XXV Encontro Nac. de Eng.

de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005

Análise e proposta de um modelo de planejamento e controle da produção para as indústrias de beneficiamento de arroz da Região sul do RS
Marcel Amaral Daoud (FURG) marcel_daoud@yahoo.com.br Prof. Dr. Antônio Carlos Gastaud Maçada (UFRGS) acgmacada@ea.ufrgs.br

Resumo A indústria de beneficiamento de arroz tem sido muito estimulada para tornar seus processos mais eficientes. Este trabalho apresenta um estudo de caso realizado em duas empresas de beneficiamento de arroz da região sul do Estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de propor um modelo de Planejamento e Controle da Produção para a mesma. O PCP é um instrumento de gestão que causa impactos positivos em vários fatores essenciais para a sobrevivência de uma organização, tendo como exemplos um aumento na eficiência e produtividade da empresa, trazendo maior competitividade frente ao mercado e seus concorrentes. O modelo proposto foi validado pelos executivos das empresas do setor, que consideraram importante já que o setor não possuía algum. Palavras chave: PCP; Modelo; Eficiência. 1. Introdução O ambiente social, político e econômico em que está inserida grande parte das atividades econômicas, entre elas as agroindústrias, vêm passando por significativas mudanças nas últimas épocas. Esta demanda por maior agilidade e eficiência dos processos produtivos advém da maior competitividade imposta pelas transformações que têm afetado a ordem econômica mundial. O Brasil se enquadra também nesta tendência e tem experimentado profundas mudanças no seu setor produtivo no que tange a modernização de seus processos de produção, melhoria da qualidade de seus produtos e racionalização administrativa. A cadeia de arroz no Brasil tem apresentado, recentemente, mudanças importantes. As preferências dos consumidores evoluem, os pólos de produção se deslocam, as inovações técnicas e os investimentos produtivos fazem com que os diferentes sistemas agrícolas, se encontrem em novas condições de competitividade (MENDEZ,2004). O arroz é um cereal de alto valor para a economia gaúcha e brasileira. Autores como Ludwig (2004) discorrem sobre a importância das atividades relacionadas a orizicultura, que ocupam lugar de destaque na matriz produtiva do agronegócio brasileiro, destacando-a como uma atividade de importância no âmbito econômico e social, sendo uma das mais tecnificadas do setor agrícola brasileiro, contando com pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), por algumas universidades e por instituições estaduais que além da pesquisa, se encarregam das atividades de assistência técnica. A média de produção de arroz no Brasil, nos últimos dez anos, foi de aproximadamente 10 milhões de toneladas, ocupando a décima colocação como produtor mundial de arroz em casca. Sendo que o Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro, responsável por mais de 45% do arroz em casca colhido no país. Conforme Gaither e Frazier (2001), uma melhor administração das operações pode agregar valor à empresa ao melhorar sua competitividade e lucratividade em longo prazo. O autor
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O processo de planejar para Corrêa (1999). na seção 5 tem-se os resultado do estudo de caso. RS. 2000). este panorama mudou. A situação pode ser de alta demanda e de baixa capacidade (sub-capacidade) ou de baixa demanda e de alta capacidade. comentam que o principal desafio de um sistema de planejamento e controle da produção é o balanceamento entre a oferta e a procura. tem-se o diagnóstico das indústrias estudadas. com a gradual derrubada das barreiras alfandegárias. na seção 4. está baseado uma visão sistêmica. ou seja. e dos fornecedores. representam cenários indesejáveis para a empresa. baseada nos pedidos recebidos dos clientes. o Planejamento e Controle da Produção (PCP) é o elemento chave e central para o projeto e desenvolvimento de um sistema de produção. Autores como Pontual (2004). 29 out a 01 de nov de 2005 considera as operações como a peça de integração crítica que permite o funcionamento conjunto de todas as áreas funcionais de uma organização. Através do exposto acima. Esta disparidade entre a demanda e o fornecimento pode ocorrer em ambos os lados. até pouco tempo atrás. As fases do Planejamento e Controle da Produção são descritas por Graça (2003): − Determinar os tipos e as quantidades dos produtos que serão fabricados. Tanto a demanda como a capacidade de produção são dimensões extremamente voláteis. O trabalho estrutura-se da seguinte forma: na seção 2. na seção 3. notável serviço ao cliente e controle de custos eficiente. de forma que combiná-las é um desafio permanente da gerência de produção. como também a satisfação dos clientes. Para isto todos os departamentos (financeiro. as empresas industriais não tinham muito com que se preocupar em termos de competição internacional pelo mercado interno. verifica-se que é de extrema importância para a economia do RS o desenvolvimento e a manutenção deste setor. de Produção – Porto Alegre. a literatura é revisada. 1996). são feitas as considerações finais do artigo. de Eng. produção). o que vem de encontro com o objetivo deste estudo que é o de identificar e analisar os modelos de sistemas de (PCP) das indústrias de beneficiamento de arroz da região sul do estado do RS. na maioria dos casos. nas previsões de vendas ou ambos. ENEGEP 2005 ABEPRO 56 . Hoje. Brasil. Segundo Sprakel e Severino Filho (1999). e na seção 6. Para Contador (1998). Ambas situações. marketing. sistema de programação e controle da produção é um sistema complexo constituído por um conjunto de funções inter-relacionadas que objetiva comandar o processo produtivo e os serviços correlatos e coordená-los entre si e com os demais setores da empresa. No país. 2. entender os fatos ocorridos no passado e presente e suas respectivas influências para a tomada de decisão para obter no futuro os resultados planejados. A organização integrada de maneira bem-sucedida enfrentará a competição global com produtos de qualidade. estabelecendo novas bases para a competição (CORRÊA e GIANESI. apresenta-se a metodologia utilizada na pesquisa. deveriam estar integrados possibilitando desta forma a implementação dos programas de PCP no chão de fábrica (SANTOS. De cerveja a automóveis. visando a elaboração de um modelo único para o setor que possa satisfazer as necessidades tanto empresariais (ex:produtividade). os produtos importados já competem com os nacionais pelo mercado interno. Fundamentação Teórica Planejamento e Controle da Produção Um dos fatores de sucesso para a empresa ser competitiva é ter um planejamento e controle da produção eficaz e eficiente.XXV Encontro Nac.

Brasil. O fato de o produto ser um bem ou um serviço também tem seu reflexo na complexidade do sistema de planejamento e controle da produção (TUBINO. as atividades de planejamento e controle da produção são simplificadas a medida que se reduz a variedade de produtos concorrentes por uma mesma gama de recursos. sozinhas. Segundo Hecksher e Duarte (2003). Sistemas de Produção e o PCP O tipo de processo produtivo define a complexidade do planejamento e controle das atividades. A estratégia competitiva global da empresa está intimamente ligada com a estratégia manufatureira. 1997). ao comparar o planejado com o efetivamente realizado. quando terminará. os sistemas integrados de gestão podem impactar positivamente o desempenho da gestão de pequenas e médias indústrias. 3. RS. quanto tempo levará. o planejamento e controle da produção. de Produção – Porto Alegre. É preciso um diagnóstico cuidadoso que indique as prioridades de mudança. − Acompanhar o desenrolar da produção. de produção em massa e processos contínuos. precisamente. 29 out a 01 de nov de 2005 − Realizar as listas das operações que compõem o processo produtivo do produto. ou seja. mas de toda a empresa. o sucesso da implantação depende de uma (re) organização das atividades de PCP e da introdução de uma disciplina de programação e controle que. não somente do processo produtivo. − Mobilizar os recursos para a produção. De uma forma geral. simultaneamente. o roteiro. o lead time de produção. ou seja. − Determinar quando será iniciada a produção. e por diferença. a contribuição de sua função produção é vital. Por esse motivo. essas funções são imprescindíveis para qualquer empresa que pretenda sobreviver no ambiente competitivo atual. aumentar a eficiência. Os sistemas de produção são classificados de diversas maneiras com o intuito de facilitar a compreensão de suas características e a relação entre as atividades produtivas. Em geral. A motivação que levou ao desenvolvimento deste trabalho foi à possibilidade de. a eficiência de um PCP pode ser de grande valor para as empresas do setor arrozeiro da região sul do estado. Mas. ou seja. controlando-a. Para qualquer organização que deseja ser bem sucedida em longo prazo. antes do momento em que esta deverá ser iniciada. A classificação a ser utilizada será a descrita por Slack (1997). as quais ocupam posição de destaque ENEGEP 2005 ABEPRO 57 . Segundo Strumiello (1999). é preciso destacar que os saltos de desempenho nem sempre acontecem em função da implantação destes sistemas. aonde os processos produtivos de manufatura são classificados em: por projetos. condições de atingir seus objetivos maiores. por lotes. a liberação. ao fornecer informações para comandar e controlar o sistema produtivo e proporcionar o feedback torna possível uma criteriosa análise. racionalizar e agilizar o processo de planejamento e controle da produção das empresas estudadas. contudo. de Eng. Metodologia A pesquisa constitui-se em um estudo de caso em duas empresas do setor de beneficiamento de arroz da região sul do estado do Rio Grande do Sul. de acordo com os prazos determinados. Tendo estes fatores citados acima. já trazem ganhos de produtividade e confiabilidade de entrega. como a função produção contribui para se atingir essa idéia de vantagem baseada em produção? È através da análise e determinação de objetivos de desempenho que a produção estará possibilitando à empresa.XXV Encontro Nac.

costumes Não realiza. b) Entrevistas semi-estruturadas com funcionários do Departamento de Produção das empresas. Brasil. Diagnóstico das Empresas EMPRESA 1 • Aspectos Gerais o N de funcionários na produção • Capaciade/Mês • Caracterização da produção • Gargalo • Sazonalidade 40 funcionários 72. atenção tanto p/ as pequenos produtores grandes como p/ os pequenos produtores Realiza. Projeção de vendas. pico de produção. de Eng. Necessidade imediata. de Produção – Porto Alegre. Prato Feito. estoques existentes Define através da projeção de vendas.000 fardos Produzir para estoque e lotes Embalagem Março/Abril – época de safra. pico de expedição Ocorre em períodos isolados. carteira de pedidos. 6 horas – arroz branco EMPRESA 2 56 funcionários • • • Terceirização Lead time concorrência 120. Tempos e operações não são registrados. 29 out a 01 de nov de 2005 no mercado. Identifica tendência de mercado Não realiza. sendo realizadas as adaptações necessárias para a adequação da mesma para o setor de beneficiamento de arroz da região sul do estado do RS.000 fardos Produzir para estoque Não há gargalos significativos Março/Abril – época de safra. pico de produção. Terceiriza para atender grandes pedidos. Quantidade e qualidade Planejamento da Produção • Projeto do Produto • • Projeto do Processo Definição de quantidades a produzir Programação e Controle • Definição da necessidade de produtos finais • • • Sequenciamento Liberação Controles Tabela 1. RS. c) Observação das operações e dos processos produtivos de cada uma delas. Ocorre p/ atender grandes demandas ou qdo ocorre problemas na produção 2horas – arroz branco 32 a 72 horas -Parboilizado Camil. A elaboração do instrumento de coleta dos dados e informações essenciais para a análise dos modelos de PCP existentes e para a proposta de um novo modelo para o setor teve como base a estrutura proposta por Erdmann (1998) e Strumiello (1999). Para a obtenção das informações necessárias para a investigação foram realizadas: a) Pesquisas em dados secundários como jornais. baseada no histórico de vendas. economia. De acordo com a necessidade. pico de expedição Muito raro. Qualidade. Preocupa. mas não há fichas de produtos. Extremo Sul. mas não há registros. estoques existentes. Baseia-se nas tendências de mercado. Nov/Dez/Jan – entre-safra. Tempos e operações não são registrados. Produz conforme a disponibilidade de MP. Nov/Dez/Jan – entre-safra. 4.XXV Encontro Nac. não há datas intermediárias. documentos das empresas e WebSites. Programação mensal com lotes de tamanho variável Necessidade imediata. não há datas intermediárias De acordo com a necessidade.Resumo Geral do PCP das indústrias analisadas ENEGEP 2005 ABEPRO 58 . quantidade Realiza. pedidos de marcas próprias Programação semanal.

Brunidor: Processo pelo qual o arroz é transformado retirando-se o farelo. requerendo a realização do projeto do produto. Polimento: Etapa no qual o produto é retocado. RS. Separador: Um sistema eletrônico verifica a existência de manchas e exclui aqueles que as contém. 5. Considera-se a previsão de vendas e a carteira de pedidos para que. as características do produto final. e. Resultados Planejamento da Produção Conforme Strumiello (1999). de Eng. Separação de Quebrados: Os grãos com defeito podem retornar a fase inicial com a possibilidade de aproveitamento. constante e previsível. de estrutura simples. Projeto do Produto O projeto do produto não se faz necessário para o sucesso de um PCP em uma indústria de beneficiamento de arroz por dois motivos. o planejamento da produção deve ser realizado com o intuito de estabelecer uma organização para direcionar as atividades de produção da empresa. as indústrias não apresentam disfunções ao não descrever este processo. o “como fazer” é conhecido. Eletronização: Os grãos inteiros passam por um processo de seleção mais detalhado aonde a separação entre inteiros(bons e ruins) e quebrados(Inteiros. Todo o planejamento da produção é desencadeado a partir da definição do que fazer. 12345678Peneira: Processo de limpeza do arroz com casca. Ao ENEGEP 2005 ABEPRO 59 . Por se tratar de um processo fixo. Nesta fase os que foram excluídos voltam para a etapa de descasque. Retirada de Pedras: Pedras e outros resíduos são excluídos.ruins e graúdos). como será produzido e quanto será produzido. com base nelas. descrever todas as etapas pelas quais o produto passará no processo produtivo também não é de suma importância para a eficiência do planejamento da produção. passando a conter a coloração branca. Define-se o que será produzido com suas configurações. é verificada a capacidade produtiva do sistema de produção. 29 out a 01 de nov de 2005 1-PENEIRA 2-RETIRADA DE PEDRA 3-DESCASQUE 4-SEPARADOR 5-BRUNIDOR QUEBRADOS 6-POLIMENTO 7-SEPARAÇÃO 9-GRÃOS INTEIROS INTEIROS 8-ELETRONIZAÇÃO 13-Inteiros Ruins 14-Quebrados Inteiros 10-GRÃOS QUEBRADOS 15-Quebrados Ruins 16-Quebrados Graúdos 12-Inteiros Bons Figura 1. e o processo produtivo. Descasque: Através de um sistema de roldanas a casca é retirada. Definição das quantidades a produzir A definição das quantidades a produzir pelas empresas analisadas.XXV Encontro Nac. Projeto do Processo Conforme verificado no projeto do produto. com seus tempos previsíveis e de fácil mensuração. conforme observado no estudo. o arroz. Brasil. Juntamente à previsão. baseia-se em duas dimensões: a demanda e a capacidade produtiva do sistema. Nesta fase são determinados os rumos da produção a longo prazo.Processo de Beneficiamento de Arroz da Empresa 1. estático. de Produção – Porto Alegre. seja definida a quantidade a fabricar.

através de uma linha de produção contínua e em linha. A capacidade em relação a máquinas. Neste momento. devido à necessidade de que o processo produtivo seja empurrado. leva-se em conta também a data de entrega do produto. para somente então. só variam conforme a qualidade do arroz inserido no processo produtivo. como o caso de uma marca de arroz da empresa 2. e é esta qualidade que determina quais produtos poderão ser produzidos pela linha. Programação da Produção Depois de realizado o planejamento de produção. pessoas é estática. RS. a programação ocorre em lotes de tamanho variável. devese definir o quanto fabricar de cada produto. Cálculo das necessidades de materiais Nessa ocasião. entre outras coisas. Muitas vezes a definição do produto a ser fabricado vem acompanhada da informação de quando ele deve estar disponível. devido à instabilidade no mercado. diminuindo assim a instabilidade no processo produtivo. fruto da incerteza e da sazonalidade do produto e da matéria-prima. o cálculo das necessidades de materiais não possui caráter decisivo em um PCP para indústrias de arroz. e conforme o recurso que entra na linha de produção para ser transformado. A análise econômica e mercadológica do setor influencia na compra e na qualidade da matéria-prima. No entanto. decisão esta. 29 out a 01 de nov de 2005 comparar essas duas informações pode ser constatado. de Eng. ao mesmo tempo em que muitos produtores “seguram” o produto na busca por melhores preços na entre safra. as quantidades possíveis a serem produzidas já são conhecidas. Nesta etapa. e á medida em que se aproxima a data de efetivação desta. Pode-se ter como exemplo. A outra dimensão considerada na definição de quantidades. que acarreta em um grande volume de produção de arroz parabolizado. ela sofre influencia direta do mix de produtos fabricados. que deve ser realizada conforme a necessidade imediata de produtos finais. em relação a máquinas e pessoas. sendo definidos o produto a ser fabricado. Brasil. verificam-se os registros de estoque. a oferta é grande. a incapacidade do sistema produtivo em suprir a demanda. Por esse motivo. através de reuniões realizadas constantemente e baseadas em um planejamento prévio. A projeção da demanda é realizada com base na previsão de vendas. deve-se decidir pela ampliação ou não do sistema produtivo. a decisão de compra de arroz com grande número de quebrados. é necessário o constante contato com o cliente. e da qualidade e tipo de matéria-prima em questão.XXV Encontro Nac. o roteiro. Definição da necessidade de produtos finais A definição dos produtos a fabricar está vinculada a fase de determinação das quantidades a produzir. Já no caso de pedidos específicos. Pode ser constante para produtos fabricados em massa. Naquela fase determinou-se o quanto produzir em longo prazo e de forma agregada. no planejamento da produção pelo depto de vendas das empresas. neste tipo de indústria é fortemente influenciado pela qualidade de matéria-prima e pela oferta da mesma. Basicamente o ENEGEP 2005 ABEPRO 60 . Em períodos de safra. deve-se transferir essas questões para o dia-dia. É necessário considerar a política de estoques da empresa que. é a capacidade produtiva. devido a fatores como preço baixo e grande volume de oferta. reserva uma quantidade para segurança. A programação da produção varia conforme o comportamento de cada produto. Todas as fábricas foram projetadas com uma capacidade produtiva definida. de Produção – Porto Alegre. serem definidas as quantidades a comprar. e as quantidades necessárias para suprir a demanda. para que a empresa tenha a informação do que o cliente quer e quando. Nesse momento. Por possuir uma cadeia de suprimentos relativamente simples. algumas vezes. ou até optar pela terceirização de parte do processo. O planejamento da produção.

As datas e os tempos de duração das operações são facilmente mensuráveis e não requerem maiores controles. por se tratar de um produto alimentício. em razão de fatores já abordados anteriormente. é ocasião de ocorrer à fiscalização para verificar se o planejado está. componentes. Controles Com a produção toda programada e em andamento. aonde existem sensores encarregados de conferir o peso e o número do lote e a contagem da quantidade de produtos finais. Dentre estas sugestões pode-se citar: ENEGEP 2005 ABEPRO 61 . Aprazamento e Sequenciamento As práticas de aprazamento e sequenciamento são determinadas pelas características do produto e da linha de produção. Algumas sugestões podem ser dadas referentes a aspectos observados durante o estudo.No caso específico deste tipo de indústrias. várias ocorrências podem causar alguns distúrbios na produção. Apesar do planejamento. Ao mesmo tempo em que o ordenamento no qual serão realizadas as ordens de produção procura basear-se nas necessidades imediatas de produtos finais e nos pedidos oriundos do depto de vendas que serviram de base para a programação da produção. elas são emitidas conforme a necessidade. e devem conter informações essenciais como “o que”. com o objetivo de trazer benefícios aos processos e operações realizadas por estas empresas. “quanto” e “quando” fazer. Como exemplo. RS. O controle da qualidade é de extrema importância para a eficiência do PCP. a utilização de balanças automatizadas no setor de embalagens da empresa 2. constância e rigidez da linha de produção. incluindo a obtenção dos recursos necessários como matéria-prima. Percebe-se que o tipo de produto e processo pode ser o fator que contribua para a não aplicação e utilização de técnicas de gestão da produção comuns no setor de manufatura. a qual é facilmente mensurada conforme a quantidade de arroz que será produzida. Analisando os resultados obtidos com este estudo de caso. há um grande número de exigências por parte governo e da sociedade. ocorrendo. O controle das quantidades efetua a conferência do número de unidades produzidas e o compara com a quantidade planejada. O controle dos tempos das operações não se faz necessário. 29 out a 01 de nov de 2005 único recurso necessário para a composição do produto final é a embalagem. é possível identificar que as empresas analisadas não utilizam ainda técnicas de gestão da produção e operações e que o Planejamento. Sugestões e considerações finais A estrutura proposta por Erdmann (1998) e Strumiello (1999) e adaptada para análise das empresas do setor arrozeiro do sul do estado do RS foi de suma importância para a realização deste estudo.XXV Encontro Nac. como a previsibilidade do processo. de fato. Emissão e liberação das ordens de fabricação As ordens de fabricação devem desencadear a tomada de providências para permitir a execução da produção. prejudicando o seu andamento. etc. de Eng. Brasil. 6. e eventuais disfunções podem acarretar em processos e arranhões na imagem da organização. As pesquisas revelaram que os controles praticados pelas empresas são: de quantidade e qualidade.. de Produção – Porto Alegre.. Programação e Controle ainda é baseado em tabelas elaboradas em planilha eletrônica.

Atlas. L. Atlas.H. UFOP. Outra possibilidade seria a utilização de lâmpadas ANDON. & FRAZIER. E. SPRAKEL. São Paulo. F. Makron Books. (1998) . HECKSHER. Disponível online: www. STRUMIELLO. CORRÊA.br. L. evitando matéria-prima em excesso antes da linha de embalagem. na relação matéria-prima/produção. & GIANESI. H. GUNN. de Produção – Porto Alegre.org.Planejamento. Atlas. O produto é uniforme e difere-se neste processo. São Paulo. São Paulo CORRÊA. de Eng. Rio de Janeiro. (2003) – Sistemas de PCP de alta performance: O caso de uma montadora automobilística “world class” instalada em Minas Gerais.A Agroindústria Processadora de arroz: Um estudo das principais características organizacionais e estratégicas das empresas líderes gaúchas. UFRGS. (2001) – Administração da Produção e Operações. ser aplicada no processo inicial. (1996) – Just in Time. bem como a declaração dos volumes a serem produzidos. ENEGEP XXI. Pioneira thomson Learning. Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Como sugestão para solucionar este problema é a redução da capacidade de produção. H. RS. Minas Gerais. Porto Alegre. São Paulo. SANTOS. Florianópolis. MRPII e OPT:um enfoque estratégico. (1999) . devido à existência de diversas marcas próprias. programação e controle de produção: MRP II/ERP: conceitos. Edgar Blucher. & FREDERICO. V. I.Organização de Sistemas de Produção. Indicando o início e fim das atividades.Proposta para o Planejamento e Controle da Produção e Custos para pequenas empresas do vestuário. ENEGEP 2005 ABEPRO 62 . (1999) . (1998) – Gestão de Operações. & DUARTE. ENEGEP XXIV. Florianópolis.cirad. ao mesmo tempo em que pode informar ao departamento de compras a não necessidade de aquisição da mesma. (1997) – Administração da Produção. Monografia de Conclusão de Curso de Engenharia de Produção. com o auxílio de cartões Kanban que determinam o momento no qual a matéria-prima se faz necessária para dar início à produção. M.pdf. GAITHER.G. (2000) .As indústrias do século 21. mantendo um ciclo produtivo sincronizado. ERDMANN. Brasil. podendo esta. (1993) . GRAÇA. Dissertação de Mestrado em Agronegócios. T.XXV Encontro Nac. Referências CONTADOR. (1999) – A Evolução dos Sistemas de PCP sob a ótica da Engenharia de Produção. São Paulo. ENEGEP XXIII. ENEGEP XXI. d) Ambas as empresas apresentaram restrições no processo de embalagens. o que demanda tempo na execução de trocas e modificações das embalagens. G. b) Adoção da técnica de gestão Just in Time. São Paulo. São Paulo.P. LUDWIG. A utilização do cartão Kanban funcionaria como um setup e sinalizador do início e tipo destas operações. Minas Gerais. N.PCP de Cervejaria: o caso da Brahma –Lages/SC. (2004) . 29 out a 01 de nov de 2005 a) Utilização do Gráfico de Gantt no auxílio da programação dos pedidos realizados pelos clientes. C. N. Ouro Preto. D. (2004) – Uma Análise Crítica sobre as principais abordagens de PCP. c) Outra localização na linha de produção em que o JIT pode ser adotado refere-se ao setor de embalagens. P. visando um fluxo contínuo e compatível a capacidade do setor de embalagem. Ouro Preto. uso e implantação. sinalizadoras. aonde se encontra a variedade do produto. RS.br/recherche/pdf/501. que irão auxiliar no controle do processo produtivo. MENDEZ. São Paulo. Ed. S. SLACK. J. (2004) – Dinâmica da Produção de Arroz em fronteiras agrícolas recentes do Centro-Oeste Brasileiro. C.A diversificação de produtos e o PCP em PMEs: estudo de caso em uma indústria de embalagens. PONTUAL. R. Insular. ENEGEP XIX. & SEVERINO FILHO. (2003) .