Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

br

Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

3

avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. Numa vertente mais restrita. reporta-se a um sistema normativo. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. sociologicamente. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. e. numa terceira acepção possível. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. no fundo. O conceito de constitucionalismo transporta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. a defesa da Constituição. mas proteger direitos. assim. E para isso. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. É. Neste sentido. do estado e das instituições democráticas. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. por seu turno. Partindo. o americano e o francês. 4 . o local e a época. então. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. e que se encontra acima dos detentores do poder. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. Numa segunda acepção. em especial limitar o poder arbitrário. em sentido jurídico. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. um claro juízo de valor. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. Tem-se utilizado. como sociológica: “em termos jurídicos. os fins socioeconômicos do Estado. uma teoria normativa da política. enfeixado na Constituição. mas também de outros assuntos. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. Kildare Gonçalves Carvalho. como o inglês.

em 1791. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Hoje. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Roma: idéia de liberdade. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. quem. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. • Separação dos poderes. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. b. 2. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. se contrapõe ao absolutismo. Como ressaltado por Jorge Miranda. d. Inglaterra: rule of law – governo das leis . fases pelas quais passou a constituição. desde logo. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. como e até onde pode mandar. 1. integram-no. c. Por isso. em 1787. Estabelece as regras do jogo político. (Livro do Alexandre de Morais). “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Foi a mais avançada forma de governo. ii. Atribui competências aos três poderes. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII.surgiu em substituição ao governo dos homens. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. e da França. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Influenciaram o direito francês e americano. ii. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Garantia jurisdicional. porém. b. • Princípio do governo limitado. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Estado Hebreu: estado teocrático. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. a partir da Revolução Francesa. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Grécia antiga: democracia constitucional. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Governo limitado. Foi a 1ª experiência constitucional. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. a. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). após a Independência das 13 Colônias. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. A democracia é a representação da vontade da maioria. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Foi uma retrospectiva do direito Grego.

Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. as quais são denominadas por pós-positivismo. havia regras. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. ligada à idéia de liberdade. estabelecendo diretrizes. Separação de poderes. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Começou a se falar em um direito moral. ou seja. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. a maioria da nação. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. c. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. estabelecidos pela Constituição. estarão subordinados a ela. Garantia de direitos. PE e PJ). sem força vinculante. os costumes 6 . ii. b. Idéias principais: i. Força normativa da constituição: antes. a. XIX. Ex. Constituições da democracia racionalizada. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Constituições de países subdesenvolvidos. diretrizes. Constituições da democracia marxista ou socialista. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. c. O ser humano é um fim em si mesmo. foi o Abade Sieyès. Constituições da democracia social. XX). na época das Revoluções Liberais. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Novas idéias foram surgindo. d. as constituições tinham caráter mais político. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Hoje. O Estado é um meio para atingir determinados fins.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. 4. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. direitos fundamentais. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. b. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Eram apenas uma diretriz. aplica-se a analogia. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Rússia. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Todos os poderes constituídos (PL. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Segundo a tradição francesa. A partir dessas novas idéias. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). 3.

 Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). • • 5. que é aplicada mais às regras. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Entre uma regra específica e um princípio geral. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. b. fidelidade partidária. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. os princípios. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. é o judiciário. de uma forma geral. é o juiz. 7 . Para Barroso. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). cotas em universidades. Para Paulo Bonavides. Participação. e. verticalização. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Na Itália. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. EUA: nós estamos submetidos à constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. pois esta é a concretização de um princípio geral. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. espuma do chopp. c. f. Eles são importantes. etc.  Aplicação direta da constituição. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Solidariedade. aplica-se a regra específica.. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Constitucionalismo do futuro. etc. união homoafetiva. Universalização. Os princípios. Consenso. Mas essa é uma posição muito radical. tratado internacional tinha status de lei ordinária. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Hoje. Hoje. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Não se aplica diretamente a constituição. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Continuidade. Verdade. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. d. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Ele atua como legislador negativo e positivo. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. o judiciário aumenta sua força. aborto no caso da acrania. há uma euforia dos princípios. g. mas quem dirá o que ela é. Ex. Na jurisprudência do STF. demarcação de reservas indígenas. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Teoria Concretista Geral. A aplicação da norma se dá pela subsunção. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Quando o legislativo é fraco. Integração.

que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. pertinentes. de soberania popular. que são os deputados federais (âmbito federal). I. 14. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). cujo titular é o povo. então. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Compact (1620). Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. 1º. com valor igual para todos. concretizando a soberania popular. mediante: plebiscito. que. CR). Fundamental Orders of Connecticut (1662). a verdade. CR) e. 1º da Lei 9. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Petition of Rights de 1628. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Bill of Rights de 1689. do art. caput. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). Assim. Como regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. de acordo com o art. nos termos desta Constituição”. II e III. 46. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. o P. Habeas Corpus Act de 1679. verdadeiro sistema híbrido. por intermédio de seus representantes. referendo e iniciativa popular”. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Podemos falar. CR. a continuidade. segundo o art. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). a solidariedade. de forma expressa. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Act of Settlement de 1701. portanto. a participação. Carta outorgada por Carlos II (1662). nos termos deste lei e das normas constitucionais. Vale dizer. Contratos de colonização.709/98 (que regulamentou o art. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. o exercício deste poder. O titular do poder é o povo.U. dá-se através dos representantes do povo.

A conferência realizada por ele. Segundo ele. Esta é a concepção que hoje prevalece. que surgiram com as constituições mais prolixas. o restante.. 242. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. não passaria de uma simples “folha de papel”. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. Toda a Constituição. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. com exceção do Preâmbulo. quando não corresponde à Real. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. §2º. → Segundo Hans Kelsen. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. o caráter normativo e vinculante da Constituição. a Constituição é norma pura. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Os fins do Estado são diferentes de estrutura. mas apenas leis constitucionais. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). Constituição e leis constitucionais são. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. é vinculante e obrigatória.: art. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. 1°. mas materialmente distintas. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. ou seja. ou seja. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). As leis constitucionais são todo o restante. PJ. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. os direitos fundamentais. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). A Constituição Escrita. que adota o conceito decisionista de constituição. O art. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Para entender tal concepção. caso contrário. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). na sociologia. conforme o prisma de análise. Essas normas são programáticas. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. a que Carl Schmitt chama de Constituição. têm a mesma forma de elaboração). as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. Esta concepção atualmente é inadmissível. como por ex. na política ou na filosofia). PL. para ele.

Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. posta pelo Estado).Povo. não introduz nenhuma novidade. não está escrita. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. A CR/88. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. a Constituição tem sim fundamento sociológico. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. quais sejam: . Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. é um elemento conformador. neste sentido. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. define tais elementos estruturais. por isso não tem nenhum expoente específico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . condicionante desta mesma cultura. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). ao mesmo tempo. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). . devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. é a Constituição escrita (CR/88). é apenas uma pressuposição. mas que trata de todos os aspectos. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). Seu único comando.Território. Gilmar Mendes). 10 .Finalidade. segundo esta concepção. é uma norma pressuposta. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. . seja pela introdução de novos elementos através de emendas.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. é: todos devem obedecer a Constituição.Soberania. . e também jurídico. Ou seja. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). qual seja. todos os setores da vida social. ela não existe na realidade. modificando-a. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. portanto. .

3) Quanto à origem: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. não surge de uma só vez em um só momento. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. por alguns estudiosos. a Constituição Inglesa. . . mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. toda Constituição histórica é costumeira. pois toda constituição é escrita e não-escrita.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. pelo agente revolucionário (grupo ou governante).codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. de uma só vez. Por isso mesmo.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). há pouco espaço para se ter costumes como regras. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. surge em um só momento.não codificadas (ou legais. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. . 11 . consuetudinária (não é escrita). promulgada. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. como por ex. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. trata-se de modalidade anacrônica. de maneira unilateral.democrática. as constituições outorgadas foram as de 1824. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). Ex. ou variadas): ex. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. Nesse caso. No Brasil. Obs.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. podendo ser: . votada. e como é bastante prolixa. 1967. o apelido de “Cartas Constitucionais”. é fruto das idéias. por ex. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. É uma aprovação simbólica).. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. a constituição não se torna democrática. quem vota a matéria são as lideranças. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . Constituição Espanhola/1930. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada.. . .outorgada: é a constituição imposta. tem também vários documentos escritos. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. 1937.dogmática: sempre escrita. . que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior).: as constituições outorgadas recebem.

7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: .concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. . . . uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. (Obs. . O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. mas sim o processo mais dificultoso. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. portanto muito difícil de serem modificadas. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. sem se preocupar com os detalhes. ou seja. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. Como se submete a esse tratado internacional. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. CR). a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. É uma constituição em sentido material.: art. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. sendo assim. Ex. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . Ex. Ex. inclusive a CR/88). Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador).: a Constituição dos EUA). pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO).: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Não existe controle de constitucionalidade das leis. É uma constituição em sentido formal.fixas: não poderiam ser modificadas.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis.) . São chamadas também de clássicas. Por este motivo. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. 1º.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. deixou de ser considerada flexível. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. sucintas. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Constituição Inglesa. como é o caso da CR/88. passou a haver hierarquia entre as normas. . Em 2000.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. É uma classificação típica das constituições costumeiras. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 .semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível.

e não de apenas uma ideologia. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). básicas ou clássicas).garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. Característica das constituições clássicas. União.: art. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). pois valem a todos os entes federados. prolixa.: art. votadas ou promulgadas). QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). sucintas. o União. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Não-escritas (inorgânicas. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). o DF. codificada. como por ex. Rígidas. . QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. OBS. 13 . As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Democráticas (populares. CR. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. Constituição em sentido formal. Pactuadas (ou pactuais). costumeiras ou consuetudinárias). rígida (ou super-rígida). É a CR/88. mas sim uma obrigatoriedade!). Fixas. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis.: a CR/88 é ainda Eclética. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Constituição programática (ou dirigente). democrática. que surgiram com um objetivo pré-definido. Canotilho. o Estados. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). o Municípios. Históricas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. 59 e segs. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). sumárias. dogmática. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. formal. 3º. porque é fruto de várias ideologias. (processo legislativo). Ex. Flexíveis (ou plásticas).dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. dogmáticas. Ecléticas.

a Constituição. §3º). cláusulas pétreas ou demais dispositivos. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. estaduais. DL e Resoluções – ☺art. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. MP. princípios ou regras. 59. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. o indireto. sejam elas originárias ou derivadas. as leis delegadas. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . direitos fundamentais ou não.343/SP. por 3 níveis hierárquicos. tem de ser. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. enquanto as regras são mais específicas. que existem como complementação dos ANP). Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. 59. 59. ordinárias e complementares). cujo fundamento de validade são as leis e. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. Importa dizer. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. obrigatoriamente escrita. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. basicamente. uma Constituição só possui relevância sociológica. CR).: decretos e regulamentos. II a VII). eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. se tiver também supremacia formal. distritais e municipais. as derivadas (art. a Constituição tem que ser rígida. que a CR/88. 5º. as medidas provisórias. Para que exista supremacia formal. No entanto. porque os princípios têm maior amplitude. para fins de controle de constitucionalidade. LC. No topo. por ser rígida. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Leis Delegadas. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. encontram-se as normas constitucionais originárias.

Quando não exigir LC. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). No entanto. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . que regula a LC. OBS: O art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Residual.☺Art. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 47. é sempre o mesmo número ☺Art. 47 é a regra geral. Lei ordinária Art. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Portanto. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes .status constitucional. 69. 69. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Não varia. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. por uma questão de economia legislativa. a previsão constitucional exige complementação. Essa aprovação não é obrigatória. No caso da prisão civil por dívida. Anotar como complemento posteriormente. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental).☺Art. Reservada pela CR/88. Leis delegadas. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. mas somente uma recomendação. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Por ser uma matéria reservada. MPs. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). por isso não entendo como pode tamanho formalismo. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art.

A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. • União – ☺Arts. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. • Estado – ☺Art. 16 . a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. Parei aqui. conforme previsto no art. 25. 30 (assunto de interesse local). Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. há hierarquia. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art.: lei estadual trata de matéria de competência da União). 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Assim. E. no caso de repartição vertical. como o controle exercido será de constitucionalidade. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). DF). 102. CR. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). Assim. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. a competência para resolução é do STF. assim. III. Hierarquia entre Lei Federal. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). ☺Art. não cabe ADIN. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. 21. pois não está ligada diretamente à Constituição. d. Havendo conflito (ex.

. . tem função interpretativa). Como não tem caráter normativo. mas também o preâmbulo. Tirando o preâmbulo. contudo. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. Abrangeria não somente a constituição. Assim. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). ou seja. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. portanto. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. os TI de direitos humanos. quando são equivalentes às EC. etc. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. é diretriz hermenêutica. o CDC. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. Não existe.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). Com a EC/45. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. seja uma norma de referência para ele. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. . todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. b) Parte permanente = normas gerais – arts. Refere-se. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância).Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. 17 . deve estar inserida no texto da CR. como para Canotilho. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. visando assegurar a supremacia da constituição. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional.

Ex. Aqui. Dependem do prisma de observação.de princípio programático. §1º. e Não Bastante em Si. pois. 5. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. No STF. A omissão parcial nada mais é que uma ação. art. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. Pode ser: . não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. 61. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. 3. não será cabível mandado de injunção. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. 3. não pode ser suprido pela sua sanção). b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. 154. ADC e ADPF. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . ocorre.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato).: competência privativa do PR (☺art. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. ou seja. CR). se considerar em relação a uma expressão é total. Assim. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. MI. AIO. I – que exige LC para instituir impostos residuais). ADI.de princípio institutivo (Obs.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. quando não é respeitada uma norma de competência. Obs.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Não Auto-aplicável.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Formas de Inconstitucionalidade: 3. há uma divergência na doutrina. mas caberá ADIN por omissão). às vezes. mas o prof. Assim.: a Súm. 18 .Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). Ou seja. Ex. o Min. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. Ex. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. as Súm. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). 3. ou seja. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. . STF não é mais aplicada.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. (Obs. aliás. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. 4 e 5.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. . Não Auto-executável. 5° a 17).

No caso da lei. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. ou seja. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. decretos regulamentares. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88).1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. de ofício ou a requerimento da parte. Obs. a inconstitucionalidade será indireta. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. b. ato originariamente constitucional. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). que só pode atingir todo artigo. a inconstitucionalidade será direta. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. Assim. refere-se.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. aos Atos Normativos Primários. já sendo inconstitucional desde a sua origem. o decreto se torna inconstitucional. reflexamente (ou de maneira 19 . pode ser questionado. não pode ser retirada). Ex. atos previstos no art. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. como altera sentido do texto. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. pois. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. Segundo STF.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. § 2°). que se ligam indiretamente à constituição. Pode ser: b. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. CR. todo parágrafo. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. 3. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. não se trata de revogação. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). mas sim de não recepção! (18/02/09) 3.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. no controle concentrado abstrato. Quando se fala em inconstitucionalidade. Relaciona-se. 66. toda alínea ou todo inciso (☺art.: a palavra “não”. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. Ex. Se o decreto é ilegal. Para o prof. 59. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. No caso do decreto. ou seja. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. e grande parte da doutrina. o que houve foi um desrespeito à Constituição.

ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. O veto é relativo. portanto. porque o chefe do PE. é excepcional. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). inciso ou alínea). CR. IV . segundo o STF. . como pelo PE e PJ: . tem fundamento de validade indireto.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. . Obs. que se exerce através do veto (☺art. Caso contrário.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). 60 parag 4. Trata se de um controle incidental. é fundamento de validade direto e no 2° caso. prevenir que a CR seja violada. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O único legitimado para impetrar esse MS.sancionar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. já que de maneira indireta. por isso aqui não há que se falar em controle). Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. assim. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. No 1° caso. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). a inconstitucionalidade será direta.. não pode impetrar o MS. o projeto 20 . OBS: não adianta decorar o nome do ato. mas sim analisar cada caso concreto. embora participe do processo legislativo.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. ela não está violando o direito de ninguém). pois pode ser derrubado (☺art. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. quando ele participa do processo legislativo. ele não precisaria impetrar o MS. 66. Art. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. 66. promulgar e fazer publicar as leis. porque ele é o único que participa do processo legislativo. viola o art. 84.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. mas uma mera análise política. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. parágrafo. O veto tem que ser expresso. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. por isso ocorre antes da promulgação da lei.ou concreto. CR). quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). §2º. EX:art. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. 84. se ele entender que o projeto é inconstitucional. IV. O chefe do PE. porque o ato não fere diretamente a CR). a inconstitucionalidade é indireta. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda.

que. No entanto. os direitos e garantias individuais” – ou seja. vedando-se. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. pois não se trata de ato normativo. aos direitos fundamentais”. pode ajuizar uma ADI. Na verdade.. Leitura do livro do Lenza (pág. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. vinculam os atos e procedimentos legislativos. 68. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. contudo. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. 168): o STF. 49. interpretações regimentais. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. que entende que “. secreto. ADC ou ADPF. mormente. V . decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. ☺art. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. e as normas do RI são questões interna corporis). por maioria de votos. 60. não lhe cabendo. Legislativo? Sim. a fim de repará-la. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. etc. V. já que trata-se de um ato normativo. o PR elaborará então a LD. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. se na Assembléia Legislativa. a separação dos poderes. somente o Deputado Estadual. mas um processo legislativo constitucional. muito embora não sejam formalmente constitucionais. 21 . as cláusulas pétreas. em um primeiro momento. universal e periódico. §4º. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. o Senador.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. Assim. na linha do voto de Gilmar Mendes. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . se está no Senado. CR. desta feita. o voto direto. na qual o projeto esteja tramitando. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. tendo como objeto esse Dec. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. Se o projeto tramita na CD.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. que é o chamado Decreto Legislativo. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. Ademais.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas..se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. Questão: o PR. ou seja. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). quem tem legitimidade é apenas o Deputado. constituindo-se normas constitucionais interpostas. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR).

tampouco que o PR. nesse caso o CN pode editar um Dec.084). quando.. IV.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. Ele será. mas segundo o Min. ela deve ser objeto de controle.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. segundo o STF? Resposta: em regra. O TC é órgão auxiliar do PL (art. 84. ou seja. simultaneamente. Assim. ao fazer um Decreto Regulamentar. o chefe do PE teria que. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. Antes da CR/88. exorbita os limites do Poder Regulamentar. 71. .. No entanto. esse rol foi ampliado. STF: o Tribunal de Contas. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). Mas isso não pode ocorrer indefinidamente.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle.. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. Após a CR/88. mas tão somente aos prefeitos. estudado de forma detalhada a seguir. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. é necessário fazer-se um controle repressivo). Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. CR). ao negar cumprimento à lei. não havia relevância alguma). Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Desde já. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). no exercício de suas atribuições. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. porém. pode o PJ analisar tais pressupostos. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. pois. 4. através da edição de um Decreto. já no STJ não há qualquer ressalva. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). nesse caso. Legislativo para sustar. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . Apenas excepcionalmente. . não é um entendimento consolidado. O chefe do PE (e só ele – PR. ajuizar uma ADI. clara e evidente – ou seja. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. GE. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Gilmar Mendes. III) Súmula 347. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. CR). quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). por ex. 62. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. Obs. Não se analisa o mérito da MP). II) art. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público.

órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). É conhecido como Sistema norte-americano de controle. difuso e concentrado). b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. já foram feitas 56 EC! 23 .: na Suíça. interessante: em 1965. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. isso não é verdade. já na CR/88. dentro de sua competência.: França – que tem o Conselho Constitucional. com 19 anos de Constituição. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). em 1920 (bem depois do controle difuso). Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo.A. Primeiro caso. Segundo caso. se se tratar de lei local. Por isso. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. mas das espécies de controle. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. ou seja. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). Por isso. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). em 1803.S. 4. em se tratando de lei nacional. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). o controle é feito pelo PL. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. inclusive o STF). Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). No Brasil.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. para não gerar essa confusão. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. porque surgiu na Áustria. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). 1792 Hayburn s case. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. porque significam coisas diferentes!).Hilton x U. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. É também chamado de controle aberto. e é adotado pela maioria dos países europeus. porque surgiu nos EUA. que completa este ano 20. Obs. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. ao mesmo tempo. quem exerce o controle é o PJ.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. haviam sido feitas apenas 16 EC. Ex. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto.

é proteger as normas da CR. No Brasil. também não podem ser objeto de controle abstrato. mas tão somente de controle concreto. Gilmar Mendes. e a partir desse antecedente. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Por isso o Min. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. ou seja. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. nos EUA chamado de “Binding Effect”. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. O efeito vertical. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. (O STF é o guardião da CR – art. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. A finalidade não se confunde com a competência. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Este efeito é típico do controle abstrato. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. mas deve ser estendido ao controle concreto). o principal defensor dessa tendência é o Min. já não ameaça mais a supremacia da constituição. Da mesma forma. por ser uma relação vertical. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. Segundo este instituto. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. se fala em efeito vertical. A análise da lei sempre será feita em tese. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Com base nesse argumento. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). porque em estando revogada. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. No direito brasileiro. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. ou tendência de verticalização. sendo o controle 24 . O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. 97. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. 102. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4.

Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. em seu voto. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF.917/SP. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. Assim. e não erga omnes. ou seja. 52. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). segundo ele. E. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. que deu provimento à reclamação. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. houve decisões proferidas em 3 MI (712.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. viola o princípio da igualdade. Por fim. Na decisão do STF. Assim. ou seja. Gilmar Mendes. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. ou seja. X. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. Gilmar Mendes (e também o Min. como a decisão tem efeitos inter partes. não uma simples mutação. No Acre. sem que ocorra modificação no seu texto.959/SP. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. Não houve reclamação quanto a essa decisão. em ocorrendo isso. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Eros Grau. tendo efeito apenas inter partes. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. ou seja. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. então não sabemos a posição dos demais ministros. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). se assim fosse. o Min. pelo menos por parte de alguns ministros. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. 4. Então o Min. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. o direito de greve dos servidores públicos. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. O Relator da Reclamação foi o Min. 25 . não permite essa mutação). do PL. Outra situação interessante foi o RE 197. Gilmar Mendes. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Antes. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. CR. ainda. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. Pois no controle difuso.335/AC). sendo acompanhado pelo Min. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. não há necessidade da suspensão pelo Senado. No Legislativo: Mas. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. Por fim. Então. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. há essa tendência de abstrativização do controle concreto.

mas apenas a causa de pedir (antecedente). O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. No controle concreto. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. por estarem mais próximos dos indivíduos. julgando-o procedente ou improcedente. 102. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. eles não se reúnem fisicamente. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. Num segundo momento (conseqüente). A súmula vinculante tem natureza constitucional. fundamentação e dispositivo. não tem natureza processual como as súmulas comuns.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. estão os procedimentalistas.art. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão.418/06). social. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. (☺ Lei 11. a rigor. o que se dá no “plenário virtual”. 26 . é uma questão incidental. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. não precisam chegar até o STF. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. Segundo Eduardo Appio. pois tem o papel de guardião da Constituição. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. não cabe ao STF analisar. por sua vez. concorda com isso). A repercussão geral (art. somando-se os votos de todos eles. político ou jurídico. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. § 3°. é um instrumento de controle concreto e há. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Contrários a essa tendência de abstrativização. não é o objeto principal do pedido.417/0 e Lei 11. O papel do STF não é julgar litígios individuais. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. analisado no dispositivo (conseqüente). Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. 103-A). Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. O RE. ou seja. atualmente.

Lei 9. . O próprio STF já proferiu decisões divergentes. sejam poderes públicos. mas também à fundamentação. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. . o efeito vinculante atinge as normas paralelas. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. questões ditas de passagem. 5. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.Lei 9. Ademais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. ou seja. . mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. art.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). não determinantes para a decisão) não vinculam. e ele se encontra no Dispositivo. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos.882/99 – ADPF. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. 28. a razão determinante da decisão. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. 102. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. art. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. Sendo assim. conforme está previsto no caput do art.: . eles também são vinculantes.vinculante. Dispositivo L.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. . Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . mas tão somente a ratio decidendi. . a chamada eficácia vinculante. P.I. Mas não é tudo da fundamentação que vincula.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: .U.EC 45/04: art. secundárias do julgado. sejam particulares.868/99 – Lei da ADI e da ADC. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. há previsão não só na lei como também na CR). CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. 27 . Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.erga omnes . §2º. 102. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. 10.

Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. (20/03/09) 5. outros dizem ser nulo. pode modificar seu entendimento. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. como a coisa julgada.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. estadual e municipal).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . Por este entendimento. . que se quiser. também fica vinculado). estes estarão sim vinculados). mas os sistemas de preclusão processual. É um entendimento que vem desde 1. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. 28 . como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. a função legislativa). Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. impedida de evoluir). Só atinge a norma impugnada. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. até que o PJ a declare inconstitucional. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. . inclusive o Tribunal de Contas. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. já os órgãos fracionários do STF. .o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal.o PL (na verdade. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis).803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. . mas sim fiscalizatória. e outros dizem ser um ato anulável. No entanto.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. Obs. Respeitando o efeito vinculante. pois atinge apenas o dispositivo. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. . cuja função não é legislativa. suas turmas e seus ministros. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. se as leis devem ser cumpridas. segundo o prof. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. inclusive os chefes do PE. por sua vez. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. mesmo que não tenham sido impugnadas. no caso Marbury x Madison).

por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. ☺art. portanto. como regra é retroativo: ex tunc. autor e réu. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. 27. Visto a natureza do ato inconstitucional. ☺RE 197. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. por questão de segurança jurídica. O STF. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. . poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). Neste caso. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). não admite a “constitucionalização superveniente”.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. 27).917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos...112/90. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Exs. que revogou a Lei A. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração.” . assim. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. como a Lei 9. etc. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). os efeitos são erga omnes). ou 2) excepcional interesse social. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. o Min. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). e não no de não-recepção).Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. com inteiro teor). no caso do controle abstrato. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. porque o ato é nulo desde a sua origem. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). o STF.Normas anteriores à CR. portanto. Assim. Lei 9. o efeito que produzirá. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. Ou seja. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. 11). de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. com seus normais efeitos ex tunc. como os servidores agiram de boa-fé. não precisariam deixar os cargos. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade.868/92 (art.). uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. .882/92 (art.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. poderá o STF.)”. decidiu que. Mas. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade.

desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR.: a norma x tem dois significados possíveis. quanto . e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. Ex.Corresponde a um juízo de . (A norma já passou pelo crivo da constituição. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. de fato. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. Segundo o STF. assim. mas sua interpretação). com condições de trabalho iguais às do MP. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. depois de ter sido recepcionada. Em alguns casos. um significado A e um B. CR x art. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. . pelo MP – a competência é da DP e não do MP. quando todos os Estados tiverem DP.2: art. evitando a inconstitucionalidade progressiva. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). com um só sentido). portanto. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . e a norma já foi recepcionada pela CR e. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. à medida que a situação fática for alterada. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. chamada “Apelo ao Legislador”. 134. . portanto foi recepcionada.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. ex. não foram todos os ministros que se manifestaram). o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional.O Tribunal precisaria observar . ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. ela progressivamente se tornará inconstitucional). que trata da ação de reparação ex delicto.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). Ex. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. 68. controle difuso-concreto. CPP. mas nem sempre. o prof.Corresponde a um juízo de . o resultado será o mesmo. era uma questão “obter dictum”. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. 5. para que este corrija a norma. constitucionalidade. reproduzida pelo STF). mas. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países).O Tribunal não precisaria 30 . portanto. Assim.

É permitida uma interpretação e. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. e são permitidas as demais. declarar a inconstitucionalidade. O STF. 2º for dependente do art. mesmo que não tenha sido questionado.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. . são excluídas as demais. 2º. Ocorre que. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. total ou parcialmente.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. nem sobre os demais. ou seja.É excluída uma determinada interpretação. Assim. no controle concreto. . Trata-se de controle abstrato. no controle concreto.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. 1º e 3º. . O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. se o art. 2º.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. b. b) Com redução de texto: b. portanto. dentro de uma mesma lei). .: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). desde que não altere o sentido do restante da norma. o juiz pode. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. da Lei x. de ofício. no controle abstrato. (*) Para o STF. portanto. . ou todo o artigo. como ambas são equivalentes. em princípio. o juiz não pode. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo.É uma técnica de decisão judicial. o texto da norma. 2º. Na declaração com redução de texto. a cláusula de reserva de plenário. esta só se faz necessária quando se afasta. 97). do art. 1º e 3º e. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. não podendo. Obs. 1º ou do art. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. observar a cláusula da reserva de plenário (*). em razão do Princípio da inércia. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). se for um dispositivo autônomo.Não há qualquer modificação no texto da norma. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. 3º. . . a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. não poderá. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. por arrastamento. em regra. de ofício. se manifestar de ofício sobre o art. ser objeto de ADI. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os).

A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. de ofício. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. No Brasil. O dispositivo. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. todo controle difuso é concreto. Ex. portanto. julga também inconstitucional o decreto. porque.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. mas apenas a causa de pedir. já que o STF pode. julgará procedente ou improcedente o pedido. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. apesar de sozinho não ter aplicação. pois será uma questão discutida incidentalmente. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. e por arrastamento. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). Ou seja. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). O pedido será a proteção de direitos. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. mas é que esta não é necessária. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Sobre o tema: 32 . Assim. Contudo. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. portanto. dentre elas a ACP. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. Neste caso. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. Mas nem todo controle concreto é difuso. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. ACP para fechamento dos bingos. Obs. neste caso. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. ADCe ADPF). mas também quando há usurpação da competência do STF).

as chamadas leis de efeitos concretos. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). XI – órgão especial: para que seja criado. 97.159. que é função política.. Os juízes singulares podem. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. conseqüentemente. dotada de caráter de universalidade e abstração”. Assim. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. STJ ☺ RE 227. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. não pode ser delegada.646. 294. teremos uma lei material. No tocante. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. 557. elaboração de Regimento Interno. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. porém. Assim. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. o que só se pode obter por meio de ADI. Segundo esta cláusula. no âmbito dos Tribunais. também não pode ser delegada). seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. que é função legislativa.022. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. porém. 93. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. e no mínimo 11 membros. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. de efeitos concretos. que é mais de 50% dos presentes). Em outras palavras. Regra da “full bench”. é função possível de ser delegada.: eleição do Presidente do tribunal. 33 . 97. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. Nada impede. por meio da ACP. por entendê-la inconstitucional (inter partes). na prática. porém. pois. STJ ☺ Resp. em defesa de contribuintes. no caso. os Tribunais não têm admitido que. ☺art. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). desde que. por ex. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). Assim. assim. por exemplo. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial.

Decidido o antecedente. analisando se a lei é ou não compatível com a CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. sabe-se que o STF é o guardião da CR. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. assim. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. Assim. se entender que a lei é inconstitucional. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). . como guardião da CR. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. se for acolhida. de acordo com o posicionamento do STF. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese.U. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. ☺art.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). ele não poderá declarar a inconstitucionalidade.. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. 97. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. CPC) seria inconstitucional: o art. prosseguirá o julgamento.. 481.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. abstratamente. se existir no Tribunal. será lavrado o acórdão. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). a argüição de inconstitucionalidade (. Exceções: P. 481. P. sob o argumento de que o dispositivo (art. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. porque para o STF ambas são equivalentes. Quanto à 2ª exceção. podendo decidir o caso concreto. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). Há uma repartição funcional de competências. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. 34 . b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. ou em caso de interpretação conforme. Há quem critique tais exceções. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF.U. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). no entanto. O professor não concorda. ao órgão especial).. pela maioria dos seus membros. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”.

c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. 2) Outros autores. É o entendimento mais correto. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. sustentam que o efeito é ex tunc. A suspensão se dá através de uma Resolução. ou seja. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. não estando vinculado à decisão do STF. Ou seja. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. a lei deixa de ser aplicada. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. X. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. Outros autores. passa a ter efeito erga omnes. quando isso ocorre.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. por isso o faz dali em diante. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. em regra. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. que não pode ser retroativa. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. O SF não é obrigado a suspender. se assim o fosse ela já seria vinculante). art. no todo ou em parte. Ademais. entendem que se trata de um ato discricionário. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 178. como se tratasse de uma revogação. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). pode fazê-lo se quiser e quando quiser. 52. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. Na verdade. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. Efeitos. 35 . que não comporta delegação. ela se refere à decisão do STF. RISTF. O STF já admitia essas duas exceções. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. o SF não pode suspender toda a lei. portanto. bem como ou STF. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. esta decisão deve ser submetida ao plenário. A cláusula vale também para o controle concentrado. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. O SF apenas suspende a lei. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. trata-se de uma competência exclusiva. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. CR – compete privativamente ao SF suspender. a decisão do STF. Quando o SF suspende a lei.

devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. cujo modelo. CR. ou seja. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. Art. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . pela simetria deve ser atribuída ao governador. e se o STF. Por isso. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. 57. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. Na ADPF este fenômeno também é possível. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Art. se for apenas uma parte. a resposta é negativa. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. Segundo o STF. RISTF) – e isso é óbvio. Ressalta que a letra da norma (art. 52. um RE para o STF. por ser um órgão do PL Federal. esta norma não é de observância obrigatória. normas referentes ao TCU. mas. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). cabe. §4°. Nas situações em que o TJ julga. a partir do momento que resolve fazê-lo. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. Gilmar Mendes. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. requisitos para a criação de CPI. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. 61: iniciativa do presidente. É uma construção da jurisprudência do STF. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). configuraria uma mutação constitucional. CR) não comporta este entendimento. o que. já o SF não. O SF. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. sendo norma de observância obrigatória. 178. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. LO. etc. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. LC. não havendo a necessidade de suspensão da lei. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. desta decisão proferida pelo TJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. está fazendo uma análise. Mas. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. não se referem ao âmbito estadual e municipal. obrigatoriamente. em razão do princípio da simetria. se toda a lei foi declarada inconstitucional. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. já que o SF não atua de forma correta. Segundo o professor. CR: prevê o escrutínio secreto. no controle difuso-concreto. segundo o Min. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Neste caso. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. deve-se recorrer ao entendimento do STF. 66. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. 59 e segs. esse entendimento é desejável. Quando se fala em decisão definitiva do STF.

etc. por não existir uma federação de municípios. Sabe-se.: arts. portanto. se aplicando ao âmbito federal. porém. estadual. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. assim. CR). Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). quando o SF atua. está defendendo interesses apenas da União. 37. visto que. 52. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. ele está atuando como órgão de caráter nacional. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). só se aplicando ao âmbito federal). pelo Senado Federal. os que tratam do TCU. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. por isso pode suspender lei estadual e municipal. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse.: CTN. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. Ex. 58. outros 37 .). como aos Estados. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. Ex. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. art. também. retirando a lei do ordenamento jurídico. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. da organização da União. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. X. que deve ser observado no âmbito federal. distrital e municipal). do DF e até municipais. 19.” Análise do enunciado pelo prof. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. mas não trata apenas dos interesses da União. a suspensão. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. o SF teria um número enorme de representantes). ADC ou ADPF). Assim. 59. por isso pode suspender leis também dos Estados. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. sendo específica para os servidores públicos civis da União. Quando o SF suspende os efeitos da lei. não havendo.: Lei 8. São os dispositivos que se referem tanto à União. Quando o SF atua como órgão federal. Ex. É também uma lei emanada do CN. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. Ex. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. Classificação de Osvaldo Aranha B. estadual e municipal. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal.: art. no controle abstrato (ADI. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). no todo ou em parte. §3º.

Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). adotou-se. não retroativos).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. visto que. é a AL que suspende a lei. os dois tipos são constitucionais. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). de fato. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos).346. TO. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . é sempre a AL que suspende a lei. SE e AM. declarando uma lei inconstitucional. porque o seu parâmetro não é a CR. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). Segundo o STF. . o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. Poderá. no âmbito da AP Federal. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. Entretanto.346. na sua esfera de competência. então. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. Com efeito. RN. da AP Federal direta e indireta. é a Câmara Municipal. Embora não haja consenso. 38 . Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. por força do referido Decreto nº 2. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). o enunciado acima transcrito está corretíssimo. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. em decisão definitiva. pró-ativos (ex nunc). de 10/10/1997. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. MS. 2º grupo: . a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. visto que. Portanto.

salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. de acordo com essas leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. onde não existem partes formais (autor e réu). mas sim legitimados. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. tendo partes – autor e réu. ou na CR ou na lei. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). . não cabe. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. . deve haver a previsão da legitimidade. Obs. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. obviamente. 4) Recurso da decisão de mérito. e .2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. ela é meramente jurisprudencial). Como são ações de controle abstrato. e não do trânsito em julgado. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.ADC. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto.ADPF. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). a ampla defesa. o duplo grau de jurisdição. a competência é do TJ). se concentra em apenas um Tribunal – o STF. 103. Por se tratar de um processo de índole objetiva. 39 . → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . 5) Ação rescisória. A Constituição. em seu art.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. ☺Lei 9. que são a União e os Estados).

Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Executivo PR GE – GDF P. a partir de então.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). confederação local: sindicato.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF..Confederação sindical significa de âmbito federal. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). CS e ECAN. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. .: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.A entidade de classe. segundo a jurisprudência do STF: . .Os GE. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).A norma do art. .S. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). . Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. . A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. Assim. . .: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. ou seja. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. Obs. Os demais podem fazê-lo sem advogado. Para ter âmbito nacional. para ter legitimidade. . confederação regional: F. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.

as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). 102. como por ex. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. 41 . I. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. o RI pode. Lei 9. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). OBS. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. .: decreto regulamentar do PR. Não serão objeto de ADI e ADC. .☺art. pois geralmente está abaixo do decreto. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. são questões próprias de RI. para ser objeto de ADC e ADI. ele poderá ser objeto. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. decreto regulamentar. nas normas que tratam de outra matéria). estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. . todas estão no mesmo nível. por isso não é ANP). ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. caso o decreto emane diretamente da CR. a. 1º.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. direitos e garantias fundamentais. Ex.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). a. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. ou seja.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis.Norma formalmente constitucional . ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. sem interferência do PJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . §3º .: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. geral e abstrato. admite-se o seu controle. 102. 5º. I.TIDH (3/5 e 2T) . Obs. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).

PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. 42 . PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). Hoje. ou seja. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. intervenção de terceiros e recursos.Súmula.leis revogadas. . CR. 103. § 3° é uma função especial. . de defensor legis. Assim. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. ainda. No caso de emenda.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . A função do art. pois não produzem mais efeitos. posteriores a 5/10/88. segundo o STF. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. Lembrar que não cabe assistência. ainda que ele proponha a ação – ou seja. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. leis suspensas pelo SF. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Tem status de ministro de estado. não pode ser objeto de ADPF: . ele vai atuar como fiscal da Constituição. devendo ser de todos eles intimado. por analogia. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). sem exceção. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. salvo embargos de declaração. Função geral do AGU (art. 103.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. Atuação do AGU: ☺art. Gilmar Mendes e de um prof. da mesma forma na ADPF. 103. é preciso primeiro ser transformado em EC). na outra. se seu entendimento for diverso. como está havendo uma influência de um controle no outro. Obs. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. STF). Lei do DF não pode objeto de ADC. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. Mas. se um novo PGR o substituir. Atuação do PGR: ☺art. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. §1º. não ameaça mais a supremacia constitucional. §3º. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. só podendo ser objeto de controle difuso. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. também poderá dar parecer em sentido contrário. e. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. portanto está subordinado ao PR. CR. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto).: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. o STF admitiu. medidas provisórias revogadas. O PGR atua como “custus constitutionis”. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. pode ser qualquer ato do poder público.

*Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei.868.868/99 vale só para a ADI. Na ADI por omissão. o das audiências públicas. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. 9. Na ADPF. §2º da Lei 9. A exposição dos motivos da Lei 9. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. 31). . que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). por fim. 6º. art. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. §2º e art. sendo feita por toda a sociedade. Ele não é alguém interessado na causa. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. Importante: ainda que como Advogado da União. disciplinou a figura. Foi introduzida pela Lei 6. portanto. Não há previsão para a ADC e ADPF. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. mas não têm nada haver com amicus curiae. em seu art. 482. só vai contribuir para a decisão do tribunal. seria “amigo do tribunal”. Cabe também na ADPF. art. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis).868/99 -☺art. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. Posteriormente. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. 43 . Ela já existia antes. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado).868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. §1º e art. Portanto. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). §1º.868. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. É muito comum nos tribunais internacionais. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. 7°. de “defensor legis” e.868. Quando o AGU desempenha essa função. Nesse caso. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Mas atenção: existe um outro instituto. por analogia. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. não precisará do AGU para defendê-la. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Está desempenhando uma função especial. 89. não há o que se defender. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. A previsão expressamente contida no art. 7º. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. o AGU até poderia participar.884/94 (CADE). Mesmo sem previsão legal. §3º. em especial no direito norte-americano. ☺ art. 20. nos estados que adotam a commum low. Tem natureza de auxiliar do juízo. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. “amigo da corte”. a Lei 8. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). §1º. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. Amicus Curiae: Em uma tradução.385/73 (☺ art. 7º. A audiência pública está prevista na Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). o AGU não será obrigado a defender a lei.

pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. em despacho irrecorrível. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min.. I. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Gracie). portanto. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. (Obs. cabe amicus curiae. Barbosa e E. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica.868/99.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. segundo o professor.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. O STF ainda tem exigido pertinência temática. porque iria envolver matéria em relação à vida. J. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. . ressalta-se que esta é apenas relativa. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Para o prof. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. Aurélio. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Quando 44 . por ex. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator.Com relação à presunção de constitucionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Lewandowski. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. admitindo prova em contrário. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. “a”. Apesar de que era relevante. Lei 9. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. R. ou seja.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos).102. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. . Marco Aurélio não admitiu. Mello. pois admitiu pessoa física em controle concreto. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. poderia afastar esta presunção. autor e réu.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Foi uma exceção.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. ou seja. Surgiu com a EC/03. Obs. é um equívoco. M. É. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Mas depois que a lei foi feita. não tendo partes. seria uma exceção). Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. . O juiz de primeiro grau. admitindo ser intervenção de terceiros (C. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. a mais correta.

por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). III).869/99. Gilmar Mendes. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. . 34. nas outras ações ela também poderá ocorrer). neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. Segundo a doutrina.868/99.Princípios Constitucionais. II. .21. ADPF: ☺ Art. não há que se declarar uma lei constitucional). que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. Como visto. Portanto. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF.Cláusulas Pétreas. art. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). .882/99. no entanto. P.868/99. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. 14. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental.Título I: Princípios Fundamentais. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. em seu art.U.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. nos quais a lei esteja sendo discutida.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. o FHC ajuizou ADC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC.14.Princípios Constitucionais Sensíveis.102.Cláusulas Pétreas. e . exige como requisito para o ajuizamento da ADC. Cabe prorrogação. O STF admitiu ☺Informativo 518.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. é mais restrito: somente a violação. . e . 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). art. O parâmetro. a Lei 9. . Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. portanto. §1º. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. os preceitos fundamentais são: . Mas. VII). Não é uma ação de inconstitucionalidade. 45 .). na ADPF 33: . .Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. inclusive o Poder Executivo. Através do AGU. CR e Lei 9.

as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. 4°. dentro do órgão judiciário). deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. P. os legitimados podem levar não todo o processo. Incluindo-se. leva a questão ao STF através de ADPF. na ADPF. dentro do mesmo tribunal. como guardião da CR. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). neste rol. 196 e ao meio ambiente. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido.882/99. 46 . Ex. podendo ser um meio de controle difuso. embora seja bastante difícil existir esse meio). Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). Obs. apenas o STF. estadual e municipal. Aqui. Um dos legitimados. Art. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma.U.: gestante com feto com acrania. Mas se algum dos legitimados souber da ação.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Segundo Neri da Silveira. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. embora lá há uma vinculação horizontal. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Proposta diretamente no STF. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. O objeto pode ser da esfera federal. art. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. ou seja. 1º. ainda. Ela vai ao juiz de primeiro grau.: surge a partir de um caso concreto. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. § 1° da lei 9. a vinculação é vertical.882/99). 1º. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. Características: . Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9.

h). por ex. V). em se tratando de órgão administrativo. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. TSE/TER (art. § 4°. STJ (art.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Obs. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . No entanto. mas a converteu em ADI. ADC e ADPF (art. É a mesma da ADI.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.Admite-se a fungibilidade. 129. II e III). em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. nas CE ou em lei federal). (O órgão tem que ter competência determinada na CR. 5°. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria.. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). o STF transforma a ADPF em ADI. 105. . . É controle concreto. I. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. 102.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). § 2º . 47 . .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . LXXI .: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. coletivos e individuais indisponíveis (art. 121.CR: STF (art. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). É controle abstrato. I. para fazê-lo em trinta dias”. . O STF admitiu a ADPF. Assegurar a efetividade de suas normas.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. à soberania e à cidadania). 5°. 103. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. à soberania e à cidadania”. q). Ex. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.

fundamentais em face do Estado. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. recentemente. . mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. competente de sua omissão (em regra. ECAN e associação c/ 1 ano). já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. público: MI protege dir. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. 5º. portanto não podem impetrar MI. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. não pode concretizar a norma. Mas atenção. ou seja. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. no entanto. Há. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Órgãos públicos. autores que admitem. entes federativos e PJ dir. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. mas esse prazo era direito. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente.: na ADI 3682 b. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. ou seja. O STF. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. não pode fazer a norma para o caso concreto. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. concretize a norma (faça a norma concreta). mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . apenas razoável e não peremptório. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. Se o PL) e. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). Obs. organização sindical. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). mudou seu posicionamento. Recentemente. portanto. em se tratando de órgão da AP.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. LXX: PP c/ CN. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos.MI Coletivo: o STF o tem admitido. é b) Concretista: concretiza a norma. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão.

VII). a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. CR (provimento. pelo STF. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. ou seja. 652. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. 49 . Recentemente. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). nestes casos de omissão parcial. a intervenção é uma exceção (a União não pode. O STF adotou essa corrente no MI 232. A omissão total não cabe MC. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. não cabe liminar (antes. ou seja. VI). De acordo com esta concepção. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. 36. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. Mesmo adotando a corrente concretista. intervir nos Estados). a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. criando uma norma geral e abstrata. ademais. III. No MI. como regra. 708 e 712). porque adotava a corrente não concretista). Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). 680. Portanto. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. Surge a partir do caso concreto. 34. A regra é o principio da não-intervenção. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. 2. 34. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. porque nem a AIO tem esse poder. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte.040). A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. ou seja. em um primeiro momento. Essa corrente é bastante criticada. o STF está atuando como legislador positivo. Ela se subdivide em – geral e individual. O efeito seria apenas inter partes. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. e 2) recusa à execução de lei federal (art. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. o PJ. ao mesmo tempo. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto.

já que o TJ não estará julgando um caso concreto. Esta forma não foi prevista na CR. ☺art. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. se o STF der provimento à representação do PGR. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. §3º. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. e sim em face da CR. CR). 36. CR. nem no RISTF. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. é claro. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). mas que surge a partir de um caso concreto. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. 50 . É dispensada a apreciação política pelo PL. ☺art. foi uma criação da jurisprudência do STF. § 1°. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). Trata-se de um controle concentrado e abstrato. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. portanto. OBS. CR. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. O STF é o guardião da CR. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. mas sim. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. se violados. O parâmetro aqui é mais amplo. da ADPF). §2º. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. 614. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. além. no âmbito federal). que é o pressuposto para a representação interventiva. Isto está previsto no art. O RE. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. 35. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). 125. IV. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). STF). As partes aqui são o Estado e o Município. no âmbito do TJ. 127. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). o PR então poderá decretar a intervenção. CR. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato.

A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. que formulou esta teoria no fim do Séc. em nome do povo. É ele um titular passivo. Obs. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. a vontade do constituinte é a vontade do povo. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. um dos precursores dessa doutrina. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. o exercício dessa magna prerrogativa. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Bonavides. Está acima do direito positivo. é a nação. expressa por meio de seus representantes. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. em alguns casos. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. Schmitt). distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. Na 1ª etapa. social e juridicamente organizado. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. que é sempre superior aos poderes constituídos. Assim. cria o Estado. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. C. editando a nova Constituição. retira sua força do direito natural. Assim. ou seja. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. segundo o Abade Sieyès.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. porém. Modernamente. pois o Estado decorre da soberania popular. pode usurpar do povo a titularidade do poder. analisa-se se o poder é legítimo ou não. que deve observar o direito natural. corroborando essa perspectiva. Celso de Mello. segundo o abade Emmanuel Sieyès. XVIII). ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. por delegação popular. São apenas órgãos aos quais se atribui. que. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Portanto. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Para os jusnaturalistas. mas jamais é quem o exerce. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação.

no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Revolucionário . Portanto. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.Revisor (art. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. para ser considerado legítimo. Obs. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. 60. 25.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. por conseguinte. há legitimidade objetiva. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . 11. se esta correspondência existir o poder será legítimo. Assim. ADCT) .Formal .Histórico . CR) . ADCT. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . Espécies Tradicionais: .: o prof. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. já que o poder constituinte já é originário.Reformador (art. Dessa forma.Decorrente (art. que é seu verdadeiro titular. 3º. art. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder.Material . mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. correspondendo aos anseios daquela sociedade.

1967/69. Ex. que substituirá a anterior. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. não perde a titularidade do poder constituinte. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. ex. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. Obs. 1934.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. No plano axiológico. há alguns valores que são morais. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. GV). mas não a primeira e sim uma nova.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. O povo é o titular do PCOM. ela nunca deixa de ser do povo. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. através de normas constitucionais. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. 1937. através da Constituição. 1946. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. 1988.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. Obs. No caso do Brasil. b) é um poder inalienável. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. é apenas uma classificação quanto ao momento. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição).: se é um poder autônomo e incondicionado.: este poder tem este nome porque para o Direito. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. No caso do Brasil. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. Apesar de ser um poder incondicionado. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. Obs. independente e soberano. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. O Abade Sieyes. 53 . ou seja. . mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. foi criado um direito natural). b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. a nenhum pré-requisito jurídico.

O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. por ex. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). Dentro desse limite. ele encontra limites no texto da CR. A partir do momento que a CR surge. na pena de morte. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. Ex. No caso da CR/88. no art. por se tratar de uma conquista da sociedade. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. Fábio Konder Comparato fala. O prof. A CR/88.. Não se trata de um limite jurídico. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. ficando um pouco relativizada. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. ☺art. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. 11 do ADCT. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. No entanto. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Esta AL. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Quando a CR consagra o art. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). mas meta jurídico (fora do direito). de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. 25. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. contudo. mas continua a existir como característica essencial deste poder. De acordo esse limite. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. a doutrina deduz deste art. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. 54 . B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. com os avanços da sociedade. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Obs. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. 25. não concorda muito com isso. Ainda que o estado seja soberano. observados os princípios estabelecidos na CR. Ex. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). na verdade. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. as constituições estaduais não são recepcionadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural.

no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. 58.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”.). A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . ou seja. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. . Se subdividem em: 55 . normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. CR. VII. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. que se estendem aos Estados. CR. 57. 27. 61. 34. por enquanto. Obs. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação.: presidencialismo x parlamentarismo). que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. Obs. são as normas de auto-organização da União. 58.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. . composição. 93.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. vedada a recondução. §4º não é norma de observância obrigatória). Há dois grupos: (art. § 3°). Segundo o STF.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. 59 e segs. §1º . 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). 75. Estão presentes no art. II) Implícitos: CPI (art. diferente dos extensíveis. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. V ???) I) Expressos na constituição: art. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. processo legislativo (art. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. são essas as normas de repetição obrigatória. §4º. mas foi uma decisão super apertada (6x5). 57. porque o art.: ☺art.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. § 1°.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. Mas. e o STF decidiu que não havia problema. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal).

é limitado.é condicionado. se for decretado o estado de defesa (art.).: art. cujo procedimento está previsto no art. 60. . no entanto. CR (é vedado à U. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. e se for decretado o estado de sítio (art. CR. 56 . II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. . uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. E.titularidade: é do povo. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. 19...O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. 136). Ex. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR..normas mandatórias: ex.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.: os arts. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional.não é inicial. uma limitação temporal para o poder revisor – art. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. 137).: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e.) – contém uma vedação expressa. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. .exercício: é pelo CN. . decorre da lei e não da força. 34). .A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. Ex. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. . ADCT). DF e M. 37. . . é conseqüente. em qualquer estado da Federação (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . .. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.normas vedatórias: ex. CR. . portanto. §1º.não é autônomo. 3°. 60. Trata-se de um poder previsto na CR e.: art. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. ou seja. portanto. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal.é um poder jurídico (e não de fato). mas é possível deduzi-las.

não veta. . apesar de não existir previsão expressa. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). assim. após a iniciativa. a PEC será discutida em cada casa do CN.A última limitação formal objetiva está prevista no art. que é o período de 4 anos do mandato do PR. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. também chamadas de implícitas. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. através da iniciativa popular (art. . . por fim. CR). no âmbito do PE. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. o STF e Tribunais Superiores. para que.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. 62. o PGR.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. é o de que o art. 60. 57 . por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. no entanto. §5º. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). . A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12.Além do PR. 61 é a regra geral de iniciativa. Ex. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. do SF ou do CN. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. No caso de projeto de lei. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. A Sessão legislativa (art. não promulga. GE. a PEC vai para a promulgação. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. sendo o art. 44. 60 (incisos I. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). CR. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. DF e DE.).Discutido e aprovado. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. . trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). 60. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. ela será chamada de extraordinária. no qual há 4 sessões legislativas.Feita a iniciativa. §2º). não pode haver emenda de emenda. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). proposta rejeitada no dia 15/01. .U. §10).A nossa Constituição é rígida. Obs. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. b) o entendimento majoritário da doutrina. 61. Este art. ademais. 60. II e III) uma exceção à regra geral. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. se a matéria for rejeitada. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). 67. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. . Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. ☺art. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. 60. no âmbito do MP. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. 61. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. §2º). também podem propor projeto de lei o povo. P. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. §3º. possamos usar o procedimento previsto no art. 61. no âmbito do PJ. ☺art. apenas o PR.

a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. c) Assegurar o processo democrático. . Esse entendimento foi retirado de um voto do Min.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. o que é universal é o direito de sufrágio. b) Preservar a identidade material da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. Expressas: ☺art. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. ademais. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. a). a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. mas sim. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. §4º. 150. 60.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. Ou seja. secreto. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. . o que é secreto é o escrutínio. São as chamadas cláusulas pétreas. c) Voto Direto. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. universal e periódico. pois. CR. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. o voto não é universal. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. o direito de participar das eleições. 58 . Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. As cláusulas pétreas são. Universal e Periódico: . A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. Curiosamente. segundo o STF. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Secreto. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). não é secreto. na verdade. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. que é o modo como se realiza o exercício do voto. VI. Se elas não existissem.

Mas o STF já considerou que o art. CP). Os direito fundamentais se encontram. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. Os demais direitos e garantias fundamentais. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. mas refere-se a uma reforma. (23/04/09) 2. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. todo o art. Lá estão as limitações ao poder reformador. posteriormente. em princípio. são CP. CR. por isso. III. como um todo. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. não seriam cláusulas pétreas. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. pois. por uma questão lógica. . que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. Chama-se dupla revisão. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . comportam diferentes interpretações. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. e não em direitos e garantias fundamentais. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). 5º. CR). desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. não alterando-o). Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. far-se-ia uma EC revogando o art. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Assim. 60 seria CP. que proíbe a pena de morte. 60. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. inclusive. é o art. sistematicamente. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. não o serem). Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele.: primeiro. 60. Obs. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. O art. para posterior alteração do conteúdo. 2º. Para ele. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR).: FGTS. CR. segundo a qual o art. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. não concorda. mas os demais não (ex.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. 60 poderia ser modificado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. pois seria uma forma da fraudar a constituição. e por conseqüência. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. dispostos do art. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito.Há quem defenda. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. A CR fala em direitos e garantias individuais. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. é CP. 150. Um exemplo. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. ADCT). Assim. que não é unânime na doutrina. não tem nada a ver com CP). b. §4º. Ex. ou. . sendo uma garantia individual.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. 5º. O prof. com a dignidade da pessoa humana.

5°. art. contados da promulgação da Constituição. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. excepcional e transitória de alteração da Constituição. A retroatividade mínima é automática. o STF tem entendimento unânime. em sentido formal. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). 3º. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. Revisão é a via extraordinária. não sendo um princípio absoluto. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. XXXVI.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. mas também emendas à constituição. 60. . CR). a constituição atinge prestações vencidas. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. Ex. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. em sessão unicameral. Ex. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). mas seus efeitos surgem após a constituição. 3º. A limitação imposta no art. não abrangendo apenas leis em sentido formal. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. portanto. ☺art. O direito adquirido pode ser relativizado. O ato ocorreu antes. mas ainda não pagas. b) Média: a retroatividade não é automática. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. Antes da CR/88. esse era o entendimento do STF. Com relação ao assunto acima. c) Máxima: a retroatividade não é automática. tem que haver previsão expressa na constituição. tem que haver previsão expressa na constituição. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. 3º. Ex. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. não abrange EC.

3º. ADCT. circunstanciais. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. 61 . §§1º e 4º). como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. Além disso. 60. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. e de forma geralmente mais extensa. especificamente. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

62

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

63

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

Esse método não é apenas sistemático. para o direito privado. e não isoladamente. e os valores fossem o seu espírito. Imagine a Constituição norte-americana. Não existe uma norma jurídica sozinha. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. como início e limite para a interpretação. Por isso. para o direito público. é também o limite para a interpretação. b) Histórico: no seu desdobramento. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. 52. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Constituição da República. Nele estão os valores supremos da sociedade. como todas as demais. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. X. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). esse método também é conhecido como método valorativo. aqueles desenvolvidos por Savigny. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. É o início de uma interpretação. entra o elemento histórico evolutivo. Além disso. 65 . sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. mas apenas valores: o preâmbulo. Toda norma está dentro de um sistema. Buscam os valores subjacentes à constituição. só tem alma. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. O texto da norma funciona. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. devido à complexidade da interpretação constitucional. portanto. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. esses elementos são insuficientes. É como se a norma fosse o corpo da constituição. eles são suficientes. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Por isso. Ela não tem normas jurídicas. partindo da idéia de sistema. com algumas peculiaridades. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Ex: princípio da não contradição. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. O grande problema é que.

dos princípios gerais do direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Se se permite interpretações divergentes. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. de casos que comportam mais de uma solução possível. mais um 66 . Isso gera certa instabilidade. que é apenas mais um topos. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. a favor e contra. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. enfraquece-se a força normativa da constituição. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). do senso comum. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. os quais são submetidos a várias opiniões. o que geraria uma grande insegurança jurídica). O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. pontos de vista ou lugares comuns. cujo plural é “topoi”. Assim. porque trabalham não com a idéia de sistema. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. da jurisprudência dominante. da doutrina.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Ex. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. de argumentação. ou a de que um é mais correto do que o outro). → Crítica: feita por Canotilho. como ocorre neste método. como. por ex. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Ex. ele também é conhecido como método sociológico. Este problema será solucionado pela argumentação. vence o argumento que for mais convincente. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. 2. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Violação de correspondência de presos. pois comporta mais de uma solução possível). lugares comuns. os operadores do direito servem-se de topoi. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Ex. Assim. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. que contraria o positivismo jurídico. Esses pontos de vista. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. mas sim diante de problemas. Os topoi são esquemas de pensamento. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico.. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Problema é a questão difícil. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. ou seja. Por isso. certa insegurança jurídica. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. formas de raciocínio.

quando se fala em hermenêutica. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). ao lado de Hans Kelsen. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). por serem métodos concretistas. Ele parte. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Além de serem métodos aporéticos. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. mas em concretização). diferentemente dos dois primeiros. este método não poderá ser aplicado. é preciso que haja um problema. Não se pode separar as duas coisas. devendo-se fazer uso de outro método. e sim na sua concretização. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. a compreensão prévia do intérprete. sua aplicação a casos complexos. porém. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. são também métodos concretistas. Método concretista. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. São métodos indissociáveis. que a questão não seja simples. é bom lembrar. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. como já vimos. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. 67 . Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. Para este método. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. A principal diferença. de única solução possível. e concretizador à aplicação. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. e o problema concreto a resolver. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. são coisas diversas. Os métodos III e IV. se for caso de lacuna. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. não se deve falar em interpretação constitucional. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. pois. Ocorre que. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. ou seja. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. ainda que dos mais importantes. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. Hermenêutica e interpretação não se confundem. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Assim. Assim. na sociedade aberta de intérpretes. não podem ser utilizados de forma abstrata. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos.

Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . a interpretação constitucional tem que ser democratizada. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Fala-se que são utilizados. A norma é o mandamento. Segundo o autor. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. 68 . Friedrich M. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. mas refere-se àqueles que podem interpretar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. regulada pela norma. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Assim. mas também na sua interpretação. Para ele. Ainda que a Corte seja o intérprete final. . O texto não tem o comando. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. mas também para a interpretação da Constituição. A democracia deve servir não apenas para a criação. ao mesmo tempo. limita a interpretação. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Não diz respeito aos critérios de interpretação. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). ele na verdade não o é.Elementos do âmbito da norma . é a realidade social tratada pelo texto da norma.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . bem como a quebra da unidade constitucional. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Paulo Bonavides o tratar como um método.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). Na prática. que têm legitimidade para a interpretação. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). esse comando (a norma) só surge depois da interpretação.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. em regra. O texto tem duas funções muito relevantes. pois. O que ele chama de domínio normativo. Segundo ele. por sua vez. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. traduzido pelo Min. a norma só surgiria após a interpretação do texto. Quando ele fala em democratização. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. Gilmar Mendes). a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. mas a toda a sociedade. Essas duas figuras podem ser. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. ele dirige e. Judiciário. aberta a toda a sociedade. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica.

Assim. Segundo Conrado Hubner. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. sem modificá-la. surge a idéia de norma (gênero). Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. os direitos têm que ser iguais para todos. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. como a constituição é feita por representantes do povo. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). do povo. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Entende que. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Na verdade. Em virtude do caráter normativo dos princípios. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. bastante discutido nos dias atuais. preocupado com a segurança jurídica. Assim. que se subdivide em princípios e regras. norma e fato. surge o Positivismo Jurídico. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. Após. o poder legislativo é claramente fraco. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Por isso o judiciário tem ganhado força. quando interpretada. 3) Existe uma única resposta correta. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. 69 . os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. vinculante e obrigatória. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Também denominado de originalismo. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. no Brasil. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. que corresponde à vontade do constituinte originário. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. textualismo e preservacionismo. superado o valor da norma). Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. mas de forma concreta. A norma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. A segunda corrente. Esta questão está ligada à separação dos poderes. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Hoje. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. No pós-positivismo.

impessoal. caso a resolução seja feita com base na hierarquia.generalidade . apenas os princípios possuem a dimensão da importância. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. há uma subsunção lógica. ou seja. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas.dimensão que eles ocupam (Alexy) . princípios são “mandamentos de otimização”. será invalidada. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. bilateral). o que ocorre por meio da ponderação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. imperativa. Segundo Robert Alexy. Assim. A norma é um gênero e. Ambos são normas.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). como elementos do sistema normativo constitucional: . isto é. é preciso saber quais são as normas opostas. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. ou seja. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. Para Habermas. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e.: aposentadoria compulsória. O grau de abstração é a diferença. As regras possuem aplicação automática.Regras. que apontam para o sentido contrário. que envolvem a aplicação deste princípio. impõem resultados. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. . mas a medida do possível.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. e . 70 . o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. genérica. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. Alexy afirma haver exceções. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. em havendo um conflito no âmbito da validade. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. quando se vai aplicar um princípio.Princípios.Postulados. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). peso ou valor. dentro do gênero norma jurídica. Eles não definem a medida exata. . Ex. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. → Regras: são “mandamentos de definição”. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). → Princípios X Regras: . a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. .

Não estão na constituição. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. por isso não são aplicados diretamente. Eles não apontam um fim. mas não têm a mesma função dos princípios. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. de modo a realizar os valores nela consagrados. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas.: proporcionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. também conhecido como antinomia de princípios. Ex. Nesse aspecto. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Mas e os postulados? Segundo esse autor. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Os postulados são denominados. 71 . como princípios. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. Com base nessas premissas. será feita a análise de alguns postulados que. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. pela maioria da doutrina. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. nem estabelecem competência ou conduta. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. cronológico e da especialidade. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Segundo a LICC. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. interpretação conforme a Constituição. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. embasados na supremacia da Constituição. É um conflito sempre no caso concreto.

Toda Constituição tem supremacia material. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. na dúvida. Ou seja. Se há mais de um significado. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. quando entender que uma norma é inconstitucional. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. significa que as demais leis devem obediência a ela. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. se entendê-la inconstitucional. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. A 72 . Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. No Brasil. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. excepcionalmente. não tem como fazer interpretação conforme. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Não se retira a lei do ordenamento. No Poder Legislativo. o Chefe do Poder Executivo. o Poder Judiciário. por ser presunção relativa. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. pois existe uma presunção de constitucionalidade. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Essa presunção é relativa (iuris tantum). presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Ele pode negar a aplicação da lei. e. no controle difuso. E. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. assim. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. pode ser exercido através do veto jurídico. no Poder Judiciário. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Se a constituição é a norma suprema. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. No Poder Executivo. presume-se que agiram de acordo com ela. Da mesma forma. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Excepcionalmente. pode deixar de aplicar a norma de ofício. como no âmbito do Poder Executivo e. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. para ter essa supremacia. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. na dúvida. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. ficam vinculados àquela decisão. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Todo projeto de lei passa por um controle. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. deve optar pela constitucionalidade. Se o texto tem apenas um significado. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. a lei deve ser declarada constitucional. o Princípio da Supremacia da Constituição. significa que ele é unívoco. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. é necessário que a Constituição seja rígida.

Busca a vontade do objeto interpretado. Segundo Kruger. É como se filtrasse a lei. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. A segunda corrente. poderia declarar o art. passando ela pela constituição. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Isso é impossível. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. a norma inferior. Temos o voto direto como cláusula pétrea. há várias tensões entre as normas constitucionais. existem. Antes. mas. isso não ocorre. ao mesmo tempo. Em uma sociedade democrática e pluralista. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Ex: Brasília é a capital federal. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. de direito previdenciário. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Logo. pois.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. §1º. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. sendo. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. necessário harmonizar esses dois princípios. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Portanto. essa corrente é chamada de “subjetivista”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Hoje. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. etc. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. que busca a vontade da lei. b) Fim pretendido: . prevalece a vontade da lei. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. é necessário observar os valores consagrados na constituição. é conhecida como mens legis. . Ao se admitir que essa norma é superior. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). 81. num estado democrático. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Outro ex. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. logo é conhecida como corrente “objetivista”. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Obs. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. 73 . devendo o intérprete harmonizar esses princípios.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. normas superiores e normas inferiores. Na verdade. Hoje em dia. Geralmente. na constituição. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares.

O intérprete deve fazer uma redução proporcional. violava a liberdade de exercício de comércio. A ponderação é sopesar os grupos de princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. pelo legislador. Sempre que possível. O Juiz irá ver. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. ou seja. 45. O relator indeferiu a petição inicial. que é anterior à Constituição da República. Nesse caso. Uma existe ao lado da outra. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. as duas normas têm conflito entre si. O que é isso? É semelhante a uma balança. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Se ele entrasse no mérito da questão. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. interesses. aplica-se o princípio da Concordância Prática. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. valores. inclusive. O que tiver o peso maior irá prevalecer. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. é necessário utilizar a ponderação. no caso concreto. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. qual dos dois grupos tem um peso maior. 74 . deve-se buscar essa concordância prática. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O STF declarou constitucional. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. se ambos estão consagrados na Constituição da República. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. na hora de se interpretar a Constituição. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. e não em abstrato). Ex: voto direto é a norma geral. Essa lei. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. bens ou interesses. Assim. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Abstratamente. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. a integração política e social. ele se basearia no princípio da unidade. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O STF analisou 02 casos: a) Art. Quando se tem uma colisão entre bens. criando um efeito conservador da unidade. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. e voto pelo CN é a exceção. Eles são muito parecidos. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. princípios ou valores. §1º. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. Pode ser usada. Segundo este princípio.

lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. às vezes. Caso contrário. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. até uma compreensão equivocada. Ex. da tortura. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. 75 . Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. não. ou seja. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior.: a proibição da pena de morte. do contrário. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. cabe ação rescisória (obs. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. eis que ambos se relacionam. 343. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. que contribua para o debate de interesse geral. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. proporcionando-lhes uma força otimizadora. mas também a ratio decidenti. para que outros direitos sejam assegurados. na academia. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. por mais importantes que sejam. Deve haver uma cedência recíproca. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. Exs. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . Ex: Se tiver na praia. não se aplicando para a interpretação constitucional. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. não. do trabalho escravo são regras. 2) relativização da coisa julgada: o STF. e não princípios. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. O importante é saber que todos os princípios. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. STF não foi abandonada. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. mesmo que a pessoa seja pública e em local público.: a Súm. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. poderia fotografar. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. sendo o guardião da constituição. a privacidade deve ser preservada. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas.

com. . 76 . Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. a qual significa a realização do direito. sobretudo o Tribunal Constitucional.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. é também conhecida como eficácia social. a função social para a qual foi criada. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . CR/88 (aplicação imediata). §1º. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. pois. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída.335/AC. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. Exs.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. .br: download de questões – Hot site do professor Novelino.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. é também conhecida como eficácia jurídica. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. Este princípio. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. no Brasil. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. 2) Direito de greve. . 4. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. validade é. o desempenho concreto de sua função social. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. . Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. Ver no Site Editora Método.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. 5º.

3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. É uma influência do direito norte-americano. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. Para que um ato seja considerado proporcional. não está textualmente consagrado. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. uma restrição à liberdade só será possível se. CR. Alegam que a restrição seria desproporcional. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. desproporcional. ou seja. uma densidade semântica que ele não tinha antes. do Prof. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). Não é o entendimento mais cobrado em provas. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. É uma influência do direito alemão. em sua origem. utiliza-se o termo proporcionalidade. Ex. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. mas apenas como menções. deveria conceder uma autonomia maior. LIV. Nos sistemas da commum Law. Para Jellinek. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Ex. será também desproporcional. dentre os meios existentes. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. Se o ato for desnecessário. para que o Estado não atue de forma arbitrária. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Assim. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. à garantia do devido processo legal. apto para atingir o fim almejado. Na Alemanha. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. utiliza-se o termo razoabilidade. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. ele tem que ser adequado. É um princípio implícito. Ele está ligado. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. por isso sua importância. No Brasil. 1º. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. não se deve abater pardais com canhões. ☺art. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. pois. 5º. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. maiores hão 77 .

Há uma outra face desse princípio. que é chamada de proibição de insuficiência. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. o poder público age aquém do que deveria. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. 78 . A face acima exposta do princípio. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Nesse caso. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. ou proibição por defeito. pode ser chamada de proibição do excesso.

por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. porém. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. reproduzidos ou não na Constituição estadual. mais ou menos significante. refletindo posição ideológica do constituinte. proclamação mais ou menos solene. relevância jurídica. Assim. não tendo força normativa. não é norma de repetição obrigatória. sendo. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. Em âmbito estadual. qualquer religião oficial da RFB. Como se sabe. mas no domínio da política. não tem relevância jurídica. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. pois. Esses princípios sim. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. anteposta ao articulado constitucional. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. O nome não é o mais apropriado.. não existindo. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. laico ou não-confessional. É uma corrente intermediária em relação às demais. 79 . No Brasil. O min. mas é a tese por nós adotada. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. pois. caráter normativo e. apresentado de forma não articulada. inscritos na Constituição. O que acontece é que o preâmbulo contém. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Não tem. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. portanto. o preâmbulo. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. com exceção das de 1891 e 1937. Para o STF. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. de regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. Não contém. Ocorre que todas as constituições brasileiras. incidirão na ordem local. Situa-se no domínio da história ou da política. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual.. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. o Brasil é um país leigo. não é componente necessário de qualquer Constituição. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. dado que. portanto.

o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. na ordem interna e internacional. Ao estabelecer os valores supremos. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. o desenvolvimento. a liberdade. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. 80 . a segurança. o bem-estar. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. pluralista e sem preconceitos. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. Esta é a sua natureza. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. com a solução pacífica das controvérsias”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. fundada na harmonia social e comprometida.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. Uma NEC. Ela não depende de lei. 95. por sua vez. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. O que as difere é o grau desta eficácia. P. que poderá variar conforme o seu enunciado. apenas 81 . → Normas de Eficácia Contida: O prof. 128. Não depende de regulamentação.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. 184. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. Não são a mesma coisa. como se poderia imaginar). A integralidade. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. que “contenha” o seu conteúdo. Quando se fala em aplicabilidade imediata. destaca-se a de José Afonso da Silva. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . 53). enquanto não for restringida por lei. imediata e integral. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. isenções (art. enquanto não for restringida.U. prerrogativas (art. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. vedações (art. possivelmente restringível ou redutível. §5º). aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). Exs. dentre as quais. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). A NEC.: normas que estabelecem imunidades (art. é uma NEP? Não. (É a mais cobrada em provas). §5º). significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. no Brasil. mas admite lei.

etc. 102. XII c/c arts. ela nunca poderia ser restringida. É indireta ou mediata. e mediata porque depende de alguma condição. Se ela fosse uma NEP. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. Exs. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. 3°.Facultativas: ex. Ex. mas.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto.por outra norma constitucional (ex. 37. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. que a regulamente. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.Impositivas: ex.por conceitos de direito público (ex. poderá criar impostos residuais.U. não há omissão inconstitucional. necessidade ou utilidade pública. art. Não é apenas um conselho. art. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. caracterizadas justamente por este tipo de norma). 5º. segurança nacional. Indireta porque depende de uma outra vontade. Ex. art. em regra. é obrigatória. que faz parte da mesma norma. VII (direito de greve dos servidores públicos). O caput do art. quais são os efeitos. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. de forma que antes da Lei 9. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. 154: a União. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. 22. VII. mas pode ser). 82 . e art. .: art. As vedações. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. . 5º. II e III deste mesmo art. 5º. 9º. – ex. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. se quiser. interesse social. CR. art. ☺art. que dirige os rumos do Estado. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). art.: art. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado.: art. PU: União poderá delegar aos estados. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. Neste caso.: art. XXII.. mas não disse quem pode propor. mas não é uma NEP. etc. e não quais são os meios para se atingir o fim. A norma constitucional tinha eficácia. 9º dá a entender tratar-se de NEP. A NEC pode ser restringida: . 95). XXIII e XXIV). conforme a lei. 136 e 137). mas dizer como esse direito será exercido. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. ofício ou profissão. eis que estabelecem o fim a ser atingido. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. mas o seu §1º. 95.: ordem pública. Assim. A lei não irá restringir o direito. VII. . P. que não é norma). Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei.: trata de vedações que são impostas aos juízes.por lei (ex. etc. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.). ☺art. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . 37. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. 37. XIII. esclarece que trata-se de uma NEC.U. são NEP (como são as normas dos incisos I.

Obs. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Assim. Marcelo Neves critica essa concepção. 83 . pois. porque ela não tem eficácia positiva). Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. OBS. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Uma última classificação. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. 2º. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Ex. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. a NEL produz efeitos: ela exige lei. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. uma eficácia negativa (e apenas esta. Por isso não dependem de outra vontade. cumprida a sua finalidade. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. ADCT. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. mencionada por alguns autores. ademais. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica.: art. antes da lei ser feita. Traduz um sistema fechado. Elabora-se uma norma genérica. Diz que o direito se auto produz. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. também conhecidas como normas super-eficazes. Para ela. as Cláusulas Pétreas. imediata e integral). não depende de outros sistemas.: As NEP. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. São as normas do ADCT. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. tem eficácia. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. exaurem sua eficácia. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte.

§ 1°. parte final). quando do surgimento de uma nova Constituição. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária.: ☺art. → CR → A. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. §2º (que fala do Colégio Pedro II.P → A. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. podendo. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. Ex. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. não. Quando uma nova constituição é criada. Faremos o estudo de alguns institutos.N. 242. 2°. sempre que nasce uma nova Constituição. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. com o caráter de normas constitucionais. porém. Assim. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. ou seja. como normas infraconstitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. e sim como normas ordinárias. caso compatíveis com a nova Constituição. por esta teoria.N. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. serem recepcionadas pela nova Constituição. art. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. 84 . esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. dentre outras. por regra. IV. Ex. têm retroatividade mínima. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. Contudo. Assim. Como se percebe. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. Assim. 7º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. vale dizer. IV. c) por outro lado. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. também limitado juridicamente). nada impede que a norma constitucional. deve existir expresso pedido na Constituição. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. 5º. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. as leis infraconstitucionais. vale dizer. com pequenas exceções. sendo regra a retroatividade mínima. CR. desde que haja expressa previsão. o STF entendeu que. Como outro exemplo de retroatividade mínima. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). diante da aplicação imediata. tenha retroatividade média ou máxima. como é o caso do art. para tanto. 7º. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art.: art. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. que. 88 . 51 do ADCT. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. XXXVI – “lei” em sentido amplo).

pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. a menos. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. Desse modo. como também ao exercício abusivo de certos direitos. é claro. a divisão de seus poderes (art. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. os quais estabelecem a sua forma. pois servem de critério para o legislador que. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. é obvio. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. o que os coloca numa posição de superioridade. ainda não regulamentadas de forma mais específica. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. diverso e opostos. Em situações novas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. 2º). em um todo sistemático.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. De uma forma geral. Dessa forma. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. por conseqüência. 4º). Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. assim. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. Sob o ponto de vista dogmático. estrutura e fundamento (art. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. não só das ações dos poderes estatais. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. Executam. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. sobretudo. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. ao elaborar as leis. atuando como um limite. da função positiva que 89 . seja como diretiva na solução de casos concretos. 1º). podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. seja como orientação para progresso da legislação. devido à função negativa que desempenham em alguns casos.

Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. sendo criados novos critérios distintivos da República. I). dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. 1º. esses conceitos foram se esvaziando. aos entes que compõem a federação. Com o passar do tempo. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. CR). formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. 34. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. DF e Município. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. A baixa densidade semântica. a Constituição veda. o direito de secessão. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. que reinava de forma absoluta e irresponsável. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. 90 . Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. No tocante ao Poder Executivo. quanto para o legislador na elaboração das leis. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação.

mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. Em um Estado democrático. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. No que se refere ao princípio democrático. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. a independência dos juízes. Aqui. ainda. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. seja diretamente. à questão perene da Justiça. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. seja através de representantes. não apenas os indivíduos. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. a legalidade da Administração. ou. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. Sob o aspecto material. Em um Estado de direito. não é absoluta e ilimitada. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. 91 . No Estado material de direito. sob as circunstancias transitórias. a vontade popular representada pelo parlamento.

O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. por essa razão. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. na ordem internacional. Todavia. A soberania externa se refere à representação dos Estados. 92 . 6º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. Por essa razão. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. no plano interno. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. independente. o indivíduo se sente útil e respeitado. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. a soberania migrasse do soberano para o povo. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. em nenhum momento podem ser colocados de lado. uns para com os outros. por não ter de acatar. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. Supremo. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. na ordem internacional.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. No plano externo. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas.

de idéias e de instituições de ensino (art. a filosófico-religiosa. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. de interesses contraditórios e antinômicos. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. mas. e. 17). 3º. é um princípio básico do liberalismo econômico. Por essa razão. uma sociedade conflitiva. a profissional. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. 170). com a queda do comunismo. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. Fruto da concepção liberal. 215 e 216) e dos meios de informação (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. a tortura. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. passando a se revestir de normatividade. ao contrário. III). 170). interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. a Constituição. 93 . a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. a de opinião. Mais tarde. independentemente de autorização de órgãos públicos. Este fundamento é concretizado. partidário (art. político (art. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. a sexual. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. o que pode levar a divisões irredutíveis. assim. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. a partir do início da década de 90. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. conforme os ditames da justiça social. 206. dentre elas. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. científica. a de informação. A escravidão. É ela o valor supremo que irá informar a criação. artística. de reunião e de associação. a sociedade pluralista é. cultural (arts. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. deve constituir o seu objetivo supremo. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. a intelectual. 220). derradeiramente. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. por natureza. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. ainda. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. Por isso. 1º). salvo nos casos previstos em lei. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. I). de comunicação. justa e solidária (art. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado.

Esta acepção. ligada ao valor igualdade. A dignidade da pessoa humana não é um direito. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. idade. 94 . a todo e qualquer cidadão. mas também dos particulares. possui um caráter negativo. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. econômicos e culturais. independentemente de usa origem. sua existência material. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. que seja efetivamente exigível do Estado. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. mas também a de que o Estado garanta. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). sexo. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. mais importante. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. em um primeiro momento.) imprescindíveis para uma vida digna. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). seja por terceiros. por outro. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. moradia. etc. Poder-se-ia dizer. condição social ou qualquer outro requisito. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. dentro dos direitos sociais. por exigir uma abstenção. Portanto. Assim. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. Por isso. na medida em que procura representar um subconjunto. cada vez mais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. ligada ao valor liberdade. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. educação fundamental. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. Todavia. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. ou para com a pessoa. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). seja pelo próprio Estado. e. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. o acesso aos valores. não apenas por parte do Estado. o que significa dizer que na criação. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. Portanto. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. possui um caráter positivo. Por outro prisma. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). menor (minimizando o problema dos custos). mas um atributo que todo ser humano possui. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. mas. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. não como um fim em si mesmo. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. à dignidade da pessoa humana. Esta acepção. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. em alguns casos.

14 e seguintes).direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. portanto. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. 5°. Essa classificação é legislativa. igualdade e dignidade. . Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. 6° e 7°). Para que o cidadão participe da vida política do Estado. Têm um caráter negativo. Em sua maioria. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. mas também no art. 95 . . estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. exigem prestações materiais ou jurisdicionais.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado.direitos prestacionais: são. são os direitos individuais consagrados no art. basicamente. uma constitucional e uma doutrinária. Em termos materiais. Enfim. . CF/88. os direitos sociais (arts. que divide os direitos fundamentais em: . Têm caráter positivo e negativo. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. 6° e seguintes). devido à escassez de recursos. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições.direitos políticos (art. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. consagradas ao longo das constituições.direitos sociais (art.direitos individuais. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. pois surgiram em uma única época. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. 5°. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. São direitos ligados à cidadania. Exigem uma atuação positiva do Estado.direitos à nacionalidade (art. Assim. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. CR/88). estão consagrados em normas de eficácia limitada. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. 6º ao 11. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. Em sua maioria. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. devido ao custo de serem prestados. ligados à liberdade. à participação política. a diferença básica se refere ao plano de consagração. do qual são espécies: . . .direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. consagrados no plano internacional. 12 e seguintes). Visam proteger o valor igualdade. .

a autodeterminação dos povos (art. são direitos de caráter negativo. enfim. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. ao lado da 4ª. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Não houve substituição de uma geração por outra. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. São basicamente os direitos individuais. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. já os de 2ª geração não. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Exigem uma ação do Estado. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Têm caráter negativo. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Eles foram surgindo com o passar do tempo. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. movimento encabeçado pelo proletariado. então. São chamados direitos civis e políticos. da solidariedade entre países ricos e países pobres. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. 4º. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. A 3ª geração. Os direitos de defesa. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. sobretudo de princípio programático). Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. os direitos prestacionais. 96 . Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. à autodeterminação dos povos. Obs. diretamente à igualdade material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. ao desenvolvimento ou progresso. Tais direitos têm caráter positivo. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. segundo Jellinek). e a dele é a mais cobrada em concursos). Esta é a sua preocupação principal. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. a imprensa livre e o funcionalismo público. portanto. XVIII. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. direito de comunicação. Ou seja. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. igualdade e fraternidade (nesta ordem). como a família. → Igualdade: Direitos Sociais. diante da necessidade de cooperação. Estão ligados. CR/88). de 1789: liberdade. das gerações. Têm como objetivo.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. exigindo uma abstenção. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. queria que ele respeitasse suas liberdades. e estas gerações coexistem atualmente. Vejamos quais foram as gerações. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Por isso. pois. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. XX. por exigirem uma prestação do Estado. econômicos e culturais. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. São considerados basicamente como direitos coletivos. por exigirem uma abstenção. Exs: direito ao meio ambiente. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Como vimos.

os direitos de família. limitam o poder. que alguns dizem trazer os direitos à internet. e isso acaba por prejudicar as minorias. o prof. um pluralismo ideológico.I. a fixação da garantia. de ideologias políticas e partidárias. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. artístico. Os argumentos contrários a esta união. mas há divergências na doutrina quanto a isso. que são as que. Quando se fala em pluralismo político. o direito a adoção. Ex. traz direitos ligados à pluralidade. ele tem uma importância muito grande. ocorrendo não raro juntar-se. São também direitos transindividuais (em sua maioria. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. quiçá quanto a 5ª. Por isso o direito à democracia é tão importante.). outros são difusos). caso violados.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. Esta geração de direitos advém da globalização política. Ou seja. que seria a vontade da maioria. 97 . à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. as disposições assecuratórias. Porém. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. Paulo Bonavides. Assim. ☺ADPF 132. Ou seja. à informação e ao pluralismo (D. de conteúdo). Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. Ele abrange um pluralismo religioso. Quem tem o papel contra-majoritário. as demais características são tratadas pelo prof. Além desse aspecto. econômico. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. → Globalização: direito à democracia. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). este direito teria um peso mais elevado do que os demais.: quanto ao direito à paz. estas as garantias. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). um pluralismo cultural. são direitos difusos). Ao lado da vontade da maioria. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. esta alteração não foi feita em seu livro. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. Em uma ponderação. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. conserva nossas identidades. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. inclusive das minorias. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. de orientações sexuais. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. na mesma disposição constitucional ou legal. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. V. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. 1º. ao analisar a Constituição de 1891. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. Afora esta peculiaridade. Aquelas instituem os direitos. Ele preserva.P.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. com a declaração do direito”. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. CR/88). como os previdenciários. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. etc. em defesa dos direitos. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias.

98 . 5º. portanto. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. por ex. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. os estrangeiros não residentes. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. que só pode ser proposta pelo cidadão. havendo. . no caso concreto. Contudo. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. . . no caso concreto. O caput do art. Nada impediria. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. coarctando. etc. . . ou caberá ao intérprete. Exemplos: . HD. através da interpretação sistemática. ilegalmente preso. como é o caso. 5º. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. de modo indiscriminado.Inalienabilidade: como são conferidos a todos.: direito de propriedade versus desapropriação). ainda que não individualistas. emite uma opinião (direito de opinar). VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). ou magistrado.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. mas nunca a sua renunciabilidade. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. decidir qual direito deverá prevalecer. quando. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . conjugando-a com a sua mínima restrição. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. Obs. uma vez consagrado o direito. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. se o direito garantido não possui alguma especificidade. Deve-se observar. os apátridas e as pessoas jurídicas. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial.Universalidade: destinam-se. como é o caso da ação popular. confronto.). a todos os seres humanos. conflito de interesses. muitas vezes.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade).direito ao juízo natural (direito) – o art. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). XXXVII.Historicidade: possuem caráter histórico. nascendo com o Cristianismo. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. é claro. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Isso porque.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. . Se são sempre exercíveis e exercidos. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. juntamente. . são indisponíveis.: HC. Normas positivas..Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir.é inviolável a liberdade de consciência e de crença.

fala-se. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. §1º. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. ordem pública. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. analisando caso a caso. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é.). Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. então. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). só trazendo relações entre o Estado e o particular. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. etc. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Não se admitiria. para isso. não dependendo de legislação. §1º. Ingo Sarlet afirma que o art. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. Posteriormente. fática e juridicamente. pois. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. 5º. mas o pressuposto do qual ela parte). então. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. No entanto. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. 5º. Assim. 99 . causando uma desfiguração no direito privado. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. mas. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado.

tão somente pela falta de previsão. Para a realidade brasileira. Ainda se trata de uma questão muito nova. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. O juiz. a proteção tem que ser maior. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. Os DF são expressados. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF.HC 12.*RE 161.RE 201.Resp. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . para que os princípios pudessem ser concretizados. mesmo realizando atividades idênticas. que não adota essa teoria). Espanha e Portugal. se exteriorizam. Segundo Virgilio da Silva. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. etc. Em contrapartida. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. esta teoria seria a mais adequada. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). em geral. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. . . Se não houver uma previsão expressa na lei.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. quando há uma relação de igualdade real na relação.243/DF. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. .222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. através de princípios. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Segundo esta teoria.RE 158.☺RE 161. isso poderia causar uma série de problemas. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.: empregado e empregador. mas ainda não há decisão quanto a isso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. A jurisprudência.858. como a segunda.RE 160. houver uma desigualdade fática.700. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.24. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. é possível a sua aplicação com base na Constituição. mas. Determinação de observância do Princípio da isonomia. a aplicação será indireta.) . . Mas. Assim. e. muito abertos. não sendo necessária uma intermediação legislativa. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Se. E como os princípios são muito vagos. ainda que esta regulamentação não exista. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. devendo sobre eles prevalecer.RE 175. então. Deve-se aplicar tanto esta teoria. A autonomia da vontade requer tal ponderação. .243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. 249. contrato de adesão.00 para R$ 86. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. . no entanto. de uma forma geral.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

103

Nos 78 incisos deste art. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. ☺art. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. CR. um outro direito fundamental. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Há dois entendimentos: 104 . II. como DF é pressuposto dos demais direitos. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. pois a vida é uma direito irrenunciável. um caso constitucional de violação de direitos. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. à segurança e à propriedade. ☺art. à igualdade. No caso do big brother. 5º. XLVII. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. é. também não pode ser renunciado. caput. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). CP) a questão é um pouco mais polêmica. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. 5º. não há que se falar em não exercício). pois. Por isso. à liberdade. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. A renúncia é definitiva. por óbvio. não há uma renúncia definitiva. Esta questão é bastante clara. 1º. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. O direito a vida. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. CR/88. 128. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). 170. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. III e art. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Este pode ocorrer. Obs. abre-se mão temporariamente à privacidade. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante.: esta segurança que o art. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. Porque o direito à vida é irrenunciável.

insuficiente para a proteção do direito. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. Se isso fosse possível. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. não haveria vida. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. o STF não estaria legislando. Ademais. E o direito à vida. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. Se há dois argumentos defensáveis. já que na época em que foi feito o art. 128. assegurando a autonomia da vontade. O STF. é relativo. CP não teria sido recepcionado pela CR. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. nas quais não se tem uma opinião moral definida. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. 128 (em 1940). . é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. OBS. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. a vida termina com a morte encefálica. discutida na ADPF 54. o art. 3) dignidade da pessoa humana. II. sabendo que ela vai morrer. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. sem o sistema nervoso central. como todos os outros. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. é uma forma de tortura psicologia. A questão ainda está sendo discutida no STF. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. o feto não tem a menor chance de sobrevida. a morte não decorre do aborto. 128). Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. portanto. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. entendeu que. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. em razão do risco de morte intra-uterina. por isso. além de colocar em risco a sua própria vida. Nos EUA e na França.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. já que o CP é anterior à CR. mas de modo geral). mas sim interpretando a CR/88. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). e. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. por 7 votos a 4. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. segundo Canotilho. ela é a única ação de controle abstrato cabível. mas sim da acrania. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Para o direito brasileiro.Direito à privacidade: 105 . então.

câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. contra um chantagista. Se filmar uma passeata. Mas. Proteção da honra e da imagem. CR. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Questão de Concurso: Gravação clandestina. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Ex: Radares eletrônicos. Nesses casos. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. É vedada pelo art. que se subdivide em: intimidade. na verdade. 5º. a restrição é legítima. o direito à imagem foi violado. pois há uma excludente de antijuridicidade. Neste caso. vida privada. 106 . quebra de sigilo e interceptação telefônica. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. a imagem pode ser usada num processo. Em regra. científico ou cultural. O direito de liberdade é maior. uma gravação feita clandestinamente. quando pratica um ato na condição de agente público. os princípios da moralidade e da publicidade. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. É gênero. é a esfera da vida privada. Ao realizar essa ponderação. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Não há que se falar em colisão. etc. por exemplo. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. Há decisões judiciais onde muitas vezes. em seguida. O prof. ela é ilícita. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Ainda que não afete a honra. X. Nesses casos é vedada a gravação como prova. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. não tem privacidade. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. 5º. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. de uma forma geral. Numa gravação clandestina. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. maior a proteção a ser dada. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. a gravação é considerada lícita. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Será considerada prova lícita. Se tiver gravado um crime. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. 1. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Esta é excludente de ilicitude. O direito a privacidade está consagrado. sobretudo. Ex: policial federal recebendo dinheiro. no art. a honra e a imagem das pessoas. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. histórico. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Então. veremos cada um separadamente. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. são direitos independentes. Logo. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. não há violação à privacidade. contra um estelionatário. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Ex: matérias de interesse público. Ex. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). No entanto. sobretudo. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. O agente público. X. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito.

XII. Essa exceção só confirma a regra. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. o BB poderia quebrar o sigilo. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. outros entendem que não há proteção. O prof. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. essa decisão foi para um caso específico. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. não poderá quebrar sigilos. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. Na Itália. 3. São poderes instrutórios. às informações constantes na declaração de imposto de renda. De acordo com o art. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. informáticos. Dentro dela. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. divulgaram todas as declarações na internet. XII. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. como havia verba pública envolvida. falaremos da interceptação telefônica. está em vigor. X. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. por ex. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. ele não pode requisitar diretamente. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). Tem uma decisão do STF muito comentada. 107 . CR. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. etc. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. O STF decidiu que. § 3º. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Se ele quiser. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. não há decisão do STF. fiscais. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. Quem pode é só o juiz e a CPI. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Essa declaração. já que não existe poder judiciário municipal. que é uma exceção a essa regra. fiscal e telefônico. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. ainda que não seja sigilosa. naquele caso específico.: Podem existir várias outras exceções. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Ele alegou a ilegalidade desse ato. Quando a CR fala em “poder de investigação”. Além do juiz. em ação cível originária.. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. E o Ministério Público? Segundo o STF. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. 2. A lei. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. deve ter uma certa salvaguarda. com base no princípio da simetria. 58. Dentro do próprio STF há divergência. 2°) admite.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. No entanto. 5º. 5º. Quanto às CPIs municipais. O Min. por enquanto. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. 5º. outros dizem ser pelo art. a duração da chamada. Os jornais publicaram essas declarações.). Quando se quebra o sigilo telefônico. de um cd room. mas na decisão acima houve discussão a respeito. O inciso X impede a gravação clandestina. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. Ex: extrato de conta corrente.

5º. o STF tem um entendimento que. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . é equivocado. protege a liberdade de comunicações. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. já que protege-se a liberdade de comunicação. em determinadas hipóteses. Na interceptação. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Nessas hipóteses. a liberdade de comunicação. abrem-se todas as correspondências. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.. Em relação a essas. por uma terceira pessoa. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. os dados de informática em si não estão protegidos. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Quando se falou do método tópico problemático. XII. Não são admitidas para outras finalidades. XII. o sigilo poderá ser violado. será interceptação telefônica. seja pelo art. Na prática. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. Para o prof. protege-se apenas a liberdade de comunicação. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. Aliás. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. segundo o STF. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Para o prof. sobretudo. não estaria protegido por esse dispositivo. também protege a privacidade. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento... Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Mas isso não é a posição do STF. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Ela deve ser usada para situações excepcionais. mas foi feita por um terceiro. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. seja pelo art. Porém. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. 5º. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Se um souber. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Então. O STF entende que com base o art. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Pois. 5º. O art. No entanto. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Com relação ao sigilo de dados. mas. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. 5º. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Em relação à comunicação epistolar. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. será gravação clandestina. X. Se um souber. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Ela protege 4 formas de comunicações. pode haver restrições às comunicações telefônicas. Além dessas duas hipóteses. neste caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Para o STF. segundo o prof.

ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Vejamos as situações: 1. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar.483 – medida cautelar concedida nesse MS). A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. 2. se houver o consentimento de um dos moradores. Somente o juiz. O professor acha que há certo abuso neste caso. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. 5º. Nem mesmo CPI. seja durante o dia seja durante a noite. Na jurisprudência do STF. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. 5°. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. c) Art. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. LXI: possibilidade de prisão. Então. Com relação à inviolabilidade do domicílio. Essa decisão foi recente (☺MS 27. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. CF/88. qualquer pessoa pode entrar. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. 5º.296/96. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. violado. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. 5º. Como é o meio mais fácil. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. a polícia pode entrar. LX: sigilo imposto a processo judiciário. essa lógica tem sido invertida. XI: violação de domicílio. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. • Prestar socorro 109 . Pode ser que com os abusos recentes. XII: interceptação telefônica b) Art. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. salvo o flagrante delito. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. Sem consentimento já é diferente. Com o consentimento. Durante o estado de defesa. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. por nenhuma outra autoridade. pode determinar a prática desses atos. Se numa situação excepcional. Ela deve ser o último recurso. devemos analisar 2 situações diferentes. nesses casos. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Se houver o consentimento. Art. 5º. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. d) Art. a entrada deve ser permitida pela empregada. Segundo o STF. Recentemente. imagine numa situação normal. o Min. XII. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. e não pelo dono da casa. A Constituição trata de 2 situações distintas. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. Além disso. Ex: crime dentro de uma residência. Ou seja. e mais ninguém. Nesse artigo. vejamos: a) Art. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. prorrogáveis por mais 15). nem a CPI. não há falar em violação de domicílio.

150. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Se entrar com o uso da força. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Quando o sol nascer é dia. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. por serem situações emergenciais. Segundo ele. mas dos vizinhos também. compartimentos habitados. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). onde o caminhoneiro dorme. Entra no conceito de casa. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Ele deve dizer “aqui você não entra”. hoje. Ex: parte de trás do caminhão. É utilizado por JAS. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Segundo o entendimento do STF. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. que traz uma conceituação bastante extensiva. compreende escritórios. propõem uma utilização conjunta desses critérios. a prova colhida será considerada ilícita. Só que o STF já proferiu decisões. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. mais adequado. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. entra no conceito de casa. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. pois se respeitar também o critério cronológico. Então. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. não entra no conceito de casa. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. entre eles Alexandre de Moraes. não poderá mais entrar no domicílio. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. consultórios. não entra em conceito de casa. quando o sol se põe é noite. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. ☺Art. Alguns autores. seja do dia seja da noite. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. 2. entre outros aposentos. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Na maioria dos casos. a prova é lícita. porque a noite é o período de descanso. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. 110 . prevista no dispositivo. se estiver vazio. mais tradicional. na parte em que o público tem livre acesso. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. não só dos moradores daquela casa. CP. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. estabelecimentos comerciais e industriais. Se houver o consentimento do morador. o STF considera as provas lícitas por causa disso. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. a casa pode ser invadida a qualquer hora. 3. E o carro? O prof.

arbitrário. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Razoável 3. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Para que o critério seja constitucional. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Quando se fala em princípio da igualdade. Esse critério é razoável. Objetivo 2. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Mas. justifica-se a altura. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. 2. pois viola o princípio da isonomia. em situações diferentes. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. da constituição. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. XXX. CR. Para esses casos. 111 . Não irá fazer concurso para homens participarem. 5º. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. discriminatório. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. cor e estado civil. Se o critério não for objetivo. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. é necessário que ele seja: 1. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. 7º. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. razoável e proporcional. 7º. Uma vez dentro do estabelecimento. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. CF/88. XXX. Ex: critério preconceituoso. não significa que a lei não possa fazer distinções. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. É a que está consagrada no caput do art. Nestes casos. idade. Esse critério não é nenhuma discriminação. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei.

aconteceu o contrário. Segundo JAS. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. essas ações deveriam existir por 10 anos. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. e os desiguais de forma desigual. Criaram-se outras ações afirmativas. essas ações são constitucionais. ☺art. Ex: Cotas para pessoas carentes. para tentar reduzir as desigualdades. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Em princípio. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Tem autores que entendem ser inconstitucional. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Isso é igualdade formal. Quando se fala em igualdade material. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Não é uma forma de resolver o problema. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Dificilmente. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. igualdade e fraternidade. Então. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. por exemplo. Para outros autores. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. A cota deve ser proporcional à população. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. o critério discriminador seria desproporcional. Quando se fala em igualdade material. pode ter as mesmas condições de outra pessoa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . Como uma pessoa que não teve acesso à escola. A tendência é que elas aumentem. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. pois elas criam uma discriminação reversa. e não à igualdade material. seria igualdade material. disse que está ligada à igualdade material. O prof. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Ex: Alíquotas de imposto de renda. acha que esse argumento não convence. Essas ações não surgiram nos EUA. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Para o professor. O prof. mas reduzir as desigualdades existentes. 3º. utiliza-se das ações. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. Mas. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. não haverá uma igualdade real. que eram desiguais em relação aos seus senhores. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. No caso da Índia.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Porém. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Visa uma redução das desigualdades fáticas. e prolongaram as que já existiam. 5º c/c art. mas na Constituição Indiana em 1947. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. 112 . surge a questão relacionada às ações afirmativas. mas é necessário analisar uma série de fatores. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas.

. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. Eles não têm apenas a eficácia vertical.fere o mérito. quando se fala em destinatários.Eficácia vertical: todos os poderes públicos.princípio da isonomia (discriminação reversa). alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . Argumentos contrários: . Apesar de ser uma relação entre particulares. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. Juridicamente falando. . pois já faz parte do próprio critério republicano.Poder Legislativo. Portanto. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada.em uma sociedade pluralista. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. previsto no art. seja por particulares. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. seja pelo governo. . . 208. são destinatários do princípio da igualdade. de saúde. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. Então.medida imediatista e inapropriada. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. A justificativa parece não ser inconstitucional. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. .fomenta o racismo e o ódio racial . 113 .Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. tolerante. miscigenada e multicultural. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. O problema é com relação à subjetividade do critério. Eles foram libertados. .favorece negros de classe média alta. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . não sendo necessária essa distinção. visa compensar uma dívida histórica. No Brasil. sem exceção. cientificamente falando. CF/88. aberta. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. Isso é uma questão de política pública. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. mas também para quem irá elaborar a lei. atinge todos os poderes públicos . Além dessa eficácia. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. . mas eles não tiveram oportunidade de escola. Poder Executivo e Poder Judiciário).

Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. É livre a manifestação de pensamento. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Logo em seguida. 5º. I. desde que essas restrições não sejam autoritárias. CPC – ação de alimentos. sendo vedado o anonimato. Ex: Lei Maria da Penha. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. IV. ela pode ser responsabilizada. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. As provas 114 . que é uma das principais vítimas da violência doméstica. ele deve licitar. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. 100. Para alguns. em princípio. Questão de Concurso – Cespe: No art. Ex: Passeata para legalização da maconha. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. ela é constitucional. Se a pessoa agiu de forma abusiva. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. O homem não é a parte mais frágil da relação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Basta ser um critério objetivo e para todos. segundo o professor.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Logo. Isso significa que. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Não é um direito absoluto. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Ex: art. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. de expressar o pensamento. Protege a mulher. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. 5º. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. É constitucional? Sim. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Não existem direitos absolutos. o problema é dele. em regra. a lei pode estabelecer distinções. não deve ser estendida para os homens. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. mas apenas para as mulheres. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Por que a Constituição. Mas. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. é outra questão. É uma denúncia feita anonimamente. Se o sujeito será responsabilizado ou não. ela exerceu o seu direito. Apologia ao crime é diferente disso. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. ela pressupõe responsabilidade. e violou direitos de terceiros. etc. para outros teria. Pode defender no plano das idéias. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. discriminatórias. O particular não é obrigado. não teria sido recepcionado.

se não há qualquer identificação. I. inclusive em lugar aberto ao público. o equilíbrio das religiões. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. A religião desempenha um papel fundamental. Vejamos: 1. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. desde 1989 (advento da República). Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. O dever funcional da autoridade é investigar. há 02 hipóteses em que o STF admite. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. Ex: seqüestrador escreve bilhete. Quando são produzidos pelo próprio acusado. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. desde que não viole o direito de terceiro. Esta liberdade está consagrada no art. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. ele não pode ser admitido. pedindo resgate. ela deve ser protegida. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. Em relação ao culto. por exemplo. 2. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. VI. de crença e de culto. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. houve a total separação entre Estado e Igreja. O Estado brasileiro. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. ou de não ter crença em nada. CR. Garantir a simetria da liberdade religiosa. No Brasil não há uma religião oficial. 19. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. abrangendo a liberdade de crença. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. deve ocorrer uma “tradução institucional”. O Estado deve manter-se neutro. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. ainda 2. apesar de a maioria da população ser católica. 2. não é o caso do Estado brasileiro. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. → Alguns temas polêmicos: 115 . Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. A liberdade de consciência é a mais ampla. Os templos recebem uma proteção especial. O culto pode ser exercido em qualquer local. Porém. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. Pode fazer um exame grafotécnico. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. Não se pode admitir que o parlamento. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. 3. Para Habermas. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Isso significa que. então. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. de ter crença. com o advento da República. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. 5º. CR. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. e.

215. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Há um trecho do livro do Dworkin. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. Para o prof. fazendo uma ponderação entre os princípios. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. não poderia ser confessional. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. O 116 . 23.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. os argumentos religiosos não fazem parte da política. logo. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. CR). b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. e não à justiça do trabalho – ☺art. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. e o aluno optou a se matricular nessa escola. 210. É importante respeitar o ensino de cada um. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. ocorreu um caso muito semelhante. . Pode um ateu. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. que odeia guerra. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. §1º. São feriados puramente religiosos. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. Entretanto. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. a neutralidade do Poder Judiciário. . §2º. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Portanto. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. 5º. e cultura é competência comum – da União.. Entretanto. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. políticos e religiosos. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. inegavelmente. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. O tribunal. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. então. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. CR).. há algumas ações. estados e municípios (☺art. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. Não teria sentido acabar com esses feriados. CR. a competência é da União. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. Na Alemanha. a competência é em relação à cultura. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. a escola não deve impor ao menino. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. são culturais. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. o argumento supracitado não está correto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. imagine uma cidade pequena. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. Segundo o prof. Mas. Neste caso. VIII. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. onde se tem poucas escolas boas.

5º. Criação de sindicatos. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. 5º. Ex. CR. conforme portaria da ANVISA. na forma da lei. A associação. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima.) 2. Não cumprindo com a obrigação. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). existem 2 semelhanças e 1 diferença. 5º. ☺art. 4. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. (Não pode reunir pessoas armadas. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. Criação de partidos políticos. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. 2. 3. A pessoa alega imperativo de consciência. mas direitos individuais de expressão coletiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. mas a de permanecer associado. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. ainda. Ex: reunião de condomínio. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. terminada a reunião. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. A República é o governo das razões. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Por que a CR exige prévio aviso. Caso não cumpra com a prestação alternativa. CR. mesmo que em locais abertos ao público. o argumento deve ser racionalmente justificado. de cooperativas. XVI. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. etc. Quem fará a tradução não é a Igreja. 5º. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Ex: fazer segurança. não é necessária a autorização estatal. ☺ art. XVII e XXI. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. tem o caráter permanente. essa hipótese é de representação processual. O prof. elas vão embora. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. mas os políticos. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. então. não são os religiosos. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. IV). desviar o trânsito. Se não houver essa lei. Para que as pessoas possam se reunir. XVI. 15. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. Criação de associações e. XXI. JAS diz que não são direitos coletivos. Segundo Jean Rivero. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. CR: Não é só a liberdade de se associar. por sua vez. Há. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. as pessoas se reúnem e. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Liberdade de reunião. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa.

Segundo o STF. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. XXII. É o entendimento de Daniel Sarmento. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. ADC e ADPF. Segundo o STF. XXIII. portanto. defendendo direito alheio. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. segundo o prof. pode ser dada numa Assembléia Geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. III. Se ele tem proteção. LXX. mas sim contrárias ao direito e. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. ilegítimas. A associação impetra em nome próprio. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Função Social da propriedade: A CR. A Constituição não garante o direito à propriedade. 5º. 5º. não precisando de autorização expressa. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Segundo ele.. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. não impede que o direito de propriedade seja protegido. Ex: Invasões de terra pelo MST. 2. em seu art. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. ☺art. Só pode representar se houver autorização expressa. 8º. 5º. no seu art. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. por exemplo. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Segundo JAS. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. Em seguida. segundo o prof. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). não pode existir mais de uma federação por território. CR) quando ajuíza uma ação. Há um outro entendimento que. Ela só garante o direito de propriedade. é mais correto. como a Constituição garante o direito de propriedade. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. 118 . não são legítimas essas invasões. mas não pode ajuizar ADI. a função social. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. do próprio regime desse direito. se não for atendida. mas faz parte da estrutura desse direito. a propriedade terá uma proteção menor. ter um patrimônio mínimo. O sindicato (☺art. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). tendo um menor peso na ponderação. Segundo o STF. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. O que acontece é que se não cumprir a função social. segundo o qual. garante o direito de propriedade. o direito de propriedade pertence ao direito público.

→ Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. há uma transferência compulsória da propriedade. por utilidade pública. Sempre haverá indenização. uma escola pública. 5º. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. mas sobre a propriedade em si. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Para atender a função social. a indenização será sempre posterior. Sempre que há requisição. VII). Além do caráter absoluto. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. 184. 182. §2º. 2. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. Desapropriação: Diferentemente da requisição. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. Propriedade Urbana: ☺art. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. como decorrência do primeiro. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. justa e. Logo. como um apartamento. No caso de requisição. b. Propriedade Rural: ☺art. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. 186. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Vejamos: a) ☺art. só haverá indenização se houver dano. o proprietário não tem culpa. Os principais aspectos são 2. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). indenização por títulos da dívida pública). Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. O título deve ser entregue antes da desapropriação. 139. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. CR. IPTU progressivo no tempo. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. 182. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . etc. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. §4º. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. É um aspecto lógico. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. que deve ser prévia. na desapropriação. ou por interesse social. normalmente. Vejamos abaixo. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Como haverá indenização se houver dano. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. deverá ser em dinheiro. Na requisição. A polícia requisitou determinadas propriedades. XXV) e as militares (☺art. Ex: caso de Eloá. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. restringe o caráter absoluto. por ser inerente ao direito de propriedade. a saber: a. CR. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. A função social. em regra. deve haver indenização? Não. b) ☺ art. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto.000 habitantes (§1°). a saber: por necessidade pública. ele não poderá ser prejudicado. diante de uma emergência. CF/88: Trata-se de imóvel rural.

possuir o imóvel como se fosse seu. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. não podem ser adquiridos por usucapião.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . paga em dinheiro). 183. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). Usucapião: Na Constituição da República.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. Vejamos: . É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos).Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. não há pagamento de indenização. Para esse fim.: Imóveis públicos. PU. 120 .Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. O confisco de propriedade está previsto no art. 185. ininterrupta. Necessidades permanentes da sociedade.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. emergências da sociedade. é porque ela está cumprindo a sua função social. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. etc. precisa recorrer ao judiciário). parágrafo único. por ter prazo menor. prévia e. Requisição Refere-se a bens e serviços. no máximo. Só que. no máximo. 50 hectares. Necessidades transitórias. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. 243 da CR. . 191. Se ele tiver outro imóvel. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. regra. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art.).CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. seja urbano ou rural. Só não podem ser para fins de reforma agrária. pacífica. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). Na CR. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). A Constituição não permite – ☺art. São imunes a impostos (☺art. 184. Confisco: No Brasil. §5º. 243. sem oposição. Como o confisco é uma sanção. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. sejam urbanos ou rurais. o imóvel deve ter. Obs. CR). . os bens serão confiscados – art. É sempre indenizável (justa. Se ela é produtiva. 250 m2. em Indenização posterior se houver dano. CF/88. §3° e art. 3. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário).o morador não pode ter outro imóvel. 5º. CR). . Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Nesse caso. . 2. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. não precária.

autônomo.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. No direito penal. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. na verdade. só que exclusiva para o direito tributário. Durante a vigência desse contrato. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. XL. Alguns a interpretavam de maneira (A). a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. XXXVI. Seria correspondente à primeira hipótese. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . a regra também é a não retroatividade (art. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. 106. A garantia existe para a proteção desse direito. mas que vale especificamente para o direito tributário. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. desde que seja mais benéfica para o réu. b) Retroatividade benigna. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. 5º. a CR/88 entrou em vigor. 3. Para responder a essa questão. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Em regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. CR). 2. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. 5º. não. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. é uma conjugação das duas anteriores. interpretando a lei da maneira (A). A lei interpretativa retroage. 5º e no art. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. média e mínima. Retroatividade da Lei Penal. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Esta hipótese é. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. é necessário diferenciar duas situações. etc. não era muito democrática). O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. inicial. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Em resumo. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. As hipóteses mais importantes são: 1. Todas as demais o consagraram. a saber: 1. ato jurídico perfeito e coisa julgada. a lei interpretativa retroage. outros a interpretavam de maneira (B). mas deve respeitar a coisa julgada. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito.

mas isso está superado. e não lei em sentido restrito. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Se a Constituição atingir essa prestação. 473. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. até mesmo. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. As parcelas podem ser reduzidas e. . XXXVI) é lei em sentido estrito e. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Ex. coisa julgada e ato jurídico perfeito. É claro que isso não é desejável. Após a Constituição de 1988. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Se mudar o real.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. ela afeta a todos. → Coisa julgada: 122 . porque geraria uma insegurança jurídica. inclusive as de ordem pública. Antes de a prestação ser paga.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. não há posição prevalecente. a Constituição da República entrou em vigor. e não as parcelas que compõem o vencimento. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. b) Retroatividade média: pode ocorrer. Nesse caso. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. e não o ato exaurido. de acordo com a legislação da época. Só que para haver essa retroatividade. será necessário que a Constituição diga expressamente. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. O prof. A EC poderia prejudicar direito adquirido. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. mas as leis não. É claro que isso não é desejável. STF. porque geraria uma insegurança jurídica.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Não pode haver a redução. haverá uma retroatividade máxima. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. extintas. Havendo mudança de regime jurídico. ☺Súm. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. 5º.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. interpreta a lei em sentido amplo. haverá uma retroatividade média. em regra.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. . . automaticamente. 2. . 654 e Súm. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Ex: Determinada prestação. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. portanto. Só que para haver essa retroatividade. no caso de retroatividade mínima. através de norma de eficácia plena. Portanto. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Na retroatividade máxima. dirige-se apenas ao legislador ordinário. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia.

são mandados de otimização. Ou seja. . à medida que a sociedade o determine. exigem uma atuação positiva do Estado. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. Os princípios. 5º. em regra. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. §1º. 2. No art. e não propriamente como ministro). e isso para muitos é um ponto negativo. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. consagrados em NEP ou NEC. como doutrinador. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. §1º. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Os direitos de defesa são. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. em sua maioria.☺art. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. Em cada época. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. de sociedades pluralistas. nós deveríamos interpretar o art. para dar decisões concretizando tais direitos. e pelo Min. Eficácia: todo direito tem um custo. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Direitos Sociais: 1. 5º. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. mas é apenas a coisa julgada judicial. pois são mais facilmente implementados. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. Eros Grau.: salário mínimo). Assim. Por isso. independentemente de qualquer fator. o que significa que possuem um caráter positivo. Mas isso não é verdade. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material.. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. ou seja. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. 7º. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. b) o art. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. por ex. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. A administrativa não tem essa proteção. Já os direitos sociais. segundo Robert Alexy. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. do seu enunciado. 5º. são NEL (de princípio programático). como teórico do direito (ou seja. Dirley Jr. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. independentemente da sua natureza.

é importante definir tais critérios. só porque recorreram ao PJ. pois. por ex.. essa atuação talvez não seja tão justa. A visão do juiz é bilateral. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. O que se busca. Esses direitos sociais não teriam. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. Quando se fala em direitos sociais. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . doutrinador do RS. assim. etc. . por ser norma programática. as normas possuem uma textura aberta. não geram direitos subjetivos. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. rodovias.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Esse entendimento já foi superado. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. que estamos buscando. Norma de direito social não gera direito subjetivo. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos.). é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. Como têm apenas eficácia negativa.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. Em outros lugares. em tese. Argumentos contrários à intervenção judicial: . quando foi dado um maior papel ao PJ. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. trabalho. educação. Portanto. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral.000. Pedro Taques). Assim. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88.). que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. .Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. por ex. todas. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. normatividade. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. legítimas (saúde. Por isso. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. segurança. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. previdência. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ.000. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. pois. implicitamente. 3ª fase: é a fase desejável. Primeiramente. Obs. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. lazer.

. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. segundo Ingo Sarlet. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. De se ver que quando se fala em direitos sociais. em 1972. o outro cresce. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. eles acabariam sendo inviabilizados. Mas. em razão das limitações orçamentárias existentes. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. mas a todos que se encontrem na mesma situação. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Ademais. no que diz respeito aos direitos sociais. É preciso. em razão do Princípio da Igualdade. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. ou seja. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). saber se a demanda é razoável. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. Não é o entendimento que prevalece. . sufrágio universal. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. por isso. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Se um poder se encolhe. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. 125 . e é muito utilizada no Brasil. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado.Caráter normativo da constituição. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Se não se estabelecer os critérios. pois. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. teríamos a maior utilização das ações coletivas. não se encaixaria na realidade brasileira. . A reserva do possível. eleições periódicas. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. Assim. inclusive a minoria. Esses argumentos são os que devem prosperar. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. Os direitos sociais estão consagrados em normas. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado.A democracia não é apenas vontade da maioria.Déficit democrático das instituições representativas. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). entra-se muito nas questões ideológicas.

. educação e moradia. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. mas teria um peso maior na ponderação. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Segundo Ana Paula de Barcellos. precisam ser concretizados. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. quando se estabelece o mínimo existencial. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. . saúde. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). Segundo o prof. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. por ser necessária para a 126 . Não é o máximo desejado. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. é o entendimento mais adequado. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Se não definir o conteúdo. essa concretização. que existem z pessoas na mesma situação. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. A reserva do possível é uma matéria de direito público. depende de cada época e de cada sociedade. Segundo Ricardo Lobo Torres. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. maior o risco de não ter efetividade. Ou seja. pelo cumprimento voluntário da constituição. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. da liberdade material e do princípio do estado social. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Outros autores já falam apenas em saúde. assistência em caso de necessidade.. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. a questão da efetividade será prejudicada. A efetividade passa pela sociedade. que a demanda custa y. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. em razão de sua textura aberta. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Por que falamos em “mínimo”. que é a corte suprema na Alemanha. etc. 2.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. Vejamos: 1. mas deve também ser provada. em 1953. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. No Brasil. é o mínimo existencial. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Assim.

assim. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. só ampliado. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. 5º. Por isso. irão concretizar os direitos sociais. 127 . A palavra nacionalidade deriva de “natio”. entre eles: laços culturais. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. da dignidade da pessoa humana. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. e. independentemente da nacionalidade. Há dois posicionamentos quanto ao tema. Segundo ele. esse prazo não pode mais ser reduzido. Os poderes públicos. não pode haver uma redução dessa concretização. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. fala-se em vedação do retrocesso social. Todos que moram no Brasil. já dizia algo muito semelhante. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. passaria a fazer parte do próprio direito social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. pois. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. Ele tem. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. JAS. costumes. População está relacionada ao conceito demográfico. da máxima efetividade (art. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. e do Estado Democrático e Social de Direito. o que prejudicaria a sociedade. estatístico. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. que significa nação. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. segundo ele. fazem parte da população brasileira. CR). ao estudar as normas de princípios programáticos. de acordo com a necessidade. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. um pensamento mais flexível sobre o tema. haver uma redução do grau de concretização. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. A partir do momento que um direito social é concretizado.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. históricos. Pode. língua. §1º. Ex. 2) posicionamento de um autor português. consciência coletiva. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. haveria um engessamento do legislador e do PE.

terá naturalidade brasileira. 12. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. art. De acordo com o critério sanguíneo. II) Naturalização expressa (art. 12. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). Neste caso.815/80. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). Refere-se aos brasileiros natos. há direito público subjetivo do estrangeiro. não há direito público subjetivo. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. I. desde que haja reciprocidade. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização.Quase nacionalidade (art. se não se manifestarem contrariamente. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. 112 e 115. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). 12. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. de acordo com o art. os pais têm que ser brasileiros. . CF/88. considera a nacionalidade dos pais. É geralmente adotada por países que estão em formação. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país.Diferenças de tratamento 128 . por uma questão de soberania nacional. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. I. §6°. 12. II) Jus Sanguinis: ascendência. Quando a pessoa é nascida no Brasil. I. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Se o casal estiver a serviço de outro país. a). A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. não haver condenação penal e requerimento do interessado. 227. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. . Pelo critério funcional. A EC 54 alterou o art. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. 12. o filho terá nacionalidade brasileira. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). É o caso do Brasil. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. adquirem a nacionalidade do país onde residem. estrangeiros residentes. c. Refere-se aos brasileiros naturalizados. b). II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. Obs. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”.

em razão da soberania nacional.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos.segurança nacional: oficial das forças armadas.815 (ato nocivo ao interesse nacional). Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. Mas. no entanto.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. dependente da economia paterna. Mas. Expulsão: consiste na retirada a forca. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. do território brasileiro. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos.Perda da nacionalidade (art. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). 89. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. 65 da lei 6. A deportação está mais próxima da expulsão. Princípios relacionados à extradição: . Importante analisar a Súmula 421. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. ou que tenha filho brasileiro. 5°. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. . CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. XL. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. confundir a súmula acima com a seguinte. Não se pode. a ela aplica-se a súmula 1. Se o estado desrespeita essa regra. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. presidente do SF. No caso de brasileiro naturalizado. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. presidente da CD. em razão da superioridade da Constituição.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. . . 5°. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. Os critérios utilizados são: . b) 6 assentos do Conselho da República (art. CF/88). §3°). 5°. cria-se um problema de relação internacional. CF/88): 129 . não se poderá invadir esse estado. §2°. 12.linha sucessória do presidente da república: PR. só poderá ser extraditado: . o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma).Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. d) Extradição (art. . Já na entrega. . 12. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. 12. Na extradição. portanto. §4°. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. . vice. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato.

perderá a nacionalidade brasileira. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. caput). one vote”. nacionalidade e alistamento.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). é o direito político em si. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. . No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Além dessas características do voto. na forma da lei (que ainda não existe). o sufrágio censitário (ex.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. §1º). 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. e não requisitos preconceituosos. Servem ao controle do próprio direito. Características que o voto possui no Brasil: . com a realização de eleições periódicas. voto é o exercício desse direito. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. §1º. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. . é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário).Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. Para JAS. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. salvo nos casos das alíneas a e b. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. 81. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. ou seja. pelo CN.tem valor igual para todos: “one man. salvo se por meio de ação rescisória. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. . A CR/88 adota o sufrágio universal. inclusive sendo cláusula pétrea. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea.é direto: é a regra. São requisitos apenas técnico-formais. com uma única exceção: art.é periódico: essa periodicidade do voto. Direitos Políticos: . e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). 14. . Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). que exige uma alternância de poder. one vote” – “one person. 14. 130 .é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. é o direito de votar (e não de ser votado). de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal.

Primeiramente. salvo se já titular do cargo.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. dentistas. 14. se houver reciprocidade (art. com exceção dos portugueses equiparados. Assim. então. trata-se de lei ordinária. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. ou seja. 12. 14. os inalistáveis são os estrangeiros. Além dessas condições relativas à idade mínima. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. . mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. 14. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . domicílio eleitoral na circunscrição. ☺ar. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. no governo de SP). a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. §8º). §3º. a inelegibilidade em relação aos militares (art. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). etc. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. 14). assim. §7º . A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade.é conhecida como inelegibilidade reflexa. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . no caso do art. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. Quando a Constituição fala apenas em lei. Ex. §5º . b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. em caso de reeleição. No Brasil. §1º). farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). Mas o §9º do art. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. 14.☺§3º. 14. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. filiação partidária. ela é adquirida progressivamente. . e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. 14 traz um questionamento. é o direito da pessoa ser votada.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. até que se atinja a plena cidadania. ou seja. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). §3º? Segundo o STF. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. do art. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. 14. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. que geralmente admitem desincompatibilização.

15 (incisos II. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. 132 . seus parentes também poderiam ser candidatos. 15. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. VIII). 15. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. Com base nessa distinção. não há como readquirir os direitos políticos). IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. 5º. Todas as outras hipóteses do art. portanto. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. o prof. nos termos do art. III e V) são hipóteses de suspensão. é algo temporário. Kildare. mas o prof. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. e quanto a isso não há divergência doutrinária. A doutrina (JAS. I. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art.