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Princípio Multiplicativo

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Investigando o Princípio Multiplicativo

Érika Deolinda Cardoso Torres Vidigal PUC-MG erikadctorres@yahoo.com.br INTRODUÇÃO A Análise Combinatória é a parte da matemática que estuda os métodos de contagem. Ao analisar a maneira como a Análise Combinatória é trabalhada no ensino médio e como ela é apresentada na maioria dos livros didáticos, percebe-se o uso de fórmulas associadas a nomes (arranjos, combinações, permutações) que, normalmente, não são bem compreendidas pelos alunos acarretando muitos erros na resolução de exercícios. Alves (2010), em sua dissertação de mestrado, afirma que:
O erro mais comum relaciona-se à identificação do uso de arranjo ou combinação nas situações problema propostas. Geralmente, os alunos têm dificuldade em perceber se a ordem dos elementos é ou não importante para a resolução dos problemas. (p. 12)

A proposta deste trabalho foi introduzir a Análise Combinatória, mais precisamente o Princípio Multiplicativo, no 1º ano do ensino médio, sem o uso de fórmulas. Para isso foram elaboradas e aplicadas em sala de aula atividades que exploram a resolução de problemas de contagem de forma investigativa levando os alunos a vivenciarem uma experiência matemática de alguns processos diferenciados, como a abstração e a generalização. Trabalhando nessa perspectiva pretende-se que o aluno atue como agente de seu próprio conhecimento formulando questões, realizando testes, analisando resultados e, juntamente com o professor, formalizando conhecimentos. Dessa forma, estas atividades abordam a Análise Combinatória de forma intuitiva sem que seja necessário ao aluno decorar fórmulas que para ele, muitas vezes, não fazem sentido. REFERENCIAL TEÓRICO

dessa forma. foco desse trabalho dentro de Análise Combinatória. Brocardo e Oliveira: Uma atividade de investigação desenvolve-se habitualmente em três fases (numa aula ou conjunto de aulas): (i) introdução da tarefa. devem ser construídas e não ser o elemento de partida para o ensino de cada tema: Arranjo. o aluno experimenta alguns processos matemáticos. 2009.3). tenha um aprendizado mais significativo e real. Alves (2010). (STURM. Combinação. em que o professor faz a proposta à turma. p.21) Mais precisamente. Para Ponte. Passei a acreditar que o ensino combinatório deve se dar através de situações problema. O desenvolvimento de Investigações Matemáticas em sala de aula representa um contexto rico e desafiador de aprendizagem tanto para o aluno quanto para o professor. o processo de abstração e generalização que surgem naturalmente quando investigamos o Princípio Multiplicativo. em sua dissertação de mestrado. O trabalho investigativo desperta a curiosidade do aluno fazendo com que ele se interesse mais pelo conteúdo trabalhado e. 1999. oralmente ou por escrito.25). As fórmulas devem aparecer em decorrência das experiências dos alunos na resolução de problemas. aos pares. além de vivenciar todas as fases do processo investigativo. BROCARDO. . No processo de investigação é importante que os alunos tenham o momento de investigar individualmente ou em pequenos grupos os problemas propostos e posteriormente socializem com o resto do grupo suas conclusões. isto é. em pequenos grupos ou com toda a turma. nos traz os apontamentos de Sturm (1999) destacando a importância de uma fase inicial na resolução de problemas investigativos nos quais os alunos se utilizam de recursos como enumeração sistemática e árvore de possibilidades. (PONTE. Para o aluno porque este passa a constituir-se em sujeito de conhecimento. (FIORENTINI. nos quais os alunos relatam aos colegas o trabalho realizado. Especificamente neste trabalho. OLIVEIRA. quando o professor se propõe a realizar um trabalho investigativo na sala de aula deve assumir o papel de mediador do conhecimento e não mais o de transmissor do conhecimento. quando o assunto abordado é Análise combinatória. p. (ii) realização da investigação. alguém que sente o prazer de participar da produção/criação das ideias matemáticas.2 Segundo Vargas (2009). p. individualmente. (iii) discussão dos resultados. 2005. Quando se trabalha com a investigação matemática. Permutação.

Essa explicação ocorreu conforme as orientações de PONTE (2009. Segundo Davis e Hersh (1995). ao generalizar situações. busca-se a compreensão e a assimilação de conceitos. Ainda segundo Davis e Hersh (1995).3 A abstração está associada a algo que não é real. os alunos foram organizados em trios e a proposta da atividade foi explicada. a abstração como idealização pode ser entendida quando se parte da observação de uma situação do cotidiano para a criação de um modelo. Foram feitas duas listas de atividades envolvendo a resolução de problemas pelo processo investigativo. Em sala de aula. inicialmente. até mesmo. a atribuição de outro conceito aos elementos inicialmente analisados. eles deveriam registrar a estratégia que . 28). ou. usado para se analisar ou estudar um ente matemático. Ocorre pela compreensão do que se estuda ou se analisa. Os alunos foram orientados a resolver cada exercício da maneira que achassem melhor sem medo de cometerem erros. o Princípio Multiplicativo é trabalhado no 1º ano do ensino médio e volta a ser abordado no 2º ano do ensino médio quando se aprofunda o estudo da Análise Combinatória. Parte de uma proposição qualquer para uma descrição de maior aspecto da situação apresentada. de modo a auferir uma nova idéia. A escola trabalha com o CBC (conteúdos básicos comuns). No trabalho realizado em sala de aula. sem ser demasiadamente pormenorizada no relativo ao que “é pra fazer” de modo a não condicionar a exploração a ser realizada pelos alunos. A aula descrita a seguir visava introduzir o raciocínio utilizado na resolução dos problemas de contagem e descobrir o Princípio Multiplicativo. Nessa proposta. Já a abstração como extração pode ser entendida quando se considera. proposta curricular da rede estadual de ensino de Minas Gerais. p. Uma das listas foi trabalhada em sala de aula por trios de alunos e a outra foi encaminhada para ser resolvida individualmente em casa. A escola atende apenas ao Ensino Médio em seus três turnos. o processo de generalização é a consolidação do conhecimento. em um estudo. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS As atividades (em anexo) foram aplicadas aos alunos do 1º ano do Ensino Médio de uma Escola Estadual em Belo Horizonte. uma semelhança entre situações descritas de formas distintas. Além disso.

A primeira atividade proposta tinha o objetivo de levar o aluno a construir uma tabela com todas as opções possíveis de se escolher um conjunto camisa-short dentre algumas possibilidades. No item (c). Listar foi uma tarefa fácil. sem listar todas as possibilidades. Os alunos até se divertiram com a construção de alguns anagramas de certas palavras. Tal atividade foi realizada corretamente por todos os alunos e foi considerada fácil. o resultado não poderia ser calculado simplesmente através da multiplicação. A curiosidade foi aumentando e perguntaram como fariam nesse caso. mas nenhum aluno conseguiu explicar como poderia se chegar àqueles resultados sem que tivessem que listar todas as possibilidades. nunca haviam feito nada parecido. Feito isso. foi necessária uma explicação (além da folha) sobre o significado da palavra anagrama. o significado da palavra “distintas” teve que ser esclarecido. o exercício tenha sido inadequado nesse momento inicial. Para o terceiro exercício. Sugeri que investigassem algumas palavras. afinal. alguns alunos perguntaram o que aconteceria se as letras não fossem distintas. pelo grau de complexidade. Enquanto isso sugeri que não . como eles mesmo sugeriram no item (c) do terceiro exercício. Não houve dúvidas e os alunos conseguiram responder corretamente a pergunta que indagava sobre uma outra forma de resolver que não fosse listar as possibilidades. encontrar os anagramas da palavra LUA foi uma tarefa fácil. em especial. um anagrama da palavra ARGENTINO. Eles também conseguiram resolver. O segundo exercício já foi mais complicado. Deixei como desafio e expliquei que voltaríamos a tratar desse assunto em breve. Talvez. Perceberam que não fazia diferença a permutação das letras A entre si e. nesse caso. foi fácil relatar como chegar ao resultado sem listar todos os anagramas. No item (b). socializar com o restante da turma os resultados que haviam chegado e as descobertas que tinham sido feitas. a pergunta para uma outra quantidade de camisas e de shorts. Nesse momento. e eles listaram os anagramas de palavras como CASA e CAMA.4 estavam usando para resolver cada um deles e. RESULTADOS E ANÁLISE No primeiro momento. Uma dificuldade inicial veio do fato de se tratar de um exercício que envolvesse combinação: a ordem de escolha dos sorvetes não importava. os alunos ficaram um pouco receosos quanto à atividade. posteriormente.

possibilidades para a sobremesa ______ 2 possibilidades TOTAL ______ 3. Nesses itens. coloquei a seguinte organização: 1º . pude perceber que a ansiedade em resolver o exercício através de multiplicações foi o que levou a grande parte dos erros. chamei a atenção para a organização durante a resolução. A última atividade proposta mostrava um esquema para cada item. Fiquei muito surpresa ao receber os exercícios na aula seguinte e identificar que a maioria conseguiu fazê-los sem muitos erros. e na continuação do estudo desse conteúdo. pude perceber que a utilização de uma organização como a apresentada acima. CONCLUSÃO . mas mesmo assim muitos questionaram.5 parassem de investigar e comparar os resultados com as multiplicações. ao resolver o primeiro exercício. não podia haver repetição de algarismos. os alunos multiplicavam algarismos escolhidos (aleatoriamente) por eles para cada ordem. resolvi intervir e alertar para a contagem de possibilidades. pois não souberam interpretar corretamente o exercício. ao invés de multiplicar as possibilidades para cada ordem. Porém. A construção de senhas com dígitos gerou erros em que. No item (a) não houve maior dificuldade. No final da aula. Na lista de exercícios para casa. Nessa discussão.2 = 18 possibilidades Nos exercícios seguintes. Por isso. como constava no enunciado. foi de grande importância para minimizar os erros e identificá-los quando acontecerem.3. A lista continha exercícios parecidos com os trabalhados nessa investigação na sala de aula. percebi certa confusão no item (b) que aumentou bastante na resolução do item (c). testando para outras palavras.possibilidades para a salada _________ 3 possibilidades 2º . Também contribuíram muito a falta de uma organização na resolução dos exercícios e de uma identificação sistemática dos itens a serem contados em cada etapa da aplicação do princípio multiplicativo. foi entregue uma lista com exercícios que deveriam ser realizados em casa e entregues na próxima aula. ao corrigir a atividade no quadro. Por exemplo.possibilidades para o prato quente ____ 3 possibilidades 3º .

Sempre utilizei exemplos. J. Um Estudo das Potencialidades Pedagógicas das Investigações Matemáticas no Desenvolvimento do Pensamento Algébrico. a soma das possibilidades foi claramente descartada. Penso que nessa atividade. resolvidos por mim sem a participação dos alunos e utilizando um diagrama de árvore. com essa atividade investigativa não foi colocada: por que o resultado é a multiplicação e não a soma das possibilidades? Com a listagem prévia de cada item a procura por um padrão. pode-se perceber uma diferença significativa da postura dos alunos perante a resolução dos exercícios. A utilização desse tipo de atividade. os alunos estavam. Faculdade de Educação: Unicamp . . D. Utilizar essa atividade para introduzir o conteúdo foi uma prática nova para mim. principalmente a mim. R. ao resolver os problemas propostos. Lisboa: Gradiva. que nunca havia proposto nada parecido aos meus alunos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DAVIS. alguns ajustes devem ser feitos como. Uma dúvida que sempre aparecia em outros anos. Durante o desenvolvimento da atividade.agradou a todos e. percebi claramente que. Se comparado com anos anteriores em que esse conteúdo foi abordado em outras turmas. várias etapas ficaram mais claras e os alunos puderam realizar com mais facilidade as tarefas de contar as possibilidades e multiplicá-las. P. Introduzido dessa forma. et al. todo o desenvolvimento desse trabalho foi um grande motivador para alunos e mais ainda para essa professora que pretende realizar outras atividades diferenciadas. experimentando os processos de abstração e generalização conforme era desejado.6 O princípio fundamental de contagem é assunto trabalhado no primeiro bimestre do 1º ano do ensino médio. que a princípio causou certo receio – inclusive em mim mesma . por exemplo. na questão envolvendo combinação. HERSH. Mesmo assim. FIORENTINI. A Experiência Matemática. 1995. através da investigação matemática.

a) Complete a tabela abaixo. ALVES. 2010. P. A camisa pode ser Branca. et al. Vol. Azul ou verde. Uma introdução ao pensamento combinatório no 9º ano do ensino fundamental. ANEXO I Atividade investigativa sobre Princípio Multiplicativo – Lista para Sala de Aula 1. L. C.Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Dissertação (Mestrado em Ensino) . A.Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Investigações matemáticas na sala de aula – Belo Horizonte: Autêntica. VARGAS. 2008. Belo Horizonte. 2009. (edição original 2003) 2009. O Ensino-aprendizagem de Análise Combinatória através da Resolução de Problemas com Atividades Investigativas.7 PONTE. 2 . Matemática contexto & aplicação. R. Um grupo de amigos resolveu montar um time de futebol. A. Na escolha do uniforme do time foram apresentadas algumas opções de camisa e short. Dissertação (Mestrado em Ensino) . DANTE. Belo Horizonte. F. . Cinza ou Amarela e o short pode ser Preto. J.São Paulo: Editora Ática.

sem escrever quais sejam as opções? Explique como proceder. LAU e ALU são anagramas da palavra LUA.8 b) Quantas são as possibilidades de escolher um uniforme para o time? c) O exercício pode ser resolvido sem a utilização da tabela? Em caso afirmativo apresente outra maneira para resolvê-lo. As opções de sabor oferecidas são: coco. d) Se houvesse seis cores de camisa e cinco cores de short. Por exemplo. quantas possibilidades de uniformes haveria? Explique como encontrou a resposta. c) É possível calcular a quantidade de opções que Patrícia tem. 3. podendo ou não ter significado na língua portuguesa. a) Quais são os anagramas que podem ser formados com as letras da palavra LUA? . chocolate e morango. Um anagrama é um código formado com todas as letras de uma palavra. Patrícia resolveu tomar um sorvete. 2. limão. nas letras a e b. b) Quais são as opções de Patrícia para escolher três bolas de sabores diferentes. baunilha. Determine: a) Quais são as opções de Patrícia para escolher duas bolas de sabores diferentes.

3. 2010 ANEXO II Atividade investigativa sobre Princípio Multiplicativo – Lista Para Casa 1. c) É possível calcular a quantidade de anagramas. sem escrever as possibilidades? Se possível calcule. das letras a e b. 4. 2.9 b) Escolha uma palavra com quatro letras distintas e determine quais são os anagramas que podem ser formados com as letras desta palavra. Uma introdução ao pensamento combinatório no 9º ano do ensino fundamental. Ao abrir uma conta em um banco. a) Quais as opções que temos para fazer uma refeição com uma salada. De quantas maneiras pode-se ir de A a C. Sabendo-se que para montar a senha ela pode escolher três dos algarismos 1. Existem duas vias de locomoção de uma cidade A para uma cidade B e três vias de locomoção da cidade B a uma cidade C. Determine: a) Como o seu aniversário é dia 13 de março. 4 e 5. Bianca teve que escolher uma senha formada por três algarismos distintos. Quantas opções ela tem para o último algarismo? b) Quantas senhas Bianca pode formar sabendo que o primeiro algarismo escolhido foi o cinco ? c) Quantas senhas podem ser formadas no total? d) Suponhamos que a senha formada por Bianca pudesse conter números repetidos. passando por B? . sem escrever essas opções? Se possível calcule. Quantas senhas podem ser formadas no total? Fonte: ALVES. um prato quente e uma sobremesa? b) Quantas são essas opções? c) É possível calcular a quantidade de opções da letra b. ela resolveu começar sua senha com os algarismos 1 e 3 . Num restaurante há 2 tipos de salada. 2. Alessandro Caldeira. 3 tipos de pratos quentes e 3 tipos de sobremesa.

R. 3. Quantos números de três algarismos distintos podemos formar com os algarismos 1. . 4. 5 e 6? 5. Vol. 2008. L. 2. 3. Matemática contexto & aplicação. Quantos anagramas tem a palavra DEUS? Fonte: DANTE. 4 e 5? 4. Quantos números de três algarismos podemos formar com os algarismos 1.São Paulo: Editora Ática. 2 . 2.10 3.

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