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Princípio do contraditório e da ampla defesa

Princípio do contraditório e da ampla defesa

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Princípio do contraditório e da ampla defesa

O Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa é assegurado pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, mas pode ser definido também pela expressão audiatur et altera pars, que significa ³ouça-se também a outra parte´. É um corolário do princípio do devido processo legal, caracterizado pela possibilidade de resposta e a utilização de todos os meios de defesa em Direito admitidos.

Índice

Interesse público
Tal princípio não se trata de uma benesse do Estado aos seus governados, mas uma questão de ordem pública, sendo essencial a qualquer país que pretenda ser, minimamente, democrático.

Abrangências
No meio processual, especificamente na esfera do direito probatório, ele se manifesta na oportunidade que os litigantes têm de requerer a produção de provas e de participarem de sua realização, assim como também de se pronunciarem a respeito de seu resultado. Abrange qualquer tipo de processo ou procedimento, judicial, extrajudicial, administrativo, de vínculo laboral, associativo ou comercial, garantindo a qualquer parte que possa ser afetada por uma decisão de órgão superior (judiciário, patrão, chefe, diretor, presidente de associações, etc). Tal princípio não encontra, no entanto, aplicação no campo de procedimentos inquisitivos e investigatórios, como o inquérito policial, procedimentos judiciais e administrativos de cunho meramente investigatórios, sendo que o investigado pode ser até afastado de suas atividades através da suspensão do contrato de trabalho, em casos de inquérito administrativo no âmbito da CLT, ou, até mesmo, ser preso, nos casos de prisão preventiva do acusado que pode atrapalhar as investigações.

Contraditório
É inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há de ser ouvida também a outra, dando-lhe oportunidade de resposta. Ele supõe o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação. O Princípio do Contraditório exige:
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a) a notificação dos atos processuais à parte interessada; b) possibilidade de exame das provas constantes do processo; c) direito de assistir à inquirição de testemunhas; d) direito de apresentar defesa escrita.

Ampla defesa
Esta deve abranger a defesa técnica, ou seja, o defensor deve estar devidamente habilitado, e a defesa efetiva, ou seja, a garantia e a efetividade de participação da defesa em todos os momentos do processo. Em alguns casos, a ampla defesa autoriza até mesmo o ingresso de provas favoráveis à defesa, obtidas por meios ilícitos, desde que devidamente justificada por estado de necessidade.

Bibliografia
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BRASIL. Constituição (1988) Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988. 168p. PORTANOVA, Rui. Princípios do Processo Civil. 4.ª edição. Editora Livraria do Advogado. Porto Alegre, 2001. P. 125.

Definições para "Princípio do contraditório"

Princípio do contraditório - 1) Modalidade indicadora de que ninguém pode ser condenado criminalmente sem que lhe seja assegurado o exercício do direito de defesa. O princípio floresceu e se consagrou no período humanitário, embora a Magna Carta haja registrado que ninguém poderá ser detido, preso ou despojado de seus bens, costumes e liberdades, senão em virtude de julgamento de seus pares, segundo as leis do país. 2) No Direito Administrativo a instrução do processo deve ser contraditória, ou seja, é essencial que ao interessado ou acusado seja dada a possibilidade de produzir suas próprias razões e provas e, mais que isso, que lhe seja dada a possibilidade de examinar e contestar argumentos, fundamentos e elementos probantes que lhe sejam favoráveis. O princípio do contraditório determina que a parte seja efetivamente ouvida e que seus argumentos sejam efetivamente considerados no julgamento.

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=866 acesso em 21/01/2012

O Princípio do Devido Processo Legal
O Princípio do Devido Processo Legal, só foi surgir expressamente no Brasil, na Constituição Federal de 1988, apesar de estar implícito nas Constituições anteriores. Ele está assim disposto no art. 5º, inciso LIV da nossa Carta Magna:
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Art.5º ³ Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes : LIV _ ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.´ O devido processo legal é garantia de liberdade, é um direito fundamental do homem consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos: Art.8º ³Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.´ E ainda na Convenção de São José da Costa Rica, o devido processo legal é assegurado no art. 8º: Art. 8o ± ³Garantias judiciais 1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. (...)´ O Princípio do devido processo legal é uma das garantias constitucionais mais festejadas, pois dele decorrem todos os outros princípios e garantias constitucionais. Ele é a base legal para aplicação de todos os demais princípios, independente do ramo do direito processual, inclusive no âmbito do direito material ou administrativo. Assim, o devido processo legal garante inúmeros outros postulados como os princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação (apesar de autônomos e independentes entre si), integrando-se totalmente os incisos LIV e LV, ambos do artigo 5º da Carta Magna de 1988. Tais princípios ajudam a garantir a tutela dos direitos e interesses individuais, coletivos e difusos. O contraditório é o direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, ou seja, é o exercício da dialética processual, marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Já a ampla defesa possui fundamento legal no direito ao contraditório, segundo o qual ninguém pode ser condenado sem ser ouvido. Do que se conclui que os Princípios do contraditório e da ampla defesa (apesar de serem autônomos) são necessários para assegurar o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defender-se amplamente implica
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conseqüentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. O Princípio do devido processo legal garante a eficácia dos direitos garantidos ao cidadão pela nossa Constituição Federal, pois seriam insuficientes as demais garantias sem o direito a um processo regular, com regras para a prática dos atos processuais e administrativos. O devido processo legal possibilita o maior e mais amplo controle dos atos jurídico-estatais, nos quais se incluem os atos administrativos, gerando uma ampla eficácia do princípio do Estado Democrático de Direito, no qual o povo não só sujeita-se a imposição de decisões como participa ativamente delas. Para a manutenção do Estado Democrático de Direito e efetivação do princípio da igualdade, o Estado deve atuar sempre em prol do público, através de um processo justo e com segurança nos tramites legais do processo, proibindo decisões voluntaristas e arbitrárias. Oportuna a transcrição das palavras de Paulo Henrique dos Santos Lucon 1[1] : ³ a cláusula genérica do devido processo legal tutela os direitos e as garantias típicas ou atípicas que emergem da ordem jurídica, desde que fundadas nas colunas democráticas eleitas pela nação e com o fim último de oferecer oportunidades efetivas e equilibradas no processo. Aliás, essa salutar atipicidade vem também corroborada pelo art. 5o, § 2o, da Constituição Federal, que estabelece que ³os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte´. E continua: ´ por não estar sujeito a conceituações apriorísticas, o devido processo legal revela-se na sua aplicação casuística, de acordo com o método de ³inclusão´ e ³exclusão´ característico do case system norte-americano, cuja projeção já se vê na experiência jurisprudencial pátria.Significa verificar in concreto se determinado ato normativo ou decisão administrativa ou judicial está em consonância com o devido processo legal.´ É o que se verifica também no sistema jurídico brasileiro, os nossos tribunais entendem que a defesa das garantias constitucionais faz-se necessária para conceder ao cidadão a efetividade de seus direitos. É neste sentido que o devido processo legal passa a simbolizar a obediência as normas processuais estipuladas em lei, garantindo aos jurisdicionados-administrados um julgamento justo e igualitário com atos e decisões devidamente motivadas. Assim, o devido processo legal resguarda as partes de atos arbitrários das autoridades jurisdicionais e executivas.
1[1] Lucon, Paulo Henrique dos Santos, garantia do tratamento paritário das partes,in Garantias cconstitucionais do processo civil, São Paulo, Revista dos tribunais, 1999

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Impetus. Lúcia Valle. LUCON. Revista dos Tribunais. Luciana Andrea Accorsi . 1. Ele reflete em uma dupla proteção ao sujeito. Instituições de direito processual civil. ----------. FIGUEIREDO. Maria Sylvia Zanella Di Pietro.. Saraiva. da CF Referências bibliográficas: 5 .br/textos DINAMARCO.Referências Bibliográficas: BACELLAR FILHO. Curso de Direito Administrativo. 1998. É considerado o mais importante dos princípios constitucionais. Revista dos Tribunais. Breves Reflexões sobre a Jurisdição Administrativa: uma perspectiva de Direito Comparado. ----------. Romeu Felipe. Curso de Direito Administrativo. 9 ed. _______________________. Fundamentação: y Art. in Garantias constitucionais do processo civil. BERARDI. A Reforma do Código de Processo Civil. 1991. 2001. São Paulo. 13ª ed. in Recursos no Superior Tribunal de Justiça. BASTOS. Patrícia Vianna Meirelles Freire e. 8ª ed. Sálvio de Figueiredo Teixeira. ele se tornará nulo. vol.Devido Processo Legal: Do processo devido à garantia constitucional.. São Paulo. no prelo. NDJ LTDA. BANDEIRA DE MELLO. 4ª ed. SARAIVA. Celso Antônio. Atlas.. São Paulo. Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Processo e Constituição: o devido processo legal. Dissertação apresentada p/ conclusão de Mestrado na PUC/SP. José Alfredo. 1995. 1ª ed.direitonet. 4ª ed. Cândido Rangel. São Paulo. IBRAHIM. Curso de Direito Administrativo. SILVA. Direito Administrativo ± Repertório de Estudos Doutrinários e Jurisprudência. de forma que o indivíduo receba instrumentos para atuar com paridade de condições com o Estado-persecutor. 2000. 1998. Malheiros.. Belo Horizonte. 1998. pois dele derivam todos os demais.. 1997. Malheiros. Paulo Henrique dos Santos. Princípios Constitucionais do Processo Administrativo Disciplinar. 5º. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ Princípio do devido processo legal É o princípio que assegura a todos o direito a um processo com todas as etapas previstas em lei e todas as garantias constitucionais. 1999. coord. Malheiros. ³Superior Tribunal de Justiça e acesso à ordem jurídica justa´. PIETRO. no âmbito material e formal. BARACHO. 2000. 2ª ed. _____________________________. Celso Ribeiro. Renovar. ³Garantia do tratamento paritário das partes´.com. Acesso em http://www.. Direito Administrativo. Princípios no Processo Administrativo Previdenciário. Curso de Direito Previdenciário. 1998. LIV e LV. Fábio Zambitte. Se no processo não forem observadas as regras básicas. 2007. Max Limonad.

Carlos Eduardo Ferraz de Mattos. Desta forma. 1 . se tornando assim uma espécie de superprincípio. sobre ele repousam todos os demais princípios constitucionais. que até hoje se fazem reluzentes em praticamente todas as constituições liberais do mundo. e devido processo legal substantivo.direitonet. a estes competem o dever de obedecer aos ritos. que serão abordados em linhas gerais nos tópicos a seguir.Do Devido Processo legal Linhas Gerais: Ao devido processo legal é atualmente atribuída a grande responsabilidade de ser um princípio fundamental.y BARROSO.Por Fausto Luz Lima Trata-se de um artigo com objetivo de apontar alguns aspectos relevantes acerca do devido processo legal. podemos mencionar algumas garantias significativas do direito no sentido de trazer alguns conceitos estrangeiros como o due processo law e outros. São Paulo: Editora Saraiva. ou seja. bem como seus demais aspectos que 6 . 2 . @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www. Pois. Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. Com status de superprincípio ela tem a finalidade de reprimir os abusos do Estado.br/artigos/exibir/6111/O-Devido-Processo-Legal-dueprocess-of-law O Devido Processo Legal (due process of law) 21/dez/2010 .com.Do devido processo legal em sentido formal (procedural due process): Nas raias das garantias individuais quando mencionamos procedural due process tem como principal destinatário o juiz como representante do Estado. Destarte. Sinopses Jurídicas. na esteira do estudo do processo em geral. é importante ressaltar que este princípio é subdividido em devido processo legal em sentido formal. 2008. 8ª ed.

outros princípios que tomam forma tendo como sustento legal.circundam o processo sem. portanto.J Gomes Canotilho: A teoria substantiva está ligada à idéia de um processo legal justo e adequado. que lastreia todo o leque de garantias constitucionais voltadas para afetividade dos processos jurisdicionais e administrativos. a justiça de uma forma ampla e irrestrita. ou seja. que constituindo-se em um limite à sua atuação. como o acesso a justiça. Em outras palavras é a regularidade formal em todo o procedimento já pré-estabelecido pela Lei em todos os seus termos. conforme nos aponta Marcelo Novelino: O devido processo legal substantivo se dirige. que vem com este princípio.Do devido processo legal substantivo (substantive due process): O devido processo legal substantivo vai além do que de uma simples decisão formal promovida pelo juiz de direito diante de um caso concreto. cumpre destacar que no Supremo Tribunal Federal o guardião da Constituição Federal. oferecer aos seus jurisdicionados. que possam comprometer seu direito. Com este principio norteando as relações nos processos em geral alcançamos o que o dever do Estado tem como missão. Como decorrência deste princípio surgem o postulado da proporcionalidade e algumas garantias constitucionais processuais. e não pode afastá-la em caso concreto. Por final. podemos dizer que é a garantia que a parte tem em saber o que vai acontecer dentro do processo. Como nos ensina J. através de decisão proferida pelo Ministro Gilmar Mendes. nos informa algo relevante sobre o tema em enfoque nos termos que se segue: O principio do devido processo legal. com base nos quais os juizes podem e devem analisar os requisitos intrínsecos da lei. que deverá pautar-se pelos critérios de justiça. o juiz natural a ampla defesa o contraditório. sem inovações. materialmente informado pelos princípios da justiça. a igualdade entre as partes e a exigência de imparcialidade do magistrado. 3 . o eivá-lo de nulidade. doutrinário e jurisprudencial. ou suprimindo quaisquer garantias das partes.1 Não podemos afastar também. Uma vez que detém a jurisdição. 7 . em primeiro momento ao legislador. razoabilidade e racionalidade.2 Neste sentido.

ofertando quesitos etc. justa. que a parte tenha no processo sua defesa restringida de forma a não ter sua defesa abrangida por todos os aspectos que envolvem as garantias fundamentais do ser humano. e. visto que além de estar inserido no contexto da garantia do devido processo legal. esta deve abranger a defesa técnica. em alguns casos. além disso. a garantia e a efetividade de participação da defesa em todos os momentos do processo e. ora juntando documentos. a igualdade de armas no processo). a defesa efetiva. seja no processo administrativo disciplinar (a par conditio. 5º. ora indicando testemunhas. seja no processo judicial.3 De igual forma. representa uma exigência de fair trial. insertas em nossa Constituição Federal de 1988. nos incisos LIV e LV. justificada por estado de necessidade.. enfim. deixo expresso que a constituição de 1988 consagra o devido processo legal nos seus dois aspectos. Ademais. a ampla defesa autoriza até o ingresso de provas favoráveis à defesa. sempre imbuída pela boafé e pela ética dos sujeitos processuais.5 Quanto à ampla defesa. do Ministro Carlos Velloso trouxe o seguinte entendimento acerca do devido processo legal: Abrindo o debate. ou seja.Da Ampla Defesa: A ampla defesa sem dúvida alguma é um dos temas mais apaixonantes dentro da ceara do direito. o defensor deve estar devidamente habilitado nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil. nos ratifica acerca da necessidade do debate dentro direito. o guardião da Constituição Federal.4 4 . O conteúdo da defesa é a prevalência do principio da igualdade para que ela possa repelir o argumentos de acusação. no sentido de garantir a participação equânime. 8 . em outra decisão memorável. não permitindo.assegura que todo julgamento seja realizado com observância das regras procedimentais previamente estabelecidas. do art. obtidas por meios ilícitos. respectivamente. a necessidade de que processo seja dialético. substantivo e processual. ou seja. leal. Neste sentido. cumpre trazer a baila sobre a ampla defesa às palavras de Nestor Sampaio Penteado Filho: Por isso a defesa assume o papel multifacetário no processo. ou seja. ou seja.

encerro este tópico com uma frase de Dr. contudo podemos constatar de forma prática sua aplicabilidade no direito processual. ela deve ser exigida pelo oprimido. diversos escritos referentes ao tema do contraditório no âmbito da ciência do direito. para ambas as partes.Do Contraditório: Dentro da sistemática constitucional. de se contrariar o pedido inicial. que nos ensina: Liberdade nunca é dada voluntariamente pelo opressor. em face das alegações de seus antagonistas. uma forma ampla de se defender. em processo judicial ou administrativo. Nesta esteira nos aponta a Constituição Federal do Brasil em seu artigo 5º inciso LV in verbis: LV . em prazo razoável. O contraditório. com os meios e recursos a ela inerentes. o que se percebe é que é muito abrangente o conceito de ampla defesa. encontra guarida dentro do Estado Democrático de Direito de uma forma muito abrangente já que visa estabelecer de forma clara as regras.Desta forma. e numa visão mais ampla do direito nos sentido de que os processos possuem uma série de garantias. c) a oportunidade de produzir prova e se manifestar sobre a prova produzida pelo adversário. e esta sendo uma das mais importantes que o presente trabalho visa apenas. b) a oportunidade. Martin Luther King Jr. 9 .6 5 . e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa.aos litigantes. principalmente no que trata os que são demandados que possuem neste instrumento. Sobre este assunto nos ensina Vicente Greco Filho sintetizando o princípio de maneira bem prática e simples: O contraditório se efetiva assegurando-se os seguintes elementos: a) o conhecimento da demanda por meio de ato formal de citação. conceder um adendo já que há no contexto jurídico. Por final.

também podemos constatar que é a luta da justiça contra o poder. O contraditório é. de modo contrário. Com isso. Desse modo. injustamente. presente e atuante: a justiça que provém da verdade real. possam ter 10 . uma ação o direito de contestar de maneira geral sobre qualquer fato ou ato alegado pela parte contrária. portanto. sobre o que lhe imputavam. especificamente o processual quando incorpora tais princípios.d) a oportunidade de estar presente a todos os atos processuais orais. de uma garantia que concede a parte que litiga ou que tem sobre seu bem da vida. este seria o caso em que (no poder injusto) a legitimidade seria usurpada e. Num dos exemplos.8 Em conclusão. a justiça torna-se forte. parece-nos. pois. repudiado pelo direito. e) a oportunidade de recorrer da decisão desfavorável. de uma suposta legalidade. Sem embargo. constatamos que o contraditório também encontra-se inserido na garantia do devido processo legal ao passo que não podemos alcançar um processo justo sem que a parte tenha o seu sagrado direito de defesa respeitado tanto em seu aspecto formal. em nome. ensejando assim de forma clara e transparente cerceamento de defesa. fazem com que as regras em que as partes litigam em uma determinada demanda. fazendo consignar as observações que desejar. que se resume da seguinte forma: Dessa forma. como instrumento para se materializar o direito no caso concreto.O Devido Processo Legal e Duplo Grau de Jurisdição: O processo. muitas vezes. ou kafkanianos em alusão ao livro de Franz Kafka que conta à história do personagem é Joseph K. já que suas decisões devem ser fundamentadas. sem direito ao acesso a qualquer fato. clássicos que temos é o fato do magistrado em uma audiência não deixar a parte produzir provas sem justificativa. a justiça deve conquistar o poder ± e jamais o contrário. uma máxima do direito não se permitindo mais processos inquisitórios. se reveste de uma série de princípios que são de suma importância para uma relação processual coerente. portanto.7 Trata-se. quanto no aspecto material. 6 . O direito. só nos restaria um poder injusto. Isto porque. conquistando o conquistador (ou usurpador). que é processado sem ao menos saber do que se trata a acusação.

manifestamente ilegais. E de nada serve aos cidadãos terem poderes. não mais interessa apenas justificar esses princípios e garantias no campo doutrinário. Com isso.amplitude acerca do processo e seu seguimento até a tutela jurisdicional. o legislador constituinte originário de 1988. 5º (omissis) LIV . fossem revestidos sem dúvida alguma de maior transparência e gerência quanto ao modo de se chegar ao seu fim. seja pela parte. o direito através da Lei Maior trouxe de forma indelével ao nosso ordenamento jurídico. Com idéia supramencionada faz-se pertinente os escritos de Francisco Fernandes de Araújo: Exercer a Justiça não é só exercer um poder. os protagonistas de uma demanda não são mais surpreendidos por atos praticados.9 Com este entendimento. um novo norte de forma nos a conceder a garantia efetiva do devido processo legal. pois sua missão tem algo de divino. incorporou na Carta Política. Algo interessante sobre os princípios é colocado Paulo Henrique dos Santos Lucon: A questão que se coloca hoje é saber como os princípios e as garantias constitucionais do processo civil podem garantir uma efetiva tutela jurisdicional aos direitos substanciais deduzidos diariamente. que frontalmente prejudicam o direito. ficou consignado em nossa Constituição Federal em seu artigo 5º inciso LIV.ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. O importante hoje é a realização dos direitos fundamentais e não o reconhecimento desses ou de outros direitos. e os processos que tramitam na Justiça. O juiz não pode ser um mero profissional do Direito. ou até mesmo no âmbito administrativo. que dispõe in verbis: Art. e nos apresentou as primeiras linhas do devido processo legal. 11 . com simples conjecturas ou ilações. mais sim como sendo algo de extrema relevância. no capítulo dos direitos e garantias fundamentais. não mais como uma versão utópica.10 Em vista disso. as partes estão em plena igualdade diante do conflito de interesses. Sendo assim. riquezas e cultura. que é a de distribuir justiça entre os mortais. Posto isto. no sentido de que as partes pudessem ter segurança. Ou seja. se não têm uma boa justiça. mas um poder transcendental que não tem similar. seja pelo Estado através do magistrado. que na maioria das vezes criam procedimentos.

em sua acepção mais própria: o direito de µtoda pessoa acusada de delito¶. tantas são as previsões. uma vez que o primeiro precisa ser exercido pela parte. sob as sucessivas Constituições da República. à revisão criminal). durante o processo. já a garantia é irrenunciável. µde recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior¶. sobre quaisquer convenções internacionais. A situação não se alterou. Prevalência da Constituição. incluídas as de proteção aos 12 . 8º. na própria Lei Fundamental. atuando tanto no âmbito material de proteção ao direito de liberdade. Para corresponder à eficácia instrumental que lhe costuma ser atribuída. de produção ampla de provas. inalienável. ao assegurar-lhe paridade total de condições com o Estado ± persecutor e plenitude de defesa (direito à defesa técnica. particularmente. na qual. 2. e aos acusados em geral o contraditório e ampla defesa. já. à moda clássica. acerca da importância do devido processo legal. já na área cível. aos recursos. ao menos na esfera processual penal. efetivamente. quanto no âmbito formal. oriunda de uma idéia norte americana que é o due process of law. com seus dois caracteres específicos: a possibilidade de um reexame integral da sentença de primeiro grau e que esse reexame seja confiado à órgão diverso do que a proferiu e de hierarquia superior na ordem judiciária. no Direito brasileiro. é mais importante que o direito. consagrou. Com esse sentido próprio ² sem concessões que o desnaturem ² não é possível.11 Cumpre ressaltar. como nos aponta a doutrina: Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. erigir o duplo grau em princípio e garantia constitucional.A partir de então. e do duplo grau de jurisdição nos aponta a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal13: Duplo grau de jurisdição no Direito brasileiro. com a incorporação ao Direito brasileiro da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José). de ser processado e julgado pelo juiz competente. na área penal. como garantia. à publicidade do processo. o duplo grau de jurisdição há de ser concebido.12 Outrossim. de forma clara o processo passou a ser tratado sempre a luz desta garantia. h. em processo judicial e administrativo. à citação. o duplo grau de jurisdição. do julgamento de única instância ordinária. imprescritível. à luz da Constituição e da Convenção Americana de Direitos Humanos. o art. com meios de recursos inerentes. à decisão imutável. que a garantia por ser emanado da Lei Maior. entre outros aspectos como nos aponta Alexandre de Morais: O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo. Colorário a este principio assegura-se aos litigantes.

II. segue-se a incompatibilidade com a Constituição da aplicação no caso da norma internacional de outorga da garantia invocada. IV e V) ou. (.direitos humanos. À falta de órgãos jurisdicionais ad qua. não o tendo estabelecido. XXXVII). 5º. como nos aponta a doutrina pátria de Humberto Theodoro Junior: A garantia do devido processo legal. e do juiz competente (CF. a. Ocorre que além desta garantia que de legal podemos ver que ela abrange uma série de outros pontos.. é que o proibiu. que ela mesma não criou. afora os casos da Justiça do Trabalho ² que não estão em causa ² e da Justiça Militar ² na qual o STM não se superpõe a outros Tribunais ². 121. Sem ingresso em juízo não se tem a efetividade de um processo qualquer e muito menos de um processo justo. 93. arts. e só a emenda constitucional poderia ampliar. XXXV). art. com relação a todos os demais Tribunais e Juízos do País. Em tais hipóteses. 105. Compreende algumas categorias fundamentais como a garantia do juiz natural (CF. 5º. indispensáveis a viabilizar a aplicação do princípio do duplo grau de jurisdição aos processos de competência originária dos Tribunais. b) de resultados. a Constituição não admite que o institua o direito infraconstitucional.14 Com esta mesma idéia. LIII).) Competência originária dos Tribunais e duplo grau de jurisdição. art. 5º. também vem afirmando o autor Cândido Rangel Dinamarco: direito ao processo justo é. III.. inc. no caso. da ampla defesa e do contraditório e a da fundamentação de todas as decisões judiciais (art. porém não se exaure na observância das formas da lei para tramitação das causas em juiz. Faz-se necessário modernamente uma assimilação da idéia de devido processo legal a de processo justo. 13 . assim como as do Supremo Tribunal. inc. Garantido o ingresso em juízo e até mesmo a obtenção de um provimento final de mérito. garantia de acesso a Justiça (CF. II. inc. inc. Toda vez que a Constituição prescreveu para determinada causa a competência originária de um Tribunal. a e b. § 4º. IX). seja lei ordinária seja convenção internacional: é que. em primeiro lugar. pela observância dos princípios e garantias estabelecidas. de duas uma: ou também previu recurso ordinário de sua decisão (CF. art. é indispensável que o processo se haja feito com aquelas garantias mínimas: a) de meios. que impede. no sistema constitucional. o direito ao processo tout court ± assegurado pelo princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional que a Constituição impõe mediante a chamada garantia da ação. a pretendida aplicação da norma do Pacto de São José: motivação. 102. também as competências recursais dos outros Tribunais Superiores ² o STJ e o TSE ² estão enumeradas taxativamente na Constituição. o recurso ordinário contra decisões de Tribunal.

Brasil. Marco Antonio Miranda. São Paulo. Heloisa Helena Siqueira. voto do Min. sem ter empregado os meios ditados pela Constituição e pela lei.com. GUIMARÃES.511. não basta que o juiz empregue meios adequados se ele vier a decidir mal. Eis o conceito e conteúdo substancial da cláusula due process of law. que mais se colhe pelos sentimentos e intuição do que pelos métodos puramente racionais da inteligência.06. Teresina. Segundo a experiência multissecular expressa nas garantias constitucionais. é grande o risco de erro quando os meios adequados não são cumpridos. MARTINEZ.785. Dinamarco.. J. nem se admite que se aventure a decidir a causa segundo seus próprios critérios de justiça. julgamento em 29-03-00. (RHC 79. 2000. sendo adequadamente empregados. BRASIL. 4º edição editora Coimbra Almedina. STF. ou seja. editora Malheiros. Ano 2000. DJ de 22-11-02). ao passo que sua violação traria prejuízos irreversíveis. Vinício C. 2008. BRASIL.733. Dominique Paul. amorfa e enigmática.12. com a colaboração de Paulo César Martini Minuzzi.J. ano 8. Acesso em: 17 jul. Instituições de direito processual. O processo de Kafka: memória e fantasmagorias do Estado de Direito. portadores de tutela jurisdicional a quem efetivamente tenha razão. 26 abr.br/doutrina/texto. 14 . mais a toda sociedade. do Promotor e do Juiz e do Advogado no Processo e na Sociedade. Rel. Bibliografia ARAÚJO. Francisco Fernandes de. STF ± AI nº. Min. Os meios. Gilmar Mendes (DJ 01. voto do Ministro Carlos Velloso (DJ 06. E. STF ± ADI (MC) nº.15 Em conclusão. como afinal o que importa são os resultados justos do processo (processo civil de resultados). A Ética do Juiz. Jus Navigandi.uol. notamos que no Estado Democrático em que vivemos há uma grande necessidade de manutenção de tal garantia. não só a justiça. Disponível em: <http://jus2. 3º edição revista e ampliada ± Porto Alegre: Livraria do Advogado. editora Copola Livros. CORREIA. Gomes. Direito Constitucional e teoria da Constituição. 293.2006).mediante a oferta de julgamentos justos. CANOTILHO. ano 2000. constituem o melhor caminho para chegar a bons resultados. Sepúlveda Pertence. Joel Ettori Lívia Ibañez.asp?id=5130>. ano 2003. 1. n. Candido Rangel. 2004.2003). 529.

Disponível na Internet: <http://www. São Paulo.º Volume. Direitos Humanos. ano 2008. NOVELINO. com a colaboração de Paulo César Martini Minuzzi. Devido Processo Legal Substancial. Direito Constitucional. Marcelo. Editora Saraiva. editora: Método. São Paulo.º Volume. Alexandre de. PENTEADO FILHO. ano 2008. LUCON. 90. Volume I. 2000. Doutrina e Legislação. 7 GRECO FILHO. Direito Constitucional. Direito Processual Civil Brasileiro. Direito Constitucional esquematizado 9º edição ver. Marco Antonio Miranda. 3 STF ± AI nº. Direito Processual Civil Brasileiro. 2001.06. 332. Paulo Henrique dos Santos. 3º edição revista e ampliada ± Porto Alegre: Livraria do Advogado.2003). Pedro.733. 2. Nestor Sampaio. editora: Método. THEODORO JÚNIOR. ano 2008. São Paulo editora: Método. Direitos Humanos. Notas 1 CANOTILHO. ed. 2001. Humberto. 36ª ed. 482. ano 1996. 4 STF ± ADI (MC) nº. 4º edição editora Coimbra Almedina.2006). pág. Nestor Sampaio. 5 PENTEADO FILHO. 11. Curso de Direito Processual Civil.br. ano 1996. Marcelo. 10. Direito Constitucional e teoria da Constituição. 1. Gilmar Mendes (DJ 01. ano 2000. J. 2. 15 . São Paulo. pág. Doutrina e Legislação. Vicente. 80. Joel Ettori Lívia Ibañez.GRECO FILHO. pág. Vicente. São Paulo: Atlas. Dominique Paul. São Paulo.J. São Paulo editora: Método. Atualizada e ampliada ± São Paulo: Editora Método. Rio de Janeiro: Forense.adv. Direito Constitucional. 11. pág. 2 NOVELINO. 6 Extraído: GUIMARÃES. Acesso em 21 de junho de 2008. 529.ª Edição atualizada. ano 2008. Editora Saraiva. pág.511. MORAES. voto do Ministro Carlos Velloso (DJ 06. voto do Min. Gomes..mundojuridico. LENZA. out/2005.ª Edição atualizada. 135.12.

Paulo Henrique dos Santos. ano 8. 11 LENZA. Rio de Janeiro: Forense. 2001. n.. 13 (RHC 79. jurisdição e devido processo legal 22/abr/2010 Visão sobre a definição do Estado Democrático e jurisdição e devido processo legal à luz da CF..785.mundojuridico. ano 2003. 94. Direito Constitucional esquematizado 9º edição ver. ed. Devido Processo Legal Substancial. n. out/2005. A Ética do Juiz. Curso de Direito Processual Civil. São Paulo: Atlas. 26 abr. 23. 293. Disponível na Internet: <http://www. 10 ARAÚJO.8 CORREIA. 12 MORAES.uol. Sepúlveda Pertence. Heloisa Helena Siqueira. Acesso em: 17 jul. editora Copola Livros. Pedro. Rel. Teresina. 22. 10.Dinamarco. O processo de Kafka: memória e fantasmagorias do Estado de Direito. 15 .br. Atualizada e ampliada ± São Paulo: Editora Método. Direito Constitucional. Instituições de direito processual.asp?id=5130>.br/doutrina/texto. pág. pág. julgamento em 29-03-00. 121. pág. do Promotor e do Juiz e do Advogado no Processo e na Sociedade. Alexandre de. Jus Navigandi. pág. Por Alexandre Guilherme Fabiano 16 . MARTINEZ.br/artigos/exibir/5691/Estado-democratico-de-Direitojurisdicao-e-devido-processo-legal Estado democrático de Direito. Min. 555.direitonet. Volume I. Humberto. Acesso em 21 de junho de 2008. 2001. 2004.com. DJ de 22-11-02) 14 THEODORO JÚNIOR. 36ª ed. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www. Vinício C. 9 LUCON. Disponível em: <http://jus2.adv. 2008.com. Francisco Fernandes de.

Vidal Serrano nos lembra: Compartilhando desse ponto de vista. nos termos do previsto da Constituição Federal. a lição de Carlos Ari Sundfeld que agrega a identificação dos elementos conceituais do Estado Democrático Social de Direito: a) Criado e regulado por uma Constituição. Sua soberania provém do poder. conceitos e discussões que poderia se alastrar tranquilamente por quarenta páginas. dos governados. Nesse sentido. que controlam uns aos outros.[1] 17 . sendo titulares de direitos. Nele ira dispor a forma de atuação do Estado. Do artigo 1º da Lei Maior. em parte diretamente pelo povo. no presente artigo é o tecer breves comentários sobre Estado Democrático e de Direito. podem-se extrair vários princípios. Características fundamentais do Estado de direito: O Estado não poderá impor suas vontades que não forem previstas em Lei. suas limitações e funções. as garantias e direitos dos cidadãos. e) O Estado tem o dever de atuar positivamente para gerar desenvolvimento e justiça social. em parte por órgãos estatais independentes e harmônicos. e por ventura. A maioria da doutrina brasileira é certa em afirmar que a Constituição do Brasil institui o Estado Democrático Social de Direito. que emana do povo. que o exerce por meio de representantes eleitos oi diretamente. b) O agente político é exercido. Mas o que vem a ser Estado de Direito ? O Estado de direito é aquele em que o Poder exercido é limitado pela Ordem Jurídica Constitucional. Mas o que se culmina. c) A lei produzida pelo Legislativo é necessariamente observada pelos demais Poderes. inclusive políticos e sociais. e nem poderá atuar contras as normas já existentes. constitui-se em Estado Democrático de Direito. d) Os cidadãos. podem opô-los ao próprio Estado.O artigo 1º de nossa Constituição da República de 1988 positiva que a República Federativa do Brasil. Correto afirmar que o Estado é submetido às regras do Direito.

dizer o direito em um determinado território. O governo é. inclusive com o objetivo de assegurar o respeito aos valores fundamentais da pessoa humana. Note abaixo. O Estado Democrático agregaria o princípio da soberania popular. na previsão da separação de poderes e na consagração de direitos e garantias individuais. é atribuição típica do Poder Judiciário jurisdicionar. 18 . trecho do clássico livro Elementos de Teoria Geral do Estado: (. o Executivo e o Judiciário´. indivisível e indelegável. O que é dividido é o seu exercício. Vale dizer. De maneira genérica. executar e jurisdicionar. que fundamentalmente são três: a legislativa. o Estado deve procurar ao máximo de juridicidade. o conjunto de órgãos mediante os quais a vontade do Estado é formulada. então. ora em legislar.) A idéia de Estado de Direito implicaria na submissão de todos ao império da Lei. fato que permite falar em distinções das funções. e não menos precisa. ou típicas e atípicas.[2] (. portanto. o Legislativo. ou seja. de um poder jurídico. ganham evidência as idéias da personalidade jurídica do Estado e da existência.. Os órgãos do Estado. em especial o princípio da Separação dos Poderes. importante delinear conceitos e características do Poder Judiciário. expressada e realizada. independentes e harmônicos entre si. denominado ³Governo´ ou ³órgãos governamentais´. Assim é que se acentua o caráter de ordem jurídica. uno. indivisível e indelegável. ou o conjunto de órgãos supremos a quem incumbe o exercício das funções do Poder Político. nele.) Como se tem procurado evidenciar.[4] Sem desmerecer os demais ³Poderes´. na qual estão sintetizados os elementos componentes do Estado. tudo isso procurando reduzir a margem de arbítrio e discricionariedade e assegurar a existência de limites jurídicos à ação do Estado. no que se refere a limitação do Poder Estatal pelo Professor Dallari. com suas atribuições primárias e secundárias. em especial os constitucionais.. com efetiva participação do povo na gestão da coisa pública. se desdobra e se compõe em várias funções. a executiva e a jurisdicional. Este se manifesta mediante suas funções. Esse é o entendimento de José Afonso da Silva. que são exercidas e cumpridas pelos órgãos do governo. que o poder político...Mas a idéia de Estado de direito é bem estruturada inicialmente.[3] Do artigo 2º da Lei Maior versa sobre a questão do Poder. Alem disso. são os a quem incumbe o exercício do Poder Político. ao instituir que ³são poderes da União. Importante fazer uma ressalva importante: O Poder Político Estatal é uno.

resta agora. LIV da CF/88. Entretanto se olvidam em afirmar que eles decorrem do princípio constitucional do Devido Processo Legal. sob o prisma constitucional. E como atividade ela é o complexo de atos do juiz no processo. exercendo o poder e cumprindo a função que a lei lhe comete. Como poder. função e atividade.[5] Existem várias correntes sobre a definição de jurisdição. mas o importante é estabelecer que o Estado detém o monopólio estatal e que a jurisdição se manifesta . a doutrina jurídica internacional os reconhece. 19 . pelo menos à luz do modelo constitucional do processo civil brasileiro. poder. de dizer o direito em um determinado território. a função e a atividade somente transparecem legitimamente através do processo devidamente estruturado (devido processo legal)´. 5º. e que ela é atividade que o Estado exerce para a solução lide ± conflito de interesses caracterizado pela pretensão de um dos interessados e pela resistência do outro (pretensão resistida). é manifestação do poder estatal. as medidas voltadas concretamente à tutela (à proteção) do direito tal qual reconhecido pelo Estado-juiz´. ao contrário do que a etimologia da palavra poderia dar entender. Note: ³Que ela é uma função do Estado e mesmo monopólio Estatal. à declaração jurisdicional do direito. já foi dito. mediante a realização do direito justo e através do processo. diferentemente da compreensão que lhe emprestou a doutrina tradicional do direito processual civil. Como função. motivo pelo qual há certa concordância no que tange aos seus conceitos e características. O poder. em afirmar que ³a jurisdição. a propósito. O Princípio do Devido Processo Legal trata-se do postulado fundamental do processo. Trata-se de princípio base. A jurisdição envolve também. sobre a qual todos os outros se sustentam. é o Poder-dever do Estado-Juiz. através de magistrados legal e legitimamente investidos no cargo.A Jurisdição. Mas antes de passar aos princípios aplicáveis à Jurisdição. Jurisdição não é só reconhecer. não se restringe. no sentido de declarar quem tem e quem não tem um direito digno de tutela (proteção) perante o Estado. estampado no art. expressa o encargo que têm os órgãos estatais de promover a pacificação de conflitos interindividuais. dizer que a jurisdição é. ou seja. É a norma mãe. apenas. no mesmo tempo.que é inerte pelo direito de ação. Este é o princípio culminante de todo ordenamento jurídico processual brasileiro.[6] Os princípios inerentes à Jurisdição são universais. convém destacar a divisão que a professora Ada Pellegrini Grinover faz sobre o tema. Cássio Scarpinella Bueno complementa o conceito apresentado acima. conceituado como capacidade de decidir imperativamente e impor decisões.

que na verdade são os mais importantes e que merecem maior enfoque ao presente estudo. normas estas cujo processo de produção também deve respeitar aquele princípio. merece destaque especial dois: inafastabilidade da jurisdição e do juiz natural. 20 . Inclusive na formação das Leis. Este princípio é a máxima aplicação dos direitos fundamentais. com todos os meios de recursos a ela inerentes. Como bem afirma Cruz e Tucci: Em síntese. inevitabilidade. judicial. de sorte que ninguém seja privado dos seus direitos. Nas palavras do processualista Fredie Didier Junior.[7][8] Sobre a supremacia do referido princípio. na sua plenitude. indelegabilidade. d) da plenitude de defesa. Processo é palavra gênero que engloba: legislativo.[9] É correto afirmar que o devido processo legal é considerado um supra princípio processual. nas palavras de Ada Pellegrini Grinover. é o direito constitucional aplicado. a garantia constitucional de devido processo legal deve ser uma realidade durante as múltiplas etapas do processo judicial. basicamente. decorrente daquele. e) da publicidade dos atos processuais e da motivação das decisões jurisdicionais. a doutrina predominante os classifica da seguinte maneira: investidura.Origina-se da expressão inglesa due process of Law. a não ser que no procedimento em que se este se materializa se constatem todas as formalidades e exigências em lei previstas. Retomando ao assunto dos princípios inerentes à jurisdição. c) de tratamento paritário dos sujeitos parciais do processo. de 1215. De todos. A primeira previsão do princípio ocorreu com a Magna Carta de João Sem Terra. Os demais principais princípios são. convém destacar uma analise do mesmo autor: O devido processo legal em sentido formal é. administrativo e negocial. o direito e ser processado e a processar de acordo com as normas previamente estabelecidas para tanto. b) do juiz natural ou preconstituído. na verdade. Desdobram-se estas nas garantias: a) de acesso à justiça. O termo consagrado foi utilizado em lei inglesa de 1254. inafastabilidade. aderência ao território. aplica-se o princípio genericamente a tudo que disser à vida. juiz natural e inércia. e f) da tutela jurisdicional dentro de um lapso temporal razoável. ao patrimônio e à liberdade. O processo.

encontram-se em situação de sujeição à jurisdição. O juiz. essas impropriamente denominadas em ³condições da ação´. Evidentemente deve-se levar em conta a matéria envolvida na lide. conforme as disposições que este código estabelece´. da CF. No âmbito do Poder Judiciário não pode juiz algum. delegar funções a outro órgão. pois estão inevitavelmente ligados entre si. contenciosa e voluntária. é exercida pelos juízes. Importante ressaltar que o direito de ação é materialmente exercido pelo direito de demandar. Essa é consubstanciada pelo direito de ação. 1º do CPC ao estabelecer que ³a jurisdição civil. ou seja. exercendo a função jurisdicional. O que se condiciona é a demanda. por ser uma garantia fundamental do cidadão. segundo seu próprio critério e talvez atendendo à sua própria conveniência. Este princípio remete-se ao da segurança jurídica. um agente do Estado (age em nome deste). que detém investidura não pode transferir a outrem suas competências e atribuições. sem esquecer-se da sua importância na legislação processual. Somente a CF poderia condicionar um direito fundamental. de forma válida. instrumento processual para exercer o direito de ação. respeitando-se as regras condicionais do CPC. legal e legítima. expresso no art. É que cada magistrado. de demandar em juízo em face de um juiz competente. inciso XXXV da CF ao prescrever que ³a Lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça 21 . O magistrado somente deve exercer sua atividade jurisdicional nos limites territoriais de seu Estado. · Princípio da aderência ao território. Este é incondicionado. no litígio. · Princípio da inércia. caput. aí. a atividade jurisdicional é exercida por magistrados investidos no cargo. A atividade jurisdicional em regra somente é exercida pela iniciativa da parte. 5º. 5º. não o faz em nome próprio e muito menos por um direito próprio: ele é. O principio do juiz natural e o da inafastabilidade da jurisdição convém dissertar ao mesmo tempo. Essa definição está expressa no art. A inafastabilidade da jurisdição está prevista no art. Significa que as partes.Os demais façamos breves comentários. · Princípio da investidura. Os órgãos jurisdicionais se revelam um poder que emana do próprio poder estatal soberano. · Princípio da indelegabilidade. o que não ocorre. Relaciona-se com o da investidura. ora cidadãos. [10] · Princípio da inevitabilidade. em todo o território nacional. Conforme já descrito no conceito de jurisdição.

em positivar que ³O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após se esgotarem-se as instâncias da Justiça desportiva. em afirmar que ³o fim do processo é a entrega da prestação jurisdicional.ao direito´. não se contentando com a noção escassa de concretização do direito de ação e do juiz natural. desde que não exigida garantia de instância nem ultrapassando o prazo de cento e oitenta dias para decisão sobre o pedido´. a exigência do prévio exaurimento da via administrativa afronta a garantia de tutela jurisdicional. caso as instâncias da justiça desportiva não profiram decisão final no prazo de sessenta dias. uma vez que. que possa ser apreciada pelo Poder Judiciário. Esse é o entendimento de Pontes de Miranda. da abrangência e fundamento para o direito de ação. reguladas em Lei´.[11][12] Com o passar do tempo. Na realidade. a única exceção à proibição de instância administrativa de curso forçado está delineada na própria Constituição Federal. no que tange a matéria. contados da instauração do processo. Marinoni. §1º da CF. na edição de novembro de 2009 da Revista Carta Forense: A CF de 1988 não reproduziu a segunda parte do § 4º do art. o direito de ação poderá ser livremente exercido (art. segundo o seu art. Esse é o que está prescrito no art. 5º. Também não há exigência de esgotamento de instancias administrativas para o exercício do direito de ação. Nas sábias palavras do professor Didier. em sede constitucional. é necessário adjetivar esta 22 . Não se deve olvidar que não há limites. ³não basta a simples garantia formal do dever do Estado de prestar a Justiça. ³o Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva. Segundo o STF. a doutrina melhor doutrina insiste acertadamente a noção de tutela jurisdicional qualificada. Esse assunto foi lembrado pelo professor Dr. 153 da Constituição anterior ± introduzida pelo EC n. que a própria CF impõe: relação às questões esportivas. a que se obrigou o Estado a assumir o monopólio da Justiça´. 217. Trata-se. 7/77-. que satisfaz à tutela jurídica. 217. §1º. Hoje. O art. que devem ser resolvidas inicialmente na Justiça Desportiva. 127. a doutrina evoluiu o entendimento da prestação jurisdicional. XXXV. 2º. Há uma exceção. CF). Importante destacar que a inafastabilidade também está intimamente ligada como o monopólio da Justiça pelo Estado. proibiu a lei de criar órgão administrativo contencioso que tenha que ser necessariamente invocado ou em que a discussão acerta de um litígio venha a se esgotar. Não obstante. segundo a qual ³o ingresso em juízo poderá ser condicionado a que se exauram previamente as vias administrativas. reguladas em lei´.

O objetivo do art. A norma do art. a espécie de cognição. está proibida de excluir ³ameaça de lesão´. sob pena de incorrermos em processos e decisões injustas. ou seja. Um processo devido é um decidido por um juiz natural. XXXV. a natureza do provimento e os meios executórios adequados às peculiaridades da situação de direito material. mas obviamente respeitando o devido processo legal. foi deixar expresso que o direito de ação deve propiciar a tutela inibitória e ter sua disposição técnicas processuais capazes de permitir a antecipação de tutela. o devido processo legal é o alicerce dos demais. de acordo com o estabelecido nas normas constitucionais e legais. seu componente indelével e essencial. como uma garantia fundamental do cidadão.[13] O princípio da inafastabilidade garante uma tutela jurisdicional adequada à realidade da situação jurídico-substancial que lhe é trazida para solução. XXXV.prestação estatal. afirmou que a Lei. cito novamente Marinoni: Ter direito de ação é ter direito ao processo justo e à tutela jurisdicional adequada. É de onde se extrai. completa e em tempo razoável da prestação jurisdicional. Significa que ninguém pode ser privado do julgamento por juiz independente e imparcial. que é jurisdicionar. conforme já exposto. Garante o procedimento. ao contrário das normas constitucionais anteriores que garantiam o direito de ação. Devemos exigir do Poder Judiciário o cumprimento efetivo da Constituição Federal no que tange sua função típica. além de não poder excluir lesão.[14] E o princípio do juiz natural ? Qual a relação com o da inafastabilidade ? E com o do devido processo legal ? Primeiramente. Complementando esta tendência. Sobressai igualmente o princípio da adequação do procedimento. sem o qual não teria o menor sentido. a garantia do devido processo legal. efetiva e adequada´. 23 . que há de ser rápida. sob pena de afrontamento expresso à Lei Maior. que nada mais é do que um subproduto do princípio da adequação da tutela jurisdicional. Obviamente o juiz natural deve ser interpretado à luz da CF. 5º. da apreciação jurisdicional. Mas devemos mais. exigir entrega efetiva. efetiva e tempestiva. 5º. neste particular. Todos originam dele. arbitrárias e desumanas à luz da obra Kafkiana. também.

autorizado no âmbito da Justiça Federal pela Lei n. LIII . dado que um dos componentes deste.ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. Precedentes da Corte.0401994). Art.03. para julgamentos de certas causas. Note abaixo alguns importantes julgados do STF sobre o aspecto substancial do juiz natural: ³Ora. como também impõe que as causas sejam processadas e julgadas pelo órgão jurisdicional previamente determinado a partir de critérios constitucionais de repartição taxativa de competência. Nos órgãos colegiados. Toda origem. não existe. não há. a distribuição dos feitos entre relatores constitui. Trata-se de uma interpretação conjunta de dois dispositivos abaixo descritos: Art. 417. j. imperativo de impessoalidade que.não haverá juízo ou tribunal de exceção. conceituado este como juiz com garantias de independência. rel. excluída qualquer alternativa à discricionariedade. do poder jurisdicional só pode emanar da Constituição Federal. Pleno. Min Carlos Velloso. Rcl n. 24 . estando os juízes de 1º grau da jurisdição de Roraima ainda em estágio probatório. "Princípio do juiz natural. O juízo competente e capaz é denominado de aspecto formal e objetivo do juiz natural. 11. dependentes justamente daqueles que irão julgar ± todos os desembargadores são réus na ação popular -. 9. juiz confiável. A convocação de Juízes de 1º grau de jurisdição para substituir Desembargadores não malfere o princípio constitucional do juiz natural. O fato de o processo ter sido relatado por um Juiz Convocado para auxiliar o Tribunal no julgamento dos feitos e não pelo Desembargador Federal a quem originariamente distribuído tampouco afronta o princípio do juiz natural. no caso´ (STF. 5º. Também é vedado aos organismos judiciários estruturação diversa do que está prescrito na Lei Maior. O princípio do juiz natural não apenas veda a instituição de tribunais e juízos de exceção. Relator substituído por Juiz Convocado sem observância de nova distribuição.1993. assim sem a garantia da vitaliciedade. de modo que não é dado ao legislador ordinário criar juízes ou tribunais de exceção. [15] A imparcialidade e independência do juiz são denominadas pela doutrina de aspecto substancial do juiz natural. juiz imparcial. XXXVII . expressa ou implícita.788/99. no Estado de Roraima. 5º. o juiz natural.O juiz natural não está previsto expressamente na Lei Maior. publicado no DJ de 16. possibilidade de realização do devido processo legal. em favor do jurisdicionado.

DJ de 10-3-06). pag. 2009. Curso de Direito Constitucional . José Afonso. Vidal Serrano Nunes. através de sua 2ª. Octávio Gallotti. 178. n. que nunca outorgou mandato expresso. Rel. [2][2] Dallari. em reclamação trabalhista. Min. O Pretório Excelso entendeu que não havia defesa técnica. j. Editora Saraiva. Cássio Scarpinella. julgamento em 6-12. Demais disso. 5º da Carta de Outubro. pag. Editora Saraiva. Min. é uma das mais eficazes condições de independência dos magistrados. O recurso da revista subscrito pela advogada foi considerado interposto. no ato de designação do Juiz Convocado. Min. Boletim Informativo STF. Malheiros Editora. pag.05. julgadores. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil. n. 175. 2007. pois estavam presentes os requisitos legais necessários para tanto. O Supremo Tribunal Federal anulou um decreto de expulsão de estrangeiro em que a advogada dativa que o representou apenas limitou-se a requerer a expulsão. Marco Aurélio. Boletim Informativo STF. pag. 1ª Turma. Dinamarco. DJE de 15-2-08)´ "Com efeito. 34. Independência. Rel. 2001. julgamento em 20-11-07.na hipótese vertente.. Malheiros Editora." (RE 418.852. não se vislumbra." (HC 86. reconheceu o mandato tácito da advogada que compareceu à audiência.746-SP. j. Comentário Contextual à Constituição . 149. 2003. 175. Carlos Britto. Min. ³Teoria Geral do Processo´. proclamada no inciso LIII do art. ³Elemento de Teoria Geral do Estado´. 239-240.396-RJ. acolhendo a tradição do mandato apud acta. 2003. em 16-12-1999. que opera como um dos mais claros pressupostos de imparcialidade que deles.624-MG. Marco Aurélio. [3] Silva. nenhum traço de discricionariedade capaz de comprometer a imparcialidade da decisão que veio a ser exarada pelo órgão colegiado competente. (HC 79. a garantia do juízo natural. [4] Silva. Editora Saraiva. Dalmo de Abreu. Rel. Cândido Rangel. 1ª Turma. 25 . em 16-2-2000. pag. op cit. Rel. 35. pag. tradicionalmente reconhecido na Justiça do Trabalho (RE 215. Rel. [5] Bueno. Cintra. Araújo. Min. BIBLIOGRAFIA [1] Junior. [6] Pellegrini.889. a seu turno. foi alcançada com o primeiro sorteio. se exige. acompanhando a preposta da empresa. 113. Menezes Direito. José Afonso. [7][7] O Supremo Tribunal Federal entendeu necessária a intimação da parte contrária para se manifestar sobre embargos de declaração quando estes pretenderem dar efeito modificativo ao julgado (RE 250. T. j. O Supremo. em 14-12-1999. 130. n. Boletim Informativo STF. Ada.

2. Ainda que exista recurso ou instância administrativa não está obrigado o administrado a esgotá-la. 30. Editora Forense. praticamente confundindo-se ao princípio da legalidade. mas já se expandiu para processual civil e até para o processo administrativo. Curso de direito Processual Civil Teoria Geral do Processo e Processo de conhecimento . O devido processo legal foi concebido como amparador ao direito processual. 3.2.[8] Junior.Elaborado em 08/2003. Dinamarco. em respeito ao princípio constitucional do direito de ação e livre e pleno acesso à justiça . pag. Pretendemos analisar minuciosamente este instituto jurídico do processo constitucional. Substantive Due Process. estabelecendo sua efetiva importância e mostrando tudo que o seu conceito envolve e suas facetas de atuação. 4. atualmente. 2004. Edição de novembro de 2009. Dentre as garantias constitucionais uma das mais festejadas é o devido processo legal. Acompanhamento histórico. [9] Junior. quando contrariados. pag. desde o seu já longínquo nascedouro. Fredie Didier. [15] Junior. 30. Fredie Didier. B20-B21. pag. op cit.1 Procedural Due Process. [12] Revista Carta Forense. posiciona-se Marcelo Abelha Rodrigues: Questão já pacificada diz respeito a desnecessidade de esgotamento da via administrativa para o ingresso na via jurisdicional. 36. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://jus. Araújo. SUMÁRIO: Introdução. 138. por isso. B20-B21. os princípios eram abstraídos das normas e. pag. Compreensão e importância. Conclusões. podendo ingressar com ação para o Poder Judiciário. pag. Cintra. 26 . 3. Cândido Rangel. [14] Junior. Curso de Direito Processual Civil . não se podia relegá-las por conta daqueles. mas ganhou força expressiva no direito processual penal. Correlação com o princípio da razoabilidade. Entretanto. 1. Fredie Didier.com. Ada. contam. 29-30. Abrangência do Devido Processo Legal. 3.br/revista/texto/4749/o-devido-processo-legal O devido processo legal Euler Paulo de Moura Jansen . pag. com mais força que as leis e chegam a pedir a inaplicabilidade dessas. op cit. Edição de novembro de 2009. [13] Revista Carta Forense. op cit. [10] Pellegrini. a partir do momento que foram assegurados na Constituição. [11] Nelson Nery Junior: Também neste sentido. 2009. Bibliografia INTRODUÇÃO Há algum tempo. Editora Podivm. Humberto Theodoro.

na segunda. que durante toda essa época. Tais inserções deram-se pela tendência de acompanhar a evolução das Constituições de alguns Estados. não esquecendo das suas inovações e correlações com outros princípios. due process of law. Há de se admitir. Carolina do Norte. como veremos. foi utilizada a expressão definitiva [2] e. 39 se referiu a legem terrae. que já contavam com o a garantia em testilha. Na primeira emenda referida. no conhecido Statute of Westminster of the Liberties of London. posteriormente transformados em Estados federados. Vermont e de New Hampshire. por um legislador desconhecido. o instituto era meramente formal. que não o enalteça ou o busque tenazmente e tudo isso. respectivamente. contudo. sem. de forma extremamente merecida. ainda na Inglaterra do rei Eduardo III. termo posteriormente traduzido para a língua inglesa como law of the land. sendo abordado explicitamente nas suas emendas. incorporado aquele texto aos dispositivos da Common Law. já contavam com o instituto [5] . e não só "perante a lei". não trata originalmente do instituto. na 5ª e na 14ª Emenda [4] (1). como Espanha e Portugal. a Itália e a Alemanha. raro hodiernamente encontramos petição. Delaware. de 15 de junho de 1215. Afinal. onde muito se desenvolveu o devido processo legal. que de logo chamamos de contemporâneo. como Maryland. em 1853 e 1857. mencionar a expressão que hoje conhecemos. traçaremos uma abordagem que o correlaciona com o atual princípio da proporcionalidade ou razoabilidade. 1 ACOMPANHAMENTO HISTÓRICO O primeiro ordenamento que teria tratado desse princípio foi a Magna Carta [1] do rei John Lackland (João "Sem-Terra"). a Argentina e o México. Na Europa continental. desde o nascedouro de suas Constituições. Em 1354. Nos propomos a tratar. de forma simples. de forma mais importante. países onde há enorme aprofundamento científico no direito processual serviram de exemplo para os demais. quando o seu art. sofreu grande transformação-evolução. de indispensável a qualquer tempo e lugar. pois. liberdade e propriedade" e. no entanto. Na América Latina. acompanhavam as Declarações de Direitos das Colônias de Virgínia. além de marcar a sua utilização efetiva. passou a significar também a "igualdade na lei". ou melhor. o tema do devido processo legal. 27 . parecer ou sentença que não o louve. A Constituição dos Estados Unidos da América [3] . por sua vez. a cláusula due process of law apareceu pela primeira vez ao lado do trinômio "vida. se utilização e sem expressão. Pensilvânia e Massachusetts.Atinente ao devido processo legal.

Entretanto. que explicitamente estabeleceu. 1950) e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas (1966) consagram proteções e garantias individuais que denotam o encampar daquele princípio. do juiz natural. e vice-versa" [6] . é pacífico entre os doutrinadores que o princípio do devido processo legal foi abraçado por todas as Constituições pátrias. Nelson Nery Jr. sobre ele repousam todos os demais princípios constitucionais. inciso LIV: "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal". 1948). ela continha institutos originais e eficazes do ponto de vista jurídico para a repressão dos abusos do Estado. No Brasil. adjetivada "cidadã". contra os abusos da coroa inglesa. mas da redundância que decorreria da referência expressa ao devido processo legal após elencado todos os princípios e direitos processuais constitucionais. teriam. 28 . da publicidade dos atos processuais. Com muita precisão. 2 COMPREENSÃO E IMPORTÂNCIA Ao devido processo legal é atualmente atribuída a grande responsabilidade de ser um princípio fundamental. da proibição da prova ilícita. Cristina Reindolff da Motta afirma que "a todo momento que se fizer análise ou reflexão acerca de algum princípio processual constitucional. Sabemos que a Magna Carta não teve. pois. a intenção mais pura de servir à cidadania. Entretanto. aceitado a existência daquele. da inafastabilidade da jurisdição. ou seja. que até hoje se fazem reluzentes em praticamente todas as constituições liberais do mundo. Tal crítica não é no sentido de que não fosse ela necessária ou o princípio não a merecesse. no art. à democracia ou ao povo em geral. afirmam que no devido processo legal estariam contidos todos os outros princípios processuais. do baronato. como o da isonomia. com certeza poder-se-á identificar nuances do Princípio do Devido Processo Legal. na sua gênese. Paulo Roberto Dantas de Souza Leão e José Rogério Cruz e Tucci. um super princípio. 5º. do contraditório e da igualdade. dentre outros. países que já tiveram o dissabor de passar por ditaduras e golpes militares. Impossível olvidar a nossa Constituição de 1988.A Declaração Universal dos Direitos do Homem (Paris. do duplo grau de jurisdição e da motivação das decisões judiciais.. desde 1924. de 1969. Cândido Rangel Dinamarco e Paulo Rangel. a 6ª Convenção Européia Para Proteção dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais (Roma. posto criada como uma espécie de garantia para os nobres. em especial a de 1967 e Emenda Constitucional nº 01. quando consignaram os princípios da ampla defesa. tacitamente. Nota-se uma critica subliminar na doutrina à expressa inserção desse princípio no texto constitucional.

3 ABRANGÊNCIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O devido processo legal encontra-se.como o nosso. e que somente mediante a existência de normas processuais. de acordo com a demanda da sociedade. Como veremos. McGrafth.S. mais amplo. pelo Juiz da Suprema Corte Americana. muito menos. 5º. expresso no art. "amorfo e enigmático. é que se conseguirá a manutenção de uma sociedade sob o império do Direito" [9] . µdue process¶ é produto da história. O devido processo legal. adaptação gradual ou. fixa ou. O conteúdo substancial de cláusula do devido processo legal apresenta-se. µDue process¶ não é um instrumento mecânico. Isso permite a sua mutabilidade. da razão. Trazido praticamente ao final do rol. Felix Frankfurter: "Due process não pode ser aprisionado dentro dos traiçoeiros lindes de uma fórmula. LIV. 341 U. das garantias constitucionais do processo. justas. Veja-se trecho do voto proferido no voto no caso Anti-Facist Committe vs. que há muito se debruçam sobre o devido processo legal.. não tem uma definição estanque. indubitavelmente. da Constituição Federal. praticamente confundindo-se ao princípio da legalidade. mas já se expandiu para processual civil e até para o processo administrativo. encontra-se invadindo a seara do direito material. assim. perene. 29 . Não é um padrão. que mais se colhe pelos sentimentos e intuição do que pelos métodos puramente racionais da inteligência" [7] Esse conteúdo. buscando uma adequação do processo à ritualística prevista.. mas como um inabalável sustentáculo. que proporcionem a justeza do próprio processo. Luiz Rodrigues Wambier cita que "Arturo Hoyos entende que o princípio do devido processo legal está inserido no contexto. onde refere-se aos bens jurídicos da liberdade e da propriedade. É um processo. não é novidade para os americanos. como já declinado supra. encontrado apenas na nossa mais recente doutrina. principalmente. do fluxo das decisões passadas e da inabalável confiança na força da fé democrática que professamos. Numa nova fase. Ele ganhou força expressiva no direito processual penal. É um delicado processo de adaptação que inevitavelmente envolve o exercício do julgamento por aqueles a quem a Constituição confiou o desdobramento desse processo" [8]. evolução. o devido processo legal tem por objetivo enfeixar as demais garantias. o devido processo legal. 123 (1951). não como uma redundância. foi concebido e conceituado durante muito tempo como amparador ao direito processual. sabem da importância da Constituição conter explicitamente as garantias fundamentais derivadas do processo legal.

ou o legislador constituinte esqueceu-se que no nosso país existe efetivamente a pena de morte [10]. a honra. duas facetas sobre as quais incide o devido processo legal: o procedural due process e o substantive due process. não é crível que o vocábulo "propriedade". proporcional ao agravo. acerca do princípio sub analisis: "o devido processo legal. ou seja. que representou a respaldo material do direito à indenização ao dano puramente moral e à imagem. de fazer e não fazer. entre nós. de expressão do pensamento. daquele trinômio. toda liberdade imaginável. se reserve tão somente à propriedade material. A segunda. como veremos. não especificou o tipo de liberdade. Numa nova fase. de imprensa. A liberdade é. legitimam a própria função jurisdicional" [12]. enfim. nos termos do seu artigo 5º. se encontra desassociado do elemento "vida". convêm mencionar o seguinte entendimento: "A Constituição. não pode o intérprete distinguir (sic))" (11). tal elemento não deveria ter sido omitido. o lazer. que estabelece: "é assegurado o direito de resposta. de culto. GRINOVER e DINAMARCO.1 Procedural due process 30 . Ora. Fazendo uma breve análise comparada do instituto. Oportuna a transcrição transcrever as palavras de CINTRA. de acordo com a lei. Assim. mas já se expandiu para processual civil e até para o administrativo. ou não imaginou que passasse pela mente do intérprete que o bem da vida não estaria protegido. a intimidade. Quanto à liberdade referida na norma. Na nossa opinião. a due process clause visa à tutela do trinômio "vida. Assim. inciso V. apesar de mais segura. moral ou à imagem". vez que bens que podemos considerar menores como a liberdade e a propriedade o estão. de associação. não é de boa técnica legislativa. invade a seara do direito material. Há portanto. É preciso que se diga que o princípio do devido processo legal inicialmente tutelava especialmente o direito processual penal. conforme a doutrina pátria e americana. entre outros direitos que geram "qualidade de vida". como princípio constitucional. significa o conjunto de garantias de ordem constitucional. de locomoção. ainda mais nesta constituição. de outro. vemos que ele. além da indenização por dano material. de credo. Da mesma forma. mas também aos valores permitem um melhor exercício dela. liberdade e propriedade". 3.Em sentido genérico. ao estatuir da liberdade. que de um lado asseguram às partes o exercício de suas faculdades e poderes de natureza processual e. A vida não se refere apenas ao arrebate da vida. Ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus (onde a lei não distingue. o intérprete não está autorizado a restringir o alcance do dispositivo legal constitucional.

penal. Assim. deduzindo pretensão e defendendo-se do modo mais amplo possível.O procedural due process. mesmo ciente da vigência da cláusula due process of law nas constituições anteriores e do seu alcance a todos os tipos de procedimentos. verifica-se que esse princípio visa a tornar o processo judicial ou administrativo pleno de direitos para a parte. "Resumindo o que foi dito sobre este importante princípio. ela é utilizada nos Estados Unidos como nós brasileiros. à gratuidade da justiça ou ao desembaraçado acesso a essa. no campo processual penal. ao duplo grau de jurisdição. de julgamento rápido e público. foi ele apenas sub-utilizado nesta acepção. A doutrina. 31 . na denominação genérica da Suprema Corte dos Estados Unidos" (13) A título de esclarecimento sobre essa expressão his day in. do conhecimento do teor da acusação. como se sabe. à igualdade de partes. debruçou-se especialmente na sua aplicação ao direito processual penal. ao juiz natural e imparcial. Inobstante o alcance diminuto. numa primeira fase (5ª Emenda). talvez exatamente por conta do vocábulo "processo" do princípio estudado. entre outros). além da vedação de auto-incriminação forçada (self incrimination). relativas ao direito a orderly proceedings. sem a precedência de um processo e julgamento regular. Convém lembrar também da sua aplicação ao direito processual civil. Considera-se o seu alcance mais amplo que o seu lado procedimental. em juízo. isto é. garante o direito à citação. à proibição da prova ilícita. entre outros. A cláusula do devido processo legal no Direito Constitucional americano refere-se. apenas a garantias de natureza processual propriamente ditas. tributário. do julgamento duas vezes pelo mesmo fato (double jeopardy) e do direito à ampla defesa e ao contraditório. procedimentos ordenados por princípios como.2 Substantive due process O devido processo legal substantivo ou material é a manifestação do devido processo legal na esfera material. é considerado mais restrito que a devido processo material e caracteriza-se pela simples norma de respeito ao procedimento previamente regulado. 3. de ter his day in Court. civil. esta faceta do devido processo legal é mais empregada pela doutrina e pelos usuários do Direito. "na corte". comercial. ao contraditório. verifica-se que a cláusula do procedural due process of law nada mais é do que a possibilidade efetiva de a parte ter acesso à justiça. em que lhe seja assegurada ampla defesa) e de leis retroativas (ex post facto law). sendo indiscutível que nesse campo. dizemos num restaurante. a proibição de bill of attainder (ato legislativo que importa em considerar alguém culpado pela prática de crime. também chamado de devido processo adjetivo ou procedimental. à ampla defesa. pois se manifesta em todos os campos do Direito (administrativo. "quero tudo que tenho direito".

a liberdade e a propriedade. com conteúdo substantivo . à liberdade contratual ou outros direitos. pelos alemães [15]. a lógica e a prudência e a moderação no ato de interpretar as normas. não impondo qualquer limitação desproporcional ao direito de propriedade. Este o teste pelo qual o ato legislativo ou administrativo deve passar. exercício do poder estatal. um real substancial nexo com o objetivo que se quer atingir" [14] . Isto é. devem guardar. inibindo que lei em sentido genérico ou ato administrativo ofendam os direitos do cidadão. O Princípio da razoabilidade é o meio através do qual o operador do Direito busca a perfeita adequação. e os demais povos europeus [16] o rotulam de "princípio da proibição de excesso". buscando extirpar distorções. como a vida. outros destes derivados ou inseridos na Constituição. Carlos Velloso. não-absusivo. A Suprema Corte Americana entende que tem direito a examinar qualquer lei e determinar se ela constitui um legítimo. Holmes. permitindo ao Judiciário invalidar as ações abusivas ou destemperadas dos administradores e dos legisladores. sendo o instituto também referenciado como "princípio da proporcionalidade". uma lei deve apenas "ser razoável". isso é 32 . podemos exemplificar que uma lei que proíbe "disparo de arma de fogo em área habitada" restringe essa liberdade do indivíduo. pode abranger quaisquer direitos que a imaginação permita conceber.O substantive due process tutela o direito material do cidadão. anomalias e absurdos decorrentes do arbítrio e do abuso de poder. no sentido de que as leis devem ser elaboradas com justiça. O ministro do Supremo Tribunal Federal. devem ser dotadas de razoabilidade (reasonableness) e de racionalidade (racinality).constitui limite ao Legislativo. 4 CORRELAÇÃO COM O PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE A expressão "princípio da razoabilidade" advém dos norte-americanos. Para que seja adequada aos limites do devido processo. É necessária a compreensão de que as leis e atos administrativos normalmente ferem direitos. Em verdade. a idoneidade. Visivelmente apreende-se o sentido de sua utilização. segundo W. Trata-se de um mecanismo de controle da discricionariedade administrativa e legislativa. a lei deve empregar razoáveis meios para atingir seus fins. os meios devem mostrar uma razoável e substancial relação aos propósitos do ato. entretanto.substantive due process . Numa ótica simplista. prolatou acórdão que em poucas palavras traz a perfeita essência do aspecto material do devido processo legal: "due process of law. o devido processo legal material não apresenta limites e.

porquanto compreensível que aquela liberdade ou o prazer insólito que daquele ato resulta não são superiores ao bem protegido pela norma. é a própria lei que funciona como elemento balizador da razoabilidade. com isso. de 4 de setembro de 1942. Claramente. Da mesma forma. a moderação e a harmonia. prima facie. buscando o equilíbrio. o instrumento principal é o senso de proporção. afasta-se. ao menos um pouco. cada vez mais repletos de poderes discricionários sobre os direitos do cidadão. Não se pode chamar de jusnaturalismo ou de Direito Alternativo [18].657. com a própria norma trazendo os critérios para o exercício da busca da razoabilidade. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". Tal lei é razoável. culturais e filosóficas. 5º do Decreto-Lei nº 4. Em verdade. A razoabilidade prende-se à busca pelo ideal de justiça e. Portanto. o intérprete pondera os valores que informam o ordenamento jurídico. O professor Tesheiner nos pareceu temeroso pela rápida evolução dessa faceta material ou substantiva do instituto alvo de nossa minuta. O princípio da razoabilidade. Acompanhamos o seguinte entendimento: "Para nós. Dessa forma. a dimensão notadamente subjetiva do conceito cede lugar a uma concepção muito mais objetiva. Daí alguns doutos vislumbrarem nele traços do jusnaturalismo. traduzido na idéia de respeito aos comandos legislativos. o vetor em estudo posta-se muito mais como uma diretriz geral de hermenêutica. a aplicação do devido processo legal sob a ótica material enseja uma nova espécie de revisão judicial da lei. para se aproximar deste. dizendo: 33 .feito em nome do bem comum. o fantasma da discricionariedade ou arbítrio desenfreados. pela qual o magistrado examina a constitucionalidade de leis estaduais e federais à luz das suas idéias sócio-econômicas. numa espécie de "era dos juízes". preceitua: "Na aplicação da lei. age a Constituição Federal ao relacionar os direitos e garantias do cidadão. não considerando-nos aptos a apreender tal aspecto. Não é à toa que muito se comenta sobre uma tendência mundial de translação do grande eixo do Direito do Poder Legislativo para o Judiciário. vez que é a própria norma positiva traz elementos para aquela ponderação e. cujo grau de abstração é bastante elevado. para evitar o risco de balas-perdidas e conseqüente a exposição da idoneidade física e talvez até a vida de terceiros a perigo. do que uma pauta de matriz jusnaturalista. evitando-se que o seu alto teor de abstração comprometa a sua aplicabilidade" (17). Utilizando-se deste. porque interage-se com elementos do espírito. conhecido por Lei de Introdução ao Código Civil. O art. apresenta-se eivado de subjetividade. vê-se um exemplo do referido no parágrafo anterior. que deflui do sentimento de justiça.

distante de seu enunciado. tal como. Verdade. através das suas 5ª e 14ª Emendas. É um aprendizado lento."recém-introduzido (expressamente) entre nós. referem-se aproximadamente nos seguintes termos: que tem origem no direito anglosaxônico. vários processualistas pátrios. Somente em 1354 sagrou-se com a expressão due processe of law. Verdadeiramente. que impõe apenas o ideal de justiça como limite ao exercício de todos os direitos concebíveis. que são proibidas de lidar com os brinquedos mais valiosos. pela experiência. mas somente na Constituição de 1988 foi erigido (ou elevado) expressamente à categoria constitucional. não se pode pretender que o princípio do devido processo legal contenha dimensão substantiva. não deixa a dever a de nenhum país do mundo. quando o seu conceito constou na Magna Carta. A história de tal instituto remonta à Inglaterra do "ano do senhor" de 1215. a existência de uma legislação que viesse a restringir exatamente o direito ao devido processo legal. Entretanto. como leis ou atos administrativos injustos. 34 . idêntica evolução" [19]. nos Estados Unidos da América do Norte. somos contra a concentração exacerbada de poder não vinculado a rígidos preceitos legais nas mãos de quem quer que seja. CONCLUSÕES Apesar da inabalável importância do princípio do devido processo legal. porquanto guarda estreita relação com todos os demais princípios aplicáveis ao processo. quando quebradiços (e não têm tais características os direitos constitucionais?). a plena utilização desses direitos e garantias só pode ocorrer com o requisito da responsabilidade e só há uma forma de se ensinar essa. senão impossível. um contra-senso. apesar de não termos uma história milenar. Mas. após longa evolução jurisprudencial. não podemos ser tratados como crianças. porquanto que deve se adaptar aos novos direitos decorrentes da mutabilidade e avanço social. Não sofremos. ressaltamos seria estranha. onde foi encarregado de tutelar solidamente os direitos processuais e materiais. ademais. Por fim. ou seja. É considerado um princípio fundamental. a nossa historia de busca do ideal de cidadania e democracia. satisfazem-se apenas em tangenciar a sua evolução histórica. Ora. ao passo que também assegura o exercício daqueles direitos contra fatos inibidores. ainda. tão repleta de erros. Há a inarredável necessidade de aprendermos a lidar com os direitos os quais fomos presenteados. Uma definição estática para o instituto é difícil. até porque ele não deve ficar adstrito a conceitos pré-estabelecidos. mas permaneceu estático até a sua introdução na Constituição americana. cremos entender ponto de vista do honorável mestre e. mas as constituições pátrias sempre o adotaram. De tal tutela resultam as duas faces do devido processo legal.

na mais extensa concepção. Sua aplicação. para que a construção que lhe foi dado pela jurisprudência e doutrina internacional é necessário que conste do texto constitucional. 2002. instrumentalizado para cercear leis ou atos administrativos que ofendam aos direitos do cidadão. mas não devemos nos privar de utilizá-lo somente porque cair em mãos inescrupulosas. a todas as decorrências desses direitos. v. 46. liberdade e propriedade". ed. n. Carlos Eduardo Ferraz de Mattos. 2003.br/arqui vos/civel%2006.pdf. evoluamos individualmente e socialmente. ou seja. rev. não se encerra à legal ritualística do processo. mas a todo o arcabouço de garantias que lhe podem ser aplicáveis. São Paulo: Saraiva. Coleção Sinopses Jurídicas. posto que o correto é que o utilizemos com responsabilidade para que nossa cidadania evolua e. assim. ou seja. ALVIM. Disponível em: <http://jus. Teresina. se dá com o auxílio do princípio da razoabilidade. O devido processo legal exala o aroma da cidadania e da democracia. hierarquicamente superior às normas injustas as quais ele pode e deve coibir. volume 11. Manual de Direito Constitucional. BARROSO. 35 . 1999. Jus Navigandi. pouco difundido. A força do devido processo legal é imensurável. out. Acesso em: 23 ago. posto que reúne grande número de garantias de ordem constitucional e processual.ufsc. está preso apenas ao lado material do trinômio "vida. Disponível na Internet: http://buscalegis. A efetividade dos direitos fundamentais (art. Como dito supra. 2000. Arruda. conseqüentemente. Manual de direito processual civil. 1 : parte geral ± 8.asp?id=771>. 5º da Constituição Federal) e o princípio da razoabilidade das leis: a atuação do Ministério Público. entretanto é mais difundida na Brasil. BOLQUE. Acesso em 22 ago 2002. BIBLIOGRAFIA AGRA. atual. Walber de Moura. Já o devido processo substantivo.br/revista/doutrina/texto. 4. Pode ser. São Paulo : Editora Revista dos Tribunais. ocorre a ponderação dos diferentes valores dos bens jurídicos protegidos ou tutelados. para escapar ao puro (ou impuro) arbítrio do interprete. AMARAL. e ampl. Fernando César. Júlio Ricardo de Paula.com. ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2003. Teoria geral do processo e processo de conhecimento.O devido processo procedimental é considerado mais restrito que a acepção material. Além disso.ccj. Princípios de processo civil na Constituição Federal. a.

2. ed. Instituições de Direito Processual Civil. 7.358/2001 ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Acesso em 17 de agosto de 2003. Gisele. 2002. Nelson. Org.bRASIL. 2003. São Paulo : Saraiva. rev. José Joaquim.htm>. e atual.fortunecity. rev. et al. Sérgio Gilberto Porto Alegre: Livraria do Advogado. DINAMARCO. 2002. Antônio Carlos de. Rio de Janeiro: Forense. 36 . rev. PLÁCIDO E SILVA. Adriane. Coleção Resumos. Constituição federal. Constituição Federal anotada. ver. Teoria Geral do Processo. ARAÚJO CINTRA. volume 4. V. Ada Pellegrini. BULOS. NERY JUNIOR. Resumo de processo civil. 1. Disponível em: <http://campus. 2002. 2003. São Paulo: Saraiva. e atual. Lumen Juris : Rio de Janeiro. História e doutrina: O significado do princípio do devido processo legal. 7. GRINOVER. 2002. 14ª ed. ed. ± Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris. Acesso em 17 de agosto de 2003. O devido processo legal. Vocabulário Jurídico. Paulo Henrique dos Santos. rev e atual com as Leis 1-0. Devido Processo Legal Substancial. Cândido Rangel. 2003. 10. Princípios do processo civil na Constituição Federal. Cândido Rangel.htm>. Alexandre Freitas. ampl.br/html/artigos/document os/texto008. MORAES.com/clemson/493/jus/m09-015. São Paulo : Malheiros.com. Alexandre. LEITE. DINAMARCO. LUCON. Acesso em: 22 jun. e atual. código de processo civil / organizador Yussef Said Cahali ± 5.br/pdf/R VITA-DIALOGOJURIDICO-01-2001-J-J-CALMON-PASSOS. CÂMARA. v. 1 ± 7. 2003. Maximilianus Cláudio Américo. FÜHRER. São Paulo: Malheiros. código civil. 04. ed. Disponível na Internet: <http://www. ver. De. atual. Paulo.mundojuridico. ed. ed. e atual. São Paulo: Atlas. Lições de direito processual civil.adv. Instrumentalidade do processo e devido processo legal. e ampl. Até a Emenda Constitucional n. 4. 35/2001. ed. 1987. 1998. rev. Direito Processual Penal. p.pdf>. 13. Coleção RT-mini-códigos ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. ed. RANGEL. Uadi Lammêgo. 2002. e atual. Geraldo. BRINDEIRO. DONADEL. Constituição do Brasil interpretada e legislação constitucional.352/2001 e 10.direitopublico. ed. CALMON DE PASSOS. Disponível na Internet: <http://www. As garantias do cidadão no processo civil. 1996.

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without due process of law. Acesso em 22 ago 2003. ed. liberty. No State shall make or enforce any law which shall abridge the privileges or immunities of citizens of the United States. pg. are citizens of the United States and of the State wherein they reside. Adriane. shall be put out of land or tenement. 07. Acesso em 22 de agosto de 2003. 38 . without being brough to answer by due process of law". or in the Militia.358/2001 ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. 08. Disponível na Internet em http://www. or property. NERY JUNIOR.gov/Constitution/Constitution. Cândido Rangel. rev e atual com as Leis 1-0. 02.html.house. "No person shall be held to answer for a capital. nor taken or imprisoned. nor shall private property be taken for public use. Escrita originalmente em Latim. nota 6. 11. 7. a.pdf>. unless on a presentment or indictment of a Grand Jury. Acesso em 22 ago 2002.thelatinlibrary. 1991. nor shall any person be subject for the same offence to be twice put in jeopardy of life or limb. 33.gov/ Constitution/Amend. when in actual service in time of War or public danger. São Paulo. Instituições de Direito Processual Civil 09. Nelson.html. Org. "None shall be condemned without trial. Idem. that no man. DONADEL. nor deny to any person within its jurisdiction the equal protection of the laws". As garantias do cidadão no processo civil. 03. 2002. 2003. 04. Revista dos Tribunais. Disponível na Internet: <http://buscalegis. Acesso em 22 ago 2003. Also. without just compensation".NOTAS 01. nor disinherited. Princípios do processo civil na Constituição Federal. idioma dos intelectuais da época. BOLQUE. nor be deprived of life.352/2001 e 10. 80. or otherwise infamous crime.ufsc.html.ccj.br/arqui vos/civel%2006. of what estate or condition that he be. v. without due process of law. et al. Idem. except in cases arising in the land or naval forces. nor shall be compelled in any criminal case to be a witness against himself. DINAMARCO. Humberto. 263. "All persons born or naturalized in the United States. 665. A efetividade dos direitos fundamentais (art.com/magnacarta. liberty. Disponível nessa versão na Internet em http://www. Fernando César.house. p. and subject to the jurisdiction thereof. 5º da Constituição Federal) e o princípio da razoabilidade das leis: a atuação do Ministério Público. THEODORO JÚNIOR. mar. A garantia fundamental do devido processo legal e o exercício do poder de cautela no Direito Processual Civil. nor shall any State deprive any person of life. 05. nor put to death. 06. Sérgio Gilberto Porto Alegre: Livraria do Advogado. or property. Disponível na Internet em http://www.

202. muito difundida no início dos anos noventa. São Paulo: Malheiros. de 21 de outubro de 1969.portugal. 2004.001. 12. ampl. ed. 13. 11. e atual. 18. p. 17. Arturo. ed.htm >. Acesso em 23 de agosto de 2003. São Paulo : Saraiva. ver. rev. Em Portugal a proibição de excesso é mandamento constitucional expresso. ano 9. HOYOS. O devido processo legal. Para os Crimes Militares em Tempo de Guerra. a. 19. Ada Pellegrini.pt/pt/Sistema+Po litico/Constituicao/Constituicao_p02. a. RANGEL. 24 jan. n.352/2001 e 10. liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição. p. devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos". Teresina. 35/2001. 15. Disponível em <http://www. da Constituição lusitana: "A lei só pode restringir os direitos. Acesso em: 21 jan. Uadi Lammêgo. Uma visão do direito. ex vi do art. Luiz Rodrigues. É comum os juízes do Bundesverfassungsgericht (Corte Constitucional Alemã) adotarem a proporcionalidade como critério balizador de suas decisões. 2. 1998. p.1996 16. Princípios do Processo Civil na Constituição Federal. 7. Decreto-Lei 1. ago. mesmo que para isso seja necessário inobservar a norma jurídica. Teoria Geral do Processo. 646. O princípio do devido processo e a razoabilidade das leis. atual. 242.gov. 55. 2002. São Paulo. 7.08. rev e atual com as Leis 1-0. 56. p. Jus Navigandi. Nelson. DINAMARCO.pro.com. 34. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ 39 .40.10. 78. 2002. Paulo. Revista dos Tribunais. Antônio Carlos de.br/revista/texto/4749>.tex. Constituição Federal anotada. Disponível em <http://www. nascida do abraçar de jovens magistrados gaúchos.htm> Acesso em 27 ago 2003. Lumen Juris: Rio de Janeiro. 14.358/2001 ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 18. 14ª ed. Disponível em: <http://jus. Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT JANSEN. v. ARAÚJO CINTRA. Cândido Rangel. ADIn n° 1511-7 DF . 33-40. NERY JUNIOR. vinculando sua aplicação à justiça.br/wwwroot/processocivil/oprin cipiododevidoprocessoearazoabilidadedasleis. 2003. conforme apregoam os arts. Direito Processual Penal. BULOS. Euler Paulo de Moura. e 355 usque 397 do Código Penal Militar. 4. 04. Apud WAMBIER. 1989. p. 20. p. julgado em 14. ed. Até a Emenda Constitucional n. Anotações sobre o princípio do devido processo legal.Medida Liminar. GRINOVER. 2012.

têm sido objeto de críticas e preocupações não só dos principais protagonistas dos processos ± os juízes. num regime democrático participativo e estável. dos seus destinatários: as partes e os cidadãos brasileiros. Não tenho dúvidas da necessidade premente de modernizar o Poder Judiciário e o Ministério Público. principalmente. efetivamente. exercer o seu papel de promover a segurança e o bemestar.http://campus. especialmente do Supremo Tribunal Federal e do Supremo Tribunal de Justiça. a pessoas em situações jurídicas absolutamente idênticas. em respeito ao princípio constitucional da isonomia. prejudicando o acesso ao Judiciário e a qualidade da prestação jurisdicional. principalmente.fortunecity. mas também e. como a arbitragem e os acordos extrajudiciais. 40 . uma vez que me parece inaceitável dar tratamento diferenciado. já às vésperas do Século XXI. As dificuldades no acesso à Justiça e a lentidão nos julgamentos definitivos. e para que o Estado possa. aparelhando-os com os meios materiais e os recursos humanos necessários e eliminando-se anacronismos legislativos e administrativos que geram a lentidão na prestação jurisdicional e o acúmulo de processos. os advogados e os membros do Ministério Público ± mas." V ivemos uma época neste país onde há uma grande preocupação dos responsáveis pelo funcionamento do sistema jurídico com sua maior credibilidade. Preconiza-se como uma das soluções a reforma constitucional do Judiciário e creio que ela. também. buscam soluções alternativas. descrentes da presteza e da eficácia da máquina judiciária. no campo civil e comercial. como outras reformas da Constituição. tendo em vista o acúmulo de processos no Judiciário. maior eficiência. Os interessados em número crescente. Há anos tenho sido francamente favorável à adoção do efeito vinculante das súmulas dos Tribunais Superiores. No campo penal.htm O DEVIDO PROCESSO LEGAL "Não tenho dúvidas da necessidade premente de modernizar o Poder Judiciário e o Ministério Público. são necessárias para permitir o desenvolvimento econômico e social do País. o excessivo formalismo das regras processuais e a quantidade às vezes abusiva de recursos e procedimentos protelatórios ou impeditivos da prestação jurisdicional. e. tentam-se soluções negociadas entre trabalhadores e empregadores sem interveniência da Justiça do Trabalho. aparelhando-os com os meios materiais e os recursos humanos necessários e eliminando-se anacronismos legislativos e administrativos que geram a lentidão na prestação jurisdicional e o acúmulo de processos. com base na mesma lei.com/clemson/493/jus/m09-015. não apenas para evitar o acúmulo absurdo de processos repetidos onde as questões jurídicas já foram anteriormente decididas inúmeras vezes. No campo trabalhista. há reclamações generalizadas sobre a insegurança e a impunidade.

Penso ainda que a igualdade perante a lei e o devido processo legal são princípios constitucionais complementares entre si. aproximando os mecanismos processuais dos anseios práticos da sociedade. para todos. 41 . e introduzido no Brasil pela Constituição de 1988. da bilateralidade dos atos procedimentais. em nome de suposta eficácia da prestação jurisdicional.As modernas teorias do processo demonstram seu caráter instrumental. A 5ª Emenda à Constituição Americana de 1787 foi. A garantia da prestação jurisdicional. E quando a expressão refere-se a processo e não a simples procedimento. Não se podem aceitar hodiernamente velhos procedimentos formais. a Constituição e as leis do País. a qualquer custo. originado da cláusula do due process of law do Direito anglo-americano. desenvolver jurisprudência de proteção aos direitos civis assegurados no Bill of Rights. A modernização do processo. inciso LIV. pois os princípios da legalidade e da isonomia ± essenciais ao Estado Democrático de Direito ± não fariam qualquer sentido sem um poder capaz de fazer cumprir e pôr em prática. todavia. alude sem dúvida ao processo judicial pelo Estado. vinculou os Estados da Federação à cláusula. É preciso que. ratificada pelo Congresso em 1868. com a necessária presteza. Tão importante princípio ± o do devido processo legal ± teve sua origem histórica. deve ser associado aos princípios constitucionais do controle judiciário ± que não permite à lei excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito ± e das garantias do contraditório e da ampla defesa. é corolário do devido processo legal. A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio do devido processo legal. o que significa que ninguém pode ser processado "senão mediante um julgamento regular pelos seus pares ou em harmonia com a lei do País". liberdade e propriedade. especialmente nos anos 60. segundo o disposto nos incisos XXXV e LV do mesmo artigo da Constituição. como se sabe. têm dado significativas contribuições à moderna Doutrina. disponha o processo judicial de eficiência e funcionalidade. no seu art. em detrimento do exame da substância do direito. o que permitiu à Suprema Corte Americana. a partir da 14ª Emenda à Constituição de 1787 dos Estados Unidos. na Magna Carta de 1215 que se referia inicialmente ao processo by the lawful judgement of his equals or by the law of the land. durante o período do Chief Justice Earl Warren. No direito Constitucional americano. os processualistas brasileiros. E a 14ª Emenda. ao lado das garantias da forma. 5º. ou na expressão original em latim per legale judicium parium suorum. sem a prudente e cautelosa análise de sua essencialidade. porém. vel per legem terrae. sem o devido processo legal". com a devida presteza e sem procrastinações. Este princípio. por mero apego a oneroso e complicado tecnicismo. com os meios e recursos a ela inerentes. as cláusulas do due process of law e da equal protection of the laws (igual proteção das leis) complementam-se reciprocamente. que introduziu a expressão due process of law. onde se inspira o princípio do devido processo legal. do contraditório e da ampla defesa. segundo os imperativos da ordem jurídica. não deve significar a redução pura e simples de formalidades e a diminuição de recursos. estabelecendo que "nenhuma pessoa pode ser privada da vida. em 1868. Nesse sentido. É preciso todo o cuidado para não incidir ao grave erro das soluções simplistas em prejuízo de princípios constitucionais do Estado Democrático de Direito. e com as garantias de isonomia processual.

5º. assegurada na Constituição. portanto. procedimentos ordenados por princípios como. especialmente da Suprema Corte. para limitar a ação administrativa do Estado na esfera individual e o poder de polícia. O renascimento do substantive due pro-cess. Estas são. como no processo trabalhista. nesse sentido. isto é. numa primeira fase. 42 . às razões do desenvolvimento da teoria do substantive due process. a cláusula do devido processo legal não visava a questionar a substância ou o conteúdo dos atos do Poder Público mas sim. observada em alguns casos pelo Supremo Tribunal Federal. por meio de construção jurisprudencial (construction) e baseando-se em critérios de razoabilidade (reasonableness). do julgamento duas vezes pelo mesmo fato (double jeopardy) e do direito a ampla defesa e ao contraditório. o direito de defesa. pela jurisprudência. no nosso sistema constitucional. inciso LVI. segundo a doutrina e a jurisprudência norte-americana. A excepcionalidade da medida relativamente à privacidade dos cidadãos. sem a precedência de um processo e julgamento regular. no seu art. a proibição de bill of attainder (ato legislativo que importa em considerar alguém culpado pela prática de crime. o sentido de proteção substantiva dos direitos e liberdades civis assegurados no Bill of Rights. a disclosure. em processo judicial ou administrativo. em muitos casos. além da vedação de auto-incriminação forçada (self incrimination). Connecticut em 1965 e Roe v. em síntese. passou a promover a proteção dos direitos fundamentais contra ação irrazoável e arbitrária (protection from arbitrary and unreasonable action). garantindo aos cidadãos a proteção contra os abusos e a violação de garantias procedimentais e de direitos fundamentais. a partir das decisões da Suprema Corte nos casos Griswold v. apenas a garantias de natureza processual propriamente ditas. somente pode ocorrer existindo probable cause (fundada suspeita). de provas obtidas por meios ilícitos. o princípio da invalidade. relativas ao direito a orderly proceedings. em que lhe seja assegurada ampla defesa) e de leis retroativas (ex post facto law). somente pode ser verificada no âmbito do Poder Judiciário. A partir de 1890. Wade em 1973. adota. no processo. Nas investigações criminais. o que somente se apura obedecidos os ditames do due process of law. No campo processual civil. O princípio do devido processo legal nos Estados Unidos tem também sido aplicado.A cláusula do devido processo legal no Direito Constitucional americano refere-se. Segundo sua concepção originária e adjetiva. a famosa doutrina constitucional americana sintetizada na expressão fruits of the poisonous tree. assim. no campo processual penal. a revelação de dados sigilosos. volta a enfatizar a importância da proteção de valores fundamentais contra ação arbitrária e irrazoável. como se sabe. incorporou-se à cláusula do due process of law. inspirada na jurisprudência da Suprema Corte dos Estados Unidos. do direito constitucional à tutela jurisdicional do Estado e do devido processo legal resultam a instrução contraditória. No Brasil. o duplo grau de jurisdição e a publicidade dos julgamentos dentre outras garantias. A Constituição Brasileira de 1988. fundada em critérios de razoabilidade e interesse público relevante. A doutrina constitucional americana tem se modificado ao longo dos anos sobre a extensão e o significado da cláusula do devido processo legal. já na vigência da 14ª Emenda à Constituição Americana. aplica-se a denominação procedural due process. o contraditório e a ampla defesa. A Suprema Corte dos Estados Unidos. Por isso. a Constituição Federal de 1988 assegura aos litigantes. Consagra. a assegurar o direito a um processo regular e justo.

realizando mudanças para a consolidação do regime democrático no País. 8º e 10 expressamente: "Toda pessoa tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes recurso efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. 5º. demonstram a necessidade de superar as dificuldades tradicionais da cultura política. É encontrado no inc.Finalmente. ao crime organizado e aos crimes do colarinho branco (denominação usada pelos criminalistas americanos já na década de 50.br/direito-administrativo/principio-da-legalidade.profcadenas@algosobre.html Princípio da Legalidade sobre Direito Administrativo por Prof. a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial. especialmente em relação à ameaça de tráfico internacional de drogas. Encontramos muitas variantes dele expressas na nossa Constituição. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www. e está no mesmo art. que pode fazer de tudo. a importância da garantia constitucional do due process of law é reconhecida no Direito Comparado e no Direito Internacional ao incluí-la na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. a partir da publicação do livro The White Collar Crime. em 1949 por Edwin H.algosobre. para que fique bem clara a incidência desse princípio específico no Direito Administrativo. É preciso também modernizar a legislação para maior eficiência no combate à corrupção e à criminalidade. em seu inciso XXXIX. A história constitucional brasileira e de sua democracia. segundo dispõem os seus arts." e "Toda pessoa tem direito. E o Estado Democrático de Direito não pode prescindir do respeito à Constituição. menos o que a lei proíbe. o mais importante é o dito princípio genérico. esquecer jamais as lições do passado para não cometer os mesmos erros dos julgamentos sumários e tribunais de exceção nos regimes autoritários. Para concluir. das Nações Unidas. atendendo aos anseios da sociedade.br Como o próprio nome sugere. que vale para todos.com. da igualdade e do devido processo legal. 43 . Sutherland). vou relembrar alguns. 5º. que é nosso foco atual. II do art. Leandro Cadenas . aos princípios da legalidade. Assim. porém. para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ela". que diz que ³ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei´.com. Não se devem. esse princípio diz respeito à obediência à lei. em plena igualdade. Aproveitando. O primeiro é o que orienta o Direito Penal. Vamos ver outros dois exemplos constitucionais. devo enfatizar mais uma vez a necessidade de reformas a fim de tornar o processo moderno e funcional. Vemos então que existe relativa liberdade do povo.

visando à proteção do administrado em relação ao abuso de poder. Em outro ramo. ou então o trâmite de um projeto de lei no legislativo ou a fiscalização das contas presidenciais pelo TCU. exceto o que a lei proíbe. pois. ou ainda as regras para aquisição de materiais de consumo pelas repartições. Naquele. é expressão do princípio da legalidade a permissão para a prática de atos administrativos que sejam expressamente autorizados pela lei. em seu art.centraljuridica. ainda que mediante simples atribuição de competência. Seus atos têm que estar sempre pautados na legislação. na ausência de tal previsão. da Constituição Federal). O princípio da legalidade apresenta um perfil diverso no campo do Direito Público e no campo do Direito Privado. A diferença entre o princípio genérico e o específico do Direito Administrativo tem que ficar bem clara na hora da prova. Agora. qualquer ato da Administração Pública somente terá validade se respaldado em lei. mas o administrado só se submeterá ao previsto nas 44 . Como desdobramentos de tal princípio. como. o que nos interessa: no Direito Administrativo. tendo em vista seus interesses. No Direito Privado.. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www.Nesse ponto. encontramos em toda a Constituição suas expressões específicas. se prevista em lei. I.medidas provisórias: são atos com força de lei. inciso I). Tal idéia toma como alicerce a célebre lição do jurista Seabra Fagundes. a pessoa pode fazer de tudo. pois esta também advém da lei. a Administração Pública só pode fazer o que a lei autoriza. se não houver previsão legal. por exemplo. só se pode fazer o que a lei expressamente autorizar ou determinar. no Direito Tributário. sintetizada na seguinte frase: ³administrar é aplicar a Lei de ofício´. a CF/88. É ela quem estabelece como um juiz deve conduzir um processo ou proferir uma sentença. estando engessada.html Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (artigo 5º. ou seja. inciso XXXIX). nada pode ser feito. inciso II. esse princípio determina que. a Legalidade Penal (artigo 5º. a Administração Pública está estritamente vinculada à lei.. O princípio em estudo. apresenta justificáveis restrições: . Aqui diz que somente poderá ser cobrado ou majorado tributo através de lei. Repare na importância que a legislação tem na vida do Estado. Representa um limite para a atuação do Estado. O princípio da legalidade representa uma garantia para os administrados. Assim. em qualquer atividade. Neste. tudo tem que estar normatizado. as partes poderão fazer tudo o que a lei não proíbe. existe uma relação de subordinação perante a lei. e cada um dos agentes públicos estará adstrito ao que a lei determina.com/doutrina/2/direito_civil/principio_da_legalidade. diferentemente. 150. entre outros. a Legalidade Tributária (artigo 150. no Direito Público. Então. não obstante sua larga aplicação. o constituinte estabeleceu que determinada conduta somente será considerada criminosa. norteador da elaboração de nosso texto constitucional. também estabeleceu a observância obrigatória a esse mesmo princípio. em sua acepção ampla.

Concluindo. em razão da previsão constitucional de procedimento sumário para a criação de leis (artigo 64. 45 . ou seja. . §§ 1º a 4º). mas sim a todo o sistema jurídico. para fins de edição de medidas provisórias. Vêm sendo considerados fatos urgentes. ou ao Direito. aqueles assuntos que não podem esperar mais de 90 dias. a legalidade não se subsume apenas à observância da lei. se nelas constarem os requisitos da relevância e da urgência. que pode ampliar os poderes da Administração.estado de sítio e estado de defesa: são situações de anormalidade institucional. autorizando ou determinando a prática de atos sem respaldo legal.medidas provisórias se elas forem editadas dentro dos parâmetros constitucionais. Representam restrições ao princípio da legalidade porque são instituídos por um decreto presidencial.

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