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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE TECNOLOGIA
CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

TRANSMISSÃO DE CALOR

Atualizado por:
Prof. Ademar Michels
Aluno Msc. Maruí Samuel F. dos Santos
Aluno Grad. Anderson Fávero Porte

Santa Maria, RS, Brasil


Apostila de Transmissão de Calor 2
Apostila de Transmissão de Calor 3

Sumário:

1) GENERALIDADES ____________________________________________ 7
1.1) Introdução ________________________________________________ 7
1.2) Regimes de Transmissão de Calor _____________________________ 8
1.3) Formas de Transmissão de Calor ______________________________ 9
1.3.1) Transferência de Calor por Condução _______________________ 9
1.3.2 Transferência de Calor por Convecção ______________________ 15
1.3.3) Transferência de Calor por Radiação ____________________ 16
2) CONDUÇÃO UNIDIMENSIONAL EM REGIME PERMANENTE ________ 18
2.1) Introdução _______________________________________________ 18
2.2) A Parede Plana ___________________________________________ 18
2.3) Isolantes e o Fator R _______________________________________ 20
2.4) Sistemas Radiais – Cilindros ________________________________ 20
2.5) O Coeficiente Global de Transferência de Calor _________________ 22
2.6) Espessura Crítica de Isolamento _____________________________ 23
2.7) Sistemas com Geração de Calor _____________________________ 24
2.7.1) Parede plana com geração de calor _______________________ 25
2.7.2) Cilindro com Geração de Calor ___________________________ 26
2.8) Sistemas com Condução e Convecção – Aletas _________________ 28
2.8.1) Aletas Longas _________________________________________ 30
2.8.2) Aletas com Perda de Calor Desprezível na Ponta _____________ 31
2.8.3) Aletas com Convecção na Ponta __________________________ 32
2.9) Eficiência da Aleta_________________________________________ 33
3 CONDUÇÃO TRANSIENTE E USO DE CARTAS DE TEMPERATURA ___ 36
3.1) Análise Global do Sistema __________________________________ 36
3.2) Condição de Contorno Mista ________________________________ 39
3.3) Placa – Emprego das Cartas de Temperatura Transiente __________ 40
3.3.1) Equações Adimensionais ________________________________ 41
3.3.2) Carta de Temperatura Transiente numa Placa ______________ 43
3.4) Cilindro Longo e Esfera – Emprego das cartas de temperaturas
transientes __________________________________________________ 45
3.4.1) Carta de Temperaturas Transientes num Cilindro Longo _______ 45
3.4.2) Carta de Temperaturas Transientes numa Esfera _____________ 47
4) CONVECÇÃO – CONCEITOS E RELAÇÕES BÁSICAS ______________ 50
4.1) Escoamento Sobre um Corpo ________________________________ 51
4.1.1) Camada Limite Cinética _________________________________ 51
4.1.2) Coeficiente de Arraste e Força de Arraste ___________________ 53
4.1.3) Camada Limite Térmica _________________________________ 54
4.1.4) Coeficiente de Transferência de Calor ______________________ 55
4.1.5) Relação entre cx e h(x) __________________________________ 56
4.2) Escoamento no Interior de um Duto ___________________________ 57
4.2.1) Camada Limite Cinética _________________________________ 57
4.2.2) Fator de Atrito e Perda de Carga __________________________ 58
4.2.3) Camada Limite Térmica _________________________________ 60
4.2.4) Coeficiente de Transferência de Calor ______________________ 61
4.3) Parâmetros Adimensionais __________________________________ 63
Apostila de Transmissão de Calor 4

4.4) Temperatura dinâmica devido ao movimento do fluido pela diferença de


temperatura _________________________________________________ 64
5) CONVECÇAO FORÇADA NO ESCOAMENTO NO INTERIOR DE DUTOS 65
5.1) Escoamento no Interior de um Tubo Circular ____________________ 65
5.1.1) Fator de Atrito _________________________________________ 65
5.1.2) Coeficiente de Transferência de Calor. _____________________ 67
5.1.3) Fluxo de Calor Constante. _______________________________ 68
5.1.4) Parede com Temperatura Constante. ______________________ 70
5.1.5) Estimativa das Propriedades Físicas. ______________________ 70
5.1.6) Média Logarítmica e Média Aritmética das Diferenças de
Temperaturas. _____________________________________________ 71
5.2) Escoamento no Interior de Dutos com Diversas Seções Retas
Transversais _________________________________________________ 71
5.2.1) Comprimentos da Entrada Hidrodinâmica e da Térmica ________ 71
5.3 Escoamento Turbulento no Interior de Dutos ____________________ 74
5.3.1) Fator de Atrito e Perda de Carga __________________________ 74
5.4) Coeficiente de Transferência de Calor _________________________ 76
5.4.1) Equação de Colburn. ___________________________________ 76
5.4.2) Equação de Dittus-Boelter. ______________________________ 77
5.4.3) Equação de Sieder e Tate. _______________________________ 77
5.4.4) Equação de Petukhov. __________________________________ 77
5.4.5) Equação de Nusselt. ___________________________________ 78
5.4.6) Equação de Notter e Sleicher. ____________________________ 78
5.5) Transferência de Calor nos Metais Líquidos ____________________ 79
5.5.1) Fluxo de Calor Uniforme nas Paredes ______________________ 80
5.5.2) Temperatura Uniforme nas Paredes _______________________ 80
6) CONVECÇÃO FORÇADA NO ESCOAMENTO SOBRE CORPOS ______ 82
6.1) Coeficiente de Transferëncia de Calor no Escoamento Sobre Uma Placa
Plana ______________________________________________________ 82
6.1.1) Metais Líquidos num Escoamento Laminar __________________ 82
6.1.2) Fluidos Ordinários em Escoamento Laminar _________________ 86
6.1.3) Escoamento Turbulento _________________________________ 91
6.2) Escoamento Transversal a um Cilindro Circular Isolado ___________ 93
6.2.1) Coeficiente de Arraste __________________________________ 94
6.2.2) Coeficiente de Transferência de Calor ______________________ 95
6.3) Escoamento em torno de uma esfera isolada ___________________ 98
6.3.1) Coeficiente de Arraste __________________________________ 98
6.3.2) Coeficiente de Transferência de Calor ______________________ 99
6.4) Escoamento através de feixes de tubos _______________________ 100
7) TROCADORES DE CALOR ___________________________________ 103
7.1) Classificação dos Trocadores de Calor _______________________ 103
7.1.1) Classificação pelo Processo de Transferência ______________ 104
7.1.2) Classificação de Acordo com a Compacticidade _____________ 105
7.1.3) Classificação pelo Tipo de Construção ____________________ 106
7.1.4) Classificação Segundo a Disposição das Correntes __________ 111
7.1.5) Classificação pelo Mecanismo de Transferência de Calor _____ 113
7.2) Distribuição de Temperatura nos Trocadores de Calor ___________ 115
7.3) Coeficiente de Transferência de Calor Global __________________ 118
7.3.1) Fator de Incrustação __________________________________ 120
7.4) O Método DTML para Análise dos Trocadores de Calor __________ 122
Apostila de Transmissão de Calor 5

7.5) Correção da DTML em Trocadores com Correntes Cruzadas e


Multipasse _________________________________________________ 125
7.6) Método ε -NUT para Análise dos Trocadores de Calor ___________ 127
7.6.2) Relação ε -NUT ______________________________________ 130
7.6.3) Significado Físico do NUT ______________________________ 132
7.6.4) Emprego das relações ε -NUT ___________________________ 133
7.6.5) Problema do Dimensionamento. _________________________ 134
7.7) Trocadores de Calor Compactos ____________________________ 135
7.7.1) Perda de Carga em Trocadores com Aletas de Chapa Contínua 138
7.7.2) Perda de Carga em Trocadores de Tubos Aletados __________ 139
7.8) Otimização dos Trocadores de Calor _________________________ 139
7.8.1) Problema do Cálculo da Capacidade ______________________ 141
7.8.2) Problema de Dimensionamento __________________________ 141
7.8.3) Problema da Otimização _______________________________ 141
8) RADIAÇÃO ENTRE SUPERFÍCIES NUM MEIO INERTE ____________ 142
8.1) Natureza da radiação térmica _______________________________ 142
8.2) Radiação do corpo negro __________________________________ 144
8.2.1) Poder Emissivo do Corpo Negro _________________________ 146
8.2.2) Lei de Stefan-Boltzmann _______________________________ 148
8.2.3) Funções de Radiação do Corpo Negro ____________________ 150
8.3) Propriedades Radiantes das Superfícies ______________________ 151
8.3.1) Lei de Kirchhoff ______________________________________ 153
8.3.2) Corpo Cinzento_______________________________________ 154
8.3.3) Emissividade ________________________________________ 155
8.3.4) Poder de Absorção ____________________________________ 155
8.3.5) Refletividade _________________________________________ 156
8.3.6) Poder Transmissor ____________________________________ 156
8.4) Radiação Solar __________________________________________ 157
8.4.1) Radiação Solar que Chega à Terra _______________________ 159
8.5) Conceito de Fator de Forma ________________________________ 160
8.5.1) Fator de Forma entre duas Superfícies Elementares _________ 161
8.5.2) Fator de Forma de Superfícies Finitas _____________________ 162
8.5.3) Propriedades dos Fatores de Forma ______________________ 164
8.6) Métodos para Determinar Fatores de Forma ___________________ 165
8.6.1) Álgebra dos Fatores de Forma ___________________________ 171
Apostila de Transmissão de Calor 6
Apostila de Transmissão de Calor 7

1) GENERALIDADES

1.1) INTRODUÇÃO

Sempre que um corpo está a uma temperatura maior que a de outro ou,
inclusive, no mesmo corpo existam temperaturas diferentes, ocorre uma cessão de
energia da região de temperatura mais elevada para a mais baixa, e a esse fenômeno
dá-se o nome de transmissão de calor.
O objetivo de presente curso é estudar as leis e os princípios que regem a
transmissão de calor, bem como suas aplicações, visto que é de fundamental
importância, para diferentes ramos de Engenharia, o domínio dessa área de
conhecimento. Assim como o Engenheiro Mecânico enfrente problemas de refrigeração
de motores, de ventilação, ar condicionado etc., o Engenheiro Metalúrgico não pode
dispensar a transmissão de calor nos problemas relacionados a processos
pirometalúrgicos ou hidrometalúrgicos, ou nos projetos de fornos ou de regeneradores.
Em nível idêntico, o Engenheiro Químico ou Nuclear necessita da mesma ciência
em estudos sobre evaporação, condensação ou em trabalhos de refinaria e reatores,
enquanto o Eletricista a utiliza no cálculo de transformadores e geradores e o
Engenheiro Naval aplica em profundidade a transmissão de calor em caldeiras,
máquinas térmicas, etc. Até mesmo o Engenheiro Civil e o arquiteto, especialmente em
países frios, sentem a importância de, em seus projetos, preverem tubulações interiores
nas alvenarias das edificações, objetivando o escoamento de fluidos quentes, capazes
de permitirem conforto maior mediante aquecimento ambiental.
Esses são, apenas, alguns exemplos, entre as mais diversas aplicações que a
Transmissão de Calor propicia no desempenho profissional da Engenharia.
Conforme se verá no desenvolvimento da matéria, é indispensável aplicar
recursos de Matemática e de Mecânica dos Fluidos em muitas ocasiões, bem como se
perceberá a ligação e a diferença entre Transmissão de calor e Termodinâmica..
A Termodinâmica relaciona o calor com outras formas de energia e trabalha com
sistemas em equilíbrio, enquanto a Transmissão de calor preocupa-se com o
mecanismo, a duração e as condições necessárias para que o citado sistema atinja o
equilíbrio.
É evidente que os processos de Transmissão de Calor respeitem a primeira e a
segunda Lei da Termodinâmica, mas, nem por isto, pode-se esperar que os conceitos
básicos da Transmissão de calor possam simplesmente originar-se das leis
fundamentais da Termodinâmica.
Evidente também é, sem dúvida, que o calor se transmite sempre no sentido da
maior para a menor temperatura, e só haverá transmissão de calor se houver diferença
de temperatura, da mesma forma que a corrente elétrica transita do maior para o menor
potencial e só haverá passagem de corrente elétrica se houver uma diferença de
potencial; percebe-se, de início, sensível analogia entre os fenômenos térmico e
elétrico, o que é absolutamente correto, pois que, de fato, o fenômeno é de transporte e
pode ser, inclusive, estudado de forma global, como calor, eletricidade, massa,
quantidade de movimento, etc., resultando daí a absoluta identidade entre as diferentes
leis que comandam deferentes setores do conhecimento humano.
Apostila de Transmissão de Calor 8

1.2) REGIMES DE TRANSMISSÃO DE CALOR

Seja uma parede em forma de paralelepípedo, com todas as faces suficientemente


isoladas, exceto duas opostas e paralelas; de início estas faces estão à mesma
temperatura Ti, logo não há transmissão de calor através da parede. Em determinado
instante, eleva-se subitamente uma das faces à temperatura Tf e haverá transporte de
calor na direção x (Fig. 1.4)

Fig. 1.4

Imaginando-se que Ti e Tf sejam temperaturas mantidas inalteradas, haverá, para


cada instante t que se considere, uma curva representativa de T = f(x), isto é, um
mesmo ponto de uma mesma seção reta terá temperaturas diferentes no decorrer do
tempo, daí as curvas para os tempos t1, t2, t3, etc. Desde que se conservem Ti e Tf,
ocorrerá um determinado momento, a partir do qual os pontos de uma mesma seção
reta não mais variarão sua temperatura com o tempo.
Com esse exemplo é possível caracterizar os dois regimes em que podem suceder
as formas de transmissão de calor.
Durante o período em que um mesmo ponto da parede alterou sua temperatura
com o tempo, diz-se que a parede estava em regime transitório, e, quando a
temperatura do mesmo ponto conservou-se constante, diz-se que na parede reinava
regime estacionário ou permanente; são esses os dois regimes de transmissão de
calor.
O regime transitório pode ser particularmente um caso de periodicidade, no qual as
temperaturas de um mesmo ponto variem ciclicamente segundo uma determinada lei,
como, por exemplo, uma variação senoidal ou a variação da temperatura na cobertura
de um edifício, exposta dia e noite às condições atmosféricas. A esse regime costuma-
se denominar regime periódico.
Apostila de Transmissão de Calor 9

É possível, e inclusive muito útil, definir regime estacionário e regime transitório em


termos de fluxo de calor. Assim, regime estacionário é aquele em que o fluxo de calor é
constante no interior da parede, pois os pontos interiores já apresentam saturação
térmica e não alterarão mais suas temperaturas, logo o fluxo de calor que entra é igual
ao fluxo de calor que sai; e regime transitório é aquele em que o fluxo de calor é
variável nas diferentes seções da parede ou, em outras palavras, o fluxo que entra é
diferente do fluxo de calor que sai.

1.3) FORMAS DE TRANSMISSÃO DE CALOR

Existem três formas de transmissão de calor: condução, convecção e radiação.


Tais formas são fundamentalmente diferentes, regidas por leis próprias, mas que,
na realidade, podem ocorrer em simultaneidade, o que torna, por vezes, muito
complexa a solução absolutamente exata de um problema de transmissão de calor.
O bom senso do engenheiro, sua experiência e o adequado conhecimento da matéria
ensejar-lhe-ão a oportunidade de desprezar uma ou até duas formas de transmissão de
calor, no projeto ou num problema de Engenharia, desde que as formas não
consideradas tenham presença insignificante, não ocasionando falhas nos resultados
finais e oferecendo, autenticamente, uma solução de Engenharia não deixando um
problema sem solução, dada a preocupação com a exatidão, que, conforme se poderá
perceber no desenvolvimento de assunto, é em várias ocasiões, absolutamente
dispensável.
Em capítulos seguintes será estudada, em detalhe, cada uma das formas de
transmissão de calor, mas cabe aqui definir corretamente as diferenças entre as três
citadas, para que o acompanhamento do assunto possa ser feito com maior segurança
e categoria.

1.3.1) Transferência de Calor por Condução

Quando existe um gradiente de temperatura num corpo, a experiência mostra


que ocorre uma transferência de energia de alta temperatura para a região de baixa
temperatura. Diz-se que a energia é transferida por condução e a taxa de transferência
de calor por unidade de área é proporcional ao gradiente normal de temperatura

q ∂T

A ∂x

Quando a constante de proporcionalidade é inserida

∂T
q = − kA 1-1
∂x
Aposstila de Tra
ansmissão
o de Calor 10

onde e q é a taaxa de transferência a de calor e ∂T/∂x é o gradiente de tem mperatura na


direçção do fluxxo de calo
or. A consttante posittiva k é ch
hamada co de térmica do
ondutividad
mate erial, send
do o sinal de meno os inserido o para saatisfazer o segundo princípio da
term
modinâmica a, ou seja, o calor de
eve fluir no sentido da
a temperattura decrescente, co
omo
indiccado no sisstema de coordenada
c as da Fig. 1-1

Fig
g. 1-1 Esque
ema mostra
ando a direç
ção do fluxo de calor

A equa ação 1-1 é chamad da de lei de Fourrier da co ondução de d calor, em


hommenagem ao a físico matemátic
m o francês Joseph Fourier
F ue trouxe contribuiçõ
qu ões
significativas ao tratam mento analítico da transferên ncia de ca alor por condução.. É
impoortante obsservar quee a Eq. 1-1 é a equaçção de deffinição de ccondutividaade térmic
ca e
o
que k tem unidade de e watt po or metro por grau Celsius [W/(m. C)] no Siste ema
Interrnacional d
de Unidade es (SI).
O problema a ser tratado agora
a é o da determminação da d equação o básica que
q
goveerna a trannsferência de calor através
a de um sólidoo utilizando
o a Eq. 1-11 como po onto
de partida.
p
Consideere o sistem
ma unidimmensional mmostrado na
n Fig. 1-2 2. Se o sisttema está em
regim
me perman nente, isto
o é, se a te
emperatura a com o tempo, então o proble
a não varia ema
é simmples devvendo-se somente
s in E 1-1 e substituir os valores
ntegrar a Eq. s apropriaddos
paraa a soluçãoo nas quanntidades deesejadas. E
Entretanto, se a temperatura do sólido va aria
com o tempo,, ou se exxistem fontes ou sumidouros de calor n no interior do sólido
o, a
situa
ação é ma ais complicada. Con nsideremoss o caso geral ond de a temp peratura poode
varia
ar com o tempo e fontes de calor pod dem ocorrrer no inte erior do co orpo. Paraa o
elemmento de espessura dx,d o seguinte balançço de enerrgia pode sser feito:
Apostila de Transmissão de Calor 11

Fig. 1-2 Volume elementar para a análise da condução de calor unidimensional

Energia conduzida para dentro pela face esquerda + calor gerado no interior do
elemento = variação de energia interna + energia conduzida para fora pela face direita.
Estas quantidades de energia são dadas pelas seguintes expressões:
Energia conduzida para dentro pela face esquerda:

∂T
q x = − kA
∂x

Calor gerado no interior do elemento: qx = q& Adx

∂T
Variação da energia interna: ∆E = ρcA dx
∂τ

Energia conduzida para fora pela face direita:

∂T ⎡ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ ⎤
q x +dx = − kA ]x +dx = − A ⎢k + ⎜ k ⎟dx ⎥
∂x ⎣ ∂x ∂x ⎝ ∂x ⎠ ⎦

onde q& = energia gerada por unidade de volume


c = calor específico do material
ρ = densidade

A combinação das relações acima fornece:


∂T ∂T ⎡ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ ⎤
− kA + q& Adx = ρcA dx − A ⎢k + ⎜k ⎟dx ⎥
∂x ∂τ ⎣ ∂x ∂x ⎝ ∂x ⎠ ⎦
∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T
ou ⎜k ⎟ + q& = ρc 1-2
∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂τ
Apostila de Transmissão de Calor 12

Esta é equação da condução de calor unidimensional. Para tratar do fluxo


de calor em mais de uma dimensão deve-se considerar o calor conduzido para
dentro e para fora do volume elementar em todas as três direções coordenadas,
como mostrado na Fig. 1-3. O balanço de energia conduz a:

Fig.1.3

dE
q x + q y + q z + q ger = q x +dx + q y +dy + q z +dz +

sendo as quantidades de energia dadas por

∂T
q x = − kdydz
∂x
⎡ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ ⎤
q x +dx = − ⎢k + ⎜k ⎟dx ⎥dydz
⎣ ∂x ∂x ⎝ ∂x ⎠ ⎦
∂T
q y = − kdxdz
∂y
⎡ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ ⎤
q y+dy = − ⎢k + ⎜⎜ k ⎟⎟dy⎥dxdz
⎣ ∂y ∂y ⎝ ∂y ⎠ ⎦
∂T
q z = − kdxdy
∂z
⎡ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ ⎤
q z +dz = − ⎢k + ⎜ k ⎟dz ⎥dxdy
⎣ ∂z ∂z ⎝ ∂z ⎠ ⎦
q ger = q& dxdydz
dE ∂T
= ρcdxdydz
dτ ∂τ

Assim a equação geral tridimensional da condução fica:


Apostila de Transmissão de Calor 13

∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T
⎜k ⎟ + ⎜⎜ k ⎟⎟ + ⎜ k ⎟ + q& = ρc 1.3
∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ∂y ⎠ ∂z ⎝ ∂z ⎠ ∂τ

Para condutividade constante a Eq. 1.3 pode ser escrita

∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T q& 1 ∂T
+ + + = 1.4
∂x 2 ∂y 2 ∂z 2 k α ∂τ

onde a quantidade α = k/ρc é chamada de difusividade térmica do material. Quanto


maior o valor de α, mais rapidamente o calor irá se difundir através do material. Isto
pode ser visto observando-se as quantidades que compõem α. Um valor elevado de α
pode resultar tanto de um valor elevado da condutividade térmica quanto de um valor
baixo da capacidade térmica ρc. Um valor baixo da capacidade térmica significa que
menor quantidade de energia em trânsito através do material é absorvida e utilizada
para elevar a temperatura do material; assim, mais energia encontra-se disponível para
ser transferida.
Nas deduções acima, a expressão da derivada x + dx foi escrita na forma de uma
expansão de Taylor onde somente os dois primeiros termos da série foram
considerados no desenvolvimento.
Muitos problemas práticos envolvem somente casos especiais das equações
gerais apresentadas acima. Como uma orientação pata desenvolvimento em capítulos
futuros, é conveniente mostrar a forma reduzida da equação geral para alguns casos de
interesse prático.
Fluxo de calor unidimensional em regime permanente (sem geração de calor)

d 2T
=0 1.5
dx 2

Fluxo de calor unidimensional em regime permanente com fontes de calor

∂ 2T q&
+ =0 1.6
∂x 2 k

Condução bidimensional em regime permanente sem fontes de calor

∂ 2T ∂ 2T
+ =0 1.7
∂x 2 ∂y 2

1.3.1.1) Condutividade Térmica

A Eq. 1-1 é a equação de definição para a condutividade térmica. Com base


nesta definição, podem ser feitas medidas experimentais para a determinação da
condutividade térmica de diferentes materiais. Tratamentos analíticos da teoria cinética
Apostila de Transmissão de Calor 14

podem ser usados para gases em temperaturas moderadamente baixas para antecipar
com precisão os valores observados experimentalmente. Em alguns casos existem
teorias para o cálculo da condutividade térmica em líquidos e sólidos, mas em geral
nestas situações os conceitos não são muito claros, permanecendo várias questões em
aberto.
O mecanismo da condução térmica num gás é simples. A energia cinética de
uma molécula é identificada com sua temperatura; assim, numa região de alta
temperatura as moléculas têm velocidades maiores do que numa região de baixa
temperatura. As moléculas estão em movimento contínuo ao acaso, colidindo umas
com as outras e trocando energia e quantidade de movimento.Esta movimentação ao
acaso das moléculas independe da existência de um gradiente de temperatura no gás.
Se uma molécula se movimenta de uma região de alta temperatura para uma de baixa
temperatura, ela transporta energia cinética para esta região de baixa temperatura do
sistema perdendo esta energia através de colisões com moléculas de energia mais
baixa.
Foi dito que a unidade da condutividade térmica é watts por metro por grau
Celsius [W/(m.oC)] no SI. Note que existe uma taxa de calor envolvida, e o valor
numérico da condutividade térmica indica a rapidez com que o calor será transferido
num dado material. Qual é a taxa de transferência de energia levando-se em
consideração o modelo molecular discutido acima? Quanto mais veloz o movimento das
moléculas, mais rapidamente a energia será transportada. Portanto, a condutividade
térmica de um gás deve ser dependente da temperatura. Um tratamento analítico
simplificado mostra que a condutividade térmica de um gás varia com a raiz quadrada
da temperatura absoluta. (Convém lembrar que a velocidade do som em um gás varia
com a raiz quadrada da temperatura absoluta v = kRT ; esta velocidade é
aproximadamente a velociade média das moléculas.)
O mecanismo físico da condução de energia térmica em líquidos é
qualitativamente o mesmo dos gases; entretanto, a situação é consideravelmente mais
complexa, uma vez que o espaçamento das moléculas é menor e os campos de força
molecular exercem uma forte influência na troca de energia no processo de colisão.
A energia térmica pode ser conduzida em sólidos de duas maneiras: vibração da
grade e transporte por elétrons livres. Em bons condutores elétricos um grande número
de elétrons move-se sobre a estrutura do material. Como estes elétrons podem
transportar carga elétrica, podem também conduzir energia de uma região de alta
temperatura para uma região de baixa temperatura, como nos gases. A energia
também pode ser transmitida como energia de vibração na estrutura do material.
Entretanto, este último modo de transferência de energia não é tão efetivo quanto o
transporte por elétrons, sendo esta a razão pela qual bons condutores elétricos são
quase sempre bons condutores de calor, como por exemplo o cobre, o alumínio e a
prata, e isolantes elétricos geralmente são bons isolantes térmicos.
Um problema técnico importante é o armazenamento e o transporte, por longos
períodos, de líquidos criogênicos como o hidrogênio líquido. Tais aplicações causaram
o desenvolvimento de superisolantes para serem usados em temperaturas mais baixas
(até aproximadamente –250oC). O superisolamento mais efetivo é constituído de
múltiplas camadas de materiais altamente refletivos separados por espaçadores
Apostila de Transmissão de Calor 15

isolantes. O sistema é evacuado para minimizar as perdas pela condução no ar, sendo
possível atingir condutividades térmicas tão baixas quanto 0,3 mW/(m.oC).

1.3.2 Transferência de Calor por Convecção

É sabido que uma placa de metal aquecida irá se resfriar mais rapidamente
quando colocada em frente ao ventilador do que exposta ao ar parado. Este processo é
chamado de transferência de calor por convecção. O termo convecção fornece ao leitor
uma noção intuitiva em relação ao processo de transferência de calor; entretanto, esta
noção intuitiva deve ser ampliada para que se possa conseguir um tratamento analítico
adequado do problema. Por exemplo, sabemos que a velocidade do ar sobre a placa
aquecida influencia a taxa de transferência de calor. Mas esta influência sobre o
resfriamento será linear, ou seja, dobrando-se a velocidade do ar estaremos dobrando
a taxa de calor transferido? Devemos supor que a taxa de transferência de calor será
diferente se a placa for resfriada com água em vez de ar. Porém de quanto será essa
diferença? Estas questões podem ser respondidas com o auxílio de algumas análises
básicas a serem apresentadas nos próximos capítulos. Agora, o mecanismo físico da
transferência de calor por convecção será esquematizado e mostrada a sua relação
com o processo de condução.
Considere a placa aquecida mostrada na fig 1.5. A temperatura da placa é Tp, e a
temperatura do fluido é T∞. Nesta está representado o comportamento da velocidade do
escoamento, que se reduz a zero na superfície da placa como resultado da ação
viscosa. Como a velocidade da camada de fluido junto à parede é zero, o calor deve ser
transferido somente por condução neste ponto. Assim devemos calcular o calor
transferido, usando a Eq. 1-1, com a condutividade térmica do fluido e o gradiente de
temperatura junto à parede. Por que, então, se o calor é transferido por condução nesta
camada, falamos em transferência de calor por convecção e precisamos considerar a
velocidade do fluido? A resposta é que o gradiente de temperatura depende da razão
na qual o calor é removido; uma velocidade alta produz um gradiente elevado de
temperatura, e assim por diante. Portanto, o gradiente de temperatura junto à parede
depende do campo de velocidade; conseqüentemente, em análises posteriores,
desenvolveremos uma expressão que relaciona essas duas quantidades. Deve ser
lembrado, entretanto, que o mecanismo de transferência de calor na parede é um
processo de condução.
O efeito global da convecção pode ser expresso através da lei de Newton do
resfriamento

q = h.A.(Tp - T∞) 1.8


Apostila de Transmissão de Calor 16

Fig. 1-5 transferência de calor por convecção

Aqui a taxa de transferência de calor é relacionada à diferença de temperatura entre a


parede e o fluido e à área superficial A. A quantidade h é chamada de coeficiente de
transferência de calor por convecção, e a Eq. 1.8 é a equação de definição deste
parâmetro. Para alguns sistemas é possível o cálculo analítico de h. Para situações
complexas e determinação é experimental o coeficiente de transferência é algumas
vezes chamado de condutância de película devido à sua relação com o processo da
condução na fina camada de fluido estacionário junto à superfície da parede. Pela Eq.
1.8 a unidade de h é watt por metro quadrado por grau Celsius [W/(m2.oC)] no SI.
Em vista desta discussão, pode-se antecipar que a transferência de calor por
convecção irá exibir uma dependência da viscosidade do fluido além da sua
dependência das propriedades térmicas do fluido (condutividade térmica, calor
específico, densidade). Isto é esperado porque a viscosidade influência o perfil de
velocidade e, portanto, a taxa de transferência de energia na região junto à parede.
Se uma placa aquecida estiver exposta ao ar ambiente sem uma fonte externa
de movimentação de fluido, o movimento do ar será devido aos gradientes de
densidade nas proximidades da placa. Esta convecção é chamada natural ou livre em
oposição à convecção forçada, que ocorre no caso de se ter um ventilador
movimentando o ar sobre a placa. Os fenômenos de ebulição e condensação são
também agrupados dentro desse assunto de transferência de calor por convecção

1.3.3) Transferência de Calor por Radiação

Em contraste com os mecanismos de condução e convecção, onde a energia é


transferida através de um meio natural, o calor pode também ser transferido em regiões
onde existe o vácuo perfeito. O mecanismo neste caso é a radiação eletromagnética
que é propagada como resultado de uma diferença de temperatura; trata-se da
radiação térmica.
Considerações termodinâmicas mostram que um radiador ideal, ou corpo negro,
emite energia numa taxa proporcional à quarta potência da temperatura absoluta do
corpo. Quando dois corpos trocam calor por radiação, a troca líquida de calor é
proporcional à diferença T4. Assim

q = σ.A.(T14 – T24) 1-9


Apostila de Transmissão de Calor 17

Onde σ é a constante de proporcionalidade chamada de constante de Stefan-


Boltzmann que vale σ = 5,669 x 10-8 W/(m2.K4). A Eq. 1-9 é chamada de lei de Stefan-
Boltzmann da radiação térmica e vale somente para corpos negros. É importante
observar que esta equação é válida somente para radiação térmica; outros tipos de
radiação eletromagnética podem não ser tratados com esta simplicidade.
Foi mencionado que um corpo negro é um corpo que emite energia de acordo
com a lei T4. Tal corpo é denominado negro porque superfícies negras, como um
pedaço de metal coberto por negro de fumo, se aproxima desse tipo de
comportamento. Outros tipos de superfícies, como uma superfície pintada ou uma placa
metálica polida, não emitem tanta energia quanto o corpo negro; entretanto, a radiação
total emita por estes corpos ainda é proporcional a T4. Para levar em consideração a
natureza “cinzenta” destas superfícies é introduzido um outro fator na Eq. 1-9, a
emissividade ε, que relaciona a radiação de uma superfície “cinzenta” com a de uma
superfície negra ideal. Além disso devemos levar em conta que nem toda a radiação
que deixa uma superfície atinge a outra superfície, uma vez que a radiação
eletromagnética se propaga segundo linhas retas havendo perdas para o ambiente.
Portanto, para considerar estas duas situações, são introduzidos dois novos fatores na
Eq. 1-9

q = Fε.FG.σ.A.(T14 – T24) 1.10


onde Fε é a função emissividade e FG é a função “fator de forma” geométrico. A
determinação da forma destas funções para configurações específicas é objeto de um
capítulo subseqüente. Entretanto, é importante alertar para o fato destas funções em
geral não serem independentes uma da outra como indicado na Eq. 1-10.
O fenômeno da transferência de calor por radiação pode ser muito complexo e
os cálculos raramente são simples como indicado pela Eq. 1-10. No momento,
interessa-nos somente enfatizar as diferenças entre o mecanismo físico da
transferência de calor pela radiação e os sistemas condução e convecção.
Apostila de Transmissão de Calor 18

2) CONDUÇÃO UNIDIMENSIONAL EM REGIME PERMANENTE

2.1) INTRODUÇÃO

Agora serão examinadas as aplicações da lei de Fourier da condução de calor


para o cálculo da transferência de calor em sistemas unidimensionais. Muitos formatos
físicos diferentes podem ser incluídos na categoria de sistemas unidimensionais.
Sistemas cilíndricos e esféricos são unidimensionais quando a temperatura no corpo é
função somente da distância radial e independe do ângulo azimutal ou da distância
axial. Em alguns problemas bidimensionais os efeitos da segunda coordenada espacial
podem ser tão pequenos a ponto de serem desprezados, e o problema de fluxo de calor
multidimensional pode ser aproximado por uma análise unidimensional. Nestes casos
as equações diferenciais são simplificadas e as soluções são obtidas mais facilmente
como resultados destas simplificações.

2.2) A PAREDE PLANA

Inicialmente considere a parede plana onde pode ser feita uma aplicação direta
da lei de Fourier (Eq. 1-1). Da integração resulta

q=−
kA
(T2 − T1 ) 2-1
∆x

para condutividade constante. A espessura da parede é ∆x, e as temperaturas das


faces da parede são T1 e T2. Se a condutividade térmica varia com a temperatura de
acordo com alguma relação linear k = ko(1 + βT), a equação resultante para o fluxo de
calor é

q=−
ko A ⎡
∆x ⎣ ⎢ ( )
(T2 − T1 ) + β T2 2 − T12 ⎤⎥ 2.2
2 ⎦

Se mais de um material estiver presente, como é o caso da parede composta mostrada


na Fig. 2-1, o fluxo de calor poderá ser escrito

T2 − T1 T − T2 T − T3
q = −k A A = −k B A 3 = −k c A 4
∆x A ∆x B ∆x c

Observe que o fluxo de calor deve ser o mesmo através de todas as seções.
Resolvendo estas equações simultaneamente, o fluxo de calor é dado por

T1 − T4
q= 2-3
∆x A / k A A + ∆x B / k B A + ∆ x C / k c A
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 19

Aqui é convenient
c te introduz
zir um pontto de vista conceituaal diferente
e para a lei de
Fourrier. A tax
xa de tran nsferência de calor pode ser considera ada como um fluxo o, a
combinação da d condutiv vidade térrmica, esppessura do o material, e a área a como umau
resis
stência a e
este fluxo. A temperaatura, e a função
f potencial, ou motora, pa ara este flu
uxo
de calor,
c e a equação de e Fourier pode ser esscrita

Differença de potencial
p
Fluxo dee calor = 2-4
R
Resistência elétrica
e

ação seme
que é uma rela elhante à le
ei de Ohm na teoria de
d circuitos
s elétricos.

F 2-1 Tran
Fig. nsferência de
d calor unid
dimensionall através de uma parede
e composta
a e analogia
elétrrica

F 2-2 Tran
Fig. nsferência de
d calor em série
s e em p
paralelo atra
avés de uma
a parede composta e a
analogia elétrica.
Apostila de Transmissão de Calor 20

Na Eq. 2-1 a resistência a resistência térmica é ∆x/kA, e na Eq. 2.3 á soma dos
três termos do denominador. Esta situação é esperada na Eq. 2.3 porque as três
paredes lado a lado agem como três resistências térmicas em série.
A analogia elétrica pode ser empregada para resolver problemas mais
complexos envolvendo resistências térmicas em série e em paralelo. Um problema
típico e o seu circuito análogo estão mostrados na Fig. 2-2. A equação do fluxo de calor
unidimensional para este tipo de problema pode ser escrita

∆Ttotal
q= 2-5
∑Rt
onde Rt são as resistências térmicas dos vários materiais.
É interessante mencionar que em alguns sistemas como o da Fig. 2-2 pode
resultar um fluxo de calor bidimensional se as condutividades térmicas dos materiais B,
C e D forem muito diferentes. Nesses casos outras técnicas devem ser empregadas
para a obtenção de uma solução.

2.3) ISOLANTES E O FATOR R

Para classificação de desempenho de um isolamento, é prática comum na


industria de construção a utilização de um fator R, definido como

∆T
R= 2-6
q A

Observe que isto difere do conceito de resistência térmica discutido acima, pois aqui é
usado um fluxo de calor por unidade de área.

2.4) SISTEMAS RADIAIS – CILINDROS

Considere um cilindro longo de raio interno ri, raio externo re, e comprimento L,
tal como mostrado na Fig. 2-3. Este cilindro é submetido a um diferencial de
temperatura(Ti – Te) e deseja-se saber qual será o fluxo de calor. Pode-se considerar
que o fluxo é transmitido na direção radial e assim a única coordenada espacial que
deve ser especificada é r.
Apostila de Transmissão de Calor 21

Fig. 2-3 Fluxo de calor unidimensional através de uma parede cilíndrica e a analogia elétrica

Fig. 2.4 Fluxo de calor unidimensional através de seções cilíndricas múltiplas e a analogia elétrica

Mais uma vez é usada a lei de Fourier, inserindo-se a relação de áreas apropriadas. A
área para o fluxo de calor em sistemas cilíndricos é

Ar = 2πrL
E, portanto a lei de Fourier fica
dT
q r = − kA r
dr
ou
dT
q r = −2 πkrL 2-7
dr
com as condições de contorno
T =Ti em r = ri
T = Te em r = re

A solução da Eq. 2-7 é


2πkL(Ti − Te )
q= 2-8
ln (re ri )

e a resistência térmica pode ser usado para paredes cilíndricas compostas, da mesma
maneira que para paredes planas. Para o sistema de três camadas mostrado na Fig. 2-
4 a solução é
Apostila de Transmissão de Calor 22

2πL(T1 − T4 )
q= 2-9
ln (r2 r1 ) k A + ln (r3 r2 ) k B + ln (r4 r3 ) k C

O circuito térmico é mostrado na Fig. 2-4b.


Sistemas esféricos também podem ser tratados como udimensionais quando a
temperatura é somente função do raio. O fluxo de calor é então

4 πk (Ti − Te )
q= 2-10
1 ri − 1 re

2.5) O COEFICIENTE GLOBAL DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR

Considere a parede plana mostrada na Fig. 2-5, exposta a um fluido quente A em


um dos lados. O calor transferido é dado por
q = h 1 A (TA − T1 ) = (T1 − T2 ) = h 2 A(T2 − TB )
kA
∆x

Fig. 2-5 Fluxo de calor através de uma parede plana

O processo de transferência de calor pode ser representado pelo circuito da


resistência da Fig. 2-5, e o calor total transferido é calculado como razão entre a
diferença total de temperatura e a soma das resistências térmicas

T A − TB
q= 2.11
1 h1 A + ∆x kA + 1 h2 A

Observe que o valor 1/ha é usado para representar a resistência de convecção.


O calor total transferido pelos mecanismos combinados de condução e convecção é
freqüentemente expresso em termos de um coeficiente global de transferência de calor
U, definido pela relação

q = UA∆Ttotal 2.12
Apostila de Transmissão de Calor 23

onde A é uma área adequada para a transferência de calor. De acorda com a Eq. 2.11,
o coeficiente global de transferência de calor é

1
U=
1 h1 + ∆x k + 1 h2

A analogia elétrica para um cilindro oco, que troca calor por convecção interna e
externamente, está representada na Fig. 2-6, onde TA e TB são as temperaturas dos
fluidos.

Fig. 2-6 Analogia elétrica para um cilindro oco com troca de calor por convecção nas superfícies
interna e externa

Observe que a área para convecção não é a mesma para os dois fluidos neste
caso. Estas áreas dependem do diâmetro interno do tubo e da espessura da parede.
Neste caso, o fluxo total de calor é dado por

T A − TB
q= 2.13
1 ln(re ri ) 1
+ +
hi Ai 2πkL he Ae

de acorda com o circuito térmico da Fig. 2-6. Os termos Ai e Ae reapresentam as áreas


das superfícies interna e externa do tubo. O coeficiente global de transferência de calor
pode ser baseado tanto na área interna como na externa.

1
Ui = 2-14
1 Ai ln(re ri ) Ai 1
+ +
hi 2πkL Ae he

1
Ue = 2-15
Ae 1 Ae ln re ri
+
(+
1 )
Ai hi 2πkL he

2.6) ESPESSURA CRÍTICA DE ISOLAMENTO

Considere uma camada de isolamento que pode ser instalada ao redor de um


tubo circular, como mostrado na Fig. 2-7. A temperatura interna do isolamento é fixada
Apostila de Transmissão de Calor 24

em Ti, e a superfície externa troca calor com o ambiente a T∞. Do circuito térmico, o
calor transferido vale

Fig 2-7 Espessura crítica de isolamento

2πL(Ti − T∞ )
q= 2-16
ln(re ri ) 1
+
k re h

Vamos agora manipular esta expressão para determinar o raio externo de


isolamento re que irá maximizar a transferência de calor. A condição de máximo é

⎛ 1 1 ⎞
− 2πL(Ti − T∞ )⎜⎜ − 2 ⎟⎟
dq
=0= ⎝ kre hre ⎠
⎡ ln (re ri ) 1 ⎤
2
dr
⎢ + ⎥
⎣ k re h ⎦

que fornece como resultado


k
re = 2.17
h

A equação 2.17 expressa o conceito de raio crítico de isolamento. Se o raio


externo for menor que o valor dado por esta equação, então a transferência de calor
será aumentada com a colocação de mais isolante. Para raios externos maiores que o
valor crítico, um aumento de espessura de isolamento causará um decréscimo da
transferência de calor. O conceito central é que para valores de h suficientemente
pequenos as perdas de calor por convecção podem aumentar com o aumento da
espessura do isolamento, porque isto aumenta a superfície externa do isolamento.

2.7) SISTEMAS COM GERAÇÃO DE CALOR

Algumas aplicações interessantes dos princípios da transferência de calor estão


relacionadas com sistemas onde o calor pode ser gerado internamente. Os reatores
nucleares são um exemplo, assim como condutores elétricos e sistemas quimicamente
Apostila de Transmissão de Calor 25

reagentes. Nossa discussão aqui ficará limitada aos sistemas unidimensionais ou, mais
especificamente, sistemas onde a temperatura é função única de uma variável espacial.

2.7.1) Parede plana com geração de calor

Considere a parede plana com fontes de calor uniformemente distribuídas como


mostrado na Fig. 2-8. A espessura da parede na direção x é 2L, e é admitido que as
dimensões nas outras direções são suficientemente grandes para que o fluxo de calor
seja considerado unidimensional. O calor gerado por unidade de volume é q& e a
condutividade térmica é considerada constante, não variando coma temperatura. Esta
situação pode ser produzida na prática passando-se uma corrente elétrica através de
um condutor. Do Capítulo 1, a equação diferencial para esta situação é

d 2T q&
+ =0 2-18
dx 2 k

Para as condições de contorno, especificamos as temperaturas dos dois lados da


placa, isto é,

T = Tp em x = .L 2-19

A solução geral da Eq.2-18 é


q& 2
T =− x + C1 x + C 2 2-20
2k

Como a temperatura deve ser a mesma nos dois lados da parede, C1 deve ser
zero. A temperatura do plano médio é denotado por To; da Eq 2-20

To = C 2

Portanto, a distribuição de temperatura é

q& 2
T − To = − x 2-21ª
2k

T − To ⎛ x ⎞
2

=⎜ ⎟ 2-21b
T p − To ⎝ L ⎠

que é uma distribuição parabólica. Uma expressão para a temperatura do plano médio
To pode ser obtida através de um balanço de energia. Em regime permanente, o calor
total gerado deve ser igual ao calor perdido pelas duas faces. Assim,
⎛ dT ⎤ ⎞
2⎜⎜ − kA ⎥ ⎟⎟ = q&A2 L
⎝ dx ⎦ x = L ⎠
Apostila de Transmissão de Calor 26

onde A é a área de seção transversal da placa. O gradiente de temperatura na parede é


obtido diferenciando-se a Eq. 2-21b:

⎛ 2 x ⎞⎤
dT ⎤
= (T − T )⎜ ⎟ ⎥ = (T − T ) 2
dx ⎥⎦ x = L
p o p o
⎝ L ⎠⎦ x = L
2
L

− k (T p − To )
2
Então = q&L
L

q&L2
e To = + Tp 2-22
2k

Fig 2-8 Esquema ilustrativo do problema da condução unidimensional com geração de calor

2.7.2) Cilindro com Geração de Calor

Considere um cilindro de raio R com fontes de calor uniformemente distribuídas e


condutividade térmica constante. Se o cilindro for suficientemente longo para que a
temperatura possa ser considerada somente uma função do raio, a equação diferencial
apropriada pode ser obtida da equação

d 2T 1 dT q&
+ + =0 2-23
dr 2 r dr k

As condições de contorno são


T = Tp em r = R

e o calor gerado pode ser igual ao calor perdido na superfície


Apostila de Transmissão de Calor 27

dT ⎤
q& πR 2 L = − k 2πRL
dr ⎥⎦ r = R

Como a função temperatura pode ser contínua no centro do cilindro, pode-se


especificar que
dT
=0 em r = 0
dr

Entretanto, não será necessário usar esta condição, pois isto será verificado
automaticamente quando as duas condições de contorno forem satisfeitas.
A Eq. 2-23 pode ser escrita
d 2T dT − q&r
r 2 + =
dr dr k

sendo que
d 2T dT d ⎛ dT ⎞
r + = ⎜r ⎟
dr 2
dr dr ⎝ dr ⎠

Portanto a integração fornece


dT − q&r 2
=
r + C1 e
dr 2k
− q&r 2
T= + C1 ln r + C 2
4k

Da segunda condição de contorno acima,

dT ⎤ − q&R − q& R C1
⎥ = = +
dr ⎦ r = R 2k 2k R

e, portanto C1 = 0

A solução final para a distribuição de temperatura é


T − Tp =
q&
4k
(R2 − r 2 ) 2-24

ou, na forma adimensional


T − Tp ⎛r⎞
2

= 1− ⎜ ⎟
To − T p ⎝R⎠

onde To é a temperatura em r = 0 dada por


Apostila de Transmissão de Calor 28

q&R 2
To = + Tp
4k

2.8) SISTEMAS COM CONDUÇÃO E CONVECÇÃO – ALETAS

O calor conduzido através de um corpo deve ser freqüentemente removido(ou


fornecido) por algum processo de convecção. Por exemplo, o calor perdido por
condução através de um forno deve ser dissipado para o ambiente por convecção. Em
aplicações de trocadores de calor, um arranjo de tubos aletados pode ser empregado
para a remoção de calor de um líquido quente. A transferência de calor do líquido para
o tubo aletado é por convecção. O calor é conduzido através do material e finalmente
dissipado no ambiente por convecção. Obviamente, uma análise dos sistemas que
combinam condução e convecção é muito importante do ponto de vista prático.
Parte desta análise dos sistemas que combinam condução e convecção será
feita no Capítulo que trata de trocadores de calor. Aqui serão examinados alguns
problemas simples de superfícies protuberantes. Considere a aleta unidimensional
exposta a um fluido cuja temperatura é T∞, como mostrado na Fig.2-9. A temperatura da
base da aleta é To. Para o estudo deste problema devemos fazer um balanço de
energia sobre o elemento da aleta de espessura dx, como mostrado na figura. Assim

Fig. 2-9 Aleta retangular

Energia entrando pela face esquerda = energia saindo pela face direita
+ energia perdida por convecção
A equação que define o coeficiente de calor por convecção é

q = hA(Tp - T∞,) 2-29


Apostila de Transmissão de Calor 29

onde a área nesta equação é a área da superfície que troca calor por convecção. Seja
A a área transversal da aleta e P o seu perímetro.
Portanto, as quantidades de energia são
dT
Energia entrando pela face esquerda: q x = − kA
dx

dT ⎤ ⎛ dT d 2T ⎞
Energia saindo pela face direita q x + dx = − kA = − kA⎜⎜ + 2 dx ⎟⎟
dx ⎥⎦ x + dx ⎝ dx dx ⎠

Energia perdida por convecção q = hPdx (T − T∞ )

A área diferencial para a convecção é o produto do perímetro da aleta pelo


comprimento diferencial dx. Quando combinamos estas quantidades, o balanço de
energia fica
d 2T hP
− (T − T∞ ) = 0
dx 2 kA

Este resultado é escrito mais compactamente na forma

d 2θ ( x )
2
− m 2θ ( x ) = 0 2.30
dx
onde
m2 = hP/(Ak) θ(x) = T(x) - T∞

A Eq. 2.30 é a equação unidimensional da aleta para aletas com seção


transversal uniforme. A solução desta equação diferencial ordinária sujeita às condições
de contorno apropriadas nas extremidades da aleta dá a distribuição de temperatura na
aleta. Uma vez conhecida a distribuição de temperatura, o fluxo de calor através da
aleta é facilmente determinado.
A Eq. 2.30 é uma equação diferencial ordinária, linear homogênea, de segunda
ordem, com coeficientes constantes. Sua solução geral pode ser da forma

θ(x) = C1e-mx + C2emx 2.31

onde as constantes são determinadas a partir das duas condições de contorno


especificadas no problema da aleta. A solução da Eq. 2.31 é a mais conveniente para
utilizar na resolução da equação da aleta 2.30, no caso de uma aleta longa.
Relembrando que o seno hiperbólico e o co-seno hiperbólico podem ser
construídos pela combinação de e-mx e emx , é possível exprimir a solução 2.31 nas
seguintes formas alternativas

θ(x) = C1cosh mx + C2senh mx 2.32a


θ(x) = C1cosh m(L – x) + C2senh m(L – x) 2.32b
Apostila de Transmissão de Calor 30

A solução dada pelas Eq. 2.32 é mais conveniente para analisar aletas de comprimento
finito.
A distribuição de temperatura θ(x) numa aleta com seção reta uniforme pode ser
determinada a partir da Eq. 2.31 ou da Eq. 2.32, se as constantes de integração C1 e C2
forem determinadas pelas duas condições de contorno do problema, uma na base da
aleta e a outra no topo da aleta. Ordinariamente, a temperatura na base x= 0 é
conhecida, isto é

θ(0) = To - T∞ = θ o 2.33

onde To é a temperatura na base da aleta. Diversas situações físicas diferentes são


possíveis no topo da aleta x = L; pode ser considerada qualquer das três seguintes
condições:
Caso 1. A aleta é muito longa e a temperatura da extremidade da aleta é
essencialmente a mesma do fluido ambiente.

Caso 2. A extremidade da aleta é isolada ou perda de calor desprezível na


ponta, e, assim dT/dx = 0

Caso 3 A aleta tem comprimento finito e perde calor por convecção pela sua
extremidade.

2.8.1) Aletas Longas

Numa aleta suficientemente longa, é razoável admitir que a temperatura na ponta


da aleta se aproxima da temperatura T∞ do fluido que a rodeia. Com esta admissão, a
formulação matemática do problema das aletas é

d 2θ ( x )
2
− m 2θ ( x ) = 0 em x > 0 2.34a
dx

θ(x) = To - T∞ ≡ θo em x = 0 2.34b

θ(x) → 0 em x → ∞ 2.34c

onde m2 = Ph/Ak. A solução é obtida na forma da Eq. 2.31

θ(x) = C1e-mx + C2emx 2.35

A condição de contorno 2.34c exige que C2 = 0, e a aplicação da condição de contorno


2.34b dá C1 = θo. Então, a resolução se torna

θ ( x ) T ( x ) − T∞
= = e −mx 2.36
θo To − T∞
Apostila de Transmissão de Calor 31

que é a solução mais simples do problema da aleta.


Agora, uma vez que a distribuição de temperatura é conhecida, o fluxo de calor
através da aleta é determinado calculando-se o fluxo de calor condutivo na base da
aleta de acordo com a equação

dθ ( x ) ⎤
Q = − Ak 2.37
dx ⎥⎦ x = 0

Derivando-se a Eq. 2.36 em função de θ(x) e substituindo o resultado na Eq.2.37,


obtém-se

Q = Akθ o m = θ o PhkA 2.38


uma vez que m = Ph /(kA)

2.8.2) Aletas com Perda de Calor Desprezível na Ponta

A área de transferência de calor na ponta da aleta é em geral muito pequena


diante da área lateral da aleta para a transferência de calor. Nesta situação, a perda de
calor na ponta da aleta é desprezível em comparação com a perda pelas superfícies
laterais, e a condição de contorno na ponta da aleta, que caracteriza essa situação, é
dθ/dx = 0 em x = L. Dessa forma, a formulação matemática do problema da aleta se
torna
d 2θ ( x )
− m 2θ ( x ) = 0 em 0 ≤ x ≤ L 2.39a
dx 2

θ(x) = To - T∞ ≡ θo em x = 0 2.39b

dθ ( x )
=0 em x = L 2.39c
dx

Escolhemos a solução na forma da Eq. 2.32b

θ(x) = C1 cosh m(L – x) + C2 senh m(L – x) 2.40

A razão desta escolha está em que a solução 2.40 tem uma forma na qual uma
das constantes de integração é imediatamente eliminada pela aplicação de uma das
condições de contorno. De fato, a condição de contorno (2.39c) exige que C2 = 0;
então, a aplicação da condição de contorno (2.39b) dá C1 = θo/cosh mL, e a solução se
torna
Apostila de Transmissão de Calor 32

θ ( x ) T ( x ) − T∞ cosh m( L − x )
= = 2.41
θo To − T∞ cosh ml

A taxa de fluxo de Q através da aleta é agora determinada introduzindo-se a


solução Eq 2.41 na Eq 2.37. Assim, obtemos

Q = Akθom tg mL = θ o PhkA tg mL 2.42

2.8.3) Aletas com Convecção na Ponta

Uma condição de contorno na ponta da aleta, fisicamente mais realista, é a que


inclui transferência de calor por convecção entre a ponta e o fluido ambiente. Então, a
formulação matemática do problema da condução de calor se torna

d 2θ ( x )
− m 2θ ( x ) = 0 em 0 ≤ x ≤ L 2.43ª
dx 2

θ(x) = To - T∞ ≡ θo em x = 0 2.43b

dθ ( x )
k + heθ ( x ) = 0 em x = L 2.43c
dx

onde k é a condutividade térmica da aleta e he é o coeficiente de transferência de calor


entre a ponta da aleta e o fluido ambiente.
A solução é escolhida na forma da Eq. 2.32b

θ(x) = C1 cosh m(L – x) + C2 senh m(L – x) 2.44

A aplicação das condições de contorno 2.43b e 2.43c, respectivamente, nos dá

θo = C1 cosh mL + C2 senh mL 2.45ª

e -k C2m + he C1 = 0 2.45b

uma vez que

θ (x ) T ( x) − T∞ cosh m( L − x) + (he / mk ) senhm( L − x)


= = 2.46
θo x=L
To − T∞ cosh mL + (he / mk ) senhmL

A taxa do fluxo de calor através da aleta é obtida quando introduzimos este resultado
na Eq. 2.37. Então, vem
Apostila de Transmissão de Calor 33

⎡ senhmL + (he / mk ) cosh mL ⎤


q = θ o PhkA ⎢ ⎥ 2.47
⎣ cosh mL + (he / mk ) senhmL ⎦

2.9) EFICIÊNCIA DA ALETA

Na análise precedente, consideramos somente aletas de seção reta uniforme.


Em numerosas aplicações, são utilizadas aletas de seção reta variável. A determinação
da distribuição de temperatura, e daí do fluxo de calor nestes casos é bastante
complicada, e fica além do objetivo desse curso. Entretanto, a análise de transferência
de calor foi realizada com uma grande diversidade de geometrias de aletas, e os
resultados foram apresentados em termos de um parâmetro chamado eficiência da
aleta η definido pela relação entre a transferência real de calor através da aleta e
transferência ideal de calor através de uma aleta, se toda a superfície da aleta
estivesse à temperatura To da base da aleta

Qaleta
η= 2.48
Qideal

Aqui, Qideal é dado por


Qideal = a f hθ o 2.49a

onde, af = área de superfície da aleta


h = coeficiente de transferência de calor
θo = To - T∞

Portanto, se a eficiência da aleta η for conhecida, a transferência de calor Q através da


aleta é denominada pela relação

Qaleta = ηQideal = ηa f hθ o 2.49b

As gráficos 2.1 e 2.2 mostram a efeciência da aleta num gráfico em função do


parâmetro L 2h /( kt ) com geometrias típicas de aletas. O gráfico 2.1 mostra a
eficiência de aletas axiais em que a espessura da aleta varia com a distância x em
relação à base da aleta, onde a espessura é t. O gráfico 2.2 é a eficiência de aletas em
forma de disco circular de espessura constante.
Nas aplicações práticas, uma superfície aletada, no que se refere à trasferência
de calor, é composta pelas superfícies das aletas e pela fração lisa. A transferência de
calor, Qtotal, desta superfície é obtida somando-se a transferência de calor através das
aletas com a da fração lisa

Qtotal = Qaleta + Qfração lisa = ηafhθo + (a – af)hθo 2.50


Apostila de Transmissão de Calor 34

Onde a = área total de transferência de calor (isto é, superfícies das aletas + superfície
lisa)
af = área de transferência de calor das aletas.
A equação pode ser escrita mais compactamente como

Qtotal = [ηβ + (1 − β )]ahθ o ≡ η ′ahθ o 2.51


onde
η ′ ≡ βη + 1 − β = rendimento da aleta ponderada pela área
af
β=
a

Embora a colocação de aletas numa superfície aumente a área da superfície de


transferência de calor, aumenta também a resistência térmica sobre a fração da
superfície onde as aletas foram fixadas. Por isso, podem haver situações em que a
colocação de aletas não aumenta a transferência de calor. Como guia prático a razão
Pk/(Ah) deve ser muito maior que a unidade, para justificar o emprego de aletas. No
caso de aletas em forma de placas, por exemplo, P/A ≅ 2/t; então Pk/(Ah) se torna
[2(k/t]h, implicando que a condutância interna da aleta deve ser muito maior que o
coeficiente de transferência de calor para que as aletas aumentem a taxa de
transferência de calor
Apostila de Transmissão de Calor 35
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 36

3 CONDU
UÇÃO TRANS
SIENTE E US
SO DE
E CAR
RTAS DE
D
MPERA
TEM ATURA

Se a te
emperatura a da face de um co orpo sólido o for alterrada repen ntinamentee, a
temp peratura noo interior do
d sólido principia
p a variar
v com
m o tempo. Passa-se algum tem mpo
ante
es que seja a atingida a distribuição de tem mperatura estacioná ária. A dete
erminação da
distrribuição de
e temperatu ura é assuunto complicado, pois s a temperratura variaa tanto com
ma
posiç ção como com o tem mpo. Em muitas
m aplic
cações prá áticas, a variação da a temperattura
com a posição o é despre ezível duraante o esttado transiente e, po or isso, co
onsidera-see a
temp peratura fu
unção excllusiva do tempo.
t A análise
a daa transferência de ca alor com esta
e
hipótese é a análise gllobal do sistema;
s poor ser a temperatur
t ra função exclusiva do
temp po, a análiise é muito o simples. Por isso, neste cap pítulo, princcipiamos com
c a análise
global de cond dução trans siente de calor.
c
O emprrego de ca artas de teemperatura a é ilustra
ado para re esolver a condução de
calor transientte, simple es, numa placa, num cilindro o ou numa a esfera, nas quais s a
temp aria com o tempo e com
peratura va c a posição.

3.1) ANÁLISE GLOBAL


L DO SISTE
EMA

Conside
ere um só ólido de foorma arbittrária, volu
ume V, área superfficial total A,
cond dutividade térmica k,, densidade ρ, calor específico o cp, a umaa temperatura uniforrme
To, que
q é repe entinamentte imerso, no instantte t = 0, eme um fluid o e mantido a
do agitado
uma a temperattura uniforme T∞. A fig. 3-1 illustra o siistema da transferên ncia de caalor
cons siderado. A transferência de calor en ntre o sólido e o líquido se e realiza por
conv vecção, co om um coeficiente
c e de trans sferência de calor h. Admite-se que e a
distrribuição de
e temperatu ura dentroo do sólido,, em qualq
quer instan
nte seja suficienteme
ente
unifoorme, de tal modo que a te emperaturaa de sólido pode se er consideerada funçção
exclu usiva do ttempo, istoo é, T(t). A equação o de enerrgia na tra a de calor no
ansferência
sólid
do pode se er escrita co
omo

Fig.3.1 No
omenclatura
a da análise
e global do sistema
s dura
ante o fluxo
o transiente de calor
Apostila de Transmissão de Calor 37

Taxa de fluxo de calor afluente ao sólido de volume V = Taxa de aumento da


energia interna do sólido de volume V.
Escrevendo-se as expressões matemáticas apropriadas a cada um destes
termos, obtém-se:
Ah[T∞ − T (t )] = ρc pV
dT (t )
3.1
dt
ou
dT (t ) Ah
+ [T (t ) − T∞ ] = 0 em t > 0 3.2
dT ρc p V

sujeito à condição inicial


T(t) = To em t = 0

Para conveniência da análise, define-se uma nova temperatura θ(t)

θ(t)≡ T(t) - T∞

Então a equação 3-2 torna-se


dθ (t )
+ mθ (t ) = 0 em t > 0 3-3
dt

e θ(t) = To - T∞ ≡ θo em t = 0

onde definimos
Ah
m≡ 3.4
ρc pV

A Eq. 3-3 é uma equação diferencial ordinária na temperatura θ(t), cuja solução geral é
dada por
θ(t) = C e-mt 3.5

A aplicação da condição inicial dá a constante de integração C = θo. Então, a


temperatura do sólido em função do tempo é

θ (t ) T (t ) − T∞
= = e − mt 3.6
θo To − T∞

A fig. 3-2 mostra um gráfico da temperatura adimensional da Eq 3.6 em função


do tempo. A temperatura decai exponencialmente com o tempo, e a forma da curva é
determinada pelo valor do expoente m. Aqui, m tem a dimensão de (tempo)-1. É claro
que as curvas na fig. 3-2 se tornam cada vez mais inclinadas à medida que o valor de m
cresce. Isto é, qualquer acréscimo de m fará com que o sólido responda mais
rapidamente a uma variação de temperatura ambiente. O exame dos parâmetros na
definição de m revela que o aumento da área superficial, para um dado volume, e o
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 38

coefficiente de
e transferência de calor provo ocam o auumento de e m. Aume
entando-se
e a
denssidade, o ccalor espec
cífico, ou o volume, haverá
h dim
minuição de
e m.

Fig. 3.2 A temperatura


t onal θ(t)/θo em
a adimensio e função do
d tempo.

Para esstabelecer alguns critérios com


m que a distribuição de tempeeratura posssa
ser considerad
c da uniform
me no interior do sólid
do, e com que a análise globa
al do siste
ema
seja aplicável, vamos de
efinir um co
omprimento o caracteríístico Ls co
omo

V
Ls = 3.7
A
e o número
n de
e Biot, Bi, como
c
hLs
Bi = 3.8
k

ondee k é a condutividade térmica do sólido. Em sólidoos que ten


nham a forrma de pla aca,
ou cilindro
c longo ou esfe
era, a disttribuição de
d temperaatura dentrro do sólid
do, no esta
ado
trans
siente, em qualquer instante, é uniforme e, com um erro menoor do que cerca de 5%,
5
se

hLs
Bi = ≤ 0,1 3.9
ks

cutiremos mais adia


Disc ante este assunto, que se tornarát en
ntão mais claro. Aq qui,
adm
mitiremos qu ue a análisse global do
d sistema é aplicáve el nas situa q Bi < 0,,1.
ações em que
O signifficado físico
o do núme ero de Biot visualiza-sse melhor se for escrito na form
ma
h
B =
Bi
ks L s

que é a razão entre o co erência de convectiva


oeficiente de transfe a calor na superfície do
do e a co
sólid ondutânciaa específicca do sóliido. Portanto, a hip pótese de temperattura
unifo
orme no innterior do sólido
s é váálida se a condutânccia específica do sólido for mu uito
maio sferência cconvectiva de calor.
or do que o coeficiente de trans
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 39

3.2) CONDIÇÃ
ÃO DE CO
ONTORNO MISTA

Na disc
cussão prrecedente,, considerramos um ma situaçã ão em qu ue todas as
frontteiras da região esttavam suje eitas a coonvecção. Este méto odo també ém se aplica
quanndo parte dad fronteirra está suje
eita a convvecção e o restante está sujeitto a um ce erto
fluxo
o de calor, como vam mos ilustrarr agora.
ere uma pllaca de es
Conside spessura L L, inicialme
ente a uma a temperattura uniforrme
To. Em qualqu uer instannte t > 0, fornece-se e calor à placa atra avés de uma
u de su uas
supe m uma constante de
erfícies com e q (W/m2)), enquanto o se dissip
pa calor po
or convecç ção
pela outra su uperfície, para um ambiente com tem mperatura uniforme T∞ com um
coefficiente de transferênncia de calor h. A fig. 3.3 mostrra a geometria e as condições de
conttorno do prroblema.

Fig. 3.3 N
Nomenclaturra para anállise global do
d fluxo tran
nsiente de c
calor em uma placa.

Vamos admitir áre


eas iguaiss A na tran
nsferência de calor e
em ambas
s as faces da
placa
a. O balan
nço de energia, neste
e caso partticular dá

dT (t )
A [T∞ − T (t ))] = ρc p AL
Aq + Ah
dt
dT (t )
q + h[T∞ − T (t )] = ρc p L em t > 0 3-1
10a
dt
com a condiçã
ão inicial
T(t) = To em t = 0 3-1
10b

Para
a conveniê
ência na an
nálise, defin
nimos uma mperatura θ(t)
a nova tem
θ(t) = T(t)
T - T∞

Dess
sa forma, as
a Eqs. = 3.10
3 são escritas
e

dθ ( t )
+ mθ ( t ) = Q em t > 0 3-1
11a
dt

θ(t) = To - T∞ ≡ θo em t = 0 3-1
11b

onde
e definimos
s
h q
m≡ e Q≡
ρc p L ρc p L
Apostila de Transmissão de Calor 40

A solução da Eq. 3-11a é a soma da solução da parte homogênea da 3-11a com a


solução particular na forma

θ(t) = Ce-mt + θp 3-12

onde C é a constante de integração. A solução particular θp é dada por

Q
θp = 3-13
m

Combinando as Eqs. 3-12 e 3-13, obtemos

Q
θ (t ) = Ce −mt + 3-14
m

A constante de integração C é determinada pela aplicação da condição inicial 3-11b


como
Q
θo = C + 3-15
m
Substituindo a Eq. 3-15 na 3-14, obtemos a solução deste problema da transferência de
calor:
θ (t ) = θ o e −mt + (1 − e −mt )
Q
ou
m
θ (t ) = θ o e −mt + (1 − e −mt )
q
3-16
h
Para t → ∞, esta solução simplifica-se em
θ (∞ ) = =
Q q
3-17
m h
que é a temperatura estacionária da placa.

3.3) PLACA – EMPREGO DAS CARTAS DE TEMPERATURA TRANSIENTE

Em muitas situações, os gradientes de temperatura no interior dos sólidos não


são desprezíveis, e não é aplicável a análise global do sistema. Neste caso, a análise
dos problemas da condução de calor envolve a determinação da distribuição de
temperaturas no interior do sólido em função do tempo e da posição, e é um tema
bastante complicado. Vários métodos de análise para resolver estes problemas são
discutidos em diversos textos, com tratamento avançado da condução de calor.
Problemas simples, como a condução de calor, unidimensional, dependente do tempo,
em uma placa sem geração interna de energia, podem ser resolvidos facilmente pelo
método da separação de variáveis, como será descrito mais adiante neste capítulo.
Além disso, a distribuição de temperatura em tais situações foi calculada, e os
resultados, apresentados na forma de cartas de temperaturas transientes em várias
Apostila de Transmissão de Calor 41

obras. Apresentaremos as cartas de temperaturas transientes e de fluxo de calor e


discutiremos seu significado físico e seu emprego.
Considere uma placa (por exemplo, uma parede plana) de espessura 2L
confinada na região –L ≤ x ≤ L. Inicialmente, a placa está a uma temperatura uniforme
Ti. De repente, a t = 0, ambas as superfícies de contorno da placa são sujeitas a
convecção com um coeficiente de transferência de calor h para o ambiente à
temperatura T∞ e assim mantida nos instantes t > 0. A fig 3.4a mostra a geometria,
coordenadas e condições de contorno deste problema particular. Porém, neste
problema, há simetria geométrica e térmica em torno do plano x = 0, de forma que
podemos considerar o problema de condução do calor numa metade da região,
digamos 0 ≤ x ≤ L. Com essa consideração, o problema da condução do calor numa
placa de espessura 2L confinada à região –L ≤ x ≤ L, como está ilustrado na fig 3.4a, é
equivalente ao problema de uma placa de espessura L confinada na região 0 ≤ x ≤ L,
como está ilustrado 3.4b. Então, a formação matemática deste problema da condução
do calor dependente do tempo, com a geometria e as condições de contorno de fig.
3.4b, é dada por

(a) (b)
Fig. 3.4 Geometria, coordenadas e condições de contorno da condução de calor transiente em
uma placa.

∂ 2T 1 ∂T
= em 0 < x < L, e t > 0 3.18a
∂x 2 α ∂t
∂T
=0 em x = 0, e t > 0 3.18b
∂x

∂T
k + hT = hT∞ em x = L, e t > 0 3.18c
∂x

T = Ti em t = 0, e 0 ≤ x ≤ L 3.18d

3.3.1) Equações Adimensionais

O problema da condução transiente de calor, dado pelas Eqs. 3.18, pode ser
expresso em forma adimensional introduzindo-se as seguintes variáveis adimensionais:
T ( x, t ) − T∞
θ= = temperatura adimensional 3.19a
Ti − T∞
Apostila de Transmissão de Calor 42

x
X = = coordenada adimensional 3.19b
L
hL
Bi = = número de Biot 3.19c
k
αt
τ = 2 = tempo adimensional, ou número de Fourier 3.19d
L

Desta forma, o problema da condução de calor dado pelas Eqs 3.19 se transforma em
∂ 2θ ∂θ
= em 0 < X < 1, e τ > 0 3.20a
∂X 2 ∂τ
∂θ
=0 em X = 0, e τ > 0 3.20b
∂X

∂θ
+ Biθ = 0 em X = 1, e τ > 0 3.20c
∂X

θ=1 em 0≤ X ≤ 1, e τ = 0 3.20d

O significado físico do tempo adimensional τ, ou número de Fourier, visualiza-se melhor


se a equação 3.19d for reordenada na forma

taxa de condução de calor


ao longo de L no volume
αt k (1 / L) L2 L3 , W/ o C
τ= = = 3.21a
L2 ρc p L3 / t taxa de retenção de calor
ao longo de L no volume
L3 , W/ o C

Portanto, o número de Fourier é uma medida da razão entre a taxa de condução e a


taxa de retenção de calor, num elemento de volume. Por isso, quanto maior o número
de Fourier, mais profunda é a penetração do calor num sólido durante um certo
intervalo de tempo.
O significado físico do número de Biot compreende-se melhor se a Eq. 3.19c for
escrita na forma
coeficiente de transferência
de calor na superfície do
hL h sólido
Bi = = = 3.21b
k k/L condutância do sólido no
comprimento L

Assim, o número de Biot é a razão entre o coeficiente de transferência de calor e a


condutância do sólido sobre o comprimento característico.
Apostila de Transmissão de Calor 43

Comparando os problemas de condução de calor expressos pelas Eq. 3.18 e


3.20, concluímos que o número de parâmetros independentes que afetam a distribuição
de temperatura no sólido reduz-se significativamente quando se exprime o problema na
sua forma adimensional. No problema dado pelas Eqs. 3.18, a temperatura depende
dos oito seguintes parâmetros físicos:

x, t, L, k, α, h, Ti, T∞

Porém, no problema adimensional expresso pelas Eqs. 3.20, a temperatura depende


dos três seguintes parâmetros adimensionais:

X, Bi, e τ

Fica evidente que, se exprimirmos o problema na forma adimensional, o número de


parâmetros que afetam a distribuição de temperatura reduz-se significativamente. Por
isso, é prático resolver o problema de uma vez por todas e expor os resultados na
forma de cartas para referência rápida.

3.3.2) Carta de Temperatura Transiente numa Placa

O problema definido pelas Eqs. 3.20 já foi resolvido e os resultados para a


temperatura adimensional estão nas Figs 3.5a e 3.5b. A Fig.35a dá a temperatura no
plano central To ou θ(0, τ) em X = 0, em função do tempo adimensional τ com diferentes
valores do parâmetro 1/Bi. A curva com 1/Bi = 0 corresponde ou a h → ∞, ou então as
faces da placa estão mantidas na temperatura ambiente T∞. Nos grandes valores de
1/Bi, o número de Biot é pequeno, ou a condutância interna do sólido é grande em
relação ao coeficiente de transferência de calor na superfície. Isto, por sua vez, implica
que a distribuição de temperatura dentro do sólido é suficientemente uniforme, e,
portanto, pode-se adotar a análise global do sistema. A Fig. 3.5b relaciona as
temperaturas em diferentes posições dentro da placa com a temperatura do plano
central, To. Se soubermos a temperatura To, saberemos as temperaturas nas diferentes
posições dentro da placa.
Um exame da Fig 3.5b revela que, nos valores de 1/Bi maiores do que 10, ou Bi
< 0,1, a distribuição de temperaturas na placa pode ser considerada uniforme, com um
erro menor do que cerca de 5%. Devemos recordar que o critério Bi < 0,1, foi utilizado
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 44

para
a que a aná
álise globa
al do sistem
ma fosse aplicável.

Fig
g. 3.5 Carta d
de temperatturas transie
entes numa placa de esspessura 2LL sujeita a co
onvecção em
ammbas as face es. (a) Temp
peratura To no plano ce
entral x=0; (b
b) correção de posiçãoo para utiliza
ar
com a pa
arte (a).

A Fig.3.6
F Moostra o calor
c adimmensional transferido Q/Qo e em funçãoo do tem mpo
adim
mensional, em vários valores doo número de
d Biot, nu
uma placa de espesssura 2L. Aq
qui,
epresenta a quantid
Q re dade total de energgia perdidaa pela pla
aca até ce
erto tempoo t,
dura
ante a trans
sferência de
d calor. A quantidad
de Qo, defin
nida como

Qo = ρcpV(Ti - T∞) 3.22


Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 45

repre
esenta a energia
e inte
erna inicial da placa na
n tempera
atura ambiente.

Fig. 3.6 Calor adimensiona


al transferido
o Q/Qo num
ma placa de espessura 2L.
2

3.4) CILINDRO
O LONGO E ESFER
RA – EMPR
REGO DAS
S CARTAS
S DE
TEMMPERATUR RAS TRAN
NSIENTESS

A distrib
buição das s temperaaturas adim mensionaiss transienttes e os resultados
r da
sferência d
trans de calor, semelhante
s es aos que e estão naas Figs 3.5
5 e 3.6, tam
mbém poddem
ser calculados
c nos casos s de um cillindro longo e no de uma esferra.

3.4.1
1) Carta de
e Tempera
aturas Tra
ansientes num Cilin
ndro Longo

Consideere a condução de ca alor, unidim


mensional,, transiente
e, num cilin
ndro longo
o de
raio b, inicialm
mente a um
ma tempera atura unifo
orme Ti. Re
epentinamente, no te empo t = 0,
0 a
supeerfície em r = b é sujjeita a convecção, co om um coeeficiente dee transferê
ência de caalor
h paara um am mbiente à temperattura T∞ e mantida assim em m t > 0. A formulaç ção
mateemática de este proble
ema de con ndução de calor é daada em form ma adimen nsional com
mo

1 ∂ ⎛ ∂θ ⎞ ∂θ
⎜R = em 0 < R < 1, e τ > 0 3.2
23a
R ∂R ⎝ ∂R ⎠ ∂τ

∂θ
=0 em R = 0, e τ > 1 3.2
23b
∂R

∂θ
+ Biθ = 0 em R = 1, e τ > 0 3.2
23c
∂R

θ=1 m 0 ≤ R ≤ 1,
em 1 eτ=0 3.2
23d
Apostila de Transmissão de Calor 46

onde as várias grandezas adimensionais são definidas da forma seguinte

hb
Bi = = número de Biot 3.24a
k
αt
τ = 2 = tempo adimensional, ou número de Fourier 3.24b
b

T (r , t ) − T∞
θ= = temperatura adimensional 3.24c
Ti − T∞

r
R= = coordenada radial adimensional 3.24d
b

O problema da Eq. 3.22 já foi resolvido, e os resultados para temperatura no


centro To ou θ(0,τ) estão na Fig. 3.7a, em função do tempo adimensional, com vários
valores do parâmetro 1/Bi. A fig.3.7b relaciona as temperaturas em diferentes posições
dentro do cilindro com a temperatura no plano médio To. Por isso, dada To, as
temperaturas nas diferentes posições internas do cilindro podem ser determinadas a
partir da Fig. 3.7b.
Apostila de Transmissão de Calor 47

Fig. 3.7 Carta de temperaturas transientes num cilindro maciço longo, de raio r=b sujeito a
convecção na superfície r=b. (a) Temperatura To no eixo do cilindro; (b) correção de posição para
utilizar com a parte (a).

A Fig. 3.8 mostra o calor adimensional transferido Q/Qo em função do tempo


adimensional com diversos valores do número de Biot, no problema do cilindro dado
pelas Eqs. 3.22. Aqui Qo, tem o significado definido pela equação 3.22, e Q representa
a quantidade total de energia perdida pelo cilindro até certo tempo t, durante a
transferência transiente de calor.

Fig. 3.8 Calor adimensional transferido Q/Qo num cilindro longo de raio b

3.4.2) Carta de Temperaturas Transientes numa Esfera

Numa esfera de raio b, inicialmente a uma temperatura uniforme Ti e em t > 0,


sujeita a convecção na superfície r = b, com um coeficiente de transferência de calor h,
para um ambiente à temperatura T∞, o problema da condução transiente de calor é
dado na forma adimensional como
Apostila de Transmissão de Calor 48

1 ∂ ⎛ 2 ∂θ ⎞ ∂θ
⎜R ⎟= em 0 < R < 1, e τ > 0 3.24ª
R 2 ∂R ⎝ ∂R ⎠ ∂τ

∂θ
=0 em R = 0, e τ > 0 3.24b
∂R

∂θ
+ Biθ = 0 em R = 1, e τ > 0 3.24c
∂R

θ=1 em 0 ≤ R ≤ 1, se for τ = 0 3.25c

Aqui, os parâmetros adimensionais Bi, θ e R são definidos como as Eqs. 3.24.


A Fig. 3.9a mostra a temperatura no centro To, ou θ (0,τ), da esfera em função do
tempo adimensional τ com diferentes valores do parâmetro 1/Bi.

A Fig. 3.9b apresenta a relação entre as temperaturas em diferentes posições dentro


da esfera e a temperatura no centro To.

Fig. 3.9 Carta de temperaturas transientes numa esfera maciça, de raio r=b sujeito a convecção na
superfície r=b. (a) Temperatura To no centro da esfera; (b) correção de posição para empregar
com a parte (a).

A Fig. 3.10 mostra o calor adimensional Q/Qo em função do tempo adimensional com
diferentes valores do número de Biot. Aqui, Q e Qo são definidos como previamente.
Apostila de Transmissão de Calor 49

Fig. 3.10 Calor adimensional transferido Q/Qo numa esfera de raio b


Apostila de Transmissão de Calor 50

4) CONVECÇÃO – CONCEITOS E RELAÇÕES BÁSICAS

Até aqui consideramos a transferência condutiva de calor nos sólidos, nos quais
não há movimento do meio. Nos problemas de condução, a convecção participou na
análise, simplesmente como condição de contorno, na forma de um coeficiente de
transferência de calor.
Nosso objetivo, neste e nos capítulos seguintes a respeito da convecção, é
estabelecer as bases físicas e matemáticas para a compreensão do transporte
convectivo de calor e revelar as várias correlações na transferência de calor.
Nas aplicações de engenharia, há interesse na perda de carga e na força de
arraste associadas ao escoamento dentro de dutos ou sobre corpos. Por isso, são
apresentadas as correlações apropriadas para prever a queda de pressão e força de
arraste num escoamento.
A análise da convecção é complicada, pois o movimento do fluido afeta a perda
de carga, a força de arraste e a transferência de calor. Para determinar a força de
arraste, ou a perda de carga, deve ser conhecido o campo de velocidades nas
vizinhanças imediatas da superfície. Para determinar a transferência convectiva de
calor também se precisa da distribuição de velocidades no escoamento do fluido,
porque a velocidade participa da equação da energia; a solução da equação da energia
determina a distribuição de temperaturas no campo do escoamento.
A literatura a respeito da transferência convectiva de calor é superabundante e
está sempre crescendo. Nestes últimos anos, com a disponibilidade de computadores
digitais rápidos e de elevada capacidade, têm-se feito notáveis progressos na análise,
com grandes detalhes, de problemas muito complicados de transferência de calor. Não
obstante, um grande número de problemas de engenharia mais simples pode ser
resolvido com o emprego de correlações padrões de transferência de calor. Por isso,
vamos focalizar nossa atenção sobre esses casos. Para atingir este objetivo,
apresentaremos neste capítulo uma visão coerente da convecção, a fim de propiciar
uma base firme para aplicações. Serão discutidos os conceitos básicos associados ao
escoamento sobre um corpo, ao escoamento dentro de um duto e à turbulência.
Ilustraremos também o papel da distribuição de temperaturas e o da distribuição de
velocidades, num escoamento, sobre a transferência de calor e a força de arraste.
As distribuições de velocidades e de temperaturas no escoamento são
determinadas a partir da solução das equações do movimento e da energia. Por isso,
estas equações são apresentadas no caso de um escoamento bidimensional, de um
fluido com propriedades constantes, incompressível, nos sistemas de coordenadas
cartesianas e cilíndricas. A simplificação destas equações é ilustrada a fim de se
obterem as equações que governam a análise dos problemas mais simples de
transferência de calor.
Finalmente, discute-se o significado físico dos parâmetros adimensionais e
apresentam-se as equações das camadas limites.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 51

4.1) ESCOAMENTO SO
OBRE UM CORPO
C

Quandoo um fluidoo escoa soobre um co orpo sólido


o, a distribuição de velocidade
v es e
de temperatu uras na vizinhança
v a imediata a da sup perfície inffluencia fortemente
f e a
transsferência convectivaa de calor. O conc ceito de camada
c mite é fre
lim eqüenteme ente
intro
oduzido pa ara modela ar os cammpos de vvelocidade e de tem mperatura próximos da
supeerfície sólid
da, a fim de simplifficar a aná
álise da trransferência convecttiva de caalor.
Assim, estaremos envo olvidos comm dois tippos de ca amadas lim mites: a camada
c lim
mite
cinética e a ca
amada limitte térmica.

4.1.1
1) Camada
a Limite Cinética
C

ustrar o conceito de camada limite cinética, consid


Para ilu deremos o escoame ento
de um
u fluido sobre uma placa, com mo está ilu
ustrado na fig. 4.1. O fluido na borda fron ntal
da placa
p (isto é, em x = 0) tem um ma velocidaade u∞ que e é paralelaa à superffície da pla
aca.
À medida que o fluido se move na a direção x ao longo o da placa,, as partícuulas do flu
uido
em contato
c com a face dad placa as ssumem ve elocidade zero (isto é, não há deslizame ento
sobrre a face e da plac ca). Portan nto, a paartir da superfície
s da placa haverá um
retarrdamento dad compon nente x daa velocidad
de u(x,y) = u. Isto é, na superfície da pla aca,
em y = 0, a co omponente e axial da velocidade
v e é zero, ouu u = 0. O efeito do retardame ento
é re
eduzido qu uando o flu uido se move
m em uuma regiã ão afastad da da facee da placa a; a
distâ
âncias suficcientemen nte grandess da placa, o efeito de
d retardam mento é nu ulo, isto é, u =
u∞ para
p grande es y. Porta
anto, a cadda posiçãoo x ao longgo da placa a, há uma distância y =
δ(x), medida a partir da superfície
s da placa, onde
o a commponente axial da ve elocidade u é
igual a 99% da a velocidade da corrrente livre u∞, isto é,, u = 0,99 u∞. O lugaar geométrrico
desttes pontos, onde u = 0,99 u∞, é a cama ada limite cinética δ((x). Com o conceito de
camada limite e cinética assim intrroduzido non escoam mento sobrre uma placa plana a, o
campo do esccoamento pode ser divididod emm duas re egiões distintas: (1) Na região da
cammada limite e, a comp ponente ax xial da veelocidade u(x,y) variia rapidam mente com m a
dista
ancia y à face
f da pllaca; porta
anto, os grradientes de temperratura e as s tensões de
cisallhamento são gran ndes. (2) Na região o fora da a camada limite, na n região de
escooamento p potencial, os
o gradienttes de velo ocidade e as tensõe es de cisalhamento são s
despprezíveis.

Fig.. 4.1 Conceito de camad


da limite no
o escoamentto sobre um
ma placa plana
Apostila de Transmissão de Calor 52

Referindo-nos à ilustração na Fig. 4.1, vamos examinar o comportamento do


escoamento na camada limite em função da distância x medida a partir da borda frontal
da placa. A característica do escoamento é governada pelo valor da grandeza número
de Reynolds. No escoamento sobre uma placa plana, como está na Fig. 4.1, este
número é definido por
u x
Re x ≡ ∞ (4.1)
ν
onde u∞ = velocidade da corrente livre
x = distância à borda frontal
ν = viscosidade cinemática do fluido

A camada limite começa na borda frontal (isto é, em x =0) da placa como uma
camada limite laminar, na qual o escoamento permanece ordenado e as partículas do
fluído se movem ao longo das linhas de corrente. Este movimento ordenado continua
ao longo da placa até que se atinge uma distância crítica, ou o número de Reynolds
alcance um valor crítico. Depois de este número de Reynolds crítico ser atingido, os
pequenos distúrbios no escoamento começam a ser amplificados, e flutuações no fluído
começam a se desenvolver, o que caracteriza o final da camada limite laminar e o início
da transição para a camada limite turbulenta. No escoamento sobre uma placa plana, o
número de Reynolds crítico, no qual acontece a transição do escoamento laminar para
o turbulento, é geralmente tomado, na maior parte das finalidades analíticas, como

u∞ x
Re x ≡ ≅ 5 x105 (4.2)
v

Entretanto este valor crítico é fortemente dependente da rugosidade da


superfície e do nível de turbulência da corrente livre. Por exemplo, com distúrbios muito
grandes na corrente livre, a transição pode começar em um número de Reynolds tão
baixo como 105, e, nos escoamentos livres de perturbações, pode não começar até que
o número de Reynolds atinja um valor de 106 ou mais. Mas num escoamento sobre uma
placa plana, a camada limite é sempre turbulenta para Rex ≥ 4x106. Na camada limite
turbulenta próxima da parede, há uma camada muito delgada, chamada subcamada
laminar, onde o escoamento retém seu caráter laminar. Adjacente a subcamada laminar
existe uma região chamada camada amortecedora, na qual há turbulência muito fina e
a velocidade média axial aumenta rapidamente com a distância à superfície sólida. A
camada amortecedora é seguida pela camada turbulenta, na qual há turbulência em
alta escala e a velocidade muda relativamente pouco com a distância à parede.
A fig 4.2 mostra o conceito de camada limite no escoamento sobre um corpo
curvo. Neste caso, a coordenada x é medida ao longo da superfície curva do corpo;
principiando pelo ponto de estagnação, e em cada posição x segundo a normal à
superfície do corpo. A velocidade da corrente livre u∞ ( x) não é constante, mas varia com
a distância ao longo da superfície curva. O conceito de camada limite, discutido acima,
também se aplica a esta situação particular. A espessura da camada limite δ (x ) cresce
com a distância x ao longo da superfície. Entretanto, devido a curvatura da superfície,
depois de uma certa distância x, o perfil de velocidade u ( x, y ) mostra um ponto de
Apostila de Transmissão de Calor 53

inflexão, isto é, δu / ∂y se anula na superfície do sólido. Além do ponto de inflexão, há


uma inversão do escoamento, e diz-se que a camada limite está descolada da
superfície do sólido. Além do ponto de inversão do fluxo, os padrões do fluxo são muito
complicados e o conceito da camada limite não é mais aplicável.

Fig. 4.2 Conceito de camada limite no escoamento sobre um corpo curvo

4.1.2) Coeficiente de Arraste e Força de Arraste

Suponha que o perfil de velocidade u ( x, y ) na camada limite seja conhecido. A tensão


de cisalhamento τ x que atua ao longo da superfície em qualquer posição x é
determinada a partir de sua definição por

∂u ( x, y )
τx = µ (4.3)
∂y y =0

A constante de proporcionalidade µ é a viscosidade do fluido. Logo,


conhecendo-se a distribuição de velocidades na camada limite, pode-se determinar a
força de cisalhamento, devida ao escoamento que está atuando sobre a superfície
sólida. A definição de tensão de cisalhamento, dada pela Eq. (4.3), entretanto, não é
prática para aplicações de engenharia. Na prática, a tensão de cisalhamento ou força
de arraste local τ x por unidade de área está relacionada com o coeficiente local de
arraste cx pela relação

ρu ∞2
τ x = cx (4.4)
2

onde ρ é a densidade do fluido e u ∞ é a velocidade da corrente livre. Portanto,


conhecendo o coeficiente de arraste, podemos calcular a força de arraste exercida pelo
fluido que está escoando sobre a placa plana. Igualando as Eqs. (4.3) e (4.4), obtemos:

2ν ∂u ( x, y )
cx = (4.5)
u ∞2 ∂y y =o
Apostila de Transmissão de Calor 54

Portanto, o coeficiente local de arraste pode ser determinado pela Eq. (4.5), se o perfil
de velocidade u ( x, y ) , na camada limite for conhecido.
O valor médio do coeficiente de arraste Cm, de x=0 até x=L, é definido como

(4.6)

Sabendo o coeficiente médio de arraste Cm, podemos calcular a força de arraste F, que
está atuando sobre a placa de x=0 até x=L e numa largura w, com a fórmula
ρu 2
F = wLCm ∞ (N) (4.7)
2

4.1.3) Camada Limite Térmica

Análogo ao conceito de camada limite cinética, pode-se imaginar o desenvolvimento de


uma camada limite térmica ao longo da placa, associada ao perfil de temperatura no
fluido. Para ilustrar o conceito, consideremos um fluido a uma temperatura uniforme T∞
que escoa sobre uma placa plana mantida a uma temperatura constante TW . Sejam x e
y os eixos coordenados paralelo e perpendicular à superfície da placa,
respectivamente, como está na figura 4.3.

Fig. 4.3 Conceito de camada limite térmica no escoamento de um fluido quente sobre uma placa
fria

Definimos a temperatura adimensional θ(x,y) como

T ( x, y ) − TW
θ ( x, y ) = (4.8)
T∞ − TW

onde T(x,y) é a temperatura local no fluido. Na superfície da placa, a temperatura do


fluido é igual à temperatura da parede; portanto

θ(x,y) = 0 em y = 0(superfície da placa) (4.9 a)


Apostila de Transmissão de Calor 55

A distâncias suficientemente grandes da placa, a temperatura do fluido é a mesma T∞ ;


então
θ ( x, y ) → 1 a medida que y → ∞ (4.9 b)

Por isso em cada posição x ao longo da placa, pode-se imaginar uma posição y = δ (x)
no fluido onde θ ( x, y ) seja igual a 0,99. O lugar geométrico destes pontos onde θ ( x, y )
=0,99 é chamado a camada limite térmica δ (x ) .
A espessura relativa da camada limite térmica δ t ( x ) frente a camada limite
cinética δ (x ) depende da grandeza do número de Prandtl do fluido. Nos fluidos que
tem um número de Prandtl igual a unidade, como os gases, δ t ( x ) = δ ( x ). A camada
limite térmica é muito mais espessa do que a camada limite cinética nos fluidos que tem
Pr <1, como os metais líquidos, e é muito mais delgado do que a camada limite cinética
nos fluidos que tem Pr >1.

4.1.4) Coeficiente de Transferência de Calor

Suponha que a distribuição de temperatura T(x,y) na camada limite térmica seja


conhecida. Então o fluxo de calor q(x) do fluido para a placa é determinado por
∂T ( x, y )
q( x) = κ (4.10 a)
∂y y =0

onde k é a condutividade térmica do fluido. Entretanto, nas aplicações de engenharia,


não é prático empregar a Eq. (4.10 a) para calcular a taxa de transferência de calor
entre o fluido e a placa. Na prática define-se um coeficiente de transferência de calor
local h(x) para calcular o fluxo de calor entre o fluido e a placa:

q ( x ) = h( x )(T∞ − TW ) (4.10 b)

Igualando (4.10 a) e (4.10 b), obtemos

[∂T ∂y ]y =0
h( x ) = k (4.11 a)
T∞ − TW

Esta expressão agora é escrita em termos da temperatura adimensional θ ( x, y ) como

∂θ ( x, y )
h( x) = k (4.11 b)
∂y y =0
Apostila de Transmissão de Calor 56

Logo as Eqs. (4.11) fornecem a relação para determinar o coeficiente de transferência


de calor local h(x) a partir do conhecimento da distribuição da temperatura adimensional
θ ( x, y ) na camada limite térmica.
O coeficiente de transferência de calor médio hm sobre a distância x=0 até
x=L, ao longo da superfície da placa, é determinado a partir de

1 L
L ∫0
hm = h( x)dx (4.12)

Sabendo o coeficiente de transferência de calor médio hm, podemos determinar a taxa


de transferência de calor Q do fluido para a placa de x=0 até x=L e para a espessura w.

Q = wLhm (T∞ − TW ) (4.13)

4.1.5) Relação entre cx e h(x)

Considerando as expressões exatas de coeficiente de local de arraste e do


número de Nusselt local, no escoamento laminar sobre uma placa plana,

Cx
= 0,332 Re −x1 2 (4.14 a)
2
Nu x = 0,332 Pr1 3 Re1x 2
(4.14 b)

Definimos o número de Stanton local, Stx, como

h( x )
St x =
ρc pu∞
que pode ser reordenado na forma
h( x ) x / k Nu x
St x = =
(v / α )(u∞ x / v) Pr Re x

Então, a expressão (4.14 b) do número de Nusselt local pode ser reescrita como

St x = 0,332 Pr −2 3 Re −x1 2
(4.14 c)

Das Eqs. (4.14 a) e (4.14 c), pode-se obter a seguinte relação entre o número de
Stanton e o coeficiente de arraste:
Cx
St x Pr 2 / 3 = (4.15 a)
2

Esta expressão recebe o nome de analogia de Reynolds-Colburn e relaciona o


coeficiente local de arraste cx ao número de Stanton local Stx num escoamento laminar
Apostila de Transmissão de Calor 57

sobre uma placa plana. Portanto, fazendo-se as medidas do arraste atrativo no


escoamento laminar sobre uma placa plana, quando não há transferência de calor,
pode-se determinar o coeficiente de transferência de calor correspondente pela Eq.
(4.15 a). É muito mais fácil fazer medidas de arraste do que medidas de transferência
de calor.
Pode-se também aplicar a Eq. (4.15 a) ao escoamento turbulento sobre uma
placa plana, porém não se aplica ao escoamento laminar dentro de um tubo.
No caso de valores médios, a Eq. (4.15 a) é escrita como

Cm
St m Pr 2 / 3 = (4.15 b)
2

onde Stm e Cm são, respectivamente, o número de Stanton médio e o coeficiente médio


de arraste.

4.2) ESCOAMENTO NO INTERIOR DE UM DUTO

Os conceitos básicos discutidos na última seção sobre o desenvolvimento das camadas


limites cinética e térmica no escoamento sobre uma placa plana também se aplicam ao
escoamento na região da entrada de dutos. Ilustramos este assunto considerando o
escoamento no interior de um tubo circular.

4.2.1) Camada Limite Cinética

Considere o escoamento dentro de um tubo circular, como está ilustrado na


fig. 4.4.

Fig.4.4 Conceito de desenvolvimento da camada limite cinética na região de entrada de um tubo


circular

O fluido tem uma velocidade de entrada uniforme u 0 . Quando o fluido entra


no tubo, começa a se desenvolver uma camada limite cinética sobre a superfície da
parede. A velocidade das partículas do fluido, na superfície da parede, anula-se, e a
velocidade nas vizinhanças da parede diminui; como resultado, a velocidade na parte
axial do tubo aumenta para ser cumprida a exigência da continuidade do fluxo. A
espessura da camada limite cinética δ ( z ) cresce continuamente ao longo da superfície
Apostila de Transmissão de Calor 58

do tubo até que ocupa todo o tubo. A região que se estende desde a entrada do tubo
até um pouco além da posição hipotética em que a camada limite atinge o eixo do tubo
é a região hidrodinâmica de entrada. Nesta região, a forma do perfil de velocidade varia
tanto na direção axial como na radial. A região além da distância hidrodinâmica de
entrada é chamada região hidrodinamicamente desenvolvida, pois nesta região o perfil
de velocidade é invariante com a distância ao longo do tubo.
Se a camada limite permanece laminar até encher todo o tubo, o perfil
parabólico de velocidade no escoamento laminar completamente desenvolvido
prevalece na região hidrodinamicamente desenvolvida. Entretanto, se a camada limite
transforma-se em turbulenta antes de a sua espessura atingir o eixo do tubo, há um
escoamento turbulento completamente desenvolvido na região hidrodinamicamente
desenvolvida. Quando o escoamento é turbulento, o perfil de velocidade é mais
achatado do que o perfil parabólico de velocidade no escoamento laminar.
No escoamento no interior de um tubo circular, o número de Reynolds, definido por

um D
Re ≡ (4.16)
v

é utilizado como critério para a passagem do escoamento laminar a turbulento. Nesta


definição u m é a velocidade média do escoamento, D é o diâmetro interno do tubo, e v é
a viscosidade cinemática do fluido. No escoamento no interior de um tubo circular,
observa-se ordinariamente escoamento turbulento para

um D
Re = > 2300 (4.17)
v

Entretanto, este valor crítico depende fortemente da rugosidade da superfície,


das condições de entrada e das flutuações no escoamento. Em geral, a transição pode
ocorrer no domínio 2000<Re<4000.

4.2.2) Fator de Atrito e Perda de Carga

Nas aplicações de engenharia, o gradiente de pressão dP/dz associado ao


escoamento é uma grandeza de interesse, pois a perda de carga (queda de pressão)
ao longo de um dado comprimento do tubo pode ser determinada pela integração de
dP/dz sobre o comprimento. Para desenvolver uma expressão que defina dP/dz,
consideremos um balanço de forças sobre um comprimento diferencial dz do tubo.
Igualando a força da pressão à força de cisalhamento na parede, obtemos (veja fig.
4.5)
Apostila de Transmissão de Calor 59

Fig. 4.5 Equilíbrio de forças num elemento diferencial de volume

( PA) z − ( PA) z + ∆z = S∆zτ w


dP S πD 4
= − τw = − τ = − τw (4.18 a)
dz A (π / 4) D 2 w
D

onde A é a área de seção reta e S é o perímetro.


A tensão de cisalhamento τ w na parede está relacionada com o gradiente de
velocidade por
∂u ∂u
τw = µ = −µ (4.18 b)
∂y parede ∂r parede

uma vez que r= D/2 – y. Então, das Eqs. (4.18 a) e (4.18 b), temos

dP 4µ ∂u
= (4.18 c)
dz D ∂r parede

Nas aplicações de engenharia, a Eq. (4.18 c) não é prática para determinação de


dP/dz, pois exige o cálculo do gradiente de velocidade na parede. Para calcular a perda
de carga (queda de pressão) nas aplicações de engenharia, define-se um fator de atrito
f.

dP ρu m2
=−f (4.18 d)
dz 2D

onde um é a velocidade média do escoamento dentro do tubo e ρ é a densidade do


fluido. Igualando as Eqs. (4.18 c) e (4.18 d) obtém-se a seguinte expressão para o fator
de atrito:
8µ ∂u
f =− 2 (4.18 e)
ρu m ∂r parede
Apostila de Transmissão de Calor 60

Portanto, dada a distribuição de velocidades u do escoamento no interior do tubo, o


fator de atrito f pode ser determinado pela Eq. (4.18 e).
Dado o fator de atrito, a perda de carga P1 - P2 ≡ ∆P sobre a distância z2 – z1
≡ L no tubo é determinada pela integração da Eq. (4.18 d):
P2 ρu m2 Z 2
∫P1 dP = − f 2 D ∫Z1 dz
ou a perda de carga ∆P fica
L ρu m2 N
∆P = f (4.19 a)
D 2 m2

Se M for a vazão, em metros cúbicos por segundo, através do tubo, a


potência da bomba exigida para movimentar o fluido no tubo contra a perda de carga
∆P se torna
m3 N
Potência da bomba = ( M )(∆P 2 )
s m

N.m
Potência da bomba = M ∆P ouW (4.19 b)
s

4.2.3) Camada Limite Térmica

No caso da distribuição de temperaturas no escoamento no interior de um tubo circular,


é mais difícil visualizar o desenvolvimento da camada limite térmica e a exigência de
uma região termicamente desenvolvida. Entretanto, sob certas condições de
aquecimento, ou de resfriamento, como fluxo de calor constante ou temperatura
uniforme na parede do tubo, o conceito é possível.
Considere um escoamento laminar no interior de um tubo circular sujeito a um
fluxo de calor uniforme nas paredes. Sejam r e z as coordenadas, respectivamente,
radial e axial. Define-se uma temperatura adimensional θ (r , z ) como

T ( r , z ) − Tw ( z )
θ (r , z ) = (4.20a)
Tm ( z ) − Tw ( z )

onde Tw(z) = temperatura na parede do tubo


Tm(z) = Temperatura média de todo o fluido na área transversal do tubo em z
T(r,z) = temperatura local do fluido

Evidentemente, θ (r , z ) é zero na superfície da parede do tubo e atinge um valor finito no


eixo do tubo. Então visualiza-se o desenvolvimento de uma camada limite térmica
paralelamente a superfície da parede. A espessura da camada limite térmica δ t (z )
cresce continuamente ao longo da superfície do tubo até que preenche todo o tubo. A
região da entrada do tubo até a posição hipotética onde a espessura da camada limite
térmica atinge o eixo do tubo é a região de entrada térmica. Nesta região, a forma do
Apostila de Transmissão de Calor 61

perfil da temperatura adimensional θ (r , z ) muda tanto na direção axial quanto na radial.


A região além da distância de entrada térmica é chamada região termicamente
desenvolvida, porque nesta região o perfil da temperatura adimensional permanece
invariante com a distância ao longo do tubo, isto é,

T ( r , z ) − Tw ( z )
θ (r ) = (4.20 b)
Tm ( z ) − T w ( z )

É difícil explicar qualitativamente por que θ (r ) deve ser independente da


variável z, pois as temperaturas no segundo membro da Eq. (4.20 b) dependem tanto
de r como de z. Entretanto, pode-se demonstrar matematicamente que, não só com
uma temperatura constante mas também com um fluxo de calor constante na parede, a
temperatura adimensional θ (r ) depende somente de r para valores suficientemente
grandes de z.

4.2.4) Coeficiente de Transferência de Calor

Nas aplicações de engenharia envolvendo o escoamento de um fluido num tubo, a taxa


de transferência de calor entre o fluido e o tubo é uma informação de muito interesse.
Discutiremos o conceito de coeficiente de transferência de calor que é utilizado com
mais freqüência nas aplicações de engenharia para determinar a transferência de calor
entre o fluido e a superfície da parede.
Considere um fluido escoando dentro de um tubo circular de raio interno R.
Seja T(r,z) a distribuição de temperaturas no fluido, onde r e z são as coordenadas
radial e axial, respectivamente. O fluxo de calor do fluido para a parede do tubo é
determinado por
∂T (r , z )
q( z ) = − K (4.21 a)
∂r parede

onde k é a condutividade térmica do fluido.


Nas aplicações de engenharia não é prático utilizar a Eq. (6.21 a) para
determinar a transferência de calor entre o fluido e a parede do tubo, pois essa equação
envolve o cálculo da derivada da temperatura na parede. Para evitar esta dificuldade,
define-se um coeficiente de transferência de calor local h (z)

q ( z ) = h( z )[Tm ( z ) − Tw ( z )] (4.21 b)

onde Tm(z) = temperatura média global calculada sobre a área da seção transversal do
tubo na posição z
Tw(z) = temperatura na parede do tubo em z
Evidentemente se o coeficiente de transferência de calor for conhecido, é questão muito
simples determinar o fluxo de calor na parede para uma dada diferença entre a
temperatura média do fluido e a da parede do tubo. Por isso o uso do coeficiente de
Apostila de Transmissão de Calor 62

transferência de calor é muito conveniente nas aplicações de engenharia e sua


determinação, em várias condições de escoamento, foi objeto de numerosas
investigações experimentais e analíticas. Trataremos da relação entre o coeficiente de
transferência de calor h(z) a partir de T(r,z).
Igualando (4.21 a) e (4.21 b), obtemos:
k∂T (r , z )
h( z ) = − (4.22 a)
Tm( z ) − Tw( z )∂r r = Rparede

onde Tm(z) e Tw(z), num tubo circular de raio R, são determinadas por
R R

Tm( z ) =

0
u (r )T (r , z )2πrdr
=

0
u (r )T (r , z )2πrdr
(4.22 b)
R
u mπR 2
∫0
u (r )2πrdr

Tw ( z ) = T (r , z ) r = Rparede (4.22 c)

A temperatura média do fluido Tm(z) é uma definição baseada no transporte de energia


térmica com o movimento global do fluido à medida que ele passa através da seção
transversal, pois a grandeza " ρc p ut" representa o fluxo de energia por unidade de área.
Num fluido incompressível, de propriedades constantes, o termo ρ cp cancela-se no
numerador e no denominador de (4.22 b).
A Eq. (4.22 a) pode ser escrita em termos da temperatura adimensional
θ (r , z ) definida pela Eq. (4.20 a) como
∂θ (r , z )
h( z ) = − k (4.23 a)
∂r r = Rparede

Na região termicamente desenvolvida, a temperatura adimensional θ (r ) é


independente de z. Então, a equação (4.23 a) se reduz a

dθ (r )
h = −k (4.23 b)
dr r = Rparede

onde θ (r ) é definida pela Eq. (4.20 b). Este resultado implica que, na região
termicamente desenvolvida,o coeficiente de transferência de calor não varia com a
distância ao longo do tubo; e vale para a transferência de calor sob condições de fluxo
de calor constante na parede, ou temperatura constante na parede.
As definições dadas pela Eq. (4.23) podem ser empregadas para desenvolver
expressões do coeficiente de transferência de calor se a distribuição da temperatura
adimensional no fluido, definida pela equação (4.20 b), for conhecida.
Apostila de Transmissão de Calor 63

4.3) PARÂMETROS ADIMENSIONAIS

Neste capítulo foram introduzidos parâmetros adimensionais, como os números de


Reynolds, de Prandtl, de Nusselt e de Stanton, e vamos discutir o significado físico
destes parâmetros adimensionais na interpretação das condições associadas com o
escoamento do fluido, ou com a transferência de calor.
Consideremos o número de Reynolds baseado em um comprimento
característico L, reordenado na forma

u∞ L u2 / L
Re = = ∞ 2 = força de inércia/força viscosa (4.24 a)
v vu∞ / L

Então, o número de Reynolds representa a razão entre a força de inércia e a força


viscosa. Este resultado implica que as forças viscosas são dominantes nos números de
Reynolds pequenos, e as forças de inércia são dominantes nos números de Reynolds
grandes. Lembremo-nos de que o número de Reynolds foi utilizado como critério para
determinar a transformação do escoamento laminar em turbulento.
O número de Prandtl pode ser escrito na forma
cpµ µ ρ v
Pr = = = = difusividade molecular do momento/difusividade molecular do calor (4.24 b)
k k /( ρc p ) x
Representa, portanto, a importância relativa do transporte de momento e energia no
processo de difusão. Nos gases com Pr ≅ 1, a transferência de momento e energia pelo
processo de difusão é equilibrada. Nos óleos, Pr > 1 , e daí se vê que a difusão de
momento é muito maior do que a difusão de energia; mas, nos metais líquidos, Pr<1, e
a situação é inversa. Lembramos que, na discussão do desenvolvimento das camadas
limites cinética e térmica no escoamento sobre uma placa plana, a espessura relativa
das camadas limite cinética e térmica dependia da grandeza do número de Prandtl.
Considere o número de Nusselt, baseado em um comprimento característico
L, reordenado na forma
hL h∆ T
Nu = = (4.25 a)
k k ∆T / L

onde ∆ T é a diferença de temperatura de referência entre a superfície da parede e a


temperatura dos fluidos. Então o número de Nusselt pode ser interpretado como a
razão entre a transferência de calor por convecção e por condução através de uma
camada do fluido de espessura L. Com base nesta interpretação, o valor do número de
Nusselt igual a zero implica que não há convecção – A transferência de calor se efetua
por pura condução. Um valor maior do número de Nusselt implica um aumento de
transferência convectiva de calor.
O número de Stanton pode ser reordenado como

h h∆ T
St = = (4.25 b)
ρc p u m ρc p u m ∆T
Apostila de Transmissão de Calor 64

onde ∆T é uma diferença de temperatura de referência entre a superfície da parede e o


fluido. O numerador representa o fluxo de calor para o fluido, e o denominador
representa a capacidade de transferência de calor do escoamento do fluido.
O parâmetro adimensional, o número de Eckert, definido como
E ≡ u ∞ /(Cp∆T ), surgem freqüentemente em problemas de transferência de calor em
2

alta velocidade. O número de Eckert pode ser reordenado como

u ∞2 u ∞2 / Cp
E= = (4.26)
Cp∆T ∆T

4.4) TEMPERATURA DINÂMICA DEVIDO AO MOVIMENTO DO FLUIDO PELA


DIFERENÇA DE TEMPERATURA

Aqui, u ∞2 /( 2Cp ) representa uma elevação ideal de temperatura, se um gás ideal com a
velocidade u ∞ fosse reduzido adiabaticamente à velocidade zero. Esta definição implica
que, se o número de Eckert for pequeno, os efeitos da geração viscosa da energia
devido ao movimento do fluido podem ser desprezados em comparação com as
diferenças de temperaturas envolvidas no processo de transferência de calor.
Lembramos que o termo da dissipação viscosa de energia, que apareceu na equação
da energia, e a grandeza do número de Eckert tornam-se o critério para decidir se os
efeitos de dissipação viscosa de energia devem ser considerados na análise da
transferência de calor.
Apostila de Transmissão de Calor 65

5) CONVECÇAO FORÇADA NO ESCOAMENTO NO INTERIOR


DE DUTOS

5.1) ESCOAMENTO NO INTERIOR DE UM TUBO CIRCULAR

Os problemas de transferência de calor estacionária e de perda de carga na


convecção laminar forçada dentro de um tubo circular, em regiões afastadas da
entrada, onde os perfis de velocidades e de temperaturas estão plenamente
desenvolvidos, têm grande interesse em numerosas aplicações de engenharia. O fator
de atrito e o coeficiente de transferência de calor no escoamento são determinados,
respectivamente, a partir do conhecimento da distribuição da velocidade e da
distribuição de temperaturas no fluido.

5.1.1) Fator de Atrito

Considere um fluido incompressível, de propriedades constantes, em uma


convecção laminar forçada dentro de um tubo de raio R, na região onde o escoamento
está hidrodinamicamente desenvolvido. O fator de atrito no escoamento, no interior de
um tubo circular, está relacionado com o gradiente de pressão nas paredes pela Eq.
(4.18e)
8µ du
f =− 2 (5.1)
ρu m dr r = R

A distribuição de velocidades u(r) pode ser determinada a partir da solução das


equações do movimento. Foi demonstrado que no escoamento hidrodinamicamente
desenvolvido, dentro de um tubo circular, as equações do movimento se reduzem à
simples equação escrita na forma:

1 d du 1 dP
(r ) = em 0 < r < R (5.2)
r dr dr µ dz

sujeita às condições de contorno

du/dr = 0 em r = 0 (5.3a)
u = 0 em r = R (5.3b)

A primeira condição de contorno é a simetria do perfil de velocidades em torno do eixo


do tubo, e a segunda é a nulidade da velocidade nas paredes.
No escoamento laminar estacionário, plenamente desenvolvido, dentro de um
tubo circular, o gradiente de pressão dP/dz é constante. Então, a solução da Eq. (5.3)
dá o perfil das velocidades plenamente desenvolvido u(r).
Apostila de Transmissão de Calor 66

1 dP 2 r
u ( r ) = −( ) R [1 − ( ) 2 ] (5.4)
4 µ dz R

Aqui, a velocidade u(r) é sempre uma grandeza positiva no escoamento na direção


positiva dos z, mas o gradiente de pressão dP/dz é uma grandeza negativa.
A velocidade média do escoamento um, sobre a seção reta do tubo, é determinada a
partir da definição, e fica
1 R R 2 dP
πR 2 ∫0
um = 2π ru ( r ) dr = − (5.5)
8µ dz

uma vez que u(r) é dada pela Eq. (5.4).


O significado físico da velocidade média um , implica que a vazão através do tubo é
determinada por
vazão = (área da seção reta) um = πR 2 u m
Agora, das Eqs. (5.4) e (5.5), obtemos

u (r ) r
= 2[1 − ( ) 2 ] (5.6)
um R
Esta relação mostra que o perfil de velocidades u(r)um na região hidrodinamicamente
desenvolvida é parabólico. A velocidade uo no eixo do tubo é obtida da Eq. (5.4) quando
se faz r = 0;
R 2 dP
u0 = − (5.7)
4 µ dz

Uma comparação entre os resultados dados pelas Eqs. (5.5) e (5.7) mostra que a
velocidade no eixo do tubo é igual ao dobro da velocidade média do escoamento:

u 0 = 2u m (5.8)

O fator de atrito f no escoamento laminar, no interior de um tubo circular, na região


hidrodinamicamente desenvolvida, é determinado quando se obtém o gradiente da
velocidade a partir da Eq. (5.6)

du ( r ) 4u m 8u
=− =− m (5.9)
dr r =R R D

e se introduz este resultado na Eq. (5.1),

64 µ 64
f = = (5.10 a)
ρu m D Re
onde D é o raio interno do tubo e
ρu m D u m D
Re = = (5.10 b)
µ v
Apostila de Transmissão de Calor 67

é o número de Reynolds.
Na literatura, o fator de atrito também se define com base no raio hidráulico. Se fr
representa o fator de atrito baseado no raio hidráulico, ele está relacionado com o fator
de atrito definido pela Eq. (5.10 a) por f = 4fr. Isto é, a Eq. (5.10 a), na representação de
fr, seria fr = l6/Re, onde Re = ρu m D / µ . Este resultado recebe muitas vezes o nome de
relação de Hagen-Poiseuille para o fator de atrito em tubos, em virtude dos dados
experimentais de Hagen ulteriormente verificados teoricamente por Poiseuille.

5.1.2) Coeficiente de Transferência de Calor.

O coeficiente de transferência de calor no escoamento interior de um tubo


circular, na região termicamente desenvolvida, está relacionado com o gradiente da
temperatura adimensional nas paredes pela Eq. (4.23 b) .
dθ ( r )
h = −k (5.11)
dr r = R

onde θ (r) é definida pela Eq. (4.20b):

T ( r , z ) − Tw ( z )
θ (r ) = (5.12)
Tm ( z ) − T w ( z )

Para determinar h, é necessária a distribuição de temperaturas no escoamento, o que


pode ser estabelecido a partir da solução da equação da energia. .
Na região hidrodinamicamente desenvolvida, a equação da energia, no escoamento
laminar de um fluido incompreensível, dentro de um tubo circular, com dissipação
viscosa da energia desprezível pela equação:

1 ∂T 1 ∂ ∂T ∂ 2T
u (r ) = (r )+ 2 (5.13)
α ∂z r ∂r ∂r ∂z

Em geral, esta é uma equação diferencial parcial para determinar a distribuição de


temperaturas no escoamento, e sua solução é bastante complicada. Entretanto, na
oonvecção forçada, no interior de um tubo circular, na região termicamente
desenvolvida, com temperatura da parede constante, ou com fluxo de calor na parede
constante, pode-se demonstrar que o termo do gradiente de temperatura axial, na Eq.
(5.13), reduz-se a uma constante, isto é,
∂T
= constante
∂z
Então, a equação diferencial parcial (5.13) se reduz a uma equação diferencial
ordinária no perfil de temperaturas plenamente desenvolvido T®, pois o termo ∂ 2T / ∂z 2
se anula para ∂t / ∂z constante. Vamos examinar agora o problema da transferência de
calor com a condição de contorno, fluxo de calor constante na parede, ou temperatura
constante na parede, na convecção forçada, no interior de um tubo circular.
Apostila de Transmissão de Calor 68

5.1.3) Fluxo de Calor Constante.

Demonstra-se que, na condição de fluxo de calor constante na parede, o


gradiente de temperatura na direção do escoamento, em qualquer ponto do fluido, é
constante e igual ao gradiente axial da temperatura média do fluido. Isto é,

∂T (r , z ) dTm ( z )
= = constante (5.14)
∂z dz

Este resultado implica que, com o fluxo de calor constante na parede, a temperatura
média do escoamento Tm(z), na região termicamente desenvolvida, cresce linearmente
com a distância z ao longo do tubo.
Quando a Eq. (5.14) for introduzida na Eq. (5.13), o termo ∂ 2T / ∂z 2 se anula para ∂t / ∂z
constante, e se obtém a seguinte equação diferencial ordinária para T(r):
1 d dT 1 dTm ( z )
(r ) = u (r ) (5.15)
r dr dr α dz

Esta equação escreve-se em termos da temperatura adimensional θ (r), definida pela


Eq. (5.12), como

1 d dθ 1 dTm ( z )
(r ) = u (r ) [Tm ( z ) − Tw( z )] -1 (5.16 a)
r dr dr α dz

onde o perfil de velocidades plenamente desenvolvido u(r) é dado pela Eq. (5.6)

r
u (r ) = 2u m [1 − ( ) 2 ] (5.16 b)
R

As Eqs. (5.16 a) e (5.16 b) são combinadas e escritas mais compactamente como

d dθ r
(r ) = Ar[1 − ( ) 2 ] em 0 < r < R (5.17 a)
dr dr R

onde a constante A é definida por

2u m dTm ( z )
A= = constante (5.17 b)
α [Tm( z ) − Tw( z )] dz

As condições de contorno para a Eq. (5.17) são


= 0 em r = 0 (5.18 a)
dr
θ = 0 em r = R (5.18 b)
Apostila de Transmissão de Calor 69

A primeira condição de contorno afirma que θ é simétrica em torno do eixo do tubo, e a


segunda resulta da definição de θ dada pela Eq. (5.12), pois θ deve ser zero nas
paredes.
A Eq. (5.17 a) é semelhante à equação de condução de calor estacionária, em
coordenadas cilíndricas, e pode ser integrada facilmente, sujeita às condições de
contorno das Eqs. (5.18), para dar

⎡ 3 1 ⎛ r ⎞4 1 ⎛ r ⎞2 ⎤
θ (r ) = − AR ⎢ + ⎜ ⎟ − ⎜ ⎟ ⎥
2
(5.19)
⎣⎢16 16 ⎝ R ⎠ 4 ⎝ R ⎠ ⎦⎥

A constante desconhecida A que aparece nesta equação pode ser determinada


empregando-se a definição da temperatura média global do fluido.
De acordo com a definição da temperatura média global do fluido, dada pela Eq.
(4.22b), escrevemos
R

θ ( m) =
∫0
u ( r )θ (r )2πrdr
(5.20)
u m πR 2

onde o perfil de velocidades plenamente desenvolvido u(r) é dado pela Eq. (5.16 b), isto
é,

r
u (r ) = 2u m [1 − ( ) 2 ] (5.21)
R

As Eqs. (5.19) e (5.21) são introduzidas na Eq. (5.20) e as integrações são feitas.
Obtém-se
11AR 2
θm = (5.22 a)
96

Também, a definição de θ (r) dada pela Eq. (5.12) permite-nos escrever

T m ( z ) − Tw ( z )
θm = =1 (5.22 b)
Tm , ( z ) − T w ( z )

Igualando (5.22a) e (5.22b), encontramos

96
AR 2 = − (5.23)
11

Introduzindo este resultado de AR2 na Eq. (5.19), obtemos

96 ⎡ 3 1 ⎛ r ⎞ ⎤
4 2
1⎛ r ⎞
θ (r ) = ⎢ + ⎜ ⎟ − ⎜ ⎟ ⎥ (5.24)
11 ⎢⎣16 16 ⎝ R ⎠ 4⎝R⎠ ⎥⎦
Apostila de Transmissão de Calor 70

A Eq. (5.24) é o perfil de temperaturas adimensionais, na convecção forçada, em um


tubo circular, na região hidrodinâmica e termicamente desenvolvida, com a condição de
contorno fluxo de calor constante na parede. Lembramos que este perfil de
temperaturas foi empregado para determinar o coeficiente de transferência de calor.
Dado o perfil de temperaturas no fluido, o coeficiente de transferência de calor h é
obtido imediatamente a partir de sua definição dada pela Eq. (5.11):

48 k
h= (5.25 a)
11 D

ou
hD 48
Nu ≡ = = 4,364 (5.25 b)
k 11

onde D é o diâmetro interno do tubo e Nu é o número de Nusselt.


O resultado das Eqs. (5.25) representa o coeficiente de transferência de calor, na
convecção laminar forçada, no interior de um tubo circular, na região hidrodinâmica e
termicamente desenvolvida, com a condição de contorno fluxo de calor constante na
parede.

5.1.4) Parede com Temperatura Constante.

O problema de transferência de calor descrito acima, na região hidrodinâmica e


termicamente desenvolvida, também pode ser resolvido com a condição de contorno
parede com temperatura constante; mas a análise é mais elaborada e não será
apresentada aqui. O resultado é

hD
Nu ≡ = 3,657 (5.26)
k

que representa o número de Nusselt (ou o coeficiente de transferência de calor) na


convecção laminar forçada, no interior de um tubo circular, na região hidrodinâmica e
termicamente desenvolvida, com a condição de contorno parede com temperatura
constante.

5.1.5) Estimativa das Propriedades Físicas.

Nos resultados dados pelas Eqs. (5.25) e (5.26), a condutividade térmica do


fluido k depende da temperatura. Quando a temperatura do fluido varia ao longo do
tubo, k pode ser calculada pela temperatura média global do fluido tb, definida como
Apostila de Transmissão de Calor 71

1
Tb = (Ti + To) (5.27)
2

onde Ti = temperatura volumar do fluido na entrada e To = temperatura volumar do


fluido na saída.

5.1.6) Média Logarítmica e Média Aritmética das Diferenças de Temperaturas.

A média logarítmica (MLDT) das duas grandezas ∆T1e∆T2 é definida como

∆T1 − ∆T2
∆Tln = (5.28 a)
ln(∆T1 / ∆T2 )

enquanto a média aritmética (MA) de ∆T1e∆T2 é definida como

∆TMA =
1
(∆T1 + ∆T2 ) (5.28 b)
2

5.2) ESCOAMENTO NO INTERIOR DE DUTOS COM DIVERSAS SEÇÕES RETAS


TRANSVERSAIS

O número de Nusselt e o fator de atrito no escoamento laminar em dutos com


diversas seções retas transversais foram determinados na região em que os perfis de
velocidade e temperatura estão plenamente desenvolvidos. Se a seção transversal do
duto não for circular, então a transferência de calor e o fator de atrito, em muitos casos
de interesse prático, podem ser baseados no diâmetro hidráulico Dh, definido como

4 Ac
Dh = (5.29)
P

onde Ac = Área de seção reta transversal do escoamento e P = perímetro molhado.


Então, os números de Nusselt e de Reynolds, nestes casos são
hD h
Nu = (5.30 a)
K
u D
Re = m h (5.30 b)
v

5.2.1) Comprimentos da Entrada Hidrodinâmica e da Térmica

Há interesse prático em conhecer o comprimento da entrada hidrodinâmica Lh e o


comprimento da entrada térmica Lt no escoamento no interior de dutos.
O comprimento da entrada hidrodinâmica Lh é definido, um tanto arbitrariamente, como
Apostila de Transmissão de Calor 72

a distância, a partir da entrada do duto, necessária para que se atinja uma velocidade
máxima correspondente a 99% da grandeza plenamente desenvolvida.
O comprimento da entrada térmica Lt é definido, um tanto arbitrariamente, como a
distância, a partir do começo da seção de transferência de calor, necessária para se
atingir um número de Nusselt local Nux igual a 1,05 vez o valor plenamente
desenvolvido.
Se a transferência de calor para o fluido principia na entrada do fluido no duto, tanto a
camada limite cinética como a camada limite térmica começam a se desenvolver
imediatamente, e Lh e Lt são ambos medidos a partir da boca do tubo, como está na
Fig. 5.1a.
Em algumas situações, a transferência de calor para o fluido começa após uma
seção isotérmica acalmante, como está na Fig. 5.1b. Neste caso, Lh é medido a partir
da entrada do duto, pois a camada limite cinética começa a se desenvolver
imediatamente após a entrada do fluido no duto, mas Lt é medido a partir da posição
onde se inicia a transferência de calor, pois a camada limite térmica começa a se
desenvolver na seção de transferência de calor.
Os comprimentos da entrada hidrodinâmica e térmica, no escoamento laminar no
interior de condutos, foram dados por vários autores. Apresentamos na Tabela 5.1 o
comprimento da entrada hidrodinâmica Lh no escoamento laminar no interior de
condutos de várias seções transversais, baseados na definição mencionada
anteriormente. Incluímos nesta tabela os comprimentos da entrada térmica nas
condições de contorno temperatura da parede constante e fluxo de calor constante nas
paredes, num escoamento hidrodinamicamente desenvolvido, mas termicamente em
desenvolvimento. Nesta tabela, Dh é o diâmetro hidráulico e o número de Reynolds está
baseado neste diâmetro.
Notamos, na Tabela 5.1, que, numa dada geometria, o comprimento da entrada
hidrodinâmica Lh depende apenas do número de Reynolds, enquanto o comprimento da
entrada térmica Lt depende do número de Péclét, Pe, que é igual ao produto dos
números de Reynolds e Prandtl. Por isso, líquidos que têm um número de Prandtl da
ordem da unidade têm Lh e Lt com grandezas comparáveis; nos fluidos como os óleos,
que têm um número de Prandtl grande, temos Lt>Lh e, nos metais líquidos, que tem um
número de Prandtl pequeno, temos Lt<Lh.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 73

Fig. 5.1
5 comprim mentos da entrada
e hidro
odinâmica e térmica: (a a) a transferrência de ca
alor se inicia
a na
boca do duto; (b) a transferênc
t ia de calor s
se inicia dep
pois de uma a seção isottérmica.

Tab. 5.1 Compriimento da entrada hidro


odinâmica e térmica Lh Lt no escoa
amento lamiinar no interrior
de du
utos

Os com mprimentos da enttrada térm mica, dad dos na T Tabela 5.1 1, valem no
escooamento h hidrodinam
micamente desenvollvido e se e desenvo olvendo te ermicamen nte.
Commo discutirremos ma ais tarde, em muitoos casos os perfis de veloc cidades e de
tempperaturas sse desenvoolvem simultaneameente na reggião de enttrada. Este
e escoame ento
é o escoament
e to com des
senvolvimeento simulttâneo. Os comprimen ntos da enntrada térm
mica
no escoament
e to com deesenvolvim
mento simuultâneo tam mbém dep pendem do o número de
Apostila de Transmissão de Calor 74

Prandtl. Por exemplo, no escoamento que se desenvolve simultaneamente dentro de


um tubo circular, com temperatura constante nas paredes, o comprimento da entrada
térmica Lt é
Lt
= 0,037 com Pr =0,7
DPe

que deve ser comparada com


Lt
= 0,033.com. Pr → ∞
DPe
que corresponde ao número dado na tabela 5.1 para o escoamento
hidrodinamicamente desenvolvido e termicamente em desenvolvimento. Portanto, Lt
cresce quando o número de Prandtl diminui e é uma função fraca de número de Prandtl
para Pr > 0,07.

5.3 ESCOAMENTO TURBULENTO NO INTERIOR DE DUTOS

O escoamento turbulento é importante nas aplicações de engenharia, pois


aparece na grande maioria dos problemas de escoamento de fluido e transferência de
calor encontrados na prática da engenharia.

5.3.1) Fator de Atrito e Perda de Carga

Considere um escoamento turbulento, plenamente desenvolvido, com uma


velocidade média de u m através de um tubo circular de diâmetro interno D. A perda de
carga ∆ P sobre o comprimento L do tubo pode ser determinada segundo a equação:

L ρ.u m
2
⎛ N ⎞
∆P = f ⎜ ⎟ (5.31)
D 2 ⎝ m2 ⎠

onde: f = fator de atrito no escoamento. O fator de atrito no escoamento laminar,


dentro de um tubo circular, pode ser encontrado por método puramente teórico e
64
demonstrou-se que vale f = . No caso de escoamento turbulento, entretanto um
Re
certo empirismo se introduz em sua dedução, pois se emprega um perfil de velocidades
semi-empírico nesta análise.

= 2,0 log(Re f ) − 0,8


1
(5.32 a)
f
Esta relação concorda com as experiências e é utilizada para determinar o fator
de atrito no escoamento turbulento, no interior de canos lisos. A fig. 5.2 mostra a
Apostila de Transmissão de Calor 75

comparação entre a equação (5.32 a) e as experiências de vários pesquisadores; aqui,


as experiências de Nikuradse cobrem uma faixa de número de Reynolds até 3,4x106.
A equação implícita (5.32 a) é aproximada quase exatamente pela seguinte
expressão explícita
f = (1,82 log Re− 1,64) − 2 (5.32 b)

NiKuradse fez extensas experiências com escoamento turbulento no interior de canos


λ
artificialmente rugosos, em uma faixa muito grande de rugosidade relativa ( isto é, a
D
altura da saliência dividida pelo diâmetro), de cerca de 1/1000 até 1/30. A rugosidade
do grão de areia, utilizada nessas experiências, foi adotada como padrão para efeitos
de rugosidade. Também foi desenvolvida uma correlação do fator de atrito para o
escoamento turbulento no interior de tubos rugosos baseada em experiências feitas
com tubos rugosos.
A fig. 5.3 mostra uma carta do fator de atrito, originalmente apresentada por
Moody para o escoamento turbulento no interior de tubos lisos e rugosos. A curva do
tubo liso é baseada na equação
⎧T 0.em. y = 0⎫
T ( y) = ⎨ ⎬
⎩T1 .em. y = L ⎭
64
Também está incluído nesta figura o fator de atrito f = do escoamento laminar no
Re
interior de tubos circulares.

Fig. 5.2. Lei de atrito no escoamento turbulento dentro de tubos lisos e dados experimentais de
vários pesquisadores.

É evidente que, no escoamento laminar, a rugosidade da superfície não tem


efeito sobre o fator de atrito; no escoamento turbulento, entretanto, o fator de atrito é
um mínimo para o tubo liso. O escoamento laminar está confinado à região Re < 2000.
A turbulência transicional ocorre na região 2000<Re<10000. O escoamento plenamente
turbulento ocorre na região Re>104.
Nos tubos lisos, foram dadas expressões analíticas mais simples, porém
aproximadas, para o fator de atrito na forma
Apostila de Transmissão de Calor 76

f = 0,316Re-0,25 para Re < 2 x 104


f = 0,184Re-0,2para 2 x 104 <Re < 3 x 105
Estes resultados se aplicam ao escoamento turbulento hidrodinamicamente
desenvolvido. O desenvolvimento hidrodinâmico no escoamento turbulento ocorre para
x/D muito menor do que no escoamento laminar. Por exemplo, as condições de
escoamento hidrodinamicamente desenvolvido ocorrem para x/D maior do que cerca
de 10 a 20.

Fig. 5.3. Fator de atrito para ser utilizado na relação ∆P = f ( L / D)( ρ.U 2 m / 2 para a perda
de carga em um escoamento no interior de tubos circulares. ( De Moody.)

5.4) COEFICIENTE DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR

Uma vez que a análise de transferência de calor no escoamento turbulento é


muito mais elaborada do que no escoamento laminar, foi desenvolvido um grande
número de correlações empíricas para determinar o coeficiente de transferência de
calor. Apresentaremos algumas destas correlações.

5.4.1) Equação de Colburn.

Nu = 0,023 Re0,8 Pr1/ 3 (5.33)

onde Nu = hD/ K, Re = u m D / v, e Pr = ν / α . A equação (5.33) pode ser aplicada


quando
0,7 < Pr < 160 Re > 10000
L/ D > 60 em tubos lisos
Apostila de Transmissão de Calor 77

5.4.2) Equação de Dittus-Boelter.

Nu = 0,023 Re0,8 Pr n (5.34)

onde n = 0,4 no aquecimento (Tw > Tb) e n = 0,3 no resfriamento (Tw < Tb) do fluido. A
faixa de aplicabilidade é a mesma que a da equação de Colburn.

5.4.3) Equação de Sieder e Tate.

Nas situações que envolvem grande variações de propriedades:


Nu = 0,027 Re0,8 Pr1/ 3 ( µ .b / µ .w ) 0,14 (5.35)

Esta equação é aplicável quando


0,7 < Pr < 16700 Re > 10000
L/ D > 60 em tubos lisos
Todas as propriedades são estimadas na temperatura média global do fluido Tb, exceto
µ w que é calculado à temperatura da parede.

5.4.4) Equação de Petukhov.

As relações que acabamos de apresentar são relativamente simples, mas dão um erro
máximo de ± 25% na faixa de 0,67 < Pr < 100 e podem ser aplicadas no escoamento
turbulento em dutos lisos. Uma correlação mais precisa, que é também aplicável em
dutos rugosos, foi desenvolvida por PetuKhov e colaboradores no Instituto de Altas
Temperaturas de Moscou:
n
Re . Pr f ⎛ µ b ⎞
Nu = ⎜ ⎟
X 8 ⎜⎝ µ w ⎟⎠
(5.36)
1/ 2
⎛f⎞
X = 1,07 + 12,7(Pr 2 / 3 − 1)⎜ ⎟
⎝8⎠
n = 0,11 aquecimento com Tw uniforme (Tw > Tb)
0,25 esfriamento com Tw uniforme ( Tw < Tb)
0 fluxo de calor uniforme na parede ou gases

As Eqs. (5.36) são aplicáveis no escoamento turbulento plenamente desenvolvido na


faixa
104 < Re < 5x106
0,5 < Pr < 200 com erro de 5 a 6%
0,5 < Pr < 2000 com erro de 10%
µw
0,08 < < 40
µb
Apostila de Transmissão de Calor 78

µw µw
Notamos que < 1 quando o líquido for aquecido e > 1 quando o líquido for
µb µb
resfriado. Todas as propriedades físicas, exceto µw , são estimados na temperatura
média global.
O fator de atrito f , nas equações (5.36), pode ser estimado pelo diagrama de
Moody para tubos lisos, ou obtido da carta de Moody (fig. 5.3) para tubos lisos ou
rugosos.

5.4.5) Equação de Nusselt.

As relações anteriores são aplicáveis no domínio L/D > 60. Nusselt estudou os dados
experimentais com L/D de 10 a 100 e concluiu que h, neste domínio, é
aproximadamente proporcional a (D/L)1/ 8. Daí substituiu a Eq. (5.35) por
0 , 055
⎛D⎞ L
Nu = 0,036 Re Pr ⎜ ⎟
0 ,8 1/ 3
em10 < < 400 (5.37)
⎝L⎠ D
onde L é o comprimento medido do princípio da seção de transferência de calor, e as
propriedades do fluido são calculadas à temperatura média global do fluido.

5.4.6) Equação de Notter e Sleicher.

O número de Nusselt é determinado teoricamente a partir da solução da equação da


energia com o emprego de um perfil apropriado de velocidades no escoamento
turbulento. O número de Nusselt resultante, na região hidrodinâmica e termicamente
desenvolvida, foi expresso na forma

Nu = 5 + 0,016 Re a Pr b (5.38)
onde
0,24
a= 0,88 - e b = 0,33 + 0,5e-0,6.Pr
4 + Pr
que é aplicável em
0,1 < Pr < 104
104 < Re < 106
L
> 25
D
A Eq. (5.38) correlaciona bem os dados experimentais e proporciona uma
representação mais exata do efeito do número de Prandtl. Pode ser preferida à Eq.
(5.37).
Apostila de Transmissão de Calor 79

5.5) TRANSFERÊNCIA DE CALOR NOS METAIS LÍQUIDOS

Os metais líquidos são caracterizados pelo número de Prandtl muito baixo,


variando de cerca de 0,02 a 0,003. Por isso, as correlações de transferência de calor
das seções anteriores não se aplicam aos metais líquidos, pois sua faixa de validade
não se estende a valores tão baixos do número de Prandtl.
O Lítio, o Sódio, o Potássio, o Bismuto e o sódio-potássio estão entre os metais
comuns de baixo ponto de fusão que são convenientes para a transferência de calor.
Há interesse, para a engenharia na transferência de calor em metais líquidos, pois se
podem transferir grandes quantidades de calor em altas temperaturas com diferença de
temperatura relativamente baixa entre o fluido e a superfície da parede do tubo. As
altas taxas de transferência de calor resultam da alta condutividade dos metais líquidos,
comparada com a condutividade dos líquidos e gases ordinários. Por isso, são
particularmente atraentes como meio de transferência de calor nos reatores nucleares e
em muitas outras aplicações em alta temperatura e com elevado fluxo de calor. A
principal dificuldade no emprego dos metais líquidos está em seu manuseio. São
corrosivos e alguns podem provocar violentas reações quando entram em contato com
o ar ou a água. Como se discutiu no Cap. 4, quando Pr<1, como nos metais líquidos, a
camada limite térmica é muito mais espessa do que a camada limite cinética. Isto
implica que o perfil de temperaturas, e, portanto, a transferência de calor nos metais
líquidos não é influenciada pela subcamada laminar ou pela viscosidade. Desse modo,
nesses casos, espera-se uma dependência bastante fraca entre a transferência de
calor e o número de Prandtl. Por isso, a maior parte das correlações empíricas da
transferência de calor com metais líquidos foi estabelecida fazendo-se o gráfico do
número de Nusselt contra o número de Péclét, Pe = Re.*Pr. Esta situação, discutida
inicialmente com referência ao escoamento sobre uma placa plana, também se aplica
ao escoamento num tubo circular, como está ilustrado na figura 5.4. Nesta figura os
números de Nusselt no aquecimento de metais líquidos em tubos longos, sujeitos a um
fluxo de calor constantes nas paredes, compiladas de várias fontes por Lubarsky e
Kaufman, estão plotados contra os números de Péclét. Os dados parecem ter boa
correlação, mas há também espalhamento. A explicação está nas dificuldades
inerentes às experiências com metais líquidos, especialmente em ter que se tratar com
altas temperaturas e diferenças de temperatura muito pequenas. O fato de alguns
metais líquidos não molharem a superfície sólidas também é considerado uma possível
explicação para alguns valores medidos do número de Nusselt serem mais baixos do
que as previsões teóricas.
Resumiremos algumas correlações empíricas e teóricas para a transferência de
calor nos metais líquidos, no escoamento turbulento plenamente desenvolvido, dentro
de um tubo circular, com fluxo de calor constante nas paredes e também temperatura
constante da parede como condição de contorno.
Apostila de Transmissão de Calor 80

Fig. 5.4. Números de Nusselt medidos no aquecimento de metais líquidos em tubos longos,
circulares, com fluxo de calor constante nas paredes.

5.5.1) Fluxo de Calor Uniforme nas Paredes

Lubarsky e Kaufman propuseram a seguinte relação empírica para calcular o número


de Nusselt, no escoamento turbulento plenamente desenvolvido, de metais líquidos em
tubos lisos.
Nu = 0,625 Pe 0,4 (5.39)
número de Péclét ≡ Pe = Re . Pr
para 102 < Pe < 10 4, L/D > 60, e as propriedades são calculadas à temperatura média
global do fluido.

Skupinski, Tortel e Vautrey, baseados nas experiências de transferência de calor feitas


com misturas de sódio e potássio, recomendaram a seguinte expressão para metais
líquidos em escoamento turbulento plenamente desenvolvido, dentro de tubos lisos:

Nu = 4,82 + 0,0185 Pe 0,827 (5.40)

para 3,6 x 10 3 < Re < 9,05 x 10 5, 10 2 < Pe <10 4 e L/D > 60. As propriedades físicas
são calculadas à temperatura média global do fluido.
A Eq. (5.39) prevê número de Nusselt mais baixo que a Eq. (5.40); é previsão
conservadora.

5.5.2) Temperatura Uniforme nas Paredes

Seban e Shimazaki utilizaram a analogia entre a transferência de momento e a


transferência de calor e propuseram a expressão seguinte para metais líquidos em
tubos lisos, com temperatura uniforme nas paredes:

Nu = 5,0 + 0,025 Pe 0,8 (5.41)


Apostila de Transmissão de Calor 81

para Pe > 100, L/D > 60, e lpropriedades físicas calculadas à temperatura média global
do fluido.
Também foram desenvolvidas expressões para o número de Nusselt no
escoamento turbulento, plenamente desenvolvido, de metais líquidos em tubos lisos,
sujeitos à condição de contorno temperatura uniforme nas paredes, mediante ajustes
empíricos dos resultados das soluções teóricas. Apresentaremos agora os resultados
destes ajustes:

Sleicher e Tribus:
Nu = 4,8 + 0,015 Pe 0,91 Pr 0,30 para Pr < 0,05 (5.42)

Azer e Chão:
Nu = 5,0 + 0,05 Pe 0,77 Pr 0,25 para Pr < 0,1, Pe < 15000 (5.43)

Notter e Sleicher
Nu = 4,8 + 0,0156 Pe 0,85 Pr 0,08 para 0,004 < Pr <0,1, Re < 500000 (5.44)
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 82

6) CONVECÇÃO
O FORÇ
ÇADA NO ESCOAM
E MENTO SOBR
RE
ORPOS
CO

6.1) COEFICIE
ENTE DE TRANSFE
T ERËNCIA DE
D CALOR
R NO ESC
COAMENTO
O SOBRE
E
UMAA PLACA PLANA

Vamos considerarr agora a transferênc


t cia de caloor para um fluido, ou de um fluiido,
que flui sobre uma placa a plana. Su
uponha que e a transfe
erência de calor se in
nicia na borda
fronttal da plac
ca. Como foi discutido no Cap. 4, as camadasc limite cinética e térm
mica
começam a se desenvo olver simu
ultaneamen nte, e sua a espessurra relativa depende do
valor do núme ero de Prandtl. Se a distribuiçã ão de temp peratura T
T(x, y) na camada
c lim
mite
for conhecida,
c o coeficie
ente de trannsferência
a de calor local h(x) pode
p ser determinad
d oa
partiir de sua definição, dada
d na Eqq. (4.11 a) como

[∂T ∂y ] y =0
h( x ) = k 6.1)
(6
T∞ − TW

onde e T∞ e Tw, T são as


a temperaturas da a corrente e livre doo fluido e da pare ede,
resp
pectivamen nte.
Apresenntaremos primeiro uma análise aprroximada da deterrminação da
distrribuição dee temperaturas na camada
c lim
mite térmica e, a seguir, o coeficiente
c de
trans de calor no caso especial em que Pr < 1, isto é, nos metais líquidos
sferência d s. A
razã
ão para con nsiderar prrimeiro os metais líquuidos está na simpliccidade da análise ne
este
caso o particularr; além dis
sso, ela no
os ajudaráá a aprofun ndar a commpreensãoo do papel da
camada limite térmica na a transferê
ência de caalor. O cas so de Pr = 1 (gases), que envo
olve
análise mais e elaborada, será consiiderado ma ais tarde.

1) Metais Líquidos
6.1.1 L n
num Esco
oamento L
Laminar

O número de Prandtl é muito ba aixo nos metais


m uidos; por isso, a camada
líqu c lim
mite
térm
mica é muito
o mais esp
pessa que a camadaa limite ciné
ética (isto é
é,δt> δ).

Fig
g. 6.1 Camad
das limites cinética
c e té
érmica na trransferência
a de calor em
m metais líq
quidos, Pr <1
1.
Apostila de Transmissão de Calor 83

A Fig. 6.1 ilustra as camadas limites cinética e térmica quando ambas começam a se
desenvolver a partir da borda frontal da placa plana. Sejam T∞ e u∞ a temperatura e a
velocidade do fluido, respectivamente, fora das camadas limites; TW é a temperatura da
superfície da placa. Admitiremos um fluido incompressível, de propriedades constantes,
num escoamento bidimensional, estacionário, com dissipação viscosa de energia
desprezível. A equação da energia, que governa a distribuição de temperaturas T(x, y)
na camada limite térmica, é obtida pela equação:

∂T ∂T ∂ 2T
u +v =α 2 (6.2)
∂x ∂y ∂y

Para conveniência de análise, definimos uma temperatura adimensional θ (x, y) como

T ( x, y ) − Tw
θ ( x, y ) = (6.3)
T∞ − T w

onde θ(x, y) varia de zero na superfície da parede até a unidade na extremidade da


camada limite térmica. Então, a equação da energia é escrita em termos de θ(x, y)
como

∂θ ∂θ ∂ 2θ
u +v = α 2 para x > 0 (6.4)
∂x ∂y ∂y

e as condições de contorno são

θ =0 em y = 0 (6.5 a)
θ =1 em y = δ t ( x ) (6.5 b)

onde as Eqs. (6.5 a) e (6.5 b) dão, respectivamente, a temperatura na superfície da


parede igual a Tw, e a temperatura na fronteira da camada limite térmica, com
espessura δ t ( x ) , igual a T ∞ .
A análise exata deste problema de temperatura é bastante elaborada, pois as
componentes da velocidade u e v devem ser determinadas a partir do problema cinético
antes que a equação da energia (6.4) possa ser resolvida.
Entretanto, uma solução aproximada deste problema, com o método integral, é
relativamente simples. Os passos básicos são os seguintes:
A equação da energia (6.4) é integrada em relação a y na camada limite térmica, e a
componente da velocidade v(x, y) é eliminada por meio da equação da continuidade.
A equação resultante, chamada a equação integral da energia, é dada por

d ⎡ δ dθ
∫ u (1 − θ )dy ⎤ = α em.0 ≤ y ≤ δ t (6.6)
t


dx ⎣ 0 ⎥
⎦ dy y =0
Apostila de Transmissão de Calor 84

onde δ t ≡ δ t (x ) u ≡ u ( x, y )eθ ≡ θ ( x, y ) . Até aqui, a análise e a Eq. (6.6) são exatas, mas
esta equação não pode ser resolvida, pois ela envolve três incógnitas δ t ( x )
u ( x, y ), θ ( x, y ) . Por isso, precisamos de relações adicionais.
Neste estágio são introduzidas aproximações a fim de desenvolverem-se expressões
analíticas simples para u(x, y) e θ (x, y) coerentes com a realidade física. Uma vez que
a camada limite cinética é muito delgada, a velocidade do escoamento em uma grande
porção da camada limite térmica é uniforme e igual a u∞, como está ilustrado na Fig.
6.1. Por isso, numa primeira aproximação, o perfil de velocidades é tomado como

u (x, y) = u ∞ = constante (6.7)

O perfil de temperaturas θ (x, y) pode ser representado como uma aproximação


polinomial dentro da camada limite térmica. Suponhamos uma aproximação cúbica para
θ (x, y), com a forma

θ (x,y)= c0 +c1(x)y + c2(x)y2 + c3(x)y3 em 0 ≤ y ≤ δ t ( x ) (6.8)

e que as quatro condições necessárias para determinar os quatro coeficientes tenham a


forma
θ = 0 em y = 0 (6.9 a)
θ = 1 em y = δ t (6.9 b)
∂θ
= 0 em y = δ t (6.9 c)
∂y
∂ 2θ
=0 em y = 0 (6.9 d)
∂y 2

Notamos que as duas primeiras condições são as condições de contorno, a terceira


está baseada na definição da camada limite térmica, e a última é obtida pela estimativa
da equação da energia (6.4) em y = 0, observando-se que u = v = 0 na superfície da
parede. A aplicação das condições (6.9) à Eq. (6.8) dá o perfil de temperaturas na
forma

3
3⎛ y ⎞ 1⎛ y ⎞
θ ( x , y ) = ⎜⎜ ⎟⎟ − ⎜⎜ ⎟⎟ (6.10)
2 ⎝ δt ⎠ 2 ⎝ δt ⎠

Os perfis de velocidades e de temperaturas, dados pelas Eqs. (6.7) e (6.10), são


introduzidos na equação integral da energia (6.6). Obtemos
Apostila de Transmissão de Calor 85

d ⎧⎪ δ t ⎡ ⎤ ⎫⎪
3
3 y 1⎛ y ⎞ 3
⎨ ∫0 u∞ ⎢1 − + ⎜ ⎟⎟ ⎥ dy ⎬ = α (6.11)
dx ⎪ ⎢⎣ 2 δ t 2 ⎜⎝ δ t ⎠ ⎥⎦ ⎪ 2δ t
⎩ ⎭

onde o segundo membro vem da relação [ ∂θ / ∂y ] y = 0 = 3 / (2δ t ). Quando se faz a


integração em relação a y, a equação diferencial ordinária para a espessura δ t da
camada limite térmica:
3 dδ t 3α
u∞ =
8 dx 2δ t
ou (6.12)


δ t dδ t =
dx
u∞
A integração da Eq. (6.12), com as condições δ t = 0 em x = 0, dá a espessura da
camada limite térmica como

δ t2 = x (6.13 a)
u∞
ou
8αx
δt = (6.13 b)
u∞

O gradiente de temperatura na parede, com o perfil cúbico da temperatura, Eq. (6.10),


fica
∂θ 3
= (6.14)
∂y y = 0 2δ t
e o coeficiente de transferência de calor, definido pela Eq. (6.1), escreve-se em termos
de θ ( x , y ) , como
∂θ
h( x ) = k (6.15)
∂y y =0

A partir das Eqs. (6.14) e (6.15), temos


3 k
h( x ) = (6.16)
2 δt

Levando δ t da Eq. (6.13 b) para a equação (6.16), determina-se o coeficiente de


transferência de calor local h(x) como

3k u∞ 3 k u∞ x v 3 k
h( x ) = = = Re x Pr (6.17)
2 8 αx 2 8 x v α 2 8 x
Apostila de Transmissão de Calor 86

O número de Nusselt local Nux no escoamento laminar de metais líquidos sobre uma
placa plana mantida a uma temperatura uniforme fica

h( x ) x 3
Nu x = = Re x Pr = 0.530 Pe 1x 2 (6.18)
k 2 8
u x
Re x = ∞ = número de Reynolds local
v
v
Pr = = número de Prandtl
α
u∞ x
Pe x = Re x Pr = = número local de Péclét
α
A solução dada pela Eq. (6.18) foi obtida por uma análise aproximada. Este resultado
deve ser comparado com a solução exata de Pohlhausen para este problema de
transferência de calor, no caso limite Pr → 0, dada por '
Nux = 0,564 Pe 1x / 2 (exato) para Pr → 0 (6.19)

Esta equação foi deduzida sob a hipótese de que Pr → 0; na prática, esta hipótese
implica que se trata de metais líquidos (isto é, Pr < 0,05). A solução aproximada, dada
pela Eq. (6.18), é razoavelmente próxima deste resultado exato.
No começo desta análise, estabelecemos que nos metais líquidos a camada
limite cinética é muito menor do que a camada limite térmica. Para testar a validade
desta afirmação, dividamos a espessura da camada limite cinética δ (x), pela espessura
da camada limite térmica δ t ( x ) , Eq. (6.13 b). Obteremos

δ ( x) 280 vx u ∞
= = 2,692 Pr
δ t ( x) 13 u ∞ 8αx

Nos metais líquidos, com Pr ≅ 0,01, encontramos

δ( x)
= 0 ,164 (6.20)
δt( x )
o que mostra, nos metais líquidos, ser δ (x) < δ t (x).

6.1.2) Fluidos Ordinários em Escoamento Laminar

Examinaremos agora a determinação do coeficiente de transferência de calor no


escoamento laminar de fluidos ordinários, que tem Pr > 1, sobre uma placa plana
mantida a uma temperatura uniforme. Admite-se que um fluido, a uma temperatura T ∞ ,
flui com a velocidade u ∞ sobre uma placa plana. O eixo x é paralelo à placa, na direção
do escoamento, com a origem x = 0 na borda frontal, e o eixo y é perpendicular à placa,
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 87

no sentido
s da placa paraa o fluido. A placa é mantida a uma temp peratura T ∞ na regiã ão 0
≤ x ≤ x0 e a uuma tempe eratura uniforme Tw, na regiãoo x > xo. Istto é, a tran
nsferência de
calor entre a placa
p e o fluido não o começa até a posição x = xo. A Fig. 6.2 ilustra as
camadas limitte cinética a e térmic ca na situaação física que aca abamos de d descrev ver.
Ress saltamos que
q a cam
mada limite cinética é mais espessa
e doo que a camada
c lim
mite
mica, pois Pr>1; e δ (x) com
térm meça a se e desenvolver na borda fronttal da pla aca,
enquuanto δ t (xx) começaa a se de esenvolverr em x = xo, onde principia a seção de
trans
sferência de calorr. Novame ente, admmitiremos um fluido incomp pressível, de
prop
priedades constantes s num esc coamento bidimensiional, esta acionário, laminar, com c
dissiipação visccosa desprezível. A equação
e d energia na camada limite é
da
∂θ ∂θ ∂ 2θ
u +v = α 2 em m x > xo (6.21)
∂x ∂y ∂y

Fig. 6.2 Ca
amadas limitte cinética e térmica, nu
um fluido co
om Pr > 1

e as condiçõess de contorno são


θ = 0 em y = 0 (6.22
2 a)
θ = 1 em y = δ t (x) (6.22
2 b)
e θ é defin
onde nido pela Eq.
E (6.3).
Uma vez que a análise exata destte problem ma de temperatura a é basta
ante
complicada, no
ovamente consideremmos a solu
ução pelo método
m integral:

1 A equaç
1. ção da energia (6.211) é integrrada em re elação a y sobre a camada
c lim
mite
térmica, e a comp ponente de
e velocidad de v(x,y) é eliminada
a por meio
o da equaçção
da contiinuidade. A equação
o integral da energia é determin nada comoo

d ⎡ δt ∂θ
∫ u (1 − θ )dy ⎤ = α e 0 ≤ y ≤δt
em (6.23)
dx ⎢⎣ 0 ⎥⎦ ∂y y =0

que é a mesm ma Eq. (6 6.6). Esta equação não n pode ser resolvvida, pois envolve três
t
gnitas, δ t ( x), u ( x, y ),θ ( x, y ) . Por isso preccisamos de
incóg e relações adicionais
s.
Apostila de Transmissão de Calor 88

2. Introduzimos aproximações para desenvolver expressões analíticas de u(x,y) e


de θ ( x , y ) . Para o perfil de velocidades, u(x,y), escolhemos uma aproximação
polinomial cúbica e tomamô-la na forma

3
u( x , y ) 3 ⎛ y ⎞ 1 ⎛ y ⎞
= ⎜ ⎟− ⎜ ⎟ (6.24)
u∞ 2 ⎝δ ⎠ 2 ⎝δ ⎠

Para o perfil de temperaturas θ ( x , y ) , escolhemos um perfil cúbico e imediatamente


obtemos a sua expressão pela Eq. (6.10)
3
3⎛ y ⎞ 1⎛ y ⎞
θ ( x , y ) = ⎜⎜ ⎟⎟ − ⎜⎜ ⎟⎟ (6.25)
2 ⎝δt ⎠ 2 ⎝δt ⎠

3. Os perfis de velocidades e de temperaturas dados pelas Eqs. (6.24) e (6.25), são


levados á equação integral da energia (6.23). Obtemos

d ⎧⎪ ⎡ 3 y 1 ⎛ y ⎞3 ⎤⎡ ⎤ ⎫⎪ 3α
3
δt 3 y 1⎛ y ⎞
⎨u∞ ∫0 ⎢ − ⎜ ⎟ ⎥ ⎢1 − + ⎜ ⎟⎟ ⎥ dy ⎬ = (6.26 a)
dx ⎪ ⎢⎣ 2 δ t 2 ⎝ δ ⎠ ⎥⎦ ⎢⎣ 2 δ t 2 ⎜⎝ δ t ⎠ ⎥⎦ ⎪ 2δ t
⎩ ⎭

d ⎡ δt ⎛ 3 9 2 3 1 3 1 ⎞ ⎤ 3α
⎢∫0 ⎜⎜ y− y + y 4 − 3 y 3 + 3 y 4 − 3 3 y 6 ⎟⎟dy⎥ = (6.26 b)
dx ⎢⎣ ⎝ 2δ 4δδ t 4δδ t3
2δ 4δ δ t 4δ δ t ⎠ ⎥⎦ 2δ t u∞

A integração em relação a y é então realizada:


d ⎛ 3 δ t2 3 δ t2 3 δ t2 1 δ t4 3 δ t4 1 δ t4 ⎞ 3α
⎜ − + − + − ⎟= (6.27)
dx ⎜⎝ 4 δ 4 δ 20 δ 8 δ 3 20 δ 3 28 δ 3 ⎟ 2δ u
⎠ t ∞

Agora, uma nova variável ∆ ( x ) é definida como a razão entre a espessura da camada
limite térmica e a espessura da camada limite cinética:
δ (x)
∆( x ) = t (6.28)
δ( x)
Então, a Eq.(6.27) se torna:

d ⎡ ⎛ 3 2 3 4 ⎞⎤ 3α
⎢δ⎜ ∆ − ∆ ⎟⎥ = (6.29)
dx ⎣ ⎝ 20 280 ⎠ ⎦ 2δ∆u∞

Consideraremos agora a situação em que a espessura da camada limite térmica


é menor do que a espessura da camada limite cinética δ , como está ilustrado na Fig
6.2, para Pr>1. Então, ∆ <1, e na Eq. (6.29), o termo (3/280) ∆4 pode ser desprezado em
comparação com (3/20) ∆2 . A Eq. (6.29) é simplificada para
Apostila de Transmissão de Calor 89

d 10α
δ∆ ( δ∆ 2 ) = (6.30)
dx u∞
Feita a derivação em relação a x,

d∆ d∆ 10α
2δ 2 ∆2 + ∆3δ =
dx dx u∞
ou
2 2 d∆3 dδ 10α
δ + ∆3 δ = (6.31)
3 dx dx u∞
uma vez que
d∆ 1 d∆ 3
∆2 =
dx 3 dx

A espessura da camada limite cinética δ foi determinada como


280 vx
δ2 = (6.32 a)
13 u∞
e derivando obtemos
dδ 140 v
δ = (6.32 b)
dx 13 u∞

A substituição das equações (6.32) na equação (6.31) leva a


d∆3 3 3 39 α
x + ∆ = (6.33)
dx 4 56 v
Esta é uma equação diferencial ordinária de primeira ordem em ∆3 e sua solução geral
é escrita como
13 α
∆3 ( x ) = Cx − 3 4 + (6.34)
14 v

A constante de integração C é determinada pela condição de contorno δ t = 0 em x = xo,


que é equivalente a
∆ ( x ) = 0 em x = xo (6.35)
Encontraremos
⎡ 3

⎛ x ⎞
Pr 1 − ⎜ ⎟ ⎥
−1 ⎢
13 4
∆ ( x)=
3 0
(6.36)
14 ⎢ ⎝ x ⎠ ⎥
⎢⎣ ⎥⎦
onde
v
Pr = = número de Prandtl
α

Se admitimos que a transferência de calor para o fluido principia na borda frontal da


placa, fazemos x 0 → 0 e a Eq. (6.36) simplifica-se para
Apostila de Transmissão de Calor 90

1
δ t ( x ) ⎛ 13 ⎞ 3 − 13 −
1

∆( x ) = = ⎜ ⎟ Pr = 0 ,976 Pr 3 (6.37)
δ ( x ) ⎝ 14 ⎠

Esta relação mostra que a razão entre a espessura da camada limite térmica e da
cinética, num escoamento laminar sobre uma placa plana, é inversamente proporcional
à raiz cúbica do número de Prandtl.
A substituição de δ ( x ) , da Eq. (6.32 a), na Eq. (6.37) dá a espessura da camada
limite térmica como
x
δ t ( x ) = 4 ,53 1 2 1 3 (6.38)
Re x Pr
onde
u x
Re x = ∞
v
Na aproximação polinomial cúbica considerada aqui para θ ( x , y ) , o coeficiente de
transferência de calor local h(x) foi relacionado anteriormente com a espessura da
camada limite térmica δ t ( x ) , pela Eq. (6.16).

3 k
h( x ) = (6.39)
2 δt( x)

Introduzindo-se δ t ( x ) , da Eq. (6.38), na Eq. (6.39), encontra-se o número de Nusselt


local Nux,
h( x ) x
Nu x = = 0 ,331 Pr 1 / 3 Re x com Rex<5*105
1/ 2
(6.40)
k

Esta solução aproximada é notavelmente próxima da solução exata deste problema,


dada por Pohlhausen, como

Nu x = 0 ,332 Pr 1 / 3 Re x (exata) com Rex<5*105


1/ 2
(6.41)

Note que a relação de transferência de calor, dada pela Eq. (6.40), foi deduzida
por uma análise aproximada com a hipótese δ t < δ ou Pr>1. Entretanto, a comparação
com os resultados exatos mostra que ela é válida no domínio 0,6<Pr<10, que cobre
muitos gases e líquidos.
Para grandes valores do número de Prandtl, os cálculos exatos de Pohlhausen
mostram que o número de Nusselt local, Nux, é dado por

Nu x = 0 ,339 Pr 1 / 3 Re x (exata) com pr → ∞ e Rex<5*105


1/ 2
(6.42)

Para calcular o coeficiente de transferência de calor a partir das relações acima,


recomenda-se que as propriedades do fluido sejam calculadas na média aritmética
Apostila de Transmissão de Calor 91

entre a temperatura da parede Tw e a temperatura do escoamento externo T∞ , isto é,


Tf=(1/2)(Tw+ T∞ ), a chamada temperatura películar.
Nas aplicações de engenharia, define-se um coeficiente de transferência de calor
médio hm sobre o comprimento da placa, desde x = 0 até x = L,
1 L
hm = ∫ h( x )dx (6.43)
L 0

Notando que hx = x -1/2, encontramos que o coeficiente de transferência de calor médio


no escoamento laminar paralelo a uma placa plana, sobre a distância de x = 0 até x = L,
é dado por
hm = 2 h( x ) x = L (6.44)

Então, os números de Nusselt médios, no escoamento laminar paralelo à placa plana,


são dados por
Nu m = 0 ,664 Pr 1 / 3 Re L1 / 2 (exata)0,6<Pr<10 (6.45 a)

Nu m = 0,678 Pr 1 / 3 Re 1L/ 2 (exata) Pr → ∞ (6.45 b)


onde
hm L u L
Num = Re L = ∞
k v
e as propriedades são estimadas na temperatura pelicular. A Eq. (6.45 b), deduzida
para o caso limite Pr → ∞ , é aplicável aos fluidos que têm um número de Prandtl
grande, como os óleos.

6.1.3) Escoamento Turbulento

A transição do escoamento laminar para o turbulento ocorre no domínio dos números


de Reynolds entre 2 x 105 e 5 x 105, no escoamento sobre uma placa plana. As
correlações da transferência de calor podem ser desenvolvidas no escoamento
turbulento sobre uma placa plana utilizando-se as relações entre o coeficiente de
transferência de calor e o de arraste dados pela Eq. (6.15a)
Cx
St x Pr 2 / 3 = (6.46)
2
Por exemplo, se Cx for obtido da equação
Cx = 0 ,0592 Re x−0.2
encontraremos
St x Pr 2 / 3 = 0,0296 Re −x 0.2 com.5 x10 5 < Re x < 10 7 (6.47 a)

ou Cx é
St x Pr 2 / 3 = 0,185(log Re x ) −2,584 com.10 7 < Re x < 10 9 (6.47 b)
Apostila de Transmissão de Calor 92

e todas as propriedades são calculadas na temperatura pelicular.


Mais recentemente, Whitaker utilizou os dados experimentais de Zukauskas e
Ambrazyavichyus e modificou a expressão de Colburn, para desenvolver a seguinte
correlação para a camada limite turbulenta sobre uma placa plana:

Nux = 0 ,029 Re 0x ,8 Pr 0 ,43 (6.48)

válida de Rex > 2 *105 até 5 *105; todas as propriedades são calculadas na temperatura
pelicular.
Nas aplicações práticas, há interesse no coeficiente de transferência de calor médio hm
na distância 0 ≤ x ≤ L da placa. Quando o escoamento é turbulento, é sempre
precedido por uma camada limite laminar na qual a equação que governa a
transferência de calor é diferente da que governa o escoamento turbulento. Por isso, a
promediação deve ser feita em ambas as regiões, como descreveremos agora.
Admita um escoamento laminar na região 0 ≤ x ≤ c e turbulento na região c < x ≤ L.
Os coeficientes de transferência de calor locais, nestas duas regiões, são obtidos das
Eqs. (6.41) e (6.48), respectivamente, como
1/ 2
⎛ k ⎞⎛ u x ⎞
h = 0,332⎜ ⎟⎜ ∞ ⎟
l
x Pr 1 / 3 em 0 ≤ x ≤ c (laminar)
⎝ x ⎠⎝ v ⎠
0 ,8
⎛ k ⎞⎛ u x ⎞
h = 0 ,029⎜ ⎟⎜ ∞ ⎟
l
x Pr 0 ,43 em c<X ≤ L (turbulento)
⎝ x ⎠⎝ v ⎠

O coeficiente de transferência de calor médio hm, na região 0 ≤ x ≤ L é definido como


hm = ⎛⎜ ∫ h xL dx + ∫ h xt dx ⎞⎟
1 C L

L⎝ 0 0 ⎠
1⎡ ⎤
0 ,5 0 ,8
⎛u ⎞ c ⎛u ⎞ L
hm = ⎢0 ,332 k ⎜ ∞ ⎟ Pr 1 / 3 ∫ x −0 ,5 dx + 0 ,029 k ⎜ ∞ ⎟ Pr 0 ,43 ∫ x −0 ,2 dx ⎥ (6.49 a)
L ⎢⎣ ⎝ v ⎠ 0
⎝ v ⎠ c
⎥⎦

e o número de Nusselt médio, Num, na região 0 ≤ x ≤ L, é


h L
Num = m (6.49 b)
k

Depois de feitas a integrações, o número de Nusselt médio nas regiões de escoamento


Laminar e turbulento é

( )
Nu m = 0 ,036 Pr 0 ,43 Re L0 ,8 − Re c0 ,8 + 0 ,664 Pr 1 / 3 Re c0 ,5 (6.50)

válida para ReL > Rec, onde ReL = u ∞ L/v e Rec = número de Reynolds crítico para a
transição. Evidentemente, o Num, dado pela Eq. (6.50), depende do valor do número de
Reynolds crítico da transição do escoamento laminar para o turbulento. O nível da
turbulência da corrente livre afeta a transição. Quando há geração elevada da
turbulência na corrente livre, a transição para o escoamento turbulento ocorre em um
Apostila de Transmissão de Calor 93

número de Reynolds crítico mais baixo. Entretanto, se se tomar cuidado para eliminar a
turbulência da corrente livre, retarda-se a transição para o escoamento turbulento.
Com o número de Reynolds crítico Rec = 2 * 105, a Eq. (6.50) se torna

( )
Nu m = 0 ,036 Pr 0 ,43 Re L0 ,8 − 17400 + 297 Pr 1 / 3 (6.51)

O último termo do segundo membro pode ser aproximado por


297 Pr 1 / 3 ≅ 297 Pr 0 ,43
e a correção de viscosidade pode ser introduzida multiplicando-se o segundo membro
da expressão resultante por ( µ ∞ / µ w ) 0 ,25 . Então, obtém-se a seguinte expressão:

( )
Nu m = 0 ,036 Pr 0 ,43 Re L0 ,8 − 9200 ( µ ∞ / µ w ) 0 ,25 (6.52)

Todas as propriedades físicas são calculadas na temperatura da corrente livre, exceto


µ w , que é calculado na temperatura da parede. Nos gases, a correção de viscosidade é
desprezível, e, neste caso, as propriedades físicas são calculadas na temperatura
pelicular.
A Eq. (6.52) dá o número de Nusselt médio nas camadas limite laminar e turbulenta,
sobre uma placa plana, com ReL > 2 *105. Foram propostas por Whitaker e usadas para
correlacionar os dados experimentais de vários investigadores com o ar, a água e
óleos, cobrindo as seguintes faixas:

2 * 105 < ReL < 5,5 * 106


0,70 < Pr < 380
0,26 < µ ∞ / µ < 3,5

A Eq. (6.52) relaciona os dados experimentais razoavelmente bem, quando a


turbulência da corrente for pequena. Se estiver presente turbulência de alto nível na
corrente livre, a Eq. (6.52), sem a constante 9.200, correlaciona os dados
razoavelmente bem.

6.2) ESCOAMENTO TRANSVERSAL A UM CILINDRO CIRCULAR ISOLADO

O escoamento transversal a um cilindro circular isolado é encontrado freqüentemente


na prática, mas a determinação dos coeficientes de arraste e de transferência de calor
é assunto muito complicado devido à complexidade dos padrões do escoamento em
torno de um cilindro. A Fig. 6.3 ilustra as características do escoamento em torno de um
cilindro circular, evidentemente, elas dependem do número de Reynolds, definido como
u D
Re = ∞ (6.53)
v
onde D é o diâmetro do cilindro e u ∞ é a velocidade da corrente livre. Para um número
de Reynolds menor do que 4, aproximadamente, o escoamento não se separa e o
campo de velocidades pode ser analisado pela solução das equações do movimento.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 94

Paraa números de Reyno olds acimaa de 4, aprroximadammente, os tturbilhões começam na


regiã
ão da esteira e a aná
álise da dis
stribuição de
d velocidades e de temperatu uras em torno
do cilindro,
c com
m Re > 4, torna-se muito
m compplicada.

6.2.1
1) Coeficie
ente de Arrraste

Cons sidere umm escoame ento à ve elocidade u∞ , transv


versal a um
u cilindro
o circular de
diâm
metro D, e seja F a força de e arraste a
atuando no comprim mento L do
d cilindro.. O
coefficiente de arraste cD é definido
o como

F ρu∞2
= cD (6.54)
L
LD 2

Fig. 6.3 Es
scoamento em
e torno de
e um cilindro
o circular, em
e vários nú
úmeros de Reynolds
R

Aquii, LD repressenta a área normal ao escoam mento. O coeficiente


c e de arraste cD, definnido
pela Eq. (6.80 0), é o va alor médio o do coeficiente de arraste lo ocal calculado sobre e a
circu
unferência do cilindrro. Portantto, dado cD, a força a de arrasste F atuaando sobre e o
comprimento L do cilindrro pode ser calculada a de acordo com a Eq. (6.54).
A Fig. 6.5 mos stra o coeficiente de e arraste cD no esco oamento traansversal a um cilindro
ado. O sign
isola nificado fís
sico da varriação de cD com o número
n de
e Reynolds s é mais bem
b
perccebido se examinarm
e mos os res sultados da a Fig. 6.5 relacionan
ndo-os aos s esboços da
Fig. 6.4. Com m Re < 4, o arraste e é causad do somentte pelas foforças visccosas, pois s a
camada limite permanec ce aderentte ao cilind dro. Na reegião 4 < RRe < 5.000 0, formamm-se
turbiilhões na esteira; po or isso, o arraste é devido pa arcialmentee às forçaas viscosas s e
parccialmente à formação o da esteirra, isto é, à baixa preessão provvocada pe ela separaç ção
do escoamen
e to. Na re egião 5 x 103 < R Re < 3,5 x 105, o arraste é provoca ado
preddominantem mente pelo os vórticess muito turb bulentos na esteira. A redução o repentinaa do
5
arrasste a Re = 3,5 x 10 é provoc cada pela transforma ação súbitaa da cama ada limite em
turbuulenta, faz
zendo com que o pon nto de sep paração do o escoame ento desloqque-se parra a
partee posteriorr do cilindro
o, o que re
eduz a dimensão da esteira, e d daí o arras
ste.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 95

Fig.6.4 Coe
eficiente de arraste no escoamento
o transversa
al a um cilin
ndro circular isolado.

6.2.2
2) Coeficie
ente de Trransferênc
cia de Calor

A Fiig. 6.6 moostra a corrrelação de e MacAda ams para o coeficien nte de trannsferência de
calor médio hm, no resfriamento, ou o no aque ecimento, do ar que flui transvversalmentte a
um cilindro
c iso
olado. As propriedade
p es sâo estiimadas a ( T ∞ + Tw))/2. Esta coorrelação não
n
mostra explicittamente a dependên ncia entre os resultaados e o número de Prandtl, pois p
os gases
g m um número de Prandtl da
têm d ordem m da unid dade. Por isso, forram
deseenvolvidas correlaçõees mais elaboradas por diverso os pesquissadores, a fim de inc cluir
o nú
úmero de Prandtl
P e daaí estende
er a aplicab os resultados para flu
bilidade do uidos que nãon
sejam gases.
Whittaker estabeleceu uma
u correllação entrre o coeficciente de transferênncia de ca alor
méddio hm no escoamen nto de gas ses ou de líquidos, transversa
t l a um ciliindro isola
ado,
dadaa por

0 , 25
h D ⎛µ ⎞
u m ≡ m = ( 0 ,4 Re 0 ,5 + 0 ,06 Re 2 / 3 ) Pr 0 ,4 ⎜⎜ ∞
Nu ⎟⎟ (6.55)
k ⎝ µw ⎠

que concorda com os da


ados experrimentais dentro
d de ± 25% nas faixas seg
guintes
Apostila de Transmissão de Calor 96

Fig. 8.5 Número de Nusselt médio para o aquecimento, ou o resfriamento, do ar fluido em torno de
um único cilindro circular

µ∞
40< Re< 105 0.67 < Pr <300 0.25< <5.2
µw
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 97

Fig. 8.6 Número de Nusselt


N no escoamento
e transversall a um cilind
dro circular isolado.

onde e as proprriedades fíísicas são estimadas na temp peratura daa corrente


e livre, exc
ceto
µ w , que é estimada
e n temperratura da parede. Para os g
na gases, a correção de
visco osidade é desprez zada, e neste
n casso, as prropriedade es são estimadas na
temp peratura pelicular.
p O
Observam os que a equação o 6.55 en nvolve dua as diferenntes
depe endências funcionais entre o número de Nusse elt e o nú úmero de Reynolds. A
depe endência fu R 0,5 caractteriza a co
uncional Re a camada limite laminar
ontribuição oriunda da
não destacada a, e a deppendência Re2/3 cara acteriza a contribuiçã
c ão da regiãão da esteeira
em torno do cilindro.
c A fig. 6.6 mostra
m a correlação
c o entre a Eq. (6.55)) e os dad dos
expe erimentais de vários pesquisad dores para diferentes fluidos.
Uma co orrelação mais elab borada, po orém mais s geral, é dada por Churchilll e
Bern nstein para
a o coeficiente de transferênc or médio hm no esc
cia de calo coamento em
2 7
torno o de um cilindro isola
ado aplicávvel para 100 < Re < 10
1 e Pe = Re.* Pr > 0,2.

4/5
6 Re 1 / 2 Prr 1 / 3
0 ,62 ⎡ ⎛ Re ⎞ 5 / 8 ⎤
Nu m = 0 ,3 + ⎢1 + ⎜ ⎟ ⎥ (6.56)
[1 + (0 ,4 / Pr ) ]
2/ 3 1/ 4
⎢⎣ ⎝ 282.000 ⎠ ⎥⎦

A Eq. (6
6.56) prev
vê muitos dados
d com
m desvio para
p meno a de 20% na
os de cerca
faixa
a de 20.000
0 < Re < 400.000.
4 Po
or isso, ne
esta faixa particular
p do número de Reynollds,
d
recoomenda-see a seguinte
e forma mo
odificada da
d Eq. (6.5 56):
0 ,62 Re 1 / 2 Pr 1 / 3 ⎡ ⎛ Re ⎞ 1 / 2 ⎤
Nu m = 0 ,3 + ⎢1 + ⎜ ⎟ ⎥ (6.57)
[1 + (0 ,4 / Prr ) ]
2/ 3 1/ 4
⎣⎢ ⎝ 282.0000 ⎠ ⎦⎥

para
a 20.000 < Re < 400.000.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 98

Nas Eqs. (6.56) e (6.57), to odas as prropriedade es são estiimadas na


a temperattura
cular. As Eqs.
pelic E (6.56) e (6.57), foram
f deseenvolvidas fazendo-sse a correla ação entre
e os
dadoos experimmentais de muitos pe esquisadore es, incluindo fluidos, como o ar,a a água e o
sódioo líquido, com temp peratura constante
c na parede e e tambéém com fluxo de ca alor
consstante na pparede.
Para o domínio do númerro de Péc clét menorr do que 0,2, Naka ai e Okazzaki
proppuseram a correlação o
Pe 1 / 2 ) −1
Nu m = ( 0 ,8237 − ln P com P
Pe < 0.2 (6.58)
As propriedade
p es devem ser estima adas na tem mperatura películar.

6.3) ESCOAMENTO EM
M TORNO DE
D UMA ESFERA
E IS
SOLADA

As cara
acterísticas
s do escoa amento em m torno de uma esfe era são semmelhantes às
dos escoamen ntos aprese entados na a fig (8.3) no caso de
d um cilindro isolado o. Por issoo, a
depeendência eentre o coeeficiente dee arraste, oou o coefic cia de calor, e
ciente de trransferênc
o nú
úmero de Reynolds
R d
deve ter, no
n caso de e uma esfeera, a messma forma que no ca aso
de cilindro
c únicco.

1) Coeficie
6.3.1 ente de Arrraste

Se F for a forç
ça total de arraste de
evida ao esscoamento o em torno de uma esfera isola
ada,
o coeficiente médio
m de arraste cD é definido pela
p relaçã
ão
F ρu 2 ∞
= cD (6.59)
A 2

e A é a árrea frontal (isto é, A = πD 2 / 4 ) e u∞ é a velocidade da corrente


onde c liv
vre.
Nota
amos que F/A é a força de arra nidade de área fronta
aste por un al da esfera.

Fig. 6.7. Coefic


ciente de arra
aste no escoamento em to
orno de uma única esfera
a.
Apostila de Transmissão de Calor 99

A fig. 6.7 apresenta o coeficiente médio de arraste cD no escoamento em torno de uma


esfera única. A comparação entre as curvas do coeficiente de arraste nas Fig. 6.4 e 6.7,
para um cilindro isolado, e para uma esfera isolada respectivamente, revela que as
duas curvas tem características gerais semelhantes.

6.3.2) Coeficiente de Transferência de Calor

No escoamento de gases em torno de uma única esfera, Mc Adams recomenda a


correlação simples
h D
Nu m = m = 0 ,37 Re 0 ,6 para 17 < Re < 70.000 (6.60)
k

onde hm é o coeficiente de transferência de calor médio sobre a superfície inteira da


esfera. As propriedades estão calculadas em ( T∞ + Tw )/2.
Uma correlação mais geral para o escoamento dos gases e de líquidos em torno de
uma esfera única foi apresentada por Whitaker na forma

0 , 25
⎛µ ⎞
Num = 2 + ( 0 ,4 Re + 0 ,06 Re
0 ,5
) Pr ⎜⎜ ∞ ⎟⎟
2/3 0 ,4
(6.61)
⎝ µw ⎠
que é válida nos domínios e as propriedades físicas são estimadas na temperatura de
corrente livre, exceto
3,5 < Re < 8 x 104
0,7 < Pr < 380
µ∞
1 < µ w < 3,2

µ w que é estimada na temperatura da parede. Com os gases, a correção de


viscosidade é desprezível, e as propriedades físicas são estimadas na temperatura
pelicular.
A Eq. 6.61, para uma esfera, e a Eq. 6.55 para um cilindro, tem a mesma
dependência funcional entre o número de Nusselt e o número de Reynolds, exceto
quanto a constante 2. Na Eq. 6.61. À medida que Re → 0 ( isto é, o escoamento se
anula), a Eq 6.61 admite um valor limite Nu = 2, que representa a condução de calor
estacionária de uma esfera, a uma temperatura uniforme, para o meio infinito que a
rodeia.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
100

Fig.. 6.8 Número


o de Nusselt no escoam
mento em to
orno de uma
a esfera únic
ca.

g. 6.8 mosttra a corre


A fig elação entrre a Eq. (6
6.61) e os dados exp s para o ar, a
perimentais
águaa e o óleo. A Eq. 6.61 represennta razoaveelmente beem os dadoos.

6.4) ESCOAMENTO ATRAVÉS DE


E FEIXES DE TUBO
OS

A transfferência de e calor e a perda de carga cara acterística de feixes de tubos têm


t
nummerosas aplicações no projeto de d trocadores de calo or e de equipamento o industrial de
transsferência de
d calor. PorP exempllo, um tipo o comum de d trocadorr de calor consiste num
n
feixe
e de tubo os com um u fluido passando dentro dos tubo os e outro passan ndo
transsversalmen nte em torrno dos tu ubos. Os arranjos
a de
e feixes de e tubos uttilizados mais
m
freqüüentementte incluem os arranjo os alinhado e alterna ado, ilustra
ados na Fig.
F 6.8 a e b,
resppectivamen nte. A ge eometria dosd feixess de tubo os é cara acterizada pelo pas sso
transsversal STT e pelo passo lon ngitudinal SL entre os centro os dos tub bos; o pas sso
diagonal SD, e entre os ce entros dos s tubos, no
o sentido diagonal,
d é utilizado muitas vez zes
no caso
c do aarranjo alte ernado. Para definir o número de Reyynolds no escoame ento
atravvés de umm feixe de tubos,
t elocidade do escoam
a ve mento é ba aseada na área míniima
de escoamento
e o livre disp
ponível parra o escoa amento, qu uer a área mínima oc corra entree os
tuboos em uma a linha tra ansversal quer em uma linha a diagonal. Então, o número de
Reyn nolds no e
escoamento o num feixxe de tubos s é definido
o por

D
DG máx
Re = (6.62)
µ

Gmá áx = ρumá
áx = velocid
dade máximma da vazzão mássicca (6.63)
é a vazão
v másssica por unidade
u de
e área, ond
de a velocid
dade do escoamento o for máxim
ma,
e D é o diâmetro exterrno do tubbo, ρ é a densidade
d e, e umáx é a velocid
dade máxiima
baseeada na árrea mínima de escoamento livvre disponível no esccoamento do fluido. Se
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
101

u∞ for
f a velociidade do fluido medid da em um ponto do trocador
t de
e calor antes de o flu
uido
entraar no feixe
e de tuboss (ou a velocidade do escoame ento baseaada no es scoamento no
interrior do casc
co do troca
ador sem os
o tubos), então a veelocidade m
máxima do o escoame ento
umáx, no arranjo o da Fig. 8.l0a, é dete
o alinhado erminada por
p

ST ST / D
u máx = u ∞ = u∞ (6.64)
ST − D ST / D − 1

ondee ST é o passo
p tran
nsversal e D é o diâ
âmetro exte ubo. Evidentemente, no
erno do tu
arran
njo alinhad do, ST -D é a área de escoame ento livre mínima
m entre os tubo
os adjacen
ntes
em uma
u ansversal, por unidad
fila tra de de comprimento dod tubo.

Fig. 6.9 Definiçã


ãodos passos longitudinal, transve ersal e diag
gonal nos arrranjos de fe
eixes de tub
bos
alinhados e alternados
s; (a) arranjo
o alinhado; (b) arranjo a
alternado.

No arraanjo alternado da Fig. 6.9 b, a área de e escoame ento livre mínima poode
ocorrrer entre tubos adjjacentes numa
n fila transversal ou num ma linha diagonal. No
prim
meiro caso, determinaa-se umáx co
omo se en nsinou acim
ma; no últimmo caso, faaz-se:
ST 1 ST / D
u máx = u∞ = u∞ (6.65)
2(SD − D ) 2 SD / D − 1
m

A velociidade máx pela Eq. (6.63), tamb


xima da vazão mássiica Gmáx, definida p bém
pode
e ser calcu
ulada a parrtir de
M
Gmáx = (6.66)
Amín

onde
e M = vazzão mássic ca total do
o escoame ento atravé
és do feixe, em quilogramas por
segu
undo e Amíín= área tottal mínima de escoammento livre
e.
Os padrões do es scoamento o através de
d um feix xe de tubo os são tão complicaddos
que é virtualm
mente impo ossível pre
ever, mediiante análiise, a tran
nsferência de calor e a
perd
da de carg ga no escoamento através d de feixes de tuboss. Por isso, o méto odo
erimental é a únic
expe ca alterna ativa, e dispomos
d de grand de riquezaa de dad dos
expe
erimentais na literatura.
Apostila de Transmissão de Calor 102

As pesquisas experimentais indicam que nos feixes de tubos com mais do que
cerca de N = 10 a 20 filas de tubos na direção do escoamento, com o comprimento do
tubo grande em comparação com o diâmetro do tubo, os efeitos da entrada, da saída e
das bordas são desprezíveis. Nesses casos, o número de Nusselt do escoamento
através do feixe depende dos seguintes parâmetros:
Re Pr SL/D ST/D
e do arranjo geométrico dos tubos, isto é, se os tubos estão alinhados ou alternados.
Apostila de Transmissão de Calor 103

7) TROCADORES DE CALOR

Os trocadores de calor são equipamentos que facilitam a transferência de calor


entre dois ou mais fluidos em temperaturas diferentes. Foram desenvolvidos muitos
tipos de trocadores de calor para emprego em diversos níveis de complicação
tecnológica e de porte, como usinas elétricas a vapor, usinas de processamento
químico, aquecimento e condicionamento de ar em edifícios, refrigeradores domésticos,
radiadores de automóveis, radiadores de veículos espaciais, etc. Nos tipos comuns,
como os trocadores de calor de casco e tubos e os radiadores de automóveis, a
transferência de calor se processa principalmente por condução e convecção, de um
fluido quente para um fluido frio, separados por uma parede metálica. Nas caldeiras e
nos condensadores, a transferência de calor por ebulição e por condensação é de
primordial importância. Em certos tipos de trocadores de calor, como as torres de
resfriamento, o fluido quente (por exemplo, a água) é resfriado por mistura direta com o
fluido frio (por exemplo, o ar): isto é, a água nebulizada, ou que cai numa corrente
induzida de ar, é resfriada por convecção e por vaporização. Nos radiadores para
aplicações espaciais, o calor residual do fluido refrigerante é transportado por
convecção e condução para a superfície de uma aleta e daí, por radiação térmica, para
o vácuo.
O projeto de trocadores de calor é assunto complicado. A transferência de calor
e a perda de carga, o dimensionamento e a avaliação do desempenho, os aspectos
econômicos têm papéis importantes no projeto final. Por exemplo, embora sejam muito
importantes as considerações de custo nas aplicações de grande porte como usinas de
eletricidade e de processamento químico, as considerações de peso e de dimensões
são o fator dominante na escolha do projeto para aplicações espaciais ou aeronáuticas.
Um tratamento completo dos trocadores de calor está fora, portanto, das finalidades
deste polígrafo.
Neste capítulo nós discutiremos a classificação dos trocadores de calor, a
determinação do coeficiente de transferência de calor global, a diferença de
temperatura média logarítmica e os métodos de cálculo e do dimensionamento dos
trocadores de calor.

7.1) CLASSIFICAÇÃO DOS TROCADORES DE CALOR

Os trocadores de calor são feitos em tantos tamanhos, tipos, configurações e


disposições de escoamento que uma classificação, mesmo arbitrária, é necessária para
o seu estudo. Fraas e Ozisik, Walker, e Kakaç, Shah e Bergles classificam os
trocadores de calor. Na discussão seguinte consideramos as classificações de acordo
com (1) o processo de transferência, (2) a compacticidade, (3) o tipo de construção, (4)
a disposição das correntes, e (5) o mecanismo da transferência de calor.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
104

7.1.1
1) Classificação pello Process
so de Tran
nsferência
a

Os trocaadores de calor pod dem ser classificado


c os como d o direto e de
de contato
conttato indiretto. No tipo
o de contaato direto, a transferrência de calor ocorrre entre dois
d
fluidoos imiscíveeis, como um gás e um líquido, que enttram em ccontato dire eto. As torrres
de reesfriamentto, condens sadores co
om nebuliz zação paraa vapor de água e ouutros vaporres,
utiliz
zando pulv verizadoress de águaa, são exemplos típ picos de ttrocadores
s por conttato
diretto.

Fig. 7.1
7 Secção através
a de uma
u torre de
e resfriamennto com con nvecção nattural e com “recheio” para
p
a
aumentar a área efetiva
a da superfíc gua mediante múltipla subdivisão.
cie das gotíículas de ág s

As torre
es de resffriamento são largam mente emmpregadas para disp por do reje eito
térmmico dos prrocessos in ndustriais, lançando o calor na e um rio ou
a atmosferra, e não em
lago ou no oc ceano. Os s tipos maais comun ns incluem
m as torress de resfriamento com c
tirag
gem natura al e as torre
es com tiraagem força ada. No tip
po com tira
agem natural, mostra ado
na Fig.
F 7.1, pulveriza-se e a água nan correntte de ar que ascend s da torre por
de através
conv vecção térrmica. As gotículas cadentes de água são resfrriadas pela convecç ção
ordinnária e peiia evaporaação da ág gua. O rech nchimento dentro da torre redu
heio ou en uz a
veloccidade mé édia de queda
q dass gotículas s e aumenta o tem mpo de ex xposição dasd
gotícculas à coorrente de ar que as s resfria, enquanto
e caem atraavés da toorre. Grand des
torre
es de resfrriamento de d tiragemm natural, com
c mais de 100 metros
m de altura, forram
cons struídas para resfria ar o desp pejo térmic co das ussinas de força. Nu uma torre de
resfrriamento com
c tiragem
m forçada, a água é pulveriza ada na corrrente de ar
a que circ cula
atravvés da torrre, impulsio
onada por um ventila ador que pode
p ser montado no alto da torre,
e aspira o ar para
p cima, ou do ladoo de fora da base, de e modo a im
mpelir o arr para a torre.
A Fig. 7.2 mo ostra uma a secção através
a dee uma torre de resffriamento com tirag gem
Apostila de Transmissão de Calor 105

forçada e induzida por um ventilador. A circulação intensificada do ar aumenta a


capacidade de transferência de calor da torre de resfriamento.
Nos trocadores de calor de contato indireto, como os radiadores de automóveis,
os fluidos quente e frio estão separados por uma superfície impermeável, e recebem o
nome de trocadores de calor de superfície. Não há mistura dos dois fluidos.

7.1.2) Classificação de Acordo com a Compacticidade

A definição de compacticidade é tema bastante arbitrário. A razão entre a área


da superfície de transferência de calor, num dos lados do trocador de calor, e o volume
pode ser empregada como medida da compacticidade do trocador de calor. Um
trocador de calor com densidade de área superficial, em um dos lados, maior do que
cerca de 700 m2/m3 é classificado, arbitrariamente, como trocador calor compacto,
independentemente de seu projeto estrutural. Por exemplo, os radiadores de
automóvel, com uma densidade de área superficial da ordem de 1.100 m2/m3, e os
trocadores de calor de cerâmica vítrea, de certos motores a turbina de gás, que têm
uma densidade de área superficial da ordem de 6.600 m2/m3, são trocadores de calor
compactos. Os pulmões humanos, com uma densidade de área da ordem de 20.000
m2/m3, são os trocadores de calor e de massa mais compactos. O miolo do regenerador
do motor Stirling, de finíssima estrutura, tem uma densidade de área que se aproxima
da densidade de área do pulmão humano.

Fig. 7.2 Torre de resfriamento com tiragem forçada e induzida por um ventilador

No outro extremo da escala de compacticidade, os trocadores do tipo tubular


plano e os do tipo casco e tubos tem densidade da área superficial na faixe de 70 a 500
m2/m3, e não são considerados compactos.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
106

Fig.7
7. 3 Radiado
or de automó
óvel

ntivo para se
O incen s utilizar trocadoress de calor compacto os está emm que um alto
a
valor da comp e reduz o volume do trocadorr de calor para um desempen
pacticidade nho
espeecificado. Quando os o trocadores de ca alor se des stinam a aautomóveis, a moto ores
maríítimos, a aviões ou a veículos aeroespac
a ciais, a siste
emas criog
gênicos, a aparelhoss de
refrig
geração ouo de co ondicionammento de ar, o pe eso e o volume - portanto,, a
compacticidade - são im mportantes. Para aum mentar a efficiência ou
u a compa acticidade dos
d
trocaadores de calor, empregam-se e aletas. N
Num trocad dor de calor de gás para líquiido,
por exemplo, o coeficien nte de tran
nsferência de calor do d lado do o gás é umma ordem de
granndeza mais s baixa do que do laddo do líquid
do. Por issso, usam-sse aletas no
o lado do gás
g
paraa se ter um
m projeto eqquilibrado; a superfíc
cie de trannsferência de calor do
o lado do gás
g
tornaa-se muito
o mais commpacta. A Fig.
F 7.3 mo ostra um ra adiador de automóvel típico.

3) Classificação pello Tipo de


7.1.3 e Construç
ção

Os troccadores de e calor também pod dem ser classificad


c os de acoordo com as
cara
acterísticas
s construtiv
vas. Por exemplo,
e e
existem ocadores ttubulares, de placa, de
tro
placa
a aletada, de tubo aletado e re
egenerativo
os.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
107

7.1.3
3.1) Troca
adores de Calor Tub
bulares.

Os troccadores de e calor tu
ubulares são
s amplamente usa ados e fa abricados cm
muittos tamanh hos, com muitos arranjos de escoamen nto e em diversos tipos.
t Poddem
operrar em um m extenso o domínio de press sões e de e temperaaturas. A facilidade de
fabriicação e o custo rela ativamente baixo con nstituem a principal ra azão para seu empre ego
disse eminado n nas aplica
ações de engenharia
e a. Um mo odelo commumente empregado
e o, o
trocaador de casco
c e tuubos, cons siste em tubos
t cilín
ndricos mo ontados em um cas sco
cilínddrico, com os eixos paralelos
p a eixo do casco. A Fig.
ao F 7.4 ilusstra as prin
ncipais parrtes
de um
u trocado or que tem um fluido correndo no n interior dos tuboss e outro fluuido correnndo
externamente aos tubos. Os principais comp ponentes deste tipo de d trocadorr de calor são
s
o feixe de tubo os, o cascoo, os cabeç çotes e as chicanas. As chican nas sustenttam os tubbos,
dirigem a corre ente do flu
uido na dirreção normmal aos tub bos e aumentam a tu urbulência do
fluidoo no cascco. Há vá ários tipos de chican nas, e a escolha do d tipo de chicana, da
geom metria e do o espaçam mento depe ende da vazão, da perda
p de ccarga perm
mitida no laado
do casco,
c das
s exigência as da susstentação dos
d tubos e das vib brações in
nduzidas pelo
p
esco oamento. São dispo oníveis mu uitas varia
ações do trocador d de casco e tubos, as
diferrenças es stão no arranjo
a da
as correnttes do es scoamento o e nos detalhes de
cons strução. Diiscutiremos s esse asssunto mais s tarde, junntamente ccom a classsificação dos
d
trocaadores de calor segu undo o arraanjo do esccoamento.

Fig. 7.4 Trocador


T de
e calor de ca
asco e tubo;; um passe no casco e um passe no
n tubo.

Quanto à espécie e dos fluido


os, podemos ter líquido para lííquido, líqu uido para gás
g
ou gás
g para gás.g Os tro
ocadores dod tipo líqu uido para líquido
l são
o os de ap plicação mais
m
comum. Ambo os os fluido
os são bom mbeados através
a do trocador; a transferê
ência de caalor
no laado dos tuubos, e no lado do casco,
c ocorre por con nvecção foorçada. Umma vez que o
coefficiente de transferênncia de ca alor é alto com o flux xo do líquiido, não há geralmeente
neceessidade ded aletas.
A disposição líquiido para gás também m é comum mente emp pregada; nestes
n cas
sos,
usamm-se em g geral aleta
as no lado o do tubo em que flui o gás, onde o coeficiente
c de
transsferência de
d calor é baixo.
b
Os trocaadores do tipo gás para
p gás são
s adotad dos nos exxaustores ded gás e nos
n
recuuperadores s de pré aqquecimento o do ar nos s sistemas de turbina as de gás, nos sistem
mas
criog
gênicos de e liquefaçãoo de gás, e nos forno os de aço. Geralmen nte se emppregam aleetas
interrnas e exte
ernas nos tubos,
t paraa intensific
car a transfferência de
e calor.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
108

7.1.3
3.2) Troca
adores de Calor de Placa.
P

Como o nome in ndica, os trocadores


t s de calor são gera almente co onstruídos de
placaas delgadaas. As plac
cas podemm ser lisas ou onduladas. Já qu ue a geomeetria da pla
aca
não pode suportar press sões ou diferenças de temperraturas tão o altas qua
anto um tu ubo
cilínd
drico, são ordinariam
mente proje
etados parra tempera aturas ou pressões
p m
moderadas s. A
compacticidade nos troca adores de placa se situa
s entre 120 e 2300 m2/m3.

7.1.3 adores de Calor de Placa


3.3) Troca P Alettada.

O fator de compa
acticidade pode ser aumentado o significativamente((até cerca de
00 m2/m3) com os trocadore
6.00 es de calor de pla aca aletad da. A Figg. 7.5 ilusstra
conffigurações típicas de placa as aletada
as. As ale etas plana as ou on nduladas são
s
sepaaradas po or chapas planas. Correntess cruzadas s, contraccorrente, ou
o corren ntes
para
alelas são arranjos que
q podem m ser obtidos com facilidade
f mediante a orientaçção
convveniente das aletas em cada lado da p placa. Os trocadores
t s de placaa aletada são
s
gera
almente em mpregados
s nas trocas de gás s para gáss, porém eme aplicaç ções a baaixa
pres
ssão, que não ultrappassem ce erca de 10
0 atm (isto
o é, 1.000 kPa). As temperatu uras
máxximas de operação estão
e limita
adas a cerc
ca de 800°C. Trocad dores de calor
c de pla
aca
aleta
ada também são emp pregados em e criogennia.

Fig.
F 7.5 Troc
cadores de calor de pla
aca aletada

7.1.3
3.4) Troca
adores de Calor de Tubo
T Aleta
ado.

Quandoo se precisa de um m trocador que operre em alta a pressão,, ou de uma


u
supeerfície exte
ensa de um lado, uttilizam-se os trocado ubo aletado. A Fig. 7.6
ores de tu
ilustrra duas co
onfiguraçõe
es típicas, uma com tubos cilín
ndricos e o
outra com tubos
t chattos.
Os trocadores
t de tubo aletado
a po
odem ser utilizados
u e um larg
em go domínio
o de presssão
do fluido nos tubos, não o ultrapasssando cercca de 30 atm, e operam em temperatu uras
que vão desde e as baixas
s, nas aplic
cações crio
ogênicas, até cerca de 870°C. A densida
ade
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
109

máxxima de com mpacticida a de 330 m2/m3, men


ade é cerca nor que a d
dos trocadoores de plaaca
aleta
ada.
Os trocaadores de calor de tu
ubo aletad
do são emp pregados eem turbinaas de gás, em
reatoores nucleares, em automóveis
a s e aeropla
anos, em bombas
b dee calor, em
m refrigeraç
ção,
eletrrônica, crio
ogenia, em condicion
nadores dee ar e muita
as outras a
aplicações..

7.1.3
3.5) Troca
adores de Calor Reg
generativo
os.

Os trocadores de e calor reg


generativoss podem ser
s ou está áticos ou dinâmicos. O
tipo estático não
n tem pa
artes móve eis e conssiste em uma massa a porosa (por exemp plo,
bolas, seixos, pós etc.) através
a da
a qual passsam alternadamente fluidos qu uentes e friios.
Uma a válvula aalternadoraa regula o escoame ento perióddico dos ddois fluido
os. Durante e o
escooamento dod fluido quente, o calor
c é tra
ansferido do
d fluido qquente parra o miolo do
ador regenerativo. Depois, o escoame
troca ento do fluido
f que
ente é inte errompido, e
princ
cipia o esccoamento do fluido frio. Duran nte a passsagem do fluido frio,, transfere e-se
calor do mioloo para o fluido frio. Os
O regene eradores de
d tipo estáático podeem ser pou uco
compactos, para
p o us
so em altta temperratura (900 a 1.50 00°C), com mo nos pré- p
aqueecedores d de ar, na fabricação
f de coquee e nos tan
nques de ffusão de vidro.
v Pode em,
poréém, ser reggeneradore es compac ctos para uso em re efrigeração
o, no moto or Stirling, por
exemmplo.

Fig. 7.6 Trocadores de calor de tub


bo aletado
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
110

Fig. 7.7 Prré-aquecedo


or de ar Ljun
ngstrom.

Nos reggeneradore es do tipo dinâmico,


d o miolo temm a forma de um tam mbor que gira
g
em torno
t de um
u eixo de e modo qu ue uma parte qualqu uer passa periodicam mente atrav vés
da corrente
c quuente e, em
e seguida, atravéss da corren nte fria. O calor arm mazenado no
mioloo durante o contato o com o gás g quente e é transfferido para a o gás frrio durante e o
conttato com a corrente fria.
f O exemmplo típicoo de regenerador rota ativo é o pré-aquecedor
regeenerativo de
d ar Ljung gstrom, Fig g. 7.7. Os regenerad dores rotattivos pode em operar em
tempperaturas aaté 870°C;; miolos de e cerâmica a são utiliza
ados em te emperatura as mais alttas.
Os regenerado
r ores rotativ
vos só são o convenientes para a troca de e calor de gás
g para gás,
g
pois somente comc gases
s a capaciddade calorífica do miolo, que trransfere o calor, é mu uito
maioor do que a capacidade calo orífica do gás
g escoaante. Não é conven niente para a a
transsferência d
de calor de e líquido para
p líquido
o, pois a capacidade
c e calorífica
a do miolo de
transsferência de
d calor é muito
m mennor do que a capacida ade caloríffica do líqu
uido.
Uma veez que o miolo da transferência a de calor gira,
g a tem
mperatura dos
d gases e a
da parede
p dep
pendem do o espaço e do tempo; como res sultado, a aanálise da transferên ncia
de calor
c dos regenerad dores é complexa,
c pois o flluxo perió ódico introduz divers sas
variá
áveis nova as. Nos trrocadores de calor convencio onais, esta acionários, é suficie ente
defin
nir as tem mperaturas s de entrrada e de e saída, as vazõe es, os coe eficientes de
transsferência de calor dos dois fluidos e as áreas superficia ais dos dois lados do
troca
ador. No trocador
t dee calor rottativo, entrretanto, é necessário também m relaciona ar a
capaacidade ca alorífica do
o rotor comm a capac cidade calo orífica dass correntes s dos fluid
dos,
com as vazõess dos fluido os e com a velocidad de de rotaçção.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
111

7.1.4
4) Classificação Seg
gundo a Disposição
D o das Correntes

Existem numerosa as possibbilidades para


p a disposição
d do esco
oamento nos
n
troca
adores de calor. Vam
mos resumir aqui as p
principais.

4.1) Correntes Paralelas.


7.1.4

dos quente
Os fluid e e frio en
ntram na mesma
m ex
xtremidade
e do trocador de caalor,
m na mesm
fluem ma direção
o, e deixam
m juntos a o
outra extre
emidade, como está na
n Fig. 7.8
8a.

7.1.4
4.2) Contracorrente
e.

Os fluidos quente e frio entrram em exxtremidade


es opostass do trocad
dor de calo
or e
m em direç
fluem ções oposttas, como está
e na Fig
g. 7.8b.

Fig. 7.8 (a) Corre


entes parale
elas, (b) con
ntracorrente
e, e (c) corre
entes cruzad
das

7.1.4
4.3) Correntes Cruz
zadas.

No troc cador com m correntes cruza adas, em geral o os dois fluidos


f flu
uem
pendicularm
perp mente um ao outro, como
c está
á na Fig. 7.8c. Na dissposição com
c corren ntes
cruz
zadas, o esscoamento o pode ser misturado ou não miisturado, ddependendo do proje eto.
A Fig. 7.9a
7 mostraa uma disp
posição emm que amb bos os fluid
dos, quente e e frio, flu
uem
atrav
vés de cannais separados formados por o ondulações s; por isso
o, os fluido
os não pod dem
movver-se na direção
d tra
ansversal. Diz-se, en
ntão, que cada
c ente do fluido está não-
corre
misturada.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
112

A Fig. 77.9b ilustra


a o perfil típico
t de ttemperaturras, na sa aída, quand do ambas as
corre
entes são não-misturadas, com mo está na a Fig. 7.9a
a. As temp peraturas ded entrada de
ambbos os fluidos são uniformes,
u mas as temperatu uras de sa aída mostrram variaç ção
trans
sversal às correntes..
Na dispposição do escoamen nto da Fig 7.9c, o flu
uido frio flu
ui no interio
or de tubo
os e
assim
m não po ode se mo over na diireção tran P isso, o fluido frrio está não-
nsversal. Por
misturado. Enttretanto, o fluido que ente flui so
obre os tubos e pod de mover-s se na direçção
sversal. Po
trans or isso, a corrente
c de
e fluido quuente está misturada a. A misturração tende a
torna
ar uniformee a tempe eratura do fluido na direção
d tra
ansversal; por
p isso, a temperattura
de saída
s de uma corrrente mistturada ap presenta variação
v d
desprezíve l na direçção
cruz
zada.

Fig. 7.9 Dispos


sições com correntes
c cruzadas: (a)) ambos os fluidos não-misturados s; (b) perfil de
d
tempperaturas qu
uando amboos os fluidos estão não
o-misturadoss; (c) fluido frio não-misturado, fluido
quente misturado
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
113

Fig
g. 7.10 Dispo
ositivos de escoamento
e o de múltiploos passes: (a) um pass se no casco, dois passe
es
noss tubos; (b) dois passes no casco,, quatro pas
sses nos tub
bos, e (c) trê
ês passes no casco, seis
passes no
os tubos

Em ge eral, num trocadorr com correntes


c cruzadas, são po ossíveis três
t
conffigurações idealizadaas do esco ( ambos os fluidos
oamento: (1) s estão não
o-misturaddos;
(2) um
u fluido está
e misturado, e o outro está não-mistur
n rado; e (3) ambos os fluidos es
stão
misturados. A última con nfiguração não é usadda comummente.
Em umu trocado or de cascco e tubos, a presenç
ça de um grande
g númmero de ch
hicanas seerve
paraa "misturarr" o fluido
o no lado do casco o, conform
me se discutiu acim ma; isto é, a
tempperatura te
ende a se tornar
t unifo
orme em qualquer
q se
eção transvversal.

7.1.4
4.4) Escoa
amento Mu
ultipasse.

A conffiguração de esco oamento com pa asses mú últiplos é emprega ada


freqüüentementte no proje
eto de troc
cadores dee calor, poois a multipassagem
m intensifica
a a
eficiê
ência glob
bal, acima das eficiêências ind
dividuais. É possível grande variedade
v de
conffigurações das corre entes comm passes múltiplos. A Fig 7.10 ilustra a disposiçõões
típicas. O trocador de ca
alor da Fig
g. 7.10a te
em "um pa asse no caasco e dois
s passes nos
n
tuboos", e receebe o nome de tro ocador de e calor "um-dois". A Fig. 7.l0b mostra a a
conffiguração "dois pass ses no caasco, quattro passes s nos tubbos", e a Fig. 7.l0cc, a
conffiguração "três passe
es no casco
o, seis pas
sses no tubbo".

7.1.5
5) Classificação pello Mecanis
smo de Trransferênc
cia de Callor

As posssibilidades
s para o mecanismo
m sferência de calor incluem uma
o de trans u
combinação de
e quaisque er dois entrre os segu
uintes:
1.Co
onvecção forçada
f ou convecção livre mon nofásica
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
114

2. Mudança
M de
e fase (ebu
ulição ou condensaçã ão)
3. Radiação ou
u convecçã ão e radiaç
ção combinnadas
Em todos os casos diiscutidos anteriorme
ente, cons
sideramos a convec cção forçaada
mon m ambos os lados do trocad
nofásica em dor de calor. Conde
ensadores, caldeirass e
adores de usinas de
radia d força espaciais in ncluem mecanismoss de cond densação, de
ebulição e de radiação,, respectivvamente, sobre
s umaa das supe o trocador de
erfícies do
calor.

a) Condensad
C dores. Os s condens sadores sã ão utilizad
dos em váárias aplicações, co
omo
usina as de força
a a vapor de
d água, plantas
p de processammento quím
mico e usin
nas nuclea
ares
elétrricas de veículos
v e
espaciais. Os princippais tipos incluem os conde ensadores de
supeerfície, os condensa adores a jato e os condensad aporativos. O tipo mais
dores eva m
comum é o condensado
c or de sup perfície, qu
ue tem a vantagem de o con ndensado ser
devoolvido à caaldeira através do sisttema de alimentação o de água.

Fig. 7.11 Corrte Transverrsal de um condensado


c or de superfíície típico, d
de dois pass
ses, de uma
a
grande usina
u de forç
ça, a vapor de
d água

A Fig. 7.11
7 mostrra um corte através de um condensadorr de superrfície, de dois
d
passses, de umm grande tu apor em uma usina de
urbina a va d força. U
Uma vez que
q a press são
do vapor,
v na saída da turbina, é de e somente 1,0 a 2,0 polegadas
p de mercúrio absoluttas,
a deensidade dod vapor é muito baix xa e a vaz
zão do fluid emamente grande. Para
do é extre
minimizar a pe erda de carrga, na transferênciaa do vapor da turbina ondensador, o
a para o co
conddensador é montado o ordinariaamente abaixo da tu urbina e lig
gado a elaa. A água de
resfrriamento flui horizo ontalmentee no inte erior dos tubos, enquanto o vapor flui
verticalmente para
p baixo
o, entrandoo por uma grande ab bertura na parte supeerior, e pas
ssa
transsversalmen nte sobre os tubos. Observe que há dispositivo d ção do ar frio
de aspiraç
das regiões qu ue ficam exatamente
e e acima doo centro doo poço queente. Este dispositivo é
impoortante, poois a preseença de gá ás não con ndensável no vapor reduz o coeficiente
c de
transsferência de
d calor na a condensa ação.
Apostila de Transmissão de Calor 115

b) Caldeiras. As caldeiras a vapor de água constituem uma das primitivas aplicações


dos trocadores de calor. O termo gerador de vapor é muitas vezes aplicado às caldeiras
nas quais a fonte de calor é uma corrente de fluido quente em vez de produtos da
combustão.
Uma enorme variedade de caldeiras já foi construída. Existem caldeiras em
pequenas unidades, para aquecimento doméstico, até unidades gigantescas,
complexas e caras, para as modernas usinas de força.

c) Radiadores de usinas de força espaciais. A rejeição do calor residual do


condensador de uma usina de força cuja finalidade é produzir eletricidade para o
equipamento de propulsão, de orientação ou de comunicação de um veículo espacial
acarreta sérios problemas mesmo com a usina produzindo uns poucos quilowatts de
eletricidade. O único modo com que se pode dissipar o calor residual de um veículo
espacial é pela radiação térmica, aproveitando a vantagem da relação de quarta
potência entre a temperatura absoluta da superfície e o fluxo de calor radiativo.
Portanto, na operação de algumas usinas de força de veículos espaciais, o ciclo
termodinâmico se processa em temperaturas tão altas que o radiador trabalha aquecido
ao rubro. Mesmo assim, é difícil manter a dimensão do radiador dentro de um casco
razoável, nos veículos de lançamento.

7.2) DISTRIBUIÇÃO DE TEMPERATURA NOS TROCADORES DE CALOR

Nos trocadores de calor do tipo estacionário, a transferência de calor do fluido


quente para o fluido frio provoca variação da temperatura de um ou de ambos os fluidos
que passam através do trocador. A Fig. 7.12 ilustra como a temperatura do fluido varia
ao longo do percurso no trocador de calor, em alguns trocadores de calor típicos, com
um passe. Em cada instante, a distribuição de temperatura é plotada em função da
distância à entrada do fluido frio. A Fig. 7.12a, por exemplo, caracteriza um trocador de
calor em contracorrente no qual a elevação da temperatura do fluido frio é igual à queda
da temperatura do fluido quente; a diferença de temperatura ∆ T, entre o fluido quente e
o fluido frio, é constante, em todos os pontos. Entretanto, nos outros casos (Fig. 7.12b
até e), a diferença de temperatura ∆ T, entre o fluido quente e o fluido frio, varia com a
posição ao longo do percurso do fluido. A Fig. 7.12b corresponde à situação em que o
fluido quente se condensa e transfere calor para o fluido frio, fazendo com que sua
temperatura se eleve ao longo do percurso.
Na Fig. 7.12c, o líquido frio está se evaporando e resfria o fluido quente ao longo
do seu percurso.
A Fig. 7.12d mostra configuração de escoamento paralelo, na qual ambos os fluidos se
deslocam na mesma direção, com o fluido frio experimentando uma elevação de
temperatura e o fluido quente, uma queda de temperatura. A temperatura de saída do
fluido frio não pode ser mais elevada do que a do fluido quente. Por isso, a eficiência
dos trocadores de calor com escoamento paralelo é limitada. Devido a esta limitação,
não são em geral considerados para a recuperação de calor. Entretanto, uma vez que a
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
116

tempperatura do o metal ficca aproximadamente no meio das d temperraturas do fluido que ente
e do
o fluido frio, a parede metálica permanece
p e a uma temperatura a quase uniforme.
A Fig. 7.12e
7 mosstra uma configuraçã ão em contracorrente e na qual os fluidos se
desloocam em sentidos
s opostos. A temperatura de saída do fluido o frio pode ser mais alta
a
do que
q a do ffluido quen nte. Teoric
camente, a temperattura de sa aída de um m fluido po ode
aprooximar-se dad temperratura de entrada
e doo outro. Poor isso, a capacidad de térmica do
troca
ador de ca alor em co ontracorrennte pode ser
s o dobrro da capa acidade do o trocador de
calor com esco oamento paralelo.
p A alta recup
peração de calor e a e eficiência térmica
t de
este
troca
ador fazem m com que e seja prefferível ao ttrocador co
om escoam mento para alelo, sempre
que as exigênc cias do pro ojeto perm
mitam tal esscolha. A temperaturra do meta al, no trocador
em contracorrrente, em posição à do troccador com m escoame ento parallelo, tem um
graddiente signiificativo ao
o longo do percurso non trocador.

Fig. 7.12 Distribuição axial


a da temperatura em
m trocadores
s de calor tíípicos de pa
asse único

Nas co onfiguraçõe
es de esc coamento multipasse e cruza ado, a dis stribuição de
temp
peratura, no
n trocador de calor,, exibe paddrão mais complicad do. Por exemplo, a Fig.
F
7.13
3 mostra a distribuição de temmperatura em
e um tro ocador de calor de um u passe no
casc
co e dois passes
p noss tubos. A Fig. 7.14 mostra um
m perfil típ
pico de tem
mperatura em
um trocador d de calor com
c corren
ntes cruzaadas, quando ambo os os fluid
dos são não-
misturados.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
117

Fig. 7.13 Distrib


buição axial de tempera
atura em um
m trocador de
d calor de u
um passe no
o casco e do
ois
passes no
n tubo.

Fig. 7.14 Distrib


buição de te
emperatura em um trocador de calo
or com esco
oamento cru
uzado. Amb
bos
os fluidos são não-misturad
n dos

Nestta configurração, os fluidos


f que
ente e frio entram noo miolo doo trocador de calor com
c
tempperaturas uniformes
u mas, com
mo há cana ais no perc
curso das correntes,
c para evita
ar a
mistura transveersal as te
emperaturaas não são constantees em qualquer seção o transverssal,
pendicular à direção do
perp d escoammento, e as s temperatturas de sa
aída não sãão uniform
mes.
Se não houv vesse canais para um dos ffluidos, se eria possíível a sua a misturaç ção
trans
sversal ao longo do percurso dad corrente e e a sua temperatur
t ra de saída tornar-se
e-ia
apro
oximadame ente uniforme.
Apostila de Transmissão de Calor 118

7.3) COEFICIENTE DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR GLOBAL

Na análise da transferência de calor nos trocadores de calor várias resistências


térmicas no percurso do fluxo de calor, do fluido quente para o frio, combinam-se para
constituir um coeficiente de transferência de calor global U.
Considere que a resistência térmica total R ao fluxo de calor, através de um tubo,
entre a corrente interna e a externa, seja composta das seguintes resistências térmicas:

⎛ Re sistência ⎞ ⎛ Re sistência ⎞ ⎛ Re sistência ⎞


⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟
⎜ térmica ⎟ ⎜ térmica ⎟ ⎜ térmica ⎟
R=⎜ ⎟ +⎜ ⎟ +⎜ (7.1)
dacorrente domaterial dacorrente ⎟
⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟
⎜ int erna ⎟ ⎜ dotubo ⎟ ⎜ externa ⎟
⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠

-e os vários termos são dados por


1 t 1
R= + + (7.2)
Ai hi KAm A0 h0

onde Ao, Ai = áreas das superfícies externa e interna, respectivamente, m2

A0 − Ai
Am = = média logarítmica da área, m2
A
ln 0
Ai
hi, ho = coeficiente de transferência de calor, da corrente interna e externa,
respectivamente, W/(m2 .°C)
k = condutividade térmica do material do tubo, W/(m .°C)
R = resistência térmica entre a corrente interna e a externa.
t = espessura do tubo, m
A resistência térmica R dada pela Eq. (7.2) pode ser expressa como um coeficiente de
transferência de calor global baseado na superfície interna ou na superfície externa do
tubo. Não importa sobre que área está baseado, desde que seja especificada na
definição. Por exemplo, o coeficiente de transferência de calor global U0, baseado na
superfície externa do tubo, é definido por

1 1
U0 = = =
A0 R ( A0 / Ai )(1 / hi ) + ( A0 / Am )(t / k ) + 1 / h0
1
= (7.3)
(D0 / Di )(1 / hi ) + [1 / (2k )]D0 ln(D0 / Di ) + 1 / h0
A0 D0 D0
= ln Do – Di = 2t (7.4)
Am 2t Di

e Di e Do são os diâmetros interno e externo do tubo, respectivamente.


Apostila de Transmissão de Calor 119

De modo semelhante, o coeficiente de transferência de calor global Ui, baseado na


superfície interna do tubo, é definido por

1 1
U0 = = =
AiR 1 / hi + ( Ai / Am )(t / k ) + ( Ai / A0 ) + (1 / h0 )
1
= (7.5)
1 / hi + [1 / (2k )]Di ln (D0 / Di ) + (Di / D0 )(1 / h0 )

Quando a espessura da parede for pequena e a condutividade térmica for alta, a


resistência do tubo pode ser desprezada e a Eq. (7.5) se reduz a
1
Ui = (7.5 a)
1 / hi + 1 / h0
No uso dos trocadores de calor, a superfície de transferência de calor fica suja com a
acumulação de depósitos, que introduzem resistência térmica adicional ao fluxo de
calor. O efeito das incrustações é geralmente levado em conta na forma de um fator de
incrustação F com as dimensões m2°C/W; este assunto será discutido adiante com
mais detalhes.
Consideraremos agora a transferência de calor através de um tubo com incrustações
em ambas as superfícies, externa e interna. A resistência térmica R ao fluxo de calor,
neste caso, é
1 F t F 1
R= + i + + 0 + (7.6)
Ai hi Ai KAm A0 A0 h0

onde Fi e F0 são os fatores de incrustação (resistência unitária de incrustação) nas


superfícies interna e externa do tubo, respectivamente, e as outras grandezas foram
definidas previamente.
Nas aplicações de trocadores de calor, o coeficiente de transferência de calor
global é, ordinariamente, baseado na superfície externa do tubo. Então (7.6) pode ser
representada em termos do coeficiente de transferência de calor global baseado na
superfície externa do tubo como

1
= U0 (7.7)
(D0 / Di )(1 / hi ) + (D0 / Di )Fi + [D0 / (2k )]ln(D0 / Di ) + F0 + 1 / h0
O valor do coeficiente de transferência de calor global em diferentes tipos de aplicação
varia amplamente. Intervalos típicos de U0 são os seguintes:

Trocadores de água para óleo: 60 a 350 W/(m2 . °C)


Trocadores de gás para gás: 60 a 600 W/(m2 . °C)
Condensadores de ar: 350 a 800 W/(m2 . °C)
Condensadores de amônia: 800 a 1400 W/(m2 . °C)
Condensadores de vapor de água: 1500 a 5000 W/(m2 . °C)
Apostila de Transmissão de Calor 120

Fica evidente que Uo é geralmente baixo para fluidos que têm baixa condutividade
térmica, como os gases ou os óleos.

7.3.1) Fator de Incrustação

Na década passada, muito esforço se fez a fim de compreender a incrustação.


Durante a operação, os trocadores ficam incrustados com depósitos de um tipo ou de
outro nas superfícies de transferência de calor. Por isso, a resistência térmica ao fluxo
de calor cresce, o que reduz a taxa de transferência de calor. O dano econômico das
incrustações pode ser atribuído:
1. Ao dispêndio mais alto de capital em virtude de unidades superdimensionadas.
2. Às perdas de energia devidas à falta de eficiência térmica.
3. Aos custos associados à limpeza periódica dos trocadores de calor.
4. À perda de produção durante o desmonte para limpeza.
l. Incrustação por precipitação, a cristalização da substância dissolvida na solução
sobre a superfície de transferência de calor.
2. Incrustação por sedimentação, o acúmulo de sólidos finamente divididos, suspensos
no fluido do processo, sobre a superfície de transferência de calor.
3. Incrustação por reação química, a formação de depósitos sobre a superfície de
transferência de calor, por reação química.
4. Incrustação por corrosão, o acúmulo de produtos de corrosão sobre a superfície de
transferência de calor.
5. Incrustação biológica, o depósito de microorganismos na superfície de transferência
de calor.
6. Incrustação por solidificação, a cristalização de um líquido puro, ou de um
componente da fase líquida, sobre a superfície de transferência de calor sub-resfriada.
Evidentemente, o mecanismo de incrustação é muito complicado, e não
dispomos ainda de técnicas confiáveis para sua previsão.
Quando um trocador de calor novo é posto em serviço, seu rendimento se
deteriora progressivamente em virtude do desenvolvimento da resistência das
incrustações. A velocidade e a temperatura das correntes parecem estar entre os
fatores que afetam a taxa de incrustação sobre uma dada superfície. O aumento da
velocidade diminui a taxa de depósito e também a quantidade final do depósito sobre a
superfície. Aumentando a temperatura do fluido como um todo, aumenta a taxa de
crescimento das incrustações e o seu nível estável terminal.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
121

Tabella 7.1 Fator de incrustação F em eq


quipamento
os de transfe
erência de calor
c

Baseada na expe eriência dos


d fabrica
antes, e dos
d usuáriios, a Ass sociação dosd
Fabrricantes de
e Equipamentos Tubulares (Tubular Equipment Manufacturerrs Associattion
– TEEMA) preparou tabelas de fatores
f de incrustaçção como guia nos cálculos da
trans
sferência de
d calor. Apresentam
A mos, na Tabela 7.1, alguns
a resuultados. A incrustaçãão é
um tema muiito complicado e sua repres sentação numa
n lista
agem simp ples é mu uito
quesstionável. Na
N falta de
e melhor, a lista é a única refeerência pa ara se avalliar os efeiitos
das incrustaçõões na redu
ução da tra
ansferência a de calor.
Apos
stila de Tra
ansmissão
o de Calor 1
122

7.4) O MÉTOD
DO DTML PARA ANÁLISE DO
OS TROCA
ADORES D
DE CALOR
R

Na análisee térmica dos


d trocadores de ca alor, a taxaa total de transferênc
cia de calo
or Q
atrav
vés do trocador é um ma quantiddade de in nteresse primordial. Concentra aremos nos ssa
nção nos trrocadores de calor de passe único, que têm
aten t config
guração dee escoame ento
do tipo
t ilustra
ado na Fig g. 7.15. É evidente, segundo esta figurra, que a diferença de
tempperatura ∆ T, entre oso fluidos quente
q e ffrio, não é em geral constante; varia com ma
distâ
ância ao loongo do tro
ocador de calor.
c
Na aná ansferência de calo
álise da tra or nos troc cadores de e calor, é convenieente
estabelecer um ma diferenç ça ∆ Tm, entre
e o fluiddo quente e o frio, dee modo quue a taxa to
otal
de transferênc
t cia de callor Q entrre os fluiddos possa a ser determinada pelap seguiinte
exprressão simmples:
Q =AU ∆ Tm (7
7.8)

ondee A é a áre
ea de tran
nsferência de calor to
otal e U é o coeficiente de tran
nsferência de
calor global mé
édio baseaado nesta área.
á
Na análise
a seg
guinte desenvolveremmos uma expressão
e o para a differença dee temperattura
méddia na conffiguração de
d correntees paralela
as, com um único passe, mos strado na Fig.
F
7.15
5. O resulta
ado obtido poderá se
er aplicado em todas as configu urações dee escoameento
da Fig.
F 7.12.

Fig. 7.15 Nomenclatu


N ra para a de
edução da d
diferença da
a temperaturra média log
garítmica

Vam
mos nos refferir à Fig. 11.15. Faç
çamos

A = área de trransferênciia de calorr medida a partir da entrada,


e m2
mc, mh = vazão o mássica dos fluidos s frio e que
ente, respe
ectivamentte, kg/h
∆ T = Th - Tc = diferença local de te
emperatura a entre os fluidos que
ente e frio,, °C.
U = coeficiente de trans sferência de
d calor gllobal e loc cal entre o
os dois fluidos, W/(m
m2 .
°C.)
A taxxa de tran
nsferência de calor dQ,
d do fluid do quente para o frioo, através de uma área
elem
mentar dA, no ponto A,A é dada porp
Apostila de Transmissão de Calor 123

DQ = U dA ∆ T (7.9)

Entretanto, dQ deve ser igual ao calor desprendido pelo fluido quente, ou absorvido
pelo fluido frio, ao passarem do ponto A para o ponto A + dA; com esta consideração,
escrevemos
dQ = -mh cph dTh (fluido quente) (7.10 a)
dQ = mc cpc dTc (fluido frio) (7.l0 b)

onde cpc e cph são os calores específicos, e dTc e dTh são as variações das
temperaturas dos fluidos frio e quente, respectivamente. Notemos que

∆ T = Th - T c (7.11 a)
ou
d( ∆ T) = dTh - dTc (7.11 b)

Combinando as Eqs. (7.10) e utilizando a Eq. (7.11 b), obtemos

dQ dQ ⎛ 1 1 ⎞
d( ∆ T) = - − = −dQ⎜ + ⎟ (7.12)
mh c ph mc c pc ⎜m c ⎟
⎝ h ph mc c pc ⎠

que pode ser escrita mais compactamente como

d( ∆ T) = - B dQ (7.13a)

onde
1 1
B= + (7.13 b)
m h c ph mc c pc

A eliminação de dQ entre as Eqs. (7.9) e (7.13 a) dá .

d( ∆ T) / ∆ T = - UB dA (7.14)

A integração da Eq. (7.14) sobre o inteiro comprimento do trocador de calor dá

∆TL d (∆T ) At
∫ ∆T0 ∆T
= − B ∫ UdA
0

At
∆TL d (∆T ) ∫ UdA
∫ = − BAt (7.15)
0
∆T0 ∆T At

onde At é a área total de transferência de calor do trocador de calor. Agora definimos o


coeficiente de transferência de calor global médio Um para o trocador de calor inteiro
Apostila de Transmissão de Calor 124

como

1 At
Um =
At ∫
0
UdA (7.16)

Então, a Eq. (7.15) é integrada para dar


∆T0
ln = BU m At (7.17)
∆T L

A taxa total de transferência de calor Q, através do trocador de calor, é determinada


pela integração da Eq. (7.13 a) sobre todo o comprimento
∆TL
d (∆T ) = − B ∫ dQ
Q
∫∆T0 0

∆ T0 - ∆ TL = BQ

∆T0 − ∆TL
Q= (7.18)
B
A eliminação de B entre as Eqs. (7.17) e (7.18) leva a

∆T0 − ∆TL
Q = At Um (7.19)
ln(∆T0 / ∆TL )

Nosso objetivo nessa análise era exprimir a taxa total de transferência de calor através
do trocador de calor em termos de uma diferença média de temperatura ∆ Tln na forma

Q = At Um ∆ Tln (7.20)

A comparação entre os resultados das Eqs. (7.19) e (7.20) revela que a diferença
média de temperatura ∆ Tln, entre os fluidos quente e frio, em todo o comprimento do
trocador de calor, é

∆T0 − ∆TL
∆Tln = (7.21)
ln(∆T0 / ∆TL )

A diferença de temperatura média ∆ Tln, definida pela Eq. (7.21), é a diferença de


temperatura média logarítmica (DTML).
Portanto, a taxa total de transferência de calor entre os fluidos quente e frio, em
todas as disposições de correntes com passe único, da Fig. 7.12, é determinada a partir
de

Q = A U ∆ Tln (7.22)

onde ∆ Tln é definida pela Eq. (7.21). Observamos que, no caso especial ∆ T0 = ∆ TL, a
Eq. (7.21) leva a ∆ Tln = 0/0 = indeterminado. Mas a aplicação da regra de L'Hospital
Apostila de Transmissão de Calor 125

mostra que neste caso particular ∆ Tln = ∆ T0= ∆ TL. É interessante comparar a DTML de
∆ T0 e ∆ TL com a média aritmética:

Tab. 7.2

∆T0 + ∆TL
∆Ta = (7.23)
2

Apresentamos, na Tabela 7.2, uma comparação entre as médias logarítmica e


aritmética das duas grandezas ∆ To e ∆ TL. Notamos que as médias aritmética e
logarítmica são iguais para ∆ To = ∆ TL .Quando ∆ To ≠ ∆ TL, a DTML é sempre menor
do que a média aritmética; se ∆ To não é mais do que 50% maior do que ∆ TL, A DTML
pode ser aproximada pela média aritmética dentro de cerca de 1,4%.

7.5) CORREÇÃO DA DTML EM TROCADORES COM CORRENTES CRUZADAS E


MULTIPASSE

A DTML, desenvolvida na Sec. 7.4, não se aplica à análise da transferência de


calor em trocadores de correntes cruzadas e muitos passes. As diferenças efetivas de
temperatura foram determinadas nos escoamentos de correntes cruzadas e também
multipasse, mas as expressões resultantes são muito complicadas. Por isso, nessas
situações, é costume introduzir um fator de correção F de modo que a DTML simples
possa ser ajustada para representar a diferença efetiva de temperatura ∆Tcorr para a
disposição de correntes cruzada e multipasse na forma
∆Tcorr = F( ∆ Tln em contracorrente)
onde ∆ Tln deve ser calculada nas condições de contracorrente. Especificamente, ∆ T0 e
∆ TL, que aparecem na definição da DTML dada pela Eq. (7.12), devem ser (veja Fig.
7.12b)
∆ T0 = Th,ef - Tc,af ( 7.25 a)
∆ TL = Th,af - Tc,ef (7.25 b)

onde os índices c e h se referem, respectivamente, aos fluidos frio e quente. A Fig. 7.16
mostra o fator de correção F em algumas configurações usualmente empregadas nos
trocadores de calor. Nestas figuras, a abscissa é a razão dimensional P, definida como

t 2 − t1
P= (7.26 a)
T1 − t1
Apostila de Transmissão de Calor 126

onde T se refere à temperatura do lado do casco, t é a temperatura do lado dos tubos, e


os subscritos 1 e 2 se referem, respectivamente, às condições de entrada e de saída. O
parâmetro R que aparece nas curvas é definido como

T1 − T2 ( mcp ) ladodotubo
R= = (7.26 b)
t 2 − t1 ( mcp ) ladodocasco

Observe que os fatores de correção, na Fig. 7.16, podem ser aplicados quer o fluido
quente esteja do lado do casco, quer do lado dos tubos.

Fig. 7.16 Fator de correção F para o cálculo de ∆Tcorrigida em trocadores multipasse com correntes
cruzadas. (a) um passe no casco e dois passes nos tubos; (b) dois passes no casco e quatro
passes nos tubos, ou múltiplo de quatro passes nos tubos; (c) correntes cruzadas, um só passe,
os dois fluidos sem misturação.
Apostila de Transmissão de Calor 127

Em geral, F é menor do que a unidade nos arranjos de correntes cruzadas e


multipasses; é igual à unidade nos trocadores de calor em verdadeira contracorrente.
Representa o grau de afastamento da verdadeira diferença média de temperatura em
relação à DTML na contracorrente.
Na Fig. 7.16 notamos que o valor do parâmetro P se situa entre 0 e 1, e
representa a eficiência térmica do fluido do lado do tubo. O valor de R vai de zero até o
infinito, com o zero correspondendo à condensação pura do vapor no lado do casco e
infinito à evaporação no lado dos tubos.

7.6) MÉTODO ε -NUT PARA ANÁLISE DOS TROCADORES DE CALOR

O cálculo da capacidade e o das dimensões dos trocadores de calor são os dois


problemas importantes da análise térmica dos trocadores de calor. O cálculo da
capacidade se refere à determinação da taxa de transferência de calor, das
temperaturas de saída do fluido, e das perdas de carga num determinado trocador de
calor ou num trocador já dimensionado; portanto, pode-se dispor da área da superfície
de transferência de calor e das dimensões dos canais de passagem das correntes. O
problema do dimensionamento se refere à determinação das dimensões do feixe de
tubos para atingir as exigências da transferência de calor e da perda de carga. Se não
considerarmos a perda de carga, o cálculo térmico envolve a determinação da taxa total
de transferência de calor a um determinado trocador de calor; e o dimensionamento
envolve a determinação da superfície total de transferência de calor necessária para
atingir a taxa de transferência de calor especificada.
Se as temperaturas de entrada e de saída do fluido quente e do fluido frio, assim
como o coeficiente da transferência de calor global, forem especificadas, o método da
DTML, com ou sem a correção, pode ser empregado para resolver o problema do
cálculo térmico ou do dimensionamento.
Em algumas situações são dadas apenas as temperaturas de entrada e as
vazões dos fluidos quente e frio, e o coeficiente de transferência de calor global pode
ser estimado. Em tais casos, a temperatura média logarítmica não pode ser
determinada, pois as temperaturas de saída não são conhecidas. Por isso, o método da
DTML na análise térmica dos trocadores de calor envolverá iterações tediosas para se
determinar o valor próprio da DTML que satisfaça a exigência de o calor transferido no
trocador de calor ser igual ao calor arrastado pelo fluido.
Para ilustrar o tedioso processo de iteração envolvido nestes cálculos,
consideremos o cálculo térmico com as seguintes condições:
Dados: Propriedades físicas dos fluidos quente e frio.
Temperaturas de entrada Tc, af e Th,af
Vazões mc e mh, kg/s
Coeficiente de transferência de calor global Um
Superfície total de transferência de calor A
Carta de correção da DTML
Determinar: A taxa total de transferência de calor Q
Podem-se seguir os seguintes passos para resolver o problema:
Apostila de Transmissão de Calor 128

1. Admita uma temperatura de saída, e determine P e R de acordo com as Eqs. (7.26a)


e (7.26b), respectivamente; encontre também o fator de correção F da DTML na carta.
2. Calcule ∆ Tln nas condições de escoamento em corrente.
3. Determine Q a partir de
Q = A UmF ∆ Tln
4. Calcule as temperaturas de saída a partir de Q e das vazões.
5. Compare as temperaturas de saída, calculadas no passo 4, com os valores admitidos
no passo 1.
6. Se os valores admitidos e calculados das temperaturas de saída forem diferentes,
repita os cálculos até obter uma convergência especificada.
Evidentemente, estes cálculos são muito tediosos. A análise pode ser
significativamente simplificada se usarmos o método ε − NUT ou o método da
efetividade, desenvolvido originalmente por Kays e Londor.
Neste método, a efetividade ε é definida como
Q
ε=
Qmax
ε = taxa real de transferência de calor / taxa máxima possível de transferência de calor
de uma corrente para outra
A taxa máxima possível de transferência de calor Qmax é obtida num trocador em
contracorrente se a variação de temperatura do fluido que tiver o valor mínimo de mcp
for igual à diferença entre as temperaturas de entrada dos fluidos quente e frio.
Consideramos (mcp)min, porque a energia perdida por um fluido deve ser igual à
recebida pelo outro fluido. Se considerarmos (mcp)máx, então o outro fluido deve sofrer
uma variação de temperatura maior do que a maior diferença de temperatura
disponível; isto é, a ∆ T do outro fluido seria maior do que Th,af – Tc,af. Isto não é
possível. Com esta consideração, Qmax é escolhido como

Qmax = (mcp)min – (Th,af – Tc,af) (7.27)

Então, dados ε e Qmax , a taxa real de transferência de calor Q é

Q = ε * (mcp)min * (Th,af – Tc,af) (7.28)

Aqui, (mcp)mín é a menor entre mhcph e mccpc dos fluidos quente e frio; Th,af e Tc,af são as
temperaturas de entrada dos fluidos quente e frio, respectivamente.
Evidentemente, se a eficiência ε do trocador for conhecida, a Eq. (7.28) dá uma
expressão explícita para a determinação de Q no trocador. Vamos agora descrever a
dedução da expressão da efetividade ε .

7.6.1) Determinação de ε: A equação da efetividade depende da geometria do trocador


de calor e da disposição das correntes. Para ilustrar o procedimento geral da dedução
de ε , consideramos novamente o escoamento em correntes paralelas da Fig. 7.15.
Da Eq. (7.28) nós escrevemos
Q
ε= (7.29)
(mc p )mín (Th,af − Tc,af )
Apostila de Transmissão de Calor 129

A taxa real de transferéncia de calor Q é dada por

Q = m h c ph (Th ,in − Th ,ef ) = mc c pc (Tc ,ef − Tc , af ) (7.30)

A substituição da Eq. (7.30) em (7.29) dá

C h (Th ,af − Th ,ef )


ε= (7.31 a)
C mín (Th,af − Tc ,af )
C c (Tc ,ef − Tc ,af )
ε= (7.31 b)
C mín (Th,af − Tc ,af )
onde definimos
C h ≡ m h c ph C c ≡ m c c pc (7.32)

e Cmín é igual ao menor entre Ch e Cc. Agora, nosso objetivo é eliminar a razão das
temperaturas, digamos, na Eq. (7.31b). O processo é o seguinte:
Consideramos a Eq. (7.17)
∆T
ln 0 = BU m A (7.33)
∆T L
onde, com a disposição de escoamento paralelo, temos

∆T0 = Th ,af − Tc ,af (7.34 a)


∆TL = Th ,ef − Tc ,ef (7.34 b)

Leva-se a Eq. (7.33) para a forma exponencial, e usam-se os resultados da Eq. (7.34):

Th,ef − Tc ,ef
= e − BAU m (7.35)
Th,af − Tc ,af

A Eq. (7.31) é resolvida em Th,ef:

Th ,ef = Th ,af −
Cc
(Tc,ef − Tc,af ) (7.36)
Ch

Este resultado entra na Eq. (7.35) para eliminar Th,ef:

Tc ,ef − Tc ,af ⎛ C c ⎞
1− ⎜1 + ⎟⎟ = e − BAU
Th,in − Tc ,in ⎜⎝ C h
m


Apostila de Transmissão de Calor 130

Tc ,ef − Tc ,in 1 − e − BAU


m

1− = (7.37)
Th ,in − Tc ,in 1 + Cc / Ch

Este resultado entra na Eq. (7.31b) e se elimina a razão entre as temperaturas. A


efetividade ε é determinada como
1 − e − BAU m
ε= (7.38 a)
C mín / C c + C mín / C h

onde B é definido pela Eq. (7.13b)


1 1
B= + (7.38 b)
C h Cc

Evidentemente, se considerarmos uma disposição de escoamento diferente, teremos


uma expressão diferente para a efetividade.

7.6.2) Relação ε -NUT

Por conveniência, nas aplicações práticas, define-se um parâmetro adimensional, o


número de unidades de transferência (de calor) (NUT) como

AU m
NUT = (7.39a)
C mín

Para simplificar a notação, adotamos a seguinte abreviação

NUT ≡ N (7.39 b)

Então, a Eq. (7.38) é escrita na forma

1 − exp[− N (C mín / C c + C min / C h )]


ε= (7.40)
C mín / C c + C min / C h

Definimos agora
C mín
C≡ (7.41)
C máx

onde Cmín e Cmáx são, respectivamente, a menor e a maior das duas grandezas Ch e
Cc. Então, a Eq. (7.40) é escrita mais compactamente como

1 − exp[− N (1 + C )]
ε= (correntes paralelas ) (7.42)
1+ C
Apostila de Transmissão de Calor 131

Esta equação dá a relação entre a efetividade ε e o número de unidades de


transferência de calor N num trocador de calor com correntes paralelas,
independentemente de Cmín ocorrer no lado quente ou no lado frio.
Cálculos semelhantes podem ser feitos e as relações ε -NUT podem ser
desenvolvidas em trocadores de calor que têm outros arranjos de correntes, como
contracorrente, correntes cruzadas, passes múltiplos, etc.

Fig. 7.17 Efetividade num trocador de calor com correntes Fig. 7.18 Efetividade num
paralelas. trocador de calor
em contracorrente.

Nas Figs. 7.17 a 7.21 apresentamos algumas cartas de efetividade para arranjos
típicos de escoamento. Também listamos, na Tabela 7.3, algumas relações funcionais
para rápida referência.

Condensadores e caldeiras: No caso de condensadores e caldeiras, a temperatura do


fluido no lado da ebulição ou no da condensação permanece essencialmente constante.
Lembremo-nos da Eqs. (7.31) para a definição de efetividade. Se a efetividade deve
permanecer finita, Cc ou Ch, no lado em que há mudança de fase, deve comportar-se
como um calor específico infinito, pois Taf - Tef neste lado é praticamente zero. Essa
exigência implica que, numa caldeira ou num condensador, devemos ter Cmáx → °°, e,
como resultado,
C
C = mín → 0 (7.43)
C máx

Nestas situações, as expressões da Tabela 7.3 simplificam-se para


Apostila de Transmissão de Calor 132

ε = 1 − e − N para C → 0 (7.44)
Onde N = AUm / Cmín .

7.6.3) Significado Físico do NUT

O significado físico do parâmetro adimensional NUT pode ser visto como segue:
AU m
NUT = (7.45)
C mín
(capacidade calorífica do trocador /capacidade calorifica das correntes)

Fig. 7.19 Efetividade num trocador de calor, com correntes Fig. 7.20 Efetividade num trocador de
cruzadas, ambas não misturadas. um passe no casco e dois, quatro , seis,
etc. passes nos tubos.

Fig. 7.21 Efetividade num trocador de calor de dois passes no casco e quatro, oito, doze, etc. passes nos
tubos.
Apostila de Transmissão de Calor 133

Para um determinado valor de Um/Cmín, o NUT é uma medida da área real de


transferência de calor A, da "dimensão física" do trocador. Quanto mais alto o NUT,
maior é a dimensão física.
Um trocador em contracorrente tem o valor maior de ε para valores
especificados de NUT e de C, C = Cmín/Cmáx não tem muito efeito sobre a efetividade ε .
Um trocador em contracorrente tem o valor maior de ε para valores
especificados de NUT e de C, em comparação com os valores de outras configurações
do escoamento. Por isso, dados NUT e C, a configuração em contracorrente
proporciona o melhor desempenho na transferência de calor.

Tab. 7.3 Fórmulas efetivas de trocador de calor.

7.6.4) Emprego das relações ε -NUT


As relações ε -NUT podem ser facilmente empregadas para a resolução dos
problemas de cálculo térmico e de dimensionamento.

Problema do cálculo térmico Suponha que as temperaturas de entrada Tc,af e


Th,af, as vazões mc e mh, as propriedades físicas de ambos os fluidos, o coeficiente de
Apostila de Transmissão de Calor 134

transferência de calor global Um, e a área total de transferência de calor A sejam dados.
O tipo e a configuração do escoamento do trocador são especificados. Desejamos
determinar a taxa total de fluxo de calor Q e as temperaturas de saída Th,ef e Tc,ef. Os
cálculos são os seguintes:
1. Calcule C = Cmín / Cmáx e N = NUT = UmA/Cmín a partir dos dados de entrada
especificados.
2. Sabendo N e C, determine ε a partir da carta ou da equação para a geometria e
configuração do escoamento especificados.
3. Sabendo ε , calcule a taxa total de transferência de calor Q a partir de

Q = εC mín (Th , af − Tc , af )
4. Calcule as temperaturas de saída a partir de
Q
Th.,ef = Th,af −
Ch
Q
Tc ,ef = Tc , af +
Cc
A discussão precedente do método ε -NUT ilustra claramente que o problema do
cálculo térmico, quando as temperaturas de saída não são dadas, pode ser resolvido
rapidamente com o método ε -NUT, mas será necessário um tedioso processo de
iteração para resolvê-lo com o método DTML, e a convergência pode não ser fácil.

7.6.5) Problema do Dimensionamento.

Suponha que sejam dados as temperaturas de entrada e de saída, a vazão, o


coeficiente de transferência de calor global e a taxa total de transferência de calor;
também a disposição do escoamento é especificada. Desejamos determinar a
superfície total de transferência de calor A.
1. Sabendo as temperaturas de entrada e de saída, calcule ε de acordo com as Eqs.
(7.31).
2. Calcule C = Cmín /Cmáx .
3. Sabendo ε e C, determine NUT a partir da carta apropriada de ε -NUT.
4. Sabendo NUT, calcule a superfície de transferência de calor A segundo a Eq.
(7.39a):

(NUT )C mín
A=
Um

O emprego do método ε -NUT geralmente é preferido no projeto de trocadores


de calor compactos para aplicações automotivas, aeronáuticas, de condicionamento de
ar e outras aplicações industriais onde as temperaturas de entrada dos fluidos quente e
frio são especificadas e as taxas de transferência de calor devem ser determinadas.
Nas indústrias de processamento de eletricidade e petroquímicas, tanto as
temperaturas de entrada como de saída dos fluidos quente e frio são especificadas; por
isso o método DTML é geralmente empregado.
Apostila de Transmissão de Calor 135

7.7) TROCADORES DE CALOR COMPACTOS

Um trocador de calor que tenha uma densidade de área superficial maior do que
cerca de 700 m2/m3 é classificado arbitrariamente como trocador de calor compacto.
Estes trocadores de calor são geralmente empregados em aplicações com corrente
gasosa. Por esse motivo, o coeficiente de transferência de calor é baixo, e é importante
a pequenez de peso e de tamanho. São encontrados em uma grande variedade de
configurações do miolo de transferência de calor, e suas características térmicas e
hidrodinâmica foram estudadas extensamente. A Fig. 7.22 mostra miolos típicos dos
trocadores de calor compactos. A Fig. 7.22a mostra um feixe de tubos com aletas
circulares em cada tubo; a Fig. 7.22b mostra um miolo de aleta de chapa placa contínua
e canais formados por chapas onduladas; a Fig. 7.22c mostra um miolo de tubos chatos
aletados por chapas planas contínuas.
As características de transferência de calor e de perda de carga destes
equipamentos para emprego como trocadores de calor compactos são determinadas
experimentalmente. Por exemplo, as Figs. 7.23 a 7.25 mostram transferências típicas
de calor e dados do fator de atrito nos três diferentes modelos. Note que os principais
grupos adimensionais que governam essas correlações incluem os números de
Stanton, de Prandtl e de Reynolds
h Cpµ GDh
St = Pr = Re = (7.47)
GC p K µ

Aqui, G é a velocidade mássica, definida como

G = m / Amín

onde m = vazão mássica total do fluido (kg/s) e Amín = área transversalmente mínima do
escoamento livre (m2), onde quer que esse mínimo ocorra.
A grandeza do diâmetro hidráulico Dh, em cada configuração, é especificado nas Figs.
7.23 a 7.25. O diametro hidráulico Dh é definido como

LAmín
Dh = 4 (7.48)
A

onde A é a área total de transferência de calor e a grandeza LAmín pode ser


considerada o volume mínimo de passagem da corrente livre uma vez que L é o
comprimento do percurso do fluido no miolo do trocador de calor.
Apostila de Transmissão de Calor 136

Fig. 7.22 Miolos típicos de trocadores de calor compactos: (a) feixe de tubos cilíndricos aletados; (b) chapa
plana aletada; (c) feixe de tubos chatos aletados.

Fig. 7.23 Transferência de calor e fator de atrito no escoamento através do feixe de tubos
cilíndricos com aletas de chapas contínuas

Portanto, uma vez conhecidas as cartas de transferência de calor e do fator de atrito


para um modelo determinado de miolo, como a da Fig. 7.23, e conhecido o número de
Reynolds do escoamento, poderão ser calculados o coeficiente de transferência de
calor h e o fator de atrito f do escoamento através do miolo. Então, o problema do
cálculo da capacidade e das dimensões poderá ser resolvido mediante o processo da
DTML ou com o método da análise da efetividade. Descreveremos agora a análise da
perda de carga nos trocadores de calor compactos.
A perda de carga associada ao escoamento através de um trocador de calor
compacto consiste em três componentes: o atrito no miolo, a aceleração no miolo e as
perdas de entrada e de saída.
Apostila de Transmissão de Calor 137

Vamos apresentar agora a análise de perda de carga nos trocadores com aletas
de chapa contínua e de tubos com aletas.

Fig. 7.24 Transferência de calor e fator de atrito no escoamento através do feixe de tubos chatos
com aletas de chapas contínuas

Fig. 7.25 Transferência de calor e fator de atrito no escoamento através do feixe de tubos cilíndricos
com aletas individuais
Apostila de Transmissão de Calor 138

7.7.1) Perda de Carga em Trocadores com Aletas de Chapa Contínua

Considere o miolo de um trocador com aletas de chapa contínua, como está ilustrado
na Fig. 7.22b. A medida que o fluido entra nos canais, sofre quedas de pressão em
virtude da contração resultante de variações de área e da expansão livre irreversível
depois de uma contração repentina. À medida que o fluido passa através do miolo do
trocador de calor (isto é, do núcleo), sofre queda de pressão em virtude do atrito fluido.
Também, dependendo de existir aquecimento ou resfriamento, há variação de pressão
em virtude de aceleração ou de desaceleração da corrente. Finalmente, à medida que o
fluido deixa o miolo do trocador de calor, há quedas de pressão associadas à variação
de área e a separação do fluido.
Então, a perda de carga total no escoamento do fluido através do miolo do trocador de
calor é dada por:

G2 ⎡ ⎛ ρi ⎞ A ρi ρ ⎤
∆P =
2ρi ⎣
( 2
)
⎢ K c + 1 − σ + 2⎜⎜ − 1⎟⎟ + f ( )
− 1 − Ke − σ 2 i ⎥
⎝ ρ0 ⎠ Amín ρ m ρ0 ⎦ (7.49)

Amín área.mínima.do.escoamento.livre
onde σ = =
A fr área. frontal
A 4 L área.total .de.transferên cia.de.calor
= =
Amín Dh área.mínima.de.escoamento.livre
ρu ∞ A fr ρu ∞
G= = = velocidade mássica, Kg/(m2.s)
Amín σ

Kc,Ke = coeficiente de contração e de expansão do escoamento,


respectivamente
ρ i , ρ 0 = densidade na entrada e na saída respectivamente
1 1⎛ 1 1 ⎞
= ⎜⎜ + ⎟
ρm 2 ⎝ ρ i ρ 0 ⎟⎠

A Eq. (7.49) dá a perda de carga associada ao escoamento através do miolo do


trocador de calor. Pode-se considerar a relação também válida para o escoamento no
interior dos tubos do trocador de calor. Por isso, a perda total de carga através do
trocador de calor é igual à soma das perdas de carga do escoamento através dos tubos
e no interior dos mesmos.
Na Eq. (7.49), a perda de carga por atrito é em geral a mais importante e
responde por cerca de 90%, ou mais, da perda de carga total através do miolo. As
perdas na entrada e na saída se tornam importantes nos trocadores curtos (isto é, com
pequenos L) com pequenos valores de σ , valores grandes do número de Reynolds e
com gases. Com líquidos são desprezíveis.
Apostila de Transmissão de Calor 139

7.7.2) Perda de Carga em Trocadores de Tubos Aletados

No escoamento normal a um banco de tubos aletados, fig. 7.22a, as perdas na entrada


e na saída são em geral devidas ao fator de atrito, e por isso Kc = Ke = 0. Então, pondo
Kc = Ke = 0 na Eq. (7.49), a perda de carga total no escoamento através do banco de
tubos se torna
G2 ⎡ 2 ⎛ ρi ⎞ A ρi ⎤
∆P =
2ρi ⎣
( )
⎢ 1 + σ ⎜⎜ − 1⎟⎟ + f ⎥
⎝ ρ0 ⎠ Amín ρ m ⎦
aceleração da corrente atrito no miolo

7.8) OTIMIZAÇÃO DOS TROCADORES DE CALOR

Embora os projetos padrões dos trocadores de calor possam satisfazer às


necessidades da maior parte das unidades pequenas e simples, operando em
temperaturas moderadas e pressões baixas é possível que sejam necessárias unidades
individualmente projetadas, para numerosas aplicações especiais.
Os trocadores de calor são projetados para uma vasta variedade de aplicações,
por isso, os critérios de otimização dependem do tipo de aplicação. Por exemplo, os
critérios de otimização podem requerer um mínimo de peso, um mínimo de volume ou
superfície mínima de transferência de calor, custo inicial mínimo, ou custos inicial e
operacional mínimos, maior taxa de transferência de calor, perda de carga mínima para
uma certa taxa de transferência de calor, diferença média de temperatura mínima, e
assim por diante.
Por isso, para efetivar um estudo de otimização, deve ser executado o projeto
térmico do trocador de calor e os cálculos devem ser repetidos para cada variável do
projeto até que o critério de otimização seja satisfeito. Já existem programas de
computador para o projeto térmico dos trocadores de calor.
Bell descreve o procedimento de um projeto auxiliado por computador, no caso
do projeto térmico de trocadores de calor de casco e tubos. Shah discute os aspectos
básicos de um projeto térmico auxiliado por computador, e o processo de otimização de
trocadores de calor compactos. Spalding ressalta os aspectos gerais de uma
abordagem numérica para determinar a dinâmica do fluido e o desempenho térmico dos
trocadores de calor.
Para ilustrar a estrutura lógica básica da otimização dos trocadores de calor,
focalizaremos nossa atenção nos trocadores de calor compactos.
O primeiro passo no processo de otimização é a solução dos problemas do
cálculo da capacidade e das dimensões. O problema do cálculo da capacidade se
refere à determinação da taxa de transferência de calor, das temperaturas de saída e
da perda de carga em cada lado. Geralmente, são especificadas as seguintes
grandezas nos problemas deste cálculo: tipo do trocador de calor, geometria das
superfícies, disposição das correntes, vazões, temperaturas de entrada e dimensões
totais do miolo.
O problema do dimensionamento se refere à determinação das dimensões do
miolo para se atingir a transferência de calor especificada e a perda de carga tolerada.
Apostila de Transmissão de Calor 140

O papel do projetista é selecionar o tipo de construção, a disposição das correntes e a


geometria das superfícies de ambos os lados. As seguintes grandezas são em geral
especificadas: temperaturas de entrada e de saída do fluido, vazões, perdas de carga e
taxa de transferência de calor.
Shah descreve os pontos principais das grandes sub-rotinas de computador
necessárias para realizar os cálculos de dimensionamento e de desempenho térmico e
hidrodinâmico. Incluem o seguinte:
1. Especificações do projeto. As especificações completas do projeto devem ser
conhecidas, assim como a sub-rotina do computador. A informação deve incluir o tipo
do trocador de calor; a disposição das correntes; a geometria das superfícies; as
condições de operação, como temperaturas, pressões, vazões, tipos de fluidos, etc, na
entrada; dimensões totais.
2. Propriedades do fluido. As propriedades dos fluidos, como calor específico,
densidade, viscosidade, condutividade térmica e o número de Prandtl, devem ser
incluídas como uma função da temperatura na forma de correlações.

3. Geometria do miolo. A informação que caracteriza a geometria do miolo deve ser


fornecida em cada lado do trocador, incluindo a área mínima do escoamento livre, o
diâmetro hidráulico, as dimensões das aletas, necessárias para o cálculo da eficiência
das aleta, etc.
4. Relação ε -NUT. Uma vez que o método ε -NUT é utilizado no projeto térmico de
trocadores de calor compactos, devem ser fornecidas as fórmulas que definem a
relação ε -NUT. As relações devem ser suficientemente gerais para permitirem a
determinação de e quando forem conhecidas NUT e C = Cmín/ Cmax, e para calcular
NUT quando ε e C forem disponíveis.
5. Relação h e f. As características da transferência do calor e do atrito do escoamento
nos trocadores de calor compactos são geralmente dadas na forma de cartas de j e de f
plotados em função do número de Reynolds. Esses dados devem ser fornecidos na
forma de correlações.
6. Rendimento das aletas. Quando são usadas superfícies estendidas no miolo da
transferência de calor, a eficiência das aletas η e a eficiência das aletas ponderada
pela área η ' são necessárias nos cálculos de transferência de calor. Por isso devem ser
dadas as fórmulas que definem a eficiência η e a informação necessária para o cálculo
de η '.
7. Relações de perda de carga. A perda de carga no escoamento através do miolo é
devida ao atrito do escoamento, à aceleração e à desaceleração resultantes da
transferência de calor, à contração e à expansão da corrente na entrada e na saída do
miolo. Devem ser dadas as relações apropriadas para o cálculo da perda de carga
decorrente destas causas. Também deve ser feita provisão para o cálculo da perda de
carga nos ângulos, nas curvas, nos distribuidores e coletores, etc.
Apostila de Transmissão de Calor 141

7.8.1) Problema do Cálculo da Capacidade

Se o problema envolve a otimização associada à taxa de transferência de calor, ou à


perda de carga, resolve-se o problema da capacidade e calcula-se a taxa de
transferência de calor, ou a perda de carga, resultante.

7.8.2) Problema de Dimensionamento

Se o problema envolve otimização associada às dimensões, ao peso, ou à superfície de


transferência de calor, e, portanto, ao custo, então o problema do dimensionamento é
resolvido e as dimensões do miolo e a superfície da transferência de calor são
calculadas.

7.8.3) Problema da Otimização

Como se discutiu antes, o critério para otimização depende da aplicação específica. Por
isso, a grandeza otimizada (isto é, maximizada ou minimizada) deve ser estabelecida.
Pode haver alguma restrição adicional. Uma variedade de técnicas pode ser utilizada
para se chegar a um projeto otimizado; qualquer que seja a técnica adotada, cada caso
envolve a resolução do problema do cálculo da capacidade e das dimensões.Suponha
que o trocador de calor deva ser otimizado para um custo total mínimo. O problema
envolve restrições explícitas, como uma área frontal fixa e intervalos das dimensões do
trocador de calor, e restrições implícitas sobre a taxa mínima de transferência de calor
ou a perda de carga. Uma vez escolhida a geometria da superfície, o projetista tem a
opção de impor restrições adicionais, como os valores máximo e mínimo da altura da
aleta, espessura da aleta, passe da aleta, condutividade térmica da aleta, comprimento
da aleta, razão do gás, etc. Então, o problema se reduz à resolução do problema do
cálculo térmico dentro dos limites das variáveis especificadas.
Apostila de Transmissão de Calor 142

8) RADIAÇÃO ENTRE SUPERFÍCIES NUM MEIO INERTE

8.1) NATUREZA DA RADIAÇÃO TÉRMICA

A radiação térmica é a energia radiante emitida pelos corpos em virtude das suas
temperaturas. Todos os corpos, a uma temperatura acima do zero absoluto, emitem
radiação térmica. Considere, por exemplo, um corpo quente à temperatura Th colocado
em uma câmara de vácuo cujas paredes estão frias, à temperatura Tc, como está
ilustrado na Fig. 8.1. Uma vez que o corpo quente está separado das paredes frias pelo
vácuo, não é possível a transferência condutiva ou convectiva de calor. 0 corpo quente
se resfria em virtude da troca de calor pela radiação térmica.
Outro exemplo é a transferência de energia do sol para a terra; a energia térmica
emitida do sol se propaga através do espaço e atinge a superfície da terra. 0 transporte
de energia radiante não exige um meio interveniente entre a superfície quente e fria. 0
verdadeiro mecanismo da propagação de radiação não está completamente
compreendido, mas diversas teorias foram propostas para explicar o processo. De
acordo com a teoria eletromagnética de Maxwell, a radiação é tratada como ondas
eletromagnéticas, enquanto o conceito de Max Planck trata a radiação como fótons, ou
quanta, de energia. Ambos os conceitos são utilizados para descrever a emissão e
propagação de radiação. Por exemplo, os resultados obtidos a partir da teoria
eletromagnética são usados para prever as propriedades radiantes dos materiais,
enquanto os resultados do conceito de Planck são empregados para prever a grandeza
da energia radiante emitida por um corpo a uma dada temperatura.
Quando a radiação é tratada como uma onda eletromagnética, considera-se a
radiação de um corpo, à temperatura T, como se fosse emitida em todos os
comprimentos de onda, desde λ = 0 até λ = ∞ . Nas temperaturas encontradas na
maior parte das explicações de engenharia, o conjunto da energia térmica emitida por
um corpo está nos comprimentos de onda entre λ ≅ 0,1 λ ≅ 100 µm . Por este motivo, a
região do espectro de comprimentos de onda entre λ = 0,1 e λ = 100 µm recebe
geralmente o nome de radiação térmica. 0 sol emite radiação térmica a uma
temperatura efetiva superficial de cerca de 5.760 k e o conjunto desta energia está nos
comprimentos de onda entre λ ≅ 0,1 e λ ≅ 3 µm ; por isso, esta região do espectro é
conhecida geralmente como a radiação solar. A radiação emitida pelo sol, nos
comprimentos de onda entre λ = 0,4 e λ = 0,7 µ m é visível para o olho; esta região do
espectro é a radiação visível (isto é, a luz visível). A Fig. 8.2 ilustra essas subdivisões
do espectro de ondas eletromagnéticas.

Fig. 8.1. Troca de radiação térmica


Apostila de Transmissão de Calor 143

A natureza ondulatória da radiação térmica implica que o comprimento de onda


λ deve estar associado à freqüência ν da radiação. A relação entre λ e o ν é

c
λ= (8.1)
v

onde c é a velocidade de propagação no meio. Se o meio no qual a radiação se


propaga for o vácuo, a velocidade de propagação é igual à velocidade da luz, isto é,

co = 2,9979 * 108 m/s (8.2)

Utilizando esta relação entre λ e ν, incluímos na Fig. 8.2 o espectro de freqüências


correspondentes.

Fig. 8.2 Espectro típico da radiação eletromagnética devida a temperatura de um corpo.

Outros tipos de radiação, como os raios X, os raios gama, as microondas, etc.,


são bem conhecidos e utilizados em vários ramos da ciência e da engenharia. Os raios
X. são produzidos pelo bombardeio de um metal com elétrons de alta freqüência, e o
grosso da energia está no domínio entre λ ≅ 10 −4 eλ ≅ 10 −2 µm . Os raios gama são
produzidos pela fissão dos núcleos, ou pela desintegração radiativa, e o grosso da
energia está concentrado no domínio de comprimentos de onda menores do que o dos
raios X. Neste livro, não vamos tratar destas radiações. Nosso interesse está
concentrado na radiação térmica como mecanismo de transporte de energia entre
objetos em temperaturas diferentes.
No estudo da transferência de radiação, deve-se fazer uma distinção entre os
corpos semitransparentes à radiação e os opacos. Se o material for semitransparente à
radiação, como o vidro, os cristais incolores e os gases a temperaturas elevadas, então
a radiação que sai do corpo por suas superfícies externas é o resultado de emissões
ocorrentes em todas as profundidades dentro do material. A emissão de radiação,
nestes casos, é um fenômeno global, ou volumar. Se o material for opaco à radiação
térmica, como os metais, a madeira, as rochas, etc., a radiação emitida pelas regiões
do interior do material não atinge a superfície. Nesses casos, a radiação emitida pelo
corpo tem origem no material na vizinhança imediata da superfície (i. e., dentro de cerca
de 1 µ m), e a emissão é um fenômeno superficial. Observe-se também que o material
Apostila de Transmissão de Calor 144

pode comportar-se como um meio semitransparente em certas faixas de temperatura e


como opaco em outras temperaturas. O vidro é um exemplo típico deste
comportamento; é semitransparente à radiação térmica em temperaturas elevadas ou
opaco em temperaturas intermediárias ou baixas.

8.2) RADIAÇÃO DO CORPO NEGRO

Um corpo, em qualquer temperatura acima do zero absoluto, emite radiação em


todos os comprimentos de onda, em todas as direções possíveis no espaço. O conceito
de corpo negro é uma idealização que serve para comparar as características da
emissão e da absorção dos corpos reais.
Um corpo negro absorve toda a radiação incidente vinda de todas as direções,
em todos os comprimentos de onda, sem que o corpo a reflita, transmita ou espalhe.
Numa dada temperatura, num dado comprimento de onda, nenhum outro corpo, à
mesma temperatura pode emitir mais radiação do que um corpo negro. A emissão de
radiação por um corpo negro, a qualquer temperatura T, é a emissão máxima possível
nesta temperatura.
O termo negro deve ser distinguido do seu uso ordinário em relação ao negrume de
uma superfície sob observação visual. O olho humano pode detectar o negrume
somente na região visível do espectro. Por exemplo, um objeto como o gelo é brilhante
ao olho mas é quase negro para a radiação térmica de grande comprimento de onda.
Entretanto, um corpo negro é completamente negro à radiação térmica, em todos os
comprimentos de onda desde λ = 0 até λ = ∞ .
A radiação é emitida por um corpo em todas as direções. É de interesse saber a
quantidade de radiação emitida por um corpo negro em uma dada direção. A
quantidade fundamental que especifica a grandeza da energia da radiação emitida por
um corpo negro, a uma temperatura absoluta T, num comprimento de onda λ , em
qualquer direção dada, é a intensidade da radiação espectral do corpo negro I bλ (T). O
termo espectral é utilizado para denotar a dependência entre o comprimento de onda e
a intensidade da radiação, e o índice b se refere ao corpo negro.
A grandeza de I bλ (T) para a emissão no vácuo foi determinada primeiro por
Planck e é dada por
2hc 2
I bλ (T) = 5 (8.3)
λ {exp[ hc / ( λkT ) ] − 1}

onde h ( = 6,6256 x 10-34 J. s) e k (= 1,38054 x 10-23 J. K) são as constantes de Planck e


de Boltzmann, respectivamente, c (= 2,9979 x l08 m/s) é a velocidade da luz no vácuo,
T, em kelvins, é a temperatura absoluta, e λ é o comprimento de onda. I bλ (T)
representa a energia radiante emitida por um corpo negro, à temperatura T, passando
através de uma unidade de área perpendicular à direção de propagação, por unidade
de comprimento de onda em torno do comprimento de onda λ , por unidade de ângulo
sólido em torno da direção de propagação do feixe. Com base nesta definição, as
unidades de I bλ (T) podem ser escritas como
Apostila de Transmissão de Calor 145

Energia /(Área)(comprimento de onda)(ângulo sólido) (8.4a)


onde a área é medida perpendicularmente à direção da propagação.

1Fig. 8.3 Definição de ângulo sólido

Se a energia for medida em watts, a área em metros quadrados, o comprimento de


onda em micrômetros e o ângulo sólido em esterorradianos (sr), a Eq. (8.4a) tem a
dimensão
W
(8.4b)
m . µm.sr
2

O significado físico do ângulo sólido é mais bem visualizado se nos referirmos à Fig.
8.3. Seja Ω a direção de propagação e 0 a posição de referência. Consideremos uma
pequena área dA a um distância r de 0 e normal à direção Ω . O ângulo sólido dw
subtendido por dA, em O, é definido como

dA
dw = (8.5)
r2

Com base nesta definição, podemos inferir facilmente que o ângulo sólido subtendido
por um hemisfério, no seu centro, é 2 π (isto é, 2 π r2/r2) e por toda a esfera no seu
centro é 4 π (isto é, 4 π r2/r2).
Na Eq. (8.3), I bλ (T) é a intensidade da radiação do corpo negro, por unidade de
comprimento de onda, em torno do comprimento de onda λ . Entretanto, a radiação é
emitida em todos os comprimentos de onda. Para determinar a intensidade da radiação
do corpo negro I bλ (T), emitida à temperatura T, sobre todos os comprimentos de onda,
integramos I bλ (T) desde λ = 0 até λ = ∞ :

∫λ=0 I bλ (T ) dλ

I b (T) = W/(m2.sr) (8.6)

Aqui, Ib( T) é a intensidade da radiação do corpo negro.


Apostila de Transmissão de Calor 146

8.2.1) Poder Emissivo do Corpo Negro

Há interesse prático em conhecer-se a quantidade de energia radiante emitida por


unidade de área de um corpo negro, a uma temperatura absoluta T, em todas as
direções de um espaço hemisférico. Para calcular esta grandeza, consideremos uma
área elementar dA à temperatura T, como está ilustrado na Fig. 8.4a. Seja n a normal a
esta superfície, θ o ângulo polar medido a partir desta normal, e θ o azimute. A
superfície emite radiação de intensidade espectral I bλ (T) em todas as direções. De
acordo com esta definição, esta intensidade, dada pela Eq. (8.3), é independente da
direção. A grandeza
I bλ (T)dA cos θ dw (8.7)

representa a energia radiante espectral emitida pelo elemento de superfície dA, que se
propaga através do ângulo sólido elementar dw, em uma dada direção Ω . Nesta
expressão, o termo dA cos θ é a projeção de dA sobre um plano normal à direção Ω ; o
emprego da área projetada é necessário pois I bλ (T), por definição, está baseada na
área normal à direção de propagação.
Dividindo a Eq. (8.7) por dA, obtemos

I bλ (T) cos θ dw (8.8)

que representa a energia radiante espectral do corpo negro, emitida por unidade de
área da superfície, que se propaga através do ângulo sólido elementar dw em qualquer
direção Ω .
Observe a Fig. 8.4b. Um ângulo sólido elementar dw pode ser relacionado ao ângulo
polar θ e ao azimute φ por
dA
dw = 21 =
(rdθ )(rdφsenθ ) = senθ d θ d φ (8.9)
r r2
Então a Eq. (8.8) se torna

I bλ (T)cos θ sen θ d θ d φ (8.10)


Apostila de Transmissão de Calor 147

Fig. 8.4 Nomenclatura para (a) emissão de radiação por uma superfície dA; (b) definição do ângulo
sólido dw em termos de θ , φ .

A radiação espectral do corpo negro, emitida por unidade de área da superfície, em


todas as direções, dentro do espaço hemisférico, é obtida pela integração da Eq. (8.10)
π
sobre 0 ≤ φ ≤ 2π e 0< θ ≤ .
2
2π π /2
Obtemos, Ebλ (T) = I bλ (T) ∫φ ∫θ
=0 =0
cosθ .senθ .dθ .dφ

I λ (T) ∫θ
π /2
= 2π b =0
cos θ . sen θ .dθ .
π /2
⎡1 ⎤
= 2π I bλ (T) ⎢ sen 2 θ ⎥
⎣2 ⎦0

Ebλ (T) = π I bλ (T) (8.11)

I bλ (T) é o poder emissivo espectral do corpo negro. Representa a energia radiante


emitida por um corpo negro, a uma temperatura absoluta T, por unidade de área, por
unidade de tempo, por unidade de comprimento de onda em torno de λ , em todas as
direções de um espaço hemisférico. Representa realmente o fluxo de radiação
espectral do corpo negro.
A função de Planck, definida pela Eq. (8.3), entra agora na Eq. (8.11). Obtemos

c1
Ebλ (T) = W/(m2. µ m) (8.12)
λ {exp[c 2 / (λT )] − 1}
5

onde c1 = 2 π hc2 = 3,743 x 108 W . µ m4 /m2


c2 = hc/k = 1,4387 x 104 µ m.K
T = temperatura absoluta, K
λ = comprimento de onda, µ m
Apostila de Transmissão de Calor 148

A Eq. (8.12) pode ser usada para calcular Ebλ (T) para quaisquer λ e T. A Fig. 8.5
mostra o gráfico de Ebλ (T) em função de λ em várias T. Notamos, a partir desta figura,
que, a um dado comprimento de onda, a radiação emitida cresce com a elevação de
temperatura, e, para uma dada temperatura, a radiação emitida varia com o
comprimento de onda e apresenta um máximo. Esses máximos tendem a se deslocar
para os comprimentos de onda menores à medida que a temperatura cresce. As
posições destes máximos são dadas pela lei do deslocamento de Wien como
( λT ) máx = 2897,6 µm..k (8.13)
As posições dos máximos estão mostradas, na Fig. 8.5, pela linha tracejada.

Fig. 8.5 Poder emissivo espectral do corpo negro a diferentes temperaturas.

8.2.2) Lei de Stefan-Boltzmann

A energia radiante emitida por um corpo negro, a uma temperatura absoluta T, em


todos os comprimentos de onda, por unidade de tempo, por unidade de área, é
determinada pela integração da Eq. (8.12) desde λ =0 até λ = ∞ :

∞ c1
Eb(T) = ∫ dλ
λ = 0 λ {exp[c / (λT )] − 1}
5
2

A variável de integração é modificada de λ para λ T ≡ x:


Apostila de Transmissão de Calor 149

Eb(T) =T4 ∫x = 0
∞ c1
(8.14)
x {exp[(c 2 / x )] − 1}
5 dx

Esta integração pode ser realizada e o resultado é expresso como

Eb(T) = σ T4 W/m2 (8.15)

onde T está em kelvins e σ é a constante de Stefan-Boltzmann, cujo valor numérico é


σ = 5,67 x 10-8 W/(m2. K4) (8.16)

Aqui, Eb(T) é o poder emissivo do corpo negro, e a Eq. (8.15) é a lei de Stefan-
Boltzmann. O significado físico de Eb(T) é representar o fluxo de radiação do corpo
negro, emitido por uma superfície unitária a uma temperatura absoluta T.
Pode-se determinar a relação entre Eb(T) e Ib(T) pela integração da Eq. (8.11), sobre
todos os comprimentos de onda. Obtemos
Eb(T) = π Ib(T) W/m2 (8.17)

e das Eqs. (8.15) e (8.17) escrevemos


1
Ib(T) = σT 4 W/(m2.sr) (8.18)
π
Apostila de Transmissão de Calor 150

8.2.3) Funções de Radiação do Corpo Negro

Tab. 8.1 Funções de radiações do corpo negro

Em numerosas aplicações, o interesse está centrado na emissão de radiação por um


corpo negro no intervalo de comprimento de onda desde λ = 0 até λ , em função da
emissão total, desde λ = 0 até λ = ∞ . Esta grandeza é determinada, conforme sua
definição, por
Apostila de Transmissão de Calor 151

∫ E λ (T )dλ ∫ E λ (T )dλ
λ λ
b b
fo− (T ) = 0
= 0
(8.19)
∫ E λ (T )dλ σT
λ ∞ 4

0 b

Entrando com Ebλ (T ) , da Eq. (8.12), na Eq. (8.19):


c1 λΤ dx
f o − λ (T ) = x = 0 x [exp(c / x) − 1]
(8.20)
σ 5
2

onde a variável de integração foi modificada de λ para λ T = x. A integração na Eq.


(8.20) pode ser efetuada e f 0 − λ (T ) , calculada para um dado λ T. A tabela 8.1 dá a
função de radiação do corpo negro f 0 − λ (T ) , em termos de λ T, originalmente calculada
por Dunkle .Nesta tabela, a primeira e a Segunda coluna dão λ T em µ m . K e µ m .
o
R , respectivamente. A terceira coluna é útil para computar o poder emissivo
espectral do corpo negro Ebλ (T) numa temperatura e num comprimento de onda
especificados.
Até aqui discutimos a intensidade da radiação do corpo negro e o poder
emissivo, que são úteis para comparação da energia radiante emitida por superfícies
reais . Um corpo negro não existe na realidade; entretanto podemos chegar a situações
bastante próximas dele. Considere, por exemplo, uma esfera oca cuja superfície interna
é mantido a uma temperatura uniforme T, com um pequeno orifício na sua superfície. A
radiação que sai pelo orifício é a melhor aproximação da radiação do corpo negro, à
temperatura T.

8.3) PROPRIEDADES RADIANTES DAS SUPERFÍCIES

A radiação emitida por um corpo real, a uma temperatura T e num comprimento


de onda λ , é sempre menor do que do corpo negro. Por isso, a emissão do corpo
negro é escolhida como referência, e se define uma grandeza, a emissividade da
superfície, como a razão entre a energia emitida por uma superfície real e a energia
emitida pelo corpo negro, à mesma temperatura; o valor da emissividade varia de 0 a l.
Evidentemente, existem numerosas possibilidades para fazer tal comparação; por
exemplo, a comparação pode ser feita num dado comprimento de onda, ou em todos os
comprimentos de onda, ou entre as energias emitidas numa direção especificada, ou
entre as energias emitidas num espaço hemisférico. Aqui, consideraremos a
comparação somente entre as energias emitidas no espaço hemisférico, não só num
dado comprimento de onda mas também na média sobre todos os comprimentos de
onda. Com esta consideração, empregamos os seguintes símbolos; ελ = emissividade
espectral hemisférica e ε = emissividade hemisférica.
Apostila de Transmissão de Calor 152

Fig. 8.5 Reflexão pelas superfícies. (a) reflexão especular, (b) reflexão difusa.

Um corpo negro absorve toda a radiação sobre ele incidente, em todos os


comprimentos de onda, enquanto uma superfície real absorve somente parte da
radiação e a fração absorvida varia com o comprimento de onda da radiação e com a
temperatura na qual a radiação é emitida. A grandeza poder de absorção, ou
absortividade, de uma superfície é a fração da radiação incidente absorvida pela
superfície. Evidentemente, existem numerosas possibilidades nesta definição; por
exemplo, a absorção pode ser considerada em um dado comprimento de onda, ou em
todos os comprimentos de onda, ou para a energia incidente em uma dada direção, ou
para a energia incidente em todas as direções de um espaço hemisférico. Aqui,
consideraremos somente a situação na qual a radiação incide sobre a superfície vinda
de todas as direções no espaço hemisférico para um dado comprimento de onda e para
a média sobre todos os comprimentos de onda. Com esta consideração, empregamos
os símbolos seguintes: α λ = poder de absorção espectral hemisférico e α = poder de
absorção hemisférico.
Quando a radiação incide em uma superfície real, uma fração é refletida pela
superfície. Se a superfície for perfeitamente plana, isto é, se as asperezas da superfície
forem muito menores do que o comprimento de onda da radiação, os raios incidente e
refletido serão simétricos em relação a normal no ponto de incidência, como está
ilustrado na Fig. 8.5a. Esta reflexão, como a dos espelhos, é a reflexão especular. Se a
superfície tiver asperezas, a radiação incidente será espalhada em todas as direções.
Uma reflexão idealizada, nesta situação, é aquela em que a intensidade da radiação
refletida é constante em todos os ângulos de reflexão e independente da direção da
radiação incidente: é chamada reflexão difusa. A Fig. 8.5b ilustra a reflexão difusa em
uma superfície. As superfícies reais encontradas nas aplicações de engenharia não são
nem perfeitamente difusas nem perfeitamente especulares. Entretanto, o conceito é útil
para estudar os efeitos dos dois casos limites na transferência de radiação: A
refletividade de uma superfície é definida como a fração da radiação incidente refletida
pela superfície. Existem numerosas possibilidades para a definição da refletividade; por
exemplo, a reflexão pode ser considerada em um dado comprimento de onda, ou sobre
todos os comprimentos de onda, ou para a energia incidente em uma dada direção, ou
para a energia incidente em todas as direções no espaço hemisférico. Há também a
possibilidade de a reflexão ser especular ou difusa. Aqui consideraremos somente a
reflexão difusa nas situações em que a radiação incide sobre a superfície vinda de
todas as direções do espaço hemisférico, tanto para um dado comprimento de onda
como para a média de todos os comprimentos de onda. Com esta consideração,
Apostila de Transmissão de Calor 153

empregamos os seguintes símbolos ρ λ = refletividade espectral hemisférica e ρ =


refletividade hemisférica.
Finalmente, se o corpo for opaco à radiação, a soma da refletividade e do poder de
absorção do corpo deve ser igual à unidade:

α λ + ρλ = 1 (8.20 a)
α+ρ =1 (8.20 b)

Se o corpo for semitransparente à radiação, a soma do poder de absorção e da


refletividade é menor do que a unidade, e a diferença é chamada o poder transmissor
do corpo. Com esta consideração, escrevemos
α λ + ρλ + τ λ = 1 (8.21 a)
α + ρ +τ =1 (8.21 b)

Fig. 8.6 Reflexão, absorção e transmissão da radiação incidente por um material semi-
transparente

onde definimos τ λ = poder transmissor espectral e τ = poder transmissor. A Fig. 8.6


mostra que um feixe de radiação incidente sobre um corpo semitransparente, de
espessura finita, uma placa de vidro, por exemplo, é parcialmente refletido,
parcialmente absorvido e o restante é transmitido através do vidro.

8.3.1) Lei de Kirchhoff

O poder de absorção e a emissividade de um corpo podem ser relacionados pela lei de


Kirchhoff da radiação.
Considere um corpo colocado no interior de uma cavidade negra, fechada, cujas
paredes são mantidas à temperatura uniforme T. O corpo acaba por atingir o equilíbrio
com as paredes da cavidade. Seja q λi (T) o fluxo de radiação espectral das paredes, à
temperatura T, incidente no corpo. O fluxo de radiação espectral q λ (T) absorvido pelo
corpo, no comprimento de onda λ , é

q λ (T) = α λ (T) q λi (T) (8.22)


Apostila de Transmissão de Calor 154

onde α λ (T) é o poder de absorção espectral do corpo. A grandeza q λ (T) também


representa o fluxo de radiação espectral emitido pelo corpo, no comprimento de onda λ
, uma vez que o corpo está em equilíbrio radiante. Notamos que a radiação incidente
q λi (T) provém das paredes perfeitamente negras da cavidade, à temperatura T, e que a
emissão pelas paredes não é afetada mesmo que o corpo introduzido na cavidade seja
um corpo negro. Com esta consideração, temos

q λ.b (T) = q λi (T) (8.23)

onde q λ.b (T) é o fluxo de radiação espectral emitido pelo corpo negro, à temperatura T.
Das Eqs. (8.22) e (8.23), escrevemos
q λ. (T )
= α λ (T) (8.24)
q λ.b (T )

A emissividade espectral ε λ (T) do corpo, para a radiação à temperatura T, é definida


como a razão entre o fluxo de radiação espectral q λ (T) emitido pelo corpo e o fluxo de
radiação espectral emitido pelo corpo negro q λ.b (T), à mesma temperatura, isto é,

q λ. (T )
= ε λ (T) (8.25)
q λ.b (T )

Das Eqs. (8.24) e (8.25), obtemos


α λ (T) = ε λ (T) (8.26)

que é a lei de Kirchhoff da radiação que afirma ser a emissividade espectral para a
emissão de radiação à temperatura T, igual ao poder de absorção espectral para a
radiação proveniente de um corpo negro, à mesma temperatura T.
Deve-se tomar muito cuidado na generalização da Eq. (8.26) para os valores
médios de α e de ε sobre todos os comprimentos de onda, isto é, para o caso

α (T) = ε (T) (8.27)

A Eq. (8.26) é sempre válida, mas a Eq. (8.27) se aplica quando a radiação incidente e
a radiação emitida tem a mesma distribuição espectral ou quando o corpo é cinzento,
isto é, quando as propriedades radiativas são independentes do comprimento de onda.
A aplicação da Eq. (8.27) simplifica enormemente o cálculo da troca de calor por
radiação entre as superfícies, como ficará claro, mais adiante, neste capítulo.

8.3.2) Corpo Cinzento

Para simplificar a análise da transferência radiativa de calor, adota-se freqüentemente,


em muitas aplicações, a hipótese de o corpo ser cinzento; isto é, admite-se que as
propriedades radiativas α λ , ε λ , ρ λ sejam uniformes em todo o espectro de
Apostila de Transmissão de Calor 155

comprimentos de onda. Tais corpos recebem o nome de corpos cinzentos, e com a


hipótese do corpo cinzento o poder de absorção e a emissividade estão relacionados
pela lei de Kirchhoff como α = ε

8.3.3) Emissividade

Se q(T) for o fluxo de radiação espectral emitido por uma superfície real, a uma
temperatura T, e E b.λ (T) for o poder emissivo espectral do corpo negro (isto é, o fluxo) à
mesma temperatura T, então a emissividade espectral hemisférica ε λ da superfície é
definida como
q λ (T )
ελ = (8.28)
E b.λ (T )

O valor médio de ε λ sobre todos os comprimentos de onda, chamado a emissividade


hemisférica e, é definido como
∫0 ε λ Eb.λ (T )dλ ∫0 ε λ Eb.λ (T )dλ
∞ ∞

ε= ∞ = (8.29)
∫0 Eb.λ (T )dλ Eb (T )

Se ε λ for conhecida em função do comprimento de onda, a Eq. (8.29) poderá ser


utilizada para calcular ε . Note que, neste processo de calcular a média, o poder
emissivo espectral do corpo negro E b.λ (T) serve como fator de ponderação.

8.3.4) Poder de Absorção

Se α for o fluxo de radiação espectral incidente sobre uma superfície e q λa (T) for a
quantidade de radiação absorvida pela superfície, então o poder de absorção espectral
hemisférico, α λ será definido como
q λa (T )
αλ = (8.30)
q λi (T )

O valor médio de α λ sobre todos os comprimentos de onda, o poder de absorção


hemisférico α , é definido como
∫0 α λ q λi (T )dλ

α = ∞ (8.31)
∫0 q λi (T )dλ
Dado α λ em função do comprimento de onda, a Eq. (8.31) pode ser utilizada para
calcular α .
Apostila de Transmissão de Calor 156

Observamos que o poder de absorção α depende da distribuição espectral da radiação


incidente q λi (T) ,e portanto q λi (T) é utilizado como fator de ponderação; mas a
emissividade depende da temperatura da superfície, e por isso o poder emissivo
espectral do corpo negro E b.λ (T), à temperatura da superfície, é utilizado como fator de
ponderação na Eq. (8.29).

8.3.5) Refletividade

Se q λi (T) for o fluxo de radiação espectral incidente na superfície e q λr (T) for a


quantidade de radiação refletida pela superfície, então a refletividade espectral
hemisférica ρ λ , será definida por
q λr (T )
ρλ = (8.32)
q λi (T )

O valor médio de ρ λ sobre todos os comprimentos de onda é a refletividade


hemisférica p, definida como

ρ=
∫ 0
ρ λ q λi (T )dλ
(8.33)

∫ 0
q λi (T )dλ

Dada ρ λ em função do comprimento de onda, a Eq. (8.33) pode ser empregada para
calcular p. Neste processo de promediação, o fluxo de radiação espectral incidente q λi
(T) serve como fator de ponderação.

8.3.6) Poder Transmissor

A análise do poder transmissor de um corpo semitransparente é, em geral, assunto


complicado, porque a radiação incidente sobre um corpo semitransparente penetra nas
profundidades do meio, onde é atenuada em virtude da absorção, e, em alguns casos,
do espalhamento pelo material. Por isso, o poder transmissor depende das
propriedades radiantes do material, da sua espessura e das condições nas superfícies
externas. Entretanto, nas aplicações de engenharia, há muitas situações, como a
transmissão de radiação através de uma lâmina de vidro, nas quais o poder transmissor
espectral hemisférico τ λ é definido como
q λtr (T )
τλ = (8.34)
q λi (T )

onde q λi (T) q λtr (T) são os fluxos de radiação incidente e transmitido, respectivamente.
Apostila de Transmissão de Calor 157

Dada a distribuição espectral de τ λ , o poder transmissor hemisférico τ é determinado


a partir de

τ=
∫ 0
τ λ q λi (T )dλ
(8.35)

∫ 0
q λi (T ) dλ

8.4) RADIAÇÃO SOLAR

A energia do sol provém das regiões internas do sol, em virtude de uma reação
de fusão contínua. Quase 90% desta energia são gerados dentro da região 0,23 vezes
o raio do sol e em seguida transferidos radiativamente até uma distância cerca de 0,7
vezes o raio do sol. Fora desta região há a zona convectiva, onde a temperatura está
na faixa de 6.000 K. A frieza relativa da superfície externa do sol é indicação de que a
energia criada no interior é dissipada radiativamente pela superfície externa do sol.
Portanto, o sol, com seu raio R ~ 6,96 x 105 km e massa M ~1,99 x 1030 kg, é uma fonte
de energia quase inexaurível para a terra. Somente uma pequena fração de energia do
sol atinge a terra, em virtude da grande distância entre eles. A intensidade da radiação
solar que atinge a atmosfera foi determinada muito precisamente por uma série de
medidas elevadas feitas com o emprego de balões, de aviões, e de naves espaciais, de
1967 a 1970. A energia resultante conhecida como a constante solar Gs, vale

Gs = 1.353 W/m2 (8.36)

Fig. 8.7 Constante solar Gs e radiação solar extraterrestre Go

Essa quantidade representa o fluxo de radiação solar incidente sobre um plano normal
aos raios de sol, exatamente no limite da atmosfera da terra, quando esta está à
distância média do sol. À medida que a terra se desloca em torno do sol, em uma órbita
ligeiramente elíptica, a distância entre eles varia de 98,3% da distância média, quando
a terra está no ponto mais próximo do sol, até 101,7% da distância média, quando a
terra atinge sua distância máxima ao sol. Por isso, o valor instantâneo de Gs varia
aproximadamente por ± 3,4%, isto é, do máximo 1.399 W/m2, em 21 de dezembro, ao
mínimo 1.310 W/m2, em 21 de junho. Entretanto, para fins práticos a variação de Gs é
Apostila de Transmissão de Calor 158

desprezada, e retorna a constante como 1.353 W/m2. Então a energia solar Go que
incide normalmente na superfície externa da atmosfera terrestre é

Go = Gs cos θ W/m2 (8.37)

onde Go é a radiação solar extraterrestre. A Fig. 8.7 ilustra o significado físico de Gs e


de Go em relação à direção do feixe de raios solares.
O valor de Gs pode ser utilizado na lei da radiação do corpo negro para estabelecer
uma temperatura efetiva Ts da superfície do sol:
⎛ r ⎞2 4
G s = ⎜ ⎟ σTs (8.38)
⎝R⎠

onde Gs = 1.353 W/m2


r = 6,9598 x lOs m, raio do disco solar
R = 1,496 x 10" m, distância média da terra ao sol
σ = 5,6697 x 10-8 W/(m2 K4), constante de Stefan-Boltzmann
Então, a temperatura efetiva da superfície do sol é T = 5.762 K.
A radiação solar que atinge a superfície mais elevada da atmosfera terrestre propaga-
se através da atmosfera da terra antes de chegar à superfície. Aproximadamente 99%
da atmosfera estão contidos à distância de cerca de 30 km a partir da superfície da
terra. À medida que a radiação solar atravessa a atmosfera, é absorvida ou é
espalhada pelo meio atmosférico. A fig 8.8 mostra a distribuição espectral da radiação
solar G sλ , exatamente fora da atmosfera da terra e no nível do solo, quando a
atmosfera está clara. Notamos que a energia total contida abaixo da curva G sλ ,
representa o fluxo de radiação solar exatamente acima da atmosfera terrestre, isto é,
∫0 G s.λ dλ = G s = 1353 m 2
∞ w
(8.39)
A curva da distribuição espectral da radiação solar que chega na superfície da terra fica
abaixo da curva de G sλ , e mostra vários mínimos. O motivo disto é a absorção da
radiação solar pelo O3, O2, CO2 e H20 em diversos comprimentos de onda. O ozônio
(O3), que está concentrado em uma camada 10 a 30 km acima da superfície da terra,
absorve fortemente a radiação ultravioleta no intervalo λ = 0,2 a a = 0,29

Fig. 8.8 Efeitos da atenuação atmosférica sobre a distribuição espectral da radiação solar
Apostila de Transmissão de Calor 159

µ m e bastante no intervalo 0,29 a 0,34 µ m. Por isso, é desprezível a radiação solar


com comprimentos de onda menores do que cerca de 0,3 µ m que atinge a superfície
da terra. Assim, os sistemas biológico na terra estão protegidos da danosa radiação
ultravioleta. A absorção do oxigênio ocorre numa raia muito estreita centrada em λ =
0,76 µ m. As bandas de absorção devidas ao vapor de água são visíveis distintamente
na faixa de 0,7 a 2,2 µ m. O dióxido de carbono e o vapor de água absorvem
fortemente a radiação térmica nos comprimentos de onda maiores do que cerca de 2,2
µ m. Disso resulta que a radiação solar que atinge a superfície da terra está
essencialmente contida nos comprimentos de onda entre 0,29 e 2,5 µ m. A energia
total subtendida pela curva do espectro solar na superfície da terra, num dia de
atmosfera límpida é cerca de 956 W/m2. Este valor é consideravelmente menor do que
a constante solar 1.353 W/m2, na fronteira da atmosfera terrestre.
Além da absorção da radiação solar, há o seu espalhamento pelas moléculas do
ar, pelas gotículas de água nas nuvens e pelos aerossóis ou partículas de poeira, à
medida que a radiação atravessa a atmosfera. As moléculas de ar espalham a radiação
solar de comprimentos de onda muito curtos em relação às dimensões das moléculas, e
este espalhamento é o espalhamento Rayleigh. Gotículas de água, aerossóis e outras
sujeiras atmosféricas espalham a radiação em comprimentos de onda comparáveis ao
diâmetro das partículas.
A parte da radiação solar que não é espalhada nem absorvida pela atmosfera, e
que atinge a superfície da terra como um feixe é a radiação solar direta. A parte
espalhada da radiação que atinge a superfície da terra, vinda de todas as direções do
firmamento, é a radiação solar difusa. Assim, a radiação solar recebida pela superfície
da terra é composta das partes direta e difusa. A componente difusa varia de cerca de
10% do total, num dia claro, a quase 100%, num dia totalmente nublado.

8.4.1) Radiação Solar que Chega à Terra

A quantidade de energia solar recebida por uma superfície no nível do mar depende da
orientação da superfície em relação ao sol, da hora do dia, do dia do ano, da latitude do
ponto de observação e das condições atmosféricas. Na alvorada ou no crepúsculo, a
radiação solar que atinge a superfície da terra percorre um caminho oblíquo, mais
longo, através da atmosfera; por isso, a atenuação atmosférica é maior e a intensidade
se reduz significativamente.
O fluxo total de energia solar qt, recebido por unidade de área de uma superfície
ao nível do mar consiste nas componentes direta e difusa. Seja qdf (em watts por metro
quadrado) a radiação solar difusa incidente sobre uma superfície horizontal e devida à
radiação proveniente de todo o hemisfério espacial, e seja qD o fluxo da radiação solar
direta, por unidade de área normal à direção do feixe de radiação solar, no nível do
mar. Seja θ o ângulo de incidência, isto é, o ângulo entre o raio do sol e a normal à
superfície, conforme a ilustração da Fig. 8.9 Então, o fluxo de energia solar total qt
recebido pela área unitária da superfície no nível do mar, é
2
q t = q D cos θ + q d . f W/m (8.40)
Apostila de Transmissão de Calor 160

Portanto, para calcular o fluxo total de energia solar recebido por uma superfície,
precisa-se saber o fluxo da radiação solar difusa, o fluxo da radiação solar direita sobre
um plano normal à direção do feixe, e o ângulo de incidência θ .

Fig. 8.9 Radiação solar recebida na superfície terrestre.

O ângulo de incidência θ pode ser relacionado ao ângulo de inclinação (isto é, o ângulo


entre o plano horizontal e a superfície), à latitude (isto é, a distância angular ao
equador) e à declinação (isto é, o ângulo entre o raio do sol e o plano equatorial no
meio-dia solar).
A energia solar incidente sobre uma superfície opaca é parcialmente absorvida
pela superfície e o restante é refletido.

8.5) CONCEITO DE FATOR DE FORMA

Até agora discutimos a radiação para uma superfície única ou de uma superfície
única. Entretanto, nas aplicações de engenharia, os problemas de interesse prático
envolvem troca de radiação entre duas ou mais superfícies. Quando as superfícies
estiverem separadas por um meio inerte, que não absorve, nem emite, nem difunde a
radiação, a troca de radiação entre as superfícies não é afetada pelo meio. O vácuo,
por exemplo, é um perfeito meio inerte; entretanto, o ar e muitos gases se aproximam
quase exatamente desta condição. Para quaisquer duas superfícies dadas, a
orientação entre elas afeta a fração da energia radiante emitida por uma superfície e
que, incide diretamente na outra superfície. Por isso, a orientação das superfícies tem
papel importante na troca radiativa de calor.
Para formalizar os efeitos da orientação na análise da troca radiativa de calor
entre superfícies, adota-se o conceito de fator de forma. Os termos fator de vista, fator
de visada e fator de configuração também são utilizados na literatura. Deve-se fazer
uma distinção entre o fator de forma difuso e o fator de forma especular. O primeiro se
refere à situação em que as superfícies são refletores difusos e emissores difusos,
enquanto o último se refere à situação em que as superfícies são emissores difusos e
refletores especulares. Neste livro vamos considerar apenas os casos em que as
superfícies são emissores difusos e refletores difusos; por isso, não precisamos fazer a
distinção. Vamos empregar simplesmente o termo fator de forma, e este termo
corresponde ao fator de forma difuso.
Apostila de Transmissão de Calor 161

O significado físico do fator de forma entre duas superfícies é representar a


fração de energia radiante emitida por uma superfície que incide diretamente na outra
superfície.

8.5.1) Fator de Forma entre duas Superfícies Elementares

A fim de termos uma visão mais profunda da dedução das relações que definem os
fatores de forma, vamos demonstrar a expressão que define o fator de forma entre duas
superfícies elementares.

Fig 8.10 Coordenadas para a definição do fator de forma

Consideremos duas superfícies elementares dA1 e dA2, como está ilustrado na


Fig. 8.10. Seja r a distância entre essas duas superfícies: θ 1 o ângulo polar entre a
normal n1 ao elemento de superfície dA1 e a reta r que liga dA1 a dA2; e θ 2 , o ângulo
polar entre a normal n2 a elemento de superfície dA2 e a reta r.
Seja dw12 o ângulo sólido sob o qual um observador em dA1 vê o elemento de
superfície dA2, e I1, a intensidade da radiação emitida difusivamente pelo elemento de
superfície em todas as direções do espaço hemisférico. A taxa de energia radiante dQ1
emitida por dA1 e que incide na superfície dA2 é

dQ1 = dA1I1cos θ 1 dw12 (8.41)

onde o ângulo sólido dw12 é dado por

dw12 = (dA2cos θ 2 )/r2 (8.42)

A substituição da Eq. (8.42) na Eq. (8.41) leva a


Apostila de Transmissão de Calor 162

cos θ 1 cos θ 2 dA2


dQ1 = dA1 I 1 (8.43)
r2
A taxa da energia de radiação Q1 emitida pelo elemento de superfície dA1 em todas as
direções sobre o espaço hemisférico é

2π π /2
Q1 = dA1 ∫φ =0 ∫θ =0 I1 cos θ1 sen θ1dθ1dφ
1
(8.44)

onde φ é o azimute. Para uma superfície refletora e emissora difusa de radiação, a


intensidade da radiação emitida pela superfície é independente da direção. Então, com
I1, constante, a Eq. (8.44) é integrada e nos dá

Q1 = π .I 1 dA1 (8.45)

O fator de forma elementar dFdA1 − dA2 , por definição, é a razão entre a energia radiante
emitida por dA1, que incide diretamente sobre dA2, e a energia radiante emitida por dA1,
em todas as direções no espaço hemisférico. Portanto, essa razão é obtida dividindo-se
a Eq. (8.43) pela Eq. (8.45):
dQ1 cos θ 1 cos θ 2 dA2
dFdA1 − dA2 = = (8.46)
Q1 π .r 2

O fator de forma elementar dFdA2 − dA1 , de dA2 para dA1 é agora obtido imediatamente da
Eq. (8.46) pela permutação dos índices 1 e 2. Encontramos

cos θ 1 cos θ 2 dA1


dFdA2 − dA1 = (8.47)
π .r 2

A relação de reciprocidade entre os fatores de forma dFdA1 − dA2 e dFdA2 − dA1 , segue-se das
Eqs. (8.46) e (8.47) como
dA1 dFdA1 − dA2 =dA2 dFdA2 − dA1 (8.48)

Esta relação implica que, dadas duas superfícies elementares dA1 e dA2, se um dos
fatores de forma for conhecido, o outro é facilmente calculado pela relação de
reciprocidade.

8.5.2) Fator de Forma de Superfícies Finitas

Já desenvolvemos o fator de forma entre duas superfícies elementares dA1 e dA2.


Esses resultados são agora generalizados para se obterem os fatores de forma entre
um elemento de superfície dA1 e uma superfície finita A2 ou entre duas superfícies
finitas A1 e A2.
Apostila de Transmissão de Calor 163

O fator de forma FdA1 − A2 , de dA1 para A2, é determinado imediatamente integrando-se o


fator de forma elementar, dFdA1 − dA2 dado pela Eq. (8.46), sobre a área A2, ou seja,

cos θ 1 cos θ 2
FdA1 − A2 = ∫A
2 π .r 2
dA2 (8.49)

O fator de forma FA2 − dA1 , de A2 para dA1 é obtido pela integração da Eq. (8.47) sobre a
área A2 seguida pela divisão por A2:

dA1 cos θ 1 cos θ 2


FA2 − dA1 =
A2 ∫ π .r 2
dA2 (8.50)

A divisão por A2, no segundo membro, torna a energia incidente em dA1 uma fração da
emitida por A2 em todo o espaço hemisférico. Das Eqs. (8.49) e (8.50) escrevemos a
relação de reciprocidade entre os fatores de forma FdA1 − A2 e FA2 − dA1 , como

dA1 dFdA1 − A2 = dA2 dF A2 − dA1 (8.51)

O fator de forma A2 para A1 é obtido pela integração da Eq. (8.50) sobre A1:

1 cos θ 1 cos θ 2
FA1 – A2 =
A2 ∫ ∫
A2 A1 π .r 2
dA1 dA2 (8.52)

E o fator de forma de A1 para A2 é obtido pela integração da Eq. (8.49) sobre A1 e


dividindo-se o resultado por A1:

1 cos θ 1 cos θ 2
FA1 – A2 =
A1 ∫ ∫
A1 A2 π .r 2
dA2 dA1 (8.53)

A divisão por A1 no segundo membro faz da energia incidente na superfície A2 uma


fração da energia emitida por A1 em todo o espaço hemisférico.
Das Eqs. (8.52) e (8.53), a relação de reciprocidade entre os fatores de forma
F A1 − A2 e F A2 − A1 é
A1 FA1 − A2 = A2 FA2 − A1 (8.54)

As relações de reciprocidade são úteis para determinar um fator de forma a termos o


conhecimento do outro.
Apostila de Transmissão de Calor 164

8.5.3) Propriedades dos Fatores de Forma

Vamos considerar agora uma cavidade fechada consistindo em N zonas, cada uma
com a área superficial Ai , i = 1, 2, ... N, como está ilustrado na Fig. 8.11. Admite-se que
cada zona seja isotérmica, emissor difuso e refletor difuso. A superfície de cada zona
pode ser plana ou convexa ou côncava. Os fatores de forma entre as superfícies Ai e Aj
da cavidade fechada obedecem à seguinte relação de reciprocidade:

Ai F Ai − A j = Aj F A j − Ai (8.55)

A soma dos fatores de forma de uma superfície da cavidade fechada, digamos A1 para
todas as superfícies da cavidade, inclusive para si mesma, deve ser igual à unidade,
pela própria definição de fator de forma.
Esta é a relação da adição dos fatores de forma de uma cavidade fechada, e é escrita
como
N
∑ FA − A i k
=1 (8.56)
k =1

Fig. 8.11 Cavidade fechada com N zonas

onde N é o número de zonas da cavidade fechada. Nesta soma, o termo F Ai − Ai é o fator


de forma da superfície Ai para si mesma; representa a fração da energia radiante
emitida pela superfície Ai que incide diretamente sobre si própria. Evidentemente, F Ai − Ai
se anulará quando Ai for plana ou convexa, e será não-nulo se Ai for côncava; esta
afirmação se escreve
F Ai − Ai = 0 se Ai for plana ou convexa (8.57a)
F Ai − Ai ≠ 0 se Ai for côncavo (8.57 b)

As regras da reciprocidade e da adição são úteis, pois proporcionam relações simples


adicionais para se calcularem os fatores de forma num espaço fechado a partir do
conhecimento de outros fatores. Isto é, para determinação de todos os possíveis fatores
de forma numa cavidade fechada, não se precisa calcular cada um deles diretamente,
mas deve-se fazer uso das regras de reciprocidade e de adição, sempre que possível.
Esta situação é mais bem visualizada se todos os fatores de forma numa cavidade
fechada com N zonas forem expressos em notação matricial, como
Apostila de Transmissão de Calor 165

(8.58)

Evidentemente há N2 fatores de forma a serem determinados numa cavidade fechada


de N zonas. Entretanto, a regra da reciprocidade fornece N(N - 1)/2 relações e a regra
da adição fornece N relações adicionais entre os fatores de forma. Então, o número
total de fatores de forma que devem ser calculados, numa cavidade fechada de N
zonas, a partir das expressões do fator de forma, é

N2 – ½ N(N - 1) - N = ½ N(N - 1) (8.59)

Se as superfícies forem convexas ou planas, N desses fatores de forma de uma


superfície para si mesma se anulam e o número total de fatores de forma a serem
calculados diretamente, a partir da disposição geométrica das superfícies, reduz-se a

N ( N − 3)
½ N(N - 1) - N = (8.60)
2

Por exemplo, numa cavidade fechada com N = 5 zonas, com superfície plana em cada
zona, de todos os possíveis N2 = 25 fatores de forma, o número de fatores de forma a
serem determinados pela disposição geométrica das superfícies é somente 1/2(N)(N -
3) = 5.
Se a geometria possuir simetria, alguns dos fatores de forma são conhecidos a
partir da condição de simetria, o que reduz mais ainda o número de fatores de forma a
serem calculados.

8.6) MÉTODOS PARA DETERMINAR FATORES DE FORMA

O cálculo do fator de forma entre duas superfícies elementares, definidos pelas Eqs.
(8.46) e (8.47), não apresenta problema, mas a determinação do fator de forma de
superfícies finitas envolve a integração sobre as superfícies, o que é difícil de realizar-
se analiticamente, exceto em geometrias simples. Na Tabela 8.2 apresentamos
expressões analíticas dos fatores de forma em diversas configurações simples. Alguns
dos fatores de forma estão plotados nas Figs. 8.12 a 8.16.
Apostila de Transmissão de Calor 166

Tab. 8.1 Funções de radiações do corpo negro


Apostila de Transmissão de Calor 167
Apostila de Transmissão de Calor 168

Fig. 8.12 Fator de forma FdA1 − A2 de uma superfície elementar dA1, para uma superfície retangular
A2.
Apostila de Transmissão de Calor 169

Fig. 8.13 Fator de forma F A1 − A2 de uma superfície retangular A1, para uma superfície retangular A2
adjacentes e com planos perpendiculares
Apostila de Transmissão de Calor 170

Fig 8.14 Fator de forma F A1 − A2 de uma superfície retangular A1, para uma superfície retangular A2
paralela e diretamente em frente da outra.

Fig. 8.15 Fator de forma F A1 − A2 entre dois discos paralelos coaxiais


Apostila de Transmissão de Calor 171

Fig. 8.15 Fator de forma F A2 − A1 para cilindros concêntricos de comprimento finito. (a) Do cilindro
externo para o cilindro interno, (b) do cilindro externo para si mesmo.

8.6.1) Álgebra dos Fatores de Forma

As cartas-padrão dos fatores de forma encontram-se para um número limitado de


configurações simples. Entretanto, pode ser possível dividir a configuração de uma
disposição geométrica complicada em várias configurações simples, de modo que o
fator de forma possa ser determinado a partir das cartas-padrão. Assim, será possível
determinar o fator de forma da configuração original, complicada, pela soma algébrica
dos fatores de forma das configurações separadas, mais simples. Este método é
conhecido como a álgebra dos fatores de forma. Constitui método poderoso para
determinar os fatores de forma de muitas configurações complicadas.
Não se pode estabelecer um conjunto-padrão de regras deste método, mas o
emprego apropriado das relações de reciprocidade e das regras da adição é a chave do
sucesso da técnica.
Para ilustrar como a regra da adição e a relação de reciprocidade podem ser
aplicadas, consideremos o fator de forma de uma área A1 para uma área A2 que é
dividida em duas áreas A3 e A4 como
A2 = A3 + A4 (8.61)

segundo está ilustrado no esboço seguinte. Então, o fator de forma A1 para A2 pode ser
escrito como
F1- 2 = F1- 3 + F1- 4 (8.62)

que é coerente com a definição do fator de forma. Isto é, a fração da energia total
emitida por A1 que incide em A3 e A4 é igual à fração que incide na superfície A2.
Apostila de Transmissão de Calor 172

Outras relações adicionais entre estes fatores de forma podem ser escritas. Por
exemplo, os dois membros da Eq. (8.62) são multiplicados por A1:

A1F1 – 2 =A1F1 – 3 + A1F1 – 4

Então, a relação de reciprocidade aplicada a cada parcela dá:


A2F2 – 1 =A3F3 – 1 + A4F4 – 1
ou
A3 F3−1 + A4 F4−1 A3 F3−1 + A4 F4−1
F2 – 1 = = (8.63)
A2 A3 + A4

Suponha que a área A2 seja dividida em mais parcelas como

A2 =A3 + A4 + ....+ AN (8.64)

Então, a forma correspondente da Eq. (8.59) é

A3 F3−1 + A4 F4−1 + ....... AN FN −1


F2 – 1 = (8.65)
A3 + A4 + ........ + AN

Evidentemente, manipulações semelhantes podem ser feitas com a Eq. (8.63), e podem
obter outras relações entre os fatores de forma.
TRANSMISSÃO DE CALOR
LISTA DE EXERCÍCIOS I

1. A parede de uma casa pode ser aproximada por uma camada de 4 polegadas
de tijolo comum [(k = 0,7 (W/m oC)] seguida de uma camada de 1,5 polegadas
de gesso [(k = 0,48 (W/m oC)]. Que espessura de isolamento de lã de rocha [(k =
0,065 (W/m oC)] deve ser adicionada para reduzir a transferência de calor
através da parede em 80 por cento?

2. Um tubo de parede grossa de aço inoxidável [18% Cr, 8% Ni, (k = 19 (W/m oC)]
com 2 cm de diâmetro interno e 4 cm de diâmetro externo é coberto com uma
camada de 3 cm de isolamento de amianto [(k = 0,2 (W/m oC)]. Se a temperatura
da parede interna do tubo é mantida a 600 oC e a superfície externa do
isolamento a 100 oC, calcule a perda de calor por metro de comprimento.

3. A parede um forno industrial é feita de tijolos refratários de espessura L1 = 0,20


m e condutividade térmica k = 1,0 (W/m oC), recoberta na superfície externa por
uma camada de material isolante de espessura L2 = 0,03 m, e condutividade
térmica k2 = 0,05 (W/moC).Se a superfície interna da parede está na temperatura
Ti =830oC e a superfície externa To = 30 oC, determine a taxa de transferência
de calor por metro quadrado da parede do forno.

4. Calcule o raio crítico de isolamento para o amianto [(k = 0,17 (W/m oC)] que
reveste um tubo ficando exposto ao ar a 20oC com h = 3,0 (W/m2 oC)]. Calcule a
perda de calor de um tubo de 5 cm de diâmetro a 200 oC, quando coberto com o
raio crítico de isolamento e sem isolamento.

5. Um tubo de aço, com 5 cm de diâmetro e 7,6 cm de diâmetro externo, tendo k =


15 (W/moC), está recoberto por uma camada isolante de espessura t = 2cm e k
= 0,2 (W/moC). Um gás, aquecido a Ta= 330oC, ha = 400 W/(m2 oC), flui no
interior do tubo. A superfície externa do isolamento está exposta ao ar mais frio
a Tb = 30oC com hb = 60 W/(m2 oC).
Calcule a perda de calor do tubo para o ar ao longo de H = 10 m do tubo.
Calcule as quedas de temperatura resultantes das resistências térmicas do fluxo
de gás quente, do tubo de aço, da camada isolante e do ar externo.

6. Determinar o raio crítico em cm para um tubo de asbesto [(kabs = 0,208 (W/m


o
C)] se o coeficiente de transferência de calor externo é 8,51 W/m2 oC.

7. Traçar um gráfico de q/l (W/m) em função de r (cm) para a situação do problema


4 se ri = 1,50 c, Ti = 120 oC e To = 20 oC. Considerar a região desde r = ri até r =
4,00cm.

8. Por um fio de aço inoxidável [(k = 19 (W/m oC)] de 3 mm de diâmetro passa uma
corrente elétrica de 200 A. A resistividade do aço pode ser tomada como 70µΩ
cm, e o comprimento do fio é 1m. O fio está imerso num fluido a 110 oC e o
coeficiente de transferência de calor por convecção é 4 kW/m2.oC. Calcule a
temperatura do centro do fio.
9. Uma barra muito longa de cobre de 1 cm de diâmetro [(k = 377 (W/m oC)]
encontra-se num ambiente a 22 oC. A temperatura da base da barra é mantida a
150oC. O coeficiente de transferência de calor entre a barra e o ar ambiente é 11
W/m2.oC. Determinar o calor transferido da barra para o ar.

10. Repetir o problema 7 para comprimentos finitos 2, 4, 8, ..., 128 cm, considerando
a perda de calor pela extremidade. Supor hL = 11 W/m2 oC.

11. Aletas em forma de disco circular de espessura constante, estão fixas sobre um
tubo de 2,5 cm de diâmetro externo, com um espaçamento de 100 aletas por
metro de tubo. As aletas são feitas de alumínio [(k = 160 (W/m oC)], com a
espessura t = 1mm e comprimento L = 1 cm. A parede do tubo é mantida a To =
170 oC, e o calor é dissipado por convecção para o ambiente a T∞ = 30 oC, com
o coeficiente de transferência de calor h = 200 W/(m2oC). Calcular a perda
térmica para o ar ambiente, por metro de comprimento do tubo. Comparar esta
perda térmica com a que ocorreria no tubo sem aletas.

12. Discos circulares de alumínio empregados como aletas, com seção retangular
constante, são fixados a um tubo de diâmetro externo D = 2,5 cm com um
espaçamento de 8 mm. As aletas têm espessura t = 1 mm, altura L = 15 mm, e
condutividade térmica k = 200 (W/m oC). A parede do tubo se mantém a uma
temperatura To = 190 oC, e as aletas dissipam convectivamente calor para o ar
ambiente a T∞ = 40oC, com um coeficiente de transferência de calor h∞ =80
W/(m2 oC)
(a) Determine a eficiência da aleta.
(b) Determine a eficiência da aleta ponderada pela área.
(c) determine a perda líquida de calor por metro de comprimento de tubo.
(d) Qual será a perda de calor por metro de comprimento do tubo na ausência de
aletas?

13. Aletas planas de cobre com seção reta retangular, tendo espessura t = 1 mm,
altura L = 10mm e condutividade térmica k = 380 (W/m oC), são fixadas a uma
parede plana mantida à temperatura To = 230 oC. As aletas dissipam calor por
convecção para o ar ambiente a T∞ = 30 oC, com um coeficiente de
transferência de calor h = 40 W/(m2.oC). Há um espaço de 8 mm entre as aletas.
Admita perda de calor desprezível na ponta.
(a) Determine a eficiência da aleta.
(b) Determine a eficiência da aleta ponderada pela área.
(c) determine a taxa líquida de transferência de calor por metro quadrado da
superfície plana da parede.
(d) Qual seria a taxa de transferência de calor da parede plana na ausência da
aletas?

14. Fixam-se aletas de alumínio de seção retangular a uma parede plana com 5 mm
de espaçamento. As aletas têm espessura t = 1 mm, comprimento L = 10 mm, e
condutividade térmica k = 200 W/(m.oC). A parede é mantida a uma temperatura
To = 200 oC, e as aletas dissipam convectivamente calor para o ar ambiente a T∞
= 40 oC com coeficiente de transferência de calor h = 50 W/(m2.oC)
(a) Determine a eficiência da aleta.
(b) Determine a eficiência da aleta ponderada pela área.
(c) determine a perda de calor por metro quadrado da superfície da parede.
15. Uma placa de alumínio [k = 160 W/(m.oC), r = 2790 kg/m3, cp = 0,88 kJ/(kg.oC)]
com L = 3 cm de espessura e uma temperatura uniforme To = 225oC é
repentinamente imersa em um fluido agitado mantido a uma temperatura
constante T∞ = 25 oC. O coeficiente de transferência de calor entre a placa e o
fluido é h = 320 W/(m2.oC). Determine o tempo necessário para que o centro da
placa atinja 50oC.

16. A temperatura de uma corrente de gás é medida com um termopar. A junta pode
ser aproximada por uma esfera de diâmetro D = 1 mm, k = 25 W/(m.oC), r =
8400 kg/m3 e cp = 0,4 kJ/(kg.oC). O coeficiente de transferência de calor entre a
junta e a corrente de gás é h = 560 W/(m2.oC). Quanto tempo passará para que
o termopar acuse 99% da diferença de temperatura aplicada?

17. Uma barra de aço [r = 7800 kg/m3, cp = 0,5 kJ/(kg.oC) e k = 50 W/(m.oC) de


diâmetro
D = 5 cm deve ser recozida mediante resfriamento vagaroso de Ti = 800oC até
120 oC, em um ambiente a T∞ = 50 oC. Se o coeficiente de transferência de calor
entre o ar ambiente e a superfície da barra for h = 45 W/(m2.oC), determine o
tempo necessário para o recozimento, aplicando o método da análise global do
sistema.
TRANSMISSÃO DE CALOR
LISTA DE EXERCÍCIOS II

1. Um ferro elétrico de engomar tem uma base de aço [k = 70W/(m.oC), r = 7840


kg/m3, cp = 450 J/(kg.oC)] que pesa M= 1 Kg. A base tem uma área A =0,025 m2
e é aquecida pela outra face por um elemento colefator de 250 W. Inicialmente,
o ferro está em uma temperatura Ti = 20oC. Repentinamente, inicia-se o
aquecimento, e o ferro dissipa calor por convecção pela superfície externa para
o ambiente a T∞ = 20 oC, com um coeficiente de transferência de calor h = 50
(W/m2 oC).
Calcule a temperatura do ferro a t = 5 min depois que se iniciou o aquecimento.
Qual será a temperatura de equilíbrio do ferro, se a corrente elétrica não for
desligada?

2. Uma placa de ferro com 5 cm de espessura aço [k = 60W/(m.oC), r = 7850


kg/m3, cp = 460 J/(kg.oC) e α1,6 x 10-5 m2 /s] está inicialmente a Ti = 225oC. De
repente, ambas as faces são expostas à temperatura ambiente T∞ = 25oC com
um coeficiente de transferência de calor h = 500 (W/m2 oC).
Calcule a temperatura no centro em t = 2 min depois do início do resfriamento.
Calcule a temperatura a 1,0 cm da superfície em t = 2 min depois do início do
resfriamento.
Calcule a energia removida da placa por metro quadrado durante este intervalo
de tempo.

3. Uma esfera de ferro [k = 60W/(m.oC), r = 7850 kg/m3, cp = 460 J/(kg oC) e α1,6 x
10-5 m2 /s] de diâmetro D = 5cm , está inicialmente em ema temperatura
uniforme Ti = 225oC . Repentinamente, a superfície da esfera é exposta a um
ambiente à temperatura T∞ = 25oC com um coeficiente de transferência de calor
h = 500 (W/m2 oC).
Calcule a temperatura no centro da esfera em t = 2 min depois do início do
resfriamento.
Calcule a temperatura à profundidade de 1,0 cm a partir da superfície, 2 min
depois do início do resfriamento.

4. Uma esfera de aço inoxidável de 2 cm de diâmetro [k = 61W/(m.oC), r = 7865


kg/m3, cp = 0,4 J/(kg.oC)] é aquecida uniformemente até Ti = 800oC. Ela será
temperada, mergulhando-se de repente em um banho de óleo a T∞ = 50oC. Se a
tempera ocorre quando a esfera atinge 100oC e o coeficiente de transferência de
calor entre o óleo e a esfera for 300 (W/m2 oC), quanto tempo deve ser a esfera
conservada no óleo?
Se forem temperadas 100 esferas por minuto, determine a taxa de calor que
deve ser retirada do banho de óleo, por minuto, a fim de manter sua temperatura
a 40 oC.

5. Um ferro elétrico de passar tem uma base de alumínio [k = 204W/(m.oC),


r=2700kg/m3 cp = 0,896 J/(kg.oC)] que pesa 1,5 Kg. A base tem a face de passar
com 0,06 m2 e é aquecida na outra face por um calefator de 500 W.
Inicialmente, o ferro está a mesma temperatura do ar ambiente, T∞ = 20oC.
Quanto tempo gastará o ferro para atingir 120oC, se o coeficiente de
transferência de calor entre o ferro e o ar ambiente for 20 (W/m2 oC)?
6. Uma esfera de Al com 3 cm de diâmetro [k = 204W/(m.oC), r=2700kg/m3 cp =
0,896 J/(kg.oC)] está inicialmente a T0 = 175oC. De repente, ela é imersa em um
fluído agitado a T∞ = 25oC. A temperatura da esfera cai para T(t) = 100 oC em t =
42 seg. Calcule o coeficiente de transferência de calor.

7. Uma laranja com 10 cm de diâmetro está inicialmente a uma temperatura


uniforme de 30oC e é colocado em um refrigerador em que a temperatura do ar
é de 2oC. Se o coeficiente de transferência de calor entre a laranja e o ar for h =
50 (W/m2 oC), determine o tempo necessário para que o centro da laranja atinja
10oC. Admita que as propriedades térmicas da laranja são as mesmas que a da
água na mesma temperatura [k = 0,59W/(m.oC) e α1,4 x 10-7 m2 /s].

8. Uma salsicha comprida [k = 0,50W/(m.oC) e α1,6 x 10 10-7 m2 /s] com diâmetro


D = 2 cm, inicialmente na temperatura uniforme 7oC, é mergulhada
repentinamente em água fervente a T∞ = 100oC. o coeficiente de transferência
de calor entre a água e a superfície é h = 150 (W/m2 oC). A salsicha está cozida
quando sua temperatura central atinge 80oC. Quanto tempo vai ser preciso para
que a temperatura no centro da salsicha atinja 80oC?

9. Uma batata com 6cm de diâmetro, inicialmente na temperatura uniforme de


20oC, é mergulhada de repente na água fervente a 100oC. O coeficiente de calor
entre a água e a superfície é h = 6000 (W/m2 oC). As propriedades termofísicas
da batata podem ser tomadas com as da água [k = 0,68W/(m.oC) e α1,6 x 10-7
m2 /s]. Determine o tempo necessário para que a temperatura no centro da
batata atinja 95oC, e determine a energia transferida para a batata durante este
tempo.

10. Uma esfera maciça de Al [k = 204W/(m.oC) e α8,4x 10-5 m2 /s] de diâmetro D =


10 cm, está inicialmente a Ti = 250oC. Repentinamente, ela é imersa em um
banho bem agitado a T∞ = 80oC. O coeficiente de transferência de calor entre o
fluído e a superfície é h = 1000 (W/m2 oC). Quanto tempo vai passar para que o
centro da esfera se esfrie até 100oC?

11. Uma barra cilíndrica de aço cromado, co 8 cm de diâmetro [k = 40W/(m.oC) e α


1,1x 10-5 m2 /s] está inicialmente a uma temperatura Ti = 225oC. Subitamente, é
exposto a um meio convectivo a T∞ = 25oC, com um coeficiente superficial de
transferência de calor h = 50 (W/m2 oC). Com o emprego de carta de
temperatura transiente, determine: (a) temperatura no eixo e (b) a temperatura
na superfície, 6 minutos e 1 hora depois da exposição ao ambiente mais frio.

12. Uma barra cilíndrica maciça de ferro [k = 60W/(m.oC) e α=2 x 10-5 m2 /s], de
diâmetro D= 6 cm, inicialmente na temperatura Ti = 800oC, é repentinamente
mergulhada em um banho de óleo a T∞ = 50oC. O coeficiente de transferência
de calor entre o fluído e a superfície é h = 400 (W/m2 oC). (a) Utilizando a carta
de temperatura transiente, determine a temperatura no eixo 10 min depois na
imersão do fluído; (b) Quanto tempo vai passar para que o eixo atinja 100 oC?
TRANSMISSÃO DE CALOR
LISTA DE EXERCÍCIOS III

1. O perfil de velocidade u(x,y), na camada limite de um escoamento sobre uma


placa plana é dado por:
u∞ = 2 δ ( x ) − 2 ( δ ( x ) )
u ( x, y ) 3 y 1 y 3

onde a espessura da camada limite δ(x) é:

δ ( x) = 280 vx
13u∞

Deduza uma expressão para o coeficiente local de arraste Cx.


Deduza uma expressão para o coeficiente médio de arraste Cm sobre uma
distância x = L, a partir da borda frontal da placa.

2. A expressão exata do coeficiente local de arraste Cx , num escoamento laminar


sobre uma placa plana é dado por:

c( x) = 0, 664
1
Re 2 (x)

O ar atmosférico, à pressão normal é T∞ = 300 K, flui com uma velocidade u∞ =


1,5 m/s sobre uma placa. Determine a distância a partir da borda frontal da placa
em que começa a transição de escoamento laminar para turbulento. Calcule a
força de arraste F que atua, por metro de largura da placa, na distância que vai
de x = 0 até onde começa a transição.

3. Uma expressão aproximada para o perfil de temperatura na camada térmica é:

− Tw
θ ..( x, y ) = T (Tx∞, y−)Tw = 3y
2δ t ( x )
− 12 [ ]y
δt ( x )
3

e a espessura da camada limite δ(x) é dada por

δt ( x) = 4,53 x
1 1
Re x 2 Pr 3

onde Pr é o número de Prandtl. Desenvolva uma expressão para o coeficiente


de transferência de calor local h(x).

4. A expressão exata do número de Nusselt local num escoamento laminar sobre


uma placa plana é:
1 1
Nu x = h( x) x
k
= 0,332 Pr 3 Re 2 x

Deduza uma expressão para o coeficiente de transferência de calor médio h(x)


de x = 0 até L.
O ar atmosférico, a T∞ = 400 K, com uma velocidade u∞ = 1,5 m/s, flui sobre uma
placa plana L = 2m de comprimento, mantida a uma temperatura uniforme Tw=
300 K.
Calcule o coeficiente de transferência de calor médio hm desde x = 0 até x = L =
2 m. Calcule a taxa de transferência de calor da corrente de ar para a placa
desde x = 0 até x = L = 2 m com w = 0,5 m.

5. O ar atmosférico, a T∞ = 300 K , com uma velocidade u∞ = 5 m/s, flui sobre uma


placa plana L = 1m de comprimento. A placa tem uma largura w = 0,5 m. A força
de arraste total atuando sobre a placa é F = 18 x 10-3 N . Empregando a
analogia de Reynolds-Colburn, estime o coeficiente de transferência de calor
médio hm no escoamento do ar sobre a placa.

6. O ar atmosférico, a T∞ = 400 K , com uma velocidade u∞ = 4 m/s, flui sobre uma


placa plana L = 1m de comprimento mantida a uma temperatura uniforme Tw=
300 K. O coeficiente de transferência de calor médio é hm = 7,75 w/( m2ºC).
Usando a analogia de Reynolds-Colburn, calcule a força de arraste exercida
sobre a placa, por metro de largura.

7. O perfil de velocidade no escoamento laminar hidrodinamicamente desenvolvido


dentro de um tubo circular é dado por :

[
ur = 2um 1 − ( Rr )
2
]
onde R é o raio interno do tubo e um é a velocidade média de escoamento.
Desenvolva uma expressão para o fator de atrito f no escoamento dentro do
tubo.

8. O óleo de máquina (r = 868 kg/m3, v = 0,75 x 10-4 m2/s) escoa com uma
velocidade média um 0,15 m/s dentro de um tubo circular com diâmetro interno
D=2,5 cm. Calcule o fator de atrito e a perda de carga no comprimento L = 100
m do tubo.

9. Considere uma convecção laminar forçada no interior de um tubo circular de raio


interno R com um fluxo de calor uniforme na parede do tubo. Na região onde os
perfis de velocidade e de temperatura forem completamente desenvolvidos, a
temperatura adimensional θ(x), é dada no forma:

θ r = TT ( r(,zz))−−TT
m
w (z)
w (z)
= [
96 3
11 16
+ 161 ( Rr ) − 14 ( Rr )
4 2
]
Deduza a expressão do coeficiente de transferência de calor.

10. Um óleo de máquina ferro [k = 0,14W/(m.ºC), e v =0, 8 x 10-4 m2/s] escoa com
uma velocidade média vm 0,2 m/s no interior de um tubo de 1,25 cm de
diâmetro, eletricamente aquecido nas paredes a uma taxa uniforme q = 2450
W/m2 . A transferência de calor ocorre na região termicamente desenvolvida .
Calcule a diferença de temperatura entre a superfície da parede do tubo e a
temperatura média de escoamento.
TRANSMISSÃO DE CALOR
LISTA DE EXERCÍCIOS IV

1. Bombeia-se óleo de máquina com uma velocidade média um 0,6 m/s através de
um feixe de n = 80 tubos, cada um com um diâmetro interno D = 2,5 cm e
comprimento L = 10 m. As propriedades físicas do óleo são υ = 0,75 x 10-4 m2/s
e, r = 868 kg/m3. Calcule a perda de carga em cada tubo e a potência total
necessária para bombear óleo através dos 80 tubos e superar o atrito fluido do
escoamento.

2. Considere o aquecimento do ar atmosférico que está fluindo co uma velocidade


um 0,5 m/s no interior de um tubo de paredes delgadas, com 2,5 cm de diâmetro,
na região hidrodinâmica e térmica desenvolvida. O aquecimento pode ser feito
quer por condensação do vapor de água na superfície externa do tubo, ou seja,
mantendo-se uma temperatura superficial uniforme, quer por aquecimento por
resistor elétrico, isto é, mantendo-se um fluxo de calor superficial constante.
Calcule o coeficiente de transferência de calor em ambas condições de
aquecimento, admitindo que as propriedades do ar possam ser calculadas a 350
K.

3. Determine os comprimentos de entrada hidrodinâmica e térmica em termos do


diâmetro interno D do tubo num escoamento a uma temperatura média Tm =
60oC e Re = 200, dentro de um tubo circular com o mercúrio, ar, água, etileno
glicol, e óleo de máquina, com a condição de contorno fluxo de calor constante
nas paredes.

4. O ar atmosférico, a Tm = 300 K e uma velocidade de corrente global um 10 m/s,


flui através de um tubo com D = 2,5 cm de diâmetro interno. Calcule a perda de
carga, em cada 100 m de comprimento de tubo, para (a) um tubo liso e (b) um
tubo de aço comercial.

5. A água flui com uma velocidade média um 10 m/s num tubo circular de diâmetro
interno D = 5 cm. O tubo é feito de aço comercial, sua parede é mantida a uma
temperatura uniforme Tw = 100 ºC, pela condensação de vapor de água em sua
superfície externa. No local em que o escoamento está hidrodinâmica e
termicamente desenvolvido, a temperatura média global da água é Tb= 60 ºC.
Calcule o coeficiente de transferência de calor h utilizando a equação de
Petukhov.

6. Resolva o problema (5) considerando um tubo liso e usando as seguintes


correlações:
i. Equação de Notter e Sleicher.
ii. Equação de Petukhov.
iii. Equação de Sieder e Tate.
iv. Equação de Dittus e Boelter.

7. O NaK líquido (56% de Na) flui com uma velocidade média 3 m/s, no interior de
um tubo liso, de diâmetro interno D = 2,5 cm, e é aquecido pela parede do tubo
mantida a uma temperatura uniforme Tw = 120 ºC. Determine o coeficiente de
transferência de calor da região em que a temperatura média global do fluído é
Tb = 95 ºC e o escoamento é completamente desenvolvido, usando as equações
de Seban e Shimazaki, Sleicher e Tribus, e Notter e Sleicher. Compare os
resultados.

8. O ar atmosférico a 300 K e à velocidade 1 m/s, flui sobre uma placa plana.


Calcule a espessura da camada limite δx, e o coeficiente de arraste local Cx em x
= 0,75 m a partir da borda frontal da placa. Qual é a força de arraste F que atua
na placa, no comprimento x = 0 até L e numa largura w, é determinada por:

ρ .u∞2
F = wLCm N
2

9. O ar atmosférico a 275 K e à velocidade 20 m/s, flui sobre uma placa plana de


comprimento L = 1,5 m, mantida a uma temperatura uniforme Tw = 325 K.
i. Calcule o coeficiente de transferência de calor médio hm sobre a
região onde a camada limite é laminar.
ii. Determine o coeficiente de transferência de calor médio sobre o
comprimento inteiro L = 1,5 m da placa.
iii. Calcule a taxa total de transferência de calor Q, da placa para o
ar, no comprimento L = 1,5 m e largura w = 1 m
Admita que a transição ocorra a Rec = 2 x 105.

10. O ar atmosférico, a T∞ = 250 K, com uma velocidade de corrente livre um 30 m/s,


flui transversalmente a um cilindro circular, de diâmetro D = 2,5 cm. A superfície
do cilindro é mantida a uma temperatura uniforme Tw = 350 K.
i. Calcule o coeficiente de transferência de calor médio hm.
ii. Determine a taxa de transferência de calor Q, por metro de
comprimento do cilindro.
iii. Determine o coeficiente de arraste médio Cd.
iv. Calcule a força de arraste F que atua por metro de comprimento
do cilindro.

11. O ar atmosférico, a T∞ = 275 K, flui transversalmente a um fio elétrico de 1 mm


de diâmetro, mantido a temperatura uniforme Tw = 325 K. Se o fio dissipa 70
W/m, calcule a velocidade da corrente livre u∞ do ar.

12. O ar atmosférico a T∞ = 250 K e à velocidade de corrente livre u∞ = 30 m/s, flui


em torno de uma esfera de diâmetro D = 2,5 cm. A superfície da esfera é
mantida a uma temperatura uniforme Tw = 350 K. por aquecimento elétrico.
i. Calcule o coeficiente de transferência de calor médio hm.
ii. Encontre a taxa de transferência de calor Q efluente da esfera.
iii. Determine o coeficiente de arraste médio Cd.
iv. Determine a força de arraste F que está atuando sobre a esfera.
TRANSMISSÃO DE CALOR
LISTA DE EXERCÍCIOS V

1. Uma corrente de água, à temperatura média Tm = 80ºC e à velocidade média Um


= 0,15 m/s, flui no interior de um tubo de cobre de paredes delgadas, com
diâmetro interno de 2,5 cm. Uma corrente de ar atmosférico, a T∞ = 20ºC e
velocidade de U∞ = 10 m/s, flui transversalmente ao tubo. Desprezando a
resistência da parede do tubo, calcule o coeficiente de transferência de calor
global e a taxa de perda por metro de tubo.

2. Em um trocador de calor de casco e tubos e passe único, as temperaturas de


entrada e saída do fluído quente são, respectivamente, Th,i = 260ºC e Th,o =
140ºC; no fluído frio, elas são Tc,i = 70ºC e Tc,o = 125ºC. Calcule a diferença de
temperatura média nas configurações:
a. contracorrente
b. correntes paralelas

3. Um trocador de calor de casco e tubos, em contracorrente, é empregado para


aquecer água a vazão m = 0,8 Kg/s desde Ti = 30ºC até To = 80ºC, com um óleo
quente entrando a 120ºC e saindo a 85ºC. O coeficiente de transferência global
médio é U = 125 w/( m2ºC). Calcule a área de transferência de calor necessária.

4. Um resfriador de óleo de um grande motor diesel deve resfriar óleo de máquina


de 60 para 45ºC, empregando água do mar à temperatura de entrada 20ºC, com
uma elevação de temperatura em 15ºC. A carga térmica do projeto é Q =
140KW, e o coeficiente de transferência de calor global médio, baseado na área
de superfície externa dos tubos, é 70 w/( m2ºC). Calcule a área da superfície de
transferência de calor num escoamento de passe único, em:
a. contracorrente
b. correntes paralelas

5. Quer-se construir um condensador de vapor de água de casco e tubos, com


tubos horizontais de diâmetro externo 2,5 cm e diâmetro interno 2,2 cm, de
passe único, com o vapor se condensando, a Ts = 54ºC, no interior dos tubos. A
água de refrigeração entra em cada tubo a Ti = 18ºC, com uma vazão m = 0,7
Kg/s por tubo e sai a To = 36ºC. O coeficiente de transferência de calor na
condensação do vapor é hs 8000 w/(m2ºC).
a. Calcule o comprimento do tubo L
b. Calcule a taxa de condensação por tubo.

6. Um trocador de calor com dois passes no casco e quatro passes nos tubos, com
as correntes da figura abaixo, tem água no lado do casco e salmoura no lado
dos tubos. A água é resfriada de T1 = 18ºC até Ti = 6ºC, com a salmoura
entrando a T1 = -1ºC e saindo a T2 = 3ºC. O coeficiente de transferência de calor
global é U = 600 w/(m2ºC).Calcule a área necessária de transferência de calor
para um projeto com a carga térmica Q = 24000 W.

7. Um trocador de calor com um passe no casco e dois passes nos tubos,conforme


figura abaixo, tem água no lado dos tubos e óleo de máquina no lado do casco.
Deve ser projetado para aquecer 1,5 Kg/s de água desde T1 = 30ºC até T2 =
80ºC, com o óleo de máquina entrando a T1 = 120ºC e saindo a T2 = 80ºC. O
coeficiente de transferência de calor global é U = 250 w/(m2ºC). Calcule a área
necessária de transferência de calor.

8. Um trocador de calor com um passe no casco e dois passes nos tubos,conforme


figura acima, deve ser projetado para aquecer mc = 2,0 Kg/s de água
pressurizada, desde T1 = 40ºC até T1 = 120ºC, fluindo no lado dos tubos,
utilizando água quente, no lado do casco, entrando a T1 = 300ºC com uma
vazão mh = 1,03 Kg/s. O coeficiente de transferência de calor global é U = 1250
w/(m2ºC). Calcule a área necessária de transferência de calor.

9. Quer-se projetar um trocador de calor para resfriar mh = 9,7 Kg/s de uma


solução de álcool etílico [cph = 3840 J/(Kg.ºC)], de T1 = 75ºC até T1 = 45ºC, com
água fria [cpc = 4180 J/(Kg.ºC)], entrando no lado dos tubos a T1 = 15ºC, a uma
vazão mc = 9,6 Kg/s. O coeficiente de transferência de calor global baseado na
parte externa do tubo é U = 500 w/(m2ºC). Calcule a área necessária de
transferência de calor. Em cada uma das seguintes configurações:
a. Correntes paralelas, no casco e tubo.
b. Contracorrente no casco e tubos.
c. Um passe no casco e dois passes nos tubos.
d. Correntes cruzadas, ambos os fluídos não misturados.
10. Um trocador de calor em contracorrente, com uma área de transferência de calor
de 12,5 m2, deve resfriar óleo [cph = 2000 J/(Kg.ºC)], com água [cpc = 4170
J/(Kg.ºC)]. O óleo entra a Th,af = 100ºC e mh = 2 Kg/s, enquanto a água entra a
Tc,af = 20ºC e mc = 0,48 Kg/s. O coeficiente de transferência de calor global é U
= 400 w/(m2ºC). Calcule a temperatura de saída da água e a taxa de
transferência de calor Q.

11. Um trocador de calor de um passe no casco e quatro passes nos tubos, deve
resfriar óleo, à razão de mh = 1,5 Kg/s [cph = 2100 J/(Kg.ºC)], de Th,af = 90ºC até
Th,ef = 40ºC, com água [cpc = 4180 J/(Kg.ºC)], entrando a Tc,af = 19ºC e mc = 1
Kg/s. O coeficiente de transferência de calor global é U = 250 w/(m2ºC). Calcule
a área necessária de transferência de calor.

12. Um condensador de vapor de água, de casco e tubos, com tubos horizontais de


diâmetro externo 2,5 cm e um passe nos tubos, condensa o vapor a Th = 54ºC.
A água de resfriamento entra nos tubos a Tc,af = 18ºC, com uma vazão mc = 0,7
Kg/s por tubo, e sai a Tc,ef = 36ºC. O coeficiente de transferência de calor global
baseado na parte externa do tubo é U = 3509 w/(m2ºC). Calcule o comprimento
L do tubo e a taxa de transferência de calor Q.