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Física - Óptica - História da Óptica

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Published by: Física Caderno de Resoluções on Jul 22, 2008
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LUZ E VISÃO

René Descartes (1596 - 1650)

Sabemos que na ausência de iluminação, e portanto de luz, o olho humano encontra muita dificuldade para distinguir objetos. Isso significa que estes existem, independentemente de nossa capacidade de enxergá-los. Por outro lado, uma deficiência visual pode impedir a visão dos objetos, mesmo com a presença de luz. Os físicos entendem, hoje, que o fenômeno da visão resulta da combinação desses dois elementos: a luz e o olho. Em outras palavras, podemos dizer que o olho reage à luz e isso possibilita o desencadeamento em nosso cérebro de uma série de processos como memória, conhecimento, reconhecimento, etc. Para enxergar nitidamente os objetos, distinguindo cor, forma, volume, é necessário que estes estejam iluminados, ou seja, é preciso haver uma fonte de luz, como o Sol ou as lâmpadas. Além disso, é igualmente necessário que nosso aparelho receptor" da luz (o olho) e nosso "aparelho decodificador" (o cérebro) estejam em perfeito funcionamento. Há mais ainda: o objeto precisa estar dentro do campo de visão dos nossos olhos e seu tamanho influencia na distância máxima em que poderemos reconhecê-lo.

AS CORES DOS OBJETOS

Christian J. Doppler (1803 - 1853)

No final do século XVII, Newton realizou experiências que mostraram ser a luz branca uma mistura de todas as cores. Quando iluminado por luz branca, um objeto pode deixar de refletir todas as cores; ao contrário, pode absorver algumas. Assim, um corpo verde, por exemplo, reflete principalmente o verde e absorve as outras cores. Um corpo é branco quando reflete todas as cores e um corpo tem cor negra quando absorve toda a luz que incide sobre ele, isto é, quando não reflete nenhuma das ondas eletromagnéticas do espectro visível. A luz branca é também chamada de luz policromática, enquanto uma luz de cor pura, como o verde, por exemplo, é chamada luz monocromática. A cor não é uma característica própria do objeto, mas depende da luz que o ilumina. Um corpo vermelho, quando iluminado por luz branca, absorve todas as cores, exceto a radiação vermelha, que é refletida. Se esse corpo for iluminado por luz monocromática amarela, por exemplo, ele será visto como um objeto preto, pois o amarelo é absorvido e não há vermelho para ser refletido.

CÂMARA ESCURA

Leonardo da Vinci (1452 - 1519)

Um fenômeno muito simples, que se deve à propagação retilínea da luz, pode ser observado com auxílio de uma câmara escura, aparelho descrito pela primeira vez por Leonardo da Vinci. A câmara escura é uma caixa fechada, sendo uma de suas paredes feita de vidro fosco. No centro da parede oposta, há um pequeno orifício. Quando colocamos diante dele, a certa distância, um objeto luminoso ou fortemente iluminado, vemos formar-se sobre o vidro fosco uma imagem invertida desse objeto. Vejamos a razão desse fenômeno: Um ponto do objeto envia luz em todas as direções. A parede de vidro fosco, no entanto, é atingida apenas pelo raio, que, passando pelo orifício, alcança o fundo da câmara. Aplicando o mesmo raciocínio aos demais pontos do objeto, constataremos que a imagem, que se forma sobre o vidro fosco, apresenta-se invertida. A máquina fotográfica De certo modo, a máquina fotográfica é urna câmara escura de orifício incrementada com lentes e filme fotográfico. A lente convergente, chamada objetiva, é responsável pela formação da imagem no fundo da máquina, onde fica o filme fotográfico, que registra a imagem.

ESPELHOS PLANOS

Hendrik A. Lorentz (1853 - 1928)

Reflexão da luz Um objeto que não emita luz própria, como uma cadeira ou um livro, só pode ser visto se for iluminado, isto é, se receber luz de alguma fonte. Apenas quando a luz refletida pelo objeto atinge nossos olhos ele se torna visível. Mas a reflexão da luz pode ter efeitos diferentes, dependendo do tipo de objeto. Veja a diferença entre a reflexão da luz numa folha de papel e num espelho. Olhando para a folha de papel, vemos a própria folha, mas olhando para o espelho, apenas vemos a imagem de outros objetos. Essa diferença ocorre devido à superfície refletora da luz: na folha, a superfície é irregular, enquanto no espelho é muito lisa. Na folha, ocorre reflexão difusa e, no espelho, reflexão regular. Espelhos planos Um espelho plano é uma placa de vidro cuja superfície posterior recebeu uma fina película de prata. Quando a luz incide em uma superfície deste tipo, ela é refletida regularmente. Essa regularidade da reflexão é que permite a formação de imagens. Como isso não acontece nos corpos cujas superfícies são rugosas, estes não produzem imagens. As superfícies rugosas, quando iluminadas, nos revelam somente sua própria forma, textura e cor. Quando vamos dirigir um carro, precisamos ajustar a posição dos espelhos retrovisores para enxergar o que está atrás dele. Qualquer alteração na posição do espelho ou da cabeça do motorista pode impedir esta visualização, porque os feixes de luz que incidem no espelho plano são refletidos em direções determinadas. Ou seja, os feixes de luz emitidos por um carro que está atrás só serão vistos pelo motorista se refletirem no espelho e incidirem sobre seus olhos. Imagens nos espelhos planos Em um espelho plano comum, vemos nossa imagem com a mesma forma e tamanho, mas parece que encontrar-se atrás do espelho, invertida (esquerda na direita e vice-versa), à mesma distância que nos encontramos dele. Os raios que partem de um objeto, diante de um espelho plano, refletem-se no espelho e atingem nossos olhos. Assim, recebemos raios luminosos que descreveram uma trajetória angular e temos a impressão de que são provenientes de um objeto atrás do espelho, em linha reta, isto é, mentalmente prolongamos os raios refletidos, em sentido oposto, para trás do espelho.

ESPELHOS ESFÉRICOS

Leon Foucault (1819 -1868)

Chama-se espelho esférico o que tem a forma de uma calota esférica, isto é, quando sua superfície refletora é parte de uma superfície esférica. Pode ser côncavo ou convexo, conforme a superfície refletora seja a interna (voltada para o centro da esfera) ou a externa. Os espelhos esféricos atuam como lentes, podendo aumentar ou diminuir o tamanho das imagens. Os raios de luz do Sol são paralelos, fazendo a luz solar incidir num espelho côncavo, os raios refletidos se concentram num ponto, e o ponto onde se concentram esses raios se chama foco do espelho. Se, inversamente, colocarmos no foco uma fonte luminosa de pequenas dimensões, por exemplo: uma vela ou uma pequena lâmpada elétrica, os raios enviados e refletidos no espelho, formam um feixe paralelo. Utiliza-se esta propriedade nos faróis de carros, ou mesmo nas lanternas, para se obter um feixe luminoso visível a grande distância. Os espelhos côncavos são também utilizados nos telescópios, permitindo-nos observar (ou fotografar) estrelas e galáxias. Uma colher é um espelho curvo rudimentar. Mesmo não sendo lisa e polida como um espelho verdadeiro, ela nos envia as imagens dos objetos que se refletem em sua superfície. Vamos, por exemplo, observar nosso rosto refletido numa colher. Se olharmos para a face convexa (o lado externo) da colher, a imagem refletida aparecerá direita, mas reduzida. Os espelhos convexos conseguem concentrar em pouco espaço uma cena bastante ampla. Eles são, por isso, utilizados como retrovisores em automóveis. Às vezes, são também instalados em ruas curvas e muito estreitas, onde há pouca visibilidade.

REFRAÇÃO

Thomas Young (1773 - 1829)

Quando um feixe de luz incide sobre a superfície de um tanque de água, verticalmente, parte da luz entra na água e propaga-se para baixo ao longo da mesma direção. Se a luz incidir sobre a água obliquamente, o feixe terá sua direção inclinada para baixo. Esta mudança de direção de propagação da luz, ao passar de uma substância para outra, chamamos refração. O ângulo entre o raio refratado e a normal à superfície é o ângulo de refração. Você pode demonstrar a refração fazendo um feixe de luz entrar na água contida num recipiente dotado de paredes laterais de vidro, como um aquário. Adicione um pouco de corante ou de leite à água, a fim de espalhar a luz para os lados, de modo que você possa ver o rastro do feixe. Mergulhe parte de um lápis num recipiente com água. Os raios luminosos provenientes desta parte do lápis mudarão de direção ao atravessarem a superfície da água. O lápis parecerá quebrado e a água parecerá menos profunda que é realmente. Um menino, para fisgar um peixe, deve apontar o arpão para baixo de sua posição aparente. A refração também nos permite enxergar o Sol abaixo da linha do horizonte. Isto ocorre porque a densidade do ar é maior à baixa altitude e diminui gradualmente à medida que nos afastamos da Terra. Dessa forma, a luz incidente sofrerá refração de maneira progressiva e gradual, desviando-se e fazendo com que o nascer e pôr-do-sol sejam vistos quando o Sol se encontra abaixo da linha do horizonte.

REFLEXÃO TOTAL DA LUZ

Wolfgang Pauli (1900 - 1958)

Um feixe de luz que se propaga na água, por exemplo, atinge a fronteira com o ar. Uma parte da luz volta para a água, gerando um feixe refletido. O restante passa para o ar, gerando um feixe refratado. O feixe refletido e o feixe incidente formam ângulos iguais com a direção normal. O feixe refratado forma um ângulo maior. Se aumentarmos o ângulo de incidência, o feixe refratado se afastará mais da normal. Aumentando mais o ângulo de incidência, chegará uma situação em que o feixe refratado será quase paralelo à superfície. Nessa situação, quase toda a luz é refletida. Aumentando um pouco mais o ângulo de incidência, o feixe refratado desaparece e toda a luz passa a ser refletida. Esse fenômeno chama-se reflexão total. Para que a reflexão total ocorra, são necessárias as seguintes condições: - A luz deve provir do meio mais refringgente (mais denso) para o meio menos refringente (menos denso). - O ângulo de incidência devve ser maior que um determinado valor, chamado ângulolimite de refração. Esse ângulo depende do par de meios considerados, no caso da água e ar, é aproximadamente 49º. Um exemplo de aplicação da reflexão total é o das fibras ópticas, largamente usadas nas telecomunicações, na endoscopia (medicina) etc. Nas fibras ópticas um raio de luz penetra por uma extremidade e emerge pela outra extremidade, após sofrer diversas reflexões totais.

LENTES ESFÉRICAS

Albert Michelson (1852 - 1931)

As leis da reflexão e da refração permitem determinar o caminho dos raios luminosos nos meios transparentes. Essas leis são a base de conhecimento para a construção dos instrumentos ópticos. Em tais instrumentos (lentes de óculos, microscópios, lunetas, máquinas fotográficas, ... ) a luz é levada a percorrer um caminho bem-determinado. As partes essenciais dos instrumentos ópticos são constituídas por lentes esféricas, ou seja, corpos refringentes delimitados por superfícies curvas. Elas têm a propriedade de produzir imagens ampliadas ou reduzidas de objetos externos sem grandes deformações. Existem lentes de formas muito diversas, mas, do ponto de vista do efeito que produzem, elas podem ser classificadas em apenas dois grupos: (1) Lentes convergentes. São mais espessas no centro do que nas bordas. São assim chamadas porque fazem convergir para um ponto os raios luminosos paralelos que as atravessam. São convergentes as lupas e as lentes de óculos para hipermetropia. (2) Lentes divergentes. São mais espessas nas bordas do que no centro. Quando atingidas por raios paralelos, elas os fazem divergir, ou seja, abrir-se como um leque. As lentes de óculos para miopia, assim como os olhos-mágicos instalados nas portas, são lentes divergentes. Um raio de luz que atinge a superfície de uma lente é refratado duas vezes: primeiramente, quando passa do ar para o vidro; depois, ao passar do vidro para o ar. Em geral, o raio emergente apresenta um desvio em relação à direção do raio incidente. Esse desvio é voltado para a parte mais espessa da lente, ou seja: o raio se desvia para o eixo se a lente é convergente, e se distancia do eixo se ela é divergente.

O OLHO HUMANO

Christian Huygens (1629 - 1695)

De maneira simplificada, podemos considerar o olho humano como constituído de urna lente convergente, denominada cristalino, situada na região anterior do globo ocular. No fundo deste globo está localizada a retina, que funciona como um anteparo sensível à luz. As sensações luminosas, recebidas pela retina, são levadas ao cérebro pelo nervo ótico. Quando olhamos para um objeto, o cristalino forma uma imagem real e invertida deste objeto, localizada exatamente sobre a retina e, nestas condições, enxergamos nitidamente o objeto. Embora a imagem formada na retina seja invertida, a mensagem levada ao cérebro faz com que enxerguemos o objeto em sua posição correta. Conseguimos enxergar nitidamente um objeto quer ele esteja mais próximo ou mais afastado de nosso olho. Isto acontece porque a imagem está se formando sempre sobre a retina, qualquer que seja a distância do objeto ao nosso olho. Para que isto ocorra, a distância focal do cristalino deve ser diferente para cada posição do objeto. Este efeito é produzido pela ação dos músculos do olho que, atuando sobre o cristalino, provocam alterações em sua curvatura. Esta propriedade do olho é denominada acomodação visual. Defeitos na visão Para muitas pessoas, a imagem de um objeto não se forma exatamente sobre a retina e, assim, estas pessoas não enxergam nitidamente o objeto. O motivo pelo qual isto ocorre pode ser ou uma deformação do globo ocular, ou uma acomodação defeituosa do cristalino. Em algumas pessoas, a imagem se forma na frente da retina: estas são as pessoas míopes. Para se corrigir este defeito, isto é, para que se tenha a imagem do objeto formada sobre a retina, uma pessoa que tem miopia deve usar óculos com lentes divergentes. Por outro lado, em outras pessoas, os raios luminosos são interceptados pela retina antes de se formar a imagem (a imagem se formaria atrás da retina). Isso ocorre porque essas pessoas têm um globo ocular mais curto do que o normal (hipermetropia) ou uma perda da capacidade de acomodação do olho com a idade ("vista cansada"). Este defeito é corrigido usando-se óculos com lentes convergentes.

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