HOBSBAWM, Eric J.

, A era das revoluções, Paz e Terra, 10 edição,1997 INTRODUÇÃO - As palavras seguintes foram criadas, ou ganharam seu sentido moderno, entre 1789 e 1848: - capitalismo, socialismo, ideologia, jornalismo; - classe média, classe trabalhadora; proletariado; - Liberal, conservador, nacionalidade; - aristocracia, cientista, engenheiro; - crise(econômica), greve; - As revoluções industrial e francesas tiveram como conseqüência mais notável o estabelecimento de um domínio do globo por uns poucos regimes ocidentais ( a Índia tornou-se uma província administrada pelos inglês, Os estados islâmicos entraram em crise, África partilhada, O grande império chinês teve que abrir suas fronteiras em 1839-42;19 1 - O MUNDO NA DÉCADA DE 1780 final do século XVIII na Europa: - Período de prosperidade e expansão econômica; - pessoas menores e mais magras que hoje;24 - aperfeiçoamento de estradas e correios( predomínio entre grandes centros); - grande maioria analfabeta; - transporte por água era mais fácil e barato, (Portos distantes estavam mais próximos que regiões próximas separadas por terra); - Notícias chegavam por viajantes ou canais oficiais do estado e da Igreja; - vida essencialmente rural; Rússia, Escandinávia e Balcãs 95% rural. Na Inglaterra, população urbana ultrapassou a rural apenas em 1851; - Londres tinha 1 milhão, Paris meio milhão e 20 outras com mais de 100.000; - mas grande parte das cidades eram de província. Que apesar dos habitantes desprezarem o campo e vestirem-se diferente e serem mais letrados, eram quase tão ignorantes do que se passava fora quanto os habitantes das aldeias;28 - Na Europa ocidental, ainda que o elo entre a posse de terras e o status de classe dominante continuasse de pé, a sociedade rural era muito diferente. Unidade típica tinha se tornado uma forma de arrendamento, mas ainda se devia provavelmente ao senhor local algumas obrigações(como enviar o trigo para o moinho do senhor) além do dízimo para Igreja, e impostos para o príncipe; - A agricultura européia ainda era assustadoramente ineficiente e destinada ao consumo local(exceto talvez o açúcar importado dos trópicos). Seus produtos eram ainda os tradicionais: trigo, cevada, aveia, centeio, gado de corte, cabra e seus laticínios, porcos, aves, frutas, legumes, vinho. As novas culturas importadas da América ou de outras regiões tropicais tinham feito algum progresso: Milho, batata ( a mais importante das novas colheitas, mas ainda começando seu caminho, exceto talvez na Irlanda), fumo, o arroz( estavam penetrando na Europa mais eram de menor importância);34 - Poucas áreas desenvolveram rumo a uma agricultura capitalista. A Inglaterra era a principal . Onde havia: grande concentração de terras dividida em arrendatários médios, controlando uma mão-de-obra contratada;33 - As atividades comerciais e industriais floresciam de forma exuberante; - A monarquia absoluta nunca conseguiu libertar-se da hierarquia dos nobres proprietários, a qual pertencia;40 - O que aboliu as relações agrárias feudais em toda a Europa ocidental e central foi a Revolução Francesa, por ação direta, reação ou exemplo, e a revolução de 1848; - Havia um conflito latente, que não podia ser resolvido dentro da estrutura dos regimes políticos existentes, exceto, é claro, onde estes regimes já incorporassem o triunfo burguês, como na Grã-Bretanha; - O que deixou os regimes absolutismos ainda mais vulneráveis foi que eles estavam

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sujeitos a pressões de três lados: novas forças, aristocracia que cada vez aumentava mais a resistência na preservação de seus privilégios, e dos inimigos estrangeiros;40 - Os estados colonizadores enfrentaram movimentos de dissidência provincial(Bélgica), e colonial(América), mas essa dissidência não foi fatal, em si mesma. As velhas monarquias podiam sobreviver a perda de uma província ou duas;40 - O que tornou a situação explosiva foi a rivalidade internacional, assim mesmo porque a guerra testava os recursos do estado. E quando não conseguiam suportar os estados caíam; 2 - A Revolução industrial Desta vala imunda a maior corrente da indústria humana flui para fertilizar o mundo todo. Deste esgoto imundo jorra ouro puro. Aqui a humanidade atinge o seu mais completo desenvolvimento e sua maior brutalidade aqui a civilização faz milagres e o homem civilizado torna-se quase um selvagem. (A. De Tocqueville a respeito de Manchester em 1835) Foi somente na década de 1830 que os efeitos da Revolução industrial começaram a ser sentidos fora da Inglaterra, a tal ponto que a literatura e as artes ficaram obsedadas pela ascensão do capitalismo;43 A certa altura da década de 1780(quando os índices estatísticos deram uma guinada repentina), a revolução industrial explodiu, pela primeira vez na história da humanidade, foram retirados os grilhões do poder produtivo(estrutura social pré-industrial, tecnologia e ciências deficientes) das sociedades humanas, que daí em diante se tornaram capazes da multiplicação rápida, constante, e até o presente ilimitada, de homens, mercadorias e serviços. Hoje os economistas chamam isto de partida para o crescimento auto-sustentável. Essa partida terminou com a construção das ferrovias e da indústria pesada na GrãBretanha na década de 1840;45 Em ciências naturais os franceses estavam seguramente a frente dos ingleses, então o avanço britânico não se deveu a superioridade tecnológica britânica;45 Os franceses produziram inventos mais originais, como o tear de Jacquard de 1804 e melhores navios. Os alemães tinham instituições de treinamento técnicos mais avançados;46 A educação inglesa era uma piada de mau gosto, embora fosse compensada pelas universidades escocesas calvinistas( onde vieram jovens brilhantes como James Watt, Thomas Telford); Oxford e Cambridge, as duas únicas universidades inglesas, eram intelectualmente nulas, como eram também as escolas públicas, exceto as criadas pelos dissidentes que foram excluídos do sistema educacional (anglicano). Programa de alfabetização de massa na Inglaterra foi lançado somente no início do século XIX; Para se fazer a Revolução Industrial, não foi necessário grandes invenções. Nem mesmo a máquina cientificamente mais sofisticada, a máquina a vapor rotativa de James Watt(1784) (NÃO) necessitava de mais conhecimentos de física do que os disponíveis então há quase um século - teoria adequada das máquinas a vapor só foi desenvolvida ex post facto pelo francês Carnot na década de 1820;46(rever no livro) Mas as condições adequadas estavam visivelmente presentes na Grã-Bretanha: - Revolução Burguesa; - Manufaturas; - Frota mercante; - melhoria dos portos e vias navegáveis; - estradas; - lucro privado e desenvolvimento econômico tinham sido aceitos como supremos objetivos do governo; - Proprietários com espírito comercial já quase monopolizavam a terra, que era cultivada por arrendatários empregando camponeses; - Não se podia falar em um campesinato britânico da mesma maneira que se podia falar em um campesinato francês, alemão ou russo;

- atividades agrícolas dirigiam-se predominantemente para o comércio; - Agricultura estava preparada para realizar as 3 funções fundamentais numa era de industrialização: - Aumentar a produtividade para alimentar uma população não agrícola em crescimento; - fornecer mão-de-obra; - conseguir acumular capital para direcioná-lo a atividades mais modernas; - 2 outras funções eram menos importantes na Grã-Bretanha: mercado consumidor e auferir rendas de exportação para garantir importação de capital; O crescimento industrial foi comandado por fabricantes de produtos de consumo de massa( principalmente, mas não só, têxteis), pois mercado para esses produtos já existia(doméstico e principalmente colonial). Mas a expansão industrial britânica foi capaz de demonstrar que a criação de um sistema fabril que produzisse em grande escala e custos decrescentes poderia criar seu próprio mercado. Rompendo com a idéia que se tinha que o grande lucro estava nas atividades comerciais. O sucesso das indústrias inglesas logo foi estendido para a Europa e a América, as quais entre 1789 e 1848 foram inundadas pelas máquinas, especialistas e investimentos vindos da GrãBretanha;49 A indústria algodoeira britânica (cuja matéria-prima vinha das colônias) inicialmente não conseguiu tomar o mercado dos tecidos indianos de algodão, chita. Mas o poderoso interesse do comércio lanífero impôs restrições aos tecidos de algodão indiano. E como o algodão era mais barato que a lã, essa indústria conseguiu conquistar o mercado doméstico pequeno porém útil. Para depois conseguir expandir-se no ultramar. A indústria algodoeira desenvolveu-se subordinada ao comércio colonial. E a escravidão e o algodão marcharam juntos. Os escravos eram inicialmente trocados por tecidos indianos, mas quando este faltava devido a guerra ou revolta na Índia, a região de Lancashire para comprar os escravos produzia tecidos, cujo algodão vinha da mesma região onde os escravos eram capturados. Depois da década de 1790, as plantações escravistas do Sul dos EUA foram aumentadas para atender as fábricas de Lancashire, a qual pagou seu preço com a escravidão estimulando-a; Entre 1750 e 1769, a exportação de tecidos britânicos de algodão aumentou mais de dez vezes. Em 1814 a exportação desses tecidos era maior que o consumo interno e em 1850 era já quase o dobro. Em 1820 a Europa, mais uma vez aberta as importações britânicas, importou mais que as áreas subdesenvolvidas. Contudo em 1840 a América, fora os EUA, África e Ásia importaram mais que o dobro que a Europa;51 América Latina tornou-se quase totalmente dependente da economia britânica a partir das guerras napoleônicas; A Índia foi sistematicamente desindustrializada e passou de exportadora a importadora de tecidos britânicos. E pela primeira vez o oriente passou a ter sua balança comercial deficitária em relação ao ocidente;

(Bruit. Imperialismo: A Índia, muito antes da chegada dos ingleses havia desenvolvido uma manufatura têxtil a que satisfazia às necessidades internas. Mais tarde, já em contanto com os europeus, essa manufatura exportava um excedente que concorria com os tecidos europeus até que os ingleses e franceses proibiram a exportação. E a importação maciça e o consumo forçado de tecidos e produtos ingleses arruinaram as manufaturas do país e desarticularam totalmente a economia agrária.61)
Somente a China mantinha-se fechada, até que, entre 1815 e 1842, comerciantes ocidentais, auxiliados pelas canhoneiras, descobrissem uma mercadoria ideal que podia ser

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pois o retorno nesse setor era lento e não interessava aos homens de negócio.54 As cervejarias. O que ocorreria apenas na segunda metade do século. devido às terras disponíveis nas colônias e a possibilidade de compra de escravos.55 Pequenos comerciantes e fazendeiros. as quais foram abolidas em 1846. na medida que os outros países estavam impedidos de adquirir renda exportando seus produtos. períodos de boom e depressão 1825-6. E por volta de 1830 e princípios de 1840 ocorrem grandes problemas de crescimento refletindo-se numa acentuada desaceleração da economia e uma queda na renda nacional britânica. produzindo as revoluções de 1848 no continente e os amplos movimentos cartistas na Grã-Bretânha. como pode ser provado pela grande cervejaria Guinness em Dublin. tinham uma capacidade de impulsionar a economia muito menor e seu peso no comércio exterior não se comparava com a indústria algodoeira. nos século XVIII. 14 em 1815 e 6 em1829. até mesmo na Inglaterra. era o sistema doméstico. Essa primeira crise geral do capitalismo não foi puramente britânica.1839-42. a margem de lucros começou a diminuir na indústria algodoeira. partiu-se para a mecanização. Depois de 1815.exportada em massa da Índia para o extremo Oriente: o ópio. isto não se deu em uma escala revolucionária. e que se revolucionou muito antes da indústria algodoeira. que eram em muitos aspectos um negócio técnica e cientificamente muito mais avançado e mecanizado. depois das guerras napoleônicas. pouco afetou a economia a sua volta. o algodão britânico encontrou seu suprimento nas colônias sulistas dos EUA.52 A indústria do algodão também beneficiou-se da relativa facilidade que o sistema colonial proporcionava para aumentar a área cultivada e prover-se de mão-de-obra. liderados por Ludd). aprovada pelo parlamento de proprietários de terras após as guerras. reclamavam por crédito fácil. A indústria estava assim pressionada para mecanizar(diminuindo a mão-de-obra) e aumentar a produção. Mas embora a produção por trabalhador tivesse aumentado após o período pós-napoleônico. Mas depois de Waterloo começou a diminuir. excluídos pelos grandes financistas.58 Os fabricantes de algodão concordaram que o custo de vida era alto devido ao monopólio fundiário. e esse método foi utilizado inicialmente na indústria algodoeira.53 O processo natural de aumento de produção. a fábrica no sentindo moderno ainda restringia-se quase que exclusivamente as áreas algodoeiras do Reino Unido. Para compensar a queda diminui-se o único custo possível de compressão: os salários( um tecelão manual em Bolton ganhava em média por semana 33 shillings em 1795. mas como não foi possível encontrar mão-de-obra suficiente.1836-7.59 A extração do carvão na Grã-Bretanha correspondia a cerca de aproximadamente a 90% da produção mundial.dominou a vida econômica da Grã-Bretanha. As outras indústrias empregavam muito menos pessoas.54 Mas com a expansão da indústria algodoeira. geralmente refletiam uma catástrofe agrária. Crises periódicas na economia eram bem conhecidas. Até a década de 1830. os fabricante ainda consideravam que tais tarifas protecionistas também dificultavam suas exportações. essa primeira fase for marcada por muita agitação revolucionária(entre 1811 e 1816 grupos de trabalhadores ingleses destruíram máquinas. piorado pelo protecionismo amparado pelas Leis de Trigo .58 O mundo de Manchester tornou-se o centro da oposição a essas leis.55 Com a crise a revolução social eclodiu na forma de levantes espontâneos dos trabalhadores da indústria e das populações pobres das cidades. Mais de 500 mil tecelões manuais morreram em decorrência da fome. 54 A indústria algodoeira era quase que exclusivamente a única indústria britânica em que predominava a fábrica.1846-8 . Essa dianteira inglesa decorria em grande parte de ser esse .52 A partir de 1790.59 A indústria de base havia desenvolvido razoavelmente devido às guerras de 1756 a 1815 e alguns avanços tecnológicos.

A revolução agrícola que precedeu a revolução industrial tornou possível o aumento populacional e urbanização. Mas essa revolução não foi tecnológica e sim social: com o fim das terras comunais. E como o transporte a longa distância deste carvão era muito oneroso.60 A primeira linha das modernas ferrovias ligava uma mina ao litoral. Mas os homens se mostravam relutantes em abandonar seu modo de vida tradicional. apenas 25% eram homens adultos. Investiu-se intensamente nas ferrovias. Foi necessária uma catástrofe gigantesca como a fome irlandesa para produzir o tipo de emigração em massa (um milhão e meio. posteriores a crise de 1815.64 Antes da era da ferrovia e do navio a vapor era difícil importar grande quantidade de alimentos. Mas acima de tudo pagar tão pouco obrigando o operário trabalhar incansavelmente para conseguir a renda mínima para a semana. Na Grã-Bretanha.5 milhões em 1835-50). de uma população total de 8.62 A razão para esta expansão rápida. havia se desenvolvido um reservatório considerável de trabalhadores acostumados com a produção de têxteis e metais. Nas minas desenvolveram trilhos para extrair o carvão do fundo. O desenvolvimento industrial francês foi dificultado pela estabilidade e relativo conforto de seu campesinato e de sua pequena burguesia. mostrando-se um péssimo negócio devido à moratória e calote.61 Nas duas primeiras décadas da ferrovia. imensa e de fato essencial das ferrovias estava na paixão aparentemente irracional com que os homens de negócios e os investidores atiraram-se na construção de ferrovias. que reduziu os camponeses a uma massa destituída e desmoralizada. A resposta foram leis draconianas em favor do empregador para disciplinar a mão-de-obra. No máximo houve uma racionalização e uso de conhecimentos já conhecidos no início do século XVIII. aprofundada pela depressão agrícola depois de 1815. uma tragédia. o que tornou mais fácil o desenvolvimento fabril. esta transformação social foi um imenso sucesso. pois forneciam mão-de-obra. .65 Em termos de produtividade econômica. a produção de ferro aumentou 4 vezes e a de carvão 3 vezes.65 As leis do Trigo. empregava-se dóceis mulheres e crianças: nos engenhos ingleses em 1834-47.Nas fábrica em que a disciplina era fundamental.67 . Tecnologicamente avanços na engenharia agrícola foram vistos apenas na década de 1840. o que fez da Grã-Bretanha um país de poucos proprietários rurais.66 Esses trabalhadores rurais tinham enormes dificuldades para adaptar-se ao trabalho fabril: . os trens já podiam atingir a velocidade de 96 Km/h. mas foram derrotadas na onda do avanço radical da classe média depois de 1830. os donos de minas provavelmente perceberam que poderiam utilizar esse sistema de transporte a longa distância. cultura de subsistência e da velhas atitudes não comerciais em relação a terra. parte então foi emprestada a governos estrangeiros.60 a ferrovia é filha das minas de carvão.62 O lucro que as indústrias renderam excedia as possibilidades de investimento na própria Inglaterra. era um manifesto contra a tendência de tratar a agricultura como uma indústria igual a qualquer outra. em termos de sofrimento humano.Patrões reclamavam que os trabalhadores tendiam a trabalhar até conseguir a renda suficiente para a subsistência semanal. sem preocupar-se em uma renda extra. Mas também levou a uma negligência na educação técnica e geral neste 5 . máquinas foram sendo desenvolvendo para movimentar esses pequenos carros.produto um importante combustível doméstico. Então em vez de canalizar o capital acumulado em empréstimos exteriores e minas em outros países.Ritmo de trabalho contínuo. cuja rentabilidade estava bem abaixo de outras atividades. antes de 1789. devido a escassez de florestas na GrãBretanha. pelo decreto dos pobres de 1834 e pela abolição das leis do trigo em 1846. apesar da Grã-Bretanha ter se tornado um livre importador de alimentos a partir da década de 1780. o que beneficiou o desenvolvimento da indústria. um número moderado de arrendatários comerciais e um grande número de trabalhadores contratados. E na década de 1830. Mas para a industrialização essas transformações eram desejadas.

. Elas simplesmente transferiram suas esperanças de uma monarquia esclarecida para o povo ou a nação. 2%. armadores. . foi o primeiro movimento da cristandade ocidental que influenciou o mundo islâmico. cujo preço seria pago mais tarde. o modelo de organização técnico e cientifica e o sistema métrico de medidas para a maioria dos países.A REVOLUÇÃO FRANCESA A França deu o conceito do nacionalismo.74 Foi a reação feudal que forneceu a centelha que fez explodir o barril de pólvora da revolução francesa. cuja política externa era substancialmente voltada aos interesses capitalistas.Em 1789. E as forças da mudança burguesa eram fortes demais para cair na inatividade.COMO AS ANTILHAS. que antes significava apenas o lugar de nascimento ou de residência. suas idéias de fato revolucionaram.(entre os 23 milhões de franceses) tinha isenção de vários . Nada poderia detê-la. Em meados do século XIX.68 Deste modo empírico. a França foi a maior rival política e econômica da Grã-Bretanha. inspirados no napoleônico( fundamental para o desenvolvimento econômico posterior). não havia escassez de capital.73 As propostas de racionalização e abolição de privilégios já tinham similares aprovadas nos despotismos esclarecidos. PAZZINATO AFIRMA QUE A FRANÇA HAVIA PASSADO POR QUASE MEIO SÉCULO DE PROSPERIDADE. passa a ter um sentido parecido com pátria. seu sistema colonial foi em certas áreas (como nas Índias Ocidentais) mais dinâmico que o britânico(PAZZINATO DIZ QUE O COMÉRCIO EXTERNO FRANCÊS ENTROU EM DECLÍNIO NO SÉCULO XVIII EM VIRTUDE DA PERDA DE COLÔNIAS. seu comércio externo multiplicou por quatro entre 1720 e 1780. ao contrário dos outros países. A palavra que designava liberdade passa a expressar algo mais do que o oposto da escravidão. construiu-se a primeira economia industrial de vulto. que portanto freqüentemente tinham que ser iniciadas com pequenas economias ou empréstimos e desenvolvidas pela lavra dos lucros. EXPERIMENTARA UM GRANDE PROGRESSO. AO FALAR SOBRE A CRISE ECONÔMICA ÀS VÉSPERAS DA REVOLUÇÃO. mercadores. e incomensuravelmente mais radical do que qualquer levante comparável. MAS QUE ESSE PROGRESSO NAO HAVIA BENEFICIADO A GRANDE MASSA).71 Os efeitos da revolução francesa foram muito mais profundos que qualquer outro fenômeno contemporâneo por três motivos: . etc. fez suas revoluções e deu suas idéias. a palavra turca Vatan. A influência da Revolução Francesa foi mundial. COMÉRCIO INTERNO E O COMÉRCIO EXTERNO. MAS LOGO EM SEGUIDA. mas ainda não era uma potência como a Grã-Bretanha. Em outras palavras. os códigos legais. .fossem mais duros. Agora na França tais propostas fracassaram muito mais rapidamente. COM MELHORAS NA AGRICULTURA.68 Na Grã-Bretanha no século XVIII. Os deuses e os reis do passado eram impotentes diante dos homens de negócios e das máquinas a vapor do presente.74 Nobreza 400 mil. O CANADÁ E AS ÍNDIAS. A França era o país mais populoso da Europa.68 A escassez de capital fez com que os primeiros industriais .país.69 3 .especialmente os homens que se fizeram por si mesmos . Mas os seus portadores: proprietários de terras.relutavam em investi-lo nas novas indústrias. não planificado e acidental.Seus exércitos partiram para revolucionar o mundo. contudo tais reformas praticamente não tiveram efeitos práticos devido aos interesses estabelecidos. financistas. E a Revolução industrial lançada nesta ilha estava transformando o mundo. o conflito entre a estrutura oficial e os interesses estabelecidos do velho regime e as novas forças sociais ascendentes era mais agudo na França do que em outras partes.73 No século XVIII.Ela foi uma revolução social de massa. mais ávidos e seus trabalhadores mais explorados.

.. mas eles constituíram a diferença entre um simples colapso de um velho regime e a sua substituição rápida e efetiva por um novo. Sem dúvida. principalmente a nobreza provinciana mais pobre.77 A revolução teria ocorrido sem os filósofos. Bancarrota causada pela guerra de independência americana foi a causa direta da Revolução Francesa. . mas. mas a grande maioria não tinha terras ou tinha insuficientemente. enterrada desde 1614. eles invadiram os cargos que a monarquia preferia preencher com a classe média (mais competente e menos perigosa). E a assembléia representativa que ela vislumbrava como o órgão fundamental de governo não era necessariamente uma assembléia democraticamente eleita.77 A Declaração dos Direitos do homem e do cidadão de 1789 reflete as exigências burguesas.em geral livres e 40% das terras já lhes pertenciam. . em 1787.impostos( mas o clero tinha ainda mais) e recebiam tributos feudais. Uma monarquia constitucional baseada em uma oligarquia possuidora de terras era mais adequada a maioria dos liberais burgueses do que a república democrática que poderia ter parecido uma expressão mais lógica de suas aspirações teóricas. Mas a monarquia absolutista. mas estes foram rebeldes a monarquia. mas não é um manifesto a favor de uma sociedade democrática e igualitária.(SEGUNDO PAZZINATO A DIVIDA FOI CONTRAIDA EM BANCOS ESTRANGEIROS) partiram a espinha dorsal da monarquia. A segunda foi a convocação dos Estados Gerais. nem o regime nela implícito pretendia eliminar os reis. a nação francesa não concebeu inicialmente que seus interesses pudessem se chocar com os de outros povos. especialistas que tentam reimplantar os direitos feudais que haviam caído em desuso. viria a se tornar o líder da primeira revolta comunista da história moderna. em 1788. .apenas uma minoria tinha um constante excedente para as vendas.80% da população. O que existiu foi um consenso de idéias gerais entre a burguesias. A guerra americana e sua dívida. extorquia mais dinheiro(ou mais raramente serviço) do campesinato. a qual consumia 50% do total da receita. a velha assembléia feudal do reino.75 Campesinato: . formuladas pelos filósofos e economistas sintetizadas no liberalismo clássico e difundidas pela maçonaria e associações informais. chegando-se a criar uma profissão a dos feudistas. mas sim um rei dos franceses. se pertencem a minoria ainda menor da grande nobreza recebiam pensões. via a si mesma como inauguradora ou participante de um 7 .Situação havia agravado nos últimos 20 anos. embora alguns também advogassem esta causa.tributos feudais. Babeuf.75 Diante disso durante o século XVIII. o mais famoso deles. Não existia mais um rei da França. pelo contrário. E como eram guerreiros e não profissionais ou comerciantes estavam impedidos de ter uma profissão dependiam da renda de suas propriedades ou. tinha destituído os nobres de sua independência política e reduzido ao mínimo suas instituições “estados” e “ parlements” . Apesar das extravagâncias de Versailles tenham sido constantemente responsabilizadas pela crise. situação piorada pelo atraso técnico. Ou ainda. nem um programa estruturado. eles se recusavam a pagar pela crise se seus privilégios não fossem estendidos.76 A revolução Francesa não teve lideranças claras. Mas uma concepção fortemente revolucionária foi a identificação do povo como nação . contrapõe-se contra a sociedade hierárquica de privilégios nobres. os dízimos e as taxas aumentavam e inflação tirava o resto. Mas como seus gastos para manter seu status eram muito altos e suas rendas caíam e sua situação econômica deteriorava-se. apesar de ser feudal no seu ethos. o déficit chegou a 20%. os gastos de corte representavam apenas 6% do total(PAZZINATO: 12% COBRIA A CORTE E MAIS AS PENSOES DOS NOBRES). A primeira brecha do absolutismo foi uma assembléia de notáveis. a conspiração dos iguais em 1796. Na década de 1780 dominavam completamente a administração pública.76 A Revolução começou como uma tentativa aristocrática de recapturar o Estado. presentes ou sinecura (emprego que quase não obriga ao trabalho) da corte.

quando a situação política se acalmou. a estrutura social do feudalismo rural francês e a máquina estatal da França real ruíam em pedaços. mas também forças bem mais poderosas: os trabalhadores pobres das cidades. foi fixado um preço rígido para o abandono dos privilégios. disformes. O que transformou uma limitada agitação reformista em uma revolução foi o fato de que a conclamação dos Estados Gerais coincidiu com uma profunda crise sócio-econômica. Pretendeu conciliar a manutenção de alguns privilégios da nobreza com as demandas populares num projeto de monarquia constitucional. Mirabeau ganhara uns trocados escrevendo literatura licenciosa). também o campesinato revolucionário. mas morreu antes de conseguir implantar a monarquia constitucional que almejava. Três semanas após o 14 de Julho. nada é mais poderoso do que a queda de símbolos. mas irresistíveis. Morreu em 2 de abril de 1791. vós sois um estranho nesta assembléia e não tendes o direito de se pronunciar aqui.movimento de libertação geral dos povos contra a tirania. levou vida errante e empregou-se como redator e agente secreto. sem costumes. que se espalhou de forma obscura mais rapidamente por grandes regiões do país: o chamado Grande Medo. Mirabeau: O conde de Mirabeau usou seus dotes de político. pela esposa e pela sociedade. Agora eles lutavam para que o voto fosse individual e não por estados.79 As revoluções camponesas são movimentos vastos.] O terceiro estado obteve sucesso porque representava não apenas as opiniões de uma minoria militante e instruída. Quando o terceiro estado declarou-se em assembléia nacional com o direito de reformar a constituição. Rejeitado pelo pai. anônimos. conforme Mirabeau. O que transformou uma epidemia de inquietação camponesa em uma convulsão irreversível foi a combinação dos levantes das cidades provincianas com uma onda de pânico de massa. Em tempos de revolução. Que se pode esperar de um homem sem princípios. Foi sepultado com todas as honras de um herói nacional. dissera dele: "reduzido à prostituição para viver (em certa época da sua vida. Marat. com os comerciantes ingleses) e a subordinação de outros povos estavam implícitas no nacionalismo ao qual a burguesia de 1789 deu sua primeira expressão oficial. de fins de Julho e princípio de Agosto de 1789. e especialmente de Paris. foi eleito presidente da Assembléia Nacional.78 O terceiro estado (95%) tinha lutado para conseguir uma representação igual a da nobreza e do clero juntos. disse ao rei: Majestade. de fato. o absolutismo vacilava. A Bastilha era uma prisão estatal que simbolizava a autoridade real e onde os revolucionários esperavam encontrar armas. e em suma. O feudalismo. em 1791. [Voltaire(didático). Mas de fato a rivalidade nacional (por exemplo. amedrontados com o levante social começaram . dos conjurados e dos conspiradores". Mirabeau: Quanto a Mirabeau. apesar da oposição da extrema esquerda. mais tarde confirmaram-se uma série de suspeitas nas quais ele teria se vendido aos interesses da Corte. em maio de 1790. sem honra? Alma dos gangrenados. escritor e orador admirável para desempenhar o papel de moderador ante as tendências extremistas na revolução francesa.] [BARSA. foi finalmente abolido em 1793. ele venderá a sua consciência ao o que oferecer mais. Setores revolucionários da classe média. num artigo premonitório no seu jornal O Amigo do Povo. Má safra em 1788 e 1789 e um inverno muito difícil tornaram aguda a crise. um brilhante e desacreditado exnobre. Os privilégios feudais foram oficialmente abolidos embora.

e mesmo além do. a única medida popular foi a venda das terras da igreja (e da nobreza emigrada) A constituição de 1791: . com o auxílio das massas. 4 meses após ter sido declarada. A peculiaridade da Revolução Francesa é que uma facção da classe média liberal estava pronta a continuar revolucionária até o. etc. um movimento disforme.classe média moderada mobilizando as massas contra os grupos conservadores. .81 Mas seu ideal de pequenos fazendeiros e artífices não perturbados por banqueiros e milionários era irrealizável.81 Na verdade os sanscullotes expressavam uma universal categoria política que defendia o interesse da massa de pequenos homens que fica em uma posição intermediária entre a burguesia e o proletariado. freqüentemente mais próximo deste porque são pobres. moderados e extremistas. ou esse seja derrotado pela revolução popular.As massas passando dos objetivos da classe média moderada. 4 . Cerca de 300 mil membros do clero e nobreza haviam emigrado e trabalhavam para instigar as outras monarquias contra a revolução. segunda em 1848) e uma nova era da história humana proclamada. lojistas. o republicanismo tornou-se um movimento de massas.rechaçou a democracia. Entre 1789 e 1791. Suas perspectivas eram inteiramente liberais. de trabalhadores pobres. ou. que combinava respeito a pequena propriedade. O aumento do preço do pão foi acompanhado da agitação e militância das massas.81 A única alternativa real na época para o radicalismo burguês eram os sansculotes. de igualdade e liberdade. a burguesia moderada vitoriosa. com as ideologias baseadas nele. limiar da revolução antiburguesa: eram os jacobinos . até que o grosso da classe média ligue-se ao grupo reacionário (hipótese predominante). rumo as suas próprias revoluções sociais.80 Então ai inicia-se uma mecânica que marcou todas as revoluções burguesas que se seguiram: 1. eles também formularam uma política. A guerra levou a uma segunda revolução em 1792.então a pensar que era hora do conservadorismo.E assim por diante.monarquia constitucional. direitos aos pobres. Através de jornalistas como Marat. preferindo um compromisso com o rei e a aristocracia. com os moderados sucessivamente se dividindo. a qual apenas surgiria com a revolução industrial. com hostilidade aos ricos. mesmo com o risco de perder o controle sobre elas. com o proletariado. 80 No século XIX. 3-Moderados se dividindo em dois grupos antagônicos: .82 A partir da tentativa de fuga do rei. pela ação armada das massas sansculottes em Paris.81 Os liberais posteriores tornaram-se ainda mais receosos das massas. mais precisamente. tomou providencias para a racionalização da França. pequenos artesãos e empresários. a maioria dos empreendimentos duradouros da revolução datam desse período. através da Assembléia constituinte.um aproximando-se dos conservadores para conter as massas. a monarquia foi derrubada. uma democracia extremada..81 Os jacobinos podiam sustentar seu radicalismo porque ainda não havia uma classe que pudesse fornecer uma solução alternativa para a solução social. . vemos de modo crescente (notadamente na Alemanha) como os liberais moderados tornaram-se relutantes em começar uma revolução.83 Havia entre os revolucionários. sobretudo urbano. relegando as massas populares. uma paixão generosa e 9 . com a instituição do ano I do calendário revolucionário.E outro de esquerda para tentar completar os ideais perseguidos inicialmente pelos moderados e não alcançados. 2. por trás da qual estava um ideal social contraditório e vagamente definido. . a república estabelecida ( primeira república. pois carregavam a memória dos extremos da revolução francesa. localizada e direta.voto censitário(cidadãos ativos).

mas voltado para a classe média. e no dia seguinte. Em Junho de 1793. Para estes homens somente havia duas opções: ou o Terror. e os seguidores de Robespierre estavam portanto politicamente isolados. .consulado(1799-1804). Um rápido golpe dos sansculotes derrubou a Gironda em Junho de 1793.87 O estabelecimento de um maciço grupo de pequenos e médios proprietários camponeses e pequenos artesãos e lojistas durante a Revolução. principalmente quando ela ia mal. a jovem república francesa descobriu a guerra total: a total mobilização dos recursos para uma economia de guerra. Saint Just e seus companheiros são executados. em Julho de 1794. mas o correspondente congelamento dos salários as prejudicava.86 As imagens. e mesmo pelos padrões das repressões conservadoras contra as revoluções sociais. . Mas é o único indivíduo da Revolução sobre o qual se desenvolveu um culto (com exceção de Napoleão).Aboliram sem indenização os direitos feudais remanescentes. um mês após a vitoria sobre a Áustria. Mas ainda assim a República Jacobina conseguiu o empreendimento sobrehumano de preservar o país. . que se tem normalmente. retardou a transformação capitalista da agricultura e da pequena empresa.genuinamente exaltada em difundir a liberdade aos outros países. A expansão da guerra.aboliram a escravidão nas colônias francesas. reforçadas pelos conservadores.aprovaram a primeira constituição genuinamente democrática.Diretório(1795-9).88 O jovem Saint-Just não foi também um grande homem.Império(1804-14).90 As rápidas alternâncias de regime que se seguiram: . e sim muitas vezes limitado. a única que poderia vencê-la. A queda de Robespierre levou a uma epidemia de descontrole econômico. somente fortaleceu a esquerda. . A Guerra revolucionária de 1792-4 foi um episódio excepcional. trabalho ou subsistência. o controle de preços e o racionamento beneficiavam as massas. 14 meses mais tarde. . tanto a direita quanto a esquerda(Hebertistas) tinham ido para a guilhotina. de um estado moderno: sufrágio universal.aumentaram a possibilidade do pequeno comprador comprar as terras confiscadas dos emigrantes. as necessidades econômicas da guerra afastaram o apoio popular: Nas cidades. No campo. Por fim. o país achava-se desamparado e falido. ou a destruição da revolução. 60 do 80 departamentos franceses estavam em revolta contra Paris. suas matanças em massa foram relativamente modestas (17 mil execuções oficiais em 14 meses). No decorrer da crise. . somente a crise de guerra os mantinha no poder. ocorre o golpe nono Termidor. a condição essencial para um rápido desenvolvimento econômico. todavia acadêmica. os invasores haviam sido expulsos e a moeda francesa encontrava-se razoavelmente estável. O exército alemão invadia o Norte e o Leste. o confisco sistemáticos de alimentos afastou os camponeses. tais como os massacres que se seguiram a Comuna de Paris de 1871. a virtual abolição da distinção entre soldados e civis. Os próprios nomes dos revolucionários moderados que surgiram entre Mirabeau e Lafayette(1789) e os líderes Jacobinos(1793) desapareceram da memória geral.85 A república jacobina e o Terror de 1793-4 somente fazem sentido nos termos de um moderno esforço de guerra total. e talvez até como havia acontecido com a Polônia. referem-se da ditadura e da histérica sanguinolência do terror jacobino e seus líderes radicais. em contraste com o passado e o futuro. fraudes e corrupção que incidentalmente culminou numa inflação galopante e na bancarrota nacional de 1797. o desaparecimento do país. Robespierre. os britânicos pelo Sul e pelo Oeste. quando se pensa na Revolução Francesa. O regime jacobino era uma aliança entre a classe média e as massas trabalhadoras. Mas pelos padrões do século XX.89 Por volta de Abril de 1794. Somente métodos revolucionários sem precedentes poderiam vencer uma guerra dessas. retardando também a urbanização e a expansão do mercado doméstico. Os jacobinos: .

92 Em pouco tempo. em um dos pilares do governo Termidoriano. sua contribuição foi fazê-las um pouco mais conservadoras.Origem humilde. Mas a eliminação temporária dos seus rivais e o virtual monopólio do mercado colonial tornaram possível a Grã-Bretanha tornar-se a oficina do mundo durante duas gerações Napoleão destruíra apenas uma coisa: A Revolução Jacobina. . concordata com a Igreja e banco nacional. Mas o exército tornou-se uma carreira como qualquer outra aberta com a Revolução burguesa. com todo seu impulso nacionalista) era marcado por uma coragem ofensiva ilimitada. ele conseguiu realizá-las. 11 . contrário dos outros homens que abalaram o mundo. mas aos seus parentes trouxe a glória.o exército. . sem paralelo: . racionalista. apesar do jacobinismo embutido.95 Os EUA eram o único país com simpatias a ideologia da revolução francesa. foi isto e não a sua memória que inspirou as revoluções do século XIX. ascendeu pelo seu talento pessoal. após sua queda. os aliados ideológicos da França eram grupos dentro de outros estados e não poderes estatais.93 Seu mito não pode ser adequadamente explicado nem por suas vitórias. nem por sua propaganda e tampouco por seu gênio indubitável. e de sue líder Bonaparte a pessoa ideal para concluir a revolução burguesa. Este foi um mito mais poderoso do que o dele.Foi ainda um homem civilizado. inclusive no seu próprio país. Foi o que fez do exército. Pois o mito de Napoleão se explica menos nos seus méritos do que nos fatos de sua carreira. .A hierarquia dos funcionários. hierárquicas e autoritárias.94 4 . . Napoleão trouxe estabilidade e prosperidade para todos. mas seus comandantes.monarquia constitucional de Luís Felipe(1830-1848). com exceção de Napoleão e pouquíssimos outros. conseguiu estabilizar a situação na França: código civil. o funcionalismo público. enquanto a maioria dos franceses era quase certamente mais rica. embora a guerra civil da década de 1790 tenha provocado um significativo retrocesso econômico.91 O exército napoleônico( herança agora profissionalizada do exército revolucionário jacobino. pois. .império(1852-70) Foram todas tentativas para se manter uma sociedade burguesa evitando ao mesmo tempo o duplo perigo da república democrática jacobina e do velho regime. que havia apoiado firmemente a ditadura jacobina. República(1848-51). Talvez todas suas idéias já haviam sido idealizadas no Diretório ou pela revolução. Napoleão. do povo se erguendo na sua grandiosidade para derrubar a opressão. mas também discípulo de Rousseau o suficiente para ser também um homem romântico do século XIX. e os que neles tiveram sucesso interessavam-se na estabilidade interna. o sonho de igualdade. Em 1815 a maioria dos ingleses era mais pobre do que fora em 1800. a educação e o direito ainda têm formas napoleônicas. eram pobres(em geral os oficiais de Napoleão eram pessoas que haviam sido promovidos mais pela bravura que pela inteligência.(isto não foi estritamente verdadeiro). mas os seus predecessores apenas as previram.a restaurada monarquia bourbon(1815-30)..O homem que trouxe estabilidade para a revolução e estabeleceu ou restabeleceu os mecanismos das instituições francesas como existem até hoje: .Código napoleônico virou modelo para todo o mundo burguês. aproximando-se da imbecilidade). mas tenderam a neutralidade. exceto o anglo-saxão. . tornando-se um modelo para todos que queriam ascender. liberdade e fraternidade. De resto. houve guerra quase que ininterrupta na Europa. exceto para os 250 mil que morreram nas guerras.A GUERRA De 1792 a 1815. Em geral em toda a Europa (inclusive Inglaterra).

Nenhuma área fora das fronteiras da própria França manteve um governo jacobino por um momento sequer após a derrota ou retirada das tropas francesas.96 Em termos amplos. A hostilidade francesa a Grã-Bretanha era um pouco mais complexa. sabia-se que a revolução social era possível e que a partir de então era mais difícil dominar o povo. pelo menos até a ditadura jacobina. Mesmo levando em conta as divisões do lado antifrancês e o potencial de aliados que os franceses poderiam atrair. e os povos. Depois da Revolução francesa. não mais se restabeleceu. e isso mesmo antes de Napoleão. independentemente dos governantes. no papel as coalizões antifrancesas eram invariavelmente mais fortes. mobilidade. Em termos de geografia política. ou na Suécia e Polônia no início do século XVIII. mantendo-se divididos. a revolução francesa pôs fim a Idade Média (enclaves estrangeiros que se achavam enraizados em alguns territórios de certos estados foram suprimidos). as fronteiras políticas da Europa foram redesenhadas várias vezes.112 Depois da bancarrota de 1797. onde o feudalismo foi abolido. Mas em compensação grupos revolucionários mobilizaram-se espontaneamente contra as tropas francesas. o valor militar do filo-jacobinismo estrangeiro foi principalmente o de um auxílio para a conquista francesa e uma fonte de administradores politicamente confiáveis para os territórios conquistados. diminuindo a fragmentação. como na guerra naval.108 Mas as alterações de fronteiras e instituições tiveram um efeito menor do que a mudança da atmosfera política. a conseqüência foi a total anexação britânica das colônias de outros povos. Mas no que tange a organização improvisada. Para todos os fins práticos. Fora da Europa. flexibilidade e acima de tudo pura coragem ofensiva e moral de luta. onde a selvageria foi maior. nem mesmo na península Ibérica. mas agora em um número de territórios muito menor. Uma parte considerável da Europa foi governada diretamente pela França e as instituições da Revolução Francesa e do Império napoleônico foram introduzidas: o feudalismo foi formalmente abolido. Papel moeda era raro antes do final do século XVIII. Igualmente importantes foram as mudanças institucionais introduzidas direta ou indiretamente pela conquista francesa. Rússia foi intermitentemente antifrancesa. mas a ascensão de uma burguesia com a revolução intensificou o desejo de uma vitória final. pelo menos no início.104 Durante esse período de guerras. os códigos legais franceses foram aplicados.praticamente todas as pessoas instruídas. A Áustria era a principal rival. portanto. A Prússia ao mesmo tempo simpatizava com o grupo contra-revolucionário. os franceses foram sensivelmente inferiores. assim como dos movimentos de libertação colonial inspirados pela revolução Francesa (São Domingos). Estas mudanças tiveram uma força de continuidade muito maior do que as alterações de fronteiras. os franceses tornaram-se preconceituosos em relação . os franceses não tinham rivais. e onde estas qualidades eram decisivas. esclarecidas e de talento simpatizavam com a revolução. a lista de batalhas terrestres entre 1794 e 1812 é uma lista de triunfos franceses praticamente ininterruptos. As outras potências antifrancesas não estavam engajadas em um tipo de luta tão assassina.109 Nas guerras de 1792-1815. sabia-se que as nações existiam independentemente dos Estados. e muitas vezes bem depois dela. beneficiando-se de uma iniciativa francesa.108 Nenhum estado europeu ao Sul da Escandinávia e a Oeste da Rússia emergiu dessas duas décadas de guerras com suas instituições inteiramente inalteradas. O mapa italiano e alemão foram significativamente racionalizados. houve tanta devastação (apesar de seu custo financeiro ter sido demasiadamente alto) como na Europa central e oriental durante a Guerra dos 30 anos. pois se somavam laços familiares com os Bourbons e a ameaça francesa em sua área de influência na Itália e Alemanha (príncipes germânicos apoiaram Napoleão contra a Áustria). Tecnicamente os velhos exércitos eram mais bem treinados e disciplinados. relutava em se aproximar da Áustria. A revolução de um país podia transformar-se em um fenômeno europeu. além de ter interesses na Alemanha e Polônia. O único breve período de paz entre os dois foi entre1802-3.

inclusive a constituição. Tanto que. e católicos). somente a Áustria agarrou-se ao princípio de que todos estes movimentos deveriam ser imediata e automaticamente suprimidos em nome dos interesses da ordem social. Nápoles.136(revisar o livro) 3 ondas revolucionárias no mundo ocidental de 1815-1848: 1ª onda revolucionária(1820-4): . exceto em 1854-6 a Guerra da Criméia.(Rússia x Inglaterra. em virtude da disputa por santos lugares entre ortodoxos. San Martin. apesar de que em 1817 a libra ter se desvalorizado em torno de 30 %. mas que acima de tudo almejavam uma saída para o Mediterrâneo . as divergências entre os interesses das potências ficaram patentes. os Bourbons foram reconduzidos. Para manter a paz não se tentou aproveitar da derrota francesa.121 Fome de 1816-7 e depressões dos negócios mantiveram um vivo. Se algo protegeu a independência dos latino-americanos foi a marinha britânica. já entre os britânicos havia mais confiança. Ela era chave para a abertura do extremo oriente. Grã-Bretanha. um homem moderado. Assim. .a qualquer cédula por mais de 50 anos. ou ainda a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada. Turquia e Piemonte. resultado ainda da “ Questão Oriental “( explosivos problemas internacionais após as guerras napoleônicas. a América espanhola estava livre. Áustria e Prússica. A expansão britânica conscientizou-se agora que economicamente era mais interessante a exploração das regiões sem os custos de uma ocupação direta. A Escandinávia e a Holanda apesar de pertencerem a zona não absolutista passaram um período de relativa tranqüilidade fora dos dramáticos acontecimentos que se desenrolaram no resto da Europa. mas as principais mudanças da revolução foram mantidas. não houve nem um conflito entre mais de duas potências de 1815 até 1914. França.121 Para manter a paz. Uma cláusula do acordo de paz internacional desse período era a abolição do tráfico de escravos. no primeiro ataque de instabilidade e insurreição em 1820. França. relacionados às disputas entre ingleses e russos – aliados com os ortodoxos. a China foi aberta na Guerra do Ópio de 1839-42. Os franceses não a aboliram a escravidão oficialmente até a revolução de 1848. Em 1822. de 13 . que saiu com um território ainda um pouco maior que de 1789. Do ponto de vista inglês. Grécia. mas. mas posteriormente revalorizouse. exceção feita à Índia. não a doutrina Monroe de 1823. para o tráfico de drogas e outras atividades lucrativas. Os britânicos aboliram a escravidão em suas colônias em 1834. esses dois últimos eram reconhecidamente muito mais fracos.126 6 . as potências decidiram realizar congressos regulares. durante esse período o objetivo supremo de todas as potências européias era evitar uma segunda revolução francesa. Ucrânia. única não sufocada.113 5 .Limitada ao Mediterrâneo. os governantes tomaram consciência que mais um período assim poderia por fim aos velhos regimes.Epicentro: Espanha.AS REVOLUÇÕES Nunca o revolucionarismo foi tão endêmico e contagiante como no pós-1815. devido às disputas entre a Rússia e GrãBretanha e à busca do equilíbrio. apoiados pelos russos. mas injustificável temor de revolução social em toda parte. a economia não dependia mais da venda de homens e açúcar.desde 1820 para dominar o império turco que se dissolvia).A PAZ Após os 20 anos de guerra. principais defensores. apesar de um período de rebeliões e tensão. A Prússia foi a que mais lucrou. por razões econômicas e humanitárias.119 O mapa da Europa foi redelineado tendo em vista o equilíbrio das 5 grandes potências: Rússia. e se tornou pela primeira vez uma grande potência européia em termos de recursos reais.

que reunia todos os que tinham ódio pelos regimes de 1815 e a monarquia absolutista. Alemanha e Itália agitam-se. o ano de 1830 é o mais notável. migrações.128 2ª onda revolucionária (1829-34): .A classe governante nos próximos 50 anos seria a grande burguesia.Nunca houve nada tão próximo da revolução mundial com que sonhavam os insurretos do que esta conflagração espontânea e geral na Europa. Essa frente correspondia a três tendências: o liberal moderado(classe média superior e a aristocracia liberal). . . (revisar no livro) .130 Ao contrário das revoluções do final do século XVIII. . . . industrialização. urbanização. e dos movimentos nacionalistas em grande número de países da Europa. após 50 anos de hesitação e hostilidade.Polônia. a Igreja e a aristocracia. instituições liberais antidemocráticas. onde a tendência proletária independente na política e na ideologia surgiu com o coopertivismo de Roberto Owen por volta de 1830(mas ainda não era . . chama a atenção dos liberais da Europa para essa espantosa inovação.129 . país bem menos pacífico naquela época. . agora parecia a primavera dos povos de todo um continente. França e Bélgica. aceita pela aristocracia que se apagou. não existiam socialistas ou revolucionários conscientes. . ideologia. independência de fato apenas em 1921. queda dos Bourbons estimula outras insurreições. . mas ainda sem sufrágio universal. sem domínio sobre as massas).Embora molestada por agitações externas causadas por negociantes insatisfeitos ou de menor importância. A história de 1815 a 1848 é a história da desintegração da frente unida. os dissidentes. as do período pós-napoleônico foram intencionais ou mesmo planejadas.Toda Europa e EUA. por trás destas grandes mudanças políticas estavam grande mudanças econômicas e sociais.produto da crise iniciada em 1830.1789 foi o levante de uma nação. moderados ou radicais.Na Grã-Bretanha. Exceto na Grã-Bretanha. 1830 determina o início daquelas décadas de crise no desenvolvimento da nova sociedade que se concluem com a derrota das revoluções de 1848. Contudo nos EUA a democracia. etc.grande visão e rara abnegação pessoal. mal podiam ser diferenciados.Guerras endêmicas na Espanha e em Portugal.131 Durante o período da Restauração(1815-30).Na Irlanda(única vez que acontecimentos europeus foram acompanhados na Grã-Bretanha) garantiu-se a Emancipação Católica(direito dos católicos de participarem do parlamento).De todas as datas entre 1789 e 1848. o democrata radical(classe média inferior e pequena nobreza) e a socialista.Prevalece o liberalismo na Suíça. e do gigantesco salto econômico depois de 1851. . quer fossem bonapartistas. 3ª onda revolucionária(1848). pois já tinham o conjunto de modelos da Revolução Francesa.Grandes mudanças nas artes. imposta durante o governo de Andrew Jackson(1829-37). .Mas 1830 determina o aparecimento da classe operaria como uma força política independente na Grã-Bretanha. .Bélgica conquista independência da Holanda.França.Marca a derrota definitiva dos aristocratas pelo poder burguês na Europa Ocidental(apenas). a maior : . e na França(embora até 1848 sejam movimentos isolados. . pela pequena burguesia e pelos primeiros movimentos trabalhistas. Além de o governo britânico punir com selvageria um tumulto de quebra de máquinas que rapidamente se espalhou entre esfomeados do campo. deixou a tarefa a Bolívar e ao republicanismo e retirou-se para a Europa. com grande mobilização.

As ofensivas sistemáticas dos empregadores e do governo destruíram o movimento por volta de 1835.o povo que se rebelava podia cada vez mais ser identificado com os proletários. onde já havia uma política de massa).134 As revoluções de 1830 mudaram a situação inteiramente. copiadas dos modelos maçônicos. embora politicamente mais amadurecido que o coopertivismo de Owen.132 (Thomas Paine foi quem redigiu o panfleto do “common sense” antes da independência dos EUA). as barricadas tornaram-se os símbolos da insurreição popular em 1830. o que quer dizer que ele cumpria as ordens de qualquer que fosse o governo oficial.Revoluções de massa. não conseguiu perturbar a ordem pública( o governo britânico sofreu um pânico momentâneo apenas em uma onda de quebra de máquinas por camponeses esfomeados em 1830).sufrágio universal. Paris permanentemente agitada. Os pobres que estavam conscientemente na esquerda aceitavam os slogans revolucionários da classe média. ao basear suas reivindicações em: .consideravam os liberais seus prováveis traidores e os capitalistas seus inimigos. Todos eles viam-se em luta contra um único inimigo.voto secreto. .132 . 15 . Fora da Grã-Bretanha.132 Enfim. ainda que da ala mais radical democrata próxima ao jacobinismo. . já era um movimento eminentemente da classe trabalhadora e preferiam ouvir o programa de pessoas que falavam a mesma língua como Tom Paine. esse programa era compatível com o radicalismo de reformadores da classe média com Betham e James Mill .começou de forma impressionante por volta de 1830 atraindo o grosso dos militantes da classe operária para suas doutrinas(que já vinham sendo difundidas desde 1820) .Mas apesar de vasto. como os carbonari.dominante) : . voltaram a tornar-se possíveis.direito de representação parlamentar. exceto para fazer grades petições. Como vimos. o que caracterizava a tendência restritiva. em substância. a união dos príncipes absolutistas. . . as perspectivas políticas dos oposicionistas. Todos também tendiam a adotar o mesmo tipo de organização: as irmandades insurrecionais que floresceram no final do período napoleônico. Mas o clímax do movimento de massa revolucionário da Grã-Bretanha foi a Carta do povo que atingiu o clímax por volta de 1840.tentaram até estabelecer uma economia geral cooperativista às margens do capitalismo.Mas. mas seu paradoxo era que ele era ideologicamente mais atrasado. pois não tinham a única alavanca eficaz de insurreição. em 1789-94 não tiveram papel importante ). Marcaram-se devido: . e os métodos para alcançar a revolução eram quase os mesmos. . diminuindo a dependência das irmandades(Bourbons são derrubados devido crise política e econômica. era uma parte do funcionalismo público. um exército descontente. em toda Europa (exceto GrãBretanha. . Fracassaram totalmente na França. começando a existir o movimento revolucionário proletário-socialista apesar de incipiente e fraco.. com o povo afastado da preparação. . ao contrário do continente. naquela época e durante todo o século XIX. durante o período da restauração (1815-30). como 1789. O exército francês.133 Insurreições do tipo carbonário ocorreram em 1820-1.Fracassou pela falta de habilidade para ação nacional e pela divisão. a oposição política no continente estava limitada a um minúsculo grupo de ricos e pessoas cultas.desejavam criar sindicatos gerais nacionais. elas foram os primeiros produtos de um período geral de aguda e disseminada intranqüilidade econômica e social e de rápidas mudanças. . dominada por uma elite revolucionária. com algumas exceções.

etc. Rússia(1861) e Turquia.Início da divisão entre os inimigos dos aliados do rei e da aristocracia. que eram quem lutava nas barricadas. em parte em razão da relutância dos que os apoiavam em fazer adequadas concessões ao campesinato. nunca resolveram eficazmente o seu problema.Península Ibérica(que distanciou-se das ondas revolucionárias. dividindo o movimento não somente em vários segmentos sociais mas também nacionais. Na Grã-Bretanha os radicais dividiramse acerca do apoio ao movimento cartista e a liga contra a lei do trigo. as tendência vindas do jacobinos e de Babeuf depois de 1830 tornaram-se comunistas. Na Itália .140 . cujo perigo era considerável devido o descontentamento dos pobres ser visível em toda Europa. portanto. . na Itália olharam para a Savóia). nas revoluções de 1848 a população camponesa ficou inativa. devido intervenção austríaca. Os radicais da Europa subdesenvolvida.Na França. apesar de terem mobilizado ação de massa no início das revoluções de 1848. Grã-Bretanha e Bélgica. seu principal líder foi Blanqui. os moderados depositavam suas esperanças em um governo reformista ou no apoio das novas potências liberais( Na Alemanha alguns moderados olharam para a Prússica. Fourier. oscilando com o conservadorismo. dividiram-se ante a ameaça da revolução social.Na França de 1830-48. . triunfo do liberalismo. Os vários ramos do novo socialismo utópico(seguidores de Saint-simon. A situação tornava-se ainda mais delicada em razão dos camponeses tradicionalistas confiarem mais nos imperadores e nas Igrejas que nos próprios senhores de terra.135 . E na maior parte da Europa oriental os camponeses subjugaram os revolucionários magiares(húngaros) e alemães.Perda da confiança na França como a libertadora internacional.142 O rompimento entre os radicais da classe média com a extrema esquerda ocorreria na França somente após a revolução de 1848. mas essa corrente era relativamente fraca. . nenhuma revolução venceu. freqüentemente fracassando como no levante de 1839.Ao crescente nacionalismo na década de 1830.Revoluções de 1830 separaram os moderados(classe média superior) dos radicais(classe média inferior). . e normalmente um campesinato que pertencia a uma nação deferente da de seus senhores. imediatamente os traíam(começando até a perseguir a esquerda radical).144 O internacionalismo unificado a que aspiravam os revolucionários durante a restauração foi despedaçado(em 1848 as nações sublevaram-se separadamente) em razão de: .Únicas revoluções vitoriosas: França. o problema com as massas era mais sério. A servidão ainda persistia na Áustria(1848). na Grã-Bretanha esta divisão já ocorreu com o cartismo por volta de 1840. ainda descontentes com os governos liberais moderados de 1830.142 No resto da Europa revolucionária onde a baixa nobreza rural e os intelectuais descontentes eram o centro do radicalismo.No Oeste da Europa os liberais moderados.)não estavam interessados em agitação política. . em face de suas endêmicas guerras civis) e Suíça: o liberalismo não triunfou completamente. o que tornava necessário concessões para atrair as massas. em parte por causa da imaturidade política dos camponeses. e na Polônia. mas era fraco como o próprio operariado e incapaz de um movimento de massa. . . Pois as massas eram o campesinato.137 Os radicais da classe média. Com a divisão entre os radicais e os moderados e o surgimento de uma nova tendência social revolucionária. não existia nenhum movimento significativo de massa dos trabalhadores pobres da indústria. devido intervenção russa. marcando o rompimento entre liberais e radicais.No resto da Europa.Manteve-se o conservadorismo de antes de 1830 na Itália e Alemanha.143 Havia ainda uma extrema esquerda que concebia francamente a luta revolucionária de massas contra os governos estrangeiros e os exploradores domésticos. . ao alcançarem o poder em 1830 pelos esforços dos radicais. que apenas tomaria uma forma mais clara em 1848.

em 1848.Mantendo um padrão comum de procedimento político.As revoluções de 1848 ocorreram separadamente de forma espontânea.149 7 . justificando sua preocupação primordial com sua própria nação. . Jovem Alemanha. Mesmo os mais conscientes comunistas proletários normalmente consideravam o empreendimento da república democrático-burguesa a preliminar para o avanço posterior do socialismo. em que os antigos aliados contra o rei e a aristocracia voltariam-se uns contra os outros. mas o estimulo ainda veio da França.eleições democráticas par uma assembléia constituinte. simbolizados pelos movimentos jovens. no resto da Europa.de aliança presente. Isto devido a: . Suíça.Uma onda nacionalista que se encaixava no romantismo que tomou grande parte da esquerda após 1830 manifesta-se nos movimentos: Jovem Itália. e conflito fundamental seria entre burgueses e trabalhadores. etc.152 17 .Crise nos estados leva a insurreição.152 Em 1830. do que real). os movimentos revolucionários entre 1830-48 continuaram tendo muito em comum.151 Contudo ainda eram muito semelhantes. Garibaldi lutou pela liberdade de vários países latino-americanos.. acreditava-se que a França seria o motor da libertação do mundo.Predominância de organizações de classe média e intelectuais(quando elas estouravam o povo comum vinha a cena por si mesmo). confiar em uma Itália ou Polônia. somente seria possível para os italianos ou para os poloneses. inspirando-se nas revoluções de 1789 e 1830: . . mas se conheciam e sabiam que seu destino era o mesmo. Jovem Polônia.novo governo daria auxílio fraterno para as outras revoluções. Jovem Alemanha. preparavam-se e esperavam a revolução européia. Jovem Polônia. . A internacional viria a se transformar em parte integrante dos movimentos socialistas já para o final do século. E ainda tendiam a uma fraternidade entre si. inspirados por Giuseppe Mazzini: Jovem Itália.Organizaria-se uma guarda nacional. A esquerda em geral na Europa partilhava uma visão comum de como seria a revolução.e fracassou .através de barricadas toma-se as capitais.falta de jornais de grande circulação(exceto na Inglaterra). que veio . Nesses refúgios. Mas antes de 1848 este momento ainda não tinha chegado em nenhum outro lugar. ( apesar de sua importância ser mais simbólica. . até as bandeiras normalmente eram tricolores. Grã-Bretanha e a Bélgica. embora agora divididos pelas nacionalidades e as classes. . Jovem França e jovem Irlanda. Chegaria o momento. Poucas zonas de refúgio: França. O manifesto comunista de Marx e Engels é uma declaração de guerra futura contra a burguesia mas . iniciam-se movimentos nacionalistas independentes.O NACIONALISMO Após a Revolução Francesa. Todavia.com um forte sentido internacionalista. o internacionalismo aumentou sua força. . na Grã-Bretanha já havia chegado com o cartismo. .em países como a França e a Bélgica organizações de massa eram ilegais.:138 . . Entre os movimentos nacionalistas este internacionalismo tendeu a decrescer em importância. à medida que se conseguia a independência.ao menos para a Alemanha . os exilados que nem sempre se aprovavam. um marco. com a identificação dela como um messias de todos. Mas entre os movimentos revolucionários que aceitavam cada vez mais a orientação proletária. Confiava-se que de Paris irradiaria o movimento revolucionário. .consciência das diferenças nos aspectos revolucionários em cada país.148 Exílio de militantes de esquerda aumentou o internacionalismo entre 1830-48.falta de tradição de organização de massas. continuaram : .

Espanha e Itália(exceto Piemonte e Lombardia) quase toda analfabeta. soldados e elites afrancesadas “ evoluídas” . que transformaram o Egito em um centro de . o povo normalmente nem falava o idioma nacional e sim dialetos. apesar da mitologia nacionalista freqüentemente tente obscurecer esse divórcio. a união aduaneira deu um senso de unidade nacional na Alemanha.161(revisar o livro) Apenas no México a independência foi conquistada pela iniciativa de um movimento de massa agrário. que toma força depois da década de 1830. Portanto a Grécia se tornou o mito inspirador dos nacionalistas e liberais de todo mundo. deixando a massa passiva da população branca. havia cerca de 6 mil estudantes na Universidade de Paris. nos países islâmicos e.159 Fora da Europa. não sem crueldade. As revoluções latino-americanas foram obra de pequenos grupos de aristocratas. e dos índios indiferentes ou hostil. católica e pobre. que as vezes parecem antecipar os movimentos nacionais posteriores. Mais alfabetizados eram EUA. O que fica evidente no país plenamente oriental que viria a tornar-se o primeiro movimento nacionalista moderno das colônias: o Egito. que não tiveram papel independente na revolução).155 Grã-Bretanha. o qual iniciou um despotismo eficiente. da influência e da conquista ocidental. mais tarde na África foi desenvolvido por uma classe média que. foi o progresso(surpreendente.158 Na Luta de independência grega(1821-30).156 O desenraizamento(emigrações especialmente para os EUA).154 O nacionalismo nessa época fortalecia-se com o desenvolvimento educacional da classe média.154 Depois de 1830. Mas os armadores de Gênova(mais tarde principal apoio financeiro de Garibaldi) estavam mais interessados no mercado geral do Mediterrâneo. O nacionalismo na Ásia. grandes proprietários estavam ligados a Rússia e a Áustria). isto é. devido a desejo de ocupar cargos. paradoxalmente. apesar do número estar aumentando(em 1789. foi a primeira vez que a luta dos pastores de ovelhas contra qualquer governo fundiu-se com as idéias do nacionalismo da classe média e da Revolução Francesa.163 O nacionalismo no Oriente foi portanto um produto. Normalmente entendido como significando o domínio de uma religião diferente em vez de uma nacionalidade diferente).Esse nacionalismo em parte refletia o surgimento de uma classe média e o descontentamento dos pequenos proprietários(Polônia e Hungria. apesar de restrito a uma minoria) das escolas e universidades que dimensionou o nacionalismo. indígena. nacionalismo contra dominação da Rússia e da Áustria. Com a construção do Canal de Suez iniciou-se a dependência fatal dos governantes egípcios a grandes empréstimos negociados por grupos competidores de trapaceiros europeus. e por isso o México trilhou um caminho politicamente mais avançado que o resto da América Latina. que foram reconhecidos por um ambicioso soldado local. os métodos e as técnicas ocidentais. alemão. quase incompreensíveis.156 Fora do moderno mundo burguês houve. foi. talvez seja o mais importante fenômeno do século XIX. entretanto. enfim.. Escandinávia e Suíça. Além disso o fato de o nacionalismo era representado pela classe média e pela pequena nobreza era suficiente para fazer o pobre ficar desconfiado. Napoleão introduziu as idéias.155 Para as massas em geral a nacionalidade estava ligada a religião. Portugal. ocidentalizando-se e afastando-se das massas.152 Quase somente na Bélgica os interesses empresariais(contra o domínio holandês) foram o fator fundamental para o nacionalismo. romeno). para se desenvolver. Holanda. publicações em língua nacional tenderam a aumentar(húngaro. Mohammed Ali.e. e ocidentalizante com a ajuda técnica estrangeira(principalmente francesa). movimentos de revolta popular contra o domínio estrangeiro(i. França e Bélgica tinham cerca de 50% de analfabetos em 1840.154 A formação de um mercado unificado na Alemanha e Itália era logicamente vantajoso para o comércio. é difícil falar de nacionalismo. A proeminência revolucionária dos estudantes no período de 1848 torna difícil lembrar que em toda a Europa havia apenas 40 mil universitários.

porque exercia um tipo novo de poder: a capacidade de influenciar a opinião pública em escala européia. Sua mansão em Ferney. como tantas outras características do mundo moderno. em "O Contrato Social" (1762). Ele foi descrito. na companhia desses "chevaliers d'industrie". Tendo percorrido a Europa a pé. para indicar um homem que não tem residência fixa ou que não é estrangeiro em parte nenhuma". Um cosmopolita não é um bom cidadão". é filho da revolução dupla. tanto assim que ele se descrevia como "o estalajadeiro da Europa". nacionalismo” Parte II RESULTADOS 8 . Cagliostro e Mesmer conferiram má fama ao termo. em sua juventude. Mesmo a "Encyclopédie" observava que "às vezes se usa esse termo em tom jocoso. Voltaire personificava o cosmopolitismo de tipo positivo. 21 de julho de 2002 FRONTEIRAS IMAGINÁRIAS por Roberto Darnton) ARQUIVO: “DARNTON. mais tarde. (TEXTO DO DARNTON) CONTRADIÇÃO ENTRE AMAR A TODOS(OU TODO LUGAR). O nacionalismo. era a parada mais grandiosa em toda a grande tour. O cosmopolita abrangia a Europa toda em sua visão do mundo. Rousseau (1712-1778) condenou o cosmopolita.rivalidade imperialista e. Folha de são Paulo. às vezes até mesmo a humanidade toda. como o "rei não coroado da Europa". Foi a ocidentalização de Mohammed Ali. PARA NÃO AMAR A NADA. por outros. conforme indicado pelo dicionário da Academia Francesa: "Cosmopolita: alguém que não adota nenhuma pátria. (São Paulo. não suas aspirações ou as de seu povo. Contrastando com ele nesse ponto. pois fizeram grandes viagens nas quais sobreviveram de sua astúcia e da credulidade ingênua de suas vítimas. de rebelião antiimperialista. que lançou base para o nacionalismo posterior. O termo podia ser usado pejorativamente. ele recebia visitantes vindos de todos os pontos do continente -e pelo menos 300 da Grã-Bretanha-. na fronteira entre França e Genebra. Ladeado por bustos de Locke e Newton. assim como em tantos outros. Aventureiros como Casanova. como alguém que "faz de conta que ama o mundo inteiro para poder ter o direito de não amar ninguém". peregrinos seculares com fome de uma refeição ou de um "bon mot".A TERRA 19 .

Suíça e na maior parte da Europa latina a abolição do feudalismo foi obra dos exércitos franceses(ou de liberais nativos que cooperaram com eles) dispostos a proclamar imediatamente a abolição dos dízimos.A terra tinha que transformar-se em mercadoria. transformou-se os proprietários feudais em fazendeiros capitalistas e os servos em trabalhadores contratados. Suécia e. para as necessidades urbanas. o que permitiria os compradores economicamente mais competentes assumir a situação. Na Rússia e na Romênia na década de 1860. Então fazia-se necessário quebrar os vínculos e outras proibições de venda ou dispersão que se aplicavam as propriedades nobres e. foi projetada para tornar a vida tão intolerável para os pobres do campo que eles se vissem forçados a abandonar a terra em busca de qualquer emprego que lhes fosse oferecido. o proprietário tinha que estar sujeito a penalidade salutar da bancarrota em caso de incompetência econômica. com liberdade de movimento. na classe empreendedora de pequenos fazendeiros.169 Na segunda metade do século XIX. . na Dinamarca(depois da eliminação das terras comunais e a divisão da terras entre os arrendatários com técnicas mais avançadas) levou ao que foi proporcionalmente o maior movimento de emigração do século(principalmente para o meio-oeste americano). A pressão camponesa e o jacobinismo levaram a reforma agrário além do ponto ideal segundo os princípios burgueses. as terras eclesiásticas tinham que ser tomadas e abertas ao mercado(na Espanha os governos liberais intermitentes conseguiram por volta de 1845 vender mais da metade das terras da Igreja).171 Na Grã-Bretanha.O que acontecia a terra entre 1789 a 1848 determinava a vida ou a morte da maioria dos seres humanos. Países baixos. e cuja transformação revolucionária todos concordavam era a pré-condição e conseqüência necessária da sociedade burguesa. na Grã-Bretanha. isso foi alcançado do Gilbaltrar a Prússica Oriental. a fisiocracia. Três mudanças eram necessárias: .americana: fazenda comercial cujo ocupante era o próprio proprietário. a terra era a única fonte de riqueza. uma revolução político-legal dirigida contra os proprietários e os camponeses tradicionais era necessário. menos. . eles não se transformaram automaticamente. portanto. já integradas aos princípios burgueses.173 .172 Na França. bem como com as terras coletivas.170 Era indispensável que qualquer tradição feudal remanescente fosse abolida. do feudalismo e dos direitos senhoriais. a abolição do feudalismo foi obra da revolução. Na Prússia. dispostos a desenvolver sua capacidade produtiva.172 Mas. não era necessário expropriar as grandes propriedades. que compensava com mecanização intensiva a falta de mão-de-obra(solução essa devido à condição única de: disponibilidade ilimitada de terras e ausência de tradições feudais. como se esperava. A Lei dos pobres de 1834. em partes da Alemanha ou na Escandinávia.173 Na Alemanha Ocidental. como na França.167 Para a primeira escola de economia.Britânica: grande concentração. o que retardou o desenvolvimento industrial na França. a miséria dos camponeses que não encontravam empregos na Noruega.deveria pertencer a homens com espírito empreendedor. A França tornou-se em grande parte de vários tipos de proprietários camponeses sem espírito comercial. E não poderia haver dúvida que os compradores seriam os empresários fortes e sóbrios. . Ante a resistência dos camponeses e proprietários tradicionais a uma adequação ao padrão capitalista. mesmo onde os camponeses realmente receberam a terra ou tiveram confirmada a sua posse. E entre 1789-1848. a solução não foi a menos revolucionária.170 Nos países católicos e muçulmanos(nos protestantes já havia sido feito há muito tempo).176 As soluções mais radicais para o problema agrário foram as: . tendo como único obstáculo os indígenas) .a massa da população rural deveria transformar-se em alguma forma de trabalhadores assalariados.

a nova vitória do liberalismo reafirmou-a em 1836. A revolução legal não deu ao camponês nada exceto alguns direitos.178 Tudo o que os camponeses precisavam para passar de uma agitação formalmente legalista para uma formalmente esquerdista era a consciência de que o rei e a Igreja tinham-se passado para o lado dos ricos locais. e o governo recebia uma porcentagem da produção. a passagem da rebelião camponesa da direita para esquerda apenas tomaria força depois de 1848.. a restauração do absolutismo anulou-a em 1823. um governo sem corrupção nos altos escalões. Foi sua combinação de ganância e individualismo legal do liberalismo que produziu a catástrofe. Exceto a revolução camponesa na França de 1789( e nem toda ela foi anticlerical ou antimonárquica).. com a emancipação os camponeses conseguiram: .178 Foram os padres que lideraram os camponeses espanhóis em sua guerra de guerrilha contra Napoleão. não havia colonos britânicos desejando terras na Índia. O radicalismo populista de Garibaldi foi talvez o primeiro destes movimentos.177 . grande desenvolvimento nos serviços públicos. então a alteração no sistema de posse visava a coleta de tributos. A benção da propriedade privada foi concedida ao campesinato indiano. Por exemplo na Prússia.175 Os passos legais para os sistemas burgueses de propriedade da terra avançavam com as vitórias do liberalismo e eram retardados com a recuperação dos velhos regimes. economicamente. a Revolução Francesa não foi a única força que impulsionava por uma revolução total das relações agrárias. muito mais insensíveis e descompromissados com os camponeses). exceto na Irlanda e na Bélgica -. às vezes. como se pode medir pelas modestíssimas taxas de emigração.um pouco mais da metade da terra que ele já cultivava. No antigo sistema tradicional. as exportações de produtos de algodão da Índia caiu em mais de 90%. o triunfo temporário da revolução liberal em 1820 trouxe uma nova lei de desvinculação que permitiu aos nobres vender suas terras livremente.a fome de 1846-8 foi provavelmente pior na Alemanha do que em qualquer outra parte. que falassem sua própria linguagem. senhores mais tolerantes do que o leigo ávido. havia fomes periódicas e o peso do trabalho fazia com que os homens se tornarem velhos aos 40 anos de idade e as mulheres aos 30. Mas. Para essa mudança agrícola levou-se a Índia a uma desindustrialização. A população rural excedente cresceu rapidamente.as propriedades eclesiásticas eram. clãs etc. o uso racional da terra e o aumento da produtividade já havia impressionado os déspotas esclarecidos. virtualmente todos os movimentos camponeses importantes nesse período que não foram dirigidos contra um rei ou igreja estrangeiros o foram ostensivamente a favor do sacerdote e do governante em defesa do velho sistema consuetudinário. e assim por diante. . esse excedente teve bastante incentivo para emigrar. a área cultivada cresceu em bem mais de umterço e a produtividade em 50%. mas formalmente lhe tomou: . . Na Espanha.Entretanto.. Durante a primeira metade do século XIX. O marxismo e o bakuninismo seriam ainda mais eficazes. e já que as condições rurais eram bem ruins . A criação de um mercado mundial 21 .. além de um movimento revolucionários de homens como eles. Entre 1815 e 1832.Direito de retirar ou comprar combustível barato nas terras do senhor.Direito de usar as terras do senhor como pasto. mas isto eram entendidos como atos de Deus e ainda havia ao menos uma certeza social. José II em 1780 já havia abolido a servidão e secularizado as terras(contudo na Áustria o vínculo legal do camponês a gleba foi abolida definitivamente apenas em 1848).libertação do trabalho forçado e de outras obrigações. cada vez piores.183 De 1787 a 1848. epidemias de fome gigantescas e mortíferas. a invasão do mercado mundial no setor agrário foi incompleta.). Os britânicos levaram a Índia a paz. a falta de apoio dos camponeses aos jacobinos e liberais condenou o fracasso os movimentos de 1848.Possibilidade de reivindicar assistência ao senhor feudal em tempos de colheita ruim e mais direitos consuetudinários( passando a ser explorados por empresários rurais. O mercado livre de terras significava que ele provavelmente teria de vender sua terra. Na Índia as terras pertenciam a uma coletividade autogovernada(tribos. .

As terras eram administradas por arrendatários.191 O que é mais relevante é que depois de 1830 o ritmo de mudança social e econômica acelerou-se visível e rapidamente. França e Alemanha. 9 .As estradas foram mais do que duplicadas na Europa principalmente entre 1830 . ao mesmo tempo. Tendo piorado depois da década de 1790. as ferrovias ainda estavam na infância.Em 1822. o que era extraordinário para época.Em 1848. a maior catástrofe humana da história européia do período que focalizamos.as migrações internas também aumentaram muito. apenas a Grã-Bretanha e EUA avançaram.RUMO A UM MUNDO INDUSTRIAL Em 1848. EUA. mudança no volume do comércio e na emigração: .187 A crise de 1857 foi a primeira crise econômica mundial. uma epidemia de rebelião se difundiu por inúmeros condados e foi selvagemente reprimida. 5 milhões de europeus emigraram(80% para a América). De 1789 a 1848. foi uma conseqüência do desenvolvimento econômico. . as mudanças econômicas foram pequenas comparadas com os padrões posteriores. que pagavam rendas a proprietários de terras que na maioria viviam no exterior.O extraordinário aumento populacional desde 1750 naturalmente estimulou muito a economia.agrícola apenas começaria a se formar com as ferrovias e navios a vapor no final do século XIX. Apesar do açúcar de beterraba. Varias manifestações do trabalhadores ocorreram desde 1820. indicando o avanço na industrialização. EUA e uma boa parte da Europa Ocidental já estavam começando a tornar-se industrializados. não decorrente de fatores agrários. embora já tivessem considerável importância pratica na Grã-Bretanha.A população dos EUA passou de 4 para 23 milhões entre 1790 a 1850. pois sem ele esse crescimento demográfico não poderia ser mantido por um período tão longo( por exemplo. As más colheitas da década de 1840 apenas vieram executar um povo já condenado.entre 1780 1840. Bélgica. Mas a situação dos trabalhadores nas fazendas na Inglaterra também era péssima. mas.189 mudança das comunicações: . mas as mudanças fundamentais estavam acontecendo: Mudança demográfica: . na Irlanda.189 . que foi. embora para os padrões posteriores esse número fosse modesto. O liberalismo econômico para solucionar o problema dos trabalhadores forçou-os a encontrar trabalho a um salário vil ou a emigrar. Por volta de 1 milhão(de um total de 7 milhões) morreu de fome e outro tanto emigrou da ilha entre 1846 e 1851. Os novos métodos agrícolas eram lentos para penetrar em aldeias. .186 A situação do trabalhador auto-suficiente era bem melhor que o contratado. onde eram abrigados os desempregados separados de sua família para evitar a procriação). A Irlanda havia sido desindustrializada pela política colonialista britânica. apenas Inglaterra efetivamente industrializada. o milho e a batata fizessem surpreendentes avanços. . navios a vapor já ligavam a Grã-Bretanha a França. Um país camponês como a França foi menos afetado que qualquer outro pela depressão da agricultura depois de 1815. .Multiplicaram-se os correios. o descaroçador de algodão e o desenvolvimento da produção em série com . A grande fome irlandesa de 1847. O navio a vapor.191 Durante o período da revolução e suas guerras. A batata possibilitou um aumento da população. na década de 1840. mas que vivia ainda em condições miseráveis. de longe. A nova lei dos pobres de 1834 deu aos trabalhadores o auxílio pobreza somente dentro das novas Workhouses(uma casa quase de detenção. o comércio internacional multiplicou-se mais de 4 vezes. não foi mantido).189 .1850(nos EUA como de costume mais gigantesco. em fins de 1830.Entre 1816 e 1850. por isso dominava o mundo. onde não foi suplementado por uma revolução econômica. as estradas foram multiplicadas por 8).

mas importava-o na maioria da Grã-Bretanha.194 No continente.199 O Sul da Europa teve seu desenvolvimento industrial retardado pela escassez de 23 . O Sul para estender as plantações escravocratas e o Norte para matadouros de grande porte. primeiros a desenvolver as grandes lojas de departamento e a propaganda.Revólver (1835). o típico centro industrial era uma cidade provinciana pequena ou de tamanho médio. . têxteis e às vezes alimentos. para importar mercadorias baratas da Grã-Bretanha. dependente da Grã-Bretanha e a favor do livre comércio. . . . mas ferro.Reservas de capital e financistas mais inventivos. mais importavam-nos. mas da Grã-Bretanha e da Alemanha emigravam milhões. apesar de a arrancada decisiva apenas ocorrer após 1860.beneficiava-se do capital.191 De 1815 a 1830 foi um período de lenta recuperação e até reveses. notadamente britânicas.198 O Norte e o Sul ainda competiam pelas terras do Oeste. Tanto na Grã-Bretanha como no continente. Nenhuma economia expandiu-se tanto nessa época como a do EUA. diferentemente da Grã-Bretanha.esteira são avanços americanos desse período. . talvez.192(revisar no livro) Depois de 1830 a situação mudou rápida e dramaticamente. Entre 1830 a 1848 nasceram as áreas industriais que até hoje tem força.mas como uma economia independente. aço e carvão já eram mais importantes em 1846. No final da década de 1840. poucos julgariam que outro país além dos EUA e a GrãBretanha estivessem no portal da Revolução Industrial. mão-de-obra e técnicas. Sul semi-colonial. detinha o maior poderio industrial da Europa. Esse lento desenvolvimento deu-se devido à estabilidade do campesinato que tinha terras e vinha muito lentamente para as cidades. mas também porque tinha que fazêlo(ausência de acumulação primitiva de capital. de costura. . mas estava para perder terreno para a Alemanha.197 No extremo oposta da França estava os EUA que: .Não possuíam trabalhadores técnicos. . a França que conseguiram já nesse período uma industrialização maciça).máquinas agrícolas. o conflito entre: o norte industrial que: . Toda instituição da nova república incitava a acumulação. as guildas ainda eram um obstáculo). até 1828 a população cresceu no mesmo ritmo da urbana.máquina de fazer parafusos(1809).empresários mais inventivos.. de escrever. mas elas ainda estavam apenas no seu começo(exceto a Bélgica e. a engenhosidade e a iniciativa privada. A França possuía: . Na Grã-Bretanha. Somente havia um obstáculo para os EUA.Navio a vapor(1813).não possuía capital. deflagaram a 1 revolução industrial. não apenas porque estava acostumado. sendo atendidas pelos inventores americanos do: . o governo tinha um controle muito maior sobre a indústria.195 O desenvolvimento econômico deste período contém um gigantesco paradoxo. . inventaram: a fotografia e outras inovações. não havendo mercado para os produtos baratos que iniciaram o desenvolvimento industrial.possuía pouca mão-de-obra.Instituições adequadas ao desenvolvimento do capitalismo. após a grande fome de meados de 1840. Uma vasta população nova exigia bens e invenções. GrãBretanha é até hoje o único país em que as ferrovias foram construídas totalmente por particulares.Protecionista.Supremacia nas ciências. etc. . Ainda assim o desenvolvimento econômico francês era mais lento do que o de outros países. Havia reserva de capital mas essa destinava-se a produção de artigos de luxo ou indústrias no exterior. .

a cultura aristocrática foi assimilada pela classe ascendente. o fato de que elas abriram carreiras para o talento ou. O homem instruído não se voltaria automaticamente para dilacerar seu semelhante da mesma forma desavergonhada e egoísta com que o faria o comerciante. Os protestantes franceses atiraram-se a vida pública. pelo menos. A Índia estava sendo desindustrializada. mas por sofrerem uma discriminação saudaram a abertura das carreiras. preferindo a eleição. enquanto outra ficava para trás. obediência moral e aritmética. como nas colônias. na década de 1930.200 De todas as conseqüências econômicas da época da revolução dupla. Mas sem um recurso inicial era difícil entrar na auto-estrada do sucesso. assim. Mas a restauração dos Bourbons não restaurou o velho regime. E se antes eles estavam restritos aos negócios. colocando a educação nos moldes da competição individualista. E esta não foi a primeira nem a última vez que as canhoneiras do Ocidente abriram um país ao comércio. pois havia ainda a barreira cultural para as famílias tradicionais. esta divisão entre os países adiantados e os subdesenvolvidos provou ser a mais profunda e duradoura. a educação primária era negligenciada. ciências e nas profissões. nem a sua influência. não havia como optar pela industrialização. mesmo onde ela existisse.201 10 . Até que os russos tivessem desenvolvido. Como a Revolução russa preservou o bale clássico.212 A revolução francesa criou os exames admissionais. o trabalho duro e a ganância. bem como um funcionário público. mas onde os donos da manufatura tinham influência resistia-se com protecionismo. meios de transpor este fosso entre atrasado e adiantado. ou melhor.A CARREIRA ABERTA AO TALENTO A Revolução Francesa pôs fim a sociedade aristocrática. quando Carlos X tentou fazê-lo foi deposto. por razões políticas. mas não a aristocracia. Nenhum outro fato determinou a história do século XX de maneira mais firme.199 Uma parte do mundo saltou na dianteira do poderio industrial. A sociedade da França pós-revolucionária era burguesa em sua estrutura e em seus valores. desincentivando a industrialização. professor e nos casos mais maravilhosos. para a energia. própria da sociedade burguesa. os que aceitavam as evidentes bênçãos . e. com Mohammed Ali. como fez a Alemanha e os EUA. apesar de ainda modesto para os padrões do século XX. Mas seria de grande orgulho para uma família pobre ter um padre. estava confinada. Metade da nobreza francesa em 1840 tinha sido gente do povo em 1789. Onde a economia estava nas mãos dos grandes proprietários de terra. um clérigo. tornava-se natural essa divisão internacional que lhes encarregava de produzir alimentos ou minérios e importar industrializados. Até nos países que adquiriram um sistema público de ensino.218 Mas essa sociedade não facilitava o ajustamento. um advogado ou médico. tendo grande aceitação exceto em sociedades mais arcaicas ou mais democráticas como os EUA. Onde não havia independência política.211 A ascensão através dos negócios era ainda menos freqüente. A sociedade do período da restauração foi a dos capitalistas e carreiristas de Balzac e não a dos duques emigrantes que retornaram.carvão. Foi obrigado pela convenção Anglo-turca de 1838 a acabar com o seu monopólio no comércio externo e a reduzir seu exército.205 A realização crucial das duas revoluções foi. ele permaneceria imóvel. a um mínimo de alfabetização. agora era surpreendente seu florescimento nas artes. Os serviços públicos também adotaram seleção por exames. Uma sede geral de educação era muito mais fácil de ser criada do que uma sede geral de sucesso individual os negócios. O Egito que passava por um processo de transformação numa economia moderna e industrial. até mesmo porque era muito difícil competir com as indústrias daqueles. não somente por não serem bemnascidos. Agora eles podiam ser vistos como ricos. a sagacidade. Antes os judeus que enriquecessem ainda tinham que ficar restritos a guetos e evitar a celebridade. E esses atrasados ficaram sob a pressão militar das canhoneiras e dependência econômica do Ocidente. Grupos antes proibidos de ascender socialmente.

eram tratados como se não fossem seres humanos. mas à custa de uma disciplina cruel. A pobreza verdadeira era ainda pior nos campos. sem igual. criminalidade. sendo a draconiana disciplina fabril suplementada pelo Estado(o Código britânico de Patrões e Empregados. 25 . Se seu destino era o de se tornarem trabalhadores industriais. quando as epidemias começaram a chegar nos bairros ricos e a ameaça da revolução social começou a assustar tomou-se providencias para uma reconstrução urbana sistemática.225 Além do alcoolismo havia outros sinais dessa desmoralização: infanticídio. para o qual ele estava singularmente despreparado. Uma má colheita trazia a verdadeira fome. Na primeira fase da revolução industrial havia ainda poucos setores mecanizados em grande escala. companheiro invariável de uma industrialização e de uma urbanização bruscas e incontroláveis.227 A partir de 1815. o avanço poderoso das máquinas e do mercado começou deixá-los de lado. entre a Grã-Bretanha e França. para não mencionarmos as péssimas condições habitacionais da classe trabalhadora. deixando que seus horrores provocassem impacto apenas sobre os visitantes estrangeiros. multiplicaram-se os trabalhadores domésticos e os artesãos pré-industriais. e foi imediatamente adotada em pequena escala na França e em escala bem maior pelos britânicos. disseminou uma peste de embriaguez em toda Europa. punia os trabalhadores com a prisão por quebra de contrato e os empregadores com modestas multas.da civilização da classe média e das maneiras da classe média podiam gozar de seus benefícios livremente. se tanto). não só porque a pobreza que rodeava a respeitabilidade. e Leste. freqüentemente melhorando suas condições. da classe média era tão chocante que o homem rico preferia não vê-la. A pior alimentação e péssimas condições de trabalho tornavam a qualidade de vida dos operários muito pior que a dos trabalhadores rurais. para os ricos. sua conseqüência mais patente foi o reaparecimento de epidemias. como os bárbaros do exterior. 225 A revolução de 1848 era conseqüência direta e inevitável da condição miserável dos pobres. e especialmente entre os trabalhadores assalariados que não tinham propriedades e entre os camponeses pobres ou os que viviam da terra infértil. tornando-os dependentes e criando multidões de desclassificados. mas também porque os pobres. fornecimento de água. que logo teriam Roberto Owen como líder de um vasto movimento de massas. os salários começaram a cair. difusão de seitas apocalipticas e violência despropositada que era uma espécie de ação pessoal cega contra as forças que ameaçavam engolir os elementos passivos. uma época de insensibilidade sem igual. XI . tão próxima da catástrofe total como a miséria irlandesa. de fato.OS TRABALHADORES POBRES O alcoolismo em massa.226 Mas. suicídio. serviços sanitários. Cidades européias dividiam-se em Oeste. como a cólera e a tifo. portanto. O crescimento desordenado das cidades gerava uma falta de limpeza nas ruas. Apenas depois de 1848. os que as recusavam ou não eram capazes de obtê-las simplesmente não contavam. especialmente no período de escassez de mão-deobra das guerras. A expectativa de vida em Manchester e Liverpool era a metade das zonas rurais.229 A palavra socialismo nasceu na década de 1820. demência. era a das cidades e das zonas industriais onde os pobres morriam de fome de uma maneira menos passiva e menos oculta.228 Nas décadas de 1820-30. O proletariado fabril tinha provavelmente melhores condições que os artesãos que persistiam ou dos desempregados. que os levaria aos movimentos trabalhistas e socialistas.219 O período que culminou por volta da metade do século foi. de 1823. enquanto os ricos tornavam-se mais ricos. prostituição. eles eram simplesmente massa que deveria ser modelada pela disciplina através da pura coerção. para os pobres. a miséria que chamava a atenção.

onde em 1829 se pôs à frente de uma rede de cooperativas. foi feita na Grã-Bretanha entre 1829-34. reduzir a jornada e regulamentar o trabalho de menores. e em 1800 já era sócio da algodoaria. não apenas para receber melhores salários para grupos organizados de trabalhadores. mas existia. escola ativa e cursos noturnos. sem ela. a novidade da situação depois de 1815 era que esse movimento já era contra a classe média liberal. O estrito controle das bebidas alcoólicas reduziu o vício e o crime. na Escócia. Owen melhorou as casas. militantes e politicamente conscientes não eram . voltou ao Reino Unido. como auxiliar de alfaiate. as despesas com o bem-estar dos operários pareciam extravagantes aos demais sócios da fábrica. ele representava todos os trabalhadores pobres. Mas a própria novidade e a rapidez da mudança social que os envolvia. não teria havido emancipação católica em 1829. Seria cooperativa e não competitiva. de uma vasta união sindical. criou um armazém em que se podiam comprar mercadorias a preço módico e em 1816 fundou a primeira escola maternal britânica. apenas na Inglaterra e na França. Após tentar sem sucesso um programa de colonização no norte do México. e certamente não teria havido um controle legislativo modesto mas eficiente das condições fabris das horas de trabalho. Robert Owen: Autodidata. Embora rico e influente. A efêmera comunidade de New Harmony devorou o que restava de sua fortuna. MAS NAO O MOVIMENTO EM SI MESMO.[BARSA. nem em composição nem em sua ideologia.233 O movimento trabalhista deste período tinha sua unidade na ideologia proletária. Owen lutou pelo "socialismo". começou a trabalhar aos dez anos. Owen empenhou-se junto aos poderes públicos para melhorar as condições de trabalho. Os trabalhadores pobres mais ativos. já existiam a consciência de classe proletária. o primeiro sindicato operário britânico. encorajava os trabalhadores a pensar em termos de uma sociedade totalmente diversa.] Por volta do início da década de 1830. Em 1824 Owen transferiu-se para os Estados Unidos a fim de pôr à prova suas idéias. em 1834. e depois outra vez durante o cartismo( CREIO QUE HOBSBAWM DEVA PROVAVELMENTE REFERIR-SE A ALGUM MOVIMENTO OU INSURREICAO NA ESTEIRA DO CARTISMO. A tentativa fracassou e este fracasso destroçou um movimento socialista e proletário precoce mas impressionantemente maduro durante 50 anos. mas não era integralmente proletário. baseada na sua experiência e em suas idéias em oposição as de seus opressores. depois de um sistema de bolsas de trabalho e.(revisar no livro) A formação de sindicatos e greves gerais mostraram-se inviáveis nessa época devido a falta de disciplina e união. como chamava sua doutrina (foi o primeiro a usar a palavra). de que foram acionistas Jeremy Bentham e o quacre William Allen. coletivista e não individualista. principalmente urbanos. Até os últimos anos. A repercussão de sua obra ultrapassou as fronteiras do país. POIS ELE ANTERIORMENTE HAVIA DITO QUE O CARTISMO FOI UM MOVIMENTO IDEOLOGICAMENTE ATRASADO E QUE SUAS REIVINDICACOES NAO DIFERIAM DO JACOBINISMO). Embora prosperassem os negócios. onde a maioria das pessoas trabalhava e vivia em péssimas condições de higiene e moradia. ou comunidades autônomas de trabalhadores.231 A Revolução Francesa havia imbuído os pobres da consciência de que eles estavam no palco da História como atores não como simples vítimas. de vida breve. Mostrando-se mais eficiente as agitações próprias do jacobinismo e do radicalismo em geral. Assim vemos uma classe trabalhadora debilmente organizada que compensava sua fraqueza com radicalismo. mas para derrotar toda uma sociedade existente e estabelecer uma nova sociedade.231 Uma tentativa de união. um decreto reformista em 1832. como solução para a questão social. por fim. o radicalismo de sua crítica social custou-lhe as simpatias que de início despertara nos governantes. e chamaram a atenção sobretudo suas inovações pedagógicas: jardim de infância. e Owen desligou-se deles para fundar sua própria firma. Em 1817 passou a pregar a formação de cidades-cooperativas. A campanha política em uma frente mais limitada era efetiva. Essa consciência era quase certamente débil.

esse protesto dos trabalhadores em toda Europa era mais um movimento que um organização. No final do século XVIII.235 Havia apenas uma exceção.A IDEOLOGIA RELIGIOSA Durante grande parte da História e na maior parte do mundo(sendo a China a principal exceção). pela primeira vez na história da Europa.233 XII . Estavam unidos apenas pela fome. o ateísmo declarado era raro. Não há dúvida que a grande massa dos EUA acreditassem em alguma religião(principalmente protestante). idealista. escritores e cavalheiros que ditavam a moda intelectual. fracassou rápida e miseravelmente(revisar no livro) O que derrotou o cartismo britânico e as revoluções de 1848 no continente foi a falta de organização e a maturidade. antitradicional. miséria. pensavam o mundo eram os termos da religião tradicional. iluminista e anticlerical. O movimento tinha a ver com um modo de vida alternativo ao que lhes era imposto. as manifestações mais sólidas e amplas). A tentativa mais ambiciosa de transformar o movimento em organização. mas entre os eruditos. mas os artífices qualificados. enquanto que os mais inteligentes e competentes eram os mais firmes em seu apoio aos sindicatos. progressista e racionalista se encaixasse perfeitamente com a sociedade capitalista. Mas apesar de que no meio burguês os cristãos predominassem. Para os trabalhadores os movimentos trabalhistas eram mais do que um instrumento de luta: era também um modo de vida. os artesãos independentes e outros que viviam e trabalhavam substancialmente da mesma forma que antes da revolução industrial . a aberta hostilidade a religião não era popular. embora a ideologia iluminista. Mas essa espécie de organização ainda predominava nas velhas indústrias domésticas e não com os proletários. Se havia uma religião florescente entre a elite do final do século XVIII. além de alguns slogans comuns(mesmo no cartismo. a criar seus próprios líderes. comunal. Havia pouca liderança e organização.237 Mas o novo proletariado foi unindo-se e a solidariedade e lealdade começaram a caracterizá-lo.236 Neste período. Apenas depois da segunda metade do século eles começariam a participar efetivamente da formação de seus destinos. os termos em que os homens. Também não há dúvida que a classe média britânica em nosso período era predominantemente protestante. combativa. mas a constituição da república continuou sendo agnóstica. isto deixou de ser verdade em certas partes da Europa. exceto um punhado de pessoas emancipadas e instruídas. o “ sindicato geral “ de 1834. os novos proletários tinham começado a se organizar e.240 A descristianização dos homens nas classes instruídas data do início do século XVIII. mas um Bentham moldou as verdadeiras instituições de sua época bem mais do que um Wilberforce. a vida que eles mesmos criaram para si e que era coletiva. o cristianismo franco era ainda mais raro. mas sob pressão bem maior. Nas ideologias dos americanos e franceses. o cristianismo foi deixado de lado. e tanto isto é verdade que há países nos quais a palavra cristão é simplesmente o sinônimo de camponês ou mesmo homem. esta era a maçonaria racionalista. E mesmo entre a classe média.242 O triunfo burguês imbuiu a ideologia moral-secular ou agnóstica do iluminismo na 27 . ódio e esperança. Em alguma época anterior a 1848. até mesmo. fora da Grã-Bretanha os operários fabris eram ainda mais vítimas que agentes.os novos proletários fabris(mesmo na Grã-Bretanha).239 O que não tinha precedentes era a secularização das massas. mas na realidade os imprestáveis eram os menos sindicalizados. Mas as massas populares mantiveram-se profundamente supersticiosa e devotas. O mito liberal supunha que os sindicatos eram compostos de trabalhadores imprestáveis instigados por agitadores sem consciência. somente na Grã-Bretanha. os livres pensadores eram mais dinâmicos.242 A prova da vitória da ideologia secular sobre a religiosa esta na secularização da principais transformações políticas e sociais que seguiram-se as revoluções americana e francesa( as revoluções inglesa e holandesa foram discutidas na linguagem tradicional do cristianismo).

educacionais e políticas em um ambiente ausente delas. sobretudo em termos políticos: ser um hunguenote francês eqüivalia a ser um liberal moderno. com todos os defeitos da documentação humana.244 Duas religiões expandiram-se mais em nosso período: o Islamismo e as seitas protestantes. a Europa instruída estava quase madura para o choque de Charles Darwin. para os governos conservadores(praticamente todos) o encorajamento da religião era parte indispensável a política.A religião fornecia estabilidade social. que se mostrava um poderoso instrumento para reorganização desta sociedade desestruturada pela escravidão.legitimava sua aspereza em relação aos oprimidos. e como os movimentos subsequentes inspiraram-se na revolução esse racionalismo também lhes foi transmitido. As igrejas estatais protestantes. irracionais e emocionalmente compulsivas. de uma enfática secularização.242 A ideologia da nova classe trabalhadora e dos movimentos socialistas do século XIX foi predominantemente secular desde o princípio. Mesmo dentro da religião organizada . sem o apoio do esforço missionário organizado ou da conversão forçada. dissolvia-a em uma coleção de documentos históricos de vários períodos. o policial e o censor eram agora os três principais apoios da reação contra a revolução). expandiram-se e ajudaram a chamar a atenção desses povos para o islamismo.ao menos dentro da católica romana.Criar instituições sociais. os governos não esperavam uma punhalada do catolicismo. aplicada a Bíblia em doses sem precedentes. da protestante e da judaica . Na igreja romana. . . combatidas pelo despertar da religião em suas formas mais intransigentes.251 O retorno a religião militante tinha três aspectos: Para as massas: . mas a ideologia predominante dos modernos movimentos socialistas e trabalhistas se baseia no racionalismo de século XVIII. que realmente monopolizavam o comércio do interior da África com o mundo. Seu autor não demorou para ser condenado por Roma. .254 As seitas protestantes estavam naturalmente mais próximas do liberalismo. A tendência geral do período desde 1789 até 1848 foi. para as monarquias: . Os comerciantes muçulmanos. algo que lhes garantia o status quo.246 Nosso período foi de uma crescente secularização e de indiferença religiosa(na Europa). .A religião dava a seus lucros um título moral maior do que o do mero interesse próprio racional.Revolução Francesa. Entretanto o catolicismo liberal sobreviveu na França. mas entre as massas urbanas a indiferença religiosa tendia a aumentar. seu principal campo de ação foi a França. Os pregadores das aldeias agrícolas não serviam como guias para a cura das almas em uma cidade industrial. o que é uma característica desta religião. .245 O islamismo continuava sua expansão silenciosa. (O sacerdote. desumana e tirânica do liberalismo da classe média. portanto.Depois de 1815. As décadas napoleônicas e revolucionárias viram o início da sistemática atividade missionária protestante executada em sua maior parte pelos anglo-saxões.242 Havia e há socialistas religiosos. eram politicamente mais conservadoras. .Um método de luta contra a sociedade cada vez mais fria. como contra as classes superiores que deformavam a religião.243 As massas continuaram predominantemente religiosas. como a anglicana e a luterana. Por volta de 1848. A ciência se achava em constante conflito com as Escrituras. Para as classes médias : .seu emocionalismo e superstição tanto protestavam contra toda uma sociedade em que dominava o cálculo racional.o liberalismo ganhava espaço.justificava sua existência social contra o desprezo e o ódio da sociedade tradicional. A erudição histórica.

Se de um lado ela proporcionou a quebra de instituições tradicionais que não poderiam responder as perguntas. como o mais fundamental dos direitos 29 . isto porque a classe média ainda não tinha tanta confiança na supremacia burguesa sobre o absolutismo.257 O filosoficamente débil John Locke. os objetivos sociais eram a soma dos objetivos individuais. Os defensores do iluminismo acreditavam que: . Racionalista. Contudo os pensadores liberais mais lógicos preferissem não colocar isto na linguagem dos direitos natural. achava vantajoso ou inevitável relacionar-se com outros indivíduos. demonstrava que o poder estatal deveria ser ilimitado para que fossem satisfeitos os interesses individuais. fazendo um complexo de acordos. iluminismo: . secular. . .Individualista.Com isto concordavam os liberais burgueses e os revolucionários socialistas. .Inclinado ao materialismo ou ao empirismo. quaisquer que fossem suas crenças religiosas. estavam expostos a toda a força da corrente liberal.a sociedade humana e o homem podiam ser aperfeiçoado pela razão.(Hobbes. e os próprios bethamitas foram paladinos que o poder estatal podia proporcionar mais felicidade que o laissez-faire)(revisar no livro) As obras de Hobbes . ao menos. XIII . ele colocava a propriedade privada além do alcance da interferência e do ataque.Os judeus. Havia basicamente duas divisões de opiniões: as do que concordavam com a direção que o mundo estava seguindo(vinculados ao iluminismo) e os contrários. o qual dava forma a sociedade. a qual então restringiria(sentido negativo) o seu direito natural e ilimitado de fazer o que lhe agradasse.triunfante do século XVIII . na busca da realização dos próprios desejos. continuou sendo o pensador favorito do liberalismo vulgar.257 . Afinal de contas.história humana era um avanço. eram uma monumento para a ideologia liberal. mais que o soberbo Thomas Hobbes. A felicidade era o supremo objetivo de cada indivíduo e o objetivo da sociedade deveria ser proporcionar a felicidade do maior número de pessoas possível Mas o utilitarismo puro(questionamento de tudo para saber se é útil para a felicidade geral) ficou limitado no século XVII a filósofos como Hobbes cujas obras serviam de monumento a. liberdade individual e de empresa fazia por meio da concepção metafísica do direito natural em vez do vulnerável direito de utilidade.tradição e religião tinham uma tendência obscurantista. cujas obras os utilitaristas britânicos devotavam. .controle sobre a natureza aumentava. . eles deviam sua emancipação política e social inteiramente a ela. essa idéia de progresso iluministas era mais poderosa e adiantada no clássico liberalismo burguês: .Razão poderia compreender e resolver todos os problemas.Cientificista. É racional? É útil? Contribui para a felicidade geral? Do outro lado.Humanidade composta de átomos individuais com certas paixões e necessidades e. os que procuravam defender a propriedade privada.Não haveria um ideal coletivo.Rigorosamente racionalista e secular. .258 Mas a ideologia da classe média liberal nunca levou ao extremo essa visão racional e utilitarista. como sendo um comportamento inerente. como tinha na vitoria do capitalismo no aspecto econômico. . contrato . Até 1789. premissa fundada em uma análise psicológica(apesar da palavra ainda não existir) do homem. junto com a economia política. . pois.A IDEOLOGIA SECULAR Praticamente todos os pensadores de importância em nosso período falavam o idioma secular. Pois poderia ser demonstrado que o próprio interesse racional bem poderia justificar uma interferência consideravelmente maior na liberdade natural do indivíduo.humanista. ou a escola dos seguidores de Betham e James Mill e acima de tudo aos economistas políticos clássicos. . naturalmente.

e até mesmo a considerá-lo. E acreditava em uma sociedade melhor não só na crença do aperfeiçoamento humano através da sociedade. Para o socialismo: .não era a amável anarquia mais ou menos utópica de todos eles.base da ordem estaria na divisão social do trabalho. mas sim os métodos para alcançá-la.Existência de uma classe de capitalistas beneficiava a todos.258 Os liberais estavam inicialmente divididos entre os que defendiam um governo democrático popular(James Mill) e outro grupo mais generalizado que defendia um governo de elite. cuja força motriz estava no interesse próprio e na competição.Humanidade composta de homens que buscam seus próprios interesses através da competição. que é por tradição reconhecido como o primeiro socialista utópico. e que a generosidade e a benevolência podiam faze-los ainda mais pobres. o socialismo. Um mundo no qual todos fossem felizes e no qual todo indivíduo realizasse livre e plenamente suas potencialidades. inclusive aos trabalhadores. cujos defensores acreditavam que alguém provara que os pobres deviam permanecer sempre pobres. com a aceleração da economia. comunistas ou anarquistas . E depois de 1793-4. como o fez o americano Carey. O argumento social da economia política de Adam Smith(1723-1790) era tanto elegante quanto confortador: . . A razão. que melhoraria a vida até dos mais pobres. .mas quando deixasse os homens com o máximo de liberdade possível. foi antes de tudo um apostolo do industrialismo.262 O liberalismo clássico inicia-se com a publicação da A Riqueza das nações(1776) e atinge seu apogeu com Princípios de Economia Política(1817) de David Ricardo e o ano de 1830 assinala o início do seu declínio. a depressão . a ciência e o progresso eram suas bases firmes. quer dizer do conforto do bem estar.o mais rápido aumento possível da riqueza das nações. uma nova ideologia. Robert Owen foi um pioneiro muito bem sucedido da indústria algodoeira. socialistas. mas também no potencial de produção da revolução industrial. levaria: . portanto da felicidade de todos os homens.263 No período de formação do socialismo. e a sociedade não é um mero agregado de átomos individuais. como fonte de inspiração de agitadores e destruidores da sociedade. .liberais.Esta ideologia era fundada não apenas em teoremas alcançados através de raciocínio dedutivo.naturais . O que distinguia os vários membros da família ideológica descendente do humanismo e do iluminismo . mas também no evidente progresso da civilização e do capitalismo no século XVIII.262 O que distinguia os socialistas do nosso período dos paladinos anteriores de uma sociedade perfeita de propriedade comum era a aceitação incondicional da revolução industrial que criava a verdadeira possibilidade do socialismo moderno. o pesado desemprego tecnológico e as dúvidas sobre as futuras possibilidades de expansão da economia eram simplesmente inoportunas. O que levou os economistas da classe média posteriores a 1830 a ver Ricardo com alarme. . Enquanto a ideologia liberal perdia assim sua confiança original. isto é. entre a publicação da Nova Visão da Sociedade de Robert Owen(1813) e o Manifesto Comunista. . começou a tropeçar não só porque Ricardo descobrira contradições dentro do sistema que Smith preconizara.263 Embora ele se sentisse constrangido em relação as conclusões de sua teoria. mas porque a pobreza era muito maior que tinha sido previsto. no qual reinasse a liberdade e do qual desaparecesse o governo coercitivo era o objetivo máximo de liberais e socialistas. o liberalismo e a democracia pareciam mais adversários que aliados. Ricardo já havia demonstrado o princípio da mais-valia. voltava a formular os velhos axiomas do século XVIII. .O homem é naturalmente comunitário. A economia política ainda foi suplementada pelas idéias de Malthus. Reciprocamente.A idéia smithiana de que o intercâmbio de mercadorias equivalentes no mercado .262 Saint-Simon.uma ordem social natural. de 1848. os salários decrescentes.

Em todo caso. É razoável que Kant e Hegel teriam-se considerado persuadidos por Adam Smith. Essa também teria suas contradições que lhe poriam um fim. De fato os socialistas Utópicos tratavam de mostrar-se tão firmemente convencidos de que a verdade bastava ser proclamada pra ser instantaneamente adotada por todos os homens sensatos e de instrução. a filosofia de ambos era impregnada da idéia de progresso. que apesar de injusta era progressista a seu tempo. mas já para Hegel é o coletivo. pois o declínio do período entre a Reforma e o final do século XVIII tinha preservado o arcaísmo da tradição intelectual alemã da mesma forma que mantido inalterada a aparência das pequenas cidades alemãs do século XVI. O pensamento alemão diferia do liberalismo clássico em importantes aspectos: . o proletariado. O qual.A unidade básica do pensamento de Kant é o indivíduo. Cada sociedade classista. . O socialismo era um filho do capitalismo e não teria sido possível ter sido implantado antes.Entre o individualismo e a idéia que o homem é comunitário. foram suas maiores expressões. mas não através de sistemas. todos saudaram a Revolução Francesa.265 Para os liberais clássicos e os socialistas utópicos bastava que se mostrasse ao mundo o que era racional e retirar os obstáculos e a sociedade desenvolveria-se.entre a razão e o sentimento.265 Tanto com os liberais como com os utópicos já havia uma idéia de evolução nesta visões racionalistas para construção de uma boa sociedade.271 A filosofia clássica e a literatura alemã. Mas Marx(baseado na economia política inglesa.266 O capitalismo triunfou sobre o feudalismo pois era mais racional e a burguesia era mais forte.Idealista e rejeitava o materialismo. nas ciências ou nas artes . exceto Robespierre e os Jacobinos do ano II e o próprio Napoleão. politicamente predominante era responsável por isto. a persistência da atmosfera intelectual da última época em que a Alemanha tinha sido econômica. O poeta Goethe era um cientista e um filósofo natural. . que estava intimamente ligada a própria filosofia.Reconhecia que o progresso era inevitável e a certeza de que destruiria a harmonia do primitivo homem natural. faria a revolução proletária e derrubaria o capitalismo. O iluminismo foi a estrutura do pensamento de Kant e ponto de partida de Hegel(defendeu Napoleão até 1806). Essa diferença decorria possivelmente por um nacionalismo alemão. Para Marx o comunismo primitivo foi divido em uma sociedade de classes.diferia marcantemente da principal tradição do século XVIII na Europa Ocidental. A filosofia clássica alemã foi um fenômeno burguês. . E o capitalismo também criava seu próprio coveiro. o que era fundamental para seu desenvolvimento.266 Rosseau(1712-78) ficava em um meio termo entre todas as correntes: . que inicialmente limitaram seus esforços para realizar o socialismo a uma propaganda endereçada em primeiro lugar as classes influentes. a atmosfera fundamental do pensamento alemão . conceito este expresso por Rosseau através da idealização do homem primitivo. .Antes da instituição da sociedade de classes e da propriedade os homens tinham. gerando uma nova sociedade de classes.273 O período da revolução dupla viu o triunfo e a mais elaborada expressão das radicais 31 . já que a idéia de progresso implica uma idéia de evolução. . no socialismo francês e na filosofia alemã) substituiu uma argumentação baseada na racionalidade e desejabilidade para condição de inevitabilidade. diante da crescente concentração do poder econômico. e assim por diante até que chegasse a última das sociedade de classes. intelectual e.fosse na filosofia. O Capitalismo.não houve nenhuma escola que seguiu suas idéias. desenvolvia-se até que suas contradições internas chegavam a um limite. vivido em harmonia.garantia de alguma forma a justiça social lhes chocava.mas sua influência foi grande. Mas provavelmente. Kant(17241804) e Hegel(1770-1831) são seus dois luminares. Da mesma forma o socialismo triunfaria pela vitória dos trabalhadores. . abstrato. até certo ponto. de uma forma ou de outra.

a razão seu ser supremo. Pushkin foi punido por envolver-se com os dezembristas.AS ARTES Surpreende o extraordinário florescimento das artes no período da revolução dupla. ou pelo menos recebido de braços abertos. . embora principalmente entre as crescentes e novas classes médias. nenhuma das grandes realizações artísticas deste período estavam ao alcance dos analfabetos ou dos pobres. em estatura e enfoque. nem considerarem-se românticos(poucos grupos se consideravam) romantismo: . Balzac. .280 O Romantismo nasceu na Grã-Bretanha. Os autores bem sucedidos raramente gozaram de uma maior prosperidade relativa.279 A literatura. é claro.A busca ilimitada de mais. . Beethoven. Foi precedido pelo pré-romantismo de Rousseau.predominava na juventude. . e que o critério mais agudo se perca em generalidades tão logo tente-se defini-lo. . apesar de assimilar alguns elementos de Rousseau. . seu hábito era romano. Mas a sociedade da qual ele esperava se tornar profeta e arquiteto era muito diferente da deles. embora escape a uma classificação.em geral fazem parte da extrema-esquerda ou extrema-direita.ideologias da classe média liberal e da pequena burguesia.os bucaneiros de Balzac compartilhavam sua insaciável ganância com Fausto e Dom Juan. Wagner e Goya foram para o exílio político.Extremista.Nasceu em oposição ao classicismo. Dickens escreveu romances para atacar os abusos sociais. E ainda assim. A maioria dos habitantes da Europa as desconheciam por completo. A arte dos artistas não comprometidos definhou. os extremos do luxo.(os moderados e os liberais racionalistas defendiam o classicismo). contra o termo médio. um homem de estado. 1756-91(não romântico) escreveu a Flauta Mágica como propaganda para a Maçonaria. . Os elementos românticos ficaram subordinados. das reproduções gráficas da arte plástica. já que suas origens e conclusão se dissolvem à medida em que se tente datá-las. Marx foi. tudo isso encantava. apesar de não serem plenamente.278 Beethoven(1770-1827) dedicou a Eróica a Napoleão como herdeiro da revolução. teria maior circulação.278 Com provável exceção da ópera italiana. ninguém duvida seriamente da existência do romantismo ou de nossa capacidade em reconhecê-lo. A Revolução Francesa.281 . Entre 1830-48 seu auge. Dostoievsky foi condenado à morte em 1849 por atividades revolucionárias. racionalista e neoclássico. Goethe(1749-1832) foi. o herdeiro dos economistas e filósofos clássicos. Toda comédia humana de Balzac é um monumento de consciência social. Goya e Goethe são cruciais para a grandeza do romantismo. David foi seu pintor. A Revolução Francesa inspirava com o seu exemplo e a revolução industrial com seu horror. XIV . que proporcionavam um mercado particularmente vasto(especialmente entre as mulheres desocupadas).278 Mozart. e sua desintegração sob o impacto dos Estados e das sociedades que haviam contribuído para criar. França e Alemanha(espalhando-se depois) por volta de 1800. Shakespeare e outros pecadores que se colocavam mais além do limite da vida tornaram-se seus heróis. e de alguns pequenos poemas e canções. pelo menos. até que o nacionalismo de massa ou os movimentos políticos as convertessem em símbolos coletivos. .Napoleão. além da razão.era o enfoque da classe média. foi o melhor período para jovens artistas.Seria demasiado chamá-lo antiburguês.

Tendia-se a produzir coisas sem preocupação de ser comercial. . as lutas de boxe.293 A vida da classe média era não romântica. onde a primeira geração do romantismo fora totalmente jacobina. porém profunda revolta contra a sociedade burguesa. o teatro popular de subúrbio de Viena. com cósmica injustiça. corridas de cavalos. às vezes. Com algumas exceções. o que os levava a considerarem-se gênios. os melhores comentários sobre os problemas da urbanização na Inglaterra se deveram aos escritores criativos.285 O ano de 1789 havia sido saudado por praticamente todo artista e intelectual da Europa.aparecimento da mulher no mundo artístico.iam gradativamente diminuindo pela febre das construções. Os conhecimentos que 33 . sendo a maioria pobres e revolucionários. Raramente houve um período em que os artistas fossem tão partidários. as principais indústrias de nosso período foram as têxteis de algodão. embora mal definida. a poupança e uma sobriedade espartana.desconfiavam do raciocínio mecânico e materialista do século XVIII. gostavam da loucura ou coisas censuradas. cujos poucos atrativos . as do carvão. embora consideravelmente vulgarizado pela adesão de novos ricos enobrecidos. não era portanto desprezível. seus elementos eram racionais e da mais burguesa da ciências. festas .Um mundo aberto ao talento e. Mesmo na Grã-Bretanha. a religiosidade católica ou evangélica encorajavam a moderação. As formas genuinamente novas de diversão urbana na grande cidade eram subprodutos da taberna ou da loja de bebidas. inspirada pelo classicismo ou o rococó do século XVIII. pela fumaça que empestiava a natureza. . . a palavra romântico fora realmente inventada como um slogan anti-revolucionário pelos conservadores antiburgueses do final da década de 1790(freqüentemente antigos esquerdistas desiludidos).. mas embora alguns tivessem conservado seu entusiasmo durante a guerra. . a economia política. O socialismo de Owen não tinha nada de romântico. XV . Uma crítica eficaz a sociedade burguesa viria não daqueles que a rejeitavam. exceto na busca do lucro e na lógica.291 O estilo do império napoleônico. os desiludidos e os neoconservadores ainda prevaleciam em 1805.290 A união do romantismo com a visão de uma nova e mais elevada Revolução Francesa foi o predomínio da arte política entre 1830-48. . que foi de impressionante feiura e pretensão.Tinham uma apaixonada. como também. . A criação da grande cidade moderna e dos modernos estilos urbanos de vida popular teriam que esperar a segunda metade do século XIX. e pela obrigatoriedade do trabalho incessante.294 As novas cidades industriais continuavam sendo um lugar desolado. das ferrovias e da construção de navios mercantes. seus sonhos não eram facilmente comunicáveis.Mas a crítica que fizeram da sociedade burguesa aproximava-se da metafísica. a qual relacionavam com a sociedade burguesa. . Na França e na Alemanha.ligavam-se ao submundo. As razões do coração que a própria razão desconhece. a literatura de cordel. mas sim daqueles que levaram as tradições do pensamento clássico burguês a suas conclusões antiburguesas. Os poetas se encontravam sobrepujados mas não só viam mais profundamente que os economistas e os físicos. o terror. de fato.A CIÊNCIA Na Grã-Bretanha. freqüentemente considerando-se a serviço da política. a vida da classe média era uma vida de emoção controlada e de perspectivas limitadas. do ferro. Os aspectos culturais nessas cidades em grande parte procediam do século XVIII. O puritanismo.285 A crítica romântica do mundo. a corrupção burguesa e o império. grande engajamento político. com mais clareza.Buscavam a unidade perdida do homem com a natureza.espaços abertos. . confusa.Compromisso social. na prática. era herdeiro da arte aristocrática. ou relâmpagos visionários próximos da excentricidade ou mesmo da loucura. a versão democratizada das touradas espanholas.

era difícil considerar a mudança geológica como distinta da mudança biológica . Princípios de Geologia(1830-33). mas também racistas escravistas provenientes dos EUA.302 A ciência se beneficiou do surpreendente estímulo dado a educação científica e técnica. a mais abrangente síntese das ciências sociais. especialmente a Politécnica.305 No século XIX. O herói da revolução da ferrovia britânica foi George Stephenson. permaneceram substancialmente dentro dos termos de referência estabelecidos por Newton. que começou sua carreira como secretário de Saint Simon. e também com a antropologia. medindo e classificando crânios. o do eletro-magnetismo. fundador do estudo sistemático dos fósseis. mas que seria pedante de sua parte em face da tradição não considerá-lo socialista utópico). (a palavra sociologia foi inventada por volta de 1830 por Augusto Comte. mas todas as teorias evolucionistas da época obtiveram triunfo. dos Tories( membros partido conservador na Inglaterra)312 Com a famosa obra de Lyell. que todos os minerais haviam surgido das soluções aquosas que em certa época cobriram a terra(cf.309 Em 1809.308 A criação da História como uma matéria acadêmica talvez seja o aspecto menos importante desta historiografia das ciências sociais. seguida por uma série de recriações divinas . apesar destes campos terem sido batizados em nosso período.A primeira: a inovação dos racionalistas clássicos que haviam demonstrado que algo como leis logicamente compulsórias era aplicável a consciência e ao livre arbítrio humano( por exemplo: lei da oferta e procura). com a Bíblia. A supremacia francesa deu-se em virtude da importantes fundações que reportam a reforma geral da educação secundária e superior de Napoleão.304 As clássicas ciências físicas não foram revolucionadas. da França. da lingüistica e talvez da estatística.314 .do que intrometer-se com a rigidez da Sagrada Escritura e de Aristoteles. que rejeitava a evolução em nome da Providência Divina. cujo primeiro triunfo foi a economia política. as amadurecidas teorias da evolução irromperam na geologia. Assim. a química viria a ser umas das mais vigorosas de todas as ciências. ocorreria apenas após 1850. que seguiam a desesperada linha de argumentação de Cuvier. talvez demasiadamente empíricos. As ciências sociais tiveram algo inteiramente novo: a descoberta da história como um processo de evolução lógica. Dividiu-se em dois grupos: um defensor de uma origem única. o mais importante dos novos campos abertos. propôs a primeira teoria moderna e sistemática da evolução. que sustentavam. logo enfrentaram a apaixonada resistência. . isto é. que não era culto do ponto de vista cientifico. Seria melhor até mesmo imaginar uma série de catástrofes na história geológica. o que veio a se chamar sociologia nasceu diretamente da crítica ao capitalismo.A segunda: que está ligada ao romantismo foi a descoberta da evolução histórica( que estava inserida na idéia de progresso dos socialistas e dos liberais clássicos). 7-9) e dos catastrofistas. Uma epidemia de historiadores surgiu na primeira metade do século XIX. Gênesis I. vem de duas revoluções: . fez crescer o número de cientistas e eruditos e estendeu a ciência em todos os seus aspectos. apesar de seus métodos continuarem sendo em grande parte os do século XVIII. da sociologia e da psicologia. portanto. da préhistória.306 O marxismo. mas um intuitivo que adivinhava as possibilidades de uma máquina. Lamarck. baseada na herança de caracteres adquiridos. Assim. e o único que teve imediatas conseqüências tecnológicas. pondo fim a resistência dos netunistas. o outro que incluía não só cientistas de boa fé. e não simplesmente como uma sucessão cronológica de acontecimentos. foi o da eletricidade. com exceção da economia política. A era revolucionária.314 Nessa época também aprofundou-se o estudo e teorias para compreender as diversas raças. baseada em causas religiosas. A firme construção de bases cientificas para o estudo da sociedade humana. expandindo as antigas descobertas e coordenados em sistemas teóricos mais amplos.cujas idéias Hobsbawm considera não fáceis de classificar. Houve uma explosão de estudos coletando.revolucionaram estas indústrias foram os de homens empíricos. ou melhor.312 O período da revolução dupla pertence a pré-história de todas as ciências sociais.

Ferrovias. a posição da aristocracia proprietária de terras mudou muito menos do que se poderia pensar.322 Apesar das mudanças. Europa e Índias.Exceto em países de revolução camponesa direta. Mas a escravidão continuava a expandir-se nos EUA e no Brasil.A população aumentou enormemente. XVI . Hegel e o jovem Marx.319 Marx e Engels reconheceram ter francamente um débito com a filosofia natural. em comparação com os artistas e filósofos. os cientistas fossem particularmente revolucionários. 35 . . . pois seu comércio internacional fora oficialmente abolido em 1815. mesmo na Grã-Bretanha população urbana ultrapassou a rural apenas em 1851 . serviços regulares de navio a vapor entre América.Cidades de grande tamanho multiplicaram-se.As ciências nunca fora tão vitoriosa. os cientistas especialmente os cientistas naturais .Proporcionalmente menos escravos.323 . durante a Revolução Francesa. como Goethe.CONCLUSAO: RUMO A 1848 Esses 50 anos foram os mais revolucionários da História: . nas colônias francesas e espanholas.Maioria da população continuava sendo camponesa.Centenas de milhares de livros publicados anualmente na Grã-Bretanha. . como França e EUA. freqüentemente através da intuição e não da análise. .316 No todo. . que os filósofos naturais expressavam. os irmãos Tierry. . Alemanha e EUA.A área em intercomunicação no mundo era incomparável. Na década de 1820. a menos que seus estudos exigissem outra coisa. Mas em nosso período não pode ser desprezado. Estar consciente destes limites e buscar.Mais de 4 mil jornais no mundo. França. Nem as visões de um universo evolutivo. O que se adequava perfeitamente em uma época em que os homens pretendiam descobrir a romântica e misteriosa individualidade de suas nações para reivindicar missões messiânicas para elas se fossem revolucionários. pois antecipavam as transformações e ampliações do mundo das ciências que vieram a produzir nosso moderno universo cientifico.O comércio internacional multiplicara 4 vezes.A comunicação era incrivelmente mais rápida. Mas os piores abusos das teorias racistas ocorreram após o final de nosso período. Na Grã-Bretanha. e a escravidão nas colônias britânicas fora abolida em 1834 e. Por outro lado.demonstravam um grau muito baixo de consciência política.319 Não podemos subestimar um movimento que captou e influenciou homens do mais alto calibre intelectual. . os termos com que se poderia construir um quadro mais satisfatório do mundo não era realmente construí-lo.Também introduziu-se tópicos igualmente perigosos relativos às características raciais ou nacionais na sociedade. Na Áustria foi abolida na revolução de 1848 e na Rússia em 1861. as maiores concentrações de riqueza ainda eram certamente as dos nobres. apesar de estar em declínio.Servidão ou vínculo legal dos camponeses a gleba fora abolida na maior parte da Europa. na década de 1840. Entretanto a servidão persistia nas principais fortalezas. ou para justificar sua riqueza e poderio como decorrente de uma superioridade inata. eram provas ou mesmo formulações adequadas. na década de 1840: . historiadores e revolucionários franceses lançaram estudos defendendo que o povo francês descendia dos gauleses.A produção industrial atingiu cifras astronômicas. Sua consciência de que a visão racionalista proporcionou grandes empreendimentos na ciência e na sociedade. . . interligado e dialético. na França ou em outros países. que foram posteriormente e mais uma vez abandonados pela ciência. o caminho romântico serviu como um estímulo para novas idéias e pontos de partida. . Alguns deles o eram.315 Com isto não queremos dizer que. mas ainda era limitada.

O mundo da década de 1840 era completamente dominado pelas potências européias e mais o EUA. somado aos ensinamentos da Revolução Francesa de que os homens comuns não necessitavam sofrer injustiças e se calar. o receio da classe média de uma revolta de massa levou-a a transigir que o governo ficasse super-representado pelos proprietários de terras. Dentro da Europa. Observadores inteligentes.329(revisar no livro) Na Inglaterra e Na Bélgica.327(revisar no livro) A crise da década de 1840 gerou receio nos próprios capitalistas acerca do futuro e possibilidade de continua expansão do capitalismo. e do desenvolvimento das fortunas da desprezada burguesia. não restavam quaisquer outras potências coloniais. Os próprios teóricos do capitalismo eram perseguidos pela possibilidade do estado estacionário.327 Contudo.325 A revolução de 1830 introduziu constituições moderadamente liberais e antidemocráticas mas também claramente antiaristocráticas . o futuro declínio da Grã-Bretanha já era visível. a Alemanha(como previu Engels em 1844) logo viria também entrar na competição em termos iguais. Quando a poeira se assentou sobre suas urinas. e que(ao contrário dos teóricos do século XVIII e os do período subsequente) acreditavam ser algo iminente. uma única potência havia exercido uma hegemonia mundial como a dos britânicos na metade do século XIX. exceto com a conivência britânica. estas puderam ser resolvidas sem a necessidade de uma revolução. dos maometanos e dos romanos.como no caso dos chineses.326(revisar no livro) A supremacia britânica era tão absoluta que mal necessitava de um controle político para funcionar. Contudo o que se seguiu foi o mais rápido período de expansão e vitória do capitalismo. A Guerra do Ópio de 1840 demonstrava que a única grande potência não européia sobrevivente.329 A revolução de 1848 foi o insurgimento dos trabalhadores pobres nas cidades. davam ao seu desespero um propósito.E a monarquia absoluta continuava a prevalecer em toda a parte. Tinha a consciência generalizada que estava por haver uma revolução social iminente. onde as transformações de 1830-2 haviam dado supremacia para os industriais.nos principais estados da Europa Ocidental. e ainda que tenham havido vários conflitos entre industriais e agrários. especialmente nas capitais. tanto que os industriais conseguiram aprovar o que queriam depois de 1832. trabalhadores socialistas .324 . com exceção do continente americano. de fato. como Tocqueville e Haxthausen.. As forças de mudança econômica. mesmo na década de 1830 e 1840. Apenas na política internacional é que se tinha havido uma revolução na aparência e virtualmente total. pois mesmo os maiores impérios do passado tinham sido meramente regionais . os trabalhadores . da Europa Ocidental e Central. política e economicamente.329 Quanto ao povo sua condição nas grandes cidades empurrava-os inevitavelmente em direção a uma revolução social. já previam que o tamanho e os recursos potenciais dos EUA e da Rússia viriam a transformá-los nos gêmeos gigantes do mundo. Nunca. mas também uma nova sociedade e um novo Estado. mas estes sabiam que estavam na defensiva. Apenas a França havia decisivamente se retirado da competição pela hegemonia internacional. técnica e social desencadeadas nos últimos 50 anos não tinham paralelo. Na Grã-Bretanha. estava inerte em face de uma agressão econômica do Ocidente. do estancamento da força motriz que levava a economia a adiante.na França. exigindo não só pão e emprego. a capacidade de abolir as leis do trigo(1846) em defesa do livre comércio valia a renúncia de propostas republicanas mais extremadas. Seu ódio aos ricos e aos nobres e daquele mundo amargo que viviam.A monarquia ainda continuava sendo avassaladoramente o modo mais comum de governo. em toda a História do mundo. apesar de vários países terem implantado uma monarquia constitucional.Mas os rendimentos dos nobres dependiam cada vez mais da indústria.326 Não havia dúvidas de que a classe média na Europa Ocidental estivesse em ascensão. Foi unicamente a sua força que fez cair os antigos regimes desde Palermo até as fronteiras da Rússia.327 O mundo da década de 1840 se achava fora de equilíbrio. o Império da China. dos valores e das ações. . o que deveria ser .eram vistos de pé sobre elas.

Em 1831.industriais mais dinâmicos excluídos. péssimas colheitas em toda Europa(Na Irlanda. Na prática. . a explosão eclodiu. a não ser a do status quo ou da revolução. Teoricamente. . por meio de discursos em banquetes. . o barulho se fazia claro e próximo. a rigidez dos regimes políticos de 1815. na Bélgica não houve revolução. .os banqueiros. financistas e um ou dois grandes industriais.Guizot preferiu deixar que o natural aumento de proprietários(condição para voto). 37 .classe governante da França .330 Mas.recessão leva a demissão e desemprego nas cidades.evitado a qualquer custo. Flandres e Silesia morre-se de fome). aumentasse o número de eleitores. como também não houve na Inglaterra. E.operários do Norte da França vingavam-se de seu desespero nos igualmente desesperados imigrantes belgas que invadiam aquelas região. embora a região de Flandres estivesse em muito piores condições em termos de sofrimento humano que o resto da Europa Ocidental.Oposição inicia campanha política pública.Receio de aumentar o direito de voto. devido perigo jacobino. embora não fosse prevista em relação aos países certos ou as datas certas. . que é Paris “ . pois: . preço de alimentos sobe. da Bélgica. Victor Hugo escrevera que já ouvia o “ ronco sonoro da revolução. . Raras vezes a revolução foi prevista com tamanha certeza. . da Holanda e dos países escandinavos. que foram projetados para rechaçar toda mudança de teor nacionalista ou liberal.Em 1847. estendendo por baixo de cada reino da Europa suas galerias subterrâneas a partir do eixo central da mina. . . Mas ao contrário dos países liberais.cataclismo econômico europeu coincidiu com a visível corrosão dos antigos regimes. os conflitos políticos relativamente menores dentro dos regimes absolutistas se transformaram em vibrações políticas importantes. por isso. em vez de se vingarem contra o governo ou mesmo os empregadores. exceto a Irlanda. em 1848. a França de Luís Felipe devia ter partilhado da flexibilidade política da Grã-Bretanha. não deixaram qualquer escolha até mesmo para o mais moderado dos oposicionistas. isto não aconteceu. na Europa absolutista.A partir de 1840. . ainda profundamente encravado nas entranhas da terra.

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