Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

br

Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

3

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. como o inglês. por seu turno. um claro juízo de valor. Tem-se utilizado. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. Kildare Gonçalves Carvalho. do estado e das instituições democráticas. então. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. numa terceira acepção possível. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. no fundo. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. mas proteger direitos. a defesa da Constituição. enfeixado na Constituição. e que se encontra acima dos detentores do poder. 4 . para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Numa vertente mais restrita. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. Numa segunda acepção. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. em sentido jurídico. Partindo. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. É. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. O conceito de constitucionalismo transporta. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. E para isso. e. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. sociologicamente. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. Neste sentido. mas também de outros assuntos. uma teoria normativa da política. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. o americano e o francês. o local e a época. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. reporta-se a um sistema normativo. como sociológica: “em termos jurídicos. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. os fins socioeconômicos do Estado. em especial limitar o poder arbitrário. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. assim. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade.

ii. ii. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. Hoje. após a Independência das 13 Colônias. a partir da Revolução Francesa. e da França. Governo limitado. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. em 1787. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. b. Influenciaram o direito francês e americano. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Estabelece as regras do jogo político. se contrapõe ao absolutismo. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Foi uma retrospectiva do direito Grego. c. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. como e até onde pode mandar. Inglaterra: rule of law – governo das leis . • Separação dos poderes. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. 1. Foi a mais avançada forma de governo. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). integram-no. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Como ressaltado por Jorge Miranda. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. • Princípio do governo limitado. Roma: idéia de liberdade. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. 2. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. a. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. em 1791. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Atribui competências aos três poderes. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. fases pelas quais passou a constituição. desde logo.surgiu em substituição ao governo dos homens. Grécia antiga: democracia constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. (Livro do Alexandre de Morais). As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Garantia jurisdicional. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Estado Hebreu: estado teocrático. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. quem. porém. Foi a 1ª experiência constitucional. d. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. A democracia é a representação da vontade da maioria. Por isso. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. b. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo.

Constituições de países subdesenvolvidos. 4. diretrizes. Começou a se falar em um direito moral. XX). ou seja. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. O Estado é um meio para atingir determinados fins. d. havia regras. Constituições da democracia social. Idéias principais: i. direitos fundamentais. Rússia. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. 3. ligada à idéia de liberdade. Segundo a tradição francesa. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. a. c. Eram apenas uma diretriz. aplica-se a analogia. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. na época das Revoluções Liberais. Hoje. Separação de poderes. foi o Abade Sieyès. Garantia de direitos. O ser humano é um fim em si mesmo. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. A partir dessas novas idéias. PE e PJ). ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Força normativa da constituição: antes. b. os costumes 6 . É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Constituições da democracia racionalizada. as constituições tinham caráter mais político. as quais são denominadas por pós-positivismo. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Novas idéias foram surgindo. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. estabelecendo diretrizes. b. ii. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. estabelecidos pela Constituição. sem força vinculante. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. a maioria da nação. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. Todos os poderes constituídos (PL. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Constituições da democracia marxista ou socialista. Ex. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. XIX. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. estarão subordinados a ela.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. c. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Teoria Concretista Geral. Para Barroso. e. Consenso. f. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. são aplicados através de ponderação entre os princípios. o judiciário aumenta sua força. verticalização. Hoje. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. é o juiz. • • 5. Universalização. Solidariedade. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. de uma forma geral..  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Na Itália. Participação.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). 7 . Para Paulo Bonavides. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. fidelidade partidária. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. há uma euforia dos princípios. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Continuidade. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Quando o legislativo é fraco. Eles são importantes. mas quem dirá o que ela é. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Não se aplica diretamente a constituição.  Aplicação direta da constituição. Constitucionalismo do futuro. etc. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. b. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. g. EUA: nós estamos submetidos à constituição. que é aplicada mais às regras. d. os princípios. aborto no caso da acrania. Ex. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Os princípios. Integração. cotas em universidades. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. etc. c. é o judiciário. Verdade. Na jurisprudência do STF. união homoafetiva. Ele atua como legislador negativo e positivo. A aplicação da norma se dá pela subsunção. pois esta é a concretização de um princípio geral. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). demarcação de reservas indígenas. Entre uma regra específica e um princípio geral. Hoje. aplica-se a regra específica. Mas essa é uma posição muito radical. espuma do chopp. tratado internacional tinha status de lei ordinária.

CR) e. 1º. Compact (1620). de acordo com o art. o P. mediante: plebiscito. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. II e III. que são os deputados federais (âmbito federal). caput. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. 14. nos termos desta Constituição”. dá-se através dos representantes do povo. verdadeiro sistema híbrido. então. Podemos falar. a verdade. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. segundo o art. O titular do poder é o povo. Como regra.U. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Assim. referendo e iniciativa popular”. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). portanto. Carta outorgada por Carlos II (1662). o exercício deste poder. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Vale dizer. CR). 46. do art. concretizando a soberania popular. Habeas Corpus Act de 1679. a continuidade. de forma expressa. a solidariedade. Act of Settlement de 1701. nos termos deste lei e das normas constitucionais. que. Bill of Rights de 1689. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo.709/98 (que regulamentou o art. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. cujo titular é o povo. de soberania popular. CR. a participação. Petition of Rights de 1628. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. com valor igual para todos. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. Fundamental Orders of Connecticut (1662). pertinentes. Contratos de colonização. 1º da Lei 9. I. por intermédio de seus representantes.

(13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. mas materialmente distintas. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. quando não corresponde à Real. Toda a Constituição. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. → Segundo Hans Kelsen. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). não passaria de uma simples “folha de papel”. a que Carl Schmitt chama de Constituição. a Constituição é norma pura. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. na sociologia. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas).: art. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. Essas normas são programáticas. com exceção do Preâmbulo. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. ou seja. têm a mesma forma de elaboração). na política ou na filosofia). e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. como por ex. caso contrário. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). 1°. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. portanto. §2º. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. PJ. é vinculante e obrigatória. Constituição e leis constitucionais são. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. conforme o prisma de análise. As leis constitucionais são todo o restante. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). PL. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. que surgiram com as constituições mais prolixas. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. O art. mas apenas leis constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. Esta é a concepção que hoje prevalece. A conferência realizada por ele. 242. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. Segundo ele. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam.. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. o caráter normativo e vinculante da Constituição. para ele. Esta concepção atualmente é inadmissível. ou seja. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. o restante. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. os direitos fundamentais. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. que adota o conceito decisionista de constituição. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. Para entender tal concepção. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . A Constituição Escrita. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional.

a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político).a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. define tais elementos estruturais. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). é: todos devem obedecer a Constituição. Seu único comando. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. Gilmar Mendes). 10 . ela não existe na realidade. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. todos os setores da vida social.Território.Soberania.Povo. não está escrita. Ou seja. .a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). condicionante desta mesma cultura. quais sejam: . desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. A CR/88. é um elemento conformador. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. por isso não tem nenhum expoente específico. ao mesmo tempo. segundo esta concepção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . é apenas uma pressuposição. neste sentido. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. modificando-a. qual seja. portanto. mas que trata de todos os aspectos. . só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. posta pelo Estado). . é a Constituição escrita (CR/88). e também jurídico. a Constituição tem sim fundamento sociológico. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. .Finalidade. não introduz nenhuma novidade. é uma norma pressuposta.

o apelido de “Cartas Constitucionais”. toda Constituição histórica é costumeira. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). de maneira unilateral. . promulgada. Obs. . pois toda constituição é escrita e não-escrita. há pouco espaço para se ter costumes como regras.outorgada: é a constituição imposta. . como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). dos dogmas predominantes naquele momento histórico. ou variadas): ex. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. é fruto das idéias.: as constituições outorgadas recebem.. por ex. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. tem também vários documentos escritos. consuetudinária (não é escrita). intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. quem vota a matéria são as lideranças. trata-se de modalidade anacrônica. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. No Brasil.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. e como é bastante prolixa. votada. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88).democrática. por alguns estudiosos. 1937. a constituição não se torna democrática.dogmática: sempre escrita. a Constituição Inglesa. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. É uma aprovação simbólica). 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . como por ex.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. . Constituição Espanhola/1930.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. podendo ser: . Nesse caso. não surge de uma só vez em um só momento.não codificadas (ou legais. Ex. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. Por isso mesmo. surge em um só momento. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo.. a classificação irá ajudar a compreender a constituição.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. . 11 . 1967. de uma só vez. as constituições outorgadas foram as de 1824. 3) Quanto à origem: .

CR).: art. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: .imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. Não existe controle de constitucionalidade das leis. Ex. ou seja.: a Constituição dos EUA). Ex.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. portanto muito difícil de serem modificadas. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex.) .constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. . É uma classificação típica das constituições costumeiras. Como se submete a esse tratado internacional. É uma constituição em sentido material. Constituição Inglesa. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). 1º. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. como é o caso da CR/88.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. mas sim o processo mais dificultoso. Ex. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. .concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. passou a haver hierarquia entre as normas. São chamadas também de clássicas. inclusive a CR/88). O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. (Obs. . por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. sucintas. deixou de ser considerada flexível. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) .rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). . Em 2000. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). sem se preocupar com os detalhes. É uma constituição em sentido formal. Por este motivo. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. .fixas: não poderiam ser modificadas. sendo assim.

Constituição em sentido formal. dogmática. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). o DF. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. Característica das constituições clássicas. pois valem a todos os entes federados. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Históricas.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer.: art. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. . 13 . QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. votadas ou promulgadas). que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Ex. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. codificada. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Flexíveis (ou plásticas). Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. o Municípios. Constituição programática (ou dirigente). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional.: a CR/88 é ainda Eclética. É a CR/88. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. 3º. rígida (ou super-rígida). OBS. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. Democráticas (populares. porque é fruto de várias ideologias. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Ecléticas. Não-escritas (inorgânicas. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). o Estados. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). como por ex. básicas ou clássicas). 59 e segs. formal.: art. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. (processo legislativo). Rígidas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . dogmáticas. sumárias. que surgiram com um objetivo pré-definido. o União. prolixa. CR. democrática. mas sim uma obrigatoriedade!). União. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Pactuadas (ou pactuais). e não de apenas uma ideologia. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. sucintas. Canotilho. costumeiras ou consuetudinárias). Fixas.

que existem como complementação dos ANP). a Constituição. ordinárias e complementares). do Senado e do Congresso Nacional (☺art. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. sejam elas originárias ou derivadas. se tiver também supremacia formal. uma Constituição só possui relevância sociológica. basicamente. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição.: decretos e regulamentos. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. as medidas provisórias. No topo. as leis delegadas. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. 59. direitos fundamentais ou não. por ser rígida. para fins de controle de constitucionalidade. 59. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. Para que exista supremacia formal. distritais e municipais. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. Importa dizer. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. CR). DL e Resoluções – ☺art. MP. princípios ou regras. obrigatoriamente escrita. 59. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. o indireto. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . a Constituição tem que ser rígida. II a VII). estaduais. cujo fundamento de validade são as leis e. §3º). enquanto as regras são mais específicas. 5º. LC. tem de ser. por 3 níveis hierárquicos. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. as derivadas (art. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Leis Delegadas. que a CR/88. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. No entanto. porque os princípios têm maior amplitude. encontram-se as normas constitucionais originárias.343/SP. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade.

Anotar como complemento posteriormente.status constitucional. 47 é a regra geral. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . que regula a LC. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição.☺Art. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Por ser uma matéria reservada. Quando não exigir LC. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. mas somente uma recomendação. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. 47. 69. No caso da prisão civil por dívida. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Residual. 69. por uma questão de economia legislativa. a previsão constitucional exige complementação. Cabe controle de legalidade (discussão incidental).☺Art. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). No entanto. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. MPs. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Reservada pela CR/88. Essa aprovação não é obrigatória. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Leis delegadas. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Portanto. OBS: O art. Não varia. é sempre o mesmo número ☺Art. Lei ordinária Art. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes .

A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. 21. • Estado – ☺Art. Assim. não cabe ADIN. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. conforme previsto no art. d. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Havendo conflito (ex. no caso de repartição vertical. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. 16 . não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). 30 (assunto de interesse local). E. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. assim.: lei estadual trata de matéria de competência da União). como o controle exercido será de constitucionalidade. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). • União – ☺Arts. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. 102. Assim. 25.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. DF). ☺Art. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. CR. III. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). pois não está ligada diretamente à Constituição. Parei aqui. Hierarquia entre Lei Federal. há hierarquia. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. a competência para resolução é do STF.

consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). Abrangeria não somente a constituição. Refere-se. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. Tirando o preâmbulo. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. quando são equivalentes às EC. Como não tem caráter normativo. ou seja. mas também o preâmbulo. como para Canotilho. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. Não existe. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. é diretriz hermenêutica. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. etc.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. tem função interpretativa). para alguns é amplo e para outro é mais restrito. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. seja uma norma de referência para ele. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC).Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). Com a EC/45. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. deve estar inserida no texto da CR.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). portanto. os TI de direitos humanos. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. visando assegurar a supremacia da constituição. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. . b) Parte permanente = normas gerais – arts. o CDC. contudo. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. Assim. . este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. 17 . proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. .

Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). ou seja. quando não é respeitada uma norma de competência. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. e Não Bastante em Si. Assim. ocorre. aliás. o Min. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). §1º. ADC e ADPF. Aqui. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. 3. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. 3.: a Súm. . Não Auto-executável. às vezes. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação.de princípio institutivo (Obs. (Obs. Ex. 4 e 5. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. se considerar em relação a uma expressão é total. 61. as Súm. 5. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. Ex.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total.: competência privativa do PR (☺art. MI. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. 5° a 17). Ex.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. AIO. ou seja. mas caberá ADIN por omissão). STF não é mais aplicada. não será cabível mandado de injunção. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. ADI. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Obs. Assim. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: .de princípio programático. CR). Formas de Inconstitucionalidade: 3. 18 . Pode ser: . No STF. não pode ser suprido pela sua sanção).1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. 3. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. Ou seja. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. A omissão parcial nada mais é que uma ação. I – que exige LC para instituir impostos residuais).3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. . 154. há uma divergência na doutrina. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. art. Dependem do prisma de observação. mas o prof. pois. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. Não Auto-aplicável.

aos Atos Normativos Primários.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). o decreto se torna inconstitucional. como altera sentido do texto. decretos regulamentares. Segundo STF. Para o prof. a inconstitucionalidade será direta. Relaciona-se. a inconstitucionalidade será indireta.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. pois. pode ser questionado. e grande parte da doutrina. § 2°). ato originariamente constitucional. não se trata de revogação. Ex. Ex. no controle concentrado abstrato. Quando se fala em inconstitucionalidade. No caso do decreto. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. todo parágrafo.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. reflexamente (ou de maneira 19 . Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. b.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. 66. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. No caso da lei. CR. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. Pode ser: b. toda alínea ou todo inciso (☺art.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. 3. Obs. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. que se ligam indiretamente à constituição. Se o decreto é ilegal. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. de ofício ou a requerimento da parte. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88).: a palavra “não”. ou seja. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. atos previstos no art. Assim. que só pode atingir todo artigo. não pode ser retirada). refere-se. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. ou seja. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. 59. já sendo inconstitucional desde a sua origem.

66. IV. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). No 1° caso. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. CR). ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. 60 parag 4. como pelo PE e PJ: . quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). a inconstitucionalidade é indireta. porque o chefe do PE. promulgar e fazer publicar as leis. viola o art. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. pois pode ser derrubado (☺art. o projeto 20 . . Trata se de um controle incidental. quando ele participa do processo legislativo. Obs. que se exerce através do veto (☺art. 66. IV . parágrafo.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. por isso ocorre antes da promulgação da lei. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. 84.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. ela não está violando o direito de ninguém). . O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. é fundamento de validade direto e no 2° caso.. assim. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. CR. 84. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. tem fundamento de validade indireto. ele não precisaria impetrar o MS. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. inciso ou alínea). a inconstitucionalidade será direta. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. portanto.ou concreto.sancionar. O veto é relativo. prevenir que a CR seja violada. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. EX:art. Art. embora participe do processo legislativo. segundo o STF. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). §2º. mas uma mera análise política. mas sim analisar cada caso concreto. por isso aqui não há que se falar em controle). Caso contrário. porque ele é o único que participa do processo legislativo. não pode impetrar o MS. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. O chefe do PE. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. porque o ato não fere diretamente a CR). O único legitimado para impetrar esse MS. OBS: não adianta decorar o nome do ato. já que de maneira indireta. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. é excepcional. O veto tem que ser expresso. se ele entender que o projeto é inconstitucional.

68.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. Questão: o PR. Ademais. que entende que “.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). §4º. 60. não lhe cabendo. o PR elaborará então a LD. somente o Deputado Estadual. pode ajuizar uma ADI. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. que. interpretações regimentais. vinculam os atos e procedimentos legislativos. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. 21 . vedando-se. ☺art. o Senador. V . Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . na linha do voto de Gilmar Mendes. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. as cláusulas pétreas. por maioria de votos. mormente. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. constituindo-se normas constitucionais interpostas. Legislativo? Sim. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. se na Assembléia Legislativa. os direitos e garantias individuais” – ou seja. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. 49. tendo como objeto esse Dec. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). ou seja. No entanto. na qual o projeto esteja tramitando. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. V. já que trata-se de um ato normativo. desta feita. e as normas do RI são questões interna corporis). o voto direto. 168): o STF. se está no Senado.. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. Assim. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. em um primeiro momento. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. a fim de repará-la. muito embora não sejam formalmente constitucionais. Se o projeto tramita na CD. universal e periódico. mas um processo legislativo constitucional.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. CR. pois não se trata de ato normativo. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. contudo. Leitura do livro do Lenza (pág. etc. aos direitos fundamentais”. ADC ou ADPF. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. secreto. Na verdade. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. a separação dos poderes.. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. que é o chamado Decreto Legislativo.

II) art. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. Após a CR/88. ao negar cumprimento à lei. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. IV. ela deve ser objeto de controle. simultaneamente. Legislativo para sustar. III) Súmula 347. tampouco que o PR. porém. GE. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. o chefe do PE teria que. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. quando. 4. por ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. ajuizar uma ADI. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. não havia relevância alguma). ou seja. Antes da CR/88. não é um entendimento consolidado. estudado de forma detalhada a seguir. . estendendo-se inclusive ao PR e Gov.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). Assim. esse rol foi ampliado. 71. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . Gilmar Mendes.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). exorbita os limites do Poder Regulamentar. . O chefe do PE (e só ele – PR. Obs. Não se analisa o mérito da MP).. O TC é órgão auxiliar do PL (art.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. nesse caso o CN pode editar um Dec. é necessário fazer-se um controle repressivo).Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. segundo o STF? Resposta: em regra. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. através da edição de um Decreto. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). STF: o Tribunal de Contas. no exercício de suas atribuições. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. 84..O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. CR). clara e evidente – ou seja. pode o PJ analisar tais pressupostos. ao fazer um Decreto Regulamentar. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei.084). suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Ele será. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). Apenas excepcionalmente. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”.. No entanto. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. pois. mas segundo o Min. CR). Desde já. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. 62. já no STJ não há qualquer ressalva. nesse caso. mas tão somente aos prefeitos.

b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). porque surgiu nos EUA. para não gerar essa confusão. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. já na CR/88. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. que completa este ano 20.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. em se tratando de lei nacional. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. já foram feitas 56 EC! 23 . O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. inclusive o STF). Por isso. difuso e concentrado). no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil).S. se se tratar de lei local. Primeiro caso. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. dentro de sua competência. mas das espécies de controle. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. em 1920 (bem depois do controle difuso).3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. ao mesmo tempo.: na Suíça. Obs. No Brasil. Por isso. interessante: em 1965.: França – que tem o Conselho Constitucional. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. 4. Ex. em 1803. isso não é verdade. haviam sido feitas apenas 16 EC. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. o controle é feito pelo PL. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. com 19 anos de Constituição. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. É também chamado de controle aberto. 1792 Hayburn s case.Hilton x U. porque significam coisas diferentes!). ou seja. porque surgiu na Áustria. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle.A. e é adotado pela maioria dos países europeus. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). quem exerce o controle é o PJ. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). Segundo caso.

O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). Gilmar Mendes. Segundo este instituto. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. 102. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. (O STF é o guardião da CR – art. ou seja. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. No Brasil. já não ameaça mais a supremacia da constituição. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Da mesma forma. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. porque em estando revogada. nos EUA chamado de “Binding Effect”. 97. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. mas tão somente de controle concreto. e a partir desse antecedente. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. se fala em efeito vertical. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. sendo o controle 24 . corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. A finalidade não se confunde com a competência. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). por ser uma relação vertical. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). ou tendência de verticalização. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. Com base nesse argumento. o principal defensor dessa tendência é o Min. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. Este efeito é típico do controle abstrato. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. é proteger as normas da CR. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. A análise da lei sempre será feita em tese. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. também não podem ser objeto de controle abstrato. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. mas deve ser estendido ao controle concreto). bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Por isso o Min. No direito brasileiro. O efeito vertical.

tendo efeito apenas inter partes. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Gilmar Mendes. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. como a decisão tem efeitos inter partes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). O Relator da Reclamação foi o Min. Pois no controle difuso. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes.917/SP. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. em seu voto.335/AC). Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. sem que ocorra modificação no seu texto. Por fim. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. viola o princípio da igualdade. 25 . Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. sendo acompanhado pelo Min. Antes. não há necessidade da suspensão pelo Senado. se assim fosse. pelo menos por parte de alguns ministros. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. ou seja. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). como fica o papel do Senado Federal? ☺art. não permite essa mutação). CR. o direito de greve dos servidores públicos. No Acre. Assim. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. 52. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. ou seja. E. Na decisão do STF. o Min. ainda. e não erga omnes. Então o Min. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. segundo ele. disse que apesar de ser um controle difuso concreto.959/SP. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. Assim. houve decisões proferidas em 3 MI (712. ou seja. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. do PL. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. X. Eros Grau. 4. Gilmar Mendes. então não sabemos a posição dos demais ministros. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. Gilmar Mendes (e também o Min. Por fim. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. Então. não uma simples mutação. Não houve reclamação quanto a essa decisão. em ocorrendo isso. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). Outra situação interessante foi o RE 197. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. No Legislativo: Mas. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. que deu provimento à reclamação. ou seja. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento.

não cabe ao STF analisar. a rigor. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. eles não se reúnem fisicamente. não precisam chegar até o STF. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. concorda com isso). fundamentação e dispositivo. A repercussão geral (art. atualmente. 26 . § 3°. é um instrumento de controle concreto e há. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. é uma questão incidental. Contrários a essa tendência de abstrativização. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. por estarem mais próximos dos indivíduos. (☺ Lei 11. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. No controle concreto. Segundo Eduardo Appio. analisado no dispositivo (conseqüente).417/0 e Lei 11. não tem natureza processual como as súmulas comuns. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. 102. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. não é o objeto principal do pedido.art. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. político ou jurídico. julgando-o procedente ou improcedente.418/06). Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. o que se dá no “plenário virtual”. O RE. social.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. estão os procedimentalistas. por sua vez. mas apenas a causa de pedir (antecedente). o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. Num segundo momento (conseqüente). Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. O papel do STF não é julgar litígios individuais. somando-se os votos de todos eles. 103-A). que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). ou seja. pois tem o papel de guardião da Constituição.

sejam poderes públicos. art. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. eles também são vinculantes. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. mas tão somente a ratio decidendi.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI.882/99 – ADPF. sejam particulares.U. . . 102.Lei 9.I. .Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.erga omnes . Sendo assim. não determinantes para a decisão) não vinculam. 5.868/99 – Lei da ADI e da ADC. questões ditas de passagem. conforme está previsto no caput do art. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. a chamada eficácia vinculante. §2º. P. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. secundárias do julgado. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. 10.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. Ademais. a razão determinante da decisão.EC 45/04: art. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.Lei 9.vinculante. . mas também à fundamentação.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. Dispositivo L. há previsão não só na lei como também na CR). ou seja. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. e ele se encontra no Dispositivo. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.: . §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). 27 . 28. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. 102. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. art.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.

cuja função não é legislativa. . que se quiser. Só atinge a norma impugnada.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. (20/03/09) 5. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito.o PL (na verdade. Respeitando o efeito vinculante. no caso Marbury x Madison). estes estarão sim vinculados). .Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. Obs. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. É um entendimento que vem desde 1. 28 . se as leis devem ser cumpridas. suas turmas e seus ministros. Por este entendimento. impedida de evoluir). o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. . mesmo que não tenham sido impugnadas. pode modificar seu entendimento.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. . já os órgãos fracionários do STF. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. . inclusive o Tribunal de Contas. por sua vez. inclusive os chefes do PE. mas sim fiscalizatória. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. segundo o prof. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. pois atinge apenas o dispositivo. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. como a coisa julgada. No entanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: .o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. estadual e municipal).3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). outros dizem ser nulo. até que o PJ a declare inconstitucional. a função legislativa). e outros dizem ser um ato anulável. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. mas os sistemas de preclusão processual. também fica vinculado).

de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. como regra é retroativo: ex tunc. 11). Visto a natureza do ato inconstitucional. 27). portanto. .917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. como a Lei 9. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. por questão de segurança jurídica. os efeitos são erga omnes). Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. porque o ato é nulo desde a sua origem. ☺art. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. no caso do controle abstrato. O STF. autor e réu.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. Lei 9. o efeito que produzirá. Neste caso. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF.112/90. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. decidiu que. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade.868/92 (art. assim..Normas anteriores à CR. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . Exs. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. o STF. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. que revogou a Lei A. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem).. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. poderá o STF. não precisariam deixar os cargos. Ou seja. Assim. .” . outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. com seus normais efeitos ex tunc. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. ☺RE 197. o Min. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). como os servidores agiram de boa-fé.)”. 27.). com inteiro teor). por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. ou 2) excepcional interesse social. Mas. e não no de não-recepção).Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B.882/92 (art. não admite a “constitucionalização superveniente”. portanto. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. etc. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não.

com condições de trabalho iguais às do MP. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. um significado A e um B. . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. Ex.: a norma x tem dois significados possíveis. 134. de fato. com um só sentido). sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. 5. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. e a norma já foi recepcionada pela CR e. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. . o prof. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). mas sua interpretação). esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. portanto foi recepcionada. Segundo o STF. CPP. à medida que a situação fática for alterada.O Tribunal precisaria observar .Corresponde a um juízo de .2: art. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). CR x art. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. 68. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). depois de ter sido recepcionada.Corresponde a um juízo de . mas. mas nem sempre. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. era uma questão “obter dictum”. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. Ex.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. quanto . desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. evitando a inconstitucionalidade progressiva. para que este corrija a norma. controle difuso-concreto. portanto. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. não foram todos os ministros que se manifestaram). chamada “Apelo ao Legislador”. quando todos os Estados tiverem DP. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. o resultado será o mesmo. Em alguns casos. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. portanto. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. Assim. reproduzida pelo STF). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. constitucionalidade.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países).O Tribunal não precisaria 30 . ex. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . assim.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. (A norma já passou pelo crivo da constituição. ela progressivamente se tornará inconstitucional). entende-se que a norma (B) é inconstitucional. que trata da ação de reparação ex delicto.

que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). Trata-se de controle abstrato. em regra. nem sobre os demais. . portanto. 1º ou do art. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. de ofício. Obs. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). não podendo. b. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. a cláusula de reserva de plenário. em razão do Princípio da inércia. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 .É permitida uma interpretação e. . declarar a inconstitucionalidade. b) Com redução de texto: b.Não há qualquer modificação no texto da norma. se o art. 3º. ou seja. do art. o texto da norma. . o juiz não pode. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). Há um Decreto que está regulamentando esta lei. 97). 1º e 3º e.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. 2º. mesmo que não tenha sido questionado.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. não poderá. (*) Para o STF. e são permitidas as demais. se for um dispositivo autônomo. 1º e 3º. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. ser objeto de ADI. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. total ou parcialmente. são excluídas as demais. Assim. . não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. 2º. dentro de uma mesma lei). observar a cláusula da reserva de plenário (*). ou todo o artigo. se manifestar de ofício sobre o art. Na declaração com redução de texto. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. O STF. de ofício. Ocorre que. da Lei x.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. 2º for dependente do art. no controle abstrato. desde que não altere o sentido do restante da norma.É uma técnica de decisão judicial. 2º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. . no controle concreto. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. como ambas são equivalentes.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. em princípio. por arrastamento. . portanto. . esta só se faz necessária quando se afasta. o juiz pode. no controle concreto.É excluída uma determinada interpretação. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos.

julga também inconstitucional o decreto. No Brasil. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. Ou seja. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. de ofício. Contudo. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. já que o STF pode. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. mas apenas a causa de pedir. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. julgará procedente ou improcedente o pedido. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. Neste caso. portanto. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. mas é que esta não é necessária. todo controle difuso é concreto. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Sobre o tema: 32 . portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. O pedido será a proteção de direitos. Obs. neste caso. Ex. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. O dispositivo. Mas nem todo controle concreto é difuso.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. dentre elas a ACP. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. Assim. porque. apesar de sozinho não ter aplicação. mas também quando há usurpação da competência do STF). a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. e por arrastamento. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. ADCe ADPF). ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). ACP para fechamento dos bingos. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. pois será uma questão discutida incidentalmente.

Assim. dotada de caráter de universalidade e abstração”. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. Assim.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. ☺art. Regra da “full bench”. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. 97. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. porém. também não pode ser delegada).022. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. conseqüentemente. No tocante. no âmbito dos Tribunais. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. que é mais de 50% dos presentes). que é função legislativa. 33 . é função possível de ser delegada. 294. 557. assim. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. os Tribunais não têm admitido que. em defesa de contribuintes. que é função política. STJ ☺ RE 227. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. por entendê-la inconstitucional (inter partes). CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). não pode ser delegada. porém. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. 97. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI.: eleição do Presidente do tribunal. porém. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). na prática. e no mínimo 11 membros. pois. as chamadas leis de efeitos concretos. STJ ☺ Resp. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). Em outras palavras. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. no caso.. por ex. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Segundo esta cláusula. o que só se pode obter por meio de ADI. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. XI – órgão especial: para que seja criado. elaboração de Regimento Interno.646. desde que. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. por exemplo. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. Nada impede.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. Os juízes singulares podem. por meio da ACP. Assim. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial.159. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). 93. teremos uma lei material. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. de efeitos concretos. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores.

A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). assim. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. prosseguirá o julgamento.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. 481. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). Exceções: P. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. sabe-se que o STF é o guardião da CR. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. será lavrado o acórdão. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. ou em caso de interpretação conforme. 97.. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. pela maioria dos seus membros. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). CPC) seria inconstitucional: o art. sob o argumento de que o dispositivo (art. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. 481. Assim. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. porque para o STF ambas são equivalentes. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. 34 . se entender que a lei é inconstitucional. podendo decidir o caso concreto. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo.. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. se for acolhida. Há uma repartição funcional de competências. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. P. Há quem critique tais exceções. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. .U. O professor não concorda. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. ao órgão especial). por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. no entanto. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ.. de acordo com o posicionamento do STF.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). ☺art. Quanto à 2ª exceção. se existir no Tribunal. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. abstratamente.U. como guardião da CR. Decidido o antecedente. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. a argüição de inconstitucionalidade (.

Na verdade. Ademais. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. a lei deixa de ser aplicada. 52. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). A suspensão se dá através de uma Resolução. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. Quando a CR fala “no todo ou em parte”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. no todo ou em parte. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. Efeitos. por isso o faz dali em diante. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. X. como se tratasse de uma revogação. que não pode ser retroativa. art. não estando vinculado à decisão do STF. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). bem como ou STF. 35 . Ou seja. sustentam que o efeito é ex tunc. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. É o entendimento mais correto. ela se refere à decisão do STF. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. 2) Outros autores. portanto. passa a ter efeito erga omnes. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. O SF não é obrigado a suspender. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. que não comporta delegação. entendem que se trata de um ato discricionário. O SF apenas suspende a lei. A cláusula vale também para o controle concentrado. CR – compete privativamente ao SF suspender. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. RISTF. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). Quando o SF suspende a lei. a decisão do STF. o SF não pode suspender toda a lei. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. trata-se de uma competência exclusiva. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. 178. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. ou seja. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. em regra. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. O STF já admitia essas duas exceções. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. Outros autores. quando isso ocorre. esta decisão deve ser submetida ao plenário. se assim o fosse ela já seria vinculante).

cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. obrigatoriamente. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. esta norma não é de observância obrigatória. a resposta é negativa. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). esse entendimento é desejável. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. e se o STF. o que. requisitos para a criação de CPI. mas. está fazendo uma análise. por ser um órgão do PL Federal. 66. a partir do momento que resolve fazê-lo. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. não havendo a necessidade de suspensão da lei. Segundo o professor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. LO. 178. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. pela simetria deve ser atribuída ao governador. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. normas referentes ao TCU. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. 52. segundo o Min. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). 57. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. cabe. deve-se recorrer ao entendimento do STF. RISTF) – e isso é óbvio. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). Ressalta que a letra da norma (art. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . CR. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. configuraria uma mutação constitucional. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. 59 e segs. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. O SF. ou seja. já o SF não. um RE para o STF. 61: iniciativa do presidente. sendo norma de observância obrigatória. CR) não comporta este entendimento. CR: prevê o escrutínio secreto. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Mas. É uma construção da jurisprudência do STF. se toda a lei foi declarada inconstitucional. §4°. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. cujo modelo. etc. desta decisão proferida pelo TJ. já que o SF não atua de forma correta. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. Gilmar Mendes. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. Art. Nas situações em que o TJ julga. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. em razão do princípio da simetria. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Art. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. LC. Por isso. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Segundo o STF. não se referem ao âmbito estadual e municipal. se for apenas uma parte. no controle difuso-concreto. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Neste caso. Na ADPF este fenômeno também é possível.

Classificação de Osvaldo Aranha B. assim.” Análise do enunciado pelo prof. por não existir uma federação de municípios. São os dispositivos que se referem tanto à União. da organização da União. se aplicando ao âmbito federal. está defendendo interesses apenas da União. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. É também uma lei emanada do CN. visto que. os que tratam do TCU. a suspensão. porém. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). que dispõem sobre o processo legislativo (arts. 58. do DF e até municipais. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. etc. Quando o SF suspende os efeitos da lei.: Lei 8. como aos Estados. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. portanto. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. 37. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. só se aplicando ao âmbito federal).: CTN. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. retirando a lei do ordenamento jurídico.: art. não havendo. Quando o SF atua como órgão federal. pelo Senado Federal. sendo específica para os servidores públicos civis da União. mas não trata apenas dos interesses da União. ele está atuando como órgão de caráter nacional. por isso pode suspender leis também dos Estados. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Ex. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. Ex. que deve ser observado no âmbito federal. no controle abstrato (ADI. quando o SF atua. 59. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF.: arts. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. 19. no todo ou em parte. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. Sabe-se. estadual e municipal. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN.). estadual. CR). que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). art. 52. §3º. outros 37 . Assim. distrital e municipal). da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. Ex. por isso pode suspender lei estadual e municipal. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. Ex. X. ADC ou ADPF). O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). o SF teria um número enorme de representantes). também. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição).

no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. Embora não haja consenso. da AP Federal direta e indireta. visto que. os dois tipos são constitucionais. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. de fato. de 10/10/1997. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. não retroativos). 38 . 2º grupo: . na sua esfera de competência. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. em decisão definitiva. Poderá. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). porque o seu parâmetro não é a CR.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. Portanto. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. é a Câmara Municipal. adotou-se. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. no âmbito da AP Federal. . MS. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. declarando uma lei inconstitucional. por força do referido Decreto nº 2. RN. então. TO. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso.346. pró-ativos (ex nunc). é sempre a AL que suspende a lei. Entretanto. visto que. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos).346. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. é a AL que suspende a lei. Com efeito. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. Segundo o STF. SE e AM. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante.

ADC. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. a ampla defesa. obviamente.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. mas sim legitimados. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). 4) Recurso da decisão de mérito.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). . 5) Ação rescisória. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). tendo partes – autor e réu. a competência é do TJ).882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. Por se tratar de um processo de índole objetiva. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. não cabe. e não do trânsito em julgado. Obs. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . A Constituição. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).ADPF. ou na CR ou na lei. Como são ações de controle abstrato. onde não existem partes formais (autor e réu). traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). o duplo grau de jurisdição. deve haver a previsão da legitimidade. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. em seu art. e .: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. 39 . de acordo com essas leis. ela é meramente jurisprudencial). ☺Lei 9.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. que são a União e os Estados). nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. 103. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. . A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção.

Os GE. confederação local: sindicato. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. Executivo PR GE – GDF P. Obs. ou seja. CS e ECAN. . segundo a jurisprudência do STF: .Confederação sindical significa de âmbito federal. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). mas a tem perante o TJ (âmbito estadual).. a partir de então. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. para ter legitimidade. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. . confederação regional: F.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.S. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). Assim.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Para ter âmbito nacional. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof.A norma do art. . e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Os demais podem fazê-lo sem advogado. . . . mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). .A entidade de classe.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. .

para ser objeto de ADC e ADI. a. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. admite-se o seu controle. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. geral e abstrato. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. ou seja.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. todas estão no mesmo nível. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. I. Lei 9.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). Não serão objeto de ADI e ADC.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). Obs. . mas caso a portaria regulamente diretamente a CR.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. §3º . nas normas que tratam de outra matéria).preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. como por ex. OBS. o RI pode. I. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.TIDH (3/5 e 2T) .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. direitos e garantias fundamentais. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. 1º. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. por isso não é ANP). a. 41 . 102. 5º.: decreto regulamentar do PR. ele poderá ser objeto. 102. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR.☺art. são questões próprias de RI. decreto regulamentar. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. pois geralmente está abaixo do decreto. . Ex.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).Norma formalmente constitucional .atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. . é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). caso o decreto emane diretamente da CR. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. sem interferência do PJ.

O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. CR. No caso de emenda. CR. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. Lembrar que não cabe assistência. o STF admitiu. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). se seu entendimento for diverso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . → No caso da ADPF não se exige que seja ANP.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. salvo embargos de declaração. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. . STF). A função do art. Assim. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. da mesma forma na ADPF. se um novo PGR o substituir. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. 103. Lei do DF não pode objeto de ADC. segundo o STF. e. O PGR atua como “custus constitutionis”. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). 42 . 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. ainda que ele proponha a ação – ou seja. sem exceção.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. portanto está subordinado ao PR. intervenção de terceiros e recursos. é preciso primeiro ser transformado em EC). Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. 103. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. posteriores a 5/10/88. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Atuação do PGR: ☺art. § 3° é uma função especial. por analogia. Obs. como está havendo uma influência de um controle no outro. pode ser qualquer ato do poder público. devendo ser de todos eles intimado. de defensor legis. Tem status de ministro de estado. Função geral do AGU (art. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. Hoje. ainda. Gilmar Mendes e de um prof. também poderá dar parecer em sentido contrário. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Mas.Súmula. leis suspensas pelo SF. . Atuação do AGU: ☺art. §1º. pois não produzem mais efeitos.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. ele vai atuar como fiscal da Constituição.leis revogadas. medidas provisórias revogadas. ou seja. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. não pode ser objeto de ADPF: . §3º. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. 103. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. na outra. não ameaça mais a supremacia constitucional. só podendo ser objeto de controle difuso.

não precisará do AGU para defendê-la. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. A audiência pública está prevista na Lei 9. art. Cabe também na ADPF. nos estados que adotam a commum low. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. §1º. Importante: ainda que como Advogado da União. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Não há previsão para a ADC e ADPF. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). em seu art.884/94 (CADE). 7º. Posteriormente. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). 20. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). Ela já existia antes. §2º da Lei 9. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. Nesse caso. em especial no direito norte-americano. de “defensor legis” e. A previsão expressamente contida no art.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. seria “amigo do tribunal”. Na ADPF. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). §3º. 9.868/99 -☺art. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. Quando o AGU desempenha essa função. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Tem natureza de auxiliar do juízo. ☺ art. 6º. 89.868. É muito comum nos tribunais internacionais. a Lei 8.868. Mas atenção: existe um outro instituto. portanto. §1º e art. 7º.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. Foi introduzida pela Lei 6. disciplinou a figura. sendo feita por toda a sociedade. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. não há o que se defender. por fim. só vai contribuir para a decisão do tribunal. §1º. §2º e art. art. Portanto. A exposição dos motivos da Lei 9. “amigo da corte”. Ele não é alguém interessado na causa. 31).385/73 (☺ art. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. 43 . por analogia. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. Está desempenhando uma função especial. Mesmo sem previsão legal. o AGU até poderia participar. o das audiências públicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. mas não têm nada haver com amicus curiae. 482. o AGU não será obrigado a defender a lei. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR.868/99 vale só para a ADI.868. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. Amicus Curiae: Em uma tradução. . 7°. Na ADI por omissão.

mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Foi uma exceção. admitindo ser intervenção de terceiros (C. a mais correta. Gracie).Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. I.Com relação à presunção de constitucionalidade. Para o prof. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. Mello. (Obs. Lewandowski. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Barbosa e E. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. Surgiu com a EC/03. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Marco Aurélio não admitiu. ou seja. Lei 9. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. J. por ex. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. porque iria envolver matéria em relação à vida. Aurélio. autor e réu.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. é um equívoco. pois admitiu pessoa física em controle concreto. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. “a”. Apesar de que era relevante. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. em despacho irrecorrível. . O STF ainda tem exigido pertinência temática. seria uma exceção). .868/99. não tendo partes. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). portanto. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Quando 44 . É.102. . M. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. ou seja. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). O juiz de primeiro grau.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. cabe amicus curiae. segundo o professor. poderia afastar esta presunção. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros.. ressalta-se que esta é apenas relativa. R. Mas depois que a lei foi feita. Obs. admitindo prova em contrário.

para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. . na ADPF 33: . para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. O STF admitiu ☺Informativo 518. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.Cláusulas Pétreas.). não há que se declarar uma lei constitucional). 14. no entanto. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. é mais restrito: somente a violação. Mas. II. Cabe prorrogação.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais.Título I: Princípios Fundamentais.869/99.882/99. Portanto.Cláusulas Pétreas. P. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9.21. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. Não é uma ação de inconstitucionalidade. VII). . nas outras ações ela também poderá ocorrer). Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP.Princípios Constitucionais Sensíveis. em seu art. e . O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.868/99. art.U. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. . o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. os preceitos fundamentais são: .868/99.Princípios Constitucionais.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas).Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. Através do AGU. e . . ADPF: ☺ Art.14. . neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. III).Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. §1º. art. Gilmar Mendes.102. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. a Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. 45 . CR e Lei 9. O parâmetro. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. nos quais a lei esteja sendo discutida. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). . o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. inclusive o Poder Executivo. o FHC ajuizou ADC.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. Segundo a doutrina. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. 34. portanto. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. Como visto.

art. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Proposta diretamente no STF. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. 4°.882/99. embora seja bastante difícil existir esse meio).U. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal.: gestante com feto com acrania. estadual e municipal. Segundo Neri da Silveira. ainda. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). Ex. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. 46 . controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. O ato pode ser anterior ou posterior à CR.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. na ADPF. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. leva a questão ao STF através de ADPF. dentro do órgão judiciário). ou seja. Incluindo-se.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. Mas se algum dos legitimados souber da ação. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. Art. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. P. podendo ser um meio de controle difuso. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. embora lá há uma vinculação horizontal.882/99). caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. O objeto pode ser da esfera federal. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. 1º. como guardião da CR. 196 e ao meio ambiente. os legitimados podem levar não todo o processo. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. dentro do mesmo tribunal.: surge a partir de um caso concreto. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. apenas o STF. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Obs. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. a vinculação é vertical. Características: . Um dos legitimados. Aqui. neste rol. § 1° da lei 9. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. 1º.

102. É controle abstrato.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. ADC e ADPF (art. O STF admitiu a ADPF. à soberania e à cidadania).CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. 121. coletivos e individuais indisponíveis (art. o STF transforma a ADPF em ADI.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. 105. em se tratando de órgão administrativo. h). 103. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). à soberania e à cidadania”. 47 . Assegurar a efetividade de suas normas.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. . Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. . Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). No entanto. 5°. nas CE ou em lei federal). TSE/TER (art. I. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. LXXI .Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). § 2º .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . (O órgão tem que ter competência determinada na CR. § 4°. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. para fazê-lo em trinta dias”. 5°. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). V).Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. q). 129. II e III).CR: STF (art. É a mesma da ADI. STJ (art. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Obs. mas a converteu em ADI. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e.. . I. Ex. por ex. . É controle concreto.Admite-se a fungibilidade.

3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. é b) Concretista: concretiza a norma. em se tratando de órgão da AP. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. ou seja. entes federativos e PJ dir.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. Há. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. portanto não podem impetrar MI. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. . O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. fundamentais em face do Estado. apenas razoável e não peremptório. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. portanto. recentemente. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. não pode concretizar a norma.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . ECAN e associação c/ 1 ano). isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. público: MI protege dir. Obs. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão.Órgãos públicos. mudou seu posicionamento. no entanto. ou seja. concretize a norma (faça a norma concreta). competente de sua omissão (em regra. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder.MI Coletivo: o STF o tem admitido.: na ADI 3682 b. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. LXX: PP c/ CN. não pode fazer a norma para o caso concreto. Recentemente. organização sindical. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. O STF. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). Se o PL) e. mas esse prazo era direito. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 5º. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. Mas atenção. autores que admitem.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. A omissão total não cabe MC. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. VI). 34. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. 2. 36. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. VII). Não pode haver intervenção federal em município de Estado. pelo STF. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). ademais. 680. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. ou seja. Mesmo adotando a corrente concretista. ou seja. intervir nos Estados). 652. O STF adotou essa corrente no MI 232. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. ou seja. não cabe liminar (antes. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. ao mesmo tempo. O efeito seria apenas inter partes. Recentemente. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. 49 . porque nem a AIO tem esse poder. nestes casos de omissão parcial. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. A regra é o principio da não-intervenção. Essa corrente é bastante criticada. como regra. 708 e 712). iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. criando uma norma geral e abstrata. Ela se subdivide em – geral e individual.040). em um primeiro momento. porque adotava a corrente não concretista). Portanto. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. No MI. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. 34. III. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. e 2) recusa à execução de lei federal (art. o STF está atuando como legislador positivo. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. a intervenção é uma exceção (a União não pode. Surge a partir do caso concreto. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). CR (provimento. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. De acordo com esta concepção. o PJ. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil.

125. da ADPF). mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. O STF é o guardião da CR. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. É dispensada a apreciação política pelo PL. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. além. mas que surge a partir de um caso concreto. CR. 50 . da decisão do TJ caberá um RE para o STF. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. no âmbito federal). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. STF). O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). portanto. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. no âmbito do TJ. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). é claro. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. OBS. O parâmetro aqui é mais amplo. ☺art. 614. que é o pressuposto para a representação interventiva. Esta forma não foi prevista na CR. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. CR. se violados. § 1°. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. nem no RISTF. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. ☺art. CR). 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. o PR então poderá decretar a intervenção. foi uma criação da jurisprudência do STF. IV. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. se o STF der provimento à representação do PGR. O RE. mas sim. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. Isto está previsto no art. As partes aqui são o Estado e o Município. §3º. §2º. 35. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. e sim em face da CR. 127.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. 36. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. CR. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ.

São apenas órgãos aos quais se atribui. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. É ele um titular passivo. é a nação. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. retira sua força do direito natural. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. por delegação popular. em alguns casos. ou seja. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. pode usurpar do povo a titularidade do poder. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. analisa-se se o poder é legítimo ou não. segundo o abade Emmanuel Sieyès. pois o Estado decorre da soberania popular. Schmitt). o exercício dessa magna prerrogativa. Na 1ª etapa. Assim. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. a vontade do constituinte é a vontade do povo. Bonavides. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. C. Celso de Mello. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. Assim. em nome do povo. Obs. que formulou esta teoria no fim do Séc. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. porém. editando a nova Constituição. que. Está acima do direito positivo. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. cria o Estado. que deve observar o direito natural. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. que é sempre superior aos poderes constituídos. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. mas jamais é quem o exerce. corroborando essa perspectiva. Para os jusnaturalistas. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. Modernamente. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. um dos precursores dessa doutrina. XVIII). social e juridicamente organizado. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. segundo o Abade Sieyès. expressa por meio de seus representantes. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. Portanto. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo.

11. Obs. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. 3º. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. já que o poder constituinte já é originário. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Portanto.Reformador (art. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. que é seu verdadeiro titular. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. Espécies Tradicionais: . Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal.Histórico .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. para ser considerado legítimo. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 .Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . se esta correspondência existir o poder será legítimo. Assim. há legitimidade objetiva. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Dessa forma.Material .Revisor (art. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo.Formal . que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. CR) . Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).Revolucionário . por conseguinte.Decorrente (art. ADCT.: o prof. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. correspondendo aos anseios daquela sociedade. ADCT) . entende que a expressão “originário” seria uma redundância. 60. 25. art.

53 . b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. Obs. Ex. independente e soberano. a nenhum pré-requisito jurídico. Obs. é apenas uma classificação quanto ao momento. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. Obs. foi criado um direito natural). ela nunca deixa de ser do povo. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. 1934. ex. GV). Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. 1988. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior.: este poder tem este nome porque para o Direito. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. ou seja. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. No plano axiológico. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. 1946. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. O povo é o titular do PCOM.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. No caso do Brasil. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). mas não a primeira e sim uma nova. há alguns valores que são morais. Apesar de ser um poder incondicionado. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. através da Constituição. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). através de normas constitucionais. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. 1937. que substituirá a anterior. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). O Abade Sieyes. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição.: se é um poder autônomo e incondicionado. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. não perde a titularidade do poder constituinte. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. No caso do Brasil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. b) é um poder inalienável. . a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. 1967/69. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição.

conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. por ex. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. 25.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. a doutrina deduz deste art. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Fábio Konder Comparato fala. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). 54 . não concorda muito com isso. Obs. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. De acordo esse limite. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. No caso da CR/88. A partir do momento que a CR surge. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). as constituições estaduais não são recepcionadas. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. contudo. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. ele encontra limites no texto da CR. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). A CR/88. Ex. 25. no art. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. observados os princípios estabelecidos na CR. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. O prof. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais.. na pena de morte. No entanto. mas continua a existir como característica essencial deste poder. Ex. ficando um pouco relativizada. por se tratar de uma conquista da sociedade. 11 do ADCT. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Dentro desse limite. mas meta jurídico (fora do direito). ☺art. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Não se trata de um limite jurídico. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. Quando a CR consagra o art. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. na verdade. com os avanços da sociedade. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Esta AL. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Ainda que o estado seja soberano.

II) Implícitos: CPI (art. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art.: ☺art. por enquanto. 61. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. 57. e o STF decidiu que não havia problema. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: .: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. são as normas de auto-organização da União. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. V ???) I) Expressos na constituição: art. composição.: presidencialismo x parlamentarismo). ou seja. § 3°). Há dois grupos: (art. 75. . VII. § 1°. vedada a recondução. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. Mas. Estão presentes no art. §4º. Segundo o STF. Obs. processo legislativo (art. §4º não é norma de observância obrigatória). Se subdividem em: 55 . normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. 93. §1º . CR. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . 34. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. §3º – requerimento de pelo menos 1/3.). que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. são essas as normas de repetição obrigatória. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). mas foi uma decisão super apertada (6x5). 58.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. 59 e segs. 57.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. CR. Obs. 27. que se estendem aos Estados. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. diferente dos extensíveis. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. porque o art. 58.

. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. mas é possível deduzi-las.. .normas mandatórias: ex. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa.não é inicial. uma limitação temporal para o poder revisor – art. CR. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. 136). .).titularidade: é do povo. 19. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado.é limitado.: art.. . As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. . DF e M. portanto.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. decorre da lei e não da força. 137).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ADCT). de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. §1º. e se for decretado o estado de sítio (art. . Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. 60. . a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. no entanto. cujo procedimento está previsto no art. CR (é vedado à U. Ex.é um poder jurídico (e não de fato). CR. 56 .: os arts. . . se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. . Ex. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: ..: art. 37. em qualquer estado da Federação (art.não é autônomo. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. Trata-se de um poder previsto na CR e.exercício: é pelo CN. 34). é conseqüente. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. 60. 3°.normas vedatórias: ex.) – contém uma vedação expressa.. se for decretado o estado de defesa (art. ou seja. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. E. portanto. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade.é condicionado. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios.

e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. no âmbito do MP. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). por fim. . há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. não promulga.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. . Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). no âmbito do PJ. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. Este art. 61. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. ☺art. §2º).Feita a iniciativa. sendo o art. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. ☺art. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. b) o entendimento majoritário da doutrina. que é o período de 4 anos do mandato do PR. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. o PGR. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. DF e DE. GE. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. ademais. §10). *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. . No caso de projeto de lei. apesar de não existir previsão expressa. §5º. . ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. também chamadas de implícitas. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. §2º). 60. a PEC será discutida em cada casa do CN. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. 60. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). do SF ou do CN. no qual há 4 sessões legislativas. 62. .A última limitação formal objetiva está prevista no art. Obs.Além do PR. II e III) uma exceção à regra geral.A nossa Constituição é rígida. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. CR. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. apenas o PR. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. 67. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. no entanto. ela será chamada de extraordinária. a PEC vai para a promulgação. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. possamos usar o procedimento previsto no art. 60. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. P.Discutido e aprovado. assim. .U. após a iniciativa. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). 60. se a matéria for rejeitada. 60 (incisos I. 61 é a regra geral de iniciativa. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. não pode haver emenda de emenda. no âmbito do PE. 61. 57 . A Sessão legislativa (art. Ex. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. através da iniciativa popular (art. §3º. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). 61.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. CR). Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. não veta. o STF e Tribunais Superiores. . não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. também podem propor projeto de lei o povo. proposta rejeitada no dia 15/01.). é o de que o art. para que. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. 44.

A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. ademais. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. 58 . é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. segundo o STF. que é o modo como se realiza o exercício do voto. . . conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. VI. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. o que é secreto é o escrutínio. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. a). CR. Curiosamente. secreto. o voto não é universal. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). universal e periódico. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. b) Preservar a identidade material da Constituição. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. São as chamadas cláusulas pétreas. Ou seja. §4º. 60. 150. c) Assegurar o processo democrático. c) Voto Direto. pois. As cláusulas pétreas são. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. Universal e Periódico: . b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. o que é universal é o direito de sufrágio. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. Se elas não existissem. o direito de participar das eleições. mas sim. não é secreto. na verdade. Expressas: ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). Secreto. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis.

Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. CR. são CP. Lá estão as limitações ao poder reformador. O art. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. Assim. CP). não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. Os direito fundamentais se encontram. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). dispostos do art. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. inclusive. como um todo. Para ele. mas refere-se a uma reforma. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. pois seria uma forma da fraudar a constituição. Um exemplo. posteriormente. O prof. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. . b. 150. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. mas os demais não (ex. Mas o STF já considerou que o art. (23/04/09) 2. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional.: FGTS. ADCT). Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. III. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art.: primeiro. segundo a qual o art. em princípio. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. que não é unânime na doutrina. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. não seriam cláusulas pétreas. por isso. CR). seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. não alterando-o). comportam diferentes interpretações. Os demais direitos e garantias fundamentais. para posterior alteração do conteúdo. 60. Obs. Chama-se dupla revisão. não o serem). que proíbe a pena de morte.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. Ex. 60. A CR fala em direitos e garantias individuais. far-se-ia uma EC revogando o art. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. não tem nada a ver com CP). 5º. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. não concorda. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides).: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. 60 seria CP. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . §4º. . CR. e não em direitos e garantias fundamentais. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. sendo uma garantia individual. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. e por conseqüência.Há quem defenda. com a dignidade da pessoa humana. 60 poderia ser modificado. 5º. todo o art. pois. é CP. ou. 2º. é o art. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. por uma questão lógica. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. sistematicamente. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. Assim.

b) Média: a retroatividade não é automática. Antes da CR/88. a constituição atinge prestações vencidas. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. esse era o entendimento do STF. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. Revisão é a via extraordinária. art. c) Máxima: a retroatividade não é automática. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. ☺art. contados da promulgação da Constituição. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. tem que haver previsão expressa na constituição. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. A limitação imposta no art. portanto.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. Ex. o STF tem entendimento unânime. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. mas também emendas à constituição. não sendo um princípio absoluto. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. Ex. em sentido formal. 3º. não abrangendo apenas leis em sentido formal. XXXVI. O direito adquirido pode ser relativizado. em sessão unicameral. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Com relação ao assunto acima. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. CR). mas seus efeitos surgem após a constituição. A retroatividade mínima é automática. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. 3º. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . tem que haver previsão expressa na constituição. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. 60. mas ainda não pagas. excepcional e transitória de alteração da Constituição. . O ato ocorreu antes. 5°. não abrange EC. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. 3º.

procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. especificamente. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. 61 . (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. 3º. e de forma geralmente mais extensa. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Além disso. ADCT. 60. §§1º e 4º). como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). circunstanciais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

62

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

63

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

mas apenas valores: o preâmbulo. é também o limite para a interpretação. Além disso. aqueles desenvolvidos por Savigny. É o início de uma interpretação. b) Histórico: no seu desdobramento. Imagine a Constituição norte-americana. Ex: princípio da não contradição. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. como todas as demais. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. como início e limite para a interpretação. Ela não tem normas jurídicas. Buscam os valores subjacentes à constituição. 52. Constituição da República. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). Na busca pelo “Espírito da Constituição”. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Toda norma está dentro de um sistema. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. Nele estão os valores supremos da sociedade. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. com algumas peculiaridades. esse método também é conhecido como método valorativo. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. É como se a norma fosse o corpo da constituição. 65 . esses elementos são insuficientes. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. para o direito privado. entra o elemento histórico evolutivo. Esse método não é apenas sistemático. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. e não isoladamente. portanto. e os valores fossem o seu espírito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. O texto da norma funciona. Por isso. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. O grande problema é que. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. devido à complexidade da interpretação constitucional. Não existe uma norma jurídica sozinha. eles são suficientes. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Por isso. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. partindo da idéia de sistema. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). X. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. para o direito público. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. só tem alma.

pois comporta mais de uma solução possível). Ex. ele também é conhecido como método sociológico. a favor e contra. dos princípios gerais do direito. da doutrina. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Assim. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. de argumentação. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. que é apenas mais um topos. os operadores do direito servem-se de topoi. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. do senso comum. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. certa insegurança jurídica. Ex. ou seja. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. os quais são submetidos a várias opiniões. ou a de que um é mais correto do que o outro). enfraquece-se a força normativa da constituição. mas sim diante de problemas. 2. como. Assim. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Os topoi são esquemas de pensamento. → Crítica: feita por Canotilho. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. porque trabalham não com a idéia de sistema.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Se se permite interpretações divergentes. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. lugares comuns. Isso gera certa instabilidade. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Problema é a questão difícil. o que geraria uma grande insegurança jurídica). Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. como ocorre neste método. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Violação de correspondência de presos. vence o argumento que for mais convincente.. Por ter uma feição mais política do que jurídica.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. de casos que comportam mais de uma solução possível. Esses pontos de vista. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Ex. cujo plural é “topoi”. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. formas de raciocínio. Por isso. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. que contraria o positivismo jurídico. da jurisprudência dominante. pontos de vista ou lugares comuns. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. Este problema será solucionado pela argumentação. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. mais um 66 . o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). por ex.

resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. e o problema concreto a resolver. não podem ser utilizados de forma abstrata. Ocorre que. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. Para este método. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. é preciso que haja um problema. A principal diferença. São métodos indissociáveis. 67 . em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. ao lado de Hans Kelsen. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. por serem métodos concretistas. Método concretista. são coisas diversas. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. como já vimos. se for caso de lacuna. não se deve falar em interpretação constitucional. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. este método não poderá ser aplicado. quando se fala em hermenêutica. Ele parte. Assim. e sim na sua concretização. que a questão não seja simples. é bom lembrar. e concretizador à aplicação. de única solução possível. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. Hermenêutica e interpretação não se confundem. a compreensão prévia do intérprete. Além de serem métodos aporéticos. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. sua aplicação a casos complexos. pois. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. porém. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. diferentemente dos dois primeiros. na sociedade aberta de intérpretes. Não se pode separar as duas coisas. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. mas em concretização). ou seja. Assim. ainda que dos mais importantes. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. Os métodos III e IV. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. são também métodos concretistas. devendo-se fazer uso de outro método. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação.

O texto tem duas funções muito relevantes. bem como a quebra da unidade constitucional. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). ele dirige e. mas também para a interpretação da Constituição. Não diz respeito aos critérios de interpretação. 68 . A democracia deve servir não apenas para a criação. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. ele na verdade não o é. A norma é o mandamento. que têm legitimidade para a interpretação. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. mas a toda a sociedade. em regra. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. O texto não tem o comando.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). Para ele. limita a interpretação. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). aberta a toda a sociedade. Segundo o autor. Ainda que a Corte seja o intérprete final.Elementos do âmbito da norma . Quando ele fala em democratização. regulada pela norma. ao mesmo tempo. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. Paulo Bonavides o tratar como um método. Na prática. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Gilmar Mendes). esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. mas refere-se àqueles que podem interpretar. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. Friedrich M. Fala-se que são utilizados. Segundo ele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. por sua vez. é a realidade social tratada pelo texto da norma.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. a norma só surgiria após a interpretação do texto. O que ele chama de domínio normativo. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. mas também na sua interpretação. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). . Judiciário. Essas duas figuras podem ser.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Assim. pois. traduzido pelo Min.

Após. Assim. 3) Existe uma única resposta correta. norma e fato. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). textualismo e preservacionismo. Esta questão está ligada à separação dos poderes. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. sem modificá-la. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Por isso o judiciário tem ganhado força. do povo. mas de forma concreta. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Também denominado de originalismo. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. 69 . A norma. Na verdade. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. A segunda corrente. Assim. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. o poder legislativo é claramente fraco. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. preocupado com a segurança jurídica. que se subdivide em princípios e regras. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. No pós-positivismo. que corresponde à vontade do constituinte originário. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Entende que. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. quando interpretada. surge a idéia de norma (gênero). bastante discutido nos dias atuais. surge o Positivismo Jurídico. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. como a constituição é feita por representantes do povo. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Hoje. os direitos têm que ser iguais para todos. no Brasil. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. superado o valor da norma). deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. vinculante e obrigatória. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Segundo Conrado Hubner. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras.

Ambos são normas. isto é. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. o que ocorre por meio da ponderação. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). bilateral). Alexy afirma haver exceções.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”.generalidade . Eles não definem a medida exata. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. . → Princípios X Regras: .Regras. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. → Regras: são “mandamentos de definição”. . é preciso saber quais são as normas opostas.Princípios. A norma é um gênero e. . caso a resolução seja feita com base na hierarquia.: aposentadoria compulsória. mas a medida do possível. genérica. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). será invalidada. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. ou seja. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. em havendo um conflito no âmbito da validade. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. e .Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. impõem resultados. Assim. ou seja. imperativa. impessoal. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. princípios são “mandamentos de otimização”. Para Habermas. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. que envolvem a aplicação deste princípio. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja.dimensão que eles ocupam (Alexy) .Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. que apontam para o sentido contrário. 70 . O grau de abstração é a diferença. quando se vai aplicar um princípio.Postulados. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. há uma subsunção lógica. dentro do gênero norma jurídica. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. Segundo Robert Alexy. como elementos do sistema normativo constitucional: . peso ou valor. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Ex. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. As regras possuem aplicação automática.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. Princípios são muito mais abstratos do que as regras.

Segundo a LICC. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. nem estabelecem competência ou conduta. Eles não apontam um fim. mas não têm a mesma função dos princípios. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Mas e os postulados? Segundo esse autor. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. também conhecido como antinomia de princípios. será feita a análise de alguns postulados que. 71 . tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. Nesse aspecto. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. É um conflito sempre no caso concreto. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. cronológico e da especialidade. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Não estão na constituição. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Os postulados são denominados. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. embasados na supremacia da Constituição. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. de modo a realizar os valores nela consagrados. por isso não são aplicados diretamente. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância.: proporcionalidade. como princípios. interpretação conforme a Constituição. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Ex. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Com base nessas premissas. pela maioria da doutrina. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento.

Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. E. significa que ele é unívoco. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). na dúvida. o Chefe do Poder Executivo. no Poder Judiciário. ficam vinculados àquela decisão. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Excepcionalmente. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. o Poder Judiciário. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Da mesma forma. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. pode deixar de aplicar a norma de ofício. deve optar pela constitucionalidade. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Se o texto tem apenas um significado. Se há mais de um significado. presume-se que agiram de acordo com ela. Ele pode negar a aplicação da lei. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. na dúvida. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. não tem como fazer interpretação conforme. por ser presunção relativa. e. assim. o Princípio da Supremacia da Constituição. se entendê-la inconstitucional. Não se retira a lei do ordenamento. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. é necessário que a Constituição seja rígida. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Todo projeto de lei passa por um controle. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. como no âmbito do Poder Executivo e. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Se a constituição é a norma suprema. Ou seja. no controle difuso. para ter essa supremacia. No Brasil. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. quando entender que uma norma é inconstitucional. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. No Poder Executivo. No Poder Legislativo. a lei deve ser declarada constitucional. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. significa que as demais leis devem obediência a ela. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. excepcionalmente. Toda Constituição tem supremacia material. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. A 72 . pois existe uma presunção de constitucionalidade. pode ser exercido através do veto jurídico. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição).

Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. . É como se filtrasse a lei. §1º. Outro ex. ao mesmo tempo. normas superiores e normas inferiores. que busca a vontade da lei. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). necessário harmonizar esses dois princípios. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Na verdade. Hoje em dia. Hoje. b) Fim pretendido: . Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Logo. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. é conhecida como mens legis. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. pois. devendo o intérprete harmonizar esses princípios.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. 73 . Ao se admitir que essa norma é superior. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Ex: Brasília é a capital federal. etc. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. existem. passando ela pela constituição. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. mas. Em uma sociedade democrática e pluralista. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. A segunda corrente. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Geralmente. num estado democrático. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Temos o voto direto como cláusula pétrea. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. 81. isso não ocorre. há várias tensões entre as normas constitucionais. de direito previdenciário. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. logo é conhecida como corrente “objetivista”. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. prevalece a vontade da lei. Portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Busca a vontade do objeto interpretado. na constituição.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. a norma inferior. sendo. Isso é impossível. Segundo Kruger. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. poderia declarar o art. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. Obs. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Antes.

deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Eles são muito parecidos. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. as duas normas têm conflito entre si. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. Sempre que possível. que é anterior à Constituição da República. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. criando um efeito conservador da unidade. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. a integração política e social. e não em abstrato). pelo legislador. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. interesses. Abstratamente. ele se basearia no princípio da unidade. princípios ou valores. Segundo este princípio. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. na hora de se interpretar a Constituição. Essa lei. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. O que tiver o peso maior irá prevalecer. inclusive. 74 . O Juiz irá ver. Ex: voto direto é a norma geral. violava a liberdade de exercício de comércio. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. deve-se buscar essa concordância prática. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. qual dos dois grupos tem um peso maior. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. no caso concreto. é necessário utilizar a ponderação. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O STF declarou constitucional. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. O que é isso? É semelhante a uma balança. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. e voto pelo CN é a exceção. se ambos estão consagrados na Constituição da República. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. ou seja. §1º. Uma existe ao lado da outra. Quando se tem uma colisão entre bens. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. bens ou interesses. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. O relator indeferiu a petição inicial. Assim. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. valores. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Nesse caso. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Pode ser usada. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Se ele entrasse no mérito da questão. 45. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O STF analisou 02 casos: a) Art.

do contrário. eis que ambos se relacionam. não. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Deve haver uma cedência recíproca. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. 343. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. mesmo que a pessoa seja pública e em local público.: a Súm. 2) relativização da coisa julgada: o STF. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. poderia fotografar. para que outros direitos sejam assegurados. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. até uma compreensão equivocada. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. 75 . cabe ação rescisória (obs. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. ou seja. Ex: Se tiver na praia. sendo o guardião da constituição. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. STF não foi abandonada. às vezes. por mais importantes que sejam.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. do trabalho escravo são regras. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Caso contrário. mas também a ratio decidenti. não. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. a privacidade deve ser preservada. Ex. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. e não princípios. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. que contribua para o debate de interesse geral. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição.: a proibição da pena de morte. não se aplicando para a interpretação constitucional. O importante é saber que todos os princípios. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. da tortura. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. Exs.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. na academia.

. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. Ver no Site Editora Método.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. 5º. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. 76 . a qual significa a realização do direito. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. é também conhecida como eficácia social. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.335/AC. CR/88 (aplicação imediata). é também conhecida como eficácia jurídica. Exs.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos.com. sobretudo o Tribunal Constitucional. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. validade é.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. Este princípio. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. o desempenho concreto de sua função social. 4. . Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. pois. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . §1º. 2) Direito de greve. . no Brasil. . a função social para a qual foi criada.

Não é o entendimento mais cobrado em provas. uma densidade semântica que ele não tinha antes. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. mas apenas como menções. desproporcional. uma restrição à liberdade só será possível se. É um princípio implícito. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. não se deve abater pardais com canhões. Ex. maiores hão 77 . ☺art. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. deveria conceder uma autonomia maior. dentre os meios existentes. Ex. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. 1º. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. ou seja. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. Nos sistemas da commum Law. pois. do Prof. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. É uma influência do direito norte-americano. Assim. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. CR. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. ele tem que ser adequado. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. utiliza-se o termo proporcionalidade. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Para Jellinek. Se o ato for desnecessário. Para que um ato seja considerado proporcional. Na Alemanha. para que o Estado não atue de forma arbitrária. LIV. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. à garantia do devido processo legal. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. É uma influência do direito alemão. será também desproporcional. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. 5º. Ele está ligado. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. No Brasil. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). utiliza-se o termo razoabilidade. por isso sua importância. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. apto para atingir o fim almejado. em sua origem. não está textualmente consagrado. Alegam que a restrição seria desproporcional.

Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. pode ser chamada de proibição do excesso. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. o poder público age aquém do que deveria. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Nesse caso. Há uma outra face desse princípio. 78 . que é chamada de proibição de insuficiência. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. A face acima exposta do princípio. ou proibição por defeito.

o Brasil é um país leigo. qualquer religião oficial da RFB. não existindo. Em âmbito estadual. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. portanto. Não contém. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. Como se sabe. sendo.. Assim. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. No Brasil. de regra. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. É uma corrente intermediária em relação às demais. dado que. pois. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. O min. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. não é norma de repetição obrigatória. Esses princípios sim. apresentado de forma não articulada. O nome não é o mais apropriado. não é componente necessário de qualquer Constituição. incidirão na ordem local. anteposta ao articulado constitucional. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. não tem relevância jurídica. porém. Ocorre que todas as constituições brasileiras. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. Para o STF. portanto. 79 . relevância jurídica. não tendo força normativa. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. proclamação mais ou menos solene. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. O que acontece é que o preâmbulo contém. refletindo posição ideológica do constituinte. reproduzidos ou não na Constituição estadual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. mas é a tese por nós adotada. laico ou não-confessional. mas no domínio da política. inscritos na Constituição. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. caráter normativo e. Situa-se no domínio da história ou da política. o preâmbulo. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Não tem. mais ou menos significante. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. pois. com exceção das de 1891 e 1937. não pode prevalecer contra o texto da Constituição..

Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. o bem-estar. na ordem interna e internacional. 80 . o desenvolvimento. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. fundada na harmonia social e comprometida. pluralista e sem preconceitos. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. a liberdade. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. a segurança. com a solução pacífica das controvérsias”. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Esta é a sua natureza. Ao estabelecer os valores supremos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica.

A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. imediata e integral. como se poderia imaginar). imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). apenas 81 . §5º). Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada).U. §5º). dentre as quais. O que as difere é o grau desta eficácia. Não depende de regulamentação. (É a mais cobrada em provas). Ela não depende de lei. destaca-se a de José Afonso da Silva.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. A NEC. por sua vez. vedações (art. enquanto não for restringida por lei. Exs. enquanto não for restringida. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. prerrogativas (art. 128. → Normas de Eficácia Contida: O prof. mas admite lei. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. no Brasil. isenções (art. Uma NEC. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). Ela é semelhante à NEP (e não a NEL.: normas que estabelecem imunidades (art. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. que poderá variar conforme o seu enunciado. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . que “contenha” o seu conteúdo. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. 95.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. A integralidade. Não são a mesma coisa. 184.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. Quando se fala em aplicabilidade imediata. é uma NEP? Não. possivelmente restringível ou redutível. 53). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. P.

Neste caso. não há omissão inconstitucional.. Ex. As vedações.por outra norma constitucional (ex. art. em regra. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). e art. P. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. 3°. etc. art.: art. é obrigatória. mas dizer como esse direito será exercido. de forma que antes da Lei 9. . 37. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos.por conceitos de direito público (ex. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. Ex. mas pode ser). que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. necessidade ou utilidade pública. II e III deste mesmo art. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. etc. conforme a lei. que dirige os rumos do Estado. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). mas.: trata de vedações que são impostas aos juízes. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. A lei não irá restringir o direito. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. 37. A norma constitucional tinha eficácia. XIII. art. e mediata porque depende de alguma condição. se quiser. 95.U. Indireta porque depende de uma outra vontade.: art. 22.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP.: ordem pública. – ex. 37. VII. art.: art. 154: a União. mas não disse quem pode propor. Se ela fosse uma NEP. 136 e 137). atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). ☺art.Facultativas: ex. esclarece que trata-se de uma NEC. Exs. eis que estabelecem o fim a ser atingido. segurança nacional. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. interesse social.U. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. 5º.: art. art. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. VII.por lei (ex. O caput do art.). quais são os efeitos.Impositivas: ex. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. 9º dá a entender tratar-se de NEP. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. PU: União poderá delegar aos estados. 82 . a CR não tem conselhos e sim mandamentos. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. são NEP (como são as normas dos incisos I. que faz parte da mesma norma. VII (direito de greve dos servidores públicos). . A NEC pode ser restringida: . Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. 102. que a regulamente. É indireta ou mediata. 9º. Não é apenas um conselho. 5º. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. XII c/c arts. XXII. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. Assim. 95). etc. e não quais são os meios para se atingir o fim. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. mas não é uma NEP. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. que não é norma). ☺art. 5º. poderá criar impostos residuais. caracterizadas justamente por este tipo de norma). CR. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. . ofício ou profissão. mas o seu §1º. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . XXIII e XXIV). ela nunca poderia ser restringida.

: As NEP. Traduz um sistema fechado. Marcelo Neves critica essa concepção. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. também conhecidas como normas super-eficazes.: art. exaurem sua eficácia. tem eficácia. São as normas do ADCT. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Elabora-se uma norma genérica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. uma eficácia negativa (e apenas esta. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. 83 . NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). pois. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. as Cláusulas Pétreas. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. a NEL produz efeitos: ela exige lei. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Assim. OBS. antes da lei ser feita. porque ela não tem eficácia positiva). Diz que o direito se auto produz. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. mencionada por alguns autores. Uma última classificação. 2º. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. imediata e integral). Por isso não dependem de outra vontade. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. não depende de outros sistemas. ademais. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Ex. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. ADCT. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. Para ela. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. Obs. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. cumprida a sua finalidade. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica.

: ☺art.N. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. art. Quando uma nova constituição é criada. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada.P → A. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. §2º (que fala do Colégio Pedro II. não. 242. por esta teoria. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. Ex. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. sempre que nasce uma nova Constituição. § 1°. 2°. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). 84 . São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas.N. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. quando do surgimento de uma nova Constituição. Assim. como normas infraconstitucionais. caso compatíveis com a nova Constituição. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. → CR → A. porém. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. serem recepcionadas pela nova Constituição. parte final). e sim como normas ordinárias. podendo. ou seja. com o caráter de normas constitucionais. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. Faremos o estudo de alguns institutos.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

vale dizer. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. 5º. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. 7º. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. diante da aplicação imediata. 51 do ADCT. CR. para tanto. deve existir expresso pedido na Constituição. Como se percebe. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. o STF entendeu que. dentre outras. XXXVI – “lei” em sentido amplo). as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. Contudo. IV. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. têm retroatividade mínima. como é o caso do art. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. 88 . estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. por regra.: art. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. desde que haja expressa previsão. IV. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). também limitado juridicamente). as leis infraconstitucionais. Como outro exemplo de retroatividade mínima. Assim. sendo regra a retroatividade mínima. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. Ex. Assim. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. 7º. que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. com pequenas exceções. vale dizer. c) por outro lado. tenha retroatividade média ou máxima. nada impede que a norma constitucional. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares.

a menos. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. Dessa forma. 2º). pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. é claro. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. sobretudo. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Sob o ponto de vista dogmático. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. diverso e opostos. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. Em situações novas. seja como diretiva na solução de casos concretos. como também ao exercício abusivo de certos direitos. a divisão de seus poderes (art. é obvio. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. 1º). pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. Executam. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. pois servem de critério para o legislador que. assim. ao elaborar as leis. estrutura e fundamento (art. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. em um todo sistemático. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. 4º). Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. De uma forma geral. os quais estabelecem a sua forma. não só das ações dos poderes estatais. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. seja como orientação para progresso da legislação.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. da função positiva que 89 . Desse modo. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. o que os coloca numa posição de superioridade. por conseqüência. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. ainda não regulamentadas de forma mais específica. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. atuando como um limite. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que.

a Constituição veda. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. 1º. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. I). CR). 34. A baixa densidade semântica. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. DF e Município. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. No tocante ao Poder Executivo. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. Com o passar do tempo. quanto para o legislador na elaboração das leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. que reinava de forma absoluta e irresponsável. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. aos entes que compõem a federação. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. esses conceitos foram se esvaziando. sendo criados novos critérios distintivos da República. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). 90 . impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. o direito de secessão.

sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. No que se refere ao princípio democrático. ou. sob as circunstancias transitórias. 91 . Em um Estado de direito. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. não é absoluta e ilimitada. à questão perene da Justiça. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. a independência dos juízes. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. a vontade popular representada pelo parlamento. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. Em um Estado democrático. ainda. a legalidade da Administração. seja através de representantes. No Estado material de direito. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. Aqui. Sob o aspecto material. não apenas os indivíduos. seja diretamente. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. na ordem internacional. 6º). regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. o indivíduo se sente útil e respeitado. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. no plano interno. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. Supremo. Por essa razão. em nenhum momento podem ser colocados de lado. No plano externo. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. 92 . cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). A soberania externa se refere à representação dos Estados. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. na ordem internacional. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. independente. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. Todavia. por não ter de acatar. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. por essa razão. a soberania migrasse do soberano para o povo. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. uns para com os outros.

e. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. É ela o valor supremo que irá informar a criação. de interesses contraditórios e antinômicos. 170). dentre elas. é um princípio básico do liberalismo econômico. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. assim. 215 e 216) e dos meios de informação (art. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. deve constituir o seu objetivo supremo. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. a sociedade pluralista é. a partir do início da década de 90. a filosófico-religiosa. 170). Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. de comunicação. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. derradeiramente. Por essa razão. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. 17). através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. político (art. Por isso. ao contrário. uma sociedade conflitiva. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. 206. 3º. a profissional. de reunião e de associação. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. 220). a intelectual. partidário (art. cultural (arts. I). os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. Fruto da concepção liberal. artística. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. passando a se revestir de normatividade. mas. Mais tarde. científica. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. III). a de opinião. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. independentemente de autorização de órgãos públicos. ainda. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. 93 . sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. de idéias e de instituições de ensino (art. A escravidão. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. por natureza. a sexual. salvo nos casos previstos em lei. a de informação. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). com a queda do comunismo. justa e solidária (art. Este fundamento é concretizado. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. a tortura. a Constituição. conforme os ditames da justiça social. 1º). o que pode levar a divisões irredutíveis. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático.

sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). A dignidade da pessoa humana não é um direito. possui um caráter positivo. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. Portanto. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. possui um caráter negativo. mas um atributo que todo ser humano possui. 94 . mas. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. Por isso. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. econômicos e culturais. Assim. que seja efetivamente exigível do Estado. mais importante. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. condição social ou qualquer outro requisito. à dignidade da pessoa humana. sua existência material. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. sexo. educação fundamental. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. menor (minimizando o problema dos custos). Portanto. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. etc. ou para com a pessoa. seja por terceiros. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). idade. seja pelo próprio Estado. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. Esta acepção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. não como um fim em si mesmo. por outro. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. moradia. Todavia. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. mas também a de que o Estado garanta. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. cada vez mais. não apenas por parte do Estado. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. mas também dos particulares. o acesso aos valores. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana.) imprescindíveis para uma vida digna. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. em alguns casos. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). ligada ao valor liberdade. por exigir uma abstenção. Poder-se-ia dizer. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. ligada ao valor igualdade. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. Por outro prisma. Esta acepção. em um primeiro momento. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. a todo e qualquer cidadão. o que significa dizer que na criação. independentemente de usa origem. e. dentro dos direitos sociais. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). na medida em que procura representar um subconjunto. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior.

14 e seguintes). Para que o cidadão participe da vida política do Estado. 95 . que divide os direitos fundamentais em: . Têm um caráter negativo. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. devido ao custo de serem prestados. consagrados no plano internacional. Em termos materiais. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. mas também no art. ligados à liberdade. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. basicamente. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. do qual são espécies: . A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações.direitos à nacionalidade (art. são os direitos individuais consagrados no art. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. . 6º ao 11. Têm caráter positivo e negativo.direitos individuais. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. 6° e seguintes). a diferença básica se refere ao plano de consagração. . os direitos sociais (arts. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). devido à escassez de recursos.direitos prestacionais: são. Em sua maioria. à participação política. estão consagrados em normas de eficácia limitada. Essa classificação é legislativa. igualdade e dignidade. portanto. pois surgiram em uma única época.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. 12 e seguintes).direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. Exigem uma atuação positiva do Estado. 5°. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. consagradas ao longo das constituições. Em sua maioria. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. CR/88). . O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. . deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. 6° e 7°). . 5°. uma constitucional e uma doutrinária. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Visam proteger o valor igualdade.direitos sociais (art. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. Assim. São direitos ligados à cidadania. Enfim.direitos políticos (art.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. . CF/88. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva.

Obs. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. São considerados basicamente como direitos coletivos. Têm como objetivo. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. igualdade e fraternidade (nesta ordem). à autodeterminação dos povos. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. são direitos de caráter negativo. queria que ele respeitasse suas liberdades. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. direito de comunicação. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. São chamados direitos civis e políticos. e a dele é a mais cobrada em concursos). As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. já os de 2ª geração não. Exigem uma ação do Estado. ao lado da 4ª. Exs: direito ao meio ambiente. Os direitos de defesa. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Por isso. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. segundo Jellinek). Esta é a sua preocupação principal. → Igualdade: Direitos Sociais. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. XX. Estão ligados. por exigirem uma abstenção. diretamente à igualdade material. pois. São basicamente os direitos individuais. sobretudo de princípio programático). como a família. e geralmente em normas auto-aplicáveis. 96 . a imprensa livre e o funcionalismo público. A 3ª geração.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Vejamos quais foram as gerações. Tais direitos têm caráter positivo. diante da necessidade de cooperação. os direitos prestacionais. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. então. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. da solidariedade entre países ricos e países pobres. enfim. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Têm caráter negativo. movimento encabeçado pelo proletariado. Não houve substituição de uma geração por outra. das gerações. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. Eles foram surgindo com o passar do tempo. de 1789: liberdade. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. por exigirem uma prestação do Estado. a autodeterminação dos povos (art. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. CR/88). XVIII. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. e estas gerações coexistem atualmente. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. exigindo uma abstenção. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. portanto. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. Como vimos. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. ao desenvolvimento ou progresso. 4º. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. econômicos e culturais. Ou seja.

97 . Ao lado da vontade da maioria. 1º. em defesa dos direitos. a fixação da garantia. econômico. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. ele tem uma importância muito grande. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. Ou seja. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. etc. e isso acaba por prejudicar as minorias. Paulo Bonavides. na mesma disposição constitucional ou legal. que são as que. estas as garantias. São também direitos transindividuais (em sua maioria. como os previdenciários. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. outros são difusos).: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. Afora esta peculiaridade. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). Ele abrange um pluralismo religioso. quiçá quanto a 5ª. as demais características são tratadas pelo prof. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares.I. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. Ou seja. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. Aquelas instituem os direitos. esta alteração não foi feita em seu livro. que alguns dizem trazer os direitos à internet. Além desse aspecto. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. que seria a vontade da maioria. à informação e ao pluralismo (D. ao analisar a Constituição de 1891. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal.P. Esta geração de direitos advém da globalização política. caso violados. um pluralismo cultural. Em uma ponderação. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. os direitos de família. de conteúdo). mas há divergências na doutrina quanto a isso. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. são direitos difusos). à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração.). Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. inclusive das minorias. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). Ele preserva. de ideologias políticas e partidárias. com a declaração do direito”. um pluralismo ideológico. artístico. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. o direito a adoção. de orientações sexuais. Porém. o prof. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. Por isso o direito à democracia é tão importante. CR/88). Os argumentos contrários a esta união. traz direitos ligados à pluralidade. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. V. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. ocorrendo não raro juntar-se. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. conserva nossas identidades. as disposições assecuratórias.: quanto ao direito à paz. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. limitam o poder. ☺ADPF 132.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. Ex. Quem tem o papel contra-majoritário. Assim. → Globalização: direito à democracia. Quando se fala em pluralismo político.

conflito de interesses. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. ainda que não individualistas. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. 5º. quando. são indisponíveis. os estrangeiros não residentes. ou magistrado. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). 5º. HD. a todos os seres humanos. como é o caso da ação popular.: HC. XXXVII. no caso concreto. confronto. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: .: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. muitas vezes.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. Se são sempre exercíveis e exercidos. no caso concreto. . impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. Normas positivas. Exemplos: .Historicidade: possuem caráter histórico.direito ao juízo natural (direito) – o art. como é o caso. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. etc. . sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. que só pode ser proposta pelo cidadão. Contudo.: direito de propriedade versus desapropriação). Deve-se observar. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. portanto. por ex.). Obs. . . nascendo com o Cristianismo. se o direito garantido não possui alguma especificidade.Universalidade: destinam-se. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. Nada impediria. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. Isso porque. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. decidir qual direito deverá prevalecer. mas nunca a sua renunciabilidade. O caput do art. uma vez consagrado o direito.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. 98 . emite uma opinião (direito de opinar). os apátridas e as pessoas jurídicas. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. ilegalmente preso. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). havendo. . . de modo indiscriminado. é claro. .. através da interpretação sistemática. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. juntamente. conjugando-a com a sua mínima restrição. coarctando. ou caberá ao intérprete. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.

de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). Ingo Sarlet afirma que o art. Posteriormente. então. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). §1º. analisando caso a caso. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. mas. não dependendo de legislação. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. ordem pública. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. §1º. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. causando uma desfiguração no direito privado. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. mas o pressuposto do qual ela parte). Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. No entanto. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. Assim. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. fala-se. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. fática e juridicamente. etc. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. pois. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. para isso. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. Não se admitiria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. 99 . Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. só trazendo relações entre o Estado e o particular. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações.). e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. 5º. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. então. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. 5º.

quando há uma relação de igualdade real na relação. A jurisprudência. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex.RE 158. Se não houver uma previsão expressa na lei.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. Para a realidade brasileira. . é possível a sua aplicação com base na Constituição. através de princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. Espanha e Portugal. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. Mas. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. . . mas.: empregado e empregador. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. O juiz. contrato de adesão. Assim.RE 160. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. . a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. então.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. ainda que esta regulamentação não exista. Em contrapartida.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Se houver lei determinando a aplicação dos DF.☺RE 161.) . 249.*RE 161. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. A autonomia da vontade requer tal ponderação. . Deve-se aplicar tanto esta teoria. a proteção tem que ser maior. Ainda se trata de uma questão muito nova.HC 12. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão.Resp. no entanto. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação.RE 175. se exteriorizam. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . . etc. Segundo Virgilio da Silva.700. mesmo realizando atividades idênticas.858. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. de uma forma geral. que não adota essa teoria).24.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). não sendo necessária uma intermediação legislativa. Se. muito abertos. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. tão somente pela falta de previsão. E como os princípios são muito vagos. em geral.00 para R$ 86.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. Determinação de observância do Princípio da isonomia. devendo sobre eles prevalecer. e. a aplicação será indireta. houver uma desigualdade fática. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. para que os princípios pudessem ser concretizados. isso poderia causar uma série de problemas.243/DF.RE 201. como a segunda. mas ainda não há decisão quanto a isso. Segundo esta teoria. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. Os DF são expressados. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. esta teoria seria a mais adequada. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

103

Por isso. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. ☺art. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. CR/88. 5º. 128. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. um caso constitucional de violação de direitos. CP) a questão é um pouco mais polêmica. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. ☺art. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Há dois entendimentos: 104 . por óbvio. como DF é pressuposto dos demais direitos. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. 1º. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. à liberdade. XLVII. No caso do big brother. Esta questão é bastante clara. também não pode ser renunciado. Nos 78 incisos deste art. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. III e art. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. abre-se mão temporariamente à privacidade. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. à segurança e à propriedade. pois. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. à igualdade. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. O direito a vida. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. é. não há que se falar em não exercício). 5º. Obs. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. As pessoas não podem abrir mão destes direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. II. A renúncia é definitiva. 5º. Este pode ocorrer. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. CR. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. um outro direito fundamental. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. não há uma renúncia definitiva.: esta segurança que o art. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Porque o direito à vida é irrenunciável. pois a vida é uma direito irrenunciável. caput. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. 170.

Para o direito brasileiro. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. o feto não tem a menor chance de sobrevida. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. . insuficiente para a proteção do direito. é relativo. em razão do risco de morte intra-uterina. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. sem o sistema nervoso central. não haveria vida. sabendo que ela vai morrer. entendeu que. II. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. 128. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. ela é a única ação de controle abstrato cabível. já que o CP é anterior à CR. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. 3) dignidade da pessoa humana. 128 (em 1940). portanto. nas quais não se tem uma opinião moral definida. discutida na ADPF 54. o STF não estaria legislando. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. por 7 votos a 4. E o direito à vida. o art. mas de modo geral). mas sim da acrania. 128). Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Se isso fosse possível. OBS. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). CP não teria sido recepcionado pela CR. Nos EUA e na França. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. A questão ainda está sendo discutida no STF. O STF. segundo Canotilho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. então. e. além de colocar em risco a sua própria vida. mas sim interpretando a CR/88. Se há dois argumentos defensáveis. a vida termina com a morte encefálica. por isso. assegurando a autonomia da vontade. a morte não decorre do aborto. Ademais. como todos os outros. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. já que na época em que foi feito o art. é uma forma de tortura psicologia.Direito à privacidade: 105 .

contra um estelionatário. O prof. sobretudo. em seguida. Ao realizar essa ponderação. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. na verdade. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. contra um chantagista. No entanto. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Numa gravação clandestina. a imagem pode ser usada num processo. Se filmar uma passeata. Ex: Radares eletrônicos. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. vida privada. É vedada pelo art. Não há que se falar em colisão. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Ainda que não afete a honra. X. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. veremos cada um separadamente. que se subdivide em: intimidade. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. Questão de Concurso: Gravação clandestina. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. os princípios da moralidade e da publicidade. Mas. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. no art. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. histórico. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. quebra de sigilo e interceptação telefônica. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. não tem privacidade. por exemplo. O agente público. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). maior a proteção a ser dada. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. a honra e a imagem das pessoas. O direito a privacidade está consagrado. CR. Esta é excludente de ilicitude. Neste caso. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Logo. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. CR. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). a gravação é considerada lícita. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. Proteção da honra e da imagem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. o direito à imagem foi violado. quando pratica um ato na condição de agente público. é a esfera da vida privada. Será considerada prova lícita. sobretudo. Nesses casos. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Em regra. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Se tiver gravado um crime. 5º. etc. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Nesses casos é vedada a gravação como prova. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. não há violação à privacidade. X. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. ela é ilícita. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. É gênero. científico ou cultural. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. Ex: matérias de interesse público. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Ex. uma gravação feita clandestinamente. de uma forma geral. O direito de liberdade é maior. são direitos independentes. 1. pois há uma excludente de antijuridicidade. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Então. a restrição é legítima. 5º. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. 106 .

outros entendem que não há proteção. XII. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. às informações constantes na declaração de imposto de renda. mas na decisão acima houve discussão a respeito. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Se ele quiser. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Essa declaração. b) Sigilo fiscal: dizem respeito.. São poderes instrutórios. como havia verba pública envolvida. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. No entanto. fiscal e telefônico. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. não poderá quebrar sigilos. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. Na Itália. XII. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Dentro dela. De acordo com o art. deve ter uma certa salvaguarda. de um cd room. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. X.: Podem existir várias outras exceções. naquele caso específico. Dentro do próprio STF há divergência. por ex. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. Quando a CR fala em “poder de investigação”. já que não existe poder judiciário municipal. não há decisão do STF. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. Quem pode é só o juiz e a CPI. Ex: extrato de conta corrente. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. fiscais. etc. 58. Tem uma decisão do STF muito comentada. Além do juiz. O prof. a duração da chamada. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. essa decisão foi para um caso específico. outros dizem ser pelo art. Quando se quebra o sigilo telefônico. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. ele não pode requisitar diretamente. 107 . divulgaram todas as declarações na internet. ainda que não seja sigilosa. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. E o Ministério Público? Segundo o STF. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. Quanto às CPIs municipais. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. 2°) admite. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. A lei. que é uma exceção a essa regra. o BB poderia quebrar o sigilo. por enquanto. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Os jornais publicaram essas declarações. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. informáticos. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. em ação cível originária. 5º. § 3º.). Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. CR. O Min. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. 2. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Ele alegou a ilegalidade desse ato. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. Essa exceção só confirma a regra. O inciso X impede a gravação clandestina. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. 5º. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. está em vigor. 5º. 3. O STF decidiu que. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). com base no princípio da simetria. falaremos da interceptação telefônica. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei.

neste caso. não estaria protegido por esse dispositivo. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . 5º. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. será gravação clandestina. o sigilo poderá ser violado. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Na prática. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. No entanto. Nessas hipóteses. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Pois. Ela protege 4 formas de comunicações. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Mas isso não é a posição do STF. a liberdade de comunicação. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. em determinadas hipóteses. Para o prof. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. XII. por uma terceira pessoa. Quando se falou do método tópico problemático. Na interceptação. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. sobretudo. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. 5º. Em relação à comunicação epistolar. a partir do momento em que o e-mail foi aberto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. O art. 5º. O STF entende que com base o art. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Não são admitidas para outras finalidades. Com relação ao sigilo de dados. abrem-se todas as correspondências. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. 5º. Aliás.. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. XII. mas foi feita por um terceiro.. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. é equivocado. Além dessas duas hipóteses. já que protege-se a liberdade de comunicação. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. será interceptação telefônica. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. Para o STF. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. protege a liberdade de comunicações. Ela deve ser usada para situações excepcionais. Se um souber. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. segundo o STF. seja pelo art. Em relação a essas. o STF tem um entendimento que. Então. Porém. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. os dados de informática em si não estão protegidos.. Se um souber. segundo o prof. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Para o prof. mas. seja pelo art. também protege a privacidade. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. protege-se apenas a liberdade de comunicação. X. pode haver restrições às comunicações telefônicas. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso.

em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. por nenhuma outra autoridade. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Ou seja. 5º. Com o consentimento. Como é o meio mais fácil. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. a entrada deve ser permitida pela empregada. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Se houver o consentimento. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. d) Art. e mais ninguém. e não pelo dono da casa. c) Art. LXI: possibilidade de prisão. Ela deve ser o último recurso. XI: violação de domicílio. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. 5°. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova.296/96. vejamos: a) Art. Ex: crime dentro de uma residência. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. pode determinar a prática desses atos. essa lógica tem sido invertida. prorrogáveis por mais 15). Recentemente. XII. imagine numa situação normal. Essa decisão foi recente (☺MS 27. Durante o estado de defesa. XII: interceptação telefônica b) Art. qualquer pessoa pode entrar. LX: sigilo imposto a processo judiciário. se houver o consentimento de um dos moradores. Somente o juiz. Com relação à inviolabilidade do domicílio. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. • Prestar socorro 109 . O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. devemos analisar 2 situações diferentes. salvo o flagrante delito. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. 5º. nesses casos. seja durante o dia seja durante a noite. 2. Pode ser que com os abusos recentes. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. Se numa situação excepcional. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. A Constituição trata de 2 situações distintas. não há falar em violação de domicílio. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. Art. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Sem consentimento já é diferente. Nesse artigo. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. Vejamos as situações: 1. o Min. Então. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. CF/88. a polícia pode entrar. Nem mesmo CPI. violado. O professor acha que há certo abuso neste caso. nem a CPI. Na jurisprudência do STF. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. 5º. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Segundo o STF. 5º. Além disso. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta.

mas dos vizinhos também. E o carro? O prof. Se houver o consentimento do morador. prevista no dispositivo. 3. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. entre outros aposentos. Alguns autores. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. É utilizado por JAS. a casa pode ser invadida a qualquer hora. hoje. não encontrou nenhuma decisão a respeito. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. não entra em conceito de casa. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Na maioria dos casos. pois se respeitar também o critério cronológico. porque a noite é o período de descanso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. onde o caminhoneiro dorme. ☺Art. 110 . Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. a prova colhida será considerada ilícita. entre eles Alexandre de Moraes. seja do dia seja da noite. por serem situações emergenciais. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Ex: parte de trás do caminhão. não entra no conceito de casa. o STF considera as provas lícitas por causa disso. 2. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. consultórios. não só dos moradores daquela casa. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. 150. quando o sol se põe é noite. compreende escritórios. se estiver vazio. entra no conceito de casa. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. estabelecimentos comerciais e industriais. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. a prova é lícita. que traz uma conceituação bastante extensiva. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Entra no conceito de casa. CP. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Segundo ele. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. compartimentos habitados. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. não poderá mais entrar no domicílio. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Se entrar com o uso da força. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. mais adequado. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. na parte em que o público tem livre acesso. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Quando o sol nascer é dia. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Segundo o entendimento do STF. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Só que o STF já proferiu decisões. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. mais tradicional. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Então. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário.

2. Para que o critério seja constitucional. idade. arbitrário. é necessário que ele seja: 1. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Ex: critério preconceituoso. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Esse critério não é nenhuma discriminação. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. da constituição. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Mas. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Se o critério não for objetivo. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. cor e estado civil. 7º. Para esses casos. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. não significa que a lei não possa fazer distinções. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. É a que está consagrada no caput do art. pois viola o princípio da isonomia. XXX. Esse critério é razoável. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 5º. XXX. Objetivo 2. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Quando se fala em princípio da igualdade. Razoável 3. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. CR. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. justifica-se a altura. 7º. 111 . discriminatório. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. razoável e proporcional. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . em situações diferentes. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. CF/88. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Uma vez dentro do estabelecimento. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Nestes casos. Não irá fazer concurso para homens participarem. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais.

a idéia que se tem é a redução de desigualdades. 5º c/c art. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Dificilmente. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. mas reduzir as desigualdades existentes. 112 . Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. A tendência é que elas aumentem. Ex: Cotas para pessoas carentes. acha que esse argumento não convence. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Ex: Alíquotas de imposto de renda. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. para tentar reduzir as desigualdades. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. ☺art. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. e os desiguais de forma desigual. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. disse que está ligada à igualdade material. seria igualdade material. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . Quando se fala em igualdade material. Criaram-se outras ações afirmativas. Essas ações não surgiram nos EUA. Segundo JAS. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. por exemplo. Para o professor. mas é necessário analisar uma série de fatores. Quando se fala em igualdade material. Porém. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. mas na Constituição Indiana em 1947. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. aconteceu o contrário. surge a questão relacionada às ações afirmativas. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. pois elas criam uma discriminação reversa. Isso é igualdade formal.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. No caso da Índia. O prof. não haverá uma igualdade real. Em princípio. utiliza-se das ações. Mas. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. O prof. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Para outros autores. e não à igualdade material. essas ações deveriam existir por 10 anos. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). A cota deve ser proporcional à população. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. o critério discriminador seria desproporcional. Tem autores que entendem ser inconstitucional. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Não é uma forma de resolver o problema. essas ações são constitucionais. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. e prolongaram as que já existiam. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. que eram desiguais em relação aos seus senhores. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. 3º. Então. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. igualdade e fraternidade. Visa uma redução das desigualdades fáticas. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos.

Poder Executivo e Poder Judiciário).fere o mérito.Poder Legislativo. . seja por particulares.favorece negros de classe média alta.em uma sociedade pluralista. . esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. No Brasil.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. não sendo necessária essa distinção. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . . seja pelo governo. quando se fala em destinatários. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. Portanto. CF/88. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.medida imediatista e inapropriada. tolerante. visa compensar uma dívida histórica. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. previsto no art. aberta. são destinatários do princípio da igualdade. 113 . . .Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. . sem exceção. Eles foram libertados. A justificativa parece não ser inconstitucional.princípio da isonomia (discriminação reversa). de saúde. Eles não têm apenas a eficácia vertical. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. miscigenada e multicultural. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. pois já faz parte do próprio critério republicano. mas eles não tiveram oportunidade de escola. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade.fomenta o racismo e o ódio racial . . É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. atinge todos os poderes públicos . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. Além dessa eficácia.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. O problema é com relação à subjetividade do critério.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. Argumentos contrários: . cientificamente falando. mas também para quem irá elaborar a lei. Juridicamente falando. Apesar de ser uma relação entre particulares. 208. Então. Isso é uma questão de política pública. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. (18/06/09) Argumentos favoráveis: .

O homem não é a parte mais frágil da relação. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. não deve ser estendida para os homens. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Ex: art. não teria sido recepcionado. 5º. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Logo em seguida. Logo. 100. Mas. Apologia ao crime é diferente disso. I. IV. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. ele deve licitar. Ex: Passeata para legalização da maconha. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. sendo vedado o anonimato. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Por que a Constituição. desde que essas restrições não sejam autoritárias. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Para alguns. de expressar o pensamento. segundo o professor. O particular não é obrigado. É uma denúncia feita anonimamente. É constitucional? Sim. CPC – ação de alimentos. e violou direitos de terceiros. discriminatórias. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Isso significa que. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. para outros teria. a lei pode estabelecer distinções. é outra questão. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. desde que seja para atenuar desníveis existentes. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. ela pressupõe responsabilidade. É livre a manifestação de pensamento. etc. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Basta ser um critério objetivo e para todos. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. ela exerceu o seu direito. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. ela pode ser responsabilizada. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. ela é constitucional. em regra. Não existem direitos absolutos. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Pode defender no plano das idéias. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. Se a pessoa agiu de forma abusiva. As provas 114 . em princípio. Não é um direito absoluto. mas apenas para as mulheres. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Protege a mulher. o problema é dele. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Ex: Lei Maria da Penha. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. 5º. Questão de Concurso – Cespe: No art. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento.

se não há qualquer identificação. CR. então. Não se pode admitir que o parlamento. O dever funcional da autoridade é investigar. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. pedindo resgate. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. A religião desempenha um papel fundamental. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. O Estado brasileiro. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. e. Ex: seqüestrador escreve bilhete. VI. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. A liberdade de consciência é a mais ampla. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. de ter crença. O Estado deve manter-se neutro. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. I. 5º. Os templos recebem uma proteção especial. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. 2. Garantir a simetria da liberdade religiosa. ou de não ter crença em nada. com o advento da República. ele não pode ser admitido. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. não é o caso do Estado brasileiro. deve ocorrer uma “tradução institucional”. Em relação ao culto. CR. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Porém. 19. 3. desde 1989 (advento da República). Isso significa que. Para Habermas. houve a total separação entre Estado e Igreja. No Brasil não há uma religião oficial. O culto pode ser exercido em qualquer local. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. abrangendo a liberdade de crença. Esta liberdade está consagrada no art. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. por exemplo. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. Quando são produzidos pelo próprio acusado. Pode fazer um exame grafotécnico. ainda 2. inclusive em lugar aberto ao público. o equilíbrio das religiões. Vejamos: 1. 2. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. há 02 hipóteses em que o STF admite. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. de crença e de culto. desde que não viole o direito de terceiro. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. → Alguns temas polêmicos: 115 . ela deve ser protegida. apesar de a maioria da população ser católica. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. A neutralidade do Estado fica muito clara no art.

→ Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. O 116 . que odeia guerra. §1º. então. §2º. Neste caso. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. Mas. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. o argumento supracitado não está correto. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. a competência é da União. estados e municípios (☺art. onde se tem poucas escolas boas. os argumentos religiosos não fazem parte da política. 5º. Pode um ateu. inegavelmente. Na Alemanha. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. não poderia ser confessional. CR). Para o prof. Determinada família quer matricular o filho naquela escola.. imagine uma cidade pequena. 23. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal.. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. e não à justiça do trabalho – ☺art. É importante respeitar o ensino de cada um. VIII. a escola não deve impor ao menino.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Não teria sentido acabar com esses feriados. Segundo o prof. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Portanto. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. são culturais. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Os feriados são de competência do Direito do trabalho.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. a neutralidade do Poder Judiciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. . fazendo uma ponderação entre os princípios. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. 215. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. ocorreu um caso muito semelhante. e o aluno optou a se matricular nessa escola. há algumas ações. políticos e religiosos. e cultura é competência comum – da União. Há um trecho do livro do Dworkin. Entretanto. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. a competência é em relação à cultura. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. . mas não quer que ele aprenda a religião da escola. O tribunal. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. CR.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. logo. Entretanto. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. 210. São feriados puramente religiosos. CR). Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação.

A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. 2. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. por sua vez. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). Há. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. mas os políticos. 3. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. 15. mas a de permanecer associado. 4. A associação. elas vão embora. terminada a reunião. XXI. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. de cooperativas. XVII e XXI. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). 5º. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. mas direitos individuais de expressão coletiva. então. CR: Não é só a liberdade de se associar. ainda. O prof. Ex. Não cumprindo com a obrigação. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Para que as pessoas possam se reunir. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Liberdade de reunião. as pessoas se reúnem e. não são os religiosos. ☺art.) 2. mesmo que em locais abertos ao público. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Criação de associações e. CR. desviar o trânsito. ☺ art. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Criação de sindicatos. Segundo Jean Rivero. tem o caráter permanente. não é necessária a autorização estatal. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. IV). deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. A pessoa alega imperativo de consciência. 5º. 5º. Criação de partidos políticos. na forma da lei. CR. XVI. o argumento deve ser racionalmente justificado. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Ex: fazer segurança. A República é o governo das razões. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. 5º. essa hipótese é de representação processual. JAS diz que não são direitos coletivos. XVI. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Quem fará a tradução não é a Igreja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. Se não houver essa lei. Por que a CR exige prévio aviso. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Ex: reunião de condomínio. (Não pode reunir pessoas armadas. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. etc. conforme portaria da ANVISA.

Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. Função Social da propriedade: A CR. Há um outro entendimento que. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. 5º. Segundo o STF. 118 . a propriedade terá uma proteção menor. tendo um menor peso na ponderação. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. CR) quando ajuíza uma ação. 5º. Segundo o STF. é mais correto. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. não precisando de autorização expressa. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. segundo o qual. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. a função social. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). 5º. LXX. ☺art. O que acontece é que se não cumprir a função social. não pode existir mais de uma federação por território. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Segundo ele. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. 2. XXIII. Segundo o STF. 8º. não impede que o direito de propriedade seja protegido. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. Segundo JAS. Ela só garante o direito de propriedade. segundo o prof. pode ser dada numa Assembléia Geral. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. A associação impetra em nome próprio. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. Ex: Invasões de terra pelo MST. III. segundo o prof. mas sim contrárias ao direito e. XXII. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. ADC e ADPF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. mas faz parte da estrutura desse direito. Em seguida.. O sindicato (☺art. ilegítimas. Se ele tem proteção. mas não pode ajuizar ADI. no seu art. em seu art. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). como a Constituição garante o direito de propriedade. ter um patrimônio mínimo. Só pode representar se houver autorização expressa. garante o direito de propriedade. não são legítimas essas invasões. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. por exemplo. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. A Constituição não garante o direito à propriedade. do próprio regime desse direito. defendendo direito alheio. se não for atendida. É o entendimento de Daniel Sarmento. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. portanto. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. o direito de propriedade pertence ao direito público.

Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. em regra. CF/88: Trata-se de imóvel rural. Propriedade Rural: ☺art. uma escola pública. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. restringe o caráter absoluto. Para atender a função social. 182. No caso de requisição. 186. deverá ser em dinheiro. CR. Sempre que há requisição. §4º. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. VII). é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). por ser inerente ao direito de propriedade. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. só haverá indenização se houver dano. Logo. a saber: por necessidade pública. a indenização será sempre posterior. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Na requisição. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. diante de uma emergência. o proprietário não tem culpa. que deve ser prévia. ou por interesse social. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. É um aspecto lógico. Vejamos abaixo. b) ☺ art. justa e. IPTU progressivo no tempo. O título deve ser entregue antes da desapropriação. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Sempre haverá indenização. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. ele não poderá ser prejudicado. 182. §2º. Propriedade Urbana: ☺art. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. 184. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Desapropriação: Diferentemente da requisição.000 habitantes (§1°). que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. deve haver indenização? Não. CR. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. 139. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. Vejamos: a) ☺art. Ex: caso de Eloá. XXV) e as militares (☺art. mas sobre a propriedade em si. 5º. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. na desapropriação. b. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. como um apartamento. Como haverá indenização se houver dano. Além do caráter absoluto. a saber: a. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. normalmente. indenização por títulos da dívida pública). O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. há uma transferência compulsória da propriedade. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. A função social. etc. A polícia requisitou determinadas propriedades. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. por utilidade pública. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. como decorrência do primeiro. Os principais aspectos são 2. 2. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária.

Se ela é produtiva. seja urbano ou rural. PU. São imunes a impostos (☺art. Se ele tiver outro imóvel. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. possuir o imóvel como se fosse seu. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos).Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. no máximo. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. no máximo. . . Necessidades transitórias. Nesse caso.). O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. precisa recorrer ao judiciário). admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). etc. Obs. Requisição Refere-se a bens e serviços. é porque ela está cumprindo a sua função social. 185. Para esse fim. 120 .Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. não precária. Só não podem ser para fins de reforma agrária. prévia e. ininterrupta. É sempre indenizável (justa. 183.o morador não pode ter outro imóvel. pacífica. paga em dinheiro). ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. não podem ser adquiridos por usucapião. . Vejamos: .: Imóveis públicos. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. emergências da sociedade. Só que. os bens serão confiscados – art. 5º. A Constituição não permite – ☺art. em Indenização posterior se houver dano. §5º. Confisco: No Brasil. sejam urbanos ou rurais. por ter prazo menor.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Usucapião: Na Constituição da República. 191. §3° e art. 2. CF/88. Na CR. 184. 50 hectares. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. parágrafo único. o imóvel deve ter. 3. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). não há pagamento de indenização. regra. 243 da CR.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. 250 m2. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). O confisco de propriedade está previsto no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Como o confisco é uma sanção. 243. CR). Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Necessidades permanentes da sociedade. sem oposição. CR). . Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário).

média e mínima. Esta hipótese é. mas que vale especificamente para o direito tributário. etc. A lei interpretativa retroage. a CR/88 entrou em vigor. a lei interpretativa retroage. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. 106. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Em regra. Em resumo. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . Durante a vigência desse contrato. Alguns a interpretavam de maneira (A). XL. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. No direito penal. A garantia existe para a proteção desse direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. 5º e no art. é uma conjugação das duas anteriores. autônomo. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. b) Retroatividade benigna. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. CR). O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. desde que seja mais benéfica para o réu. 3. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. inicial. outros a interpretavam de maneira (B). As hipóteses mais importantes são: 1. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. Todas as demais o consagraram. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. 5º. não era muito democrática). só que exclusiva para o direito tributário. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. 5º. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. Para responder a essa questão. é necessário diferenciar duas situações. XXXVI. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. na verdade. interpretando a lei da maneira (A). a regra também é a não retroatividade (art. a saber: 1. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. 2. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. não. Seria correspondente à primeira hipótese. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. mas deve respeitar a coisa julgada. Retroatividade da Lei Penal.

Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. STF. automaticamente. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. Não pode haver a redução. Havendo mudança de regime jurídico. Portanto. inclusive as de ordem pública. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. não há posição prevalecente. Ex: Determinada prestação. .1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. no caso de retroatividade mínima. b) Retroatividade média: pode ocorrer. haverá uma retroatividade média.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. mas as leis não. → Coisa julgada: 122 . 654 e Súm. É claro que isso não é desejável. a Constituição da República entrou em vigor. haverá uma retroatividade máxima. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. de acordo com a legislação da época. extintas. As parcelas podem ser reduzidas e. É claro que isso não é desejável. . e não as parcelas que compõem o vencimento. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. O prof. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. até mesmo. porque geraria uma insegurança jurídica. 473. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Na retroatividade máxima. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. É o ato que está apto a produzir os efeitos. interpreta a lei em sentido amplo. ☺Súm. Só que para haver essa retroatividade. e não lei em sentido restrito. e não o ato exaurido. Se mudar o real. A EC poderia prejudicar direito adquirido. Antes de a prestação ser paga. . e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. 2. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. porque geraria uma insegurança jurídica. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. XXXVI) é lei em sentido estrito e. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. através de norma de eficácia plena. Se a Constituição atingir essa prestação.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Só que para haver essa retroatividade. ela afeta a todos. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. será necessário que a Constituição diga expressamente. em regra. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. coisa julgada e ato jurídico perfeito. portanto. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Após a Constituição de 1988. Ex. Nesse caso.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. . → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. mas isso está superado.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. por ex. segundo Robert Alexy. e não propriamente como ministro). Eros Grau. 5º. Eficácia: todo direito tem um custo. Os direitos de defesa são. Assim. ou seja. . independentemente da sua natureza. §1º. No art.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. mas é apenas a coisa julgada judicial. de sociedades pluralistas. do seu enunciado. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. Direitos Sociais: 1. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. independentemente de qualquer fator. Dirley Jr. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. 2. como teórico do direito (ou seja. 5º. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. Os princípios. b) o art. . à medida que a sociedade o determine. e isso para muitos é um ponto negativo. A administrativa não tem essa proteção. §1º. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Já os direitos sociais. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. nós deveríamos interpretar o art. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . 7º. exigem uma atuação positiva do Estado.: salário mínimo). em sua maioria. Mas isso não é verdade. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. como doutrinador. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. em regra. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. Em cada época. pois são mais facilmente implementados. são NEL (de princípio programático). Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. são mandados de otimização. o que significa que possuem um caráter positivo. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. consagrados em NEP ou NEC. e pelo Min. Ou seja.. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. para dar decisões concretizando tais direitos. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. 5º.☺art. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. Por isso. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais.

por ex. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. que estamos buscando..). A visão do juiz é bilateral. essa atuação talvez não seja tão justa. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. Norma de direito social não gera direito subjetivo. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. trabalho. O que se busca. Primeiramente. educação. legítimas (saúde. pois. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. Esses direitos sociais não teriam. em tese.000. Esse entendimento já foi superado. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. as normas possuem uma textura aberta. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. segurança. Como têm apenas eficácia negativa. Assim. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. etc. Em outros lugares. doutrinador do RS. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. previdência. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. . O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. 3ª fase: é a fase desejável.). mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. assim.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados.000. pois. normatividade. quando foi dado um maior papel ao PJ. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. por ex. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. Argumentos contrários à intervenção judicial: . lazer. Portanto. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. Quando se fala em direitos sociais. todas. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. por ser norma programática. só porque recorreram ao PJ. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. não geram direitos subjetivos. Por isso. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . implicitamente. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Pedro Taques). rodovias. Obs. . é importante definir tais critérios. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ.

teríamos a maior utilização das ações coletivas. Se não se estabelecer os critérios. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. Ademais. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. Assim. Não é o entendimento que prevalece. segundo Ingo Sarlet. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. 125 . quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). De se ver que quando se fala em direitos sociais. eles acabariam sendo inviabilizados. inclusive a minoria. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. mas a todos que se encontrem na mesma situação. ou seja. Os direitos sociais estão consagrados em normas. Mas.Déficit democrático das instituições representativas. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. não se encaixaria na realidade brasileira. entra-se muito nas questões ideológicas. Se um poder se encolhe. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Esses argumentos são os que devem prosperar. em 1972. em razão do Princípio da Igualdade. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. A reserva do possível. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). no que diz respeito aos direitos sociais. . a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. sufrágio universal. em razão das limitações orçamentárias existentes. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. . III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. eleições periódicas. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . . Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. pois. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador.Caráter normativo da constituição. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. por isso. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. É preciso.A democracia não é apenas vontade da maioria. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. saber se a demanda é razoável. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). e é muito utilizada no Brasil. o outro cresce.

A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada.. que é a corte suprema na Alemanha. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Assim.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. A reserva do possível é uma matéria de direito público. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. pelo cumprimento voluntário da constituição. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. essa concretização. Segundo Ricardo Lobo Torres. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. saúde. . Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. assistência em caso de necessidade. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Ou seja. é o entendimento mais adequado. Se não definir o conteúdo. Não é o máximo desejado. em 1953. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. Por que falamos em “mínimo”. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. por ser necessária para a 126 . O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Segundo Ana Paula de Barcellos. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. Vejamos: 1. em razão de sua textura aberta. 2. mas teria um peso maior na ponderação. quando se estabelece o mínimo existencial. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. depende de cada época e de cada sociedade. maior o risco de não ter efetividade. da liberdade material e do princípio do estado social. Segundo o prof. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. Outros autores já falam apenas em saúde. a questão da efetividade será prejudicada. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. precisam ser concretizados. A efetividade passa pela sociedade. que a demanda custa y. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. mas deve também ser provada. educação e moradia.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. etc. que existem z pessoas na mesma situação. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. No Brasil. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. é o mínimo existencial.

estatístico. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. Ex. que significa nação. Ele tem. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. da dignidade da pessoa humana. Por isso. 2) posicionamento de um autor português. consciência coletiva. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. CR). segundo ele. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. ao estudar as normas de princípios programáticos. 127 . fazem parte da população brasileira. Segundo ele. JAS. A partir do momento que um direito social é concretizado. costumes. e. passaria a fazer parte do próprio direito social. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. de acordo com a necessidade. só ampliado. não pode haver uma redução dessa concretização. irão concretizar os direitos sociais. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. da máxima efetividade (art. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. População está relacionada ao conceito demográfico. haver uma redução do grau de concretização. §1º. um pensamento mais flexível sobre o tema. históricos. língua. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. fala-se em vedação do retrocesso social. Todos que moram no Brasil. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). pois. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. haveria um engessamento do legislador e do PE. já dizia algo muito semelhante. 5º. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. o que prejudicaria a sociedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. e do Estado Democrático e Social de Direito. Os poderes públicos. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. entre eles: laços culturais. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. assim. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. esse prazo não pode mais ser reduzido. Há dois posicionamentos quanto ao tema. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. independentemente da nacionalidade. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Pode.

c. I. 12. 12. não há direito público subjetivo. se não se manifestarem contrariamente. terá naturalidade brasileira. I. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. II) Jus Sanguinis: ascendência. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. 12. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Neste caso. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . de acordo com o art. É o caso do Brasil. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. CF/88. Quando a pessoa é nascida no Brasil. Pelo critério funcional. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. 227. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. b). Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. 12. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. os pais têm que ser brasileiros. Refere-se aos brasileiros natos. É geralmente adotada por países que estão em formação. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). por uma questão de soberania nacional. estrangeiros residentes.Quase nacionalidade (art. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. adquirem a nacionalidade do país onde residem. desde que haja reciprocidade. A EC 54 alterou o art. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso.Diferenças de tratamento 128 . II) Naturalização expressa (art. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. De acordo com o critério sanguíneo. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento.815/80. a). Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. Refere-se aos brasileiros naturalizados. há direito público subjetivo do estrangeiro. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). Obs. 12. I. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. . b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. considera a nacionalidade dos pais. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. . III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. não haver condenação penal e requerimento do interessado. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). o filho terá nacionalidade brasileira. §6°. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. 112 e 115. art. Se o casal estiver a serviço de outro país.

o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. b) 6 assentos do Conselho da República (art.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. no entanto. Expulsão: consiste na retirada a forca. em razão da superioridade da Constituição. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade.segurança nacional: oficial das forças armadas. Já na entrega. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. Importante analisar a Súmula 421. No caso de brasileiro naturalizado. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. . presidente da CD. Se o estado desrespeita essa regra. cria-se um problema de relação internacional. . STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. não se poderá invadir esse estado. em razão da soberania nacional. 12. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. a ela aplica-se a súmula 1. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. Na extradição. só poderá ser extraditado: . 5°. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. 12. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. CF/88): 129 . . Mas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art.815 (ato nocivo ao interesse nacional). Os critérios utilizados são: .se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. d) Extradição (art. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. vice. .Perda da nacionalidade (art. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. . XL.linha sucessória do presidente da república: PR. §3°). Mas. do território brasileiro.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. presidente do SF.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. 5°. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. 89. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. . 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. A deportação está mais próxima da expulsão. 65 da lei 6. confundir a súmula acima com a seguinte. CF/88). §4°. Não se pode. 12. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). Princípios relacionados à extradição: . dependente da economia paterna.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. portanto. ou que tenha filho brasileiro. §2°. 5°.

que exige uma alternância de poder. 130 . caput). 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. é o direito de votar (e não de ser votado). é o direito político em si.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. §1º. Características que o voto possui no Brasil: . São requisitos apenas técnico-formais. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. pelo CN. 81. one vote”. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). nacionalidade e alistamento. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. com a realização de eleições periódicas. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). . Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado.é periódico: essa periodicidade do voto. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. salvo nos casos das alíneas a e b. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. 14. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. Para JAS. ou seja. . Além dessas características do voto. Servem ao controle do próprio direito. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. . salvo se por meio de ação rescisória. Direitos Políticos: . voto é o exercício desse direito. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. o sufrágio censitário (ex. . tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. A CR/88 adota o sufrágio universal. e não requisitos preconceituosos.tem valor igual para todos: “one man. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. 14. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. inclusive sendo cláusula pétrea. na forma da lei (que ainda não existe).: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). com uma única exceção: art. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. §1º). Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. one vote” – “one person.é direto: é a regra. perderá a nacionalidade brasileira. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal.

até que se atinja a plena cidadania. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. 14. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). a inelegibilidade em relação aos militares (art. que geralmente admitem desincompatibilização. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. 14. No Brasil. filiação partidária. é o direito da pessoa ser votada. ou seja. . depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. no governo de SP). b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. §8º). dentistas. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. então. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. 14 traz um questionamento. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . etc. no caso do art. assim. 14. §3º. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). §5º . e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. ela é adquirida progressivamente. Quando a Constituição fala apenas em lei. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. 14. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. ou seja. Mas o §9º do art. Primeiramente. do art. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. os inalistáveis são os estrangeiros.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. . o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . 14. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. ☺ar. trata-se de lei ordinária. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. §3º? Segundo o STF. 14).Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. com exceção dos portugueses equiparados. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. domicílio eleitoral na circunscrição.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. Assim. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. salvo se já titular do cargo. em caso de reeleição.é conhecida como inelegibilidade reflexa. Além dessas condições relativas à idade mínima. §1º). Ex. 14. se houver reciprocidade (art. §7º . 12. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC).☺§3º.

II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. e quanto a isso não há divergência doutrinária. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. III e V) são hipóteses de suspensão. mas o prof. 132 . A doutrina (JAS. é algo temporário. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. VIII). Kildare. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. portanto. o prof. 15. 5º. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. Todas as outras hipóteses do art. seus parentes também poderiam ser candidatos. não há como readquirir os direitos políticos). não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. I. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. 15 (incisos II. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. 15. Com base nessa distinção. nos termos do art. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful