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Problemas urbanos (11.º)

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05/09/2013

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PROBLEMAS URBANOS E CONDIÇÕES DE VIDA URBANA

Embora ofereçam condições de vida vantajosas para a população, de um modo geral, a maioria das cidades concentra também alguns problemas. Em muitos casos, resultam do seu crescimento excessivo e, por vezes, problemas. mal planeado, que impede o ajustamento entre as infra-estruturas urbanas e as necessidades da população, infracolocando problemas de sustentabilidade e reduzindo a qualidade de vida (Doc. 1). 1).
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Doc. 1 – O que leva algumas pessoas a quererem sair das grandes cidades

SATURAÇÃO DAS INFRA-ESTRUTURAS INFRAO crescimento da população conduz, a partir de determinada altura, a uma saturação do espaço e à incapacidade de resposta das infra-estruturas físicas, como as redes de distribuição de água e energia, infrafísicas, de saneamento e de transportes, e sociais, de que são exemplos os tribunais, as finanças, as escolas, os sociais, hospitais ou os centros de dia para idosos. Um dos indicadores de qualidade de vida da população é a sua mobilidade. Paradoxalmente, pelo menos no que diz respeito à mobilidade no dia-a-dia, o aumento da taxa de motorização, com a utilização crescente diado transporte individual, tem vindo a contribuir para a diminuição da facilidade de deslocação nas individual, áreas urbanas. Este problema agrava-se nas áreas metropolitanas, onde grande parte da população trabalha urbanas. agravafora da sua área de residência, intensificando os movimentos pendulares. Surgem, assim, congestionamentos e problemas de trânsito, bem como de estacionamento, pois a rede trânsito, estacionamento, viária e os espaços reservados ao estacionamento tornam-se insuficientes. tornamEstes problemas resultam, em parte, da insuficiência e ineficácia dos transportes públicos urbanos, urbanos, sobretudo fora dos grandes centros e na ligação entre os vários pontos da periferia. Contribuem para a sua ineficácia a insegurança e o desconforto, os intervalos dos horários do serviço nocturno, a lentidão dos percursos e as más condições e o tempo de espera nas paragens.

HABITAÇÃO E HABITABILIDADE
Em Portugal, a tendência de comprar habitação é relativamente recente, pelo que grande parte dos prédios do centro das cidades (os mais antigos) são arrendados. Este é um dos factores da degradação de muitos edifícios nas áreas mais antigas das cidades (Doc. 2). 2). O sistema de arrendamento manteve durante muitos anos as rendas fixas, não compensando os arrendatários pelo seu investimento nem garantindo rendimento suficiente para que procedessem à recuperação das habitações. Mesmo quando os moradores são proprietários, tratando-se muitas vezes tratandode idosos, possuem fracos rendimentos e pouca motivação para proceder a obras de beneficiação das habitações.
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Doc. 2 - Edifício degradado

Quando estes edifícios ficam desocupados (por morte ou abandono dos seus antigos ocupantes) e não se procede imediatamente à sua demolição ou recuperação, dá-se, frequentemente, a sua ocupação dápor uma população de recursos ainda mais fracos. É também este tipo de população que habita nos bairros de lata, formando bolsas de habitação precária, onde se associam a precária, pobreza e a marginalidade (Doc. 3). 3). A ausência de infra-estruturas básicas e a falta de arruamentos infrapavimentados, contribui para agravar as condições de habitabilidade destes bairros.
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Doc. 3 - Bairro da lata nos arredores de Lisboa

Nos bairros clandestinos, as condições de vida são clandestinos, afectadas pela ausência de planeamento na sua construção. A sua génese ilegal continua a evidenciar-se pela falta de evidenciarespaços verdes, áreas apropriadas de comércio e serviços, locais de estacionamento, equipamentos colectivos, etc. Mais frequentes nas áreas metropolitanas, a recuperação e
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legalização destes bairros, na maioria dos casos já concluída, constitui ainda um problema preocupante, sobretudo onde a dispersão da propriedade é maior, pois atrasa os processos de licenciamento e de execução das infra-estruturas (Doc. 4). infra4).

Doc. 4 - A falta de planeamento urbanístico dificulta a circulação nos bairros de génese ilegal

ENVELHECIMENTO E SOLIDÃO
O envelhecimento da população acompanha o dos edifícios e levanta problemas sociais de abandono e de solidão. Na cidade, sobretudo nas áreas centrais, vão ficando os mais velhos, enquanto as novas gerações solidão. procuram, geralmente, habitação nas áreas suburbanas, onde o seu custo é menor. Nas cidades e, principalmente, nas áreas suburbanas, são as crianças e os adolescentes que sofrem de outro tipo de solidão - a ausência dos pais. Pertencem à chamada «geração da chave», pois desde muito novos pais. têm a chave de casa, ficando entregues a si próprios durante todo o dia. Esta forma de abandono reflecte-se reflectenão só na indisciplina e no insucesso escolar, mas também na dependência da droga e do álcool, porta aberta para a delinquência. As deslocações pendulares, efectuadas a distâncias cada vez maiores, originam situações de stress e doenças do sistema nervoso, pois além da fadiga, da despesa, da irritação que causam as filas de nervoso, fadiga, despesa, trânsito, acresce a preocupação com o cumprimento dos horários (emprego, infantários, escolas...). Ainda que se caracterize pela concentração demográfica e de actividades económicas, a cidade é um espaço onde as pessoas se cruzam, mas raramente se encontram, prevalecendo um anonimato difícil de quebrar, factor de liberdade, mas também de solidão, acentuado pela ausência de relações de vizinhança.

DESEMPREGO E POBREZA
A conjuntura económica europeia do início deste século, sentida particularmente em Portugal, aliada aos efeitos da globalização, com a deslocalização das empresas, teve, como efeito, o aumento do desemprego. desemprego. O desemprego prolongado é particularmente problemático nas cidades, onde a sobrevivência das famílias depende totalmente dos salários, inclusive para a habitação que, mesmo quando é própria, exige o pagamento das prestações do empréstimo bancário. Para além dos problemas financeiros, o desemprego provoca a diminuição dos contactos sociais, do respeito por si próprio e da auto-estima, levando a consequências psicológicas, como situações de frustração e autodepressão, e ao aumento da pobreza e da exclusão social. social.
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A pobreza é, aliás, outro problema urbano que afecta, sobretudo, os idosos com baixas pensões de reforma e os trabalhadores de empregos mal remunerados. Porém, novas categorias de pobres incluem remunerados. ainda os grupos étnicos e culturais minoritários, as famílias monoparentais, na sua maioria femininas, monoparentais, e um grupo mais vulnerável de que fazem parte, além dos desempregados de longa duração, os semduração, semabrigo. abrigo. O crescimento do número dos sem-abrigo, nas cidades, é semparticularmente preocupante. Devido a problemas de desemprego, de abandono familiar, de toxicodependência, etc., vivem em situação de ruptura com os sistemas sociais e dormem em vãos de escada, em carros abandonados ou na rua (Doc. 5). (Doc. 5). Na cidade, é também muito frequente a existência de situações de pobreza cujo rosto nem sempre é visível, principalmente quando são considerados outros domínios que não o material. As situações de abandono e de pobreza, face visível das desigualdades sociais, presentes também no espaço urbano, propiciam a criminalidade e, com ela, a insegurança dos cidadãos que, por medo, muitas vezes não usufruem de espaços como jardins públicos, parques infantis ou de um simples passeio pelas ruas.
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Doc. 5 - Pobreza na cidade

PRESSÃO AMBIENTAL
A componente ambiental é um importante indicador da qualidade de vida urbana. A grande concentração populacional e de actividades económicas, os transportes e o modo de vida urbano fazem das cidades os principais consumidores de recursos naturais e de energia e os maiores produtores de resíduos, exercendo forte pressão sobre os ecossistemas das regiões onde se inserem. O aumento dos níveis de poluição atmosférica e sonora, particularmente sentido nas grandes aglomerações sonora, urbanas, compromete a qualidade do ar que se respira e a saúde dos cidadãos, provocando doenças respiratórias e dermatológicas (Doc. 6). (Doc. 6).

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Doc. 6 - Índice de qualidade do ar em algumas aglomerações, em Portugal Continental (2002 - 2004)

A forte concentração de gases poluentes nos maiores centros urbanos, sobretudo nas áreas centrais, provoca uma subida da temperatura, agravada pelos materiais de construção com grande capacidade de absorção temperatura, da radiação solar, pela densificação das construções, pelo calor libertado pelos transportes, iluminação e sistemas de climatização artificial, e pela impermeabilização dos solos.
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À poluição do ar e à poluição sonora junta-se a que resulta da crescente produção de resíduos urbanos, juntaurbanos, associada ao aumento do poder de compra e do consumo das famílias (Doc. 7). (Doc. 7). Este aumento obriga à construção de equipamentos de deposição e de tratamento de lixos e águas residuais (aterros sanitários, incineradoras e ETAR) que, apesar de reduzirem muito os efeitos nefastos sobre o ambiente, são também, eles próprios, agentes poluidores.
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Doc. 7 - Evolução da produção de resíduos sólidos urbanos (RSU), em Portugal

A própria expansão urbana invade espaços cada vez mais vastos, com impactes profundos no ambiente e na paisagem. É o caso da ocupação urbana de áreas sensíveis do ponto de vista ambiental, como zonas ribeirinhas e leitos de cheia, ambiental, encostas íngremes, regiões costeiras, e de solos com elevada aptidão agrícola (Doc. 8). 8).
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Doc. 8 - Ocupação urbana das costeiras de Loures

A forte pressão construtiva, aliada ao elevado custo do solo nas áreas urbanas leva, por vezes, à falta de zonas verdes, que possibilitem o lazer e o convívio da população, e de caminhos pedonais, que permitam a verdes, pedonais, separação dos peões e dos carros e que humanizem a paisagem urbana (Doc. 9). (Doc. 9).
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Doc. 9 – Ausência de espaços verdes

A paisagem urbana é ainda desvirtuada por numerosas agressões que diminuem a sua qualidade estética (Doc. 10). 10).

Fonte: Adaptado de Geografia A 11.º Ano. Ano.
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Texto editores, 2008.

Doc. 10 – Intrusão visual

http://geoclick.blogspot.com/ prof.geo.fernando@sapo.pt

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