P. 1
A Psicologia Transpessoal : um conhecimento emergente da consciência

A Psicologia Transpessoal : um conhecimento emergente da consciência

|Views: 671|Likes:
O que é Psicologia Transpessoal (usar como base leituras, conteúdo de aula e reflexões pessoais)
Quais os aspectos básicos da Abordagem Integrativa Transpessoal? Classifique e cite os elementos de cada aspecto
Descreva o significado dos elementos (eixo experiencial e evolutivo) e funções psíquicas (REIS) da Abordagem Integrativa Transpessoal. Fale da interface entre eixo experiencial e evolutivo
O que é Psicologia Transpessoal (usar como base leituras, conteúdo de aula e reflexões pessoais)
Quais os aspectos básicos da Abordagem Integrativa Transpessoal? Classifique e cite os elementos de cada aspecto
Descreva o significado dos elementos (eixo experiencial e evolutivo) e funções psíquicas (REIS) da Abordagem Integrativa Transpessoal. Fale da interface entre eixo experiencial e evolutivo

More info:

Categories:Types, School Work
Published by: Sergio Vieira Holtz Filho on Jul 27, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

07/31/2013

pdf

text

original

ALUBRAT - CAMPINAS e FACULDADES SPEI PÓS-GRADUAÇÃO LATO-SENSU EM PSICOLOGIA TRANSPESSOAL TURMA IV - 2011-2012

Módulo I A Psicologia Transpessoal Um conhecimento emergente da consciência

Sergio Vieira Holtz Filho

Campinas/SP abril/2011

TRABALHO DO MÓDULO I A Psicologia Transpessoal: Um conhecimento emergente da consciência Índice Refletir e responder o questionário: 1.Conceitue o que é Psicologia Transpessoal (usar como base leituras, conteúdo de aula e reflexões pessoais)................................................................................... 2 2.Quais os aspectos básicos da Abordagem Integrativa Transpessoal? Classifique e cite os elementos de cada aspecto........................................................................2 3.Caracterize / descreva os elementos do aspecto estrutural..................................3 4.Caracterize / descreva os elementos do aspecto dinâmico..................................9 5.Descreva o significado dos elementos (eixo experiencial e evolutivo) e funções psíquicas (REIS) da Abordagem Integrativa Transpessoal. Fale da interface entre eixo experiencial e evolutivo..................................................................................... 9 Bibliografia

2

Refletir e responder o questionário: 1. Conceitue o que é Psicologia Transpessoal (usar como base leituras, conteúdo de aula e reflexões pessoais). Proposta por Jung ao utilizar as palavras überperson e überpersönlich, em 1916 e 1917 (SIMÕES, 1997, p. 48 apud SALDANHA, 2008. p.43), foi oficializada acadêmica e politicamente em 1968, quando anunciada por Abraham Maslow, no prefácio da segunda edição do seu livro “Toward a Psychology of Being”, enquanto era presidente da American Psychological Association (APA) e presidente do Conselho do Departamento de Psicologia da Brandeis University, onde dizia que se tratava de uma abordagem:
“... ainda mais elevada, transpessoal, transhumana, centrada mais no cosmo do que nas necessidades e interesses humanos, indo além do humanismo, da identidade, da individuação e quejandos1 ...” (MASLOW, 1968, p, 12 apud SALDANHA, 2008, p. 44).

O conceito nem exclui nem invalida o pessoal, pois reportar-se ao prefixo trans-, elemento que signif ica além de, para além de, através. Pierre Weil define a Psicologia Transpessoal como “um ramo da Psicologia especializada no estudo dos estados de consciência, ... mais especif icamente com a “Experiência Cósmica” ou estados ditos “Superiores” ou “Ampliados” da consciência” (WEIL, 1999, p. 9 apud SALDANHA, 2008, p. 42). Enquanto Psicologia atêm-se ao estudo dos fenômenos psíquicos, enquanto Transpessoal propõe-se à práticas que integrem o psíquico, o transcendental, ou espiritual, nas dimensões manifestadas pelo indivíduo, materializando, tornando real, efetivo, Aquele que É, naquilo que está. 2. Quais os aspectos básicos da Abordagem Integrativa Transpessoal? Classifique e cite os elementos de cada aspecto. Existem dois aspectos básicos da Abordagem Integrativa Transpessoal: o estrutural e o dinâmico. O Aspecto Estrutural é constituído por cinco elementos que formam o que denominamos de Corpo Teórico da Psicologia Transpessoal: conceito de unidade, conceito de vida, conceito de ego, estados de consciência, cartografia da consciência.

1

quejando, adj. Que tem a mesma natureza ou qualidade; que tal.

O Aspecto Dinâmico é formado por dois elementos: eixo experiencial, eixo evolutivo.
EIXO EVOLUTIVO

EIXO EXPERIENCIAL

SENTIDO DA EXPERIÊNCIA

UNIDADE

3. Caracterize / descreva os elementos do aspecto estrutural. Cada elemento do aspecto estrutural (corpo teórico) corresponde simbolicamente à espinha dorsal e cabeça, dando estruturação e sustentação ao trabalho transpessoal.
4

O conceito de unidade é a cabeça (simbólica), sustentada pela espinha dorsal, que por sua vez é gerida pela cabeça, num looping conceitual de interação e integração, que caminha no eixo evolutivo num movimento espiral. A unidade fundamental do Ser ou da não-fragmentação é o pressuposto básico em Psicologia Transpessoal, de onde partem ou para onde convergem, em síntese, todas as manifestações humanas. Maslow relacionou o conceito de unidade com as experiências culminantes, ou experiências de pico, peak experiences, e ampliou o conceito de unidade para “consciência de unidade”, quando “são mais constantes e não produzem clímax... seria um platô mais elevado” (MASLOW apud JAMES, 1986, p. 278 apud SALDANHA, 2011, p. 6). Pierre Weil sugere que a apropriação do conceito de unidade confere, e é de fato, a transcendência da dualidade, do bipolar, a própria consciência cósmica. “Unidade entre eu e o Universo, desaparecimento da tridimensionalidade do tempo” (WEIL, 1995, p. 43 apud SALDANHA, 2011, p. 6). O conceito de vida é caracterizado pela dimensão atemporal. Tudo é vida, sem começo e sem fim. Um pulsar contínuo que compreende (no sentido de abranger, encerrar, conter) os aspectos dimensionados, inclusive nascer, crescer, casar, morrer... A apreensão e a aprendizagem, seguidos do trabalho, o exercício contínuo, deste conceito, possibilita ao indivíduo passar da condição de “fruto do meio” para a condição de ser transformador da energia disponível nos objetos, físicos ou abstratos, em energia útil e necessária para o meio, ou seja, o meio passa a ser fruto do ser. Pierre Weil apresenta algumas possibilidades de pontos de vista, de perspectivas diferentes, para dirigir nosso entendimento à compreensão do conceito de unidade, que ouso resumir assim: (1) Existem coisas que, apesar de inacessíveis aos nossos cinco sentidos, são perceptíveis noutros níveis de consciência. (2) Tudo na natureza se transforma, a energia é eterna; (3) A vida não começa com o nascimento e não termina com a morte física; (4) A mente e o espírito participam de um sistema suscetível de se desligar do corpo físico. (5) A vida individual é integrada e forma um todo com a vida cósmica; (6) a evolução é contínua e permanente; (7) consciência é energia, que é Vida (com “V” maiúsculo). O conceito de ego: na Psicologia Transpessoal o ego é tratado como um elemento necessário para operar (executar, atuar, fazer alguma coisa) a vida

cotidiana. Não representa a totalidade das experiências humanas, ele age criando, ilusoriamente, temporariamente, a dualidade: separa Eu e o outro. Os estados de consciência, ou níveis de consciência, representam o modo de ser, ou a circunstância em que se está ou se permanece, e que se percebe diferentes realidades. São, por assim dizer, circunstâncias em que se exerce o modo de vida habitual. Quanto não se limita à consciência de ego promove a expressão, ou o reflexo, da inteligência cósmica, aquela que permeia o Universo e nos faz ilimitados, transcendendo tempo, espaço, colocando-nos, com o perdão da pobreza da capacidade de expressão das palavras, num “locus ad totus loci” de não causalidade, onde tudo é um grande efeito e a grande causa. Cartografia da consciência, como a arte de representar no papel a configuração de um terreno com todos os acidentes que tem à superfície, fragmenta e nomeia algumas possibilidades de experiência vivenciada, ou estados de consciência, para uma didática (que tem por fim instruir) e orientação da aplicação dos conceitos da Transpessoal na observação do caminho percorrido “in vivo” em direção à integração cósmica. Propôs-se-nos adotar a cartografia de Kenneth Ring por ser mais descritiva. Kenneth elaborou um mapa da consciência com a intenção de relacionar diferentes conteúdos experienciais. É importantíssimo lembrar que as diferentes “consciências” propostas por Kenneth não são delimitadas por linhas definidas, porque os

conteúdos se interpenetram mutuamente.
6

Visto de cima: A figura cônica indica com eficácia o sentido de processo a percorrer no tempo e no espaço, e, vista de cima, os círculos concêntricos (ou elipses) contém em si o conceito de pertinência, de conter e estar contido, ouso propor ainda, não para discordar, mas para acrescentar mais uma imagem de possibilidades de nãodelimitação ou de limitação não-definida das consciências, a cartografia de Kenneth representada por uma espiral em cone, aqui numerados didaticamente para lembrar de processo a ser desenvolvido no continuum espaço-tempo:

As consciências mapeadas por Kenneth tem atributos básicos e uma certa correspondência com os estados de consciência propostos por Pierre Weil, por exemplo: Vigília é o estado de percepção da dualidade, das coisas comuns do cotidiano, regido pela percepção de tempo linear unidirecional, passado-presentefuturo, do pensamento analítico, causal. Ocorre normalmente quando o cérebro apresenta , no EEG, predominância de ondas beta (14 a 26 ciclos por segundo). Predominam as funções do ego; as relações do indivíduo com o ambiente, os cinco sentidos num mundo tridimensional Pré-consciente reúne conteúdos facilmente acessados a partir de uma simples evocação direta, estão parcialmente ligados à vigília. Inconsciente psicodinâmico corresponde ao inconsciente freudiano. Seu conteúdo é mais difícil de ser acessado e pode vir à tona na forma de sintomas. São resultados de emoções vividas, advindas de experiências, sentimentos, pulsões2

2 (latim pulsion) s. f. 1. Impulso. 2. Psican. Força no limite do orgânico e do psíquico que impele o indivíduo a cumprir uma ação com o fim de resolver uma tensão vinda do seu próprio organismo por meio de um objeto, e cujo protótipo é a pulsão sexual. 8

desde o nascimento até o momento atual. Quando essas experiências estão não resolvidas, ou mal resolvidas, podem resultar nas doenças psicosomáticas Inconsciente ontogenético3 corresponde ao resultado de emoções vividas, advindas de experiências, sentimentos, pulsões antes do nascimento. Representa uma zona de transição do nível pessoal para o transpessoal, incluindo as experiências de morte e renascimento. Inconsciente transindividual envolve o resultado de experiências ancestrais, experiências palingenéticas4, experiências coletivas de raça, de gênero, experiências arquetípicas. Inconsciente filogenético5. Aqui estão envolvidas o resultados das experiências dos elementos terráqueos, orgânicos e inorgânicos. Podem ser percebidas por inferência a partir da observação das mudanças nos reflexos neurológicos e nos fenômenos motores anormais que parecem relacionados à ativação das redes nervosas arcaicas. O inconsciente filogenético pode ser percebido e categorizado, segundo Grof, nas manifestações da mente das células, consciência de orgão, tecido e célula, consciência mineral ou inorgânica, consciência planetária. Inconsciente extraterreno é o terreno da consciência além do nosso planeta. Inclui as experiência de estar fora do corpo, encontros com entidades espirituais. Jung relata um encontro, fora do corpo, com seu médico e amigo pessoal, no livro “Memórias, Sonhos e Reflexões”. Mas não é porque se chama extraterreno que não seus efeitos não podem ser verif icados na terceira dimensão; aqui podem ocorrer também fenômenos como clarividência, clariaudiência, telepatia, psicocinesia (ou telecinesia), psicografia, os chamados fenômenos mediúnicos (escrita automática e possessão por espíritos). Os “inconscientes” de Kenneth, podem se tornar conscientes para o indivíduo com o auxílio do exercício de relaxamento e a vivência dos estado de devaneio (quando, no EEG, há um predomínio de ondas alfa, de 9 a 13 ciclos por segundo), e no estado de consciência de sono, descritos por Weil. Ambos os estados podem trazer imagens, sensações físicas, sentimentos e pensamentos aparentemente

3 Relativo à ontogénese: s. f. Série de transformações sofridas pelo indivíduo, desde a fecundação do ovo até ao completo desenvolvimento do ser. = ontogenia 4 Relativo a palingenesia s. f., 1. Renascimento. 2. Regeneração. 5 De filogenia, que se refere a sucessão genética das espécies orgânicas

desconexos que, ao serem interpretados6, podem ser úteis à manifestação da criatividade, através da arte, da ciência, e da administração da própria conduta. No Superconsciente há uma percepção ampla da realidade, sentimento de compaixão, de equanimidade7. Um indivíduo, quando percebe esta consciência, tem uma apreensão intuitiva da unidade, da integração Homem-Universo. Com a educação da consciência de vigília é possível perceber e participar dessa integração, que está disponível sempre, independente de tempo ou de espaço. Vácuo é o não-estado, o não-conteúdo, o não-ser antes do princípio de onde se origina o verbo do qual todas as coisas foram feitas, o nada que se fez a si mesmo ... “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (João, 1, 1-3) 4. Caracterize / descreva os elementos do aspecto dinâmico. A expressão dos elementos do aspecto dinâmico, o modelo dos eixos experiencial e evolutivo em cruz, é uma representação didática; configura quatro estágios ou fases representadas em cada um dos quadrantes: (1) inferior esquerdo, (2) superior esquerdo, (3) superior direito e (4) inferior direito, sugerindo um movimento no sentido horário. Essas fases são dinâmicas, contínuas e interconetadas em vários níveis (SALDANHA, 2008, p. 193). O eixo experiencial simboliza o grau de integração das funções psíquicas razão, emoção, intuição e sensação (R.E.I.S.) na manifestação do indivíduo, que experiencia, vivencia, alguma harmonia entre a razão, a emoção, a intuição e a sensação. Harmonia que leva para a ampliação da percepção da realidade e à manifestação natural do eixo evolutivo em direção a um nível superior de consciência, do qual emergem os valores positivos e construtivos, inerentes ao ser humano (SALDANHA, 2008, p. 193). Convém evidenciar que à esquerda ou à direita, inferior ou superior são figuras de linguagem, que não fazem sentido no contexto da unidade, no contexto do Todo, que, afinal de contas, é a meta de ser do Ser. A decomposição em partes, ou fragmentação, é antagônica ao conceito de unidade, é, portanto, artifício cognitivo para o entendimento do processo de integração do Ser, importante para aplacar a
6 Vale lembrar que a Abordagem Integrativa Transpessoal propõe trabalhar com as sete etapas o que é apresentado pelo inconsciente, de maneira que o conteúdo não é interpretado e sim integrado a partir de um sentido atribuído pela própria pessoa. 7 do latim aequanimitas, -atis, benevolência, igualdade de ânimo, serenidade 10

sede de saber, mas não necessários à compreensão; entenda-se compreensão no sentido léxico de “prender junto”, conter, cercar, ter. A verdadeira compreensão se dará a partir da experiência vivida e não se dará a partir de instrução cognitiva e entendimento teórico. Eis, então, a razão do aspecto dinâmico, experiencial, como integrado e integrante, por isso abordagem integrativa em psicologia da consciência. 5. Descreva o significado dos elementos (eixo experiencial e evolutivo) e funções psíquicas (REIS) da Abordagem Integrativa Transpessoal. Fale da interface entre eixo experiencial e evolutivo. O eixo evolutivo traz consigo a compreensão do sentido da experiência (eixo experiencial) no plano pessoal e coletivo. Quanto mais o indivíduo estiver presente no seu aqui e agora, integrado, mais plenamente experimentará a situação em que está e desfrutará de todas as possibilidades que ela lhe oferece. O conjunto de “todas as possibilidades” é, na verdade, a característica do “Reino”, como foi referido há dois mil anos por Jesus de Nazaré, o Cristo, e traduzido para os dias atuais pelo Papa Bento XVI:
Isto parece o ideal: por este caminho parece ser possível finalmente tornar a mensagem de Jesus verdadeiramente universal, sem que seja necessário missionar as outras religiões; agora parece ter a Sua palavra finalmente ganho um conteúdo prático e, assim, tornar-se a realização do “Reino” uma tarefa comum e torná-lo próximo. (...) Por isso devia ser dado o passo para o reinocentrismo, para a centralidade do Reino. (BENTO XVI, 2007, p. 63).

As funções psíquicas da Abordagem Integrativa Transpessoal: razão, emoção, intuição e sensação formam o acrônimo REIS. Nenhuma das funções exerce qualquer supremacia ou dominância sobre qualquer outra, o objetivo é a harmonia e a integração da manifestação do Ser. A RAZÃO indica o elemento de julgamento, um juízo de valor, aplicado ao sentimento e ao pensamento com relação ao objeto, ou físico ou abstrato, para a manifestação fenomenológica8 do Ser. Conceitos pré-estabelecidos como: claroescuro, baixo-alto, gosto-não gosto, agradável-desagradável e assim por diante, são elementos de juízo e de valor. Jung afirmava que “... em hipótese alguma ela deixa de ser apenas uma das funções espirituais possíveis, e só cobrirá o lado dos fenômenos do mundo que lhe diz respeito” (JUNG, 1972, p. 44 apud SALDANHA, 2011, p 19).

8 relativo a tudo o que está sujeito à ação dos nossos sentidos ou nos impressiona de um modo qualquer (física ou moralmente).

EMOÇÃO é percebida pelo indivíduo por manifestações físicas ou fisiológicas tangíveis. Para Jung, a emoção é um “acontecimento”, somos simplesmente “possuídos” por ela, que representa um complexo ativado, uma via ideal para o inconsciente, arquiteto dos sonhos e dos sintomas. Maturana afirma que a razão (R) atua como um sistema de coordenação com base nas emoções vividas no instante. “Não é a razão o que nos leva à ação, mas a emoção” (MATURANA, 1998, p. 23 apud SALDANHA, 2011, p. 20). Os processos deliberativos são racionais (R), a decisão e a ação consequente é passional, emotiva (E). “As emoções constituem o fundamento de todo nosso afazer” MATURANA, 1998, p. 85 apud SADANHA, 2011, p. 20). A emoção representa um elemento primordial para o desenvolvimento do indivíduo, imprescindível à aprendizagem. INTUIÇÃO é uma percepção, um conhecimento imediato, direto, claro e espontâneo da verdade, sem o auxílio do raciocínio (AULETE, 1987, p. 1071 apud SALDANHA 2011, p. 21), é um tipo de percepção que não passa pelos sentidos, é o reconhecimento direto, a percepção global, total, de parte do conteúdo do inconsciente coletivo, não há julgamento ou reflexão. O léxico tem origem no verbo Latim, intueri, de in- ‘dentro’ + tueri ‘a ver’ (no sentido de enxergando, mais do que olhando). SENSAÇÃO é função dos sentidos, que se dá a partir dos órgãos do sentido. É o que se percebe da realidade concreta de objetos e pessoas por meio dos cinco sentidos. A sensação me diz que alguma coisa está dimensionada. Contudo a sensação, apesar de ser percepção de concretude, evoca sentimentos e pensamentos. Através das sensações mesclam-se, instantaneamente, os sentimentos de prazer ou desprazer, que a visão e a percepção olfativa de uma flor, por exemplo, podem causar. Para uns a flor pode resgatar lembrança de festa, de nascimento, de alegria, para outros a mesma flor, pode resgatar lembrança de funeral, de morte, de tristeza. Essas sensações abstratas destacam atributos mais sutís da flor, seu vermelho brilhante, por exemplo, parece único. A sensação abstrata é atributo dos artistas. Para Jung, a sensação, tal como a intuição, é uma função irracional e de percepção, ela não apresenta em si nenhuma reflexão ou julgamento, contudo, é um elemento vital no desenvolvimento do ser, no reconhecimento e na interação com o mundo que o cerca e, consequentemente, na aprendizagem (SALDANHA, 2011, p. 22).
12

A sensação, na abordagem transpessoal, é extremamente relevante, porque traz o corpo em ação, como evidenciado por Jacob Levy Moreno, com o qual se pode aprender, crescer, transformar e transformar-se. Quando se atenta para as dimensões físicas e abstratas, psicológica e espiritual, amplia-se a consciência por meio das experiências corporais, e a integração do Ser na sua manifestação fenomênica. Essa integração, afirma Christina A. Freire, possibilita “ reintegrar nossa consciência espiritual à medida que integramos corpo e alma como uma unidade individual anatômica e fisiológica e concebemos também que processos biológicos promovem processos psíquicos” e vice-versa (FREIRE, 2000, p. 29 apud SALDANHA 2008, p. 192) O corpo resgata, pelas suas percepções, não só toda a história do indivíduo, trazendo em si aspectos ontogenéticos, como também aspectos filogenéticos e até a vivência da unidade (SALDANHA, 2008, p. 192). A interface entre os eixos experiencial e evolutivo se dá na medida em que eixo experiencial simboliza o grau de integração das funções psíquicas razão, emoção, intuição e sensação (R.E.I.S.) na manifestação do indivíduo, que experiencia, vivencia, alguma harmonia entre a razão, a emoção, a intuição e a sensação. Harmonia que leva para a ampliação da percepção da realidade e à manifestação natural do eixo evolutivo em direção a um nível superior de consciência, do qual emergem os valores positivos e construtivos, inerentes ao ser humano (SALDANHA, 2008, p. 193).

Bibliografia BENTO XVI, Papa. Jesus de Nazaré. Primeira parte. Do batismo no jordão à transfiguração; tradução José Jacinto Ferreira de Farias. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007. 330 p. SALDANHA, Vera. Psicologia transpessoal. Abordagem integrativa. Um conhecimento emergente em psicologia da consciência. Ijuí: Ed. Unijuí, 2008. 344 p. SALDANHA, Vera. Apostila Módulo I - Psicologia Transpessoal: Um conhecimento emercente da consciência. Campinas: ALUBRAT, 2011. 27 p.

14

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->