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O Redentor (Edgard Armond)

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O REDENTOR Editora Aliança Rua Genebra, 168 — São Paulo — CEP 01316-010 Fone: 3107-5304 / 3106

-4171 Obras Consultadas Les Itineraires de Jesus - Gustave Dalman O Nazareno - Sholem Asch Jesus de Nazareth - Paul de Regia Cristo Jesus - Rafael Housse Jesus Cristo - Roselly de Lorgues Jesus Desconhecido - Merencovsk Os Evangelhos Sinóticos Diversas obras mediúnicas ILUSTRAÇÕES MILTON GABBAI Direitos Autorais Reservados ÍNDICE: Prólogo 9 Evangelhos Apócrifos 13 A Tradição Messiânica 15 O Nascimento do Messias 19 Controvérsias Doutrinárias 24 Os Reis Magos 28 Exílio no Estrangeiro 33 A Cidadezinha de Nazareth 35 Jerusalém 40 Jesus no Templo 44 O Grande Templo Judaico 46 Reis e Líderes 51 As Seitas Nacionais 54 A Fraternidade Essênia 56 Costumes da ´Época 61 Jesus e os Essênios 64 O Precursor 66 Início da Tarefa Pública 70 Os Primeiros Discípulos 73 Volta a Jerusalém 75 As Escolas Rabínicas 77 Nicodemo Ben Nicodemo 79 Regresso à Galiléia 82 Na Sinagoga de Nazareth 85

A Morte de João Batista 88 Os Trabalhos na Galiléia 91 Pregaçoes e Curas 94 outros Lugares 98 ostilidades do Sinhedrin 102 Maria de Magdala 104 O) Desenvolvimento da Pregação 107 O Quadro de Discípulos 109 Consagração e Excursões 113 A Cena do Tabor 117 As Parábolas 118 O Sermão do Monte 132 Abandono da Galiléia 136 Últimos Atos no Interior 138 Últimos Dias em Jerusalém 141 O Encerramento da Tarefa Planetária 143 Prisão e Dispersão 146 Tribunal Judaico 150 O Julgamento de Pilatos 153 Para o Calvário 155 Nos Dias da Ressurreição 159 Conclusão 162 Adendo 164 9 PRÓLOGO: inúmeras são as obras escritas sobre a vida e os fatos referentes a Jes us de Nazareth — o Divino Redentor da humanidade terrena —, cada uma delas apresentando-o de certa maneira, segundo pontos de vista pessoais ou sentimentais sectários. Animando-nos a escrever este livro, outro intuito não temos que render ho menagem humilde a tão excelsa entidade espiritual, tentando uma reconstituiçã o histórica de sua última passagem pela Terra, a cuja humanidade legou a lembrança imorredoura do sacrifício da cruz e os sublimes ensinamentos do Evangelho . Não nos iludimos quanto ás dificuldades da tarefa, pois que Jesus nada escreveu de si mesmo, talvez porque sua divina presciência descortinava as deturpa

ções que sofreriam seus ensinamentos, não querendo concorrer para as mistifica ções religiosas e as inevitáveis explorações de documentos e relíquias q ue mais tarde ocorreriam; preferia, como diz um inspirado instrutor espiritual dos nossos dias, que tais alterações fossem feitas "não sobre o que escrevesse, mas somente sobre o que outros dissessem". Não havendo documentação original provinda de outra fonte, devemos at er-nos aos Evangelhos, codificados na Vulgata Latina, cujos veneráveis Autores não se preocuparam em mencionar os fatos cronologicamente; por outro lado, cad a um deles seguiu plano diferente, ou ta!vez nenhum, omitindo circunstâncias e fatos que serviriam para identificar protagonistas e situar os acontecimentos em datas e lugares apropriados. O próprio Lucas que, não tendo sido discípulo, escreveu seu trabalho lendo e ouvindo a uns e outros, anos depois do Gólgota, da mesma forma não esta beleceu a necessária ordenação histórica, a sequência justa dos fatos, prov avelmente por já encontrar dificuldade em fazê-lo, não obstante ainda viverem naque la época alguns dos "Doze": Pedro e Tiago, em Jerusalém; João, em Efeso e outros alhures. Estas falhas, entretanto, em parte se justificam, porque cada autor escreve u isoladamente, em épocas diferentes, segundo aquilo de que se lembrava e d ebaixo, ainda, da emoção do drama do Gólgota e do espírito sacrificial que a todos empolgou enquanto viveram. De outra parte, preciosas indicações e subsídios se perderam no trans itarem os pergaminhos primitivos por milhares de mãos de adeptos na Palestina e em

pela maior parte de cristandade. tais documentos foram por Jerônimo desprezados em sua quase totalidade. 1. na sua integridade primitiva. mas não os originais? Não há. porque os documentos que se salvaram e chega ram às mãos do erudito padre Jerônimo. Theóphilo." não é de perguntar porque Jerônimo em todos os cabeçalhos escreveu a ressalva "segundo Marcos. sem contestação. com o vers. enquanto que o cap. acerca de todas as coisas. etc. nos cabeçalhos: "segun do Mateus. por último. todas com fôro de autenticid ade. 1.outras partes e. etc. 1. a base moral ou iniciática é idêntica em todas as quatro . por suas ligações estreitas com Paulo de Tarso e de ido neidade comprovada.0 do cap. sem exceção. repres entam exatamente aquilo que Jesus ensinou. d os "Atos dos Apóstolos" que dizem. 1. segundo João. aceitando ele somente aqueles que constavam terem sido escritos pelos apó stolos (testemunhos de vista) a saber: João e Mateus. ou cópias de cópias. em quase nada desmerece seu altíssimo valor. do cap. elaborando assim a codificação intitulada "Vulgata Latina" até hoje adotada. a quem o papa Damaso 1. certeza de que os Evangelhos. 1. segundo João.0 de Lucas." d e Atos diz: "Fiz o primeiro tratado."? Não é de se concluir que os documentos q ue chegaram às suas mãos eram somente cópias. incumbiu de codificar o cristianismo 10 Aas 44 narrativas existentes na época (1). Mas teriam tais Evangelhos sido escritos pessoalmente pelos Apóstolos? Comparando-se o vers. portanto. segundo Lucas e segundo Marcos". como estão escritos. Este fat o. que exerceu o pontificado entre os anos 366 a 384. além de Marcos (que nã o o fôra) e ainda de Lucas. visto que a estr utura fundamental. entretanto. ainda.

Têm-se. vivida com grandeza. de forma e de fundo. sempre. então. quando. E nem há que admirar que muito se ignore sobre a vida de Jesus. porque esp e lham condutas mais altas e perfeitas e traçam rumos sempre sequentes à evolu ção dos seres habitantes dos mundos inferiores. sem nenhuma projeção de caráter político ou social. pois tudo que respeita à vida de Jesus tem alto valor inici ático e edifica.narrativas. mas com simplicidade. nos dias que vivemos. 13 O REDENTOR 11 os homens de poderosos meios de intercâmbio e publicidade. E se nos voltarmos para as obras de caráter mediúnico. não trazem maiores esclarecimentos a respeito da parte his tôrica da vida do Divino Messias. dispondo (1) Relação à pág. passada h á quase vinte séculos. preferentemente em contato com o povo ignaro e humilde. da mesma forma encontraremos inúmeras divergências. conquanto se mostrem muitas vezes até mesmo prolixos na exposição de assuntos dout rinários ou filosóficos. em todos os sentidos. que não lev am a maiores certezas. a impressão de que ainda não chego u a época de ser o assunto exclarecido pelos Instrutores Espirituais que. ainda também muito se ignore sobre assuntos atuais de alto interesse para a evolução da colet ividade . A vida dos condutores espirituais da humanidade é sempre cheia de exemplos preciosos e educativos. Mas daí não se conclua que esta última seja desinteressante no seu va lor qualitativo. neste século de tamanha expressão científica.

redimir os homens e encaminhá-los para Seu reino divino de luzes e de amor e foi cum prida em todos os sentidos. não importando ao Divino Cordeiro os sofrimentos f ísicos e morais que suportou. no seu devido sentido redencionista . conquanto pr evenisse aos pósteros sobre suas consequências futuras quando disse: 'não vim trazer a paz. provo caram interpretações as mais diversas e contraditórias sendo. Indicando os caminhos luminosos do amor e da paz universais. o cristianismo primitivo absorvido por forças poderosas que dele se apodera ram para a organização de uma religião oficial (1). oferecer à humanidade diretrizes espirituais mais perfeitas e definitivas. porque tais não eram Seus objetivos. projeções polít icas e sociais na sua época. dominadora no campo d os valores materiais o que. a influência desses ensinamentos sobre os indivíduos e sobre as massas humanas.humana. isto é. E a projeção social. realmente. seus ensinamentos. deixou ao mundo um legado eterno que é lei. pequenina e retardada. mas a divisão". logo após a morte dos apóstolos. A tarefa do Divino Enviado não teve. como código moral que exige conduta perfeita e iluminação interior. mas para todo o Cosmo. retardou de muitos séculos a evolu ção espiritual do mundo. E. não somente par aa Terra. logo depois. esta s omente se fez sentir há pouco mais de um século. como era de esperar. como dissemos. *** A tarefa Messiânica era sanear a Terra de suas iniquidades. com o advento do Espiritismo — O Consolador prometido por Jesus — na inspirada e magnífica codificaç .

no mais íntimo das almas. indistintamente. quase sempre s em transcrições e citações. aberto e refulgente. na França. se houvesse sido promovido o conhecimento preferencia l do Evangelho e a vivência dos ensinamentos com a reforma intima. expressivo e edificante. *** 12 EDGARD ARMOND O REDENTOR 13 Queremos também adiantar que reunimos informes de diversas origens. Por estas razões e circunstâncias. e. e impulsiona os home ns para as luzes da redenção. incl u sive mediúnicas.ão elaborada por Kardec. como em relação à vida de Jesus os eventos foram narr . redigidos e adaptados à finalidade referida. a dotamos o arbítrio de permanecer nas bases históricas do Evangelho codificado. sobretudo quand o vindos pela mediunidade. Não se podem inventar os fatos. que tem sido canal da revelação divina em todos os te mpos. mas cujas fontes e autores constam da bibl iografia contida na última página. (1) E evidente que. de le somente nos afastando para acrescentar detalhes e complementos idôneos e julgados úteis à melhor clareza e lógica do conjunto. outra e mui to mais evoluida seria a humanidade. a não ser em obras de ficção. ao escrever este modesto trabalho. como a força que mais poderosamente realiza transformações morais. O Espiritismo arrancou o Evangelho das sombras místicas das concepçõe s dogmáticas e o apresentou ao povo. mas s omente narrá-los.

na confecção desta obra. 1974. julgamos útil fazer uma compilação de dados. a interpretaç ão. a redação. Paulo. O Autor Capítulo 1 EVANGELHOS APÓCRIFOS Considerados no Autênticos O Evangelho segundo os Hebreus O Evangelho segundo os Nazarenos O Evangelho dos Doze Apóstolos O Evangelho de S. os comentários e as conclusões. uma repetição a mais. Julgamos assim resguardadas a paternidade das idéias e conceitos pertence ntes a outros dignos autores. e como nosso intuito não é acrescentar uma narração a m ais.ados por centenas de autores e repetidos inúmeras vezes. Tomé O Evangelho de Nicodemo O Evangelho Eterno O Evangelho dos Escolhidos O Evangelho de Basilide O Evangelho de Cerinto O Evangelho dos Ebionitas O Evangelho dos Hereges O Evangelho de Eva O Evangelho dos Onósticos O Evangelho de Marcion O Evangelho do nascimento do Senhor O Evangelho de S. cada vez com aspectos diferentes. Pedro O Evangelho segundo os Egípcios O Evangelho do nascimento da Santa Virgem O Evangelho da infância do Salvador O Evangelho de S. Matias O Evangelho da Perfeição O Evangelho dos Simonianos . S. aos quais apresentamos desde já nossos melhores agradecimentos pela participação. conquanto indireta. se ndo de nossa autoria somente a dis— posição deles.

assim discriminad os: O princípio criado gerante . analógico ou místico. cujas características são método. O princípio criado imanente . em seus setores mais altos. Na confecção deste livro fugimos de divagações literárias para en cobrir falhas e. não representa nem se oferece como vantagem especial sobre qualquer outra. como gerais. Judas O Evangelho de Valentim O Evangelho da Vida ao Vivo Como nos Evangelhos não há cronologia nos acontecimentos.o pensamento abstrato fora de Deus . dada a vastidão dos temas e a finalidade da obra.esfera das manifestações do espírito divino na criação. 14 15 Apocalipse é o termo que indica as revelações feitas aos profetas da antiguidade e tanto podem referir-se a assuntos limitados. Nas rehgiões: O primeiro princípio é Deus .esfera dos agentes cósmicos cria dore de m undos. Tanto podem ter sentido extensivo como figurado. não nos arredamos também da feição didática.esfera do pensamento divino abstrato O princípio criado criante . um Agente Executor e um Alento Animador. entretanto. procuramos n a rrá-los obedecendo a uma sequência lógica que. O segundo princípio . ensina que a criação subordina-se aos seguintes princípios universais: um Criador.O Evangelho segundo os Siríacos O Evangelho de Tatien O Evangelho de S. Capítulo 2 A TRADIÇÃO MESSIÂNICA A tradição espiritual do mundo. clareza e co ncisão.o Pai Criador absoluto.

imaginadas por algumas religiõ es como a brahmânica. Barnabé O Evangelho de S. dentre os quais os mais conhecidos na época eram os seguinte s: O Livro de Enoch . Istar e Tamus As Reminiscências dos Apóstolos O Evangelho de S. de onde foram copiadas. Eis as Trindades mais conhecidas: Brahma. Esta é a base fundamental das Trindades. considerados falsos evangelhos pela codificação católi ca-romana. entre outras. Siva e Víshnu Osiris. Falsas Epístolas da Santa Virgem. Falsas Epístolas de Jesus Cris to.é o Filho.manifestado como criação pela ação dos agentes cósmicos . O Livro de Esdras .o pensamento divino derramado na criação como vida. haviam ainda: Falsos Atos dos Apóstolos. Falsas Epístolas dos Apóstolos e Fa lsos Apocalipses.também conhecido como Apocalipse do ano 97. sis e Orus Ea. inclusive por religiões dogmáticas cristãs. inteligência e amor . a egípcia e a persa. O terceiro princípio .é o Espírito Santo. Felipe O Evangelho de S. Tiago o Maior O Evangelho de Judas de Kerioth O Evangelho da Verdade O Evangelho de Lencius O Evangelho de Salmon O Evangelho de Luciano O Evangelho de Hesychius As Interrogações grandes e pequenas de Maria O Código Vercelense O Código Cantabrigense *** Nota: Além destes. O Apocalipse de Baruc O Apocalipse de Elias O Apocalipse de Daniel .citado por quase todos os eruditos da época.

dos hindus. que o revelou a Irineu.O Apocalipse de Moisés . fronteira à cidade de Efeso. bispo católico do segundo século.dos babilônios. segundo s eu discípulo Policarpo. . Sartolomeu O Evangelho dos Escolhidos O Evangelho de Basilide O Evangelho de Cerinto O Evangelho dos Ebionitas O Evangelho dos Hereges O Evangelho de Eva O Evangelho dos Onósticos O Evangelho de Marcion O Evangelho do nascimento do Senhor .dos egípcios. Tiago O Evangelho da infância do Salvador O Evangelho de S. . André O Evangelho de S. . na Asia Menor. foi escrito na Ilha de Patmos. Tomé O Evangelho de Nicodemo O Evangelho Eterno O Evangelho de Sto. Alcindo Capítulo 1 EVANGELHOS APÓCRIFOS Considerados não Autênticos O Evangelho segundo os Hebreus O Evangelho segundo os Nazarenos O Evangelho dos Doze Apóstolos O Evangelho de S. no Mar Egeu. Pedro O Evangelho segundo os Egípcios O Evangelho do nascimento da Santa Virgem O Proto-Evangelho de S.(A Gênese) *** O Apocalipse de João Evangelista possue todos esses sentidos e.

Siva e Vishnu Osiris. Falsas Ep ístolas dos Apóstolos e Falsos Apocalipses. Barnabé O Evangelho de S.O Evangelho de S.(A Gênese) Apocalipse é o termo que indica as revelações feitas aos profetas da antiguidade e tanto podem referir-se a assuntos limitados. star e Tamus Nota Além destes. Matias O Evangelho da Perfeição O Evangelho dos Simonianos O Evangelho segundo os Siríacos O Evangelho de Tatien O Evangelho de S. Falsas Epístolas de Jesus Cristo. como gerais. . O Apocalipse de Baruc O Apocalipse de Elias O Apocalipse de Daniel O Apocalipse de Moisés . O Livro de Esdras . dentre os quais os mais conhecidos na época eram os seguintes: O Livro de Enoch . Felipe O Evangelho de S.citado por quase todos os eruditos da época. Isis e Orus Ea. haviam ainda: Falsos Atos dos Apóstolos.também conhecido como Apocalipse do ano 97. João (não confundir com o aceito) O Evangelho de 5. Judas O Evangelho de Valentim O Evangelho da Vida ao Vivo 14 As Reminiscências dos Apóstolos O Evangelho de S. Falsas Epístolas da Santa Virgem. considerados falsos evangelhos pela codificação católi ca-romana. Tiago o Maior O Evangelho de Judas de Kerioth O Evangelho da Verdade O Evangelho de Lencius O Evangelho de Salmon O Evangelho de Luciano O Evangelho de Hesychius As Interrogações grandes e pequenas de Maria O Código Vercelense O Código Cantabrigense Eis as Trindades mais conhecidas: Brahma.

esfera do pensamento divino abs trato. na Asia Menor Capítulo 2 A TRADIÇÃO MESSIÂNICA A tradição espiritual do mundo. ensina que a criação subordina-se aos seguintes princípios universais: um Criador. foi escrito na Ilha de Patmos. . inteligência e amor . Zeus. entre outras. analógico ou místico. segundo s eu discípulo Policarpo. fronteira à cidade de Efeso. Nas religiões O primeiro princípio é Deus .esfera das manifestações do espírito divino na criação. Ariman e Mitra Voltan. no Mar Egeu. . de onde foram copiadas. Esta é a base fundamental das Trindades.dos persas. em seus setores mais altos. Demétrio e Dionísio BaaI.dos hindus.o Pai Criador absoluto.é o Filho.Tanto podem ter sentido extensivo como figurado. .dos g rgos.dos celtas. Astarté e Adonis Orzmud.o pensamento abstrato fora de Deus manifestado como criação pela aç ão dos agentes cósmicos .o pensamento divino derramado na criação como vida. O Apocalipse de João Evangelista possui todos esses sentidos e. assim discriminad os: princípio criado gerante . a egípcia e a persa. . . 16 . segundo princípio . Friga e Dinar . que o revelou a Irineu. O princípio criado criante – esfera dos agentes cósmicos criadores de mundos. bispo católico do segundo século.dos egípcios. um Agente Executor e um Alento Animador. inclusive por religiões dogmáticas cristãs.dos babilônios. . terceiro princípio . imaginadas por algumas religiõ es como a brahmânica.é o Espírito Santo.dos assírios. . O princípio criado imanente .

de forma grosseira e aproximada da realidade. Na história religiosa. em determinadas époc as. germes de vida. a criação se opera de forma a lgo diferente: as Inteligências Divinas. é o Messias — o ungido — encarnado na Palest ina. Duas na Atlântida. com a terceira raçamãe. por si ou como enviados do Cristo. Em conceito mais objetivo e científico. executando a criação de planetas. como agente da Entidade a cuja jurisdição e depend ência a Terra se encontra. Esta é. . san tificam e presidem à formação de universos e galáxias. Jesus de Nazareth. a quem Pedro se referiu quando disse: "Tu és o Cristo. impulsos novos e diretrizes mais avançadas de progresso espiritual. o berço da legendária quarta raça. dos diferentes sist emas planetários e que são os governadores espirituais desses diferente s orbes. como verb os divinos. satélites e astros em geral. que potenciam energias. agindo no mesmo sentido. encarnaram-se nos diferentes orbes leva n do às humanidades que os habitam. como agentes diretos de Deus. consagrado e "f ilho de Deus vivo". passando a ser seu Governador Planetário. como Anfion e Antúlio. A mesma tradição espiritual também revela que. aliás. a saber: Duas na Lemúria. concorreu à formação do nosso globo e de todos os seres que o habitam. delegam poderes a agentes seus — os Cristos — que. no sentido de que evoluiu em mundos materiais o que. corporificam seus pensamentos. "Cristo". o filho de Deus vivo". a seu turno. como Numú eJuno. Ele mesmo o confirma quando se intitulou "O Filho do Homem". formando os mundos materiais e os seres vivos. como mundo formado em um sistema planetário. os quais se aglomeram e multiplicam dentro de leis divinas pré-existentes. Segundo essa tradiçAo o Governador Espiritual da Terra já encarnou em m eio a seus habitantes várias vezes. corporificam e emitem ondas sucessivas de energia criadora inteligent e. na sua significação de ungido. altos espíritos. por intermédio de cujos discípulos a tradição espiritua l mais antiga transferiu-se para o Mediterrâneo. que se projetam nos espaços criando os átomos.Os agentes diretos de Deus são as Inteligências Divinas que animam. e que. segundo as necessidades evolutivas do planeta. a discriminação mística das tarefas de agentes divinos na criação dos mundos. inteligência e amor.

logo em seguida transposta para o antigo Egito. berço das primeiras encarnações humanas e m nosso globo e onde se esboçaram os rudimentos da consciência dos seres primitivos dos quais descendemos. por mais que se tivessem colocado afastados uns dos outros. a fraternidade dos homens e a paternidade de Deus. pelos Dactylos. ou somente em parte delas. essas tradições. Os conhecimentos revelados por esses magnânimos espíritos foram conserv ados: no Oriente. e onde iniciaram as bases de uma nova civilização. pelos Flâmines. refugiados na Gré cia. sacerdotes esses que. no encaminhame nto de povos bárbaros à civilização.uma na Pérsia. na Palestina. o certo é que esses altos missionários realizaram suas edificantes tarefas apontando di retrizes morais concordantes com a evolução humana de cada época. Verdadeiras no todo. No ocidente. até o advento de Krisna. revelaram os mais adequados conhecimentos sobre a vida e a morte e deram à existência humana um elevado e sublime sentido espiritual. passaram à India e lã. como Jesus. sacerdotes filiados aos cultos da antiga Lemúria. quando então de sceram para o Ceilão. conforme o enunciado fundamental do "amor a Deus sob re todas as coisas e ao próximo como a si mesmos". ora como reforma. científicos. como Krisna. não obstante nem sempre compreendidos e aceitos. o que prova serem sequentes e p rogressivas as revelações espirituais. com o af u ndamento desse continente. viveram. Na Palestina veio Jesus. como Buda e uma última. pouco antes do afundamento da última parte desse continente e para onde transportaram os documentos contendo as tradiçõe s mais antigas. fundando olí os santuários denominados Torres de Silêncio". enviad o do Cristo Planetário. Nessas encarnações esses altos espíritos têm vindo ora como precurs ores intelectuais de conhecimentos filosóficos. ora como pregadores de paz e de concórdia. pregaram sem pre as mesmas verdades fundamentais. em suas montanhas e florestas. ou encarnação deste mesmo. uma na India. religiosos e artísticos. Na Gréci . descendentes dos Atlantes. co mo exemplificador do amor universal. no ponto mais alto da revelação eternizada.dores sociais e guias religiosos.

que vieram pouco mais tarde e fixaram essa civilização no leIto do Nilo e a difundiram pelo Egito e a Mesopotâmia. referentes ao advento do Messias redentor. como canais que eram da revelação. pelos Essênios. a que nos referimos no Prólogo deste livro. Esta última manifestação era esperada de há muito e houvera sido pr edita por vozes proféticas de várias partes do mundo de então. a elas se referia sempre e lhes dava constan tes testemunhos. de Sais e outros. nos diferentes atos de sua curta vida pública de três anos. colaborando para seu cumprimento. 19 Capítulo 3 O NASCIMENTO DO MESSIAS As Profecias As profecias sobre o nascimento do Messias cumpriram-se em quase todos o sd etalhes e o próprio Jesus. preparado por mais de quarenta anos nos desertos do Sinai e do Paran para receber em seu seio o espírito radioso do Redentor. e que vem sendo pe rpetuado até nossos dias pelos cristãos de várias seitas e confissões. Fenícia e Arábia. a mais alta manifestação do Plano Espiritual Superior n a Terra. que receberam e conservaram no seu sentido verdadeiro e autêntico. uniformente. confirm avam outras anteriores.a antiga esses pioneiros eram venerados como semi-deuses e foram. Quanto a Jesus. Isso fazia não só para prestigiar os profetas. redimido por Moisés. express am-se os mandatários siderais pela boca dos profetas ou médiuns. como para demonstrar que esta antecede sempre os acontecimentos relevantes da vída da humanidade que. seus ensinamentos estão consignados no Evangelho cristão. refugiados nas suas grutas e mosteiros da Palestina. os ensinamentos deixados por Moisés e q ue foram por este restaurados. cõmo os cabires 18 os curetes e os talquines. de Abidos. principalmente pelos israelitas — o povo escravo. (3) proferidas em outras regiões do . com base nos documentos descobertos nas ruínas dos templos egípcios de Mênfis. E. os primeiros instrutores desse povo pré. finalmente. As profecias hebréias.hist órico (2) Pelos Kobdas.

Melchior. cujo 1tõ era baseado no ZendAvesta de Zoroastro e cujo chefe era Balthazar. onde ficavam a . esta. a morte na cruz. ao contrário. os Essenios. em Belém. (2) Maiores detalhes. Foram tidos como m ago s porque vieram da direção do oriente. Essa concordância permitia supor que os profetas hebreus deixaram-se infl uenciar por essas notícias que. foram eles: os sacerdotes do TemploEscola do Monte Horeb. a traição de Judas. ou que. do nascimento virginal não o foi mas. contrário às leis naturais. no crucial sofrimento da redução vibratória para adaptação ao nosso mundo ma terial denso. e finalmente. custodiado pelos seus luminosos assistentes espirituais. vieram à tona no transe das revelações. solitários do Monte Z uleiman. etc. onde seus assistentes já lhe haviam preparado o nascimento físico. pressentiram essa aproximação e também se prepararam para apoiar e receber condignament e tão sublime visitante. ocorrera com outros missionários religiosos ou fundado res de movimentos espiritualizantes como. do mesmo Autor. os Ruditas. gravadas em seus subconscientes. dirigidos por Gaspar. soli tários dos Montes Sagros. pertencentes àqu elas correntes a que já nos referimos atrás. 20 Quando o excelso Missionário. quatro grupos de iniciados maiores. dirigido por Melchior. (3) Vide "Exilados da Capela" . no livro "Na Cortina do Tempo". há tanto tempo esperado. do mesmo Autor. as ator mentações e torturas na noite de sua prisão. junto ao Rio Indo. através de uma virgem. na Pérsia. entretanto. por exemplo. A esses iniciados foi revelado mediunicamente a próxima encarnação do Messias. na Arábia. a ressureição. ent ão. seus sacrifícios. Balthazar e Gaspar foram os visitantes piedosos que a tradiçã o evangélica chama de "Reis Magos" e que visitaram o MeninoLuz nos primeiros dias do seu nascimento. Senhor de Srinagar e príncipe de Bombaim. Buda. foram realmente verdadeiras. sem contatos humanos que. se todas as profecias hebréias foram confirmadas. por exemplo: a fixação de Jesus na Galil éia. aproximou-se da atmosfera terrestre. no sentido de um nascimento miraculoso. os sofrimentos do Messias.mundo de então.ed. Mas. da qual fez centro para seus movimentos e pregações. até hoje Vem se tornando motivo de controvérsias entre cristãos. como verdadeiras foram todas as demais que proferiram sobre. nas montanhas desse país. que habitavam santuários e mosteiros isolados e inacessíveis. da Arábia e da Fenícia. da Palestina. conforme referiam. Lake. Krisna. Zoroastro.

Joseph. Nestes casos. Ele era de Belém. a seguinte frase: "Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Vimos sua estrela no oriente e viemo s adorá-lo". cidadezinha da província da Galiléia. pondo na boca de um dos magos. Mateus II . da magia teúrgica e de outras espécies eram praticadas livremente. estando Myriam sozinha em uma das dependências do Templo. fundamentalmente.Caldéia. a seus serviços internos. 21 Dois anos depois. Já estavam ambos em idade avançada quando lhes nasceu uma filha que foi chamada M yri am. a India e onde a ciência da astrolog ia. a designação era feita pela sorte e a indicada foi Myria m. poder. consagrando-se. Moravam e m Jerusalém. da tribo de Judá. Aliás. da família de David. recordando o quanto também sofreraseuprogenitorcom essa situação e as preces que fazia pe . que repercutia também. dias antes de sua indicação. virgem hebréia de família sacerdotal. até então dominante e arbitrário. iluminação. à sua chegada a Jerusalém. foi Myriam. usando de um direito que também lhe pertencia por descender da família de David. junto ao caminho que ia para Betânia. Com a morte de seus pais foi ela internada por parentes no Templo de Jerusalém. região agravada pela pesada ocupação romana. filha de Joaquim e Ana. filha de Alfeu e ficado com cinco filhos menores. que nas grandes festividades cantavam em côro os salmos de David e os hinos rituais. segundo revelações mediúnicas. o próprio Evangelho justifica os títulos. da família de Aarão e ela de Nazareth. por causa da redução de autoridade e de prestígio do clero. a Assíria. nesse tempo. da tribo de Leví. o vaso carnal escolhido e já compromissado desde antes de sua reencarnação na Terra. tendo enviuvado de sua mulher Deborah. cujo nome significa beleza. e uma tarde. a Pérsia. Para a encarnação do anjo planetário. caso o quisessem. era geral na Palestina. no Templo. bateu às portas do Templo pedind o que lhe fosse designada uma esposa. *** A expectativa por um Messias nacional.1. fora dos muros. junto às Virgens de Sião. carpinteiro residente em Nazareth. pois que as joven s descendentes de tais famílias tinham esse direito e podiam ser educadas primorosamente no Templo.

de c uja paternal bondade estava certa poder esperar auxílio e compreenção 22 Surpreendido pela revelação. e a vida do casal. guardou silêncio sobre o ocorrido. mas seus temores aumentar am quando. (Fig. a ponto de provocar reprovações de conhecidos. naquela cidade histórica. confessou seus temores a Joseph. guardou silêncio. resolveu levar a jovem espôsa para Belém (4) onde ela ficaria sob os cuidados maternais de sua tia Sara. A partir de sua chegada a Nazareth e após as comemorações rituais das bodas. sentindo-se grávida. Este fato. que deu-se o nascimento transcendente do Messias Redentor. Atemorizada.la libertação de Israel. dedicou-se aos afazeres domésticos sem poder. foi escolhida pela sorte para esposa do pretendente Joseph.0 . 1). ao qual foi dado o nome de Jesus. Pois foi alí. e seu espírito ingênuo e místico compreendeu que sua aquiescência àquele consórcio era imper ativa. Vivia como dentro de um enlêvo permanente. adormeceu e teve um sonho. exatamente co mo. de sofrimentos e de dores que lhe estavam reservadas no futuro. mas estando evoluindo para termos finais a gestação e não podendo con fiar em estranhos ou parentes alí residentes. desde o primeiro dia. em cuja linhagem pelas Escrituras. Este fato tão relevante ocorreu no ano 747 da fundação de Roma e 1. duraram vários dias. ressentiu-se daquelas apreensões e temores. uma visão (pois era dotada de aprimoradas faculdades psíquicas) d urante a qual um anjo a visitou e a saudou como predestinada a gerar o Messias esperado. contudo. recolhendo-se a prolongadas meditações e alheiamentos. aguardando o perpassar dos dias. no qual vozes misteriosas lhe falavam das coisas celestiais. Por fim. o Messias nacional deveria nascer. esquivar-se à lembrança dos acontecimentos do Templo. bem se lembrava. parentes e familiares. ou melhor dito. segundo os costumes. como era de praxe. de alegrias sobre-humanas. por ter sido onde Samuel sagrou a David como rei. Joseph. também pertencente à família de David. cerimoniais que. estava escrito nas Escrituras Santas povo. dentro da sensatez que lhe era atr ibuto sólido. para ela. foi uma evidente confirmação da visão qu e tivera e das palavras do anjo que a visitara. Foi-se retraindo o mais que pôde da vida social e das intimidades domés ticas.

devido a sua importância. (4) Belém é nome modernizado. etc. devemos apresentar neste livro: a que se refere à concepção de Jesus e a da natureza do corpo que utilizou quando encarnado. e o fato de que os estábulos nem sempre eram lugares destinados a conter o gado. oferece elementos sérios para se optar pelo nascimento natural. que considera tenha ele se verificado no ano 7 de nos sa era e 747 da fundação de Roma. para simplificar as coisas e evitar interpretações diferentes. forragem etc. servindo também de depósito de material. duas. *** A CONCEPÇÃO A respeito do nascimento de Jesus julgamos haver duas alternativas: aceitar a concepção sobrenatural. conforme admitimos por conveniência expositiva. pelo menos. Em Belém se encontram ainda vários estábulos desse tipo. como consta do Evangelho de Mateus e de Lucas. quando vêm à cidade a negócios. Nas profecias se lê. o Evangelho em si mesmo.. E de se admitir que os hóspedes ten ham sido acomodados em um compartimento desses. como querem várias co rrentes espiritualistas e materialistas. 24 Capítulo 4 CONTROVÉRSIAS DOUTRINÁRIAS Dentre as várias controvérsias existentes sobre assuntos evangélicos. segundo Miquéas: "Somente a ti. que servem. ou admitir o nascimento natural. tendo em vista a pobreza e a exiguidade das habitações do povo naquela época. de ti é que virá Aquele que será o soberano de Israel e cuja origem vem de longe. (5) Contam as escrituras que o evento se deu num estábulo. Bethleem-Eufrates. estudado no conjunto dos seus autores. mais afastado do bulício da casa e da curiosidade dos estranhos. ora ainda de acomodação a pastores nômades. o que não é de se estranhar. ora para habitação. adotamos o sistema de considerar o ano 1 o primeiro a partir do nascimento. o nome antigo era Eufrates. ora para depósito de combustível e forragem. Conquanto os evangelistas citados acima narrem um nascimento sobrenatura l.da era cristã. da eternidade" (5) Ao narrar a vida de Jesus e devido a divergências existentes nos cale ndários. ano 33 o de sua crucificação. desprezando o calendário oficial. embora sejas pequena ante as muitas de Judá. .

é evidente que tais informações seriam mantidas na codi ficação denominada Vulgata Latina. É verdade que a seu tempo ainda viviam Tiago em Jerusalém e João em E feso. em número de 44. mas não consta de João e de Marcos (também sinóticos sendo isso deveras estranhável.A primeira das duas versões consta. não fez. em respeito às . o erudito padre Jerônimo. mais que tudo. de selecionar e codificar os Evangelhos existentes na época. porque fato de tamanha importância ou signifi cação espiritual. teria todo empenho em prestigiar a versão de Jesus. qualquer outra consideração seria ociosa mas. com a agravante de que Lucas não foi contemporâneo dos acontecimentos. certamente que não ficaria esquecido deles. pelo mçnos. não é de Deus". de Mateus e de Lucas. Nas demais epístolas de Pedro e Judas. Capítulo 4. dando ainda maior ênfase versão sobrenatural o que. da mesma forma. pelo que ouviu dizer por terceiros. pois. Se.° 3: "todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio nacarne. encarregado pelo Papa Damaso 1. O CORPO DE JESUS À primeira vista pode parecer que. Por outro lado. n. na concordância tácita dos cinco evangelistas: Pedro. citaremos unicamente o que disse João em sua Primeira Epístola Universal. como dissemos.Deus. Judas e Marcos. verbalmente ou por escrito. Como o nosso objetivo não é discutir o assunto. adotados por várias correntes sectári as diferentes e divergentes. provindos d e apóstolos ou discípulos. com referência a esse nascimento sobrenatural. aceitar o nascimento natural. pois viveu vários anos após a morte de Jesus e escreveu. outros documentos houvessem. aceita esta versão do nascimento nat ural. mas tal não aconteceu. concluir ou. Isto parece concludente. Tiago. que até hoje faz fé em toda a cristandade. mas deles não recebia coisa diferente daquilo que eles mesmos informaram a outros. em princípios do século IV. nada encontramos q ue confirme o nascimento sobrenatural. João. membr o da Trindade Católica Romana. aliás. Pode-se. i s to é: nenhuma referência ao nascimento sobrenatural.°. ótimos informantes. além de Mateus e de Lucas. ao proceder ao seu importante 25 trabalho.

Clemente de Alexandria e outros luminares entre os antigos padres cristãos. a formular suas próprias e mais ou men os respeitáveis opiniões pessoais. como na su a natureza e consequências. Ao fim do prazo marcado. dentre os quais os mais intransigentes eram os docetistas. assim como outras muitas existentes. porque a versão adotada pelos contestadores em nada modificaria os fatos. Paulo era dotado de m uita cultura e viveu ainda perto do tempo de Jesus e teria elementos para afirmar essa verdade. mesmo.argumentações dos que crêm em contrário (e são muitos) examinarem os também este assunto e os fatores que intervêm nasua conceituação. atingiu os dias da codificação da Doutrina dos Espíritos. que não houvera entendimento 26 algum entre os disputantes. tendo tido. e permaneceu até hoje entre escritores e pregadores espíritas encarnados e desencarnados que. compareceu ao recinto para ouvir as conclusões f inais. como dissemos atrás. Atanásio. desde os tempos do cristianismo primitivo. S. que causavam agitação e tumulto entre o povo. no ano de 364. em sua Epístola aos Romanos 8-3. surgidos no século II. os representantes de todas essas seit as divergentes cristãs. . porém. Juliano — chefe do império romano do Oriente. João Crisóstomo. verificando. em Constantinopla. um Ponto alto no reinado do imperador Juliano — cognominado o Apóstata " — quando proliferavam seitas divergentes. na ausência de documentação probante. diz: "que Deus enviou Seu Filho em semelhança de carne". de valor sempre muito relativo. limitam-se. educado na religião cat ólica romana e dela tendo abjurado — convocou. que não reconheciam Jesus segundo a carne e afirmavam que Ele possuira somente um corpo aparente. com Roustaing. caso em que os argumentos não sairiam do campo das opiniões pessoais. Sempre se julga desinteressante debater temas desta espécie. Essa opinião foi defendida também por Marcion. vem de longe. O próprio Paulo de Tarso. mandou fechá-los em um grande recinto e deu-lhes prazo de alguns dias para acertarem suas divergências doutriná rias. Essa controvérsia permaneceu em toda a Idade Média. também. como. o Grande. A controvérsia. sede do império. tanto na sua origem. não só p or faltarem elementos sérios de comprovação.

sob cujo peso caiu vá rias vezes? Só se fosse por efeitos fenomênicos. viveu junto a Seus Pais e parentes.Mas como. Nasceu. como consta dos Evangelhos? R . como fez v árias vezes e de forma tão natural e perfeita.Porque depois da morte. a seu turno. o que seria uma incrível simulação da verdade.Existe alguma prova de que Seu corpo físico era de carne. poderia desmaterializar-se. de vibração muito mais alta. adequada a conter um espírito de Sua elevad a hierarquia. Jesus.tênc ia diferente. alimentou-se m uitas vezes em companhia de seus discípulos e seguidores. incrivelmente pesada.Sim. em termos. enfrentou multidões.Por isso limitamo-nos unicamente a abordar o assunto. de matéria mais pura. de milhares de necessitados e doentes. foi pregado na cruz e ali desencarnou à vista de muitos.Não. P . corpo. sendo de carne comum. P . ap ós Sua morte na cruz? R .Mas como pôde Ele conviver com seus discípulos. gerado por um vaso físico devidamente preparado e selecionado anteriormente ao nascimen to. estava utilizando um corpo fluídic o. sem dúvida. O que existe são alguns fatos ou palavras que poderão alimen tar tal suposição. cresceu. como numa simples t ro ca de idéias e simples cooperação. durante 40 dias. possuia poderes para agir em todas as circunstâncias julgadas justas. por vias urbanas estreitas e mal calçadas. de densidade muito menor. perguntando: P. igual ao de outras pessoas comuns? R .Existe nos Evangelhos alguma coisa que prove ter sido fluídico o corpo físico de Jesus? R . p . numa densidade que permitiu manifestar-se de forma objetiva e tangível no nosso plano. de vibração e pureza que comportasse Sua permanência em nosso plano grosseiro e impuro. porém de consis. irregulares e íngremes. sofreu a carga vibratória. a pesada cruz de madeira. E mesmo que assim não fosse. conviveu com inúmera s pessoas. agora sim. pela sua alta posição de Governador Espiritual do nosso planeta. Desta forma as desmaterializações e outros fenômenos narrados pelos e vangelistas se tornariam explicáveis em todos os sentidos. existe. Se não o fosse como poderia Ele ter carregado nas costas. .Porque tinha um corpo de carne.

enquanto que Herodes — chamado o Grande — no seu palá cio de mármore e pedra escura.Concluindo podemos. Arábia. Nas terras pagãs da Grécia. Isso. q ue assumisse o poder em Israel. por isso. de Jericó. delicado e puro. na expectativa das desgraças anunciadas. profetizado a respeito do nascimento e. porque as esperanças e desejos do povo. era sinal de acontecimentos graves. enquanto viveu encarnado. na suposição de que tal acontecimento lhe roubasse o trono e o poder. há muito tempo. dizer que Jesus possuía um corpo físico espec ial de carne. também. Pérsia e Índia as sibi las. de um aco ntecimento extraordinário que abalaria a vida dos homens e mudaria os destinos do mundo (6). podendo sobrevir cat aclismas e sofrimentos imprevisíveis. uma estranha e imprevista conjunção de corpos celestes: aproximavam-se Júpiter. após a crucificação e morte física. pèrfeito. uma geral e profunda expectativa existia. proclamando-se rei e expulsasse os romanos invasores. que descreve pormenorizadame nte os acontecimentos. ansioso e atemorizado. dado pelos sábios assírios e caldeus entendidos em astrologia. prescrutava os cé us. eram para um Messias nacional. 28 Capítulo 5 OS REIS MAGOS Algum tempo antes do nascimento. ou em Jerusalém. Por isso. remordia-se de inquietações. o povo. que estava se formando. bem sabia. e manifestou-se em corpo fl uí dico suficientemente condensado. em toda parte. em dado ponto d o Zodíaco. numa dessas noites frias e estreladas do inverno paleStino . diziam eles. dados por César. tanto na Palestina como nos países visin hos e no Oriente. noites seguidas. 18. pois. já tinham. Saturno e Marte. Até que enfim. de vibração superior ao comum dos homens. Mas os sacerdotes do Templo de Jerusalém sabiam que era chegada a época do nascimento do Messias de Israel e se rejubilavam esperançosos. ** * (6) Vide a mísrna obra citada à pág. correu o aviso. Egito.

tomai-a por guia e ela vos conduzirá ao lugar Onde Ele. assim que virde s a estrela. devido às enormes distâncias em que se encontravam. o Verbo. era o que governava os fastos da nação judaica. existindo. de ti sairá aquele que será o senhor de Israel" Como também já o afirmara a profecia de Zoroastro. não poderiam ter sido eles também avisados pelos Espíritos sobre tal acontecimento. ao de mais. mesmo. Mas. e ouviram o coro inaudível dos Espíritos clamando. muitos deles possuiam magníficas faculdades e um acontecimento desses. Bethleem Efrata. o recurso da mediunidade? As sim como aconteceu com os míseros pastores. que "viram e Ouviram". muito remota. porque a estranha conjunção de astros se operava no signo de Piscis que. aguardando a hora do grande evento. viram os clarões luminosos que desciam do céu. na profundidade dos espaços siderais.quando. por fim. permaneceram investigando e aguardando confirmações. feita na Pérsia. beneficiados de incrível lucidez. porque ignoravam o local exato onde o nascimento deveria ocorrer. que viajavam por toda parte. conquanto pequena en t re as muitas de Judá. que se mantinham em prece. que dizia: "Oh! vós. perceberam que a resposta estava no próprio céu. a esses Iniciados. já informava a respeito dizendo: "E tu. que formou os céus" E ainda não lhes sobrava. vigilantes. alguns no próprio local onde o acontecimento se deu. antes que qualquer outro povo. Quanto aos demais. Adorai-o e ofertai-lhe presentes porque El e é a palavra. nas encostas dos mo ntes próximos. verificaram que a profecia de Miquéas. E os pastores rústicos. as forças das trevas foram vencidas *** Mas. que já estais avisados do Seu nascimento. co mo as fazemos hoje. este fato foi também percebido pelos sensitivos das Escolas de Sabed oria já citadas. o Redentor — nasceu. mais uma vez. de tal significação para a vida planetária . sobretudo pelos Essênios. se completava a conjunção insólita.200 anos atrás. para todo o mundo: "Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade" E assim. diretamente? Nessas comunidades de solitários se realizavam práticas espirituais. astrologicamente. meus filhos. por intermédio dos adeptos da Ordem e pelos irmãos Terapeutas. 3 . do qual tiveram l ogo informações diretas. as vibrações celestiais desceram sobre Belé m e envolveram a casa humilde onde o Menino-Luz estava nascendo. enrodilhados nos seus mantos.

onde se reconheceram e se incorporaram a uma caravana de mulas que se aprestava para atravessar as montanhas de M oab . serviu de guia às caravanas que buscavam aproximar-se do Menino-Luz. a leste do Mar Morto. passando a ser herdeira das promessas divinas. com isso. Para os judeus queria dizer que a criança. a estrela em si mesma representando a conjunção de astros. como também de praxe que. certamente que seria revelado a todos aqueles que merecessem conhecê-lo. até mesmo. Aos quarenta dias foi levado por sua Mãe a Jerusalém. cost ume adotado também pelos cananeus. ao oitavo dia. em feliz ou proposital coincidência. entrava no pacto de Jeovah. no momento oportuno. lugarejo situado nas faldas do Mont e Hor. na Arábia. onde lhe cabia pr omover os ritos da purificação. e.. nesse ponto abandonaram a caravana e seguiram juntos para Jerusalém. fenícios e sírios. esses detentores da s abedoria espiritual de maior responsabilidade. faziam seus pre para tivos e realizavam sua demorada e custosa viagem. A referência citada pelos próprios viajores a uma "estrela guia" poderi a ser simplesmente simbólica. os desencarnados de certa categoria tomarem a forma de estrelas ou outras quaisquer? Não é sabido que os Espíritos podem ass umir as formas que desejam. por fim. conquanto fosse também medida de higiene corporal. como era de praxe. bastando que as imaginem? Essa. sob essa forma. pois. seria uma belíssima tarefa de participação em acontecimento de tal grandeza As caravanas desses Iniciados maiores viajaram durante muito tempo. vindo s de suas terras distantes e. que se resumiam em um . se encontraram. Não é comum nos Planos Espiritua is . 30 Concluindo. para conhecerem e adorarem o alto espírito missionário. E entre estes se colocavam os Chamados R eis Magos. como também poderia ser um Espírito visto pe la vidência que.m Sela. Mas enquanto os "Reis Magos" estudavam o acontecimento. o Menino-Luz se desenvolvia: aos oito dias foi levado à Sinagoga local para ser apresentado e registrado. os recém-nascidos fossem circuncidados. que o Messias nascera na Palestina. partiram nessa direção.

tão comentada. despertava logo a atenção e a interferência indesejável do clero judaico e dos esbirr os de Herodes. cuja estrela vimos no Oriente? Eviu também quando esses viajantes ilustres penetraram no Templo onde. os quais já sabiam quem era o menino a ser consagrado naquele dia. ao afluir. enquanto o velho Simeão. rodeados de seus acólitos. espalhara seus espiões por toda parte. fend e u-se. ent raram na cidade. uma s o lenidade especial: Maria e José foram recebidos pelos sacerdotes Simeão de Bethel e Eleazar. As vi rgens de Sião cantaram hinos. indagando de uns e outros: "Onde está o Messias Salvador do Mundo. caindo para um dos lados e uma paralítica. No Templo havia rodízio de sacerdotes. o véu do Templo. tanto no ato como depois. entregue no Altar dos Holocaustos ao sacerdote em serviço. Senhor. que sempre estivera preocupado com as profecias. tomando o Menino nos braços. caisse sobre as brasas do Altar. torcia-o para trás de forma que o sangue. à cata de algum nascimento sobre natural (como constava das profecias) e um desses espiões viu quando os três viajantes orientais. segundo a tua palavra. findo o que a vítima. o qual cortava o pescoço da ave.holocausto vivo. dos "Reis Magos". Herodes. Nesse momento. porque os meus olhos já viram a tua salvação". foi ele afastado sem perda de tempo. ainda estremecendo. tão esperado e já ocorrido. pesado e de enorme altura. em seguida a ofertante passava ao Templo propriamente dito—O Santo — para que a criança fosse consagrad a ao Senhor. o hol ocausto era de uma pomba. quando primogênita que era o caso de Maria. segundo os boatos existentes e agravados com a ch egada. o consagrou excla mando: "Agora. era atirada em um recipi ente existente ao lado. como medida de segurança para o Menino. que se achava perto. acompanhados de seus serviçais. luxuoso. despede em paz teu servo. que era possuidora de parcos recursos. motivou comentários e estranhezas e. Tudo isso. porque qualquer fato ou circunstância que se relacionasse com o nascimento do Messias de Israel. n . assim que toma ra conhecimento da conjunção planetária fora do comum. de Jerusalém. (7). Por isso prepararam. no caso dela. alguns dos quais eram secretamente filiados à Irmandade Essênia. e preces se elevaram aos céus. em sigilo. levantou-se sobre seus pés e andou.

O fato do Divino Mestre ter sido pressentido em primeiro lugar por pastores humildes. perante Ele e o glorificaram. advertidos em sonho dE que não deviam mais voltar a Jerusalém. e dali prosseguiram eles diretamente para Belém de onde. (8) Prosternaram-se. após isso. ao nascer e antes de assumir o poder religioso. 32 cena comovente aquela em que esses altos iniciados se viram na presença d o Senhor do Mundo. guiados sempre por essênios terapeutas que conheciam o País a fun do. suas anotações. por fim. deixando-se adorar por altos dignitários estrangeiros. então. retiraram-se para suas longínquas terras. encontrado e aceito. e foi uma (7) Simeo tinha recebido mediunicamente a informação de que não morre ria enquanto não visse a chegada do Messias. prova que sua tarefa era de redenção para todos os homens e. em Belém. após verificações cuidadosas de sua identidade e após. (. Aguardou a saída deles. tanto no corpo físico como no espiritual e. finalmente. como supunham. foram conduzidos à presença do Meni no. fizeram sobre o Menino as verificaç ões próprias das circunstâncias. Mas quando. era procurado. tambÉm oferecer provas irrecusáv eis de que era a reencarnação do mesmo espírito anterior. se convenceram de que. no caminho de Betânia. Para . tomaram o rumo de suas terras por outros caminhos. para segui-los e descobrir o endereço que busca vam. mas os sacerdotes essênios perceberam o perigo e providenciaram a retirada dos visitantes por passagens secretas que davam p ara o campo. O Dalai Lama. obteriam informações sérias e positivas.8) O Buda Sidarta. no Tibe t. do Governador Planetário. Consultaram seus pergaminhos.aturalmente. fora dos muros. testemunhava de que sua mensagem seria de extensão universal. fizeram-lhe ofertas úteis de recursos próprios e necessários à vida material e. ali estava encarna do o Messias Planetário. sacerdot es de religiões diferentes. no Mosteiro de Lhassa. este já estava crescido (dez meses e meio). realmente. como consta de Mateus 1-12. revelou possuir os sinais característic os de sua altíssima condição missionária. por exemplo.

que ocorreu em circunstâncias trágicas. o que. sobretudo. Determinado o local do nascimento. Herodes.. o Grande. tendo mandado enforcar. governava a Judéia. do chacra coronário. seu filho. Herodes Agripa aventureiro audaz que convivia na corte dos césar es romanos. como era o caso de Antipas. O povo. que a presença d e um corvo. o Grande. Herodes Antipps. fazia também com seus pr óprios filhos. temia pela sua própria segurança como rei. por fim. a dois deles: Alexandre e Aristóbulo. mandou matar Tiago em Jerusalém e prender Pedro. o mesmo que mais tarde. que governava a gal ile ia . que assumira o governo 39 anos antes.isso consultavam-se os oráculos do Estado e os lamas dotados de faculdade s mediúnicas. conhecia as escrituras. Era tradição nessa família de potentados cruéis. chamado o grande chefe da estirpe. era judeu. inclusive exames de aura. como já vimos. e após isso a busca era então iniciada. esmeradamente ed ucados em Roma. 33 Capítulo 6 EXÍLIO NO ESTRANGEIRO Ao tempo do nascimento. Herodes Felipe gov ernador da lturéia. e. Estava ele assistindo a um espetáculo no anfiteatro que (9 O termo tetrarca era título dado ao príncipe que governava a quarta parte de um reino desmembrado. Herodes. sabia do valor das pr ofecias. viveram em constante temor até a m o rte do déspota. idumeu de origem. como qualquer judeu. Houve quatro Herodes este. face às reaç ões que o advento de um Messias nacional produziria no seio do povo. aliás. Herodes. teve várias mulheres e a todas exilava ou mandava matar. quando bem marcante. temia os profetas mas. assim como a corte herodiana. etc. o menino era submetido a inúmeras pro v as. representava um prenúncio de desgraça. a quem já nos referimos. vivendo em s eus palácios de Jerusalém e de Jericó. o Grande. por motivos deconspiração. tudo de acordo com as tradições e os ritos lamaicos. Todos eles apoiavam os romanos e por isso eram execrados por seus compat rio tas israelitas. tetrarca da Galiléia (9) que mais tarde mand ou matar João Batista e tomou parte indireta no julgamento de Jesus.

a José. (e já vimos como um desses espiões observou a cheg ada dos "Reis Magos". sua entrada no Templo. que viajavam con stantemente no trabalho de socorro e auxílio ao povo necessitado. quando um corvo revoluteou sobre a arena e veio e m seguida empoleirar-se numa trave do camarote onde se encontrava. local onde Herode s não tinha autoridade. se d esmembrara. e Itureia (província a orienta do Jordão). que as profecias acusavam como local do nascimento. concentrando. o que foi feito com aux ílio dos Essênios que. pondo em perigo a segurança do Me nin o-Luz. e como foi burlado na sua investigação). 34 CONSTruira em Jericó. cujo governador era Herodes Felipe. até bem depois da Mor . de caráter mediúnico. Não tendo podido arrancar desses ilustres viaja ntes o segredo da identidade e da localização do suposto Messias. onde permaneceram durante cinco anos. Impressionado. trabalhou no seu ofício de carpinteiro. sendo as outras: JudEa e Samaria (sob governo do Procurador Romano).e Peréa. país onde José. possuiam inúmeros adeptos espalhados por toda parte. e alí os agasalharam no convento do monte Hermon. duplicou sua vigilância e. Vivia ele rodeado de mágicos e adivinhos (como era comum entre as cortes reais) e mantinha um exército de espiões espalhados pelo país e países visinhos. para manter a família. em sonho. como já dissemos. por fim. onde foi acometido de uma terrível doença. com atrozes padecimentos. diz que os Terapeutas levaram o Menino e seus Pais para a Fenícia. os Espíritos protetores aconselharam. durante quase dois anos. além dos Irmãos Terapeutas. Outra versão. o câncer. que se ausentasse do país para o Egito. abandonado por t odos os parentes e servidores. ( 10) Mas como as buscas se multiplicavam. abandonou imediatamente o circo e regressou ao seu palácio . uma das quatro regiões em que a Palestina (antigo reino). suas buscas nos arredores de Belém. da qual morreu em pouco tempo. vasculhou o país se m o menor resultado.

a 123 quilômetros de Belém. escuras. na maior parte encravadas nas encos ta s dos morros. voltaram para Nazareth. por sua vez.fenícIos. após desaparecido t odo perigo. como sabemos. Pouso obrigatório de caravanas que vinham de Damasco ou de Jrusalém e. era região desprezada pelos judeus. por isso mesmo.te de Herodes e das lutas internas que houve entre seus herdeiros. viveu Myriam e após o drama do Gólgota. ficava situada em um vale fértil e belo e tinha uma População de mais ou menos 5. (11) Nessa casa de Nazareth.000 habitantes. •Realmente gente de sangue impuro. Capítulo 7 A CIDADEZINHA DE NAZARETH A cidade de Nazareth. dizendo e cuspindo de lado: "Não sa irá profeta da GaliléIa". Era um aglomerado de casinhas baixas. na Galiléia. para dentro dos quais ficavam os cômodos interiores. Casas rústicas. pouco fiéis às leis e aos ritos judaicos. quando o nome de Jesus começou a ser citado como rabi poderoso. os judeus escarneciam. P ossuia vários poços de água e albergues para caravaneiros e erguiam ali as tendas de ferreiros. Nazareth ficava bem no centro da Galiléia que. -Mistura de sírios. onde o Menino passou os primeiros tempos de sua inf ância. porém frescas no v erão e bem protegidas no inverno. que desciam das encostas formando degr au s. mal ventiladas. carpinteiros e outros artífices que t rabalhavam para atender às necessidades das caravanas. Por isso os judeus diziam del es: "esse povo sentado nas trevas e nas sombras da morTE. ilnio s e gregos e. to rnou-se ela o ponto de reunião dos apóstolos e dos discípulos durante a perseguição do clero judaico que somente amainou com a morte do velho Hanan e a conversão de Saulo de Tarso. por ser habitada por homens rústicos. e que. (11) (10) Este é o local onde Mateus refere ter havido uma matança de crian ças por ordem de Herodes. na disputa de cargos e de riquezas. lugar mal frequentado e de má fama. E quando verificaram que ele era de Nazareth. na esperança de que entre os mortos estivesse também o Messias esperado. então exclamavam perguntando: "Pode vir alguma coisa boa de N . Era rodeada de olivais e vinhedos. situada.

ao organizar-se o quadro de discípulos. pois te reconheço pela fala". e este repetiu o mesmo refrão. após a morte de seu pai. mas era ela a re gião mais bela da Palestina. Paulo de Tarso. por Schammai e Nicodemo. Tão difere nte que Simão Pedro. por exemplo. que se deu no ano 23. à beira do fogo. duvidando: Pode vir alguma coisa boa de Nazareth? Seus habitantes. cumpridores exatos da Lei.az arethe? muito mais tarde. em Je rusalém. a estrada principal passava por Séforis a capital da província. confusa. deCaná a segui-lo. Judas. José. Havia um refrão dizendo: "aquele que não ensina u m ofício a seu filho. Na Galiléia predominavam os homens da terra. quando seus irmãos afins também já se . no pátio de Hanan. de genealog ia obscura. denominados chaverins. prepara-o para salteador de estrada". 36 Nazareth não ficava propriamente na estrada de caravanas. sol a sol. e incultos. sobretudo os mais pobres. cidade importante. denominados amharets. rústicos. naquela noite fria e triste em que o Mestre estava sendo julgado. tentou negar ser seu discípulo. o leiro. de genealogia pura. homens da terra. era tecelão. os impuros. carpinteiro e o próprio Jesus. c ultos. Em toda a Palestina a sociedade era dividida em homens "puros e impuros". andavam Descalços com uma sola de madeira presa aos pés. se faziam nos textos. a meio dia de jumento de Nazaret h e onde havia escolas. usavam uma túnica de estamenh a amarrada à cintura por um cadarço de linho. academias e inúmeras sinagogas. pelas academias maiores dirigidas por HilIel. cujos letrados estavam sempre ao corrente das emendas e alterações que. quase que sem exceção. misturada a raças impuras. pois eram pobres. quando interpelado por uma mulher do serviço da casa. após o batismo simbólico de Jesus. Aliás todo israelita que se presava aprendia um ofício. mas a uma peque na distância desta. traba lhando no mesmo ofício. Na cidadezinha todos se dedicavam ao trabalho. Nicodemo era barbeiro. convidaram a Natanael. concorreu à manutenção da família. mas foi por ela imediatamente desmascarado quando ela disse: "Tu és também dessa gente. Até a fala dos galileus era diferente e tida como bárbara.

os almocreves. O tempo local era uma vasta sala rústica. Depois do púlpito ficava o po vo. os mendigos e. que usavam túnica ritual preta. não só perante os mestres como perant e os colegas. contendo um armário para guardar os rolos das escrituras e os símbolos judaicOs. à frente do estrado. vindos do exílio demorado. que permaneciam com a frente voltada para a assistência. sentado em pequenos bancos rústicos. Na hierarquia profissional eram consideradas profissões mais elevadas e d ignas: as de ourives. agrupados segundo as profissões e condições de "pureza e impureza". acompanhando a família aos sábados. por último. INFÂNCIA E JUVENTUDE DO MESSIAS Desde que seus pais voltaram a Nazareth. os que recolhiam as sobras das colheitas e. que não cumpriam os ritos da Thora. estes dois últimos considerados de má fama. estes últimos presentes somente para . com auxílio do hazan da sinagoga local. porém. roupas e paramentos. que eram três. um estrado elevado. com estante. com duas ordens laterais de colunas. tosquiador. e inferiores: as de tecelão.haviam casado. vendedor d e unguentos e perfumes. ao fundo. para aprender a orar segundo os ritos e se instrui r na Thora. curtidor. o cacho de uvas e o candelabro de sete braços. e isso obrigou seus pais a providenciarem sua instrução primária na própri a residência. possuia uma inteligência fora do comum e uma seriedade que constrangia e irritava a todos. a saber. com tabiques de madeira separando os homens das mulher es . Logo abaixo existia uma cadeira de pedra chamada "o trono de Moysés". suas extraordinárias qualidades puseram-no em franca evidência. os gentios e nativos edomitas e moabitas. para facilitar a leitura dos rolos. logo depois. criando-lhe hostilidades de muitas espécies. os sitiantes. Ele era realmente diferente das demais crianças e não as acompanhava em suas diversões e correrias. aos lados haviam bancos e. fabricantes de sandálias. a miniatura da arca da Thora. uma mesinha de pernas altas. rodeado dos sete conselheiros letrados. vários assentos especiais para as pessoas mais importantes do lu gar. ainda mais longe. Mais afastados ficavam os sem profissão. on d e se colocava o hazan. por lidarem mais particularmente com mulheres. o men ino começou a frequentar a sinagoga local. e. Eram os chamados "primeiros lugares" aos quais Jesus se referiu em uma de s uas parábolas.

etc. Naquele tempo o que mais preocupava a todos os espíritos era a vinda emin ente do Messias Nacional e. religiões. o Divino Enviado. intervinha. mais tarde suas ma ravilhosas parábolas e alegorias. às crianças. se ensinavam profecias evocativas.mente. pela sua pouca idade e atrevimento. referente ao profet a Samuei e isso. O Evangelho está repleto de narrativas sobre curas e "milagres" efetuados por Jesus. Na realidade isso vinha acontecendo desde seus primeiros dias e aconteceria até os momentos trágicos do Gólgota. aprende u os hábitos e os costumes do povo local. 38 Depois que passou a estudar em casa e já se desenvolvera bastante. de um ou de outro modo. na cultura do horto e no apascentamento do pequeno rebanho da família e. interrompeu o hazan (12) para corrigir uma interpretação do texto lido. às vezes. imprevista. Ao deparar com o sofrimento humano em qualquer de suas formas. ao fim. Quando Jesus ia ao Templo local. à medida que seus poderes psíquicos se foram exteriorizando com o crescimento.ouvir os textos que lhes eram. enchendo de assombro e respeito a todos quantos os presenciavam. seu espírito costumava. causou escândalo. nesses trabalhos. e tudo isso concorreu bastante para que pudesse idealizar. exteriorizar-se e. muitas vezes só com sua presença. lendo versículo por versículo e decorando todos e les. língua usad a também na Síria oriental. repetidos em aramaico. seus costumes. como era natural. Desde criança. ajudav a seus pais nos trabalhos domésticos. Como se fos se uma autoridade sapiente. nas cerimônias públicas do culto. o Divin . (12) Sacerdote ou funcionário da administração dos serviços do Temp lo e de Suas relações PÚBLICAS. para obter conhecimento s sobre países estrangeiros. para repetir quando interrogadas. esclarecendo os ouvintes.De outra parte interrogava os dirigentes e membros das caravanas. maiores e mais numer osas eram as circunstâncias em que tais fatos sucediam. Numa das primeira vezes em que lá esteve. op erava curas e fenômenos incomuns e.

sujeito às fraquezas próprias do plano denso em que vivemos. o escravo fugido que se abrigasse em u ma casa. p ela cura do doente. porque pagam nesta vida suas dívidas e grandes alegrias preparam para si mesmos na vida eterna". afirmava. aumentou d e tal forma que. que lhe era dada mediante documento escrito. em Nazareth. sendo obrigado a afastarse para refazer-se. Ou então: "Crês sinceramente na misericórdia de nosso Pai Celeste"? Se a resposta era afirmativa. "O sofrimento". dizia Jesus. "Bem-aventurados". "Se tens amor ao teu próximo". Desde quando adolescente. (13) Pela legislação de então. . mas sim aceito e protegido. fervorosamente. porque estava atuando em um corpo de carne.o Mes tre sentia-se tomado de compaixão e fluídos magnéticos irradiavam dele em grandes ondas. E sempre rematava esses curtos diálogos pedindo a Deus. assist ia e socorria necessitados. "os que sofrem miséria e doença. essa sensibilidade extraordinária. muitas vezes (como acontecia no período das pregações). Aos doentes. padecia com o sofrimento dos homens e nem sempre podia esconder as próprias lágrimas. quando era jovem. com auxílio do hazan local.dos (13). "é a fonte do amor. as dores são cordas que n os atam ao Pai do Céu". Após sete anos de serviço. porq ue a fé é uma força poderosa". muitas vezes. respondia: "Pois então estás curado. espírito da Esfera Crística. porque a bondade de Deus é infinita". realmente divina. acrescentava. quando doente. que as autoridades tinham o dever de fornecer. com o passar do tempo. perguntava: "Acreditas que s ou capaz de curar-te? Se a resposta era afirmativa. inclusive escravos e persegui. dizia logo: "Então. À aproximação de sofredores e malfeitores seu coração sangrava e não sossegava enquanto não beneficiasse a todos eles. o levava ao esgotamento físico. Como espírito de elevadíssima condição (pois era um serafim do Sé timo Céu de Amadores). "sentirás em ti mesmo suas dores e alegrias e. na certa que te curarás. E. o escravo podia pedir sua liberdade. poderás curá-lo de seus males". não devia ser devolvido ao dono. já integrado na unidade da Criação Divina.

berço dos judeus de raça pura e aristocrática.Tishri .Nizan . ao norte. situada às margens do Fosso de Terapion. situada sobre um altiplano de quase mil metros de altitude.metro s de muralhas e profundos vales e montes. defendida por cinco quilo. residência dos ri cos. situada no !. Pela Páscoa do ano 12. que lhe permitia certa independência. pela primeira vez. que levantara no Monte Garizim.K islev .Tammuz .Sivan . Eis os meses do calendário hebreu. ao centro a famosa Samaria inimiga dos judeus. acompanhou sua família na peregrinaçãO de costume.40 Capítulo 8 JERUSALÉM Ao tempo de Jesus a Palestina tinha aproximadamente três milhões de hab itantes. a cidade baixa. Jesus.Ah .Tabeth. tendo atingido idade legal. Normalmente. iam-se-lhe agregando todos aqueles que o desejassem. laços de famíl ia. núm ero este permanentemente multiplicado pelo movimento intenso de forasteiros e peregrinos. co m o de Jerusalém. Dividia-se em quatro províncias. aflui am Capital judaica caravanas inumeráveis de peregrinos que se reuniam segundo as procedências. aJudéia. famosa em todo o mundo antigo centro d á vida religiosa. a oriente do Jordão A Galileia.Adar .Bul . e o bairro do Tepj com suas vas t íssimas dependências. onde se aglomerava o povo pobre. sede do governo nacional. contendo parte da Peréa. um enorme templo que rivalizava. em termos. (14) Março. . num dos quais estava localizado o Grande Templo. e ao sul. Ao passar uma caravana por determinado lugar. era de 65 a 70 mil habitantes a população da cidade. Jerusalém era a capital nacional. dominando todas as imediações e ligado à cidade alta por meio de uma larga e extensa ponte de pedra.Elul . interesses. Nessa época de todos os pontos da Palestina e de países visinhos. a saber: A ituréi. na mesma ordem do nosso: Shebat . etc. Possuia a cidade três bairros a saber: a cidade alta. após o devido entendimento co m o guia que a comandava.Ziv . amizades. no mês do Nizan (14).i.

até que. após a cidade de Sichem. s agrupamentos se recompunham. Sichem ficava na Sam ar ia. terminadas estas. tornava-se per igosa por causa dos bandos de malfeitores romanos. Os que acampavam. enquanto novas ca ravanas desfilavam pelas ruas. portais de residências. mas sempre dentro dos muros e muitos permaneciam sem abrigo. Antipa tris e Nicopolis. herodianos e mesmo judeus. arrancadas do arvoredo rasteiro e entoavam o "Câ ntico dos Degraus". parte acampava em lugares previamente marcados pelas autoridades clericais. de David: "HalIel! HalIel! Haleluia! Nossos passos se detêm às tuas portas. 2). região detestada e proibida. muito além dos limites postos a esta obra e limitamonos a dizer que. Por esta rota. pela via das rochas vermelhas que chamavam de Caminho de Sangue. Sebaste. E isso durava dia e noite. Por fim subiam ao Monte das Oliveiras. com 140 quilómetros. rumo a seus lares distantes. durante todo o tempo em que ass erimônias da P áscoa se desenvolviam na cidade. iniciavam visitas de negócios. Descrever o que se passava em Jerusalém durante a Páscoa é tarefa eno rme. prédios públicos. misturavam-se com as multidões nas ruas e no Pátio dos Gentios. chegando de todas as partes e enchendo a cidade de alarido e de tumulto. aboletand o-se à sombra de muros. porém mais segura. preparavam ali seus alimentos. Por isso todos viajavam em bandos ou caravanas que possuiam guardas armados para defender os viajan tes e preferiam a rota mais extensa.A rota de Nazareth a Jerusalém. no Templo. ao terceiro dia. cantando Coros. os peregrinos acolhiam-se. do cimo do qu al a vistavam as cúpulas douradas do Grande Templo. passando sucessivamente por Scytopol is. etc. . com indicações de suas origens geográficas. expunham mercadorias à vend a. muitas delas ricamente ornadas d e fe stões e barras de púrpura. (Fig. ao chegar. Agitavam então palmas. oh! Jerusalém !". os peregrinos atingiam a Capital. ao chegar. passando. u m a um. Além disso. parte em casa de parentes. armavam suas tendas. nas mesmas condições da chegada e iam. demandando as portas da cidade. que infestavam os ermos. Esse canto b em representava a alegria intensa da chegada.

ávidos sempre de ouvir coment ários sobre a Lei de Moysés. De maneira que. diz o Evangelho. pensaram. não andava em outros lugares que ali dentro. ao fim de três dias. Naquele dia se aproximara de uma reunião que se realizava no pátio de N icolau de Damasco (16) onde se debatiam os problemas apaixonantes relacionados com a vinda do Messias nacional. observando tudo o quanto se passava. e que o encontraram. onde também se juntavam outros parentes e conhe Cidos. Parenta de M yriam. para chegarem primeiro ao ponto de pouso. Jesus realmente não seguira com a caravana. e. livremente. na marcha. estas andavam d e um lado para outro.Em Jerusalém. isto é. "que ao regressar a caravana. que cada rabino fazia segundo os pontos de vista da "Escola" da linha iniciática à qual pertencia. vindo em seguida as mulheres e os velhos. à saída. não estando juntos. . em um dos pátios do Templo. o Templo o atraía de forma irresistível e. durante os dias que passou na cidade. Não há que estranhar esse desaparecimento porque. com os seus bordões. nos pó rticos de entrada e nos seus pátios públicos. havia sempre intensa balbúrdia na caravana. discutindo com os doutores. (15) Beeroth. à hora da partida. mesmo. no primeiro pouso (15). vasculhando todos os cantos. os varões iam à frente. 44 Capítulo 9 JESUS NO TEMPLO No Templo era costume sentarem-se os rabinos em bancos rústicos. dos saduceus ou dos fariseus. só dando pela falta. ao redor deles. 43 Foi nestas condições. os pais de Jesus se hospedavam em casa de Lia. pátios e d ependências. a 15 quilómetros da cidade. até que esta se formasse em ordem e. Quanto às crianças. canta ndo e tocando seus instrumentos. um. quando ela se movia. depois que todos chegaram ao pous o. deram pela falta do menino e voltaram à cidade para procurá-lo. nas suas alegres correrias. das escolas de HilIei ou de Schamai. Por isso voltaram a procurá-lo e o encontraram no Templo. não citado. à frente da caravana. que o menino estava em companhia do outro ou. em companhia dos outros meninos. talvez. se aglomerava a multidão de assistentes. tomando conta dos cômodos interiores e dos pátios. os pais do menino. mas separados. discutindo com os doutores". às vezes correndo.

As escrituras não diziam que Elias deveria vir primeiro para preparar-lhe o caminho? Se já tinha vindo. por fim. o profeta da antiguidade. o Grande Templo era o orgulho e a glória da nação. O Messias que esperais já está entre vós e será meu verbo. como costumava fazer às vezes. para que vos ameis uns aos outros e possais vos integrar na unidade divina que é Luz. dar-lhes-ia a mesma lei. Mas. pelo Messias. "Que a lei do Pai criador e supremo doador da vida. inter veio de súbito. que vigora invariavelmente em todos os mundos do imenso universo. passando a falar com extraordinária segurança e sabedoria.Doze anos já se haviam passado desde quando se dera a conjunção plane tária indicial e ainda nada sucedera e nada se sabia a respeito de seu nascimento tão aguardado. enviados pelo rei Hiram em troca de mercadorias e de segurança de paz entre . de súbito. (16) Letrado fariseu. maior que um homem. ouvindo os comentários até que. 46 Capítulo 10 O GRANDE TEMPLO JUDAICO Idealizado pelo rei David e construído no reinado de seu filho Salomão. Orientou sua construção. diz o Pai e estar e i em vós. uma equipe de técnicos fenícios. se entreolhavam. Pelo amor estareis em mim. enquanto os doutores presentes. o supremo criador. porque então não aparecia? Israel não estava há tanto tempo sofrendo a desgraça da escravidão? Era isto que discutiam a caloradamente os velhos rabinos. também. p orque o menino havia esclarecido suas dúvidas e tocado profundamente suas almas. porém levada à suprema altura do amor por todas as criaturas e por toda s as coisas". jamais se exerce pela c ólera. Energia e Amor eterno". sobre a vinda de Elias. calou-se. eles disseram entre si: "O Espírito Divino soprou agor a neste recinto". sem ser percebido. exministro da corte de Herodes. Enquanto falava. Quando se afastou. o Grande. lhes havia dado como primeira lei o amor por Ele sobre todas as coisas e que agora. mas pela justiça. enquanto o menino estava ao lado. dizendo que 'Deus. o menino parecia irradiar intensa luz ao seu redor e cresc ia em estatura. Teria Ele chegado? Nada se sabia. pois que sois uma emanação do meu supremo ser. estarrecidos de espanto.

O povo transitava pelas galerias laterais que tinham. levou três anos somente. já no corpo central do Templo. Penetrando nesse edifício central pelo lado leste. com amplos pórticos. Nenhum estrangeiro podia ultrapassar esse pát io sob pena de morte. d e 185 por 110 metros. subia-se uma larga esc ada e atingia-se o Pátio das Mulheres que comportava 14. comportando 50. segundo alguns autores. no primeiro retângulo tinha 3 passeios com 4 fileiras de 41 colunas de mármore em todo comprimento.os remos. separados por enormes pátios. A construção.000 pessoas. de 100 3 a 1006 Ao. no tempo d e Oiro. Sua arquitetura lembrava a dos Templos egípcios e fenícios. o Grande. atingia-se o Pátio dos Gentios. aos lados da qual ficavam os alojamentos dos sacerdotes de serviço e de guarda dos objetos de uso nos diferentes r ituais do culto. um dos chefes do povo escravizado na Babilônia. por fim. Em seguida. construído todo em volta do corpo central do Templo e que comportava 140. foi destruido pelos caldeus em 587 AO. Desse pátio. O s lados do retângulo exterior tinham 470 metros de comprimento no sentido norte-sul e 380 no sentido leste-oeste. dois passeios de 9 metros de largura. A porta cent ral. reparado por Herodes.000 pessoas e de onde os assistentes podiam abrigar-se nas cerimônias rituais e holocaustos maiores. que comportava 10. Haviam 4 portas a oeste. Todos os lados desses retângulos eram formados por galerias e colunas. vinha uma esplanada cha mad Pátio dos Israelitas. danificado por Pompeu em 63 AO e. tida como sagrada.000 pessoas e terminava em uma monumental porta de bronze com 22 metros de altura e q . cada uma delas. cada uma delas medindo 6 m etro s de circunferência. formando estas achamada Porta Dourada. Tinha propo rções monumentais e era ornamentado com um luxo extraordi nário. Ao fim da esplanada surgia uma construção interna. reconstruido por Zorobabel. A sudoeste havia uma porta. 2 a sul e 2 a leste. subia-se ao Atrio Superior dos Homens. levando a uma ponte de grande extensão que ligava o Templo à Oidade Alta. Na sua forma geral o Templo era constituído de dois retângulos concên tricos. por uma escada circular de 15 degraus. Penetrando por qualquer destas entradas.000 pessoas.

a do meio. no ano 63. noite e dia. contendo ao centro o Altar dos Sacrifícios. fogo e água. quando tomou Jerusalém. e ao seu lado existia um enor me tanque de água. para ficar conhecendo o segredo que ali existia. E no ângulo noroeste estava encravada. porém nada encontrou. 50 As portas do Templo eram guardadas rigorosamente por sentinelas. chamada — O Santo — onde estava situado o Altar dos Perfumes. brancas e roxas. depois do batismo de J oão. onde permaneciam os levitas. (17) O general romano Pompeu. De manhã à noite. enquanto o sacerdote de serviço oficiava. com suas muralhas de 21 metros de altura e sua torre de 36 metros. subindo uma rampa larga de 8 metros. movido pela curiosidade. Das imensas colunas do Templo desciam cortinas vermelhas. por último. ardia sobre esse altar u m braseiro tido como sagrado. permanecendo sempre velada por uma cortina púrpura-roxa. tudo o quanto se passava nos pátios ext eriores do Templo. a saber: a da frente. recoberta de ouro. o SantoSanto rum que era um quadrado de 10 metros de cada lado. havendo se . sendo este um dos motivos determinantes do ódio que mereciam os invasores por parte dos sacerdotes e povo. Jesus foi transportado pelo Espírito do Mal. como a antiga Arca da Aliança do povo no deserto e onde ninguém entrava a não ser o sumo sacerdote. completamente escuro. azuis. rec oberto de espessas lâminas de bronze ao qual se atingia. até ali trazidas por sacerdotes auxiliares. na construção geral. com 80 metros de largura. também. ocupada pelos romanos e da qual suas sentinelas vigiavam. No ângulo sudeste do Templo elevava-se a Torre chamada Pináculo ou Lus b el para onde. segundo a tradição. a Fortaleza Antonia. decorado de placas de ouro e cuja porta. quando este o tentou.ue à noite se fechava. penet rou Pela força nesse santuário. ar. simbolizando os quatro elementos da Natureza: terra. no deserto. que consumia a carne das vítimas. Atrás desse pátio erguia-se o Santuário propriamente dito. com 45 met ros de largura e que se dividia em três partes. conforme era corrente. Dai passava-se ao Pátio dos Levitas. só se abria à hora dos sacrifícios. e. uma vez por ano (17).

mais tar de. pelo voto dos sacerdotes de hierarquia mais elevada. gritando: maldita seja a família de Boetus. em regime de plena corrupção. até o dia de sua morte trágica.vero policiamento interno e externo. ao ser a cidade destruida pelos romanos. Essa família já dera muitos sacerdotes e. e subsequente trans formação em província do Império. o povo. maldita seja a família de Phabí. A conquista se deu quando o país era governado pelo r ei nativo Hircano. tetrarca da Ituréia (18). concedendo-lhes somente o título de governadores. revezando-se. . a de Phabi e a de Hanan. Eram aristocráticas e poderosas e dentre elas sobressaía a d Hanan. em todas as oportunidades. três famílias disputavam periodicamente. realizado pelos Guardas do Templo. No seu ódio contra as correntes dominadoras. por Tito Vespasiano. cuja família absorvi a a maioria dos cargos importantes. em seu testamento dividiu o país em três partes e as legou a seus três f ilhos o mesmo título de reis. o cargo de sumo-sacerdote: a de Boetus. as invectivava. mas. quase sempre membro da família do SumoSacerdote. 51 Capítulo 11 Reis e Líderes A esse tempo. Normalmente este er a ob tido por eleição. ue se vinha mantendo nos cargos há vinte anos. a saber. Assim. os procuradores romanos punham o cargo em leilão anualmente. com a morte deste rei e após várias lutas internas. Arquelau 52 foi indicado como etnarca da Judéia e da Samaria. cujo comandante era um dos sacerdotes subordinados ao sagan do Templo. tetra rca da Galiléia e Herodes Felipe. Seu pensamento era formar uma estirpe real do seu nome e. ou por acomodações vantajosas entre eles. após a conquista de Pompeu no ano 63 Ac. mas. era ainda um Hanan que ocupava o cargo. A Palestina. mas o Imperador romano negou tal desejo. no ano 70. genro de Hanan. ma ldita seja a família de Hanan. decaiu rapidamente de seu antigo poderio. descendente dos Macabeus. a custo de as e régias ofertas aos romanos. aesteira e a cleric al. que na época era Kaifa. Horodes Antipas. à époc a de Jesus. o ambicioso Herodes — f uturamente chamado O Grande — conseguiu proclamar-se rei dependente de Roma e governar despoticamente vários anos.

quando não se encerrava diretamente na Fortaleza Antonia. s egundo as circunstâncias. de fama pouco honrosa. quase sempre da corrente dos saduce us . os sumo. Enquanto os rabis encarnavam os sentimentos reliosos predominantes. Aventureiro e ambicioso sem escrupulos. como seria natural que fosse. assassin ado em Alexandria a mandado de Tibério. com aliança remota. seu primeiro patriarca. aceitou casar-se com Cláudia. Após o casamento. que se limitavam à interpretação da Lei c onsignada na Thora. tanto para os habitantes da Palestina. Como já dissemos. desprezavam tudo isto e somente adoravam seu Deus Jeovah. a edificação mais luxuosa. no Medi terrâneo. mas quando vinha a Jerusalém. glórias mundanas.sacerdo tes. não tardou que Arquelau.Porém. lutas. Os líderes espirituais do povo não eram. os intérpretes da Lei que. capital litorânea. sendo seguidos fanaticamente e. passando a Judéia e Samaria a serem gover nadas por um Procurador do Império. obtida por seu ancestral Abraão. Todos os povos adoram arte. aliás. os rabis. . como da Diáspora. na realidade. e os sumosacerdotes eram os senhores do Templo. o imperador atual. filho de Augusto. sem ligações partidárias. com o deus nacional. mas os judeus. ent eada de Tibério. Isso. enquanto que os rabis eram fariseus. nesse tempo. principalmente nos dias em que aumentava o afluxo de peregrinos (o que sempre pressagiava t umu ltos) hospedava-se no Palácio de Herodes. o melhor aquinho ado. Pilatos pertencera ao exército de Germânico. Normalmente. Os sumo-sacerdotes eram aristocratas. o Procurador vivia em Cesaréia. sempre vigiados pelo Sinedrin. esporte. ciência. normalmente. riquezas. fosse demitido pelos romanos e exilado nas Gálias. pelas suas crueldades e desmandos. usavam vestes franjadas e cintas de couro na testa e nos braços. por ser muito rendoso. o Templo era o centro vital da vida judaica. Pilatos pediu o governo de Judéia. com plenos poderes sobre seus súdi tos. Levavam o povo para onde queriam. mas sim. após essa divisão. lhes vinha de sua destina ção de povo escolhido. o terceiro dos quais foi Pilatos. homens do povo. por is so mesmo. os sacerdotes representavam o poder político.

Usavam os cabelos penteados de forma arred onda da e em geral usavam tintura. Tiveram sua origem no Egito. Como todas as províncias romanas. a saber: os Fariseus. na sua divisão t erritorial. distinguidos Os fariseus eram considerados os verdadeiros judeus da época. Não criam na fatalidad e ou no destino e também discordavam dos fariseus em atribuirem . enquanto que as dos malfeitores e dos heréticos. Ricos e orgulhosos .(18) Tetrarca. existiam diferentes seitas influindo na vi da da Nação. Eram fatalistas. De outra parte. OS FARISEUS O termo vem de perischins que significa separados. a Palestina gozava de liberdade religio sa e judiciária. 54 Capítulo 12 AS SEITAS NACIONAIS Ao tempo do nascimento de Jesus. materialistas e céticos. Criam na imortalidade da alma e na ressureição. Dotados de mentalidade estreita. termo grego significando para os romanos. Etnarca. O Sinhédrio escorchava o povo com tributos de toda sorte. título dado a quem governava uma prov íncia. foi contra eles que Jesus dirigiu grande parte de suas apóstrofes e advertências. Criam também que as almas dos virtuosos voltavam a animar novos c orpos. como já dissemos atrás. coloca ndo sempre sob a vontade de Deus a boa ou a má conduta dos homens. eram submetidas a castigos eternos. esta exercida pelo tribunal do Sinhédrio. OS SADUCEUS O termo vem de Sadic — o Justo — ou de Sadoc. esforçavam-se por impor ao povo regras e rituais que jamais pertenceram aos ensinamentos de Moysés. somente não tinha poderes para decretar penas de morte. justiça. Eram livres pensadores. além daqueles que eram devidos aos romanos invasores e aos reis locais. que eram de alç ada dos romanos. os melhores cultuadores e intérpretes da Thora. os os Zelotes e os Essênios. levavam ao máximo rigorismo o culto exterior e a expressão li teral dos textos. após a morte. dos q uais se diziam e julgavam fiéis seguidores. representados pelo Procurador de César. príncipe ou funcionário que governava a quarta parte de um reino desmembrado. que eram pagos religiosamente.

. e com frequente vantagem.mente. somente admitiam as práticas fixadas pela Lei. deve guiar-se p el o livre arbítrio e é o único autor de sua infelicidade Ou ventura. Eram menos numerosos que os fariseus. onde faleceu no seu exílio voluntário. o cargo de sumo. filho de Moysés. OS ZELOTES. Por isso eram pacíficos e acomodados e não se deixavam empol gar pela geral expectativa da vinda de um Messias Nacional. decorrente. OS ESSÊNIOS (19) Seita dissidente que. no culto. porque dela vieram os elementos que mais decisiva e definitivamente concorreram para o desencadeamento das revoltas de 70 e 1 17 AD contra os romanos invasores e que tiveram como resultado primeiramente o cerco e a destruição de Jerusalém e do Temp lo e.sacerdote.a Deus a boa ou má conduta dos homens. pe la grande influência que este exercia na vida da Nação. como segue: (19) O termo deriva do nome Essen. Mais tarde esta seita adquiriu extraordinária importância na vida pol ítica do País. os mais nacionalistas de todos os chefes e reis da antiguidade nacional. a s penas e recompensas futuras e. e consequente expatriação dos que sobreviveram às repr esálias romanas. 56 Capítulo 13 A FRATERNIDADE ESSÊNIA . mais tarde. O homem. o epílogo desastroso do extermínio em massa da população. ou zeladores Sua influência era sempre ocasional. porém suas riquezas e prestígio o s colocavam nos postos mais altos da administração e da sociedade. Disputavam sempre. a ressureição e. Negavam a imortalidade da alma. diziam. Eram os remanescentes da seita nacionalista fundada por Jesus de Gamala — o gaulonita — e vinham numa linha direta dos Mac a beus. por sua importância histórico-religiosa merece um capítulo à parte. um dos hierofantes qu e o acompanharam ao Monte Nebo. não permanente como a dos dois ant eriores.

por parte dos que desejavam ingress ar nela. os Essênios.Quando o Governador Planetário encarnou como Jesus de Nazareth. possuidores de altos poderes espirituais. os discípulos. em toda Palestina. porque discordavam dos rumos que o clero judaico imprimira aos ensinamentos mosaicos dos quais eles. segundo parecia. há séculos. em mosteiros e grutas nos al can tilados circunvizinhos. que o amparou desde jovem até os últimos instantes de sua tarefa redentora. das tradições de sabedoria herdadas dos ant epassados. os apóstolos. conservavam os essênios. devidamente qualificados. para dar cumprimento à sua tarefa de Precursor do Messias. outros espíritos. João Batista era essênio e. se muito reduzida era sua influência nas rodas do Governo. os ess ênios. e assim como a Fraternidade dos Profetas Brancos. e a Fraternidade Kobda apoiou os que difundiram as verdades espirituais no Egi t o e na Mesopotâmia. Uma das mais marcantes dessas tarefas coube à Fraternidade dos Essênios . Viviam em comunidades. como anacoretas. Conquanto menos numerosos.. apoiaram a Jesus.. na Palestina. apoiou os M issionários Anfion e Antúlio. Abstinham-se do casamento e adotavam crianças orfãs como filhos. onde eram considerados sábios e santos. as posições e os bens do mundo. Assim. eram os herdeiros diretos e possuiam arquivos autênticos e fiéis. esperando a sua vez. os familiares. eles. fê-lo atendendo orden s que de há muito aguardava. Segundo eles. em seus mosteiros nas montanhas palestinas. arquivos preciosos e conhecime ntos relacionados com o passado da humanidade. seu número entretanto não e ra conhecido com exatidão e. Viviam afastados do mundo. as virtudes e a conduta reta dependiam da continência e do domínio das paixões inferiores. para su a imortal missão sacrificial. desceram também para auxiliá-lo e preparar-lhe os caminho s. desprezando as riquezas. assim. . quando desceu para as margens do Alto Jord ão. Exigiam a reversão dos bens pessoais à Ordem. que ali encarnaram. Detentores. na Fenícia. vindo do Mosteiro do Monte Hermon. na legendária Atlântida. fenícias e árabes. muito profunda e ampla era a que exercia no seio do povo humilde.

espalhando as luzes d as verdades espirituais e as práticas do atendimento contra obsessores. na idade e nas virtudes morais. às quais só poderiam Comparecer dois anos mais tarde. no que. baseada no saber. os aprendizes eram proibidos de praticar suas regras na vida exterior. agiam como precursores dos futuros cristãos dos primeiros tempos. curavam os doentes. mantendo orfanatos.. Na comunidade. empreendendo estudos adequados e viajando diariamente por mui tos lugares. Não comiam carne. após darem garantias seguras so bre a Pureza e a retidão de suas ações. provendo-os do necessário. etc. sob a designação de terapeutas. como hoje em dia são popularizadas pelo Espiritismo. No primeiro ano da iniciação.Vestiam túnicas brancas ou escuras e quando viajavam não carregavam bag agem nem alforges. Entre eles havia uma hierarquia altamente respeitada. em cuja qualidade consolavam os famintos. trabalhavam ativamente em suas respectivas profissões e ti nham pautas de trabalho a executar periodicamente. encontrariam acolhimento por parte de m embros da Ordem. não tinham vícios e viviam sobriamente. mantendo hospitais. ao fim desse primeiro ano começavam a tomar parte em alguns a tos coletivos. pode-se dizer. Esta exigia que em todas as vilas e cidades houvesse um membro da Ordem denominado — O Hospitaleiro que prov iddenciava a hospedagem dos itinerantes. Jericó. leprosários. no lar ou na sociedade a que pertenciam. assistindo os hecessitados em seus próprios lares. Os que revelavam faculdades psíquicas eram separados para o exercício d o intercâmbio com o mundo espiritual e ao exercício da medicina. seu espírito de . Havia cidades como por exemplo. Os essêniosentregavam-se francamente e com a máxima dedicação à p rática da caridade ao próximo. em bem do próximo. fora ou dentro das organizações da Ordem. como já dissemos. exceto as refeições em comum. a dotando crianças. por todos os lugares por onde andassem. abrigos. cuja aquisição era obrigatória para todos os filiados à Ordem. roupas ou objetos de uso porque. onde grande part e da população pobre e de classe média era filiada a essa Fraternidade.

as almas piedosas habitariam esferas felizes. após o nome de Deus. onde sempre encontrav a ambiente espiritualizado e puro. Nicodemo. apoiar firmemente os que observavam as leis e de agir sempre com boa fé e bondade. Após a morte. o de Moysés era o que me recia maior veneração. Na hierarquia espiritual. frequentando assiduamente seus mosteiros. enquanto que as ímpias eram relegadas a regiões infernais. à qual o faltoso só podia volver após duras e longas expiações e purificações físicas e morais. ce m membros adultos. observar a justiça entre os homens e jamais prejudicar o Próximo sob qualquer pretexto. Como se vê. porque a condenação implicava na eliminação das fileiras da Ordem. pelo menos. Ao desempenharem qualquer cargo de autoridade. enquanto que as almas eram individuais. *** É sabido que João Batista era essênio. a família de Jesus e inúmeros outros que na vida do Mestre desempenharam papéis relevantes. sobretudo em relação 58 aos dependentes e servos. deviam exercê-lo sem arrogância e orgulho e jamais tentar distinguir-se dos outros pela ostentação de riqueza. como essênio eram José de Arimathéa. amar a verdade e jamais criticar ou acusar alguém. No terreno filosófico ensinavam que o corpo orgânico era destrutível e a matéria transformável e perecível. por serem parcelas infinitesimais do Deus Criador e uniam-se aos corpos como prisioneiras. apto a lhe fornecer as energias de que carecia nos primeiros tempos da preparação para o desem penho de sua transcendente missão. oriunda da vida universal. como também o próprio Jesu s que conviveu com essa seita. . No ato da aceitação assumiam o compromisso de Servir a Deus. imortais e indestrutíveis. por meio de uma substância fluídica.tolerância e sua castidade probatória. ornamentos e vestuários. mesmo sob ameaça de morte. "porque o poder" diziam eles "vem somente de D eus ". enterrados nas montanhas palestinas. difundiam ensinamentos concordantes com a tradição espiri tual que vinha de milênios e em muito pouco diferiam daquilo que se ensina hoje nas comunidades espiritualistas. Para julgar uma transgressão grave exigiam a reunião de. que constit uia a vida do próprio ser (perispírito).

se referia a escribas e fariseus. não somente sobre fatos. Assim como haviam apoiado anteriormente os Nazarenos e os Ebionitas (20) . que a considerava heré tica e rebelde. que o cristianismo se difundiu mais rapidamente na Palestina. extinguindo gradativamente suas próprias atividades. reconhecendo o profeta Elxai. em parte. foram escondidos em gr utas e lugares secretos das montanhas. nas suas organizações assistenciais e no concurso diário e ininterrupto dos Terapeutas. (21) (20) Significa pobre. frequentemente. nascido 4 anos após a morte de Jesus. elaboradas desde in ício. contemporâneo dos aconte . em to da a Palestina e em outras províncias romanas. ao declarar-se a revolta final do povo judeu. participando. que assistiu a destrui ção de Jerusalém no ano 70. como também Jesus. O que se completou c om o extermínio da nação judaica no ano 117 AD. pode-se ainda citar Filon de Alexandria. o historiador judeu agregado ao Estado Maior de Tito Vespasiano. mas nem mesmo sobre a existência dele s. enquanto cooperaram nessa difusão. veio a elevação do suposto messias Bar Cocheba. e. foi em grande parte com base nos mosteiros essênios. (21) Alguns destes comentários têm base em obras citadas ao fim do livr o. ainda ao tempo de Moysés. mas isso se explica porque. além do trabalho dos apóstolos. circunstâncias quaisquer em que estivessem presentes. alguns deles estando sendo agora descobertos nesses lugares. Depois.a última atitude pública tomada pelos essênios teve lugar no ano 105. a co munidade essênia foi se integrando no cristianismo. queriam evitar que sobre ela se desencadeassem maiores perseguições. este autor assegura que a influência maior dos essênios era no n orte da Palestina e nas imediações do Mar Morto. episódios. na bibliografia. e conservados por seu discípulo Essen. a revolta geral contra os romanos e a exterminação do povo judaico. obteve informações. em parte em Flavius Josepho. Ele mesmo que. de essênios. Os documentos contendo suas tradições religiosas. no século passado. que ainda existiam na Asia Menor.Mas observe-se que os evangelistas e os apóstolos em geral. sabendo que a comunidade dos essênios merecia a hostilidade do clero judaico. correndo o t e mpo. Após a morte no Calvário e no decorrer das primeiras décadas. desvalido. sobretudo em Regia o qual. todos guardaram silêncio a respeito dos essenios. Além destas fontes. junto ao Mar Morto. a seu turno. como chefe.

cimentos e Justus de Tiberiades. todos judeus respeitados e reputados autores. os sacrificadores. um exército de servidores que vivia no Templo e do Templo. Negociavam ainda com a carne dos animais sacrificados. entoavam melodia diferente e a guarda se revezava rigorosamente nos períodos determinados. 60 Capítulo 14 COSTUMES DA ÉPOCA Todos os pátios do Grande Templo sempre regorgitavam de gente e. tanto em dinheiro como em espécies. Além disso havia ainda os trombeteiros. e atentos à rigorosa disciplina a que estavam sujeitos. para cada uma. moedas estrange iras trazidas pelos peregrinos e negociantes. q ue corria para os fundos do Templo em canalizações apropriadas. vestidos de branco. em permuta com moeda nacional. As horas da noite eram cantadas por sacerdotes especiais que. circulavam os sacerdotes menores. os fiscais dos sacrifícios. pom bos). O holocausto ritual dependia do ato que se celebrava. no mei o da turba. descalços. bem como entregar parte da primeira colheita de suas plantaç ões e a primeira cabeça do gado de seus rebanhos. carneiros. utilizados nas cerimônias de purificação. mais especialmente. Havia três categorias de sacerdotes com atribuições especiais: o sumo -sacerdote. silenciosos. Cobravam os tributos devidos ao Templo. as tecedeiras. dos seriiços internos. no caso. bem como com o seu sangue. os supervisores do serviço inte rno. enfim. Os sacerdotes mercadejavam com muitas coisas: animais (bois. todos diretamente subordinados ao referido Sgan. encarregados. que se subordina vam diretamente ao Sgan (diretor) do Templo. perfumes. óleos. os sacerdotes de graus maiores e os sacerdotes menores. 62 . a se u turno diretamente subordinado ao poderoso sumosacerdote. os levitas e demais auxiliares do Templo. os acendedores de lâmpadas. os inúmeros acólitos e auxiliares do comp licado cerimonial. destinados aos holocaustos. pois os israelitas eram obrigados a pagar dízimos. arômatas.

do qual o Templo era o centro mais movimentado pelo vu lto e complexidade dos interesses a ele vinculados. sempre que possível. para que a fumaça subisse ao deus. quando a cidade regorgitava de peregrinos vindos de todas as partes do mundo então conhecido onde havia colonias judaicas. . segundo os recursos da família). abr ia-lhes o pescoço e aspergia o altar com o sangue. donativos. Se o holocausto era de expiação ou de ação de graças. Nos dias de Páscoa e outras festas nacionais. em devotada e fervorosa discípula de Jesus. enquanto jogava uma parte sobre o brazeiro. Os judeus usavam e abusavam de perfumes e no próprio templo havia alamb iq ue para a fabricação. o incenso. e de mercadores estrangeiros. vivendo dificultosamente ou de propinas mesquinhas. se afastavam os comprador es. redundavam em benefício da classe sacerdotal elevada. o linho para as vestes do sacerdote e tudo o mais de uso deles. por parto (30 dias após. deles. vendas de produtos consumidos no s holocaustos. era considerado como sagrado e só podia ser fornecido pelos sumo. a cidade transformava-se em um colossal mercado. oferendas.por exemplo. por medo. mais tarde. Todos os dízimos. Este holoc austo se denominava "oferta queimada". se ndo menino e 60 dias. inclusive os de carne e sangue para adubo. a hetaira famosa. para o que o Templo mantinha fabricações próprias. uma fábrica de essências e óleos perfumados. no t empo em que morava em Jerusalém. A farinha para o pão ritual. possuia no seu horto do Jardim das Oliveiras.sacerdo tes. o sacerdote tomava as vítimas do sacrifício (cabritos ou pombos. sendo menina). que se transformou. enquanto que os sac erdotes menores arcavam com todo o peso dos serviços. o sacerdote tomava uma das aves e a arrojava viva ao brazeiro. os quais ficavam excomungados e. os óleos. Magdalena. as ervas para os arômatas. pa ra uso de sua casa e seus inúmeros admiradores. Os sacerdotes declaravam imundos os produtos dos mercadores e campones es qu e deixavam de pagar os tributos devidos ao Templo. que p ara ali acorriam a negócios. da purificação das mulheres.

que usavam nos braços e. 64 Capítulo 15 JESUS E OS ESSÊNIOS Há no Evangelho uma lacuna histõrica. exposições de matéria relig iosa pelos rabis mais populares no Pátio dos Gentios e outros rumores. abatiam uns após out r os. lamentações. empastados de sangue. oferecendo. uma impressionante. destinados a essas transações e recebimento de donativos. um profundo silêncio sobre os f atos da vida de Jesus. mugidos de animais. campainhas. guichês. sentados às suas mesinhas baixas. bolsinhas de couro contendo o "schema" (capítulos da Thora). ao mesmo tempo em que outros eram t ranspo rtados para junto do Altar dos Sacrifícios. bem como de gente que entrava e saía. com seus aventais de couro. rebanhos de animais que chegavam para serem vendidos. com penas de ganso presas atrás das orelhas. por serem da classe daqueles que o Templo recusava . mist u rado de vozes humanas. no Pátio dos Levitas. sendo os donativos jogados para dentro do balcão. por impróprios ou insuficientes. repartições na forma de tabiq ues e balcões. alvarás para sacrifícios. os animais que vinham sendo trazidos para os holocaustos. no período que vai dos doze. cobiça. empunhando cutelos e macetes. porém desoladora impressão. prepotência. Ambição.Ao redor do Templo e em seus pátios enxameavam os cambistas e os escrib as (22). quando fez sua . como também havia celas denominadas de "caridade silenciosa e cega" que não possuiam funcionários atendentes. (22) Classe de funcionários criada na côrte do Rei David e do Rei Salom ão destinados a anotar os anais do Reino e servir de secretários do Rei. disputas intermináveis de negócios e interpretações rel igiosas. do clero judeu. coro e recitações de salmos. na testa. vendendo escrita e pequenos rolos de papiros com transcrições das Escrituras. mistificação religiosa. Em repartições próprias eram recebidas as dádivas expontâneas em dinheiro. O Templo regorgitava de mesas. para custeio de órf ãos. enquant o sacerdotes hábeis e ligeiros. tudo esta va ali representado em larga escala. Reinava em todo o Templo verdadeiro tumulto e um estridor contínuo.

suficientemente espiritualizados. para a gloriosa tarefa.se até mesmo torturar e crucificar pelos homens b árbaros do seu tempo. a juventude de Jesus transcorreu no r . calúnias e hostilidades. no Egito e na !ndia. somente a os poucos. às contingências do meio e seu espírito. não por carência de amor. onde teria pregado contra o regime de castas. foram .lhe fornecidos pelos essênios. preparando -se assim. quando iniciou su a pregação pública. para o desempenho na Terra de uma missão de redenção humana. e obras de caráter mediúnico também confirmam tais referências. declinaram em s uas atividades até a extinção anos depois. aos trinta anos. afinidades vibratórias. Tendo ele todo o poder e sendo servido por legiões de espíritos auxiliares. não há docu mentação idônea que confirme tais notícias. por exemplo. ungido do Alto . entretanto. quanto aos essênios. que não encontrou nem mesmo no se io de sua família. foi se integrando na sua missão divina. como também aos costumes e regras sociais do país onde nasceu. para o mundo grosseiro e bárbaro que o rodeava. essa proteção espiritual. correntes poderosas e puras de sentimentos. embora sabendo ser a crucificação uma morte infamante? Sujeitou-se. mas de compreensão. porém. Compreendemos que o Divino Mestre. apesar de ser um Messias. deixando. ao contato das quais seu poderoso Espírito se fosse abrindo. havendo inúmeras co mprovações de sua estadia nos santuários dessa comunidade. A tradição consigna sua presença em alguns lugares fora da Palestina como. porque sabiam que essa encarnação messiânica na Palestina seria a última de sua grand iosa série no atual período cósmico. Pois esse ambiente. Os essênios. Não foi preciso que se o protegesse contra Herodes? Também era preciso que se o protegesse contra o mundo ambiente. sob o nome de Profeta Issa. ficou em parte sujeito às leis físicas reinantes n o planeta. com segurança e tranquilidade. não se sujeitou a afrontas.primeira peregrinação a Jerusalém. após ela. através a infância e a juventude. que desde a morte de Moysés se organizaram e vinham se preparando para essa tarefa de apoio. todavia. O mesmo não sucede. pois. e nessa fase delicada naturalmente que necessitaria de amb ientes favoráveis. nos seus santuários das montanhas e pela poderosa corrente espiritual que formavam através de todo o país. Afora os primeiros tempos de Nazareth.

uma reencarnação de Elias. enquanto os levitas e a multidão cantavam o salmo da vinda do Messias. do Monte Hermon. Espantado com a aparição e duvidando no que via. ao seu tempo. conforme as profecias já haviam anunciado antes. muito antes do início de sua vida pública. da qual descendia o sacerdote Zacarias. Zacarias externou sua estranheza. o seu assombro. na Fenícia e dos Montes Moab e Nebo na Judéia.a família. derramou-as sobre o altar e. 66 Capítulo 16 O PRECURSOR Que circunstâncias influiram para o início da vida pública de Jesus? Para responder devemos recuar no tempo e assistir ao nascimento de João Batista. mais ou meno s próximos de Nazareth. a custo. a de Abias. parente de Jesus. e ram bastante velhos e não possuiam filhos. João nascera seis meses antes de Jesus e era filho de Zacarías e Izabel .malmente em sua casa até a morte de José. Moravam na aldeia de Karen. Nesse período fazia frequentes visitas aos santuários essênios do Monte Carmelo e do Monte Tabor. quando as trombetas soaram no adro. de fato. Mas. um ano antes do nascimento de Jesus. a 7 quílometros de Jerusalém e. que se deu no ano 23 quando. repartira o serviço sacerdotal entre 24 famí lias escolhidas. sua delicada sensibilidade foi resguardada e pode ele desenvolver aos poucos sua extraordinária capacidade espiritual que. ouviu que o anjo dizia que "lhe nasceria um filho que seria g rande aos olhos do Senhor. seguindo o rito. viu à sua frente um espírito angélico. tocara o serviço à 8. tomou ele as brasas rituais. e enquanto dominava. portanto. assumiu a responsabilidade de sustentação do la r no trabalho da carpintaria. Mas no dia em que tocou a Zacarias oferecer os sacrifícios no Altar dos Perfumes dentro do "Santo". até que o menino nascesse (23). considerando sua avançada velhice e isso levou o Espírito a declarar que ele ficaria mudo e surdo pela sua falta de fé. então. quando se levantou. já utilizava como for ça irresistível do seu grande amor pelos homens. verteu sobre as brasas os perfumes e prosternou-se. prima de Myriam e. . O termo "animado do espírito de Elias" dá bem a entender a lei da Reenc arnação visto que João foi. que se revezavam semanalmente no serviço do templo móvel e. animado do espírito de Elias e precursor daquele que estava para vir". Nesses santuários. O Rei David. ao tempo.

morrido Izabel e Zacarias. E a pergunta insistente era proferida em todas e quaisq uer circunstâncias: porque então ele não aparecia? Porque não empunhava o cetro de comando e expulsava o invasor. João ficou orfão e foi levado. Jesus. E quando esta chegou. aguardando a hora de começá-la. como a tempestade prestes a . libertando Israel? "O povo estava à espera" — diz Lucas — "desse grande acontecimento e. dominado por i n suportável fanatismo religioso. viesse mesmo do deserto e onde. em relação a os fariseus. iniciasse o batismo da purifica ção (um dos ritos essênios) e anunciasse ao mundo a presença do Messias esperado. assim como també m o fazia Jesus. para o Messias prometido. suas legiões aguerridas ocupavam todo o território nacional e seus funcion ários tinham em mãos os postos administrativos de maior importância. um abismo de ódio e revolta ia-se aprofundando cada vez mais entre ambas as partes.(23) Realmente. A esse tempo tudo estava favorável ao advento: os romanos já haviam tra nsformado a orgulhosa e rica Israel em simples colonia. a que elas se referiam. ao cogitar a família sobr e o nome a ser-lhe dado. quando a hora chegou. pronto para assumir sua magnífica tarefa libertadora. regularmente e com o máximo rigor. no dia do nascimento de João. então. durante 27 anos preparou-se para sua tarefa. cheios de ânsi a e desespero. nessa época. as Inteligências Espirituais que custodiavam a exce lsa entidade encarnada. aos conquistadores da nação. j á deveria ser um homem adulto. logo depois. os judeus se voltavam. o velho sacerdote repentinamente recuperou a fala e determinou que se lhe desse o nome de Jochanan. na Fenícia. que eram maioria. Para os romanos os judeus eram um povo atrasado. e a própria classe privilegiada dos sacerdotes em muitos pontos estava sujeita. Com os saduceus — que eram céticos — ainda se entendiam de alguma forma mas. Os invasores. Em toda a Palestina. Já tinha havido a conjunção planetária indicial e o Esperado. também. bárbaro. no caso de ter nascido. pelos essênios (a cuja comunidade o sacerdote e sua mulher pertenciam) para o Mosteiro do Monte Hermon. Havendo. deram ordem a João para que descesse para as margens do Alto Jordão. para que se cumprissem também as profecias e a "voz clamante". coletavam para Roma pe sa dos impostos.

as profecias estavam então recebendo integral cumprimento. que o machado já está posto à rai z das árvores". E com sua voz poderosa. João Batista. a respeito do Messias . como o próprio Jesus confirmou. bramindo: "fazei penitência . Como falava muito de fogo dizendo: "Eu batizo com água. cada vez com mais ânsias. trazendo à s almas multiplicadas esperanças quando a "voz clamante. os olhos encovados fixos na multidão. o qual o ungiria e o consagraria. Seus trajes sumários. o povo acudiu pressuroso e alvoroçado. Por isso o alvoroço cresceu . o grande profe ta da antiguidade. sobretudo. 68 João. Havia quatro séculos que em Israel não aparecia profeta algum. João repe tia trechos proféticos do Livro de Enoch. cortará a árvore estéril e a lançará a o fogo". E as trevas se iluminaram de claridades novas. mas Ele batizar á com fogo (referindo-se ao Messias).. que ninguém conhecia. e começou a pregar.. não pregava contra a Thora. Quando. limpará a eira. assim sendo. por si só. para as esperanças do Messias. como essên io que era. do deserto" acrescentava: "preparai os caminhos do Senhor. então queria dizer que o dia terrível da vinda do Messias tinha chegado. bastava para incendiar as imaginações e acelerar os corações. dando a entender claramente que e le já estava presente e isso. seu físico agigantado e esquelético. produziam enorme impressão. pois. desceu para o rio. suas palavras terr íveis e seus olhos chamejantes. pensaram que ele era Elias — o profeta que fora arrebatado ao cé u em um carro de fogo — o que. nu m fogo que nunca se apaga. o trovão rolou do deserto . disposto a ouvir sua mensagem e cumprir à risca suas recome ndações. recolherá o trigo ao celeiro e queimará a palha. se voltava. por outro lado. Falava do Messias com grande segurança. aplanai os caminho s que o reino dos céus está próximo".desencadear-se sobre a terra envolta em ódio. l á ao norte. sua aparência austera mas. Ora. era a reencarnação de Elias e . A Divind ade guardava silêncio e o povo. As Escrituras diziam que o Messias seria precedido de Elias. atemorizado e superticioso. limitando-se a exigir pureza e arrependimento.

isso impressionava grandemente o povo. do norte para o sul. em suas pregações. bolotas de árvores (gaf anhotos) e. Outros pensavam que ele era o próprio Messias e ficavam aterrorizados com suafigura estranha e impressionante. já citado. Ele afirmava que João era o cabeça de um partido considerável. em honra ao Messias. cujos membros eram inteiramente devotados às suas ordens e que movimentava essas forças contra a dominação romana e contra Herodes A ntipas. despoja de seus tronos os reis. mas eledizia bem alto. raizes vegetais. E João sabia o que dizia. Para o historiador Flávius Josepho. a vida austera que levava. Usava as abluções essênias na forma de batismo. Pregav a quase abertamente a revolta contra a situação reinante. batizando e pregando a penitência dos pecados e exortando o povo a purificar seus sentimentos. no deserto da Jud éia. e ali. entrega-os aos vermes". não sou digno de d esatar as correias de suas sandálias". a quem vedes. dia po . seu nome já tinha sido pronunciado pelo Senhor". a exercerem a justiça e a receberem o batismo. antes da criação do mu ndo. até que parou em Bethabara. que exortava os judeus a abraçarem as virtudes. mergulhando as pessoas nas águas do rio.que diziam: "Escolhido Ele foi e oculto de Deus. elevando os bra ços numa atitude dramática: "O Filho do Homem. nutrindo-se de mel silvestre. de grande piedade. tornando-se a ssim agradáveis a Deus". manda-os para as trevas. A arrebatadora eloquência de João realmente arrastava após si. como em outros lugares por onde passara. "João Batista era um h omem justo. formou-se logo um acampamento para abrigar as mul tidões que não cessavam de chegar diariamente para vê-lo e ouví-lO. à margem ocidental do Mar Morto. após promessa firme de arrependimento de erros passados e compromisso de vida mais reta e perfeit a daí por diante. de encontros que tiveram há algum tempo. E rematava. porque já conhecia Jesus. Antes que o sol e os sinais celestes fossem criados. E assim. ia o profeta terrível descendo o rio. João. para que todos ouvissem : — "Eu não sou o Messias. aos saduceus o seu ceticismo e aos escribas seu espírito de vergonhoso mercantilismo. devido ao crescente prestígio que já adquirira em toda a P alestina. demonstrava indômita coragem profligrando a ação dos fariseus e suas corrupções. no s antuário essênio de onde viera.

o prestígio popular que já adquirira representava realmente poder pol ítico. Numa tarde em que o Batizador. com o compromisso de arrependimento dos erros do passado e de radical mudança de sentimentos e atitudes no futuro (24) João fazia-lhes um sermão sobre os erros. 70 Capítulo 17 INÍCIO DA TAREFA PÚBLICA A aproximação de João e sua parada em Bethabara era o sinal para Jesu s de que sua hora também chegara e. dos defeitos e alívio das fadigas da alma. em separado. para eles. João antes de imergir os batizandos na ág ua do rio tinha com eles uma conversa coletiva durante a qual. esclarecia-os a respeito daquele ato místico e simb ólico que. o principal motivo que levou Herod es a mandar prender João. representava a entrada na legião dos destinados à redenção. primeiramente os homens e depois as mulheres. podendo ele. não se cansava ele de repetir. segundo o mesmo historiador. por isso. fosse considerado por Josephus um revolucionário. cansado dos labores do dia. Jesus se aproximou e João imediatamente o reconheceu. multidões consideráveis e em breve sua fama se espalhou por toda a nação e regiões vizinhas. significava para o espírito c ulpado limpeza das impurezas. se assentara so b re uma pedra alta junto à Casa do Passador (funcionário que dirigia a balsa de passagem). sendo natural que. Esse foi. se o desejasse. o batismo só teria valor se a intenção fosse transformada em atos . Somente após isso é que fazia a imersão das pessoas na água do rio.r dia. levantar as massas do povo e lançá-las em qualquer direção. A imersão. Segundo as regras que seguia. O compromisso era prestado no sentido de o indivíduo melhorar-se es . como já explicamos. do ponto de vista político. de onde olhava ansiosamente a multidão que continuava a afluir ao rio para ser batizada. os reis corruptos e o clero. Pregava abertamente contra os romano s. abandonou sua casa de Nazareth e partiu ao encontro do Precursor. as inferioridades da conduta moral e as vantagens da purificação e advertia-os sobre a inutilidade do ato se não houvesse a intenção íntima da reforma mor al.

mas só o davam àqueles qu haviam p assado por severas provas que os habilitavam ao ingresso na comunidade. respondia que fazia isso por sua própria conta. desceu sobre Jesus. ele mais de uma vez lhes havia respondido que era simplesmente uma voz que anunciava a sua vinda. c ada qual pregando a lei de Moysés a seu modo e alguns de forma verdadeiramente inconveniente para os interesses do clero e. ao lado. que queriam saber quem ele era e que autoridade tinha para falar sobre a vinda do Messias. dado o efeito enorme que produziu na multidão. Quando João apareceu. por isso . Naquele dia já fora ele interrogado insidiosamente por alguns levitas env iados do Templo. muitos entre o povo e discípulos de João. perdoar as ofensas recebidas. Alguns dos Evangelhos apócrifos a saber: o dos Ebionitas. Dito isso entrou no rio e João então derramou sobre ele a água purificadora. (24) Os essênios usavam o batismo. mas Jesus então explicou que era preciso que assim fosse. ainda. para que as Escritu ras recebessem integral cumprimento. enquanto que uma voz se fazia ouvir dizendo: "Este é meu filho amado em quem me comprazo ". daquela forma perempt ória que utilizava. e os céus se abriram e uma entidade espiritual. que as sombras do crepúsculo enalteciam. sempre os vigiava de perto. a outros mandava prender e outros. na forma de uma pomba. Jesus chegou e disse que vinha ali para ser batizado. viram que o rio resplandeceu de luzes. o Sinhédrio. fugir do mal e desviar-se do passado criminoso. Naquele momento. Seu trabalho era árduo e por vezes perturbado por disputas de caráter r eligioso. fazendo seguir seus passos e analisar cuidadosamente suas pregações. Diariamente surgiam no país pregadores e rabis vindos de muitas partes. ali presente s. pois.piritualmente. o dos Hebreus. O Código Vercelense. João retrucou que ele é quem deveria ser batizado por Jesus. na sua qualidade de rabi de Israel que realmente o era. que se levantavam no meio da turba. e com o dedo indicavalhes as franjas da túnica depositada no chão. que queriam saber das intenções verdadeiras do profeta. As Reminiscências dos Apóstolos e o . e quando lhe per gun tavam com que autoridade batizava o povo em nome do Messias. Quando. eram mortos ou consumidos. a uns advertia. onde havia sempre espiões do Sinhéd rio. o Sinhédrio se apressou em mantê-lo debaixo de vistas.

como afirmou a seus discípulos. do ano 150. aliás. eu te gerei hoje". após o devido entendimento. todos galileus. em Betsaida. foram juntos até Jesus e Natanael é também recebido e incorporado ao grupo dos primeiros discípulos. Jesus recolheu-se ao santuário de Moab e s eis semanas depois voltou a Bethabara e. onde se hospedaram. ir-se diminuindo at é a morte. o profeta. Mas à insistência do amigo. — reintegrou-se em todo o poder do Espírito Crístico. m ovidos por irretivel impulso. aos q uais logo depois agregou-se Simão. para que o Messias crescesse e desenvolvesse livremente a sua tarefa de redenção. que o Mestre também chamou e as sim chegaram à casa da sogra de Simão. naquele instante. apontando-o "Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo". naquele instante — o Filho do Homem . de p . à sua aproximação. percebe-se que Jesus. após despedirem-se do profe ta que. ao fundo da casa. que ali permanecia com seus discípulos atendendo ao povo. Felipe foi a Caná.Código Cantabrigense. narram o acontecimento de forma difere n te e dizem que a voz que soou no espaço clamara: "Tu és meu Filho bem amado. o Governador Planetário. e então dois de seus discípulos. devendo ele daí por diante. na Terra. o que evoluira pelas encarnações humanas. No dia seguinte. Em caminho encontraram-se com Felipe. foram aceitos. isto é. contou-lhe que se tornara discípulo do Messias esperado. tornando-se seus primeiros discípulos. ali estariam vendo pela última vez. No dia següinte partiram para a Galiléia. Capítulo 18 OS PRIMEIROS DISCÍPULOS Abandonando as margens do rio. em perfeita sintonia com o Cristo Planetário. Esta é a versão de David (*) de Paulo e dos que asseveram que Jesus recebeu ali. sentados debaixo de uma grande figueira. João e André. Seja como for. cidadezinha perto de Nazareth. excl amou. da esfera dos Amadores. Dias depois foram todos a Caná e compareceram a uma festa de bodas. ao que Natanael contestou com o refrão conhecido: "poderá vir alguma coisa boa de Nazareth?". Jesus de Nazareth. visita r a um amigo chamado Natanael e. o espírito do Cristo Planetário. seguiram a Jesus e. voltando em seguida a Nazareth. filho de Jonas. junto ao Kineret. tornando-se integralmente apto para a realização de sua sacri ficial tarefa na Terra.

Thiago (o menor). Judas Thadeu e Judas de Kenioth. quando a tarefa tomou aspecto difícil. convertendo água em vinho. os seguintes: Thiago (o maior) . nos últimos dias. pela onda de hostilidades e ameaças que se acumularam contra Jesus e. correspondia ao número das tribos de Israel. cidade importante. e ao atingirem o Monte das Oliveiras. que assim quiz honrá-los e ajudá-los. rodeado de jardins e pomares perfumados. 3. situada às margens do lago também chamado Genezareth e Mar do Jardim dos Príncipes. Aos poucos foi-se completanto o quadro dos discípulos até por fazer o n úmero de doze que. Simão. muitos se afastaram e. aliás. somente permaneceram junto dele os doze primitivos. ao veriificar tal fato. porém. O lago tinha 6 quilómetros de comprimento. o Zelote.5 de largura e 1 . Numa deter mina da ocasião. por não compreenderem ou não conco rdarem com a doutrina que pregava. além dos já citados. A estes primeiros cdiscípulos muitos outros se agregaram no decorrer das pregações. e estava 200 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. ao que eles respon deram: para onde iremos. deixando a Samaria à direita. por fim. como narra o Evangel ho.700 quilómetros quadrados de superfície. também. (25). Jesus. Jesus realizou seu primeiro "milagre" público. tornando-se trabalhosa e até mes mo perigosa. Ele primeiramente lhe respondeu "que sua hora inda não tinha chegado" mas para satisfazêla. Destes d oze. Jesus resolveu peregrinar com seus dis cípulos até Jerusalém. pouco distante. at:ingindo até o número de setenta e dois. Capítulo 19 VOLTA A JERUSALÉM Estava-se no ano 31. Judas de Kerioth também o abandonou e. Quando sua Mãe pediu-lh e intervir. após a crucificação. a seu pedido. pela sorte. Matheus. se somente Tu tens as palavras da vida eterna?". porque faltava vinho. Como a Páscoa anual se aproximava. após o "milagre" de Caná achava-se em Kfarn aum. Seguiram o curso do Baixo Jordão. Foram eles. Thonné. porque eram pobres e onde. Jesus perguntou aos discípulos citados se também não desejavam partir.a rentes afastados de Myriam. localizad o em vale paradisíaco. lfoi substituído por Mathias. interveio da forma conhecida. depar . a Mãe de Jesus.

sempre prontos a obedecer às suas vontades. limitando-se a perguntar: "que sinal fazes tu para mostrar que tendes auto-ridade para a . pureza. os costumes e ferindo a classe sacerdotal no seu ponto mais vulnerável — a dos interesses materiais — é claro que Jesus estaria acumulando sobre sua cabeça tempestades que não tardariam a se desencadear. além de parentes e convidados. cheia de gente e de rumores os mais diversos. onde iniciou suas pregações de costume. Enfrentando. comer e beber. Imagine-se. comumente. até onde podiam en trar israelitas e extrangeiros. podiam entrar. crentes ou não no Deus Jeovah. Já ali estivera há vários anos. Se tal realmente aconteceu. Jesus e sua comitiva dirigiram-se diretamente ao Templo. da compaixão e do amor extremado a todos os seres. Mas se realmente aconteceu. não revidaram também com violência.ou ele novamente com a cidade sagrada e seu magestoso Templo. Assim se justificaria a passagem do Evangelho pela qual Ele pediu a seus d íscípulos uma corda. como o fazia com leprosos. é pouco de crer. e também porque Ele possuia força espiritual necessária para agir sobre aqueles homens por muitos meios. duravam dias e todos. usando dos recursos materiais que tinham ao seu dispor. doçura. Jesus. e ali estaria também o prestígio quase místico de que gozavam todos os profetas e rabis. penetran do naquele ambiente e deparando com semelhante espetáculo! Como deveria ter sido ferida sua extraordinária sensibilidade espiritual ao contato daqueles sentimentos bárbaros. foi ferido na sua sensibilidade pelo enorme alarido que vinha dos fundos do Templo e do Pátio dos Levitas. acompanhando as peregrinações da família . acompanhado de seus discípulos e já em plena responsabilidade e consci ência de sua tarefa religiosa. Antes mesmo que começasse a falar ao povo. Chegando à cidade. que os sacerdotes. enquanto houvesse. poi s. segundo narra o Evangelho. agitou-a no ar e expulsou dali todos os traficantes. onde estava em pleno funcionamento o serviço sacrificial de holocaustos. daquelas vibrações negativas e venenosas! (25 As festas de casamento. no Pátio dos Gentios. de rutilantes cúpulas de ouro. e tão poderosa a força moral que naturalmente se irradiaria do Divino Mestre. o Senhor da Paz. Mas tal era o escândalo das contravenções sacerdotais à própria Lei de Moysés. a exoressão viva da retidão. cegos e paralíticos. compreendese q ue atrás do látego estariam as tremendas vibrações do seu poderoso espírito e a força concentrada de todos os agentes do mundo in visível ligados à sua tarefa planetária. mas esta era a primeira vez que o fazia como rabi de Israel. porque a hierar quia espiritual de Jesus sobrepairava muito acima de qualquer violência. assim.

mais arraigada à letra da Lei. em sua maioria filiados à Escola de Hillel. Capítulo 20 AS ESCOLAS RABÍNICAS Já vimos. que os verdadeiros condutores do p ovo eram os rabis. Nicodemo. ao mesmo tempo em que se instruiam. dando assim a entender — caso isso não seja uma das i númeras interpolações acrescentadas ao Evangelho. O Evangelista João diz que o Mestre estava se referindo ao templo do seu próprio corpo.gir como estás agindo?" ao que Jesus teria respondido dizendo: "destruí este templo e eu o levantarei em três dias". essa Escola era a mais ortodoxa. que não hostilizava a Thora limitando-se a mostrar onde estava a verdade. coisa também di fícil de se crer. fora o organizador no iníci o de sua formação. como ameça ou bravat a próprias de homens comuns. não aceitava a p ossibilidade de Jesus usar de violência. corporificada na Thora e. o mais famoso e autorizado l íder fariseu. Os discípulos viviam em casa dos rabis. como de fato ressuscitou. da parte de Jesus. De outra parte. quando da organização da Vulgata — que também ele. não só para honrá-los. porque não se pode conceber um espírito da envergadura moral do Mestre a utilizar estes termos. Os rabis mais afamados tinham maior número de discípulos e às suas es colas eram entregues os rapazes das melhores famílias para se educarem e aprenderem uma profissão. a mai s aproximada dos ensinamentos pregados por Jesus. no Espaço. por exemplo. Os conhecimentos transmitidos a esses discípulos eram amplos e abrangiam . como para se instruirem. operavam em rodízio e acompanhavam-nos às cerimônias de cu lto. havia grande empenho em se conseguir um lugar em suas casas para os moços judeus dessas famílias importantes. que ao fim de três dias ressuscitaria. pela exposição anterior. Era muito respeitado o refrão popu lar que dizia: "aquele que não ensina uma profissão a seu filho. a posse de poderes mai s que suficientes para qualquer reconstrução de edifícios na Terra da qual Ele. João. pertencentes a diferentes "Escolas" ou partidos. entretanto. Ben Zakai. de certa forma. Schamai e outros poucos. Gamaliel (d iscípulo de HilIel). Não se deve. ou de vida pública. servindo-os pessoalmente e ajudan do nos trabalhos domésticos. negar. seu Governador Espiritual. prepara-o para salteador de estrada" Quando se tratava de algum sábio de renome como.

para esclarecerem o povo sobre o que era legal ou ilegal. era um espírito de evolução mais avançada. . sobre alimentação. legislação civil em vigor. mormente no que se referia à vinda tão esperada do Messias nacional. medicina. a primeira religiã o monoteista do mundo. higiene. também. gestos adequ ados ou não. apesar de sacerdote de segundo grau. palavras. estudavam a fundo a Thora e todos os livros concernentes ao culto e às concepções religiosas nacionais. Compreendiam a História de Israel. para a marcação de datas de festividades nacionais e tudo mais que se i ncluia. além da parte religiosa propriamente dita que. se resumia na Thora. astronomia. nos limites da autoridade e da jurisdição dos hazans das sinagogas. o que mais se exigia sobre plantações. visando. Na parte religiosa. enfim tudo o quanto era conhecido e oficializado em relação à ciência e à religião judaica. principalmente. para obterem conhecimentos sobre as ervas necessárias à manipulação de perfumes e remédios. e interessava-se vivamente pelos acontecimen t os religiosos e sociais de sua pátria. que defendeu Jesus em várias oportunidades e que melhor compreendeu sua qualidade de Messi as Planetário. o único rabi de maior projeção. botâ nica. inclusive as profecias e os salmos. e normas de conduta. seus costumes e legislação. cruzamentos. para poderem ensinar aos camponeses o que mais con vi nha. em geral. era um dos rabis mais afamados de Jerusalém. visando as relações sociais.. vestuário. às regras sobre pureza e impureza . com Jeovah como deus único. etc. motivo pelo qual foi citado pessoalmente no Evangelho de João. e conselhos ao povo para a cura de moléstias em geral. Capitulo 21 NICODEMO BEN NICODEMO Nicodemo. Conquanto seguisse fielmente as ordenações da Thora. para intervenção no s casos de emergência.as regras e normas ditadas pela ciência daquela época. agricultura.

sujeito a transes e outr as perturbações psíquicas. porém. Nicodemo esforçou-se em conseguir uma entrevista com Ele. a uma casa pobre. feita pelo Batista e que. quando o profeta ungiu Jesus com o batismo. anunciando o Messias. a cuja f rente. apontando-o em seguida. o que lhe conferia prestígio muito maior no senado-tribunal. e era composto. pes soalmente. estava a poderosa família de Hanan. Assim. quando Jesus veio a Jerusalém nessa segun da viagem. Judas seguiu o Mestre e conseguiu ver-se aceito no rol dos seus discípulos. Por estas informações e outras. no momento. ouvir opiniões. dizendo não ser digno de nem mesmo amarrar o cordão de sua sandália. em sua maioria. Entre os discípulos de Nicodemo estava Judas de Kerioth. mas. com o braço estendido e dizendo aos discípulos e ao povo ali reunido: "Eis o Cordeiro de Deus. pois. nem mesmo aos mais renomados. como poder legislativo. naquela época. sondando a opinião dos escribas e fariseus po rventura presentes. inteirar-se da verdade e dar parecer sobre o profeta. era o problema de maior Importância e atualidade em toda a nação judaica. como. de saduceus. na organização político-judaica. aluno brilhante. Judas passou vários dias à roda de João. como par a formar juizo correto e seguro sobre a doutrina que pregava e sobretudo para esclarecer-se a respeito de sua propagada investidura messia nica. porém fanático e de alma mística. havendo diversas ver sões e suposições. Assim que o Batista surgiu no Alto Jordão. que tira os pe cados do mundo" e o consagrou como o Messias esperado. também. não só para conhecê-lo pessoalmente. junto à Mu .Além de rabi fariseu. também ocorria com Pau lo de Tarso. ouvindo e vendo. Era dos mais entusiastas e devotados à pessoa de Jesus e constantemente i nformava Nicodemo sobre tudo o quanto se passava. órgão político do Colégio Sacerdotal que funcionava. O Evangelho não diz onde tal entrevista realizou-se. tinha conhecimentos muit o acima dos vulgares e possuia poderes psíquicos extraordinários. obtidas de inúmeras fontes Nicodemo d esde logo compreendeu que aquele rabi galileu não era igual aos outros que conhecia. acumulando. Cumprindo sua missão. aliás. Nicodemo era membro do Sigihédrio. as funções de Tribunal Superior. todos concordam que Nicodemo foi levado à presença de Jesus. em geral. Judas fo i enviado por Nicodemo para examinar os acontecimentos. já como rabi. era também Nicodemo presidente da sinagoga e da congregação dos cirineus.

Um dos mais bem aquinhoados em espaço era o aguadeiro HilIel. chamado o leproso. e. mais tar de. Era celibatário e em sua casa. a pouca distância da fonte de Siloé e. por isso. Passava os dias no Templo. colidiam muitas vezes com os costumes e regras determinadas pelo Sinhédrio. mas o Filho do Homem não tinha onde repousar a cabeça". os ricos e os gozadores. em seus muros arruinados se agasalhavam centenas de pessoas do baixo povo que nela cav ava m nichos mais ou menos amplos e neles residiam em condições precárias. pediu que fosse levado a Ele à noite . pois que Jesus não convivia com os poderosos. evoluindo e não ressurge. uma só vez. hospedava conhecidos e amigos galileus. tendo em vista que tanto sua pregação como seus atos. pai de Lázaro. Como sacerdote do Templo. sem testemunhas e em lugar discreto. o que ressuscitou. Por isso é que. Na cidade rumorosa e super lotada de gente. que evolui para conquistar. si mplesmente. retirava-se para lugares diferentes e às vezes. pelo amor e pela sabedoria.ralha de David. relativamente espaço sa e confortável (em relação às demais). Os próprios discípulos procuravam subtraí-lo aos contatos com os agentes do clero para preservar-lhe a vida. como rab i. Nicodemo ali compareceu à hora marcada. Por isso é que dizia que: "os animais têm suas tocas. muitas vezes. ao relento. ligados a Jesus na crença da redenção prometida. Nessa entrevista (João3-1 a 21). no local onde se situara a antiga cidade de David. o reino de Deus. Comumente se acolhia em casa de Simão. pregando e consolando o povo. no Monte dasOliveiras. como era admitido pelos fariseus. rodeado de seus discípulos. naquela noite trágica de sua pris ão. filiado à Fraternidade Essênia. Mostrou que a . pois que. tido e havido como homem trabalhador. honesto e caridoso. Tendo o aguadeiro Hillel cedido sua casa. mesmo. Essa muralha ficava na parte sul. tinha direito de fazê-lo no Pátio dos Gentios. foi preciso que o sgan do Templo pagasse a Judas o segredo do lugar onde Jesus estava repousando. caminho da Betân ia. Jesus demonstroulhe que o espírito renasce várias vezes. não desejava Nicodemo que a visita a fazer a Jesus fosse divulgada e. à tardinha. no Bet-Ini. na cidade baixa. membro do Sinhédrio e homem de responsabili dade s partidárias. Jesus não tinha pouso fixo e dormia. desconhe cidos.

com escribas discutidores e agora sentava-se . pertence a todos os homens. de existência privilegiada. situados debaixo das residências. por volta do meio dia. tendo o povo de utilizar-se das reservas conservadas em poços subterrâneos. Acabara de defrontar-se. beneficiaria a toda a humanidade. principalmente no Sinhédrio. Uma dessas fontes perenes era o conhecido "Poço de Jacob". é como o vento que sopra onde quer. penetrou na Sarnaria. mas de conduta comum. hoje Neplusa. em seguida. em Jerusalém. armando tendas e formando acampamentos provisórios. Após essa entrevista. nessa época. refe riu . com expoentes da classe sacerdotal . 82 Capítulo 22 REGRESSO A GALILÉIA Após a Páscoa. com o desembaraço que lhes vinha da experiê ncia do seu passado de povo nômade. aumenta em toda Palestina a falta de água. em suas consequências. captadas nos terraços abertos. destinado a um sacrifício redentor que. tomando sua defesa. (26). a seu filho José (o que foi vendido aos egípcios) e ficava a pouco mais d e um quilômetro das portas da cidade de Sicar. se aglomeravam os retirantes. que a salvação. Jesus retirou-se da cidade.se também à sua qualidade de Filho de Deus. respondendo a perguntas. Quando a sêca era intensa e longa. a berto no horto que o Patriarca oferecera. a todas as nações e raças e não a um só povo. sobretudo na noite de seu julgamento. seguindo para o interior da Judéia. o prestígio pessoal de Jesus cresceu muito na men te do Rabí. liberto pela Verd ade. e disso deu relevantes testemunhos em outras oportunidades. que o espírito. até mesmo essas reservas escasseavam e a população imigrava de vários lugares. (26) Nota-se nessa entrevista muitos termos e conceitos usuais do Espiritis mo. impura. fruto do renascimento espiritual. À sua borda chegou Jesus. pregando em vários lugares do baixo Jordão e. para os quais eram enca minhadas as águas de chuva. em torno delas . pois. ou tentan do restringir a hostilidade sacerdotal desencadeada contra Ele. as fontes que não secavam e. buscando as margens do Jordão Preciosas e raras eram.transformação espiritual é o que importa obter e não as glórias efêmeras do mundo material. Era verão e. na Sarnaria. a terra ímpia. odiada pelos judeus. há séculos atrás. como era o caso dos judeus. com rabinos. na sua viagem.

Jesu s pediu-lhe de beber. porque Ele tinha poder para dar. Coberto de pó e fadiga. Era um poço profundo. Ao invés. mãos adejando aos lados. Porém. inimiga dos de sua raça. Não nasce. Desceu o balde. atr avessando o seu solo ardente e adusto. o qual. pela manhã e à tarde. pois .ali. habitada outro ra por Jacob e onde estava seu túmulo. quando ia derramá-la no cântaro. Saindo da cidade. tirou a água e. infes tada de salteadores. então. gente hostil. ao mesmo tempo. ou à sombra das árvores. sentindo de longe o refrig ério da água. borda daquele poço. com seu cântaro àcabeça eobaldede haurir água enfiado no braço esquerdo. num balanço ritmado e harmonioso. de evitá-la. as mulheres do povo dirigiam. na nureta de pedra que circundava o poço e lhe servia. enquan to que. afastou-se logo para o lado oposto. fugindo ao sol causticante. o sol para todos? E não é o doente o que mais precisa de médico? Sentou-se . nunca havia movimento . Surpresa com o fato insólito de um judeu descer de sua classe para pedir água a uma samaritana. à. in decisa. veio para ela. todos permaneciam dentro de suas casas. a essa hora quente do meio dia (hora sexta). aproximava-se uma mulher samaritana. Desciam lentamente pelo trilho estreito e serpenteante que vinha desde as portas da cidade. se aproximavam rinchando. para aguardar o regresso dos discípulos que haviam seguido adiante. de cores vivas. pela estrada das caravanas que se estendia mais à esquerda. por isso. após beber e dar de beber a João. coberta de idolatria. ansiando por ela. por José. Jesus sentou-se no muro do poço.lhe de beber uma água cujo poço nunca se extinguia e . pelos seus trajes e figura. de degrau. encheu-a de água e apresentou-a a Jesus. nessa região mal afamada. Chegando ao poço e deparando com Jesus ali sentado. disse à samaritana que aquele encontro para ela representava uma felicidade. Junto dele somente permaneceu João. à luz crua do sol. tomou da vasilha. porém. movida de repente por um irresistível impulso. receiosa e desconfiada. o reais jovem. trasladado com tanto aparato.se para ele afim de se suprirem de água. ficou imóvel. pressurosos. para comprar alimentos na cidade. de mais de trinta metros e. até que. viu logo. seus mantos amplos. naquela região desprezada. que se tratava de um judeu. como todos o faziam. que recolheu e transmitiu os detalhes da comovente cena. vice-rei do Egito. orgulhosa. as longas filas de camelos e burricos. ostentando. seu filho. pois que a vida somente recomeçava à hora nona.

que Jesus recebeu a notícia. o que ela prometeu fazer. porque Deus é espírito". se em Jerusalém. compreensivamente . chamado o Mago). . Para Jesus isso significava que sua hora definitiva tinha soado e que dever ia agora entregar-se abertamente ao seu trabalho de redenção humana. contou que lhe havia feito revelações de muitas coisas e se dizia o Messias e convidava a todos para que comparecessem perante Ele. para que os esclarecesse nas verdades de Deus. em que não haveria l ugares especiais para cultuar a Deus. e não com formalidades exageradas ou espetaculosas. e como ela. E quando a mulher. sobretudo pelo fato de se r o visitante um judeu. como fazi am em Jerusalém. como faziam os samaritanos. mas sim com simplicidade e pureza. respondeu que já ouvira falar assim e era sabido que o Messias esperado por todos mudaria todas as coisas. ela informou primeiro a seu marido e de pois aos demais moradores. Ele firmemente lhe disse: "O Messias sou eu que falo contigo". E como ela. arrostando com todas as consequências e prosseguindo até o fim. ou com práticas idólatras e supersticiosas. curiosa. durante os quais receber am de suas mãos generosos benefícios espirituais. como o queriam os judeus. ou se no seu tmplo nacional do Monte Garizin. transmitida por um discípulo. mas ele pediu-lhe que levasse a not ícia aos outros moradores da cidade para que também fossem eles esclarecidos sobre isso. seguiu então diretamente para a Galiléia. entre outras coisas lhe perguntasse onde é que se deveria a dorar a Deus. Amedrontada. devendo este ser adorado em toda parte. Surpreendidos. que dali se avistava em grande maj e stade (onde pontificava Simão. Apressando-se. de que João Batista fora preso por Herodes. onde habitava sua Mãe. lhe perguntasse que água era aquela. acudiram pressurosos e o levaram para dentro da cidade.que vertia para a eternidade. assustada. hospedando-o por dois dias. passando prime iramente por Caná e prosseguindo para Nazareth. da presença daquele profeta. Jesus explicou-lhe que 'a hora viria e já tinha chegado. prosseguindo. Ele lhe disse q ue era a água da vida imortal do espírito. Ao regressar à cidade. Capítulo 23 NA SINAGOGA DE NAZARETH Foi quando se afastava de Sicar. a mulher quiz retirar-se. em espírit o e verdade.

interpretando o sentido. regressando a suas casas. dar vista aos cegos. cumpriu o ri to e compareceu à sinagoga local onde chegara. Jesus. Seus Constantes períodos de ausência nos mosteiros e nas viagens e seu natural caráter concentrado e recolhido. pois. 86 O costume era que os Conselheiros da cidade fossem convocados em rodízi o semanal para esse trabalho. parecesse quase um estranho. ao invés de ler o texto referido. O normal era que o pregador. nessas ocasiões. acompanhado de sua Mãe. Jesus era considerado. até o por do sol seguinte. se alguém quebrava um membro ou torcia um pé. Jesus. exceto para a parte final. acompanhado de seus discípulos. ficava sem remédio e sem socorro (salvo o do próprio lar). Nas vésperas. j á marcado. Havia uma lista de i númeras coisas que era proibido fazer. cobriu-se com o tallit — manto ou véu das orações —. ao crepúsculo. Nesse dia.*** Era agora um sábado. naquele dia. notícia de sua presença na cidade. Levantou-se Ele. aos hóspedes de hon ra como. ou se dava ou tro sinal. lido o texto. começava o re pouso legal. fechando-se nelas. já então. como seria obrigatório. mas em at en ção ao fato de ser um rabi. para curar os de coração aflito. e todos começavam imediatamente a largar suas ocupações. soava um sino. seus parentes e discípulos. para a maioria dos presentes na Sinagoga. levantando-se de novo. tomou o rolo de pergaminho das mãos do servente e. que cabia. sob o olhar inquiridor e desconfiado da assistência até que. ou se feria num acidente. fizeram com que. como tal se apresentando. libertar os oprimidos e apregoar o tempo das graças e dos galardões do Senhor". . durante o qual não se podia efetuar atividade alguma e a própria alimentação já deveria estar previamente preparada. e dirigiu-se ao banco do pregador. dia importante do ritual judeu. lido o texto. foi convidado pelo hazan a fazer a prega ção do dia. que tratava do advento do Messias e que dizia: "O Espírito do Senhor est á sobre mim e me uniu para que anuncie a boa nova aos pobres. abriu-o na passagem de Isaias. como o fazemos ainda hoje em nossos templos. devolvesse o rolo ao servente e passasse a comentá-lo. som ente era permitido comparecer à sinagoga local na manhã seguinte. bem como sua fama de profeta. anunciar aos cativos sua libertaçã o. porém. sentouse e permaneceu em silêncio alguns momentos. referente aos profetas.

não antes. interpretando o texto do dia. Ele. Myriam. porém. porque as Escrituras eram privilégio de Israel. sabendo do isolamento em que vivia. Herodes Antipas. contrariou novamente os assistentes. pediu-lhe que tamb ém aceitasse em sua companhia Cleofas. Compreendido isso. pelos ensinamentos que m inistrava e que não eram concordantes com aqueles que estavam acostumados a ouvir. na mesma sinagoga. "passou entre eles" como diz o Evangelho. arrastaram Jesus para fora e tentaram jog á-lo de uma ribanceira existente ali perto. que ficou sendo o centro de suas andanças e pregações. Sua fama correra mundo e crescia dia po r dia. governador da província. como dizendo e deixando bem claro que Ele era o ung i do ao qual as Escrituras se referiam. 88 Capítulo 24 A MORTE DE JOÃO BATISTA João Batista permanecia sempre às margens do rio. entretanto de eleger mais dois discípulos que foram Thiago — o Menor — e Judas Thadeu (27) . quando pregava. o filho de José. Depois disso. e seus ensinamentos os únicos verdadeiros. e abandonou em s eguida a cidade. acompanhando os mais exaltados. e. na sua corte luxuosa e perverti da de Tiberíades. sua m ãe. levantaram-se então os protestos gerais: — Quem é este que fala desta forma? — Não é este. sem conforto e das durezas e dificuldades da missão que apenas iniciava. Com isso os ouvintes se enfureceram. o carpinteiro? — Não é o mesmo cuja mãe e irmãos conhecemos? Formou-se um tumulto e Jesus retirou-se sem mais palavras. porventura. batizando e ensinando a doutrina da redenção pelo amor. seu tio materno. o que levou Jesus a declarar que ninguém é profeta entre os seus e que. no sábado segui nte. por isso. usando de seus poderes. dali se guindo para Kafarnaum. a graça de Deus é dada mais facilmente a estrangeiros. que se encarregaria dos afazeres materiais referentes à sua pessoa.acrescentou simplesmente: "Hoje está se cumprindo esta escritura que acabais de ouvir". demorou-se ainda alguns dias em Nazareth e. (27) Judas Thadeu era seu irmão afim. onde tudo servia para afastar o tédio . sobrinho de José. atendendo ao povo e p regando o arrependimento dos erros.

demonstrou desejos de conhecer o profeta severo. Como era de esperar. Apesar de algemado por um pulso e preso à parede do c árcere. Sob o temor da popularidade do profeta e a pressão de sua mulher. reaf irmou. João exaltou-se e respondeu que mais valeria ao rei entrar . que permaneciam d o lado de fora. no entanto. aproximar-se de uma janelinha existente na porta da cela e falar com seus discípulos. de temperamento místico. Era mulher inteligente. circos. no caminho da salvação. já estava presente no País. e mandar e receber mensagens. separar o joio do trigo e queimar o mau grão que para nada serve. irmão de Antipas e vivia maritalmente com este. para cumprir sua missão divina de remir os homens dos seus erros. que eram muitos. pois que não lhe era lícito viver com a mulher de seu irmão. po dendo falar com seu discípulos. mandou Herodes que João fosse levado à sua presença. podia. por momentos o rei ficou atemoriza do com as ameças de João. Durante os anos em que esteve encarcerado. insuflado por Herodíades. porém inescrupulosa. para dar-lhe conta de sua situação e saber o que se passava com ele. João gozou de liberdade relativa. como sempre fazia. tornando-se assim um guia perigoso do povo. Porém. e mui to dada aos costumes libertinos greco-romanos de banquetes. fugindo ao pecado do adultério. demonstrações de seu poder de profeta. etc. para que então suas palavras tivessem valor. João não se recusou. Nessa prisão. Mas Herodes o interrompeu dizendo que sabia da fama que tinha e desejava que ele desse ali. Através de seus discípulos.insuportável. O Precursor havia incorrido. que movime ntava as multidões de crentes. João seguia atentamente o quanto se pass . mas aproveitou a oportunidade para reiterar as críticas que fizera ao rei pelo seu ato culposo e compareceu à sua presença. com os outro s. (28) Como judeu. no ódio de Herodíades que. n a ocasião. orgias. abandonara seu marido Felipe. sua figura estranha impressionou profundamente Hero des e à sua côrte e João. que se dava por ofendida. mandou prendê-lo e transportá-lo mais tarde à fortaleza de Macaerus n os limites do desertos árabes. João mandou várias vezes seus discípulos a Jesus. na presen ça de todos. dias atrás. falou-lhe das coisas que pregava ao povo e das esperanças do Messias nacional que. que durou dois anos.

lhe mandasse trazer ali. mas ela recusou várias vezes até que. uma vez por semana. dançasse para ele as danças estranhas e voluptuosas daquele po vo. como prêmio.24 a 28 e XIX.visitantes e funcionários romanos. é óbvio. na corte de seu pai. mas a menina. referem-se a Apoio. apegou-se à oportunidade de satisfazer seu ód io. (28) Herodes havia se casado com a filha do rei árabe Aretas. moreno-amarelado. não se despregavam do interlocutor enquanto falava. ali presente. desejou que a pequena Salomé. Da fimbria da túnica de estopa pendia a franja de rabí. (29) Na prisão. realizando os ritos que o profeta estabeleceu. porque se alguns deles vieram para Jesus. o rei árabe moveu-lhe guerra e o derrotou. pressurosa. a maior ia não o fez e conservou-se fiel à memória de João e até hoje ain da existem. seus discípulos tomassem o rumo certo. onde. por insinuação de sua mãe a qual. procurou furtar-se a ele. negavam que Jesus fosse o Messias es perado. criada junto às tribos do deserto. 1 a 5. Herodes assustou-se com o pedido. alegórico e místico. numa bandeja. não porque duvidasse de sua condição de Messias. fazem. declarou ao rei que poderia dançar para ele desde que. maltratado. diariamente se banqueteavam. filha deHerodíades. quando Herodes veio com uma grand e comitiva formada de cortesões. a cabeça do profeta enca rcerado. Por isso. discípulo de João. porém rep udiou-a para viver com sua cunhada Herodíades. vs. sob a denominação de "Sabeos". o que aliás. s . o batismo. residente em A lexandria. num cerimonial em que entram o pão e o vinho. exigindo reparações pesadas. com acento poderoso. guardam o domingo e. Em um desses festins. menina de dezesseis anos. q ue pareciam dois carvões em brasa. passar uns tempos na fortaleza. (29) Existem na Àsia Menor.ava na Galiléia e no País a respeito de Jesus. vs. Também o próprio livro Os Atos dos Apóstolos: XVI I. mas ainda dotado de fort e e agigantada constituição. entediado pela rotina. esquelético. Esses discípulos de João em geral. na forma essênia. a aparência de João tornar-se-ia ainda mai s estranha e impressionante. era um verdadeiro homem do deserto: alto. e seus olhos. não aconteceu. oficiais de serviço. passado tempos. E já estava acorrentado há dois anos. mas para que após sua morte (que sabia próxima).

mandou degolar o profeta e o carrasco. muito a contragosto. pela morte e outro acendendo para a posteridade. pois que. Era ali que. vindo do pátio da f ortaleza. enquanto elevou-se no ar. foi apóstolo com o no me de Matheus. bem mais para o sul. uma alfândega e uma corte de soldados romanos. A mesma margem. cujos olhos a fitavam muito abertos. conforme as lera na sinagoga d e Nazareth. também. a incomensurável luz do Gólgota. que presenciaram a morte do seu mestre. bem como nas regiões vizinhas. se engrandecesse e caminhasse. fugiu da sala. mais tarde. o Messias de Israel. Horrorizada. curava os doentes. ficava Tiberíades. situadas às ma rgens do lago do Kinereth. naqueles tempos remotos. rigorosamente. logo após a dan ça. estabeleceu em Kfarnaum seu centr od e atividades públicas. por todos esses lugares espalhava a Boa Nova da salvação. abandonava o cenário para que o verdadeiro Enviado. . cantavam salmos e pro fecias. sentado a uma guarita. que. e punham em evidência a que dizia: "voz que clama no deserto. edificada por Herodes em homenagem a Ti . na boc a da ponte de encostamento de barcos.empre insinuada por sua mãe. ." João Batista resgatava com sua morte por degolação as culpas de Elias . as Escrituras. apresen tando à menina a cabeça sangrenta e ainda semi-viva. possuia um porto de pesca. conforme predissera a seus discípulos. humildemente. permanecia o cobrador de impostos chamado Levy. pô-lo em brios pela palavra dada e então. preparai os caminhos. a todos le vando a palavra da compaixão e da esperança. o chefe de sua guarda desceu ao cárcere. entrou na sala do banquete. cidade pagã. para seu glorioso destino: um se apagando. cantado pelos discípulos. espetacularmente. Magdala. lá em baixo. era important e centro comercial. Herodes concordou e. cometidas séculos antes e. dali partia para pregar nas vizinhas cidades de Salmanuta. Betsaida e outras. Jesus. Corazin. *** KFARNAUM Kfarnaum ficava à beira do lago e. Capítulo 25 OS TRABALHOS NA GALILEIA Como vimos. libertava os oprimidos. o coro sombrio e lúgubre. cumpria assim. saindo de Nazareth.

usava cabelo caindo pelas costas. como por exemp l o acontecia em relação aos dois Zebedeus. castanho-avermelhada. Era esbelto. Segundo o costume da época e do local. mas robusto. sobrecílios e cíl ios compridos. repartida ao meio e encaracolada nas pontas. compridas até os pés. Tinha a testa alta e ampla. claros. Muitos se curavam somente ao entrar em contato com sua aura poderosa. um halo de luz ou de fluidos fortíssimos o envolvia. grande poder magnético irradiava dele e se espalhava a seu redor. o césar romano. ali chegando. gente pobre e tão sobrecarregada de impostos que. visto ser homem pi edoso e simpatizante da religião judaica. rosto ovalado. estatura acima da mediana. Quando a multidão o rodeava. Não usava. pedindo socorro para seus males. cuja mãe.bério. mormente quando era de noite.) Jesus. o mesmo ao qual o Evangelho se refere como tendo recebido uma graça de Jesus. sua face empalidecia e suas vestes ful guravam. ou tocando suas vestes como. tendo por cima uma túnica azul clara. da mesma cor da barba. Pela sua pobreza. tez morena como a de sua Mãe. Usava vestes brancas. emoldurado por uma bar ba fina. uma capa e nesta. sendo apontados a dedo. cintas de couro nos braços e na testa. Thiago e João. fizesse para isso importante donativo. quatro borlas azuis que eram as franjas rituais de rabi. ou quando s e emocionava por qualquer circunstância. 5-13. influenciando a todos que se aproximassem. usava sobre a camisa e a túnica. Salomé. Nesse tempo tinha ele quase 32 anos. o povo nem mesmo tinha conseguido construir a sinagoga l ocal. repousou alguns dias em casa da sogra de Simão Bar J onas. Nessas horas. como os outros rabis do povo. olhos grandes. A maior parte do povo de Kfarnaum era formada de pescadores e hortelãos. sem mangas. se tornava assalariada dos ricos e dos comerciantes . sombreando o rosto. em GRANDE porcentagem. possuia alguns barcos de pesca. têmporas encovadas. tendo sido preciso que o centurião (30) comandante da coorte romana. por . Raros possuiam recursos próprios. (Matheus VII I — Vers.

que nas provínc ias. numa atitude de súplica e. em sua "História". a referida mulher. (31) Euzebio de Césares. conforme relata o Evangelho. orientadores sociais e conselheiros em geral. diante da porta da casa onde residia. Informa que no seu tempo. por exemplo. Já anteriormente nos referimos ao cerimonial nos templos e. comissões de trabalho socia l e um conselho de anciãos. um conselho de ancíãos. nas suas sinagogas. . Tinham costumes à parte. pronunciando sentenças corporais. nisto demonstrando serem mais evoluidos que os judeus. hav ia 2 estátuas de bronze representando uma. Tinham. subdivisão de uma legião. tornando-se a princ ipal autoridade local. juizes. justament e para poderem atender ao povo como mestres religiosos. a organização interna comportava. vários servidores do culto. menos penas de morte. (30) Centurião era posto de oficial do exército romano. O mesmo fato estava representado em murais nas mais antigas catacumbas. um hazan. encarregado de ouvir e julgar as partes e dar sentenças que competia ao hazan executar (pois tais sinagogas tinham atribuições executivas municipais). em outra. nas cidades pequenas. secretários e um schamasch (auxiliar do templo). o ritual dos sacrifícios de sangue. aconteceu com a mulher que sofria de hemorragias. eram da alçada real. além do rabi. estendendo a mão direita. Já vimos também que os rabis recebiam instrução completa. As sinagogas funcionavam como pequenas repúblicas: tinham um presidente . (31) Os galileus seguiam os ritos da Thora e frequentavam Jerusalém nas festiv idades nacionais. cuidavam mais particularmente de ouvir as interpretações da Lei. que era comando de um tribuno. comandante de u ma centúria — 100 homens —. jurisdiç ão e atributos executivos municipais. chamada mais tarde Cesaréa de Felipe. aos sábados. a rigor. como já dissemos. entretanto. o hazan acumulava todas as atribuições. expedindo decretos-leis. posto que correspondia a um coronel dos exérci tos atuais. delegados. e. Não cumpriam. narra que essa mulher era d e Páneas. se nas sinago gas das grandes cidades. mas eram rebeldes a certas formalidades e exigências impostas pelo clero e não seguiam à risca muitos dos prece itos. cidade da Fenícia.e xemplo.

devido à sua fama de profeta. e como. Já vimos o que havia acontecido dias atrás. Perceberam logo que Jesus era um pregador perigoso. sacerdote. juristas. é que Jesus iniciou suas pregações e somente mais tarde. ou quando os oradores pregavam matérias considerada s contrárias à Thora e aos costumes nacionais. conquanto não fossem sac erdotes. — a "para scha". falava . em outros lugares. em sua maioria. sem interrupçõ es. representavam o oficialismo religioso da Capital. Nas sinagogas ou tribunais. teólogos. p ertenciam ao partido fariseu. com o próprio Jesus. consideravam-se eruditos. teve de enfrentar a animosidade dos doutores da lei que. nas sinagogas. com a sua presença. sendo ouvido em silêncio pelos assistentes. de maior ou menor renome ou capacidade. tinham grande autoridad e. diferente dos demais. naquele tempo. ou pastor ou orador acadêmico. às curas que fazia e aos fenômenos tidos como milagres — que produzia. quando se apresen tou por duas vezes na sinagoga de Nazareth. na parte já marcada como o texto do dia.95 Capítulo 26 PREGAÇÕES E CURAS Entre os judeus em geral. linguistas. como er a de esperar. p orque pregava de forma heterodoxa. Nessas sinagogas do interior do país. e passava então a interpretar o assunto. quando o auditório aumentou enormemente. Mas. nesse tempo. expõe livremente suas idéias. fato esse que deveria repetir-se várias vezes no decurso de suas pregações futuras. desde o primeiro dia. é que passou a pregar nas praças públicas e ao ar livre. tomava da mão do servente o rolo das Escrituras. revolucionária. era usado em toda a Palestina. quando o mestre. qualquer assistente tinha o direito de interpel ar o orador e era comum surgirem tumultos quando as opiniões de muitos divergiam. entrava acompanhado de seus discípulos (o qu e era costume entre os rabis). O dialeto que ele usava era o siríaco-hebreu um romano do tronco aramaico que. às margens do rio. do Sinhédrio. é que. justamente por causa dessas interpreta ções como já o dissemos atrás. segundo seu elevado e sábio critério. o que vale dizer. Normalmente. o sistema das pregações era mu ito diverso do usado hoje.

o Messias nacional. filosóficas. retirava-se para lugares solitários e ensinava qu ase sempre a céu aberto. todos os mise ráveis e desvalidos o seguiam e o amavam e seu prestígio aumentava diariamente. baseado na esperança de que sendo Ele. exigia ação. A doutrina pregada por Jesus enraivecia o clero judaico. terrív el a decepção da quase totalidade deles. Ele preg ava a libertação e a igualdade espiritual em relação aos poderosos. Por isso. assim deven do proceder uns com os outros. os sacerdotes ensinavam que somente os filhos de Abraão mer eciam as graças do céu. E dentre os decepcionados. a doença e a escravidão. De fato: bem dist anciada do espiritualismo clássico e das religiões dogmáticas. dentre as que tinham sido tentadas. resultados. filhos do mesmo Pai. quando ouviram-no dizer que "seu reino não era deste mundo". paz e ju stiça. possuia saber profundo. Jesus tinha capacidade para promover a maior revolução social. Num país onde a maioria do povo era escravo do salário do dia. que até hoje existem. mas decisões e transformações íntimas e ações no plano colet ivo. como irmãos que todos eram. que não aceitava nenhum intermediário entre a criatura e o Criador. enquanto Ele dizia que todos os . Oferecendo o Reino de Deus. cerebrai s. mesmo quando filiadas ao cristianismo. o maior d e todos foi Judas de Kerioth. Além disso. Por isso Jesus dizia sempre: "pelos frutos conhecereis as árvores e aquela que não der bom fruto deve ser cortada e lançada fora". não concepções teóricas. tendo sido. sobre o dos homens. tornava-se odiado pelo clero e por todos aqueles que viviam à custa dos templos.com autoridade própria. porque ensinava u m a religião sem sacerdotes e sem ritos exteriores. exatamente como o Espiritismo deve exigir hoje na evangelização de seus adeptos. à eterna dominação do mais forte! Por isso. t raria a libertação de Israel do jugo estrangeiro e acabaria com a miséria. E os próprios discípulos pensavam assim. fatos. a doutrina que p regava exigia realizações objetivas e imediatas. E dava testem unho disso. reino de harmonia. portanto. fraternalmente. As mesmas idéias que acenderam no mundo terríveis revoluções. hoje configurad as em ideologias igualitárias de caráter político que levam. entretanto. porque nem sempre usava os templos para suas preces e pregações. e jamais reverenciava ou prestava obediência a qualquer das escolas rabínicas oficiais.

e a situação tornou-se verdadeiramente dramática quando um dos presentes. logo que convidado. mas a religião do homem terreno. por elevado que seja. E o espanto culm inou quando Jesus. o que não é da alçada de qualquer Espírito. aliás. curava vários doentes ou um grupo deles. dirigiu-se para a tribuna e formulou a prece nos seguintes termos: "Bendito sejas. que se julgava superior aos demais. Como aceitar semelhantes heresias e ilusões? Em sua primeira visita à sinagoga de Kfarnaum sua atitude impressionou fo rtemente a assistência (como. para que eles sejam também beneficiados". mas Jesus desprezava formal idades e. por compaix ão. Era praxe que o visitante. Senhor. se excusasse. criador da luz e das trevas. então. em certos caso s. sereno e seguro de si mesmo. pensem nos vossos entes queridos. pelo fato de que nestas curas há interferência nas própria s leis divinas que regulam esses casos. rabi de Nazareth: és o Santo de Deus". a fraternidade universal ! Não a religião domina dora de um pequeno grupo ou de um pequeno povo. ordenou ao espírito que se afastasse do homem. que ali estava um profeta legítimo . dizendo: "se tiverdes fé. Por isso. ou ainda. sua fama crescia dia a dia e de toda parte corria gente à sua p . só aceitando quando o diretor do culto reiterasse o convite. do no do Universo. apontando para Ele gritou: 'Eu sei quem tu és.homens são filhos de Abraão e que Deus criaria seus filhos até das pr óprias pedras. operava curas à distância. dizendo simplesmente "estás curado". tomado pelo espírito. da paz e do amor". De um lado. ora apelava para sua fé. sendo imediatamente obedecido. claramente. libertava o doente ou o obsedadode seus compromissos cármicos. sucedia em toda parte onde chegava pela primeira vez). estendendo os braços em sua direção. ou "vai e não peques mais". As vezes. ou "tua fé te curou". convidado a faz er a leitura ou a pregação do dia. como há vários exempl os citados no Evangelho. mas de atos concretos e poderes espirituais fora do comum. *** As curas e "milagres" feitos pelo Mestre em Kfarnaum e em outros lugares. usando da palavra. somente. universale eterna. É claro que somente Ele poderia fazer tal coisa visto que. o privilégio de poucos e o egoísmo de uma raça e de outra. não de palavras. ora utilizava seu imens o poder de Verbo Divino. Todos perceberam. naquele dia. e ram aparentemente de processos diferentes: ora impunha as mãos sobre os doentes.

as sêcas implacáveis . ao passar. Quando vemos. sobretudo nos ambientes ainda retardados. para que o olhar do Rabi sobre eles pousasse. quando a medicina já conquistou maiores conhecimentos não só sobre a etiologia como na terapêutica. A ciência ainda estava na infância. no seio das fam ílias pobres. um halo de luz e de felicidade a iluminar os olhos de todos os que o viam e uma esperança nova no peito. sua sombra os cobrisse. a ignorância e a promiscuidade (tão comuns entre os povos orientais). transgredia as normas. o povo saía às portas e as mulheres levantavam nos braço s. . Na Palestina as mudanças bruscas de temperatura. a indolência natural do povo e sua arraigada superstição religiosa. e muitos atiravam-se ao chão de olhos postos n'Ele para qu e. por onde Ele passasse. aos gritos e lamentos tristes. aglomerando-se à volta deles. bem alto. que pululavam por tod a parte. rodeava-o logo a miséria e o sofrimento humanos. as moléstias de olhos e a lepra. tinha poderosos meios de cura e de auxílio. realmente. sacudindo os coraç ões. esperançados em curas às vezes impossíveis. que lhes desse alívio. que a tendência do po vo é procurar confiadamente a curandeiros e charlatões. Por isso. o pó dos desertos e dos terrenos fortemente calcáreos. Naqueles tempos imperavam as doenças de toda espécie. como os da Judéia. e se.rocura. rabis e curandeiros ou magos. nada h á de estranhável que naqueles dias remotos corressem desesperadamente para junto de Jesus que. não havia médicos profissionais à disposição dos pobres e os tratamentos e curas ainda eram mais da alçada de sacerdotes. juntamente com as febres. as disenterias. permanecia. sem saberem mesmo muito bem de onde provinham. por m uito tempo. tudo concorria para que as moléstias se alastrassem e dominass em por toda parte. Nunca se negava. suplicando. seus filhos pequenos. nos dias de hoje. e em todas as oportunidades procurava edificar as almas e redimí-las de si mesmas. E onde quer que Ele estivesse ou chégasse. agindo. E quando Ele passava pelas ruas ou pelas estradas empoeiradas. principalmente derivadas da ignorância e da imundície.

era o senhor do sábado e não s eu escravo. pedindo-lhe qu . em que fez se gura demonstração do seu poder de vidência o qual. efetuando curas aos sábados . como homem. Quando limpava os leprosos e mandava que se apresentassem aos sacerdotes . porque os sacerdotes eram obrigados a fornecer ao doente atestado de sua cura. na Decápolis). desli gando os doentes de suas provações cármicas. vêm da prática dos erros. desprezando os exageros das regras sobre a pureza. da ausência de virtudes e que nestas existe somente claridade. purificava o corpo e espírito. morta. etc. multiplicadas em cadeia. E até mesmo não levantou de seus esquifes os que se tinham como mortos? Isso foi para provar que a vida é eterna e que os corpos humanos são meras contingências das reencarnações punitivas. como era direito e dever de um rabi interessado na boa orientação dos crentes e um dia. seria possibilidade natural. dizendo-lhes: "ide e não pequeis mais". Todos os sábados comparecia à sinagoga local. queria significar ao povo que as trevas. com isso t ambém demonstrava que a misericórdia divina. podendo eles. a mão sêca. para pregar ao povo na ci dade onde estivesse no momento. quando concedida. e quando devolvia a vista aos cegos. cessan do seu isolamento em lugares solitários. e duas multiplicações de pães (uma das quais na cidade de Julia. 98 Capítulo 27 OUTROS LUGARES Em Kfarnaum e seus arredores. como todos os sofrimentos. A Pesca Maravilhosa. em Kfarnaum . efetuou inúmeras curas e beneficiou multid ões de suplicantes. ao mesmo tempo em que fazia o bem. que o Espiritismo também pode explicar como condensações fluídicas. daí por diante. que a caridade estav aa cima dos formalismos estéreis e que. o que. como costumava responder aos fariseus. na sinagoga. por exemplo. nos pr imeiros degraus da escada evolutiva. para o Divino Mestre.. reintegrar-se no convívio da família e da sociedade. possuiria em imensa amplitude. na certa. era para demonstrar.e ra para que o benefício fosse completo.os hábitos e os costumes como. Ele. Diz o Evangelho que efetuou também muitos "milagres" como. por exemplo. apresentaram-lhe um operário que sofrera um acidente e tinha como consequência.

O publicano Levy. perguntando-lhe se lhe era lícito curar no sábado. nestes casos. como tu pregas. de cujos impostos era arrendatário. Jesus saía engrandecido e eles diminuidos. saia da guarita e inclinava-se respeitosamente. abandonou o seu posto no mesmo instante e o seguiu. desvalidos de toda espécie e jamais deixava de atendê-los pacientemente. destinado a todos aqueles que cumprissem suas leis universais e eternas. ouvia as pregaçõe s. ouvia o que diziam e. consolando-os e esclarecendo-os nas promessas. sobretudo. parando e olhando-o firmemente.e o curasse. Deixa a tentação dos bens perecíveis e vem comigo". miseráveis. Ele curou o doente ali mesmo. no cabeço da ponte do porto. saudando-o. ao que Jesus. alegando que aquelas reuniões prejudicavam o rendimento do trabalho dos homens. com malícia. um benefício ou um dano? Salvar alguém da morte ou deixar mor rer?" E como os interpelados não encontrassem resposta hábil e justa. visto que eram todos assalariados. porque Jesus andava sempre acompanhado de doentes. na resposta justa e hone sta aos seus ataques. muito mais que isso. porém eu ficarei de fora . convidandoo. Este modo de confundir os opositores em público. de cada encontro. Estas reclamações eram sempre atendidas por Jesus que. ao que Je sus respondeu "Respondei primeiro: que será melhor fazer num dia de sábado. Todos os sábados surgiam dificuldades e discussões.se ma is. para . sempre que possível. pondo a nu suas hipocrisias. de dentro de sua guarita. despertava enorme rancor da parte dos fariseus porque. exultante. por ser um homem impuro e cheio de imperfeições". dizendo: "Dai a César o que é de César". não só c urando-os de seus males como. até que um dia aproximou. e todas as vezes que Jesus por ali passava. curvou-se ainda mais e disse incisivamente: "creio que o dia da salvação vem. Durante os primeiros tempos em que ali esteve. mu dava o lugar das pregações. por fim. entre os pescadores e escravos. a movimentação era tão considerável. logo depois. tantas vezes repetidas. de preferência no porto. que os capatazes intervieram e reclamaram junto às autoridades. respondeu: "Deus anda sempre junto daqu eles que têm o coração humilde. Senhor. fazia suas pregações. Assim que se aproximava. todos acorriam para junto Dele para ouvir suas palavras de s alvação e. por ser exato respeitador das leis visto que assim pregava. do próximo Reino d e Deus. Mas os fariseus intervieram imediatamente. Então Levy. via essas coisas.

que captava a chuva e servia também de dormitório no verão. em casa da sogra de Pedro. E no outro dia. quebraram a terra cozida. e ante aquela f . honrando-o com a sua presença. quando presente Jesus. e também porque os cobradores de impostos eram considerados ladrões e gente impura. sentar-se e comer com gente dessa espécie. convocou a vários de seus colegas de profissão e os discípulos do Mestre. o doente moveu para Ele os olhos macerados e tristes. porque era dia de jejum e alguns discípulos de João Batista. eram construidas. afastaram os galhos e desceram-no com a padiola.repartir o pão em sua casa. abriu-se nele um buraco e fizeram descer por ele um paralítico deitado em uma padiola. reclamando em alta s vozes. que se encontravam na cidade. Os terraços das casas comumen te se uniam formando blocos de resistências ligadas entre si. dizendo: "Não disse o Senhor. que não o largavam. por não haver lugar. E se aglomeraram vários deles frente à casa de Levy. O fato não alarmou os assistentes porque. e os fariseus. encravadas nas encostas. um rabi. como já explicamos. O piso desses terraços era feito de galhos secos trançados. o povo se reuniu em volta dele. estou cansado de sofrer". tomado de compaixão. em l ugar de telhado um terraço aberto. pedindo: "Socorre-me Rabi. muitos ficando de fora. pelo vão aberto. e tendo Jesu s aceitado. portanto. então. sustentando uma camada ou duas de terra socada e cozida ao sol. buscando sempre motivos para comprometê-lo. quando a caliça do fo rro da sala começou a cair. para aquela mesma noite. muitas coisas extraordinárias aconteciam e também porque sabiam que as casas das alde ias montanhosas ou encostadas a morros. por Oséas: Prefiro a misericórdia aos s acrifícios? Eu não vim chamar os justos à penitência. Jesus. E quando o depositaram aos pés de Jesus. mas sim os pecadores". Por causa disso surgiu um grande escândalo entre os fariseus. saindo. Os homens que conduziam o doente paralítico. os esclareceu sobre o fato. até que Jesus. não podendo entrar pela po rta obstruida pela multidão. E Jesus estava fazendo sua pregação de costume. segundo a Lei. subiram ao terraço. protestaram em honra de seu rabi morto. eram baixas e possuiam. não podia. entraram ta mbém para ver o que Ele fazia.

só o podia Deus. a medida das hostilidades dos inimigos foi-se enchendo e a notícia de que aquele Rabi era um contraventor da Lei foi sendo espalhada pelos fariseus. ou se não operavam circuncisão nesse dia? E se eles. pe r guntou: O que julgais mais difícil: perdoar os pecados deste doente ou curá-lo?" E. como era costume. tendo Jesus. e assim clamavam em vozes altas. E. repetiu a frase decisiva dizendo que o homem não foi feito para o sábad o. Isso deu margem a novas reclamações e represálias da parte dos fariseus. porventura. encarando-os.lhe: "Levanta-te. meu filho". em um sábado. Então Jesus passou a levar seus discípulos para os campos e pomares pr óximos. fora da cidade. não havendo resposta pronta. Mas Jesus. sob o maior assombro dos presentes. esclarecendo-os.é tão intensa. permitiu que colhessem espigas num trigal maduro e as comessem. não sabiam que o próprio rei David. perdoar pecados. amedrontados. instruindo-os pessoalmente na sua doutrina de redenção pelo amor. CAPITULO 28 HOSTILIDADES DO SANHEDRIN Relatórios circunstanciados desses acontecimentos eram enviados constante . num sábado. segundo a Lei. Mas. lhe abriu até a porta. solícita. Mas os fariseus presentes se escandalizaram com tais palavras p orque. porque estavam com fome. estremunhad o e vacilante. estando com fome. o rdenou. mas sim o sábado para o homem. toma tua cama e vai para tua casa". dando margem a que muitos de seus seguido re s ou simpatízantes fossem se afastando. olhai e vêde": E voltando-se para o doente. incisi vo e seguro: Para que saibais que o Filho do Homem tanto pode fazer uma coisa como outra. o paralítico levantou-se. disse ao doente: 'Teus pecados te são perdoados. protestando. farís eus. colocou a padiola às costas e foi-se embora pelo corredor que a multidão. acrescentou. sacrifícios no Templo. por se apropri arem de trigo ainda não colhido e não separada a parte destinada aos póbres. penetrou no Templo de Abiatar e comeu os pães destinados às cerim onias do culto? E ante o silêncio constrangido dos opositores. Com estas coisas. perguntado se nos sábados os sacerdotes não realizavam. muitas portas se fechando e muitos cortavam caminho para se desviarem dele.

Com esses elementos. Conhecendo a fama do profeta galileu. e arrolar o maior número possível de testemunhas sobre as transgressões feitas. nas proximidades do Monte Tabor. sabendo que Jesus não se atinha a formalidades e aos ritos da puri ficação pessoal. Jesus retirou-se para a cidade de Naim. costumes e praxes estabelecidas pelo Sinhedrio e em pleno vigor na Palestina e na Di áspora. como sempre ocorria. em Jerusalém. por sua vez. Assim. acompanhado de seus discípulos. para descansar. elaborou um plano de ação que pôs imediatamente em execução. certamente. valia-se Simão. convidou amigos influentes da cidade. todos os rabis fariseus e saduceus. menos a Jesus. mandou apresentar-lhe os pãesinhos de costume. Ele e seus discípulo s pararam em uma praça. pois. inclusive alguns doutores da lei. à hora marcada . dos seus atritos verbais com os faris eus de outras partes e. com urgência. pelos fariseus locais e pelos espiões daquele tribunal. envoltos em pano alvo de linho e todos se escandalizaram por v e . da oportunidade magnífica para obter vantagens. Nesse local. onde sua chegada causou muito alvoroço. já suficientes para desencadear represálias violen tas. pessoas eruditas. todos os hazans dirigentes de sinagogas e outras autoridades dependentes de sua jurisdição. não só para conhecer tão afamado rabi como. que também estavam sempre presentes. aumentado visivelmente as pressões contra Ele e seus disc ípulos. conhecedoras a fundo daThora. aproximou-se dele um homem rico. às reuniões e às pregações de Jesus. Em seguida. enquanto o povo foi ali se aglomerando. t anto contra a Thora. Cansados da viagem. foram ori entados no sentido de reunir provas. em todas as províncias e ci dades. de certa forma indeciso pela imensa popularidade do rabi galileu no seio do povo. co mo homens do povo. rabi fariseu.mente ao Sanhedrin. como contra as regras de conduta. para pedir-lhe graças e curas de suas moléstias. compareceu à sua casa. e assim foi feito. deu ordens a seus escravos para que a todos os convidados oferecessem água para as abluções usuais. isto é. o Sanhedrin. também. que o convidou para uma ceia em sua casa. Em consequência. porém aceitou-o e. cumprindo as instruções do Sinhédrio. situada a sudeste de Nazareth. todos os escribas e doutores da Lei. no sentido de acumular provas contra Jesus. à sombra de algumas árvores. Havendo. Simão. Simão. Jesus percebeu logo que o convite tinha outras intenções. comprometendoo ante testemunhas de indiscutível idoneidade. que eram constantemente procurados e interrogados por agentes oficiais.

verificou-se um tumulto à porta da casa. onde possuia uma casa grande e rica. pr opos-lhe o seguinte caso: "Um homem tinha dois devedores de quantias diferentes e a ambos perdoou. sem terem sido lavados.. irônicos. respondeu Simão. sem interrupção. onde se aglomerara o povo e onde também estavam. conveio Jesus. que não tiveram autorização para entrar na sala do banquete. inclusive filhos dos príncipes dos sacerdotes em Jerusalém. Era naquela ocasião a hetaíra mais famo sa e influente de toda a Palestina e contavam-se às centenas seus admiradores da classe alta. respondendo Jesus que "n ão é o que entra pela boca que faz dano.r Jesus partí-los assim mesmo. que se achava um tanto afastado dos outros e. porventura ignora que tal aproximação profana é vedada pela Lei? Mas Jesus. então. interpretava os te xtos que lhe eram postos pelos interrogantes. — Certamente. compreendeu logo o que se passava e. penetrou no recinto uma mulher jovem e bela. ou reclamar contra essa falha da hospedagem. virando-se para Simão. chorando. atirou-se a seus pés. abrindo um frasco de óleo perfumado. limpou-os com se us bastos e perfumados cabelos arruivados. sendo rabi. reconhecendo-o. ci da de situada ao sul de Kfarnaum. logo em seguida. da mesma forma. com evidente desprezo para os demais convidados. dizendo: — Ele se diz profeta e no entanto não sabe que está sendo homenageado por uma prostituta. 104 Capítulo 29 MARIA DE MAGDALA Nessa altura do ágape. os convivas. natural de Magdala. localizou Jesus. afastando os criados que tentavam detê-la. com sua indiscutível superioridade moral. E então começaram a interpelá-lo sobre isso. acrescentava outro. mas o que dela sai" e. à beira do Lago. sussurravam entre si. Foi logo por todos identificada como sendo Myriam. Enquanto isso. Qual dos dois lhe deveria ser mais g rato? — Naturalmente o que devia maior quantia. sem lavar as mãos. em seguida.. juntos. Vendo ela que os pés de Jesus estavam sujos de pó e detritos dos caminh os. e. vestida de panos de cores diferentes e olh ando em torno. Agora. pondera comigo: tu me convid . que trazia pendurado ao pescoço por fina corrente de ouro (o que era hábito entre as mulheres ricas) derramou o perfume nos pés do rabi e. que observava a cena em silêncio. uns em seguida a outros. — Além disso. os discípulos.

onde foi acompanhado pela multidão que estava na rua e que. E em seguida retirou-se da casa de Simão. Vai em paz" . diz que não veio para destruí-las. anda por toda parte. en xuga-os com seus cabelos. manife stava sua alegria dizendo: "teu lugar. como é costume e como fizeste com os demais convidados. Com isto. filha. aceitei também a sua homenagem. Qual dos dois. respondiam os discípulos. Outras vezes interrogavam em outros termos: — Vosso rabi não para. o mesmo sucedend o a todos os demais. *** Após permanecer ali alguns dias. como vês perdoei. teus pecados te são perdoados. A decepção do rabi fariseu foi tamanha que ficou mudo. retrucavam os interrogantes. comprometendo-me. — Sim. desencaminhando o povo. levantando lanternas nas mãos. e quanto aos seus milagres. no entanto. enquanto Jesus. Jesus voltou para Caná e Nazareth. Mas seus discípulos eram constrangidos a responder perguntas insistentes feitas por fariseus da cidade. pregando e curando e faland . Ambos são pois devedores e a ambos. unge-os com perfume. não os negamos. demonstrou maior gratidão?". Apesar de sabê-la pecadora. é um grande profeta e opera milagres. indo hospedar-se na casa do pub licano Jochanan. transgride a Lei a cada passo. Que dizeis? — Ele sabe o que faz. e nada reclamei. vim à tua casa e tu não me mandaste dar água par a lavar as mãos e os pés. obrigaste-me a partir o pão sem lavar as m ãos. Além disso. mas seus atos destroem suas palavras. disse-lhe: "Levanta-te. pois. continuando suas pregações. rabi. mas entre o povo que te ama e de ti espera a salvação e socor ro para suas necessidades". como também é de praxe. Mesmo assim aceitei teu convite. ond e ficou algum tempo e depois novamente para Kfarnaum. que lhes punham questões nestes termos: — Não compreendemos o vosso rabi: Ele conhece profundamente a Lei e os profetas.aste a esta ceia. e obra sempre para o be m de todos. com o propósito oculto de verificar a minha conduta e as minhas palavras. E vem agora esta mulher e me lava os pés com suas lágrimas. dirigindo-se à pecadora. e convidaste amigos teus para testemunhos do que fosse dito ou feito. não é entre os teus inimigos. mas para confirmá-las. mas julgamos que são inspirados por Satan. amigo de Levy.

E. para investigar oficialmente a conduta do rabi galileu e. e alguns d iscípulos de João Batista. mas não perdoava pecados. o arrependimento dos pecados e a redenção pelo amor ao próximo. ou intérprete da Lei. Voltando-se os interrogantes para os mais cultos e prestigiados fariseus e doutores da Lei presentes. Ele prega a purificação. sacerdote. instalaram lo g o uma espécie de tribunal investigador e convocaram testemunhas da cidade e das vizinhanças. pois somos todos irmãos. falou-lhes com bondade e narrou-lhes a parábola do reino divino em si mesmo mas. porventura quer levantar o povo? — Nada disso. reunindo seus discípulos.o no reino que não é deste mundo. espalhavam pela cidade a versão de que Ele era insp irado por Satan e. filhos do mesmo Pai Celeste. mesmo assim os discípulos se mostravam atemorizados e a partir daí. tomando conhecimento do que se dizia a do quanto ocorria. os ânimos de inúmeros moradores foram se acirrando contra Jesus. perguntavam: — Sabeis de algum rabi ou sacerdote que. Os fariseus. chegaram à cidade alguns delegados do Sin hédrio. rabi. perdoava pecados de alguém? E os discípulos de João confessavam que não: — Nosso rabi mandava que se arrependessem. qu e perdoasse pecados. o fariseu de Naim. então. hajam perdoados pecados? E os interrogados unanimemente respondiam: — Jamais conhecemos alguém. é que fazia curas e milagres que os sacerdotes não podiam fazer. terminada a investigação.. os delegados do Sinhédrio concluiram que . A essa reunião compareceu também Simão. aos quais interrogaram perguntando: — Por acaso vosso rabi. para não comprometerem ainda mais o seu rabi. respondiam os discípulos. E aconteceu que. Mas Jesus. pelo menos. por isso. E assim.. por si mesmos. já morto. começou a perder a fé no seu rabi. — Porventura então acha que os judeus são irmãos dos samaritanos he réticos e dos pagãos impuros? E assim tentavam confundir e comprometer também os discípulos. prega contra a Thora e os sacerdotes do Te m plo . que acab avam por fugir deles. moradores na cidade. naqueles dias. Judas. Que tem ele em vista? Transgride a Lei e os costumes.

e julgaram que tinha enlouquecido. perdoando pecados. envileceu nos primeiros tempos. com receio da situação mas quando. se entregou. junto ao caminho do mar. mas nos últimos se enobreceu.9). abandonou a cidade mais uma vez. e acrescentou: "E o pão que vos darei será a minha própria carne. além do Jordão. em pregação posterior. Ele falou que era o pão do céu que deveria ser comido. que sacrificarei pela salvação do mundo". que realizou grande parte de seus "mil agres" e curas e aí também tomou corpo e se organizou. Foi nessa região e imediações. (Isa i as . ao qual. acus ando-o de ser cúmplice de Satan. realmente. Mas Jesus. Quando fizeram aquele simulacro de julgamento. não compreenderam qu e se referia ao sacrifício do Qólgota. Capítulo 30 O DESENVOLVIMENTO DA PREGAÇÃO Jesus escolheu Kfarnaum para centro de suas atividades públicas devido à sua importância e também porque dava assim testemunho das Escrituras. dando-o como transgresso r da Lei. de forma definitiva. *** Era certo que essas acusações e maus juízos não vinham da gente pob . não será ente nebrecida. quando diziam: "E a terra que foi angustiada. na Galiléia dos g entios. sentar-se à mesa e repartir o pão com pessoas impuras e blasfemar contra Deus. quem comer deste pão viverá eternamente ". considerando as circunstâncias de estarem seus discípu los a temorizados com a situação e também porque sua hora ainda não tinha chegado. O povo que andava em trevas viu uma grande luz e sobre os que habitavam na terra da sombra e da morte resplandeceu uma luz". principalmente por não respeitar o sábado. muitos dos discípulos menores se afastaram dele. um transgressor da Lei e dos costumes de Israel. dizendo: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. como agentes do clero judaico. essa propaganda também cooperou para o afastamento de muitos discípulos. pouco tempo depois.Jesus era. E como já corria mundo a propaganda feita contra Ele pelos fariseus. o que sujeitava a Ele e a seus discípulos servirem de escárneo público em muitos lugares por onde pa ssavam. a campanha de hostilidades desencadeada contra Ele pelos escrib as e fariseus.

Mas o Divino Enviado. conhecia a se nsibilidade de seu coração. integrado na sua divina missão. e não queria deixá-lo exposto às represálias do Sinhédri o.re. e. penetrando nos pensamentos piedosos de sua Mãe e na s disposições hostís de seus familiares e discordando deles. o povo humilde. ao contrário. sempre desejaram que Ele permanecesse em casa e discordavam de suas atividades religiosas. inquieta. que as únicas lig ações verdadeiras e permanentes. sempre à espera de acontecimentos infelizes. quando lhe disseram: "estão aí fora tua Mãe e teus irmãos. mas da classe média e superior. nem que fosse por algum tempo. pararam fora. fez-se acompanhar de alg uns de seus filhos afins e seguiu para lá. bem claramente. que crêem em mim e seguem os meus ensinamentos". como já dissemos atr ás. que te procuram". dias antes de seu consórcio com José. esperando. com o intuito de trazê-lo de volta para casa. mas alguns assistentes. são as que ligam as almas entre si e não aos corpos físicos. pelo vulto da multidão. sabendo o que estava ocorrendo em Kfarnaum. reconhecendo-os. Ele. acom panhava seus passos perigosos. não poderia ater-se a interes ses meramente humanos e sentimentais. Essas notícias chegaram logo a Nazareth de onde sua Mãe. foi até onde Ela estava e ali p restou-lhe as honras devidas e. tão dedicado ao serviço do povo humilde. no lar somente contou desde o início com a cooperação de sua Mãe. estendendo o braço para os que o escutavam. Tinha idade suficiente para saber da extensão do poder e da força de vi olência do Sinhédrio. transmitiram a notíci a para o interior da casa. Nunca encontrara apoio e compreensão espiritual naqueles irmãos afins q ue. com isso querendo dizer. não podendo entrar. Chegaram quando Ele estava pregando ao povo em casa da sogra de Simão e . quando ainda no Templo. ligadas por interesses fortes às áreas do governo e com essas classes é que estav a o poder que o povo temia. por mais respeitáveis que fossem. lembrando-se dos vaticínios que lhe foram feito s. respondeu: "minha mãe e meus irmãos são aqueles que fazem a vontade d e meu Pai. na repressão de movimentos religiosos que contrariavam as diretrizes e as regras do Templo. pois que. para que Jesus fosse avisado. Assim. após terminar a pregação. com palavras esclarecedoras e corajosas . Por isso.

um de vós voltou seu coração para a descrença. perdendo a fé". tomados de emoção. então lhe disse: "Por isso mesmo vos separei um por um e vos julguei dignos de minhas preferências". debandaram um pouco mais tarde. foram interpelados por Je sus nos seguintes termos: "E vós não quereis também partir"?.seu irmão TIAGO—O Menor — JUDAS TADEU — SIMÃO. pelos nomes que dai por diante conservaram até a morte. Senhor? Deixar-te para seguir a quem? Voltar para as trevas de onde viemos? Tu só tens a palavra da vida eterna e sabemos que Tu és o Filho de Deus".filho de Zebedeu JOÃO . Capítulo 31 O QUADRO DOS DISCÍPULOS O grupo numeroso de seguidores que foram chamados "Os quinhentos da Ga lil éia". como seguem: 110 SIMÃO BAR JONES .seu irmão TIAGO — O Maior . lendo no coração de Judas o que nele se passava. de decepção e angústia.tambem chamado Natanael . ali os reuniu reservadamente e os consagrou um por um. E Jesus. mas os doze. ao qual acrescentamos detalhes necessários. sorrindo. a juntou com tristeza: "Entretanto. primeirame nte admitidos. respondeu por eles dizendo: "Partir para onde. passou a se desmembrar rapidamente quando a situação tornou-se perigosa. permaneceram fiéis ao lado do Mestre e. O ZELOTE — TOMÉ DE TOLEMAIDA— MATHEUS — Levi FELIPE DE BETSAIDA — BARTOLOMEU .denominado Pedrod ANDRÉ . chegando à casa da sogra de Pedro. Os discípulos. Mas. quando vinham de uma reunião na sinagoga local. reduzindo-se a setenta e dois. estes tamb ém. Mas. quando Jesus declarou que seu reino não era deste mundo.sossegou seu coração angustiado. mas Pedro adiantando-s e. formando o quadro final dos apóstolos. silenciaram. em grande parte.

num período de tempo de quase dez anos. junta ndo-se a João. seguida. . Matias que substituiu Juda s de Kerioth. onde conviveu largo tempo com os messianitas locais. perma necendo os primeiros tempos junto a Filon de Alexandria.Evangelizou na lturéia. nos conhecimentos. sem nenhum grau de hierarquia. Mas. segundo obras mediúnicas de respeito. para onde seguira. diácono grego e inspirado pregador. mais tarde. que ali estava exilado e onde ditou a epístola que tem o seu nome. fixando-se em seguida junto ao Lago Moeris. juntamente com outros companheiros. partiu para o Egito. morte esta. por sorteio entre os apóstolos. nas virtudes e no caráter. na Palestina e nos países visinhos.a este quadro acrescentou-se. onde construiu uma colonia cristã que foi um valioso núcleo de cristianização do norte da Áf rica. por fim. após a morte de Jesus. sendo seu corpo le vad o para Efeso e dali para Roma. TIAGO . que ali dirigia uma importante escola iniciática. acompanhado de João. logo depois. *** Os apóstolos eram muito diferentes entre si. onde Paulo também esteve preso e foi executado. sendo morto na Frígia. Eis os destinos que tomaram e o fim que tiveram: PEDRO .O Maior .JUDAS DE KERIOTH — Nota . eles se reuniram em casa de Maria de Nazareth e distribuiram entre si as tarefas da propaga ção. Fez algumas viagens de propagação do Evangelho entre os gentios em Antióquia e outros lugares e. Permaneceu com Pedro e Matias em Jerusalém. send o morto por perseguidores do cristianismo. somente no sentido moral.Foi um dos poucos que permaneceram largo tempo na comunidade crist ã de Jerusalém.O Menor . com 87 anos. da execução de E stevam.Também conhecido como Zebeu. foi a Roma. reunindo-se depois a André. e onde consta ter sido martirizado. desencarnando no ano 67. FELIPE .filho de Zebedeu e Salomé e irmão de João. Após cessarem as perseguições por parte do Sinhédrio. Respeitando a maioridade de Pedro e as recomendações de Jesus. dali partiu para Efeso. elegeram -no para dirigí-los. na idade. Pescador de profissão. a contar do Gólgota. TIAGO . mais tarde. no 4ar Neg ro.

no caminho consciente da certeza e da fé. junt o ao Mar Negro. ou Tomé Dídimo.Irmão de Pedro . Os primeiros arautos do cristianismo no norte da África foram Zebeu e Mateus. Não possuia. segundo uns. SIMÃO . onde foi morto. na Etiópia. partiu para a Etiópia. em uma reunião de apóstolos. após o Calvário. tendo sido preciso fazê-lo colocar a mão sobre uma de suas chagas. TOMÁS DE TOLEMAIDA. às margens do rio I ndo.MATEUS . doz e anos depois. outro dos conhecidos Reis Magos.O Zelote . Evangelizou também na Índia. onde foi m orto. Mateus prosseguiu até o reino da Rainha Candace. mais tarde. Matias também seguiu. o dom que permite perceber e aceitar determinadas coisas da vida espiritual antes que os olhos as vejam e quando ficam além dos sentidos f ísicos. um dos chamados Reis Magos. para onde m ais tarde. recebeu do Plano Espiritual demonstrações diretas de fatos espirituais que o colocaram. onde ficava o Santuário-Escola de Baltazar. ANDRÉ DE TIBERIADES .Era o terceiro apóstolo em i dad e depois de Pedro. onde fazia a propagação evangélica. descambava sempre para a dúvida e a negação. afinal. Depois evoluiu e na Pérsia. inicialmente. Espírito crítico e analítico. Até mesmo as impressionantes e admiráveis realizações de Jesus perm aneciam para ele no terreno da dúvida.Permaneceu junto aos trabalhos da congregação na P alestina. onde desencarnou. onde morreu.Anteriormente chamado Leví. tendo ido até Per s épolis. junto à subida . enforcou-se numa figueira.Trabalhou na Mesopotamia e na Pérsia. JUDAS TADEU . o mais velho deles e já então desencarnado. como sucedeu na reunião realizada em Jerusalé m. aos quais também se reuniu. indo ao extremo de duvidar da própria evidência. fé. o discípulo Marcos. onde trabalhou em companhia de Felipe e depois na Grécia. junto ao Mar Negro. quando o Mestre compareceu. onde na cidade de Srinagar existia o Santuário-Escola de Gaspar. indo até Cachemir. BARTOLOMEU DE NAIM -Também conhecido como Natanael.Seguiu para o Ponto Euxino. materializado. JUDAS DE KERIOTH Após a participação que teve na prisão e morte de Jesus. evangeliz ou na Armê nia.

permanecen d o em Jerusalém até a dispersão dos apóstolos. com as extraordinárias manifestações do Plano Espiritual Superior. sinceros e extremame nte fiéis ao Divino Mestre. porque permaneceu ju nt o de Maria de Nazareth. conhecia alguma coisa de contabilidade. o Zelote e Judas de Kerioth. como expiação do seu inominável crime. MATIAS . ingênuo e carinhoso. em reunião na casa da sogra de Pedr o. além de numerosas mensagens que a codificação Católica Romana recusou por não julgá-las convenientes ao sentido e aos interesses dessa religião. expandiu-se e a tingiu sua plenitude. Maria de Nazareth. p ara a Ilha de Pátmos. foi com Pedro para Roma. onde suas pregações atrairam a ira dos poderosos. na casa desta. para a Etiópia.Filho de Zebedeu . após a morte de Jesus. indo. Jesus os consagrou colocando as mãos sobre cada um deles e . onde criou uma escola de iniciação cristã que foi frequentada por vários líderes do cristianismo dos primeiros te mpos. estavam todos no vigor da idade. JOÃO . todos os demais eram pes so as humildes. incultas. conquanto e. Viveu até o ano 70. porém revelações mediúnicas esclarecem que dedicou o resto dos seus atormentados dias. até sua morte. No ponto mais alto das deserções. quando seguiu. produzindo as obr as que conhecemos: o Evangelho que tem o seu nome. Em Pátmos. era alg o infantil. sendo exilado para Efeso. pela vidência e audição. Após a morte das três Marias. morrendo em Pátmos. já manifestada em Nazareth. entre v inte e trinta anos e.Substituiu Judas por sorteio. cumprindo-se assim o que Jesus dele dissera: que viveria mais que qualquer dos outros. as três epístolas conhecidas e o Apocalipse. idealismo e honrados. Foi o que mais tardiamente se moveu para o trabalho. juntando-se a Mateus. que ficava fronteira à cidade. em seguida. Mariade Betânia e Ma ria de Magdala. em compensação. a servir como enfermeiro dos leprosos. no Vale do Inon na parte baixa da cidade de Jerusalém.Pescador de profissão. exceção feita a Simão. Foi o apóstolo que mais durou. ao tempo de Jesus. homens do povo. cheios de fé. que possuiam alguma instrução e cultura rabínica e Levy. que por força de sua profissão de cobrador de impostos para os romanos. então. sua mediunidade. Era o mais jovem dos apóstolos e doze anos mais moço que Jesus.do monte do Calvário. Capítulo 32 CONSAGRAÇÃO E EXCURSÕES Os apóstolos.

indicando a cada grupo os rum os que deveriam tomar. Mas. na margem oposta ao Jordão . viriam de Jerusalém. Conheciam o mar e a navegação. pela esperança desencadeada de uma vida mais feliz e farta no futuro. do ponto de vista material. as mais importantes. Instruiu-os sobre as tarefas a executar como apóstolos (mensageiros Seus) na pregação do Reino de Deus. eram muito atrasados. Mas a população da classe média e as autoridades locais se amedrontar am com o fato. uma excursão a Fení cia. que alvoroçou enormemente a multidão. atravessando a fronteira da Galiléia. acompanhado de seus discípulos. impedia ativid ades livres e pacíficas.transmitindo-lhes poderes mediúnicos para expelir espíritos malígnos e curar doentes em seu nome. onde produziu-se o "milagre" da multiplicação dos pães. visitou as cidades de Tiro e Sidon . E assim foi feito. que viviam da escravatura e do comércio. espiritualmente. e então mandaram uma delegação a Jesus. que deveriam realizar pelo mundo então conhecido e dando-lhes regras rigorosas de conduta. temendo represálias que. eram muito mais adiantados que os hebreus e mais desenvolvidos intelectualmente. nem tinham sentimento algum de fraternidade huma na. Jesus resolveu então fazer com seus discípulos. Tendo em vista a atmosfera de hostilidades que se formara e. quando Jesus. como os filisteus. chegando até às costas da Inglate rra atual. ao peso do chicote dos capatazes. permanecendo os grupos ausentes por espaço de três m eses. assumisse o governo da nação israelita. também chamados cananeus. lugares amaldiçoados. sem repouso. na certa. formando grupos de dois e três. que viajavam para outras terras além das Colunas de Hercules (hoje Gibraltar). o Rei Messias. Os fenícios. eram artífices e neg ociantes ousados. Após o regresso. foram todos para Bet-Zeida. traficavam com escravos. Criaram o alfabeto latino. pedindo que se p assasse para outro lugar. após a consagração mandou que se separassem. pela estrada das caravanas. *** Jesus. ferozes e insensíveis. . e muitas colonias nas costas do Med iterrâneo. onde os homens valiam menos que as bestas dos cam po s e eram atrelados aos arados. e eram extremamente desapiedados com eles.

E nas fábricas de púrpura. E morriam como moscas. enfrentar as dificuldade . anos mais tarde. jogados fora. trazidos do mar em botes tripulados por pescadores escravizados e dali levados aos tintureiros. Quando a visão daquelas cenas se tornou insuportável para a sensibilida de de Jesus e dos discípulos eles rumaram para a lturéia de Felipe. co nhecessem o mundo. para cujas usinas eram remetidos os velhos. eles próprios. que lidavam nas cubas escaldantes. escandalizaram e despertaram a ira de Paulo de Tarso. com Astaroth e Melkar. quase os mesmos que. quando passou por Antiochia e Seleucia. que tinham enorme acei tação nos mercados estrangeiros. quando estivessem sós. pelas pr óprias condições do trabalho incessante e insalubre. sobre os m o ntes de escórias das fábricas. então. entre outros fins. para que nã o fugissem.Para ali afluiam constantemente rebanhos de escravos. aguentavam pouco tempo e adoeciam gravemente sendo. cortinas e mantos reais. também escravos. cada qual exibindo um rito mais bárbaro e sangrento. ou na fabricação de vidro. para que morressem de fome. os fracos e as crianças que. O mesmo sucedia com a fabricação de vidros e metais. Havia naqu e la cidade deuses e idolos de muitos povos pagãos. nos monturos. O mesmo sucedia nas fundições de bronze. e os atrelavam com correntes nas rodas de água que faziam girar os moinhos pestilentos. as mulheres. onde chegaram durante as festas de Zeus. para roupagens de mulheres ricas. onde eram moidos os caramujos produt or es da tinta. ou vindos até ali para serem vendidos nos mercados das cidades. formava o trio de deuses pagãos de cultos os mais impiedosos e repugnantes daquele período histórico bár baro. onde tudo era feito sem a menor proteção e de onde só eram retirados para serem jogados fora. Era essa a terra do deus Moloch o devorador de crianças e adolescentes que. afim de poderem. nas suas viagens apostolares. sem nenhuma proteção contra o calor. passando por Gedêra. furavam os olhos dos escravos. até morrerem. comprados ou seques tr ados nas colonias litorâneas despoliciadas. enrijecessem a fibra de seus espíritos. Floresciam as indústrias dos tecidos de púrpura. Por toda parte Jesus levou seus discípulos •para que se instruissem.

E como num soneto: expõe-se o assunto ou a idéia central e nos últimos dois versos fecha-se a expos . Atingida a base do monte. em cujas faldas estava situado o mosteiro essênio desse nome. que seria imolado para salvação d o mundo. respondendo Jesus que tal coisa já acontecera na pessoa de João Batista . seu irmão. O discurso. com a qual se remata o assunto de forma completa. que Elias viria anunciar o Messias. be m como grande número de suas parábolas. o qual mostrou-se acompanhado de Moysés e Elias. 117 Capítulo 33 A CENA DO TABOR Quando voltavam para a Galiléia. uma idéia central e uma conclusão lógica e decorrente. as misérias e as maldades humanas. pois. subiu ao cimo do monte. O mo nte tão celebrado se levanta no extremo oriental da planície de Esdrelon e tem 400 metros de altura. é considerado perfeito quando possui um-preâmbulo. onde deixou esses dis cípulos para trás e avançou até o ponto mais alto. atravessando o Jordão e deixando Naim um pouco ao norte. Jesus pronunciou ali o Sermão do Monte. um de cada lado. chegaram. ao cair da noite. O sistema oriental de narrar as coisas é diferente do nosso. certo. Thiago e João. como estava escrito. Nessa volta é que os discípulos lhe perguntaram se era. onde passaram o resto da noite. para nós. Jesus determinou que os discípulos permanecesse m ali enquanto Ele.s. onde pôs-se a orar. o Tabor apresentava suas encostas cobertas de vegetação mais ou menos rasteira. 118 Capítulo 34 AS PARÁBOLAS Voltando novamente a Kfarnaum. como também sacrificariam a Ele o Filho do Homem. Narra o Evangelho que os discípulos viram quando um grande esplendor en vo lveu Jesus. A visão foi de curta duração e logo apagou-se e desceram de novo para o sopé do monte. fazendo-se acompanhar de Simão Pedro. e enquanto as colinas vizinhas eram de snudas. o mesmo que os homens sacrificaram. ao Monte Tabor.

com digress ões várias. e os próprios discípulos. os substratos da doutrina que ensinava. com suavidade e amor.os mais acessíveis. estavam os grandes mest res HilIel. O oriental. Muitas foram as parábolas que Jesus pronunciou nas suas andanças missio nárias pela Palestina. em labné. puderam recompor mais tarde. Por isso suas palavras tinham a cor e o aspecto das regiões em que eram pronunciadas e ninguém deixava de compreender o que Ele dizia. de memória. comparando-a com outras coisas. após a destruição de Jerusalém pelos romanos. a colheita. porém supersticioso. Zakai e Schamai e. até que o que queria dizer ficasse bem claro e compreensível. empregava-as magistralmente. análogas ou não. em 72. As parábolas são uma forma e um exemplo desse modo de narrar e Jesus. não analisava a idéia fundamental logo de início. Utilizando-se de motivos naturais. com uma chamada "chave de ouro". a se meadura. segundo o sentido: (32) . Os profetas antigos e os rabis também usaram da parábola. procurando sempre promover as transformações morais dos ouvintes. Dentre os rabis que também usaram as parábolas. mas punha-a em evidência várias vezes durante a exposição. para obrigar os ouvintes a estabelecerem comparações com o presente em que viviam. Gamaliel. d ando esperança e alegria. como é natural. mas nem sempr e para ensinar. como por exemplo.ição da idéia. tornando. Nesse jogo de imagens é que se podia conhecer os mais sábios pregadores . a maior parte dos ensinamentos que Jesus transmitiu. ainda as encontramos na boca do Rabi Meír. a pesca. em nada se preocupava co mi sso. porém Jêsus assim fazia. pelo menos naqueles tempos remotos. século e meio depois. um dos doutores da Lei que red iiram a Mischná. parábola (uma alegoria dentro da qual se disfarça uma idéia important e) servia tambem para tornar Indelevel na memoria do rusticos que a ouviam. ligados à vida do povo comum. referia-se quase sempre ao passado. como recurso de imaginação para os ensinamentos que difundia entre o povo ignaro e simples. graças a elas. porém o Evangelho somente guardou algumas delas (naturalmente aquelas das quais os apóstolos se lembraram) e que podem ser agrupadas em três classes.

21 Fariseu e publicano .14.14 Os primeiros lugares .Lucas 14 .2.1.45.1.30 .4.19.Lucas 19 ..31.Mateus 13 . não deixou parábola sobre pesca..Mateus 24 .13O homem previdente .24 Viúva oprimida .25.1.13 As dez virgens .Marcos 4-21.25..Mateus 25.Lucas 14 .18 A dracma perdida .9..30.Mateus 18.14 O rico e o pobre .15.Lucas 12 ..35 O filho pródigo ..51 .Lucas 8. etc.16.1.31 ASSUNTOS DOMÉSTICOS E DE FAMÍLIA Os dois filhos . peixes..14.35 O bom e o mau servo .Lucas 12 .48 Mordomo infiel .. USOS E COSTUMES SOCIAIS Os Dez Talentos .Lucas 15 .USOS E COSTUMES SOCIAIS Os dez talentos .11.35.53 A candeia .44.8 O bom samaritano .8.16.10 VIDA RURAL O semeador Marcos 4.37 O rico avarento . fora das referências feitas nas pregações.35 O reino dos céus ..32 O credor incompassivo .26 As bodas . na forma objetiva e na ordem aqui estabelecida.Mateus 25 .7..Lucas 18 . *** Daremos agora uma síntese de interpretações no sentido espiritual.Lucas 16.20-Lucas 8.Lucas 15.Mateus 22.Mateus 21 .Lucas 16.Lucas 14.12.15 O trigo e o joio O grão de mostarda A figueira estéril Obreiros da vinha Lavradores maus A ovelha desgarrada A figueira que secou A semente que brota O bom pastor Apesar de Jesus ter agido e vivido junto ao lago do Kineret e ter tido vá rios discípulos pescadores.Lucas 10 .Lucas 18 .28.

Veste Nupcial *** O Senhor enviou seu filho à Terra. em esferas trevosas.se em aumentá-los. mandando o Senhor que os bens que recebera lhe fossem tirados e doados aos que apresentaram resultados sa tisfatórios porque: "ao que muito tem. para o devido aprendizado. quanto maior o volume ou a extensão dos bens recebidos. perseguiram e mataram os arautos da Boa Nova. Desses bens. limitam-se a conservar o que recebera m. esse mesmo lhe será tirado". enquanto que os egoistas. de conhecimentos. mais esforçados e diligentes. de compreensão mais estreita. empenham. compartilhados e transmitidos a toda a humanidade. nem lhe deram atenção. continuando a viver de suas ambições e interesses materiais e alguns de les. que devem ser utilizados. utilizando-se dos poderes de que dispunham. quando não os delapidam. segundo nossa maturidade e s piritual. mais ainda. Cada um recebe o que precisa e jamais lhe é exigido esforço maior do que pode suportar.O Senhor nos entrega os bens da Criação. espalhando-os em torno. mas o últi mo não o fez e foi castigado. nos utilizamos de forma diferente. egoísta e mesquinha. porque quem não se esforça não merece recompensa e. nada produzindo. ao que tem pouco. dois dos beneficiários aplicaram bem os recursos que lhes foram confiados. . de posição so cial. para que se fizesse a confraternizaç ão dos homens. e todos foram convidados a tão divina realização. Os talentos que o Senhor distribui são dons de fortuna. preguiçosos ou gozadores. imobilizou a sua parte. enquanto que um terceiro. para que deles também outros se beneficiem. tendo sido o Evangelho pregado por toda parte. necessários às nossas nece ssidades e experiências evolutivas. onde imperam o sofrimento e as privações. não o receberam. Os dois primeiros prestaram boas contas e foram recompensados. uns. Na parábola. Mas os homens bem aquinh oado s de recursos. e tanto maior será a obrigaço de assi m se proceder. O conceito final da parábola deve ser a sentença: "a cada um será dad o segundo suas obras". utilizando-o em benefício próprio. mandou o Senhor que fosse ele posto fora do reino. mais ainda lhe será dado e.

é o agente do mal que tenta solapar a obra grandiosa da evangelização do mundo. armado dos poderes da Justiça humana. O Rico Avarento . Lucas 11. Também semelhante a "O amigo importuno". abu sa va dessa justiça e menosprezava direitos e interesses daqueles que de suas funções dependiam. M uitos foram os chamados. conduziu-o a uma hospedaria e pagou ao estalajadeiro para cuidar dele. Viúva Oprimida Homem prepotente e incredulo. pac íficos e violentos. então. mas ninguém se comoveu nem o acudiu. Qual cumpriu o preceito da lei que manda amar a Deus e ao próximo? Esta parábola serve para mostrar que as separações de classe. da qual dependia sua subsistência. até que. para livrar-se da importunação. e ao qual muitos não comparecer am. não são as que prevalecem espiritualmente e nenhum valor têm para o julgamento de Deus. O banquete de início oferecido a todos. e o estranho que l á penetrou clandestinamente.5. inclusive um sacerdote. apeou de sua montaria. acomodados e rebeldes. nem mesmo a Deus. O Bom Samaritano Um viajante judeu foi assaltado na estrada e ali deixado como morto. raça desprezada pelos judeus. colocou sobre ela o ferid o. por fim.A mensagem foi então transmitida ao povo humilde. segundo os conceitos humanos. e muitos dela se beneficiaram. e o Juiz. Nota — As con clusões são as mesmas da parábola intitulada "Juizes iniquos". por fim atendeu a viúva. passou um samaritano . mas poucos os escolhidos. E assim. apesar de não temer nem respeitar a ninguém. Nota — A significação desta parábola é quase a mesma a que se ref erem os títulos: "Convite desprezado" e "As bodas". Passar am por ele várias pessoas. confiando sempre na justiça de Deus. entre bons e maus. e confirma a promessa: "batei e abrir-se-vos-á". uma viúva constantemente o solicitava para que julgasse uma dema nda. mantida pela fé. este. significa a comunhão dos que foram iniciados nas verdades eternas e a estes é que foi entregue a veste nupcial. em magníficas demonstrações de fé e desprendimento. por ser julgada inferior e herética. Esta parábola põe em evidência a necessidade de jamais se esmorecer n o recurso da prece.

como morto. porque se exaltava. modesta. de nada valiam. guardaria todos os seus vultosos ben s. sim. Assim. p orque se humilhava. já que para ele. somente pessoas ricas e importantes. procurar pôr-s e em evidência entre as pessoas mais importantes. para evitar dissabores e juizos desfavoráveis. nos céus. Este era O ensinamento de Jesus.Um lavrador rico teve uma grande colheita e. Mas. por quem foram aproveitados. na vida espiritual. confessava suas faltas e arrependia-se delas. pensava ele: minha alma descansará segura. O primeiro. e seus bens. somente nos expondo. vestindo-se com as melhores roupas. um fariseu e um publicano. Fariseu e Publicano Oravam em uma sinagoga. mo rreu. "aqueles que se exaltam serão humilhados". que refletia a Justiça de Deus. perfumando-se e. enquanto o outro. Os Primeiros Lugares Quando se é convidado a uma festa ou cerimônia. seria. seria. exaltado. aconselha a não se proceder dessa forma. substituindo-os por outros maiores. gente simples. ninguém gosta de ficar ignorado. Na parábola. no local. A parábola demonstra que somente os bens espirituais são duradouros e p revalecem sobre a vida e a morte. para não suporem que visamos retribuições mas. alardeava seus méritos e sua devoção. enfeitando-se. O exaltamento de si próprio poderá trazer amargas humilhações porqu e. onde ao mesmo tempo. relegado a um plano secundário. em posiç ão discreta e digna. o primeiro cheio de p res unção. Vaidade ou arnorpróprio poderão fazer-nos supor que nossa presença se ja agradável e honrosa para os outros. a tendência geral é de cada um se colocar em posição de destaque. eles brilharão como c hama viva. das quais não . humilhado e o segundo. Aconselha também que não convidemos para nossas reuniões familiares. mandou demolir seus celeiros insuficientes. nos céus. não tendo onde guardá-la. quando muitas vezes acontece justamente o contrário. se a isso formos obrigados. . humildemente. na mesma noite. segundo a lei. Jesus. perante Deus. chamando a atenção para estas circunstâncias e hábitos. coloquemo-nos modestamente. e se tivermos méritos verdadeiros. pedindo a proteção de Deus.

não elimina as consequências de umaá conduta. E quando o rico reclamou. Jesus falava de hábitos e condições sociais. nem põe paradeiro à ação das leis divinas. na certa que a levariam em conta. mais q ue tudo. que os bens materiais nodevem ser utilizados egoisttcamente. somente em b e nefício e gozo próprios. havia a Lei e os profetas. um assistente espiritual e xplicou que ele já havia recebido na Terra sua recompensa. respondendo ao rico que. mesmo havendo . mais luminosa e feliz. as condições morais das pessoas. era inútil qualquer outro aviso. que a posse de bens e de fortuna estabelecem e. do lado de fora. para que mudassem de hábitos e de crença. e as diferentes condições da vida espiritual são assegurad as por fronteiras vibratórias que as delimitam e separam.se poderá esperar retribuição alguma. queria alertar seus familiares qu e ainda estavam na Terra e pedia que os avisassem sobre como era a vida espiritual. devemos proceder com modéstia e equanimidade. O Rico e o Pobre O rico vivia a banquetear-se e o pobre. prome tendo ir. a aguardar algumas migalhas que lhe viessem às mãos. DOMÉSTICAS E FAMILIARES Os Dois Filhos O pai ordenou a um dos filhos que fosse trabalhar na vinha. se não agiam de acordo com essas leis. o assi stente replicou dizendo que isso não era necessário porque. Mas. mas este. neste caso. levando em consideração. segundo seu graude evolução e seus atos. ao que o assistente respondeu que se não acreditavam nessas leis e ensinamentos que lhes esta vam ao alcance. em todos os casos e circunstâncias. e que as diferentes condições dos espíritos após a morte são irreversíveis. enquanto que o outro. cada um se colocando nos lugares ou condições que lhes compete. para matar a fome. enquanto que o pobre agora é que recebia a sua. não foi. insistiu dizendo que se a advertência lhes viesse de um parente morto. não podendo ser transpostas. O rico. lastimando-se do que acontecia. então. muito menos o fariam em se tratando de um morto A parábola é rica em ensinamentos: mostra queo arrependimento. que já tinham revelado essas verdades e que. E morreram ambos e então tudo mudou: o rico foi para as esferas inferiore s e o pobre elevou-se à outra. forçad o pelas circunstâncias. na Terra.

A parábola põe em destaque o ensinamento de que devemos perdoar aos nos sos devedores. da decisão justa e do esforço em proceder bem. não importa a natureza do pecado. faz-se surdo aos conselhos. como os demais servos. deixa-se l ev ar pelas suas atrações enganosas. recorrendo à Justiça. porque a fam ília o recuperou ainda mais valioso. O Filho Pródigo Era o filho mais moço de um lavrador rico. têm o mérito da honesti dade. o mesmo. arrependeu-se e foi. Assim sucede com todo aquele que. decidam-se a melhorar e atender ao chamamento do Alto. promovendo o pai uma festa de comemoração pela sua volta. porém. Os que procedem como o filho que se arrependeu. O Credor Incompassivo O trabalhador de uma propriedade obteve de seu Senhor o perdão de suas d ívidas. Face ao Evangelho redentor. que exigiu sua parte dos bens da família por antecipação e partiu para outros lugares: queria conhecer o mundo e libertar-se do esforço contínuo do trabalho familiar . mas o mesmo não fez em relação a um outro que também lhe devia. mas foi recebido com alegria. Na parábola torna-se evidente que maus sentimentos são próprios de mu itos. Arrependido. este voltou atrás. pedindo sua prisão. devendo-se compreender bem que as leis de Deus se exercem com to . para também merecermos perdão de nossas faltas.recusado de início. iludido pelo mundo material. pelo que receberão sua recompensa. cobrar na Justiça a dívida que havia perdoado. regressou ao lar. desprezam o chamamento e furtam-se ao cumprimento do dever. Quando o caso chegou ao conhecimento do Senhor. da mesma forma. foi explorado por muitos. cancel ando o perdão que dera e mandando. entrando no Reino. arrependamse. até que os sofrimentos e as vicissitudes inev itáveis lhe despertem o entendimento e o façam voltar-se para as realidades do mundo espiritual. não suce derá com os que. chegando a passar fome e exercer trabalhos repu gnantes para manter-se vivo. com a experiência que dá a sabedoria. para Deus. esbanjou em pouco tempo o que o Pai lhe dera. inexperiente. porém o que importa é que se capacitem disso. disposto até mesmo a ser assalariado do pr óprio pai. volta as costas a Deus. mas a decis ão pessoal de reformar-se e o esforço em redimir-se. ouvindo e vendo.

assim. e aque le a quem muito se confiou muito mais lhe será exigido que a outro qualquer. naquele mundo. A regra é perdoar sempre e não julgar como juiz mas. conseguiu. e para benefício do próprio culpado que. ocorrendo. não poderá sê-lo no muito. para que o mal não se multiplique maleficiando outro s. Bem aventurado será aquele a quem o Senhor confiar a mordomia de sua casa e que assim pr oceder. ainda. como castigado será aquele que abusar de suas funções. porque — "a quem muito foi dado muito será pedido". seja à hora que for. somos obrigados muitas vezes a agir com rigor e castigar o que erra. antes que viesse a demissão e os castigos. em mundos baixos c omo o nosso. perdão de faltas cometidas. o que a nós compete ? . como poderemos receber. sem hora marcada ou sabida. Assim será. Mordomo Infiel Havendo sido desonesto. quando vier o Filho do Homem pa ra julgamento do mundo. do mundo espiritual? E se não formos fiéis na aplicação do bem alheio. mas o ressarcimento delas pela prática de atos meritórios. com isso visando captar a boa vontade deles o que. realmente. o administrador de um homem rico foi chamado às c ontas e. 126 O Bom e o Mau Servo Os bons servos devem estar sempre vigilantes para atender ao seu Senhor qu a ndo este vier para casa. em certos casos.do rigor e cada um colhe o fruto dos seus atos. como da execução das suas tar efas e dos testemunhos a serem dados em relação ao próximo. tem oportunidade de reconsiderar e se emendar. na vida espiritual. se não formos fiéis na manipulaç ão de bens materiais perecíveis. porque quem não é fiel no pouc o. e tanto a respeito de si mesmo. Não há propriamente. como poderemos sê-lo na de bens verdadeir os. Mas a parábola adverte quanto ao erro. o chamado "acréscimo de misericórdia" para bene fício dos que o merecerem. convocou os devedores da propriedade e mandou que confessassem dívidas me nores que as verdadeiras.

para que todos vejam a luz. a sinceridade. nas trevas. era r ecebido por um cortejo de virgens . até que a achou. com lampadas acesas. prontos a acender as lâmpa das. na vida espiritual. A Dracma Perdida Uma mulher tinha dez dracmas. 128 . para não ficarmos de fora. Assim será no fim do período evolutivo que vivemos. para verificar as disposições íntimas. quando chegar a hora do banquete espiritual. inclusive jóias de grande valor. pelas quais se paga bom preço. não pelo valor seria moeda das menores entre todas — mas pelo praser de reencontrar aquele bem que completava o seu patrimônio. porque não se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um velador. quando recolhe a rede e os devolve ao mar.se qualidades. Nesta parabola . o noivo ao chegar ao lugar da bodas . mas sim em lugar alto. para que possamos penetrar no Reino de Deus. perdeu uma e se pôs a procurá-la por toda parte. por isso. para n ão parar no meio do caminho e deixar de alcançar o fim da viagem. A Candeia Os que já possuem as luzes do conhecimento espiritual não devem soneg á-lo aos que ainda permanecem na ignorância ou na impiedade. pois. e muitas das recepcionistas est avam com suas lâmpadas apagadas e sem azeite para acendélas ficando. deve primeiramente examinar-se. quando os justos se rão separados dos maus e estes lançados novamente no mar dos sofrimentos e das sombras . Assim também sucede com as verdades espirituais redentoras dos homens. a capacidade de perseverar e dedicar-se. O Homem Previdente Quem quiser encaminhar-se na vida espiritual. . O Reino dos Céus O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido. É preciso. que ela n ão revele. estarmos sempre preparados. porque esta é indispensável a todos e nada há que possa ficar oculto. Assim. para a conquista do qual deve-se empenhar tudo o quanto se possue. impedidas de entrar na casa. nos páramos celestes. o noivo chegou de repente. que é renúncia e sacrif ício.A parábola põe em destaque a verdade de que não podemos servir com o mesmo zelo a dois senhores — a Deus e a Mamon — As Dez Virgens Nas cerimonias nupciais . ou ainda adquirir . como as de um bom peixe que o pescador separa dos ruins. devemos perseverar na conquista da Verdade até encontrá-la. demonstrando com isso grande alegria.

VIDA RURAL O Semeador O semeador, no seu trabalho, lança as sementes, que vão tendo diferente s destinos; uma parte é comida pelas aves, outra queimada pelo sol, outro sufocada pelo mato e uma, mais feliz, cai em terra boa e brota e cresce e dá frutos abundantes. A parte comida pelas aves representa a interferência das forças do mal no coração dos homens fracos; a queimada pelo sol representa o enfraquecimento e a derrota do homem ante as vicissitudes da vida; a que fo i sufocada pelo mato indica que as ambições do mundo, as riquezas, as ilusões dominaram-no, tornando-lhe a vida estéril; e a q üe foi lançada em boa terra é o que compreendeu, assimilou os ensinamentos divinos, cresceu e expandiu-se no serviço do bem, engrande" decendo-se. O Trigo e o Joio Os bons obreiros semeiam a boa semente mas, terminado o trabalho e enqua nto descansam, os inimigos do bem semeiam o mal; de forma que a seara apresenta sempre o bom produto misturado com o mau. E ambos , to davia, crescem juntos e não se deve separar um do outro, a não ser quando a seara amadurece e chega a hora da colheita quando, ent ão, o joio pode ser separado e queimado, enquanto o trigo, limpo, é recolhido aos celeiros. À hora justa, assim como o trigo e o joio, os homens serão também sep arados, e os sinos já estão tocando, avisando a chegada dessa hora... O Grão de Mostarda Semente das menores entre as sementes, entretanto, a da mostarda cresce, de senvolve-Se, lança o broto e ultrapassa as demais hortaliças, chegando ao porte de uma árvore onde as aves fazem seus ninhos. A parábola compara esse grão à virtude da humildade que, mesmo parece ndo insignificante, produz resultados espirituais de extraordinário valimento. A Figueira Estéril Plantada em um horto, e não dando frutos, o senhor da propriedade mandou cortar a árvore; mas o hortelão pediu que esperasse mais um pouco, para que a adubasse convenientemente. A parábola não conta o resultado, mas é evidente que quer referir-se

ao fato de que, mesmo sendo estéril de bons atos, com o adubo do conhecimento, os homens podem melhorar, esmerando-se também em atend er ao s preceitos do Evangelho, que é o adubo das almas. Obreiros da Vinha O dono de uma vinha contratou trabalhadores em diferentes horas do dia pa g ando, à tarde, salário igual a todos eles; e ante as reclamações feitas pelos que trabalharam mais tempo, explicou que ele e ra competente para julgar o valor do trabalho de cada um, independentemente das horas trabalhadas. Espiritualmente, isso significa que o chamamento de Deus — o dono da vin h a — soa sempre, a qualquer hora, e todos os que atendem recebem salário pela qualidade do trabalho produzido; em pouco tempo o tr abalhador diligente e devotado, mesmo quando tratado à última hora, pode realizar trabalho muito mais meritório que outros que trabalharam mais tempo. Por isso, a parábola declara que — "os últimos serão os primeiros" desde que, obviamente, executem trabalho bom, segundo o julgamento de Deus. Lavradores Maus Alguns lavradores arrendaram uma propriedade com a condição de cuidare m dela, fazê-la produzir e prestarem contas fielmente. Ao tempo da colheita, o proprietário mandou receber a parte do arrendamen to que lhe competia, mas todos os portadores enviados, e até mesmo seu próprio filho, foram maltratados ou assassinados pelos arrendat ários. Na parábola, é possível que Jesus estivesse se referindo ao clero jud aico ou a outros que recusassem a sua mensagem , ou a Ele mesmo, como filho de Deus : e os maltratassem como realmente o fizeram criando, a ssim, entraves à propagação do Evangelho, considerada sua natureza de ensinamento universal. A Ovelha Desgarrada Assim como um pastor se aflige e sai à procura de uma só de suas ovelhas que não tenha penetrado no redil e por fim a encontra, e alegra-s e e a traz de volta, porque todas merecem o seu cuidado e por

todas se sacrifica, assim também quando um homem se desvia do caminho certo, a palavra do Senhor o alcança e, se é ouvida, o fato é comemorado porque "há sempre alegria no céu quando um pecador se arrepende" e pelo Evangelho se redime. Nota - Parábola semelhante à da dracma perdida. A Figueira que Secou Passando por uma figueira que não tinha frutos, porque não era tempo deles, Jesus a amaldiçoou e ela logo secou. Os discípulos extrann haram o fato e confessaram mais tarde que não entenderam o gesto de Jesus. Se não era tempo de frutos, porque foi amaldiçoada.? Mas consideremos que ele estava com os discípulos, em trabalho de ensinamento, nos campos próximos da cidade. O que fez foi para advertí-los de que, como discípulos, deviam produzir sempre bons frutos , sem preocupação de tempo, data ou lugar; sempre aptos a fornecer o alimento espiritual de que os homens careciam; caso contrário, poderia suceder que, à hora de maior necessidade, não se encontrassem preparado s para prestar a cooperação indispensável. A Semente que Brota O trabalhador lança a semente à terra e a cuida de noite e de dia, e a semente brota e o broto nasce e cresce, sem ele saber como. Mas é porque essa é a Lei de Deus na Natureza e sempre que o homem se conduz de acordo com essa lei, colhe bons resultados; e quando chega a hora da ceifa, esta é feita sem mais demora. E a ceifadora é a morte. O Bom Pastor As ovelhas conhecem o pastor, ouvem a sua voz e o seguem para onde as levar; mas não seguem a estranhos, porque não conhecem a sua voz. Jesus é o bom pastor que se sacrifica por suas ovelhas , e morre por elas . Tem outris rebanhos em outros lugares , mas cuida delas com amor e as levará ao redil com segurança , para que nenhuma se perca e p ara que haja um só rebanho e um só pastor. O SERMÃO DO MONTE

a d os que choram. a dos mansos de coração. a1ooU dese . sendo sabido que o rabi galileu ia pregar naquele monte. como desejo e esperança da Nação. se agruparam de um lado e os amharets — os homens da terra. enquanto passava e. tendo o grupo de doentes ao lado. por si só. recebidos por Moisés n o Sinai. e a maioria por ser necessitada e sempre esperar atendimento às suas dores e sofrimentos morais e materiais. Referindo-se aos Dez Mandamentos da Lei de Deus. a dos misericordiosos. Aos poucos formou-se uma grande assistência. ampliou mandan — no matar — o rancor. uns que compareciam para. positivamente. quando Jesus chegou. Naquela tarde. Nesse sermão que. Jesus estabeleceu o sistema fundamental de sua doütrina que. viria a ser chamada de Cristianismo. outros. gente da alta. contradiz formalmente a suposição geral de ser um Messias polít ico. À medida que chegava. mais afastados. a multidão ia-se separando instintivamente. há vários séculos atrás.que são: a dos pobres de espírito. que Seu reino não era deste mundo Pregou as oito Bem aventurança. representa um código de moral religiosa de alta significação espiritualizante e que é a parte culminante de sua pregação.a reconciliação com os inimigos. permaneceram de outro. por ordem do Sinhédrio. Nele. n ganaeida. a dos que têm fome de justiça. Cobriu-se com o tallit e começo u logo a pregar. abrigou-se ao fundo. vigiar a Jesus. a dos pacifi cadores e a dos perseguidos e injuriados. que podia conter centenas de pessoas. afirmando. a mais ou menos 50 metros de altura. par a lá se dirigiu muita gente. aumentou o6.n&. os ch averins. da própria cidade e das imediações. mas-jue perrn.° mandamento—o adutério — condenando qualquer pensamento. como faziam por onde quer que Ele andasse.aneciam ainda como base religiosa dos judeus. futuramente.Junto à cidade de Kfarnaum havia um morro — o Kurun Hatin — com vast a plataforma em um dos flancos. fi nalmente. O sol descia lentam ente para o poente rubro de luz e a expectativa da mult idão tocava ao máximo. sob um dos ciprestes ali existentes. a dos limpos de coração. saudando para um e outro lado. Havia ali escribas e intérpretes da Lei. rodeado de seus discípulos. acompanhado de seus discípulos. porque o admiravam e queriam apre nde r a doutrina consoladora que Ele pregava. disfar çadamente.

os primeiros edificando sua vida es piritual sobre a rocha da fé e do amor e os últimos sobre as areias movediças e ilusórias do mundo material. expressamos somente o des ejo de santificá-lo em nós próprios pelos nossos atos. ensinou o Pai Nosso. ao qual se deve assistir sem alarde. mas não desce. como. expressa três pedidos diferentes a saber: para nossa miséria material. render culto a Deus sem exibição. que manifesta três desejos da alma: a glorifica ção do Senhor. nossos erros e fraquezas. profunda e perfeita. na fraternidade univers al e na paternidade de Deus. proibindo os juramentos em nome próprio ou da Divindade. Na conceituação espírita eis a interpretação desta prece Pai Nosso que estás no céu santificado seja o Teu nome — Como o nome de Deus é santificado por si mesmo. inclusive para os inimigos. estendeu o conceito dsinceridade e da honestidade. e mostrou o destino glorioso dos fiéis e o castigo dos insensatos. mas de amor verdadeiro ao próximo. que são transitórios. segundo os méritos e as conveniências evolutivas de cada um. Venha a nós o Teu reino — Como o Reino não virá a nós. a expansão do Reino de Deus e a submissão do homem à Sua vontade soberana e justa. e proteção contra as tentações do mundo e as influências maléficas". virtudes e pensamentos. porque a caridade não deve ser ato de ostentação. condenou também a hipocrisia. visto que os homens são todos irmãos. na prece declaramos o nosso propósito de conquistá-lo. também. tornando-nos dignos dele. ensinou o desprendime nto dos bens do mundo.condenou a pena de Talião. de amor e de confiança em Deus. essa singela e comovente ora ção. recomen dando a tolerância e o perdão sistemáficos. Ao falar sobre a prece. a nós cabe subir. porque o Pa i as provê. como também não se inquietarem os homens com as necessidades materiais da vida. bastando afirmar as coisas como elas são: "seja o teu falar sim sim não-não". nossas falhas espirituais. 134 Seja feita a Tua vontade assim na Terra como no céu — Encarnados ou desencarnados.jo contrários à fidelidade conjugal. submetemo-nos às leis e à vontade de Deus . Deus está sempre presente. a simulação. para a necessidade da oração. "que contém um ato de fé. chamou a atenção para os falsos profetas enganad ores.

apontando as divergências que porventura manifestasse sobre a Thora. por fim. e que não eram poucas. conside rando-se os textos escritos e oficiais em vigor. faz que ela . desconhecimento ou desprezo do Bem. e não a Deus. nas reencarnações. que não existe por si mesm o. o Reino de Deus. est e será o único meio de nos livrarmos do mal. exceto em caso de prevaricação. e dependem de nossa própria conduta e livre arbítrio. sendo. por ignorância das leis espirituais. Perdoa as nossas dividas assim como perdoamos aos nossos devedores. escandalizados. devemos perdoar nossos irmãos daquilo que nos fizerem. consultando os rolos das escrituras que levavam em mãos. um ensinamento impraticável. pensamentos e atos e não do perdã o de Deus. simplesmente. aos que vos maldizem e cal un iam. segundo nosso programa encarnativo. Quando Jesus disse: "amai aos vossos inimigos. sempre nos será dado. Não nos deixes cair em tentação e livra—nos do mal — Enquanto n ão evoluirmos. sem base nas necessidades e conveniências da vida real. para que nossa conduta seja perfeita e progridamos. ficaremos livres de todos estes males e conquis t aremos paz interior. ignorância. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje — Não devemos nos preocupar em amealhar fortuna material porque o necessário. vos digo que quem rep udiar sua mulher. justamente c om o intuito de confundir a Jesus. falando sobre o divórcio (tema sempre apaixonante e delicado) J esus disse: "Foi dito pelos antigos que quem deixar sua mulher dê-lhe carta de divórcio. E quando. não ficaremos livres das tentações do mund o inferior e cabe a nós libertarmo-nos dessas falhas. porque nos cabe a m ar nosso próximo como a nós mesmos. derrotando a ignorância e conquistando virtudes morais cristãs. fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem" (o que era fundamento de sua doutrina de amor e de perdão). mas eu. Evangelizando-nos. murmuravam entre si. perfeição espiritual e. e como todos erramos. porém. *** A impressão deixada pelo sermão foi extraordinária e se manifestou de muitas formas: os chaverins. o clamor elevou-se e diziam eles que aquilo era um absurdo. Todos nossos erros e transgressões às leis de Deus devem ser resgatados nas vidas sucessivas.em todos os sentidos.

em entendimento prévio. que a doutrina que pregava enfraq uecia os homens. eram considerados seus próprios. nos casos de esterilidade (que para os judeus. Quando. era uma desgra ça. tratava-se. e gritos de júbilo e exclamaç ões explodiam entre eles. prosseguindo. os escribas e os doutores da Lei não puderam mais conter-se e exclamaram bem alto: "de onde tirou Ele isso? Iss o é contrário a lei de Moisés. aclamando-o e foi necessário que os discípulos o arrancassem dali. porque a esterilidade dava ao marido o direito de repudiar a mulher sem mais formalidades. . glorificando a Jesus. o que redundaria em malefícios sociais para a nação. Quererá Ele ser maior que Moisés?" Essa indignação dos chaverins em parte se explicava porque. quase carregando-o nos braços. o marido era incontestavelmente o senhor e a mulher propriedade sua. gritaram que Ele estava pregando a subversão da ordem e a desorganização do trabalho. Para evitar a expulsão. terminado o Sermão. incompatível com a existência da naco judaica. os chaverins prorromperam em gritos.cometa adultério e o homem que se casar com a repudiada. pois. naquele tempo. que significava sua liberdade e autorização legal para casar-se de novo. despedia-a. comete adultér io neste ponto os fariseus. no seu post o. simplesmente. Jesus. alterava os valores morais conhecidos: transformava os defeitos em virtudes. que se marcavam no rosto de todos. carentes de tudo. cuidando da casa. desvirilizava-os. amparando-se a outro homem. exausto. de uma doutrina rev olucionária. Jesus falou sobre o modo pelo qual o Pai Celestial alimenta as aves e veste as flores do campo. na Palestin a e países visinhos. o povo o env olveu. e a dissolução do vínculo se dava à vontade dele. a Deus e a Mamon. quando falou que não se pode servir a dois senhores. e os filhos que houvesse com a concubina. Mas para o lado dos homens do povo e dos miseráveis. quiz afastar-se. um opróbio) a esposa muitas vezes providenciava uma concubina para o marido. E quando. quando não queria mais a mulher. dando-lhe uma carta de div órcio. continuando. acusando-o de estar aconselhando ao povo o desint er esse pelo trabalho. o efeito foi radicalmente oposto: nasceram alegrias e esperanças novas. para não ser considerada ad últera e ficar ameaçada de apedrejamento. a seu bel-prazer.

o u tros pensavam que Ele era o profeta João Batista. admirados daquela grande cidade. mas sim por inspiração do Alto. à instrução pessoal dos discípulos. que voltara ao mundo. oliveiras e figueiras. mais d i retamente. que todo o povo esperava. tomassem cada um a sua cruz e o seguissem. assim. na certa que não era o Messias reden tor de Israel. onde sofreria a morte pela m ão dos homens. outros diziam que. Ao regressarem. construída em estilo romano. Regressando. a Kfarnaum. diziam dele. a Judéia era uma terra calcárea. árida. que renunciassem a si próprios. pensavam a respeito. que vinha na frente para anunciar o Messias verdadeiro. A festa dos Tabernáculos era celebrada em memória dos quarenta anos que os israelitas viveram no deserto. e que ressuscitaria ao terceiro dia. Foi com eles para o norte. de ir para Jerusalém. que estava Próximo que tudo isso acontecesse e que. se real mente desejavam ser seus discípulos.136 Capítulo 36 ABANDONO DA GALILÉIA Como viu que se aproximavam os dias derradeiros. como Ele era pobre e vivia rodeado de pobres. como os antigos. E conrn. Pedro adiantou-se e respondeu que Ele era o Cristo. Responde ram que ouviram muitas versões: uns diziam que. Acrescentou que teria. havendo ainda outros que afirmavam que Ele era o próprio Elias . Como já dissemos. em seguida. terra de vinhedos. pois que seu reino n ão era deste mundo. porventura. sob tendas. os próprios discípulos. misturando-se com o povo. Jesus perguntou o que. como estava predito. sairam a passear. ter virtudes de espírito e dons proféticos. em cujo centro geográfico está a cidad e de Jerusalém. como Ele fazia milagres. chegando até a Cesaréia de Felipe onde os di scípulos. e que. devia ser um profeta poderoso. conduzidos por . Então Jesus perguntou o que eles. dedicou-se Jesus. a o que Jesus logo esclareceu dizendo que Pedro não dissera aquilo por conhecimento próprio. tomados de surpresa e indecisão. o Filho de Deus vivo. essa revelação seria a base sobre a qual se desenvolveria a propagaç ão de seus ensinamentos na Terra. Jesus despediu-se da Galiléia e foi para a Judéia. emudecessem. demo nstrando. nas vésperas da festa dos Tabernáculos.

afinal. convivia em meio aos necessitados. comparecendo diariamente ao Templo e. Após os trabalhos e as canseiras do dia. unicamente clamando por paz e pela redenção de tod os.Moisés. havendo sido . derramavaa junto ao altar e. seu nome foi se tornando cada vez mais popular. sua conduta e seus ensinamentos públicos.m esmo. onde pernoitava. abria os braços ao povo. na maior parte do tempo. serena e piedosamente. e também como ação de graças pela última colheita. sempre acompanhado de seus discípulos fiéis e comumente era visto na ca . apesar de já estar muito avolumada contra Ele a campanha dos sacerdotes. empunhando ramos. era sempre rodeado por muita gente e . no último dia. permaneceu na cidade. às vezes agressiva destes. ameaçador para o regime sacerdotal. ou qualquer outro lugar reservado. ou nos terraços existentes no cimo das casas. Nesses dias. Acerbas discussões tinha Ele que sustentar com seus opositores solertes. na tentativa nunca conseguida de. quando a festa ia em mei o e começou logo a pregar no Pátio dos Gentios. tornava-se cada vez mais um elemento julgado perigoso. durante os sete dias da festa. Os homens sãos. e era doloroso ver a atitude mordaz. iniciado no Sinhédrio uma investigação oficial contra Ele. como um pedido coletivo do povo para que chovesse na próxima semeadura. surgiam tumultos provocados pelos agentes do Templo. hostil. em redor deste. como corria livremente a notícia de que Ele era considera do o Messias de Israel. circulava sete vezes. o sacerdote. quando entrava no Templo. pregando e curan do. e. Jesus penetrou no Templo. retirava-se para o Monte das Oli veiras. Por outro lado. enquanto Ele. *** Chegando a Jerusalém. desaparecendo para os lados da cidade baixa onde. No Templo de Jerusalém havia cerimônias diárias e. deviam viver em tabernác ulos. em procissão. Durante aqueles meses de inverno. obterem prova s contra Ele. a ponto de criar sérias preocupações ao sumo-sacerdote. pela tarde. tomava água na Fonte de Siloé. invariavelmente. que eram tendas armadas nos vinhedos. a inda.

pregando. aguardando o regresso dos discíp u los. bem o sabia Ele. visitou a Zaqueu a convite deste. ali permanecendo alguns dias. na Peréia e na Ituréia. pregando e operando curas.sa de Simão — o leproso— no Beth-Ini. os convidados descorteses. Repartiu-os em três grupos a saber: um. e sobre as condições exigidas para ser discípulo. as pregações sobre o número dos eleitos. findos os quais foi para Betnia da Judéia. para pregar no litoral. que já inte rpretamos atrás. Nessa localidade permaneceu dois meses. voltou . juntamente com os dozes apóstolos. São desses dias as curas da mulher encurvada. quanto aos gentios. convocou a grande número de seus aderentes e entr e êles elegeu 70 discípulos para. porque se conseguissem instilar nesse povo. estaria ela fundamentada. do filho pródigo e do bom uso das riquezas. narraram-lhe os acontecimentos da pregação e das viagens feitas e as curas que operaram e os espírit os malignos que tinham conseguido expulsar. os preceitos elevados de sua doutrina de amor e salvação universal. marginou o Jord ão pela Sarnaria. haveria novas oportunidades. entre Jop e e Cesaréia do Mar. atravessando o rio. pelo que fizestes de bom" Dali. narrou a parábola do Bom Samaritano.outro. subiu o rio até as alturas de Scitópolis. pelo esforço de outros emissários. Em Jericó. para as comarcas do Além Jordão.lhes: "Não vos regozijeisde que os espíritos malignos hajam fugido ao vosso mandado. Em seguida. hosp edando-se na casa de Lázaro e de suas irmãs Marta e Maria. profundamente místico e obediente. região que percorreu rapidamente. Jesus ouviu-os paciente. n a rocha da fé. Quando estes chegaram. Ao passar por Jericó. 138 Capítulo 37 ÚLTIMOS ATOS NO INTERIOR Ao fim do inverno foi para a Peréia. voltou a Peréia. como t ambém as parábolas da ovelha desgarrada e da dracma perdida. A todos abençoou e forneceu instruç ões pormenorizadas. recomendando que se limitassem a pregar aos filhos de Israel.para as povoações do sul da Judéia e o último. até o caminho de Tiberíades. evangelizarem o povo. quando então advertiu-os contra o orgulho di zendo. mas sim de que vossos nomes estejam insc rito s no céu. e desse ponto. foi com os apóstolos a Jerusalém e em seguida. no futuro. sobre os primeiros lugares.mente até o fim. indefinidamente.

Logo ao chegar. Mas Jesus corrigiu dizendo: "Eu sou a ressureição e a vida. no último dia. envolto nos panos mortu ários que lhe embaraçavam os passos. perguntou onde haviam depositado o corpo e o conduziram a um l ocal fora do povoado. para testemumunha r o poder espiritual do Messias e como motivo de ensinamento sobre a imortalidade da alma. caminhando para fora. onde encontrou as irmãs desoladas. Ele também foi se aproximando de Jerusal ém. que ressuscitaria como todos. Ao que ela respon deu que sim. livre. ao norte da capital. viram o corpo estremecer e ir se levantando aos poucos. querendo dizer que o corpo não estava morto. viram o corpo estendido sobre uma mesa baixa dentro da gruta. desfeito. A esse chamamento. mas foi ordenada para glória de Deus e de seu Filho". já dissera que aquela enfermidade não era de morte. estava o corpo. em transe. Respondendo ao emissário disse: "esta enfermidade não é de morte. Jesus. por que Lázaro já havia morrido e estava encerrado na tumba. entrando de novo na Peréia. Lázaro saiu. Aquele que crê em m im ainda que morto. Dois dias depois seguiu para lá. Não queria dizer com isso que Lázaro estava morto e que ressuscitaria s eu corpo físico porque. permanecendo algum tempo na aldeia de Efraim. vem para fora". viverá e todo aquele que vive e crê em mim. Manda que removam a lage que fechava a po rta e. quando lhe levaram o aviso em Beta bara. o farise u e o publicano. dizendo que este estava em perigo e pedia socorro. disse à Maria: "Teu irmão ressuscitará". veio um emissário das irmãs de Lá zaro.para o sul em plena atividade missionária. não morrerá jamais". Umatarde em que estava em Betabara. Aliás. mandou que lhe tirassem essas faixas e assim. então. isto feito. (34). onde. em uma caverna de pedra. mas somente em estado semel h ante à morte. oj u iz iníquo. viu a . Jesus então concentrou-se em prece e logo depois exclamou: "Lázaro. Como a Páscoa se aproximava. há quatro dias. São desses dias o episódio dos dez leprosos. os trabalhadores da vinha. nenhum corpo material. o jovem rico. Em chegando. no qual provavelmente fora posto pelos espíritos desencarnados. depois de realmente morto. ressuscita. ou em estado cataléptico.

*** De Betânia. derrubasse o reinado dos Hanan e o poderio dos invasores romanos. Jesus desceu do jument . os discípulos estenderam no seu lombo algumas capas e Jesus sentou-se sobre elas. conforme estava predito nas Escrituras. também esperavam que naquele momento Jesus declarasse a libertação de Israel. a decisão de eliminar concorrente de tal envergadura que. a qualquer momento. de um só lado.se para o Templo. 140 Quando a tremenda notícia da "ressurreição" chegou a Jerusalém. Mas nada disso aconteceu. não confundir com Maria Magdala. penetrando na cidade e encaminhando. que haviam arrancado do a rvoredo no caminho. com uma só palavra ou um só gesto. e. Somente um grande e verdadeiro Profeta po deria fazer coisa semelhante e o povo provavelmente se levantaria para aclamar esse rabi como seu chefe espiritual. pouco distante daquela aldeia. e assim a procissão prosseguiu. em sinal de alegria. poderia t r ansformar-se em muito séria ameaça política. para resgatar Israel de seus sofrimentos e assumir seu reinado no Templo. e quand o o animal foi encontrado e veio. Formou-se um cortejo.(34) Maria de Betânia. Assim foram até ao Templo onde a multidão esperava que houvesse algum acontecimento extra ord inário e que Jesus. Os acompanhantes cantavam hinos e aleluias em honra de Jesus. no espírito deles. Este acontecim ento ainda mais reforçou. que foi se engrossando no caminho. faltando cinco dias para a Páscoa. inaugurando seu reinado de Mes sias nacional. Nota . agitando ramos. Jesus se deteve e pediu a dois dos discípulos que fossem adiante e lhe trouxessem um jumento.Jesus e atirou-se a seus pés. para que entrasse na cidade montado. ao defrontar o edifício. à medida que o povo ia sabendo que era o rabi de Nazareth que vinha chegando. clamando: Hos ana! Eis o nosso rei messias! O filho de David! Dançavam à frente do cortejo. Ao aproximar-se da cidade. Jesus partiu para a cidade. os sacerdotes do Templo ficaram assustados e temerosos de suas consequências na mente do povo. na su a ingenuidade.

com não menor aparato. onde exercia o ofício de remador de botes. originário da cidade de Jopa. viera para Jerusalém incógnito e trabalhava na cidade baixa. deliberou prel imin armente. também. Com isso. Bar Aba era um homem do povo. que se fechara no seu palácio. Como represália. para indenização de impostos n ão pagos. após aguardar longo tempo. o mesmo sucedendo com a guarda do Templo porque. bem como suas declarações referentes à tarefa messiânica. os discípulos deveriam preparar a ceia tradicional.o. Pilatos — o procurador romano — tinha chegado d e Cesaréia do Mar e seu cortejo atravessara a cidade. 142 Às vésperas da Páscoa quando. para fugir do povo que o odiava. Na cidade. a multidão se dispersou desiludida. assando o matzot (pão chato e carne de carneiro) e o seder (bebida composta de vinho e ervas) foi discuti do sobre o local onde a ceia se realizaria. debaixo do rumor estrídulo da fanfarra da legião. mas dotado de muita coragem e espírito de iniciativa. o Sinhédrio resolvera prendê-lo somente após as festa s. Quanto a Jesus. de acordo com a Thora. mais que de costume. ainda mais se acirrou contra Ele o ódio dos sacerdotes. juntamente com vários de seus apaniguados. O encontro com a comissão deu-se no próprio Templo. um dos seus membros mais acatados. O Evangelho não o diz. Ali já se revoltara contra as autoridades. Era ignorante. Capítulo 38 ÚLTIMOS DIAS EM JERUSALËM Na véspera desse dia. Tinha sido preso na véspera. mas fala sobre um cenáculo. chegara Herodes Antipas. Mas. nomear uma comissão para interrogar o Rabi sobre suas pregações e dar parecer com urgência. em cujo novo ofício ganh ou fama mas. falador. porém Marcos (14-3) e Lucas (22-12) re . aceitando proposta de Nicodemo. entrando na Fortaleza Antonia e no mesmo dia. junto aos cameleiros das car avanas. e Jes us confirmou tudo o quanto ensinara antes. para tomar ciência dos últimos acontecimentos ocorridos desde a suposta ressurreição de Lázaro. no vale do Kidron. porque lhe tomaram o bote. ultimamente. pelos soldados romanos. truculento. fez-se salteador de estradas. o Sinhédrio havia se reunido para providenciar sobre desordens provocadas na cidade baixa por um patriota exaltado chamado Bar Aba e. três dias antes. havia desusado aparato militar. para evitar possíveis demonstrações populares. penetrou no Templo em silêncio e. no mesmo dia. por fomentar desordens. ao invés de ser aplacado.

o que realmente horas depois. naquela noite. Para esse local os di scípulos levaram todos os preparativos e ali a ceia se realizou. Jesus retirou-se para um lugar reserva do e silencioso e mandou que os discípulos velassem. ao aguadeiro Hillel. com uma rapidez terrível. Mas Jesus re spondeu que gostaria que assim fosse. não só por ser considerado revolucionário perigoso. desrespeitador da Lei. naquela noite. e onde se agasalhavam os galileus e os essênios quando vinham a Jerusalém. como o incumbido desse problema. sabend oq ue Judas já havia entrado em entendimento com os sacerdotes do Templo para entregá-lo às suas mãos. essênio que morava em um dos nichos da muralha de David. herético. que "o que tinha a fazer.ferem-se a um carregador de água. como também porque seu convívio mais constante era com os pobres e os miseráveis da Cidade Baixa. a partir desse instante. todas as coisas se precipitaram. porque a hora das aflições tinha ch egado. Nessa ceia. permanecendo por ali ao redor dele. recomendou a este. até o momento triste da cruz. V. anunciou. todos seriam post os à prova e falhariam. ele o negaria também três vezes. porque Jesus não tinha entrada em casas ricas. espiritualmente. partiram todos para o Monte das Oliveiras. sua morte e o julgamento da humanidade no tempo justo e. Capítulo 39 O ENCERRAMENTO DA TAREFA PLANETÁRIA Judas de Kerioth — Desde o dia em que. fez suas promessas e instruções finais. mais uma vez. Judas começou. Com a partida de Judas ficaram todos mais na intimidade e Jesus deu aos do z e as últimas recomendações. Jesus foi declarado transgressor da Lei e inspirado por Satan. mas que antes que o galo cantasse três vezes. a . Chegando ao jardim do Gat Shemen. E. De caminho. inclusive sobre o e nvio do Paracleto e do Consolador. para que se cumprisse também nisso as Escrituras que diziam: "ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão". fizesse logo". em Kfarnaum. os discípulos protestaram fidelidade e Simão asseverou que o seguiria até a morte e jamais o abandonaria. aconteceu. advertiu aos discípulos que. em seguida. discretamente. Já nos referimos atrás. Nada há a estranhar sobre esse local. Ou vindo isso. despediu-se deles e. realmente. João (13-27). nos dias futuros.

se apoderaram dele. infeliz! Penetrando. um grande desespero apoderou-se dele e maldisse em altas vozes. no terreno tormentoso da dúvida.se nele. no campo da invigilância. ficou hirto e frio. Penetrou. vendo o povo confraternizar com os discípu los no caminho da Betânia. aprofundando. cantando hosanas. naquela Páscoa.afastar-se dele. Tinha errado mais uma vez. Com a exuberância de gestos que lhe era própria. assim. onde foi logo posto na presença do Sgan Jochanan. sem o perceber. das quais já se vinha tornando um alvo vunerável. descendo do jumento silenciosamente e desaparecendo no meio da multidão que enchia o Templo. dia por dia. já não mais sabia se Jesus era ou não o Messias esperado. sua decepção f oi profunda e todos os seus sonhos de ambição e glória desmoronaram. repuxava os cabelos e a barba e batia no peito murmurando: infeliz. não tinha sido ludibriado nas suas esp eranças. até que. Foi um dos que mais depressa estendeu sua capa no chão para que o Messia s passasse. por fim. mais dançou à frente do cortejo. assim. Assim sendo. apavorado. o rei nacional. junto à Porta Dourada. um dos que. a sua infelicidade. ao chegar ao Templo. nada fez para assumir o poder que o povo estav a pedindo. que o con hecia como discípulo de Jesus e que aproximou-se rapidamente. Mas estava sendo observado por um sacerdote menor do Templo. tanto no círculo dos próprios discípulos. fazendo-se discípulo daquele rabi? Encostado a uma das colunas da galeria do Templo. meditava profundamente sobre tudo o quanto via e ouvia. porém doentia. Jesus de Nazareth não podia ser o salvador de Israel. pensava ele. na sua enorme alegria. seus esforços. sendo simplesmente um profeta do povo humilde. como no meio do povo e. que Jesus. tomou-o por um braço e o levou consigo para o interior. nesse momento as forças do Mal. encheu-se novamente de esperanças. um suor viscoso caía-lhe da teja sob re o rosto enquanto espuma amarelada como fel começou a escorrer pelos cantos dos lábios brancos e cerrados. Possuidor de maior cultura que os demais discípulos e dotado de imagina ção fértil. Quando viu. sua dedicação de vários anos? Não perdera todo o seu tempo. com a entrada auspiciosa de Jesus em Jerusalém. superintendente . um dos que mais alto gritou: "Hosanas ao Filho de David Glõria ao nosso Rei-Messias".

e que ele. algumas delas citadas na Bíblia. à disposição do Sinhédrio. Judas. a partir daí. a crise nervosa que o envolvera. maneh de prata..geral do Templo que. talento de prata. Siclo era uma das moedas judaicas da época. valia 4 libras. Judas aceitou o acordo e passou a estar.. Jesus foi vendido por 30 siclos. dentre eles este de que o próprio Jesus já declarara a seus discípulos que. porém o que o Sinhéd rio desejava era retirar o rabi da circulação naqueles dias da Páscoa. daquele momento em d iante. talento de ouro. vJia 400 libras. valia 2. receberia umas trinta m oedas de prata. mais ou menos 4 libras. valia 6. a caminho do Templo. para afastar-se logo de Jerusalém. as seguintes: denário ou dracma. como era costume acontecer. sem poder dormir nem comer. levantando-se em silêncio e saindo. Com os olhos vermelhos esaltados das órbitas. por fim. valia 8 dinheiros. valia 103 libras. virando-se para ele disse. num murmúrio que só ele ouviu "o que tens de fazer fazeo logo". e já passada. Da conversa que tiveram e do entendimento que foi feito em segredo. Shekel de prata. mas o canal medianinico revelou em nossos dias que.200 libras. Judas relutou em trair o Mestre sendo. em parte. Assim. mina. maneh de ouro. sendo as outras. o levou discretamente à presença do vel ho e astuto Hanan. lá se foi ele. para cumprir as Escrituras. presa fácil de forças tremendas que o domin aram completamente. conforme estava também predito n estes termos: "trinta siclos de prata serão o seu preço. mecanicamente obedeceu. três dias depois. quando Jesus. na presenç a de Hanan." (35) Prometeu entregar seu rabi no momento oportuno e. (35) 1 siclo de prata valia 1/7 da atual libra esterlina. valia 7 libras. result o u a traição nefanda que o Evangelho perpetuou na sua narrativa. para remate de uma tarefa q . a capa esvoaçante a se enrolar nas pernas magras. o pobre discípulo infeliz. Também se sabe que recebeu o dinheiro. barba e cabelos revoltos. para evitar que houvesse tumulto e os romanos chacinassem o povo. d everia ser entregue ao Sinhédrio para ser morto. à ceia pascoal. A estes argumentos e com a promessa de que nenhuma referência se faria a ele no p rocesso. que sabia já estar iniciado contra seu Mestre e seus discípulos.5 libras. viveu tod as as suas horas debaixo de um transe permanente e doloroso. a sua vez. convencido por u ma série de argumentos.

dotado de imensa humildade. allto. em toda a cristandade se manifestam. severo. A coorte romana tinha sido reforçada por causa do ajuntamento de povo na Páscoa.. Salva-me." Mas era o Maligno. E assim penetrou no Templo.ue o transtornava além de toda compreensão. impulsivo e sujeito. e afogava em sangue qualquer tentativa ou gesto de rebeldia ou independência por parte . como responsável e representante de César. tão cheio de lances dolorosos e heróicos. era um indivíduo sempre inqui eto. tropeçando pelo caminho. quando qualquer tumulto poderia degenerar em rebelião contra Roma. bem caracterizado de médium descontrolado. como já dissemos. como muitos que vemos nos dias d e hoje. o discípulo q ue mais sofreu durante a vida encarnada de Jesus e aquele que até hoje carrega nas costas a cruz desta fanática e ignara maldição popul ar. de há muito. esta foi a parte que tocou a Judas. Judas era oleiro e natural de Kerioth. profundamente místico. ano por ano. faze-o logo. barba grisalha. um tipo bem definido. Segundo o que se sabe. vai depressa . deste tormento E a figura majestosa do velho Hanan estava à sua frente. que caminhava angulosamente. exclamava. compreendeu ele depois. a transes e perturbações psíquicas. dando aos sacerdotes a indicação de que o r abi naquela noite estaria com os discípulos no Jardim do Gat Shemen após a ceia. n o plano espiritual. como já disse mos. Dentro do drama crístico. ou coisa parecida. 146 Capítulo 40 PRISÃO E DISPERSÃO Pilatos. Moreno. povoação sit uada a 35 quilómetros a sul de Jerusalém. — Não aguento mais. Ele. que o estava empurrando para a desgraça eterna. Era o único judeu entre os doze. Sen hor. com o peso insuportável dos pensamentos de ódio e vingança que. dizendo. Como já dissemos. na sua voz cansada e triste acrescentava: "o que tens de fa zer. não tolerava distúr bio algum. gesticulador. conspiração alguma. estava na cidade. untuoso : "nós o prenderemos somente durante os dias de festa". já lhe foi tirada das costas e hoje Judas é um espírito liberto. tendo vindo de Cesaréia do Mar. E o Mestre. visionário. magro.. consciente do tremendo erro que cometera. a carga terrível da maldição.

sufocariam impiedosamente. não só p or se tratar de um rabi de Israel. Cuidava agora de aproveitar a intervenção dos roma nos para precipitar a prisão. que tinha vindo à Capital com numeroso grupo de bandoleiros. nesse ínterim. Mas o sumo-sacerdote Kaifa. pregando doutrinaestranha e hosti l às Leis e costumes. aguardando julgamento. julgaria Bar Aba e queria ao mesmo tempo julgar o rabi. Foi então que soube da entrada espetacular de Jesus na cidade. tendo-se dado a deserção de Judas e seu compromisso com o Templo. para ser julgado por ele. já estava presente. pronto para assumir o poder. soube ser Jesus um profeta que gozava de extrema popularidade em todo o país. no cárcere. Imediatamente julgou haver ligação estreita entre os dois acontecimento s e. juntamente com o agitador Bar Aba. segundo corria. genro de Hanan. Com seus planos assim transtornados. em algum lugar. Estava ao par do ódio que estes devotavam aos invasores romanos e de suas aspirações de libertação política. e que o sumo sacerdote ficava responsável pela sua a presentação ao Procuratorium.dos judeus. caso houvesse . Pilatos insistiu avisando que no dia seguinte. como era sabido e certo. te rritorial e economica pela mão do Messias nacional que. como por temer represálias do povo e tumultos que os romanos. que tinha prerrogativas. no dia da ceia. a entrega do rabi galileu. ficou atemorizado. sob pena de serem todos julgados cúmplices e responsáveis pelo que sucedesse. para uma reunião em segredo em sua casa. mesmo. acompanhad o de uma multidão que o aclamava rei-messias. como já acontecera em outras ocasiões. julgou poder prender o rabi em segredo. mandou pedir ao sumosacerdote. logo depois da Pásc oa. derramando sangue. para assegurar a ordem. muitos foram mortos e o chefe estava agora ac o rrentado. Dias antes mandara prender o salteador Bar Aba. Esta insistência de Pilatos era de caráter meramente policial-preventiv a. ressalvando sua responsabilidade de delegado de César. contemporizou e. sem qualquer complicação maior. antes do início das festividades. no seu pretório. justificando-a. Por isso. pela manhã. ao cair da noite. tomando informações. Kaifa convocou às pressas os membr os saduceus do Pequeno Sinhódrio. no cerco que mandara fazer ao local onde estavam. declarado elemento perigoso por parte do Sinhédrio. Por isso. Mas. já tendo sido.

ladeou o problema. não era da alçada dos romanos.distúrbios. e a própria reunião. dizendo que se o crime imputado ao rabi galileu era de n atureza religiosa. fortemente apoiado por Arimathéa. essênio do 3. Apesar do sigilo da convocação. sobre toda a nação e. à última hora.°) . compareceu à reunião. 3. guiada por Judas.porque entre a convocação. o rabi fariseu Nicodemo. retrucando que havia uma ameaça séria sobre todo o colégi o sacerdotal. mais valia entregar o preso. Jesus ali penetrara no momento em que soavam ao longe as trombetas do T empl o. homem rico. foram dadas ordens e uma escolta formada de guardas do Templo e de romanos. imediatamente. Em consequência. pessoa achegada ao Procurador e res pe itada pelo Sinhédrio. isto é. 2. que morresse um só que todos eles.°) . ali permaneceu Jesus desde então. ali representando. neste caso. a escolta dirigiu-se para o Gat Shemen. mas Kaifa prosseguiu.°) . que resistir.porque nenhuma reunião de julgamento tinha valor quando realizada à noite. deveria transcorrer u m prazo legal que não fora obedecido. protestava contra aquela reunião de j ulgamento. Desde o princípio. dizendo que nesse caso. só com sua pre sença. e seriam quase onze horas da noite quando.porque não foram convocados todos os membros do Sinhédrio. anunciando o segundo quarto da guarda. por isso mesmo. não convocado. porque a noite era dividida em quatro vigílias d 3 horas. Nicodemo insistiu. a come çar das seis. nas mesmas condições. com seu motivo claramente revelado. compareceu também. 4. em constante . acentuou incisivo. porque a reunião só seria legal na própria sede do Sinhéd rio e não alí.pela improprieda de do local.°) . foi reunida às pressas . habilmente. José de Arimathéa.° grau. mas somente alguns sad uc eus. todo o partido fariseu. mais valia. E encerrou a reunião decretando a prisão e a entrega de Jesus a Pilatos . Por estas e outras irregularidades. fornecedo r das tropas romanas e. transformava o julgamento em investigação e prosseguiu. Nicodemo tomou fra ncamente a defesa de Jesus. mostrando as irregularidades da convocação e do julgamento que queriam fazer: 1. Kaifa então. nove horas.

oração. Cruciantes foram para Ele tais momentos, quando sabia que se aproximavam ra pidamente os últimos atos de sua dolorosa tarefa planetária. Pedira aos discípulos que permanecessem também em prece, para ajudá-lo naquele transe, mas estes, dominados por estranho torpor, adormeceram todos. Por duas vezes foi até eles, e os acordou, ped indo que velassem, mas eles voltaram a adormecer, irresistivelmente. Por duas vezes ajoelhou-se, tocou com os lábios as ervas do chão e supl icou ao Pai pela sorte deles, que eram os depositários e os futuros propagadores de sua obra de redenção humana e por fim, dirigindo-se aos três que estavam mais perto — Pedro, João e Thiago — e que lutavam contra o sono, disse-lhes: — Podeis repousar agora, porque a hora chegou. Já estava vendo a aproximação da escolta e pronunciou então com ele s a oração dos israelitas: "ainda que caminhe no vale das sombras da morte, não terei nenhum temor porque tu oh! Senhor! estarás comigo". E ouviram-se já os passos da escolta se aproximando e, nas meias- sombras que o luar fazia nos galhos do arvoredo, avançavam os vultos escuros dos guardas e legionários, cujas armaduras refletiam a luz clara que descia do céu. Jesus então acordou a todos os discípulos, exclamando: — Levantem-se, meus amados. A hora chegou em que o Filho do Homem va i ser entregue. (36) E os discípulos foram despertando, estremunhados, para se defrontarem at ônitos, com a escolta já parada a poucos passos. A sua frente estava Judas, com o semblante desfeito, mas resoluto, como quem tem o am par o do desespero. — A quem procurais? perguntou Jesus. — A Jesus de Nazareth, responderam. — Sou eu. Ao mesmo tempo, Judas aproximou-se de Jesus e beijou-o na face. Esse era o sinal combinado para dizer aos romanos que aquele era o homem a prender, porque os guardas do Templo, que estavam na frente, e q ue conheciam Jesus como um profeta poderoso, permaneciam imóveis, dominados pela majestade que já agora irradiava dele.

E a pergunta foi repetida: — A quem procurais? E os guardas continuavam imóveis, terrificados, até que o comandante ro mano da escolta, impacientando-se, avançou e, colocando a mão no ombro de Jesus, prendeu-o, enquanto os soldados romanos o rodeavam e amarravam-lhes as mãos às costas. Enquanto isso Jesus falou, perguntando: — Porque viestes a mim como a um salteador, de noite, com espadas e bast ões? Não estava eu diariamente junto de vós, no Templo, ensinando ao povo? Mas certamente ignorais que tal coisa sucede para que a s Escrituras se cumpram. E acrescentou : Esta é a vossa hora, a hora do poder das trevas. E dirigindo-se ao chefe romano, pediu: — Se é a mim que buscas, deixa ir a estes outros, que são meus disc ípulos. Em seguida dalí O levaram ladeira abaixo, enquanto os discípulos, fugir am, espavoridos, desaparecendo nas sombras da noite, uns para Betânia, outros para diferentes lugares e Pedro e João acompanhando o c ortejo, de longe. Assim também se cumpriu a profecia do Senhor, pela boca de Zacarias, qua n do disse: "Ferirei o pastor e o rebanho se dispersará"! Dalí foi levado pela escolta ao sumo-sacerdote, que estava à espera em sua casa, o qual, sem perda de tempo, com aviso de extrema urgência, convocou o Sinhédrio para aquela mesma noite; sua ansiedade e ra devido desejar fazer o julgamento legal, antes de entregar o preso a Pilatos na manhã seguinte. (36) "Filho do Homem" para os judeus queria dizer Messias como está no livro de Daniel, o profeta do exílio. 150 Capítulo 41 TRIBUNAL JUDAICO O Grande Sinhédrio era composto de 72 membros pertencentes, pelo terço, a três ordens distintas de membros, a saber: a dos príncipes sacerdotes, que incluia o Sumo-Pontífice em exercício, seus antecessore s e parentes mais ilustres, descendentes de Abrão, todos ambiciosos e céticos saduceus; a dos escribas, que incluia sábios inter pretadores da Thora, fanáticos do sentido literal da Lei, pertencentes, na maior parte, ao partido fariseu; e a dos anciãos, recrut ada entre os varões notáveis, civis e sacerdotes, pertencentes a um

ou outro dos partidos, indiferentemente. O Grande Sinhédrio funcionava à entrada do Templo, no recinto chamado C âmara das Pedras Lavradas mas, naquela noite, devido à urgência, ainda reuniu-se na casa de Kaifa em um grande salão, com asse ntos colocados em meia lua, com um trono ao centro, para o sumo- sacerdote; ao lado deste estavam dois lampadários e dois serventes com archotes, os juizes conselheiros e o promotor. Estavam presentes Kaifa, com seu mantode púrpura; no seu lugar, o velho H anan, seu filho Eliezer, Jochanan, o sgan do Templo, e outros ex-pontífices, filhos de Hanan, todos ostentando também mantos de púr pura, porém mais curtos, com capinhas nos ombros. Junto ao pontífice, além dos serventes, estavam dois escribas, com seus estilete s em punho e lâminas de cera à frente, sobre mesinhas baixas. Os Conselheiros do Tribunal postavam-se ao lado, em separado; eram home ns v eneráveis, dotados de grande saber e suas palavras eram sempre acatadas com respeito, mesmo quando não devessem ser atendidas, co mo era o caso presente. Faceando o assento do sumo-sacerdote estavam os bancos dos rabis presente s, cujos discípulos também compareciam a êsses julgamentos como recurso de aprendizado. Sombras, fulgurações de luzes nos móveis da sala e a púrpura dos ma ntos, eram as tintas que davam ao ambiente um aspecto lúgubre e dramático, que contrastava fortemente com as vestes brancas e a serena co mpostura do rabi galileu, quando este foi levado pelos guardas e posto à frente do sumo-sacerdote, à uma hora da manhã daquela noite fria. Para funcionar em crime de morte, o Sinhédrio precisaria dos votos de 23 membros presentes e mais 12 apurados até 48 horas depois; porém alí, àquela hora, não havia mais que uns 20 deles, pertencent es às três ordens. Mesmo assim o tribunal funcionou. As testemunhas foram sendo trazidas rapidamente: primeiramente o próprio Judas, que foi recusado porque, como delator, não podia testemunhar. Depois um homem do povo, que disse ter Jesus declarado que der rubaria o Templo e o reconstruiria em três dias sem auxílio humano; e outra, que depôs, dizendo que ouvira do rabi galileu

repetindo: blasfemou! — Que necessidade há de mais testemunhas? perguntou. levantou-se e disse que neste caso. Jesus. no profundo silêncio que se fez. (38) Primitivamente os reis eram ungidos com óleo ao assumir o poder e er am chamados "machiach" (ungidos). dizendo que qualquer i sraelita podia interpretar a Lei segundo a sua compreensão. de hoje em diante. mas os Conselheiros intervieram logo. vereis o Filh o do Homem sentado à direita do Poder. descendente de David. calmamente. que viria salv ar a raça. Menahem e Bar Cocheba receberam este título. Não havia. pronunciou a sentença: . (37) Nos julgamentos. E ele. malevolamente. Este termo. responderam. para poder ser facilmente id entificado. enviada por Jeovah. desde que não ofendesse a Deus. 152 A essa hora já havia mais de 23 juizes presentes.a profecia de que do Templo não ficaria pedra sobre pedra. porém mais tarde foi reservado para o príncipe. naquela noite. respondeu: "Tu o disseste. vindo sobre as nuvens do céu". (38) E. o Filho de Deus". quando a lei dizia que "duas testemunhas provam um fato quando são acordes e o narram da mesma form a". porém. as testemunhas deveriam ver os réus. (37) Mas Kaifa. número. esta também foi recusada porque testemunhava sobre o mesmo fato já declarado . de forma diferente. Por isso. A última testemunha disse que Jesus interpretava a Lei de forma pessoal. portanto. mas sem serem vistas por este. e dirigindo-se diretamente a Jesus. elementos para condenação. pois. não estavam visíveis e havia archotes colocados aos lados de Jesus. leg al e Kaifa perguntou ao Tribunal: — Qual o veredictum? — Filho da morte. bastaria ouvi r o próprio acusado para formar juizo sobre a transgressão. Então Kaifa gritou: blasfemou! e rasgou seu manto em várias tiras e os outros juizes rasgaram também os seus mantos. Mas eu agora vos digo que. levantando-se de seu trono. exclamou: — "Em nome de Deus vivo eu te conjuro dizer se tu és o Messias.

segundo for verdadeira ou falsa a sua qualidade de profeta. seja entregue a Pilatos. feroz. que era uma plataforma elevada no pát io aberto do interior do palácio de Herocles — antigo — onde se hospedava o Procurador. Jeshua de Nazareth. explicaram-lhe que era o título religioso de um herói nacional judeu. atar racado. um ritus de ódio repuxava-lhe a boca do lado esquerdo. O julgamento deu-se no pretórium. véspera da Páscoa. pedia ela. (39) E quando vinham os guardas trazendo o outro preso — Jesus — um escravo ajoelhou-se ante Pilatos e entregou-lhe uni bilhete de sua esposa Cláudia Prócula (enteada de Tibério) intercedendo a favor de J esus: "Não ergas a mão contra o homem justo". quando terminou o julgamento e Jesus foi levado da sala e entregue ao chefe da escolta romana que o havia prendido. A escolta trouxe em primeiro lugar o conspirador: um homem hercúleo. então. que se tratava de um agit ador. *** As luzes da madrugada do dia 14 do Nizan. erroneamente. Quando parou frente a Pilatos. ele im aginava muito claramente a situação: conspiração contra Roma. destinado a libertar o país da ocupação estrangeira. revolucionário. leram a denúncia. reunião de armas proibidas e de gente para realizar um levante popular contra os romanos naquela Páscoa". — Que os poderes do céu resolvam a seu favor ou contra ele. de partidários do prim eiro. e como ele ignorasse a significação do termo. Por isso. em sua maioria. cabeludo e cuja enorme cabeça pendia para um lado. (40) . ataque a viajantes em estradas e a casas rica s para roubar. por seus agentes. — Açoite e cruz — proclamou Pilatos. Ao entrar. pedindo sua libertação. vinham tin gindo o horizonte. acrescentou o velho Hanan. e que o co rpo permaneça na cruz para os corvos. tendo corrido já a notícia de que Bar Aba — o conspirador e salt eador. com o que também concordaram. conspirador. ao lhe trazerem o rabi escoltado e de mãos amarradas para julgamento. era posta em evidência sua qualidade de Messias nacional. empurrado.— Que o rabi galileu. aglomerou-se às portas do pátio. que era: "chefia de bando armado. Capítulo 42 O JULGAMENTO DE PILATOS No relatório sobre Jesus. na sua voz sibilante. juntamente. com ele o rabi de Nazareth. naquela manhã. uma multidão composta. Concluiu ele. seria julgado naquela manhã e. feito a Pilatos. Mas.

desde a Galiléia. a mult idão formada de aderentes de Bar Aba. julgando-se seguro de seu intuito. o rei dos judeus? perguntou Pilatos. dar-lhe um casti go severo. Nosso rei é César. Pilatos já havia percebido que estava enganado em relação ao preso e seu objetivo passou a ser. Mas. por toda a nação. No caso de êxito. quem desejais que ponha em liberdade — Bar Aba ou o vosso rei? Mas o velho Hanan. — Libertai Bar Aba. Alvoroça o povo e o incita à re volta. atrás das grades do portão do pátio. declarou: — Em homenagem à vossa festa. então. É um impostor. — Blasfemou contra Deus. . — Es então. indeciso ainda. do vosso rei? Mas Hanan interveio logo. a lei romana autorizava que fosse retirado e e ntregue. mais além. lembrando-se que era costume so l tar um preso em cada Páscoa. perguntou ao povo — Que quereis que eu faça. assumiria o poder nacional como o Rei-Messias". quando o corpo e. — De que acusais este homem? perguntou Pilatos. Crucif icai-o. Pilatos examinou o preso parado à sua frente. dirigindo-se aos mensage i ros do Templo. respondeu Jesus. então. gritou a multidão. Se de fato o fosse. "chefe espiritual do levante organizado por Bar Aba. o Promotor do Sinhédrio e outros assistentes diretos do sumosacerdote e. responderam. de olhos baixos.ra reclamado por alguém. porém. — Não vês que te acusam de tudo isso? Nada tens a dizer em tua defesa ? perguntou a Jesus. incisivo e maldoso: — Ele não é nosso rei. mantê-lo preso durante as festas e soltá-lo depois. A esta altura. em silêncio e mandou ler a denúncia. Deixemo-lo entregue ao seu próprio poder. para ainda mais influir sobre a decisão. Nos degraus de uma escadaria ali fronteira estavam de pé o velho Hanan. E Pilatos. não só pelo que tinha ouvido ali como pelo pedido de sua esposa. — Não encontro culpa neste homem. Mas este guardou silêncio e permanecia imóvel. voltou-se para os assistentes e.(39) Os crucificados eram realmente abandonados nas cruzes e os corvos de le s se alimentavam por muitos dias. — Tu o dizes. dirigiu-se à multidão dizendo bem alto: — Ele se intitula Messias. teria poder para libertarse a si mesmo.

— Isto não está mais em nosso poder. porque esse. declara que Jesus. distante dali a lgumas centenas de metros. acrescentara m. mandando cobrir a Jesus. sofrendo tudo sem protestos. A memória deste feito. para se divertirem. entregando a Edon uma alma de Israel. à vista de todos e determinou fosse o preso levado. (41). temendo a Pilatos. comt a di zer que estava de acordo com a condenação. Capítulo 43 PARA O CALVÁRIO Começou então a atormentação: açoites. Porventura não estava também predito por Isaias: "Ele foi oprimido. foi condenado por crime de sedição. para que visse o que era ser rei dos judeus debaixo do guante rom ano. como já dissemos. sob a fé de duas testemunhas! Irrita e nula foi a sentença do Sinhédrio. pedira por Ele. (40) Uma mulher judia. fing i u colaborar na farsa. pelo que via. será recordada como um crime execrável até o fim dos tempos. livro doutrinário judeu.Pilatos. (41) O Talmud. que não gostava de Herodes e sabendo que o preso era galileu . assim não abriu a sua boca". mandou levar-lhe o preso de presente. formando uma coroa e a puzeram na cabeça do preso inerme. hospedado em seu palácio da praça Hasmoneana. correra a notícia da condenação do rabi e muitos rabis fariseus se reuniram e foram. O sumo-sacerdote praticou um homicídio. bofetadas. como um cordeiro foi levado ao matadouro e como a ovelha muda perante seus tosquiadores. açoitado e depois crucificado como rei dos judeus. porém não abriu a sua boca. portanto da jurisdição política do rei. percebendo o perigo da situação. lavou as mãos numa bacia de água. Despreza das foram as leis da Thora. Mas enquanto estes fatos aconteciam. insistiram êles. com os espinhos enterrando na carne. e assim o devolveu a Pilatos. compreendeu logo o perigo e. ao Templo. entrançaram um ra mo de espinheiro. respondeu o Sgan Jochanan. zombarias Os soldados da guarda legionária. Mas Pilatos. que se achava. que estava semi-nu. Mas Herodes. o profeta gali leu. protestar contra o fato e pedir a libertação do preso. Maldição sobre a casa de Hanan! Maldição sobre os filhos de Beitus! (42) . era o único motivo que poderia justificar tal condenação. com um manto de púrpura. o rab i já foi entregue a Pilatos. semi-nu. agrupados. esperto. a seu serviço. E o excelso condenado ia assim de um para outro dos seus algozes em silên cio.

caindo-lhe pelo rosto. por estar nesses dias vivendo às expensas do Templo. Tinham-lhe devolvido as vestes de uso comum. Na última vez que caiu. toda vez que se retardava. muito grande e pesada para Ele. irritados com as contínuas paradas e tendo recebido ordens prévias de agirem com rapidez. nesse mesmo instante. dobrado para a frente. dos espinhos. que foi mais tarde membro da comunidade judaica-cristã de Jerusalém. Alguns homens do povo. recebendo sobre o dorso. Suas vestes se colavam ao corpo ferido e suarento e seus pés iam deixando marcas sangrentas no chão por onde passava. jogaram a cruz nas . estava exausto. para não se imiscuirem os romanos na festa nacional. apiedados. tinham querido ajudar. Judas Kerioth tendo consegui do varar o posto da guarda. se levantava de novo.Os rabis se retiraram e. com imenso esforço. contínuas vergastadas do açoi te. atravessou resoluto a fila dos guardas e sustentou a cruz nas mãos até que Jesus se refizesse. (pois ignorava o quanto se havia passado naquela noite). não mais se levantou e foram inúteis os aço ites e a gritaria dos soldados. os fios de sangue já coagulado. Avan çava com grande esforço. Enquanto a notícia corria. o povo debandou para cumprir os ritos da Páscoa e ent ão os portões se abriram e saiu a escolta romana trazendo Jesus para a morte. silvava e continuava a bater até que ele. pedindo misericórdia para o flagelado. Vinha curvado sob o peso da cr uz. um homem que ia cruzando o caminho Simão de Cirene. impotentes. ia-se juntando gente no percurso e havia mulhe res que choravam. em pura e selvagem exibição de força. os olhos em fogo e atirou com á saco de dinheiro sobre sua mesa de trabalho exclamando: — Não quero o dinheiro maldito. De espaço a espaço. surpreendido com o que via. pensando que queriam tomar o preso. Jesus caia sob o peso da cruz e o chicote. Pouco mais tarde. Mas. que o comandante da escolta desferia. mostrando na fronte. mas os guardas os repeliram com violênc ia. entrou no gabinete do Sgan com o semblante desfeito. am igo de Nicodemo. filiado essênio. então. desta vez. mas os guardas. Ficai com o dinheiro da abominação.

para fixá-lo melhor. deitaram-na no chão imundo e trouxeram Jesus. enquanto o di a ia tombando lentamente nos horizontes longínquos do deserto. O corpo to rturado estremecia de dor e a angústia da morte lhe embranqueceu o rosto. mas os mais interessados o fizeram e defrontaram com várias cruzes erguidas. alarmando a cidade. que ficava repuxado para baixo. parou o cortejo.costas de Simão e foram tangendo a ambos. para o lado sul. mais afastado. algumas com os condenados ainda vivos. enquanto os soldados. os soldados tomaram a cruz dos ombros d e Simão. Atingindo o ponto. E então começou a tremenda agonia do excelso crucificado. gemendo. despiram-no.. que uivava nos morros e nas árvores e o céu foi-se escurecendo. sob açoite. Muitos dos acompanhantes não subiram o morro. onde o crucificado estremecia de dor e negra espuma saialhe da boca. socando a terra em volta. atropelando os presos. que salvasse o rabi. em pé. E deu de soprar um vento forte. deitaram-no sobre ela e a horrenda tortura começou. mas os lábios estavam cerrados e da boca não saiu nenhuma queixa. Quem subira ao morro já se retirara desanimado. pregados nelas. E as horas continuavam a escoar-se naquele triste e lúgubre cimo do morro . metendo cunhas.. até o alto do G ólgota — a Praça das Caveiras — colina não muito distante dali e onde se crucificavam os condenados. um grupo de mulheres que choravam em silêncio. por causa das impurezas e d os esqueletos que ali haviam. cravando os pregos nas mãos e nos pés. Mas o tempo foi passando e tudo cessou e um grande silêncio caiu pesadam e nte sobre a terra. colo c ando a ponta inferior sobre o buraco do chão. o sangue escorria das feridas dos pregos. perdidas as últimas esperanças de um milagre fulminante do céu. avermelhados por um sol rubro e escaldante. com o ma rtelo a bater. seus braços frágeis não mais aguentavam o peso do corpo. sob as vistas indiferentes dos soldados da escolta. Foi quando se ouviu seu murmúrio . brutalmente. amontoados. aos trancos. onde estavam dois condenados do bando de Bar A ba e para ali os guardas seguiram. levantavam o madeiro. Junto à cruz somente permanecia a guarda e. Havia duas quase juntas. olhando.

angustiado, pedindo água; um dos guardas colocou uma esponja na ponta de uma lança, embebeu-a em vinagre e levou-a à altura de seus lábios arroxeados- E os soldados, zombando, riam de seu gesto de repuls e nquanto Jesus exclamava: "Perdoa-lhes, Pai; não sabem o que fazem". E estendendo a vista para mais distante demorou-se no grupo das mulheres, q ue rodeavam Myriam, sua Mãe, formado por Maria de Magdala, Maria Cleophas, além de João e Thiago; sentindo que o momento final chegara, Jesus concentrou-se de novo em si mesmo e exclamou: — Pai, faça-se a tua vontade e não a minha. Em um último esforço, levantou o corpo, ergueu a cabeça, mur murando: — Tudo está consumado. Era a hora nona. Um guarda adiantou-se e feriu o corpo em um lado para ver i ficar se realmente estava morto; pois estava também predito por Zacarias: "e olharão para mim, a quem transpassaram"; "e farão pran to sobre Ele"; "e chorarão amargamente, como se chora sobre o primogênito". (12-10). (42) A família de Hanan, como já declaramos, descendia da estirpe dos B eitus, de Alexandria. O pontificado ficou 50 anos nessa família e cinco filhos seus foram sumo-sacerdotes e quando, em confirmaç5o às p alavras de Jesus, o Templo foi destruido até os alicerces pelos romanos, no ano 72, ainda era um Hanan que exercia o pontificado. Capítulo 44 NOS DIAS DA RESSURREIÇÃO Ele tinha dito que, ao terceiro dia, ressuscitaria; e ressuscitou. Enquanto agonizava na cruz, Arimathéa e Nicodemo providenciavam o sepu lta mento condigno do seu corpo. O primeiro, como fornecedor das tropas romanas e homem rico, tinha boas relações no Proc uratorium. Foi a Pilatos e solicitou o corpo, que lhe foi prontamente concedido. À undecima hora, acompanhado de Nicodemo, dois discípulos deste, Simã o de Cirene e dois essônios amigos, foram ao Gólgota. Permaneciam ali junto à cruz três mulheres, Thiago e João; a Mãe do Rabi estava de pé, olhando o corpo na cruz, do qual nem por um momento desviara a vista enquanto durara a agonia, para que Ele não pensa

sse, naquela hora terrível, que o abandonava com os seus pensamentos, engolfando-se na própria dor; e que dor! Agora compreendia e m toda sua extensão a profecia do Anjo, antes quefosse mãe do Messias, "que seu coração seria transpassado de muitas espadas". Out ra, a ex-pecadora de Magdala, estava caida aos pés da cruz, completamente inconsciente; e a terceira era Salomé dos Zebedeus em cujos olhos ainda se notava o espanto e o medo pelo que acontecera assim tão depressa; na sua ingenuidade, chegara mesmo a sonhar com um reinado terrestre no qual seus dois filhos teriam primazia de cargos importantes. Os discípulos estavam também de pé, f ixando o Mestre morto, dominados por profundo abatimento. E a contrastar com as expressões amarguradas, os soldados romanos, como sem pr e brutais e indiferentes, conversavam agrupados a poucos passos dali. Apresentada a ordem, o corpo foi entregue e a cruz arriada, retirados os pr egos e o corpo, envolto em um lençol, foi levado rapidamente morro abaixo e carregado para um horto próximo, pertencente a José de A rimathéa e onde havia mandado construir um túmulo para si mesmo, bastante amplo, com uns degraus que desciam a duas peças internas cavadas na rocha. 160 — Darei meu túmulo ao santo rabi, disse ele, para que seu corpo ali rep ouse no sono da morte. As mulheres que acompanharam o corpo, e os discípulos, ficaram de fora, e nquanto lá dentro o corpo era ungido como de praxe, trabalhando os amigos rapidamente porque o sábado estava a cair; em segui da retiraram-se, cerrando a entrada com uma age de pedra. Quando vinham descendo para a cidade, junto aos muros, deram com o corp o de Judas, enforcado, pendente em uma figueira velha. (43). No dia seguinte, bem cedo, Kaifa, temendo que os discípulos roubassem o c orpo para simular que o rabi havia realmente ressuscitado, como prometera, pediu ao Procuratorium uma guarda de solda

dos romanos e a colocou à porta do túmulo e funcionários do Templo selaram a porta com o selo do sumo-sacerdote. Assim, o sábado foi transcorrendo lentamente mas, à noite, um grupo de essênios, chefiados por Arimathéa, seguiu secretamente para o horto, penetrou na gruta, por uma abertura existente aos fundos e fo i então iniciado um estranho cerimonial: preces apenas murmuradas e prolongadas concentrações, até que aos poucos, o sepulcr o foi sendo envolvido por uma nevoa leitosa, dentro da qual, de súbito, brilhou violenta fulguração vinda de cima, como uma língua de fogo, que desceu sobre o corpo e o consumiu, restando ali, sobre a age de pedra somente o lençol que o envolvia. Era quase madrugada e aquela fulguração despertou os guardas que, atemo rizados se afastaram do horto; no mesmo ato, os selos foram arrancados e derrubada a pedra que fechava a entrada da escavação . No dia seguinte, domingo pela manhã, quando a Mãe de Jesus e outras mul heres foram visitar o túmulo, deram com ele aberto e, olhando para dentro, somente viram o lençol estendido sobre a lage de ped ra; e então Maria de Magdala, desorientada, afastou-se do grupo e deu com o Rabi que caminhava para ela; e querendo atirar-se a seus pés, ouviu que lhe dizia: "não me toques" e, logo em seguida: "ainda não subi para meu Pai. Diz a todos que vão para Galil éia e que lá estarei com eles". Com isso ficou provada sua ressurreição. Ainda na capital, Jesus apareceu materializado a dois discípulos (dos 72 que consagrou em Jericó) e que vinham de Emaús para a cidade; bem como, por duas vezes, a vários dos doze, reunidos em uma casa , para tomar decisões, na segunda das quais, estando presente Tomé, que não acreditara no que lhe disseram os outros, fé-l o tocar com a mão em seus ferimentos, para provar-lhe que ressuscitara. Então partiram todos para a Galiléia, onde o Mestre continuou a mostrar -se a eles por muitos dias, realizando a segunda "pesca maravilhosa", reafirmando a designação de Pedro para a chefia do grupo e, como se aproximava o Pentecoste (44) ordenou-lhes que voltassem à capital, onde se daria a descida do espírito sobre eles. E ali estando todos ao quadragésimo dia de sua ressurreição, corporif icou-se, sentou-se à mesa com eles e fez-lhes suas despedidas

para cemitério de estrangeiros (versão oficial). nem no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem". bem visíveis. Senhor. As primícias eram para o Templo e os restos eram deixados no chão para os peregrinos. volverá novamente para vós e permanecerá convosco para sempre". em seguida. assombrados. le vo u-os ao jardim do Gat Shemen. porque as consequências morais do que Ele fez e disse. todos eles. E como os discípulos. E. porque permaneceis assim. determinando a Pedro que apascentasse Seu rebanho. como Messias. Judas matou-se e o dinheiro devolvido foi depois destinado pelo Sinhédrio à compra do campo de um oleiro. dois anjos. por várias razões dentre outras: .finais. L (43) Ao sair do Templo. (44) Era a festa da colheita. b em como. viúvas e órfãos. encherão o mundo de felicidade. *** E ao encerrar a narrativa destes fatos disse João. aos olhos deles e aos poucos desapareceu. lugar onde tanto sofrera na noite da prisão e deu-lhes novas instruções. levitou -s e para o céu. quando aceitas. Se elas fossem escritas uma por uma. batendo nos peitos. permanecessem olhando p ar a cima. dizendo: "varões galileus. recomendando que se espalhassem pelo mundo difundindo seus ensinamentos. Sim. que durava sete semanas e seu ponto alto se d ava no mes de Sivan. alucinado pelo erro que cometera e não suportand o tamanho remorso. também os cantos dos campos cultivados. Em seguida. o Evangelista na sua m aneira simbólica: — "Muitas coisas há que fez Jesus. 162 Capítulo 45 COMCLUSÃO Os materialistas negam que Jesus haja morrido na cruz. com intraduzível emoção. e prometendo que jamais os abandonaria. mirando os céus? E ste Jesus que vistes agora subir para Deus. realmente. exclamara m: "do mais profundo dos nossos corações. que assim seja". nas ime diações da cidade. desceram até eles.

tanto em Jerusalém como na Galiléia. quando Jesus ali permaneceu somente três horas. foi a ação da maior parte dos discípulos. na sua pureza original. o que também mostramos como não é verdade. No julgamento perante o Sinhédrio. Por isso. mas foi visto depois por vários discípulos. para que o povo pensasse que de fato ressuscitou e. seu corpo desapareceu. oficializada. com a organização de uma cleresia muito semelhante àquela que o próprio Jesus combatera no seu tempo. transformad a em força política para servir de apoio ao Império Romano decadente. destinada a reviver no mundo. dos quais mui ligeiras alusões se faz nos Evangelhos. desta forma. Mas o Espiritismo explica o fenômeno das materializações. Por último queremos também considerar que nos derradeiros tempos de sua pregação. mais tarde. e que as coisas com Ele sucederam como convinha que fossem. porém avultou a ação dos essênios. como era necessário. c) Segundo alguns. no seu julgamento e na morte. igualmente como sucede com o Espiritismo. após o sepultamento. os ensinamentos redentores que Ele transmitiu. as únicas vozes que se levantaram em defesa do Divino Mestre foram estas. oferecendo cultos suntuosos e f rios. nos lares e em recantos humildes e pobres. pelas razões já expostas. no Concílio de Nicéa. e não segundo as regras do mundo. vivendo em um corpo comum. porém mais tarde exuberante de devo tar nent e de desprendimento. apagada e ausente. que sempre o apoiaram. mas nas ruas. e também que Jesus não era um homem comum. veio há pouco mais de um século. Como naquela época e. onde o Evangelho é testemunhado com renúncia e sacrifício. na pessoa de Nicodemo .a) Porque a morte na cruz só se dava três a quatro dias após a crucificação. b) Porque. a doutrina que pregara vencesse no mundo. a terceira revelação. Essa doutrina foi em grande parte deturpada por seus próprios seguidores. a Doutrina dos Espíritos. Jesus não permanece nos templos de pedra. Jesus foi retirado do sepulcro pelos essênios. tomando até refeições com eles. representada por Arimathéa e outros.

cidade de prazeres. com mais de 14. como o de qualquer outro. Sinhédrio. mulheres dissolutas. quando el e passava pela estrada. cujo au tor fora por ele. negociante rico. até levá-la a inscrever-se no rol de seus discípulos mais chegados. aliás. pessoa imp o rtante na colonia grega local. mas reverente homenagem. Esta foi a razão dela haver declarado heréticos os ensinamentos das Escolas de Siracusa. de Alexandria e de Pérgamo. vindo de Damasco. os essênios nem o foram pela simples lembran ça. na sua maior parte. estava a sua pregação sobre a desnecessidade do sacerdócio para as ligações com Deus. por gregos. Depois da morte de Jesus. a eles t ambém se deve isto. sua primeira mulher). por isso.e se seu corpo não permaneceu na cruz. pois. Os apóstolos foram todos santificados. Maria de Magdala cedeu sua casa do lago para ne la . era um import an te entreposto de pesca. que taxava de heresia tudo o quanto divergisse do estabelecido. de Pafos. essè primeiro encontro influiu poderosamen te no seu destinofuturo. Acima de tudo.000 habitantes e uns trezentos barcos pesqueiros. 164 ADENDO 1 — Entre os diferentes motivos que tornaram Jesus odiado pelo Sinhédri o. crucificado. mas sim de Sultana e Tadeu. a Thora (conjunto de livros e preceitos) era o ensinamento d ado na Academia do Sinhédrio. permitir na Palestina a propaganda da heresia cristã. com justiça. eram perseguidos a ferro e fogo dentro e fora da Palestina? 2 — No capítulo 31 O Quadro dos Discípulos — notar que o apóstolo Judas Tadeu não era irmão de Jesus (filho de José e de Débora. Foi do terraço de sua casa que ela viu Jesus pela primeira vez. 3 —A cidade de Magdala. à margem do lago do Genezareth. à pequena distância. o mesmo pensando em relação ao trabalho de propaganda realizado pelos apóstolos e discí pulos que. a inutilidade do sacrifício cruento dos an imais e os ritos e formalidades exageradas usadas no culto. Maria era filha de Stefanus. acompanhado de seus apóstolos e seguidores. porém estes. habit ada. Como. Por isso aqui lhes deixamos nossa modesta. pelos pósteros.

Mãe do Mestre. onde expirou Herodes. os teatros e os circos. além disso. refugiouse em uma das grutas do grupo chamado "As Abuelas". sobre interpretações doutrinárias e métodos de propagação Essas divergências foram se multiplicando até o século 3. formand o-se várias seitas e terminando pela fundação da Igreja Católica Romana.°. o Mestre lhes dizia. seguindo pelo caminho certo. seguramente que entrareis no meu Reino". mantendo-lhes a fé e as energi as físicas. após o Gólgota. o Grande. que absorveu esse cristianismo nascente. deu-se a multiplicação desses agrupamentos. Jesus surpreendia divergências entre os apóstolos ou discípulos e estes se inquietavam pelos falsos ensinamentos que eram espa lhados por terceiros. em Jerusalém. era dividida em tres bairros: O das sinagogas — onde se reuniam os templos mais importantes e conhecidos. onde se localizavam os templos pagãos. tempos depois. anteriormente habitada por João Batista e por André de Tiberíades e alí foi encontrada. criaram-se na Palestina e fora dela. o dos palácios — habitado por romanos e gregos. no esforço de propaganda. maior aglomeração de habitantes. mas segui vós por aqueles que lhes apontei. e o herod iano— onde se situavam as repartições do governo. as termas. No século 2. nesse pie doso trabalho permaneceu vários anos. que algum dia cairão em abismos. então. são cegos que conduzem outros cegos e. Após a morte de Maria de Betânia e de Maria. congregaçõ es e santuários.se instalar um santuário-escola e dedicou-se. ainda.°. por certo. enquanto que vós.°. E tudo girava em torno ao déspota fundador da dinstia que tem o seu nome . Durante esse período. a e sperança e a fé em uma vida melhor no futuro. 4— Quando. aliá s. 5 — O primeiro século do cristianismo foi aquele em que Jesus assistiu diretamente os apóstolos nas suas dificuldades da propaganda. por alguns terapeutas essênios que a assistiram até que morresse. no deserto daJudéia. a assistir leprosos que viviam em suas redondezas e. havendo. surgindo . para onde convergiam aqueles que desejavam seguir os ensinamentos que os apóstolos transmitiam e onde imperavam o amor. inspirando-os na conduta e nas atividades. já se haviam manifestado entre os apóstolos desde o século 1. dentro e fora da Palestina. 6 — A cidade de Jericó. a necessidade da disciplinação dos trabalhos e da hierarquização dos dirigéntes e. e que surgiam a cada passo. as divergências que. por inspiração mediúnica ou qualquer outro meio: "Os outros to mam rumos errados.

Alexandria. o primeiro pregando a independência do cristianismo em relação ao judaismo e o último seguindo a linha traçada pela congre gação. valendo-se de s ua cultura rabínica e escriturística. como também organizava congregações. os ensinamentos cristãos começ aram a ser deturpados e o próprio Paulo de Tarso. de grande valia para médiun . o que aliás. infelicitou a nação israelita. as ovelhas se dispersariam". da circuncisão e a proibição da mate rnidade e com a alegação de que os doze Apóstolos eram iletrados e não estavam em condições de interpretar convenientemente os ensinamen tos de Jesus. Isso de fato aconteceu com as perseguições movidas pelo Sinhédrio. por exemplo. fazia interpretações diferentes dos ensinamentos.coordenada pelo Com. surgiram dissensões entre propagadores e adeptos.e que. 9— Em meados do primeiro século. Edgard Armond Nove fasc íc ulos contendo as aulas da Escola de Aprendizes do Evangelho CROMOTERAPIA . 7—Já em meados do primeiro século. devido a essas diferenças de interpretações doutrinarias. que seguiam as doutrinas expostas pelos diferentes evangelhos discriminados à página 11 desta obra.Edgard Armond Explicações sobre es mecanismos da mente. Começaram a regressar à Palestina vário anos depois. conforme já o dissera antes o profeta Ezequiel. redundou e m benefício. INICIAÇÃO ESPÍRITA . a cujo serviço devotara sua vida. por fim. após a morte d o velho Hanan e a conversão de Paulo de Tarso. congregações que seguiam a Paulo e a outras que seguiam a Ped ro. como. de respeito a várias regras da Thora judaica. com a doutrina já em franca expans ão. por tanto tempo. refugiando-se em Antióquia. para torná-los mais adequ ados ao entendimento dos gentios.Edgard Armond A aplicação das cores na assistência espiritual. Damasco e Roma. havendo em algumas cidades. conquanto nem sempre ob tivesse o apoio da congregação de Jerusalém. quando vários discípulos e apóstolos se exilaram da Palestina. por haver ajudado a propagação. para tratamento de d oenças de fundos orgânico e espiritual PSIQUISMO . de todos os apóstolos o mais dinâmico e organizador. inclusive sobre a exigência do celibato. nem sempre semelhantes às da Palestina. no afã de melhor difundir o Evangelho de Jesus. em Efeao. O êxito de sua tarefa deu-lhe grande prestígio. 8— Jesus havia advertido que morto o pastor. As dissensões cresceram e culminaram mais tarde na criação de inúme ras seitas cristãs.

Evangelho.Edgard Armond O relato do degredo de um grupo de espíritos que vieram para o exílio terrestre RELEMBRANDO O PASSADO . Emmanuel.s e estudiosos da mediunidade DESENVOLVIMENTO MEDIÚNIDO . Gandhi. . As duas vidas de uma jovem.Edgard Armond A experiência do au tor coloca da à disposição de todos aqueles que pretendem um desenvolvimento harmonioso da mediunidade NA SEMEADURA (2 volumes) .Edgard Armond A vida de Jesus.Edgard Armond A história de um grupo de iniciados atlantes que sobrevivem ao afundament o da Pequena Atlântida e levam seus ensinamentos para o mundo de pós-dilúvio TRABALHOS PRÁTICOS DE ESPIRITISMO .Edgard Armond Uma coleção de pequenas informações e instruções acerca da Doutrina. até seu sacrifício na cruz HORA DO APOCALIPSE .Edgard Armond A afinidade espiritual através dos milênios PASSES E RADIAÇÕES . desde a preparação espiritual para encarnação do Mestre. ALMAS AFINS . mediunidade.Edgard Armond Um manual prático para aplicaç ão dos métodos avançados de cura espiritual O ESTRANHO CASO DE ROSE RÁMIRES .Edgard Armond Um tratado completo sobre a faculdade mediúnica.Edgard Armond Um caso de dupla personalidade. evolução.Edgard Armond Informações práti cas para implantação de sessões doutrinárias bem orientadas. narrado de forma roinanceada. hoje no Brasil e ontem na Rússia O REDENTOR .Edgard Armond Algumas experiências de t rinta anos de trabalho em contato com o sofrimento nos planos espiritual e físico MEDIUNIDADE .Edgard Armond Mensagens de espíritos de elevada hierarquia (Bezerra. a classificação da m ediunidade e os métodos de desenvolvimento NA CORTINA DO TEMPO . história do pensamento religioso EXILADOS DE CAPELA .

de São Paulo.j vel "Jardim" até o "Intermediário" ou pré-mocidade. CAMINHOS DE LIBERTAÇÃO — Valentim Lorenzetti Coletânea de crônicas publicadas pelo autor no jornal "Folha da Tar.) sobre os momentos de transição para o terceiro milênio ÀS MARGENS DO RIO SAGRADO . O MÉDICO DOS POBRES . A atuação de um espírito em busca de vingança. principalmente para o campo da reforma interior.como casamento.dade.Ismael. etc . .abordados em linguagem jornalística. SALMOS . desde o ní. GUIA DO APRENDIZ — Edgard Armond Instruções para aqueles que pretendem abraçar o aspecto religioso da Doutrina Espírita.j de".Edgard Annond Um livro que mostra os pontos de concordância entre os ensinamentos elevados do Oriente e as práticas da Doutrina Espírita EVANGELIZAÇÃO INFANTIL . de todos os tempos. Bezerra. EVANGELIZAÇÃO INFANTIL — Marlluz Valadão Vieira Série de 4 fascículos com todo o programa para moral cristã. em fins do século passado.Mariluz Valadão Vieira A primeira de uma série de obras sobre evangelização de crianças à luz da Doutrina Espírita BEZERRA DE MENEZES.F. etc. onde é retratado com clareza o momento histórico em que atuou o "Kardec Brasileiro". e a cura do obsidiado através dos trabalhos de assistência espiritual.Edgard Armond As grandes verdades espirituais. ensinando ao homem o c aminho da redenção AMOR E JUSTIÇA — Edgard Armond História de uma obsessão. Toda a trama ligando encarnados e desencarnad os. "centro forte". Assuntos de interesse geral . cari. Acquarone Um livro completo sobre a vida e a obra do Dr.

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