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Curso de Fisiologia Vegetal

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Para as considerações que faremos aqui, apenas duas características da célula

vegetal serão recordadas. A primeira é que na maioria delas existe um grande vacúolo

central, separado do meio externo por uma estreita camada de citoplasma, como

representado na Figura 2.2. A segunda, é que o vacúolo e o citoplasma estão envolvidos

por membranas, a membrana citoplasmática e a membrana vacuolar. Embora o estudo de

membranas tenha evoluído bastante nos últimos anos, existe ainda bastante controvérsia na

literatura científica sobre a estrutura e o funcionamento destas membranas. Entretanto,

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para nossas considerações, vamos estabelecer apenas que o vacúolo é separado do meio

externo por membranas semipermeáveis.

Não incorreremos, pois em falta grave, se considerarmos a célula como um

osmômetro simples, semelhante ao da Figura 2.3. A principal diferença está que no

osmômetro o excesso de água que entrar, saíra por uma pipeta, ao passo que na célula

provocará uma distensão das paredes celulares, a qual, em função da elasticidade destas

paredes, originará uma pressão interna (pressão de turgescência). A pressão da parede em

função da turgescência irá obviamente agir contra a entrada de água na célula (pressão

parede). Em outras palavras, irá aumentar o potencial água da célula (ΨΨΨΨ). Ao efeito da

pressão da parede sobre o potencial água da célula (ΨΨΨΨc), chamaremos de potencial pressão

(ΨΨΨΨp).

Figura 2.2 Célula vegetal adulta (a). Note o vacúolo central em destaque (Sutcliffe, 1980).

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Figura 2.3 Osmômetros simples. Em A, ao ser colocado em água (Ψc = Ψo e Ψp = 0). Em B,
quando completamente túrgido (Ψo = Ψp em valores absolutos e Ψc = 0).

Vejamos, pois o que acontece quando uma célula adulta e flácida for posta em

contato com água pura (Figura 2.4). Sendo o suco vacuolar normalmente concentrado em

solutos, o seu potencial osmótico é sempre negativo, variando de -0,5 a -3,0 MPa. Por

outro lado, a água pura tem, como vimos pela fórmula, potencial = 0. De início estando ela

flácida, a entrada de água dependerá apenas da diferença de potencial entre a água pura

(Ψc) e a água concentrada no interior da célula, que chamaremos de potencial osmótico

(Ψo). Portanto, ΨΨΨΨc = ΨΨΨΨo.

A medida, entretanto, que vai entrando água no seu interior, suas paredes vão sendo

esticadas e chega um ponto em que aparece significativamente o potencial pressão (Ψp). A

entrada de água agora dependerá, pois da soma algébrica destas duas grandezas: a

concentração no suco vacuolar (Ψo), que abaixará o potencial, e a pressão contrária

exercida pelas paredes, que o elevará (Ψp): ΨΨΨΨc = ΨΨΨΨo + ΨΨΨΨp

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O potencial pressão deverá ir aumentando até alcançar, em valor absoluto, o valor

do Ψo. Nestas condições teremos Ψo = Ψp, o potencial de água da célula será zero (Ψc =

0) e a entrada de água na célula cessará.

Figura 2.4. Diagrama de Hoffler (Salysbury e Ross, 1978), mostrando o que acontece quando uma
célula em plasmólise incipiente é colocada em água pura. Adaptado por Sutcliffe
(1980).

Como vimos, o potencial água da célula é controlado por dois fatores principais,

concentração do suco celular (ΨΨΨΨo) e pressão das paredes (ΨΨΨΨp). Mas existe um fator que,

ainda que secundariamente pode exercer papel nas relações osmóticas da célula. É o

potencial mátrico (ΨΨΨΨm), que representa o efeito de substâncias que, graças a cargas

elétricas, prendem a água no interior da célula. Podemos, pois dizer que o potencial água

de uma célula vacuolada é dado pela expressão: ΨΨΨΨc = ΨΨΨΨo + ΨΨΨΨp + ΨΨΨΨm.

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