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A era das revoluções. resumo

A era das revoluções. resumo

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Published by: Andreza Rocha on May 16, 2012
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A Era das Revoluções (resumo do primeiro capítulo).

O livro fala das transformações do mundo durante o período devido ao impacto da chamada dupla Revolução Francesa e Industrial. Onde as repercussões foram menores, o autor não comenta (ex: Japão). “Se sua perspectiva é europeia é porque nesse período o mundo ou parte dele transformou-se a partir de uma base europeia – ou melhor, franco-britânica” p. 15. “O livro não pretende ser uma narração, mas sim uma interpretação” p. 15. “As palavras são testemunhas que muitas vezes falam mais alto que os documentos” p. 17. - Durante o período de 60 anos estudado pelo autor, várias palavras foram inventadas ou ganharam significado: industrial, fábrica, classe média, classe trabalhadora, capitalismo, nacionalidade, socialismo, sociologia, estatística, etc. - O livro não pretende ser de história da Europa. Trata das duas Revoluções e na medida em que tais afetam o mundo, o autor vai fazendo as análises dele. “É por que nesse período o mundo ou parte dele – transformou-se a partir de uma base europeia, ou melhor, franco-britânica” p. 15 “As palavras são testemunhas que muitas vezes falam mais alto que os documentos”. P.17. - Algumas palavras foram inventadas nesse período ou ganharam significados nele: proletariado, greve, classe média, fábrica, industrial, capitalismo, socialismo, aristocracia, nacionalidade, etc. “Imaginar o mundo moderno sem estas palavras é medir a profundidade da revolução que eclodiu entre 1789 e 1848, e que constitui a maior transformação da história humana desde os tempos remotos quando o homem inventou a agricultura e a metalurgia, a escrita, a cidade e o Estado” p. 17. - A Grande Revolução (1789-1848) foi o triunfo não da indústria como tal, mas da indústria capitalista. Não da liberdade e igualdade em geral, mas da classe média ou da sociedade burguesa liberal. Não da Economia Moderna ou do Estado Moderno, mas das economias e Estados em uma determinada região geográfica do mundo. - A dupla revolução não vai ser encarada como pertencente à história desses dois países apenas, “Mas sim como a CRATERA GÊMEA de um VULCÃO REGIONAL bem maior” p. 18. - A erupção ocorreu na França e Inglaterra, no entanto, “são inconcebíveis sob qualquer outra forma que não a do triunfo do capitalismo liberal burguês” p. 18. - Tais acontecimentos refletem a CRISE do Antigo Regime instalado no Noroeste Europeu, que seriam demolidos por essa dupla revolução. - A Revolução Americana (1776) pode ser considerada uma erupção igual a da Europa ou como a precursora desta, no entanto, “ela pode no máximo evidenciar a oportunidade e o ajustamento cronológico da GRANDE RUPTURA e não explicar as causas fundamentais dela” p. 18. - O interessante é saber que as forças econômicas, políticas, intelectuais e sociais de parte da Europa já estavam preparados para revolucionar o resto dela. - A questão não é explicar os elementos dessa nova sociedade, mas por que eles triunfaram. Não interessa aqui traçar a trajetória das forças que o solaparam a velha ordem, mas a da conquista da nova. “A história de que trata este livro é, sobretudo, regional”. - Foi ante tais acontecimentos e suas conseqüências que os impérios ruíram. “Por volta de 1848, nada impedia o avanço da conquista ocidental sobre qualquer território que os governos ou os homens de negócios ocidentais achassem vantajoso ocupar, como nada a não ser o tempo se colocava ante o progresso da iniciativa capitalista ocidental” p. 19. “E ainda assim a história da dupla revolução não é meramente a história do triunfo da nova sociedade burguesa. É também a história do aparecimento das forças que, um século depois de 1848, viriam transformar a expansão em contração” p. 19. - O socialismo foi uma reação a dupla revolução. - O livro inicia com a construção do primeiro sistema fabril no Mundo Moderno e com a Revolução Francesa em 1789 e termina com a construção de sua primeira rede de ferrovias e a publicação do Manifesto Comunista. CAP. 1 – O Mundo na Década de 1780. “A primeira coisa a observar o mundo na década de 1780 é que ele era ao mesmo tempo menor e muito maior que o nosso. Era menor geograficamente, porque os homens mais instruídos da época conheciam apenas pedaços do mundo habitado” p. 24. - Em 1800, dois de cada três seres humanos eram asiáticos. “Estar perto de um porto era estar perto do mundo” p. 26. “A notícia da queda da Bastilha chegou a Madri em 13 dias p. 26. - Os jornais eram poucos, as notícias chegavam à maioria das pessoas através dos viajantes.

“O mundo em 1789 era essencialmente rural e é impossível entendê-lo sem assimilar este fato fundamental [...] seria muito difícil encontrar um grande Estado Europeu no qual ao menos quatro de cada cinco habitantes não fossem camponeses. E até mesmo na própria Inglaterra, a população urbana só veio a ultrapassar a população rural pela primeira vez em 1851” p. 27. “A cidade provinciana de fins do século XVIII podia ser uma próspera comunidade em expansão [...] mas essa prosperidade vinha do campo” p. 29. “O problema agrário era o fundamental no ano de 1789, e é fácil compreender por que a primeira escola sistematizada de economistas do continente os FISIOCRATAS franceses, tomara como verdade o fato de que a terra era a ÚNICA FONTE de renda líquida” p. 29. “O lavrador típico não era livre, e de fato estava quase afogado pela enchente de servidão que foi crescendo praticamente sem cessar desde fins do século XV e princípios do XVI (leste da Europa Ocidental)” p. 31.p - Para o camponês qualquer um que possuía uma propriedade era membro da classe dominante. O senhor era inconcebível sem terra. P.32. “A propriedade típica já de há muito deixara de ser uma unidade de iniciativa econômica e tinha-se tornado um sistema de cobrança de aluguéis e de outros rendimentos monetários” p. 33. “Tecnicamente a agricultura européia era ainda, com exceção de algumas regiões adiantadas, duplamente tradicional e assustadoramente ineficientes. Seus produtos eram ainda tradicionais [...] a alimentação da Europa era essencialmente regional” p. 34. “O mundo agrícola era LERDO, a não ser talvez em seu setor capitalista. Já os mundos do comércio e das manufaturas, e as atividades intelectuais e tecnológicas que os acompanhavam eram seguros de si e DINÂMICOS, e as classes que deles se beneficiavam eram ATIVAS, determinadas e OTIMISTAS” p. 35. “Um individualismo secular, racionalista e progressista dominava o pensamento ESCLARECIDO. Libertar o indivíduo das algemas que o agrilhoavam era o seu principal objetivo: o tradicionalismo ignorante da Idade Média, que ainda lançava suas sombras pelo mundo, da superstição das igrejas, da irracionalidade que dividia os homens em uma hierarquia de patentes [...]” p. 37. “A apaixonada crença no PROGRESSO que professava o típico pensador do iluminismo refletia os aumentos visíveis no conhecimento e na técnica, na riqueza, no bem-estar e na civilização que podia ver em toda a sua volta e que, com certa justiça, atribuía ao avanço crescente de suas idéias” p. 37. - Os governos iluministas aboliam a escravidão. “Não é propriamente correto chamarmos o iluminismo de uma ideologia da classe média, embora houvesse muitos iluministas – e foram eles os politicamente decisivos – que assumiram como verdadeira a proposição de que a sociedade livre seria uma sociedade capitalista. Em teoria seu objetivo era libertar todos os seres humanos” p. 38. “É mais correto chamarmos o ILUMINISMO de ideologia revolucionária [...] pois o iluminismo implicava a abolição da ordem política e social vigente na maior parte da Europa” p. 38. - Em 1780, parte dos iluministas depositava sua fé no despotismo esclarecido, “eram as próprias monarquias em que os iluministas moderados depositavam sua fé” p. 38. “Com exceção da Grâ-Bretanha, que fizera sua revolução no século XVII, e alguns Estados menores, as monarquias absolutistas reinavam em todos os Estados em funcionamento no continente Europeu” p. 38. - Os déspotas esclarecidos não se libertaram na hierarquia dos nobres proprietários, pois na verdade, eles eram seus pares e representavam os valores deles. A monarquia absolutista “na prática pertencia ao mundo que o iluminismo tinha batizado de feudalismo – termo popularizado pela revolução francesa” p. 39. “O que de fato aboliu as relações agrárias feudais em toda a Europa Ocidental e Central foi a Revolução Francesa, por ação direta, reação ou exemplo, e a revolução de 1848” p. 40. “Devemos completar o levantamento preliminar do mundo às vésperas da dupla revolução com um exame das relações entre a Europa (noroeste dela) e o resto do mundo. O completo domínio político e militar do mundo pela Europa viria a ser o produto da era da dupla revolução” p. 41. “Os quatro séculos da história do mundo em que um punhado de Estados europeus e de forças capitalistas européias estabeleceram um domínio completo, embora temporário sobre o mundo inteiro, estava para atingir seu clímax. A dupla revolução estava a ponto de tornar irresistível a expansão européia, embora estivesse também a ponto de dar ao mundo não europeu as condições e o equipamento para seu eventual contra-ataque” p. 42.

A ERA DAS REVOLUÇÕES Capítulo 2: A Revolução Industrial (Resenha) Eric Hobsbawm inicia falando do próprio nome “Revolução Industrial”, o qual reflete um impacto relativamente

tardio sobre a Europa. O fato existia na Inglaterra antes do termo. A década de 1780 foi, segundo a maioria dos estudiosos, o ponto de “partida” para a Revolução, a qual não se pode dizer completa, visto que ainda prossegue. O avanço britânico não se deveu à superioridade tecnológica e científica, mesmo porque os franceses é que estavam à frente nesse quesito (produziam, por exemplo, melhores navios e o mais completo tear). As condições adequadas estavam visivelmente presentes na Grã-Bretanha: mais de um século se passara desde que o primeiro rei fora julgado e condenado; o lucro privado e o desenvolvimento econômico eram os supremos objetivos da política governamental; já não se falava em um “campesinato britânico”, pois as atividades agrícolas já estavam predominantemente dirigidas para o mercado; as manufaturas já se haviam disseminado por um interior não feudal. Além disso, a Grã-Bretanha possuía uma indústria admiravelmente ajustada à revolução industrial pioneira, em condições de se lançar à indústria algodoeira e à expansão colonial. O autor prossegue falando do comércio colonial, que criara a indústria algodoeira e continuava a alimentála. As plantações das Índias Ocidentais forneciam o grosso do algodão para a indústria britânica e, em troca, os plantadores compravam tecidos de algodão em apreciáveis quantidades. Entre 1750 e 1769, a exportação britânica de tecidos de algodão aumentou mais de dez vezes. Por volta de 1840, a Europa adquiriu 200 milhões de jardas de tecidos de algodão, enquanto as áreas “subdesenvolvidas” adquiriram 529 milhões; merecendo destaque a América Latina – já separada de Portugal e Espanha – e as Índias Orientais. O algodão, portanto, fornecia possibilidades astronômicas para tentar os empresários privados a se lançarem na aventura da revolução industrial. Com relação à maneira mais óbvia de se expandir a indústria no século XVIII, fala-se do sistema “doméstico”, no qual se trabalhava a matéria-prima nas casas, recebendo-a e entregando-a aos mercadores que estavam a caminho de se tornar patrões. Continuando, Hobsbawm diz que, em 1830, a “indústria” e a “fábrica” no sentido moderno ainda significavam quase que exclusivamente as áreas algodoeiras do Reino Unido. Se o algodão florescia, a economia florescia, se ele caía, também caía a economia. Só a agricultura tinha um poder comparável, embora estivesse em visível declínio. O progresso da indústria algodoeira, entretanto, gerava, entre 1830 e 1840, acentuada desaceleração no crescimento e até um declínio da renda nacional britânica nesse período, o que gerou descontentamento social. As crises periódicas da economia, que levavam ao desemprego, quedas na produção, bancarrotas, etc., eram bem conhecidas. Dando prosseguimento, fala-se da metalurgia, especialmente a do ferro, que permanecia modesta. Em 1790, a produção britânica suplantou a da França em somente 40%. Na verdade, a produção britânica de ferro, comparada à produção mundial, tendeu a afundar nas décadas seguintes. Já a mineração era forte no período: em 1800, a Grã-Bretanha deve ter produzido cerca de 10 milhões de toneladas de carvão, ou aproximadamente 90% da produção mundial. Essa imensa indústria estimulou a invenção básica que iria transformar as indústrias de bens de capital: a ferrovia. Mal tinham as ferrovias provado ser tecnicamente viáveis e lucrativas na Inglaterra (por volta de 1825-1830) e planos para sua construção já eram feitos na maioria dos países do mundo ocidental, embora sua execução fosse geralmente retardada. Se outra forma de investimento doméstico podia ter sido encontrada – por exemplo, na construção – é uma questão acadêmica para a qual a resposta permanece em dúvida. De fato, o capital encontrou as ferrovias, que não podiam ter sido construídas tão rapidamente e em tão grande escala sem essa torrente de capital, especialmente na metade da década de 1840. Era uma conjuntura feliz, pois, de imediato, as ferrovias resolveram virtualmente todos os problemas do crescimento econômico. Eric Hobsbawm dá continuidade dizendo que uma economia industrial significa um brusco declínio proporcional da produção agrícola (isto é, rural) e um brusco aumento da população não agrícola (isto é, crescentemente urbana), e, quase certamente, (como no período em apreço) um rápido aumento geral da população, o que, portanto, implica, em primeira instância, um brusco crescimento no fornecimento de alimentos, ou seja, uma “revolução agrícola”. Também é apontado o problema do fornecimento de mão de obra. Com efeito, conseguir um número suficiente de trabalhadores com as necessárias qualificações e habilidades era tarefa difícil. Todo operário tinha que aprender a trabalhar de uma maneira adequada à indústria: ritmo diário ininterrupto, por exemplo, diferente do trabalhador agrícola ou do artesão independente. Instaurava-se a disciplina do operariado, a fim de estabelecerem-se mecanismos de controle. Também era mais conveniente empregar as dóceis (e mais baratas) mulheres e crianças. O autor finaliza dizendo que tanto a Grã-Bretanha quanto o mundo sabiam que a revolução industrial lançada nestas ilhas, não só pelos comerciantes e empresários como através deles, cuja única lei era comprar no mercado mais barato e vender sem restrição no mais caro, estava transformando o mundo. Nada poderia detê-la. Os deuses e os reis do passado eram impotentes diante dos homens de negócios e das máquinas a vapor do presente.

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