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História A 11º ano (apontamentos)

História A 11º ano (apontamentos)

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Apontamentos de História do 11º ano. Não é da matéria toda, mas tem boa parte. Inicia do liberalismo, até ao fim.
Apontamentos de História do 11º ano. Não é da matéria toda, mas tem boa parte. Inicia do liberalismo, até ao fim.

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Published by: Sarah Queiroz on Feb 22, 2011
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Apontamentos de História 11º ano

O legado do Liberalismo na primeira metade do século XIX
Liberalismo  Doutrina política, social, económica e cultural difundida na Europa e na América que, fundando-se na primazia do individuo sobre a sociedade, defende a propriedade privada, a liberdade individual, a igualdade de todas as pessoas perante a lei e o respeito pelos direitos do cidadão. O Liberalismo surgiu na primeira metade do século XIX, como consequência da ideologia das Luzes (Iluminismo) e das Revoluções Liberais (Americana, Francesa, etc.).  opunha-se ao absolutismo ou qualquer outra forma de tirania política;  defendia a livre iniciativa;  promovia as classes burguesas. A ideologia liberal é centrada na defesa dos direitos do indivíduo (direitos naturais, inerentes á condição humana):  IGUALDADE PERANTE A LEI;  LIBERDADE INDIVIDUAL;  PROPRIEDADE PRIVADA A nível individual, defendia-se a liberdade civil, religiosa, política ou económica.

Liberdade Política (Liberalismo Político)
O Homem podia participar activamente na vida do país, pois era considerado um cidadão que podia intervir na governação. A intervenção política podia-se dar de diversas formas:  através do exercício de voto para escolha dos governantes;  ao exercer os cargos para os quais tenha sido eleito;  participando com a opinião em movimentos cívicos, etc. No entanto, havia restrições ao exercício pleno da cidadania. O direito ao voto apenas estava reservado aos possuidores de rendimento suficientes para pagar impostos (sufrágio censitário), logo não era muito democrático. Seria necessário a adopção do voto universal em vez do voto censitário, pois muita população era posta de parte. O Estado como garante da ordem liberal O principal objectivo do regime político durante o Liberalismo foi a consagração dos direitos do indivíduo. Para evitar o exercício do despotismo, o liberalismo político elaborou formas para limitar o poder. Este deveria fundamentar-se em textos constitucionais, funcionar na base da separação de poderes e da soberania nacional exercida por uma representação e proceder á secularização das instituições.  Textos Constitucionais: O poder político é legitimado através dos textos constitucionais. Resulta em dois processos, as Constituições (se forem votadas pelos representantes da Nação) e as Cartas Constitucionais (se elaboradas pelo rei);  Separação dos poderes: O Liberalismo defende a separação dos poderes, para evitar que o poder se concentre, resvalando o despotismo. Assim, distribuiu-se os poderes (legislativo, executivo, judicial) pelos diferentes órgãos de soberania.  Soberania nacional: O Liberalismo pôs em prática o princípio iluminista da soberania nacional, no entanto a Nação não o exercia de forma directa, mas esse poder era confiado a uma representação „‟mais sensata‟‟.  Secularização das instituições: O Estado libertou-se da influência religiosa, secularizando as instituições, isto é, separação dos assuntos da Igreja em relação aos dos Estado (de modo a emancipar o individuo e o Estado da tutela da Igreja). O principal objectivo do Liberalismo era a liberdade civil, portanto defendiam a liberdade religiosa (não se ser coagido a seguir determinada religião, cada um escolhe a sua fé). As principais medidas foram o registo civil, a nacionalização dos bens da Igreja, a politica de descristianização, etc.

Liberdade económica (Liberalismo económico)
Liberalismo económico  Doutrina económica impulsionada por Adam Smith que defende a propriedade privada, a liberdade de iniciativa e a livre concorrência, pelo que o funcionamento do mercado seria garantido pela lei da oferta e da procura, competindo ao Estado o papel de garante destes princípios e não de intervenção directa na economia.        defesa da iniciativa individual; ausência estatal de intervenção na economia; supressão de monopólios; livre concorrência; liberdade comercial; abolição dos entraves ao comércio internacional. combate ao mercantilismo

Teoria de Adam Smith Adam Smith considerava que o trabalho era a fonte da riqueza. É em função da produtividade do trabalho que uns países são mais ricos do que os outros. Smith queria demonstrar que a riqueza de um país resultava da actuação de indivíduos, que movidos pela livre iniciativa e o seu próprio interesse, promoviam o crescimento económico do país. O Homem, desde que não transgrida as leis da justiça, deve ter a liberdade para realizar o seu interesse pessoal da forma que mais lhe convier, pondo o seu trabalho e o capital em concorrência com os outros homens. Logo, o Estado teria que abdicar de qualquer intervenção na economia. De que maneira o liberalismo económico impulsionou a Segunda Revolução Industrial? (Mais á frente..)

O Romantismo, expressão da ideologia liberal
Romantismo  movimento cultural do século XIX inspirado nas ideias liberais da época que, recusando a racionalidade clássica, valoriza a liberdade de pensamento, as emoções, os sentimentos, a natureza e o gosto pelos ambientes exóticos e medievais. O Romantismo foi a expressão da ideologia liberal nas artes e nas letras. Na realidade, ao racionalismo, à ordem e à harmonia clássicas, o romântico contrapôs o indivíduo, o sentimento, a emoção, a imaginação e o nacionalismo. Defende a liberdade até ao limite e a independência nacional contra a opressão estrangeira. Preferência pelo mistério, sonho, imaginação, o estranho, a noite, o herói, pitoresco. A liberdade tornou-se a temática principal do Romantismo, fosse liberdade politica, social, económica, etc. Esta corrente cultural espalhou-se pelos vários países da Europa.  em relação á musica, fugiram á rigidez da musica clássica, procurando a transmissão de sensações, sonhos, paixões;  ao nível da pintura, recusaram as regras clássicas, apreciando o movimento e a cor, as situações exóticas, a morte e o drama.  Na literatura, foi a época dos grandes romances. No Romantismo, há uma revalorização das raízes históricas das nacionalidades, e um elevado interesse pela Idade Média, tão desprezada pelos Renascentistas, como forma de encontrarem o seu património cultural.

As transformações económicas na Europa e no Mundo
Ao longo do século XIX, a revolução industrial conheceu um forte impulso devido à utilização de novas fontes de energia e ao aparecimento de outros sectores de ponta. Tendo iniciado a sua industrialização nos finais do século XVIII, a Inglaterra manteve a hegemonia no século XIX, embora ameaçada por outros países que também se industrializaram.

A expansão da revolução industrial
Na segunda metade do século XIX, ocorreram profundas transformações na indústria, vulgarmente conhecidas como a “segunda revolução industrial”: foram descobertas fontes de energia como a electricidade e o petróleo, novos produtos como o aço ou os produtos sintéticos e inventos técnicos como o motor a explosão. O aumento da produção e a expansão dos mercados, favorecidos pela renovação dos transportes, originou grandes concentrações industriais e financeiras.

A ligação ciência-técnica
Estas inovações assentaram na estreita articulação entre a técnica e a ciência. Na realidade, se o desenvolvimento técnico da primeira fase da revolução industrial se deveu sobretudo à capacidade criadora de operários, nesta segunda fase os inventos resultaram da acção de cientistas que, formados em Universidades, actuavam em estreita ligação com as fabricas nos laboratórios. Deste modo, a investigação cientifica e tecnológica acumulou conhecimentos e desenvolveu aplicações cada vez mais aperfeiçoadas, num processo em que teoria e prática se alimentaram mutuamente, gerando progressos cumulativos ( expressão utilizada para designar as relações estabelecidas entre a ciência e a técnica os finais do século XIX, caracterizadas pela interacção entre o problema surgido na fábrica, a sua resolução pela investigação efectuada em laboratório e a aplicação da solução pela empresa), o que permitiu vencer a concorrência e conquistar mercados.

Novos inventos e novas formas de energia
A industria siderúrgica e a industria química A siderurgia (fornecedora de maquinas, carris e outros equipamentos) tornou-se na industria de ponta da segunda revolução industrial. Quanto á industria química, centrou-se especialmente em industrias de explosivos, produtos farmacêuticos, fertilizantes e produtos sintéticos. Novas formas de energia A electricidade e o petróleo constituíram as principais fontes energéticas utilizadas nesta segunda fase da revolução industrial. O petróleo foi descoberto em 1859 e foi inicialmente utilizado para iluminação, só mais tarde como combustível no motor de explosão. Os derivados do petróleo tornam-se nos combustíveis do futuro. O aproveitamento industrial da electricidade deveu-se a uma série de invenções que permitiram a sua produção e transportes a grandes distancias. Tornou-se possível a utilização da electricidade na iluminação, que veio substituir o gás. A electricidade foi das conquistas mais marcantes da Revolução Industrial.

A aceleração dos transportes
Os transportes foram um elemento fundamental á industrialização. Os meios de transporte acompanharam o progresso tecnológico, adoptando desde logo uma das principais inovações da Revolução Industrial: a máquina a vapor. A principal inovação consistiu na aplicação da máquina a vapor na navegação e nos transportes ferroviários. Assistiu-se á expansão dos transportes ferroviários, que constituíram a principal maneira de transportes na segunda metade do século XIX. O êxito da máquina a vapor foi tão grande que os inventores tentaram aplicá-la ao transporte por estrada: em 1870 apresenta-se o primeiro protótipo de um carro a vapor, contudo, foi o motor de explosão que se revelou mais adequado. Em 1886, os automóveis rolavam pelas estradas a anunciar os novos tempos.

Concentração Industrial e Bancária
É a partir de 1870 que podemos falar, com propriedade, de uma “civilização industrial”. A era do capitalismo industrial aproxima-se do auge. Capitalismo Industrial  Sistema económico caracterizado pela concentração dos meios de produção (as fabricas) nas mãos de grandes proprietários que, dispondo de capital e recorrendo á exploração da mão-de-obra, transformaram a industria na principal fonte de obtenção de lucros. O desenvolvimento da industrialização provocou quer o crescimento das fábricas, quer a tendência para a sua concentração. A concentração industrial acelera-se na segunda metade do século. Constituíram-se dois tipos de concentrações:  a concentração horizontal, caracterizada pelo agrupamento de um conjunto de empresas que operava num sector especifico sob a mesma direcção (objectivo de evitar a concorrência);  a concentração vertical, caracterizada pela integração na mesma empresa de todas as fases da produção. O sistema bancário integra-se na dinâmica do mundo industrial, assistindo-se a um forte crescimento. Esta relação provocou a evolução do capitalismo industrial para o capitalismo financeiro.

A racionalização do trabalho
Produzir com qualidade e produzir a baixo preço tornaram-se as questões fundamentais a fim de obter do trabalho a máxima rentabilização. Frederick Taylor expôs o seu método para a optimização do rendimento da fábrica, que ficou conhecido por taylorismo. Assentava na divisão máxima do trabalho, seccionando-o em pequenas tarefas elementares e encadeadas. A cada operário caberia executar, repetidamente, apenas uma destas tarefas, que o trabalhador seguinte continuava. Cada operário seria treinado para uma única tarefa, especializando-se na sua execução. Henry Ford pôs em pratica as ideias de Taylor, aplicando-o à estandardização ( Padronização do processo de produção e dos produtos obtidos, conseguida pelo fabrico em série, com vista a tornar possível a produção em massa) da produção de automóveis, que foi um tremendo sucesso, apesar deste método ser alvo de criticas.

A geografia da Industrialização
Até meados do século XIX, a Inglaterra deteve a hegemonia económica a nível mundial pelos seguintes factores:  dispunha de mais potência em maquinas a vapor;  liderava a produção mundial do carvão, ferro e aço;  possuía a maior frota comercial do mundo;  etc. Sectores industriais mais avançados da Inglaterra: Têxtil, Siderurgia e Metalurgia

A afirmação de novas potencias
Na Europa, a Franca, a Alemanha, a Bélgica e a Suiça colocam-se no grupo dos países mais industrializados. Na América, agigantam-se os EUA. Na Ásia, o Japão é o único pais a industrializar-se.

A agudização das diferenças
O livre-cambismo Livre-cambismo  Defendia a não intervenção do Estado na economia, e a liberdade do comercio sem quaisquer restrições, designadamente barreiras alfandegárias. A expansão da revolução industrial foi acompanhada pelo triunfo das ideias livre-cambistas. No entanto, a liberdade de concorrência provocou a proliferação de produtos a baixo preço, o que afectou a economia. As crises cíclicas constituíram sistemáticos sobressaltos económicos e simultaneamente, fizeram crescer as desigualdades sociais. As crises capitalistas (geralmente de 10 em 10 anos) deviam-se essencialmente a um excesso de investimentos e de produção industrial.

Crises cíclicas  situação periódica de mau estar a nível da economia provocada por uma subida ou descida anormal dos preços, dos salários ou da produção. As crises contemporâneas são de superprodução: a procura diminui, a oferta aumenta, os preços e os salários baixam, aumenta o desemprego e diminui o nível de vida. A violência das crises e sobretudo os seus efeitos sociais puseram em evidencia as fragilidades do capitalismo liberal. Os mecanismos de resposta ás crises traduziram-se pelo incremento de politicas proteccionistas e pelo aumento da intervenção do estado na regulação da vida económica e social.

A sociedade industrial e urbana A explosão populacional
Explosão demográfica  Forte aceleração da taxa de crescimento da população mundial verificada a partir dos finais do século XVIII, relacionada sobretudo com a significativa redução da taxa de mortalidade. No século XIX, verificou-se um crescimento muito rápido e acentuado da população mundial e, em especial, da Europa industrializada, falando-se assim de uma explosão demográfica. Impôs-se assim, um novo modelo demográfico, que tinha como características: - o recuo da mortalidade; - o declínio da elevada natalidade; - aumento da esperança media de vida; - descida da idade do casamento A expansão da Revolução Industrial correspondeu a uma expansão da população, pelo que foram os países industrializados que revelaram mais cedo estas características demográficas. Factores da explosão populacional: - melhores cuidados médicos; - maior abundância de bens alimentares; - os progressos na higiene

Expansão urbana
As alterações demográficas e económicas originaram uma forte expansão urbana. Os principais factores da expansão foram: - o êxodo rural (as alterações na produção agrícola, ao dispensarem parte da mão-de-obra, levam a que o habitante da província procure a cidade) - a emigração (a população europeia foi responsável por diversas vagas de partida para as colónias dos continentes africano, americano e oceânico) - o crescimento dos sectores terciário e secundário (estes concentram-se nas cidades e requerem cada vez mais efectivos. A população activa dedicada ao sector primário diminui.) O intenso crescimento das cidades revelou um conjunto de novos problemas urbanos: o superpovoamento, a ausência de redes de esgoto e de abastecimento de água, o agravamento de fenómenos como a miséria, delinquência, prostituição, mendicidade.

Migrações internas e emigração
No século XIX ocorreram intensos movimentos populacionais. Migrações internas: - Deslocações sazonais (realizadas apenas em certas alturas do ano para locais onde era necessário um acréscimo da mão-de-obra); - Êxodo rural (movimento campo-cidade, fosse porque uma agricultura mecanizada dispensava mãode-obra ou porque uma agricultura de subsistência fornecia insuficientes rendimentos) Os Europeus espalharam-se pelo mundo fora em sucessivas vagas de emigração. Na origem deste fluxo migratório terão estado os seguintes factores: - a pressão populacional (os governos apoiavam politicas migratórias devido á excessiva concentração populacional);

- os problemas no mundo rural; - os problemas ligados á industrialização; - a revolução dos transportes (que embarateceu o preço das passagens); - a idealização dos países de destino (como por exemplo os E.U.A., que era visto como a terra das oportunidades); - a fuga a perseguições politicas e religiosas.

Unidade e diversidade da sociedade oitocentista Uma sociedade de classes
A sociedade de ordens do Antigo Regime, na qual o nascimento era o principal factor de distinção social, deu lugar á sociedade de classes da Época Contemporânea, em que os cidadãos, embora iguais perante a lei, se distinguem pelo dinheiro e por todas as vantagens que este permite conquistar. Na sociedade de classes, a mobilidade ascensional é mais frequente podendo ser conquistada por mérito individual. Nesta destacavam-se dois grandes grupos: - Burguesia (detentora do capital e dos meios de produção); - Proletariado (classe mais baixa que fornece o trabalho à organização industrial) Entre ambas, existe ainda as classes médias.

Condição Burguesa Alta Burguesia
A alta burguesia conquistou um poder equiparável ao seu estatuto económico pois alem de controlar os pontos-chave da economia, exercia cargos políticos. Ao nível dos comportamentos, os burgueses tentavam aproximar-se da aristocracia. A burguesia foi, pouco a pouco, definindo e impondo os seus próprios valores, tais como o apreço pelo trabalho, o sentido de poupança, a perseverança e a solidariedade familiar. Passou, então, a demonstrar orgulho pelo estilo de vida burguês (surgimento da consciência de classe, consciencialização colectiva em relação à posição ocupada por um estrato na hierarquia social).

Classes médias
As classes médias constituem o grupo mais heterogéneo e situam-se entre a alta burguesia e o proletariado. Englobam o conjunto de profissões que não dependem do trabalho físico, isto é, o chamado sector dos serviços. A sua composição integrava: - pequenos empresários da industria; - empregados comerciais; - profissionais liberais (em vez de terem um patrão, trabalhavam por conta própria. Ex: médicos, advogados, etc.) As classes médias eram defensoras dos valores da burguesia no intuito de permanecerem dentro desta classe. Tornaram-se assim, as classes mais conservadoras.

Condição operária
Proletariado  Classe operária que, sem meios de produção, vende a sua força de trabalho em troca de um salário. Os operários enfrentavam grandes problemas dentro e fora do seu local de trabalho: - elevado risco de acidentes de trabalho e doenças; - ausência de medidas de apoio social (sem direito a férias, o horário era puxado, não tinham subsídios de desemprego, velhice ou doença); - contratação de mão-de-obra infantil; - espaços de trabalho pouco saudáveis; - espaços de habitação sobrelotados e insalubres; - pobreza e todos os problemas a esta associados (desnutrição, doenças, prostituição, consumo elevado de bebidas alcoólicas, mendicidade)

O movimento operário
As primeiras reacções dos operários contra a sua condição miserável foram pouco organizadas. Com o passar do tempo, o movimento operário organizou-se para se tornar mais eficaz, revestindo duas

formas: - Associativismo (criação de associações que apoiavam os operários mediante o pagamento duma quota) - Sindicalismo (os sindicatos utilizavam como meios de pressão as manifestações e greves. A reivindicação do dia de trabalho de 8 horas, melhoria dos salários, direito ao descanso semanal, eram alguns dos objectivos que foram verificados em finais do século XIX.

As propostas socialistas
Socialismo  Ideologia surgida no século XIX como reacção ás desigualdades sociais geradas pela revolução industrial que, defendendo a abolição da propriedade privada, a gestão democrática aos meios de produção, procurava alcançar a igualdade no plano social. As condições de miséria em que viviam os proletários despertaram a vontade de intervenção social de pensadores da época. No séc. XIX a doutrina socialista criticava o sistema capitalista e propunha uma sociedade mais igualitária. Pode-se distinguir duas abordagens ao socialismo: - Socialismo Utópico (Proudhon defendia que os operários deviam trabalhar uns para os outros em vez de trabalharem para um patrão. Abolindo a propriedade privada e o Estado, pôr-se-ia fim á exploração de “homem para homem”. - Socialismo Marxista (Karl Marx analisou historicamente os modos de produção, tendo concluído que a luta de classes é um fio condutor que atravessa todas as épocas. Baseado neste pressuposto, expôs um plano de acção para atingir uma sociedade sem classes e sem Estado – o comunismo.

Princípios do Marxismo:
- a luta de classes é um traço fundamental de toda a História; - a sociedade burguesa será destruída quando o proletariado instaurar a “ditadura do proletariado”; - o Proletariado retirará o capital á burguesia e o capitalismo será destruído, pois todos os instrumentos de produção estarão nas mãos do Estado, e assim se construirá o comunismo. - os operários devem unir-se internacionalmente para fazer a revolução comunista. Apesar de chocar ideologicamente com outras propostas de remodelação da sociedade (como o proudhonismo), a doutrina marxista prevaleceu viva.

ESQUEMA SINTESE!
Século XIX

População

Sociedade

Ideologia

Revolução Demográfica

Sociedade de Classes

Socialista

-

explosão populacional novo modelo demográfico migrações internas emigração europeia expansão urbana

- hierarquização pelo estatuto económico - mobilidade social - miséria da classe operária - ascensão das classes medias - afirmação político-social da burguesia

- Movimento operário - Socialismo Utópico e marxista

A Evolução democrática, nacionalismo e imperialismo As transformações politicas
Desde o século XVIII foi implantado um sistema liberal moderado em vários países da Europa. Tratouse da eliminação dos regimes absolutistas e da sua substituição por monarquias constitucionais. A partir do terceiro quartel do séc. XIX, surgiu um novo entendimento do sistema liberal que daria origem às democracias representativas (demoliberalismo). Demoliberalismo  Sistema politico em vigor nos países da Europa Ocidental desde os finais do séc. XIX, que é caracterizado sobretudo por ser mais democrático através da extensão do direito de voto a camadas mais vastas da população.  Alguns países substituíram o sistema monárquico por um regime politico republicano (caso de Portugal, em 1910);  O sufrágio censitário foi substituído pelo sufrágio universal( direito de todos os cidadãos, sem distinção de sexo, raça, fortuna, votarem em eleições)  Para aperfeiçoar o sistema representativo, a idade do voto foi antecipada, o voto passou a ser secreto e os cargos políticos passaram a ser remunerados.

Os afrontamentos imperialistas
Imperialismo  Domínio que um Estado exerce sobre outros países, a titulo militar, politico, económico e cultural. Colonialismo  Domínio total exercido sobre territórios não-independentes (colónias). A Europa dominava o mundo. A expansão europeia insere-se numa estratégia de controlo de uma vasta extensão territorial com vista á satisfação das necessidades económicas das metrópoles. O caso mais evidente de imperialismo e de colonialismo ocorreu relativamente à ocupação do continente africano. Na Conferencia de Berlim (1884-85), os chefes de Estado europeus repartiram entre si o território africano sem atender ás fronteiras definidas pelos povos locais e impuseram o seu domínio. Definiram que a colonização só poderia assentar no princípio de ocupação efectiva e não pela primazia da descoberta (direito histórico). O objectivo era enriquecer os países mais poderosos pois as colónias eram fornecedoras de matéria-prima.

Portugal, uma sociedade capitalista dependente Uma nova etapa politica
Em 1851, instaurou-se uma nova etapa politica, designada por Regeneração. Este movimento estendeu-se até à implantação da Republica (1910) e procurava inverter o percurso de decadência que o país verificava até então.  Pretendia-se o progresso material do país, com o fomento do capitalismo aplicado ás actividades económicas;  Pretendia-se o estabelecimento da concórdia social e politica.

O Fontismo e a política de obras públicas
A politica de obras públicas no período da Regeneração foi designada por Fontismo devido á acção do ministro Fontes Pereira de Melo. Preocupado em recuperar o país do atraso económico, Fontes encetou uma politica de instalação de infra-estruturas e equipamentos, tais como estradas, caminhos-de-ferro, carros eléctricos, pontes, telefones, etc. Houve três grandes vantagens/resultados do investimento em transportes e meios de comunicação:  a criação de um mercado único nacional;  o fomento o agrícola e industrial;  alargamento das relações entre Portugal e a Europa evoluída.

A dinamização da actividade produtiva Linhas de força do fomento económico
 O fomento económico assentou na doutrina livre-cambista. Fontes era defensor da redução das tarifas aduaneiras argumentando que só a entrada de matérias-primas a baixo preço poderia favorecer a produção portuguesa.  A aplicação do liberalismo económico favoreceu a agricultura, onde a exploração capitalista se fazia sentir (o objectivo era aumentar a superfície cultivada e aproveitar mais as terras): - o desbravamento de terras; - a redução do pousio; - a abolição dos pastos comuns; - a introdução de maquinaria nos trabalhos agrícolas; - uso de adubos químicos.  Apesar do atraso económico de Portugal em relação a outros países desenvolvidos da Europa, registaram-se alguns progressos na indústria: - difusão da máquina a vapor; - desenvolvimento de diversos sectores da industria; - aumento da população operária; - aplicação da energia eléctrica á industria (já no século XX) No entanto, a economia padecia de alguns problemas que impediriam o crescimento industrial: - falta de certas matérias-primas; - carência da população activa no sector secundário; - falta de formação do operariado; - dependência do capital estrangeiro; - fraca competitividade internacional.

A crise financeira de 1880-1890
A Regeneração assentou o fomento económico sobre bases instáveis, o que originou uma crise financeira:  Livre-cambismo (abriu caminho á entrada de produtos industrializados a baixo preço, no entanto, não tinha condições de competitividade, pois a industrialização foi lenta e tardia. Em resultado, a balança comercial era negativa.)  Investimentos externos (grande parte do desenvolvimento português fez-se á custa de investidores estrangeiros, logo, as receitas originadas por esses investimentos não revestiram a favor de Portugal).  Empréstimos (o défice das finanças publicas agravou-se, e devido aos sucessivos empréstimos no país e no exterior, a divida publica duplicou. Com a falência do banco inglês, Portugal deixou de ter meios de lidar com a divida, declarando a bancarrota (ruína financeira) em 1892.

O surto industrial
No final do século XIX, a crise obrigou a uma reorientação da economia portuguesa que apostou nos seguintes vectores:  retorno á doutrina proteccionista (abandonando o Livre cambismo);  concentração industrial (através da criação de grandes companhias);  valorização do mercado colonial;  expansão tecnológica.

As transformações do regime politico
As principais razões que causaram a crise na monarquia foram:  a crise do rotativismo partidário (havia uma alternância, á frente do Governo, dos principais partidos monárquicos, o que, havendo uma falta de um programa coerente do Governo, desgastou a imagem da política.)

 A questão do Ultimato Inglês (em tempos de imperialismo, opuseram-se dois projectos de ocupação em África: o inglês, que pretendia unir os territórios ligando o Cairo ao Cabo, e o “Mapa cor-de-rosa” português, que pretendia ocupar os territórios entre as colónias de Angola e Moçambique. As intenções portuguesas chocavam com as intenções inglesas. A Inglaterra, assim, dirigiu um Ultimatum (última ordem) a Portugal, em 1890, em que impunha a retirada das forças portuguesas da zona em disputa. O governo português cedeu. A questão do Ultimato foi considerada um insulto ao orgulho nacional e contribuiu para criar, entre a opinião publica, a ideia de que a monarquia era incapaz de defender os interesses do país. Em 1891, houve uma primeira tentativa de derrubar a monarquia, porém, falhada);  A crise económica (o facto de se estar perante uma crise económica e irregularidades financeiras, provocou um grande descontentamento. Apesar do fomento industrial baseado no proteccionismo, os problemas estruturais mantinham-se como o atraso agrícola e a dependência externa.);  A difusão da ideologia republicana (o Partido Republicano foi fundado em 1876 e rapidamente conquistou a adesão das classes médias, vitimas da crise económica e descrentes da politica. Criticava profundamente o rei e o governo.)  A ditadura de João Franco (que governava com plenos poderes, pois D. Carlos dissolveu o Parlamento. Isto apenas veio reforçar o descontentamento com a monarquia.);  O regicídio (o assassinato do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, em 1908, mostrou, em evidencia, o total descrédito em que havia caído a monarquia. Após um golpe tão violento, foi impossível para D. Manuel II dar continuidade á monarquia. Foi o ultimo rei de Portugal.) A 4 de Outubro de 1910, eclodiu uma revolta republicana, e no dia seguinte, 5 de Outubro, foi proclamada a 1ª Republica Portuguesa.

ESQUEMA SINTESE PORTUGAL – REGENERAÇAO (1851-1910)

FONTISMO (1851-1886)
Politica de obras publicas Livre-cambismo Industrialização Capitalismo agrícola

FINAL DO SÉCULO XIX: SURTO INDUSTRIAL (INSUFICIENTE)
- Proteccionismo económico - Concentração empresarial - Expansão da revolução industrial - Comércio com as colónias

MECANISMOS DE DEPENDÊNCIA
- Investimentos externos - Competição dos países desenvolvidos - Empréstimos

CONTEXTO FAVORAVEL À QUEDA DA MONARQUIA

5-10-1910 INSTAURAÇAO DA RÉPUBLICA EM PORTUGAL

- Crise económica de 1880-90 - Ultimato Inglês - Difusão republicana e Regicídio

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