada.

RISTF. Na verdade. o SF não pode suspender toda a lei. 2) Outros autores. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. Ademais. Efeitos. quando isso ocorre. art. 35 . A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. O STF já admitia essas duas exceções.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. esta decisão deve ser submetida ao plenário. ou seja. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. portanto. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. CR – compete privativamente ao SF suspender. em regra. como se tratasse de uma revogação. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. bem como ou STF. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. que não pode ser retroativa. que não comporta delegação. 178. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. por isso o faz dali em diante. Quando o SF suspende a lei. O SF apenas suspende a lei. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. passa a ter efeito erga omnes. trata-se de uma competência exclusiva. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). É o entendimento mais correto. Outros autores. entendem que se trata de um ato discricionário. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. não estando vinculado à decisão do STF. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. X. se assim o fosse ela já seria vinculante). a decisão do STF. ela se refere à decisão do STF. A suspensão se dá através de uma Resolução. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). A cláusula vale também para o controle concentrado. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. 52. Ou seja. no todo ou em parte. a lei deixa de ser aplicada. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. sustentam que o efeito é ex tunc. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. O SF não é obrigado a suspender. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais.

Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. Nas situações em que o TJ julga. 59 e segs. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). em razão do princípio da simetria. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. um RE para o STF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). não se referem ao âmbito estadual e municipal. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. etc. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. o que. cujo modelo. já que o SF não atua de forma correta. cabe. Art. Ressalta que a letra da norma (art. está fazendo uma análise. a partir do momento que resolve fazê-lo. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. 57. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. O SF. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. LC. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. Neste caso. segundo o Min. §4°. RISTF) – e isso é óbvio. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. já o SF não. no controle difuso-concreto. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. sendo norma de observância obrigatória. mas. 52. Segundo o STF. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. esse entendimento é desejável. Na ADPF este fenômeno também é possível. desta decisão proferida pelo TJ. Mas. e se o STF. normas referentes ao TCU. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. deve-se recorrer ao entendimento do STF. se for apenas uma parte. 178. CR) não comporta este entendimento. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. configuraria uma mutação constitucional. requisitos para a criação de CPI. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). 66. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Gilmar Mendes. não havendo a necessidade de suspensão da lei. 61: iniciativa do presidente. obrigatoriamente. Segundo o professor. por ser um órgão do PL Federal. É uma construção da jurisprudência do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . CR. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). LO. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. a resposta é negativa. pela simetria deve ser atribuída ao governador. se toda a lei foi declarada inconstitucional. esta norma não é de observância obrigatória. Por isso. CR: prevê o escrutínio secreto. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. Art. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. ou seja.

sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. estadual e municipal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. também. Sabe-se. porém. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc).” Análise do enunciado pelo prof. do DF e até municipais. CR). por não existir uma federação de municípios. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). 58. É também uma lei emanada do CN. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. a suspensão. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). §3º.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. os que tratam do TCU. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art.: Lei 8. São os dispositivos que se referem tanto à União. ADC ou ADPF). Ex. sendo específica para os servidores públicos civis da União. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. está defendendo interesses apenas da União. estadual. da organização da União.: arts. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. quando o SF atua. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. portanto. mas não trata apenas dos interesses da União. Assim. 59.: art. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). se aplicando ao âmbito federal. o SF teria um número enorme de representantes). não havendo. 52. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. Classificação de Osvaldo Aranha B. que deve ser observado no âmbito federal. etc. pelo Senado Federal. por isso pode suspender lei estadual e municipal. Quando o SF atua como órgão federal. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). ele está atuando como órgão de caráter nacional. X. assim. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. outros 37 . Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. no todo ou em parte.). 37.: CTN. visto que. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. Ex. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. por isso pode suspender leis também dos Estados. Ex. 19. distrital e municipal). art. Quando o SF suspende os efeitos da lei. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. retirando a lei do ordenamento jurídico. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. Ex. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. como aos Estados. só se aplicando ao âmbito federal). mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. no controle abstrato (ADI.

ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. Segundo o STF. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal.346. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. na sua esfera de competência. visto que. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). Embora não haja consenso.346. de 10/10/1997. Com efeito. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. declarando uma lei inconstitucional. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. pró-ativos (ex nunc). Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). RN. Portanto. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. é a Câmara Municipal. então.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. da AP Federal direta e indireta. por força do referido Decreto nº 2. os dois tipos são constitucionais. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. MS. no âmbito da AP Federal. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. não retroativos). O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). visto que. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. é sempre a AL que suspende a lei. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. 38 . uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. adotou-se. em decisão definitiva. é a AL que suspende a lei. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. de fato. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). 2º grupo: . Entretanto. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. TO. . quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). SE e AM. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. Poderá. porque o seu parâmetro não é a CR. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional).

4) Recurso da decisão de mérito. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. de acordo com essas leis. 5) Ação rescisória. ☺Lei 9. onde não existem partes formais (autor e réu). a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. a ampla defesa. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). não cabe. mas sim legitimados. deve haver a previsão da legitimidade.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. Por se tratar de um processo de índole objetiva. 103. A Constituição. Obs. o duplo grau de jurisdição. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).ADPF. em seu art. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. ela é meramente jurisprudencial). traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). 39 . que são a União e os Estados).: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . ou na CR ou na lei. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. tendo partes – autor e réu.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). Como são ações de controle abstrato. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). e . 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. obviamente.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. .ADC. a competência é do TJ).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. . e não do trânsito em julgado.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU.

..A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. segundo a jurisprudência do STF: .A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Os demais podem fazê-lo sem advogado. . Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). .Os GE. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. . A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).Confederação sindical significa de âmbito federal.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. confederação local: sindicato. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). . e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. Obs. CS e ECAN. confederação regional: F. .A entidade de classe. Para ter âmbito nacional. Assim. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.S. a partir de então.A norma do art. para ter legitimidade. ou seja. . tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). . Executivo PR GE – GDF P.

Norma formalmente constitucional .preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. Ex. o RI pode. §3º .normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). todas estão no mesmo nível. . Obs. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. OBS. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos.TIDH (3/5 e 2T) . caso o decreto emane diretamente da CR. ou seja.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. direitos e garantias fundamentais. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. pois geralmente está abaixo do decreto. Não serão objeto de ADI e ADC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). . nas normas que tratam de outra matéria). como por ex. decreto regulamentar. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). são questões próprias de RI. para ser objeto de ADC e ADI. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. 102. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. I.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. a. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. Lei 9. geral e abstrato.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. . estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. por isso não é ANP). 102.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. admite-se o seu controle. sem interferência do PJ. ele poderá ser objeto. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . I. 5º.☺art.: decreto regulamentar do PR. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. a. 1º. 41 . Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). salvo se envolver violação a direitos fundamentais.

de defensor legis. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. Atuação do PGR: ☺art. medidas provisórias revogadas. ainda. § 3° é uma função especial. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). sem exceção. se seu entendimento for diverso. ainda que ele proponha a ação – ou seja. poder-se-ia admitir o veto jurídico. se um novo PGR o substituir. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. pode ser qualquer ato do poder público. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. No caso de emenda. . 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. da mesma forma na ADPF. 103. ou seja. e. segundo o STF. Obs. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). Atuação do AGU: ☺art.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. O PGR atua como “custus constitutionis”. na outra. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. Tem status de ministro de estado. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. por analogia. §1º. não ameaça mais a supremacia constitucional. STF). Gilmar Mendes e de um prof. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. Hoje. pois não produzem mais efeitos. leis suspensas pelo SF. CR. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. não pode ser objeto de ADPF: . 103.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. Função geral do AGU (art. Lei do DF não pode objeto de ADC. A função do art. CR. também poderá dar parecer em sentido contrário. 103. . Mas. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. é preciso primeiro ser transformado em EC). leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. intervenção de terceiros e recursos. portanto está subordinado ao PR.leis revogadas. 42 . como está havendo uma influência de um controle no outro. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). o STF admitiu. posteriores a 5/10/88. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. §3º. Assim. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. só podendo ser objeto de controle difuso.Súmula. Lembrar que não cabe assistência. ele vai atuar como fiscal da Constituição. salvo embargos de declaração. devendo ser de todos eles intimado.

em especial no direito norte-americano. por analogia. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). §1º e art.868/99 -☺art. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. art. o AGU até poderia participar. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. nos estados que adotam a commum low.868/99 vale só para a ADI. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Foi introduzida pela Lei 6. A exposição dos motivos da Lei 9. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. Portanto. Ela já existia antes. Cabe também na ADPF. sendo feita por toda a sociedade. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. 89. Amicus Curiae: Em uma tradução. Não há previsão para a ADC e ADPF.868. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). não há o que se defender. mas não têm nada haver com amicus curiae. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional.385/73 (☺ art. a Lei 8. Mesmo sem previsão legal. de “defensor legis” e. 7º. portanto. 482. 20. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. 7º. 31). A previsão expressamente contida no art. Importante: ainda que como Advogado da União. só vai contribuir para a decisão do tribunal. Mas atenção: existe um outro instituto. o das audiências públicas. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. seria “amigo do tribunal”. . § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). Na ADPF. Nesse caso. não precisará do AGU para defendê-la. §3º. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. A audiência pública está prevista na Lei 9.868. o AGU não será obrigado a defender a lei. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. Tem natureza de auxiliar do juízo. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. §2º e art. §1º. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. 7°.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Na ADI por omissão. 6º. ☺ art.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. Está desempenhando uma função especial.868. “amigo da corte”. §1º. em seu art. Ele não é alguém interessado na causa. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). 43 . mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. É muito comum nos tribunais internacionais. art. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Quando o AGU desempenha essa função. §2º da Lei 9. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. por fim. disciplinou a figura.884/94 (CADE). 9. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Posteriormente.

Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. O juiz de primeiro grau. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. . portanto. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. não tendo partes. Surgiu com a EC/03. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Apesar de que era relevante. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). I. (Obs. .868/99. O STF ainda tem exigido pertinência temática. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. J. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF.Com relação à presunção de constitucionalidade. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. cabe amicus curiae. . Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. É. em despacho irrecorrível. Quando 44 . a mais correta. Para o prof. ou seja. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. Gracie). porque iria envolver matéria em relação à vida. Foi uma exceção. Obs.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. M. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). por ex. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. admitindo ser intervenção de terceiros (C.102. R.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). pois admitiu pessoa física em controle concreto. “a”. Lewandowski. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. ou seja. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. ressalta-se que esta é apenas relativa. Mas depois que a lei foi feita. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. segundo o professor. Lei 9. poderia afastar esta presunção. seria uma exceção). Marco Aurélio não admitiu. admitindo prova em contrário. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. Barbosa e E. Aurélio. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo.. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. autor e réu. é um equívoco. Mello.

.868/99. art. 34. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. nas outras ações ela também poderá ocorrer). para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. III). neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. O parâmetro. na ADPF 33: . o FHC ajuizou ADC. VII). §1º.Cláusulas Pétreas. .U. P. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art.21. inclusive o Poder Executivo. II. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). nos quais a lei esteja sendo discutida. Não é uma ação de inconstitucionalidade. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. Segundo a doutrina. 45 . Portanto. exige como requisito para o ajuizamento da ADC.Título I: Princípios Fundamentais. . b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.868/99.Princípios Constitucionais Sensíveis. Gilmar Mendes.14. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. Cabe prorrogação. CR e Lei 9. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).Princípios Constitucionais. não há que se declarar uma lei constitucional).102. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. . 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. é mais restrito: somente a violação. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). art. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. O STF admitiu ☺Informativo 518. Mas. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. e . os preceitos fundamentais são: .Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. no entanto. ADPF: ☺ Art. 14. . a Lei 9.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.882/99. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. portanto.Cláusulas Pétreas. Como visto.869/99. em seu art.). . e . Através do AGU. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP.

Proposta diretamente no STF. estadual e municipal.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. Mas se algum dos legitimados souber da ação. dentro do mesmo tribunal. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. 1º. como guardião da CR. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. P. neste rol.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. art. apenas o STF. Um dos legitimados. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. Ex.: gestante com feto com acrania. Art. na ADPF. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. 196 e ao meio ambiente. embora lá há uma vinculação horizontal.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). 1º. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. Incluindo-se.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). 46 . Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art.882/99. embora seja bastante difícil existir esse meio).U.: surge a partir de um caso concreto. Aqui. podendo ser um meio de controle difuso. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. ou seja. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. ainda. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. dentro do órgão judiciário). a vinculação é vertical. Características: .882/99). leva a questão ao STF através de ADPF. O objeto pode ser da esfera federal. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. Obs. Ela vai ao juiz de primeiro grau. os legitimados podem levar não todo o processo. § 1° da lei 9. Segundo Neri da Silveira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. 4°.

§ 2º . V). o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. I. É a mesma da ADI.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 102. 105. I. TSE/TER (art. à soberania e à cidadania”. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos).CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. mas a converteu em ADI.Admite-se a fungibilidade. coletivos e individuais indisponíveis (art. . 5°. II e III). 47 . 129.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. em se tratando de órgão administrativo. ADC e ADPF (art. por ex. 5°. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. Assegurar a efetividade de suas normas. . LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. .CR: STF (art.. No entanto. É controle concreto. LXXI . STJ (art. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. h).MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. para fazê-lo em trinta dias”.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI).Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. 103.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. É controle abstrato. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). o STF transforma a ADPF em ADI. à soberania e à cidadania). § 4°. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . q). . Ex. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). Obs. nas CE ou em lei federal). 121. O STF admitiu a ADPF.

no entanto. portanto não podem impetrar MI. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. ECAN e associação c/ 1 ano). Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. fundamentais em face do Estado.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. Recentemente. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. Obs. ou seja.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. ou seja. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. organização sindical.Órgãos públicos. público: MI protege dir.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. O STF. mas esse prazo era direito. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. concretize a norma (faça a norma concreta). em se tratando de órgão da AP. apenas razoável e não peremptório. autores que admitem. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. não pode fazer a norma para o caso concreto. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos.: na ADI 3682 b. LXX: PP c/ CN. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. portanto.MI Coletivo: o STF o tem admitido.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . mudou seu posicionamento. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. Se o PL) e. 5º. Mas atenção. entes federativos e PJ dir. recentemente. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. competente de sua omissão (em regra. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. Há. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . não pode concretizar a norma. . usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. é b) Concretista: concretiza a norma.

36. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. De acordo com esta concepção. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. porque adotava a corrente não concretista). Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. a intervenção é uma exceção (a União não pode. O STF adotou essa corrente no MI 232. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. Portanto. porque nem a AIO tem esse poder. 652. VII). Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. o STF está atuando como legislador positivo. 49 . Mesmo adotando a corrente concretista. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. ou seja. como regra. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. ou seja.040). não cabe liminar (antes. Ela se subdivide em – geral e individual. pelo STF. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. ou seja. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. A omissão total não cabe MC. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. VI). o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. O efeito seria apenas inter partes. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. Surge a partir do caso concreto. Essa corrente é bastante criticada. nestes casos de omissão parcial. CR (provimento. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. intervir nos Estados). o PJ. A regra é o principio da não-intervenção. 708 e 712). Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. criando uma norma geral e abstrata. 680. e 2) recusa à execução de lei federal (art. No MI. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. ao mesmo tempo. III. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. 34. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. Recentemente. 2. ademais. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). em um primeiro momento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. 34.

OBS. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. O RE. O STF é o guardião da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. nem no RISTF. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. 50 . no âmbito do TJ. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. além. STF). §2º. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). Isto está previsto no art. 35. 125. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. 614. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. IV. portanto. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). já que o TJ não estará julgando um caso concreto. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. da ADPF). ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. é claro. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. mas sim. 127. Esta forma não foi prevista na CR. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. foi uma criação da jurisprudência do STF. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). ☺art. As partes aqui são o Estado e o Município. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. no âmbito federal). CR. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. o PR então poderá decretar a intervenção. O parâmetro aqui é mais amplo. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. CR). O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. mas que surge a partir de um caso concreto. § 1°. e sim em face da CR. se o STF der provimento à representação do PGR. 36. se violados. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. §3º. que é o pressuposto para a representação interventiva. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. ☺art. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). É dispensada a apreciação política pelo PL. CR. CR. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto).

a vontade do constituinte é a vontade do povo. que formulou esta teoria no fim do Séc. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. pois o Estado decorre da soberania popular. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. social e juridicamente organizado. corroborando essa perspectiva. um dos precursores dessa doutrina. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Modernamente. Celso de Mello.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Bonavides. XVIII). A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. retira sua força do direito natural. ou seja. Portanto. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . sendo o titular o povo e o exequente aquele que. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. porém. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. C. Obs. em alguns casos. Para os jusnaturalistas. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. editando a nova Constituição. São apenas órgãos aos quais se atribui. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. Schmitt). expressa por meio de seus representantes. pode usurpar do povo a titularidade do poder. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. É ele um titular passivo. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. cria o Estado. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. segundo o Abade Sieyès. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Assim. o exercício dessa magna prerrogativa. é a nação. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. Na 1ª etapa. segundo o abade Emmanuel Sieyès. mas jamais é quem o exerce. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. que. analisa-se se o poder é legítimo ou não. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. que deve observar o direito natural. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. por delegação popular. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. que é sempre superior aos poderes constituídos. em nome do povo. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Está acima do direito positivo. Assim.

para ser considerado legítimo. ADCT. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte).Reformador (art. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . 11. ADCT) .Material . CR) . por conseguinte. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. se esta correspondência existir o poder será legítimo. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. Obs. Assim. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. Dessa forma. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. que é seu verdadeiro titular. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. há legitimidade objetiva. correspondendo aos anseios daquela sociedade. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. Portanto. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. 60. 3º.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) .Decorrente (art.Revisor (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. já que o poder constituinte já é originário. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. 25.Revolucionário .: o prof. Espécies Tradicionais: . a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e.Histórico . art. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado.Formal . entende que a expressão “originário” seria uma redundância.

1937. GV). porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. foi criado um direito natural). é a Constituição que vai dar origem ao Estado. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. não perde a titularidade do poder constituinte. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. através de normas constitucionais. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. Obs. através da Constituição. independente e soberano. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). 1988. que substituirá a anterior. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. Obs. b) é um poder inalienável.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). No plano axiológico. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. 1946. O Abade Sieyes. há alguns valores que são morais. No caso do Brasil. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. O povo é o titular do PCOM. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido.: se é um poder autônomo e incondicionado. ela nunca deixa de ser do povo. mas não a primeira e sim uma nova. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico.: este poder tem este nome porque para o Direito. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. Ex. No caso do Brasil. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. ex. 1934. Apesar de ser um poder incondicionado. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. a nenhum pré-requisito jurídico. Obs. 53 . os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. 1967/69. é apenas uma classificação quanto ao momento. ou seja.

deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. 25. não concorda muito com isso. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. Obs. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. na pena de morte. contudo. na verdade. por ex. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). no art. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. Fábio Konder Comparato fala. No entanto. 54 . ☺art. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. 25. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. as constituições estaduais não são recepcionadas. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). mas meta jurídico (fora do direito). com os avanços da sociedade. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. Dentro desse limite. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Esta AL. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. mas continua a existir como característica essencial deste poder. observados os princípios estabelecidos na CR. Não se trata de um limite jurídico. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. Quando a CR consagra o art. ficando um pouco relativizada. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Ex. por se tratar de uma conquista da sociedade. O prof. Ex. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. No caso da CR/88. Ainda que o estado seja soberano. ele encontra limites no texto da CR. A partir do momento que a CR surge. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). De acordo esse limite. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. refere-se ao núcleo essencial dos direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. a doutrina deduz deste art. 11 do ADCT. A CR/88..

. V ???) I) Expressos na constituição: art.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. são as normas de auto-organização da União. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. 57. 57.). → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. não existe um modelo a priori de separação dos poderes.: presidencialismo x parlamentarismo). porque o art. 75. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. CR. ou seja. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). Mas. Obs. 93. processo legislativo (art. CR. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. composição. 59 e segs. VII. diferente dos extensíveis.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. § 1°. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. Segundo o STF.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. que se estendem aos Estados. Estão presentes no art.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. vedada a recondução. II) Implícitos: CPI (art. 34. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. §4º não é norma de observância obrigatória). 61. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88.: ☺art. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. por enquanto. Há dois grupos: (art. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. e o STF decidiu que não havia problema. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. Obs. mas foi uma decisão super apertada (6x5). 58. §1º . Se subdividem em: 55 . fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. §4º. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. . são essas as normas de repetição obrigatória. 58. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. 27. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. § 3°).

. ou seja. E. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas.não é autônomo. 136). A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 3°. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.é condicionado.não é inicial. ADCT). uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. se for decretado o estado de defesa (art.é limitado. Trata-se de um poder previsto na CR e.normas mandatórias: ex. é conseqüente. 19.normas vedatórias: ex.: art. em qualquer estado da Federação (art. 34). CR. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. . Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art.titularidade: é do povo. 60. .: art. §1º. 60. CR (é vedado à U. Ex. 56 . que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. decorre da lei e não da força. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. portanto. .). As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. 137). → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. Ex. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração.. DF e M. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. uma limitação temporal para o poder revisor – art. 37. . . .é um poder jurídico (e não de fato). no entanto.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR.) – contém uma vedação expressa. cujo procedimento está previsto no art.. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. mas é possível deduzi-las. . portanto. CR. .. e se for decretado o estado de sítio (art.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.. . 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade.exercício: é pelo CN.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”.: os arts.

vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. §3º. o STF e Tribunais Superiores. através da iniciativa popular (art. P. 61. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. após a iniciativa.A nossa Constituição é rígida. Ex. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. a PEC será discutida em cada casa do CN. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). também chamadas de implícitas. DF e DE. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e.Feita a iniciativa. 60. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. no entanto. não pode haver emenda de emenda. para que. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). 67. não veta. assim. do SF ou do CN. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. ☺art. ademais. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. no âmbito do PJ. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. ela será chamada de extraordinária. . O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR.U. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. Este art. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). 44. 60. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. não promulga. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma).Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. é o de que o art. 60. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. no qual há 4 sessões legislativas. 61. 57 . ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. se a matéria for rejeitada. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. no âmbito do PE. . ☺art. . no âmbito do MP. possamos usar o procedimento previsto no art. A Sessão legislativa (art. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). a PEC vai para a promulgação. 61 é a regra geral de iniciativa. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). sendo o art. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC.A última limitação formal objetiva está prevista no art. proposta rejeitada no dia 15/01. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art.). 62. . primeiro em uma casa e depois na segunda casa. b) o entendimento majoritário da doutrina. apesar de não existir previsão expressa. Obs. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. 61. .Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. §5º. . Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. por fim.Discutido e aprovado. . CR).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. também podem propor projeto de lei o povo. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. 60. 60 (incisos I. §2º). No caso de projeto de lei. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. CR. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. II e III) uma exceção à regra geral.Além do PR. GE. apenas o PR. que é o período de 4 anos do mandato do PR. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. §2º). Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. o PGR. §10).

A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. não é secreto. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. São as chamadas cláusulas pétreas. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. As cláusulas pétreas são. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). não podem haver alterações tendentes a aboli-las. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. c) Assegurar o processo democrático. §4º. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. . cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. o que é secreto é o escrutínio. Universal e Periódico: . secreto. o que é universal é o direito de sufrágio. pois.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. mas sim. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. 60. o voto não é universal. segundo o STF. 58 . Se elas não existissem. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. CR. que é o modo como se realiza o exercício do voto. cláusulas que exteriorizam limitações materiais.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. universal e periódico. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. ademais. VI. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. Secreto. 150.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. na verdade. . Curiosamente. c) Voto Direto. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. b) Preservar a identidade material da Constituição. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Expressas: ☺art. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. a). Ou seja. o direito de participar das eleições.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular.

com a dignidade da pessoa humana. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. III.Há quem defenda. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . 60. por isso. não tem nada a ver com CP).: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. 150. e não em direitos e garantias fundamentais. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. Mas o STF já considerou que o art. CR). mas os demais não (ex. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. Os direito fundamentais se encontram. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). ADCT).: FGTS. O art. Para ele. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. para posterior alteração do conteúdo. 5º. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. 2º. b. Ex. mas refere-se a uma reforma. CR. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Chama-se dupla revisão. .Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Os demais direitos e garantias fundamentais.: primeiro. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. far-se-ia uma EC revogando o art. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. é CP. 60 poderia ser modificado. (23/04/09) 2. por uma questão lógica. que não é unânime na doutrina. Um exemplo. pois. é o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. sendo uma garantia individual. dispostos do art. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. comportam diferentes interpretações. segundo a qual o art. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. todo o art. ou. CR. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. 60. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. como um todo. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Assim. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. Assim. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. não concorda. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. O prof. CP). 5º. inclusive. posteriormente. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. 60 seria CP. A CR fala em direitos e garantias individuais. que proíbe a pena de morte. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. não alterando-o). são CP. não o serem). não seriam cláusulas pétreas. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Lá estão as limitações ao poder reformador. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. §4º. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. sistematicamente. pois seria uma forma da fraudar a constituição. e por conseqüência. em princípio. . Obs.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. Ex. b) Média: a retroatividade não é automática. não sendo um princípio absoluto. 3º. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. Ex. não abrange EC. tem que haver previsão expressa na constituição. O direito adquirido pode ser relativizado. 60. mas também emendas à constituição. c) Máxima: a retroatividade não é automática. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. A retroatividade mínima é automática. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. 5°. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). tem que haver previsão expressa na constituição. em sessão unicameral. A limitação imposta no art. Antes da CR/88. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. 3º. contados da promulgação da Constituição. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. Revisão é a via extraordinária. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. CR). comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. ☺art. XXXVI. mas ainda não pagas. 3º. mas seus efeitos surgem após a constituição. art. Ex. portanto. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. esse era o entendimento do STF. não abrangendo apenas leis em sentido formal. . Com relação ao assunto acima. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . O ato ocorreu antes. o STF tem entendimento unânime. em sentido formal. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. a constituição atinge prestações vencidas. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. excepcional e transitória de alteração da Constituição.

o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. circunstanciais. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. especificamente. 61 . Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Além disso. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. §§1º e 4º). 3º. ADCT. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. 60. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. e de forma geralmente mais extensa.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. como início e limite para a interpretação. Ex: princípio da não contradição. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. devido à complexidade da interpretação constitucional. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). e os valores fossem o seu espírito. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. É o início de uma interpretação. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. e não isoladamente. Constituição da República. 52.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. mas apenas valores: o preâmbulo. X. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. partindo da idéia de sistema. Não existe uma norma jurídica sozinha. eles são suficientes. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Buscam os valores subjacentes à constituição. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Imagine a Constituição norte-americana. só tem alma. Ela não tem normas jurídicas. esse método também é conhecido como método valorativo. com algumas peculiaridades. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Esse método não é apenas sistemático. é também o limite para a interpretação. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. Toda norma está dentro de um sistema. Por isso. para o direito privado. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. entra o elemento histórico evolutivo. 65 . O texto da norma funciona. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. Nele estão os valores supremos da sociedade. para o direito público. esses elementos são insuficientes. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. O grande problema é que. b) Histórico: no seu desdobramento. aqueles desenvolvidos por Savigny. portanto. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. Por isso. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. como todas as demais. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Além disso. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. É como se a norma fosse o corpo da constituição.

pois comporta mais de uma solução possível).. Por isso. → Crítica: feita por Canotilho. mais um 66 . 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. o que geraria uma grande insegurança jurídica). ou a de que um é mais correto do que o outro). Esses pontos de vista. cujo plural é “topoi”. os quais são submetidos a várias opiniões. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. pontos de vista ou lugares comuns. vence o argumento que for mais convincente. os operadores do direito servem-se de topoi. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. da jurisprudência dominante. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. que contraria o positivismo jurídico. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. enfraquece-se a força normativa da constituição. Problema é a questão difícil. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. 2.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Este problema será solucionado pela argumentação. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. ele também é conhecido como método sociológico. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. porque trabalham não com a idéia de sistema. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. Ex. que é apenas mais um topos. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. por ex. da doutrina. Ex. como. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. de argumentação. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Os topoi são esquemas de pensamento. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). dos princípios gerais do direito. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. a favor e contra. Assim. Ex. do senso comum. Se se permite interpretações divergentes. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. mas sim diante de problemas. de casos que comportam mais de uma solução possível. Assim. lugares comuns. Isso gera certa instabilidade. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. formas de raciocínio. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Violação de correspondência de presos. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. ou seja. certa insegurança jurídica. como ocorre neste método.

Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. Não se pode separar as duas coisas. Ocorre que. porém. A principal diferença. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. Método concretista. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. por serem métodos concretistas. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. e sim na sua concretização. Hermenêutica e interpretação não se confundem. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). é preciso que haja um problema. se for caso de lacuna. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. que a questão não seja simples. ao lado de Hans Kelsen. quando se fala em hermenêutica. Assim. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. como já vimos. e concretizador à aplicação. 67 . são coisas diversas. Para este método. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. diferentemente dos dois primeiros. Assim. Ele parte. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. não podem ser utilizados de forma abstrata. é bom lembrar. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. de única solução possível. são também métodos concretistas. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Os métodos III e IV. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. não se deve falar em interpretação constitucional. a compreensão prévia do intérprete. devendo-se fazer uso de outro método. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. ou seja. na sociedade aberta de intérpretes. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). ainda que dos mais importantes. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. mas em concretização). e o problema concreto a resolver. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. sua aplicação a casos complexos. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. Além de serem métodos aporéticos. pois. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. São métodos indissociáveis. este método não poderá ser aplicado.

Elementos do âmbito da norma . Segundo ele. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. Segundo o autor. Para ele. em regra. Quando ele fala em democratização. limita a interpretação. . O que ele chama de domínio normativo. Paulo Bonavides o tratar como um método. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . pois. 68 . Judiciário. Essas duas figuras podem ser. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . a interpretação constitucional tem que ser democratizada. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Assim. bem como a quebra da unidade constitucional. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. Gilmar Mendes). mas refere-se àqueles que podem interpretar. O texto não tem o comando. Friedrich M. aberta a toda a sociedade. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. O texto tem duas funções muito relevantes. Ainda que a Corte seja o intérprete final. mas a toda a sociedade. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. regulada pela norma. Não diz respeito aos critérios de interpretação. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. por sua vez. é a realidade social tratada pelo texto da norma. ele na verdade não o é. mas também na sua interpretação. Fala-se que são utilizados. A democracia deve servir não apenas para a criação.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. ele dirige e. que têm legitimidade para a interpretação. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. Na prática. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. A norma é o mandamento. ao mesmo tempo. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). a norma só surgiria após a interpretação do texto. traduzido pelo Min. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. mas também para a interpretação da Constituição.

Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Também denominado de originalismo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. 69 . Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. superado o valor da norma). os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). 3) Existe uma única resposta correta. surge o Positivismo Jurídico. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Esta questão está ligada à separação dos poderes. A norma. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. sem modificá-la. Entende que. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. os direitos têm que ser iguais para todos. textualismo e preservacionismo. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. que corresponde à vontade do constituinte originário. Por isso o judiciário tem ganhado força. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. do povo. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. no Brasil. A segunda corrente. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Na verdade. surge a idéia de norma (gênero). bastante discutido nos dias atuais. norma e fato. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. mas de forma concreta. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. o poder legislativo é claramente fraco. Segundo Conrado Hubner. que se subdivide em princípios e regras. Assim. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. No pós-positivismo. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Hoje. Assim. quando interpretada. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. vinculante e obrigatória. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. como a constituição é feita por representantes do povo. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Após. preocupado com a segurança jurídica.

em havendo um conflito no âmbito da validade. .: aposentadoria compulsória. genérica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. As regras possuem aplicação automática. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”.dimensão que eles ocupam (Alexy) . → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. há uma subsunção lógica. e .Postulados. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. → Princípios X Regras: . uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. Assim. 70 . Elas se aplicam de acordo com a subsunção. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Eles não definem a medida exata. princípios são “mandamentos de otimização”. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. que apontam para o sentido contrário. Segundo Robert Alexy. → Regras: são “mandamentos de definição”.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. Ex. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. será invalidada. dentro do gênero norma jurídica. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. o que ocorre por meio da ponderação. bilateral). Ambos são normas. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. Alexy afirma haver exceções. impessoal. impõem resultados. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Para Habermas. . mas a medida do possível. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. quando se vai aplicar um princípio. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. imperativa. isto é. que envolvem a aplicação deste princípio. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. O grau de abstração é a diferença.generalidade . peso ou valor. é preciso saber quais são as normas opostas. como elementos do sistema normativo constitucional: . . Princípios são muito mais abstratos do que as regras. ou seja. A norma é um gênero e. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível.Princípios.Regras. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. ou seja.

os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. pela maioria da doutrina. Com base nessas premissas. nem estabelecem competência ou conduta. mas não têm a mesma função dos princípios. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. É um conflito sempre no caso concreto. será feita a análise de alguns postulados que. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. como princípios. Os postulados são denominados. 71 . A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Nesse aspecto. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. cronológico e da especialidade. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Mas e os postulados? Segundo esse autor. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Ex. interpretação conforme a Constituição. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. também conhecido como antinomia de princípios. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. embasados na supremacia da Constituição. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão.: proporcionalidade. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. de modo a realizar os valores nela consagrados. por isso não são aplicados diretamente. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . Eles não apontam um fim. Segundo a LICC. Não estão na constituição.

Se os poderes retiram suas competências da Constituição. na dúvida. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. No Brasil. Ou seja. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. pode ser exercido através do veto jurídico. Ele pode negar a aplicação da lei. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. no controle difuso. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. e. como no âmbito do Poder Executivo e. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. presume-se que agiram de acordo com ela. Se há mais de um significado. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. no Poder Judiciário. na dúvida. Não se retira a lei do ordenamento. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. deve optar pela constitucionalidade. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. o Princípio da Supremacia da Constituição. pois existe uma presunção de constitucionalidade. significa que ele é unívoco. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). excepcionalmente. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. quando entender que uma norma é inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. para ter essa supremacia. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. A 72 . Se a constituição é a norma suprema. Excepcionalmente. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. o Poder Judiciário. No Poder Executivo. significa que as demais leis devem obediência a ela. o Chefe do Poder Executivo. não tem como fazer interpretação conforme. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. E. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Se o texto tem apenas um significado. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. se entendê-la inconstitucional. No Poder Legislativo. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. é necessário que a Constituição seja rígida. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. assim. ficam vinculados àquela decisão. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Toda Constituição tem supremacia material. por ser presunção relativa. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. a lei deve ser declarada constitucional. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Da mesma forma. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Todo projeto de lei passa por um controle.

a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. §1º. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. normas superiores e normas inferiores. Hoje em dia. 73 . Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Segundo Kruger. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. Logo. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. de direito previdenciário. 81. Hoje. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. num estado democrático. etc. Busca a vontade do objeto interpretado. Obs. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Temos o voto direto como cláusula pétrea. sendo. existem. poderia declarar o art. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. que busca a vontade da lei. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. é conhecida como mens legis. . Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. a norma inferior. logo é conhecida como corrente “objetivista”. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. na constituição. A segunda corrente. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. mas. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. isso não ocorre. b) Fim pretendido: . Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. passando ela pela constituição. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Em uma sociedade democrática e pluralista. essa corrente é chamada de “subjetivista”.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. É como se filtrasse a lei. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Isso é impossível. Na verdade. Geralmente. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. há várias tensões entre as normas constitucionais. Ao se admitir que essa norma é superior. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Outro ex.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). Portanto. necessário harmonizar esses dois princípios.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. ao mesmo tempo. Ex: Brasília é a capital federal. prevalece a vontade da lei. pois. Antes.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais.

A ponderação é sopesar os grupos de princípios. que é anterior à Constituição da República. Assim. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. Sempre que possível. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. a integração política e social. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Quando se tem uma colisão entre bens. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. e não em abstrato). violava a liberdade de exercício de comércio. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. Abstratamente. se ambos estão consagrados na Constituição da República. O relator indeferiu a petição inicial. O que é isso? É semelhante a uma balança. Ex: voto direto é a norma geral. Pode ser usada. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. criando um efeito conservador da unidade. aplica-se o princípio da Concordância Prática. ou seja. e voto pelo CN é a exceção. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. no caso concreto. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. valores.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. bens ou interesses. O STF analisou 02 casos: a) Art. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. ele se basearia no princípio da unidade. O que tiver o peso maior irá prevalecer. na hora de se interpretar a Constituição. é necessário utilizar a ponderação. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. §1º. Segundo este princípio. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. O STF declarou constitucional. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. Essa lei. princípios ou valores. O Juiz irá ver. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. as duas normas têm conflito entre si. 74 . nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. Eles são muito parecidos. pelo legislador. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. 45. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. qual dos dois grupos tem um peso maior. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. deve-se buscar essa concordância prática. Se ele entrasse no mérito da questão. inclusive. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Uma existe ao lado da outra. interesses. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Nesse caso.

É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. e não princípios. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. mas também a ratio decidenti. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. STF não foi abandonada. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. poderia fotografar. para que outros direitos sejam assegurados. não se aplicando para a interpretação constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. do trabalho escravo são regras. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). não. 343. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. Deve haver uma cedência recíproca. até uma compreensão equivocada. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. às vezes. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. Ex. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. do contrário. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. cabe ação rescisória (obs. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. proporcionando-lhes uma força otimizadora. ou seja. Caso contrário. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. na academia. eis que ambos se relacionam. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. sendo o guardião da constituição. Ex: Se tiver na praia. Exs. a privacidade deve ser preservada.: a Súm. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. O importante é saber que todos os princípios.: a proibição da pena de morte. 75 . A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. da tortura. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. 2) relativização da coisa julgada: o STF. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. que contribua para o debate de interesse geral. por mais importantes que sejam. não.

§1º.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. sobretudo o Tribunal Constitucional. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. Exs. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. o desempenho concreto de sua função social. a função social para a qual foi criada. validade é. Ver no Site Editora Método. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. 76 .Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. 2) Direito de greve. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. no Brasil. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. é também conhecida como eficácia social. é também conhecida como eficácia jurídica. CR/88 (aplicação imediata).Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . .335/AC.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. .com. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). Este princípio. pois. . 4. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. . 5º. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. a qual significa a realização do direito. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social.

Ex. É um princípio implícito. Para que um ato seja considerado proporcional. Alegam que a restrição seria desproporcional. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. uma restrição à liberdade só será possível se. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. É uma influência do direito norte-americano. mas apenas como menções. não está textualmente consagrado. Não é o entendimento mais cobrado em provas. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. ☺art. pois. 5º. É uma influência do direito alemão. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. 1º. No Brasil. para que o Estado não atue de forma arbitrária. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Nos sistemas da commum Law. Ex. do Prof. ele tem que ser adequado. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. será também desproporcional. utiliza-se o termo razoabilidade. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. Assim. desproporcional. em sua origem. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. uma densidade semântica que ele não tinha antes. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. Para Jellinek. deveria conceder uma autonomia maior. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. maiores hão 77 . Se o ato for desnecessário. apto para atingir o fim almejado. LIV. Ele está ligado. à garantia do devido processo legal. dentre os meios existentes. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. não se deve abater pardais com canhões. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. ou seja. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Na Alemanha. utiliza-se o termo proporcionalidade. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. por isso sua importância. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. CR.

A face acima exposta do princípio. Nesse caso. que é chamada de proibição de insuficiência. 78 . o poder público age aquém do que deveria. Há uma outra face desse princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. pode ser chamada de proibição do excesso. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. ou proibição por defeito. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito.

inscritos na Constituição. qualquer religião oficial da RFB. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. porém. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. de regra. reproduzidos ou não na Constituição estadual. laico ou não-confessional. Situa-se no domínio da história ou da política. Ocorre que todas as constituições brasileiras. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. Assim. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. não tendo força normativa. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). No Brasil. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. mas é a tese por nós adotada. relevância jurídica. mas no domínio da política. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. o Brasil é um país leigo. pois. não é norma de repetição obrigatória. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. portanto. não tem relevância jurídica. Não contém. O min. Para o STF. portanto. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. caráter normativo e. 79 . de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. com exceção das de 1891 e 1937. O nome não é o mais apropriado. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. mais ou menos significante.. dado que.. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. o preâmbulo. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. anteposta ao articulado constitucional. não é componente necessário de qualquer Constituição. Em âmbito estadual. É uma corrente intermediária em relação às demais. O que acontece é que o preâmbulo contém. pois. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. apresentado de forma não articulada. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. incidirão na ordem local. Não tem. Como se sabe. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. não existindo. sendo. proclamação mais ou menos solene. refletindo posição ideológica do constituinte. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. Esses princípios sim.

o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). o bem-estar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. na ordem interna e internacional. Ao estabelecer os valores supremos. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. com a solução pacífica das controvérsias”. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Esta é a sua natureza. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. o desenvolvimento. fundada na harmonia social e comprometida. pluralista e sem preconceitos. a liberdade. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. a segurança. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. 80 .

Ela é semelhante à NEP (e não a NEL.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). Uma NEC. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. destaca-se a de José Afonso da Silva. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). enquanto não for restringida por lei. Ela não depende de lei. prerrogativas (art. Quando se fala em aplicabilidade imediata. 53). A NEC. §5º). Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. A integralidade. por sua vez. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. 128. possivelmente restringível ou redutível. Exs.U. é uma NEP? Não. → Normas de Eficácia Contida: O prof. como se poderia imaginar). O que as difere é o grau desta eficácia. que “contenha” o seu conteúdo. isenções (art. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). Não depende de regulamentação.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei.: normas que estabelecem imunidades (art. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. dentre as quais. §5º).) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. (É a mais cobrada em provas). Não são a mesma coisa. que poderá variar conforme o seu enunciado. mas admite lei. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. imediata e integral. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. 184. enquanto não for restringida. vedações (art. 95. apenas 81 . P. no Brasil.

Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. que dirige os rumos do Estado. poderá criar impostos residuais. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. Ex.Facultativas: ex. 136 e 137). mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. Se ela fosse uma NEP. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. – ex. O caput do art. A lei não irá restringir o direito. VII. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais.: ordem pública. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Ex. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. etc. É indireta ou mediata.por lei (ex. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. PU: União poderá delegar aos estados.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. ela nunca poderia ser restringida. 5º. mas.: art. 9º. A NEC pode ser restringida: . ofício ou profissão.: art. quais são os efeitos. 9º dá a entender tratar-se de NEP. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . etc. .: trata de vedações que são impostas aos juízes. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). e art. Assim. art. necessidade ou utilidade pública..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. conforme a lei. Exs. segurança nacional. 3°. e não quais são os meios para se atingir o fim. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. 5º. mas o seu §1º. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição.U. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.por conceitos de direito público (ex. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. 95). Indireta porque depende de uma outra vontade. caracterizadas justamente por este tipo de norma). a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição.Impositivas: ex. ☺art. de forma que antes da Lei 9. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). e mediata porque depende de alguma condição. mas pode ser). Não é apenas um conselho. Neste caso. art.por outra norma constitucional (ex. A norma constitucional tinha eficácia.: art.). 37. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). XII c/c arts. art. 5º. 22. XIII. 102. em regra. art. que não é norma). CR. art. mas não é uma NEP. 37. esclarece que trata-se de uma NEC. que a regulamente. XXII. 95. VII. eis que estabelecem o fim a ser atingido. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. 37. são NEP (como são as normas dos incisos I. ☺art. 154: a União. que faz parte da mesma norma. etc. interesse social. é obrigatória. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. As vedações. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. XXIII e XXIV). VII (direito de greve dos servidores públicos). Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. . se quiser. mas não disse quem pode propor. . P. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. mas dizer como esse direito será exercido. não há omissão inconstitucional.U. II e III deste mesmo art. 82 .: art. a CR não tem conselhos e sim mandamentos.

ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. ADCT. antes da lei ser feita.: art. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. exaurem sua eficácia. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. OBS. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. Elabora-se uma norma genérica. mencionada por alguns autores. 83 . deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. Assim. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Ex. cumprida a sua finalidade. Para ela. Uma última classificação. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. Por isso não dependem de outra vontade. Marcelo Neves critica essa concepção. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. também conhecidas como normas super-eficazes. a NEL produz efeitos: ela exige lei. não depende de outros sistemas. porque ela não tem eficácia positiva). ademais. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. São as normas do ADCT. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. pois. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. uma eficácia negativa (e apenas esta. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. tem eficácia. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). 2º. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. imediata e integral). Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. as Cláusulas Pétreas.: As NEP. Diz que o direito se auto produz. Obs. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. Traduz um sistema fechado. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante).

Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. com o caráter de normas constitucionais.N. e sim como normas ordinárias. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais.: ☺art. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. parte final). a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. § 1°. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. 242. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. → CR → A. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. caso compatíveis com a nova Constituição. quando do surgimento de uma nova Constituição. Faremos o estudo de alguns institutos. 2°. serem recepcionadas pela nova Constituição. sempre que nasce uma nova Constituição.N. porém. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. ou seja. Ex. por esta teoria. §2º (que fala do Colégio Pedro II. 84 .P → A. art. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. não. Quando uma nova constituição é criada. como normas infraconstitucionais. podendo. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). Assim.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. que. CR. Como se percebe. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. Como outro exemplo de retroatividade mínima. 7º. para tanto. c) por outro lado. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. diante da aplicação imediata. IV. Assim. como é o caso do art. vale dizer. deve existir expresso pedido na Constituição. 7º. por regra. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie.: art. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. com pequenas exceções. nada impede que a norma constitucional. 51 do ADCT. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. sendo regra a retroatividade mínima. Ex. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. 88 . mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). têm retroatividade mínima. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. XXXVI – “lei” em sentido amplo). desde que haja expressa previsão. as leis infraconstitucionais. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. Assim. IV. tenha retroatividade média ou máxima. o STF entendeu que. dentre outras. também limitado juridicamente). vale dizer. Contudo. 5º.

permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. a menos. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. diverso e opostos. Em situações novas. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. 4º). os quais estabelecem a sua forma. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. 2º). seja como diretiva na solução de casos concretos. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. por conseqüência. estrutura e fundamento (art. Sob o ponto de vista dogmático. atuando como um limite. da função positiva que 89 . os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. pois servem de critério para o legislador que. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. em um todo sistemático. seja como orientação para progresso da legislação. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. De uma forma geral. como também ao exercício abusivo de certos direitos. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. Dessa forma. ainda não regulamentadas de forma mais específica. é obvio. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. sobretudo. é claro. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. Executam. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. ao elaborar as leis.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. assim. o que os coloca numa posição de superioridade. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. Desse modo. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. 1º). Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. a divisão de seus poderes (art. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. não só das ações dos poderes estatais. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial.

Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. I).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. quanto para o legislador na elaboração das leis. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. esses conceitos foram se esvaziando. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. CR). Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. aos entes que compõem a federação. que reinava de forma absoluta e irresponsável. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. No tocante ao Poder Executivo. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. 34. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. A baixa densidade semântica. 90 . formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. DF e Município. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. a Constituição veda. 1º. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Com o passar do tempo. o direito de secessão. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. sendo criados novos critérios distintivos da República.

Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. a vontade popular representada pelo parlamento. ou. não é absoluta e ilimitada. Em um Estado de direito. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. à questão perene da Justiça.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. Em um Estado democrático. Sob o aspecto material. Aqui. a independência dos juízes. 91 . sob as circunstancias transitórias. não apenas os indivíduos. No Estado material de direito. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. a legalidade da Administração. No que se refere ao princípio democrático. seja diretamente. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. seja através de representantes. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. ainda.

A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. em nenhum momento podem ser colocados de lado. na ordem internacional. Por essa razão. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. independente. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. No plano externo. Supremo. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. a soberania migrasse do soberano para o povo. A soberania externa se refere à representação dos Estados. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. 6º). uns para com os outros. no plano interno.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. Todavia. por essa razão. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). na ordem internacional. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. por não ter de acatar. 92 . Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. o indivíduo se sente útil e respeitado.

de idéias e de instituições de ensino (art. 206. independentemente de autorização de órgãos públicos. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. a de opinião. político (art. partidário (art. conforme os ditames da justiça social. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. Mais tarde. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. Por isso. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. 170). vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. a sociedade pluralista é. A escravidão. Este fundamento é concretizado. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. assim. artística. I). Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. é um princípio básico do liberalismo econômico. a de informação. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. de interesses contraditórios e antinômicos. Por essa razão. É ela o valor supremo que irá informar a criação. ainda. a profissional. cultural (arts. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. 1º). o que pode levar a divisões irredutíveis. salvo nos casos previstos em lei. uma sociedade conflitiva. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. a sexual. e. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. justa e solidária (art. dentre elas. 215 e 216) e dos meios de informação (art. a intelectual. derradeiramente. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. a tortura. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. com a queda do comunismo. a Constituição. 170). 93 . passando a se revestir de normatividade. mas. a filosófico-religiosa. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. de comunicação. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. ao contrário. 3º. de reunião e de associação. 17). deve constituir o seu objetivo supremo. a partir do início da década de 90. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. por natureza. 220). III). científica. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. Fruto da concepção liberal.

Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. que seja efetivamente exigível do Estado. mas também dos particulares. idade. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. mais importante. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. seja por terceiros. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. menor (minimizando o problema dos custos). Todavia. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. sua existência material. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). mas também a de que o Estado garanta. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. o que significa dizer que na criação. moradia. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. Portanto. possui um caráter positivo. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. Por isso. Assim. cada vez mais. educação fundamental. possui um caráter negativo. independentemente de usa origem. por outro. sexo. dentro dos direitos sociais. em alguns casos. e. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. a todo e qualquer cidadão. o indivíduo não poderá ter uma vida digna.) imprescindíveis para uma vida digna. Poder-se-ia dizer. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. mas. condição social ou qualquer outro requisito. à dignidade da pessoa humana. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. em um primeiro momento. ligada ao valor liberdade. ou para com a pessoa. na medida em que procura representar um subconjunto. 94 . atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. A dignidade da pessoa humana não é um direito. Por outro prisma. não apenas por parte do Estado. ligada ao valor igualdade. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. econômicos e culturais. Esta acepção. Esta acepção. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. o acesso aos valores. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). por exigir uma abstenção. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. mas um atributo que todo ser humano possui. não como um fim em si mesmo. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. seja pelo próprio Estado. etc. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. Portanto.

Assim. os direitos sociais (arts. 6° e seguintes). Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. São direitos ligados à cidadania. . Essa classificação é legislativa. mas também no art. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. consagrados no plano internacional. uma constitucional e uma doutrinária.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. Exigem uma atuação positiva do Estado. são os direitos individuais consagrados no art. a diferença básica se refere ao plano de consagração. Têm um caráter negativo. CR/88). os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. Visam proteger o valor igualdade. .direitos prestacionais: são. pois surgiram em uma única época. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. devido ao custo de serem prestados. 6º ao 11. ligados à liberdade. igualdade e dignidade. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. 12 e seguintes).direitos políticos (art. 5°. 95 . basicamente. estão consagrados em normas de eficácia limitada. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. CF/88. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Enfim. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos).direitos à nacionalidade (art. Em termos materiais. 5°. do qual são espécies: .direitos sociais (art. . consagradas ao longo das constituições. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. . 14 e seguintes). Em sua maioria. portanto. à participação política.direitos individuais. 6° e 7°). . . Em sua maioria.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. devido à escassez de recursos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Têm caráter positivo e negativo. que divide os direitos fundamentais em: . Para que o cidadão participe da vida política do Estado. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek.

Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. diante da necessidade de cooperação. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. diretamente à igualdade material. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. Têm como objetivo. sobretudo de princípio programático). exigindo uma abstenção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. são direitos de caráter negativo. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. queria que ele respeitasse suas liberdades. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. pois. segundo Jellinek). → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. de 1789: liberdade. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. econômicos e culturais. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. das gerações. direito de comunicação. Vejamos quais foram as gerações. São chamados direitos civis e políticos. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. já os de 2ª geração não. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. e a dele é a mais cobrada em concursos). movimento encabeçado pelo proletariado. Obs. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. ao desenvolvimento ou progresso. Por isso. e geralmente em normas auto-aplicáveis. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. a autodeterminação dos povos (art. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. São basicamente os direitos individuais. Eles foram surgindo com o passar do tempo. → Igualdade: Direitos Sociais. ao lado da 4ª. da solidariedade entre países ricos e países pobres. igualdade e fraternidade (nesta ordem). tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. à autodeterminação dos povos. XVIII.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. Esta é a sua preocupação principal. a imprensa livre e o funcionalismo público. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. por exigirem uma prestação do Estado. Estão ligados. Exs: direito ao meio ambiente. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. 96 . de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. os direitos prestacionais. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. Não houve substituição de uma geração por outra. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Tais direitos têm caráter positivo. como a família. São considerados basicamente como direitos coletivos. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Ou seja. portanto. então. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. Como vimos. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. CR/88). Têm caráter negativo. e estas gerações coexistem atualmente. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. por exigirem uma abstenção. Exigem uma ação do Estado. A 3ª geração. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. enfim. Os direitos de defesa. XX. 4º.

Paulo Bonavides. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. com a declaração do direito”. de orientações sexuais. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. Quem tem o papel contra-majoritário. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias.). ocorrendo não raro juntar-se. caso violados.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. São também direitos transindividuais (em sua maioria. as disposições assecuratórias. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. são direitos difusos). defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. Aquelas instituem os direitos. 97 . São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. inclusive das minorias. de ideologias políticas e partidárias. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. Porém. ☺ADPF 132. Esta geração de direitos advém da globalização política. Quando se fala em pluralismo político. à informação e ao pluralismo (D. 1º. Ex. em defesa dos direitos. artístico. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. Afora esta peculiaridade. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Ele preserva. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). o prof. Ao lado da vontade da maioria. estas as garantias. ele tem uma importância muito grande. Os argumentos contrários a esta união. traz direitos ligados à pluralidade. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. a fixação da garantia. na mesma disposição constitucional ou legal. Ele abrange um pluralismo religioso. outros são difusos). os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. e isso acaba por prejudicar as minorias. conserva nossas identidades. → Globalização: direito à democracia. as demais características são tratadas pelo prof. CR/88). que alguns dizem trazer os direitos à internet. mas há divergências na doutrina quanto a isso. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. o direito a adoção.: quanto ao direito à paz. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. ao analisar a Constituição de 1891. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. Por isso o direito à democracia é tão importante.P. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. Ou seja. um pluralismo cultural. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. etc. que seria a vontade da maioria. que são as que. Assim. os direitos de família.I. Em uma ponderação. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. um pluralismo ideológico. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. Além desse aspecto. como os previdenciários. de conteúdo). econômico. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. Ou seja. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. V. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. esta alteração não foi feita em seu livro. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. quiçá quanto a 5ª. limitam o poder.

levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. Contudo. os estrangeiros não residentes. . ou caberá ao intérprete. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. a todos os seres humanos. quando. ou magistrado. XXXVII. através da interpretação sistemática.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.).Universalidade: destinam-se. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. HD.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. ilegalmente preso. muitas vezes. havendo. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição.direito ao juízo natural (direito) – o art. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. é claro. juntamente. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. 5º.. ainda que não individualistas. portanto. confronto. conjugando-a com a sua mínima restrição. O caput do art. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. nascendo com o Cristianismo. etc. . não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. como é o caso. .Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. emite uma opinião (direito de opinar). não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. . que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). que só pode ser proposta pelo cidadão. Normas positivas. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). Isso porque. Obs. no caso concreto. . conflito de interesses. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. 5º. 98 . uma vez consagrado o direito. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. Deve-se observar. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. no caso concreto.Historicidade: possuem caráter histórico.: direito de propriedade versus desapropriação). são indisponíveis. . se o direito garantido não possui alguma especificidade. Nada impediria. como é o caso da ação popular. decidir qual direito deverá prevalecer. os apátridas e as pessoas jurídicas.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). Exemplos: . já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. coarctando. por ex. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: .Inalienabilidade: como são conferidos a todos. mas nunca a sua renunciabilidade. Se são sempre exercíveis e exercidos. de modo indiscriminado.: HC.

Não se admitiria. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. pois. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados.). 5º. etc. analisando caso a caso. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. Posteriormente. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. ordem pública. então. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. fática e juridicamente. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. mas. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. então. §1º. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. mas o pressuposto do qual ela parte). e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. para isso. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). 5º. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. fala-se. só trazendo relações entre o Estado e o particular. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. 99 . CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. §1º. Ingo Sarlet afirma que o art. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. não dependendo de legislação. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. causando uma desfiguração no direito privado. No entanto. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais.

Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. Segundo Virgilio da Silva. através de princípios. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. A jurisprudência. Assim.24.700. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. aplica diretamente os DF às relações entre particulares.00 para R$ 86. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. . ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. E como os princípios são muito vagos. .RE 158. para que os princípios pudessem ser concretizados.Resp. .161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). Ainda se trata de uma questão muito nova.) . Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. é possível a sua aplicação com base na Constituição. . esta teoria seria a mais adequada. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. a aplicação será indireta. se exteriorizam. Em contrapartida. mesmo realizando atividades idênticas. mas.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. de uma forma geral.243/DF. isso poderia causar uma série de problemas. a proteção tem que ser maior. Se não houver uma previsão expressa na lei. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. muito abertos. Segundo esta teoria. Se.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. no entanto. . com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. quando há uma relação de igualdade real na relação.: empregado e empregador. então. Deve-se aplicar tanto esta teoria. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. em geral. mas ainda não há decisão quanto a isso.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . devendo sobre eles prevalecer. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. tão somente pela falta de previsão. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais.858.☺RE 161. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa.HC 12.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. A autonomia da vontade requer tal ponderação.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. não sendo necessária uma intermediação legislativa.RE 175. Os DF são expressados. como a segunda. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.RE 201. houver uma desigualdade fática. ainda que esta regulamentação não exista. O juiz. contrato de adesão. que não adota essa teoria). . etc. Espanha e Portugal. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Mas. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.*RE 161. Determinação de observância do Princípio da isonomia. e. 249.RE 160. Para a realidade brasileira. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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: esta segurança que o art. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Esta questão é bastante clara. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. 1º. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. Este pode ocorrer. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). 5º. ☺art. à liberdade. XLVII. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. é. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. um outro direito fundamental. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. 128. também não pode ser renunciado. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. pois. CP) a questão é um pouco mais polêmica. caput. um caso constitucional de violação de direitos. 170. Por isso. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. ☺art. pois a vida é uma direito irrenunciável. No caso do big brother. 5º. Nos 78 incisos deste art. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. CR/88. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. 5º. à igualdade. não há uma renúncia definitiva. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. A renúncia é definitiva. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. abre-se mão temporariamente à privacidade. III e art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. II. como DF é pressuposto dos demais direitos. Obs. não há que se falar em não exercício). O direito a vida. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. CR. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Há dois entendimentos: 104 . como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. Porque o direito à vida é irrenunciável. por óbvio. à segurança e à propriedade. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito.

128. OBS. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. II.Direito à privacidade: 105 . insuficiente para a proteção do direito. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. já que o CP é anterior à CR. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. Nos EUA e na França. já que na época em que foi feito o art. não haveria vida. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). é relativo. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. e. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. discutida na ADPF 54. A questão ainda está sendo discutida no STF. entendeu que. é uma forma de tortura psicologia. portanto. 128 (em 1940). ela é a única ação de controle abstrato cabível. o feto não tem a menor chance de sobrevida. mas sim da acrania. a vida termina com a morte encefálica. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. 3) dignidade da pessoa humana. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. nas quais não se tem uma opinião moral definida. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. Ademais. sabendo que ela vai morrer. Para o direito brasileiro. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. segundo Canotilho. como todos os outros. O STF. então. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. a morte não decorre do aborto. o art. Se isso fosse possível. sem o sistema nervoso central. mas de modo geral). mas sim interpretando a CR/88. por isso. E o direito à vida. o STF não estaria legislando. assegurando a autonomia da vontade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. CP não teria sido recepcionado pela CR. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. 128). por 7 votos a 4. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. . em razão do risco de morte intra-uterina. além de colocar em risco a sua própria vida. Se há dois argumentos defensáveis. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade.

Ex: gravação feita contra um seqüestrador. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. X. histórico. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Será considerada prova lícita. em seguida. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. Proteção da honra e da imagem. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. Questão de Concurso: Gravação clandestina. Mas. não se podem divulgar imagens captadas num prédio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Nesses casos. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. por exemplo. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Em regra. o direito à imagem foi violado. quando pratica um ato na condição de agente público. Numa gravação clandestina. É vedada pelo art. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. contra um estelionatário. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Nesses casos é vedada a gravação como prova. CR. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. a imagem pode ser usada num processo. Neste caso. O direito de liberdade é maior. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. Ainda que não afete a honra. Logo. é a esfera da vida privada. O prof. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Ex. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). Ex: policial federal recebendo dinheiro. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. sobretudo. 5º. científico ou cultural. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. não há violação à privacidade. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. X. a gravação é considerada lícita. quebra de sigilo e interceptação telefônica. vida privada. Então. É gênero. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. não tem privacidade. a honra e a imagem das pessoas. os princípios da moralidade e da publicidade. No entanto. contra um chantagista. CR. que se subdivide em: intimidade. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. ela é ilícita. uma gravação feita clandestinamente. Se tiver gravado um crime. 1. 106 . sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. são direitos independentes. etc. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Ex: matérias de interesse público. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. pois há uma excludente de antijuridicidade. veremos cada um separadamente. na verdade. Não há que se falar em colisão. Ao realizar essa ponderação. sobretudo. maior a proteção a ser dada. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Esta é excludente de ilicitude. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). no art. Se filmar uma passeata. a restrição é legítima. Há decisões judiciais onde muitas vezes. 5º. O agente público. Ex: Radares eletrônicos. de uma forma geral. O direito a privacidade está consagrado.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. deve ter uma certa salvaguarda. por ex. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. CR. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. Quanto às CPIs municipais. 3. por enquanto. São poderes instrutórios. Além do juiz. já que não existe poder judiciário municipal. etc. O prof. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. outros entendem que não há proteção. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. falaremos da interceptação telefônica. A lei. O Min.). divulgaram todas as declarações na internet. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. o BB poderia quebrar o sigilo. XII. essa decisão foi para um caso específico. 58. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. fiscal e telefônico. O inciso X impede a gravação clandestina. Quando se quebra o sigilo telefônico. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Quando a CR fala em “poder de investigação”. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Essa exceção só confirma a regra. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. como havia verba pública envolvida. 2°) admite. 5º. Ex: extrato de conta corrente. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. está em vigor. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. XII. Quem pode é só o juiz e a CPI. 2. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. O STF decidiu que. com base no princípio da simetria. Dentro do próprio STF há divergência. a duração da chamada. não há decisão do STF. Tem uma decisão do STF muito comentada. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. De acordo com o art. § 3º. 5º. informáticos. Os jornais publicaram essas declarações. 5º. 107 . Na Itália. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. de um cd room. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Essa declaração. Se ele quiser. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. que é uma exceção a essa regra. ainda que não seja sigilosa.. mas na decisão acima houve discussão a respeito. ele não pode requisitar diretamente. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. às informações constantes na declaração de imposto de renda. em ação cível originária. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF.: Podem existir várias outras exceções. X. Ele alegou a ilegalidade desse ato. E o Ministério Público? Segundo o STF. fiscais. outros dizem ser pelo art. Dentro dela. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. naquele caso específico. não poderá quebrar sigilos. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. No entanto. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações.

XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Nessas hipóteses. XII. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Em relação à comunicação epistolar. é equivocado. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Ela protege 4 formas de comunicações. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. os dados de informática em si não estão protegidos. Pois. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Não são admitidas para outras finalidades.. 5º. Aliás. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. seja pelo art. o sigilo poderá ser violado. protege-se apenas a liberdade de comunicação. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. XII. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Na interceptação. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Na prática. Para o STF. Se um souber. Além dessas duas hipóteses. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. No entanto. Se um souber. protege a liberdade de comunicações. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Para o prof. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. mas. será interceptação telefônica. Com relação ao sigilo de dados. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Mas isso não é a posição do STF. pode haver restrições às comunicações telefônicas. O STF entende que com base o art. 5º. Porém. por uma terceira pessoa. não estaria protegido por esse dispositivo. neste caso. durante o estado de defesa e o estado de sítio. a liberdade de comunicação. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. será gravação clandestina. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. segundo o prof. Quando se falou do método tópico problemático. Ela deve ser usada para situações excepcionais. o STF tem um entendimento que. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Em relação a essas. 5º. mas foi feita por um terceiro. abrem-se todas as correspondências. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. também protege a privacidade. 5º. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Para o prof. X. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. já que protege-se a liberdade de comunicação. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. segundo o STF. sobretudo. seja pelo art. em determinadas hipóteses. O art. Então.. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores.

Ex: crime dentro de uma residência. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. O professor acha que há certo abuso neste caso. pode determinar a prática desses atos. vejamos: a) Art. Nem mesmo CPI. por nenhuma outra autoridade. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. 5º. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça.296/96. a entrada deve ser permitida pela empregada. XI: violação de domicílio. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. qualquer pessoa pode entrar. Essa decisão foi recente (☺MS 27. não há falar em violação de domicílio. seja durante o dia seja durante a noite. Se houver o consentimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. nem a CPI. a polícia pode entrar. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. 5º. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. 5º. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. salvo o flagrante delito. c) Art. Somente o juiz. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário.483 – medida cautelar concedida nesse MS). e mais ninguém. essa lógica tem sido invertida. e não pelo dono da casa. 5°. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. • Prestar socorro 109 . Nesse artigo. Com o consentimento. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. prorrogáveis por mais 15). Recentemente. Art. Vejamos as situações: 1. XII: interceptação telefônica b) Art. LX: sigilo imposto a processo judiciário. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Na jurisprudência do STF. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. violado. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. Pode ser que com os abusos recentes. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Com relação à inviolabilidade do domicílio. d) Art. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. Se numa situação excepcional. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. LXI: possibilidade de prisão. se houver o consentimento de um dos moradores. Além disso. nesses casos. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. o Min. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. 2. Então. devemos analisar 2 situações diferentes. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Segundo o STF. Como é o meio mais fácil. imagine numa situação normal. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. CF/88. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. A Constituição trata de 2 situações distintas. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. Ou seja. XII. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Sem consentimento já é diferente. Durante o estado de defesa. 5º. Ela deve ser o último recurso.

na parte em que o público tem livre acesso. estabelecimentos comerciais e industriais. a casa pode ser invadida a qualquer hora. Se entrar com o uso da força. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. não entra no conceito de casa. entre outros aposentos. não poderá mais entrar no domicílio. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. compreende escritórios. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. pois se respeitar também o critério cronológico. CP. mais tradicional. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. Entra no conceito de casa. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. compartimentos habitados. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. não só dos moradores daquela casa. mas dos vizinhos também. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Alguns autores. porque a noite é o período de descanso. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. 3. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. consultórios. quando o sol se põe é noite. mais adequado. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. 110 . se estiver vazio. por serem situações emergenciais. Segundo o entendimento do STF. propõem uma utilização conjunta desses critérios. 150. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. prevista no dispositivo. que traz uma conceituação bastante extensiva. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. É utilizado por JAS. Se houver o consentimento do morador. não entra em conceito de casa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. ☺Art. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. o STF considera as provas lícitas por causa disso. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Na maioria dos casos. seja do dia seja da noite. entra no conceito de casa. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. não encontrou nenhuma decisão a respeito. hoje. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). entre eles Alexandre de Moraes. 2. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. a prova é lícita. a prova colhida será considerada ilícita. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Ex: parte de trás do caminhão. onde o caminhoneiro dorme. E o carro? O prof. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Segundo ele. Quando o sol nascer é dia. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Então. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Só que o STF já proferiu decisões.

Mas. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. é necessário que ele seja: 1. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. 5º. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. 111 . Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. idade. Esse critério não é nenhuma discriminação. XXX. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. arbitrário. CF/88. Quando se fala em princípio da igualdade. Nestes casos. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Não irá fazer concurso para homens participarem. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Uma vez dentro do estabelecimento. É a que está consagrada no caput do art. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Se o critério não for objetivo. cor e estado civil. Ex: critério preconceituoso. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. discriminatório. Para esses casos. XXX. Objetivo 2. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Para que o critério seja constitucional. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. razoável e proporcional. da constituição. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. CR. 7º. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. justifica-se a altura. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. não significa que a lei não possa fazer distinções. pois viola o princípio da isonomia. ele não estará de acordo com o fim consagrado. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. em situações diferentes. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Esse critério é razoável. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . 7º. Razoável 3. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei.

Como uma pessoa que não teve acesso à escola. aconteceu o contrário. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Tem autores que entendem ser inconstitucional. mas reduzir as desigualdades existentes. 3º. essas ações são constitucionais. 5º c/c art. O prof. mas na Constituição Indiana em 1947. Para outros autores. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. disse que está ligada à igualdade material. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Não é uma forma de resolver o problema. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Dificilmente.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. No caso da Índia. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Em princípio. O prof. por exemplo. pois elas criam uma discriminação reversa. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. Segundo JAS. 112 . Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . surge a questão relacionada às ações afirmativas. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Ex: Cotas para pessoas carentes. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Visa uma redução das desigualdades fáticas. e prolongaram as que já existiam. Então. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Quando se fala em igualdade material. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Quando se fala em igualdade material. o critério discriminador seria desproporcional. seria igualdade material. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. Isso é igualdade formal. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. igualdade e fraternidade. não haverá uma igualdade real. Porém. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. mas é necessário analisar uma série de fatores. e os desiguais de forma desigual. para tentar reduzir as desigualdades. essas ações deveriam existir por 10 anos. A cota deve ser proporcional à população. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. acha que esse argumento não convence. Essas ações não surgiram nos EUA. Para o professor. Criaram-se outras ações afirmativas. Ex: Alíquotas de imposto de renda. A tendência é que elas aumentem. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. e não à igualdade material. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. que eram desiguais em relação aos seus senhores. utiliza-se das ações. Mas. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. ☺art. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Se o Estado não proporcionar esses direitos.

Eles foram libertados. Portanto. Então. seja por particulares. mas também para quem irá elaborar a lei. previsto no art. A justificativa parece não ser inconstitucional. mas eles não tiveram oportunidade de escola. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. quando se fala em destinatários. 113 .fomenta o racismo e o ódio racial . miscigenada e multicultural. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais.Poder Legislativo. (18/06/09) Argumentos favoráveis: .em uma sociedade pluralista. aberta. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. . são destinatários do princípio da igualdade. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. . seja pelo governo. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. atinge todos os poderes públicos . É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. Apesar de ser uma relação entre particulares. Poder Executivo e Poder Judiciário). . visa compensar uma dívida histórica. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. pois já faz parte do próprio critério republicano.fere o mérito. de saúde. . não sendo necessária essa distinção. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. Eles não têm apenas a eficácia vertical. sem exceção. . Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. cientificamente falando. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. 208. CF/88. No Brasil. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . .Eficácia vertical: todos os poderes públicos.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. O problema é com relação à subjetividade do critério. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído.favorece negros de classe média alta. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade.medida imediatista e inapropriada. . Juridicamente falando.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. tolerante. Isso é uma questão de política pública.princípio da isonomia (discriminação reversa). Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. Argumentos contrários: . Além dessa eficácia.

Ex: Passeata para legalização da maconha. é outra questão. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Para alguns. Logo em seguida. IV. não teria sido recepcionado. É constitucional? Sim. O homem não é a parte mais frágil da relação. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. As provas 114 . etc. Por que a Constituição. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. mas apenas para as mulheres. ela é constitucional. 5º. Não é um direito absoluto. desde que essas restrições não sejam autoritárias. É uma denúncia feita anonimamente.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. sendo vedado o anonimato. ela pressupõe responsabilidade. O particular não é obrigado. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Mas. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. I. Se o sujeito será responsabilizado ou não. segundo o professor. Questão de Concurso – Cespe: No art. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. 100. CPC – ação de alimentos. o problema é dele. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. É livre a manifestação de pensamento. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. discriminatórias. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Ex: Lei Maria da Penha. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. Logo. Não existem direitos absolutos. Pode defender no plano das idéias. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. ela exerceu o seu direito. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. desde que seja para atenuar desníveis existentes. de expressar o pensamento. Basta ser um critério objetivo e para todos. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Ex: art. e violou direitos de terceiros. para outros teria. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. 5º. em regra. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Protege a mulher. ela pode ser responsabilizada. Isso significa que. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. a lei pode estabelecer distinções. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. ele deve licitar. não deve ser estendida para os homens. Apologia ao crime é diferente disso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. em princípio.

O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. inclusive em lugar aberto ao público. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. Vejamos: 1. Não se pode admitir que o parlamento. O Estado brasileiro. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. Pode fazer um exame grafotécnico. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. VI. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). O Estado deve manter-se neutro. ainda 2. há 02 hipóteses em que o STF admite. o equilíbrio das religiões. desde que não viole o direito de terceiro. CR. ela deve ser protegida. ou de não ter crença em nada. por exemplo. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. e. Para Habermas. 2. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Os templos recebem uma proteção especial. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. O dever funcional da autoridade é investigar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. A religião desempenha um papel fundamental. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. de crença e de culto. A liberdade de consciência é a mais ampla. abrangendo a liberdade de crença. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. → Alguns temas polêmicos: 115 . o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. 5º. Ex: seqüestrador escreve bilhete. Garantir a simetria da liberdade religiosa. então. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Quando são produzidos pelo próprio acusado. deve ocorrer uma “tradução institucional”. 2. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. apesar de a maioria da população ser católica. Porém. Em relação ao culto. com o advento da República. Esta liberdade está consagrada no art. O culto pode ser exercido em qualquer local. CR. pedindo resgate. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. No Brasil não há uma religião oficial. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. 19. desde 1989 (advento da República). Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. 3. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. se não há qualquer identificação. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. houve a total separação entre Estado e Igreja. não é o caso do Estado brasileiro. ele não pode ser admitido. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. I. de ter crença. Isso significa que.

São feriados puramente religiosos. políticos e religiosos. então. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. . O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. 215. Pode um ateu. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. e cultura é competência comum – da União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Segundo o prof. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. ocorreu um caso muito semelhante. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. É importante respeitar o ensino de cada um. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. Neste caso. CR). os argumentos religiosos não fazem parte da política. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. e não à justiça do trabalho – ☺art. o argumento supracitado não está correto. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Entretanto. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Para o prof. 5º. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. a escola não deve impor ao menino. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. onde se tem poucas escolas boas. e o aluno optou a se matricular nessa escola. VIII. a competência é em relação à cultura. a neutralidade do Poder Judiciário. que odeia guerra. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. §1º. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. inegavelmente.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. Há um trecho do livro do Dworkin. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. imagine uma cidade pequena. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. Na Alemanha. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. são culturais. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Determinada família quer matricular o filho naquela escola.. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. O tribunal. a competência é da União. Não teria sentido acabar com esses feriados. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. há algumas ações. Entretanto. 210. CR). A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. §2º. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. logo. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. O 116 . não poderia ser confessional. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. 23. CR.. fazendo uma ponderação entre os princípios. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. Mas. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. . em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. estados e municípios (☺art. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Portanto.

Criação de sindicatos. etc. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Quem fará a tradução não é a Igreja. por sua vez. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. 4. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). XVII e XXI. terminada a reunião. mesmo que em locais abertos ao público. ☺ art. o argumento deve ser racionalmente justificado. A pessoa alega imperativo de consciência. mas os políticos. 15. não é necessária a autorização estatal. mas a de permanecer associado. O prof. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Ex. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). CR. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. ainda. as pessoas se reúnem e. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. JAS diz que não são direitos coletivos. essa hipótese é de representação processual. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. existem 2 semelhanças e 1 diferença. na forma da lei. conforme portaria da ANVISA. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. de cooperativas. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. CR: Não é só a liberdade de se associar. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. Não cumprindo com a obrigação. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. CR. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art.) 2. XVI. IV). 5º. então. não são os religiosos. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Criação de associações e. A associação. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. (Não pode reunir pessoas armadas. elas vão embora. A República é o governo das razões. Por que a CR exige prévio aviso. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Segundo Jean Rivero. XXI. Para que as pessoas possam se reunir. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). 3. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Se não houver essa lei. Liberdade de reunião. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. 5º. ☺art. 5º. XVI. 2. Há. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. Criação de partidos políticos. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. tem o caráter permanente. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. mas direitos individuais de expressão coletiva. desviar o trânsito. Ex: reunião de condomínio. Ex: fazer segurança. 5º.

Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. Função Social da propriedade: A CR. segundo o prof. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. ter um patrimônio mínimo. Ela só garante o direito de propriedade. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Segundo o STF. a propriedade terá uma proteção menor. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. Só pode representar se houver autorização expressa. III. 5º. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Segundo o STF. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. O que acontece é que se não cumprir a função social. ☺art. 118 . mas faz parte da estrutura desse direito. garante o direito de propriedade. A Constituição não garante o direito à propriedade. se não for atendida. mas não pode ajuizar ADI. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. é mais correto. CR) quando ajuíza uma ação. Segundo o STF. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. XXII. pode ser dada numa Assembléia Geral. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. não impede que o direito de propriedade seja protegido. ilegítimas. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. LXX. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. do próprio regime desse direito. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. no seu art. como a Constituição garante o direito de propriedade. O sindicato (☺art. mas sim contrárias ao direito e. portanto. Ex: Invasões de terra pelo MST. o direito de propriedade pertence ao direito público. Em seguida. Segundo ele. a função social. tendo um menor peso na ponderação. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. 5º. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. Há um outro entendimento que. não são legítimas essas invasões. ADC e ADPF. A associação impetra em nome próprio. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. defendendo direito alheio. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). não pode existir mais de uma federação por território. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. em seu art. Segundo JAS. não precisando de autorização expressa. segundo o prof. É o entendimento de Daniel Sarmento. XXIII.. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. segundo o qual. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. por exemplo. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. 2. 8º. Se ele tem proteção.

Desapropriação: Diferentemente da requisição. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. como um apartamento. em regra. ele não poderá ser prejudicado. restringe o caráter absoluto. há uma transferência compulsória da propriedade. Logo. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. deverá ser em dinheiro. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. VII). b. 5º. No caso de requisição. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). etc. Os principais aspectos são 2. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. indenização por títulos da dívida pública). a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. deve haver indenização? Não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. IPTU progressivo no tempo. 182. O título deve ser entregue antes da desapropriação. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. por utilidade pública. diante de uma emergência. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade.000 habitantes (§1°). por ser inerente ao direito de propriedade. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. É um aspecto lógico. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. como decorrência do primeiro. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Ex: caso de Eloá. 139. na desapropriação. A polícia requisitou determinadas propriedades. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Sempre que há requisição. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. 186. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. CF/88: Trata-se de imóvel rural. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. a saber: a. 182. mas sobre a propriedade em si. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Na requisição. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Para atender a função social. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. §4º. a saber: por necessidade pública. Vejamos: a) ☺art. CR. normalmente. Vejamos abaixo. A função social. o proprietário não tem culpa. 2. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. uma escola pública. só haverá indenização se houver dano. que deve ser prévia. Propriedade Urbana: ☺art. Sempre haverá indenização. CR. Como haverá indenização se houver dano. Além do caráter absoluto. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. Propriedade Rural: ☺art. XXV) e as militares (☺art. 184. a indenização será sempre posterior. justa e. ou por interesse social. §2º. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. b) ☺ art.

o morador não pode ter outro imóvel. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. É sempre indenizável (justa. 2. CR). §5º. 243. paga em dinheiro). em Indenização posterior se houver dano. não precária.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. A Constituição não permite – ☺art. prévia e. CR). Necessidades permanentes da sociedade. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. emergências da sociedade.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. por ter prazo menor. Necessidades transitórias. é porque ela está cumprindo a sua função social. os bens serão confiscados – art. 243 da CR. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). não há pagamento de indenização. Vejamos: . sem oposição. Usucapião: Na Constituição da República. Confisco: No Brasil. 183. 3. Como o confisco é uma sanção. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. no máximo. etc. sejam urbanos ou rurais. Obs. Para esse fim. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Na CR. regra. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. 50 hectares. CF/88. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Requisição Refere-se a bens e serviços. seja urbano ou rural. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. 184. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). São imunes a impostos (☺art. não podem ser adquiridos por usucapião. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). 191. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). pacífica. Só não podem ser para fins de reforma agrária.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). possuir o imóvel como se fosse seu. Se ela é produtiva. . §3° e art. ininterrupta. no máximo. 120 . O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. Só que. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. o imóvel deve ter. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Nesse caso. 250 m2. PU. 5º.).Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE.: Imóveis públicos. O confisco de propriedade está previsto no art. . precisa recorrer ao judiciário). parágrafo único. 185. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Se ele tiver outro imóvel. .

Durante a vigência desse contrato. 5º e no art. Esta hipótese é. é uma conjugação das duas anteriores. ato jurídico perfeito e coisa julgada.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. desde que seja mais benéfica para o réu. só que exclusiva para o direito tributário. No direito penal. a saber: 1. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. outros a interpretavam de maneira (B). não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. é necessário diferenciar duas situações. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. na verdade. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). 106. Retroatividade da Lei Penal. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. 5º. média e mínima. XL. autônomo. 2. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. etc. XXXVI. Em resumo. a lei interpretativa retroage. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Todas as demais o consagraram. Para responder a essa questão. a regra também é a não retroatividade (art. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. a CR/88 entrou em vigor. mas deve respeitar a coisa julgada. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. não era muito democrática). A garantia existe para a proteção desse direito. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. 5º. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. CR). a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. b) Retroatividade benigna. As hipóteses mais importantes são: 1. Alguns a interpretavam de maneira (A). Seria correspondente à primeira hipótese. Em regra. não. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. inicial. 3. A lei interpretativa retroage. interpretando a lei da maneira (A). mas que vale especificamente para o direito tributário.

extintas. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Ex: Determinada prestação. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. . As parcelas podem ser reduzidas e. de acordo com a legislação da época. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. e não o ato exaurido. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. e não as parcelas que compõem o vencimento.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. É claro que isso não é desejável. Portanto. Ex. porque geraria uma insegurança jurídica. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Não pode haver a redução. 654 e Súm. e não lei em sentido restrito. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. STF. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. até mesmo. Antes de a prestação ser paga. mas isso está superado. ☺Súm. dirige-se apenas ao legislador ordinário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. . A EC poderia prejudicar direito adquirido. porque geraria uma insegurança jurídica.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. portanto.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Nesse caso. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Se mudar o real. no caso de retroatividade mínima. Só que para haver essa retroatividade. Após a Constituição de 1988. Havendo mudança de regime jurídico. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. haverá uma retroatividade média. Se a Constituição atingir essa prestação. coisa julgada e ato jurídico perfeito. através de norma de eficácia plena. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. b) Retroatividade média: pode ocorrer. mas as leis não. Na retroatividade máxima. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. haverá uma retroatividade máxima. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. Só que para haver essa retroatividade. em regra. 2. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. será necessário que a Constituição diga expressamente. XXXVI) é lei em sentido estrito e. . a Constituição da República entrou em vigor. 5º. interpreta a lei em sentido amplo. É o ato que está apto a produzir os efeitos. 473. inclusive as de ordem pública. não há posição prevalecente. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. .2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. automaticamente. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. É claro que isso não é desejável. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. O prof. ela afeta a todos. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. → Coisa julgada: 122 .A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos.

Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. . são mandados de otimização. de sociedades pluralistas. Dirley Jr. 2. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. e pelo Min. e não propriamente como ministro). §1º. b) o art. . geralmente consagram seus direitos em textura aberta. por ex. 7º. Por isso. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Direitos Sociais: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Em cada época. ou seja. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. nós deveríamos interpretar o art. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. e isso para muitos é um ponto negativo. como teórico do direito (ou seja.☺art. Ou seja. Eficácia: todo direito tem um custo. mas é apenas a coisa julgada judicial. para dar decisões concretizando tais direitos. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Já os direitos sociais. Os princípios. §1º. 5º. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. No art. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. em regra. Os direitos de defesa são. exigem uma atuação positiva do Estado. consagrados em NEP ou NEC. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria.: salário mínimo). Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. independentemente da sua natureza. 5º. independentemente de qualquer fator. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. o que significa que possuem um caráter positivo. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. são NEL (de princípio programático). Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. A administrativa não tem essa proteção. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. Assim. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais.. 5º. Eros Grau. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. segundo Robert Alexy. em sua maioria. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. do seu enunciado. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. pois são mais facilmente implementados. à medida que a sociedade o determine. Mas isso não é verdade. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. como doutrinador.

o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. normatividade. as normas possuem uma textura aberta. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. por ser norma programática. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. Em outros lugares. Obs. A visão do juiz é bilateral. Assim. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.000. Esse entendimento já foi superado. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde.. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. Quando se fala em direitos sociais. por ex. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. rodovias. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. pois. legítimas (saúde. . quando foi dado um maior papel ao PJ. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. Norma de direito social não gera direito subjetivo. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. Esses direitos sociais não teriam. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias.). Pedro Taques). O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. 3ª fase: é a fase desejável. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. só porque recorreram ao PJ. todas.). implicitamente. Primeiramente. por ex.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. não geram direitos subjetivos. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. O que se busca. etc. pois. previdência. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. Argumentos contrários à intervenção judicial: . O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. assim. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . trabalho. Por isso. lazer. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. em tese. Como têm apenas eficácia negativa. segurança. é importante definir tais critérios. que estamos buscando.000. essa atuação talvez não seja tão justa. . doutrinador do RS. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). Portanto. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. educação.

deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. Mas. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. ou seja. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. eles acabariam sendo inviabilizados. eleições periódicas. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. pois. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). segundo Ingo Sarlet. por isso. É preciso. 125 . Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. Assim. entra-se muito nas questões ideológicas. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. o outro cresce. Esses argumentos são os que devem prosperar. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. De se ver que quando se fala em direitos sociais. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. . Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação.Caráter normativo da constituição. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. sufrágio universal. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). saber se a demanda é razoável. em 1972. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. Os direitos sociais estão consagrados em normas. no que diz respeito aos direitos sociais. teríamos a maior utilização das ações coletivas. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. A reserva do possível. e é muito utilizada no Brasil. Se um poder se encolhe. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. mas a todos que se encontrem na mesma situação. . são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. não se encaixaria na realidade brasileira. em razão do Princípio da Igualdade. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda.A democracia não é apenas vontade da maioria. Se não se estabelecer os critérios. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . inclusive a minoria. Não é o entendimento que prevalece. Ademais. em razão das limitações orçamentárias existentes. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. .Déficit democrático das instituições representativas.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha.

Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. a questão da efetividade será prejudicada.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Vejamos: 1. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. por ser necessária para a 126 . depende de cada época e de cada sociedade. etc. Não é o máximo desejado. que é a corte suprema na Alemanha. que existem z pessoas na mesma situação. é o mínimo existencial. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). A reserva do possível é uma matéria de direito público. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. em razão de sua textura aberta. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Se não definir o conteúdo. Ou seja. No Brasil. Segundo Ana Paula de Barcellos. . Outros autores já falam apenas em saúde. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. . 2. Por que falamos em “mínimo”. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. em 1953. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. que a demanda custa y. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. maior o risco de não ter efetividade. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Segundo o prof. Segundo Ricardo Lobo Torres. saúde. é o entendimento mais adequado. precisam ser concretizados. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. essa concretização. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. assistência em caso de necessidade. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. A efetividade passa pela sociedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. pelo cumprimento voluntário da constituição. mas deve também ser provada. quando se estabelece o mínimo existencial. mas teria um peso maior na ponderação. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Assim. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. educação e moradia.. da liberdade material e do princípio do estado social.

porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. não pode haver uma redução dessa concretização. 5º. haveria um engessamento do legislador e do PE. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). CR). Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. só ampliado. já dizia algo muito semelhante. língua. Todos que moram no Brasil. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. estatístico. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. Ex. segundo ele. §1º. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. Por isso. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. Pode. Há dois posicionamentos quanto ao tema. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. e. da dignidade da pessoa humana. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. A partir do momento que um direito social é concretizado. de acordo com a necessidade. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. fazem parte da população brasileira. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. o que prejudicaria a sociedade. 127 . passaria a fazer parte do próprio direito social. e do Estado Democrático e Social de Direito. JAS. fala-se em vedação do retrocesso social. consciência coletiva. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. Ele tem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. ao estudar as normas de princípios programáticos. pois. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. 2) posicionamento de um autor português. haver uma redução do grau de concretização. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. Os poderes públicos. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. assim. Segundo ele. entre eles: laços culturais. irão concretizar os direitos sociais. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. um pensamento mais flexível sobre o tema. que significa nação. costumes.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. independentemente da nacionalidade. esse prazo não pode mais ser reduzido. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. da máxima efetividade (art. População está relacionada ao conceito demográfico. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. históricos. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso.

que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. há direito público subjetivo do estrangeiro. É o caso do Brasil. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. II) Naturalização expressa (art. §6°. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente.Diferenças de tratamento 128 . CF/88. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. art. os pais têm que ser brasileiros. considera a nacionalidade dos pais. 12. Refere-se aos brasileiros naturalizados. estrangeiros residentes. I. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. 12. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). não haver condenação penal e requerimento do interessado. Neste caso. se não se manifestarem contrariamente. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país.815/80.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . I. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. adquirem a nacionalidade do país onde residem. de acordo com o art. Pelo critério funcional. Se o casal estiver a serviço de outro país. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. De acordo com o critério sanguíneo. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. a). I. II) Jus Sanguinis: ascendência. Refere-se aos brasileiros natos. A EC 54 alterou o art. 12. . b). §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. 112 e 115. 12.Quase nacionalidade (art. É geralmente adotada por países que estão em formação. terá naturalidade brasileira. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. 12. c. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Obs. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. não há direito público subjetivo. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. 227. por uma questão de soberania nacional. Quando a pessoa é nascida no Brasil. o filho terá nacionalidade brasileira. . desde que haja reciprocidade. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros.

Se o estado desrespeita essa regra. §4°. Já na entrega. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). . LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Não se pode. ou que tenha filho brasileiro. dependente da economia paterna. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. §2°. 5°. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. vice. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. não se poderá invadir esse estado. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. Na extradição. §3°). O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. . Mas. XL.815 (ato nocivo ao interesse nacional). membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa.segurança nacional: oficial das forças armadas. Expulsão: consiste na retirada a forca. 65 da lei 6. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. a ela aplica-se a súmula 1. do território brasileiro. b) 6 assentos do Conselho da República (art. CF/88). 12. presidente do SF. presidente da CD. portanto. . Importante analisar a Súmula 421. . no entanto. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. em razão da soberania nacional. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. Mas. CF/88): 129 . .Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. A deportação está mais próxima da expulsão. cria-se um problema de relação internacional. 12. 5°. 5°. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. 89. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma).Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. em razão da superioridade da Constituição. d) Extradição (art. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. Princípios relacionados à extradição: . confundir a súmula acima com a seguinte. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. Os critérios utilizados são: .linha sucessória do presidente da república: PR. só poderá ser extraditado: . VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. No caso de brasileiro naturalizado.Perda da nacionalidade (art. 12.

Além dessas características do voto. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. ou seja. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. . 81. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. inclusive sendo cláusula pétrea. . com uma única exceção: art. é o direito de votar (e não de ser votado). §1º. caput). 130 . Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. . Só se aplica ao brasileiro naturalizado. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. é o direito político em si. São requisitos apenas técnico-formais. com a realização de eleições periódicas. §1º). readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário).Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado.é direto: é a regra. Direitos Políticos: . tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. voto é o exercício desse direito.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art.é periódico: essa periodicidade do voto. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). A CR/88 adota o sufrágio universal. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa.tem valor igual para todos: “one man.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas).é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. Servem ao controle do próprio direito. one vote” – “one person. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. nacionalidade e alistamento. salvo nos casos das alíneas a e b. e não requisitos preconceituosos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Para JAS. 14. salvo se por meio de ação rescisória. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Características que o voto possui no Brasil: . que exige uma alternância de poder. na forma da lei (que ainda não existe). pelo CN. . O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). perderá a nacionalidade brasileira. one vote”. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. 14. o sufrágio censitário (ex.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. no caso do art. dentistas. 14.é conhecida como inelegibilidade reflexa. então. que geralmente admitem desincompatibilização. domicílio eleitoral na circunscrição. no governo de SP). §3º? Segundo o STF. §8º). filiação partidária. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . Além dessas condições relativas à idade mínima. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). Mas o §9º do art. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. ou seja.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). até que se atinja a plena cidadania. com exceção dos portugueses equiparados. Primeiramente. §1º). se houver reciprocidade (art. Quando a Constituição fala apenas em lei. ela é adquirida progressivamente. §3º. 14. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. . No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. 14. 14 traz um questionamento. 12.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. 14. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. em caso de reeleição. ou seja. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . Assim. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. é o direito da pessoa ser votada. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. No Brasil. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). do art. salvo se já titular do cargo. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. os inalistáveis são os estrangeiros. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. §5º . ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. 14. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). 14).Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). a inelegibilidade em relação aos militares (art. §7º . A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. ☺ar. trata-se de lei ordinária. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa.☺§3º. . assim.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. Ex. etc. 14. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ.

Kildare. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. 15. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. A doutrina (JAS. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. seus parentes também poderiam ser candidatos. I. 132 . e quanto a isso não há divergência doutrinária. não há como readquirir os direitos políticos). o prof. portanto. é algo temporário. Com base nessa distinção. VIII). mas o prof. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. 15. 15 (incisos II. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. Todas as outras hipóteses do art. III e V) são hipóteses de suspensão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. nos termos do art. 5º.