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TÉCNICA VOCAL

Resumo Sobre o Canto

Cantar é um ato sensível e natural em si, de nada adianta complicá-lo se bem que é
necessário estabelecer suas bases que são a respiração, a ressonância, a emissão e a
articulação.

Os exercícios de técnica vocal são úteis também àqueles que usam as palavras como
instrumento de trabalho: advogados, oradores, atores, etc. Elas evitarão a fadiga e a
rouquidão originadas pelo uso indevido da voz.

O instrumento vocal não pode ser reformado. Deve-se aprender a manejá-lo


corretamente desde o princípio.

Simplificando, o instrumento vocal se divide em 3 partes:


1. O aparelho respiratório
2. O aparelho fonador
3. O aparelho ressonador

A Diferença entre o Canto e a Voz Falada

A diferença entre o canto e a palavra é que a fala emprega menos notas, mas que são
emitidas pelos mesmos órgãos.

O cantor tem maior facilidade em expressar o assombro, a tristeza, a alegria, e sua fala
é menos monótona.

Em um discurso ou conferência, comece sempre com muita calma e em voz bem baixa.
O público será obrigado a guardar maior silêncio para escutar

Classificação Vocal

Vozes Femininas

Soprano Coloratura (Soprano Ligeiro): o termo coloratura significava, na origem,


"virtuosismo" e se aplicava a todas as vozes. Hoje, aplica-se a um tipo de soprano dotado
de grande extensão no registro agudo, capazes de efeitos velozes e brilhantes. Exemplo:
a personagem da Rainha da Noite, em Die Zauberflöte [A flauta mágica], de Mozart.

Soprano Lírico: voz brilhante e extensa. Exemplo: Marguerite, na ópera Faust [Fausto],
de Gounod.

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Soprano Dramático: é a voz feminina que, além de sua extensão de soprano, ela pode
emitir graves sonoras e sombrias. Exemplo: Isolde, em Tristan und Isolde [Tristão e
Isolda], de Wagner.

Mezzo-soprano: voz intermediária entre o soprano e o contralto. Exemplo: Cherubino,


em Le nozze di Figaro [As bodas de Fígaro].

Contralto: muitas vezes abreviada para alto, a voz de contralto prolonga o registro
médio em direção ao grave, graças ao registro "de peito". Exemplo: Ortrude, na ópera
Lohengrin, de Wagner.

Vozes Masculinas

Contra-tenor: voz de homem muito aguda, que iguala ou mesmo ultrapassa em extensão
a de um contralto. Muito apreciada antes de 1800, esta é a voz dos principais
personagens da ópera antiga francesa (Lully, Campra, Rameau), de uma parte das óperas
italianas, do contralto das cantatas de Bach, etc...

Tenor Ligeiro: voz brilhante, que emite notas agudas com facilidade ou, nas óperas de
Mozart e de Rossini, por exemplo, voz ligeira e suave. Exemplo: Almaviva, em Il barbiere
di Siviglia [O brabeiro de Servilha], de Rossini; Tamino, em Die Zauberflöte [A flauta
Mágica], de Mozart.

Tenor Lírico: tipo de voz bem próxima da anterior. Mais luminosa nos agudos e ainda
mais cheia no registro médios e mais timbrada.

Tenor Dramático: com relação à anterior, mais luminosa e ainda mais cheia no registro
médio. Exemplo: Tannhäuser, protagonista da ópera homônima de Wagner.

Barítono "Martin" (Barítono Francês): voz clara e flexível, próxima da voz de tenor.
Exemplo: Pelléas, na ópera Pelléas et Mélisande, de Debussy.

Barítono Verdiano: Exemplo: o protagonista da ópera Rigolleto, de Verdi.

Baixo-barítono: mais à vontade nos graves e capaz de efeitos dramáticos. Exemplo:


Wotan, em Die Walküre [A Valquíria], de Wagner.

Baixo cantante: voz próxima à do barítono, mais naturalmente lírica do que dramática.
Exemplo: Boris Godunov, protagonista da ópera de mesmo nome, de Mussorgski.

Baixo profundo: voz de grande extensão a amplitude no registro grave. Exemplo:


Sarastro em Die Zauberflöte [A flauta mágica] de Mozart.

Sopraninos: desde a Idade Média, os meninos na faixa dos sete aos 15 anos são
requisitados para interpretar obras sacras. É quando os garotos atingem o status de
sopranino, a mais aguda das vozes. Mais até do que as vozes femininas de sopranos e
contraltos — a do sopranino soa uma oitava acima.

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Extensão Vocal

Baixo: ele começa geralmente no Mi, Fá ou Sol 1 (pode ser mais grave também) e, como
a tessitura humana é de, geralmente, 2 oitavas ele deve ir ao Mi, Fá ou Sol 3. Mas a voz
do baixo em um coral, raramente ultrapassa o Ré 3.

Barítono: começa Fá, Sol, Lá 1 e vai geralmente às suas 2 oitavas, Fá, Sol, Lá 3, no
coral, não deve ultrapassar o Mi ou o Fá 3.

2º Tenor: Sol, Lá, Si 1 e vai geralmente às suas 2 oitavas, Sol, Lá, Si 3. No coral, não
colocam os 2º tenores para irem até o Si 3, mas em um solo é bem provável.

1º Tenor: Lá e Si 1, Dó 2, e vai geralmente às suas 2 oitavas, Lá e Si 2, Dó 4, no coral, é


possível que cheguem ao Dó 4 ou ao Si 3.

2º Contralto: Mi, Fá, Sol 2, e vai geralmente às suas 2 oitavas, Mi, Fá, Sol 4, no coral,
raramente chegam ao Ré 4.

1º Contralto: Fá, Sol, Lá 2, e vai geralmente às suas 2 oitavas, Fá, Sol, Lá 4. No coral,
também não devem passar do Mi 4.

2º Soprano: Sol, Lá, Si 2, e vai geralmente às suas 2 oitavas, no coral, podem chegar ao
Si ou ao Sol comumente.

1º Soprano: Lá e Si 2, Dó 3 e vai geralmente às suas 2 oitavas, Lá e Si 4, Dó 5. No coral,


pode chegar ao Dó 5 ou mais.

Obs: Dó Central = Dó3 ou C3; Lá (5ª Corda Solta) = Lá1 ou A1

Para Homem

Toque e ouça bem a nota E (E3 teclado) e tente cantá-la. Soa confortável? Ótimo. Agora
vamos medir a sua capacidade até o limite mais grave. Toque e cante diminuindo uma
nota inteira. Meça e anote até que nota grave você alcança — sem forçar.

Para simplificar a descrição de cada nota, vamos usar a letra da nota e mais um número;
o primeiro para a corda e o seguinte para a casa. Combinado assim, a nota C35 será C na
corda 3 e casa 5. A nota D da quarta corda solta (casa zero) será D40.

Teclado = E3 D3 C3 B2 A2 G2 F2 E2 D2 C2 B1
Violão = E42 D55 C53 B52 A65 G63 F61 E60

Agora vamos medir seu limite agudo aumentando uma nota inteira.

Teclado = E3 F3 G3 A3 B3 C4 D4 E4 F4 G4 A4 B4 C5 D6
Violão = E42 F43 G45 A32 B34 C21 D23 E25 F11 G13 A15 B17 C18 D20

Resultado

Baixo alcança abaixo de F2 (F61) como limite grave e vai até os agudos C4 (C21).

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Barítono canta naturalmente entre os graves perto de B2 (B52) e no agudo de A4 (A15).
Tenor começa perto da nota grave C2 (C53) e tem limite agudo superior à (C5) C18.

Para Mulher

Toque e ouça bem a nota B (B3 teclado) e tente cantá-la. Soa confortável? Ótimo. Agora
vamos medir a sua capacidade até o limite mais grave. Toque e cante diminuindo uma
nota inteira, ou seja, engrossando uma nota. Meça e anote até que nota grave você
alcança — sem forçar.

Teclado = B3 A3 G3 F3 E3 D3 C3 B2
Violão = B34 A32 G45 F43 E42 D55 C53 B52

Agora vamos medir seu limite agudo aumentando uma nota inteira.

Teclado = B3 C4 D4 E4 F4 G4 A4 B4 C5 D5 E5 F5 G5
Violão = B34 C21 D23 E25 F11 G13 A15 B17 C18 D20 E22 F23

Resultado

Contralto alcança abaixo de E3 (E42) como limite grave e vai até os agudos G4 (G13).
Mezzo-soprano canta entre os graves perto de G3 (G45) e no agudo de C5 (C18).
Soprano começa perto da nota grave A3 (A32) e tem limite agudo superior à F5 (F23).

Ressonância

A ressonância é um ponto importantíssimo no canto. Para isso, temos que ter um bom
ouvido e reproduzir o som de maneira agradável. Temos em nosso corpo ressonadores
que são cavidade onde o ar vibra. Utilizando esse recurso valioso alcançamos sons e
timbres variados de acordo com o que pede a música. Muitos agem de maneira
antiprofissional, fazendo apenas o que lhes convém. Somos funcionário da música e
precisamos analisar o que ela sugere. Às vezes pede um som mais aberto ou fechado e
temos que estar prontos para realizar esses sons usando nossos ressonadores,
trabalhando com graves e agudos.

Vejamos os principais ressonadores:

· Boca: contém vários recursos com sua abertura ou fechamento, auxiliada pela língua e
pelos dentes.
· Nariz: com o ar concentrado nessa região temos um som anasalado, procurando com
zelo não anasalar as palavras com til e algumas consoantes.
· Garganta: mantê-la aberta, sem tensão para livre passagem do ar. Podem alguns
graves soar na parte de traz das orelhas ou próxima ao queixo.
· Peito: usado nos sons graves, vibrando o peito, sempre buscando a melhor qualidade do
som.
· Cabeça: a expressão "de cabeça" é usada normalmente nos sons agudos, visando o tom
"lá em cima" vibrando a cabeça.

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O correto é nunca forçar o seu ressonador. Usa-lo com leveza e com naturalidade,
colocando a intensidade necessária e tomar o cuidado de não deixar o som se espalhar,
ficando muito aberto ou fechar demais, tornando-o muito escuro.

Timbre

Timbre de voz: produzido pelo número e intensidade dos sons harmônicos, o timbre está
relacionado intimamente com a técnica vocal e se classifica conforme dados não isentos
de subjetividade:

Cor: clara ou escura

Volume: fraco ou forte

Mordente: lisa ou rugosa

Espessura: fina ou densa

Nós podemos sim, por vontades próprias, alterar a cor da voz e o volume, então pode-se
dizer que o timbre também é mudado. Porém, pode não ser muito bom ficar alterando a
cor da voz. Se você tem a voz clara e a deixa escura todo tempo, pode ser que você
sinta dificuldades de desenvolvimento técnico. O que é preciso, sempre, é cantar
levemente e o mais naturalmente possível, isto é, sem força.

Existem treinos, técnicas para melhorar sua respiração e conseqüentemente melhorar


seu modo de cantar. Existem também exercícios para soltar a musculatura da boca
deixando assim sua voz mais natural, técnicas para alcançar agudos de metal metálico e
também os tais falsetes que muitas pessoas julgam como uma coisa "não-natural", mas é
mais um artifício a ser usado no canto.

Cores das Vozes

Podemos atribuir cores aos timbres de determinadas vozes, facilitando assim o trabalho
de classificação vocal:

A) Rosa - soprano ligeiro


B) Azul claro - soprano meio ligeiro
C) Amarelo claro - soprano de coral
D) Amarelo forte - contralto
E) Verde musgo - contralto
F) Azulão - tenor
G) Marrom - tenor
H) Verde escuro - tenor
I) Roxo - baixo
J) Preto - baixo profundo

Classificar uma voz significa atribuirmos uma cor ao seu timbre e separarmos dele para
integrar o seu naipe, a qual pertence.

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Exemplo:
Cor branca / voz soprano / naipe: soprano

Volume Uniforme

Independente da variação de tonalidade (grave ou agudo) o som deve, em geral, se


submeter a uma regularidade no volume.

É um erro alterar o volume em proporções acentuadas. Isto acontece justamente no


momento mais desnecessário; nas notas mais altas. Se a tonalidade é aguda, menos
força será requisitada. Em contrapartida, no tom mais grave, onde o som é
naturalmente mais baixo, requer-se mais esforço da voz para equilibrar o volume.

Exercícios de Respiração e Diafragma

A primeira coisa que se deve aprender para cantar bem é respirar corretamente e, para
isso, é preciso que você aprenda utilizar o diafragma que é um músculo localizado
abaixo dos pulmões que promove a nossa respiração.

O diafragma é um músculo que tem o formato de uma cúpula (ou abóbada ou, mais
simplesmente, de uma xícara grande e sem asa). Ele se estende desde as costelas mais
baixas até um pouco abaixo do meio do osso esterno (pode haver variações).

Quando nós inspiramos, o diafragma se contrai e vai assumindo um formato mais plano
(como um prato). Nesse processo ele se "abaixa" aumentando o espaço torácico e
diminuindo o espaço abdominal. Porém essa contração não pode ser percebida
diretamente. O que poderia ser percebido seria um aparente aumento do volume
abdominal (mas nada preocupante, pois é uma dilatação aparente e transitória; se
algum cantor tem barriga grande não é por causa da dilatação, mas sim por obesidade
mesmo).

Quando nós expiramos, o diafragma se relaxa voltando ao seu formato inicial de xícara,
e as estruturas elásticas que foram esticadas durante a inspiração (tecido pulmonar,
fibras elásticas constituintes dos tecidos adjacentes) se encarregam de expulsar o ar que
estava nos pulmões. Neste momento algumas outras estruturas podem auxiliar a
expulsão do ar, tais como os músculos intercostais internos.

A força gerada pelas estruturas elásticas e pelos intercostais internos não é suficiente
para gerar a sustentação respiratória necessária para o canto (mesmo o canto popular).
Por isso durante a história do canto foram sendo desenvolvidas várias técnicas que
envolviam desde um treinamento exaustivo da respiração (inspiração + expiração) até o
uso e fortalecimento da musculatura abdominal. Esta musculatura abdominal é a
musculatura que se usa para gerar a força necessária para sustentar o canto, já que não
existe outra que possa fazê-lo. Quando não se usa a musculatura abdominal, o corpo
imediatamente vai usar os músculos do pescoço e a musculatura intrínseca da laringe.
Isso é um perigo tremendo e monstruoso, já que estes músculos são fracos e não
projetados para sustentação das correntes de ar do cantor. O seu uso pode acarretar
cansaço vocal, rouquidão e, de maneira mais perigosa, calos vocais.

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Vale agora mais um último esclarecimento: já que a musculatura abdominal é a mais
importante para a sustentação da voz do cantor, por que se fala tanto em diafragma?

Por causa de um erro muito simples: o diafragma é o músculo mais importante da


inspiração (tanto que se você perdesse os movimentos dele, teria de viver dentro de
uma máquina chamada pulmão de aço ou pulmão artificial), e não da respiração como
um todo, pois, como foi visto acima, a expiração não se utiliza do diafragma (porque
neste momento ele está relaxado). O erro ocorre porque as pessoas confundem e
misturam inspiração (que é uma parte) com respiração (que é o todo e vai precisar de
outras estruturas, além do diafragma, para poder ser completa).

Na verdade, o diafragma deve ficar estendido e para que isso ocorra deve-se realizar
exercícios de respiração visando jogar o ar nas costelas, pois elas têm de permanecer
"abertas" para dar um bom apoio. Também é muito importante a prática de exercícios
de relaxamento para deixar o corpo e principalmente a região dos ombros e pescoço
relaxados, pois assim os agudos saem mais facilmente.

Exercícios

Primeiro: um bom exercício utilizado por professores em aulas é o seguinte: pegue duas
bolinhas de tênis, deite-se no chão e com os joelhos flexionados e coloque-as na região
do cóccix (ou ossinho da alegria, localizado logo acima do bumbum, que corresponde à
última vértebra da coluna), coloque uma bolinha de cada lado do cóccix, respire fundo e
lentamente pelo menos três vezes tentando jogar o ar para as costelas. Depois, vá
rolando sobre as bolinhas e em cada região da coluna repita a respiração até chegar no
pescoço. É um ótimo exercício de relaxamento e respiração. Para praticar este exercício
você deve estar concentrado na respiração, procure colocar as mãos do lado de cada
costela para sentir a entrada e saída do ar. Tome cuidado para não jogar o ar para o
peito, pois estará respirando errado.

Segundo: outro exercício ótimo para a respiração é o seguinte: sente-se na beirada de


uma cadeira e deixe o corpo pender para frente (encoste as mãos no chão ou, se
conseguir, deixe os braços bem relaxados), respire lentamente jogando o ar para as
costelas (faça três sessões de dez respirações cada).

Terceiro: mais um exercício ótimo para a respiração é o da vela: Acenda uma vela e
coloque-a aproximadamente a um palmo do seu rosto, respire fundo (procure jogar o ar
para as costelas e não levantar os ombros nem estufar o peito ao respirar), depois sopre
a chama da vela para que ela tremule sem apagar, repita este exercício pelo menos dez
vezes.

Quarto: para o controle da permeabilidade nasal:


1º) Inspire profundamente pela narina direita, apoiando o polegar sobre a narina
esquerda para fechá-la.
2º) Retenha o ar fechando as duas narinas com o polegar e o indicador.
3º) Destape a narina esquerda e expire por ela.
4º) Suspensão.
5º) Aspire profundamente por esta mesma narina. Tape-a novamente e expire pela
direita. Prossiga deste modo tapando alternadamente uma e outra narina.

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Este exercício é excelente pela massagem que provoca nas fossas nasais; é um dos mais
antigos e céleres exercícios dos Yoga, da Índia, que lhe atribuem efeitos maravilhosos
para limpar o cérebro e purificar o sistema nervoso. Permite um maior rendimento no
trabalho mental e favorece o descanso do intelecto depois de um esforço do
pensamento. Porém, para realizá-lo segundo os preceitos da Yoga, seu ritmo deve ser
regido pelas batidas do coração: a inspiração durará 6 batidas, a suspensão 3, a
expiração 6 e a suspensão 3.

Quinto: realize várias expirações e inspirações profundas, movimentando ao máximo a


caixa torácica, e sem levantar os ombros (controle-se pelo aparelho).

Importante: para todos os exercícios seguintes, a inspiração deverá ser ampla e


silenciosa, como ao inspirar o perfume de uma flor: as narinas se abrem amplamente,
as costelas se separam e o diafragma desce. Para obter a respiração total requerida por
estes exercícios, deve ter-se a sensação de encher os pulmões primeiramente pela sua
parte inferior.

Sexto: 1º) Inspire profundamente (tal como indicado acima).


2º) Instante de suspensão, para o bloqueio da costelas e do ar.
3º) Aproximando os lábios como para assobiar, envie um pequeno jorro do ar, no dorso
da mão. Imagine que o ar bloqueado tem como única saída o orifício de uma agulha. O
jorro de ar deve ser frio e compacto: se for quente, isso indica que o ar passa em
excesso. A expiração (que durará 30 segundos) deve ser feita sem tropeços.

Sétimo: 1º) e 2º) tempos como o sexto exercício.


3º) Como o anterior, porém interrompendo duas vezes a expiração, sem retomar o ar
durante esses cortes.

Oitavo: 1º) e 2º) tempos como o sexto exercício.


3º) Diga sss..., como para fazer alguém calar. A duração mínima da expiração será de 30
segundos.
Vigie a calma e a regularidade da emissão. Para isso, imagine que o som sss... tropeça
contra uma parede intransponível: os incisivos superiores.

Nono: 1º) e 2º) tempos como os anteriores.


3º) Expire sobre zzz... (30 segundos). O "z" francês, como o zumbido de uma abelha.

Décimo: 1º) e 2º) tempos como os anteriores.


3º) Expire sobre iii... (30 segundos). Esta vogal deve ser murmurada sem voz e se sente o
ar como freado no palato ósseo.

Décimo primeiro: 1º) e 2º) tempos como para os demais


3º) Conte 1, 2, 3 etc (com uma voz de cabeça muito leviana) expulsando o ar
estritamente necessário para a palavra, e suspendendo a expulsão entre dois números. A
princípio deve chegar a contar 60, para passar logo de 100.

É conveniente fazer estes exercícios respiratórios diariamente, o que não levará mais de
10 ou 12 minutos e podem ser feitos a qualquer hora do dia.

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Exercícios com o Diafragma

Respiração diafragmática é nada mais que a respiração natural do nosso corpo, que
realizamos quando vamos tossir, espirramos, rimos, bocejamos, dormimos, etc...

Quando o ar entra no seu corpo, ele ocupa um espaço, certo? Ou seja, para dar lugar a
ele, alguma coisa lá dentro vai ter que sair do lugar. Muitas pessoas incham o peito pra
respirar, mas o correto, que é a maneira como os bebês respiram, e a barriga "crescer"
pra dar lugar pro ar e contrair para expulsá-lo. Respirando dessa maneira, dizemos que
você está respirando com o diafragma.

Para exercitar esse tipo de respiração, comece inspirando e expirando o ar profunda e


lentamente, prestando atenção se você está usando o peito ou a barriga. Depois, vá
aumentando o ritmo até que a respiração correta saia naturalmente.

Exercícios para fortalecer a musculatura do diafragma:


1º) pa-pe-pi...
2º) i-i-i-i a-a-a-a e-e-e-e...
3º) Hum... hum... hum... hum...
Todos exercícios acima são em stacatto.

Vocalises

Vocalises são pequenas frases musicais que utilizamos como exercício para o
treinamento da voz, em que se utilizam as vogais para percorrer as notas da escala,
subindo e descendo com a voz, saltando de uma nota a outra. Para realizá-las mantenha
uma atitude relaxada (mas não "largada"). Sua coluna deve estar reta, e seu peso
distribuído uniformemente sobre as duas pernas. Rosto, pescoço e ombros devem estar
livres de tensão. Se puder, faça antes algum exercício de relaxamento.

Controle a respiração de acordo com as instruções de seu professor de canto. Se


possível, faça antes dos vocalises alguns exercícios respiratórios.

Procure bocejar antes dos exercícios. Durante o bocejo, você eleva naturalmente o
palato e abaixa a base da língua; além disso, o som do bocejo é um excelente modelo
para a sonoridade da voz cantada.

Peça sempre a opinião do seu professor sobre a execução e os resultados dos vocalises.
Peça a ele que oriente você sobre a extensão dos exercícios.

Atenção: Esteja sempre atento para não abusar da sua voz. Só o seu professor pode
determinar a hora de expandir os seus limites vocais. Os vocalises aqui apresentados
destinam-se apenas a treinar o que já é feito em aula.

“Deixo claro que, para mim, cantar já é exercício e fazer exercício de canto já é
cantar!” Tato Fischer

Vocalise 01: Aquecimento

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Os vocalises de aquecimento devem ser feitos no início de cada aula, ou então antes de
um show ou gravação. Estes exercícios preparam o cantor para uma atividade intensa.

Vocalise 02: Articulação

Vocalise 03: Extensão Vocal

Vocalise 04: Agilidade e Extensão Vocal

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Exercícios

1º) Exercicios vocalises que possibilitam trabalhar aquecimento, articulação, agilidade e


a extensão vocal.
[mikejenner.sites.uol.com.br]

2º) "01.mid" é de limpeza vocal


Faça-o com a silaba "cui"
[http://www.4hall.com.br/01.mid]

3º) "02.mid" é de extensão vocal


Faça-o com as vogais ôôôô ou êêêê
[http://www.4hall.com.br/02.mid]

Obs: esses exercícios (2º e 3º) são para mulheres ou para homens de voz média ou fina.

Só lembrando que não é necessario completar o exercicio até o final, deve-se ir até onde
der. Siga as escalas corretamente! Faça-o duas a três vezes por dia. Pela manhã não é
recomendado pois a voz demora um pouco pra acordar.

Sobre Voz de Cabeça, Falsete e Vibrato

[mikejenner.sites.uol.com.br]

Nível Cantado da Voz

A chave para o Nível Cantado da Voz está em entender o conceito de pontes e mix.
Pontes, na voz, são áreas de passagem de uma parte de nosso Registro vocal para outra.
Em italiano eles são chamados passage – ou talvez você tenha ouvido o termo passagio.
Essas áreas de passagem são resultados de ajustamentos das cordas vocais, que precisam
acontecer para que a gente cante mais alto ou mais baixo em nosso Registro. Esses
ajustes de cordas vocais produzem o deslocamento de ressonância em nosso corpo.

Nossos primeiros deslocamentos em ressonância ou nossas primeiras pontes são as mais


cruciais, pois é o momento em que os músculos exteriores estão mais propensos a
assimilar o ato. Se esses músculos atuam corretamente, eles se envolvem ao redor da
laringe em um esforço para estender as cordas até o tom desejado.

Essa é uma condição muito difícil de ser cantada. Esses músculos exteriores podem ser
chamados também como músculos de deglutição, uma vez que eles levantam a laringe
durante a atividade de deglutição.

Se eles interferirem enquanto cantamos, estaremos numa condição de deglutição que


pode ser bastante perigosa para a voz. Com o nível cantado da voz, a laringe continua
confortavelmente em seu lugar (i.e. não se erguendo ou se manifestando enquanto
subimos a escala tonal). As cordas vocais fazem seus ajustes necessários em conjunto
com o ar, e como resultado nós experimentamos o desvio de ressonância correto através
de nossas pontes.

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Quando estamos em nosso Registro baixo, um “sintoma” da ressonância pode ser sentido
como uma sensação física em nossa boca, garganta e até mesmo peito. É daí que vem o
termo “voz de peito”. Conforme subimos a escala tonal, (se cantado corretamente), a
sensação é de que nossas vozes começam a subir e ir acima do palato mole.

Finalmente, ela sobe mais ainda e dá a sensação de estar em nossa cabeça. Daí o termo
“voz de cabeça”.

Entre nossa voz de peito e nossa voz de cabeça, está nossa voz do meio, ou nosso mix. O
mix começa na nossa primeira ponte enquanto a ressonância começa a deixar nossa boca
e ir atrás do palato mole.

Essa quebra de ressonância dá-se na boca e na cabeça ao mesmo tempo, o que produz
uma mistura de voz de peito e voz de cabeça. A isso dá-se o nome de mix. Muitos
cantores, tanto homens quanto mulheres, têm grande dificuldade com esta área. Uma
solução é: fazer menos para produzir mais. Muitos empurram mais ar para a primeira
área de ponte em ordem para ultrapassar a curvatura quando, ironicamente, apenas o
oposto é necessário.

Na verdade, quanto mais alta a tonalidade, menos ar será necessário. Isso acontece
porque, conforme nós subimos a escala tonal a porção vibrante das cordas vocais se
estreita e as cordas vocais ficam mais finas.

Quanto mais curtas e finas as cordas vocais ficam, conforme ascendemos a escala tonal e
vamos mais alto no nosso registro, menos ar elas vão precisar para suportar sua própria
vibração.

Esse texto provê uma técnica que treina os músculos corretos das cordas vocais e relaxa
os exteriores (músculos de deglutição desnecessários para o canto) para que as cordas
vocais possam fazer os ajustes corretos, em sintonia com o ar.

A laringe continua estável e a ressonância passa suavemente através de todas as pontes.


As cordas vocais continuam fechadas e vibrando durante todos os seus ajustes. Isso
produz o que nós chamamos de um “som conectado”, de nossa nota mais baixa para
nota mais alta. Uma voz livre, limpa e flexível que pode ser desfrutada por qualquer
estilo que nós desejemos, está disponível para todos nós.

Trabalhando Vozes: Homens

Quando trabalhando com um homem pela primeira vez, nós imediatamente checamos se
suas pontes estão intactas. Em outras palavras, pode ele alcançar sua voz de cabeça ? A
gente faz isso tocando uma escala de cinco tons, cobrindo Eb até Bb, ambos abaixo do
C3. Então, nosso estudante canta a escala com o fonema “ah”, como na palavra “father”
(ou “a”, como a vogal “a” do alfabeto português) – exemplo 1.

Então nós subimos no teclado, meio tom por vez, até que a nota mais alta da escala
esteja próxima de ou movendo-se em direção à primeira ponte por volta de F# ou Ab
abaixo de C3. É claro que se o estudante estiver tendo dificuldades, não o levaremos
mais alto do que o necessário para descobrir se ele tem ou não acesso à sua voz de
cabeça. Uma dessas três coisas geralmente acontece na voz de um estudante:

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1 – o cantor leva sua voz de peito alto demais, fazendo com que as notas agudas
chapem1. Isso quer dizer que o som fica extenso e soa mais como um grito do que canto.
Numa escala de cinco tons de C3 até G, soará como isso – Exemplo 2.
2 – A Segunda coisa que geralmente acontece, é que o cantor quebra em falsete nas
notas mais altas da escala, ao invés de alcançar sua voz de cabeça. Isso soa como
Exemplo 3.
3 - Se o cantor teve treinamento incorreto, ele geralmente irá fazer gancho até as notas
mais altas (cobrir as notas mais altas). Isso cria uma qualidade de grito muito artificial e
soa como isso. Exemplo 4.

Nenhuma dessas escolhas é muito divertida para o cantor, nem mesmo são técnicas
vocais desejáveis. Há muitas coisas que nós podemos fazer para a ajudar nosso
estudante a experimentar uma troca de sua voz de peito para sua voz de cabeça. Uma
destas coisas seria um exercício de F# abaixo de C3, para F# acima de C3, no meio da
primeira ponte do cantor. O exercício pode ser feito com a palavra “no” (a fonética para
a palavra, em português é “nôu”), para levar nosso cantor até sua voz de cabeça, na
nota mais alta. Feito corretamente, o exercício soa assim – Exemplo 5.

Escute o quanto a vogal “o” (em português, “ôu”) fica pura quando elevada para a voz
de cabeça na nota mais alta da escala. Se nosso estudante tivesse puxado sua voz de
peito para muito alto, e deixado de lado sua voz de cabeça, fazendo com que a vogal
ficasse aberta2 e chapada1, soaria assim. Exemplo 6.

Você provavelmente pode dizer que não foi uma vogal “o” pura. Foi mais um “ah”. Se
ele tivesse quebrado em falsete soaria assim. Exemplo 7.

Se ele tivesse enganchado ou coberto o tom, soaria assim. Exemplo 8.

Digamos que nosso “no” não tenha funcionado. Nós podemos tentar “new”(a fonética,
em português, é “niu”), ou “goog” (a fonética em portugês é “gug”). Ambos, se
cantados com o som puro de vogal, deverão levar nosso estudante a alcançar sua voz de
cabeça. Ouça o “new” cantado corretamente. Exemplo 9.

Agora escute “goog” cantado corretamente. Exemplo 10.

Geralmente, se não houver dano ou hábitos inflexíveis na maneira do estudante cantar,


isso irá funcionar rapidamente para ajudar nosso estudante a experimentar sua voz de
cabeça. Neste ponto, nós poderemos ver se nosso estudante consegue cantar um
arpeggio, começando na sua voz de peito e subindo para sua voz de cabeça, então de
volta para sua voz de peito. Começando em B logo abaixo de C, abaixo de C3, subindo
para F#, uma oitava e um quinto acima, o que colocará nosso cantor no meio de sua
primeira ponte.

Vamos ouvir isto feito corretamente usando a palavra “new” – Exemplo 11.

Quando executado corretamente, esta vogal encoraja as cordas vocais a fazer seus
ajustes corretos, o que permite que a ressonância se desvie para a cabeça.

13
Quando executado incorretamente, as cordas vocais não conseguem fazer seus ajustes
corretos e a ressonância, ao invés de se mover para a cabeça, fica presa na boca. A
vogal é distorcida e chapa em um grito. Exemplo 12.

O motivo pelo qual os fonemas como “oe” (a fonética em português é “ôu”), como em
“new”, e sons como “goog” funcionam para fazer um cantor ir de sua voz de peito para
voz de cabeça, está no Princípio do estreitamento do fonema3. Estreitar um fonema
ajuda as cordas vocais a fazerem seus ajustes corretos, o que faz com que a ressonância
suba para a cabeça. Isso acontece pelo “alívio de carga” sobre as cordas vocais. Aqui
estão alguns exemplos de estreitamento de fonema. Peguemos a vogal “a”: cantada
incorretamente, em um arpeggio de B para F# no meio da primeira ponte, soará como
isso: Exemplo 13.

Desta vez, cantando corretamente, iremos estreitar o fonema para “ã”. Exemplo 14.

Você consegue ouvir como o fonema estreitado leva o cantor até a sua voz de cabeça ?
Vamos fingir que não funcionou. Nós podemos então usar o som “u”. Exemplo 15.

A vogal foi estreitada de “a” para “ã” e depois de “ã” para “u”. Quanto mais se estreita
a vogal, mais fácil fica o acesso para a voz de cabeça. Agora vamos usar o fonema “êi”.
Cantada incorretamente, soará assim. Exemplo 16.

De novo, o som é um fonema vogal amplo e chapado, que é mais um grito do que canto.
Virtualmente, nenhum controle dinâmico está ao alcance do cantor. Isso acontece
porque a tensão sobre as cordas vocais resulta de uma vogal larga e chapada, impedindo
as cordas vocais de fazerem seus corretos ajustes. Isso mantém o som na boca, a qual
não é um ressonador apropriado para o F# no meio da primeira ponte. Agora vamos fazer
nosso cantor alcançar o fonema “ê”, como se ele tivesse um sotaque irlandês. Escute a
palavra faith falada com o sotaque irlandês e perceba como a vogal “ê” deverá ser
cantada: Exemplo 17.

O sotaque irlandês trás um pouco de “e” para a vogal “a”, e nós basicamente estamos
cantando um “a” em uma posição de “e”. Quando cantado corretamente, soa assim.
Exemplo 18.

De novo, ouvimos alcançar a voz de cabeça. Outro exemplo seria um fonema ”o” (em
português“, ôu”) cantado incorretamente: Exemplo 19.

Você pode ouvir que o fonema fica distorcido, e, de novo, ele chapa e soa como um
grito. Agora, vamos fazer com que nosso cantor coloque seus lábios na posição de “oo”
(fonética, em português é “u - ú”). Com os lábios nesta posição, escute o nosso cantor
cantar o fonema vogal “ôu”. Exemplo 20

Geralmente, substituir palavras por fonemas vogais estreitado (ver princípio do


estreitamento de fonema, no glossário, n. 3), ajuda a levar a voz do peito para a voz de
cabeça. Com o cantor usando sua voz de cabeça, ele pode, então, começar a colorir o
fonema de volta para o fonema desejado, sem deixar de usar sua voz de cabeça. Ele
deverá ter certeza de não estar fazendo com que o fonema chape, pois isto fará com
que ele volte à voz de peito, e desfaça a ponte.

14
O princípio do estreitamento do fonema é muito importante. A lista que se segue pode
ajudá-lo com este princípio:

Lista de fonemas sob os quais pode-se aplicar o Princípio do estreitamento do fonema.


Se o fonema difícil for: “êi” tente “í”; “â” tente “é”; “é” tente “í”; “í” tente “i”;
“á” tente “â”; “â” tente “û”.

Uma vez tendo conseguido sua primeira ponte, é hora de ver se nosso estudante
consegue acessar sua segunda ponte, em A e Bb, acima do C3. Esta é a ponte que muitos
homens desconhecem. A sensação é praticamente a mesma do movimento de F acima de
C3 para F#. Esse desvio de meio tom na ressonância é bastante visível quando o cantor
usa de maneira afinada. Uma sensação similar existe entre A e B acima de C3, na
segunda ponte. Não reconhecer isso é o motivo pelo qual tantos homens não conseguem
cantar acima do C3 até o F acima do dó 3, e então ir de F para F# , e ficar indo e
voltando do F para o F#. Você conseguirá ouvir facilmente a ascendência que o F# tem
sobre o F, conforme a ressonância sobe na cabeça. Exemplo 21.

Agora escute a similaridade enquanto nosso cantor canta passando de A natural abaixo
de C3, para A natural acima de C3, e depois para a segunda ponte, alternando entre A e
Bb. Escute a ascendência na ressonância que o Bb alcança: Exemplo 22.

Você ouve a semelhança nos intervalos entre F e F#, e A e Bb? Se mais homens
estivessem cientes desse fenômeno, haveria mais tenores no mundo do canto.

Agora a questão: voz de cabeça ou falsete?

Geralmente nos perguntam se são a mesma coisa. A resposta é não, são bastante
diferentes. Quando um homem canta usando a voz de cabeça, suas cordas vocais estão
fechadas e seu timbre é puro. Ele consegue cantar dessa maneira em qualquer nível
dinâmico que escolher. A confusão entre falsete e voz de cabeça ocorre porque a voz de
cabeça pode ser cantada muito suavemente, com uma qualidade quase de falsete. A
diferença, entretanto, é que, quando um homem canta em falsete, suas cordas vocais
não ficam fechadas o tempo todo. Isso faz o timbre ficar “com ar” e muito limitado.
Referimo-nos a isso com sendo um som “desconectado”. Referimo-nos à voz de cabeça
como sendo um som “conectado”, simplesmente porque está levemente conectada com
a voz de peito. Não há interrupções, pois as cordas vocais, que estão fechadas na voz de
peito, continuam fechadas enquanto arranjam-se para fazer a ponte para a voz de
cabeça. Falsete, por outro lado, está desconectado da voz de peito e da voz de cabeça,
pois as cordas vocais não estão fechadas. Escute uma demonstração de voz de cabeça,
cantada suavemente, em Bb abaixo de C3, na segunda ponte: Exemplo 23.

Note que o som, mesmo sendo cantado suavemente, tem “substância”, uma sensação
sólida e intensa. Note, também, como está conectado com a escala baixa, de volta à voz
de peito. Poderia-se dizer que o timbre tem um fundamento harmônico ressonante de
peito, balanceado com a ressonância de cabeça, o que dá a esse timbre essa
“substância”. Escute como o mesmo Bb soa quando cantado em falsete: Exemplo 24.

Você ouviu como o falsete não se conectou de volta com a voz de peito, conforme a
escala descendia? Você notou o quão fraco o som era, deixando faltar excitação,

15
intensidade ou substância? Por fim, escute à mesma nota, agora cantada em voz de
cabeça, e indo e voltando para o falsete: Exemplo 25.

Agora, a diferença é, provavelmente, bastante óbvia.

Trabalhando vozes: Mulheres

Nossa primeira meta é verificar se as pontes de nossa cantora estão intactas. Fazemos
isso pedindo a ela que vocalize sob uma escala de cinco tons. Começando do Ab acima
do C3, indo em direção ao Eb acima do C3. Usaremos o fonema vogal “a”: Exemplo 1

Então continuamos este exercício subindo a escala, meio-tom por vez, indo em direção à
primeira ponte dela, em A e Bb. Uma de duas coisas geralmente acontece por volta de
A, Bb ou B natural:

1 – As notas iniciais com uma voz de peito forte, quebrando em falsete nas notas mais
altas. Exemplo 2.
2 – Ocorre um som puxado de peito, enquanto sobe-se a escala, e ocorre um grito ou a
voz chapa nas notas mais altas. Exemplo 3.

Agora sabemos que a cantora não está reconhecendo suas pontes. Em muitos casos,
corrigir o problema pode-se dar de uma maneira relativamente fácil, a não ser que
estejamos lidando com alguém com danos vocais ou hábitos muito difíceis de serem
corrigidos. Nessa lição, trataremos do caso como se fosse mais ou menos fácil, sem que
a voz tenha tido danos. A próxima coisa que fazemos é ajudar nossa estudante é
experimentar o mix com sua própria voz. Há várias maneiras de se fazer isso, então
daremos alguns exemplos. Para o nosso primeiro exemplo, usaremos a palavra “nêi”,
exagerando a maneira como pronunciaremos, quase como que usando de uma voz
caricatural. Então, pedimos para nossa estudante um exercício de uma oitava, indo de
Db abaixo de C3 até Db acima de C3. Propositalmente, escolhemos uma nota alta, com o
intuito de desencorajar nossa cantora de elevar sua voz de peito. Cantado
corretamente, soará assim: Exemplo 4.

O som exagerado ajuda a deixar a voz de peito mais aguda, e encorpar o mix. É uma
grande ferramenta para conectar a voz imediatamente. Se nossa cantora perdeu-se e
quebrou em falsete, isso estará incorreto e soará assim: Exemplo 5.

Se ela elevou sua voz de peito, soará mais como um grito. Isto estará incorreto e soará
assim: Exemplo 6.

Se feito corretamente, soará assim: Exemplo 7.

Exagerar o som simplesmente ajuda nossa cantora a coordenar os dois registros (de peito
e de cabeça), passando pela ponte. Após ter treinado e conseguido, voltamos ao som
normal (não mais caricatural) e a conexão continuará estabelecida. Exemplo 8.

Escutemos uma mulher com uma voz conectada, com suas pontes coordenadas, cantar o
exercício da palavra “nêi”, em um arpeggio começando em Bb na voz de peito e
ascendendo a F na Segunda ponte. Exemplo 9.

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Outro exercício que usamos para conectar os dois registros, apesar de ser às vezes mais
difícil de ser executado inicialmente, é a palavra “mam”, executado um pouco como se
estivesse chorando, mas sem exageros. Este exercício ajuda a estabilizar a laringe, e é
um som mais natural de se cantar. Feito corretamente, soará assim: Exemplo 10.

Se cantado incorretamente, com muita voz de peito, soará assim: Exemplo 11.

Note como o fonema vogal chapa nas notas mais altas, fazendo paracer um grito. Se
feito sem controle, deixando-se quebrar em falsete, soará assim: Exemplo 12.

O “mam”, quando executado corretamente, também faz com que a laringe vá para
baixo, coisa que é necessária para se cantar corretamente. Se a laringe está
“’levantando-se durante o “mam”, podemos adicionar a ele um som exagerado de
choro, com um pouco de som de “bobo”, como no exemplo: Exemplo 13A.

Se a laringe estiver sendo puxada com muita tensão, talvez seja necessário adicionar um
pouco mais de som de “bobo”. Esse som fará com que a laringe volte à sua posição
correta, pois contrai os músculos de deglutição que forçam a laringe para cima. Isso soa
assim: Exemplo 13B.

Isso geralmente relaxa os músculos, e aos poucos coloca a laringe no lugar, para que,
então, a voz entenda que o som pode ser produzido sem que a laringe erga-se. A laringe
ergue-se como resultado do uso dos músculos exteriores (de deglutição) enquanto se
produz um som; quando esses músculos não estão sendo empregados, os músculos que
trabalham junto com a estrutura das cordas vocais trabalham em conjunto com o ar, o
que faz com que a voz saia mais livre.

Às vezes, alguns outros exercícios de relaxamento da laringe fazem-se necessários para


quebrar o hábito de erguer a laringe para alcançar notas mais altas. Dois desses
exercícios são feitos com “gãg” e “gôg”. São cantados na mesma escala, Db até Db.
Exemplo 14 “gâg”.

Exemplo 14B “gôg”.

O propósito de todos estes exercícios é, primeiro estabelecer o mix, para depois


construir o mix. O mix é usado em Musicais, Pop, Rock, Gospel e Country, e é
imprescindível para que se cante a música contemporânea. Escute alguns exemplos de
canto correto e incorreto, usando alguns estilos familiares.

Rock correto – exemplo 67.

Você ouviu como o som passou facilmente do peito subindo para um mix forte? Esta
coordenação produz um tom livre e vibrante, que é flexível (ou adaptável) para qualquer
escolha de estilo. Agora escute a versão incorreta: Exemplo 72.

Você ouviu a tensão presente na voz? Você notou que nossa cantora não conseguiu
cantar em tons tão altos quanto no exemplo correto? Isso acontece porque uma cantora
não consegue gritar um tom tão alto com a voz de peito, quanto consegue cantar no
mix. Voz de peito sempre soará tensa, como um grito, quando levada além de seus
limites.

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Tendo isso em mente, os seguintes exemplos são auto-explicativos.

Escute: R&B Correto; R&B Incorreto; Pop Correto; Pop Incorreto.

Há duas maneiras incorretas para cantar a peça de Musical que será mostrada a seguir. A
primeira é usando a voz de cabeça, a qual, tecnicamente, é um registro produzido
corretamente, porém completamente inapropriado para o estilo da canção. O segundo
exemplo é uma tentativa falha de elevar a voz de peito.

Escute: Broadway Correto belt em um G-69 alto (??????); Musical Incorreto voz de cabeça
inapropriada; Musical Incorreto2 tentativa de elevar a voz de peito muito alto.

Agora precisamos verificar se nossa cantora consegue ter acesso à sua voz de cabeça.
Isso é algo muito importante em termos de versatilidade, assim como em termos de
saúde vocal. E, é claro, algumas das músicas mais bonitas são escritas para essa parte da
voz feminina. Uma mulher pode estar usando um mix com voz de cabeça (mais uso da
voz de cabeça do que de peito), antes da primeira ponte em A e Bb, mas estará mais
completamente em sua voz de cabeça a partir de sua segunda ponte em Eb e E, através
de todas as suas pontes. Um exemplo disso pode ser ouvido no arpeggio de C para G,
cobrindo uma oitava e uma quinta, e passando por duas pontes, do peito para a voz de
cabeça. Exemplo 15.

Há uma outra ponte em A e Bb, acima de G no último exemplo. Conforme você escuta
esse arpeggio cantado do E baixo até um B natural alto, você pode escutar o alcance
nesta terceira ponte. Exemplo 16.

É importante demonstrar o que acontece quando uma cantora perde a ponte, e chapa o
fonema vogal cantando de maneira muito vasta. Exemplo 17A.

Você ouviu a tensão na voz conforme a laringe erguendo-se e desfazendo as pontes? A


quarta ponte, em Eb e E natural, acima do C alto da voz feminina, tem um alcance no
topo da cabeça. Escute um arpeggio cantado de A natural, em mix, até E acima do C no
topo da cabeça. Exemplo 18A.

Um princípio-chave para cruzamento de todas as pontes é o princípio do estreitamento


do fonema vogal. Estreitar, ou fechar um fonema vogal, ajuda as cordas vocais a
fazerem seus ajustes corretamente, o que produz o desvio de ressonância necessário
para a mudança de registro. Escute um exemplo de canto incorreto, quando se amplia
demais um fonema vogal. O exercício é cantado em um fonema vogal “a”, usando uma
escala de cinco tons (Eb até Bb). Isso faz com que nossa cantora faça sua primeira
ponte. Exemplo 19.

Podemos ouvir a tensão conforme a cantora tenta gritar a nota mais alta. Executado
corretamente, a cantora estreitará o fonema vogal de “a” para “â”. Para ajudar a
transição no mix, usaremos o “mum”. Escute o alcance no mix, mas note como não se
perde a força. Exemplo 20.

Vamos supor que isso não tenha funcionado. A solução é estreitar um pouco mais o
fonema. Vamos usar o fonema “nôu”. Exemplo 21.

18
Outro exemplo disso é encontrado numa famosa canção de Musical. Este exemplo será
feito usando o fonema “êi”. As notas são Eb no peito até B b na primeira ponte. Veja se
você reconhece esta progressão com este fonema, cantado incorretamente. Exemplo 22.

Note como, mais uma vez, a nota mais alta foi mais gritada do que cantada. Agora você
consegue escutar o que o princípio do estreitamento do fonema permite. Tomemos o
fonema “êi”, como na palavra de língua inglesa “faith”, mas usando-se de um sotaque
irlandês, Escute nossa cantora pronunciar a palvra “faith” com um sotaque irlandês.
Exemplo 23.

Agora, escute como esses pequenos ajustes ajudam nossa cantora a atingir seu mix, em
A e Bb. Exemplo 24.

O Princípio do estreitamento de fonema é muito importante, e, ainda assim, altamente


subestimado. Às vezes, se há um fonema difícil (especialmente nas pontes) esse
princípio ajuda a substituir o fonema difícil por um mais fácil. Geralmente, um fonema é
difícil apenas porque demanda muito uso de voz de peito, por empregar longas e grossas
cordas vocais. Uma vez estando em nossa voz de cabeça ou mix, podemos colorir o
fonema de volta para onde queremos. Conforme colorimos o fonema, mantemos nossa
nova posição vocal, que o estreitamento que fizemos ajudou-nos a encontrar.

A lista seguinte pode ajudar você com esse princípio.

Se o fonema difícil for: “êi’ tente “í”; “é” tente “e”; “i” tente “í”; “a” tente “â”; “â”
tente “u”; “u” tente “ú”.

Conforme continuamos nossa lição vocal, precisamos reconhecer que em muitos casos,
uma mulher incapaz de ter acesso à sua voz de peito. Isso soará assim numa escala de
cinco tons, começando em Ab abaixo C3, ascendendo até Eb acima de C3, usando o
fonema “a”. Exemplo 25.

Em casos como este, devemos ajudar a cantora a descobrir e desenvolver a voz de peito.
Um exercício que usamos é o som de “é”, feito na mesma escala, mas em staccato. O
ataque de staccato ajuda unir as cordas vocais. Exemplo 26.

Outro exercício que funciona bem é “gâg” Exemplo 27.

Na maior parte dos casos, isto irá “despertar” a voz de peito, para que a estudante
possa começar a se familiarizar com a sensação que essa voz produz. Assim como com
ocorre com o mix, achar a voz de peito pode levar algum tempo, mas é válido tentar
achá-la, pois o resultado será uma voz bonita e balanceada vinda das notas mais graves
da voz de peito até as mais altas extensões da voz de cabeça.

Vibrato

Um elemento importante para uma voz bonita, boa de se desfrutar, e expressivo é o


vibrato. Vibrato é o resultado de duas pressões em balanço com uma outra. A pressão da
adução das cordas vocais, o que simplesmente quer dizer: a pressão das cordas vocais
juntando-se e fechando-se; e a pressão do ar da respiração. Quando essas duas pressões
estão em sintonia, ocorre uma oscilação das cordas vocais, o que produz o vibrato. Um

19
vibrato correto, flexível e saudável oscila, aproximadamente, de 6 a 7 oscilações por
segundo.

Soa assim: Exemplo: vibrato correto.

Às vezes, se há muito peso na voz, decorrente de um canto pesado, muita voz de peito
ou muita compressão, ocorrerá um vibrato muito mais lento, também conhecido como
Tremolo. Soará assim: Exemplo: vibrato incorreto.

Isso é um sinal de vocal não-balanceado, e deve ser corrigido imediatamente para


prevenir mais dificuldade.

Se um(a) cantor(a) não consegue produzir vibrato, o faz muito lentamente, faz de
maneira rápida e palpitante ou produz um vibrato trêmolo e inconsistente, então está
ocorrendo uma falta de balanço entre as partes envolvidas na produção de tal vibrato.

Glossário da tradução:
1 - Chapar (como em “chapar a voz”): termo decorrente da impossibilidade de uma
tradução literal do termo em inglês “splat”, presente várias vezes no texto original em
inglês. Segundo o dicionário de Cambridge, o significado de “splat” é: Splat: the sound
of something wet hitting a surface or of something hitting the surface of a liquid, ou, o
som de algo molhado atingindo uma superfície, ou o som de algo atingindo uma
superfície líquida.
2 - Aberto: Em alguns casos neste texto, o termo “aberto” vem substituir o termo
“broad”, na tradução. O Dicionário Michaelis sugere: Broad adj. 1 – largo. 2 – amplo,
vasto.

Exercícios MP3:

4A - Homem.zip
4B - Mulher.zip

Exercícios Físicos

Alguns exercícios físicos para desenvolver os músculos do tórax. O tórax é a caixa onde
estão alojados os pulmões, recipientes do ar, e o canto exige um desenvolvimento de
sua musculatura.

Os exercícios seguintes, com os quais deve começar a educação vocal, oferecem ainda
as vantagens de endireitar as espáduas curvadas, desenvolver o busto e fortificar os
músculos que sustentam os seios.

Primeiro exercício: mova os ombros, descrevendo com eles um círculo o mais amplo
possível para cima, para trás, para baixo e para frente. Enquanto realiza estes
movimentos, os braços permanecerão relaxados e soltos ao longo do corpo como um
boneco de trapo. Insista no movimento particularmente para trás, que corrige as
omoplatas salientes. A atitude para o cantor é a que resulta do exercício no momento
em que os ombros voltam a baixar logo depois de terem sido levados para trás, porém,
flexivelmente.

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Segundo exercício: coloque os braços ao longo do corpo com as mãos espalmadas.
1º) Vá levantando-os lateralmente até alcançar a altura dos ombros.
2º) Momento de suspensão. Gire as mãos colocando as palmas para cima.
3º) Levante os braços até que as mãos toquem por cima da cabeça, sem dobrar as
articulações. Estique os braços o mais alto possível, como se quisesse alcançar o teto.
Durante esta subida efetue uma grande inspiração, cortando-a no momento de
suspensão, porém sem soltar o ar. Os pulmões devem estar cheios quando as mãos se
encontrarem por cima da cabeça.
4º) Abaixe os braços até a altura dos ombros.
5º) Momento de suspensão. Gire as palmas para baixo.
6º) Abaixe os braços ao longo do corpo. Este momento de descida deve ser acompanhado
de uma expiração completa, interrompida no momento de suspensão (sem retomar o ar
durante o mesmo).
O ar deve ser administrado de tal maneira que permita uma respiração regular. Para
obter um maior proveito desses movimentos, é preciso que os faça com energia.
Executados brandamente seriam pouco menos que inúteis. Seria bom imaginar ter um
grande peso em cada mão, que se opõe tanto à subida como na descida.

Terceiro exercício: inicia com os punhos cerrados e colocados diante do peito. Emita
fortes cotoveladas para trás e volte os punhos à sua posição normal.

Quarto exercício: estenda os braços em forma de cruz e, conservando esta posição,


adentre o quanto seja possível em qualquer ângulo da casa, avançando de frente para a
aresta.

Quinto exercício: Separe as pernas, afrouxe os braços e agache-se ao expirar e levante-


se ao inspirar.

Conselhos

Para cantar não é necessário aspirar muito o ar, sem saber como emiti-lo com economia.
O excesso de ar oprime e incomoda o cantor.

As inspirações muito profundas não deverão ser praticadas a não ser nos exercícios
respiratórios. Estes têm por objetivo chegar a dominar o mecanismo da respiração e
submetê-la ao controle da vontade.
Todo ar deve transformar-se em som. É uma questão de dosagem; e é também o segredo
de vozes puras cristalinas.

Quando o ar sai dos pulmões em excesso, forma-se um véu sobre a voz, semelhante ao
ruído da agulha sobre o disco.

Cuide sempre para que a expiração termine com o som.

É inútil "esvaziar-se" depois de uma frase cantada. O ar retido nos pulmões permitirá
efetuar uma pequena inspiração antes de prosseguir.

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Se tiver pouco tempo entre duas frases cantadas para efetuar uma boa inspiração,
sempre encha bem as costelas ao inspirar e bloqueie-as. Deste modo, dominará o fôlego,
que resultará numa emissão dócil e regulada de acordo com a extensão da frase.

Deve-se conseguir respirar sem que se ouça ou se veja.

Na fala ou no canto, o costume de pensar no ar, ajudará a não encontrar nunca a falta
dele.

Tão fundamental quanto emitir o som é saber ouvir.

A emissão de uma nota pode ser muito variável. As vezes dizemos que a nota ficou meio
baixa, meio fora do tom, ou então que ficou muito aberta, ou ainda meio trêmula. Como
a gente arruma isso? Através de várias técnicas, claro, mas só chegamos lá ouvindo
atentamente o que fazemos!!

Já dizia uma ex-professora de técnica vocal: tenha seus ídolos, mas não imite-os.

Muitos cantores dão um show de voz, são excelentes, ouvi-los é uma verdadeira aula!
Aprenda com eles, Mas não queira ter a voz igual! Não imite! Cada um tem que adequar
o que aprende ao seu tipo de voz.

Nunca cante uma música sem antes aquecer sua voz. Assim como em exercícios físicos, a
prega vocal precisa "acordar".

Cuidados com a Voz

Recomendações de fonoaudiólogos (e de gente que cuida de voz):

· Inicie sua vida de cantor(a) evitando os excessos em todos os sentidos;


· Evitar cigarro. O fumo limita o potencial da voz, dificulta a respiração, causa perda de
tons agudos, gera pigarro, tosse, resseca a mucosa da laringe, causa edema nas pregas e
aumenta o risco de contrair um câncer;
· Evitar bebidas alcoólicas. O álcool desidrata as pregas vocais, causa anestesia dando
impressão de que é fácil cantar, levando ao abuso. Quando o efeito acaba a voz está
rouca e cansada;
· Não usar drogas, principalmente maconha e cocaína;
· Evitar gelados ou sorvetes com freqüência. Quando o fizer, um copo de água sem gelo
ajuda a amenizar o "estrago" (como ensinava vovó);
· Moderar os alimentos gelados e quentes. Coloque pequenas quantidades na boca,
permaneça por alguns segundos e depois engula, para evitar e "choque térmico". Em
seguida tome água natural;
· Tomar bastante água. As cordas vocais precisam de uma boa hidratação;
· Tome água sempre antes e depois de cantar;
· Alimentação balanceada: diminuir quantidade e aumentar qualidade. Observar, além
do que come, a velocidade com que o faz, o horário, o quanto come;
· Comer bastantes frutas, legumes e verduras, por serem nutritivos e leves;
· Comer bastante maça. É ótimo para a mucosa da laringe e pregas vocais;
· Ingerir alimentos que contém vitamina C, para aumentar a resistência física;

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· Evitar deitar-se após comer, para a sesta ou para dormir. A digestão demora em torno
de duas horas; ao deitar-se nesse período, pode-se provocar um refluxo do ácido gástrico
(conhecido como refluxo gastroesofágico), prejudicando diretamente as pregas vocais;
· Modere os chás, cafés, laticínios, doces, farináceos e chocolates. Esses alimentos
produzem o muco (secreção), causando desconforto;
· Diminuir massas e carnes, pois são alimentos pesados que causam desconforto;
· Não comer alimentos fortes (muito condimentados ou apimentados), nem usar roupas
apertadas nas regiões do diafragma e da laringe e sapatos de salto alto;
· Não pigarrear ou tossir para tirar o pigarro, para não calejar as cordas vocais. Faça
"trrrr". É um ótimo exercício. 50% do incômodo será suprido;
· Quando estiver com tosse tomar xarope de mel ou uma pitada de sal;
· Previna-se contra a gripe. Ela causa indisposição, principalmente no aparelho
respiratório e fonador;
· Não cantar ou gritar quando gripado;
· Cansaço na voz, rouquidão, dificuldade de falar e ao cantar, ardor por mais de mês,
procure um medido (otorrino);
· Cuidado com a automedicação através de gargarejos, sprays, bolinhas e pastilhas
refrescantes. Com seus vapores gelados podem causar danos às pregas vocais, além de
serem anestésicos;
· Deve-se evitar o uso inadequado da voz falada, como: falar alto, rápido demais, gritar,
falar em shows, jogos e competições. Tudo isso agride as pregas vocais. Deve-se falar
baixo, com volume, impostando a voz;
· Evitar esforço e abusos com a voz: imitação de sons ou vozes que forcem a laringe,
exercícios físicos associados a esforço vocal, levantamento de peso, musculação;
· Evitar stress físico, emocional e vocal;
· Evitar mudanças bruscas de temperatura;
· Manter os joelhos "soltos". Essa articulação influi diretamente na articulação vocal;
· Evitar contato com poeira, mofo, gases e cheiros fortes, pois podem provocar alergia,
além da poluição;
· Evitar ambiente com ar condicionado e seus fungos. Uma vez nele, beber muita água;
· Recomendam-se momentos de repouso na higiene bucal;
· Nunca cantar fora da região de sua voz.

Água

Um assunto que gera algumas controvérsias é o que tomar pra ajudar a voz. Mas há algo
que todo mundo concorda que realmente é bom: a água.

Isso mesmo! Ela ajuda a não ressecar as pregas vocais. O calor, o próprio ar, a poeira,
ácaros, ar condicionado, tudo isso atrapalha um pouco o "gogó".

Então, tome muita água, durante todo o dia e principalmente quando está cantando,
entre um intervalo e outro. Não precisa tomar um litro de uma vez, claro, mas sim, um
ou dois goles, mas repetidas vezes, ok? Detalhe: não tome água gelada. Não que ela seja
prejudicial diretamente, mas a água gelada pode provocar pigarro ou rouquidão.

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