XXV Encontro Nac. de Eng.

de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005

Análise e proposta de um modelo de planejamento e controle da produção para as indústrias de beneficiamento de arroz da Região sul do RS
Marcel Amaral Daoud (FURG) marcel_daoud@yahoo.com.br Prof. Dr. Antônio Carlos Gastaud Maçada (UFRGS) acgmacada@ea.ufrgs.br

Resumo A indústria de beneficiamento de arroz tem sido muito estimulada para tornar seus processos mais eficientes. Este trabalho apresenta um estudo de caso realizado em duas empresas de beneficiamento de arroz da região sul do Estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de propor um modelo de Planejamento e Controle da Produção para a mesma. O PCP é um instrumento de gestão que causa impactos positivos em vários fatores essenciais para a sobrevivência de uma organização, tendo como exemplos um aumento na eficiência e produtividade da empresa, trazendo maior competitividade frente ao mercado e seus concorrentes. O modelo proposto foi validado pelos executivos das empresas do setor, que consideraram importante já que o setor não possuía algum. Palavras chave: PCP; Modelo; Eficiência. 1. Introdução O ambiente social, político e econômico em que está inserida grande parte das atividades econômicas, entre elas as agroindústrias, vêm passando por significativas mudanças nas últimas épocas. Esta demanda por maior agilidade e eficiência dos processos produtivos advém da maior competitividade imposta pelas transformações que têm afetado a ordem econômica mundial. O Brasil se enquadra também nesta tendência e tem experimentado profundas mudanças no seu setor produtivo no que tange a modernização de seus processos de produção, melhoria da qualidade de seus produtos e racionalização administrativa. A cadeia de arroz no Brasil tem apresentado, recentemente, mudanças importantes. As preferências dos consumidores evoluem, os pólos de produção se deslocam, as inovações técnicas e os investimentos produtivos fazem com que os diferentes sistemas agrícolas, se encontrem em novas condições de competitividade (MENDEZ,2004). O arroz é um cereal de alto valor para a economia gaúcha e brasileira. Autores como Ludwig (2004) discorrem sobre a importância das atividades relacionadas a orizicultura, que ocupam lugar de destaque na matriz produtiva do agronegócio brasileiro, destacando-a como uma atividade de importância no âmbito econômico e social, sendo uma das mais tecnificadas do setor agrícola brasileiro, contando com pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), por algumas universidades e por instituições estaduais que além da pesquisa, se encarregam das atividades de assistência técnica. A média de produção de arroz no Brasil, nos últimos dez anos, foi de aproximadamente 10 milhões de toneladas, ocupando a décima colocação como produtor mundial de arroz em casca. Sendo que o Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro, responsável por mais de 45% do arroz em casca colhido no país. Conforme Gaither e Frazier (2001), uma melhor administração das operações pode agregar valor à empresa ao melhorar sua competitividade e lucratividade em longo prazo. O autor
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A organização integrada de maneira bem-sucedida enfrentará a competição global com produtos de qualidade. No país. entender os fatos ocorridos no passado e presente e suas respectivas influências para a tomada de decisão para obter no futuro os resultados planejados. O processo de planejar para Corrêa (1999). o Planejamento e Controle da Produção (PCP) é o elemento chave e central para o projeto e desenvolvimento de um sistema de produção. RS. e dos fornecedores. na maioria dos casos. o que vem de encontro com o objetivo deste estudo que é o de identificar e analisar os modelos de sistemas de (PCP) das indústrias de beneficiamento de arroz da região sul do estado do RS. marketing.XXV Encontro Nac. Autores como Pontual (2004). na seção 5 tem-se os resultado do estudo de caso. Através do exposto acima. este panorama mudou. 29 out a 01 de nov de 2005 considera as operações como a peça de integração crítica que permite o funcionamento conjunto de todas as áreas funcionais de uma organização. A situação pode ser de alta demanda e de baixa capacidade (sub-capacidade) ou de baixa demanda e de alta capacidade. visando a elaboração de um modelo único para o setor que possa satisfazer as necessidades tanto empresariais (ex:produtividade). 1996). Ambas situações. de Produção – Porto Alegre. 2. verifica-se que é de extrema importância para a economia do RS o desenvolvimento e a manutenção deste setor. na seção 4. representam cenários indesejáveis para a empresa. comentam que o principal desafio de um sistema de planejamento e controle da produção é o balanceamento entre a oferta e a procura. baseada nos pedidos recebidos dos clientes. Para Contador (1998). Brasil. Esta disparidade entre a demanda e o fornecimento pode ocorrer em ambos os lados. estabelecendo novas bases para a competição (CORRÊA e GIANESI. sistema de programação e controle da produção é um sistema complexo constituído por um conjunto de funções inter-relacionadas que objetiva comandar o processo produtivo e os serviços correlatos e coordená-los entre si e com os demais setores da empresa. produção). notável serviço ao cliente e controle de custos eficiente. são feitas as considerações finais do artigo. de forma que combiná-las é um desafio permanente da gerência de produção. e na seção 6. As fases do Planejamento e Controle da Produção são descritas por Graça (2003): − Determinar os tipos e as quantidades dos produtos que serão fabricados. Hoje. Fundamentação Teórica Planejamento e Controle da Produção Um dos fatores de sucesso para a empresa ser competitiva é ter um planejamento e controle da produção eficaz e eficiente. com a gradual derrubada das barreiras alfandegárias. tem-se o diagnóstico das indústrias estudadas. está baseado uma visão sistêmica. Tanto a demanda como a capacidade de produção são dimensões extremamente voláteis. ENEGEP 2005 ABEPRO 56 . De cerveja a automóveis. de Eng. a literatura é revisada. como também a satisfação dos clientes. deveriam estar integrados possibilitando desta forma a implementação dos programas de PCP no chão de fábrica (SANTOS. apresenta-se a metodologia utilizada na pesquisa. Para isto todos os departamentos (financeiro. na seção 3. O trabalho estrutura-se da seguinte forma: na seção 2. as empresas industriais não tinham muito com que se preocupar em termos de competição internacional pelo mercado interno. Segundo Sprakel e Severino Filho (1999). até pouco tempo atrás. 2000). os produtos importados já competem com os nacionais pelo mercado interno. ou seja. nas previsões de vendas ou ambos.

como a função produção contribui para se atingir essa idéia de vantagem baseada em produção? È através da análise e determinação de objetivos de desempenho que a produção estará possibilitando à empresa. o lead time de produção. − Acompanhar o desenrolar da produção. Os sistemas de produção são classificados de diversas maneiras com o intuito de facilitar a compreensão de suas características e a relação entre as atividades produtivas. mas de toda a empresa. o roteiro. Sistemas de Produção e o PCP O tipo de processo produtivo define a complexidade do planejamento e controle das atividades. de produção em massa e processos contínuos. a liberação. De uma forma geral. Segundo Hecksher e Duarte (2003). ou seja. racionalizar e agilizar o processo de planejamento e controle da produção das empresas estudadas. É preciso um diagnóstico cuidadoso que indique as prioridades de mudança. e por diferença. antes do momento em que esta deverá ser iniciada. por lotes. de Produção – Porto Alegre. não somente do processo produtivo. contudo. ao comparar o planejado com o efetivamente realizado. Segundo Strumiello (1999). − Mobilizar os recursos para a produção. as quais ocupam posição de destaque ENEGEP 2005 ABEPRO 57 . Por esse motivo. 29 out a 01 de nov de 2005 − Realizar as listas das operações que compõem o processo produtivo do produto. Para qualquer organização que deseja ser bem sucedida em longo prazo. controlando-a. quando terminará. já trazem ganhos de produtividade e confiabilidade de entrega. a contribuição de sua função produção é vital. Em geral. é preciso destacar que os saltos de desempenho nem sempre acontecem em função da implantação destes sistemas. Metodologia A pesquisa constitui-se em um estudo de caso em duas empresas do setor de beneficiamento de arroz da região sul do estado do Rio Grande do Sul. quanto tempo levará. − Determinar quando será iniciada a produção. ao fornecer informações para comandar e controlar o sistema produtivo e proporcionar o feedback torna possível uma criteriosa análise. ou seja.XXV Encontro Nac. simultaneamente. Tendo estes fatores citados acima. essas funções são imprescindíveis para qualquer empresa que pretenda sobreviver no ambiente competitivo atual. 3. condições de atingir seus objetivos maiores. A classificação a ser utilizada será a descrita por Slack (1997). A motivação que levou ao desenvolvimento deste trabalho foi à possibilidade de. o sucesso da implantação depende de uma (re) organização das atividades de PCP e da introdução de uma disciplina de programação e controle que. O fato de o produto ser um bem ou um serviço também tem seu reflexo na complexidade do sistema de planejamento e controle da produção (TUBINO. A estratégia competitiva global da empresa está intimamente ligada com a estratégia manufatureira. de acordo com os prazos determinados. sozinhas. os sistemas integrados de gestão podem impactar positivamente o desempenho da gestão de pequenas e médias indústrias. aonde os processos produtivos de manufatura são classificados em: por projetos. de Eng. 1997). Brasil. aumentar a eficiência. precisamente. as atividades de planejamento e controle da produção são simplificadas a medida que se reduz a variedade de produtos concorrentes por uma mesma gama de recursos. RS. o planejamento e controle da produção. Mas. a eficiência de um PCP pode ser de grande valor para as empresas do setor arrozeiro da região sul do estado. ou seja.

Diagnóstico das Empresas EMPRESA 1 • Aspectos Gerais o N de funcionários na produção • Capaciade/Mês • Caracterização da produção • Gargalo • Sazonalidade 40 funcionários 72. Nov/Dez/Jan – entre-safra. Produz conforme a disponibilidade de MP. 6 horas – arroz branco EMPRESA 2 56 funcionários • • • Terceirização Lead time concorrência 120.costumes Não realiza. pico de produção. De acordo com a necessidade. Terceiriza para atender grandes pedidos. Prato Feito. sendo realizadas as adaptações necessárias para a adequação da mesma para o setor de beneficiamento de arroz da região sul do estado do RS. 4.000 fardos Produzir para estoque e lotes Embalagem Março/Abril – época de safra. Extremo Sul. Tempos e operações não são registrados. pico de expedição Muito raro. atenção tanto p/ as pequenos produtores grandes como p/ os pequenos produtores Realiza. não há datas intermediárias De acordo com a necessidade. A elaboração do instrumento de coleta dos dados e informações essenciais para a análise dos modelos de PCP existentes e para a proposta de um novo modelo para o setor teve como base a estrutura proposta por Erdmann (1998) e Strumiello (1999). pedidos de marcas próprias Programação semanal. não há datas intermediárias. 29 out a 01 de nov de 2005 no mercado. mas não há registros. quantidade Realiza. Preocupa. de Eng. estoques existentes. Brasil.000 fardos Produzir para estoque Não há gargalos significativos Março/Abril – época de safra. Qualidade. c) Observação das operações e dos processos produtivos de cada uma delas. Nov/Dez/Jan – entre-safra. Necessidade imediata. mas não há fichas de produtos. Projeção de vendas. de Produção – Porto Alegre. pico de expedição Ocorre em períodos isolados. estoques existentes Define através da projeção de vendas. baseada no histórico de vendas. Baseia-se nas tendências de mercado. Tempos e operações não são registrados. carteira de pedidos.Resumo Geral do PCP das indústrias analisadas ENEGEP 2005 ABEPRO 58 . Programação mensal com lotes de tamanho variável Necessidade imediata. Para a obtenção das informações necessárias para a investigação foram realizadas: a) Pesquisas em dados secundários como jornais. documentos das empresas e WebSites. Quantidade e qualidade Planejamento da Produção • Projeto do Produto • • Projeto do Processo Definição de quantidades a produzir Programação e Controle • Definição da necessidade de produtos finais • • • Sequenciamento Liberação Controles Tabela 1. b) Entrevistas semi-estruturadas com funcionários do Departamento de Produção das empresas. Identifica tendência de mercado Não realiza. Ocorre p/ atender grandes demandas ou qdo ocorre problemas na produção 2horas – arroz branco 32 a 72 horas -Parboilizado Camil. pico de produção.XXV Encontro Nac. economia. RS.

o planejamento da produção deve ser realizado com o intuito de estabelecer uma organização para direcionar as atividades de produção da empresa. Brunidor: Processo pelo qual o arroz é transformado retirando-se o farelo.XXV Encontro Nac. seja definida a quantidade a fabricar. Considera-se a previsão de vendas e a carteira de pedidos para que. Juntamente à previsão.ruins e graúdos). o “como fazer” é conhecido. as características do produto final. 29 out a 01 de nov de 2005 1-PENEIRA 2-RETIRADA DE PEDRA 3-DESCASQUE 4-SEPARADOR 5-BRUNIDOR QUEBRADOS 6-POLIMENTO 7-SEPARAÇÃO 9-GRÃOS INTEIROS INTEIROS 8-ELETRONIZAÇÃO 13-Inteiros Ruins 14-Quebrados Inteiros 10-GRÃOS QUEBRADOS 15-Quebrados Ruins 16-Quebrados Graúdos 12-Inteiros Bons Figura 1. com base nelas. Nesta fase os que foram excluídos voltam para a etapa de descasque. de estrutura simples. Eletronização: Os grãos inteiros passam por um processo de seleção mais detalhado aonde a separação entre inteiros(bons e ruins) e quebrados(Inteiros. requerendo a realização do projeto do produto. Definição das quantidades a produzir A definição das quantidades a produzir pelas empresas analisadas. de Eng. estático. Resultados Planejamento da Produção Conforme Strumiello (1999). Por se tratar de um processo fixo. o arroz. conforme observado no estudo. Nesta fase são determinados os rumos da produção a longo prazo. Retirada de Pedras: Pedras e outros resíduos são excluídos. Todo o planejamento da produção é desencadeado a partir da definição do que fazer. 12345678Peneira: Processo de limpeza do arroz com casca. Define-se o que será produzido com suas configurações. Projeto do Produto O projeto do produto não se faz necessário para o sucesso de um PCP em uma indústria de beneficiamento de arroz por dois motivos. Descasque: Através de um sistema de roldanas a casca é retirada. é verificada a capacidade produtiva do sistema de produção. descrever todas as etapas pelas quais o produto passará no processo produtivo também não é de suma importância para a eficiência do planejamento da produção. Ao ENEGEP 2005 ABEPRO 59 .Processo de Beneficiamento de Arroz da Empresa 1. Brasil. constante e previsível. como será produzido e quanto será produzido. passando a conter a coloração branca. 5. as indústrias não apresentam disfunções ao não descrever este processo. Projeto do Processo Conforme verificado no projeto do produto. de Produção – Porto Alegre. e. com seus tempos previsíveis e de fácil mensuração. RS. Separação de Quebrados: Os grãos com defeito podem retornar a fase inicial com a possibilidade de aproveitamento. baseia-se em duas dimensões: a demanda e a capacidade produtiva do sistema. e o processo produtivo. Separador: Um sistema eletrônico verifica a existência de manchas e exclui aqueles que as contém. Polimento: Etapa no qual o produto é retocado.

que acarreta em um grande volume de produção de arroz parabolizado. diminuindo assim a instabilidade no processo produtivo. no planejamento da produção pelo depto de vendas das empresas. e conforme o recurso que entra na linha de produção para ser transformado. Pode ser constante para produtos fabricados em massa.XXV Encontro Nac. Cálculo das necessidades de materiais Nessa ocasião. que deve ser realizada conforme a necessidade imediata de produtos finais. O planejamento da produção. para que a empresa tenha a informação do que o cliente quer e quando. Programação da Produção Depois de realizado o planejamento de produção. ou até optar pela terceirização de parte do processo. ela sofre influencia direta do mix de produtos fabricados. RS. entre outras coisas. através de reuniões realizadas constantemente e baseadas em um planejamento prévio. devido à instabilidade no mercado. Por possuir uma cadeia de suprimentos relativamente simples. fruto da incerteza e da sazonalidade do produto e da matéria-prima. a oferta é grande. Em períodos de safra. Já no caso de pedidos específicos. devido à necessidade de que o processo produtivo seja empurrado. de Produção – Porto Alegre. deve-se decidir pela ampliação ou não do sistema produtivo. para somente então. deve-se transferir essas questões para o dia-dia. algumas vezes. sendo definidos o produto a ser fabricado. a programação ocorre em lotes de tamanho variável. reserva uma quantidade para segurança. Nesta etapa. Pode-se ter como exemplo. A programação da produção varia conforme o comportamento de cada produto. É necessário considerar a política de estoques da empresa que. o roteiro. neste tipo de indústria é fortemente influenciado pela qualidade de matéria-prima e pela oferta da mesma. devido a fatores como preço baixo e grande volume de oferta. A análise econômica e mercadológica do setor influencia na compra e na qualidade da matéria-prima. Todas as fábricas foram projetadas com uma capacidade produtiva definida. Definição da necessidade de produtos finais A definição dos produtos a fabricar está vinculada a fase de determinação das quantidades a produzir. devese definir o quanto fabricar de cada produto. No entanto. Basicamente o ENEGEP 2005 ABEPRO 60 . serem definidas as quantidades a comprar. a incapacidade do sistema produtivo em suprir a demanda. e é esta qualidade que determina quais produtos poderão ser produzidos pela linha. como o caso de uma marca de arroz da empresa 2. e da qualidade e tipo de matéria-prima em questão. é a capacidade produtiva. Por esse motivo. Neste momento. pessoas é estática. leva-se em conta também a data de entrega do produto. Brasil. decisão esta. ao mesmo tempo em que muitos produtores “seguram” o produto na busca por melhores preços na entre safra. através de uma linha de produção contínua e em linha. verificam-se os registros de estoque. Muitas vezes a definição do produto a ser fabricado vem acompanhada da informação de quando ele deve estar disponível. o cálculo das necessidades de materiais não possui caráter decisivo em um PCP para indústrias de arroz. a decisão de compra de arroz com grande número de quebrados. A capacidade em relação a máquinas. em relação a máquinas e pessoas. as quantidades possíveis a serem produzidas já são conhecidas. é necessário o constante contato com o cliente. Nesse momento. Naquela fase determinou-se o quanto produzir em longo prazo e de forma agregada. 29 out a 01 de nov de 2005 comparar essas duas informações pode ser constatado. só variam conforme a qualidade do arroz inserido no processo produtivo. e as quantidades necessárias para suprir a demanda. e á medida em que se aproxima a data de efetivação desta. de Eng. A outra dimensão considerada na definição de quantidades. A projeção da demanda é realizada com base na previsão de vendas.

em razão de fatores já abordados anteriormente. com o objetivo de trazer benefícios aos processos e operações realizadas por estas empresas. O controle da qualidade é de extrema importância para a eficiência do PCP. 6. componentes. aonde existem sensores encarregados de conferir o peso e o número do lote e a contagem da quantidade de produtos finais. O controle dos tempos das operações não se faz necessário.No caso específico deste tipo de indústrias. “quanto” e “quando” fazer.. a qual é facilmente mensurada conforme a quantidade de arroz que será produzida. Sugestões e considerações finais A estrutura proposta por Erdmann (1998) e Strumiello (1999) e adaptada para análise das empresas do setor arrozeiro do sul do estado do RS foi de suma importância para a realização deste estudo. 29 out a 01 de nov de 2005 único recurso necessário para a composição do produto final é a embalagem. Algumas sugestões podem ser dadas referentes a aspectos observados durante o estudo. há um grande número de exigências por parte governo e da sociedade. Como exemplo. é ocasião de ocorrer à fiscalização para verificar se o planejado está. ocorrendo. de Eng. Percebe-se que o tipo de produto e processo pode ser o fator que contribua para a não aplicação e utilização de técnicas de gestão da produção comuns no setor de manufatura. RS. etc. prejudicando o seu andamento. As pesquisas revelaram que os controles praticados pelas empresas são: de quantidade e qualidade. Aprazamento e Sequenciamento As práticas de aprazamento e sequenciamento são determinadas pelas características do produto e da linha de produção. elas são emitidas conforme a necessidade. é possível identificar que as empresas analisadas não utilizam ainda técnicas de gestão da produção e operações e que o Planejamento. Controles Com a produção toda programada e em andamento.XXV Encontro Nac. de Produção – Porto Alegre. constância e rigidez da linha de produção. Brasil. por se tratar de um produto alimentício. incluindo a obtenção dos recursos necessários como matéria-prima. de fato. Ao mesmo tempo em que o ordenamento no qual serão realizadas as ordens de produção procura basear-se nas necessidades imediatas de produtos finais e nos pedidos oriundos do depto de vendas que serviram de base para a programação da produção. Dentre estas sugestões pode-se citar: ENEGEP 2005 ABEPRO 61 . e eventuais disfunções podem acarretar em processos e arranhões na imagem da organização. a utilização de balanças automatizadas no setor de embalagens da empresa 2. O controle das quantidades efetua a conferência do número de unidades produzidas e o compara com a quantidade planejada. várias ocorrências podem causar alguns distúrbios na produção.. Programação e Controle ainda é baseado em tabelas elaboradas em planilha eletrônica. Apesar do planejamento. como a previsibilidade do processo. Analisando os resultados obtidos com este estudo de caso. Emissão e liberação das ordens de fabricação As ordens de fabricação devem desencadear a tomada de providências para permitir a execução da produção. As datas e os tempos de duração das operações são facilmente mensuráveis e não requerem maiores controles. e devem conter informações essenciais como “o que”.

(1996) – Just in Time. PONTUAL. ENEGEP 2005 ABEPRO 62 . Minas Gerais. J. Como sugestão para solucionar este problema é a redução da capacidade de produção. bem como a declaração dos volumes a serem produzidos. Florianópolis. evitando matéria-prima em excesso antes da linha de embalagem.As indústrias do século 21. (1993) . F. Ouro Preto. GAITHER. São Paulo. ENEGEP XXI. (1998) – Gestão de Operações. A utilização do cartão Kanban funcionaria como um setup e sinalizador do início e tipo destas operações. & FREDERICO.br/recherche/pdf/501. MRPII e OPT:um enfoque estratégico.A Agroindústria Processadora de arroz: Um estudo das principais características organizacionais e estratégicas das empresas líderes gaúchas. aonde se encontra a variedade do produto.Planejamento. visando um fluxo contínuo e compatível a capacidade do setor de embalagem. SANTOS. GUNN. & FRAZIER.Proposta para o Planejamento e Controle da Produção e Custos para pequenas empresas do vestuário. L. Monografia de Conclusão de Curso de Engenharia de Produção. (1999) – A Evolução dos Sistemas de PCP sob a ótica da Engenharia de Produção. Atlas. de Eng. Outra possibilidade seria a utilização de lâmpadas ANDON. d) Ambas as empresas apresentaram restrições no processo de embalagens. São Paulo. podendo esta. & DUARTE. S. Pioneira thomson Learning. Insular. Encontro Nacional de Engenharia de Produção. STRUMIELLO. (2001) – Administração da Produção e Operações. C. Edgar Blucher. I. (2004) – Uma Análise Crítica sobre as principais abordagens de PCP. G. (1999) . E.PCP de Cervejaria: o caso da Brahma –Lages/SC. c) Outra localização na linha de produção em que o JIT pode ser adotado refere-se ao setor de embalagens. Ed.Organização de Sistemas de Produção. Makron Books. Brasil.br. Atlas. b) Adoção da técnica de gestão Just in Time. Dissertação de Mestrado em Agronegócios. C. na relação matéria-prima/produção. (1997) – Administração da Produção.A diversificação de produtos e o PCP em PMEs: estudo de caso em uma indústria de embalagens. uso e implantação. (2004) . M. L. Ouro Preto. (1999) .pdf. São Paulo. N. T. CORRÊA.org. (2004) – Dinâmica da Produção de Arroz em fronteiras agrícolas recentes do Centro-Oeste Brasileiro. que irão auxiliar no controle do processo produtivo. GRAÇA. SLACK. Rio de Janeiro. ser aplicada no processo inicial. mantendo um ciclo produtivo sincronizado. RS. SPRAKEL. H. 29 out a 01 de nov de 2005 a) Utilização do Gráfico de Gantt no auxílio da programação dos pedidos realizados pelos clientes. & SEVERINO FILHO.P. V. Atlas.XXV Encontro Nac. P. Minas Gerais. com o auxílio de cartões Kanban que determinam o momento no qual a matéria-prima se faz necessária para dar início à produção. devido à existência de diversas marcas próprias. UFRGS. LUDWIG. N. Indicando o início e fim das atividades. ENEGEP XXIV. MENDEZ. (2000) . O produto é uniforme e difere-se neste processo. (2003) . & GIANESI. programação e controle de produção: MRP II/ERP: conceitos. São Paulo. de Produção – Porto Alegre. Florianópolis. R. São Paulo. ENEGEP XXI.G. H. (1998) . HECKSHER.H.cirad. o que demanda tempo na execução de trocas e modificações das embalagens. São Paulo. ENEGEP XXIII. Porto Alegre. (2003) – Sistemas de PCP de alta performance: O caso de uma montadora automobilística “world class” instalada em Minas Gerais. ENEGEP XIX. D. sinalizadoras. RS. São Paulo. Disponível online: www. ao mesmo tempo em que pode informar ao departamento de compras a não necessidade de aquisição da mesma. ERDMANN. UFOP. Referências CONTADOR. São Paulo CORRÊA.

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