Introdução

A cubagem de povoamentos florestais ou, por outras palavras, a estimativa do “volume da madeira em pé”, foi sempre uma atividade desafiante e concretizada a partir de diversos métodos de base técnica, de experiência pessoal adquirida ou da conjugação de ambos. Não podemos dizer à partida que o método descrito de seguida seja, só por si, infalível ou perfeito. Porém, quando executado com os devidos cuidados técnicos e após alguma prática, origina resultados predominantemente seguros. Acrescem as vantagens de ser um método relativamente simples, de rápida execução e de baixo custo. Na sua génese, este método baseia-se na recolha de amostras da área basal e da altura dominante do povoamento. Para além do conhecimento destas duas variáveis do povoamentos, é importante ter em mente alguns conceitos essenciais de amostragem.

escolher um fator do relascópio de modo a contar entre 15 a 20 árvores, condição que varia naturalmente com as características do povoamento. De modo a facilitar esta escolha para os povoamentos de eucalipto, analisámos uma amostra de resultados de parcelas de inventário, de modo a encontrar uma tendência entre a idade do povoamento e o fator do relascópio mais indicado:
Idade do Povoamento Até aos 9 anos Dos 9 aos 11 anos Mais de 11 anos Fator 0,5 0,5 ou 1 1

Procedimento de campo
1. Se possível com o apoio de um mapa e de uma bússola, siga o transecto planeado, até atingir o ponto de amostragem a avaliar. 2. Assinale o local do centro do ponto de amostragem com uma pedra ou qualquer outra marca. 3. Procure a árvore mais grossa num raio de 6 metros (mais rigorosamente, num raio de 5,65 metros). 4. Meça a sua distância à essa árvore, de modo a atingir a distância fixa configurada no HEC-R. Se possível, escolha um plano sem declive e evite sempre planos em que o utilizador fique abaixo da base da árvore. 5. Com o HEC-R na função de clinómetro, faça uma mirada para a base da árvore e fixe o valor. Seguidamente, faça uma nova mirada para o topo da árvore e fixe o valor final. 6. Regresse ao centro da parcela que previamente assinalou e, nesse local, direcione-se para árvore dominante que acabou de medir. 7. Escolha a mira relascópica a utilizar, em concordância com o fator configurado no HEC-R. Encoste o clinómetro abaixo do olho, de modo que o polegar fique no botão e estique a corrente na direção do DAP da árvore, com a mira correta voltada para cima. 8. Com o HEC-R na função de relascópio, realize a contagem das árvores cujo DAP ultrapassa a dimensão da mira do relascópio. As árvores que apresentarem uma largura idêntica à da mira são excluídas ou incluídas alternadamente. Esta operação é efetuada realizando um “giro”, iniciado na observação da árvore dominante e que termina na árvore mais próxima desta. 9. No final da contagem, fixe o valor. Pode consultar imediatamente no HEC-R um resumo de resultados que apresenta a área basal, a altura dominante e uma estimativa de volume por hectare. Note que esta última estimativa pode não estar correta. 10.Registe a área basal e a altura dominante numa ficha de campo ou numa folha de cálculo num PDA. Com esta última opção pode consultar imediatamente as estimativas dos resultados dos pontos de amostragem. 11.Repita o mesmo procedimento para o ponto de amostragem seguinte, até avaliar todas as amostras.

Planeamento do trabalho
Para um correto planeamento e execução do trabalho de campo é fundamental a utilização de um mapa da área a inventariar. No caso de não dispor deste importante instrumento de trabalho, no mínimo, será essencial ter um conhecimento antecipado do cálculo correto da área e ter uma boa noção dos limites dessa área no terreno. Mesmo que se façam medições extremamente cuidadosas das amostras, estas pouco valem sem um conhecimento válido da área total a inventariar. A medição das amostras em transectos é um procedimento interessante a considerar, uma vez que impõe sistematização à amostragem e, simultaneamente, alguma casualidade. Este procedimento poderá, por exemplo, ser estabelecido medindo 100 m de distância entre transectos e 100 m de distância entre pontos de amostragem, perfazendo a intensidade de 1 ponto de amostragem por hectare. De preferência, os transectos e os pontos de amostragem deverão ser previamente marcados num mapa, em oposição à sua escolha no decurso do trabalho de campo.

Equipamento
O HEC-R da Haglöf é um pequeno equipamento de dendrometria composto por um clinómetro digital e uma corrente relascópica, possibilitando, por isso, a medição de declives, alturas e áreas basais. Existem no mercado outros HEC-R, clinómetro equipamentos deste tipo, por exemplo, digital com corrente das marcas Sunnto ou Silva, que são relascópica igualmente recomendados para uso neste método de cubagem. Apenas com a intenção de detalhar os procedimentos propostos, é aqui feita uma referência direta ao funcionamento do HEC-R, uma vez que este foi o único equipamento do género testado pela Altri Florestal. Note que o HEC-R não mede distâncias, sendo sempre necessária a medição da distância do utilizador à arvore, que deve ser configurada no aparelho. A corrente relascópica possui 4 miras, correspondentes aos fatores 4, 2, 1 e 0,5. Alguns autores referem que se deve

Cálculo do volume
Como foi referido, após a medição e memorização dos valores da altura dominante e da área basal, o HEC-R possibilita a visualização direta de um resultado para o ponto de amostragem avaliado, em metros cúbicos por hectare. Note-se que a equação originalmente programada no equipamento (Volume = Ab x Hd x 0,45) sobreavalia os resultados quando aplicada em povoamentos de eucalipto. Desconhecemos ainda as diferenças verificadas para outras espécies. Desta forma, utilizando a mesma base de equação, criamos novas equações para a estimativa do volume mercantil com casca e sem casca de eucalipto, para substituição da equação programada do HEC-R. Este ajustamento foi feito com base na análise das variáveis e dos resultados de uma amostra significativa de parcelas do inventário de eucalipto da Altri Florestal.
Volume mercantil com casca Volume mercantil sem casca Ab x Hd x 0,4 Ab x Hd x 0,325

Verificaram-se diferenças mínimas entre os volumes calculados com base nestas equações e os volumes resultantes do inventário regular, em povoamentos com idades entre os 8 e os 14 anos.

Glossário
Altura dominante (Hd) É normalmente a média das alturas
das 100 árvores de maior diâmetro num hectare. Com base nesta definição, numa amostra, equivale à média das alturas de um número de árvores proporcional à área amostrada. Área basal (Ab) É a soma das áreas seccionais numa certa área, normalmente expressa em m2/ha. Área seccional É a área da circunferência do tronco da árvore, à altura do peito. Diâmetro à altura do peito (DAP) É o diâmetro de uma árvore medido a um 1,30 m de altura do solo. Volume mercantil É o volume total do povoamento (ou da árvore) com subtração dos volumes dos cepos e das bicadas.

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um método expedito para cubagem de povoamentos

maio 2013

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