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Mestrado

Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica


Projecto Assistido por Ensaios I

SPT – Standard Penetration Test

Carlos Rodrigues
O ENSAIO SPT

É A FERRAMENTA IN SITU DE INVESTIGAÇÃO


GEOTÉCNICA:

• MAIS POPULAR

• MAIS ROTINEIRA

• MAIS ECONÓMICA

Existem normas nacionais com características diferenciadas, as quais


no entanto têm como base um padrão internacional de referência:

IRTP – International Reference Test Procedure


Pancadas repetidas do
martelo de 63,5 kg de
uma altura 76,2 cm

prEN ISO 22476-3:2002


Batente Furo de sondagem
trado de rotação

Amostrador meia-cana:
∅ext = 50 mm
∅int = 35 mm
L = 760 mm
Amostra colhida em 3
avanços sucessivos

15 cm
N = medida do nº de pancadas para
15 cm
cravar o amostrador 300 mm.
Caso se atinja N=50 o ensaio é
terminado. No caso de rochas brandas
15 cm
pode incrementar-se N=100.
A EXECUÇÃO DE ENSAIOS SPT:

O ensaio SPT é uma medida de resistência dinâmica conjugada


com uma sondagem de simples reconhecimento
ENSAIOS COM SPT – Standard Penetration Test
AMOSTRADOR DISPOSITIVO
NORMALIZADO DE ENSAIO

Orifício de escape ∅ 51 mm

Válvula de esfera
(∅ 13 mm)

Pilão de disparo automático de 63,5 kg

152 mm
Peça de
união às (tipo “Monkey”)
varas
Batente

Ligação às varas de 32 mm

Secção
central 457 mm Vara normalizada
bipartida

Amostrador em meia-cana

Boquilha 75 mm
Boquilha cortante
19 mm

1.6 mm
∅ 35 mm Cone de 60º aplicável
em seixos
Vantagens Desvantagens
• Equipamento e • Dependência do operador, da
procedimentos simples técnica de furação, tipo de
• Obtém-se amostra equipamento, etc…
(perturbada) • Equipamento e procedimentos não
• Existência de uma vasta normalizados internacionalmente
experiência e correlações • Problemas diversos em operação
abaixo do NF

FACTORES QUE INFLUENCIAM NSPT

• Tipos de solos sujeitos ao ensaio


(e0, Ø, unif., u, ang., Cim., Idade, σv)
• Perturbação criada pelas
operações de furação
• Tipos de procedimentos e
equipamentos de ensaio
Preparação do furo de sondagem
A base do furo deve ser limpa e essencialmente não perturbada;
Não devem ocorrer gradientes ascendentes na pressão da água;
Quando são utilizados bits de furação estes devem ter descarga lateral;
O revestimento dos furos não deve ultrapassar o ponto do início do ensaio;
Os ensaios feitos abaixo do NF devem ter cuidados adicionais:
• Não deve entrar água pelo fundo do furo (piping);
- NA no furo acima do NF;
- utilização de lama bentonítica;

Tipos de furação
Furação com trépano e limpadeira
Furação a trado
FURAÇÃO COM TRADO OCO
Martelo do SPT
prEN ISO 22476
Vara de sondagem
∅ =32 mm
160 mm 560 mm 75 mm Mvara < 10 kg
∅=50.5 mm 35.2
Defl < 1:1200
mm
820 mm
Massa do amostrador – 7,585 kg Verificação em cada
20 ensaios

Referência Tipo de vara Diâmetro da vara Módulo da secção Massa da vara


(mm) Ze (m3×106) (kg/m)
IRTP (1988) - 40.5 4.28 4.33
- 50.0 8.59 7.23
- 60.0 12.95 10.03
BS 1377 AW 43.6 5.10 4.57
BW 54.0 8.34 7.86
Sólida quadrada 31.8 (1 ¼ in.) 5.33 7.89
38.1 (1 ½ in.) 9.22 11.37
DIFERENÇAS DE PROCEDIMENTOS E
EQUIPAMENTOS
Sistema manual (ex. ABNT 6484) Sistema automático (ex. ASTM 1586)
• Massa do martelo 65 kg • Massa do martelo 63,5 kg
• Levantamento manual c/ corda de • Levantamento automático do
sisal martelo
• Queda livre de 75 cm de altura • Queda livre de 76 ± 2,5 cm de altura
• Obrigatório o coxim de madeira • Contacto aço/aço – martelo/batente
• Varas tipo Schedule 80 com manga • Varas parede grossa c/ união
de ligação pino/caixa sem manga
• Amostrador tipo Raymond- • Amostrador bipartido c/ ponteira
Terzaghi (50 mm × 36 mm) de ∅=38 mm de corpo e bisel de 36
mm

De modo a ser possível a comparação de resultados obtidos de NSPT, em


diferentes países ou regiões, é necessário normalizar os resultados do
ensaio:
• Controlo da energia de cravação;
• Correcção para o nível de tensões em que o ensaio é realizado.
A energia nominal transferida ao amostrador é diferente da
energia potencial teórica disponibilizada pela queda livre do
martelo.
Para um dado solo o valor NSPT é inversamente proporcional à
energia aplicada ao amostrador .

N1 E2
=
N 2 E1

A norma internacional propõe a correcção da energia para 60 %


da energia teórica (E60), pelo que:

E
N 60 = Nmedido transferido
0,60

Eteor = mgh
PERDAS / EFICIÊNCIA
ƒ Forma de levantar e soltar o martelo;
ƒ Massa do batente;
ƒ Comprimento e composição das varas;
ƒ Energia de inércia absorvida pelas varas, pelos acoplamentos e pelo batente;
ƒ Energia dissipada pelo ruído e calor devido ao impacto do martelo no
batente;
ƒ Energia gasta na flexão das varas devido ao impacto (varejamento);
ƒ Redução da energia por h < que 762 mm;
ƒ Perdas de energia devido ao atrito desenvolvido entre os vários
componentes do martelo, ou entre a corda de elevação, a roldana e o
cabrestante.
Uma vez atingida a composição das varas, a perda de energia até ao
amostrador parece ser desprezável.
Instrumentação do equipamento SPT

1. Batente
2. Vara instrumentada
3. Vara sondagem
4. Extensómetro
5. Acelerómetro
6. Terreno
F Força
dr Diâmetro da vara

Detalhe dos
extensómetros
Detalhe da célula Detalhe dos
de carga acelerómetros
Medição energética
Valor da tensão incidente

(1)

r = a/A; a = área da vara


A = área do martelo

Valor da tensão máxima

(2)

ρ – densidade do material
c – vel. de propagação da onda
Corte por tracção V0 – vel. de impacto do martelo

t = 2l /c

(3)

SCHMERTMANN & PALACIOS (1979) mostraram que quanto mais curto é o


martelo, maiores as tensões iniciais e mais suave é a forma da onda de
compressão que se propaga nas hastes.
Medição energética
A energia transferida ao topo das varas do SPT (Ei) é dada por:
F(t), v(t) - registos da força e velocidade em função do tempo

t
Ei = ∫ F(t ) v(t )dt Método EFV
t =0

Inicialmente verificaram-se dificuldades na utilização dos acelerómetros,


pelo que a avaliação da energia transferida às varas fez-se com recurso à
admissão de algumas hipótese simplificadoras:

Verifica-se uma relação de proporcionalidade Ev cσ cF


σ= v= =
entre F e v (desde que não haja reflexão da c E Ea
onda)

Método F2 ou EF2 Método E2F

Ei =
c t 2 c t = 2l / c 2
∫ F (t )dt Ei = ∫ F (t )dt
Ea t = 0 Ea t = 0
Medição energética
Cálculo da força F transmitida Cálculo da energia t'
às varas: E que passa nas E ( t ' ) = ∫0 F(t )V(t )dt
f (t) = Aa Ea εm (t) varas:
1 n
εm(t) = def. axial medida Energia do martelo: E med = ∑E
Aa = área da secção da vara n 1
Ea = mód. de elasticidade
Correcções ao valor NSPT
Efeito Variável Termo Valor
Tensão efectiva σvo' CN (Pa/σvo')0.5 mas < 2
Relação de energia Safety Hammer CE 0.6 a 0.85
Donut Hammer 0.3 a 0.6
Automatic Hammer 0.85 a 1.0
Diâmetro do furo 65 a 115 mm CB 1.00
150 mm 1.05
200 mm 1.15
Método de Amostrador normalizado CS 1.0
amostragem sem linner 1.1 a 1.3
Comprimento do trem 10 m a 30 m CR 1.0
de varas 6 a 10 m 0.95
4a6m 0.85
3a4m 0.75
Tamanho das (D50) da areia em mm CP 60 + 25 log D50
partículas
Idade Tempo (t) em anos após o CA 1.2 + 0.05 log (t/100)
depósito
Sobreconsolidação OCR COCR OCR0.2

1 Obtain by energy measurement per ASTM D4633


Correcções do valor SPT-N

‰ Nmeasured = Raw SPT Resistance (ASTM D 1586).

‰ N60 = (ER/60) Nmeasured = Energy-Corrected N Value where ER =


energy ratio (ASTM D 4633). Note: 30% < ER < 100% with average
ER = 60% in the U.S.

‰ N60 ≈ CE CB CS CR Nmeas = Estimated corrected N

‰ (N1)60 = CN N60 = Energy-Corrected SPT Value normalized to


an effective overburden stress of one atmosphere: (N1)60 =
(N60)/(σvo’)0.5 with stress given in atm. (Note: 1 atm = 1 bar =
100 kPa).
Correcções no ensaio SPT
Efeito do estado de tensão “in situ”
Skempton (1986) reconhecendo que a resistência à penetração aumenta
com a profundidade, e portanto com σ’v0, para uma dada densidade, e que
aumenta em função do quadrado da densidade relativa, para σ’v0
constante, propôs a seguinte correlação.

⎛ σ' ⎞
N 60 = Dr2 ⎜ a + b ⋅ Cα v ⎟ Skempton (1986)
⎝ 100 ⎠
a, b = factores dependentes do tipo de material
17 < a < 46, 17 < b < 28

cα = factor dependente da história das tensões


3 < OCR < 10, ⇒ 1.4 < Cα < 2.4; se OCR = 1 ⇒ Cα = 1

(N1 )60 = Er × NSPT × CN × CNK


60
CN = correcção da tensão efectiva de sobrecarga
CNk = correcção devida ao efeito da história das tensões
Correcção devida ao estado de tensão efectiva de sobrecarga, CN

⎛ σ' ⎞
N 60 = Dr2 ⎜ a + b ⋅ Cα v ⎟ Considere-se o solo NC
⎝ 100 ⎠

N
CN = 1 =
Dr2 (a + b )
=
a/b +1 (N1 )60
σ' v ⎞ a / b + σ' v / 100 0,6 <a/b < 1,4 = 60
Nσ v 2⎛
Dr ⎜ a + b ⎟ Dr 2
⎝ 100 ⎠

Considere-se uma areia NC com γ= 18 kN/m3

Se z = 2,0 m tem-se que σ’v0 = 36 kN/m2


Para N60 = 5 tem-se (N1)60 = CN*5 = 1,7*5 =8,5

Se z = 20,0 m tem-se que σ’v0 = 360 kN/m2


Para N60 = 16 tem-se (N1)60 = CN*16 = 0,5*16 =8,0

Assim para a areia a 20 m de profundidade (N=16) apresenta a mesma


densidade relativa de uma areia a 2m de profundidade (N=5).
• Liao e Withman (1985) C = 98 σ’v0 = tensão vertical “in situ”
N
σ' v 0 CN deve ser inferior a 2

• Skempton (1986) 2 3 Menor valor – areias finas


≤ CN ≤
1 + σ' v 2 + σ'v Maior valor – areia grosseiras

• Décourt (1989) (σ'oct )1 1 + 2K 0 NC


CN = (σ'oct )1 = (σ'vo )1
(σ'oct ) 3

(σ'oct ) = σ'v0 1 + 2K 0
3
Efeito do comprimento do trem de varas
(correcção apenas a utilizar em areias)
Comprimento do trem de varas Parâmetro de correcção
>10 m 1.00
6 – 10 m 0.95
4–6m 0.85
0–4m 0.75

Efeito do “liner”
Condição Parâmetro de correcção
Sem revestimento da amostra 1.00
Com revestimento da amostra
Areias densas e argilas 0.80
Areias soltas 0.90

Efeito do diâmetro do furo


Diâmetro do furo Parâmetro de correcção
60 – 120 mm 1.00
150 mm 1.05
200 mm 1.15
APLICAÇÕES

MÉTODOS DIRECTOS MÉTODOS INDIRECTOS

UTILIZAÇÃO DIRECTA UTILIZA OS RESULTADOS


NA PREVISÃO NA ESTIMATIVA DE
DO COMPORTAMENTO PROPRIEDADES

- qadm de sapatas
-φ’, Cu, Dr, E, …
- s de sapatas
- qadm de estacas
PARÂMETROS GEOTÉCNICOS

• permite a avaliação das características físicas e compressibilidade


dos solos granulares,

• permite a averiguação da consistência e rigidez dos solos coesivos,


bem como a caracterização de rochas brandas
Tipo de material
Parâmetro
Parâmetro Solos Solos coesivos Rochas necessário
granulares brandas
φ’ X - - (N1)60
cu - X X N60
σc - - X N60
Eu - X - N60
E’ X X X N60
mv - X - N60
Gmáx X - - (N1)60
CLASSIFICAÇÃO

Índice de resistência à
Material Classificação
penetração
0–3 Muito solta
3–8 Solta
Areias (N1)60 8 - 25 Média
25 – 42 Densa
42 - 58 Muito densa
0–4 Muito mole
4–8 Mole
8 - 15 Firme
Argilas N60
15 – 30 Rija
30 – 60 Muito rija
> 60 Dura
0 – 80 Muito brandas
Rochas
80 – 200 Brandas
Brandas N60
> 200 Moderadamente brandas
COMPACIDADE RELATIVA (DR)

1/ 2
⎛ N ⎞ Dr (valor decimal)
Skempton (1986) Dr = ⎜⎜ ⎟⎟ N = N60
⎝ 0.28σ' v 0 +27 ⎠

Tensão vertical “in situ”, σ’ v0 (kPa)


50

100

Mitchell e Gardner (1975) 150

200

250

300
0 10 20 30 40 50 60
NSPT
ÂNGULO DE RESISTÊNCIA AO CORTE (φ)
60

Mitchell et al., (1978) 50

40
NSPT

30

45 20

10
40

0 50 100 150 200 250 300


Tensão efectiva vertical, σ’v0 (kPa)
φ’ (º) 35

30
Décourt (1989)

25
0 10 20 30 40 50 60
(N1)60
Hatanaka & Uchida
(1996)
DEFORMABILIDADE
16
E’ / N60 ;(MN/m2)
Stroud (1989) 14

12

q/qult = 1/3 10
Areias
sobreconsolidadas
E’/N60 = 1 (MPa) 8
Areias normalmente
6 consolidadas

q/qult = 0.1 4

2
E’/N60 = 1 - 2 (MPa) – areias NC
E’/N60 = 3 (MPa) – areias SC 0
0 0.1 0.2 0.3
q/qult
cu = f1 N60 SOLOS ARGILOSOS

RESISTÊNCIA AO CORTE NÃO DRENADA (CU )

Argilas sobreconsolidadas fissuradas

Ensaios triaxiais em provetes de 100 mm

Stroud & Butler, 1975

DEFORMABILIDADE

mv = f2 N60 (m2/MN);
Eu / N60 = 1.0 – 1.2 (MPa)
O ensaio SPT no dimensionamento de fundações
Método de Terzaghi e Peck (1948, 1967)

2
⎛ N − 3 ⎞⎛ B + 1' ⎞
qadm = 4.4⎜ ⎟⎜ ⎟
⎝ 10 ⎠⎝ 2B ⎠

em que:
qadm = tensão, em kgf/cm2, que produz s = 1’’
B = menor dimensão em pés (B ≥ 4’)
N = número de pancadas no ensaio SPT.

A solução é muito conservativa.


Não leva em conta a correcção do efeito da
profundidade e da tensão efectiva

NF>2B Se o NF estiver ao nível da fundação qadm


deverá ser reduzida para metade

Factor de correcção CD, relativo à profundidade de colocação da sapata:

Sapata a prof. B abaixo do nível do solo = 0.75 < CD < 1= sapata ao nível do solo
Método de Meyerhof (1965)
Os assentamentos podem ser calculados pelas seguintes expressões:
1,9 q
s= , para B < 1,25 m
N q = carga aplicada pela fundação (kN/m2);
2 S = assentamento (mm);
2,84 q ⎡ B ⎤
s= ⎢ ⎥ , para B > 1,25 m B = largura da fundação (m);
N ⎣ B + 0,33 ⎦
2,84 q N = valor de referência dos ensaios SPT.
s= , para ensoleiramentos
N

• O valor de N é tomada como sendo igual à média dos valores de N,


registados numa profundidade igual à largura da sapata.

• Meyerhof (1965), sugeriu também que não é necessário corrigir o efeito


do NF, já que este se reflecte imediatamente nos valores de N.

• Considera que os valores de qadm avaliados por Terzaghi e Peck, podem


ser incrementados de 50 % dado que são demasiadamente
conservativos.
Método de Parry (1971)
Parry (1971) apresenta um método empírico para avaliar assentamentos, o qual admite
que o assentamento é uma função da largura da área carregada, da magnitude da
pressão transmitida e do módulo de deformabilidade do solo:

a×q×B
s= × CD ×C W ×CT
N s = assentamento (mm);
CD = coef. de influência da escavação; a = 200, constante em Unidades SI;
CW = coef. de influência do NF; q = carga aplicada pela fundação (MN/m2);
CT = coef. de influência da espessura da B = largura da fundação (m);
camada compressível; N = valor de referência dos ensaios SPT;

N é o valor medido a uma profundidade igual a 3B/4 abaixo do nível da fundação, se


os valores de N variam linearmente com a profundidade, caso contrário:

• tomar a média do valor de N entre o nível da fundação e uma profundidade de 3B/4,


este valor considera-se N1;
• tomar a média do valor de N entre as profundidades 3B/4 e 3B/2 – valor N2;
• tomar a média do valor de N entre a profundidade de 3B/2 e 2B – valor N3;

3 N1 + 2 N 2 + N 3
N=
6
CD – Considera o facto de que as escavações
para fundações alteram o estado de tensão no
solo, e portanto, os valores de N medidos
antes da escavação exigem modificações.
CD = 1, se a fundação estiver localizada numa
escavação completamente reaterrada.

CT – admitiu-se que num solo uniforme, 50 % do


assenta/ acontece entre uma prof. 3B/4 abaixo
do nível de fundação e os 50% restantes, dentro
de uma faixa de prof. de 3B/4 e 2B abaixo do
nível de fundação.

CW – Corrige o efeito do NF. Admitindo que o NF apenas tem influencia se estiver


localizado dentro de uma profundidade de 2B abaixo do nível de fundação, e tomando
D como a profundidade de escavação e DW como a profundidade do NF sob a
superfície do solo;

DW D W (2B + D − D W )
CW = 1 + , para 0 < D W < D CW = 1 + , para D < D W < 2B
D + 3B / 4 2B(D + 0,75B )
Método de Burland (1977)

N = N médio definido para uma profundida de igual a 1.5B

Areias soltas (N<10) smáx = q (0.32 B0.3)


Areias medianamente densas (10<N<30) smáx = q (0.07 B0.3)
Areias densas (N>30) smáx = q (0.035 B0.3)
q em (kN/m2); B em (m ); s em (mm )

Tentativa de limite superior


areias soltas
s ⎛ mm ⎞
⎜ ⎟ Soltas
q ⎝ kPa ⎠ Médias
Densas Limite superior
areias médias

Limite superior
areias densas

Largura (m)
Método de Burland e Burbidge (1985)

Areias normalmente consolidadas

s = assentamento (mm)
s = q’ B0.7 Ic q’ = tensão média efectiva na fundação (em kPa);
B = largura da área carregada (em m)
Ic = índice de compressão ( = 1.71 / N1.4)

Para determinar Ic, existem casos em que é necessária


correcção:
a) Em areias finas ou areias siltosas submersas,
Ncorrigido = 15 + 0.5 (Nmedido – 15)
b) Em seixos ou areias com seixos:
Ncorrigido = 1.25 Nmedido

A resistência média à penetração N, é avaliada desde a base da


fundação até uma profundidade de influência Z1.
ƒ Para N constante ou crescente com a profundidade, utilizar o gráfico
para avaliar Z1;
Profundidade de influência, Z1 (m)

Ic = (a1/B0.7).102
a1 = ∆s1/∆q’ (mm/kPa)

B em metros

Largura da área carregada, B (m) Graus de compressibilidade

NSPT médio

ƒ Caso N diminua com a profundidade, Z1 deve ser tomado como


2B. Pode ser igualmente definido como sendo a profundidade
correspondente à base da camada mais compressível.
Areias sobreconsolidadas ou pré-carregadas

A sobreconsolidação ou pré-carregamento é considerado como


tendo um efeito considerável no assentamento.

Se σ’v0 é a máxima tensão efectiva vertical ⎛ 2 ⎞


ao nível da fundação: s = ⎜ q'− σ'v 0 ⎟B 0.7 I c
⎝ 3 ⎠

O que é equivalente a uma redução de cerca de 3 vezes na


compressibilidade para um incremento de tensão abaixo de σ’v0.

⎛1 ⎞
Se σ’v0 a não for excedido tem-se: s = ⎜ q' ⎟B 0.7 I c
⎝3 ⎠

Burland e Burbidge concluíram que nem a posição da cota de fundação


nem a posição do NF podem estatisticamente mostrar influência no
assentamento da fundação.

No entanto atribuem significativa influência à relação L/B, à espessura da


camada compressível e ao factor tempo.
OS SEGUINTES FACTORES DE INFLUÊNCIA DEVEM SER USADOS:
2
1) Factor de forma fs: ⎛ L ⎞
⎜ 1 . 25 ⎟
Para L/B > 1 fs = ⎜ B ⎟
⎜⎜ + 0.25 ⎟⎟
L
⎝B ⎠

2) Para uma espessura limitada da camada compressível (Hs) abaixo da


fundação:
H ⎛ H ⎞
fl = s ⎜⎜ 2 − s ⎟⎟
Z1 ⎝ Z1 ⎠

3) Para avaliar assentamentos para além de três anos após o final da


construção:
⎛ t⎞
ft = ⎜ 1 + R 3 + R t log ⎟
⎝ 3⎠

R3 Rt
Carregamento estático 0.3 0.2
Carregamento variável 0.7 0.8
Tensões admissíveis em solos coesivos

Correlações entre NSPT e a tensão admissível de solos coesivos,


Milititsky e Schnaid (1995).

Descrição Provável tensão admissível (kN/m2)


NSPT
(consistência) B = 0.75 m B = 1.5 m B = 3.0 m
Dura > 30 500 450 400
Muito rija 15 – 30 250 – 500 200 – 450 150 – 400
Rija 8 – 15 125 – 250 100 – 200 75 – 150
Média 4 – 8 75 – 125 50 – 100 25 – 75
Mole 2 – 4 25 – 75 < 50 -
Muito mole < 2 a estudar
ENSAIO SPT COM MEDIÇÃO DO TORQUE – SPT-T

Ranzini (1988)

O procedimento do ensaio:
1) retirada do batente, após a cravação do amostrador
normalizado no ensaio SPT,
2) na colocação de um disco centralizador no furo de sondagem
3) acoplagem de um pino adaptador ao torquímetro às varas de
sondagem
4) Após a ligação do torquímetro às varas de sondagem procede-
se à aplicação do torque, medindo o momento de torção
máximo necessário à rotação do amostrador, bem como o
valor residual do momento torsor.
Furo SPT e trem de varas Colocação do disco centralizador

Colocação do pino adaptador Acoplagem do torquímetro e


aplicação do torque
O registo do momento torsor máximo, necessário à rotação do
amostrador é normalmente obtido, logo após a aplicação da rotação
ao conjunto e antes de se completar a primeira volta.

O registo do momento de torção residual, que permanece constante


após o rompimento do atrito lateral solo-amostrador, é obtido
durante a rotação ininterrupta do torquímetro, quando o torque
permanecer constante.

É normalmente recomendado que a leitura seja feita quando


completada a segunda volta do ensaio, sem se interromper a
rotação. A velocidade de rotação recomendada corresponde a cinco
voltas por minuto.
Controlo da capacidade dos torquímetros
Capacidade do torquímetro
Variação de NSPT (N.m)
Máxima Mínima
0 – 10 265 59
11 – 30 471 98
30 – 50 785 167

Deve evitar-se a utilização de torquímetros com registos superiores a 400


N.m pois momentos superiores a esse valor, danificam as roscas das varas.
De modo a facilitar a medição do torque máximo é aconselhável a utilização
de torquímetros com ponteiro de arraste.
Vantagens do SPT-T

Ranzini (1994), a medida estática não é afectada pelos factores intervenientes


no SPT, tais como:
ƒ erros na contagem do número de pancadas,
ƒ cadência das pancadas,
ƒ altura de queda do martelo,
ƒ massa do martelo,
ƒ peso e rigidez das varas,
ƒ atritos vários,
Enquanto o valor de NSPT é sujeito a variações significativas dependentes do
equipamento de ensaio utilizado, a medição do torque envolve uma menor
variabilidade.
Apenas os erros relativos ao estado da parede lateral do amostrador, à
velocidade de aplicação do torque e os erros de leitura, sistemáticos e
ocasionais, podem influenciar as leituras.
As vantagens da medição adicional do torque ultrapassam os aspectos mais
desvantajosos deste trabalho suplementar. A realização da leitura relativa
à execução do torque é extremamente rápida (< 10 min.).
Para além de uma medição dinâmica da resistência (NSPT), é possível a
obtenção de uma medida estática da resistência relativa ao torque (TSPT).