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APOSTILA DE GEOFÍSICA I

UNES

FACULDADE DO ESPÍRITO

SANTO

PROFESSOR

ADALBERTO DA COSTA DIAS

CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM

1º SEMESTRE 2012

3Método Eletromagnético no Intervalo de Comportamento Dielétrico

3.1 Equações de Maxwell

Maxwell foi o pesquisador que uniformizou o eletromagnetismo no início do século XX, dando não somente sua contribuição pessoal, mas também reunindo o conhecimento experimental de diversos cientistas que operavam separadamente, de forma independente. As quatro equações de Maxwell do e letromagnetismo (Reitz & Milford, 1970), com os respectivos significados físicos são dadas a seguir.

 

E

 

B

t

(3.1)

A equação (3.1) está relacionada com a observação de Faraday: campo magnético variável no tempo gera campo elétrico.

 D   H  J 
 D
 
H
J

t

(3.2)

A equação (3.2) está relacionada com a observação de Àmpere: corrente elétrica gera campo magnético.

  D q

(3.3)

A equação (3.3) está relacionada com a observação de Coulomb: cargas elétricas são

fontes de campo elétrico ou campo elétrico emana de cargas elétricas.

  B 0

(3.4)

A equação (3.4) está relacionada com a observação de que cargas magnéticas livres

nunca foram observadas na natureza. Portanto, campos magnéticos devem formar sempre “loops” fechados e o comportamento do fluxo magnético se distingue do caráter do campo elétrico.

3.2 Equações constitutivas

São três as equações constitutivas do eletromagnetismo, que descrevem o meio através de suas propriedades físicas inerentes.

J

E

(3.5)

A equação (3.5) descreve o meio condutor através da condutividade elétrica , ou

seja, de acordo com a lei de Ohm, cargas elétricas livres fluem para formar uma corrente

elétrica J na presença de um campo elétrico E .

D E

(3.6)

A equação (3.6) descreve o meio dielétrico ou isolante através da permissividade

dielétrica , ou seja, cargas elétricas contidas D se deslocam na presença de um campo

elétrico E .

B H

(3.7)

A equação (3.7) descreve o meio magnético através da permeabilidade magnética ,

ou seja, momentos magnéticos de dipolo se alinham na presença de um campo magnético.

3.3 Equação da onda EM

A equação da onda eletromagnética, seja para o campo elétrico, seja para o campo magnético, pode ser deduzida através da manipulação das equações de Maxwell e das equações constitutivas. Comecemos a dedução pela seguinte identidade matemática:

      

2

Levando a equação (3.8) na 1ª equação de Maxwell



E



2 E



   t
t



B

 B   E    t
B
 
E 
t

, temos:

(3.8)

(3.9)

Observando a condição da divergência   J 0 na 1ª equação constitutiva J E , podemos dizer que toda corrente elétrica que entra deve sair, a menos que exista uma fonte ou sumidouro dentro do meio material no qual circula a corrente. Isto equivale a dizer que, em condições homogêneas e isotrópicas:

  E 0

(3.10)

Levando a condição contida em (3.10) na equação (3.9), concluímos que:

  B  2 E    t
B
2 E

 t

(3.11)

Substituindo as demais equações de Maxwell e as outras equações constitutivas na equação (3.11), podemos deduzir:

2

E

    H t
  
H
t

J  t
J
t

2

D  t
D
t

2



E  t
E
t



2

E  t
E
t

2 (3.12)

A equação da onda EM, para o campo elétrico, varia exponencialmente com o tempo e

a freqüência na forma

E

E e

0

i

 

 

2



t



2   i  E e 0 2  t  
2
 
i
 E e
0
2
 t
 

t

t

. Levando este resultado na equação (3.12):

0

Derivando duas vezes e simplificando, chegamos à equação da onda eletromagnética:

2

 

2

 

i



E e

0

i

t

0

3.4 Número onda

de

propagação

(3.13)

da

O termo k em k   i , extraído da equação (3.13), é conhecido como

2

2

número de propagação da onda. A importância do número de propagação da onda k reside no fato de que ele reúne as propriedades físicas do meio que, juntas, caracterizam o método eletromagnético. Sendo assim, é a permeabilidade magnética que caracteriza o meio

magnético; é a permissividade dielétrica que caracteriza o meio isolante; é a condutividade elétrica que caracteriza o meio condutor; 2f , sendo f a freqüência de

propagação da onda eletromagnética. No número k i, corresponde à constante de

atenuação e à constante de fase da onda eletromagnética, conforme representação abaixo (Stratton, 1941):

2        2  1    
2

 
2
 1
1
 
 2        1    1 
2

1
1
2


(3.14)

(3.15)

Sendo e dados nas equações (3.14) e (3.15), podemos conferir a expressão de

k

2

2

  i

da seguinte maneira:

k 2

i

2

Sendo assim:

2

2

2i

2

2

i

2

2

i

2

  2       1     2
2

1
 
2


1

 

2    1      
2
1
 


1



2

2    1      
2
1
 


1

 

  

2    1      
2
1
 


1

 

2

 2
2

2

 

i

2

 

 2      1     1  
2
1
 
1


i



3.5 Solução da onda EM plana

A solução da equação da onda EM, para uma onda plana com o campo elétrico sendo

não-nulo apenas na direção x (

E

y

E

z

0

dada pela equação abaixo (Nabighian, 1987):

E

x

z t

,

E

0

e

z

e

z

i

t

), considerando o termo que decai com z, é

(3.16)

Onde:

E

x

é o campo elétrico na direção x ;

é o campo elétrico propagando-se para baixo no sentido z;

E

0

z é a profundidade;

t é o tempo,

α e β são dados nas equações (3.14) e (3.15).

2f

3.6 Variação

de

velocidade

da

onda EM com a freqüência

As frentes de onda plana eletromagnética na equação (3.16) sendo constantes implicam em dizer que:

z t constante

Como:

v

dz

 

dt

Temos que:

 

v

(3.17)

 

Em decorrência da velocidade v de propagação da onda plana eletromagnética variar

com a freqüência , de acordo com a equação (3.17), temos dois casos a considerar para a velocidade, intervalo de comportamento quasi-estático e intervalo de comportamento dielétrico. Vamos analizar nesta seção apenas o intervalo de comportamento dielétrico.

3.7 Método intervalo dielétrico

eletromagnético

de

no

comportamento

Neste intervalo, a velocidade de propagação da onda plana eletromagnética se dá a altas freqüências. O meio geológico investigado, neste caso, deve ter condutividade elétrica baixa e permissividade dielétrica elevada, como é o caso de solos e rochas. Em resumo,



2

, nas equações (3.14) e (3.15), sendo muito menor do que 1, característica do intervalo

de comportamento dielétrico, implica em que utilizemos a seguinte série de potência:

1  2  2   1     1  
1
2
2
1 
1 
   
1

2


2



(3.18)

Levando o resultado encontrado em (3.18) na equação (3.14) para , temos:

 



1

1

2

1

2

2



2  1     2 2   2    

2      1     2  
2
 
1
2


(3.19)

Aplicando novamente o desenvolvimento em série de potência dado em (3.18) na equação (3.19), teremos:

2        1  1    
2
 
1
1  
2
2


  2   2         (3.20) Levando

 

(3.20)

Levando o resultado encontrado em (3.18) na equação (3.15) para , temos:



1

1

2

2

2



  2     2 2   1    2

1

  2 
2

A dedução da velocidade será:

  1 c v          kk
 1
c
v 
 
 
kk
kk
0
0
m
m
Onde:

(3.21)

(3.22)

1 8 c    3 10 m s  0,3 m ns 
1
8
c 
 
3
10
m s
0,3 m ns
 
0
0
k  constante dielétrica (
  ).
0

, velocidade da luz.

k

m

permeabilidade magnética relativa (

  0
0

), aprox. 1 para solos e rochas.

3.8 Princípio de funcionamento do método EM no intervalo de comportamento dielétrico

GPR, que significa radar de penetração no solo, serve para mostrar o princípio de funcionamento do método eletromagnético terrestre no intervalo de comportamento dielétrico. O sistema de radar é muito eficiente, pela sua alta resolução, para mostrar a configuração de camadas de solo e rochas, há pequenas profundidades, através da propagação de ondas eletromagnéticas de alta freqüência. A Figura 3.1 mostra o equipamento GPR pronto para entrar em operação.

Figura 3.1 – Fonte: Internet (Geophysical Survey Sistem, material de propaganda) 3.9 Aplicações do método

Figura 3.1 – Fonte: Internet (Geophysical Survey Sistem, material de propaganda)

3.9 Aplicações do método EM no intervalo de comportamento dielétrico, ao estudo de água subterrânea e na localização de aluviões diamantíferos

ao estudo de água subterrânea e na localização de aluviões diamantíferos Figura 3.2 – Fonte: Dias

Figura 3.2 – Fonte: Dias (2003)

Aplicações do método EM, no intervalo de comportamento dielétrico utilizando o sistema de radar são mostradas na Figura 3.2, com uma camada sedimentar horizontal contendo água subterrânea, a presença de aluvião e rochas inalteradas do embasamento cristalino. É importante observar que a assinatura das curvas de anomalias no método de indução eletromagnética no intervalo de comportamento dielétrico é semelhante ao da assinatura no método de reflexão sísmica.

3.10 Método eletromagnético no Intervalo de comportamento quasi-estático

Em decorrência da velocidade v de propagação da onda plana eletromagnética variar

com a freqüência temos dois casos a considerar como explicado anteriormente. No intervalo de comportamento quasi-estático, a velocidade de propagação da onda plana eletromagnética se dá a baixas freqüências. Normalmente, neste caso, o condutor soterrado, alvo da prospecção mineral, deve ter condutividade elétrica elevada, envolto em um meio de permissividade dielétrica baixa, característica dos sulfetos maciços de metais pesados. Em

resumo,



2

, nas equações (3.14) e (3.15), sendo muito maior do que 1 no intervalo de

comportamento quasi-estático implica em que:

2     2  2
2  

2

2

(3.23)

v

   2 2         2 2

2
2 
 


2
2

(3.24)

3.11Princípio de funcionamento

  2 2 (3.24) 3.11Princípio de funcionamento Figura 3.3 – Fonte: Ward (1967) Exemplificando com

Figura 3.3 – Fonte: Ward (1967)

Exemplificando com um levantamento EM aéreo no intervalo de comportamento quasi – estático (Figura 3.3), as frentes de onda plana seguem as linhas de fluxo. O processo de indução eletromagnética começa com uma bobina EM transmissora, instalada na aeronave, que emite corrente elétrica alternada, induzindo um campo magnético primário (linhas cheias na Figura 3.3). Este campo magnético primário, ao atingir um corpo condutor enterrado de condutância elevada, induz corrente alternada circulando em torno do condutor, que, por sua vez, gera um campo magnético secundário (linhas tracejadas na Figura 3.3). Em uma bobina

EM receptora, suspensa por um cabo na aeronave, é analisada a intensidade da razão entre os sinais dos campos EM secundário e primário, capaz de localizar, na superfície do terreno, a posição do corpo condutor de condutância elevada, enterrado.

3.12Exemplos de aplicação do método EM no intervalo de comportamento quasi estático

3.12.1 Sistema EM de avião INPUT na localização de sulfetos maciços

EM de avião INPUT na localização de sulfetos maciços Figura 3.4 – Fonte: (Palacky and West

Figura 3.4 – Fonte: (Palacky and West (1973)

Na Figura 3.4 é mostrada uma anomalia do sistema eletromagnético utilizado em avião, denominado INPUT, com a localização de um corpo de sulfeto maciço, mineralizado com Cu, Zn e Ag em Manitoba – Canadá.

3.12.2 Sistema EM terrestre “vertical loop” na localização de sulfetos maciços

Localizações de corpos de sulfeto maciço contendo níquel em Manitoba (Canadá) são mostradas nas curvas de anomalia de um sistema eletromagnético terrestre, no intervalo de comportamento quasi – estático conhecido como “vertical loop” (Figuras 3.5 e 3.6).

conhecido como “vertical loop” (Figuras 3.5 e 3.6). Figura 3.5 – Fonte: Nabighian (1987) Figura 3.6

Figura 3.5 – Fonte: Nabighian (1987)

como “vertical loop” (Figuras 3.5 e 3.6). Figura 3.5 – Fonte: Nabighian (1987) Figura 3.6 –

Figura 3.6 – Fonte: Nabighian (1987

3.12.3 Eletromagnético quasi-estático na pesquisa de hidrocarbonetos na bacia intracratônica da Amazônia

É do conhecimento geral que os métodos sísmicos têm falhado nas condições

geológicas que ocorrem nas bacias intracratônicas da Amazônia, em que a coluna estratigráfica foi infestada por intrusões de rochas ígneas. Esses empecilhos não permitem que se possa conhecer a configuração real das camadas sedimentares no subsolo e, como via de conseqüência, localizar as trapas válidas para a perfuração de poços pioneiros. Tais estruturas de origem magmática, conhecidas como soleiras ou sills de diabásio, não permitem a investigação pelos métodos sísmicos de possíveis trapas abaixo delas, localizadas em torno de 1500 m a 2000 m de profundidade em média, pois representam, para estes métodos, refletores extremamente fortes.

Com base nas circunstâncias acima apontadas, os métodos eletromagnéticos podem jogar um papel alternativo importante na localização das trapas ocultas, u ma vez que os campos eletromagnéticos não têm nas soleiras de diabásio obstáculos à sua penetração no subsolo. Recomenda-se, neste caso, o início de um extenso programa exploratório para prospectar gás natural na bacia amazônica usando métodos alternativos de magnetometria aérea e uso de campos eletromagnéticos de fonte controlada.

O programa exploratório, aqui proposto, deverá iniciar com a realização de

levantamentos aeromagnéticos preliminares, transversais à calha do rio principal, começando da sua foz e seguindo em direção às partes mais elevadas. A interpretação dos dados aeromagnéticos revelará a presença e a localização em profundidade das soleiras de diabásio. Em áreas previamente selecionadas, com base no conhecimento da geologia e da

magnetometria aérea, deverá ser utilizado o sistema eletromagnético desenvolvido pelo grupo do geofísico Carlos Alberto Dias (aposentado do LENEP – UENF), que dispõe de uma profundidade de investigação de até 3000m

O equipamento EM do professor Dias, apesar de não ser ainda utilizado em

levantamentos marinhos devido à salinidade da água do mar, poderá ter um bom desempenho em condições menos condutivas da eletricidade na água doce do rio amazonas. O equipamento fonte deverá ser posicionado no leito do grande rio, distante das margens, para não sofrer interferências causadas pela aproximação das árvores da floresta e para não obstruir o tráfego de embarcações. Os receptores são bobinas de 0,70 m de comprimento, pesando cerca de 13 kg, portanto de fácil transporte. Estes receptores serão colocados

alinhados transversalmente ao fluxo da água, no fundo do rio, com espaçamento regular de 100 m entre as bobinas.

Este seria o grande desafio do emprego de métodos alternativos eletromagnéticos na prospecção de gás natural na bacia amazônica. Um programa dessa natureza, que além de caro é demorado, somente teria chances de sucesso quando em parceria com a Petrobras. O Brasil, que já conquistou sua independência externa com relação ao óleo, deveria partir também para a auto-suficiência com relação ao gás natural, com boas perspectivas de sucesso na bacia amazônica.

4Método Elétrico em Corrente Contínua

4.1 Fundamentos da teoria do potencial para o método elétrico em corrente contínua

O tratamento mais simples no estudo teórico da resistividade é o caso de se considerar, em primeira aproximação, uma terra completamente uniforme, ou seja: homogênea

e isotrópica (Keller and Frischknecht, 1970). Neste caso, uma equação matemática do

potencial elétrico em torno de uma fonte pontual de corrente pode então ser deduzida, a partir

de três considerações básicas: lei de Ohm, condição da divergência e natureza potencial do

método elétrico em corrente contínua.

4.1.1 Lei de Ohm

E

J

ou

J E

1 
1

(4.1)

A equação (4.1) descreve a maneira de como cargas livres fluem para formar uma

corrente J , na presença de um campo elétrico E . O fator de proporcionalidade entre campo elétrico e densidade de corrente, na lei de Ohm, sendo justamente a propriedade física do meio

denominada resistividade elétrica .

4.1.2

Condição da divergência

  J 0

(4.2)

A equação (4.2) estabelece que toda corrente que entra deve sair, a menos que exista uma fonte ou sumidouro dentro do meio material no qual circula a corrente elétrica.

4.1.3 Natureza

potencial

corrente contínua

E  U

do

método

elétrico

em

(4.3)

Sendo o método elétrico em corrente contínua de natureza potencial, fica o campo

elétrico E definido como sendo: menos gradiente de uma função escalar conhecida como

potencial elétrico U

4.1.4 Equação de Laplace do potencial elétrico

As equações (4.1), (4.2) e (4.3) podem ser combinadas na equação (4.4) da seguinte maneira:

 U   J
U
 
J

0

(4.4)

divergente (   ) do gradiente ( ) é identicamente igual ao laplaciano ( ), logo, a

equação (4.4) se transforma na equação de Laplace, para pontos de observação fora da distribuição:

O

2

2

U

0

A

esféricas:

(4.5)

equação de Laplace do potencial elétrico toma a seguinte forma em coordenadas

  

r

r

2

U  

r

1

   sin

r

2

sin

 

U  

1

2

U

r

2

sin

2

 

2

0

(4.6)

Como somente uma fonte pontual de corrente está sendo considerada com o fluxo da

corrente na direção radial apenas, existe simetria com respeito às coordenadas e . Sendo

assim, as derivadas tomadas nestas direções se anulam, simplificando a equação de Laplace:

  

r

r

2

U   0

r

(4.7)

A equação de Laplace, assim simplificada, pode ser integrada, diretamente, duas

vezes:

r

2

U

r

C

C

r

U  

 

(4.8)

D

(4.9)

4.1.5

Condições de contorno no cálculo do potencial

Tomando o

potencial U

igual à

zero, há

uma grande

distância da fonte, em

decorrência dele variar com

1 r
1
r

, de acordo com a equação (4.9), faz com que a constante D

seja zero sempre. A outra constante C , na equação (4.9), é avaliada em termos da corrente

total I , expressa como sendo igual à integral da densidade de corrente J sobre uma

superfície esférica fechada S , colocada em torno da fonte pontual de corrente:

1 C  1  C I   J  dS   E
1
C
1 
C
I
J
dS
E
dS
 
 dS 
 
a
r
2
S
S
S
r
r
S
2
r
2 C
2
 C
I 

r
2 
I
C  
2

dS

(4.10)

A expressão matemática do potencial elétrico em corrente contínua é então calculada,

(equação 4.11), substituindo na equação (4.9) os valores das constantes C e D , encontrados nas condições de contorno:

U

I

2

r

(4.11)

4.2

O

método

aparente

eletrodos

da

resistividade

quatro

para

Para um arranjo com quatro eletrodos, sendo dois eletrodos A e B de envio galvânico da corrente conhecida I e outros dois eletrodos M e N, através dos quais se mede

galvanicamente a diferença de potencial U ; a expressão matemática da resistividade

, para uma terra não uniforme, ou seja, não-homogênea e anisotrópica será

aparente

(Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 a seguir):

a

U

a I

2

1

AM

1

BM

1

AN

1

BN

(4.12)

4.2.1 Arranjo de eletrodos do tipo Wenner

BM 1 AN  1 BN    (4.12) 4.2.1 Arranjo de eletrodos do tipo

Figura 4.1 – Fonte: (do próprio Autor)

Quando AM a, BM 2a, AN 2a, BN a ; substituindo estes valores na

equação (4.12), temos a expressão matemática para o arranjo Wenner mostrada na Figura 4.1. Este arranjo de eletrodos é mais utilizado na técnica da perfilagem elétrica, em que se deseja investigar a variação da resistividade aparente com a lateralidade do terreno. Neste caso a profundidade de investigação é mantida constante, estando relacionada diretamente com a distância a entre os eletrodos. Nesta técnica os quatro eletrodos mudam continuamente de posição, mantendo a distância entre eles.

4.2.2 Arranjo de eletrodos do tipo Schlumberger

entre eles. 4.2.2 Arranjo de eletrodos do tipo Schlumberger Figura 4.2 – Fonte: (do próprio Autor)

Figura 4.2 – Fonte: (do próprio Autor)

Quando

AM a

b 2
b
2

, BM

a

b 2
b
2

, AN

 

a

b 2
b
2

, BN

 

a

b ; 2
b
;
2

substituindo

estes valores na equação (4.12), em que b0,435a , temos a expressão matemática para o

arranjo Schlumberger mostrada na Figura 4.2. No arranjo do tipo Schlumberger, os quatro eletrodos se movimentam em torno de um ponto fixo do terreno, que é considerado o meio do arranjo. À medida que os eletrodos se distanciam uns dos outros, a profundidade de investigação aumenta. Esta técnica é muito utilizada quando se deseja investigar a variação da resistividade aparente com a profundidade, sendo denominada de sondagem elétrica.

4.2.3

Arranjo de eletrodos do tipo dipolo – dipolo

4.2.3 Arranjo de eletrodos do tipo dipolo – dipolo Figura 4.3 – Fonte: (do próprio Autor)

Figura 4.3 – Fonte: (do próprio Autor)

Quando AM a ma, BM ma, AN 2a ma, BN a ma ; substituindo estes

valores na equação (4.12), em que m é um múltiplo de a , temos a expressão matemática

para o arranjo dipolo – dipolo, mostrada na Figura 4.3. No arranjo do tipo dipolo – dipolo é possível utilizar tanto a técnica da perfilagem elétrica quanto a técnica da sondagem elétrica de uma forma eficiente. Isto permite investigar simultaneamente a variação da resistividade aparente com a lateralidade e com a profundidade do terreno, muito utilizada no método da tomografia elétrica a seguir.

4.3 O método da tomografia elétrica

No método tradicional da resistividade aparente para quatro eletrodos, a perfilagem elétrica pode ser combinada com a sondagem elétrica, utilizando, preferencialmente, o arranjo de eletrodos do tipo dipolo – dipolo, para dar origem ao método mais abrangente da tomografia elétrica (Loke and Barker, 1996). Os levantamentos de tomografia elétrica normalmente empregam certo número de eletrodos em linha reta (25 ou mais), com espaçamento constante. Estes levantamentos podem ser usados para mapear áreas condutivas ou resistivas onde a geologia do subsolo é complexa e onde levantamentos de perfilagem e de sondagem elétrica convencional são inadequados. Um sistema computacional controlado é utilizado neste caso

para selecionar automaticamente os eletrodos ativos para cada conjunto de medição do levantamento de tomografia elétrica. Os dados assim obtidos são arranjados e contornados na forma de pseudo-seções, fornecendo uma imagem aproximada do subsolo em termos da distribuição de resistividade aparente. Isto é feito com a ajuda de técnicas automáticas de inversão que utilizam processos não-lineares de otimização. Um esquema de inversão usando a técnica “quasi – Newton” é utilizado com este método. A técnica proposta é completamente automática e não necessita da intervenção do usuário para suprir um modelo inicial (Loke and Barker, 1996). Suas principais aplicações são no estudo da água subterrânea em meios acamados, no estudo de obras da engenharia civil, no estudo da preservação ambiental e na prospecção mineral.

4.3.1 Tomógrafo Elétrico

e na prospecção mineral. 4.3.1 Tomógrafo Elétrico Figura 4.4 4.4 Aplicações Do próprio Autor do método

Figura 4.4

4.4 Aplicações

Do próprio Autor

do

método

tomografia elétrica

da

4.4.1 Aplicação em fundo oceânico

Figura 4.5 – Fonte: Dias (2003) 4.4.2 Aplicações no estudo da preservação ambiental Em vermelho,

Figura 4.5 – Fonte: Dias (2003)

4.4.2 Aplicações no estudo da preservação ambiental

Em vermelho, a Figura 4.6 mostra solo argiloso com resistividade elevada, devido a contaminado por infiltração de óleo industrializado e mostra, em azul (resistividade baixa), argila limpa sem contaminação.

e mostra, em azul (resistividade baixa), argila limpa sem contaminação. Figura 4.6 – Fonte: Dias (2003)

Figura 4.6 – Fonte: Dias (2003)

Em azul, a Figura 4.7 mostra um padrão de solo argiloso com resistividade baixa, limpo da presença de óleo industrializado.

baixa, limpo da presença de óleo industrializado. Figura 4.7 – Fonte: Dias (2003) 5Método Elétrico em

Figura 4.7 – Fonte: Dias (2003)

5Método Elétrico em Corrente Alternada da Polarização Induzida

Do inglês: Induced Polarization (IP); o método da polarização induzida se baseia em um fenômeno elétrico, em corrente alternada, observado como resposta de retardo de voltagem nos materiais terrestres (Wait, 1959). Este efeito de retardo possui dois mecanismos físicos distintos, que podem ser medidos tanto no domínio do tempo quanto no domínio da freqüência, denominados: polarização de eletrodo e polarização de membrana (Marshall and Madden, 1959).

5.1

Polarização de eletrodo

A polarização de eletrodo ocorre na presença de um campo elétrico, quando minerais semicondutores, do tipo grafita ou do tipo sulfeto, entre estes: pirita, arsenopirita, pirrotita, calcopirita, bornita, esfalerita, galena e outros, estiverem barrando o caminho da condução iônica nas rochas (vide Figura 5.1 mais adiante). A corrente elétrica flui, neste caso, através da interface, onde a barreira de energia entre os dois meios citados constitui uma impedância elétrica. A figura 5.1 mostra um modelo simplificado deste processo.

A figura 5.1 mostra um modelo simplificado deste processo. Figura 5.1 – Fonte: Schön (1996) De

Figura 5.1 – Fonte: Schön (1996)

De acordo com o esquema mostrado na Figura 5.1 a, cations e anions, na presença do campo elétrico, movem-se em direções opostas, porém os íons da solução eletrolítica existentes nos poros das rochas não podem passar para a rede cristalina sólida dos minerais semicondutores, assim como os elétrons dos minerais não podem passar para a solução eletrolítica dos poros. As cargas são trocadas, então, por processos eletroquímicos. As propriedades na interface são descritas através da impedância de Warburg, cuja magnitude varia inversamente com a raiz quadrada da freqüência. O mecanismo da polarização de eletrodo é muito utilizado na prospecção mineral, na localização de depósitos disseminados de sulfetos metálicos.

5.2 Polarização de membrana

A polarização de membrana, que se presta para distinguir entre areia, silte e argila, tem

sua importância nas rochas sedimentares porosas. O fenômeno aparece principalmente nas rochas, nas quais as partículas de argila estão bloqueando o caminho da solução eletrolítica dos poros (Figura 5.1 b). A difusa nuvem de cátions que define a dupla camada formada na vizinhança do grão de argila é característica do sistema eletrólito-argila. Sob a influência de um campo elétrico, carregadores de carga positiva ou cátions passam facilmente através da nuvem catiônica, porém, carregadores de carga negativa ou anions acumulam. A partícula de argila e sua vizinhança atuam como uma membrana seletiva para os anions. O mecanismo da polarização de membrana é muito utilizado na prospecção do petróleo e gás, para separar folhelhos de arenitos e calcários limpos de argila (rochas reservatórios).

5.3 Parâmetros efeitos de IP

de

medida

dos

O processo no domínio do tempo se inicia com uma voltagem primária constante

U ,

E

durante um tempo de excitação

t

E

. Após este período de tempo, a corrente é interrompida e o

decaimento exponencial da voltagem U

IP

t

com o tempo t está relacionado com o efeito de

IP. A medição da resposta de IP, denominada cargabilidade

C t

é definida como sendo a

razão ou quociente entre a voltagem secundária, obtida após o desligamento e a voltagem

primária constante, antes do desligamento em

C



t

U IP t  mV V U E
U
IP t

mV
V
U
E
V
V

mV

:

(5.1)

O efeito de IP no domínio da freqüência resulta no decréscimo da resistividade com o

crescimento da freqüência. Basta, portanto, medir a variação da resistividade há duas

freqüências

denominado percentagem do efeito de freqüência ou PFE :

f e

1

f

2

em que (

f

2

maior que

f ) de uma corrente alternada. Este parâmetro é

1

PFE

f

1

f

2

f

1

Recomenda-se

100%

(5.2)

uma diferença no decaimento da resistividade

no

intervalo

de

freqüência entre 0,05 e

0,5H

z

ou seja,

f

2

igual a 10 vezes

f .

1

6O Método Magnético

6.1 Momento Magnético de Dipolo

A grandeza magnética fundamental é um vetor denominado momento magnético de dipolo m . Momento é sinônimo de força, ou seja, força de atração magnética. É de dipolo pelo fato de que na natureza nunca foi observada carga magnética livre. Na presença de um pólo magnético, outro pólo de sinal contrário deverá existir para compor o dipolo magnético. É a seguinte a expressão matemática para o momento magnético de dipolo:

m Ian

(6.1)

a expressão matemática para o momento magnético de dipolo: m  Ian (6.1) Figura 6.1 –

Figura 6.1 – Fonte: (do próprio Autor)

De acordo com a Figura 6.1, I

é a corrente que flui em uma espira (loop) que limita a área a

e n é o vetor unitário, normal à espira, na direção e sentido de m , que é obtido pela chamada regra da mão direita: colocando o indicador da mão direita no sentido da corrente, o polegar

aponta no sentido de m .

6.2 Potencial escalar magnético

O potencial escalar magnético A tem a seguinte representação matemática segundo Reitz & Milford (1970):

A

 1    m .      r
 1 
  m . 

 
r

m

.

r  

r

 

r

2

m cos

r

2

(6.2)

Exercício 1: Desenvolver a matemática por trás da equação (6.2).

6.3 Campo intensidade magnética

Sendo o magnético um método potencial, a expressão matemática vetorial do campo

intensidade magnética

escalar magnético A .

H

  A

H

é representada como sendo menos gradiente

do potencial

(6.3)

A expressão matemática para o campo intensidade magnética é obtida na equação (6.4), levando a equação (6.2) na equação (6.3).

H



m

cos

 1       r  2
 1
 

 r 
2

2

m

cos

r

r

 

r

3

(6.4)

Exercício 2: Desenvolver a matemática por trás da equação (6.4).

6.4 Campo geomagnético

6.4.1 Dados históricos

Têm-se relatos de que a bússola já era usada por volta de 1100 depois de Cristo pelos chineses, a quem é atribuída sua descoberta. As primeiras investigações a respeito do fenômeno do magnetismo tiveram início em 1269 com as experiências de Petrus Peregrinus que esculpiu magnetita numa forma esférica, da qual aproximava pequenos ímãs. Na Inglaterra, William Gilbert repetiu e ampliou as experiências de Petrus Peregrinus, reunindo todo o conhecimento sobre magnetismo no tratado “De Magnete”, publicado em 1600. A partir das semelhanças no comportamento magnético com a magnetita esférica, ele reconheceu que a própria Terra era um imenso ímã. Esta conclusão equivale a dizer que a Terra se comporta aproximadamente como uma esfera uniformemente magnetizada, tendo seu campo magnético próprio, conhecido como campo geomagnético.

Foi somente depois de 1838 que se pôde conhecer melhor a distribuição do campo geomagnético, quando Friedrich Gauss começou a fazer medidas sistemáticas de sua intensidade, que é considerada baixa, variando entre 25.000 e 70.000 nT (nanoTesla). Através de análise matemática, ele demonstrou que 95% do campo geomagnético originam-se internamente e somente uma pequena parte restante provém de fontes externas, na Ionosfera (5%). A Figura 6.2 mostra linhas de força do campo geomagnético principal ou interno

(magnetosfera), equivalente a um dipolo

rotação da Terra.

T cujo eixo faz um ângulo de 11,5 % com o eixo de

m

Figura 6.2 – Fonte: Teixeira e outros (2003) 6.4.2 Teoria do Dínamo de geração do

Figura 6.2 – Fonte: Teixeira e outros (2003)

6.4.2

Teoria

do

Dínamo

de

geração

do

campo

geomagnético principal ou interno

de geração do campo geomagnético principal ou interno Figura 6.3 – Fonte: Neto, Ponzi e Sichel

Figura 6.3 – Fonte: Neto, Ponzi e Sichel (2004)

Análises de ondas sísmicas indicam que o Núcleo externo da Terra é líquido. Ele também é muito denso, conforme deduzido de outras considerações geofísicas, como a massa total da Terra e seu momento de inércia. Os cálculos de densidade combinados com hipóteses

acerca da origem do sistema solar sugerem que o Núcleo externo seja composto provavelmente de ferro e níquel com traços de elementos mais leves como enxofre e oxigênio.

Nos primórdios de sua formação, a Terra sofreu impacto profundo com outro astro, originando além da Lua o seu movimento de rotação. Já é universalmente aceito que o movimento do fluido metálico existente no Núcleo externo, provocado pelo movimento de rotação da Terra, gera corrente elétrica que, por sua vez, induz campo magnético segundo a lei de Ampere do eletromagnetismo, sendo esta a origem interna dos 95% do campo geomagnético principal. Esta é a principal contribuição do magnetismo para o estudo do interior da Terra.

O Núcleo externo consiste de uma esfera gigante, essencialmente metálica, do tamanho aproximado do planeta Marte. Sob condições normais, o Núcleo externo fluido conduz calor e eletricidade até melhor do que o cobre e tem viscosidade zero (Spencer, 1977). Com um raio médio de 2200 km, ele corresponde à cerca de 1/6 do volume da Terra e a cerca de 1/3 de sua massa. A densidade do Núcleo externo varia de, no mínimo, 9 vezes a densidade da água nas suas bordas, até 12 vezes a densidade da água no seu centro. No seu interior, localiza-se um Núcleo interno com propriedades diferentes. Tem um raio de 1280 km, o que corresponde a 2/3 do tamanho da Lua e, ao contrário do Núcleo externo, é sólido e mais denso. A partir dessas considerações, uma teoria viável de geração dos 95% do campo geomagnético interno é aquela que trata o Núcleo terrestre como uma espécie de dínamo auto- sustentável. Um dínamo é um mecanismo que converte energia mecânica em energia elétrica, como aquele utilizado em centrais hidrelétricas. O dínamo da Terra é auto-sustentável porque, depois de haver sido disparado por um campo magnético fraco, continuou produzindo seu próprio campo, sem suprimento de campo externo. O líquido metálico do Núcleo externo, movendo-se de maneira apropriada, agiria então como um dínamo auto-sustentável, segundo o modelo mostrado na Figura 6.3.

6.4.3 Componentes do campo geomagnético principal

6.4.3.1 Componente radial

H

r



A

r

r

R m

,

m

T

2

m

T

cos

R

3

(6.5)