XXV Encontro Nac. de Eng.

de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005

Análise e proposta de um modelo de planejamento e controle da produção para as indústrias de beneficiamento de arroz da Região sul do RS
Marcel Amaral Daoud (FURG) marcel_daoud@yahoo.com.br Prof. Dr. Antônio Carlos Gastaud Maçada (UFRGS) acgmacada@ea.ufrgs.br

Resumo A indústria de beneficiamento de arroz tem sido muito estimulada para tornar seus processos mais eficientes. Este trabalho apresenta um estudo de caso realizado em duas empresas de beneficiamento de arroz da região sul do Estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de propor um modelo de Planejamento e Controle da Produção para a mesma. O PCP é um instrumento de gestão que causa impactos positivos em vários fatores essenciais para a sobrevivência de uma organização, tendo como exemplos um aumento na eficiência e produtividade da empresa, trazendo maior competitividade frente ao mercado e seus concorrentes. O modelo proposto foi validado pelos executivos das empresas do setor, que consideraram importante já que o setor não possuía algum. Palavras chave: PCP; Modelo; Eficiência. 1. Introdução O ambiente social, político e econômico em que está inserida grande parte das atividades econômicas, entre elas as agroindústrias, vêm passando por significativas mudanças nas últimas épocas. Esta demanda por maior agilidade e eficiência dos processos produtivos advém da maior competitividade imposta pelas transformações que têm afetado a ordem econômica mundial. O Brasil se enquadra também nesta tendência e tem experimentado profundas mudanças no seu setor produtivo no que tange a modernização de seus processos de produção, melhoria da qualidade de seus produtos e racionalização administrativa. A cadeia de arroz no Brasil tem apresentado, recentemente, mudanças importantes. As preferências dos consumidores evoluem, os pólos de produção se deslocam, as inovações técnicas e os investimentos produtivos fazem com que os diferentes sistemas agrícolas, se encontrem em novas condições de competitividade (MENDEZ,2004). O arroz é um cereal de alto valor para a economia gaúcha e brasileira. Autores como Ludwig (2004) discorrem sobre a importância das atividades relacionadas a orizicultura, que ocupam lugar de destaque na matriz produtiva do agronegócio brasileiro, destacando-a como uma atividade de importância no âmbito econômico e social, sendo uma das mais tecnificadas do setor agrícola brasileiro, contando com pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), por algumas universidades e por instituições estaduais que além da pesquisa, se encarregam das atividades de assistência técnica. A média de produção de arroz no Brasil, nos últimos dez anos, foi de aproximadamente 10 milhões de toneladas, ocupando a décima colocação como produtor mundial de arroz em casca. Sendo que o Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro, responsável por mais de 45% do arroz em casca colhido no país. Conforme Gaither e Frazier (2001), uma melhor administração das operações pode agregar valor à empresa ao melhorar sua competitividade e lucratividade em longo prazo. O autor
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Para isto todos os departamentos (financeiro. De cerveja a automóveis. A organização integrada de maneira bem-sucedida enfrentará a competição global com produtos de qualidade. com a gradual derrubada das barreiras alfandegárias. 1996). sistema de programação e controle da produção é um sistema complexo constituído por um conjunto de funções inter-relacionadas que objetiva comandar o processo produtivo e os serviços correlatos e coordená-los entre si e com os demais setores da empresa. estabelecendo novas bases para a competição (CORRÊA e GIANESI. 29 out a 01 de nov de 2005 considera as operações como a peça de integração crítica que permite o funcionamento conjunto de todas as áreas funcionais de uma organização. Através do exposto acima. Ambas situações. na seção 4. RS. 2000). está baseado uma visão sistêmica. Fundamentação Teórica Planejamento e Controle da Produção Um dos fatores de sucesso para a empresa ser competitiva é ter um planejamento e controle da produção eficaz e eficiente. produção). a literatura é revisada. e dos fornecedores. A situação pode ser de alta demanda e de baixa capacidade (sub-capacidade) ou de baixa demanda e de alta capacidade. 2. Brasil. Autores como Pontual (2004). de forma que combiná-las é um desafio permanente da gerência de produção. na seção 5 tem-se os resultado do estudo de caso. na seção 3. como também a satisfação dos clientes. As fases do Planejamento e Controle da Produção são descritas por Graça (2003): − Determinar os tipos e as quantidades dos produtos que serão fabricados. No país. o que vem de encontro com o objetivo deste estudo que é o de identificar e analisar os modelos de sistemas de (PCP) das indústrias de beneficiamento de arroz da região sul do estado do RS. este panorama mudou. apresenta-se a metodologia utilizada na pesquisa. Hoje. notável serviço ao cliente e controle de custos eficiente. de Eng.XXV Encontro Nac. representam cenários indesejáveis para a empresa. de Produção – Porto Alegre. são feitas as considerações finais do artigo. marketing. até pouco tempo atrás. tem-se o diagnóstico das indústrias estudadas. os produtos importados já competem com os nacionais pelo mercado interno. Segundo Sprakel e Severino Filho (1999). entender os fatos ocorridos no passado e presente e suas respectivas influências para a tomada de decisão para obter no futuro os resultados planejados. comentam que o principal desafio de um sistema de planejamento e controle da produção é o balanceamento entre a oferta e a procura. e na seção 6. visando a elaboração de um modelo único para o setor que possa satisfazer as necessidades tanto empresariais (ex:produtividade). O trabalho estrutura-se da seguinte forma: na seção 2. o Planejamento e Controle da Produção (PCP) é o elemento chave e central para o projeto e desenvolvimento de um sistema de produção. Esta disparidade entre a demanda e o fornecimento pode ocorrer em ambos os lados. deveriam estar integrados possibilitando desta forma a implementação dos programas de PCP no chão de fábrica (SANTOS. na maioria dos casos. ENEGEP 2005 ABEPRO 56 . O processo de planejar para Corrêa (1999). Para Contador (1998). as empresas industriais não tinham muito com que se preocupar em termos de competição internacional pelo mercado interno. ou seja. baseada nos pedidos recebidos dos clientes. verifica-se que é de extrema importância para a economia do RS o desenvolvimento e a manutenção deste setor. Tanto a demanda como a capacidade de produção são dimensões extremamente voláteis. nas previsões de vendas ou ambos.

as quais ocupam posição de destaque ENEGEP 2005 ABEPRO 57 . O fato de o produto ser um bem ou um serviço também tem seu reflexo na complexidade do sistema de planejamento e controle da produção (TUBINO. Metodologia A pesquisa constitui-se em um estudo de caso em duas empresas do setor de beneficiamento de arroz da região sul do estado do Rio Grande do Sul. 1997). de Eng. Segundo Strumiello (1999). ou seja. como a função produção contribui para se atingir essa idéia de vantagem baseada em produção? È através da análise e determinação de objetivos de desempenho que a produção estará possibilitando à empresa. Por esse motivo. Tendo estes fatores citados acima. precisamente. quando terminará. não somente do processo produtivo. 29 out a 01 de nov de 2005 − Realizar as listas das operações que compõem o processo produtivo do produto. A classificação a ser utilizada será a descrita por Slack (1997). o planejamento e controle da produção. A motivação que levou ao desenvolvimento deste trabalho foi à possibilidade de. controlando-a. − Acompanhar o desenrolar da produção. Sistemas de Produção e o PCP O tipo de processo produtivo define a complexidade do planejamento e controle das atividades. aumentar a eficiência. o sucesso da implantação depende de uma (re) organização das atividades de PCP e da introdução de uma disciplina de programação e controle que. o lead time de produção. antes do momento em que esta deverá ser iniciada. ou seja.XXV Encontro Nac. RS. os sistemas integrados de gestão podem impactar positivamente o desempenho da gestão de pequenas e médias indústrias. mas de toda a empresa. − Determinar quando será iniciada a produção. ao fornecer informações para comandar e controlar o sistema produtivo e proporcionar o feedback torna possível uma criteriosa análise. quanto tempo levará. condições de atingir seus objetivos maiores. Os sistemas de produção são classificados de diversas maneiras com o intuito de facilitar a compreensão de suas características e a relação entre as atividades produtivas. é preciso destacar que os saltos de desempenho nem sempre acontecem em função da implantação destes sistemas. É preciso um diagnóstico cuidadoso que indique as prioridades de mudança. as atividades de planejamento e controle da produção são simplificadas a medida que se reduz a variedade de produtos concorrentes por uma mesma gama de recursos. a eficiência de um PCP pode ser de grande valor para as empresas do setor arrozeiro da região sul do estado. simultaneamente. 3. já trazem ganhos de produtividade e confiabilidade de entrega. Para qualquer organização que deseja ser bem sucedida em longo prazo. o roteiro. De uma forma geral. aonde os processos produtivos de manufatura são classificados em: por projetos. ao comparar o planejado com o efetivamente realizado. A estratégia competitiva global da empresa está intimamente ligada com a estratégia manufatureira. de produção em massa e processos contínuos. ou seja. Em geral. − Mobilizar os recursos para a produção. sozinhas. a contribuição de sua função produção é vital. contudo. de Produção – Porto Alegre. de acordo com os prazos determinados. racionalizar e agilizar o processo de planejamento e controle da produção das empresas estudadas. por lotes. essas funções são imprescindíveis para qualquer empresa que pretenda sobreviver no ambiente competitivo atual. Segundo Hecksher e Duarte (2003). Brasil. Mas. a liberação. e por diferença.

quantidade Realiza. Identifica tendência de mercado Não realiza. Quantidade e qualidade Planejamento da Produção • Projeto do Produto • • Projeto do Processo Definição de quantidades a produzir Programação e Controle • Definição da necessidade de produtos finais • • • Sequenciamento Liberação Controles Tabela 1. Produz conforme a disponibilidade de MP. pico de produção. Preocupa. 29 out a 01 de nov de 2005 no mercado.000 fardos Produzir para estoque Não há gargalos significativos Março/Abril – época de safra. Ocorre p/ atender grandes demandas ou qdo ocorre problemas na produção 2horas – arroz branco 32 a 72 horas -Parboilizado Camil. Programação mensal com lotes de tamanho variável Necessidade imediata.000 fardos Produzir para estoque e lotes Embalagem Março/Abril – época de safra. Projeção de vendas. 4. Necessidade imediata. Brasil. Extremo Sul. não há datas intermediárias De acordo com a necessidade. Nov/Dez/Jan – entre-safra. de Eng. mas não há fichas de produtos.Resumo Geral do PCP das indústrias analisadas ENEGEP 2005 ABEPRO 58 . pico de expedição Muito raro. De acordo com a necessidade.XXV Encontro Nac. baseada no histórico de vendas. b) Entrevistas semi-estruturadas com funcionários do Departamento de Produção das empresas. estoques existentes. carteira de pedidos. pedidos de marcas próprias Programação semanal. documentos das empresas e WebSites. Tempos e operações não são registrados. RS. economia. sendo realizadas as adaptações necessárias para a adequação da mesma para o setor de beneficiamento de arroz da região sul do estado do RS. Nov/Dez/Jan – entre-safra. Terceiriza para atender grandes pedidos. Baseia-se nas tendências de mercado. A elaboração do instrumento de coleta dos dados e informações essenciais para a análise dos modelos de PCP existentes e para a proposta de um novo modelo para o setor teve como base a estrutura proposta por Erdmann (1998) e Strumiello (1999). atenção tanto p/ as pequenos produtores grandes como p/ os pequenos produtores Realiza. c) Observação das operações e dos processos produtivos de cada uma delas. Prato Feito.costumes Não realiza. pico de expedição Ocorre em períodos isolados. não há datas intermediárias. mas não há registros. Diagnóstico das Empresas EMPRESA 1 • Aspectos Gerais o N de funcionários na produção • Capaciade/Mês • Caracterização da produção • Gargalo • Sazonalidade 40 funcionários 72. 6 horas – arroz branco EMPRESA 2 56 funcionários • • • Terceirização Lead time concorrência 120. Para a obtenção das informações necessárias para a investigação foram realizadas: a) Pesquisas em dados secundários como jornais. estoques existentes Define através da projeção de vendas. Qualidade. Tempos e operações não são registrados. pico de produção. de Produção – Porto Alegre.

Processo de Beneficiamento de Arroz da Empresa 1. Todo o planejamento da produção é desencadeado a partir da definição do que fazer. o arroz. e o processo produtivo. com base nelas. Eletronização: Os grãos inteiros passam por um processo de seleção mais detalhado aonde a separação entre inteiros(bons e ruins) e quebrados(Inteiros. Definição das quantidades a produzir A definição das quantidades a produzir pelas empresas analisadas. Juntamente à previsão. de Eng. o planejamento da produção deve ser realizado com o intuito de estabelecer uma organização para direcionar as atividades de produção da empresa. o “como fazer” é conhecido. 12345678Peneira: Processo de limpeza do arroz com casca. requerendo a realização do projeto do produto. passando a conter a coloração branca. as características do produto final. conforme observado no estudo.ruins e graúdos). Separador: Um sistema eletrônico verifica a existência de manchas e exclui aqueles que as contém. Retirada de Pedras: Pedras e outros resíduos são excluídos. Separação de Quebrados: Os grãos com defeito podem retornar a fase inicial com a possibilidade de aproveitamento. baseia-se em duas dimensões: a demanda e a capacidade produtiva do sistema. RS. seja definida a quantidade a fabricar. Considera-se a previsão de vendas e a carteira de pedidos para que. Projeto do Processo Conforme verificado no projeto do produto. Brunidor: Processo pelo qual o arroz é transformado retirando-se o farelo. as indústrias não apresentam disfunções ao não descrever este processo. é verificada a capacidade produtiva do sistema de produção. de Produção – Porto Alegre. 29 out a 01 de nov de 2005 1-PENEIRA 2-RETIRADA DE PEDRA 3-DESCASQUE 4-SEPARADOR 5-BRUNIDOR QUEBRADOS 6-POLIMENTO 7-SEPARAÇÃO 9-GRÃOS INTEIROS INTEIROS 8-ELETRONIZAÇÃO 13-Inteiros Ruins 14-Quebrados Inteiros 10-GRÃOS QUEBRADOS 15-Quebrados Ruins 16-Quebrados Graúdos 12-Inteiros Bons Figura 1. Nesta fase são determinados os rumos da produção a longo prazo. Polimento: Etapa no qual o produto é retocado. com seus tempos previsíveis e de fácil mensuração.XXV Encontro Nac. descrever todas as etapas pelas quais o produto passará no processo produtivo também não é de suma importância para a eficiência do planejamento da produção. de estrutura simples. Projeto do Produto O projeto do produto não se faz necessário para o sucesso de um PCP em uma indústria de beneficiamento de arroz por dois motivos. como será produzido e quanto será produzido. Resultados Planejamento da Produção Conforme Strumiello (1999). e. Ao ENEGEP 2005 ABEPRO 59 . Define-se o que será produzido com suas configurações. Nesta fase os que foram excluídos voltam para a etapa de descasque. Por se tratar de um processo fixo. Brasil. estático. Descasque: Através de um sistema de roldanas a casca é retirada. 5. constante e previsível.

Pode ser constante para produtos fabricados em massa. Cálculo das necessidades de materiais Nessa ocasião. a programação ocorre em lotes de tamanho variável. Neste momento. devido à necessidade de que o processo produtivo seja empurrado. O planejamento da produção. Definição da necessidade de produtos finais A definição dos produtos a fabricar está vinculada a fase de determinação das quantidades a produzir. pessoas é estática. É necessário considerar a política de estoques da empresa que. de Eng. diminuindo assim a instabilidade no processo produtivo. Por possuir uma cadeia de suprimentos relativamente simples. é a capacidade produtiva. verificam-se os registros de estoque.XXV Encontro Nac. ela sofre influencia direta do mix de produtos fabricados. A outra dimensão considerada na definição de quantidades. só variam conforme a qualidade do arroz inserido no processo produtivo. Programação da Produção Depois de realizado o planejamento de produção. a decisão de compra de arroz com grande número de quebrados. Todas as fábricas foram projetadas com uma capacidade produtiva definida. devido à instabilidade no mercado. No entanto. Por esse motivo. A projeção da demanda é realizada com base na previsão de vendas. ao mesmo tempo em que muitos produtores “seguram” o produto na busca por melhores preços na entre safra. serem definidas as quantidades a comprar. Basicamente o ENEGEP 2005 ABEPRO 60 . decisão esta. devido a fatores como preço baixo e grande volume de oferta. sendo definidos o produto a ser fabricado. no planejamento da produção pelo depto de vendas das empresas. Pode-se ter como exemplo. RS. e conforme o recurso que entra na linha de produção para ser transformado. A análise econômica e mercadológica do setor influencia na compra e na qualidade da matéria-prima. o roteiro. Brasil. A capacidade em relação a máquinas. reserva uma quantidade para segurança. para que a empresa tenha a informação do que o cliente quer e quando. a oferta é grande. Muitas vezes a definição do produto a ser fabricado vem acompanhada da informação de quando ele deve estar disponível. e da qualidade e tipo de matéria-prima em questão. neste tipo de indústria é fortemente influenciado pela qualidade de matéria-prima e pela oferta da mesma. a incapacidade do sistema produtivo em suprir a demanda. Naquela fase determinou-se o quanto produzir em longo prazo e de forma agregada. deve-se decidir pela ampliação ou não do sistema produtivo. devese definir o quanto fabricar de cada produto. 29 out a 01 de nov de 2005 comparar essas duas informações pode ser constatado. através de reuniões realizadas constantemente e baseadas em um planejamento prévio. que deve ser realizada conforme a necessidade imediata de produtos finais. fruto da incerteza e da sazonalidade do produto e da matéria-prima. e á medida em que se aproxima a data de efetivação desta. através de uma linha de produção contínua e em linha. deve-se transferir essas questões para o dia-dia. Em períodos de safra. leva-se em conta também a data de entrega do produto. que acarreta em um grande volume de produção de arroz parabolizado. as quantidades possíveis a serem produzidas já são conhecidas. Nesse momento. o cálculo das necessidades de materiais não possui caráter decisivo em um PCP para indústrias de arroz. em relação a máquinas e pessoas. como o caso de uma marca de arroz da empresa 2. e é esta qualidade que determina quais produtos poderão ser produzidos pela linha. e as quantidades necessárias para suprir a demanda. entre outras coisas. para somente então. A programação da produção varia conforme o comportamento de cada produto. é necessário o constante contato com o cliente. algumas vezes. Nesta etapa. ou até optar pela terceirização de parte do processo. de Produção – Porto Alegre. Já no caso de pedidos específicos.

Algumas sugestões podem ser dadas referentes a aspectos observados durante o estudo. é possível identificar que as empresas analisadas não utilizam ainda técnicas de gestão da produção e operações e que o Planejamento. de Produção – Porto Alegre. As pesquisas revelaram que os controles praticados pelas empresas são: de quantidade e qualidade. “quanto” e “quando” fazer. As datas e os tempos de duração das operações são facilmente mensuráveis e não requerem maiores controles. prejudicando o seu andamento. por se tratar de um produto alimentício.. Ao mesmo tempo em que o ordenamento no qual serão realizadas as ordens de produção procura basear-se nas necessidades imediatas de produtos finais e nos pedidos oriundos do depto de vendas que serviram de base para a programação da produção. de Eng. e eventuais disfunções podem acarretar em processos e arranhões na imagem da organização. Analisando os resultados obtidos com este estudo de caso. como a previsibilidade do processo. Percebe-se que o tipo de produto e processo pode ser o fator que contribua para a não aplicação e utilização de técnicas de gestão da produção comuns no setor de manufatura. há um grande número de exigências por parte governo e da sociedade. de fato. etc. O controle dos tempos das operações não se faz necessário. O controle da qualidade é de extrema importância para a eficiência do PCP. 6. Programação e Controle ainda é baseado em tabelas elaboradas em planilha eletrônica. incluindo a obtenção dos recursos necessários como matéria-prima. Aprazamento e Sequenciamento As práticas de aprazamento e sequenciamento são determinadas pelas características do produto e da linha de produção. componentes. e devem conter informações essenciais como “o que”. aonde existem sensores encarregados de conferir o peso e o número do lote e a contagem da quantidade de produtos finais. Emissão e liberação das ordens de fabricação As ordens de fabricação devem desencadear a tomada de providências para permitir a execução da produção. Apesar do planejamento. várias ocorrências podem causar alguns distúrbios na produção. ocorrendo. RS. Brasil.XXV Encontro Nac. a qual é facilmente mensurada conforme a quantidade de arroz que será produzida.No caso específico deste tipo de indústrias. O controle das quantidades efetua a conferência do número de unidades produzidas e o compara com a quantidade planejada.. Sugestões e considerações finais A estrutura proposta por Erdmann (1998) e Strumiello (1999) e adaptada para análise das empresas do setor arrozeiro do sul do estado do RS foi de suma importância para a realização deste estudo. com o objetivo de trazer benefícios aos processos e operações realizadas por estas empresas. Como exemplo. Controles Com a produção toda programada e em andamento. elas são emitidas conforme a necessidade. é ocasião de ocorrer à fiscalização para verificar se o planejado está. Dentre estas sugestões pode-se citar: ENEGEP 2005 ABEPRO 61 . constância e rigidez da linha de produção. em razão de fatores já abordados anteriormente. 29 out a 01 de nov de 2005 único recurso necessário para a composição do produto final é a embalagem. a utilização de balanças automatizadas no setor de embalagens da empresa 2.

sinalizadoras. Ed. E. o que demanda tempo na execução de trocas e modificações das embalagens. R. São Paulo.br/recherche/pdf/501. T. 29 out a 01 de nov de 2005 a) Utilização do Gráfico de Gantt no auxílio da programação dos pedidos realizados pelos clientes.cirad. (2000) . ENEGEP XXIII. & DUARTE. P. RS. Ouro Preto. ENEGEP XXI. I. Outra possibilidade seria a utilização de lâmpadas ANDON. H. de Produção – Porto Alegre. S. MRPII e OPT:um enfoque estratégico. Rio de Janeiro. GRAÇA. UFRGS. bem como a declaração dos volumes a serem produzidos. na relação matéria-prima/produção. ENEGEP XXI.A diversificação de produtos e o PCP em PMEs: estudo de caso em uma indústria de embalagens. SANTOS. SLACK. São Paulo. Atlas. Ouro Preto.G. São Paulo. Pioneira thomson Learning. Florianópolis. visando um fluxo contínuo e compatível a capacidade do setor de embalagem. & SEVERINO FILHO. Brasil. São Paulo CORRÊA. & GIANESI. (1998) . de Eng. UFOP. ENEGEP 2005 ABEPRO 62 . Disponível online: www. L. (2004) – Uma Análise Crítica sobre as principais abordagens de PCP. (2004) – Dinâmica da Produção de Arroz em fronteiras agrícolas recentes do Centro-Oeste Brasileiro. (1997) – Administração da Produção. Edgar Blucher. (1993) . ser aplicada no processo inicial. A utilização do cartão Kanban funcionaria como um setup e sinalizador do início e tipo destas operações. Atlas.pdf. (1998) – Gestão de Operações. evitando matéria-prima em excesso antes da linha de embalagem.Planejamento. F.H.org. Monografia de Conclusão de Curso de Engenharia de Produção. Indicando o início e fim das atividades. devido à existência de diversas marcas próprias. aonde se encontra a variedade do produto.As indústrias do século 21. J. São Paulo. ENEGEP XXIV. São Paulo. uso e implantação. C. Makron Books.Proposta para o Planejamento e Controle da Produção e Custos para pequenas empresas do vestuário. C. (1996) – Just in Time. Referências CONTADOR. V. & FREDERICO. (2003) . (1999) – A Evolução dos Sistemas de PCP sob a ótica da Engenharia de Produção. CORRÊA. MENDEZ. STRUMIELLO. Minas Gerais.XXV Encontro Nac. GAITHER. N.br. D. São Paulo. ao mesmo tempo em que pode informar ao departamento de compras a não necessidade de aquisição da mesma. PONTUAL. Insular. programação e controle de produção: MRP II/ERP: conceitos. RS. (2004) . ENEGEP XIX. (2003) – Sistemas de PCP de alta performance: O caso de uma montadora automobilística “world class” instalada em Minas Gerais. São Paulo. Dissertação de Mestrado em Agronegócios. O produto é uniforme e difere-se neste processo. com o auxílio de cartões Kanban que determinam o momento no qual a matéria-prima se faz necessária para dar início à produção. d) Ambas as empresas apresentaram restrições no processo de embalagens. que irão auxiliar no controle do processo produtivo.P. Atlas. HECKSHER. LUDWIG.Organização de Sistemas de Produção.A Agroindústria Processadora de arroz: Um estudo das principais características organizacionais e estratégicas das empresas líderes gaúchas. Porto Alegre. GUNN. (1999) . podendo esta. & FRAZIER. N. SPRAKEL. ERDMANN. c) Outra localização na linha de produção em que o JIT pode ser adotado refere-se ao setor de embalagens. L. H. Minas Gerais. Encontro Nacional de Engenharia de Produção.PCP de Cervejaria: o caso da Brahma –Lages/SC. G. Como sugestão para solucionar este problema é a redução da capacidade de produção. (1999) . (2001) – Administração da Produção e Operações. Florianópolis. M. b) Adoção da técnica de gestão Just in Time. mantendo um ciclo produtivo sincronizado.

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