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Apostila 1 - Direito Penal - Crimes Contra a Dignidade Sexual

Apostila 1 - Direito Penal - Crimes Contra a Dignidade Sexual

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CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL (ARTS. 213 A 234)
INTRÓITO Com a entrada em vigor da Lei nº 12.015/09, o Título VI da Parte Especial do CP, que dispõe sobre os crimes contra a dignidade sexual1 (arts. 213 a 234B), está seccionado em seis capítulos: Capítulo I – crimes contra a liberdade sexual (arts. 213 a 216-A); Capítulo II – crimes sexuais contra vulnerável (arts. 217-A a 218-B); Capítulo III – rapto (revogado); Capítulo IV – disposições gerais (arts. 225 a 226); Capítulo V – lenocínio e tráfico de pessoa para fim de prostituição ou outra forma de exploração sexual (arts. 227 a 231-A); Capítulo VI – ultraje público ao pudor (arts. 233 a 234); e Capítulo VII – disposições gerais (arts. 234-A a 234-B). Inicialmente, cumpre traçar um escorço cronológico das alterações legislativas provocadas nos crimes contra a dignidade sexual. A Lei nº 11.106/05 revogou os crimes de sedução (art. 217), rapto (arts. 219 a 222), adultério (art. 240 do CP - crime contra a família), bem como duas causas extintivas da punibilidade. No que tange aos crimes de sedução e adultério houve abolitio criminis – extinção da punibilidade. Em relação ao crime de rapto passou a ser considerado qualificadora do crime de seqüestro, os moldes do art. 148, § 1º, V, do CP. Existiam duas causas extintivas da punibilidade previstas no art. 107, 2 3 VII e VIII do CP, relacionadas com o casamento do agente com a vítima e casamento da vítima com terceiro, desde que, no último caso, o crime fosse cometido sem violência ou grave ameaça e a vítima não requeresse o prosseguimento do IP ou da ação penal no prazo de 60 dias, a contar da celebração do casamento, que foram suprimidas do ordenamento jurídico penal pela Lei nº 11.106/05. Por sua vez, a Lei nº 12.015/09, dentre outras mudanças, revogou os crimes de atentado violento ao pudor (art. 214), posse sexual mediante fraude (art. 215) e atentado ao pudor mediante fraude (art. 216), transformando-os nos crimes de estupro (art. 213) e violação sexual mediante fraude (art. 215), além de inúmeras outras mudanças que serão expostas abaixo.

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O CP, que entrou em vigor na década de 40, utilizava a expressão costumes, até o advento da Lei nº 12.015/09, que representava os hábitos da vida sexual aprovados pela moral prática ou conduta sexual adaptada à conveniência e disciplina sociais.
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“VII – casamento do agente com a vítima, nos crimes contra os costumes, definidos nos Capítulos I, II e III” e VIII;” 3 “VIII - casamento da vítima com terceiro, nos crimes referidos no inciso anterior, se cometidos sem violência real ou grave ameaça e desde que a ofendida não requeira o prosseguimento do inquérito policial ou da ação penal no prazo de 60 dias a contar da celebração;”

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I. CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL Três são os crimes contra a liberdade sexual: estupro (art. 213), violação sexual mediante fraude (art. 215) e assédio sexual (art. 216-A). 1. ESTUPRO
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. § 2o Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos

O estupro é modalidade do crime de constrangimento ilegal (art. 146 do CP - crime subsidiário), com a finalidade da obtenção da conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso. Com o advento da Lei nº 12.015/09, o estupro consiste na fusão das condutas da conjunção carnal e da prática de qualquer outro ato libidinoso. Como efeito imediato, em observância ao princípio constitucional da retroatividade da lei penal mais benéfica (CF, art. 5º, XL), reconhece-se a continuidade delitiva entre os crimes de estupro e atentado violento ao pudor praticados anteriormente à vigência da Lei 12.015/2009 e nas mesmas condições de tempo, lugar e maneira de execução.4 1.1. Objeto jurídico É a liberdade sexual de qualquer pessoa, abrangendo o direito de escolher o parceiro, o local, o momento e o modo da prática sexual. 1.2. Objeto material É a pessoa humana. 1.3. Sujeito ativo Qualquer pessoa (crime comum). É admitido o concurso de pessoas na forma de participação ou coautoria, que funciona como causa de aumento de pena no percentual de 1/4 (art. 226, I, do CP). Nélson Hungria defendia que o marido não pode ser autor de estupro, pois entendia que a mulher possuia o debitus conjugali, contudo, este entendimento encontra-se superado. Atualmente, a pena é aumentada da metade se o agente é cônjuge, companheiro, ascendente, irmão, padrasto, madrasta, tio, tutor, curador, preceptor (professor), empregador da vítima ou que tenha por qualquer título autoridade sobre ela (art. 226, II, do CP).

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HC 96818/SP, rel. Min. Joaquim Barbosa, 10.8.2010.

3 1.4. Sujeito passivo A vítima é qualquer pessoa, inclusive, a prostituta, o transexual e o hermafrodita. O crime é qualificado se a vítima é menor de 18 e maior de 14 anos (art. 213, § 1º, do CP). O vulnerável que abrange o menor de 14 anos, pessoa com enfermidade ou deficiência mental que não tenha o necessário discernimento para a prática de ato ou a pessoa que, por qualquer outra causa, não possa oferecer resistência é a vítima do crime ora estudado (art. 217-A do CP). 1.5. Núcleo do tipo A ação incriminada é constranger, que significa forçar, compelir, coagir alguém a ter conjunção carnal ou praticar ou permitir que se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal. O contato físico é dispensável5. O agente que obriga a vítima a se despir para satisfazer sua lascívia, obriga a vítima a se auto-masturbar ou a praticar ou permitir o ato sexual com terceiro comete estupro. Por conjunção carnal entende-se a prática sexual entre o homem e a mulher consistente na relação pênis e vagina. Já ato libidinoso diverso da conjunção carnal abrange qualquer ato sexual entre quaisquer pessoas que vise à satisfação da libido, como felação, cunilíngue, coito anal, introdução de objetos, masturbação etc. É da essência do estupro o dissenso da vítima, contudo, se compelida a prática do coito, entregar o preservativo para o agressor, o crime continua existindo, pois a vítima tem por objetivo proteger sua saúde. A mera insistência para a prática sexual não caracteriza ausência de consentimento. O crime de estupro distingue-se da contravenção penal de importunação ofensiva do pudor (art. 61 da LCP). Aqui inexiste violência ou grave ameça; a gravidade da conduta é menor, e. g., passar as mãos na perna da vítima; e o tempo breve de duração do ato. 1.6. Meios de execução O crime é de forma livre, porém, é imprescindível o emprego de violência física ou grave ameaça, que pode ser justa ou injusta (age no psíquico da vítima, cuja força intimidatória é capaz de anular a sua capacidade de querer).6 1.7. Elemento subjetivo

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Nucci, Hungria, Rogério Greco. Capez – é indispensável.

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Até o advento da Lei 12.015/09 existia a violência presumida (art. 224 do CP), nas seguintes hipóteses: –1) vítima não é maior de quatorze anos; 2) vítima é alienada ou débil mental, e o agente conhece esta circunstância; e 3) vítima não pode oferecer resistência. As causas de presunção de violência do art. 224 eram relativas (ex.: agente se equivoca quanto à idade da vítima, incidindo erro de tipo).

4 É o dolo, não se exigindo a finalidade especial de satisfação da lascívia. A forma culposa não é prevista. 1.8. Consumação Consuma-se com a prática do ato de libidinagem, ou seja, a introdução do pênis na vagina, ainda que incompleta, ou com a prática de qualquer ato libidinoso diverso da conjunção carnal (crime material). 1.8. Tentativa Cabe tentativa, pois o crime é plurissubsistente, como, por exemplo, a ejaculação precoce do agente. 1.9. Espécies de estupro O estupro divide-se em: 1) Simples (art. 213, caput, do CP) É o tipo penal fundamental do crime de estupro. É obtido por exclusão das demais formas do estupro. 2) Qualificado O legislador agrega circunstâncias que fazem com que a pena cominada seja elevada nos seguintes casos: a) Se resulta lesão corporal grave (art. 213, § 1º, CP) É figura preterdolosa, isto é, o agente age com dolo de estuprar e por culpa provoca lesão corporal grave. Agora, se a intenção do agente for lesionar a vítima, ocorrerá concurso material entre estupro e lesão corporal grave. b) Se a vítima é maior de 14 e menor de 18 anos (art. 213, § 2º, CP) Exige-se que o agente tenha consciência da idade da vítima, sob pena de erro de tipo, e, por consequência, responda por estupro simples. Apesar da omissão do CP quanto a vítima com idade de 14 anos, incluise também no espectro dessa qualificadora, com cerne em interpretação extensiva. Em resumo, a vítima com idade inferior a 14 anos configura estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) e a que possui entre 14 a 18 anos estupro qualificado. c) Se da conduta resulta morte (art. 213, § 2º, CP) A morte vem por culpa do agente (crime preterdoloso). No entanto, se o agente estupra e depois com dolo mata responde por estupro e homicídio em concurso material. 3) de Vulnerável (art. 217-A do CP). Está inserido no Cap. II – Dos crimes contra vulnerável -, do Titulo VI da Parte Especial. No estupro de vulnerável a violência e a grave ameaça são dispensáveis, configurando-se o crime apenas em razão da situação de vulnerabilidade da vítima. Por isso, o consentimento do vulnerável para a prática sexual é irrelevante. É considerado vulnerável: a) menor de 14 anos O erro de tipo do agente exclui o dolo e, por consequência, o crime.

5 b) enfermo ou deficiente mental que não tem capacidade de discernimento A perícia médica é indispensável para comprovação da vulnerabilidade da vítima. c) pessoa que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência (vítima embriagada, dopada, drogada, hipnotizada). A Lei nº 12.015/09, assim como fez com o estupro simples no art. 213 do CP, inseriu qualificadoras preterdolosas referentes à ocorrência de lesão corporal grave e morte (art. 217-A, §§ 1º e 2º, do CP) no estupro de vulnerável. O art. 9º da Lei nº 8.072/90, que determinava o aumento da pena da metade, se a vítima se encontrasse nas situações descritas no art. 224 do CP, perdeu eficácia, em face da revogação expressa deste dispositivo pela Lei nº 12.015/09. 1.10. Hediondez Todas as espécies do estupro são consideradas crimes hediondos (art. 1º, incisos V e VI, da Lei nº 8.072/90). Por conta disso, relembre-se que o regime de cumprimento de pena é inicialmente fechado, devendo o agente cumprir, para fins de progressão da pena, o percentual de 2/5 se primário, ou 3/5 se reincidente.

2. VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE
Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.

Com o advento da Lei nº 12.015/09, os crimes de posse sexual mediante fraude e atentado ao pudor mediante fraude foram fundidos no crime de violação sexual mediante fraude (art. 215) O crime em análise, conhecido como estelionato sexual em razão do meio de execução fraude, não é hediondo. O engodo pode recair sobre a identidade física do agente (verbi gratia, troca de irmãos gêmeos), ou sobre a legitimidade do ato (exemplos: médico que abusa da paciente sob a desculpa de realizar exame de toque nos seus seios; simulação de casamento para obter conjunção carnal). Se o agente visa lucro impõe-se também o acréscimo da pena de multa à pena prisional.

3. ASSÉDIO SEXUAL
Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.

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Parágrafo único. (vetado) § 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.

3.1. Objeto jurídico O assédio laboral foi introduzido no CP pela Lei 10.224/01. A novatio legis incriminadora consiste na insistência inoportuna de alguém em posição privilegiada que usa dessa vantagem para obter favores sexuais do subalterno. O bem jurídico tutelado é a liberdade sexual no ambiente de trabalho. 3.2. Sujeito ativo É o superior hierárquico ou ascendente no exercício de emprego, cargo ou função (crime próprio). 3.3. Sujeito passivo É a pessoa que se encontra numa posição hierarquicamente inferior, subordinado, empregado ou subalterno. No caso de vítima menor de 18 anos a pena é aumentada de 1/3 na terceira fase da dosimetria da pena (art. 216-A, § 2º, do CP). A pessoa que, além da profissão do meretrício, exerce outra profissão, na condição de subalterna nesta relação de trabalho, pode ser vítima do crime. O crime não se configura nas seguintes situações: a) Empregada que assedia o chefe, pois inexiste superioridade hierárquica do primeiro em relação ao segundo; b) Empregado que assedia empregada do mesmo escalão, tendo em vista a inexistência de superioridade hierárquica do primeiro em relação ao segundo; c) Professor que constrange aluna, eis que inexiste relação de emprego entre eles; e d) Ministro religioso e devota, haja vista a inexistência de relação laboral entre estes. 3.5. Núcleo do tipo A conduta incriminada é constranger, que significa causar mal-estar em alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. Ensina João Daniel Rassi que “o crime de assédio sexual (...) quebrou a terminologia usada pelo Código, no qual “constranger” significa submeter mediante violência ou grave ameaça. No tipo “constranger” significa ofender o pudor, o respeito próprio, causar constrangimento no sentido de mal estar (...).”7 3.6. Elemento subjetivo
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RASSI, João Daniel e GRECO, Alessandra Orcesi Pedro. Crimes contra a dignidade sexual. Atlas. 2ª Ed. São Paulo: 2011, p. 172.

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É o dolo, exigindo-se ainda o elemento subjetivo do tipo específico consistente no “intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual”. Dessa forma, o chefe apaixonado que assedia empregada não comete o crime desde que tenha por finalidade um relacionamento estável, permanente e duradouro, em face da inexistência do elemento subjetivo do tipo específico. 3.7. Consumação Com a prática de um único ato de assédio ou proposta indecente, independentemente da obtenção da vantagem sexual, como convites explícitos ou insinuados, cartas ou escritos ou qualquer comportamento que possa induzir ao desejo de atitude sexual. Trata-se de crime formal ou de resultado cortado. 1.8. Tentativa A tentativa é admissível na forma plurissubsistente.

II. CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL No capítulo II do Título XI tem-se os seguintes crimes sexuais contra vulnerável: estupro de vulnerável (art. 217-A), corrupção de menores (art. 218), satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. 218-A) e favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável (art. 218-B). O estupro de vulnerável já foi abordado quando da análise do crime de estupro. 1. MEDIAÇÃO DE MENOR DE 14 ANOS PARA SATISTAZER A LASCÍVIA DE OUTREM (rubrica dada pelo autor)
Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.

1.1. Objeto jurídico O legislador esqueceu de apontar o nomen juris do tipo penal do art. 218 do CP, que, antes, era denominado de corrupção de menores. Como a rubrica do crime não aparece mais é possível denominá-lo de corrupção de menores, induzimento de vulnerável ou de menor de 14 anos para satisfazer a lascívia de outrem ou mediação de menor de 14 anos para satisfazer a lascívia de outrem.

8 Na verdade, o crime em questão é modalidade especial do crime de mediação para servir a lascívia de outrem, também conhecido como lenocínio, descrito no art. 227 do CP, diferenciando-se, contudo, quanto à idade do sujeito passivo. O art. 218 do CP tutela a integridade sexual do menor de quatorze anos. 1.2. Sujeito ativo Qualquer pessoa (crime comum). 1.3. Sujeito passivo A vítima é o menor de 14 anos, independentemente da situação que se encontre, abrangendo, inclusive, o prostituído ou corrompido. É imprescindível, contudo que o menor de 14 anos seja determinado, sob pena de configurar-se o crime de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual descrito no art. 218-B do CP. Se a vítima tem entre 14 a 18 anos o crime é de lenocínio qualificado (art. 227, § 1º, do CP), e se maior de 18 anos lenocínio simples (art. 227, caput, do CP). Por isso, a falta de consciência do agente quanto à idade da vítima – erro de tipo essencial, pode configurar o crime de lenocínio previsto no art. 227 do CP. 1.4. Núcleo do tipo A conduta incriminada é induzir, que é tomada em sentido amplo, abrangendo não só dar a idéia, mas também reforçar a idéia preexistente ou auxiliar o menor de 14 anos a satisfazer a lascívia (desejo sexual) de outrem. O crime em análise envolve necessariamente um triângulo de pessoas, ou seja, alguém que induz um menor de 14 anos a satisfazer a lascívia de terceiro por meio de condutas meramente contemplativas. Dessa forma, o crime tem aplicação subsidiária ao de estupro de vulnerável, pois somente se configura quando a indução envolve práticas sexuais meramente contemplativas, como, por exemplo, o menos de 14 anos vestir certa fantasia, dançar de forma erótica, desnudar-se, fazer strip tease etc. Caso exista a prática da conjunção carnal ou ato libidinoso diverso do menor de 14 anos com o destinatário da atividade criminosa, tanto quem induz o menor de 14 anos, quanto quem realiza o ato libidinoso, pratica estupro de vulnerável. Guilherme de Souza Nucci, entretanto, sustenta que quem induz o menor de 14 anos comete corrupção de menores e quem pratica a conjunção carnal ou outro ato libidinoso estupro de vulnerável. 8 1.5. Elemento subjetivo É o dolo, acrescido da finalidade especial de satisfação da lascívia de outrem.
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Guilherme de Souza Nucci sustenta, minoritariamente, que “(...) criou-se, na verdade, uma exceção pluralistica à teoria monistíca, ou seja, a participação moral no estupro de vulnerável passa a ter pena mais branda. Afinal, se utilizássemos apenas o disposto no art. 29 do CP, no tocante ao induzimento de menor de 14 anos a ter relação sexual com outra pessoa, poder-se-ia tipificar na figura do art. 217-A (consumado ou tentado). No entanto, passa a existir figura autônoma, beneficiando o partícipe.” Manual de Direito Penal. Parte Geral e Parte Especial. 7ª Ed. 2011: RT, p. 852

9 O equívoco do agente quanto à idade da vítima induz ao erro de tipo essencial, que exclui o dolo, entretanto, o agente responde pelo crime de lenocínio descrito no art. 227 do CP. 1.6. Consumação A consumação ocorre com a prática de qualquer ato pela vítima destinado a satisfazer a lascívia de outrem, ou seja, o crime é material. 1.7. Tentativa É admissível, pois o crime é plurissubsistente. 1.8. Corrupção de menores no ECA Há, ainda, no direito penal brasileiro a corrupção de menores voltada para a prática de infração penal. A Lei nº 12.015/09, revogou a corrupção de menores para a prática de crime prevista na Lei nº 2.254/54, e acrescentou o art. 244-B ao Estatuto da Criança e do Adolescente. O tipo penal do art. 244-B consiste em “corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la.” O bem jurídico tutelado é a integridade moral do menor de 18 anos O crime não se configura, entretanto, se o menor já estiver corrompido, em razão do crime impossível por absoluta impropriedade do objeto material. É indispensável a prova de que o menor de 18 anos foi corrompido, logo, o crime é material. Registre-se que o agente que induz o menor de 18 anos a prática de crime, responde pelo crime praticado por este na condição de autor mediato, além da corrupção de menores. O art. 244-B, § 2º, do ECA, determina que as penas previstas no caput do artigo são aumentadas de um terço no caso da infração cometida configurar crime hediondo.

2. SATISFAÇÃO DE LASCÍVIA MEDIANTE PRESENÇA DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE
Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos

1.8. Objeto jurídico

10 Suprindo lacuna legal existente no ordenamento jurídico brasileiro, a Lei nº 12.015/09, introduziu no CP o crime de satisfação de lascívia mediante a presença de criança ou adolescente. Tutela-se a formação sexual do menor de 14 (quatorze) anos. 3.2. Sujeito ativo Qualquer pessoa (crime comum). 3.3. Sujeito passivo A vítima é o menor de 14 anos. 3.5. Núcleo do tipo A conduta incriminada consiste em praticar, na presença do menor de 14 anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso. O crime pode ocorrer por meio da internet. 3.6. Elemento subjetivo É o dolo, acrescido da finalidade especial de satisfazer a lascívia própria ou de outrem. 3.7. Consumação Na modalidade “praticar” com a efetiva realização do ato sexual (crime material). Já na forma “induzir a presenciar” com o mero induzimento (crime formal).

5. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE VULNERÁVEL
Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone: Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. § 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. § 2o Incorre nas mesmas penas: I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo; II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. § 3o Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento

3.7. Objeto jurídico

11 A Lei nº 12.015/09 inseriu no capítulo dos crimes sexuais contra vulnerável o art. 218-B no CP e como efeito imediato revogou, tacitamente, o art. 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente. Ab ovo, cumpre apontar que a prostituição em si não é crime, diferentemente do favorecimento da prostituição. Elencam-se como requisitos da prostituição: 1) prática sexual; 2) habitualidade e 3) contraprestação ou honorários dos favores sexuais. Protege-se no crime em questão a moralidade sexual do vulnerável menor de 18 e maior de 14 anos e do enfermo ou deficiente mental que não tem discernimento para a prática do ato. O crime em questão guarda correlação com art. 228 do CP (favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual para adultos), distinguindo-se, contudo, quanto ao sujeito passivo. 3.2. Sujeito ativo Qualquer pessoa (crime comum), inclusive, o destinatário da prática da conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos submetido à prostituição ou outra forma de exploração sexual (§ 2º, I) ou o proprietário, gerente ou responsável pelo local em que se verifiquem estas práticas (§ 2º, II). 3.3. Sujeito passivo A vítima é o vulnerável menor de 18 e maior de 14 anos ou que por enfermidade ou deficiência mental não tenha o necessário discernimento para a prática do ato. 3.5. Núcleo do tipo O crime é de conduta múltipla ou conteúdo variado. Consiste em submeter (sujeitar, dominar, subjugar – exemplo: pai que determina a filha menor que colabore com as despesas domésticas mediante o exercício da prostituição; a mãe que sujeita a filha de 15 anos a prestar favores sexuais ao seu amásio com o fim de agradá-lo ou de manter sua permanência no lar); induzir (dar a idéia, persuadir); atrair (seduzir), facilitar (favorecer, dar acesso mais fácil, como arranjar clientes, auxiliar na obtenção de um local); impedir (opor-se) ou dificultar (tornar mais difícil). Com relação à pessoa que contrata os serviços da prostituta entre 14 a 18 anos, somente existe o crime se o agente for cliente do cafetão ou agenciador do menor de 18 anos. 6.3. Consumação Nas formas submeter, induzir, atrair ou facilitar, com a sujeição da vítima ao estado de prostituição ou outra forma de exploração sexual.

12 Ensina Mirabete que “(...) não há necessidade de que a vítima execute qualquer prática sexual com terceiro, bastando que se encontre em situação de disponibilidade para prática habitual de atos dessa natureza.”9 Em sentido contrário, Fernando Capez afirma que “o crime se consuma no momento em que a vítima passa a se dedicar habitualmente à prostituição, após ter sido submetida, induzida, atraída ou facilitada tal atuação pelo agente (...) Não havendo habitualidade no comportamento da induzida, o crime ficará na esfera da tentativa.”10 6.3. Tentativa A tentativa é perfeitamente admitida em todas as hipóteses quando não ocorre a habitualidade no comportamento da vítima. Já Nucci afirma que não cabe tentativa, pois é difícil precisar o momento da habitualidade, salvo na modalidade impedir.

5. DISPOSIÇÕES GERAIS 5.1. NATUREZA DA AÇÃO PENAL REFERENTE AOS CRIMES PREVISTOS NOS CAPÍTULOS I E II DO TÍTULO VI
Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal pública condicionada à representação. Parágrafo único. Procede-se, entretanto, mediante ação penal pública incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável.

Com o advento da Lei nº 12.015/09, foi suprimido do direito penal brasileiro a ação penal de iniciativa privada nos crimes sexuais. Com a novel lei, a regra é que a ação penal para os crimes tipificados nos capítulos I e II do Titulo VI do CP (arts. 213 a 218-B) estão sujeitos à ação penal pública condicionada à representação da vítima. Na hipótese de vítima menor de 18 anos ou vulnerável a ação penal é pública incondicionada. Em relação ao conflito intertemporal de normas, cumpre registrar que nos casos em que a ação privada passou para ação penal pública devem os fatos anteriores ser descritos em queixa-crime. O art. 225 tem natureza processual-material, isto é, norma de caráter misto, predominando o seu aspecto penal, logo, somente será aplicado se mais benéfico ao agente. Já na hipótese de ação penal pública incondicionada que passou a ser condicionada à representação da vítima a solução jurídica é a retroatividade do art. 225 do CP, isto é, a ação penal é pública condicionada à representação da vítima. No que tange a Súmula 608 do STF, para a maioria da doutrina, já não tem mais aplicação, pois com a Lei nº 12.015/09, quando o crime for cometido com
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MIRABETE, Julio Fabbrini e FABBRINI, Renato N. Código Penal Interpretado. 7ª Ed. Editora Atlas, 2011, p. 1400. 10 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal. Saraiva, 9ª Ed. 2011, São Paulo, p. 109.

13 violência real entende-se que o delito segue a regra da ação penal pública condicionada à representação. A Súmula 608 do STF tinha como fundamento o art. 101 do CP, que traz a chamada ação penal extensiva, isto é, em crimes complexos, caso um dos crimes seja de ação penal pública incondicionada, o todo também será de ação penal pública incondicionada, mesmo que resultasse lesão corporal leve. A grande crítica que se faz quanto a súmula é que o estupro não é crime complexo, porém, foi uma tentativa de tornar a ação penal em ação penal pública, já que não se concordava com o fato de o estupro ser processado mediante ação penal privada11. 5.1. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA
Art. 226. A pena é aumentada: I - de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas; II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela; Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada: I – (VETADO); II – (VETADO); III - de metade, se do crime resultar gravidez; e IV - de um sexto até a metade, se o agente transmite à vitima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador.

As causas de aumento de pena nos crimes contra a dignidade sexual estão elencados nos arts. 226 e 234-A, a saber: 1) Concurso de duas ou mais pessoas Assim como acontece no furto (qualificadora) e no roubo (majorante), o cconcurso de pessoas abrange a participação e a coautoria. 2) Agente é cônjuge, companheiro, ascendente, padrasto, madrasta, irmão, tio, tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou, por qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela A censurabilidade da conduta do agente é maior quando envolve relações de parentesco ou de autoridade do agente em relação à vítima. 3) Se do crime resulta gravidez A majorante incide mesmo no caso de o homem ser a vítima do estupro. 4) Transmissão de doença sexualmente transmissível de que agente sabe ou deveria saber A majorante engloba o dolo direto e eventual. Em havendo a ocorrência de mais de uma majorante, deve o juiz aplicar a que mais aumente (art. 68, parágrafo único, do CP). 5.1. SEGREDO DE JUSTIÇA
Art. 234-B. Os processos em que se apuram crimes definidos neste Título correrão em segredo de justiça.
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Rogério Greco anota que no crime de estupro qualificado pela morte de vítima maior de 18 anos sem representante legal a ação penal é pública incondicionada, com espeque na Súmula 608 do STF.

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Em consonância com a exceção ao princípio da publicidade dos atos processuais (art. 5º, LX, da CF/88), os processos definidos no Título VI correrão em segredo de justiça, haja vista o resguardo da intimidade das partes.

7. CASA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL (rubrica dada pelo autor)
Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente: Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

7.1. Objeto jurídico O objeto de proteção do crime é a moralidade sexual e a pessoa explorada, entretanto, só traz descrédito ao Estado, haja vista a impunidade existente. 7.2. Objeto material Com a mudança operada pela novel lei, o objeto material é o estabelecimento em que ocorra exploração sexual12. Antes da Lei 12.015/2009, a jurisprudência já limitava a incriminação aos locais se destinados a fins exclusivamente libidinosos. Assim, motéis, casas de massagem, drives-in, garçonieres, saunas, boates, bares, danceterias não configuravam o crime do art. 229 do CP, tendo em vista que não eram locais destinados exclusivamente para exploração sexual. A intenção do legislador é reprimir quaisquer estabelecimentos em que haja exploração sexual, cabendo à doutrina e à jurisprudência fixar o conceito de exploração sexual.

7.3. Sujeito ativo Qualquer pessoa, em especial, o proprietário, locador ou gerente do estabelecimento (crime comum). É chamado de proxeneta. 7.4. Sujeito passivo É a coletividade, bem como a pessoa explorada sexualmente. 7.5. Núcleo do tipo Incrimina-se a conduta de manter, que significa sustentar, conservar, prover. O crime é habitual, assim, não pode haver punição se a exploração é eventual.
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Antes do advento da Lei nº 12.015/09, o CP utilizava a expressão “casa de prostituição ou lugar destinado a encontros para fim libidinoso”.

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3.6. Elemento subjetivo É o dolo. No caso do pai que financia o prostíbulo sem conhecimento da finalidade do estabelecimento, inexiste a infração penal. 7.6. Consumação Com a habitualidade da conduta que demonstra ser um estilo de vida do agente. Pouco importa que o dono obtenha lucro. 6.3. Tentativa Como o crime é habitual a tentativa não é admitida, assim como ocorre com a prisão em flagrante.

8. RUFIANISMO
Art. 230 - Tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendose sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º - Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do art. 227: Pena - reclusão, de três a seis anos, além da multa. § 2º - Se há emprego de violência ou grave ameaça: Pena - reclusão, de dois a oito anos, além da multa e sem prejuízo da pena correspondente à violência. § 1o Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou por quem assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância: Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. § 2o Se o crime é cometido mediante violência, grave ameaça, fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, sem prejuízo da pena correspondente à violência.

8.1. Objeto jurídico O objeto jurídico é a moralidade sexual e a pessoa explorada economicamente. 8.2. Objeto material É a pessoa humana prostituída. 8.3. Sujeito ativo Qualquer pessoa. É chamado de rufião, cafetão ou gigolô. 8.4. Sujeito passivo

16 A pessoa que exerce a prostituição, seja homem ou mulher. 8.5. Núcleos do tipo Existem duas espécies de rufianismo: 1º) Ativo: tirar proveito da prostituição. O agente participa diretamente dos lucros auferidos pela prostituta. O rufião é um sócio oculto da prostituta. 2º) Passivo: fazer-se sustentar, no todo ou em parte, por quem exerce a postituição. O agente participa indiretamente do proveito da prostituição. 8.6. Consumação Com a reiteração da conduta. É crime habitual. 8.7. Tentativa Não cabe tentativa, tampouco prisão em flagrante, em razão do crime ser habitual. 8.8. Concurso de crimes O STJ entende que existe concurso material entre o crime de casa de exploração sexual (art. 229) e rufianismo (art. 230) - (RSTJ 134/525). O mesmo STJ entende que no caso de favorecimento da prostituição (art. 228) e rufianismo (art. 230), resta aquele absorvido por este, em razão do princípio da consunção.

9. TRÁFICO INTERNACIONAL DE PESSOA PARA FIM DE EXPLORAÇÃO SEXUAL (ART. 231) E TRÁFICO INTERNO DE PESSOA PARA FIM DE EXPLORAÇÃO SEXUAL (ART. 231-A)
Art. 231. Promover ou facilitar a entrada, no território nacional, de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual, ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro. Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos. § 1o Incorre na mesma pena aquele que agenciar, aliciar ou comprar a pessoa traficada, assim como, tendo conhecimento dessa condição, transportá-la, transferi-la ou alojá-la. § 2o A pena é aumentada da metade se: I - a vítima é menor de 18 (dezoito) anos; II - a vítima, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato; III - se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; ou IV - há emprego de violência, grave ameaça ou fraude. § 3o Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.

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Art. 231-A. Promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. § 1o Incorre na mesma pena aquele que agenciar, aliciar, vender ou comprar a pessoa traficada, assim como, tendo conhecimento dessa condição, transportá-la, transferi-la ou alojá-la. § 2o A pena é aumentada da metade se: I - a vítima é menor de 18 (dezoito) anos; II - a vítima, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato; III - se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; ou IV - há emprego de violência, grave ameaça ou fraude. § 3o Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa

A Lei nº 11.106/05, alterou a redação do art. 231 e acrescentou o art. 231-A no CP, e por sua vez, a Lei nº 12.015/09, acrescentou nas rubricas dos crimes a expressão “para fim de exploração sexual”. Caracteriza-se o tráfico internacional quando o agente promove, facilita a entrada/saída do território nacional de pessoa para exercer a prostituição. Configura-se o tráfico interno quando o agente promove, facilita no território nacional de pessoa que venha a exercer a prostituição. Em ambos os crimes exige-se o elemento subjetivo do tipo específico consistente na finalidade de exploração sexual da vítima. O crime de tráfico internacional é da competência da Justiça Federal, por força do art. 109, V, da CF/88.

9. ATO OBSCENO
Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

8.1. Objeto jurídico É pudor público, que significa o sentimento de decência, recato ou respeitabilidade sob a ótica sexual. 8.3. Sujeito ativo Qualquer pessoa (crime comum). 9.1. Sujeito passivo É a coletividade. Trata-se de crime vago, isto é, aquele que tem como sujeito passivo um ente sem personalidade jurídica. 9.2. Núcleo do tipo

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Incrimina-se a conduta de praticar (realizar ou executar) ato obsceno, que significa a realização de ato de conotação sexual, com movimentação corpórea, em lugar público, aberto ou exposto ao público. São exemplos do crime em questão a chispada (conduta de correr nu); micção e dejecção com exibição ostensiva do órgão genital; masturbação; prática de ato sexual (se houver visibilidade); mini-roupas; todos cometidos em lugar público, aberto ao público ou exposto ao público. 9.2. Elemento normativo do tipo É a expressão “ato obsceno”, que significa a conduta que contraria o pudor público, ou seja, que causa constrangimento ou repulsa sob a ótica sexual. A realização de juízo de valor é imprescindível para se chegar ao seu significado, que varia no tempo e no espaço. Assim, inexiste o crime em questão na prática de top less em praia em que se admite este hábito. 9.2. Elemento espacial do tipo O crime somente pode ser praticado em lugar público (local que todas as pessoas têm acesso – ruas, praças, praia), aberto ao público (local em que as pessoas têm acesso desde que cumpram determinada condição – cinema, teatro, museu) ou exposto ao público (local particular em que as pessoas podem visualizar – varanda de um apartamento localizado no 1º andar). 3.6. Elemento subjetivo É o dolo, isto é, a consciência e vontade de praticar ato obsceno. 3.6. Consumação Com a mera prática do ato obsceno, independentemente de alguém ter presenciado o ato (crime formal). 3.6. Tentativa É admissível, pois o crime é plurissubsistente.

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