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LEITURA

PRODUÇÃO
TEXTUAL I
Material organizado pelos professores de LPT do departamento de Pedagogia
- UNINOVE

(1 º semestre / 2011)
ALUNO: R.A. SALA:

CURSO: PEDAGOGIA UNIDADE: VILA MARIA

TURMA: SEMESTRE/ANO: 1O./2011

PROFESSORA: YARA MARISOL CONTIPELLI

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Blog: www. professorayaramarisol@blogspot.com.br

Pedagogia 1 sem 2011


Campus: ( x ) Vila Maria ( x ) Memorial ( x ) Vergueiro ( x ) Santo Amaro

Disciplina: LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL I

Professor(es): Adriana Lílian, Ana Paula Oliveira, Thiago Lauriti, Wendel Christal, Yara Marisol

DISCIPLINA: LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL I CÓDIGO:


POSIÇÃO NA GRADE DO CURSO: 1º SEMESTRE LETIVO CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 80
HORAS / AULA
EMENTA: O curso explora os aspectos linguísticos, gramaticais e discursivos, focando especificamente
o uso da Língua, as estratégias de leitura, a articulação dos parágrafos nos textos e os aspectos da
coerência e da coesão, inserindo, ainda, temas políticos, sociais e econômicos contemporâneos, aderentes
à área específica da carreira.
OBJETIVOS: Desenvolver no aluno competências para o uso da Língua escrita e falada, as habilidades e
estratégias de leitura e o uso de coerência e coesão nos textos escritos.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: CRONOGRAMA

1. - Língua, Linguagem e Variação Linguística


2. - Diferenças e semelhanças entre fala e escrita.
3. - Análise de textos com linguagem formal e informal.
4. - Conceito de texto: Textos verbais e não-verbais
5. - Gramática de uso: homônimas e parônimas- dificuldades ortográficas
6. - Interpretação de enunciados – Verbos de comando.
7. - Análise Textual – Identificação dos objetivos, dos argumentos, das conclusões.
8. - Identificação das palavras-chave
9. - Paragrafação e articulação entre os parágrafos.
10. - A Estrutura do parágrafo e o tópico frasal
11. - Formas de começar o parágrafo
12. - Interpretação de textos.
13. - Os conectivos como elementos de coesão e coerência textuais.
14. - Trabalhando o texto: Coerência e Coesão.
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15. - Sinais de pontuação
16. - Usos da vírgula
17. - Acentuação gráfica segundo a nova ortografia
18. - Regência verbal: palavras cotidianas
19. - Acento grave (crase)
20. - Concordância Nominal e Verbal

METODOLOGIA DE ENSINO: A metodologia de ensino consiste em aulas expositivas e interativas


que contribuem para a consolidação dos conceitos das práticas de comunicação, além de permitir e avaliar
o grau da aprendizagem do discente em relação ao conteúdo ministrado. A utilização de periódicos
acadêmicos possibilitará a aproximação e interrelação com as disciplinas profissionalizantes do curso.
SISTEMA DE AVALIAÇÃO:
O processo avaliativo será composto pela soma das notas dos alunos em atividades distintas, a saber:
AV1:
• Avaliação individual: revisão gramatical
• Exercícios gramaticais em grupo e individual;
AV2:
• Apresentação de Seminário
• Elaboração de resumo/fichamento de livro (A língua de Eulália – Marcos Bagno);
AV3:
• Análise/resenha do filme Tempos Modernos (atividade interdisciplinar);
• Avaliação individual final.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto para estudantes universitários. Petrópolis:
Vozes,1999.
GARCIA, Othon Marques. Comunicação em prosa moderna. 14. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio
Vargas, 1988.
VIANA. Antônio Carlos et alii. Roteiro de Redação – lendo e argumentando. 1 ed. São Paulo. Scipione,
2004.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:
ABREU, Ântônio Suarez. (2001). Curso de Redação.11ª ed. São Paulo: Ática.
BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolingüística. São Paulo: Contexto, 2010.
FIORIN, José Luiz & SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. 11. ed. São
Paulo: Ática, 1995.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 2007. Col. Primeiros Passos.

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UNIDADE 1
LÍNGUA E LINGUAGEM E FALA

A Língua pode ser definida como um código formado por signos (palavras) e leis
combinatórias usados por uma mesma comunidade.

Quanto maior o domínio que temos da língua, maior é a


possibilidade de um desempenho lingüístico eficiente.

Por sua vez, a linguagem serve como instrumento de comunicação que faz uso de
um código, permitindo, assim, a interação entre as pessoas - é a atividade comunicativa.

As linguagens apresentam características próprias de composição para


adequarem-se aos veículos específicos, aos receptores, às épocas e às situações
determinadas - são os diversos tipos de linguagem: linguagem de teatro, linguagem de
programação, linguagem de cinema, linguagem popular.

Há inúmeros tipos de linguagem: a fala, os gestos, o desenho, a pintura, a música,


a dança, o código Morse, o código de trânsito.

As linguagens podem ser organizadas em dois grupos: a linguagem verbal,


modelo de todas as outras, e as linguagens não verbais. A linguagem verbal é aquela que
tem por unidade a palavra; as linguagens não verbais têm outros tipos de unidade, como
o gesto, o movimento, a imagem.

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Cada indivíduo pode fazer uso próprio e personalizado da língua, dando origem à
fala, embora esta prática deva estar sempre condicionada às regras socialmente
estabelecidas da língua.

Nesse sentido convém ressaltar que a colocação das palavras na frase e a


mudança de relação entre elas são fatores de mudança de significado. Além disso, a
leitura dos sinais de pontuação é também significativa, influenciando todo o significado
de um enunciado.

Língua: sistema de signos, pertencente a toda uma comunidade de falantes.


Linguagem: é a faculdade humana através da qual o homem se comunica.
Fala é o uso que cada indivíduo faz da língua comunitária.

( NICOLA, de José & INFANTE, Ulisses. Gramática Contemporânea da Língua


Portuguesa.. 15 ed. São Paulo, Scipione, 2003)
2. VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA E NORMA

Como falantes da Língua Portuguesa, percebemos que existem situações em que a


língua apresenta-se sob uma forma bastante diferente daquela que nos habituamos a
ouvir em casa ou nos meios de comunicação. Essa diferença pode manifestar-se tanto
pelo vocabulário utilizado, como pela pronúncia ou organização da frase.

Nas relações sociais, observamos que nem todos falam da mesma forma. Isso
ocorre porque as línguas naturais são sistemas dinâmicos e extremamente sensíveis a
fatores como, por exemplo, a região geográfica, o sexo, a idade, a classe social dos
falantes e o grau de formalidade do contexto. Essas diferenças constituem as variações
lingüísticas.

Entre as variedades da língua, há uma que tem maior prestígio: a variedade padrão
conhecida também como língua padrão e norma culta. Essa variedade é utilizada nos
livros, jornais, textos científicos e didáticos e é ensinada na escola. As outras variedades
lingüísticas são chamadas de variedades não padrão.

Observe no quadro abaixo as especificidades de cada variação:

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EXERCÍCIOS

1) Coloque um “X” quanto à linguagem utilizada para cada função:


Função Linguagem
Culta Popular
 Aula universitária, conferências, sermões
 Conversa entre amigos ou em família

 Discursos políticos
 Programas culturais e noticiários de TV ou rádio
 Novelas de rádio e televisão
 Comunidades científicas
 Conversas e entrevistas com intelectuais a propósito de temas
científicos
ou artísticos
 Irradiação de esportes
 Expressão de estados emocionais, confissões, anedotas, narrativas

2) Complete as lacunas de acordo com a linguagem solicitada abaixo:

Culta Popular

tênue fraco

ausentar-se _________________

presenciar _________________

repleto _________________

divergir _________________

tendência, pendor _________________

bofetada _________________

acompanhado _________________

odor _________________

_________________ sombra

_________________ conversa

_________________ “gandaia”

_________________ fazer

_________________ pilantra

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3) Reescreva, usando o nível culto, as expressões do nível informal

destacadas nas frases:

1. Você não aproveita as oportunidades. Ainda vai ficar a ver navios.

2. Pode tirar o cavalo da chuva, que não irá a festa.

3. Que pressa! Parece que vai tirar o pai da forca.

4. Xi!!! Você embarcou em canoa furada.

5. Não estudou nada. Vai dar com os burros n’água nesta prova.

6. Você vai ficar boiando.

7. Eles sabem com quantos paus se faz uma canoa.

8. Ele joga verde pra colher maduro.

9. Ele saiu para tomar a fresca.

4) Observe o texto a seguir, extraído de um conto. É a fala de um


protagonista, um sitiante:

“... Com perdão da pergunta, mas será que mecê não tem lá alguma enxada
assim meio velha pra ceder pra gente?”

Assinale a alternativa que propõe a transposição dessa frase para uma forma
adequada à linguagem urbana culta:

a) ( ) Me perdoe de perguntar, mas será que você não tem por lá alguma
enxada assim meio velha que a gente pudesse usar?
b) ( ) Desculpa a gente perguntar, mas o senhor não tem alguma enxada
assim meio velha pra emprestar pra nós?
c) ( ) Me perdoa a pergunta, mas será que o senhor não poderia ceder para
nós alguma enxada que tem por lá assim meio velha?
d) ( ) Desculpa a pergunta, mas o senhor não teria alguma enxada meio velha
para nos ceder?
e) ( ) Desculpe-me a pergunta, mas será que você não tem, para nos
emprestar, alguma enxada assim do tipo meio velha?

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Os componentes da comunicação humana

Ato de fala: uso concreto e particular que um indivíduo faz da língua Na fala há a
atuação conjunta dos seguintes elementos:

Emissor: aquele que diz algo a alguém;


Receptor: aquele que recebe a mensagem do emissor;
Mensagem: aquilo que o emissor transmite ao receptor;
Código: convenção social que permite ao receptor compreender a mensagem;
Canal: meio físico que conduz a mensagem ao receptor;
Referente: é o assunto da mensagem.

Esquema da comunicação humana

Referente
Mensagem
Emissor...........................................................................................Receptor
Canal

Código

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UNIDADE 2

Variação linguistica
como falantes da língua portuguesa, percebemos que existem situações
em que a língua apresenta-se sob uma forma bastante diferente daquela que
nos habituamos a ouvir em casa ou nos meios de comunicação. Essa
diferença pode manifestar-se tanto pelo vocabulário utilizado, como pela
pronúncia ou organização da frase.
Nas relações sociais, observamos que nem todos falam da mesma
forma. Isso ocorre porque as línguas naturais são sistemas dinâmicos e
extremamente sensíveis a fatores como, por exemplo, a região geográfica, o
sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do
contexto. Essas diferenças constituem as variações lingüísticas.
Observe abaixo as especificidades de algumas variações:

1) Profissional : no exercício de algumas atividades profissionais, o


domínio de certas formas de línguas técnicas é essencial. As variações

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profissionais são abundantes em termos específicos e têm seu uso restrito ao
intercâmbio técnico.

2) Situacional : as diferentes situações comunicativas exigem de


um mesmo indivíduo diferentes modalidades da língua. Empregam-se, em
situações formais, modalidades diferentes das usadas em situações
informais, com o objetivo de adequar o nível vocabular e sintático ao
ambiente lingüístico em que se está.

3) Geográfica : há variações entre as formas que a língua


portuguesa assume nas diferentes regiões em que é falada. Basta prestar
atenção na expressão de um gaúcho em contraste com a de um amazonense.
Essas variações regionais constituem os falares e os dialetos. Não há motivo
lingüístico algum para que se considere qualquer uma dessas formas superior
ou inferior às outras.

4) Social : o português empregado pelas pessoas que têm acesso à


escola e aos meios de instrução difere do português empregado pelas
pessoas privadas de escolaridade. Algumas classes sociais, assim, dominam
uma forma de língua que goza prestígio, enquanto outras são vítimas de
preconceito por empregarem estilos menos prestigiados. Cria-se, dessa
maneira, uma modalidade de língua – a norma culta -, que deve ser adquirida
durante a vida escolar e cujo domínio é solicitado como modo de ascensão
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profissional e social. Também são socialmente condicionadas certas formas
de língua que alguns grupos desenvolvem a fim de evitar a compreensão por
aqueles que não fazem parte do grupo. O emprego dessas formas de língua
proporciona o reconhecimento fácil dos integrantes de uma comunidade
restrita. Assim se formam, por exemplo, as gírias, as línguas técnicas. Pode-
se citar ainda a variante de acordo com a faixa etária e o sexo.

UNIDADE 3
AS DIFERENÇAS ENTRE FALA E ESCRITA

Enquanto a língua falada é espontânea e natural, a língua escrita


precisa seguir algumas regras. Embora sejam expressões de um mesmo
idioma, cada uma tem a sua especificidade. A língua falada é a mais natural,
aprendemos a falar imitando o que ouvimos. A língua escrita, por seu lado, só
é aprendida depois que dominamos a língua falada. E ela não é uma simples
transcrição do que falamos; está mais subordinada às normas gramaticais.
Portanto requer mais atenção e conhecimento de quem fala. Além disso, a
língua escrita é um registro, permanece ao longo do tempo, não tem o caráter
efêmero da língua falada.
O primeiro mito que deve ser desfeito na relação entre fala e escrita é o de
que a fala é o lugar da informalidade, da liberdade, do dizer tudo e da forma que
quiser, e a escrita, por sua vez, é o lugar da realização formal, controlada e bem
elaborada.

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Na verdade, fala e escrita são duas realizações possíveis de uma mesma
língua que tanto podem ser elaboradas quanto informais. O que determinará o
grau maior ou menor de formalidade é o contexto em que o falante ou escritor
estará inserido.

O que existe é uma maior valorização da escrita pela sociedade, justamente


pelo fato de esta ser aprendida e desenvolvida em uma instituição social que é a
escola. Entretanto, assim como a fala não possui uma propriedade negativa, a
escrita também não é uma modalidade privilegiada, ou seja, não existe
superioridade de uma modalidade em relação à outra.

As diferenças entre língua oral e língua escrita permitem traçar um quadro


contrativo dos componentes básicos dessas modalidades.

Quanto à... Fala Escrita

Interação à distância (espaço


Interação face a face. Mesmo
Interação temporal). Contexto situacional
contexto situacional.
diverso.

Simultâneo ou quase simultâneo


Planejamento Anterior à produção.
à produção.

Coletiva, administrada passo a


Criação Individual.
passo.

Memória Impossibilidade de apagamento. Possibilidade de revisão.

Sem condições de consulta a


Consulta Livre consulta.
outros textos.

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A reformulação pode ser
A reformulação é promovida
Reformulação promovida tanto pelo falante
apenas pelo escritor.
como pelo interlocutor.

Acesso imediato às reações doSem possibilidade de acesso


Acesso
interlocutor. imediato.

Processamento
O falante pode processar o texto,O escritor pode processar o
redirecionando-o a partir dastexto a partir das possíveis
reações do interlocutor. reações do leitor.

O texto tende a esconder o seu


Processo de O texto mostra todo o seu
processo de criação, mostrando
Criação processo de criação.
apenas o resultado.

Adaptado de Fávero (2000, p. 74)

EXERCÍCIOS

1. O articulista Luiz Nassif em seu artigo “O FMI vem aí. Viva o FMI”, publicado
na revista Ícaro, fez uso do registro culto típico do jornalismo, mas utilizou
também algumas expressões da linguagem técnica dos economistas e outras
próprias da linguagem informal. Leia o trecho abaixo e

resolva as questões propostas a seguir.

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“Países já chegam ao FMI com todos esses impasses, denotando a incapacidade
de suas elites de chegarem a fórmulas consensuais para enfrentar a crise –
mesmo porque essas fórmulas implicam prejuízos aos interesses de alguns
grupos poderosos. Aí a burocracia do FMI deita e rola. Há, em geral, economistas
especializados em determinadas regiões do globo. Mas, na maioria das vezes, as
fórmulas aplicadas aos países são homogêneas, burocráticas, de quem está por
cima da carne-seca e não quer saber de limitações de ordem social ou política.(...)
Sem os recursos adicionais do Fundo, a travessia de 1999 seria um inferno, com
as reservas cambiais se esvaindo e o país sendo obrigado ou a fechar sua
economia ou a entrar em parafuso. O desafio será produzir um acordo que
obrigue, sim, o governo e Congresso a acelerarem as formas essenciais.” ( Ícaro,
170, outubro de 1998 – questão adaptada do vestibular da Unicamp)

a) Transcreva as expressões que nos remetem ao universo econômico.

b) Transcreva as expressões que têm características de informalidade.

c) Substitua essas expressões apresentadas no nível coloquial por outras típicas


da linguagem formal.

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2. Abaixo, temos a simulação de uma entrevista para a ocupação de um cargo
numa empresa. É nítido nesta entrevista o uso de duas variações lingüísticas bem
marcadas pelos interlocutores. A nossa atividade é assumir o pa

pel do entrevistado e tentar adequar o nível


de linguagem ao da entrevistadora.

- Bom dia. Sente-se, por favor, preciso fazer algumas perguntas para o senhor a
fim de saber se está devidamente qualificado para a nossa empresa.
- Ah. Falô, na boa.
- Qual o nome do Sr., por favor?
- José Carlos, mas o pessoal lá de casa e da rua me chama de zé.
- Muito bem Sr. José Carlos, temos uma vaga para o cargo de Assistente
Administrativo, mas precisamos que o candidato tenha domínio de algumas
habilidades.
- Certo! É só perguntar.
- O Sr. Possui algum conhecimento na área de informática? Nos dias de hoje ela é
imprescindível para qualquer profissional da área administrativa.

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- Sim, eu manjo bastante de informática, você sabe, aqueles programas de
sempre: Window, Word, Excel, esses baratos todos.
- O Sr. costuma acessar a Internet? Conhece as principais ferramentas desse
instrumento de comunicação?
- OH! Nossa! Eu costumo viajar bastante na Internet, conheço muitos sites.
- Qual o grau de escolaridade do Sr.?
- Bem, eu estudei Administração Geral numa faculdade e agora tô pensando em
me especializar em Marketing.
- O Sr. fala algum idioma: inglês, espanhol?
- Bem, fiz um cursinho de espanhol rápido por causa do barato do Mercosul né.
Inglês só no the book is on the table.
- O Sr. é casado? Qual sua Idade?
- Não, por enquanto tô fora... Só namoro mesmo! Tô com 25 anos.
- Qual a sua experiência profissional? O Sr. já trabalhou numa empresa de grande
porte como esta?
- AH! pra falar a verdade eu trabalhei sempre como boy em empresas pequenas,
mas o meu último trampo foi numa distribuidora de medicamentos - empresa
grande.
- E quais eram as atividades do Sr. nessa empresa?
- Nossa! Eu fazia um pouco de tudo. Às vezes fazia umas coisas no departamento
pessoal, depois fui para o financeiro, passei uns meses também no CPD... rodei
bastante por lá.
- Muito bem Sr. José Carlos, estou com os dados do Sr. aqui. Assim que tivermos
uma posição entramos em contato. Bom dia.
- Certo, bom dia, mas o trampo é meu?
(Texto elaborado pelo Professor Jorge Torresan)

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EXERCÍCIOS

1. Reescreva as frases abaixo substituindo os lugares-comuns, expressões


típicas da linguagem falada, por uma linguagem mais elaborada, pertinente
à escrita formal.

a. O mal de certos políticos é querer agradar a gregos e troianos.


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b. O brasileiro aprendeu a viver numa verdadeira corda bamba.


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c. É muito difícil estudar sob um calor tão escaldante.


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d. Ele achava que aquele emprego seria a tábua da salvação de sua


vida.
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e. Durante o depoimento houve um momento em que o réu deu com os


burros n’água.
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f. A vida do funcionário público está em petição de miséria.


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g. Temos às vezes a impressão de que estamos numa nau sem rumo.
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h. O deputado demonstrou todo o seu poder de fogo.


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i. Durante a reunião o diretor e a professora trocaram farpas o tempo


todo.
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j. Depois de todo o trabalho feito, voltamos à estaca zero.


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2.Substitua as marcas de oralidade, os termos em negrito, por outros mais


apropriados à linguagem escrita.

a. A educação é uma coisa com que todo governo devia se preocupar.


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b. Os projetos para retirar as crianças da rua não passam de conversa fiada.


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c. A justiça não deveria ser tão frouxa com quem rouba o dinheiro público.
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d. Se o governo não jogar duro com o crime organizado, a violência será cada
vez maior nas grandes cidades.
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e. Gasta-se muito com computadores para as escolas, mas não é por aí que se
vai melhorar a educação.
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f. Fica difícil acreditar no futuro de um país que tem tanto ladrão ocupando
cargos importantes.
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g. A tecnologia está cada vez mais agindo sobre a vida do homem.


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h. A escola pública ensaia os primeiros passos para melhorar sua qualidade.


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O urso que sabia voar

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Era uma vez um urso selvagem e livre, mas que invejava os pássaros porque
sabiam voar. Só que um dia um circo carioca pegou o urso para fazer um show no
Rio de Janeiro, mas ele continuava com aquele velho sonho. Um dia ele fugiu do
circo, e saiu andando pela cidade, todos que o viam quase morriam de susto. Até
que ele olhou pro céu e viu um monte de homens com asa delta e chegou a
seguinte conclusão: os homens também voam e ficou fascinado com aquilo, mas
continuou a andar até que chegou no alto do pão de açúcar lá tinha vários homens
saltando de asa delta mas quando ele chegou perto de um homem o homem
saltou sem asa delta (só de medo) aí o urso pegou a asa delta e saltou por aí,
muito feliz.

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UNIDADE 4

Língua falada

A palavra sonora; requer a presença dos interlocutores; ganha em vivacidade;


é espontânea e imediata; uso de frases feitas; é repetitiva e redundante; o
contexto extralingüístico é importante; a expressividade permite prescindir
de certas regras; a informação é permeada de subjetividade e influenciada
pela presença do interlocutor; recursos: signos acústicos e extralingüísticos,

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gestos, entorno físico e psíquico.

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Língua escrita:
A palavra gráfica; é possível esquecer o interlocutor; é mais sintética e
objetiva; a redundância é apenas um recurso estilístico; ganha em
permanência; mais correção na elaboração das frases; evita a improvisação;
exigüidade de recursos não lingüísticos;
uso de letras, sinais de pontuação; é mais precisa e elaborada; ausência de
cacoetes lingüísticos e vulgarismos; o contexto extralingüístico tem menos
influência.

EXERCÍCIOS

1. Identifique os tipos de língua abaixo (culta, coloquial, vulgar, regional,


grupal). A primeira frase vem como exemplo:
a) Temos conhecimento de que alguns casos de delinqüência juvenil no
mundo hodierno decorrem da violência que se projeta, através dos meios de
comunicação, com programas que enfatizam a guerra, o roubo e a venalidade.
Culta
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b)Cadê o livro que te emprestei? Me devolve em seguida, tá?


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c) “Nóis ouvimo falá do pograma da televisão.”


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d) “A la pucha, tchê! O índio está mais por fora do que cusco em procissão – o
negócio hoje é a tal de comunicação, seu guasca!”
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e) O materialismo dialético rejeita o empirismo idealista e considera que as


premissas do empirismo materialista são justas no essencial.

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“O negócio agora é comunicação, e comunicação o cara aprende com


material vivo, descolando um papo legal. Morou?”
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f) “Meus camaradinhas:
Não entendi bulufas dessa jogada de fazerem o papai aqui apresentar o
seu Antenor Nascentes, um cara tão crânio, cheio de mumunhas, que é
manjado até na Europa. Estou meio cabrero até achando que foi crocodilagem
do diretor do curso, o professor Odorico Mendes, para eu entrar pelo cano.
O seu Antenor Nascentes é um chapa legal, é bárbaro e, em Filologia,
bota banca. Escreveu um dicionário etimológico que é uma lenha. Dois
volumes que vou te contar. Um deles é desta idade... mais grosso que
trocador de ônibus. O homem é o Pelé da Gramática, está mais por dentro que
bicho de goiaba. Manda brasa, professor Nascentes!”
(Correio do Povo, 20/04/1966.)
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h) Me faz um favor: vai ao banco pra mim.


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i) (Trecho de uma lista de compras)


assucar, basora (= vassoura), qejo (= queijo), maizena
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g) “Deu-lhe com a boleadeira nos cascos, e o índio correu mais que cusco em
procissão.”

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(Fonte: MARTINS, D.S. e ZILBERKNOP, L.S. Português instrumental. Porto


Alegre: Sagra-Dc Luzzatto, 1998.)

2-FUVEST 2000- “Orientação para uso deste medicamento: antes de você usar
este medicamento, verifica se o rótulo consta as seguintes informações, seu
nome, nome de seu médico, data de manipulação e validade e fórmula do
medicamento solicitado.”
a) Há no texto desvios em relação à norma culta. Reescreva-o, fazendo as
correções necessárias.
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b) A que se refere, no contexto, o pronome SEU da expressão "seu nome"?


Justifique sua resposta.
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3-UFES 1996

A história do gerente apressado

Certa vez, um apressado gerente de uma grande empresa precisava de ir ao


Rio de Janeiro para tratar de alguns assuntos urgentes. Como tivesse muito
medo de viajar, deixou o seguinte bilhete para sua recém-contratada
secretária:

“Maria: devo ir ao Rio amanhã sem falta. Quero que você me 'rezerve', um
lugar, 'à noite', no trem das 8 para o Rio.”

Sabe o leitor o que aconteceu? O gerente, simplesmente, perdeu o trem! Por


quê?"

(BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de comunicação escrita São Paulo: Ática,


1990, p.5)

O gerente perdeu o trem, porque a secretária não decodificou a problemática


mensagem. Qual bilhete é mais adequado para que a comunicação se dê, de
fato:

a) Maria: devo ir ao Rio amanhã sem falta. Quero que você reserve um lugar, à
noite, no trem das 8 para o Rio.

30
b) Maria: devo ir ao Rio amanhã. Quero que você me compre um lugar, à noite,
no trem das 8 para o Rio.
c) Maria: Compre, para mim, uma passagem, em cabina com leito, no trem das
20h de amanhã (4a feira), para o Rio de Janeiro.
d) Maria: vou ao Rio amanhã impreterivelmente. Quero que você me compre,
à noite uma passagem para o Rio no trem das 8.
e) Maria: devo ir no Rio amanhã. Quero que, à noite você me reserve, sem
falta, um, lugar, no trem das oito.

4- UFMT 1996
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu.
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo, então, que cresceu.

(Roda Viva - Chico Buarque)


Na(s) questão(ões) a seguir julgue os itens e escreva nos parênteses (V) se for
verdadeiro ou (F) se for falso.
( ) A expressão "a gente" é uma forma característica da linguagem coloquial
para substituir o pronome "nós".
( ) O uso do verbo "ter" em lugar de "haver" e a supressão da preposição
"em" junto ao relativo são marcas da oralidade no texto.
( ) A modalidade oral e o registro coloquial envolvem o ouvinte-leitor numa
relação de familiaridade.

31
UNIDADE 5
TEXTO VERBAL E NÃO-VERBAL

A capacidade humana ligada ao pensamento que se manifesta por meio de


palavras (verbum, em latim) de uma determinada língua caracteriza o texto ou
linguagem verbal.
Existem, porém, outras formas de linguagem de que o homem lança mão
para representar o mundo, expressar-se, comunicar-se: os gestos, a música, a
pintura, a mímica, as cores. Trata-se da linguagem ou do texto não-verbal.
É possível apontar semelhanças e diferenças entre os dois tipos de textos.
A análise criteriosa (leitura) dos signos utilizados nos textos não-verbais permite
que o sentido seja apreendido e que se estabeleça comunicação, mesmo que a
correspondência não seja absoluta e um mesmo tipo de mecanismo assuma
contornos específicos em cada tipo de linguagem.
A utilização de recursos não-verbais na comunicação é freqüente e exige
que o leitor esteja atento a essas formas de interação que, muitas vezes tomam o
lugar dos textos verbais -ou a eles se associam -com o objetivo de produzir
sentido de maneira mais rápida e eficiente – é o caso das tabelas, dos gráficos,
dos sinais de trânsito, charges.
Analise as charges abaixo:

32
Textos escritos não são nossa única fonte importante de informações.
Fotografias, desenhos, pinturas e imagens também podem ser lidos e
interpretados e nos
ajudam a compreender melhor o mundo em que vivemos.

A figura ao
lado é um texto, pois
podemos identificar um
sentido naquilo que
estamos vendo: dentro
de uma lata, o que
parece ser a planta de
um apartamento ( sãoidentificados o quarto, a

sala, a cozinha e o
banheiro). Se juntarmos
a imagem da lata de
sardinha com a planta
de um apartamento,
concluímos que o autor
desse desenho procura
33
indicar que há
apartamentos muito
pequenos, dentro dos
quais as pessoas se sentem como sardinhas em latas.

A capa da revista Veja, apresentada abaixo, associa a linguagem verbal e a


linguagem não-verbal. Analise-a e, a seguir, comente a mensagem transmitida.

((http://veja.abril.com.br/busca/resultadoCapas)

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34
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______________________________________________________________________

Sapassado, era sessetembro,

taveu na cuzinha tomando uma

pincumel e cuzinhando um

kidicarne cumastumate pra fazer

uma macarronada cum

35
galinhassada. Quascaí de susto

quanduvi um barui vinde

denduforno parecenum tidiguerra.

A receita mandopô midipipoca

denda galinha prassá.

O forno isquentô,o mistorô, e o

fiofó da galinhispludiu!

Nossinhora! Fiquei branco quinein

um lidileite. Foi um trem doidimais!

Quascaí dendapia! Fiquei

sensabê doncovim, noncotô,


36
proncovô. Ópceve quilocura!

Grazadeus ninguém semaxucô!

37
38
RECEITA: REPÔI NU AI I ÓI

QuickTimeª and a
decompressor
are needed to see this picture.

39
40
EXERCÍCIO

1. ESCOLHA UM DOS QUADROS ACIMA E REESCREVA-O NA NORMA


CULTA:

• ____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
41
• ____________________________________________________________________
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____________________________________________________________________
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• ____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
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• ____________________________________________________________________
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____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

NATUREZA E CULTURA (Fonte: ARANHA, M.L. & MARTINS, M.H. A cultura. In:
Filosofando: introdução à filosofia. SP: Moderna, 1993, p.2-8)

42
Identifique a região em que cada um dos assaltos teria ocorrido:

1. Ei, bichim . Isso é um assalto . Arriba os braços e num se bula ....e num faça
munganga. Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira
no teu bucho e boto teu fato pra fora:. Perdão meu Padim Ciço, mas é que eu tô
com uma fome da moléstia.
• _________________________________________________________________
___

2. Ô sô, prestenção: isso é um assarto, uai: Levanta os braço e fica quetin quesse
trem na minha mão tá cheio de bala . Mió passá logo os trocados que eu num tô
bão hoje. Vai andando, uai! Ta esperando o que , uai!
• _________________________________________________________________
___

43
3. O gurí, ficas atento:. Báh, isso é um assalto:. Levantas os braços e te aquieta,
tchê ! Não tentes nada e cuidado que esse facão corta uma barbaridade, tchê.
Passa as pilas prá cá ! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala.
• _________________________________________________________________
___

4. Seguiiiinnte, bicho: Tu te. Isso é um assalto... Passa a grana e levanta os braços


rapá:. Não fica de bobeira que eu atiro bem .... Vai andando e se olhar pra traz vira
presunto.
• _________________________________________________________________
___

5. Ô meu rei . (longa pausa ) Isso é um assalto . (longa pausa ) Levanta os braços,
mas não se avexe não .(longa pausa ) Se num quiser nem precisa levantar, pra
num ficar cansado:. Vai passando a grana, bem devagarinho (longa pausa ) Num
repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado:. Não esquenta,
meu irmãozinho ( longa pausa ) Vou deixar teus documentos na encruzilhada.
• _________________________________________________________________
___

6. Ôrra, meu:. Isso é um assalto, meu . Alevanta os braços, meu:. Passa a grana
logo, meu! Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pa
comprar o ingresso do jogo do Curintia, meu: Pô, se manda, meu:.
• _________________________________________________________________

7. Querido povo brasileiro, estou aqui no horário nobre da TV para dizer que no
final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas: Energia, Água, Esgoto, Gás,
Passagem de ônibus, IPTU, IPVA, Licenciamento de veículos, Seguro Obrigatório,
Gasolina, Álcool, Imposto de Renda, IPI, CMS, PIS, COFINS, mas não se preocupe,
somos PENTA!!!
• _________________________________________________________________

UNIDADE 6
CONCEITO DE TEXTOS - LINGUAGEM
VERBAL E NÃO-VERBAL

44
O que é linguagem?

É o uso da língua como forma de


expressão e comunicação entre as pessoas. Agora, a nossa
língua não é somente um conjunto de palavras faladas ou
escritas, mas também dos gestos e imagens. Afinal, não nos
comunicamos apenas pela fala ou escrita, não é verdade?

LINGUAGEM NÃO-VERBAL:

As pessoas não se comunicam


apenas por palavras. Os movimentos faciais e corporais, as
cores, o desenho, a dança, os sons, os gestos, os olhares, a
entoação são também importantes: são os elementos não
verbais da comunicação.
Os significados de determinados gestos e
comportamentos variam muito de uma cultura para outra e de
época para época.
A comunicação verbal é plenamente voluntária; o
comportamento não-verbal pode ser uma reação involuntária ou
um ato comunicativo propositado.

45
Alguns psicólogos afirmam que os sinais não-verbais
têm as funções específicas de regular e encadear as interações
sociais e de expressar emoções e atitudes interpessoais.

a) expressão facial:

Não é fácil avaliar as emoções de alguém


apenas a partir da sua expressão fisionômica. Por vezes os
rostos transmitem espontaneamente os sentimentos, mas
muitas pessoas tentam inibir a expressão emocional.

b) movimento dos olhos: desempenha um papel muito


importante na comunicação. Um olhar fixo pode ser entendido
como prova de interesse, mas noutro contesto pode significar
ameaça, provocação.
Desviar os olhos quando o emissor fala é uma atitude que tanto

pode transmitir a idéia de submissão como a de desinteresse.


46
c) movimentos da cabeça: tendem a reforçar e sincronizar a

emissão de mensagens.

d) postura e movimentos do corpo: os movimentos corporais


podem fornecer pistas mais seguras do que a expressão facial
para se detectar determinados estados emocionais. Por ex.:
inferiores hierárquicos adotam posturas atenciosas e mais
rígidas do que os seus superiores, que tendem a mostrar-se
descontraídos.

e) comportamentos não-verbais da voz: a entoação


(qualidade, velocidade e ritmo da voz) revela-se importante

no
processo de comunicação. Uma voz calma geralmente transmite
mensagens mais claras do que uma voz agitada.

f) a aparência: a aparência de uma pessoa reflete normalmente


47
o tipo de imagem que ela gostaria de passar. Através do
vestuário, penteado, maquiagem, apetrechos pessoais, postura,
gestos, modo de falar, etc, as pessoas criam uma projeção de

como são e de como gostariam de ser tratadas. As relações


interpessoais serão menos tensas se a pessoa fornecer aos
outros a sua projeção particular e se os outros respeitarem essa
projeção.

Conclusão: na interação pessoal, tanto os elementos verbais


como os não-verbais são importantes para que o processo de
comunicação seja eficiente.
Veja bem nos exemplos a seguir:

“Quem não compreende um olhar,


tampouco compreenderá uma longa explicação”
Mário Quintana

48
LINGUAGEM VERBAL:

Existem várias formas de comunicação.


Quando o homem se utiliza da palavra, ou seja, da linguagem
oral ou escrita, dizemos que ele está utilizando uma linguagem
verbal, pois o código usado é a palavra. Tal código está
presente, quando falamos com alguém, quando lemos, quando
escrevemos. A linguagem verbal é a forma de comunicação
mais presente em nosso cotidiano. Mediante a palavra falada ou
escrita, expomos aos outros as nossas idéias e pensamentos,
comunicando-nos por meio desse código verbal imprescindível
em nossas vidas. ela está presente em textos em propagandas;

Veja bem nos exemplos a seguir de Rosângela Espinossi


Beber água gelada ou chá verde,
comer alguns tipos de pimenta, ingerir
gengibre e produtos que contenham
ômega 3 são uma ajuda e tanto para
acelerar o metabolismo e, por sua vez,
favorecer a perda de peso.
A nutricionista Alessandra
Nunes, mestre em ciências aplicadas à
cardiologia, explica que tais alimentos são
chamados de termogênicos. "Quando digeridos, aumentam o
metabolismo e a temperatura interna corporal. Com isso,
queimam calorias e ajudam a emagrecer. Mas para terem efeito
devem ser ingeridos com regularidade no dia-a-dia", explica.
[...]
O metabolismo é o conjunto de transformações que os
nutrientes e outras substâncias químicas sofrem no interior do
nosso corpo, produzindo energia suficiente para mantê-lo
funcionando. "É influenciado por inúmeros fatores, tais como
49
genética, idade, peso, altura, sexo, temperatura ambiente, dieta
e prática de exercícios", afirma.
http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI3503453-EI1501

,00-
Alimentos+aceleram+o+metabolismo+e+ajudam+a+perder+peso.html
[acessado em 10/02/2011]

Agora veja e leia esse outro exemplo:

50
UNIDADE 7
Linguagem verbal : realização concreta da língua através da

fala humana (sons e escrita).

Linguagem verbal x linguagem não verbal

Pense sobre o símbolo de um cigarro desenhado sobre uma placa, cortado por
uma faixa vermelha. Agora, pense na mesma placa, tirando o desenho e
colocando-se Não Fume. Qual é a mais eficaz?

51
Linguagem não verbal : mais econômica e rápida na veiculação.

Base da linguagem visual: ícone (figura ou imagem), que substitui a linguagem


verbal mais economicamente, logo com mais rapidez.

Linguagem verbal:
- transmissão completa do que sentimos, pensamos, desejamos;
- única capaz de traduzir as outras linguagens;
- quando o que temos que comunicar é complexo, optamos pela linguagem
verbal.

Você já percebeu que, ao produzir um texto, pode utilizar alguns


recursos da linguagem não verbal (como a disposição das palavras no papel, a
forma final do texto) para obter maior expressividade.
Mas não se esqueça: para produzir textos cada vez melhores, você deve
ser um bom leitor dos mais variados “textos”, escritos com as mais variadas
“palavras” (desenhos, pinturas, filmes, o branco do vestido de noiva, a
bandeira a meio-pau, o minuto de silêncio, a seleção de notícias do telejornal,
etc.).

EXERCÍCIOS

1. Na publicidade, qual texto chama mais a atenção do consumidor: verbal,


não verbal ou mista? E no jornalismo?

2-UFSM 2000 - Considere o que se afirma sobre o papel da linguagem verbal e


não-verbal na organização da história.

52
I. O desenho é auto-suficiente. Mesmo sem os diálogos, entende-se que um
homem foi punido por ter chamado o outro de gordo.
II. As falas das personagens são auto-suficientes. Mesmo sem os desenhos,
entende-se que um homem foi punido por acusar o outro de medroso.
III. O desenho e as falas são interdependentes. É pela fala do segundo
quadrinho que se entende que o homem foi punido principalmente por chamar
o outro de "gordão".

Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
b) apenas I e III.

Registros, variantes ou níveis de língua(gem)

DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS

A comunicação não é regida por normas fixas e imutáveis. Ela pode


transformar-se, através do tempo, e, se compararmos textos antigos com
atuais, perceberemos grandes mudanças no estilo e nas expressões. Por que
as pessoas se comunicam de formas diferentes? Temos que considerar
múltiplos fatores: época, região geográfica, ambiente e status cultural dos
falantes.

53
Há uma língua-padrão? O modelo de língua-padrão é uma decorrência
dos parâmetros utilizados pelo grupo social mais culto. Às vezes, a mesma
pessoa, dependendo do meio em que se encontra, da situação sociocultural
dos indivíduos com quem se comunica, usará níveis diferentes de língua.
Dentro desse critério, podemos reconhecer, num primeiro momento, dois tipos
de língua: a falada e a escrita.
A língua falada pode ser culta ou coloquial, vulgar ou inculta, regional,
grupal (gíria ou técnica). Quando a gíria é grosseira, recebe o nome de calão.
Quando redigimos um texto, não devemos mudar o registro, a não ser
que o estilo permita, ou seja, se estamos dissertando – e, nesse tipo de
redação, usa-se, geralmente, a língua-padrão – não podemos passar desse
nível para um como a gíria, por exemplo.

Formas de adequação da linguagem

Todos os seres humanos se comunicam de alguma forma. Seja através da


fala, da escrita, gestos, sinais luminosos e até através da arte, haja vista as cores
de um quadro, o doce som de uma música...Qualquer sistema organizado que
serve de meio de comunicação é chamado de linguagem.
A linguagem tem uma função social. Sempre estamos nos comunicando
com alguém, com algum objetivo. A vida em sociedade exige que as linguagem
sejam adequadas para cada momento. Sabemos que não seria adequado, por
exemplo, cantar uma música, toda vez que alguém perguntasse o nosso nome.
54
Seria um caos, não? Também pareceria estranho, você apresentar-se para uma
entrevista de emprego vestindo a camisa do seu time favorito e aqueles chinelos
confortáveis. Ah, mas por que não?
Porque simplesmente não é o que esperam de você!!!!!
A sociedade estabeleceu algumas regras de convivência que servem, num
plano maior, para regulamentar as relações humanas, ou viveríamos em completa
confusão. O uso da linguagem também tem suas regras, que vamos chamar de
adequações.

Leia os diálogos abaixo:

1- No tribunal:

Juiz: Senhor Moreira, dirija-se ao júri e apresente sua defesa.


Moreira: Falô, mano. Seguinte, galera. Olha pro chapa aqui e diz: sô ou num sô um
cara de bem? Os truta lá da comu pódi assiná.

2- Uma entrevista de emprego:


Entrevistador: Por favor, Sr.Juarez,sente-se.
Juarez: Tô sussa em pé mesmo. E não precisa chamar de Sr.Juarez. O povo lá de
casa me chama de Jura.

3- Um torpedo de celular enviado por uma colega de classe a outra:

Prezada Fabiana. É com imenso pesar que comunico que não finalizei as tarefas a
contento e, portanto, infelizmente ficaremos com a menção zero na disciplina de
Leitura e Produção Textual.Desculpe-me e um grande beijo!

Nem é preciso dizer que dentro das situações apresentadas, a linguagem


utilizada pelo Sr.Moreira, o Juarez e a aluna foram totalmente inadequadas!
Assim, podemos inferir que: situações formais (tribunal, entrevista de
emprego...) pedem uma linguagem formal e que em situações informais (com
amigos, familiares), em que podemos usar uma linguagem mais informal,
coloquial.
Dessa forma, a linguagem deve se adequar ao momento e ao local em que é
produzida e para quem se dirige. Toda vez que o emissor precisar se comunicar
deve atentar para vários aspectos, antes mesmo de criar sua mensagem. Seja ela
escrita ou falada. Quem nunca quis que o chão se abrisse sobre seus pés assim
que disse algo sem pensar e imediatamente se arrependeu?

Leitura:

55
BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolingüística.

UNIDADE 8

56
INTERPRETAÇÃO DE ENUNCIADOS - VERBOS DE COMANDO

Antes de iniciar o uso desta apostila, pergunte-se: VOCÊ FAZ O QUE


REALMENTE SE PEDE? Para medir o nível do aproveitamento e o
desenvolvimento dos alunos em sala de aula, o professor pode utilizar vários
instrumentos de avaliação. Entre esses instrumentos, é muito comum o
emprego de provas e/ou testes dissertativos, nos quais os alunos têm um
espaço para mostrar, sobre algum assunto determinado, a sua capacidade de
análise, criação, comparação, identificação, conceituação etc.

57
É muito comum nas discussões entre professores comentários sobre a
dificuldade que os alunos têm diante do momento de dissertar numa prova,
mesmo que ela seja composta por questões breves. Essa dificuldade pode
ocorrer, muitas vezes, porque eles não conseguem compreender exatamente
o que é pedido em uma questão. Se observarmos com atenção, todas as
questões se iniciam ou se desenvolvem tendo como base um verbo-comando
(geralmente na forma do imperativo) que especifica para o aluno a forma
como ele deve responder a uma questão. A tabela abaixo demonstra alguns
dos verbos-comando mais utilizados.

Verbos de Definição dos verbos Especificação dos


coman (adaptada do Moderno procedimentos
do Dicionário da Língua
Portuguesa Michaelis e
Aurélio)

Analise Determinar os componentes ou Exige a elaboração de


elementos fundamentais de um texto como
alguma idéia, teoria, fato etc.; resposta.
determinar por discernimento
natureza, significado, aspectos ou
qualidades do que está sendo
examinado.

Justifique Explicar ou demonstrar a Exige a elaboração de


Explique veracidade ou não de algum fato um texto como
ou ocorrência por meio de resposta.
elementos/argumentos plausíveis.
Tornar claro e coerente os
elementos levantados.

Transcrev Reproduzir, extrair, copiar algum A resposta não pode


a Cite trecho de algum texto sem ser elaborada e sim
Destaque qualquer tipo de modificação. apenas recortada
utilizando-se sinais
adequados com aspas
Compare Examinar, simultaneamente, as Exige a elaboração de
Confronte particularidades de duas ou mais um texto como
idéias, fatos, ocorrências. resposta.

Critique Examinar com muito critério Exige a elaboração de


58
(“faça um alguma idéia, noção ou
um texto como
comentário entendimento tentando perceber resposta. Importante
crítico”) qualidades e/ou defeitos, pontos
observar que criticar
negativos e/ou positivos etc.não é somente levantar
aspectos negativos do
que se está observando
– a crítica pode ser
também de caráter
positivo.
Reescreva Tornar a escrever; escrever uma Exige a reelaboração
segunda vez. de um texto,
consertando os
defeitos do primeiro
texto.

Sugestões para responder melhor às questões dissertativas :


• Leia atentamente, se necessário várias vezes, os enunciados das questões
detectando os verbos-comando que estruturam as questões.
• Responda exatamente o que está sendo pedido, não tente “complementar”
suas respostas com informações desnecessárias achando que elas irão
compensar o que você não souber responder.
• Não se esqueça de que uma resposta a uma questão dissertativa, por
menor que seja, é sempre um texto, sendo assim, seja claro, coeso,
coerente.
• Suas respostas deverão ter, como em qualquer outro texto, um início, um
desenvolvimento e, quando necessário, uma conclusão.
• Não responda às questões utilizando frases inteiras de textos, leia
atentamente o material que está sendo analisado e construa a resposta
com o seu próprio discurso. Os recortes de frases devem ser feitos apenas
quando se tratar de verbos-comando como “transcreva”, “retire” etc.
• Respeite o número de linhas especificado para as suas respostas. Não seja
muito sucinto nem muito prolixo – responda de maneira que você dê conta
do que está sendo pedido.
• Toda boa resposta geralmente se inicia com traços da questão que a
originou.
Ex.: Pergunta: De acordo com o texto, qual o nível financeiro daquela
população?
Resposta: De acordo com o texto, o nível financeiro daquela população é
muito baixo.
• Não use em suas respostas gírias e/ou construções típicas da linguagem
coloquial.

59
Nesta apostila, e nas provas/avaliações
que serão dadas para você elaborar, muitos destes verbos serão
solicitados. Fique atento!

(Fonte: Profs. Patrícia Quel e Jorge Luís Torresan)

EXERCÍCIOS

1-UNICAMP 1993 - A leitura literal do texto a seguir produz um efeito de


humor.

"As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo


explícito. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 91, do Juizado de
Menores, que proíbe que as casas de vídeo aluguem, exponham e vendam
fitas pornográficas a menores de 18 anos. A portaria proíbe ainda os menores
de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos
pais."
("Folha Sudeste", 06/06/92)

60
a) Transcreva a passagem que produz efeito de humor.
b) Qual a situação engraçada que essa passagem permite imaginar?
c) Reescreva o trecho de forma a impedir tal interpretação.

2. Faça o que se pede de acordo com os textos OBESIDADE INFANTIL, e


EDUCANDO O PALADAR.

OBESIDADE INFANTIL

O papel dos hábitos sedentários, da publicidade e da educação


alimentar na globalização de uma epidemia
.
Nos últimos 20 anos, a obesidade infantil tornou-se epidemia mundial. O
número de casos pode ser atribuído à farta disponibilidade de alimentos
densamente calóricos e à vida sedentária das crianças nas cidades.
Não existe um gene único que possa ser responsabilizado pela
obesidade. A predisposição é causada por uma interação complexa de cerca
de 250 genes envolvidos no controle de peso do organismo.
Células especiais para armazenar gordura (adipócitos) surgem no feto
ao redor da 15ª semana de gestação. Durante o primeiro ano de vida elas não
mais se multiplicam, apenas crescem e se enchem de gordura para armazenar
energia que será utilizada quando a criança começar a andar.
À medida que a criança cresce em altura, essas reservas são
consumidas até atingir seus níveis mais baixos aos 5 ou 6 anos. Meninos e
meninas que chegam gordinhos a essa idade apresentarão maior
probabilidade de desenvolver obesidade na adolescência e na vida adulta.
Na criança de peso normal, entre 2 e 10 anos, ocorre apenas um
pequeno aumento do número de adipócitos. Já nas obesas, quando a
quantidade de gordura contida em cada célula atinge 1 grama — o limite
máximo de sua capacidade —, ocorre a multiplicação celular com formação
de novos adipócitos.
Quando a criança obesa perde peso, a velocidade de formação de novas
células gordurosas diminui. Mas, ainda assim, são formadas mais células
novas do que aquelas das crianças magras.
A obesidade materna durante a gravidez interfere com a troca de
nutrientes com o feto e favorece o aparecimento de obesidade infantil. Ao

61
contrário, má nutrição durante a gravidez também pode levar à obesidade
como mecanismo compensatório.
Crianças negligenciadas, solitárias ou deprimidas tendem a apresentar
maiores índices de obesidade quando adultas.
A falta de atividade física é fator crucial. A redução dos espaços
urbanos disponíveis para brincar em segurança, os computadores, os jogos
eletrônicos e, especialmente, o número de horas diante da tevê, expostas a
comerciais de alimentos com alta densidade calórica, são fatores de risco
associados à explosão de obesidade nas crianças.
Pesquisas conduzidas na Inglaterra e nos Estados Unidos mostram que,
nesses países, elas estão expostas, em média, a dez comerciais de alimentos
por hora diante da tevê; a maioria sobre doces, refrigerantes e salgadinhos.
Da mesma forma que nos adultos, a obesidade na infância causa
hipertensão arterial, aumento de colesterol e triglicérides, inflamação
crônica, facilita a formação de coágulos, altera a parede interna das artérias
e aumenta a produção de insulina. Esse conjunto de fatores de risco para
doença cardiovascular, conhecido como síndrome da resistência à insulina ou
síndrome metabólica, tem sido descrito até em crianças com 5 anos de idade.
Anteriormente conhecido como diabetes do adulto, o diabetes do tipo 2
é cada vez mais encontrado na infância. Em certas populações, seus
portadores chegam a representar metade do total de crianças diabéticas.
(Drauzio Varella)
EDUCANDO O PALADAR

O sabor do leite materno não é o mesmo em todas as mamadas, pois


ocorrem modificações no decorrer do dia por causa da alimentação da mãe.
Bebês alimentados com mamadeira não experimentam tal variedade de
sabores, já que o gosto do leite em pó é sempre o mesmo.
Estudos mostram que a diversidade de sensações gustativas
associadas à amamentação facilita mais tarde a instalação de paladares mais
variados.
As crianças têm preferência inata por sabores doces e salgados,
rejeição pelos amargos e azedos, e apresentam dificuldade para aceitar novas
experiências gustativas.
Calcula-se que devam ser expostas de cinco a dez vezes, em média,
para adaptar-se ao gosto de um novo alimento.

62
Nessa fase da vida, existe nítida predisposição para alimentos com alta
densidade calórica, como as gorduras e os doces, por causa do gosto
agradável e por levar à saciedade mais prontamente. Se não houver
insistência na oferta, o paladar poderá fixar-se exclusivamente em doces e
gorduras, com graves conseqüências futuras.

(In: Carta Capital, n.º 332, 08/03/2005.)

a) Cite as causas do número de casos de obesidade infantil.


b) Explique por que uma criança que é gordinha aos cinco ou seis anos de
idade tem maiores chances de desenvolver obesidade na vida adulta.
c) Analise as conseqüências da obesidade para a saúde da criança.
d) Explique a importância da amamentação no processo de desenvolvimento
do paladar da criança.
e) Compare os dois textos e explique a relação entre os dois.

3-UNICAMP 1995
Defender a língua é, de modo geral, uma tarefa ambígua e até certo
ponto inútil. Mas também é quase inútil e ambíguo dar conselhos aos jovens
de uma perspectiva adulta e no entanto todo adulto cumpre o que julga seu
dever. (...) Ora, no que se refere à língua, o choque ou oposição situam-se
normalmente na linha divisória do novo e do antigo. Mas fixar no antigo a
norma para o atual obrigaria este antigo a recorrer a um mais antigo, até ao
limite das origens da língua. A própria língua, como ser vivo que é, decidirá o
que lhe importa assimilar ou recusar. A língua mastiga e joga fora inúmeros
arranjos de frase e vocábulos. Outros, ela absorve e integra a seu modo de
ser.

(Vergílio Ferreira, "Em Defesa da Língua", em: Estão a Assassinar o Português!


trecho adaptado)

a) Transcreva a tese de Vergílio Ferreira, isto é, a afirmação básica que o


autor aceita como verdadeira e defende nesse trecho.
b) Transcreva o argumento no qual o autor se baseia para defender sua tese.

63
64
UNIDADE 9

IDENTIFICAÇÃO DOS OBJETIVOS, DOS ARGUMENTOS E


DAS CONCLUSÕES DO TEXTO

Algumas definições:

Assunto: de que fala o texto, idéia ampla e geral, germe a partir do qual se
desenvolverão as idéias do texto.

65
Tema: delimitação do assunto, aspecto a ser abordado, enfoque, tratamento especial
dado pelo autor.

Objetivo do texto: para que é escrito o texto, finalidade com que se elabora o texto.

Tese ou frase-núcleo: o que fala o texto expressão verbal de um juízo, afirmação


básica, ponto de vista do autor.

Argumentos: provas que sustentam a tese: exemplos, informações que comprovam a


tese (dados, fatos).

Exercício: Leia o artigo de opinião a seguir e identifique cada item acima.

Brasileiro não gosta de ler?


Lya Luft*
“A meninada precisa ser seduzida. Ler pode ser divertido e interessante, pode
entusiasmar, distrair e dar prazer”
Não é a primeira vez que falo nesse assunto, o da quantidade assustadora de
analfabetos deste nosso Brasil. Não sei bem a cifra oficial, e não acredito muito em cifras
oficiais. Primeiro, precisa ser esclarecida a questão do que é analfabetismo. E, para mim,
alfabetizado não é quem assina o nome, talvez embaixo de um documento, mas quem assina
um documento que conseguiu ler e... entender. A imensa maioria dos ditos meramente
alfabetizados não está nessa lista, portanto são analfabetos – um dado melancólico para
qualquer país civilizado. Nem sempre um povo leitor interessa a um governo (falo de algum

66
país ficcional), pois quem lê é informado, e vai votar com relativa lucidez. Ler e escrever faz
parte de ser gente.
Sempre fui de muito ler, não por virtude, mas porque em nossa casa livro era um
objeto cotidiano, como o pão e o leite. Lembro de minhas avós de livro na mão quando não
estavam lidando na casa. Minha cama de menina e mocinha era embutida em prateleiras.
Criança insone, meu conforto nas noites intermináveis era acender o abajur, estender a mão,
e ali estavam os meus amigos. Algumas vezes acordei minha mãe esquecendo a hora e dando
risadas com a boneca Emília, de Monteiro Lobato, meu ídolo em criança: fazia mil artes e
todo mundo achava graça.
E a escola não conseguiu estragar esse meu amor pelas histórias e pelas palavras.
Digo isso com um pouco de ironia, mas sem nenhuma depreciação ao excelente colégio onde
estudei, quando criança e adolescente, que muito me preparou para o mundo maior que eu
conheceria saindo de minha cidadezinha aos 18 anos. Falo da impropriedade, que talvez
exista até hoje (e que não era culpa das escolas, mas dos programas educacionais), de fazer
adolescentes ler os clássicos brasileiros, os românticos, seja o que for, quando eles ainda nem
têm o prazer da leitura. Qualquer menino ou menina se assusta ao ler Macedo, Alencar e
outros: vai achar enfadonho, não vai entender, não vai se entusiasmar. Para mim esses
programas cometem um pecado básico e fatal, afastando da leitura estudantes ainda
imaturos.
Como ler é um hábito raro entre nós, e a meninada chega ao colégio achando livro
uma coisa quase esquisita, e leitura uma chatice, talvez ela precise ser seduzida: percebendo
que ler pode ser divertido, interessante, pode entusiasmar, distrair, dar prazer. Eu sugiro
crônicas, pois temos grandes cronistas no Brasil, a começar por Rubem Braga e Paulo
Mendes Campos, além dos vivos como Verissimo e outros tantos. Além disso, cada um deve
descobrir o que gosta de ler, e vai gostar, talvez, pela vida afora. Não é preciso que todos
amem os clássicos nem apreciem romance ou poesia. Há quem goste de ler sobre esportes,
explorações, viagens, astronáutica ou astronomia, história, artes, computação, seja o que for.
O que é preciso é ler. Revista serve, jornal é ótimo, qualquer coisa que nos faça
exercitar esse órgão tão esquecido: o cérebro. Lendo a gente aprende até sem sentir, cresce,
fica mais poderoso e mais forte como indivíduo, mais integrado no mundo, mais curioso,
mais ligado. Mas para isso é preciso, primeiro, alfabetizar-se, e não só lá pelo ensino médio,
como ainda ocorre. Os primeiros anos são fundamentais não apenas por serem os primeiros,
mas por construírem a base do que seremos, faremos e aprenderemos depois. Ali nasce a
atitude em relação ao nosso lugar no mundo, escolhas pessoais e profissionais, pela vida
afora. Por isso, esses primeiros anos, em que se aprende a ler e a escrever, deviam ser
estimulantes, firmes, fortes e eficientes (não perversamente severos). Já se faz um grande
trabalho de leitura em muitas escolas. Mas, naquelas em que com 9 ou 10 anos o aluno ainda
não usa com naturalidade a língua materna, pouco se pode esperar. E não há como se
queixar depois, com a eterna reclamação de que brasileiro não gosta de ler: essa porta nem
lhe foi aberta.
(Extraído de: http://veja.abril.com.br/120809/brasileiro-nao-gosta-de-ler-p-022.shtml)
*Lya Luft é escritora.

67
UNIDADE 10
IDENTIFICAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE

Palavra Chave: são aquelas que estão mais de perto associadas especificamente
ao assunto do texto, podendo aparecer repetidas e algumas vezes na forma de
sinônimos. A identificação das palavras-chave através do skimming (estratégia ou
procedimento que consiste em lançar os olhos rapidamente sobre o texto, numa
breve leitura para captar o assunto geral apenas, se esse for o objetivo da leitura)
leva-nos a ter uma identificação do assunto no texto.

Normalmente as palavras-chave perpassam todo o texto podendo aparecer


modificadas ou substituídas por sinônimos.

para seus piores desastres. A mobilização da população da capital


mexicana em 1985 para reconstruir partes da cidade arrasadas por um
violentíssimo terremoto evitou o pior, e mostrou que as mobilizações coletivas
podem driblar o apocalipse anunciado para as megalópoles.

68
IDENTIFICAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE

Palavra Chave: são aquelas que estão mais de perto associadas especificamente
ao assunto do texto, podendo aparecer repetidas e algumas vezes na forma de
sinônimos. A identificação das palavras-chave através do skimming (estratégia ou
procedimento que consiste em lançar os olhos rapidamente sobre o texto, numa
breve leitura para captar o assunto geral apenas, se esse for o objetivo da leitura)
leva-nos a ter uma identificação do assunto no texto.

Normalmente as palavras-chave perpassam todo o texto podendo aparecer


modificadas ou substituídas por sinônimos.

Exercício:
69
Os megaproblemas das grandes cidades

A população das megacidades cresce muito mais depressa do que sua


capacidade de prover empregos e fornecer serviços decentes a seus
novos moradores. O fenômeno, detectado no relatório da ONU sobre a
população, é tanto mais grave porque atinge em cheio justamente os
países mais pobres. Das dez megacidades de 2000, sete estarão
fincadas no Terceiro Mundo. As pessoas saem do campo para as
cidades por um razão tão antiga quanto a Revolução Industrial:
querem melhorar de vida. Mesmo apinhadas em periferias, suas
chances de prosperar são maiores do que na área rural. As cidades,
escreveu o historiador Lewis Mumford, “são o lugar certo para
multiplicar oportunidades”.
A típica explosão urbana é registrada em várias cidades da África e
da Índia, que dobram de população a cada doze anos e não dão conta
da demanda por emprego, educação e saneamento. Mesmo as que
crescem a uma taxa menos selvagem, como a de veículos e 35.000
fábricas da capital mexicana, por exemplo, pode chegar como em
fevereiro passado, a um nível quatro vezes além do ponto em que o ar
é considerado seguro.
Ainda que todos os prognósticos sejam pessimistas, não se deve
desprezar a capacidade de as megacidades encontrarem soluções até
para seus piores desastres. A mobilização da população da capital
mexicana em 1985 para reconstruir partes da cidade arrasadas por um
violentíssimo terremoto evitou o pior, e mostrou que as mobilizações
coletivas podem driblar o apocalipse anunciado para as megalópoles.

a.Retire do texto acima as palavras-chave:

________________________________________________________
________________________________________________________
________________________________

b.Qual a ideia-chave de cada parágrafo?

70
________________________________________________________
________________________________________________________
________________________________

c.Elabore o resumo do texto, a partir das idéias-chave.

________________________________________________________
________________________________________________________
________________________________

________________________________________________________
________________________________________________________
________________________________

________________________________________________________
________________________________________________________
________________________________

________________________________________________________
________________________________________________________
________________________________

71
72
UNIDADE 11

A ESTRUTURA DO PARÁGRAFO - TÓPICO FRASAL – PARAGRAFAÇÃO


NOÇÕES DE TIPOLOGIA TEXTUAL

AS PALAVRAS-CHAVE

Ninguém chega à escrita sem antes ter passado pela leitura. Mas leitura
aqui não significa somente a capacidade de juntar letras, palavras, frases. Ler
é muito mais que isso. É compreender a forma como está tecido o texto.
Ultrapassar sua superfície e aferir da leitura seu sentido maior, que muitas
vezes passa despercebido a uma grande maioria de leitores. Só uma relação

73
mais estreita do leitor com o texto lhe dará esse sentido. Ler bem exige tanta
habilidade quanto escrever bem. Leitura e escrita complementam-se. Lendo
textos bem estruturados, podemos apreender os procedimentos lingüísticos
necessários a uma boa redação.
Numa primeira leitura, temos sempre uma noção muito vaga do que o
autor disse. Uma leitura bem feita é aquela capaz de depreender de um texto
ou de um livro a informação essencial. Tudo deve ajustar-se a elas de forma
precisa. A tarefa do leitor é detectá-las, a fim de realizar uma leitura capaz de
dar conta da totalidade do texto.
Por adquirir tal importância na arquitetura textual, as palavras-chave
normalmente aparecem ao longo de todo o texto das mais variadas formas:
repetidas, modificadas, retomadas por sinônimos. Elas pavimentam o caminho
da leitura, levando-nos a compreender melhor o texto. Além disso, fornece a
pista para uma leitura reconstrutiva porque nos levam à essência da
informação.
Após encontrar as palavras-chave de um texto, devemos tentar
reescrevê-lo, tomando-as como base. Elas constituem seu esqueleto.

AS IDÉIAS-CHAVE

Muitas vezes temos dificuldades para chegar à síntese de um texto só


pelas palavras-chave. Quando isso acontece, a melhor solução é buscar suas
idéias-chave. Para tanto é necessário sintetizar a idéia de cada parágrafo.

74
TÓPICO FRASAL

Um parágrafo padrão inicia-se por uma introdução em que se encontra a


idéia principal desenvolvida em mais períodos. Segundo a lição de Othon M.
Garcia em sua Comunicação em prosa moderna (p. 192), denomina-se tópico
frasal essa introdução. Depois dela, vem o desenvolvimento e pode haver a
conclusão. Um texto de parágrafo:

“Em todos os níveis de sua manifestação, a vida requer certas


condições dinâmicas, que atestam a dependência mútua dos seres
vivos. Necessidades associadas à alimentação, ao crescimento, à
reprodução ou a outros processos biológicos criam, com freqüência,
relações que fazem do bem-estar, da segurança e da sobrevivência
dos indivíduos matérias de interesse coletivo”.
(FERNANDES, Florestan. Elementos de sociologia teórica 2 ed. SP:

Nacional, 1974, p. 35.)

Neste parágrafo, o tópico frasal é o primeiro período ( Em .... vivos).


Segue-se o desenvolvimento especificando o que é dito na introdução.
Se o tópico frasal é uma generalização, e o desenvolvimento constitui-se
de especificações, o parágrafo é, então, a expressão de um raciocínio
dedutivo. Vai do geral para o particular: Todos devem colaborar no combate
às drogas. Você não pode se omitir.
Se não há tópico frasal no início do parágrafo e a síntese está na
conclusão, então o método é indutivo, ou seja, vai do particular para o geral,
dos exemplos para a regra: João pesquisou, o grupo discutiu, Lea redigiu.
Todos colaborando, o trabalho é bem feito.

EXERCÍCIOS

1. Relacione as palavras-chave do texto a seguir:

75
AMEAÇA AO SIGILO DO PACIENTE

As seguradoras podem ter acesso ao diagnóstico. Os médicos temem


interferências.

O novo padrão de preenchimento das guias de consultas e exames


clínicos, implantado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no
início de junho, provocou atritos entre a comunidade médica e as operadoras
de planos de saúde. Pelo atual sistema, os documentos podem revelar o tipo
de doença do paciente. Os profissionais da área temem que as seguradoras
tenham acesso às informações e possam criar obstáculos para a realização
de procedimentos dispendiosos a doentes crônicos ou impor sanções, como o
descredenciamento, aos médicos que os solicitam.
O Conselho Federal de Medicina considera que a prática fere o direito
de sigilo sobre as condições de saúde do paciente. Alertou que os médicos
devem acatar uma resolução anterior da entidade, que proíbe a “colocação do
diagnóstico em guias de papel e solicitação de exames”. O vice-presidente da
Associação Paulista de Medicina, Florisval Meinão, destaca que os dados só

76
podem ser divulgados com a anuência dos doentes. “Caso contrário, seria
uma grave violação ética, passível de punições.”
Meinão pondera que o novo modelo, batizado de Troca de Informações
em Saúde Suplementar (TISS), tem o mérito de uniformizar procedimentos e
contribuir para a obtenção de dados epidemiológicos atualizados,
indispensáveis para orientar as políticas públicas de controle e prevenção de
moléstias. No entanto, exige garantias de que o sigilo na relação entre
médico e paciente seja preservado. “As informações do formulário eletrônico
são criptografadas e omitem a identidade dos usuários. O mesmo não está
assegurado nos documentos em papel. Não deveria existir um campo para
relatar o diagnóstico nessas guias.”
A ANS garante que a privacidade das informações não corre perigo. Por
meio de nota, a agência diz que o preenchimento de dados sobre a
enfermidade “permanece opcional nas guias de consulta e só pode ser
efetuado com autorização expressa do beneficiário”.
Ainda assim, o Conselho Federal de Medicina reitera as críticas no site
oficial: “Ao tornar opcional a anotação, a ANS possibilitou que algumas
operadoras exijam que médicos quebrem esse direito do paciente”.
Recentemente, uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, a pedido do
Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), revelou que 43% dos
médicos da rede privada paulista sofreram ou sofrem restrições dos planos de
saúde na requisição de exames e tratamentos aos segurados.

(In: Carta Capital, nº 450, 21/06/2007)


2. Leia o texto abaixo e responda às questões a seguir:

A INTENÇÃO E A REALIDADE

Não se pode negar que a decisão a que chegaram os juízes de menores


de dezessete municípios do Vale do Paraíba, proibindo a venda de cigarros a
menores de 18 anos, tenha sido tomada com a melhor das intenções. Os
magistrados que assinaram provimento nesse sentido o fizeram com o
77
objetivo de proteger a saúde da juventude contra o hábito cujos efeitos
perniciosos serão tanto mais graves quanto mais cedo tenha sido adquirido.
Se o motivo é justo, e a intenção louvável, a medida é certamente irrealista:
não haverá necessidade de muito esforço imaginativo para burlar a
determinação, principalmente por estar dirigida a uma faixa etária que, em
sua natural necessidade de auto-afirmação, não perde ocasião para rebelar-se
contra a autoridade. E é este, aliás, um dos motivos que levam o adolescente
a experimentar o primeiro cigarro, falsamente convencido de que, com tal
gesto, está pondo em xeque instituições e valores considerados tradicionais e
obsoletos.
Não se pode ignorar, por outro lado, o poder persuasivo dos meios de
divulgação, e especialmente a TV, a que os jovens estão expostos. Numa fase
de desenvolvimento da personalidade marcada por uma difícil e angustiosa
construção da própria identidade, o jovem é particularmente sensível a apelos
cujos conteúdos – justamente pelo grau de ilusão que encerram – são os mais
atrativos.
É o caso da sofisticada e insistente publicidade em torno do cigarro
feita na televisão. Associado ao lazer, a profissões e atividades socialmente
reconhecidas como símbolo de status e – contraditoriamente – ao esporte;
desfrutado por personagens jovens dinâmicos e cheios de vida; suporte de
valores relacionados com projetos de ascensão social – o cigarro é
apresentado ou como a chave para ingressar nesse mundo mágico e
exclusivo, ou como a marca distintiva dos que dele fazem parte.
Não resta a menor dúvida de que a irrealidade de tais apelos não resiste
à mais elementar análise. Não é à razão, contudo, que se dirigem, pois seu
poder evocativo reside justamente na relação imaginária que estabelecem
com o telespectador, convencendo antes pelo clima especial que produzem
do que por meio de argumentações.
Nesse sentido, qualquer medida contra o tabagismo, para ser eficaz,
deve levar em consideração as determinações tanto psicológicas como
sociais vinculadas ao hábito de fumar, visando antes às motivações que o
vício em si. É por esta razão que a simples proibição da venda de cigarros a
menores de 18 anos seguramente não atingirá os objetivos que a motivaram.
A decisão dos magistrados, no entanto, tem o mérito de chamar a atenção
para o problema.
O tabagismo, tanto pelos riscos que representa para a saúde da
população, como pela complexidade dos fatores que o determinam, não pode
ser encarado com gestos apenas bem intencionados. Só será eficazmente
combatido na medida em que o Juizado de Menores, as instituições médicas,
pedagógicas, os meios de divulgação conjugarem esforços numa ampla
campanha destinada não só a divulgar os males que origina, mas a atacar as
causas que o determinam.
(Editorial, Folha de S. Paulo, 1981)
78
a) Delimite o tópico frasal de cada parágrafo.
b) Delimite o tema.
c) Selecione as idéias-chave do texto.
d) Elabore um parágrafo concordando ou discordando do autor.

3 – FGV 1996
(Articulação entre os componentes do texto):
Crie um tópico frasal às idéias exploradas no parágrafo a seguir.

O brasileiro esperou 15 anos por este momento. Com a queda da inflação, a


vida ficaria mais tranqüila, as pessoas teriam de volta segurança no emprego,
bons salários e a confiança no progresso das empresas. Isso não aconteceu.
A vida tornou-se mais competitiva e não há mais posições garantidas nem
para as empresas nem para as pessoas. As mudanças virão cada vez mais
rápidas. É preciso ficar atento: o dinheiro está mudando de mãos rapidamente
no Brasil e é importante conhecer esse movimento.

(Adaptado de KANITZ, Stephen. "Era de risco". Veja, 04-10-1995.)

4. Relacione as palavras-chave do texto a seguir:

Em nenhum outro lugar a vida está sendo um jogo tão perigoso como
nas grandes cidades. Na cidade grande tudo pode acontecer, quando tudo é
possível está instalado o absurdo. Com este, o seu filho mais direto: o medo.
Assim, o medo é o pão cotidiano dos cidadãos, fruto das ameaças a
que estão submetidos. E onde estão as ameaças está a violência. Mas
abordar o tema da violência torna-se um tanto difícil, pois sua realidade
percorre desde as violências vermelhas (sangrentas) até as violências
brancas (como a que esmaga o empregado de linha-de-montagem que, nas
grandes indústrias, é, na verdade, o prisioneiro de um campo de concentração
habilmente disfarçado).
Para muitas pessoas, essas afirmações podem parecer exageradas.
Isto se explica pelo fato de que escapam da nossa percepção diária aquelas
situações a que estamos excessivamente habituados. Se vivêssemos no
fundo do mar, a coisa da qual teríamos menos consciência constante seria a
própria água. Esse comportamento abriga, primeiro, a virtude que o ser
humano tem de ser muito adaptativo; segundo, o defeito que o homem tem de
se adaptar até àquilo que deveria, que precisaria contestar.
(Fonte desconhecida)

79
UNIDADE 12

80
A PARAGRAFAÇÃO NO/DO TEXTO

DISSERTATIVO

(Partes deste capítulo foram adaptados/extraídos de PACHECO, Agnelo C. A


dissertação. São Paulo: Atual, 1993 e de SOBRAL, João Jonas Veiga.
Redação: Escrevendo com prática. São Paulo: Iglu, 1997)

O texto dissertativo é o tipo de texto que expõe uma tese (idéias gerais
sobre um assunto/tema) seguida de um ponto de vista, apoiada em
argumentos, dados e fatos que a comprovem.

“A leitura auxilia o desenvolvimento da escrita, pois, lendo, o indivíduo


tem contato com modelos de textos bem redigidos que, ao longo do tempo,
farão parte de sua bagagem lingüística; e também porque entrará em contato
com vários pontos de vista de intelectuais diversos, ampliando, dessa forma,
sua própria visão em relação aos assuntos. Como a produção escrita se
baseia praticamente na exposição de idéias por meio de palavras, certamente
aquele que lê desenvolverá sua habilidade devido ao enriquecimento
lingüístico adquirido através da leitura de bons autores.”

No texto acima temos uma idéia defendida pelo autor:

TESE/TÓPICO FRASAL: “A leitura auxilia o desenvolvimento da escrita.”

Em seguida o autor defende seu ponto de vista com os seguintes argumentos:

81
ARGUMENTOS:

(1)“...lendo o indivíduo tem contato com modelos de textos bem redigidos que
ao longo do tempo farão parte de sua bagagem lingüística e, também,
(2) porque entrará em contato com vários pontos de vista de intelectuais
diversos,
(3) ampliando, dessa forma, a sua própria visão em relação aos assuntos.”

E por fim, comprovada a sua tese, veja que a idéia desta é recuperada:

CONCLUSÃO: “Como a produção escrita se baseia praticamente na


exposição de idéias por meio de palavras, certamente aquele que lê
desenvolverá sua habilidade devido ao enriquecimento lingüístico adquirido
através da leitura de bons autores.”

Observe como o texto dissertativo tem por objetivo expressar um


determinado ponto de vista em relação a um assunto qualquer e convencer o
leitor de que este ponto de vista está correto. Poderíamos afirmar que o texto
dissertativo é um exercício de cidadania, pois nele o indivíduo exerce seu
papel de cidadão, questionando valores, reivindicando algo, expondo pontos
de vista, etc.

Pode-se dizer que: A paragrafação com tópico frasal seguido pelo


desenvolvimento é uma forma de organizar o raciocínio e a exposição das
idéias de maneira clara e facilmente compreensível. Quando se tem um plano
em que os tópicos principais foram selecionados e dispostos de modo a haver
transição harmoniosa de um para outro, é fácil redigir.

O TÓPICO FRASAL DO PARÁGRAFO: geralmente vem no começo


do parágrafo, seguido de outros períodos que explicam ou detalham a idéia
central e podem ou não concluir a idéia deste parágrafo.

O DESENVOLVIMENTO DO PARÁGRAFO : é a explanação da idéia


exposta no tópico frasal. Devemos desenvolver nossas idéias de maneira
clara e convincente, utilizando argumentos e/ou idéias sempre tendo em vista
a forma como iniciamos o parágrafo.

A CONCLUSÃO DO PARÁGRAFO: encerra o desenvolvimento,


completa a discussão do assunto (opcional)

82
UNIDADE 13

83
FORMAS DISCURSIVAS DO PARÁGRAFO

A) DESCRITIVA: a matéria da descrição é o objeto. Não há personagens em


movimento (atemporal). O autor/produtor deve apresentar o objeto, pessoa,
paisagem etc., de tal forma que o leitor consiga distinguir o ser descrito.

B) NARRATIVA: a matéria da narração é o fato. Uma maneira eficiente de


organizá-lo é respondendo a seis perguntas: O quê? Quem? Quando? Onde?
Como? Por quê?

C) DISSERTATIVA: a matéria da dissertação é a análise (discussão).

ELABORAÇÃO/ PLANEJAMENTO DE PARÁGRAFOS


- Ter um assunto
- Delimitá-lo, traçando um objetivo: o que se pretende transmitir?
- Elaborar o tópico frasal; desenvolvê-lo e concluí-lo

PARÁGRAFO-CHAVE: FORMAS PARA COMEÇAR UM TEXTO

Ao escrever seu primeiro parágrafo, você pode fazê-lo de forma criativa.


Ele deve atrair a atenção do leitor. Por isso, evite os lugares-comuns como:
atualmente, hoje em dia, desde épocas remotas, o mundo hoje, a cada dia que
passa, no mundo em que vivemos, na atualidade, cada um deve fazer sua
parte, etc.
Listamos aqui algumas formas de começar um texto. Elas vão das mais
simples às mais complexas.

(Fonte: VIANA. A. C. et alii. Roteiro de Redação – lendo e argumentando. 1 ed.


SP: Scipione, 2004.)
84
1. Uma declaração
(Tema: Liberação da maconha)

“É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta


elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce
sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de
viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda”.
Alberto Corazza, Istoé, 20 dez. 1995.

A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fazer uma


declaração forte, capaz de surpreender o leitor.

2. Definição
(Tema: O mito)

“O mito, entre os primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de


encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo,
fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabelecer algumas
verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a
construção cultural, mas que dão também, as formas da ação humana.”

(ARANHA, M.L. de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia.
SP: Moderna, 1992. p. 62.)

A definição é uma forma simples e muito usada em parágrafos-chave,


sobretudo em texto dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo o
primeiro parágrafo.

3. Divisão
(Tema: Exclusão social)

“Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da


exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público e
a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários.
Experiências relatadas nesta Folha mostram que o combate à marginalidade
social em Nova York vem contando com intensivos esforços do poder público
e ampla participação da iniciativa privada.”
(Folha de S. Paulo, 17 dez. 1996.)

Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção que o
parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-las na frase seguinte.

85
4. Uma pergunta
(Tema: Saúde no Brasil)

“Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os


contribuintes já estão cansados de tirar dinheiro do bolso para tapar um
buraco que parece não ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos
para alimentar um sistema que só parece piorar.”

A pergunta não é respondida de imediato. Ela serve para despertar a atenção


do leitor para o tema e será respondida ao longo da argumentação.
5. Oposição
(Tema: A educação no Brasil)

“De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo


governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas
parabólicas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive hoje a
educação no Brasil.”

As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado / de outro) que
estabelecerá o rumo da argumentação.

Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste exemplo:

“Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacam pelo grau de


envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto a cultura
ainda é vista como algo supérfluo em nossa terra; esperança por observar
quantos movimentos culturais têm acontecido em nossa história, e quase
sempre como forma de resistência e/ou transformação. (...)”

(FEIJÓ, Martin César. O que é política cultural. São Paulo, Brasiliense, 1985. p.
7.)

O autor estabelece a oposição e logo depois explica os termos que a


compõem.

6. Alusão histórica
(Tema: Globalização)

86
“Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste-oeste e
o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As fronteiras
foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de competição.”

O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. O


leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema.

7. Uma frase nominal seguida de explicação


(Tema: A educação no Brasil)

“Uma tragédia. Essa é a conclusão da própria Secretaria de Avaliação e


Informação Educacional do Ministério da Educação e Cultura sobre o
desempenho dos alunos do 3o ano do 2o grau submetidos ao Saeb (Sistema
de Avaliação da Educação Básica), que ainda avaliou estudantes da 4a série e
da 8a série do 1o grau em todas as regiões do território nacional.”
Folha de S. Paulo, 17 dez. 1996.

A palavra “tragédia” é explicada logo depois, retomada por essa é a


conclusão.

8. Adjetivação
(Tema: A educação no Brasil)

“Equívoca e pouco racional. Esta é a verdadeira adjetivação para a política


educacional do governo.”
(Anderson Sanches, Infocus, n. 5, ano 1, out. 1966. p. 2.)

A adjetivação inicial será a base para desenvolver o tema. O autor dirá, nos
parágrafos seguintes, por que acha a política educacional do governo
equivocada e pouco racional.

9. Citação
(Tema: Política demográfica)

“As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não chorarem
mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as costas e
irem embora.” O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado, falando sobre o
que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia ética que domina
algumas nações do Primeiro Mundo.
(DI FRANCO, Carlos Alberto. Jornalismo, ética e qualidade. Rio de Janeiro,
Vozes, 1995. p. 73.)
87
(Acicate: estímulo)

A citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pela


palavra comentário da segunda frase.

10. Citação de forma indireta


(Tema: Consumismo)

“Para Marx a religião é o ópio do povo. Raymond Aron deu o troco: marxismo é
o ópio dos intelectuais. Mas nos Estados Unidos o ópio do povo é mesmo ir às
compras. Como as modas americanas são contagiosas, é bom ver de que se
trata.”
(Cláudio de Moura e Castro, Veja, 13 nov. 1996.)

Esse recurso deve ser usado quando não sabemos textualmente a citação. É
melhor citar de forma indireta que de forma errada.

11. Exposição de ponto de vista oposto


(Tema: O provão)

“O ministro da Educação se esforça para convencer de que o provão é


fundamental para a melhoria da qualidade de ensino superior. Para isso, vem
ocupando generosos espaços na mídia e fazendo milionária campanha
publicitária, ensinando como gastar mal o dinheiro que deveria ser investido
na educação.”
(Orlando Silva Júnior e Eder Roberto Silva, Folha de S. Paulo, 5 nov. 1996.)

Ao começar o texto com a opinião contrária, delineia-se, de imediato, qual a


posição dos autores. Seu objetivo será refutar os argumentos do opositor,
numa espécie de contra-argumentação.

12. Comparação
(Tema: Reforma agrária)

“O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas discussões


sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre
o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passado
e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber algumas
semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam elementos
favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor e os que são
contra a implantação da reforma agrária no Brasil.”

88
(OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à sociologia. São Paulo, Ática, 1991.
p. 101.)

Para introduzir o tema da reforma agrária, o autor comparou a sociedade de


hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de
comportamento entre elas.

13. Retomada de um provérbio


(Tema: Mídia e tecnologia)

“O corriqueiro adágio de que o pior cego é o que não quer ver se aplica com
perfeição na análise sobre o atual estágio da mídia: desconhecer ou tentar
ignorar os incríveis avanços tecnológicos de nossos dias, e supor que eles
não terão reflexos profundos no futuro dos jornais é simplesmente
impossível.”
(Jayme Sirotsky, Folha de S. Paulo, 5 dez. 1995.)

Sempre que você usar esse recurso, não escreva o provérbio simplesmente.
Faça um comentário sobre ele para quebrar a idéia de lugar-comum que todos
eles trazem. No exemplo acima, o autor diz “o corriqueiro adágio” e assim
demonstra que está consciente de que está partindo de algo por demais
conhecido.

14. Ilustração
(Tema: Aborto)

“O Jornal do Comércio, de Manaus, publicou um anúncio em que uma jovem


de dezoito anos, já é mãe de duas filhas, dizia estar grávida mas não queria a
criança. Ela entregaria a quem se dispusesse a pagar sua ligação de trompas.
Preferia dar o filho a ter que fazer um aborto.
O tema é tabu no Brasil. (...)”
(Antonio Carlos Viana, O Quê, edição de 16 a 22 jul. 1994.)

Você pode começar narrando um fato para ilustrar o tema. Veja que a coesão
do parágrafo seguinte se faz de forma fácil: a palavra tema retoma a questão
que vai ser discutida.

15. Uma seqüência de frases nominais (frases sem verbos)


(Tema: A impunidade no Brasil)

“Desabamento de shopping em Osasco. Morte de velhinhos numa clínica do


Rio. Meia centena de mortes numa clínica de hemodiálise em Caruaru.

89
Chacina de sem-terra em Eldorado dos Carajás. Muitos meses já se passaram
e esses fatos continuam impunes.”

O que se deve observar nesse tipo de introdução são os paralelismos que dão
equilíbrio às diversas frases nominais. A estrutura de cada frase deve ser
semelhante.

16. Alusão a um romance, um conto, um poema, um filme


(Tema: A intolerância religiosa)

“Quem assistiu ao filme A rainha Margot, com a deslumbrante Isabelle Adjani,


ainda deve ter os fatos vivos na memória. Na madrugada de 24 de agosto de
1572, as tropas do rei da França, sob as ordens de Catarina de Médicis, a
rainha-mãe e verdadeira governante, desencadearam uma das mais
tenebrosas carnificinas da História. (...)
Desse horror a História do Brasil está praticamente livre. (...)”
(Veja, 25 out. 1995.)

O resumo do filme A rainha Margot serve de introdução para desenvolver o


tema da intolerância religiosa. A coesão com o segundo parágrafo dá-se
através da palavra horror, que sintetiza o enredo do filme contado no
parágrafo inicial.

17. Descrição de um fato de forma cinematográfica


(Tema: Violência urbana)

“Madrugada de 11 de agosto. Moema, bairro paulistano de classe média.


Choperia Bodega – um bar da moda, freqüentado por jovens bem-nascidos.
Um assalto. Cinco ladrões. Todos truculentos. Duas pessoas mortas: Adriana
Ciola, 23, e José Renato Tahan, 25. Ela, estudante. Ele, dentista.”
(Josias de Souza, Folha de S.Paulo, 30 set. 1996.)

O parágrafo é desenvolvido por flashes, o que dá agilidade ao texto e prende


a atenção do leitor. Depois desses dois parágrafos, o autor fala da origem do
movimento “Reage São Paulo”.

18. Omissão de dados identificadores


(Tema: Ética)

90
“Mas o que significa, afinal, esta palavra, que virou bandeira da juventude?
Com certeza não é algo que se refira somente à política ou às grandes
decisões do Brasil e do mundo. Segundo Tarcísio Padilha, ética é um estudo
filosófico da ação e da conduta humanas cujos valores provêm da própria
natureza do homem e se adaptam às mudanças da história e da sociedade.”
(O Globo, 13 set. 1992.)

As duas primeiras frases criam no leitor certa expectativa em relação ao


tema que se mantém em suspenso até a terceira frase. Pode-se também
construir todo o primeiro parágrafo omitindo o tema, esclarecendo-o apenas
no parágrafo seguinte.

EXERCÍCIOS

1. Leia os textos abaixo e identifique os tipos de introdução utilizados pelos


autores.
a) Já são quase 32 milhões de brasileiros famintos, num país que desperdiça
somente o equivalente a US$ 4 milhões. Apenas 20% desse desperdício
saciariam a fome de todos esses brasileiros miseráveis.
(“O avesso da fome, Jornal do Brasil, 12/9/93).

b) Betinho – Há uma relação estreita entre conjuntura e estrutura. Se eu não


sou capaz de mudar alguma coisa aqui e agora, seguramente não seria
capaz de mudar no futuro. Toda vitória que eu consiga hoje, por menor que
seja, está criando condições para a reforma estrutural.
Folha – O movimento tem um caráter filantrópico, assistencialista. A
filantropia sempre foi considerada inócua e muitas vezes associada à
picaretagem.
Betinho – Pilantropia (ri). Esse movimento está nos obrigando a diferenciar
solidariedade de assistencialismo e filantropia de Pilantropia. Para mim,
solidariedade é um gesto ético, de alguém que quer acabar com uma
situação, e não perpetuá-la. Já o assistencialismo é exatamente o contrário.
(De uma entrevista de Betinho ao Jornal Folha de S. Paulo, 05/09/93).

c) Mas eis que Chico Buarque, justificando sua participação no show do


Memorial, veio com um argumento curioso. Você pode dizer que distribuir
alimentos não resolve nada, lembrava ele, “mas não distribuir resolve
alguma coisa?” Já que nada vale nada, um pouco de caridade é melhor do
que nenhuma.
(Marcelo Coelho, Folha de S. Paulo, 08/09/93.)

91
d) Na piscina do Clube Harmonia ouvi uma senhora gordinha dizendo que a
campanha contra a fome era comandada pelo PT e que tinha por objetivo
arrasar com o nosso país. Outras senhoras gordinhas concordaram,
repetindo a velha história de que era melhor ensinar a pescar do que dar o
peixe.
(Geraldo Anhaia Mello , Painel do Leitor, Folha de S. Paulo, 09/09/93)

e) Na esperança da revolução redentora, a palavra de ordem era ensinar a


pescar. Dar o peixe era o pecado assistencialista, que retardava o
processo revolucionário. (...) Hoje sabe-se: o capitalismo não acaba com o
miséria. O socialismo também não. Não há mais sonho nem utopia. Resta
apenas a concretude tenebrosa da miséria (...) não se está sugerindo que a
sociedade assuma o papel do Estado. Mas é importante compreender: é a
sociedade que muda o Estado, não o contrário. (...) (o cidadão) morrerá,
como têm morrido milhares, se alguém não lhe der comida.
(Alcione Araújo, Caderno FOME, Jornal do Brasil, 12/09/93.)

2. Leia o texto a seguir e analise-o de acordo com o que você aprendeu neste
capítulo

3. Indique o tópico frasal, os três argumentos e a conclusão do seguinte texto:

“O fumo deve ser proibido em qualquer lugar fechado que reúna várias

pessoas, pois é sabido por todos que, tanto fumantes como não-fumantes, são

prejudicados pela fumaça do cigarro. Além de atacar o pulmão de todos

provocando o câncer, ele contribui consideravelmente para o aumento da

poluição do ar, que já não anda muito bom devido ao excesso de automóveis e

gases poluentes das indústrias. Portanto, a proibição do fumo em lugares

fechados, além de uma medida saudável, é uma prevenção de futuras

doenças para a sociedade em geral.”

92
Leia o texto a seguir para responder às questões propostas.

Sobre Política e Jardinagem


Leia o texto a seguir para responder às questões propostas.

Rubem Alves
" Escrevo para você, jovem, para seduzi-lo à vocação política. Talvez haja um jardineiro adormecido dentro
de você"

De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação,


do latim "vocare", quer dizer "chamado". Vocação é um chamado de amor
por um "fazer". No lugar desse "fazer" o vocacionado quer "fazer amor"
com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse
nada.
" Política" vem de "polis", cidade. A cidade era, para os
gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam
se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria deste
espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos
moradores da cidade.
Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não
sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto
sonha com oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se
perguntássemos a um profeta hebreu "o que é política?", ele nos
responderia: "A arte da jardinagem aplicada às coisas públicas".
O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim
para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim
93
que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se
a sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme
em jardim.
Amo a minha vocação que é escrever. Literatura é uma
vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o
político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de
transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.
A vocação política é transformar sonhos em realidade. É
uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisavam
possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que
o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço
ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua
vida foi e continua a ser um motivo de esperança.
Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa
encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra
não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido
pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer
amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe
dela. É um gigolô.
Todas as vocações podem ser transformadas em
profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro
por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado,
ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o
sofrimento.
Assim é a política. São muitos os políticos profissionais.
Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a
política é a mais vil. O que explica o desencantamento total do povo, em
relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Günter Lorenz se ele
se considerava político, respondeu: "Eu jamais poderia ser político com
toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos legítimos políticos,
acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em
minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição
do homem".
Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar
árvores. Uma árvore leva anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.
Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por
vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o
chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha
de ser confundido com gigolôs e de ter de conviver com gigolôs.
Escrevo para você, jovem, para seduzi-lo à vocação política.
Talvez haja um jardineiro adormecido dentro de você. A escuta da vocação
94
é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas,
normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas
são legítimas, se forem vocação. Mas todas elas são afunilantes: vão
colocá-lo num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o
destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar
dos destinos do jardim?
Acabamos de celebrar os 500 anos do Descobrimento do
Brasil. Os descobridores, ao chegarem, não encontraram um jardim.
Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e
insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte
da natureza ainda não tocada pela mão do homem.
Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não
foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros, mas lenhadores e
madeireiros. Foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim, para
a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de
luxuriantes jardins privados onde poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais belos são os
descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se
apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino.
Então, em vez de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim
para todos, obra de homens que tiverem o amor e a paciência de plantar
árvores em cuja sombra nunca se assentariam.
Rubem Alves é educador, escritor, psicanalista e professor emérito da
Unicamp.
(Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 19/05/2000.)

Exercícios
1. Podemos afirmar que o texto de Rubem Alves é uma carta argumentativa.
Que elementos estruturais nos levam a essa afirmação? Justifique sua resposta com
elementos do texto.
95
2. Centre sua atenção no assunto tratado pela carta. Poderíamos afirmar que
há um “tema” abordado pelo autor. Que tema é esse?

3. Com base na leitura dos quatro primeiros parágrafos, responda:

a. De qual argumento/afirmação parte Rubem Alves no primeiro parágrafo?


b. Retire do texto dois argumentos por definição empregados pelo autor para
justificar/explicar tal afirmação.
c. Há algum argumento por alusão histórica? Qual?
d. A partir daí, o autor conclui que “político por vocação
é............................................................
e. .”, abrindo mão do
“...................................................................................................................”
f. Dessa forma, o autor pretende fazer com que o leitor aceite como ( ) válida
( ) falsa a primeira afirmação sobre a “natureza política”.

4. No 5º parágrafo, o autor afirma que a “literatura é uma vocação bela e


fraca”.
a. Qual o sentido dessa afirmação na estrutura argumentativa da carta?
b. Em qual parágrafo ele retoma esse argumento? Por quê?

. Agora, volte sua atenção para as idéias que estão expostas nos parágrafos 7 e 8.
a. O autor explica a diferença entre vocação e profissão. Que diferença é
essa?
b. O objetivo do autor é, a partir dessa diferenciação, definir um outro tipo de
político: o “político profissional”. O que significa, segundo o autor, ser esse tipo de
político?

. No 9º parágrafo, Rubem Alves enuncia uma outra tese, conforme ele próprio afirma. Que
ese é essa?

. De que maneira Rubem Alves conclui seu texto?

UNIDADE 14
96
ARTICULAÇÃO ENTRE PARÁGRAFOS - COESÃO
E COERÊNCIA
Quando escrevemos um texto, uma das maiores preocupações é como amarrar a
frase seguinte à anterior. Isso só é possível se dominarmos os princípios básicos
de coesão. A casa frase enunciada devemos ver se ela mantém um vínculo com a
anterior ou anteriores para não perdermos o fio do pensamento. De outra forma,
teremos uma seqüência de frases sem sentido, sucedendo-se umas às outras sem
muita lógica, sem nenhuma coerência.
A coesão, no entanto, não é só esse processo de olhar constantemente para
trás. É também o de olhar adiante. Um termo pode esclarecer-se somente na frase
seguinte. Se minha frase inicial for Pedro tinha um grande desejo, estou criando
um movimento para adiante. Só vamos saber de que desejo se trata na próxima
frase: Ele queria ser escritor. O importante é cada enunciado estabelecer relações
estreitas com os outros a fim de se tornar sólida a estrutura do texto.
A coerência exige uma concatenação perfeita entre as diversas frases,
sempre em busca de uma unidade de sentido. Você não pode dizer, por exemplo,
numa frase, que o “desarmamento da população pode contribuir para diminuir a
violência”, e, na seguinte, escrever: “Além disso, ele não viajou ontem”. É
flagrante a incoerência existente entre elas.

97
Alguns recursos de coesão
Para escrever de forma coesa, há uma série de recursos, como:
1. Epítetos: Palavra ou frase que qualifica pessoa ou coisa: Ex. Glauber Rocha
fez filmes memoráveis. Pena que o cineasta mais famoso do cinema
brasileiro tenha morrido tão cedo. Glauber rocha foi substituído pelo
qualificativo o cineasta mais famoso do cinema brasileiro.
2. Nominalizações: Quando se emprega um substantivo que remete a um
verbo enunciado anteriormente, ou o contrário: um verbo retoma um
substantivo já enunciado. Ex. Eles foram testemunhar o caso. O juiz disse
que o testemunho não era válido por serem parentes do assassino. Ex.2: Os
grevistas paralisaram as atividades da fábrica. A paralisação durou uma
semana. Ex. 3: Ele não suportou a agressão das palavras. Agredir uma
pessoa causa implicações sérias.
3. Palavras ou expressões sinônimas ou quase-sinônimas. Ex. Os quadros de
Van Gogh não tinham valor em sua época. Houve telas que serviram até de
porta de galinheiro. Ex.2: A porta se abriu e apareceu uma menina. A
garotinha tinha olhos verdes e pele morena.
4. Um termo-síntese: Palavra ou expressão que sintetiza o que foi dito: O país
é cheio de entraves burocráticos. É preciso preencher um sem-número de
papéis. Depois, pagar uma infinidade de taxas. Todas essas limitações
acabam prejudicando o importador.
5. Pronomes. Ex.1. Vitaminas fazem bem à saúde. Mas não devemos tomá-las
ao acaso. Ex.2: O colégio é um dos melhores da cidade. Seus dirigentes se
preocupam muito com a educação integral. Ex.3: Aquele político tem um
discurso muito convincente. Ele já foi eleito três vezes. Ex.4: Há uma grande
diferença entre Paulo e Maurício. Este guarda rancor de todos, enquanto
aquele tende a perdoar.
6. Numerais. Ex.1: Não se pode dizer que a turma esteja mal preparada. Um
terço pelo menos parece estar dominando o assunto. Ex.2: Recebemos dois
telegramas. O primeiro confirmava a sua chegada; o segundo dizia
justamente o contrário.
7. Advérbios pronominais (aqui, lá, ali, aí...). Ex. Não podíamos deixar de ir ao
Louvre. Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a “Mona Lisa”.
8. Elipse: É a omissão de uma ou mais palavras que facilmente se
subentendem. Ex. O ministro foi o primeiro a chegar. (Ele) Abriu a sessão às
oito em ponto e (ele) fez então o seu discurso emocionado.
9. Metonímia: É o processo de substituição de uma palavra por outra, pelo
emprego da causa em vez do efeito, do todo pela parte, do continente pelo
conteúdo, etc., e vice-versa. Ex. O governo tem se preocupado com os
índices de inflação. O Planalto diz que não aceita qualquer demarcação de
preço. Ex.2: Santos Dumont chamou a atenção de toda Paris. O Sena
curvou-se diante de sua invenção.
10. Associação. Quando uma palavra retoma outra porque mantém com ela, em
determinado contexto, vínculos precisos de significação. Ex. São Paulo é
sempre vítima das enchentes de verão. Os alagamentos prejudicam o
trânsito, provocando grandes engarrafamentos. A palavra alagamentos
surgiu por estar associada a enchentes. Mas poderia ter sido usada uma
outra como transtornos, acidentes, transbordamentos etc.
98
Exercício 1.
Utilizando os elementos de coesão, reescreva o texto, substituindo os
elementos repetidos quando necessário:
Todos ficam sempre atentos quando se fala de uma um casamento de
Elizabeth Taylor. Casadoura inveterada, Elizabeth Taylor já está em seu oitavo
casamento. Agora, diferentemente das outras vezes, o casamento de Elizabeth
Taylor foi com um homem do povo que Elizabeth Taylor encontrou numa clínica
para tratamento de alcoólatras, onde Elizabeth Taylor estava. Com toda pompa, o
casamento foi realizado na casa do cantor Michael Jakson e a imprensa ficou
proibida de assistir ao casamento de Elizabeth Taylor com um homem do povo.
Ninguém sabia se será o último casamento de Elizabeth Taylor.

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2. Complete as lacunas de modo a tornar os textos claros e coesos.


a) O dia ......................................................conheci você foi muito importante.
b) A cidade ..........................................passei era maravilhosa.
c) A sala .................................................tudo ocorreu tornou-se inesquecível.
d) A garota ......................................................... pais são médicos é fascinante.
e) Muitos candidatos ........................................ compareceram não reuniam
condições favoráveis.
f) O filme, ....................................... gostaram muito, é uma produção européia.
g) Estudei algumas línguas, ....................................................não falo muito bem.
h) Freqüentei escolas .............................................................cursos não eram bons.

99
i) A faculdade ...................................................... estudo agora está abrindo meus
horizontes.
j) O livro, ....................................me referi, é aquele, de capa azul.

3. Abaixo temos alguns fragmentos de textos que apresentam algum tipo de


incoerência. Aponte-os e discuta a razão dessas incoerências.

a) Conheci Sheng no primeiro colegial e aí começou um namoro apaixonado


que dura até hoje e talvez para sempre. Mas não gosto da sua família:
repressora, preconceituosa, preocupada em manter as milenares tradições
chinesas. O pior é que sou brasileira, detesto comida chinesa e não sei
comer com pauzinhos. Em casa, só falam chinês e de chinês eu só sei o
nome do Sheing. No dia do seu aniversário, já fazia dois anos de namoro,
ele ganhou coragem e me convidou para jantar em sua casa. Eu não podia
recusar e fui. Fiquei conhecendo os velhos, conversei com eles, ouvi muitas
histórias da família e da China, comi tantas coisas diferentes que nem sei.
Depois fomos ao cinema eu e o Sheing.

b) O quarto espelha características de seu dono: um esportista, que adorava a


vida ao ar livre e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por
toda a parte, havia sinais disso: raquetes de tênis, prancha de surf,
equipamento de alpinismo, skate, um tabuleiro de xadrez com as peças
arrumadas sobre uma mesinha, as obras completas de um poeta inglês.

c) Era meia-noite. Oswald preparou o despertador para acordar às seis da


manhã e encarar mais um dia de trabalho. Ouvindo o rádio, deu conta de
que fizera sozinho a quina da loto. Fora de si, acordou toda a sua família e
bebeu durante a noite inteira. Às quinze para as seis, sem forças sequer
100
para erguer-se da cadeira, o filho mais velho teve de carregá-lo para a cama.
Não tinhas mais força nem para erguer o braço. Quando o despertador
tocou, Oswald, esquecido da loteria, pôs-se imediatamente de pé e ia
preparar-se para ir trabalhar. Mas o filho, rindo, disse: pai, você não precisa
trabalhar nunca mais na vida.

4. Leia o texto abaixo e responda às questões propostas:

Diário de um Louco

Era noite e o sol raiava no horizonte. Estava eu andando parado e sentado numa
pedra de algodão.
Longe dali e bem perto, havia um bosque sem árvores, onde os passarinhos
pastavam, vacas pulavam de galho em galho e os elefantes tomavam sol à sombra
de um pé de alface. Mais à direita, seguindo pela esquerda, havia um lago com
solo pedregoso, no qual os peixinhos nadavam e aos poucos morriam afogados.
Resolvi voltar pra casa e entrei pela porta da frente, que ficava nos fundos.
Entrei sem sair do meu quarto, onde deitei o paletó na cama e pendurei-o no
cabide. Passei a noite em claro pois esqueci a luz acesa.
Almocei no banheiro e, assim que terminei o almoço, senti um gosto horrível na
boca, e concluí que havia almoçado um guardanapo e limpado a boca com o bife.
Fui rápido e vagarosamente para o jardim onde, na falta de flores, substituí-as
por canetas bic e encontrei um papel em branco onde estava escrito (...)

Autor Anônimo

a) O trecho transcrito acima pode provocar risos no leitor. A que se deve esse
efeito cômico do texto? Dê exemplos.

5. Leia o texto abaixo e responda às questões propostas:

A Televisão e a Sociedade
É evidente que a televisão é uma realidade no cotidiano de inúmeras
sociedades. Não há dúvida, também, de que este meio de comunicação leva as
pessoas a serem bem informadas e instruídas. É um fato que uma boa parte do
nosso conhecimento vem da televisão. São inúmeros, por exemplo, os programas
televisivos educativos, que falam sobre a natureza, sobre a saúde, sobre as artes,
etc.
Ela pode ser igualmente considerada como um instrumento de cultura e de
lazer. Ou seja, permite que o homem conheça lugares que, muitas vezes, não terá
101
a oportunidade de conhecer pessoalmente; dá acesso a espetáculos, como peças
de teatro, filmes ou apresentações musicais; apresenta histórias, debates e
curiosidades sobre os mais variados assuntos. Enfim, cabe ao espectador
escolher de que forma ele irá se entreter ou de que forma ele irá aprender.
A TV, como a vemos hoje em dia, acaba menosprezando o espectador. Há uma
quantidade enorme de informações provenientes da televisão, e estas
informações podem ser extremamente superficiais e manipuladoras. Muitos
programas televisivos transmitem as informações de maneira que faça com que o
espectador seja influenciado e aceite tudo passivamente. Assim, informações que
possam ser contraditórias são omitidas. Grandes reportagens, por exemplo,
podem ser constituídas de montagens, com corte de imagens ou deturpação de
falas.
Outro aspecto negativo da televisão atual é a baixa qualidade de conteúdo. A
televisão pode contribuir para que o homem adquira conhecimento. Se levarmos
em consideração a programação de um canal televisivo durante um dia, veremos
que o número de programas que têm um bom conteúdo e que são realmente
interessantes é muito menor do que o número de programas que têm como
objetivo apenas "distrair" o espectador por algumas horas, subestimando-o. É
possível dizer que a televisão, atualmente, é o meio de comunicação com maior
repercussão na sociedade, por isso, deixa muito a desejar.

a) O texto acima pode ser considerado incoerente. Por quê?

b) Faça modificações que tornem o texto coerente.

102
Leia o texto a seguir e observe sua construção.

COMO SE CONJUGA UM EMPRESÁRIO


Mino
Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou-se.
Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Saiu. Entrou. Cumprimentou.
Orientou. Controlou. Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cumprimentou.
Assentou-se. Preparou-se. Examinou. Leu. Convocou. Leu. Comentou.
Interrompeu. Leu. Despachou. Vendeu. Vendeu. Ganhou. Ganhou. Ganhou.
Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu. Burlou. Safou-se.
Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Depositou. Associou-se.
Vendeu-se. Entregou. Sacou. Depositou. Despachou. Repreendeu. Suspendeu.
Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou. Ordenou. Telefonou.
Despachou. Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou. Lesou. Demitiu. Convocou.
Elogiou. Bolinou. Estimulou. Beijou. Convidou. Saiu. Chegou. Despiu-se.
Abraçou. Deitou-se. Mexeu. Gemeu. Fungou. Babou. Antecipou. Frustrou.
Virou-se. Relaxou-se. Envergonhou-se. Presenteou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se.
Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. Justificou-se. Dormiu. Roncou. Sonhou.
Sobressaltou-se. Acordou. Preocupou-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou.
Despertou. Insistiu. Irritou-se. Temeu. Levantou. Apanhou. Rasgou. Engoliu.
Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dormiu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se...

Analisando e interpretando
1. O que nos mostra o texto?
2. Que classe de palavras foi usada no texto?
3. O que falta ao texto lido?
4. Mesmo com essa falta, pode-se entender o texto?
3. O que quer retratar o autor do texto?

A RTICULAÇÃO ENTRE OS PARÁGRAFOS

A articulação dos/entre parágrafos depende da coesão e coerência. Sem um


deles, ainda assim, é possível haver entendimento textual, entretanto, há
necessidade de ter domínio da língua e do contexto para escrever um texto de
tal forma. Dependendo da tipologia textual, a articulação textual se dá de
forma diferente. Na narração, por exemplo, não há necessidade de ter um
parágrafo com mais de um período. Um parágrafo narrativo pode ser apenas
“Oi”. Já a dissertação necessita ter ao menos um parágrafo com introdução e
desenvolvimento (conclusão; opcional). Assim também varia a necessidade de
números de parágrafos para cada texto. Para se obter um bom texto, são

103
necessários também: concisão, clareza, correção, adequação de linguagem,
expressividade.

UNIDADE 15

C OERÊNCIA E C OESÃO
Para não ser ludibriado pela articulação do contexto, é necessário que se
esteja atento à coesão e à coerência textuais.

Coesão textual
É o que permite a ligação entre as diversas partes de um texto. Pode-se
dividir em três segmentos:

1. Coesão referencial

É a que se refere a outro(s) elemento(s) do mundo textual.

104
Exemplos:
a) O presidente George W.Bush ficou indignado com o ataque no
World Trade Center. Ele afirmou que “castigará” os culpados.
(retomada de uma palavra gramatical – referente “Ele” + “
Presidente George W. Bush”)

b) De você só quero isto: a sua amizade (antecipação de uma


palavra gramatical – “isto” = “a sua amizade”

c) O homem acordou feliz naquele dia. O felizardo ganhou um bom


dinheiro na loteria. ( retomada por palavra lexical – “o felizardo” = “o
homem”)

2. Coesão seqüencial – é feita por conectores ou operadores discursivos,


isto é, palavras ou expressões responsáveis pela criação de relações
semânticas (causa, condição, finalidade, etc.). São exemplos de conectores:
mas, dessa forma, portanto, então, etc. (olhar a lista no final desse capítulo ).
Exemplo:
a) Ele é rico, mas não paga suas dívidas.

Observe que o vocábulo “mas” não faz referência a outro vocábulo; apenas
conecta (liga) uma idéia a outra, transmitindo a idéia de compensação.

3. Coesão recorrencial – é realizada pela repetição de vocábulos ou de


estruturas frasais semelhantes.
Exemplos:
a) Os carros corriam, corriam, corriam.
b) O aluno finge que lê, finge que ouve, finge que estuda.
c)

Coerência textual é a relação que se estabelece entre as diversas partes


do texto, criando uma unidade de sentido. Está ligada ao entendimento, à
possibilidade de interpretação daquilo que se ouve ou lê.

OBS: pode haver texto com a presença de elementos coesivos, e não


apresentar coerência. Exemplo:
O presidente George W.Bush está descontente com o grupo
Talibã. Estes eram estudantes da escola fundamentalista. Eles,
hoje, governam o Afeganistão. Os afegãos apóiam o líder Osama
Bin Laden. Este foi aliado dos Estados Unidos quando da invasão
da União Soviética ao Afeganistão.

105
Comentário: Ninguém pode dizer que falta coesão a este parágrafo. Mas de
que se trata mesmo? Do descontentamento do presidente dos Estados
Unidos? Do grupo Talibã? Do povo Afegão? De Osama Bin Laden? Embora o
parágrafo tenha coesão, não apresenta coerência, entendimento.

Ao construir-se um texto, há palavras e expressões que garantem transições


bem feitas e que estabelecem relações lógicas entre as diferentes idéias
apresentadas no texto. Vejamos algumas palavras que ajudam a dar coesão e
coerência ao texto:

RELAÇÃO LÓGICA PALAVRAS E EXPRESSÕES

Adição, seqüência de E, não só...mas também, não só...como também,


informações, progressão bem como, não só... mas ainda
discursiva
Alternativas, escolhas Ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer, seja...seja
Oposição entre significados Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, no
explícitos ou implícitos de entanto
duas partes do texto

Conclusão Logo,pois, portanto, por conseguinte, por isso,


assim, para concluir, finalmente, em resumo,
então

Justificativa ou explicação Que, porque, pois, porquanto, como, pois que,


de um fato uma vez que, visto que, já que

Contradição e concessão Embora, ainda que, mesmo que, se bem que,


(admissão de um argumento posto que, por mais que
como válido pra, em
seguida, negar seu valor
argumentativo)
Condição ou hipótese Se, contanto que, salvo se, desde que, a menos
necessária para que se que, a não ser que, caso
realize o fato

Explicitar, confirmar ou Assim, desse modo


ilustrar o que se disse
106
anteriormente

Introdução de argumento ou Ainda, ademais, igualmente importante,


inclusão de um elemento a adicionalmente, também.
mais dentro de um conjunto

Conformidade de um Conforme, de acordo com, como, segundo


pensamento com outro

Introdução de argumento Além do mais, além de tudo, além disso


decisivo

Finalidade ou objetivo do Para que, a fim de que, porque, que


fato

Tempo Quando, enquanto, assim que, logo que, todas


as vezes que, desde que, mal, sempre que,
assim que, antes, após, previamente,
subseqüentemente, simultaneamente,
Recentemente, imediatamente, atualmente
Comparação Como, assim como, tal como, como se, tão
...como, tanto ...como, tanto quanto, tal, qual,
tal qual, que (combinado com menos ou mais)

Conseqüência De sorte que, de modo que, de forma que, sem


que, tal ...que, tamanho... que, tanto ...que

Similaridade Igualmente, da mesma forma, assim como

Causalidade Em decorrência de, devido a, por causa de

Esclarecimentos ou Isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras


retificações
Verossimilhança Na verdade

Proporcionalidades À medida que, à proporção que, ao passo que,


quanto mais...menos, quanto mais ...mais,
quanto menos... mais, quanto menos... menos

107
Obs.: As preposições também são importantes elementos de coesão: de, em,
por, a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, por , perante,
sem, sobre, sob, trás

EXERCÍCIOS

1. Use os mecanismos de coesão textual nas frases a seguir:

a) O presidente esteve na França ontem. O presidente disse na França que o


Brasil está controlando bem a inflação.

b) Comprei muitas frutas e coloquei as frutas na geladeira.

c) Acabamos de receber dez caixas de canetas. Estas canetas devem ser


encaminhadas para o almoxarifado.
d) As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os seus
automóveis a fim de vender automóveis mais barato. O cliente vai à
revendedora de automóveis com pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais
caro pelo automóvel, terá prejuízo.

e) Eu fui à escola, na escola encontrei meus amigos que há muito tempo não
via, eu convidei alguns amigos da escola para ir ao cinema.

f) O professor chegou atrasado, e ele começou a ditar matérias sem parar um


instante, o professor é meio estranho, ele mal conversa com a classe, a
classe não gosta muito do professor.

i) Minha namorada estuda inglês. Minha namorada sempre gostou de inglês.

2. Ligue os períodos com auxílio de conjunções (conectivos):

a) Todos participaram das festas. Alguns não gostaram muito.

b) Estudamos muito para o vestibular. Conseguiremos a vaga tranqüilamente.

c) O réu não depôs. Não se sentia bem no dia.

108
d) É importante a contribuição de todos no revezamento de veículos.
Possamos respirar um ar saudável.

e) O tempo vai passando, vamos ficando mais experientes.

f) O fumo deveria ser proibido em locais públicos. O fumo faz muito mal à
saúde.

g) Você tenha tempo, apareça aqui para tomarmos um café.

h) Ela tem bastante dinheiro. Ela viajará nas férias.

i) O professor de matemática é muito sério. O professor de redação é um


figurão.

3. Leia o texto a seguir e responda às questões propostas:

“João Carlos vivia em uma pequena casa construída no alto de uma colina,
cuja frente dava para leste. Desde o pé da colina se espalhava em todas as
direções, até o horizonte, uma planície de areia. Na noite em que completava
30 anos, João, sentado nos degraus da escada colocada à frente de sua casa,
olhava o sol poente e observava como a sua sombra ia diminuindo no caminho
coberto de grama. De repente, viu um cavalo que descia para a sua casa. As
árvores e as folhagens não o permitiam ver distintamente; entretanto
observou que o cavalo era manco. Ao olhar de mais perto verificou que o
visitante era seu filho Guilherme, que há 20 anos tinha partido para alistar-se
no exército, e, em todo este tempo, não havia dado sinal de vida. Guilherme,
ao ver seu pai, desmontou imediatamente, correu até ele, lançando-se nos
seus braços e começando a chorar”.

(Fonte: CEREJA, R. W. e MAGALHÃES, T.C. Gramática reflexiva. São Paulo:


Atual, 1999, p. 38)

a) Além do domínio vocabular e sintático da língua, o texto também


apresenta marcas de coesão. Destaque do texto:
b) dois exemplos de coesão, nos quais uma palavra retoma um termo já
expresso;
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109
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c) dois exemplos de marcadores temporais que dão idéia de seqüência dos


fatos;
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d) um conector (conectivo, conjunção) que estabeleça uma relação de


oposição entre duas idéias.
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e) Apesar de aparentemente bem redigido, o texto apresenta sérios


problemas de coerência, o que o torna inadequado. A fim de constatar os
problemas de coerência do texto, encontre pelo menos duas incoerências
e explique- as.
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4. Reelabore as seguintes frases, usando o conectivo apropriado que está


entre parênteses:

a) Faça o trabalho prometido, ou você terá problemas. (sem que, embora, a


menos que, contanto que)
Você terá problemas...

b) Ele não teve condições de se preparar, no entanto esforçou-se em fazer


uma boa apresentação. (embora, visto que, desde que, porque)
Esforçou-se em fazer uma boa apresentação, ...

c) Insiste em entrar na reunião, ainda que não pertença à diretoria do clube.


(porém, se bem que, portanto, por isso).
Não pertence à diretoria do clube...

110
d) Não sabendo a resposta, quis olhar a prova do colega. (logo que, porque,
para que, por isso).
Quis olhar a prova do colega...

5. Reescreva os trechos a seguir de forma a eliminar a incoerência:


a) Fazendo sucesso com a sua nova clínica, a psicóloga Iracema Leite
Ferreira Duarte, localizada na rua Campo Grande, 159...
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b) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no
luxuoso hotel Maksoud Plaza.
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c) “A oncocercose é uma doença típica de comunidades primitivas. Não foi


desenvolvido ainda nenhum medicamento ou tratamento que possibilite o
restabelecimento da visão. Após ser picado pelo mosquito, o parasita
(agente da doença) cai na circulação sangüínea e passa a provocar
irritações oculares até a perda total da visão.”
(F.S.P., 2/11/90)
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d) “O presidente americano (...) produziu um espetáculo cinematográfico em


novembro passado na Arábia Saudita, onde comeu peru fantasiado de
marine no mesmo bandejão em que era servido aos soldados americanos”.
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111
(Veja, 9/1/91)
e) “Zélia Cardoso de Mello decidiu amanhã oficializar sua união com Chico
Anysio”.

(A Tarde, 16/9/94)
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6. Explique como poderíamos solucionar estes problemas:


a) O marido desconfia que sua esposa o trai com seu chefe, um colega
mostra a foto dos dois, possíveis amantes, em uma loja de roupas íntimas
femininas.
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b) (Unicamp/SP) Quando o treinador Leão foi escolhido para dirigir a seleção


brasileira de futebol, o jornal Correio Popular publicou um texto com
muitas imprecisões, do qual consta a seguinte passagem:
“Durante sua carreira de goleiro, iniciada no Comercial de Ribeirão Preto, sua
terra natal, Leão, de 51 anos, sempre impôs seu estilo ao mesmo tempo
arredio e disciplinado. Por outro lado, costumava ficar horas aprimorando
seus defeitos após os treinos. Ao chegar à seleção brasileira em 1970, quando
fez parte do grupo que conquistou o tricampeonato mundial, Leão não dava
um passo em falso. Cada atitude e cada declaração eram pensadas com um
racionalismo típico de sua família, já que seus outros dois irmãos, Edmilson,
53 anos, e Édson, 58, são médicos”.
(Correio Popular, Campinas, 20.10.00)
I) O que aconteceria com Leão se ele, efetivamente, ficasse “aprimorando
seus defeitos”? Reescreva o trecho de maneira a eliminar o equívoco.
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Por que o emprego da palavra “racionalismo” é inadequado na passagem


“Cada atitude e cada declaração eram pensadas com um racionalismo típico
de sua família, já que seus outros dois irmãos, Edmilson, 53 anos, e Édson, 58,
são médicos”?
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113
UNIDADE 16

ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DE TEXTOS – ESTRATÉGIAS DE LEITURA


IDENTIFICAÇÃO DOS OBJETIVOS, DOS ARGUMENTOS E DAS
CONCLUSÕES NUM TEXTO

Vejamos a seguinte situação:

“Os habitantes de certas comunidades, como algumas da Síria e da África,


consideram o amor como um empecilho ao sucesso de um casamento. Para
eles, a vida em comum é assunto muito sério para ser tratado por jovens
inexperientes. Pessoas apaixonadas não estão capacitadas a discutir
assuntos tão pouco românticos como ‘status’ social, multiplicação de
fortunas, saúde, linguagem familiar e meios de sobrevivência. Sentimentos
amorosos e atração física são fatores secundários quando se trata de
arranjos de interesse social  como é o casamento para aqueles povos. À
família cabe, portanto, todos os acertos para o matrimônio, e o namoro é um
assunto à parte, um divertimento próprio para a juventude.”

(Livro da Vida. Enciclopédia Semanal Ilustrada nº 5)


Portanto temos:

Assunto: O amor  Delimitação do assunto: O amor como empecilho ao


casamento
Objetivo: Evidenciar que certas culturas consideram o amor como um
obstáculo ao sucesso da união conjugal.

114
Tópico frasal: “Os habitantes de certas comunidades, como algumas da
Síria e da África, consideram o amor como um empecilho ao sucesso de um
casamento”.
Desenvolvimento:
1. A seriedade da vida conjugal e a inexperiência dos jovens;
2. A incapacidade dos apaixonados no trato de determinados assuntos;
3. A preponderância do interesse social em relação aos sentimentos
amorosos e à atração física.
Conclusão: “À família cabe, portanto, todos os acertos para o matrimônio, e
o namoro é um assunto à parte, um divertimento próprio para a juventude”.

ANÁLISE DE TEXTO

Leia o texto com atenção e, a seguir, indique o que se pede abaixo:


(Fonte desta análise: Profa. Alice Yoko Horikawa)

A EUTANÁSIA EM DISCUSSÃO
Roberto Pompeu de Toledo

O médico Bernard Kouchner, ministro da Saúde da França, é das


pessoas mais respeitadas do país. Com certeza é a mais respeitada do
governo, dona de autoridade moral construída ao longo de uma vida de
dedicação aos doentes, feridos e carentes. Kouchner foi um dos fundadores,
em 1971, da organização Médicos sem Fronteiras, contemplada, em 1999,
com o Prêmio Nobel da Paz. Como médico sem fronteira, esteve nos lugares
onde menos valia a pena estar, e nos momentos em que menos valia a pena
se deslocar até eles – Vietnã, Camboja, Biafra, Líbano, El Salvador, Honduras.

115
Quer dizer: menos valia a pena para uma pessoa comum. Para ele, como
pessoa incomum, só valiam a pena esses lugares, e só em ocasiões em que
estivessem assolados por guerras, fomes ou pestes.
Na semana passada, Kouchner reavivou uma polêmica ao revelar, numa
entrevista publicada pela revista holandesa Vrij Nederland, que "muitas
vezes" praticou a eutanásia, nos anos 70, à época em que assistia vítimas de
guerra no Vietnã e no Líbano. "Quando as pessoas sofriam muito e eu sabia
que iam morrer, eu as ajudava", disse. Kouchner dava-lhes injeção de morfina,
"muita morfina". "São pessoas das quais me lembro muito bem", acrescentou.
"Todos os médicos do mundo conhecem esse tipo de pessoa." Eutanásia – é
essa a palavra? Kouchner não admite que se chame de eutanásia aquilo que
praticou. "Tratava-se de cuidados paliativos em período de guerra e de forma
alguma de práticas programadas, do tipo reivindicado por associações em
favor 'do direito de morrer com dignidade'", diz ele. Os pacientes de que fala
não eram doentes de câncer ou Aids que pedissem para morrer. Sobre esses
casos, o médico francês se diz aberto à discussão. Ele convida a um debate –
e um debate "sem arrogância, sem certezas nem posições ideológicas".
A diferença entre os "cuidados paliativos" de que fala Kouchner e a
eutanásia é sutil. Deve-se possivelmente à sua própria experiência de médico
de guerra. Ele não enfrentava doentes num hospital de país desenvolvido, com
tempo para pensar, avaliar o caso sob todos os ângulos, conferenciar com os
parentes, além de com o próprio paciente, e marcar dia e hora para o
desenlace, como já vinha acontecendo havia algum tempo na Holanda, de
forma informal, e ultimamente ganhou amparo legal. Seus casos eram de um
desespero urgente. Ocorriam nas circunstâncias mais adversas, nos locais
mais precários. De toda forma, as declarações de Kouchner tendem a relançar
na França um debate que há três anos esteve na ordem do dia, por força das
aventuras e desventuras de Christine Malèvre – jovem enfermeira que admitiu
ter abreviado a vida de cerca de trinta pacientes do hospital onde trabalhava,
em Mantes-la-Jolie, nos arredores de Paris. Christine Malèvre, que está na
iminência de ter seu caso apreciado na Justiça, agiu de forma arbitrária e
insensata, talvez criminosa, não se duvida, ao atribuir-se a decisão de
encaminhar os pacientes à morte. Mas o fez por compaixão. Por isso, ganhou
a compreensão da opinião pública.
O debate da eutanásia (chamemo-la assim, apesar das restrições de
Kouchner, e apesar da maldição que impregnou a palavra desde que os
nazistas a empregaram para apelidar a eliminação das crianças que nasciam
defeituosas, em nome do aprimoramento da raça) mexe com os recônditos do
ser humano mais ainda que o do aborto. O aborto, muitos países permitem. A
eutanásia, só a Holanda. "Será que o homem ocidental quer tornar-se senhor
de sua própria morte?", perguntava um documento divulgado há alguns anos
pela Igreja Católica da Holanda, a maior adversária das práticas que, de tanto
amiudar-se, acabaram legalizadas no país. Em outras palavras, a escolha da
116
hora e da modalidade equivaleria a uma intolerável dessacralização da morte,
indicativa da prepotência do homem contemporâneo.
E nós com isso? Nós, brasileiros, que temos a ver com esse debate?
Nada. Rigorosamente nada. O Brasil não está no ponto nem de cogitar em
eutanásia, por uma questão de base: ela só é admissível numa sociedade
estruturada e igualitária como a holandesa, consciente dos próprios direitos,
respeitadora dos alheios, com instituições sólidas e regras iguais para todos.
O nosso é um país com hospitais que matam os pacientes por descuidos tão
aterradores quanto usar água envenenada no processamento da hemodiálise,
como aconteceu em Pernambuco, e – para chegar mais perto do assunto em
tela – com profissionais tão desqualificados quanto o enfermeiro que
eliminava pacientes para ganhar dinheiro de funerárias, como ocorreu no Rio
de Janeiro. Não se trata de ambiente onde a eutanásia possa ser
minimamente administrável. O tema não é apenas complexo. Só faz sentido
numa sociedade madura e sadia. Eis então a conclusão melancólica, quando
se depara com discussões como a suscitada por Kouchner: isso não é para o
nosso bico. Ficar fora delas é mais um preço a pagar pelo
subdesenvolvimento.
(VEJA, agosto de 2001)
Observe a análise do texto:

1. Veículo de circulação do texto e público-alvo:


O texto é veiculado na Revista Veja, destinada a um público com boa
formação intelectual e cultural, interessado em manter-se informado acerca
dos acontecimentos políticos, sociais e artísticos da atualidade.

2. Autor:
O autor do texto é Roberto Pompeu de Toledo. A revista não oferece nenhuma
informação sobre ele, o que dificulta o processo de levantamento de
hipóteses e de expectativa por parte do leitor.

3. Tema:
O autor elege como tema de seu texto a eutanásia.

4. Tipo de texto:
O tipo de texto é o argumentativo, pois pretende fundamentalmente
apresentar um ponto de vista acerca da eutanásia e argumentar em sua
defesa.

5. Gênero:
O gênero textual utilizado pelo autor é o artigo de opinião, freqüentemente
publicado em revistas e jornais.

117
6. Objetivo fundamental:
O autor pretende, com seu texto, argumentar sobre a idéia de que a eutanásia
é um tema extremamente polêmico, pois pode ser aceitável em certas
condições, mas inaceitável em outras.

7. Como o autor atinge esse objetivo:

Parágrafo 1
Idéia principal/ tópico frasal: O médico Bernard Kouchner é uma das
pessoas mais respeitadas da França.
Desenvolvimento:
1. Bernard Kouchner possui uma longa história de dedicação aos doentes,
feridos e carentes.
2. Kouchner foi um dos fundadores da organização Médicos sem Fronteiras.
3. A organização ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1999.
4. Como médico sem fronteira, esteve em lugares que enfrentavam tragédias
como a fome, a guerra ou a peste.
5. Kouchner é pessoa incomum.

Parágrafo 2
Idéia principal/ tópico frasal: Kouchner reavivou uma polêmica ao revelar
em entrevista que praticou a eutanásia.
Desenvolvimento:
6. Kouchner aplicava injeção de morfina quando os feridos das guerras do
Vietnã e do Líbano sofriam muito e não tinham a menor condição de se
recuperar.
7. Kouchner não admite que se chame de eutanásia aquilo que praticou;
tratava-se de cuidados paliativos.
8. Os doentes de Kouchner não eram condenados que pediam para morrer
com dignidade, eram pessoas que enfrentavam situações adversas que não
lhes ofereciam a menor possibilidade de salvação.
9. Em condições diferentes das que enfrentou, Kouchner diz-se aberto ao
debate, desde que seja realizado sem arrogância, sem certezas, nem
posições ideológicas.

Parágrafo 3
Idéia principal/ tópico frasal: A diferença entre ‘cuidados paliativos’ e
eutanásia é sutil.
Desenvolvimento:

118
10. Kouchner não enfrentava doentes num hospital de país desenvolvido,
como a Holanda, por exemplo, com tempo para pensar, avaliar o caso sob
todos os ângulos, conferenciar com os parentes e com o próprio paciente.
11. Os casos de Kouchner eram de um desespero urgente. Ocorriam nas
circunstâncias mais adversas, nos locais mais precários.
12. As declarações de Kouchner tendem a relançar um debate que já esteve
em pauta quando a enfermeira Christine Malévre admitiu ter praticado a
eutanásia.
13. Christine Malèvre ganha compreensão da opinião pública ao justificar
seu ato com o argumento da compaixão.

Parágrafo 4
Idéia principal/tópico frasal: O debate da eutanásia mexe com recônditos
do ser humano mais do que o do aborto.
Desenvolvimento:
14. Muitos países já permitem o aborto.
15. Apenas a Holanda permite a eutanásia.
16. Apesar de a Igreja Católica colocar-se contrariamente à eutanásia, a
Holanda a legalizou.
17. Para a Igreja, a eutanásia dessacraliza a morte, indicando a prepotência
do homem contemporâneo.

Parágrafo 5
Idéia principal/ tópico frasal: O Brasil não está no ponto nem de cogitar
em eutanásia.
18. A eutanásia só é admissível em sociedade estruturada e igualitária
como a holandesa.
19. O nosso é um país com hospitais que matam por descuido e por
despreparo dos profissionais da saúde.
20. O Brasil não se trata de ambiente em que a eutanásia possa ser
minimamente administrável.
21. O tema da eutanásia, além de complexo, só faz sentido numa sociedade
madura e sadia.

Conclusão: Ficar fora das discussões sobre a eutanásia é mais um preço


que o Brasil tem de pagar por conta de seu subdesenvolvimento.

Síntese dos argumentos:


22. Kouchber praticou ‘eutanásia’ em situações em que não havia a menor
condição de garantir a vida do paciente.
23. Há diferenças entre ‘eutanásia’ e cuidados paliativos.
24. Apenas a Holanda legalizou a eutanásia.

119
25. Christine Malèvre praticou eutanásia, mas ganhou compreensão da
opinião pública por tê-lo, segundo ela, praticado por compaixão.
26. Segundo a Igreja Católica, a eutanásia dessacriliza a morte.
27. O Brasil não tem a menor possibilidade de discutir o tema da eutanásia,
pois a discussão só faz sentido em sociedades maduras e sadias.

Síntese do artigo
28. Apresentação geral do texto e do objetivo do autor: Em artigo ‘A
eutanásia em discussão’, publicado na Revista Veja, de 01.08.2001,
Roberto Pompeu de Toledo pretende argumentar acerca do aspecto
polêmico que envolve o tema da eutanásia. Para isso, inicia relatando a
experiência do renomado médico Bernard Kouchner, ministro da Saúde da
França, que declarou numa revista holandesa ter praticado por diversas
vezes aquilo que algumas pessoas denominam de eutanásia. Para justificar
o ato, o médico refere-se às condições em que foi realizada: eram
situações de guerra ou de grande miséria que não propiciavam a menor
condição de manter a vida dos pacientes. Em virtude dessas
circunstâncias, Kouchner associa o ato a ‘cuidados paliativos’, recusando-
se a aceitar a idéia da eutanásia.
1) Argumentação do autor:
Para Toledo, a experiência de Kouchner permite traçar uma sutil distinção
entre eutanásia e cuidados paliativos: em se tratando de condições adversas
e subumanas, a eutanásia pode transformar-se em tratamento terapêutico; em
condições ideais, tais como as oferecidas pela Holanda, onde os direitos do
homem são preservados, o termo eutanásia pode ser plausível, pois há a
possibilidade de se avaliar cada caso sob todos os ângulos e de se tomar a
decisão mais razoável. A distinção é tão viável que Christine Malèvre,
enfermeira francesa que cometeu, sozinha, a eutanásia, tem sido perdoada
pela opinião pública, utilizando-se do argumento da compaixão.
Para reforçar a idéia do quão polêmico é o tema da eutanásia, Toledo
procede uma comparação com o aborto. Embora seja, sem dúvida, tema
bastante controverso, o aborto já foi legalizado em muitos países. Todavia, o
mesmo não acontece com a eutanásia: de todos os países do mundo, apenas
a Holanda lhe dá amparo legal. O autor lança mão nesse contexto do
argumento da Igreja Católica: tanto o aborto quanto a eutanásia são
indicativos da prepotência do homem contemporâneo, pois a vida e a morte já
não são decisão de Deus.

2) Conclusão do autor:
Em virtude de tamanha polêmica, o autor questiona: como o Brasil pode
se comportar diante dela? E apresenta a resposta: não pode. Para Toledo, um
país que não garante a vida de seu povo, como é o caso do Brasil, não pode

120
tratar de sua morte. O debate sobre a eutanásia só faz sentido em sociedades
maduras e sadias.

EXERCÍCIOS

1. Leia atentamente o texto abaixo, divida-o em parágrafos e, a seguir,


responda ao que se pede.

VIVER EM SOCIEDADE

A sociedade humana é um conjunto de pessoas ligadas pela necessidade de


se ajudarem umas às outras, a fim de que possam garantir a continuidade da
vida e satisfazer seus interesses e desejos. Sem vida em sociedade, as
pessoas não conseguiriam sobreviver, pois o ser humano, durante muito
tempo, necessita de outros para conseguir alimentação e abrigo. E no mundo
moderno, com a grande maioria das pessoas morando na cidade, com hábitos
que tornam necessários muitos bens produzidos pela indústria, não há quem
não necessite dos outros muitas vezes por dia. Mas as necessidades dos
seres humanos não são apenas de ordem material, como os alimentos, a
roupa, a moradia, os meios de transportes e os cuidados de saúde. Elas são
também de ordem espiritual e psicológica. Toda pessoa humana necessita de
afeto, precisa amar e sentir-se amada, quer sempre que alguém lhe dê
atenção e que todos a respeitem. Além disso, todo ser humano tem suas
crenças, tem sua fé em alguma coisa, que é a base de suas esperanças. Os

121
seres humanos não vivem juntos, não vivem em sociedade, apenas porque
escolhem esse modo de vida; mas porque a vida em sociedade é uma
necessidade da natureza humana. Assim, por exemplo, se dependesse apenas
da vontade, seria possível uma pessoa muito rica isolar-se em algum lugar,
onde tivesse armazenado grande quantidade de alimentos. Mas essa pessoa
estaria, em pouco tempo, sentindo falta de companhia, sofrendo a tristeza da
solidão, precisando de alguém com quem falar e trocar idéias, necessitada de
dar e receber afeto. E muito provavelmente ficaria louca se continuasse
sozinha por muito tempo. Mas, justamente porque vivendo em sociedade é
que a pessoa humana pode satisfazer suas necessidades, é preciso que a
sociedade seja organizada de tal modo que sirva, realmente, para esse fim. E
não basta que a vida social permita apenas a satisfação de algumas
necessidades da pessoa humana ou de todas as necessidades de apenas
algumas pessoas. A sociedade organizada com justiça é aquela em que se
procura fazer com que todas as pessoas possam satisfazer todas as suas
necessidades, é aquela em que todos, desde o momento em que nascem, têm
as mesmas oportunidades, aquela em que os benefícios e encargos são
repartidos igualmente entre todos. Para que essa repartição se faça com
justiça, é preciso que todos procurem conhecer seus direitos e exijam que
eles sejam respeitados, como também devem conhecer e cumprir seus
deveres e suas responsabilidades sociais.

(DALLARI, Dalmo de D Viver em sociedade. São Paulo: Moderna, 1985. p. 5-6)

a) Que idéia Dalmo de Abreu Dalari defende em seu texto?


__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
b) Releia o primeiro parágrafo e responda: qual é a sua função em relação
aos demais parágrafos que formam o texto?
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________

c) No texto, o autor nos apresenta uma série de argumentos, ordenados


logicamente, a fim de convencer o leitor. Quais são esses argumentos e
como eles nos são apresentados?
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________

c) Qual a função do último parágrafo? Que idéias ele defende?

122
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________

UNIDADE 17

GRAMÁTICA DE USO

Palavras homônimas e palavras parônimas – Exercícios

1. Preencha as lacunas com um dos termos entre parênteses:

123
1. Em tempos de crise, é necessário.......................a despensa de alimentos. (sortir -
surtir)
2. Os direitos de cidadania do rapaz foram........................pelo governo. (caçados -
cassados)
3. O..........................dos senadores é de oito anos. (mandado- mandato)
4. A Marechal Rondon estava coberta pela...............................(cerração - serração)
5. César não teve..........................de justiça. (censo - senso)
6. Todos os....................................haviam sido ocupados. (acentos - assentos)
7. Devemos uma......................quantia ao banco. (vultosa - vultuosa)
8. A próxima..............................começará atrasada. (seção - sessão)
9. ..................................-.se, mas havia hostilidade entre eles. (cumprimentaram
-comprimentaram)
10. Na........................das avenidas, houve uma colisão. (intersecção - intercessão)
11. O.....................................no final do dia estava insuportável. (tráfego - tráfico)
12. O marido entrou vagarosamente e passou.....................................(despercebido -
desapercebido)
13. Não costume .......................................as leis. (infligir - infringir)
14. Após o bombardeio, o navio atingido............................. (emergiu - imergiu)
15. Vários....................................japoneses chegaram a São Paulo nas primeiras
décadas do século. (emigrantes - imigrantes)
16. Não há.......................................de raças naquele país. (discriminação -
descriminação)
17. Após anos de luta, consegui a ........................... (dispensa - despensa)
18. A chegada do....................................... diplomata era........................ (eminente -
iminente).
19. O corpo..................................... era formado por doutores. (docente- discente)
20. Houve alguns.......................................no Congresso. (acidentes - incidentes)
21. Fomos...................................pelos anfitriões. (destratados - distratados)
22. A..................................... dos direitos da emissora foi uma das tarefas do
governo. (seção - cessão)
23. Ali, na...................................... de eletrodomésticos, há uma grande liquidação.
(seção - cessão)

124
24. É um senhor......................................(distinto - destinto)
25. Dei o .......................................mate ao gerente, por causa do........................ sem
fundos. (cheque - xeque)
26. A nuvem de gafanhotos ..................................a plantação. (infestou - enfestou)
27. Quando Joana toca piano é mais um........................que um............................
(conserto - concerto)
28. Todos eles.............................o prazer da bela melodia. (fruem - fluem)
29. Estava muito.....................para..................quanto custava aquele aparelho.
(apreçar - apressar)
30. Nas festas de São João é comum ......................balões e vê-los.................... .
(ascender - acender)
31. As pessoas foram recolhidas a suas........................ .(celas - selas)
32. Segui a...............................médica, mas não obtive resultados. (proscrição -
prescrição)
33. Alguns modelos.................................serão vendidos. (recreados - recriados)
34. A bandeira de São Paulo tem...................pretas. (listas - listras)
35. Para passar, precisava ..............................mais das lições. (apreender -aprender)
36. O réu..............................suas culpas. (expiará - espiará)
37. Encontrei uma carteira com .........................de cem dólares. (cédulas - sédulas)
38. Iremos à..............para lermos deliciosa....... ................medieval. (xácara - chácara)
39. Na hora da................................., os mexicanos dormem. (cesta-sesta)
40. Percebe-se que ele ainda é meio...................., pois não tem prática de comércio.
(incipiente - insipiente)

DIFICULDADES COM A LINGUAGEM ESCRITA

POR QUE, POR QUÊ, PORQUE OU PORQUÊ?

POR QUE – Utilizado no início de frases interrogativas diretas. Com sentido de


razão / motivo pelo(a) qual.
Por que você não foi à festa?
125
Também empregado nas interrogativas indiretas (frases em que se pergunta algo,
mas sem o ponto de interrogação ao final):
Gostaria de saber por que você não foi à festa.

POR QUÊ – Utilizado no final de frases interrogativas ou quando estiver isolado.


Você não foi à festa, por quê?

PORQUE – Utilizado em respostas, na introdução de causa ou explicação.


Não fui à festa porque estava doente.

PORQUÊ – Com valor substantivo, precedido de determinante. Pode ser


substituído por motivo.
Quero saber o porquê de tanta gritaria.

A FIM DE ou AFIM?

A FIM DE – Com intuito: Nós procuramos a fim de estabelecermos relações


comerciais.

AFIM – Com afinidade: São pessoas afins.

ONDE ou AONDE?

ONDE – Usado quando o verbo indica permanência (em que lugar). Onde está o
meu carro?

AONDE – Usado quando o verbo indica movimento (a que lugar). Aonde você vai
agora?

HÁ CERCA DE, ACERCA DE ou CERCA DE?


126
HÁ CERCA DE – Indica tempo decorrido.
A peça teatral está sendo apresentada há cerca de dois anos.

ACERCA DE – a respeito de. Falávamos acerca de sua demissão.

CERCA DE – Indica arredondamento (perto de, coisa de, por volta de, em torno de,
aproximadamente)
Cerca de 10 mil pessoas compareceram à manifestação.
Obs: Não usar para números exatos. Ex.: “Cerca de 543 pessoas...”

HAJA VISTO ou HAJA VISTA?

A expressão correta é HAJA VISTA, mesmo antes de palavras masculinas.


Vamos repetir a demonstração, haja vista o interesse dos participantes.

TAMPOUCO ou TÃO POUCO?

TAMPOUCO – Também não. Não compareci a festa tampouco ao almoço.

TÃO POUCO – Muito pouco. Tenho tão pouco tempo disponível para essa tarefa.

A ou HÁ?

A – Preposição, indica tempo futuro, idéia de distância e na expressão a tempo.


Ele chegará daqui a duas semanas. / A cidade fica a 20 km daqui.

127
Não chegaremos a tempo de ver o espetáculo.

HÁ – Indica tempo decorrido, passado.


Há tempo que não trabalho tanto quanto agora. Saiu há pouco do Rio de
Janeiro.

A PAR ou AO PAR?

A PAR – Estar ciente de, sabedor. Estou a par do ocorrido.

AO PAR – Termo usado em Operadores de Mercado Financeiro (indica paridade


ou igualdade).
O lançamento de ações foi feito ao par (com base no valor nominal).

MENOS ou MENAS?

Forma correta é : “Há menos pessoas aqui do que lá”.


Não esqueça que NÃO existe a forma MENAS.

MÁS, MAS ou MAIS?

MÁS – Ruins. Essas pessoas são muito más.


MAS – Conjunção coordenativa adversativa: entretanto, porém.
A virtude é comunicável. Mas o vício é contagioso.
MAIS – Antônimo de menos. O jornal de hoje publicou mais fotos da vencedora
do festival.

MAL ou MAU?

128
MAL – Antônimo de bem. A criança estava passando mal desde ontem.
MAU – Antônimo de bom. Houve mau uso dos equipamentos eletrônicos.

AO INVÉS DE ou EM VEZ DE?

AO INVÉS DE – Significa ao contrário de.


Maura, ao invés de Alice, resolveu se dedicar à música.

EM VEZ DE – É o mesmo que em lugar de. Em vez de José, Carlos esteve


presente.

A NÍVEL DE ou EM NÍVEL DE?

A forma A NÍVEL DE dita com tanta propriedade não existe, portanto deve ser
eliminada ou substituída por EM RELAÇÃO A, NO QUE DIZ RESPEITO A.

A nível de presidente, eu acredito que...(INCORRETO)


No que diz respeito ao presidente, eu acredito que...(CORRETO)
A expressão EM NÍVEL DE pode ser usada quando for possível estabelecer
níveis /patamares em relação ao que se fala.
As decisões tomadas em nível federal (estadual, municipal) poderão ser
definitivas.
Obs: Em relação ao mar, aceita-se ao nível do mar ou no nível do mar.

A PRINCÍPIO ou EM PRINCÍPIO?

A PRINCÍPIO – Significa inicialmente, no começo, num primeiro momento.


A princípio havia um homem e uma mulher.

129
EM PRINCÍPIO – Quer dizer em tese, por princípios, teoricamente.
Em princípio, sou contra a pena de morte.
Ou use simplesmente: Em tese, sou contra a pena de morte.

EM CORES (A cores: incorreto)

O pronunciamento do presidente foi filmado em cores ontem. / Conserta-se TV em


cores.

NA RUA

Todos moramos em algum lugar e não a algum lugar. / Roberto residia na rua
Augusta.

EM DOMICÍLIO ou A DOMICÍLIO?

O correto é entregas em domicílio. É o mesmo que fazer entregas em casa,


no escritório: Fazemos entregas em domicílio.
Obs.: Só usamos a domicílio com verbos de movimento.
Conduziram o doente a domicílio (melhor: ...ao seu domicílio).

SITO A ou SITO EM?

Nosso escritório situa-se na Avenida Brasil.

DIA-A-DIA ou DIA A DIA?

DIA-A-DIA – Cotidiano. Isso é freqüente no nosso dia-a-dia.

DIA A DIA – Diariamente. Suas chances de vitória aumentam dia a dia.

130
SE NÃO ou SENÃO?

SE NÃO – Pode ser substituído por caso não. / Devolva o relatório se não estiver
de acordo.
SENÃO – Pode ser substituído por somente, apenas. / Não vejo outra alternativa
senão concordar.
SENÃO – Substantivo, significando contratempo. / O show não teve nenhum
senão.

PORISSO ou POR ISSO?

NÃO existe a forma PORISSO. / A forma correta é POR ISSO. / É por isso que
você...

AO ENCONTRO DE ou DE ENCONTRO A?

AO ENCONTRO DE – Designa uma situação favorável.


Nossas propostas vão ao encontro das atuais tendências do mercado.
DE ENCONTRO A – Dá a idéia de oposição, contrariedade, choque.
Temos pontos de vista diferentes: minhas idéias vão de encontro às suas.

COM CERTEZA OU CONCERTEZA?

Com certeza, é com certeza, separado!

CONTUDO OU COM TUDO?

COM TUDO – Faz referência a algo mencionado anteriormente, invariavelmente


acompanhado do pronome ISSO.
Com tudo isso é possível perceber que estudar é essencial!
CONTUDO – Introduz uma idéia oposta ao que foi mencionado anteriormente,
pode ser substituído por entretanto, porém, todavia, mas.
Contudo não é possível afirmar que todas as pessoas são felizes.

131
DERREPENTE OU DE REPENTE?

Só existe a forma DE REPENTE.

INFELIZMENTE OU INFELISMENTE?

Grafa-se infeliz com Z, portanto o advérbio INFELIZMENTE, derivado de infeliz,


deve também ser grafado com Z.

OQUE OU O QUE?

Trata-se de uma expressão formada por duas palavras, portanto O QUE.


A falta de desenvolvimento sustentável é O QUE acarreta tantos problemas ao
meio ambiente.

QUIS OU QUIS?

O verbo querer deve ser grafado com S, assim:


Eu não QUIS incomodar você. Ele também não QUIS. Talvez os outros
QUISESSEM...

AGENTE OU A GENTE?

AGENTE – é substantivo. Este é o AGENTE 007. Ele é um AGENTE da Polícia


Federal.
A GENTE – forma oral que na linguagem coloquial substitui o pronome NÓS.
- Vocês preferem ir ao cinema ou ao teatro?
- É claro que A GENTE preferi ir ao cinema.

OPNIÃO OU OPINIÃO? / OPITAR OU OPTAR? CORRUPTO OU


CORRUPITO?

As formas corretas são OPTAR, OPINIÃO E CORRUPTO.

5.2. ERRO NA ACENTUAÇÃO DE ALGUMAS PALAVRAS


132
Em algumas situações, a acentuação altera não só a classe gramatical, mas
também o sentido da palavra.

influência Influencia

Pronúncia Pronuncia

Tecnológico Tecnologia

Maquinaria maquinária não existe

Mês Meses

Vocês Voces, vocêis, voçês não existem

Secretária Secretaria

5.3. ERRO NA PRONÚNCIA DE ALGUMAS PALAVRAS

PRONÚNCIA CORRETA PRONÚNCIA ERRADA

Aeronáutica Areonáutica

Bandeja Bandeija

Emagrecer Esmagrecer

Progresso Pogresso

Coincidência Conhicidência

Advogado Adevogado

Mortadela Mortandela

Bicarbonato Bicarbornato

Problema Poblema, probrema, ploblema

Salsicha Shalchicha

Próprio Póprio

Sobrancelha Sombrancelha

Perturbar Pertubar

Frustrado Frustado
133
Cabeleireiro Cabelereiro, cabeleileiro

Entretela Entertela

Engajamento Enganjamento

Mendigo Mendingo

Meteorologia Metereologia

Ignorante Inguinorante

Reivindicação Reinvidicação

Privilégio Previlégio

Superstição Supertição

Lagartixa Largatixa

Receoso Receioso

Digladiar Degladiar

Subsídio Subzidio

Rubrica Rubrica

Disenteria Desinteria

Empecilho Impecilho

Estupro Estrupo

Beneficente Beneficiente

Irrequieto Irriquieto

Prazerosamente Prazeirosamente

Misto Mixto

Caderneta Cardeneta

Xifópagos Xipófagos

Dignitário Dignatário

Cinqüenta Cincoenta

134
Asterisco Asterístico

EXERCÍCIOS

1. Preencha os espaços com por que, por quê, porque ou porquê:

a)__________________você pretende sair mais cedo?


b)________________ jamais levanta a voz, todos o admiram.
c) Você se julga uma pessoa melhor do que as outras __________________?
d) _____________leio? Ora. Leio _________________a leitura me faz sonhar.
e) As cidades ____________________ passei são magníficas.

2. Preencha os espaços com mal ou mau:


a) Você fez um _______________ acordo.
b) Era um casa _______________feita.
c) Que_______________ gosto você tem!
d) Isso tudo que você disse faz muito _______________ aos seus amigos.
e) Um edifício _______________ construído é um perigo.
f) Todos falam _________________ de você.

3. Preencha as lacunas das frases seguintes com as formas entre


parênteses.
a) Tenho muito o............................... fazer. (que/quê)
b) É preciso um............................... de louco para poder fazer isso. (que/quê)
c) Estamos rindo sem ter de........................... (que/quê)
d) .................................... você quer saber? É ....................sua curiosidade é maior que
sua inteligência? (por que/porque/por quê/porquê)
e) Você quer saber............................. ? Não lhe direi.............. (por que, porque, por quê,
porquê)
f) Resta ainda descobrir o.......................... dessas declarações. É difícil
entender..............ele teria
dito tudo aquilo. (por que, porque, por quê, porquê)

135
g) ................................... está seu orgulho? (onde, aonde)
h) Irei.................................... você quiser que eu vá. (onde, aonde)
i) Não gosto muito dela, ..........tenho de admitir que é..........inteligente do que eu
supunha. (mas, mais)
j) Comportou-se...................... durante a reunião. Não creio que seja um......sujeito, po-
rém. (mal, mau)
l) Às vezes, penso que o........................... anda vencendo o bem de goleada neste
nosso mundo. Isso é tão.....................! (mal, mau)
m) ........................... -humorados de todo o mundo, uni-vos! (mal, mau)
n) Deixe-me............................. de tudo o que estiver acontecendo. (a par, ao par)
o) Várias pessoas expuseram opiniões que vieram................................. minhas durante
o debate, o que muito me animou. (ao encontro das, de encontro às)
p) Muitas pessoas têm opiniões que vêm........................................ minhas, o que não
chega a me desanimar. (ao encontro das, de encontro às)
q) ............................... anos não nos vemos. E só poderei reencontrá-lo daqui........dois
meses! (há, a)
r) Dali...................... três meses, eu mudaria de vida. (há, a)
s) Nada sei ........................................ das manifestações que ocorreram no
país ...................... de
dois anos. (acerca, há cerca)
t) Já que temos ideias........................... , deveríamos trabalhar juntos.............. de
conseguir melhores resultados. (afins, a fim)
u) Não há nada...................................... em gostar................... de doces. (de mais,
demais)
v) ............................ se fizer alguma coisa, o país escorregará para o caos. E ainda há
quem não faça nada ................................. perseguir privilégios. (se não, senão)

4. Preencha os espaços com eu ou mim:


a) Traga os documentos para ________________ assinar.
b) Entre _________________e você não pode haver nenhuma espécie de segredo.
c) Para _______________é difícil dizer não.

136
d) Venham até ___________________ para que eu possa explicar o que realmente
ocorreu.
e) São projetos para ____________________ construir um hotel.
5. Preencha, agora, utilizando más, mas ou mais:
a) Suas intenções não são __________________ .
b) É um bom homem ___________________ ninguém reconhece.
c) Você está ___________________ perto da vitória.
d) Fez o jantar ____________________ não comeu..
e) Chegou tarde, _________________chegou.
f) Apesar de tentarem sempre praticar boas ações, elas são realmente
___________________.
g) Não sei _______________________ nada sobre isso.
h) Hoje você está ______________________ cansado do que ontem.

6. Complete as lacunas com uma das opções entre parênteses.

a) ______________ encontrar seu gerente, entregue os documentos à secretária.


(se não – senão)
b) Nunca entraremos em acordo: suas opiniões vão __________________ meus
princípios. (de encontro a – ao encontro de)
c) Não vejo ________________________ algum em ocupar tal cargo. ( previlégio –
privilégio)
d) Todas as entregas serão feitas ____________________. ( a domicílio – em
domicílio)
e) Por favor, coloque os clientes _____________________ do andamento de seus
processos. (a par – ao par)
f) ________________ de evitar problemas e criar _________________ expectativas,
o gerente de vendas resolveu cancelar o evento de lançamento marcado para a
próxima semana. ( afim de – a fim de / menas – menos)

7. Preencha os espaços vazios com porque, porquê, por que, por quê.
137
a. ______ desistir agora de um projeto_______debatemos há tanto tempo?
b. A situação haveria de mudar___________? Não há razões _______ isso deva
ocorrer.
c. __________ águas estamos navegando ninguém sabe dizer. Todos ignoram o
________ dessa instabilidade.
d. __________ exigir essas coisas dos candidatos aos nossos cargos públicos?
e. Perguntava __________ aquele espinho doía tanto no peito.
f.“O trenzinho seguia danado para Belém___________ o maquinista não tinha
jantado até aquela hora.” (Antônio de Alcântara Machado)

8. Elimine o que está sobrando:

a) O gerente tem certeza absoluta do prazo estipulado.

b) A taxa vigente no mercado, no momento, é igual à do mês passado.

c) A data máxima para pagamento da mensalidade não pode passar além do dia 30
do mês de janeiro.

d) As visitas opcionais são de sua livre escolha.

e) Os transportes públicos são alvo de vandalismo criminoso.

f) Na eleição para presidente, houve unanimidade absoluta de todos os


integrantes do grupo.

g) Há dois meses atrás, foi comunicado o cancelamento da compra do imóvel.

h) A solução para o problema é iminente e imediata.

i) Ainda não foi encontrado um elo de ligação entre as versões apresentadas pelas
testemunhas.

j) O lançamento do novo tipo de computador foi um sucesso positivo e excedeu


muito às expectativas do fabricante.

138
139
REGÊNCIA VERBAL

Regência verbal é a relação de dependência que se estabelece entre o verbo e seu


complemento.
Dependendo da regência, os verbos podem ter o seu sentido modificado. Veja:

Ele aspira o perfume das flores.


Ele aspira ao cargo de diretor.

REGÊNCIA DE ALGUNS VERBOS


AS
SISTIR
 Exige a preposição a quando significa “ver”, “presenciar”.
Assistimos a um belo espetáculo. / Assistiu ao filme. / Assistimos à novela.
 Usa-se sem preposição quando significa “socorrer”, “ prestar ajuda”.
O médico assistiu o ferido. / Assistiu o doente com carinho. / A enfermeira assistiu
a criança.
Exige a preposição em quando significa “morar”, “residir”.
 O presidente assiste em Brasília. / Assisto em João Pessoa.

ASPIRAR
 É usado sem preposição quando significa “ sorver”, “cheirar”, “inalar”
Aspirou o perfume da rosa.
Aspiro o ar da manhã.
O doente aspirou o álcool e começou a melhorar.

 Exige a preposição a quando significa “desejar”, “almejar”, “pretender”.


Ele aspirava ao cargo político.
Aspirei ao cargo de chefe da seção.
Os trabalhadores aspiravam a maior segurança no trabalho.

AGRADECER
 É usado com a preposição a quando significa “demonstrar gratidão por
alguém”.
Agradeço ao amigo. / Agradeci à professora.

 É usado sem preposição quando se refere a coisas.


Agradeço o presente que me deram. / Agradeci o presente.

CHEGAR
 É usado com a preposição a quando indica “direção”, “alcançar”.
Cheguei atrasado ao colégio. / Chegamos à faculdade muito cedo.
 É usado com a preposição em quando se refere a tempo.
A ambulância chegou em meia hora.

ESQUECER / LEMBRAR
 São usados sem preposição quando não estão acompanhados de pronomes.
Esqueci o livro de História. / Ele esqueceu o dinheiro. / Lembrei o nome do artista.
Não esqueça os amigos.

 Exigem a preposição de quando estão acompanhados de pronomes.


Esqueci-me de seu endereço. / Mário esqueceu-se do dinheiro.
Lembrei-me do nome do artista. / Não se esqueça dos amigos.

OBEDECER / DESOBEDECER
 Exigem a preposição a
Obedecia aos seus instintos. / Obedeça à sua mãe. / Paulo obedece ao regulamento.
Não desobedeça às leis do trânsito. / O motorista desobedece ao sinal.
Poucos desobedeciam à faixa de pedestre.

PRECISAR
 É empregado sem preposição quando indica “precisão”, “certeza”.
O legista precisou a hora do acidente. / Ele precisou o lugar do encontro.

 Exige a preposição de quando indica “ter necessidade”.


Os presos precisam de melhores condições de tratamento.
O homem do campo precisa de terra para trabalhar.

PREFERIR
 Sem preposição, (ter preferência, sem sugerir a escolha).
O menino prefere chocolate. / Ele prefere cinema.

 Com preposição, (ter preferência, sugerindo a escolha).


O menino prefere chocolate a doce de leite. / Ele prefere jogar futebol a jogar tênis.
Preferia a dura verdade do filho à doce mentira do marido.

VISAR
 É usado com a preposição a quando significa “ter em vista”, “ desejar”
Ele visava ao cargo de gerente da firma. / Eles visam ao lucro..
Nós visávamos a um pouco de sol e aos dias calmos da praia.

 É suado sem preposição quando significa “ apontar”, “mirar” “ assinar”,


“rubricar”.
O caçador visou o animal. / O homem visou o alvo e disparou o tiro.
Elas visaram o passaporte. / Para nossa segurança, visamos o cheque antes de
viajar.

EXERCÍCIOS
I - Complete as frases com a preposição exigida pelos verbos em destaque.
1) Aqui está a ferramenta _______ que preciso.
2) Esse é o documento _____ que necessito.
3) Essa é a pessoa ______ quem devemos entregar a encomenda.
4) Essa é a comida _____ que mais gosto.
5) O prêmio ______ que aspiramos é valioso.
6) A piada ____ que ele lembrou é muita engraçada. de
7) A causa _____ que lutamos é justa.
8) Esse é o homem _____ quem a justiça perdoou.
9) Esse é o regulamento _____ que todos devem obedecer.
10) Ele preferia multiplicar os seus ganhos ____ dividir com os empregados os seus
lucros.
11) Os condôminos não obedeciam _____ regulamento do prédio.
12) Não me refiro _____ você e sim ____ seu irmão.
13) Fomos ____ cinema mais próximo.
14) Os espectadores assistiam ____ peça de teatro muito emocionados.

II – Dê o significado dos verbos em destaque.


1) Algumas rádios assistem os doentes com programações assistencialistas.
2) Os turistas assistiram a apresentações folclóricas na Bahia.
3) O jogador visou as traves e chutou a bola certeira.
4) Tudo que fazia era visando à tranqüilidade dos pais.
5) O gerente do banco visou o cheque.
6) Na primavera, aspiramos o perfume das flores.
7) Há homens que aspiram ao poder pela força.
8) O helicóptero precisou o local onde o avião havia caído.

III - Em cada item você encontrará uma frase típica da linguagem coloquial. Adapte
cada uma dessas frases à regência verbal da língua culta.

a. Não brigue comigo, querida: eu lhe amo muito.


b. Desde que lhe vi, ando muito feliz.
c. Não me simpatizo muito com essas idéias.
d. Não obedeço sinal fechado, não.
e. Respondi o e-mail que você me mandou.
f. Não posso lhe proteger contra ele.
g. Se Deus lhe ajudar, tudo vai dar certo.
h. Não vou lhe amolar mais, não.
i. Só queria lhe abraçar.
j. Lembro sempre de você.
k. Nunca esqueci do que passamos juntos.
l. Antipatizei-me com ela desde o começo.
m. Prefiro mil vezes ficar aqui do que ir com você.
n. Prefiro ser o que sou do que ser como vocês.
o. Antes prefiro física do que química.
p. Preferimos dormir que trabalhar.
q. Informo-lhe de que não pode ficar aqui.
r. Informo-a que seu financiamento foi concedido.

IV - Aponte as diferenças de sentido existentes entre as frases seguintes:

O estagiário disse que assistira a várias cirurgias enquanto estivera no


hospital.
O estagiário disse que assistira várias cirurgias enquanto estivera no
hospital.

CONCORDÂNCIA NOMINAL

a) Adjetivos com substantivos de números e gêneros diferentes.


1) Adjetivo depois do substantivo: concorda com o masculino plural ou o mais
próximo:
Paletó e camisa velhos, ou Paletó e camisa velha.

2) Adjetivo antes do substantivo: concorda com o mais próximo:


Comprei uma linda camisa e sapatos.
Comprei lindos sapatos e camisa.
b) Cores. Quando a cor é expressa por um substantivo fica invariável; quando por
adjetivo é variável.
Cortinas azuis – adjetivo
Cortinas gelo
Toalhas brancas – adjetivo
Toalhas laranja

OBS.: as cores bege, azul-marinho e azul-celeste não


possuem plural.

c) Menos e alerta: são invariáveis (NÃO EXISTE “MENAS”)


Na classe, havia menos meninas hoje.
Na classe, havia meninos alerta.
d) Meio.
Quando significa um pouco ou um tanto, é variável:
Ela está meio cansada. (Ela está um pouco cansada.)
A mulher do vizinho é meio zangada.
Quando significa metade, é variável:
Comi meia laranja. (Comi metade da laranja.)
Preciso de meias garrafas.
Quero meio melão.
e) Bastante.
É semelhante à palavra muito, possui a mesma flexão.
Ele é muito calmo = Ele é bastante calmo.
Vi muitas estrelas = Vi bastantes estrelas.
f) Caro e barato.
Quando adjetivos, são variáveis:
As camisas são caras. Os carros estão baratos.
Quando advérbios (refere-se normalmente ao verbo), são invariáveis:
As camisas custam caro.
g) Próprio e mesmo: concordam com a palavra a que se referem:
Ele mesmo pegou o livro.
Ela mesma pegou o livro.
Elas mesmas pegaram o livro.
Nós próprios pegamos o livro.
h) É bom, é proibido.
Concordam com o artigo ou permanecem no masculino.
Manteiga é bom.
A manteiga é boa.
É proibido entrada de estranhos.
É proibida a entrada de estranhos.
i) Mau e mal.
Observe: mal é o contrário de bem, e mau é o contrário de bom:
Ele é mau (Ele é bom.)
Ele está muito mal. (Ele está muito bem.)
j) Anexo e incluso.
Concordam com a palavra a que se referem:
A ficha está anexa.
O relatório está anexo.
O disquete vai incluso.
A fita está inclusa.

EXERCÍCIOS
1) Corrija as frases que apresentem erros de concordância.

a) Naquela sala, haviam muitas coisas para serem arrumadas.

b) A turma de alunos chegou gritando na sala de aula.

c) Quarenta por cento dos estudantes escrevem muito bem.

d) João ou Jonas serão escolhidos como presidente.

e) Naquele local, ultimamente, acontece muitos fatos estranhos.


f) Neste estabelecimento, revela-se na hora fotos coloridas.

g) Dá-se aulas particulares de português.

h) Cem quilos de carne é suficiente para todo o pessoal.

O USO DE AONDE OU ONDE

Aonde indica movimento, sempre acompanhado de verbos que contenham essa


noção:
Vou aonde me chamam.
Aonde chegaremos desse jeito?
Onde , ao contrário, indica o lugar em que se está, sem idéia de movimento,
acompanhado de verbos que indicam permanência:
Onde estão os velhos amigos e a beleza dos dias?
Fico onde me querem bem.
Por outro lado, a palavra onde tem sido usada indevidamente com o significado de
por isso, mas, de que, uma vez que, quando, e outros. Nas frases abaixo, observe
o uso correto e o incorreto;
Morei em Itabuna, onde há muitas fazendas de cacau. O uso está correto, pois
indica lugar físico.

Governo que dirige uma nação, além de ter ministros, deputados, senadores que
formam um conjunto, onde todos participam para poderem fazer seu dever... Uso
errado, pois conjunto não é lugar físico; o correto seria do qual.

EXERCÍCIOS

1. Preencha as lacunas com onde/aonde:


a) __________encontraram o Alfredo?

b) Gostaria que você me dissesse __________estão os talheres.

c) __________foram todos os alunos?

2. A palavra onde foi usada de forma inadequada. Troque-a pelo termo mais
apropriado:

a) Essa porção nos fez imaginar um lugar isolado, solitário, apenas freqüentado
por alguns animais e vegetais, onde procuram com algumas dificuldades
manter sua sobrevivência.
______________________________________________________________________________

b) Mas então lhe chega à frente o seu último inimigo, o mais cruel dos obstáculos,
na forma de velhice, onde ele luta para não perder as posições conquistadas.
______________________________________________________________________________

(Fonte: Caderno de Pesquisa, 23, Fundação Carlos Chagas, dez. 77)

c) “Nessa mesma semana desses ataques, o delegado Godofredo do DEIC deu


uma entrevista a um canal de televisão e considerou o PCC um “câncer”, onde
não existe possibilidade alguma de se acabar com esse grupo organizado.”

______________________________________________________________________________
POR QUE / POR QUÊ / PORQUE / PORQUÊ

TIPO EMPREGO EXEMPLOS


Por que a. Orações interrogativas Por que você viajou?
diretas. Não sei por que você
b. Orações interrogativas viajou.
indiretas O caminho por que
c. Pronomes relativos passei era ruim. (=
pelo qual).
Por quê Grafa-se separadamente com Ela saiu cedo, por
acento, quando ocorrer no final quê?
de frases interrogativas diretas e Pedro saiu? Por quê?
indiretas e quando houver pausa. Vocês não
conversaram com o
diretor, por quê?
Não sei por quê, ele não
veio.
Usa-se nas respostas Ele saiu cedo, porque
explicativas. Pode ser tinha uma reunião.
Porque substituído por “pois”. Grafa-se Ele foi reprovado,
numa única palavra, quando for porque não estudou.
empregada como conjunção (causa da reprovação)
causal ou explicativa.
Grafa-se numa única palavra e Não sei o porquê de
acentua-se, quando for sua rebeldia.
Porquê substantivo. Pode ser substituído
pelo substantivo motivo. Seria interessante
saber o porquê de sua
tristeza.

EXERCÍCIOS

1. Complete as lacunas com a conjunção porque adequado a cada sentença:

a) Foram esses os ideais_________ sempre lutei.

b) Eis __________ houve pane no avião.

c) Não disse toda a verdade, ___________?

d) __________ não disse toda a verdade?

e) Saberia o __________ de tantas desgraças?

EMPREGO DO S – Z – G – J – X – CH – Ç – SS – S - EXERCÍCIOS

1. Use S/Z, S/Ç, SS/Ç ou X/CH, conforme o caso:

pobre__a despe__a empre__ a redonde__a francê__ poeti__a altive__

marque__a campone__a reali__ar preci__ar improvi__ar pesqui__ar repri__ar

civili__ar preten__ão compreen__ão disten__ão exten__ão

2. Use X/CH, conforme o caso:

encai__e me__erico en__ada __ingar en__arcar __u__u ta__ar ( pregar) ta__a

(imposto)

4. Use G/J:
fu__ir via__em (verbo) via__em (subst.) arran__ei via__ante via__ei re__er

a__iota
Referências Bibliográficas

ABAURRE, Maria Luiza et alii. (2003). Português: língua e literatura. 2. ed.


São Paulo: Moderna.
ABREU, Ântônio Suarez. (2001). Curso de Redação.11ª ed. São Paulo: Ática.
CASTRO, Adriane Belluci Belório de et alii .(2000). Os degraus da leitura. São
Paulo: Edusc.
EMEDIATO, Wander (2004). A fórmula do texto: redação, argumentação e
leitura. São Paulo: Geração editorial.
FARACO, Carlos Alberto & TEZZA, Cristóvão. Prática de texto para
estudantes universitários. 7. ed. Petrópolis: Vozes,1999.
FIORIN, José Luiz & SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura
e redação. 11. ed. São Paulo: Ática, 1995.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de
retextualização. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
PACHECO, Agnelo de Carvalho. A dissertação: teoria e prática. 19 ed. São
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SAVIOLI, Francisco Platão et alii. Coleção Anglo de Ensino. São Paulo:
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SOBRAL, João Jonas Veiga. Redação: Escrevendo com prática. São Paulo:
Iglu, 1997.
TERRA, Ermani & NICOLA, José de.( Gramática, literatura e redação. São
Paulo: Scipione, 1997.
VIANA. Antônio Carlos et alii. Roteiro de Redação – lendo e argumentando. 1
ed. São Paulo. Scipione, 2004.