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Literatura Infantil

Há uma enorme discussão entre os teóricos para entender a Literatura Infantil. A discussão passa pela conceituação, a concepção da infância e do leitor, a ligação da literatura infantil e a escola, até o caráter literário dessas obras para crianças. Os primeiros livros para crianças surgem somente no final do século XVII escritos por professores e pedagogos. Estavam diretamente relacionados a uma função utilitário-pedagógica e, por isso, foram sempre considerados uma forma literária menor. A produção para a infância surgiu com o objetivo de ensinar valores (caráter didático), ajudar a enfrentar a realidade social e propiciar a adoção de hábitos. Infelizmente, ainda podemos encontrar esses objetivos na produção infantil contemporânea. Para entender melhor essa função utilitário-pedagógica presente na literatura infantil vamos ver o que falam Maria José Palo e Maria Rosa D. Oliveira:

Dentro do contexto da literatura infantil, a função pedagógica implica a ação educativa do livro sobre a criança. De um lado, relação comunicativa leitor-obra, tendo por intermediário o pedagógico, que dirige e orienta o uso da informação; de outro, a cadeia de mediadores que interceptam a relação livro-criança: família, escola, biblioteca e o próprio mercado editorial, agentes controladores de usos que dificultam à criança a decisão e escolha do que e como ler. Extremamente pragmática, essa função pedagógica tem em vista uma interferência sobre o universo do usuário através do livro infantil, da ação de sua linguagem, servindo-se da força material que palavras e imagens possuem, como signos que são, de atuar sobre a mente daquele que as usa; no caso, a criança.1
No Brasil, a Literatura Infantil só chegou no final do século XIX. A literatura oral prevaleceu até esse período com o misticismo e o folclore das culturas indígenas, africanas e européias.

Carlos Jansen e Alberto Figueiredo Pimentel foram os primeiros brasileiros a se preocuparem com a literatura infantil no país, traduzindo as mais significativas páginas dos hoje considerados "clássicos" para a garotada. Com Thales de Andrade, em 1917, é que a literatura infantil nacional teve início. E foi em 1921 que nosso grande Monteiro Lobato estreou com "Narizinho Arrebitado", apresentando ao mundo Emília, a mais moderna e encantadora fada humanizada.2
No entanto, só após a década de 70 houve um grande desenvolvimento da literatura para crianças com a entrada de grandes editoras no mercado.

A produção brasileira de literatura infanto-juvenil, até a década de 70, foi esporádica, constituindo-se basicamente de traduções de clássicos e de algumas coleções estrangeiras de grande apelo comercial.3

O conceito de Literatura Infantil
O conceito de Literatura Infantil é bastante discutido entre os estudiosos do assunto. Há aqueles que defendem que é o objeto escolhido pelo seu próprio leitor, outros que é o objeto de formação de um agente transformador da sociedade e há até aqueles que questionam o fato de existir uma literatura infantil ou dela ser uma questão de estilo.

Temos abaixo algumas dessas idéias e também declarações de autores de literatura infantil para percebemos como essa é uma área conflituosa. Ver o objeto a partir de vários pontos de vistas pode nos ajudar a entender melhor e formularmos nosso próprio conceito. "Literatura Infantil é todo o acervo literário eleito pela criança" (Bárbara Vasconcelos Bahia) "Literatura Infantil são os livros que têm a capacidade de provocar a emoção, o prazer, o entretenimento, a fantasia, a identificação e o interesse da criançada." (Leo Cunha) "A literatura, e em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor/livro, seja no diálogo leitor/texto estimulado pela escola" (Nelly Novaes Coelho) "O gênero literatura infantil tem, a meu ver, a existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de se constituir alimento para o espírito da criança ou jovem e se dirige ao espírito adulto? " (Carlos Drummond de Andrade) "Se a falta é estrutural, e se não se vive sem a base fantasmática (o infantil que se atualiza), não seria possível afirmar que, em toda literatura, há esse infantil, ainda que menos ou mais encoberto? O infantil na literatura, que não se confunde, certamente, com a Literatura Infantil, tampouco com relatos de infância. Na particularidade de cada novo ato, a criança é quem escreve no adulto. E ela o faz com estilo - assinatura pontual, estilo portador de sujeito" (Ana Maria Clark Peres)

"Escrevo porque gosto. Com meus textos, quero botar para fora algo que não consigo deixar dentro. E escrevo para criança porque tenho uma certa afinidade de linguagem. Mas não tenho intenção didática, não quero transmitir nenhuma mensagem, não sou telegrafista. Acredito que a função da obra literária é criar um momento de beleza através da palavra. ... Em momento algum eu acho que a linguagem deva ser simplificada. Em meus livros não há condescendência, tatibitate nem barateamento da linguagem. A colocação dos pronomes é consciente, a regência e a concordância são rigorosas. As rupturas são intencionais, têm uma função estilística. Acho essencial dominar uma gramática para domá-la a partir de uma linguagem nova." (Ana Maria Machado) "Escrevo para dizer o que penso. Quero reclamar de governos autoritários. Quero mostrar a existência de desigualdade entre o homem e a mulher. Não fujo muito de temas que, supostamente, não pertencem ao universo infantil. Acho que todo mundo é capaz de aprender." (Ruth Rocha)

A Literatura Infantil e a Escola
Como já foi dito, os primeiros livros infantis foram escritos por pedagogos e professores com o objetivo de estabelecer padrões comportamentais exigidos pela sociedade burguesia que se estabelecia. A relação entre literatura e a escola é forte desde o início até hoje. Diversos estudiosos defendem o uso do livro em sala de aula, mas atualmente o objetivo não é transmitir os valores da sociedade e sim propiciar uma nova visão da realidade.

"... a escola é, hoje, o espaço privilegiado, em que deverão ser lançadas as bases para a formação do indivíduo. E, nesse espaço, privilegiamos os estudos literários, pois, de maneira mais abrangente do que quaisquer outros, eles estimulam o exercício da mente; a percepção do real em suas múltiplas significações; a consciência do eu em relação ao outro; a leitura do mundo em seus vários níveis e, principalmente, dinamizam o estudo e conhecimento da língua, da expressão verbal significativa e consciente - condição sine qua non para a plena realidade do ser." 1 "A literatura infantil torna-se, deste modo, imprescindível. Os professores dos primeiros anos da escola fundamental devem trabalhar diariamente com a literatura pois esta se constitui em material indispensável, que aflora a criatividade infantil e desperta as veias artísticas da criança. Nessa faixa etária, os livros de literatura devem ser oferecidos às crianças, através de uma espécie de caleidoscópio de sentimentos e emoções que favoreçam a proliferação do gosto pela literatura, enquanto forma de lazer e diversão" 2
Ainda assim podemos ver o sentido pedagógico atribuído à literatura infantil (estimular o exercício da mente, despertar a criatividade...). O que importa, entretanto, é ver que o livro pode ser um objeto para que a criança reflita sua própria condição pessoal (e a imagem projetada nela pelo adulto) e a sociedade em que vive.

Citações
1 - COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000. (página 16) 2 - PIRES, Diléa Helena de Oliveira. "Livro...Eterno Livro..." In: Releitura. Belo Horizonte: março de 2000, vol. 14.

O caráter literário na Literatura Infantil
A discussão se a literatura infantil é uma arte literária ou pedagógica passa pela concepção de infância e pela ligação da literatura infantil com a escola. Ainda não há consenso entre os estudiosos e a disciplina "Literatura Infantil" em algumas faculdades, por exemplo, é oferecida apenas na área de Educação e não na Letras. Se observarmos a origem dos chamados "clássicos" da literatura infantil, os Contos de Fada, veremos que eles surgiram de histórias da tradição oral. Os maiores clássicos da literatura grega, A Odisséia e A Ilíada, também têm a mesma origem nessa tradição oral. São histórias contadas e recontadas oralmente que fazem parte da cultura e que são depois registradas na forma escrita. Os irmãos Grimm pesquisaram e recolheram contos por meio de viagens a diversas regiões da Alemanha e tiveram o cuidado em não deturpar essa tradição oral. A passagem do oral para o escrito exige, sem dúvida, uma sensibilidade e domínio da língua que são características dos grandes escritores.

Os contos de fada apresentam uma mesma estrutura narrativa dos chamados contos maravilhosos (que são considerados literários). O russo Wladimir Propp estudou a morfologia do conto e apresentou cinco características presentes nos contos maravilhosos e também nos contos de fada: a aspiração, viagem, obstáculos, uma mediação e a conquista do objetivo.

É bom lembrar também que grandes obras literárias como As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, e Aventuras de Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, não foram escritas para crianças, possuem todas as características de outras obras literárias e são adotadas atualmente como literatura infanto-juvenil. A literatura infantil, além disso, apresenta os fatores estruturais que aparecem em qualquer obra literária: um narrador, um foco narrativo, a história, os personagens, o espaço físico e temporal, uma linguagem usada literariamente e um destinatário da sua comunicação: o leitor.

Por tudo isso, é importante estudar as obras de literatura infantil pelas suas características literárias:

"...ao ser ligada, de maneira radical, a problemas sociais, étnicos, econômicos e políticos de tal gravidade, a literatura infantil e juvenil perde suas características de literariedade para ser tratada como simples meio de transmitir valores. Ou é lida exclusivamente em função de seus estereótipos socias. Daí a urgência que vemos na conscientização e organização de uma crítica literária para a literatura infantil brasileira." (COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000. Página 58)

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Há uma enorme discussão entre os teóricos para entender a Literatura Infantil. A discussão passa pela conceituação, a concepção da infância e do leitor, a ligação da literatura infantil e a escola, até o caráter literário dessas obras para crianças. Os primeiros livros para crianças surgem somente no final do século XVII escritos por professores e pedagogos. Estavam diretamente relacionados a uma função utilitário-pedagógica e, por isso, foram sempre considerados uma forma literária menor. A produção para a infância surgiu com o objetivo de ensinar valores (caráter didático), ajudar a enfrentar a realidade social e propiciar a adoção de hábitos. Infelizmente, ainda podemos encontrar esses objetivos na produção infantil contemporânea. Para entender melhor essa função utilitário-pedagógica presente na literatura infatil vamos ver o que falam Maria José Palo e Maria Rosa D. Oliveira:

Dentro do contexto da literatura infantil, a função pedagógica implica a ação educativa do livro sobre a criança. De um lado, relação comunicativa leitor-obra, tendo por intermediário o pedagógico, que dirige e orienta o uso da informação; de outro, a cadeia de mediadores que interceptam a relação livro-criança: família, escola, biblioteca e o próprio mercado editorial, agentes controladores de usos que dificultam à criança a decisão e escolha do que e como ler. Extremamente pragmática, essa função pedagógica tem em vista uma interferência sobre o universo do usuário através do livro infantil, da ação de sua linguagem, servindo-se da força material que palavras e imagens possuem, como signos que são, de atuar sobre a mente daquele que as usa; no caso, a criança.1
No Brasil, a Literatura Infantil só chegou no final do século XIX. A literatura oral prevaleceu até esse período com o misticismo e o folclore das culturas indígenas, africanas e européias.

Carlos Jansen e Alberto Figueiredo Pimentel foram os primeiros brasileiros a se preocuparem com a literatura infantil no país, traduzindo as mais significativas páginas dos hoje considerados "clássicos" para a garotada. Com Thales de Andrade, em 1917, é que a literatura infantil nacional teve início. E foi em 1921 que nosso grande Monteiro Lobato estreou com "Narizinho Arrebitado", apresentando ao mundo Emília, a mais moderna e encantadora fada humanizada.2
No entanto, só após a década de 70 houve um grande desenvolvimento da literatura para crianças com a entrada de grandes editoras no mercado.

A produção brasileira de literatura infanto-juvenil, até a década de 70, foi esporádica, constituindo-se basicamente de traduções de clássicos e de algumas coleções estrangeiras de grande apelo comercial.3
O conceito de Literatura Infantil é bastante discutido entre os estudiosos do assunto. Há aqueles que defendem que é o objeto escolhido pelo seu próprio leitor, outros que é o objeto de formação de um agente transformador da sociedade e há até aqueles que questionam o fato de existir uma literatura infantil ou dela ser uma questão de estilo. Temos abaixo algumas dessas idéias e também declarações de autores de literatura infantil para percebemos como essa é uma área conflitosa. Ver o objeto a partir de vários pontos de vistas pode nos ajudar a entender melhor e formularmos nosso próprio conceito.

"Literatura Infantil é todo o acervo literário eleito pela criança" (Bárbara Vasconcelos Bahia) "Literatura Infantil são os livros que têm a capacidade de provocar a emoção, o prazer, o entretenimento, a fantasia, a identificação e o interesse da criançada." (Leo Cunha) "A literatura, e em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor/livro, seja no diálogo leitor/texto estimulado pela escola" (Nelly Novaes Coelho) "O gênero literatura infantil tem, a meu ver, a existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de se constituir alimento para o espírito da criança ou jovem e se dirige ao espírito adulto? " (Carlos Drummond de Andrade) "Se a falta é estrutural, e se não se vive sem a base fantasmática (o infantil que se atualiza), não seria possível afirmar que, em toda literatura, há esse infantil, ainda que menos ou mais encoberto? O infantil na literatura, que não se confunde, certamente, com a Literatura Infantil, tampouco com relatos de infância. Na particularidade de cada novo ato, a criança é quem escreve no adulto. E ela o faz com estilo - assinatura pontual, estilo portador de sujeito" (Ana Maria Clark Peres)

"Escrevo porque gosto. Com meus textos, quero botar para fora algo que não consigo deixar dentro. E escrevo para criança porque tenho uma certa afinidade de linguagem. Mas não tenho intenção didática, não quero transmitir nenhuma mensagem, não sou telegrafista. Acredito que a função da obra literária é criar um momento de beleza através da palavra. ... Em momento algum eu acho que a linguagem deva ser simplificada. Em meus livros não há condescendência, tatibitate nem barateamento da linguagem. A colocação dos pronomes é consciente, a regência e a concordância são rigorosas. As rupturas são intencionais, têm uma função estilística. Acho essencial dominar uma gramática para domá-la a partir de uma linguagem nova." (Ana Maria Machado) "Escrevo para dizer o que penso. Quero reclamar de governos autoritários. Quero mostrar a existência de desigualdade entre o homem e a mulher. Não fujo muito de temas que, supostamente, não pertencem ao universo infantil. Acho que todo mundo é capaz de aprender." (Ruth Rocha)

O leitor: concepção de infância
Para pensar a literatura infantil é necessário pensar no seu leitor: a criança. Até o Século XVII as crianças conviviam igualmente com os adultos, não havia um mundo infantil, diferente e separado, ou uma visão especial da infância. Não se escrevia, portanto, para as crianças "...a concepção de uma faixa etária diferenciada, com interesses próprios e necessitando de uma formação específica, só acontece em meio à Idade Moderna. Esta mudança se deveu a outro acontecimento da época: a emergência de uma nova noção de família, centrada não mais em amplas relações de parentesco, mas num núcleo unicelular, preocupado em manter sua privacidade (impedindo a intervenção dos parentes em seus negócios internos) e estimular o afeto entre seus membros" A partir da Idade Moderna a criança é vista como um indivíduo que precisa de atenção especial e cuja é demarcada pela idade. O adulto passa a idealizar a infância. A criança é o indivíduo inocente e dependente do adulto devido à sua falta de experiência da realidade. Até hoje muitos ainda têm essa concepção da infância como o espaço da alegria, da inocência e da falta de domínio da realidade. Os livros que trazem essa concepção são escritos, então, com o objetivo de educar e de ajudar as crianças a enfrentar a realidade. A partir da Psicologia da Aprendizagem a infância é tratada como uma etapa de preparação do pensamento para a vida adulta. O pensamento infantil não tem ainda uma lógica racional. A literatura infantil é, nesta concepção, adequada às fases do raciocínio infantil (que é dividido em idade cronológica). Essas duas concepções de infância convivem até hoje e podemos vê-las até no modo como os livros são selecionados e catalogados pelas editoras. No entanto, uma outra concepção de infância tem sido defendida e com ela uma nova postura da literatura infantil. É preciso entender que a criança é também cheia de conflitos, medos, dúvidas e contradições não por desconhecer a realidade, mas por trazer em si a imagem projetada do adulto: "Se a imagem da criança é contraditória, é precisamente porque o adulto e a sociedade nela projetam, ao mesmo tempo, suas aspirações e repulsas. A imagem da criança é, assim, o reflexo do que o adulto e a sociedade pensam de si mesmos. Mas este reflexo não é ilusão; tende, ao contrário, a tornar-se realidade. Com efeito, a representação da criança assim elaborada transforma-se, pouco a pouco, em realidade da criança. Esta dirige certas exigências ao adulto e à sociedade, em função de suas necessidades essenciais"2 Quanto ao seu desenvolvimento cognitivo, a ênfase não pode ser naquilo que a criança ainda não dá conta, mas sim naquilo que só ela é capaz de fazer. "Se lhe falta a completa capacidade abstrativa que a capacite para as complexas redes analíticoconceituais, sobra-lhe espaço para a vasta mente instintiva, pré-lógica, inclusiva, integral e instantânea que só opera por semelhanças, correspondências entre formas, descobrindo vínculos de similitude entre elementos que a lógica racional condicionou a separar e a excluir. Correspondências, sinestesias. Todos os sentidos incluídos."3 Uma literatura que tenha essa concepção de infância vai, então, privilegiar "o lado espontâneo, intuitivo, analógico e concreto da natureza humana"4 e ver seu leitor como um ser de desejos e pensamentos próprios. "...os projetos mais arrojados de literatura infantil investem, não escamoteando o literário, nem o facilitando, mas enfrentando sua qualidade artística e oferecendo os melhores produtos possíveis ao repertório infantil, que tem a competência necessária para traduzi-lo pelo desempenho de uma leitura múltipla e diversificada."5 Partindo dessa visão dá para entender a vertente que entende a literatura infantil como um estilo literário (dominante estilística), pois o objetivo não é falar para uma de terminada faixa etária, mas trabalhar o texto para preencher desejos que existem em todos os seres humanos.

Citações
1 - ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global Ed., 4ª ed., 1985. (página 13) 2 - ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global Ed., 4ª ed., 1985. (página 18) 3 - PALO, Mª José e OLIVEIRA, Mª Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criança. SP: Ática, 1986. (pág.7) 4 - PALO, Mª José e OLIVEIRA, Mª Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criança. SP: Ática, 1986. (pág.8) 5 - PALO, Mª José e OLIVEIRA, Mª Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criança. SP: Ática, 1986. (pág.11)

Gente que mora dentro da gente

O livro Gente que mora dentro da gente de Jonas Ribeiro (Editora Dimensão) encanta crianças e adultos. As ilustrações são atraentes e sorridentes: corações, gatinhos e bonequinhos encantadores chamam a atenção do pequeno leitor que imagina novas histórias a partir dos desenhos. Os adultos se encantam com a linguagem delicada e com as metáforas e reflexões que a história suscita.

"Já pensou se nós formos contar todas as pessoas que moram em nosso coração? A conta nunca ia terminar, não é? - pergunta o autor na contra-capa.
Na escola, o livro pode levantar discussões, despertar emoções e trabalhar os relacionamentos entre as pessoas. Atualmente vivemos num mundo de violências em que as próprias crianças já sofrem as conseqüências não podendo brincar livremente e andando assustadas. Conversar sobre o respeito ao outro e a importância da solidariedade pode ajudar a superar a violência e construir um mundo melhor. É um livro que fala de sentimentos e nos faz pensar em tudo que está ao nosso redor. O livro na escola: Antes de contar a história, explore o título. As crianças que já escrevem podem listar quem mora no seu coração e o porquê. Para as que ainda estão em fase de alfabetização pode ser feita uma lista coletiva com nomes mais gerais tipo pai, mãe, irmãos... Conte a história e explore as imagens: em que elas se relacionam com o texto, o que despertam... Falar sobre as emoções sempre é bom. Pode ajudar a turma a se conhecer melhor e histórias importantes das vidas das crianças podem chegar até o professor. Dependendo da faixa etária, várias palavras no texto serão desconhecidas das crianças (raças, ancestrais, cidadão, etiqueta...). O significado pode ser descoberto no contexto da história e o dicionário também pode ser usado para tirar dúvidas e formular ou esclarecer conceitos. Após a leitura e exploração do livro, as crianças podem desenhar a partir de certas passagens da história ou a partir das discussões e sentimentos que o livro despertou. A reescrita da história pode produzir bons textos e desenvolver a habilidade de escrita em várias faixasetárias. A história também pode servir de fonte de inspiração para outras histórias: incentive seus alunos e ajude-os a desenvolver a criatividade com sugestões e idéias.É importante lembrar que nada disso será interessante se o próprio mediador não se encantar com a história. Afinal, como despertar o prazer da leitura se você não o sente?

A IMPORTÂNCIA DE SE TRABALHAR COM LITERATURA INFANTIL

O impulso de contar histórias deve ter nascido no homem, no momento em que ele sentiu necessidade de comunicar aos outros alguma experiência sua, que poderia ter significação para todos. Concentram-se aqui a íntima relação entre a literatura e a oralidade. A leitura é uma atividade permanente da condição humana, uma habilidade a ser adquirida desde cedo. Lê-se para sonhar, viajar com a imaginação. Lê-se por prazer e curiosidade. Lê-se para aprender e ficar informado. Lê-se para questionar e resolver problemas. A leitura permite ao leitor manipular o próprio tempo, evolvendo-o em idéias, acontecimentos e fazendo-o interagir com o mundo de forma mais atraente. Mas, não há literatura sem leitor, e o texto nunca é o mesmo, porque provoca cada um de modo diferente.
"Ler histórias sempre, sempre... É poder sorrir, rir, gargalhar com as situaçòes vividas pelas personagens, com a idéia do conto ou com o jeito de escrever de um autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento... É também suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é encontrar outras idéias para solucionar questões. É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos. Ë ouvindo histórias que se pode sentir(também) emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranqüilidade, e tantas outras mais (...)Pois é ouvir, sentir e enxergar com os olhos do imaginário."

A escola representa a única oportunidade de ler que muitas crianças têm. É necessário, portanto, propiciar, nas salas de aula e salas de leitura, a dinamização da cultura viva, diversificada e criativa, que representa o conjunto de formas de pensar, agir e sentir da nossa gente, nossas crenças, expectativas e esperanças. É também estar aberto para outras culturas. A leitura é um processo amplo, que envolve a produção do sentido. De nada adianta ler sem compreender, ouvir sem gostar. É no encontro com qualquer forma de Literatura que os homens têm a oportunidade de ampliar, transformar, ou enriquecer sua própria experiência de vida. "O primeiro contato da criança com um texto é feito oralmente, através da voz da mãe, do pai, ou dos avós, contando contos de fada, trechos da Bíblia, história inventadas (tendo a criança ou os pais como personagem), livros atuais ou curtinhos, poemas sonoros e outros mais.. contados durante o dia , numa tarde de chuva, ou estando todos soltos na grama, num feriado ou domingo – ou num momento de aconchego, à noite , antes de dormir, a criança se preparando para um sono gostoso e reparador, e para um sonho rico, embalado por uma voz amada." ( ABRAMOVICH, Fanny ) OBJETIVO GERAL DO PROJETO: Despertar o interesse e o gosto pela leitura, ampliando assim o universo lingüístico da criança. Sugestões de atividades:
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Baú de histórias, com vários livros para serem lidos, trocados, contados, desenhados, reescritos; Baú da fantasia para que possam dramatizar a(s) história(s) contada(s); Contar a vida do autor e aproveitar para explicar como se faz uma biografia; Criar suspense antes de contar a história, explorar a capa do livro, suas ilustrações, título; Colocar nas costas de um aluno ( ou mais de um se quiser colocar várias palavras), um papel com uma palavra escrita, para que a turma tente ler o que está escrito (o aluno evita a leitura) e adivinhe do que se trata o livro;

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Usar voz expressiva, animando a leitura, fazendo perguntas e comentários, , imitando e inventando vozes para cada um dos personagens, montando cenários e enfatizando situações emocionantes; Organizar a turma em grupos e distribuir uma folha em branco, ou com a parte escrita para que ilustrem, ou ao contrário com a ilustração para pintem e escrevam e montem um livrão coletivo; Contar uma história e pedir a turma em grupos para que reescrevam, ilustrem e contem para a turma; Recontar a história com fantoches; com o uso de "microfone" de fantasia; na "televisão" ; Caracterizar personagens ( bom momento para identificar valores humanos); Analisar o assunto principal da história; Desenhar, recortar, colar, montar cenas da história e produzir textos; Cantar, recitar, músicas e poemas relacionados a história; Produzir um texto que conta como seria se a Bela Adormecida acordasse hoje (o que não existia há cem anos atrás/ como ela viver); Distribuir contos de fadas diferentes aos alunos organizados em grupos. Entregar um envelope com palavras que representem objetos da modernidade. Pedir que leiam o conto e recontem introduzindo o elemento da modernidade. Por ex. a história de Cinderela que tinha um telefone celular; Contar a história e não dizer o fim , pedir aos alunos que em grupo , organizem um fim para a história, contar para todos; Recontar a história em quadrinhos; Contar a história retirada de um livro, mostrar também em cd ou fita cassete e ainda em vídeo. Traçar comparações e ao final ilustrar ou montar um livro; Em roda colocar os livros no meio da sala ou distribuir um para cada um . pedir que leiam e ainda na roda recontem a parte que mais gostaram da história. Ilustrar no final; Usar um objeto qualquer que tenha na história a ser contada, colocar numa caixinha para que as crianças adivinhem o que tem e qual é a história. Dar dicas e pistas; Teatro de fantoches, teatro de sombras, teatro de palitoche, dramatizações; Utilizar a mesma história contada em épocas e autores diferentes para que façam comparações:elaborar novas versões dos contos de fadas; Distribuir nos grupos, num envelope quatro a cinco poemas ou textos do autor trabalhada . enquanto lêem os poemas podem manusear livros do autor. Finalizando a leitura, distribuir materiais de desenho para os alunos. Cada componente do grupo escolhe um poema para ilustrar, montar um cartaz com fragmentos dos poemas ou os poemas inteiros e os desenhos;

Centro Educacional Cozzolino.

Data: 08 de maio de 2009. Professora: Jaqueline Coutinho. Aluna: __________________________________________ nº ______ Turma: 3º FP Avaliação de Literatura Infantil

A partir do que foi estudado durante o bimestre, escolha um texto para criar uma avaliação interpretativa. Ano : 4º ou 5º. Adequação Criatividade Linguagem Aplicação da teoria Coerência 2,0 2,0 2,0 2,0 2,0

Trabalho (8,0) Prova (10,0) Simulado (2,0) Média (20 : 2)

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