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Resumo história

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O Renascimento Engels, em sua vasta obra, informa que em momentos de grave crise histórica a humanidade produz gênios.

O Renascimento pode ser compreendido a partir deste principio, uma vez tratar-se de momento gravíssimo de crise terminal do Modo de Produção Feudal. A nova ética, a nova moral da burguesia, enfim, exigia o fim do cavalheirismo medieval. Exigia personagens capazes de simular serem o que não são, de dissimular serem o que são, capazes, enfim, de erigir o blefe, a fraude e a pecúnia como seus tópicos principais de comportamento e adoração. O Homem do Renascimento, segundo Agnes Heller, era aquele que se comportava de acordo com as frases de Shakespeare ou Leonardo da Vinci, como:

“Posso sorrir, e matar enquanto sorrio, E proclamar-me feliz com o que me aflige o coração, Molhar as minhas faces com lágrimas fingidas E acomodar a minha cara a todas as ocasiões... Posso acrescentar cores ao camaleão, Mudar de forma mais depressa que Proteu E mandar para a escola o sanguinário Maquiavel!” Ricardo II, Ato 3, Cena 5 ********** “Vede aqueles que podem ser chamados Simples condutores de comida, Produtores de estrume, enchedores de latrinas, Pois deles nada mais se vê no mundo Nem qualquer virtude se observa no seu trabalho, Nada deles restando além de latrinas cheias” Anotações, Leonardo da Vinci

Percebe-se que, além de ser capaz de simular, dissimular, mentir e atraiçoar o homem dos novos tempos burgueses – que seguem até nossos dias de profunda decadência da própria burguesia até por esgotamento – deveria ser capaz de obter fama e fortuna em vida, o que seria impensável durante o feudalismo. A seguir o pensamento do genial Leonardo da Vinci, era preciso deixar a sua marca na história, fosse em que campo da existência fosse. Somente era criticado aquele que nada mais fazia do que trabalhar, comer, dormir e, no máximo, reproduzir-se, coisa que outros animais são capazes de fazer – o que enfatiza o humanismo renascentista.

Origens

Giorgio Vasari (1511 – 1574), italiano nascido na cidade de Arezzo, publicou em 1550 um importante livro sobre os artistas plásticos de sua época, com o longo título Vida dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos italianos, desde Cimabue até a nossa época. Em sua opinião, a partir da queda de Roma (476), a cultura e a arte entraram em decadência, “renascendo” somente por volta de 1250. Vasari identificou três fases no que concebia como Renascimento artístico. Na primeira fase situava Giotto, pintor nascido em 1267 e morto em 1337. Na segunda fase, considerou como figura mais emblemática o pintor Masaccio (1401 – 1428) e na terceira fase, a mais importante das três, deu merecido destaque a Leonardo da Vinci (1452 – 1519), Rafael d’Anunzio (1483 – 1520) e Michelangelo Buonarotti ( 1475 – 1564). Essas três fases são denominadas pelos italianos Trecento, Quatrocento e Cinquecento, respectivamente.

Vasari foi talvez o primeiro estudioso a empregar o termo Renascimento para descrever o florescimento artístico-cultural da Itália dos séculos XV e XVI. Usado para identificar não apenas as criações artísticas na pintura, como todo o movimento então ocorrido, como a literatura e a ciência, que tomava como modelo e inspiração a cultura da Antiguidade Clássica. Enquanto o pintor italiano Giotto renovava as artes plásticas com suas obras, o poeta e escritor italiano Francisco Petrarca (1303 – 1374) destacava-se como iniciador do humanismo. Não por coincidência, ambos anunciavam uma importante mudança no campo da cultura, denominada pelos historiadores, seguindo a tradição iniciada por Vasari, Renascimento Cultural.

O Humanismo

“Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio; tão vário na capacidade; em forma e movimento, tão preciso e admirável, na ação é como um anjo; no entendimento é como um Deus; a beleza do mundo, o exemplo dos animais.” Hamlet, William Shakespeare

Revolucionária observação, que conclama a um antropocentrismo em contrapartida ao teocentrismo que grassou por cerca de um milênio na Europa Ocidental. O Homem é a peça-chave, o Homem é inclusive comparado ao Todo-Poderoso já no sentido de colocar a nova mundividência em vigor. Quando propôs uma nova periodização da História européia, Petrarca também tinha em mente a idéia de renascimento. Ele chamava de Antiguidade ao período que termina com a conversão do

Pretendiam encontrar nos antigos Homens. sem que com isso queiramos dizer que pregavam um retorno ao passado. os humanistas tenderam a valorizar a produção cultural da Antiguidade Greco-Romana. contraposto a Antiguidade. em sentido amplo.. até então manuseadas apenas pelos “monges copistas” dentro de Mosteiros e Abadias. Constituía. assim. tal aspecto retiraria ao movimento sua maior amplitude. a Idade Média lhe parecia bastante pobre. Idade Moderna.. tinha então uma conotação negativa. Os Humanistas não mais aceitavam os valores e maneiras de ser e viver da Idade Média. O período seguinte constituía uma nova era. que Petrarca chamou de Moderna. Petrarca considerava sua época como o final de um “tempo obscuro”. uma tomada de posição antropocêntrica em reação ao teocentrismo medieval.. que possibilitou a difusão dos clássicos greco-romanos. O Humanismo.. tem sido revisto por autores contemporâneos uma vez ser inegável a enorme produção cultural patrocinada e orientada pela Igreja Católica Romana. . representou um movimento de glorificação do Homem. firmou-se a idéia de que o período compreendido entre aqueles dois extremos constituía a época Média. o interesse pela Antiguidade era um meio para atingir um fim: os humanistas viam na Antiguidade aquilo que correspondia aos desejos que sentiam. de meramente copiar as realizações do Classicismo greco-romano. Príncipes e até Papas. da Bíblia e de outras obras. vale enfatizar. Não se tratava. De todo o modo o Humanismo Renascentista deve ser considerado um movimento intelectual de valorização da Antiguidade Clássica. considerado como um ser geral. Em comparação com a época dos antigos gregos e romanos. Em função disso. que existe equalitariamente por toda a parte. mas o pensamento cristão progrediu bastante no período considerado “Mil Anos de Trevas”. havia tabus e heresias. Por conseguinte. iniciado com a decadência do Império Romano. que alargou os horizontes geográficos e culturais e propiciaram o contato europeu com culturas completamente distintas. impessoal. que provocou um verdadeiro êxodo de intelectuais bizantinos para a Europa Ocidental. a que estava no meio de duas épocas brilhantes: a Antiga e a Moderna. e estendia-se até a época em que ele vivia (século XIV). interessados em projetar suas cortes. Moderno foi se associando ao renascimento da cultura antiga e acabou ganhando um significado “positivo”.. contudo. 3) As Grandes Navegações ou Mecanismos de Conquista Colonial. contudo. Para a eclosão e ampla difusão do Renascimento como um todo há que se considerar ainda: 1) O aperfeiçoamento da imprensa.. tomado apenas como fonte de inspiração. tornado centro de todas as indagações e preocupações. daí financiarem as atividades do Renascimento Cultural. O termo Moderno. contribuindo para derrubar muitas idéias até então tidas como verdades absolutas. universal. 2) A decadência e derrocada de Constantinopla. embora não sendo a rigor uma filosofia. Sendo a época Moderna aquela em que os valores antigos estavam renascendo. Tal preconceito. contudo. plena de realizações culturais. 4) O Mecenato praticado por burgueses ricos. Com o tempo.imperador Constantino ao Cristianismo (337). de uma “Idade das Trevas”. veio a transformar-se praticamente em sinônimo de Renascença.

promoveram um estilo de Artes. Mousnier. uma vez que começaram a surgir Academias e Liceus laicos. Aspectos ou características O Renascimento foi. para contestá-los e difundir seus valores. uma impulsão interior que transformou a vida da inteligência e a dos sentidos. segundo R. que teve de um modo geral suas maiores manifestações de 1490 a 1560. pois conduziu a modificações inclusive nos métodos de ensino. em um “prodigioso desabrochar da vida sob todas as suas formas. em última instância. o Renascimento é esse elã vital nos trabalhos do espírito.O Humanismo teve suma importância. constituindo-se. enriquecida com o comércio. o que lhes podia impedir de deter o poder político? O foco inicial do Renascimento foi a Itália. que um conjunto de aspirações. o Absolutismo Monárquico. a expressão de um movimento humanista nas Artes. Religião e Ciências mais de acordo com suas concepções racionalistas. mas que não está preso dentro destes limites. é fator determinante – aqui se enfatizam os interesses mercantis da burguesia em ascenção. mercadores e banqueiros. Deixa de valer o magister dixit aristotélico medieval e passa a valer a busca empírica da Verdade. entre outros fatores – maior contato com outras culturas e civilizações por “projetar-se” no Mar Mediterrâneo e ser na prática o berço da civilização greco-romana. um sistema. Esta tensão durará até o período do Iluminismo que finalmente depõe a Nobreza e o Clero. o saber e a arte”. contudo. de certa forma. É menos uma doutrina. onde se estudava as línguas clássicas (o latim e o grego) e com a maior preocupação em analisar acurada e cientificamente os fenômenos da natureza. a nobreza decadente – tal como o faz hoje a burguesia decadente – buscava cooptar os intelectuais e artistas do renascimento patrocinando suas pesquisas e seus trabalhos com vistas a manter o statu quo ante. Em sentido estreito. um afluxo de vitalidade fez vibrar toda a humanidade européia. Toda a civilização da Europa transformou-se em conseqüência. Vejamos agora as condições vigentes na Europa que facilitaram ou fomentaram o surgimento do Humanismo e do Renascimento. Como contraponto. separar ou valorizar apenas alguns destes fatores. Letras. ou seja. entronizando a burguesia endinheirada – se já detinham o poder econômico e contestavam os dogmas religiosos. Filosofia e Ciência. Os novos valores e os gênios produzidos por aquele período de crise . Não se deve. A burguesia. Então. burgueses em geral. que já dispunha de prósperas cidades mercantis e para onde chegou a principal leva de intelectuais bizantinos. Devem ser considerados como um todo! O aspecto econômico. Letras. Estava presa a valores da Igreja e da Nobreza medievais. antropocêntricas e valorizadoras do acúmulo de riquezas a qualquer custo. estava ainda presa a um Modo de Produção contraditório em tudo e por tudo a seus interesses.

o que muitas vezes não ocorria. na Medicina Nostradamus (poderoso vidente e ocultista também!).O Renascimento. E os produziu! – Erasmo de Roterdã – “O Elogio da Loucura” – Etienne de La Boetie – “Discurso da Servidão Voluntária” – Thomas Morus – “Utopia”. finalmente. o gênio universal de Leonardo da Vinci é. o escultor que não gostava de pintura. Agora buscava-se empiricamente os fatos detalhada e acuradamente.. autor da decoração deslumbrante. Além de pinturas e esculturas de valor inigualável. Não bastava mais estar escrito numa obra genial de Aristóteles para “ser verdade”. Giordano Bruno.. política. ainda poderosa. gira em torno do seu próprio eixo e em torno do sol. tantas que há até hoje uma polêmica se foi um único ser humano a escrever obra tão vasta e de tão grande valor! O Renascimento. com acentuado espírito crítico em todas as suas manifestações (artística. da Capela Sixtina. Em sua vertente Científica há que destacar-se principalmente o fato de surgir um poderoso espírito crítico – comum a todos os renascentistas. foi o precursor da balística e o inventor do submarino e até do helicóptero (que só não se viabilizaram em seu tempo por motivos banais!). levando a crises com a Igreja. Era necessário comprovar essa “verdade”. o magister dixit aristotélico medieval.. Miguel Servet. Murilo e El Greco. e sua “Santa” Inquisição.. Tanto quanto hoje sofrem os verdadeiros e radicais cientistas da área de humanas. ou seja. sem sombra de dúvida a maior estrela desta constelação. “Otelo” e milhares de outras obras poéticas e peças teatrais. Além destes. Em sua vertente principalmente Artística. sejamos justos! – que rejeitava o “princípio da autoridade”. com comprovações factíveis de reprodução em laboratório. famoso pelas suas pinturas “magníficas de Madonas”.) teve como principais representantes. em 2000 d. Por esta “heresia” ele foi amarrado a uma estaca em praça pública onde teve a língua perfurada por uma faca e foi enfim queimado vivo. que supliciou muitos dos pioneiros da ciência em nome da defesa da fé. “Davi” e “Pietá” entre centenas de outras! Rafael Sânzio. Johannes Kepler também na Astronomia... etc. por sua vez. Quixote de La Mancha” – Luís de Camões – “Os Lusíadas – William Shakespeare – “Romeu e Julieta”. literária. Imagine-se o que . Só foi perdoado pela Igreja Católica no “ano do Jubileu”. “Júlio César”. nesta vertente. além das esculturas de “Moisés”. sem dúvida precisava de gênios. cuja teoria heliocêntrica foi completada no século XVII pelo italiano Galileu Galilei (perseguido pela Inquisição. Ambroise Paré e André Vesálio (considerado o pai da moderna Anatomia). a Igreja Católica aceitou o fato de que a Terra é redonda. “A Mandrágora” – Giovanni Boccacio – “O Decameron” – Ariosto – “Orlando Furioso” – Miguel de Cervantes – “D. teve de retratar-se mas deixou uma obra imorredoura. Sua tese de que “somente um universo infinito seria compatível com a idéia de um Deus infinito” estava em dessintonia com as teses aristotélicas.. o polonês Nicolau Copérnico.. entre outros tantos. Michelangelo Buonarotti. não se retratou. no aspecto eminentemente literário: Dante Alighieri – “A Divina Comedia” – Nicolau Maquiavel – “O Príncipe”. religiosa. “Hamlet”. sufocante mesmo. quando. Como sofriam os cientistas da área das ciências naturais em tempos remotos.C. William Harvey. entre várias outras obras e Autores. Destacam-se.

buscaram caminhos para o Oriente pelo hemisfério norte. os Países Baixos caíram sob o domínio de Filipe 2º de Habsburgo. Inglaterra. Os Países Baixos também estiveram envolvidos numa série de disputas entre nobres e o rei. desde o século 12. que tinha laços de parentesco com as duas casas de nobres que vinham se digladiando até então. a linha de Tordesilhas geralmente é mostrada cortando apenas o território da América do Sul. um conflito interno que envolveu as famílias Lancaster (rosa vermelha no brasão) e York (rosa branca no brasão).442 quilômetros) a oeste do arquipélago de Cabo Verde. com a coroação de um membro da família Tudor. tendo chegado a ser alvo da disputa entre a França e a Inglaterra na Guerra dos Cem Anos. A paz só foi alcançada em 1485. tem em Martinho Lutero e João Calvino seus principais expoentes. França e Holanda contestam Tordesilhas Quando as Coroas portuguesa e espanhola dividiram o mundo. que suportou praticamente toda a guerra dentro de seu território. Ao final do conflito. Novas rotas para o Oriente Sem ter como competir. o tratado não deixava terras para mais ninguém. que consumiu uma enorme quantidade de dinheiro e homens por mais de um século. Mesmo tendo sido referendado pelo papa (espanhol) Alexandre 6º. o que levou algum tempo. no século 16. com os países ibéricos nas rotas meridionais que contornavam a África e a América. num primeiro momento. Henrique 7º. Desdobramentos da Reforma Protestante e da Contra-Reforma. uma heresia! Na Religião. A leste. França e Holanda tivessem se recusado a reconhecer a partilha. ou por descobrir". na verdade era um meridiano e circundava o globo terrestre passando pelos dois pólos. na região mais ocidental da costa africana. o mesmo valia para a Espanha. . a Reforma Protestante com sua pregação contrária àquela da Igreja Católica Romana.passaram estes desbravadores quando “profanar o corpo de um morto” para fazer dissecção era um crime. A linha divisória do Tratado de Tordesilhas passaria a 370 léguas marítimas (aproximadamente 2. a disputa pelo trono levou à Guerra das Duas Rosas. a oeste. França e Holanda rejeitam Tratado de Tordesilhas Até 1456. a França. Nos livros. ingleses e franceses travaram a Guerra dos Cem Anos (iniciada em 1337). teve urgência na recomposição de sua agricultura e de suas finanças. quando. "todas as terras descobertas. rei da Espanha. país cuja principal fonte de riqueza eram as minas de ouro e prata da América. pertenceriam a Portugal e. se destacou por seu desenvolvimento manufatureiro e seu próspero comércio. Em 1556. muito mais favorável à burguesia. em junho de 1494. Inglaterra. ao longo do século 16. A região da Flandres. os navegadores dos demais países. os conflitos entre católicos e protestantes contribuíram para a demora na busca da expansão das rotas comerciais flamengas para fora da Europa. através do Tratado de Tordesilhas. era de se esperar que os governos da Inglaterra. Na Inglaterra.

ex-corsários foram incumbidos de dar início ao processo de colonização e plantio de cana. uma fortificação holandesa datada de 1625. A Companhia da Baía de Massachussets foi responsável pelo primeiro foco de colonização inglesa na América do Norte. Protegidos pelos reis de seus países. nas ilhas que haviam sido tomadas de nativos e. na Rússia. foram usadas como refúgios. que pudesse cortar ou contornar toda a Ásia e levá-los ao Índico e às especiarias de sua costa. onde fundaram a colônia da Louisiana. com a Inglaterra. cinco anos mais tarde. fundada em 1602. até então. Pelo nordeste da Europa. Deve-se à absorção desses salteadores pela política de Estado a incorporação de ilhas antilhanas à Inglaterra e à França. e os ingleses Davis e Hudson (1576/1578) já haviam tentado encontrar uma ligação entre o Atlântico e o Pacífico através da América do Norte. resolveram desafiar o já decadente poderio português e passaram a freqüentar a rota das Índias através do contorno da África. desde aproximadamente 1608. expedições inglesas e holandesas (os dois grandes rivais da Espanha. em 1682. até o golfo do México. batizada originalmente com o nome de Nova Amsterdã. Em troca da proteção oficial. em sua expedição. parte do que pilhavam era dividida com a própria Coroa. Daí por diante. mas foi William Baffin quem concluiu. no Canadá. A fortificação flamenga deu origem à atual cidade de Nova York. de 1667. em 1629. nem esperança de passagem". esses salteadores dos mares passaram a ser conhecidos por corsários. Agraciados com patentes militares e títulos de nobreza. a serviço do rei Francisco 1º. também os franceses e os ingleses. Pirataria. por ali. em 1553. ao longo do rio Mississipi. "não havia passagem. Sir Richard Chancellor chegou a Arcangel. a febre das descobertas foi seguida pelo início da colonização de territórios. corsários e invasões A grande dificuldade em se encontrar caminhos marítimos distantes dos controlados pelos portugueses e espanhóis levou os reis da França e da Inglaterra a se associarem a piratas que atacavam embarcações ibéricas na rota do Atlântico. através de sua Companhia das Índias Orientais. a Companhia das Índias Orientais (VOC) e a Companhia das Índias Ocidentais (WIC).O francês Cartier (1536). a Guiana Holandesa (atual Suriname) foi oficializada pelo Tratado de Breda. a partir de 1532. Em 1584. nos séculos 16 e 17. vieram. Companhia das Índias Os holandeses. Nova York e Recife Na América do Sul. e expandiram sua área de atuação comercial. Em seu rastro. passou para o controle da mesma Companhia das Índias Ocidentais que. Na América do Norte. invadiu Pernambuco. entre 1615 e 1616 que. Os franceses se estabeleceram ao longo do rio São Lourenço. naquele momento) concluíram ser impossível transpor a barreira de gelo do arquipélago russo de Nova Zembla em busca de uma passagem para o sul. Já a presença holandesa na região se deve aos investimentos de duas empresas privadas que funcionavam como sociedades anônimas. .

a guerra mais longa de que se tem notícia. núcleo inicial do que viria a ser a Espanha. com Cristóvão Colombo. custou-lhe a exposição ao ridículo. no extremo sul do continente. de grandes navegadores. quando o casamento de Fernando de Aragão e Isabel de Castela deu origem ao Reino Católico de Fernando e Isabel. numa luta que se prolongou por 781 anos. o senso comum ainda afirmava que a Terra era um disco. em 1486. Mesmos assim. Um desses motivos foi a prioridade dada à reconquista da Península Ibérica. Finalmente. era quase impossível aos cientistas o reconhecimento público de que a Terra era um globo. a se unir a Colombo. foi graças à influência do banqueiro judeu Santagel que Colombo ganhou a confiança da própria rainha Isabel de Castela. Na verdade. no Reino de Fez (atual Marrocos). O passo mais importante nessa direção foi dado somente em 1469. que mantinha contatos com alguns dos sábios da época. A vitória castelhana sobre o Califado de Granada. braço jurídico da Igreja Católica desde o Concílio de Trento. a pecha de louco e quase uma condenação à fogueira da Inquisição. Depois. Vários motivos levaram a Espanha a esse "atraso" na busca de uma rota para o comércio de especiarias que não passasse pelo Mediterrâneo (controlado pelas cidades-estado de Gênova e Veneza). nem pela costa africana. em 1415. As caravelas Santa Maria. depois que a coroa espanhola obrigou a família Pinzón. 77 anos depois de os portugueses invadirem Ceuta. Um debate travado entre ele e os padres da Universidade de Salamanca. mas os estudiosos já sabiam que nosso planeta era um globo. Por esse motivo é que Colombo. acreditam que.A expansão marítima espanhola Newton Nazaro* Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação Reprodução Os reis católicos: Isabel e Fernando A Espanha foi o segundo país a se lançar na aventura das grandes navegações. redondo e plano. Colombo não teria ido muito longe. último reduto muçulmano na península. a ideia de atingir o Oriente pelo Ocidente foi arduamente defendida por Colombo. Castela. data exatamente de 1492. A primeira viagem marítima financiada pelo país ocorreu em 1492. mas em um período histórico no qual predominavam a luta contra os árabes e a perseguição da Inquisição inclusive contra os judeus. conhecida pelos portugueses até o Cabo da Boa Esperança. Aragão e Navarra. ainda que tivesse conseguido a adesão de algumas pessoas influentes ao seu projeto de circunavegação. a viagem foi aprovada. aliás. Pinta e Nina . sem os conhecimentos náuticos do Oceano Atlântico que os Pinzón tinham. Alguns historiadores. defendia a ideia de chegar às Índias perseguindo o pôr do sol. Outro motivo foi a unificação tardia dos reinos cristãos de Leão. Cristóvão Colombo e seu projeto polêmico Em meados do século 15. as teorias que serviam de base para os argumentos de Colombo eram de origem árabe e judaica (esse povos eram os herdeiros diretos da cultura da Antiguidade greco-macedônica).

A aventura e os lucros da expansão marítima alçaram o país ibérico à condição de maior potência da Europa e do mundo. a quem coube a glória de ver seu nome dado. às terras recém-descobertas. grandes contingentes de nativos a jornadas desumanas nas minas.aliada do rei da Espanha . Inglaterra e Holanda. seguido pela Pinta e pela Nina. atingiu as ilhas de Cuba. pelo rei Fernando. à Índia e ao que viria a ser a costa brasileira. e com o declínio da produção das minas americanas. no México e no Peru. Ouro e prata. acreditando ter atingido um braço da Ásia e contrapondo-se à teoria de que. Ao redor dessas regiões. ainda na esperança de encontrar uma passagem para regiões produtoras de especiarias. Tal ideia foi defendida por Américo Vespúcio. o significativo aumento da circulação de moedas provocou sua desvalorização e. Colombo navegou pela costa da América Central. No mais. havia um quase vazio demográfico entre ambos. antes que a primeira metade do século chegasse ao final. a esquadra chegou à ilha de Guanahani. . a bordo da caravela Santa Maria. Praticamente sem manufaturas. Guadalupe. Jamaica. na verdade. Ouro e prata impulsionaram colonização espanhola Na disputa contra a nobreza . A organização da mão de obra indígena . respectivamente. O impacto do derrame de metais preciosos na Europa deu capacidade de importação de manufaturados à Espanha. um aumento generalizado nos preços.Finalmente. nas Antilhas. Setenta dias depois. enquanto os portugueses Vasco da Gamae Pedro Álvares Cabralchegavam. consequentemente. Borinquén (Porto Rico). Dominica e Martinica. Na terceira viagem (1498 a 1500). Na quarta e última viagem (1502 a 1504). Colombo desembarcava na ilha de Trinidad e na costa norte da América do Sul. Colombo faria. a Coroa espanhola viu-se em apuros em meados do século 17. as terras descobertas eram um novo continente. rebatizada como San Salvador pelo próprio "Almirante das Índias". sob a influência espanhola. mais três viagens à América. Mas esse posto foi ameaçado e tomado por duas potências ascendentes. em 3 de agosto de 1492. Na segunda (1493 a 1496). e Colombo caiu no ostracismo. Em toda a Europa.pelo governo das novas terras. em detrimento de seu próprio setor manufatureiro. criado pelos espanhóis nas regiões em que não existisse um Estado indígena que já explorasse a mão de obra local ou dos povos dominados. Morreu em 1504.chamada de mita no Peru e de quatequil no México . nos doze anos seguintes. a agricultura e o pastoreio destinavam-se exclusivamente ao abastecimento dos polos de mineração. Não raro essas jornadas de trabalho terminavam em morte por exaustão. Cristóvão Colombo partiu do porto de Palos rumo ao oeste. Havia também o chamado sistema de encomiendas (ou repartimiento). Espanhola (Haiti e República Dominicana).submeteu. o descobridor da América levou a pior. A ganância por cargos e riqueza aumentou a pressão dos nobres sobre o rei. impulsionaram a colonização espanhola desde a primeira metade do século 16.

as iniciativas para fazer Portugal inaugurar as grandes navegações oceânicas. ávida na busca de lucros por meio do comércio marítimo com outras regiões. Essa era uma forma de superar as limitações do mercado europeu. setores sociais que naquele período eram mais influentes política e economicamente. pela falta de produtos agrícolas e a escassez de metais preciosos para cunhagem de moeda. A construção das grandes embarcações e a organização de expedições marítimas que passaram a explorar os oceanos nos séculos 14 e 15 dependeram do progresso da náutica. em 22 de abril de 1500. Essa posição geográfica. com o desenvolvimento de instrumentos e de técnicas de navegação.se iniciou em 1385. na expansão do comércio e na propagação da fé cristã . por meio das navegações oceânicas e dela extrair seus benefícios. O reinado de dom João inaugurou em Portugal a dinastia de Avis. astrônomos e marinheiros que possuíam conhecimento do que de mais avançado se sabia na época sobre a arte de navegar. Henrique era um amante das ciências e.que culminaram nas descobertas de novas terras. desse modo. . que estava em crise pela carência de mão-de-obra. O país alcançou a estabilidade política e a paz interna. que reuniu diversos especialistas como cartógrafos. a expansão marítima portuguesa esteve associada aos interesses mercantis da burguesia do reino.filho de D. Portugal também gozava de uma localização geográfica privilegiada na península ibérica. foi fundada a Escola de Sagres. sob sua iniciativa. Interessava a essa burguesia apoiar o poder real no empreendimento da expansão marítima. Grande parte do seu território está voltada para o oceano Atlântico. conhecido como Mestre de Avis. o que fez Portugal surgir como um Estado independente e bem armado militarmente. dom João 1º pôde promover uma acentuada e progressiva centralização do poder monárquico. as quais somente o tesouro de um Estado organizado e forte poderia suportar. Escola de Sagres D.Expansão marítima portuguesa O pioneirismo português no século 15 Renato Cancian* Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação Reprodução Desembarque dos portugueses no litoral brasileiro A descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral. fatores que propiciaram o florescimento e crescimento do comércio estimulando. Dinastia de Avis O pioneirismo português nas grandes navegações marítimas . Com isso. permitiram ao país se projetar como potência marítima. data da subida ao trono de dom João 1º. Henrique . João 1o . Isso tudo só pôde se concretizar à medida que eram destinados expressivas somas de riquezas. sobretudo com o Oriente. juntamente com as condições sociais e políticas favoráveis. as riquezas do reino. Posição geográfica de Portugal: de cara para o Atlântico Em sua origem. Essas condições foram fundamentais para colocar em prática a política de expansão marítima destinando recursos para as grandes navegações. Ele obteve o apoio da nobreza e dos comerciantes do reino. Coube ao infante D. foi o resultado de uma persistente e bem sucedida política de expansão marítima colocada em prática ao longo de muitos anos pela monarquia portuguesa.

extremo sul da Índia. reformar-se. Absolutismo Características e principais teóricos Vitor Amorim de Angelo* Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação Historicamente. contornando a África. expressão política de um novo modelo de Estado que surgia naquele momento de transição: o Estado Absolutista. o regime escolhido para substituir o Antigo regime foi a República. aportando em Calicute. assim. Madeira e Cabo Verde (1425-1427) para em seguida explorar a costa africana. com sua revolução de 1789. formuladas à época de sua emergência. em geral. apenas o absolutismo possui justificativas teóricas. concepção inovadora de poder político. Foi o chamado despotismo esclarecido. a esquadra comandada por Bartolomeu Dias conseguiu transpor o Cabo da Boa Esperança. Em outras. então. no que concerne ao absolutismo. uma monarquia constitucional. o absolutismo remete a um determinado tipo de regime político que. Sua consolidação coincidiu com o fim do período medieval e o início da modernidade. empreendeu esforços para chegar às Índias pelo mar. quais foram suas principais características? O que permitiu sua emergência a partir do século 16? Poder absoluto do rei Afirmar que um dado regime era absolutista é o mesmo que dizer que se tratava de uma monarquia em que o rei detinha poderes ilimitados. predominou na Europa entre os séculos 16 e 18. Em seguida. Em várias delas. Contudo. os primeiros estudos e projetos de viagens oceânicas. que haviam sido inventados no Oriente. Primeiro os portugueses conquistaram as ilhas atlânticas dos arquipélagos dos Açores. Note-se. como na França. sendo. Ambos os navegadores estavam a serviço de Portugal. absolutos. que vários processos concomitantes se cruzaram no tempo: transição do feudalismo para o capitalismo. Dez anos depois. emergência de uma nova classe social (a burguesia). Mas. o governante tem poderes ilimitados). localizada na costa do Marrocos. diante das críticas ao poder ilimitado do rei. Em 1488. Embora o conteúdo político de ambos seja o mesmo (isso é. localizado no extremo sul da África. com sua Revolução Gloriosa. em 20 de maio. . A esse novo tipo de estado correspondeu também uma forma inovadora de monarquia: a Monarquia Absolutista. Boa parte das nações acabou passando por revoluções burguesas que puseram fim ao Antigo Regime. que o legitimam política e historicamente. O marco inicial foi a conquista de Ceuta. em 1418. muitos regimes absolutistas ainda tentaram. em 1415. a esquadra comandada por Vasco da Gama conseguiu ir adiante e navegar pelo oceano Índico. não se deve confundir absolutismo com despotismo. formação do EstadoNação moderno.Foi na Escola de Sagres que foram realizados. como na Inglaterra. É importante lembrar que antes de serem derrubados pelas revoluções. Foi nela que foram aprimoradas embarcações como a caravela e aperfeiçoados os instrumentos náuticos necessários a longas viagens. Portugal passou a obter sucessivos êxitos no empreendimento ultramarino. entre outros. como a bússola e o astrolábio. nome pelo qual ficou conhecido esse período.

Na visão de Hobbes. de certa forma. foram vários os teóricos que deram sustentação ao poder absoluto dos reis. Nessa obra. então.e da história européia. os homens devorariam uns aos outros. Embora. associando-o ao poder divino e. numa concepção que misturava religião e política. na qualidade de soberano.competiria garantir a paz interna e a defesa da nação. como a grande presença da religião no debate político. publicou. no caso . Essa tradição chegou ao período medieval. de Nicolau Maquiavel. mas a res publica estava acima dele. São conhecidas as duas assertivas quanto à relação entre a lei e o príncipe: o príncipe está isento da lei e o que apraz ao príncipe vigora como lei. por necessidade. mestre e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos. ainda existia no Império Romano um arcabouço jurídico que. onde discutiu a questão da soberania. Outra obra marcante no pensamento político moderno é O Príncipe. assim. o seu Six Livres de la République. que se difere do simples despotismo pela sua historicidade.o rei absolutista. o absolutismo.Desde a Roma Antiga já existiam governantes com poderes absolutos. Thomas Hobbes também deixou sua contribuição como teórico do absolutismo. impunha restrições ao exercício absoluto do poder político. Teóricos do absolutismo Curiosamente. Eis. escrito no início do século 16. Atualmente é pesquisador do Institut d'Études Politiques de Paris. também atuaram no mesmo sentido. a soberania era um poder indivisível. nem tampouco estar submetido a outra autoridade. que. A esse soberano . De outro lado. tivessem poderes realmente ilimitados. desempenharam um papel social importante para consolidar o arcabouço teórico sobre o qual se baseou aquele regime. como Hugo Grócio. tendo se popularizado como expressão com algum sentido histórico apenas no final do século 18. Jacques Bossuet e Robert Filmer. sempre abordando a maneira como o soberano chamado de Príncipe . elementos herdados ainda do período medieval. por exemplo. É por isso. Durante os séculos em que vigorou. embora não se encontrasse submetido nem mesmo às próprias leis que formulava. *Vitor Amorim de Angelo é historiador. publicado quase um século depois do livro de Bodin. sustentando teoricamente um modelo de regime político que marcou a história européia após o período medieval. em meados do século 16. o termo absolutismo não era usado naquela época para designar o tipo de regime político em vigor. A esses pensadores se somaram outros. O rei. Maquiavel discorre sobre vários temas. o soberano estava abaixo da lei divina. portanto. não poderia partilhar seu poder com ninguém. Com seu Leviatã. Para Bodin. então. quando sofreu uma inflexão que permitiu a emergência do absolutismo. foi se consolidando uma versão que advogava pela superioridade (inclusive temporal) do governante. assim como os que criticaram o absolutismo. Aos poucos. o governante era o primeiro cidadão. Em parte. tidos como súditos. considerado o primeiro teórico do absolutismo. pelas ligações que mantém com um período específico da história ocidental .deve agir para manter seu reino. Segundo ele. na prática. alguns fatores novos. O Príncipe é um tratado político a respeito das estruturas do estado moderno. fizeram entre si um contrato social que designou um soberano sobre todos os demais. Pelo menos em tese. . em particular. eliminando quaisquer outros contra-poderes que limitassem seus desejos. como as guerras religiosas. em seu estado de natureza e entregues à propria sorte. Jean Bodin.

tendo influenciado outras monarquias europeias. a dinastia que reinava na França era a dos Valois. Diante desse cenário. num primeiro momento.contribuíram para fortalecer ainda mais o poder do monarca. a França já havia se constituído também num amplo território nacional. houve também um processo de justificação teórica da centralização do poder nas mãos do governante. Trata-se de uma longa fase da história monárquica francesa.e em sua constituição como estado nacional. as finanças tinham sido centralizadas. Na transição do período medieval para o moderno.estes conhecidos como huguenotes. Embora. os impostos estendidos à nação e a burocracia estatal. . entre católicos e protestantes franceses . ocorridas ao longo do século 16.dessa vez contra a Espanha e a Áustria . Fortalecimento do poder real A Guerra dos Cem Anos. Foi sob o reinado dos Valois que a França viveu um dos momentos mais importantes desse período: as chamadas guerras de religião.Absolutismo na França Formação do estado nacional francês Vitor Amorim de Angelo Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação O absolutismo vigorou na França entre os séculos 16 e 18. em razão das consequências que uma guerra civil poderia ter para a unidade do reino francês. Em meados do século 16. contribuiu para a consolidação do poder do monarca francês. período conhecido como Antigo Regime . os conflitos religiosos acabaram servindo para fortalecer o poder central. na medida em que garantiu um dos elementos centrais da formação do Estado-Nação moderno: a constituição de um exército permanente. publicou um livro que ficaria famoso pela discussão do tema da soberania. dominada em sua maior parte pela dinastia dos Bourbon. chamado Six Livres de la République. conflito que opôs França e Inglaterra entre 1337 e 1453. essas guerras tenham enfraquecido o processo de centralização política. paralelamente a isso. deixando para trás o passado feudal e as divisões que a caracterizaram ao longo do período medieval. Teóricos do absolutismo francês A Guerra dos Cem Anos e as guerras de religião foram eventos importantes na transição francesa do período medieval para o moderno .ou Ancien Regime. formada. Ao mesmo tempo. paralelamente à formação do próprio estado-nação francês. tido como o primeiro teórico do absolutismo. para os franceses. Seu extenso governo foi o modelo acabado do Antigo Regime francês. novos conflitos militares . suas contemporâneas. No final do século 14. o Rei Sol. O ápice do absolutismo francês ocorreu sob o reinado de Luís 14. Mas. processo visto como necessário para encerrar as divisões religiosas. Bodin. Foram dois os principais teóricos do absolutismo na França: Jean Bodin e Jacques Bossuet.

o soberano estava abaixo da lei divina. Luís 14 governou a França entre 1643 a 1715. não apenas pelo grande poder que exerceu. período em que promoveu mudanças na economia. filha de Henrique 8º. na Inglaterra os conflitos religiosos levaram ao enfraquecimento do monarca. Absolutismo na Inglaterra Modelo mesclou centralização política e controle do parlamento Vitor Amorim de Angelo* Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação Reprodução No reinado de Elizabeth 1ª. acrescentando-lhe elementos novos. também como consequência da mistura entre religião e política. De 1661 até o final de seu reinado. o Rei Sol Se a França serviu de inspiração a outros regimes absolutistas. no exército e nos costumes franceses. conforme a teoria de Bossuet. Luís 14 assumiu o trono em 1651. mantendo uma relação paternal para com os súditos considerados seus filhos. como era o costume. o rei não poderia partilhar seu poder com ninguém nem estar submetido a outra instituição. Segundo Bossuet.viúva de Luís 13. governava com justiça. houve o desenvolvimento da frota naval inglesa O absolutismo vigorou na Inglaterra entre os séculos 16 e 17. desde o século 13 já existia uma constituição na Inglaterra - . e que tão bem representa o espírito do absolutismo: L'État c'est moi . Exerceu de maneira centralizada suas prerrogativas reais. morto em maio de 1643. Na qualidade de soberano. numa concepção que mesclava religião e política. publicada postumamente. Luís 14 permaneceu sob a regência de sua mãe. Luís 14 foi um dos maiores exemplos de rei absolutista. Talvez por isso se explique a famosa frase atribuída a ele. sendo os reinados de Henrique 8° e Elizabeth 1ª os mais importantes desse período. justo e paternal. Em contraste com o absolutismo francês. na política. como a do Sol. Luís 14. O rei. governou sozinho a França. como representante de Deus. Nos primeiros anos de seu reinado. aos 13 anos. a soberania era um poder indivisível. o reinado de Luís 14 foi seu tipo mais acabado. Trata-se de uma explicação que reforçou o papel do rei na sociedade e a legitimidade do poder de que este dispunha. Sua obra mais importante a respeito foi A política tirada da Santa Escritura. Também conhecido como Rei Sol. Note-se que Bodin viveu na mesma época em que ocorriam as guerras de religião na França. Mas havia uma ressalva: embora não se encontrasse submetido nem mesmo às próprias leis que formulava. Bossuet conservou a teoria de Bodin acerca da soberania. em 1709. sem nomear um primeiro-ministro.Para Bodin. a rainha Ana de Áustria . o regime monárquico era sagrado. associando sua figura a imagens míticas. mas por toda a organização político-social que construiu em torno de si mesmo. Além disso.o Estado sou eu.

coroado em 1509. país de maioria católica -. a rainha perseguiu os protestantes ingleses. Nesse intervalo. Foi substituído por Eduardo 5°. proprietária de inúmeras porções de terra. ao invés do papa. Durante o reinado de Henrique 8° esse cenário modificou-se radicalmente. naquilo que representou um breve revés à reforma anglicana. decorrente dos gastos de um conflito militar tão longo. foi coroado rei.portanto. até seu falecimento em 1485. esse fato não impediu a emergência do absolutismo na Inglaterra. unificando os grupos rivais e. assim. À Guerra dos Cem Anos seguiu-se uma disputa em torno do trono inglês. Foram vários os fatores que levaram à reforma: o rei buscava esvaziar o poder papal na Inglaterra. questões pessoais. . O herdeiro do trono. Henrique 7°. por exemplo.que deu origem à Igreja Anglicana. Já em 1471. a Inglaterra teve dois reis coroados: Eduardo 6° e sua irmã paterna. de seu exército e uma grave crise econômica. Henrique 8° e Elizabeth 1ª O casamento de Henrique 7° pôs fim a um conflito interno que durou mais de três décadas e enfraqueceu a nobreza da Inglaterra. Pouco mais de uma década separou o governo de Henrique 8° do de Elizabeth 1ª. e por Ricardo 3°. Eduardo 4° voltou ao poder. ligadas à negativa do papa em autorizar Henrique 8° a se separar de sua esposa. encerrando a Guerra das Duas Rosas. como de fato o fez após a reforma. O fortalecimento da monarquia sob o governo de Henrique 8º é sempre associado à reforma religiosa ocorrida na Inglaterra por volta de 1530 . foram o estopim para a reforma. como era do interesse do rei. Este se casou com Elizabeth de York. o que lhe custou o enfraquecimento da monarquia. que havia sido tirada do poder pelos York. Este governou a Inglaterra por cerca de 9 anos. com sua morte. o modelo que existiu ali mesclou a centralização política na figura do rei com a descentralização do poder. quando Henrique 6° tornou a assumir o trono inglês. Eduardo deu continuidade à política religiosa de seu pai.esta. Maria 1ª . A constituição inglesa previa quais eram as prerrogativas do rei e qual o papel do parlamento. Por fim. chamada de Guerra das Duas Rosas (1455-1485). é considerado o primeiro e um dos mais importantes reis do período absolutista inglês. Filha de espanhola . Embora o soberano tivesse seu poder limitado pela atuação do parlamento. de forma muito particular. A derrota na Guerra dos Cem Anos A Inglaterra perdeu a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) para a França. da casa de Tudor. mais de 500 anos antes de a primeira carta magna francesa ser aprovada.e casada. sendo. Com o apoio da dinastia de Lancaster. Mas. à época. com Felipe 2º. em virtude da existência de um parlamento que legislava. que foi interrompida por Maria 1ª. O rei se tornou o chefe da Igreja na Inglaterra. inclusive. embora brevemente. Até então. a Inglaterra era governada por Henrique 6°. Em meados do século 16. da dinastia Lancaster. que reinou por alguns meses apenas. governando até 1483. da casa de York. o monarca desejava usar essas propriedades como moeda de troca pelo apoio político da nobreza no parlamento. Henrique 8°. a nobreza tinha interesse nas grandes extensões de terra pertencentes à Igreja. o rei foi deposto por Eduardo 4°. rei da Espanha. sobre questões fiscais e religiosas . de quem o rei quis se separar. Em 1461.o que não ocorria na França na mesma época -. filha de Henrique 8° com Catarina de Aragão. a Igreja Católica sempre teve grande influência política e poder econômico no país. filha mais velha de Eduardo 4°.

fugiam aos dogmas e ao poder imposto por Roma. em 1558. elas representaram o transbordamento de uma crise que já vinha se manifestando na Europa desde o início da Baixa Idade Média. a burguesia. pelo crescimento do comércio e da vida urbana. a morte da rainha. Nesse período. em 1603. Golpes. Ao mesmo tempo. que se estendeu por mais de oito décadas. Além da mudança de dinastia (de Tudor para Stuart). pela centralização do poder político nas mãos dos reis e pelo advento de uma nova camada social. As terras passaram a ser utilizadas como pasto para ovelhas.tudo isso fez daquele período uma fase extremamente agitada. no sentido de . ditadura. restauração política . filha do segundo casamento de Henrique (o rei teve cinco esposas). expressando a superação da estrutura feudal tanto em termos da fé como também em seus aspectos sociais e políticos. Os camponeses expulsos das terras migraram para as cidades. com a Revolução Gloriosa. Mais do que apenas um movimento religioso. num movimento que está na origem da Revolução Industrial. embora cristãs. Também não se pode deixar de lado a influência do Renascimento Cultural. Ao contrário. Era o fim do absolutismo e o começo da monarquia constitucional na Inglaterra. marcada pelo declínio do mundo feudal. Foi no governo de Elizabeth também que ocorreu o chamado "cercamento". Seu governo representou a consolidação da reforma e o fortalecimento do poder real. não se pode considerar as reformas religiosas como um processo que se iniciou no século 16. consequência dos cercamentos. as chamadas religiões protestantes. responsável por quebrar o monopólio exercido pela Igreja Católica na Europa e pelo advento de uma série de novas religiões que. matéria-prima para a manufatura de tecidos. que só foi encerrada no final do século 17. de onde se obtinha a lã. fruto da inadequação da Igreja à nova realidade. Reformas religiosas (1) Causas e contexto histórico Gilberto Salomão* Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação O século 16 teve como uma de suas manifestações mais profundas o processo de reformas religiosas. a Inglaterra teve inclusive uma curta experiência republicana. as reformas protestantes inseriram-se no contexto mais amplo que marcou a Europa a partir da Baixa Idade Média. Elizabeth 1ª. Da mesma forma. implementou uma política econômica fundamentada no mercantilismo. estimulou o desenvolvimento da marinha inglesa (tal como fizera seu pai) e iniciou a colonização da América do Norte. foi coroada rainha.Com sua morte. Revolução Gloriosa Sem herdeiros diretos. abriu uma longa crise política. outro aspecto marcante desse período foi o fortalecimento da burguesia nacional e o aumento das tensões sociais provocadas pelo crescimento das cidades.

nos campos econômico. com um . Em primeiro lugar. absorvido pela Igreja através das universidades. de poder e as benesses que a aliança com esta ou aquela família pudesse trazer para a Igreja. social e cultural. O fato de ser ela a principal possuidora de terras na Europa. ao quebrar o quase monopólio intelectual que a Igreja exercia na Idade Média. durante a Idade Média. as Reformas Protestantes são filhas do Renascimento. necessariamente. Na verdade. há que se levar em conta o desvirtuamento da Igreja e sua incapacidade de dar resposta aos anseios espirituais dos fiéis. incapaz de dar resposta às necessidades espirituais dos fiéis. a constante busca por um aumento da renda que sustentava o imenso luxo em que vivia o clero. A tendência é que as nomeações para cargos na alta hierarquia da Igreja (o termo correto para essas nomeações é investidura) obedecessem a critérios que passavam muito longe da vocação ou formação religiosa do postulante. Mais que isso. representada pelo tomismo. Essas investiduras eram feitas levando-se em consideração o grau de riqueza. entretanto. e uma nova visão teológica. termo usado para designar o desregramento que passara a marcar o comportamento do clero. distorções. também. foi o fato de gerar um clero inadequado às suas funções religiosas. levou a Igreja a intensificar. Ao mesmo tempo. bem como a instituição mais poderosa politicamente. As universidades foram canais por onde pôde penetrar a influência do pensamento racional.romper com o monopólio cultural exercido pela Igreja Católica na Idade Média. Assim. os problemas políticos. decorrentes da constante disputa com os poderes temporais para a ocupação de cargos e terras. Num certo aspecto. o vínculo orgânico entre a Igreja e a nobreza criava. O desregramento do clero evidenciava-se numa atitude conhecida usualmente como nicolaísmo. e representaram. responsável por sua manutenção. Mais grave que isso. uma adequação de valores e de concepções espirituais às transformações pelas quais a Europa passava . O Renascimento teve o efeito de possibilitar a aceitação de conceitos e de visões de mundo diferentes daqueles impostos pela Igreja Católica. como este. podem ser vistos como uma abertura da Igreja ao racionalismo e a uma visão de mundo mais humanística. se comparada ao forte teocentrismo que prevalecera até ali. práticas como a venda de relíquias sagradas ou de cargos eclesiásticos (práticas conhecidas como simonia) e a venda de indulgências (absolvição dos pecados cometidos). A prática das chamadas investiduras leigas acabou acarretando graves problemas para a Igreja medieval. colocava-a ao lado da nobreza como uma instituição beneficiária da estrutura feudal e. cresciam manifestações intelectuais de críticas ao comportamento da Igreja. O próprio crescimento do pensamento humanista. Essa questão tem origem no papel que a Igreja passou a ocupar a partir da Idade Média. Humanismo e desvirtuamento da Igreja As contestações ao poder e aos dogmas da Igreja não eram um fenômeno desconhecido na Europa do século 16. Nomes como Erasmo de Roterdã ou Thomas Morus propunham uma reforma interna da Igreja. ao mesmo tempo em que o tomismo fundia a fé com elementos do racionalismo greco-romano.

não conseguiu apagar a chama nacionalista. Há outra forma de reação a esse desvirtuamento do papel da Igreja e ela fica evidente ao observarmos o crescimento das heresias. Naturalmente. a reação da Igreja Católica às heresias concentrou-se na repressão. John Huss. Nacionalismo. cresceram de modo significativo o número de seitas heréticas e o número de adeptos a essas seitas. as heresias constituem-se numa prova de fé e não de falta de fé. os dogmas da Igreja. A prisão. de condenação à usura e ao lucro excessivo. Na Inglaterra. Por trás dessas propostas havia. a Igreja apenas viu nelas o que representavam em termos de ameaça ao seu poder baseado na unidade da fé. Ao contrário de uma primeira impressão. então pertencente ao Sacro Império. Ao contrário. o voto de pobreza por parte dos membros do clero e uma retomada das Sagradas Escrituras como única fonte da fé. Assim. O termo era empregado para designar todas as manifestações de pensamento religioso discordante dos dogmas impostos pela Igreja Católica. o seu domínio sendo alvo de reações nacionalistas. Assim. também essa nova camada ascendente vai ter interesse em romper com os entraves impostos pelo catolicismo e adotar uma nova religião. Além disso. é apenas o mais evidente). representavam um forte obstáculo para a burguesia. jamais foi capaz de compreender o real significado das heresias. John Wycliff pregava o confisco dos bens da Igreja. para a qual suas práticas não se constituíssem em pecados e fossem consideradas como dignificantes do homem. o que mostrava um lado intenso da crise vivida pela Igreja. justamente no século 13. viu suas pregações constituírem-se na base do sentimento nacionalista da região contra o domínio do Império e da Igreja de Roma.retorno à pureza original do cristianismo. como veremos a seguir. heresias e política Tais críticas já haviam atingido níveis mais preocupantes para Roma desde o final do século 14. Esta. Evidenciam a existência de uma população imbuída de uma profunda religiosidade não contemplada pelos dogmas e pelo materialismo da Igreja. por certo. num quadro de crescimento do comércio. . No reino da Boêmia. os reis. tendo por base as idéias de Wycliff. Durante a Baixa Idade Média. romper com a Igreja Católica e criar uma nova Igreja sob seu comando foi a forma encontrada pelos reis para se libertar do poder político do papado. ao buscarem se fortalecer politicamente. Há outros elementos decisivos nesse processo. Em muitos casos (e o exemplo da Inglaterra. e particularmente no século 13 (considerado o grande século das heresias). qual seja. A questão política passa a ganhar um peso significativo a partir do início do processo de centralização do poder. por sua vez. seguida da condenação e execução de Huss. uma crítica ao excessivo apego da Igreja aos bens materiais e ao poder. Não foi outra a função da criação do Tribunal do Santo Ofício ou Inquisição. vão entrar em choque com o poder da Igreja.

o mandato popular. Executivo. portanto. isto é. portanto. o voto dado a um parlamentar representa o livre consentimento do cidadão à sua atuação política. Já a concepção de um Estado não-intervencionista refere-se à economia e surgiu por oposição ao controle que as monarquias absolutistas exerciam sobre o comércio durante os séculos 16 e 17. no século 18. a Declaração de Direitos ("Bill of Rights". A expressão "parlamento" se origina do francês "parler". órgão de representação por excelência das forças atuantes da sociedade e capaz de coibir os excessos do poder central. como a brasileira. marcada pela valorização do princípio da legalidade: ninguém . Legislativo e Judiciário A concepção de uma origem parlamentar do poder significa a superação de teorias que remontam à Antigüidade. que significa falar. porque não está vinculado a nenhuma crença religiosa. enquanto o Brasil era colônia de Portugal.pode se colocar acima da lei. fazendo prevalecer o ideal de tolerância religiosa.nem o governante . produziram-se. 1689) e a Declaração do . o que desenvolveria o espírito empreendedor e competitivo. A consciência liberal é. segundo as quais o poder vem de Deus ou da tradição familiar (nobreza). com as questões da esfera pública) e os da sociedade civil (que deve se ocupar das atividades particulares.estão as leis. a tripartição do poder em três instâncias autônomas e equilibradas: o Executivo. A livre iniciativa e o lucro O Estado não deve interferir na economia ou intervir somente o mínimo inevitável. o liberalismo advoga a criação de instituições para dar voz ativa aos cidadãos nas decisões políticas. Laico. Ao contrário. Com as revoluções liberais na Inglaterra e na França. o liberalismo é uma filosofia ou um conjunto de filosofias que defendeu a existência de um Estado laico e não-intervencionista. ou seja. cuja expressão era o monopólio estatal típico do mercantilismo ou capitalismo comercial. É a partir disso que ocorre o fortalecimento do Parlamento. Designa. conforme postulado pela primeira vez pelo escritor e filósofo francês Montesquieu.acima delas . isto é. em que deputados e senadores são (ou ao menos deveriam ser) representantes do povo. esse Estado também não deve interferir nas crenças pessoais. discussões e deliberações. pois o liberalismo defende a propriedade privada e constata que o funcionamento da economia se dá a partir do princípio do lucro e da livre iniciativa. entre os assuntos do Estado (que deve se ocupar com a política. É o que ocorre hoje nas democracias representativas. o Legislativo e o Judiciário. Completa o quadro de princípios básicos do liberalismo. Era o que acontecia com o açúcar e o ouro.uma separação entre negócios públicos e privados. por exemplo. respectivamente. nem admite interferência de qualquer Igreja nos assuntos políticos. Em contrapartida.juntamente com as Revoluções políticas que delas se originaram . principalmente as econômicas). As propostas liberais provocaram . no âmbito político. Cada uma delas tem suas atribuições específicas e . o local onde ocorrem conversações. Simultaneamente.Liberalismo e democracia As bases filosóficas da democracia Antonio Carlos Olivieri Da Página 3 Pedagogia & Comunicação Reprodução O barão de Montesquieu Desde suas primeiras formulações. das quais a maior é a Constituição de um país.

em maior ou menor grau. As cidades cresceram. "Uma Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações". adaptando-se às novas realidades sociais. transformado. que consignavam as conquistas dessas mesmas revoluções e proclamaram a igualdade de todos os homens perante a lei. assistência médica. expressão. sua capacidade de produzir riqueza tem sido patente. como a garantia de um piso salarial. etc. ou diminuindo a distância entre o topo da pirâmide social e sua base. no século 18. no século 18. as idéias liberais sofreram transformações com o passar do tempo. segundo a qual "a liberdade de cada um vai até onde o permite a liberdade do outro". organizar-se em sindicatos. na prática. haverá natural seleção dos melhores. que formarão as elites de cuja capacidade empreendedora resultarão benefícios para o todo social. porém. Os avanços tecnológicos. Na Europa . passam a integrar a cidadania também uma extensa variedade de direitos sociais. em seus primórdios. Do iluminismo ao socialismo Há uma via de mão dupla entre as idéias políticas e a realidade prática. filiar-se a partidos políticos. deu-se um passo significativo em direção à democracia. Adam Smith Trata-se de um fundamento de cunho individualista. essas declarações estabelecem a garantia das liberdades individuais de pensamento. Além disso. Já no século 20. tornando-as mais justas. as relações humanas se tornaram cada vez mais complexas. As máquinas intensificaram o otimismo baseado na crença do progresso e na onipotência da tecnologia. direito de ir e vir. referia-se apenas a direitos civis: à liberdade e à segurança individual. desde que não sejam prejudicados os direitos de outros cidadãos. no mundo contemporâneo. O liberalismo surgiu com o desenvolvimento do mercantilismo e se aprofundou após o advento da Revolução Industrial. torna necessário que as idéias sejam permanentemente reelaboradas. o que é típico do pensamento liberal. Nesse sentido. em sua obra principal. No plano econômico. previdência. desenvolveram-se as ferrovias e o navio a vapor. isso significa que a lógica do mercado é a seguinte: se cada um desenvolver bem o seu trabalho. Deriva daí a concepção tradicional de liberdade. crença. liberdade de crença e opinião. assim como o mundo real. não corresponderam a uma evolução nas relações sociais. Pode-se questionar ou criticar esse fundamento. transformando-o. seu lugar institucional eram os tribunais e sua vigência dependia da aplicação progressivamente imparcial da lei. tal qual é praticada. Era o que apregoava o economista escocês Adam Smith. seguro. à medida que esses conceitos liberais foram sendo absorvidos pelas instituições dos diversos países. O problema reside mais na questão da distribuição dessa riqueza. condições de trabalho. reunião e ação. reprodução Adam Smith Vale lembrar que dos ideais do liberalismo também se originou o conceito de cidadania que. Durante o século 19. Com a implantação do sistema fabril e o aumento da produção. Além disso. de tal maneira que as idéias interferem no mundo real. o conjunto se avoluma com a inclusão dos direitos políticos: votar e ser votado. mas. na Europa e nos Estados Unidos.direitos do homem e dos cidadãos (1793).

o contraste entre riqueza e pobreza era cruel.onde o Estado se tornara um poderoso agente econômico entre a Era Vargas e a ditadura militar . O liberalismo tornava-se cada vez mais democrático. como ocorre hoje em dia nos países em desenvolvimento. nem à economia .econômica. a classe operária começou a se unir para reivindicar os seus direitos num processo que culminará com o desenvolvimento do socialismo O socialismo considera que o individualismo liberal resulta na defesa de uma classe social em particular: a burguesia. de um estado mínimo e não intervencionista. os Estados Unidos tinham se tornado a nação mais rica do mundo. em 1945. no fim da Segunda Guerra Mundial. os governos de Ronald Reagan. bem como a mais avançada em termos tecnológicos.cujo sistema político-econômico se insere no modelo mais característico do liberalismo . Roosevelt implantou um programa conhecido como New Deal. como férias. a partir da privatização das estatais. Um dos representantes dessa tendência. política. Entretanto. que fez o Estado se tomar o principal agente do reativamento econômico do país. O Estado do bem-estar social Gradualmente. Na década de 1980.as idéias liberais entraram na ordem do dia dos governos Collor e Fernando Henrique Cardoso. em especial porque as despesas governamentais acabaram por superar a arrecadação ou receita. De qualquer modo. por exemplo. No Brasil . a teoria liberal se adaptou às novas exigências da realidade. numa época como a nossa.que atingiram o mundo da primeira metade do século 20. os Estados Unidos e a Inglaterra. desenvolvendo o que se chamou de wellfare state ou estado do bem-estar social. sugere co-participação dos trabalhadores na gestão e nos resultados da indústria. Nos Estados Unidos. o estado do bem-estar social começou a dar sinais de desgaste. a intervenção estatal não se perpetuou. da inflação e da instabilidade social. Seu receituário não se restringiu aos países do hemisfério norte. Globalização e neoliberalismo A partir da década de 1960. o inglês John Stuart Mill. em que a economia é cada vez mais global. acentuando a necessidade de igualdade jurídica e política. A essa retomada das idéias liberais clássicas. aposentadoria. apesar de pertencerem ao governo. Não vem ao caso avaliar aqui os resultados dessa orientação "neoliberal" à política brasileira contemporânea. tornando-se o único agente econômico. se caracterizaram por diminuir a intervenção do Estado na área social. .promoveram ajustes rigorosos na economia. além de serem adotadas inúmeras medidas assistenciais de atendimento aos trabalhadores. A construção de grandes obras públicas ajudou a aumentar a taxa de emprego e foram concedidos créditos para as empresas. Diante das crises . provocando um aumento insustentável do déficit público. social . nos EUA. com a diminuição do Estado. desemprego. apesar do governo de Luís Inácio Lula da . para solucionar os problemas sociais do trabalhador. o liberalismo começou a admitir a tendência intervencionista do Estado.do século 19. para enfrentar a depressão econômica subseqüente à quebra da bolsa de valores de Nova York (1929). para enfrentar os problemas trazidos pelos novos tempos. como bancos e companhias telefônicas. De qualquer modo. na Inglaterra. chamou-se Neoliberalismo. da venda das empresas públicas que. o presidente Franklin D. etc. nem o Estado pretendeu se sobrepor às empresas privadas. bem como uma solução para as precárias condições de vida das massas oprimidas. saúde. e de Margareth Thatcher. Em contrapartida.que se mantém fiel a ela. nada têm a ver com as funções do governo.

cujo partido sempre se proclamou simpático ao socialismo. historicamente. O importante é ressaltar como a influência das idéias liberais se estendem.Silva. . desde o século 18 até os dias de hoje. A história da humanidade é ao mesmo tempo feita de transformações e permanências.

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