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Caderno de Informação

comunicação e imagem

² 17 de Novembro de 2004

Túnel do Rossio (#02)


Planta de implantação

Zona de Intervenção na Plataforma Zona de Intervenção Estrutural


Mantem-se a abóbada e hasteais existentes Nova estrutura em betão
Nova soleira em betão com carril embebido Nova soleira em betão com carril embebido

Abóbada

Hasteais

Soleira
REDE FERROVIÁRIA
NACIONAL REFER EP

REFER EP Pág. 01/08


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² 17 de Novembro de 2004

Túnel do Rossio
Cronologia das intervenções

Principais intervenções realizadas no Túnel do Rossio, no âmbito da


conservação e manutenção do mesmo, reportando aos documentos
históricos existentes na REFER:

1952 1990
Construção de uma soleira de betão desde a boca Reforço do hasteal, lado direito, ao km 0,900;
do lado da Estação do Rossio até ao km 0,700;
1991
1955 Reparação de dois troços experimentais de 200 m,
Foram realizadas intervenções de rebaixamento da entre os km 0,220 e 0,420 respeitante a trabalhos
plataforma, com vista à electrificação, entre cerca de impermeabilização da abóbada do túnel e
de 30 a 50 cm; entre os km 0,780 e 0,980 relativo à execução da
Neste mesmo ano, pelo motivo do rebaixamento, soleira em betão;
houve a reparação da cedência do hasteal direito
da via descendente, entre os km 1,920 e 1,960, 1993-1995
através da reconstrução em betão, do pé-direito, Impermeabilização e reforço, em 200 m, na zona
com a espessura necessária para colmatar a da boca de entrada (lado da Estação do Rossio);
cavidade no terreno; Reforço do Túnel na zona do atravessamento do
Túnel do Metropolitano (Linha Amarela) com
1967 recurso a pregagens, betão projectado, malha
Construção de um novo dreno para rebaixamento metálica e injecção do maciço;
das águas existentes ao nível da plataforma;
2001
1979 Ao km 0,900 houve a necessidade da demolição
O Laboratório Nacional de Engenharia Civil iniciou a das alvenarias dos pés-direitos de ambos os
primeira campanha de observação e monitorização hasteais, para a execução de contrafortes e
(convergenciometria) no túnel; instalação de ancoragens com 540 kN e
comprimento total de 15 m. Houve ainda lugar à
1983 betonagem de cortinas intercalares e de uma viga
Reforço do hasteal, lado esquerdo, ao km 0,900, com de topo para suporte da abóbada entre
a aplicação de duas fiadas de ancoragem pré- contrafortes;
-esforçadas a 200 kN; Neste ano deu-se início à monitorização de seis
daquelas ancoragens através de células de carga.
1987
Reforço do hasteal, lado direito, ao km 0,900, com a
aplicação de duas fiadas de ancoragem pré-
-esforçadas a 245 kN;

Todas estas acções resultaram do


acompanhamento pormenorizado e
sistemático do comportamento estrutural do
Túnel.

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Túnel do Rossio
Reforço Estrutural
No passado dia 22 do mês de Outubro a REFER tomou
a decisão de encerrar o Túnel do Rossio, por questões
relacionadas com a segurança da exploração
ferroviária do mesmo.

Esta decisão foi tomada com base em relatórios de


inspecção ao Túnel realizados quer pelo
Departamento de Túneis da Direcção de Estruturas
Especiais da REFER quer pelo Laboratório Nacional de
Engenharia Civil (LNEC), bem como na análise dos
resultados obtidos pela inspecção através de laser
scanner e termografia realizada ao Túnel do Rossio em
Maio deste ano (bem assim como aos restantes 86
túneis da rede activa).

De entre as várias anomalias existentes no Túnel do


Rossio, evidenciou-se uma, normalmente
denominada zona aplanada, localizada ao PK 2,020
e com uma extensão de sensivelmente 30m, que se
considerou em situação muito grave, podendo a
qualquer altura entrar em colapso com as
consequências daí resultantes em termos de vidas
humanas e bens materiais.

Nessa zona, onde ocorreu um abatimento do tecto


em 1926, é manifesta a preocupação do LNEC
quando refere no seu relatório: “Considera-se que a
situação se tem vindo a agravar, com sinais visíveis de
humidade e de grande afluxo de argila na plataforma
da via-férrea. A não resolução destes problemas
pode vir a originar incidentes ou acidentes graves de
consequências imprevisíveis para pessoas e bens.”

Acresceu ainda o facto de se ter revelado através da


inspecção por laser scanner que a referida secção
aplanada apresentava já uma deformação na
abóbada que indiciava o início de um mecanismo de
rotura por formação de rótula plástica.

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Assim, e na sequência da tomada de decisão de


encerramento, foi nomeada pelo C. A. da REFER uma
comissão de peritos, designada Grupo de
Acompanhamento, composta pelo Sr. Dr. António
Flores de Andrade, Inspector-Geral de Obras Públicas
em representação do MOPTC, pelo Sr. Eng.º
Segadães Tavares em representação da Ordem dos
Engenheiros, e pelo Sr. Prof. Matos Fernandes em
representação da REFER, que analisou a
documentação existente sobre o Túnel, juntamente
com o Departamento de Túneis e o LNEC, tendo
produzido um relatório onde considerou que para a
reabertura do Túnel em condições de segurança se
torna indispensável proceder a um reforço estrutural
em quatro zonas consideradas críticas, apontando
para um suporte resistente contínuo envolvendo todo
o perímetro da secção do Túnel.

Tendo em conta este parecer foram então Esta intervenção terá um custo global
analisados, técnica e economicamente, vários estimado em 49.500.000 euros, incluindo
cenários de intervenção, tendo a opção final, com a projecto, fiscalização e acções
aprovação do C.A., recaído na seguinte solução: complementares, estando prevista a
reabertura do Túnel à circulação ferroviária
. Intervenção estrutural por construção de uma em Junho de 2006.
secção fechada em betão armado no interior do
Túnel, numa extensão de cerca de 1.226 metros, Neste momento encontramo-nos na fase de
nas quatro frentes referidas anteriormente, desenvolvimento do projecto de execução,
mantendo o actual gabari de circulação; estando a colaborar com a REFER nesta
matéria um grupo de técnicos externos de
. Construção em toda a extensão (2.613 metros) de reconhecido mérito nas várias
uma plataforma de via contínua em betão, com especialidades de intervenção no Túnel.
via embebida, viabilizando um acesso rodoviário
em caso de necessidade, constituindo
igualmente um elemento de rigidez importante
para a estabilidade estrutural do Túnel;

. Instalação de um sistema de monitorização


automática com transmissão remota de dados,
permitindo o controlo permanente de medição
das deformações e abertura de fendas no Túnel;

. Instalação de novos equipamentos de segurança


passiva: coluna seca em toda a extensão do
Túnel, sistemas de ventilação e desenfumagem
verticais e longitudinais e uma escapatória
vertical situada a meio do Túnel, por alargamento
de uma chaminé de ventilação existente.

Extracto do relatório da Direcção de Estruturas Especiais


de acompanhamento do Relatório do LNEC

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Túnel do Rossio
Extracto do Relatório do LNEC
Apresenta-se, neste relatório, o sistema de observação
do túnel do Rossio, bem como resultados de
observações que têm sido efectuadas pelo Túneis praticamente sem problemas, subdivididos em
Laboratório, quer para o túnel na sua globalidade, IA e IB que correspondem, respectivamente, a
quer para as obras de reforço e de reabilitação que situações sem anomalias e com anomalias pouco
foram conduzidas para a zona do atravessamento por significativas; ii) Grupo II - Túneis sem problemas graves;
um túnel do Metropolitano de Lisboa e para zona e iii) Grupo III - Túneis com problemas graves. O túnel do
reabilitada ao km 0,900. Rossio está indubitavelmente classificado no Grupo III.
As anomalias englobadas neste grupo devem ser
O túnel do Rossio constitui uma obra importante no consideradas de significado elevado ou mesmo
sistema de transportes da cidade de Lisboa, pelo que inaceitáveis, pelo que se considera ser necessário
se reveste de importância fundamental neste sistema. efectuar, com mais ou menos urgência, obras de
Este túnel, tal como a generalidade dos túneis da rede reabilitação estrutural, que podem envolver a
ferroviária nacional, é centenário, tendo sido reabilitação integral do túnel do Rossio de modo a
construído no final do século XIX. Pela sua antiguidade, corrigir todas as anomalias verificadas.
quase todas as situações de dano podem ocorrer. São,
por exemplo, as que derivam de uma certa Com base nas observações provenientes das
descompressão em tomo da cavidade, relacionadas medições efectuadas pelo LNEC e nas inspecções
com as sucessivas desconsolidações associadas às regulares realizadas, é possível concluir que:
várias fases construtivas dos métodos construtivos
então utilizados, sendo o método belga o mais O túnel apresenta anomalias graves na zona
comum. A zona descomprimida tem uma espessura, especial ao km 2,020, onde ocorreu um abatimento
em média, de 3 a 4m, podendo ocorrer nessa região e se verificam quedas de placas de reboco e placas
vazios e, em particular, entre o suporte e o maciço. As soltas no tecto. Considera este Laboratório ser
anomalias evidenciadas nos suportes podem estar imperioso e urgente proceder ao reforço e
relacionadas com a ocorrência desses vazios, a reabilitação deste trecho do túnel, devendo a REFER
existência de juntas desguarnecidas, a imperfeição da proceder a inspecções frequentes ao local referido e
abóbada e uma impermeabilização e drenagem introduzir limitações de velocidade à circulação
ineficiente. A evolução da degradação dos suportes ferroviária, enquanto não se proceder à execução
com o tempo está associada à presença da água e ao de obras de reforço. Considera-se que a situação se
ataque químico das águas infiltradas, à erosão eólica tem vindo a agravar, com sinais visíveis de humidade
provocada pela passagem dos comboios. A acção e de grande afluxo de argila na plataforma da via-
dinâmica devido à circulação dos comboios é -férrea. A não resolução destes problemas pode vir a
relevante na plataforma sobretudo nos trechos onde originar incidentes ou acidentes graves de
existem formações argilosas e margosas na fundação. consequências imprevisíveis para pessoas e bens.
Assinalam-se, também, pela sua relevância, as acções
provenientes das forças transmitidas pelo maciço ao ...
suporte, que podem provocar o lasqueamento e a
fracturação dos elementos de alvenaria e causar, Em conclusão, considera este Laboratório que, por
também, grandes deformações e mesmo a ruína do se tratar de um túnel ferroviário centenário e
suporte, como aconteceu na zona reabilitada ao km constituir um elemento essencial no acesso à cidade
0,900. de Lisboa, que se deve proceder com brevidade à
execução de um processo global de consolidação,
Os túneis ferroviários têm sido classificados pelo LNEC reforço e reabilitação do túnel do Rossio. Deverá,
consoante as anomalias detectadas, com base nos ainda, ser ponderada a instalação de um sistema
seguintes grupos (Oliveira e Sousa, 2003): i) Grupo I - automático de monitorização, primeiro na zona
especial de atravessamento do túnel ferroviário, a
estender posteriormente para todo o túnel. Este
sistema poderá ser baseado na utilização de
electroníveis ou de sensores com fibras ópticas.

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Túnel do Rossio
Grupo de Acompanhamento. Parecer Nº1

Grupo de Acompanhamento do processo de definição, por parte da REFER, do grau de


intervenção e respectiva calendarização a ter em conta nos trabalhos a desenvolver no
Túnel do Rossio, com vista a garantir a sua segurança imediata, bem como dos estudos e
projectos e da obra de reabilitação total do túnel, caso venha a ser essa a solução
adoptada, doravante designado por GRUPO DE ACOMPANHAMENTO DO TÚNEL DO ROSSIO

PARECER N° 1

A solicitação da Administração da REFER, o Grupo de 4. Para a reabertura do túnel considera-se


Acompanhamento emite o Parecer que segue, na altamente recomendável que se
sequência de: proceda:
. Reunião de trabalho com o corpo técnico da
REFER (26/10/04); . À aplicação de medidas em
. Reunião de trabalho com técnicos do determinados troços, facilmente
Laboratório Nacional de Engenharia Civil identificáveis, destinadas a controlar
(27/10/04); as infiltrações de água através do
. Estudo do último Relatório do LNEC sobre a suporte do túnel
observação do túnel do Rossio, datado de
Agosto de 2004; . À instalação de um sistema de
. Visita ao túnel, desenvolvida na sua extensão monitorização automática, que
total, nos dois sentidos, acompanhada por permita a observação em
técnicos da REFER (27/10/04). permanência do comportamento
estrutural do túnel
Com base nos elementos recolhidos e na reflexão
conjunta a que procederam, os signatários podem, . À aplicação de medidas destinadas
desde já, expressar as opiniões que abaixo são a melhorar as condições de
enumeradas: segurança da exploração ferroviária
do túnel.
1. A interdição do túnel ao tráfego normal de
comboios de passageiros, decidida pela REFER em
22/10/2004, não oferece qualquer contestação. Lisboa, 27 de Outubro de 2004
O Grupo de Acompanhamento
2. Para a reabertura do túnel considera-se
indispensável proceder a um reforço estrutural em Sr. Dr. António Flores de Andrade
certas zonas. É possível desde já apontar quatro Em representação do Ministério das Obras Públicas,
delas, consideradas críticas: Transportes e Comunicações
. A zona mais próxima do emboquilhamento
junto à Estação do Rossio Sr. Engº Segadães Tavares
. A zona ao km 0+900 Em representação da Ordem dos Engenheiros
. A zona junto ao cruzamento com o túnel do
Metro Marquês de Pombal/Rato Sr. Prof. Matos Fernandes
. A zona ao km 2+020. Em representação da Rede Ferroviária Nacional REFER, EP

3. Em termos conceptuais, o reforço estrutural nas


zonas acima mencionadas mais aconselhável
deveria consistir num suporte resistente contínuo
envolvendo todo o perímetro da secção do
túnel.

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Túnel do Rossio
Números Característicos

Designação

Boca do Rossio km 0,194

Boca de Campolide km 2,807

Comprimento Total 2 613m

Desnível entre Campolide e o Rossio 24,26m

Pendente Média 1%

Perfil Abobadado 8m x 6m (lxh)

Soleira Betão nos 580m iniciais e entre os km 0,780 e 0,980

Distâncias Altimétricas (na vertival)


entre o Eixo da Abóbada e a Superfície

Calçada da Glória 2,0m

Rua Braamcamp/Soleira do metropolitano 26,5m/3,0m

Av. Engenheiro Duarte Pacheco 57,1m

Rua Marquês de Fronteira 62,5m

Campolide (Av. Calouste Gulbenkian) 11,0m

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Túnel do Rossio
Roteiro de Intervenção

Designação Pk Início Pk Fim Extensão Laje de Fundo Hasteal Abóbada Solução


metros

Boca de Entrada 000+194 000+222 28 Tem Novo Nova Secção fechada


Septo central Fixação directa nas Túnel duplo
travessas

Boca de Entrada 000+222 000+400 178 Tem Novo Nova Secção fechada
Fixação directa nas Túnel largo
travessas

000+400 000+728 328 Tem Novo Nova Secção fechada

000+728 000+830 102 Nova Novo Nova Secção fechada

Laje Experimental 000+830 000+891 61 Tem Novo Nova Secção fechada

Ancoragens 000+891 000+927 36 Tem Tem Nova Secção fechada

Laje Experimental 000+927 000+980 53 Tem Novo Nova Secção fechada

000+980 001+225 245 Mantém Mantém Mantém Sem intervenção estrutural

Cruzamento 001+225 001+255 30 Nova Mantém Mantém Laje de soleira


do Metropolitano

001+255 001+345 90 Mantém Mantém Mantém Sem intervenção estrutural

001+345 001+395 50 Nova Novo Nova Secção fechada

001+395 001+760 365 Mantém Mantém Mantém Sem intervenção estrutural

Zona Aplanada 001+760 002+120 360 Nova Novo Nova Secção fechada

002+120 002+808 688 Mantém Mantém Mantém Sem intervenção estrutural

Extensão Total 1 226


da Intervenção

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