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Material Didático de Contabilidade Avançada

1

 

ÍNDICE

APRESENTAÇÃO

 

2

I

– NOÇÕES PRELIMINARES

3

 

1.

Introdução

3

3.

Objetivos

3

2.

Técnicas contábeis

4

II – ESTUDO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

5

 

1. Demonstrações obrigatórias para todas as empresas

5

2. Demonstrações obrigatórias para determinadas empresas

19

3. Outras demonstrações de caráter gerencial

22

4. Outras considerações importantes sobre as demonstrações contábeis

26

5. Outras considerações importantes sobre as sociedades por ações

29

III – INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS E PERMANENTES

33

 

1. Tipos de investimentos

33

2. Contabilização de investimentos temporários

34

3. Principais motivos que justificam investimentos permanentes em outras empresas

35

IV – AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS PERMANENTES

36

 

1. Método de Custo de Aquisição – MCA

36

2. Método da Equivalência Patrimonial – MEP

36

3. Demonstração dos efeitos dos métodos MCA e MEP

36

4. Contabilização das operações básicas de participações permanentes em outras empresas

37

V – MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL

36

 

1. Algumas definições

38

2. Determinação do valor dos investimentos relevantes em outras empresas

41

3. Técnica de elaboração

45

4. Contabilização do resultado da equivalência patrimonial

45

5. Contabilização no MEP de alguns tipos de variações no investimento e no PL da coligada ou controlada

45

6. Variação na porcentagem de participação

46

7. Patrimônio líquido das investidas

47

8. Companhias no

exterior

47

9. Resultados não realizados de operações intercompanhias

47

10.

Eliminação de resultados não realizados de operações intercompanhias

49

12.

Ágio e deságio na aquisição de participação societária

49

13.

Amortização do ágio e deságio

51

VI

– CONSOLIDAÇÃO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

52

 

1. Conceito

52

 

2. Aplicabilidade

52

 

3. Técnicas de

consolidação

53

 

4. Eliminações de saldos e transações

53

5. Participações minoritárias em controladas

63

6. Impostos na consolidação

65

7. Outros ajustes na consolidação

68

8. Forma de evidenciação da consolidação

69

VII – ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA

70

 

1. Objetivo

70

 

2. Tipos e características

70

VIII

– CORREÇÃO

MONETÁRIA INTEGRAL

73

1. Conceito e

importância

73

 

2. Faculdade de adoção da sistemática

73

 

3. Outras

razões para adoção da sistemática

74

 

4. Outros aspectos legais e contábeis

75

5. Metodologia da sistemática

75

6. Exemplo simplificado da sistemática

77

IX – PROVISÕES E RESERVAS

81

 

1. Distinção entre provisões e reservas

81

2. Alguns tipos de provisões

82

3. Classificação das reservas

84

X – EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

85

BIBLIOGRAFIA

 

112

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2

APRESENTAÇÃO

Acreditando que o material possa se constituir em relevante recurso didático no desenvolvimento do conteúdo programático da disciplina Contabilidade Avançada, procurou-se contemplar os principais tópicos desta área contábil, destacando-se: um aprofundamento no estudo das demonstrações contábeis; os ajustes essenciais dessas demonstrações (avaliação de investimentos permanentes, provisões e outras formas de destinação de resultado, e consolidação de demonstrações contábeis, entre outros), para melhor refletir a real situação do patrimônio e adequar-se às normas internacionais de contabilidade; além da resolução de vários exercícios fixação.

Goiânia, Agosto de 2007.

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I – NOÇÕES PRELIMINARES

I – NOÇÕES PRELIMINARES

1. INTRODUÇÃO

O processo ensino-aprendizagem inerente à disciplina Contabilidade Avançada enseja o estudo, a pesquisa e o debate acerca de alguns conhecimentos considerados complexos e estratégicos no contexto dessa importante ciência social, que é a Contabilidade.

Pode-se sintetizá-la ou ementá-la como sendo o estudo dos ajustes e técnicas de elaboração das demonstrações contábeis no contexto dos conhecimentos específicos da Contabilidade Superior, assim considerados em função do nível de complexidade e aprofundamento que a sua adoção exige dos profissionais envolvidos.

Destacam-se como temas principais da Contabilidade Avançada:

Investimentos temporários e permanentes; Avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial; Consolidação de demonstrações contábeis; Reavaliação de ativos; Provisões e reservas; Transações entre partes relacionadas; Concentração e extinção de sociedades (fusão, incorporação, cisão, etc); Operações entre matriz e filiais.

Para melhor caracterizar a importância do assunto em discussão no âmbito educacional e

empresarial, busca-se a ajuda dos ilustres professores e consultores José Hernandez Perez Junior e Luís Martins de Oliveira, que em seu livro intitulado Contabilidade Avançada: Teoria e Prática, publicado pela

apesar do extraordinário avanço experimentado pela Contabilidade no Brasil

Editora Atlas, destacam que "

nas últimas décadas, principalmente após a promulgação da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações), ainda há muito trabalho pela frente, no sentido de fazer com que a Contabilidade praticada atualmente entre nós alcance o padrão vigente nas economias mais desenvolvidas e, como uma das conseqüências naturais,

os profissionais e acadêmicos desta Ciência no Brasil alcancem o mesmo elevado "status" desfrutado principalmente pelos colegas americanos e ingleses e de outras nações do primeiro mundo".

o processo de globalização dos mercados

exige, cada vez mais, padrões contábeis internacionais para atender as exigências feitas para a captação de

recursos externos por parte das empresas locais e para melhor entendimento das demonstrações contábeis por parte dos investidores estrangeiros".

a economia brasileira, principalmente com a estabilidade econômica propiciada

pelo Plano Real, vem recebendo volumes expressivos de capitais do exterior, onde diversas multinacionais dirigiram grandes parcelas de capital para o Brasil, ampliando suas subsidiárias ou adquirindo empresas já constituídas, além do fluxo de capital diretamente aportado no Brasil pelos investidores estrangeiros".

são exatamente esses, os principais fatores que fazem

com que cresça entre os contabilistas a necessidade da harmonização dos procedimentos contábeis e do nível de divulgação feito pelas empresas de capital aberto. Tais fatores, de fato, implicam que estudantes, contadores, auditores, professores e demais envolvidos com a Contabilidade necessitem cada vez mais de treinamento mais rigorosos e, conseqüentemente, material bibliográfico adaptado aos desafios dos tempos modernos".

Perez Junior e Oliveira continuam, afirmando que "

Para eles, "

Ainda, segundo os citados autores, "

2. OBJETIVOS

Consoante a exigência de caráter técnico-acadêmico, o objetivo principal da disciplina Contabilidade Avançada é a capacitação do aluno para a execução de procedimentos de ajustes e elaboração de demonstrações contábeis de natureza específica, mediante a aplicação dos conhecimentos avançados no contexto das técnicas contábeis da escrituração e da demonstração, de modo a que ele seja capaz de pesquisar, analisar, debater e compreender, dentre aqueles já relacionados na introdução, os seguintes procedimentos contábeis:

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A utilização do método da equivalência patrimonial para avaliação de investimentos permanentes da empresa em coligadas e controladas; A constituição de provisões e outras formas de destinação de resultados, como as reservas

de lucros;

A elaboração de demonstrações contábeis consolidadas de grupos de empresas, como instrumento gerencial e informativo; A elaboração de demonstração contábil em moeda de poder aquisitivo constante (correção monetária integral – CMI).

Para desenvolver os conteúdos programáticos, se propõe a abordagem dos temas sob variados aspectos, tais como: conceitos, tipos, métodos, técnicas, dispositivos legais (envolvendo normas e incidências tributárias), estudos de casos, resolução de exercícios e outros procedimentos, visando a construção de uma consciência crítica e técnica das pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem relativo aos temas propostos.

3. TÉCNICAS CONTÁBEIS

Sabendo-se que a Contabilidade é uma ciência e que a mesma é conceituada e estudada de forma abstrata, constata-se que a sua materialização ou concretização se dá através de suas técnicas, quais sejam:

Escrituração Contábil, que é a técnica contábil exercida com a finalidade de efetuar o registro, através do lançamento, dos fenômenos ou fatos que afetam o patrimônio de uma entidade. Saliente- se que estes fenômenos para se constituírem em objeto da escrituração devem ser passíveis de valoração monetária;

Demonstração Contábil, também chamada de evidenciação, é a técnica que se encarrega de informar aos usuários da informação contábil a situação do patrimônio e suas mutações. Através de demonstrações e outros relatórios, as pessoas que mantêm relação de interesse com a entidade, são providas com as informações contábeis indispensáveis ao processo decisório; Auditoria Contábil, que constitui-se num conjunto de procedimentos técnicos exercidos com o objetivo de emitir parecer sobre a adequação das demonstrações contábeis, buscando a confirmação da veracidade das informações sobre a posição patrimonial e financeira e sobre o resultado das operações e recursos de uma entidade; Análise Contábil, é a técnica que permite, através da utilização de instrumentos diversos, a decomposição, a comparação e a interpretação das demonstrações contábeis ou gerenciais e suas extensões, com vistas a avaliar o desempenho e as tendências da entidade, para atender determinado objetivo.

Resumindo:

da entidade, para atender determinado objetivo. Resumindo: ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Registra os fatos contábeis

ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL

Registra os fatos contábeis produzidos pelo patrimônio

DEMONSTRAÇÃO CONTÁBIL

Elabora relatórios contábeis sobre o patrimônio

TÉCNICAS

CONTÁBEIS

AUDITORIA CONTÁBIL

Verifica a expressão de verdade dos relatórios contábeis

ANÁLISE CONTÁBIL

Decompõe, compara e interpreta os relatórios contábeis

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II – ESTUDO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

II – ESTUDO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

1. DEMONSTRAÇÕES OBRIGATÓRIAS PARA TODAS AS EMPRESAS

Segundo a NBC T-3 1 , as demonstrações contábeis são aquelas extraídas dos livros, registros e documentos que compõem o sistema contábil de qualquer tipo de Entidade, devendo na sua elaboração serem observados os Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC) aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

A atribuição e responsabilidade técnica do sistema contábil da Entidade cabem, exclusivamente, a

contabilista registrado no CRC 2 .

As demonstrações contábeis devem especificar sua natureza, a data e/ou o período e a Entidade a que se referem, cujo grau de revelação deve propiciar o suficiente entendimento do que cumpre demonstrar, inclusive com o uso de notas explicativas, que, entretanto, não podem substituir o que é intrínseco às demonstrações.

De conformidade com o art. 176 da Lei nº 6.404, de 15.12.1976 (DOU de 17.12.1976), e outros dispositivos legais emanados dos órgãos encarregados da normatização dos procedimentos contábeis, as empresas estão sujeitas à elaboração e publicação (para as sociedades por ações) das seguintes demonstrações contábeis:

Balanço Patrimonial (BP);

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);

Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);

Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR).

NOTA: por força do § 6º do art. 176 da citada lei (com nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.457, de 05.05.1997 – DOU de 06.05.1997), a companhia fechada, e as demais empresas, com patrimônio líquido, na data do balanço, não superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), não será obrigada à elaboração e publicação da demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR).

1.1. BALANÇO PATRIMONIAL

Segundo o novo conceito emanado da NBC T-3, o balanço patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, quantitativa e qualitativamente, numa determinada data, o Patrimônio e o Patrimônio Líquido da entidade 3 .

Assim, esta demonstração contábil representa graficamente a estática patrimonial, evidenciando claramente os elementos patrimoniais. Pode-se comparar o balanço patrimonial como uma fotografia (estática) do patrimônio de uma entidade em determinado momento.

O balanço patrimonial é constituído pelo Ativo, pelo Passivo e pelo Patrimônio Líquido, sendo:

Ativo - compreende as aplicações de recursos representadas por bens e direitos;

Passivo - compreende as origens de recursos representados pelas obrigações para com

terceiros;

Patrimônio Líquido - compreende os recursos próprios da Entidade e seu valor é a diferença

entre o valor do Ativo e o valor do Passivo (Ativo menos Passivo). Portanto, o valor do Patrimônio Líquido pode

ser positivo, nulo ou negativo. Quando o valor do Patrimônio Líquido for negativo, este é também denominado de "Passivo a Descoberto".

Na situação em que o patrimônio líquido for negativo, este deve ser demonstrado após o ativo, sendo o seu valor final denominado de Passivo a Descoberto.

1.1.1. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS PATRIMONIAIS

1 A NBC T-3 é a Norma Brasileira de Contabilidade que dispõe sobre conceito, conteúdo, estrutura e nomenclatura das demonstrações contábeis, a qual foi aprovada pela Resolução CFC nº 686, de 14/12/1990, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

2 CRC - Conselho Regional de Contabilidade, órgão pertencente ao sistema CFC, responsável pelo registro e fiscalização dos profissionais de contabilidade.

3 Esta nova conceituação foi introduzida pela Resolução CFC nº 847, de 16/06/1999, que alterou a citada Resolução CFC nº

686/90.

Paulo Henrique Alves Parreira

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Os elementos patrimoniais, de conformidade com a Lei nº 6.404/76, são classificados no Balanço Patrimonial da seguinte forma:

1.1.1.1. CLASSIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS DO ATIVO

No Ativo as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos e subgrupos:

A) ATIVO CIRCULANTE

Disponibilidades,

empresa. Exemplos:

as

contas

representativas

Caixa; Bancos c/Movimento; Aplicações de Liquidez Imediata.

dos

recursos

financeiros

disponíveis

da

Realizável a Curto Prazo, as contas representativas dos direitos e bens realizáveis até o final do exercício social subseqüente ao do encerramento do balanço ou de conformidade com o ciclo operacional da empresa. Exemplos:

Duplicatas a Receber;

Duplicatas Descontadas (credora);

Provisão para Devedores Duvidosos (credora);

Títulos a Receber;

Estoques.

Despesas do Exercício Seguinte, as contas que representem aplicações de recursos em

despesas do exercício seguinte (despesas antecipadas). Exemplos:

Aluguéis Antecipados;

Seguros a Apropriar;

Encargos Financeiros a Apropriar.

ATENÇÃO!!! A divisão do grupo patrimonial Ativo Circulante retrodescrita (subgrupos Disponibilidades, Realizável a
ATENÇÃO!!!
A divisão do grupo patrimonial Ativo Circulante retrodescrita (subgrupos Disponibilidades, Realizável a Curto
Prazo e Despesas do Exercício Seguinte) está em consonância com as disposições da Lei nº 6.404/76,
porém a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica nº 3 (NBC-T-3), do Conselho Federal de Contabilidade
(CFC), prevê a divisão do Ativo Circulante nos seguintes subgrupos:
Disponível;
Créditos;
Estoques;
Despesas Antecipadas;
Outros Valores e Bens.

B) ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO

As contas representativas de bens e direitos realizáveis após o final do exercício social

seguinte ao do encerramento do balanço ou de acordo com o ciclo operacional da empresa. Exemplos:

Cauções Contratuais a Longo Prazo.

Imóveis Destinados à Venda;

As contas representativas de bens e direitos oriundos de negócios não usuais realizados com

coligadas, controladas, proprietários, sócios, acionistas e diretores, independentemente do vencimento ou prazo de realização. Exemplos:

Empréstimos a Sócios;

Empréstimos à Empresas do Grupo.

C) ATIVO PERMANENTE

Paulo Henrique Alves Parreira

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Investimentos, as contas representativas de direitos por participações permanentes em

7

outras sociedades e os bens e direitos de qualquer natureza, não classificáveis no Ativo Circulante, e que não se destinem à manutenção das atividades da empresa. Exemplos:

Ações de Outras Empresas; Provisões para Perdas (credora);

Imóveis não de Uso ou de Renda.

Obras de Arte;

Imobilizado, as contas representativas dos bens e direitos que sejam destinados à manutenção das atividades da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial. Exemplos:

Imóveis;

Instalações;

Móveis e Utensílios;

Veículos;

Marcas e Patentes;

Jazidas de Minérios;

Plantações;

Semoventes;

Depreciações, Amortizações e Exaustões Acumuladas (credoras).

Diferido, as contas representativas dos gastos ou aplicações de recursos em despesas que

beneficiarão a empresa por mais de um exercício social, ou seja, contribuirão para a formação do resultado de

vários exercícios. Exemplos:

Gastos Pré-Operacionais;

Benfeitorias em Imóveis de Terceiros;

Gastos com Organização e Expansão;

Despesas com Desenvolvimento de Novos Produtos;

Juros Pagos ou Devidos aos Proprietários antes do Início das Atividades da Empresa;

Amortizações Acumuladas (credoras).

1.1.1.2. CLASSIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS DO PASSIVO

No Passivo as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de exigibilidade dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos:

A) PASSIVO CIRCULANTE

As contas representativas das obrigações da empresa, inclusive financiamentos para aquisição de Ativo Permanente, que tenham prazos de vencimentos até o final do exercício social subseqüente ao de encerramento do balanço ou de acordo com o ciclo operacional da empresa. Exemplos:

Fornecedores;

Encargos Sociais a Recolher;

Impostos a Recolher;

Títulos a Pagar;

Empréstimos e Financiamentos Bancários.

B) PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

As contas representativas das obrigações da empresa com vencimentos após o término do exercício social seguinte ao do encerramento do balanço ou conforme o ciclo operacional da empresa. Exemplos:

Impostos a Recolher;

Títulos a Pagar;

Empréstimos e Financiamentos em Moeda Nacional ou Estrangeira.

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C) RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS

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As contas representativas das receitas de exercícios futuros, diminuídas dos custos ou

despesas a elas correspondentes.

As principais características deste grupo de contas são:

a inexigibilidade para com terceiros (mesmo que haja desfazimento do negócio não há

obrigatoriedade de devolução da importância recebida); ser considerada como receita de exercícios futuros em função dos princípios contábeis da Realização da Receita e do Regime de Competência de Exercícios. Exemplos:

Aluguéis Recebidos Antecipadamente;

Comissões Recebidas Antecipadamente;

Custos ou Despesas Correspondentes às Receitas (devedoras).

NOTA: por força do Regulamento do Imposto de Renda, as empresas que exploram atividades de incorporação e venda de imóveis devem enquadrar neste grupo os recebimentos antecipados e respectivos custos.

D) PATRIMÔNIO LÍQUIDO

As contas representativas dos seguintes valores:

dos investimentos dos proprietários na empresa;

das reservas oriundas de lucros obtidos pela empresa;

das reservas provenientes de reavaliação de ativos.

As contas pertencentes ao Patrimônio Líquido serão distribuídas nos seguintes subgrupos:

Capital Social, as contas representativas do valor do capital subscrito e da parcela ainda não integralizada ou realizada. Exemplos:

Capital Social;

Capital Social a Realizar ou Integralizar (devedora).

Reservas de Capital, as contas que representam valores recebidas que não transitaram pelo seu resultado como receitas e outros. Exemplos:

Ágio na Emissão de Ações;

Produto da Alienação de Partes Beneficiárias;

Produto da Alienação de Bônus de Subscrição;

Prêmios na Emissão de Debêntures;

Doações e Subvenções para Investimentos;

Incentivos Fiscais.

Reservas de Reavaliação, as contas representativas das contra partidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do Ativo em virtude de novas avaliações, com base em laudo técnico. Exemplos:

Reavaliação de Imóveis;

Reavaliação de Imóveis Próprios;

Reavaliação de Imóveis de Controladas;

Reavaliação de Recursos Naturais;

Reavaliação de Participações Societárias.

Reservas de Lucros, as contas que representam lucros obtidos pela empresa e retidos com finalidade específica. Essa retenção pode se dar por imposição legal, por determinação estatutária ou por propósitos aprovados pelos proprietários da empresa. Exemplos:

Reserva Legal;

Reservas Estatutárias;

Reserva para Aumento de Capital;

Reserva para Resgate de Debêntures;

Reserva para Resgate de Partes Beneficiárias;

Reserva para Amortização de Ações;

Reservas para Contingências;

Reservas para Expansão ou Planos para Investimentos

Reservas de Lucros a Realizar;

Reservas para Dividendos Obrigatórios.

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Lucros ou Prejuízos Acumulados, as contas representativas de resultados obtidos, porém retidos sem finalidade específica (quando lucros), ou à espera de absorção futura (quando prejuízos). Assim, os lucros ou prejuízos do exercício são transferidos para conta Lucros ou Prejuízos Acumulados e lá permanecem até se tomar decisão sobre a destinação do lucro ou amortização do prejuízo. Exemplos:

Lucros Acumulados;

Prejuízos Acumulados (opcional).

1.1.2. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DOS ELEMENTOS PATRIMONIAIS

Consoante a Lei nº 6.404/76, no Balanço Patrimonial os elementos serão avaliados mediante os seguintes critérios:

1.1.2.1. AVALIAÇÃO DOS ELEMENTOS DO ATIVO

A entidade avaliará seus bens e direitos:

Os direitos e títulos de crédito, e quaisquer valores mobiliários não classificados como investimentos, pelo custo de aquisição ou pelo valor do mercado, se este for menor, devendo ser excluídos os já prescritos e feitas as provisões necessárias para ajustá-lo ao valor provável de realização, facultado o aumento do custo de aquisição, até o limite do valor do mercado, para registro de correção monetária, variação cambial ou juros acrescidos;

Os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia, assim como matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, pelo custo de aquisição ou produção, deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior;

Os investimentos em participação no capital social de outras sociedades, ressalvadas a hipótese de avaliação pelo método da Equivalência Patrimonial (art. 248 da Lei nº 6.404/76) e as demonstrações consolidadas (art. 250 da Lei nº 6.404/76), pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para perdas prováveis na realização do seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente, e que não será modificado em razão do recebimento, sem custo para a companhia, de ações ou quotas bonificadas;

Os demais investimentos, pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para atender às

perdas prováveis na realização do seu valor, ou para redução do custo de aquisição ao valor de mercado, quando este for inferior;

Os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da

respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão;

O ativo diferido, pelo valor do capital aplicado, deduzido do saldo das contas que registrem a

sua amortização.

Para efeito de avaliação dos elementos do ativo, considera-se como valor de mercado:

Das matérias-primas e dos bens em almoxarifado, o preço pelo qual possam ser repostos,

mediante compra no mercado;

Dos bens ou direitos destinados à venda, o preço líquido de realização mediante venda no

mercado, deduzidos os impostos e demais despesas necessárias para a venda, e a margem de lucro;

Dos investimentos, o valor líquido pelo qual possam ser alienados a terceiros.

registrada periodicamente nas

seguintes contas:

Depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens

físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência;

Amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de

direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado;

A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será

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Exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de

10

direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.

Outras considerações previstas em lei:

Os recursos aplicados no ativo diferido serão amortizados periodicamente, em prazo não superior a 10 (dez) anos, a partir do início da operação normal ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios deles decorrentes, devendo ser registrada a perda do capital aplicado quando abandonados os empreendimentos ou atividades a que se destinavam, ou comprovado que essas atividades não poderão produzir resultados suficientes para amortizá-los;

Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser avaliados pelo valor

de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica contábil.

1.1.2.2. AVALIAÇÃO DOS ELEMENTOS DO PASSIVO

A entidade dever avaliar os elementos do passivo:

As obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive imposto de renda a

pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado até a data do balanço;

As obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas

em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço;

As obrigações sujeitas a correção monetária serão atualizadas até a data do balanço.

1.1.3. RESUMO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO

I – O PL está subdividido em:

1.

Capital Social

2.

Reservas de Capital

3.

Reservas de Reavaliação

4.

Reservas de Lucros

5.

Lucros ou Prejuízos Acumulados

6.

Ações em Tesouraria (S/A) ou Quotas Liberadas (Ltda)

7.

Lucros ou Dividendos distribuídos antecipadamente

II

– São classificadas como Reservas de Capital:

1.

Ágio na Emissão de Ações

2.

Produto da Alienação de Partes Beneficiárias

3.

Produto da Alienação de Bônus de Subscrição

4.

Prêmios na Emissão de Debêntures

5.

Doações e Subvenções para Investimentos

6.

Incentivos Fiscais

III

– As Reservas de Capital somente podem ser utilizadas para:

1.

Absorção dos prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros

2.

Resgate, reembolso ou compra de ações

3.

Resgate de partes beneficiárias

4.

Incorporação ao Capital Social

5.

Pagamento de dividendos a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada

IV – O Lucro Líquido do Exercício pode ter a seguinte destinação:

1.

Capitalização de Lucros

2.

Compensação de Prejuízos

3.

Formação de Reservas de Lucros

4.

Distribuição de Dividendos

5.

Outras

V

– As Reservas de Lucros são:

1. Reserva Legal

2. Reservas Estatutárias

3. Reservas para Contingências

4. Reserva de Lucros para Expansão ou Reservas de Planos para Investimentos

5. Reserva de Lucros a Realizar

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6. Reserva de Lucros para Dividendos Obrigatórios

VI – São tipos de Reservas Estatutárias:

1. Reserva para Aumento de Capital

2. Reserva para Resgate de Debêntures

3. Reserva para Resgate de Partes Beneficiárias

4. Reserva para Amortização de Ações

VII – Os Lucros a Realizar representam a soma dos seguintes itens:

1. O aumento do valor de investimentos em coligadas e controladas, avaliados pela equivalência

patrimonial

2. O lucro em vendas a longo prazo, cujo prazo de recebimento ocorrerá após o término do

exercício seguinte, como por exemplo, na venda de bens do ativo permanente.

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A seguir, modelo de balanço patrimonial:

BALANÇO PATRIMONIAL

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO

CIRCULANTE DISPONIBILIDADES Caixa e Bancos Conta Corrente Aplicações de Liquidez Imediata CRÉDITOS Clientes (-) Duplicatas Descontadas (-) Provisão para Devedores Duvidosos Adiantamentos a Fornecedores Impostos a Compensar Investimentos Temporários ESTOQUES Estoque de Mercadorias para Revenda Estoque de Matéria-Prima DESPESAS ANTECIPADAS Prêmios de Seguros a Apropriar OUTROS VALORES E BENS Bens Não Destinados a Uso REALIZÁVEL A LONGO PRAZO VALORES A RECEBER Clientes (-) Provisão para Devedores Duvidosos Empréstimos a Coligadas e Controladas Empréstimos Compulsórios da Eletrobrás INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS Títulos e Valores Mobiliários Participações Não-Permanentes DESPESAS ANTECIPADAS Prêmios de Seguros a Apropriar PERMANENTE INVESTIMENTOS Participações em Sociedades Controladas Obras de Arte Imóvel Não de Uso - de Renda (-) Depreciações Acumuladas IMOBILIZADO Terrenos Máquinas, Aparelhos e Equipamentos Móveis e Utensílios Veículos Marcas, Direitos e Patentes Industriais (-) Depreciações Acumuladas (-) Amortizações Acumuladas Obras em Andamento DIFERIDO Pesquisas e Desenvolvimento de Produtos Gastos de Reorganização (-) Amortizações Acumuladas

PASSIVO

CIRCULANTE OBRIGAÇÕES DE FUNCIONAMENTO Fornecedores Obrigações Trabalhistas e Sociais Obrigações Tributárias Adiantamentos de Clientes Dividendos a Pagar OBRIGAÇÕES DE FINANCIAMENTOS Empréstimos Bancários Títulos a Pagar EXIGÍVEL A LONGO PRAZO Empréstimos e Financiamentos Retenções Contratuais Títulos a Pagar Provisão para Imposto Renda Diferido RESULTADOS EXERCÍCIOS FUTUROS Receitas de Exercícios Futuros (-) Custos ou Despesas Correspondentes PATRIMÔNIO LÍQUIDO CAPITAL SOCIAL Capital Subscrito (-) Capital a Realizar RESERVAS DE CAPITAL Reservas de Incentivos Fiscais Subvenções para Investimentos Doações para Investimentos RESERVAS DE REAVALIAÇÕES Reavaliação de Ativos Próprios Reavaliação de Ativos de Controladas RESERVAS DE LUCROS Reserva Legal Reserva Estatutária Reserva para Contingências Reserva de Lucros a Realizar LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS Lucros Acumulados (-) Prejuízos Acumulados

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RESUMO DA ESTRUTURA PATRIMONIAL

13

 

BALANÇO PATRIMONIAL

 

ATIVO

 

PASSIVO

1. CIRCULANTE

1. CIRCULANTE

Neste grupo são classificados os bens e direitos com previsão ou expectativa de realização até o final do exercício social seguinte ao do encerramento do balanço, devendo ser, segundo a Lei nº 6.404/76, dividido nos seguintes subgrupos:

Neste grupo são classificadas as obrigações com vencimento ou previsão de exigibilidade para até o final do exercício social seguinte ao do encerramento do balanço, devendo ser, embora sem uma definição legal, dividido nos seguintes subgrupos:

 

Disponibilidades

Obrigações de Funcionamento

Realizável a Curto Prazo

Obrigações de Financiamentos

Despesas do Exercício Seguinte

Outras Obrigações e Provisões

Segundo a NBC-T-3 do CFC, é dividido nos seguintes subgrupos:

2. EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

 

Disponível

Neste grupo são classificadas as obrigações com vencimento para após o final do exercício social seguinte ao do balanço, sendo, embora sem definição legal, dividido nos seguintes subgrupos:

Créditos

Estoques

Despesas Antecipadas

Obrigações de Funcionamento

Outros Valores e Bens

Obrigações de Financiamentos

2. REALIZÁVEL A LONGO PRAZO

Outras Obrigações e Provisões

Neste grupo são classificados os bens e direitos com previsão ou expectativa de realização após o final do exercício social seguinte ao do encerramento do balanço.

Embora sem uma definição legal sobre divisão, este grupo pode ser dividido nos mesmos subgrupos do Ativo Circulante, exceto o Disponível.

3. RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS

Neste grupo são classificadas as receitas já recebidas que efetivamente devem ser reconhecidas em resultados nos exercícios futuros, deduzidas dos custos ou despesas correspondentes, devendo ser, embora sem uma definição legal, dividido nos seguintes subgrupos:

3. PERMANENTE

Receitas Recebidas Antecipadamente

Neste grupo são classificados os bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da empresa, assim como os direitos exercidos com essa finalidade, devendo ser, segundo a Lei nº 6.404/76, dividido nos seguintes subgrupos:

Investimentos

Custos ou Despesas Correspondentes

4. PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Neste grupo são classificados os investimentos e demais recursos dos proprietários no patrimônio da empresa, devendo ser, segundo a Lei nº 6.404/76, dividido nos seguintes subgrupos:

Imobilizado

Capital Social

Diferido

Reservas de Capital

 

Reservas de Reavaliação

Reservas de Lucros

Lucros ou Prejuízos Acumulados

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14

1.2. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

A presente peça expositiva demonstra a dinâmica patrimonial, cuja elaboração se dá com a finalidade de evidenciar os vários elementos que formam o resultado econômico da entidade, representados pelas receitas e pelos rendimentos auferidos no período, independentemente de sua realização em moeda, e pelos custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos e que mantenham correspondência com aquelas receitas e rendimentos.

Portanto, a Demonstração do Resultado do Exercício é um resumo ordenado das receitas obtidas e das despesas incorridas pela empresa durante o exercício social, dispostas graficamente de forma vertical e dedutiva, isto é, das receitas subtraem-se as despesas com vistas a apurar o resultado econômico do período, que pode ser lucro ou prejuízo.

Por força do art. 187 da Lei nº 6.404/76, na DRE devem ser evidenciadas, de forma ordenada e resumida, as operações realizadas durante o exercício social de modo a destacar o resultado líquido do período. Para tanto, as receitas e despesas serão discriminadas obedecendo os seguintes grupos de contas:

Receita Bruta de Vendas e Serviços

Deduções da Receita Bruta

Receita Liquida de Vendas e Serviços

Custo das Vendas e Serviços

Resultado (Lucro ou Prejuízo) Bruto

Despesas Operacionais

Resultado (Lucro ou Prejuízo) Operacional Líquido

Resultados Não Operacionais

Resultado (Lucro ou Prejuízo) antes dos Tributos

Provisões para Tributos

Resultado antes das Participações e Contribuições

Participações e Contribuições

Resultado (Lucro ou Prejuízo) Liquido do Exercício

Lucro ou Prejuízo por Ação

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A seguir, modelo de demonstração do resultado do exercício:

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

RECEITA BRUTA DE VENDAS E SERVIÇOS Vendas de Produtos Vendas de Mercadorias Serviços Prestados DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA Impostos Incidentes sobre Vendas Impostos Incidentes sobre Serviços Vendas Canceladas Abatimentos sobre Vendas RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS E SERVIÇOS CUSTOS DAS VENDAS E SERVIÇOS Custo dos Produtos Vendidos Custo das Mercadorias Vendidas Custo dos Serviços Prestados RESULTADO (LUCRO/PREJUÍZO) BRUTO DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com Vendas Despesas Administrativas e Gerais Despesas Tributárias Despesas Financeiras (-) Receitas Financeiras OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS Prejuízos em Participações Societárias (Equivalência Patrimonial) Lucros em Participações Societárias (Equivalência Patrimonial) Dividendos e Rendimentos de Outros Investimentos RESULTADO (LUCRO/PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO RESULTADO NÃO OPERACIONAL Ganhos e Perdas de Capital nos Investimentos Ganhos e Perdas de Capital no Imobilizado RESULTADO (LUCRO/PREJUÍZO) ANTES DOS IMPOSTOS Provisão para Imposto de Renda Contribuição Social sobre Lucro RESULTADO (LUCRO/PREJUÍZO) ANTES DAS PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES Debêntures Empregados Administradores Partes Beneficiárias Fundos de Assistência a Empregados RESULTADO (LUCRO/PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXERCÍCIO LUCRO LÍQUIDO POR AÇÃO

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QUADRO–RESUMO ILUSTRATIVO DA APURAÇÃO DO LUCRO (deduções, participações e destinações do resultado do exercício)

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DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

CÁLCULOS EXTRACONTÁBEIS

Deduções Provisão para Contribuição Social

1. Ajustes do Resultado do Exercício:

Resultado do Exercício antes do IR

532.500

a) Exclusões: Resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do PL Dividendos b) Adições
a) Exclusões:
Resultado positivo da avaliação de
investimentos pelo valor do PL
Dividendos
b) Adições (não ocorrem)
= Base de Cálculo da Provisão
2. Cálculo da Provisão:
CS = 402.270 x 10 / 100 =
Provisão para Imposto de Renda – LALUR
1. Ajustes do Resultado do Exercício:
Resultado do Exercício antes do IR
a) Adições:
Excesso de retiradas
Multas Fiscais
b) Exclusões:
Receitas de participações societárias
c) Compensações:
Prejuízos Acumulados (Fiscal)
= Lucro Real
2. Cálculo do valor da Provisão:

90.000

40.230

402.270

40.227

532.500

9.773

10.000

90.000

150.000

312.273

402.270 40.227 532.500 9.773 10.000 90.000 150.000 312.273 IR = Lucro Real x 25 / 100

IR = Lucro Real x 25 / 100 = 312.272 x 25 / 100 =

Participações Resultado do Exercício após o IR (-) Prejuízos Acumulados (Contábil) = Base de Cálculo para Debêntures (-) Participações de Debêntures (10%) = Base de Cálculo p/ Participações de Empregados (-) Participações de Empregados (10%) = Base de Cálculo Participações de Administradores (-) Participações de Administradores (10%) = Base de Cálculo das Partes Beneficiárias (-) Participações das Partes Beneficiárias (10%) = Base de Cálculo para Contribuições

12.229

9.783

73.375

78.068

414.205

-

414.205

41.420

372.785

37.278

335.507

33.550

301.957

30.195

271.762

27.176

244.586

244.586

95.387

1. RECEITA OPERACIONAL BRUTA Vendas de Mercadorias

2. DEDUÇÕES E ABATIMENTOS Vendas Anuladas Descontos Incondicionais Concedidos ICMS sobre Vendas PIS sobre Faturamento COFINS

3. RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (1-2)

4. CUSTOS OPERACIONAIS Custo das Mercadorias Vendidas

5. LUCRO OPERACIONAL BRUTO (3-4)

6. DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com Vendas Despesas Financeiras (-) Receitas Financeiras Despesas Administrativas Outras Despesas Operacionais

7. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS

8. LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL (5-6+7)

9. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS

10. DESPESAS NÃO OPERACIONAIS

11. RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA PROVISÃO

50.000

-

540.000

19.500

60.000

321.000

19.000

(80.000)

701.000

20.000

PARA O IMPOSTO DE RENDA (8+9-10)

12. PROVISÃO PARA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

13. PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA

14. RESULTADO DO EXERCÍCIO APÓS O IMPOSTO DE RENDA (11-12-13)

15. PARTICIPAÇÕES

3.050.000

(669.500)

2.380.500

(1.000.000)

1.380.500

(981.000)

34.000

433.500

125.000

(26.000)

532.500

(40.227)

(78.068)

414.205

Debêntures Empregados Administradores Partes Beneficiárias Contribuições p/ Instituições ou Fundos de Assistência ou Previdência de Empregados

16. LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO (14-15)

17. LUCRO LÍQUIDO POR AÇÃO DO CAPITAL

41.420

37.278

33.550

30.195

27.176

(169.619) 244.586 0,53170 120.000
(169.619)
244.586
0,53170
120.000

120.000

244.58630.195 27.176 (169.619) 244.586 0,53170 120.000 120.000 - 364.586 - - 269.199 DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU

27.176 (169.619) 244.586 0,53170 120.000 120.000 244.586 - 364.586 - - 269.199 DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU
- 364.586 - -
-
364.586
-
-

269.199

DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS

1. SALDO NO INÍCIO DO PERÍODO

2. (+ ou -) AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES

3. SALDO AJUSTADO

4. (+ ou -) LUCRO OU PREJUÍZO DO EXERCÍCIO

5. (+) REVERSÃO DE RESERVAS

6. SALDO À DISPOSIÇÃO

7. DESTINAÇÃO DO EXERCÍCIO Reserva Legal Reservas Estatutárias Reservas para Contingências Outras Reservas Dividendos Obrigatórios (R$ 0,15951 p/ ação)

8. SALDO NO FIM DO EXERCÍCIO

-

(-) Contribuições de Empregados (10%)

= Lucro Líquido do Exercício

Destinações Base de Cálculo Lucro Líquido do Exercício Reserva Legal (5%) Reservas Estatutárias Dividendos a Pagar

12.229

9.783

73.375

DISPOSITIVOS LEGAIS Provisão para Contribuição Social: Lei nº 7.689, de 15/12/88. Provisão para Imposto de Renda: art. 6º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26/12/77 e RIR. Participações: art. 190 da Lei nº 6.404, de 15/12/76. Reserva Legal: art. 193 da Lei nº 6.404, de 15/12/76. Reservas Estatutárias: art. 194 da Lei nº 6.404, de 15/12/76, que faculta ao estatuto fixar critérios para determinar a base de cálculo. No nosso exemplo, utilizamos o próprio Lucro Líquido do Exercício. Dividendos: art. 202 da Lei nº 6.404/76, que também faculta ao estatuto fixar critérios para determinar a sua base de cálculo. No nosso exemplo, utilizamos o próprio Lucro Líquido do Exercício.

NOTA: quadro extraído do livro Contabilidade Geral Fácil, de Osni Moura Ribeiro, Editora Saraiva, 1ª edição – 1997.

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1.3. DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS

Esta demonstração contábil evidencia de forma precisa o lucro líquido obtido em determinado exercício social, a destinação ou distribuição dada a este. Enfim, demonstra toda a movimentação registrada na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, constituindo-se num instrumento de integração entre o balanço patrimonial e a demonstração do resultado.

Assim, ela permite a evidenciação dos dividendos distribuídos e das deduções para formação de reservas patrimoniais ou sua reversão, entre outras movimentações passíveis de ocorrer com os lucros obtidos pela empresa.

Conforme disposição da Lei nº 6.404/76, a demonstração das movimentações ocorridas na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados da empresa deve ser apresentada da seguinte forma:

Saldo no Início do Exercício

Ajustes de Exercícios Anteriores

Parcela de Lucros Incorporada ao Capital

Reversões de Reservas

Lucro (Prejuízo) do Exercício

Destinação do Lucro

Saldo No Final do Exercício

A seguir, modelo da demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados:

DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS

SALDO NO INÍCIO DO EXERCÍCIO AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES Efeitos da Mudança de Critério Contábil Retificação de Erros de Exercícios Anteriores PARCELA DE LUCROS INCORPORADA AO CAPITAL REVERSÕES DE RESERVAS De Contingências De Lucros a Realizar LUCRO (PREJUÍZO) DO EXERCÍCIO DESTINAÇÃO DO LUCRO Constituição de Reservas Reserva Legal Reserva de Contingências Reservas Estatutárias Reserva para aumento de capital Reserva para resgate de debêntures Reserva para resgate de partes beneficiárias Reserva para amortização de ações Reservas para Expansão ou Planos para Investimentos Reserva de Lucros a Realizar Reserva para Dividendos Obrigatórios Dividendos a Distribuir (R$ p/ação) SALDO NO FINAL DO EXERCÍCIO

1.4. DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

Esta demonstração visa apresentar as informações relativas às operações de financiamento e investimento em determinado período, buscando, também, evidenciar as modificações na posição financeira da empresa.

Como os fenômenos contábeis são capazes de provocar alterações de ordem qualitativa e quantitativa em mais de um elemento do patrimônio ao mesmo tempo, ela se presta a indicar a movimentação

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dos elementos patrimoniais não circulantes com reflexos nos elementos circulantes, bem como demonstra a variação ocorrida no valor do capital circulante da empresa.

A seguir, é apresentada a estrutura da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos:

Origens de Recursos

Aplicações de Recursos

Aumento ou Redução do Capital Circulante Líquido

Demonstração da Variação do Capital Circulante Líquido

A seguir, modelo de demonstração das origens e aplicações de recursos:

ORIGENS DE RECURSOS DAS OPERAÇÕES Lucro (Prejuízo) Líquido do Exercício Despesas Não Desembolsáveis Depreciações Amortizações Exaustões Provisões para Prováveis Perdas Resultado da Equivalência Patrimonial Variações nos Resultados de Exercícios Futuros DOS PROPRIETÁRIOS Realização de Capital Social Contribuições para Reservas de Capital DE TERCEIROS Redução do Ativo Realizável a Longo Prazo Aumento do Passivo Exigível a Longo Prazo

AUMENTO (REDUÇÃO) DO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO DEMONSTRAÇÃO DA VARIAÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO ATIVO CIRCULANTE Início do Exercício (-) Final do Exercício (=) Variação PASSIVO CIRCULANTE Início do Exercício (-) Final do Exercício (=) Variação AUMENTO (REDUÇÃO) DO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO

APLICAÇÕES DE RECURSOS Aumento do Ativo Investimentos Aquisição de Direitos do Ativo Imobilizado Aumento do Ativo Diferido Aumento do Ativo Realizável a Longo Prazo Redução do Passivo Exigível a Longo Prazo Dividendos Distribuídos

DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS(*)

1.5. NOTAS EXPLICATIVAS

As notas explicativas são informações complementares às demonstrações contábeis (contábeis), representando parte integrante destas, necessárias para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício, nos termos do § 4º do art. 176 da Lei nº 6.404/76.

Podem ser expressas tanto na forma descritiva como na de quadros analíticos, ou mesmo englobando outras demonstrações que forem necessárias ao melhor e mais completo esclarecimento das demonstrativos contábeis.

As notas explicativas podem ser usadas para descrever práticas contábeis utilizadas pela empresa, para explicações adicionais sobre determinadas contas ou operações específicas e ainda para composição de detalhes de certas contas.

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Outro aspecto a ser considerado é que a menção de um erro contábil numa Nota Explicativa não justifica esse erro; é interessante sua menção para esclarecimento do leitor das demonstrações contábeis, porém o erro persiste, apesar de mencionado em nota explicativa.

Consoante o § 5º do citado artigo, as notas explicativas que acompanham as demonstrações contábeis, devem indicar o seguinte:

Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos

cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos

ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo;

ativos);

Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes;

O aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações (reavaliações de

Os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e

outras responsabilidades eventuais ou contingentes;

A taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo;

O número, espécies e classes das ações do capital social;

As opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício;

Os ajustes de exercícios anteriores;

Os eventos subseqüentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam a vir

a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia.

Como se verifica, a Lei das S.A estabelece nove casos expressos que devem ser mencionados em notas explicativas, todavia, a menção dessas nove possibilidades de notas representa o elenco básico a ser seguido pelas empresas, sendo que pode haver situações em que sejam necessárias outras notas explicativas adicionais, além das previstas em lei.

2. DEMONSTRAÇÕES OBRIGATÓRIAS PARA DETERMINADAS EMPRESAS

Em função da natureza e características da entidade, bem como em decorrência de atos legais oriundos de outros órgãos disciplinadores dos procedimentos contábeis, mais especificamente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as companhias de capital aberto (empresas que têm seus valores mobiliários negociados em bolsas de valores ou em mercado de balcão) estão sujeitas a elaborarem e publicarem as seguintes demonstrações contábeis:

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, substitui a Demonstração dos Lucros

ou Prejuízos Acumulados e é exigida por força da Instrução CVM nº 59, de 22.12.1986 (DOU ;

segundo a NBC T 3.5, baixada pelo Conselho Federal de Contabilidade através da Resolução CFC 686/90 (com nova redação dada pela Resolução CFC 887/00), a DMPL é aquela destinada a evidenciar as mudanças, em natureza e valor, havidas no Patrimônio Líquido da entidade, num determinado período de tempo; esta demonstração evidencia a movimentação de todas as contas do grupo do Patrimônio Líquido durante o exercício encerrado, ao contrário da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA que mostra a movimentação somente da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados.;

dessa forma, ela é de grande utilidade em função de demonstrar de forma abrangente o capital próprio da empresa no início e no fim do exercício social, constituindo-se em importante elemento para elaboração da Demonstração das Origens de Aplicações de Recursos e para avaliação dos investimentos permanentes (pela investidora) em coligadas e controladas;

a rigor, a elaboração desta demonstração obedece as mesmas técnicas adotadas na DLPA, isto é, todas as movimentações ocorridas nas contas do Patrimônio Líquido são demonstradas, partindo dos saldos do final do exercício anterior, registrando os aumentos ou diminuições durante o período e chegando aos saldos atuais.

A seguir, um modelo de demonstração das mutações do patrimônio líquido:

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DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

 
   

RESERVAS DE

       

DESCRIÇÃO DOS

ELEMENTOS

CAPITAL

CAPITAL

 

RESERVAS DE LUCROS

LU-

REALI-

ZADO

Ágio

Emissão

Incen-

tivos

Subven-

ções p/

Reserva

para

Reservas

Estatu-

Reserva

para

Reserva

Legal

Reserva

de Lucros

CROS

ACUMU

TOTAL

 

de Ações

Fiscais

Investi-

Contin-

tárias

Expan-são

a Realizar

-LADOS

 

mentos

gência

SALDOS EM

/

/

                     

AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES (NE. Nº)

Mudança

de critérios

contábeis

Retificação de erros AUMENTOS DE CAPITAL Com lucros e reservas Por subscrição realizada REVERSÕES DE RESERVAS De Contingências De Lucros a Realizar LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO DESTINAÇÃO DO LUCRO Reservas Dividendos ($ por ação)

SALDOS EM

/

/

                     

Demonstrações Contábeis Consolidadas, que, nos termos dos arts. 249 e 250 da Lei nº 6.404/76 e da Instrução CVM nº 247/96 (vigência: demonstrações relativas ao exercício social findo a partir de 01.12.96), devem ser elaboradas e divulgadas, juntamente com suas demonstrações contábeis, pela companhia aberta que tiver mais de 30% do valor de seu patrimônio líquido representado por investimentos em sociedades controladas e pela sociedade de comando de grupo de sociedades (holding) que inclua companhia aberta.

A seguir, modelos de balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício consolidados:

BALANÇO CONSOLIDADO

ELIMINAÇÕES E

AJUSTES

DESCRIÇÃO DOS

ELEMENTOS

CONTROLADORA

S/A

CONTROLADA

S/A

SALDOS

CONSOLIDADOS

DÉBITO CRÉDITO

ATIVO Disponibilidades Valores a Receber Estoques Investimentos Imobilizado Depreciação Acumulada

TOTAL

PASSIVO Valores a Pagar Participação Minoritária no Capital Reservas de Capital Reservas de Lucros e Lucros Acumulados

TOTAL

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21

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO CONSOLIDADA

DESCRIÇÃO DOS

ELEMENTOS

ELIMINAÇÕES E

AJUSTES

CONTROLA-

DORA S/A

CONTRO-

LADA S/A

SALDOS

CONSOLIDADOS

DÉBITO CRÉDITO

RECEITA BRUTA DE VENDAS Custos das Vendas LUCRO BRUTO Despesas Operacionais LUCRO OPERACIONAL Impostos sobre o Lucro LUCRO LÍQUIDO TOTAL DO GRUPO Participação Minoritária nos Resultados da Controlada S/A LUCRO LÍQUIDO CONSOLIDADO

Demonstração Contábil em Moeda de Capacidade Aquisitiva Constante (também denominada de Demonstração Financeira com Correção Monetária Integral), recomendada para a companhia aberta nos termos da Instrução CVM nº 191, de 15.07.1992 (DOU de 17.07.92). Já a Instrução CVM nº 248, de 29.03.1996, tornou facultativa, a partir de março de 1996, a elaboração e divulgação desta demonstração, em função de que os arts. 4º e 5º da Lei nº 9.249/95 extinguiram a correção monetária, inclusive para fins societários.

A seguir, modelos de balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício em moeda de poder aquisitivo constante (correção monetária integral – CMI):

 

BALANÇO PATRIMONIAL

 

ATIVO

 

PASSIVO

 
 

Legislação

Societária

Correção

 

Legislação

Societária

Correção

Elementos

Monetária

Integral

Elementos

Monetária

Integral

CIRCULANTE Disponibilidades Aplicações Financeiras

   

CIRCULANTE Fornecedores

   

Clientes Estoques

PERMANENTE Imobilizado Depreciação Acumulada

Empréstimos Obrigações Tributárias

PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Reservas de Capital Lucros Acumulados

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

Correção Monetária

Integral

Elementos

Legislação Societária

RECEITA BRUTA DE VENDAS E SERVIÇOS Vendas de Mercadorias Vendas de Serviços RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS E SERVIÇOS LUCRO BRUTO Despesas Operacionais Ganhos em Itens Monetários Perdas em Itens Monetários LUCRO OPERACIONAL LÍQUIDO RESULTADO NÃO OPERACIONAL RESULTADO ANTES DOS TRIBUTOS LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

NOTA: por força da Resolução CFC nº 900, de 22.03.2001, baixada pelo Conselho Federal de Contabilidade, é considerada compulsória a aplicação do Princípio da Atualização Monetária, previsto no art. 8º da Resolução CFC nº 750/93, quando a inflação acumulada no triênio for de 100% ou mais. A inflação acumulada será

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calculada com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), apurado mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A aplicação compulsória do Princípio da Atualização Monetária deverá ser amplamente divulgada nas notas explicativas às demonstrações contábeis.

3. OUTRAS DEMONSTRAÇÕES DE CARÁTER GERENCIAL

Embora ainda não exigidas pela legislação societária, a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), constituem-se em importantes instrumentos de controle gerencial das mutações patrimoniais, permitindo ao administrador a identificação e acompanhamento de todos os fluxos de entradas e saídas de caixa, bem como dos elementos que produzem a riqueza na empresa. Eis algumas considerações sobre estas demonstrações:

Demonstração do Fluxo de Caixa, apresenta a modificação no saldo de disponibilidades de uma entidade durante determinado período, por meio dos fluxos de recebimentos e pagamentos financeiramente concretizados, sendo esta última uma das particularidades da DFC, ou seja, sua elaboração pelo regime de caixa, de forma contrária às demonstrações contábeis exigidas pela Lei 6.404-76, que são elaboradas pelo regime de competência.

O fluxo de caixa é uma informação de relevância como complemento das Demonstrações

Contábeis.

A empresa pode ter lucros fantásticos e vendas ascendentes, mas, se não tiver um fluxo de caixa

adequado, corre o risco de não ter sua continuidade amparada.

O conceito de caixa a ser utilizado engloba o dinheiro em caixa e bancos, bem como os

equivalentes de caixa, assim considerados os investimentos altamente líquidos:

que sejam, de imediato, conversíveis em caixa, conforme definição da empresa, e que devem constar em nota explicativa (podendo incluir aplicações com vencimento de até três meses); e

que estejam tão próximos do vencimento que não exista risco de mudança de valor em função de alteração na taxa de juros.

A DFC utiliza a classificação do fluxo de caixa em três grupos: atividades operacionais, atividades

de investimento e atividades de financiamento, da seguinte forma:

atividades operacionais - este grupo inclui todas as transações ou outros eventos não

definidos como atividades de investimento ou financiamento. Atividades operacionais geralmente envolvem a produção e venda de produtos, e a prestação de serviços. Quando o avaliamos por diversos anos, o fluxo de caixa operacional indica, em extensão, que atividades operacionais têm gerado mais caixa do que o que se têm usado. atividades de investimento - a aquisição de ativos não-circulantes, particularmente bens imóveis, instalações fabris e equipamentos, usualmente representa a maior destinação de dinheiro das empresas. A entidade, na sua continuidade operacional, é forçada, em determinadas circunstâncias, a substituir ativos não-circulantes por outros ativos semelhantes, e ativos adicionais, na intenção de incrementar os negócios e desenvolver-se. Desse modo, a empresa obtém parte de sua necessidade de caixa para adquirir ativos não-circulantes pela venda dos ativos que estão sendo substituídos. De qualquer maneira, é certo que as entradas de caixa raramente cobrem a totalidade dos custos das novas aquisições. atividades de financiamento - a empresa também consegue dinheiro por meio de empréstimos a curto e longo prazo e de emissão de ações representativas do capital. Ela utiliza o caixa para pagamento de dividendos aos acionistas, para amortizar os empréstimos e resgate de ações próprias nas mãos do público.

As empresas podem escolher entre apresentar o fluxo de caixa pelo método indireto ou direto,

mas são incentivadas a usar o segundo:

o método indireto é aquele no qual os recursos provenientes das atividades

operacionais são demonstrados com base no lucro líquido, ajustado pelos itens considerados nas contas de resultado e que não afetam o caixa da empresa; o método direto é aquele no qual são demonstrados os recebimentos e pagamentos provenientes das atividades operacionais da empresa, em vez do lucro líquido ajustado.

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A seguir, os modelos da DFC:

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FLUXO DE CAIXA – MÉTODO DIRETO

FLUXO DE CAIXA - MÉTODO INDIRETO

Entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa

Entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa

Fluxo de caixa das atividades operacionais:

Fluxo de caixa das atividades operacionais:

Venda de mercadoria e serviços (+) Pagamento de fornecedores (-) Salários e encargos sociais dos empregados (-)

Lucro líquido (+) Depreciação e amortização (+) Provisão para devedores duvidosos (+) Aumento/diminuição em fornecedores (+/-) Aumento/diminuição em contas a pagar (+/-) Aumento/diminuição em contas a receber (-/+) Aumento/diminuição em estoques (-/+) Caixa líquido das atividades operacionais (+/-)

Dividendos recebidos (+)

Impostos e outras despesas legais (-) Recebimento de seguros (+)

Caixa líquido das atividades operacionais (+/-)

Fluxo de caixa das atividades de investimento:

Venda de imobilizado (+) Aquisição de imobilizado (-) Aquisição de outras empresas (-) Caixa líquido das atividades de investimento (+/-)

Fluxo de caixa das atividades de investimento:

Venda de imobilizado (+) Aquisição de imobilizado (-) Aquisição de outras empresas (-) Caixa líquido das atividades de investimento (+/-)

Fluxo de caixa das atividades de financiamento:

Empréstimos líquidos tomados (+)

Pagamento de leasing (-) Emissão de ações (+) Caixa líquido das atividades de financiamento (+/-

Fluxo de caixa das atividades de financiamento:

Empréstimos líquidos tomados (+) Pagamento de leasing (-) Emissão de ações (+) Caixa líquido das atividades de financiamento (+/-)

)

Aumento/diminuição líquido de caixa e equivalentes de caixa Caixa e equivalentes de caixa – início do ano Caixa e equivalentes de caixa – final do ano

Aumento/diminuição líquido de caixa e equivalentes de caixa Caixa e equivalentes de caixa - início do ano Caixa e equivalentes de caixa - final do ano

NOTA: texto extraído do material publicado na Revista Brasileira de Contabilidade, ano XXVI, nº 105, de julho de 1997, elaborado por Egberto Lucena Teles, contador, mestrando em contabilidade e controladoria pela FEA/USP.

Demonstração do Valor Adicionado (DVA), que evidencia o valor das riquezas criadas pela sociedade, bem como sua efetiva distribuição, constituindo-se em ferramenta importante para os vários grupos de usuários da informação contábil (internos e externos), que não pode ser obtida com clareza nas demonstrações tradicionais, razão pela qual a DVA está ganhando cada vez mais adeptos em vários países. Portanto, a DVA apresenta o valor adicionado ou valor agregado, que significa a riqueza criada por uma entidade num determinado período de tempo, que via de regra é de um ano. A exemplo do PIB de cada país, a soma das importâncias agregadas representa, na verdade, a soma das riquezas criadas pela empresa.

Fatores que evidenciam a importância da elaboração da DVA:

algumas nações exigem que as empresas internacionais que desejem se instalar no país

demonstrem qual o valor adicionado que pretendem gerar, pois para esses países pode não ser interessante a empresa produzir muito importando muito, sendo que o fundamental é medir a nova riqueza produzida, ou seja, o valor adicionado ao país, bem como a forma de distribuição dessa riqueza; alguns estados e municípios, antes da concessão de incentivos fiscais, analisam o projeto de instalação da empresa, incluindo nessa análise o montante do possível valor a ser adicionado e sua efetiva distribuição, na forma de pagamento de mão-de-obra, serviços de terceiros, impostos, juros e lucros. O montante a ser agregado e a forma de sua distribuição podem, na maioria das vezes, se constituírem no principal elemento de decisão para conceder ou não os incentivos fiscais, vez que a obtenção e distribuição do valor adicionado representa o valor da efetiva riqueza produzida e distribuída pela empresa, provocando, assim, crescimento econômico efetivo na área municipal ou estadual;

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24

assim, a DVA deve indicar de forma clara e precisa a parte da riqueza que pertence

aos sócios ou acionistas, a que pertence aos demais capitalistas que financiam a empresa (capital de terceiros), a que pertence aos empregados e finalmente a parte que fica com o governo; na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) a parte de terceiros, formada pelos capitalistas, empregados e governo, é considerada como despesa ou custo, pois do

ponto de vista dos proprietários, esses valores distribuídos representam redução do lucro

e, de conseqüência, redução da parcela que cabe a cada dono da empresa;

dessa forma, a DRE e a DVA apresentam enfoques bem diferentes e objetivam fornecer informações sob distintos pontos de vista, o que as torna complementares e imprescindíveis, pois a elaboração e divulgação de ambas atende de forma eficaz a necessidade que os usuários possuem de informações adicionais em relação às demonstrações contábeis obrigatórias.

Como se pode perceber, a DVA tem como objetivo principal fornecer uma visão bem abrangente sobre a real capacidade de uma sociedade produzir riqueza, isto é, agregando valor ao seu patrimônio, e sobre a forma de como distribui essa riqueza entre os diversos fatores da produção (trabalho, capital próprio ou de terceiros, governo). No Brasil, embora seja incipiente a sua utilização e divulgação, pois ainda não é obrigatória pela legislação societária, a DVA costuma ser inserida por algumas empresas como informação adicional nos Relatórios da Administração ou como Nota Explicativa às demonstrações contábeis.

São fatores que demonstram a necessidade de elaboração da DVA:

a DRE identifica apenas a parcela da riqueza criada que de fato permanece na empresa na forma de lucro, não identificando as demais gerações de riquezas, os chamados valores agregados;

as outras demonstrações legais também não são capazes de indicar:

quanto de valor - riqueza - a empresa está agregando às mercadorias ou insumos adquiridos;

quanto e de que forma foram distribuídos os valores adicionados, isto é, não identifica de que forma as riquezas produzidas pela empresa foram distribuídas.

A seguir são identificados os elementos que compõem a DVA:

valor adicionado, que é calculado pela diferença entre o valor das vendas brutas, deduzido do valor das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, e

o total dos insumos adquiridos de terceiros, como o custo das mercadorias vendidos,

matéria-prima e demais insumos de produção, serviços adquiridos de terceiros, etc. distribuição do valor adicionado, cuja soma deve ser igual à soma do valor adicionado, considera os seguintes valores:

mão-de-obra de terceiros;

encargos sociais;

impostos e contribuições;

juros, aluguéis e outras remunerações de terceiros;

lucro líquido, inclusive a parcela não distribuída;

NOTA: quanto aos valores relativos à depreciação, amortização e exaustão, vários países e autores consideram-nos como valores adicionados retidos, sendo que neste trabalho essas parcelas aparecem como redutoras do Valor Adicionado Bruto, formando o Valor Adicionado Líquido.

lucro líquido, é a parcela do valor adicionado que pertence aos proprietários, englobando na verdade os lucros totais (distribuídos e retidos). Os lucros retidos devem aparecer na DVA dentro do subgrupo acionistas ou sócios, para indicar qual o montante da parcela que compõe o valor adicionado que efetivamente pertence aos donos;

resultados de participações societárias, onde são identificados os rendimentos de participações societárias avaliadas pela equivalência patrimonial ou pelo custo de aquisição (ganhos na equivalência patrimonial ou receita de dividendos), os quais não representam geração de valor adicionado, devendo ser considerados como transferências de riquezas geradas pela sociedade investida; receitas financeiras, que também não representam criação de riqueza pela empresa, mas sim resultam da aplicação do capital em negócios de terceiros, os quais produziram riqueza e transferiram uma parcela da mesma para a empresa, a títulos de juros. Tais receitas devem ser somadas ao valor adicionado pela empresa, formando um montante denominado de valor adicionado à disposição da entidade.

Paulo Henrique Alves Parreira

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A seguir, uma representação gráfica da DFC:

25

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

I - Geração do Valor Adicionado - Elementos:

Receitas Operacionais e Não Operacionais (-) Custos das Mercadorias, Produtos e Serviços Vendidos (-) Serviços adquiridos de terceiros (-) Materiais e insumos, energia, comunicação, propaganda, etc. (-) Outros valores (=) Valor Adicionado Bruto (-) Despesas de Depreciação, amortização e exaustão (=) Valor Adicionado Líquido (+) Valores remunerados por terceiros (juros, aluguéis e outros) (=) Valor Adicionado à Disposição da Empresa

II - Distribuição do Valor Adicionado

Remuneração do trabalho Remuneração do governo (impostos e contribuições) Remuneração do capital de terceiros (juros, aluguéis, etc) Remuneração do capital próprio (dividendos e lucros retidos) Outros (=) Total do valor distribuído (igual ao total gerado)

NOTA: este texto sobre a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) foi extraído do livro Contabilidade Avançada e Análise das Demonstrações Financeiras, dos professores Silvério das Neves e Paulo E. V. Viceconti, publicado pela Editora Frase, 7ª Edição, fev/1998.

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26

4. OUTRAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES SOBRES AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

A seguir são relacionadas diversas considerações relevantes acerca do estudo das demonstrações contábeis (contábeis), cujos conteúdos foram extraídos da legislação ordinária e das demais normas regulamentadoras da ciência contábil no Brasil:

“Também integram o Ativo Imobilizado os recursos aplicados ou já destinados a bens daquela natureza,
“Também integram o Ativo Imobilizado os recursos aplicados ou já destinados a bens
daquela natureza, mesmo que ainda não estejam em operação, mas que se destinem a
tal finalidade, tais como construção e importações em andamento”.
“Distribuição de lucros e compensação de prejuízos não transitam pela
Demonstração
do
Resultado
do
Exercício.
Esses
valores
são
componentes da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados ou
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido”.
“Na Demonstração do Resultado do Exercício não transitam despesas e receitas de
exercícios anteriores. Esses valores se integram ao patrimônio da empresa através da
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados ou Demonstração das Mutações do
Patrimônio Líquido”.
“A Demonstração do Resultado do Exercício destina-se a evidenciar
a
formação
do
resultado
do
exercício,
mediante
confronto
das
receitas, custos e despesas incorridas no exercício”.
mediante confronto das receitas, custos e despesas incorridas no exercício”. Paulo Henrique Alves Parreira

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“Somente a escrituração contábil regular dá o necessário respaldo para o Balanço Patrimonial e demais
“Somente a escrituração contábil regular dá o necessário respaldo para o Balanço
Patrimonial e demais demonstrações contábeis, que se constituem, de forma sintética,
no resumo das operações da empresa em determinado momento”.
“Capital
a
Integralizar”
e
“Prejuízos
Acumulados”
são
contas
de
natureza devedora, mas devem ser classificadas no Patrimônio Líquido,
pois são contas retificadoras deste.”.
“Capital a Integralizar e Prejuízos Acumulados são contas de natureza devedora, mas
devem ser classificadas no Patrimônio Líquido, pois são contas retificadoras deste”.
“Os termos utilizados nos registros e nas demonstrações contábeis
subseqüentes devem expressar, tanto quanto possível, o verdadeiro
significado das transações ocorridas, preservando-se expressões do
idioma nacional”.
significado das transações ocorridas, preservando-se expressões do idioma nacional”. Paulo Henrique Alves Parreira

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“Duplicatas Descontadas, Provisões para Créditos de Liquidação Duvidosa e Depreciações Acumuladas são contas de
“Duplicatas Descontadas, Provisões para Créditos de Liquidação Duvidosa e
Depreciações Acumuladas são contas de natureza credora, mas devem ser
classificadas no Ativo, pois são contas retificadoras deste.”
“Ocorrendo a elaboração de demonstrações contábeis sem respaldo em escrituração contábil regular, poderá
“Ocorrendo a
elaboração de
demonstrações
contábeis sem
respaldo em
escrituração contábil
regular, poderá o
Conselho Regional de
Contabilidade
instaurar processo
administrativo contra
o responsável técnico,
estando previstas
penas de multa e de
suspensão do
exercício profissional
ou processo por
infração ao Código de
Ética Profissional do
Contabilista, que
estabelece penas de
advertência, censura
reservada e censura
pública”.
de advertência, censura reservada e censura pública”. “Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão
“Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão ser agrupadas; os pequenos saldos poderão agregados, desde
“Nas demonstrações,
as contas
semelhantes poderão
ser agrupadas; os
pequenos saldos
poderão agregados,
desde que se indique
sua natureza e não
ultrapassem a um
décimo do valor do
respectivo grupo de
contas; mas é vedada
a utilização de
designações
genéricas, como
Diversas Contas ou
Contas Correntes”.
“A conta Banco Conta-Corrente com saldo credor representa obrigação para a empresa, portanto deve ser
“A conta Banco Conta-Corrente com saldo credor representa
obrigação para a empresa, portanto deve ser classificada no Passivo
Circulante”.

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5. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES SOBRE AS SOCIEDADES POR AÇÕES

Em função de suas especificidades, a seguir são apresentadas outras considerações relevantes acerca das demonstrações contábeis das sociedades por ações, cujos conteúdos foram extraídos da legislação ordinária e da literatura contábil mencionada na Bibliografia:

TIPOS DE SOCIEDADES POR AÇÕES (LEI Nº 6.404/76)

 

Também denominada de “companhia”. Tem o seu capital dividido em ações e a responsabilidade dos sócios acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas (art. 1º da Lei nº 6.404/76). Os acionistas têm interesse em adquirir suas ações para obter as seguintes

1. Sociedade Anônima

vantagens: dividendos, bonificação, valorização e direito de subscrição. Seus órgãos representativos são: assembléia geral (representativo dos acionistas – poder legislativo), conselho de administração (deliberativo), diretoria (executivo) e conselho fiscal (fiscalizador). As principais formas de concentração são: fusão, incorporação, consórcios, controladas e coligadas e grupo de sociedades. A forma de transformação é a cisão.

 

Regulada pelos arts. 280 a 284 da Lei nº 6.404/76. Tem o capital dividido em ações e rege-se pelas normas relativas às

2. Sociedade Comandita por Ações

companhias ou sociedades anônimas. A sociedade pode comerciar sob firma ou razão social, da qual só faz parte os nomes dos sócios diretores ou gerentes. São, ilimitada e solidariamente, responsáveis pelas obrigações sociais, os que, por seus nomes, figurarem na firma ou razão social.

Fonte: ESTRUTURA E ANÁLISE DE BALANÇOS – UM ENFOQUE ECONÔMICO-FINANCEIRO, ALEXANDRE ASSAF NETO, Atlas, 2000. São Paulo.

TIPOS DE SOCIEDADES ANÔNIMAS

 
 

É aquela cujos valores mobiliários de sua emissão não são colocados em negociação nas bolsas de valores. Os recursos de capital próprio necessários não são captados publicamente

1. Companhia Fechada

no mercado, provendo basicamente da poupança dos próprios acionistas. Em função dessa característica, a companhia fechada tem um número limitado de sócios. É o tipo mais tradicional de sociedade anônima.

 

É

aquela

cujos

valores

mobiliários

de

sua

emissão

são

admitidos

à

negociação em bolsas de valores ou mercado de balcão. Somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. Possui um número ilimitado de sócios e apresenta melhores condições para uma fácil negociação de suas ações, que constituem-se em excelente

2. Companhia Aberta

alternativa de investimento, atraindo diferentes investidores e recursos para o mercado de capitais. Esse tipo de sociedade atua como captadora das poupanças dispersas da população, canalizando-as para as atividades produtivas da economia e permitindo que os pequenos poupadores tornem sócios dos grandes empreendimentos. A abertura de capital promove maior segurança financeira aos negócios e permite mais rapidamente a solução de eventuais questões de arranjos societários.

Fonte: ESTRUTURA E ANÁLISE DE BALANÇOS – UM ENFOQUE ECONÔMICO-FINANCEIRO, DE ALEXANDRE ASSAF NETO, ED. ATLAS, 2000. SÃO PAULO.

 

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TIPOS DE VALORES MOBILIÁRIOS DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS

 
 

Fração negociável em que se divide o capital social, representativa dos direitos e obrigações do acionista. É a menor fração em que se divide o capital. São emitidas no caso de aumento de capital por preço não inferior ao de patrimônio líquido, nem inferior ao valor nominal, quando a ação possuir

1. Ações

valor nominal. O preço de emissão da ação que ultrapassar o valor nominal será registrado como reserva de capital. Quando a ação não tiver valor nominal, seu preço de emissão será fixado pelo órgão competente, que pode destinar parte do preço à formação de reserva de capital.

 

Representam um direito de natureza patrimonial, estranho ao capital social concedido a fundadores, acionistas ou terceiros, com as características de um título que dá ao seu possuidor um crédito de participação nos lucros da

2. Partes Beneficiárias

empresa. Mesmo quando alienadas, poderão ser convertidas em ações, porém o capital não pode ser aumentado com o produto de sua alienação e sim mediante a capitalização de uma reserva que deve ser criada para essa finalidade, “reserva de conversão de partes beneficiárias”.

 

São títulos negociáveis, emitidos por companhia de capital autorizado, que confere a seus titulares o direito de subscrever ações da companhia

3. Bônus de Subscrição

emitente, cujo direito não exime o seu titular de pagar o preço de emissão das ações. O valor da alienação de bônus de subscrição, por equivaler a um ágio na emissão de ações, deve ser registrado como reserva de capital.

4. Debêntures

São títulos negociáveis, estranhos ao capital social, que conferem direito e crédito certo contra a companhia, podendo, inclusive, incluir em seu escopo pagamento de juros, variação monetária e, até mesmo, participação nos lucros. O prêmio recebido na emissão de debêntures é destinado à reserva de capital, o qual não se confunde com o preço de emissão de debênture, que corresponde ao valor do direito de crédito conferido ao seu titular (uma exigibilidade para a companhia emissora).

Fonte: CONTABILIDADE SOCIETÁRIA, JOSÉ LUIZ DOS SANTOS E PAULO SCHMIDT, ATLAS, 2002, SÃO PAULO.

 

OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE AS SOCIEDADES ANÔNIMAS

 

São aquelas em que a quantia é expressa em dinheiro, determinada pelo

1. Ações com valor nominal

estatuto, e que corresponde ao preço mínimo que o subscritor pagará pela ação. A importância paga vai, obrigatoriamente, para conta de capital social.

2. Ações sem valor nominal

São aquelas que não expressam o valor em dinheiro que representam, embora tenham um valor aferível, nelas não se menciona qualquer valor em moeda corrente. A participação dos sócios passa a ser medida em razão do número de ações de que são titulares, em proporção com o número total das ações emitidas pela companhia.

3. Preço de emissão da ação

Corresponde ao preço a ser pago pelos subscritores.

 

Em função da natureza dos direitos ou vantagens que conferem a seus titulares, as ações são classificadas nas seguintes espécies:

4. Espécies de ações

ordinárias.

preferenciais.

de fruição.

5. Ações ordinárias

Pela legislação atual, são aquelas cuja criação é obrigatória em todas as companhias.

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31

 

Conferem ao seu titular o direito de voto pleno ou restrito.

 

Atualmente,

comungam

dos

mesmos

direitos

inerentes

às

ações

preferenciais.

 
 

São aquelas para as quais o estatuto outorga determinados privilégios patrimoniais em relação às ações ordinárias, podendo, em contrapartida, deixar de conferir-lhes o direito de voto, ou restringi-lo.

6. Ações preferenciais

As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir:

 

em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo.

 

em prioridade no reembolso de capital.

 

na acumulação das preferências e vantagens enumeradas.

 
 

São aquelas emitidas em substituição das ações de outras espécies,

7. Ações de fruição

resultantes das operações de amortização de ações ordinárias ou preferenciais.

8. Ações em circulação

São todas as ações da companhia, exceto as ações a integralizar e as ações em tesouraria.

 

Consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem

9. Amortização de ações

redução de capital social, de quantias que lhes poderiam tocar em caso de liquidação da companhia.

 

É a operação pela qual, nos casos previstos em lei, a companhia paga

10. Reembolso de ações

aos acionistas dissidentes de deliberação da assembléia geral o valor de suas ações.

11. Resgate de ações

Consiste no pagamento do valor das ações para retirá-las definitivamente de circulação, com redução ou não do capital social.

 

Esta conta representa as ações da companhia que foram adquiridas pela própria sociedade nas operações permitidas pelo art. 30 da Lei nº

6.404/76.

 

Devem ser contabilizadas a preço de custo de compra.

 

12. Ações em tesouraria

As ações em tesouraria devem ser apresentadas no balanço patrimonial como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados em sua aquisição (art. 182, § 5º, da Lei nº 6.404/76). Nas sociedades limitadas são denominadas de “quotas liberadas”, sendo, igualmente, classificadas como conta retificadora do patrimônio líquido.

13. Dividendo

Pela legislação atual, dividendo é o montante do lucro que se divide pelo número de ações, se constituindo na parcela de lucro relativa a cada ação, isto é, o rendimento proporcionado pela ação.

Enfim,

os

dividendos

representam

destinações

de

lucro

líquido

do

exercício,

de lucros acumulados

ou

de

reserva de lucros,

para os

acionistas da sociedade. A forma de distribuição de dividendos é regulada pelo estatuto social.

 
 

É o devido a todas as ações, sejam ordinárias ou preferenciais, e foi introduzido na legislação societária para evitar que os lucros fosse retidos

14. Dividendo obrigatório

indefinidamente pela companhia em detrimento da distribuição de dividendos almejada pelos acionistas minoritários. A sua base de cálculo é o valor do lucro líquido ajustado (art. 202 da lei nº 6.404/76, alterado pela Lei nº 10.303/01).

 

É o espaço de tempo objeto da apuração do resultado da gestão. Tem duração de um ano e a data do seu término é fixada no estatuto, sendo que na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária pode ter duração diversa (art. 175, parágrafo único, da Lei nº

15. Exercício social

6.404/76).

 

Ao final de cada exercício social, a companhia deve elaborar, com base na escrituração mercantil de suas atividades, as demonstrações contábeis, que devem exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício.

16. Capital autorizado

É o limite estabelecido em valor ou em número de ações, pelo qual o

Material Didático de Contabilidade Avançada

32

 

estatuto autoriza o Conselho de Administração a aumentar o capital social da companhia, independentemente de reforma estatutária, dando mais flexibilidade à empresa, o que é particularmente útil em época de expansão, que periodicamente requer novas injeções de capital. A informação do valor do Capital Autorizado é útil e deve ser divulgada nas demonstrações contábeis, podendo ser dada no próprio balanço, na descrição da conta Capital, ou também ser mencionada no topo das demonstrações contábeis, podendo, ainda, constar de uma nota explicativa.

17. Incorporação de

É a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.

sociedades

18. Fusão de sociedades

É a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.

 

É a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio

19. Cisão de sociedade

para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão.

Fonte:

1. MANUAL DE CONTABILIDADE DAS SOCIEDADES POR AÇÕES, EQUIPE DE PROFESSORES DA USP, ATLAS, 2003, SÃO PAULO.

2. CONTABILIDADE SOCIETÁRIA, JOSÉ LUIZ DOS SANTOS E PAULO SCHMIDT, ATLAS, 2002, SÃO PAULO.

 

BASE DE CÁLCULO DO DIVIDENDO OBRIGATÓRIO POR AÇÃO

DEMONSTRATIVO DO NÚMERO DE AÇÕES EM CIRCULAÇÃO

(

+ )

Lucro Líquido do Exercício

Composição do Capital Social

Nº de Ações

(

– )

Prejuízos Acumulados

Número de Ações (Estatuto)

10.000

(

– )

Reserva Legal (constituída)

Ações Ordinárias

8.000

(

– )

Reserva para Contingência (constituída)

Ações Preferenciais

2.000

(

+ )

Reversão de Reserva para Contingência

Ações Ordinárias a Integralizar

(1.000)

(

= )

Lucro Líquido Ajustado antes da RLR

Total de Ações em Circulação

9.000

(

x )

Percentual Estabelecido no Estatuto

(

= )

Dividendo Obrigatório antes da RLR

(

– )

Reserva de Lucros a Realizar – RLR (constituída)

(

+ )

Realização de Reserva de Lucros a Realizar

(

= )

Dividendo Obrigatório

(

/ )

Número de Ações em Circulação

(

= )

Dividendo Obrigatório por Ação

Fonte: CONTABILIDADE SOCIETÁRIA, JOSÉ LUIZ DOS SANTOS E PAULO SCHMIDT, ATLAS, 2002, SÃO PAULO.

 

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33

III – INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS E PERMANENTES

 

1 – TIPOS DE INVESTIMENTOS

 
 

TEMPORÁRIOS

 

PERMANENTES

CONCEITO

   

CONCEITO

Aplicações

de

recursos

financeiros

em

títulos

e

valores

mobiliários

Aplicações de recursos financeiros em participações societárias permanentes e em direitos e bens não destinados à manutenção das atividades da empresa, não classificados no Ativo Circulante e no Realizável a Longo Prazo

 

resgatáveis em

determinados

períodos

de

tempo,

com

o

objetivo

de

compensar perdas inflacionárias com as disponibilidades

 

PRINCIPAIS TIPOS

 

Fundos de Aplicação Imediata

 

PRINCIPAIS TIPOS

Fundos de Investimentos de Renda Fixa ou Variável

Participações permanentes em outras empresas

Títulos do Banco Central

Incentivos fiscais

Títulos do Tesouro Nacional

Imóveis não destinados a uso pela empresa

Depósitos a Prazo Fixo

Obras de arte

Certificados de Depósito Bancário

CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL

Ativo Permanente, no subgrupo Investimentos

Ações Adquiridas ou Cotadas na Bolsa de Valores

Aplicações Temporárias em Ouro

Letras de câmbio

Debêntures

CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL Ativo Circulante, subgrupos Disponível e Realizável a Curto Prazo ou Créditos (Investimentos Temporários)

MÉTODOS DE AVALIAÇÃO

Custo de aquisição, menos provisão p/ perdas prováveis

Equivalência patrimonial

CONTABILIZAÇÃO

Custo de aquisição do investimento

Ativo Realizável a Longo Prazo, no subgrupo Créditos (Investimentos Temporários)

Rendimentos auferidos

Provisão para perdas

   

Incentivos fiscais

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

Custo de aquisição, acrescido de juros e atualização monetária

 

Baixa do investimento

Valor de mercado, se menor

 

CONTABILIZAÇÃO

 

Custo de aquisição

Receita auferida

Imposto de Renda Retido na Fonte

 

Resgate da aplicação

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2 – INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS

CONTABILIZAÇÃO

2 – INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS CONTABILIZAÇÃO
2 – INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS CONTABILIZAÇÃO

CUSTO DE AQUISIÇÃO DA APLICAÇÃO EM 30.09.X0 NO VALOR DE $ 700,00 COM RESGATE PARA 29.03.X1 PELO VALOR DE $ 840,00 COM IRRF DE $ 14,00

DÉBITO

CRÉDITO

INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS Títulos e Valores Mobiliários

700,00

 

DISPONIBILIDADES

Bancos

700,00

RENDIMENTOS AUFERIDOS DE 30.09.X0 A 31.12.X0

DÉBITO

CRÉDITO

INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS Títulos e Valores Mobiliários

72,00

 

RECEITAS FINANCEIRAS Receitas sobre Outros Investimentos Temporários

72,00

RESGATE DA APLICAÇÃO EM 29.03.X1, RESTANTE DO RENDIMENTO RELATIVO A X1 E RETENÇÃO DO IRRF

DÉBITO

CRÉDITO

DISPONIBILIDADES

   

Bancos

826,00

IMPOSTOS A COMPENSAR IRRF a Compensar

14,00

INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS Títulos e Valores Mobiliários

772,00

RECEITAS FINANCEIRAS Receitas sobre Outros Investimentos Temporários

68,00

PROVISÃO PARA PROVÁVEL PERDA EM 31.12.X0, CASO O VALOR DE MERCADO FOSSE $ 750,00, INFERIOR AO VALOR ATUALIZADO DE $ 772,00 DA APLICAÇÃO NAQUELA DATA, CONSIDERANDO AINDA UMA DESPESA DE CORRETAGEM DE $ 5,00

DÉBITO

CRÉDITO

RECEITAS FINANCEIRAS Receitas sobre Outros Investimentos Temporários

27,00

 

INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS Provisão para Redução ao Valor de Mercado

27,00

Fonte: MANUAL DE CONTABILIDADE DAS SOCIEDADES POR AÇÕES, Ed. Atlas,2003, São Paulo.

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3 – INVESTIMENTOS PERMANENTES

PRINCIPAIS MOTIVOS QUE JUSTIFICAM INVESTIMENTOS PERMANENTES EM OUTRAS EMPRESAS

Diversificação das atividades

É o caso de uma instituição financeira que adquire participação societária de uma indústria, para não depender apenas do mercado financeiro.

Verticalização da produção

Ocorre quando uma indústria automobilística adquire o controle acionário de uma fábrica de pneus, que era sua fornecedora.

Garantia de suprimentos de matérias-primas estratégicas

Uma indústria de fios e cabos elétricos/eletrônicos adquire participação societária em uma empresa importadora de cobre, visando à garantia futura de suprimentos de cobre para sua produção.

Alternativa de investimentos

Para as empresas capitalizadas, a aplicação de recursos em outras empresas rentáveis pode ser uma boa alternativa de investimento.

Rápida expansão do grupo

Ocorre quando um determinado grupo econômico quer expandir rapidamente suas atividades, para aproveitar um bom momento da economia. Ao invés de construir uma nova empresa, que normalmente é um processo demorado, prefere adquirir uma companhia em atividade.

Eliminação da concorrência

Acontece que um determinado grupo econômico que explora determinada atividade no Sul do Brasil, quer se expandir também para o Nordeste. Existe, no entanto, uma outra grande empresa que domina o mercado nordestino, não havendo mercado consumidor para a entrada de um concorrente. A solução, portanto, é tentar adquirir a empresa já existente, alternativa que pode ser mais viável do que enfrentar um forte concorrente já enraizado na região.

Aquisição de marcas e patentes

É a situação onde existe uma empresa produzindo e comercializando um produto bastante conhecido pelos consumidores, sendo muito alto seu potencial de lucro. A empresa detentora da patente deste produto não consegue explorar todo este potencial de lucro, por falta de experiência administrativa, comercial ou insuficiência de capital para expandir suas atividades, investir em propaganda, financiar seus clientes, etc. Nestas circunstâncias, talvez seja mais vantajoso vender a empresa, incluindo a patente, para um investidor com capital suficiente para alavancar as atividades.

Planejamento tributário

É o caso de uma indústria paulista de componentes eletrônicos que ganhou uma grande concorrência internacional, para exportação de seus produtos por diversos anos. Sabe-se que a Zona Franca de Manaus concede diversos incentivos fiscais, na forma de isenção de diversos tributos. Com certeza esta indústria paulista ganhará muito mais dinheiro se conseguir comprar o controle acionário de uma indústria do setor já instalada em Manaus e transferir para lá sua produção.

Fonte: CONTABILIDADE AVANÇADA, JOSÉ HERNANDEZ PEREZ JUNIOR E LUÍS MARTINS DE OLIVEIRA, ATLAS, 1998, SÃO PAULO.

 

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IV – AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS PERMANENTES

AVALIAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS PERMANENTES

MÉTODO DE CUSTO DE AQUISIÇÃO E MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL

1. MÉTODO DE CUSTO DE AQUISIÇÃO – MCA

Por este método, os investimentos decorrentes de participações societárias permanentes em outras empresas são avaliados ao preço de custo, menos provisão para perdas consideradas de natureza permanente. A sua adoção implica em que as operações que alteram a situação patrimonial da investida não são reconhecidas ou registradas na investidora no momento de sua ocorrência, o que ocorre apenas com base em atos formais.

Assim, no método de custo não importa a geração efetiva de lucros na investida, mas as datas e os atos formais de sua distribuição, isto é, deixa-se de reconhecer na empresa investidora os lucros gerados e não distribuídos e outras mutações no patrimônio da coligada ou controlada. No MCA, quando a investida declara ou distribui dividendos estes são registrados neste momento como receita na empresa.

 

2. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL – MEP

É

o método de avaliação em que a empresa investidora reconhece os resultados de seus investimentos e

quaisquer variações patrimoniais relevantes em coligadas e controladas no momento em que estes resultados são gerados nas empresas investidas e não apenas quando são distribuídos na forma de dividendos, como ocorre no método de custo. Assim, a Equivalência Patrimonial pressupõe a aplicação do percentual de participação no capital da investida sobre o valor do Patrimônio Líquido da coligada ou controlada.

Segundo o art. 248 da Lei nº 6.404/76, é obrigatória a aplicação deste método somente na avaliação de

investimentos relevantes, assim considerados aqueles em sociedades coligadas, sobre cuja administração

a

investidora tenha influência ou de que participe com 20% ou mais do capital social, e em sociedades

 

controladas.

Segundo a Instrução CVM nº 247/96, este método deve ser aplicado pelas companhias de capital aberto também em relação às empresas equiparadas às coligadas, assim consideradas:

a) as sociedades quando uma participa indiretamente com 10% ou mais do capital votante da outra, sem controlá-la; b) as sociedades quando uma participa diretamente com 10% ou mais do capital votante da outra, sem controlá-la, independentemente do percentual da participação no capital total.

3. DEMONSTRAÇÃO DOS EFEITOS DOS MÉTODOS MCA E MEP

RESULTADOS DA CONTROLADA S/A (SUBSIDIÁRIA TOTAL)

 

DISCRIMINAÇÃO

X0

X1

X2

X3

X4

Saldo no início do ano Mais: Lucro do ano Mais: Integralização de Capital Menos: Dividendos distribuídos Saldo no fim do ano

-o-

10.000

12.000

15.600

20.100

-o-

3.000

4.800

6.000

10.000

10.000

-o-

-o-

-o-

-o-

-o-

(1.000)

(1.200)

(1.500)

(2.500)

10.000

12.000

15.600

20.100

27.600

INVESTIMENTOS NA CONTROLADORA S/A

 

DISCRIMINAÇÃO

X0

X1

X2

X3

X4

Método de custo Método da equivalência patrimonial Diferença não registrada na Controladora S/A No Ano Acumulada Valor do investimento por ação:

Método de custo Método da equivalência patrimonial Diferença percentual

10.000

10.000

10.000

10.000

10.000

10.000

12.000

15.600

20.100

27.600

-o-

2.000

3.600

4.500

7.500

-o-

2.000

5.600

10.100

17.600

1,00

1,00

1,00

1,00

1,00

1,00

1,20

1,56

2,01

2,76

0%

20%

56%

101%

176%

Fonte: MANUAL DE CONTABILIDADE DAS SOCIEDADES POR AÇÕES, Atlas, 2003, São Paulo.

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4. CONTABILIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES BÁSICAS DE PARTICIPAÇÕES PERMANENTES EM OUTRAS EMPRESAS

1. AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO PERMANENTE

 
 

Contabilidade da Investidora

 

Contabilidade da Investida

Método do Custo

Método da Equivalência

 

Caixa

Caixa