CAPITULO 1 - INTRODUÇÃO A MECÂNICA DAS ROCHAS Introdução: Rochas são materiais sólidos consolidados, formados naturalmente por agregados

de matéria mineral ou minérios, que se apresentam em grandes massas ou fragmentos. As principais propriedades que distinguem uma rocha de um solo são a coesão interna e a resistência a tração. A coesão interna é a força que liga as partículas umas as outras (ligação entre os átomos). Este valor difere da coesão aparente, que é resultante do atrito entre as partículas quando submetidas às forças de cisalhamento. Exemplo de coesão nula é a areia, mas pode apresentar coesão aparente de 4,34 kg/cm². A resistência a tração pode ser nula num solo. Mas entre o solo e a rocha pode existir uma tração uniaxial de 1MPa. A rocha, como o solo, é um material bastante distinto de outros materiais da engenharia, por isso os projetos em rochas são bastante especiais. A mecânica das rochas se desenvolveu mais lentamente que a mecânica dos solos, pelo simples fato de a rocha ser considerada mais competente que o solo e gerar menor número de problemas com fundações ou estruturas. A mecânica, de uma forma geral, estuda a resposta de um material a uma solicitação qualquer. A mecânica das rochas tem como finalidade estudar as propriedades e o comportamento dos maciços rochosos submetidos a tensões ou variações das suas condições iniciais. Histórico: Desde a pré-história, as rochas e os maciços rochosos vêm sendo utilizados pelo homem para a fabricação de ferramentas, casas, fortificações e até mesmo túneis. Os templos e as pirâmides do Egito, como por exemplo, a Pirâmide de Queôps, construída com mais de dois milhões de blocos de calcário há 4700 anos. As principais barragens do Egito e do Iraque, que datam de 2900 A.C., são testemunhos das refinadas técnicas de seleção, corte e trabalho empregadas pelos homens na antiguidade. Apesar das centenas de anos de experiência, foi somente nestas últimas décadas que a mecânica de rochas passou a ser reconhecida como uma disciplina regular dos programas de engenharia, a partir de 1960. O anel interno deste diagrama representa o estudo de casos individuais, tais como a implantação no maciço rochoso de fundações, poços, furos de sondagem, cavernas e taludes. Campo de Aplicação: As rochas são utilizadas pelo homem para fabricação de armas, ferramentas e utensílios. Este material é muito usado para construção de casas, túneis, fortificações, esculturas entre outros. As áreas de atuação são classificadas como: i) Atividades de superfície (<100m): fundações, barragens, estradas e minas à céu aberto. ii) Atividades em profundidade (>100m): minas subterrâneas, túneis, cavernas hidrelétricas, aproveitamento de energia geotérmica. iii) Atividades especiais: engenharia do petróleo, engenharia geotécnica, armazenamentos em cavernas(petróleo, água, resíduos radioativos, etc.). Os projetos de engenharia de rochas podem ser agrupados em sete categorias: (a) fundações: as rochas são um excelente material de fundação, mas podem ser fraturados e alterados. É necessário estabelecer a competência da rocha em relação a sua capacidade de suportar a carga para níveis toleráveis de deformação. (b) taludes: a mecânica das rochas pode identificar o risco de ruptura do talude rochoso, seja por tombamento, flexão, em cunha ou em plano; (c) túneis e poços: a estabilidade de túneis e poços depende da estrutura da rocha, estado de tensões, regime de fluxo subterrâneo e técnica de construção; (d) cavernas: o projeto de construção de grandes cavernas é influenciado pela presença e distribuição das fraturas do maciço rochoso; (e) mineração: a mecânica das rochas influi sobre os métodos de mineração, com a finalidade de se obter uma
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maior extração de minério, utilizando-se um mínimo de suporte artificial das galerias; (f) energia geotérmica: a produção de energia geotérmica é obtida pela percolação de água, injetada no furo, através das fraturas da rocha-reservatório naturalmente aquecida e a posterior recuperação por outro furo de sondagem. Este sistema depende da interação entre as fraturas do maciço, tensões in situ, condições de fluxo, temperatura e tempo; (g) armazenamento de rejeitos radioativos: o isolamento dos materiais radioativos em relação à biosfera requer o estudo das fraturas do maciço, capacidade de absorção das superfícies das fraturas, tensões in situ, condições de fluxo, temperatura e tempo.

Figura 1: representação gráfica de projetos de mecânica da rochas CAPITULO 2 – DEFINIÇÕES E PROPRIEDADES Em função das características dos materiais, a análise do comportamento rochoso é geralmente complexa, exigindo o estudo das propriedades físicas e mecânicas das rochas. Rochas: são todos os materiais geológicos sólidos consolidados, constituídos por minerais, e que se apresentam em grande massa ou em fragmentos. Apresenta descontinuidade à escala ultramicroscópica da ordem de 10-8 mm (em nível de átomos e redes cristalinas), microscópica da ordem de mm (por ex: microfissuras, microdobras, união entre os grãos, etc.) e macroscópica da ordem de mm-cm (amostra de mão), tais como: estratificação, xistosidade, dobras fraturas, etc. Rocha intacta: é a porção da massa rochosa, livre de descontinuidades, sobre a qual se verificam propriedades de resistência mecânica do material rochoso.
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Rocha frágil: é aquela que apresenta ruptura frágil. Esta é definida a partir do ponto em que a capacidade de resistir às cargas diminui simultaneamente com aumentos de deformação. Rocha dúctil: um material é dito dúctil quando ele pode apresentar deformações permanentes sem perder sua capacidade de resistência. Coesão: refere-se à força que une as partículas das rochas. Rochas coerentes: gnaisses, granitos e basaltos (não decompostos). Rochas incoerentes: terra e areia. Dureza: é a resistência oferecida pela rocha à penetração de uma ferramenta mineira. Elasticidade: é a mudança de forma ou volume de uma rocha, quando submetida a forças externas, retornando, em seguida, às condições iniciais, quando retiradas as forças que causaram a deformação. Plasticidade: é a propriedade que tem a rocha de tomar qualquer forma, quando submetida a forças externas, e conservar esta forma, mesmo depois de removida a causa da deformação. densidade da rocha intacta: é a massa por unidade de volume da rocha, expressa em g/cm3, t/m3 etc. Obs.: - as rochas de baixa densidade se deformam e rompem com facilidade, requerendo um fator de energia relativamente baixo. M EXEMPLOS: GNAISSE: 2,9 T/M3 D = 3 V GRANITO: 2,7 T/M QUARTZITO: 2,6 T/M3 As rochas densas precisam de uma maior quantidade de energia para obter uma fragmentação satisfatória. Resistência das rochas: as resistências estáticas à compressão e à tração como parâmetros indicativos da aptidão da rocha ao desmonte. Porosidade: é a razão entre o volume interno do espaço aberto (poros, interstícios ou vazios) e o volume total da rocha, isto é: Obs.: a porosidade provoca os seguintes efeitos nos desmonte de rochas: • Atenuação da onda de choque; • Redução da resistência dinâmica à compressão e, conseqüentemente, incremento da trituração e percentagem de finos.
Porosidade = Vp (Vp + Vg )

SENDO: VP= VOLUME DOS POROS; VG= VOLUME DOS GRÃOS.

Módulo de Young: é a relação entre a tensão (ρ ) e a deformação (ε ) sofrida pela rocha, isto é: sendo a deformação uma relação entre dimensões ou entre ângulos, entende-se que é uma quantidade adimensional. O módulo de Young, também é conhecido como módulo de elasticidade; como nas rochas nem sempre se observa o comportamento elástico, tem sido uma tendência da designação o módulo de deformação para esta E =

σ ε

ε

=

∆L L

ε

=

∆θ ϑ

propriedade. Coeficiente de Poisson: é a relação entre a deformação lateral (ε t) e a deformação longitudinal (ε l), sofrida pela rocha, isto é:

ν

=

εT εL

CHAMA-SE N° DE POISSON (M) AO INVERSO DO COEFICIENTE DE POISSON:

m =

1 ν

Tensão: é uma grandeza física derivada de outra grandeza, a força. Não podem ser medidas diretamente, mas estimadas pelos seus efeitos, a deformação. O termo tensão envolve dois conceitos: tensão em um plano e tensão em um ponto. O primeiro é matematicamente definido como o quociente entre força (grandeza vetorial) e área (grandeza escalar). A componente paralela ao plano de cisalhamento, enquanto a normal ou

σ = F/A

aplicação da força é denominada de tensão de perpendicular, tensão de distensão ou de
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variação de energia térmica e processos físico-químicos (recristalização de minerais. xistosidades e falhas. devido à aplicação de forças tectônicas ou forças atectônicas (principalmente as gravitacionais). Material rochoso: é o material constituinte dos blocos de rocha. Para se ter uma noção de grandeza da resistência veja a resistência dos seguintes materiais: • Rocha dura ou intacta (20 a 300 mp).0 e 20 mp) Quanto ao maciço. em qualquer plano contendo o ponto considerado. Depreende-se daí. tais como: sistemas de juntas. à coerência e às descontinuidades. como nos ensaios de laboratório). A tensão em um ponto é também denominada estado de tensão ou simplesmente tensão. ao estado de alteração. orientação. A unidade normalmente utilizada para a tensão é o Mpa. é o estado de tensão decorrente da redistribuição de tensões preexistentes devido à perturbação dos maciços com a implantação de obras de engenharia. De qualquer maneira é a escala da porção do maciço analisada em um estudo qualquer que se define a condição do meio. é uma grandeza (tensorial) que permite a descrição do vetor tensão. É um material constituído de rocha intacta e fraturas que o compartimentam. delimitados pelas descontinuidades do maciço rochoso. dureza. A tensão natural que ocorre nas rochas é o resultado de uma complexa interação entre as ações de esforços gravitacionais (peso das camadas sobrejacentes). A tensão residual é por vezes utilizado para qualificar o estado de tensão remanescente no maciço rochoso ao término do mecanismo que lhe deu origem. absorção de água e do lençol freático. Em síntese. podemos dizer que a sua resistência é uma função da resistência da rocha intacta. porosidade. que o material rochoso inclui como propriedades físicas e mecânicas a densidade. resistência mecânica.compressão. Deformação: são os movimentos de massas rochosas que causam mudança de forma. por exemplo. etc). 4 . ou seja. coesão. Maciço rochoso: a concepção de maciço rochoso confunde-se com a própria definição de rocha: é o material sólido da crosta. Isotropia ou anisotropia: relativas à constância ou à variação de suas propriedades mecânicas de acordo com a direção dos grãos minerais ou a história de tensão. • Rocha branda ou alterada (1. esforços tectônicos (atuação de placas litosféricas). Resistência de um material é a capacidade de absorver a tensão sem sofrer deformação (ruptura. a característica geotécnica do maciço é a caracterização e descrição geotécnica das fraturas. anisotrópicos e descontínuos. planos de acamamento. da descontinuidade e dos maciços rochosos que se encontram entre um máximo e um mínimo. Nessa acepção. O estado de tensão regional é empregado para caracterizar o estado de tensão em um domínio geológico relativamente amplo enquanto a tensão local refere-se a um domínio geológico mais restrito às obras de engenharia. Homogeneidade ou heterogeneidade: das rochas e dos maciços está relacionadas à constância ou a variação espacial de suas propriedades mecânicas no volume considerado. A definição de propriedades de resistência e deformabilidade dos maciços é um problema mesmo com a existência de ensaios in situ e complexa a caracterização do maciço rochoso devido ao seu alto custo e execução. fundamentalmente. todas as suas descontinuidades. conforme ilustra a figura 2. A tensão induzida decorre de perturbações das rochas causadas pelo homem. dependendo do seu sentido. módulo de elasticidade e forma de ruptura. pode-se dizer que os maciços rochosos são essencialmente heterogêneos. à litologia. no volume considerado. As características que traduzem a qualidade dos meios rochosos associam-se. Portanto. o maciço rochoso ou massa rochosa inclui. volume e/ou posição. além do tipo litológico. e sua complexidade resulta da evolução geológica a que foram submetidos.

em um maciço rochoso. juntas. Resistência á compressão simples: pode ser definida como sendo a resistência oferecida por uma amostra do material rochoso a um esforço de compressão uniaxial aplicado. zonas de alteração ou de falhas. 5 . A figura ilustra estas definições através da representação físico-simbólica do efeito escala.DESCONTINUIDADES Descontinuidades: Segundo a Associação Internacional de Mecânica de Rochas (ISRM).Figura 2: Escala do maciço CAPITULO 3 . Este é o termo coletivo para a maioria dos tipos de diáclases. que apresenta baixa ou nenhuma resistência à tração. Solo ou alteração: Quando a resistência uniaxial à compressão do material é menor do que 1 mpa. Rochas brandas: São rochas que apresentam resistência uniaxial à compressão de 25 – 50 mpa. planos de fraqueza da xistosidade. planos de fraqueza do acamamento. Figura 3:Efeito escala no maciço rochoso Rochas duras: São rochas que apresentam resistência uniaxial à compressão de 100 – 250 mpa. é o termo geral para qualquer descontinuidade mecânica.

perpendicular à direção. podendo ser descrita pela direção do mergulho (azimute) e o mergulho da reta de maior declividade do plano da descontinuidade. Golpes de terreno : são estouros de rocha em locais submetidos a altas concentrações de tensão. São utilizados 10 parâmetros: 1) Orientação: É a atitude da descontinuidade no espaço. Rocha muito rígida possui pequena capacidade de deformação. por isso. O mergulho é o ângulo de inclinação do plano com o plano horizontal. A posição ocupada no espaço por uma estrutura geológica planar é definida pela sua direção e pelo ângulo de mergulho. O espaçamento entre descontinuidades adjacentes controla o tamanho dos blocos individuais de rocha intacta. Quando se deforma muito. A reta do mergulho é a reta de máxima inclinação no plano. A persistência ou continuidade de uma fratura é um parâmetro ligado ao tamanho e à forma geométrica da estrutura e. O espaçamento tem grande influência na permeabilidade do maciço e nas características de percolação. Descrição das descontinuidades: As descontinuidades desempenham um importante papel no comportamento dos maciços rochosos. Rocha pouco rígida: possui capacidade de absorver alto nível de tensões sem se deformar muito e reduzir a ruptura excessiva e mais lenta. A direção é definida pelo ângulo que a intersecção do plano da descontinuidade. 3) Persistência: É a extensão do traço de uma descontinuidade como observado em um afloramento. com o plano horizontal. Figura 4: Orientação de uma descontinuidade A orientação controla as possibilidades de condições de instabilidade e um número de deformações excessivas. ou seja. Ruptura normalmente súbita. repentina e violenta ocasiona golpes de terreno. 6 .Rocha de alta rigidez: elevada resistência absorve alto nível de tensão e pequena deformação.60mm Extremamente espaçados > 6000mm É obtido por meio de medidas efetuadas ao longo de uma direção determinada. profundamente afetada pela orientação e dimensão da superfície rochosa. perde a capacidade de absorver tensão. 2) Espaçamento: É considerado como a distância perpendicular entre dois planos consecutivos de descontinuidades pertencentes a uma mesma família representando o espaçamento médio de uma família de juntas. faz com a direção norte. Descontinuidades com espaçamentos maiores fazem que o maciço tenha baixa coesão. a inclinação do plano. que pode ser uma sondagem ou uma linha de levantamento sistemático de descontinuidades em afloramentos. Com o intuito de padronizar o levantamento das descontinuidades a ISRM (1978) publicou uma sugestão de método para descrição de descontinuidades de maciços rochosos. Descrição espaçamento Extremamente próximos < 20mm Muito próximos 20 .

são necessárias ao menos três famílias sistemáticas de juntas. as irregularidades no plano de uma descontinuidade se manifestam na escala da ordem de alguns metros. Abertura < 0. que pode 7 . A figura ilustra aspectos da formação de blocos.3m 3 –10m 10.20m >20m Uma descontinuidade cujas extremidades não se encontram nos afloramentos é denominada persistente. teremos uma importante componente da resistência ao cisalhamento. 6) Abertura: É a distância perpendicular entre as paredes adjacentes de uma descontinuidade. para a formação de blocos rochosos bem definidos.25mm 0. Esta resistência deve ser menor que a da rocha intacta devido à alteração das paredes proporcionada pela presença das descontinuidades. pela sua ordem de aparecimento em uma seqüência de eventos de fraturamento. que separa suas paredes. todavia.2. No geral. quando são caracterizadas como ondulações. Irregularidades em grande escala são chamadas de ondulações. 5) Resistência das paredes: Refere-se à resistência a compressão das paredes adjacentes a uma descontinuidade.descrição muito baixa baixa média alta muito alta persistência <1m 1. A rugosidade e ondulação contribuem para a resistência ao cisalhamento.0. Figura 5: Persistência em diferentes blocos 4) Rugosidade: É a medida das irregularidades do relevo com relação ao plano médio da descontinuidade. cujo espaço intermediário é preenchido por água ou ar. não coincide necessariamente com sua abertura original. distinguindose nesse aspecto eventuais preenchimentos ou mineralizações que podem ocupar o plano da descontinuidade. Ondulações em grande escala podem modificar o mergulho local.1.5mm >1m descrição muito fechadas fechadas abertas cavernosas A abertura das descontinuidades é importante no estudo da percolação de água no interior dos maciços rochosos e caracteriza-se como o espaço. O grau de alteração próximo a superfície das fraturas afetam a resistência da mesma e se as paredes estão em contato. ou de se interromper nelas. vazio ou preenchido por água. também. Em geral.5. A abertura atual de uma junta. A persistência de uma fratura é condicionada. quando são identificadas como rugosidade ou aspereza. razoavelmente contínuas. em função da persistência dos sistemas de descontinuidades.1mm 0. ou em dimensões milimétrica a centimétrica. As juntas mais recentes sempre apresentam a tendência ou de se originar a partir de outra superfície mais antiga.

a resistência. silte. podem modificar ou controlar completamente a resistência ao cisalhamento. como ocorre no processo de erosão ou de soerguimento dos maciços quando a fratura é trazida a níveis mais rasos. Os preenchimentos são importantes porque. A percolação de água no maciço rochoso resulta principalmente do fluxo através de descontinuidades. Também inclui minerais secundários e descontinuidade seladas. Os materiais típicos de preenchimento são: areia. Figura 7: Descontinuidades Abertas Figura 6: Superfícies de preenchimento 7) Preenchimento: É o material que separa as paredes de uma descontinuidade e que usualmente é mais fraco que a rocha que lhe deu origem.ter sido modificada em estágios posteriores á sua formação. 8) Percolação: Fluxo de água e umidade livre. brecha e milonito. 8 . argila. Onde as paredes opostas não se tocam e o preenchimento ocupa todo o espaço vazio entre as mesmas. a deformabilidade e a permeabilidade do material que preenche o maciço rochoso. O maciço rochoso pode conter também descontinuidades individuais. por exemplo: quartzo e veios de calcita.visíveis em descontinuidades individuais ou no maciço rochoso como um todo. 9) Número de Famílias: É a quantidade de famílias que compõem um sistema de juntas. dependendo de sua espessura.

Os principais objetivos dos sistemas de classificação são: 1) Identificar os principais parâmetros que influenciam o comportamento do maciço rochosos. 6) Prover uma base comum para comunicação entre diversas áreas. Por outro lado. Figura 8: Maciços rochosos e diáclases 9 . Compacto: poucas juntas ou com espaçamentos muito grandes. As classificações podem ser vistas como um checklist para assegurar que todas as informações relevantes vão ser consideradas. Descontinuidades individuais podem influenciar o tamanho e a forma dos blocos. Fragmentado: densamente diaclasado até a forma de pequenos cubos. quando são disponíveis poucas informações detalhadas sobre o maciço rochoso. 4) Relatar experiência das condições de um maciço em um local com experiência encontrada em outros. De forma geral. 2) Dividir uma formação rochosa particular em zonas de comportamento similar. o uso das classificações geomecânicas pode ser considerado benéfico. CAPÍTULO 4 – CLASSIFICAÇÃO DOS MACIÇOS ROCHOSOS Introdução: Durante as fases de estudo de viabilidade e projeto preliminar de uma obra. uma classificação geomecânica consiste em dar notas às diversas características do maciço. Irregular: variação grande de tamanho e forma dos blocos. 5) Obter dados quantitativos e orientações para o projeto. as classificações podem ser usadas para elaborar uma visão da composição e características do maciço e prover estimativas iniciais do suporte de escavações.10) Tamanho de Blocos: São as dimensões dos blocos de rocha que resultam da orientação das famílias de juntas que se interceptam e do espaçamento das famílias individuais. para dar uma visão do tamanho do bloco e forma. Em blocos: aproximadamente equidimensionais. Os maciços rochosos podem ser descritos pelos seguintes adjetivos. seu estado de tensões e características hidrológicas. Tabular: uma das dimensões consideravelmente maior que as outras duas. 3) Prover uma base para compreensão das características de cada maciço rochoso. além de prover estimativas de propriedades de resistência e deformabilidade para o maciço rochoso.

Isto significa que os valores adquiridos nesses ensaios laboratoriais. Em se tratando de rochas sedimentares. pelas águas de infiltração e ou que percolam pelo seu interior. a anisotropia será muito desenvolvida. quando na realidade. que ser cuidadoso. foi a de Handin (1966). como calcários. Se a classificação for basicamente geológica dará uma idéia do material com que esta lidando. A rocha metamórfica. quando se pretende aplicar os dados laboratoriais de resistência compressão. 1966 10 . devido às fraquezas existentes e que tem um papel desfavorável. gesso e sal gema. devido pequena escala dos corpos de prova. zonas de alteração. raras vezes estão representadas nessas pequenas amostras. filitos ou xistos. o maciço apresentará um fator de segurança que poderá estar próximo da rotura. a rocha é isenta de descontinuidades a escala megascópica e regional. Uma das classificações geológicas apresentadas. porque a sua aplicação poderá levar a um fator de segurança relativamente alto. folhelhos. fraturas e outras descontinuidades estruturais. Tabela 1: Classificação por Hadin. não é representativo do maciço. impostas pelas obras que se desenvolve no maciço. devido à dissolução da rocha. como por exemplo. as solicitações. apenas existente em pequenas direções e resultante da orientação dos cristais. que agrupou as rochas mais comuns em sete tipos litológicos.ROCHA INTACTA Classificação: Nesta classificação. A rocha ígnea possuirá anisotropia pouco marcante. A classificação geotécnica diz respeito resistência compressão simples e uma idéia da possível resposta mecânica da rocha. Nunca deve ser esquecido. deve-se associar logo a existência de cavidades no interior do maciço. As zonas de fraqueza do maciço. Há então. após exaustivo estudo das suas propriedades mecânicas. regra geral. que o material ensaiado em um pequeno corpo de prova. são bem maiores que os do maciço onde a rocha foi colhida.CAPITULO 5 . tais como. Tabela 1.

Na classe c. A classificação apresentada é determinada em amostras com uma razão altura/diâmetro maior que 2. se incluem as rochas ígneas de grão grosseiro (granitos e granodioritos). • Plásticas: se a rotura é por fluxo (25% da deformação total é permanente antes da rotura). diabásico. rochas metamórficas muito resistentes. pode-se destacar a classificação de Deere e Miller (1966) que foi aceito mais ou menos bem universalmente e faz parte da Tabela 2. Quanto deformabilidade e antes da rotura classificaram as rochas como: • Elásticas: se não apresentarem fluência a 50% da sua resistência a compressão simples. rochas salinas ( sal gema. Quanto a rotura. basaltos densos e rochas ígneas de grão fino. gabros. se incluem os quartzitos. explosões subterrâneas ou fragmentação em pequena escala e em rochas maciças sem fraturas. Dividiram a rocha em três categorias: branda (<35 mpa). giz e rochas alteradas. Esta classificação é útil quando se classificam as rochas para perfuração. gesso e potássio). Na classe a. se incluem os carvões e siltitos. folhelhos argilosos. se incluem a maior parte dos folhelhos. 1966 11 . alguns arenitos muito resistentes. Na classe b. calcários e dolomitos. resistente (35 a 173 mpa) e muito resistente (>173 mpa). Vários autores apresentaram outras classificações baseadas na resistência compressão simples. os autores classificaram a rocha em: • Frágil: se a rotura é repentina. • Viscosas: se as rochas apresentarem fluência a 50% da resistência a compressão simples. micáceos ou talcosos. calcários e rochas metamórficas com xistosidade bem evidenciada como xistos cloríticos. arenitos de resistência média. Entre esses autores. na classe_d. Coates e Parsons (1966) classificaram a rocha intacta baseados na resistência compressão e parâmetros de deformabilidade. se incluem os argilitos. na classe e. Tabela 2: Classificação Deere e Miller. britagem.O sistema de classificação que tem maior importância é aquele que baseado em valores numéricos. doleritos.

CAPITULO 6 . Estes processos dependem de: • Facilidade de acesso da água e ar no material rochoso. • Reatividade do maciço rochoso em relação à água. hidratação e troca de íons. redução. do tipo dissolução.INTEMPERISMO Grau de intemperismo das rochas: É a alteração da superfície rochosa como resultado da reação de gases atmosféricos e soluções aquosas. • Tempo. b) condições térmicas. ii) intemperismo quimico: Envolve vários processos químicos. físicas e químicas. por exemplo. c) tempo de ação do processo. • Ação erosiva do vento e da água .rocha exposta a altas temperaturas durante o dia sofre expansão térmica podendo gerar aumento significativo de tensões que eventualmente produzem o fraturamento. 12 . • Ciclos de umedecimento / secagem . químicas e biológica. e a uma redução da resistência da rocha.no rio de janeiro.influência dos minerais expansivos (argilas) da rocha. • Ação de escavações mecânicas. os maciços rochosos expostos a desplacamentos resultantes da percolação de água através das juntas. O processo de intemperismo leva a alterações físicas. que atuam sobre os minerais constituintes das rochas. O intemperismo será exemplificado em dois tipos: i) intemperismo físico: Envolve alterações mecânicas e ruptura da rocha e pode se manifestar através das seguintes ações: • Alivio de tensões no maciço rochoso . A amplitude do intemperismo depende dos seguintes aspectos: a) natureza da rocha matriz (mineralogia). • Grau de agressividade da água. lixiviação.a redução das tensões pode gerar: o fraturamento do maciço. • Insolação . oxidação.

Figura 9:Processo de intemperismo 13 .

Apresenta-se. podendo originar depósitos com valor econômico. como o quartzo. Os doleritos apresentam altos teores de olivina. por exemplo. Mg e Sílica livre. portanto. os quais são lixiviados da região de intemperizaçao restando. menos resistentes à alteração. Os feldspatos e outros minerais menos resistentes são atacados formando sais solúveis de Na. portanto. A rocha intemperizada se transforma em saprólito cujo aspecto se assemelha ao da rocha mãe. Estes minerais têm maior tendência à alteração. em função do grau de alteração. ouro. os solos residuais maduros e jovens constituem uma ocorrência muito comum. No Brasil. K. onde são observadas as diversas zonas intemperizadas e sãs do maciço. medida de porosidade e resistência das diversas zonas (camadas) do perfil.Alterabilidade: Os minerais constituintes de rochas ígneas e metamórficas. são menos suscetíveis ao intemperismo que os basaltos. são transportados e sedimentam-se. formados em altas temperaturas ou altas pressões. têm alto teor de quartzo. o grau de intemperismo do maciço pode ser identificado e caracterizado através da análise da alteração mineral. platina e diamante. piroxênio e anfibólios. Fe. isto é. que a alteração dos maciços rochosos é conseqüência da ação conjunta de processos de intemperismos físico e químico. A figura apresenta esquematicamente um perfil de alteração de rocha. tornam-se instáveis quando expostos à superfície. a ordem crescente dos minerais presentes ao intemperismo: Feldspato ca (olivinas) → feldspato na (piroxênios) → anfibólios → mica biotita → mica muscovita → quartzo Por exemplo. o processo de intemperização destas rochas graníticas se inicia através da entrada de água pelas fraturas do maciço rochoso. Os solos residuais do Rio de Janeiro. porém apresenta uma resistência de solo denso. areia ou argila. Aqueles relativamente estáveis. as argilas e o quartzo. 14 . a seguir. provém do intemperismo de granitos . ii) rochas sedimentares: Os arenitos e os argilitos sofrem o intemperismo principalmente nos materiais cimentantes e de simples preenchimento de poros. Na engenharia. Em geral. Exemplos de alterabilidade dos vários tipos de rochas: i) rochas ígneas e metamórficas: Os minerais apresentam diferentes graus de resistência ao intemperismo.gnaísse. reproduzir novamente o material original sedimentar. podendo. Observa-se. os granitos.

Figura 10:Diagrama de alteração do maciço rochoso Tabela 3: Perfis de alteração propostos por diversos autores 15 .

Tabela 4: perfil de intemperismo de rochas ígneas e metamórficas 16 .

Propriedades - índice das rochas: A determinação das propriedades físicas é importante para a caracterização da rocha e representa uma grande compreensão do comportamento geotécnico do material. Algumas propriedades físicas podem ser usadas para descrever a rocha quantitativamente. Estas refletem na estrutura, composição, fábrica e comportamento mecânico, e estão descritas abaixo: • Densidade • Porosidade • Teor de umidade • Velocidade de propagação do som • Permeabilidade • Durabilidade • Resistência Nas aplicações que envolvem escavações superficiais ou subterrâneas, são necessárias informações adicionais sobre o sistema de descontinuidade tanto ou mais que a natureza da rocha propriamente dita. A rocha, de modo similar ao solo, é composta por três fases: • Minerais sólidos; • Água e/ou ar; • Poros.

Tabela 5: Descrição quantitativa de descontinuidades

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Tabela 6: Classificação geotécnica de alteração de rochas.
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CAPITULO 7 - ESTABILIDADE DE TALUDES Introdução: Em obras como estradas, fundações e barragens em rocha, há necessidade de se estimar o grau de estabilidade dos taludes de rocha naturais e construídos pelo home. Um talude é uma superfície de fronteira entre o ar e a rocha, vertical ou inclinada, ou o corpo de uma obra de terra, como uma barragem ou um aterro. O conceito estabilidade de um talude é indeterminado, já que taludes feitos sobre ou de rochas ou solos não fornecem garantia de estabilidade por muitos anos. Condições climáticas, hidrológicas e tectônicas, atividades humanas na área imediata ou adjacente a estrutura, escavações subterrâneas ou obras de terra podem trazer, anos mais tarde, mudanças que afetam a estabilidade dos taludes naturais e escavados pelo homem. Não se pode desprezar a possibilidade de a rocha ou o solo tornar-se saturado por água ao longo do tempo. As condições de estabilidade, exigidas para os taludes da mineração, diferem daquelas de outros aludes de obras civis, basicamente, pela dinâmica da escavação, pelo porte dos mesmos, atingindo alturas de centenas de metros e extensão de quilômetros e, ainda, pelas condições peculiares da mineração, tais como fatores de segurança menores, aceitação de rupturas localizadas, convivência com vibrações causadas por desmonte por explosivos, rebaixamento do nível d’água buscando taludes mais íngremes, possibilidade de experimentação de ângulos de talude à medida do avanço da lavra, etc. Por outro lado, há também aspectos típicos de mineração que dificultam os estudos como, por exemplo, o fato de sempre se dispor de informações do corpo do minério. Enquanto que das encaixantes, representando o estéril que será cortado pelos taludes finais, praticamente não há dados. Além disso, ás vezes, a experimentação só é possível em materiais que não representam aqueles a serem expostos no talude final. Os condicionantes geológicos, na estabilidade de taludes de mineração, são fartamente mencionados, representados por água. Fraturas, falhas, zonas de cisalhamento, ondulações, foliação/acamamento, veios e intrusões, litologia e perfil de intemperismo. As fraturas, falhas e zonas de cisalhamento se evidenciam, condicionando as superfícies de ruptura, interferindo na distribuição e percolação da água subterrânea e afetando a propagação das ondas nos desmontes com explosivos. Há escorregamentos que ocorrem condicionados por um plano de fratura ou até três planos. As ondulações se constituem em fator favorável à estabilidade dos taludes da mineração aumentando a resistência ao cisalhamento das rochas. Entretanto, há casos em que as ondulações, ou dobras, são muito pronunciadas, resultando em ruptura da rocha por tração, junto às cristas das dobras. Estas rupturas são planas de fraqueza, que reduzem a estabilidade dos taludes. O efeito da água como agente estabilizador dos taludes é significativo, seja reduzindo a tensão efetiva, na forma de pressão neutra, seja pela percolação, ou ainda saturando os terrenos e aumentando o seu peso.

Figura 11: Desenho esquemático de escorregamento 19

Petrópolis/RJ em 1988. Tipos de causa: .causas intermediárias: resultam de efeitos causados por agentes externos no interior do talude. complexo climático-hidrológico (clima e regime e água subterrânea). Pode distinguir: complexo geológico (acidentes tectônicos. com 171 mortes e interdição de 1100 moradias. gravidade. um agente pode se expressar por meio de uma ou mais causas.causas externas: provocam um aumento das tensões de cisalhamento sem que haja diminuição da resistência do material. ondas. terremotos. 20 . contrações e dilatações de origem térmica ocorrem simetricamente em relação ao seu eixo e distribuem também as tensões de cisalhamento na superfície de contato com o plano. com períodos de chuvas intensas e prolongadas completam o quadro de predisposição ao desenvolvimento de processos desestabilizadores e erosivos. pelos desenvolvimentos de uma rede de microfraturas num meio rochoso que não as possuía. etc. juntam-se outros chamados efetivos. que irão se efetivar pelo desmatamento. Os movimentos de massa em áreas urbanas no Brasil ocorreram em várias cidades. geomorfológicas e climáticas de uma região podem ser fatores predisponentes à ocorrência de movimentos de massa. .causas internas: são as que levam ao colapso sem que se verifique qualquer mudança nas condições geométricas dos taludes e que resultam de uma diminuição interna ao material. com 104 mortes e destruição de 60 moradias. Agentes e causa: Entende-se por causa o modo de atuação de determinado agente ou. com 60 mortes e destruição da santa casa de santos. Num bloco de material colocado sobre um plano horizontal. Salvador/BA em 1971. fusão de gelo e neve. complexo morfológico (massa e forma do relevo). erosão pela água ou vento. ação do homem. com 1200 mortes e destruição de dezenas de casas. vales profundos e praticamente ausência de áreas mais planas. desflorestamento. por exemplo. pela remoção dos elementos solúveis constituintes dos próprios minerais. com 100 mortes. .Predisponentes: trata-se de um conjunto de características intrínsecas. congelamento e degelo. É o caso. Serra das Araras/SP. Tipos de agentes: . Estes deslocamentos subdividem-se em: Preparatórios – pluviosidade.CAPITULO 8: MOVIMENTOS DE MASSA Introdução: As condições geológicas. . que irão preparar e efetivar as ocorrências. os seguintes: • • • • • • Santos/SP em 1928. acamamentos) e pouco resistentes. em 1967. em outros termos. metassedimentos com planos de descontinuidades bem marcantes (xistosidade. erosão. Imediatos – chuva intensa. condicionaram o desenvolvimento de um relevo acidentado. podendo-se citar. como os mais importantes acidentes ocorridos no Brasil. ou terroso. sob qualquer forma. função apenas de condições naturais. do agente água. que pode influir na estabilidade de uma determinada. A esses fatores. A cidade de ouro preto enquadra-se bem neste contexto pelas suas características gerais. pela dissolução dos elementos com função da cimentação em solos ou rochas sedimentares. 1) Causas internas Efeito de oscilações térmicas: oscilações térmicas diárias ou sazonais provocam variações volumétricas em massas rochosas. As formações rochosas existentes. com 43 mortes e destruição de 100 casas. calor solar ou tipo de vegetação original. atitude das camadas). vento. variação de temperatura. foliações. no qual ocorre. podendo conduzir a destaque de blocos. Rio de Janeiro/RJ em 1956. a ação do homem. Diminuição dos parâmetros de resistência por intemperismo: o processo de alteração por intemperismo leva a um enfraquecimento gradual do meio rochoso. massa de material das mais diversas formas: no encharcamento do material.. nelas não atuando.Efetivos: conjunto de elementos responsável pelo deslocamento do movimento de massa incluindo-se a ação humana. Caraguatatuba/SP em1966. a má ocupação do solo e os episódios chuvosos que ciclicamente atingem a cidade. dissolução química. com vítimas fatais e danos materiais da ordem de milhões de dólares. com vertentes íngremes. As condições climáticas.

escorregamentos.peso específico da água. transmitem. acrescentando-lhe uma sobrecarga em sua porção superior. ou pouco consolidados.h). Ocorre em taludes com forte inclinação ou escarpas onde blocos de tamanhos variados se desprendem do maciço por intemperismo e caem pela ação da gravidade. tombamentos.pressão num ponto p da superfície potencial de escorregamento. inconsolidados. solo ou sedimento a água que ocupa os vazios se acha sob pressão a mecânica dos solos conduz a seguinte conclusão: . Consiste no destaque contínuo de fragmentos rochosos provocados por fenômenos de secagem e saturação sucessivas em rochas de baixa resistência expostas ao longo de cortes artificiais. Máquinas pesadas induzem nos solos que lhes servem de fundação. cravação de estacas e operação de máquinas pesadas. que esteja sendo analisada. φ . fator principal da força nociva resultante das vibrações. retirando parte de sua massa na porção inferior.γ a. Se rebaixamento forma rápido. A velocidade do movimento é alta.O potencial de escorregamento se situa numa camada de areia ou silte. Como a aceleração. também chamado gravitacional. bem como à sua própria manutenção. em movimentos de pequena magnitude. será igual a: S = (p-γ a. que não atinge o noticiário dos jornais por não ter efeito catastrófico. mas que produz contínuos efeitos nocivos a obras de drenagem de rodovias e ferrovias. As formas mais conhecidas são as cadeias montanhosas. ou então. γ a . que podem ser translacionais ou rotacionais. 1) Queda de blocos: É um movimento definido por uma ação de queda livre a partir de uma elevação. 3)Causas intermediárias: Elevação do nível piezométrico em massas “homogêneas”: considerando uma massa saturada de rocha intensamente fraturada. Trata-se de um processo de proporções limitadas. Classificação dos movimentos de massa: Em termos gerais os movimentos de massa podem ser classificados em quedas.ângulo de atrito na superfície de escorregamento Se o material possuir coesão por unidade de área teremos: S= c + (p-γ a. explosões. com ausência de superfície de movimentação.2) Causas externas Mudanças na geometria do sistema: uma das causas das condições de instabilidade consiste em modificar as condições geométricas da massa terrosa. 2) Queda de detritos: É a movimentação de reduzidas massas de fragmentos terrosos ou rochosos. invariavelmente. como terremotos. é proporcional ao quadro da freqüência. Mudanças naturais na inclinação das encostas: as formas mais evidentes resultam de movimentos tectônicos que mobilizaram corpos de estruturas dobradas. desde a queda de um bloco isolado até o colapso de enormes complexos rochosos. Himalaia entre outros sendo um escorregamento translacional. o bater das ondas.hi)tgφ Sendo (pi .hi) a pressão efetiva em cada elemento de espessura unitária da superfície de ruptura. caso comum em reservatórios ou nas margens fluviais após uma enchente. Movimentos das mais variadas proporções incluem-se nesta categoria. Efeitos de vibrações: agentes. a descida da superfície piezométrica não acompanhará o nível de água livre. espalhamentos. ou rochosa. 21 . tráfego pesado. escoamentos e movimentos complexos.tgφ P . vibrações ao substrato. a resistência ao cisalhamento por unidade de área.h)tgφ Rebaixamento do lençol freático: a expressão se refere a abaixamentos de água numa razão de pelo menos 1m por dia. Se o nível de uma massa de rebaixamento lento o lençol permanecerá horizontal e a resistência média será dado como: S= c + Σ (pi . Dentro dessa classe pode-se enquadrar o fenômeno da desagregabilidade de massas rochosas. H .altura piezométrica no ponto. como os Andes. vibrações de alta freqüência.γ ª. conduzindo-os muitas vezes a fenômenos de desequilíbrio.

de massas de terreno geralmente bem definidas quanto ao seu volume. em descontinuidades colunares de origem vulcânica e em granitos com descontinuidades regulares. de duração relativamente curta. cujo centro de gravidade se desloca para baixo e para fora do talude. em taludes de minas e em taludes naturais. Foto 2: Tombamentos ao longo de uma ferrovia 4) Escorregamentos: Escorregamentos são movimentos rápidos. ardósias e xistos. Ocorre quando as camadas estão inclinadas para dentro do talude.Foto 1: Queda de Blocos e Detritos 3) Tombamentos: O tombamento é um tipo de ruptura em taludes em maciços rochosos com camadas ou descontinuidades de foliação regularmente espaçadas. 22 . Diferentes tipos de escorregamentos podem ser identificados em função de sua geometria e da natureza do material que se torna instável. mas ocorre também em finas camadas de sedimentos mergulhando fortemente. O tombamento é comum em quartzitos. podendo ser subdivididos em translacionais e rotacionais.

de caráter essencialmente hidrodinâmico. . ou planos de fraqueza. foliações. São geralmente provocadas por encharcamento do solo por pesadas chuvas ou longos períodos de chuva de menor intensidade. ou movimentos contínuos. tipo fraturas. ao longo de uma superfície qualquer de ruptura. o rastejo se evidencia.Corrida de terra: ocorrem geralmente sob determinadas condições topográficas. efetuando-se então a análise de estabilidade dessa cunha. muitas vezes. resultando daí o risco de destruição. aterros em geral. etc. podendo atingir centenas ou milhares de metros. ocasionadas pela perda de atrito interno. Tais escorregamentos. adaptando-se às condições de relevo. Assume-se uma forma simplificada de superfície em arco de circunferência (ou cilíndrica). A movimentação é provocada pela ação da gravidade. .Corridas: são formas rápidas de escoamento. velocidade elevada. xistosidade. acamamento. nos efeitos devido às variações de temperatura e umidade. originadas de descontinuidades. em presença de excesso de água. falhas. Pelo aumento do teor de água. 23 . em geral preexistente e condicionada a alguma feição estrutural do substrato. . xistosidades. A velocidade de deslocamento pode ser elevada. 5) Escoamentos: Os escoamentos. englobando movimentos lentos (rastejos) e movimentos rápidos (corridas). tipo em barragens de terra. escorregamentos translacionais de solo podem adquirir o aspecto de corridas. intervindo.Escorregamentos translacionais de solos: trata-se de movimentos ao longo de superfície plana. em pequenas escavações de materiais naturais. contatos entre camadas. após sua movimentação e acumulação no pé da encosta. postes.Escorregamentos translacionais: os escorregamentos translacionais podem ocorrer em taludes mais abatidos e são geralmente extensos. As superfícies de movimentação são geralmente um reflexo da estrutura geológica do terreno e podem consistir em planos de estratificação. Escorregamentos rotacionais puros ocorrem em materiais homogêneos. acamamento. causados pelo deslizamento súbito do solo residual que recobre a rocha. . juntas de alívio de tensões. por outro lado. falhas. gnaissificação. muitas vezes condicionada por superfícies de fraqueza. numa definição ampla. grande poder de destruição. passar a atuar como rastejos. delimitada de um lado pelo talude e de outro lado por uma superfície contínua de ruptura. fendas preenchidas por materiais de alteração. são típicos de regiões montanhosas e apresentam devido à elevada aceleração que o movimento pode adquirir efeitos catastróficos. geralmente denominados deslizamentos. preexistentes. são representados por deformações. Em superfície. desfavoráveis à estabilidade. casos de ruptura planar.Escorregamentos rotacionais: procede-se à separação de uma certa massa de material do terreno. por mudança na verticalidade de árvores.Rastejos: são movimentos lentos e contínuos de material de encostas com limites indefinidos. . . Podem. O conceito de escoamento não está associado ao fator velocidade.. São movimentos catastróficos. O movimento é de curta duração. em virtude da destruição da estrutura. A ruptura é por cisalhamento e a massa se desloca sobre uma superfície relativamente plana. estando ou não presente uma superfície definida ao longo da qual a movimentação ocorre.Escorregamentos translacionais de rochas: trata-se de movimentos de massas rochosas ao longo de descontinuidades. diaclasamento.

bandeamentos etc). mas que se tornam acelerados devido à elevada inclinação da encosta na qual ocorrem. • Morfologia da encosta . tanto em termos mecânicos quanto hidráulicos. A foliação e/ou bandeamento mergulham para fora da encosta em cortes de estrada. determinando a localização espacial e temporal dos movimentos de massa nas condições de campo. Esta classe abrange todos os fenômenos de movimentação nos quais.Foto 3: Escorregamento em encosta 6) Avalanche de detritos: Representa uma das formas mais catastróficas de movimentos de massas. A atuação direta é dada pela tendência de 24 . É o caso das intensas formas de erosão conhecidas sob o nome de boçorocas ou voçorocas. Esta classificação está representada na tabela 6. 7) Movimentos complexos de massas: Resultam de uma combinação das formas vistas anteriormente e se caracterizam por movimentos múltiplos ou complexos e pela ação de vários agentes simultâneos ou sucessivos. pode condicionar tanto de forma direta ou indireta. várias feições geológicas e geomorfológicas podem atuar como fatores condicionantes de escorregamentos. Estas incluem. São movimentos bruscos que se iniciam na forma de escorregamento. • Falhas – tem um papel destacado no condicionamento dos movimentos de massa. destacam-se as seguintes feições: • Fraturas (tectônicas e atectônicas) – representam importantes descontinuidades. provenientes da mobilização das camadas superficiais de um típico perfil de alteração do manto. favorecem o intemperismo. então. Envolve geralmente massas constituídas por mistura de solo e rocha provenientes da acumulação de corpos em condições de estabilidade precária Ou. em perfil e em planta. Tipo de movimento Quedas Tombamento Escorregamento Rotacional Tipo de material Solo (engenharia) Grosseiro Fino De rocha De detritos De terra De rocha De detritos De terra Abatimento Abatimento Abatimento de rocha de detritos de terra De blocos De blocos de De blocos de rochosos detritos terra Rocha Poucas unidades Translacional Expansões laterais Corridas/escoamentos Muitas unidades De rocha (rastejo profundo) De detritos (rastejo de solo) De terra Tabela 7: Classificação do s Movimentos deMmassas por Varnes (1978) Fatores que controlam os movimentos de massa: Segundo Fernandes e Amaral (1996). • Descontinuidades em solos – várias descontinuidades podem estar presentes dentro do saprólito e do solo residual. ocorra uma mudança de características morfológicas. Classificação de Varnes: Dentre os diversos sistemas que buscam correlacionar os diferentes tipos de movimentos massa. foliações. feições estruturais reliquiares do substrato rochoso (fraturas. a geração de movimento de massa.a morfologia de uma encosta. principalmente. durante sua manifestação. De acordo com esses autores. Como as juntas afetam a dinâmica hidrológica. • Foliação e bandeamento composicional – a orientação da foliação influencia diretamente a estabilidade das encostas em áreas onde afloram rochas metamórficas. mecânicas ou causais. a classificação de Varnes (1978) é a mais utilizada internacionalmente. falhas.

Depósitos de encostas – tais depósitos estão diretamente relacionados às zonas de convergência na morfologia descrita anteriormente. da orientação e das propriedades geomecânicas destes planos. clivagem ou descontinuidades. cuja interseção propicia o rompimento de parte do talude. A ruptura planar ocorre quando a descontinuidade tem a direção aproximadamente paralela à face do talude e mergulho menor que a face do talude permitindo o material acima da descontinuidade deslizar. 25 . As condições e orientações das diferentes famílias de descontinuidades determinam o evento. A ruptura em cunha é gerada a partir de duas descontinuidades distintas. A resistência e a deformação são características do maciço rochoso extremamente dependente da persistência. A ruptura por tombamento é um tipo de ruptura em taludes envolvendo rotação de colunas. embora mapeamentos de campo revelem que o maior número de escorregamentos ocorre nas encostas mais íngremes. por meio de poços ou avaliação de campo.• correlação entre a declividade e a freqüência dos movimentos. segundo uma superfície em forma de concha. O primeiro passo a ser dado em uma análise de estabilidade é determinar a relação entre as diversas famílias de descontinuidades e o potencial cinético de instabilidade dessas estruturas. do espaçamento. O segundo passo é determinar a resistência ao cisalhamento nos planos de descontinuidade ou quais os blocos de rocha que podem movimentar-se. Finalmente. e na maioria dos casos. feita a partir do estudo da atitude das descontinuidades e do talude. Análise cinemática aplicada: a análise cinemática consiste na identificação dos mecanismos de ruptura. Em maciços rochosos essas colunas são formadas por planos de acamamento regulares. paralelas à crista do talude e mergulhando para dentro do maciço rochoso. o terceiro é determinar as condições de fluxo de água das descontinuidades ou em maciços intensamente fraturados. Mecanismos de Ruptura em Taludes: A estabilidade de um talude em rocha é condicionada pela presença de planos de fraqueza ou descontinuidades no maciço rochoso. através de ensaios in situ ou de laboratório. é dominada pela presença de descontinuidades preexistentes. em solos ou em maciços muito alterados. contrastando com a ruptura por deslizamento. por meio do uso de projeção estereográfica. na qual as descontinuidades mergulham no mesmo sentido que o talude. A ruptura de um talude em rocha pode ocorrer de muitas formas. A ruptura circular ocorre em maciços rochosos extremamente fraturados. de maneira a caracterizar as pressões de água que atuam em blocos potencialmente instáveis. com o emprego de técnicas de projeção estereográfica. agindo umas sobre as outras.

Deslizamento. separadas por descontinuidades bem desenvolvidas e mergulhando verticalmente. filitos e xistos.Tombamento por flexão: ocorre onde colunas contínuas de rocha.Figura 12: Mecanismos de Ruptura Classes de tombamento: . A porção inferior do talude é coberta com blocos desorientados e desordenados. solapamento ou erosão do pé do talude provocam o início da ruptura que progride para trás. 26 . com fendas de tração largas e profundas. O tombamento por flexão ocorre mais notadamente em ardósias. dobram para frente e se quebram em flexão.

recebe cargas do tombamento das colunas compridas acima. A base do maciço será constituída de degraus. Camadas espessas de rochas sedimentares como arenito e calcário. e camadas finas de calcário. Camadas de arenito e xisto.Tombamento de blocos: ocorre onde colunas individuais de rochas são divididas por descontinuidades espaçadas. Na figura (d) tem-se o tombamento e colapso das colunas de rochas sobrepostas provocado pelo intemperismo do material inferior e em (e) tem-se tombamento devido à presença de fendas de tração em material coesivo. O pé do talude. Figura 14: Tombamento por blocos . provocando o tombamento secundário no pé do talude. enquanto deslizamento e tombamento ocorrem de forma associada no resto do maciço. geralmente subindo de uma camada para a outra. como na figura (a) que apresenta um deslizamento na parte superior do talude. assim como descontinuidades de origem vulcânica em forma de colunas exibem rupturas de tombamento de blocos. A figura abaixo apresenta vários exemplos de tombamento secundário.Tombamento secundário: pode ser provocado por outro fenômeno independente. induzidas pelo arraste. A figura (c) exemplifica o deslizamento de camadas inferiores provocando o tombamento das camadas superiores. O movimento de deslizamento ocorre ao longo de várias superfícies de descontinuidades no pé do talude. 27 . exibem tombamento de bloco por flexão. onde as camadas mergulham verticalmente. Figura 15: Tombamento por flexão .Figura 13: Tombamento por flexão .Tombamento por flexão: é caracterizado por flexão contínua de longas colunas em função de movimentos acumulados ao longo de numerosas descontinuidades cruzadas. em casos onde o tombamento dificilmente ocorreria. A figura (b) mostra tombamentos na base do talude. com colunas curtas.

Vários fatores podem provocar mudanças no valor da resistência. a amostra comporta-se de forma elástica. como a rugosidade das superfícies. na direção tangencial. Cada teste de resistência ao cisalhamento permite a criação de uma curva típica. O fator mais importante para a determinação desta resistência é a geometria da rocha. Em deslocamentos muito pequenos. pode-se citar a resistência ao cisalhamento das superfícies com potencial de ruptura. Quando estas resistências ao cisalhamento são superadas. e as resistências ao cisalhamento aumentam linearmente com o deslocamento. Resistência ao cisalhamento de descontinuidades planares: Sendo as descontinuidades presentes como planos de acamamento e unidos (sem deslocamento entre as partes separadas por este plano de descontinuidade). ou seja. a curva se torna não 28 . e a tensão cisalhante necessária para causar o deslocamento pode ser medida. Uma pequena variação no valor determinado pode provocar mudanças consideráveis nesta estabilidade (altura e inclinação do talude).(a) (b) (©) (D) Figura 16: Exemplos de tombamentos CAPITULO 9 – RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO DE DESCONTINUIDADES Introdução: Por resistência ao cisalhamento entende-se a resistência que os corpos rochosos têm para se romperem segundo a direção das tensões cisalhantes. intemperismo e presença de água. sem rugosidades (e) ou ondulações. As partes separadas estão sujeitas a uma tensão normal (σ ). Em seguida. A determinação do valor da resistência ao cisalhamento é um ponto crítico no projeto de estabilidade da mina. a descontinuidade é absolutamente plana.

tgφ p . Determinação do ângulo de atrito: O ângulo de atrito básico poderia ser determinado em ensaios diretos de cisalhamento em superfícies de rochas macias preparadas por meio de uma limpeza e corte com serra adiamantada.a nova equação é dada por: Onde u = pressão d’água. interceptando o eixo da resistência ao cisalhamento no valor da coesão. O valor máximo da resistência ao cisalhamento é dado por: Onde: τ = resistência ao cisalhamento de pico. Por outro lado. alcançando um pico onde a tensão de cisalhamento é máxima. A escolha destes testes leva em conta a natureza do problema. cp = coesão. τ = cp + σ . Resistência ao cisalhamento de descontinuidades preenchidas: Um problema comum encontrado em projeto de talude de rocha é o de descontinuidades preenchidas com algum material leve. 29 τ = cp + (σ .tgφ p φ r = ângulo de atrito residual (φ r < φ τ = σ . Estas equações necessitam de valores estimados ou calculados para a resistência à compressão. nenhum esforço ou gasto pode ser dispensado para obtenção de valores seguros para a resistência ao cisalhamento para descontinuidades críticas encontradas no maciço. provocada pela água.linear. com inclinação igual ao ângulo de atrito. tais como aqueles próximos à instalação principal de uma planta. Este preenchimento pode ser por material detrito ou ganga de movimentos de cisalhamentos anteriores. esta tensão cai abruptamente a um nível constante denominado resistência ao cisalhamento residual. sendo reproduzidas de forma tão precisa quanto possível. o tempo e o dinheiro disponíveis. σ = tensão normal efetiva. cálculos preliminares da estabilidade realizados durante os estudos do fechamento de uma cava da mina são geralmente restringidos em termos de acesso ao maciço e também à disponibilidade de tempo e dinheiro. Todavia. Se o valor máximo da resistência ao cisalhamento diferir muito das tensões normais. Os valores da resistência ao cisalhamento residual obtidos de testes de cisalhamento em que a amostra foi submetida à considerável deslocamento e podem ser usados para obter o valor do φ . a curva torna-se linear.Influência da água nas descontinuidades planares (ou na resistência ao cisalhamento) A presença de água na interface dos planos da descontinuidade faz com que a resistência ao cisalhamento se reduza devido a uma diminuição na tensão normal. em projetos de taludes críticos. ou pode ser material depositado na abertura de juntas como resultado dos movimentos de água através do maciço rochoso. . Testando a resistência ao cisalhamento de descontinuidades na rocha: A obtenção de valores da resistência ao cisalhamento. Testes de inclinação em que o ângulo de inclinação necessário para causar deslizamentos é medido para a determinação do ângulo básico de atrito em influência de superfícies de rugosidade em escala muito pequena. para o ângulo de atrito e para a média do ângulo de rugosidade da superfície.u).tgφ p r ). daí testes elaborados e caros não são justificáveis. φ p = ângulo de atrito de pico Para o valor de resistência ao cisalhamento residual (cp = 0). as características da resistência ao cisalhamento das superfícies da rocha podem ser aproximadas através do uso de equações específicas. Estimativa da resistência à compressão em descontinuidades e do ângulo de atrito: Quando for impossível se realizar algum tipo de teste. Em seguida. requer ensaios podendo ser realizados em sofisticados laboratórios ou in situ. típico de falhas. A influência da água nas descontinuidades planares depende da natureza do material do preenchimento. para uso em projeto.

As operações de escavação propriamente ditas são normalmente complementadas pelo carregamento do material escavado. transporte e descarga. diminuindo a mesma e a ruptura pode ser iniciada ao longo da descontinuidade. escavações para implantação de barragens. pode-se citar a mina do Cauê. portos e aeroportos. pode-se citar o desenvolvimento de canais de irrigação e de navegação. CAPITULO 10 – ESCAVAÇÕES Introdução: Escavação é o processo empregado para romper a compacidade do solo ou rocha. onde chegaram a trabalhar até 85 mil homens. a permeabilidade da argila e materiais de preenchimento similares pode ser de magnitude três a quatro vezes menores que a permeabilidade do maciço rochoso. A parte em operação até 1996 possui cerca de 50 km de túneis. dos quais a maioria já foi aberta. as escavações são divididas em dois tipos: • escavação a céu aberto. como em pequenas escavações para extração de matéria prima na construção de moradias (areia. por meio de ferramentas e processos convenientes. convivendo-se com um talude contínuo (sem bermas) de 310 m de altura e talude total de 455 m. tornando possível a sua remoção.443. tiveram a lavra iniciada em 1834. • escavação subterrânea. as escavações normalmente envolvem grandes volumes de material. argila para indústria de telhas.Em outro caso. A pressão de água se contrapõe à tensão normal aplicada. brita. abertura em corte e/ou aterro ou túneis para rodovias. pontes e viadutos. com produção total de 333 de ouro até 1996. No primeiro caso.). sendo executada em tempos inferiores. em operação a céu aberto desde 1942. reservatórios de água e outras obras civis em geral. Por exemplo. a influência da rugosidade pode ser ignorada e a resistência ao cisalhamento da descontinuidade pode ser considerada como a do material do preenchimento. além de mais 390 milhões de toneladas de estéril. quais sejam obtenção de bens minerais e abertura de espaços para fins diversos. Ainda é relevante o fato de que o preenchimento influencia a permeabilidade da rocha. ferrovias. é prudente considerar que a ruptura por cisalhamento ocorrerá através do material do preenchimento. o maior dos quais com 8 km de extensão. num volume de 230 mil m3 e um volume total de escavações subterrâneas de 510 mil m3. Podem ainda ser citados os túneis da ferrovia do aço.5 m. em minas gerais. ambas em minas gerais. cujo projeto inicial previa um total de cerca de 100 túneis com aproximadamente 100 km. podendo assim aumentar a demanda de água dentro do maciço. Já a escavação com finalidade de abertura de espaços pode envolver volumes bem menores de material. etc. tanto estéril como minério e se processam por períodos de tempo muito longos.453 m (cota de 1. Tipos de Escavação: Tradicionalmente. estes exemplos mostram a sua importância na vida do homem moderno. onde já se havia escavado até 1996 cerca de 890 milhões de toneladas de hematitas e itabiritos. centrais hidrelétricas e nucleares. Conseqüentemente. metrôs. Isto ocorre tanto na grande mineração. quais sejam a mina Velha a céu aberto e subterrânea e a mina Grande. para obtenção de matéria-prima para a indústria metalúrgica e outros bens minerais imprescindíveis. Uma escavação pode ser realizada com dois diferentes objetivos. Como exemplo. Existem ainda diferentes tipos de escavação conforme a categoria do material: 30 . Como exemplo de grandes escavações em minerações brasileiras. ou ainda implantação de fundações de edifícios. de onde foram oficialmente obtidas 41 t de ouro numa escavação totalmente manual. A explotação atingiu uma profundidade de 2. a presença de uma espessura significativa de preenchimento com material leve e fraco pode ser a principal influência na estabilização do maciço rochoso. As principais minas de ouro da mineração morro velho. Outro exemplo interessante é o do garimpo de serra pelada. da Vale. A usina hidrelétrica de Paulo Afonso IV possui uma escavação para a casa de força subterrânea de 54 m de altura por 222 m de comprimento e 25 m de largura. em análises preliminares. Quando uma descontinuidade principal com espessura significativa de preenchimento é encontrada no maciço rochoso onde será escavado um talude. Embora as escavações sejam em geral muito criticadas por ambientalistas pela degradação que representam ao meio. tijolos e cerâmicas. subterrânea. abaixo do nível do mar) e uma extensão total de galerias estimada em 100 km.

ainda. tais como rochas mais ou menos rígidas. podem provocar deformações elásticas ou plásticas e deslocamentos que se refletem principalmente em suas descontinuidades. como solo. material heterogêneo com blocos isolados de até 1 m3. Em escavações a céu aberto. aluviões. são importantes nos estudos de escavabilidade. qual seja rocha sã ou pouco alterada que não consegue ser escavada por métodos “a frio”. bem como do método de abertura e cuidados na execução. além daquelas que condicionam a perfurabilidade.• escavação comum: indicada para o chamado material de primeira categoria. Já para escavações subterrâneas. Tabela 8: Classificação dos materiais quanto à escavabilidade. eventualmente. 2) Escavabilidade: Escavabilidade é a maior ou menor facilidade do maciço em ser escavado. como dureza e tenacidade. estratificadas. etc. isso pode significar o escorregamento de taludes. bem como dos equipamentos de lavra. E ainda sobre os possíveis efeitos sobre o terreno e estruturas adjacentes. ocasionando assim um estado de tensões induzidas diferente das tensões preexistentes. dos propósitos da escavação. seu comportamento quando removido. da presença de água. pode haver desde pequenos desplacamentos superficiais até desabamento de tetos ou paredes ou ainda rompimento de pisos e. seu arranjo espacial. Depende. que devem ser desmontadas e desagregadas por equipamentos de diversos portes (tratores com escarificadores. • escavação de rocha por explosivos: para material de terceira categoria. de diferentes graus de alteração. A seleção do método de escavação requer estudos prévios sobre a natureza. que podem ser removidos diretamente por equipamentos de porte variável previamente definidos em contrato quando necessário. transporte e apoio disponíveis. da distância aos locais de disposição de estéreis. Os deslocamentos sofridos eventualmente causam o rompimento do maciço rochoso. Colapso total da escavação. seja de uma pequena porção de um banco até a movimentação de grandes massas. As características não tradicionais da rocha.) Ou mesmo com emprego descontínuo de explosivos de baixa potência para posterior carregamento e remoção. o que por sua vez é função de fatores geológicos e geotécnicos. A tabela abaixo apresenta uma classificação dos materiais quanto à escavabilidade. qualidade e quantidade do material a remover. • escavação de rocha por desagregação ou mista: utilizada em material intermediário ou de segunda categoria. que são função de suas dimensões e geometria. 31 . material decomposto. dos prazos previstos. em função da forma e seção da escavação. rompedores. Essas modificações no estado de tensão ao redor das escavações. Condicionantes geológicos: 1) Efeitos das escavações As escavações provocam descompressões no maciço rochoso envolvente.

Entretanto. um pouco distinto da dureza do mineral. distorções podem ocorrer nesse conceito. A figura seguinte apresenta uma relação entre métodos tanto de escavação como de perfuração versus a resistência à compressão uniaxial para diferentes rochas comuns no Brasil. A tabela seguinte apresenta uma classificação para diferentes durezas de rocha. Tabela 9: Classificação das rochas por dureza A tenacidade é a característica da rocha que representa a maior ou menor resistência à separação em pedaços. comparando-as com a dureza Mohs para minerais e com a resistência à compressão uniaxial.A dureza da rocha e a sua resistência á penetração por diferentes artefatos afiados é um conceito relativo. ao ser golpeada por um martelo. A resistência à tração e à compressão são também características diretamente proporcionais á maior dificuldade da escavação. associadas á sua classificação. pela presença de fraturas que interferem no rompimento ou em função da direção do golpe. Figura 17: Análise de resistência à compressão uniaxial 32 .

Normalmente. a camada superficial de solo com resíduos vegetais é estocada à parte. as juntas representam regiões de fraqueza que podem permitir um corte melhor numa dada direção.5 % em argilas. e ainda na definição da necessidade de eventuais tratamentos. Muitas vezes. para 20 a 2. entretanto. conforme mostra a figura abaixo. Decapeamento: O decapeamento consiste na remoção do solo e rocha alterada da superfície para se chegar à rocha sã. A geologia muitas vezes determina a altura das bancadas em escavações a céu aberto. acamamento. folhelhos. Cerca de 30% da crosta terrestre é formada por solos. Solos e rochas mais densos requerem maior energia para serem escavados e mobilizados. argilitos e outras rochas que podem ser escavados sem o uso de explosivos. a geometria do projeto não pode normalmente ser alterada pela presença de juntas ou acamamentos. principalmente para o desmonte de rocha por explosivos. preferencialmente paralela aos planos do principal sistema de juntas. Figura 18: Modelos de escavações CAPITULO 11 . quer pela própria adequação das malhas de perfuração e tipo de explosivo. rochosos ao passarem do estado intacto ao estado fragmentado ou desagregado. por exemplo). 33 . Escavações maiores requerem equipamentos de maior porte e atividades específicas. Esse aumento varia de 12 a 15%. Para escavações subterrâneas. xistosidade e outras estruturas. O empolamento ou expansão volumétrica é o aumento de volume que sofrem solos e materiais. quer pela estabilidade das faces.EQUIPAMENTOS E MÉTODOS DE ESCAVAÇÃO Escavações a céu aberto: Escavações em solo a céu aberto podem envolver pequenos serviços executados por homens munidos de pás e picaretas. 3) Estruturas geológicas Algumas características estruturais do maciço rochoso são de grande importância. para posterior recobrimento das escavações. Uma direção predominante de fraqueza num maciço rochoso condiciona a forma final obtida numa escavação em decorrência de sobre escavações ou overbreak que provoca. em areias e cascalhos.A densidade da rocha influi também nas condições de escavação. Determina ainda a orientação da bancada. A importância de descontinuidades e planos de fraqueza é. Esse empolamento implica numa redução na densidade do material desmontado. atingindo 34% em calcários e 45% em rochas mais duras e compactas. significativa tanto sob o ponto de vista operacional na execução da escavação propriamente dita (plano de fogo. como na forma final da cavidade aberta (contorno).

são utilizados os seguintes métodos: . as de roda de caçambas.Dragagem por sucção: usada tanto para a execução ou aprofundamento de canais de irrigação. cascalho). Além dos equipamentos utilizados no decapeamento.Dragagem por draglines ou clamshells: método cíclico com utilização de equipamentos com caçambas de diferentes capacidades. argila. etc. drenagem ou navegação. A lavra por tira (stripping mining) é um método utilizado principalmente para mineração de camadas pouco profundas. Sub horizontais e com grande extensão e volume. . que efetuam a escavação em níveis inferiores à praça em que se apóiam. Para tanto. como para extração de materiais para aterro ou uso civil (areia. Figura 19: Equipamentos usados para decapeamento Dragagem: A dragagem é usada para a remoção de materiais que estão abaixo do nível d’água.Escavações convencionais são normalmente desenvolvidas em bancadas de altura variável. sendo também utilizados para carregamento de rocha após seu desmonte por explosivos. Outros tipos comuns de dragas são as dragas de alcatruzes. silte. É muito usado no mundo todo na lavra de carvão e bauxita Figura 20: Tipos de equipamento de dragagem 34 . três equipamentos são os mais usuais para escavações a céu aberto.

que pode ser feita por diferentes métodos.Escavações subterrâneas: Escavações subterrâneas em material pouco consolidado geralmente requerem algum tipo de sustentação. ou em duas ou mais fases executivas (normalmente. executadas em diferentes condições geológicas. os equipamentos são muitas vezes específicos. Figura 21: Desenho esquemático de mina subterrânea Equipamentos de carregamento e transporte: • Carregadeiras tipo overshot: são equipamentos que coletam o material desmontado e o descarregam. sua aplicação normalmente representa um custo significativo na execução da obra. que por vezes é feito em seção plena (para seções médias a pequenas). • Pás carregadeiras rebaixadas: são equipamentos similares carregadeiras convencionais. as seções devem ser normalmente circulares. ar e gases e. Em função de tais condições. Seções circulares. muitas vezes. com seções e comprimentos muito variáveis. • Rastelos (slushers): são equipamentos que arrastam o minério a distâncias de 15 a 120 m. ainda. túneis ferroviários possuem seção em forma de ferradura. geologia e sistema de execução e fatores de segurança inferiores aos de obras civis. ou ainda raises ascendentes e winzes descendentes para interligação de níveis diferentes. Além de galerias e travessas sub horizontais. Para transporte de água. porém com perfil 35 . Normalmente. justificando investigações detalhadas e exposição á água. que podem alterar grandemente tanto o custo quanto o cronograma da obra. Assim. são utilizadas em material pouco consolidado para aumentar a estabilidade e facilitar o revestimento. seria o mais indicado para escavação a um menor custo. ou ainda inclinados tais como chutes descendentes. minério/estéril ou equipamentos. passagens ou ainda chaminés para minério e/ou estéril. abertura inicial da abóbada e posterior rebaixo). Geralmente. as abóbadas de túneis são arredondadas. bem como o próprio método de ataque. A figura abaixo mostra um esquema de mina subterrânea. sem necessidade de suporte. escavam-se também poços (ou shafts) verticais para transporte de homens. também com esses objetivos. geralmente em vagonetas. Obras civis: Cada tipo de obra civil possui diferentes características geométricas. Sendo acionados por ar comprimido ou eletricidade. Os diferentes tipos de seção são função do uso futuro do túnel. CAPITULO 12: MINERAÇÃO SUBTERRANEA: Uma mineração subterrânea exige a construção de uma série de galerias e escavações próximas e semelhantes em geometria. escavações subterrâneas necessitam de uma investigação geológico-geotécnica preliminar o mais detalhada possível para evitar-se situações imprevistas.

as profundidades de investigação tornam-se cada vez maiores e dirigidas a alvos específicos. para as mais sofisticadas (percussão e rotativa). ocorrido nas décadas de 60 e 70. ou ainda tracionados por correntes e engrenagens. • Carregadeiras de carvão: equipamentos com dois braços articulados. ou seja. • perfuração com rotopercussão (rp). quando necessário. 36 . A medida que as investigações avançam aumenta-se o número de sondagens e estas passam. • Transporte por correia transportadoras. • sondagem a percussão (sp). Além disso.mais baixo para trabalhar em túneis e galerias de pequena altura. Figura 22: Desenho esquemático com localização de equipamentos para mina subterrânea CAPITULO 13: INVESTIGAÇÕES MECÂNICAS Os processos de investigação mecânica utilizados atualmente nos estudos de geologia de engenharia no Brasil são praticamente os mesmos desde a época do grande surto de desenvolvimento de nossa infra-estrutura. Nas fases iniciais de qualquer projeto é comum o emprego intenso de métodos mais simples. semelhantes a garras que puxam o material e o direcionam para transportadores sobre correntes. • poço ou trincheira de inspeção (pi/ti). • sondagem a trado (st). buscando reconhecer as estruturas geológicas que possam interferir no empreendimento. que apresentam maior custo unitário. puxados por locomotivas elétricas (eventualmente por baterias recarregáveis). • galeria de investigação (gi). • sondagem rotativa (sr). podendo ser empurrados por homens. os de menor custo unitário. • Vagões e vagonetas ferroviários: movem-se sobre trilhos. gradativamente. Nesta fase inicial do projeto são realizadas sondagens a trado e. Os principais métodos de investigação mecânica de campo utilizados para reconhecimento geológicogeotécnico são: • sondagem a varejão (sv). escavados poços ou trincheiras com a finalidade de se obter amostras indeformadas de solos ou para mapear as paredes.

por uma cruzeta para aplicação de torque. a retirada de amostras indeformadas (solos). permitindo o exame detalhado dos horizontes perfurados. Em argila. superfícies rochosas no leito de um rio e para avaliar depósitos de areia e cascalho para uso na construção civil. Na descrição do poço podem ser feitas avaliações detalhadas da macroestrutura dos horizontes atravessados. em sedimentos inconsolidados submersos. Eles podem ser feitos tanto em solo como em rocha. Figura 23: Desenho esquemático de poço de inspeção O poço de inspeção em rocha é feitos com furos de martelete e explosivos ou com sonda rotativa de grande dimensão. a coleta de amostras volumosas de cascalho. para que seja identificada uma possível mudança de horizontes pedológicos ou de camadas geológicas. etc.2 cm). utilizam-se trincheiras de seção retangular alongada. em areia áspera e em depósitos de areia com cascalho observam-se bloqueios esparsos na cravação da haste. O trado geralmente é constituído por uma concha metálica dupla ou uma espiral que perfura o solo enquanto guarda em seu interior o material perfurado. etc. E muito importante coletar a última amostra retirada do furo e anotar o motivo da paralisação da perfuração. A coleta de amostras é feita a cada metro de avanço ou quando ocorre mudança do tipo do material perfurado. A haste geralmente penetra até 2 m no aluvião arenoso inconsolidado e o material atravessado pode ser identificado pela reação sonora e vibratória do processo. Tais poços permitem o exame direto de feições geológicas ou geotécnicas importantes do maciço rochoso. 3) sondagem a trado: A sondagem a trado é uma perfuração manual de pequeno diâmetro. ou por golpes de marreta. O equipamento é acionado por hastes de aço rosqueáveís e composto. Quando é necessário analisar grandes extensões do terreno. 37 .6 cm) entretanto. O diâmetro usual do trado é de 3” (aproximadamente 7. 2) sondagem a varejão: A sondagem a varejão é feita com uma haste lisa de ferro. em seu topo. E usada para o reconhecimento de aluviões. nos trechos iniciais das sondagens rotativas emprega se o diâmetro de 4” (aproximadamente 10. O diâmetro destes poços varia de 1 a 3 m em média. cravada manualmente. da permeabilidade. resistência do solo. feita com um trado para a investigação de solo de baixa a média resistência.1) poço e trincheira de inspeção Os poços de inspeção são escavações verticais que permitem o acesso ao interior do terreno para exame direto in situ do material. a penetração é macia.

As amostras retiradas por sedimentação da água de lavagem ou de circulação também devem ser guardadas. As amostras de trado devem ser acondicionadas em sacos plásticos ou ordenadas nas próprias caixas de amostragem. Camadas de seixos ou blocos de rocha impedem o avanço deste tipo de sondagem. O equipamento utilizado é simples e consta basicamente de um tripé. para a manutenção da umidade natural e das suas estruturas geológicas. no fundo do furo. que não podem ser atravessadas com o barrilete amostrador da sondagem a percussão. A investigação a trado geralmente é utilizada para o estudo de áreas de empréstimo de solo e de subleitos de rodovias. durante 10 minutos. esse procedimento. Elas são constituídas principalmente pela fração arenosa do solo original. A sondagem a percussão é limitada pela ocorrência de material duro. denominado ensaio de lavagem por tempo.Ensaio stp: a cada metro de perfuração é feito um ensaio de cravação de um barrilete. camadas argilosas plásticas situadas abaixo do nível d’água podem ser amostradas com trado tipo espiral.Coleta de amostras:na sondagem a percussão são coletadas amostras obtidas pelo barrilete amostrador e aquelas retiradas nos avanços dos furos . seixos ou cascalhos de diâmetro grande. . um tanque de água de 200 l e ferramentas de corte do solo. matacos. . Todavia.as amostras retiradas do barrilete devem ser acondicionadas em frascos. tubo oco de 45 cm. uma bomba de água. O diâmetro normal da perfuração é de 2.A sondagem a trado geralmente penetra somente os horizontes de solo (baixa a média resistência) e acima do nível d’água. pois os finos geralmente são levados pela água de circulação da sondagem. são feitas medidas da velocidade de avanço da sondagem com o processo de lavagem. 38 . muito aplicado em rochas sedimentares pouco cimentadas. consiste na operação padronizada dos movimentos do conjunto do trépano e hasteamento. . 5” e em geral a sua profundidade varia de 10 a 20 m. para cravar o barrilete é usado o impacto de uma massa metálica de 65 kg caindo de uma altura de 75 cm de altura sobre um ressalto na parte superior da haste. Figura 24: Desenho esquemático de sonda a trado 4) Sondagem a Percussão: A sondagem a percussão ou sondagem simples e o processo de investigação mais comum empregado na caracterização da cobertura terrosa dos terrenos naturais.Ensaio de lavagem por tempo: quando existe interesse em caracterizar a resistência de camadas muito consolidadas. com medidas do avanço do furo nesse tempo. para medida de resistência do solo e coleta de amostra pouco deformada. com quedas livres a intervalos regulares de uma altura de 30 cm. como.

denominado barrilete. O equipamento básico para a sondagem rotativa consta de uma sonda motorizada. Os trechos com baixa recuperação devido à deficiência de operação do equipamento devem ser indicados na caixa de testemunhos e no boletim de sondagem. formada pela mistura de vários metais. A operação da sondagem rotativa se faz por ciclos sucessivos de cone e retirada dos testemunhos do interior do barrilete. Existem barriletes e coroas de várias dimensões para permitir a execução das perfurações em série telescópica. hastes.Figura 25: Desenho esquemático da sonda a percussão 5) sondagem rotativa: A sondagem rotativa é um tipo de investigação feita com um tubo. 39 . com revestimento. enquanto a perfuração prossegue com um diâmetro menor. As sondas geralmente imprimem o avanço da perfuração. constituído por material que pode desmoronar. barriletes e coroas. submetidos á sinterização. onde o avanço da sonda se faz sem qualquer resistência e também devem ser indicadas. Para rochas de média e alta dureza emprega-se coroa com diamante industrial. tal como a escrita de um texto. Enfim. por vezes. dotado de uma peça cortante. Com isso é possível manter protegida. que perfura o terreno através de um movimento de rotação. bomba de água. Nas perfurações em rochas calcárias e efusivas basálticas ocorrem. pressionando o hasteamento rotatório com macacos hidráulicos. procedimento este denominado manobra. todos os fatos ocorridos durante a execução de uma sondagem devem ser criteriosamente registrados para que os resultados da investigação possam ser corretamente interpretados. Para rochas brandas utiliza-se coroa com pastilhas. parte da parede do furo. cavidades com água ou lama. que constitui a parte central da área anelar cortada pela coroa. na forma de pequenos grãos incrustados ou grânulos disseminados numa matriz. Estes devem ser dispostos na seqüência exata de sua posição no furo. Os testemunhos obtidos nas sondagens devem ser guardados em caixas de madeira ou de plástico com tampa. feita com material de alta dureza (coroa) em sua ponta. da esquerda para a direita e de cima para baixo. O barrilete geralmente tem uma camisa livre em seu interior para preservar o testemunho do terreno.

etc. para acionar o travamento depois de decorrido certo tempo. por exemplo túneis.) Pode ser feita por procedimento que assinale. Em sondagens inclinadas. ainda. Orientação dos testemunhos: A orientação dos testemunhos de sondagem e. comandos pneumáticos e ferramenta de perfuração. A sonda é constituída por uma perfuratriz (martelo). pode ocorrer desvio na direção da sondagem. Para acionar a sonda é necessário um compressor de ar ou rede de ar comprimido. forçando o barrilete e a coroa para o sentido oposto. para medir a direção e a inclinação. ocasionada por alteração diferenciada no material ou pela presença de veios de quartzo. preliminarmente. acima e abaixo dele é possível. Todo conjunto está montado em estrutura metálica e sob esteira rolante. quando ela ainda está incorporada ao maciço. Como este equipamento é de orientação magnética. no topo da primeira amostra de uma manobra possibilitando a definição da posição espacial da amostra coletada. mesmo em materiais de resistência homogênea.Figura 26: Desenho esquemático da sonda Rotativa Medida do desvio da sondagem: Em maciços rochosos com forte anisotropia de resistência mecânica. por exemplo. o furo geralmente tem 3” de diâmetro e um comprimento de até 25m excepcionalmente. de todas as feições encontradas (fraturas. Veios.em obras subterrâneas. porém. hastes. emprega-se a 40 . 6) Sondagem a Rotopercussão: A sondagem rotopercussiva é utilizada para avaliar. existe a tendência do furo é desviar-se para cima em razão das hastes ficarem apoiadas na parte inferior da seção do furo. orientar o testemunho a partir de estruturas geológicas previamente conhecidas. a retirada do material toma-se difícil. Tal equipamento é dotado dc um mecanismo de relógio. e de uma bússola com clinômetro. foliação. diques. a profundidade ultrapassa 35 m. a posição do topo da rocha e a homogeneidade de um maciço rochoso. O desvio do furo pode ser medido com o auxílio de um equipamento capaz de registrar seu rumo e inclinação. Com um segmento de testemunho orientado é possível então fazer uma montagem com os demais. não é aplicável em rochas de forte magnetismo. conseqüentemente. torre.

Os equipamentos disponíveis no mercado são automáticos e montados sobre caminhão. • executar ensaios sf1 com emprego de maneio automático. bomba de concreto projetado. Entretanto. por permitir o acesso direto ás feições frágeis do maciço. Em geral. tratores. • atingir profundidades superiores a 60 m com diâmetro de até 12”. equipamentos como compressor de ar. • construir poços de monitoramento. 8) Galeria de Investigação: A galeria constitui um elemento de investigação eficiente. há locais onde é necessário mapeá-lo. executar ensaios para determinação de parâmetros geomecânicos e fazer observações diretas quanto ás condições de fluxo da água subterrânea. Figura 27: Desenho esquemático de Galeria de Investigação 41 . Numa galeria é possível medir a posição espacial de planos de fraqueza do maciço. etc. O piso quase nunca mapeado porque os resíduos acumulados e o pisoteamento dificultam a observação das feições do maciço. sem provocar alterações nos níveis de contaminações das diversas camadas do perfil amostrado. ou hollow stem auger. Para amostragem continua de terrenos arenosos utiliza-se mola retentora no barrilete bipartido. chassi sobre pneus ou esteiras e possuem capacidade de: • abrir furos a seco com o hollow stem auger. passou a ter um uso freqüente a partir da intensificação dos estudos ambientais. 7) Trado Oco: O trado oco. além de eventuais suportes. exigindo profissionais experientes. das infiltrações. etc. a galeria de investigação é feita na fase final do projeto básico ou no início da execução. É importante ressaltar a dificuldade em medir o nível d’água durante a perfuração sendo recomendada sua medição por meio de um furo auxiliar executado nas proximidades do local investigado. campanhas de injeção e drenos. • realizar sondagens rotativas. devido á sua capacidade em recuperar amostras contínuas do maciço.rotopercussão para investigação horizontal de frentes de escavação. • amostrar de forma contínua o solo. marteletes. com a observação direta do tempo de sustentação proporcionado pelos vários tipos de maciço. da necessidade de escoramento. pois é uma investigação relativamente cara. Ela proporciona também um ótimo teste piloto das condições do maciço. visando à construção de obras subterrâneas. etc. em uma grande área de exposição. cujo principio de funcionamento foi idealizado há alguns anos. O registro do mapeamento de detalhe da galeria feito em um plano obtido por projeção das paredes e do teto.

tubulações hidráulicas. isto tem viabilizado diversas aplicações não-usuais. O processo de erosão tubular regressiva. larguras e comprimentos de 30 a 60 m. Podem acomodar instalações industriais diversas.CAPITULO 14 . fundamentalmente. etc. geralmente abaixo de 150 m e 15 m2. • no caso das áreas urbanas. como investigações de frente. por exemplo. O gradiente hidráulico e outros são apresentados os problemas mais importantes associados com a água subterrânea. para que os serviços de construção possam ser feitos. respectivamente. adução. a poropressão ou subpressão. quando se escava para a construção dos pavimentos subterrâneos de um edifício. 3) Poços: Os poços servem. podendo atingir de 30 a 60 m2 quando servem de dutos de ventilação e vencem desníveis de dezenas a centenas de metros. por exemplo. possibilitar transporte vertical de materiais e equipamentos. acrescente-se também o custo mais elevado do espaço superficial e o seu congestionamento já atingido com outras obras. Servem para acomodar conjuntos de equipamentos hidromecânicos para geração de energia elétrica ou para recalcar vazões de água bruta ou servida. Inundando-a ou provocando a instabilização das paredes da escavação por erosão interna. devido a vários fatores: • maior barateamento e rapidez dos métodos executivos. por gravidade. necessárias ao deslocamento dos equipamentos de remoção dos materiais escavados. para interligar diferentes cotas com pequeno desenvolvimento em planta. 2) Acessos e Galerias: Os acessos e galerias constituem pequenos túneis de comprimentos e seções transversais. O controle da água subterrânea. tornando necessário o esgotamento da água. subterrâneas e/ou em superfície.500 m e 15 a 75 m2 em estações metroviárias subterrâneas. sendo o tipo de obra subterrânea civil. • maior segurança devido a métodos mais adequados de reforço e tratamento de maciços. pode ser feito pelos métodos ou sistemas de rebaixa42 . Possibilitam interligações permanentes ou temporárias entre obras de maior porte. redes de distribuição. ainda. bem como os parâmetros hidrogeotécnicos que interferem no comportamento da água subterrânea nos maciços. Essa situação ocorre quando a superfície do lençol freático é alcançada pela obra de engenharia. drenagem. permitindo que o material detonado possa fluir livremente para baixo. Rebaixamento do lençol freático: A água subterrânea existente em um maciço geológico pode interferir de várias maneiras em uma obra de engenharia. Os principais tipos de obras subterrâneas civis são os túneis. como estádios esportivos. com alturas. reduzindo ou eliminando sua presença de certas partes do maciço. uma das quais é fluindo do maciço para o interior de uma escavação. Os vazamentos podem tornar-se críticos quando a água percola pelo interior do maciço com carga hidráulica elevada e aflora à superfície sob pressão. 20 a 40 m e 100 a 300 m. 1) Túneis: Atualmente. passagens de pedestres. Podem servir para transferir vazões líquidas sob pressão ou sob ação exclusiva da gravidade. armazenamento. transmissão de energia. como escavações piloto para túneis maiores. extravasando para o interior de escavações e provocando a inundação da obra. • métodos de análise mais precisos e com modelos mais representativos. 4) Cavernas: As cavernas resultam de grandes escavações. poços e cavernas. geração. Seus comprimentos e seções transversais mais comuns variam respectivamente de 150 a 1. Podem servir.TÉCNICAS DE SUSTENTAÇÃO SUBTERRÂNEAS Introdução: O espaço subterrâneo tem tido cada vez mais importância nas obras civis. Quando escavados a fogo. suas inclinações podem ser de vertical as próximas de 45º (1:1). acessos e galerias. os túneis respondem por mais de 90% do volume de escavações subterrâneas civis em todo mundo. Em sua maioria. Geralmente possuem seções transversais de 4 a 16 m 2. com o objetivo de diminuir as pressões e disciplinar seu fluxo. áreas comerciais. Água Subterrânea: A água subterrânea pode interferir de várias maneiras nas obras civis. etc. estacionamentos. para cada tipo de obra. respectivamente. fazem parte de diferentes sistemas de transporte. servir como dutos de ventilação forçada ou natural. comunicação e dutos de ventilação. etc. tais como a carga hidráulica.

a partir de um ou mais poços de coleta. conforme mostrado na figura abaixo. de forma a evitar o fechamento do pré-filtro. com um tubo filtrante na extremidade inferior com diâmetro entre 4” e 8” de aço ou pvc. filtro. como quase sempre requerem o uso de bombas hidráulicas para a extração de água.mento do lençol freático. tais como argilas e areias aluvionares. A sucção do ar reduz a pressão atmosférica no interior da tubulação e das ponteiras. A lâmina de água subterrânea interceptada flui para o interior das valetas e poços sendo bombeada para fora da escavação. Podem ser construídos com espaçamento pré-determinado. para avaliar o 43 . A extração da água é feita por uma bomba de vácuo acoplada a uma tubulação de descarga disposta ao longo das ponteiras. Acima do pré-filtro deve ser colocado um selo de solo argiloso ou bentonita. com granulometria adequada a da camada que constitui o aqüífero. são posicionados individualmente. chamado de pré. sendo necessária boa vedação das conexões. de forma a possibilitar maior eficiência de rebaixamento em função das condições hidrogeológicas locais. junto à parede da perfuração. conseqüentemente. Cavas e valetas de drenagem: As cavas e valetas de drenagem são abertas na superfície do terreno ou no interior de escavações. promovendo a retirada de água do aqüífero. com espaçamento entre ponteiras variável em função da permeabilidade do solo. Figura 28: Diagrama esquemático lençol freático Ponteiras filtrantes: As ponteiras filtrantes são empregadas para o rebaixamento do lençol freático em solos moles e incoerentes. O espaço anelar entre o tubo filtrante e a parede da perfuração é preenchido por um filtro de areia. São constituídas por tubos de aço. geralmente. geralmente de 50 mm de diâmetro providos de ranhuras filtrantes na extremidade inferior. sendo conveniente evitar o emprego de lama bentonitica para a perfuração. A perfuração é executada com revestimento sacado à medida que se coloca o pré-filtro e o selo. permitindo o rebaixamento máximo efetivo do lençol freático de 4 a 5 m. Em geral são construídas em linha. a ocorrência de erosão interna regressiva. introduzidos no terreno mediante injeção de água sob pressão e rotação dos tubos. A tubulação do poço também chamada de tubulação de descarga e o tubo filtrante devem ser centralizados na perfuração e um medidor de nível d’água instalado no pré-filtro. Os sistemas de rebaixamento recebem esse nome porque resultam num abaixamento da superfície do lençol freático e. Poços de Bombeamento: Os poços de bombeamento são empregados para o rebaixamento do lençol freático em qualquer tipo de solo e de rocha. As ponteiras filtrantes evitam o carreamento de partículas do solo e. porém. A ação combinada da injeção de água e da rotação dos tubos permite o avanço em solos moles e incoerentes. de maneira que o fundo intercepte o lençol freático. Os poços de bombeamento são construídos por meio de uma perfuração com diâmetro geralmente entre 8” e 16” na qual é introduzida uma tubulação.

desempenho do pré-filtro e do filtro. de acionamento elétrico. colocado no interior do tubo filtro e provido de uma tubulação de descarga de diâmetro compatível. O sistema de injeção. Figura 29: Desenho esquemático de um poço A extração de água é feita. apesar do baixo rendimento. 44 . submersível. de ar ou de água. em geral. tem a vantagem de poder operar intermitentemente. sem danificar o sistema. ou seja. por meio de um conjunto motobomba. quando não há água suficiente no interior do poço para ser bombeada.

executada com equipamento de sondagem rotativa ou rotopercussiva. O principio de funcionamento do dhp é a introdução no interior do maciço geológico de uma tubulação com pressão atmosférica permitindo que a eventual pressão do aqüífero seja aliviada a uma distância conveniente da face de escavação ou do talude. a maior parte da qual é constituída por um tubo filtrante. propiciando uma imediata melhoria da estabilidade. quando instalado em rocha. é utilizado para a drenagem localizada de camadas ou feições do maciço geológico. envolvendo-se o trecho perfurado com uma manta geotêxtil. O trecho filtrante é constituído por furos ou ranhuras no tubo de pvc. Nessa perfuração é introduzida uma tubulação de pvc rígido.Figura 30: Desenho esquemático de poço com bombeamento Dreno Horizontal Profundo O dreno horizontal profundo. 45 . em duas voltas de tela plástica de malha fina. mais conhecido pela sigla dhp. quando o dhp é instalado em solo ou então. O dhp é construído por meio de uma perfuração sub horizontal acompanhada por revestimento. geralmente de 38 a 50 mm de diâmetro. geralmente com diâmetro de 100 mm.

geralmente da ordem de 75 mm. sua capacidade de ser bombeada e penetrar nos vazios do maciço. aplica-se uma pressão na calda de injeção. 46 . principalmente em solo. A calda é injetada através de furos. sem tubulação ou filtro. A bentonita é utilizada para melhorar a injetabilidade da calda. ou seja. de consolidação ou de impermeabilização do maciço. normalmente com diâmetro inferior a 3 m. com o uso de caldas à base de água/cimento. tem características diferentes conforme seja o objetivo do tratamento. com diâmetros apropriados. em rocha. O maior emprego das injeções ocorre no tratamento de maciços rochosos. são instalados drenos de alívio. A proporção de água determina a viscosidade e a fluidez da calda. entretanto. com emprego de uma bomba hidráulica apropriada. As galerias de drenagem. são construídas em maciços de rocha. A água retirada é conduzida para um sistema de coleta. radialmente. chamado de calda de injeção. chamada de pressão de injeção. Por outro lado. em solo. em taludes e em cavas de mineração e drenagem de túneis. Quando não necessitam de revestimento. Cujos valores mais usuais situam-se entre 1:1 a 0. a granulometria da fração sólida da calda deve ser inferior ao tamanho dos vazios. uma vez que altas permeabilidades podem ser devidas as grandes aberturas. em geral. apesar das injeções terem sido empregadas para o tratamento de solos arenosos ou com pedregulhos. suscetível de endurecer com o tempo. podendo ser transferida para outras partes do maciço. a permeabilidade não necessariamente reflete a injetabilidade do maciço. Este produto. As caldas de injeção usualmente empregadas são constituídas por uma mistura fluida de água e cimento. porém. podem ser instaladas em maciços de solo. seu uso é limitado devido ao custo elevado de construção da galeria. nas quais são instalados a partir de galerias de drenagem. um produto líquido. próximas à fundação. geralmente. Assim. geralmente. que atravessam o trecho do maciço cujos vazios devem ser preenchidos. as próprias paredes da galeria drenam o maciço.Figura 31: Desenho esquemático de dreno horizontal Drenos de Alívio Os drenos de alívio recebem esse nome por auxiliarem na redução da pressão de água no interior do maciço geológico. Os drenos de alívio em rocha são construídos por meio de perfurações feitas. 1) caldas de cimento: As caldas de água/cimento são geralmente definidas pela proporção água/sólidos. A areia é adicionada as caldas de água/cimento quando os vazios a serem preenchidos são maiores. a partir das paredes. As galerias de drenagem têm sido empregadas em maciços rochosos sob as fundações de barragens. construídas no interior da barragem. por exemplo. a qual pode ser adicionada bentonita.5:1. com o emprego dc equipamentos de rotopercussão. Para a penetração da calda. feitos com equipamentos de perfuração. Galerias de Drenagem As galerias de drenagem são utilizadas quando é necessária a retirada de grandes volumes de água do maciço ou quando o emprego de outros sistemas é inviável ou insuficiente para alcançar o rebaixamento pretendido. quando aplicados em rocha são deixados abertos. nas fraturas de uma rocha. Injeções: O tratamento do maciço por injeção consiste em fazer penetrar nos vazios do maciço geológico. como a calda deve ser capaz de penetrar no vazio a ser obturado. São muito empregados em barragens de concreto. As injeções são também utilizadas para a fixação e proteção de ancoragens. sendo responsável pela sua injetabilidade. areia e outros produtos.

As injeções de consolidação podem ser utilizadas em maciços rochosos de fundações e taludes. por meio de cortinas de injeção ou de vedação executadas no perímetro de montante das estruturas de concreto ou ao longo do eixo em barragens de terra. maior será o raio de alcance da calda a partir do furo e a possibilidade de injeção de fraturas de pequena abertura. A geometria dos furos de injeção estão relacionados a direção e inclinação das perfurações: • das pressões de injeção. 47 . Algumas vezes as injeções são utilizadas para consolidar materiais soltos produzidos por desabamentos em túneis de forma a permitir a retomada da escavação. Nas injeções ascendentes o furo é executado até a profundidade final e a injeção é feita com o auxilio de um obturador. devido à pequena abertura das descontinuidades. devido ao tamanho mínimo das partículas de cimento. A estabilidade da calda.Com caldas à base de água/cimento. nesses casos segundo uma malha geométrica ou em escavações subterrâneas de maciços muito fraturados. • dos equipamentos de injeção. Quando o fluxo de calda é pequeno. a pressão da calda no interior da fratura será rapidamente equalizada. • dos procedimentos de injeção. da posição do lençol freático e das perdas de carga na tubulação de injeção. o tempo para que ocorra a sedimentação da fase sólida da calda também é importante para a injeção. As pressões de injeção dependem da densidade da calda. Quanto maior a pressão de injeção. As injeções de impermeabilização ou de vedação são muito empregadas em barragens. • dos critérios de recusa. ou seja. posicionado na extremidade superior de cada trecho a injetar.1 mm não são injetáveis. permitindo a utilização de pressões de injeção mais altas. Tabela 10: Tipos da Calda 2) Injeções de Maciços Rochosos: As injeções de maciços rochosos podem ser feitas para a sua impermeabilização e para a sua consolidação. A geometria dos furos de injeção depende essencialmente das características das descontinuidades a serem obturadas. Nas injeções descendentes o furo é executado até a profundidade do primeiro trecho de injeção executandose a injeção do trecho com um obturador posicionado no topo do trecho. fraturas com abertura abaixo de 0.

utilizando o revestimento temporário do furo para apoio do obturador. ou seja. tais como areia fina e silte. mediante o uso de cimentos ultrafinos e adição de bentonita. são usadas para solos de granulometria fina. 48 . 3) Injeções de maciços de solo: O tratamento de solos granulares. Caldas constituídas por misturas de silicato de sódio e ácidos. de baixa permeabilidade.Figura 32: Etapas da Injeções Ascendentes e Descendentes Após a pega da calda inicia-se o furo no trecho injetado prosseguindo com a perfuração até o final do segundo trecho de injeção. que produzem um gel de silicato ou sílica gel e caldas á base de resinas. são fixados em função da extensão a ser tratada. repetindo-se a seguir as operações até alcançar a profundidade final do furo. pode ser feito utilizando caldas de cimento de composição mais estável. em particular areias e cascalhos aluvionares. caso necessário. paralisando a injeção ou substituindo a calda em uso. o momento em que o bombeamento de calda é interrompido. das características da calda e da quantidade de calda já injetada. Entretanto. São empregados os métodos de injeção descendente ou ascendente. Os critérios de recusa de calda. em várias fases. o procedimento mais recomendável consiste no emprego de tubos com válvula tipo manchete por permitirem operações de perfuração e injeção independentes e a retomada da injeção.

para permitir a escavação de um túnel ou definitivamente. Existem inúmeros métodos de reforço de maciços de solo. Com o auxílio de um obturador duplo. reduzindo assim a carga aplicada para a carga de trabalho. cuja injeção é difícil. o processo provoca a expulsão da água dos poros. por exemplo. A técnica consiste na execução de perfurações na área a ser tratada. A técnica consiste.furações de uma argamassa de calda de cimento. O hidrofraturamento é empregado em solos de granulometria fina. a tubulação de injeção com obturador. sobre o terreno a consolidar ou compactar. aumentando sua densidade. a calda de injeção é aplicada em uma válvula por vez. Vibrocompactação é empregada em solos granulares não coesivos. Essa redução é obtida pela expulsão da água ou do ar dos poros intergranulares e pelo rearranjo das partículas do solo. essencialmente. a qualquer tempo. sua impermeabilização. O congelamento é obtido pela introdução de nitrogênio líquido no solo. a vibrocompactação. reduzindo o índice de vazios e aumentando a densidade. para se obter o mesmo adensamento . São empregadas massas de 6 a 20 toneladas caindo de 20 m de altura. é superior a admissível. como uma argila mole. A compactação dinâmica consiste na aplicação de cargas dinâmicas no solo por meio de impacto em queda livre de uma grande massa na superfície do terreno. em situações de emergência. voltando-se a aplicar tto tubo com válvulas manchete. dispostas em malha adequada. Reforço de Maciços de Solo: São conhecidos como métodos de reforço de maciços de solo os processos que promovem a melhoria das características do solo in situ. ou seja.A válvula manchete consta de um anel de borracha flexível envolvendo externamente trechos perfurados da tubulação de injeção. A injeção pode ser retomada. sendo empregada para aumentar a capacidade de carga de solos moles e fofos e para interromper a ocorrência de recalques em estruturas. aproximando-as uma das outras. Em ambos os casos. a compressibilidade do solo diminui e sua densidade aumenta o que leva ao aumento da sua resistência. porém. mediante diminuição do índice de vazios. dotadas de tubo com válvulas manchete em cotas determinadas reduzindo a permeabilidade vertical de maciços de solo. por exemplo. O processo é bastante útil. conhecida como índice de vazios. O reforço do solo pode ser necessário transitoriamente. Em geral é utilizado quando a deformação esperada. cuja temperatura é de -196ºc através de perfurações ou pela circulação de uma resina. para contenção de processos de desplacamento. durante ou após a construção de uma obra sobre tais tipos de solo. em antecipar a deformação. rompendo a borracha e permitindo a penetração da calda no solo. os recalques da obra fiquem dentro de limites toleráveis. no local onde os mesmos ocorrem. Processos de adensamento e consolidação: Os processos de tratamento de maciços de solo por adensamento e consolidação constam. O congelamento do solo consiste na redução da temperatura da água contida no solo até sua solidificação. Em solos coesivos acima do lençol freático. Os métodos de adensamento e consolidação usuais são o pré-carregamento. a compactação dinâmica e a injeção compactada Pré-carregamento é usualmente empregado para adensar solos de baixa consistência. Os vibradores têm diâmetro entre 300 e 460 mm e comprimento de 3 a 5 m permitindo o tratamento do solo até cerca de 35 m de profundidade. resfriada a uma temperatura entre -25 e -30ºc em tubulações com circuito fechado. depois de concluída a construção. em per. basicamente. O processo consiste na perfuração do solo com um equipamento cuja vibração anula as forças que atuam entre os grãos do solo. é feita a construção de um aterro com altura superior à prevista. No caso de aterros. propiciando a melhoria da resistência do solo e também. de aço ou pvc rígido. sem ser necessária a sua remoção. quando é possível o rearranjamento dos grãos. de uma carga superior à carga de trabalho que será aplicada pela obra construída. Em solos granulares. aumentando a densidade abaixo do lençol freatico requer-se muito mais energia ou seja sucessivas aplicaçoes da carga. o processo provoca o rearranjo das partículas de solo. A deformação é acelerada pela aplicação. A argamassa injetada sob pressão no fundo do furo não penetra nos poros de solo formando um bulbo com diâmetro de até 1 m que desloca o solo ao redor da perfuração. da redução na quantidade de vazios presentes no solo. 49 . contendo argila para torna-lá mais plástica e areia para elevar o atrito. de forma que. A injeção compactada consiste na introdução. somente serão abordados a injeção a alta pressão ou jet grouting e os métodos de consolidação e adensamento ou compactação dos solos. conforme mostrado na figura após a ocorrência da deformação no solo e do conseqüente recalque do aterro remove-se a altura excedente.

8 m. erguendo-se gradativamente a haste. desde que a resistência ao corte do solo seja compatível com a força do jato. O processo permite a justaposição das colunas. deve se confrontar as várias alternativas possíveis.4 a 0. O jateamento e a rotação da haste permitem o rápido avanço da perfuração até a profundidade desejada. criando uma parede no interior do maciço. Outro fator a ser considerado é o comportamento do maciço. o último fator analisado é o custo global por tonelada de minério. Figura 33: Desenho esquemático da Injeção a Alta Pressão Ao final do processo obtém-se um cilindro de argamassa chamado de coluna. com diâmetro usual entre 0. que era anteriormente auto-suportável. do ponto de vista técnico e econômico.Injeção a Alta Pressão: A injeção a alta pressão e usualmente conhecida pela denominação de jet grouting vem sendo cada vez mais utilizada devido rapidez e flexibilidade de aplicação. entre 200 e 320 m/s desagrega o solo ao redor da perfuração ao mesmo tempo que produz uma argamassa pela mistura dos grãos do solo com a calda. visando encontrar um ponto ótimo. Para os custos de suporte de mina. CAPITULO 15: SISTEMAS DE SUPORTE Introdução: A seleção do método de suporte para uma escavação no subsolo depende de uma série de fatores. substitui-se a alimentação por uma calda de água cimento. sendo afetado pela dimensão da escavação e pela facilidade de manuseio Na seleção do tipo de suporte a ser empregado. sob alta pressão. os elementos de maior significado a serem considerados são os seguintes: • Custo inicial do material: diz respeito à disponibilidade • Custo de fabricação: envolve custo do equipamento e do trabalho especializado requerido • Custo de manuseio e transporte: relativo à dimensão e “peso” requeridos e equipamentos • Custo de instalação: relativo à simplicidade. O processo de jet grouting aplica se a todos os tipos de solos granulares. O jet grouting consiste na introdução no solo de uma haste de perfuração com diâmetro entre 60 e 100 mm dotada de uma ponteira com bicos de jato alimentados por água sob pressão. 50 . apesar do custo relativamente elevado. Na seleção do suporte três fatores são importantes. O jato de calda. podem ser consideradas cinco condições básicas de comportamento do maciço: • A rocha tem comportamento similar ao de um material plástico. tais como areias e cascalhos também pode ser utilizado em solos coesivos constituídos por argilas. Numa visão simplificada e de cunho prático. Numa mina. de alta velocidade. A seguir. ao tempo e equipamento requeridos • Vida útil: diz respeito à manutenção e substituição necessária e possíveis reutilizações • Custo global: relacionado à resistência e à aplicação eficiente do material. O objetivo primário de um sistema de suporte é mobilizar e conservar inerentes as forças do maciço rochoso. com os itens acima. conforme mostrado na figura abaixo.

em geral uma barra de aço. • Prevenção de afluxo de água. quando a solicitação imposta por uma obra de engenharia ultrapassa a capacidade de auto-suporte do maciço. como galerias de acesso. introduzindo um esforço compressivo no maciço entre as duas extremidades da barra. pela melhoria de suas características de resistência. do maciço. As chamadas obras de contenção a céu aberto tais como os diversos tipos de muros de arrimo (gravidade. • Subsidência superficial (que pode resultar de colapso). em perfurações no maciço natural. Para isso. Posteriormente tracionada. o tracionamento é chamado de protensão. quadros etc). para atingir o comprimento desejado ou substituída. compreendem a utilização de tirantes e chumbadores. • Rochas moles ou finamente estratificadas exigem suportes ao longo de linhas (vigas. de manuseio mais fácil. que são elementos aplicados à superfície escavada. em sua porção rosqueável. concreto armado e cortinas cravadas. Sistemas temporários são utilizados para permitir que a escavação seja feita com segurança ou. bem como pelo método de lavra. na forma de sistemas temporários ou definitivos. Nos tirantes. representados por ancoragens e enfilagens. crib walls e saco-cimento). túnel. galeria ou realce)? • A necessidade de suporte é temporária ou permanente? • O suporte necessário é contínuo ou permanente? Em relação à necessidade fundamental de manter a via subterrânea aberta. As ancoragens podem ser ativas. A rocha é auto-sustentável. ou passivas. • Rochas intensamente fraturadas requerem suporte de toda a área (revestimentos). Nos chumbadores a barra é introduzida na perfuração e injetada ao longo de toda a sua extensão. A necessidade de suporte contínuo ou descontínuo é influenciada pela estrutura da rocha. que é obtido pela aplicação de torque numa porca na extremidade da barra. devem ser examinadas algumas considerações. diversos fatores podem influir no requisito de sua permanência. ocorrendo o racionamento com os deslocamentos iniciais. concreto projetado e diversos outros métodos. A barra de aço pode ser emendada por luvas. Ancoragem: As ancoragens constam da introdução de um elemento resistente. Os sistemas de suporte são largamente utilizados em obras subterrâneas nas quais são geralmente. parafusos de ancoragem etc).• • • • A rocha tem comportamento similar ao de uma pilha irregular de blocos que interagem entre si. fazendo com 51 . que é expandida pelo giro da própria barra de aço a partir de sua extremidade externa. a barra é fixada no fim da perfuração. presa à extremidade interna da barra de aço. podendo ser aplicados isoladamente ou em associação. Os sistemas de suporte destinam-se a conter deformações e deslocamentos do maciço os a recompor o confinamento do maciço. Nem o suporte nem o método de lavra podem ser relacionados independentemente. Um terceiro fator a ser considerado na escolha do suporte está relacionado com o método de lavra. em ancoragens provisórias. A rocha trinca ou explode em virtude das altas pressões. executadas com equipamentos rotopercussivos a ar comprimido ou hidráulico. sendo chamadas de tirantes. de pequena magnitude. Nos tirantes. restringindo a deformação e a movimentação do maciço. • Rochas coesas e maciças necessitam apenas de escoramento pontual (esteios. com terra armada e solo reforçado com geotéxtil geralmente utilizados para a estabilização de taludes. Sistemas definitivos são empregados para estabilizar a escavação durante toda a sua vida útil. tanto para obras a céu aberto como subterrâneas. Os sistemas de suporte. conhecidas como chumbadores. tais como: • Que tipo de abertura necessita de suporte (poço. trinca ou expande-se devido a sua exposição ao ar ou à umidade. para a estabilização de obras transitórias. O sistema mais comum de fixação mecânica dos tirantes consta de uma coquilha. as cortinas atirantadas e microestacas e as obras de reforço de aterros. por barras de fibra de vidro. durante o tempo necessário à extração. Uma seleção inteligente do método de lavra pode reduzir os problemas de suporte e também uma seleção inteligente do suporte pode tornar viáveis métodos mais onerosos. inclusive gabiões. São ainda utilizados para introduzir um confinamento suplementar. A rocha é frágil. que são elementos introduzidos no maciço. externa à perfuração pressionando uma placa de apoio. mecanicamente ou com substâncias aderentes. melhorando suas características de resistência e por concreto projetado e cambotas metálicas. São eles: • Ventilação.

Os tirantes de coquilha podem ser injetados com calda de cimento. A fixação por aderência geralmente é feita pela introdução de uma resina de poliéster. Nos tirantes de resina. empregam-se duas resinas com tempo diferente de endurecimento. utilizados em sistemas de suporte temporário e podem ser empregados em sistemas definitivos. geralmente. 52 . sendo também usados para a fixação de telas metálicas em concreto projetado.que a coquilha se prenda na parede da perfuração. Podem ser empregados para a contenção de blocos de rocha ou para o reforço de paredes de escavação. sendo aplicados esporadicamente. desde que. seguindo-se seu endurecimento e fixação na parede da perfuração. em solo. na extremidade do tirante para a fixação e uma lenta. para proteção contra a corrosão. quando utilizados em sistemas temporários. em ambos os casos. ao longo de todo o espaço anelar. Figura 34: Desenho esquemático de tirantes Os tirantes. em função das condições geológicas locais. provocando sua mistura. O giro da barra adere a resina e seu agente endurecedor. devido à facilidade e rapidez na instalação. o sistema tem sido bastante utilizado. ao longo da barra. liquida ou pastosa colocada no furo antes da introdução da barra. para a fixação de dutos e outras estruturas e. para melhorar a proteção contra a corrosão. Os chumbadores em rocha são. como elementos resistentes. são geralmente empregados para evitar o desprendimento de blocos de rocha das paredes de escavação. uma rápida. sejam permitidas as deformações necessárias para seu funcionamento. entre o tirante e a parede de perfuração.

f = fator de segurança.Figura 35: Desenho esquemático de tirantes Figura 36: Desenho esquemático da localização de tirantes O número de tirantes (n) é dado por: n=p x f / b Sendo: P = peso da cunha de rocha. além de drenos de alívio. Na zona de falha. foram empregadas duas camadas de concreto projetado. No caso ilustrado. foi prevista a escavação de uma cavidade e seu preenchimento com uma camada de lã de rocha. juntamente com concreto projetado. 53 . normalmente. 2 < f < 5. Em obras subterrâneas. devido à possibilidade de ocorrência de minerais expansivos. dependendo do risco envolvido. com tela intermediária e chumbadores aplicados sobre a tela. os tirantes e chumbadores podem ser empregados. para confinar zonas de falha ou zonas cisalhadas. b = capacidade de carga de cada tirante.

diâmetros. Produzidos à quente em centrifugas. A camada de lã de rocha tem a finalidade de absorver eventuais tensões de expansão.Figura 37 Desenho esquemático e roteiro para instalação de tirantes Esse material. de acordo com os fabricantes. sendo inerte e deformável. comprimentos e os métodos de fixação e proteção são muito variados. é constituído por fios muito finos de quartzo e feldspato. com diâmetros entre 20 e 32 mm. A zona de resistência incrementada funciona como um arco reforçado de rocha. atingindo 30 a 40 m de comprimento total e as cargas de trabalho de 150 a 500 kn. Os tipos de tirantes. Contendo os deslocamentos e deformações do maciço situado logo acima do túnel. evitando sua aplicação diretamente sobre o concreto projetado. Usualmente são empregadas barras de aço comum ou especial. em segmentos de 2. semelhante à lã de vidro.5 a 5 m. Figura 38: Arco de rocha reforçado por tirantes 54 .

em que a mistura é bombeada a seco. Figura 39: Desenho esquemático de aplicação de concreto projetado A via seca permite melhor adaptação às condições do maciço. com a mistura sendo chamada de gunita. projetada como um jato de alta velocidade.Concreto Projetado: O concreto projetado é uma mistura pastosa de água. de forma a evitar seu desplacamento. conhecido como mangoteiro. Traduzido por concreto projetado o processo foi inicialmente utilizado em galerias de mineração e recuperação de estruturas e na construção de silos e tanques. O concreto projetado deve ser aplicado com a maior pressão possível para assegurar compacidade adequada. principalmente quando na presença de água. geralmente para acelerar a pega do cimento e para melhorar as características de bombeamento da mistura. em que a mistura é bombeada com água. tem sido adotada a incorporação de areia de granulometria muito fina. Na década de 50. recebendo ar comprimido na saída da bomba ou junto ao bico de projeção. Entretanto. o concreto projetado passou a ser utilizado no sistema natm (newaustrian tunneling method) de construção de túneis tornando-se o principal procedimento deste método. Fibras de aço e de polipropileno têm sido usadas para melhorar a resistência á tração do concreto projetado. no qual é aplicado 55 . Mais recentemente. chamada de microssilica. recebendo a água apenas no bico de projeção ou alguns metros antes do bico e por via úmida. cimento e areia. O concreto projetado é largamente utilizado na construção de túneis em solo e rocha. especialmente para melhorar a aderência do concreto projetado. por bombas especiais. a pressão deverá ser reduzida. podendo conter aditivos. Os primeiros sistemas para aplicação de concreto projetado foram apresentados em 1910 nos Estados Unidos. Mais tarde o processo de aplicação da mistura foi chamado de shotcrete (1966). A via úmida permite o melhor controle das características tecnológicas da mistura. em maciços menos resistentes. reduz a reflexão da mistura na superfície tratada e é menos dependente da habilidade do operador. O sistema de projeção pode ser por via seca. Podem ser usados diversos aditivos. em fluxo de ar de alta velocidade. formando uma camada sobre a superfície a ser tratada.

no menor intervalo de tempo possível após a escavação do maciço. Tem sido. por razões práticas e econômicas. sendo essencialmente empírico.como sistema de suporte temporário e definitivo. Para solos residuais e rochas sedimentares brandas. intercalada a 5 cm abaixo da superfície. a aplicação como suporte temporário. principalmente em túneis escavados em maciços de solo. geralmente é aplicado com espessura de 5. A tela pode ser fixada com pinos sobre a primeira camada ou. O dimensionamento da espessura da camada de concreto projetado. em túneis para finalidades hidráulicas. Como revestimento definitivo. 56 . Para funcionar como suporte temporário o concreto projetado deve ser aplicado tanto em túneis em solo ou em rocha. evitando o desplacamento e a queda de blocos usuais nesse tipo de maciços. consiste numa camada com espessura de até 20 ou 25 cm. com uma tela de aço. geralmente idêntica à primeira. como chumbadores. cada vez mais aplicado como revestimento. Também pode ser aplicado como revestimento. Em túneis em rocha dura. quando utilizado como suporte definitivo. geralmente. de malha quadrada de 10 cm de abertura. Figura 40: Desenho esquemático de concreto projetado em túneis de solo e rocha É muito útil em maciços rochosos estratificados ou foliados. 10 ou 15 cm. com ou sem teta metálica. dependendo do grau de fraturamento e da presença de água. o concreto projetado. reduzindo as irregularidades das paredes do túnel e a perda de carga decorrente de fluxo turbulento. em função da atitude das descontinuidades. adiciona-se uma segunda camada. sobre o maciço. seja para suporte temporário ou definitivo e para revestimento.

as cambotas são. Em solos de baixa capacidade de carga. os empuxos decorrentes das deformações do maciço. Podem ser constituídas por barras de aço. de 1 m. Geralmente. apoiadas diretamente no piso do túnel. em geral com cerca de 3 m de comprimento ou com chapas de aço. parcialmente. de até 100 mm de diâmetro e com comprimento de até 15 m. A enfilagem de bulbo contínuo é instalada mais rapidamente e permite um melhor controle da calda do que a enfilagem tubular. São utilizadas em travessias de falhas e zonas cisalhadas e em trechos de rocha muito alterada ou de solo. As cambotas podem ser constituídas por perfis de aço tipo i ou h ou por treliças de barras de aço. Nos túneis em rocha. podendo alcançar de 10 a 20 m adiante da frente de escavação. variando de 0. as cambotas são constituídas por elementos metálicos. Enfilagens cravadas: são de execução muito simples. para fins de escavação. transferindo as cargas para o piso do túnel. As cambotas escoram. São introduzidas no maciço através de perfurações. encontrados em túneis em rocha e em túneis em solo.5 a 1. usualmente. de dentro para fora. através do qual é feita a injeção de cimento por meio de válvulas manchete ou pela extremidade do tubo. apoiando-se no piso do túnel. de forma a possibilitar sua escavação. os pés das cambotas podem ser apoiados em sapatas de concreto para adequar a distribuição dos esforços à capacidade de carga do solo. com comprimento entre 2 e 3 m. O espaçamento entre cambotas é. sendo aplicadas em túneis de diâmetros maiores. introduzidas com auxílio de marteletes pneumáticos. os pés das cambotas podem ser travados entre si. introduzidos no solo através de perfurações e submetidos a injeção de calda de cimento. As enfilagens podem ser constituídas por perfis metálicos de aço. geralmente quando o tempo de auto sustentação é muito reduzido. Enfilagens injetadas: podem ser tubulares ou de bulbo contínuo.5 m. aplicadas em túneis de até 3 m de diâmetro. injetados com calda de cimento. construídos em segmentos. introduzindo-se a barra ou tubo de aço após completada a injeção.Cambotas Metálicas: As cambotas metálicas são utilizadas como sistemas de suporte em túneis. Figura 41: Desenho esquemático enfilagem tubular injetada 57 . cravados no solo ou por perfis e tubos de aço. aparafusados ou soldados de forma a se amoldarem às paredes de escavação. O agulhamento consta da instalação de tubos de pvc rígido. da frente de túneis em solo. ou quando ocorrem esforços laterais. sendo aplicadas em solos de baixa resistência. acompanhando a abóboda do túnel e as paredes. Bulbo contínuo: a calda de cimento é injetada na perfuração. Enfilagens: As enfilagens são utilizadas para o reforço de maciços de solo. acima da abóboda de túneis. Em túneis construídos em maciços de solo. em geral. introduzido em perfurações horizontais feitas na frente de escavação proporcionando o reforço da frente com o avanço da escavação e o agulhamento é destruído e refeito para o próximo avanço do túnel. Agulhamento: utilizado para a estabilização transitória. o formato de um arco. São instaladas a partir da frente do túnel para a escavação do trecho seguinte. por meio de segmentos de cambotas instalados sobre o piso ou por uma camada de concreto projetado ou concreto armado. cravadas lado a lado. Enfilagem tubular: consta de um tubo de aço introduzido na perfuração.

necessidade de mão-de-obra qualificada. • Fogueiras ou gaiolas. galerias. possibilitam alta produção. Tipos: • Arcos metálicos • Arcos articulados • Arcos deslizantes. é necessária a formação de uma linha de desabamento. a sustentação proporcionada pelos esteios e normalmente completada com a instalação de peças adicionais. segurança na frente de trabalho. as pilhas também são colunas que se apertam contra as superfícies. resultando uma predominância de esforços de compressão. O arco circular fechado resiste quinze vezes mais que o quadro trapezoidal. • Pilares artificiais. admitem pequenas variações na espessura da camada lavrada. além dos esteios e pilhas. Os arcos apresentam. as condições 58 . a sustentação provisória descontínua é proporcionada. Estas linhas são conseguidas através do emprego de estruturas de sustentação bem mais resistentes que os esteios colocados isoladamente. esteios metálicos de atrito e esteios hidráulicos. Pilhas: Tal como os esteios. Podem ser de madeiras ou metálicos. em relação aos quadros. em escavações horizontais ou inclinadas. aos quais ela resiste melhor aos de flexão. curva característica). quando utilizados isoladamente constituem a forma mais simples de escoramento. ou seja. estas estruturas devem proporcionar uma reação elevada e uniforme ao teto. enchimento. Silveira (1987) descreve as baterias de esteios. Desvantagens . são peças alongadas. Os esteios podem ser de madeira (resistência e deformabilidade. pois visa conferir segurança e economicidade a uma escavação hipotética. por quadros e arcos. obter com o Maximo de realidade. via de regra. podem ser construídos com trilhos ou perfis metálicos ou de concreto. nas aberturas mais amplas. Concepção dos suportes na mineração subterrânea: A afeição geométrica e adequação de suportes para aplicação em mineração subterrânea é um trabalho muito importante. atuando assim como verdadeiros pilares. comparada ao seu comprimento. Recentemente. ou seja. Vantagens .altos custos de investimento e de manutenção. e que são instalados de forma a que sejam solicitadas unicamente a compressão axial. diferindo dos esteios apenas por apresentarem maiores seções. São empregados para a proteção das zonas de trabalho nos alargamentos realizados segundo qualquer dos princípios de lavra. os pilares artificiais e os suportes hidráulicos auto-marchantes. A estas se dá o nome de pilha. alta eficiência. que são instalados. com seus planos situados normalmente ao eixo da escavação. sendo assim destinadas ao suporte de maiores cargas. Nos trabalhos subterrâneos com desenvolvimento linear (poços. São empregadas nos painéis de lavra. e de modo geral. São também usadas nos métodos de lavra que deixam aberturas amplas e em áreas onde se desenvolvem fortes pressões. as fogueiras. Os arcos são pórticos constituídos de elementos curvos (não necessariamente circulares) ou de elementos curvos montados sobre montantes retilíneos. em áreas onde desenvolvem várias pressões. unwedge e phasis). é que foi feita uma revisão geral dos tipos de suporte existentes e procurou-se através do uso de programas computacionais específicos (dips. um trabalho desse cunho foi desenvolvido no Canadá. qualquer que seja o método adotado (abatimento do teto. rampas). de madeira ou metálica entre a cabeça do esteio e o teto da escavação. abandono de pilares).pequena convergência.Esteios: Os esteios também denominados pontaletes ou escoras. podendo-se considerar que tais estruturas exercem funções análogas às dos pilares de rocha. de pequena seção transversal. Um ponto importante desse projeto. Quadros e Arcos: Quadros ou jogos são pórticos constituídos de elementos retilíneos que se instalam nas seções das escavações com desenvolvimento lineares (poços verticais ou inclinados e galerias). a vantagem de distribuir de maneira mais favorável as pressões que atuam sobre a estrutura. Tipos: • Bateria de esteios. • Pilhas hidráulicas Nos métodos de lavra onde se deseja o abatimento do teto. entretanto.

Parafusos ancorados mecanicamente para prender blocos junto à rocha vizinha. formando blocos e cunhas.. Split sets são adequados para suportar pequenas quantidades em risco. sustentação temporária e em conjunto com quadros metálicos. com um pouco de interseção entre planos de fraqueza. A escolha do tipo de suporte a ser instalado em uma determinada escavação subterrânea depende da extensão sobre a zona fraturada (aliviada) em torno da escavação e das condições gerais do maciço. Tabela 10: Sugestão do tipo de suporte para várias condições da rocha. 59 . Se não for viável o concreto projetado. Camada de concreto projetado com aproximadamente 50 mm de espessura. Baixa tensão in situ. pela tensão induzida. Condição de tensão baixa. Os suportes poderiam ser instalados antes de ocorrerem movimentos significativos. geradas por boa detonação. Falhas nas juntas da rocha. Abaixo. Cabos antitensionáveis podem ser usados. e entre ½ e 1/3 da extensão para aberturas de 6 a 12 m. onde for requerida maior segurança . como as cavilhas. agiliza e trabalha com a margem de segurança previa para as mais diversas condições. como concreto projetado. Instale este reforço durante o desenvolvimento do avanço do desgaste e dos pontos de contração. Primeiras indicações de falhas provocadas pela alta tensão são notadas em paredes perfuradas e em esquinas de pilares. Rochas de qualidade muito baixa.. parafusos ancorados mecanicamente e cabos com os suportes passivos. Todo o aparato computacional adéqua. Baixa tensão in situ. com danos causados pela detonação. Adição de micro-sílica e fibras de aço reduzem a reflexão e aumentam a força do concreto projetado em curva.. Pontos de contração desenvolvidos em rocha boa. usados em escavações permanentes. Rocha sã. Telas soldadas. Espaçamento: metade do comprimento da cavilha. Usar parafuso ancorado com cimento (“grouted rebar”) para resistir à deterioração e para suporte dos cumes dos pontos de contração. promovendo dessa maneira uma otimização das operações de suporte em minas subterrâneas. telas e malhas de aço que suportam cargas de blocos de rochas isoladas de descontinuidades estruturais ou zonas de rocha fraturada. com pequenos blocos pendendo da superfície causando deterioração. mas parafusos ancorados mecanicamente são menos adequados para esta aplicação. Escolha do tipo de suporte: A sustentação de aberturas subterrâneas geralmente combina os efeitos dos suportes ativos. O comprimento típico do reforço poderia ser metade da extensão de aberturas com pouco menos de 6 m. Rocha sã . para prevenir queda de rocha aliviada. Tipo de suporte sugerido Não é preciso suporte. mantidas tensionadas por parafusos ancorados mecanicamente.mecânicas e estruturais que existem em um maciço em estudo. Rochas em blocos encerrados por juntas. mas sujeitos a altas tensões e desgaste durante detonações. O padrão de suporte é cavilha cimentada ou swellex. um guia bem simples para seleção dos tipos de suportes. se insuportáveis. Baixa tensão in situ.com pouca interseção de juntas ou camadas planas resultando em queda de blocos. Não usar concreto projetado ou telas em pontos de contração. usar telas e split sets ou swellex. com falhas e Concreto projetado reforçado com fibras pode ser usado para zonas de cisalhamento (parafusos ou cavilhas não sustentação permanente sob baixas condições de tensão ou para podem ser ancorados neste material). Condições da rocha Rocha sã com paredes lisas.usar tela de aço para prevenção de queda de pequenos blocos.

existem hoje diversos softwares que auxiliam nesta análise. Neste sentido. características de descontinuidades e geometria de escavação para obter valores representativos que propiciem uma base racional para decisões acerca da engenharia de rochas. através de instrumentação adequada. As empresas de mineração têm desenvolvido classificações específicas para o seu maciço em particular. O objetivo de uma classificação geomecânica é processar informação sobre propriedades do material rochoso. do tempo de auto suporte e da estrutura mais adequada de sustentação.Classificações geomecânicas As classificações geomecânicas de uma forma geral. indicativos do vão máximo sem suporte. em função da classe definida para o maciço. Mas que só são efetivos quando o usuário conhece as características do maciço. 60 . a partir de determinados parâmetros.