XXV Encontro Nac. de Eng.

de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005

Análise e proposta de um modelo de planejamento e controle da produção para as indústrias de beneficiamento de arroz da Região sul do RS
Marcel Amaral Daoud (FURG) marcel_daoud@yahoo.com.br Prof. Dr. Antônio Carlos Gastaud Maçada (UFRGS) acgmacada@ea.ufrgs.br

Resumo A indústria de beneficiamento de arroz tem sido muito estimulada para tornar seus processos mais eficientes. Este trabalho apresenta um estudo de caso realizado em duas empresas de beneficiamento de arroz da região sul do Estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de propor um modelo de Planejamento e Controle da Produção para a mesma. O PCP é um instrumento de gestão que causa impactos positivos em vários fatores essenciais para a sobrevivência de uma organização, tendo como exemplos um aumento na eficiência e produtividade da empresa, trazendo maior competitividade frente ao mercado e seus concorrentes. O modelo proposto foi validado pelos executivos das empresas do setor, que consideraram importante já que o setor não possuía algum. Palavras chave: PCP; Modelo; Eficiência. 1. Introdução O ambiente social, político e econômico em que está inserida grande parte das atividades econômicas, entre elas as agroindústrias, vêm passando por significativas mudanças nas últimas épocas. Esta demanda por maior agilidade e eficiência dos processos produtivos advém da maior competitividade imposta pelas transformações que têm afetado a ordem econômica mundial. O Brasil se enquadra também nesta tendência e tem experimentado profundas mudanças no seu setor produtivo no que tange a modernização de seus processos de produção, melhoria da qualidade de seus produtos e racionalização administrativa. A cadeia de arroz no Brasil tem apresentado, recentemente, mudanças importantes. As preferências dos consumidores evoluem, os pólos de produção se deslocam, as inovações técnicas e os investimentos produtivos fazem com que os diferentes sistemas agrícolas, se encontrem em novas condições de competitividade (MENDEZ,2004). O arroz é um cereal de alto valor para a economia gaúcha e brasileira. Autores como Ludwig (2004) discorrem sobre a importância das atividades relacionadas a orizicultura, que ocupam lugar de destaque na matriz produtiva do agronegócio brasileiro, destacando-a como uma atividade de importância no âmbito econômico e social, sendo uma das mais tecnificadas do setor agrícola brasileiro, contando com pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), por algumas universidades e por instituições estaduais que além da pesquisa, se encarregam das atividades de assistência técnica. A média de produção de arroz no Brasil, nos últimos dez anos, foi de aproximadamente 10 milhões de toneladas, ocupando a décima colocação como produtor mundial de arroz em casca. Sendo que o Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro, responsável por mais de 45% do arroz em casca colhido no país. Conforme Gaither e Frazier (2001), uma melhor administração das operações pode agregar valor à empresa ao melhorar sua competitividade e lucratividade em longo prazo. O autor
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comentam que o principal desafio de um sistema de planejamento e controle da produção é o balanceamento entre a oferta e a procura. 1996). Autores como Pontual (2004). visando a elaboração de um modelo único para o setor que possa satisfazer as necessidades tanto empresariais (ex:produtividade). A organização integrada de maneira bem-sucedida enfrentará a competição global com produtos de qualidade. estabelecendo novas bases para a competição (CORRÊA e GIANESI. Para Contador (1998). Hoje. até pouco tempo atrás. O processo de planejar para Corrêa (1999). com a gradual derrubada das barreiras alfandegárias. produção). notável serviço ao cliente e controle de custos eficiente. Esta disparidade entre a demanda e o fornecimento pode ocorrer em ambos os lados. são feitas as considerações finais do artigo. O trabalho estrutura-se da seguinte forma: na seção 2. as empresas industriais não tinham muito com que se preocupar em termos de competição internacional pelo mercado interno. na seção 4. As fases do Planejamento e Controle da Produção são descritas por Graça (2003): − Determinar os tipos e as quantidades dos produtos que serão fabricados. a literatura é revisada. Tanto a demanda como a capacidade de produção são dimensões extremamente voláteis. deveriam estar integrados possibilitando desta forma a implementação dos programas de PCP no chão de fábrica (SANTOS. ENEGEP 2005 ABEPRO 56 . de Eng. Ambas situações. apresenta-se a metodologia utilizada na pesquisa. de Produção – Porto Alegre. como também a satisfação dos clientes. Segundo Sprakel e Severino Filho (1999). RS. verifica-se que é de extrema importância para a economia do RS o desenvolvimento e a manutenção deste setor. está baseado uma visão sistêmica. A situação pode ser de alta demanda e de baixa capacidade (sub-capacidade) ou de baixa demanda e de alta capacidade. nas previsões de vendas ou ambos. Através do exposto acima. Para isto todos os departamentos (financeiro. baseada nos pedidos recebidos dos clientes. representam cenários indesejáveis para a empresa. este panorama mudou. sistema de programação e controle da produção é um sistema complexo constituído por um conjunto de funções inter-relacionadas que objetiva comandar o processo produtivo e os serviços correlatos e coordená-los entre si e com os demais setores da empresa. 2000). ou seja. entender os fatos ocorridos no passado e presente e suas respectivas influências para a tomada de decisão para obter no futuro os resultados planejados. 2. os produtos importados já competem com os nacionais pelo mercado interno.XXV Encontro Nac. marketing. e na seção 6. tem-se o diagnóstico das indústrias estudadas. Fundamentação Teórica Planejamento e Controle da Produção Um dos fatores de sucesso para a empresa ser competitiva é ter um planejamento e controle da produção eficaz e eficiente. No país. na seção 5 tem-se os resultado do estudo de caso. o Planejamento e Controle da Produção (PCP) é o elemento chave e central para o projeto e desenvolvimento de um sistema de produção. de forma que combiná-las é um desafio permanente da gerência de produção. o que vem de encontro com o objetivo deste estudo que é o de identificar e analisar os modelos de sistemas de (PCP) das indústrias de beneficiamento de arroz da região sul do estado do RS. Brasil. e dos fornecedores. na seção 3. 29 out a 01 de nov de 2005 considera as operações como a peça de integração crítica que permite o funcionamento conjunto de todas as áreas funcionais de uma organização. De cerveja a automóveis. na maioria dos casos.

a eficiência de um PCP pode ser de grande valor para as empresas do setor arrozeiro da região sul do estado. contudo. Tendo estes fatores citados acima. ao fornecer informações para comandar e controlar o sistema produtivo e proporcionar o feedback torna possível uma criteriosa análise. 29 out a 01 de nov de 2005 − Realizar as listas das operações que compõem o processo produtivo do produto. controlando-a. Sistemas de Produção e o PCP O tipo de processo produtivo define a complexidade do planejamento e controle das atividades. condições de atingir seus objetivos maiores. ou seja. aonde os processos produtivos de manufatura são classificados em: por projetos. precisamente. Por esse motivo. as quais ocupam posição de destaque ENEGEP 2005 ABEPRO 57 . De uma forma geral. já trazem ganhos de produtividade e confiabilidade de entrega. 3. simultaneamente. Segundo Hecksher e Duarte (2003). É preciso um diagnóstico cuidadoso que indique as prioridades de mudança. a contribuição de sua função produção é vital. − Mobilizar os recursos para a produção. antes do momento em que esta deverá ser iniciada. ou seja. o roteiro. Os sistemas de produção são classificados de diversas maneiras com o intuito de facilitar a compreensão de suas características e a relação entre as atividades produtivas. Segundo Strumiello (1999). Para qualquer organização que deseja ser bem sucedida em longo prazo. a liberação. A classificação a ser utilizada será a descrita por Slack (1997). quanto tempo levará. Brasil. A estratégia competitiva global da empresa está intimamente ligada com a estratégia manufatureira. essas funções são imprescindíveis para qualquer empresa que pretenda sobreviver no ambiente competitivo atual. aumentar a eficiência. quando terminará.XXV Encontro Nac. de Eng. ao comparar o planejado com o efetivamente realizado. o sucesso da implantação depende de uma (re) organização das atividades de PCP e da introdução de uma disciplina de programação e controle que. O fato de o produto ser um bem ou um serviço também tem seu reflexo na complexidade do sistema de planejamento e controle da produção (TUBINO. de produção em massa e processos contínuos. o planejamento e controle da produção. de acordo com os prazos determinados. A motivação que levou ao desenvolvimento deste trabalho foi à possibilidade de. Metodologia A pesquisa constitui-se em um estudo de caso em duas empresas do setor de beneficiamento de arroz da região sul do estado do Rio Grande do Sul. racionalizar e agilizar o processo de planejamento e controle da produção das empresas estudadas. os sistemas integrados de gestão podem impactar positivamente o desempenho da gestão de pequenas e médias indústrias. − Determinar quando será iniciada a produção. ou seja. as atividades de planejamento e controle da produção são simplificadas a medida que se reduz a variedade de produtos concorrentes por uma mesma gama de recursos. Mas. sozinhas. mas de toda a empresa. RS. não somente do processo produtivo. de Produção – Porto Alegre. o lead time de produção. 1997). por lotes. − Acompanhar o desenrolar da produção. é preciso destacar que os saltos de desempenho nem sempre acontecem em função da implantação destes sistemas. Em geral. e por diferença. como a função produção contribui para se atingir essa idéia de vantagem baseada em produção? È através da análise e determinação de objetivos de desempenho que a produção estará possibilitando à empresa.

4. Qualidade. mas não há fichas de produtos. atenção tanto p/ as pequenos produtores grandes como p/ os pequenos produtores Realiza.costumes Não realiza. b) Entrevistas semi-estruturadas com funcionários do Departamento de Produção das empresas. de Produção – Porto Alegre. Tempos e operações não são registrados. pico de produção. não há datas intermediárias De acordo com a necessidade. economia. carteira de pedidos. 6 horas – arroz branco EMPRESA 2 56 funcionários • • • Terceirização Lead time concorrência 120.000 fardos Produzir para estoque Não há gargalos significativos Março/Abril – época de safra. Necessidade imediata. Ocorre p/ atender grandes demandas ou qdo ocorre problemas na produção 2horas – arroz branco 32 a 72 horas -Parboilizado Camil. baseada no histórico de vendas. pico de expedição Ocorre em períodos isolados. Produz conforme a disponibilidade de MP. Extremo Sul. sendo realizadas as adaptações necessárias para a adequação da mesma para o setor de beneficiamento de arroz da região sul do estado do RS. De acordo com a necessidade. Tempos e operações não são registrados. Identifica tendência de mercado Não realiza. Projeção de vendas. pico de produção. estoques existentes Define através da projeção de vendas. c) Observação das operações e dos processos produtivos de cada uma delas. Baseia-se nas tendências de mercado. pico de expedição Muito raro. de Eng. Quantidade e qualidade Planejamento da Produção • Projeto do Produto • • Projeto do Processo Definição de quantidades a produzir Programação e Controle • Definição da necessidade de produtos finais • • • Sequenciamento Liberação Controles Tabela 1. Diagnóstico das Empresas EMPRESA 1 • Aspectos Gerais o N de funcionários na produção • Capaciade/Mês • Caracterização da produção • Gargalo • Sazonalidade 40 funcionários 72. Terceiriza para atender grandes pedidos. Para a obtenção das informações necessárias para a investigação foram realizadas: a) Pesquisas em dados secundários como jornais.000 fardos Produzir para estoque e lotes Embalagem Março/Abril – época de safra.XXV Encontro Nac.Resumo Geral do PCP das indústrias analisadas ENEGEP 2005 ABEPRO 58 . Preocupa. não há datas intermediárias. mas não há registros. quantidade Realiza. documentos das empresas e WebSites. 29 out a 01 de nov de 2005 no mercado. Brasil. Prato Feito. pedidos de marcas próprias Programação semanal. Nov/Dez/Jan – entre-safra. RS. A elaboração do instrumento de coleta dos dados e informações essenciais para a análise dos modelos de PCP existentes e para a proposta de um novo modelo para o setor teve como base a estrutura proposta por Erdmann (1998) e Strumiello (1999). Nov/Dez/Jan – entre-safra. estoques existentes. Programação mensal com lotes de tamanho variável Necessidade imediata.

descrever todas as etapas pelas quais o produto passará no processo produtivo também não é de suma importância para a eficiência do planejamento da produção. Define-se o que será produzido com suas configurações. 12345678Peneira: Processo de limpeza do arroz com casca. com base nelas. RS. o “como fazer” é conhecido. Todo o planejamento da produção é desencadeado a partir da definição do que fazer. Projeto do Processo Conforme verificado no projeto do produto. Descasque: Através de um sistema de roldanas a casca é retirada. requerendo a realização do projeto do produto. Separação de Quebrados: Os grãos com defeito podem retornar a fase inicial com a possibilidade de aproveitamento. é verificada a capacidade produtiva do sistema de produção. passando a conter a coloração branca. Nesta fase são determinados os rumos da produção a longo prazo. Retirada de Pedras: Pedras e outros resíduos são excluídos. Nesta fase os que foram excluídos voltam para a etapa de descasque. Juntamente à previsão. Projeto do Produto O projeto do produto não se faz necessário para o sucesso de um PCP em uma indústria de beneficiamento de arroz por dois motivos. estático. Brunidor: Processo pelo qual o arroz é transformado retirando-se o farelo. 29 out a 01 de nov de 2005 1-PENEIRA 2-RETIRADA DE PEDRA 3-DESCASQUE 4-SEPARADOR 5-BRUNIDOR QUEBRADOS 6-POLIMENTO 7-SEPARAÇÃO 9-GRÃOS INTEIROS INTEIROS 8-ELETRONIZAÇÃO 13-Inteiros Ruins 14-Quebrados Inteiros 10-GRÃOS QUEBRADOS 15-Quebrados Ruins 16-Quebrados Graúdos 12-Inteiros Bons Figura 1. o arroz. seja definida a quantidade a fabricar. as indústrias não apresentam disfunções ao não descrever este processo. de Produção – Porto Alegre. Eletronização: Os grãos inteiros passam por um processo de seleção mais detalhado aonde a separação entre inteiros(bons e ruins) e quebrados(Inteiros. Por se tratar de um processo fixo. Considera-se a previsão de vendas e a carteira de pedidos para que. Resultados Planejamento da Produção Conforme Strumiello (1999). de Eng.Processo de Beneficiamento de Arroz da Empresa 1. como será produzido e quanto será produzido.ruins e graúdos). com seus tempos previsíveis e de fácil mensuração. e.XXV Encontro Nac. 5. e o processo produtivo. o planejamento da produção deve ser realizado com o intuito de estabelecer uma organização para direcionar as atividades de produção da empresa. constante e previsível. Separador: Um sistema eletrônico verifica a existência de manchas e exclui aqueles que as contém. Polimento: Etapa no qual o produto é retocado. as características do produto final. Brasil. conforme observado no estudo. baseia-se em duas dimensões: a demanda e a capacidade produtiva do sistema. Definição das quantidades a produzir A definição das quantidades a produzir pelas empresas analisadas. Ao ENEGEP 2005 ABEPRO 59 . de estrutura simples.

as quantidades possíveis a serem produzidas já são conhecidas. Neste momento. Por possuir uma cadeia de suprimentos relativamente simples. para que a empresa tenha a informação do que o cliente quer e quando. devido à necessidade de que o processo produtivo seja empurrado. Definição da necessidade de produtos finais A definição dos produtos a fabricar está vinculada a fase de determinação das quantidades a produzir. sendo definidos o produto a ser fabricado. é a capacidade produtiva. fruto da incerteza e da sazonalidade do produto e da matéria-prima. A análise econômica e mercadológica do setor influencia na compra e na qualidade da matéria-prima. Programação da Produção Depois de realizado o planejamento de produção. Já no caso de pedidos específicos. Todas as fábricas foram projetadas com uma capacidade produtiva definida. devese definir o quanto fabricar de cada produto. ao mesmo tempo em que muitos produtores “seguram” o produto na busca por melhores preços na entre safra. é necessário o constante contato com o cliente. serem definidas as quantidades a comprar. No entanto. deve-se transferir essas questões para o dia-dia. Basicamente o ENEGEP 2005 ABEPRO 60 . O planejamento da produção. no planejamento da produção pelo depto de vendas das empresas. Nesse momento. pessoas é estática. que deve ser realizada conforme a necessidade imediata de produtos finais. o cálculo das necessidades de materiais não possui caráter decisivo em um PCP para indústrias de arroz. Naquela fase determinou-se o quanto produzir em longo prazo e de forma agregada. ou até optar pela terceirização de parte do processo. Brasil. verificam-se os registros de estoque. A projeção da demanda é realizada com base na previsão de vendas. RS. e é esta qualidade que determina quais produtos poderão ser produzidos pela linha. e as quantidades necessárias para suprir a demanda. diminuindo assim a instabilidade no processo produtivo. A programação da produção varia conforme o comportamento de cada produto. a programação ocorre em lotes de tamanho variável. e á medida em que se aproxima a data de efetivação desta. a oferta é grande. de Eng. e da qualidade e tipo de matéria-prima em questão. como o caso de uma marca de arroz da empresa 2. É necessário considerar a política de estoques da empresa que. em relação a máquinas e pessoas. devido a fatores como preço baixo e grande volume de oferta. leva-se em conta também a data de entrega do produto. deve-se decidir pela ampliação ou não do sistema produtivo. a decisão de compra de arroz com grande número de quebrados. e conforme o recurso que entra na linha de produção para ser transformado. A outra dimensão considerada na definição de quantidades. Pode ser constante para produtos fabricados em massa. Por esse motivo. através de uma linha de produção contínua e em linha. a incapacidade do sistema produtivo em suprir a demanda. Cálculo das necessidades de materiais Nessa ocasião. o roteiro. Muitas vezes a definição do produto a ser fabricado vem acompanhada da informação de quando ele deve estar disponível.XXV Encontro Nac. através de reuniões realizadas constantemente e baseadas em um planejamento prévio. entre outras coisas. 29 out a 01 de nov de 2005 comparar essas duas informações pode ser constatado. ela sofre influencia direta do mix de produtos fabricados. decisão esta. reserva uma quantidade para segurança. de Produção – Porto Alegre. algumas vezes. A capacidade em relação a máquinas. para somente então. que acarreta em um grande volume de produção de arroz parabolizado. só variam conforme a qualidade do arroz inserido no processo produtivo. devido à instabilidade no mercado. Em períodos de safra. Nesta etapa. Pode-se ter como exemplo. neste tipo de indústria é fortemente influenciado pela qualidade de matéria-prima e pela oferta da mesma.

de Produção – Porto Alegre. Analisando os resultados obtidos com este estudo de caso. Ao mesmo tempo em que o ordenamento no qual serão realizadas as ordens de produção procura basear-se nas necessidades imediatas de produtos finais e nos pedidos oriundos do depto de vendas que serviram de base para a programação da produção. constância e rigidez da linha de produção. é possível identificar que as empresas analisadas não utilizam ainda técnicas de gestão da produção e operações e que o Planejamento. é ocasião de ocorrer à fiscalização para verificar se o planejado está. RS. Percebe-se que o tipo de produto e processo pode ser o fator que contribua para a não aplicação e utilização de técnicas de gestão da produção comuns no setor de manufatura. por se tratar de um produto alimentício. O controle das quantidades efetua a conferência do número de unidades produzidas e o compara com a quantidade planejada. Brasil. a utilização de balanças automatizadas no setor de embalagens da empresa 2. componentes. Sugestões e considerações finais A estrutura proposta por Erdmann (1998) e Strumiello (1999) e adaptada para análise das empresas do setor arrozeiro do sul do estado do RS foi de suma importância para a realização deste estudo. O controle dos tempos das operações não se faz necessário. Dentre estas sugestões pode-se citar: ENEGEP 2005 ABEPRO 61 . elas são emitidas conforme a necessidade. Emissão e liberação das ordens de fabricação As ordens de fabricação devem desencadear a tomada de providências para permitir a execução da produção. Controles Com a produção toda programada e em andamento. Programação e Controle ainda é baseado em tabelas elaboradas em planilha eletrônica. de Eng. aonde existem sensores encarregados de conferir o peso e o número do lote e a contagem da quantidade de produtos finais.. há um grande número de exigências por parte governo e da sociedade. “quanto” e “quando” fazer.. como a previsibilidade do processo. Apesar do planejamento. a qual é facilmente mensurada conforme a quantidade de arroz que será produzida.No caso específico deste tipo de indústrias. etc. de fato. ocorrendo.XXV Encontro Nac. 6. em razão de fatores já abordados anteriormente. prejudicando o seu andamento. incluindo a obtenção dos recursos necessários como matéria-prima. Aprazamento e Sequenciamento As práticas de aprazamento e sequenciamento são determinadas pelas características do produto e da linha de produção. Como exemplo. As pesquisas revelaram que os controles praticados pelas empresas são: de quantidade e qualidade. Algumas sugestões podem ser dadas referentes a aspectos observados durante o estudo. e devem conter informações essenciais como “o que”. e eventuais disfunções podem acarretar em processos e arranhões na imagem da organização. com o objetivo de trazer benefícios aos processos e operações realizadas por estas empresas. As datas e os tempos de duração das operações são facilmente mensuráveis e não requerem maiores controles. 29 out a 01 de nov de 2005 único recurso necessário para a composição do produto final é a embalagem. O controle da qualidade é de extrema importância para a eficiência do PCP. várias ocorrências podem causar alguns distúrbios na produção.

T. (1996) – Just in Time. Makron Books. (2004) . Encontro Nacional de Engenharia de Produção.pdf. M. S. Brasil. Minas Gerais. Pioneira thomson Learning. & SEVERINO FILHO. uso e implantação. na relação matéria-prima/produção. evitando matéria-prima em excesso antes da linha de embalagem. C. (1999) . bem como a declaração dos volumes a serem produzidos. b) Adoção da técnica de gestão Just in Time.Proposta para o Planejamento e Controle da Produção e Custos para pequenas empresas do vestuário. V. (1998) . (1999) . G. SLACK. PONTUAL. ENEGEP 2005 ABEPRO 62 . N. STRUMIELLO. A utilização do cartão Kanban funcionaria como um setup e sinalizador do início e tipo destas operações. MENDEZ.P. podendo esta.As indústrias do século 21. São Paulo. GUNN. CORRÊA. Disponível online: www.br. H. São Paulo CORRÊA. Porto Alegre. ENEGEP XXIII. J. D. Outra possibilidade seria a utilização de lâmpadas ANDON.XXV Encontro Nac. São Paulo. de Produção – Porto Alegre. ao mesmo tempo em que pode informar ao departamento de compras a não necessidade de aquisição da mesma. ENEGEP XXI. Como sugestão para solucionar este problema é a redução da capacidade de produção. H.A Agroindústria Processadora de arroz: Um estudo das principais características organizacionais e estratégicas das empresas líderes gaúchas. E. Insular.org. (2004) – Uma Análise Crítica sobre as principais abordagens de PCP. (1999) – A Evolução dos Sistemas de PCP sob a ótica da Engenharia de Produção. R. UFRGS. RS. visando um fluxo contínuo e compatível a capacidade do setor de embalagem. Rio de Janeiro. L. Indicando o início e fim das atividades. c) Outra localização na linha de produção em que o JIT pode ser adotado refere-se ao setor de embalagens. & GIANESI. ENEGEP XIX. C. LUDWIG. GRAÇA. devido à existência de diversas marcas próprias. São Paulo. Monografia de Conclusão de Curso de Engenharia de Produção. Atlas. ENEGEP XXIV. que irão auxiliar no controle do processo produtivo. Florianópolis. SANTOS.PCP de Cervejaria: o caso da Brahma –Lages/SC.cirad. ser aplicada no processo inicial. São Paulo. P. & FRAZIER. São Paulo. RS. de Eng. I. sinalizadoras. (2003) – Sistemas de PCP de alta performance: O caso de uma montadora automobilística “world class” instalada em Minas Gerais. ENEGEP XXI. (2000) . Ouro Preto. Ouro Preto.A diversificação de produtos e o PCP em PMEs: estudo de caso em uma indústria de embalagens. programação e controle de produção: MRP II/ERP: conceitos. Ed. aonde se encontra a variedade do produto. (2003) . São Paulo. & FREDERICO.Planejamento. d) Ambas as empresas apresentaram restrições no processo de embalagens. Atlas. Edgar Blucher. SPRAKEL.br/recherche/pdf/501. Atlas. MRPII e OPT:um enfoque estratégico. ERDMANN. 29 out a 01 de nov de 2005 a) Utilização do Gráfico de Gantt no auxílio da programação dos pedidos realizados pelos clientes.Organização de Sistemas de Produção. Dissertação de Mestrado em Agronegócios. (1998) – Gestão de Operações.G. (1997) – Administração da Produção. mantendo um ciclo produtivo sincronizado. GAITHER. (2004) – Dinâmica da Produção de Arroz em fronteiras agrícolas recentes do Centro-Oeste Brasileiro. Florianópolis. (1993) . Referências CONTADOR. Minas Gerais. & DUARTE. F. N. São Paulo.H. UFOP. L. HECKSHER. com o auxílio de cartões Kanban que determinam o momento no qual a matéria-prima se faz necessária para dar início à produção. O produto é uniforme e difere-se neste processo. o que demanda tempo na execução de trocas e modificações das embalagens. (2001) – Administração da Produção e Operações.

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